Pop-Arte

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Autoria: Mayara Ribeiro Furlaneto

Movimento principalmente americano e britânico, sua denominação foi empregada pela primeira vez em 1954, pelo crítico inglês Lawrence Alloway, para designar os produtos da cultura popular da civilização ocidental, sobretudo os que eram provenientes dos Estados Unidos.

Com raízes no dadaísmo de Marcel Duchamp, o pop art começou a tomar forma no final da década de 1950, quando alguns artistas, após estudar os símbolos e produtos do mundo da propaganda nos Estados Unidos, passaram a transformá-los em tema de suas obras.

Representavam, assim, os componentes mais ostensivos da cultura popular, de poderosa influência na vida cotidiana na segunda metade do século XX. Era a volta a uma arte figurativa, em oposição ao expressionismo abstrato que dominava a cena estética desde o final da segunda guerra. Sua iconografia era a da televisão, da fotografia, dos quadrinhos, do cinema e da publicidade.
Com o objetivo da crítica irônica do bombardeamento da sociedade pelos objetos de consumo, ela operava com signos estéticos massificados da publicidade, quadrinhos, ilustrações e designam, usando como materiais principais, tinta acrílica, ilustrações e designs, usando como materiais, usando como materiais principais, tinta acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, brilhantes e vibrantes, reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande, transformando o real em hiper-real. Mas ao mesmo tempo que produzia a crítica, a Pop Art se apoiava e necessitava dos objetivos de consumo, nos quais se inspirava e muitas vezes o próprio aumento do consumo, como aconteceu por exemplo, com as Sopas Campbell, de Andy Warhol, um dos principais artistas da Pop Art. Além disso, muito do que era considerado brega, virou moda, e já que tanto o gosto, como a arte tem um determinado valor e significado conforme o contexto histórico em que se realiza, a Pop Art proporcionou a transformação do que era considerado vulgar, em refinado, e aproximou a arte das massas, desmitificando, já que se utilizava de objetos próprios delas, a arte para poucos.

Principais Artistas:

Robert Rauschenberg (1925) Depois das séries de superfícies brancas ou pretas reforçadas com jornal amassado do início da década de 1950, Rauschenberg criou as pinturas “combinadas”, com garrafas de Coca-Cola, embalagens de produtos industrializados e pássaros empalhados.
Por volta de 1962, adotou a técnica de impressão em silk-screen para aplicar imagens fotográficas a grandes extensões da tela e unificava a composição por meio de grossas pinceladas de tinta. Esses trabalhos tiveram como temas episódios da história americana moderna e da cultura popular.

Roy Lichtenstein (1923-1997). Seu interesse pelas histórias em quadrinhos como tema artístico começou provavelmente com uma pintura do camundongo Mickey, que realizou em 1960 para os filhos. Em seus quadros a óleo e tinta acrílica, ampliou as características das histórias em quadrinhos e dos anúncios comerciais, e reproduziu a mão, com fidelidade, os procedimentos gráficos. Empregou, por exemplo, uma técnica pontilhista para simular os pontos reticulados das historietas. Cores brilhantes, planas e limitadas, delineadas por um traço negro, contribuíam para o intenso impacto visual.
Com essas obras, o artista pretendia oferecer uma reflexão sobre a linguagem e as formas artísticas. Seus quadros, desvinculados do contexto de uma história, aparecem como imagens frias, intelectuais, símbolos ambíguos do mundo moderno. O resultado é a combinação de arte comercial e abstração.

Andy Warhol (1927-1987). Ele foi figura mais conhecida e mais controvertida do pop art, Warhol mostrou sua concepção da produção mecânica da imagem em substituição ao trabalho manual numa série de retratos de ídolos da música popular e do cinema, como Elvis Presley e Marilyn Monroe. Warhol entendia as personalidades públicas como figuras impessoais e vazias, apesar da ascensão social e da celebridade. Da mesma forma, e usando sobretudo a técnica de serigrafia, destacou a impessoalidade do objeto produzido em massa para o consumo, como garrafas de Coca-Cola, as latas de sopa Campbell, automóveis, crucifixos e dinheiro.
Produziu filmes e discos de um grupo musical, incentivou o trabalho de outros artistas e uma revista mensal.

Realismo

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Autoria: Priscila Afonso

O termo realismo, de uma maneira geral, é utilizado na História da Arte para designar representações objetivas, sendo utilizado como sinônimo de naturalismo. Normalmente implica numa não idealização dos objetos representados e numa preferência por temas ligados ao homem comum e à existência cotidiana. Entretanto, em meados do século XIX, Gustave Courbert, com a crença na pintura como uma arte concreta, que deveria ser aplicada ao real, acaba por se tornar o líder de um movimento chamado Realista, juntamente com Édouard Manet. Esse movimento, especialmente forte na França, reagia contra o Romantismo e pregava o fim dos temas ligados ao passado (como temas mitológicos) ou representações religiosas em nome de uma arte centrada na representação do homem da época, em temas sociais e ligados à experiência concreta. Um dos primeiros pintores considerados realistas é Jean-Baptiste Camille Corot (1796 – 1875) que, com sua pintura de paisagens provocou a admiração de artistas posteriores como Cézanne. Foi um dos pioneiros a considerar os desenhos que realizava ao ar livre como obras acabadas, que não necessitavam dos estúdios. “Ilha de São Bartolomeu“ é um exemplo de sua obra. Extremamente importante para o Movimento Realista foi a Escola de Barbizon (Corot era associado a ela), que se propunha observar a natureza “com novos olhos“, seguindo a inspiração do paisagista inglês John Constable, que exibiu suas obras em Paris na década de 20 do século passado. Seu nome deriva-se da reunião de um grupo de pintores na aldeia francesa de Barbizon, floresta de Fontainebleau. Buscava distanciar-se da pintura tradicional, concentrando-se em aspectos da vida cotidiana de homens simples, como os camponeses do local. Jean-François Millet (1814 – 1875) era um de seus principais líderes. Millet foi um dos pioneiros a incluir a representação de figuras entre os objetos que deveriam ser representados de forma realista (o realismo de Corot, por exemplo, restringia-se mais às paisagens). Queria pintar cenas da vida real, sem apelos dramáticos, como atesta sua tela “As Respigadeiras“ em que três mulheres não idealizadas, com movimentos lentos, pesados e corpos fortes e robustos trabalham na terra. Diferentemente do neoclassicismo, quando representava figuras no campo, esse quadro não possui exaltação ou idílio da vida fora da cidade, apesar de valorizar o ato de colheita pelo arranjo e equilíbrio da pintura. Theodore Rousseau (1812 – 1867) e Narcisse-Vergille eram outros nomes de destaque dentro da escola Barbizon, conhecidos por seus trabalhos com as paisagens e estudos de luz e cor que iriam posteriormente influenciar movimentos como os Impressionistas. Gustave Courbet, com sua busca da “verdade“ nas representações e sinceridade em suas representações, bem como seu objetivo de “chocar“ a burguesia com o rompimento dos padrões estéticos acadêmicos foi outra grande influência para os artistas da época, que se baseavam em seu estilo para realizar suas pinturas. Honoré Daumier (ver caricatura), com suas estampas satíricas, normalmente visando atacar a política de sua época, é outro expoente importante e diferenciado do Movimento Realista. “Rua Transnonain, 24 de abril de 1874“ é um dos trabalhos do artista em que a crítica social é mais enfatizada. Mostra soldados massacrando a população em represália às revoltas da época, ressaltando a desumanidade do ataque governamental. O Realismo também se espalha fora da França, em especial na Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos. Na Inglaterra é especialmente expresso pela “Irmandade Pré-Rafaelita“ (ver primitivismo) que acreditavam que a arte, a partir de Rafael, passou a desvalorizar a verdade em busca de uma beleza idealizada. Deveriam, portanto, voltar à época anterior ao mestre Renascentista. A irmandade tinha ainda forte apelo religioso, pretendendo exaltar Deus através de suas pinturas “sinceras“. “A Anunciação“, de Dante Gabriel Rossetti é uma importante obra dessa escola. Na Alemanha, destacam-se Adolph von Menzel (1815 – 1905), Hans Thoma (1839 – 1934) e especialmente Wilhelm Leibl (1844 – 1900), com sua obra mais conhecida “Três Mulheres numa Igreja de Vila“. As fiéis são retratadas de maneira simples e forte, com atenção aos detalhes e influências de mestres alemães do passado como Dürer. Nos Estados Unidos, destacam-se Winslow Homer (1836 – 1910), com suas cenas da vida e paisagem americana e as da Guerra Civil e Thomas Eakins, que assimilou o Realismo em seu treinamento em Paris. Chegou mesmo a perder seu posto de professor na Academia de Belas Artes da Pensilvânia por insistir na observação de modelos nus em suas aulas de desenho.

Renascimento Cultural

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Autoria: Lays Rodrigues

Durante os séculos XV e XVI intensificou-se, na Europa, a produção artística e científica. Esse período ficou conhecido como Renascimento ou Renascença. As características principais deste período são as seguintes :
– Valorização da cultura greco-romana. Para os artistas da época renascentista, os gregos e romanos possuíam uma visão completa e humana da natureza, ao contrário dos homens medievais;
– As qualidades mais valorizadas no ser humano passam a ser a inteligência, o conhecimento e o dom artístico;
– Enquanto na Idade Média a vida do homem devia estar centrada em Deus (teocentrismo), nos séculos XV e XVI o homem passa a ser o principal personagem (antropocentrismo).
– A razão e a natureza passam a ser valorizados com grande intensidade. O homem renascentista, principalmente os cientistas, passam a utilizar métodos experimentais e de observação da natureza e universo.

Renascimento Cultural

Durante os séculos XIV e XV as cidades italianas como, por exemplo Gênova, Veneza e Florença, passam a acumular grandes riquezas provenientes do comércio. Estes ricos comerciantes começam a investir nas artes, aumentando assim o desenvolvimento artístico e cultural. Por isso, a Itália é conhecida como o berço do Renascimento. Porém, este movimento cultural não se limitou à Península Itálica. Espalhou-se para outros países europeus como, por exemplo, Inglaterra, Espanha, Portugal, França e Países Baixos.
Principais representantes do Renascimento Italiano e suas principais obras:
– Michelangelo Buonarroti (1475-1564)- destacou-se em arquitetura, pintura e escultura.
obras principais: Davi, Pietá, Moisés, pinturas da Capela Sistina.
– Rafael Sanzio (1483-1520) – pintou várias madonas (representações da Virgem Maria com o menino Jesus).
– Leonardo da Vinci (1452-1519)- pintor, escultor, cientista, engenheiro, físico, escritor, etc obras principais :Mona Lisa, Última Ceia.
Na área científica podemos mencionar a importância dos estudos de astronomia do polonês Nicolau Copérnico. Este defendeu a revolucionária idéia do heliocentrismo (teoria que defendia que o Sol estava no centro do sistema solar).Copérnico também estudou os movimentos das estrelas.
Nesta mesma área, o italiano Galileu Galilei desenvolveu instrumentos ópticos, além de construir telescópios para aprimorar o estudo celeste. Este cientista também defendeu a idéia de que a Terra girava em torno do Sol. Este motivo fez com que Galileu fosse perseguido, preso e condenado pela Igreja Católica, que considerava esta idéia como sendo uma heresia. Galileu teve que desmentir suas idéias para fugir da fogueira.

Contexto Histórico
As conquistas marítimas e o contato mercantil com a Ásia ampliaram o comércio e a diversificação dos produtos de consumo na Europa a partir do século XV. Com o aumento do comércio, principalmente com o Oriente, muitos comerciantes europeus fizeram riquezas e acumularam fortunas. Com isso, eles dispunham de condições financeiras para investir na produção artística de escultores, pintores, músicos, arquitetos, escritores, etc.
Os governantes europeus e o clero passaram a dar proteção e ajuda financeira aos artistas e intelectuais da época. Essa ajuda, conhecida como mecenato, tinha por objetivo fazer com que esses mecenas (governantes e burgueses) se tornassem mais populares entre as populações das regiões onde atuavam. Neste período, era muito comum as famílias nobres encomendarem pinturas (retratos) e esculturas junto aos artistas.

Foi na Península Itálica que o comércio mais se desenvolveu neste período, dando origem a uma grande quantidade de locais de produção artística. Cidades como, por exemplo, Veneza, Florença e Gênova tiveram um expressivo movimento artístico e intelectual . Por este motivo, a Itália passou a ser conhecida como o berço do Renascimento.

Michelangelo

Pintor, escultor, arquiteto e poeta italiano.
Nasceu em Caprese, Itália, em 6 de março
de 1475 e morreu em Roma, em
18 de fevereiro de 1564.

Em 1488, entra para a academia do pintor
Ghirlandaio, em Florença. Gênio criador, mestre de
sua geração e um talento de renome universal, é
considerado o mais ilustre representante do
movimento Renascença Italiana. Fez os
afrescos da Capela Sistina. Seu trabalho
mais famoso em escultura é “David” – a partir dai
é chamado para decorar juntamente com Leonardo
da Vinci, a sala do Grande Conselho,
em Florença.

Davi (uma das mais conhecidas esculturas
de Michelangelo)

Toda a arte italiana sofreu influência de Michelangelo
e a ele é atribuída a criação do estilo barroco. Seu
estilo não encontrou uma definição própria,
muitos consideram Michelangelo como o
maior artista do Maneirismo.

Criação de Eva

Numa época em que não se falava em Anatomia.
Michelangelo fez estudos admiráveis nesse setor.
Sendo um grande escultor. Suas obras mostram
uma grande paixão pela linha e pela forma. Na
sua opinião o corpo humano era uma obra divina.
Obras mais importantes: a “Cúpula de São Pedro
de Roma”. o “Túmulo de Júlio II”. o “Cristo Sustentando a Cruz”, esculturas de “David” e “Moisés”, “Vida
Contemplativa” e “Vida Ativa” e outras.
Deixou um livro de poesias intitulado “Coletânea de Rimas”.
Seus restos estão na Igreja de Santa Croce, em Florença.
Seu nome completo era Michelangelo Buonarroti.

Tondo Doni

Outras obras do artista

Leda

Afresco da Capela Sistina

A Madona dos degraus

Conclusão

O Renascimento traz como principais características o florescimento das artes, e um vigoroso despertar de todas as formas de pensamento. A redescoberta da antiga filosofia, da literatura, das ciências e a evolução dos métodos empíricos de conhecimento caracterizam todo este período que inicia-se no século XV e prolonga-se até o séc. XVII. Em oposição ao espírito escolástico e ao conceito metafísico da vida, busca-se uma nova maneira de olhar e estudar o mundo natural. Esse naturalismo vincula-se estreitamente à ciência empírica e utiliza suas descobertas para aplicá-las nas obras de arte. Os novos conhecimentos da anatomia, da fisiologia e da geometria são prontamente incorporados, possibilitando, por exemplo, a representação do volume pelo uso da perspectiva, dos efeitos de luzes e cores. Do ponto de vista filosófico, surge uma nova concepção do mundo e do destino do homem, uma visão mais realista e humana dos problemas morais.

Rodin

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Autoria: Rafael Binder da Silva

O escultor francês Auguste Rodin (1840 – 1917) é considerado um dos mais importantes artistas de sua época, tendo tido o mérito de novamente valorizar a escultura numa época em que a pintura consolidava-se como a principal manifestação plástica (desde Bernini, nunca mais houve um escultor europeu de grande prestígio). A recuperação da escultura como meio expressivo poderoso foi de fundamental importância para a arte do período posterior, principalmente a arte do século XX. Os críticos acreditam que o trabalho de Rodin condensa vários estilos artísticos do século XIX, como o Romantismo, o Realismo, o Simbolismo e o Impressionismo. Apesar disso, possui um forte estilo próprio que emerge dessas várias influências num trabalho único e considerado genial. Apesar de seu enorme talento e prestígio posterior, foi recusado três vezes na Escola de Belas- Artes de Paris, uma vez que não era considerado, no início da carreira, apto o suficiente para freqüentar a instituição. As esculturas de Rodin são marcadas pelo profundo traço pessoal do artista. Michelângelo foi sua principal fonte de inspiração e, segundo as palavras do próprio artista, o renascentista libertou-o do academicismo. A originalidade e a recusa ao convencional de suas obras para os padrões da época lhe acarretaram vários problemas, como a proibição de expor alguns trabalhos prontos feitos sob encomendas. É famoso o caso de não aceitação, por exemplo, de sua escultura de Balzac encomendada pela Société des Gens de Lettres, que levou cinco anos para ser realizada (1892 a 1897) e a princípio não pode ser colocada nas ruas de Paris. Era extremamente expressiva e radical, menos um retrato, mais uma marca do gênio do artista. Apesar de sua rejeição na época, o monumento que é considerado a mais original estátua pública realizada no século passado, era tido por Rodin como “o resumo“ de toda a sua vida. Desde suas primeiras representações como “Homem da Idade do Bronze“, de 1876 – bastante influenciado por Michelângelo -, Rodin já impressionava pela realidade e vida que imprimia à suas esculturas. “A mão de Deus“, de 1898 é outra amostra de seu estilo ímpar de intensa expressividade que, para grande choque do público, podia deixar parte da pedra em estado bruto, sugerindo a formação da figura no exato momento em que era vista pelo observador. São extremamente conhecidas ainda as peças que realizou como um conjunto para o Musée des Arts Décoratifs, em Paris. Foi encomendado ao artista um portal de bronze, que apesar de ter trabalhado nele por cerca de dez anos (de 1880 a 1900), nunca foi terminado. Chamou-se “Os Portões do Paraíso“ e era composto por quase duzentas peças, entre elas, o popular “O Pensador“, sem dúvida uma das peças de escultura mais conhecidas no mundo inteiro. No começo desse século já era considerado o maior escultor vivo. Seus últimos trabalhos são marcados principalmente por maior presença do erotismo nas representações. Além das esculturas, Rodin realizava trabalhos gráficos. Fazia ainda retratos de personalidades de sua época. Há um Museu Rodin em Paris e outro na Filadélfia que possuem vários exemplares da obra do artista.

Romantismo

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Autoria: Rodrigo Jaci Negreiros

A definição do romantismo, principalmente nas artes plásticas, é bastante polêmica. Alguns acreditam que ele se estende desde meados do século XVIII até hoje, enquanto outros o vêem como uma escola que floresceu entre os séculos XVIII e XIX. Além disso, a separação entre Neoclassicismo e Romantismo é outro ponto de difícil consenso entre os historiadores de arte. Enquanto alguns acreditam que essas tendências não têm no fundo tantas diferenças entre si, como as duas faces de uma mesma moeda, outros pensam que o romantismo é uma escola à parte, que se desenvolveu depois do neoclassicismo. Acredita-se que na música e na literatura tenha sido mais fácil sua expressão como uma escola distinta das demais. O romantismo, nas artes plásticas, talvez esteja mais ligado a um estado de espírito e crenças filosóficas do que a um estilo ou imagem visual específica. Além disso, os próprios líderes do movimento romântico, nas artes plásticas, apresentam grande diferenciação entre si. De uma forma geral, o romantismo caracteriza-se pela valoração da experiência individual e da imaginação como principal fonte de recursos para a expressão artística. Além disso, representou uma revolta contra o conservadorismo nas artes e a moderação. Tanto como o classicismo, aspectos como a virtude ou a grandeza são valorizados, bem como um modo de vida pertencente ao passado. Um dos maiores méritos creditados aos artistas desse período foi terem conseguido imprimir mais liberdade à arte, dando espaço para suas próprias expressões pessoais (que talvez até então somente um poeta poderia expressar). O Gótico Revival, que foi a revalorização estética dos construções da Idade Média, em especial o estilo gótico (pelo menos em suas primeiras manifestações) pode ser considerado um aspecto do romantismo. A partir do momento em que se desenvolve, entretanto, chega a ser considerado por alguns historiadores como uma escola própria, separada já do romantismo. Seus principais expoentes foram os ingleses Horace Walpole (1717 – 1797) – arquiteto amador e escritor, que tendo construído sua casa de campo Strawberry Hill, em Twickenham, como um castelo medieval, acabou por ajudar a estabelecer o estilo entre as construções do gênero do país Augustus Welby Pugin (1812 – 1852) além de arquiteto, também teórico, um dos nomes mais importantes do estilo na Inglaterra, responsável pelos detalhes góticos nas Casas do Parlamento inglês e o francês Eugène Viollet-le-Duc, que reconstruiu obras góticas e romanescas francesas, além de ter escrito um dicionário sobre a arquitetura francesa do século XI ao XVI, popularizando bastante a estética medieval. Na pintura romântica, destacam-se a Inglaterra, a França e a Alemanha como os países mais ligadas ao romantismo. O romantismo na Inglaterra deveu muito a estrangeiros, principalmente os americanos Benjamein West (1738-1820) e John Singleton Copley (1738-1815). West foi o segundo presidente da Royal Academy, em Londres, pintor da corte de George III, conhecido entre outras coisas, por ter introduzido na tradicional academia britânica uma obra histórica com pessoas vestidas na maneira contemporânea (“A Morte de General Wolfe“). Copley é conhecido por seus retratos e obras como “Watson e o Tubarão“, que narra um acidente ocorrido com um seu amigo Brook Watson. Os suíços Henry Fuseli (1741-1825) com sua excentricidade e trabalhos com fortes tendências a explorar cenas de horror, como “O Pesadelo“ e Angelica Kauffmann (1741-1807), extremamente ativa na defesa da causa feminina nas artes, utilizando-se, por exemplo, de sua própria imagem como heroína, também foram grandes artistas do romantismo inglês. Mas talvez o maior nome do movimento seja William Blake (1757-1827), seguido de Turner. Blake era um homem místico, que desprezava a academia e era considerado visionário e louco em sua própria época. Além de pintor e gravador era poeta, tendo como hábito ilustrar seus escritos. Entre essas ilustrações destacam-se um trabalho extremamente poderoso e conhecido “O Ancião dos Dias“, feito para o poema “Europe, a Prophecy“. O criador do mundo nu, (para Blake conhecido como Urizen), segura um compasso luminoso que usa para medir o globo em uma noite de tempestade. A influência de Michelângelo, de quem era grande admirador e profundo estudioso, aparece clara na escolha temática (“A Criação de Adão“ do artista renascentista parece ter inspirado essa obra). Na França, Eugène Delacroix (1798-1863, ver verbete à parte) e Theodore Géricault (1791 – 1824) aparecem como os principais líderes românticos. Antoine-Jean Gros (1771-1835), com seu uso de cores, pinceladas vigorosas e próprio temperamento romântico (chegou a cometer suicídio por não atingir reconhecimento de suas obras), também pode ser considerado um nome importante do movimento. Theodore Géricault foi bastante influenciado por Gross e, por sua vez, exerceu grande influência sobre Delacroix. Foi um pintor bastante preocupado com o detalhamento e com o estudo da natureza. Estudou pormenores de um acontecimento para realizar seu dramático quadro “A Balsa da Medusa“, que relata o resgate dos sobreviventes de uma tragédia marítima que foi escândalo em sua época. “Corrida de Cavalos“, é outra obra do pintor em que se utiliza de seu talento para retratar as famosas corridas em Epsom. Delacroix (ver verbete à parte) foi o pintor romântico francês mais conhecido em sua época, sempre à volta em discussões com os neoclássicos como Ingres e conhecido por obras como “Liberdade Guiando as Pessoas“, de 1830. Foi ainda durante o romantismo que as pinturas de paisagem tornaram-se bastante valorizadas. Essas pinturas procuravam expressar a relação do artista com a natureza, numa época que a arte tornava-se mais livre. William Turner (1775 – 1851), por exemplo, um dos mais famosos paisagistas ingleses, seguido por John Constable (1776 – 1837) é considerado, ao lado de Blake, uma das principais figuras do romantismo no país. Turner, em suas obras, criava cenas fantásticas, cheias de luz, movimento e efeitos dramáticos que impressionassem o público. “Vapor numa Tempestade de Neve“ é uma obra extremamente arrojada do pintor, que mostra a natureza extremamente poderosa em uma tempestade marítima, digna da imaginação romântica. Já o estilo de Constable, apesar de contemporâneo a Turner, era bastante diferente deste último. Desprezava as tradições pictóricas e as fórmulas de representação da natureza que procuravam suplantá-la. Suas pinturas eram serenas, como demonstra “A Carroça de Feno“, uma pacata cena rural extremamente sincera e desprovida de pretensões. Na Alemanha, destacam-se Caspar David Friedrich (1774 – 1840), famoso por suas paisagens, principalmente ambientadas no gelo e na neve, topos de montanhas e procissões funerárias.

Salvador Dali

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Autoria: Ronaldo Oliveira de Lima

Salvador Dali (1904- 1989) foi um pintor, artista gráfico, escultor e desenhista espanhol. É provavelmente um dos artistas surrealistas mais famosos, muito provavelmente devido aos seus esforços para auto-promover-se. Juntou-se ao grupo em 1929 – após ter fases cubistas, futuristas e de pintura metafísica . Entretanto, a partir de 1936, Breton já afastava-o do movimento, principalmente devido ao seu comportamento político, como defensor do ditador Franco e por suas aproximações cada vez maiores com um estilo mais tradicional e acadêmico. A teatralidade sempre foi marca de suas obras e de seu próprio comportamento, conforme ilustra a ocasião em que apareceu com roupa de mergulho numa exposição surrealista de 1936. Além disso, Dali costumava modificar as teorias surrealistas, acrescentando elementos a elas. O automatismo, por exemplo, converteu-se para Dali na “ atividade crítico-paranóica “ . O controle da razão seria então realizado pelo cultivo de algumas atitudes semelhantes às observadas nos quadros clínicos de paranóia. Suas misturas costumam ter elementos de alucinação e irrealidade tratados com uma meticulosa técnica acadêmica – técnica essa também desaprovada por Breton, por considerá-la retrógrada. Descrevia seus trabalhos como “ sonhos fotográficos pintados à mão “ . Entretanto, apesar das divergências com alguns ideais do movimento, permanece conhecido do público como um dos verdadeiros símbolos do Surrealismo . Suas obras possuem imagens extremamente famosas como os relógios que se derretem em “ A Persistência da Memória “, de 1931. A partir de 1940 mudou-se para os Estados Unidos, permanecendo no país até 1955. Alguns críticos consideram que os trabalhos depois de sua fase surrealista carecem de qualidade e conseqüência. Criticam bastante a religiosidade que marcou suas obras quando estava na América, considerada sensacionalista. Essas obras de temas religiosos podem ser exemplificada por “ A Última Ceia “ . Sua esposa e objetos sexuais também eram recorrentes nessa fase de seu trabalho. Seus últimos anos de vida, após ter voltado para a Europa, foram marcados pela reclusão. Além das pinturas, Dali também realizou esculturas, ilustrações de livro e trabalhou com o diretor Luis Buñuel (1900 – 1983) na realização de filmes surrealistas como “ Um Cão Andaluz “ (1929), ou “ A Idade do Ouro “, de 1930 ou com Alfred Hitchcock.

Semana da Arte Moderna

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Autoria: Raphael Fonseca dos Santos

A Semana de Arte Moderna de 22, realizada entre 11 e 18 de fevereiro de 1922 no Teatro Municipal de São Paulo, contou com a participação de escritores, artistas plásticos, arquitetos e músicos. Visava renovar o ambiente artístico e cultural da cidade via “a perfeita demonstração do que há em nosso meio em escultura, arquitetura, música e literatura sob o ponto de vista rigorosamente atual“, como informava o Correio Paulistano a 29 de janeiro de 1922. A produção de uma arte brasileira, afinada com as tendências vanguardistas da Europa, sem contudo perder o caráter nacional, era uma das grandes aspirações que a Semana tinha em divulgar. Cem anos após a independência do país, os jovens modernistas pretendiam redescobrir o Brasil, libertando-o das amarras que o prendiam aos padrões estrangeiros. Negavam, antes de mais nada, o “academicismo“ nas artes, influenciados esteticamente por tendências e movimentos como O Cubismo, o Expressionismo e diversas ramificações pós- impressionistas como Divisionismo (ver Neo-Impressionismo). Pretendiam, entretanto, utilizar-se de forma consciente desses modelos europeus para uma renovação da arte nacional, preocupados em realizar uma arte nitidamente brasileira, sem complexos de inferioridade em relação à arte produzida na Europa. De acordo com o catálogo da mostra, participavam da Semana os seguintes artistas: Anita Malfatti, Di Cavalcanti, Zina Aita, Vicente do Rego Monteiro, Ferrignac (Inácio da Costa Ferreira), Yan de Almeida Prado, John Graz, Alberto Martins Ribeiro e Oswaldo Goeldi – com pinturas e desenhos; Victor Brecheret, Hildegardo Leão Velloso e Wilhelm Haarberg (alemão no Brasil desde) – com esculturas; Antonio Garcia Moya e Georg Przyrembel (polonês em São Paulo desde 1913) – com projetos arquitetônicos. Além disso, havia escritores como Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Sérgio Milliet, Plínio Salgado, Ronald de Carvalho, Álvaro Moreira, Renato de Almeida, Ribeiro Couto e Guilherme de Almeida e músicos como Villa-Lobos, Guiomar Novais, Ernâni Braga e Frutuoso Viana. São Paulo dos anos 20 era a cidade que melhor apresentava condições para a realização de tal evento. Tratava-se de uma próspera cidade, que recebia grande número de imigrantes europeus e modernizava-se rapidamente, com a implantação de indústrias e reurbanização. Era, enfim, uma cidade favorável a ser transformada num centro cultural da época, abrigando vários jovens artistas. Bem antes da Semana de Arte Moderna de 22 já se reuniam as forças que tornariam possível o evento. A exposição de Anita Malfatti em 1917, recém chegada dos Estados Unidos e da Europa, foram um marco para o Modernismo Brasileiro. As obras da pintora então afinadas com as tendências vanguardistas absorvidas nesses dois locais chocou grande parte do público e causou violentas reações da crítica conservadora. Ao redor dela reuniram-se jovens despertos para uma necessidade de renovação da arte brasileira. Além disso, traços dos ideais que a Semana propunha já podiam ser notados em trabalhos de artistas isoladamente que dela participaram (além de outros que foram excluídos do evento). Desde a exposição de Malfatti, havia dado tempo para que os artistas de pensamentos semelhantes se agrupassem. Em 1920, por exemplo, Oswald de Andrade já falava de amplas manifestações de ruptura, com debates abertos. Entretanto, parece ter cabido a Di Cavalcanti a sugestão de “uma semana de escândalos literários e artísticos, de meter os estribos na barriga da burguesiazinha paulistana.“ Artistas e intelectuais de São Paulo e do Rio de Janeiro, tendo Graça Aranha à frente, organizavam a Semana, prevista para se realizar em fevereiro de 1922. Uma exposição de artes plásticas – organizada por Di Cavalcanti e Rubens Borba de Morais, com a colaboração de Ronald de Carvalho, no Rio – acompanharia as demais atividades previstas. Graça Aranha, sob aplausos e vaias abriu o evento, com sua conferência inaugural “A Emoção Estética na Arte Moderna“. Anunciava “coleções de disparates“ como “aquele Gênio supliciado, aquele homem amarelo, aquele carnaval alucinante, aquela paisagem invertida“ (temas da exposição plástica da semana), além de “uma poesia liberta, uma música extravagante, mas transcendente” que iriam “revoltar aqueles que reagem movidos pelas forças do Passado.“ Mário de Andrade, com suas conferências, leituras de poemas e publicações em jornais foi uma das personalidades mais ativas da Semana. Oswald de Andrade talvez fosse um dos artistas que melhor representavam o clima de ruptura que o evento procurava criar. Manuel Bandeira, mesmo distante, provocou inúmeras reações de agrado e de ódio devido a seu poema “Os Sapos“, que fazia uma sátira do Parnasianismo, lido durante o evento. Entretanto, acredita-se que a Semana de Arte Moderna não tenha tido originalmente o alcance e amplitude que posteriormente foram atribuídos ao evento. A exposição de arte, por exemplo, parece não ter sido coberta pela imprensa da época. Somente teve nota publicada por participantes da Semana que trabalhavam em jornais como Mário de Andrade, Menotti del Picchia e Graça Aranha (justamente os três conferencistas, cujas idéias causaram grande alarde na imprensa). Yan de Almeida Prado, em 72, chegou mesmo a declarar que“ a Semana de Arte Moderna pouca ou nenhuma ação desenvolveu no mundo das artes e da literatura“, atribuindo a fama dos sete dias aos esforços de Mário e Oswald de Andrade. Além disso, discute-se o “modernismo“ das obras de artes plásticas, por exemplo, que apresentavam várias tendências distintas e talvez não tivessem tantos elementos de ruptura quanto seus autores e os idealizadores da Semana pretendiam. Houve ainda bastante confusão estilística e estrangeirismos contrários aos ideais da amostra, como demonstram títulos como “Sapho“, de Brecheret, “Café Turco“, de Di Cavalcanti, “Natureza Dadaísta”, de Ferrignac, “Impressão Divisionista“, de Malfatti ou “Cubismo“ de Vicente do Rego Monteiro. Logo após a realização da Semana, alguns artistas fundamentais que dela participaram acabam voltando para a Europa (ou indo lá pela primeira vez, no caso de Di Cavalcanti), dificultando a continuidade do processo que se iniciara. Por outro lado, outros artistas igualmente importantes chegavam após estudos no continente, como Tarsila do Amaral, um dos grandes pilares do Modernismo Brasileiro. Não resta dúvida, porem, que a Semana integrou grandes personalidades da cultura na época e pode ser considerada importante marco do Modernismo Brasileiro, com sua intenção nitidamente anti-acadêmica e introdução do país nas questões do século. A própria tentativa de estabelecer uma arte brasileira, livre da mera repetição de fórmulas européias foi de extrema importância para a cultura nacional e a iniciativa da Semana, uma das pioneiras nesse sentido.

Simbolismo

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Autoria: Felipe Andrade da Silva

O simbolismo foi uma característica da pintura européia nas últimas décadas do século XIX (em especial entre 1880 e 1890), bastante presente, apesar de não ter sido realmente organizado como um movimento. Possui estreita ligação com o movimento poético simbolista. Rejeitava as formas naturalistas e realistas e principalmente o conceito, bastante comum na época, de que a arte só poderia ser realizada através de imagens não abstratas que representassem com fidelidade o mundo real. O poeta Jean Moréas (1856 – 1910) foi um dos primeiros a rejeitar tais idéias artísticas em seu Manifesto Simbolista publicado em 1886, defendendo a aproximação da idéia numa forma sensível. O simbolismo nas artes plásticas, tal como na poesia, apresentava forte misticismo e referências ao oculto. Procurava diminuir o hiato entre o mundo material e o espiritual. Os pintores deveriam expressar, através de imagens, esses temas e essa visão de mundo, desenvolvidas pelos poetas simbolistas em sua linguagem. Utilizavam-se principalmente de cores e linhas, entendidos como elementos extremamente expressivos que por si só poderiam representar idéias. Confiavam mais na simples sugestão de algo que na sua forma explícita. A inspiração temática simbolista costumava vir de poesias do movimento, além de uma certa fixação em assuntos como a morte, a doença, o erotismo e até a perversidade. Há inúmeros artistas de estilos diferentes considerados simbolistas, por apresentarem traços do movimento em suas obras. Exemplos podem ser dados por nomes como Moreau, com a riqueza de suas pinturas exóticas, Puvis de Chavannes e a melancolia em seus quadros, Gauguin e suas imagens agradáveis. Até Munch é considerado, sob certos aspectos, um artista simbolista. Os simbolistas receberam sérias críticas de vanguardistas modernistas, em especial Cèzanne, pela forte presença do elemento decorativo de suas pinturas.

Surrealismo

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Autoria: Rhana Paula Pereira

O Surrealismo foi um Movimento fundado pelo poeta André Breton que a princípio tinha apenas expressão literária e caminhava ao lado do Dadaísmo. Posteriormente, Breton foi reunindo, em torno de si, artistas plásticos, muitos saídos do movimento Dadá (que já anunciava sua morte nos anos 20). A ênfase no caráter poético, mesmo quando passou para a pintura e a escultura (segundo alguns críticos os pontos mais fortes do Surrealismo, devido ao forte apelo das imagens na descrição de aspectos subconscientes) sempre foi uma de suas principais características. O Surrealismo foi profundamente ligado a uma filosofia de pensamento e ação, em que a liberdade era extremamente valorizada. Apesar de seu ativismo e até incongruência serem bem próximos ao dadaísmo, difere-se deste principalmente por ter uma vocação construtiva que faltava ao seu antecessor. Mesmo após ter sido extinto enquanto movimento, muitos artistas prosseguiram realizando suas obras a partir de suas premissas, como Miró, Dali e Frans Arp. É considerado o movimento mais forte e controverso do período entre guerras, tendo se espalhado pelo mundo inteiro e influenciado várias gerações. Além da França, foi especialmente forte nos EUA, inspirando, por exemplo, o Expressionismo Abstrato, principalmente pelo fato de que muitos artistas europeus acabaram se refugiar no país durante a Segunda Guerra. Desde o começo do movimento, Breton pretendia afinar a arte com a política contemporânea. Em 1925, no quinto número da Revista La Révolution Surréaliste, o artista já anuncia a adesão do Movimento ao Comunismo. O Surrealismo pretendia explorar a força criativa do subconsciente, valorizando um anti-racionalismo, a livre associação de pensamentos e os sonhos, norteado pelas teorias psicanalíticas de Freud. O automatismo, que buscava lograr o controle da mente racional através da expressão de um pensamento que não passasse por censuras, era uma das técnicas utilizadas pelos surrealistas. Foi um movimento (seguindo a tradição dos demais movimentos do século XX) composto por grandes individualidades, que deram importantes e diferenciadas contribuições para o Surrealismo. Seus principais expoentes foram: Hans Arp, Joan Miró, Kurt Schwitters, Marcel Duchamp, Max Ernst, Salvador Dali, André Masson, René Magritte, entre outros. Além disso, parte da incongruência associada ao movimento, além das diferenças pessoais entre seus vários membros, devia-se a pelo menos duas fortes e contraditórias tendências do Surrealismo: uma mais próxima ao dadaísmo e mais niilista, contrária a todos os conceitos de arte tradicional (exemplificada por Marcel Duchamp) e outra ainda guiada por valores estéticos (que pode ser representada, por exemplo, por Salvador Dali e Magritte). O alto grau de beleza estética que os trabalhos possuíam também eram considerados, de certa forma, contraditórios ao princípio do acaso e do automatismo como métodos de produção. O frottage, desenhos a partir de “decalques“ sobre superfícies irregulares e a colagem (ver verbete), montagens predominantemente incongruentes, eram alguns métodos utilizados pelos surrealistas para explorar suas potencialidades inconscientes. Os principais adeptos do primeiro método eram Max Ernst (inventor do método, entre suas obras, “Histoire naturelle“, de 1929), Miró e Masson, enquanto expressivos trabalhos de collage foram realizados por Kurt Schwitters e até pelo poeta André Breton. Uma das muitas provas de que as influências do Surrealismo extrapolaram as fronteiras de um movimento (além da inspiração que forneceu a vários artistas e gerações) pode ser exemplificada por obras de Picasso como “Guernica“, bastante próximas das premissas artísticas propostas pelos surrealistas, apesar dele mesmo nunca ter pertencido ao grupo.

Tarcila do Amaral

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Autoria: Paulo Roberto de Souza

Tarsila do Amaral (1886 – 1973) é uma das principais pintoras da arte brasileira moderna. Sua enorme importância parte principalmente de sua habilidade em concretizar os ideais modernistas unindo, à brasilidade de suas obras, influências daquilo que estava sendo produzido de mais atual na Europa em sua época. Nasceu em Capivari, interior de São Paulo e somente começou a se interessar pelas artes plásticas em 1916, perto dos trinta anos. Estudou com escultores e pintores que estavam no país e acabou mudando-se para a Europa em 1920, cursando a Academia Julians e o ateliê do retratista de moda Émile Renard, que parece ter orientado Tarsila em direção às vanguardas. Entretanto, as pinturas de Tarsila, expostas no Salão dos Artistas Franceses em 1922, ainda não revelavam a profunda importância que caberia à artista para a construção do Modernismo brasileiro. A volta de Tarsila do Amaral ainda em 1922 parece ter sido mais significativa para orientá-la em direção às vanguardas do que os anos passados em Paris. Liga-se então ao Grupo Klaxon (Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Menotti del Picchia, Sérgio Buarque de Holanda, etc). Posteriormente, Tarsila, Anita Malfatti, Mário e Oswald de Andrade e Menotti del Picchia formariam o Grupo dos Cinco. A partir dessas experiências, decide retornar a Paris em 1923 com o firme propósito de dedicar-se seriamente à pintura modernista. Nesse mesmo ano já na tela “A Negra” podem ser notados os primeiros indícios do trabalho que a pintora iria posteriormente desenvolver. Em Paris, Tarsila absorve principalmente o Cubismo, estudando com artistas como Fernand Léger e Albert Gleizes, (após uma primeira fase com o bom professor André Lhote, que libertou-a do Impressionismo que marcava algumas de suas obras, como “Paquita, a Espanhola”, de 1923). Picasso, De Chirico, Breton e Stravinsky eram alguns dos artistas que entraram em contato na cidade francesa. De volta ao Brasil, uma viagem realizada em 1924 às cidades históricas mineiras (cabe acentuar a importância dessas cidades e do barroco para nossos modernistas) atua como catalisadora da fase da obra da artista conhecida como “pau- brasil”. Nela reúne ingredientes brasileiros, como tipos e costumes “caipiras”, paisagens e aspectos da cidade grande tratados através de construções cubistas. São exemplos dessa fase “A Gare”, de 1925, “São Paulo”, de 1924, “O Vendedor de Frutas”, de 1925 e “Religião Brasileira”, de 1927. Em 1926 Tarsila do Amaral se casaria com Oswald de Andrade. Dois anos depois começaria sua fase mais importante: a antropofágica. Tarsila chegou a dizer que realizou “Abaporu“, o marco inicial dessa fase, pensando em impressionar Oswald de Andrade. O espanto do artista com a enorme e deformada figura em tons terrosos do quadro, tendo atrás de si um cacto e o sol, inspirou-lhe na criação do Movimento Antropofagia, juntamente com Raul Bopp. Nessa mesma linha de Abaporu, seguem-se, pintados entre 1928 e 1929, “Urutu”, “Antropofagia”, “Sol Poente” e “Cartão Postal”. Em 1931 a artista vai para Europa e expõe no Museu de Arte Moderna Ocidental de Moscou. Essa viagem exerceu grande influência sobre Tarsila que, ao retornar, começa sua fase social, inspirada nas pinturas socialistas com essa temática. “Operários”, com seus vários rostos tendo ao fundo uma fábrica é um ótimo exemplo desse período. Em 1932 torna-se uma das fundadoras da Sociedade Pró-Arte Moderna SPAM. A partir daí retornaria a temas anteriores, como os da fase pau-brasil, a antropofagia (“Primavera”, de 1946), repetindo-se. Um maior lirismo foi acrescido à essas fases. Acredita-se que do pós-guerra até sua morte, em 1973, seus trabalhos não apresentaram tanta criatividade como os do começo de carreira, entretanto, Tarsila do Amaral pode ser considerada uma das principais pintoras brasileiras.