PREPOSIÇÃO

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Uso da Preposição

Preposição é a palavra que estabelece uma relação entre dois ou mais termos da oração. Essa relação é do tipo subordinativa, ou seja, entre os elementos ligados pela preposição não há sentido dissociado, separado, individualizado; ao contrário, o sentido da expressão é dependente da união de todos os elementos que a preposição vincula.

Exemplos:

Os amigos de João estranharam o seu modo de vestir.
…[amigos de João / modo de vestir: elementos ligados por preposição]

…[de: preposição]

Ela esperou com entusiasmo aquele breve passeio.
…[esperou com entusiasmo: elementos ligados por preposição]

…[com: preposição]

Esse tipo de relação é considerada uma conexão, em que os conectivos cumprem a função de ligar elementos. A preposição é um desses conectivos e se presta a ligar palavras entre si num processo de subordinação denominado regência.

Diz-se regência devido ao fato de que, na relação estabelecida pelas preposições, o primeiro elemento – chamado antecedente – é o termo que rege, que impõe um regime; o segundo elemento, por sua vez – chamado conseqüente – é o temo regido, aquele que cumpre o regime estabelecido pelo antecedente.

Exemplos:

A hora das refeições é sagrada.
…[hora das refeições: elementos ligados por preposição]

…[de + as = das: preposição]

…[hora: termo antecedente = rege a construção “das refeições”]

…[refeições: termo conseqüente = é regido pela construção “hora da”]

Alguém passou por aqui.
…[passou por aqui: elementos ligados por preposição]

…[por: preposição]

…[passou: termo antecedente = rege a construção “por aqui”]

…[aqui: termo conseqüente = é regido pela construção “passou por”]

As preposições são palavras invariáveis, pois não sofrem flexão de gênero, número ou variação em grau como os nomes, nem de pessoa, número, tempo, modo, aspecto e voz como os verbos. No entanto em diversas situações as preposições se combinam a outras palavras da língua (fenômeno da contração) e, assim, estabelecem uma relação de concordância em gênero e número com essas palavras às quais se liga. Mesmo assim, não se trata de uma variação própria da preposição, mas sim da palavra com a qual ela se funde (ex.: de + o = do; por + a = pela; em + um = num, etc.).

É importante conhecer essas outras particularidades da preposição:

Uso da Preposição

Algumas particularidades no uso das preposições:

1. O sujeito das orações reduzidas de infinitivo não deve vir contraído com uma preposição.

Exemplo:

A maneira dele estudar não é correta. [Inadequado]
A maneira de ele estudar não é correta. [Adequado]

A maneira de nós estudarmos não é correta. [Adequado]

2. A preposição “a” não deve ser utilizada após a preposição “perante”.

Exemplo:

Quando o resultado das provas foi divulgado, ela chorou perante a todos. [Inadequado]
Quando o resultado das provas foi divulgado, ela chorou perante todos. [Adequado]

3. Do mesmo modo, não podemos utilizar a preposição “a” depois da preposição “após”.

Exemplos:

Todos nos reunimos após à reunião. [Inadequado]
Todos nos reunimos após a reunião. [Adequado]

O retorno dos alunos após ao intervalo é sempre tumultuado. [Inadequado]
O retorno dos alunos após o intervalo é sempre tumultuado. [Adequado]

4. A preposição “desde” não admite em sua seqüência a preposição “de”.

Exemplo:

Estamos esperando aqui desde das 12 h. [Inadequado]
Estamos esperando aqui desde as 12 h. [Adequado]

5. Em vez de utilizar a preposição “após” antes de verbos no particípio, prefira a locução “depois de”.

Exemplo:

O aluno partiu após difundida a notícia. [Inadequado]
O aluno partiu depois de difundida a notícia. [Adequado]

Omissão das preposições
Antes de alguns advérbios de tempo, modo e lugar, a preposição pode ou não ser omitida.

Exemplos:

Chegarão domingo. [Adequado]

Chegarão no domingo. [Adequado]

O filho, cabeça baixa, ouvia a reprimenda. [Adequado]

O filho, de cabeça baixa, ouvia a reprimenda. [Adequado]

A crase e as preposições
A crase não deve ser empregada junto a algumas preposições.

Dois casos, no entanto, devem ser observados quanto ao emprego da crase. Trata-se das preposições “a” e “até” empregadas antes de palavra feminina. Essas únicas exceções se devem ao fato de ambas indicarem, além de outras, a noção de movimento. Por isso, com relação à preposição “a” torna-se obrigatório o emprego da crase, já que haverá a fusão entre a preposição “a” e o artigo “a” (ou a simples possibilidade de emprego desse artigo). Já a preposição “até” admitirá a crase somente se a idéia expressa apontar para movimento.

Exemplos:

A entrada será permitida mediante à entrega da passagem. [Inadequado]
A entrada será permitida mediante a entrega da passagem. [Adequado]

Desde à assembléia os operários clamavam por greve. [Inadequado]
Desde a assembléia os operários clamavam por greve. [Adequado]

Os médicos eram chamados a sala de cirurgia. [Inadequado]
Os médicos eram chamados à sala de cirurgia. [Adequado]

…[termo regente: chamar a / “a” = preposição indicativa de movimento]

…[termo regido: (a) sala / “a” = artigo]

…[sala: palavra feminina]

Os escravos eram levados vagarosamente até a senzala.
Os escravos eram levados vagarosamente até à senzala.

…[termo regente: levar a / “a” = preposição indicativa de movimento]

…[termo regido: (a) senzala / “a” = artigo]

…[senzala: palavra feminina]

Observe que não foi apontado no exemplo (4) o uso inadequado e adequado das ocorrências de crase. Isso se dá porque atualmente no Brasil o emprego da crase diante da preposição “até” é facultativo.

Uso das locuções prepositivas
Certas construções da língua portuguesa constituem casos em que determinados termos se combinam de tal forma que não é permitida a variação seja qual for o contexto em que estão inseridas. Normalmente, trata-se de locuções (conjunto de palavras que formam uma unidade expressiva).

As locuções prepositivas são elementos que não variam em gênero (feminino ou masculino) e número (singular ou plural). São, por isso, expressões fixas na língua portuguesa. A forma fixa dessas locuções, porém, não se resume à variação de gênero e número. No decorrer da história da língua portuguesa, determinadas formas se consagraram. Muitos gramáticos postulam a adequação de uma forma e não outra para a língua escrita. Por isso, o emprego inadequado dessas construções configura-se um problema de linguagem.

Vejamos alguns exemplos freqüentes de uso inadequado de locuções prepositivas:

Exemplos:

A nível de experiência, tudo é válido. [Inadequado]
Em nível de experiência, tudo é válido. [Adequado]

Eles estavam em vias de cometer uma loucura. [Inadequado]
Eles estavam em via de cometer uma loucura. [Adequado]

A seguir, alguns exemplos de locuções em uso inadequado:

Note que o uso corrente das inadequações promove substituição ou supressão das preposições que compõem a expressão.

Além disso, é importante ressaltar que, embora estejamos nos referindo apenas às locuções prepositivas, o mesmo princípio pode ser aplicado às locuções conjuncionais ou locuções adverbiais. Vejamos, por exemplo, um caso em que a inadequação recai sobre uma locução adverbial:

Os amigos, na surdina, combinavam sobre tua festa. [Inadequado]
Os amigos, à surdina, combinavam sobre tua festa. [Adequado]

A regência e o uso de preposições
Na construção de uma unidade significativa, algumas palavras exigem o acompanhamento de outros elementos da língua. Essa relação de dependência com vistas à formação de um significado é chamada regência.

A regência pode ser direta, quando a relação de dependência é imediata, ou indireta, quando ela é intermediada por outros elementos da língua, como as preposições. A regência do substantivo sobre o adjetivo (como em “a menina bonita”), ou do verbo transitivo direto sobre seu complemento (ex.: “Maria ama Pedro”) se dá de forma direta, enquanto a regência do substantivo sobre outro substantivo (como em “a filha de Maria”) ou de um verbo transitivo indireto sobre seu complemento (ex.: “Maria gosta de Pedro”) se faz necessariamente por meio de uma preposição.

Nos casos de regência indireta, é preciso observar que nem todas as preposições podem desempenhar o papel de ligar o regente ao regido. Além disso, o uso de uma ou outra preposição pode provocar alterações de significado bastante consideráveis (ex.: “ir para casa”, “ir de casa”, “ir na casa”, etc.). Por isso, é preciso estar atento para o conjunto de preposições exigidas pelo regente, e para as implicações do seu uso.

A seguir alguns verbos da língua portuguesa que envolvem problemas freqüentes quanto à regência:

CONSTRUÇÃO INADEQUADA CONSTRUÇÃO ADEQUADA
estar de (greve) estar em (greve)
namorar com namorar
arrasar com arrasar
repetir de (ano) repetir o (ano)

Exemplos:

Suzana continuava a dizer que namorava com Mário. [Inadequado]
Suzana continuava a dizer que namorava Mário. [Adequado]

Meus pais não suportariam se eu repetisse de ano! [Inadequado]
Meus pais não suportariam se eu repetisse o ano! [Adequado]

ESTRUTURA DAS PALAVRAS

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A análise da estrutura das palavras revela-nos a existência de vários elementos mórficos chamados de morfemas. Os elementos que contêm o significado básico da palavra chamam-se morfemas lexicais, e os que indicam a flexão das palavras, ou seja, as variações para indicar gênero, número, pessoa, modo, tempo recebem o nome de morfemas gramaticais.

Em meninas, por exemplo, menin- é morfema lexical, a é morfema gramatical de gênero e s é morfema gramatical de número.

Os elementos mórficos são os seguintes:

Radical
É o elemento originário em que se concentra a significação da palavra.
Exemplo:
certo, certas , incerteza, certamente, certeiro, incerto.

Nas palavras acima, o elemento cert é o radical, já que não pode ser decomposto em unidade menores e nele se concentra o significado básico da palavra.

Observação:

As palavras que apresentam o mesmo morfema lexical, isto é, o mesmo radical, são chamadas de cognatas. Assim, são cognatas as palavras ferro, ferreiro, ferragem, ferrugem, ferrado, ferrador, ferradura, etc.

Nota: Consulte a lista dos principais radicais de origem grega e latina, clicando aqui: aprimorando o vocabulário.

Desinências
São elementos que servem para indicar as flexões das palavras. Podem ser:

a) nominais – indicam o gênero e número dos nomes.

Exemplos:
gato(s), gata(s), belo(s), bela(s)

b) verbais – indicam o modo, tempo, número e pessoa nas formas verbais.

Exemplos:
cantavas, amássemos, partiremos.

Vogal temática e tema
Vogal temática é o elemento que possibilita a ligação entre o radical e as desinências. Chama-se tema o conjunto de radical + vogal temática.

Exemplos:
Radical Vogal temática
terr a
Tema = terra

Radical Vogal temática
cant a
Tema = canta

Observação:
Os nomes terminados em vogal tônica ou em consoantes são atemáticos, ou seja, não possuem vogal temática.

Exemplos:
saci, tatu, barril, tambor

Afixos
São elementos que se anexam ao radical para formar novas palavras. Antepostos ao radical recebem o nome de prefixos, quando pospostos, sufixos.

Exemplos:
desleal (des = prefixo)
ferreiro (eiro = sufixo)

Vogais e consoantes de ligação
São elementos sem valor significativo que se intercalam a outros a fim de facilitar a pronúncia da palavra.

Exemplos:

Radical Vogal temática Radical
Gás ô metro
Silv í cola

Radical Consoante de ligação Sufixo
Chá l eira
Saci z inho

EMPREGO DO HÍFEN

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Usa-se o hífen:
1. nas palavras compostas em que os elementos da composição têm acentuação própria e formam uma unidade significativa: guarda-roupa, beija-flor, bem-te-vi;

2. com a partícula denotativa eis seguida de pronome pessoal átono: eis-me, eis-vos, eis-nos, ei-lo (com a queda do s);

3. nos adjetivos compostos: surdo-mudo, afro-brasileiro, sino-luso-brasileiro;

4. nos vocábulos formados pelos sufixos Açu, guaçu e mirim, se o primeiro elemento terminar com uma vogal acentuada graficamente ou for anasalada: sabiá-açu, acará-guaçu, capim-açu;

5. em vocábulos formados por prefixos que têm acentuação: pré-história, pós-operatório, pró-socialista;

6. com os prefixos do quadro abaixo (mas observe que haverá hífen diante de determinadas letras):

Observações:

a) Fugindo à regra, a palavra extraordinário escreve-se sem hífen.

b) Nos compostos com o prefixo bem, usa-se hífen quando o segundo elemento tem vida autônoma ou quando a pronúncia assim o exigir.

Exemplos: bem-vindo, bem-estar, bem-aventurado, etc.

c) O prefixo sobre apresenta algumas exceções.

Exemplos: sobressair, sobressalto, sobressalente, etc.

d) O prefixo co é seguido de hífen quando tem o sentido de “a par” ou “juntamente” e o segundo elemento tem vida autônoma.

Exemplos: co-aluno, co-autor, co-proprietário.

Existem, no entanto, inúmeras composições consagradas pelo uso em que não se usa o hífen.

Exemplos: coexistir, colateral, correlação, coabitar, coadjuvante, etc.

SINTAXE DA ORAÇÃO

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1. Sujeito e predicado
sujeito: termo sobre o qual recai a afirmação do predicado e com o qual o verbo concorda.

predicado: termo que projeta uma afirmação sobre o sujeito.

Tipos de sujeito
Determinado: o predicado se refere a um termo explícito na frase. Mesmo que venha implícito, pode ser explicitado. A noite chegou fria.
O sujeito determinado pode ser:

Simples: tem só um núcleo: A caravana passa.
Composto: tem mais de um núcleo: A água e o fogo não coexistem.

Indeterminado: o predicado não se refere a qualquer elemento explícito na frase, nem é possível identificá-lo pelo contexto.

(?) Falaram de você.
(?) Falou-se de você.

Inexistente: o predicado não se refere a elemento algum.

Choverá amanhã.
Haverá reclamações.
Faz quinze dias que vem chovendo.
É tarde

2. Termos ligados ao verbo
– Objeto direto: completa o sentido do verbo sem preposição obrigatória.
Os pássaros fazem seus ninhos.

– Objeto indireto: completa o sentido do verbo por meio de preposição obrigatória.
A decisão cabe ao diretor.

– Adjunto adverbial: liga-se ao verbo, não para completá-lo, mas para indicar circunstância em que ocorre a ação.
O cortejo seguia pelas ruas.

– Agente da voz passiva: liga-se a um verbo passivo por meio de preposição para indicar quem executou a ação.
O fogo foi apagado pela água.

3. Termos ligados ao nome
Adjunto adnominal: caracteriza o nome a que se refere sem a mediação de verbo. As fortes chuvas de verão estão caindo.

Predicativo: caracteriza o nome a que se refere sempre por meio de um verbo. Pode ser do sujeito e do objeto.

Aposto: termo de núcleo substantivo, que se liga a um nome para identificá-lo. O aposto é sempre um equivalente do nome a que se refere.
O tempo, inimigo impiedoso, foge apressado.

Complemento nominal: liga-se ao nome por meio de preposição obrigatória e indica o alvo sobre o qual se projeta a ação.
Procederam à remoção das pedras.

4. Vocativo:
Termo isolado, que indica a pessoa a quem se faz um chamado. Vem sempre entre vírgulas e admite a anteposição da interjeição ó.
Amigos, eu os convido a sentar.

SINTAXE DO PERÍODO

1. Orações subordinadas substantivas
São aquelas que desempenham a mesma função sintática do substantivo.

Os meninos observaram | que você chegou. (a sua chegada)

– Subjetiva: exerce a função de sujeito do verbo da oração principal.
É necessário que você volte.

– Objetiva direta: exerce a função de objeto direto da oração principal.
Eu desejava que você voltasse.

– Objetiva indireta: exerce a função de objeto indireto do verbo principal.
Não gostaram de que você viesse.

– Predicativa: exerce a função de predicativo.
A verdade é que ninguém se omitiu.

– Completiva nominal: desempenha a função de complemento nominal.
Não tínhamos dúvida de que o resultado seria bom.

– Apositiva: desempenha a função de aposto em relação a um nome.
Só nos disseram uma coisa: que nos afastássemos.

2. Orações subordinadas adjetivas
São aquelas que desempenham função sintática própria do adjetivo.
Na cidade há indústrias que poluem. (poluidoras)

– Restritiva: é aquela que restringe ou particulariza o nome a que se refere. Vem iniciada por pronome relativo e não vem entre vírgulas.
Serão recebidos os alunos que passarem na prova.

– Explicativa: é aquela que não restringe nem particulariza o nome a que se refere. Indica uma propriedade pressuposta como pertinente a todos os elementos do conjunto a que se refere. Inicia-se por pronome relativo e vem entre vírgulas.
Os homens, que são racionais, não agem só por instinto.

3. Orações subordinadas adverbiais
São aquelas que desempenham função sintática própria do advérbio.
O aluno foi bem na prova porque estava calmo. (devido à sua calma)

– Causal: indica a causa que provocou a ocorrência relatada na oração principal.
A moça atrai a atenção de todos porque é muito bonita.
– Consecutiva: indica a conseqüência que proveio da ocorrência relatada na oração principal.
A moça é tão bonita, que atrai a atenção de todos.
– Condicional: indica um evento ou fato do qual depende a ocorrência indicada na oração principal. Se você correr demais, ficará cansado.
– Comparativa: estabelece uma comparação com o fato expresso na oração principal.
Lutou como luta um bravo.
– Concessiva: concede um argumento contrário ao evento relatado na oração principal.
O time venceu embora tenha jogado mal.
– Conformativa: indica que o fato expresso na oração subordinada está de acordo com o da oração principal.
Tudo ocorreu conforme os jornalistas previram.
– Final: indica o fim, o objetivo com que ocorre a ação do verbo principal.
Estudou para que fosse aprovado.
– Temporal: indica o tempo em que se realiza o evento relatado na oração principal.
Chegou ao local, quando davam dez horas.
– Proporcional: estabelece uma relação de proporcionalidade com o verbo principal.
Aprendemos à medida que o tempo passa.

4. Orações coordenadas
São todas as orações que não se ligam sintaticamente a nenhum termo de outra oração.
Chegou ao local // e vistoriou as obras.

As coordenadas podem ou não vir iniciadas por conjunção coordenativa. Chamam-se coordenadas sindéticas as que se iniciam por conjunção e assindéticas as que não se iniciam.

Presenciei o fato, mas ainda não acredito.
or. c. assindética or. c. sindética

As coordenadas assindéticas não se subclassificam.
As coordenadas sindéticas subdividem-se em cinco tipos:

– Aditiva: estabelece uma relação de soma.
Entrou e saiu logo.
– Adversativa: estabelece uma relação de contradição.
Trouxe muitas sugestões, mas nenhuma foi aceita.
– Alternativa: estabelece uma relação de alternância.
Aceite a proposta ou procure outra solução.
– Conclusiva: estabelece relação de conclusão.
Penso, portanto existo.
– Explicativa: estabelece uma relação de explicação ou justificação. Contém sempre um argumento favorável ao que foi dito na oração anterior.
Ele deve ser estrangeiro, pois fala mal o português.

Questão de análise sintática típica dos vestibulares tradicionais:

(U. F. PERNAMBUCO) — No período “nunca pensei que ela acabasse”, a oração sublinhada classifica-se como:

a) subordinada adjetiva restritiva;
b) subordinada adjetiva explicativa;
c) subordinada adverbial final;
d) subordinada substantiva objetiva direta;
e) subordinada substantiva objetiva indireta.

(R.: D)

Questão de análise sintática típica dos vestibulares inovadores:

Esta questão coloca em jogo a combinação sintática entre duas orações e o significado resultante dela, sem exigir análise formal nem o conhecimento de nomenclatura.
(U. F. PELOTAS) — A questão da incoerência em um texto quase sempre se liga a aspectos que ferem o raciocínio lógico, a contradições entre uma passagem e outra do texto ou entre o texto e o conhecimento estabelecido das coisas.

O fragmento da entrevista concedida pela atriz e empresária Íris Brüzzi, descartada a hipótese de utilização da ironia, apresenta esse problema.
“R – Qual é o segredo para conservar sua beleza através dos tempos?
Íris – Acredito muito na beleza interior, a de fora acaba. A natureza tem sido generosa comigo. Desculpe a modéstia, mas continuo bonita.(Diário Popular, 1996)”.

a) Transcreva a frase que apresenta a incoerência.
R.: “Desculpe a modéstia, mas continuo bonita.”

b) Reescreva essa frase, eliminando a incoerência.
R.: Desculpe a falta de modéstia, mas continuo bonita. ou Desculpe a imodéstia, mas continuo bonita.

VARIANTES LINGUÍSTICAS

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Variantes

Uma língua nunca é falada de maneira uniforme pelos seus usuários: ela está sujeita a muitas variações. O modo de falar uma língua varia:

– de época para época: o português de nossos antepassados é diferente do que falamos hoje;

– de região para região: o carioca, o baiano, o paulista e o gaúcho falam de maneiras nitidamente distintas;

– de grupo social para grupo social: pessoas que moram em bairros chamados nobres falam diferente dos que moram na periferia. Costuma-se distinguir o português das pessoas mais prestigiadas socialmente (impropriamente chamada de fala culta ou norma culta) e o das pessoas de grupos sociais menos prestigiados (a fala popular ou norma popular);

– de situação para situação: cada uma das variantes pode ser falada com mais cuidado e vigilância (a fala formal) e de modo mais espontâneo e menos controlado (a fala informal). Um professor universitário ou um juiz falam de um modo na faculdade ou no tribunal e de outro numa reunião de amigos, em casa e em outras situações informais.

Além dessas, há outras variações, como, por exemplo, o modo de falar de grupos profissionais, a gíria própria de faixas etárias diferentes, a língua escrita e oral.

Diante de tantas variantes lingüísticas, é inevitável perguntar qual delas é a correta. Resposta: não existe a mais correta em termos absolutos, mas sim, a mais adequada a cada contexto. Dessa maneira, fala bem aquele que se mostra capaz de escolher a variante adequada a cada situação e consegue o máximo de eficiência dentro da variante escolhida.

Usar o português rígido, próprio da língua escrita formal, numa situação descontraída da comunicação oral é falar de modo inadequado. Soa como pretensioso, pedante, artificial. Por outro lado, é inadequado em situação formal usar gírias, termos chulos, desrespeitosos, fugir afinal das normas típicas dessa situação.

Quando se fala das variantes, é preciso não perder de vista que a língua é um código de comunicação e também um fato com repercussões sociais. Há muitas formas de dizer que não perturbam em nada a comunicação, mas afetam a imagem social do falante. Uma frase como “o povo exageram” tem o mesmo sentido que “o povo exagera”.

Como se sabe, o coletivo, sob o ponto de vista do conteúdo, é sempre plural. Nada impede que, mesmo na forma singular, mande o verbo para o plural. Houve mesmo época em que o “chique” era a concordância com o conteúdo. Hoje, a concordância é com a forma. Nesse particular, há uma aproximação máxima entre língua e etiqueta social. No português atual, uma frase como “o povo exageram”, embora não contenha nenhum absurdo, deprecia a imagem do falante.

Os vestibulares inovadores exploram as variantes lingüísticas de uma maneira bem mais apropriada, reconhecendo a sua utilidade para criar variados efeitos de sentido: caracterizar personagens no interior de um texto narrativo; estabelecer relações de intimidade entre os falantes; ridicularizar pessoas que as utilizam inadequadamente, etc.

Os vestibulares tradicionais, quando tratam das variantes, quase só se preocupam com o que chamam de correção gramatical, postulando como falar correto apenas aquele que corresponde às normas da linguagem culta e formal.

Para resolver essas chamadas questões de correção de frases, é aconselhável adotar os seguintes cuidados:

– checar problemas ligados à acentuação, à crase e à grafia de palavras problemáticas (especialmente aquelas que têm grafias semelhantes);
– observar o verbo em três níveis:
– a conjugação;
– a concordância;
– a regência;
– observar os pronomes em dois níveis:
– a colocação;
– o uso da forma adequada à sua função sintática;
– observar se as palavras estão empregadas na sua forma e no seu sentido correto. A questão que segue é um bom exemplo de proposta de correção lingüística no estilo tradicional.

(U. F. PERNAMBUCO) — Observe os inconvenientes lingüísticos e reescreva a frase de forma que atenda à norma-padrão: Convidamos aos professores para que dê início as discursões dos assuntos em palta.

R.: Convidamos os professores para que dêem início às discussões dos assuntos em pauta.

Os vestibulares modernos exploram as variantes de maneira diferente, solicitando, por exemplo, comentários sobre o uso de certas variantes e propondo comparações entre elas, como na questão que segue.

(U. F. VIÇOSA) — Suponha um aluno se dirigindo a um colega de classe nestes termos: “Venho respeitosamente solicitar-lhe se digne emprestar-me o livro.” A atitude desse aluno se assemelha à atitude do indivíduo que:

a) comparece ao baile de gala trajando “smoking”.
b) vai à audiência com uma autoridade de “short” e camiseta.
c) vai à praia de terno e gravata.
d) põe terno e gravata para ir falar na Câmara dos Deputados.
e) vai ao Maracanã de chinelo e bermuda.

SUJEITO E PREDICADO

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Sujeito é o termo da oração do qual se afirma ou se nega algo.

Exemplos:
João andava de bicicleta.
Machado de Assis escreveu “Dom Casmurro”

O núcleo do sujeito è a palavra principal, que encerra a essência de sua significação.

Exemplo:
Os cravos brancos embelezam os campos. (a palavra cravos é o núcleo do sujeito)

Predicado é tudo que se afirma do sujeito. Na análise de uma oração, destacamos o sujeito e tudo o que restar, exceto o Vocativo, será predicado.

Exemplos:
Alberto agiu com calma.
Caiu a prateleira da parede.
Chove.

TIPOS DE SUJEITO:
Sujeito Simples é aquele com só um núcleo.

Exemplos:
Quem descobriu o Brasil?
As flores morreram.

Sujeito Composto é aquele que tem mais de um núcleo

Exemplos:
O rapaz e a moça estavam namorando.
Demitiram o gerente e o vendedor.

Sujeito Elíptico (ou oculto) é aquele não expresso e que pode ser determinado pela desinência verbal ou pelo contexto.

Exemplos:
Levantarei cedo. (sujeito oculto: eu)
Comeu e foi embora. (sujeito oculto: ele)

O médico chegou ao hospital. Realizou varias cirurgias e voltou para casa. (sujeito elíptico: o médico)

Sujeito Indeterminado é aquele que existe, mas não podemos ou não queremos identifica-lo com precisão.

Ocorre em 2 casos:

Quando o verbo está na 3a pessoa do plural, sem referência a nenhum substantivo anteriormente expresso.

Exemplos:
Anunciarama morte do governador.
Batem a porta.

Com verbo: intransitivo (VI), transitivo indireto (VTI) ou de ligação (VL) acompanhados da partícula SE chamada de índice de indeterminação do sujeito (IIS).

Exemplos:
Vai-se à chácara por este caminho.(VI)
Precisa-se de balconistas. (VTI)
Vive-se bem. (VI)
Falava-se alto. (VI)
Era–sefeliz naquele tempo.(VL)

Orações sem sujeito são orações cujos verbos são impessoais, com sujeito inexistente.

Ocorrem nos seguintes casos:

Com verbos que se referem a fenômenos meteorológicos.

Exemplos:
Ventava muito durante o dia.
Anoitece mais tarde no verão.
Chovia naquela tarde.

Com o verbo HAVER no sentido de existir ou a tempo decorrido.

Exemplos:
Havia crianças correndo. (=existiam crianças)
Há dois meses não o vejo (=tempo decorrido)
Com o verbo Houve no sentido de ocorreram.

Exemplos:
Houve vários acidentes.(Ocorreram vários acidentes)
Com o verbo FAZERreferindo-se a fenômeno meteorológico ou a tempo decorrido.

Exemplos:
Fazia 32° à noite. (FAZER referindo-se a fenômenos meteorológicos)
Faz doze anos que não o vejo. (FAZER referindo-se a tempo decorrido)
Com o verbo SER referindo-se a datas, horas e distância.

Exemplos:
Hoje é dia 10. (Referindo-se à data)
É uma hora. (Referindo-se à hora)
São quatro horas. (Referindo-se à hora)

Daqui ao meu colégio são quatro quarteirões. (Referindo-se à distância)

LEMBRE-SE:

Os verbos que se referem a fenômenos meteorológicos podem, em linguagem figurada, ser empregados como verbos pessoais.

Exemplos:
Confetes choviam sobre as meninas. (Confetes=sujeito de chover)
Eles trovejavam de tanta raiva. (Eles=sujeito de trovejaram)
Pedro amanheceu morto (Pedro=sujeito de amanheceu)

A oração “Houve grandes festas” não tem sujeito (trata-se de uma oração sem sujeito); todavia, na oração “Existiram grandes festas” o sujeito é grandes festas. O verbo existir é pessoal, admitindo sujeito.

Os verbos impessoais, isto é, sem sujeito devem permanecer na 3a Pessoa do singular. Observe os verbos HAVER E FAZER. Se estes verbos vierem formando uma locução verbal com outro verbo (verbo auxiliar: dever, poder,costuma, começar a, continuar a, etc) este outro fica impessoal ficando na terceira do singular.

Exemplos:
Deve haver duas mil pessoas.
Vai fazer um ano que não o vejo.
Costuma haver muitas festas aqui.
Há de haver esperanças.

O verbo ser impessoal concorda com o predicativo (è o único caso em que podemos encontrar um verbo impessoal no plural)

Exemplo:
Hoje são 12 de abril.
Eram oito horas quando chegamos.

PREDICADO

Predicado Nominal
O núcleo é um nome (predicativo do sujeito). É formado por verbo de ligação+predicativo.

Predicado Verbal
O núcleo é um verbo. Logo, não apresenta predicativo. É formado por verbos transitivos e intransitivos.

Predicado Verbo-Nominal
Há dois núcleos (um verbo e um nome).Logo, é formado por predicativo com verbo transitivo ou intransitivo.

CONCORDÂNCIA

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“Cabe dez”… “falta vinte”… “sobrou trinta”… “as mina”… “teus cabelo é da hora”… “eu quero vinte pão”… “isso custa cinco real”…

Não é novidade para ninguém que o brasileiro, quando fala, não dá muita importância à concordância. A nenhum tipo de concordância! Cometer erros de concordância na fala do cotidiano é muito comum, mas no texto formal é necessário que a concordância esteja absolutamente rigorosa.

Vamos a um trecho da canção “Música Urbana”, do Capital Inicial:

“Tudo errado, mas tudo bem.

Tudo quase sempre como eu sempre quis.

Sai da minha frente, que agora eu quero ver.

Não me importam os seus atos, eu não sou mais um desesperado.

Se eu ando por ruas quase escuras, as ruas passam”

Você notou como o letrista fez a concordância: “não me importam os seus atos”. Os atos não têm importância, portanto eles não importam. A concordância está correta, o que é exigível ao menos na língua formal. É desejável que a gente acerte a concordância no cotidiano também. Basta concordar verbo e sujeito. “Atos” está no plural, então é óbvio que o verbo também deve estar no plural: “importam”. Acerte a concordância você também.

CASOS DELICADOS DE CONCORDÂNCIA

Às vezes a concordância verbal nos prega uma peça. Para ilustrar, o “Nossa Língua Portuquesa” foi até a rua e formulou algumas perguntas ao público.

“Pedro ou Paulo será ou serão o próximo presidente da República?”

A maioria das pessoas acerta. “Pedro ou Paulo será …”. Somente um dos dois será o próximo presidente da República – o ou que aparece na oração é excludente, indica a exclusão de Pedro ou de Paulo da cadeira de Presidente da República. Logo, o verbo fica no singular.

Contudo, se alguém perguntar sobre sua preferência musical, a resposta poderá ser: Tom ou Caetano me agradam. O ou presente nesta oração não é excludente, logo o verbo assume o plural.

Outra pergunta:

40% dos eleitores preferiram ou preferiu 40% dos eleitores preferiram. A expressão que vem depois do percentual está no plural ( eleitores ) e aí não há outra opção.

40% do eleitorado preferiu ou preferiram. Muita gente acertou. O termo que vem depois do percentual é singular, logo o verbo também fica no singular. A forma correta é “40% do eleitorado preferiu”.

“40% preferiu ou preferiram”. Nesta frase não há nada depois da expressão percentual. Então vale o número 40, que é plural.

“40% preferiram, 1% preferiu”.

CONCORDÂNCIA COM PRONOME RELATIVO E EXPRESSÕES EXPLETIVAS

Você já deve ter ouvido muita gente falar “não foi eu”. Acham que o “foi” vale para qualquer caso. Não é bem assim.

Para ilustrar essa questão o professor Pasquale busca referência na música “Foi Deus que fez você”, de Luiz Ramalho.

“… Foi Deus que fez o céu… Foi Deus que fez você… Foi Deus…”

“Foi Deus que fez”. Porque “foi”? Porque Deus é 3ª pessoa, Deus é igual a “ele” e “ele foi”.

Agora, não é cabível dizer “Eu foi”. Logo, “não foi eu” está errado. O correto é “não fui eu”, “não fomos nós”.

O verbo que vem depois da palavra “que” também deve concordar com a palavra que vem antes. Portanto, “Fui eu que fiz” ( eu fui, eu fiz),”Fomos nós que fizemos”, “Foram eles que fizeram”.

Outra coisa que você não deve confundir é o caso da expressão expletiva “é que”, que é fixa. A cancão “Só nós dois”, de Joaquim Pimentel, pode ilustrar muito bem.

“ Só nós dois é que sabemos o quanto nos queremos bem Só nós dois é que sabemos Só nós dois e mais ninguém…”

A expressão “é que” é fixa. Nunca diga “São nessas horas que a gente percebe”. O correto é dizer “Nessas horas é que a gente percebe” ou “É nessas horas que a gente percebe”.

“É que” é uma expressão de realce, fixa e fácil de ser percebida. Pode, também, ser eliminada.

Veja os exemplos:

“Só nós dois é que sabemos” – “Só nós dois sabemos” “É nessas horas que a gente percebe” – Nessas horas a gente percebe”.A expressão “é que”, expletiva, pode ser perfeitamente eliminada sem prejuízo da estrutura frasal.

OBRIGADO (A) / EU MESMO (A)

“Eu mesma fiz essa bolsa”, é assim que se fala?

É possível, mas é necessário fazer a concordância.

Quando quem fala é homem deve dizer “eu mesmo”. Se for mulher, “eu mesma”

Você, referindo-se a uma mulher, deve dizer “você mesma”, “ela mesma”.

No plural e havendo pelo menos um homem, “nós mesmos”. Havendo só mulheres “nós mesmas”.

A concordância deve ser feita quando é necessário agradecer. O homem diz “Obrigado”. A mulher, “obrigada”.

É PROIBIDO / É PROIBIDA

Uma pessoa vai a um edifício comercial, a um ambiente mais formal, e vê ali uma tabuleta:

“É proibido a entrada”

Pouco depois, ao entrar no prédio ao lado, a pessoa depara-se com outra tabuleta:

“É proibida a entrada”

Uma confusão, não é? O programa foi às ruas consultar algumas pessoas e perguntou quais eram as formas corretas:

“Não é permitido a entrada” ou “Não é permitida a entrada”

“É proibido a entrada” ou “É proibida a entrada”

Houve empate no número de respostas certas e erradas, o que mostra que a confusão é mesmo grande. Vamos a alguns exemplos para esclarecer essa questão:

* A sopa é boa

* Sopa é bom

* A cerveja é boa

* Cerveja é bom

Quando se generaliza, quando não se determina, não se faz a concordância, usa-se o masculino com valor genérico, com valor neutro. Portanto:

* Sopa é bom / É bom sopa

* Cerveja é bom / É bom cerveja

* Entrada é proibido / É proibido entrada

* Entrada não é permitido / Não é permitido entrada

Se não existe um artigo ou uma preposição antes de “entrada”, se não há nenhum determinante, o particípio passado dos verbos “proibir” e permitir” deve ficar no masculino. Mas, se houver algum determinante, o verbo deve, então, concordar com a palavra “entrada”. Veja as formas corretas:

É proibido entrada

É proibida a entrada

Não é permitido entrada

Não é permitida a entrada

VÍCIOS DA LINGUAGEM

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Uma coisa é bonita porque nós temos um padrão de beleza: uma coisa é falsa porque temos um padrão de verdade e essa discorda dele. Assim também, para se falar em erro ou correção gramatical dentro de uma língua, é preciso recorrer a um padrão, um modelo, um critério.

A finalidade essencial de uma língua é a comunicação… entre os membros de uma comunidade que se serve dela. Para isso é necessário que o instrumento(a língua) tenha certa uniformidade e, assim sirva eficientemente a toda a comunidade.

Toda sociedade humana precisa, portanto, de uma linguagem normal de que todos se sirvam, quer falando, quer escrevendo. E até pensando. A correção consiste na obediência a este padrão ou critério lingüistico. Se ele fosse constantemente uniforme, permanente e sem discordância, não haveria os problemas de todos os dias. Mas um padrão lingüistico de correção é somente um ideal, não uma realidade concreta e nem pode ser fixo e muito menos fossilizado.

Há alguns fatores que perturbam a tranqüilidade de um critério lingüístico de correção

1 – Um fator individual: cada um usa e manipula a língua segundo seu modo e para os seus fins, que ultrapassam o fim primordial da comunicação. Assim, cinco marceneiros, cada um usa da mesma plaina, para o mesmo fim, de modos diferentes: cada um, do seu jeito.

E o indivíduo é naturalmente indisciplinado e rebelde às imposições e às normas que o prendem e lhe limitam as liberdades, verdadeiras ou falsas.

2 – Um fator coletivo: embora a língua seja a mesma, os que a usam são diferentes. E se classificam em três camadas culturais:

a) a camada inferior: as massas mais ou menos analfabetas usam de uma língua popular, pobre e rudimentar, sempre utilitária.

b) a camada média ; uma cultura com o mesmo adjetivo. São pessoas já atingidas pelos benefícios da instrução primária e secundária, pessoas que lêem, não só por necessidade, mas por gosto e interesse;

c) a camada superior: representa a língua média entre o que se fala e o que se escreve, uma língua usual, quotidiana mais a língua das melhores obras literárias

Uma língua-padrão recebe contribuições de baixo, de cima e do meio, mas se fixa e se torna padrào de acordo com as camadas superiores, culturalmente superiores. Entra, agora, em ação, um elemento disciplinante, uniformizador, aparentemente estático e conservador, realmente dinâmico e renovador, móvel, vivo e atual: a disciplina gramatical.

A gramática não nasce abstratamente da cabeça do gramático, nem de conchavos ou de estudos feitos em escrivaninhas, alheados da realidade. A gramática ausculta, observa, registra a língua das camadas superiores. E a ratifica com padrão de correção lingüística. Uma gramática viva que acompanhou a língua portuguesa do século XVI e acompanha a língua do século XX ; uma gramática portuguesa de Portugal e uma gramática brasileira da Língua Portuguesa.

Se a gramática nasce assim, torna-se um critério de correção lingüistica. É correto o que está de acordo com a gramática; é errado o que está em desacordo; Indiretamente é correto ou errado o que estiver de acordo ou em desacordo com a língua das camadas culturais superiores.

E… o que procura uma gramática com padrão de correção lingüistica?

1- A maior eficiência da língua com instrumento de comunicação, através do seu domínio fácil e geral.

2- A possível uniformidade entre todos os membros tão desiguais de uma sociedade humana: uniformizar é mais do que conservar; É preservar

3- Uma língua que seja um instrumento fácil, acessível, útil, apto e que sirva a todas as camadas da sociedade sem ser retrógrado, desatualizado, emperrado.

4- O aperfeiçoamento da mesma língua, consagrando aqueles melhoramentos que lhe dão as camadas cultas, ratificando ou retificando as contribuições das outras camadas, salvando a língua da desagregação e da morte.

5 – Adquirir ou conservar aquelas qualidades fundamentais, indispensáveis a uma língua

a) a clareza;
b) a racionalidade;
c) a exatidão
d) a concisão
e) a expressividade;
f) a beleza…

Ou, resumindo num única conclusão: a sua perfeição.

Para além da gramática abrem-se os horizontes da estilística. Embora gramática e estilística sejam distintas e diferentes, não são nem separadas, nem muito menos, contrastante. E a gramática, em lugar de atrapalhar ou enfear o estilo, dá-lhe excelente colaboração. E dizer que ainda existe alguém que afirma que a gramática é um empecilho par um bom escritor …Pergunte isso a Monteiro Lobato:

“Acho a língua uma coisa muito sério, Rangel. Como a nossa mãe mental.”
“A forma perfeita é magna pars numa literatura.”
“O mau português mata a maior idéia e a boa forma até duma imbecilidade faz uma jóia.”
“O escritor que escreve mal é um porco imundo, um fedorento, um chulepento (sic).”
“Mas seja lá como for, proponho estes pontos:[2]

Há erros ocasionais, quase pessoais que não atingem a língua no seu uso comum. Outros são vícios, ofendem as regras usuais da gramática e do estilo e se tornam doenças coletivas, quase epidêmicas.

Enquanto as figuras de estilo trazem realce e beleza, os vícios enfeiam o estilo tirando-lhe as duas coisas. É preciso,portanto, evitar os vícios e praticar as virtudes da língua.

Apenas como finalidade didática, divido assim;

I – Erros de gramática:

a) contra a fonética
b) contra a ortografia
c) contra a morfologia
d) contra a sintaxe.

II – Erros de estilo:

a) contra a clareza
b) contra a concisão
c) contra a originalidade
d) contra a simplicidade
e) contra a harmonia
f) contra a pureza

Erros de Estilo

A) Contra a clareza

I – Ambiqüidade ou anfibologia: consiste na duplicidade de sentido que a expressão pode ter.
O amor de minha mãe me regenerou.
Pode significar: amor materno ou amor filial.

II – A má pontuação é também contra a clareza.
Não pude ver o homem da janela. Queria escrever. Não pude ver o homem, da janela.

B) Contra a concisão:

I – Tautologia; consiste na repetição desnecessária das mesmas idéias.
A vida é muito breve, curta e pequena.

II – O esparramo: pode-se chamar também de verborréia. É a mania de ser longo, na frase ou no discurso inteiro. Falar muita coisa, sem dizer nada.

C) Contra a originalidade

Os chavões, os lugares-comuns, as frases feitas

Outros que não eu merecia o prêmio…
Preencho uma lacuna.
Caráter sem jaça.
Homem impoluto
Vida ilibada.
Perda irreparável.

D) Contra a simplicidade

É o preciosismo, o pedantismo, tanto no emprego de palavras como na construção de frase.

Pouco se me dá que a azêmola claudique; o que me apraz é acicatá-la. (Não me importa que a mula manque, o que eu quero é rosetá-la.)

E ) Contra a harmonia

I – Cacofonia: é o encontro de sílabas que formam palavras ridículas ou indecentes.
Ela lá trina alegremente.
As idéias, como as concebo, são insinuantes.
Ideal, meus fracassos por ti são.

II – Eco; é a repetição de palavras com desagradável rima.
O casamento do Nascimento foi, no momento, um acontecimento, um verdadeiro deslumbramento.

III – Aliteração: desagradável repetição de uma mesma consoante inicial.
Ó fulgida flor fanada!…
O lápis, dentro d’água , fica como que quebrado.

F ) Contra a pureza

Todo estrangeirismo, palavra desnecessária oriunda de outras línguas. Galicismos, espanholismos, inglesismos, italianismos… Bouquet por buquê, ramalhete, corbelha… Chance por ocasião, oportunidade, nuance por nuança, matiz…

ORAÇÕES SUBORDINADAS

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Você já deve saber que período é uma frase organizada em orações. Já deve saber também que no período simples existe apenas uma oração, chamada “absoluta”, e que no período composto existem duas ou mais orações.

Essas orações podem se relacionar por meio de dois processos sintáticos diferentes: a subordinação e a coordenação . Na subordinação, um termo atua como determinante de um outro termo.

Essa relação se verifica, por exemplo, entre um verbo e seus complementos: os complementos são determinantes do verbo, integrando sua significação. Conseqüentemente, o objeto direto e o objeto indireto são termos subordinados ao verbo, que é o termo subordinante. Outros termos subordinados da oração são os adjuntos adnominais (subordinados ao nome que caracterizam) e os adjuntos adverbiais (subordinados geralmente a um verbo).

No período composto, considera-se subordinada a oração que desempenha função de termo de outra oração, o que equivale a dizer que existem orações que atuam como determinantes de outras orações. Observe o seguinte exemplo:
Percebeu que os homens se aproximavam.

Esse período composto é formado por duas orações: a primeira estruturada em torno da forma verbal “percebeu”; a segunda, em torno da forma verbal “aproximavam”. A análise da primeira oração permite constatar de imediato que seu verbo é transitivo direto (perceber algo).

O complemento desse verbo é, no caso, a oração “que os homens se aproximavam” . Nesse período, a segunda oração funciona como objeto direto do verbo da primeira. Na verdade, o objeto direto de percebeu é “que os homens se aproximavam”.

A oração que cumpre papel de um termo sintático de outra é subordinada; a oração que tem um de seus termos na forma de oração subordinada é a principal. No caso do exemplo dado, a oração “Percebeu” é principal; “que os homens se aproximavam” é oração subordinada. Diz-se, então, que esse período é composto por subordinação.

Ocorre coordenação quando termos de mesma função sintática são relacionados entre si. Nesse caso, não se estabelece uma hierarquia entre esses termos, pois eles são sintaticamente equivalentes. Observe:

Brasileiros e portugueses devem agir como irmãos.

Nessa oração, o sujeito composto “brasileiros e portugueses”, adjetivos substantivados, apresenta dois núcleos coordenados entre si: os dois substantivos desempenham um mesmo papel sintático na oração.

No período composto, a coordenação ocorre quando orações sintaticamente equivalentes se relacionam. Observe:

Comprei o livro, li os poemas e fiz o trabalho.

Nesse período, há três orações, organizadas a partir das formas verbais “comprei”, “li” e “fiz”. A análise dessas orações permite perceber que cada uma delas é sintaticamente independente das demais: na primeira, ocorre um verbo transitivo direto (comprar) acompanhado de seu respectivo objeto direto (“o livro”); na segunda, o verbo ler, também transitivo direto, com o objeto direto “os poemas”; na terceira, outro verbo transitivo direto, fazer, com o objeto direto “o trabalho”. Nenhuma das três orações desempenha papel de termo de outra.

São orações sintaticamente independentes entre si e, por isso, coordenadas. Nesse caso, o período é composto por coordenação. Note que a ordem das orações é fixada por uma questão semântica e não sintática (os fatos indicados pelas orações obedecem à ordem cronológica). Existem períodos compostos em que se verificam esses dois processos de organização sintática, ou seja, a subordinação e a coordenação. Observe:

Percebi que os homens se aproximavam e saí em desabalada carreira.

Nesse período, há três orações, organizadas respectivamente a partir das formas verbais “percebi”, “aproximavam” e “saí”. A oração organizada em torno de percebi tem como objeto direto a oração “que os homens se aproximavam” (perceber algo); “que os homens se aproximavam”, portanto, é oração subordinada a percebi.

Entre as orações organizadas em torno de percebi e saí, a relação é de coordenação, já que uma não desempenha papel de termo da outra. O período é composto por coordenação e subordinação.

As orações subordinadas se dividem em três grupos, de acordo com a função sintática que desempenham e a classe de palavras a que equivalem. Podem ser substantivas, adjetivas ou adverbiais. Mais uma vez, valem os conceitos morfossintáticos, que, como você já deve saber, combinam a morfologia e a sintaxe. Para notar as diferenças que existem entre esses três tipos de orações, tome como base a análise de um período simples:

Só depois disso percebi a profundidade das palavras dele.

Nessa oração, o sujeito é “eu”, implícito na terminação verbal. “A profundidade das palavras dele” é objeto direto da forma verbal percebi. O núcleo do objeto direto é profundidade. Subordinam-se ao núcleo desse objeto os adjuntos adnominais “a” e “das palavras dele”. No adjunto adnominal “das palavras dele”, o núcleo é o substantivo palavras, ao qual se prendem os adjuntos adnominais “as” e “dele”. “Só depois disso” é adjunto adverbial de tempo.

É possível transformar a expressão “a profundidade das palavras dele”, objeto direto, em oração. Observe:

Só depois disso percebi que as palavras dele eram profundas.

Nesse período composto, o complemento da forma verbal percebi é a oração “que as palavras dele eram profundas”. Ocorre aqui um período composto por subordinação, em que uma oração desempenha a função de objeto direto do verbo da outra.

O objeto direto é uma função substantiva da oração, ou seja, é função desempenhada por substantivos e palavras de valor substantivo. É natural, portanto, que a oração subordinada que desempenha esse papel seja chamada de oração subordinada substantiva.

Pode-se também modificar o período simples original transformando em oração o adjunto adnominal do núcleo do objeto direto, profundidade. Observe:

Só depois disso percebi a profundidade que as palavras dele continham.

Nesse período, o adjunto adnominal de profundidade passa a ser a oração “que as palavras dele continham”. Você já sabe que o adjunto adnominal é uma função adjetiva da oração, ou seja, é função exercida por adjetivos, locuções adjetivas e outras palavras de valor adjetivo. É por isso que são chamadas de subordinadas adjetivas as orações que, nos períodos compostos por subordinação, atuam como adjuntos adnominais de termos das orações principais.

Outra modificação que podemos fazer no período simples original é a transformação do adjunto adverbial de tempo em uma oração. Observe:

Só quando cai em mim, percebi a profundidade das palavras dele.

Nesse período composto, “só quando caí em mim” é uma oração que atua como adjunto adverbial de tempo do verbo da outra oração. O adjunto adverbial é uma função adverbial da oração, ou seja, é função exercida por advérbios e locuções adverbiais. Portanto, são chamadas de subordinadas adverbiais as orações que, num período composto por subordinação, atuam como adjuntos adverbiais do verbo da oração principal.

É fácil perceber, assim, que a classificação das orações subordinadas decorre da combinação da função sintática que exercem com a classe de palavras que representam, ou seja, é a morfossintaxe que determina a classificação de cada oração subordinada.

São subordinadas substantivas as que exercem funções substantivas (sujeito, objeto direto e indireto, complemento nominal, aposto, predicativo). São subordinadas adjetivas as que exercem funções adjetivas (atuam como adjuntos adnominais). São subordinadas adverbiais as que exercem funções adverbiais (atuam como adjuntos adverbiais, expressando as mais variadas circunstâncias).

Quanto à forma, as orações subordinadas podem ser desenvolvidas ou reduzidas. Observe:

1. Suponho que seja ela a mulher ideal.
2. Suponho ser ela a mulher ideal.

Nesses dois períodos compostos há orações subordinadas substantivas que atuam como objeto direto da forma verbal suponho. No primeiro período, a oração é “que seja ela a mulher ideal”.

Essa oração é introduzida por uma conjunção subordinativa (que) e apresenta uma forma verbal do presente do subjuntivo (seja). Trata-se de uma oração subordinada desenvolvida. Assim são chamadas as orações subordinadas que se organizam a partir de uma forma verbal do modo indicativo ou do subjuntivo e que são introduzidas, na maior parte dos casos, por conjunção subordinativa ou pronome relativo.

No segundo período, a oração subordinada “ser ela a mulher ideal” apresenta o verbo numa de suas formas nominais (no caso, infinitivo) e não é introduzida por conjunção subordinativa ou pronome relativo.

Justamente por apresentar uma peça a menos em sua estrutura, essa oração é chamada de reduzida. As orações reduzidas apresentam o verbo numa de suas formas nominais (infinitivo, gerúndio ou particípio) e não apresentam conjunção ou pronome relativo (em alguns casos, são encabeçadas por preposições).

Como você já viu, as orações subordinadas substantivas desempenham funções que no período simples normalmente são desempenhadas por substantivos. As orações substantivas podem atuar como sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, predicativo e aposto.

Por isso são chamadas, respectivamente, de subjetivas, objetivas diretas, objetivas indiretas, completivas nominais, predicativas e apositivas. Essas orações podem ser desenvolvidas ou reduzidas. As desenvolvidas normalmente se ligam à oração principal por meio das conjunções subordinativas integrantes “que” e “se”. As reduzidas apresentam verbo no infinitivo e podem ou não ser encabeçadas por preposição.

ORTOÉPIA E PROSÓDIA

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Ortoepia trata da correta pronúncia das palavras.
Exemplo: “advogado”, e não “adevogado” (o d é mudo).

Prosódia trata da correta acentuação tônica das palavras.
Exemplo: “rubrica” (palavra paroxítona), e não “rúbrica” (palavra proparoxítona).

Dessa forma, segue abaixo uma lista das principais palavras que normalmente apresentam dúvidas quanto à sua pronúncia e tonicidade corretas.

ACRÓBATA / ACROBATA: esta palavra, COMO MUITAS OUTRAS DE NOSSA lÍNGUA, admite as duas pronúncias: acróbata, com ênfase na sílaba “cró”, ou acrobata, com força na sílaba “ba”. Também é indiferente dizer Oceânia ou Oceania, transístor ou transistor (com força na sílaba “tor”, com o “ô” fechado).

ALGOZ: (carrasco): palavra oxítona, cuja pronúncia do “o” deve ser fechada (algôz, = arroz).

AUTÓPSIA / NECROPSIA: apesar de autópsia ter como vogal tônica o “ó”, a forma necropsia, que possui o mesmo significado, deve ser pronunciada com ênfase no “i”.

AZÁLEA / AZALÉIA: segundo os melhores dicionários, estas duas formas são aceitáveis;

AVARO: (indivíduo muito apegado ao dinheiro): deve ser pronunciada como paroxítona (acento tônico na sílaba va), e por terminar em “o”, não deve ser acentuada.

BOÊMIA: de origem francesa, relativa à cidade de Boéme, esta palavra tem sua sílaba forte no “ê”, e não no “mi”.

CARÁTER: paroxítona que apresenta o plural caracteres, tendo o acréscimo da letra “c”, e o deslocamento do acento tônico da sílaba “ra” para a sílaba “te”, sem o emprego de acento gráfico.

CATETER, MISTER e URETER: Todas possuindo sua acentuação tônica na última sílaba (tér), sendo assim oxítonas.

CHICLETE / CHOPE / CLIPE / DROPE: quando se referindo a uma só unidade de cada um destes produtos, deve-se falar “um chiclete, um chope, um clipe, um drope”, e não “um chicletes, um chopes, um clipes, um dropes”. Existe, ainda, a variante “chiclé” (um chiclé, dois chiclés).

CUPIDO e CÚPIDO: a primeira forma (paroxítona e sem acento) significa o deus alado do amor; a segunda (proparoxítona) tem o sentido de ávido de dinheiro, ambicioso, também pode ser usada como possuído de desejos amorosos.

EXTINGUIR: a sílaba “guir” desta palavra deve ser pronunciada como nas palavras “perseguir”, “seguir”, “conseguir”. Isso também vale para “distinguir”.

FLUIDO: pronuncia-se como a forma verbal “cuido”, verbo cuidar (com força no u). Assim também GRATUITO, CIRCUITO, INTUITO, fortuito. No entanto, o particípio do verbo fluir é “fluído”, acontecendo aqui um hiato, onde a vogal tônica agora passa a ser o “í”.

IBERO: Pronuncia-se como paroxítona (ênfase na sílaba BE, IBÉRO).

INEXORÁVEL: (= austero, rígido, inabalável…): esse “x” lê-se como os de exemplo, exame, exato, exercício, isto é, com o som de “z”.

LÁTEX: tendo seu acento tônico na penúltima sílaba e terminando com a letra x, é uma palavra paroxítona, e como tal deve ser pronunciada e acentuada.

MAQUINARIA: o acento tônico deve recair na sílaba “ri”, e não sobre a sílaba “na”.

NÉON: muitos dicionários apresentam esta palavra como paroxítona, sendo acentuada por terminar em “n”; no entanto, o dicionário Michaelis Melhoramentos, recentemente editado, traz as duas grafias: néon (paroxítona) e neon (oxítona).

NOVEL e NOBEL: palavras oxítonas que não devem ser acentuadas.

OBESO: palavra paroxítona que deve ser pronunciada com o “e” aberto (obéso). Também são abertos o “e” de outras paroxítonas como “coeso” (coéso), “obsoleto” (obsoléto), o “o” de “dolo” (dólo), o “e” de “extra” (éxtra) e o “e” de “blefe” (bléfe). Apresentam-se, porém, fechados o “e” de “nesga” (nêsga), o de “destro” (dêstro), e o “o” “torpe” (tôrpe).

OPTAR: ao se conjugar este verbo na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo, deve-se pronunciar “ópto”, e não “opito”. Assim também em relação às formas verbais “capto, adapto, rapto” – todas com força na sílaba que vem antes do “p”.

PROJÉTIL / PROJETIL: ambas as formas têm o mesmo significado, apesar de a primeira ser paroxítona e a segunda oxítona. Plurais: PROJÉTEIS / PROJETIS.

PUDICO: (aquele que tem pudor, envergonhado): palavra paroxítona (ênfase na sílaba “di”).

RECORDE: deve ser pronunciada como paroxítona (recórde).

RÉPTIL / REPTIL: mesmo caso da palavra PROJÉTIL. Plurais. RÉPTEIS / REPTIS.

RUBRICA: palavra paroxítona, e não proparoxítona como se costuma pensar (ênfase na sílaba “bri”).

RUIM: palavra oxítona (ruím).

RUPIA / RÚPIA: a primeira forma se refere à moeda utilizada na Indonésia (força no “i”) e a segunda é relativa a uma planta aquática (com ênfase no “ú”).

SUBSÍDIOS: a pronúncia correta é com som de “ss”, e não “z” (subssídios).

SUTIL e SÚTIL: a primeira forma, sendo oxítona, significa “tênue, delicado, hábil”; a segunda, paroxítona, significa “tudo aquilo que é composto de pedaços costurados”.

TÓXICO: pronuncia-se com o som de “cs” = tócsico.

Nota
Existe alguma discordância quanto ao som do “x” de “hexa-“. O Dicionário Aurélio – Século XXI, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa – da Academia Brasileira de Letras, e o dicionário de Caldas Aulete dizem que esse “x” deve ter o som de “cs”, e deve ser pronunciado como o “x” de “fixo”, “táxi”, “tóxico”, etc. Já o “Houaiss” diz que esse “x” corresponde a “z”, portanto deve ser lido como o “x” de “exame”, “exercício”, “êxodo”, etc.. Na língua falada do Brasil, nota-se interessante ambigüidade: o “x” de “hexágono” normalmente é lido como “z”, mas o de “hexacampeão” costuma ser lido como “cs”.