OS ESTADOS PARTES NESTA CONVENÇÃO, RECONHECENDO que o respeito irrestrito aos direitos humanos foi consagrado na Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem e na Declaração Universal dos Direitos Humanos e reafirmado em outros instrumentos internacionais e regionais;
AFIRMANDO que a violência contra a mulher constitui violação dos direitos humanos e liberdades fundamentais e limita todas ou parcialmente a observância, gozo e exercício de tais direitos e liberdades;
PREOCUPADOS por que a violência contra a mulher constitui ofensa contra a dignidade humana e é manifestação das relações de poder historicamente desiguais entre mulheres e homens;
RECORDANDO a Declaração para a Erradicação da Violência contra a Mulher, aprovada na Vigésima- Quinta Assembléia de Delegadas da Comissão Interamericana de Mulheres, e afirmando que a violência contra a mulher permeia todos os setores da sociedade, independentemente de classe, raça ou grupo étnico, renda, cultura, idade ou religião, e afeta negativamente suas próprias bases;
CONVENCIDOS de que a eliminação da violência contra a mulher é condição indispensável para seu desenvolvimento individual e social e sua plena e igualitária participação em todas as esferas de vida; e
CONVENCIDOS de que a adoção de uma convenção para prevenir, punir e erradicar todas as formas de violência contra a mulher, no âmbito da Organização dos Estados Americanos, constitui positiva contribuição no sentido de proteger os direitos da mulher e eliminar as situações de violência contra ela,
CONVIERAM no seguinte:
CAPÍTULO I
DEFINIÇÃO E ÂMBITO DE APLICAÇÃO
Artigo 1
Para os efeitos desta Convenção, entender-se-á por violência contra a mulher qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada.
Artigo 2
Entende-se que a violência contra a mulher abrange a violência física, sexual e psicológica:
a) ocorrida no âmbito da família ou unidade doméstica ou em qualquer relação interpessoal,quer o agressor compartilhe, tenha compartilhado ou não a sua residência, incluindo-se, entre outras formas, o estupro, maus-tratos e abuso sexual;
b) ocorrida na comunidade e cometida por qualquer pessoa, incluindo entre outras formas o estupro, abuso sexual, tortura, tráfico de mulheres, prostituição forçada, seqüestro e assédio sexual no local de trabalho, bem como em instituições educacionais, serviços de saúde ou qualquer outro local; e
c) perpetrada ou tolerada pelo Estado ou seus agentes, onde quer que ocorra.
CAPÍTULO II
DIREITOS PROTEGIDOS
Artigo 3
Toda mulher tem direito a uma vida livre de violência, tanto na esfera pública como na esfera privada.
Artigo 4
Toda mulher tem direito ao reconhecimento, desfrute, exercício e proteção de todos os direitos humanos e liberdades consagrados em todos os instrumentos regionais e internacionais relativos aos direitos humanos. Estes direitos abrangem, entre outros:
a) direito a que se respeite sua vida;
b) direito a que se respeite sua integridade física, mental e moral;
c) direito à liberdade e à segurança pessoais;
d) direito a não ser submetida a tortura;
e) direito a que se respeite a dignidade inerente à sua pessoa e a que se proteja sua família;
f) direito a igual proteção perante a lei e da lei;
g) direito a recurso simples e rápido perante tribunal competente que a proteja contra atos que violem seus direitos;
h) direito de livre associação;
i) direito à liberdade de professar a própria religião e as próprias crenças, de acordo com a lei; e
j) direito a ter igualdade de acesso às funções públicas de seu país e a participar nos assuntos públicos, inclusive na tomada de decisões.
Artigo 5
Toda mulher poderá exercer livre e plenamente seus direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, e contará com a total proteção desses direitos consagrados nos instrumentos regionais e internacionais sobre direitos humanos. Os Estados Partes reconhecem que a violência contra a mulher impede e anula o exercício desses direitos.
Artigo 6
O direito de toda mulher a ser livre de violência abrange, entre outros:
a) o direito da mulher a ser livre de todas as formas de discriminação; e
b) o direito da mulher a ser valorizada e educada livre de padrões estereotipados de comportamento e costumes sociais e culturais baseados em conceitos de inferioridade ou subordinação.
CAPÍTULO III
DEVERES DOS ESTADOS
Artigo 7
Os Estados Partes condenam todas as formas de violência contra a mulher e convêm em adotar, por todos os meios apropriados e sem demora, políticas destinadas a prevenir, punir e erradicar tal violência e a empenhar-se em:
a) abster-se de qualquer ato ou prática de violência contra a mulher e velar por que as autoridades, seus funcionários e pessoal, bem como agentes e instituições públicos ajam de conformidade com essa obrigação;
b) agir com o devido zelo para prevenir, investigar e punir a violência contra a mulher;
c) incorporar na sua legislação interna normas penais, civis, administrativas e de outra natureza, que sejam necessárias para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher, bem como adotar as medidas administrativas adequadas que forem aplicáveis;
d) adotar medidas jurídicas que exijam do agressor que se abstenha de perseguir, intimidar e ameaçar a mulher ou de fazer uso de qualquer método que danifique ou ponha em perigo sua vida ou integridade ou danifique sua propriedade;
e) tomar todas as medidas adequadas, inclusive legislativas, para modificar ou abolir leis e regulamentos vigentes ou modificar práticas jurídicas ou consuetudinárias que respaldem a persistência e a tolerância da violência contra a mulher;
f) estabelecer procedimentos jurídicos justos e eficazes para a mulher sujeitada a violência, inclusive, entre outros, medidas de proteção, juízo oportuno e efetivo acesso a tais processos;
g) estabelecer mecanismos judiciais e administrativos necessários para assegurar que a mulher sujeitada a violência tenha efetivo acesso a restituição, reparação do dano e outros meios de compensação justos e eficazes;
h) adotar as medidas legislativas ou de outra natureza necessárias à vigência desta Convenção.
Artigo 8
Os Estados Partes convêm em adotar, progessivamente, medidas específicas, inclusive programas destinados a:
a) promover o conhecimento e a observância do direito da mulher a uma vida livre de violência e o direito da mulher a que se respeitem e protejam seus direitos humanos;
b) modificar os padrões sociais e culturais de conduta de homens e mulheres, inclusive a formulação de programas formais e não formais adequados a todos os níveis do processo educacional, a fim de combater preconceitos e costumes e todas as outras práticas baseadas na premissa da inferioridade ou superioridade de qualquer dos gêneros ou nos papéis estereotipados para o homem e a mulher, que legitimem ou exacerbem a violência contra a mulher;
c) promover a educação e treinamento de todo o pessoal judiciário e policial e demais funcionários responsáveis pela aplicação da lei, bem como do pessoal encarregado da implementação de políticas de prevenção, punição e erradicação da violência contra a mulher;
d) prestar serviços especializados apropriados a mulher sujeitada a violência, por intermédio de entidades dos setores público e privado, inclusive abrigos, serviços de orientação familiar, quando for o caso, e atendimento e custódia dos menores afetados;
e) promover e apoiar programas de educação governamentais e privados, destinados a conscientizar o público para os problemas da violência contra a mulher, recursos jurídicos e reparação relacionados com essa violência;
f) proporcionar à mulher sujeitada a violência acesso a programas eficazes de recuperação e treinamento que lhe permitam participar plenamente da vida pública, privada e social;
g) incentivar os meios de comunicação a que formulem diretrizes adequadas de divulgação, que contribuam para a erradicação da violência contra a mulher em todas as suas formas e enalteçam o respeito pela dignidade da mulher;
h) assegurar a pesquisa e coleta de estatísticas e outras informações relevantes concernentes às causas, conseqüências e freqüência da violência contra a mulher, a fim de avaliar a eficiência das medidas tomadas para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher, bem como formular e implementar as mudanças necessárias; e
i) promover a cooperação internacional para o intercâmbio de idéias e experiências, bem como a execução de programas destinados à proteção da mulher sujeitada à violência.
Artigo 9
Para a adoção das medidas a que se refere este capítulo, os Estados Partes levarão especialmente em conta a situação da mulher vulnerável à violência por sua raça, origem étnica ou condição de migrante, de refugiada ou de deslocada, entre outros motivos. Também será considerada violência a mulher gestante, deficiente, menor, idosa ou em situação socioeconômica desfavorável, afetada por situações de conflito armado ou de privação da liberdade.
Artigo 10
A fim de proteger o direito de toda mulher a uma vida livre de violência, os Estados Partes deverão incluir nos relatórios nacionais à Comissão Interamericana de Mulheres informações sobre as medidas adotadas para prevenir e erradicar a violência contra a mulher, para prestar assistência à mulher afetada pela violência, bem como sobre as dificuldades que observarem na aplicação das mesmas e os fatores que contribuam para a violência contra a mulher.
Artigo 11
Os Estados Partes nesta Convenção e a Comissão Interamericana de Mulheres poderão solicitar à Corte Interamericana de Direitos Humanos parecer sobre a interpretação desta Convenção.
Artigo 12
Qualquer pessoa ou grupo de pessoas, ou qualquer entidade não-governamental juridicamente reconhecida em um ou mais Estados membros da Organização, poderá apresentar à Comissão Interamericana de Direitos Humanos petições referentes a denúncias ou queixas de violação do artigo 7 desta Convenção por um Estado Parte, devendo a Comissão considerar tais petições de acordo com as normas e procedimentos estabelecidos na Convenção Americana sobre Direitos Humanos e no Estatuto e Regulamento da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, para a apresentação e consideração de petições.
CAPÍTULO V
DISPOSIÇÕES GERAIS
Artigo 13
Nenhuma das disposições desta Convenção poderá ser interpretada no sentido de restringir ou limitar a legislação interna dos Estados Partes que ofereçam proteções e garantias iguais ou maiores para os direitos da mulher, bem como salvaguardas para prevenir e erradicar a violência contra a mulher.
Artigo 14
Nenhuma das disposições desta Convenção poderá ser interpretada no sentido de restringir ou limitar as da Convenção Americana sobre Direitos Humanos ou de qualquer outra convenção internacional que ofereça proteção igual ou maior nesta matéria.
Artigo 15
Esta Convenção fica aberta à assinatura de todos os Estados membros da Organização dos Estados Americanos.
Artigo 16
Esta Convenção está sujeita a ratificação. Os instrumentos de ratificação serão depositados na Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos.
Artigo 17
Esta Convenção fica aberta à adesão de qualquer outro Estado. Os instrumentos de adesão serão depositados na Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos.
Artigo 18
Os Estados poderão formular reservas a esta Convenção no momento de aprová-la, assiná-la, ratificá-la ou a ela aderir, desde que tais reservas:
a) não sejam incompatíveis com o objetivo e propósito da Convenção;
b) não sejam de caráter geral e se refiram especificamente a uma ou mais de suas disposições.
Artigo 19
Qualquer Estado Parte poderá apresentar à Assembléia Geral, por intermédio da Comissão Interamericana de Mulheres, propostas de emenda a esta Convenção.
As emendas entrarão em vigor para os Estados ratificantes das mesmas na data em que dois terços dos Estados Partes tenham depositado seus respectivos instrumentos de ratificação. Para os demais Estados Partes, entrarão em vigor na data em que depositarem seus respectivos instrumentos de ratificação.
Artigo 20
Os Estados Partes que tenham duas ou mais unidades territoriais em que vigorem sistemas jurídicos diferentes relacionados com as questões de que trata esta Convenção poderão declarar, no momento de assiná-la, de ratificá-la ou de a ela aderir, que a Convenção se aplicará a todas as suas unidades territoriais ou somente a uma ou mais delas.
Tal declaração poderá ser modificada, em qualquer momento, mediante declarações ulteriores, que indicarão expressamente a unidade ou as unidades territoriais a que se aplicará esta Convenção. Essas declarações ulteriores serão transmitidas à Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos e entrarão em vigor trinta dias depois de recebidas.
Artigo 21
Esta Convenção entrará em vigor no trigésimo dia a partir da data em que for depositado o segundo instrumento de ratificação. Para cada Estado que ratificar a Convenção ou a ela aderir após haver sido depositado o segundo instrumento de ratificação, entrará em vigor no trigésimo dia a partir da data em que esse Estado houver depositado seu instrumento de ratificação ou adesão.
Artigo 22
O Secretário-Geral informará a todos os Estados membros da Organização dos Estados Americanos a entrada em vigor da Convenção.
Artigo 23
O Secretário-Geral da Organização dos Estados Americanos apresentará um relatório anual aos Estados membros da Organização sobre a situação desta Convenção, inclusive sobre as assinaturas e depósitos de instrumentos de ratificação, adesão e declaração, bem como sobre as reservas que os Estados Partes tiverem apresentado e, conforme o caso, um relatório sobre as mesmas.
Artigo 24
Esta Convenção vigorará por prazo indefinido, mas qualquer Estado Parte poderá denunciá-la mediante o depósito na Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos de instrumento que tenha essa finalidade. Um ano após a data do depósito do instrumento da denúncia, cessarão os efeitos da Convenção para o Estado denunciante, mas subsistirão para os demais Estados Partes.
Artigo 25
O instrumento original desta Convenção, cujos textos em português, espanhol, francês e inglês são igualmente autênticos, será depositado na Secretaria-Geral da Organização dos Estados Americanos, que enviará cópia autenticada de seu texto à Secretaria das Nações Unidas para registro e publicação, de acordo com o artigo 102 da Carta das Nações Unidas.
EM FÉ DO QUE os plenipotenciários infra-assinados, devidamente autorizados por seus respectivos governos, assinam esta Convenção, que se denominará Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher “Convenção de Belém do Pará”.
EXPEDIDA NA CIDADE DE BELÉM DO PARÁ, BRASIL, no dia nove de junho de mil novecentos e noventa e quatro.
Juridicamente, a violência é uma espécie de coação, ou forma de constrangimento, posto em prática para vencer a capacidade de resistência de outrem, ou para demovê-la à execução de ato, ou a levar a executá-lo, mesmo contra a sua vontade, podendo ser material ou moral. Entretanto, em se tratando de violência contra a criança ou adolescente, há que se reconhecer que a estrutura psicológica do ser é extremamente afetada, acarretando conseqüências desastrosas para a vida da vítima, que geralmente a acompanha ao longo da vida.
Podemos dizer que desde que o homem passou a registrar suas ações no seio da sociedade existem relatos de violência contra o menor. Na Grécia antiga, os efebos, rapazes que atingiam a puberdade, eram submetidos aos cidadãos de Atenas, vivendo com estes e sendo submetidos ao constrangimento sexual. Na idade média e inicio da moderna, muitos meninos eram castrados antes que entrassem na puberdade, para manterem a voz aguda, passando a integrar os coros dos mosteiros, igrejas e orquestras: Eram chamados “castrati”. Os costumes feudais sempre conduziam à violência, principalmente das mulheres, que antes do casamento eram obrigadas a se submeterem à sanha sexual dos senhores feudais. Em algumas nações africanas as meninas, quando ingressam na puberdade, têm o clitóris estirpado, para que jamais sintam prazer nas relações sexuais….
A sociedade vem evoluindo com o tempo, o Estado de Direito se fortaleceu, a educação, os costumes, o direito à uma vida digna, o respeito à indivualidade passou a ser mais observado. Contudo, mesmo nos países ocidentais, os abusos, a violência endêmica contra as crianças e adolescentes é um fato real que a sociedade teima em não reconhecer em toda a sua dimensão trágica. É muito comum as pessoas evitarem tocar neste assunto, por medo, conivência, entre outros.
2. VIOLÊNCIA CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE
Nos Estados Unidos, cem mil denúncias novas são registradas na justiça a cada ano, estimando-se que isso represente apenas 20% do total de casos. No Brasil, as pessoas tendiam no passado a fazer o possível para não tomar conhecimento do problema. Hoje, pais, mães, juízes, psicólogos e advogados começam a discutir a questão e a tomar providências contra esse abuso.
Como sempre, nesses casos, não há estatísticas confiáveis no país. Há, porém, trabalhos pioneiros como o da advogada paulista Lia Junqueira. Desde 1988, Lia coordena o Serviço de Advocacia da Criança, entidade ligada à Ordem dos Advogados do Brasil, que tem o mais completo levantamento de casos de violência sexual de meninos e meninas. Existe um Serviço de Atendimento ao Consumidor (SAC) que dá assistência psicológica às famílias e às crianças vítimas desse crime. Numa pesquisa sobre o assunto, a advogada constatou que 2.700 novos casos chegam ao conhecimento da Justiça brasileira a cada ano, cifra que está longe de representar o número real de ocorrências. “Aos poucos conseguiremos que a vergonha da família seja substituída pelo desejo de proteger as crianças”, disse Lia Junqueira.
Os dados mais graves aparecem quando se analisa o perfil do abusador. Infelizmente, ele está dentro de casa, na maioria esmagadora dos casos.
Muito diferente de um assaltante, que sempre é um estranho à espreita para atacar no momento oportuno, o abusador é, na maioria das vezes, alguém muito próximo. “Mais do que conhecido, ele é uma pessoa especial, em quem a criança confia e de quem ela gosta”, diz o psiquiatra Claudio Cohem, coordenador do Centro de Estudo e Atendimento Relativos ao Abuso Sexual – Cearas, da Universidade de São Paulo. Uma pesquisa nacional aponta que 62% dos abusos sexuais acontecem dentro da família, sendo as meninas as principais vítimas – 83% dos casos. No total de casos, pais e padrastos são os maiores agressores, respondendo por 50% das ocorrências. Dessas, em cada quatro casos, três são cometidas pelo próprio pai e uma pelo padrasto. Há diferença na faixa etária entre as meninas agredidas. Enquanto os pais abusam principalmente das filhas adolescentes entre 13 e 15 anos, os padrastos agridem as enteadas entre 7 e 15 anos. Tios e outros parentes respondem por 12% doas abusos, e estranhos à família (vizinhos e amigos), por 38%. Diante desses números, é fácil compreender por que o abuso de crianças é um assunto difícil de ser encarado por qualquer pessoa. Está envolvido, ali, um dos mais sagrados tabus das civilizações – o incesto, que diferencia o homem dos animais e garante o equilíbrio fundamental a uma pessoa.
Se a criança e o adolescente não conseguem encontrar segurança e estabilidade em suas próprias casas, que visão levarão para o mundo lá fora? E como fica a cabeça de uma criança para a qual a mãe diz que tenha medo de estranhos, mas que sofre violência dentro de casa, cometida por pessoas que ela conhece muito bem?
A violência dos familiares é considerada um fator que estimula crianças e adolescentes a passar a viver nas ruas. Em muitas pesquisas feitas, elas referem maus tratos corporais, castigos físicos, conflitos domésticos e outras agressões como motivo de sua decisão para sair de casa.
No livro “O Meu Pé de Laranja Lima”, de José Mauro de Vasconcelos, o garoto Zezé sofria com as incompreensões de seu pai, que, deprimido por não arrumar emprego, costumava espanca-lo ao menor sinal de desobediência. Os espancamentos eram tão violentos que muitas vezes deixavam o garoto de cama.
A situação de Zezé é repetida, com variações, cada vez que uma criança é agredida. Fisicamente, as agressões e castigos corporais deixam uma série de marcas semelhantes. Às apresentadas por vítimas de tortura. Como os castigos corporais impetrados por pais, mães, professores, policiais, guardiões e outros responsáveis ainda são comuns e como a ira destes mesmos responsáveis muitas vezes não conhece limites, crianças e adolescentes apresentam sinais que vão de queimaduras a ossos quebrados, de manchas roxas espalhadas pelo corpo até a morte.
Os espancamentos são as agressões mais comuns, sendo que alguns agressores chegam a amarrar meninos e meninas com cordas ou correntes e espanca-los com objetos como o velho cinto, vassouras e até mesmo antenas, panelas de pressão e martelos. Os espancamentos deixam marcas físicas como hematomas, cortes e ossos quebrados, além de lesões nos punhos e tornozelos quando a vítima é amarrada.
Os espancamentos são muitas vezes acompanhados de outros atos de sadismo, como queimaduras com pontas de cigarro, água fervendo e outros objetos da casa. Um pai, por exemplo, depois de espancar os dois filhos com cabo de uma vassoura, queimou-lhes o céu da boca com uma colher aquecida.
São comuns ainda casos de adultos que causam ferimentos com facas e canivetes, batem com a cabeça ou atiram a criança contra a parede, o que em muitos casos pode levar à morte. Nas ruas, garotos e garotas são assassinados a tiros pelos esquadrões da morte e em guerras de quadrilha.
Crianças e adolescentes vítimas de negligência dos adultos responsáveis por elas também apresentam marcas físicas deste tipo de agressão. A falta de comida pode acarretar anemia e outras doenças associadas à escassez de nutrientes. Sem água para beber a criança pode chegar a desidratação. Ausência de higiene abre espaço para inúmeras doenças como parasitoses, tétano ou hepatite. Na maioria das vezes estas conseqüências podem ser evitadas com a atenção dos responsáveis, unida aos cuidados corretos que uma pessoa em desenvolvimento precisa.
Os abusos sexuais também deixam marcas físicas, embora nem sempre facilmente identificáveis. Apertões, beliscões e beijos podem resultar em hematomas que desaparecem em alguns dias. Em muitos casos, porém, as marcas são indeléveis. Crianças pequenas que sofrem estupros ou com as quais são mantidas relações anais podem sofrer rompimentos no períneo, laceramentos e sangramentos na região dos genitais e corrimentos incomuns para a idade da vítima. Na adolescência, meninas abusadas sexualmente correm ainda o risco de engravidar do agressor.
Além das marcas físicas, a violência contra crianças e adolescentes causa danos psicológicos que geralmente podem ser detectados pela mudança de atitudes e comportamentos apresentados pela vítima.
Além das marcas físicas, mais visíveis e portanto, mais fáceis de serem tratadas, a violência contra crianças e adolescentes pode causar também sérios danos psicológicos. Isso porque é na infância que serão moldadas grande parte das características que a criança levará para a vida adulta. Cercada de amor, carinho, compreensão e atenção, a criança terá mais possibilidades para desenvolver confiança, afetividade e interesse pelos outros. Cercada de agressões em um ambiente violento, provavelmente vai ter medo, desconfiança e finalmente pode também se tornar violenta.
Acontece que as crianças aprendem com os adultos grande parte das fórmulas de como se viver em sociedade. Se elas aprendem que o outro é inferior e não merece respeito e que a violência é a única maneira de resolver conflitos ou atingir objetivos provavelmente só saberão agir de forma violenta. É por esse motivo que muitas crianças abusadas sexualmente na infância se tornam agressores ao atingir a idade adulta. A violência é a única forma que eles conhecem seja de resolver conflitos, seja de colocar suas idéias em prática. Por outro lado, se elas aprendem desde cedo a perceber o outro como um ser igual e que, portanto, deve ser ouvido e respeitado, terão mais chances de aprender a dialogar e a resolver conflitos sem o uso da violência. Para isso, é necessário que a criança seja ouvida, perceba o que lhe é permitido e o que lhe é negado e por quê. Há ainda a criança que se torna mimada porque nada lhe é negado e que, como a criança a quem tudo é negado, não verá os outros como iguais.
Crianças e adolescentes agredidos apresentam várias características de comportamento. Estas características, no entanto, não representam nada isoladamente e nem são prova de que a criança sofreu algum tipo de violência. Mesmo assim, elas não devem ser negligenciadas. A criança que apresentar uma mudança de comportamento brusca deve ser examinada por um médico(a), enfermeiro(a) ou psicólogo(a), dependendo do caso, o mais rápido possível.
Vítimas de agressões físicas ou sexuais podem:
Apresentar dificuldades para se alimentar e dormir;
Ser exageradamente introspectivos, agressivos ou passivos;
Tornar-se extremamente tímidos e domináveis, com baixa auto-estima e dificuldades para se relacionar com os outros;
Ter problemas na escola e se recusar a falar tanto com o adulto que cometeu a agressão quanto com familiares e professores, por não confiar neles;
Desenvolver instintos sádicos, achando que a violência é a única forma possível de relacionamento em sociedade;
Mostrar uma noção de sexualidade diferente da apresentada por crianças da mesma idade, falando mais insistentemente sobre o assunto, por exemplo. Claro que isso não deve ser confundido com a curiosidade normal da criança.
Carregar uma confusão de sentimentos, como culpa e raiva, especialmente depois de abusos sexuais, porque acham que a experiência foi errada, mas não conseguem esquecer que sentiram prazer. Ao mesmo tempo elas se sentem ludibriadas e usadas pelo adulto agressor.
Outro grande desafio para todos nós (governo, comunidade, família) é a miséria, que é outro grande mal que afeta milhares de crianças e adolescentes.
A pobreza extrema de 23 milhões de brasileiros é uma tragédia que não pode ser mais ignorada. Como entender a resistência da miséria no Brasil, uma chaga social que remonta aos primórdios da colonização? No decorrer das últimas décadas, enquanto a miséria se mantinha mais ou menos do mesmo tamanho, todos os indicadores sociais brasileiros melhoraram. Há mais crianças em idade escolar freqüentando aulas atualmente do que em qualquer outro período da história. As taxas de analfabetismo e mortalidade infantil também são as menores desde que se passou a registrá-las nacionalmente. O Brasil figura entre as dez nações de economia mais forte do mundo. Apesar de todos esses avanços, a miséria resiste.
Embora em algumas de suas ocorrências, especialmente na zona rural, esteja confinada a bolsões invisíveis aos olhos dos brasileiros mais bem posicionados na escala social, a miséria é onipresente. Nas grandes cidades, com aterrorizante freqüência, ela atravessa o fosso social profundo e se manifesta de forma violenta. A mais assustadora dessas manifestações é a criminalidade, que, se não tem na pobreza sua única causa, certamente em razão dela tornou disseminada e cruel. Explicar a resistência da pobreza extrema entre milhões de habitantes não é uma empreitada simples; entretanto, é ainda mais valiosa se for desapegada de ideologias mistificadoras e das falsas soluções radicais que elas propõem.
O Brasil é o mais rico entre os países com maior número de pessoas miseráveis. Isso torna inexplicável a pobreza extrema de 23 milhões de brasileiros, mas mostra que o problema pode ser atacado com sucesso.
Metade dos miseráveis brasileiros vive no Nordeste, geralmente na zona rural de cidades muito pequenas. Nesses bolsões de pobreza assolados pela seca endêmica, falta comida e não há trabalho para todo mundo. Em muitos casos, a única fonte de rendimento das famílias provém da venda de ossos aos comerciantes que usam o “produto” como matéria-prima de ração para animais. Miséria é palavra de significado impreciso, como de resto a maior parte dos termos que se referem à camada menos favorecida da sociedade. O que exatamente quer dizer “pobreza” ou “indigência”? Como identificar um pobre? Como ter certeza de que existem 14,5% de miseráveis, e não 10% ou 20%? Não haveria subjetividade demais nas estatísticas? Em geral, cada um percebe a miséria por sua experiência pessoal. Será que a pobreza, tal qual a beleza, está nos olhos de quem a vê? Para efeito estatístico, no entanto, os estudiosos chegaram a uma definição quase matemática sobre o que são miséria e pobreza. Conseguiram estabelecer duas grandes linhas. Uma delas é a linha de pobreza, abaixo da qual estão as pessoas cuja renda não é suficiente para cobrir os custos mínimos de manutenção da vida humana: alimentação, moradia, transporte e vestuário. Isso num cenário em que educação e saúde são fornecidas de graça pelo governo. Outra é a linha da miséria (ou de indigência), que determina quem não consegue ganhar o bastante para garantir aquela que é a mais básica das necessidades: a alimentação. No Brasil, há 53 milhões de pessoas abaixo da linha da pobreza. Destas, 30 milhões vivem entre a linha de pobreza e acima da linha da miséria. Cerca de 23 milhões estariam na situação que se define como indigência ou miséria. Para melhorar este quadro é necessário dar prioridade às crianças. Os menores de idade representam quase a metade do universo de miseráveis brasileiros. Daí por que é importante priorizar os programas sociais para os jovens, pois a parcela de até 15 anos de idade representam 45% do total. Não há como fugir da realidade: o esforço governamental, através de programas sociais deve se concentrar neles, as ONGs e a sociedade em geral também. Só assim conseguiremos destituir a miséria inercial que nos acompanha a séculos.
Já falamos sobre a violência sexual contra as crianças e adolescentes, assim como apontamos outro tipo de violência, a miséria, que somados à primeira acabam por conduzir a delinqüência juvenil. Como salvar nossas crianças?
O Brasil é um país atormentado por muitos problemas, mas três são especialmente agudos. O primeiro é o da comida. Trata-se de alimentar de modo adequado toda a população. O segundo é o da educação. Do ensino universal depende o ingresso ou não do país no clube das nações desenvolvidas e justas. O terceiro é o problema da infância. O desafio consiste em oferecer futuro digno aos 23 milhões de crianças e adolescentes que estão crescendo na pobreza e no abandono. O tamanho do problema pode ser verificado com a seqüência infindável de rebeliões em unidades da Febem. Longe do horror da Febem há exemplos de como salvar nossas crianças do abandono.
Não se pode admitir o que ocorre em algumas Febens, que nada mais são do que locais de tortura e escolas de crime, onde ir ao banheiro durante a noite pode dar castigo ou coisa pior. Os monitores, em nome da disciplina, fazem da tortura e da afronta à dignidade humana uma rotina diária. Os menores são acordados diariamente às 6 horas, em geral com o barulho de socos na parede. Por causa da superlotação, dois ou mais deles são obrigados a dividir o mesmo colchão. Só podem dormir de cuecas e, no inverno, têm direito a um cobertor, muitas vezes cheirando a urina porque pedir para ir ao banheiro à noite é motivo de reprimenda.
J.C.S, de 17 anos, interno da Febem, diz que essa foi a justificativa para uma das quatro grandes surras que levou dos carcereiros nos três meses em que permaneceu na entidade. O.P.R., de 16 anos, diz ter sido castigado por um motivo ainda mais fútil: dirigiu-se ao monitor para perguntar onde ele nascera. Um colega riu de sua curiosidade e ele acabou levando a pior.
A lista de torturas aplicadas usualmente na Febem é extensa e criativa. “lagartixa” é a tortura em que o jovem é obrigado a abrir os braços e encostar todo o corpo na parede, amparado apenas na ponta dos pés. Se não suportar leva cotoveladas nas costas. Surras com pedaços de pau e ferro enrolados em toalhas, para não deixar marcas. Durante o dia, em determinados horários, os menores podem jogar futebol, dominó ou damas. Normalmente, porém, são obrigados a ficar sentados no chão e não podem conversar entre si. Os monitores alegam que, dessa forma, podem controlar os movimentos dos menores e evitam a formação de grupinhos para planejar fugas.
O Ministério Público realizou uma vistoria e descobriu que 208 internos têm sarna e 103 apresentam outros problemas de pele. A explicação para isso é simples. Além de passar boa parte do dia sentados no chão (inclusive para tomar o café da manhã), os jovens têm de compartilhar as toalhas de banho – cada um se enxuga com um lado do pano. Outros usam os lençóis para se secar. Nesse caso, um lençol deve servir a quatro usuários. A quebra dessas regras, já se sabe, é punição certa.
Os motivos de internação de jovens infratores no Brasil são: roubo, 40%, furto, 16%, homicídio, 15%, drogas, 9%, latrocínio, 4%, estupro, 3%, outros 13%.
3. CONCLUSÃO
Temos a missão de participar da construção de uma sociedade mais justa e igualitária para crianças, adolescentes e seus familiares, que se encontram em situação de vulnerabilidade social.
A violência contra crianças e adolescentes que acontece dentro do próprio lar é um fenômeno grave, que não pode ser tratado como um problema que diz respeito somente à família. Segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente tanto a comunidade quanto o Estado devem intervir contra práticas consideradas abusivas para garantir a proteção integral destes cidadãos.
Por este motivo, nós, como futuros profissionais da área do Direito e membros da comunidade, visamos contribuir para formação de uma rede de prevenção e combate às diversas formas de violência doméstica – física, psicológica, sexual e negligência.
Neste momento, milhares de fundações e organizações não governamentais estão demonstrando como boas idéias, um pouco de dinheiro e muita disposição podem mudar essa realidade para melhor. Se elas conseguem realizar transformações positivas em universos limitados, o bom senso indica que basta copiar o exemplo na escala adequada.
Finalizamos com o refrão de uma música de Sandy e Junior, que nos faz refletir:
“Moço, ouvir dizer que sou a esperança.
Mas não sei do que, se ninguém me vê como criança…
Moço, eu vivo aqui (na rua) sem carinho e proteção
Vá pro seu trabalho, só quero um trocado para comprar um pão.”
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Estatuto da Criança e do Adolescente
Constituição Federal
Revista Veja Edição 1.429 de 31.01.96, Edição 1.616 de 22.09.99, Edição 1.735 de 23.01.02.
Desde o período colonial o Brasil registra histórias de violências perpetradas contra as crianças, que não eram consideradas sujeitos de direitos. Isso decorre do abuso do poder parental, mas também
[…] pelo descaso e tolerância da sociedade com a extrema miséria e com as mais diversas formas de violência a que são submetidas milhões de crianças, pela impunidade dos vitimizadores de crianças, por cortes orçamentários em políticas públicas e programas sociais. (GUERRA, 1985, p. 88).
O abuso sexual é uma das formas mais cruéis de maus-tratos infantis, porque, além de afetar fisicamente a criança, destrói todo o sentimento de pureza e dignidade que ela possui, é analisado como espécie de maltrato físico ou emocional. Esta violência pode ser definida como todo ato ou jogo sexual entre um familiar (seja ele responsável legal ou não da vitima) e uma criança/adolescente. Pode ou não haver contato físico e uso de força física.
O estupro é analisado historicamente como um comportamento decorrente da adaptação, utilizado por machos com habilidades precárias de competição na atração da fêmea com a qual pretendem copular. Em sua gênese, decorre do papel dominador do homem na cultura humana e da necessidade que o fraco tem de se destacar socialmente de alguma forma.
A Organização Mundial de Saúde define os maus-tratos sexuais como:
[…] as atividades de caráter sexual exercida por uma pessoa mais velha, contra a criança, com fins de prazer sexual. São classificados como abusos sensoriais (pornografia, exibicionismo, linguagem sexualizada); estimulação sexual (carícias inapropriadas em partes consideradas íntimas, masturbação) e ato sexual propriamente dito (realização ou tentativa de violação ou penetração oral, anal ou genital). (FONSECA; LAU; FARINATTI, 1996, p. 41-43).
Os aspectos que demonstram a ocorrência deste ato, são: a existência de um pai alcoólatra ou violento que foi abusado por sua família de origem fisicamente; pai autoritário ou extremamente puritano e de uma mãe passiva, ausente; padrasto na família; o fato de os pais terem sido abusados ou negligenciados em sua infância.
2 A CRIANÇA ABUSADA
Devido ao fato da criança não ser preparada psicologicamente para o estímulo sexual, e mesmo que não possa saber da conotação ética e moral da atividade sexual, quase invariavelmente acaba desenvolvendo problemas emocionais depois da violência sexual.
A criança, mesmo conhecendo e apreciando a pessoa que o abusa, se sente profundamente conflitante entre a lealdade para com essa pessoa e a percepção de que essas atividades sexuais estão sendo terrivelmente más. Ela também pode experimentar profunda sensação de solidão e abandono. Mudanças bruscas no comportamento, apetite ou no sono pode ser um indício de que alguma coisa está acontecendo, principalmente quando estar só ou quando o abusador estiver perto.
A vítima deste ato prolongado, usualmente desenvolve uma perda violenta da auto-estima, tem a sensação de que ter valor e adquire uma representação anormal da sexualidade. Ela pode tornar-se muito retraída, perder a confiança nos adultos e pode até chegar a considerar o suicídio, principalmente quando existe a possibilidade da pessoa que abusa ameaçar de violência se a criança negar-se aos seus desejos. Algumas destas crianças podem ter dificuldades para estabelecer relações harmônicas com outras pessoas, podem se transformar em adultos pedófilos, podem se inclinar para a prostituição.
Quando os abusos sexuais ocorrem na família, a criança pode ter muito medo da ira do abusador, medo das possibilidades de vingança ou da vergonha dos membros familiares ou, ainda, temer que a família se desintegre ao descobrir o ato.
Como salienta a Rosário:
[…] Comumente as crianças abusadas estão aterrorizadas, confusas e muito temerosas de contar sobre o incidente. Com freqüência elas permanecem silenciosas por não desejarem prejudicar o abusador ou por receio de serem consideradas culpadas. Crianças maiores podem sentir-se envergonhadas com o incidente, principalmente se o abusador é alguém da família. (ROSÁRIO, 1998, p. 14).
3 SEQÜELAS
Felizmente, os danos físicos permanentes como conseqüência do abuso sexual são muito raros. A recuperação emocional dependerá, em grande parte, da resposta familiar ao incidente. As reações das crianças ao abuso sexual diferem com a idade e com a personalidade de cada uma, bem como com a natureza da agressão sofrida. Um fato curioso é que, algumas (raras) vezes, as crianças não são tão perturbadas por situações que parecem muito sérias para seus pais.
O período de readaptação depois do abuso pode ser difícil para os pais e para a criança. Muitos jovens abusados continuam atemorizados e perturbados por várias semanas, podendo ter dificuldades para comer e dormir, sentindo ansiedade e evitando voltar à escola.
Segundo Azevedo (1997, p. 196) “as principais seqüelas do ato sexual são de ordem psíquica, sendo um relevante fator na história da vida emocional de homens e mulheres com problemas conjugais, psicossociais e transtornos psiquiátricos”.
Antecedentes de abuso sexual na infância estão fortemente relacionados a comportamento sexual inapropriado para idade e nível de desenvolvimento, quando comparado com a média das crianças e adolescentes da mesma faixa etária e do mesmo meio sócio-cultural sem história de abuso.
Em nível de traços no desenvolvimento da personalidade, o abuso sexual infantil pode estar relacionado a futuros sentimentos de traição, desconfiança, hostilidade e dificuldades nos relacionamentos, sensação de vergonha, culpa e autodesvalorização, à baixa auto-estima à distorção da imagem corporal, Transtorno Borderline de Personalidade e Transtorno de Conduta.
Em relação a quadros psiquiátricos francos, o abuso sexual infantil se relaciona com o Transtorno do Estresse Pós-traumático, com a depressão, disfunções sexuais (aversão a sexo), quadros dissociativos ou conversivos (histéricos), dificuldade de aprendizagem, transtornos do sono (insônia, medo de dormir), da alimentação, como por exemplo, obesidade, anorexia e bulimia, ansiedade e fobias.
4 ASPECTOS JURÍDICOS DO ABUSO SEXUAL
Os dispositivos legais, seja no âmbito civil, penal ou de legislação específica acerca dos direitos da criança e do adolescente, protegem o indivíduo, contra a prática de abuso sexuais, dada a sua incontestável gama de seqüelas.
A Constituição Federal de 1988, refere em seu artigo 227 que:
[…] é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar o menor de idade, com absoluta prioridade, todos os direitos fundamentais para uma boa vivência , além de coloca-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão “, e no parágrafo quarto, cita que” à punição legal de qualquer espécie de abuso, violência e exploração sexual contra criança e o adolescente.
O Estatuto da Criança e do Adolescente, como diploma legal especificamente destinado a defender os interesses destes, dispõe no artigo 5º que:
[…] nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.
No E.C.A., também dispondo, em seus artigos 240 e 241, que é crime:
[…] o ato de produzir ou dirigir representação teatral, televisiva ou película cinematográfica, utilizando-se de criança ou adolescente em cena de sexo explícito ou pornográfica, assim como de fotografar ou publicar cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança e adolescente.
O Código Penal, possui nos artigos 217, 218 e 224 dispositivos que tratam dos delitos de natureza sexual, os crimes de estupro e atentado violento ao pudor, quando praticados contra menos de quatorze anos de idade, gozam da presunção de violência. De outro lado, esta abuso de caráter intrafamiliar constitui causa de aumento de pena.
Quanto à prostituição infantil, não há dispositivo penal. Por outro lado, o favorecimento à prostituição, qualquer que seja a idade da vítima, ou a manutenção de casas de prostituição, são condutas coibidas como práticas criminosas. O tráfico de mulheres também é vedado, porém, não há dispositivo penal que trate especificamente do tráfico de crianças para fins de prostituição infantil.
5 CONCLUSÃO
O ato sexual em menores é um fato real em nossa sociedade e é mais comum do que muita gente pensa. Deixa marcas para toda a vida. Além das seqüelas físicas, existe a depressão, o medo, a culpa, a incapacidade de confiar determinadas pela violência psicológica a que são submetidas às crianças.
O que deve ser feito é escutar a vítima passividade, fazer a denuncia policial, buscar ajuda médica e levar a criança para um exame com o psiquiatra. O tratamento adequado pode reduzir o risco do adolescente desenvolver sérios problemas no futuro, mas a prevenção ainda continua sendo a melhor atitude.
Podemos melhorar esta situação, obrigando o Estado a cumprir o Estatuto da Criança e do Adolescente, obedecendo-o, para que os menoridade tenham mais liberdade de viver sem medo e temores.
A verdade é que a agressão de natureza sexual tem conseqüências tão sérias no desenvolvimento da criança e do adolescente, bem como o atinge tão completamente (física, psíquica e emocionalmente). Por isso, devemos ter total cuidado com elas, e ficar atento com os adultos que as rodeiam, e principalmente nos pais, padrastos e vizinhos e os irmão mais velho são os agressores sexuais mais freqüentes e desafiadores.
Dessa forma, é certo afirmar que o abuso sexual não escolhe classe social e independe do nível cultural dos envolvidos, bem como que advém, na maioria das vezes, de uma situação ‘transgeracional’, ou seja, que passa de uma geração para a outra.
REFERÊNCIAS
BALLONE GJ – Abuso Sexual Infantil. In. PsiqWeb. Disponível em: . Acesso em 17 out. 2003.
BRASIL. Código penal. Obra coletiva de autoria da Editora Saraiva com a colaboração de Antônio Luiz de Toledo Pinto e Márcia Cristina Vaz dos Santos Windt. 37. ed. São Paulo: Saraiva, 1999.
BRASIL. Constituição (2003). Constituição da República Federativa do Brasil. Coordenação de Giselle de Melo Brag Tapai. – 8º. ed. ver., atual. e ampl. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2003.
BRASIL. Estatuto da criança e do adolescente. Disponível em:
“A ordem e a desordem dependem da organização; a coragem e a covardia, das circunstâncias; a força e a fraqueza das disposições.
Quando as tropas ocupam uma situação favorável, o covarde torna-se bravo. Se estão perdidas, o bravo vira covarde. Na arte da guerra não existem regras fixas. Apenas podem ser talhadas segundo as circunstâncias.”
Sun Tzu
Introdução
A história tem destas coisas. O senso comum dá-lhe o nome de ciclos, acontecimentos que se repetem de tempos em tempos. Um dos aspectos deste livro é, sem dúvida, a sua atualidade.
Sun Tzu – um general chinês de carreira a viver no período “clássico” da China, época de inúmeros exércitos; todos eles eficazmente organizados e com um estilo de comando rígido – é o nome do homem que se destacou no século IV a.C. pelas muitas vitórias conseguidas enquanto chefe do exército real de Wu. Foi o primeiro homem a escrever sobre a guerra. O seu livro é como um tratado onde descreve as manobras militares.
O verdadeiro interesse presente nos 13 capítulos que compõem “A Arte da Guerra” está na multiplicidade de utilizações dos ensinamentos de Tzu. A tese central deste livro assenta na organização. Todo o exército ou pessoa que detenha uma maior disciplina e analisar atentamente os seus movimentos vai cometer menos erros. O adversário pode ser estudado e pressionado até à vitória. Um fato que Sun Tzu não descuidava. Inclusive, as concubinas do rei de Wu eram instruídas para combater em defesa do seu soberano.
Uma marca de clareza percorre as táticas de guerra e as estratégias de combate. Esta é a mais antiga obra a fazer referência ao tema da política e das relações entre Estados.
Traduzido, pela primeira vez em 760 d.C., pelos japoneses, só em 1772, “A Arte da Guerra” chegaria ao “Velho Continente”. Esta tradução deve-se ao padre jesuíta J.J. Arniot. Napoleão Bonaparte vai ser um dos grandes seguidores da obra de Tzu, ordenando uma nova impressão no ano de 1782. Atualmente, a mais fidedigna é a tradução do chinês para o inglês, realizada por Samuel Griffith no ano de 1963.
A obra prima ainda pela multiplicidade de assuntos relacionados com a guerra. Desde as técnicas de operações secretas, passando pela adaptabilidade do exército aos diferentes obstáculos levantados pelo inimigo, existindo também lugar para as implicações econômicas dos conflitos.
“O verdadeiro objetivo da guerra é a paz. Na paz, preparar-se para a guerra; na guerra, preparar-se para a paz. O mérito supremo consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”.
Resumo da Obra
Capítulo I – Da Avaliação
A guerra é um assunto de vida ou morte para um Estado, deve então ser seriamente estudada.Cinco fatores são fundamentais:
1) A moral: um soberano deve ter a confiança de seu povo para conseguir levá-lo à guerra e arriscar suas vidas.
2) O clima: compreensão e bom uso das estações do ano.
3) O terreno: as condições físicas da geografia local, o cálculo das distâncias.
4) O comando: as cinco qualidades básicas de um general, a saber, a coragem, o rigor, a sabedoria, a sinceridade e a humanidade.
5) A Doutrina: tudo que concerne à manutenção e administração das tropas.
O conhecimento desses cinco fatores possibilitará a previsão de que lado vencerá. Aquele que melhor souber usá-los poderá criar situações que o levem à vitória.Sete cálculos respondem sobre a vitória:
Quem pode unir povo e exército?
Quem tem um melhor comandante?
Quem tem vantagem sobre o terreno e o clima?
Quem pode garantir mais ordem e disciplina?
Quem tem um exército superior?
Quem tem homens mais treinados?
Quem tem um sistema mais justo de recompensa e punição?
Com muitos cálculos pode-se vencer, com poucos não. Mas sem eles as chances são nulas. Toda guerra baseia-se no ardil, um bom comandante sempre dissimulará as suas reais condições com o intuito de ludibriar o inimigo e criar as condições de vitória.
Capítulo II – Do Comando da Guerra
Os custos de uma guerra são muito elevados para qualquer Estado, a manutenção das tropas por longos períodos de tempo leva um reino à ruína. Assim, a chave da guerra está na vitória e não na sua prolongação.
Capítulo III – Da Arte de Vencer se Desembainhar a Espada
Na guerra, o objetivo é tomar o Estado intacto. A habilidade consiste em derrotar o inimigo sem lutar. Portanto deve-se primeiro atacar a estratégia do inimigo; em seguida deve-se romper as alianças dele; o melhor passo seguinte é atacar seus exércitos.
A pior atitude é cercar uma cidade, pois isso consome recursos e tempo.
Aquele que consegue tomar o império intacto, não cansa suas tropas e domina a arte da estratégia ofensiva.
No uso das tropas assim é que se deve proceder:
Quando suas tropas estiverem na proporção de dez para um em relação ao inimigo, cerca-o.
Quando tiver cinco para um, ataca-o.
Se a força dele é o dobro da sua, divide-o.
Se sua força for numericamente mais fraca, certifique-se da possibilidade de retirada.
Havendo equilíbrio de forças, vá à combate. Prevalecendo a igualdade, tente enganá-lo.
O comando das tropas cabe exclusivamente ao general, existem três modos de um governante atrapalhar seu exército:
Quando não sabe quando atacar ou recuar e interfere nas ordens do general.
Quando ignora os assuntos militares e se intromete na administração dos exércitos.
Quando participa do exercício da responsabilidade, dividindo a cadeia de comando e confundindo os oficiais.
Existem, assim, cinco modos de ganhar:
Saber quando combater ou não.
Saber utilizar a força máxima de um exército, numeroso ou não.
Possuir tropas firmes no apoio ao seu comandante.
Ser prudente e aguardar uma imprudência do inimigo.
Possui generais hábeis e independentes.
Estas cinco matérias, garantem a vitória, pois aquele que conhece a si e ao inimigo, será invencível; aquele que conhece a si mas desconhece o inimigo terá chances iguais de vitória e derrota; aquele que desconhece a si e ao inimigo, corre risco constante.
Capítulo IV – Da Arte de Manobrar as Tropas
Os homens letrados na guerra podem fazer-se invencíveis, mas não podem ter certeza da vulnerabilidade do inimigo. Assim, é possível saber vencer, mas não se garante conseguir vencer.
A invencibilidade reside na defesa; a possibilidade de vitória, no ataque. Aquele que está em inferioridade de forças, defende-se; aquele que é superior, ataca.
Quem domina os elementos da arte da guerra, não será aclamado por suas vitórias no campo de batalha, pois vence sem cometer erros, combate um inimigo já derrotado. Isso o vulgo não compreende, nem valoriza. O perito se torna primeiro invencível e espera a falha do inimigo.
Os elementos da arte da guerra são:
1) A medida do espaço: possibilita o cálculo dos custos.
2) O cálculo dos custos: garante as estimativas de forças.
3) As estimativas: levam à comparação das forças.
4) As comparações dos números, possibilitam o cálculo das probabilidades de vitória.
5) As probabilidades de vitória. Assim um exército luta como a água que corre do desfiladeiro.
Capítulo V – Do Confronto Direto e Indireto
Dirigir muitos é o mesmo que dirigir poucos, é uma questão de organização.
Do mesmo modo, comandar muitos é o mesmo que comandar poucos, é uma questão de comunicação.
Numa guerra, os exércitos se valem de ataques diretos e indiretos (ataques-surpresa). Mesmo só existindo esses dois tipos, suas combinações são infinitas. Aquele que bem souber usá-los e neutralizá-los será imprevisível como o céu e a terra e inexaurível como os grandes rios.
O exército que se mantém em prontidão, será mortífero ao desferir o golpe. O general que for habilidoso extrairá a vitória da situação, aproveitando o potencial de seus homens, mas jamais atribuirá o fardo da vitória unicamente a eles. Utiliza seus homens como quem rola pedras e paus da ribanceira.
Capítulo VI – Do Cheio e do Vazio
O bom general deve ocupar o campo de batalha antes do inimigo. Aquele que primeiro toma a iniciativa leva vantagem. Atraia o inimigo para onde deseja que ele vá. Faça ameaças para que ele não chegue onde deseja ir.
Se o opositor estiver tranqüilo, agite-o; se alimentado, faça-o passar fome; se imóvel, faça-o mover-se. Esgote-o, depois o confunda. Enquanto o inimigo divide-se, devemos nos concentrar.
Quem tem poucos se prepara para o inimigo; quem tem muitos, força o inimigo a se preparar contra ele.
O exército é como a água, ataca os fracos e evita os poderosos. Molda-se a situação do inimigo como a água ao terreno. Assim como a água não tem forma constante, também a guerra comporta-se desta maneira.
Capítulo VII – Da Arte do Confronto
Quando tropas se movimentam, devem tornar o caminho tortuoso no mais direto. Deve-se tomar uma rota indireta e lançar uma isca para o inimigo. Assim é possível sair depois e chegar primeiro ao campo de batalha. Mas deve-se ter em mente que tanto a vantagem quanto o perigo são inerentes à manobra.
Tropas que se movimentam com todos seus equipamentos e provisões são lentas. Se partir e deixar para trás suas provisões, andará mais rápido, mas poderá perder sua bagagem. Tropas que se movem rapidamente, sem suas bagagens e sem descanso, chegarão mais rapidamente, porém se desorganizarão. Os mais fortes deixarão os mais fracos para trás e somente um décimo das tropas chegará ao campo de batalha. Não se vence uma batalha onde se entrou rapidamente. Um exército sem provisões se esgota.
Aquele que conduz o exército deve conhecer as condições das montanhas, dos desfiladeiros, das florestas, dos pântanos e dos brejos para ter sucesso. Aquele que não usa guias locais não terá acesso às vantagens do terreno.
Na velocidade, sê rápido como o vento. Na quietude, silencioso como a floresta. Na agressão, feroz como o fogo. Na defesa, incólume como a montanha. Ao esconder-se, sê como as nuvens negras; ao atacar, como um raio.
Capítulo VIII – Da Arte das Mudanças
Não acampe em terrenos baixos.
Não ignore a diplomacia em terreno aberto (comunicante).
Não permaneça em terreno desolado.
Em terreno fechado, planeje uma fuga.
Em situação desesperada, lute até a morte.
Há estradas que não devem ser seguidas.
Há momentos em que não se deve capturar o inimigo.
Há cidades que não devem ser atacadas, territórios que não devem ser disputados.
Há ocasiões em que as ordens do comandante não devem ser seguidas.
Mesmo aquele que conhece o terreno, fracassará se não conhecer as nove variáveis. Sempre se deve levar em conta os fatores favoráveis e desfavoráveis.
Na guerra, não se deve esperar que o inimigo venha, mas estar pronto quando ele chegar. Não presumir que ele atacará, mas tornar-se invencível antes.
Existem cinco fraquezas que devem ser evitadas num comandante. Quando é descuidado, é fácil matá-lo. Quando é covarde, é fácil capturá-lo. Quando é irascível, é fácil provocá-lo. Quando é honrado, é fácil insultá-lo. Quando é benevolente, é fácil preocupá-lo.
Capítulo IX – Da Importância da Geografia
Ao posicionar tropas, fique longe das montanhas e perto dos vales. Ocupe a parte mais alta do terreno. Nunca lute montanha acima. Essa é a estratégia para regiões montanhosas.
Ao atravessar um rio, distancia-te da margem rapidamente. Nunca ataque quando o inimigo estiver atravessando o rio, espere que metade de suas tropas tenha atravessado para atacar. Não espere o adversário perto da margem, busque o terreno próximo mais elevado. Essa é a estratégia para regiões de rios.
Num terreno pantanoso, atravesse-o rapidamente. Ao encontrar o inimigo, estejas perto da grama e com a floresta às costas. Essa é a estratégia para o pântano.
Num terreno plano, posicione sua retaguarda e o flanco direito no terreno mais alto. Essa é a estratégia para regiões planas. Eis os quatro tipos de guerra.
Quando os emissários são humildes, mas os preparativos continuam, o inimigo avançará. Quando as tropas mostram-se apressadas e o emissário é arrogante, o inimigo se retirará. Quando os emissários são bajuladores, deseja-se uma pausa. Se, sem alguma razão, pedem trégua, é porque planejam algo.
Capítulo X – Da Topografia
Há os seguintes tipos de terreno:
O terreno fácil é uma área acessível para você e para seu inimigo. Aquele que ocupar sua parte mais alta e guardar a via de abastecimento levará vantagem.
O terreno difícil é área que é fácil de entrar e difícil de sair, é simples atacar tropas que não estão preparadas neste terreno. Aquele que bloquear o caminho de saída terá vantagem.
O terreno neutro é aquele em que é complexo tanto para você como para o opositor lançarem a ofensiva. Deve-se bater em retirada neste terreno e esperar que o inimigo o persiga para se poder atacá-lo.
O terreno estreito nunca deve ser atacado se já se tiver armado sua defesa, mas se não estiver pronta é possível atacá-lo.
No terreno íngreme deve-se ocupar a parte mais alta primeiro e aguardar o inimigo.
Em terreno distante é difícil tomar a iniciativa de combate para ambos os lados.
Estes seis tipos de terreno devem ser estudados e compreendidos por todos.
Existem erros de comando que podem desestabilizar um exército:
Uma força equilibrada porá uma força dividida em fuga; soldados bem treinados comandados por oficiais fracos geram insubordinação; chefes rigorosos e soldados fracos geram o colapso no exército; soldados vingativos e desobedientes levam o exército à destruição. Quando os soldados não tem disciplina e as ordens não são claras surge a desorganização no exército; quando o comandante é incapaz de avaliar o inimigo e o enfrenta em desigualdade, o resultado será a debandada das forças. Essas seis causas de derrota devem ser estudadas e o comandante deve ser responsabilizado.
O bom general é a principal jóia do estado. Pois ele sabe considerar esses fatores.
Capítulo XI – Dos Nove tipos de Terrenos
Quando se luta dentro do próprio território, esta é uma situação cômoda. Não ataque antes que o inimigo tiver penetrado bastante em seu território.
Quando se luta em território inimigo, mas não se avançou bastante, esta é uma situação simples. Nesta situação, nunca pare de avançar.
Um terreno de ocupação vantajosa tanto para mim como para o inimigo está numa situação crítica. Deve-se sempre avançar primeiro e nunca atacar se o inimigo estiver na vantagem.
Um terreno acessível para ambos estará numa situação aberta. Nele também é melhor avançar primeiro e fortalecer as defesas e comunicações.
Um terreno que oferece fronteira com vários Estados encontra-se numa situação de controle. Nele deve-se usar da diplomacia para fortalecer os vínculos com os estados vizinhos.
Quando se luta bem no interior do estado inimigo e se deixou para trás muitas cidades inimigas esta é uma situação séria. Certifique-se que não faltarão provisões.
Lutar em terreno pantanoso, de altas florestas ou de desfiladeiros, está-se numa situação perigosa. É mister nunca permanecer mais do que o necessário.
Lutar em terreno de acesso estreito e saída distante caracteriza uma situação difícil. Planeje como sair de uma armadilha.
Um terreno onde a única chance está na batalha, cria uma situação desesperada. A única saída é lutar até a morte.
Aquele que tem uma boa estratégia ataca por todos os lados. Evita a comunicação entre as tropas inimigas, confude-as. Ataque quando for favorável. Se atacado por inimigo superior, descubra que ponto ele visa e ocupa-o com todas as suas forças. Ele cederá.
Aproveite-se do despreparo do inimigo, mova-se em direções inesperadas e ataque locais desprotegidos. Lembre-se: na guerra a velocidade é crucial.
O bom líder militar comanda um milhão de homens como se comandasse um só.
E num campo de batalha dispõe as tropas de modo a não haver outra saída senão lutar pela própria vida.
Atraia o inimigo sendo tímido como uma donzela. Depois ataque-o rapidamente como uma lebre.
Capítulo XII – Da Pirotecnia
Há cinco métodos para ataques com fogo. O primeiro é atear fogo nas tropas inimigas. O segundo, em suas provisões. Em terceiro, queimar seus transportes. Quarto, seu arsenal e por último suas vias de abastecimento.
Em uma guerra só os interesses do Estado contam. Um governante não deve declarar guerra por estar encolerizado. Um general não pode ir à guerra por estar ressentido. Pois um homem zangado pode tornar-se feliz. Um homem pesaroso pode ficar satisfeito. Mas um país destruído não pode ser recuperado. Um homem morto não pode reviver.
Capítulo XIII – O Serviço Secreto ou O Uso de Espiões
Considerando os custos que a guerra traz e o tempo que ela consome, é imprudência recusar-se a comprar informações sobre o opositor. É impossível vencer sem ter informações prévias do inimigo. Elas não podem ser obtidas através de conjecturas, superstições ou forças sobrenaturais. Só podem ser obtidas com aqueles que conhecem bem a situação do inimigo.
Existem cinco tipos de espiões ou divisões:
Divisão nas cidades e nas aldeias: o espião local é o camponês nativo.
Divisão exterior: o espião interno é aquele que é oficial do inimigo.
Divisão entre inferiores e superiores: o espião convertido é aquele que servia ao inimigo e foi comprado, dissemina discórdia entre diversas guarnições ou escalões.
Divisão de morte: espiões mortais são aqueles que sacrificamos dando informações falsas ao inimigo.
Divisão de vida ou espiões seguros: são aqueles que podem retornar para relatar as informações coletadas. Distribui-se dinheiro em abundância para os desertores do inimigo.
Nenhum oficial é mais querido que o espião. Nem melhor recompensado. Ele desfruta da confiança do comandante. Apenas os generosos e humanos obtêm todas as informações de um espião. Apenas os cautelosos e engenhosos podem precisar a exatidão das informações recebidas.
Planos de espionagem revelados antes de postos em prática devem ser punidos com a morte do espião e do informante.
O Tao Da Guerra
Pode parecer estranho querer relacionar o Tao ao tema da guerra. Mas se levarmos em consideração que o Taoísmo é a base da sabedoria popular chinesa veremos que o princípio deste pensamento permeia toda a construção de “A Arte da Guerra”.
Os dois livros provêm do mesmo período histórico da China Antiga; poderia-se contra-argumentar que “Arte da Guerra” tem como objetivo o ensino de um ofício do mal. Algo, aliás, que realiza tão bem que até hoje é utilizada com esse fim. Ora, o Tao Te King, livro que contém a essência do pensamento taoísta, diz:” Quando todos reconhecem o bom como bom, isso em si mesmo é mau.”O oposto também é perfeitamente aplicável à essência da guerra. Se ela é de todo o Mal, em si mesma será o Bem. Uma vez que a perspectiva é de inevitabilidade do conflito, o total domínio de sua dinâmica permite a realização somente do mal estritamente necessário. O bem residirá na concretização de um mal menor.
Levando adiante essa política dos opostos sugerida pelo Tao, Sun Tzu considera que o exército sempre deve aparentar o contrário do que é. Parecer incapaz para ser capaz, parecer inativo para ser ativo, etc. Ter sempre uma visão espelhada. Assim, um general não constrói uma estratégia, ele destrói a do inimigo. Ao descrever como deve agir um general, Sun Tzu aproxima-se mais e mais do conceito que o Tao Te King descreve de um sábio, idealizando a figura do militar. “Se podemos compreender e abranger o todo, somos capazes de fazer justiça”, diz o Tao. Esse é o princípio de “A Arte da Guerra”: o domínio total dos elementos envolvidos. O general deve ser discreto, humilde, indiferente aos seres em prol de um objetivo superior. É um bom diplomata e um bom administrador, além de ser um bom guerreiro.
A guerra desenvolve-se, a partir desses pontos, como uma resposta natural às situações impostas. O preparo ideal das tropas permite que se lute visando o erro do inimigo, ou mesmo provocando-o com antecedência. É o ensinamento taoísta de só agir no momento oportuno.
Outros aspectos, como a natureza aforística da obra, contribuem para sua beleza e força metafórica, fazendo a “Arte da Guerra” ultrapassar os limites do tempo, tendo influenciado grandes líderes como Mao Tse Tung e Napoleão, e quebrar as barreiras do gênero, visto que o livro é empregado hoje em dia no treinamento de jovens executivos, sendo constantemente adaptado também para outras áreas do conhecimento.
Conclusões
A arte da guerra não se resume a soldados fardados, estratégias militares… Hoje a guerra está presente em nosso dia-dia e nossos soldados podem ser nossos funcionários, nossos inimigos um concorrente, até mesmo um rival do campo afetivo.
Dominar a arte da guerra é de fundamental importância para a vida moderna, saber interpretar Sun Tzu, transportar seus ensinamentos para a atualidade nos torna capaz de enfrentar qualquer situação. A guerra de informações, a guerra do tráfico, a guerra das empresas, a guerra do sexo…, para todos os tipos de guerra o “tratado milenar” de Sun Tzu deve ser utilizado.
Um livro que, após séculos, ainda se faz atual e de grande utilidade deveria ser lido por todos os cidadãos que almejam uma posição de destaque e por todos àqueles que desejam vencer os desafios do dia-dia.
“A Arte da Guerra” é um manual para quem deseja sobreviver no mundo atual. Após essa leitura, obrigo-me a dizer que as estratégias que adotei para alcançar meus objetivos sofreram algumas alterações e que, com certeza, na guerra da vida eu vencerei.
Referências
TZU, Sun. A Arte da Guerra.Tradução: Sueli Barros Cassal, Porto Alegre Ed. L&PM Pocket, 2002
TSE, Lao. Tao Te King. versão de Paulo Condini. São Paulo: Lemos Editorial, 1998.
AIDS – SINDROME CAUSADA PELO VÍRUS HIV (VIRUS DA IMUNODEFICIÊNCIA HUMANA)
I – INTRODUÇÃO
No atual momento, em que o vírus da AIDS propaga-se com uma velocidade assustadora e muito perigosa e que existe uma preocupação coletiva com relação à AIDS, temos que nos apegar em desenvolver o nosso maior meio de defesa conhecido até agora que é a informação.
Cada vez mais os meios de comunicação tem publicado artigos e entrevistas sobre essa doença. No entanto, é necessário salientar que somente a soma de informações corretas, transmitidas com transparência e lucidez, constitui-se num recurso preventivo, aliás o mais eficaz de que dispomos atualmente. Apesar da AIDS ser mortal, ela pode ser prevenida, e nesse sentido todos nós temos uma obrigação a cumprir, buscando e divulgando informações. Estes conhecimentos, transmitidos a todos sem distinção, permitirão que fechemos as portas ao preconceito, aos falsos temores e ao vírus, para que não amarguemos no futuro.
Em pleno século XXI existe muita gente que ainda acredita que a AIDS é uma dessas coisas que só acontece com os outros, que nunca irá acontecer com ela. Devido a esse fato, a cada dia que passa o número de contaminados pelo vírus HIV está aumentando. Para que esse quadro reverta é necessário estarmos sempre atentos, bem informados e prevenidos para que não sejamos contaminados.
O Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV) é responsável pela Síndrome de Imunodeficiência Adquirida (Aids) e ataca os linfócitos T-4, que são parte fundamental do sistema imunológico do homem. Em conseqüência, diminui a capacidade de resposta do organismo para enfrentar infecções oportunistas, originadas por vírus, bactérias, protozoários, fungos e outros microorganismos.
II – DESENVOLVIMENTO
1- O QUE É AIDS?
É uma doença que enfraquece o sistema imunológico, abrindo caminho para outras infecções causadas por vírus, fungos e bactérias que acabam sendo fatais.
A Aids é causada pelo vírus HIV (vírus da Imunodeficiência Humana) no sangue. Este vírus é traiçoeiro. Ele ataca e vai destruindo os glóbulos brancos que são as células que fazem a defesa do nosso contra as doenças.
Quando esse vírus entra em no corpo e começa a atacar os glóbulos brancos a pessoa pode desenvolver, com maior ou menor gravidade, doenças como pneumonia, herpes simples, infecções, etc.
A doença também é conhecida como “síndrome de Imunodeficiência Adquirida”. Analisando esta expressão, teríamos:
Síndrome: indica um conjunto de sinais e sintomas que se desenvolvem ao mesmo tempo;
Imuno: Refere-se ao mecanismo natural de proteção do próprio corpo contra infecções;
Deficiência: Indica que esse mecanismo natural não está trabalhando bem e que a capacidade de proteção do corpo está enfraquecida;
Adquirida: Significa que a doença não é genética ou hereditária, mas adquirida pela pessoa.
Todo processo do vírus HIV quando ele entra no sangue do ser humano.
2 – HISTÓRICO DO HIV
Não existe uma certeza científica em relação à origem do vírus da AIDS, embora muitos cientistas achem que esse vírus tenha passado do animal para o homem. Macacos da África, porcos do Haiti e até pacatas ovelhas da Islândia vem sendo apontados como prováveis hospedeiros do vírus. Os cientistas no entanto, ainda não arriscaram afirmações sobre como e por que esse vírus passou a atacar o homem. Mas as evidências mostram, cada vez mais, que a doença é uma velha conhecida dos africanos, uma vez que o sarcoma de Kaposi já fazia suas vítimas na África muito antes de a doença explodir nos Estados Unidos.
Em junho de 1981, os Centros para Controle de Doenças dos Estados Unidos relataram que cinco homossexuais jovens do sexo masculino, da região de Los Angeles, tinham contraído pneumonia pelo Pneumocystis carinii. Dois deles haviam morrido. Esta comunicação assinalou o início da epidemia de uma retrovirose caracterizada por imunossupressão intensa associada a infecções oportunistas, neoplasias secundárias e manifestações neurológicas, que se tornou conhecida como AIDS. Foi feita uma projeção de que terão sido diagnosticados, nos Estados Unidos, aproximadamente 300.000 pacientes com AIDS no final de 1993, e, segundo dados sorológicos, calcula-se que 1,5 a 2 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV, o agente causador da AIDS. Estima-se que 10 milhões de pessoas estão infectadas em todo mundo, a África apresentou o maior número, em torno de 6 milhões de indivíduos portadores de HIV.
Nas últimas décadas houve uma explosão em conhecimentos novos, e sua extraordinária capacidade de causar programa moderno, aumentou-se o ritmo de pesquisa sobre a biologia molecular do HIV e seus efeitos rápidos que qualquer revisão rápida é mutável e destina-se a estar desatualizada no momento em que for publicada.
Embora a AIDS tenha sido descrita pela primeira vez nos Estados Unidos e este tenha o maior número de casos descritos, mais e 163 países de todo o mundo já a descreveram, o número de pessoas infectadas pelo HIV na África e na Ásia é grande e cresce cada vez mais.
No Brasil, a AIDS foi identificada pela primeira vez em 1982, quando o diagnóstico foi feito em sete pacientes homo e bissexuais. Um caso foi reconhecido retrospectivamente, no estado de São Paulo, como tendo ocorrido em 1980. Nos últimos anos, vem ocorrendo importantes mudanças no perfil epidemiológico da AIDS. A epidemia que, em sua primeira fase (1980 a 1986), caracterizava-se pela predominância da transmissão em homens homo e bissexuais, de escolaridade elevada, em sua segunda fase (1987 a 1991), passou a caracterizar-se pela transmissão sangüínea, especialmente na subcategoria de usuários de drogas injetáveis, dando início, nesta fase, a um processo mais ou menos simultâneo de pauperização e interiorização da epidemia, ou seja, mais pessoas com baixa escolaridade e de pequenas cidades do interior estavam infectadas. Finalmente, em sua terceira fase, um grande aumento de casos por exposição heterossexual vem sendo observado, assumindo cada vez maior importância a introdução de casos do sexo feminino. Temos portanto, a exposição heterossexual atualmente representando a principal subcategoria de exposição em crescimento.
3 – O VÍRUS HIV
AGENTE ETIOLÓGICO
O HIV-1 foi isolado em 1983, de pacientes com AIDS. Em 1986 foi identificado um segundo agente etiológico, também retrovírus, com características semelhantes ao HIV-1, denominado HIV-2.
HIV e AIDS – Resumo – Microbiologia
O HIV é um retrovírus com genoma RNA, da família Lentiviridae. Pertence ao grupo dos retrovírus citopáticos e não-oncogênocos que necessitam, para multiplicar-se, de uma enzima denominada transcriptase reversa, responsável pela transcrição do RNA viral para uma cópia DNA, que pode então se integrar ao genoma do hospedeiro.
O HIV é bastante lábil no meio externo, sendo inativado por uma variedade de agentes físicos (calor) e químicos (hipoclorito de sódio, glutaraldeído). Em condições experimentais controladas, as partículas virais intracelulares parecem sobreviver no meio externo por até, no máximo, um dia, enquanto que partículas virais livres podem sobreviver por 15 dias à temperatura ambiente ou até 11 dias a 37°C.
Como muitos retrovírus, o vírion do HIV-1 é esférico e contém um núcleo eletrondenso circundado por um envoltório lipídico derivado da membrana celular que hospeda o vírus. O cerne do vírus contém quatro proteínas, incluindo p24 e p18, duas cadeias de RNA genômico e a enzima transcriptase reversa. Existem duas glicoproteínas virais, a gp120 e a gp41, que são críticas para a infecção das células pelo HIV. O genoma pró-viral do HIV-1 contém os genes gag, pol e env, que codificam as proteínas centrais, a transcriptase reversa e as proteínas do envoltório. Além desses três padrões de genes retrovirais, o HIV contém inúmeros outros genes, incluindo os tat, ver, vif, nef, vpr e vpu que regulam a síntese e a união das partículas virais infectantes. O produto do gene tat (transativador), por exemplo, é crítico para a expressão do gene no vírus. O ver também é essencial para replicação do HIV-1, mas exerce seus efeitos em um nível pós-transcricional ao regular o transporte de mRNAs virais do núcleo para o citoplasma. Os produtos dos genes vpu e vif atuam tardiamente no ciclo de vida do vírus e parecem ser essenciais para o brotamento de vírions a partir de células infectadas e para conferir ao vírus livre a capacidade de infectar outras células. Deve ficar evidente, desta breve revisão das funções dos genes do HIV-1, que os produtos dos genes reguladores são importantes para patogenicidade do HIV e, por isso, há considerável interesse no desenvolvimento de agentes terapêuticos que consigam bloquerar a ação deles.
ligação de glicoproteínas virais (gp120) ao receptor específico da superfície celular (principalmente CD4);
fusão do envelope do vírus com a membrana da célula hospedeira;
liberação do “cone” do vírus para o citoplasma da células hospedeira;
transcrição do RNA viral em DNA complementar, dependente da enzima transcriptase reversa;
transporte do DNA complementar para o núcleo da célula, onde pode haver integração no genoma celular (provírus), dependente da enzima integrase, ou permanecer em forma circular isoladamente;
o provírus é reativado e produz RNA mensageiro viral indo então para o citoplasma da célula;
proteínas virais são produzidas e quebradas em subunidades por meio de enzimas proteases;
as proteínas virais produzidas regulam a síntese de novos genomas virais e formam a estrutura externa de outros vírus que serão liberados pela célula hospedeira;
o vírion recém-formado é liberado para o meio circulante da célula hospedeira, podendo permanecer no fluído extracelular pi infectar novas células.
4 – SISTEMA IMUNITÁRIO
Nosso corpo é formado por células e cada grupo de células tem uma função clara e determinada. Um grupo de células, chamado linfócitos (glóbulos brancos), tem a função de defender nosso organismo das doenças e infecções e, como já vimos, o vírus da aids escolhe justamente as células que compõem o nosso sistema de defesa (imunológico) para viver.
Os linfócitos são um tipo importante de grupo de células e se dividem em duas categorias: os linfócitos B e os linfócitos T.
Os linfócitos B protegem o corpo contra os micróbios, fabricando substâncias chamadas anticorpos, que vão “colar-se” ao micróbio, impedindo-o de agir.
Entre os linfócitos T, os T4 (também chamados CD4) são os responsáveis no processo de defesa do nosso organismo, por “alertar” o sistema imunológico que é necessário se defender. Sem estar avisado de que precisa combater os “invasores”, o nosso sistema imunológico não funciona.
Os linfócitos T8 (também chamados CD8) destroem as células já infectadas ou doentes.
Os linfócitos estão presentes principalmente no sangue e em órgãos chamados gânglios linfáticos, que têm a forma de um pequeno feijão ou de uma bolinha e estão espalhados no corpo (podem-se apalpar alguns nas axilas ou virilhas).
Por fim, os macógrafos são grandes células imunitárias. São consideradas como os “lixeiros” do organismo: digerem os “resíduos” saídos das células mortas e os micróbios.
Os macógrafos agem principalmente no interior dos órgãos e pouco no sangue.
O vírus HIV pode infectar os linfócitos T4 (CD4)e os macógrafos, mas não os linfócitos T8.
5 – PATOGENIA
O HIV tem dois alvos principais: o sistema imunológico e o Sistema Nervoso Central:
Imunopatogenia da Doença do HIV.
A principal característica da AIDS é a imunossupressão grave, que afeta principalmente a imunidade celular. Isto resulta principalmente da perda de células T CD4+, bem como na alteração da função das células T auxiliares sobreviventes.
Abundam evidências de que a molécula CD4 é, de fato, um receptor com grande afinidade pelo HIV. Isto explica o tropismo seletivo do vírus pelas células T CD4+ e sua capacidade de infectar outras células CD4+, em especial os macrófagos. O primeiro passo na infecção é a ligação da glicoproteína do envoltório gp120 às moléculas CD4. Isto é seguido pela fusão os vírus com a membrana celular e sua interiorização. Acredita-se que a fusão exige uma etapa pós-ligação na qual a gp41 viral faz contato com um componente ainda não-identificado da membrana celular.
Uma vez interiorizado, o genoma viral sofre transcrição reversa, com o formato de cDNA (DNA pró-viral). Nas células T que estão se dividindo, o cDNA circulariza-se, penetra no núcleo e, depois, é integrado ao genoma hospedeiro. Em seguida, o pró-vírus pode continuar preso no cromossomo por meses ou anos, ficando a infecção latente. Como alternativa, o DNA pró-viral pode ser transcrito com a formação de partículas virais completas que brotam da membrana celular. Tal infecção produtiva leva à morte da célula quando há um brotamento viral extenso. É importante lembrar que, embora o HIV-1 possa infectar células T em repouso, o início da transcrição do DNA pró-viral (e daí da infecção produtiva) só ocorre quando a célula infectada é ativada pela exposição a antígenos ou citocinas. Assim, é óbvio que os estímulos fisiológicos que promovem a ativação e o crescimento de células T normais levam à morte das células T infectadas pelo HIV. Pode-se presumir que a infecção produtiva das células T é o mecanismo pelo qual o HIV lisa as Células T CD4+.
Aproximadamente 20 a 30% das células T CD4+ de órgãos linfóides, tais como linfonodos, amígdalas e baço, contêm DNA do HIV, mesmo nos estágios iniciais da infecção. Embora muitas células dos órgãos T com infecção produtiva nos linfonodos é consideravelmente maior do que no sangue periférico. Baseado nestes estudos, propôs-se que, no início da doença, há uma grave infecção das células T CD4+ nos tecidos linfóides. A infecção produtiva é continuamente ativada pela exposição ao antígeno de uma fração de células com infecção latente, as quais são então destruídas. Desta forma, há uma redução constante e gradativa da população de células CD4+ no organismo.
Além da morte celular causada pela infecção produtiva das células T CD4+, vários outros mecanismos indiretos poderiam contribuir para a perda de linfócitos T auxiliares. Estes incluem:
Perda de precursores imaturos das células T CD4+, quer por infecção sw células acessórias que secretam citocinas essenciais para deferenciação da células T CD4+.
Fusão de células infectadas e não-infectadas, com a formação de sincícios (células gigantes). Em culturas de tecido, a gp120 expressa em células com infecção produtiva liga-se às moléculas CD4 de células T não-infectadas, o que é seguido da fusão celular. As células fundidas ficam “balonizadas” e geralmente morrem dentro de poucas horas.
Destruição auto-imune das células T CD4+ infectadas ou não. A gp120 solúvel liberada pelas células infectadas pode ligar-se a moléculas CD4 de células não-infectadas.
Embora a acentuada redução das células T CD4+, a principal característica da AIDS, possa responder por grande parte da imunodeficiência no final da infecção pelo HIV, há evidências de defeitos qualitativos nas células T que podem ser detectados mesmo em pessoas infectadas pelo vírus porém assintomática. Estes defeitos incluem uma redução na proliferação antígeno-induzida da célula T, menor produção de citocinas como IL-2 e INF-y, defeitos na sinalização intracelular e muitos outros. Também existe a perda seletiva do subgrupo de células T auxiliares CD4+ de memória no início da doença. Esta observação explica a incapacidade de ativação de células T do sangue periférico desafiadas com antígenos de memória comuns.
Além da infecção e da perda de células T CD4+, a infecção de monócitos e macrófagos também é extremamente importante na patogenia da AIDS. Como as células T, a maioria dos macrófagos infectados pelo HIV é encontrada nos tecidos, e não no sangue periférico. Detecta-se uma freqüência relativamente alta (10 a 50%) de macrófagos com infecção produtiva em alguns tecidos, tais como o cérebro e o pulmão. Entretanto, é preciso realçar várias diferenças importantes entre a infecção das células T e dos macrófagos pelo HIV.
– Uma vez que muitos macrófagos contêm baixos níveis de CD4, o HIV pode infectá-los pela via gp120-CD4; além disso, o HIV pode penetrar nos macrófagos por fagocitose ou por endocitose pelo receptor Fc de anticorpo revestido de partículas do HIV.
– Os macrófagos infectados liberam quantidades relativamente pequenas de vírus de sua superfície celular, porém eles contêm um grande número de partículas virais situadas exclusivamente em vacúolos intracelulares. Apesar de induzirem a replicação do vírus, o que não acontece nas células T CD4+, os macrófagos são muito resistentes aos efeitos citopáticos do HIV.
A infecção dos macrófagos pelo HIV tem duas implicações importantes. Em primeiro lugar, os monócitos e macrófagos representam uma verdadeira fábrica e um reservatório do vírus, cuja produção continua bastante protegida das defesas do hospedeiro.
Em contraste com os macrófagos do tecido, o número de monócitos infectados pelo HIV na circulação é pequeno; mesmo assim, há defeitos funcionais que são importantes para defesa do hospedeiro. Esses defeitos incluem atividade microbicida deficiente, diminuição da quimiotaxia, menor secreção de IL-1, secreção inadequada de FNT- e, mais importante, pequena capacidade de apresentar antígenos às células T.
Estudos recentes documentaram que, além dos macrófagos, células dentríticas foliculares (CDFs) nos centros germinativos dos linfonodos também são reservatórios importantes do HIV. Embora algumas CDFs sejam infectadas pelo HIV, muitas partículas virais são encontradas na superfície de seus prolongamentos dentríticos. As CDFs possuem receptores para porção Fc das imunoglobulinas, e por isso aprisionam vírions de HIV revestidos com anticorpo anti-HIV. As partículas virais ligadas à CDF infectadas rapidamente as células T CD4+ à medida que atravessam a complexa tela formada pelos prolongamentos dentríticos das CDF.
É fácil visualizar como é possível ter início um ciclo vicioso de destruição celular nos pacientes com AIDS. As inúmeras infecções às quais estes pacientes ficam vulneráveis por causa da menor função da célula T auxiliar determinam maior produção de FNT- , o qual, por sua vez, estimula a produção maior de HIV seguida de infecção e perda de outras células T CD4+.
Embora se tenha dado muita atenção às células T e aos macrófagos porque elas podem ser infectadas pelo HIV, os pacientes com AIDS também apresentam grandes alterações na função da célula B. Isto pode ser o resultado da interação de inúmeros fatores, tais como a infecção pelo citomegalovírus e pelo VEB, os quais são ativadores policlonais da célula B; a própria gp120 pode acelerar o crescimento e a diferenciação da célula B, e os macrófagos infectados pelo HIV favorece a ativação das células B. Apesar da presença de células B espontaneamente ativadas, os pacientes com AIDS não conseguem montar uma resposta de anticorpo ao antígeno novo. Isso poderia se dever, em parte, à falta de ajuda da célula T. A imunidade humoral deficiente torna esses pacientes uma presa de infecções disseminadas causadas por bactérias encapsuladas, as quais requerem anticorpo para sua opsonização eficaz.
Terminando esta discussão da imunopatogenia, deve ser lembrado que as células T CD4+ tem um papel principal na regulação da resposta imunológica: elas produzem muitas citocinas, tais como IL-2, IL-4, IL-5, IFN-y, fatores quimiotáticos do macrófago e fatores de crescimento hematopoético. Assim, a perda desta “célula-mestra” tem efeitos em praticamente todas as outras células do sistema imunológico.
6 – PATOGENIA DO COMPROMETIMENTO DO SISTEMA NERVOSO CENTRAL
Macrófagos e células pertencentes à linhagem de monócitos são as principais células infectadas pelo HIV no cérebro. Assim, acredita-se que o HIV é transportado para o cérebro por monócitos infectados. Todavia, o mecanismo da lesão cerebral HIV induzida continua obscuro. Segundo algun autores, os macrófagos infectados pelo HIV produzem fatores solúveis que podem ser citotóxicos para os neurônios ou prejudicar a função destes sem citotoxicidade direta.
Existem muitas hipóteses de como ocorre a lesão cerebral, no entanto, as vias de lesão cerebral HIV induzidas que dependem do transporte pelo macrófago devem ser consideradas “hipotéticas” em vez de comprovadas.
7 – EVOLUÇÃO NATURAL DA INFECÇÃO PELO HIV
A evolução da infecção pelo HIV pode ser bem compreendida em termos de interligação do vírus com o sistema imunológico. Podem ser reconhecidas três fases que refletem a dinâmica da interação vírus-hospedeiro: uma fase aguda inicial, uma fase média crônica e a fase final de crise.
A fase aguda inicial representa a resposta de um adulto imunocompetente à infecção pelo HIV. Caracteriza-se por alto grau de produção do vírus, viremia e implante generalizado nos tecidos linfóides, juntamente com uma redução brusca e, algumas vezes, grave das células T CD4+. Todavia, a infecção inicial é prontamente controlada por uma resposta imunológica antiviral específica evidenciada por soroconversão (geralmente dentro de três a sete semanas de exposição presumida) e, mais importante, o aparecimento de células T citotóxicas CD8+ específicas para o vírus. O número de células T CD4+ fica quase normal à medida que a replicação do vírus nas células mononucleares do sangue periférico diminui, o que assinala o término da fase aguda. Nesta fase surgem sintomas inespecíficos como faringite, mialgia, febre, eruptação cutânea e, algumas vezes, meningite asséptica três a seis semanas depois da infecção, cedendo espontaneamente duas a três semanas depois.
A fase média, crônica, representa um estágio de relativa contenção do vírus associada a um período de latência clínica. O sistema imunológico ainda está íntegro, mas há uma replicação constante do HIV, principalmente nos tecidos linfóides, que pode durar vários anos. Nesta fase há uma batalha contínua entre o HIV e o sistema imunológico do hospedeiro. A resposta da célula T citotóxica CD8+ continua ativa, a replicação do vírus é menor mas não ausente. Todavia, há uma lenta erosão das células T CD4+ e o número destas diminui em 50 100 células/ul por ano. A velocidade da perda de células T CD4+ aumenta a progressão da doença. Concomitante à perda das células T CD4+, as defesas do hospedeiro começam a ceder e a proporção de células CD4+ sobreviventes infectadas pelo HIV aumenta, assim como a carga viral em cada célula CD4+. Os pacientes permanecem assintomáticos ou apresentam linfadenopatia generalizada persistente. Os sintomas constitucionais são leves ou inexistentes. A linfadenopatia persistente com sintomas constitucionais importantes (febre, erupção cutânea, fadiga) reflete o início da descompensação do sistema imunológico, a escalada da replicação viral e o início da fase de “crise”.
A fase final ou decrise caracteriza-se pela deterioração das defesas do hospedeiro, recrudescimento da replicação viral e doença clínica. Tipicamente, os pacientes apresentam febre prolongada (mais de um mês), fadiga, perda de peso e diarréia; o número de células CD4+ cai. Depois de um período variável, sobrevêm infecções oportunistas graves, neoplasias secundárias ou doença neurológica clinicamente evidente, e diz-se que o paciente tem AIDS. Além disso, de acordo com as orientações dos Centros para Controle de Doença, qualquer pessoa infectada pelo HIV com menos de 200 células T CD4+/ul é considerada como tendo AIDS
Na ausência de tratamento, muitos pacientes com infecção pelo HIV, se não todos eles, progridem para AIDS depois de uma fase crônica que dura de sete a dez anos. Esta fase de latência clínica é mais curta naqueles que recebem um grande inoculo parenteral de HIV, como ocorre nas hemotransfusões, ou pode ser peculiarmente longa naqueles que recebem terapia anti-retroviral profilática.
A classificação atual admite que o número de células CD4+ é um parâmetro importante da gravidade da doença causada pelo HIV. Por conseguinte, a infecção pelo HIV é extratificada em três categorias: número de células CD4+ superior ou igual a 500/ul; entre 200 e 499 células/ul; e menos de 200 células/ul. Uma contagem absoluta abaixo de 200 células CD4+/ul ou um número de células rapidamente decrescente correlacionam-se com a progressão da doença.
Deve ficar evidente, que continuam ocorrendo graus variáveis de replicação do vírus em cada uma das fases da infecção. A infecção produtiva das células T, em especial nos órgãos linfáticos, prossegue mesmo na fase de latência clínica, quando a maioria das células infectadas tem o pró-vírus incorporado ao seu genoma.
8 – ASPECTOS CLÍNICOS
As manifestações clínicas da infecção pelo HIV variam de uma enfermidade aguda leve para uma doença grave. Como os principais aspectos clínicos das fases inicial aguda e média crônica da infecção foram descritos anteriormente, resumiremos as manifestações da fase terminal comumente conhecida como AIDS.
O paciente com AIDS típico, apresenta febre, perda de peso, diarréia, linfadenopatia generalizada, inúmeras infecções oportunistas, doença neurológica e, em muitos casos, neoplasias secundárias.
A pneumonia causada pelo fungo oportunista P. carinii (que representa a reativação de uma infecção prévia latente) é o quadro inicial em cerca de 50% dos casos, e aproximadamente 70 a 80% dos pacientes com AIDS desenvolvem esta infecção em algum momento da evolução da doença. O risco de contrair esta infecção é extremamente alto nos indivíduos com menos de 200 células CD4+/ul. Cerca de 12% dos pacientes apresentam outra infecção oportunista diferente desta pneumonia. Entre os patógenos mais comuns, temos a Cândida, o citomegalovírus, micobactérias atípicas e típicas, o Cryptococcus neoformans, o Toxoplasma gondii, a espécie Criptosporidium, o vírus herpes simplex, os papovavírus e o Histoplasma capsulatum.
A candidíase da cavidade oral e do esôfago é extremamente comum nos pacientes com AIDS. Nos indivíduos infectados pelo HIV, porém assintomáticos, a candidíase oral é um sinal de descompensação imunológica e, freqüência, prenuncia a transição para AIDS.
Podemos relacionar as infecções oportunistas e neoplasias que diferem a AIDS nos pacientes portadores de HIV:
INFECÇÕES:
Infecções por Protozoários e Helmintos: Criptosporidiose ou isosporidiose (enterite), Pneumocitose (pneumonia ou infecção disseminada), Toxoplasmose (pneumonia ou infecção do SNC).
Viroses: Citomegalovírus (pulmonar, intestinal, retinite ou infecções do SNC), Vírus herpes simples,Vírus da varicela-zóster, Leucoencefalopatia multifocal progressiva.
Neoplasias: Sarcoma de Kaposi, Linfomas não-Hodgkin, Linfoma primário do cérebro, Câncer invasivo do colo uterino.
Apesar dos avanços, o prognóstico dos pacientes com AIDS continua sombrio apesar de todo o progresso.
9 – COMO É DETECTADO O VÍRUS DA AIDS
Existem testes capazes de detectar os anticorpos anti-HIV no soro (parte do sangue, de onde foram retirados os glóbulos vermelhos). O teste anti-HIV pode ser feito em alguns hospitais, e centros de saúde e nos Centros de Testagem e Aconselhamento – CTA. Entre os testes usados, estão ELISA que é o mais usado, a Imonofluorescência e o Western-Blot. A utilização dos outros métodos serve para confirmação do diagnóstico.
Porém antes e depois do teste anti-HIV, a pessoa deve fazer um acompanhamento, isto é, conversar com um profissional de saúde que foi preparado para fazer esse trabalho.
Este profissional pode ser médico, enfermeiro, psicólogo, assistente social ou auxiliar de enfermagem.
O aconselhamento antes do teste ajuda a pessoa a tirar dúvidas sobre a transmissão e prevenção do HIV e de outras doenças sexualmente transmissíveis – DST. Sendo assim, ajuda a pessoa avaliar se ela pode estar infectada pelo HIV ou por outro micróbio. E, também explica sobre o teste anti-HIV.
Quando a pessoa, que decidiu fazer o teste anti-HIV, recebe o resultado, o profissional de saúde faz outro aconselhamento.
No caso de resultado positivo é oferecido apoio emocional e a pessoa é encaminhada para serviço especializado em atender portadores do HIV, para acompanhamento médico e psicológico.
No caso de resultado negativo, o profissional reforça a mensagem de prevenção e discute a necessidade de repetir o teste.
Nos Centros de Testagem e Aconselhamento, a pessoa não precisa dizer o seu nome, quando vai fazer o teste anti-HIV. Ela recebe um número e com este número se pega o resultado. O teste é gratuito.
O teste anti-HIV só é obrigatório para os doadores de sangue e de órgãos. É recomendado para as gestantes, para quem tem DST e para quem acha que pode estar infectado pelo vírus da AIDS. Caso contrario ninguém mais é obrigado a fazer esse teste.
Se uma pessoa quer realizar o teste e na cidade não tiver local para fazer, o profissional de saúde indicará um local mais próximo para a realização do mesmo.
O teste anti-HIV pode ser feito em alguns hospitais, e centros de saúde e nos Centros de Testagem e Aconselhamento – CTA. Entre os testes usados, estão ELISA que é o mais usado, a Imonofluorescência e o Western-Blot. A utilização dos outros métodos serve para confirmação do diagnóstico. Para realização do teste é necessário colher o sangue.
Qualquer pessoa pode pegar o vírus HIV: homem ou mulher; gente casada ou solteira; criança, moço ou velho; rico ou pobre. E tanto faz se é gente que mora na cidade ou no campo.
A infecção pelo vírus HIV pode ocorrer durante as relações sexuais; pelo compartilhamento ou reutilização de agulhas e seringas contaminadas; de uma mãe soropositiva para o feto, durante a gestação, no momento do parto, ou durante o aleitamento materno; através de transfusões de sangue, ou pelo consumo de hemoderivados infectados. A contaminação também pode ocorrer durante uma intervenção cirúrgica que envolva transplantes de órgãos, ou inseminação artificial, quando os doadores forem soropositivos. Ou ainda, por acidente de trabalho com profissionais das áreas de saúde.
Relações sexuais
Uma vez na corrente sangüínea, o maior número de unidades do HIV dirige-se para o esperma e para os líquidos vaginais. E é esse capricho da natureza que possibilita a transmissão durante o ato sexual, fazendo da AIDS uma moléstia sexualmente transmissível (doença venérea).
O vírus da AIDS pode ser transmitido por relações homossexuais, bissexuais e heterossexuais. Durante a relação sexual, o portador do vírus transfere o material contaminado, para o parceiro ou parceira.;
A relação anal
De todas as práticas sexuais é, provavelmente a mais perigosa, devido o vírus penetrar mais facilmente no organismo, por dois motivos:
Durante a penetração, a pressão exercida pelos músculos do ânus, no pênis, é muito grande e provoca invariavelmente irritações, esfolamentos e micro rompimentos das mucosas e do tecido peniano, permitindo, com mais facilidade, o acesso do vírus HIV na corrente sangüínea.
A mucosa anal tem elevado poder de absorção (o que esclarece a existência de medicamentos sob a forma de supositório).
Por essa razão que a AIDS disseminou-se com tanta virulência entre os homossexuais, chegando até ser nomeada como a “peste gay”.
Vale lembrar que a relação anal também é praticada pelos heterossexuais e que a mucosa retal feminina tem as mesmas características da masculina, sendo igualmente vulnerável à penetração do vírus.
Durante a relação sexual, o vírus alojado na secreção vaginal penetra pela uretra masculina, atingindo o sangue e infectando o homem.
Todavia, como o vírus HIV atinge concentração mais alta no esperma do que nos líquidos vaginais, sua transmissão do homem infectado para a mulher sadia ocorre com mais freqüência. O vírus, instalado no esperma, atravessa a mucosa vaginal, entrando na corrente sangüínea e infectando a mulher. Isso explica porque o número de mulheres com AIDS vem aumentando significativamente no mundo todo.
Sexo oral
É uma questão que divide os especialistas. Alguns consideram como uma prática de média, ou pequena periculosidade. Já outros são bem mais rigorosos na sua avaliação. O risco maior é para a pessoa que participa como ativa, ou seja, com a boca, indiferentemente se homem ou mulher, pois o esperma, ou a secreção vaginal, escorre pelos lábios, adere as mucosas, se aloja entre os dentes e, encontrando uma porta de entrada: um pequeno corte, aftas, ou pequenas inflamações nas gengivas, pode provocar a infecção. Para a pessoa passiva ( a que participa com o pênis, ou com a vagina ) o perigo é significativamente menor. Mas, mesmo assim existe.
O vírus da AIDS se transmite, principalmente, através das relações sexuais, sem a proteção da camisinha.
Agulhas ou seringas de injeções contaminadas
As injeções na veia ou no músculo, com seringa ou agulha contaminada, é a Segunda forma mais freqüente de contágio. Os cientistas acreditam que, em certas regiões do mundo, onde medicamentos são muitas vezes ministrados por injeções musculares ou venosas, em condições precárias, ou seja, sem a esterilização correta do instrumental, as seringas ou agulhas contaminadas tenham sido um fator importante na propagação do vírus.
No caso de usuários de drogas injetáveis, se uma pessoa portadora do HIV compartilhar a mesma agulha ou seringa com outras pessoas, poderá contaminar as demais pessoas que usarem essa seringa ou agulha. O contágio é imediato e irreversível.
Quando se usa drogas injetáveis compartilhando agulhas e seringas.
Transfusões de sangue
Uma pessoa pode se contaminar durante uma transfusão de sangue ou recebendo hemoderivados infectados. É muito importante saber se o mesmo foi devidamente testado por exames antivirais antes da transfusão, porque além do HIV, o sangue pode conter uma grande variedade de outros vírus como hepatites, sífilis, herpes, etc..
A transfusão de sangue contaminado pode atingir:
Os hemofílicos: que são os indivíduos com alteração na coagulação do sangue, devido à falta do fator VIII de coagulação, apresentando sangramento prolongado após um pequeno ferimento. Trata-se de uma doença hereditária, transmitida pela mãe somente aos filhos homens, que passam a necessitar de transfusões de sangue periódicos. Dessa maneira, o tratamento que deveria salvar suas vidas passou a representar risco de apressar sua morte. A Federação dos Hemofílicos do Brasil calcula que mais de 50 % das pessoas que é hemofílica estejam contaminadas pelo vírus da AIDS.
Indivíduos com anemias: As mais diversas anemias fazem com que as pessoas necessitem de transfusões de sangue, e se receberem sangue infectado acabam sendo contaminados.
Leucemia: Os leucêmicos são pessoas que apresentam alteração dos glóbulos brancos e necessitam receber transfusões de sangue.
Pessoas submetidas a cirurgias ou transfusões sangüínea de emergência: Muitas vezes, as pessoas submetidas a cirurgias ou uma emergência necessitam de transfusões de sangue.
Nesses casos, se o sangue não for previamente testado oferece risco de contaminação. Por esta razão, o Ministério da Saúde tornou obrigatório o teste para detecção de AIDS em todos os bancos de sangue do território nacional.
Durante a transfusão de sangue. Por isso, todo sangue deve ser testado para saber se tem o HIV e outras doenças transmissíveis.
Contaminação Perinatal
Trata-se da transmissão do vírus de mãe contaminada para filho, o que aumenta a mortalidade infantil por causa da AIDS.
Mães grávidas infectadas pelo vírus HIV podem transmití-lo aos seus filhos em cerca de 40% dos casos. A contaminação chamada perinatal, pode acontecer, segundo os especialistas, durante a gestação, no momento do parto ou através do aleitamento.
A mãe infectada com o HIV pode transmitir o vírus para o seu bebê: na gravidez, no parto e na amamentação.
Contaminação por acidente de trabalho
Ocorre com profissionais da saúde (médicos, enfermeiros, pesquisadores, pessoas que trabalham em laboratórios de análises clínicas, etc.) no desempenho de suas funções. A incidência maior de acidentes é com instrumento chamados de perfurocortantes, infectados. A ocorrência deste tipo de contágio é relativamente pequena, e ainda pode ser reduzida quase que a zero se forem observadas as normas de segurança específicas para o seu trabalho.
O contágio no trabalho ocorre com profissionais de saúde no desempenho de suas funções, porém o risco de contágio poderá ser quase zero se forem observadas as normas de segurança específicas para o seu trabalho.
11 – CASOS ONDE A AIDS NÃO E TRANSMITIDA
Antes de mais nada, é importante saber que a AIDS não é transmitida no convívio social, familiar ou com amigos, no ambiente de trabalho ou na visita a um amigo com AIDS, pois o vírus da AIDS não se transmite :
Pelo ar, espirro ou tosse;
Pela saliva, lágrima ou suor;
Por copos, xícaras, talheres e outros utensílios;
Por picadas de insetos;
Usando o mesmo banheiro ou privada;
Comendo no mesmo local que uma pessoa contaminada;
Dormindo no mesmo quarto;
Trabalhando na mesma sala;
Freqüentando escolas, clubes, piscinas cloradas, teatros, restaurantes, metrô e ônibus;
Abraçando ou pegando na mão;
Dentistas, manicures, cabeleireiros e acumpunturistas não oferecem nenhum risco, desde que seus instrumentos de trabalho sejam devidamente desinfectados.
Beijo: Em relação ao beijo profundo, que envolve troca de saliva a chance é praticamente igual a zero. A concentração do vírus HIV na saliva é mínima, e só há alguma chance de contaminação se a boca estiver com algum tipo de sangramento. Até hoje, só foi registrado um caso de em que se acredita que a contaminação ocorreu com um beijo.
A AIDS não transmite através da saliva, da lágrima, do suor, do beijo, em lugares fechados como quartos, ônibus e nem em abraços e aperto de mão.
A melhor forma de proteção contra o vírus do HIV é a prevenção, que se faz evitando as situações de risco.
Para fazer prevenção precisamos de informações que vão evitar que a gente se coloque numa situação de risco. E para não correr riscos devemos ter os seguintes cuidados:
Procurar manter um relacionamento mutuamente fiel com um único parceiro: quanto menor o número de parceiros sexuais, menor o risco de contrair o vírus da AIDS e outras doenças sexualmente transmissíveis;
Ter relações sexuais seguras, ou seja, usar sempre e corretamente a camisinha, em qualquer tipo de relação sexual. Para cada relação sexual, é necessário o uso de uma nova camisinha, ela não deve ser reaproveitada;
Não mantenha contatos sexuais com pessoas que tenham numerosos parceiros;
Não compartilhar agulhas e seringas com outras pessoas, se usar drogas injetáveis;
Só use agulhas e seringas descartáveis ou esterilizadas corretamente, inclusive as de acupuntura e tatuagem;
Doe sangue em bancos autorizados e exija materiais descartáveis. A venda de sangue é ilegal;
Ao fazer exames laboratoriais exija material descartável;
Quando receber transfusão, certifique-se de que o sangue foi previamente testado para detectar anticorpos contra o vírus da AIDS;
Não deixe qualquer pessoa amamentar seu filho; procure um banco de leite materno autorizado ou use leite em pó, de acordo com as instruções do Centro de Saúde;
Não empreste nem tome emprestado escova de dentes, aparelhos de barbear, navalhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos pessoais que possam ter tido contato com sangue ou outras secreções corporais.
Muito esforço tem sido feito na tentativa de desenvolver uma vacina, mas até agora isso não é possível.
A melhor forma de proteção contra o vírus do HIV é a prevenção Assim sendo, na ausência de um tratamento eficaz ou de uma vacina, a prevenção, através da informação, no sentido de adotar uma postura preventiva para evitar a contaminação, é A melhor forma de proteção contra o vírus do HIV é a prevenção, para isso estejam sempre bem informados, usem a camisinha nas relações sexuais, não compartilhem agulhas e seringas de outra pessoa e ao receber transfusão de sangue procure saber se o mesmo foi testado antes de recebê-lo.
13 – COMO INATIVAR O VÍRUS DA AIDS
Fora do organismo, a destruição do vírus da AIDS é relativamente fácil. O material utilizado por médicos, dentistas, manicures, barbeiros, etc. pode ser desinfectado através de uma das seguintes formas:
Deixar de molho durante pelo menos 30 minutos em hipoclorito de sódio (água sanitária).
Deixar de molho em álcool, por 30 minutos.
Deixar exposto ao calor de 56º C, durante 30 minutos em estufa ou por meio de fervura.
Todo o material utilizado por médicos, dentistas, manicures, barbeiros, etc. que não forem descartáveis toda vez que for usado terá que ser desinfectado.
14 – O TRATAMENTO DA AIDS
O tratamento de um indivíduo soropositivo vai depender de como cada pessoa reage à infecção. Só o médico pode indicar o que deve ser feito.
Quando uma pessoa tem o vírus da AIDS, não tem sintomas e seus outros exames estão com bons resultados, ela não precisa tomar remédios. Mas precisa de acompanhamento médico.
Quando a pessoa tem sintomas, isso indica que já está com AIDS. Então, o tratamento é feito com uma combinação de anti-retrovirais.
Anti-retrovirais são medicamentos utilizados no combate a AIDS e sua função é a de inibir a replicação ou reprodução do vírus HIV, mantendo-o sob controle pelo maior tempo possível. Esses remédios não curam, mas diminuem a quantidade de vírus no corpo , diminuindo também o desgaste do sistema imunológico. Isso aumenta o tempo de vida do doente, mas não garante a sua cura definitiva, até a presente data jamais se conseguiu eliminar totalmente o vírus HIV do sangue de um paciente.
Em 1986 surgiu o primeiro remédio utilizado em paciente, e transformou-se rapidamente na única e pequena esperança dos pacientes infectados pelo HIV, é a azidotimidina, também chamado de AZT. Ao longo da década de 90, o desenvolvimento de outras drogas e a combinação delas com o AZT apresentou resultado animador.
Atualmente existem cerca de 12 anti-retrovirais, divididos em 3 classes de drogas:
Inibidores da Transcriptase Reversa Análogos de Nucleosídeos (NRTI);
Inibidores da Transcriptase Não-Reversa Análogos de Nucleosídeos (NNRTI);
Inibidores da Protease.
Estes anti-retrovirais estão disponibilizados pelo Ministério da Saúde para a distribuição gratuita, aos portadores do HIV, através dos Postos de Saúde do SUS.
(Sistema Único de Saúde), hospitais e instituições credenciadas. De acordo com a prescrição do médico, eles podem ser administrados com diversas combinações diferentes, envolvendo duas, três, quatro ou até cinco drogas, dependendo do quadro clínico do paciente. A combinação desses medicamentos é chamada de carinhosamente de coquetel.
O tratamento deve ser feito em casa. A pessoa que tem o HIV não precisa ser internada para se tratar. O hospital só é indicado quando a pessoa precisa de tratamento especializado.
Se uma mulher grávida estiver infectada com o vírus HIV, mesmo sem sintomas, deve tomar o AZT, que será iniciado no terceiro mês de gravidez, pois esse remédio vai proteger o bebê, evitando que ele nasça com o vírus.
De cada 100 gestantes que tomam o AZT na gestação e durante o parto, mais de 90 têm chances de ter o bebê sem o vírus do HIV. O bebê também deve tomar o AZT durante as seis primeiras semanas de vida para aumentar sua proteção e também não poderá ser amamentado pela mãe que tem o vírus.
No acompanhamento do desenvolvimento do bebê o médico deve pedir também testes anti-HIV, porém esse teste só poderá ser feito quando a criança estiver com 18 meses, é somente neste período é que o resultado do teste anti-HIV do bebê é definitivo.
Faz parte do tratamento de quem tem o HIV ou já tem AIDS comer alimentos variados, frescos e limpos, tomar sol de manhã, e se distrair. Os cuidados devem ser com o corpo e a mente.
Quando a pessoa tem sintomas da AIDS, o tratamento é feito com uma combinação de remédios chamados anti-retrovirais, eles não curam, mas diminuem a quantidade de HIV no corpo. Faz parte do tratamento também comer alimentos variados, frescos e limpos, tomar sol de manhã e se distrair.
Quando pior for o estado do paciente, maior a quantidade de remédios ele irá tomar.
O médico pede dois exames ao paciente. O primeiro revela quantas cópias de HIV ele tem no sangue, para saber o tamanho do exército inimigo. O segundo faz uma contagem das células de defesa chamadas CD4, que são as primeiras a ser invadidas e destruídas. Se elas são poucas, significa que o corpo está perdendo a batalha. A partir dessas duas informações, é feita a receita da quantidade de anti-retrovirais o paciente tem que usar.
15 – VACINA
O desenvolvimento de uma vacina segura e efetiva para a prevenção da infecção pelo HIV e da AIDS é um objetivo atraente, mas seu desenvolvimento esta cheio de dificuldades que não foram enfrentadas no desenvolvimento de vacina contra outras doenças. O primeiro problema reside na natureza da infecção em si, apresentando um vírus que prolifera extremamente rápido e causa infecção sustentada face às fortes respostas das células T citotóxicas e anticorpos. O HIV evoliu em pacientes individuais pela vantagem proliferativa seletiva de vírions mutantes.
O segundo problema é a nossa incerteza sobre que forma a imunidade protetora ao HIV deve assumir. Não se sabe se anticorpos, respostas de linfócitos T citotóxicos ou ambos são necessários para adquirir imunidade protetora, e que epitopos podem fornecer os alvos da imunidade protetora. Em terceiro lugar, se respostas fortes citotóxicas são necessárias para fornecer proteção contra o HIV, essas podem ser difíceis de desenvolver e manter através da vacinação.
O quarto problema é a capacidade do vírus de persistir em forma latente, como um provírus transcricional silencioso, que é invisível ao sistema imune e pode impedi-lo de eliminar a infecção uma vez que esteja estabelecida. Assim, a capacidade do sistema imune de eliminar o vírus infeccioso permanece incerta.
Transformar o vírus da AIDS numa arma contra a própria doença é a estratégia de uma vacina experimental desenvolvida por cientistas brasileiros, A vacina é feita com vírus vivos, atenuados para provocarem imunidade sem causar a doença. As vacinas co vírus vivos atenuados são consideradas as mais eficazes, por provocarem uma reação rápida e poderosa do sistema imunológico. No entanto, são também polêmicas, pois existe o temor de que o vírus possa sofrer mutações e se tornar agressivo novamente, causando AIDS na pessoa vacinada. Para obter as vantagens da vacina sem correr riscos, desenvolveram uma estratégia nova. Através de manipulação genética, eles criaram um vírus HIV inofensivo e com um mecanismo de autodestruição. Assim, na hipótese de o vírus ficar agressivo, os pesquisadores podem mata-lo rapidamente.
Os pesquisadores usaram uma abordagem já comprovada por estudos estadunidenses. Ele removeu do HIV o gene NEF. É esse gene que dá agressividade ao HIV e o torna capaz de provocar a AIDS. Sem o NEF, o vírus se torna inofensivo para o ser humano.
Porém, depois que conseguiram atenuar o HIV, os cientistas inseriram nele uma arma genética. Eles puseram no lugar do NEF um gene da bactéria Escherichia coli chamado GPL. Esse gene determina a produção de uma proteína que torna as células infectadas pelo microorganismo sensíveis à droga 6Tioxantina. Com isso, caso o HIV atenuado fique agressivo novamente, as pessoas vacinadas podem tomar a 6Tioxantina. A droga matará somente as células que tiverem sido infectadas, poupando as saudáveis.
16 – A SITUAÇÃO DA AIDS HOJE NO MUNDO E NO BRASIL
Uma pessoa é contaminada pelo vírus HIV a cada 12 segundos. Segundo o Programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids), mais de 34 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus causador da Aids, e a maioria delas deve morrer nos próximos dez anos.
Só no ano passado, mais de 5 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV. A maior parte dos infectados, cerca de 70%, está nos países africanos subsaarianos. Destes, a África do Sul e o Zimbábue concentram a maioria dos casos, em proporções epidêmicas. Segundo o Unaids, metade dos homens jovens adultos que vivem nesses países vão morrer em conseqüência da doença.
A ONU revela também que a Aids já matou 18,8 milhões de pessoas no mundo desde que foi detectada pela primeira vez no começo da década de 80. Com 1,3 milhão de portadores do vírus HIV, a América Latina aparece em terceiro lugar na lista do Unaids, atrás da África e do Sudeste Asiático. O Brasil encabeça a lista no continente latino-americano, com 530 mil pessoas infectadas. A ONU alerta que, para freiar a atual expansão da doença, será preciso aumentar drasticamente o volume de recursos disponíveis para prevenção e tratamento. Só na África, as Nações Unidas acreditam que serão precisos investimentos de US$ 2 bilhões por ano. Isso para evitar um crescimento mais acelerado da doença.
Apesar do Brasil encabeçar a lista no continente latino-americano , desde 1997 com a chegada do coquetel de drogas anti-AIDS, o número de mortes caiu pela metade. A redução de mortes foi da ordem de 6.000 para 3.000 por ano. A principal preocupação do Ministério da Saúde é controlar a doença e para isso, hoje atende cerca de 70.000 doentes em todo país e cada doente paciente custa cerca de l.000 reais por mês e para garantir o fornecimento do coquetel este ano já foram gastos 500 milhões de dólares. E o Ministério da Saúde também realiza programas de combate à AIDS, e é inclusive elogiado no mais recente relatório da ONU, divulgado em junho.
Porém a cada dia o números de infectados no Brasil cresce muito, só esse ano houve 7.564 novos casos e o principal obstáculo para controlar a doença e combatê-la é a situação sócio-econômica do país. Pois às más condições de vida e o pouco acesso à informação em algumas populações.
O objetivo do Ministério da Saúde é aumentar a parceria com governos estaduais e prefeituras e também com ONGs com sedes nas pequenas cidades, para que as informações sobre como evitar a doença sejam melhor divulgadas. Graças às campanhas de informação o ministério conseguiu uma grande vitória, é que no ano passado o número de adolescentes infectados se estabilizou e tende a regredir esse ano.
Porém a AIDS está crescendo muito e rapidamente em todo o mundo, só no ano passado, mais de 5 milhões de pessoas foram infectadas pelo vírus HIV e a maior parte dos infectados, cerca de 70%, está nos países africanos. A AIDS está destruindo a África, pois já matou cerca de 17 milhões de pessoas só neste continente. Algumas das principais causas as rápida expansão da doença pelo mundo são a atual facilidade de deslocamento proporcionada pela população das viagens aéreas; a comercialização em grande escala do sangue humano para doações e o número crescente de usuários de drogas injetáveis.
Até a presente data não foi encontrado a cura para essa doença terrível e assustadora, porém os pesquisadores não param as pesquisas e atualmente estão estudando um jeito de expulsar o vírus de sua toca . Sua arma é uma substância que o corpo produz para estimular as células a crescer, a interleucina-II. Eles suspeitam que, ao disparar o processo de desenvolvimento das células T, a interleucina possa arrancar o HIV do esconderijo, e assim, poderá ser destruídos pelas drogas. Se estiverem certos, os pesquisadores acreditam que dentro de algum tempo poderá levar à rendição incondicional do invasor, que é o vírus HIV.
Atualmente o Brasil possui 530 mil pessoas infectadas, porém desde que o coquetel de drogas anti-AIDS começou a ser usado em nosso país, em 1997, o número de mortes caiu pela metade.
Porém o mesmo não está acontecendo nos países africanos, onde a AIDS já matou 17 milhões de pessoas e mais da metade da população africana está contaminada.
17 – A AIDS E A SOCIEDADE
A AIDS não ataca apenas o portador do HIV, mas também atinge cruel e dolorosamente a família e aos amigos do soropositivo, de uma forma ou de outra.
Quando a notícia da soropositividade se torna conhecida causa aos seus familiares, invariavelmente, um impacto forte de dor, amargura, constrangimento e uma profunda revolta. Há uma enorme sensação de perda, de frustração e às vezes de fracasso, mas o que eles , num primeiro momento, não aceitam é o fato dele ser homossexual, bissexual ou consumidor de drogas.
A rejeição e a violência, certamente, não são as reações mais indicadas e, comprovadamente, são as menos eficientes. A compreensão, a solidariedade, o apoio dos familiares e dos amigos são forças poderosas que surtem um efeito mais eficaz do que os métodos punitivos, repressivos e discriminatórios.
Assustados, constrangidos e com muito medo, não apenas da morte, mas também da rejeição, devido a questão do preconceito e da discriminação, tão comum entre os portadores do HIV, que eles tentam esconder a sua condição de soropositivo, tanto da família como dos amigos e companheiros da escola ou do trabalho. Porém quando atinge o estado da AIDS, torna-se muito mais difícil, ou quase impossível escondê-la.
De qualquer forma, a decisão de contar ou não sobre o seu estado de saúde aos familiares, amigos ou terceiros, é muito pessoal. A únicas pessoas que necessariamente precisam ser informados, até por força da lei, para a sua própria proteção, são aquelas com quem o soropositivo mantém relacionamento sexual. Devem ser notificadas, obrigatoriamente, as pessoas integrantes de grupos que partilhem drogas injetáveis com os quais esteja envolvido.
Pesquisas foram feitas e concluíram que, quanto mais elevado é o nível sócio econômico cultural da família do soropositivo, melhor é a sua aceitação pelos parentes e amigos. Provavelmente devido ao maior nível de consciência, informação e conhecimento a respeito da AIDS. Por outro lado, lamentavelmente, as famílias com nível sócio econômico cultural menor, contraditoriamente, parecem ser mais “ricas” em preconceitos, discriminação e reações hostis neste momento. A dura realidade é que, infelizmente, existem muitos núcleos familiares que devido à desestruturação, carência econômica, desinformação e até mesmo preconceito, se negam a dar assistência aos seus doentes.
Porém, a triste realidade é que um grande número de soropositivos, principalmente crianças e adolescentes, são abandonadas diariamente à própria sorte, obrigadas a ficar perambulando, sem rumo pelas ruas, sem socorro ou amparo de qualquer espécie, ou então são simplesmente esquecidas nas enfermarias dos hospitais públicos.
É muito importante para um portador do HIV que toda a sociedade compreenda que ele não precisa de nenhum tipo de repressão, punição, intolerância ou discriminação. Muito menos piedade. Pois sua soropositividade, por si só, já representa uma carga muito grande de sofrimento. O que um portador do vírus da AIDS precisa é de respeito, apoio e solidariedade.
Quando a notícia da soropositividade se torna conhecida causa aos seus familiares, invariavelmente, um impacto forte de dor, amargura, constrangimento e uma profunda revolta. É necessário haver um acompanhamento psicológico, tanto do paciente como também da família para saberem como lidar com o doente.
Pesquisas foram feitas e concluíram que, quanto mais elevado é o nível sócio econômico cultural da família do soropositivo, melhor é a sua aceitação pelos parentes e amigos. as famílias com nível sócio econômico cultural menor, contraditoriamente, parecem ser mais “ricas” em preconceitos, discriminação e reações hostis neste momento e isto não faz bem aos soropositivos.
[youtube:m346h5nc]http://www.youtube.com/watch?v=wAwPWv5tYhQ[/youtube:m346h5nc] Drauzio Varella – Reflexões sobre a epidemia de HIV/AIDS
III – CONCLUSÃO
Desde o seu surgimento, que alastrou no mundo a partir de 1981, a AIDS vem provocando um grande impacto sócio-econômico, político e psicológico de difícil solução.
Uma pessoa é contaminada pelo vírus HIV a cada 12 segundos. Segundo o Programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids), mais de 34 milhões de pessoas estão infectadas pelo vírus causador da Aids, e a maioria delas deve morrer nos próximos dez anos. Só no ano passado, mais de 5 milhões de pessoas foram infectadas pelo HIV.
Não existe ainda cura nem tampouco uma vacina. A doença atinge os indivíduos principalmente entre 20 e 40 anos de idade, ou seja, em plena idade produtiva, A AIDS é um desafio à saúde pública, e também para todos nós, no sentido de que se desenvolvam estratégias preventivas.
A orientação para que haja segurança nas relações sexuais pode exigir uma acentuada alteração do comportamento sexual, o que pode acarretar resistências, tanto de adolescentes como de adultos.
A AIDS é uma doença que atinge o sistema imunológico do ser humano e qualquer resfriado poderá ser fatal ao doente, porém muitas conquistas foram obtidas para tentar prolongar a vida dos pacientes, como o AZT e o coquetel de drogas, porém os pesquisadores não descansam em procurar a sua cura definitiva.
Cartaz da Campanha de Prevenção a AIDS
Enquanto isto não acontece é necessário que a sociedade se conscientize que a AIDS está aí, e que a grande aliada do vírus atualmente é a discriminação, que torna mais difícil o acesso às medidas de controle da epidemia. Essa discriminação ocorre no emprego, na escola, na moradia, na assistência médica, etc., devido ao grande medo de contágio. Esse medo irracional e as reações negativas da população constituem-se num problema contínuo, enfrentado diariamente por pacientes, familiares e grupos de defesa. O que poucas pessoas entendem é que a sociedade deve ir ao encontro dos indivíduos que estão por aí espalhando o vírus, com a finalidade de orientá-los a parar de fazê-lo. Discriminar e perseguir os infectados, além de não ter nenhum fundamento, é a melhor forma de contribuir para a disseminação da doença.
Não podemos esquecer que o homem, em sua existência, sofre o impacto de influências sócio-econômicas, culturais, éticas, etc.. O surgimento da AIDS, ameaçando sua saúde, tem a capacidade de mobilizá-lo, fazendo surgir em sua mente o medo da morte, que aterroriza, reduzindo-o ao nada. A AIDS está, dessa forma, servindo de alerta à humanidade, conscientizando-nos de que é preciso reformular certas teorias e determinados tabus e reavaliar preceitos morais, éticos e filosóficos. E a melhor forma para isto acontecer é a sociedade se conscientize que a AIDS está aí e que a melhor arma contra ela é a prevenção, para tal é necessário que estejam sempre bem informados sobre o assunto.
Super Interessante, Editora Abril, ano 14, n.º 12 , dezembro de 2000, São Paulo, páginas 52 a 58 .
Super Interessante, Editora Abril, ano 15, n.º 6, junho de 200l, São Paulo, páginas 59 a 63 .
Super Interessante, Editora Abril, ano 13, n.º 6, junho de 1999, São Paulo, páginas 51 a 55.
Vida & Saúde – Editora Casa – ano 49, n.º 7, julho de 1987, Tatuí – SP, páginas 11 a 15.
Folhetos:
Aprendendo sobre AIDS e doenças sexualmente transmissíveis – Livro da família – AIDS, Brasília, 1999.
AIDS – fornecido pelo Unibanco – elaborado pela Diretoria de Recursos Humanos, sob a supervisão técnica do Dr. Rodolfo Luís Baronetti – Médico do trabalho – CRM 27674, com apoio do Grupo de Serviço Social – agosto de 1989.
Enciclopédias:
Nova Enciclopédia Amor e Sexo – Nova Cultural – 1998 – volume 2 e 4.
Enciclopédia Encarta – 2000
A palavra proteína é derivada de uma palavra que significa “de grande importância”. Ela foi a primeira substância reconhecida como parte vital dos tecidos vivos. As proteínas componentes-chave dos tecidos vivos são compostos que contém nitrogênio e que liberam aminoácidos na hidrólise. As proteínas são componentes estruturais fundamentais das células, dos anticorpos, das enzimas e de vários hormônios. Elas são constituintes essências do núcleo e do protoplasma de todas as células e são praticamente as únicas formas que o homem possui para repor nitrogênio. As proteínas são compostos orgânicos mais abundantes no corpo. Os maiores parte das proteínas são encontrados no tecido muscular, o restante se distribui nos tecidos moles, nos ossos, nos dentes, no sangue e em outros fluidos orgânicos. Como as proteínas exercem funções essenciais e importantes no corpo, e como certos componentes indispensáveis das proteínas só podem ser obtidos através da ingestão dietária, é obvio que a qualidade e a quantidade de proteínas na dieta diária, e o conhecimento das fontes e do metabolismo de proteínas são assuntos de importância considerável para aqueles interessados em ciências dietéticas e médicas.
I-São usadas para reparar proteínas teciduais corpóreas gastas (anabolismo) resultantes do contínuo desgaste natural (catabolismo) que ocorre no organismo.
II-Construir novos tecidos (anabolismo)- fornecem blocos de aminoácidos para sua construção, necessidade maior nos períodos de crescimento rápido: infância, adolescência e gravidez.
III-Fonte de calor e energia – 1g= 4Kcal. A proteína tem ação dinâmica específica dos alimentos maior do que os glicerídeos. Um dos produtos finais do metabolismo das proteínas é o nitrogênio, que envolve um custo em trabalho por parte do corpo.
IV-Contribui para numerosos fluidos e secreções corpóreas essenciais, como: enzimas, alguns hormônios, muco, leite, esperma. Os únicos fluidos corpóreos livres de proteínas são o suor, a bile e a urina.
V-Manutenção das relações osmóticas normais entre os vários fluidos corpóreos. A proteína plasmática do sangue (albumina), tem essa função. Assim, um dos principais sinais de hidroproteinemia é o aparecimento de edema (excesso de fluido corporal) como resultado da perda do balanço osmótico.
VI-Mantém o equilíbrio ácido-básico do sangue e do tecido, devido à capacidade única de sua estrutura protéica em combinar com outras substâncias ácidas ou básicas, reduzindo, deste modo, seus efeitos na acidez do liquido.
VII-As proteínas do plasma também agem no transporte de outras substâncias. As proteínas carreadoras de lipídios transportam: triglicerídeos, colesterol, fosfolipídeos e vitaminas lipossolúveis. A transferrina é responsável pelo transporte do ferro. O cálcio é transportado ligado a uma proteína. A albumina transporta ácidos graxos livres e bilirrubina. Várias drogas são transportadas no sangue ligadas a albumina.
VIII-Desempenham um papel na resistência do organismo às várias doenças (sob forma de imunoglobulina ou anticorpos).
IX-Fornece aminoácidos para uma variedade de funções metabólicas.
LIGAÇÃO PEPTÍDICA
Em proteínas, os aminoácidos são unidos covalentemente por ligações peptídicas, as quais são ligações amida entre o grupo alfa carboxila de um aminoácido e o grupo alfa-amino de outro. Por exemplo, a valina e a alanina podem formar o dipeptídeo valilalanina, através da formação de uma ligação peptídica. As ligações peptídicas não são rompidas pelo manejo normal nem por condições que desnaturem as proteínas, como o aquecimento ou altas concentrações de uréia. A exposição prolongada a um ácido ou bases fortes em temperaturas elevadas é requerida para hidrolisar estas ligações de modo não enzimático.
CATABOLISMO DOS AMINOÁCIDOS
I-REMOÇÃO DE NITROGÊNIO DOS AMINOÁCIDOS
O primeiro passo no catabolismo de todos os aminoácidos envolve a remoção do grupo alfa-amino. Uma vez removido este nitrogênio pode ser incorporado em outros compostos ou excretado. As reações de transaminação e desaminação oxidativa resultarão em amônia e aspartato, as duas fontes de nitrogênio da uréia.
A. Transaminação: o direcionamento dos grupos amino ao glutamato
O primeiro passo no catabolismo da maioria dos aminoácidos é a transferência de seu grupo alfa-amino ao alfa-cetoglutarato. Os produtos são um alfa-cetoácido e glutamato. O alfa-cetoglutarato desempenha um papel especial no metabolismo, por aceitar os grupos amino de outros aminoácidos tornando-se assim glutamato. O glutamato produzido por transaminação pode ser oxidativamente desaminado ou ser usado como doador de grupo amino na síntese de aminoácidos não-essenciais. Esta transferência de grupo amino de um esqueleto de carbono a outro é catalisada por uma família de enzimas denominadas de aminotransferases. Todos os aminoácidos com exceção da lisina e treonina participam da transaminação em algum ponto em seu catabolismo.
B. Desaminação oxidativa
Ao contrário das reações de transaminação, que transferem grupo amino, a desaminação oxidativa resulta na liberação do grupo amino como amônia livre. Estas reações ocorrem principalmente no fígado e rim e fornecem alfa-cetoácidos e amônia.
A uréia é a principal forma de eliminação dos grupos amino derivados dos aminoácidos e responde por mais de 90% dos componentes nitrogenados da urina. Um nitrogênio da molécula de uréia é suprido pelo NH3 livre e outro nitrogênio pelo aspartato. O glutamato é o percurso imediato da amônia e do nitrogênio do aspartato. O carbono e o oxigênio da uréia são derivados do CO2. A Uréia é produzida pelo fígado e então é transportada no sangue até os rins, para excreção na urina.
TRANSPORTE DE AMÔNIA NA CIRCULAÇÃO
Embora a amônia seja constantemente produzida nos tecidos, está presente em níveis muito baixos no sangue. Isto se deve à remoção rápida da amônia do sangue pelo fígado e também ao fato de que muitos tecidos, particularmente o músculo, liberam o nitrogênio dos aminoácidos em forma de glutamina ou alanina, em vez de amônia livre.
I. Uréia: A formação de uréia no fígado é quantitativamente a via mais importante de eliminação da amônia.A uréia desloca-se pelo sangue do fígado aos rins, onde sofre filtração glomerular.
II. Glutamina: Esta amida do ácido glutâmico fornece uma forma de armazenamento e transporte da amônia. A formação da glutamina ocorre principalmente no músculo e fígado, mas também é importante no sistema nervoso, onde é o mais importante mecanismo para remoção da amônia do cérebro. A glutamina é encontrada no plasma em concentrações maiores que outros aminoácidos, um achado consistente com sua função de transporte. A glutamina circulante é removida pelos rins e desaminada pela glutaminase.
Leite
Queijo
Contém proteínas derivadas do leite, que são a caseína e a lactalbumina, ambas completas, ou seja, contém um bom balanço de ácidos aminados, suficientes para torna-los de primeira importância.
GRUPO II-CARNE, AVES E PEIXE.
São todas as formas de proteínas de tecido animal sintetizadas por cada espécie para satisfazer as necessidades específicas para o crescimento e manutenção. São proteínas completas.
FONTES VEGETAIS
GRUPO III-VEGETAIS
São fontes significativas de proteínas. As leguminosas são as mais ricas (10 a30%), embora tenham deficiências qualitativas especialmente de Metionina (aminoácido essencial).
As frutas e hortaliças fornecem pouca proteína (1 a 2% do seu peso). Proteína incompleta.
GRUPO IV-PÃES E CEREAIS
Os cereais têm conteúdo protéico inferior ao das leguminosas (6 a 15%), mas, como são consumidos em quantidades maiores, são os produtos que mais contribuem para a ingestão protéica da maioria das populações mundiais (são, porém deficientes em lisina-aminoácido essencial).Proteínas incompletas.
BIBLIOGRAFIA
KRAUSE & MAHAN.Alimentos, nutrição e dietoterapia. 7ª ed. São Paulo:Atheneu ,1991.
CHAMPE, P.C. e HARVEY, R.A. Bioquímica ilustrada. 2ª ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.
LEHNINGER, A.L. et.al. Princípios da Bioquímica. 2ªed. São Paulo: Ed. Savier, 1995.
Obesidade significa excesso de gordura no organismo.
A medida exata de gordura é de muito difícil obtenção, mas alguns índices podem avaliar de uma maneira relativamente correta a quantidade de gordura do corpo.
O índice mais utilizado é chamado Índice de Massa Corporal (IMC), que se obtém dividindo o peso do indivíduo (em Kg) pela altura ao quadrado (ou altura x altura) em metros. Obtém-se assim um número seguido de Kg/m2 que deve ser interpretado da seguinte maneira:
menor que 18 Kg/m2 = subnutrido
de 18 a 26 Kg/m2 = normal
de 26 a 30 Kg/m2 = pesado
acima de 30 Kg/m2 = obeso
Indivíduos com valores de IMC superiores a 40 Kg/m2 são chamados de obesos mórbidos (devido à grande morbidez, isto é, doenças graves relacionadas com este grau de obesidade).
Quais são as causas da obesidade?
A obesidade é causada por um desbalanço, entre as calorias que são consumidas sob a forma de alimentos e as calorias que são gastas pelo indivíduo para o organismo funcionar, mesmo em repouso, realizar atividades física e digerir os alimentos consumidos.
O excesso de calorias (resultante de um balanço positivo entre o que é consumido e o que é gasto) é depositado no organismo. Boa parte desse depósito se faz sob a forma de gordura e quanto mais se deposita mais obeso é o indivíduo.
Dessa maneira, a pessoa pode ser obesa porque:
1-come exageradamente e/ou
2-gasta poucas calorias e/ou
3-tem mais facilidade de produzir gordura quando o balanço calórico é positivo e/ou
4-“queima” gorduras com menor facilidade.
Quais são os fatores de risco da doença?
São propensos à obesidade aqueles indivíduos que apresentam uma tendência genética a ser obesos – e isto é bastante freqüente – ou quando, mesmo sem tendência genética, exageram na quantidade de alimentos ingeridos (particularmente os alimentos gordurosos) ou levam uma vida muita sedentária.
Quais os tipos de obesidade?
Os indivíduos obesos apresentam-se com maior quantidade de tecido gorduroso pelo organismo e essa deposição de gordura é variável de pessoa para pessoa.
A grosso modo, existem dois tipos básicos de distribuição de gordura:
1-na região subcutânea (abaixo da pele), particularmente da cintura para baixo, é chamada de obesidade ginóide (porque acomete mais as mulheres) ou obesidade em pêra (pela forma) ou obesidade subcutânea; e
2-no abdômen, profundamente entre as vísceras, é chamada de obesidade andróide (porque acomete mais os homens) ou obesidade em maçã (pela forma) ou obesidade visceral.
Naturalmente há grandes variações entre estes dois tipos de distribuição de gordura pelo corpo e há indivíduos com os dois tipos de obesidade.
Quais as conseqüências da obesidade se não houver tratamento?
Se o indivíduo com obesidade não se tratar, ele tende a engordar cada vez mais.
Como obesidade é fator de risco indiscutível para várias doenças – só para citar exemplos: diabetes mellitus, hipertensão arterial, alteração nos níveis de triglicérides e colesterol, infarto do miocárdio, derrame cerebral, tromboses, problemas ortopédicos e dermatológicos etc. – a manutenção da obesidade ou o seu agravamento, faz com que o indivíduo se torne cada vez mais suscetível a doenças graves e morte precoce.
Obesidade é hoje considerada doença crônica com prognóstico de qualidade de vida comprometida por vezes seriamente e, portanto, deve ser tratada.
Quais as chances dos filhos de indivíduos obesos apresentarem a doença?
A obesidade tende a se agregar nas famílias. A chance de obesidade nos filhos é de 80% quando ambos os pais são obesos, cerca de 50% quando um dos pais é obeso, e cerca de 10% quando nenhum dos pais é obeso.
Essa tendência à obesidade em família é explicável por dois fatores: genético (hoje em dia bem reconhecido) e ambiental, que em muitos casos predomina, e que significa maus hábitos de vida, particularmente alimentação inadequada e atividade física discreta.
Quais as formas clínicas de obesidade?
Existem vários tipos de obesidade, com várias causas e vários quadros clínicos. Podemos encontrar desde indivíduos obesos sem nenhuma alteração clínica (isto é, sem pressão alta, sem distúrbios em triglicérides ou colesterol, sem diabetes, sem problemas ortopédicos) até indivíduos com quadro clínico bastante grave.
A abordagem terapêutica deve levar em conta o tipo de obesidade e sua gravidade.
A obesidade atinge com maior freqüência algum grupo específico de pessoas?
O número de obesos vem crescendo de uma maneira espantosa. A prevalência da obesidade vária de país para país mas, com pouquíssima exceções, em todas as regiões onde há possibilidade de obter comida com facilidade, há um nítido aumento na prevalência da obesidade.
No Brasil, 40% dos adultos apresentam excesso de peso (IMC maior que 25Kg/m2) e hoje quase não há diferença entre os indivíduos que vivem na cidade ou os que vivem no campo.
A prevalência de obesidade é maior nas classes sociais mais favorecidas e é nela que se observa o maior aumento no número de casos. Se analisarmos só indivíduos com IMC maior que 30 Kg/m2 observamos predomínio de obesidade nas mulheres (cerca de 15%). Nos homens a porcentagem está em torno de 8%.
1° dia – todas as frutas com exceao da banana. as frutas que tem menos calorias são: melancia e melão, se você comer só melão pode perder até 1,300kg.
2º dia – todos os vegetais (coma salada), coma a quantidade de quiser de vegetais frescos, cru ou cozido de sua escolha. tende comer vegetal verde, ficando longe de feijão, ervilha e milho, pode comer se quiser uma batata cozida grande com manteiga.
3°dia – frutas e vegetais (coma frutas ou salada novamente), é o mesmo do 1º e 2º dia com exceção da batata.
4ºdia – banana e leite (coma até 6 bananas e beba até 8 copos de leite), leite desnatado, a banana por ser rica em calorias e carboidrats, proteina e calcio, vai fazer o seu desejo de comer doce desaparecer ou diminuir.
5ºdia – bife e tomate – voce pode comer 350g de bife e até 6 tomates, tente beber pelo menos 8 copos de agua diarios para lavar o acido úrico do corpo.
6°dia – bife e vegetais – coma a quantidade que quiser de salada e 350g de bife.
7°dia – arroz integral (se voce não comer não o substitua por outro alimento) suco de frutas sem açucar e salada (suco de cenoura, suco de laranja) salada à vontade.
RECEITA DA SOPA
4 cebolas grandes
2 pimentões verdes
4 tomates inteiros
1 repolho grande ou 2 pequenos
1 molho de aipo
4 cenouras grandes
2 pacotes de creme de cebola
2 cubos de caldo knor
sal, pimenta a gosto da pessoa.
MODO DE FAZER
corte os vegetais em pedaços, cubraos com agua e deixe ferver
o creme de cebola deve ser adicionado agora
depois de tudo fervido pelo menos uns 15 minutos, diminua a temperatura e deixe ficar em fogo brando até os vegetais ficarem macios
se quiser pode bater no liquidificador
ESTA QUANTIDADE É PARA 7 DIAS
RECOMENDAÇÕES UTEIS
se fizer a dieta direitinho da para perder de 4 a 7 kg em uma semana
a grande magica da dieta é a sopa, quanto mais tomar, mais emagrece porque ela limpa o organismo.
É PROIBIDO
tomar remedio para emagrecer
alcool
evitar tomar cafe
qualquer outro tipo de alimento
Tentaremos expor neste conteúdo relativos aos oligoelementos essenciais para a formação e manutenção do organismo de forma sadia. Constara um detalhamento sobre cada um deles, sua importância, função, recomendações, ingestões, deficiências, etc.
OLIGOELEMENTOS ( MICROMINERAIS)
1 – Definição
Oligoelementos são elementos presentes em quantidades mínimas nos tecidos são essenciais para o ótimo crescimento, saúde e desenvolvimento. Os oligoelementos essenciais são necessários para um ótimo desempenho de uma função em particular.
2 – Função
Muitas enzimas exigem quantidades pequenas de um ou mais oligometais para a atividade plena. Os metais funcionam num sistema de enzimas por: participação direta na catálise; combinação com o substrato para formar um complexo no qual a enzima atua; formação de uma metaloenzima que se une a substratos; combinação com um produto final de reação; manutenção da estrutura quaternária.
Os oligominerais podem interagir com o DNA para controlar a transcrição de proteína importante para o metabolismo de um oligomineral em particular.
3 – Fontes
Os alimentos de origem animal são geralmente fontes superiores de oligoelementos, porque as concentrações tendem a ser maiores e os metais mais disponíveis para a absorção. Os frutos do mar são normalmente ricos em muitos macronutrientes. Uma exceção à regra é o manganês, que está prontamente disponível a partir de fontes vegetais. Os oligoelementos não são distribuídos uniformemente no grão de trigo. Os germe e as camadas externas que contêm a maioria dos minerais são removidas em grande extensão pelo processo de moagem. Entretanto, os minerais que permanecem na farinha branca estão mais prontamente disponíveis do que alguns daqueles na farinha de trigo integral, que estão firmemente complexados pelo fitato e fibra.
4 – Os Oligoelementos
FERRO
O ferro é um nutriente essencial para animais, e foi reconhecido pela primeira vez em 1860. O organismo humano adulto contém de 3 a 5g de ferro aproximadamente 2.000mg como hemoglobina e 8mg como enzimas, ambas as formas são muito importantes para a função ótima de um indivíduo. Cerca de 90% do ferro é recuperado e reutilizado pelo organismo.
As funções do ferro resultam de suas propriedades físicas e químicas, principalmente sua habilidade de participar das reações de oxidação e redução. Ele deve estar firmemente ligado às proteínas para prevenir efeitos destrutivos.
O ferro tem um papel no transporte respiratório do oxigênio e dióxido de carbono. A hemoglobina está presente nas hemácias. A proteína que contém ferro heme se combina com o oxigênio nos pulmões e com o dióxido de carbono nos tecidos. A mioglobina serve como uma reserva de oxigênio dentro do músculo. Também a produção oxidativa de ATP dentro da mitocôndria envolve muitas enzimas que contém ferro.
A ingestão adequada de ferro é essencial para o funcionamento normal do sistema imunológico.
Compostos de ferro no organismo
Proteínas metabólicas
Proteínas heme
Hemoglobina
Mioglobina
Transporte de oxigênio nos pulmões ao tecido.
Transporte e armazenamento de oxigênio no músculo.
Enzimas – heme
Citocromos
Citocromo P-450
Catalase
Transporte de elétron.
Degradação oxidativa de drogas.
Converte peróxido de hidrogênio em oxigênio e água.
Enzimas – não heme
Ferro-enxofre e metaloproteínas
Metabolismo oxidativo.
Enzimas – dependentes de ferro
Triptofano pirrolase
Oxidação de triptofano.
Transporte e armazenamento de proteínas
Transferrina
Ferritina
Hemossiderina
Transporte de ferro e outros minerais.
Armazenamento.
Armazenamento.
Duas proteínas que se ligam ao ferro, a trasnferritina e a lactoferrina, parecem proteger contra a infecção por negar ferro aos microorganismos que o necessitam para a proliferação. O ferro também é crítico para a função cerebral normal em todas as idades. Os efeitos a longo prazo de uma anemia por deficiência de ferro recente em crianças persiste por anos.
As diferenças tem sido encontradas entre o desempenho acadêmico, competência sensoriomotora, atenção, aprendizado e memória de crianças anêmicas e objetos de controle. A suplementação ferrosa de crianças com anemia por deficiência de ferro beneficiou seu processo de aprendizagem conforme medido pelas notas do teste de desempenho escolar obtidas.
O ferro da dieta existe como ferro heme, encontrado na hemoglobina e na mioglobina e como ferro não heme. O ferro heme representa apenas 5 a 10% do ferro da dieta, mas a absorção pode ser de 25% comparada com os 5% do ferro não heme.
O mecanismo preciso pelo qual o ferro não heme é absorvido não é conhecido. De acordo com um modelo, a transferrina é secretada dentro do lúmen e lança o ferro para dentro das células mucosas através da endocitose de um complexo receptor – ferro – trasferrina. Um modelo mais recente sugere outro caminho, no qual o ferro é ligado à mucina no estômago, onde há um pH ácido.
A taxa de absorção de ferro parece estar sob o controle da mucosa intestinal, que aceita quantidades ditadas pelas necessidades do organismo. Dentro da célula da mucosa o ferro pode se combinar com a apoferritina para formar a ferritina para armazenamento temporário dentro da célula.
A transferência das células da mucosa para o corpo é mais lenta do que a captura e é afetada pelo tamanho dos depósitos do organismo e pela quantidade de ferro na dieta.
A transferrina é normalmente saturada até um terço da sua capacidade total de ligação ao ferro. Se o ferro não é necessário, a transferrina permanece saturada e é menos absorvida a partir das células mucosas.
Apenas 5 a 15% do ferro dos alimentos é absorvido pelos adultos com valores normais de hemoglobina, apesar da absorção poder ser de até 50% naqueles com deficiência de ferro. De 2 a 10% de ferro nos vegetais é absorvido, e de 10 a 30% do ferro na proteína animal pode ser absorvido.
Alguns alimentos possuem substâncias que podem intensificar a absorção: ácido ascórbico e fator carne bovina, aves, peixe; ou inibir a absorção: fitatos e taninos.
O ácido ascórbico forma um quelato com o ferro aumentando a sua absorção pelo organismo;
Os bebês retêm o ferro a partir do leite materno, e através da proteína do soro marrom;
O grau de acidez gástrica aumenta a solubilidade , e assim a disponibilidade de ferro;
Fitatos e taninos são responsáveis pela inibição da absorção de ferro pelo organismo;
A motilidade intestinal aumentada, diminui a absorção de ferro;
Cerca de 200 a 1.500mg de ferro é armazenado no organismo como ferritina e hemossiderina, 30 % está no fígado, 30% na medula óssea, 40% no baço e nos músculos. A alta ingestão de ferro por longo prazo ou por transfusões sanguíneas levam a um acumulo anormal de ferro no fígado, e este armazenamento de ferro é chamado de hemossiderose.
O ferro é perdido pelo organismo apenas através de hemorragia e excretado em quantidades muito pequenas através das fezes, no suor e na esfoliação normal do cabelo e da pele, esta perda de ferro pode chegar a 1mg no homem adulto.
RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS
Idade (anos) RDA (mg)
Lactentes
0,0 – 0,5
6
0,5 – 1,0
10
Crianças
1 – 3
10
4 – 6
10
7 – 10
10
Homens
11 – 14
12
15 – 18
12
19 – 24
10
25 – 50
10
50 +
10
Mulheres
11 – 14
15
15 – 18
15
19 – 24
15
25 – 50
15
51 +
10
Gravidez
30
Lactação
Primeiros 6 meses
15
Segundo 6 meses
15
FONTES E INGESTÃO
Alimentos
mg
Cereais, 1 xícara
1 – 16
Mariscos, enlatados, ¼ de xícara
11,2
Cereais maltados, 1 xícara
9,6
Fígado bovino frito, 3oz
5,3
Espaguete de molho de tomate, 1 xícara
2,3
Ovo, 1
0,7
A deficiência de ferro é a deficiência nutricional mais comum. Os grupos considerados de maior risco são os bebês com menos de 2 anos de idade, garotas adolescentes, mulheres grávidas e idosos. As adolescentes grávidas estão freqüentemente em alto risco.
O estágio final da deficiência de ferro se manifesta por anemia hipocrômica microcítica que é corrigida pelo fornecimento de suplementos de ferro, na forma de sulfato ferroso ou gluconato ferroso.
Em um estudo epidemiológico, as altas concentrações de ferritina sérica nos homens foram tidas como correlacionadas ao risco de infarto do miocárdio. As causas de uma sobrecarga de ferro incluem hemocromatose hereditária e sobrecarga de transfusão.
Patologias Aplicadas:
Dismemorréias e hipermenorréias;
Anemia;
ZINCO
O zinco é conhecido há muito tempo como essencial para os microorganismos, mas a deficiência humana foi relativamente recente demonstrada em populações malnutridas.
O zinco é distribuído por todo o reino vegetal e animal em segundo lugar em relação ao ferro. De 2 a 3g são encontrados no organismo de um adulto, com as maiores concentrações no fígado, pâncreas, rim, ossos e músculos voluntários. Outros tecidos com altas concentrações são várias partes do olho, glândula prostática, espermatozóide, pele, cabelo, unhas dos dedos das mãos e pés. O zinco é primariamente um íon intracelular com a maior quantidade no citosol.
O zinco participa de reações que envolvem ou a síntese ou a degradação de metabólitos. O zinco também está envolvido na estabilização de estruturas de proteínas e ácidos nucléicos e na integridade de organelas subcelulares, nos processos de transporte, função imunológica e informação genética.
A metalotioneína é a proteína não-enzimática que contém zinco conhecida, é rica em cisteína e excepcionalmente rica em metais. Uma de suas funções é o papel de desintoxicação de metais assim como na absorção.
O zinco é abundante no núcleo, onde estabiliza a estrutura do ácido ribonucléico para a atividade das RNA-polimerases importantes na divisão celular. O zinco é encontrado no osso, nas enzimas ósseas e na zona de delimitação.
O equilíbrio de zinco é mantido pela taxa de absorção e excreção a partir do intestino. A absorção de zinco está sob controle homeostático e é afetada pelo nível de zinco na dieta e pela presença de substâncias interferentes. Uma dieta rica em proteínas promove a absorção do zinco pela formação dos quelatos zinco-aminoácidos que apresentam o zinco numa forma mais absorvível. A absorção prejudicada está associada com uma variedade de doenças intestinais, tais como a doença de Crohn ou insuficiência pancreática. A maior parte do zinco no sangue está localizada nos eritrócitos e leucócitos. O zinco no plasma é metabolicamente ativo e flutua em resposta à ingestão dietética baixa assim com a fatores fisiológicos, tais como lesão ou inflamação.
A concentração sérica cai após uma refeição sem zinco, possivelmente o pâncreas remove o zinco da circulação para produzir as metaloenzimas necessárias para a digestão e absorção.
As fibras ou fitatos diminuem a absorção de zinco, ácido fólico pode reduzir a absorção quando a ingestão de zinco é pequena. Doses altas de zinco podem prejudicar a absorção de ferro apartir do sulfato ferroso.
A absorção em animais é intensificada ou pela glicose ou lactose e pela proteína da soja. O vinho tinto de mesa também aumenta a absorção de zinco, devido aos congêneres presentes, ele também é melhor absorvido apartir do leite materno do que a partir do leite de vaca.
A excreção do zinco em indivíduos normais é quase inteiramente através das fezes. A excreção urinária aumentada foi relatada na inanição e em pacientes com nefrose, diabetes, alcoolismo, cirrose hepática e porfiria.
Recomendações Nutricionais
Estudos metabólicos de adultos saudáveis indicam que o balanço positivo de zinco é atingido com ingestões de 112,5mg/dia a partir de uma dieta mista, baseada em uma eficiência de absorção de 20%. A RDA de 1989 estabeleceu 15mg/dia para homens adolescentes e adultos. Devido ao peso corpóreo menor das adolescentes e mulheres adultas, é de 12mg/dia, já as pré-adolescentes é de 10mg/dia, para bebês é de 5mg/dia durante o primeiro ano de vida. O uso de anticoncepcional pode alterar a distribuição de zinco.
Fontes e Ingestões
Carne bovina, peixe, aves e leite e seus derivados fornecem 80% do total de zinco da dieta. Ostras, outros mariscos, carne bovina , fígado, queijo, cereal de grão integral, feijões secos e nozes também são fontes de zinco.
Deficiência
Caracteriza-se por pequena estatura, hipogonadismo, anemia suave e baixos níveis plasmáticos de zinco. Esta deficiência é causada por uma dieta rica em cereais não refinados e pão não fermentado. Os sintomas adicionais de deficiência de zinco incluem hipogeusia, cura demorada de ferimentos, alopecia e diversas formas de lesões de pele e também uma cegueira noturna. A deficiência de zinco resulta em uma variedade de defeitos imunológicos.
O excesso da ingestão oral de zinco ao ponto de toxicidade (100 a 300mg/dia) é raro. Uma suplementação contínua de zinco em excesso irá interferir com a absorção de cobre. A suplementação de zinco de 50mg/dia causa uma diminuição no colesterol de HDL em homens adultos. O sulfato de zinco em quantidades de 2g/dia pode causar irritação gastrointestinal e vômito. A inalação de vapores de zinco durante soldagem pode ser tóxica.
O principal tipo de toxicidade de zinco é visto em pacientes com deficiência renal ou hemodiálise. A síndrome tóxica é caracterizada neste caso por anemia, febre e distúrbios do sistema nervoso central.
Patologias Aplicadas:
Alergia;
Anemia;
Atividade Física Extenuante;
Colagenopatia;
Diabetes e Seqüelas;
Depressão;
Doenças Reumáticas e inflamatórias;
Síndrome Astênica;
COBRE
As concentrações de cobre são maiores no fígado, cérebro, coração e rim. O músculo tem uma concentração mais baixa, aproximadamente 40% de todo o cobre no organismo. Aproximadamente 90% do cobre no plasma é incorporado na ceruloplasmina, o resto é ligado frouxamente à albumina, transcupreína e aminoácidos.
O cobre é um componente de muitas enzimas, na oxidação do ferro antes dele ser transportado no plasma e na ligação cruzada do colágeno necessária para a sua força de tensão. Enzimas que contém cobre atuam na produção de energia mitocondrial, proteção contra oxidantes e síntese de melanina e catecolaminas.
Um pouco de cobre é absorvido no estômago, mas a absorção é máxima no intestino delgado tanto por transporte ativo como por difusão passiva, variando de 25 a 60%.
O cobre é transportado ligado principalmente à albumina. Também está presente no sangue como ceruloplasmina. O cobre é excretado pela bile no trato intestinal e eliminado nas fezes.
A quantidade de cobre absorvido é regulada pela quantidade de metalotioneína nas células mucosas. Para um transporte a curto prazo para o fígado, o cobre é carreado primeiramente à albumina assim como pela transcupreína e possivelmente pela histidina. Cobre-albumina pode servir com um sítio de armazenamento como metalotioneína ou incorporado na ceruloplasmina e secretado de volta no plasma para transporte para as células. O cobre também é secretado a partir do fígado com um componente da bile. No trato gastrointestinal, se torna parte do “pool” e pode ser reabsorvido ou excretado. A excreção biliar aumenta substancialmente em resposta a uma sobrecarga de cobre.
Pequenas quantidades de cobre estão presentes na urina, suor e sangue menstrual. O cobre pode ser conservado pelo rim se necessário quando quantidades substanciais são filtradas através dos glomérulos e reabsorvidas nos túbulos. O cobre não absorvido é encontrado nas fezes. Em quantidades de 150mg/dia, o zinco tem induzido a deficiência de cobre por estimular as células intestinais a produzir mais matalotioneína. O ácido ascórbico em quantidades excessivas reduz a atividade oxidativa e assim as propriedades funcionais da ceruloplasmina. A fibra e o fitato, não parecem ter um efeito adverso do cobre.
A revisão de 1989 recomendada como ingestão dietética diária considerada segura e adequada para o cobre é de 1,5 a 3mg/dia para adolescentes e adultos. Para crianças é de 0,7 a 2 mg/dia, para os bebês é de 0,4 a 0,6mg durante os primeiros 6 meses e 0,6 a 0,7mg/dia durante os segundos 6 meses. Bebês prematuros sempre nascem com baixas reservas de cobre, podem exigir mais. A concentração de cobre é maior no recém-nascido e diminui durante o primeiro ano de vida.
O cobre no plasma, a ceruloplasmina enzimática e a ceruloplasmina imunorreativa tendem a ser mais altas nas mulheres do que nos homens.
O cobre é distribuído amplamente nos alimentos, e a maioria das dietas fornece 2mg/dia. Os alimentos ricos em cobre são ostras, fígado, rim, chocolate, nozes, leguminosas secas, cereais, frutas secas, aves e mariscos. O leite de vaca, que é uma fonte pobre tanto em cobre como em ferro, contém 0,015 a 0,18mg/L. O conteúdo de cobre do leite materno, que varia de 0,15 a 1,05mg/L, é bem absorvido.
A deficiência de cobre é marcada por uma diminuição nos níveis séricos de cobre e de ceruloplasmina, seguidos por falha de absorção de ferro, levando à anemia hemocrômica microcítica. A neutropenia, leucopenia e desmineralização óssea vem a seguir, com hemorragias subperiosteais, despigmentação do cabelo e pele, formação de elastina defeituosa e desmineralização óssea. A falha da eritropoiese, assim como degeneração cerebral e cerebelar finalmente levam a morte. A neutropenia e a leucopenia são as melhores indicações precoces de deficiência de cobre em crianças.
O cobre é armazenado no fígado e, sendo assim, a deficiência se desenvolve lentamente. As mudanças ósseas, incluindo osteoporose, formação de estirão metafisário e calcificação de tecido mole, encontradas em bebês com nutrição parenteral total prolongada, tem melhorado com suplementação de cobre. Os sinais de deficiência em adultos são a neutropenia e a anemia microcítica.
A doença de Menke é um defeito recessivo ligado ao sexo que resulta na mal absorção do cobre. Os bebês afetados tem crescimento retardado, ceratinização e pigmentação do cabelo defeituosas, hipotermia, mudanças degenerativas na elastina aórtica, anormalidades das metáfises dos ossos longos e deterioração mental progressiva.
Uma nova deficiência de cobre tem sido relatada, se manifesta como uma neuropatia desmielinizante, pseudo-obstrução intestinal crônica, osteoporose, deficiência testicular, degeneração retinal e miocardiopatia. O problema subjacente parece ser um defeito no processamento hepático do cobre em ceruloplasmina. O cobre plasmático diminuído é visto em pacientes com doenças de mal absorção, tais como síndrome celíaca, síndrome tropical, enteropatias com perda de proteínas e síndrome nefrótica.
A bile contém quantidades substanciais de cobre, a retenção de cobre é uma possibilidade em qualquer forma de doença hepática crônica que interfira com a excreção da bile. A cirrose biliar primária, assim como a obstrução mecânica dos ductos da bile, causa um aumento progressivo no cobre hepático.
A doença de Wilson (degeneração hepatolenticular), é uma doença caracterizada pelo acúmulo de cobre em excesso no tecido corpóreo como o resultado de uma deficiência genética na síntese hepática de ceruloplasmina.
IODO
O organismo normalmente contém de 20 a 30mg de iodo, com mais de 75% na glândula tireóide e o restante distribuído por todo o organismo, particularmente na glândula lactente mamária, na mucosa gástrica e no sangue. A única função conhecida do iodo é como uma parte integrante dos hormônios tireóideos.
O iodo é absorvido facilmente na forma de iodeto. Na circulação é encontrado tanto como iodo livre quanto na forma de iodo ligado à proteína. O iodo é armazenado na tireóide, onde é usado na síntese de triiodotironina (T3) e tiroxina (T4) quando necessário. O hormônio é degradado em células-alvo e no fígado, e o iodo é conservado se necessário. O selênio é importante no metabolismo do iodo através da sua presença de uma enzima responsável pela formação da T3 ativa a partir do pró-hormônio. A excreção é primariamente pela urina; as pequenas quantidades nas fezes vêm da bile.
Uma ingestão de 150ug/dia de iodo tem sido sugerida como suficiente para todos os adultos e adolescentes. A RDA para mulheres grávidas e lactantes é aumentada em 25ug e 50ug, respectivamente. A RDA é de 40ug para bebês e 50ug para os bebês mais velhos. A RDA para crianças entre 70 e 120ug, dependendo da idade.
O iodo é encontrado em quantidades extremamente variáveis nos alimentos e na água de beber. Os frutos do mar, tais como moluscos bivalves, lagostas, ostras, sardinhas e outros peixes de água salgada, são fontes ricos em iodo. Os peixes de água salgada contêm de 300 a 3.000ug/Kg de carne; os peixes de água doce contêm de 20 a 40ug/Kg e são fontes potentes deste mineral. O conteúdo de iodo do leite de vaca e ovos é determinado pelos iodetos nos vegetais disponíveis na dieta do animal, e os iodetos nos vegetais variam de acordo com a quantidade no solo no qual crescem.
O iodo entra na cadeia alimentar através do uso de iodóforos como desinfetantes, agentes colorantes e condicionadores de matéria pastosa. A melhor forma de obter uma ingestão adequada de iodo é usar o sal iodado no preparo do alimento, para prevenção do bócio. As injeções de óleo iodado fornecem proteção por 2 a 4 anos.
A deficiência de iodo é uma causa prevenível da deficiência mental (por exemplo, cretinismo mental), especialmente durante a gravidez.
A ausência da ingestão de iodo está geralmente associada ao desenvolvimento de bócio simples ou endêmico, que é um alargamento da glândula tireóide. A deficiência pode ser absoluta, especialmente em áreas de ingestão de iodo subótima, ou subseqüente relativa a uma necessidade maior de hormônios tireóideos, como nas mulheres durante a adolescência, gravidez e lactação.
O bociogênicos, substâncias que são encontradas naturalmente nos alimentos, também podem causar o bócio por bloquear a absorção ou utilização do iodo. Alguns alimentos que contêm bociogênicos são repolho, nabo, sementes de colza, amendoins, mandioca e feijão de soja. Estas substância são inativas pelo cozimento.
Uma deficiência severa de iodo durante a gestação e crescimento pós-natal inicial resulta em cretinismo, uma síndrome caracterizada por deficiência mental, diplegia espástica ou quadriplegia, surdo-mudez, disartria, um andar característico arrastando os pés, estatura pequena e hipotireoidismo. Variações menos severas desta síndrome também podem existir.
A ingestão de iodo tem uma margem completamente ampla de segurança. Entretanto, em alguns casos, o bócio é visto como uma possível conseqüência de ingestões de iodo a longo prazo bem em excesso da necessidade fisiológica. As reações adversas são difíceis de identificar, mas ambas a ingestão e a incidência do alargamento da tireóide devem continuar a ser monitorada.
O flúor é considerado como essencial devido ao efeito benéfico no esmalte dental, conferindo resistência máxima à cárie dental. A ingestão dietética diária considerada segura e adequada de flúor para adultos é de 1,5 a 4 mg/dia. Um copo de 8oz de água fluoretada (1 parte por milhão ou 1mg/L), fornece ao redor de 0,2mg de flúor.
As maiores fontes dietéticas de flúor são a água potável e os alimentos processados que foram preparados ou reconstituídos com água fluoretada. As sopas e ensopados feitos com peixe e ossos de carne bovina também fornecem flúor em sociedades que dependem extensivamente de tais alimentos. Cozinhar os alimentos em panelas com teflon (um polímero que contém flúor) aumenta seu conteúdo de flúor.
Uma fluorose leve pode aparecer com doses de 0,1mg/Kg/dia. Entretanto, o fato de que está aumentando tem gerado preocupação que em alguns casos fontes proliferativas de flúor podem estar levando a ingestões excessivas por crianças que estão aprendendo a andar.
CROMO
Em 1945 , os dados sugeriram pela primeira vez um papel biológico para o cromo. Em 1977, os pacientes que recebiam nutrição parenteral total (TPN) exibiam anormalidades do metabolismo de glicose que eram revertidas pela suplementação com cromo. As baixas concentrações de cromo nos alimentos, tecidos e líquidos corpóreos propõem problemas analíticos.
O cromo potencializa a ação da insulina e como tal influencia o metabolismo de carboidratos, lipídeos e proteínas. O papel proposto do cromo no “fator de tolerância à glicose” é controverso. O cromo pode regular a síntese de uma molécula que potencializa a ação da insulina. Um outro possível papel para o cromo é similar àquele do zinco na regulação da expressão do gene.
As formas orgânicas e inorgânicas do cromo são absorvidas diferentemente. O cromo orgânico é prontamente absorvido mais sai rapidamente do sangue. Menos de 2% do cromo trivalente consumido é absorvido. A absorção a partir do CrCl3 é maior quando o carboidrato na dieta é o amido do que quando é sacarose, frutose ou glicose.
Ambos o cromo e o ferro são carreados pela transferrina; entretanto, a albumina também é capaz de assumir este papel se a saturação de transferrina por ferro estiver alta. A ESADDI para o cromo é de 50 a 200ug/dia para pessoas de 7 anos de idade e mais velhas.
O levedo de cerveja , ostras, fígado e batatas têm altas concentrações de cromo; frutos do mar, grãos integrais, queijos, frango, carne bovina e farelo são intermediários no conteúdo.
A deficiência de cromo resulta em resistência à insulina, a resistência à insulina causada pela deficiência de cromo pode ser melhorada pela suplementação com cromo e a deficiência de cromo ocorre na população dos EUA e noutras partes e pode ser uma importante causa de resistência à insulina nestas populações. Os sinais de deficiência em animais incluem crescimento prejudicado, concentrações de colesterol e triglicerídeos séricos.
Patologias Aplicadas:
Anemia;
Atividade física regular;
Atividade física extenuante;
Alteração de memória;
Dismetabolismo;
Síndrome astênica;
Diabetes e seqüelas;
COBALTO
A maior parte do cobalto no organismo aparece com depósito de vitamina B12 no fígado. O plasma sanguínea contém aproximadamente 1ug/100ml.
A única função biológica conhecida do cobalto no momento é como um componente da vitamina B12. Esta vitamina é essencial para a maturação das hemácias e funcionamento normal de todas as células.
A absorção é aumentada em pacientes com ingestão de ferro deficiente, cirrose portal com sobrecarga de ferro e hemocromatose idiopática. A principal via de excreção do cobalto é a urina, e pequenas quantidades são excretadas com as fezes, suor e cabelo. As ingestões recomendadas para o cobalto são de 1,4 a 2ug por dia.
O cobalto é encontrado em alimentos, entretanto apenas microorganismos são capazes de sintetizar a vitamina B12. Os microorganismos de espécies monogástricas, tais como os humanos, têm um capacidade extremamente limitada para a síntese em áreas onde a vitamina pode ser absorvida, sendo assim, os humanos precisam obter sua vitamina B12 e, portanto, o cobalto, de alimentos animais tais como carnes musculosas e de órgãos.
Os vegetarianos estritos que evitam todos os produtos animais podem se tornar deficientes em vitamina B12. A deficiência pode se desenvolver apenas durante um período de 3 a 6 anos ou algumas vezes nunca.
Uma deficiência de cobalto ocorre apenas na medida em que ela está relacionada à deficiência de vitamina B12. A vitamina B12 insuficiente causa uma anemia macrocítica.
Tem se mostrado que uma alta ingestão de cobalto inorgânico em dietas animais produz policitemia, hiperplasia da medula óssea, reticulocitose e aumento do volume sanguínea.
Patologias Aplicadas:
Anemia;
Diabetes e seqüelas;
Dismemorreias e hipermemorreias;
SELÊNIO
O interesse no selênio concentrava-se primeiramente na sua toxidade, por que o envenenamento por selênio foi identificado em animais que pastavam em terras com altos níveis deste elemento. Na década de 50 o selênio foi identificado como protetor de ratos deficientes de vitamina E contra necrose do fígado e perda capilar.
O selênio está presente no organismo como selemetionina ou selenocisteína nas proteínas. O selênio é metabolizado na forma aniônica. Os níveis teciduais são influenciados pela ingestão dietética e refletem o ambiente geoquímico.
O selênio funciona como o tocoferol para proteger as membranas e organelas celulares de danos oxidativos, facilitar a união entre oxigênio e hidrogênio no final da cadeia metabólica , transferir íons através de membranas celulares e ajudar na síntese de imunoglobulina e ubiquinona. Além disso, o selênio é incorporado na porção de aminoácido do RNA transferase em microorganismos.
A absorção do selênio é mais eficiente quando o animal está deficiente. O selênio é transportado inicialmente pela albumina e subseqüentemente pela alfa-2-globulina. Uma ingestão aumentada freqüentemente resulta em excreção aumentada na urina.
As recomendações nutricionais de selênio é de 55 e 70ug para mulheres e homens adultos, e 40 a 50ug/dia para adolescentes.
A concentração de selênio nos alimentos dependem de seu conteúdo no solo e água onde o alimento cresce. Os alimentos reconhecidos como as principais fontes de selênio são nozes brasileiras, frutos do mar, rim, fígado, carne bovina e aves, enquanto as frutas e vegetais são pobres em selênio.
A condição de selênio dos humanos pode ser categorizada variando de deficiência a toxicidade baseada na concentração sanguínea. A concentração sanguínea reflete a ingestão dietética média e a condição da população humana em algumas regiões tende a seguir a condição de selênio do gado na região.
Câncer e Selênio
Nas regiões de solo carente em selênio, notou-se maior freqüência de câncer do seio e do cólon, e entre os Asiáticos que consomem mais selênio em sua alimentação, uma menor freqüência.
Existem, freqüentemente junto aos cancerosos taxas baixas de selênio. Não se sabe se ocorre por parte do tumor uma utilização ou um seqüestro do selênio, ou se há, como parecem indicar um estudo projetivo finlandês recente e certos estudos americanos, uma correlação entre as taxas baixas de selênio nos exames efetuados anteriormente e o aparecimento mais freqüente a posterior de cânceres.
O papel protetor do selênio seria devido a uma imunoestimulação e, pois, uma melhor defesa do organismo em caso de aparecimento de células cancerosas.
Experimentos em animais mostraram que o selênio em baixas doses inibiu o progresso dos tumores mamários nas ratazanas e diminuiu o desenvolvimento do câncer do colon. No entanto, em altas doses, o selênio é tóxico e cancerígeno.
Ele protegeria os fumantes impedindo a transformação de certos produtos cancerígenos (benzopireno da fumaça do tabaco).
Os indicadores de tosicidade de selênio e do nível de ingestão dietética no qual a toxicidade ocorre não são conhecidos.
Patologias Aplicadas:
Alergia;
Arritmias;
Atividade física regular;
Alteração de memória;
Dermatite;
Senescência;
Síndrome astênica;
TPM;
Unhas frágeis e alopecias;
MANGANÊS
Até 1972, quando o primeiro relato de deficiência em humanos apareceu, duvidava-se que tal deficiência pudesse ocorrer em humanos. Os sintomas são perda de peso, dermatite transiente, ocasionalmente náusea e vômito, mudanças na cor e crescimento lento do cabelo e barba.
A concentração de 10 a 20mg de manganês no organismo humano adulto tende a ser alta em tecido ricos em mitocôndrias. O manganês está associado à formação de tecido conjuntivo e ósseo, crescimento a reprodução e metabolismo de carboidratos e lipídeos.
O manganês é aparentemente absorvido em toda a extensão do intestino delgado. Os homens absorvem menos manganês que as mulheres e esta diferença pode estar relacionada a condição do ferro. A excreção do manganês ocorre principalmente nas fezes após secreção no intestino através da bile.
Em 1989 foi estabelecida uma ESADDI para o manganês para adultos e crianças de 11 anos de idade ou mais na faixa de 2 a 5mg/dia. Para crianças , de 1 a 3mg/dia são sugeridas dependendo da idade.
O conteúdo de manganês de vários alimentos varia enormemente. As fontes ricas são grãos integrais, leguminosas, nozes e chá. As frutas e vegetais são fontes moderadas. Os tecidos animais, frutos do mar e produtos lácteos são fontes pobres. A ingestão recomendada é de 2,67 a 2,9mg/dia para homens adultos e 2,2 a 2,3mg/dia para mulheres.
A deficiência de manganês está relacionada com a esterilidade de ambos os sexos, anormalidades esqueléticas extraordinárias e ataxia caracterizam a prole de mães deficientes.
A toxicidade do manganês tem ocorrido em mineradores como o resultado de uma absorção de manganês através do trato respiratório. O excesso, que se acumula no fígado e no sistema nervoso central, produz sintomas do tipo Parkinson.
Patologias Aplicadas:
Ansiedade;
Síndrome astênica;
Colagenopatia;
MOLIBDÊNIO
O molibdênio é encontrado em quantidades mínimas no organismo e é prontamente absorvido no estômago e intestino delgado distal. Assim como com outros minerais, o molibdênio é absorvido por dois mecanismos, mediado por carreadores e difusão passiva. O molibdênio é excretado primeiramente na urina. A excreção, ao contrário da absorção, é um mecanismo homeostático. Um pouco de molibdênio também é excretado na bile.
A exigência diária de molibdênio não é conhecida, entretanto, a ESADDI de 1989 é de 75 a 250ug/dia para adolescentes e adultos. Dependendo da idade da criança, a ingestão considerada segura é de 25 a 150ug/dia. Uma ingestão excessiva de 10 a 15mg/dia está associada à incidência da síndrome semelhante à gota.
O molibdênio é amplamente distribuído nos alimentos comumente usados, tais como leguminosas, cereais de grãos integrais, leite e seus derivados e vegetais de folhas verdes escuras. As ingestões variam de 50ug/dia nos bebês a picos de 80 e 126ug/dia para meninas e meninos de 14 a 16 anos, respectivamente. As ingestões aumentam vagarosamente para 74 e 101ug/dia para mulheres e homens de 60 a 65 anos de idade, respectivamente.
Curiosidade:
Recentemente (em 1980) foi posto em evidência um déficit genético no cofator (que acompanha o molibdênio em todas as reações bioquímicas) se traduzindo por distúrbios neurológicos muito severos e um deslocamento dos cristalinos. As crianças, felizmente muito raras, que apresentam esta doença, tem igualmente retardamento mental e morrem muito jovens.
Até o presente, sabe-se que o molibdênio é ligado, mui fortemente, a um substrato formando o que se chama de molibdo-enzimas. Citaremos as diversas enzimas que tem necessidade do molibdênio para agir:
as nitrogenases;
a xantina desidrogenase;
as oxidases (aldeido-oxidase e piridoxal-oxidase);
as hidroxidases (ácido nicotínico e purinas hidroxilases);
nitratos reductases nos vegetais e certos microorganismos.
Patologias aplicadas:
Ansiedade;
Atividade física regular;
Dermatite;
Unhas frágeis e alopecias;
Conclusão
Concluirmos que os oligoelementos essenciais são de vital importância para manutenção de uma vida saudável, eles são responsáveis pelo trabalho dos organismos, são fontes que ajudam o organismo a se tornar mais sadio.
Referências Bibliográficas
KRAUSE, Marie. Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 9ª ed. São Paulo: Roca, 1998.
A obesidade é considerada hoje uma doença crônica, que provoca ou acelera o desenvolvimento de muitas doenças e que causa a morte precoce. A obesidade acomete uma grande proporção de pessoas – no Brasil 40% da população adulta tem excesso de peso. Calcula-se que 300.000 pessoas nos Estados Unidos morrem por ano precocemente devido à obesidade e no Brasil, este número estão entre 50.000 e 100.000 pessoas.
Há ainda muita desinformação a respeito da obesidade sendo que, durante muitos anos, ela era associada à falta de caráter, auto-indulgência ou distúrbios psíquicos dos indivíduos por ela acometidos. Sabe-se hoje que a obesidade é muito mais do que isso e que decorre de uma série de fatores – genéticos, metabólicos, hormonais e ambientais – ainda não totalmente esclarecidos.
O que é obesidade?
Obesidade significa excesso de gordura no organismo.
A medida exata de gordura é de muito difícil obtenção, mas alguns índices podem avaliar de uma maneira relativamente correta a quantidade de gordura do corpo.
O índice mais utilizado é chamado Índice de Massa Corporal (IMC), que se obtém dividindo o peso do indivíduo (em Kg) pela altura ao quadrado (ou altura x altura) em metros. Obtém-se assim um número seguido de Kg/m2 que deve ser interpretado da seguinte maneira:
Categoria Índice de Massa Corpórea (IMC)
Indivíduos com valores de IMC superiores a 40 Kg/m2 são chamados de obesos mórbidos (devido à grande morbidez, isto é, doenças graves relacionadas com este grau de obesidade).
Quais são as causas da obesidade?
A obesidade é causada por um desbalanço, entre as calorias que são consumidas sob a forma de alimentos e as calorias que são gastas pelo indivíduo para o organismo funcionar, mesmo em repouso, realizar as atividades física e digerir os alimentos consumidos.
O excesso de calorias (resultante de um balanço positivo entre o que é consumido e o que é gasto) é depositado no organismo. Boa parte desse depósito se faz sob a forma de gordura e quanto mais se deposita mais obeso é o indivíduo.
Dessa maneira, a pessoa pode ser obesa porque:
1. come exageradamente e/ou
2. gasta poucas calorias e/ou
3. tem mais facilidade de produzir gordura quando o balanço calórico é positivo e/ou
4. “queima” gorduras com menor facilidade.
Quais são os fatores de risco da doença?
A obesidade é um fator de risco, entenda graficamente e por meio da ilustração os pontos mais susceptíveis a problemas de saúde associados à obesidade.
Prevalência alta
Prevalência intermediária
Prevalência baixa
Falta de ar
Dores nas articulações
Varizes
Ronco
Diminuição da flexibilidade e coordenação muscular
Tromboembolia
Dores lombares
Osteoartrose (quadril, joelhos e coluna)
Diminuição da fertilidade
Deformidades nos pés
Doenças cardiovasculares
Diminuição da capacidade vital
Apneia do Sono
Hipertensão
Aumento de risco com anestesia
Gota (hiperuricemia)
Função anormal das glândulas adrenais
Câncer
Câncer Diabetes mellitus
Anormalidades dos hormônios reprodutores
Doença da vesícula biliar
Aumento do risco de acidentes de trânsito
Resistência à insulina
Aumento do risco de erro em diagnóstico de outras doenças
Dislipidemia
Quais os tipos de obesidade?
Os indivíduos obesos apresentam-se com maior quantidade de tecido gorduroso pelo organismo e essa deposição de gordura é variável de pessoa para pessoa.
A grosso modo, existem dois tipos básicos de distribuição de gordura:
1. na região subcutânea (abaixo da pele), particularmente da cintura para baixo, é chamada de obesidade ginóide (porque acomete mais as mulheres) ou obesidade em pêra (pela forma) ou obesidade subcutânea; e
2. no abdômen, profundamente entre as vísceras, é chamada de obesidade andróide (porque acomete mais os homens) ou obesidade em maçã (pela forma) ou obesidade visceral.
Naturalmente há grandes variações entre este dois tipos de distribuição de gordura pelo corpo e há indivíduos com os dois tipos de obesidade.
Quais as conseqüências da obesidade se não houver tratamento?
Se o indivíduo com obesidade não se tratar, ele tende a engordar cada vez mais.
Como obesidade é fator de risco indiscutível para várias doenças – só para citar exemplos: diabetes mellitus, hipertensão arterial, alteração nos níveis de triglicérides e colesterol, infarto do miocárdio, derrame cerebral, tromboses, problemas ortopédicos e dermatológicos etc. – a manutenção da obesidade ou o seu agravamento, faz com que o indivíduo se torne cada vez mais suscetível a doenças graves e morte precoce.
Obesidade é hoje considerada doença crônica com prognóstico de qualidade de vida comprometida por vezes seriamente e, portanto, deve ser tratada.
Estima que 75% da hipertensão na população em geral pode estar diretamente associada a obesidade. A obesidade ainda eleva os níveis de colesterol no sangue, aumentando o “mal-colesterol” (LDL) e diminuindo o “bom-colesterol” (HDL). Outras alterações promovidas pela obesidade inclue dando renal e resistência insulínica que leva a diabetes mellitus tipo II.
Um estudo demonstrou que homens, entre 45 e 54 anos de idade que não são obesos, têm 35% de risco de desenvolver doença coronariana durante seu vida; esse risco aumenta para 38% para os que são levemente obesos, 42% para aqueles moderadamente obesos e para 46% para os obesos severos. O risco para as mulheres é de 25% para não obesas e 29, 32 e 37% a depender do grau de obesidade. Como resultado deste risco aumentado para os obesos, estima-se um custo adicional de U$ 6.000 dólares por indivíduo gastos somente no tratamento de doenças do coração.
Ainda uma outra pesquisa mostra que cerca de 40% dos homens que sofrem ataques cardíacos e metade das mulheres com câncer de mama são obesos, e que nos grandes obesos a tendência para hipertensão e para diabetes é três vezes maior; no somatório geral, eles têm, em média, seis anos a menos de vida
Quais as chances dos filhos de indivíduos obesos apresentarem a doença?
A obesidade tende a se agregar nas famílias. A chance de obesidade nos filhos é de 80% quando ambos os pais são obesos, cerca de 50% quando um dos pais é obeso, e cerca de 10% quando nenhum dos pais é obeso.
Essa tendência à obesidade em família é explicável por dois fatores: genético (hoje em dia bem reconhecido) e ambiental, que em muitos casos predomina, e que significa maus hábitos de vida, particularmente alimentação inadequada e atividade física discreta.
Obesidade na infância
É comum os pais desejarem que seu filho seja um “bebezão” cheio de dobrinhas, gordinho o bastante. Alguns bebês são gordinhos só de mamar no peito. Mas, o normal é que essas crianças “gordinhas” ao começarem a engatinhar e a andar percam o excesso de peso devido ao progressivo gasto energético com as suas atividades físicas. O problema reside nos casos em que a criança depois de 1 ano de idade não consegue deixar de ganhar peso excessivamente e, então, com dois a três anos de idade, o excesso de peso naquela criança, ao invés de agradar, passa a incomodar pais, familiares e à própria criança. E todos aqueles que elogiavam aquela criança passam a dizer que um “regime” agora seria necessário.
O número de crianças obesas tem crescido nos últimos anos e os pais precisam alertar para as conseqüências danosas provocadas pela obesidade infantil. É preciso alertar para o fato de que é em torno dos dois anos e meio que se definem o número de células gordurosas de uma pessoa adulta. Por exemplo, uma criança com excesso de peso possui um maior número de células gordurosas que uma criança com peso normal e, na fase adulta, aquele que tiver um maior número de células gordurosas terá uma maior dificuldade em se manter magro, pois essas células, por serem numerosas, deverão conter pouca gordura dentro delas. Por outro lado, aquele que possuir um menor número de células gordurosas, mesmo que em uma determinada época da vida venha a engordar, não será um indivíduo obeso, uma vez que possui poucas células que armazenam gordura.
Sem controle, a obesidade infantil pode ser fatal. É um mal que provoca, ainda na infância, problemas de coluna, nas articulações, fere a auto-estima e leva à rejeição social. Ao atingir a fase adulta podem surgir diabetes e, segundo estudos realizados no mundo inteiro, a obesidade também está ligada a vários fatores de risco para doenças do coração como: hipertensão arterial, colesterol e triglicerídeos elevados entre outros. Para saber mais sobre os riscos da obesidade leia, nesta edição, O coração do obeso.
Sedentarismo: a falta de disciplina
A vida moderna tem criado condições para o desenvolvimento de obesidade em crianças na medida em que, os pais impedem seus filhos de saírem de casa por causa da violência nas ruas. Desta forma, as crianças não podem correr nas praças, andar de bicicleta e participar de outras brincadeiras de criança, ou seja, não queimam calorias. As crianças ficam em casa, dentro de seus quartos, sentadas ou deitadas na cama, jogam video-game, navegam pela internet, assistem vídeos ou estão ligadas nos canais da TV.
Uma pesquisa revelou que 26% das crianças americanas, numa amostra de 4000 crianças estudadas entre 8 e 16 anos, passava 4 ou mais horas em frente à televisão diariamente. Esta pesquisa relacionou o hábito de ver TV com a obesidade infantil.
É necessário que os pais monitorem melhor as atividades de seus filhos, impondo horários para se dedicarem às diversas atividades, inclusive à prática de esportes.
Obesidade na Adolescência: a realidade brasileira
A imagem corporal é o cartão de visita do indivíduo. Principalmente na adolescência, onde a aparência corporal determina a aceitação no grupo, ou não. Isto ocorre numa fase em que a necessidade de ser bem visto e aceito é vital para o desenvolvimento da personalidade.
Adolescentes, segundo a Organização Mundial de Saúde, são pessoas com idade entre 10 e 19 anos e representam 20% da população global. Cerca de 84% dos adolescentes estão em países em desenvolvimento. E apesar de sua porcentagem em relação a outros grupos etários estar aumentando, pouca atenção tem sido dada à sua nutrição. Nos Estados Unidos, em apenas quatro anos, entre 1988 e 1991, a prevalência de obesidade na adolescência aumentou 6%.
Obesidade na adolescência está associada a vários problemas, sendo mais prevalentes, as conseqüências deletérias na área psicossocial e a persistência de obesidade na idade adulta, acompanhada de suas comorbidades. Alguns estudos revelam que 50% das crianças obesas aos 6 meses de vida e 80% daquelas aos 5 anos, serão sempre obesas. Um adolescente obeso tem mais de 70% de vir a ser um adulto obeso.
Em nosso país, onde a obesidade está aumentando em todas as faixas etárias, temos por outro lado, constatado a diminuição da subnutrição, caracterizada por baixo peso, pequena altura das crianças e baixa estatura dos adultos.
Em 1975 tínhamos, no Brasil, um pouco mais de 8% de crianças e adolescentes subnutridos e cerca de metade, 4%, de obesos. Esse quadro se inverteu e atualmente os dados apontam para 9% de obesidade e só 3% de subnutridos.
Quanto à prevalência de obesidade e sobrepeso na adolescência, alguns estudos populacionais revelam o seguinte:
Belo Horizonte 1993 – 7,8% de adolescentes obesos ou com sobrepeso.
Belo Horizonte 1998 – 8,5% de adolescentes obesos ou com sobrepeso.
Curitiba 1996 – 15,6% de adolescentes obesos ou com sobrepeso.
Rio de Janeiro 1999 – 12,2% de adolescentes obesos ou com sobrepeso.
Florianópolis 1999 – 22,3 % de adolescentes obesos ou com sobrepeso.
O artigo recentemente publicado no International Journal of Obesity, por Neutzling e colaboradores, descreve a prevalência de sobrepeso e obesidade em adolescentes brasileiros (média de 7,7%) a partir de uma subdivisão da Pesquisa Nacional sobre Saúde e Nutrição (PNSN), com uma amostra de 13.715 indivíduos. Na tabela são apresentados dados resumidos com variáveis demográficas e sócio-econômicas.
Nota-se um risco duas vezes maior de obesidade em meninas em relação a meninos adolescentes, o que pode ser explicado por um maior armazenamento de tecido adiposo nas meninas durante o estirão puberal, enquanto que meninos costumam perder gordura nessa fase.
Estudos europeus mostraram uma redução da atividade física durante a adolescência, principalmente em meninas. Outra explicação, mais voltada para o nosso ambiente (Brasil), seria que em níveis sócio-econômicos mais baixos os meninos exerceriam mais trabalhos de força muscular.
Além disso, meninos brasileiros teriam maior acesso a atividades esportivas e nas horas de lazer (futebol), considerado inadequada para meninas. Também é notável que a prevalência de obesidade em ambos os sexos aumenta proporcionalmente à urbanização e industrialização da região e ao nível sócio-econômico, devido provavelmente ao ambiente obesogênico da vida moderna nas cidades.
Sabemos que a adolescência é uma fase da vida cercada de conflitos e mudanças, o adolescente vive cercado de dúvidas e transformações. Temos a turbulenta passagem da infância para a vida adulta. A obesidade entra aqui como uma complicação bastante freqüente, como pudemos demonstrar.
Somente com a realização de mais amplos estudos sobre esse tema e a implementação de programas de saúde pública com poder de modificar a realidade alimentar e de estilo de vida da comunidade, poderemos prevenir e modificar a obesidade e sobre peso nos adolescentes brasileiros.
Obesidade no Mundo
O mundo vive hoje a epidemia da obesidade, uma doença que cresce em proporções alarmantes. Apesar dos poucos dados epidemiológicos disponíveis, a maioria dos países desenvolvidos já identificou o problema e estão, juntos, dimensionando a eclosão desta doença.
Nos Estados Unidos, a prevalência da obesidade dobrou nos últimos 20 anos. Hoje, 30% da população tem sobrepeso, 15% são obesos e cerca de 3% obesos com muito risco. Na Europa, apesar de números mais “leves”, a tendência apresenta-se a mesma. Ela só perde para o fumo, como propulsora de doenças e mortes prematuras. A obesidade faz mortes. Estima-se que, nos Estados Unidos, a obesidade e demais doenças associadas matam 300 mil pessoas/ano.
Obesidade em homens e mulheres
Destacamos aqui alguns países, que hoje reúnem dados sobre obesidade, nos quais podemos observar que os homens compreendem a maioria dos casos de obesos e obesos de risco (IMC acima de 30).
A Organização Mundial da Saúde reúne informações económicas, psicossociais e de saúde que reafirmam a problemática: caminhamos para uma epidemia assustadora no século XXI! Segundo ela, quase 10% dos orçamentos de saúde em países ocidentais estão hoje relacionados à obesidade.
Como é o tratamento?
O tratamento básico da obesidade apóia-se na modificação do comportamento alimentar e no incremento da atividade física.
A alimentação diária deve variar de indivíduo para indivíduo, de acordo com seus costumes, gostos e estilo de vida. Entretanto, alguns princípios devem reger o cardápio diário: a restrição às gorduras, que não devem ultrapassar 30% do total calórico diário, a preferência por verduras, legumes, frutas e carboidratos complexos (arroz, macarrão, pão, farinha, etc.).
Recomenda-se ingerir alimentos ricos em fibras como pão integral, arroz integral etc. Evidentemente que para obter uma perda de peso, deve-se ingerir menos calorias do que as calorias gastas.
A prática de uma atividade física não precisa ser na academia de ginástica ou a prática de um esporte específico. Pode ser apenas uma maior atividade no dia-a-dia, como movimentar-se mais, não ficar muito tempo parado na frente da T.V. ou do computador, etc.
Para que o obeso coma com mais disciplina e mantenha-se ativo fisicamente, muitas vezes, é necessário que ele se submeta a um tratamento comportamental.
Como é feito o tratamento medicamentoso?
Como a obesidade é uma doença crônica e muitas vezes o tratamento clássico com planejamento alimentar e incentivo à atividade física não funciona, temos de administrar medicamentos que auxiliam a perda de peso e a manutenção do peso atingido. Existem vários tipos de medicamentos para o tratamento da obesidade com objetivos distintos:
diminuir a fome;
aumentar a saciedade;
aumentar a queima de calorias;
diminuir a absorção de gorduras.
A escolha de um ou de outro remédio depende de cada paciente, do seu grau de obesidade, do seu hábito alimentar, das complicações que tem etc., e deve ser feita pelo médico.
Nunca se deve tomar remédio porque alguém (não médico) aconselhou e não se deve confiar em quem (médico ou não) dê fórmulas com muitos componentes ou que venda seus próprios remédios.
Quais os tipos de tratamento cirúrgico?
Por vezes, nos casos muito graves de obesidade (IMC superior a 40 Kg/m2) é necessária a intervenção cirúrgica.
Existem várias técnicas cirúrgicas, cada qual com um objetivo específico.
A mais simples é realizada por laparoscopia (são feitos pequenos orifícios na parede abdominal por onde são introduzidas “mãos mecânicas”, manipuladas pelo cirurgião) e tem por objetivo colocar uma banda em volta do estômago para controlar o diâmetro do orifício de passagem do alimento, ajustada por um dispositivo colocado embaixo da pele. Nessa técnica, a perda de peso é de 10 a 20% do peso inicial.
A cirurgia maior é feita com a abertura da pele ou por laparoscopia (dependente entre outras coisas do grau de obesidade). Nessa técnica, a maior parte do estômago é cortada, deixando uma pequena parte que se une à porção do intestino delgado chamado de jejuno. O grande estômago fica fora do circuito dos alimentos e, unido ao duodeno, é ligado também ao jejuno, mais ou menos um metro abaixo da sutura do pequeno estômago que restou. Esta cirurgia, que é a mais utilizada no mundo todo, apresenta em geral excelentes resultados e, em mãos hábeis, é bastante segura. A perda de peso é de cerca de 40% do peso original e, quase sempre, o indivíduo permanece com o mesmo peso (com pequenas variações) pelo resto da vida.
Como prevenir?
Mais importante que o tratamento de obesidade é a sua prevenção particularmente tentando evitar a obesidade infantil, que também vem crescendo de uma maneira epidêmica.
Hábitos alimentares saudáveis e uma vida menos sedentária certamente são prioridades para fazer com que nossa população tenha menores índices de obesidade.
Bibliografia:
1 – Lamounier, Joel, Situação da Obesidade na Adolescência no Brasil – 2000.
2 – Mancini, Márcio, Revista da Abeso – 2000.
3 – Neutzling e col, International Journal of Obesity – 2000
4 – Viuniski, Nataniel, Obesidade Infantil – Ed. EPUB – 200
5 – American Society of Bariatric Physicians.
6 – Revista Veja, janeiro de 2000).
7- VITOLO, Márcia & FISBERG, Mauro; Obesidade Infantil – Revista Saúde – Vol. 11 – núm. III – Ed. Azul – 1994
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