POSTURA CORPORAL X DISTÚRBIO MIOFUNCIONAL

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Autor: Edson Albuquerque Maranhão de Oliveira

POSTURA CORPORAL X DISTÚRBIO MIOFUNCIONAL SOB UM PROGNÓSTICO FISIOTERAPÊUTICO

Rio de Janeiro – 2002

Aos meus pais, esposa, filhos, amigos e professores que nos apoiaram e incentivaram nesta realização.

Dedico!

AGRADECIMENTOS

À Deus, por ter me dado a oportunidade de concretizar este trabalho.

Aos meus pais, por minha formação pessoal e profissional.

À minha esposa, que se colocou disponível, gratificante, confiante, participativa, honesta e motivadora na realização dessa conquista.

Aos professores que compuseram a grade curricular do curso, pelo dinamismo e profissionalização com que transmitiram os seus conhecimentos.

RESUMO

O presente estudo teve como objetivo principal uma reflexão sobre as possíveis compensações posturais que acompanham muitos casos clínicos de distúrbios miofuncionais. Estas compensações se não consideradas como um dado importante causam reflexos no prognóstico deste paciente. Podem causar também uma frustração por um trabalho que não evolui da maneira esperada, tanto pelo fisioterapeuta, quanto pelo paciente, e pelos outros profissionais envolvidos no trabalho. Este trabalho realizou uma pesquisa de campo com 57 crianças da primeira à quarta série de uma escola particular em Fortaleza, do Estado do Ceará, visando verificar as alterações posturais existentes e a relação destas alterações com os distúrbios miofuncionais. De todas as observações realizadas e pela revisão dos autores, o que mais chamou a atenção é o fato de que realmente existe um número muito maior do que se imagina de pessoas que apresentam alterações. Talvez o termo mais correto seria compensações, que surgem devido ao fato de o corpo humano ser uma unidade funcional, e como tal, passível de modificações. Um desequilíbrio em alguma estrutura pode refletir em todo o restante do sistema. Estas compensações são feitas por crianças quanto por adultos com alterações dentárias, respiradores bucais, ou com disfunção da ATM. Sendo estas compensações importantes e freqüentes, cabe aos profissionais especializados detectá-las, para o tratamento ser o mais global possível. Pois, se o corpo humano é uma unidade funcional, não basta corrigir um segmento, é preciso agir sobre o paciente como um todo, caso contrário corre-se o risco do fracasso profissional.

INTRODUÇÃO

A face de uma pessoa é seu cartão de visitas, para a qual busca-se beleza e harmonia. Dependendo da forma com que nos olhamos no espelho, julgamo-nos melhores, piores, bonitos ou feios. Após termos nossa aprovação, olhamos para o restante do corpo, alinhamo-nos posturalmente, viramos para um lado, para outro, e só depois de tudo isso sentimo-nos aptos a sair para o trabalho, um encontro ou uma festa. Um distúrbio miofuncional, além de toda a alteração específica que manifesta, acaba também desequilibrando a estética do indivíduo, tanto no repouso – pelo aspecto muscular – quanto nas funções que realiza: alguém que tem distorções na fala, que tem alterações dentárias, que mastiga “feio”, acaba chamando a atenção pelo aspecto desagradável.

Sendo a fisioterapia uma das ciências que estuda as alterações miofuncionais, cabe a nós, profissionais especializados nesta área, buscarmos um conhecimento mais amplo para maior satisfação dos nossos pacientes.

Nesta perspectiva, devemos estar atentos aos progressos e estagnações do processo terapêutico e olhar o paciente como um todo, como alguém que busca uma harmonia única além de um equilíbrio funcional e estético, a fim de obter melhores condições sociais e de trabalho.

Partindo da premissa de ser o corpo humano uma unidade sincrônica e indissociável, buscamos questionar até que ponto as técnicas terapêuticas utilizadas em fisioterapia são realmente eficazes.

Eventualmente, não é percebido por um profissional que avalia uma alteração em outro segmento corporal, não raro, uma adaptação em resposta à própria alteração oral. As conseqüências são tempos prolongados de terapia, com resultados não tão eficientes quanto se poderia obter se houvesse a percepção do paciente como um todo. Estabeleceremos, dessa forma, um paralelo que busca evidenciar que o corpo pode estar adaptado a uma condição própria disfuncional e, se não nos atentarmos para esta alteração corporal, dificilmente a face responderá às técnicas terapêuticas.

Este estudo faz uma revisão bibliográfica sobre os distúrbios miofuncionais mais comuns na prática clínica, correlacionando-os com as alterações posturais decorrentes daquelas. Queremos demonstrar também por que e de que forma isto acontece e como superar este problema, de forma a otimizar o atendimento ao nosso cliente, tendo como resultado a satisfação por um trabalho bem feito. Não serão mencionadas questões acerca de tratamentos específicos ou formas de prevenção, uma vez que nossa preocupação será evidenciar como o fisioterapeuta pode detectar a existência de um problema corporal que esteja relacionado ao distúrbio miofuncional e, junto a outro profissional, avaliar até que ponto esta adaptação postural não está interferindo no prognóstico terapêutico.

Buscando uma associação entre teoria e prática, este trabalho apresenta os resultados de uma pesquisa de campo realizada com crianças de 1ª à 4ª séries de uma escola particular localizada em Fortaleza, no Estado do Ceará, abordando o mesmo tema em uma amostra sem pré-requisitos de fisioterapia, fisioterapia ou ortodontia.

A escolha da amostra teve como referencial o fato de estarem as crianças em processo de dentição mista, além de representarem fases de diferentes alinhamentos posturais.

Evidencie-se que, a princípio, todas as crianças são consideradas sem alterações.

O objetivo geral desta pesquisa foi caracterizar alguns dos distúrbios miofuncionais mais freqüentes, relacionando-os com a postura corporal e suas alterações, estabelecendo uma correlação entre estes eventos.

Além disso, pretendeu-se:

evidenciar a condição própria funcional do corpo, uma unidade sincrônica que altera e sofre alterações;
possibilitar um (re) pensar sobre o paciente nas abordagens terapêuticas, não enxergando-o somente como uma “boca que não funciona direito”, mas como um conjunto passível de alterações inter-relacionadas;
permitir um olhar holístico sobre o indivíduo portador de alteração miofuncional, na perspectiva de que as disfunções ou os desequilíbrios alteram o conjunto de fatores determinantes da estabilidade orgânica;
observar, no conjunto de uma população tida como normal, a existência desta relação funcional: o que faria parte do próprio desenvolvimento de cada criança e o que estaria adaptado a uma condição possivelmente patológica;
contribuir com a construção do conhecimento na área estudada.
A escolha deste tema é produto da constatação na prática clínica diária, de que alguns pacientes com alterações miofuncionais não respondem satisfatoriamente à fisioterapia. Em uma busca teórica às várias perguntas que nos ocorriam para explicar a razão da resposta clínica de alguns pacientes, verificamos que profissionais de condutas afins, como o fisioterapeuta e o odontólogo, já evidenciaram tal correlação em suas áreas específicas, servindo de base para a construção de nosso referencial teórico no assunto. Na fisioterapia clínica, onde o tema é de fundamental importância, os estudos ainda são incipientes, o que justificam a escolha do mesmo.

Não podemos nos referir a nenhuma das anormalidades detectadas em nossos pacientes sem que, de imediato, tenhamos a necessidade de perceber suas inter-relações com um todo. Acreditamos ser este o caminho a ser trilhado com vistas ao êxito profissional, como também para a credibilidade do nosso trabalho frente a outras ciências.

1 – CARACTERIZANDO OS DISTÚRBIOS MIOFUNCIONAIS

O sistema estomatognático é uma entidade fisiológica funcional, perfeitamente definida e integrada por um conjunto heterogêneo de órgãos e tecidos, cuja biologia e fisiopatologia são absolutamente interdependentes. A saúde biológica de todo o sistema estomatognático depende, em alto grau, da perfeita harmonia funcional entre seus constituintes fisiológicos. Quando cada um e todos trabalham corretamente e harmoniosamente, as funções são realizadas com o máximo de eficiência e o mínimo de gasto de energia. A função normal preserva e cria condições que favorecem a saúde biológica – auto-estímulo.

Qualquer terapêutica que vise corrigir os distúrbios morfofuncionais desse aparelho orgânico deve ser conduzida, segundo os fundamentos anatomo-fisiológicos de todas as partes isoladas, mas que funcionam coletiva e interdependentemente como uma unidade biológica.

JUNQUEIRA (1997), define distúrbio miofuncional como a alteração dos músculos e das funções desempenhadas pelos órgãos articulatórios cujas características são: alterações das posturas orais, alterações do tônus dos músculos orofaciais, alterações de respiração, deglutição, mastigação e fala.

Dentro do aparelho morfofuncional da face existe o aparelho estomatognático, que se utiliza de elementos ósseos, dentários e neuromusculares para o exercício de suas funções de modo integrado e sinérgico. Sabe-se ainda que o aparelho estomatognático está em ampla e total situação de inter-relação com os componentes da face. Isto ocorre pela relação de contigüidade anatômica e pela ação de feed-back entre o aparelho mastigatório e o aparelho respiratório. Visto isso, todo o complexo mio-ósteo-dento-facial atua de forma conjugada e sincrônica, anatômica e funcionalmente e, como tal, deve ser tratado em caso de apresentar anomalias que envolvam alterações de forma e de suas funções.

O objetivo do tratamento ortodôntico e fisioterapêutico é o equilíbrio estético, psicológico e funcional do paciente que nos procura. Devemos ter em mente o tratamento da face como um todo, ao invés de restringirmo-nos ao estreito objetivo, que seria o alinhamento dos dentes em si, a oclusão dentária e as alterações funcionais e musculares.

O íntimo relacionamento da oclusão dentária, da articulação têmporo-mandibular (ATM) e das funções orais com a postura da cabeça e do corpo estabelece um novo paradigma para os tratamentos da maloclusão dentária.

O equilíbrio de forças em torno dos dentes na cavidade oral é mantido intra-oralmente pela língua e extra-oralmente pela musculatura perioral, formando um completo arcabouço muscular que auxilia tanto na sustentação dentária quanto no bom andamento funcional de todo o sistema estomatognático. Os músculos dos lábios e das bochechas são de tal forma entrelaçados que a ação de um reflete em todos os demais.

As fibras do mecanismo muscular do músculo bucinador se entrelaçam com as do músculo constritor superior e seguem posterior e medialmente, até ancorarem no tubérculo faríngeo do Atlas (primeira vértebra cervical), por isso, a importância da postura corporal e da cabeça durante o trabalho miofuncional. Sendo assim, qualquer ação que venha prejudicar esta sincronia, prejudica automaticamente todo o funcionamento do sistema.

Para ENLOW (1993), o tratamento ortodôntico ­ aqui incluindo o equilíbrio oclusal – condiciona os reflexos da deglutição que, por sua vez, ajudam a estabilizar o resultado ortodôntico oclusal. Há participação, neste processo, de uma adequada postura labial, lingual e mandibular, uma correta maneira de respirar e uma adequada potência mastigatória.

Os estímulos de crescimento da face para este autor são: (1) as funções orais de sucção, mastigação e deglutição, exercidas por ações musculares e (2) a aeração dos seios paranasais. Este crescimento se dá tanto na altura quanto na largura facial. No crânio, é a pressão intracraniana que o faz crescer. Baseando-nos nestes estímulos de crescimento, podemos constatar o quanto a face cresce, bem como, quais os fatores que podem alterar este crescimento, já que a face tem um plano pré-determinado pela hereditariedade e modificado pelos fatores ambientais. Sendo assim, temos que acompanhar o crescimento facial e o estabelecimento da relação oclusal, a fim de vermos a normalidade, estimular os fatores positivos e impedir os negativos.

Embora o indivíduo obedeça a um padrão de crescimento pré-determinado geneticamente, sabemos que, com o crescimento dos músculos, sua migração e inserções, as variações da função neuromuscular e as funções anormais influenciam marcadamente alguns aspectos do crescimento e da formação crânio-facial.

Estudos de KRAKAUER (1997), evidenciaram que a bagagem genética, mais do que a obstrução nasal, é provavelmente o determinante do tipo morfológico do indivíduo. Com esta incidência, é possível afirmar que, durante o crescimento normal a função ajuda a determinar a morfologia e que, uma função alterada pode produzir uma morfologia alterada. Para ENLOW (1993), a maioria dos pesquisadores da atualidade, acredita que a função desempenha um papel de destaque na determinação do tamanho e da configuração da mandíbula.

Sendo a oclusão fundamental para a estabilização de um tratamento fisioterápico, bem como para o equilíbrio do sistema estomatognático, é indispensável que haja uma oclusão orgânica, ou seja, forma e função bem orientadas mantendo os dentes em equilíbrio, funções estomatognáticas atuantes e uma ATM saudável. Isto se traduz em equilíbrio estético da face de aspiração universal, uma vez que a beleza e a harmonia da face trazem vantagens sociais. Há uma inter-relação entre hábitos orais e crescimento facial e desenvolvimento da dentição, com repercussões sobre toda a estética, harmonia e plasticidade externa da face.

KRAKAUER (1997), afirmou que muitos casos de maloclusão são direta ou indiretamente relacionados a hábitos de natureza neuromuscular. Forças musculares anormais, contínuas ou intermitentes, não somente tornam a forma do arco dentário irregular como também causam má posição dental.

KRAKAUER (1997), afirmou que maus hábitos causam maloclusões, através de alterações no processo de crescimento, dependendo da duração, freqüência, intensidade e tipo de hábito inadequado. A sucção digital ou de chupeta poderia ocorrer concomitantemente com deglutição atípica, respiração bucal e sucção de lábios, mantendo a maloclusão instalada.

Os hábitos parafuncionais ­ hábitos orais deletérios à morfologia crânio-facial – devem ser retirados, pelo dano que causam ao crescimento e desenvolvimento e, consequentemente, à estética da face. Nesta perspectiva, abordaremos as funções anormais de língua durante a fala, repouso e deglutição, com especial ênfase nas disfunções da ATM e na respiração bucal, por ser este último, o hábito parafuncional mais comum e, por isso, a causa mais freqüente das anomalias faciais e dentárias.

1.1 – Funções anormais da língua durante a fala, repouso e deglutição

A postura em repouso dos órgãos articulatórios tem sido descrita por muitos autores como uma das possíveis causas de maloclusões. É também citada como uma das principais causas de recidiva após tratamentos ortodônticos. Estando os dentes em equilíbrio e em harmonia por forças musculares antagônicas: uma de contenção interna e outra de contenção externa; havendo um desequilíbrio desses músculos – língua de um lado e mecanismo bucinador do outro – os dentes sairão de suas inclinações axiais corretas, procurando outras posições de equilíbrio, e a estabilidade e harmonia dos arcos dentários podem ficar seriamente prejudicados, determinando deformações dento-faciais na região onde houver pressões atípicas de língua e/ou lábios.

A posição de repouso de lábios e língua desempenha importantíssimo papel no estabelecimento e manutenção da posição dos dentes nos arcos dentários. Existe íntima relação entre as atividades labial e lingual e, consequentemente, um mau posicionamento e funcionamento labial, com freqüência poderá estar relacionado à má postura e função da língua.

A postura da língua em repouso é ainda um componente importante para se compreender todas as funções orais. Mastigar e deglutir alimentos, deglutir saliva, líquidos e falar alguns sons acontecem com a língua em posição semelhante ao repouso, ou seja, geralmente acoplada ao palato.

Existem ainda inúmeros benefícios quando a língua se mantém na postura ideal de repouso: ajuda a manter a mandíbula na sua postura fisiológica de repouso auxiliando seu crescimento normal. O palato duro e os seios maxilares também são positivamente afetados.

Salientamos que, para cada padrão facial definido, tanto o grau de prejuízo de um hábito parafuncional qualquer, quanto a própria postura de repouso, irão variar de acordo com a característica própria do tipo facial e acomodação de partes moles neste tipo. Neles, as posturas de língua dependem do espaço intra-oral disponível.

Este fato nos faz traçar abordagens terapêuticas distintas adequadas aos tipos faciais. Abordagens estas resultantes de diagnósticos também diferenciados pelos mesmos motivos. Sendo assim, temos uma nova maneira de ver a alteração/adaptação postural da língua em cada cliente.

A posição normal da ponta da língua, para BIANCHINI (1995), tem relação com a dimensão vertical e ântero-posterior da cavidade oral, uma vez que o tamanho e posição da mandíbula interferem diretamente nesta postura. A postura de repouso de língua adapta-se à parte esquelética. Assim, observa-se uma posição mais elevada e anteriorizada da língua na classe II esquelética, em função da retrusão e inclinação mandibular e uma posição no soalho da boca mais plana, na classe III esquelética. A postura protruída ou interdental de língua está relacionada às mordidas abertas esqueléticas, como adaptação à altura inferior da face aumentada. A postura anormal da língua relaciona-se à sua própria tensão e morfologia, além do componente respiratório, podendo estar associada com amígdalas aumentadas e alterações respiratórias.

1.2 – Respiração Bucal

É a principal responsável pelos encaminhamentos aos consultórios fisioterápicos, sendo por isso, o nosso grande desafio. A respiração nasal é a respiração fisiológica do ser humano. Para que este tipo respiratório ocorra, necessita-se integridade anatômica e funcional das vias aéreas, ou seja, não devem apresentar impedimento à passagem do ar.

Quando há qualquer tipo de impedimento, criam-se as condições para que surja a respiração bucal de suplência, ou seja, a quantidade de ar inspirado não é suficientemente grande para suprir a necessidade e, para compensar esta falta, o indivíduo abre a boca utilizando-a também para respirar. Na alteração do mecanismo respiratório, além de todas as alterações dentárias e de crescimento facial, surge um mecanismo compensador com modificação total do posicionamento da cabeça e de toda a estrutura facial.

Uma vez instalada esta respiração de suplência ou de substituição, serão grandes as possibilidades da criança vir a desenvolver distúrbios miofuncionais, já que são bastante intensas as adaptações funcionais e musculares decorrentes da instalação desta respiração incorreta.

Para MICHELON (1997), os respiradores bucais adultos podem ser divididos em dois tipos:

1. Os que se tornaram respiradores bucais na fase adulta e apresentam problemas musculares e não ósseos, uma vez que o crescimento facial já havia terminado quando adquiriram esta condição;

2. Os que já eram respiradores bucais desde a infância, e que só procuraram tratamento na fase adulta. Nestes casos o paciente pode, às vezes, apresentar alterações de posicionamento das bases ósseas. A conseqüente acomodação dos músculos nestas bases ósseas alteradas não permite, muitas vezes, o pleno sucesso da terapia.

Desde o mais primitivo momento, a respiração nasal é uma situação vital elementar para o ser humano. Alterar o padrão respiratório e adquirir uma respiração bucal de suplência é uma adaptação funcional que acarreta modificações, não somente nos órgãos e aparelhos diretamente envolvidos, mas também na dinâmica corporal como um todo. A respiração bucal de suplência, sendo uma função adaptativa do sistema estomatognático, necessita de alterações estruturais que permitam sua instalação e funcionalidade. Estas alterações são acompanhadas de desequilíbrios miofuncionais que podem causar mudanças nas funções estomatognáticas e no eixo corporal, uma vez que existe uma relação entre obstrução nasal e morfologia crânio-facial.

SOLOW (1997), analisaram 120 sujeitos através de cefalometria e sugeriram que a conexão entre obstrução aérea nasal e alteração facial resulta em um alongamento do tecido mole facial, modificando a morfologia crânio-facial. De acordo com os autores, a obstrução nasal leva à modificação da postura de cabeça, o que irá influenciar o desenvolvimento dentofacial.

Algumas formas padrão de maloclusões estão sempre acompanhadas, e são, pelo menos nas primeiras fases, agravadas pela respiração bucal devido a alguma forma de obstrução nasal, sendo esta um fator contribuinte para o desenvolvimento da maloclusão.

A maloclusão pode ter como etiologia: obstrução das vias aéreas por pólipos, hipertrofia de amígdala faringeana, hipertrofia de amígdalas palatinas, desvio de septo, inflamação nasal, alergias, hipertrofia de cornetos, rinite vasomotora, rinite alérgica, além do hábito postural de manter-se de boca aberta. Quanto a isso, MARCHESAN (1998) nos diz que a flacidez dos músculos da face também pode levar a boca a se abrir, originando a respiração bucal.

As crianças com congestão nasal crônica, em geral, não se queixam da respiração bucal, pelo fato de não saberem que respirar pelo nariz é o correto e que pela boca é anormal. É o profissional especializado que deve constatar o hábito ou o vício e, agindo precocemente, minimizar o dano.

As conseqüências da respiração bucal para KRAKAUER (1997), são: (1) infecção das vias respiratórias; (2) transtornos nas mucosas nasal e bucofaríngea; (3) gengivites; (4) mau posicionamento da mandíbula; (5) maloclusões; (6) perda da tonicidade labial; (7) fonação incorreta; (8) estreitamento das narinas; (9) “adenoid facies”; (10) desenvolvimento torácico deficiente; (11) alongamento facial; (12) mordida aberta anterior; (13) palato duro alto; (14) ângulo do plano mandibular aumentado; (15) expressão facial vaga e (16) sensação de afogamento quando ocorrer o fechamento dos lábios.

MARCHESAN (1995) ainda lista: (1) hipotrofia, hipotonia e hipofunção dos músculos elevadores da mandíbula; (2) lábio superior curto ou retraído e inferior evertido ou interposto entre os dentes; (3) lábios secos e rachados com alteração de cor; (4) anteriorização da língua ou elevação do dorso para regular o fluxo de ar; (5) musculatura abdominal flácida ou distendida; (6) cabeça mal posicionada em relação ao pescoço, trazendo alterações para coluna no intuito de compensar este mau posicionamento; (7) ombros caídos para frente comprimindo o tórax; (8) assimetria facial visível, principalmente em bucinador; (9) mastigação ineficiente levando a problemas digestivos e engasgos pela incoordenação da respiração com a mastigação e (10) deglutição atípica com ruído, projeção anterior de língua, contração exagerada de orbicular, movimentos compensatórios de cabeça, dentre outras.

Outros aspectos também encontrados por MARCHESAN (1998) são: (1) dimensões faciais estreitadas; (2) propriocepção alterada; (3) deformidades torácicas; (4) voz com hiper ou hiponasalidade ou rouca; (5) fala imprecisa com articulação trancada e excesso de saliva; (6) dificuldades de atenção e concentração, gerando dificuldades escolares e (7) outros.

Segundo MOCELLIN (1997), na respiração bucal a boca fica constantemente aberta e a língua mantém-se em posição baixa, deixando o palato duro sem a resistência fisiológica necessária. Este mecanismo suprime a função de pressão que a língua deveria exercer em relação ao palato duro, e à arcada dentária superior, com isso, o sistema ósseo e muscular da face tende a comprimir a maxila, ou seja, as pressões externas da boca passam a ter mais força que as internas, desequilibrando o desenvolvimento palato-naso-maxilar.

Podemos ainda citar MICHELON (1997), que afirma que o hábito de respirar pela boca, desenvolvido a partir de obstruções nasais, é cada dia mais comum e faz com que as crianças durmam e comam mal, fiquem sonolentas durante o dia, tornem-se apáticas e irrequietas, tenham baixo rendimento escolar e fiquem com o desenvolvimento prejudicado, mas a maioria dos pais não dão muita importância ao problema.

Aquilo que se vê e que se percebe em uma face a ser tratada – forma e função – é o resultado de inadequações funcionais e físicas resultantes de etiologias multifatoriais. Essas etiologias expressam-se, às vezes, como causa e, eventualmente, como conseqüência de processos alérgicos, obstrução de vias aéreas, respiração bucal de suplência, alterações de tonicidade e de ação de toda a neuromusculatura facial, incluindo-se aí a língua em suas variadas funções.

A maloclusão dentária, aliada a respiração bucal, com várias repercussões orgânicas, desequilibra a organização muscular da mímica facial, da cervical e da cintura escapular e compromete a posição ortostática da cabeça. A posição anormal da cabeça altera as relações biomecânicas, crânio-cervicais e crânio-mandibulares, influindo no crescimento e na postura corporal do indivíduo, sendo importante a interceptação dos desvios funcionais nos seus estágios iniciais.

1.3 – Disfunções da Articulação Têmporo-Mandibular

Por articulação têmporo-mandibular (ATM) denominamos um conjunto de estruturas anatômicas que, com a participação de grupos musculares especiais, possibilita que a mandíbula execute vários movimentos.

SCHINESTSCK (1998) salienta que a importância de se analisar a ATM integralmente, visto que ela constitui um sistema dinâmico. As funções do sistema estomatognático, dependem em grande parte dos movimentos mandibulares e da relação que o crânio estabelece com a face e com a coluna cervical.

“A estabilidade ortostática postural do crânio sobre a coluna cervical é um fato importante no diagnóstico dos transtornos das disfunções crânio-mandibulares, tanto na criança como no adulto.” (ROCABADO, 1998: 35)

A ATM possui uma dinâmica complexa, variada e extremamente ativa, que põe em atividade forças intensas necessárias ao deslocamento da mandíbula e à realização das funções de mastigação, fonação, deglutição e expressão facial. Vários fatores influenciam na dinâmica da ATM: (1) a existência de uma base fixa, formada pelo crânio e pelos ossos da face, onde se encontra inserido o côndilo da mandíbula; (2) a necessidade de movimentos simultâneos entre as duas articulações, por ser a mandíbula um osso único; (3) a interdependência entre as ATMs e a oclusão dentária; (4) a inserção dos músculos da mastigação na mandíbula; (5) a sinergia muscular entre todas as massas musculares que participam dos movimentos articulares e (6) a influência do regime alimentar.

No momento em que houver um desequilíbrio em qualquer um dos fatores citados, tendo como possíveis causas: (1) alterações dentárias, (2) hábitos parafuncionais, (3) estresse e (4) outros, há uma compensação geral de todo o organismo em resposta à principal queixa destes pacientes, a dor, localizada tanto na região da ATM quanto na face, ou até mesmo em todo o crânio.

A disfunção da ATM, segundo BIANCHINI (1998), é um problema de etiologia multifatorial. Vários fatores, como problemas degenerativos, trauma na região da ATM, problemas oclusais, alterações esqueléticas, fatores emocionais e hábitos nocivos, podem levar a um desequilíbrio nesta articulação.

Um dos sintomas relatados pelos pacientes com alteração de ATM são as dores no pescoço, cabeça e orofaciais e até mesmo no tórax, costas, ombros, braços e pernas, e redução dos movimentos mandibulares com alterações mastigatórias. O resultado disso são posturas alteradas de forma a conter e tentar controlar a dor, que atuando como protetoras, acabam afetando a funcionalidade da musculatura mastigatória. A dor nesta musculatura é o motivo da procura pelo profissional, sendo verificada já na avaliação da condição muscular do pescoço e dos músculos mastigatórios.

Associados a estes, ainda aparecem os estalos, a sensação de pressão e/ou dores no ouvido, a sensação de travamento da mandíbula e outras alterações respiratórias quaisquer. BIANCHINI (1998) cita ainda a presença de dor na musculatura mastigatória e ATM; ruídos ao movimentar a mandíbula; limitação ou desvio do percurso mandibular; zumbido e alterações funcionais, especialmente da mastigação.

A atuação harmônica dos músculos que agem sobre a mandíbula é fundamental para o funcionamento adequado da ATM. Disfunções da ATM associam-se, sem dúvida, às alterações do sistema neuromuscular correlato. Tais alterações não se restringem aos músculos mandibulares, mas estendem-se, também, aos músculos a ele associados, especialmente os do pescoço e os dorsais.

SCHWARTZ (1997), aborda a relação entre os músculos mandibulares e a dor facial, afirma que a contração dolorosa e prolongada do masséter isoladamente é rara, sendo que os músculos cervicais e temporais quase sempre aparecem contraídos simultaneamente. Refere-se ainda ao fato de que o espasmo muscular dos músculos mastigatórios, às vezes, precede ou ocorre simultaneamente com a afecção dos músculos do colo e ombros.

Quando em equilíbrio funcional, anatômico e fisiológico com estes elementos e com o sistema neuromuscular correlato, as ATMs direita e esquerda funcionam sinergicamente, sem esforços intensos, dores ou estalos.

A ação coordenada dos músculos mastigatórios permite movimentos de abertura e fechamento, protrusão e deslocamento lateral da mandíbula que, funcionando harmonicamente como um conjunto de órgãos e tecidos de natureza diversa, exerce papel fundamental nas funções de mastigação, deglutição, respiração e fonação.

Nos quadros de disfunção da ATM, uma alteração nos mecanismos neuromusculares responsáveis pelos movimentos mandibulares é observada. Há um rompimento da interação harmônica e sincronicidade necessárias para assegurar a movimentação satisfatória da mandíbula.

Em termos gerais, tem-se constatado que o espasmo muscular dos músculos mastigatórios exerce papel fundamental na determinação da sintomatologia dos quadros de disfunção da ATM. Normalmente, o espasmo é causado por distensões ou contrações musculares excessivas, causadas por próteses ou restaurações dentárias mal adaptadas, perdas dentárias com igual perda de dimensão vertical, por fadiga causada por hábitos bucais inadequados como bruxismo, ou decorrente de causas psicológicas.

2 – AS CONSIDERAÇÕES SOBRE POSTURA CORPORAL

A posição ereta bípede do homem para GOULD (1993), resultou da evolução da espécie em milhões de anos de seleção natural, segundo a concepção darwiniana, pela qual as espécies que apresentam variações favoráveis são preservadas e as que apresentam mudanças desfavoráveis tendem a ser destruídas.

A atitude postural é um hábito permanente de colocar o corpo no espaço, posição a que o indivíduo sempre volta do exercício e do descanso. É característica do indivíduo e, provavelmente, depende da imagem que a própria pessoa faz do seu corpo.

Os estímulos sociais e culturais do meio ambiente, e a própria característica da personalidade do indivíduo podem alterar os movimentos e a postura corporal, pois uma postura correta demonstra, quase sempre, um equilíbrio emocional sadio.

2.1 – Neurofisiologia da postura ereta

A coluna vertebral é um eixo único que sofre alterações na sua forma, conforme modificações em seus segmentos.

GOULD (1993), define que a postura padrão ideal é a que envolve a mínima quantidade de esforço e sobrecarga e que proporciona o uso do corpo com maior eficiência. Esse padrão postural ideal é um padrão de alinhamento esquelético, porque a postura é basicamente questão de alinhamento.

GOULD (1993), tem uma concepção neuropsicomotora para definir postura como uma atitude natural, que não é nem consciente nem voluntária, mas constitui um modo de reação pessoal a um estímulo constante à gravidade. A atitude natural é registrada nos centros nervosos superiores e são a forma de um esquema de atitude – a representação mental que o indivíduo faz de seu equilíbrio geral. A atitude é também um comportamento social e um modo de expressão da personalidade.

O mesmo autor observa que, do ponto de vista estático, a atitude normal é como o homem normal – uma abstração. Na realidade, os indivíduos não são elementos anatomicamente idênticos, por isso, não podem ter uma atitude normal morfologicamente idêntica. Ao contrário, é possível, qualquer que seja a morfologia do indivíduo, definir um princípio geral de equilibração considerado normal e desejável. Esse princípio é o seguinte: uma atitude na qual cada segmento ocupa uma posição vizinha da sua posição de equilíbrio mecânico, é uma atitude normal.

Esse equilíbrio é mecanicamente econômico, porque demanda o mínimo de esforços para ser mantido e restabelecido.

A melhor postura é a que mantém o equilíbrio corporal com o mínimo de esforço e com perfeita sustentação e coordenação. O equilíbrio corporal deve proporcionar a máxima eficiência fisiológica e biomecânica.

As cadeias musculares do tronco nos têm permitido ver como esta unidade funcional de base é capaz de assegurar seu equilíbrio e seus movimentos, bem como a unidade funcional da cabeça e da coluna cervical. Como a coluna cervical está a serviço do movimento, as cadeias musculares têm que operar todo o tipo de movimento:

Flexão-extensão: que dependem da cadeia reta anterior (aproximação) e da cadeia reta posterior (endireitamento);
Torção ou flexão lateral ­ rotação: que dependem das cadeias cruzadas.
O excesso de tensão nas unidades formadas pelas cadeias retas leva ao encurtamento muscular e aumento das curvaturas. É importante sempre levar em conta que o alongamento das cadeias musculares se conserve, para manter sua capacidade de livre movimentação.

Os sistemas de aproximação e de endireitamento garantem a organização do corpo no plano sagital. O sistema cruzado assegura o movimento de torção, que garante o movimento nas três dimensões do espaço.

O sistema reto está para a estática, assim como o sistema cruzado está para o movimento. Estes dois sistemas não são antagônicos, mas sim complementares. No esquema estático, temos um equilíbrio entre os sistemas reto e o sistema antigravitacional.

O sistema antigravitacional é formado pelas cadeias ósseas e fasciais e pelas pressões interna abdominal e torácica.

Na análise das cadeias musculares se faz necessário preservar a “liberdade” das estruturas, a fim de que o sujeito possa mostrar plenamente através de seu corpo, da expressão de seu pensamento, o movimento e o gesto.

No plano articular é importante conservar a máxima amplitude, assim como o nível destes circuitos de forças representados pelas cadeias musculares. A fluidez destas cadeias se obterá a partir de todo o trabalho dos envoltórios fasciais, dos músculos e suas inserções, que mobilizam os segmentos ósseos. Porém, são os envoltórios fasciais, com suas inter-relações, os que percebem, analisam e controlam estes movimentos em nível de um funcionamento conjunto do corpo, a fim de não pôr em perigo o equilíbrio e o conforto (não dor).

2.2 – Definição anatômica da boa postura corporal

“O indivíduo em pé deve ter os pés ligeiramente separados, os dedos dos pés apontam diretamente para frente ou ligeiramente para fora, o peso do corpo cai principalmente sobre o meio do pé. Há extensão natural do joelho e quadris. Deve existir uma tal posição dos ossos pélvicos que irá equilibrar o peso diretamente sobre o acetábulo, a coluna funciona equilibradamente com peso distribuído ao seu redor. Isso requer a preservação de uma curvatura moderada da região lombar e uma posição natural dos ombros para trás, para trazer o peso para coluna, em vez do tórax. Nesta posição as escápulas são mais ou menos chatas, o tórax é levado para frente e existe um tônus normal dos músculos do abdome. A cabeça ereta também se equilibra facilmente sem tensão para trás ou distensão para frente. A posição permite que o indivíduo se movimente em qualquer direção. Esta posição é a mais naturalmente confortável e equilibrada do corpo em pé.” (MATHEWS, 1980: 26).

Esta postura é raramente observada, principalmente em crianças, uma vez que antes dos 10 anos seu padrão varia constantemente, por estarem testando novas maneiras de reagir à gravidade. Portanto, é necessário conhecer as mudanças que ocorrem na infância para determinar como se encontra seu padrão postural.

Após a adolescência, porém, já se pode falar, não sem as devidas considerações, de um padrão de postura, uma vez que há uma crescente estabilização do crescimento, fazendo com que o corpo não tenha mais necessidade de estar freqüentemente se ajustando às modificações, tão constantes até esse período.

À medida que a criança vai se desenvolvendo, vão se formando as curvaturas da coluna e também as atitudes posturais. No início, ainda no útero materno, a coluna vertebral se apresenta como uma única cifose. A partir do nascimento, como forma de responder às exigências do ambiente, começa a se formar a lordose cervical e, quando em pé, a lordose lombar. Até aproximadamente os 3 anos, a criança tem uma acentuada lordose lombar com os joelhos e pés valgos, o que caracteriza uma marcha anserina, semelhante ao andar de um pato.

Entre os 5 e 8 anos, ocorre um estirão de crescimento, o que provoca uma desorganização no corpo da criança, que aos poucos vai reorganizando sua postura no espaço, se este desenvolvimento ocorrer de uma forma normal. Como a musculatura abdominal ainda não finalizou seu desenvolvimento, o tronco não sofre a ação adequada desta musculatura, não proporcionando o abaixamento das costelas e tendo por conseqüência sua anteriorização para compensar a falta de função abdominal.

A criança, portanto, acaba por se adaptar a uma nova postura, que nessa época é transitoriamente compensatória. A parte superior do tronco fica com menor sustentação, proporcionando uma postura desorganizada, com ventre protruso, escápulas aladas e ombros assimétricos.

KRAKAUER (1997), relatou que crianças até 7 ou 8 anos não possuem função adequada da musculatura abdominal, pois esta ainda não está totalmente desenvolvida. A musculatura abdominal é responsável pela estabilidade do esterno, costelas, pela extensão da coluna torácica, tendo uma importante função na respiração e na fala.

A criança que respira cronicamente pela boca, necessita adaptar a postura da cabeça, anteriorizando-a para que o ar chegue mais rapidamente aos pulmões. Com isso, ocorre mau posicionamento da cabeça em relação ao pescoço, trazendo alterações para a coluna no intuito de compensar este posicionamento. Desse modo, há necessidade de ocorrerem compensações posturais adaptativas de todo o organismo.

É interessante perceber que a posição da cabeça e do pescoço, em relação ao tronco, tem efeito definido sobre toda a organização do corpo. Quando o pescoço está projetado anteriormente, a musculatura do pescoço e da escápula são afetadas, provocando postura anormal. Os ombros ficam encurvados e o peito afundado.

De acordo com AZEREDO (1997), a hipótese etiológica para o peito escavado seria a associação de má permeabilidade nasal do paciente pediátrico com rinite alérgica ou bronquite, que normalmente respiram pela boca, na qual ocorre um aumento do trabalho da musculatura intercostal, deprimindo o esterno ao invés de projetá-lo em cada tempo inspiratório.

A postura alterada dos ombros terá como conseqüência um desajuste das escápulas, que ficarão em posição de “asas abertas” ou “escápulas aladas”. Como a localização das escapulas é determinada pelas clavículas, um desequilíbrio afetaria também os músculos ligados a elas.

Com todas estas alterações posturais que podem ocorrer no respirador bucal, a coluna vertebral como um eixo de sustentação também poderá apresentar adaptações morfológicas, sendo a cifose, a escoliose e a lordose as alterações mais freqüentes.

Com todo o comprometimento muscular, a criança que respira pela boca, o faz de forma mais rápida e mais curta, criando uma deficiência de oxigenação. Neste processo, a ação do diafragma é pequena, levando-o ao relaxamento, o mesmo acontecendo com a musculatura abdominal, que associada à ingestão constante de ar, leva o respirador bucal a ter uma barriga acentuada. A postura lordótica, que muitas vezes o respirador bucal apresenta, associada à anteversão pélvica, contribui para protrusão do abdômen.

Como resultado destas posturas anormais, os joelhos também se adaptarão, apresentando-se em semiflexão e os pés apresentarão diminuição do arco plantar, pois, com toda esta desorganização corporal, o centro de gravidade ficará mais anteriorizado e o apoio dos pés ficará mais frontal para manter o equilíbrio. Com isso, a marcha também poderá apresentar-se alterada.

3 – AVALIAÇÃO POSTURAL

3.1 – Pontos de referência anatômica

Segundo o protocolo de GOULD (1993), para o exame, o indivíduo deve ficar em pé junto a uma linha de prumo suspensa. Observado de costas e de frente ele fica de pé de modo que os pés estejam eqüidistantes da linha, em vista lateral, de tal modo que o ponto imediatamente a frente do maléolo lateral esteja em linha com o fio de prumo, à frente da articulação do tornozelo, ligeiramente à frente do centro da articulação do joelho, e ligeiramente atrás do centro da articulação do quadril.

A avaliação postural baseia-se no raciocínio de que cada segmento do corpo – a cabeça, o tronco e os membros inferiores – tem seu próprio centro de gravidade e quando os centros de gravidade de todos os segmentos estão perfeitamente alinhados uns sobre os outros, as forças de gravidade que agem sobre o corpo estão em equilíbrio.

A chave para o bom alinhamento postural é a posição da pelve. Os músculos que mantêm bom alinhamento da pelve, tanto ântero-posterior quanto lateralmente, são de importância capital na manutenção do bom alinhamento global. O desequilíbrio entre os músculos que se opõem uns aos outros em pé alteram o alinhamento da pelve e afetam a postura das partes do corpo acima e abaixo.

SCHINESTSCK (1998) diz que, a cabeça mantém sua posição ortostática através de um complexo mecanismo muscular. Os poderosos músculos do pescoço e da escápula são os responsáveis pela manutenção da cabeça e corpo eretos. Os músculos da região posterior do corpo são mais potentes e fortes do que os da região anterior. A ação destes grupos musculares é que mantém a postura corporal e produzem o movimento. O equilíbrio da cabeça depende da região posterior, dos músculos cervicais e subocciptais, que relacionam o crânio com a coluna cervical e cintura escapular.

A parte mais baixa depende dos músculos mastigatórios e da musculatura supra e infrahioidea. O autor enfatiza que, na análise do sistema estomatognático não se podedesprezar a sua relação com as estruturas da cabeça e do pescoço, que devem ser avaliadas em conjunto e ter tratamento integral.

KRAKAUER (1997), também teceu considerações sobre o crescimento e desenvolvimento do indivíduo normal. Relata que as mudanças de estrutura que ocorrem no organismo decorrem da exigência fisiológica deste. Em todo o período de crescimento existe uma flexibilidade do organismo. Essa flexibilidade estrutural permite que o crânio se adapte, durante a vida do indivíduo, às exigências mecânicas de uma postura cada vez mais ereta.

A função fisiológica dos sistemas respiratório, sensorial, dentário e outros provoca a adaptação anatômica do crânio. Os músculos das costas e do pescoço contrabalançam o peso da cabeça quando esta se inclina para frente, impedindo-a de cair nessa direção. Se esse equilíbrio sofrer alguma interferência, a postura da cabeça também experimenta mudanças. Portanto, os músculos do pescoço e das costas funcionam como equilibradores da cabeça.

KRAKAUER (1997), relatam a importância de quatro funções básicas no desenvolvimento da coordenação motora, sendo elas: o enrolamento, o endireitamento, a torção e a tensão. Dessas posições depende o desenvolvimento psicomotor da criança, que a levará progressivamente à autonomia e à conquista do mundo exterior.

Falam também sobre o desenvolvimento do tronco e da cabeça, dizendo que, na cabeça o enrolamento é um movimento muito complexo, iniciado a partir dos músculos dos lábios e que coordena todos os músculos da deglutição, do centro hioideano e permite a báscula da cabeça para frente, abrindo atrás o espaço das duas primeiras vértebras cervicais. Esse movimento representa uma pequena inclinação dianteira da cabeça. Fazem também considerações sobre a desarmonia dos músculos do enrolamento (flexores), e do endireitamento (extensores).

KRAKAUER (1997), ainda analisa Denys-Struyf, que relatou a busca do equilíbrio que o indivíduo faz para se manter em uma postura confortável, adotando um padrão individual, mesmo que alterado em relação à normalidade.

O equilíbrio do homem em pé resulta do jogo de três massas: cefálica, torácica e pélvica. A observação de uma pessoa inicia-se pela sua expressão em pé, em particular pela observação dos modos por ela adotados para encontrar o equilíbrio na posição em pé natural. As formas de expressão corporal consideradas principais estão associadas às formas adotadas para garantir o equilíbrio do corpo em pé no plano sagital.

Algumas características sobre o paciente que apresenta respiração bucal são citadas por KRAKAUER (1995), destacando-se as alterações de postura, dos órgãos articulatórios e das funções do sistema estomatognático. Dentre as alterações posturais, é possível elencar as seguintes características: deformidades torácicas; músculos abdominais distendidos ou flácidos; posição inadequada da cabeça em relação ao pescoço, provocando mudanças posturais na tentativa de compensar o mau posicionamento; ombros posicionados para frente comprimindo o tórax. Estes autores discutem ainda a importância de se fazer um diagnóstico adequado, levando-se em consideração a história respiratória do paciente e como esse dado influi na abordagem terapêutica.

4 – BUSCANDO CONSTRUIR UMA INTER-RELAÇÃO

O organismo é um todo em suas partes, como nos diz SCHINESTSCH (1996), e assim deve ser visto e tratado. Não existem limites nem fronteiras entre seus órgãos ou funções.

Conforme o mesmo autor, o sistema estomatognático é um grande e indivisível sistema. Está interligado e não pode ser tratado isoladamente, mas sim por uma equipe multidisciplinar.

Para se ter uma idéia do recíproco condicionamento entre as articulações crânio-mandibular e crânio-cervical, é suficiente um tempo não superior a 30 segundos: (1) com a cabeça flexionada sobre o peito: abrindo e fechando a mandíbula, os primeiros contatos dentários acontecem entre os incisivos; (2) cabeça em posição intermediária: abrindo e fechando a mandíbula, os primeiros contatos dentários são entre os pré-molares e (3) cabeça em extensão máxima: fechando a mandíbula, o primeiro e único contato dentário acontece entre os molares.

Os responsáveis por todas estas variações deste complexo sistema são os músculos. E este fato, associado à atividade funcional muscular promove efeitos parecidos que deverão acontecer na atividade parafuncional ou nas disfunções musculares. Os músculos posteriores do pescoço são longos, potentes e tem inserções em toda a coluna cervical e torácica, e também no crânio. Existem muitas inserções musculares que interligam crânio-pescoço-tronco, tornando-os uma unidade funcional, sincrônica e equilibrada.

Quando a cabeça é mantida ereta em uma posição relaxada, não existe contato entre os dentes opostos. Esta relação da mandíbula com o crânio é denominada de posição postural de repouso, e representa um equilíbrio dos vários tecidos moles – músculos da cabeça e pescoço, cápsulas articulares, ligamentos e discos articulares. Esta posição se altera com as diferentes posições do corpo e da cabeça e é influenciada pela oclusão, bem como, pelas condições fisiológicas e patológicas. Os músculos mastigatórios ficam relaxados na posição postural.

A função do conjunto de estruturas que compõem o chamado sistema estomatognático é dependente, não só das estruturas topograficamente envolvidas, como também mantém relações estreitas com a respiração e o posicionamento da cabeça.

Atualmente entende-se que alterações localizadas nos segmentos corpóreos implicam em alterações em cascata da postura e, consequentemente, das funções motoras dependentes da mesma.

Pela própria relação de contigüidade, as atividades dos músculos elevadores e abaixadores da mandíbula estão relacionadas com as atividades dos músculos do pescoço e do tronco como, por exemplo, no fechamento forçado da mandíbula, associando-se aos músculos elevadores, contrações dos músculos da face e pescoço para auxiliar na realização do movimento.

Durante a vida do indivíduo, a postura corporal vai se tornando cada vez mais ereta, sendo que os sistemas respiratório, sensorial, dentário, e outros, provocam a adaptação anatômica do tronco em relação ao pescoço, pois os músculos do tronco e do pescoço exercem um papel muito importante no equilíbrio da cabeça. ROLF (1990) acrescenta que, se ocorrer alguma interferência neste equilíbrio, a postura desta sofre mudanças.

Os problemas posturais da mandíbula estão envolvidos com distúrbios respiratórios e auxológicos (crescimento). Toda a disgnatia (alteração mandibular) representa a expressão dentofacial de um distúrbio esquelético geral.

KRAKAUER (1997), considera que existe um relacionamento indissociável entre a maloclusão dentária e postura anormal da cabeça, com quadro clínico de vias aéreas superiores bloqueadas e adenóides hipertrofiadas.

Torna-se mais confortável respirar pela boca (respiração de suplência), com a cabeça inclinada para trás, do que com ela em postura natural.

A postura habitual da cabeça, para BIANCHINI (1995), é relevante tanto para o diagnóstico quanto para a terapêutica. Segundo esta autora, as alterações respiratórias modificam todo o comportamento do sistema estomatognático e interferem na postura da cabeça, como mecanismo compensador, no sentido de facilitar a respiração.

KRAKAUER (1997), examinou radiograficamente 120 sujeitos entre 20 e 22 anos e encontrou correlações entre extensão postural da cabeça e coluna cervical em sete parâmetros, incluindo uma diminuição do espaço nasofaríngeo.

A cabeça mantém sua posição ortostática através de um complexo mecanismo muscular. Os poderosos músculos do pescoço e da escápula são os que mantêm a cabeça e o corpo eretos. Os músculos da região posterior do corpo são mais potentes e fortes do que os da região anterior. A ação destes grupos musculares é que mantém a postura corporal e produz movimento. O equilíbrio da cabeça depende da região posterior, dos músculos suboccipitais, que relacionam o crânio com a coluna cervical e a cintura escapular. A parte mais baixa depende dos músculos mastigatórios e da musculatura supra e infra-hioidea.

SALOMÃO (1994), relatou que a falta de harmonia e de flexibilidade da língua, lábios, palato e mandíbula, em geral estão relacionadas a uma desarmonia e a uma falta de flexibilidade nos níveis da cabeça e do pescoço. Essas características associam-se a uma desarmonia na estética e/ou na dinâmica do eixo corporal. Ressaltou ainda a importância de se avaliar o eixo do paciente quando este apresenta distúrbios oro-mio-funcionais. Nesta avaliação realiza-se a verificação do eixo estático e dinâmico.

O eixo estático deve ser examinado com o indivíduo nas posições em pé e sentado (vista anterior, posterior e perfis). O eixo dinâmico é analisado a partir de observações feitas em atividades dinâmicas como correr, pular e andar com os dois pés juntos. Além da análise do eixo, deve-se também avaliar as funções estomatognáticas, tonicidade dos órgãos articulatórios, hábitos e articulação. A autora acredita que, a partir desse enfoque mais integrador, pode-se ter um melhor diagnóstico e, portanto, uma terapia fisioterápica mais eficiente. O autor enfatizou que, a análise do sistema estomatognático não pode separar-se de sua relação com as estruturas da cabeça e do pescoço, devem ser avaliadas em conjunto e ter tratamento integral.

KRAKAUER (1997), faz uma coletânea de várias pesquisas, entre elas, Vig, Showfety & Phillips, que exploraram a relação entre obstrução aérea nasal e alteração postural com 30 sujeitos. Ocluindo as narinas dos indivíduos durante uma hora e meia, houve como efeito um aumento ântero-vertical da extensão da cabeça durante o período testado, concluindo que a obstrução nasal resulta em uma extensão progressiva da cabeça.

Ainda, segundo o mesmo autor acima citado, existe uma relação entre má oclusão dentária e postura anormal da cabeça, com quadro clínico de vias aéreas superiores bloqueadas e adenóides hipertrofiadas. Estudos do autor revelam que, ao se efetuar uma obstrução nasal artificial, há tendência da cabeça e pescoço adotarem uma má postura.

Torna-se mais confortável respirar pela boca (respiração de suplência), com a cabeça inclinada para trás, do que com a mesma em sua posição postural natural.

KRAKAUER (1997), resgata que este sustentou a teoria de que a relação espacial da mandíbula com o complexo crânio-maxilar seria influenciada, em parte, pela ação dos músculos elevadores da mandíbula. Um fator atuante nestes músculos seria o modo respiratório. A obstrução aérea nasal seria seguida pelo abaixamento da mandíbula, a fim de estabelecer um adequado fluxo aéreo pela via bucal.

Na mesma pesquisa, Aragão enfatiza a relação entre respiração bucal e postura. Ele relatou que a respiração é uma função muito importante do sistema estomatognático já que o cérebro recebe 70% do ar inspirado. O autor acrescenta que a perda do selamento labial acarreta problemas não só na respiração, que se torna bucal, mas também em todo o sistema estomatognático resultando na diminuição do espaço oro-naso-faringeo. A ausência da pressão subatmosférica na deglutição com os lábios abertos cria uma “expressão distendida”. Os músculos mastigatórios pressionam a maxila para baixo e levam a língua para o soalho da boca. Deste modo, a criança leva o pescoço para frente, retificando o espaço oro-naso-faringeo para ser possível respirar pela boca, alterando a função muscular e modificando a atitude do corpo.

O mesmo autor faz uma descrição da postura corporal e da face das crianças que apresentam respiração bucal. A face apresenta as seguintes características: olhar cansado; tônus inadequado de lábios; lábio superior encurtado, e, às vezes, lábio inferior também encurtado; aparência vaga, ausente. O autor engloba estas características na chamada “face adenoidea”. Quanto às características posturais, relata que quando o pescoço está projetado anteriormente, a musculatura do pescoço e da escápula são afetadas, provocando uma postura anormal, com os ombros encurvados e o peito afundado. Todo este mau funcionamento muscular faz com que a respiração seja curta e rápida: o movimento do músculo diafragma fica alterado, os músculos abdominais ficam flácidos e os braços e as pernas assumem uma nova posição em relação à gravidade.

KRAKAUER (1997), que discorreu sobre obstrução nasal levando à respiração bucal, sendo que esta respiração causaria adaptação postural das estruturas da cabeça e do pescoço, implicando em conseqüências indesejáveis nas relações intermaxilares e no desenvolvimento da oclusão.

E assim, realizou uma pesquisa que demonstrou que os respiradores bucais mantêm uma postura estendida de cabeça e que a desarmonia das bases esqueléticas maxilo-mandibulares e/ou das arcadas dentárias provoca mudança no ponto de fixação dos modíolos – ponto na comissura labial para onde se convergem os músculos da expressão facial, resultando em alteração da distribuição das forças musculares peribucais.

Como no trabalho de SALOMÃO (1994), este autor encontraram uma grande porcentagem de alterações na postura da cabeça, em relação ao eixo sagital, que resultaram em mudanças no equilíbrio. Esse eixo é descrito na literatura fisioterápica, caracterizando-se pela orelha do indivíduo manter-se no mesmo alinhamento que o ombro. Para esta autora, a falta de harmonia entre língua, lábios, palato e mandíbula estão, em geral, associados a uma desarmonia e a uma falta de flexibilidade na cabeça e no pescoço.

A leitura de KRAKAUER (1997) nos evidencia, através dos resultados e análises, que a grande maioria das crianças tem o eixo da cabeça fora do alinhamento do ombro, principalmente no grupo de respiradores bucais após os 8,1 anos de idade, concluindo que as crianças com respiração bucal mudam a postura da cabeça em relação aos três eixos, o que é mais evidente em relação ao eixo sagital. Estes dados revelam que, com a idade, há uma evolução na postura das crianças do grupo controle. O desenvolvimento parece não ocorrer com as crianças do grupo de respiradores bucais, podendo, com isso, ser possível inferir que, para a manutenção de um eixo corporal adequado, a respiração nasal se faz necessária.

A mudança do eixo da cabeça visa, provavelmente, adaptar a angulação da faringe para facilitar a entrada do ar pela boca, na tentativa de se obter um melhor fluxo aéreo superior. Esta mudança do eixo altera também a posição de repouso mandibular, os contatos oclusais, os planos óptico e bipupilar. A estas modificações podem seguir-se movimentos adaptativos do corpo em busca de uma postura mais confortável e de equilíbrio.

Através destes achados concluiu-se que, se a criança possui respiração bucal alterando o funcionamento fisiológico da respiração, a postura da cabeça acaba por sofrer alterações. Como conseqüência, as relações da cabeça com o pescoço e deste com o tronco também poderão estar alteradas.

ROCABADO (1997), discutiu a importância da relação entre crânio, coluna cervical e sistema estomatognático, relatando que a estabilidade da posição ereta do crânio (ortostática) é essencial, uma vez que existe um delicado equilíbrio deste sobre a coluna cervical.

As crianças apresentam uma melhora em sua postura com o decorrer da idade, sendo esta prejudicada pela respiração bucal, observou KRAKAUER (1997). Apesar do pequeno número de crianças do grupo controle, pôde-se depreender dos resultados que há uma maior harmonia no desenvolvimento corporal nas crianças do grupo controle do que nas crianças do grupo de respiradores bucais.

Concluiu ainda, após análise da relação entre a respiração bucal e as alterações posturais de crianças de 5,0 a 10,0 anos e da comparação dos resultados com os de crianças respiradoras nasais, da mesma faixa etária, utilizando análise descritiva de fotos nos planos frontal, sagital e dorsal: (1) tanto para respiradores nasais como para respiradores bucais, não há diferenças estatísticas para as alterações posturais estudadas para o sexo masculino e feminino; (2) para crianças de 5,0 a 8,0 anos existem diferenças estatísticas entre alterações posturais de crianças respiradores nasais e respiradores bucais nos três planos estudados, pois, devido ao estirão de crescimento, há um desarranjo generalizado; (3) para crianças maiores de 8,1 anos, o número de alterações posturais é maior nos respiradores bucais, pois no grupo controle a alteração é superada; (4) o plano onde observa-se maior número de alterações é o plano sagital e (5) as crianças respiradoras nasais apresentam uma maior harmonia corporal do que os respiradores bucais após os 8,1 anos de idade, pois há estabilização da musculatura que sustenta o complexo crânio-tronco-abdominal.

Há um desequilíbrio geral do corpo, que significa uma adaptação do próprio corpo às alterações musculares, inicialmente da face – musculatura mastigatória e hioidea, que modifica o posicionamento do crânio sobre o pescoço e deste em relação ao tórax e pernas.

Para MICHELON (1997), é fácil negligenciar um fato importante: o assoalho e o teto da boca, bem como os tecidos pós-nasais e a faringe, são todos estruturados sobre um treliça muscular. Por meio desta treliça, estes músculos fixam-se direta ou indiretamente à coluna. Uma projeção crônica da coluna cervical é sempre acompanhada de modificações na conformação facial. As compensações do pescoço aparecerão no rosto. Por outro lado, as estruturas internas orais e nasais devem ser colocadas em equilíbrio para que a coluna cervical consiga assumir sua posição adequada.

Todos os programas de exercícios no caso de disfunções de ATM, terminam com uma fase de estabilização, com enfoque no alinhamento postural e procurando fazer uma respiração diafragmática pelo nariz. Parece ser simples, porém para o paciente com disfunção de ATM torna-se difícil. Sendo assim, é importante insistir para que modifique os hábitos respiratórios freqüentemente associados à perda do alinhamento postural e, não raramente, causadores da disfunção estomatognática.

Funcionalmente, a coluna cervical, a ATM e as articulações entre os dentes estão intimamente relacionadas. A anormalidade funcional ou má posição de uma delas pode afetar a função ou a posição de outras, como exemplo: a alteração na posição da cabeça modifica a posição mandibular, acometendo assim a oclusão.

O equilíbrio entre flexores e extensores é afetado pelos músculos da mastigação e pelos músculos supra e infra-hioideos. A disfunção tanto nos músculos da mastigação, quanto nos músculos cervicais, pode facilmente alterar este equilíbrio. Este equilíbrio que, entre grupos musculares opostos é visto na postura relaxada. Um defeito postural comum é o posicionamento anterior da cabeça, que leva à hiperextensão da cabeça sobre o pescoço, quando o paciente a assume, para necessidades respiratórias, podendo levar à dor e disfunção na cabeça e pescoço.

Como o posicionamento anterior da cabeça força a mandíbula posteriormente e, consequentemente, o côndilo, há necessidade de uma avaliação postural, pois pode haver encurtamento muscular com perda da mobilidade, bem como alteração nos outros músculos (mastigatórios e da face), como conseqüência de anos de postura incorreta. Pode ocorrer também alteração da própria morfologia do côndilo e, por este motivo, há necessidade de avaliá-lo mais particularmente através de exames próprios, como raio-x e ressonância magnética, uma vez que a alteração da postura causou alteração condilar ou vice-versa.

Uma vez que a ATM é um anel da cadeia de articulações sinoviais conectando o corpo humano, ela se inter-relaciona anatômica e cinesiologicamente com as articulações adjacentes nesta cadeia e na coluna cervical. Por causa desta relação, uma maior compreensão da ATM irá auxiliar os fisioterapeutas no tratamento da coluna cervical e no tratamento muscular da face.

HOPPENFELD (1980), cita como uma das sintomatologias referidas pelos pacientes com disfunção de ATM, a grande tensão dos músculos que compõem o pescoço e dos músculos dorsais. A mudança da postura da cabeça interfere na posição de repouso mandibular e que a intervenção fisioterápica pode ser eficaz na melhoria da postura da cabeça.

KRAKAUER (1997), descreveu que as alterações da postura da cabeça levavam a uma situação de desvantagem biomecânica da musculatura dessa região, devido às estreitas relações anátomo-funcionais do sistema da mastigação propriamente dito com a região cervical e a cintura escapular. Os achados de um estudo realizado com 26 indivíduos de ambos os sexos, com idades entre 14 e 29 anos, são claros na confirmação da coexistência das alterações posturais e miofuncionais orais, principalmente com a posição de protração da cabeça e foi encontrada em todos os pacientes avaliados.

KRAKAUER (1997), faz uma bela leitura, que confirmam a relação entre postura da cabeça e funções estomatognáticas através da ação dos músculos cervicais, apresentando estudos que comprovam que a posição da cabeça modifica a atividade eletromiográfica dos músculos da mastigação. A alteração da posição da cabeça altera a posição de repouso mandibular, alterando também a função mastigatória que realiza.

A cabeça e o pescoço adiantados causam extensão dos músculos que têm a origem e a inserção tendínea no osso hióide (supra-hiódeos). Por isso, a mandíbula vem sendo tracionada para baixo e para trás, isto provoca uma estimulação proprioceptiva reflexa dos elevadores, alimentando ainda mais a parafunção e os danos à ATM. Crânio e pescoço para frente, com rotação posterior da cabeça, produzem verticalização dos músculos anteriores ao pescoço: – esternocleidomastóideo e escalenos – que originalmente são oblíquos.

Muitas vezes, problemas nas vias aéreas superiores transformam estes músculos, que são acessórios da respiração, em protagonista; com forte tensão por causa da parafunção. Com a rotação posterior do crânio, a mandíbula cai para frente e para baixo, o que leva a uma tendência à abertura, tendo como conseqüência a atividade reflexa dos elevadores, que passam a ser antagonistas dos extensores da cabeça. A inversão da função é evidentemente uma parafunção. Compõe-se as

OSTEOPOROSE E DOENÇA DE PAGET

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1 – Osteoporose

1.1 – Introdução

Nas últimas duas décadas, a osteoporose foi amplamente reconhecida como um importante problema de saúde pública. É a doença ósseo-metabólica mais comum, afetando pelo menos 30% de todas as mulheres na pós-menopausa. Baseando-se em estudos internacionais, estima-se que até o ano 2000, 15 milhões de brasileiros estejam propensos a desenvolver essa doença, o que ilustra a importância de se conhecer mais sobre sua prevenção, diagnóstico precoce e fatores de risco associados.

A osteoporose é uma diminuição progressiva da densidade dos ossos, a qual os enfraquece e os torna mais passíveis de sofrerem fraturas. Os ossos contêm minerais, como o cálcio e o fósforo, os quais os tornam duros e densos. Para manter a densidade dos ossos, o organismo necessita de um suprimento adequado de cálcio e de outros minerais e deve produzir as quantidades adequadas de vários hormônios, como o paratormônio (hormônio da paratireóide), o hormônio do crescimento, a calcitonina, o estrogênio (nas mulheres) e a testosterona (nos homens).

Além disso, é necessário um suprimento adequado de vitamina D, para que o cálcio oriundo dos alimentos seja absorvido e incorporado aos ossos. A densidade óssea aumenta gradativamente até atingir um máximo, em torno dos 30 anos de idade. Depois disso, a densidade óssea diminui lentamente. Se o organismo não for capaz de regular seu conteúdo mineral, os ossos tornam-se menos densos e mais frágeis, resultando na osteoporose.

1.2 – CLASSIFICAÇÃO

Existem vários tipos de osteoporose. A osteoporose pós-menopáusica é causada pela falta de estrogênio, o principal hormônio feminino, o qual auxilia na regulação da incorporação do cálcio aos ossos nas mulheres. Geralmente, os sintomas ocorrem em mulheres com idade entre 51 e 75 anos, mas podem ocorrer mais cedo ou mais tarde. Nem todas as mulheres apresentam o mesmo risco de apresentar a osteoporose pós-menopáusica. Por exemplo, as mulheres da raça branca e da raça amarela apresentam maior propensão a apresentar esse distúrbio do que as mulheres da raça negra.

A osteoporose senil provavelmente é decorrente de uma deficiência de cálcio relacionada com a idade e de um desequilíbrio entre a velocidade de degradação do tecido ósseo e a velocidade de formação de osso novo. O termo senil significa apenas que o distúrbio ocorre em indivíduos idosos. Geralmente, a osteoporose senil afeta indivíduos com mais de 70 anos de idade, sendo duas vezes mais comum em mulheres que em homens. Freqüentemente, as mulheres apresentam tanto a osteoporose senil quanto a osteoporose pós-menopáusica. Menos de 5% dos indivíduos com osteoporose apresentam osteoporose secundária, a qual é causada por outras doenças ou por drogas.

A osteoporose secundária pode ser decorrente de distúrbios como a insuficiência renal crônica e distúrbios hormonais (especialmente distúrbios da tireóide, da paratireóide ou das adrenais). Ela também pode ocorrer devido ao uso de drogas, como corticosteróides, barbitúricos, anticonvulsivantes e quantidades excessivas de hormônio tireoidiano. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas e o tabagismo podem piorar o quadro. A osteoporose juvenil idiopática é um tipo raro, cuja causa não foi identificada até o presente momento. Ela ocorre em crianças e adultos jovens que apresentam concentrações e funções hormonais normais e concentrações normais de vitaminas e que não apresentam qualquer razão óbvia para apresentar fragilidade óssea.

1.3 – FATORES DE RISCO DE OSTEOPOROSE EM MULHERES

    • Membros da família com osteoporose;
    • Quantidade insuficiente de cálcio na dieta;
    • Estilo de vida sedentário;
    • Raça branca ou amarela;
    • Compleição delgada;
    • Nunca ter engravidado;
    • Uso de determinadas drogas, como corticosteróides e quantidades excessivas de hormônio da tireóide;
    • Menopausa precoce;
    • Tabagismo;
    Consumo excessivo de bebidas alcoólicas.

1.4 – SINTOMAS

A densidade óssea diminui lentamente, sobretudo em indivíduos com osteoporose senil. Por isso, na fase inicial, a osteoporose é assintomática (não produz sintomas). Alguns indivíduos jamais apresentam sintomas. Quando a densidade óssea diminui a ponto de causar colapso ou fratura óssea, o indivíduo pode apresentar dor e deformidade óssea. Pode ocorrer dorsalgia (dor nas costas) se o indivíduo sofrer um colapso vertebral (fraturas por esmagamento vertebral).

As vértebras enfraquecidas podem colapsar espontaneamente ou após uma lesão menor. Normalmente, a dor apresenta um início súbito, permanece localizada em uma determinada área das costas e piora quando o indivíduo permanece em pé ou caminha. A área pode ser sensível ao toque, mas, em geral, essa sensibilidade desaparece gradualmente, após algumas semanas ou meses. Se o indivíduo apresentar fraturas de várias vértebras, pode ocorrer a produção de uma curvatura anormal da coluna vertebral (“corcunda de viúva”), provocando distensão muscular e dor.

Outros ossos podem fraturar, freqüentemente em decorrência de sobrecargas leves ou de uma queda. Uma das fraturas mais graves é a do quadril, a qual é uma causa importante de invalidez e de perda de autonomia em indivíduos idosos. A fratura de um dos ossos do antebraço (rádio) perto do punho (fratura de Colles) também é uma ocorrência comum. Além disso, nos indivíduos com osteoporose, as fraturas tendem a consolidar lentamente.

1.5 – DIAGNÓSTICO

Nos indivíduos que apresentam uma fratura, o diagnóstico de osteoporose é baseado em uma combinação dos sintomas, do exame físico e de radiografias. Pode ser necessária a realização de outros exames para se descartar a possibilidade de doenças tratáveis que podem levar à osteoporose. A osteoporose pode ser diagnosticada antes que ocorra uma fratura através de exames que avaliam a densidade óssea.

O exame mais acurado é a densitometria duo-energética. Trata- se de um exame indolor e seguro, o qual pode ser realizado dentro de 5 a 15 minutos. A densitometria duo-energética é útil para as mulheres que apresentam um alto risco de osteoporose, para aquelas cujo diagnóstico é incerto ou para aquelas cujos resultados do tratamento devem ser avaliados com acurácia.

1.6 – PREVENÇÃO E TRATAMENTO

A prevenção é mais eficaz que o tratamento e envolve a manutenção ou o aumento da densidade óssea através do consumo de quantidades adequadas de cálcio, a prática de exercícios com suporte de peso e, para alguns indivíduos, o uso de drogas específicas. O consumo de uma quantidade adequada de cálcio é uma medida eficaz, especialmente antes que a densidade óssea máxima tenha sido atingida (em torno dos 30 anos de idade).

O consumo diário de dois copos de leite e de um suplemento de vitamina D ajuda a aumentar a densidade óssea em mulheres de meia-idade que não vinham recebendo previamente quantidades suficientes desses nutrientes. Entretanto, a maioria das mulheres necessita tomar comprimidos de cálcio. Existem muitas preparações disponíveis e algumas delas incluem uma suplementação de vitamina D. Recomenda-se tomar aproximadamente 1,5 g de cálcio diariamente. Exercícios com suporte de peso, como a marcha e a subida de escadas, aumentam a densidade óssea.

Os exercícios que não envolvem o suporte de peso, como a natação, não o fazem. O estrogênio auxilia na manutenção da densidade óssea nas mulheres. Freqüentemente, ele é administrado em associação com a progesterona. A terapia de reposição estrogênica é mais eficaz quando iniciada quatro ou seis anos após a menopausa. Contudo, o início mais tardio desse tipo de terapia ainda pode retardar a perda óssea e reduzir o risco de fratura. As decisões sobre o uso da terapia de reposição estrogênica são complexas, pois o tratamento pode acarretar riscos e efeitos colaterais.

O raloxifeno é uma nova droga análoga ao estrogênio, que, apesar de ser menos eficaz na prevenção da perda óssea do que o estrogênio, não apresenta os efeitos típicos deste sobre as mamas ou o útero. Os bisfosfonatos, como o alendronato (ver adiante), podem ser utilizados isoladamente ou juntamente com a terapia de reposição hormonal para evitar a osteoporose. O tratamento visa aumentar a densidade óssea. Todas as mulheres, especialmente aquelas com osteoporose, devem tomar quantidades adequadas de cálcio e de vitamina D. As mulheres na pós-menopausa e com osteoporose também podem tomar estrogênio (geralmente associada à progesterona) ou o alendronato, os quais podem retardar ou interromper a progressão da doença. Os bisfosfonatos também são úteis no tratamento da osteoporose.

O alendronato reduz a velocidade de reabsorção óssea em mulheres na pós-menopausa, aumentando a massa óssea na coluna vertebral e nos quadris e reduzindo a incidência de fraturas. No entanto, para se garantir a absorção do alendronato, ele deve ser ingerido com um copo de água ao acordar e não se deve ingerir comida ou bebida nos 30 minutos seguintes. Como o alendronato pode irritar o revestimento do trato gastrointestinal superior, deve ser realizado um repouso de, no mínimo, 30 minutos após a sua ingestão, até que algum alimento seja ingerido.

Determinados indivíduos com dificuldade de deglutição ou que apresentam determinados distúrbios esofágicos ou gástricos não devem utilizar o alendronato. Muitas autoridades recomendam a calcitonina, particularmente para os indivíduos que apresentam fraturas vertebrais dolorosas. Esse medicamento pode ser administrado sob a forma injetável ou de spray nasal. Ainda que os suplementos de fluoreto possam aumentar a densidade óssea, o osso resultante pode ser anormal e frágil e, por essa razão, a sua administração não é recomendada. Estão sendo testadas novas formas de fluoreto que podem não apresentar efeitos adversos no que diz respeito à qualidade do osso.

Os homens com osteoporose geralmente tomam suplementos de cálcio e de vitamina D, especialmente quando os exames indicam que o seu organismo não está absorvendo quantidades adequadas de cálcio. O estrogênio não é benéfico para os homens, mas a terapia de reposição de testosterona pode ser benéfica quando a concentração deste hormônio encontra- se baixa.

As fraturas devidas à osteoporose devem ser tratadas. No caso de fraturas do quadril, geralmente é realizada a substituição cirúrgica parcial ou total quadril. As fraturas do punho são imobilizadas com aparelho gessado ou corrigidas cirurgicamente. No caso do colapso vertebral que acarreta dorsalgia intensa, o tratamento consiste no uso de suportes ortopéticos, de analgésicos e de fisioterapia. No entanto, a dor persiste durante muito tempo. O levantamento de cargas pesadas e quedas podem piorar os sintomas.

2 – DOENÇA DE PAGET

2.1 – CONCEITO

A doença de Paget é um distúrbio crônico do esqueleto, no qual áreas de ossos apresentam um crescimento anormal, aumentam de tamanho e tornam-se mais frágeis. O distúrbio pode afetar qualquer osso. No entanto, os ossos mais comumente atingidos são: os ossos da pelve, o fêmur, os ossos do crânio, a tíbia, os ossos da coluna vertebral (vértebras), as clavículas e o úmero.

2.2 – INCIDÊNCIA

Nos Estados Unidos, cerca de 1% dos indivíduos com mais de 40 anos apresentam esse distúrbio, o qual raramente ocorre entre os indivíduos mais novos. Os homens apresentam uma probabilidade 50% maior de apresentar a doença de Paget do que as mulheres. A doença de Paget é mais comum na Europa (excluindo a Escandinávia), na Austrália e na Nova Zelândia que nas Américas, na África e na Ásia. Ela é particularmente comum na Inglaterra.

2.3 – FISIOPATOLOGIA

Em condições normais, as células que destroem o osso velho (osteoclastos) e as células que formam o osso novo (osteoblastos) trabalham em equilíbrio para manter a estrutura e a integridade ósseas.

No caso da doença de Paget, tanto os osteoclastos quanto osteoblastos tornam-se hiperativos em algumas áreas dos ossos e a velocidade do turnover (renovação) dessas áreas aumenta de modo significativo. As áreas hiperativas aumentam de tamanho. No entanto, elas apresentam uma estrutura anormal e, por essa razão, são mais frágeis que as áreas normais.

2.4 – PARÂMETROS BIOQUÍMICOS

O aumento da atividade osteoblástica é refletido nos níveis elevados da fosfatase alcalina (FA) total sérica ou de sua isoenzima óssea. O grau de elevação destes marcadores pode indicar a extensão da doença (monostótica ou poliostótica, envolvimento ou não do crânio) ou a severidade do acometimento ósseo. Valores de FA 10 vezes acima do normal indicam comprometimento do crânio ou doença poliostótica extensa, enquanto que valores inferiores a três vezes o limite superior podem indicar comprometimento monostótico ou a forma esclerótica da doença.

Os marcadores de reabsorção óssea, que são fragmentos do colágeno tipoI liberados em circulação, estão aumentados. A dosagem dos telopeptídeos séricos ou urinários (NTX ou CTX) é a que apresenta maior sensibilidade para avaliar a atividade da doença, além de não apresentar variações com a dieta. Estes índices, tanto a FA como NTX ou CTX, podem ser usados no acompanhamento pós- tratamento com bisfosfonatos e a remissão da doença se acompanha de normalização dos marcadores.

O cálcio sérico é normal na Doença de Paget mas pode elevar-se em duas condições: se o paciente com doença ativa e extensa for imobilizado ou se houver a concomitância de um hiperparatiroidismo primário.

2.5 – ETIOLOGIA

A causa da doença de Paget é desconhecida. Apesar dela apresentar uma tendência a ocorrer em família, até o momento não foi descoberto qualquer padrão genético específico. Algumas evidências sugerem a possibilidade do envolvimento de uma infecção viral.

2.6 – SINTOMAS

Geralmente, a doença de Paget é assintomática. Quando o indivíduo apresenta sintomas, como a rigidez articular e a fadiga, eles comumente apresentam um desenvolvimento lento e sutil. O paciente pode apresentar dor, aumento de tamanho e deformidades ósseas. As dores ósseas podem ser profundas, algumas vezes intensas, e pioram à noite. Os ossos que apresentam aumento de tamanho podem comprimir nervos e aumentar a dor. Algumas vezes, a doença de Paget acarreta o desenvolvimento de uma osteoartrite dolorosa nas articulações adjacentes. Os sintomas variam, dependendo de quais os ossos afetados.

O crânio pode aumentar de tamanho fazendo com que as sobrancelhas e a frente apresentem um aspecto mais proeminente. O indivíduo pode perceber esse aumento de tamanho ao ter que utilizar um chapéu de tamanho maior. Esse aumento dos ossos do crânio pode acarretar perda auditiva devido à lesão do ouvido interno, cefaléia devida à compressão de nervos e dilatação de veias do couro cabeludo devida ao aumento do fluxo sangüíneo ao crânio. As vértebras apresentam aumento de tamanho, enfraquecimento e deformações, acarretando diminuição da estatura.

As vértebras lesadas podem pinçar os nervos da medula espinhal, causando insensibilidade, formigamento, fraqueza ou até paralisia de membros inferiores. Quando os ossos dos quadris ou dos membros inferiores são afetados, o indivíduo pode apresentar arqueamento dos membros e os seus passos tornam- se curtos e titubeantes.

O osso anormal apresenta uma maior probabilidade de fratura. Raramente, ocorre o desenvolvimento de insuficiência cardíaca devido ao aumento do fluxo sangüíneo através do osso anormal, o qual acarreta um maior esforço cardíaco. Em menos de 1% dos indivíduos com doença de Paget, o osso anormal torna-se canceroso.

2.7 – DIAGNÓSTICO E TRATAMENTO

Freqüentemente, a doença de Paget é descoberta por acaso, quando radiografias ou exames laboratoriais são realizados por outras razões. Por outro lado, o diagnóstico pode ser feito baseando- se nos sintomas e no exame físico. A doença pode ser confirmada pela radiografia que revela alterações características do distúrbio, e pela análise da dosagem da concentração sangüínea da fosfatase alcalina, uma enzima envolvida na formação das células ósseas.

A cintilografia óssea revela quais ossos encontram-se afetados. Um indivíduo com doença de Paget necessita de tratamento somente quando os sintomas causam desconforto ou se o risco de complicações, como a perda autiditiva, a artrite ou a deformidade, é grande. Geralmente, a aspirina, outras drogas antiinflamatórias não-esteróides e analgésicos comuns (p.ex., acetaminofeno) reduzem as dores ósseas.

Se um membro inferior torna-se arqueado, o uso de saltos corretores podem tornar a marcha mais fácil. Algumas vezes, a cirurgia é necessária para aliviar o pinçamento de nervos ou para substituir uma articulação afetada pela artrite. Um bisfosfonato – etidronato, pamidronato ou alendronato – ou a calcitonina podem ser utilizados para retardar a evolução da doença de Paget. Essas drogas são administradas antes da cirurgia, para evitar ou reduzir o sangramento durante a intervenção.

Elas também são prescritas para tratar a dor intensa causada pela doença de Paget, para evitar ou retardar a progressão da fraqueza ou da paralisia (em pacientes que não podem ser submetidos à cirurgia) e como uma tentativa para evitar a artrite, o agravamento da perda auditiva e o aumento da deformidade. O etidronato e o alendronato normalmente são administrados por via oral e o pamidronato, pela via intravenosa. A calcitonina é administrada sob a forma de injeção subcutânea ou intramuscular, podendo também ser administrada sob a forma de um spray nasal.

BIBLIOGRAFIA

acesso em 19 de maio de 2004 às 22h.

Doença de Paget acesso em 19 de maio de 2004 às 22h10min.

Doença de Paget acesso em 20 de maio às 0h25min.

MAHAN, L. Kathleen & ESCOTT-STUMP, Sylvia. Kause: Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. Editora Roca: 9ª edição, 1998.

Osteoporose < http://www.uddo.com/osteoporose/> acesso em 20 de maio às 0h40min.

Osteoporose acesso em 20 de maio às 22h.

A Importância da Articulação do Cotovelo

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Autor: Gabriela Rocha Ajala

1. Introdução

O complexo do cotovelo é uma estrutura interessante localizada na porção media dos membros superiores. Sua posição definiu sua função: unir a mão ao ombro e o restante do corpo.

O complexo do cotovelo compreende diferentes articulações que estão configuradas para promover o movimento da mão no espaço, por isso é de grande importância o estudo das principais patologias que acometem essa articulação.

2. Anatomia

Sendo considerada uma das principais articulações do membro superior e uma das mais estáveis de todo o corpo a articulação do cotovelo é constituída por 3 ossos ( úmero, radio e ulna), que formam em conjunto 3 articulações que são envolvidas por uma cápsula articular sendo dessa forma considerada uma articulação em dobradiça. Existe outra articulação acessória que também faz parte da articulação do cotovelo, que se chama Articulação Radio Ulnar Distal

– Principais estruturas ósseas:

Úmero: Epicôndilo lateral, epicôndilo medial, troclea,

Ulna: olecrano, incisura troclear, incisura radial, tuberosidade da ulna e processo estilóide da ulna.

Radio: Cabeça do radio, tuberosidade do radio e processo estilóide do radio.

– Principais ligamentos:

Ligamento colateral ulnar, ligamento colateral radial, ligamento anular na cabeça do radio e cápsula articular.

– Principais músculos:

Bíceps braquial, braquial, braquioradial, pronador redondo e quadrado, tríceps braquial, ancôneo, extensores e flexores do punho.

– Principais nervos:

Radial, ulnar e mediano.

3. Função dos Ligamentos, Músculos e Nervos.

– Ligamentos

Ligamento colateral Ulnar: ligamento triangular forte que se origina no epicôndilo medial do úmero e se insere no processo coronóide da Ulna e olecrano, tendo como função manter a estabilidade umeroulnar e limitando os estresses em valgo.
Ligamento colateral Radial: assemelha se a um leque, sai do epicôndilo lateral do úmero e se insere no ligamento anular e olecrano, mantendo a estabilidade umeroradial e limitando os estresses em varo.
Ligamento Anular: circunda a cabeça do rádio e se fixa na ulna na incisura radial, servindo como articulação quando a cabeça do radio gira dentro da incisura radial da ulna, estabilizando a articulação.
Cápsula articular: única e extensa envolve tanto a articulação umeroulnar como a articulação umeroradial, sendo reforçada pelos ligamentos colaterais, mas bastante frouxa anterior e posterior.
– Músculos

Bíceps braquial, braquial e braquioradial: são músculos flexores do cotovelo.
Pronador redondo e quadrado: como os próprios nomes dizem são músculos que promovem a pronação e também supinação.
Tríceps braquial: principal extensor do cotovelo.
Ancôneo: auxilia o tríceps na extensão do cotovelo.
Extensores do punho: como o próprio nome diz promovem a extensão do punho.
Flexores do punho: promovem a flexão do punho.
– Nervos

Ulnar: passa pelo epicôndilo medial, inervando os músculos anteriores do antebraço e da mão, borda ulnar da mão ao quinto dedo, metade ulnar do quarto dedo.
Radial: localizado na face lateral do cotovelo, apresentando um ramo superficial e profundo, onde os profundos inervam os extensores do punho, dedos e responsável pela supinação, o ramo superficial inerva o dorso do punho e a borda radial da mão.
Mediano: localizado centralmente, fornece inervação aos flexores do punho e face anterior da mão, os três primeiros dedos e a metade radial do quarto dedo.

4. Mecânica articular

As três articulações no complexo do cotovelo não atingem a posição tencionada no mesmo ponto da amplitude de movimento. A posição tencionada para a articulação radioumeral é alcançada quando o antebraço está fletido 80 graus e se acha na posição semi-pronada. A posição completamente estendida é a posição tencionada, ou posição de máximo contato da superfície articular e máximo suporte ligamentar, para a articulação ulnoumeral. Assim, quando a articulação ulnoumeral está mais estável na posição estendida, a articulação radioumeral está frouxa e menos estável. A articulação radioulnar proximal fica na posição tencionada na posição semi-pronada, complementando a posição tencionada da articulação radioumeral.

A amplitude de movimento no cotovelo em flexão e extensão é aproximadamente 145 graus de flexão ativa, 160 graus de flexão passiva e 5 a 10 graus de hiperextensão. O movimento de extensão é limitado pela cápsula articular e pelos flexores. É também restrita terminalmente pelo impacto osso a osso com o olecrano, como já descrevemos na seção anterior.

A flexão na articulação é limitada pelos tecidos moles, à cápsula posterior, os músculos extensores, e o contato osso a osso do processo coronóide com sua cavidade respectiva. Uma quantidade significante de hipertrofia ou tecido adiposo pode limitar consideravelmente a amplitude de movimento em flexão. Aproximadamente 100 a 140 graus de flexão e extensão são necessários para a maioria das atividades cotidianas, que ocorrem entre uma amplitude de movimento de 30 graus de flexão até 130 graus de flexão.

Por exemplo, para alcançar atrás da cabeça para pentear os cabelos, são precisos 140 graus de flexão enquanto para amarrar um calçado são precisos apenas 15 graus de flexão.

A amplitude de movimento para pronação é aproximadamente 70 graus, e é limitada pelos ligamentos, a cápsula articular e os tecidos moles que fazem compressão na medida em que os ossos se cruzam.

A amplitude de movimento para supinação é de 85 graus e fica limitada por ligamentos, cápsula e músculos pronadores. São necessários aproximadamente 50 graus de pronação e 50 graus de supinação para realizar a maioria das nossas atividades cotidianas.

5. Os principais mecanismos de lesões do cotovelo são:

Trauma e esforço repetitivo.

Articulação do cotovelo é sujeito a lesões causadas pela absorção de uma força intensa como uma queda. Mas a maioria das lesões na região da articulação do cotovelo, são conseqüências da participação em atividades repetitivas como o lançamento.

Uma das lesões que ocorre como conseqüência da absorção de forças elevadas é a luxação, geralmente presente em esportes como ginástica olímpica, futebol americano ou luta livre. Quando o atleta cai sobre um braço excessivamente estendido forçando deslocamento exterior. Junto com a luxação pode haver uma fratura.

A queda sobre o cotovelo pode irritar a bolsa do olecrano, criando bursite do olecrano, condição bastante incomoda devido ao edema, mais que causa pouca dor e totalmente funcional.

As lesões por esforço repetitivo que ocorrem ao redor do cotovelo são geralmente associadas ao lançamento ou com algum padrão acima da cabeça, como no saque de tênis.

No lançamento, são colocadas altas demandas sobre a parte medial da articulação do cotovelo.

6. Principais Patologias

6.1- Epicondilite lateral ou cotovelo de tenista.

Conceito

É uma inflamação no local de origem dos tendões da musculatura do antebraço.

Normalmente é causada por movimentos repetidos que geram micro rupturas dos tendões junto a sua inserção no osso.

Forma de acometimento

Associa-se sobre cargas de forças devido a técnicas impróprias ou uso de raquetes pesadas.

Pode haver uma irritação do epicôndilo lateral e extensores do punho.

Mesmo aqueles que não praticam esporte algum estão sujeitos a desenvolver uma epicondilite do cotovelo, especialmente quando realizam atividades repetitivas com a mão, punho ou cotovelo. Ex: datilografia, pintura, carpintaria e outras atividades manuais.

6.2 Epicondilite medial

Conceito

Processo inflamatório que se origina na inserção dos músculos flexores do punho, também conhecida como cotovelo de golfista, podendo irradiar-se sobre todo trajeto dos músculos flexores do punho (flexor radia do carpo, flexor ulnar do carpo, pronador redondo e palmar longo) é importante ressaltar que todo processo inflamatório originam-se no epicôndilo medial do Úmero.

Tal patologia é geralmente causada por movimentos repetitivos que provocam processos inflamatórios nos tendões acima mencionados.

Forma de acometimento

Como também denominamos cotovelo de golfista, esse tipo de patologia ocorre por um uso excessivo ou indevido do de qualquer movimento que se assemelhe ao uso do taco de golfe.

Apresenta como principais características dor, edema e inflamação limitação na amplitude de movimento articular de ombro, cotovelo e punho. e muitas vezes micro-rupturas dos tendões ou fibras dos músculos que promovem a flexão do punho.

6.3- Bursite Olecraniana.

Conceito

Inflamação das bolsas do olecrano (comum em estudantes (*cotovelo de estudante*)

Forma de Acometimento

Deve-se, em geral, a uma posição inclinada prolongada, mas pode ser devida também a traumatismo, infecção e gota.

7. Conclusão

Como já vimos a grande importância da articulação do cotovelo, é da suma importância o conhecimento de todas as estruturas que a constituem.

Dessa forma mais importante ainda é conhecermos as principais patologias que acometem essa articulação, seus mecanismos da lesão podendo dessa forma fazer um melhor fisiodiagnóstico e a consequentemente um tratamento mais eficaz e mais seguro para o paciente, evitando assim lesões radicais.

8.Bibliografia

JOSEFH HAMIL; KATLEEN M. KNUTZEN – Bases Biomecânicas do Movimento Humano – Editora Manole Ltda.

JOSEFH J. CIPRIANO – Manual Fotográfico de Testes Ortopédicos e Neurológicos – 3º Edição – Editora Manole Ltda.

JEFF G. KONIN – Cinesiologia prática para Fisioterapeutas – Editora LAB – Guanabara Koogan

FLORENCE PETERSON KENDALL; ELIZABETH KENDALL MCCREARY; PATRICIA GEISE PROVANCE – Músculos Provas e Funções – 4ª Edição- Editora Manole Ltda.

Síndrome de Down

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Autor: Ana Luísa Santana Portugal

1 – INTRODUÇÃO

1.1 Considerações Iniciais:

Até recentemente, as pessoas com Síndrome de Down no Brasil não tinham experiências de vida que permitissem o completo desenvolvimento físico e mental.

Em 1958, o geneticista Jerome Lejeune conseguiu identificar o cromossomo excedente, e percebeu que este se ligava ao par 21, daí o termo trissomia do 21. Até então, os portadores da trissomia do 21 eram conhecidos por mongolóides. Essa denominação começou a ser usada a partir de 1866, quando o médico John Longdon Down, descreveu as características do portador da trissomia do 21.

A cada 500 crianças nascidas vivas, uma nasce portadora de Síndrome de Down. É um fato absolutamente acidental e pode acontecer até mesmo em mulheres jovens, sem que exista nenhum caso na família.

Entre os problemas de saúde na infância das crianças com Síndrome de Down, destaca-se pela freqüência, a pneumonia. A maioria tem etiologia viral e localização alta, comprometendo o estado geral e tornando as crianças suscetíveis a pneumonias bacterianas.

A criança portadora da Síndrome de Down é hiper secretora, e em conseqüência de sua postura tem o diafragma muito débil tornando-se pré-disposta a infecções respiratórias.

Uma das características principais da Síndrome de Down que afeta diretamente o desenvolvimento psicomotor é a hipotonia geralizada, presente desde o nascimento.

As crianças com maior comprometimento da saúde em virtude de alterações congênitas e pré-disposições características da síndrome. Este comprometimento pode afetar o coração, os pulmões, a coluna cervical, a produção de hormônio, a visão e a audição.

É importante que a criança com Síndrome de Down receba estimulação para se desenvolver desde o nascimento.

A movimentação ativa, a coordenação viso-motora e o equilíbrio para o controle de cabeça e tronco devem ser estimulados por um fisioterapeuta.

Atualmente existem exames que podem ser realizados para a detecção de alterações no feto. Acusando a Trissomia do 21, a aminiocentese, a amostra de viro colial e a cordocentese.

Embora a maioria das gestações resulte em bebês normais, com a realização de uma ultra-sonografia pode-se verificar um possível comprometimento do feto pela Síndrome de Down. Esse exame é feito entre a 11ª e a 13ª semanas de gestação, ocasião em que se mede em milímetros, na região da nuca do feto, o espaço entre a pele e a coluna. Quando esse espaço é muito grande há uma suspeita de que o bebê possa ter, entre outras doenças, Síndrome de Down.

A criança com Síndrome de Down tem o desenvolvimento mais lento do que as outras crianças. Isso não pode ser determinado ao nascimento. Precisa de um trabalho de estimulação desde que nasce para desenvolver todo seu potencial.

Existem três tipos de Síndrome de Down:

A Trissomia simples: a pessoa possui 47 cromossomos em todas as células.
A translocação: o cromossomo extra do par 21 fica “grudado”em outro cromossomo.
O mosaico: a alteração genética compromete apenas parte das células.
Ainda não se conhece a causa dessa alteração genética, sabe-se que não existe responsabilidade do pai ou da mãe para que ela ocorra. Sabe-se também que os problemas ocorridos durante a gravidez como: fortes emoções, quedas, uso de medicamentos ou drogas, não são causadores da Síndrome de Down, pois esta já esta presente logo na união do espermatozóide( célula do pai) com o óvulo( célula da mãe).

Há sinais físicos que acompanham, em geral, a Síndrome de Down, e por isso, ajudam a fazer o diagnóstico. Os principais sinais físicos são a hipotonia muscular, flexibilidade exagerada, abertura das pálpebras inclinada com a parte externa mais elevada, olhos amendoados tipo dos orientais, língua profusa( para fora da boca), prega única nas palmas das mãos, nos pés a um intervalo anormal entre os dedos, principalmente entre o primeiro e o segundo dedo, uma das mais importantes é o retardo mental, achatamento do occipital, má formação cardíaca, desenvolvimento anormal do intestino.

É preciso enfatizar que nem toda criança com Síndrome de Down exibe todas as características anteriormente citadas. Além disso algumas características são mais acentuadas em algumas crianças do que em outras. Algumas das características das crianças com Síndrome de Down modificam no decorrer do tempo.

1.2 Questões norteadoras da pesquisa:

Em que o profissional fisioterapeuta pode ajudar no processo de desenvolvimento da criança com Síndrome de Down?
Como é formada a equipe multidisciplinar que trabalha junto a portadores de Síndrome de Down?
Com que idade pode-se iniciar o trabalho de fisioterapia nessas crianças?
As crianças que recebem tratamento fisioterápico têm uma sobrevida maior do que as que não recebem?
As crianças com Síndrome de Down podem vir a adquirir sua própria independência?
1.3 Objetivos da pesquisa:

Analisar as possibilidades de tratamento no processo de desenvolvimento na criança com Síndrome de Down;
Indicar qual o grupo de profissionais e quais os critérios utilizados para formar equipe para trabalho junto aos portadores de Síndrome de Down;
Indicar a idade em que pode ser iniciado o tratamento fisioterápico na criança com Síndrome de Down;
Averiguar se crianças com Síndrome de Down que recebem o tratamento fisioterápico têm mais possibilidades de alcançar a fase adulta do que as crianças que não recebem;
Verificar se crianças com Síndrome de Down podem conseguir sua independência motora.
1.4 Justificativa da investigação:

A Síndrome de Down foi descrita pela primeira vez a mais de um século. Desde essa época até os dias atuais os cientistas da área médica têm buscado respostas e proposto muitas teorias sobre sua causa. No começo do século XX alguns médicos pensavam que, já que, o período de má formação do bebê com Síndrome de Down tinha que ocorrer no início da gestação, a condição seria resultado de alguma influência do ambiente durante os primeiros dois meses de gravidez. Outros, mais corretamente, acreditavam que aspectos genéticos eram responsáveis muitas hipóteses foram levantadas como possíveis explicações. Todavia, faltava a maioria uma base científica sólida e hoje parecem absurdas, considerando-se o estado do conhecimento atual.

Sabe-se, hoje em dia, que se trata de um acidente genético, que ocorre no momento da fecundação por causas até hoje desconhecidas.

De cada 500 bebês nascituras, umas é portadora de Síndrome de Down. E apesar dessa alta incidência, grande parte da população ainda ignora que essas crianças podem se tornar produtivas e independentes.

Evidencia-se, desta forma, a importância de realizar uma pesquisa sobre essa problemática. Investigar a eficácia da participação e colaboração do profissional fisioterapeuta no processo de desenvolvimento do portador da Síndrome de Down revela-se como uma questão de grande interesse, motivo pelo qual foi escolhida como tema de estudo e investigação do presente trabalho.

1.5 Hipótese:

Os indivíduos com Síndrome de Down devem ser tratados por equipe multidisciplinar, da qual o fisioterapeuta faz parte e tem papel fundamental no processo de desenvolvimento motor.

2 – EMBASAMENTO TEÓRICO

2.1 Panorama histórico;

O registro antropológico mais antigo da Síndrome de Down deriva das escavações de um crânio saxônio, datados do século VII, apresentando modificações estruturais vistas com freqüência em crianças com Síndrome de Down e discutindo várias causas possíveis. Os progressos no método de visualização dos cromossomos em meados dos anos 1950 permitiu que um estudo mais preciso de cromossomos humanos levando a descoberta de Lejeune, amais de 70 anos, de que crianças com Síndrome de Down tem um cromossomo 21 extra. Quando o espermatozóide fertiliza o óvulo, resulta uma célula chamado zigoto ou ovo fertilizado, que tem 46 cromossomos, isto é, 23 pares. Esta célula passa por um processo de divisões celulares: dividi-se em duas células idênticas; estas se dividem em quatro; as quatro se transformam em oito e assim por diante, os cromossomos devem também se dividir. Cada nova célula recebe um conjunto completo de 46 cromossomos, onde cada um deles é original. A medida que as células se dividem elas se modificam e se organizam, afim de formar tecidos e órgãos. O que acontece simplesmente é um erro na distribuição cromossômica.

Uma das duas novas células recebe um cromossomo número 21 extra, e as outras células não. Todos os pares de cromossomo se distribuíram corretamente, exceto o par 21. Esse erro de distribuição cromossômica pode ocorrer em qualquer célula, na época da sua divisão. A gravidade e as conseqüências deste erro dependeram da época em que ele ocorre, pois todas as células derivadas de uma célula com trissomia 21, terão também trissomia 21. Quase todas as crianças com Síndrome de Down tem a trissomia completa, isto é, 3 cromossomos 21 presentes em todas as células do seu organismo. Outra possibilidade é a de que o óvulo ou espermatozóide seja normal, mas na primeira divisão do óvulo fertilizado os cromossomos 21 não se distribuam corretamente. Uma nova célula que tem cromossomo 21, continua a se multiplicar e o bebê terá trissomia 21 em todas as suas células e será, portanto um portador da Síndrome de Down. Apesar da raça a trissomia 21 por translocação pode ser destituída da trissomia comum, apenas pelos estudos cromossômicos e quando encontrada, ela determina a necessidade do estudo cromossômico dos pais.

2.2 A Fisioterapia na Síndrome de Down:

Criança portadora da Síndrome de Down é muito dócil depois de conquistada, o que torna a terapia uma troca muito gratificante para o terapeuta, pelo relacionamento com essas crianças especiais, e para crianças com o alívio que traz a terapia.

Quando bebê, o desenvolvimento é quase manifestação eminentemente motora, por isso o programa nessa área é fortemente desenvolvido respeitando os níveis de rendimento da criança, possibilitando maior postura, melhor tonicidade e melhor equilíbrio. Dependendo das deficiências específicas, técnicas de fisioterapia são aplicadas para inibição de reflexos patológicos. Chegar o mais cedo possível aos profissionais que tratam do problema, principalmente o fisioterapeuta, vai fazer toda diferença no desenvolvimento da criança já nos primeiros meses de vida. Nesta fase, com exceção dos traços físicos, a defasagem não é muito evidente. Por isso é vital que essa criança comece a ser estimulada imediatamente.

A fisioterapia respiratória atua na prevenção e tratamento das diferentes pneumonias com bases em princípios fisiopatológicos, são usados recursos terapêuticos que visam o conforto respiratório do paciente. Fazendo manutenção de higiene brônquica, prevenindo complicações por hipersecreção que podem acarretar prejuízo à ventilação da criança. Dentre procedimentos fisioterapêuticos fazem parte à avaliação fisioterapêutica pulmonar, higiene nasal, higiene brônquica e a ludoterapia. Sendo essas manobras realizadas em uma seqüência lógica e devidamente utilizadas a cada patologia respiratória e sempre observando o estado geral da criança.

Padrões respiratórios para melhor ventilação e em conseqüência melhor oxigenação, são necessários para tirar a criança da prostração e tranqüiliza-la facilitando o seu desenvolvimento motor. Tratamento de fisioterapia em pediatra requer atenção especial aos interesses e potencialidade dos pequenos, devendo ser feito por profissionais bem treinados e especializados.

Uma das características principais da Síndrome de Down, e que afeta diretamente o desenvolvimento psicomotor, é a hipotonia generalizada, presente desde o nascimento. A hipotonia origina-se no sistema nervoso central, e afeta toda a musculatura e a parte ligamentar da criança. Com o passar do tempo, a hipotonia tende a diminuir espontaneamente, mas ela permanecerá presente por toda a vida, em graus diferentes. O tônus é uma característica individual, por isso há uma variação entre as crianças com esta síndrome.A criança que nasceu com Síndrome de Down vai controlar a cabeça, rolar, sentar, arrastar, engatinhar, andar e correr, exceto se houver algum comprometimento além da síndrome. Acontece freqüentemente da criança ter alta da fisioterapia por ocasião dos primeiros passos. Na verdade, quando ela começa a andar, há necessidade ainda de um trabalho específico para o equilíbrio, a postura e a coordenação de movimentos. A hipotonia muscular faz com que haja um desequilíbrio de força nos músculos da boca e faze, ocasionando alterações na arcada dentária, projeção no maxilar inferior e posição inadequada da língua e lábios – com a boca aberta e a língua sempre para fora, a criança respira pela boca, o que acaba alterando a forma do palato. Esses fatores, dentre outros, fazem com que os movimentos fiquem mal coordenados e a articulação

É essencial que nesta fase, na qual há maior independência motora, a criança tenha espaço para correr e brincar e possa exercitar sua motricidade global. A brincadeira deve estar presente em qualquer proposta de trabalho infantil, pois é a partir dela que a criança explora e internaliza conceitos, sempre aliados inicialmente à movimentação do corpo.

As cardiopatias congênitas estão presentes em aproximadamente 50% dos casos. Ela deve ser detectada com urgência, para que a criança possa ser encaminhada para a cirurgia cardíaca em tempo hábil.

Logo ao nascimento, a criança deve passar por um minucioso exame cardiológico, que inclui desde a ausculta dos batimentos cardíacos, a constatação da possível presença de sopro, o exame anatômico do tórax, até a realização de exames mais completos como o eletrocardiograma e principalmente o ecocardiograma.

A maioria das crianças com Síndrome de Down apresenta constantes resfriados e pneumonias de repetição. Isto se deve a uma predisposição imunológica e à própria hipotonia da musculatura do trato respiratório. Como o problema é crônico, é desaconselhável o uso repetitivo de antibióticos. O ideal é trabalhar na prevenção das doenças respiratórias, através de exercícios específicos de sopro, da prática de atividades físicas que aumentem a resistência cárdio-respiratória, da higiene nasal com soro fisiológico e do uso de manobras específicas como capotagem, vibração e drenagem postural para evitar o acúmulo de secreção.

Várias técnicas podem ser utilizadas. Massagens com o vibrador ou com as mãos ajudam a dar maior tonicidade na musculatura oro-facial. Brinquedos coloridos e sonoros estimulam a visão, a audição e a coordenação de movimentos no bebê. Exercícios específicos de equilíbrio como o uso de bola de Bobath e da prancha de equilíbrio também são importantes. As manobras realizadas para mudanças de posição, estímulo da propriocepção ou ainda os exercícios respiratórios constituem elementos básicos das terapias individuais. Atividades que envolvam o balanço estimulam os órgãos do equilíbrio. Portanto, desde cedo a criança deverá experimentar estas sensações, tanto na terapia, como em casa. O balanço na bola de Bobath facilita as reações de controle de cabeça e tronco. O uso de redes, balanças e brincadeiras com o corpo deve ser estimulado e orientado à família.

Antes de qualquer técnica específica de estimulação, a convivência saudável com a criança deve ser uma das prioridades da estimulação, pois é a partir dela que ocorre o desenvolvimento.

Um dos vários recursos utilizados é a Equoterapia. É uma abordagem terapêutica relativamente nova no Brasil. Visa utilizar o cavalo como facilitador para um melhor desenvolvimento neuropsicomotor e psicológico do indivíduo. Essa interação com o animal propicia ao paciente atingir novas formas de comunicação, socialização, concentração, equilíbrio, coordenação motora, conscientização postural, ganho da auto estima, etc. Apesar de ser indicada também aos adultos, as crianças são a grande maioria, principalmente as que apresentam déficit motor nas doenças neurológicas. O trabalho motor realizado na Equoterapia é muito importante.

O desenvolvimento global da criança portadora de Síndrome de Down acontece com retarde ao padrão da anormalidade, no entanto esta criança pode chegar a progressos consideráveis com boa estimulação do meio, facilitada por profissionais capacitados e, sobretudo, pela família com a qual convive diariamente. Na seqüência do desenvolvimento do indivíduo, em primeiro lugar vem a postura, depois a ação motora, para depois vir ação mental. Isto quer dizer que qualquer ação mental, organizada, dependerá de um sistema postular bem estruturado e conseqüentemente de movimentos intencionais bem organizados e para que isso plenamente será preciso não só a integridade do cérebro, das vias que se comunicam com ele, como também do aprendizado através do ambiente. Se a estimulação é importante para qualquer criança com ou sem atraso no desenvolvimento, a criança Down tem essa necessidade muito mais inerente de experimentar situações e conviver com pessoas diferentes às de seu ambiente. O desenvolvimento de uma criança se dá através de descobertas de si mesmo e do mundo que a rodeia. O interesse que ela manifesta pelo movimento dos objetos, faz destes brinquedos um bom suporte para estimula-la a passar de uma posição para outra. Os jogos e as brincadeiras, além de serem úteis para a aquisição da motricidade, têm grande importância para que a criança se desenvolva do ponto de vista mental e afetivo. O portador da Síndrome de Down apesar de ter características que o diferencia dos indivíduos ditos “normais”, é semelhante a estes no processo de desenvolvimento. Através de atividades com jogos e brincadeiras, a criança se envolve com o desejo de descobrir o mundo que a rodeia e de se auto-descobrir; essa motivação desperta a vontade de se movimentar, tornando esses movimentos mais espontâneos, mais prazerosos e as conquistas mais evidentes.

Em entrevista com a Drª Lílian Rodrigues, fisioterapeuta da Sociedade Pestalozzi de, formada em fisioterapia e pós graduada em Neurologia no dia 16 de maio de 2002, afirma que o profissional fisioterapeuta ajuda no processo de desenvolvimento da criança com Síndrome de Down em todos os aspectos. Todos os aspectos porque a criança com essa Síndrome tem que ser abordada como um todo, e isso é imprescindível para o desenvolvimento dessa criança. É importante começar o mais cedo possível a fisioterapia nas crianças portadoras dessa síndrome. Existem pontos a ter cuidados com a Síndrome de Down, que seria com crianças com a síndrome, com cardiopatias graves que podemos encontrar. Outros aspectos que o fisioterapeuta tem que ter cuidado é com alguma alteração cervical, que pode vir acompanhada.

A Dra. Lílian nos informou que a equipe multidisciplinar que trabalha junto a portadores da Síndrome de Down são o neurologista, fisioterapeuta, assistente social, dentista, fonodiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo, pedagoga. Ela complementa dizendo que a Pestalozzi também tem o trabalho voltado para o profissionalizante ou faz com que eles tenham uma profissão mesmo, uma atividade. Eles trabalham na cozinha experimental, trabalham na reciclagem de lixo, curso de música, capoeira, hidroterapia, natação.Tudo isso, a Pestalozzi está promovendo para portadores com Síndrome de Down.

A nossa entrevistada afirma que a experiência mostra que, tratada precocemente, a Síndrome de Down não traz graves comprometimentos ao desenvolvimento motor. É importante salientar que, em se tratando da Síndrome de Down, existe uma grande variação no desenvolvimento, destas crianças. O ritmo e a velocidade delas devem ser respeitados, o que nos leva sempre a pensar mais na fase do seu desenvolvimento do que na idade cronológica. Esse tratamento precoce tem que acontecer porque a Síndrome de Down já pode ser constatada dentro da barriga da mãe, então quanto mais rápido a fisioterapia atuar mais ganho esta criança vai ter. Ela reafirma que quanto mais cedo possível for iniciado o tratamento da criança com Síndrome de Down melhor para essa criança. Assim que a criança recebe uma alta pediátrica no hospital já se pode começar o tratamento. Acredita ainda que a criança com Síndrome de Down já tem que ser estimulada dentro do berçário, dentro da maternidade e, por isso é importantíssimo a presença de um fisioterapeuta dentro de uma maternidade para que ele possa orientar a mãe da criança na hora de colocar o bebê com Síndrome de Down no colo, porque até a maneira de segurar essa criança é importante. Se essa orientação fosse feita na maternidade, muitos problemas poderiam ser eliminados.

A Dra. Lilian assegura que as crianças portadoras da Síndrome de Down que têm o tratamento fisioterápico têm uma sobrevida maior que as que não possuem. Ressalta que as crianças submetidas à estimulação apresentam maior estabilidade no desenvolvimento do que crianças não submetidas a um programa desse tipo. A vida dos portadores da Síndrome de Down não é tão limitada quanto se acredita. Ela acrescenta que hoje o índice de mortalidade de crianças com lesão neurológica é muito menor,porque hoje a abordagem fisioterápica está sendo feita muito mais cedo. Reafirma que a criança que recebe estimulação desde de bebê tem uma sobrevida maior.

Finalmente ela concluiu, assegurando que nada é impossível para um portador com Síndrome de Down ter sua independência motora, mas alerta que não devemos fixar metas muito elevadas que possam de alguma forma inibir ou desmotivar a criança; o que realmente conta é a superação dos seus próprios limites no dia-a-dia, por menor que seja. Nada impede que uma criança com Síndrome de Down tenha problemas para conseguir a independência motora, pois, antigamente, a falta de estimulação é o que trazia problemas, a criança ficava sem uma perspectiva de ter um lugar dentro da sociedade, o que já não ocorre nos dias de hoje.

Concluiu-se com esse trabalho, que na criança Down todo o trabalho cerebral se processa mais lentamente. A atenção é mais pobre, não se concentra o tempo suficiente para guardar as ordens dadas. Há uma fadiga muito rápida e com o cansaço, a energia necessária para manter a concentração, desaparece. Surge-se então para seu melhor desenvolvimento, que desde cedo seja encaminhada a um processo de estimulação. O progresso da criança Down depende muito da dedicação do fisioterapeuta e de outros profissionais. A criança especial bem estimulada, aquela que não fica escondida dentro de casa e comparece a eventos sociais e familiares, pode ter um desenvolvimento muito mais satisfatório. Garimpar o que ela sabe de melhor e reforçar essas tendências é um meio de oferecer condições para que chegue à idade adulta com um profissão que o torne relativamente independente.

3 – METODOLOGIA

3.1 Tipo de pesquisa

É uma pesquisa bibliográfica porque utilizamos livros e internet para obter as informações necessárias. É uma pesquisa de levantamento, porque foi feita uma entrevista planejada com uma especialista na área de Neurologia que trata de crianças com Síndrome de Down. É também uma pesquisa documental porque foi utilizado materiais escritos que serviram como fonte de informação para a pesquisa científica. É uma pesquisa explicativa, porque esclarece dúvidas sobre a atuação do fisioterapeuta com crianças portadoras da Síndrome de Down.

3.2 Fontes da pesquisa

Foram utilizados livros, internet e o conhecimento da entrevistada, a Drª Lílian Rodrigues.

3.3 Instrumentos de a coleta de dados

Os instrumentos utilizados para coleta de dados foi o roteiro de entrevista, gravador e bloco de notas.

3.4 A coleta de dados

Foi realizada uma entrevista no dia 16 de maio de 2002, às 7h30 , na Sociedade Pestalozzi de Resende. Foram utilizados, também, como consulta livros da biblioteca da Estácio de Sá no dia 15 maio 2002, às 15h. O acesso a internet foi nos dias 11 maio 2002 e 5 junho 2002.

3.5 Análise dos dados:

O procedimento para a análise dos dados foi feita através dos dados que a entrevistada nos forneceu e das informações dos livros e outras fontes de consulta que foram discutidos pelo grupo responsável pela pesquisa. Obtivemos as informações necessárias com uma fisioterapeuta especialista em Neurologia que trata de crianças portadoras da Síndrome de Down, que é o foco da nossa pesquisa. Foi absorvido o máximo de informações em livros e textos de internet.

4 – CRONOGRAMA

Emissão do trabalho: 13 maio 2002
Pesquisa na internet: 14 maio 2002 e 05 junho 2002
Pesquisa na biblioteca: 16 maio 2002
Entrevista: 16 maio 2002
Análise dos dados: 05 junho 2002
Montagem do projeto: 06 junho 2002
Revisão do texto: 07 junho 2002
Entrega do trabalho: 17 maio 2002

BIBLIOGRAFIA

KURUNCZI,Victor Hugo. Síndrome de Down www.zemoleza.com.br Disponível em Acesso em 11 maio 2002

MOORE, Keith L. Embriologia clínica.3ª ed.Rio de Janeiro: Guanabara, 1998.

NEVES, Nívea Andrade. Equoterapia – um método terapêutico.www.canalsaude.com.br Disponível em : Acesso em 11 maio 2002.

POLASTRI, Paula Fávoro. Desenvolvimento do acoplamento entre informações visual e controle postural em crianças portadoras de Síndrome de Down. www.unesp.com.br Disponível em Acesso em 5 junho 2002.

ROSADAS, Sidney de Carvalho. Educação física especial – Fundamentos da avaliação e aplicabilidade de programas sensórios motores em deficientes. São Paulo, 2000

SHERRILL, Carmem. Afecções cerebrais que ocasionam distúrbios mentais.

(Anexo 1)

ENTREVISTA

Alunos da Estácio de Sá: Em que o profissional fisioterapeuta pode ajudar no processo de desenvolvimento da criança com Síndrome de Down?

Drª Lilian Rodrigues: Pode ajudar em todos os aspectos, o mais rápido possível, e existem pontos a ter cuidados com a Síndrome de Down, que seriam as crianças com Síndrome de Down, mais com cardiopatias graves que nós podemos encontrar. Mas outras coisas que tem-se certos cuidados é com alguma alteração cervical,

que esses podem vir acompanhados, então são esses os cuidados. Mas o mais breve possível, acho que um mês de vida, porque a Síndrome de Down já se pode constatar dentro da barriga da mãe, então quanto mais rápido a fisioterapeuta atuar, mais ganho esta criança terá.

Em todos os aspectos, porque a criança tem que ser abordada com um todo, e isso é imprescindível para o desenvolvimento desta criança.

Alunos da Estácio de Sá: Como é formada a equipe multidisciplinar que trabalha junto a portadores de Síndrome de Down?

Drª Lilian Rodrigues: Neurologista, fisioterapeuta, assistente social, dentista, fonodiólogo, terapeuta ocupacional, psicólogo e pedagoga. Aqui na Pestalozzi, também tem o trabalho voltado para profissionalizante ou se faz com que eles tenham uma profissão mesmo. Têm-se atividades como cozinhar e eles trabalham na cozinha experimental, trabalham na reciclagem de lixo, têm curso de música, capoeira, expressão corporal, hidroterapia e natação. Tudo isso a Pestalozzi ta promovendo para os portadores com Síndrome de Down.

Alunos da Estácio de Sá: Com que idade pode-se iniciar o trabalho de fisioterapia nessas crianças?

Drª Lilian Rodrigues: O mais cedo possível, e quanto mais cedo melhor. Assim que a criança recebe uma alta pediátrica no hospital já pode começar o tratamento fisioterápico. Eu acho que a criança com essa Síndrome já tem que ser estimulada.

(Anexo 2)

dentro do berçário, lá dentro da maternidade, e é por isso que eu acho importante o fisioterapeuta dentro de uma maternidade para que ele pudesse orientar a mãe na hora de pegar no colo, porque até a maneira de segurar a criança com Síndrome de

Down é essencial no processo de melhora dessa criança. Se essa orientação fosse feita na maternidade , muitos problemas poderiam ser eliminados.

Alunos da Estácio de Sá: As crianças que recebem tratamento fisioterápico têm uma sobrevida maior do que as que não recebem?

Drª Lilian Rodrigues: Com certeza, em todos as áreas. Hoje o índice de crianças lesões neurológicas, o índice de mortalidade é muito menor. Porque hoje a abordagem fisioterápica está sendo muito mais cedo. Então a criança que recebe a estimulação desde bebê tem uma sobrevida maior.

Alunos da Estácio de Sá: As crianças com Síndrome de Down podem vir a adquirir sua própria Independência motora?

Drª Lilian Rodrigues: Sim, com certeza. Nada impede que uma criança com Síndrome de Down tenha problemas para conseguir independência motora. Antigamente a falta de estimulação de conhecimento da família com relação a estimulação é que trazia problemas , a criança ficava sem uma perspectiva de ter um lugar dentro da sociedade, mas hoje não acontece isso. Não tem o porque, não existe motivo para isso acontecer.

(Anexo 3)

RELATO DA MÃE DE DEFICIENTE

( retirado do livro de SIDNEY DE CARVALHO ROSADAS, Educação Física Especial – Fundamentos da avaliação e aplicabilidade de programas sensórios motores em deficientes )

Mãe de criança excepcional, sinto-me qualificada para dar este depoimento e o faço movida pelo desejo de contribuir de algum modo, para uma efetiva reabilitação do excepcional, na sua condição de ser humano capaz , única maneira, a meu ver, de liberá-lo de preconceitos sociais e terapêuticos que o levam à uma falsa integração.

Minha indagação começou oito anos atrás, após o exame cariótico que confirmava ser o meu filho portador da Síndrome de Down ( mongolismo ), tinha ele três meses de idade. Sendo totalmente desconhecedora da tal síndrome, iniciei a imediata coleta de informações através de enciclopédias médicas, livros especializados e pessoas qualificadas. Em poucos meses, eu já estava convencida de que na área médica, não contaria com mais nada para meu filho, além do diagnóstico dado. Voltei-me então para a área pedagógica e nela depositei toda a esperança em sua recuperação.

Enquanto esperava atingir a idade para iniciar os atendimentos, meu filho era estimulado no âmbito familiar. Um passo importante e decisivo foi procurar uma escola de natação para bebês. Tinha ele então, nove meses. O professor, informado da síndrome de meu filho, aceitou o desafio e o submeteu ao mesmo rigor técnico dispensado às outras crianças. A experiência foi coroada de êxito duplamente: de um lado, pela familiaridade coma água ( hoje meu filho nada perfeitamente por cima e por baixo d’água ); de outro, pela compleição física ( meu filho tem o corpo forte e modelado ).

As terapias propriamente ditas, vieram a partir de um ano e meio de idade e continuam até hoje. Meu filho passou por dezenas de instituições de natureza diversas, selecionadas após árdua pesquisa e verificação direta; posso dizer que conheço todas as instituições de atendimento especial da cidade do Rio de Janeiro, particulares e de utilidade pública.

(Anexo 4)

Fui verificando com o passar do tempo e as sucessivas mudanças que, em todas elas, o atendimento era tecnicamente o mesmo e igualmente insuficiente. Em

todas, fui sempre recebida com o mesmo chavão, de que “tudo fariam pelo meu filho” e que “o principal era o muito amor que tinham para dar-lhe”, como se isso pudesse compensar o atendimento profissional insatisfatório. Estas clínicas não contam com nada especialmente desenvolvido no sentido da efetiva recuperação do deficiente mental, mas tão somente com técnicas importadas e quase sempre adaptadas de treinamento padronizado, que excluem a aptidão individual. Nestas clínicas a criança recebe o rótulo de deficiente mental e já tem a sua “recuperação” prescrita segundo a síndrome de que é portadora. Com isto não se está recuperando o deficiente, mas sim impondo a ele o limite que determinará sua capacidade de aprendizagem. A credibilidade do terapeuta na técnica a ser empregada e a conseqüente falta de confiança na criança, transformam a relação terapeuta/paciente num processo monótono e de baixo rendimento. A falta de variedade na técnica de recuperação leva a criança a uma saturação cuja resposta é

a rebeldia, interpretada pelo terapeuta como um bloqueio na aprendizagem, não raro atribuído ao ambiente familiar.

Mas os grandes problemas com a recuperação do deficiente mental vêm a idade escolar. A pressão social é exercida no sentido de levá-lo às escolas especializadas ou clínicas-escolas, que oferecem um confinamento agradável. Essas escolas, não dispondo de nenhum método desenvolvido no sentido da recuperação intelectual do deficiente, se concordassem em criar um ambiente fictício, onde a criança vive uma realidade falsa. As crianças são preparadas para levar uma vida de ser excepcional, adaptadas à sua própria deficiência e não a uma estrutura social. Integração seria, a meu ver, fazer a criança excepcional conviver com as crianças normais e atingir o grau necessário para ser absorvida pelo processo social.

A integração real implicaria no ingresso da criança excepcional em escolas normais e o conseqüente esvaziamento das escolas especializadas. Mas aí, as barreiras sociais levantadas pelas direções das escolas, pelos professores e principalmente pelos pais de alunos, são quase intransponíveis. Corri a cidade à procura de uma oportunidade para matricular meu filho num jardim, a partir do bairro que moro, Jacarepaguá, e confesso que foi desalentador. Só dois o aceitaram o

(Anexo 5)

aceitaram condicionalmente, mas logo recuaram diante do primeiro obstáculo. Eu é que não recuei nunca do propósito de dar ao meu filho a chance a que ele tem

direito. Consegui matriculá-lo num colégio normal e, com o consentimento da direção, contratei uma professora especializada, voltada principalmente para a

integração dele na comunidade, para acompanhá-lo na sala de aula. Os resultados foram satisfatórios até o momento, embora ainda falte muito para se alcançar o nível alcançado, compatível naturalmente com a sua capacidade.

Este depoimento é pessoal e se refere a uma criança excepcional que tem suas características individuais e um potencial que venho tentando desenvolver a qualquer custo. Sei que a recuperação do deficiente mental é difícil, porém possível, e acho que toda criança excepcional devia ter a oportunidade de tentá-la, como um direito inalienável de sua condição de ser humano.

Norma C.S.V. da Silva

A Ergonomia

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Autor: Daniela Castilho Manzano

Impossível conceituar Ergonomia e contextualizá-la sem desnudar as linhas de intervenção existentes. Atualmente, a Ergonomia apresenta dois enfoques bem característicos, segundo o tipo de abordagem do homem no homem no trabalho: o enfoque americano e o enfoque europeu.

De acordo com Montmollin (1986), a linha européia privilegia as atividades do operador, priorizando o entendimento da tarefa, os mecanismos de seleção de informações, de resolução de problemas, de tomadas de decisão. Tudo se inicia com a observação do trabalho, em condições reais. Em seguida, tem-se a verbalização do trabalho executado pelos próprios operadores especificamente nele envolvidos e considera-se a aprendizagem da tarefa e a competência do trabalhador.

Os ergonomistas americanos, por seu lado, preocupam-se, principalmente, com os aspectos físicos da interface homem-máquina (anatômicos, antropométricos, fisiológicos e sensoriais), objetivando dimensionar a estação de trabalho, facilitar a discriminação de informações dos mostradores e a manipulação dos controles. Para tanto, realizam simulações em laboratórios (onde medem alcances, esforços, discriminação visual, rapidez de resposta), mantendo constantes algumas variáveis – homens com dimensões extremas (5° e 95° percentis), acuidade visual, nível de instrução, etc.

Ao se estudar, por exemplo, o trabalho em terminais de vídeo, o enfoque americano contempla as dimensões do mobiliário; alcances, conformação do teclado; radiação e cor da tela; altura, espessura e desenho dos caracteres alfanuméricos; visibilidade e compreensibilidade dos símbolos iconográficos; iluminação, ruído e temperatura ambiente. Os europeus enfatizam os aspectos semânticos e cognitivos da informação que aparece na tela, seu tratamento mais do que a apresentação, o conteúdo do trabalho, a percepção dos dados e as decisões implicadas.

Ainda de acordo com Montmollin (1986), temos que o primeiro enfoque, o mais antigo e, hoje em dia, o mais americano, considera a Ergonomia como a utilização das ciências para melhorar as condições do trabalho humano. A anatomia e a fisiologia permitem conceber cadeiras, telas e horários mais adaptados ao organismo humano, enquanto a psicologia e a semiótica possibilitam definir uma melhor apresentação das informações. O ergonomista orienta-se, prioritariamente, para a concepção de dispositivos técnicos: maquinas, utensílios, postos de trabalho, telas, impressos, programas, etc.

O ergonomista desta corrente considera as características gerais do homem em geral, a maquina humana, para adaptar melhor as máquinas e os dispositivos técnicos a este homem. A concepção clássica de sistemas homem-máquina, onde a analise ergonômica privilegia a interface entre os componentes materiais e os componentes (ou fatores) humanos.

Seguem-se as características da máquina humana que os ergonomistas praticantes dessa linha consideram:

As características antropométricas: alturas, comprimentos e larguras de diferentes segmentos corporais;
As características ligadas ao esforço muscular: estudam-se as contrações musculares, diretamente (por eletromiografia), pelo consumo de oxigênio e pelo ritmo cardíaco;
As características ligadas à influência do ambiente físico: o calor e o frio, a poeira, os agentes tóxicos, o ruído, as vibrações e, mais recentemente, as acelerações bruscas – estes são domínios onde a Ergonomia se identifica com a medicina do trabalho;
As características psicofisiológicas: o olho e o desempenho visual, o ouvido e o desempenho auditivo, em diversas condições – visão noturna, audição em locais ruidosos; mas também o olfato, o tato, e os tempos de reação. Devem-se juntar às características relacionadas a sensação, como as citadas acima, os fenômenos do sistema nervoso central como a percepção visual (limiar de discriminação de diferentes formas, por exemplo) ou, como a partir dos anos 50 e 60, a atenção e a vigilância ( detecção de sinais raros e aleatórios);
As características dos ritmos circadianos: (que regulam a atividade biológica durante as 24 horas do dia), alternância vigilia-sono, em particular, e a influencia de suas perturbações (devidas ao trabalho em equipes alternantes, por exemplo) sobre o sono e, mais genericamente, sobre a saúde.
Paralelamente ao estudo das características citadas, estudam-se os efeitos do envelhecimento, em particular os efeitos fisiológicos e psicofisiológicos. Os ergonomistas dessa corrente reuniram uma massa considerável de dados sobre a maquina humana e, em particular, sobre seus limites.

Objetivos da Ergonomia

O objeto da Ergonomia seja qual for a sua linha de atuação, ou as estratégias e os métodos que utiliza, é o homem no seu trabalho trabalhando, realizando a sua tarefa cotidiana, executando as suas atividades do dia-a-dia. Esse trabalho real e concreto compreende o trabalhador, o operador, o manutenidor, o instrutor ou o usuário no seu local de trabalho, enquanto executa sua tarefa, com maquinas, ferramentas, equipamentos e meios de trabalho, num determinado ambiente fisco e arquitetal, com seus chefes e supervisores, colegas de trabalho e companheiros de equipe, e mais as interações e comunicações formais e informais, num determinado quadro econômico-social, ideológico e político.

A Ergonomia partilha o seu objetivo geral – melhorar as condições especificas do trabalho humano – com a higiene e a segurança do trabalho. Os organizadores do trabalho também estudam o trabalho real para determinar procedimentos mais racionais e formas mais produtivas de efetuar a tarefa. Variam as ênfases, as estratégias, alguns métodos e técnicas. Imprescindível se faz enfatizar que a Ergonomia orienta-se prioritariamente para a aplicação.

Cumpre ressaltar que a singularidade da Ergonomia esta justamente na sua práxis, que integra o estudo das características físicas e psíquicas do homem, as avaliações tecnológicas do sistema produtivo, a analise da tarefa, com a apreciação, o diagnostico, a projetação, a avaliação e a implantação de sistemas homens-tarefas-máquinas. O ergonomista, junto com engenheiros, arquitetos, desenhistas industriais, analistas e programadores de sistemas, organizadores do trabalho, propõe mudanças e inovações, sempre a partir de variáveis fisiológicas, psicológicas e cognitivas humanas e segundo critérios que privilegiam o ser humano.

O atendimento aos requisitos ergonômicos possibilita maximizar o conforto, a satisfação e o bem-estar; garantir a segurança; minimizar constrangimentos, custos humanos e carga cognitiva, psíquica e física do operador e/ou do usuário; e otimizar o desempenho da tarefa, o rendimento do trabalho e a produtividade do sistema homem-máquina.

Finalmente, cabe observar que a Ergonomia tem como centro focal de seus levantamentos, analises, pareceres, diagnósticos, recomendações, proposições e avaliações, o homem como ser integral. A vocação principal da Ergonomia é recuperar o sentido antropológico do trabalho, gerar o conhecimento atuante e reformador que impede a alienação do trabalhador, valorizar o trabalho como agir humano através do qual o homem se transforma e transforma a sociedade, como livre expressão da atividade criadora, como superação dos limites da natureza pela espécie humana.

Custos e benefícios da Ergonomia

As decisões na empresa geralmente costumam, ser tomadas com base em dados objetivos, muitas vezes baseadas na analise de custo e beneficio. Isso significa dizer que qualquer tipo de investimento só seria realizado se os benefícios previstos fossem maiores que seus custos. A ergonomia também, se tiver pretensões de ser aceita pela administração superior da empresa, deverá estar preparada para comprovar, objetivamente, que as suas propostas produzem benefícios que superem os custos.

Nas comparações entre custos e benefícios, a primeira parte, referente aos custos, geralmente é determinada com maior facilidade e costuma incidir a curto prazo.

Já os benefícios não são facilmente quantificáveis. Eles podem incluir itens como conforto e segurança dos trabalhadores, que nem sempre podem ser traduzidos em termos monetários, pelo menos a curto prazo.Em outros casos, são representados por fatores intangíveis como acidentes ou degradações de qualidade que foram evitados.

Como custos em geral, são computados, o de maquinas e equipamentos, o de substituição de pacas, a manutenção, os operacionais, a quebra de produtividade durante a fase de mudança, a seleção e treinamento de pessoal e outros semelhantes.

Os benefícios são representados pelos bens e serviços produzidos. No caso de uma mudança proposta na produção, devem ser estimados aumentos de produtividade e de qualidade, a redução dos desperdícios, as economias de energia, mão-e-obra, manutenção, e assim por diante. Existem outros benefícios de mais difícil mensuração, como redução das faltas de trabalhadores devido a acidentes e doenças ocupacionais. Finalmente, existem os benefícios chamados de intangíveis, que não podem ser calculados objetivamente, mas apenas estimados, mas nem por isso menos importantes como a satisfação do trabalhador, o conforto, a redução da rotatividade e o aumento da motivação e do moral dos talhadores.

Ocasião da contribuição ergonômica

A contribuição ergonômica, de acordo com a ocasião em que é feita, é classificada em ergonomia de concepção, ergonomia de correção e ergonomia de conscientização.

Ergonomia de concepção – A ergonomia de concepção ocorre quando a contribuição ergonômica se faz durante a fase inicial de projeto do produto, da maquina ou do ambiente. Esta é a melhor situação, pois as alternativas poderão ser amplamente examinadas, mas também se exige maior conhecimento e experiência, porque as decisões são tomadas em cima de situações hipotéticas. O nível dessas decisões pode ser melhorado, buscando-se informações em situações semelhantes que já existam ou construindo-se modelos tridimensionais (“mock-ups”) em madeira ou papelão, onde as situações de trabalho podem ser simuladas a custos relativamente baixos.

Ergonomia de correção – A ergonomia de correção é aplicada em situações reais, já existentes, para resolver problemas que se refletem na segurança, na fadiga excessiva, em doenças de trabalhador ou na quantidade e qualidade da produção. Muitas vezes, a solução adotada não é completamente satisfatória, pois exigiria custo muito elevado, por exemplo, na substituição de maquinas inadequadas. Em alguns casos, as melhorias, como mudanças de posturas, colocação de dispositivos de segurança e aumento da iluminação podem ser feitas com relativa facilidade em quanto em outros casos, como a redução de carga mental ou de ruídos, tornam-se difíceis.

Ergonomia de conscientização – Muitas vezes, os problemas ergonômicos não são completamente solucionados, nem na fase de concepção e nem na fase de correção. Alem do mais, novos problemas poderão surgir que qualquer tempo, devido ao desgaste natural das maquinas e equipamentos, as modificações introduzidas pelos serviços de manutenção, alteração dos produtos e da programação da produção, à introdução de novos equipamentos de transporte e assim por diante. Pode-se dizer que o sistema e os postos de trabalho assemelham-se a organismos vivos em constante transformação e adaptação. Portanto, é importante conscientizar o operador, através de cursos de treinamento e freqüentes reciclagens, ensinando-o a trabalhar de forma segura, reconhecendo os fatores de risco que podem surgir, a qualquer momento, no ambiente de trabalho.

Fatores humanos no trabalho

O estudo da adaptação ao trabalho abrange as transformações que ocorrem quando um organismo passa do estado de repouso para a atividade e também aquelas transformações de caráter mais duradouras, devidas ao treinamento.

A monotonia, fadiga e motivação são três aspectos muito importantes que devem interessar a todos aqueles que realizam analise e projeto do trabalho humano. A monotonia e fadiga estão presentes em todos os trabalhos e, se não podem ser totalmente eliminados, podem ser controlados e substituídos por ambientes mais interessantes e motivadores.

Finalmente, a questão de idade, sexo e deficiências físicas no trabalho é um assunto da atualidade, que esta atraindo, cada vez mais, a atenção dos pesquisadores. Até agora, o homem adulto de 20 a 30 anos tem sido usado, quase sempre, como paradigma do trabalhador, mais isso está sendo cada vez menos real, à medida que outros segmentos da sociedade estão participando, cada vez mais, das atividades produtivas.

Adaptações ao trabalho

Em determinados dias e horas, o organismo se mostra mais apto ao trabalho. Nessas ocasiões, além do rendimento ser maior, há também menores riscos de acidentes. Diversos fatores condicionam esse estado favorável à atividade. Alguns são intrínsecos à própria natureza, como o ritmo circadiano, e outros são deliberadamente realizados pelo homem, como nos casos de treinamentos.

Indivíduos matutinos e vespertinos – Os estudos sobre os ritmos circadianos demonstram que há grandes variações individuais e que é possível distinguir pelo menos dois tipos diferentes entre si: os matutinos e vespertinos. Os matutinos são aqueles que acordam de manha com mais facilidade, apresentam melhor disposição na parte da manha e costumam dormir cedo. A sua temperatura sobe mais rapidamente, a partir das 6 horas e atinge o Maximo por volta das 12 horas.

Os vespertinos são mais ativos à tarde e no inicio da noite. A temperatura corporal sobe mais lentamente na parte da manha e aquela máxima só ocorre por volta das 18 horas. Encontram menor disposição na parte d amanha mas, em compensação, são mais facilmente adaptáveis ao trabalho noturno.

Experimentos realizados em tarefas de inspeção demonstram que os matutinos são mais eficientes na parte da manha, para detectar falhas, enquanto os vespertinos são superiores na parte da tarde, com diferenças estatisticamente significativas entre esses dois grupos.

Em uma população, os casos extremos de indivíduos tipicamente matutinos ou vespertinos constituem a minoria. A maioria distribui-se em posições intermediárias, com diversos graus de tendências entre esses dois extremos.

Inicio da atividade

Da mesma forma que maquinas térmica, como o automóvel, precisam ser pré-aquecidos para entrar em funcionamento de “regime”, o corpo humano também passa por diversas transformações fisiológicas no inicio da atividade, especialmente aquelas que exigem esforço físico pesado.

Portanto, para um trabalho físico pesado, é aconselhável fazer um pré-aquecimento de 2 a 3 minutos, ou iniciar a atividade co menor intensidade, dando uma oportunidade para o organismo ir adaptando-se, de modo que não haja um grande desbalanceamento entre a oferta e a demanda de oxigênio. Em algumas empresas, adota-se a pratica de ginástica de aquecimento, antes da jornada de trabalho, assim como os atletas fazem aquecimento muscular antes das competições.

Adaptação pelo treinamento

Uma pessoa que realiza uma tarefa pela primeira vez, provavelmente sentirá mais dificuldade que uma outra que já esteja acostumada a esse trabalho. Essa pessoa vai fazer movimentos bruscos, deselegantes, cometer mais erros, e se sentir mais fatigada.

No dia seguinte já sentirá menos dificuldades. Com o tempo, a sua coordenação muscular vai melhorando e os seus movimentos se tornam mais suaves e harmoniosos. Em conseqüência, o consumo de energia reduz-se, a fadiga diminui e a sua produtividade aumenta.

Substâncias estimulantes

Diversas substâncias estimulantes costumam ser usadas pelos trabalhadores, para quebrar a monotonia e manter a atenção, os três casos mais comuns são a cafeína, o fumo e o álcool.

Monotonia

Monotonia é a reação do organismo a um ambiente uniforme, pobre em estímulos ou com pouca variação das excitações. Os sintomas mais indicados da monotonia são uma sensação de fadiga, sonolência, morosidade e uma diminuição da atenção. As operações repetitivas na industria e o trafego rotineiro são condições propicias à monotonia.

Fadiga

Fadiga é o efeito de um trabalho continuado, que provoca uma redução reversível da capacidade do organismo e uma degradação qualitativa desse trabalho. A fadiga é causada por um conjunto complexo de fatores, cujos efeitos são cumulativos. Em primeiro lugar, estão os fatores fisiológicos, relacionados com a intensidade e duração do trabalho físico e intelectual. Depois, há uma serie de fatores psicológicos, como a monotonia, falta de motivação e por fim, os fatores ambientais e sociais, como a iluminação, ruídos, temperaturas e o relacionamento social com a chefia e os colegas de trabalho.

Motivação

Existe, no comportamento humano, algo que faz uma pessoa perseguir um determinado objetivo, durante um certo tempo, que pode ser curto ou longo, e que não pode ser explicado somente pelos seus conhecimentos, experiência e habilidades (pré-requisitos). Esse “algo” é conhecido como determinação, impulso, “garra”, objetivo, necessidade ou mais genericamente, como motivo, e o processo, pelo qual ele é ativado e se mantém em funcionamento, chama-se motivação. A motivação não pode ser observada diretamente, mas somente através dos seus efeitos e pode ser medida indiretamente, por exemplo, pelas quantidades adicionais de peças produzidas por um trabalhador motivado.

Trabalho noturno

O trabalho noturno é imprescindível à vida moderna. Enquanto a maioria das pessoas descansa, muitas outras trabalham. Nos EUA, estima-se que 26% da força total de trabalho esteja envolvido no trabalho noturno.

Alguns tipos de plantas industriais como refinarias de petróleo, usinas siderúrgicas e industrias químicas, simplesmente não podem ser paralisadas, outras funcionam continuamente por razoes econômicas, para amortizar os elevados investimentos, como é o caso dos centros de processamentos de dados. Há serviços cujo clico natural exige o trabalho noturno, como centrais de abastecimentos, para que os feirantes e supermercados tenham mercadoria disponível na parte da manha. Há também os serviços que não podem ser interrompidos, como a policia, atendimentos hospitalares, serviços de eletricidade e muitos outros.

Embora sejam praticamente inevitáveis em todo esses casos, o trabalho noturno não deixa de ser bastante inconveniente, pois se exige atividade do organismo quando ele está predisposto a descansar, e vice-versa. Alem do mais, toda a nossa sociedade esta estruturada para um ciclo diário de trabalho-lazer-sono e, quando o trabalho é noturno, essa seqüência será alterada, com prejuízos individuais.

Fatores que influem no trabalho noturno

Ritmo circadiano – quando o trabalhador troca o dia pela noite, o ritmo circadiano não se inverte completamente, mas sofre apenas pequenas adaptações, pois parece que o mesmo é governado pela luz solar. Algumas pessoas apresentam mais facilidade de se adaptar, mas estas adaptações serão sempre parciais. Isso significa dizer que, infelizmente, esse fator será sempre uma fonte de sofrimento para os trabalhadores noturnos.

Diferenças individuais – há muitas diferenças individuais quanto à capacidade de adaptação ao trabalho noturno.

Tipo de atividade – a adaptação ao trabalho noturno é relativamente mais fácil nas atividades que exigem movimentação do corpo do que aqueles em que o corpo executa menos movimentos. Assim, operadores de maquinas e transportadores de materiais se adaptam mais facilmente do que trabalhadores de escritório, que ficam sentados o tempo todo.

Introdução à Avaliação

Iremos fazer uma avaliação dos trabalhadores da Unidade de Terapia Intensiva Adulto (U.T.I. – A) do hospital Israelita Albert Einstein situado, em São Paulo no bairro do Morumbi, a U.T. I. – A possui uma planta física constituída de 9 sub unidades de atendimento, com um total de 40 leitos destes 30 são efetivos e 10 de retaguarda, 1 recepção e 1 farmácia. Foram feitas analises apenas dos trabalhadores do período noturno dos seguintes setores da U.T. I: recepção, farmácia, higiene e enfermagem.

Recepção: constituído por 2 componentes, sendo 1 secretaria e 1 auxiliar administrativo, com carga horária de 12 hrs de trabalho por 36 hrs de descanso com 2 folgas mensais, durante as 12 hrs de trabalho existe 1hr de descanso exclusivamente para jantar, não existe outros horários específicos para descanso ou dormir.
Farmácia: constituída por 3 componentes sendo 2 auxiliares de farmácia e 1 farmacêutica, com carga horária de 12 hrs de trabalho por 36hrs de descanso com 2 folgas mensais, durante as 12hrs de trabalho existe 1hr de descanso exclusivamente para jantar, não existe outros horários específicos para descanso ou dormir.
É obrigatória a permanência de 2 auxiliares da farmácia durante o período de folga de um deles, é destinado outro funcionário de farmácia geral.

Higiene: constituída por 2 componentes, auxiliar de higiene, com carga horária de 9hrs diárias das 22hrs à 07hrs com 4 folgas mensais, durante as 9hrs de trabalho existe apenas 1hr de descanso exclusivo para jantar, não existe horários específicos para descanso ou dormir.
Enfermagem: constituído por 29 componentes, sendo 7 enfermeiras, 14 técnicos de enfermagem e 8 auxiliares de enfermagem, com carga horária de 12hrs de trabalho por 36 de descanso com 2 folgas mensais, durante as 12hrs de trabalho existe 1hr de descanso exclusiva para jantar, não existe outros horários específicos e para descanso ou dormir.
Sobre a equipe de enfermagem é obrigatória a permanência mínima de 6 enfermeiras, 11 técnicos de enfermagem e 7 auxiliares de enfermagem. Existe em grande intensidade esquema de hora extra para a equipe de enfermagem, este esquema é graduado conforme o nível de ocupação dos leitos de retaguarda.

Quanto custa para a instituição 1 hora extra

Enfermeira: plantão noturno 12 hrs: R$ 380,00
Técnico e auxiliar de enfermagem: plantão noturno 12hrs: R$200,00
Quanto custa para a instituição 1 hora extra por motivo de licença médica

Enfermeira:

Auxilio doença – R$ 380,00 para enfermeira que trabalha

R$ 100,00 para enfermeira que está de licença

Técnico e auxiliar de enfermagem:

Auxilio doença – R$ 200,00 para o trabalhador

R$ 55,00 para o trabalhador de licença

Foto 1 – Auxiliar de fármacia

Atividade

Receber a mercadoria e organizar nas prateleiras.
Avaliação da postura

Flexão, torção e inclinação da coluna;
Membros inferiores estendidos.
Avaliação do mobiliário

Prateleiras baixas;
Bancada na altura ideal para trabalhos moderados;
Quinas arredondadas;
Bancada de material não refletivo.
Avaliação do ambiente

Espaço desorganizado;
Temperatura entre 20 – 23° C, dentro das normas de ergonomia.
Predisposição para DORT

Hérnia de disco na região lombar;
Lombalgia.
Sugestão de correção

Ultima prateleira deve estar a 45cm do chão.
Orientações

Abaixar com os joelhos fletidos, mantendo a coluna ereta para evitar sobrecarga na coluna.
De acordo com a NR – 17

17.2.4 – Com vistas a limitar ou facilitar o transporte manual de cargas deverão ser usados meios técnicos apropriados.
15.5.2 – índice de temperatura efetiva entre 20 e 23 graus centígrados.

Foto 2 – Auxiliar administrativo

Atividade

Atende telefonemas, clientes, utiliza o computador, preenche fichas manualmente.
Avaliação da postura

Elevação do ombro;
Inclinação da cervical;
Não está apoiando o antebraço;
Torção do tronco.
Avaliação do mobiliário

Quina viva;
Janela de recepção fora do alcance mínimo;
Cadeira ergonomicamente correta;
Altura inadequada do monitor.
Avaliação do ambiente

Presença de um frigobar embaixo da mesa, impedindo espaço para as pernas;
Temperatura e iluminação adequadas ao local e ao horário.
Predisposição para DORT

Contratura do trapézio;
Tensão cervical.
Sugestão de correção

Retirar o frigobar debaixo da mesa;
Diminuir a altura da janela da recepção.
Orientações

Utilizar o outro espaço da mesa;
Atender ao telefone da forma adequada (segurando –o com a mão);
Apoiar o antebraço na mesa, ou em um apoio para o antebraço da cadeira.
De acordo com a NR – 17

17.3.2 – ter área de trabalho de fácil alcance e visualização pelo trabalhador

DOR PÉLVICA CRÔNICA

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Autor: Lucivania de Paula de Carvalho

Introdução

A Dor Pélvica Crônica (DPC) é extremamente comum, afetando 1 em cada 7 mulheres (especialmente durante a idade fértil) e respondendo por cerca de 10% das consultas ao ginecologista. Mas a DPC não é um problema exclusivo das mulheres e pode acometer homens após episódios de prostatite crônica, orquialgia crônica e prostatodinia, por exemplo.

A DPC pode ser definida como dor não-relacionada à menstruação durante 3 ou mais meses, localizada na região da pelve anatômica e intensa o suficiente para produzir incapacidade e necessitar tratamento clínico / cirúrgico.

Assim como tantos outros problemas crônicos, a DPC produz um sofrimento considerável, comprometendo a qualidade de vida do paciente. A fisiopatologia multifatorial é a grande responsável pela dificuldade no manejo de indivíduos com DPC.

A Dor Pélvica Crônica (DPC) é um problema comum e pode ser extremamente desafiador devido à sua etiologia incerta, história natural complexa e dificuldade de tratamento. Muitos pacientes com DPC apresentam vários problemas associados, incluindo disfunção vesical, intestinal ou sexual e outros sintomas sistêmicos / constitucionais. Depressão, abuso de drogas e distúrbios da ansiedade também podem coexistir, complicando ainda mais a abordagem do (a) paciente .

Exame Clínico.

A história clínica minuciosa é essencial na avaliação de todo paciente com DPC. Esta é a única maneira de contextualizar a doença e os distúrbios associados. A semiologia da dor pode encurtar significativamente o caminho entre a suspeita diagnóstica e a abordagem terapêutica bem-sucedida. Localização, tipo, distribuição e severidade da dor, bem como os fatores precipitantes e atenuantes, devem ser registrados em detalhes.

Durante a anamnese, deve-se passar criteriosamente por todos os sistemas (incluindo: reprodutor, gastrintestinal, músculo-esquelético, urológico e neuropsiquiátrico). Hipermenorréia costuma estar associada a leiomiomas ou adenomiose. Antecedentes cirúrgicos levantam a suspeita de aderências abdominais ou pélvicas. Pacientes com estenose da cérvice uterina em geral relatam infecções crônicas com várias intervenções (criocirurgia, excisão em alça ou ressecção endometrial). Deve-se suspeitar de Doença Inflamatória Pélvica (DIP) em mulheres com múltiplos parceiros. História de parto normal difícil com episiotomia ou ruptura perineal sugere distúrbio do assoalho pélvico. Dor tipo queimação (p.ex: vulvodinia sem dispareunia) é típica da neuralgia dos nervos pudendos. Finalmente, os antecedentes psicossociais e psicossexuais devem ser levantados para excluir possíveis distúrbios psiquiátricos coexistente (p. ex: somatização).

A boa relação médico-paciente é importante para o exame físico na DPC. Os exames obstétricos e de outros sistemas podem ser demorados e estressantes. Em geral, após ectoscopia e anotação dos dados vitais, o(a) paciente é examinado(a) em posição de litotomia, iniciando-se com inspeção da genitália e pesquisa de pontos dolorosos. A colposcopia, o toque bimanual e o exame retal podem ser necessários. O exame neurológico e osteomuscular devem fazer parte da avaliação física de todo paciente com queixa de DPC.

TABELA 1 – CAUSAS DE DPC

Distúrbios extra-uterinos
Endometriose, aderências, cistos anexiais, gravidez ectópica crônica, salpingite (inclusive tuberculosa), síndrome de retenção ovariana (síndrome do ovário residual), distrofia ovariana, cisto peritoneal pós-cirúrgico, ovário acessório residual.

Distúrbios uterinos
Adenomiose, endometrite crônica, dismenorréia atípica, estenose da cérvice, pólipos endometriais ou cervicais, leiomiomatose, relaxamento pélvico sintomático (prolapso genital), dispositivo contraceptivo intra-uterino.

Distúrbios Urológicos
Neoplasia vesical, infecção crônica do trato urinário, cistite intersticial, cistite actínica, cistite recorrente, urolitíase, divertículo uretral, síndrome uretral crônica, carúncula uretral.

Distúrbios Músculos-esqueléticos
Fratura das vértebras lombares por compressão, problemas posturais, fibromialgia, lumbago, coccigodinia crônica, distensões musculares, mialgia do assoalho pélvico (espasmo do levantador do ânus), síndrome do piriforme, hérnias.

Distúrbios Gastrintestinais
Carcinoma colônico, obstrução intestinal intermitente, colite, constipação crônica, doença diverticular, doença inflamatória intestinal, síndrome do intestino irritável.

Distúrbios Neurológicos
Neuralgia, aprisionamento de raiz nervosa (p.ex.: por cicatriz cirúrgica), herpes zóster, artropatia degenerativa, herniação discal, espondilose, epilepsia abdominal, neoplasia de medula espinhal ou de nervos sacrais.

Distúrbios Psicológicos e outros
Distúrbios da personalidade, depressão, distúrbios do sono, antecedente de abuso sexual.

TABELA 2 – DIAGNÓSTICOS DIFERENCIAIS DE DPC

Abscesso e cisto perianal
Abscesso peritoneal
Abscesso prostático
Bexiga neurogênica
Distúrbio bipolar
Câncer ou obstrução dos cólons
Câncer uterino
Carcinoma endometrial
Carcinoma vesical
Cervicite
Cistite (bacteriana e não-bacteriana)
Colagenoses
Constipação intestinal
Depressão
Dismenorréia
Discopatia lombar
Doença inflamatória intestinal
Doença inflamatória pélvica (DIP)
Distrofia simpática reflexa
Distúrbios do Sono
Distúrbios ureterais (câncer, divertículos, estenoses)
Diverticulite
Endometriose
Endometrite espondilite lombar
Febre familial do mediterrâneo
Fibromialgia
Fístulas vesicovaginais e ureterovaginais
Hérnias abdominais
Herpes Zóster
Infecções do trato urinário
Infecções gonocócicas
Neoplasias do intestino delgado
Porfiria
Prolapso uterino
Prostatodinia
Prostatite bacteriana aguda
Prostatite crônica
Síndrome da fadiga crônica
Tumores anexiais
Tumores ovarianos benignos e malignos
Tumores vulvares benignos e malignos
Síndrome do intestino irritável
Síndromes do assoalho pélvico
Vaginite / Vulvovaginite
Varicosidades pélvicas

Exames Complementares

A maioria dos exames laboratoriais produz achados inespecíficos, mas que podem ser úteis no contexto clínico do paciente. Sorologias para doenças sexualmente transmissíveis, urinálise e dosagens hormonais podem ser solicitados.

Dependendo da hipótese diagnóstica em mente, alguns exames de imagem podem ser bastante úteis. A radiografia simples da coluna é capaz de detectar fraturas, infecções, tumores e outras anormalidades estruturais capazes de se manifestar como DPC. A ultra-sonografia (US), a tomografia computadorizada (TC) e a ressonância nuclear magnética (RNM) ajudam a identificar massas ou cistos pélvicos e suas origens, além de varicosidades pélvicas, hérnias, distúrbios prostáticos e outras alterações locorregionais .

A histerossalpingografia é importante em pacientes com suspeita de infiltração dos ligamentos uterossacrais por endometriose, além de ser útil em casos de pólipos endometriais, síndrome de Asherman e adenomiose.

Enema baritado, colonoscopia, sigmoidoscopia, estudo do trânsito intestinal e manometria anorretal podem ser utilizados possíveis etiologias gastrintestinais. A cistoscopia com hidrodistensão está indicada em pacientes com suspeita de cistite intersticial.

A laparoscopia é um recurso valioso: mais de 60% das mulheres com DPC apresentam pelo menos uma alteração detectável à laparoscopia. As alterações mais comumente observadas incluem endometriose, aderências pélvicas, DIP, cistos ovarianos, hérnias, síndrome da congestão pélvica, síndrome do ovário remanescente, síndrome da retenção ovariana, cistos peritoneais pós-cirúrgicos. A determinação da velocidade de condução nervosa e a eletromiografia podem ser empregados para avaliar neuropatias compressivas ou de aprisionamento, bem como o estado funcional do próprio assoalho pélvico.

Finalmente, a dosagem sérica de CA 125 é solicitada com freqüência em pacientes com DCP. Infelizmente, este exame apresenta baixa sensibilidade / especificidade. O CA 125 pode estar elevado em pacientes com endometriose, leiomiomatose, DIP, gravidez, menstruação em curso e em diversas neoplasias (p.ex.: câncer ovariano, endometrial, colônico ou de mama).

Tratamento

O tratamento da dor pélvica é complexo, em geral consistindo de medidas específicas e acompanhamento psicológico e fisioterápico simultâneo. A relação médico-paciente é essencial para garantir boas chances de sucesso à abordagem terapêutica. As metas do tratamento devem ser realistas e focadas na restauração das atividades habituais (incapacitação mínima), melhoria da qualidade de vida e prevenção de recorrências sintomáticas.

Paracetamol, ibuprofeno, aspirina ou naproxeno são os fármacos mais empregados inicialmente. Caso os resultados não sejam satisfatórios, deve-se associar outros analgésicos, evitando, se possível, a administração de barbitúricos e opiáceos. Antidepressivos, tais como amitriptilina, nortriptilina, fluoxetina e sertralina também costumam ser usados, com respostas variáveis.

Tratamento Fisioterapêutico

A fisioterapia oferece diversas técnicas para relaxamento muscular e alívio da dor, consistindo um recurso terapêutico importante, especialmente em pacientes com distúrbios do assoalho pélvico. O acompanhamento psicológico complementa a abordagem de relaxamento e de fato reduz a freqüência e severidade das crises álgicas.

Pacientes com neuromas ou dores miofasciais podem se beneficiar de injeções e bloqueios locorregionais utilizando anestésicos e corticosteróides. Existem várias técnicas para neuroablação, incluindo termocoagulação, crioablação e injeção de agentes químicos (p.ex.: álcool).

Casos severos de DPC podem ser considerados candidatos para procedimentos cirúrgicos mais extensos, incluindo neurectomia pré-sacral (excisão do plexo hipogástrico superior), desnervação paracervical (ablação laparoscópica da inervação uterina) e excisão gangliônica uterovaginal (excisão do plexo hipogástrico inferior). Obviamente, a avaliação especializada é sempre essencial para indicar corretamente a conduta invasiva a ser adotada.

Conclusão

A dor pélvica crônica (DPC) é um distúrbio tão comum quanto mal compreendido. A variedade de distúrbios possíveis – muitos freqüentemente coexistentes – dificulta o diagnóstico. Por isso, a abordagem da DPC deve ser multidisciplinar e a orientação / educação do paciente deve fazer parte de todo o processo terapêutico. O tratamento da DPC consiste em medidas específicas (caso se tenha um diagnóstico etiológico), uso de analgésicos, fisioterapia e acompanhamento psicológico. Casos mais severos ou refratários podem ser tratados cirurgicamente.

Referência Bibliográfica

Baracho E. Fisioterapia Aplicada à obstetrícia, Aspectos de ginecologia e neonatologia. 3ª ed. Rio de Janeiro: Medsi, 2002.

Baracat E. C, Lima G. R., Guias de medicina ambulatorial e hospitalar unifesp ginecologia.São Paulo: Manole, 2005.

A Importância das Descobertas Arqueológicas em Central

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A Importância das Descobertas Arqueológicas em Central e sua Repercussão Social

1. Justificativa

O motivo pelo qual escolheu –se o tema. – A importância das descobertas arqueológicas em Central e sua repercussão social – foi por tratar de assuntos de interesse da comunidade centralense, pouco difundido na região, pois o Projeto Central (nome dado às pesquisas arqueológicas) já é conhecida mundialmente, pois foi divulgado em vários países como: Canadá, Bolívia, Argentina, França, Estados Unidos, etc, sendo publicado em revistas destes mesmos países, e no Brasil, na revista globo ciência. Com isto atraiu vários pesquisadores europeus, que estiveram no município estudando os sítios arqueológicos e suas respectivas descobertas.

A partir desta, a arqueólogo Maria Beltrão, implantou na cidade um museu.

Museu Arqueológico de Central onde encontra-se painéis com pinturas rupestres, fotos, ossos, etc. – situado na praça do mercado, inaugurado em 1995. com a instalação deste, verificou-se grandes mudanças sociais na comunidade:

Conscientização da importância dos estudos arqueológicos;
Incentivo da comunidade, auxiliando na localização e achados rupestres;
Início de conscientização da preservação ambiental;
Valorização do município.
Como foi visto anteriormente, é necessário levar ao conhecimento geral (regional e estadual) as descobertas ocorridas no município de Central. E a comunidade acadêmica centralense – que cursam Pedagogia, Geografia, História, etc – resolveram tomar iniciativa da divulgação.

2. Objetivos

Geral

Realização do trabalho acadêmico a pedido da Professora Maria de Fátima, da disciplina Metodologia do Trabalho Científico, do curso História

Específico

2.1 Divulgação das descobertas arqueológicas, a nível regional, a nível regional e estadual, e por conseguinte, o Museu Arqueológico sediado no município.

2.2 Expandir a conscientização da preservação ambiental, incluindo os sítios arqueológicos.

2.3 Despertar o interesse pelos estudos arqueológicos, sobretudo na classe estudantil.

2.4 Atrair turistas, a fim de conhecer os sítios e o museu, gerando empregos, aumentando a renda do município.

3. Metodologia

O “Projeto Central” é um projeto de pesquisas arqueológicas, liderada pela profº Maria Beltrão (UFRJ), desde dezembro de 1982. Seu nome foi dado em homenagem ao município de Central, localizado na planície calcária integrante da Chapada Diamantina, na Bahia. A região arqueológica de Central abrange 270.000KM2. As descobertas registradas na região vão desde a pré-história, até inscrições feitas no período histórico, ou seja, feita nos últimos quinhentos anos, e muito tem contribuído para recompor a pré-história brasileira, principalmente do município de Central.

À medida que os trabalhos evoluem e desenvolvem-se, depara-se também com um grande desafio: conter a destruição ambiental, verificada a cada dia. A presença de lixo, a fuligem deixada pelas queimadas, a retirada indiscriminada do calcário (base das pinturas rupestres), são indícios de que este processo destrutivo começa a ser instalado.

Portanto, através deste pré – projeto, tenta-se conscientizar de sua importância, valorizando os estudos arqueológicos, possibilitando a sua continuidade. E para tanto, é necessária a preservação da natureza.

4. Problematização

A divulgação das descobertas arqueológicas na região é quase inexistente, embora as pesquisas aconteçam desde 1982, ou seja, há aproximadamente 22 anos. Enquanto o mundo sabe o que acontece na regiões, esta desconhece os seus acontecimentos, pois, se alguém indagar outrem a respeito delas, conseqüentemente a resposta será uma simples pergunta: “mas, o que é isto? Isso aconteceu aqui?”, ou seja, não haverá diálogo, pois estes não detém conhecimento.

A falta de divulgação também contribui para a perda de muitos materiais, através da retirada de ossos do lugar, bem como outros materiais. Isso acarreta uma série de problemas, pois segundo Lígia – arqueólogo, componente da excursão ao município, em julho de 1999 – ao retirar o material do local encontrado, perde-se outros que poderiam existir no mesmo. Há também, por desinformação a destruição através de desmatamentos, retirada de calcário, pixações, falta de conhecimento de sua importância. Tudo isso são acontecimentos que, se as pessoas soubessem, realmente, seu valor e importância tentariam ajudar e não destruir, pois de desconhecem os fatos, como ajudarão a preservar?. Somente quem ama, preserva e valoriza o que se conhece.

Portanto, urge divulgar as descobertas, para que desta forma, as pessoas tomem como patrimônio histórico e desfrute de seu valor e importância, tornando possível a preservação do meio e a continuidade das pesquisas.

“Conhecer para Preservar”

5. Arqueologia e seus Estudos

Arqueologia é o estudo do passado do homem, através de seus vestígios materiais (indícios de atividade humanas em determinados locais). Ela age em conjunto com:

5.1 Paleontologia

É a ciência que se dedica ao estudo de restos e vestígio de animais (paleozoologia) ou vegetais (paleobotânica) fósseis com o objetivo de conhecer a vida do passado. Os fósseis são restos de animais ou vegetais que surgiram até o período passado (Pleistoceno). No caso dos animais, normalmente preservam as partes duras (conchas, ossos, etc.), pegadas, coprólitos (fezes), etc.

5.2 Geociências

É divididas em geologia, geografia, meteorologia, oceanografia e astrologia.

5.2.1 Geologia: È a parte da geociência que estuda o planeta terra, como sua rochas e minerais, suas evoluções e seus recursos minerais. A geologia divide-se em:

Mineralogia: É a parte da geologia que estuda e classifica os minerais.
Petrologia: É a parte da geologia que estuda e classifica as rochas. Divide-se em petrologia ígnea, metamórfica e sedimentar.
Sedimentologia: É a ciência que estuda os sedimentos como argila, areias, e conglomerados.
Estratigrafia: É a parte da geologia que estuda as sucessões de rochas (empilhamento ou sobreposição das rochas).
Geologia Histórica: É o estudo da história das eras geológicas. Trata da divisão do tempo geológico e da história evolutiva do planeta terra.
Geologia Econômica: É a parte da geologia que pesquisa e estuda os recursos minerais para fins econômicos.
5.3 Arqueoastromonia

Estuda os conhecimentos deixados pelos grupos pré-históricos (sem escrita) e por povos antigos (Mesopotâmios, Egípcios, Gregos, Maias, etc.). Esses conhecimentos eram utilizados na caça, pesca, agricultura, arquitetura, religião, cosmologia, mitologia e artes. As evidências astronômicas são encontradas nas artes rupestres, em construções como blocos rochosos, etc.

Como foi visto, a arqueologia juntamente com outras ciências, estuda fósseis, pinturas rupestres, etc.

6. Pinturas Rupestres

Na região de Central (BA) verificou-se o registro de uma enorme qualidade de pinturas rupestres em abrigos ou lapas abertas. Nem sempre essas pinturas pré-históricas são encontradas em grutas e cavernas, mas em rochas com faces reentrantes exposta a luz do dia, e, abrigadas das chuvas. O presente trabalho focaliza em ângulo do problema que nos parece extremamente importante, a possibilidade de uma relação da pintura com espécies animais extintas.

Pinturas desta natureza comprovam a presença do homem pré-histórico na região. Estas pinturas eram feitas de pigmentos naturais (sangue, terra, rochas trituradas e plantas). Os homens da época, utilizavam como pincéis, os dedos, os galhos das árvores, pêlos e penas de animais.

7. A importância das Descobertas

As descobertas feitas nos sítios arqueológicos no município de Central, muito contribuíram para sua valorização e enriquecimento cultural. Como foi visto anteriormente – na justificativa – Central já é conhecido mundialmente, atraindo pesquisadores europeus e americanos, a fim de pesquisar e divulgar as descobertas em seus países. Além de, valorizar o município, pois o povo local nada sabia sobre suas riquezas, e a importância destas na história do homem pré-histórico brasileiro.

Estas descobertas arqueologias podem mudar o rumo da história do homem americano. Através delas, os arqueólogos tentam provar que a vida na América começou bem antes do que se imagina, e que o Brasil, com enfoque nesta região, foi o habitat do homem pré-histórico brasileiro.

Com isso, a importância destas descobertas no contexto histórico é de valor incalculável. E também, as pessoas locais passaram a acreditar no progresso do município.

8. Sítios Arqueológicos

São locais onde são encontradas as figuras, desenhos, ossos, etc.

Em Central, o nível de conhecimento astronômico do homem pré-histórico brasileiro, alcança surpreendente complexibilidade. Através das pinturas rupestres há uma tentativa de medir uma duração dos eclipses, feita através de uma espécie de “marcador do tempo”, construído por duas linhas paralelas ligadas por uma sucessão de traços, formando retângulos que compreenderiam as “horas”.

Principais sítios arqueológicos encontrados no município:

Toca do Cosmos: Aparece uma figura de cometa, segundo a qual a mais longa representada pelo homem pré-histórico em todo mundo.
Os cometas são colocados de modo a nunca serem banhados pelo sol.

Toca da Lua: Está registrado uma possível conjunção da lua com júpiter, poderia haver uma correlação entre conjunção de astros mitos e ritos.
As estações do ano eram marcadas pela observação da via Láctea, não só porque muda de posição no decorrer do ano como porquê diversos astros passam por ela.

Toca dos Búzios: Nota-se a representação da lua nova ladeada por um conjunto de traços verticais, em um número de oito, ligados por um traço horizontal que se repete sob a representação da lua.
Márcio Campos (astrônomo da UNICAMP), em 1985, foi o primeiro a admitir a existência de calendários, a partir das representações e trajetórias lunares.

Na toca dos búzios parece ter havido uma espécie de escrita cifrada (que seria restrita as pajés), semelhante á usada ainda hoje em cerimônia, rituais feitos pelo grupo lingüístico Tuicano (Colômbia) – fatos rituais segundo Reichel Dalmatoff 1978.

Toca da Velha: Na Toca da Velha, encontram-se figuras que parecem representar celebrações, rituais ligadas á caça e conotação mítica.
Há representações pictóricas de animais que podem representar visões alucinatórias.

Toca dos Ossos: Toca dos ossos humanos, localizada na fazenda Solom Ribeiro de propriedade Antonio Carlos Manuel.
Nessa toca foram encontrados ossos humanos pertencentes ao mesmo individuo, do sexo masculino pertencentes ao mesmo e foi datado emmais ou menos 1330 anos. Nesse local foram recuperados 65 peças, entre ossos inteiros e fragmentos e 5 dentes. Isso permitiu ainda mais estudos para confirmação da tese da existência de vida humana a 1300 anos atrás, em nossa região.

Toca da Esperança: Graças a pesquisa desenvolvida na toca da esperança, os mamíferos pleistocênicos brasileiros foram pela primeira vez datados de 22.000 – 295.000 anos.
Foram encontrados ossos de tatus gigantes (Propacopus sucatos + Panochtus sp + Panpalherium humboldite), que não eram capazes de subir nesta, explicando então a presença da ação humana, que possivelmente levara os animais até a sua toca, aonde se abrigavam ou fazendo desta sua moradia, mesmo porquê alguns ossos encontrados estavam bastante fraturados, sem o tutano, também existiam até alguns artefatos de ossos. Segundo os arqueólogos essa toca poderá fornecer registros arqueológicos ainda mais antigos do que até agora obtidos.

Abrigo da Lesma: O abrigo da Lesma que se situa ao norte do município de Central, em um aglomerado isolado de calcário de aproximadamente 12m de altura. Esse trabalho dará inicio a uma série de pesquisas em sítios até agora datados como holocénicos. Objetiva registrar o paleoclima e paleoambiente em que o homem pré-histórico viveu. A presença do homem é registrada neste sitio através de artefatos líticos, fragmentos de cerâmicas e moluscos, uma fogueira, pinturas e ossos humanos

Conclusão

Diante dos dados em anexos dos temas abordados anteriormente , soluções viáveis a médio e logo prazo, que possibilitam melhorias e mudanças no município e região.

Soluções

Viabilizar um projeto entre universidades estaduais e o museu arqueológico de Central para oportunizar pesquisas e estudos em antropologia bem como, a divulgação da pesquisa dos resultados na comunidade.
Produção de folhetos informativos, slides, filmes para estudos.
Inclusão da matéria no currículo das Escolas de 1º e 2º grau da região.
Elaboração de seminários para estudantes, professores e toda comunidade.
Treinamento de professores para aplicação da matéria nas escolas.
Incentivo ao turismo ecológico .
Realização de palestra nas escolas, instituições públicas, etc. que busquem conscientizar a nossa população a cerca da preservação ambiental e valorização das nossas riquezas arqueológicas

Bibliografia

BELTRÃO, Maria e LOCKS, Martha. SIARB,boletim nº 7, páginas 28 a 37

http://www.geocitus.com/Rainforest/Canopy/8061

Pesquisa de Campo

CÁLCULOS DE ENCARGOS SOCIAIS E TRABALHISTAS

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Para o cálculo dos custos da mão-de-obra, é necessário se determinar quais as incidências sociais (INSS, FGTS normal e FGTS/Rescisão) e trabalhistas (Provisões de Férias, 13º salário e Descanso Semanal Remunerado – DSR) sobre os valores das remunerações pagas.

Neste tópico, procuro apresentar, resumidamente, 4 cálculos diferentes, que não compreendem todas as situações possíveis, pois cada empresa ou atividade tem suas próprias características de composição de custos.

Assim sendo, nos cálculos apresentados estão apenas os quesitos básicos relativos às férias, 13º salário, DSR e encargos sociais – FGTS e INSS. Para obter o valor real, acrescente-se o Vale Transporte e as médias de incidência de aviso prévio, auxílio afastamento por doença ou acidente e indenização de aviso prévio.

A metodologia do cálculo do DSR é o padrão anualizado para jornada de trabalho de 44 horas semanais (1 dia por semana, equivalente a 1/6 da remuneração para 52 semanas no ano, divididos por 12 meses).

ESTATÍSTICAS POR EMPRESA

O aviso prévio (indenizado) não está incluso nas planilhas de cálculo apresentadas, porque para se calcular o valor exato (ou estimado) é necessário saber qual o “índice de rotatividade” da empresa.

Por exemplo: se a média dos empregados da empresa permanece 20 meses, então o índice de rotatividade/ano é 12/20 = 60%. Então a “previsão de indenização” mensal seria de 60% dividido por 12 = 5% + encargos sociais e trabalhistas.

Quanto ao auxílio-doença, é a mesma sistemática, ou seja, é necessário que cada empresa saiba quantos dias/ano/empregado foram pagos, para calcular, estatisticamente, qual a sua previsão mensal.

Exemplo:

No ano a empresa pagou um total de 400 dias de atestados/auxílio doença/afastamentos, num total desembolsado de R$ 14.800,00 no ano, a este título.

A empresa teve 200 funcionários que trabalharam no mesmo ano (tanto admitidos quanto demitidos e aqueles que permaneceram na empresa).

O total da folha de pagamento salarial no ano foi de R$ 1.530.000,00.

Então o “índice” de atestados foi de R$ 14.800,00 dividido por R$ 1.530.000,00 igual a 0,96732% sobre a folha.

Acrescer a este índice os respectivos encargos sociais e trabalhistas.
1ª SITUAÇÃO – EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES (COMÉRCIO/INDÚSTRIA) – CÁLCULO SOBRE UM SALÁRIO DE MENSALISTA

13º salário 8,33%
Férias 11,11%
INSS 0,00%
SAT 0,00%

Sal.Educação 0,00%
INCRA/SEST/SEBRAE/SENAT 0,00%
FGTS 8,00%
FGTS/Provisão de Multa – Rescisão 4,00%
Total Previdenciário 12,00%
Previdenciário s/13º e Férias 2,33%

SOMA BÁSICO 33,78%

Conclusão: sobre um salário de mensalista de R$ 1.000,00, uma empresa com atividade comércio ou indústria, optante pelo Simples Nacional terá um custo mínimo de encargos de R$ 337,80, totalizando o custo total de mão-de-obra para este salário de R$ 1.337,80.

2ª SITUAÇÃO – EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES (COMÉRCIO/INDÚSTRIA) – CÁLCULO SOBRE UM SALÁRIO/HORA

Nesta situação, o custo percentual deve ser acrescido do Descanso Semanal Remunerado (DSR), e é composto por:

13º salário 9,75%
Férias 13,00%
DSR – Descanso Semanal Remunerado 16,99%
INSS 0,00%
SAT 0,00%
Sal.Educação 0,00%
INCRA/SEST/SEBRAE/SENAT 0,00%
FGTS 8,00%
FGTS/Provisão de Multa – Rescisão 4,00%
Total Previdenciário 12,00%
Previdenciário s/13º/Férias/DSR 4,77%

SOMA BÁSICO 56,50%

Conclusão: sobre um salário/hora de R$ 5,00, uma empresa com atividade comércio ou indústria, optante pelo Simples Nacional terá um custo mínimo de encargos de R$ 2,825/hora, totalizando o custo total de mão-de-obra para esta hora de R$ 7,825.

3ª SITUAÇÃO – EMPRESA NÃO OPTANTE PELO SIMPLES – CÁLCULO SOBRE UM SALÁRIO DE MENSALISTA

13º salário 8,33%
Férias 11,11%
INSS 20,00%
SAT/até 3,00%
Sal.Educação 2,50%
INCRA/SENAI/SESI/SEBRAE 3,30%
FGTS 8,00%
FGTS/Provisão de Multa – Rescisão 4,00%
Total Previdenciário 40.80%
Previdenciário s/13º e Férias 7,93%

SOMA BÁSICO 68,18%

Conclusão: sobre um salário de mensalista de R$ 1.000,00, uma empresa não optante pelo Simples terá um custo mínimo de encargos de R$ 681,80, totalizando o custo total de mão-de-obra para este salário de R$ 1.681,80.

4ª SITUAÇÃO – EMPRESA NÃO OPTANTE PELO SIMPLES – CÁLCULO SOBRE UM SALÁRIO/HORA

Nesta situação, o custo percentual deve ser acrescido do Descanso Semanal Remunerado (DSR), e pode ser calculado como segue:

13º salário 9,75%
Férias 13,00%
DSR – Descanso Semanal Remunerado 16,99%
INSS 20,00%
SAT/até 3,00%
Sal.Educação 2,50%
INCRA/SENAI/SESI/SEBRAE 3,30%
FGTS 8,00%
FGTS/Provisão de Multa – Rescisão 4,00%
Total Previdenciário 40,80%
Previdenciário s/13º/Férias/DSR 16,21%

SOMA BÁSICO 96,75%

Conclusão: sobre um salário/hora de R$ 5,00, uma empresa não optante pelo Simples terá um custo mínimo de encargos de R$ 4,8373/hora, totalizando o custo total de mão-de-obra para esta hora de R$ 9,8373.

CONTRIBUIÇÃO SINDICAL / CONFEDERATIVA / ASSISTENCIAL

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Estas contribuições ainda são palcos de grandes discussões e controvérsias para a maioria dos profissionais liberais, autônomos e empregados na maioria das empresas.

Muitos sindicatos, através das mais variadas nomenclaturas, estabelecem diversas cobranças como contribuição confederativa, taxa assistencial, contribuição retributiva, mensalidade sindical e etc., gerando diversas dúvidas quanto a legalidade da cobrança ou não.

Como a maior parte das cobranças é feita diretamente pelas empresas através do desconto em folha de pagamento, o empregado, apesar da desconfiança, acaba julgando que se a empresa descontou é sinal que é devido.

Não obstante, este desconto feito pelas empresas é fruto de cláusulas constantes na Convenção Coletiva de Trabalho a qual, a princípio, foi aprovada pela classe dos trabalhadores em assembléia geral.

LEGISLAÇÃO – DISTINÇÃO

Contribuição Sindical: A Contribuição Sindical dos empregados, devida e obrigatória, será descontada em folha de pagamento de uma só vez no mês de março de cada ano e corresponderá à remuneração de um dia de trabalho. O artigo 149 da Constituição Federal prevê a contribuição sindical, concomitantemente com os artigos 578 e 579 da CLT, os quais prevêem tal contribuição a todos que participem das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais.

Contribuição Confederativa: A Contribuição Confederativa, cujo objetivo é o custeio do sistema confederativo, poderá ser fixada em assembléia geral do sindicato, conforme prevê o artigo 8º inciso IV da Constituição Federal, independente da contribuição sindical citada acima.

Contribuição Assistencial: A Contribuição Assistencial, conforme prevê o artigo 513 da CLT, alínea “e”, poderá ser estabelecida por meio de acordo ou convenção coletiva de trabalho, com o intuito de sanear gastos do sindicato da categoria representativa.

Mensalidade Sindical: A mensalidade sindical é uma contribuição que o sócio sindicalizado faz, facultativamente, a partir do momento que opta em filiar-se ao sindicato representativo. Esta contribuição é normalmente feita através do desconto mensal em folha de pagamento, no valor estipulado em convenção coletiva de trabalho.

POSIÇÃO DO TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO

O Tribunal Superior do Trabalho – TST através do precedente normativo 119 estabelece que os empregados que não são sindicalizados, não estão obrigados à contribuição confederativa ou assistencial.

Este posicionamento também se reflete no Supremo Tribunal Federal-STF que firmou entendimento sobre a impossibilidade de recolhimento indiscriminado das contribuições assistencial e confederativa, instituídas pela assembléia geral dos trabalhadores. A cobrança sobre toda a categoria, segundo a Suprema Corte, só é possível em relação à contribuição sindical, instituída pela legislação, com natureza tributária.

Veja notícia: TST garante devolução de contribuição descontada indevidamente.

A Constituição Federal em seu artigo 8º, inciso V estabelece que ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato, ou seja, uma coisa é o empregado pertencer a uma categoria profissional (sindicato) em função do território, empresa e atividade que exerce, outra coisa é filiar-se a este sindicato (ser sindicalizado).

Desta forma, a contribuição confederativa, assistencial ou outras contribuições instituídas pelos sindicatos, só poderão ser descontadas, dos empregados sindicalizados.

EMPRESAS & EMPREGADOS – PRECAUÇÕES

Com base no princípio da liberdade sindical garantida pela Constituição Federal e nas posições do TST e STF, cabe às empresas e aos empregados se precaverem quanto aos referidos descontos.

De um lado temos o empregado não sindicalizado que pode usufruir o direito à liberdade sindical a qual a lei lhe garante, podendo se manifestar formalmente perante a empresa, não autorizando o desconto destas contribuições.

De outro a empresa que, apesar de ter em mãos uma convenção aprovada em assembléia a qual deveria seguir, há a possibilidade de, havendo o desconto de empregados não associados, ter que arcar com o ônus da devolução de tal valor futuramente. Um documento por parte do empregado não autorizando este desconto, lhe garante a defesa junto ao sindicato da classe.

Para maiores detalhes sobre cada contribuição acesse os tópicos:

Contribuição Confederativa ou Assistencial

Contribuições Confederativa, Assistencial e Assemelhadas – Empregado não Sindicalizado

Contribuição Sindical dos Empregados

PRECEDENTE NORMATIVO E JURISPRUDÊNCIA

Precedente Normativo 119 – TST:

A Constituição da República, em seus artigos 5º, XX e 8º, V, assegura o direito de livre associação e sindicalização. É ofensiva a essa modalidade de liberdade cláusula constante de acordo, convenção coletiva ou sentença normativa estabelecendo contribuição em favor de entidade sindical a título de taxa para custeio do sistema confederativo, assistencial, revigoramento ou fortalecimento sindical e outras da mesma espécie, obrigando trabalhadores não sindicalizados. Sendo nulas as estipulações que inobservem tal restrição, tornam-se passíveis de devolução os valores irregularmente descontados.”

AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA CONTRIBUIÇÕES CONFEDERATIVAS E ASSISTENCIAIS. A decisão regional coaduna-se com a iterativa, notória e atual jurisprudência desta Corte, consubstanciada no Precedente Normativo nº 119 da SDC, no sentido de ser incabível a cobrança de contribuições confederativas e assistenciais a trabalhadores não sindicalizados. PROC. Nº TST-AIRR-1069/2003-059-02-40.9. Relator: MINISTRO VIEIRA DE MELLO FILHO. Data 28-02-2007.

CONTRATO TEMPORÁRIO

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Considera-se trabalho temporário o serviço prestado por pessoa física a uma determinada empresa, para atender a necessidade transitória de substituição de pessoal, regular e permanente, ou motivado pelo acréscimo extraordinário de serviços.

O contrato de trabalho temporário foi instituído pela Lei 6.019/1974, regulamentada pelo Decreto 73.841/1974, que dispõe sobre as condições e possibilidades da celebração do contrato.

A lei estabelece que a prestação de serviços, entre a empresa de trabalho temporário e a empresa tomadora de serviço ou cliente, só será possível nas seguintes condições:

Contrato escrito entre a empresa de trabalho temporário e a empresa tomadora de serviço ou cliente;

Declarar expressamente no contrato o motivo justificador da demanda do trabalho temporário;

Declarar expressamente a modalidade da remuneração da prestação de serviço, onde estejam claramente discriminadas as parcelas relativas a salários e encargos sociais;

Declarar o início e término do contrato, não podendo ser superior a 3 (três) meses, salvo necessidade de prorrogação, a qual deverá ser comunicada antecipadamente ao Ministério do Trabalho, desde que o período total não ultrapasse 6 (seis) meses;

PRORROGAÇÃO AUTOMÁTICA – REVOGAÇÃO DA INSTRUÇÃO NORMATIVA

A Instrução Normativa IN SRT 03/2004 (revogada), previa que o contrato de trabalho temporário poderia ser prorrogado automaticamente, desde que obedecido os seguintes pressupostos:

prestação de serviços destinados a atender necessidade transitória de substituição de pessoal regular e permanente que exceda três meses; ou

manutenção das circunstâncias que geraram o acréscimo extraordinário dos serviços e ensejaram a realização do contrato de trabalho temporário.

Para a prorrogação, bastava que a empresa tomadora ou cliente comunicasse ao órgão local do MTE, através de uma carta protocolada na Delegacia do Trabalho, informando que o contrato seria estendido.

Como a Instrução Normativa IN SRT 5/2007 revogou a IN SRT 03/2004, a partir da publicação da nova instrução, aumentou a burocracia para a prorrogação do contrato para este tipo de mão-de-obra.

Com isso, para renovar o contrato de um funcionário desse tipo, a empresa terá de receber autorização prévia da Delegacia do Trabalho ou de outro órgão competente, para, só então, proceder a prorrogação.

Segundo o Ministério do Trabalho, a IN SRT 03/2004 estava sendo alvo de questionamentos na Justiça do Trabalho e para atenuar a discussão, o governo resolveu revogá-la. Foi informado ainda, pelo Ministério, que um novo ato normativo substituirá a norma revogada.

É importante que as empresas não prorroguem os contratos automaticamente ou só o façam, mediante a autorização do Ministério do Trabalho, sob pena do pagamento de multa no valor de R$402,00 por empregado irregular, no caso de fiscalização.