Mergulho

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Autoria: Alessandra da Conceição Silveira

Há anos, pescadores de diversos pontos espalhados pelo mundo utilizam as técnicas do mergulho livre para a pesca, e desde o século passado sabe-se de alguns equipamentos rústicos para respirar embaixo d&rsquoágua. Mas foi a partir da década de 60, com as experiências de Jacques Cousteau, é que o equipamento Scuba foi desenvolvido.

No Brasil, os pioneiros começaram há cerca de trinta anos a trazer os equipamentos importados para mergulho. Os cursos, a princípio voltados para o pessoal do exército e do corpo de bombeiros, se popularizaram e atualmente são bastante procurados em todo o nosso país.

Máscara, nadadeiras, snorkel, cilindros… o aparato exigido para o mergulho é extenso e variável. Esses equipamentos garantem ao mergulhador instantes únicos em um ambiente aparentemente estranho ao ser humano. Quem mergulha, no entanto, prova justamente o contrário. Alguns falam em uma volta à natureza interna do homem. Outros, em uma possível ligação com as origens do ser humano na terra. Mas não importam teorias tentando explicar os motivos de cada mergulhador. O que realmente interessa é que cada um é invadido por emoções e sensações diferentes da superfície quando estão embaixo d’água.

Existem duas modalidades básicas no mergulho: o chamado snorkeling, e o mergulho autônomo. Snorkeling, derivado da palavra snorkel, ou respirador, um tubo de borracha com o qual tanto mergulhadores novatos quanto os mais experientes se utilizam para observar a flora e fauna marinha de maneira bem fácil. Máscara no rosto, respirador na boca, qualquer um pode se deliciar embaixo d’água sem, necessariamente, precisar descer metros e metros de profundidade. Bastar boiar, manter o snorkel fora d’água para respirar e encher os olhos com peixes, plantas e corais.

Quem começa o mergulho pelo snorkeling logo quer um pouco mais do que apenas ser um mero observador. Descer devagarinho, respirar embaixo d’água, tocar o fundo e estar totalmente envolvido é um desejo que se torna realidade com o mergulho autônomo. Esse tipo de mergulho exige um equipamento mais completo: cilindros de ar comprimido para respirar, colete estabilizador e pesos de chumbo para controlar a flutuabilidade, roupas de neoprene para proteger o corpo. A utilização deste equipamento exige curso e certificado. E o primeiro mergulho, fora da piscina, ninguém esquece.

Modalidades nas Antigas Olimpíadas

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Autoria: Luiz H. Benedetti Peña

O desenvolvimento físico era tão importante para o homem helênico quanto a formação intelectual. Levar essas características para as festas locais e as competições oficiais era a oportunidade para o cidadão mostrar seu valor.

Local de treinamento: dois prédios eram dedicados ao treinamento dos atletas:
A palaistra, onde o jovem grego recebia sua formação formal, inclusive a preparação física, e o ginásio, usado por amadores e profissionais para aprimorar a técnica esportiva. Em ambos os prédios, era comum encontrar músicos que acompanhavam os treinamentos.

Disco
O balanceio usado era parecido como visto hoje. O desempenho era marcado por pequenas estacas de madeira chamadas Sématas e a distancia era medida com uma haste. Um famoso atleta grego, Fáulus, teria arremessado o disco, feito de bronze, a noventa e cinco metros – o recorde olímpico atual é noventa metros e quarenta centímetros.

Corrida
Havia seis modalidades que exigiam físicos distintos:
Stádion (200 metros), Díaulus (400 metros), Híppios (800 metros), Dólikhos (2000metros), Hoplítes Drómus (com armas) e LAMPADEDROMÍA (com tochas). Exercícios aeróbicos como a natação, eram praticados pelos atletas para aumentar a capacidade cardiorespiratória.

Dardo
Os atletas usavam uma lança de madeira com uma ponta de metal, a qual deveria ser mais leve do que usada na guerra e na caça. Uma correia de couro era atada no centro de gravidade do dardo para que o atleta inserisse um ou dois dedos e adquirisse mais estabilidade e velocidade no lançamento.

Salto
Mesmo nas competições, os atletas usavam halteres(peso) para ganhar impulso. Quando começava a cair, o saltador lançava as mãos para traz e usava os halteres para impelir o corpo para frente. A música de flauta ajudava o competidor a incorporar harmonia e ritmo nos movimentos.

Lutas
Era um dos esportes que mais exigiam dos atletas, pois pedia força, agilidade e habilidade. Havia quatro modalidades: a luta em pé, a de chão, o pugilato, e o pancrácio, que era uma mistura das anteriores. Os pugilistas cobriam as mãos com himántes, tiras de couro usadas para firmar a articulação do pulso em estabilizar os dedos.

Pesos
O levantamento de peso não fazia parte das competições oficias e era empregado principalmente no treinamento dos atletas de modalidades que exigiam força; os exercícios eram planejados pelos pedótribas, treinadores preliminares e pelos gimnastés,que trabalhavam.

Desenvolvimento de Força Muscular, Endurece e Flexbilidade

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Autoria: Edna Pereira de Almeida

Quando um músculo se encurta ao levantar uma carga constante, a tensão desenvolvida em uma determinada amplitude de movimento depende do comprimento do músculo, do ângulo de tração do músculo sobre o esqueleto e da velocidade do encurtamento.

Força muscular e endurance (resistência) podem ser muito aprimoradas com programas de exercícios corretamente planejados e cuja resistência é representada por pesos.

Aumentos na força e na endurance são acompanhados por certas alterações fisiológicas tipo aumento do tamanho muscular (hipertrofia), pequenas alterações bioquímicas e adaptações dentro do sistema nervoso.

O princípio fisiológico subjacente ao desenvolvimento da força e da endurance é denominado princípio da sobrecarga

A dor muscular aguda é causada pela falta de um fluxo sangüíneo adequado (isquemia), ao passo que a dor muscular tardia é causada provavelmente pela ruptura dos tecidos conjuntivos.

O treinamento com os pesos é específico, pois os aumentos (ganhos) na força e na endurance muscular aprimorarão ao máximo a realização de certas tarefas (habilidades) quando o programa de treinamento consiste em exercícios que incluem os grupos musculares e estimulam os padrões de movimentos utilizados durante a realização dessa tarefa.

Flexibilidade, ou amplitude de movimento ao redor de uma articulação, está relacionada à saúde e, até certo ponto, ao desempenho atlético.

1. Programa de treinamento com pesos

Nesta seção, vamos nos concentrar nos vários tipos de programas de treinamento com pesos e nos programas de exercícios com resistência progressiva (ERP) que têm sido utilizados para o desenvolvimento da força muscular e da endurance. Começaremos com algumas definições básicas e prosseguiremos com uma análise das modificações fisiológicas induzidas por esses programas. Finalmente, tentaremos responder algumas das perguntas previamente formuladas, relacionando força e endurance ao desempenho físico.

1.1. Força muscular: definição e tipos de contrações

Força muscular pode ser definida como a força ou tensão que um músculo ou, mais corretamente, um grupo muscular consegue exercer contra uma resistência, em um esforço máximo. Existem quatro tipos básicos de contração muscular: isotônica, isométrica, excêntrica e isocinética.

1.1.1. Treinamento com pesos e modificações na composição corporal

Para o homem e a mulher comuns em idade universitária, as mudanças na composição corporal após um programa de treinamento com pesos consistirão em (1) pouca ou nenhuma modificação no peso corporal, (2) reduções significativas na gordura corporal relativa e absoluta, e (3) aumento significativo no peso corporal magro (presumivelmente massa muscular). Por exemplo, 5 semanas de treinamento para força isocinética com uma única perna produziram as seguintes alterações em 10 mulheres de meia-idade: aumentos na espessura dos músculos da coxa, no número relativo de fibras CR, na área relativa de fibras CRB, assim como uma redução do tecido adiposo subcutâneo.

As alterações adiposas foram determinadas por ultra-sonografia ou por mensurações das pregas cutâneas com compasso. Levando-se em conta que o tamanho das células adiposas não se modificava, concluiu-se que a redução na espessura da camada adiposa subcutânea era devida a fatores geométricos relacionados com a hipertrofia dos músculos subjacentes. Assim sendo, esses achados não foram encarados como evidência em apoio do conceito de redução local da gordura nem do esvaziamento local dos depósitos de gordura nas áreas dos músculos que estavam sendo exercitados.

1.2. Princípio da sobrecarga

O princípio fisiológico de que depende o desenvolvimento da força e endurance é conhecido como princípio da sobrecarga. Esse princípio preceitua simplesmente que a força, a endurance e a hipertrofia de um músculo somente aumentarão quando o músculo realiza sua capacidade máxima de força e endurance por determinado período de tempo, isto é, contra cargas de trabalho superiores àquelas encontradas normalmente. Já em 1919, Lange enunciou na literatura científica os primeiros pontos de vista acerca da relação entre hipertrofia muscular e o fenômeno da sobrecarga:

Somente quando um músculo passa a trabalhar com sua maior potência, isto é, através da superação de uma maior resistência do que antes numa unidade de tempo, é que sua área transversal precisará aumentar… Enquanto, se o desempenho muscular é aumentado meramente por trabalhar contra a mesma resistência de antes por um período de tempo maior, não será necessário qualquer aumento na substância contrátil.

Uma das primeiras demonstrações em seres humanos do princípio da sobrecarga foi feito por Hellebrandt e Houtz. É claro que os aumentos de força e endurance são mais pronunciados quando o músculo é exercitado na zona de sobrecarga, isto é, com resistências muito superiores àquelas encontradas normalmente. Nesse caso, subcarga refere-se a resistências inferiores àquelas encontradas normalmente pelo músculo.

Os princípios de sobrecarga, quando aplicados aos programas de treinamento com pesos, significam que a resistência contra a qual o músculo trabalha deve ser aumentada durante todo o transcorrer do programa, à medida que o músculo ganha em força e resistência. Por essa razão, a versão original do princípio da sobrecarga, da forma enunciada primeiramente por Lange, foi modificada para o que denominamos atualmente o princípio de exercício com resistência progressiva (ERP). De fato, existe alguma preferência para esse termo em descrever todos os tipos de métodos de treinamento com resistência, incluindo os dispositivos que podem ser distendidos ou comprimidos, a calistenia de natureza progressiva, assim como o treinamento com pesos.

Foi relatado um estudo ímpar de treinamento com sobrecarga crônica de 11 saltadores e arremessadores de nível internacional. Eles usavam coletes que pesavam 13% de seu peso corporal durante o dia todo, exceto enquanto dormiam. Após um período de 3 semanas de sobrecarga, esses indivíduos mostravam aprimoramentos significativos na capacidade de salto vertical a partir de uma posição agachada, após quedas de alturas de 20 a 100 cm e por um período de teste de resistência de 15 segundos. Esses aprimoramentos eram perdidos dentro de 4 semanas após a remoção dos coletes.

1.3. Especificidade do treinamento com pesos

A experiência ensinou aos técnicos bem-sucedidos que, para aprimorar o desempenho de seus atletas, deve-se planejar um programa de treinamento específico para cada atleta. Em outras palavras, os programas de treinamento devem ser relevantes para as demandas de evento para o qual o atleta está sendo treinado.

Essas demandas incluem (1) o sistema (ou sistemas) energético predominante implicado e (2) os padrões de movimento e os grupos musculares específicos implicados. A primeira demanda será analisada com mais detalhes. A segunda demanda significa que aumentos na força e na endurance aprimorarão ao máximo a perícia no desempenho quando o programa de treinamento é composto por exercícios com resistência progressiva que incluem os grupos musculares e que estimulam os padrões de movimento utilizados mais freqüentemente durante a verdadeira execução de determinada tarefa. Por exemplo, na natação, os exercícios de treinamento com pesos destinados a aprimorar a braçada de peito terão que se concentrar nos músculos e em seus padrões de movimentos associados a essa braçada. A mesma regra aplica-se às outras provas de natação e aos outros eventos ou façanhas realizados em outros esportes e atividades.

1.4. Dor muscular

Em algum momento nós todos fomos vítimas de dor muscular, particularmente ao realizar programas de treinamento com pesos. Em geral são reconhecidos dois tipos de dor muscular: (1) dor aguda e (2) dor tardia.

1.5. Dor aguda

Este tipo de dor muscular que, como o nome indica, ocorre durante e imediatamente após o período de exercício, é considerado como estando associado à falta de um fluxo sangüíneo suficiente para os músculos ativos (isquemia). Talvez a evidência científica mais conclusiva apontando para a isquemia como causa primária da dor aguda tenha sido reunida no transcorrer dos últimos 30 anos. Em A realizou-se uma contração isométrica sustentada dos músculos flexores dos dedos ao mesmo tempo em que a circulação para esses músculos era concluída. Observar como a dor (mialgia) aumentava não apenas durante o período de contração, mas também por cerca de 1 minuto após interromper-se a contração, porém com a circulação ainda ocluída. Quando o fluxo sangüíneo era restauração, a dor muscular diminuía bastante rapidamente. Em B, realizou-se o mesmo tipo de experiência, porém com a circulação intacta para os músculos ativos. Nessas condições, a dor muscular mostrava-se muito proporcional à intensidade da contração. Por exemplo, a dor alcançava um máximo quando a intensidade da contração era máxima, declinando a seguir lentamente à medida que diminuía a intensidade da contração.

Com base nas experiências precedentes, chegou-se às seguintes conclusões acerca da dor muscular aguda:

A dor muscular é produzida durante as contrações nas quais a tensão gerada é suficientemente intensa a ponto de ocluir o fluxo sangüíneo para os músculos ativos (isquemia).

Por causa da isquemia, os produtos da atividade metabólica, tipo ácido láctico e potássio, não podem ser removidos e, dessa forma, acumulam-se até o ponto de estimularem os receptores dolorosos localizados nos músculos.

A dor persiste até que a intensidade da contração seja reduzida ou que a contração cesse totalmente e o fluxo sangüíneo seja restaurado, permitindo então a remoção dos produtos de desgaste acumulados.

1.6. Dor muscular tardia

A dor aguda, embora possa importunar, não constitui um grande problema, pois é de curta duração (aguda) e desaparece ao se suspender o exercício. O problema mais sério é a dor muscular tardia, isto é, aquela que se manifesta de 24 a 48 horas após o término das sessões de exercícios.

Com base nas experiências destinadas a induzir dor muscular tardia, constatou-se que o grau de mialgia está relacionado ao tipo de contração muscular realizada. Numa experiência típica, a dor muscular era induzida com os seguintes exercícios de levantamento de pesos: homens e mulheres realizavam duas séries de contrações exaustivas dos músculos flexores do cotovelo, com halteres. Durante as contrações excêntricas, os halteres eram abaixados apenas ativamente, ao passo que durante as contrações isotônicas eram levantados apenas ativamente. Durante as contrações isométricas, os halteres eram mantidos estacionários. Constatou-se que a dor muscular (mialgia) era mais pronunciada após as contrações excêntricas e menos intensas após as contrações isotônicas. A dor observada após contrações isométricas era apenas ligeiramente maior que após contrações isotônicas, porém ainda era consideravelmente inferior àquela observada após contrações excêntricas. Além disso, em todos os casos a dor era tardia, com a maior demora sendo de 24 a 48 horas após o exercício.

Apesar de não ser mostrado, constatou-se nesta experiência que a força muscular diminuía muito após concentrações excêntricas e mantinha-se deprimida enquanto durava o período doloroso. Não se observou qualquer redução significativa na força durante o período doloroso subseqüente às contrações isotônicas ou isométricas. Constatou-se pouca ou nenhuma dor muscular tardia após exercícios com contrações isocinéticas e não houve qualquer redução na força.

O que causa a dor muscular tardia e como pode ser evitada? A causa (ou causas) exata da mialgia é desconhecida. Entretanto, foram aventadas três teorias diferentes.

Teoria da ruptura tecidual. Esta teoria propõe que dano tecidual, como ruptura (laceração) de fibras musculares, pode explicar a mialgia.

Teoria do espasmo. Nesta teoria, são sugeridos três estágios de ação: (a) o exercício produz isquemia dentro dos músculos ativos; (2) a isquemia resulta em acúmulo de uma “substância dolorosa” desconhecida (ou substância D) que estimula as terminações nervosas dolorosas do músculo; e (c) a dor desencadeia um espasmo muscular reflexo que causa isquemia e o ciclo todo se repete.

Teoria do tecido conjuntivo. Essa teoria sugere que os tecidos conjuntivos, incluindo os tendões, são lesados durante a contração, causando assim dor muscular.

1.7. Programas de força endurance

Já que existem quatro tipos básicos de contrações musculares, não é de surpreender que existem também quatro tipos de programas de força e endurance, cada um deles estruturado ao redor de uma das contrações básicas. Ao responder algumas das perguntas formuladas anteriormente, analisaremos cada tipo de programas. Será considerado também um quinto tipo de programa de treinamento que combina um pré-alongamento das unidades músculo-tendão seguido por uma contração isotônica. Esse programa combinado é denominado pliométrica.

1.8. Circuit training

Um tipo diferente de programa de treinamento que também consegue ser efetivo no aprimoramento da força e no preparo dos atletas para a competição é o circuit training (treinamento em circuito). Esse tipo de programa consiste em um certo número de “estações” onde é realizado determinado exercício, em geral dentro de um período especificado. Depois que o exercício é completado numa das estações, o indivíduo desloca-se rapidamente para a próxima estação, realizando outro exercício também dentro de um período de tempo prescrito. O circuito é completado uma vez realizados os exercícios em todas as estações.

Nas várias estações, os exercícios compõem-se principalmente de atividades cuja resistência é representada por pesos, porém podem-se incluir também corrida, natação, ciclismo, calistenia e alongamento.

Portanto, o circuit training pode destinar-se a aumentar a força muscular, a flexibilidade e, tratando-se de corrida, natação ou ciclismo, a aprimorar também alguma resistência (endurance) cardiorrespiratória.

O circuito deve incluir exercícios capazes de desenvolver as capacidades particulares exigidas no esporte para o qual o atleta está sendo treinado. Por exemplo, os circuitos que consistem essencialmente em exercícios cuja resistência é representada por pesos são bons para os esportes nos quais a força muscular representa um dos principais fatores e a endurance cardiorrespiratória constitui um fator secundário – esportes tipo ginástica, luta, piques de natação, piques de corrida, levantamento de pesos competitivo e futebol americano. Evidentemente, os exercícios cuja resistência é representada por pesos devem enfatizar o desenvolvimento dos músculos mais usados na realização do esporte em particular.

Sejam quais forem os esportes para os quais os circuitos são elaborados, eles devem ter entre 6 e 15 estações, com duração total entre 5 e 20 minutos. Em geral, cada circuito é realizado várias vezes numa sessão de treinamento. Deve-se permitir apenas de 15 a 20 segundos de repouso entre as estações. Para as estações onde a resistência é representada por pesos, a carga deve ser ajustada de modo que os músculos ativos fiquem visivelmente fatigados após realizar o máximo possível de repetições dentro de um período de tempo designado (por exemplo, 30 segundos). Essa carga deve ser aumentada periodicamente, a fim de garantir uma sobrecarga progressiva. Além disso, a seqüência de exercícios deve ser organizada de forma que não haja duas estações consecutivas constituídas por exercícios nos quais participem os mesmos grupos musculares. A freqüência do treinamento deve ser de 3 dias por semana, com duração de pelo menos 6 semanas.

Como mencionado previamente, o circuit training pode destinar-se a aumentar força e potência musculares, endurance muscular, flexibilidade e, num grau limitado, endurance cardiorrespiratória. Entretanto, convém enfatizar que os efeitos fisiológicos dependem muito do tipo de circuito montado. Por exemplo, foi demonstrado que os circuitos constituídos apenas por exercícios cuja resistência é representada por pesos produzem aumentos (ganhos) substanciais na força, porém ganhos apenas mínimos na resistência cardiorrespiratória. Esta última não é afetada em nada se os circuitos são compostos apenas de 5 ou 6 estações.

Um certo aumento na endurance cardiorrespiratória pode resultar, e de fato resulta, do circuit training, especialmente quando são incluídas atividades de endurance nas estações, porém a magnitude do aumento em geral não é tão significativa quanto aquela conseguida com os programas de endurance constituídos inteiramente de corrida, natação ou ciclismo. Não conhecemos inteiramente a razão fisiológica para esse fato. Isso é particularmente embaraçoso, pois demonstrou-se que as freqüências cardíacas durante o treinamento em um circuito com pesos mostram-se substancialmente elevadas (138 a 186 batimentos por minuto) e se mantêm altas durante todo o transcorrer do circuito. (uma freqüência cardíaca elevada constitui um dos critérios para atribuir-se um efeito cardiovascular ao treinamento; para mais detalhes sobre esse assunto. Entretanto, como possível causa, temos o fato de, durante os treinamentos com pesos, uma redução no fluxo sangüíneo muscular, causada pelos altos níveis de pressão intramuscular durante a contração, pode resultar em um menor estímulo para as adaptações bioquímicas e vasculares em um nível muscular local. Essa idéia é consubstanciada pelos estudos já mencionados, nos quais constataram-se alterações bioquímicas mínimas após várias semanas de treinamento com pesos. Em contraste, observou-se adaptação bioquímica substancial num nível muscular local após treinamento com corrida.

Com base na pesquisa bastante limitada de que dispomos, pode-se concluir que o circuit training parece ser uma técnica de treinamento efetiva capaz de alterar a força e a endurance musculares e, num grau limitado, a flexibilidade e a endurance cardiorrespiratória. A utilização do circuit training, particularmente para os programas de preparação (fora da estação competitiva), portanto, pode ser recomendada para os atletas cujos esportes exigem altos níveis de força, potência e endurance musculares e níveis mais baixos de endurance cardiorrespiratória.

2. Flexibilidade

Juntamente com a força e a endurance, a flexibilidade também é um componente importante do desempenho muscular. Ao estudar a flexibilidade, concentraremos nossa discussão em quatro tópicos: (1) definições, (2) limites estruturais para a flexibilidade, (3) desenvolvimento da flexibilidade, e (4) flexibilidade e desempenho. Uma revisão acerca da fisiologia da flexibilidade foi descrita por Holland.

2.1. Definição da flexibilidade

Foram descritos dois tipos de flexibilidade, estática e dinâmica.

2.1.1. Flexibilidade estática

A amplitude de movimento ao redor de uma articulação é definida como flexibilidade estática e pode ser medida com um resultado bastante fidedigno. Como mostrado, o flexômetro possui um mostrador graduado para 360 graus e um ponteiro, controlados ambos independentemente pela gravidade. Quando está sendo utilizado, o flexômetro é fixado ao segmento que está sendo testado. Quando o mostrador está travado numa posição extrema (por exemplo, extensão total do cotovelo), a leitura do ponteiro do mostrador é o arco através do qual se processa o movimento. É denominada flexibilidade estática , pois quando o mostrador é realmente lido, não existe qualquer movimento articular.

2.1.2. Flexibilidade dinâmica

Este tipo de flexibilidade é definido como a oposição ou resistência de uma articulação ao movimento. Em outras palavras, diz respeito às forças que se opõem ao movimento através de qualquer amplitude, e não apenas à amplitude em si. Esse tipo de flexibilidade é mais difícil de medir e, como tal, recebeu pouca atenção na área da educação física e dos desportos.

3. Resumo

Força muscular é aquela que um músculo ou grupo muscular consegue exercer contra uma resistência, num esforço máximo. Existem quatro tipos de contração muscular: isotônica, isométrica, excêntrica e isocinética.

Com as contrações isotônicas (o músculo se encurta ao deslocar uma carga constante), a tensão desenvolvida através da amplitude de movimento se relaciona com (1) o comprimento da fibra muscular, (2) o ângulo de tração do músculo sobre o esqueleto ósseo, e (3) a velocidade do encurtamento. Conseqüentemente, a tensão desenvolvida durante o deslocamento de uma carga constante varia através de toda amplitude do movimento articular, com o músculo exibindo tensão máxima somente no ponto mais fraco da amplitude. Isso contrasta com a contração isocinética, na qual a tensão desenvolvida pelo músculo ao encurtar-se com velocidade constante é máxima em todos os ângulos articulares.

Contração isométrica é aquela na qual se desenvolve tensão, porém sem qualquer mudança no comprimento externo do músculo. Contração excêntrica refere-se ao alongamento de um músculo durante a contração.

Em geral a endurance (resistência) muscular local é definida como a capacidade de um grupo muscular para realizar contrações repetidas (sejam elas isotônicas, isocinéticas ou excêntricas), contra uma carga ou para sustentar uma contração (isométrica) por um longo período de tempo. Entretanto, a endurance muscular pode ser definida também como o oposto de fadiga muscular.

Eis as alterações fisiológicas que acompanham o aumento de força:

1. Hipertrofia – aumento no tamanho do músculo devido a um maior tamanho das fibras musculares (principalmente as de contração rápida) e das miofibrilas musculares, a um maior quantidade total de proteínas, a um maior número de capilares e a maiores quantidades de tecidos conjuntivos, tendinosos e ligamentares.

Alterações bioquímicas – incluindo maiores concentrações de creatina, PC, ATP e glicogênio e menor volume de mitocôndrias enzimáticas anaeróbicas e aeróbicas.

Adaptações dentro do sistema nervoso central, incluindo modificações no padrão de recrutamento e na sincronização das unidades motoras.

O princípio fisiológico de que depende o desenvolvimento de força e endurance é denominado princípio da sobrecarga, o qual preceituosa que a força e a endurance só aumentam quando um músculo exercita-se com sua capacidade máxima. Nos programas de treinamento com pesos, a resistência contra a qual o músculo trabalha deve ser aumentada periodicamente, à medida que se processam aumentos (ganhos) em sua força. Esse é o princípio dos exercícios com resistência progressiva, ou ERP.

O treinamento com pesos é específico, pois os aumentos (ganhos) na força) e endurance musculares aprimoram ao máximo a realização de tarefas (habilidades) quando o programa de treinamento é constituído por exercícios que incluem os grupos musculares e que simulam os padrões de movimento utilizados durante o desempenho dessas tarefas. Além disso, o treinamento de força é específico para o ângulo articular no qual o músculo é treinado (isometria) e para o tipo de contração utilizada.

Existem dois tipos de dor muscular – aguda e tardia. A dor aguda é devida à isquemia muscular (falta de fluxo sangüíneo suficiente). A dor tardia (início de 24 a 48 horas após o exercício) poderia ser devida à ruptura do tecido muscular ou aos espasmos musculares, porém é devida mais provavelmente à laceração dos tecidos conjuntivos, incluindo os tendões.

Não existe qualquer prevenção conhecida ou cura essa dor; entretanto, os exercícios de alongamento podem aliviá-la quando presente e, às vezes, conseguem prevenir ou adiar sua instalação. A dor muscular tardia é máxima após contrações excêntricas e mínimas após contrações isocinéticas.

Com os programas isotônicos de força, não existe uma combinação única de séries (número de repetições realizadas consecutivamente) e de repetições máximas (carga máxima que pode ser deslocada num determinado número de repetições antes de surgir fadiga) capaz de produzir aumentos ótimos de força. Entretanto, a maioria dos programas deveria incluir entre uma e três séries com repetições máximas entre três e nove. Embora o aprimoramento na força e endurance musculares possa ser maior com poucas repetições e altas resistências e com muitas repetições e baixas resistências, respectivamente, obtiveram-se aumentos iguais na força e na resistência com ambos os programas.

Os programas isométricos conseguem aumentar significativamente a força treinando-se 5 dias por semana, com cada sessão de treinamento consistindo em 5 a 10 contrações máximas mantidas por 5 segundos cada. A endurance isométrica também pode ser aprimorada, porém a elaboração de um programa desse tipo varia consideravelmente.

Os programas de exercícios excêntricos, em comparação aos programas isotônicos e isométricos, não são de forma alguma mais efetivos na elaboração de força e resistência. No entanto, podem ser excelentes no desenvolvimento da força das contrações excêntricas.

Os programas isocinéticos são velocidade-específicos, isto é, produzem aumentos máximos de força e endurance com velocidades de movimento iguais ou mais lentas, porém não mais rápidas, que a velocidade do treinamento. Podem obter-se aumentos na força isocinética com programas constituídos por apenas 1 minuto por dia 4 dias por semana, durante 7 semanas (tempo total = 28 minutos). Teoricamente, e em comparação com outros programas, os exercícios isocinéticos deveriam resultar no maior aprimoramento do desempenho muscular. Uma vez desenvolvidas, força e endurance são conservadas (retidas) por períodos de tempo relativamente longos.

Circuit training consiste em um certo número de estações onde se realiza um determinado exercício de levantamento de peso dentro de um período de tempo especificado. Constitui, também, uma técnica de treinamento efetivo para aprimorar a força muscular, a endurance e, em menor grau, a flexibilidade e a endurance cardiovascular.

Alguns estudos sugerem pouca ou nenhuma melhora na velocidade de contração, porém a maioria mostra que os programas de treinamento com pesos aprimoram tanto a velocidade quanto a potência da contração. Habilidades desportivas específicas também podem ser aprimoradas significativamente através dos programas de treinamento com pesos.

Flexibilidade, que é a amplitude de movimento ao redor de uma articulação, está relacionada à saúde e, em certo grau, ao desempenho atlético. Programas regularmente esquematizados constituídos por exercícios de alongamento (2 a 5 dias por semana, 15 a 60 minutos por dia) aprimorarão a flexibilidade dentro de poucas semanas.

Natação

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Autoria: Maurizete Andrade

Ao se observar a natureza do homem percebe-se as habilidades que lhe são naturais. Correr, saltar e arremessar são algumas dessas habilidades. Alguns animais, além dessas, possuem outras habilidades, como, por exemplo, nadar. O ato de nadar ocorre na posição horizontal, exatamente contrário ao processo de evolução do homem. O homem evoluiu, até tornar-se bípede, no sentido vertical. Por isso alguns animais que evoluíram no sentido horizontal e de quadrupedia tendem a estabelecer maior facilidade na prática do deslocamento na água.

Por não ser nem aquático nem anfíbio, e o fato de viver próximo das águas de rios, lagos e mares, e daí retirar sua sobrevivência, fez com que o homem desenvolvesse habilidades que o tornasse capaz de nadar. O homem então passou a perceber que era capaz de flutuar e de se deslocar na água, mesmo que imitando outros animais.

O fato é que o ser humano é capaz de nadar e adquiriu essa habilidade ultrapassando todas as dificuldades impostas pela natureza.

Medir cronologicamente ou apresentar uma data para definir os primeiros momentos da natação é impossível. Mas, no entanto, devemos crer que esse processo começou a partir das primeiras construções (habitações) à beira de lagos e rios.

A História e a Literatura fazem freqüentes referências à natação. Isso mostra que a natação é praticada desde a mais remota antiguidade.

Outro fato interessante é que nos símbolos da escrita egípcia foram encontrados desenhos que reproduziam movimentos de homens nadando. Ainda existe o fato de que o Egito teve seu desenvolvimento às margens do Rio Nilo.

Kirk Cureton, através da obra “How to Teach Swimming and Diving”, refere-se aos trabalhos arqueológicos de James Dunlap, que afirma que os gregos já conheciam a natação 3.000 anos antes da nossa era.

Na Grécia à natação era dada grande valor. Os atenienses e espartanos tinham a natação nos mais elevado conceito. Segundo a literatura grega, chegou-se a tornar obrigatório o banho pela manhã para ambos os sexos. Tornaram-se famosos os nadadores da ilha de Delos, Atenas e Esparta.

Muitas passagens na literatura são citadas em relação à natação. Museio, nos seus versos magníficos, conta que Leandro, para ver sua amada Hero, atravessava a nado, todas as noites, o Helesponto (hoje Estreito de Dardanelos). Leandro teria falecido numa noite tempestuosa. Hero, sua amada, indicava o caminho (referência) com uma tocha acesa, que naquela noite foi apagada pelo vento. Leandro perdeu a direção e faleceu. Hero seguiu em direção ao seu amante e teve o mesmo desfecho. Muitos séculos mais tarde, Lord Byron, poeta e esportista, quis reconstruir a façanha de Leandro e atravessou o canal de Dardanelos em 1 hora e 10 minutos no ano de 1818.

LOTUFO (Ensinando a Nadar) cita: “Homero, na Ilíada, descreve Petis saltando do Olimpo para, num formidável mergulho, chegar ao seu destino final sem ser vista depois de haver implorado a Zeus a vingança para Aquiles. A Odisséia, com Ulisses passando dois dias e duas noites e meia nas águas agitadas do mar depois do naufrágio, é mais uma página da mitologia grega, que põe em relevo o apreço que os helenos tinham pela natação.”

Em Roma a natação era considerada com requinte social. A pessoa para ser considerada culta deveria saber nadar. Entre os patrícios romanos o conceito em que tinham a natação era tal que chegavam a tratar de modo desprezível aos que não soubessem nadar. Utilizavam frases como: “É tão ignorante que não sabe ler nem nadar”.

Entre os soldados romanos, em suas rotinas diárias de atividades físicas, era regular a prática da natação. Depois dos exercícios físicos em terra, atravessavam a nado os rios. A robustez dos soldados era tal, que o seu dardo penetrava quatro dedos nas árvores mais rígidas (LOTUFO, 1970).

A Alemanha, Inglaterra e Suécia, por volta do século XVI, publicaram os primeiros trabalhos escritos sobre natação, todos em latim. Insistia-se nessa época no ensino do nado peito. Para os soldados atravessarem rios carregando armaduras e roupas, deveriam fazê-lo levando-os na cabeça ou nas costas. Daí talvez as conclusões que vieram favorecendo o nado de peito como o melhor, mesmo entre os profissionais da área. O Museu de Belas Artes de Paris ostenta uma estátua ao nadador grego, em posição de peito. Este, provavelmente, é o motivo de também ser chamado de “clássico”. Os alemães e ingleses foram os seus grandes divulgadores, juntamente com a França. mais tarde, no século XIX, já mencionava um estilo de “cachorrinho”, aproximadamente parecido com o crawl dos dias de hoje.

Em 1859, o nadador Payton apareceu nadando uma competição em Baths (hoje Lamberth) com um estilo que lhe valeu a desclassificação por não ser considerado ortodoxo. Este estilo foi o mesmo que, 10 anos depois, era apresentado por Trudgen, estilo que levou o seu próprio nome, não se sabe por que razões (CURETON). Ficou criado um novo estilo que rapidamente se espalhou por todo o mundo. Esse estilo apresentava as vantagens de ser mais econômico e mais veloz que o nado de peito. Os ensinamentos de Trudgen estavam voltados muito mais para as provas de velocidade.

Um inglês chamado Frederick Cavill, que era um excelente nadador de peito, decidiu morar na Austrália onde construiu várias piscinas e começou a ensinar a natação. Antes da virada do século, Cavill, fazendo uma viagem com sua família (incluindo seis filhos), observou vários nativos, da região do Ceilão, nadando, e assim como Trudgen, percebeu que todos nadavam com braçadas alternadas. Mas Cavill percebeu que os nativos usavam um forte movimento de pernas. Cavill então decidiu estudar a fundo e criou o “crawl australiano”. A principais características eram o grande deslizamento, as pernas esticadas e o movimento alternado de braços. Um dos filhos de Cavill, Richard, esteve na Inglaterra em 1902 e nadou as 100 jardas em 58″8. Ao descrever o seu revolucionário estilo, Cavill disse: “é como estar engatinhando na água”.

Em seguida, os americanos, “os grandes mestres da propaganda” (LOTUFO), pegaram o já famoso crawl australiano e fizeram algumas modificações, surgindo, assim, o “crawl americano”, que deu muitas glórias aos Estados Unidos.

Um dado interessante é que na Europa as competições eram realizadas em piscinas de águas salgadas. Nesse mesmo período os americanos começaram a utilizar a água doce em suas piscinas. O fato era que, no “crawl” australiano os movimentos das pernas eram insignificantes e fácil de manter os pés em flutuação na água salgada, o que não ocorria na água doce. Daí os americanos terem imaginado um meio de melhorar o “crawl” australiano, introduzindo uma movimentação muito maior das pernas (flutter kick), com o objetivo de manter o corpo o máximo possível na posição horizontal, propiciando uma melhor flutuação e deslizamento. Foi assim que Charles Daniels apresentou novas possibilidades para o “crawl”, batendo os recordes de Cavill e Healy, estabelecendo em 1906 o tempo de 57″2 para as 100 jardas. Vinha vitorioso o crawl americano, quando surge o havaiano Duke Kahanamoku, melhorando sensivelmente o tempo de Daniels para 54″3 em 1913, 53″1 em 1915, e 53″0 em 1917. Kahanamoku utilizava o crawl com a pernada de seis tempos, e afirmou que aprendera a nadar dessa forma observando os habitantes das ilhas onde morava.

A partir daí o crawl já começava a adquirir prestígio mundial, não havendo mais quem duvidasse de suas possibilidades. Havia ainda muita gente que acreditava que o crawl era muito bom para provas rápidas e se fazia necessária a comprovação de sua eficiência para as provas de longas distâncias. Comprovado em seguida com a travessia do Canal da Mancha por Gertrudes Ederle, e Marta Norelius nas 10 milhas.

Weissmuller alcançou 67 títulos e 51 recordes mundiais

Duke Kahanamoku teve em Johnny Weissmuller, o mais digno sucessor que poderia desejar. Este foi o maior campeão que a natação mundial conheceu, conseguindo chegar à fantástica marca de 67 títulos mundiais e 51 recordes mundiais até a distância de 880 jardas. Em 1924, nos Jogos Olímpicos de Paris, Weissmuller quebra a casa do 1 minuto nos 100m livre, também nadando com pernada de 6 tempos. Weissmuller interpretava “Tarzan” em Hollywood, onde realiza várias cenas nadando. Quatro anos mais tarde, Weissmuller volta a vencer os 100m livre. Em relação à pernada de seis tempos, o também americano Don Schollander ganha quatro medalhas de ouro nos Jogos de Tokyo em 1964.

Na primeira Olimpíada da Era Moderna, somente o nado livre existia, com nadadores contando com as interpretações do nado peito ou com o nadoTrudgen. Em 1900 o nado costas surgiu, e junto com o nado crawl eram dominantes nas provas de nado livre. O nado peito teve uma prova separada em 1904.

As provas de nado livre femininas foram incluídas nos Jogos de 1912, e eventualmente faziam parte todos os estilos existentes. O nado peito era realizado da maneira mais tradicional até um pouco antes de 1930, quando alguns nadadores descobriram que esse estilo poderia ser nadado com um impulso extra através de um empurrão dentro da água e lançando os braços por fora da água. O técnico da Universidade de Iowa, Dave Armbruster, e um dos seus nadadores, Jack Seig, brincavam com essa ação de braço chamando de “borboleta” e um movimento de perna chamando de “golfinho” – uma espécie de ondulação do quadril até as pontas dos dedos.

Originalmente, o borboleta era a novidade, e era considerado fatigante para qualquer distância. Mas provou ser consideravelmente mais rápido que o convencional nado peito. Em 1938, os nadadores que utilizavam a ação de braços do nado borboleta combinado à pernada de sapo (em relação ao movimento desses anfíbios), dominaram as provas de peito. No entanto, em 1953, foram realizados em provas diferentes. O nado peito então passou a ser conhecido como o nado silencioso, pelo fato dos movimentos acontecerem mais tempo dentro do que fora da água. Era mais rápido, no entanto, mais exaustivo para os pulmões.

Os nadadores de peito ficavam em baixo da água o máximo de tempo possível, e alguns deles chegavam a desmaiar ao final das provas apresentado tons azulados no rosto em conseqüência do bloqueio respiratório durante a prova. Poucos anos depois, as regras mudariam novamente, e o nado peito deveria ser nadado com a cabeça todo tempo fora da água. Atualmente a cabeça pode afundar, mas deve voltar à superfície ao final de cada ciclo de braçada.

O borboleta foi o primeiro estilo a ter uma prova diferente nos Jogos de 1956 em Melbourne, e hoje é nadado com a pernada de borboleta.

Desde a primeira aparição nos Jogos de 1900, o nado costas sofreu poucas modificações. É a único estilo que se inicia de dentro da piscina.

Alguns mitos, além de Weissmuller, fazem parte da história da natação. A australiana Dawn Fraser foi a única nadadora de todos os tempos a vencer a mesma prova em três olimpíadas consecutivas (1956, 1960 e 1964). Outro exemplo na natação feminina é a alemã Kristin Otto ganhou seis medalhas de ouro em Seul em 1998.

Mark Spitz: maior recordista olímpico

O americano Mark Spitz venceu sete provas e bateu sete recordes nos Jogos de Munique em 1972. Quase imediatamente após as conquistas de Spitz, 11 pessoas, entre atletas e técnicos israelitas, foram assassinadas por um terrorista árabe. O cerco da Vila Olímpica começou momentos depois Spitz ter conquistado sua sétima medalha de ouro. Mas tragédias dessa natureza jamais ofuscaram o feito de um dos maiores nomes da natação mundial de todos os tempos.

Atualmente os nados estão bem definidos e os recordes continuam caindo. As evoluções hoje em dia estão muito mais a nível de laboratório do que propriamente nas bordas das piscinas na busca de um novo nado. A exemplo disso estão as evoluções na tecnologia do doping e no desenvolvimento de trajes mais rápidos.

Obesidade

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Autoria: Alanderson de Freitas Marron

O que é?
Denomina-se obesidade uma enfermidade caracterizada pelo acúmulo excessivo de gordura corporal, associada a problemas de saúde, ou seja, que traz prejuízos à saúde do indivíduo.
Como se desenvolve ou se adquire?
Nas diversas etapas do seu desenvolvimento, o organismo humano é o resultado de diferentes interações entre o seu patrimônio genético (herdado de seus pais e familiares), o ambiente sócioeconômico, cultural e educativo e o seu ambiente individual e familiar. Assim, uma determinada pessoa apresenta diversas características peculiares que a distinguem, especialmente em sua saúde e nutrição.
A obesidade é o resultado de diversas dessas interações, nas quais chamam a atenção os aspectos genéticos, ambientais e comportamentais. Assim, filhos com ambos os pais obesos apresentam alto risco de obesidade, bem como determinadas mudanças sociais estimulam o aumento de peso em todo um grupo de pessoas. Recentemente, vem se acrescentando uma série de conhecimentos científicos referentes aos diversos mecanismos pelos quais se ganha peso, demonstrando cada vez mais que essa situação se associa, na maioria das vezes, com diversos fatores.
Independente da importância dessas diversas causas, o ganho de peso está sempre associado a um aumento da ingesta alimentar e a uma redução do gasto energético correspondente a essa ingesta. O aumento da ingesta pode ser decorrente da quantidade de alimentos ingeridos ou de modificações de sua qualidade, resultando numa ingesta calórica total aumentada. O gasto energético, por sua vez, pode estar associado a características genéticas ou ser dependente de uma série de fatores clínicos e endócrinos, incluindo doenças nas quais a obesidade é decorrente de distúrbios hormonais.
O que se sente?
O excesso de gordura corporal não provoca sinais e sintomas diretos, salvo quando atinge valores extremos. Independente da severidade, o paciente apresenta importantes limitações estéticas, acentuadas pelo padrão atual de beleza, que exige um peso corporal até menor do que o aceitável como normal.
Pacientes obesos apresentam limitações de movimento, tendem a ser contaminados com fungos e outras infecções de pele em suas dobras de gordura, com diversas complicações, podendo ser algumas vezes graves. Além disso, sobrecarregam sua coluna e membros inferiores, apresentando a longo prazo degenerações (artroses) de articulações da coluna, quadril, joelhos e tornozelos, além de doença varicosa superficial e profunda (varizes) com úlceras de repetição e erisipela.
A obesidade é fator de risco para uma série de doenças ou distúrbios que podem ser:

Doenças Distúrbios
Hipertensão arterial Distúrbios lipídicos
Doenças cardiovasculares Hipercolesterolemia
Doenças cérebro-vasculares Diminuição de HDL (“colesterol bom”)
Diabetes Mellitus tipo II Aumento da insulina
Câncer Intolerância à glicose
Osteoartrite Distúrbios menstruais/Infertilidade
Coledocolitíase Apnéia do sono
Assim, pacientes obesos apresentam severo risco para uma série de doenças e distúrbios, o que faz com que tenham uma diminuição muito importante da sua expectativa de vida, principalmente quando são portadores de obesidade mórbida (ver a seguir).
Como o médico faz o diagnóstico?
A forma mais amplamente recomendada para avaliação do peso corporal em adultos é o IMC (índice de massa corporal), recomendado inclusive pela Organização Mundial da Saúde. Esse índice é calculado dividindo-se o peso do paciente em kilogramas (Kg) pela sua altura em metros elevada ao quadrado (quadrado de sua altura) (ver ítem Avaliação Corporal, nesse site). O valor assim obtido estabelece o diagnóstico da obesidade e caracteriza também os riscos associados conforme apresentado a seguir:

IMC ( kg/m2) Grau de Risco Tipo de obesidade
18 a 24,9 Peso saudável Ausente
25 a 29,9 Moderado Sobrepeso ( Pré-Obesidade )
30 a 34,9 Alto Obesidade Grau I
35 a 39,9 Muito Alto Obesidade Grau II
40 ou mais Extremo Obesidade Grau III (“Mórbida”)
Conforme pode ser observado, o peso normal, no indivíduo adulto, com mais de 20 anos de idade, varia conforme sua altura, o que faz com que possamos também estabelecer os limites inferiores e superiores de peso corporal para as diversas alturas conforme a seguinte tabela :
Altura (cm) Peso Inferior (kg) Peso Superior (kg)
145 38 52
150 41 56
155 44 60
160 47 64
165 50 68
170 53 72
175 56 77
180 59 81
185 62 85
190 65 91
A obesidade apresenta ainda algumas características que são importantes para a repercussão de seus riscos, dependendo do segmento corporal no qual há predominância da deposição gordurosa, sendo classificada em:

Obesidade Difusa ou Generalizada

Obesidade Andróide ou Troncular (ou Centrípeta), na qual o paciente apresenta uma forma corporal tendendo a maçã. Está associada com maior deposição de gordura visceral e se relaciona intensamente com alto risco de doenças metabólicas e cardiovasculares (Síndrome Plurimetabólica)

Obesidade Ginecóide, na qual a deposição de gordura predomina ao nível do quadril, fazendo com que o paciente apresente uma forma corporal semelhante a uma pêra. Está associada a um risco maior de artrose e varizes.
Essa classificação, por definir alguns riscos, é muito importante e por esse motivo fez com que se criasse um índice denominado Relação Cintura-Quadril, que é obtido pela divisão da circunferência da cintura abdominal pela circunferência do quadril do paciente. De uma forma geral se aceita que existem riscos metabólicos quando a Relação Cintura-Quadril seja maior do que 0,9 no homem e 0,8 na mulher. A simples medida da circunferência abdominal também já é considerado um indicador do risco de complicações da obesidade, sendo definida de acordo com o sexo do paciente:

Risco Aumentado Risco Muito Aumentado
Homem 94 cm 102 cm
Mulher 80 cm 88 cm
A gordura corporal pode ser estimada também a partir da medida de pregas cutâneas, principalmente ao nível do cotovelo, ou a partir de equipamentos como a Bioimpedância, a Tomografia Computadorizada, o Ultrassom e a Ressonância Magnética. Essas técnicas são úteis apenas em alguns casos, nos quais se pretende determinar com mais detalhe a constituição corporal.
Na criança e no adolescente, os critérios diagnósticos dependem da comparação do peso do paciente com curvas padronizadas, em que estão expressos os valores normais de Na eventual presença de hipertensão arterial ou suspeita de doença cardiovascular associada, poderão ser realizados também exames específicos (Rx de tórax, eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico) que serão úteis principalmente pela perspectiva futura de recomendação de exercício para o paciente.
A partir dessa abordagem inicial, poderá ser identificada também uma situação na qual o excesso de peso apresenta importante componente comportamental, podendo ser necessária a avaliação e o tratamento psiquiátrico.
A partir das diversas considerações acima apresentadas, julgamos importante salientar que um paciente obeso, antes de iniciar qualquer medida de tratamento, deve realizar uma consulta médica no sentido de esclarecer todos os detalhes referentes ao seu diagnóstico e as diversas repercussões do seu distúrbio.
Como se trata?
O tratamento da obesidade envolve necessariamente a reeducação alimentar, o aumento da atividade física e, eventualmente, o uso de algumas medicações auxiliares. Dependendo da situação de cada paciente, pode estar indicado o tratamento comportamental envolvendo o psiquiatra. Nos casos de obesidade secundária a outras doenças, o tratamento deve inicialmente ser dirigido para a causa do distúrbio.
Não são recomendadas dietas muito restritas (com menos de 800 calorias, por exemplo), uma vez que essas apresentam riscos metabólicos graves, como alterações metabólicas, acidose e arritmias cardíacas.
Dietas somente com alguns alimentos (dieta do abacaxi, por exemplo) ou somente com líquidos (dieta da água) também não são recomendadas, por apresentarem vários problemas. Dietas com excesso de gordura e proteína também são bastante discutíveis, uma vez que pioram as alterações de gordura do paciente além de aumentarem a deposição de gordura no fígado e outros órgãos.
Exercícios
É importante considerar que atividade física é qualquer movimento corporal produzido por músculos esqueléticos que resulta em gasto energético e que exercício é uma atividade física planejada e estruturada com o propósito de melhorar ou manter o condicionamento físico.
O exercício apresenta uma série de benefícios para o paciente obeso, melhorando o rendimento do tratamento com dieta. Entre os diversos efeitos se incluem:

a diminuição do apetite,

o aumento da ação da insulina,

a melhora do perfil de gorduras,

a melhora da sensação de bem-estar e auto-estima.
O paciente deve ser orientado a realizar exercícios regulares, pelo menos de 30 a 40 minutos, ao menos 4 vezes por semana, inicialmente leves e a seguir moderados. Esta atividade, em algumas situações, pode requerer profissional e ambiente especializado, sendo que, na maioria das vezes, a simples recomendação de caminhadas rotineiras já provoca grandes benefícios, estando incluída no que se denomina “mudança do estilo de vida” do paciente.
Drogas
A utilização de medicamentos como auxiliares no tratamento do paciente obeso deve ser realizada com cuidado, não sendo em geral o aspecto mais importante das medidas empregadas. Devem ser preferidos também medicamentos de marca comercial conhecida. Cada medicamento específico, dependendo de sua composição farmacológica, apresenta diversos efeitos colaterais, alguns deles bastante graves como arritmias cardíacas, surtos psicóticos e dependência química. Por essa razão devem ser utilizados apenas em situações especiais de acordo com o julgamento criterioso do médico assistente.
Os medicamentos atualmente disponíveis para tratamento da obesidade podem ser classificados de acordo com seu modo de ação.
No que se refere ao tratamento medicamentoso da obesidade, é importante salientar que o uso de uma série de substâncias não apresenta respaldo científico. Entre elas se incluem os diuréticos, os laxantes, os estimulantes, os sedativos e uma série de outros produtos freqüentemente recomendados como “fórmulas para emagrecimento”. Essa estratégia, além de perigosa, não traz benefícios a longo prazo, fazendo com que o paciente retorne ao peso anterior ou até ganhe mais peso do que o seu inicial.
Como se previne?
Uma dieta saudável deve ser sempre incentivada já na infância, evitando-se que crianças apresentem peso acima do normal. A dieta deve estar incluída em princípios gerais de vida saudável, na qual se incluem a atividade física, o lazer, os relacionamentos afetivos adequados e uma estrutura familiar organizada. No paciente que apresentava obesidade e obteve sucesso na perda de peso, o tratamento de manutenção deve incluir a permanência da atividade física e de uma alimentação saudável a longo prazo. Esses aspectos somente serão alcançados se estiverem acompanhados de uma mudança geral no estilo de vida do paciente.
A Importância da Educação Física
Inclui não somente práticas esportivas, mas aulas teóricas e pesquisa. Uma das atividades promovidas pelo professor Walter Correia foi um debate sobre a chamada “corpolatria”, ou o culto exagerado ao corpo. Os alunos pesquisaram material em revistas e jornais para debater na escola. Correia mostrou que o excesso de músculos não é sinônimo de saúde. Em outro trabalho, coordenado pelo professor Francisco Caparroz, a turma entrou em contato com jogadores de futebol e jornalistas esportivos.
O objetivo era ampliar a visão de futebol além das quatro linhas do campo. “Os alunos pensavam que todo jogador fosse rico, quando, na verdade, a maioria ganha salário mínimo”, diz Caparroz. Aulas como essas deram aos estudantes uma nova dimensão da disciplina. “Para eles, Educação Física era apenas um espaço para descontração e recreação”, diz Correia. Agora não pensam mais assim. Espaço de descobertas aulas de Educação Física não se resumem a atividades que movimentam o corpo. Foi o que descobriram os alunos do Colégio São Domingos, de São Paulo.
Os professores da disciplina montaram um programa que “O culto ao corpo perfeito” pode gerar perigosas deformações e nem sempre é sinônimo de saúde.

Conhecimentos sobre o corpo

Esse conhecimento dá ao aluno informações sobre o próprio corpo, sua estrutura física e interação com o meio social em que vive. Estudam-se noções básicas da anatomia, da fisiologia, dos aspectos biomecânicos e bioquímicos do corpo humano.
Esportes, jogos, lutas e variações de ginásticas nesse eixo, o professor transmite informações históricas sobre as origens e características de cada uma dessas práticas e a importância de valorizá-las.
Atividades rítmicas e expressivas são as manifestações que combinam expressões e sons, como danças, mímica e brincadeiras cantadas. Por meio delas, o aluno caracteriza diferentes movimentos expressivos, sua intensidade e duração.
1. Educar o corpo é formar o cidadão
2. Jogos coletivos ensinam divertindo
3. A interdisciplinaridade entra em campo

A Educação Física mudou de objetivo: não procura futuros campeões, mas quer bons cidadãos. Foi-se o tempo em que a Educação Física era vista como uma disciplina formadora de atletas olímpicos e futuros campeões. Essa visão, nascida de um decreto governamental de 1971, pretendia descobrir talentos nas escolas para representar a pátria no exterior. Mas o modelo entrou em crise nos anos 80, pois o Brasil não se tornou uma potência olímpica. Hoje a Educação Física é mais do que moldar a estrutura física do aluno.
Ela deve contribuir para a atividade intelectual e para a formação do cidadão.

Temas Transversais

Os temas transversais estão bem presentes nas aulas de Educação Física. Eles devem ser explorados para estimular a reflexão e, dessa maneira, contribuir para a construção de uma visão crítica em relação à prática e aos valores inseridos na disciplina e no meio social.
Ética, Respeito, Justiça e Solidariedade fazem parte das práticas físicas.
• O respeito deve ser exercido na interação com adversários.
• A solidariedade é vivenciada quando se trabalha em equipe.
• A presença de um juiz, as regras e os acordos firmados entre os participantes são formas de aprender a valorizar o sentido de justiça.
• Saúde, Estresse, má alimentação e sedentarismo são subprodutos da crescente urbanização. Daí a necessidade de vincular a Educação Física ao cultivo da saúde e do bem-estar das pessoas, superando, em muitos casos, a falta de infra-estrutura pública voltada para esporte e lazer.
• Orientação Sexual – Idéias como a de que futebol é esporte para homem e ginástica rítmica é “coisa de menina” ainda se manifestam na sociedade e no cotidiano escolar.
Combater preconceitos como esses é uma das missões da Orientação Sexual.
• Pluralidade Cultural – Adotar uma postura não preconceituosa e não discriminatória é a chave para atingir os objetivos da pluralidade cultural em Educação Física. Para isso, é preciso valorizar danças, esportes, lutas e jogos que compõem o patrimônio cultural brasileiro, originários das diversas origens étnicas, sociais e regionais.
• Trabalho e Consumo – O adolescente é alvo da publicidade de produtos esportivos. O professor pode ajudar seu aluno a analisar criticamente a necessidade de possuir determinado produto e, assim, criar a noção de consumo consciente.
Fazer trabalhos escritos com histórico das modalidades, seus fundamentos, regras e recordes.
“É importante que os alunos também reconheçam o esforço de quem não conquista medalhas”, explica o professor Aloysio Costa. “Disputar não significa exclusivamente ganhar”, destaca.

Como integrar alunos portadores de deficiência?

Por receio, desconhecimento, ou mesmo preconceito, a maioria dos portadores de necessidades especiais tende a ser excluída das aulas de Educação Física.
Isso é um erro.A atividade física pode trazer muitos benefícios a essas crianças, principalmente no desenvolvimento da capacidade perceptiva, afetiva, de integração e inserção social. No entanto, é fundamental que alguns cuidados sejam tomados. Em primeiro lugar, deve-se analisar o tipo de necessidade especial de cada estudante, pois existem diferentes graus de limitação. Quando não houver professores preparados para atuar com esse tipo de aluno, é imprescindível orientação médica e, em alguns casos, a supervisão de um especialista em fisioterapia ou psicólogo, pois as restrições de movimentos podem implicar riscos.

O Lazer

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Autoria: Igridi Costa melo de Souza

INTRODUÇÃO

Um dos conceitos de lazer pode ser o de se praticar alguma atividade prazerosa durante um determinado tempo do dia. Essas atividades podem ser desde ler um livro, ver TV, ouvir uma música, até dançar, fazer um cooper, jogar boliche, tênis… O importante é que se pratique uma atividade de lazer ao, dia. Por quê? Em uma sociedade onde a globalização chegou muito rápido e junto com ela a tecnologia, a tendência de nós, seres humanos, é cada vez mais vivermos isolados e sozinhos, em frente ao mais famoso e discutido invento do homem: o microcomputador. Nem que seja durante uma hora, ou talvez, até minutos do dia, é necessário termos um momento em que possamos sentir prazer e/ou diversão por alguma coisa.

Lazer e turismo na história

O lazer e o turismo são fenômenos que vêm ganhando um peso cada vez maior no quotidiano da vida moderna. De elementos da vida aristocrática, reservados aos integrantes do topo da pirâmide sócio-econômica das sociedades pré-modernas, o lazer e o turismo tornaram-se acessíveis a um público cada vez mais extenso, graças aos processos de democratização ocidental (como a Revolução Francesa e a Revolução Americana) e ao progresso tecnológico e organizacional, que aumentou a produtividade, reduziu custos e as jornadas de trabalho e elevou o nível de recursos disponíveis para consumo discricionário (inclusive de tempo) em mãos de camadas cada vez mais amplas da sociedade.
No século XX, o lazer e o turismo tornaram-se atividades de massas, trazendo à tona, assim, muitas oportunidades de novos negócios; e passaram a ser objeto de investimentos e administração profissionais. Após a Segunda Guerra, atingiram um patamar de crescimento que fez com que, do ponto de vista econômico, passassem a ser considerados como “indústrias”. Atualmente a indústria e os serviços ligados ao lazer e ao turismo estão entre os campeões de crescimento, alinhando-se seguramente entre os mais promissores para o futuro.
Definição de lazer

A definição mais conhecida de lazer é do sociólogo francês Dumazedier. Este autor define lazer da seguinte maneira: “o lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais”.

Mas atualmente, especialistas como Prof. Valmir José Oleias falam que:
a) o lazer tem sido, historicamente, uma atividade necessária ao desenvolvimento bio-psíquico-social do homem;
b) o lazer está relacionado à disponibilidade do tempo livre;
c) o lazer diz respeito mais diretamente às classes privilegiadas pela sua situação sócio-econômica;
d) por fim, a prática do lazer é influenciada, sobretudo pelo Estado, na medida em que este pode implementar políticas públicas para o setor, além de oferecer espaços físicos necessários e adequados para a sua execução.

Tipos de lazer
Lazer doméstico: atividades prazerosas que podem ser realizadas dentro do próprio lar e que proporcionam interação e diversão da família. Ex: olhar TV, jogos de tabuleiro, navegar na internet.
Lazer turístico: abrange viagens e passeios com o propósito de relaxar e conhecer novos ares, está intimamente relacionado a férias. Ex: excursões pelo país, reconhecimento de interiores do estado, cruzeiros.
Lazer trabalhista: é a atividade realizada em determinado tempo vago que é dado ao trabalhador, geralmente as grandes empresas dão aos servidores 15 min para lancharem e realizaram estas atividades. Ex: ver tv, conversar com os outros funcionários tranquilamente, fazer ioga ou academia.
Lazer escolar: pode ser visto no recreio dos alunos ou na aula de Ed. Física, além disso, em aulas práticas de todas as matérias. Ex: exposição de pintura na aula de Artes, interclasse, show de talentos, festivais esportivos.

CONCLUSÃO

O lazer é uma atividade de extrema importância para o ser humano, uma vez que ele se envolve com muitas atividades obrigatórias e cansativas (trabalho, estudo) e merece um momento de descanso, tranqüilidade e diversão.
Este momento é acompanhado de diversas atividades as quais chamamos LAZER. O lazer é uma atividade prazerosa que deve fazer parte do seu cotidiano, mas não dominá-lo, ou seja, o lazer é bem-vindo mas não pode ser o centro de sua vida.
Como exemplo de lazer podemos dar desde olhar tv até fazer um cruzeiro. O lazer varia de acordo com a classe social, pois cada um realiza o que lhe proporciona felicidade e está ao seu alcance.

OLIMPIADAS

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OLIMPIADAS

História das Olimpíadas

Na Grécia antiga, o calendário era medido de quatro em quatro anos, denominado olimpíada. Essa expressão nasceu em Olímpia, região localizada a noroeste de Peloponeso, entre os rios Alfios e Kladios.

Os Jogos Olímpicos foram criados pelos gregos por volta de 2500 a.C. como uma homenagem a Zeus, o maior dos deuses segundo a mitologia grega. Gregos de várias cidades se uniam no santuário de Olímpia (por isso que surgiu o termo “Olimpíadas”) para disputar as competições esportivas; o evento era tão importante, que eram selados acordos de cessar-fogo e tréguas entre cidades inimigas antes da realização dos jogos.

Podiam participar das competições apenas os cidadãos livres, disputando provas de atletismo, luta, boxe, corrida de cavalo e pentatlo. Os vencedores eram cingidos por uma coroa trançada por folhas de louro, único prêmio e símbolo da maior vitória; o primeiro vencedor foi o atleta Coroebus. Os Jogos Olímpicos uniu os gregos até o ano 394 d.C., quando o imperador Teodósio II, convertido ao cristianismo, proibiu todas as festas pagãs, inclusive os Jogos Olímpicos.

Em 1.500 a.C., ao se encerrar um calendário (uma olimpíada), os responsáveis pela cidade organizavam uma festa cívica e religiosa, homenageando os mortos desse período. A festa era sempre na primeira lua cheia de verão, durando um dia e uma noite. No início da cerimônia, sacerdotisas acendiam uma chama no altar de Hera (filha de Rhea e irmã de Zeus – pai de todos os deuses) e vários rapazes competiam em uma corrida a pé pela cidade pelo privilégio de carregar a tocha com a chama até o altar.
Como a Grécia não era uma nação, cada clã organiza as suas cerimônias e competições. Em Delfos, eram disputados os Jogos Píticos, em honra a Apolo, o deus da beleza. Em Corinto, eram os Jogos Ístmicos, em homenagem a Posêidon, o deus das águas. Em Argos, os Jogos Nemeus, em honra a Zeus.
Mas era em Olímpia que as cerimônias eram maiores, com a organização de verdadeiras romarias. Devido ao grande movimento, antigas rixas entre os clãs começaram a reaparecer. Os sábios da cidade, para evitar tumultos nessa época, resolveram organizar disputas paralelas à cerimônia religiosa. Com isso, essas rixas acabavam sendo esquecidas. Motivo pelo qual os Jogos Olímpicos passaram a ser conhecidos como os Jogos da Paz.
Por volta de 775 a.C., os reis de Pisa, Esparta e Ilía firmaram um tratado de paz (o Ekeheiria). Esse acordo foi consagrado meses depois em Olímpia, quando se reuniram os principais atletas dos três feudos. Num disco de pedra, foram inscritas as regras básicas desse acordo, com a assinatura dos três reis. E é nessa pedra que é encontrada a frase: Jogos Olímpicos de Ekeheiria.
A partir desta data, os demais feudos começaram a organizar atividades internas, para selecionar seus melhores atletas. Em 724 a. C., foi programado então, além da corrida a pé (o aulus), uma prova em dois estádios, ou seja, duas voltas na pista (o diaulus). Em 720 a.C, foi organizada uma prova de resistência, com 24 voltas (o dolichus). Em 708 a. C, o Pentatlo era disputado, consistindo de uma corrida de velocidade, duas disputas de arremesso de dardo e disco, salto em distância e uma luta.
Em seguida, esses jogos começaram a atrair atletas de outras colônias da Grécia, da África e das costas do mar Mediterrâneo. Foi quando os jogos passaram a contar com um programa e conceitos rigorosos. Assim, eles passaram a ter uma cerimônia de abertura, com o juramento dos atletas sobre o sangue do sacrifício de animais. No segundo dia, eram disputados o Pentatlo, as corridas de charretes de quatro rodas (puxadas por dois ou quatro cavalos). No terceiro dia, era a vez das corridas. No quatro, as lutas livres ou com punho. No quinto, a distribuição dos prêmios durante um banquete.
O estádio de Olímpia tinha o formato da letra U, sendo bastante estreito: 211 metros de comprimento por 31 metros de largura. E suas arquibancadas acomodavam cerca de 4.000 pessoas. Ao lado do estádio, ficava o hipódromo, para as competições com os cavalos, que podiam ser assistidas por até 15.000 pessoas.
Inicialmente, as competições eram estritamente masculinas. Mas a Grécia acabou permitindo que as mulheres passassem a organizar um torneio paralelo, chamado de Heraea, na metade de cada intervalo de quatro anos. A primeira participação das mulheres em competições ocorreu em 750 a. C., durante uma festa de casamento. Seis anos depois, essas mulheres conseguiram autorização para participação integral nos jogos.
Como a participação nos jogos era considerada uma homenagem monumental, só podiam se inscrever nas provas atletas de passado limpo e de caráter ilibado. Os escravos e aqueles que tinham uma “marca” negativa em seu currículo eram impedidos de participar das competições. Os prêmios para os vencedores eram uma folha de palmeira e uma coroa de ramos trançados de oliveira, colhidos junto ao templo de Zeus.
Em 708 a. C., os sábios de Olímpia instituíram uma nova prova para determinar o melhor dos melhores dos atletas: o triastes – a soma do aulus, do diaulus e do dolichus. Por doze anos consecutivos (quatro jogos), o vencedor dessa prova foi Leônidas de Rodes.
Em 684 a. C., surgias o pancrácio – uma mistura de pugilismo e luta livre, com luvas de vime -, e a corrida de bigas (charretes de duas rodas).
Em 650 a. C., além dos prêmios concedidos a cada jogos, os vencedores passaram também a receber uma cora de folhas de louro, oferecida ao atleta de “comportamento político extraordinário”.
Em 632 a. C., os jogos já contavam com a disputa de 20 modalidades diferentes. Em 592 a. C., Sólon ofereceu a cada campeão mil dracmas em moedas. Em 444 a. C., foi incluído aos jogos um departamento artístico, com prêmios destinados à escultura, à filosofia e à pintura.
Em 456 a. C., Roma invadiu a Grécia, que perdeu sua independência. Mas os romanos procuraram manter viva a tradição dos jogos e passaram a estimular seus jovens a desafiarem os helênicos. Foi quando os Jogos da Paz acabaram se transformando em jogos da discórdia e da corrupção. Para superar os helênicos, Roma profissionalizou seus atletas e, quando estes não conseguiam vencer os gregos nas disputas, procuravam subornar seus adversários. A influência do dinheiro aumentou então a ira entre invasores e dominados. Em 17 a. C. o imperador Tibério e seu sobrinho Germânicus não pouparam esforços (inclusive a sedução) para vencerem a quadriga dupla.
Em 67 a. C., o louco Nero ganhou o prêmio da quadriga, depois de ter ameaçado seus adversários. Ele ainda exigiu ganhar o prêmio de poesia. Com isso, os jogos perderam todo o conceito que tinham de ética e moral.
Em 390, em Tessalônica, foi feita uma celebração circense, uma festa pagã, com toda a libertinagem permitida. Provocados por gregos humilhados, os romanos incendiaram moradias e espancaram a população. Autorizados pelo imperador de Roma, Teodósio I, os romanos massacram mais de 7.000 helênicos.
Em 388, os godos de Alarico desvastaram Olímpia. Mais de um século depois, os bárbaros do centro-leste da Europa invadiram Roma e suas províncias da Grécia. Sequestraram a estátua de Zeus, considerada uma das sete maravilhas do mundo antigo, que ainda era adorado em Olímpia. Toda de marfim, em um suporte de barras de ouro puro, a estátua tinha 18 metros de altura e pesava duas toneladas. Durante anos, foi mantida intacta pelos bárbaros que, em 491, tocaram fogo em Zeus, com a própria chama de Olímpia.
No século 6, um terremoto arrasou parte de Olímpia e seu estádio. Depois, uma avalancha, seguida de inundação, atolou as ruínas embaixo de seis metros de terra e pedras. Por muitos anos, Olímpia ficou esquecida. Mas, em meados do século 19, especialmente a Europa, começaram uma investigação arqueológica.
O alemão J. J. Wincklemann, em 1870, iniciou várias escavações na Grécia. Em 1871, ele detectou indícios da existência de Tróia. Em 1875, com o apoio financeiro de William Chandler, foram achadas as ruínas de Olímpia. Depois de 12 meses de trabalho, já podiam ser vistos os alojamentos do atletas.
Apaixonado pelo esporte, Pierre de Fredi, o barão de Coubertin, decidiu iniciar o estudo das histórias dos jogos. Seu lema, inspirado numa frase que escutara de um bispo norte-americano era: “O importante não é vencer, mas competir, e competir com dignidade.” Foi então que ele acreditou que uma versão moderna dos Jogos faria com que a Europa renunciasse a uma Guerra. Comissionado pelo governo francês , Coubertin assistiu aos Jogos Pan-Helênicos e assim se empolgou com a possibilidade de ressuscitar as olimpíadas.
Foi então aos Estados Unidos, à Inglaterra e à Prússia, divulgando sua idéia. Mas não teve sucesso, sem contudo ter desistido. Depois de muita insistência, conseguiu realizar, em 1894, uma pré-convenção olímpica, na Universidade de Sorbonne, em Paris, reunindo delegados oficiais de 13 nações e 21 representantes informais de outros países. Foi quando conseguiu um compromisso formal dos participantes desse encontro: a realização de competições esportivas a cada quatro anos, quando todas as nações seriam convidadas a participar. Um amigo de Coubertin, o padre jesuíta Henri Didon, emprestou-lhe o lema, que iria coroar os jogos: “Citius, Altius, Fortius” – “Cada vez mais longe, cada vez mais alto e cada vez mais forte”.
Foi marcada então, nesse encontro de Paris, a data para a realização desses jogos: abril de 1896, primavera na Europa. Atenas foi a cidade escolhida depois para promover esse evento. Desde então, a cada quatro anos, os Jogos Olímpicos da era moderna vêm sendo disputados, tendo sido interrompidos apenas em 1916, 1940 e 1944, devido às Guerras Mundiais.

O Brasil nas Olimpíadas

O Brasil estreou nos Jogos Olímpicos, em 1920, na edição realizada em Antuérpia com uma delegação composta por 29 atletas, todos homens. A viagem até o continente europeu foi longa e desconfortável. Os atletas foram até Portugal de barco e de lá tomaram um trem às pressas com destino a Bélgica e por pouco não perderam a cerimônia de abertura dos Jogos.
A jornada durou mais de um mês, mas o cansaço não foi motivo de desânimo. Logo de início, a delegação brasileira se destacou na prova individual de tiro rápido 25m com Guilherme Paraense, tenente do exército, faturando a primeira medalha de ouro para o país. Vale ressaltar que a arma e a munição utilizada pelo tenente foi emprestada pela delegação norte-americana, já que o equipamento brasileiro tinha sido furtado durante a viagem. No mesmo ano, a delegação brasileira trouxe para casa mais duas medalhas nas provas de tiro – uma de prata, outra de bronze.
Nos anos seguintes, o Brasil não teve um bom desempenho olímpico. Em 1924, nos Jogos de Paris, apenas nove atletas representaram o país, sendo que nenhum subiu no pódio. Quatro anos depois, o Brasil ficou de fora dos Jogos de Amsterdã devido a falta de recursos financeiros. Em 1932, o Brasil ainda sentia os reflexos da instabilidade econômica e a única solução encontrada foi transportar os atletas a bordo de um navio da marinha abarrotado de sacas de café que deveriam ser vendidas em todos os pontos de parada durante o caminho.
No mesmo ano, o atleta brasileiro Adalberto Cardoso emocionou a platéia que assistia as provas de atletismo com sua história de determinação e coragem. Adalberto desembarcou em São Francisco e foi a pé até Los Angeles, onde competiria na prova dos 10.000 metros rasos. Adalberto demorou um dia para completar o caminho, chegando no estádio quando faltava apenas dez minutos para iniciar sua prova. Mesmo não tendo uma boa colocação na competição, o atleta foi muito aplaudido em resposta ao seu espírito competitivo.
O Brasil só voltou a faturar uma medalha olímpica nos Jogos de Londres, em 1948. O time masculino de basquete surpreendeu ao vencer sete partidas consecutivas, perdendo apenas nas semifinais para a França. A equipe ficou com o terceiro lugar e em 1960 e 1964 também levou mais duas medalhas de bronze.
Mas o grande destaque brasileiro foi o atleta Adhemar Ferreira da Silva, bi-campeão no salto triplo. Adhemar ainda quebrou quatro vezes o recorde olímpico e é o único atleta brasileiro que conquistou duas medalhas de ouro. Já as primeiras mulheres a faturarem ouro olímpico foram Jacqueline e Sandra, do vôlei de praia. As duas derrotaram as colegas Adriana Behar e Mônica na final de Atlanta, em 1996.
Na última edição olímpica, em Sidney, a delegação brasileira trouxe na bagagem seis medalhas de prata e seis bronze. Os destaques foram: natação masculina no revezamento 4×100 m rasos, atletismo; judô com Carlos Honorato, na categoria médio e Tiago Camilo, na categoria leves; Robert Scheidt, na classe Laser e na Vela; as duplas Zé Marco e Ricardo e Adriana Behar e Shelda, no Vôlei de praia) e seis de bronze (equipe feminina de Basquete; equipe masculina na prova de saltos por equipes, no Hipismo; equipe masculina, no revezamento 4×100 m livre, na Natação; Torben Grael e Marcelo Ferreira, na classe Star, na Vela; equipe feminina de Vôlei; Adriana Samuel e Sandra Pires, no Vôlei de praia)

Curiosidades sobre os Jogos Olímpicos

Os primeiros Jogos Modernos: Os primeiros Jogos Olímpicos da Era Moderna, realizados em 1896, em Atenas, são marco de um período aventureiro. Tinha tudo para dar errado, mas o sucesso foi tão grande que o evento conseguiu atrair um público de cerca de 80 mil pessoas ao estádio Panatenaico, palcos dos jogos da Antiguidade, restaurado com peças de mármore branco. Organizado em apenas dois anos de antecedência, nas competições misturava atletas a estudantes e turistas. Qualquer pessoa poderia se inscrever nas provas. Mas, com o sucesso do torneio, o barão de Coubertin marcou para Paris, quatro anos depois, o reencontro com a comunidade olímpica

As provas: Desde 776 a. C., a única competição nos primeiros 13 olímpicos foi a corrida. Em 724 a. C. introduziu-se um nova modalidade, semelhante aos atuais 400 metros rasos. O pentatlo passou a ser disputado em 708 a. C. Até 472 a. C. as provas eram realizadas em um único dia. O número de provas na Antiguidade aumentou até se fixar em 12 modalidades: o disco, na foto ao lado (chegou aos nossos dias com poucas variações), o hopolitódromo (corrida com os atletas equipados de modo militar), provas hípicas (corridas de quadrigas e de cavalos), o dardo (era de madeira com uma ponta de ferro), salto em cumprimento ‘Skamma’ (o atleta levava nas mãos pesos enquanto saltava), luta livre (o adversário devia ser tombado de costas), ‘pankration’ (luta em que tudo era permitido, exceto morder), pugilismo (socavam-se com os punhos nus até a rendição do adversário, mas com o tempo usaram-se máscaras e correias protetoras), corrida e pentatlo – o ‘dialum'(400 m), o ‘dólico'(1.500 m) e o ‘stadium'(192 m).

Primeiro ouro brasileiro: A primeira medalha de ouro do Brasil foi ganha em 1920, nos Jogos da Antuérpia, pelo tenente do Exército Guilerme Paraense. Paraense era parte de uma equipe de sete atiradores que partiram para a Bélgica por conta própria. Depois de 27 dias de uma viagem atribulada, passando por Portugal e Paris, chegaram a Bruxelas, onde aguardavam conexão para Antuérpia. Lá, tiveram parte das armas e da munição roubada. Como fome e sem material esportivo, acabaram salvos pelos americanos. Impressionados com o estado lastimável dos brasileiros, os atletas emprestaram aos colegas as próprias armas. Guilerme Paraense derrotou os americanos e conquistou o ouro, a prata e o bronze. Ele tinha 36 anos e morreu de enfarte, em 1968.

Tocha: Desde os primeiros jogos da Antiguidade, a Chama Olímpica era acesa e carregada por atletas. A pira sagrada queimava no altar de Zeus durante todo o período das competições. Ela foi reintroduzida em 1928, nas Olimpíadas de Amsterdã. Nos Jogos de Berlim de 1936, pela primeira vez a chama foi acesa na Grécia e transportada para a nova sede das Olimpíadas, em uma tocha, por atletas que se revezaram durante o trajeto. A idéia foi adotada e vem sendo mantida em todos os Jogos desde de 1952. A tocha é então acesa em Olímpia, no local onde eram realizados os Jogos da Grécia. Ela é acesa por raios do sol refletidos em um espelho encurvado, em uma cerimônia, por mulheres em trajes que lembram os usados nos tempos antigos (foto). A tocha é então entregue ao primeiro atleta. O transporte da Grécia para Sydney foi o mais complexo. A chama foi mantida acesa a 3.000 pés de altitude, num vôo transcontinental especialmente fretado, além de atravessar um curto trajeto subaquático, feito a nado.

Revezamento da tocha: A Corrida de Revezamento da Tocha dos Jogos Olímpicos de Atenas, que celebra a volta dos Jogos Olímpicos ao seu local de origem, será a maior da História. Seguindo o Movimento Olímpico desde 1896, passará por todos os países-sede dos Jogos anteriores e futuros, nos cinco continentes, e será carregada por mais de 3.600 pessoas. A tocha passará também por outras cidades de importância esportiva, cultural ou histórica.
Em 25 de março, a tocha sairá de Cidade Olimpia, em Peloponisos (Grécia) e visitará Austrália (Sydney e Melbourne), Japão (Tóquio), Coréia do Sul (Seul), China (Pequim), Índia (Nova Délhi), Egito (Cairo), África do Sul (Cidade do Cabo), Brasil (Rio de Janeiro, dia 13 de junho), México (Cidade do México), Estados Unidos (Los Angeles, St. Louis, Atlanta e Nova York), Canadá (Montreal), Bélgica (Bruxelas e Antuérpia), Holanda (Amsterdã), Suíça (Genebra e Lausanne), França (Paris), Inglaterra (Londres), Espanha (Barcelona), Itália (Roma), Alemanha (Munique e Berlim), Suécia (Estocolmo), Finlândia (Helsinque), Rússia (Moscou), Ucrânia (Kiev), Turquia (Istambul), Bulgária (Sofia), Chipre (Nicosia), retornando em 9 de julho à Grécia, onde passará por cerca de 600 cidades. E, no dia 13/08, acontece a Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Atenas 2004.

Mulheres nas Olimpíadas:

mulheres nas olimpiadas

Apesar de já terem participado em alguns eventos anteriormente, só a partir de 1912, nas Olimpíadas de Estocolmo, com a natação, as mulheres passaram a ser oficialmente admitidas nos Jogos. Nos Jogos Olímpicos antigos, somente era permitido às mulheres virgens entrar no estádio para assistir aos jogos. A punição para as demais mulheres que ousassem quebrar essa regra era serem jogadas dos penhascos de Typaion. Nas competições de bigas, realizadas fora da área sagrada, as mulheres era admitidas. Havia festivais femininos nos quais os homens eram banidos, sendo o mais famoso o Heraean, em Argos, o qual incluía competição de lançamento de dardo. O barão de Coubertin, criador dos Jogos Olímpicos da Era Moderna, era contra a presença de mulheres nos Jogos Olímpicos, mas com a grande pressão por parte das feministas, elas conquistaram seu espaço. Nas Olimpíadas de 1904, participaram seis mulheres. Nos Jogos de 1996, as mulheres foram 3.780 atletas.

Os cinco anéis – Nas cores azul, amarelo, preto, verde e vermelho, interligados sobre um fundo branco, os anéis olímpicos foram idealizados em 1913 pelo Barão Pierre de Coubertin e introduzido nos Jogos de Antuérpia em 1920. Os anéis representam a união dos cinco continentes e pelo menos uma de suas seis cores, incluída a branca, existe na bandeira de cada um dos países filiados ao COI.

O lema – ‘Citius, Altius, Fortius’ (que em grego significa ‘O Mais Rápido, O Mais Alto, O Mais Forte’). A frase latina, criada pelo padre Henri Martin, amigo do Barão de Coubertin, era utilizada para descrever as realizações atléticas dos estudantes do Albert Le Grand School. As palavras latinas estavam cravadas em uma pedra acima da entrada principal.

A tocha – Nasce a partir da chama olímpica, que fica acesa de forma permanente em Olímpia, na Grécia. Na Grécia Antiga, as tochas serviam para conduzir a chama do fogo sagrado de um altar para outro. O fogo era tido como um elemento purificador. Na Era Moderna, a tocha é transportada por atletas e cidadãos comuns de diferentes países até o local da cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos. Permanece acesa em uma pira, no Estádio Olímpico, durante toda competição e é apagada ao final da cerimônia de encerramento. A tocha olímpica ganha um novo desenho e forma a cada edição dos Jogos Olímpicos.

O juramento – ‘Em nome de todos os competidores, eu prometo participar nestes Jogos Olímpicos, respeitando e cumprindo com as normas que o regem, no verdadeiro espírito esportivo, pela glória do esporte e em honra às nossas equipes’, escrito pelo Barão de Coubertin e feito por um atleta do país anfitrião na cerimônia de abertura dos Jogos Olímpicos.

O hino – Composto em 1896 pelo grego Spirou Samara, com letra do músico grego Cositis Palamas, foi adotado pelo COI em 1958.

A crença olímpica – ‘A coisa mais importante nos Jogos Olímpicos não é vencer, mas participar, assim como a coisa mais importante da vida não é a vitória, mas a luta. O essencial não é conquistar e sim lutar bem’, adotada pelo Barão de Coubertain depois de tê-la ouvido do bispo da Pensilvânia, Ethelbert Talbot, durante os Jogos de Londres em 1948. Ao longo da história dos Jogos, tem havido muitas alterações nessa mensagem.
O mascote olímpico – Adotado pela primeira vez nos Jogos Olímpicos de Inverno de 1968, em Grenoble, na França, servem como embaixadores e mensageiros da amizade e personificam a cultura ou a fauna da região onde se realizam os Jogos Olímpicos. Portanto, mudam a casa edição do evento.

Conclusão:
Com a realização deste trabalho aprendi que os jogos olímpicos são muito importante para cada País participante, aprendi sobre a história, algumas curiosidades, fiquem informada sobre as modalidades disputadas. Os atletas que participaram merecem um mérito muito grande por ter lutado e conquistado uma medalha para seu país.

Créditos:

Este trabalho esta sendo solicitado pelo professor Flávio, com a finalidade de os alunos desenvolverem mais conhecimentos sobre os jogos olímpicos. Este trabalho abordará assuntos sobre Olimpíadas, História, O brasil nas Olimpíadas, Curiosidades etc…

Trabalho enviado por: Elvis Rocha Campos

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Origem do Futebol

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Autoria: Ronaldo Souto

Origem

Origem do futebol – compreendendo os diversos jogos de bola com o pé que antecederam o futebol atual – cobre um período de muitos séculos e pode ser dividida em cinco fases principais: a primeira das origens aos vários tipos rudimentares de futebol praticados, na Antigüidade, povos da Ásia, América pré-colombiana e Europa; a segunda, da Idade Média e Renascença, em que antecedentes mais próximos do futebol atual se desenvolveram na Inglaterra, França e Itália, ao séc. XVII; a terceira marca de um longo período de transição, até o esporte ser introduzido nas escolas públicas inglesas, do séc. XVII e XIX; a quarta assinala o nascimento do futebol moderno, numa taberna londrina, a 26 de outubro de 1863; e a quinta vem com a internacionalização do esporte e vem até os dias de hoje.
Antigüidade. Mesmo não considerando certas teorias antropológicas desprovidas de fundamento científico, segundo as quais um futebol incipiente teria sido praticado já na pré-história, afirmam que o homem se sentiu atraído a brincar com objetos esféricos, há documentos provando a existência, em épocas remotas, de diversos jogos que podem ser considerados precursores do futebol atual.
Achados arqueológicos permitem afirmar que um jogo de bola, praticado com o pé, já era conhecido no Egito e na Babilônia, há mais de trinta séculos. Admite-se que tal jogo tinha caráter religioso, a bola simbolizando o sol, para os egípcios, a Lua, para os babilônios, ou ainda maus espíritos que os jovens, em certas festividades, procuravam afugentar golpeando com os pés uma bexiga de boi inflada de ar, para os povos asiáticos.

1. – Antigüidade – Os escritores chineses Tao-tse e Yang-tse fazem referência a outro tipo de jogo de bola, que teria sido praticado na China, cerca de 26 séculos antes da nossa era. Esse jogo – cuja invenção muitos autores atribuem ao próprio Yang-tse – chamava-se Tsu-chu (golpeara a bola com o pé) e começou como parte do treinamento militar da guarda do imperador.
O Tsu-chu era bastante simples, oito jogadores, sem poderem deixar a bola tocar no solo, tentavam passá-la além dos limites demarcados, por duas estacas fincadas no chão e ligadas por um fio de seda, a bola de couro, o campo era quadrado com 14 metros de lado.
No Japão com o nome de Kemari. Este, embora inspirado no jogo dos chineses, possuía características próprias. Não se contavam pontos sendo como único objetivo do jogo apurar a técnica de dominar a bola com os pés. O kemari era um passatempo da realeza. Consta que os imperadores En-ji e Ten-ji estavam entre os seus praticantes.

1.2 -América pré-colombiana – Outros achados arqueológicos, atestam que, em vários pontos da América pré-colombiana, à mesma época que os chineses e japoneses se entregavam ao seu futebol, os nativos também se dedicavam aos jogos de bola. O historiador espanhol Herrera y Tordesillas menciona “uma bola de borracha extraída das árvores”, que os índios jogavam no Haiti, quando lá chegou Cristóvão Colombo.
Acredita o historiador Jean Le Floc’hmoan que tenham sido os sul-americanos os primeiros a fabricar bolas de resina com fins lucrativos.
Embora cronistas mencionem “meninos maias e astecas, impulsionando com os pés, esferas de látex”, todos esses jogos eram, basicamente disputado com as mãos, guardando portanto, pouca semelhança com esportes que, como os do oriente, são considerados precursores do futebol.

1.3 – Na Europa – na antigüidade, vão ser encontrados nos grupos de jogos de bola a que os gregos deram o nome genérico de Sphairomakhia. Nos 12 séculos de existência dos antigos jogos olímpicos, esportes com bola jamais foram incluídos nos programas oficiais. No entanto, eram muito populares, especialmente um denominado epyskiros, jogado com o pé. Pouco se sabe de suas regras, ou mesmo do número de componentes de cada equipe, mas Júlio Pólux, cita uma linha de meta localizada no fundo de cada lado do campo, através da qual a bola deveria ser arremessada, contando-se com isso um ponto.
É quase certo que os romanos tenham copiado os gregos ao criarem, séculos depois, o harsparum. Sobre esse jogo – disputado com os pés, utilizando-se uma bexiga de boi como bola.
Os romanos – cujos exércitos seguiram conquistando terras rumo ao norte – certamente levaram a outros povos o seu jogos de bola. É muito provável que tenham sido eles os introdutores do futebol na Gália e depois na Bretanha, sendo que, quanto a esta última, os historiadores divergem: uns acreditam que tenha sido de fato os romanos, durante os quatro séculos de domínio que se seguiram à primeira expedição de Júlio César, no ano 43 d.C., que deram a conhecer aos bretães as regras do harpastum; outros afirmam que os romanos, ao chegarem à Bretanha, já encontraram lá um futebol nativo, de origem meio lendária, meio cívica.

2 – Idade Média e Renascença – Durante toda a Idade Média, e por muitos séculos depois, realizou-se na cidade de Ashbourne, Inglaterra, um jogo de bola que pode ser considerado o mais importante precursor do futebol moderno. Tal jogo era disputado anualmente , nas Shrove Tuesdays, (espécie de terças-feiras gordas), entre os habitantes da cidade: um número ilimitado de participantes, às vezes de 400 a 500 de cada lado, corria atrás de uma bola de couro fabricada pelo sapateiro local, com o objetivo de alcançá-la, dominá-la e finalmente levá-la até a meta adversária, no caso as portas norte e sul da cidade, uma para cada equipe.
As origens do jogo de Ashbourne – mais tarde praticado em outros pontos do condado de Derbvshire também são discutidas, um cronista da época, afirma que se tratava de uma comemoração anual da vitória dos bretães sobre os romanos, numa partida de harspatum, efetuada no ano de 217.
O futebol conhecido em Derbvshire, durante a idade média, era um jogo primitivo, violento, semi-bárbaro e, por tudo isto, mal visto. A não ser pelas partidas de caráter cívico.
Com ocorrências trágicas não se devessem propriamente ao jogo de bola, desde que elas se registraram, o ludus pilae começou a ter ataques a pelo menos três direções: do rei, da igreja e da municipalidade. A 13 de abril de 1314, os cidadãos de Londres já liam o edito real que determinava: …das quais muitos males podem advir sem a aprovação de Deus, determinamos e proibimos, em nome do rei, sob pena de prisão, tal jogo de bola na cidade.
Eduardo II notara que o interesse de seus soldados pelo futebol era tanto que temia viessem eles a se descuidar de esportes mais adequados para o treinamento para guerra arco e flecha, esgrima, arremesso e lanças.
Durante as guerras com a França, no séc. XIV, constara o rei que a habilidade do arco e flecha esta quase que totalmente posta de lado, em benefício de jogos sem utilidade e fora da lei.
As proibições reais seriam reforçadas de tempos em tempos, até o séc. XIV, por Henrique VIII e logo em seguida por Eduardo VI e Isabel I, de modo que futebol na Inglaterra da Idade Média não passasse de um jogo severamente combatido pelas autoridades. Embora em algumas paróquias fosse comum os padres usarem os pátios das igrejas para organizarem jogos entre meninos, incluindo o ludus pilae de que fala Fitzstephen, tais práticas eram mantidas atrás dos muros, pois também a Igreja, em defesa dos bons costumes, condenava o violento esporte.
Fora da Inglaterra , porém tanto na Idade Média quanto na Renascença, o futebol teve nobres apoiadores. O jogo dos Franceses – denominado soule ou choule, provavelmente era também uma variante do harpastum romano, sendo praticado pelo homem do povo como por nobres, como Henrique II, e poetas, como Pierre de Ronsard. Menos violento do que o futebol dos ingleses, esse jogo francês quase não encontrou opositores.
Na Itália, além de não ter opositores, o futebol medieval foi entusiasmadamente apoiado pela nobreza.
As regras do calcio foram fixadas por Giovanni Bardi, em 1580, com base em relatos feitos que haviam assistido ao jogo de 51 anos antes.
Foi esse segundo se sabe o único futebol organizado de toda idade média e renascença. Muito mais civilizado que o jogo de Derbv.

3 – Os Séculos de Transição – Diante das proibições, o futebol passou por sucessivas modificações na Inglaterra, civilizando-se a partir do séc. XVII. Antes disso jogado nos pátios das igrejas, ou em campos afastados onde se podia burlar a lei, sua sobrevivência foi difícil.
No início do séc. XVII, quando Jaime VI da Escócia subiu ao trono da Inglaterra como Jaime I, a proibição ainda existia , mas já não era levada tão a sério.
Assim, afastado ou mesmo combatido pela nobreza, mas já contando com alguma tolerância das autoridades do futebol, pouco a pouco, foi-se transformando. Todo o séc. XVII vai ser marcado novas aberturas ao futebol, o visconde de Dorchester, já recebia um convite de John Chamberlain para assistir a um jogo em Florença: em 1613, o vigário de Wiltshire organiza duas equipes para se exibirem numa vista real em 1620, o futebol é introduzido em dois colégios de Cambridge, o St. John’s e o Trinity.
Carlos II torna-se o primeiro rei inglês a autorizar a prática do futebol, permitindo que seus criados enfrentassem, numa partida, os doduque de Albuquerque.
O séc. XVIII será todo ele de transição, e os diferentes tipos de jogos de bola, vão deixando de ser passatempos primitivos e violentos para se estabelecerem como prática comum nas escolas. No início do séc. XIX, quando Thomas Arnold reforma todo o ensino superior inglês, dando aos esportes em geral um lugar de destaque na educação dos jovens, o futebol não será posto de lado. Pelo contrário, será um dos primeiros jogos a serem introduzidos nas escolas públicas, já em caráter oficial.
Arnold recomendava que os esportes fossem utilizados nas escolas, como fim de canalizar para os campos de competição a energia que, de outra forma os jovens poderiam desperdiçar em práticas condenáveis, segundo aqueles educadores, práticas condenáveis não eram apenas o vício do jogo e do álcool, mas idéias políticas de sentido reformista que poderiam por em risco o conservadorismo defendido pelos vitorianos.
Na primeira década do século, o futebol e outros esportes, já faziam parte da educação regular dos jovens que freqüentavam não só as escolas públicas, mas também os estabelecimentos particulares e universidades. Em cada um deles o futebol foi sendo codificado, surgindo as primeiras leis codificado, surgindo assim as primeiras leis ou regras escritas impressas e publicadas.
As regras adotadas pelas escolas e logo em seguida pelos clubes que foram surgindo em toda a Inglaterra eram semelhantes e não iguais.
O futebol de 11, porém, foi o que se afirmou acreditando-se que isso se deva ao fato de as turmas de Cambridge, terem 10 alunos e bedel 1 (As turmas de rugby eram compostas de 12 alunos e 1 bedel). As bolas mudaram muito de formato, ora redondas, ora ovais.

4 – O Futebol Moderno – Os historiadores são unânimes em fixar a data de 26 de outubro de 1863 como a do nascimento do futebol moderno. O fato de existirem várias regras em vigor em Londres e outras cidades inglesas, dificultando a realização de jogos e torneios entre clubes e colégios, impunha a criação de um organismo que, centralizando esses clubes e colégios, pudesse uniformizar as regras. Alguns veteranos de Cambridge, apoiados pelo jornalista John D. Cartwright, que escreveu uma série de artigos nesse sentido, iniciaram campanha para que os interessados se reunissem e debatessem a criação do novo organismo, o que ocorreu a 26 de outubro.
Os próprios ingleses se encarregam de universalizar o futebol, levando-o depois de difundi-lo por todo o Reino Unido, a países bem mais distantes. Por volta de 1865, um grupo de emigrantes ingleses já havia fundado em Buenos Aires Football Club, na Argentina, sendo este um dos primeiros países a conhecer o esporte fora do Reino Unido. No início da década de 1870, foram ainda os ingleses que introduziram o futebol na Alemanha e em Portugal.
Em 1876, é introduzido na Dinamarca: três anos depois, nos Países Baixos e também na Suíça, onde é fundado o Football Club Saint-Gall. Ao mesmo tempo na Inglaterra, o interesse pelo futebol tem aumentado em 1878, por ocasião do primeiro jogo noturno, utilizando-se precária iluminação elétrica, o Bramall Laneem Sheffield, recebe um público de 15 mil pessoas, seja três vezes mais o que se costuma registrar numa final da Taça da Inglaterra.
Há provas de que, no início da década de 1880, o futebol já era praticado em Praga, embora a federação nacional Tcheca só se fundasse em 1899. O primeiro clube belga, o Football Club Antwerp surgiu em 1880, ano em que o futebol chegou ao Canadá e Austrália Em 1882, os ingleses haviam levado o jogo até Montevidéu. Em 1889, Dinamarca, Países Baixos e Áustria fundavam suas federações nacionais. Em 1891, surgia a Federação Neozelandesa seguindo-se as da Argentina e da Itália, ambas em 1893, a África do Sul em 1897, as da Alemanha, Hungria e Uruguai em 1900.
A 12 de outubro de 1902, realizava-se em Viena, a primeira partida entre seleções nacionais, fora do Reino Unido: Áustria e Hungria, com a vitória da equipe local por 5 a 0. A partir de então, os encontros internacionais, em várias partes da Europa tornaram-se comuns.
A 13 de janeiro de 1904, Hirschmann voltaria a escrever a dirigentes de federações nacionais européias, entre eles o francês Robert Guérin. Após uma série de entendimentos, quase sempre por carta, fundou-se a Fédération Internationale de Football Association (FIFA), sob a presidência de Guérin e com sede provisória em Paris. Os sete países fundadores foram França, Espanha, Bélgica, Países Baixos, Suíça, Dinamarca e Suécia. No ano seguinte no primeiro congresso levado a efeito pelo novo organismo também em Paris, mais cinco países se filiaram, Alemanha, Áustria, Itália, Hungria e Inglaterra, esta desfiliando-se em 1919, voltando a filiar-se em 1924, retirando-se novamente em 1929 e filiando-se pela terceira e última vez em 1946.
Desde a sua fundação, a FIFA teve entre suas principais metas, a organização de um grande torneio internacional entre todas as filiadas, mas tal meta, apesar dos incansáveis esforços de vários de seus dirigentes, o mais notável de todos o francês, Jules Rimet, só seria atingida em 1930, com a realização em Montevidéu, da primeira Copa do Mundo. Antes disso, o mais que a FIFA conseguiu, no campo das competições internacionais, foi supervisionar com permissão do Comitê Olímpico Internacional, o torneio de futebol dos jogos olímpicos, o primeiro dos quais em 1908 em Londres, ganho pela Inglaterra, na verdade, o futebol já fazia parte do programa olímpico nos jogos de 1900 em Paris, e de 1904 em St. Louis, com os títulos sendo conquistados respectivamente pelo Upton Park Club representando a Inglaterra e o Galt Football, representando o Canadá, mas tanto um torneio como outro não sendo considerado oficial, incluindo-se entre as provas de exibição.
O número cada vez maior de países filiados e a presença efetiva que vem como entidade criadora, promotora e organizadora da Copa do Mundo, competição vitoriosa tanto no ponto de vista esportivo quanto no financeiro, fazem da FIFA, ao lado do Comitê Olímpico Internacional, o mais bem sucedido organismo esportivo em todo o mundo. Graças a esse organismo, a universalização do futebol, a partir do momento que ele saiu das ilhas Britânicas para ser introduzido em outros países, foi sempre progressiva, não sendo afetada por qualquer crise esportiva ou política.
O futebol durante todos esses anos, tornou-se provavelmente o mais universal de todos os esportes.

5 – O Futebol no Brasil – Embora 1894 seja o ano que os historiadores assinalam como o da introdução oficial do futebol no Brasil, é certo que muito antes disso o jogo tenha sido praticado no país, ainda que de forma improvisada. Em 1872 ou 1873, um dos padres do colégio São Luís, em Itu SP, organizou partidas entre os seus alunos, segundo as regras então adotadas em Eton Inglaterra. Em 1874, marinheiros ingleses teriam jogado bola na praia de Glória, Rio de janeiro, o mesmo acontecendo com tripulantes do navio Criméia, que o fizeram num capinzal próximo a rua Paissandu diante da residência da Princesa Isabel, já por volta de 1878.
Há inúmeras outras referências a prática de futebol no Brasil antes de 1894. Marinheiros ingleses, ainda, realizaram jogos por quase todo o litoral, havendo pelo menos provas de que tais jogos tiveram lugar em Recife e Porto Alegre. Em 1875 ou 1876 um certo Mr. John, também inglês, foi juiz de uma partida amistosa entre funcionários da City companhia de navegação e da Leopoldina Railway. Em 1882, Mr. Hugh, outro inglês, teria organizado um jogo entre funcionários da São Paulo Railway, em Jundiaí.
O ano de 1894 é aceito pelos historiadores como o da introdução oficial do futebol no Brasil, porque quando Charles Miller chegou a São Paulo, depois de fazer cursos em Southampton, Inglaterra, trazendo de lá duas bolas de couro e uniforme completo de futebol, material utilizado nos primeiros jogos que ele mesmo organizou em Várzea do Carmo, São Paulo, entre ingleses e brasileiros da Companhia de Gás do London Bank e da São Paulo Railway, e mais tarde na chácara da família Dulley, também em São Paulo Atlethic Club agremiação que se dedicava ao críquete a outros esportes introduzido no país pelos ingleses.
Charles Miller, introdutor oficial do futebol no Brasil, nasceu no bairro de São Brás, São Paulo, em 1874, de pai inglês e mãe brasileira, e morreu na mesma cidade em 1953. Em 1884, após concluir seus estudo preliminares, transferiu-se para Banister Court School, Southampton, onde ficou conhecendo o futebol. Na Inglaterra chegou a integrar como center-foward, a seleção do condado de Hampshire, numa partida com o Corinthians londrino. De volta ao Brasil, Miller foi não apenas o responsável pelo início da prática regular e organizada do futebol no país, mas foi também o primeiro a se destacar como jogador e a ganhar popularidade. A jogada de amortecer a bola com a face externa do pé era sua marca registrada, e por isso ficou conhecida como charles. Jogou futebol até 1910 e foi juiz até 1914.
A partir de Miller a história do futebol brasileiro, pode ser dividida em seis fases principais, implantação, difusão, popularização, transição, afirmação e, finalmente a atual.
A primeira fase – implantação – vai até 1910, caracterizando-se pela fundação dos primeiros clubes. Foram eles, São Paulo Atlethic Club (1888), Associação Atlética Mackenzie College (1898), Sport Club Internacional e Sport Club Germânia (1899), e Club Atlético Paulistano (1900).

Paradigma do Estilo de Vida

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Autoria: Eduardo Gobeth

O paradigma do Estilo de Vida Ativa
“Paradigmas são as realizações científicas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornecem problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência.”
(Kuhn, 1997)
A par das evidências de que o homem contemporâneo utiliza-se cada vez menos de suas potencialidades corporais e de que o baixo nível de atividade física é fator decisivo no desenvolvimento de doenças degenerativas sustenta-se a hipótese da necessidade de se promoverem mudanças no seu estilo de vida, levando-o a incorporar a prática de atividades físicas ao seu cotidiano. Nessa perspectiva, o interesse em conceitos como “ATIVIDADE FÍSICA”, “ESTILO DE VIDA” e “QUALIDADE DE VIDA” vem adquirindo relevância, ensejando a produção de trabalhos científicos vários e constituindo um movimento no sentido de valorizar ações voltadas para a determinação e operacionalização de variáveis que possam contribuir para a melhoria do bem-estar do indivíduo por meio do incremento do nível de atividade física habitual da população.
Da análise às justificativas presentes nas propostas de implementação de programas de promoção da saúde e qualidade de vida por meio do incremento da atividade física, depreende-se que o principal argumento teórico utilizado está fundamentado no paradigma contemporâneo do estilo de Vida Ativa.
Tal estilo tem sido apontado, por vários setores da comunidade científica, como um dos fatores mais importantes na elaboração das propostas de promoção de saúde e da qualidade de vida da população. Este entendimento fundamenta-se em pressupostos elaborados dentro de um referencial teórico que associa o estilo de vida saudável ao hábito da prática de atividades físicas e, consequentemente, a melhores padrões de saúde e qualidade de vida. Este referencial toma a forma de um paradigma na medida em que constitui o modelo contemporâneo no qual se fundamentam a maioria dos estudos envolvendo a relação positiva entre atividade física, saúde, estilo de vida e qualidade de vida. Identifica-se, neste paradigma, a interação das dimensões da promoção da saúde, da qualidade de vida e da atividade física dentro de um movimento denominado aqui de Movimento Vida Ativa, o qual vem sendo desencadeado no âmbito da Educação Física e Ciências do Esporte, cujo eixo epistemológico centra-se no incremento do nível de atividade física habitual da população em geral.
O pressuposto sustenta a necessidade de se proporcionar um maior conhecimento, por parte da população, sobre os benefícios da atividade física e de se aumentar o seu envolvimento com atividades que resultem em gasto energético acima do repouso, tornando os indivíduos mais ativos.
Neste cenário, entende-se que o incremento do nível de atividade física constitui um fator fundamental de melhoria da saúde pública.

Atividade Física & Saúde
Uma tendência dominante no campo da Educação Física estabelece uma relação entre a prática da atividade física e a conduta saudável. A fisiologia do exercício nos mostra inúmeros estudos sustentando esta tese.
Nesta linha, Matsudo & Matsudo (2000) afirmam que os principais benefícios à saúde advindos da prática de atividade física referem-se aos aspectos antropométricos, neuromusculares, metabólicos e psicológicos. Os efeitos metabólicos apontados pelos autores são o aumento do volume sistólico; o aumento da potência aeróbica; o aumento da ventilação pulmonar; a melhora do perfil lipídico; a diminuição da pressão arterial; a melhora da sensibilidade à insulina e a diminuição da freqüência cardíaca em repouso e no trabalho submáximo. Com relação aos efeitos antropométricos e neuromusculares ocorre, segundo os autores, a diminuição da gordura corporal, o incremento da força e da massa muscular, da densidade óssea e da flexibilidade.
E, na dimensão psicológica, afirmam que a atividade física atua na melhoria da auto-estima, do auto conceito, da imagem corporal, das funções cognitivas e de socialização, na diminuição do estresse e da ansiedade e na diminuição do consumo de medicamentos. Guedes & Guedes (1995), por sua vez, afirmam que a prática de exercícios físicos habituais, além de promover a saúde, influencia na reabilitação de determinadas patologias associadas ao aumento dos índices de morbidade e da mortalidade. Defendem a inter-relação entre a atividade física, aptidão física e saúde, as quais se influenciam reciprocamente. Segundo eles, a prática da atividade física influencia e é influenciada pelos índices de aptidão física, as quais determinam e são determinados pelo estado de saúde.
Para a melhor compreensão deste modelo definem as variáveis que o compõem:
• Atividade Física é definida, segundo Caspersen (1985) como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto energético maior do que os níveis de repouso.
• Saúde, de acordo com Bouchard (1990), é definida como uma condição humana com dimensões física, social e psicológica, cada uma caracterizada por um continuum com pólos positivos e negativos. A saúde positiva estaria associada à capacidade de apreciar a vida e resistir aos desafios do cotidiano e a saúde negativa associaria-se à morbidade e, no extremo, à mortalidade.
• Para a Aptidão física, adotam a definição de Bouchard et al.(1990): um estado dinâmico de energia e vitalidade que permita a cada um, funcionando no pico de sua capacidade intelectual, realizar as tarefas do cotidiano, ocupar ativamente as horas de lazer, enfrentar emergências imprevistas sem fadiga excessiva, sentir uma alegria de viver e evitar o aparecimento das disfunções hipocinéticas.
Nesta definição distinguem a aptidão física relacionada à saúde da aptidão física relacionada à capacidade esportiva. A primeira reúne os aspectos bio-fisiológicos responsáveis pela promoção da saúde; a segunda refere-se aos aspectos promotores do rendimento esportivo.
O modelo em questão vem orientando grande parte dos estudos cujo enfoque é a relação entre a atividade física e saúde na perspectiva da aptidão física e saúde (Barbanti,1991; Böhme,1994; Nahas et al.,1995; Freitas Júnior,1995; Petroski,1997; Lopes, 1997; Ribeiro,1998; Fechio,1998; Glaner,1998; Zago et al.,2000).
Para Marques (1999), esta perspectiva contemporânea de relacionar aptidão física à saúde representa um estado multifacetado de bem-estar resultante da participação na atividade física. Supera a tradicional perspectiva do “fitness”, preconizada nos anos 70 e 80 – centrada no desenvolvimento da capacidade cardiorrespiratória – e procura inter-relacionar as variáveis associadas à promoção da saúde. Remete, pois, segundo Neto (1999) a um novo conceito de exercício saudável, no qual os benefícios ao organismo derivariam do aumento do metabolismo (da maior produção de energia diariamente) promovido pela prática de atividades moderadas e agradáveis.
Conforme Neto (1999), o aumento em 15 % da produção diária de calorias – cerca de 30 minutos de atividades físicas moderadas – pode fazer com que indivíduos sedentários passem a fazer parte do grupo de pessoas consideradas ativas, diminuindo, assim, suas chances de desenvolverem moléstias associadas à vida pouco ativa.
Entidades ligadas à Educação Física e às Ciências do Esporte como a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Conselho Internacional de Ciências do Esporte e Educação Física (ICSSPE), o Centro de Controle e Prevenção de Doença – USA (CDC), o Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM), a Federação Internacional de Medicina Esportiva (FIMS), a Associação Americana de Cardiologia e o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS) preconizam que sessões de trinta minutos de atividades físicas por dia, na maior parte dos dias da semana, desenvolvidas continuamente ou mesmo em períodos cumulativos de 10 a 15 minutos, em intensidade moderada, já são suficientes para a promoção da saúde (Matsudo,1999). Nesta mesma direção, encontram-se numerosos trabalhos de abordagem epidemiológica assegurando que o baixo nível de atividade física intervém decisivamente nos processos de desenvolvimento de doenças degenerativas (Powell et al., 1985).
Dentre os estudos mais expressivos envolvendo esta linha de pesquisa, tem-se o estudo de Paffenbarger (1993). Analisando ex-alunos da Universidade de Harvard, o autor observou que a prática de atividade física está relacionada a menores índices de mortalidade. Comparando indivíduos ativos e moderadamente ativos com indivíduos menos ativos, verificou que a expectativa de vida é maior para aqueles cujo nível de atividade física é mais elevado. Com relação ao risco de morte por doenças cardiovasculares, respiratórias e por câncer, o estudo sugere uma relação inversa deste com o nível de atividade física .
Estudos experimentais sugerem que a prática de atividades de intensidade moderada atua na redução de taxas de mortalidade e de risco de desenvolvimento de doenças degenerativas como as enfermidades cardiovasculares, hipertensão, osteoporose, diabetes, enfermidades respiratórias, dentre outras. São relatados, ainda, efeitos positivos da atividade física no processo de envelhecimento, no aumento da longevidade, no controle da obesidade e em alguns tipos de câncer (Powell et al.,1985; Gonsalves,1996; Matsudo & Matsudo,2000).
Destas constatações infere-se que a realização sistemática de atividades corporais é fator determinante na promoção da saúde e da qualidade de vida.

Qualidade de vida
Recentemente, a relação atividade física e saúde vem sendo gradualmente substituída pelo enfoque da qualidade de vida, o qual tem sido incorporado ao discurso da Educação Física e das Ciências do Esporte. Tem, na relação positiva estabelecida entre atividade física e melhores padrões de qualidade de vida, sua maior expressão.
Observa-se, nos eventos científicos, nacionais e internacionais, realizados nos últimos anos, a ênfase dada a esta relação. Muitas são as declarações documentadas neste sentido.
O Simpósio Internacional de Ciências do esporte realizado em São Paulo em outubro de 1998, promovido pelo CELAFISCS com o tema Atividade Física : passaporte para a saúde, privilegiou em seu programa oficial a relação saúde/atividade física/qualidade de vida destacando os seus aspectos funcionais e anatomo-funcionais.
Os resumos e conferências publicadas nos anais do Congresso Mundial da AIESEP realizado no Rio de Janeiro, em janeiro de 1997, cujo tema oficial foi a Atividade Física na perspectiva da cultura e da Qualidade de Vida, destacam a relação da qualidade de vida com fatores morfo-fisiológicos da atividade física.
No I Congresso Centro-Oeste de Educação Física, Esporte e Lazer, realizado em setembro de 1999, na cidade de Brasília, promovido pelas instituições de ensino superior em Educação Física da região Centro-Oeste, o tema da atividade física e saúde representou 20% dos trabalhos publicados nos anais. A temática da atividade física e qualidade de vida foi objeto de discussão em conferências e mesas redondas. Também neste evento observa-se a ênfase dada aos aspectos biofisiológicos da relação atividade física/saúde/qualidade de vida.
Vários autores e entidades ligados à Educação Física ratificam este entendimento.
Katch & McArdle (1996) preconizam a prática de exercícios físicos regulares como fator determinante no aumento da expectativa de vida das pessoas.
A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (1999), em posicionamento oficial, sustenta que a saúde e qualidade de vida do homem podem ser preservadas e aprimoradas pela prática regular de atividade física.
Matsudo & Matsudo (1999, 2000), reiteram a prescrição de atividade física enquanto fator de prevenção de doença e melhoria da qualidade de vida.
Lima (1999) afirma que a Atividade Física tem, cada vez mais, representado um fator de Qualidade de Vida dos seres humanos, possibilitando-lhes uma maior produtividade e melhor bem-estar.
Guedes & Guedes (1995) reconhecem as vantagens da prática de atividade física regular na melhoria da qualidade de vida.
Nahas (1997) admite a relação entre a atividade física e qualidade de vida. Citando Blair (1993) & Pate (1995), o autor identifica, nas sociedades industrializadas, a atividade física enquanto fator de qualidade de vida, quer seja em termos gerais, quer seja relacionada à saúde.
Silva (1999), ao distinguir a qualidade de vida em sentido geral (aplicada ao indivíduo saudável) da qualidade de vida relacionada à saúde (aplicada ao indivíduo sabidamente doente) vincula à prática de atividade física à obtenção e preservação da qualidade de vida.
Dantas (1999), buscando responder em que medida a atividade física proporcionaria uma desejável qualidade de vida, sugere que programas de atividade física bem organizados podem suprir as diversas necessidades individuais, multiplicando as oportunidades de se obter prazer e, consequentemente , otimizar a qualidade de vida.
Lopes & Altertjum (1999) escrevem que a prática da caminhada contribui para a promoção da saúde de forma preventiva e consciente. Vêem na atividade física um importante instrumento de busca de melhor qualidade de vida.
O “Manifesto de São Paulo para a promoção de Atividades Físicas nas Américas” – publicado na Revista Brasileira Ciência e Movimento (jan/2000) – destaca a necessidade de inclusão da prática de atividade física no cotidiano das pessoas de modo a promover estilos de vida saudáveis rumo a melhoria da qualidade de vida.
Fora dos círculos acadêmicos, os meios de comunicação constantemente veiculam informações a respeito da necessidade de o homem contemporâneo melhorar sua qualidade de vida por meio da adoção de hábitos mais saudáveis em seu cotidiano.
Neste contexto, a Federação Internacional de Educação Física – FIEP, elaborou o “Manifesto Mundial de Educação Física – 2000”, o qual representa um importante acontecimento na história da Educação Física pois pretende reunir em um único documento as propostas e discussões efetivadas, no âmbito desta entidade, no decorrer do século XX..
O manifesto expressa os ideais contemporâneos de valorização da vida ativa, ou seja, ratifica a relação entre atividade física, saúde e qualidade de vida e prioriza o combate ao sedentarismo como objetivo da Educação Física (formal e não formal) por meio da educação para a saúde e para o lazer ativo de forma continuada.

Novos olhares sobre a relação Atividade Física e Saúde
Diferentes visões acerca da atividade física, da qualidade de vida e da saúde foram acima apresentadas. Correspondem a visões bastante disseminadas e aceitas no domínio da Educação Física. Em comum, nestas análises, encontramos o acentuado viés biológico que as marca e as caracteriza. Este, historicamente, tem sido a base da formação do profissional de Educação Física.
Segundo compreendemos, a questão não nos parece suficientemente resolvida deste ponto de vista. A relação entre atividade física e saúde envolve uma multiplicidade de questões. Resolvê-la exclusivamente pelo paradigma naturalista é desconhecer a complexidade do tema. O ser humano não pode ser reduzido à dimensão biológica pois é fruto de um processo e de relações sociais bem mais amplas e abrangentes.
Neste contexto, as Ciências Sociais oferecem importante contribuição para o debate ao conceber o homem segundo uma lógica distinta daquela estritamente bio-fisiológica. No entender dessas ciências, a realidade não é um dado unívoco, mas uma construção social, que varia segundo a história, as diferentes estruturas e os diferentes processos sociais.
Na perspectiva naturalista, pouca atenção tem sido dada aos interesses políticos e econômicos associados à saúde, à aptidão física e aos estilos de vida ativa. Esta visão assumiu uma postura eminentemente individualista e biologicista no qual elaborou-se o conceito de vida fisicamente ativa independentemente de uma análise cultural, econômica e política, desconsiderando as contradições estruturais que limitam as oportunidades de diferentes grupos sociais.

Paraolimpíadas

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Autoria: Marcos Junior Lyra

Apresentação
As pessoas com deficiências tradicionalmente discriminados pela sociedade, e desmotivados pela sua própria condição existencial, têm nas competições paraolímpicas uma oportunidade para elevar sua auto-estima, direta ou indiretamente, além de provar para todos o seu valor como atleta e cidadão.Desde a XVI Olimpíada, realizada em Roma, em 1960, imediatamente após as Olimpíadas, e nas mesmas instalações são realizados as Paraolimpíadas ou os Jogos Paraolímpicos. Em Roma, a I Paraolimpíada teve a participação de 400 atletas e 23 delegações. Neste ano, em Atenas, na Grécia, as Paraolimpíadas vem crescendo também de prestígio junto à mídia, e proporcionando oportunidades de competição esportiva para aqueles que, superando as inúmeras dificuldades, treinaram duramente para o evento internacional.

História das Paraolimpíadas
Para portadores de deficiências físicas, o esporte adaptado só teve início oficialmente após a Segunda Guerra Mundial, quando muitos soldados voltavam para casa mutilados. As primeiras modalidades competitivas surgiram nos Estados Unidos e na Inglaterra. Nos Estados Unidos surgiram as primeiras competições de Basquete em Cadeiras de Rodas, Atletismo e Natação, por iniciativa da PVA (Paralyzed Veterans of América). Na Inglaterra, o neurologista e neurocirurgião alemão Ludwig Guttmann, que cuidava de pacientes vítimas de lesão medular ou de amputações de membros inferiores, teve a iniciativa de fazer com que eles praticassem esportes dentro do hospital.
Em 1948,o neurocirurgião aproveitou os XVI Jogos Olímpicos de Verão para criar os Jogos Desportivos de Stoke Mandeville. Apenas 14 homens e duas mulheres participaram. Já em 52, os Jogos de Mandeville ganharam projeção, contando com a participação de 130 atletas portadores de deficiência. Tornou-se uma competição anual.
Em 1958, quando a Itália se preparava para sediar as XVII Olimpíadas de Verão, Antonio Maglia, diretor do Centro de Lesionados Medulares de Ostia, propôs que os Jogos de Mandeville do ano de 1960 se realizassem em Roma, após as Olimpíadas. Aconteceram então os primeiros Jogos Paraolímpicos, as Paraolimpíadas. A competição teve o apoio do Comitê Olímpico Italiano, e contou com a participação de 240 atletas de 23 países.
Com o sucesso dos jogos o esporte se fortaleceu e fundou-se a Federação Mundial de Veteranos, a fim de discutir regras e normas técnicas. Ao longo dos anos, a competição foi crescendo muito. Por problemas de organização, as Paraolimpíadas de 1968 e 1972 ocorreram em cidades diferentes da sede das Olimpíadas, constituindo excessões na história dos Jogos Paraolímpicos. Em 1988, em Seul, os jogos voltaram a ser disputados na mesma cidade que abriga as Olimpíadas. O primeiro ano de participação brasileira foi 72.

Data Cidade País Participantes Delegações
1960 Roma Itália 400 23
1964 Tóquio Japão 390 22
1968 Tel Aviv Israel 1100 29
1972 Heidelberg Alemanha 1400 44
1976 Toronto Canadá 2700 42
1980 Arnhem Holanda 2560 42
1984 Nova Iorque EUA 1700 41
Stoke Madeville Inglaterra 2300 45
1988 Seul Coreia 4200 62
1992 Barcelona Espanha 4158 82
1996 Atlanta EUA 4912 104
2000 Sydney Australia 4000 180

As Paraolimpíadas são disputadas a cada quatro anos, nos mesmos locais onde são realizadas as Olimpíadas, usando a mesma estrutura montada para os atletas olímpicos. São 19 modalidades em disputa por atletas portadores de deficiências, divididos em categorias funcionais de acordo com a limitação de cada um, para que haja equilíbrio.

Paraolimpíadas: a superação do limite
Contudo, a maior glória das olimpíadas dos deficientes não está somente na conquista de medalhas e na própria competição, está sobretudo no exemplo que esses atletas passam para centenas de milhares que vivem estigmatizados por suas deficiências físicas e mentais e sem perspectivas em suas casas. Mesmo quem não aspira ser atleta, pelo menos pode encontrar inspiração e coragem em acompanhar as notícias, onde termina se identificando com aqueles que superaram as inúmeras dificuldades com muita luta, coragem, persistência e dedicação por algum esporte. Saber que há pessoas que apesar das dificuldades de toda ordem foram à luta e venceram no esporte, pode irradiar otimismo, levantar a auto-estima e reorientar as perspectivas em muita gente.
A famosa frase do Barão de Coubertin, hoje desgastada nas olimpíadas, parece ganhar mais sentido como slogan dos atletas paraolímpicos, pois eles sabem e sentem que realmente “o importante não é ganhar uma medalha, mas simplesmente competir”. O atleta paraolímpico antes de competir nacional e internacionalmente teve que competir com ele mesmo; sem dúvida, superar esse primeiro obstáculo subjetivo não tem medalha que possa premiá-lo.
Se cada um dos atletas das olimpíadas tem sua história específica de sofrimentos e superação dos seus próprios limites, cada atleta paraolímpico carrega uma história de fazer filme para cinema. Existem aqueles que nasceram com deficiência e aqueles que adquiriram uma deficiência ao longo da vida. Há atletas com lesão medular, poliomielite, amputação de pernas e de braços, deficiência visual e mental.
Os atletas com deficiência física são classificados em cada modalidade esportiva através do sistema de classificação funcional. Este sistema visa classificar os atletas com diferentes deficiências físicas em um mesmo perfil funcional para a competição. Tem como meta garantir que a conquista de uma medalha por um atleta seja fruto de seu treinamento, experiência, motivação e não devido a vantagens obtidas pelo tipo ou nível de sua deficiência. Na natação, são 10 classes para o nado de costas, livre e golfinho, 10 classes para o medley e 9 classes para o peito. Os atletas com deficiência visual, já passam por uma classificação médica, baseada em sua capacidade visual. Entre os atletas com deficiência visual, há somente 3 classes. Apesar destas classificações serem aceitas pelo Comitê Paraolímpico Internacional – IPC, existe muita polêmica em relação a estes sistemas e muitos atletas são protestados durante as competições.
Somente o bocha, o goalball, o rugby e o halterofilismo são modalidades que foram criadas especificamente para a participação dos deficientes. De maneira geral as adaptações das modalidades convencionais para a participação dos atletas com deficiência são mínimas. Como é o caso das corridas com deficientes visuais, nas classes T11 e T12 onde são permitidos guias.
A divulgação dos Jogos Paraolímpicos fez com que ficássemos admirados, ou mesmo perplexos com a performance de atletas em cadeira de rodas, no atletismo, no basquetebol, de atletas cegos seguindo uma bola com guizo no futebol e de atletas sem braços e pernas competindo na natação. Estas imagens, agora, devem ficar registradas para repensarmos sobre nossas opiniões, conceitos e ações em relação a estas pessoas que estão com certeza muito próximas de nós, mas que só adquirem visibilidade social nesse tipo de competição. De acordo com os dados do CENSO 2000, o Brasil tem cerca de 14,5% pessoas com deficiência, portanto, são demandantes de projetos de inclusão social.
Todos reconhecem que à dimensão psíquica, física e social do esporte paraolímpico é muito significativa para os atletas, mas também contribui para a construção de um mundo verdadeiramente pluralista, que sabe respeitar e conviver com as diferenças sejam elas quais forem.
As pessoas com deficiências física e mental não precisam de nossa pena, ou de nossa compaixão, mas sim de estímulo, demonstração de apoio e de luta conjunta pela democratização das oportunidades de acesso para além do âmbito dos jogos, para que tenham uma existência cotidiana digna e feliz.

Os jogos de 2004 atraíram 143 países e cerca de 4000 competidores.
As Paraolimpíadas neste ano [2004] teve a participação apenas de atletas com deficiência física e visual. Os atletas com deficiência auditiva desde 1996, optaram por participara das Olimpíadas. À participação dos atletas com deficiência mental foi suspensa até que a Associação Internacional de Desportos para Deficientes Mentais – INAS-FID, responsável pelo sistema de classificação destes atletas, estabeleça um critério eficiente de avaliação da deficiência mental para garantir uma competição justa para todos os participantes. Em Sidney, 2000, alguns atletas do time de basquetebol para deficientes mentais da Espanha, não eram deficientes e competiram.
Brasil é Potência Paraolímpica Mundial

O Brasil em Atenas competiu em 13 das 19 modalidades esportivas disputadas e obteve o 14º lugar, com 14 medalhas de ouro, 12 de prata e 7 de bronze, totalizando 33 medalhas. O crescimento do esporte paraolímpico tem uma explicação simples: financiamento, afirma o presidente do Comitê Paraolímpico Brasileiro, Vital Severino Neto, que é deficiente visual. O Brasil levou a maior delegação para competir em Atenas de todos os tempos, com 98 atletas, 77 homens e 21 mulheres. Os atletas brasileiros nos jogos paraolímpicos bateram o recorde de medalhas se for comparados com os atletas que participaram das olimpíadas/ 2004.
Foram dez dias de muita luta e vitórias surpreendentes nas terras de Zeus. Os nossos atletas mostraram nas Paraolimpíadas de Atenas que ser brasileiro é realmente não ter limites. O Brasil encerrou sua participação nas competições na 14ª posição no quadro geral de medalhas, com 14 ouros, 12 pratas e 7 bronzes.
Esta é a melhor participação do país nos Jogos Paraolímpicos, alcançando resultados superiores aos das competições de Sydney. O país também ultrapassou o México e passou a ser a terceira potência das Américas nos Jogos, atrás apenas dos Estados Unidos e Canadá. Outro grande feito é que as vitórias brasileiras dão ao país o título de Potência Paraolímpica Mundial.
A delegação brasileira começou a mostrar resultados antes mesmo de pisar em solo grego. Em Atenas, a equipe do Brasil contou com 98 atletas de 13 modalidades que fizeram uma coleção de 33 medalhas, 50% a mais que a quantidade de Sydney. As modalidades que mais abocanharam medalhas na competição foram o atletismo e a natação. No atletismo foram seis medalhas de ouro, cinco de prata e cinco de bronze. A Natação alcançou sete ouros, três pratas e um bronze.

Igualdade entre atletas olímpicos e paraolímpicos

A fim estabelecer práticas de igualdade, os atletas que competem nos Jogos Paraolímpicos, pela primeira vez na história do evento, não terão que pagar nenhuma taxas de participação.
Abolindo as taxas de participação, Atenas 2004 deseja eliminar toda a discriminação entre os atletas que fazem dos Jogos Olímpicos e dos ParaOlímpicos. Além da abolição das taxas, Atenas 2004 é o primeiro comitê organizando para os jogos olímpicos que, operando sob uma estrutura de gerência unificada, é responsável pela organização tanto dos Jogos Olímpicos quanto dos ParaOlímpicos. A divisão dos Jogos ParaOlímpicos é responsável por fornecer o planejamento estratégico, a coordenação e a sustentação a todo o comitê, enquanto que trabalha pròxima ao Comitê Internacional de ParaOlimpíadas.