MONOGRAFIA:ESTRUTURA DE CRM

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Folha de Rosto:

Estrutura de CRM e pacotes para grandes empre
União dinâmica de faculdades cataratas
2007

Trabalho de Conclusão de Curso, apresentado à banca examinadora da UDC – União Dinâmica de Faculdade Cataratas, como requisito parcial para obtenção de grau de Sistemas de Informação.

Orientadora: (nome dos professores orientadores)

Folha de aprovação: (dados pessoais)

Colocado logo após a folha de rosto, constituído pelo nome completo do(s) autor(es) do trabalho, título do trabalho e subtítulo (se houver), natureza (“Dissertação aprovada como exigência parcial para a obtenção do grau de Especialista em …….. à Comissão Julgadora das Faculdade__________________________” ), data de aprovação, nome completo, titulação e assinatura dos componentes da banca examinadora e instituições a que pertencem.

Dedicatória: (dados pessoais)

Elemento opcional, colocado após a Folha de Aprovação.

Agradecimentos: (dados pessoais)

Elemento opcional, colocado após a dedicatória.

RESUMO

Com a grande competitividade existente no mercado de compra e venda de produtos e serviços, as empresas buscam oferecer um serviço diferenciado com melhor qualidade aos seus clientes.

A sistemática de CRM, através de suas funcionalidades, pode auxiliar essas empresas a criarem um histórico de todos os seus clientes, montando um perfil individual e conseqüentemente fazendo com que empresas e clientes tenham um relacionamento mais próximo e mais duradouro, criando-se a partir desse relacionamento uma fidelização dos clientes junto às empresas.

Este trabalho apresenta um estudo sobre a estrutura de CRM, as suas ferramentas tecnológicas e os pacotes existentes no mercado direcionados para grandes empresas, apresentando uma análise detalhada de como esses pacotes funcionam, quais são as suas áreas de atuação e quais são os respectivos recursos disponibilizados por cada área de atuação. Objetiva também fornecer subsídios para que as empresas possam escolher o pacote que mais se adapta às suas necessidades.

Palavras-Chave: CRM, Tipos de CRM, Ferramentas Tecnológicas de CRM, Pacotes de CRM.

ABSTRACT

With the great competitiveness existent in the market for the purchase and sale of products and services, companies are seeking to offer a differentiated service with a better quality to their customers.

The systematic CRM, through its features, can help these companies to create a data bank of all their customers, mounting a profile of each individual and therefore ensuring that companies and customers have a closer and more durable relationship, creating from this relationship the customers’ fidelity to these companies.

This paper presents a study on the structure of CRM, its technological tools and packages on the market targeted to major companies, presenting a detailed analysis of how these packages work, what are their areas of expertise and what are their available resources for each area of action. Its aim is also to provide subsidies so that companies can choose the package that best fits their needs.

Keywords: CRM, CRM’s Types, CRM’s Technological Tools, CRM’s Packages.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO
1.1 Apresentação
1.2 Objetivos
1.2.1 Objetivo Geral
1.2.2 Objetivos Específicos
1.3 Justificativa
1.4 Metodologia
1.5 Estrutura do Trabalho
2 CRM
2.1 A importância de um CRM
2.1.1 Vantagens
2.1.2 Finalidades
2.2 Marketing de Relacionamento
2.2.1 O Valor do Cliente
2.2.2 Gerenciamento de Vendas
2.2.3 O Foco no Cliente
2.3 Funcionalidades dos sistemas de CRM
2.4 Tipos de CRM
2.4.1 CRM Operacional
2.4.2 CRM Analítico
2.4.3 CRM Colaborativo
2.4.4 Esquema de Análise dos tipos de CRM
2.5 Implantação de um CRM
2.6 Relação do CRM com os outros sistemas de informação
2.6.1 CRM e e-CRM
2.6.2 CRM e Comércio Eletrônico
2.6.3 CRM e ERP
2.6.4 CRM e SCM
3 FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS UTILIZADAS EM CRM
3.1 Database Marketing
3.2 Data Warehouse
3.3 Data Mining
3.4 OLAP
3.5 Estrutura geral dos Pacotes de CRM
4 PACOTES DE CRM
4.1 SAP CRM
4.2 Kana 6
4.3 Oracle
4.3.1 Oracle CRM e-Business Suite
4.3.2 Siebel CRM
4.3.3 PeopleSoft CRM
4.3.4 JD Edwards CRM
4.4 SalesLogix
4.5 Sugar CRM
4.6 Microsoft Dynamics CRM 3.0
5 ANÁLISE DOS PACOTES DE CRM E SEUS RECURSOS
5.1 Áreas de atuação dos pacotes de CRM e seus recursos
5.1.1 Vendas
5.1.2 Marketing
5.1.3 Suporte
5.1.4 Serviços
5.2 Análise do porte dos pacotes de CRM
5.3 Metodologia da análise dos pacotes de CRM
6 – CONCLUSÃO

LISTA DE FIGURAS

FIGURA 1 – TIPOS DE CRM
FIGURA 2 – DATABASE MARKETING29
FIGURA 3 – DATA WAREHOUSE
FIGURA 4 – DATA MINING
FIGURA 5 – OLAP

1 – INTRODUÇÃO

1.1 Apresentação

Com a chegada da globalização, o comércio de compra e venda de produtos e serviços está cada vez mais disputado. Para que as empresas obtenham sucesso junto aos seus clientes, elas necessitam oferecer além de bons produtos e serviços, um tratamento diferenciado para eles. O que conseqüentemente garantirá a satisfação dos mesmos.

Essa satisfação poderá gerar a fidelização desses clientes junto às empresas, mostrando que eles estão satisfeitos com os serviços oferecidos por elas. Porém, para garantir essa fidelização as empresas necessitam de soluções práticas e funcionais que podem auxiliá-las nesse serviço. Para esse auxílio, existe a sistemática de CRM (Customer Relationship Management ou Gerenciamento de Relacionamento com os Clientes).

Segundo Peppers & Rogers (2001b), a sistemática de CRM é uma filosofia administrativa voltada a entender e antecipar as necessidades dos clientes atuais e potenciais das empresas, para que o relacionamento com eles seja mais duradouro e rentável para as empresas.

Essa sistemática, representa um conjunto de estratégias que as empresas podem utilizar para aumentar a lucratividade e a satisfação dos clientes (Greenberg, 2001).

Para Bretzke (2003), o CRM, como o próprio nome indica é a integração entre o marketing e a tecnologia da informação para prover a empresa de meios mais eficazes e integrados para atender, reconhecer e cuidar do cliente em tempo real e transformar estes dados em informações que disseminadas pela organização permite que o cliente seja conhecido e cuidado por todos.

Para cumprir seu objetivo, essa filosofia está inteiramente apoiada na TI (Tecnologia de Informação). Com o uso da TI, hoje é possível utilizar essa estratégia a partir do primeiro contato com os clientes podendo, com isso, melhorar as vendas, criar vínculos, desenvolver a fidelidade e aumentar a participação dos clientes montando um histórico de cada um deles (Peppers & Rogers , 2001b).

Para que uma sistemática de CRM obtenha êxito junto às empresas, é necessário que ela trabalhe com o auxílio de algumas ferramentas que são indispensáveis para sua funcionalidade. Essas ferramentas fazem parte dos diversos pacotes que existem no mercado. Esses pacotes, através de suas ferramentas, disponibilizam recursos que atuam em todas as áreas de atuação.

Porém, vale ressaltar que nem sempre o pacote mais completo de ferramentas de CRM é o mais indicado para todas as empresas, pois é preciso entender que o ideal é um pacote que seja adequado, atendendo às necessidades de cada empresa.

1.2 Objetivos

1.2.1 Objetivo Geral

Analisar as principais características dos pacotes de CRM para grandes empresas, com o objetivo de definir suas principais ferramentas e seus recursos disponíveis, apoiando a tomada de decisões dos gestores em termos de tecnologia de sistemas e recursos.

1.2.2 Objetivos Específicos

• Analisar a sistemática de CRM;
• Apresentar ferramentas que compõem a estrutura de sistemas CRM;
• Analisar os pacotes de CRM mais conhecidos para grandes empresas;
• Analisar as diversas ferramentas e recursos utilizados em sistemas de CRM;
• Fazer uma análise comparativa dos diversos pacotes com suas ferramentas e recursos;
• Definir uma metodologia prática para a análise dos diversos pacotes mais adequados para os perfis de grandes empresas.

1.3 Justificativa

Quando uma empresa tem interesse em adquirir um pacote de CRM, é preciso que ela saiba quais são as suas necessidades para poder escolher o pacote que melhor a atende. Para que as empresas conheçam melhor esses pacotes, é necessário que elas tenham conhecimento de como eles funcionam, ou seja, em quais áreas eles atuam e quais são os recursos disponibilizados dentro dessas áreas.

Porém, existe uma grande carência no mercado com esse tipo de informação e devido a essa escassez, este trabalho tem como finalidade apresentar e analisar detalhadamente quais são os pacotes de CRM mais conhecidos no mercado e como eles funcionam.

A partir desse detalhamento, fica mais claro para as empresas como esses pacotes funcionam e facilitando para elas escolherem o pacote que melhor atende as suas necessidades.

1.4 Metodologia

A metodologia utilizada neste trabalho envolve análises e pesquisas feitas em bibliografias especializadas, pesquisas na internet junto a sites especializados e empresas fornecedoras de pacotes, além da interação com especialistas em CRM, objetivando alcançar resultados que possam ser aproveitados para uma análise comparativa entre os pacotes de CRM e suas ferramentas, verificação dos recursos de cada pacote e comparação dos pacotes com base nos recursos.

1.5 Estrutura do Trabalho

Este trabalho está estruturado em 6 capítulos.

O primeiro capítulo apresenta a introdução da monografia;

O segundo capítulo apresenta os principais conceitos da sistemática de CRM, os seus tipos e as parcerias que essa sistemática necessita para a sua funcionalidade;

O terceiro capítulo apresenta as ferramentas que são usadas junto com a sistemática de CRM para seu bom desempenho;

O quarto capítulo apresenta os pacotes de CRM que são mais conhecidos no mercado;

O quinto capítulo apresenta uma análise comparativa entre esses pacotes, às áreas de atuação deles, os recursos que são disponibilizados nessas áreas e em qual área os pacotes se destacam mais;

O sexto capítulo é composto pela conclusão do tema.

2 – CRM

Devido à globalização e a grande concorrência que existe no mercado de compra e venda de produtos, houve necessidade das empresas buscarem novas tecnologias para oferecer melhores serviços para seus clientes. O CRM (Customer Relationship Management ou Gerenciamento de Relacionamento com Clientes), surgiu nos anos 90 para atender as necessidades dessas empresas, fazendo uma integração entre o marketing e a tecnologia de informação. E tem como finalidade ajudar a estreitar o relacionamento entre empresas e clientes através de um tratamento personalizado e diferenciado, proporcionando-lhes mais segurança, conforto e comodidade (Greenberg, 2001).

A sistemática CRM que será abordada nesse capítulo, é uma ferramenta que pode auxiliar as empresas a montar um histórico com o perfil de cada um de seus clientes, o que conseqüentemente aumentará suas vendas e poderá garantir a fidelização dos mesmos.

Segundo Madruga (2004), o CRM surgiu de uma evolução das ferramentas tecnológicas com a finalidade de auxiliar o departamento de marketing das empresas junto ao mercado consumidor, através da integração das diversas áreas existentes nas organizações.

Madruga (2004:106) também acrescenta que, “o CRM pode ser compreendido como o aprimoramento de diversas outras tecnologias que evoluíram nas últimas décadas”.

Já para Greenberg (2001), o CRM representa um conjunto de estratégias que as empresas podem utilizar para criarem uma relação diferenciada com os seus clientes, oferecendo um tratamento personalizado. Através desse serviço diferenciado, essas empresas poderão garantir a satisfação de seus clientes e conseqüentemente a sua fidelização.

Como as empresas necessitam aumentar a qualidade dos serviços prestados aos seus clientes, elas estão buscando soluções que as ajudam a fazer um serviço diferenciado no mercado. O CRM pode proporcionar esse diferencial para essas empresas através de suas funcionalidades (Sordi, 2002).

Do ponto de vista de Greenberg (2001), o CRM também pode ser considerado um conjunto de processos e tecnologias na gestão das relações entre as empresas e seus respectivos clientes nas áreas de marketing, vendas e serviços. Independentemente do canal de comunicação usado.

O CRM pode ser utilizado nas empresas através de uma integração que é feita entre ele e outros sistemas como o ERP (Enterprise Resource Planning ou Planejamento de Recursos Empresariais) e o SCM (Supply Chain Management ou Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos) para que os dados dos clientes possam ser compartilhados e conseqüentemente trabalhados (Greenberg, 2001).

A sistemática de CRM, integrada com outras ferramentas, permite através de seus recursos auxiliar as empresas no gerenciamento de seus clientes, desde a fase de capitação de dados até a sua fidelização.

2.1 A importância de um CRM

Devido à grande necessidade que as empresas têm em oferecer um serviço diferenciado para seus clientes, o uso da sistemática CRM é importante porque através dele, essas empresas podem ter conhecimentos melhores dos seus clientes e conseqüentemente dar um tratamento diferenciado para eles.

Para Madruga (2004), independentemente do segmento de mercado em que as empresas atuam, o uso da sistemática CRM é importante, porque sempre haverá necessidades e interesses em alguns módulos da solução CRM.

Em tempos de economia recessiva, as empresas tendem em se preocupar mais em manter os clientes já existentes do que buscar novos, visto que o custo de manutenção dos clientes existentes é bem menor que o custo de novas aquisições. Por isso, o uso da sistemática CRM é importante, pois nesse caso ele pode auxiliar essas empresas à retenção de clientes (Bretzke, 2003).

Segundo Peppers & Rogers (2001b), com o crescimento do mercado consumidor, as empresas hoje em dia além de aumentar suas receitas visam oferecer mais qualidade no serviço oferecido aos seus clientes. Por isso o uso da sistemática CRM é importante, pois ela auxilia essas empresas na interação com seus clientes.

Devido a grande necessidade que as empresas têm em adquirir novos clientes e preservar os já existentes, o uso da sistemática de CRM é essencial, já que em todos os segmentos o crescimento da concorrência e da tecnologia tem se intensificado cada vez mais.

2.1.1 Vantagens

Existem várias vantagens na implantação de uma sistemática de CRM, pois essa solução auxilia as empresas a fidelizarem e personalizarem seus clientes (Madruga, 2004, Bretzke, 2003).

Segundo Madruga (2004), entre algumas vantagens pode-se citar o aumento na eficácia do processo de vendas, melhoria nos serviços prestados aos clientes, melhoria nas comunicações com os clientes, melhoria nas previsões, maior fornecimento de informações atualizadas, aumento nas receitas das empresas, fornecimento de suportes a vendas em equipe, melhoria na administração de vendas, aumento na eficácia de marketing, aumento nas margens e redução de custos de vendas.

Existem outras vantagens que devem ser citadas como: melhorar a relação com seu cliente resultando um aumento na sua produtividade, tomar decisões fundamentadas sobre os seus clientes melhorando a sua vantagem competitiva e personalizar a solução para responder aos seus processos visando o crescimento e a melhoria do seu negócio (Bretzke, 2003).

O CRM quando é implementado de maneira correta, ou seja, de acordo com as necessidades de cada empresa, oferece inúmeras vantagens para as mesmas otimizando tempo e conseqüentemente custos além de oferecer um tratamento diferenciado para o cliente e automaticamente elevando o grau de satisfação.

2.1.2 Finalidades

A finalidade da sistemática de CRM é auxiliar as empresas para que elas possam melhorar o relacionamento com seus clientes, oferecendo um tratamento diferenciado através de um histórico que é montado para cada um deles. Estes históricos permitem que as empresas possam gerenciar de maneira inteligente a comunicação entre empresas e clientes e também os dados desses clientes, aliando vantagens para ambas as partes como maior volume de venda e lucro para as empresas e maior satisfação por parte dos clientes.

Segundo Greenberg (2001), um dos principais motivadores da implementação de uma solução é o crescimento das receitas. Pois a redução dos custos de vendas e de serviços, e a otimização dos processos de atendimento, também são características bastante significativas em um projeto de CRM.

O CRM permite a criação de relacionamentos individualizados com os clientes com o objetivo de aumentar os índices de satisfação e aumento de rentabilidade além de identificar os melhores clientes, os mais rentáveis e propiciar a estes melhores serviços. Além disso, possui a finalidade de auxiliar no aumento de performance das áreas de televendas, atendimento e vendas otimizando informações que passam a ser disponibilizadas para as diversas pessoas envolvidas no processo, agilizando o resultado (Greenberg, 2001).

Para que o CRM obtenha êxito em sua funcionalidade, as empresas precisam estar cientes de suas necessidades e também entender bem sobre essa sistemática, pois o CRM tem finalidades claras e objetivas que quando são bem usadas garantem eficiência e eficácia em seus serviços.

Segundo Colangelo Filho (2002), o CRM tem como finalidade reunir um conjunto de áreas que focam no atendimento aos clientes, fazendo com que esses clientes continuem consumindo os serviços e produtos das empresas. Para atingir esse objetivo existem algumas abordagens que deverão ser unificadas que são: abordagens orientadas a processos e abordagens orientadas a dados.

Do ponto de vista de Sordi (2002), as abordagens orientadas a processos visam à otimização dos sistemas transacionais e das aplicações de missão crítica. A visão de processos engloba soluções de ferramentas integradas como o ERP e o SCM.

Já as abordagens orientadas a dados se detêm nos problemas de sistemas operacionais, pois enxergam os dados essenciais para a inteligência de negócios (Sordi, 2002).

O principal objetivo das finalidades é construir relacionamentos de longo prazo com o cliente, compreendendo suas necessidades e preferências e, como resultante, agregar valor à organização e ao próprio cliente.

2.2 Marketing de Relacionamento

Muito já se falou sobre o marketing de relacionamento, pois esse assunto é bastante conhecido e usado entre as empresas. Para falar um pouco sobre a relação entre o marketing de relacionamento e o CRM, é preciso entender que como o marketing já existe há algum tempo e o CRM veio juntar-se a ele para que as empresas consigam aprimorar seus serviços junto aos seus clientes.

Para Madruga (2004), as empresas antes usavam o marketing convencional, mas como ele se tornou ineficiente para suprir as necessidades dessas empresas, surgiu o marketing de relacionamento. Pode-se dizer então que o marketing de relacionamento é um aprimoramento do marketing convencional, com a finalidade de oferecer melhores condições para auxiliar as empresas quanto as suas necessidades.

A estratégia de fazer um marketing de relacionamento com os clientes, era usada somente pelas grandes empresas, pois esse tipo de serviço tinha um custo muito alto. Mas com a chegada de novas tecnologias, com a facilidade da comunicação de hoje em dia e com o baixo custo, todas as empresas podem adotar esse tipo de serviço, pois o marketing de relacionamento junto com o CRM auxilia as empresas a gerenciar essa relação (Peppers & Rogers, 2001a).

Do ponto de vista de Bogmann (2000), o marketing de relacionamento pode ser feito através do uso de ferramentas específicas, como a captação e análise de um eficaz banco de dados dos seus clientes. Através dele consegue-se um tratamento mais personalizado ao público. Porém como é um trabalho custoso, as empresas devem concentrar esse marketing somente em seus principais clientes, ou seja, aqueles que realmente são responsáveis por seu faturamento.

Neste contexto o marketing de relacionamento é utilizado para criar uma relação forte entre as empresas e os clientes. Onde a sua marca terá o papel de transmitir os valores e as qualidades das organizações, conquistando a lealdade dos seus clientes.

2.2.1 O Valor do Cliente

Para que as empresas conquistem seus clientes, é preciso entender qual é o grau de importância que eles têm para elas, ou seja, quais tipos de tratamento essas empresas querem oferecer para seus clientes.

Do ponto de vista de Madruga (2004), para muitas empresas o foco nos clientes é fundamental para seus negócios. Por isso, essas empresas estão sempre atentas em prestar total assistência aos seus clientes, oferecendo segurança, comodidade e praticidade para eles. Com isso, essas empresas conseguem atrair cada vez mais seus clientes, satisfazer suas necessidades e retê-los com a sua fidelização.

Para valorizar seus clientes as empresas necessitam conhecê-los bem. Pois assim, essas empresas poderão dar um tratamento diferenciado e personalizado de acordo com a necessidade de cada um. Esse conhecimento pode ser feito através de interações entre as empresas e seus clientes, tornando seus serviços mais eficientes e eficazes (Peppers & Rogers, 2001a).

É importante ressaltar também que independente do tipo de contato que existiu entre as empresas e seus clientes, o importante é saber quando e onde esse último contato foi feito para que esse contato possa seguir adiante. E as empresas possam ter um acompanhamento do histórico e as necessidades de cada um de seus clientes (Peppers & Rogers, 2001a).

Segundo Bogmann (2000), é muito mais vantajoso e menos custoso para as empresas valorizarem seus clientes já conquistados, do que conquistar novos clientes. Por isso, as empresas necessitam estar sempre em contato com seus clientes para acompanharem o grau de satisfação dos mesmos e suas necessidades.

A valorização dos clientes, através de interações com eles, é fundamental para que as empresas possam obter sucesso em seus negócios, o que conseqüentemente pode garantir um nível de satisfação muito grande tanto para as empresas quanto para os clientes. Isso significa que para as empresas é muito mais vantajoso manter os clientes ativos do que conquistar novos.

2.2.2 Gerenciamento de Vendas

O gerenciamento de vendas é um recurso essencial para as empresas, pois através dele as empresas conseguirão analisar quais são seus clientes em potencial, as futuras tendências e também poderão acompanhar o status das vendas .

Do ponto de vista de Greenberg (2001), o gerenciamento de vendas engloba os dois lados de uma negociação, ou seja, tanto o lado das empresas quanto o lado dos clientes. Porém vale ressaltar que esse gerenciamento tem que ser bem feito porque as empresas necessitam ter uma equipe de vendedores treinados e qualificados para oferecer os seus produtos e também acompanhar o tratamento dado aos clientes para medir o grau de satisfação dos mesmos.

Já para Madruga (2004), um bom gerenciamento de vendas pode ser a chave do sucesso para que as empresas consigam aumentar sua lucratividade junto aos seus clientes. Para isso, é necessário que haja uma interação muito grande entre ambas as partes para que as empresas possam entender as necessidades dos clientes e oferecer exatamente o tipo de serviço ou produto que eles querem.

Para que as empresas consigam bom êxito em suas negociações junto aos seus clientes, é preciso que elas tenham um bom gerenciamento de vendas, pois essas vendas, quando são bem gerenciadas, tendem a satisfazer tanto as necessidades das empresas quanto em atender elevar o nível de satisfação dos clientes.

2.2.3 O Foco no Cliente

Vale ressaltar que o foco nos clientes é importante, porque a relação entre empresa e cliente deve sempre ser a melhor possível. Manter esse foco ativo, auxiliará as empresas no acompanhamento das necessidades de seus clientes e também gerará retorno positivo no seu nível de satisfação.

Segundo Stone (2001), o ciclo de vida dos clientes consiste em fases, que são os processos pelos quais as organizações enquadram seus clientes. Existem três maneiras de qualificar um cliente: A primeira é estimular a aquisição de um produto ou serviço que o cliente já tenha adquirido anteriormente, a segunda é vender novos produtos ou serviços para esses clientes e a terceira é a manutenção desses clientes por um longo tempo.

Essas fases são de extrema importância para as empresas entenderem o ciclo de vida dos clientes na implementação de um relacionamento comercial. Esse ciclo pode ser representado por quatro estágios que são: cliente potencial, cliente interessado, cliente ativo e cliente descontinuado (Greenberg, 2001).

O cliente potencial ainda não é cliente, porém as organizações o querem como um futuro cliente, o cliente interessado é aquele que demonstra algum tipo de interesse em um produto ou serviço, porém só é realmente considerado cliente quando efetivar algum tipo de contrato, o cliente ativo é aquele que já tem algum tipo de vínculo com a empresa, sendo alvo de campanhas promocionais que as empresas fazem, com o intuito de que ele adquira novos produtos e o cliente descontinuado é aquele que não tem mais vínculo com a empresa, ou porque é mau pagador ou porque migrou para outra organização (Greenberg, 2001).

Segundo Bretzke (2000), para que as empresas entendam em qual categoria se enquadra seus clientes são necessários registros históricos dos relacionamentos com eles.

Os clientes que já tem algum vínculo com as empresas são analisados e depois separados para que as mesmas recebam um feedback (retorno) deles. Esse feedback é importante porque as empresas querem saber qual o grau de satisfação deles com relação aos serviços e produtos oferecidos e também quais clientes geram mais reclamações (Bretzke, 2000).

Segundo Stone (2001), é importante que as empresas invistam sempre nos clientes. Desde o nível de atendimento até nas utilizações de portais usados na relação direta entre fornecedores e clientes. Para que os dados agreguem valores às organizações, com o apoio do CRM, é importante a sua inclusão na estrutura de um data warehouse.

Do ponto de vista de Greenberg (2001), porém é importante que o relacionamento entre as empresas e os clientes melhore à medida que eles vão se conhecendo. Para isso é necessário que seja feito um acompanhamento dessas etapas. Esse recurso pode ser feito usando como exemplo um data mining (mineração de dados). O data mining pode ser usado para fazer um prognóstico dos pontos críticos.

Portanto o uso do CRM, em conjunto com as ferramentas data mining e data warehouse, auxilia na integração das informações dos clientes, permitindo fazer análises e avaliações comportamentais deles otimizando os resultados do relacionamento com eles (Stone, 2001).

Conclui-se então que as empresas devem estar sempre focadas em seus clientes. A integração com eles é importante porque as empresas podem acompanhar o nível de satisfação deles e conseqüentemente garantir qualidade nos serviços apresentados.

2.3 Funcionalidades dos sistemas de CRM

Os módulos de CRM, são as variações e as funcionalidades que essa sistemática pode oferecer para seus clientes, dependendo do interesse e da necessidade de cada um.

O CRM é uma solução que pode oferecer vários módulos para as empresas, desde que eles sejam implementados de maneira certa e de acordo com as necessidades das empresas (Madruga, 2004).

Madruga (2004) também acrescenta que, esses módulos são divididos em famílias para que as suas funcionalidades complementares possam ser visualizadas como poderemos ver a seguir:

• Módulos de análise de portfólio e gestão de campanhas que são destinados a auxiliar os usuários na captura de informações de acordo com a necessidade de cada cliente e de acordo com o seu perfil, (ex: recursos analíticos, segmentação inteligente de mercado, gerenciamento de campanhas e produtos e serviços customizados);
• Módulos para o momento de contato com o cliente que permitem gerenciar os diversos tipos de contatos feitos pelos clientes, para solucionar possíveis problemas rapidamente, (ex: histórico de contatos, CTI (computer telephone integration ou integração entre telefone e computador), scripts inteligentes, gerenciamento de e-mails, e-colaboration (colaboração via internet), permissão de marketing e manuais e apresentações);
• Módulos para controle e aprimoramento da qualidade que auxiliam as empresas a melhorar a qualidade de seus produtos, seus procedimentos operacionais, seus serviços e o atendimento a clientes, (ex: pesquisas em tempo real, gestão e qualidade de serviços, recurso de manutenção preventiva e qualidade de dados);
• Módulos para informação, envolvimento e gerenciamento do colaborador que permitem aos gestores maximizar a produtividade, a autonomia e a confiança dos colaboradores (ex: gerenciamento do perfil de acesso, colaboração e gestão de parceiros ERM (Employee Relationship Management ou Gerenciamento de Relacionamento entre Chefes e Empregados), designação da pessoa certa, visibilidade e responsabilidade, wokflow, reconhecimento e recompensa e treinamento à distância);
• Módulos para colaboração que auxiliam os parceiros, através de ferramentas colaborativas, a se tornarem membros virtuais da organização principal.

Entretanto, esses módulos são variados e de acordo com as suas funcionalidades trabalham com as ferramentas especificas que são disponibilizadas pelos pacotes de CRM que serão abordados no capítulo 4.

2.4 Tipos de CRM

Fazendo uma análise dos aspectos tecnológicos da solução CRM, existe um universo bastante amplo e diversificado de tecnologias. Essa tecnologia de solução CRM é classificada, entre os diversos autores, em três grupos: CRM Analítico, CRM Operacional e CRM Colaborativo (Colangelo Filho, 2002, Greenberg, 2001, Sordi, 2002, Oliveira, 2002).

2.4.1 CRM Operacional

O CRM Operacional representa uma denominação adotada para o conjunto de ferramentas e processos que envolvem: as atividades de atendimento ao cliente, o registro de suas manifestações e seu encaminhamento às áreas destinadas, cuidam de sua resolução dentro ou fora da empresa e abastece uma base de conhecimentos deste cliente através da formação do histórico de seu relacionamento com a organização, nas suas mais variadas formas, independente do tipo de contato que foi feito (Colangelo Filho, 2002).

Do ponto de vista de Greenberg (2001), no CRM Operacional a aplicação da tecnologia de informação visa melhorar a eficiência do marketing, os serviços e as vendas. Ele tem como objetivo estreitar o relacionamento com os clientes personalizando-os o máximo possível.

Segundo Oliveira (2002), as principais funcionalidades do CRM Operacional são exercidas no ambiente do contact center (Central de Contatos), que tem papel fundamental na construção de uma estratégia de CRM.

Dessa forma, a partir das interações do cliente com a central de atendimento inicia-se o processo de formação de uma base de conhecimentos sobre o cliente/consumidor, de forma que, tanto as interações que partem do cliente quanto as que partem da empresa passem a compor seu histórico e gerar subsídios para segmentação, a partir da identificação de hábitos, preferências e valores (Oliveira, 2002).

Para Sordi (2002), o CRM Operacional gerencia e sincroniza essas interações (do cliente em marketing, vendas e serviços) e o CRM Analítico ajuda a otimizar as fontes de informação para compreender melhor o comportamento dos clientes.

Muitas empresas optam por adquirir somente o CRM Operacional, visto que ele pode ser vendido separadamente, porém atenderá somente as necessidades básicas dos serviços prestados para as empresas (Sordi, 2002).

O CRM Operacional funciona como a porta de entrada para a coleta dos dados através dos contatos entre as empresas e os clientes. Após essa coleta, esse dados são armazenados em bancos de dados para em seguida serem trabalhados no CRM Analítico na montagem do histórico dos clientes.

2.4.2 CRM Analítico

Para Colangelo Filho (2002), no CRM Analítico, os dados dos clientes após serem coletados em diferentes tipos de canais como call center (Centro de Atendimento Telefônico), website (páginas da web), fax e portais, são armazenados em uma base de dados. Esses dados a princípio são dados brutos, ou seja, são dados que não foram trabalhados ainda, impossibilitando o trabalho de análise e interpretação dos profissionais de marketing, as vendas e os serviços.

Já para Sordi (2002), após a coleta dos dados, o CRM Analítico tende a organizar esses dados brutos em uma base de dados relacional, permitindo um acompanhamento melhor aos diversos tipos de clientes.

Depois de organizados, esses dados podem ser utilizados em diversas ferramentas que os analisam e os interpretam, auxiliando no processo de geração de informação e conhecimento sobre os clientes. Entre as principais ferramentas do CRM Analítico estão os softwares para o BI (Business Intelligence ou inteligência de negócios) e também o data mining (mineração de dados) e o data warehouse (armazém de dados) (Oliveira, 2002).

Segundo Greenberg (2001), o CRM Analítico diz respeito à captação, armazenagem, acesso, processamento, interpretação e transmissão de dados dos clientes para o usuário do programa.

Portanto, a fase de análise de dados do CRM, após passar pelos processos necessários no CRM Operacional , é o primeiro grande passo para a criação dos históricos dos clientes, pois é nessa fase que as empresas começam a conhecer seus clientes para futuramente dar um tratamento personalizado para cada um deles.

2.4.3 CRM Colaborativo

Segundo Greenberg (2001), no CRM Colaborativo permite-se a automação e a integração entre todos os contatos das empresas com os clientes. Elas estão preparadas para interagir com os clientes disseminando as informações levantadas para os sistemas do CRM Operacional.

Existem alguns meios de comunicação onde as empresas podem estar entrando em contato com os seus clientes, como e-mails (correspondência eletrônica), chamadas telefônicas e reconhecimento de voz conforme veremos a seguir:

O gerenciamento de e-mails visa aumentar a qualidade e a resposta dos agentes das empresas, pois ele analisa os textos contidos nos e-mails emitidos às empresas e posteriormente os encaminham aos respectivos setores. A digitação e interpretação de fax são muito parecidas com o processo dos e-mails, porém é utilizado um software que os interpreta, onde os sinais gráficos são convertidos em caracteres, com isso as palavras digitadas são compostas por algoritmos (Sordi, 2002).

Quanto ao monitoramento de chamadas telefônicas, após elas serem identificadas, é usado um call center para que as mesmas sejam direcionadas para um atendimento específico. Na customização ao ambiente web, após o usuário entrar em um website e ser identificado, o sistema monta a página a ser apresentada conforme o perfil dos clientes personalizando as informações (Colangelo Filho, 2002).

Já para Oliveira (2002), no reconhecimento de voz, ela é interpretada e a fala dos clientes é convertida em instruções para o sistema. E no gerenciamento de contatos, independentemente do tipo de contato usado pelos clientes, ele é registrado e esse registro facilita a continuidade no processo de diálogo entre as empresas e os clientes.

Pode-se concluir que o CRM Colaborativo faz a integração entre todos os processos das empresas relativos ao relacionamento entre as empresas e seus respectivos clientes, disponibilizando essas informações através de acesso nas bases de dados.

2.4.4 Esquema de Análise dos tipos de CRM

Na figura 1, são apresentados os 3 tipos de CRM e uma abordagem de como eles funcionam. A seqüência desses tipos é: o CRM Operacional, o CRM Analítico e o CRM Colaborativo.

Figura 1 – TIPOS DE CRM.
Fonte: (MICROSOFT, 2003).

O CRM operacional trata da automação dos processos de relacionamento. É onde a maioria das empresas está focada. Ele envolve o back office (retaguarda), como o gerenciamento de pedidos, produção, gerência de cadeia de fornecimento e sistemas legados, o front office (linha de frente) pela automação de vendas, de marketing e de atendimento e ainda o mobile office que é o sistema móvel de vendas e o atendimento em campo.

O CRM analítico é a inteligência do processo, pois seu objetivo é analisar os dados dos clientes e identificar as suas necessidades através do acompanhamento de seus hábitos e costumes. Ele executa as funções de análise do desempenho e da inteligência dos negócios.

Já no CRM colaborativo, são englobados todos os pontos de contato com os clientes, é onde ocorrem as interações entre eles e as empresas. Essa interação pode ser feita através de contato por voz, conferência via web, e-mail, gerenciamento de respostas, fax, cartas e interação direta (lojas físicas, quiosques, distribuidores, lojas virtuais).

As atividades do CRM Operacional e do CRM Colaborativo são guiadas pelas decisões tomadas no CRM Analítico, mas para isto todos os funcionários devem ter uma visão única dos clientes com dados consistentes. A falta desta visão única pode fazer com que uma empresa ofereça para seu cliente um produto ou serviço que ele já possui ao invés de oferecer novos produtos ou serviços complementares e de acordo com o seu perfil.

2.5 Implantação de um CRM

A implantação e personalização de um ambiente de CRM para ser bem sucedida, devem ser feitas de acordo com as necessidades de cada tipo específico de empresa, ou seja, deve atender exatamente aquilo que as empresas esperam dessa sistemática.

Segundo Stone (2001), a implantação da sistemática de CRM pode ser feita em toda a empresa após uma revisão para saber qual a forma de pensar do negócio. Técnicas, tecnologias e processos são agora implantados para materializar a estratégia de CRM. Essa implantação pode ser escalonada, mas deve obedecer a um ritmo que não interrompa a revisão dos processos operacionais ou cause descrédito na estratégia proposta.

A implantação de uma sistemática de CRM é um método sofisticado e eficiente que pode melhorar a rentabilidade das empresas junto aos seus clientes atuais (Sordi, 2002).

Do ponto de vista de Bretzke (2003), para isso, as empresas precisam melhorar o perfil dos seus funcionários, treiná-los continuamente, incentivar a iniciativa bem sucedida e assumir um risco maior até que o modelo de relacionamento esteja estabilizado. Isso pode ser feito com procedimentos e limites de competência bem definidos, pois assim o medo de uma punição deixa de ser uma trava para a criatividade. Os funcionários assumem o seu papel como construtores do relacionamento com os clientes aumentando o lucro para as empresas e conseqüentemente perpetuando essas organizações no mercado.

Para Stone (2001:147), “os clientes já não aceitam mais o atendimento cordial e gentil sem nenhum poder de decisão. Os clientes desejam lidar com quem pode resolver problemas e oferecer soluções melhores e mais criativas”.

Por isso, é preciso ir além da implantação da tecnologia. É preciso dotar a empresa de estratégia, processo e tecnologia para que esteja preparada para prestar o atendimento e reconhecimento que o cliente deseja e espera com a finalidade de auxiliar o crescimento e manutenção desse forte relacionamento que se transformará em receitas e lucros crescentes (Stone, 2001).

Por ser um produto que mexe muito com as organizações de um modo geral, algumas empresas ainda encaram a sistemática de CRM com algumas ressalvas, e para entender sobre as dificuldades apresentadas na implantação de um CRM é preciso deixar claro que elas só existem porque algumas empresas ainda têm resistências a mudanças.

Segundo Sordi (2002), pode-se dizer que o principal desafio enfrentado pelo CRM nas empresas é na mudança cultural, pois essa mudança por ser um aspecto crítico, às vezes existe muitas resistências. O CRM tem como premissa à existência de uma organização centrada nos clientes, sendo os mesmos os elementos principais que dão grande sentido ao trabalho colaborativo entre as áreas das organizações.

Por isso, adotar uma solução CRM, operando corretamente, depende da capacidade das empresas em aceitarem mudanças, visto que as mesmas terão que focar mais nos clientes e não nas suas funções (Colangelo Filho, 2002).

Já para Greenberg (2001), é importante ressaltar que como existem diferentes sistemáticas de CRM, para diferentes tipos de empresas, é necessário que essas empresas adquiram a sistemática de CRM certa, de acordo com seu perfil e suas necessidades, para que não tenham futuros problemas, o que erroneamente para elas seria encarado com uma dificuldade na implantação.

A sistemática de CRM tem como finalidade auxiliar as empresas em todos os aspectos de acordo com a necessidade de cada uma, e que entende-se por dificuldade quando essas empresas têm resistências a mudanças, através de seus funcionários, ou então quando a sistemática não é usada de maneira apropriada. A implantação de um CRM, quando é bem feita e bem aceita pelos funcionários das organizações, estará satisfazendo as necessidades das empresas, junto a seus clientes gerando um grau de satisfação muito grande nessas organizações.

2.6 Relação do CRM com os outros sistemas de informação

O CRM é mais uma solução, à disposição das empresas, que deve ser integrado às demais ferramentas e sistemas de informação das organizações para que ele possa obter êxito em sua funcionalidade. Conforme será apresentado a seguir, veremos alguns aspectos importantes da relação do CRM com o e-CRM, o Comércio Eletrônico, o ERP e com o SCM.

2.6.1 CRM e e-CRM

Devido às necessidades do mercado, a popularização do o uso da internet e ao grande avanço tecnológico, o e-CRM (Gerenciamento Eletrônico de Relacionamento com Clientes), surgiu com a finalidade de auxiliar as empresas como mais um meio de comunicação entre elas e seus clientes.

Entende-se por e-CRM como uma ferramenta de gestão de relacionamento eletrônico com os clientes, desenvolvida para o ambiente de internet, que automatiza as funções de marketing, vendas, suporte a clientes e serviços internos (Peppers & Rogers, 2001a).

Segundo Greenberg (2001), o e-CRM pode proporcionar aos usuários da internet a possibilidade de interagir com as empresas por esse meio. Esse serviço além de facilitar a comunicação entre as empresas e os clientes, também gera um grau de satisfação muito grande para os clientes e mais eficiência nos serviços prestados pelas empresas. Sem falar na praticidade que gera um ganho de tempo e economia para ambas as partes.

O acesso pelos clientes do sistema e-CRM, é um requisito obrigatório no mercado atual visto que as funcionalidades mais sofisticadas são cada vez mais comuns, permitindo com isso fazer downloads (baixa de arquivos) de materiais promocionais, tabelas de preços, sessões de suporte via chat, ou ainda alertas via e-mail de promoções e informativos (Wintouch, 2002).

Já para Peppers & Rogers (2001a), o e-CRM permite que os usuários capturem, acessem e analisem informações dos seus clientes a qualquer momento, de qualquer lugar, independente do dispositivo de comunicação escolhido. A solução e-CRM agrega valores na relação das empresas com os seus clientes.

Do ponto de vista de Wintouch (2002), os portais de clientes e a funcionalidade em torno deles, são freqüentemente chamados de e-CRM, onde seus subsistemas são chamados de e-sales, e-marketing, ou e-support, ou seja, vendas, marketing e suporte on-line. Muito da atenção agora é colocada em portais personalizados, onde os clientes podem definir o que eles desejam ver na página inicial em cada acesso.

Também para Greenberg (2001), o e-CRM ou CRM on-line, implica em um meio adicional de comunicação e outro nível de interatividade com os clientes. A diferença está na sua arquitetura e tecnologia, permitindo maior interatividade com o cliente e proporcionando a ele o auto-serviço.

A diferença entre CRM e e-CRM é que enquanto o CRM trata do gerenciamento do relacionamento com os clientes de uma maneira geral, o e-CRM trata desse relacionamento por intermédio da web, ou seja, on-line. Permitindo que os próprios clientes sejam capazes de cuidarem de si mesmos (Greenberg, 2001).

Com a chegada do e-CRM, as empresas ganharam mais um importante meio de comunicação com seus clientes. Com isso, essa comunicação com eles tornou-se mais rápida e eficiente, o que conseqüentemente garante para as empresas uma melhora no relacionamento com seus clientes e automaticamente um aumento no grau de satisfação deles.

2.6.2 CRM e Comércio Eletrônico

Com a globalização, o mercado de compra e venda de serviços e produtos ficou mais competitivo. O surgimento do comércio eletrônico veio para facilitar essa comunicação entre as empresas e os seus respectivos cliente.

Segundo Turban (2004), comércio eletrônico ou e-commerce, é um tipo de transação comercial feita através da internet. E como o mercado mundial está absorvendo o comércio eletrônico em grande escala, muitos ramos da economia agora estão ligadas à ele.

A tecnologia da internet facilita os relacionamentos entre empresas e clientes, visto que a interação é mais rápida e mais fácil. Tem-se como exemplo o e-commerce (comércio eletrônico). O CRM tem exemplos que englobam funções de comércio eletrônico como o serviço de e-mail, como estratégia de marketing, e os sites das empresas (para reclamações, sugestões, dúvidas e compras). Pode-se dizer que a utilização das páginas na web é uma estratégia muito eficaz (Sordi, 2002).

Do ponto de vista de Catalani (2004), qualquer pessoa que tenha acesso à Internet, pode fazer uma transação com o comércio eletrônico. Se a empresa que estiver oferecendo o produto tiver usando a sistemática de CRM, automaticamente ela poderá começar a traçar o perfil e o histórico desses clientes.

O comércio eletrônico é uma das maneiras mais práticas e cômodas de um cliente fazer uma operação junto às empresas. E através dessa facilidade, as empresas têm que aproveitar para começar a trabalhar traçando o perfil de cada um de seus clientes para posteriormente oferecer um tratamento diferenciado a cada um deles.

2.6.3 CRM e ERP

O ERP (Enterprise Resource Planning ou Planejamento de Recursos Empresariais), surgiu com a finalidade de integrar todos os processos das empresas. É um recurso muito importante que auxilia as empresas quando utilizado junto ao CRM.

Para Colangelo Filho (2001), o ERP é o aprimoramento de um MRP II (Manufacturing Resources Planning ou Planejamento de recursos Manufaturados), surgido na década de 1980, que já foi uma ampliação do MRP (Materials Requirement Planning ou Planejamento de Requerimentos de Materiais), surgido na década de 1970.

Essa evolução foi necessária devido ao avanço da tecnologia e também por causa da chegada da globalização. O que tornou o mercado cada vez mais competitivo (Colangelo Filho, 2001).

Segundo Greenberg (2001), o ERP consiste na integração de sistemas com funções de apoio, podendo ser usado em várias áreas. Porém é mais usado geralmente na área de recursos humanos e na área financeira, pois os mesmos são totalmente vinculados a todos os processos das empresas.

Esses processos, antes do surgimento do ERP, eram normalmente feitos em duplicidades, uma vez que as áreas dentro das empresas não se comunicavam. Com a chegada do ERP, esse serviço foi otimizado e automaticamente as empresas ganharam muito com a otimização desses serviços (Colangelo Filho, 2001).

Para finalizar, a integração entre ERP e CRM é essencial, pois um CRM não funciona sem o ERP. E com isso, essa integração faz com que os dados sejam compartilhados, facilitando conseqüentemente a comunicação entre os mesmos.

2.6.4 CRM e SCM

Devido ao grande avanço tecnológico, novos produtos surgem para auxiliar os produtos já existentes. O SCM (Supply Chain Management ou Gerenciamento da Cadeia de Suprimentos) é mais um desses produtos que significa uma cadeia de suprimentos por onde os produtos e as informações trafegam. É um conjunto de mecanismos que permite planejar de forma otimizada o fluxo de mercadorias e serviços em uma cadeia de suprimentos e tem como objetivo otimizar o fluxo entre os envolvidos.

Segundo Colangelo Filho (2001), o SCM é uma abordagem integrada para planejamento e controle do fluxo de bens e informações na cadeia de fornecimento. Para obtenção de êxito, é ideal que essa cadeia seja formada por um conjunto de empresas funcionando de forma coordenada, harmônica e integrada.

Esses sistemas quando trabalhado junto ao ERP pode auxiliar as empresas em aumentar a sua rentabilidade. Essas empresas poderão melhorar as suas bases de informações transformando esse trabalho em vantagem competitiva (Colangelo Filho, 2001).

A integração do sistema de SCM e CRM podem ajudar as empresas a se equilibrarem e a terem força junto aos seus clientes. Pois diante do conhecimento que elas têm sobre seus clientes, elas poderão prever a demanda dos produtos ofertados com mais precisão, otimizando custos, e também saber exatamente para quem oferecer seus produtos, sem a necessidade de manter um grande estoque.

3 – FERRAMENTAS TECNOLÓGICAS UTILIZADAS EM CRM

Para que o CRM obtenha êxito em suas funcionalidades, ele precisa ser composto por outras ferramentas tecnológicas. Essas ferramentas são variadas e com finalidades diferentes, como poderemos ver a seguir. Porém, essas ferramentas devem ser usadas de acordo com as necessidades de cada empresa e fazem parte dos diversos pacotes de CRM oferecidos no mercado.

Segundo Bretzke (2000), o CRM junto com as ferramentas de apoio auxiliam a implementação de técnicas de marketing de relacionamento. Pois utilizam essas ferramentas da tecnologia da informação para administrar a grande quantidade de dados de que as empresas necessitam para interagir com seus clientes da maneira mais personalizada possível.

As ferramentas tecnológicas mais conhecidas que são usadas junto com a sistemática de CRM para trabalhar com os dados dos clientes são: Database Marketing, Data Warehouse, Data Mining e OLAP.

3.1 Database Marketing

O banco de dados das empresas é o armazém de conhecimento que as empresas possuem sobre os seus clientes. Esse conhecimento, através do uso do database marketing (banco de dados de marketing), tornou-se tão importante para o marketing direto que surgiu essa expressão. Por ser usada para definir o próprio conceito de marketing direto, o database marketing tem como finalidade auxiliar as empresas de acordo com as suas funcionalidades.

Segundo Bretzke (2000), para uma empresa conhecer os seus clientes, é necessário armazenar os dados produzidos por eles e sobre eles. O uso da sistemática de CRM seria impossível sem o auxílio dessas ferramentas, particularmente nas áreas de telecomunicações e gerenciamento de bancos de dados. No caso específico do seu uso em marketing, essa ferramenta é chamada de database marketing.

Bretzke (2000) também acrescenta que, esse é um termo amplamente usado em marketing, mas costuma ter diferentes conceituações, dependendo de quem o está definindo.

Segundo Gordon (1999), o National Center for Database Marketing tem empregado a seguinte definição: database marketing é o gerenciamento de um sistema dinâmico de base de dados inteligíveis, atualizados, com informações relevantes sobre clientes atuais e potenciais que serve para:

• Identificar os clientes atuais e potenciais mais propensos a responder às ações de marketing;
• Desenvolver um relacionamento de alta qualidade de longo prazo com compras repetidas;
• Através do desenvolvimento de modelos preditivos, capacitarem o envio das mensagens desejadas no tempo certo, no formato certo e para as pessoas certas;
• Enviar mensagens que encantarão o cliente;
• Construir lealdade;
• Fazer com que as despesas de marketing tenham a melhor relação custo benefício;
• Aumentar o lucro.

Do ponto de vista de Woodcock (1998) e Stone (2001), as principais características de um banco de dados de marketing são as seguintes:

• Cada cliente efetivo ou potencial é identificado em um registro do banco de dados;
• Cada registro de cliente contém informações de identificação, necessidades e características, comunicações de campanha, reações do cliente às campanhas realizadas, transações realizadas no passado, etc;
• A informação deverá estar disponível durante cada comunicação com o cliente;
• O banco de dados é usado para registrar as reações do cliente às iniciativas da empresa;
• A informação também deverá estar disponível para os estrategistas de marketing, para permitir que se decida sobre quais mercados-alvo são adequados para cada produto ou serviço;
• Usar o banco de dados visando assegurar que a abordagem do cliente seja coordenada e consistente. Esse passo é vital no marketing de relacionamento;
• O banco de dados eventualmente substitui a maior parte da pesquisa de mercado. As campanhas de marketing são concebidas para que a reação dos clientes a ela forneça as informações desejadas.

Utilizado de forma adequada, o database marketing pode ajudar as empresas a dirigirem sua atenção para onde estará direcionado o marketing dos próximos anos: cultivando e retendo os clientes atuais e usando o conhecimento e a informação para buscar novos consumidores mais rentáveis (Bretzke, 2000).

Segundo Stone (2001), para que o database marketing seja efetivo como sustentação da estratégia de marketing de relacionamento, deve ser totalmente integrado à operação da empresa. A grande vantagem é a atualização constante de um grande número de informações obtidas pelas diversas áreas que possuem relacionamento com os clientes efetivos e/ou potenciais.

Na figura 2 são apresentadas as recompensas de um database marketing, ou seja, todos os passos que as empresas precisam fazer para atingirem os melhores resultados quando oferecerem seus produtos para seus clientes. Através de seu uso, essas empresas poderão analisar melhor todas as fases de lançamentos de seus produtos e também poder oferecê-los para os clientes certos .

FIGURA 2 – DATABASE MARKETING.
Fonte: (SHAW & STONE, 1993).

O uso de uma ferramenta database marketing é feito quando as empresas necessitam de análises mais apuradas dos perfis de seus clientes para que diante disso, possam saber oferecer o produto ideal para o cliente certo. E quando essa análise é bem feita e trabalhada, auxilia as empresas diretamente na questão do marketing direto com os seus respectivos clientes.

3.2 Data Warehouse

O data warehouse (armazém de banco de dados), surgiu devido ao amadurecimento dos sistemas de informação empresariais e com o crescimento das necessidades de análise dos dados. Como os sistemas antigos não conseguiam cumprir as tarefas de análises, a implementação do data warehouse passou a se tornar realidade nas grandes corporações.

Segundo Inmon (1997:68), “um data warehouse consiste em um conjunto de dados de apoio às decisões gerenciais. Desta forma, os bancos de dados de marketing estão sendo estruturados cada vez mais como data warehouse, pois utilizam conceitos semelhantes”.

Inmon (1997) também acrescenta que em uma primeira vista, os conceitos de database marketing e data warehouse são muito semelhantes. A maior diferença está na forma como os dados são estruturados. Enquanto que no data warehouse um repositório de dados contém informações vindas de diversas fontes de dados, através de vários departamentos e/ou sistemas diferentes dentro da mesma empresa armazenadas de forma consolidada, nos bancos de dados normais essas informações podem conter dados redundantes e não consolidados, além de estarem descritos de formas diferenciadas em cada um deles.

Já para Gordon (1999), defini-se o data warehouse como grandes depósitos de informações sobre os clientes, a partir de fontes internas da empresa e de fontes dos clientes ou de terceiros, como o governo, empresas de cartão de crédito e de pesquisa de mercado. Quando trabalhado junto com o CRM, esses dados podem distinguir comportamentos, preferências, informações sobre o estilo de vida, dados transacionais e dados sobre comunicações com a empresa antes, durante e depois da venda, além de incluir informações sobre a lucratividade, satisfação, retenção, fidelidade e referências dos clientes.

Do ponto de vista de Inmon (1997) , o data warehouse consiste em um sistema de administração de banco de dados relacional projetado para satisfazer as necessidades de sistemas de processamento de transações. Pode ser definido como armazém de dados centralizado que pode ser examinado para benefício de diferentes negócios. E quando é trabalhado junto com o CRM, disponibiliza esses dados auxiliando as empresas na construção do histórico de seus clientes. Também é uma técnica que torna possível extrair dados operacionais arquivados e inconsistências superadas entre formatos de dados de sistemas legados diferentes.

Segundo Moriaty (1996), a extração, limpeza, transformação e migração de dados dos sistemas existentes na empresa para o data warehouse constituem tarefas críticas para o seu funcionamento efetivo e eficiente. Diversas técnicas e abordagem têm sido propostas, algumas genéricas e outras especialmente voltadas para a manutenção de integridade dos dados num ambiente caracterizado pela derivação e replicação de informações.

Os produtos oferecidos no mercado procuram automatizar processos que teriam de ser feitos manualmente ou utilizando ambientes de programação de mais baixo nível. De fato, não existe uma ferramenta única capaz de oferecer suporte aos processos de extração, limpeza, transformação e migração dos dados (Moriaty, 1996).

Harrison (1998), acrescenta que especialistas afirmam que identificar fontes, definir regras de transformação, detectar e resolver questões de qualidade e integração consome muito tempo, visto que não é fácil automatizar estas tarefas. Embora algumas ferramentas possam ajudar a detectar problemas na qualidade dos dados e gerar programas de extração, a maioria das informações necessárias para desenvolver regras de mapeamento e transformação existem apenas na cabeça dos analistas e usuários.

Ainda sobre o ponto de vista de Harrison (1998), fatores que certamente influem na estimativa de tempo para estas tarefas são o número de fontes e a qualidade dos metadados (dados sobre dados) mantidos sobre estas fontes. As regras de negócios associadas a cada fonte tais como validação de domínios, regras de derivação e dependências entre elementos de dados são outras fontes das aplicações, sendo que o tempo para mapeamento e integração pode dobrar.

É possível ter um mesmo dado, que represente a mesma grandeza, sendo tratado por sistemas diversos e em formatos diferentes. Quando for necessária uma decisão estratégica que contemple um conjunto de dados deste tipo, juntamente com um processo de análise que os compare, releve, analise tendências e projeções ou outros processos analíticos deste tipo, terão problemas em unir estas versões diversas de uma mesma grandeza. O data warehouse resolve este tipo de problema através da consolidação destes dados (Jamil, 2001).

A maior vantagem da consolidação destes dados é permitir que as empresas elaborem sistemas de marketing e de vendas que possam ser otimizados para lidar com transações e com a estrutura organizacional específica dessas empresas. O uso de um data warehouse junto com a sistemática CRM, são elementos de apoio ao desenvolvimento de estratégias e operações mais competitivas para as empresas (Stone, 2001)

Na figura 3, temos uma estrutura de como funciona um data warehouse. Por se tratar de um grande armazém de dados, ele concentra todos os tipos de informações que são úteis para as empresas e sem redundância de dados. Esses dados são variados e podem entrar de diversas maneiras como em informações financeiras, dados de vendas, dados de comercialização e distribuição, dados dos clientes e dados externos.

Quando as empresas necessitam de informações para fazer análises diversas como marketing (para gerenciar campanhas e saber o perfil dos clientes), analisar créditos (conhecer os possíveis riscos) , finanças (análises estatísticas), produtos (análises de produção, vendas e fornecedores) e logística (para revisões, reposições e suprimentos), por exemplo, elas buscam essas informações em arquivos históricos, através do uso de data marts (pequenos bancos de dados), que estão integrados nesse armazém de dados.

Figura 3 – DATA WAREHOUSE.
Fonte: (AWARE, 2007).

Sendo assim, conclui-se que para traçar o perfil de um cliente, as empresas devem investir em banco de dados integrados, eliminando com isso a redundância de dados. Não é possível tratar um cliente de maneira diferenciada sem conhecê-lo a fundo e para o armazenamento de seus dados é imprescindível o uso de um bom banco de dados. Por isso, o uso de um data warehouse junto com a sistemática de CRM pode auxiliar as empresas de acordo com as suas necessidades dando garantias de que os dados de seus clientes estão bem armazenados.

3.3 Data Mining

Atualmente a capacidade de geração e coleta de dados tem evoluído rapidamente, tanto a disponibilidade de meios de armazenamento a um relativo baixo custo quanto o progresso nas tecnologias de aquisição de dados, tem tornado possível às organizações a formação de enormes bancos de dados sobre seus ramos de atividade. O grande desafio tem sido transformar esta grande quantidade de dados em informações úteis. O data mining (mineração de dados), consiste no processo de extração de informações, previamente desconhecidas e potencialmente úteis dos bancos de dados.

Para entender um pouco sobre o data mining vale ressaltar que o uso dessa ferramenta auxilia na extração de dados de um data warehouse com o objetivo de analisar modelos, tendências e relações. É um processo que busca as informações necessárias dentro de um grande volume de dados armazenados em um banco de dados.

Segundo Carvalho (2005), o data mining pode ser definido como o uso de técnicas automáticas de exploração de grandes quantidades de dados de forma a descobrir novos padrões e relações que, devido ao volume de dados, não seriam facilmente descobertas pelo ser humano.

Já para Krivda (1996), a mineração de dados é o processo ou meio de descobrimento de novas correlações entre esses dados que, através de suas ferramentas, descobre padrões ocultos e relações entre dados organizacionais.

A mineração de dados nas empresas busca descobrir relações entre produtos, prever vendas, classificar consumidores, localizar áreas geográficas que possam vir a ser lucrativas e descobrir necessidades úteis para o bom relacionamento entre as empresas e os clientes, trazendo com isso um retorno financeiro para as empresas e melhorando as suas estratégias (Kimball, 1998).

Do ponto de vista de Morales (2001), o data mining é a aplicação de técnicas estatísticas e de inteligência artificial em grandes quantidades de dados, para descobrir relações e padrões entre os dados. Também pode ser dito que é o processo de construir modelos baseados em um conjunto de dados, que permita fazer predições, controlar ou melhorar algum processo.

Morales (2001) também entende que, o data mining tem como objetivo descobrir informações e conhecimentos existentes em uma base de dados. A idéia chave é tornar as informações críticas disponíveis para o gerenciamento que podem ser usadas para futuros processamentos analíticos e tomadas de decisões.

Tecnologias de mineração de dados são caracterizadas pela intensiva computação em grandes volumes de dados. Os processos de data mining podem ser utilizados para envolver a utilização de algumas variáveis, para prever valores desconhecidos ou futuros de outras variáveis de interesse, procurar por padrões que descrevam os dados e que sejam interpretáveis por seres humanos (Carvalho, 2005).

Na figura 4, é apresentado como funciona um data mining, ou seja, como é feito o processo. Primeiro os dados são selecionados e extraídos de um data warehouse, em seguida passam por um processo de transformação onde depois de serem diluídos e analisados são agrupados da maneira certa. Por último é feito uma montagem assimilando as informações que serão disponibilizadas.

Figura 4 – DATA MINING
Fonte: (CRAWFORD, 1996).

O uso da ferramenta data mining tem uma importância muito grande para as empresas. Visto que a sua finalidade é filtrar os dados necessários que essas empresas necessitam, auxiliando-as na montagem do histórico de cada um de seus clientes para que possam ser usados na aplicação da sistemática de CRM.

3.4 OLAP

Devido ao grande crescimento e disputa no mercado consumidor, as empresas necessitam se adequarem cada vez mais para oferecerem melhor qualidade de serviço aos seus clientes. Por isso, essas empresas buscam apoio em ferramentas específicas para auxiliá-las. Uma dessas ferramentas é o OLAP (Processamento Analítico On Line). O OLAP surgiu com a finalidade de proporcionar condições de análise de dados em tempo real necessárias para responder às possíveis perguntas das pessoas interessadas.

Segundo Nigel (2006), o OLAP é uma ferramenta que é usada para recuperar as informações que estão armazenadas no data warehouse, ou seja, no data warehouse as informações ficam armazenadas e para que essas informações sejam extraídas existe a necessidade do uso da ferramenta OLAP. Ambas são especializadas para exercer suas funções de forma eficiente e quando são trabalhadas junto com a sistemática de CRM oferecem melhor qualidade de serviço às empresas.

Nigel (2006) também completa que a análise desses dados pode ser feita de forma personalizada para cada tipo de negócio, podendo ser sintetizadas temporariamente (anual, semestral, mensal, etc), por região, por produto ou qualquer outra perspectiva que seja necessária. Ela executa, cria relatórios, agrega dados etc., podendo ainda limitar a visualização dos dados para determinado grupo de usuários, enquanto outro grupo tem acesso a uma quantidade maior de informações.

Do ponto de vista de Turban (2005), a ferramenta OLAP auxilia na análise de dados com a finalidade de mostrar as necessidades dos negócios reais, ou seja, essa ferramenta auxilia as empresas a fazerem um levantamento estatístico para saber quais produtos e serviços serão oferecidos em determinadas áreas, e posteriormente saber quais foram os mais vendidos e também qual foi o desempenho dos respectivos responsáveis pelas vendas.

A funcionalidade OLAP é implementada em um modo cliente/servidor e oferece consistentemente rápidas respostas para consultas, apesar do tamanho e complexidade do banco de dados. O OLAP ajuda o usuário a sintetizar as informações da corporação através de visões comparativas e personalizadas, por intermédio de análises de históricos e projeções de dados em vários modelos de cenários (Turban, 2005).

Na figura 5, é apresentado como funciona a ferramenta OLAP. Através de uma busca de informações feita em diversas fontes de dados como pode-se ver na figura abaixo (excel, word, access, outlook), esses dados passam por um processo de transformação, ou seja, são agrupados em blocos com o uso de data marts (pequenos bancos de dados). Em seguida esses blocos são, através do uso de um data warehouse, disponibilizadas pelas ferramentas OLAP .

Figura 5 – OLAP
Fonte: (MICROSOFT, 2006)

O uso da ferramenta OLAP junto com o data warehouse e composto com a sistemática de CRM, possibilita as empresas quando elas necessitam de dados específicos para futuros lançamentos de produtos e a melhorarem a qualidade de seus serviços oferecendo aos seus clientes um tratamento diferenciado.

3.5 Estrutura geral dos Pacotes de CRM

Para falar sobre a estrutura geral dos pacotes de CRM, é importante ressaltar que existem no mercado vários pacotes de CRM que podem auxiliar as empresas. Porém essas empresas devem se enquadrar de acordo com o tipo de pacote apresentado junto ao seu perfil e suas necessidades para não cometerem erros. Conforme veremos na tabela a seguir, essas são as ferramentas tecnológicas básicas que todos os pacotes de CRM usam para criar o histórico dos clientes.

TABELA 1: FERRAMENTAS UTILIZADAS NOS PRINCIPAIS PACOTES DE CRM PARA GRANDES EMPRESAS.

Segundo Greenberg (2001), a estrutura ideal para a implantação dos pacotes de CRM varia de acordo com o tamanho e a necessidade da empresa. Isso significa que o melhor pacote de CRM pode não ser o mais indicado para uma determinada empresa, ou seja, não adianta, e nem vale a pena, uma empresa instalar um pacote de CRM que supere as suas necessidades, pois ela estaria gastando mais do que o necessário.

Existem vários tipos de pacotes de CRM no mercado, sendo que esses pacotes atuam nas áreas de venda, marketing, suporte e serviços, disponibilizando recursos variados. Esses pacotes são compostos por ferramentas específicas e adequados para dar o suporte necessário atendendo as necessidades das empresas. Estes pacotes serão abordados no próximo capítulo.

4 – PACOTES DE CRM

Com a grande concorrência que existe hoje em dia, vários pacotes de CRM são oferecidos no mercado. Porém, vale ressaltar que para uma organização obter êxito em sua escolha, é preciso que ela adquira o pacote de CRM que atenda as suas necessidades, pois nem sempre o melhor pacote é o mais indicado para uma determinada empresa. Esses pacotes com suas variações de recursos serão apresentados, em uma tabela mais adiante, onde serão feitas as comparações entre suas ferramentas e os recursos que eles disponibilizam.

4.1 SAP CRM

Segundo a SAP (2005) -Systems Applications and Products in Data Processing ou Sistemas, Aplicações e Produtos para Processamento de Dados-, foi fundada em 1972, com sede em Waldorf (Alemanha). Dentre vários serviços oferecidos pela empresa SAP, existe um pacote de ferramentas conhecido como SAP CRM.

O SAP CRM é um pacote que inclui ferramentas que disponibilizam recursos para as empresas nas áreas de marketing, vendas, serviços, comércio eletrônico, gerenciamento (de centro de integração e de canais) e nas promoções de vendas, também disponibiliza uma aplicação de gerenciamento de promoção de vendas que permite a visibilidade dos programas promocionais em cada etapa de seu ciclo de vida (SAP, 2005).

4.2 Kana 6

Segundo Greenberg (2001), a Kana Communications foi fundada em 1996 por Mark Gainey e tinha como missão apenas o gerenciamento de e-mails. Depois de algumas aquisições, junto a outras empresas, ela criou seu pacote de CRM, o Kana 6, que tem como finalidade oferecer uma coleção completa de serviços de e-CRM. Para isso, foi adicionado um sistema de personalização aos seus aplicativos e também uma maior integração junto a sua estrutura para incorporar os serviços aos clientes na web .

O Kana 6 roda em qualquer plataforma e é compatível com qualquer banco de dados, precisando somente de um browser qualquer para ser acessado (Kana, 2003).

4.3 Oracle

Segundo Greenberg (2001), a Oracle foi fundada por Larry Ellison e é a segunda maior empresa de software do mundo.

Com a aquisição de outras empresas focadas em CRM, a Oracle, hoje em dia, oferece quatro tipos de pacotes de CRM que serão abordados a seguir:

4.3.1 Oracle CRM e-Business Suite

A Oracle lançou um pacote de CRM dentro do e-business suite (conjunto de negócios eletrônicos), que visa encontrar os segmentos individuais de CRM como marketing, vendas e serviços (Oracle, 2007a).

O pacote Oracle CRM e-Business Suite é muito procurado pelas grandes empresas por ele disponibilizar uma grande quantidade de recursos (Greenberg, 2001).

4.3.2 Siebel CRM

Segundo Greenberg (2001), a Siebel Systems, Inc., foi fundada por Thomas Siebel na Califórnia em 1993, sendo direcionada para o desenho, desenvolvimento, marketing e supporte das aplicações e-business (a família de aplicações empresariais que ajuda as organizações a gerir a sua relação com os clientes, parceiros e empregados).

Em outubro de 2005 a empresa foi adquirida pela Oracle que continua usando esse pacote com o nome Siebel. O pacote Siebel CRM é o mais indicado pela Oracle para grandes empresas (Oracle, 2007b).

4.3.3 PeopleSoft CRM

Segundo Greenberg (2001), a Peoplesoft foi fundada em 1987 por David Duffield, com direcionamento para software de recursos humanos e finanças. Nessa época, eles atuavam no mercado com o ERP, porém com o passar do tempo houve uma necessidade maior da Peoplesoft se adequar às novas tendências e exigências do mercado e com isso ela comprou a empresa Vantive no ano de 2000.

A Vantive, era uma das três maiores empresas que oferecia pacotes de CRM para grandes empresas e com isso a Peoplesoft fez a junção do CRM com o ERP, passando a oferecer no mercado um produto diferenciado chamado de Peoplesoft CRM (Greenberg, 2001).

Mesmo tendo sido comprado pela empresa Oracle, o pacote de CRM Peoplesoft CRM continua sendo um dos mais usados no mercado por ser um dos mais conhecidos e completos, pois ele atende muito bem as necessidades das grandes empresas (Oracle, 2007a).

4.3.4 JD Edwards CRM

A J.D. Edwards, foi fundada em 1977 com sede em Denver (Estados Unidos da América). Era uma empresa que atuava fornecendo ao mercado corporativo software de gestão empresarial. Ela oferecia três tipos de serviços: ERP (Enterprise Resource Planning), CRM (Customer Relationship Management) e SCM (Supply Chain Management).

Em 2003 a empresa foi adquirida pela Peoplesoft que logo depois foi incorporada pela Oracle. A Oracle teve interesse em continuar mantendo na ativa o pacote de CRM JD Edwards CRM. Esse pacote atua nas áreas de vendas, serviços, suporte e marketing (Oracle, 2007c).

No futuro a Oracle tem um projeto que se chamará Oracle Fusion, que terá como finalidade fazer uma integração desses quatro pacotes de CRM (Oracle, 2007c).

4.4 SalesLogix

Segundo Greenberg (2001), a SalesLogix Corporation foi fundada em 1996 e era direcionada para a automação da força de vendas. Após adquirir em 1999 a ACT (empresa líder de gerenciadores de contatos na época), passou a se chamar Interact Commerce Corporation. A empresa oferece no mercado um pacote de CRM conhecido como SalesLogix.

O pacote de CRM SalesLogix atua nas áreas de vendas, marketing, suporte e serviços (Greenberg, 2001).

4.5 Sugar CRM

O Sugar CRM é um pacote que foi desenvolvido em ambiente open source (fonte aberta) e está disponível no mercado em três versões: Open Source, Professional e Enterprise. A versão Open Source é livre de licenças de uso. As versões Professional e Enterprise são comercializadas e possuem maiores funcionalidades (Sugar, 2007).

O Sugar CRM Open Source oferece os serviços básicos e foi construído baseado em tecnologias de open source, com o desenvolvimento do ambiente em PHP, banco de dados MySQL ,e servidor web Apache ou IIS, e os sistemas operacionais Linux e Windows Server. O sistema suporta ambas as plataformas: LAMP (Linux, Apache, MySQL, PHP) e WIMP (Windows, IIS, MySQL, PHP) (Sugar, 2007).

O Sugar CRM Professional é uma solução flexível com funcionalidades de CRM que fornece uma única vista de interações dos clientes através das vendas, do marketing e do serviço, através de gerenciamento de campanhas seguidas de oportunidades e oferece ferramentas avançadas de relatório e colaboração (Sugar, 2007).

O Sugar CRM Enterprise é o pacote avançado e oferece potencialidade e escalabilidade para a demanda de negócios. Disponibiliza para as empresas funcionalidades detalhadas com sincronização fora de linha dos clientes, relatórios avançados e sustentação da base de dados da Oracle (Sugar, 2007).

O Sugar CRM é um pacote novo e que está sendo muito bem aceito no mercado, principalmente pelo fato de ter uma versão open source (Sugar, 2007).

4.6 Microsoft Dynamics CRM 3.0

O Microsoft Dynamics CRM 3.0 é uma atualização do Microsoft Business Solutions CRM. É uma gestão de relacionamento com os clientes que oferece todos os recursos para criar e manter uma imagem clara de cada um deles, desde o primeiro contato (ao longo de todo o ciclo de vendas), até a pós-venda e está disponível em duas edições: o Microsoft Dynamics CRM 3.0 Small Business Edition e o Microsoft Dynamics CRM 3.0 Professional. Ambas as edições proporcionam às empresas uma plataforma flexível e personalizável que funcionam do mesmo modo. Eles atuam nas áreas de vendas, suporte e marketing (Microsoft, 2007a).

O Microsoft CRM 3.0 Small Business Edition foi concebido para funcionar no Microsoft Windows Small Business Server. É uma solução para empresas que têm recursos de TI limitada. Esta edição permite também uma fácil migração das informações dos clientes armazenadas no Microsoft Office Outlook com o Business Contact Manager (Microsoft, 2007b).

O Microsoft Dynamics CRM 3.0 Professional é voltado para grandes organizações que precisam oferecer suporte a extensas áreas de marketing e vendas (Microsoft, 2007b).

O Microsoft Dynamics CRM 3.0, embora esteja mais focado para pequenas e médias empresas, oferece também para as grandes empresas os recursos básicos que elas necessitam (Microsoft, 2007b).

5 – ANÁLISE DOS PACOTES DE CRM E SEUS RECURSOS

Na análise dos pacotes de CRM é possível observar que apesar de todos os pacotes atuarem nas áreas de vendas, marketing, serviços e suporte, existe uma diferença entre eles quanto aos recursos disponibilizados em cada área. Essa diferença permite as empresas uma avaliação mais adequada de qual pacote de CRM lhe atenderá melhor as necessidades. Na tabela 2 pode-se observar esta distribuição dos recursos em cada pacote.

TABELA 2: ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE OS PACOTES DE CRM E SEUS RECURSOS.

TABELA 2: ANÁLISE COMPARATIVA ENTRE OS PACOTES DE CRM E SEUS RECURSOS.

(CONTINUAÇÃO)

5.1 Áreas de atuação dos pacotes de CRM e seus recursos

5.1.1 Vendas

Todos os pacotes de CRM atuam na área de venda, porém os recursos oferecidos por eles dentro dessa área é que fazem a diferença entre eles, ou seja, permite que as empresas façam uma análise comparando todos os pacotes para poder escolher o mais apropriado.

• Automação na força de vendas, é um recurso que permite uma visualização resumida de compromissos que estão por vir como melhores oportunidades, casos em aberto, clientes potenciais, tarefas abertas, problemas atribuídos, gráfico de planejamento de vendas, calendário mensal, facilidade de rápida entrada aos contatos, na criação e acompanhamento de venda e conversão de venda em oportunidades (Sugar, 2007);
• Gerenciamento de vendas on line, é um recurso de vendas que tem como finalidade gerenciar os contatos, as oportunidades, as contas e os fluxos em tempo real (Greenberg, 2001);
• Gerenciamento de vendas por objetivos, Gerenciamento por objetivos, é um recurso orientado para gerenciamento por objetivos destinado para as vendas, compatibiliza os objetivos de negócios e os incentivos em tempo real. Também integra as atividades de apoio com a linha de frente e automatiza a tarefa de cálculos, alocações e acúmulos de créditos de remuneração (Oracle, 2007b);
• Gerenciamento de vendas por telefone, é um recurso direcionado para os call centers, que é destinado para os representantes internos de vendas, os distribuidores, os revendedores e os executivos do setor. Ele faz todo o acompanhamento e o gerenciamento do ciclo de vida dos clientes, permitindo o compartilhamento de oportunidades entre os canais (Greenberg, 2001);
• Planejamento de vendas, é recurso que auxilia as empresas a fazerem um planejamento de vendas de acordo com o perfil de seus clientes (SAP, 2005);
• Previsão de vendas é um recurso que dá suporte para as empresas quanto às possibilidades de vendas em determinadas épocas (Oracle, 2007a);
• Promoção de vendas, é um recurso que visa uma aplicação específica para que as empresas possam gerenciar com mais eficácia as suas promoções de vendas contribuindo para uma melhor divulgação de sua marca e o cumprimento das metas dessas vendas (Sugar, 2007).

5.1.2 Marketing

O Marketing também é uma área de atuação de todos os pacotes de CRM, pois ele auxilia as empresas em montar uma estratégia para definir onde, como, quando e para quem as empresas farão suas campanhas de lançamentos de seus produtos para que elas possam obter sucesso.

• Automação do marketing, é um recurso de automação de marketing multicanal voltado para a internet que trabalha em sintonia com o marketing inteligente (Oracle, 2007b);
• Gerenciamento de marketing, é um recurso que oferece ferramentas para fazer análises e gerenciamento de campanhas de marketing. Ele rastreia essas campanhas e os visitantes de websites, auxiliando as empresas no envio de e-mails para clientes específicos. Também proporciona ferramentas de data mining e de relatórios sobre acompanhamentos de oportunidades de negócios (SAP, 2005);
• Marketing inteligente, é um recurso que tem como finalidade atender as necessidades analíticas e de relatórios dos profissionais de marketing, gerenciando o planejamento e orçamento para a segmentação, a execução, a avaliação e o aperfeiçoamento de campanhas (Greenberg, 2001);
• Previsão de marketing, é um recurso que auxilia as empresas a entenderem e avaliarem a eficácia de suas atividades de marketing (Greenberg, 2001).

5.1.3 Suporte

O suporte também é um tipo de recurso que pode fazer diferença na hora de uma empresa escolher qual pacote de CRM escolherá. Por isso, as empresas querem saber que tipo de suporte elas poderão contar na hora em que precisarem resolver seus possíveis problemas junto aos seus clientes.

• Apoio aos clientes, é um recurso que permite promover interações mais eficientes e eficazes com os clientes, permitindo aos utilizadores responder com maior rapidez a problemas relacionados com assistência, aplicação de recursos adequados a pedidos de assistência e a programação e expedição de recursos de serviços (Microsoft, 2007b);
• Gerenciamento de suporte, é um recurso que utiliza uma interface amigável, baseada no windows (sistema operacional), permitindo que os funcionários de suporte trabalhem com os históricos completos dos clientes, inclusive sobre as vendas já efetuadas para cada um deles. Permite também gerar relatórios específicos e rastrear os níveis de suporte para cada cliente (Greenberg, 2001);
• Previsão de suporte, é um recurso que auxilia as empresas na otimização dos processos de suporte, buscando informações necessárias (Greenberg, 2001).

5.1.4 Serviços

Devido à grande concorrência existente no mercado de CRM, o tipo de serviço que os pacotes de CRM oferecem às empresas é que pode fazer a diferença na hora de escolherem o pacote ideal que atenderá as suas necessidades.

• Classificação dos clientes, é um recurso que usa a metodologia do planejamento estratégico, visando à medição e o monitoramento do desempenho dos processos nas organizações relativos aos seus clientes (Greenberg, 2001);
• Comércio eletrônico, é um recurso que permite as empresas vendas e serviços através do uso da internet (SAP, 2005);
• Gerenciamento do centro de integração, é um recurso que visa melhorar o desempenho de interação com apoio ao telemarketing, as televendas, aos serviços prestados aos clientes e as análises de centros de interação (Greenberg, 2001);
• Gerenciamento dos canais de comunicação, é um recurso que otimiza os canais de comunicação com o apoio ao gerenciamento de parceiros, nos canais de marketing, de vendas, de serviços, de comércio e de análise e parceiros (Greenberg, 2001);
• Gerenciamento de e-mails, é um recurso que é responsável em fazer o processamento dos e-mails na caixa de entrada, utiliza agentes para automatizar as respostas e pode gerar relatórios personalizados (Greenberg, 2001);
• Gerenciamento ordenado de integração de conjunto de negócios, é um recurso que dá suporte para o ciclo dos processos desde os pedidos até o caixa, incluindo recursos para configuração complexa de produtos, disponibilidade em estoque, processamento automatizado de pedidos, sincronização de preços e status do pedido em tempo real (Oracle, 2007b);
• Gerenciamento de pagamentos, é um recurso que tem uma completa solução eletrônica de processos com a finalidade de facilitar o recebimento de pagamentos, tanto os novos quanto os já existentes, baseados na internet ou em ambiente cliente/servidor (Oracle, 2007b);
• Gerenciamento de aplicativos, é um recurso que faz a conexão dos aplicativos para funcionalidades como marketing direto, através das conversações com os clientes via e-mails (Oracle, 2007b);
• Gerenciamento e criação de contas, é um recurso que permite criar e acessar qualquer número de contato associado a cada conta (Sugar, 2007);
• Gerenciamento dos serviços prestados aos clientes, é um recurso que, onde um sistema de gerenciamento de casos, permite que as empresas possam acompanhar os problemas dos clientes e suas resoluções, permite também que cada problema tenha um ciclo de vida de informações para melhorar a satisfação dos clientes, onde cada caso é ligado à conta relacionada, contatos, notas, arquivos associados, histórico de telefonemas e reuniões e também um sistema de detecção de problemas para gerenciar problemas apontados a diferentes revisões e versões de produtos (Sugar, 2007);
• Gerenciamento de integração para a origem das contas, é um recurso que tem o objetivo de fornecer uma solução de integração do front ao back office para bancos, dando uma única visão do cliente e um processo agilizado de abertura de contas e atendimento (Oracle, 2007b);
• Gerenciamento de integração de promoções e deduções para o conjunto de negócios, é um recurso que fornece um processo promocional de ciclo fechado para empresas de bens de consumo, abrangendo fluxos de criação e finalização de promoções comerciais (Oracle, 2007b);
• Gerenciamento de integração da comunicação dos processos, é um recurso que dá suporte para os processos desde o conceito até o seu lançamento e também desde o pedido até o caixa, possibilitando sincronização entre produtos e preços, gerenciamento da hierarquia de contas, ativação de faturamento para pedidos de vendas, apresentação de contas, pagamentos, ajustes e contabilização de receitas (Oracle, 2007b);
• Gerenciamento de armazenamento de dados, é um recurso que após coletar todas as consultas feitas pelos clientes, independente do canal de entrada, as categoriza por assuntos e prioridades, podendo em seguida enviar respostas para esses clientes de acordo com o perfil de cada um (Greenberg, 2001);
• Gerenciamento das atividades, é um recurso que permite montar um histórico das atividades desenvolvidas pelas empresas (reuniões, telefonemas, assuntos, notas com arquivos anexados e e-mails) realizadas com contatos, contas, clientes potenciais, oportunidades e casos (Microsoft, 2007a);
• Gerenciamento das tarefas, é um recurso que permite acompanhar as tarefas que podem ser atribuídas aos usuários, e notificações automáticas via e-mail que podem ser opcionalmente enviadas para avisar os usuários de novas tarefas (Sugar, 2007);
• Integração do call center; é um recurso que fornece suporte a uma solução completa de ciclo fechado para eventos adversos e reclamações, desde o momento da notificação até a geração de relatórios e monitoração (Oracle, 2007c);
• Loja virtual on line, é um recurso que tem como finalidade criar uma loja virtual, podendo ser integrada com atividades de apoio (Oracle, 2007c);
• Pacotes de integração em demanda, é um recurso que apóia o processo de direcionar um pedido, processo de criação de novas contas e manutenção, além de sincronização de consulta de produtos (Oracle, 2007a);
• Previsão de rentabilidades, é um recurso que auxilia as empresas oferecendo informações necessárias quanto a uma compreensão da lucratividade dos clientes, produtos e canais de sua organização (Greenberg, 2001);
• Previsão das atividades, é um recurso que auxilia as empresas a determinarem a eficácia de todos os seus processos de vendas (Greenberg, 2001).

5.2 Análise do porte dos pacotes de CRM

Através da pesquisa dos pacotes de CRM, verifica-se que todos os pacotes atuam nas principais áreas (vendas, marketing, serviços e suporte). Sendo que a diferença entre eles está nos recursos que cada um disponibiliza em suas áreas de atuação. Será apresentada a seguir uma análise desses pacotes de CRM e em quais áreas de atuação cada um se destaca.

TABELA 3: QUANTIDADE DE RECURSOS OFERECIDOS PELOS PACOTES DE CRM EM CADA ÁREA DE ATUAÇÃO.

Para adquirir um pacote de CRM adequado para suas necessidades, as empresas terão que escolher em qual área de atuação elas pretendem focar seus negócios (vendas, marketing, serviços e suporte). Pois após fazer a análise desses pacotes, verifica-se que cada um deles se destaca em uma determinada área de atuação.

O Oracle Siebel CRM se destaca mais na área de serviços com 18 tipos de recursos. Atua também na área de suporte com 3 tipos de recursos, na área de vendas com 4 tipos de recursos e na área de marketing com 3 tipos de recursos.

O Oracle CRM é um dos mais indicados para a área de marketing, pois ele disponibiliza 4 tipos de recursos. Atua também na área de suporte disponibilizando 3 tipos de recursos, na área de vendas com 4 tipos de recursos e na área de serviços com 15 tipos de recursos.

O SalesLogix tem uma boa atuação na área de vendas com 5 tipos de recursos. Atua também na área de suporte com 3 tipos de recursos, na área de marketing disponibilizando 3 tipos de recursos e na área de serviços com 14 tipos de recursos.

O Oracle PeopleSoft CRM é o mais indicado para a área de vendas, pois ele disponibiliza 6 tipos de recursos. Também atua na área de suporte com 3 tipos de recursos, na área de marketing com 4 tipos de recursos e na área de serviços com 12 tipos de recursos.

O Sugar CRM tem uma boa atuação na área de vendas, disponibilizando 5 tipos de recursos. Atua também na área de suporte com 3 tipos de recursos, na área de marketing com 2 tipos de recursos e na área de serviços com 12 tipos de recursos.

O Microsoft Dynamics CRM é mais indicado para a área de marketing, pois ele disponibiliza 4 tipos de serviços. Também atua na área de vendas com 4 tipos de recursos, na área de serviços com 12 tipos de recursos e na área de suporte com 2 tipos de recursos.

O Kana 6 se destaca mais na área de suporte disponibilizando 3 tipos de recursos. Atua também na área de vendas com 4 tipos de recursos, na área de marketing com 2 tipos de recursos e na área de serviços com 9 tipos de recursos.

O SAP CRM é um pacote indicado para a área de vendas, pois ele atua nessa área com 5 tipos diferentes de recursos. Também atua na área de marketing disponibilizando 2 tipos de recursos, na área de serviços com 9 tipos de recursos e na área de suporte com 2 tipos de recursos.

O Oracle JD Edwards se destaca mais na área de vendas, disponibilizando 4 tipos de recursos. Atua também na área de marketing com 2 tipos de recursos, na área de serviços com 9 tipos de recursos e na área de suporte com 2 tipos de recursos.

Após fazer esta análise, verifica-se que as empresas que estiverem interessadas em adquirir um pacote de CRM com foco nas vendas, elas devem optar pelos pacotes da Oracle PeopleSoft CRM, seguido do SAP CRM, SalesLogix e Sugar CRM.

Quando se trata de focar mais nos serviços, o pacote mais indicado é o Oracle Siebel CRM, seguido do Oracle CRM e do SalesLogix.

Já o foco em marketing, os pacotes que mais se destacam são os Oracle CRM, Oracle PeopleSoft CRM e Microsoft Dynamics CRM.

E quando o foco é mais centrado em suporte todos os pacotes são bem indicados.

5.3 Metodologia da análise dos pacotes de CRM

Com a análise aprofundada dos sistemas de CRM, pode-se definir uma metodologia para suportar a escolha adequada de um pacote entre os principais pacotes existentes no mercado para grandes empresas.

Os passos seguidos nesta metodologia, incluem 4 (quatro) etapas:

• Identificar no mercado e na literatura especializada, quais os principais pacotes de CRM para grandes empresas;
• Analisar os pacotes para identificar as principais ferramentas tecnológicas que compõem sua estrutura geral;
• Entender como funciona a estrutura desses pacotes com suas áreas de atuação e os recursos que essas áreas disponibilizam, fazendo uma análise comparativa de cada pacote, apresentando em qual área de atuação cada um se destaca mais;
• Identificar as necessidades da empresa e analisar se os pacotes suprem as mesmas.

Após analisar esses pacotes de CRM e suas funcionalidades, fica mais fácil para as empresas, que pretendem implantar a sistemática de CRM, fazer a escolha de um pacote adequado que atenda as suas expectativas de acordo com a sua necessidade.

O fato de alguns recursos não constarem nos pacotes de CRM analisados acima, não significa que eles não possuem os mesmos. Porém, nas pesquisas feitas com os fornecedores e na literatura não ficaram explícitos essas informações.

6 – CONCLUSÃO

Devido à competitividade do mercado de compra e venda de serviços e produtos, as empresas necessitam oferecer tratamentos diferenciados para os clientes, tanto os clientes novos quanto os já existentes. Por isso, as empresas buscam soluções em tecnologia de informação que possam auxiliá-las nessa nova fase.

A aquisição da sistemática de CRM, é uma oportunidade para fazer esse diferencial e proporcionar as empresas melhor qualidade nos serviços prestados. O CRM tem como objetivo auxiliar as empresas a conhecer melhor seus clientes e estreitarem o seu relacionamento, através de um histórico que é criado para cada um.

A partir do momento em que esse relacionamento torna-se mais sólido, cria-se um laço de fidelização. É mais vantajoso e menos dispendioso para as empresas manterem os clientes já fidelizados do que sair em busca de novos.

Após o estudo e análise do funcionamento da sistemática de CRM, verifica-se que o CRM é uma solução que tende a ser adquirido, pelas empresas que querem focar seus negócios mais nos clientes do que em seus próprios produtos.

O CRM ideal para as empresas, varia de acordo com a necessidade de cada uma delas, ou seja, uma empresa que está interessada em adquirir um pacote de CRM, não precisa comprar o pacote mais completo e sim o que mais se adapta as suas necessidades.

Para o bom funcionamento da sistemática de CRM é preciso que se trabalhe em parceria com outras soluções de sistemas de informação como por exemplo o ERP, além de uma mudança cultural na instituição.

As ferramentas tecnológicas (database marketing, data warehouse, data mining e OLAP), são essenciais para auxiliarem o CRM a traçar o perfil dos clientes. Essas ferramentas servem para fazer o armazenamento dos dados dos clientes e também para disponibilizar as informações necessárias no momento oportuno.

São oferecidos no mercado vários tipos de pacotes de CRM para pequenas, médias e grandes empresas. Esses pacotes atendem as necessidades de todas as empresas, mas para isso é preciso fazer uma análise para saber qual é a necessidade ideal de cada empresa e disponibilizar o pacote ideal para ela.

Essa análise foi desenvolvida no capítulo 5, onde foi feito um detalhamento de diversos pacotes de CRM, especificando as áreas de atuação deles e mostrando todos os recursos que cada pacote disponibiliza em cada área de atuação. Para isso foi montada uma tabela comparativa onde pode ser verificado mais detalhadamente.

Essa tabela objetiva auxiliar as empresas quando elas quiserem adquirir um pacote de CRM, pois essas empresas poderão entender e saber escolher qual pacote mais de enquadra em seu perfil.

Como trabalhos futuros, sugere-se o aprofundamento na questão da verticalização do CRM, ou seja, estudar mais sobre a direção que ele está tomando, pois as empresas que oferecem seus pacotes estão trabalhando em cima de CRMs específicos. Entende-se por CRMs específicos aqueles que são feitos para cada área de atuação de cada empresa. Como por exemplo um CRM voltado somente para a área de finanças, somente para a área de seguros e somente para a área do comércio.

Outra indicação para trabalhos futuros é a questão de como o CRM será oferecido para as empresas, pois a tendência é que eles não sejam mais vendidos e sim locados para as mesmas. E isso fará com que seus preços sejam mais acessíveis e estejam mais ao alcance de empresas menores.

Um estudo mais profundo diretamente com os fornecedores e especialistas na área, poderá detalhar mais ainda a quantidade de recursos a serem analisados.

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AREAS DE ATUAÇÃO DO FARMACEUTICO

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O campo para quem faz farmácia no Brasil é amplo. Depois de formado, é possível trabalhar em farmácias convencionais – onde o farmacêutico orienta a administração do remédio certo, receitado pelo médico após o diagnóstico, garantindo a cura – de homeopatia ou de manipulação. Mas isso é só uma fatia do mercado de trabalho. Ele também pode atuar em análises clínicas e toxicológicas desenvolvendo exames clínicos em laboratórios, auxiliando na cura de doenças, e fazendo a prevenção e o controle de substâncias tóxicas que afetam a saúde das pessoas. O farmacêutico também acompanha a produção na indústria de alimentos e de bebidas, fazendo o controle de qualidade das matérias-primas e do produto final. Ainda em laboratórios, poderá ser o responsável por controlar a qualidade da produção dos medicamentos e ainda realizar pesquisas no departamento científico, criando novos princípios ativos ou novas formas de aplicação de medicamentos.

Muitos profissionais também desenvolvem fórmulas e produtos para o setor de cosméticos, higiene e limpeza, área que vem crescendo nos últimos anos. Ele também pode atuar no estudo e no desenvolvimento de terapias como a homeopatia e a fitoterapia, e em programas que visem promover a saúde da comunidade – como o saneamento básico, imunizações, educação em saúde e controle de natalidade. Enfim, há todo um futuro repleto de avanços e oportunidades dentro da farmácia, com diversas oportunidades de trabalho a partir do surgimento de novos nichos de mercados, como a política de genéricos e o crescimento do setor de cosméticos entre outras áreas promissoras da profissão.

Histórico

Quando a coroa portuguesa instituiu no Brasil o governo geral, o primeiro governador, Tomé de Souza, veio, em 1549, para a colônia trazendo várias autoridades, funcionários civis e militares, aproximadamente mil pessoas que se instalaram na Bahia.

O corpo sanitário da armada compunha-se de apenas um boticário (antiga denominação do farmacêutico), Diogo de Castro, com função oficial e com salário. Não havia nesta armada nenhum físico, denominação de médico na época. O físico-mor só viria a ser instituído no segundo governo, o de Duarte da Costa. O comércio das drogas e medicamentos era privativo dos boticários, segundo o que estava nas “ordenações”, conjunto de leis portuguesas que regeram o Brasil durante todo o período colonial. No tempo da Real Botica os remédios eram, na sua grande maioria, plantas medicinais, porém desde 1730 o brasileiro usava o mercúrio e o arsênico importados da Europa. Em 3 de outubro de 1832, criou-se, no Rio de Janeiro, o primeiro curso de farmácia do Brasil, ligado à faculdade de medicina. Em 4 de abril de 1839, criou-se por meio da lei provincial No. 140, publicada na secretaria do governo da provincia de Minas Gerais em 13/05/1839, a Escola de Farmácia de Ouro Preto, a primeira faculdade independente do curso de medicina n
o Brasil. A Escola de Farmácia de Porto Alegre surgiu em 1896 e a de São Paulo em 1898.

Áreas de atuação

1. Farmacêutico analista clínico
2. Farmacêutico dos alimentos
3. Farmacêutico industrial
4. Farmacêutico comercial ou comunitário
5. Farmacêutico magistral
6. Farmacêutico hospitalar
7. Farmacêutico professor
8. Pesquisa
No setor público
9. Militar
10. Fiscal sanitário
11. Perito criminal

1. Farmacêutico analista clínico

Também chamado no Brasil de bioquímico, é o profissional que atua em laboratórios de análises clínicas realizando exames laboratoriais (sangue, fezes, urina entre outros) solicitados pelo médico para um melhor diagnóstico. Também realiza exames toxicológicos para atletas e animais (antidoping) e controle da poluição ambiental contam com a participação do profissional de farmácia. Atua também em laboratórios de análises e pesquisas a respeito da poluição atmosférica e no tratamento de dejetos industriais e no processamento e controle de águas para consumo humano ou uso industrial. Na carreira universitária, pode optar por uma sub-área de especialização e dedicar-se à produção de conhecimento científico e/ou ao magistério.

As análises clínicas, como exercício profissional farmacêutico, tiveram início dentro da antiga farmácia comunitária. Na primeira década do século passado, o farmacêutico, utilizando seus conhecimentos e reagentes químicos, informava ao médico da presença ou não de glicose na urina dos pacientes pela reação de redução do sulfato de cobre. E assim, com o desenvolvimento da ciência e de novas tecnologias, o farmacêutico manteve-se presente nas análises clínicas.

Novas profissões da área da saúde surgiram, vindo disputar este interessante mercado de trabalho com o farmacêutico. Porém, pela sua formação acadêmica e por um currículo multidisciplinar abrangente em todas as áreas de conhecimento do laboratório de análises clínicas, o farmacêutico é reconhecido como o profissional com mais ampla capacitação para o exercício desta atividade.

Assim, a exemplo do que já foi tratado neste espaço em relação ao papel do farmacêutico nas farmácias e drogarias e posteriormente na indústria, vale registrar aqui o importante papel do farmacêutico nas análises clínicas.

1. O farmacêutico é o único profissional que estuda o fármaco/medicamento e suas interações no processo saúde-doença . A monitorização de fármacos por procedimentos laboratoriais é cada vez mais necessária para a correta terapêutica, evitando os quadros de intoxicações medicamentosas e estudando as reações adversas dos medicamentos.
2. As análises clínicas têm profundas raízes na saúde pública, onde o farmacêutico é um profissional indispensável pela sua formação.
3. A assistência farmacêutica exercida com qualidade, necessita do conhecimento de parâmetros bioquímicos, hematológicos, imunológicos e outros pertencentes às análises clínicas, para a correta dispensação e monitoramento dos fármacos.
4. O farmacêutico, por seu conhecimento de química e bioquímica, é o profissional capaz de preparar, analisar e utilizar corretamente os reagentes utilizados nas rotinas do laboratório de análises clínicas.
5. O controle de qualidade dos exames de análises clínicas é fundamental para a obtenção de resultados confiáveis e reprodutíveis, sendo esta importante tarefa executada pelo farmacêutico [único profissional das AC com formação em química analítica, p.ex.].
6. Em ambientes de alta tecnologia, o farmacêutico é indispensável para a análise dos resultados fornecidos por modernos aparelhos e verificação de distorções ocorridas, com vistas aos procedimentos de correção.
7. A obtenção e manuseio de amostras biológicas para os exames laboratoriais têm que ter a supervisão do farmacêutico para a obtenção de resultados confiáveis.
8. O planejamento, a administração, a gestão e a direção do laboratório de análises clínicas são atividades que devem ser exercidas pelo farmacêutico.
9. O desenvolvimento científico e a pesquisa exercidas pelo farmacêutico contribuem para o diagnóstico e prevenção de doenças.
10. Pelo seu conhecimento científico, formação acadêmica abrangente e aptidão profissional, não há como contestar que para o exercício das análises clínicas o profissional de mais ampla capacitação é o farmacêutico.

2. Farmacêutico dos alimentos

O farmacêutico que atua na área de alimentos normalmente exerce suas atividades nas indústrias de alimentos. Várias são as funções que competem aos farmacêuticos, entre elas: desenvolver métodos de obtenção de produtos alimentares para uso humano e veterinário, análise bromatológica e toxicológica, realização de controle microbiológico, químico e físico-químico das matérias-primas e produtos acabados, atuação no desenvolvimento, produção e controle de qualidade de alimentos, nutracêuticos e alimentos de uso enteral e parenteral, atuação na normatização e fiscalização junto à vigilância sanitária de alimentos.

3. Farmacêutico industrial

O farmacêutico industrial é um profissional que atua na indústria farmacêutica, sendo atribuídas a ele as funções de controle de qualidade de medicamentos, supervisão do transporte dos medicamentos produzidos, supervisão da chegada de matérias-primas à indústria, além de desenvolver, no departamento científico da indústria, pesquisas de aperfeiçoamento e desenvolvimento de fármacos.

As terapêuticas disponíveis pela indústria farmacêutica estão listadas, no Brasil, pelo Dicionário de Especialidades Faramacêuticas (DEF), onde, no qual, ainda estão os endereços e números de telefone dos Serviços de Atendimento ao Consumidor (SAC) e endereços dos respectivos laboratórios.

4. Farmacêutico comercial

O farmacêutico comunitário é aquele que atende o paciente ou utente diretamente no balcão de uma farmácia comunitária, drogaria, ambulatório ou serviço de atenção primária.

Ele analisa a conformidade das prescrições e dispensando os medicamentos, seguido de orientações quanto ao uso racional dos fármacos e adesão à terapêutica. Realiza ainda ações de atenção farmacêutica ou acompanhamento farmacoterapêutico.

O farmacêutico comercial é o co-responsável pela qualidade dos medicamentos dispensados, obedecendo desta maneira, as boas práticas de armazenamento e dispensação.

Tem a função, ainda, de escriturar o livro de registro de medicamentos controlados, prestando contas às autoridades sanitárias, embora em Portugal, este procedimento esteja praticamente ultrapassado, em virtude das farmácias comunitárias possuirem sistemas informáticos creditados pelo Infarmed (Instituto Nacional da Farmácia e do Medicamento), o que permite dispensar o livro de registos.

5. Farmacêutico magistral.

O farmacêutico magistral, por meio de conhecimentos de farmacotécnica, é o responsável pela manipulação de medicamentos nas farmácias magistrais, de manipulação ou também conhecidas como galênicas. Respeitando as normas de boas práticas de manipulação (publicada por autoridades sanitárias), produz medicamentos que têm como grande atrativo a possibilidade de serem obtidos de forma personalizada (tanto na dose, quanto na forma farmacêutica), e poder alterar componentes, de fórmulas industrializadas, que causem alergias em aguns pacientes.

6. Farmacêutico hospitalar

O farmacêutico hospitalar é o responsável pelas atividades da farmácia de um hospital. Tem as funções básicas de selecionar (padronizar), requisitar, receber, armazenar, dispensar (conforme a evolução do sistema, em dose coletiva, individual ou unitária) e controlar os medicamentos (tanto os controlados por lei, quanto os antimicrobianos), observando os ensinamentos da farmacoeconômia, farmacovigilância e das boas práticas de armazenamento e dispensação. Em hospitais onde há serviços de manipulação de medicamentos, o farmacêutico é o responsável, aplicando o ensinamento da farmacotécnica e das boas práticas de manipulação. Ele ainda integra algumas comissões hospitalares, como CCIH (comissão de infecção hospitalar) e CFT (comissão de farmácia e terapia).

7. Farmacêutico professor

O farmacêutico professor atua em instituições de ensino superior, ministrando as disciplinas de farmacologia, farmacocinética, farmacognosia, farmacotécnica, química orgânica, química farmacêutica dentre outras. Atua também com pesquisador dentro das universidades. A maioria dos farmacêuticos professores possuem mestrado e/ou doutorado em suas áreas de atuação. Como o farmacêutico possui sólida formação em biologia e química, algumas instituições de ensino médio, também os aceitam como professores destas matérias. e também em ensino fundamental na materia de Ciências Biologicas.

8. Pesquisa

O farmacêutico atua em todas as áreas, estudos para que surjam novas drogas e conhecimentos avançados sobre a vida do ser humano, tais como reações adversas de medicamentos.

9. Militar

Trabalha na farmácia hospitalar dispensando e fornecendo medicamentos industriais prescritos pelos médicos para uso na terapêutica dos militares e dependentes.

10. Fiscal sanitário

Fiscaliza habitações e estabelecimentos comerciais, produtores, distribuidores e de prestação de serviços;

11. Perito criminal

O farmacêutico como perito criminal é o policial a serviço da justiça, com habilidades específicas para encontrar ou proporcionar a chamada prova técnica ou prova pericial, mediante a análise científica de vestígios produzidos e deixados na prática de delitos. Este profissional estuda, entre outros, o objeto envolvido no delito (corpo de delito), refaz o mecanismo do crime (para saber o que ocorreu), examina o local onde ocorreu o delito e efetua exames laboratoriais.

Conclusão

Temos como áreas de atuações dos farmacêuticos diversas modalidades com as mais diferentes características.

Entre a área industrial, análises clínicas, pesquisa ou até mesmo fazer parte do programa saúde da família é importante o farmacêutico apresentar-se sempre atualizado e em condições de atuar nas mais diferentes e variadas áreas próprias de um profissional conhecedor de seu campo de atuação.

Citação literária

“O papel do Farmacêutico no mundo é tão nobre quão vital. O Farmacêutico representa o órgão de ligação entre a medicina e a humanidade sofredora. É o atento guardião do arsenal de armas com que o Médico dá combate às doenças. É quem atende às requisições a qualquer hora do dia ou da noite. O lema do Farmacêutico é o mesmo do soldado: servir.

Um serve à pátria; outro serve à humanidade, sem nenhuma discriminação de cor ou raça. O Farmacêutico é um verdadeiro cidadão do mundo. Porque por maiores que sejam a vaidade e o orgulho dos homens, a doença os abate – e é então que o Farmacêutico os vê. O orgulho humano pode enganar todas as criaturas: não engana ao Farmacêutico.

O Farmacêutico sorri filosoficamente no fundo do seu laboratório, ao aviar uma receita, porque diante das drogas que manipula não há distinção nenhuma entre o fígado de um Rothschild e o do pobre negro da roça que vem comprar 50 centavos de maná e sene.” Monteiro Lobato.

RESENHA DO LIVRO – DONA GUIDINHA DO POÇO

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“A ADULTERA”

Dados biográficos essenciais do autor:

Manoel de Oliveira Paiva nasceu em Fortaleza em 12 de julho de 1861. E faleceu em setembro de 1892.

Estudou no Seminário do Crato, no Cariri cearense, indo em seguida matricular-se na Escola Militar, no Rio de Janeiro, onde tinha o número 21. Voltando a Fortaleza, torna-se um defensor dos escravos e um entusiasta pela causa republicana. Como jornalista participa do grupo do jornal “O Libertador”, porta-voz da Sociedade Libertadora Cearense. Como escritor participa da fundação do Clube Literário, em 1886, marco inicial do Realismo cearense. Essa entidade edita a revista “A Quinzena” onde Oliveira Paiva publica vários contos. Ao falecer de tuberculose com pouco mais de 30 anos, em 29 de setembro de 1892, deixou A Afilhada, romance publicado em folhetins no jornal “O Libertador”, e o romance Dona Guidinha do Poço.

O livro de Manuel de Oliveira Paiva. Dona Guidinha do Poço (Três, 1973) apresenta como personagens principais: Margarida, a dona guidinha do poço e o Major Joaquim Damião. E como personagens coadjuvantes os escravos e retirantes.

Caracterização física e psicológica da (s) principal (ais):

Margarida, a dona Guidinha do Poço: tinha o preto do olho amarelo, com a menina esverdeada, semelhando um tapuru. Era feia, baixa, entroncada, carrancuda, ao menos enfadonha. (p. 23 e 29)

Joaquim: homenzarrão, alto grosso, natural de Pernambuco, uma boa alma. (p.23)

Resumo da Obra: Margarida, rica herdeira de abastado fazendeiro, casa-se com Damião, rapaz pobre, bem mais velho do que ela, e o casal instala-se na fazenda “Poço da Moita”, embora possuíssem casa na vila de Cajazeiras, onde passavam temporadas.

Estavam casados há vários anos, quando chega á fazenda o Secundino, jovem praciano e sobrinho do marido, que desperta na Guidinha uma paixão incontida, que a leva ao adultério. Damião descobre a infidelidade da esposa, propõe o desquite, mas esta cheia de orgulho e despeito, manda assassiná-lo e é presa enquanto o amante e cúmplice fogem.

COMENTÁRIOS:

O romance baseia-se em um caso verídico que aconteceu

Na cidade de Qixeramobin, onde Maria Francisca de Paula Lessa, a Guidinha do Poço, casada com o coronel Domingos Vitor de Abreu e Vasconcelos manda-o matar. Um romance solidamente construído, a partir de um fato real, ocorrido em Quixeramobim, em 1852, mostrando a figura feminina central, sua insatisfação difusa, seu lado viril, o adultério – visão regional de um paradigma da segunda metade do século XIX..

Narrado em terceira pessoa, o romance nos Mostra o que aconteceu no Poço da Moita, relatando uma história de paixão e morte que destaca o fenômeno climático da seca.

Mas também, apresenta uma rica linguagem regional, o falar da região traz o homem e também sua fala para dentro do enredo.

A seca e o regionalismo margeiam o tempo todo o trágico acontecimento que sucedeu no Poço da Moita. (LIMA, 2005).

Dona Guidinha do Poço, divide-se em cinco Livros.

Livro I (o amor despontando); o Livro II (o amor se consuma em posse); o Livro III (a paixão cega); o Livro IV(o drama), o Livro V (desenlace).

O tempo cronológico é marcado por flash backs, representado em dias, meses e até, por vezes, horas.

Além disso, o tempo psicológico soma-se um tempo cósmico, cíclico, marcado pelas estações. Assim o Livro I é o da seca, em março; no Livro II vêm as chuvas de abril e maio; o Livro III, o mais extenso, cobre as quatro estações – primavera, verão, outono, inverno e novamente as chuvas; o Livro IV retorna à primavera e o Livro V, ao verão.

As alterações da natureza, a vegetação, os animais, as aves, as luas, se sucedem.

Secundino traz as chuvas e a felicidade; o amor acompanha a primavera e eclode no verão. Ironicamente, contrariando-a: é primavera quando Quimquim descobre a traição da mulher.

Enfim, tempo social, ritual, marcado pelas festas, eventos e casamentos, aniversários, comemorações no plano familiar; missas e festas de santos, feiras e vaquejadas, profano e eleições.

O presente é o tempo da Queda, do pecado e o futuro, incerto.

O tempo da ruptura – a morte. (COCO, p. 135-136).

Guidinha do Poço tem um fim trágico como à personagem que a inspirou. Apontada como a mandante do assassinato, de seu marido, ela é confinada na prisão, e, abandonada por todos, Contempla solitária pela janela as raras nuvens que o vento quente e árido do sertão impede juntar-se, talvez uma tênue metáfora da não concretização de seus intentos. (p.254)

O autor usa uma linguagem colorida em que se intercalam construções vernáculas e palavra e expressões regionais dando a prosa um cunho culto e popular.

BIBLIOGRAFIA

COCO, Pina. Tempos/s, narrador/es, narrativa/s: Uma leitura de Dona Guidinha do Poço. Disponível em . Acessado em 09/02/08.

LIMA, batista de. Caminhos para o poço de dona Guidinha. Disponível em: . Acessado em 17/03/08.

PAIVA, Manuel de Oliveira. Dona Guidinha do poço. São Paulo: Três, 1973.

SEGMENTAÇÃO DE MERCADO

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Marketing é todo o movimento que tem como ponto de partida o mercado, essa ótica é voltada primeiramente para dentro da empresa e abrangendo todas as áreas, desde a reorganização dos recursos humanos até a capacitação do ponto de vista tecnológico e que vem a ser traduzido nas marcas e nos produtos para em seguida retornar ao mercado mediante algum tipo de comportamento.

O Marketing precisa de ferramentas que o ajudem a se desenvolver e são conceitos fundamentais do marketing.

Vamos discorrer ao longo do trabalho, sobre as atribuições de um gestor de marketing, o marketing em si, as segmentações de mercado e seus nichos, e o envolvimento do Marketing junto a Globalização.

O que é Marketing.

Definimos marketing como um conjunto de estratégias que visam identificar e satisfazer as necessidades do consumidor. Ou seja, marketing não é somente propaganda, mas a ligação de todas as ações estratégicas desenvolvidas por uma empresa a fim de captar e satisfazer seu mercado-alvo. Leia se então a propaganda, o atendimento, o relacionamento com o cliente, a logística enfim tudo que constitui uma empresa.

Para ser bem sucedida, a empresa deve fazer um trabalho melhor que seus concorrentes no sentido de satisfazer os consumidores alvos. Portanto, as estratégias de marketing devem ser concebidas de modo que se adaptem às necessidades desses consumidores e que façam frente às estratégias dos concorrentes. Baseada em seu tamanho e posição na indústria, a empresa deve decidir como irá posicionar-se com relação aos seus concorrentes a fim de garantir as maiores vantagens competitivas possíveis. A elaboração de estratégias de marketing competitivo começa com uma análise completa da concorrência. A empresa deve comparar constantemente seus produtos, preços, canais e promoções com os seus concorrentes mais próximos, a fim de poder discernir pontos de vantagens. Deve monitorar, de modo formal ou informal, o ambiente competitivo para responder às seguintes questões importantes:

Quem são os nossos concorrentes? Quais são os seus objetivos e estratégias? Quais são as suas forças e fraquezas? Como eles reagirão às diferentes estratégias competitivas que usarmos?

A escolha da estratégia de marketing competitivo depende da posição da empresa na indústria.

Estabelecimento de objetivos de marketing.

A missão da empresa deve ser trazida em objetivos detalhados para cada nível de administração. Cada administrador deve ter objetivos e ser responsável para alcançá-los. Podemos citar como exemplo de objetivo o lucro, citando que esse lucro pode aumentar com o crescimento das vendas ou com a redução de custos. As vendas podem crescer com o aumento da participação da empresa no mercado, a expansão para outros mercados, ou ambos. Essas metas tornam-se os objetivos correntes de marketing da empresa.

As atribuições do gestor de Marketing

O gestor de marketing preocupa-se não apenas em descobrir e ampliar a demanda, mas também em mudá-las ou mesmo reduzi-la. Ele deve formular estratégias e táticas de atingir as metas organizacionais. O gestor de Marketing tem que planejar programar, e controlar programas destinados a criar, desenvolver e manter trocas com o mercado-alvo, com o propósito de atingir os objetivos da organização.

Marketing e o Mercado

O Marketing também tem seu mercado e seus consumidores. O conjunto de noções, métodos, técnicas, modelos, e inclusive publicações, cursos, consultoria, etc., que se reúne em volta desta disciplina pode ser considerado o produto – marketing. Podemos, na melhor tradição do marketing, tentar compreender o que os consumidores deste produto querem adequar o produto – marketing e a comunicação que lhe diz respeito. Uma estratégia de marketing do marketing, que não deveria se preocupar com o estatuto da disciplina, mas com a satisfação de seus consumidores.

Se o marketing é uma questão de estratégia e de lucro, então sua validade se baseia na medição dos resultados coligada necessariamente à satisfação do consumidor e a correspondência com os objetos estratégicos e empresariais prefixados; se o marketing é uma disciplina científica, deve então definir com suficiente clareza seu próprio objetivo de estudo, os próprios métodos, as próprias ambições heurísticas, e avaliar seus resultados com base nas contribuições cognitivas adquiridas. Apesar de as duas direções parecerem dificilmente compatíveis, o paradoxo de um marketing do marketing revela esta incompatibilidade de maneira mais evidente. Um marketing científico não poderia aceitar adequar-se facilmente ao pedido dos que o utilizam.

As finalidades práticas do marketing, mesmo quando não prevalecem sobre as ambições heurísticas, necessitam de uma compreensão adequada da realidade sócio – econômica. Porém é impossível considerar o marketing como uma disciplina autônoma.

A matéria abordada se ocupa de mercados, porém isto não significa que se ocupe exclusivamente de mercado, ou seja; o marketing põe o mercado no centro do próprio interesse, mais isto os leva a se ocupar também de muitas outras coisas; e, ao mesmo tempo, outras disciplinas se ocupam do mercado, de uma ótica e métodos diferentes.

Os outros objetos para os quais o marketing dirige sua atenção são numerosos, mas podem ser reduzidos essencialmente a três: a empresa, os consumidores, a sociedade.

As empresas têm um papel ambíguo, porque são atores do mercado, mas também o principal produtor do espetáculo. E obviamente fazem pesar as exigências de produção, ou seja, o fato de que o marketing deve corresponder às exigências, principalmente econômicas. Mas as empresas, entidades, associações tem um papel que o marketing contribui para definir. As mesmas, ao menos na ótica do marketing, deveriam estar orientadas para o mercado, adequando seus lucros, bens ou serviços, alem de sua estrutura e comunicação, às necessidades do mercado. Elas têm na cena do mercado um papel que não é secundário, mas que, sendo atrizes, tende a ser dependente. Dependente das condições do mercado e da demanda.

Segmentação de Mercados.

A segmentação de mercado fundamentava-se na idéia de que todo mercado consistia de grupos segmentos de clientes com necessidades e anseios um tanto diferentes.

Normalmente os consumidores de pasta de dente são divididos em função de seu desejo básico de proteção anticáries, hálito melhor ou dentes mais brancos. Não é novidade quando o aparecimento de diversas marcas de pasta de dente promovendo um benefício ou outro, na tentativa de tornarem a marca de creme dental a preferido no segmento-alvo.

Quando a empresa adota o marketing de segmentos, ala poderá decompor o mercado em segmentos cada vez menores. Existem três níveis de decomposição de mercado: o nível de segmento de marca, o nível de nicho e o nível de célula de mercado.

Os diversos mercados podem ser subdivididos em vários segmentos amplos:

Segmentação por benefícios: significa agrupar as pessoas que buscam preços similares; por exemplo, há compradores que procuram preço baixo, outros buscam alta qualidade nos produtos e outros, ainda que desejem excelência no atendimento.

Segmentação demográfica: significa agrupar as pessoas que tenham denominadores sociais comuns; por exemplo, cidadãos de terceira idade com alto poder aquisitivo, minorias jovens e de baixo poder aquisitivo e assim por diante.

Segmentação por ocasião: significa agrupar as pessoas de acordo com ocasiões de utilização de um produto; por exemplo, passageiros de companhias áreas em viagem de negócios, de lazer ou de emergência.

Segmentação por nível de utilização: significa agrupar as pessoas de acordo com a intensidade de uso do produto – grande, média, baixa ou inexistente.

Segmentação por estilo de vida: significa, por exemplo, agrupar os emergentes que compram casacos de pele e perfumes importados, ou atiradores que compram espingardas.

Qualquer mercado poder segmentado de diversas maneiras. Uma necessidade substancial pode representar uma oportunidade lucrativa no mercado. Identificando um conjunto de segmentos, o profissional de marketing tem duas escolhas: focalizar um segmento (marketing de segmento único) ou dois ou mais (marketing de multissegmentos), cada um recebendo uma oferta diferente e apropriada.

O marketing de segmento único oferece três vantagens:

A empresa pode identificar mais facilmente cada comprador do segmento, conhecê-lo, efetuar pesquisas em profundidade e projetar produtos/serviços bem-direcionados e atraentes;

A empresa se defrontará com um numero menor de concorrentes em um segmento bem-definido e saberá melhor quem são eles;

A empresa terá uma boa probabilidade de se tornar o fornecedor preferido do segmento e conseguir as maiores participações e margens de lucro naquele mercado.

Há um, porém, a empresa que utiliza o marketing de segmento único corre o risco de ver esse segmento se esvaziar, na medida em que surgem concorrentes, mudanças de hábitos dos consumidores reduzindo o lucro de todos (PHILIP KOTLER, 1999).

Para evitar esses riscos, muitas empresas investem no marketing de multissegmentos, onde se um segmento vai mal, os outros sustentam a empresa. Ainda a vantagem da economia de escala e alcance, dando uma vantagem de custos nos diversos segmentos em que a empresa atua.

Nichos

Descrevem tipicamente conjuntos menores de clientes que definiriam mais claramente suas necessidades e combinações das mesmas. Um segmento de mercado de carros esporte pode ser redefinido em vários nichos de mercado:

Um nicho que deseje automóveis que pareçam carros de corrida, muito caros e potentes (como Ferrari).

Um nicho que deseje automóveis menos caros e menos ao estilo carro de corrida, mas ainda assim potentes (como os Ponches);

Um que deseje um automóvel com aparência convencional e desempenho de carro-esporte (como um BMW);

E, um que deseje um carro menos caro e com a aparência de um carro-esporte, mas sem o mesmo desempenho (como o Mustang).

O atendimento de clientes a um nicho especifico tem várias vantagens, como a de conhecer melhor e pessoalmente cada cliente, enfrentar menos concorrentes (nenhum, um ou talvez dois) e alcançar altas margens de lucro, sendo que os clientes estão dispostos a pagar mais por uma empresa especializada disposta a atender suas necessidades.

Os nichos são normas de muitos mercados hoje em dia, há a existência de empresas familiares e desconhecidas do grande público, mas com grande participação no mercado global.

São extremamente dedicadas a seus clientes e oferece desempenho superior, grande capacidade de resposta e entregas pontuais (em vez de preços baixos);

Sua alta gerencia mantém-se em contato direto e regular com os principais clientes;

Enfatizam a inovação continua direcionada à melhoria do valor para o cliente.

As campeãs desconhecidas combinam alto valor com diversidade geográfica e estabelecem a melhor reputação possível no nicho almejado.

Células de mercado

As empresas podem querer identificar grupos ainda menores de clientes com características comuns, que representam uma oportunidade no mercado, esses grupos podem ser chamados de células de mercado.

As empresas de hoje desenvolvem bancos de dados de clientes, contendo informações demográficas, o histórico de compras, preferências e outras características.

Algumas empresas utilizam um serviço conhecido por data mining (ou triagem de dados), que utiliza técnicas analíticas e estatísticas de grande alcance permitindo extrair modelos comportamentais e fatos interessantes sobre os clientes (KLOTER, 1999).

Marketing de clientes

Antes da Revolução Industrial, os produtos eram fabricados um a um para cada pedido de compra por intermédio dos artesões. Com o progresso da Revolução Industrial, estoques tiveram de ser mantidos através de produção, além do uso de marca e propaganda para fazer com que os clientes procurassem os produtos das fábricas.

As economias de grande escala necessitavam da padronização dos produtos. Houve queda nos preços e os clientes já estavam dispostos a aceitar produtos com um grau de padronização razoável para que assim desfrutassem da economia.

Com o surgimento do computador, do marketing do banco de dados e das fábricas flexíveis, o custo de oferta de produtos e comunicações customizadas diminuiu não que tenha alcançado o nível de um produto padronizado, mas também não ficou muito acima.

O marketing customizado acontece igualmente como ocorre em uma fundição ou de um alfaiate, o vendedor prepara do nada um novo produto. Já na customização em massa a empresa estabelece módulos básicos que podem ser combinados de maneira adversa para cada cliente.

Globalização e Marketing

Uma empresa globalizada seria aquela que opera seguindo uma lógica operacional mundial, cujo objetivo seja maximizar benefícios e minimizar custos não importando onde esteja à base de produção e que obedeça uma estratégia de marketing única para todos os países onde vende seu produto. Uma empresa transnacional, o mercado seria uma determinada região do mundo, enquanto para uma multinacional o mercado seria o planeta inteiro.

Uma característica essencial da empresa global atualmente seria a facilidade para identificar locais onde existam as condições mais atraentes para suas operações. Fica mais fácil tomar conhecimento sobre as condições de trabalho em um determinado país e compará-las com a situação em outras partes do mundo. Com os serviços de informação, o aumento nas taxas de juros de um país (que atende a encarecer os custos de produção e a favorecer as aplicações financeiras) chega ao conhecimento dos investidores e empresários de forma imediata.

Somada à crescente desregulamentação não só dos mercados financeiros, mas também em outras áreas, inclusive no que se refere à legislação trabalhista, ficou praticamente liberada a movimentação de capital, trabalho e bens entre os países. Qualquer tendência de elevação dos custos de elevação dos custos de produção em um determinado país pode levar as empresas a trocá-lo por outro onde seja mais barata a fabricação.

No circuito das chamadas empresas transnacionais, o investimento em fábrica deixou de ser privilegiado. A prioridade passou a ser de investir em marcas. Muitas vezes, a empresa global compra uma campanha local apenas para ganhar uma fatia do mercado, por causa da marca. O crescimento do número dessas companhias e dos negócios por elas realizados é apontado como uma das razões para a expansão do comércio internacional.

O processo de expansão das empresas multinacionais também provoca polêmica por causa das condições de trabalho nas fábricas desses grupos instaladas em países que não se destacam pelo respeito aos direitos dos trabalhadores. Muitas vezes é o mesmo consumidor, no papel de trabalhador, que sofre com a política da empresa transnacional de fechar uma determinada fábrica ou de promover demissões, alegando a necessidade de reduzir seus custos para aumentar a produtividade.

Conclusão.

Para muitas pessoas marketing ainda significa apenas venda, o que infelizmente é a realidade para algumas empresas no mundo. O marketing é muito mais que vendas e um departamento, a empresa deverá estar orientada para o cliente.

Vimos que uma implantação vitoriosa de marketing depende de uma pesquisa de mercado eficiente, segmentar o público-alvo, posicionar o produto e marca definir o público alvo e ter sistemas de controle eficientes para mensurar o alcançado com o previsto.

Nota-se que o mundo mudou, mas o homem praticamente continua o mesmo, mas o que muda constantemente são suas necessidades e desejos despertados pelo Marketing.

Bibliografia

KOTLER, Philip. Marketing para o século XXI: como criar, conquistar e dominar mercados. São Paulo: Futura, 1999.

CARMEN,UMA NOVELA MULTIMIDIA

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1. Introdução

Nosso trabalho foi o de pesquisar as várias adaptações dessa novela de Prosper Mérimée. Podemos dizer que uma das razões do sucesso foi à simplicidade e a força do enredo, no qual sobressaiu-se a personagem central, a cigana Carmen. A história de uma mulher cercada de mistério, praticante de magia, sedutora, nos pareceu também ter uma grande capacidade de seduzir. E essa capacidade manteve-se intocada quando da transposição para outros sistemas semióticos.

Mérimée iniciou o texto com um curioso artifício retórico: o narrador afirmou ter ido para a Espanha apenas para estudar uma famosa batalha do tempo dos romanos. Ele expõe sua teoria a respeito da batalha com veemência, para em seguida narrar, como causo, divertissement, a história de Carmen. O tema da batalha dos romanos é um falso enredo. O texto dissimula, faz-se de maroto, imitando a própria personagem. Não foi só olhar dessa Fênix cigana que teve algo de traiçoeiro.

O estilo do texto de Mérimée nada teve de rebuscado. A narrativa vai diretamente ao ponto, não faz complexos exercícios de estilo, concentrando-se em narrar à ação. Afinal, a maior parte do texto foi uma narrativa dentro de uma narrativa. A narrativa de Don José foi à narrativa de condenado à morte. A correlação entre as narrativas e a morte já foi notada desde as Mil e Uma Noites, da princesa Sherezeade e a Odisséia de Homero.

Carmen talvez tenha feito sucesso por ter como protagonista uma mulher cheia de vontade de potência. Quem sabe daí o fascínio de Nietzsche, tantalizado por sua Salomé e necessitado de forças desmesuradas tropicais para opor aos homens temperados e nórdicos, esses Parsifals cantados por Wagner, esse Wagner que, da mesma idade do pai de Nietzsche, parece-nos ter se transformado numa imago paterna negada. Nietzsche escreveu contra a liberação feminina, mas precisamos prestar muita atenção àquilo que Nietzsche combateu. Com freqüência, Nietzsche encontrou seus inimigos dentro de si mesmo e naquilo que ele admirava. Nietzsche ironizou e desdenhou da luta pela liberação feminina, desprezando-a, opondo-se a ela, mas sabia que se opunha a uma tendência forte; para Nietzsche, Darwin não está com a razão e nem sempre são os fortes que vencem. O cristianismo, religião combatida por ele como platonismo para o povo, propugnadora de uma moral de rebanho, ou seja, de fracos, de ovelhas, de vítimas, resiste bravamente dois mil anos de história.

Se, do final do século XIX em diante, ocorreu à liberação das mulheres e a sua subida a um protagonismo antes inalcançável socialmente, isso com certeza foi uma das forças ocultas que impulsionou Carmen, essa maga-cigana-hispana. Uma protagonista mulher passou a ser algo essencial, algo chamativo, senão ilustrativo de uma época em que as mulheres passaram de dominadas a dominadoras. Ou melhor, passaram a ter a possibilidade de exercer formas de dominação, ainda que imaginárias e ilusórias.

Carmen, mulher finalmente dona de si mesma, liberada, esfinge com segredo, indecifrável devoradora de homens. Seus olhos eram olhos de gato que quando observavam o forasteiro desavisado adquiriram aquele aspecto de olhos de gato olhando um pardal, ou seja, olhos de um universo oposto, olhos hostis, interessados em aniquilar seu opositor, ameaçadores. A cigana mágica olhou o homem como uma presa, com um olhar da mesma natureza daquele com que o senhor olha o escravo, o burguês olha o proletário, o mais forte olha o mais fraco.

O simples olhar do gato para o pardal bastou para assustá-lo e fazê-lo movimentar-se. Tivemos a oportunidade de, num sítio, verificar o olhar de um gato diante de um pardal, experiência sugerida por Mérimée para que pudéssemos entender o olhar de Carmen diante do incauto forasteiro, claramente atraído por seus encantos carnais e sobrenaturais. O gato, que simplesmente passava próximo a uma fonte de água onde bebericavam os pardais, ao vê-los prontamente movimentou os olhos e o pescoço num movimento brusco. Há um brusco interesse que acompanha cada movimento atentamente. O olhar irradia tal força que os pardais, ao se sentirem fixados por ele, prontamente afastam-se instintivamente. Trata-se de instinto provocando instinto; o olhar do gato é a linguagem do predador e a esquiva dos pardais é o pressentimento da vítima. Os pardais temem entrar no raio de ação do predador. O narrador escapou por pouco de entrar no raio de ação de Carmen, de tornar-se mais de seus homens seduzidos e vitimados. Por isso seu relato foi tão potente, trata-se do relato de um sobrevivente, que se apropria, por afinidade, do relato de uma vítima marcada de morte, Don José. O narrador, que andou pelo fio da lâmina, sente na carne a lâmina que irá matar Don José.

Podemos também dizer que Carmen foi uma mulher que inverteu a tendência predatória do homem em relação à mulher. O predador é um ser que destrói outro ser vivo violentamente, matando e consumindo esse ser como forma de obter energia vital. A atitude aproxima-se da atitude de pilhar, roubar, rapinar, extorquir, consumir. As relações de dominação do homem em relação à mulher passam por atitudes desse tipo, como parte de uma relação de dominação estabelecida na pré-história, com base na força bruta. Invertendo essa relação, mostrou o narrador, desencadeou forças que não pode controlar. A metáfora do pássaro retornou na ópera, de forma transformada. Carmen foi à portadora de um amor que foi como um pássaro rebelde que ninguém poderia aprisionar. Carmen, de gata devoradora de pássaros passou a ser a emissora de um ser semelhante ao pássaro, o amor. Um ser análogo.

Há também a comparação do olhar da cigana com o olhar do lobo. O lobo é outra metáfora de um predador que essa mulher que inverteu os papéis encarnou. Ao realizar essa inversão, caracteristicamente, foi vítima da repressão, primeiro social, acusada na fábrica de perturbar a moral burguesa, digamos assim, depois punida com a morte pela ousadia de trocar um homem por outro, ou seja, consumir um e passar adiante, decidindo sugar a energia vital de outro, ou seja, comportar-se como os homens com freqüência se comportam. A metáfora do pássaro retornou no libreto de Bizet, mas com Carmen no papel de pássaro que quer ser livre, ou seja, vítima em potencial da escravidão e do encarceramento. Carmen foi lido como um elogio ao feminismo, mas também encerrou uma dura repressão, com o assassinato final da cigana, uma dura lição contra a mulher que inverteu o papel a ela reservado na sociedade. Fênix, espanhola, toureira, representou e firmou uma certa imagem da mulher latina, mediterrânea, cheia de vitalidade e capaz de romper tabus e enfrentar o mundo masculino naquilo que ele teve de mais marcial, o soldado. Afinal, nas guerras o homem tem papel preponderante. Seus poderes mágicos não foram suficientes para derrotar as razões que a razão desconhece.

2. A ÓPERA

A atualidade de Carmen é o fator preponderante para este êxito estrondoso. Nos dez primeiros anos, Carmen foi representada mil vezes, um recorde invejável. Bizet adaptou a novela de Prosper Mérimée. O ballet adaptado pelo compositor soviético Ridion Chedrin, que fez o trabalho para sua mulher, a primeira bailarina do Bolshoi de Moscou, Maia Plistskaya, uma das mais célebres bailarinas do mundo.O bailado seguiu a ópera famosíssima, de mesmo nome, de autoria de Georges Bizet, que teve sua estréia no Ópera-Comique, em Paris, em 3 de março de 1875. A ópera é um dos mais estrondosos sucessos musicais de todos os tempos, embora tivesse fracassado na estréia. A história da cigana e seu destino terrível já foi apresentada de todas as maneiras possíveis, e em todas as artes.

O bailado estreou em Moscou em 1970. Chedrin utilizou as magníficas melodias, com uma orquestração excepcional, utilizando principalmente cordas e muita percussão.

O prelúdio da ópera começa com o vigoroso ritmo refletindo a festiva atmosfera da tourada do último ato. Então, soa o vibrante refrão da famosíssima canção do Toreador.

Esta é seguida pelo sombrio motivo do destino. Justamente aí há um crescimento orquestral que é seguido por um coro explosivo.

Os personagens do Ballet são os mesmo da ópera, destacando-se Carmen, Toureador e Don José. O bailado, que dura 45 minutos, em contraposição às duas horas e meia da ópera, apresenta as seguintes partes:

• Introdução;
• Dança;
• Primeiro Intermezzo;
• Rendição da Guarda;
• Entrada de Carmen e Habanera;
• Cena;
• Segundo Intermezzo;
• Bolero;
• Toureador;
• Toureador e Carmen;
• Adágio;
• Adivinhação do Destino;
• Final.

Carmen é uma ópera em quatro atos de Georges Bizet com libreto de Henri Meilhac e Ludovic Halévy, baseada na novela homônima de Prosper Mérimée. Ambientada em Sevilha, na primeira metade do século XIX, narra a história do oficial de exército Don José, que, prometido à jovem Micaëla, deixa-se seduzir pelos encantos da cigana Carmen, causando para si inúmeros problemas como a prisão e o rebaixamento no exército por facilitar-lhe uma fuga quando ela fora declarada culpada por agredir uma colega na fábrica de cigarros onde ela trabalha. Abandonando a vida honrada para se entregar à vida errante junto aos ciganos, Don José vê Carmen trocá-lo pelo toureiro Escamillo e, tomado por uma crise de ciúmes, mata-a.

É o mais popular triângulo amoroso numa ópera. É uma das mais conhecidas óperas de todos os tempos. E algumas de suas árias ficaram tão populares que foram até plagiadas em publicidade. Carmen, de Georges Bizet (1838-1875), no entanto, é a história de uma mulher que gostava de homens. E por eles era capaz de tudo: de abandoná-los e de levá-los a matar. E até a morte.

A ópera de Bizet foi baseada em novela do francês Prosper Mérimée, com acréscimo de personagens, como Micaela, para ser o contraponto da cigana Carmen. O compositor teve medo que a moral da época rejeitasse a ópera por causa da personalidade de Carmen, uma das mais fortes e dominadoras.

Somente no ano de 2002, a Ópera Illustrata de Curitiba fez 10 apresentações didáticas, levando ao palco as óperas mais famosas, como “La Traviata”, “Porgy and Bess”, “O Barbeiro de Sevilha”, “La Bohéme” e “Madame Butterfly”, sempre com grande aceitação do público.

Ópera cheia de vitalidade, “Carmen” utiliza elementos instrumentais, harmônicos e rítmicos da música espanhola. Na época de sua estréia, a obra foi considerada obscena, e a música, muito criticada.

Em Curitiba, por exemplo, a direção artística do espetáculo esteve a cargo de Neyde Thomas, orientadora de muitos dos cantores que participaram das apresentações. Desta vez, os papéis principais são desempenhados por Fátima Castilho (Carmen), Anderson Marks (Don José) e Silvia Suss (Micaëla).

A direção cênica é de Lucianna Raitani, e o acompanhamento ao piano, de Joaquim do Espírito Santo. Como aconteceu em todas as edições, um especialista é convidado para comentar a obra antes das interpretações ao vivo, intercaladas com imagens em DVD de montagens internacionais. Desta vez, os comentários serão do maestro Flávio Stein.

Como uma iniciativa bem sucedida, a “Ópera Illustrata” deve ser retomada em 2003 com novas montagens, aproveitando o mesmo formato de apresentação.

2.1. PASSAGENS MUSICAIS FAMOSAS

Carmen é, provavelmente, a ópera não-italiana com maior número de árias famosas, dentre as quais podemos destacar:

• Abertura
• L amour est un oiseau rebelle (Habanera do primeiro ato)
• Les tringles des sistres tintaient (primeira ária do segundo ato)
• Votre Toast (Canção do Toureador, segundo ato)
• La fleur que m avais jetée (ária de Don José, segundo ato)
• Intermezzo Mêlons, coupons! (ária das cartas, terceiro ato)
• Je dis que rien m émpouvante (ária de Micaëla, terceiro ato)
• Aragonesa (prelúdio do quarto ato)
• Les voici la quadrille (coro da tourada, quarto ato)

Bizet parecia adivinhar que a empatia palco-platéia seria criada já no início do 1º ato, com Carmen cantando a mais famosa ária: “L’amour est um oiseau rebelle que nul ne peut apprivoiser” (O amor é um pássaro rebelde que ninguém pode aprisionar). Muito mais que uma declaração: o resumo da obra. E esta independência diante da sociedade e do amor, ela volta a mostrar no final do mesmo ato, ao advertir: “Si tu ne m’aimes pas, je t’aime, se je t’aime, prends garde à toi” (Se não me amares, eu te amarei, e se eu te amar, tenha cuidado).

A partir daí, com o seu envolvimento com Don José, um cabo que cuida da ordem em Sevilha, fica claro que a relação será de morte quando Carmen paquera soldados e com o toureiro Escamillo. “Carmen, il es temps encore, oui, il est temps encore…Ô ma Carmen. Laisse-moi te sauver, toi que j’adore, et me sauver avec toi” [Carmen, estamos ainda em tempo, sim, em tempo ainda…Oh minha Carmen, deixa-me salvá-la, a ti, a quem adoro, e salvar-me contigo, clama, apaixonado, don José. A resposta dela chega no final da ópera: “Eh bien! frappe-moi donc ou laisse-moi passer” (Pois bem, então mata-me ou deixa-me passar)].

2.2. UMA OUTRA CARMEN

Carmen (1983), filme do italiano Francesco Rossi com o tenor espanhol Plácido Domingo e o soprano norte-americano Julia Migenes-Johnson. Orquestra Nacional da França, sob direção do maestro Lorin Maazel. No cinema, Carmen foi adaptado várias vezes. Pouco após o sucesso do filme Gilda, com Rita Hayworth, o mesmo diretor e a mesma atriz principal uniram-se para dar vida à personagem que mudou a vida do soldado Don José ao seduzi-lo.

2.3. CARMEN: UMA VERSÃO BRASILEIRA DE AUGUSTO BOAL

O espetáculo “Carmen”, dirigido por Augusto Boal, teve uma receita muito simples: utilizou a mesma música da obra de Bizet, apenas interpretada por instrumentos e ritmos diferentes, e cantada sem a impostação lírica. A ópera contou a história da cigana Carmen. Vivendo entre a pior laia de contrabandistas, bandidos e rufiões, acabou sendo morta por José, um soldado apaixonado que não agüentou vê-la em outros braços. A montagem de Boal utilizou ritmos bem brasileiros como o frevo, samba, maracatu, baião e modinhas imperiais para contar o enredo, porém manteve-se fiel à harmonia original da ópera.

O resultado foi um espetáculo muito mais próximo da realidade brasileira, as possibilidades de identificação foram evidentes, já que o tema foi universal, a fogosidade de Carmen teve tudo a ver com a mulher brasileira e a música esteve ao alcance de qualquer compreensão. Segundo Boal, o objetivo não foi popularizar, mas nacionalizar a ópera, buscando uma autenticidade pessoal.

Depois de “Carmen”, existem outras adaptações a caminho. Seu grupo já estava trabalhando em “La Traviata”, e desejava ainda fazer a “A Cavalgada das Valquírias”, de Wagner, “O Barbeiro de Sevilha” e sete versões de diferentes Orfeus.

3. CARMEN NO CINEMA

Em 1983, Carlos Saura produziu uma adaptação de Carmen. Percebemos a personagem Carmen manter uma identidade, mantendo especificidades nas três produções. No livro existiu uma Carmen ladra, assassina, mas capaz de cuidar do amado com dedicação sincera e atitudes ternas. Sua liberdade, os envolvimentos amorosos foram insuportáveis e seu amante a mata. Na ópera, Carmen foi operária de uma fábrica de charutos e seduziu Dom José. Apareceu Micaëla, mocinha da terra natal a contrastar com Carmen, a cigana. Micaëla simbolizou o contato com a mãe amada. Carmen, paixão, desvio e a mulher amada. Carmen encontrou novo amante, um toureiro. Ela se negou a ficar com Dom José que a matou ao som de aplausos às verônicas em segundo plano. A heroína caiu suave sobre os braços algozes, tal pássaro inocente. O filme retratou a montagem do balé Carmen, ao mesmo tempo em que uma trama concomitante a esta se desenvolveu. Procurou-se uma bailarina para interpretar Carmen. Não importava a técnica aperfeiçoada ou a experiência das candidatas.

O que procurou, o coreógrafo encontrou numa bailarina inexperiente. Apaixonaram-se e as histórias se entrelaçaram, livro, ópera e roteiro. Perceberam-se três “Carmens” distintas. A da ópera foi uma heroína, possui força e nobreza por seguir seus desejos. A Carmen do livro roubou, incitou crimes e quando foi assassinada não teve a morte triunfal que apareceu na ópera. No filme, Carmen foi uma mulher comum. O coreógrafo lhe vai dando os contornos da Carmen do livro e da ópera e aparecem as citações a estas duas outras obras. Mesmo com tantas diferenças, a identidade permaneceu. Na novela de Mérimée, somos surpreendidos por momentos em que uma imagem se destaca, presentifica-se em nós. Surpreendidos por tal imagem, somos remetidos a outros universos, a outras imagens. Não se trata de uma imagem material e sim de um estado de alma, de um movimento, de uma ação. Estado que nos toma, movimento que se desprende do livro. O movimento é o de rapidez, o de revezamento entre amor e paixão, entre belo e feio, lealdade e traição, liberdade e aprisionamento, vida e morte. Tudo isso estava presente em Mérimée, ressurgiu em Bizet de forma transformada e reapareceu em Saura.

Como uma Fênix, mais do que simples fonte de inspiração para Bizet e libretistas, algo pareceu surgir na novela de Mérimée e se instalar na ópera de forma independente. Tal pássaro, de rapidez absoluta, não nos permitiu a definição da trajetória e que nos entonteceu com presença eterna. Citemos G. Bachelard: “A Fênix dos poetas explode em palavras inflamadas, inflamantes. Está no centro de um campo ilimitado de metáforas. Uma tal imagem não pode deixar a imaginação tranqüila.” (BACHELARD, 1981, p. 23). Esta apresentou-se quando o narrador descreveu Carmen com recortes poéticos na narrativa. A poesia estava no “nó de duas palavras valorizadas por sua união” (BACHELARD, 1981, p. 45). Os recortes não falavam de substâncias, possibilitaram-nos experimentar o dinamismo que produziam por metáforas repetidas, conjugadas, produtoras de impacto. “Para não vos fatigar com uma descrição prolixa, acrescentarei apenas que a cada defeito ela reunia uma qualidade que se destacava mais fortemente ainda pelo contraste” (MÉRIMÉE, 1999, p. 9).

A cigana foi representada pelo conjunto entre o bom e o mau, o bem e o mal, o feio e o belo. Tal Medusa, cuja beleza do rosto contrastava com o terror de seus cabelos de serpentes e o reflexo no escudo de Perseu o protegeu talvez por, entre outros significados, estar o de ser reflexo turvo demais, impedindo o contraste definido. Eis o ingrediente para repetir Carmen de forma singular, a sedução dos contrastes. Fala-se de duas faces da moeda, de equivalências. O que seduziu em Carmen e petrificou em Medusa foram os opostos lado a lado. Na ordinária de Mérimée, sobressaíram os roubos, a ternura. Nas árias de Bizet, as modulações indo sempre do grave ao agudo bruscamente, permitindo apenas a cantoras experientes a dádiva do convite a esta interpretação. A Habanera trouxe na letra a conjugação “l’oiseau rebel”. Os outros personagens giravam como satélites, pois a protagonista impôs a todos um desafio: o de viver segundo a lei do desejo, o confronto com os opostos.

Bachelard colocou que um pintor podia pintar uma Fênix incendiada e dar à sua obra o título de O Amor. Da mesma forma, Carmen, ao cantar a Habanera, suscitou muitas imagens, dentre elas a da liberdade. Bachelard prosseguiu dizendo que a função fabuladora adquiriu toda a sua extensão pela palavra. A imagem visual foi apenas um instantâneo. A função fabulatória pertencia ao reino do poético. Ao analisar a imagem da Fênix, destacou os atributos que escapavam à condição natural e se instalavam em outro terreno, o reino do poético. A imagem Carmen que possibilitou muitas metáforas é o que a ligava a imagem da Fênix. “Imagem tornada Verbo”. A imagem Fênix suscitou uma série de metáforas que se contradizem e ao mesmo tempo se alimentavam mutuamente: a vida, a morte, o masculino, o feminino. Carmen promove uma dança de contradições, um revezamento de opostos.

Tal imagem não se descreveu, só podemos nos referir a ela através das metáforas que foi capaz de suscitar. Como Bachelard disse a respeito da Fênix: “A Fênix é então um instante, um instante poético. Não se descreve o que surge. O gênio está em provocá-lo” (BACHELARD, 1983, p. 45). Aproximando Fênix de Carmen, esta citação resumiu o que Mérimée, Bizet e Carlos Saura fizeram ao produzirem suas obras. O que pareceu surgir na novela de Mérimée e instalar-se na ópera, renascendo de outra forma no filme de Carlos Saura e que ressurgiu em nossa alma, a cada vez que entramos em contato com qualquer uma das três expressões, foi Carmen, a mesma Fênix perpetuando-se em imagens sempre renovadas.

Existiu também uma versão de Carmen dirigida pelo diretor espanhol Vicente Aranda e protagonizada pela atriz Paz Vega, Carmen (2003). A versão moderna do clássico começou seguindo a original e apresentou Mérimée como um viajante-narrador, em uma de suas incursões pela Espanha. Durante uma tarde, quando buscou um lugar para repousar, ele teve seu primeiro contato com o atormentado Don José (Leonardo Sbaraglia). Sem conhecer sua história, ele dividiu sua refeição e charutos com o homem que teve sua vida destruída ao se apaixonar por Carmen. A única informação que recebeu de seu guia espanhol é que se trata de um assassino que foi banido da cidade.

Ao visitar uma igreja, Mérimée acabou por encontrar a cigana, uma belíssima jovem em sensuais trajes vermelhos e pretos, que se diz filha do diabo. Ela o convenceu a ver sua sorte nas cartas, mas as previsões são interrompidas com a chegada de seu amante, que expulsou o escritor. José reconheceu o francês, mas manda-o embora. Eles voltaram a se encontrar alguns dias depois quando Mérimée descobriu que José foi preso. Em seu cárcere e à beira de sofrer a pena de morte, ele contou para o atento ouvinte sua história.

Apesar do conhecido desfecho trágico, o longa-metragem marca pela atenção dada ao relacionamento amoroso e à paixão inflamada do casal. Com muitos tons vermelhos e amarelos e cenas tórridas de sexo, foi trazido para a tela o lendário calor espanhol. Tudo isso com a ajuda da beleza natural da atriz Paz Vega, que aparece em diversos nus, inclusive frontais.

Para viver o casal protagonista de seu vigésimo quarto filme, Vicente Aranda, também diretor de Os Amantes (1991) e Paixão Turca (1994), escolheu dois destacados jovens (e belos) atores, o argentino Leonardo Sbaraglia, de 34 anos, e a espanhola Paz Vega, 28.

Paz Vega começou sua carreira em 1999, com os filmes Zapping, Sobreviviré e Nadie Conoce a Nadie. Dois anos depois recebeu o Goya de Atriz Revelação, por sua atuação no sensual Lucia e o Sexo, de Julio Medem. No Brasil, tornou-se conhecida por sua participação em Fale com Ela, de Pedro Almodóvar. Seu último filme exibido no país foi o musical O Outro Lado da Cama, de Emilio Martínez Lázaro.

Além das dezenas amantes que povoam a ficção de Mérimée, na vida real Carmen teve adoradores de peso. Não morreria de ciúmes o apaixonado José ao saber que os diretores Cecil B. Mille, Jean-Luc Godard, Carlos Saura, Francesco Rosi, Charles Vidor, dentre outros lhe dedicaram filmes? Por sua carga dramática e elementos como amor, paixão, sexo, ciúmes e assassinato, a história da indomável cigana já foi produzida em países como a Argentina, Alemanha, Espanha, Estados Unidos, França, Inglaterra, Itália, México, Suécia, Eslovênia e etc. Isso tudo sem contar as infinitas montagens da ópera de Bizet, que estreou pela primeira vez em março de 1875, feitas anualmente em várias partes do planeta.

4. ARTES PLÁSTICAS

Nas artes plásticas, Carmen foi desenhada por ninguém menos que o genial Pablo Picasso, que em 1949 lançou uma edição de apenas 320 exemplares de ilustrações sobre a história da cigana, junto com Gustave Doré. No Brasil, o polêmico diretor teatral Gerald Thomas criou em 1986 o espetáculo “Carmen com Filtro”, com Bete Coelho no papel principal, dando também sua versão para o mito (Dominique Valansi).

Carmen cigana envolvente, quente como o sangue espanhol, criada pelo escritor Prosper Mérimée em 1845 e transformada em ópera 30 anos depois por Georges Bizet, Carmen continua modelo de mulher fatal em plenos anos 80 após ter encantado cineastas célebres como Ernest Lubitsch, Charles Vidor e Otto Preminger. “O amor é filho da boemia e jamais admitiu leis” – proclama o livreto da ópera que atraiu um dia até o filósofo Nietzsche. Na área cinematográfica, Francesco Rosi, Jean-Luc Godard, Peter Brook e Carlos Saura são os mais recentes apaixonados, criando diferentes versões da mesma personagem. Do enfoque operístico de Rosi, passando pelo coreográfico de Saura, à versão desconcertante e fragmentada de Jean-Luc Godard, com a linda holandesa Maruschka Detmers, há Carmens para todos os gostos, reforçando no cinema o mito da operária provocante, que tira do sério um soldado e depois troca-o por um toureiro.

O espanhol Carlos Saura realizou o seu Carmen apoiado principalmente na coreografia de Antônio Gades (que fez também a coreografia do filme-ópera de Francesco Rosi) e na guitarra flamenga de Paco de Lucia. Este Carmen é simplesmente a despojada filmagem de um ensaio de balé sobre a história de Prosper Mérimée, tendo como trama os diálogos entre os bailarinos que intercalam as danças, sempre exuberantes e passionais. Essa proposta, despretensiosa e documental, contrasta bastante com o aspecto altamente dramático de outras versões, com estrelas do porte de Theda Bara, Pola Negri e Rita Hayworth. Sem se preocupar em reviver a tragédia de Carmen, o filme de Saura é um simples e tradicional espetáculo de dança hispânica, feito sob medida para agradar exclusivamente os amantes da dança e da Espanha.

5. CONCLUSÃO

Podemos supor que o texto Carmen tenha tocado num ponto arquetípico do imaginário, daí suas freqüentes adaptações e a atração exercida. Um texto bastante claro e sucinto foi o ponto de partida desse personagem, que desde então passou a povoar o imaginário da humanidade, ligado a esse forte nome.

6. BIBLIOGRAFIA

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MÉRIMÉE, Prosper. Notes de voyage (1835-1840). Présentation de P.-M. Auzas, Paris, Hachette, 1971 (édition complète du Centenaire).

MÉRIMÉE, Prosper. Théâtre de Clara Gazul. Romans et nouvelles. Éd. Jean Mallion. P. Salomon, Paris, Gallimard,1979, coll. de la Pléiade, 21.

6.1. OBRAS OU REVISTAS CONSAGRADAS A PROSPER MÉRIMÉE

BERCÉ, Françoise. Des monuments historiques au patrimoine du XVIIIe siècle a nos jours ou “Les égarements du cœur et de l esprit”. Paris, Flammarion, 2000, 225 p.

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FONYI, Antonia (dir.). Prosper Mérimée: écrivain, archéologue, historien. Genève, Droz, 1999, coll. Histoire des idées et critique littéraire, 374.

GIRAULD-LABALTE, Claire. Les Angevins et leurs monuments, 1800-1840: l invention du patrimoine. Angers, Société d études angevines, 1996, 361 p.

LAGARDE, Pierre de. La Mémoire des pierres. Paris, Albin Michel, 1979, 332 p.

LÉON, Paul. La Vie des monuments français: destruction, restauration. Paris, Picard, 1951, 584 p.

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MONDENARD, Anne de. La Mission héliographique: cinq photographes parcourent la France en 1851. Paris : Monum, éd. du patrimoine, 2002, 319 p.

RÉAU, Louis. Histoire du vandalisme: les monuments détruits de l art français. Tome II, XIXe et XXe siècles. Paris, Hachette, 1959, 342 p. coll. Bibliothèque des Guides bleus.

REVUE EUROPE, numéro spécial consacré à Prosper Mérimée, 1975.

REQUENA, Clarisse. Unité et dualité dans l œuvre de Prosper Mérimée. Mythe et récit. Paris, Champion, 2000.

OS PAIS DA ECONOMIA

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Objetivo: O texto interessa principalmente enquanto indicação de como se constitui a reflexão de Quesnay a respeito do desenvolvimento (trata-se aqui, do estudo comparativo de dois tipos de agricultura).

ARRENDATÁRIOS

Janeiro de 1756

Segundo a Economia Política – Arrendatários são aqueles que alugam e valorizam os bens dos campos e que proporcionam as riquezas e os recursos mais essenciais à manutenção do Estado. Assim, o emprego do arrendatário é assunto muito mais importante no reino e merece grande atenção da parte do governo.

Considerando a França, achamos que o trabalho do pobre cultivador tem a mesma qualidade que os trabalhos do rico arrendatário. Só que não é bem assim, a situação exige um exame extenso e profundo. É preciso conhecer bem os diferentes tipos de cultivo para julgar a atual situação da agricultura no reino.

As terras são comumente cultivadas por arrendatários com cavalos ou por meeiros com bois. Cada qual tem sua razão, para cultivar as terras desse modo. Somente arrendatários ricos podem servir-se de cavalos para lavrar as terras. Os proprietários de terras que não tem condições de usar cavalos para o cultivo da terra faz com que camponeses que lhes entregam metade da colheita os cultivem com bois. Este tipo de cultivo exige muito poucos gastos do meeiro. O proprietário lhe fornece os bois e as sementes. Os bois, depois do trabalho, vão buscar sua comida nas pastagens. Todos os gastos do meeiro se restringem aos instrumentos de lavoura e às despesas para sua alimentação até o tempo da primeira colheita – e muitas vezes o proprietário é obrigado a adiantar-lhe estes gastos. Em algumas regiões, devido às despesas, os proprietários não partilham das colheitas. O meeiro paga pelo uso da terra e dos animais, mas esse pagamento não é muito. Comumente, proprietários que não moram nas suas terras, preferem este acordo; pois não podem estar presentes no momento da partilha.

Os proprietários que utilizam bois no cultivo de suas terras, usam do mesmo artifício, pois é difícil encontrar meeiros ou carreteiros capazes de governar e conduzir cavalos. O patrão é muito dependente de seus empregados, pois é difícil substituí-los.

Em todas as épocas e em todas as regiões cultivaram-se terra com bois. Esta situação é maior ou menor conforme o poder e o governo das nações. Acredita-se que os bois são mais fortes que os cavalos, o que não é verdade. Provas: os bois são mais lentos que os cavalos, e alimentam-se nos pastos durante muito mais tempo. Os bois suportam menos peso que os cavalos.

Os bois se agüentam mais fortemente que os cavalos, nas montanhas, mas puxam com menos força. Parece que os carretos são mais bem puxados pelos bois, nos maus caminhos, do que pelos cavalos. Mas, como sua carga pesa menos, ela se afunda menos nas terras moles, o que leva a crer que os bois puxem mais fortemente que os cavalos, que na verdade não se apóiam firmemente quando o terreno não é sólido.

Numa média, são necessários doze bois por charrua e quatro cavalos por charrua.

O trabalho dos bois é preferido ao dos cavalos nas regiões montanhosas e estéreis, pois não há muita terra cultivável, e o uso do trabalho dos cavalos nessas terras, seria um trabalho ocioso, pois não se aproveitaria seu vigor ao máximo.

Os proprietários que cultivam a terra com bois, não confiam a seus camponeses os rebanhos de carneiros que serviriam para fornecer o esterco para cultivar a terra, pois têm medo que os rebanhos de carneiros sejam mal cuidados e que venham a morrer. E os bois só produzem estrume quando alimentados no estábulo, durante o inverno.

Segue-se daí que as terras lavradas por bois produzem muito menos do que as terras cultivadas com cavalos por ricos arrendatários. No primeiro caso, as terras produzem quatro cesteiros de trigo, enquanto no segundo; produzem sete ou oito. Nota-se a mesma diferença na produção de forragens que serviriam para alimentar os animais e proporcionariam esterco.

Outro problema: os meeiros que dividem a colheita com o proprietário, usam os bois que lhe são confiados, para fazer outros serviços em seu benefício, negligenciando o cultivo das terras do patrão.

Uma terra já trabalhada custa duas vezes menos do que uma terra que nunca foi trabalhada. Então, prefere-se comprar a incorrer nessas despesas, ficando uma grande parte das terras incultas.

O que é mais lucrativo: lavrar com bois ou com cavalos ?

Os cavalos e os bois têm preços diferentes:

BOI – 100 a 500 libras (400 é a média) – o par.

CAVALO – 60 a 400 libras (300 é a média) – o cavalo.

O trabalho no campo tem duração diferente:

BOI – 4, 6 ou 8 anos de trabalho – 6 anos é a média.

CAVALO – 12 anos de trabalho.

Depois de trabalharem no cultivo da terra, os bois são engordados para o matadouro. As pessoas que o usaram no arado, vendem-nos magros para outras que vão engordá-lo. Quando se vendem os bois magros, depois de 6 anos de serviço, eles têm aproximadamente 10 anos, perdendo-se em média ¼ do preço que custaram anteriormente. Quando conservados por um tempo maior, a perda também será maior.

Custo total de 4 cavalos a 300 libras cada um, após 12 anos de trabalho – 1920 libras.

Custo total de 12 bois a 200 libras cada, após 6 anos de trabalho, sendo vendidos para a engorda – 1320 libras X 12 anos – 2640 libras.

Os bois são mais sujeitos às doenças que os cavalos e é difícil repor essas perdas, já que são necessários muitos bois para cultivar um arpente de terra. Os cavalos necessitam de mais acessórios (arreios, ferraduras), mas é preciso só um carreteiro para quatro deles. Os bois necessitam de menos acessórios, mas precisam de mais carreteiros para doze deles.

As terras cultivadas com cavalos são divididas em três. No 1º terço semeia-se trigo, no 2º aveia e outros cereais que são plantados depois do inverno, e o 3º é lavrado e deixado vazio para que adquira força produtiva.

As terras cultivadas com bois são divididas em dois. Uma metade é semeada com trigo e a outra permanece em alqueive. Semeia-se pouca aveia e cereais de março, pois não são muito necessários à alimentação dos bois.

Em seis anos, a mesma medida de terra, produz:

– 3 colheitas de trigo e fica 3 anos em repouso (bois).
– 2 colheitas de trigo, 2 colheitas de cereais de março e fica 2 anos em repouso (cavalos).

É preciso observar que, o trato da terra que fornece a colheita não é todo semeado com trigo. A lentidão do trabalho dos bois exige que se coloque, mais de ¼ em grãos miúdos, que exige menos lavração. A partir daí, toda vantagem desaparece.

Supondo toda a terra semeada com trigo, em três anos, produz-se 1/5 a mais de trigo do que em dois anos (a terra lavrada com bois, somente):

3 colheitas em 6 anos: 24 medidas 2 colheitas em 3 anos: 20 medidas

Agora, a terra semeada com trigo e grãos:

BOIS – ¾ de terra semeada com trigo e ¼ com grãos miúdos. A produção de trigo fica então em 18 medidas.

CAVALOS – 20 medidas (2 colheitas) – 2 medidas a mais que os bois.

Da produção de aveia:

– Cavalos consomem ¾ da aveia e ¼ é lucro do arrendatário.
– Bois consomem a ½ da aveia e sendo ¼ a terra cultivada com aveia, temos ¼ X ½ = 1/8 de lucro para o proprietário.

Além do consumo da aveia, são necessários para a alimentação dos cavalos, o feno e a forragem. O consumo de palhas e forragens é vantajoso para se obter o estrume: assim, este consumo não deve ser visto como despesa prejudicial ao cultivador. Portanto, pelo seu próprio trabalho, os cavalos conseguem obter sua alimentação, sem diminuir o lucro que o cultivo deve proporcionar ao agricultor. Já não se pode dizer o mesmo do cultivo com bois, porque as colheitas não favorecem a alimentação desses animais, sendo-lhes necessárias as pastagens durante o verão e o feno no inverno, assim estas terras que poderiam ser ocupadas em outras coisas mais lucrativas, são ocupadas para produzir alimentos para os bois.

As terras cultivadas por bois e arrendatários pobres, ficam a maior parte inculta, pois faltam ricos arrendatários:

1 – à deserção dos filhos dos lavradores, que são forçados a refugiar-se nas grandes cidades, para onde levam as riquezas que seus pais empregam no cultivo das terras;
2 – às imposições arbitrárias, que não deixam nenhuma segurança no emprego dos fundos necessários às despesas da agricultura;
3 – à dificuldade a que o agricultor se encontra sujeito no comércio de cereais.

Pensava-se que a política devia ter como objetivo a indigência dos habitantes do campo, para estimular seu trabalho. Mas sabemos que o trabalho é estimulado se há perspectiva de bom resultado.

Território francês + Lorena:

• 100 milhões de arpentes
• 50 milhões de arpentes (terras cultiváveis)
• 14 milhões de arpentes (terras descuidadas ou incultas)
• 36 milhões de arpentes (terras cultivadas)
• 30 milhões de arpentes (terras cultivadas com bois)
• 6 a 7 milhões de arpentes (terras cultivadas com cavalos – grande cultivo)

Se os 50 milhões de arpentes de terras cultiváveis fossem tratados pelo grande cultivo, teríamos 85 milhões de sesteiros de trigo. Como 1/8 das terras é usada em outras culturas, teríamos 14 milhões de arpentes de trigo com 70 milhões de sesteiros de produtividade. Haveria um excesso de trigo. Poderiam vender o excedente ao exterior, mas não conseguiriam bom preço devido à abundância do produto. É preciso analisar, por isso; os resultados da agricultura levada ao seu grau mais vantajoso.

É preciso cultivar trigo nas terras boas, pois seu cultivo é caro e só assim valeria à pena. Nas terras medíocres (cereais, miúdos, raízes, pastagens) para alimentar animais que se multiplicariam. Há falta de capital para melhorias na terra.

A Inglaterra protege e incentiva arrendatários a aumentar suas riquezas. Quanto mais rico o lavrador, tanto mais lutará para aumentar a sua riqueza e conseqüentemente a da nação (LIBERDADE).

Na França, o preço do trigo varia muito (20 até 30 libras) – 20 é o preço comum. Na Inglaterra o preço habitual é 22 libras. Graças à liberdade de comércio, não houve variações de preços muito grandes. Assim, o agricultor não se vê obrigado a reter seus cereais – para fazer o preço aumentar, por exemplo. Com a estabilidade, pode planejar melhor seus gastos no cultivo.

O arrendatário é sempre mais vantajoso para o Estado. Quando não tem lucros com as colheitas, o gasto dele ajuda o Estado pois aumenta suas riquezas – ajuda os habitantes das cidades. Isto não se pode prolongar por muito tempo, pois a verdadeira riqueza vem do campo. O rico arrendatário ocupa e sustenta o camponês. Em todo lugar onde falta o arrendatário e onde bois lavram a terra, os camponeses perecem na miséria. O meeiro, que é pobre, não pode mantê-los ocupados.

Somente se pode obter algum lucro a partir das grandes colheitas. É por isso que um arrendatário que emprega muitos arados e cultiva boas terras tem muito maior lucro do que aquele que está limitado a um só arado e que cultiva terras igualmente boas. O governo deve ajudar os arrendatários, pois eles ajudam a enriquecer a nação. A liberdade e a opressão, além das boas e más colheitas, determinam o preço do trigo. Impedir a exportação do trigo por receio de que venha faltar, é desconhecer vantagens para a França, que pode produzir muito mais trigo do que o que poderia vender ao exterior. A Inglaterra vende uma parte das colheitas ao exterior. Essa nação jamais experimentou a falta deste produto, nem a desvalorização.

Há uma causa essencial que está diminuindo o preço do trigo tanto na Inglaterra quanto na França, que é a boa produção das colônias.

Deve-se exportar cereais e não oprimir os agricultores com medidas arbitrárias, para que a agricultura possa ser reativada.

Os gastos com a agricultura favorecem o Estado. Pelo restabelecimento total do grande cultivo, haveria constante aumento de riquezas, da ordem de mais de um bilhão de libras. Estas riquezas se difundiriam por todos os habitantes. Os arrendatários ricos ocupam os camponeses que, atraídos pelo dinheiro, se autodeterminam para o trabalho. Eles se tornam trabalhadores e o seu ganho lhes conquista um bem-estar que os fixa nas províncias, colocando-os em situação de alimentar convenientemente seus filhos. Os habitantes dos campos se multiplicam, na proporção em que as riquezas sustentam a agricultura e na proporção em que o agricultor aumenta suas riquezas.

Nas províncias cultivadas com bois, o camponês permanece pobre e miserável, podendo fugir para as cidades ou ficando no campo, com grande prejuízo para o Estado. Os habitantes das cidades acreditavam que os camponeses eram “escravos do Estado” e que lavrar a terra era degradante. Nas províncias ricas, pertencentes a arrendatários os camponeses dispõe de muitos recursos.

Podemos afirmar que são as riquezas dos arrendatários que fertilizam as terras, multiplicam os animais, conduzem e fixam os habitantes nos campos e constroem a força e a prosperidade da nação. As manufaturas e o comércio não são considerados riquezas, pois o resultado dessas atividades é um motivo de $$, sem aumento real das riquezas.

As cidades e os campos têm os seus inconvenientes. As cidades têm muito mais vantagens que os campos. Tudo isto pode ser remediado pelo governo.

Qual é o resultado do comércio ? Apenas podemos dizer que quase todo o dinheiro do reino é empregado num comércio que de nada aumenta as riquezas da nação. Se o capital adquirido com isto fosse aplicado na agricultura, multiplicaria-se ainda mais.

A agricultura é o patrimônio do soberano. Todas as suas produções são visíveis. Por isso, elas podem ser convenientemente submetidas a impostos determinados, enquanto as riquezas monetárias escapam à repartição dos subsídios e, o governo só pode taxá-las por meios onerosos ao Estado.

As terras são taxadas pelo Estado de modo desigual. Deveria-se adotar uma repartição eqüitativa de impostos. Os bens visíveis são para os lavradores os meios comuns para alcançar os mesmos lucros. As declarações fraudulentas seriam facilmente reconhecidas (pois as riquezas da agricultura são visíveis). Os impostos que cabem aos comerciantes estabelecidos nas cidades são os mais difíceis de serem determinados. Mas a sua declaração sobre a extensão e sobre os objetos do seu comércio poderia ser admitida ou contestada pelos seus coletores. Para a implantação do imposto eqüitativo, seria necessário a elaboração de uma lista, que conteria a tarifa fundamental, conforme o cálculo da produção das atividades daquele lugar. Sendo essa tarifa determinada e aceita pelos habitantes, ela se tornaria, familiar a todos os particulares, pois cada um teria interesse em conhecer a quota que lhe caberia pagar. Assim, em pouco tempo, este imposto proporcional se tornaria muito fácil para todos.

Se os habitantes dos campos se libertassem da imposição arbitrária da talha, eles viveriam com a mesma segurança dos habitantes das grandes cidades. Muitos proprietários, valorizariam seus bens. Não mais se abandonaria os campos. As riquezas e a população ali se restabeleceriam. Afastadas, todas as outras causas prejudiciais ao progresso da agricultura, as forças do reino se restaurariam pouco a pouco pelo aumento dos homens e pelo crescimento das riquezas do Estado.

DEFESA PREVIA ADM DISCIPLINAR

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Processo Administrativo Disciplinar: 000/Corregedoria/00BPM/2008

Portaria nº 000/2008/00BPM

Eu, XXXXXXX XXXXXX , Post/Grad, Matricula 000000-0, lotado na XCia / 00 BPM, em Cidade – Estado, por intermédio desta, vem perante V.Sª, nos termos do Art. 5º LV da Constituição Federal, Art. 395 do Código de Processo Penal e Art. 32 do RDPM, apresentar, em tempo hábil, defesa prévia, protestando pela inconstitucionalidade e pela improcedência da acusação que lhe é feita na peça inicial, o que demonstrará no decorrer desta.

Da Inconstitucionalidade do Processo

Primeiramente vamos nos ater a Legalidade deste Processo, ou devo dizer, Ilegalidade deste; na verdade uma afronta a nossa Carta Magna; vejamos então:

A acusação a mim imputada no Libelo Acusatório é: “Fazer comentário irônico ao preencher o Item 3.C, do Relatório de Disparo de Arma de Fogo”.

A abertura do Processo Administrativo baseado na acusação acima citada, é uma afronta a nossa Constituição Federal nos seus Princípios Fundamentais; desconsidera a Liberdade de Expressão e atropela o Art. 5º, IV – é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato; e o Art. 220 – A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.

Não obstante, esta acusação, fere princípios internacionais; entre os quais cito: A Declaração Universal dos Direitos Humanos, que em seu artigo XIX estabelece que “Todo o homem tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferências, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e idéias por quaisquer meios, independentemente de fronteiras”.

A Declaração de Princípios sobre a Liberdade de Expressão criada pela Organização das Nações Unidas (ONU) rege:

1. A liberdade de expressão, em todas as suas formas e manifestações, é um direito fundamental e inalienável, inerente a todas as pessoas. É, além disso, é um requisito indispensável para a própria existência das sociedades democráticas.

2. O direito à liberdade de expressão garante a qualquer indivíduo a possibilidade de se manifestar, de buscar e receber informações e idéias de todos os tipos, independentemente da intervenção de terceiros. Isto pode ocorrer oralmente, de forma escrita, através da arte ou de qualquer meio de comunicação.

Enfatizo ainda que a liberdade de expressão é um Direito Fundamental reconhecido na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem Art.10° e na Convenção Americana sobre Direitos Humanos Art.13; na Declaração Universal de Direitos Humanos; na Resolução 59(I) da Assembléia Geral das Nações Unidas ONU; na Resolução 104 adotada pela Conferência Geral da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO); no Pacto Internacional de Direitos Civis e Políticos; e em outros instrumentos internacionais como A Declaração de Chapultepec assinada pelo Presidente da República Luis Inácio Lula da Silva no dia 03/05/2006. Documentos estes, Internacionais, que garantem a Liberdade de Expressão em todo o hemisfério.

Desnecessário se faz prosseguir com a argumentação legal, pois já é demonstrada clara a nulidade do processo por incompatibilidade e desconformidade com Constituição Federal de 1988.

Dos Fatos

A acusação no Libelo Acusatório é: “Fazer comentário irônico ao preencher o Item 3.C, do Relatório de Disparo de Arma de Fogo”.

Vejamos, reproduzindo o Item 3 do Relatório

3. Efeitos produzidos pelos Disparos:

a. No Agente:
R. Nenhum; continuou em fuga.

b. Na comunidade local:
R. Comunidade que estava revoltada como cidadão, elogiou o empenho e a determinação em deter o meliante.

c. Na ocorrência após o disparo executado:
R. Nenhum, somente mais serviço, ter que preencher este relatório e ter que justificar a munição.

A resposta do Item 3.c. não é irônica, ou pelo menos não foi esse o objetivo, a exemplo das duas respostas aos itens anteriores (3.a. e 3.b.); ela é detalhada, pois vai além da palavra nenhum. Tem o objetivo de ser explicativa.

O Sr Comunicante entende que a resposta refere-se ou se direciona ao Relatório, quando na realidade a resposta se refere diretamente à ação do disparo da arma de fogo, pois a pergunta é: quais os efeitos produzidos após o disparo? A resposta é objetiva e direta ao efeito do disparo, ou seja, não houve nenhum efeito do disparo no sentido de utilizado como força, porém acarretou em outros efeitos; como mais serviço, que são o preenchimento de um relatório, justificar o disparo e repor a munição na carga da Base. Trata-se somente de uma questão de interpretação de texto.

Referente à pergunta e a resposta, motivo deste, pergunto aos Senhores: Que efeito poderia produzir um disparo de arma com munição de borracha em um veículo em fuga, com um motorista embriagado e que havia provocado um acidente? Pergunto ainda, se os Senhores não responderiam da mesma forma? Talvez com outras palavras, mas a resposta seria a mesma: Nenhum, somente mais serviço, ter que preencher um relatório e justificar a munição.

Não obstante o Sr comunicante, em sua interpretação de ironia, direciona o fato para os caminhos da indisciplina e do desrespeito as regras; enquadrando o acusado no Art 6º e Anexo I, Item 79 do RDPM, sendo que o acusado em momento nenhum deixou de acatar Leis, Regulamentos, Normas ou Disposições; e muito menos, desrespeitou “Medidas Gerais de Ordem Policial” como é enquadrado do Item 79 do RDPM. A arma foi disparada, o acusado preencheu o relatório, preocupou-se em repor a munição na carga da base, não efetuou nenhum questionamento ao Comunicante, definitivamente cumpriu com sua obrigação e com as normas. Fazer um comentário, seja ele irônico ou não, desde que não ofenda alguém, não é falta de responsabilidade, é um direito de expressão, e não tem relação com disciplina ou indisciplina, pois a palavra já o diz: é um comentário. Entendo eu, que o Sr. Comunicante ao redigir o texto da comunicação, usou de sensacionalismo para justiçar sua interpretação de ironia e desvia o sentido do fato para os caminhos a Di
sciplina e do Regulamento e a estes se atém. Considerar uma frase como irônica ou não, é uma interpretação muito pessoal e interpretação pessoal não deve ser levada aos autos.

O Sr Comunicante com sua interpretação equivocada e anticonstitucional imputa ao signatário em sua comunicação os atos de falta de responsabilidade, indisciplina e desrespeito; com isso maculando o caráter do signatário perante o Comandante do Batalhão, outros Oficiais, Pares e Subordinados, que não o conhecem; caráter este que foi construído ao longo de 20 (vinte) anos de serviços prestados, e no decorrer desta carreira nunca sendo punido ou sequer questionado por falta de responsabilidade, desrespeito ou indisciplina, como nesta comunicação, estando o signatário no comportamento excepcional

Destarte, diante da inconstitucionalidade, da nulidade argüida e do mérito plenamente favorável ao acusado, espera-se que se julgue improcedente a denúncia, ato de verdadeira justiça e arquive o processo em questão.

LOGISTICA COMO VANTAGEM COMPETITIVA

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No cenário atual, preocupar-se com a logística tornou-se fundamental nas empresas.

O ambiente em que as empresas operam atualmente é muito complexo e fortemente competitivo. Portanto, elas estão buscando a diferenciação e o estabelecimento de vantagens competitivas em relação aos seus concorrentes. Para alcançar esses objetivos, cada um, tenta encontrar o seu próprio caminho; porém, um ponto comum pode ser observado: a opção pela aplicação da logística, que deve ser entendida como o gerenciamento estratégico dos fluxos de materiais e das informações correlatas para levar, de forma eficiente e eficaz, os produtos de uma origem a um destino.

Palavras-chave: Logística, flexibilidade, estratégia.

1 INTRODUÇÃO

A globalização, a mudança no comportamento dos consumidores, a redução do ciclo de vida dos produtos e o enfraquecimento das marcas, exigem que as organizações adquiram e desenvolvam novas competências para conquistar e manter clientes. Ampliam-se as dimensões da competitividade, a qual deixa de ser regional para ser global. A concorrência passa a acontecer entre cadeias produtivas e não mais entre empresas isoladas. Nesse contexto, as vantagens e diferenciais competitivos são cada vez mais efêmeros. Rapidez e flexibilidade deixam de ser apenas um discurso e tornam-se obrigatórias.

Christopher (1997, p.2) define logística como “… o processo de gerenciar estrategicamente a aquisição, movimentação e armazenagem de materiais, peças e produtos acabados (e os fluxos de informações correlatas) através da organização e seus canais de marketing, de modo a poder maximizar a lucratividade presente e futura através do atendimento dos pedidos a baixo custo”.

2 POR QUE SE PREOCUPAR COM A LOGÍSTICA?

As razões para a logística aparecer como uma escolha lógica e oportuna para fazer frente a essas exigências; podem ser encontradas ao analisar os aspectos seguintes:

2.1 A EVOLUÇÃO DE SEU CONCEITO: ao incorporar e utilizar preceitos de marketing, qualidade, finanças e planejamento, a logística tornou-se uma disciplina multifuncional e, assim, aumentou sua contribuição para a eficiência e a eficácia da gestão. Ainda mais, é capaz de manter a atenção às necessidades internas da empresa e, ao mesmo tempo, voltar os seus olhos aos desejos dos clientes.

2.2 O AUMENTO DE SEU ESCOPO: com o tempo, a logística passou a se preocupar com um número cada vez maior de atividades e deixou de ser vista como operacional para tornar-se estratégica. Assim, deve ser considerada em decisões importantes e receber a atenção dos mais altos escalões da empresa.

2.3 A AMPLIAÇÃO DE SUA ABRANGÊNCIA: inicialmente tratada de forma funcional, passou a integrar as diversas funções internas da empresa e, hoje, funciona como elo entre clientes e fornecedores.

2.4 ENFOQUE SISTÊMICO E ORIENTAÇÃO PARA PROCESSOS: permitem uma visão global da empresa e da cadeia produtiva como um todo. Desse modo, de forma integradora, propicia que, todos os interesses e pontos relevantes sejam analisados na tomada de decisão.

2.5 PREOCUPAÇÃO COM A GESTÃO DE FLUXOS: o primeiro fluxo é o dos materiais, o qual se inicia no fornecedor e termina na entrega ao consumidor final. O segundo é o das informações, o qual tem um sentido inverso ao do anterior. Então, pela sincronização e racionalização destes fluxos, procura-se, simultaneamente, a redução de estoques, que são consumidores de recursos, e o aumento da disponibilidade dos produtos. Essa sinergia favorece, também, o fluxo financeiro da empresa.

3 A LOGÍSTICA COMO ESTRATÉGIA

Ao ser corretamente entendida e aplicada, a logística permite desenvolver estratégias para a redução de custos e o aumento do nível de serviço ofertado ao cliente. Como essas duas condições, isoladamente ou em conjunto, possibilitam o estabelecimento de diferenciais competitivos, justifica-se que este seja o caminho escolhido por um número crescente de empresas para buscar vantagens sobre a concorrência. Essa idéia pode ser reforçada ao se constatar que alguns dos segmentos mais competitivos do mercado, como o automobilístico e o grande varejo, adotam a estratégia de focar-se na logística. No Paraná, o pólo automotivo de Curitiba é uma prova inquestionável dessa tendência.

As montadoras ali instaladas se utilizam os mais modernos conceitos de logística, o que permitiu a construção de plantas compactas, de alta eficiência operacional e capaz de produzir automóveis de classe mundial. Alguns desses veículos são exportados para mercados exigentes, como o norte-americano, por exemplo. Ao expandir esse raciocínio, pode-se perceber que as empresas e os países competitivos no cenário mundial, como os Estados Unidos e o Japão, não só utilizam-se da logística, como também vêm pesquisando-a e desenvolvendo-a. A competência logística foi fundamental para que eles expandissem seus mercados para além de seus limites territoriais, e tornou-se um fator-chave para o seu desenvolvimento econômico.

4 DESAFIOS E OPORTUNIDADES

Atualmente muitas empresas já têm consciência que a qualidade dos processos logísticos representa um considerável fator de sucesso para seus negócios. Isto fica mais evidente, quando se considera que o custo logístico em relação ao faturamento nas empresas de manufatura pode perfeitamente chegar a 10% ou mais. Além disso, processos logísticos eficientes oferecem uma oportunidade de criar vantagens em relação à concorrência, aumentando assim seu apelo comercial.

Neste momento, é necessário analisar a realidade do Brasil, pois o que se apresenta é preocupante. Nossos custos logísticos são, no mínimo, o dobro da média dos países desenvolvidos, que gastam nesta área de 8% a 10% do seu PIB anual. A logística é pouco difundida e aplicada pelas empresas nacionais. Nossa infra-estrutura não é favorável, sendo necessários pesados investimentos nesse

setor. A matriz de transporte é fortemente dominada pelo transporte rodoviário, que responde por dois terços do movimento de carga no país. Não existem indicadores de desempenho setorial, há falta de mão-de-obra qualificada e existe pouco incentivo para a pesquisa nessa área.

Esse panorama mostra desafios e oportunidades. Os desafios estão na necessidade de rápida solução dos problemas que impedem o desenvolvimento e o aumento da eficiência da logística. As oportunidades, neste cenário adverso, mostram um enorme espaço para melhorias. Aqueles que fizerem essas melhorias; primeiro; estarão se distanciando fortemente de seus concorrentes e se habilitando para a conquista de novos mercados. Para aumentar a competitividade das empresas e do país, uma das premissas necessárias é a aplicação da logística de forma integral. São necessários esforços de mudança, pois devem ser abandonados vários ranços de nossa cultura empresarial. A iniciativa privada e o governo precisam se unir para desenvolver um plano para o desenvolvimento da logística no Brasil. Caso isso não aconteça, o país continuará assistindo ao desenvolvimento mundial como coadjuvante e ficará condenado a permanecer na periferia da globalização.

Esta situação causou uma mudança nas empresas que atuam no segmento logístico. Paralelamente à clássica tarefa de distribuição – mercadorias no prazo certo, em perfeitas condições e colocadas à disposição nas quantidades necessárias – é oferecida, por algumas delas, uma gama mais completa de serviços logísticos. Quando aproveitados corretamente, estes serviços trazem resultados muito positivos para o contratante. Redução nos custos e interação com os clientes.

Em tempos de concorrência crescente, no qual se fala mais em conceder redução dos custos do que em conseguir repassar um aumento dos mesmos, a otimização dos processos de operação e o aproveitamento de todas as possibilidades de potenciais de redução nos custos se tornam, para muitas delas, um fator crítico para a sobrevivência. Uma área fundamental para este fim é a logística, que engloba a uma cadeia de atividades que envolvem desde suprimentos até a entrega de produtos, passando pela logística interna das empresas.

O alvo prioritário é, naturalmente, a redução nos custos. Paralelamente, a qualidade do desempenho também deverá melhorar consideravelmente. Dentre estas melhorias, destacamos uma maior exatidão do estoque, elevação da flexibilidade e o aumento da disponibilidade de serviços fornecidos.

Segundo Christopher (1997, p.10), “as organizações que serão líderes de mercado no futuro serão aquelas que procurarão e atingirão os picos gêmeos da excelência: conseguirão tanto a liderança de custos como a liderança de serviços.” Isto se traduz na necessidade de coordenar operações e lançar mão de ferramentas de apoio, como é o caso da logística.

5 CONCLUSÃO

A logística é um conceito relativamente novo no vocabulário brasileiro e a grande maioria das organizações desconhece seus potenciais, limitando seu uso ao transporte dos produtos. Porém a logística, aliada ao gerenciamento de processos internos, tem se mostrado uma importante ferramenta para garantir vantagem competitiva à empresa, incluindo melhor nível de serviço ao cliente, bem como redução de custos e maior lucratividade. Além disso, o gerenciamento adequado da logística traduz-se em maior agilidade e flexibilidade. De maneira geral, a gestão logística pode tornar-se uma ferramenta importante para garantir melhorias no desempenho da empresa como um todo.

6 REFERÊNCIAS

CHRISTOPHER, Martin. Logística e gerenciamento da cadeia de suprimentos: estratégias para a redução de custos e melhoria dos serviços. São Paulo : Pioneira, 1997.

FORMAÇÃO DA LINGUA ESPANHOLA

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A origem do idioma espanhol é o latim popular (falado pela população), difundido na Espanha a partir do final do século III a.C. Entre os séculos III e VI, a língua espanhola incorporou germanismos através do latim falado pelos povos bárbaros que haviam invadido a Península Ibérica. A influência do árabe foi decisiva na formação das línguas ibéricas (os árabes permaneceram por quase oito séculos na Península Ibérica) entre as quais estão incluídas o espanhol e o português.

O primeiro passo para converter o castelhano em língua oficial do reino de Castela e León foi dado por Afonso X. Foi ele quem mandou compor em romance, e não em latim, as grandes obras históricas, astronômicas e legais. O espanhol era a língua dos documentos notários e da Bíblia traduzida sob as ordens de Afonso X. Graças ao Caminho de Santiago, entraram na língua escassos galicismos que foram propagados pela ação dos trovadores da poesia cortesã e provençal.

ÁRABE

A influência do árabe no espanhol foi decisiva. Os muçulmanos estiveram mais de sete séculos em terras hispânicas. O vocabulário espanhol contém umas quatro mil palavras de origem árabe. Algumas delas: adalid (caudilho militar na idade média), atalaya (atalia, sentinela, torre de vigia), zaga (retaguarda), tambor (tambor de revolver ou de freio; cilindro), alférez (alferes), acicate (incentivo, estímulo, impulso), alazán (alazão), acémila (mula ou macho de carga), acequia (valeta ou canal pequeno por onde vai a água, geralmente para a rega de plantaçã0, aljibe (depósito, geralmente subterrâneo, que recolhe a água da chuva ou de algum rio), alberca (depósito artificial de água, geralmente para o rio), noria (atração de férias formada por uma roda que gira verticalmente com cabinas onde sobem as pessoas), alcachofra (alcachofra; panela de chuveiro ou ducha), zahahoria (cenoura)… e expressões como: ojalá (Oxalá). Cabe assegurar que ingressou na gramática castelhana a preposição árabe hatta, que se transformou na preposição espanhola hasta (até, memso).

No sul, sob domínio árabe, as comunidades hispânicas que conviviam com as comunidades judaica e árabe falavam moçárabe (Grupo de dialetos românicos falados pelos moçárabes que ocuparam a região meridional da Península Ibérica). Em quase oito séculos de interação (711-1492), os povos falantes de Árabe deixaram no castelhano um rico vocabulário.

PRIMEIRA GRAMÁTICA MODERNA EUROPÉIA

A publicação da primeira gramática espanhola foi em 1492, ano do descobrimento da América, escrita por Elio Antonio de Nebrija. O castelhano adquire grande quantidade de neologismos, pois, o momento coincidiu com o crescimento de Castela que, pela força política, conseguiu fortalecer seu dialeto como língua dominante.

O léxico incluiu palavras originárias de tantas línguas quantos contatos políticos possuía o Império: italianismos, galicismos e americanismos.

Foi fundada em 1713 a Real Academia Espanhola. Como primeiro trabalho, a Academia fixou as mudanças feitas pelos falantes do idioma, o que permitiu grande variedade de estilos literários: da liberdade das alterações sintáticas do barroco, no século XVII, às contribuições dos poetas da geração de 1927. No primeiro terço do século XX, apareceram novas modificações gramaticais que, ainda hoje, estão em processo de ajustamento. Igualmente, é contínua a criação de neologismos provenientes das novidades tecnológicas e dos avanços científicos.

No século XIX, os Estados Unidos da América compram a Louisiana da França e a Flórida da Espanha, e conquistam do México os territórios que atualmente formam o Arizona, a Califórnia, o Colorado, Nevada, Novo México, Texas e Utah. Desta forma, o espanhol passou a ser uma das línguas dos Estados Unidos em uma faixa que se estende do norte do Novo México ao sul de Colorado.

Depois da guerra hispano-americana de 1898, os Estados Unidos se apoderaram também de Cuba, Porto Rico e Filipinas. No arquipélago asiático, impuseram um sistema de ensino para substituir o espanhol pelo inglês como veículo de comunicação dos filipinos.

No século XX, milhões de mexicanos, cubanos e porto-riquenhos emigraram aos Estados Unidos, convertendo-se na minoria mais numerosa do país: 34.207.000 pessoas, em novembro de 2001.

ESPANHOL OU CASTELHANO?
A Real Academia Espanhola aceita os dois termos. Porém, considera mais recomendável o termo espanhol por carecer de ambigüidade, já que se refere de modo uníssono à língua falada por cerca de quatrocentos milhões de falantes. Do mesmo modo, é a denominação utilizada internacionalmente (spanish), dificilmente será encontrado “castilian”.

Já o vocábulo castelhano seria utilizado para referir-se ao dialeto romântico nascido no Reino de Castilha durante a idade média (por este motivo castelhano), ou ao dialeto do espanhol que se fala atualmente nesta região peninsular.

Na Espanha, é utilizada também a expressão castelhano quando se refere à língua do Estado em relação às outras línguas cooficiais em seus respectivos territórios autônomos, como o catalão, o galego ou euskera.

Fontes:

ZAMORA, Sergio. La evolución en los últimos cinco siglos. Disponível em acessado em 13 ago. 2005.

http://www.glosk.com/RP/Basco/-3329161/pages/L%C3%ADngua_castelhana/1954_pt.htm. acessado em 13 ago. 2005

SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO
2 DESENVOLVIMENTO
3 CONCLUSÃO
4 REFERÊNCIAS

1 INTRODUÇÃO

Com o objetivo de desenvolver um resumo do conteúdo do capitulo I “Serviço Social: A Ilusão de Servir” do Livro Serviço Social: Identidade e Alienação, de autoria de Maria Lúcia Martinelli, discorreremos sobre o tema básico do texto, centrado sobre o capitalismo e suas diversas conceituações ao longo de um processo histórico de conturbadas relações trabalhistas, além de uma análise sobre a compreensão a respeito do significado social do Serviço Social.

O capitalismo, definido como um sistema de organização de sociedade baseado na propriedade privada dos meios de produção e propriedade intelectual, e na liberdade de contrato sobre estes bens (Wikipédia), encontra-se presente em todo o contexto de sua abordagem, quando transita por diversos períodos da história contemporânea, mostrando as diversas fases do processo de desenvolvimento das relações sociais de trabalho, as reações e as conseqüências da modernização dos processos de produção capitalista na Europa.

Analisa ainda, no contexto das diferentes correntes de pensamento, pontos abordados por pensadores como: Carl Marx e Engels, emergem nas diversas fazes dos acontecimentos políticos que levaram a revoluções, revoltas e recrudescimentos de antagonismos, em diferentes épocas e em diferentes países e que se revelaram fatores de importância relevante na história da humanidade.

2 DESENVOLVIMENTO

A autora, no contexto de seu livro, originalmente produzido para tese de doutorado em Serviço Social, se aprofundou no estudo de questões teóricas do Serviço Social e teve na história do processo de desenvolvimento social das relações trabalhistas, nas ações originadas a partir do projeto político da burguesia capitalista e dos conflitos gerados a partir de situações vividas em diferentes períodos da história, entre os séculos XIV e XIX, principalmente nos países da Europa: Inglaterra, França, Alemanha, Itália e Holanda, que deram origem ao surgimento do capitalismo industrial, esteira em que se desenvolveu e originou o Serviço Social, a partir dos fenômenos históricos profundamente relacionados.

A história do capitalismo é a história das classes sociais. Todo o processo se desenvolveu com a evolução histórica da humanidade, na vivência de seus conflitos, seus antagonismos e lutas. Esse processo evolutivo, advindo de estudo dos acontecimentos históricos dos povos antigos e medievais, levou à constatação de que esses possuíam uma relativa organização social e econômica. Fica a conclusão de que a compreensão do capitalismo, como categoria histórica, guarda profunda relação com o Serviço Social.

Nas sociedades medievais, a economia se processava através de trocas simples, sem a ocorrência de relações contratuais formais. Nos séculos XIV e XV, porém, o que se verifica é um feudalismo mergulhado em graves crises, provocadas pela intensificação das transações monetárias e a desintegração da estrutura feudal. O acirramento das contradições internas e o desenvolvimento do capitalismo mercantil, a partir da primeira metade do século XV, tornam o sistema de trocas mais complexo a partir do momento em que passou a se buscar a acumulação de riquezas e o lucro. As novas formas de troca deixam evidentes os aspectos da divisão social do trabalho e promovem a primeira ruptura entre a fiação e a tecelagem, intensificando a descaracterização do sistema de troca e o conseqüente distanciamento entre produtor e proprietário.

O dono de terra transformou-se em comerciante ou mercador e daí a atacadista, monopolizador do comércio exterior e concentrador de riquezas. Passou a residir em verdadeiras fortalezas cercadas por muros, com livre acesso ao seu interior, desde que fosse proprietário de lote ou residência. Os detentores desses privilégios passaram a ser conhecidos por burgueses, nome derivado do latim “burgos” que significa: fortaleza, castelo, etc. Esses burgueses passaram a controlar o mercado urbano e a concentrar mais riquezas em suas mãos e na medida em que ela aumentava, maior o seu poder político e o controle exclusivo sobre o governo urbano, já no século XV.

Tanto poder econômico concentrado na mão da burguesia, submetem os pequenos produtores e artesãos ao seu controle político e econômico e essa passa a ser a situação de toda a Europa, do século XIV ao XVI, totalmente dominada pela ascendente e poderosa oligarquia burguesa. O capital mercantil amplia o seu domínio sobre os artesãos e esses, de forma mais freqüentes, têm seu trabalho assalariado subordinado ao capital mercantil e na contramão da burguesia mais se torna empobrecido.

Surge então, o proletário (homem que trabalha em troca do seu salário, que vive dele) e com ele uma nova estrutura social: o proletariado.

Diante das novas condições, onde o capital mercantil predominava, importantes mudanças estão se processando. Verifica-se a crescente necessidade de mão-de-obra. Na agricultura, o lucro já não vinha mais da terra, mas de seu uso comercial e em razão de legislação promulgada pelo parlamento inglês e pela Casa Real, os grandes proprietários foram autorizados a fechar suas propriedades e impedir a entrada dos camponeses. Com tal medida, esses estavam impedidos de ter acesso à terra e dela tirar o seu sustento.

A expulsão dos camponeses da área rural, os levou às cidades, onde começavam a surgir as fábricas, com crescente demanda por trabalhadores. A mesma lei que protegia os senhores donos de terra, obrigava os trabalhadores a se submeterem às exigências dos donos do capital, detentores do direito de denuncia-los diante de recusa em aceitação do trabalho.

Em 1563, pela Lei do Assentamento, os trabalhadores se viram privados do direito de mudar de aldeia sem permissão do senhor local e a Lei dos Pobres, de 1597 os declarava indigentes e retirava seu direito à cidadania econômica a partir do momento em que fossem atendidos pelo sistema de assistência pública. Com isso, se dava o recrutamento coercitivo do trabalhador e permitia à burguesia manter sob controle a força de trabalho de forma a permitir a expansão de seu capital.

O cenário do século XVI, mostrava o crescimento da sociedade capitalista, que encontra todas as condições favoráveis ao seu crescimento. Neste clima, da-se a revolução inglesa – 1640/1660 – abrindo-se caminho para uma nova política econômica e social. As indústrias são liberadas do monopólio dos reis e criam-se condições para a livre expansão do capitalismo. A criação de unidades fabris de produção, precedeu o surgimento de invenções que vinham para revolucionar as indústrias e promover expressivas mudanças nas relações de trabalho até então experimentadas, alimentando os antagonismos já exacerbados.

O século XVIII é marcado por transições revolucionárias e o recrudescimento das diferenças então latentes, é considerado um período de expressivas transformações políticas, econômicas e sociais. Neste período acontece também, a revolução francesa que, a exemplo da revolução inglesa, é considerada, no dizer de Marx (1987), são revoluções “de curta duração”.

A revolução francesa realiza no plano político, o trânsito para o capitalismo e o impacto produzido por ela, na busca de seu objetivo de derrubar o antigo regime e instalar a sociedade burguesa, levou à demolição da máquina estatal e fez ruir a estrutura social do feudalismo. Para os trabalhadores subjugados ao domínio dos capitalistas, as mudanças foram profundas e culminaram com a aprovação em Paris, em 1789, pela Assembléia Nacional, da Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Essa Declaração delineava os princípios sobre os quais deveriam se pautar a nova sociedade. Porem, os trabalhadores, com suas posições individualistas e ainda sem consciência de classe, não conseguiu construir sua identidade, apesar de despertar os ideais de luta.

O conjunto das transformações surgidas a partir das revoluções: inglesa e francesa, ao lado da filosófica na Alemanha, produziram expressivas mudanças na estrutura social, na organização econômica e modos de produção. A Revolução Industrial é considerada pelos historiadores e demais estudiosos da sociedade, como a mais significativa e a que mais transformou o modo de produção.

Ao final do século XVIII, em razão do expressivo aumento da mecanização das fabricas, o trabalhador se viu substituído em suas funções. Esse período, em que as fábricas passaram a não mais depender do trabalhador como gerador de energia para a sua movimentação, ficou conhecido como a Revolução Industrial que iniciada na Inglaterra, irradiou-se por toda a Europa e atingiu também os Estados Unidos. Esse período não ficou conhecido somente pelo surgimento das modernas máquinas: da máquina a vapor – criada por James Watt; do tear mecânico –criado por Richard Arkwright, é considerado por Engels (1985), como as mais importantes invenções desse século.

A introdução das máquinas automáticas e o surgimento das grandes unidades fabris, impuseram o resultado material da Revolução Industrial que ultrapassaram os muros das fábricas e atingiram a sociedade como um todo, provocando convulsão social. O poder capitalista tem nas máquinas fator de acumulação de capital, enquanto a classe trabalhadora sofre o impacto que afetam as famílias e suprimem de: homens, mulheres, jovens e até mesmo crianças a sua força de trabalho. Neste período verifica-se a aglomeração dos trabalhadores ao redor das fábricas e surge um processo de intensa divisão social do trabalho e sob o rigoroso mando do dono do capital, passam a desenvolver estratégias de protesto, como forma de recusa em serem destruídos pelas máquinas e devorados pelo capitalismo.

A moderna sociedade burguesa nada fez para alterar as expressivas discrepâncias sociais e diante do distanciamento da classe frente ao proletariado, mostrou-se insensível e sem disposição de eliminar as contradições de classe. As velhas condições de opressão do proletariado foram substituídas por novas formas e a sociedade vai se dividindo e criando dois campos inimigos que passam a se enfrentar diretamente: a burguesia e o proletariado.

Ao final do século XVIII e nas primeiras décadas do século XIX, as indústrias domésticas e a manufatura simples, lutam para não serem absorvidas pelas novas formas de produção industrial. Trata-se, porém de uma luta inglória e desigual, diante dos impactos originados da Revolução Industrial se mostravam presentes e atingiam a sociedade como um todo. A um invento, sucedia-se outro e a renovação tecnológica repercutia na produção e demandava uma nova forma de organização do trabalho. Por sua vez o trabalhador se sentia isolado na execução de suas tarefas e extremamente subjugado ao controle e mando do dono do capital, sofria dupla violência. Afastado do convívio com sua força de trabalho, era reduzido a mero acessório da máquina e ela devia se submeter e seu fundamental contacto não se dava mais com os seres humanos, mas com a máquina a quem deveria se subordinas e responder ao ritmo que ela lhe impunha. Tornava-se um ser mecânico, incapaz de interagir com a máquina e impossibilitado de exercer sua criatividade.

A situação dessa época é retratada com uma propriedade impar pelo célebre “Caritos”, em seu filme “Tempos Modernos” (1936). O filme é uma crítica feroz a esse sistema de mecanização do trabalho humano e retrata de forma cômica, as condições de trabalho vividas pelos trabalhadores daquele período, coisa que só o gênio que o realizou soube fazer.

O progresso incontestável do capitalismo deixava deslumbrados os donos do capital, mas por traz, uma realidade cruel e constrangedora desse crescimento, que se deu em razão da exploração irracional da classe trabalhadora. O regime capitalista da burguesia não tinha pelo proletariado qualquer sentimento humano. Via na classe trabalhadora apenas e tão somente uma força de trabalho, promovendo a sistemática desvalorização do ser humano.

Há relatos e descrições de grandes historiadores que afirmam que o proletariado nunca concordou com a ascensão do capitalismo e essa manifestação contestatória se dava de diferentes formas. Mas foi a partir das primeiras décadas do século XIX, que esse acirramento de posições passou a ser mais intenso, diante do trabalhador submetido a longas e penosas jornadas de trabalho. A revolta dos oprimidos não se expressava diretamente a seus opressores, mas ao instrumento de sua constante opressão: as máquinas.

A vitória da máquina significava a derrota do trabalhador e por essa razão ele se voltou contra ela e ao local que a abrigava. As primeiras revoltas contra as máquinas se deram ao final do século XVII e levou as autoridades a proibirem o seu uso durante um determinado período para que se arrefecessem os ânimos dos trabalhadores. Porém, os capitalistas inconformados com a redução de seus ganhos, foram aos poucos conseguindo que as autoridades liberassem as máquinas para uso nas indústrias. Em 1758, as primeiras máquinas de aparar lã foram destruídas pelos operários ingleses. O Parlamento Britânico, com o objetivo de parar com a destruição das máquinas, baixou um decreto estabelecendo a pena de morte como punição para quem destruísse máquinas. Cerceados pela legislação que sempre lhes era desfavorável, os trabalhadores passaram a recorrer a petições subscritas por grande número de trabalhadores, exigindo do Parlamento, a proibição do uso de máquinas.

Sem obter respostas, os trabalhadores passaram a radicalizar em seus movimentos, promovendo manifestações com expressiva participação popular. Revoltados com a indiferença por parte dos governantes, as manifestações assumiram características totalmente anárquicas e mais máquinas eram destruídas. A reação por parte das autoridades não tardaram e o Governo da Restauração Inglesa reagiu com o recrudescimento da punição máxima aos revoltosos: a pena de morte. Com o rigor das medidas adotadas pelas autoridades, os trabalhadores intensificaram seus ataques e em represália o governo executou sumariamente 18 lideres operários, o que determinou uma retração do movimento. Na França, movimentos semelhantes também promoveram a destruição de máquinas e foram duramente reprimidos pelas tropas que esmagaram o movimento. Também na Boêmia, trabalhadores tomaram de assalto as fábricas e destruíram máquinas, sendo da mesma forma, duramente reprimidos. O rigor da repressão e a perda sistemática de trabalhadores culminaram com a paralisação do movimento. Havia que se repensar as ações e direciona-las para alvo diferente. Os verdadeiros opressores eram os donos dos meios de produção e como tal, deveriam ser os alvos visados.

A partir daí, os trabalhadores se vêm diante da necessidade de se organizarem, porém, em decorrência dos conflitos entre França e Inglaterra, foram editados os atos combinados de 1799 e 1800 que proibia rigorosamente a criação de qualquer associação sindical de qualquer natureza. Os ideais libertários que se originaram a partir da Revolução Francesa, inspiravam os trabalhadores a se organizarem, na medida em que os sensibilizava para a importância dos direitos humanos, a solidariedade e a cooperação. Mesmo diante da impossibilidade de se organizarem oficialmente, já se verificava uma identidade de classe entre os trabalhadores, construída a partir dos interesses comuns.

A necessidade de conquista da liberdade de associação, era destacada como luta indispensável e na qual se concentravam todos os esforços da classe trabalhadora. Duas tendências se mostravam eminentes: a cooperativista e a sindical, propriamente dita. Na busca incessante pelo direito livre de associativismo, as duas correntes se uniram e culminou com movimentos organizados, destacando-se a manifestação de massa ocorrida em Manchester, cidade inglesa que era verdadeiro símbolo da industrialização capitalista. A duras penas, a classe conseguiu em 1824, que o Parlamento aprovasse uma lei que revogava os textos anteriores que impediam a associação dos trabalhadores, direito até então, exclusivo dos aristocratas e burgueses. Com a liberdade, diversas associações saíram da clandestinidade e lideres até então “escondidos”, se viram emergentes.

Além das associações já existentes, outras surgiram e diversas conquistas sociais foram se somando, sempre buscando a recuperação das condições de trabalho. Como forma de buscar maior representatividade, após diversas negociações, em 1834, foi fundado o sindicato Geral Nacional Consolidado – Trade Union – considerado um marco importante na conquista do movimento sindicalista inglês. Embora dentro da legalidade, as associações, representantes de classe e sindicalistas, não tinham o apoio das autoridades que, com freqüência, determinavam a prisão de seus líderes que, marginalizados, não eram contratados pelas empresas como retaliação.

As questões sociais ao lado das sindicais, voltaram a representar preocupação para os trabalhadores quando, em 1832, através da Carta da Reforma, o Parlamento, em mais uma oportunidade, privilegiou as classes altas, restringindo os direitos políticos dos trabalhadores. O capitalismo mantinha seu processo de expansão, enquanto apesar das lutas contínuas, a classe trabalhadora mais se via empobrecida e no rastro dela, o agravamento dos problemas sociais.

Na busca por melhores condições de trabalho, salário justo, jornada de trabalho, instalações adequadas, dentre outras coisas, os representantes trabalhistas realizavam paralisação das atividades e greves constantes, embora seus efeitos, praticamente não se fizeram sentir.

Uma das mais expressivas vitórias da classe operária, veio em 1838, através da Associação Geral dos Trabalhadores de Londres, quando uma comissão, liderada por William Lovett, redigiu um importante documento denominado Carta do Povo, na qual firmava sua condição de opositor à burguesia. O teor básico desse documento tinha como objetivo, reclamar uma base democrática para a Câmara dos Comuns e tinha natureza eminentemente política, focada em seis reivindicações básicas: sufrágio universal para todos os homens adultos, renovação anual do Parlamento, remuneração parlamentar, eleições por escrutínio secreto, circunscrições eleitorais, abolição da disposição tornando elegível qualquer eleitor.

A greve geral dos trabalhadores de 1842, tornou evidente não só a força do movimento como mostrou a sua nova capacidade de organização. Nesse período (cartista), o Parlamento, em razão do alastramento do movimento e o poder devastador das manifestações, acabaram por adotar uma política mais branda, fazendo concessões no campo político-social. Apesar das inegáveis vitórias da classe trabalhadora, existiam problemas de sobra por serem enfrentados e a crise financeira comercial de 1847, tinha influências nefastas no movimento trabalhista europeu.

Na França, a revolução de 1948 que levou à queda de Louis Philipe e a proclamação da República, proletários e burgueses lutaram lado a lado para a derrubada da Monarquia. Com a vitória, os trabalhadores se encheram de entusiasmo pela nova República social, pelo qual lutara nas ruas. O período que se sucedeu às jornadas de luta mostrou que as principais bandeiras de luta estavam caindo por terra. A Assembléia Nacional reunida em Paris ignorou o conteúdo da Revolução, transformando a República num amontoado de interesses burgueses, mantendo os antigos privilégios da aristocracia financeira. Revoltados os trabalhadores invadiram o local em que se realizava a Assembléia Constituinte, declarando-a dissolvida e apresentando um Governo Revolucionário que assumiria, a partir de então, a direção da Nação. Acionada, a Guarda Nacional agiu com vigor dispersando os manifestantes e prendendo diversos líderes do movimento trabalhista. Esse episódio levou os trabalhadores a reagirem com maior vigor, e em 1848, saíram às ruas em um movimento sem precedentes, resultando na primeira guerra civil entre proletariado e burguesia. Em 26 de julho de 1848, os trabalhadores foram massacrados pela guarda Republicana que haviam ajudado a proclamar.

Para esvaziar ainda mais o movimento, diversos trabalhadores, dentre eles seus principais líderes, foram deportados sem qualquer julgamento pelas autoridades. A burguesia européia, unindo-se à francesa, aprovaram o massacre. Os burgueses, por conseguinte, lograram absorver um importante trunfo decorrente da união que se deu em toda a Europa, na luta contra os trabalhadores.

O vigor da repressão e a união dos burgueses arrefeceram o ânimo dos trabalhadores e fez que se afastassem das lutas revolucionárias. Porém, na clandestinidade, o movimento trabalhista se organizava e experimentava um desenvolvimento surpreendente. Do movimento, surgiu uma associação operária internacional, denominada Liga dos Comunistas. O programa dessa associação, a convite de seus participantes, foi redigido por Marx e Engels, que acompanhavam de perto o movimento trabalhista europeu. Junto com ele, novas estratégias de luta. A década de 1850, sob uma aparente calma, escondia-se uma verdadeira turbulência que emergiria por toda a Europa nos anos seguintes. A pujança do capitalismo, levava a uma avaliação distorcida, ofuscando uma visão plena do seu próprio regime. A burguesia se considerava perfeita e não acredita que teria oponentes na altura de sua capacidade. Subestimava o inimigo, acreditando-o dominado.

Ao final, depois de diversas considerações sobre as ocorrências até então discutidas ao longo do capítulo, passando pelas diversas fases e ocorrências protagonizadas pela classe dos trabalhadores/proletariado e a classe dos capitalistas/burgueses, a autora traça um perfil das partes envolvidas. A forma como o faz, não dá margens a interpretações dissonantes. Mostra, por um lado, a burguesia lançando mão de todo um aparato de subterfúgios e armações como forma de manipular, no seu exclusivo interesse e oportunismo, a classe sofrida dos trabalhadores. De forma prepotente, desprovida de princípios humanísticos e totalmente egoísta, manipulava os poderes constituídos levando-os a legislar em proveito de uma classe em detrimento da outra. Por seu turno, a classe trabalhadora era dominada e vivia um processo de escravismo deliberado. Sem voz ativa, submetia-se ao jugo da burguesia e só conseguia confrontar-se com ela através de movimentos contestatórios de toda ordem: manifestações, greves, paralisações e quebra das máquinas industriais.

Finalmente, observava-se uma inegável organização social por parte dos opressores, no sentido de sempre forçar ações no sentido de perpetuar uma situação que lhe era favorável. De outra parte, os subjugados e oprimidos trabalhadores que, apesar de uma organização social um tanto quanto desordenada e desorganizada, se mantinha firme em seu propósito de luta, apesar das inúmeras derrotas que lhe foram impostas. Mesmo contestada sob o ponto de vista da falta de ética, moral e honestidade, a união da Burguesia, Igreja e Estado, são considerados como os precursores do Serviço Social, podendo-se afirmar, por conseguinte, que o Serviço Social é uma criação do capitalismo.

3 CONCLUSÃO

Tivemos aqui, independentemente do aspecto de estudo voltado para o Serviço Social, um pedaço da história contemporânea de um período nebuloso iniciado no século XIV ao século XIX. O assunto temático em questão, relaciona-se com a conturbada relação empregado/patrão que, guardadas as devidas proporções, já teve em nossos dias, ações de confronto que em muito fizeram lembrar o período retratado no caso sob estudo, quando o País encontrava-se sob o domínio dos militares.

A classe trabalhadora sempre teve que se submeter ao jugo dos patrões e se adaptar às condições advindas da modernização. Nas últimas décadas a robotização, mecanização e automação das fábricas levaram à redução da oferta de mão-de-obra. A diferença que restou evidente foi a disposição de negociar por parte dos patrões, diante da organização e poder de fogo da classe trabalhadora. Formas alternativas foram estudas e consideradas menos danosas que a simples demissão em massa: Ex. Redução da jornada de trabalho.

E a modernização continua fazendo suas vítimas. O setor bancário, por exemplo, experimentou expressiva redução do quadro de pessoal na medida em que ocorria a informatização do setor. A ampliação do número de agências e a redistribuição do quadro de funcionários, além dos constantes incentivos a aposentadorias antecipadas, resultaram em favorecimento dos acertos sindicais de forma mais efetiva.

Vivemos hoje, uma oferta expressiva de mão-de-obra e ai, alguns contrastes merecedores de destaque: oferta de emprego, com inexistência de mão-de-obra qualificada; recuperação da economia, com interessante aumento do consumo interno e, finalmente o substancial aumento dos níveis de exportação, principalmente de itens relacionados ao agro-negócio brasileiro.

4 REFERÊNCIAS

MARTINELLI, Maria Lúcia. Serviço Social: identidade e alienação. 11ª Edição. São Paulo – SP, 2007.