FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS

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Funções Administrativas

Mas o que um administrador faz em uma organização? Como ele exerce a sua função? Essa foi uma das questões que levaram Fayol a definir as funções administrativas, que nada mais são do que os cinco elementos básicos do processo administrativos, utilizados até hoje são eles: planejamento, organização, direção, coordenação e controle.

Com uma visão mais orgânica das organizações e a determinação das funções administrativas, Fayol abriu a possibilidade de se formar administradores e criar o ensino da administração.

Fayol ainda definiu seis grupos de operações que poderiam ser encontrados em toda empresa econômica, assim descritos por Ferreira (2006, p.59 grifo nosso)

Função técnica – constituída pelas atividades diretamente relacionadas à produção. De acordo com Fayol, o número, a variedade e a importância das operações e as circunstâncias em que são executadas dão à função técnica uma grande importância, muitas vezes em detrimento das demais atividades. Fazia-se necessário, assim, o estabelecimento de um maior equilíbrio entre essas e outras funções.

Função comercial – envolve as atividades relacionadas com a compra, a venda e a permuta de produtos ou suprimentos. Para Fayol, saber comprar e vender é tão importante quanto saber fabricar bem. Deveria, assim, ser reconhecida a importância do conhecimento do mercado e das forças dos concorrentes, bem como dos fornecedores e das autoridades publicas relacionadas ao estabelecimento de regras comerciais.

Função financeira – é constituída pelas atividades relacionadas à captação e gestão de recursos financeiros. Fayol destaca que uma hábil gestão financeira é indispensável para o sucesso de uma empresa, pois nenhuma melhoria, nenhuma evolução seria possível sem a possibilidade de acumulação de capital ou obtenção de crédito.

Função segurança – envolve as atividades relacionadas à proteção do patrimônio da empresa e de seus trabalhadores, contra roubos, incêndios, inundações e acidentes, bem como contra greves e atentados;

Função contábil – são as atividades relacionadas com os registros contábeis e a produção de documentos como balanços e estatísticas. Segundo Fayol, a contabilidade constitui o órgão de visão das empresas. A ela cabe revelar, a qualquer momento, a posição atual e o rumo que está sendo tomado pelos negócios, por meio da prestação de informações claras, objetivas e precisas sobre a situação econômica da empresa.

Função administrativa – caberia a essa função a integração das outras cinco funções. Para Fayol, nenhuma das outras funções tem a incumbência de formular o programa de ação geral da empresa, de constituir o seu corpo social e coordenar os esforços das diversas áreas e setores. Essa tarefa caberia à função administrativa.

Veja que interessante a função contábil sendo defendida por ele como o órgão de visão da empresa. Essa idéia de Fayol ainda pode ser encontrada até hoje.

Convido você a assistir o vídeo abaixo com o depoimento de Daniel Aguiar – contador de Fortaleza que fala sobre a profissão de contador.

A TEORIA INSTITUCIONAL DE DOUGLASS NORTH

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Este artigo tem por objetivo resenhar a teoria institucional de Douglass North. Após uma breve introdução e alguns comentários relacionados ao seu método, re­sume-se o core teórico que propõe a partir da análise de três de suas principais obras sobre o assunto.

A partir da obtenção conjunta com Robert Fogel do Prêmio Nobel de 1993, Douglass North passou a ser referência importante para o estudo do desenvolvimento das economias no longo prazo. Numa obra com muitas incursões históricas e algumas inovações teóricas, o autor procura demonstrar como o crescimento de longo prazo, ou a evolução histórica, de uma sociedade é condicionado pela formação e evolução de suas instituições. Ligado ao grupo dos cliometristas norte-americanos, North torna-se conhecido na década de 60 pelos estudos de história econômica que desenvolve, com destaque para seu livro de 1966 The Economic Growth of the United States 1790-1860. Transita da análise de história econômica para estudos mais voltados à evolução de arranjos institucionais a partir de seu tra­balho Sources of Productivity Change in Ocean Shipping, 1600-1850, de 1968 (Goldin, 1994: 8). Ao estudar a evolução da produtividade da indústria de trans­porte oceânico num dado período, constata que evoluções institucionais foram mais importantes do que inovações tecnológicas. Desenvolve, em seguida, uma série de trabalhos procurando entender o papel das instituições na evolução das socieda­des, que culminam no livro Institutions, Institutional Change and Economic Per­formance, de 1990.

Douglass_North

Os estudos de Douglass North somados aos de Williamson, Coase, Demsetz, Alchian, entre outros, deram origem ao programa de pesquisa da Nova Economia Institucional (Rutherford, 1994: 2-3). O volume da literatura novo institucionalista é hoje crescente e, a se julgar pelo seu número de adeptos, pode-se dizer que essa corrente constitui-se num programa de pesquisa progressivo. Tendo em vista a im­portância de North como um dos fundadores desta agenda de pesquisa, este artigo procura contribuir para a discussão de sua obra a partir de uma leitura, entre ou­tras possíveis, de três de seus principais livros sobre o assunto. Após um breve co­mentário acerca do método de North, iniciamos o estudo pelo livro The Rise of the Western World: A New Economic History, de 1973, escrito em co-autoria com Robert Paul Thomas, que contém a origem de seus principais insights. Passamos, em seguida, ao texto Structure and Change in Economic History, de 1981, que já acena com o esboço de uma teoria das instituições. Por fim, estudamos o livro de 1990, onde North procura formular um modelo institucional capaz de explicar mo­vimentos seculares.

ENTRE A TEORIA E A HISTÓRIA

Para melhor entender a obra de Douglass North, precisamos capturar, de iní­cio, dois de seus principais movimentos ao longo do tempo. No primeiro, o autor migra da cliometria para a análise institucional. Como já vimos, a mudança se dá a partir do insight de que uma evolução institucional pode ser mais importante do que avanços tecnológicos para o desenvolvimento econômico. A transição fica cla­ra na comparação entre os enfoques de seu livro de 1961 The Economic Growth of the United States 1790-1860 e de 1971 Institutional Change and American Eco­nomic Growth.
O segundo importante movimento ocorre nos subsequentes textos. Tomando por base estudos institucionais históricos, o autor dá passos no sentido de construir uma teoria econômica institucional. A partir da constatação e do entendimento do que foi o processo histórico do desenvolvimento econômico, procura formular uma teoria (institucional) do desenvolvimento econômico. Estuda a história de diversas civilizações ao longo do tempo — Egito, Grécia, Roma, Europa Feudal, Inglaterra entre outras — para ir, aos poucos, construindo uma teoria que possa auxiliar na explicação da evolução das sociedades (ver Macedo, 2001: 354).
Esse transitar entre o histórico e o teórico pode ser encontrado em todos os livros escritos a partir dos anos 70. Com o passar do tempo, North vai migrando de aná­lises históricas para análises teóricas. Uma maneira simples de capturar esse movi­mento está na observação da divisão formal da estrutura de seus trabalhos. Em geral, divide seus livros em dois grandes blocos: teoria e história. A tabela abaixo ilustra a evolução que mencionamos por meio da comparação entre o espaço de texto for­malmente reservado para discutir cada assunto em suas três principais obras:

Teoria Institucional Douglas North

A ASCENSÃO DO MUNDO OCIDENTAL

A base da proposta de North pode ser encontrada na leitura que faz do caso de sucesso das economias do Ocidente, notadamente da Europa Ocidental e Esta­dos Unidos. Estas, segundo o autor, conseguiram desenvolver instituições capazes de atingir o crescimento econômico de longo prazo. O processo histórico do surgi­mento do capitalismo no mundo ocidental seria, portanto, a “matéria-prima” de seu trabalho The Rise of the Western World: A New Economic History, de 1973.
Em co-autoria com Robert Paul Thomas, procura mostrar como a Holanda e Inglaterra foram capazes de superar com sucesso as dificuldades impostas pela tran­sição do feudalismo para o capitalismo. Para os autores, o grande avanço ocorrido nesses dois países, depois replicado pela porção ocidental do continente e mais à frente pela Nova Inglaterra, ocorre antes da chamada Revolução Industrial.
As instituições criadas no final da Idade Média pelas cidades holandesas e bel­gas — Bruges, Antuérpia, culminando com Amsterdã — em parte inspiradas em prá­ticas de cidades italianas — Gênova, Veneza e Florença — e na sequência pelas prin­cipais cidades inglesas — Londres e Bristol — teriam sido capazes de levar ambos os países a um crescimento econômico nunca antes experimentado. Em seus termos, as sociedades dessas regiões teriam sido as primeiras a superar as “crises malthusianas”, transformando o crescimento populacional em verdadeiro crescimento econômico, e não em crises de empobrecimento. Vejamos um pouco mais acerca dessa idéia de North.
A obra The Rise of the Western World gira em torno do conflito entre o au­mento populacional e o esgotamento dos recursos físicos das sociedades no final do feudalismo. A partir dessa “tensão básica”, North procura descrever o compor­tamento do ocidente europeu na saída da Idade Média. Em momentos de estabili­dade social e política, como por exemplo nos séculos XII e XIII, o progresso eco­nômico desencadeava crescimento populacional. Esse crescimento, por sua vez, se desdobrava em desenvolvimento de novas instituições por um lado e empobreci­mento relativo das populações por outro. O entendimento da transição do feuda­lismo no início do século XI para as vésperas da Revolução Industrial no século XVIII passa pela análise dessa tensão.
O crescimento populacional dos séculos XI e XII somado ao decorrente aumento do comércio provoca mudanças na estrutura institucional da Europa Ocidental, notadamente devido ao surgimento das cidades (ver North e Thomas, 1973: 12).
Contratos como a commenda e a societas, que envolviam a cooperação de um sócio investidor e um sócio “viajante”, o ressurgimento de bancos de depósito e a criação de formas incipientes de bills of exchange e seguros significavam grandes avanços em termos da organização do processo produtivo. As feiras, como as de Champagne, mais do que praças comerciais, passavam a constituir-se em embriões de mercados de capitais.
Surgiam as sementes institucionais que estariam por trás do desenvolvimento econômico europeu subsequente. Com o renascimento comercial e urbano, parte das transações econômicas, antes restritas ao perímetro feudal, passariam a ser efetuadas nas cidades, dando origem aos mercados. Gradualmente o trabalho pas­saria a ser direcionado para a produção mercantil em detrimento de atividades de subsistência. Pouco a pouco, as cidades iriam ganhar espaço em relação aos feudos, trazendo grandes complicações ao arranjo institucional antes prevalecente. Os con­tratos de servidão feudais, por exemplo, passariam cada vez mais a competir com as incipientes relações mercantis presentes nos centros urbanos.
Essa evolução não seria, entretanto, linear. O grande progresso institucional observado dos 1000 aos 1300 é interrompido por um período de estagnação que vai pelo menos até meados dos 1400. Retomando a tensão básica de North, se por um lado o crescimento populacional desencadeou uma série de inovações institu­cionais, notadamente o ressurgimento dos mercados, por outro, trouxe vários pro­blemas ao cenário do oeste europeu, por conta do descompasso surgido entre a pro­dução de alimentos e as necessidades de uma população crescente. Os retornos decrescentes da agricultura, decorrentes da ausência de inovações tecnológicas, fi­zeram com que muitas sociedades entrassem em colapso nesse período. Como bem aponta North, os séculos XIV e XV são marcados por fomes e pestes, por conta do aumento da pobreza relativa.
Um outro aspecto importante de sua tese encontra-se na discussão dos séculos XVI e XVII. Ao analisar o surgimento dos estados modernos, o autor procura de­monstrar o que considera trajetórias institucionais bem-sucedidas. Os casos clássi­cos são Holanda e Inglaterra, que foram capazes de desenvolver arranjos institu­cionais para estimular atividades produtivas. O coração de seu argumento está na relação entre os estados que surgem nessas regiões e as organizações ou grupos produtivos locais. Nos países de sucesso, teria havido um equilíbrio de poder entre as monarquias e produtores que favoreceu a confecção de leis propícias ao desen­volvimento do comércio e da indústria. Na Espanha e França, principalmente na primeira, as leis e a organização institucional não teriam contribuído para o flores­cimento de atividades economicamente produtivas. Em geral, observamos nesses países, à época, uma legislação protetora de monopólios — como o caso das Mestas na Espanha — que não estimulava o surgimento de atividades rentáveis para a so­ciedade como um todo. O ponto relevante está na relação entre os estados que nasciam e a classe produtiva em geral. Mais especificamente, nas leis e regras que iam sendo geradas pelo sistema político para ordenar a atividade econômica. Como veremos adiante, o desempenho econômico das sociedades resultará sempre, em ultima análise, de suas dinâmicas institucionais.
Mas, enfim, do que depende e do que dependeu a prosperidade alcançada pelo mundo ocidental? Aqui tocamos o ponto crucial de sua contribuição, já presente no texto de 1973. Para se entender o desenvolvimento econômico sustentável de longo prazo, deve-se estudar as causas anteriores às tradicionais variáveis de cres­cimento. Para North, a chave do problema econômico não está no avanço tecnológico ou na acumulação de capital. Está nas regras ou arranjos institucionais que estimulam ou inibem atividades nesse sentido. O que a literatura econômica atual considera causas do crescimento nada mais são do que consequências de uma dada matriz institucional específica. No limite, as causas do crescimento, identificadas por essa visão, são o próprio crescimento (North e Thomas, 1973: 2).
O segredo para atingir o crescimento está na construção de uma matriz que estimule a acumulação de capital físico e humano. A grande distância observada ainda hoje entre países pobres e ricos encontra-se muito mais em diferenças entre matrizes institucionais do que em problemas de acesso a tecnologias. Sociedades pobres encontram-se nessa situação justamente por não terem desenvolvido uma base de regras, leis e costumes capazes de estimular atividades economicamente produtivas, especificamente acumulação de capital e de conhecimento.
O livro de 1973 procura justamente entender essa evolução institucional, que fez da Europa o berço da civilização ocidental. Observa-se isso a partir da saída da Idade Média. As instituições desenvolvidas originalmente na Itália e Holanda e seus desdobramentos levados a cabo principalmente pela Inglaterra colocam a civilização dessa porção do continente em posição privilegiada na saída do sécu­lo XVIII. A proposição teórica de North de que as instituições estão na origem do processo de acumulação de capital e progresso tecnológico verifica-se na prá­tica da história.

OS RECORTES TEÓRICOS DE 1981

Caminhando para a construção de um modelo mais coerente e fechado, North escreve o texto de 1981. Passa a distanciar-se ainda mais da perspectiva histórica em direção à teoria. Analisa, é certo, uma quantidade de situações históricas: a re­volução do período Neolítico, os grandes impérios da Antiguidade, o Feudalismo,
o surgimento da Europa Moderna, a Revolução Industrial, entre outros episódios. Certamente sua discussão não tem o detalhamento e rigor requeridos por estudos genuinamente históricos. Mas, justamente nesse ponto, encontramos a marca de North. Usa o histórico como alavanca para seus vôos teóricos (ver North e Davis, 1971: 4).
Apesar de ainda não ter um teoria completamente acabada do desenvolvimen­to econômico e da evolução institucional, avança já com bastante força em termos analíticos. Por meio do conceito de structure presente no título da obra, procura captar teoricamente os diversos traços das sociedades com que se depara nas aná­lises históricas. Para explicar a perfomance delas, teoriza sobre seus aspectos fun­damentais: “political and economic institutions, technology, demography and ideo­logy” (North, 1981: 3). Vejamos, já nos valendo — por questões didáticas — do texto de 1990 e de escritos posteriores, um pouco mais dos recortes teóricos que começam a se articular para formar o modelo que North irá propor.

O papel da ideologia e o conceito de racionalidade

Como veremos abaixo, o conceito de racionalidade que North utiliza jogará pa­pel fundamental na construção de sua dinâmica institucional. Ao introduzir a noção de incerteza, tem o intuito de mostrar, já de início, sua rejeição pela rational choice. Argumenta o autor que os axiomas dessa teoria são muito rígidos e que sua ado­ção tem, de certo modo, impedido o avanço das ciências sociais (North, 1990: 17).
Como alternativa, propõe uma teoria de racionalidade mais ampla que dê conta dos dois principais problemas da rational choice a seu ver: i) a motivação dos agentes; ii) o problema da decifração do ambiente.
A impossibilidade de conhecer toda informação necessária para a tomada de decisões ótimas está na base da proposta do autor. Por problemas de complexida­de e falta de capacidade computacional (North, 1990: 25) ou por questões de rea­lidades mutáveis (North, 1999: 16), os agentes são incapazes de tomar decisões óti­mas. É importante também frisar que o autor rejeita a noção de que, ao longo do processo decisório, mecanismos de feedback possam ser responsáveis pela correção de erros, fazendo com que, pelo menos no longo prazo, haja convergência entre as decisões dos agentes e os resultados considerados ótimos (North, 1990: 19).
Defenderá, assim, a utilização de uma racionalidade processual do tipo Herbert Simon como base para sua teoria de evolução institucional. A partir do momento em que os agentes não conhecem o mundo sobre o qual devem decidir, passam a construir “realidades subjetivas” dele e a atuar sob estas. Racionalidade não signi­fica aqui atingir uma situação ótima, mas sim agir da maneira mais razoável possí­vel na busca de determinados fins, dada a pobreza informacional. Na melhor das hipóteses, os agentes podem tentar aproximar sua visão de mundo — ideologia nos termos de North — da própria realidade objetiva.
Em termos motivacionais, a situação também não é simples. North argumen­ta que a maximização simplista da rational choice não consegue tratar de uma sé­rie de comportamentos pertinentes às ciências sociais. Seja por não explicar gestos altruísticos e cooperativos, seja por não levar em consideração dogmas, idéias e ideo­logias nas decisões dos atores, as behavioural assumptions of received theory pare­cem deixar muito a desejar na explicação de alguns fenômenos sociais e econômi­cos relevantes.
North não dá conta, entretanto, de propor uma teoria que seja capaz de supe­rar as críticas que levanta. Destaca o trabalho de Herbert Simon e Ronald Heiner, que parecem propor solução promissora, e cita também alguns estudos de sociobio­logistas — Jack Hirchleifer (1987) — sobre a questão dos problemas motivacionais. Sugere também, por várias vezes, a importância de uma teoria sociológica do co­nhecimento — leia-se teoria da ideologia — para o entendimento da evolução eco­nômica. Argumenta que o estudo da interação entre Reality and Beliefs (North, 1999: 10) é crucial para a explicação da evolução das sociedades no longo prazo. Veja­mos um pouco mais acerca de suas idéias sobre esse tema.
Na ausência de uma racionalidade otimizadora substantiva, resta ao autor ex­plorar mais a fundo a formação das crenças dos agentes que estão por trás das toma­das de decisão. Em outros termos, entender o papel da ideologia (interconnected comprehensive view of the world, em North, 1981: 52) nas sociedades significa “the single most important step that research in the social sciences can make to replace the black box of the “rationality” assumption used in economics and rational choice models” (Denzan e North, 1994: 2).
Ao restringir o comportamento individualista, resultante de um cálculo maxi­mizador puro e simples, funciona como uma importante instituição informal na so­ciedade. Reduz, portanto, a incerteza na interação entre as pessoas, estabelecendo uma base comum de crenças e regras que permitirão as trocas econômicas. O cará­ter disciplinador das ideologias reduz os custos de transação (ver North, 1981: 11).
Altera o significado clássico do conceito de ideologia. Argumenta North que códigos morais e éticos de conduta, fortemente baseados em ideologias, estão na base da estabilidade social, sendo responsáveis pelo funcionamento do sistema eco­nômico (North, 1981: 47). Ideologias, ao sustentarem regras informais, também contribuem fortemente para a manutenção das leis e códigos escritos de uma socie­dade através de um efeito legitimador. São estáveis as leis que parecem legítimas aos agentes.
A introdução de ideologia na análise econômica também é útil para explicar um outro paradoxo da teoria neoclássica. Segundo North, a defesa da idéia de um estado hobbesiano, como resultante de um acordo entre agentes que produza re­gras ótimas de interação social, é conflitante com um cálculo maximizador simplista praticado pelos agentes segundo a teoria. Se o agente é racional quanto ao segui­mento do acordo hobbesiano, deixa de sê-lo em relação à maximização de seus custos e benefícios individuais (North, 1981: 45). Novamente defende o autor a impor­tância das ideologias para explicar situações desse tipo. Procura mostrar que so­mente a partir do estudo da dinâmica ideológica das sociedades podemos entender comportamentos coletivos que parecem infringir a restrição da maximização indi­vidual. Reconhece, portanto, a lógica do free rider, mas propõe uma espécie de “racionalidade ideológica” para superá-la (North, 1981: 47).
Além da importância na sustentação de regras informais, as ideologias têm grande influência na constituição das regras formais de uma sociedade. Ao impregnar a tomada de decisão dos agentes políticos, estão também na base da formação de nossos códigos escritos; as ideologias importam para o entendimento das regras e leis que derivam do funcionamento do sistema político. Seja no comportamento de governantes, de grupos de interesse ou ainda de agentes do sistema judiciário, é somente por meio do conceito de ideologia que podemos entender a construção do arcabouço legal de uma sociedade (North, 1981: 56-57). As ideologias estão na base da formação das regras formais e informais de uma sociedade e, portanto, têm papel fundamental no desempenho das diversas economias (ver North, 1999: 14-15).
Para concluir, vejamos brevemente o pequeno modelo da dinâmica de ideolo­gias que North propõe. Curiosamente, inspira-se na A Estrutura das Revoluções Científicas, de Thomas Kuhn (Kuhn, 1976), para explicar o surgimento e desapa­recimento de ideologias. Propõe que a dinâmica ideológica é parecida com a dinâ­mica científica proposta por Kuhn. A manutenção de uma ideologia depende de sua capacidade de explicar o mundo à sua volta e da ausência de ideologias competi­doras com maior poder explicativo — uma espécie de “ideologia paradigmática”. Com o surgimento de novas ideologias e com a acumulação de “anomalias ideoló­gicas” os agentes podem migrar para uma nova visão de mundo, abandonando a antiga, caracterizando o que Kuhn chamou de revolução científica (Kuhn, 1976: 145-6) — revolução ideológica no caso de North. Uma ideologia só se sustenta se for capaz de explicar coerentemente o mundo à sua volta. É, portanto, uma racio­nalização de fenômenos reais percebidos (North, 1981: 49).

O Estado e sua relação com a economia

O Estado tem importância central nas idéias de North. Na medida em que define e cuida do enforcement da base legal de uma sociedade, responde diretamente pela manutenção e formação de suas regras formais. Ao definir a estrutura de proprie­dade sobre o que é produzido, condiciona desde o início o a performance das eco­nomias. A própria definição de Estado para North está umbilicalmente ligada à idéia de direitos sobre propriedade e regras de produção (North, 1981: 21).
Ele argumenta que as tradicionais teorias do Estado estão incompletas por não tratarem adequadamente da questão da evolução das formas de propriedade. A teoria do Estado marxista ou explorador, que atua defendendo os interesses das classes no poder, ignora os ganhos econômicos iniciais obtidos pelo pacto que faz surgir o Estado. A teoria contratualista, por sua vez, explica esses ganhos, mas menospreza a tendência de determinados grupos tomarem conta do Estado.
A dinâmica básica do modelo de Estado proposto por North vem da intera­ção das atitudes de um ruler e de seus constituents. O primeiro busca maximizar suas receitas a partir de regras que define sobre a propriedade e a produção dos constituents. Estes, por sua vez, cedem parte de seus direitos ao Estado em troca de serviços como proteção e justiça. O limite de submissão dos constituents ao ruler vem do custo de oportunidade enfrentado pelos mesmos de se manter sob a égide de um dado ruler. Se por algum motivo outro Estado — ou algum arranjo dentro do próprio Estado — for capaz de oferecer os mesmos serviços a um custo tributário menor, haverá a tendência de dissolução do governo e deposição do ruler (North, 1981: 23).
Dessa dinâmica resultará a estrutura de propriedade da economia. Será mais eficiente — discutiremos esse conceito com o devido cuidado mais adiante — quanto maior for o poder dos constituents em restringir as atividades de taxação dos rulers. Será ineficiente quanto maior a força dos governos em impor regras de apropriação dos excedentes que resultem em desestímulo à produção de riqueza (North, 1981: 25).
Ao definir as instituições formais no modelo, o estado determina “the funda­
mental rules of competition and cooperation which will provide a structure of pro­perty rights (that is, specify the ownership structure in both factor and product markets) for maximizing the rents accruing to the ruler… [and] reduce transaction costs in order to foster maximum output of the society and, therefore, increase tax revenues accruing to the state” (North, 1981: 24). É somente a partir do estudo do funcionamento do sistema político que podemos entender a origem e a dinâmica das regras formais em uma sociedade.
É importante frisar que North parte de um modelo simples, desenvolvido no texto de 1981, para entender a dinâmica básica entre a esfera política e econômi­ca das sociedades. No texto de 1990, enriquece sua análise, estendendo o modelo para formas de Estado com vários grupos de interesse, e não um simples ruler, to­cando inclusive na questão da evolução dos sistemas políticos para formas demo­cráticas. Não é de nosso interesse aqui desenvolver todas essas idéias. Basta reter seu ponto principal que está na análise da interação entre a política e a economia. Vejamos.
Um sistema político ideal seria aquele que produzisse uma estrutura de pro­priedade que maximizasse o produto econômico de uma sociedade. Seria, portan­to, um sistema capaz de produzir uma estrutura eficiente de propriedade como ve­remos abaixo — um sistema político eficiente. Destaca que a democracia é um grande avanço nesse sentido, mas não constitui necessariamente uma situação dessas, aler­tando para os perigos da transposição da lógica econômica para o mercado políti­co. A democracia não equivale, na política, aos mercados competitivos em econo­mia (North, 1990: 51). Argumenta que a imperfeição do mercado político está na base da constituição de instituições econômicas ineficientes. Defende que os custos de transação também são altos na política, dificultando um funcionamento adequado do sistema (North, 1990: 109). Apesar de não ter uma teoria completa sobre esse tema, sugere pontos relevantes, apontando o caminho que acredita ser o correto (ver North, 1990: 112).

O conceito de eficiência e o sistema de propriedade

O conceito-chave para o entendimento da prosperidade proposta por North é o de instituições eficientes. O autor define, já no livro de 1973, um arranjo insti­tucional deste tipo: capaz de igualar o retorno privado ao retorno social das ativi­dades econômicas dos agentes de uma dada sociedade. Uma matriz institucional eficiente será aquela capaz de estimular um agente ou organização a investir numa atividade individual que traga retornos sociais superiores a seus custos sociais. A chave para tal arranjo de sucesso está em estabelecer um sistema de propriedade bem definido e acompanhado de um aparato de enforcement eficaz (North e Thomas, 1973: 1-2).
Ao definir e garantir direitos de propriedade, arranjos eficientes levarão orga­nizações e indivíduos a investir em atividades economicamente produtivas, nota­damente na acumulação de capital e conhecimento. Por várias vezes e em vários de seus textos, North dá exemplos específicos dessas formas institucionais e orga­nizacionais: “Joint stock companies, corporations… prizes, patent laws… enclosures, bills of exchange, the abolition of serfdom… insurance companies” (North e Thomas, 1973: 5 — para uma descrição mais detalhada ver também North, 1997: 27-29). Vejamos um pouco mais acerca da evolução dessa idéia na obra de North.
No texto de 1973, ele ainda tem uma visão simplista do surgimento das for­mas de propriedade. Argumenta que cálculos de custo-benefício de criação e ma­nutenção estariam por trás da definição das mesmas, em outros termos, relações de escassez ou abundância de fatores de produção determinariam em cada caso a estrutura de propriedade (North, 1990: 51). Já na obra de 1981, amplia seu racio­cínio, abrindo espaço para as formas de governo determinarem a estrutura de pro­priedade. Como vimos acima, da interação entre os governantes e seus governados resultaria a base legal determinante dessa estrutura. Abandona, portanto, uma vi­são mais otimista, na qual instituições eficientes surgiriam como respostas econô­micas automáticas, para adotar uma postura mais pessimista, na qual governos, ao maximizar suas receitas tributárias, poderiam produzir arranjos institucionais ine­ficientes, em outros termos, sistemas de propriedade mal definidos.
Na obra de 1990 vai além. Amplia seu modelo de Estado, para encontrar no mau funcionamento dos sistemas políticos atuais a causa do surgimento e persistência de arranjos de propriedade ineficientes. Soma a esse argumento a importância das ideologias, para então concluir que um arranjo eficiente depende, em última análise, da dinâmica política e cultural de uma sociedade (North, 1990: 140).
Num outro plano, também percebemos uma evolução na ideia de eficiência. Ele trabalha inicialmente com um conceito de eficiência produtiva, “como a capacidade de se gerar um certo arranjo institucional que maximize a produção, dado um certo estoque de recursos e tecnologia” (Moraes Junior, 2000: 10) — como visto acima, ideia fortemente presente nos livros de 1973 e 1981. Introduz no texto de 1990 um conceito mais elaborado, eficiência adaptativa. Uma sociedade será mais eficiente quanto maior for sua capacidade de se adaptar a adversidades ao longo do tempo (Moraes Junior, 2000: 10). Migra, portanto, de uma concepção estática de eficiência para uma dinâmica (ver North, 1990: 80).

O MODELO DE 1990

Por fim, chegamos ao cerne da contribuição do autor. No texto Institutions, Institutional Change and Economic Performance, North finalmente atinge seu objetivo. Se descola da história, para enunciar um modelo do desenvolvimento econômico. Segundo suas palavras (North, 1990: 7), encontra a resposta teórica que procurava. Em nossos termos, opera sua transição final da análise histórica para a teórica (ver Velasco e Cruz, 2001: 5).
Abandona o estudo da evolução das instituições como a forma histórica pela qual os homens estabeleceram a ordem social. Amplia o insight de Ronald Coase
— “when it is costly to transact, institutions matter” (North, 1990:12) — para teorizar sobre as reduções de custos de transação que instituições trazem para um sistema econômico em termos hipotéticos. Alguns comentários importantes antes de entrar no modelo propriamente dito.
Ao longo do percurso, percebemos que a busca do entendimento do progresso econômico em North se mistura com a busca pela compreensão da evolução das instituições que levam a esse progresso. Para o autor, estudar o desenvolvimento econômico significa, portanto, estudar o desenvolvimento institucional. Não à toa, sua obra mais importante se preocupará em entender a dinâmica institucional das sociedades. Após 20 anos de trabalhos e estudos, conclui que não é possível enten­der a evolução e o progresso das sociedades sem uma teoria das instituições.
Apesar de discursar num nível teórico, faz questão de aplicar sua proposta, ao longo do texto, a análises históricas. Discute a evolução da economia norte-ameri­cana no século XIX (North, 1990: 8), o papel da Northwest Ordinance, que regu­lou a ocupação das terras do Oeste nos Estados Unidos ainda no século XVIII (North, 1990: 97), a dissolução do feudalismo (North, 1990: 89 e 96), a permanência de economias regionais primitivas como o Suq (North, 1990: 123), as diferentes tra­jetórias históricas da América do Norte e América Latina (North, 1990: 103 e 113),
o impacto da Revolução Gloriosa na história inglesa (North, 1990: 139), entre ou­tras. Vejamos o modelo que propõe.

Incerteza

O conceito mais fundamental ou primário do modelo é a incerteza. A existên­cia desta, argumenta o autor, impossibilita ou dificulta enormemente a possibilida­de de transações econômicas entre pessoas. North está aqui primordialmente preo­cupado com situações de imperfeição de informação presentes nos settings de es­colha e de interação dos agentes.
Não é completamente explícito a respeito do tipo de incerteza com que os agen­tes se deparam. Por momentos (North, 1990: 25) podemos considerar que o autor tem basicamente uma visão de incerteza epistemológica como definida por Davidson (1996: 5), significando que os agentes não possuem as capacidades mentais e com­putacionais para conhecer e processar todas as informações pertinentes à sua to­mada de decisão. Prova dessa postura está em sua defesa de uma racionalidade processual do tipo Herbert Simon, em geral associada a esse primeiro tipo de ca­racterização de incerteza (no que Dequech, 2001(a): 6, tipifica incerteza procedi­mental ou processual).
Mais recentemente (North, 1999: 16), encontramos indícios de que North tem em mente uma noção mais forte de incerteza, não se referindo apenas a problemas computacionais dos agentes, mas sim a uma situação de realidades mutáveis. Po­deríamos aí então considerar esse tipo de incerteza como ontológica nos moldes da definição de Davidson (1996: 494) — em outros termos, a relevância do conceito de não-ergodicidade no setting informacional dos agentes. (Para uma discussão mais detalhada sobre esse assunto, ver Dequech, 2001a.)
Seja ontológica, seja epistemológica, o que interessa é a utilidade do conceito de incerteza para o ferramental de North. Ao impedir que os agentes conheçam todo o seu rol de possibilidades de escolha de forma ex ante, esta se torna responsável por interrupções ou “mau funcionamento” das transações econômicas, fazendo com que os agentes sejam incapazes de atingir soluções ótimas a partir de suas decisões.

Custos de Transação

Nesta parte do modelo, North reduz o grau da abstração de seu discurso, para explicitar o que de fato o interessa derivar do conceito de incerteza: os custos de transação.
Grosso modo, estes se dividem em dois. Custos de measurement e de enfor­cement. O primeiro relaciona-se à dificuldade dos agentes em conhecer de fato o objeto da transação em curso (North, 1990: 29). Tem, obviamente, um quê da lite­ratura dos problemas de assimetria de informação, notadamente da linhagem Akerlof e The Market for Lemons. O ponto crucial aqui está na impossibilidade do conhe­cimento da qualidade do produto de forma ex ante pelo agente comprador em uma transação; fato que, no limite, pode abortar a troca, anulando possíveis ganhos de comércio.
Os custos de enforcement, por sua vez, referem-se à incerteza que os agentes têm sobre a propriedade do bem a ser trocado (North, 1990: 32) e, portanto, rela­cionam-se a problemas de legitimidade da transação a ser efetuada. A preocupação aqui se volta a transações complexas que envolvem bens consumidos e produzidos ao longo do tempo, e não meramente a trocas simples e únicas. Se algum tipo de arcabouço de proteção não estiver presente de forma a minimizar esse tipo de in­certeza, veremos que, novamente, as trocas entre agentes não serão possíveis.
Enfim, a partir desses dois conceitos, North procura mostrar a dificuldade enfrentada pelos agentes econômicos por conta da existência de incerteza. A partir daí, introduz o conceito de instituições, que será a base de todo o seu modelo. Es­tas, ao reduzirem os custos de transação, atenuando o problema da incerteza, faci­litarão a coordenação econômica e social (North, 1990: 27).
Uma nota aqui já se faz importante. Não há nada que garanta, para North, uma evolução institucional que aumente a eficiência das economias. Voltaremos a este ponto mais adiante.

Instituições

Chegamos ao cerne do modelo. Na presença de incerteza e para superar os custos de transação surgem as instituições. Desde os primórdios até hoje, indivíduos inte­ragem a partir de regras. Somente a partir do surgimento destas, é possível enten­der a organização das sociedades (ver North, 1990: 3).
O nível de abstração do conceito de instituição é de fato alto. Uma regra ou norma que rege a interação entre indivíduos pode ter infinitos significados. Para tornarmos o conceito mais útil, devemos reduzir seu nível de abstração, como faz North. Ele aplica-o de forma específica ao campo da economia, notadamente na intermediação de interações econômicas entre agentes. Nessa linha pode-se fazer a leitura de que as instituições representam uma restrição a mais para os agentes no curso de suas transações econômicas. Desta maneira, estaríamos, contudo, redu­zindo demais seu papel no arcabouço de North. Como argumenta Dequech (2001b: 8) as instituições podem jogar também um papel construtivo, e não meramente restritivo, na interação dos indivíduos.
Importante também é a divisão destas em formais e informais. Sendo as primei­ras leis e constituições formalizadas e escritas, em geral impostas por um governo ou agente com poder de coerção (North, 1990: 46), e as segundas, normas ou códigos de conduta, formados em geral no seio da própria sociedade (North, 1990: 36).

Organizações

Chegamos agora ao conceito que gera a dinâmica do modelo. A partir dos es­tímulos oferecidos pela matriz institucional, surgirão diversas organizações que atuarão na busca de diversos objetivos. Para North, organizações são os principais agentes de uma sociedade e dentro dessa categoria encontramos os mais diversos entes: “political bodies (political parties, the Senate, a city council, a regulatory agency), economic bodies (firms, trade unions, family farms, cooperatives), social bodies (churches, clubs, athletic associations), and educational bodies (schools, universities, vocational training centers)” (North, 1990: 5).
Para melhor explicar o papel destas no modelo, o autor lança mão da metáfo­ra dos jogos esportivos. Se as instituições são as regras do jogo, as organizações representam os diversos times que disputam o campeonato da sociedade. North não se aprofunda muito no porquê do surgimento das organizações, limitando-se a fa­zer algumas referências aos trabalhos de Coase, Barzel e Williamson — que grosso modo explicam o surgimento destas como respostas ótimas à existência de custos de transação. Sua preocupação principal está em criar uma nova categoria de aná­lise que possa introduzir dinâmica no sistema ao interagir com a matriz institucional (North, 1990: 4).
Originalmente, as organizações surgem do framework institucional de uma sociedade num momento do tempo. Daí por diante, passam a interagir com outras organizações, com as próprias instituições e com as tradicionais restrições da teo­ria econômica. Dessa interação resulta a economic performance das diversas socie­dades, bem como sua evolução institucional. Vejamos isso com mais detalhes.
Ao longo do processo histórico, as diversas organizações podem investir seus esforços das mais variadas maneiras, sempre buscando na margem os maiores pay­offs para suas ações. Podem investir em atividades econômicas socialmente produ­tivas — como em novas tecnologias de produção —, podem investir em atividades redistributivas — como, por exemplo, a formação de monopólios. Podem ainda investir na própria alteração das regras do jogo, mudando, portanto, a matriz insti­tucional sob a qual estão operando (North, 1990: 78). Nada garante, entretanto, que esses investimentos sejam socialmente ótimos ou que exista algum mecanismo capaz de levá-los ao longo do tempo a uma situação eficiente.
A partir desse amplo processo de interação entre instituições e organizações, North procura entender a evolução das sociedades. Ao longo do texto de 1990 encontramos referência, entre outras, às seguintes organizações: Mafia, General Motors, Merchant Adventures, Manors, Pirates, Chemical manufacturer do século
XX. Ainda a respeito dessa interação, vale a pena mencionar a comparação que North faz da indústria química do início do século XX com atividades de piratas ao longo da história. Os primeiros, ao gerarem demanda por novos conhecimen­tos, estariam engajados em atividades produtivas e os segundos, ao saquear e rou­bar, estariam privilegiando atividades redistributivas. A explicação para o compor­tamento de ambos estaria nos incentivos contidos na matriz institucional de suas sociedades (ver North, 1990: 78).

A Dinâmica da Matriz Institucional

Ao abrigar as instituições — formais e informais — de uma sociedade num momento específico do tempo, a matriz institucional será responsável por definir o vetor de estímulos para os diversos agentes sociais, especialmente os envolvidos em atividades econômicas. Em grande parte, a história das sociedades se resume, para North, na evolução de suas matrizes institucionais e suas decorrentes consequências econômicas, políticas e sociais.
O conceito de matriz institucional procura dar operacionalidade à teoria, pois apresenta-se de forma mais concreta. Para entendermos o desempenho de diversas sociedades ao longo da história basta analisarmos a dinâmica de suas matrizes institucionais (North, 1990: 5).
Já vimos que os principais agentes de mudança no modelo de North são as organizações. É a partir destas também que podemos entender a dinâmica institucio­nal que North propõe. Para maximizar o retorno de suas atividades, organizações investem, na margem, em atividades econômicas ou políticas. Ao se depararem com mudanças de preços relativos e preferências — ou algum tipo de mudança exógena ao ambiente econômico —, têm duas opções para capturar novas oportunidades de ganho: rearranjar a relação de insumos e produtos com que trabalham sem alte­rar a matriz institucional sob a qual operam ou investir esforços para mudar essa matriz de modo a poder capturar tais ganhos decorrentes de mudanças no ambiente.
Uma organização, ao operar, afeta variáveis políticas e econômicas. Quando seu cálculo de custo-benefício levá-la a atuar na esfera política, isto é, alterar leis, contratos e normas, assistiremos a uma mudança institucional. Para melhor explicitar essa concepção, North introduz a noção de equilíbrio institucional (North, 1990: 86). Uma dada sociedade estará nesse equilíbrio quando, dada as condições correntes, nenhum de seus agentes (organizações) tiver estímulo para alterar as regras formais e informais (instituições) sob as quais essa sociedade opera (ver North, 1990: 86).
O segundo conceito essencial para a dinâmica institucional de North é o path dependence. Desenvolvida pelos trabalhos de Paul David e Brian Arthur, essa idéia procura demonstrar como soluções ineficientes podem persistir, mesmo que esco­lhidas por agentes racionais. Por conta de retornos crescentes, a escolha de uma tecnologia menos eficiente num dado momento do tempo acaba se tornando ótima quando o sistema é dinamizado. Em outros termos, a história do processo adquire relevância.
Como nos mostra North (1990: 94), os mecanismos self-reinforcing de Arthur ocorrem devido a quatro motivos principais: i) altos custos de set-up, ii) efeitos de aprendizado, iii) efeitos de coordenação e iv) expectativas adaptativas. A conse­qüência deles é, na sequência: i) possibilidade de múltiplos equilíbrios, ii) possibi­lidade de equilíbrios ineficientes, iii) lock-in e iv) path dependence (ver North, 1990: 95).
A consequência dessa concepção da dinâmica institucional é a de que mudan­ças ocorrem de forma gradual, ao alterar na margem a estrutura de regras das so­ciedades. O próprio conceito de retornos crescentes realça a idéia de que uma vez numa trajetória, maior a tendência de permanência nela. A partir desse conceito, North procura confrontar a idéia otimizante de evolução institucional presente na proposta de Armen Alchian (para mais detalhes, ver North, 1990: 92). O início de um processo tem papel fundamental sobre o curso de seus acontecimentos. Com
o passar do tempo instituições ineficientes não sucumbem. As decisões tomadas no passado têm, portanto, forte influência sobre as possibilidades do presente. Como diz North, antes de tudo um historiador econômico, history matters (North, 1990: 100).

O Desempenho Econômico

Vejamos finalmente como fica a “Teoria Geral” proposta por North (para uma formulação semelhante, ver Eggertsson, 1998: 8-11, Garcia et al, 1999: 9-10 e Medeiros, 2001: 78-80):
• O ambiente econômico e social dos agentes é permeado por incerteza.
• A principal conseqüência dessa incerteza são os custos de transação. Estes podem ser divididos em problemas de measurement e enforcement.
• Para reduzirem os custos de transação e coordenar as atividade humanas, as sociedades desenvolvem instituições. Estas são um contínuo de regras com dois extremos: formais e informais.
• O conjunto dessas regras pode ser encontrado na matriz institucional das sociedades. A dinâmica dessa matriz será sempre path dependent.
• A partir dessa matriz, definem-se os estímulos para o surgimento de organi­zações que podem ser econômicas, sociais e políticas.
• Estas interagem entre si, com os recursos econômicos — que junto com a tecnologia empregada definem os transformation costs tradicionais da teoria eco­nômica — e com a própria matriz institucional — que define os transaction costs — e são, portanto, responsáveis pela evolução institucional e pelo desempenho econômico das sociedades ao longo do tempo (ver North, 1990: 118 e North, 1999: 15).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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DIFERENÇAS ENTRE MACROECONOMIA E MICROECONOMIA

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ABORDAGEM

Macroeconomia: Aborda os aspectos gerais, começando com o topo da economia: o governo. Essa abordagem se segue até o consumidor, tentando relatar efeitos e padrões da economia para desenvolver teorias.
Microeconomia: Aborda as bases. Com essa abordagem, os consumidores são estudados primeiro, depois a informação é analisada e trabalhada por toda a economia.

DECISÕES:

Macroeconomia: Vê a imagem geral da economia, se focando nas decisões do país e do governo.
Microeconomia: É um tipo de estudo que se foca em decisões individuais e de negócios, analisa pequenos segmentos e tenta determinar teorias para explicá-los.

BENS E SERVIÇOS:

Macroeconomia: Se foca na economia como um todo, não procura fornecimento e demanda, mas em problemas maiores que controlam os gastos dos consumidores como desemprego, renda nacional e taxa de crescimento populacional.
Microeconomia: Usa teorias para explicar porquê os consumidores compram e reservam recursos para certos bens e serviços. Este estudo se foca no fornecimento, demanda e efeito dos preços.

Resumindo:

A Macroeconomia estuda a teoria do fornecimento e demanda e fatores de produção.
Exemplo: Estuda as indústrias de carro como um todo, faz uma análise para determinar porque a produção está subindo ou baixando, estuda as taxas de inflação e renda média para determinar o efeito que essas coisas têm sobre a produção de veículos.

A Microeconomia é o estudo das escolhas dos indivíduos e como essas escolhas são decididas, o que motiva os consumidores e os efeitos que elas têm na economia.
Exemplo: Tentam entender o que motiva um consumidor a comprar um certo tipo de carro, determinando fatores motivacionais, que podem incluir o preço da gasolina e a taxa de desemprego. Se o preço da gasolina estiver alto, os consumidores devem evitar comprar carros SUVs. Quando a taxa de desemprego estiver baixa a venda de carros deve aumentar.

Autor:
Marcelo P. Cardoso – Trabalho sobre Ambiente de Negócios para Faculdade Unopar EAD – Ciências Contábeis – 2014/1

O QUE É MICROECONOMIA?

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Ramo da ciência econômica que estuda o comportamento das unidades de consumo representadas pelos indivíduos e pelas famílias; as empresas e suas produções e custos; a produção e o preço dos diversos bens, serviços e fatores produtivos. Em outras palavras, a microeconomia ocupa-se da forma como as unidades individuais que compõem a economia – consumidores privados, empresas comerciais, trabalhadores, latifundiários, produtores de bens ou serviços particulares etc.
Lida com as preferência dos consumidores e a utilidade que essas preferências lhe conferem a qual podemos traçar suas escolhas. Lida com a demanda de mercado de um determinado bem ou serviço, com a quantidade do bem que a firma deve ofertar, a quantidade do bem que a industria deve ofertar (relativa a cada empresa que produz o mesmo bem, a seu preço e a sua demanda). Trata do estudo dos monopólios, oligopólios, monopsônios, concorrência perfeita. Teoria dos Jogos. Traça estratégias de maximização de lucros e minimização de custos para as empresas. Na microeconomia é possível o desenvolvimento de modelos de fenômenos sociais simplificados, o que pode ser útil antes de se lançar um produto novo no mercado, por exemplo, e por falar em mercado, esse é um dos pilares do estudo da microeconomia.

A microeconomia se preocupa em explicar como é fixado o preço e seus fatores de produção.

Divide-se em:
Teoria do Consumidor: Estuda a preferência do consumidor analisando seu comportamento, suas escolhas, as restrições quanto a valores e a demanda de mercado.

Teoria de Empresa: Estuda a reunião do capital e do trabalho de uma empresa a fim de produzir produtos conforme a demanda do mercado e a oferta dos consumidores dispostos a consumi-los.

Teoria da Produção: Estuda o processo de transformação da matéria-prima adquirida pela empresa em produtos específicos para a venda no mercado.
A teoria da produção se refere os serviços como transportes, atividades financeiras, comércio e outros.

Autor:
Marcelo P. Cardoso – Trabalho sobre Ambiente de Negócios para Faculdade Unopar EAD – Ciências Contábeis – 2014/1

O QUE É MACROECONOMIA?

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O QUE É MACROECONOMIA?

Parte da ciência econômica que focaliza o comportamento do sistema econômico como um todo. Tem como objeto de estudo as relações entre os grandes agregados estatísticos: a renda nacional, o nível de emprego e dos preços, o consumo, a poupança e o investimento totais, com períodos de recuperação e recessão, a produção total de bens e serviços da economia e o crescimento do produto, as taxas de inflação e desemprego, balança de pagamentos e taxa de câmbio. Trata ainda com as flutuações a curto prazo que constituem o ciclo de negócios. Políticas fiscais, monetárias, cambiais e creditícias. Lida com o estoque de dinheiro em circulação, a balança comercial, variações nos preços e salários, exportação e importação, etc.
Esse direcionamento fundamenta-se na idéia de que é possível explicar a operação da economia sem que haja necessidade de compreender o comportamento de cada indivíduo ou empresa que dela participam.

A macroeconomia possui algumas metas como aumentar o nível de empregos, estabilizar os preços, distribuir renda, crescer a economia, solucionar conflitos de objetivos.

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A estrutura macroeconômica se compõe de cinco mercados:

Mercado de Bens e Serviços: Determina o nível de produção agregada bem como o nível de preços.
Mercado de Trabalho: Admite a existência de um tipo de mão-de-obra independente de características, determinando a taxa de salários e o nível de emprego.
Mercado Monetário: Analisa a demanda da moeda e a oferta da mesma pelo Banco Central que determina a taxa de juros.
Mercado de Títulos: Analisa os agentes econômicos superavitários que possuem um nível de gastos inferior a sua renda e deficitários que possuem gastos superiores ao seu nível de renda.
Mercado de Divisas: Depende das exportações e de entradas de capitais financeiros determinada pelo volume de importações e saída de capital financeiro.

Autor:
Marcelo P. Cardoso – Trabalho sobre Ambiente de Negócios para Faculdade Unopar EAD – Ciências Contábeis – 2014/1

COMO FAZER TRABALHO SOBRE AMBIENTE DE NEGÓCIOS

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Para fazer o trabalho reunimos idéias e links para pesquisas, segue abaixo em Vermelho links para textos, para desenvolvimento do trabalho.

O Brasil tem um mercado potencial enorme e um conjunto de empresas, empresários e pessoas dinâmicas, porém tem leis e procedimentos complicados e não facilita a operação das empresas. Os pontos fortes estão sendo barrados pelo ambiente de negócios ruim, avalia Michael Klein, vice-presidente do Banco Mundial
(Exame, São Paulo: Abril, n. 855, 09 nov. 2005, p. 134).

Os dois grandes desafios do Brasil são:

1) Completar o ajuste macroeconômico (a dívida pública e os juros são muito altos);

Entenda primeiro o que significa Macroeconomia

2) Melhorar o ambiente de negócios por meio das reformas microeconômicas. Se vencer nas duas frentes, a reação será rápida. O País poderá crescer tanto quanto a China.

Aprenda agora o que significa Microeconomia

No mundo todo, a era das reformas macroeconômicas já passou. A inflação foi contida e os governos passaram a gastar com mais responsabilidade.

Agora vem a batalha da microeconomia, a fim de facilitar a vida de quem quer fazer negócios, como a redução da burocracia para abrir ou fechar empresas, pagar impostos, exportar, etc. As regras devem ser as mais simples possíveis (id.).

A melhoria do ambiente de negócios permite o surgimento de novas empresas e empregos; facilita o fechamento de indústrias com fraco desempenho (esse fechamento faz crescer a produtividade da economia); quem está no setor informal é estimulado a transitar para o formal, no qual os direitos são respeitados, há proteção social e acesso ao crédito. Traduzida no fundo pelo império da lei, a melhoria do ambiente de negócios ajuda a combater a pobreza.

O efeito das reformas microeconômicas depende da expectativa dos investidores; se elas forem interpretadas como sinal de mais avanços em outros campos, os resultados serão muito positivos; se elas forem vistas apenas como manobra publicitária do governo, os resultados serão modestos.

Entenda as reformas do ambiente de negócios, entendendo as diferença em Macroeconomia x Microeconomia

Não há dúvida sobre a importância das reformas no ambiente de negócios. Embora não possam ter uma poção mágica, não podem estar completamente erradas, porquanto todos os países ricos têm um ambiente muito melhor que os pobres. Na América Latina, salta aos olhos o exemplo do Chile, onde as reformas macro e micro se combinaram como enorme sucesso. Os países asiáticos também avançaram nessas reformas.

O grau de amadurecimento das instituições de um país é o principal impulsionador ou entrave para o seu desenvolvimento, preconizou Douglass North, Prêmio Nobel de Economia de 1993, autor da Nova Teoria Institucional. Instituições não são somente as regras do jogo, mas também a tradição em respeitá-las.

Conheça a Teoria Institucional de Douglass North

“Ranking”

O Brasil situa-se na 119ª posição, numa lista de 155 países, nas condições oferecidas para o desenvolvimento de negócios, segundo o trabalho “Fazendo negócios: criando empregos” (“Doing business”) realizado pelo Banco Mundial (“Primeira Leitura”, São Paulo: Primeira Leitura, n. 45, nov. 2005, p. 25).

Em cada um dos dez quesitos avaliados pelo “Doing business”, o Brasil obteve a seguinte classificação:
1) abrir uma empresa: 98ª posição (são necessários 152 dias para abrir um negócio contra uma média de 19 dias nos países desenvolvidos);
2) lidar com licenças: 98ª (são necessários 460 dias para obter as licenças para operar);
3) contratar e demitir: 144ª;
4) registrar propriedades: 105ª;
5) conseguir crédito: 80ª;
6) proteção a sócios minoritários: 53ª;
7) pagar impostos: 140ª (as empresas brasileiras gastam 2.600 horas por ano para pagar a carga tributária contra uma média de 529 horas na América Latina e no Caribe);
8) negociar com o exterior: 107ª;
9) garantir os contratos: 70ª;
10) fechar empresas: 141ª (id., 25).

São obstáculos sérios para os negócios, de acordo com as empresas instaladas no Brasil (pesquisa “Investment climate” da “International Finance Corporation – IFC”, dados de 2003):

1) carga tributária (para 84,5% das empresas);
2) custos dos financiamentos (83,2%);
3) incertezas sobre as leis e o futuro da economia (75,9%);
4) instabilidade macroeconômica (74,9%);
5) corrupção (67,2);
6) custo da administração (66,1%);
7) acesso a financiamento (60,5%);
8) regras do mercado de trabalho (56,9%);
9) práticas anticompetitivas (56,4%);
10) crime, desordem e roubos (52,2%).

Parafernália normativa

O Brasil cria, por dia, em média, 36 normas tributárias (4 do governo federal) e 554 normas gerais, de 05 out. 1988 (início da vigência da nova CF) a 05 out. 2005, segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento Tributário (IBPT). No total, os governos editaram 225.626 normas tributárias (25.466 federais, 68.230 estaduais e 2.437.253 municipais) e 3.434.805 normas gerais (134.718 federais, 862.834 estaduais e 2.437.253 municipais). Dessa parafernália normativa, vigoram 16,2 mil normas tributárias. No período de 1988 a 2005, a carga tributária aumentou de 20,01% para 37,50% do PIB. As empresas brasileiras estão sujeitas a mais de 60 tributos, dentre impostos, taxas e contribuições. Como comparação, a China tem 25 tributos e carga fiscal na casa de 17% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 06 out. 2005, p. B1).

Agenda de medidas microeconômicas do governo Lula

O objetivo da política econômica do governo é criar, num ambiente de estabilidade econômica, condições favoráveis ao aumento da eficiência econômica do setor produtivo, à melhoria do acesso ao crédito e ao aumento da taxa de investimento na economia brasileira, para superar os entraves à retomada do crescimento sustentável da renda “per capita” (“Reformas microeconômicas e crescimento de longo prazo”, Brasília: Ministério da Fazenda, dez. 2004, p. 17). A sustentabilidade das contas públicas é o centro da política macroeconômica (id., 8).

A agenda de medidas microeconômicas divide-se em cinco principais áreas: 1) aperfeiçoamento do mercado de crédito e do sistema financeiro; 2) melhoria da qualidade da tributação; 3) medidas econômicas para inclusão social; 4) redução do custo de resolução de conflitos; 5) melhoria do ambiente de negócios (id., 9 a 15) (Ver “Agenda de medidas microeconômicas do governo Lula” no site ).

Dentre as medidas já implementadas, o Ministério da Fazenda (MF) aponta: Lei nº 10.820, de 2003, sobre as operações de crédito em consignação em folha de pagamento; Lei nº 10.931, de 2004, sobre a Cédula de Crédito Bancário, a Cédula de Crédito Imobiliário e a Letra de Crédito Imobiliário, bem como o regime tributário especial para os patrimônios de afetação e o valor incontroverso; Lei nº 11.076, de 30 dez. 2004, sobre o Certificado de Depósito Agropecuário – CDA, o Warrant Agropecuário – WA, o Certificado de Direitos Creditórios do Agronegócio – CDCA, a Letra de Crédito do Agronegócio – LCA, o Certificado de Recebíveis do Agronegócio – CRA; Lei nº 10.637, de 2002, e Lei nº 10.833, de 2003, sobre o fim da cumulatividade do PIS/PASEP e da COFINS, respectivamente; EC nº 45, de 2004, a reforma do Judiciário; Lei nº 11.101, de 09 fev. 2005, nova Lei de Falências; Lei nº 10.973, de 02 dez. 2004, estabelecedora de medidas de incentivo à inovação e à pesquisa científica e tecnológica no ambiente produtivo, com vistas à capacitação e ao alcance da autonomia tecnológica e ao desenvolvimento industrial do País; Lei nº 11.079, de 30 dez. 2004, instituidora das normas gerais para licitação e contratação de parceria público-privada no âmbito da administração pública.

Mais recentemente, o governo Lula, em continuidade às reformas microeconômicas, encaminhou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 5.870/2005, sobre a regulação dos bancos de dados de proteção ao crédito e de relações comerciais, bem como sua relação com os cadastrados, fontes de informação e consulentes, e nº 5.877/2005, sobre a reestruturação da defesa da concorrência no Brasil, mediante o redesenho institucional do Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência (SBDC), atualmente regulado pela Lei nº 8.884, de 1994.

Um dos principais requisitos para a realização de bons negócios é a existência de informações fidedignas a fim de permitir ao credor ou ao vendedor avaliar a capacidade financeira e o comprometimento do cliente em honrar os compromissos a serem assumidos, ressalta a Exposição de Motivos Interministerial sobre o PL nº 5.870.

Quando os agentes econômicos não conseguem distinguir os bons pagadores dos maus pagadores, ocorre a “assimetria de informações” e o credor eleva as taxas de juros de todos os mutuários para suprir a inadimplência de alguns. A ausência de informações sobre os potenciais clientes tem um papel decisivo no custo do capital.

Reduzir a vulnerabilidade às oscilações cambiais, aumentar a independência do Banco Central, reduzir incertezas jurídicas e entraves legais e definir o papel do setor público no mercado de crédito, essas são as principais propostas do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o crescimento da carteira de crédito em países latino-americanos. O BID elegeu o crédito, uma questão estrutural, como o tema de seu relatório de 2005, explica Guilhermo Calvo, economista-chefe (Valor, São Paulo, 08 nov. 2005, p. C2).

Pouca competição, rigidez no mercado de trabalho, legado de instabilidade macroeconômica, distorções regulatórias e regras ultrapassadas sobre o direito de propriedade e falência, essas são as razões para os altos “spreads” dos bancos na América Latina, de acordo com estudo do FMI. O “spread” na AL (margem líquida de 6%) é o dobro do cobrado pelos bancos europeus (3%) e o triplo do cobrado pelos bancos asiáticos (2%) (Valor, São Paulo, 08 nov. 2005, p. C2).

Os problemas institucionais são o principal entrave para o desenvolvimento da infra-estrutura no Brasil, de acordo com pesquisa com as maiores empresas de infra-estrutura realizada pela revista Exame (Anuário Exame – 2005-2006, São Paulo: Abril, nov. 2005, p. 17). Os maiores entraves para o desenvolvimento da infra-estrutura são: institucional (para 52% dos executivos); ambiental (44%); financeiro (42%); técnico (4%); outros (13%).

INFLUÊNCIA NA FRICÇÃO SUPERFICIAL DE BRAQUETES AUTOLIGADOS

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Influência da secção transversa de fios ortodônticos na fricção superficial de braquetes autoligados

Roberta BuzzoniI; Carlos N. EliasII; Daniel J. FernandesIII; José Augusto M. MiguelIV

IEspecialista em Ortodontia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
IIProfessor Associado do Instituto Militar de Engenharia (IME)
IIIDoutorando em Ortodontia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Doutorando em Ciência dos Materiais pelo Instituto Militar de Engenharia (IME)
IVProfessor Adjunto da Disciplina de Ortodontia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)

RESUMO

OBJETIVO: o objetivo do presente trabalho foi determinar a força de atrito estático entre braquetes de aço inoxidável autoligados com sistema de fechamento resiliente e fios ortodônticos redondos e retangulares do mesmo material.
MÉTODOS: empregaram-se 30 braquetes referentes aos caninos superiores divididos em 6 grupos formados por braquetes autoligados Smartclip, In-Ovation R e convencionais Gemini amarrados com ligaduras elásticas. A hipótese testada neste trabalho foi quanto à possibilidade dos braquetes autoligados ativos serem suscetíveis à elevação da força de atrito com o aumento e alteração da secção transversal dos fios ortodônticos. Os ensaios foram realizados com tração de 30s em fios de aço inoxidável 0,020″ e 0,019″X0,025″ na máquina de ensaios Emic DL 10000, com uma célula de carga de 20 newtons. Cada conjunto braquete/fio foi responsável pela geração de quatro corpos de prova, totalizando 120 leituras. As comparações entre as médias foram realizadas através da Análise de Variância (one way ANOVA) com correções pelo coeficiente de Bonferroni.
RESULTADOS E CONCLUSÃO: os braquetes autoligados apresentaram maior força de atrito do que os braquetes convencionais amarrados com ligaduras elásticas. O grupo Smartclip foi o mais efetivo no controle do atrito (p<0,01). A hipótese em teste, influência da forma da seção transversal do fio na força de atrito, foi confirmada, uma vez que os fios de secção retangular 0,019″X0,025″ apresentaram maior força de atrito ao serem tracionados do que os fios redondos 0,020″ (p<0,01). O sistema Smartclip foi mais efetivo mesmo quando o tracionamento de fios retangulares foi comparado com o ensaio de braquetes In-Ovation R conjugados a fios redondos (p<0,01).

Palavras-chave: Braquetes. Fios ortodônticos. Aço inoxidável. Fricção.

INTRODUÇÃO

O uso cada vez mais frequente de mecânicas de deslizamento, mantém em evidência a importância do controle do atrito para o estabelecimento do movimento ortodôntico1. O atrito pode ser definido como uma força que se opõe ou retarda a movimentação de dois corpos que se encontrem em contato5,8,10. Para que o movimento ortodôntico seja estabelecido, é necessário que a força aplicada supere a resultante friccional apresentada na interface braquete/fio. Contudo, quando altos índices de atrito são observados nesse conjunto, a força pode ser reduzida à ordem de até 60%de sua intensidade original11, podendo redundar clinicamente no atraso da resposta biológica8,10.

Inúmeras variáveis podem modular a quantidade de fricção gerada, dentre elas o tipo de material, a dimensão e forma dos braquetes4,10 e fios ortodônticos1,4,10, além dos tipos de ligações estabelecidas na interface braquete/fio1,15. A espessura do fio tem relação direta com as forças de fricção, e os arcos retangulares apresentam maior atrito quando comparados com seus análogos redondos9. Quanto ao tipo de ligação, braquetes autoligados são descritos na literatura como artefatos com a capacidade mecânica de controle friccional ao aprisionamento do fio ortodôntico no interior de sua ranhura15 (Fig. 1).

O sistema autoligado subdivide-se em duas categorias, de acordo com a forma como atua o modelo mecânico de ligação, podendo ter uma ação ativa ou passiva4,15. O sistema passivo apresenta uma tampa anterior deslizante, responsável pelo aprisionamento do fio no interior da ranhura sem que o mesmo sofra qualquer tipo de pressão15. Os modelos ativos promovem uma pressão constante no arco4, permitindo um alinhamento mais rápido e um maior controle de rotações e torques15. Em alguns modelos, o controle torna-se mais intenso à medida que o calibre do arco aumenta9, podendo haver também a incorporação de maiores forças de fricção.A hipótese a ser testada neste trabalho é se braquetes autoligados apresentam-se suscetíveis à elevação do atrito com o aumento e a alteração da secção transversa dos fios a serem tracionados. O objetivo desse trabalho foi avaliar a fricção superficial apresentada por braquetes de aço inoxidável autoligados com sistema de fechamento resiliente e comparar o atrito gerado ao tracionamento de fios ortodônticos de mesmo material com secções transversas redondas e retangulares.

MATERIAL E MÉTODOS

Foram utilizados nesse estudo 30 braquetes, referentes ao canino superior direito, divididos em seis grupos distintos com cinco braquetes cada. Os grupos foram compostos por braquetes autoligados Smartclip (3M/Unitek, CA, EUA), In-Ovation R (GAC, NY, EUA) e braquetes convencionais Gemini (3M/Unitek, CA, EUA) amarrados com ligaduras elásticas de cor cinza (TP Orthodontics, IN, EUA) (Tab. 1). Foram empregados cinco segmentos de fios ortodônticos com secção 0,020″ e cinco com secção 0,019″ x 0,025″ (TP Orthodontics, IN, EUA) medindo 8cm para cada um dos três tipos de braquetes avaliados (Tab. 1). A análise da fricção superficial gerada pelo tracionamento dos fios de aço no interior das ranhuras dos braquetes foi avaliada segundo quatro leituras consecutivas de cada par braquete/fio ortodôntico. Totalizaram-se vinte leituras para cada grupo, em um total de 120 leituras referentes aos braquetes e fios analisados.

braquetes autoligados

Tabela 1

Os modelos de ensaio braquete/fio foram submetidos aos testes de fricção superficial na máquina de ensaios EMIC DL 10000 (EMIC, PR, Brasil) com uma célula de carga de 20 newtons (N) (Fig. 2). Para a realização dos ensaios e a compensação das diferentes angulações presentes nos braquetes pré-ajustados, cilindros metálicos foram especialmente desenvolvidos com angulações compensatórias a fim de que todos os fios se relacionassem com as ranhuras dos braquetes de maneira paralela. Esses cilindros de aço inoxidável foram conectados à máquina de ensaios e os artefatos colados com auxílio de um adesivo instantâneo SuperBonder (Loctite, SP, Brasil).

braquetes auto ligados

As bases dos braquetes foram previamente preenchidas com resina fotopolimerizável Transbond XT (3M/Unitek, CA, EUA), a fim de se planificar a área de colagem (Fig. 3).

braquetes auto ligados

A amarração dos fios ortodônticos aos braquetes do grupo Gemini foi estabelecida por ligaduras elásticas (TP Orthodontics, IN, EUA), sendo as mesmas trocadas a cada ensaio. Os fios ortodônticos foram tracionados a uma velocidade de 5mm/min à distância de 3,5mm (Fig. 2). Os valores das forças máximas (gF) foram registrados pelo programa de computador operacional Tesc versão 3.04 (EMIC, PR, Brasil).

Os resultados encontrados foram sumarizados através de médias e desvios-padrão. As comparações entre médias foram realizadas pelo emprego da Análise de Variância (one-way ANOVA) com correções pelo coeficiente de Bonferroni.

RESULTADOS

A comparação entre as médias da força de fricção superficial em gramas-força (gF) sob tracionamentos com fios de aço inoxidável de secções 0,020″ e 0,019″ x 0,025″ pode ser observada na Tabela 2. Os valores encontrados demonstram médias de fricção inferiores nos grupos autoligados, quando comparados aos braquetes convencionais amarrados com ligaduras elásticas. O controle mais efetivo do atrito foi observado nos grupos autoligados Smartclip, independentemente da secção dos fios tracionados (p<0,01). Com o aumento e alteração da secção transversa dos fios para a forma retangular, o aumento do atrito foi observado em todos os grupos testados estatisticamente (p<0,01).

A distribuição dos valores foi analisada através do teste de normalidade de Shapiro-Wilk (p<0,05) e apresentada através de um gráfico box plot (Gráf. 1). O padrão observado constata uma distribuição normal para todos os grupos, com exceção do formado por braquetes Smartclip conjugados a fios de secção 0,020″.

braquetes ortodoentia

A verificação dos valores explicitados pela análise de variância (ANOVA) permite a observação de associações entre as forças de fricção e os sistemas de autoligação. O valor de p (p<0,01) encontrado pelo teste de múltiplas comparações de Bonferroni indica a diferença estatística entre os grupos (Tab. 2).

braquetes auto ligados

DISCUSSÃO
No presente estudo, vinte corpos de prova de cada grupo foram obtidos através de ensaios de tração superficial. Cada braquete forneceu quatro leituras consecutivas da fricção observada ao tracionamento de cada tipo de fio em sua ranhura, totalizando-se vinte medições para cada grupo avaliado. Essa metodologia foi empregada com o objetivo de simular condições clínicas de deslizamento, onde um mesmo braquete desliza sobre o fio, ou vice-versa, repetidamente por um período de tempo determinado pelos objetivos do tratamento. Os resultados observados demonstraram um reduzido desvio-padrão, o que tornaria redundante repetições dos mesmos artefatos. Apesar de alguns autores defenderem a suscetibilidade ao desgaste na superfície do braquete e/ou no fio6,7, acredita-se que, para o ensaio proposto, o desgaste ocorra significativamente apenas em materiais com maior coeficiente de atrito, como a matriz cristalina ou o policarbonato. Essa metodologia assemelha-se à de pesquisas conduzidas por Voudoris15, nas quais foram utilizados, ao deslizamento, somente oito braquetes em cada grupo, totalizando-se vinte e quatro corpos de prova para cada tipo de artefato15.

Os braquetes avaliados referem-se aos elementos caninos superiores. Essa escolha sustenta-se pelo caráter comparativo à realidade clínica, onde esses elementos encontram-se frequentemente envolvidos em mecânicas de deslizamento, principalmente em casos que demandem a extração de pré-molares. A mesma seleção de braquetes foi observada em trabalhos conduzidos por Berger2 e Braun et al.3 Todavia, à escolha do braquete, verificou-se que a base do artefato apresenta um grau de concavidade que dificultaria sua colagem. Tornou-se necessária a realização de um preenchimento com resina fotopolimerizável, a fim de se garantir que as bases dos artefatos se apresentassem em conformação plana. Voudouris15 também utilizou em seu estudo a mesma técnica de preenchimento resinoso, sem a observação de qualquer variação nos valores de fricção.

Quanto ao desenho dos braquetes, cada fabricante desenvolveu seu próprio modelo autoligado com angulações e torques individuais, sendo defendido existir uma relação direta entre a angulação, torques ativos e o aumento da fricção superficial9. Com o objetivo de padronização das diferentes prescrições relacionadas, foram confeccionados cilindros metálicos para colagem dos braquetes a serem tracionados. A superfície de colagem apresentava um corte em uma angulação compensatória que neutralizava a pré-angulação dos artefatos, assegurando o paralelismo entre a ranhura e os fios ao tracionamento. Esse sistema de padronização está de acordo com a metodologia desenvolvida por Sims et al.11, que também utilizaram uma peça de suporte metálica para colagem compensatória11. Alguns autores utilizaram diferentes formas para padronização das angulações preexistentes3,15.

Um fator importante que influencia na magnitude do atrito é o modo de amarração entre o braquete e o fio ortodôntico11. A amarração dos braquetes convencionais foi realizada com uso de ligaduras elásticas, com o objetivo de padronização da força aplicada para reclusão do fio ortodôntico na ranhura dos artefatos. Voudouris15 relatou que a perda de elasticidade do material é subjetiva e diretamente proporcional ao tempo pelo qual o mesmo encontra-se distendido, podendo exercer influência significativa na fricção superficial. Por essa razão, a troca das ligaduras foi realizada a cada ensaio.

Piozzoni, Ravnholt e Melsen9 afirmaram que fios mais espessos produzem valores mais elevados de fricção e, geralmente, arcos de secção retangular geram mais atrito do que os arcos de secção redonda, devido à maior superfície de contato com os braquetes no tracionamento. Outros acreditam que a variável mais relevante seria o grau de preenchimento das ranhuras dos artefatos3,11. Nessa pesquisa, comparando-se fios de liga inoxidável, verificou-se que o aumento do atrito é diretamente proporcional e estatisticamente significativo ao aumento da secção transversa dos arcos, independentemente do modelo de braquete avaliado.

Os braquetes autoligados com sistema de fechameno resiliente são caracterizados pela presença de um modelo de autofechamento composto por uma tampa anterior capaz de recluir sob pressão os fios ortodônticos no interior das ranhuras dos artefatos9. Acredita-se que o contato permanente da tampa de autoligação e o fio contribua para o aumento do atrito gerado ao deslizamento14. Essa interação foi evidenciada no presente trabalho, onde o atrito gerado por fios retangulares foi superior ao observado em seus análogos redondos de secção transversa inferior. Uma possível explicação poderia ser o fato dos fios retangulares contatarem a tampa de autofechamento em sua face de medida 0,025″, enquanto os redondos apenas sob a face medindo 0,020″. O maior preenchimento da ranhura dos braquetes conduz à distensão da tampa resiliente, permitindo-a exercer maior pressão sob os fios e, consequentemente, aumentar a resultante de fricção dos artefatos ao tracionamento.

Os resultados do presente estudo demonstraram que os braquetes In-Ovation R apresentaram médias de atrito superiores às observadas para o modelo Smartclip em fios de secções transversas 0,020″ e 0,019″ x 0,025″. O grupo formado por braquetes Smartclip foi estatisticamente mais efetivo no controle da fricção, mesmo quando o tracionamento de fios retangulares foi comparado com o ensaio de braquetes In-Ovation R conjugados a fios redondos.As médias de atrito apresentadas pelos braquetes convencionais Gemini fazem referência aos grupos autoligados avaliados como mais eficientes no controle da fricção superficial. Essa constatação está em acordo com diversos trabalhos conduzidos previamente1,2,10,11. O objetivo do presente estudo referiu-se à avaliação do comportamento dos braquetes autoligados com sistema de ligação resiliente quando conjugados a fios ortodônticos de diferentes secções transversas. As médias encontradas para o sistema convencional Gemini foram testadas unicamente para fins de referência, o que tornou desnecessário o tratamento estatístico desses valores.

CONCLUSÃO

Os braquetes autoligados do sistema Smartclip apresentaram um maior controle das forças de fricção, independentemente do tipo de fio ortodôntico tracionado. Quanto à forma e aumento da secção transversa dos fios, observou-se um aumento do atrito para fios retangulares 0,019″ x 0,025″ em comparação aos redondos 0,020″ de mesma liga inoxidável. EsSa constatação suporta a hipótese do presente trabalho para os braquetes autoligados testados. O grupo formado pelos braquetes Smartclip foi mais efetivo mesmo quando o tracionamento de fios retangulares foi comparado com o ensaio de braquetes In-Ovation R conjugados a fios redondos.

REFERÊNCIAS:

1. Berger JL. The SPEED appliance: a 14-year update on this unique self-ligated orthodontic mechanism. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1994;105(3):217-23.
2. Berger JL. The influence of the SPEED brackets self-ligating design on force levels in tooth movement: a comparative in vitro study. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1990;97:219-28.
3. Braun S, Bluestein M, Moore K, Benson G. Friction in perspective. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1999;115(6):619-27.
4. Closs LQ, Mundostock KS, Gandini LG Jr, Raveli DB. Os diferentes sistemas de bráquetes self-ligating: revisão de literatura. Rev Clín Ortod Dental Press. 2005;4(2):60-6.
5. Harradine NWT, Birnie DJ. The clinical use of Activa self-ligating brackets. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1996;109(3):319-28.
6. Kapur R, Sinha P, Nanda RS. Comparison of frictional resistance in titanium an stainless steel brackets. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1999;116(3):271-4.
7. Lofttus BP, Årtun J, Nicholls JI, Alonzo TA, Stoner JA. Evaluation of friction during sliding tooth movement in various bracket/arch wire combinations. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1999;116(3):336-45.
8. Moore MM, Harrington E, Rock P. Factors affecting friction in the pre-adjusted appliance. Eur J Orthod. 2004;26(6):579-83.
9. Piozzoni L, Ravnholt G, Melsen B. Frictional forces related to self-ligating brackets. Eur J Orthod. 1998;20(3):283-91.
10. Read-Ward GE, Jones SP, Daviest EH. A comparison of self-ligating and conventional orthodontic bracket systems. Br J Orthod. 1997;24:209-17.
11. Sims APT, Waters NE, Birnie DJ, Pethybridget RJ. A comparison of the forces required to produce tooth movement in vitro using two self-ligating brackets and pre-adjusted bracket employing two types of ligation. Eur J Orthod. 1993;15(5):377-85.
12. Stolzenberg J. The Russell attachment and its improved advantages. Int J Orthod Dent Child. 1935;21(9):837-40.
13. Taloumis LJ, Smith TM, Hondrum ST, Lorton L. Force decay and deformation of orthodontic elastomeric ligatures. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1997;111(1):1-11.
14. Thorstenson GA, Kusy RP. Resistance to sliding of self-ligating brackets versus conventional stainless steel twin brackets with second order angulation in the dry and wet (saliva) states. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 2001;120(4):361-70.
15. Voudouris JC. Interactive Edgewise mechanism: form and function — a comparison with conventional Edgewise brackets. Am J Orthod Dentofacial Orthop. 1997;111(2):199-40.
Dental Press J. Orthod. vol.16 no.4 Maringá July/Aug. 2011

BRAQUETES AUTOLIGADOS X TEMPO MENOR DE TRATAMENTO

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O QUE É APARELHO AUTOLIGADO?

 

Aparelho autoligado é aquele no qual as próprias “pecinhas” () possuem um clipe que prende o fio a própria peça. Ou seja, esse clipe do bráquete exerce a função da famosa borrachinha colorida. O aparelho autoligado não usa a borrachinha colorida para prender o fio ao bráquete.

Foi descoberto que a “borrachinha colorida” era uma espécie de obstáculo à movimentação dentária, ou seja ela oferecia um certo atrito, fricção… O autoligado então apareceu para melhorar a movimentação dos dentes.

É verdade que o termina mais rapidamente?
Sim… Se houver colaboração por parte do paciente e o dentista dominar a técnica. Não pense que aparelho autoligado é só colocar que ele resolve tudo sozinho. É necessário atenção e cuidados. As peças podem soltar ao comer algo duro, o arco pode sobrar lá atrás e furar a boca…

As consultas podem ser mais demoradas?
Sim, o intervalo entre uma consulta e outra pode ser de um a dois meses. Mas o ideal é um bom apanhamento, pelo menos de 40 em 40 dias para ver se tudo vai bem, tal o escovação, movimentações dentárias, se está tudo conforme o planejado.

Dói menos?
o o atrito é menor, dói um pouco menos. Mas não é do jeito que você imagina.

Custa mais caro?
o se trata de um tipo de um pouco mais sofisticado, custa um pouco mais caro. O aparelho e as manutenções.

É verdade que junta menos resíduos em volta dele?
É verdade. Isso porque não há as borrachinhas (anel elástico de ligadura), que acumulam muitos resíduos. Mas há de se tomar muito cuidado a escovação, pois os resíduos acumulam em volta das peças e se a escovação for ruim, ocorre a descalcificação (manchas brancas).

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É verdade que o aparelho autoligado evita extrair dentes?
Esse tipo de aparelho provoca uma certa expansão na arcada dentária. Há casos em que essa expansão resolve o problema de espaço. Mas há casos que não, e há necessidade de se extrair dentes. Aparelho autoligado não faz mágicas. O ortodontista tem que pensar na saúde dos dentes e das gengivas.

O caso do paciente é planejado na documentação ortodôntica, avaliação dos espaços necessários para alinhamento dos dentes e análise do perfil ósseo e mole (fotos). Não seria indicado uma expansão violenta no arco, para rodar todos os dentes e evitar extrações. Isso comprometeria o perfil da pessoa. Além do que expansões demasiadas nos arcos não possuem estabilidade (ou seja, há possibilidade de voltar a ser tudo o era antes, depois de tirar o aparelho).

Não pense que esse tipo de aparelho é milagroso. É muito semelhante ao tradicional, que usa as borrachinhas. Pode sair, espetar, machucar. Tem que comer alimentos leves. Tem que escovar com cuidado, usar fio dental. Existem os metálicos e os estéticos.

CONCLUSÃO:

O que nivela os dentes é o fio e não o bráquete. Se o bráquete não for colocado na posição correta, pode “entortar” o dente.

A diferença dele para o tradicional é o clipezinho que funciona o ligadura elástica e permite que o atrito seja menor, facilitando – um pouco – a movimentação dentária.
Existem alguns tipos de arcos, o termo ativado de Níquel Titânio, o de Níquel Titânio e o Níquel Cromo por exemplo.
O de níquel cromo permite dobras, não é maleável o o níquel titânio, e nem termo ativado. Qualquer um deles pode ser usado no aparelho autoligado. Mas se seus dentes estão muito apinhados (“tortos”), o mais indicado seria o de níquel titânio termo ativado, pois os resultados serão muito melhores se aliado à tecnologia do autoligado.

Há falta de provação científica de que o ortodôntico torna-se mais rápido ao se usar, mas a colaboração do paciente continua sendo o fator mais importante.

“O uso desse bráquete deve ser visto cautela pelos profissionais e pacientes devido a falta de provação científica em longo prazo que afirme suas possíveis vantagens.”

O termina um pouco mais rápido que o tradicional, por não haver atrito.
Aparelho autoligável NÃO É MILAGROSO! Ele faz o mesmo que o tradicional metálico ligaduras. A promessa real é que o pode terminar UM POUCO ANTES, devido ao menor atrito entre arco/bráquete.
Mas tudo está condicionado à experiência do ortodontista, lembrando que por não ter borrachinhas fica melhor a limpeza, mas, depende de cada um analisar o melhor para si.

 

REFERENCIAS:

Revista Dental Press de Ortodontia Clínica, vol 12, n.6, de dez 2013-jan 2014
http://issuu.com/rev-dentalpress/docs/rcodp126-rgb-short Acesso em 09/05/2014
http://ortodontiaearte.blogspot..br/2013/01/o-que-e-aparelho-autoligado.html Acesso em 09/05/2014
http://www.odontomagazine.com.br/2013-04-sistema-de-braquetes-11818 Acesso em 09/05/2014
Curso Módulo Avançado do Sistema Bráquetes Autoligados – Instituto Marcelo Pedreira

PAC – PROGRAMA DE ACELERAÇÃO DO CRESCIMENTO

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O Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), lançado em 28 de janeiro de 2007, é um programa do Governo Federal brasileiro que engloba um conjunto de Políticas econômicas, planejadas para os próximos quatro anos, e que tem como objetivo acelerar o crescimento econômico do Brasil, prevendo investimentos totais de 503 bilhões de reais até 2010, sendo uma de suas prioridades a infra-estrutura, como portos e rodovias.

PAC - Programa de Aceleração do Crescimento

 

O PAC se compõe de cinco blocos. O principal bloco engloba as medidas de infra-estrutura, incluindo a infra-estrutura social, como habitação, saneamento e transportes de massa. Os demais blocos incluem: medidas para estimular crédito e financiamento, melhoria do marco regulatório na área ambiental, desoneração tributária e medidas fiscais de longo prazo. Essas ações deverão ser implementadas, gradativamente, ao longo do quatriênio 2007-2010.

Entre os investimentos anunciados estão incluídos: a soma dos investimentos públicos diretos (67,8 bilhões de reais em quatro anos), investimentos das estatais, financiamentos dos bancos oficiais e investimentos privados, para atingir o total previsto de 503,9 bilhões de reais no período do programa, entre 2007 e 2010. Foram selecionados mais de cem projetos de investimento prioritários em rodovias, hidrovias, ferrovias, portos, aeroportos, saneamento, recursos hídricos.

PAC pode significar:

Programa de Aceleração de Crescimento, plano econômico do Governo Federal Brasileiro.

O governo espera com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) fazer com que o nível de investimentos no país chegue a R$ 503,9 bilhões nos próximos quatro anos, incluindo recursos da iniciativa privada.

As novas obras, aliadas a medidas fiscais de longo prazo e desonerações, farão o PIB (Produto Interno Bruto) crescer em torno de 4,5% neste ano e 5% a partir do ano que vem, segundo os cálculos do governo.

Para tornar o PAC algo real, o governo terá que convencer o Congresso Nacional a aprovar ao menos 11 medidas provisórias e cinco projetos de lei, além de projetos que já estão em tramitação, como a reforma tributária, o marco legal das agências reguladoras e a Lei do Gás.

As medidas de desoneração tributária também foram mais tímidas do que o esperado. Inicialmente, o Ministério da Fazenda avaliava que o PAC poderia incluir um corte de R$ 10 bilhões a R$ 12 bilhões em impostos e contribuições para favorecer o crescimento econômico. Hoje, entretanto, o ministro Guido Mantega (Fazenda) estimou que o governo abrirá mão de cerca de R$ 6,6 bilhões com o PAC. Além disso, desse total, R$ 2,5 bilhões são da Lei Geral de Micro e Pequenas Empresas, que já foi aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado.

Na área fiscal, o governo decidiu adotar um limite de 1,5% para o aumento real do salário dos servidores públicos e uma regra de longo prazo para o ajuste do salário mínimo, baseada na inflação e no crescimento do PIB registrado dois anos antes.

O governo decidiu também, por meio do PAC, desonerar o investimento em fundos de infra-estrutura, autorizar o uso do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) em obras, isentar os investimentos em TV digital e semicondutores e também reduziu de 5% para 0% a alíquota do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) do aço. Além disso, vai também elevar o limite de isenção do PIS e Cofins para a compra de computadores e laptops de R$ 2,5 mil para R$ 4 mil.

Subsídio para casa própria

O governo federal decidiu deixar de fora do PAC a principal medida de estímulo à compra de imóveis que já havia sido divulgada. O ministro Guido Mantega (Fazenda), que chegou a prometer subsídio de até dois terços do valor de compra de um imóvel para famílias com renda de até dez salários mínimos, informou hoje que essa medida não foi incluída no PAC.

A idéia do governo primeiro era utilizar o patrimônio líquido do FGTS, hoje em R$ 21 bilhões, para o subsídio. Depois o governo mudou de idéia e passou a defender o custeio da medida com a prorrogação da multa adicional de 50% do FGTS em caso de demissão sem justa causa de trabalhadores formais –desse total, 40% iria para o trabalhador e 10% para o subsídio.

Hoje, entretanto, Mantega informou que a medida não saiu porque o governo não terminou as negociações com os empresários sobre a prorrogação da multa adicional.

A cobrança da multa de 50% do FGTS foi regulamentada pela lei complementar 110, de 29 de junho de 2001, para que fossem levantados recursos para o pagamento da correção dos saldos devido a perdas dos plano Verão e Collor 1.

No entanto, como o governo terminou neste mês de pagar os expurgos do FGTS com esse adicional de 10%, a expectativa de empresários era de que a alíquota voltasse a ser de 40%.

O orçamento

O PAC prevê um orçamento de 503,9 bilhões de reais, que serão investidos ao longo do quatriênio 2007-2010.

Origem do dinheiro

      •219,20 bilhões de reais deverão ser investimentos feitos por empresas estatais, sendo que, destes, 148,7 bilhões de reais serão investidos pela Petrobrás, uma empresa de economia mista;

 

      •67,80 bilhões de reais deverão ser investidos com recursos do orçamento fiscal da União e da seguridade;

 

    •216,9 bilhões de reais deverão ser investidos pela iniciativa privada, induzidos pelos investimentos públicos já anunciados.

Destino do dinheiro

      •274,8 bilhões deverão ser investidos em Energia (inclui petróleo), assim divididos:

 

      •65,9 bilhões de reais para geração de energia elétrica

 

      •12,5 bilhões de reais para transmissão de energia elétrica

 

      •179,0 bilhões de reais para petróleo e gás natural

 

      •17,4 bilhões de reais para combustíveis renováveis.

 

      •170,8 bilhões de reais serão investidos em Infra-Estrutura Social e Urbana, assim dividos:

 

      •8,7 bilhões de reais para o projeto Luz Para Todos

 

      •40,0 bilhões de reais para projetos de saneamento básico

 

      •106,3 bilhões de reais para projetos de habitação

 

      •3,1 bilhões de reais para Metrôs

 

      •12,7 bilhões de reais para recursos hídricos.

 

      •58,3 bilhões de reais serão investidos em Logística, assim distribuídos:

 

      •33,4 bilhões de reais para rodovias

 

      •7,9 bilhões de reais para ferrovias

 

      •2,7 bilhões de reais para portos

 

      •3,0 bilhões de reais para aeroportos

 

      •0,7 bilhões de reais para hidrovias

 

    •10,6 bilhões de reais para marinha mercante.

O que muda na sua vida com o lançamento do PAC

Por causa do aumento do limite de isenção fiscal, vai ficar mais fácil comprar microcomputadores (leia mais na página 22). Os recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) serão utilizados em projetos de infra-estrutura. Os trabalhadores poderão aplicar até 10% de seus saldos em fundos de investimento nesse setor.

Servidores

Os servidores públicos pagarão a conta do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). O pacote determina que a folha de pagamento da União não pode ter um ganho real superior a 1,5% de um ano para outro, além da atualização pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), até 2016. Como o crescimento vegetativo da folha em cada ano é de cerca de 1%, a expectativa é que sobre pouco dinheiro para reajuste de salários no Executivo , Legislativo e Judiciário. Em entrevista ao Correio, Sérgio Mendonça, secretário Nacional de Recursos Humanos do Ministério do Planejamento e um dos principais responsáveis pela definição dos reajustes, disse que o governo pretende priorizar algumas categorias. As mais beneficiadas desde o início do governo Lula, em 2003, devem ficar com os salários estabilizados até 2010.

FGTS

Os brasileiros poderão aplicar, daqui a dois anos, 10% do seu saldo do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) em um fundo de investimento para financiar obras do setor de infra-estrutura. Os analistas acreditam que o novo fundo tenderá a ser lucrativo, mas tudo vai depender dos projetos que forem selecionados. No ano passado, a rentabilidade média do FGTS foi de 5%. Já nas operações em habitação e saneamento, esse retorno chegou a 6%. A equipe econômica garante que o trabalhador não perderá dinheiro com a aplicação. Isso porque, o Tesouro Nacional vai cobrir a diferença, caso a remuneração fique abaixo de 3% mais TR ao ano — como está previsto na legislação do FGTS. Os trabalhadores, que deixarem o dinheiro aplicado por cinco anos, terão isenção de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos.

Concursos

Os concursos federais também devem ser prejudicados com a medida que limita a folha de pagamento dos servidores. Como terão um teto para ampliar seus gastos com o funcionalismo, Executivo, Legislativo e Judiciário não poderão exagerar nas contratações. O Executivo, por exemplo, anunciou 28,7 mil vagas em concursos para 2007. Dessas, 13,5 mil serão para substituir funcionários terceirizados, que ficam de fora da conta. Mas, segundo Sérgio Mendonça, do Planejamento, os cortes de vagas ainda não foram definidos.

Inflação

Durante a semana, depois do anúncio das medidas do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) economistas alertaram para o fato de que a expansão de gastos públicos prevista no PAC pode ter efeitos inflacionários. O reaquecimento da economia num ritmo maior do que o atual pode abrir espaço para os empresários remarcarem preços. Até agora, os analistas de mercado esperavam inflação em 4,07% neste ano, ainda abaixo da meta oficial, que é de 4,5%. Mas as previsões devem mudar nesta semana.

Juros

Com o temor de repique na inflação, o sempre cauteloso Banco Central deve ser ainda mais conservador na redução da taxa básica de juros (Selic), podendo até estancá-la. Na decisão que tomou dois dias depois do anúncio do PAC, o Comitê de Política Monetária (Copom), do BC diminuiu o ritmo de corte na taxa, que vinha sendo de 0,5 ponto percentual. Dessa vez, cortou apenas 0,25 ponto. É provável que as pressões de Mantega e a adoção do programa já tenham pesado na decisão.

Impostos

O governo vai reajustar a tabela do Imposto de Renda do trabalhador em 4,5% por ano até 2010, o que vai isentar do pagamento milhares de contribuintes. Os demais vão pagar um pouco menos. A pequena esperança de que a alíquota da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) fosse reduzida foi frustrada. O tributo, que seria extinto neste ano, deve ser prorrogado por mais quatro anos. O governo adiou discussão sobre a medida para o final do ano.

Saneamento

O governo federal elevou de R$ 1 bilhão para R$ 7 bilhões o limite de endividamento dos estados e municípios. A expectativa é de que o número atinja R$ 16 bilhões em 2010. Esse era um dos principais empecilhos para investimentos em saneamento básico. O PAC prevê aplicação de R$ 40 bilhões em quatro anos para atender 22,5 milhões de domicílios. A aposta do governo no setor está atrelada à criação de postos de trabalho e melhoria da qualidade de vida do povo.

Habitação

O foco do governo federal será a população de baixa renda. Do investimento estimado para habitação de R$ 106,3 bilhões, até 2010, R$ 55,9 bilhões serão direcionados para famílias com rendimento mensal de até cinco salários mínimos. Com isso, o governo quer diminuir o déficit habitacional praticamente pela metade ao atender 4 milhões de famílias em quatro anos. Setores da iniciativa privada alegam que o PAC está compatível com a construção de apenas 200 mil imóveis novos.

Comentário:

” A minha intenção é estimular todos os setores do país a participarem deste esforço de aceleração do crescimento, pois uma tarefa dessas não pode ser uma atitude isolada de um governo – mas de toda a sociedade. Um governo pode tomar a iniciativa, pode criar os meios, mas para que qualquer projeto amplo tenha sucesso é preciso o engajamento de todos. ”

Luiz Inácio Lula da Silva, Presidente da República.

Conclusão

Com este trabalho, pude concluir que o projeto tem idéias boas, afim de melhorar a economia de nosso país.
Para que todas essas medidas ocorram, além do governo utilizar bem do dinheiro retirado para isso e concluir suas metas, a sociedade tem que apoiar e esforçar-se para que no final de tudo, todos saiam satisfeitos.

Bibliografia

http://www.wikipedia.com
http://www.midiamax.com
http://www.estadao.com.br

A HISTÓRIA DA COLA-COLA

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A História da Coca-cola

RESUMO:

Em 1886, nasceu a empresa Coca-Cola, marca que se tornaria ícone mundial de sucesso de vendas. John Pemberton, um farmacêutico de Atlanta, criou um líquido cor de caramelo e o levou à Farmácia Jacobs.
A mistura foi combinada com água gaseificada e passou a ser vendida como uma bebida especial. Inicialmente, a Coca era vendida por cinco centavos o copo.
No primeiro ano de existência, a empresa vendeu apenas nove copos de Coca-Cola por dia. Um século mais tarde, a Coca-Cola Company passaria a produzir mais de 10 bilhões de galões da bebida.
Atualmente, a Coca-Cola é considerada a marca mais onipresente do mundo, com mais de 1,7 bilhão de doses de bebidas vendidas a cada dia. O refrigerante é distribuído em mais de 110 países.
No Brasil, a Coca Cola chegou durante a Segunda Guerra Mundial, no início da década de 1940. Hoje, a maior fabricante de refrigerantes do mundo tem uma receita anual de 11,46 bilhões de dólares.

HISTÓRIA

Coca-Cola é um refrigerante carbonado vendido em lojas, restaurantes e máquinas de venda automática em todo o mundo. Ele é produzido pela The Coca-Cola Company, sediada em Atlanta, Estados Unidos, e é muitas vezes referido apenas como Coca-Cola (a marca registrada da empresa Coca-Cola nos Estados Unidos desde 27 de março de 1944). Originalmente concebida como um remédio patenteado quando foi inventada no final do século XIX por John Pemberton, a Coca-Cola foi comprada pelo empresário Asa Griggs Candler, cujas táticas publicitárias levaram a bebida ao domínio do mercado de refrigerantes no mundo ao longo do século XX.

A empresa produz o produto concentrado, que depois é vendido para engarrafadores licenciados pela Coca-Cola em todo o mundo. Os engarrafadores, que detêm contratos de exclusividade territorial com a empresa, colocam a bebida concentrada em latas e garrafas junto com água filtrada e adoçantes. Os engarrafadores, em seguida, vendem, distribuem e comercializam a Coca-Cola para lojas de varejo e máquinas de venda automática.

A The Coca-Cola Company, também produz outros refrigerantes com a marca Coca-Cola. O mais comum deles é a Coca-Cola Diet, além de outros, como a Coca-Cola sem cafeína, a Coca-Cola Diet sem cafeína, a Coca-Cola de cereja, a Coca-Cola Zero e versões especiais com limão ou café. Em 2013, os produtos Coca-Cola podiam ser encontrados em mais de 200 países ao redor do mundo, com mais de 1,8 bilhão de doses de bebidas da empresa consumidas diariamente. Com base na pesquisa da Interbrand em 2011, a Coca-Cola foi considerada a marca mais valiosa do mundo.