Intimismo

0

Autoria: Danielly Maria Orlando

Essa denominação é freqüentemente dada às obras do francês Pierre Bonnard (1867 – 1947) e Édouard Vuillard (1868 – 1940), que apresentam certas características técnicas semelhantes ao Impressionismo. De uma maneira geral, são normalmente pinturas de genre naturalistas (pinturas de gênero, um ramo de obras normalmente inspiradas na vida cotidiana), de aspectos domésticos. Bonnard era um sereno pintor e artista gráfico. Em Paris desde 1888, encantou-se com a obra de Gauguin, formando o grupo Nabis. Posteriormente, entra em contato com Vuillard e com o amigo desenvolve seu estilo refinado de representação de cenas domésticas. Seus trabalhos apresentam entre as principais características uma preservação do estilo impressionista e um efeito de bem-estar muito ajudado pelo uso de cores. Foi bastante apreciado em sua época, tendo sido eleito membro da Royal Academy de Londres (apesar de ser francês) em 1940. É considerado um dos principais “pintores puros“ de sua época. Vuillard também foi membro do grupo Nabis, em Paris. Suas principais influências foram Gauguin e Puvis de Chavannes. Os interiores e o Montmartre já eram suas preferências temáticas antes do encontro com Bonnard e da caracterização de suas obras como intimista. Considerado o principal pintor intimista, há obras suas em grandes museus do mundo. Costumava captar imagens de pessoas em ambientes descontraídos, como os jardins de suas próprias casas, ou grupos conversando distraidamente. Normalmente retratava em seus trabalhos pessoas de seu próprio círculo, como amigos e familiares.

Jovem guarda

0

Autoria: Diego Neves

“O futuro pertence à jovem guarda porque a velha está ultrapassada.”
Vladimir Lênin
O INICIO E FIM

Num sentido exato, a expressão Jovem Guarda designou programa da TV Record, de São Paulo SP, estreado em setembro de 1965 e findo em 1969, comandado por Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia; mas tem sido comumente empregada para definir gênero musical, a versão brasileira do rock internacional

Em 1963, um renovado Roberto Carlos apereceu com Splish Splash (versão de Erasmo para música de Bobby Darin), rock que daria título ao seu LP daquele ano. Parei na Contramão, o sucesso seguinte, abriu o caminho para o seu grande estouro: O Calhambeque. Com isso, Roberto não só renovou sua inscrição no clube do rock, como iniciou seu reinado naquele cenário que mais tarde seria conhecido como Jovem Guarda. Calhambeque seria o destaque de seu LP seguinte, É Proibido Fumar, cuja faixa-título tornou-se outro clássico. O grande parceiro de Roberto, Erasmo Carlos, também começava nessa época sua carreira solo, com o sucesso Minha Fama de Mau.

Mais do que uma boa idéia para preencher o horário que ficou vago por causa da proibição da transmissão direta dos jogos do campeonato paulista de futebol, mais do que uma excelente forma de derrotar o Festival da Juventude (líder de audiência da TV Excelsior desde 1964) e de vender um monte de quinquilharias (de discos a calças, blusas e até bonecas), o programa Jovem Guarda foi o catalizador de um movimento que pôs a música brasileira em sintonia com o fenômeno internacional do rock (a esta altura, no seu segundo momento, o da invasão britânica liderada pelos Beatles) e deu origem a toda uma nova linguagem, musical e novos padrões de comportamento. surgiu a idéia de um programa de televisão, concretizado pela TV Record paulista, na época grande investidora em musica popular. Inicialmente o programa deveria chamar-se Festa de Arromba.

Com o nome definitivo de Jovem Guarda, o programa foi ao ar pela primeira vez em setembro de 1965, reunindo Roberto Carlos, Erasmo Carlos e Wanderléia, os cantores Eduardo Araújo, Sérgio Murilo, Agnaldo Rayol, Reynaldo Rayol, Martinha, Cleide Alves, Meyre Pavão, Rosemary e os grupos The Jordans, The Jet Blacks, Renato e seus Blue Caps, Os Incríveis e Golden Boys. Rapidamente, a Jovem Guarda tornou-se uma das grandes atrações da emissora, reunindo grandes platéias de adolescentes no Teatro Record, mas foi a partir de 1966, com o grande sucesso de Roberto Carlos e Erasmo Carlos Quero que vá tudo pro inferno, que o programa tomou proporções nacionais e passou a ser sinônimo de movimento ou tendência musical. Outros artistas se juntaram ao grupo inicial: Ronnie Von, Vanusa, De Kalafe, Deny e Dino, Leno e Lilian, Antônio Marcos, Os Vips, Os Brasões, The Pops, entre outros. Seguindo o exemplo da Apple, promotora dos Beatles, a agência de publicidade Magaldi, Maia.

Vários compositores de outras áreas começaram então a se interessar pelos ritmos da Jovem Guarda, como Jorge Ben, que passou a freqüentar o programa, e os baianos Gilberto Gil e Caetano Veloso, que, aconselhados pela cantora Maria Bethânia, incorporaram ao seu trabalho elementos do iê-iê-iê, como as guitarras que acompanhavam Domingo no parque e Alegria, alegria, no III FMPB, da TV Record, em 1967.
Segundo Erasmo Carlos, foi justamente a Tropicália – movimento que Gil e Caetano fundaram nesse período – uma das principais causas do esvaziamento da Jovem Guarda. “A Tropicália – diz ele – era uma Jovem Guarda com consciência das coisas, e nos deixou num branco total”. Mas, antes de se extinguir totalmente no inicio de 1969, diluída pela superexposição ao consumo, pelo cansaço e esgotamento criativo de seus participantes e pelos prejuízos que levaram Magaldi, Maia & Prosperi a desistir dos esquemas comerciais, a Jovem Guarda deixou sua contribuição, alimentando vários programas semelhantes na televisão, como a Festa do Bolinha, de Jair de Taumaturgo, na TV-Rio carioca, e publicações especializadas, como a revista Reis do iê-iê-iê, sucessora do que a Revista do rock tinha sido para o rock’n’roll brasileiro na década de 1950. Além de projetar nacionalmente alguns de seus ídolos, o movimento foi em grande parte responsável pela posterior assimilação de instrumentos eletrônicos na musica brasileira de todas as tendências e pela fusão de informações estrangeiras e dados nacionais que caracterizou a produção musical na década de 1970.

No inicio da década seguinte, Léo Jaime, os Titãs, a Blitz e outros interpretes e grupos roqueiros retomaram a musicalidade simples e direta da Jovem Guarda, constituindo a Nova Jovem Guarda. Em 1995, remanescentes da Jovem Guarda se reuniram para comemorar os 30 anos do movimento, gravando uma caixa de cinco CDs para a Polygram, onde recriam os antigos sucessos, e fazendo uma serie de shows com êxito nacional: Wanderléia, Erasmo Carlos, Ronnie Von, Bobby de Carlo, Os Vips, Os Incríveis, Martinha, Leno e Lilian, Golden Boys e outros. Ainda em 1995, a Paradoxx lançou dois CDs com vários artistas da Jovem Guarda, mas gravados ao vivo, nos shows comemorativos; e, no ano seguinte, a revista Caras colocou no mercado uma coleção de seis CDs e fascículos, contando a historia da Jovem Guarda e com remasterizações das gravações originais.

MÚSICAS DESTACADAS
A baixo está a relação das músicas, cantores e cantoras que se destacaram na Jovem-Guarda.

Quero Que Vá Tudo Pro Inferno – Roberto Carlos
Calhambeque – Roberto Carlos, versão para Road Hog, de John Loudermilk
Festa de Arromba – Erasmo Carlos
Pode Vir Quente Que Eu Estou Fervendo – Erasmo Carlos
Gatinha Manhosa – Erasmo Carlos
O Bom – Eduardo Araújo
Prova de Fogo – Wanderléa
Menina Linda – Renato & Seus Blue Caps, versão para I Should Have Known Better, dos Beatles
Pensando Nela – Golden Boys, versão para Bus Stop, do The Hollies
Pobre Menina – Leno & Lilian, versão para Hang on Sloopy, do The McCoys
Coruja – Deny & Dino
Tijolinho – Bobby Di Carlo
Coração de Papel – Sérgio Reis
Eu Daria Minha Vida – Martinha
Era um Garoto que Como Eu Amava os Beatles e os Rolling Stones – Os Incríveis, versão de música do italiano Gianni Morandi

As Curvas da Estrada de Santos
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Int.:
Se você pretende saber quem eu sou

Eu posso lhe dizer

Entre no meu carro na estrada de Santos

E você vai me conhecer

Você vai pensar que eu não gosto nem mesmo de mim

E que na minha idade só a velocidade

Anda junto a mim

Só ando sozinho

E no meu caminho o tempo é cada vez menor

Preciso de ajuda

Por favor me acuda

Eu vivo muito só

Se acaso numa curva eu me lembro do meu mundo

Eu piso mais fundo

Corrijo num segundo

Não posso parar

Eu prefiro as curvas da estrada de Santos

Onde eu tento esquecer

Um amor que eu tive

E vi pelo espelho na distância se perder

Mas se o amor que eu perdi eu novamente encontrar

As curvas se acabam

E na estrada de Santos não vou mais passar

Eu Sou Terrível
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Int.:
Eu sou terrível e é bom parar

De desse jeito me provocar

Você não sabe de onde venho

O que eu sou, nem o que tenho

Eu sou terrível, vou lhe dizer

Que ponho mesmo pra derreter

Estou com a razão no que digo

Não tenho medo nem do perigo

Minha caranga é máquina quente

Eu sou terrível e é bom parar

Porque agora vou decolar

Não é preciso nem avião

Eu vôo mesmo aqui no chão

Eu sou terrível, vou lhe contar

Não vai ser mole me acompanhar

Garota que andar do meu lado

Vai ver que eu ando mesmo apressado

Minha caranga é máquina quente

Eu sou terrível…

Minha Fama de Mau
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Int.: A
A
Meu bem às vezes diz que deseja ir ao cinema
A
Eu olho e vejo bem que não há nenhum problema
D
Eu digo não, por favor, não insista e faça pista
A
Não quero torturar meu coração
E D
Garota ir ao cinema é uma coisa normal
A E
Mas é que eu tenho que manter a minha fama de mau
A
Meu bem chora, chora e diz que vai embora

Exige que eu lhe peça desculpas sem demora
D
Eu digo não, por favor, não insista e faça pista
A
Não quero torturar meu coração
E D
Perdão a namorada é uma coisa normal
A E
Mas é que eu tenho que manter a minha fama de mau
A
E digo não, não, não
A F#
Perdão a namorada é uma coisa normal
B7 E7 A F#
Mas é que eu tenho que manter a minha fama de mau

Namoradinha de um Amigo Meu
(Roberto Carlos)

Am
Estou amando loucamente
Em
A namoradinha de um amigo meu
Am
Sei que estou errado
Em
Mas nem eu mesmo sei como isso aconteceu
Dm G Dm G
Um dia sem querer olhei no seu olhar
Dm E Am Dm E
E disfarcei até pra ninguém notar
Am
Não sei mais o que faço
E
Pra ninguém saber que estou gamado assim
Am
Se os dois souberem
Em
Nem mesmo sei o que eles vão pensar de mim
Dm G Em G
Eu sei que vou sofrer, mas tenho que esquecer
Dm E Am
O que é dos outros não se deve ter
Dm Am Dm Am
Vou procurar alguém que não tenha ninguém

Pois comigo aconteceu
Em Am
Gostar da namorada de um amigo meu (2x)

Pode Vir Quente Que Eu Estou Fervendo
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Int.: Am F G Am
Se você quer brigar
F G Am
E acha que com isso estou sofrendo

Se enganou meu bem
F G Am
Pode vir quente que eu estou fervendo
D7
Pode tirar seu time de campo

Que o meu coração é do tamanho de um trem

Iguais à você já apanhei mais de cem
F G E7 (Am)
Pode vir quente que eu estou fervendo

Se Você Pensa
(Roberto Carlos e Erasmo Carlos)

Int.:
Se você pensa que vai fazer de mim

O que faz com todo mundo que te ama

Acho bom saber que pra ficar comigo vai ter que mudar

Você tem a vida inteira pra viver

E saber o que é bom e o que é ruim

Acho bom pensar depressa e escolher antes do fim

Daqui pra frente, tudo vai ser diferente

Você tem que aprender a ser gente

O teu orgulho não vale nada

Você não sabe

Nem nunca procurou saber

Que quando a gente ama pra valer

O bom é ser feliz e mais nada

CANTORES

Antônio Marcos
Erasmo Carlos
Fevers, The
Incríveis, Os
Jerry Adriani
Jorge Ben Jor
Leno e Lilian
Reginaldo Rossi
Renato e Seus Blue Caps
Roberto Carlos
Ronnie Von
Sergio Reis
Tim Maia
Vanusa
Wanderléa
Wanderley Cardoso

INFLUENCIA

Em pouco tempo, a moda adotada pelos apresentadores da Jovem-Guarda tinha se espalhado pelo país (e dá-lhe calças colantes de duas cores em formato boca-de-sino, cintos e botinhas coloridas, minissaia com botas de cano alto), bem como seus gestos e gírias – broto, carango, legal, coroa, cuca, barra limpa, barra suja, lelé da cuca, mancada, pão, papo firme, maninha, pinta, pra frente e, “É uma brasa, mora?”, tudo veio da Jovem Guarda.

Prosperi passou a coordenar industrialmente a imagem do trio central da Jovem Guarda, criando as marcas Calhambeque, Tremendão e Ternurinha para uma série de produtos que ia de bonecas a calças e blusas.

Lasar Segall

0

Autoria: Anônimo

Lasar Segall (1891 – 1957) nasceu na comunidade judaica de Vilna, Lituânia, tendo mudado para o Brasil em 1923 e posteriormente adquirido cidadania brasileira. Durante sua carreira, seu estilo sofreu várias influências, mas alguns temas recorrentes em sua obra já aparecem desde as primeiras produções, como o universo judaico, a perseguição aos povos (em especial os judeus) e a ênfase na figura humana. Em seus primeiros trabalhos podem ser notadas inspirações cubistas e impressionistas. Entretanto, em 1910, tendo se mudado para Dresden, onde viveu até 1921, absorve a forte influência expressionista da cidade que havia sido berço do grupo Die Brücke (a Ponte), adotando a deformação e a síntese em suas pinturas. Durante esse período em Dresden, a Alemanha passa por grave crise e forte agitação social e artística. Segall toma parte na mobilização do país, priorizando em suas representações as figuras desprivilegiadas socialmente. Trata-se de uma geração expressionista mais desesperançada pela realidade social que aquela que dá origem ao movimento. As figuras humanas são perdidas, especialmente deformadas nos pés, mãos e cabeças. “Auto Retrato II“, de 1919, com forte influência das máscaras africanas, é ilustrativo dessa fase. Cabe ressaltar que o expressionismo de Segall é considerado um expressionismo “construído“, uma vez que a deformação nunca foi levada às últimas conseqüências e há uma inclinação para a busca de ordem. Os desenhos – que limitam as cores – ainda são de grande importância para Segall (após chegar ao Brasil, sua pintura vai progressivamente dando menor ênfase ao desenho e privilegiando mais as cores). São dessa fase em Dresden telas como “Aldeia Russa“, de 1912, “Eternos Caminhantes“ de 1919 e o álbum “Bubu“, de 1921. Após uma estadia em Berlim entre 1921 e 1923, muda-se para o Brasil em 1923, impressionando-o muito o cenário, as cores e o povo do país que marcaria, a partir de então, profundamente sua obra. Afirma ter descoberto a cor e a luz no país. Mesmo quando de sua curta volta à Europa, entre 1928 e 1932, realiza várias telas a partir das lembranças brasileiras, como os negros, as plantas tropicais, as favelas. É ainda durante esse período que começa a esculpir, misturando a pintura e a escultura em obras como “Duas Mulheres“, de 1929 ou “Dois Nus“, de 1930. Por outro lado, é por seu intermédio que o Brasil passa a ter maior contato com o expressionismo (suas obras são as primeiras telas expressionistas a serem aqui exibidas). Acaba por juntar-se aos artistas brasileiros que buscavam uma revolução na arte através do movimento modernista, atuando como grande influência para eles. Em 1932, já é um dos fundadores da Sociedade pró Arte Moderna (existente até 1935). Rapidamente passa a ser admirado por personalidades do modernismo brasileiro como Mário de Andrade e Oswald de Andrade (para quem inclusive realizou ilustrações de obras, como “Poesias Reunidas“). Continua suas experiências com a pintura e a escultura, principalmente utilizando-se de paisagens, retratos e naturezas-mortas. “Jovem de Cabelos Compridos“, de 1942, é um exemplo da junção dessas técnicas. Com a Segunda Guerra Mundial, o artista, que sempre teve inclinação para a temática social, dedica-se ainda mais à produção de obras dramáticas, demonstrando o destino trágico de grupos humanos. São exemplos desse tipo de telas grandiosas “Pogrom“, de 1937 e “Navio de Emigrantes“, 39/41. Seus últimos trabalhos caracterizam-se por uma maior serenidade e forte presença harmoniosa e sutil da luz e da cor, como demonstram “Floresta Crepuscular“, de 1956, ou “Rua de Erradias I“, também de 1956. Livros e edições de revistas brasileiras e estrangeiras foram dedicados à sua obra, além de filmes e documentários. Após sua morte, sua casa e estúdio acaba virando sede do Museu Lasar Segall, dedicado ao artista.

Maneirismo

0

Autoria: Aparecida dos Anjos Gonçalves

Após o aparecimento de Leonardo da Vinci, Rafael e Michelângelo, muitos artistas italianos tentaram buscar uma nova arte, contrária aos princípios da alta renascença. Trata-se de uma arte mais turbulenta, em que se buscavam idéias novas, invenções que surpreendessem, insólitas, cheia de significados obscuros e referências à alta cultura. Acredita-se que tenha sido influenciada ainda pela contra-reforma católica e pelo clima de inquietação do momento. O estilo artístico que daí decorre recebe o nome de maneirismo e faz a passagem entre a alta renascença e o barroco, apresentando alguns elementos ora mais próximo de uma escola, ora de outra. Seu período estende-se de mais ou menos 1520 ao fim do século XVI. O termo maneirismo, derivando da palavra italiana maneira (estilo), pode nos dar mais informações sobre esse tipo de arte. Utilizada pelo pintor, arquiteto e teórico de estória da arte da época, Vassari, no sentido de graça, sofisticação, estabilidade, elegância. Por extensão a denominação prosseguiu para a arte análoga à realizada pelo artista. Entretanto esse novo estilo foi visto com desconfiança pelos críticos até o nosso século. Eles consideravam-na uma arte menor, uma falha de compreensão por parte dos artistas da época sobre a arte dos grandes mestres, imitações sem alma. O próprio termo maneirismo, relacionado ao mau gosto e excesso. Entretanto, mais ou menos no período entre as duas guerras mundiais, os artistas de então passaram a ser melhor compreendidos e admirados pelos críticos. Entre as obras de Giorgio Vassari (1511 – 1574), estão os afrescos do grande salão do Palazzo della Cancelleria, em Roma (mostrando a vida do papa Paulo III) . Entretanto, ele é mais conhecido por seu livro “A Vida dos Artistas“ – uma das principais fontes de informações sobre a Itália Renascentista e por seus conceitos e opiniões artísticas que acabaram por pautar, durante longo tempo, o trabalho dos críticos e historiadores de arte que o seguiram. Dentro do maneirismo são colocados vários artistas que desenvolveram atividades no período e é grande a diversidade das obras. Entretanto, podemos destacar, como outros nomes importantes, que ajudaram na “ formação“ da escola (que até hoje não se encontra muito clara para os pesquisadores), além de Vassari, Rosso Fiorentino (1494 – 1540) e Jacopo Pontormo (1494 – 1557), na pintura e Benvenuto Cellini (1500 – 1571) e Giovanni da Bologna (1529 – 1608), na escultura e Giulio Romano (1492 – 1546), na arquitetura. Mas talvez seja na Escola Veneziana que podemos encontrar o maior mestre do período: o pintor Tintoretto (Jacopo Robustini; 1518 – 1594). Enquanto grande parte dos artistas do período contentavam-se em imitar os mestres, ele utilizou-se de maneira extremamente pessoal e crítica o aprendido com suas maiores influências: Michelângelo e Ticiano. Era conhecido por sua grande imaginação, por sua composição assimétrica e por produzir grandes efeitos dramáticos em suas obras, sacrificando, às vezes, até as bases da pintura desenvolvida por seus antecessores (como, por exemplo “a suave beleza“ de Giorgione E Ticiano). Seu quadro São Jorge e o Dragão, retratando o auge da batalha entre as duas figuras, através de um jogo de luz e tonalidades, produzem grande tensão. Em alguns países da Europa, (principalmente a França, Espanha e Portugal), o maneirismo foi o estilo italiano quinhentista que mais se adaptou à própria cultura desses países, encontrando mais seguidores que a própria arte da alta renascença.

Modernismo no Brasil

0

Autoria: Inaldo Antônio Prati

O Brasil passava por profundas modificações sociais, políticas e econômicas no início do século. Entretanto, no terreno artístico não caminhava com a mesma velocidade. Ainda eram admirados os pintores ligados ao século passado e o parnasianismo de Olavo Bilac e Coelho Neto, indiferentes às rupturas que a Europa e os Estados Unidos por essa época imprimiam à arte. Por outro lado, havia um grande número de jovens artistas em contato com as mudanças que a arte estrangeira sofria e paralelamente, influenciados pelo nacionalismo, já presente na nossa arte desde o final do século anterior (com os temas mais associados ao Romantismo). A primeira mostra de arte não acadêmica realizada no Brasil foi feita por um estrangeiro, Lasar Segall, em 1913, nas cidades de São Paulo e Campinas. Entretanto, apesar do pioneirismo de Segall, suas exposições não causaram grande repercussão, provavelmente por ter sido muito prematura para a arte brasileira. A exposição de Anita Malfatti parece ter sido o estopim para a reunião desses artistas ansiosos por mudanças. Posteriormente, o encontro de alguns dos principais futuros líderes Modernistas com a arte de Brecheret, recém voltado da Europa, também teve grande importância no surgimento da chama Modernista. Em 1922, possivelmente através de uma sugestão de Di Cavalcanti, a Semana de Arte Moderna seria realizada, marco do Modernismo brasileiro. Reunindo diversas atividades como leituras de poemas, espetáculos de dança e exposição de artes plásticas o evento iria sacudir São Paulo dos anos 20. Buscava que a arte brasileira estivesse tão atualizada quanto a internacional, nada devendo àquela em qualidade e, ao mesmo tempo, conservasse as características nacionais. Mesmo não tendo a repercussão que posteriormente foi atribuída a ela, o evento foi bastante significativo por reunir artistas talentosos ansiosos por renovações. Logo após sua realização, importantes artistas que dela participaram partiam para a Europa, enquanto outros nomes fundamentais dessa fase de nosso modernismo chegavam do continente. É o caso de Lasar Segall, que vinha fixar-se no Brasil, trazendo grandes contribuições e de Tarsila do Amaral, uma das pioneiras em concretizar os ideais da Semana de Arte Moderna, aliando a brasilidade a elementos das vanguardas européias. A partir de 1924, começam a surgir as divisões do Movimento Modernista, principalmente a partir do pau- brasil (Oswald de Andrade, Tarsila do Amaral, entre alguns membros) e do verde- amarelo (Menotti del Picchia e Plínio Salgado, como alguns dos representantes). A valorização do caráter nacional era importante para as duas correntes, entretanto o pau-brasil não abria mão da atualização da arte brasileira, tomando como parâmetro as produções internacionais, enquanto o verde-amarelo era mais apegado às tradições e cauteloso em relação aos movimentos vanguardistas estrangeiros. Divergências políticas, ideológicas e sociais profundas acabariam por afastar cada vez mais essas duas correntes do modernismo brasileiro. A Antropofagia, inspirada no quadro Abaporu de Tarsila do Amaral e liderada por Oswald de Andrade e Raul Bopp – com seus objetivos de rompimento com a arte e a história anteriores ao movimento e seu objetivo de “devorar” as culturas estrangeiras, assimilando delas o que fosse considerado importante pelo grupo brasileiro – e o Grupo da Anta – reafirmando a cultura brasileira, afastando-se das influências estrangeiras e posteriormente desdobrando-se no Integralismo – acabariam por polarizar ainda mais a discussão modernista brasileira. À década de 30 coube sedimentar e oficializar as conquistas modernistas. Movimentos artísticos europeus, principalmente o Expressionismo e o Cubismo inspiravam então artistas como Cândido Portinari, Guignard e Bruno Giorgi. Dois outros importantes nomes dessa fase modernista como Ismael Nery e Cícero Dias (Cícero principalmente em suas primeiras obras) eram mais pautados pelo Surrealismo. O poder público passa a apoiar o Modernismo e se São Paulo tinha sido o principal foco difusor dos primeiros tempos do Modernismo, agora caberia ao Rio de Janeiro esse papel. A passagem de Le Corbusier e Frank Lloyd Wright pelo Brasil (1929 e 1931) chama a atenção dos artistas para as possibilidades da integração das artes, renovando a arquitetura brasileira, nela incluindo a nova pintura, escultura, paisagismo e decoração. A temática social passaria ser grande fonte de inspiração para a geração Modernista dessa década e a técnica, que tinha assumido uma posição secundária durante os anos 20, volta a ser valorizada. Surgiam importantes focos como o Núcleo Bernardelli (1931 – 1940) no Rio de Janeiro, preocupado em democratizar o ensino de artes plásticas e apontando para um Modernismo moderado. Em São Paulo surgiria a Sociedade Pró- Arte Moderna (SPAM), em 1932, reunindo artistas e promovendo uma série de atividades divulgando seus trabalhos. Ainda em São Paulo surgiria o Clube dos Artistas Modernos (CAM), dissidência da SPAM, bastante ativo e irreverente, próximo ao espírito das primeiras épocas modernistas. Em 1934 dissolve-se a SPAM e o CAM e após um período relativamente morno de três anos surgem dois diferentes grupos: O Salão de Maio e a Família Artística Paulista. A Família Artística Paulista, que vinha de reuniões no atelier do Santa Helena, marca uma grande diferenciação no Modernismo brasileiro: ao invés dos intelectuais que lideravam suas primeiras manifestações, esse grupo reunia artistas de origem proletária, que costumavam exercer profissões artesanais e com forte tradição italiana (devido à imigração intensa em São Paulo no período), cultivando temas mais intimistas e cotidianos. Enquanto o Salão de Maio buscava ainda a sincronia com movimentos artísticos estrangeiros contemporâneos e desprezava a valorização técnica da Família Artística Paulista, este último procurava repensar o modernismo desde 1922, separando os legados benéficos daquilo considerado radical. Encerra suas atividades em 1940. O Modernismo até então, salvo alguns esforços de artistas isolados, permanecia restrito ao eixo Rio-São Paulo. Em 1944, uma exposição modernista em Minas Gerais, patrocinada pela prefeitura da capital do estado na gestão de Juscelino Kubitschek, marcaria o início do Modernismo nesse estado. Minas então passaria a ser extremamente importante para o movimento no período, produzindo grandes artistas. 1944 também marca o início do Modernismo baiano, seguido pelo Paraná e Recife (este último em 1948). O Ceará já desde 1941 abrigava manifestações Modernistas. Entretanto, é importante lembrar que o Modernismo brasileiro surgiu com a intenção de ser um movimento de vanguarda, numa época em que na Europa estava havendo um refluxo e uma tendência contrária, a de volta à ordem. Enquanto a Europa procurava romper com o peso da arte passada e o abstracionismo era extremamente valorizado, no Brasil o Modernismo assumia mais a função de promover uma atualização da arte brasileira capaz de ajudar na consolidação da identidade nacional e não abria mão do figurativismo. As vanguardas européias tinham caráter universal , enquanto o Modernismo brasileiro buscava expressar as particularidades nacionais, assimilando para isso aquilo que lhe interessava nas propostas de arte Moderna que chegavam do velho continente. A partir principalmente de meados da década de 40 e o pós-guerra uma arte não-figurativa começa a ser praticada e valorizada por artistas brasileiros. Principalmente na década de 50 o abstracionismo surge como forte expressão modernista. Inspirados no neoplasticismo, construtivismo, na Bauhaus e no artista americano Max Bill começam as primeiras manifestações do Movimento Concreto em São Paulo e no Rio de Janeiro. O abstracionismo calculado matematicamente, o anti-romantismo, a integração das artes e o racionalismo eram valorizados pelos concretistas. Em São Paulo surge o grupo Ruptura, liderado por Waldemar Cordeiro, mais ortodoxos e contrário à subjetividade. No Rio de Janeiro, em torno de Ivan Serpa, surge o Grupo Frente, menos homogêneo que o paulista e mais baseado na liberdade de criação. A I Exposição Nacional de Arte Concreta intensifica as divergências entre os grupos das duas cidades. Surge então o neo-concretismo, originado principalmente a partir do grupo carioca, contrário à rigidez concretista dos paulistas e mais preocupado com a expressão. A experimentação passa a ser de extremo valor para os neo-concretos. Destacam-se os neo-concretos Lygia Clark e Hélio Oiticica como artistas de grande contribuição para a discussão do papel da arte e do artista, permanecendo como importantes figuras de vanguarda nacional, mesmo após a dissolução do movimento. Um abstracionismo mais lírico também marcou presença na década de 50, bem como a influência do expressionismo abstrato norte-americano. Manabu Mabe foi um dos artistas nipo-brasileiros mais receptivos à essas tendências. Os anos 60 marcam o fim do Modernismo Brasileiro, sendo extremamente diversificada a produção artística no país nas décadas seguintes.

Naturalismo

0

Autoria: Adriano Afonso Diniz

Esse termo normalmente refere-se a trabalhos de arte baseados na observação dos objetos que representam e não em estilizações ou conceitos pré-forjados a respeito dos mesmos. Em seu sentido mais amplo, seria a aproximação máxima realizada pelo artista entre a obra e a natureza daquilo que pretendia ser representado. Entretanto, uma obra em que não pode ser observada uma rígida preocupação em descrever algo com o máximo de detalhes verossímeis, ainda assim (em alguns casos) pode ser considerada naturalística, se apresentar coerência com o aspecto geral. Os gregos são os primeiros a receberem a denominação de naturalistas na História da Arte, principalmente devido a sua produção do Período Clássico. Apesar da idealização de uma beleza física (conhecida como padrão de beleza clássico), suas obras são baseadas no estudo e na observação das estruturas do corpo humano. A idealização, portanto, não aparece aqui como antônimo de naturalismo. Os renascentistas italianos também são conhecidos pelo naturalismo em suas obras, uma vez que esse era um dos padrões estéticos da arte grega que pretendiam resgatar. Além disso, costuma-se usar a expressão arte naturalista em oposição à arte abstrata, ou como sinônimo de realismo (note-se que realismo, quando em letra maiúscula, refere-se a uma escola presente na História da Arte e nesse sentido, não é correto o uso indistinto dos dois termos). Pode ainda referir-se a uma escola pictórica determinada. Nesse caso é designada para nomear os caravaggistas, artistas bastante influenciados pelo estilo do italiano Caravaggio, que fazia questão de ressaltar em suas obras a verossimilhança, independente de um resultado final agradável. O crítico de arte e colecionador italiano Giovanni Pietro Bellori (1615 – 1696), conhecido por seus estudos do período barroco, foi o primeiro a utilizar-se desse termo pretendendo designar essa escola.

Neoclassicismo

0

Autoria: Anna Eliza de Loudes

O Neoclassicismo foi tendência dominante na arte européia entre o final do século XVIII e início do século XIX. Caracteriza-se principalmente pela revalorização dos valores artísticos gregos e romanos, provavelmente estimulada pelas escavações e descobertas que estavam sendo realizadas no período nos sítios arqueológicos de Pompeu, Herculano e Atenas. Os heróis gregos e a simplicidade da arte eram alguns aspectos extremamente admirados dessas civilizações. A valorização do passado que o Movimento propôs é uma de suas principais características que levam a uma boa parte dos críticos crerem que o Neoclassicismo pode ser visto como uma face do Romantismo . O aparecimento do Neoclassicismo também é considerado uma reação contra os exageros do Rococó, cultuando principalmente a razão, a ordem, a clareza, a nobreza e a pureza, atributos que acreditavam ser inerentes às culturas gregas e romanas. A valorização desses aspectos parece ainda estar intimamente relacionada à época histórica do Movimento, chamado Iluminismo ou “ Era da Razão “ . Roma era considerada um dos principais centros do movimento, cidade onde vivia o crítico de arte alemão Joachim Winckelmann (1717 – 1768), considerado o fundador teórico do neoclassicismo, principalmente através de obras como “ História da Arte Antiga “ . Um dos trabalhos arquitetônicos considerados precursores do gosto neoclássico é a “ Chiswick House “, em Middlesex, perto de Londres, construída por Lorde Burlington (1695 -1753) – que gozava de grande prestígio na época – e William Kent (1685 – 1748). Foi influenciada pela obra “ Os Quatro livros de Arquitetura “, de Andrea Palladio, inspirada na Villa Rotonda, de Palladio. Entretanto, o arqueólogo e arquiteto James Stuart (1713 – 1788) foi um dos primeiros a se utilizar deliberadamente de formas gregas (além de ter escrito um livro, juntamente com Nicholas Revett que é considerado um verdadeiro marco na valorização das formas arquitetônicas dessa antiga civilização: “ Antiquities of Athens “). Inspirou-se no estilo dórico, construindo uma espécie de templo grego visto frontalmente no Hagley Park, em 1758. Fora da Europa o estilo neoclássico também encontrava adeptos. O terceiro presidente dos EUA, Thomas Jefferson (1743 – 1826) era também um arquiteto amador, afinado com as principais tendências européias (britânicas em especial). Projetou sua residência Monticello com várias características neoclássicas, além de estar associado à planificação de edifícios públicos, principalmente em Washington e Virginia que também obedecessem ao movimento de revalorização da arquitetura grega. O estilo neoclássico na França recebeu um grande auxílio dos ideais da Revolução Francesa de 1789 para se popularizar. O barroco e o rococó costumavam estar associados à aristocracia vencida, enquanto o neoclássico, baseado em construções de cidades como a democrática Atenas, era o estilo que deveria agradar ao país. Napoleão foi um grande incentivador do movimento, estimulando construções como a Igreja de Maria Madalena, projetada por Pierre Barthelmy Vignon (1762 – 1828), com inspirações clássicas como os templos coríntios romanos. O arquiteto, teórico e professor francês Étienne-Louis Boullée (1728 – 1799) parece ter sido bastante importante para a divulgação dos ideais neoclássicos entre seus alunos. Realizou projetos de monumentos baseado em formas simples e geométricas. Na arquitetura neoclássica alemã, destaca-se Karl Gotthard Langhans (1732 – 1808) e seu Portão Brandenburg, em Berlim, construído entre 1789 e 1794. Principalmente a partir do século XVIII, é importante ressaltar o fortalecimento das “ academias “ como instituições de ensino de arte e organizadoras de exposições de trabalhos de seus membros. Foram extremamente importantes para a sobrevivência do neoclassicismo na pintura e na escultura. Jacques-Louis David (1748 – 1825) é considerado um dos principais pintores neoclássicos, bastante prestigiado pelo governo após a revolução francesa, realizando trabalhos como desenhos de trajes e cenários para eventos oficiais, como o “ Festival do Ser Supremo “, em que Robespierre autodenominava-se Sumo Sacerdote. O espírito heróico dos gregos e romanos era um valor que os franceses gostariam de que estivesse associado ao seu próprio país após a Revolução. David era ainda membro da Royal Academy. “ Marat Assassinado “, de 1793, que de uma maneira simples representou heroicamente a morte do revolucionário (e amigo de David) Marat, assassinado por Charlotte Corday, é considerada uma de suas melhores obras. Mostra o líder francês morto, debruçado em sua banheira, segurando uma petição (que provavelmente fora lhe dada por Charlotte na intenção de distraí-lo), uma caneta com a qual tencionava assinar o papel e a faca com que o crime fora realizado. Entretanto, obras suas posteriores, como “ Coroação de Napoleão e Josefina “, de 6.1 por 9.3 metros, com sua profusão de cores e pompa, realizada entre 1805 e 1807, já extrapolam o gosto neoclássico e a austeridade que marcam trabalhos anteriores. Jean-Auguste Dominique Ingres (1780 – 1867) foi um dos alunos e seguidores de David e é outro importante pintor, também conhecido pelas discussões públicas que tinha com Delacroix, defendendo o Neoclassicismo enquanto seu rival defendia o Romantismo. Suas obras eram marcadas principalmente pelo domínio técnico, precisão e clareza. Tinha profunda admiração pela antiguidade clássica e pelo trabalho de seu mestre, David. “ A Banhista “, de 1808, é um bom exemplo de seu trabalho, com suas formas, contornos, textura e composição simples demonstrando alto domínio técnico ao representar uma mulher nua sentada numa cama. “ Grande Odalisque “, de 1814, é outro quadro de Ingress em que utiliza-se de uma mulher nua com contornos baseados na arte clássica. Entretanto, o próprio uso de uma figura como uma odalisca, exótica mulher ligada à cultura árabe, parece bastante próximo ao Romantismo, mais uma vez provando a tênue diferença que havia entre os dois movimentos. Na escultura neoclássica não há grande destaques. Um dos principais nomes da escultura do período, por exemplo, era Jean-Antoine Houdon (1741 – 1828), mas seus trabalhos, apesar de terem algumas características neoclássicas, não podem ser efetivamente enquadrados como obedientes à esse movimento. Antonio Canova (1757 -1822) foi bastante ativo em defender os ideais neoclássicos mas suas obras, apesar serem consideradas efetivamente pertencentes à escola, não exercem a mesma atração que as pinturas do período. A mais famosa delas é a representação da irmã de Napoleão como Vênus vitoriosa segurando uma maçã, referindo-se ao episódio em que Péris é intimado a ser juiz em uma competição de beleza entre deusas gregas, “ Maria Paulina Borghese como Vênus Victrix “ .

Neoclássico

0

Autoria: Fabiane

A reação ao gosto amplamente ornamentado do rococó, desenvolveu-se em muitos países europeus a partir de 1750, incentivada pelas descobertas da antiguidade grega, romana e etrusca, ocorrida com as escavações de Herculano, Pompéia e Tarquínia. Começou a se formar, então um novo estilo denominado de neoclássico.

O estilo neoclássico apresentou quatro fases distintas:
 A partir de 1760, uma moderação progressiva invadiu tanto o estilo de mobiliário como a decoração de interiores e ocorreu uma retificação das linhas curvas. Em 1770 surgiu o triunfo do neoclassicismo, com o estilo denominado Luís XVI; a antiguidade clássica passou a ser vista sobre um novo prisma, o da classe intelectual. A imitação da antiguidade apareceu através, do “gosto pompeano” e depois do “gosto etrusco”, apresentando um estilo leve e elegante.
 Posteriormente entre 1789 e 1799 surgiu um estilo de transição entre a época de Luís XVI e a época do império; o estilo Diretório que confrontou as linhas do estilo Luís XVI com as linhas rígidas e esbeltas do estilo inglês.
 Entre 1799 e 1815, o estilo neoclássico converteu-se em modelos pesados e aparatosos, que correspondem à época do Império, que vai se impor na Europa através das conquistas de Napoleão.
 Na última fase o estilo neoclássico foi influenciado pela incipiente industrialização, mas manteve a sua inspiração clássica originando o estilo restauração; nesta época inicia-se a preocupação de fazer do móvel um objeto de conforto e bem-estar, de acordo com as alterações sociais do século XIX.

MADEIRAS:
 MOGNO;
 AMBONE;
 PAU-ROSA;
 LIMOEIRO;
 ÉBANO.

TIPOS DE MÓVEIS:
 MÓVEIS DE ASSENTO;
 CAMAS;
 MESAS;
 CÔMODAS;
 SECRETÁRIAS;
 ESCRIVANINHAS;
 CONSOLA.

 ESTILO LUÍS XVI (NEOCLÁSSICO FRANCÊS).

 NEOCLÁSSICO ITALIANO.

Os móveis italianos não chegaram a se manifestar de forma original, onde era grande a influência do estilo Francês (Luís XVI).
Grandes ebanistas desenvolveram o estilo neoclássico nas diversas regiões da Itália, tais como: em Piacenza, Alexandre Petitot, partidário do estilo Francês; no ducado de Parma, em Florença destacaram-se os Lorena; na Lombardia os Giuseppe Maggiolini, Giuseppe Levati e Giovanni Maffezzoli.

 NEOCLÁSSICO INGLÊS:
 ESTILO ADAM;
 ESTILO HEPPLEWHITE;
 ESTILO SHERATON.

 ESTILO D. MARIA I (NEOCLÁSSICO PORTUGUÊS).

 FRANÇA – ESTILO DIRECTÓRIO:

MADEIRAS:
 Mogno;
 Ébano;
 Pau-marfim;
 Faia.

TIPOS DE MÓVEIS:
 Moveis de assento;
 Consola;
 Camas;
 Cômodas.

 FRANÇA – ESTILO IMPÉRIO:

MADEIRAS:
 Acaju;
 Mogno (flamejante, ondulado e floreado);
 Nó de Olmo;
 Àcer;
 Freixo;
 Bordo;
 Limoeiro;
 Oliveira.

TIPOS DE MÓVEIS:
 Móveis de assento;
 Psiché;
 Consola;
 Mesa;
 Cômodas;
 Méridienne.

FRANÇA – RESTAURAÇÃO:

MADEIRAS:
 Freixo;
 Ulmeiro;
 Limoeiro;
 Azevinho;
 Ácer;
 Plátano;
 Sicómoro.

TIPOS DE MÓVEIS:
 Móveis de assento;
 Mesas;
 Penteadeiras;
 Cômodas.

NEOCLÁSSICO NO BRASIL

Na primeira metade do século XIX, houve o desenvolvimento do estilo neoclássico no Brasil, com a assimilação de suas variações como o estilo Diretório, Império, Adam, Sheraton, Hepplewhite, Regência, Biedermeier e Thonet; que deram origem a interpretações e produções próprias como o estilo Sheraton Brasileiro, o D. João VI e o Beranger e estilo D. Maria I.

O tangran e a Arte

0

Autoria: Joorge Basílio

Solucionar questões de matemática sempre foi algo que apresentou um certo grau de dificuldade para os gênios da ciência

Arte é a criação humana com valores estéticos que sintetizam as suas emoções, sua história, seus sentimentos e a sua cultura.
É um conjunto de técnicas utilizadas para realizar obras, e na qual aplicamos nossos conhecimentos. Apresentam-se sob variadas formas como: a plástica, a música, a escultura, o cinema, o teatro, a dança, a arquitetura etc. Pode ser vista ou percebida pelo homem de três maneiras: visualizadas, ouvidas ou audiovisuais; alguns tipos de arte permitem que o apreciador participe da obra e este é o caso do Tangran, pois como já foi dito, nos dá condições de criarmos diversas outras formas além de todas as figuras geométricas (quadrados, triângulos, retângulos etc.) estudadas na disciplina de Geometria Experimental.
Exploradores, comerciantes, vendedores e artistas costumam apresentar às pessoas idéias de outras culturas e os progressos na tecnologia também difundem técnicas e teorias, sem dúvida foi assim que o conhecimento deste jogo chegou até nós.
Evidentemente fatores históricos e sociais modelam os tipos de arte, porém, a verdadeira arte jamais se escravizará a códigos e será sempre inovadora e capaz de falar do seu tempo, por isso a idéia, talvez, primeira de se reconstruir o quadrado (espelho quebrado) tenha se expandido e alcançado a maravilhosa gama de objetos (figuras) que dele pode se extrair e que com certeza nunca terá fim.
Nos seus mais diversos tipos de expressão, a arte, falará ao sentimento humano e transgredirá o estilo preponderante de cada época ainda que este se encontre vazio e sem forma.
Entre as diversas formas que podemos gerar com a manipulação do Tangran temos: letras, animais, armas, peças de xadrez, casas, utensílio etc.
No intuito de fechar este trabalho com a integração dessas duas partes fundamentalmente interessantes no estudo ora traçado, gostaríamos de expor algumas destas figuras confeccionadas com a união de suas peças.

Pablo Picasso

0

Mayara Ribeiro Furlaneto

O espanhol Pablo Picasso (1881 – 1973) é considerado um dos mais importantes artistas de todos os tempos, tendo sido a grande influência entre os movimentos e demais artistas da primeira metade do século XX. Extremamente original e versátil, Picasso deixou produções de genial qualidade em meios distintos como a pintura, a escultura, a arte gráfica, a cerâmica e o desenho. Seu talento não pode ser reduzido à identificação somente com uma escola ou estilo, tendo ele transitado durante sua vida por várias tendências, fornecendo constantemente inspiração para a vanguarda do século XX. Foi um dos fundadores do Cubismo, mas sua arte extrapola as fronteiras desse movimento. Entre seus trabalhos há aqueles mais afinados com tendências distintas como o realismo, o surrealismo e o classicismo, sempre filtradas pelo gênio de Picasso. Além disso, num mesmo período costumavam aparecer em suas obras diferentes temas e estilos, mais uma prova de sua originalidade e particularidade que o transformaram no artista mais famoso do século. Picasso começou a pintar ainda criança, desenvolvendo seu talento precocemente. Talvez o começo de sua carreira possa ser considerada uma fase um pouco mais constante, destacando-se o Período Azul (1901- 1904), exemplificado por La Vie, de 1903 – dominado principalmente por pinturas abordando temática social como a pobreza, com predominância de tons azuis – e o Período Rosa (1904- 1906) – com seus tons predominantemente rosas e temas menos austeros como dançarinas e arlequins. Entretanto, duas obras suas do chamado período Rosa, realizadas em 1905 “ A Bela Holandesa “ e “ Mãe e Filho “ já possuem características extremamente contrastantes, relativizando essas definições. Por esse período Picasso já havia se estabelecido em Paris (ano de 1904, após constantes viagens entre Paris e Barcelona desde 1900), relacionando-se com um círculo de artistas que seriam posteriormente conhecidos como grandes nomes da vanguarda. Por exemplo, relacionava-se com Matisse e os Fauves. A pintura de Cézanne e as esculturas africanas e ibéricas foram as principais influências que, somadas, inspiraram o pintor a realizar uma das obras que é considerada de maior importância para o século XX e precursora do Cubismo: “ Les Demoiselles d’ Avignon “ . A tela começou a ser pintada em 1907, mas o própria artista afirmou que só foi concluído posteriormente. Com suas formas ilógicas de cinco mulheres nuas (prostitutas das ruas de Avignon, em Barcelona) foi considerada incompreensível até mesmo para artistas de sua geração, somente sendo exibida publicamente a partir de 1937. A partir de “ Les Demoiselles d’ Avignon “ desenvolveu suas experimentações cubistas, juntamente com Braque . Porém, já a partir de 1915, pode ser notado uma maior realismo em suas pinturas. Em 1917, viajou para Roma (com Jean Cocteau), desenhando costumes e cenários para espetáculos da cidade. A partir desse contato com a Itália, a influência da arte clássica em suas obras também cresce. “ Mãe e Criança “, de 1921, é um exemplo de suas inclinações neoclássicas. Entretanto, durante essa mesma época, Picasso também sentia-se inclinado pelo imaginário surrealista, (exemplificado, por exemplo, pela tela “ As três dançarinas “, de 1925) com seus mitos inconscientes e arquétipos, ao mesmo tempo que as formas cubistas também não são totalmente abandonadas em suas obras. Devemos ter sempre em mente que qualquer tentativa de pontuar as “ fases “ de Picasso é um esforço vão, devido suas oscilações e inúmeras atividades. “ Os três músicos “, de 1921 (em suas duas versões), “ As três garças “ de 1924 e a já citada obra “ As três dançarinas “, de 1925, podem exemplificar a variedade de seu estilo num pequeno intervalo de tempo. “ Guernica “, de 1937, é um de seus trabalhos mais famosos que expressa um violento protesto contra o bombardeio da capital basca de Guernica realizado por alemães durante a guerra civil espanhola. Revela um artista sensível e profundamente envolvido com os problemas de sua época. Na ocasião chega a escrever que um artista “ é ao mesmo tempo um ser político, constantemente alerta para eventos dolorosos, graves ou felizes, a que reage de todas as maneiras “ . É uma obra monumental, extremamente passional e com grande significado simbólico. “ Minotauromaquia “, de 1935, já revela o aumento do interesse de Picasso pelos mitos e pelo simbolismo . As esculturas de Picasso também demonstram grande talento e talvez o mestre poderia ser considerado como um dos grandes escultores do século se a fama de suas pinturas não lhes fizessem sombra. Além disso, sua dedicação à arte escultórica era esporádica. “ Cabeça de Búfalo, Metamorfose “ é um grande exemplo de seu trabalho com esse meio. É considerado um dos pioneiros em realizar esculturas a partir de junção de diferentes materiais. Seus trabalhos gráficos são considerados magníficos e possuidores de forte estilo pessoal, como as águas-fortes “ O ateliê do escultor “, de 1933. Também são famosas as suas ilustrações de livros. Quanto às cerâmicas, a partir de 1946 e o fim da guerra, tornou-se uma de suas importantes atividades. Há museus dedicados especialmente à sua obra em Paris e Barcelona, além de trabalhos seus espalhados pelos principais acervos do mundo.