Ego

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Autoria: Diogini Albano Gomes

Em seus primeiros escritos, Freud já mencionava a existência do ego, mas não o especificava com tanta riqueza de detalhes, até porque o descrevia como a personalidade em seu conjunto e esta noção só foi sendo renovada a partir das contribuições feitas pelos estudos da psicanálise e principalmente, pela experiência clínica das neuroses. Muitos autores dedicam-se ao estudo do ego procurando estabelecer as diferenças entre o ego, enquanto instância psíquica e o ego como pessoa, como “eu”, como objeto de amor para o próprio indivíduo, investido de libido narcísica. O ego possui um conceito muito estreito com o conceito de consciência. O ego é uma instância psíquica como o id e o superego. Do ponto de vista tópico, a psicanálise refere-se ao ego como mantendo uma relação de dependência com as reivindicações do inconsciente e com a censura exercida pelo superego e pela realidade, tendo uma autonomia relativa. Freud define o ego sob o ponto de vista dinâmico como defensor da personalidade, na medida em que aciona os mecanismos de defesa, que impedem que conteúdos inconscientes e ameaçadores passem para o campo da consciência. O ego ainda possui uma definição do ponto de vista econômico, onde é definido como fator de ligação entre os processos psíquicos, sem perder de vista que nas operações defensivas as tentativas da ligação da energia pulsional sofrem interferência das características específicas do processo primário, assumindo um aspecto compulsivo, de repetição e distanciado do real. Na histeria, o ego funciona com instância defensiva. Neste caso o ego, como campo da consciência, defende-se de um situação conflitiva incapaz de ser dominada, e inconciliável com ele, defendendo-se dela. Diz-se que, neste caso, acontece um recalcamento pelo ego. O ego é parte do conflito e isto é motivo para agir de forma defensiva. Apesar da operação defensiva da histeria ser atribuída ao ego, ela não é considerada consciente e voluntária. Outra idéia caracteriza o ego como instância responsável pela diferenciação que o indivíduo é capaz de realizar entre seus próprios processos internos e a realidade. Apesar das características deste conceito, Freud trata de deixar claro que o acesso direto à realidade é realizado pela percepção e não pelo ego, como se pode pensar. O ego é descrito como uma organização de neurônios que facilita as vias associativas interiores a este grupo de neurônios, investimento constante realizado por uma energia de origem pulsional e a distinção entre uma parte, que é permanente e outra que tem características variáveis. Para Freud o ego possui um nível de investimento permanente que permite a inibição de processos primários, que poderiam não só levar o indivíduo a alucinações como também provocar desprazer.

Emoção e Sentimento

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Autoria: Alexandre Dal Pizzol

A emoção é uma experiência afetiva que aparece de maneira brusca e que é desencadeada por um objeto ou situação excitante, que provoca muitas reações motoras e glandulares, além de alterar o estado afetivo. Nossa existência está contextualizada no mundo e como tal, vivemos cercados de objetos, situações e de outras pessoas com quem interagimos. Tudo o que nos cerca provoca um desejo de afastamento ou de aproximação e estes desejos, mesmo que não sejam realizados, constituem a experiência afetiva de cada um. Para muitos teóricos, a diferença existente entre emoção e sentimento diz respeito apenas ao grau de intensidade e, neste caso, um estado afetivo mais suave, relacionado com as características do objeto em questão, constituiria um sentimento, enquanto que a emoção seria um sentimento mais intenso. Não existe uma classificação precisa para emoções e sentimentos, mas há um certo consenso entre os profissionais da psicologia que consideram alegria, tristeza, medo e raiva como emoções fundamentais. A característica e intensidade da emoção depende do objeto que a desencadeia e, mesmo que as reações orgânicas que aparecem pareadas a uma emoção forem induzidas por injeção de hormônios ou outras drogas, a emoção sentida frente a um objeto ameaçador será distinta da induzida artificialmente. Algumas reações motoras ou glandulares acompanham diferentes emoções, como é o caso do choro que pode aparecer junto com emoções diferenciadas. As reações orgânicas aparecem depois da compreensão que o indivíduo tem da natureza do objeto desencadeador da emoção. Existem várias teorias relacionadas às emoções e as dificuldades encontradas para estudar o assunto são muitas. As duas teorias principais da emoção são a periférica e a excitatória. De acordo com a teoria periférica, a emoção depende de um conhecimento prévio e a repercussão orgânica é desencadeada por uma reação afetiva a este conhecimento. Neste conceito, as reações nos órgãos viscerais ou musculares antecedem à emoção, que é desencadeada quando o indivíduo toma conhecimento destas reações. A teoria excitatória é mais recente e valoriza a idéia de que a percepção do valor que o objeto tem, no momento em que ele se apresenta ao sujeito, é tão importante quanto a percepção das excitações, que são produzidas pelos órgãos periféricos no desencadeamento das emoções.

Ensino

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Autoria: Anônimo

1-Princípios de ensino

De acordo com o artigo 3. da lei n. 9394/96, o ensino será ministrado com base nos seguintes princípios :

I- Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II- Liberdade de aprender, ensinar , pesquisar , etc;
III- Pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
IV- Respeito a liberdade e apreço à tolerância;
V- Coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
VI- Gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII- Valorização da experiência extra – escolar;
VIII- Gestão democrática do ensino público;
IX- Garantia de padrão de qualidade;
X- Valorização da experiência extra – escolar;
XI- Vinculação entre a educação escolar, o trabalho e as práticas sociais.

2-Finalidades da Educação

– Pleno desenvolvimento do educando : Para que o aluno se desenvolva plenamente é necessário que a escola lhe ofereça condições . Somente a partir do momento em que a pessoa pode se desenvolver plenamente é que tem condições de se sentir realizada.
– Preparo para o exercício da cidadania : O que caracteriza o cidadão é a sua participação na vida social , nas decisões que dizem respeito ao desenvolvimento da comunidade e do país. É preciso que todo cidadão tenha seus direitos respeitados e seja cumpridor de seus deveres .
– Qualificação para o trabalho : A qualificação para o trabalho , como uma das finalidades da educação diz respeito ao ensino superior, porém pensemos principalmente no ensino fundamental . Será que os alunos saem da escola preparados para o trabalho ? Ninguém aprende a trabalhar utilizando apenas cadernos, livros e outros materiais didáticos semelhantes, é necessário que as escolas ofereçam condições de aprendizagem adequadas às atividades das regiões em que se localizam.

3-Objetivos do Ensino Fundamental

São quatro as finalidades específicas da educação básica:

I- Desenvolver o educando: A escola tem uma responsabilidade importante nesse sentido e é todo o ambiente escolar que deve estar organizado de modo a favorecer o desenvolvimento dos educandos.
II- Assegurar a formação comum indispensável para o exercício da cidadania: Nessa formação, estão incluídos aspectos relativos ao conhecimento das matérias escolares, mas também aspectos práticos para que o educando possa também participar ativamente de sua transformação.
III- Fornecer os meios para progredir no trabalho : O mais importante não é o treinamento do aluno para o exercício de uma profissão, mas criar condições que favoreçam o desenvolvimento da compreensão e do espírito crítico em relação ao mundo do trabalho.

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IV- Fornecer os meios para progredir em estudos posteriores : É preciso que haja uma efetiva articulação entre os níveis de ensino, para que o aluno possa progredir do ensino fundamental para o médio.

No artigo 32, a lei trata especificamente do objetivo fundamental, que é a formação básica do cidadão, a ser promovida mediante:
I- O desenvolvimento da capacidade de aprender;
II- A compreensão do ambiente natural e social;
III- O desenvolvimento da aprendizagem;
IV- O fortalecimento dos vínculos de família , dos laços de solidariedade humana e de tolerância recíproca;
A ênfase é colocada nos processos e não nos produtos ou nos conteúdos também mudam e o que faz a diferença é o domínio de processos.

Esquizofrenia

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Autoria: Paulo Cesar Silva

RESUMO:

A esquizofrenia é um dos quadros psicóticos mais importantes e se caracteriza pelo que, no senso comum, podemos chamar de mente dividida. Clinicamente, a esquizofrenia manifesta-se de formas diferenciadas, mas algumas características aparecem de forma habitual. É comum observar-se incoerência afetiva e de pensamento, afastamento da realidade e atividade delirante. A esquizofrenia é um distúrbio das associações que regem o pensamento, por isto o pensamento do esquizofrênico não apresenta lógica. A esquizofrenia pode aparecer em qualquer idade e é uma doença crônica que evolui em surtos ou crises que são intercaladas com períodos de melhora. As formas mais conhecidas de esquizofrenia são: esquizofrenia paranóide, hebefrênica, catatônica, a simples e a residual. Os pacientes esquizofrênicos enfrentam sintomas muito complicadores e podem adquirir seqüelas denominadas “defeito esquizofrênico”, que é uma característica que os torna estranhos, com uma feição demencial. Uma pessoa que sofre de esquizofrenia apresenta uma queda severa em seu desempenho social, prejuízos na capacidade de trabalho e atividades quotidianas e indiferença aos estímulos afetivos. Fatores orgânicos, como a transmissão genética e alterações bioquímicas, são muito importantes na gênese da esquizofrenia mas, como grande parte das doenças, ela pode ser encarada como conseqüência de um conjunto de fatores orgânicos, psicológicos e sociais. O tratamento é feito com medicamentos conhecidos como neurolépicos ou antipsicóticos, que reduzem o tempo de duração do surto e permitem que cada vez menos pacientes voltem a apresentar os sintomas da síndrome. A colaboração da família é fundamental para o controle e evolução da doença e, muitas vezes, é importante que o paciente passe por uma psicoterapia, para que adquira mais conhecimentos a respeito da sua nova condição e para que consiga, mais rapidamente, uma readaptação ao convívio social.

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Estímulo – Resposta

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Autoria: Arnaldo Freitas

Os conceitos de estímulo e resposta não podem ser entendidos separadamente. Qualquer evento do meio torna-se um estímulo se for seguido por uma resposta. Estes termos são de fundamental importância para que possamos estudar a relação do meio com o comportamento de forma específica e mais precisa. O behaviorismo estuda esta relação e, como o meio e o comportamento são conceitos muito amplos, definiu estímulo e resposta como unidades básicas da descrição e como ponto de partida para que fosse possível realizar uma ciência do comportamento. Qualquer relação entre estímulo, representado pela letra R, e resposta, representada pela letra S, é denominada de reflexo. Este termo também é usado para denominar as respostas para as quais os respectivos estímulos não são claramente observáveis. Um exemplo disto é quando uma criança começa a bater palmas repentinamente, e não sabemos exatamente o porquê. Entre o aparecimento de um estímulo e a emissão de uma resposta existem eventos corporais. Os estímulos afetam os órgãos dos sentidos, que quando excitados, fazem com que os impulsos nervosos sejam transmitidos até o cérebro ou medula e daí aos músculos e glândulas. É desta seqüência que resultam as respostas que, relacionadas com os estímulos, é o que interessa aos psicólogos comportamentais. Os estímulos são uma representação de parte específica do meio, mas também podem ser externos, provenientes de órgãos ou de movimentos musculares. Todos os estudos feitos, tanto em animais como em seres humanos, tornaram óbvios que, mesmo sem atentar para as atividades fisiológicas implicadas, estímulo e resposta estavam freqüentemente associados numa relação causal bem definida e claramente observável. O uso da relação entre estímulo e resposta foi sugerido por Watson como uma forma de controle e predição do comportamento humano. Entre o aparecimento do estímulo e o começo da resposta há um pequeno intervalo de tempo, que é chamado de período de latência ou período latente. Os estímulos fortes tendem, em alguns casos, a diminuir o período de latência e em outros casos não se observa alteração alguma. A criança necessita de estimulação para sua organização, inclusive no que diz respeito à organização do córtex cerebral. A estimulação é essencial para a manutenção, o desenvolvimento e a maturação dos sistemas neuroniais. Uma estimulação anormal pode provocar o aparecimento de “modelos” de comportamento mal adaptados. A relação mãe e filho é fundamental para que ocorra a estimulação infantil. O tipo de estimulação vai depender da situação social da família e isto vai determinar as possibilidades de aprendizado e pensamento abstrato da pessoa em desenvolvimento. É importante considerar estas informações para que possamos entender que as pessoas de classes sociais menos privilegiadas não têm menos capacidade de aprender e de se desenvolver do que as que possuem uma condição social melhor, elas apenas são menos estimuladas porque, provavelmente, seus pais têm um repertório comportamental mais limitado e a escola ou creche, a que estão vinculadas, também estimulam de forma precária a criança em questão, interferindo no seu desenvolvimento.

Fordismo e Ohnoísmo

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Autoria: Francisco H. Lopes da Silva

1. INTRODUÇÃO
Este texto tem a finalidade de apresentar, de forma sintetizada, os princípios pedagógicos que têm orientado os processos pedagógicos intencionais e sistematizados de construção do conhecimento a partir do desenvolvimento, e portanto, das transformações por que têm passado as bases materiais de produção. Para tanto, situará rapidamente este processo no taylorismo/fordismo e nas novas formas de organização e gestão do trabalho mediadas pelas novas tecnologias , para ater-se ao que seria uma proposta comprometida com a emancipação humana: a produção do conhecimento a partir da perspectiva pedagógica socialista.
É necessário, contudo, esclarecer que, se a pedagogia socialista só será possível em outro modo de organização da vida social e produtiva, as contradições entre capital e trabalho, cada vez mais acentuadas no regime de acumulação flexível1 , têm permitido avanços nesta direção.
Assim é que, por demanda do próprio capitalismo, categorias cuja análise permaneciam restritas aos textos dos autores socialistas, clássicos e contemporâneos, tais como a transdisciplinaridade, a politecnia, a integração entre teoria e prática, a relação entre parte e totalidade, entre o lógico e o histórico, hoje estão presentes no ideário da nova pedagogia do capitalismo, a pedagogia das competências. Estas categorias, que raramente puderam se materializar, e mesmo assim em práticas pedagógicas alternativas, hoje atravessam textos oficiais- diretrizes e parâmetros curriculares- , materiais didáticos e discursos dos mais diversos professores, especialistas e dirigentes que atuam no campo da educação.
Esta apropriação, pela pedagogia das competências, sempre do ponto de vista do capital, de concepções que têm sido elaboradas no âmbito da pedagogia socialista, estabeleceu uma tal ambiguidade nos discursos e nas práticas, que muitos profissionais e políticos da educação têm sido levados a imaginar que, a partir das novas demandas do capital no regime de acumulação flexível, as políticas e propostas pedagógicas de fato passaram a contemplar os interesses dos que vivem do trabalho, do ponto de vista da democratização.
Esta contradição, portanto, tem se constituído em possibilidade de alguns avanços, por outro lado, é perversa, porque esconde, por trás de um discurso pedagógico aparentemente homogeneizador, as radicais diferenças que existem entre os interesses e necessidades do capital e do trabalho.
Torna-se necessário, portanto, desemaranhar este cipoal, estabelecendo os limites da pedagogia das competências para que se possa avançar na construção teórico-prática, nos espaços da contradição, de uma pedagogia de fato comprometida com a emancipação humana.
2. AS MUDANÇAS NO MUNDO DO TRABALHO E AS NOVAS DEMANDAS DE EDUCAÇÃO.
As profundas modificações que têm ocorrido no mundo do trabalho trazem novos desafios para a educação. O capitalismo vive um novo padrão de acumulação decorrente da globalização da economia e da reestruturação produtiva, que passa a determinar um novo projeto educativo para os trabalhadores, independentemente da área, das atribuições ou do nível hierárquico em que atuem.
Como resposta às novas exigências de competitividade que marcam o mercado globalizado a exigir cada vez mais qualidade com menor custo, a base técnica de produção fordista, que dominou o ciclo de crescimento das economias capitalistas no pós 2ª guerra até o final dos anos sessenta, vai aos poucos sendo substituída por um processo de trabalho resultante de um novo paradigma tecnológico apoiado essencialmente na microeletrônica, cuja característica principal é a flexibilidade. Este movimento, embora não seja novo, uma vez que se constitui na intensificação do processo histórico de internacionalização da economia, reveste-se de novas características, posto que assentado nas transformações tecnológicas, na descoberta de novos materiais e nas novas formas de organização e gestão do trabalho.
Estabelecem-se novas relações entre trabalho, ciência e cultura, a partir das quais constitui-se historicamente um novo princípio educativo, ou seja, um novo projeto pedagógico através do qual a sociedade pretende formar os intelectuais/trabalhadores, os cidadãos/produtores para atender às novas demandas postas pela globalização da economia e pela reestruturação produtiva. O velho princípio educativo, decorrente da base técnica da produção taylorista/fordista vai sendo substituído por um outro projeto pedagógico determinado pelas mudanças ocorridas no trabalho.
A pedagogia orgânica ao taylorismo/fordismo tinha por finalidade atender a uma divisão social e técnica do trabalho marcada pela clara definição de fronteiras entre as ações intelectuais e instrumentais, em decorrência de relações de classe bem definidas que determinam as funções a serem exercidas por dirigentes e trabalhadores no mundo da produção, o que resultou em processos educativos que separavam a teoria da prática.
O processo produtivo, por sua vez, tinha como paradigma a organização em unidades fabris que concentram grande número de trabalhadores distribuídos em uma estrutura verticalizada que se desdobra em vários níveis operacionais, intermediários (de supervisão) e de planejamento e gestão, cuja finalidade é a produção em massa de produtos homogêneos para atender a demandas pouco diversificadas. A organização da produção em linha expressa o princípio taylorista da divisão do processo produtivo em pequenas partes onde os tempos e movimentos são padronizados e rigorosamente controlados por inspetores de qualidade e as ações de planejamento são separadas da produção.
Era preciso, portanto, qualificar trabalhadores que atendessem as demandas de uma sociedade cujo modo dominante de produção, a partir de uma rigorosa divisão entre as tarefas intelectuais (dirigentes) e as operacionais, caracterizava-se por tecnologia de base rígida, relativamente estável. A ciência e a tecnologia incorporadas ao processo produtivo, através de máquinas eletromecânicas que trazem em sua configuração um número restrito de possibilidades de operações diferenciadas que exigem apenas a troca de uns poucos componentes, demandavam comportamentos operacionais pré-determinados e com pouca variação. Compreender os movimentos necessários a cada operação, memorizá-los e repeti-los ao longo do tempo, não exige outra formação escolar e profissional que o desenvolvimento da capacidade de memorizar conhecimentos e repetir procedimentos em uma determinada seqüência.
A pedagogia, em decorrência, propõe conteúdos que, fragmentados, organizam-se em seqüências rígidas; tendo por meta a uniformidade de respostas para procedimentos padronizados, separa os tempos de aprender teoricamente e de repetir procedimentos práticos e exerce rigorosamente o controle externo sobre o aluno. Esta pedagogia responde adequadamente às demandas do mundo do trabalho e da vida social, que se regem pelos mesmos parâmetros das certezas e dos comportamentos que foram definidos ao longo do tempo como aceitáveis.
Do paradigma taylorista/fordista decorrem várias modalidades de fragmentação no trabalho pedagógico, escolar e não escolar, que se constituem na expressão da divisão entre classes sociais no capitalismo:
• a dualidade estrutural, a partir da qual se definem tipos diferentes de escola, segundo a origem de classe e o papel a elas destinado na divisão social e técnica e trabalho;
• a fragmentação curricular, que divide o conhecimento em áreas e disciplinas trabalhadas de forma isolada que passam a ser tratadas como se fossem autônomas entre si e da prática social concreta, a partir da pretensa divisão da consciência sobre a ação, a partir do que a teoria se supõe separada da prática; a expressão desta fragmentação é a grade curricular, que distribui as diferentes disciplinas com suas cargas horárias por séries e turmas de forma aleatória, supondo que a unidade rompida se recupere como conseqüência “natural” das práticas curriculares, ficando por conta do aluno a reconstituição das relações que se estabelecem entre os diversos conteúdos disciplinares;
• as estratégias taylorizadas de formação de professores, que promovem capacitação parcelarizada, por temas e disciplinas, agrupando os profissionais por especialidade, de modo a nunca discutir o trabalho pedagógico em sua totalidade, a partir do espaço de sua realização: a escola;
• o plano de cargos e salários, que prevê a contratação dos profissionais da educação por tarefas, ou jornadas de trabalho, e até mesmo por aulas ministradas, de modo que eles se dividem entre diversos espaços, sem desenvolver sentido de pertinência à escola; quando se representam, os professores evidenciam identidade com a área ou disciplina de sua formação, e não de professores da escola;
• a fragmentação do trabalho dos pedagogos, nas distintas especialidades, que foram criadas pelo Parecer 252/69 do Conselho Federal de Educação, praticamente superadas pelas tentativas de unificação nas agências de formação e nas escolas; esta fragmentação agora foi reeditada pela Lei 9394/96, no art 64.
O trabalho pedagógico, assim fragmentado, respondeu, e continua respondendo, ao longo dos anos, às demandas de disciplinamento do mundo do trabalho capitalista organizado e gerido segundo os princípios do taylorismo/fordismo, em três dimensões: técnico, político e comportamental.
A globalização da economia e a reestruturação produtiva, enquanto macroestratégias responsáveis pelo novo padrão de acumulação capitalista, transformam radicalmente esta situação, imprimindo vertiginosa dinamicidade às mudanças que ocorrem no processo produtivo, a partir da crescente incorporação de ciência e tecnologia, em busca de competitividade. A descoberta de novos princípios científicos permite a criação de novos materiais e equipamentos; os processos de trabalho de base rígida vão sendo substituídos pelos de base flexível; a eletromecânica, com suas alternativas de solução bem definidas, vai cedendo lugar à microeletrônica, que assegura amplo espectro de soluções possíveis desde que a ciência e a tecnologia, antes incorporadas aos equipamentos, passem a ser domínio dos trabalhadores; os sistemas de comunicação interligam o mundo da produção.
As novas demandas de qualificação, portanto, referem-se a um trabalhador de novo tipo, que atue na prática a partir de uma sólida base de conhecimentos científico-tecnológicos e socio-históricos, e ao mesmo tempo acompanhe a dinamicidade dos processos e resista ao “stress”. Ao mesmo tempo, as novas tecnologias exigem cada vez mais a capacidade de comunicar-se adequadamente, através do domínio das formas tradicionais e novas de linguagem, incorporando, além da língua portuguesa, a língua estrangeira, a linguagem informática e as novas formas trazidas pela semiótica; a autonomia intelectual, para resolver problemas práticos utilizando os conhecimentos científicos, buscando aperfeiçoar-se continuamente; a autonomia moral, através da capacidade de enfrentar as novas situações que exigem posicionamento ético; finalmente, a capacidade de comprometer-se com o trabalho, entendido em sua forma mais ampla de construção do homem e da sociedade, através da responsabilidade, da crítica, da criatividade.
Embora no âmbito do processo produtivo como um todo a tendência seja a precarização do trabalho, do ponto de vista da concepção de qualificação para o trabalho, há avanços.
Solidamente fundamentada sobre a educação básica, a qualificação não repousa mais sobre a aquisição de modos de fazer, deixando de ser concebida, como o faz o taylorismo/fordismo, como conjunto de atributos individuais, predominantemente psicofísicos, centrados nos modos de fazer típicos do posto de trabalho. Ao contrário, passa a ter reconhecida a sua dimensão social e ser concebida como resultante da articulação de diferentes elementos, através da mediação das relações que ocorrem no trabalho coletivo, resultando de vários determinantes subjetivos e objetivos, como a natureza das relações sociais vividas e suas articulações, escolaridade, acesso a informações, domínio do método científico, riqueza, duração e profundidade das experiências vivenciadas, tanto laborais quanto sociais, acesso a espaços, saberes, manifestações científicas e culturais, e assim por diante.
Compreendida desta forma, a qualificação depende das possibilidades de acesso a informações, de interagir com meios e processos de trabalho mais avançados, de exercer sua autonomia e criatividade, de participar da definição das normas e das decisões que afetam suas atividades.2
Contudo, embora seja resultante das condições objetivas de vida e de trabalho, e portanto resultante da práxis coletiva, a qualificação tem uma forte determinação das condições subjetivas, que incluem desejos, motivações, experiências e conhecimentos anteriores, o que faz com que muitos autores considerem inevitável investir na valorização da subjetividade dos trabalhadores nos processos de inovação.3
Em resumo, pode-se afirmar que a qualificação profissional resulta de articulações dinâmicas e contraditórias entre as relações sociais das quais resultam o trabalho coletivo e as possibilidades e limitações do trabalho individual, mediado pelas relações de classe, do que resultam articulações entre conhecimentos e experiências que envolvem as dimensões psicofísica, cognitiva e comportamental, as quais permitirão ao cidadão/produtor trabalhar intelectualmente e pensar praticamente, dominando o método científico, de modo a ser capaz de resolver problemas da prática social e produtiva.
Para desenvolvê-la é preciso outro tipo de pedagogia, determinada pelas transformações ocorridas no mundo do trabalho nesta etapa de desenvolvimento das forças produtivas, de modo a atender às demandas da revolução na base técnica de produção, com seus profundos impactos sobre a vida social. O objetivo a ser atingido é a capacidade para lidar com a incerteza, substituindo a rigidez pela flexibilidade e rapidez, de modo a atender a demandas dinâmicas, sociais e individuais, políticas, culturais e produtivas que se diversificam em qualidade e quantidade.
A partir desta concepção, resta bem diferenciada a finalidade da qualificação no taylorismo/fordismo da apresentada pelos processos produtivos reestruturados considerando a dupla mediação realizada pelas novas tecnologias de base microeletrônica e pelas novas estratégias de gestão: da capacidade bem definida para atuar de forma estável em processos tecnológicos pouco complexos no posto de trabalho para a qualificação entendida como capacidade potencial para atuar em situações não previstas, em processos dinâmicos com base tecnologicamente sempre mais complexa e a partir do conhecimento da totalidade do processo de trabalho, incluindo sua relação com os processos sociais e econômicos mais amplos.
É esta nova dimensão que tem justificado a contraposição do conceito de qualificação, que vem sendo desenvolvido no campo da esquerda, ao conceito de competência, desenvolvido pelo capitalismo nesta nova etapa de acumulação, como forma de demarcar a superação (por incorporação em patamares qualitativamente superiores) de uma concepção que nasce no âmbito de taylorismo/fordismo.
Como já se afirmou anteriormente, estas concepções se aproximam quando defendem um projeto pedagógico que, ao articular conhecimento geral e específico, teoria e prática, sujeito e objeto, parte e totalidade, dimensão disciplinar e transdisciplinar, permita ao aprendiz resolver problemas não previstos usando, de forma articulada, conhecimentos científicos, saberes tácitos, experiências e informações.
O que diferencia, estruturalmente, estas duas concepções, é o campo onde se situam, o que determinará a sua finalidade: a exploração dos trabalhadores para acumular o capital ou a emancipação humana através de uma nova forma de organização da produção, e portanto, da sociedade.
3. A PEDAGOGIA DAS COMPETÊNCIAS: OS LIMITES DERIVADOS DO CAPITALISMO.
No que tange às novas demandas de disciplinamento dos trabalhadores para a acumulação flexível, a pedagogia das competências constitui-se em adequada resposta, expressando a nova pedagogia do capitalismo. Sobre este tema já se encontra abundante produção recente e também severas críticas.4
Para as finalidades deste texto, há que se considerar as novas formas de organização que buscam superar os limites da fragmentação taylorista/fordista através de processos de recomposição da unidade dos processos de trabalho, e em conseqüência, dos processos de formação.
Trazendo a discussão dos princípios de organização e gestão do trabalho segundo os novos paradigmas (toyotismo)5 para a pedagogia, algumas tendências já podem ser identificadas nos discursos e nas práticas, como o combate de toda forma de desperdício através das ferramentas de qualidade total ou a concepção do administrador escolar como “gestor de negócios”, através de uma reedição da dimensão empresarial da gestão escolar.
Já as tentativas de recomposição da unidade no trabalho pedagógico decorre principalmente do princípio da flexibilidade como condição para a produção segundo a demanda, o que gera a necessidade não mais de produzir estoques de mão-de-obra com determinadas competências para responder às demandas de postos de trabalho cujas tarefas são bem definidas, mas para formar trabalhadores e pessoas com comportamentos flexíveis, de modo a adaptarem-se com rapidez e eficiência a situações novas, bem como criarem respostas para situações imprevistas. Do mesmo modo, a superação da linha de montagem fordista, com seus bem definidos postos e sua relação homem máquina, pelas células de produção onde alguns trabalhadores apenas devem deixar as máquinas trabalhar, fixando-se na preparação do necessário para o seu funcionamento, reforça a idéia da flexibilidade.
Este princípio, em primeiro lugar, potencialmente viabiliza a reunificação do trabalho fragmentado e organizado pelo taylorismo/fordismo, o que é possível pela mediação da tecnologia, em particular de base microeletrônica, e sugere a reunificação do trabalho dos pedagogos, uma vez que as tarefas pedagógicas referentes ao trabalho pedagógico escolar – a articulação entre escola e comunidade na construção da proposta e na implementação do projeto político-pedagógico- têm comprovado, na prática seu caráter de totalidade.
Contudo, uma análise mais aprofundada se faz necessária, para verificar se esta unidade proposta aos processos de trabalho reestruturados se constitui de fato em tomada do trabalho enquanto totalidade, politecnia, ou apenas em ampliação da tarefa, e portanto, polivalência, no melhor estilo fayolista. (Fayol, 1975). Para elucidar esta questão, reproduz-se aqui análise levada a efeito em trabalho anterior.
“Por polivalência entende-se a ampliação da capacidade do trabalhador para aplicar novas tecnologias, sem que haja mudança qualitativa desta capacidade. Ou seja, para enfrentar o caráter dinâmico do desenvolvimento científico-tecnológico o trabalhador passa a desempenhar diferentes tarefas usando distintos conhecimentos, sem que isto signifique superar o caráter de parcialidade e fragmentação destas práticas ou compreender a totalidade. A este comportamento no trabalho corresponde a interdisciplinaridade na construção do conhecimento, que nada mais é do que a interrelação entre conteúdos fragmentados, sem superar os limites da divisão e da organização segundo os princípios da lógica formal. Ou seja, a uma “juntada” de partes sem que signifique uma nova totalidade, ou mesmo o conhecimento da totalidade com sua rica teia de interrelações; ou ainda, uma racionalização formalista com fins instrumentais e pragmáticos calcada no princípio positivista da soma das partes. É suficiente usar os conhecimentos empíricos disponíveis sem apropriar-se da ciência, que permanece como algo exterior e estranho.
A politecnia significa o domínio intelectual da técnica e a possibilidade de exercer trabalhos flexíveis, recompondo as tarefas de forma criativa; supõe a superação de um conhecimento meramente empírico e de formação apenas técnica, através de formas de pensamento mais abstratas, de crítica, de criação, exigindo autonomia intelectual e ética. Ou seja, é mais que a soma de partes fragmentadas; supõe uma rearticulação do conhecido, ultrapassando a aparência dos fenômenos para compreender as relações mais íntimas, a organização peculiar das partes, descortinando novas percepções que passam a configurar uma compreensão nova e superior, da totalidade, que não estava dada no ponto de partida.
A politecnia cria a possibilidade de construção do novo, permitindo aproximações sucessivas da verdade, que nunca se dá a conhecer plenamente; por isto, o conhecimento resulta do processo de construção da totalidade, que nunca se encerra, pois há sempre algo novo para conhecer. Nesta concepção, evidencia-se que conhecer a totalidade não é dominar todos os fatos, mas as relações entre eles, sempre reconstruídas no movimento da história.” (Kuenzer, 2000, p. 86-87).
Do ponto de vista do currículo, da politecnia deriva o princípio pedagógico que mostra a ineficácia de ações meramente conteudistas, centradas na quantidade de informações que não necessariamente se articulam, para propor ações que, permitindo a relação do aluno com o conhecimento, levem à compreensão das estruturas internas e formas de organização, conduzindo ao “domínio intelectual” da técnica, expressão que articula conhecimento e intervenção prática. A politecnia supõe, portanto, uma nova forma de integração de vários conhecimentos, através do estabelecimento de ricas e variadas relações que quebram os bloqueios artificiais que transformam as disciplinas em compartimentos específicos, expressão da fragmentação da ciência.
Do ponto de vista da organização do trabalho pedagógico, a politecnia implica em tomar a escola como totalidade, em compreender a gestão como prática social de intervenção na realidade tendo em vista a sua transformação, e em uma nova qualidade na formação dos profissionais da educação, pedagogos e professores, a partir de uma sólida base comum que tome as relações entre sociedade e educação, as formas de organização e gestão do trabalho pedagógico, as políticas, os fundamentos e as práticas educativas, que os conduza ao “domínio intelectual da técnica”.
A partir desta concepção, algumas conclusões se impõem; a análise do exercício laboral e da formação dos chamados trabalhadores flexíveis mostra que, embora presente no discurso a recomposição da unidade, nunca estiveram tão distantes da prática o poder de decidir, de criar ciência e tecnologia, de intervir em processos cada vez mais centralizados, tecnológica e gerencialmente. Pelo contrário, o trabalho da maioria está cada vez mais desqualificado, intensificado e precarizado, como resultado do novo regime de acumulação. Do que se conclui que, do ponto de vista da gestão empresarial, a recomposição da unidade do trabalho não passa de ampliação de tarefas do trabalhador, sem que isto signifique uma nova qualidade na formação, de modo a possibilitar o domínio intelectual da técnica. O mesmo tem ocorrido com o trabalho dos profissionais da educação: suas tarefas estão sendo a cada dia ampliadas, num esforço de suprir na escola direitos que a sociedade não assegura, inclusive desempenhando funções que historicamente foram de responsabilidade das famílias; seu trabalho está sendo cada vez mais intensificado, com a progressiva extensão de jornadas de trabalho e trabalho domiciliar; suas condições de trabalho cada vez mais precarizadas, não só da perspectiva da escola e do salário, mas com sérias conseqüências sobre sua qualidade de vida e condições de existência: stress e outros problemas de saúde física e mental, alimentação, lazer, formação profissional continuada, acesso aos bens materiais e culturais, e assim por diante.
A divisão entre os que possuem os meios de produção e os que vendem sua força de trabalho cada vez mais se acentua na acumulação flexível, acirrando-se, ao contrário do que diz o novo discurso do capital, a cisão entre o trabalho intelectual, que compete cada vez a um número menor de trabalhadores, estes sim, com formação flexível resultante de prolongada e contínua formação de qualidade, e o trabalho instrumental cada vez mais esvaziado de conteúdo.
Em decorrência, a politecnia enquanto unidade entre teoria e prática, resultante da superação da divisão entre capital e trabalho, fica historicamente inviabilizada a partir das bases materiais de produção no capitalismo, em particular neste regime de acumulação. A unitariedade, portanto, só será possível através da superação entre capital e trabalho – verdadeira e única origem da divisão entre classes e das demais formas de divisão; inscreve-se, portanto, no campo da utopia, como condição a ser construída através da superação do capitalismo.
Ora, se o trabalho pedagógico, escolar e não escolar, ocorre nas e através das relações sociais e produtivas, ele não está imune às mesmas determinações. Ou seja, enquanto não for historicamente superada a divisão entre capital e trabalho, o que produz relações sociais e produtivas que têm a finalidade precípua de valorização do capital, não há possibilidade de existência de práticas pedagógicas autônomas; apenas contraditórias, cuja direção depende das opções políticas da escola e dos profissionais da educação no processo de materialização do projeto político-pedagógico. Este, por sua vez, expressa os consensos e práticas possíveis em um espaço escolar ou não escolar atravessado por relações de poder, concepções teóricas, ideológicas e políticas também contraditórias, para não falar dos diferentes percursos de formação profissional. Esta análise mostra que nos espaços educativos capitalistas, a unitariedade do trabalho pedagógico enquanto trabalho que não se diferencia a partir da origem de classe dos seus alunos e de seus profissionais, também não é historicamente possível. Mas, isto significa que não se possa avançar?
É evidente que não; é preciso, contudo, considerar que a superação destes limites só é possível através da categoria contradição, que permite compreender que o capitalismo traz inscrito em si, ao mesmo tempo, a semente de seu desenvolvimento e de sua destruição. Ou seja, é atravessado por positividades e negatividades, avanços e retrocessos, que ao mesmo tempo evitam e aceleram a sua superação. É a partir desta compreensão que se deve analisar a unitariedade como possibilidade histórica de superação da fragmentação.
3. A PEDAGOGIA DO TRABALHO: PARA ALÉM DA PEDAGOGIA DAS COMPETÊNCIAS.
Construir um projeto político-pedagógico que retome a concepção de qualificação na perspectiva da emancipação humana, para além da pedagogia das competências na perspectiva da emancipação humana, exige uma configuração que efetivamente articule:
• saber tácito e saber científico – tecnológico;
• conhecimento científico-tecnológico e práticas de trabalho;
• conhecimentos e habilidades básicas, específicas e de gestão;
• conteúdo e metodologia, a partir das características dos aprendizes, de modo a tomar o trabalho como foco, a reestruturação produtiva como eixo, o contexto e a história de vida como ponto de partida , a integração transdisciplinar e a transferibilidade como princípios metodológicos.
Um dos grandes desafios postos à educação pelas mudanças no mundo do trabalho é a superação do que temos chamado de pedagogia taylorista/fordista, cujos princípios são a separação da formação intelectual da formação prática, a formação para partes bem definidas do processo de trabalho, vinculadas ao posto e a memorização, através da repetição, com ênfase nas dimensões psicomotoras e cognitivas, ou seja, no desenvolvimento de competências lógico-formais, sem a consideração da dimensão afetiva, ou comportamental.
Sem desconsiderar estas dimensões, mas rearticulando-as em uma concepção que tome o processo educativo em sua dimensão de totalidade a partir de uma concepção histórica de homem em sua integralidade, que o compreenda como síntese do desenvolvimento social e individual, e neste sentido como síntese entre a objetividade das relações sociais e produtivas e a subjetividade, há que se construir um processo educativo que o leve a dominar as diferentes linguagens, desenvolver o raciocínio lógico e a capacidade de usar conhecimentos científicos, tecnológicos e sócio – históricos para compreender e intervir na vida social e produtiva de forma crítica e criativa, construindo identidades autônomas intelectual e eticamente, capazes de continuar aprendendo ao longo de suas vidas.
Assim, a pedagogia do trabalho deverá levar o aluno a compreender que, mais do que dominar conteúdos, deverá aprender a se relacionar com o conhecimento de forma ativa, construtiva e criadora.
Torna-se, pois, necessário discutir a questão do método6 . Como ponto de partida é preciso apontar que não se trata de discutir procedimentos didáticos ou uso de materiais, mas a própria relação que o aluno estabelecerá com o conhecimento em situações planejadas pelo professor ou em situações informais. Adentramos, pois, no terreno da epistemologia, onde estabelecer consensos não é tarefa simples.
Sem a intenção de impor uma concepção epistemológica, buscar-se-á delinear os pressupostos que têm orientado os profissionais que têm se comprometido com a transformação das relações sociais que estão dadas, na perspectiva da emancipação humana e da construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Parte-se do entendimento que o trabalho científico necessita, quer de regras rigorosas de dedução, quer de sistemas de categorias que sirvam de base à imaginação produtiva e à atividade criadora do pensamento no domínio dos novos objetos a ser conhecidos. Assim, a metodologia da ciência não se esgota no pensamento lógico – formal, cuja finalidade é mostrar as leis sincrônicas do conhecimento através da lógica simbólica. Será preciso complementá-la com outra lógica, não racional, oriunda de percepções, sentimentos e intuições que permitam apreender o novo.
Isto significa compreender que o método de produção do conhecimento é um movimento, não um sistema filosófico, que leva o pensamento a transitar continuamente entre o abstrato e o concreto, entre a forma e o conteúdo, entre o imediato e o mediato, entre o simples e o complexo, entre o que está dado e o que se anuncia. Este movimento de ascensão das primeiras e precárias abstrações à compreensão da rica e complexa teia das relações sociais concretas, não é apenas a passagem do plano sensível, onde tudo é caoticamente intuído ou percebido, para o plano racional onde os conceitos se organizam em sistemas lógicos e inteligíveis.
É um movimento do pensamento no pensamento, que tem como ponto de partida um primeiro nível de abstração composto pela vital, caótica e imediata representação do todo e como ponto de chegada as abstratas formulações conceituais e que volta ao ponto de partida, agora para percebê-lo como totalidade ricamente articulada e compreendida, mas também como prenúncio de novas realidades, apenas intuídas, que levam o presente a novas buscas e formulações a partir da dinâmica histórica que articule o já conhecido ao presente e anuncie o futuro.
O ponto de partida é apenas formalmente idêntico ao ponto de chegada, uma vez que, em seu movimento em espiral crescente e ampliada, o pensamento chega a um resultado que não era conhecido inicialmente, e projeta novas descobertas. Não há, pois, outro caminho para a produção do conhecimento senão o que parte de um pensamento reduzido, empírico, virtual, com o objetivo de reintegrá-lo ao todo depois de compreendê-lo, aprofundá-lo, concretizá-lo. E então, tomá-lo como novo ponto de partida, de novo limitado, em face das compreensões que se anunciem (Kosik, 1976, p. 29-30)
Deste movimento decorre uma concepção metodológica, que pode ser sistematizada da seguinte forma:
• o ponto de partida é sincrético, nebuloso, pouco elaborado, senso comum; o ponto de chegada é uma totalidade concreta, onde o pensamento re-capta e compreende o conteúdo inicialmente separado e isolado do todo; posto que sempre síntese provisória, esta totalidade parcial será novo ponto de partida para outros conhecimentos;
• os significados vão sendo construídos através do deslocamento incessante do pensamento das primeiras e precárias abstrações que constituem o senso comum para o conhecimento elaborado através da práxis, que resulta não só da articulação entre teoria e prática, entre sujeito e objeto, mas também entre o indivíduo e a sociedade em um dado momento histórico;
• o percurso vai do ponto de partida ao ponto de chegada, através de infinitas possibilidades de percurso; pode-se buscar o caminho mais curto ou se perder, marchar em linha reta, seguir uma espiral ou manter-se no labirinto; ou seja, construir o caminho metodológico é parte fundamental do processo de elaboração do conhecimento; não há um único caminho para se chegar a uma resposta, como há várias respostas possíveis para o mesmo problema.
Esta concepção compreende o processo de produção do conhecimento como resultante da relação entre o homem e as relações sociais em seu conjunto, através da atividade humana. O ponto de partida para a produção do conhecimento, portanto, são os homens em sua atividade prática, ou seja, em seu trabalho, compreendido como todas as formas de atividade humana através das quais o homem apreende, compreende e transforma as circunstâncias ao mesmo tempo que é transformado por elas.
É o trabalho, portanto, o eixo sobre o qual será construída a proposta político-pedagógica, que integrará trabalho, ciência e cultura através de criteriosa seleção de conteúdos e de seu tratamento metodológico.
Esta concepção epistemológica rejeita tanto o entendimento que o conhecimento se produz através da mera contemplação, como se bastasse observar a realidade para apreender o que nela está naturalmente e à priori inscrito, como o entendimento que o conhecimento é mero produto de uma consciência que pensa a realidade, mas não nela e a partir dela, ou seja, através de uma iluminação metafísica.
Infelizmente, estas duas concepções predominam nos processos pedagógicos em geral onde quem ensina se considera iluminado pela posse do conhecimento que já encontra elaborado e difícilmente analisa e critica; estuda, prepara e se exaure em explicações que o aprendiz deve ouvir, absorver e repetir, mais como um ato de fé do que como resultado de sua própria elaboração. O conhecimento repassado é fruto do trabalho do que ensina, que não permite que o aprendiz, com a sua orientação, faça o seu percurso. Com o intuito de simular situações “práticas”, o aluno faz exercícios, resumos ou outras atividades, sempre repetindo uma lógica e uma trajetória que não é a sua, mas a expressão da relação que o professor, em seu modo singular de conhecer, estabeleceu com o objeto a ser conhecido.
Estas mudanças reforçam a necessidade da superação de uma concepção de ciência enquanto um conjunto de verdades, ou sistemas formais de natureza cumulativa, em nome da compreensão de que as teorias científicas que vão se sucedendo ao longo da história são modelos explicativos parciais e provisórios de determinados aspectos da realidade.
Particularmente no final deste século, estes modelos se superam com especial dinamismo, o que passa a exigir o desenvolvimento da capacidade individual e coletiva de relacionar-se com o conhecimento de forma crítica e criativa, substituindo a certeza pela dúvida, a rigidez pela flexibilidade, a recepção passiva pela atividade permanente na elaboração de novas sínteses que possibilitem a construção de condições de existência cada vez mais democráticas e de qualidade.
Em decorrência, se as formas tradicionais de relação com o conhecimento que se pautavam na absorção passiva de conteúdos parciais formalmente organizados já eram criticadas de longa data, nesta etapa elas são inadmissíveis, até mesmo por demanda do desenvolvimento capitalista.
Há que apontar, ainda, para o fato de que a seqüência metodológica “preleção, fixação, avaliação” toma por objeto o conhecimento sistematizado no seu mais alto grau de abstração e generalidade, o que vale dizer, como resultado final de um processo de construção que articulou inúmeros e diversificados movimentos do pensamento coletivo e deu-se em um determinado tempo e espaço para satisfazer uma determinada necessidade da existência humana. Descolado deste movimento e desta prática, e portanto, de sua historicidade, este conhecimento dificilmente terá significado para um estudante que recebeu a tarefa de incorporá-lo a partir de sua expressão mais formalizada e estática Daí as críticas feitas à escola sobre a incapacidade dos alunos relacionarem os conteúdos das disciplinas com as relações sociais e produtivas que constituem a sua existência individual e coletiva.
Da mesma forma, a dinamicidade da produção científico-tecnológica contemporânea aponta para um princípio educativo que, sem chegar ao exagero de tomar os conteúdos como pretexto, como se fosse possível um novo formalismo (apreender os processos de construção do conhecimento, os novos comportamentos, independentemente do conteúdo a ser conhecido), privilegie a relação entre o que precisa ser conhecido e o caminho que precisa ser trilhado para conhecer, ou seja, entre conteúdo e método, na perspectiva da construção da autonomia intelectual e ética.
Se o homem só conhece aquilo que é objeto de sua atividade, e conhece porque atua praticamente, a produção ou apreensão do conhecimento produzido não pode se resolver teoricamente através do confronto dos diversos pensamentos. Para mostrar sua verdade, o conhecimento tem que adquirir corpo na própria realidade, sob a forma de atividade prática, e transformá-la. A partir desta afirmação, há duas dimensões a considerar.
A realidade, as coisas, os processos, são conhecidos somente na medida em que são “criados”, reproduzidos no pensamento e adquirem significado; esta re-criação da realidade no pensamento é um dos muitos modos de relação sujeito/objeto, cuja dimensão mais essencial é a compreensão da realidade enquanto relação humano/social. Em decorrência, a relação entre o aluno e o conhecimento é antes construção de significados do que de construção de conhecimentos, posto que estes resultam de um processo de produção coletiva que se dá por todos os homens ao longo da história.
Em segundo lugar, é preciso considerar que a prática não fala por si mesma; os fatos práticos, ou fenômenos, têm que ser identificados, contados, analisados, interpretados, já que a realidade não se deixa revelar através da observação imediata; é preciso ver além da imediaticidade para compreender as relações, as conexões, as estruturas internas, as formas de organização, as relações entre parte e totalidade, as finalidades, que não se deixam conhecer no primeiro momento, quando se percebem apenas os fatos superficiais, aparentes, que ainda não se constituem em conhecimento.
Ou seja, o ato de conhecer não prescinde do trabalho intelectual, teórico, que se dá no pensamento que se debruça sobre a realidade a ser conhecida; é neste movimento do pensamento que parte das primeiras e imprecisas percepções para relacionar-se com a dimensão empírica da realidade que se deixa parcialmente perceber, que, por aproximações sucessivas, cada vez mais específicas e ao mesmo tempo mais amplas, são construídos os significados.
Neste processo, portanto, para que seja possível a aproximação produtiva da prática na perspectiva da produção do conhecimento, é preciso alimentar o pensamento com o que já é conhecido, quer ao nível do senso comum, quer do conhecimento científico, com conteúdos e categorias de análise que permitam identificar e delimitar o objeto a ser conhecido e traçar o caminho metodológico para chegar a conhecer. Este trabalho teórico, que por sua vez não prescinde da prática, é que determinará a diferença entre trilhar o caminho mais curto ou permanecer no labirinto; é ele também que determinará a diferença entre prática enquanto repetição reiterada de ações que deixam tudo como está, e práxis enquanto processo resultante do contínuo movimento entre teoria e prática, entre pensamento e ação, entre velho e novo, entre sujeito e objeto, entre razão e emoção, entre homem e humanidade, que produz conhecimento e por isto revoluciona o que está dado, transformando a realidade.
Finalmente, há que observar que este processo não é apenas racional, nele intervindo afetos e valores, percepções e intuições, que embora sejam fruto das experiências, inscrevem-se no âmbito das emoções, ou seja, no campo do sentido, do irracional. E, desta perspectiva, o ato de conhecer resulta do desejo de conhecer, de uma vasta e por vezes impensável gama de motivações e é profundamente significativo e prazeiroso enquanto experiência humana.
Do ponto de vista metodológico, é de fundamental importância reconhecer que a relação entre o homem e o conhecimento se dá através da mediação da linguagem, em suas múltiplas formas de manifestação: a língua, a matemática, as artes, a informática. Uma das grandes contribuições das teorias sócio-interacionistas reside em apontar a interação que existe entre as linguagens, a constituição de conceitos e o desenvolvimento das capacidades cognitivas complexas.
Segundo Vygotsky, a cultura fornece aos indivíduos os sistemas simbólicos de representação e suas significações, que se convertem em organizadores do pensamento, ou seja, em instrumentos aptos para representar a realidade. (1989)
As linguagens, portanto, estabelecem as mediações entre o aluno e o conhecimento de todas as áreas, bem como entre a situação na qual o conhecimento foi produzido e as suas novas formas de utilização na prática; também é pela linguagem que o conhecimento tem consciência de si mesmo, diferenciando-se do senso comum. (Vygotsky,1989)
A questão que se apresenta, portanto, é como fazer para que a autoridade do professor, no sentido da sua relação com o conhecimento e do seu desenvolvimento cognitivo, seja usada não para impor as suas idéias, mas para propor situações problemáticas que tirem o aluno da inércia e o levem a sentir necessidade de reelaborar o conhecimento pondo em ação suas próprias conceituações, mesmo que errôneas, e de confrontá-las com outros conhecimentos até que construa respostas satisfatórias. (Lerner, 1998)
As considerações de ordem epistemológica e metodológica aqui levadas a efeito podem ser sintetizadas em um conjunto de pressupostos a ser considerados na elaboração dos projetos político-pedagógicos para todos os níveis e modalidades de ensino:
• O conhecimento é fruto da atividade humana, compreendida em sua dimensão práxica, resultante da articulação entre sujeito e objeto, pensamento e ação, teoria e prática, homem e sociedade. Não há conhecimento fora da práxis. Portanto, há que superar o trabalho escolar enquanto contemplação, absorção passiva de sistemas explicativos complexos desvinculados do movimento da realidade histórico-social, organizando o professor situações significativas de aprendizagem onde estas dimensões estejam articuladas, possibilitando, em particular, a inserção do aluno na prática social de sua comunidade, para que ele possa dimensionar a possibilidade de transformação a partir do conhecimento, do compromisso político e da organização.
• O conhecimento é a compreensão das leis que regem os fenômenos, não apenas em um dado momento, mas no movimento de sua transformação. Assim, o método é a busca do movimento, das interrelações, das estruturas que regem os fenômenos em suas múltiplas determinações, na sua concreticidade reproduzida pelo pensamento.
• O conhecimento de fatos ou fenômenos é o conhecimento do lugar que eles ocupam na totalidade concreta. Se, para conhecer, é preciso operar uma cisão no todo, isolando temporariamente os fatos, este processo só ganha sentido enquanto momento que antecede à reunificação do todo a partir de uma compreensão mais ampliada das relações entre parte e totalidade. Pela análise da parte atinge-se uma síntese qualitativamente superior do todo; parte e totalidade, análise e síntese, são momentos entrelaçados na construção dos conhecimentos. Esta categoria mostra a falácia da autonomização das partes em que foi dividida a ciência, a serem ensinadas apenas lógico formalmente através das disciplinas, cujos conteúdos são apresentados, memorizados e repetidos segundo uma seqüência rigidamente estabelecida; ao contrário, indica a necessidade de articulação entre os diversos campos através da inter e da transdisciplinaridade, ao mesmo tempo em que ocorrem aprofundamentos em campos específicos do conhecimento. Ou seja, organizar o processo pedagógico escolar, e em decorrência, organizar a própria escola, de modo a articular momentos disciplinares, absolutamente necessários enquanto resposta à necessidade de formalização, a momentos inter ou transdisciplinares, enquanto espaços de articulação com as práticas sociais, culturais, políticas e produtivas.
• O conhecimento é produzido ou apropriado através do pensamento que se move do mais simples para o mais complexo, do imediato para o mediato, do conhecido para o desconhecido, de uma visão confusa, sincrética do todo para o conhecimento mais profundo, substancial, dos fenômenos da realidade, que ultrapassa a aparência para deixar ver as conexões, relações internas, dimensões estruturais e formas de funcionamento, no sentido da aproximação da verdade. Há que se colocar, portanto, a importância do ponto de partida, que não poderá ser o conhecimento em sua forma mais abstrata, organizado em rígidos sistemas teóricos, onde os conteúdos aparecem rigorosa e formalmente organizados. O ponto de partida é uma situação ou conhecimento de domínio do aluno, e sempre que possível sob a forma de problema, indagação ou desafio que mobilize suas energias mentais e capacidades cognitivas tendo em vista a produção de uma resposta a partir da busca de informações, de discussões com os pares, com o professor ou com membros da comunidade, no sentido de superar o senso comum em busca do conhecimento científico. Para que tal aconteça, além de exercer seu papel de organizador de atividades mediadoras, propondo questões, disponibilizando informações, discutindo e orientando, o professor deverá ser um estimulador de motivações e desejos. Para que o processo ocorra, não basta a consciência da necessidade de conhecer, é preciso ter o desejo de fazê-lo. E tudo isto leva tempo. Um aluno não passa de um estado de relativa ignorância sobre um tema para o seu conhecimento no curto espaço de uma aula, através de uma exposição ou de uma única atividade. Isto significa proceder a uma mudança radical na concepção curricular: desviar o enfoque da quantidade de conteúdos a aprender para o da qualidade dos processos que conduzam à construção de significados e ao desenvolvimento das capacidades cognitivas complexas através não só da aprendizagem de conhecimentos, mas do exercício do método científico.
• O conhecimento exige o desenvolvimento da capacidade de construir o caminho metodológico através da compreensão da relação entre concreto e abstrato e entre lógico e histórico. Já se afirmou anteriormente que o pensamento, no processo de conhecer, parte de precárias e provisórias abstrações resultantes de saberes e experiências anteriores, para, através de uma profunda imersão na realidade empírica, atingir outro patamar de compreensão desta mesma realidade, que Kosik (1976) denomina de real pensado, ou seja, agora conhecido. No processo de conhecer, portanto, o pensamento transita das primeiras abstrações para o real pensado (concreto) através da mediação do empírico, voltando sempre ao ponto de partida porém em níveis superiores de abstração, ou seja, de compreensão, de sistematização. Ao buscar o conhecimento , portanto, o aluno precisa dominar o método, enquanto resultado da articulação de momentos não lineares, mas de idas e vindas que transitam da identificação do problema e de seu recorte à busca de referências teóricas de informações em distintas fontes, até que se chegue à construção da resposta procurada. Neste processo de construção do caminho metodológico, há que se considerar a relação entre as dimensões lógica e histórica na produção do conhecimento. Por histórico entende-se o objeto em processo de construção no transcurso de seu desenvolvimento em tempo real, com toda a sua complexidade e contradições. Por lógico entende-se o esforço do pensamento em sistematizar, ordenar o movimento histórico, atribuindo-lhe forma, de modo a apresentá-lo com clareza em tempo virtual. O movimento histórico não é linear; é cheio de desvios, caótico e desordenado. O lógico ordena o histórico, põe-lhe racionalidade, recupera-lhe a coerência. O histórico corresponde ao momento da investigação; o lógico, ao da exposição. O domínio das formas metodológicas que correspondem a estas duas lógicas, diferentes mas complementares, é parte constitutiva do processo de produção/apropriação do conhecimento, e portanto fundamental para o desenvolvimento da autonomia moral e intelectual. É o desenvolvimento desta capacidade que conferirá especificidade à educação básica.
• O conhecimento deverá promover a passagem da aceitação da autoridade para a autonomia, na perspectiva da autonomia ética, permitindo que o sujeito avance para além dos modelos socialmente aceitos, criando novas possibilidades fundadas em sólidos argumentos, sem ferir as constrições sociais necessárias à vida coletiva. Ou seja, possibilitar a passagem de um estágio onde as normas são obedecidas em função de constrangimentos externos, para um estágio onde as normas são reelaboradas e internalizadas a partir do convencimento de que elas procedem e são necessárias, transformando-se as que são ultrapassadas pelo movimento da história, através do conhecimento. Estes constrangimentos, não fosse a impossibilidade de pôr rédeas ao pensamento sequioso de conhecer, jogariam o homem e a sociedade no imobilismo conservador. Manter este equilíbrio exige esforço da escola, particularmente nesta etapa em que a falta de utopia, agravada pela ideologia neoliberal, tem levado jovens e adultos a todos os tipos de contravenção ética, quer em nome da sobrevivência, quer em nome de momentos de prazer justificados pelo hedonismo resultante do individualismo exacerbado deste final de século.
4. OS PROCESSOS PEDAGÓGICOS.
Os processos pedagógicos são processos intencionais, deliberados, que têm por objetivo promover, em contextos culturais definidos e de modo sistematizado, relações significativas entre o aprendiz e o conhecimento produzido pelos homens em seu processo social e histórico de produção das condições materiais de sua existência.
Tomando como pressuposto que o conhecimento não se produz na escola, mas nas relações sociais em seu conjunto, torna-se necessário diferenciar dois tipos de processo pedagógico: os amplamente pedagógicos, constituídos pelas dimensões educativas presentes em todas as experiências de vida social e laboral. Estas são assistemáticas, não intencionais, mas nem por isto pouco relevantes do ponto de vista da produção do conhecimento.
Os processos especificamente pedagógicos são os intencional e sistematicamente desenvolvidos com o objetivo de possibilitar o acesso ao conhecimento e à cultura produzidos pela sociedade em seu processo de desenvolvimento das forças produtivas ao longo da história. Estes processos têm por finalidade possibilitar a transição do senso comum, dos saberes tácitos originados das experiências empíricas porém destituídos de sistematização teórica, pelo domínio do conhecimento científico-tecnológico e sócio-histórico, o que supõe o domínio do método científico.
Para o desenvolvimento dos processos especificamente pedagógicos, é central a compreensão de como se apreende e de como se produz o conhecimento. Embora a ciência contemporânea esteja longe de dar respostas satisfatórias a esta questão há, contudo, alguns pressupostos a partir dos quais é possível avançar na construção de situações mediadoras entre o aprendiz e o conhecimento.
O primeiro deles é que as formas culturais internalizam-se ao longo do desenvolvimento dos indivíduos e constituem-se no material simbólico que media a sua relação com os objetos do conhecimento. Ou seja, a cultura fornece aos indivíduos os sistemas simbólicos de representação e suas significações, que se convertem em organizadores do pensamento, ou seja, em instrumentos aptos para representar a realidade.7
A partir deste pressuposto, uma primeira questão se coloca: em uma sociedade dividida em classes, os homens vivem em espaços culturais que, embora se cruzem, são diferenciados, promovendo diferentes oportunidades de acesso aos bens culturais. Estas diferenças culturais, que resultam da desigualdade de classe, têm que ser consideradas nos processos de ensino. Os alunos têm universos diferenciados de significados, nem sempre contemplados na linguagem e nas práticas pedagógicas, que na maioria das vezes supõe uma uniformidade conceitual que não existe no ponto de partida dos processos de ensino; aproximar estes universos de significados é fundamental para assegurar o desenvolvimento do conhecimento científico-tecnológico e sócio-histórico.
Em seguida, se coloca um segundo questionamento: como cada indivíduo, com seu universo próprio de significados e com suas formas próprias de se relacionar com o conhecimento, mais ou menos lógico-formais (abstratas), mais ou menos caóticas (concretas), internaliza tais formas simbólicas disponibilizadas pela cultura, de modo a transitar do senso comum, do conhecimento cotidiano, do saber tácito, para o conhecimento científico, de modo a ser capaz de fundamentar e compreender teoricamente a sua prática, “atuando intelectualmente” e “refletindo praticamente”?
Para Vygotsky esta internalização não se dá espontaneamente, conferindo à intervenção pedagógica decisivo papel; ou seja, se o homem é capaz de formular seus conceitos cotidianos espontaneamente, tal não se dá no caso do desenvolvimento de conceitos científicos, que demandam ações especificamente planejadas, e competentes, para este fim. Ou seja, o desenvolvimento das competências complexas, que envolvem intenção, planejamento, ações voluntárias e deliberadas, dependem de processos sistematizados de aprendizagem. Estas dimensões – consciência, vontade, intenção – pertencem à esfera da subjetividade; o processo de internalização, que corresponde à formação da consciência, é também um processo de constituição da subjetividade a partir de situações de intersubjetividade; a passagem do nível intersubjetivo para o nível intrasubjetivo envolve relações interpessoais densas, mediadas simbolicamente, e não trocas mecânicas limitadas a um patamar meramente intelectual.8
Segundo o autor, as ações pedagógicas implicam em apresentações sistemáticas que obriguem os aprendizes a uma atitude metacognitiva, o que vale dizer, a um domínio e controle consciente do sistema conceitual, bem como a um uso deliberado das suas próprias operações mentais, havendo uma reconstrução dos conceitos cotidianos a partir de sua interação com os conceitos científicos. 9 Para tanto, estabelece-se um permanente movimento entre sujeito e objeto, o interno e o externo, o intrapsicológico e o interpsicológico, o individual e o social, a parte e a totalidade.
Estas relações entre o objeto a ser aprendido e o sujeito da aprendizagem, para o mesmo autor, são sempre mediadas por outros indivíduos; a interação do sujeito com o mundo se dá pela mediação de outros sujeitos, não ocorrendo a aprendizagem como resultado de uma relação espontânea entre o aprendiz e o meio; da mesma forma, é sempre uma relação social, resultante de processos de produção que o homem coletivo foi construindo ao longo da história. Mesmo quando a aprendizagem parece resultar de uma ação individual, ela sintetiza a trajetória humana no processo de produção cultural.
Se considerarmos a aprendizagem como resultado de processos intencionais e sistematizados de construção de conhecimentos, a intervenção pedagógica, o ato de ensinar, é um mecanismo privilegiado e a escola é o espaço privilegiado para a sua realização. É preciso, pois, melhor conhecer este processo, que articula conteúdos, método, atores, tempos e espaços educativos.
A primeira constatação a fazer é que o processo cognitivo a ser desencadeado por quem aprende, o saber que se pretende ensinar e a ação pedagógica a ser desenvolvida pelo professor são categorias que estão em permanente relação, que por sua vez sintetiza as relações sociais em seu conjunto; não podem, portanto, ser tratadas isoladamente ou descontextualizadas, pois encerram uma função social determinada por um projeto de sociedade e por uma dada concepção de homem. Assim, não há conteúdos ou procedimentos que sejam bons em si mesmos; eles demonstrarão sua eficácia na medida em que respondam a uma dada situação em que se articulam o contexto social, o aprendiz e o professor. Apreender esta relação e trabalhar competentemente com ela é a primeira preocupação a pautar a intervenção pedagógica.
A segunda sintetiza os pressupostos que foram analisados ao longo do texto: ensinar é colocar problemas, propor desafios, a partir dos quais seja possível reelaborar conhecimentos e experiências anteriores, sejam conceitos científicos, conhecimentos cotidianos (senso comum) ou saberes tácitos; para isto é necessário disponibilizar todas as informações que sejam necessárias através de todos os meios disponíveis, orientando para o manuseio destas informações, em termos de localização, interpretação, estabelecimento de relações e interações, as mais ricas e variadas possíveis; a multimídia pode contribuir significativamente neste processo, sem que se secundarize a importância das fontes tradicionais. Ensinar é promover discussões, de modo a propiciar a saudável convivência das divergências com os consensos possíveis, resultantes da prática do confronto, da comparação, da análise de diferentes conceitos e posições. Ensinar é planejar situações através das quais o pensamento tenha liberdade para mover-se das mais sincréticas abstrações para a compreensão possível do fenômeno a ser apreendido, em sua interrelações e em seu movimento de transformação, através da mediação do empírico; é deixar que se perceba a provisoriedade, e que nasça o desejo da contínua busca por respostas que, sempre provisórias, nunca se deixarão totalmente apreender; é criar situações para que o aprendiz faça seu próprio percurso, nos seus tempos e em todos os espaços, de modo a superar a autoridade do professor e construir a sua autonomia.
O trajeto pedagógico a ser seguido, a partir desta compreensão, envolve o conhecimento do contexto e do aprendiz, não como dualidade, mas como relação, e o percurso do método científico, que pode ser sintetizado pela:
• problematização, tendo como ponto de partida as relações sociais e produtivas;
• teorização: definir os conhecimentos que precisam ser apreendidos para tratar do problema, em que fontes vou buscá-los e de que forma, articulando trabalho individual e coletivo;
• formulação de hipóteses, etapas em que se estimula a criatividade na busca de soluções originais e diversificadas que permitam o exercício da capacidade de decidir a partir da listagem de conseqüências possíveis que envolvam as dimensões cognitiva, ética e política;
• intervenção na realidade que se constitui em ponto de partida e em ponto de chegada, em um patamar agora superior, da realidade caótica e mal desenhada, se chega à realidade compreendida, dissecada, concretizada.
Este tratamento metodológico que responde aos princípios expostos, tem seu fundamento na concepção de práxis, que se constitui no movimento através do qual o homem e todos os homens, no trabalho, ao articular reflexão e ação, teoria e prática, transitam do senso comum ao conhecimento científico e assim transformam a realidade, produzem sua consciência e fazem a história.
Trabalhar nesta perspectiva, apesar de todos os obstáculos decorrentes das desigualdades resultantes de uma sociedade dividida em classes, não deixa de ser uma importante forma de avançar na construção do projeto de sociedade que tem se constituído na nossa utopia: um novo modo de produção onde todos, homens e mulheres de todos as raças e credos, e de todas as idades, possam ter na organização coletiva, o suporte para o desenvolvimento de sua integralidade.

Hiperatividade

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Autoria: Wanessa Delgado da Silva

1-PSICOLOGIA INFANTIL – HIPERATIVIDADE

A hiperatividade é um tema extenso, mas interessante com esta pesquisa se irá afundo nesse tema, expondo da melhor maneira possível informações sobre este tão pouco conhecido.

1.1 – O QUE É HIPERATIVIDADE?

Muitas vezes se ouve falar nesse assunto, mas será que se sabe o que realmente é hiperatividade. A definição mais completa do que seria hiperatividade é a atividade exagerada. No caso desta pesquisa irá se estudar a hiperatividade infantil.

A hiperatividade só é confirmada a partir de quando a criança começa a sua vida escolar, isso em média aos 05(cinco) anos de idade; Alguns fatores de desenvolvimento no início da infância como o bebê com dificuldades para dormir e para se acalmar, possam colocar essa criança no grupo de risco de ser uma criança hiperativa. “[…] Embora os profissionais não rotulem uma criança antes de ela ter no mínimo cinco anos […]”(GOLDESTEIN, 1998,p.22.).

Como o diagnóstico da hiperatividade é difícil e complexo e não havendo um diagnóstico absoluto à alguns pontos comuns que se pode observar:
• Desatenção e agitação – uma criança hiperativa não consegue se concentrar em uma atividade. Na escola, por exemplo, sempre está atrasada comparada a seus colegas.

• Superexcitação e atividade excessiva – as crianças hiperativas são muito agitadas e com isso suas emoções são excessivas.

• Impulsidade – Crianças hiperativas muitas vezes não pensam antes de agir, resultando um comportamento inadequado.

• Dificuldades com frustrações – não aceitam adiar recompensas.

Temos que destacar que as dificuldades de uma criança hiperativa são as mesmas de uma criança não -hiperativa, com um detalhe, que para a criança hiperativa essas dificuldades são exageradas.

1.2 – QUAIS AS CAUSAS DA HIPERATIVIDADE?

Fatores ambientais(como lesões celebrais, epilepsia, certos medicamentos, regime alimentar, intoxicação por chumbo) e hereditariedade foram relacionados à hiperatividade.

1.2.1 – Trauma durante o parto

Nas décadas de 1960 e 1970 acreditava-se que a hiperatividade na maioria das crianças se devia a lesões ocorridas durante o parto.

Mas após longos estudos, descobriram que os problemas durante o nascimento eram mínimos em relação a hiperatividade.

1.2.2 – Distúrbios clínicos

Para se entender melhor está questão vejamos um exemplo: se uma criança está fortemente gripada, com nariz escorrendo, tosse, garganta inflamada e febre geralmente é desatenta e distraída. Esta alteração de comportamento não quer dizer que essa criança é hiperativa.

Poucas doenças apresentam a hiperatividade como principal sintoma.
1.2.3 – Hereditariedade

A hereditariedade é a causa mais freqüente de hiperatividade. A primeira ligação foi estabelecida pelo estudo do parentes de uma criança hiperativa, foi comprovado que uma criança hiperativa tem quatro vezes mais probabilidade de possuir parentes com o mesmo problema.

1.3 – A CRIANÇA HIPERATIVA NA ESCOLA

A criança mesmo com esse problema, a maioria delas deve ser educada em ambientes de sala de aula normais, apenas 10% a 30% das crianças hiperativas passam por uma incapacidade específica de aprendizagem e devem receber alguma forma de educação especial.

Mas a que são educadas em escolas normais, para a obtenção de sucesso é necessário uma combinação de intervenção médica, cognitiva e de acompanhamento.

1.4 – A CRIANÇA HIPERATIVA EM CASA

A maioria dos pais fazem de conta que não sabem que seus filhos tem problemas, e no caso da hiperatividade não é diferente os pais após repetidas tentativas fracassadas no shopping, nas igreja, no grupo de escoteiros e mesmo nas atividades cotidianas na vizinhança, eles optam pelo isolamento e segregação como meio de evitar mais problemas. Não levando em conta que se essas crianças hiperativas não forem tratadas podem destruir emocionalmente uma família.

RESUMO

Hiperatividade é um assunto complexo e extenso; Ainda pouco estudado, mas está presente no dia a dia, mesmo sem que se perceba convive-se muitas vezes com pessoas hiperativas. Tem que se aprender como lhe dar com uma pessoa hiperativa, nesse caso uma criança hiperativa. Como uma das principais causas da hiperatividade é a hereditariedade tem que se preparar, pois esse problema poderá ocorrer em qualquer família; E a melhor maneira de evitar que um adolescente e um adulto não passe por problemas com a hiperatividade, é tratá-lo enquanto criança.

Palavras – chave: criança, família, hiperatividade, pessoas

Hipnose

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Autoria: Erika Stapf

Hipnose é um termo que provém do grego hypnos, que designa sono. Este termo foi introduzido em 1841 por James Braid, que observou o olhar fixo e a concentração do olhar enquanto um corpo permanece em repouso absoluto. Hipnose é um estado especial que se caracteriza pelo sono, mas que preserva os reflexos. A capacidade de hipnose de um indivíduo depende da capacidade que ele tem de se concentrar e não de quem hipnotiza. A hipnose, em algumas culturas, tem sentido religioso e tem como objetivo a unidade com Deus através do êxtase. Muitos pesquisadores realizaram pesquisas sobre a hipnose e as teorias são diferentes. Charcot defendia a idéia de que a hipnose só funcionava com histéricos, mas sua teoria deixaria implícito que noventa e cinco por cento dos indivíduos teriam este distúrbio. Na teoria da dissociação, os teóricos defendiam a idéia de que a hipnose promove uma separação entre mente, consciência e subconsciente. Para alguns psicanalistas, a hipnose é um tipo de processo particular, em que o indivíduo regride e que pode ser iniciado por uma privação senso motora ideativa, ou por uma relação arcaica com quem hipnotiza. Nesta teoria, a hipnose seria um aspecto de funcionamento do ego. Há uma teoria muito aceita que define a hipnose como um estado localizado entre o sono e a vigília, mas suas características fisiológicas são distintas de ambos os estados. A pessoa hipnotizada tem aspecto passivo, subserviente, automatizado e pode ser controlada pelo hipnotizador. Outra característica muito aceita era a que entendia a hipnose como um estado de hipersugestividade, que poderia ser aproveitado para a extinção de reflexos patológicos e o estabelecimento de condicionamentos terapêuticos normais. O estado hipnótico pode ser induzido por vários métodos. Os hipnotizadores de palco utilizam-se da surpresa causada por um desequilíbrio emocional momentâneo. Nos métodos racionais o hipnotizador e o hipnotizado têm um objetivo comum e determinado. A hipnose, ainda, é muito utilizada hoje em dia e muitas vezes no campo médico e odontológico, além de outras especialidades que utilizam este método como auxílio diagnóstico ou terapêutico e a principal indicação é para a medicina psicossomática.

Histeria

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Autoria: Nilton Roque Pires Caruso

A histeria foi o que levou Freud a descobrir o inconsciente e a postular a psicanálise. Ele começou a observar que os sintomas físicos não possuíam causa orgânica. A histeria é causada pela recusa do desejo sexual que é tipicamente reprimido e se manifesta em forma de ansiedades e traumas. Há psicanalistas que acrescentam que a histeria não se refere apenas aos desejos sexuais, mas a outros tipos de desejo ou situações traumáticas. A cura da histeria só acontece quando o paciente, através da associação livre, chega a uma cena traumática, causadora do sintoma. É fundamental esclarecer que a cena pode não acontecer necessariamente, e pode ter sido uma criação do paciente, a partir de desejos “proibidos”. A cena, real ou não, provoca uma ansiedade muito grande e a pessoa esquece-a automaticamente, e somatiza. Os sintomas aparecem como que para impedir o movimento para o desejo. É muito importante saber que a histeria não é proposital e nem uma “frescura”, como pode parecer. A histeria é uma classe de neuroses que apresenta quadros clínicos muito variados. Freud considerou a histeria como uma doença psíquica bem definida e que, portanto, exige uma etiologia específica. Freud nominou diferentes tipos de histeria. A histeria de angústia apresenta sintomas fóbicos que podem ser observados na neurose obsessiva e na esquizofrenia. A libido é libertada sob forma de angústia e a formação dos sintomas fóbicos tem sua origem num trabalho psíquico que tem como objetivo ligar a angústia que se tornou livre outra vez, ao psiquismo. Existem ainda a histeria de conversão, que se caracteriza pela predominância de sintomas de conversão; a histeria de defesa, especificada por uma atividade de defesa que o indivíduo desenvolve para evitar representações que causem afetos desagradáveis (ver amnésia); a histeria hipnóide, que segundo Freud e Breuer teria origem nos estados hipnóides, todas as vezes que a pessoa não consegue aceitar os conteúdos inconscientes revelados por esta técnica; a histeria de retenção, quando a natureza do trauma esbarra em condições sociais ou individuais que impedem a ab-reação; a histeria traumática, que foi descrita por Charcot como sintomas somáticos designados para um traumatismo físico, que, naquela época, era caracterizado pelas paralisias.

Histórico da Esquizofrenia

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Autoria: Evandro Rodrigues Barbosa

O primeiro a utilizar o termo esquizofrenia foi o psiquiatra suiço, Eugen Bleuler em 1911, sobre os pacientes que tinham as características de desligados de seus processos de pensamentos e respostas emotivas.
Equivocadamente atribui-se a esquizofrenia à cisão de personalidade, dissociação em personalidades, o que não é correto.
Ser portador de esquizofrênica não significa ter dupla personalidade.
O termo se adequa para descrever um quadro de sintomas típicos, incluindo enganos, alucinações, desordem de pensamentos e ausência de respostas emotivas, aliadas à fatores genéticos e tensões ambientais.
O efeito desta doença é devastador do aspecto humano no que concerne ao pensamento, emoção e expressão. Não existe vislumbre de cura, porém, com o tratamento adequado, pode reduzir significativamente os sintomas e as reincidências de surtos em mais de 50%. Novas drogas parecem estar melhorando este índice. O tratamento prévio da esquizofrenia, durante os primeiros sintomas, pode aumentar os índices de remissão de 50% para 80 a 85 %.
O início da esquizofrenia pode ser repentino ou gradual, sendo que no primeiro o prognóstico é levemente menor, regredindo em 1/3 dos pacientes. Nos outros pacientes a doença segue seu curso numa flutuação entre altos surtos psicóticos, seguidos de remissão.
Nas mulheres as chances de um resultado positivo de tratamento são maiores, atribuindo-se isto aos efeitos de estrogênio no cérebro.
Freqüentemente a memória é prejudicada depois de 5 a 10 anos de deterioração após o que a doença tende a se estabilizar e a melhora pode ocorrer. Os estudos indicam que após a idade de 20 ou 30 anos, 50% dos pacientes esquizofrênicos são capazes de seus próprios cuidados pessoais, trabalhar e participar socialmente, existindo serviços de apoio, contribuindo para a melhora dos resultados.
Os portadores de esquizofrenia sofrem na ausência de cuidados especiais. Têm dificuldades para trabalhos e seus relacionamentos são prejudicados e difíceis, mesmo com a melhora dos sintomas. Apesar do comportamento do esquizofrênico demonstrar ser assustador, as pessoas com esquizofrenia não são mais violentas do que as pessoas normais; pelo contrário, são mais capazes de abster-se das violências. Calcula-se porém que cerca de 15% dos portadores dos sintomas de esquizofrenia podem cometer suicídio; o risco pode aumentar em pacientes mais jovens e desiludidos.
Em pacientes com histórias de outras doenças pode ser difícil o diagnóstico para os sintomas da esquizofrenia, sendo estes sintomas mascarados pelos outros, não recebendo portanto a atenção médica e a devida medicação.
Alguns estudos demonstram que um grande número de pessoas com esquizofrenia possui histórias de abuso de álcool, aumentando seus efeitos com as drogas antipsicóticas utilizadas nos tratamentos dos pacientes, além dos efeitos adversos.
Uma das razões que podem explicar o hábito de fumar dos esquizofrênicos é o fator genético P50 encontrado nos receptores cerebrais que se ligam à nicotina, sendo uma espécie de auto-medicação que reduz os sintomas psicóticos, os quais comprovadamente podem aumentar com a retirada deste hábito.
Novos estudos indicam que a fumaça do cigarro inibe a atividade de uma proteína denominada de moaminaoxidase B (MAO-B). Com o bloqueio desta proteína decorrente da ingestão dos gases emitidos pela fumaça dos cigarros, aumenta no cérebro a produção de um composto feniletilamina (FEA) que é ligado a relação Mania-Tensão e Hiperatividade (embora sem agressão).
A esquizofrenia causa danos não somente aos seus portadores mas também à sociedade em si. Calcula-se que nos E.U.A. seis bilhões de dólares foram destinados aos cuidados com a saúde e com o sistema judiciário para lidar com doentes esquizofrênicos, além da produtividade perdida no trabalho e cuidados dos pacientes por seus familiares em seus lares.
Antigamente a esquizofrenia era tratada a longo prazo com internação em hospitais mentais. Após o início da utilização de drogas antipsicóticas nos meados dos anos 1950 e 1960 e a pressão política econômica de redução de custos, coincidiram com a esperança de que estas drogas seriam mais eficientes. Em 1970, milhares de pacientes foram libertos das instituições para a comunidade. A maioria das famílias foram orientadas para receber seus doentes e a incidência de esquizofrênicos em seus lares aumentou. Apesar da tentativa de reduzir os gastos com estes pacientes mentais nos hospitais, 40% dos pacientes ainda requer tratamento com hospitalização a longo prazo e mais da metade dos pacientes necessitam de auxílio público pelo menos durante um ano antes de reingressar na comunidade.
Os sintomas
Os sintomas de esquizofrenia surgem de vários processos físicos e responde diferentemente aos tratamentos. Alguns especialistas classificam-no em dois grupos: sintomas negativos e sintomas positivos.
Sintomas negativos (de sociabilidade baixa), são provavelmente devido à perda de células nervosas resultando numa capacidade diminuta de funcionamento.
Sintomas positivos (alucinações e enganos) ou dano cognitivo (pensamento desordenado).
Estes sintomas se sobrepõem, interagem um com o outro e podem corromper a categoria.
Um paciente pode ter mais de um sintoma, mas raramente um paciente possui todos os sintomas.
Sintomas negativos.
Os sintomas negativos freqüentemente ocorrem cedo no processo da doença e vêm a ser menosprezados. Estes sintomas freqüentemente são insuficientes para motivar um tratamento. Os sintomas negativos podem co-existir com os sintomas positivos e tipicamente persistem após serem tratados os sintomas positivos.
Eles refletem a diminuição da auto-estima, falta de emoções, entonações de voz e perda geral do interesse pela vida. Os pacientes com sintomas negativos podem também exibir reações emotivamente impróprias, condição imprópria dos afetos (rir histéricamente de um triste acontecimento) aparecendo cedo na vida deste paciente. Foram observados em alguns dos pacientes que desenvolveram posteriormente a esquizofrenia, a falta de responsabilidade e pobreza social na sua infância. Em outros, os sintomas negativos entretanto não apareceram até depois do desenvolvimento dos sintomas positivos. Os sintomas negativos tendem a ser mais comuns em pacientes mais velhos do que nos mais jovens.
Sintomas positivos.
Sintomas psicóticos. Acontecimentos psicóticos – particularmente enganos e alucinações – são os mais amplos sinais reconhecidos de esquizofrenia. As alucinações podem tomar a forma de ver e ouvir coisas que não existem. As alucinações de audição, que são os falsos sentidos de sons, tal como ouvir vozes, são os sintomas mais comuns. Os enganos são crença fixamente falsas, estes podem ser esquisitos (estrangeiros invisíveis entraram num lugar por um suporte elétrico) ou bizarro (ciúme infundado, ou crença paranóica de perseguição ou de ser observado). Os sintomas psicóticos ocorrem normalmente em homens entre as idades dos 17 aos 30 anos e em mulheres entre 20 e 40 anos. A maioria dos pacientes entretanto, exibe alguma evidência de esquizofrenia antes do primeiro episódio psicótico. Depois deste acontecimento inicial, a ocorrência destes sintomas psicóticos ocorre esporadicamente e é intercalado por períodos de remissão.
O dano cognitivo.
Os sintomas de danos cognitivos incluem a falta de atenção, desordem de pensamento, processamento de informações e aberrante associação entre palavras e frases. Por vezes a descontinuidade entre as idéias pode ser tão extrema que o discurso do paciente pode tornar-se incoerente, tal qual uma “salada de palavras”. Ocasionalmente os pacientes ligam as palavras mais por semelhança de sons, do que por significados (associações de sons – tinir- soar). A capacidade abstrata de pensamento também pode ser prejudicada. Estudos mostraram que apesar deste vocabulário, capacidades especiais, tais como leituras de mapas, não foram prejudicadas. Danos cognitivos podem ocorrer ao longo do desenvolvimento de outros sintomas, com por exemplo as alucinações que podem aparecer esporadicamente.
Quem pode ser portador de esquizofrenia?
A esquizofrenia é uma condição psicótica bem comum, afeta aproximadamente 1% da população da terra, mais de 2,7 milhões de pessoas na América.
A inteligência
O gênio não é dispensado; é uma faixa de vítimas da esquizofrenia, possuindo pleno alcance da inteligência. Novas pesquisas sugerem entretanto que declínios significativos em QI na infância podem predizer sintomas psicóticos em adultos.
Fatores Geográficos Culturais
Não há grupo cultural imune, embora o curso da doença pareça ser mais severo em países em desenvolvimento. De acordo com um estudo encontrou-se a porcentagem de 20% para sintomas positivos contra 80% para sintomas negativos em pacientes que viveram em três cidades culturalmente diferentes (Tóquio, Viena e Tubinger, Alemanha). Variou entretanto o conteúdo. Na Europa, os pacientes eram mais capazes de enganos (sintomas) com envenenamento ou culpa religiosa, enquanto que no Japão estes eram ligados aos difamados ou caluniados.
Fatores Sócio-econômicos
A doença ocorre freqüentemente tanto em pessoas divorciadas, solteiras, bem como em casados e viúvos. Sua possibilidade se encontra nos grupos sócio econômicos mais baixos. Essas duas últimas estatísticas entretanto, possibilitam refletir os efeitos que alienam esta doença antes de estabelecer qualquer relacionamento causal ou fator de risco associado com a pobreza.
*Observação pessoal (Lazir) – E isto pode parecer óbvio em meus estudos, claro está que os esquizofrênicos encontrados com sintomas positivos pertencem à classe economicamente mais baixa, visto serem abandonados por falta de recursos e quando muito levados a instituições por falta de meios econômicos por parte da família. Entretanto, se o portador da esquizofrenia for de classe média alta e/ou de família esclarecida pouca oportunidade terá de fazer parte da estatística e grupo de estudos para pesquisa, visto ser tratado e cuidado adequadamente com conforto e medicação necessária sem surtos e recidivas constantes da doença.
A idade e sexo.
A Esquizofrenia normalmente aparece por ocasião da adolescência ou com atraso no adulto. As crianças que posteriormente desenvolvem a esquizofrenia, freqüentemente sofrem de problemas de conduta e timidez excessiva; problemas físicos, menor controle-motor (locomoção motora) que podem ser desprezados pelos pais. Por vezes a esquizofrenia pode ser evidente nas crianças; em tais casos é possível ser de desenvolvimento severo. A esquizofrenia paranóide, em particular, pode ser mais comum no sexo masculino. Os pacientes paranóicos normalmente tem uma história de desenvolvimento normal e uma íntegra personalidade. Os homens tendem a desenvolver a esquizofrenia entre as idades de 15 e 24 anos. Nas mulheres, desenvolvem mais levemente e normalmente mais tarde, entre os 25 e 34 anos e os sintomas podem ser menos severos. Embora o risco de declínios da esquizofrenia com a idade, alguns peritos acreditam que há uma incidência de pico ao redor dos 45 anos e outro, principalmente nas mulheres, por volta dos 60 anos.
Risco herdado (herança genética).
A esquizofrenia indubitavelmente tem um componente genético e novos estudos continuam a oferecer apoio para esta idéia. De acordo com estudos, os indivíduos com predisposição familiar à esquizofrenia possui várias anormalidades estruturais no cérebro, incluindo tamanho reduzido e ventrículos aumentados, comuns em pacientes com esquizofrenia; entretanto a hereditariedade não explica todos os casos da doença. O fator de risco para herança esquizofrênica é de 10% para aqueles que têm um membro familiar direto com a doença e de aproximadamente 40% se a doença afeta ambos os pais ou gêmeos idênticos. Aproximadamente 60% dos portadores de esquizofrenia possuem parentes não próximos com a doença. O distúrbio de vestígios no olhar é uma das características genéticas que parece ser associada com a esquizofrenia. Os pesquisadores argumentam se estas duas condições são geneticamente ligadas ou se a desordem no olho é simplesmente um sintoma físico da esquizofrenia.
Complicações de parto.
Os estudos indicam que indivíduos com esquizofrenia têm uma incidência maior com os problemas que cercam o nascimento, parecendo que as complicações de trabalho de parto aumentam o seu risco. Observando-se que um período curto de gestação e peso baixo no récem-nascido podem estar associados com o princípio da esquizofrenia no adulto, neste mesmo estudo verificou-se que coincidentemente, na ocorrência de 2 para 1, mães de esquizofrênicos informaram ter estado deprimidas ou relataram algum episódio de depressão durante sua gravidez. Os pesquisadores sugerem que o risco para esquizofrenia ocorre se o feto em desenvolvimento ou o récem nascido é privado de oxigênio. Grávidas que sofreram fome ou deficiência de nutrição (menos que 1000 calorias diárias) durante o primeiro trimestre de gravidez, têm o risco aumentado de ter uma criança que pode vir a desenvolver esquizofrenia. Um dos estudos sugere que algumas pessoas podem desenvolver esquizofrenia se ocorrer anormalidades durante a vida fetal em pontos críticos de desenvolvimento do cérebro, entre a 34a. e 35a. semana de gestação bem como no estudo de bebês, verificou-se uma incidência de risco aumentado para aqueles não alimentados pelo peito materno.
Os nascimentos de inverno.
Muitos estudos demonstraram que aproximadamente 8% das pessoas com esquizofrenia, tiveram seus nascimentos no inverno.
O que pode confirmar um diagnóstico de Esquizofrenia?
Um único sintoma não é específico da Esquizofrenia. Um diagnóstico depende de uma crise ser ativada e ter sua duração de pelo menos um mês aproximadamente, consistindo de dois sintomas característicos (ex.: alucinações, enganos, pensamentos desorganizados, irresponsividade emotiva, tonalidade da fala). O diagnóstico também pode ser feito na base de um único sintoma se o paciente possui enganos ou alucinações particularmente esquisitas. Fazer um diagnóstico na ausência de altas atividades sintomáticas, incluem outros sintomas tais como, retirada social marcante, comportamento peculiar (conversar sozinho, grande índice de superstição), fala incoerente e vaga ou outras indicações de pensamentos perturbados, que devem estar presentes pelo menos durante seis meses. Para o diagnóstico, os relacionamentos sociais pessoais do paciente também devem estar deteriorados desde o início dos sintomas. Outras condições médicas, incluindo desordem bipolar, devem ser naturalmente excluídas do diagnóstico.
Inúmeras técnicas de mapeamento cerebral estão se tornando-se úteis para detectar ou determinar se partes do cérebro podem estar deterioradas ou se estas estruturas anormais se relacionam à interligação de sintomas específicos. A utilidade de cada uma destas técnicas varia de acordo com a evolução tecnológica, quantidade de radiação utilizada, clareza de imagem e visão da área cerebral. A utilização de Ressonância Magnética tornou-se uma ferramenta particularmente valiosa para revelar partes do cérebro inacessíveis a outras diferentes perspectivas. Outras novas técnicas de mapeamento são a tomografia computadorizada que pode proporcionar as informações de fluxo sanguíneo e metabolismo cerebral. No exterior pode-se encontrar outros recursos técnicos de mapeamento cerebral: Tomografia por emissão de Fótons (SPECT) e Tomografia por emissão de Pósitrons (ACARICEIA), que podem proporcionar maior eficiência de informações do fluxo sanguíneo e metabolismo cerebral.
Um novo método telefônico, utilizando sistema computadorizado está sendo desenvolvido para desordens cerebrais mentais incluindo a esquizofrenia, levando aproximadamente oito minutos para completar e produzir resultados claros e exatos. Esta simples chamada telefônica poderia ajudar as pessoas que procuram aconselhamento médico antes da existência de um problema evidente.
Quais outras condições assemelham-se a Esquizofrenia?
Outras séries de sinais comuns de esquizofrenia são também os sintomas que podem ocorrer em outros estados psicológicos e condições médicas, incluindo enganos, alucinações, fala desorganizada incoerente, tom plano de voz, comportamento esquisitamente desorganizado e catatônico (ausência de fala, rigidez muscular e irresponsividade).
Mais de 70 condições sintomáticas podem conter desordens típicas da esquizofrenia (equívocos, enganos), tais como depressão e mania (bipolar). Tais sintomas focalizam uma anormalidade física ou uma doença somática, às vezes presentes em pessoas com depressão. Os enganos ou manias de grandeza – a crença de que tem um poder especial ou uma missão – pode ocorrer nas pessoas com mania; estas pessoas podem também tornar-se paranóicas.
Há uma incidência de psicoses esquizofrênicas comuns que não constituem critério para diagnosticar esquizofrenia e podem ser variações de doenças inteiramente diferentes. Sabe-se que estas variações são classificadas como desordens esquizoafetivas, psicoses esquizofreniformes atípicas e esquizofrenia reativa breve. Na desordem esquizoafetiva, por exemplo, as pessoas têm episódios psicóticos entre o período pleno de mania e o período deprimido.
O álcool e o abuso de drogas ou sua retirada também podem ocasionar psicoses. e pelo risco alto de abuso dessas substâncias em pessoas com esquizofrenia é necessário que o profissional de saúde saiba distinguir entre o gatilho de psicoses por drogas ou álcool do episódio esquizofrênico. Normalmente o diagnóstico é confirmado com o final da psicose depois da retirada do álcool ou drogas e pelo retorno dos pacientes ao álcool ou abuso dessas substâncias.
Outras causas de sintomas psicóticos são o câncer no sistema nervoso central, encefalite, neurosífilis, desordens de tireóide, doenças de Alzheimer, confiscações parciais complexas, doença de Huntington, esclerose múltipla, traumatismos, doença de Wilson, deficiência de vitamina B e lúpus eritematoso sistêmico.
Muitas medicações provocam leves efeitos semelhantes ao de psicose severa e podem vir a precipitar enganos e sérias confusões. Tais sintomas provenientes destas medicações, são mais freqüentes em pacientes idosos.
O que causa a Esquizofrenia?
Não há uma única causa para explicar todos os casos de esquizofrenia. Contrariamente à crença popular, as pessoas com esquizofrenia não são vítimas de sua origem pobre ou de fatores ambientais; a maioria é vítima de erros no desenvolvimento do cérebro surgidos geneticamente. As pesquisas mais recentes estão encontrando tais anormalidades no feto em desenvolvimento e não após o nascimento.
A estrutura cerebral e anormalidades químicas.
Os pesquisadores estão tentando achar uma única terapia que possa integrar um número de resultados nas anormalidades químicas estruturais no cérebro dos esquizofrênicos.
As anormalidades no formato e nas atividades cerebrais.
Em alguns pacientes, as técnicas de mapeamento por imagens revelaram menor atividade cerebral no córtex pré-frontal e em alguns casos perdas reais de tecido, particularmente nas amígdalas – hipocampo, no lado esquerdo do cérebro. O córtex pré-frontal do cérebro afeta a memória, razão, agressividade e fala significativa; a atividade reduzida nesta área pode causar sintomas negativos. A área diminuída dos lóbos temporais do cérebro (localizada perto das orelhas) e áreas límbicas (localizada no fundo do cérebro) que são relacionadas às emoções, parecem estar ligadas aos sintomas positivos, tais como ouvir vozes. A Ressonância Magnética (MRI) pode esquadrinhar o cérebro e revelar alguns casos de sulcos cerebrais aumentados, denominados pellucidi de septi de cavum (CSP), entre os ventrículos laterais que são duas estruturas que contêm o líquido cérebroespinhal. Durante o desenvolvimento no ventre, o CSP se inicia com uma única camada e se fende em duas antes do nascimento, voltando a se fechar após o nascimento, durante o desenvolvimento do bebê. Em algumas pessoas com esquizofrenia entretanto, a etapa final é incompleta e o CSP é aumentado. Um estudo achou um volume alto de sangue no cérebro de pessoas com esquizofrenia sugerindo anormalidades de irrigação. Importante notar que estas anormalidades cerebrais não foram encontradas consistentemente em todos os pacientes com esquizofrenia, encontrando-se anormalidades estruturais semelhantes em pessoas que não tinham nenhuma indicação da doença.
As anormalidades de circuitos cerebrais.
Um interesse particular se concentra na pesquisa do circuito cerebral, que filtra as informações que entram no cérebro e envia as informações relevantes para outra partes executarem determinada ação. Um defeito nesse circuito pode resultar no bombardeio das informações não filtradas o que pode ocasionar sintomas tanto negativos como positivos. Oprimido por dados desorganizados, os sintomas positivos ocorrem e a mente incorre em erros de percepção e alucina, tira conclusões incorretas e torna-se desiludida, realizando escolhas ímpares de sentimentos e de comportamentos. Para compensar estes sintomas a mente então se retrai, ocorrendo alternativamente os sintomas negativos.
Químicas anormais no cérebro.
Alguns especialistas acreditam que a esquizofrenia se origina de uma desordem rara nos neurotransmissores (mensageiros químicos entre as células e o sistema nervoso). Um possível elo entre as anormalidades cerebrais e o desenvolvimento da esquizofrenia envolve o transporte de dopamina pelo neurotransmissor. A dopamina foi investigada por muitos anos, observando-se a principio que certas drogas que reduzem a ação de dopamina no cérebro também reduzem os sintomas psicóticos. Por outro lado, drogas que aumentam a atividade da dopamina aumentam estes sintomas ou agravam a esquizofrenia. Esta pesquisa foi centralizada em receptores (moléculas nas células que se unem a outras moléculas) de dopamina, particularmente D1 (dopamina) e D2. Os estudos de imagem mostrou uma hiperatividade da dopamina nas partes do cérebro onde parecem se localizar os sintomas psicóticos. Em esquizofrênicos, o lado esquerdo do cérebro tende a ter concentrações mais altas de dopamina que o direito, o que provavelmente, não é devido a uma superprodução de dopamina mas a um aumento dos receptores químicos que atraem e fixam a dopamina em partes do cérebro que foram deterioradas. A pesquisa revelou também baixa atividade de receptores de dopamina, D1, ocorrendo no córtex pré-frontal do cérebro, o que pode ser relacionado a sintomas negativos. Atualmente, os especialistas sugeriram que um equilíbrio anormal de dopamina, e não só a hiperatividade, são gatilhos para a síndrome da esquizofrenia e outros transmissores e químicas do cérebro continuam sendo objeto de estudos, tais como os níveis baixos de amino ácido glicídio encontrado nos cérebros de pessoas com esquizofrenia, dirige-se a pesquisa aos possíveis mecanismos e tratamentos relacionados a esta substância. Novos estudos indicam que os pacientes tendem a ter anormalidades proteicas no efeito reparador estrutural em função das células nervosas; duas destas proteínas que estão sendo investigadas são a ESTALO-25 e alfa-fodrin.
Fatores Genéticos
Os cientistas estão próximos de encontrar a localização genética da esquizofrenia, que acredita-se estar no cromossoma 13 dos humanos e possivelmente no 8. Uma hipótese comum a um número de doenças neurológicas é que um gene defeituoso é a causa de células saudáveis no organismo humanos estarem suscetíveis a atacar o próprio sistema imunológico uma condição chamada auto imunologia. Na esquizofrenia, estes incluem as células nervosas do cérebro. Num estudo em mães de pacientes esquizofrênicos foram encontradas uma incidência alta do HLA-B44 neste tipo de gene. Genes semelhantes são encontrados em outras doenças auto imunes que predispõem o sistema imune a atacar as próprias células e tecidos quando um vírus a invade.
Os vírus.
A hipótese virótica para a causa desta doença se baseia principalmente em evidências circunstanciais: o alto índice de nascimentos no inverno entre as pessoas com esquizofrenia; alto índice da doença nas áreas suburbanas das cidades, e uma incidência mais alta de esquizofrenia nas populações que tiveram epidemias de gripe. Por exemplo, um estudo na Finlândia mostrou um alto índice de esquizofrenia nas pessoas cujas mães estavam no segundo trimestre de gravidez durante uma epidemia importante de gripe há vinte anos atrás. Alguns pesquisadores postularam que se uma mulher grávida suscetivelmente genética tiver uma gripe no segundo trimestre de gravidez quando as células cerebrais do feto se encontram em desenvolvimento, o seu sistema imunológico reage à invasão do vírus atacando também estas células vulneráveis do cérebro. Recentemente, o vírus da doença de Borna, que dispara uma desordem neurológica em animais, foi encontrado no sangue de um paciente esquizofrênico. Ainda há necessidade de pesquisas extensas a serem realizadas antes que uma conexão real entre vírus e o princípio da esquizofrenia possa ser feita.
Os fatores Psicológicos.
Embora fatores genéticos neurológicos quase certamente sejam os fatores mais importantes nas desordens da esquizofrenia, seria irresponsável ignorar e dizer que estão fora de cogitação as pressões e influências que podem exacerbar ou servir de gatilho para os sintomas inerentes a esta doença. O cérebro é um sistema complexo de apreensão, que além de responder a mecanismos físicos internos também responde a estímulos do mundo. A pesquisa demonstrou que os lóbos pré-frontais do cérebro freqüentemente são afetados nos pacientes com esquizofrenia sendo extremamente responsivo a tensões de ambiente. Pelo fato dos sintomas negativos do esquizofrênico serem naturalmente extraídos do círculo de sofrimento familiar, é seguro supor que a sua realimentação negativa intensifica o estado neurológico já vulnerável servindo-lhe regularmente de gatilho e exacerbando a existência dos sintomas.
Quais são as diretrizes gerais para se tratar a Esquizofrenia?
O Instituto Nacional de Saúde Mental e a Agência de Seguros de Pesquisa e Saúde organizaram suas recomendações para tratamento em sete categorias: (1) medicações com anti-psicóticos; (2) medicações adicionais para depressão, ansiedade ou hostilidade; (3) terapia com eletroconvulsivos; (4) tratamentos psicológicos; (5) intervenções familiares; (6) reabilitação vocacional; (7) tratamento intensivo comunitário. Precocemente captada, a esquizofrenia tem melhores resultados em seu tratamento. Os estudos indicam que pacientes que recebem drogas antipsicóticas e outros tratamentos durante os seus primeiros episódios e os cinco anos seguintes a estes, são freqüentemente menos hospitalizados e requerem menos tempo para controlar plenamente os sintomas, desde que procurem ajuda rapidamente. Um estudo comprovou que a intervenção de controle prévio da esquizofrenia, reduziu o diagnóstico de surtos. Entretanto os pacientes suportam uma média de 10 meses com sintomas sérios antes de receber tratamento e a pesquisa indica que mais da metade dos indivíduos com esquizofrenia recebe cuidados inadequados. Particularmente, Afro americanos são menos passíveis de receber bom tratamento.
O que é o tratamento com droga para a esquizofrenia?
Antipsicótico típico (ou neuroléptico), Drogas.
As drogas típicas antipsicóticas foram até bem recentemente o principal tratamento para esquizofrenia. Bloqueiam os receptores de dopamina, neurotransmissores que julga-se ter influência nos sintomas psicóticos. Estes medicamentos também são referidos como drogas neurolépticas porque podem causar efeitos neurológicos paralelos. A primeira droga deste tipo utilizada para tratar esquizofrenia foi a clorpromazina (Amplictil). Muitas outras drogas antipsicóticas estão agora disponíveis, a mais popular é o haloperidol (Haldol). Incluindo entre outras perfenazina (Trilafon – não encontrei no Vade-mécum – Brasil), tioridazina (Melleril), mezoridazina (Serentil – não encontrei no Vade-mécum – Brasil), trifluoperazina (Stelazine) e flufenazina (Anatensol Depot). Os estudos não mostraram quaisquer diferenças significativas de benefícios entre estas drogas; seu impacto benéfico é maior em sintomas psicóticos, particularmente nas alucinações e enganos (equívocos) nas etapas iniciais e intermediárias das desordens mentais. Drogas típicas antipsicóticas não são muito bem sucedidas na redução dos sintomas negativos, embora as pessoas freqüentemente demonstrem um menor isolamento e apatia em virtude da redução dos episódios psicóticos. De um terço a um quinto dos pacientes com esquizofrenia, não respondem adequadamente ao tratamento com drogas. Um estudo importante informou que somente um terço dos pacientes recebem dosagem corretas.
Nota (Lazir): Em parecendo ser a doença escalonada em níveis diferenciados, normalmente a dosagem deve obedecer a critérios peculiares, obtidos somente após tentativas de erros e acertos, exemplificando: Começar com dosagem de média para baixa e caso necessário ir aumentando ou reduzindo conforme a tolerância e resposta particular do paciente.
Tratamento de fase aguda ou inicial.
Para uma fase ativa grave de esquizofrenia, utilizam-se drogas injetáveis de antipsicóticos, a cada quatro e oito horas até que o paciente se tranqüilize. Se possível, entretanto, por prescrição médica, administrar a droga oralmente ou pelo menos retornar à droga oral tão logo possível. Geralmente doses mais elevadas são utilizadas para tratar episódios agudos e doses menores durantes os períodos de remissão da doença. Em pacientes que não responderem ao haloperidol dentro de três semanas, estimular a dosagem parece não ser eficiente e pode ser mais produtivo. Um estudo indica que para pacientes com um primeiro episódio, a utilização de doses abaixo das normais pode ser eficiente e oferecem menor risco de efeitos colaterais. Em pacientes tratados inicialmente, a melhora dos sintomas psicóticos pode ser evidente dentro de um ou dois dias de tratamento, embora o pleno benefício da droga desenvolva-se somente após aproximadamente de seis a oito semanas. Acredita-se que os distúrbios diminuam-se gradualmente.
As recaídas e a manutenção.
Para reduzir os riscos de recaída, muitos médicos recomendam ministrar as drogas antipsicóticas diariamente pelo menos por um ano. Aproximadamente 75% dos pacientes têm recaídas dentro de dois anos após retirada da medicação. Se dois ou mais episódios ocorrerem, alguns especialistas recomendam um tratamento de manutenção de pelo menos cinco anos, alguns possivelmente por tempo indefinido. Até 75% dos pacientes, entretanto, podem parar com as drogas antipsicóticas dentro de dois anos. A conformidade do prosseguimento de um regime de manutenção se deve a inúmeras razões: efeitos colaterais que podem estar debilitando o paciente; a vida do paciente esquizofrênico é normalmente instável; e muitas pessoas são relutantes em aceitar o conceito de tratamento longo. A fim de evitar os efeitos colaterais, conforme o paciente, os médicos tentam manter as dosagens o mais baixas possíveis. Os efeitos da droga devem ser cuidadosa e estritamente controlados pelo médico. A eficácia varia de indivíduo para indivíduo, avaliações, julgamentos e adaptações podem ser necessárias quando prescrever as dosagens, de modo que os benefícios do tratamento excedam ao efeitos colaterais da terapia. A terapia de depósito (tipos de neuroléptico, normalmente Haldol ou Anatensol, são ministradas com injeções mensais) teve êxito em sua utilização em pacientes que têm dificuldade em se submeter ao regime oral diário. Na Europa, o critério injetável reduziu o índice das recaídas dos sintomas em mais de 50%. Alguns especialistas recomendam esta terapia de depósito em pacientes que têm reduzida capacidade de tolerância. Uma desvantagem desta terapia são os efeitos colaterais, que, se ocorrerem, são prolongados.
Efeitos colaterais dos Neurolépticos.
Os neurololépticos pode ter efeitos colaterais adversos em muitos órgãos e sistemas do corpo. A insônia e letargia comumente ocorrem no início da terapia, mas normalmente diminuem depois de algum tempo. Outros efeitos colaterais são a boca seca, problemas oculares, reações alérgicas, aumento de peso e irregularidades menstrual nas mulheres. Uma disfunção sexual pode ser resultante do tratamento e é uma das razões para a não concordância na utilização da droga por parte do paciente, embora a amantadina ( Mantidan – antiparkinsoniano) possa ajudar e compensar os efeitos colaterais. Um efeito colateral muito mais sério, entretanto raro, é a síndrome maligna do neuroléptico, onde ocorrem altas temperaturas corporais. A inobservância deste efeito colateral pode ser fatal em 20% dos pacientes que o desenvolvem. As vezes os efeitos sintomáticos devido as drogas assemelham-se aos sintomas de esquizofrenia, tais como agitação, fala lenta e movimento retardado e então o médico, equivocadamente, pode ser tentado a aumentar a dosagem.
Os efeitos colaterais mais comuns e perturbadores das drogas antipsicóticas típicas são os sintomas extrapiramidais, que envolvem os nervos e músculos que controlam a coordenação motora e os movimentos em geral. As mulheres possuem riscos mais altos para estes sintomas e esses riscos são aumentados no decorrer da terapia e da idade. Assim sendo, estas drogas denominadas de potência alta (haloperidol e flufenazina) causam menor sedação e distúrbios de pressão sanguínea, entretanto possuem maior risco para os efeitos colaterais extrapiramidais; drogas de baixa potência (clorpromazina, tioridazina, respectivamente Amplicitil e Melleril) são mais sedativas; entretanto, seus efeitos colaterais não são agudos. A maioria das drogas neurolépticas causam efeitos colaterais extrapiramidais em até 70% dos pacientes que fazem uso desta medicação. Uma condição distônica aguda pode se desenvolver durante um curto período após o uso de antipsicóticos. Esta síndrome inclui espasmos musculares anormais, contorsões particularmente no apoio do pescoço, tronco, mandíbula e músculos do olho. O efeito mais sério ocasionado pelo uso das drogas antipsicóticas é a discenesia tardia, que é freqüentemente manifesta por movimentos repetitivos e involuntários, ou tiques, na boca, lábios, pernas, braços ou tronco. Os sintomas variam de suaves a graves, e às vezes interfere no ato de comer e andar. Podendo aparecer meses ou anos seguidos após tomar as drogas, podendo persistir por meses e anos após a sua retirada. Alguns casos de discenesia tardia podem ser permanentes embora possam entrar em remissão ou desaparecer por completo.
O tratamento dos efeitos colaterais extrapiramidais.
Em geral, os efeitos colaterais extrapiramidais decorrentes das drogas neurolépticas são tratados de início, pelo médico, reduzindo a dosagem ou receitando um interruptor, droga atípica. Os efeitos extrapiramidais podem realmente assemelhar-se aos da doença de Parkinson (ocasionado por baixos níveis de dopamina), e então o médico pode prescrever drogas anticolinérgica e anti-parkinsoniana que aumentam os níveis de dopamina, ajudando a restaurar o equilíbrio. Entre os anticolinérgicos mais comuns utilizados, são o cloridrato de triexifenidila 2 ou 5 mg (Artane, Triexidyl), cloridrato de de biperideno 2 e 4 mg ampola com solução injetável, 1ml contendo lactato de biperideno 5m IM ou IV (Cinetol, Akineton) e benzotropina (não encontrei nome comercial desta droga no Vade-mécun, entretanto adicionei o cloridrato de biperideno – Akineton, comumente utilizado no Brasil). Algumas destas drogas também podem ser úteis quando administradas a sintomas negativos da esquizofrenia. O uso de anticolinérgicos, entretanto, aumenta o custo e complica o equilíbrio de sérios efeitos colaterais. Comumente causam secura na boca podendo ocorrer náuseas, visão turva, índice aumentado de batimentos cardíacos, constipação e retenção urinária em homens com aumento prostático. Os portadores de glaucoma devem utilizar estas drogas cautelosamente. Os anticolinérgicos podem causar problemas mentais significativos, incluindo perda de memória, confusão e alucinações, semelhantes aos sintomas da esquizofrenia. Elas também reagem com o álcool e anti-histamínicos.
A maioria dos especialistas opõe-se ao uso de rotina de drogas antiparkisonianas para a esquizofrenia e os recomenda somente para pacientes que não podem ser controlados regularmente e para quem necessita de altas doses de antipsicóticos e correm grande risco para os efeitos colaterais desta. Os especialistas recomendam sua retirada após três ou quatro meses, se possível. Se os sintomas persistirem, as drogam podem ser substituídas. Deve ser anotado que a retirada dos anticolinérgicos podem causar depressão e exacerbar a esquizofrenia.
As drogas atípicas.
Embora os antipsicóticos também afetem os níveis de dopamina, as ações medicamentosas com drogas atípicas podem ocorrer em áreas do cérebro diferentes das que são afetadas pelas drogas típicas neurolépticas. A clozapina (Leponex) foi a primeira destas drogas, incluindo, risperidona, olanzapina e quetiapina (não encontrei no Vade-mécum). Com exceção da clozapina, que tem severos efeitos colaterais, muitos especialistas atualmente recomendam a prescrição de drogas atípicas para os pacientes que se encontram diagnosticados com esquizofrenia, os que não conseguem responder a antipsicóticos ou têm reincidivas. As drogas atípicas mais bem sucedidas são simultaneamente capazes de afetar os receptores de dopamina e os neurotransmissores responsáveis pelos sintomas psicóticos. Diferentemente dos antipsicóticos normais (também dos neurolépticos) as drogas atípicas têm alguns efeitos nos sintomas negativos bem como nos positivos ajudando a prevenir a reincidência. Também estão associados os graves efeitos colaterais extra-piramidais causados pelos anti-psicóticos.
Clozapina.
A clozapina, dibenzodiazepínico tricíclico (Leponex) foi de grande benefício para a metade dos pacientes com esquizofrenia que não respondiam a tratamentos normais. É particularmente útil nos jovens, embora os efeitos colaterais sejam comuns, estas novas drogas provam que são de melhor escolha para o tratamento. Os efeitos positivos podem não ser evidentes até nove meses de tratamento. A clozapina melhorou os sintomas negativos no julgamento resumido de sua utilização; um estudo mais longo é incentivado para verificar seus maiores benefícios. Estudos confirmam que também reduz o comportamento agressivo e impulsos suicidas. E embora a droga não demonstre causar discinesia tardia, outros efeitos colaterais foram conclusivos, tais como: congestão nasal, torpor, baixa pressão sanguínea, dor de cabeça, insônia e ganho significativo de peso. Efeitos colaterais sérios incluem, em até 1% dos casos, agranulocitose – uma diminuição potencialmente vital que ameaça as células brancas do sangue do paciente. Quando se desenvolve, a agranulocitose aparece normalmente na fase de três meses de tratamento, atingindo o seu ápice no terceiro mês, se não aparecer dentro de seis meses, possivelmente não se desenvolverá. As mulheres mais idosas possuem risco maior para este efeito colateral. A agranulocitose pode ser revertida se parar imediatamente o tratamento com a clozapina. É importante para quem se medica com clozapina o controle freqüente do nível de contagem de glicose, especialmente os com diabetes ou história familiar de diabetes. A potência da clozapina pode ser efetuada por variações de entradas de cafeína; pacientes que tomam bebidas cafeínadas devem ser controlados pelo médico, particularmente mudando seus hábitos. Embora a clozapina seja mais cara do que o haloperidol, esta despesa extra pode compensar pela sua maior eficácia, resultando em menor índice de hospitalização.
Risperidona.
A risperidona (Risperdal) é um bloqueador de receptores de dopamina que mostrou regular superioridade de benefícios em comparação com os antipsicóticos. Assim como a clozapina, a risperidona pode ter um efeito benéfico nos sintomas negativos. A risperidona também pode melhorar a memória de trabalho verbal, um problema comum em esquizofrênicos. Em geral, tem poucos efeitos extra-piramidais, embora podendo ocorrer em doses mais altas. Os efeitos colaterais comuns incluem a insônia, ganho de peso e vertigem.
Olanzapina.
A olanzapina (Zyprexa) pode ser mais eficiente no bloqueio da serotonina e neurotransmissores de dopamina, do que a clozapina, a que tem um risco maior para diminuição para confiscações e agranulocitoses. Os estudos indicam que pelo menos é eficiente para os sintomas agudos e possivelmente mais eficiente para os negativos do que neurolépticos típicos e que possuem um risco menor para causar sintomas extrapiramidais. A droga pode também ser benéfica para pacientes que não respondem às drogas neurolépticas. Um novo estudo sugere que a olanzapina também pode ser mais eficiente que a risperidona, particularmente na resposta para os sintomas negativos, mas ainda é necessário mais pesquisas para confirmação dos resultados. Assim como a risperidona, a olanzapina pode causar insônia, ganho de peso e vertigem. Outras drogas atípicas são a Ziprasidona e quetiapina (Seroquel – não encontrei no Vade-mécum – Brasil) que são promessas de novas drogas. A ziprasidona, que afeta a serotonina assim como a dopamina, também pode melhorar os sintomas negativos com efeitos colaterais extrapiramidais limitados. A aripiprazola e iloperidona são outras drogas atípicas em desenvolvimento.
Outras drogas úteis.
Antidepressivos.
A medicação com antidepressivos é recomendada concomitante aos antipsicóticos com a finalidade de aliviar a depressão tão comum em portadores da esquizofrenia, além de ser indicado para regular e prevenir a reincidência dos surtos. Apesar de seus benefícios, menos da metade dos pacientes recebem esta medicação tão útil. Os Afro Americanos menos ainda.
Ansiolíticos.
Normalmente são utilizados benzodiazepínicos para tratamento da ansiedade e constatado-se que reduzem os sintomas psicóticos, embora não tão eficientemente quanto à terapia normal com antipsicóticos, estes podem resultar num forte efeito sedativo. Usualmente os médicos prescrevem ansiolíticos com a finalidade de reduzir doses altas de antipsicóticos na ocorrência dos surtos. Podem também ser úteis na prevenção de uma reincidência psicótica, prevenindo um surto e às vezes utilizado para tratar o desassossego e agitação que ocorrem com o uso dos neurolépticos. Os efeitos colaterais severos que podem ocorrer, são dispnéia, hipotensão arterial e perda da consciência. Estudos de alguns pacientes, demonstraram que o uso concomitante de medicação ansiolítica e clozapina, não provocou nenhuma evidência ainda de perigo comprovado na associação destas duas drogas. Em todo caso, o uso prolongado de ansiolíticos geralmente não é recomendado na esquizofrenia, e em se utilizando deve ser gradual a sua retirada.
Litio.
O litio, normalmente usado para pacientes bipolares, é útil em alguns pacientes esquizofrênicos. Parece que reduz os sintomas negativos nos que não têm história familiar de esquizofrenia, mas não existem critérios confiáveis para predizer a quem beneficiar.
As drogas antiepiléticas.
Estas drogas, prescritas para epilepsia, tais como carbamazepina (Tegretol), ocasionalmente encontrou-se moderados benefícios em pacientes esquizofrênicos violentos e que não respondem a outras drogas.
Quais as terapias sem drogas para a Esquizofrenia?
Atualmente a Esquizofrenia está oficialmente caracterizada como uma doença cerebral, e não como uma desordem psicológica. O tratamento com drogas é a terapia primária. Entre um terço e um quinto de todos os pacientes com esquizofrenia, entretanto não respondem às drogas. Os efeitos das doenças são profundamente emotivos e os especialistas geralmente recomendam que o tratamento deva ser integrado, além das drogas, a alguma forma de terapia psicosocial. Muitos pacientes obtiveram êxito nas experiências que podem relembrar fenômenos de reações dolorosa em que positivamente os familiares estariam envolvidos e que na integração com outras famílias que compartilham dificuldades semelhantes, os índices de reincidência diminuiu significativamente, em relação aos pacientes medicados simplesmente com drogas. Por exemplo, familiares e outros entes queridos podem ser orientados a reconhecer os sintomas ou as situações estressantes que podem servir de gatilho para um surto esquizofrênico, ajudando a reconhecer também quando os pacientes submetidos às drogas, manifestam os sinais prévios de efeitos colaterais concernentes ao tratamento. Tanto os médicos quanto os familiares devem estar atentos para os sinais de reincidência. Tais sintomas podem incluir sentimento distancial da família e de amigos, acrescido perturbadoramente de pensamentos persistentes, e além disso, despertando um maior interesse religioso.
Os membros familiares e entes queridos, além de ajudar o paciente, normalmente também necessitam de apoio, pois freqüentemente sua saúde mental é ameaçada. Quando o afeto e a razão não conseguem trazer o ser amado para a realidade, normalmente os familiares reagem com raiva e frustração, o que somente piora a situação. Fora o desespero e temor, eles também tendem a rejeitar completamente o paciente. Numerosos estudos mostraram que os piores pacientes esquizofrênicos são aqueles que sofrem hostilidade, crítica ou outro envolvimento por parte da família. O maior problema é que se trata de uma rua de mão dupla: Famílias críticas geram ansiedade e depressão nos pacientes esquizofrênicos e, contrariamente, a ansiedade e depressão do paciente pode induzir às críticas familiares. Estudos indicam que uma vez recebido tratamento apropriado pelo paciente e apoio, o estado sobre-emotivo da família também retrocede. Os grupos de apoio podem ser muito úteis e alguns estudos demonstram que os pacientes melhoram quando as famílias estão em algum grupo de auto-ajuda. A curto prazo, cuidados residenciais e outros serviços, também podem ajudar e proteger o paciente oferecendo alívio à família.
O tratamento de Programa Comunitário.
Este consiste de um tratamento em que uma equipe de profissionais “ofertadores de atenção especializados” (psicólogos e outros profissionais de saúde mental) proporciona tratamento de apoio para os pacientes em seus lares, e é altamente benéfico e de custo eficientemente menor (comparado freqüentemente ao de hospitalização). Entretanto, só 2% dos 10% de pacientes participam de tais programas. OBS.: Desconheço este serviço no Brasil, no exterior denomina-se “caregivers”.
Reabilitação vocacional.
Até 90% dos pacientes com problemas mentais graves se encontram desempregados, apesar de que o trabalho remunerado seja muito importante na reabilitação do paciente. Um estudo informa que depois de um ano de trabalho, 40% dos pacientes com esquizofrenia que eram pagos por seus serviços obtiveram um melhora em todos os sintomas e 50% informou muita melhora nos sintomas positivos. Os que não recebiam por seu trabalho, a melhora foi consideravelmente menor. Menos de um quarto dos pacientes esquizofrênicos estão em programas que os possa ajudar a encontrar um trabalho para se manter.
Tratamentos alternativos.
Em alguns estudos foi utilizado a glicina (aminoácido), em grandes doses para tratar os sintomas negativos, resultando numa pequena melhora, mas significativa em alguns pacientes e de poucos efeitos colaterais. Noutro estudo, a glicina adicionada a um regime de drogas antipsicóticas, os pacientes manifestaram suas emoções como interiores e o reconhecimento de perdas reais. Em tais casos a psicoterapia é certamente um apoio essencial, sendo úteis outros tratamentos.
Tratamentos com Eletroconvulsivos (ECT) (Eletroconvulsivoterapia).
Este tratamento, usualmente denomiado Eletrochoque, recebeu má impressão desde que foi introduzido nos anos de 1940. Entretanto técnicas refinadas recentes ressuscitaram o seu uso, particularmente para depressão grave. Não foi encontrado nos estudos de mapeamento cerebral por Imagem indícios de que as técnicas atuais de ECT causem danos à estrutura do cérebro e alguns médicos sentem-se mais seguros do que com as terapias com drogas. Estudos num grupo pequeno de adolescentes com esquizofrenia e outras desordens, acharam ser útil o ECT.
Terapia Psicosocial (Psicanálise e Psicologia).
Sabe-se atualmente que esta terapia Psicosocial é a base física para a esquizofrenia, não mais recomendada como um tratamento alternativo para as drogas. Um estudo informou que os pacientes mais maleáveis à administração das drogas, são os que se encontram em terapia (psicológica ou psicosocial) pelo menos durante quinze minutos por mês. A maioria dos especialistas acreditam que um programa integrado oferecendo tanto médico quanto tratamento psicológico ao paciente e apoio à família do paciente ou outro “caregivers” (profissionais ofertadores de atenção – TO – Terapeuta Ocupacional), é importante para a melhora a longo prazo dos pacientes com esquizofrenia. A técnica clássica psicanalítica, que descobre e analisa acontecimentos da infância, o uso de métodos terapêuticos cognitivos comportamentais, mostram uma particular promessa de ajuda aos pacientes. Comumente usada para a depressão, este tratamento clássico psicanalítico tende a fortalecer a capacidade do paciente em normalizar os pensamentos utilizando exercícios mentais e auto-conhecimento. Pacientes que combinaram terapia cognitiva com cuidados de rotina (medicamentos) informaram quase oito vezes mais as chances de melhora comparados aos que somente utilizam cuidados de rotina. A terapia cognitiva ensina aos pacientes a mudarem os seus padrões comportamentais de pensamentos negativos ajudando-os com técnicas para resolver seus problemas e outras estratégias para reduzir os riscos de reincidência dos surtos. Um método é o retraimento, em que o paciente compensa com suas habilidades básicas de vida , o seu dano mental. Os pacientes são treinados nas habilidades sociais, tais como boa higiene, cozinhar, viajar, melhorar os pensamentos e aprendem técnicas para alcançar uma qualidade básica de vida. A análise também deve incluir métodos para a redução de tensão, intervir para manter a conformidade da terapia com drogas e apoio emotivo geral.
A família e estruturas de apoio externa.
Apoio familiar. Em qualquer tratamento de desordem mental, é insensato ver o paciente como se ele não existisse. As pessoas próximas do paciente exercem grande influência no curso de uma doença ignorada. É profundamente doloroso para alguém lidar com um ente amado cujo comportamento não é determinado pela resposta saudável imediata ao mundo real, mas por um mecanismo interno misterioso para o qual foi desviado. Não obstante, menos que 10% das famílias de pacientes com esquizofrenia recebem apoio e educação, mesmo sendo mostrado por muitos estudos os benefícios de tais programas para ambos, paciente e familiares pela estatística de 7% da redução dos sintomas negativos, menor depressão e melhor funcionamento mental. A glicina está disponível nas farmácias, mas entre 60 e 120 pílulas teriam que ser tomadas diariamente para combinar a força da glicina, estando então atualmente em julgamento se deve ou não ser administrada. Os médicos não recomendam o uso da glicina comprada para este propósito e mais pesquisas seguem, por enquanto. De acordo com os resultados de um estudo recente, o consumo de ômega-3 ácidos gordurosos encontrados em óleos de peixe, foi associado à melhora nos pacientes com esquizofrenia.
LEMBRE-SE: NÃO TOME OU ADMINISTRE QUALQUER MEDICAMENTO, POR MAIS SIMPLES QUE SEJA, SEM A ORIENTAÇÃO DE SEU MÉDICO!