Os Últimos Passos de um Homem

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“Os últimos passos de um homem”, relata a história de um homem chamado Mathew, que foi condenado à pena de morte, após ter sido acusado de assassinar junto com outra pessoa dois adolescentes covardemente.

Após de anunciada a sua sentença e conhecendo mais das leis, Mathew começa uma difícil luta contra a pena de morte e busca ajuda com uma freira chamada Hellen para que juntos consigam a anulação de sua sentença.

A partir daí é possível evidenciar no filme temas existencialistas como: liberdade, responsabilidade, angústia, encontro, intersubjetividade, consciência, transcendência e amor.

Diante desses temas foi escolhido pelo grupo para analisar o vídeo a proposta filosófica de Sartre e Kierkegaard.

Segundo a idéia de Sartre em relação à liberdade, afirma que: o que esta na base da existência humana é a livre escolha que cada homem faz de si mesmo e de sua maneira de ser.

Baseado nesta idéia pôde-se verificar que o crime cometido por Mathew foi uma escolha dele, já que o ser humano tem poder de escolha e de optar pelo que é certo e errado. Foi ele quem escolheu praticar este ato bárbaro.

Em vários momentos do filme foi observado que Mathew responsabiliza o seu ato a fatores externos como as drogas e até ao seu próprio amigo, a quem atribui toda a culpa do crime.

Sartre deixa claro em sua obra que: O homem é inteiramente responsável por aquilo que é, não tem sentido as pessoas quererem atribuir suas falhas a fatores externos, como hereditariedade ou a ação do meio ambiente ou a influencia de outras pessoas. Sendo assim, o crime praticado por Mathew é de sua inteira responsabilidade.

Enquanto esteve preso Mathew começou a ler livros de direito e passou a conhecer mais a lei e viu que ao ato cometido por ele cabia apenas prisão perpetua e não pena de morte como estava sendo condenado. Foi a partir deste principio que resolveu buscar ajuda.

Escreveu uma carta para irmã Hellen, uma freira de Nova Orleans, para que pudesse lhes ajudar. A freira diante da situação decide que vai ajudá-lo mesmo sem ter certeza de sua inocência, passa a ser sua diretora espiritual e acaba se envolvendo em uma perigosa luta contra a pena de morte. Foi a partir daí que começou a relação entre as subjetividades de ambos que é o que chamamos de intersubjetiviade.

Kierkegaard em sua obra afirma que: A subjetividade isolada é má. Para ele a única salvação era subjetividade. Deus era como uma subjetividade infinita e compulsora. Crer em Deus era um salto de fé, um comprometimento com o absurdo. A pessoa faz uma escolha por aquele fato histórico porque este significa tanto para ela que até arrisca a vida por ele. Então vive; vive inteiramente cheia das provas para pessoa crer e viver esta fé. A fé é impossível se houver provas e certezas. Sem riscos não há fé, é uma impossibilidade. A fé e a razão são opostas mutuamente exclusivas.

Esta idéia de Kierkegaard pode ser relacionada ao momento que a freira resolve ajudar Mathew, mesmo sem ter certeza de sua inocência e conhecendo também à dor e a revolta dos familiares das vítimas. Ela faz tudo isso por crê em um Deus que é digno de perdão e por saber e crê que todo ser humano é passível de erro.

Impressionada com as condições precárias da condenação e principalmente com a dor e angústia da espera pela execução, irmã Hellen tentou junto com Matthew cancelar sua sentença, como nenhuma das tentativas estava dando certo o mesmo começou a ficar angustiado, pelo fato de saber que o seu amigo o qual fora acusado do mesmo crime, por possuir dinheiro e um bom advogado conseguiu em sua sentença a prisão perpetua, enquanto que o mesmo estava sendo condenado a pena de morte.

Kierkegaard em uma de sua idéias filosóficas com base religiosa,declara que: Deus permite que o homem sofra para que ele perceba que é um abandonado de Deus, e que tenta enganá-lo, e, se Deus na opinião do homem não está atento para este fato, o homem enganou a Deus. Foi o que acontecera com Mathew, diante de todo o seu sofrimento percebeu que estava sozinho e que precisava de ajuda.

É interessante notar, que em diversas partes do filme, as pessoas faziam ponderações a freira por ela estar consolando um assassino, citando supostos trechos da bíblia favoráveis a pena de morte (principalmente passagens do Velho Testamento, onde vigorava o olho por olho), e a freira sempre respondia com outras passagens, dos ensinamentos de Cristo: ame o próximo, perdoe o inimigo.

Então surge no conceito de Deus no pensamento de kierkegaard, uma palavra chave: O amor. È por amor que Deus deve decidir-se eternamente a agir, mas como seu amor é a causa, seu amor deve também ser o fim. O amor de Deus não somente ensina, mas também leva a um novo nascimento do discípulo, passando do não ser ao ser, pois “ o fazer nascer pertence a Deus cujo amor é regenerador”.

Para ela nada justificava a pena de morte, pois ao ordenar a morte de uma pessoa, usa-se o argumento do “olho por olho, dente por dente” e atitudes cruéis e brutais como essa já deviam ter sido deixadas no esquecimento. Além disso, estamos praticando um ato assassino. Sim, estamos assassinando uma pessoa, pois tirar a vida de alguém é assassinato. Negar-lhe o direito de viver é assassinato. mesmo que a pessoa seja culpada.

Esta mesma pessoa de quem queremos extinguir a existência na face da Terra é um , e por isso ela também tem direito à vida e se na lei dos homens a prisão é o meio de punição, então que assim seja. Retirar a vida não ia reparar os danos e a maldade cometida, nem aliviar a dor de ninguém, mas sim fazer mais pessoas sofrerem, porque este indivíduo, por pior que seja também tem família e pessoas que o amam.

Como a irmã Hellen não conseguiu de forma alguma cancelar a pena de morte e havia ficado decretado que em pouco tempo Mathew iria para o corredor da morte, decidiu ajudá-lo de outra forma que era buscando a Deus e se arrependendo do que havia feito, pois só assim teria a salvação eterna.

Essa idéia do filme pode ser relacionada a uma idéia de Kierkegaard que diz que: Só Deus pode salvar o inimigo do desespero. Deus pode a todo instante e é impossível enganá-lo, pois Ele é onipotente e onisciente.

Depois de toda luta de Mathew e irmã Hellen contra pena de morte sem sucesso, chegou o dia da execução, e finalmente o mesmo confessa a freira que havia participado do crime em partes, mais que estava arrependido. Foi aí que a freira falou que o importante é que ele se arrependeu e a bíblia diz que a verdade implica em liberdade.

Segundo Kierkegaard cada criminoso, cada pecador, que pode ser punido neste mundo, pode ser salvo para eternidade. Na eternidade o que será lembrado? O sofrer, aqui, pela verdade. Todas as transações nesse mundo tem como filtro intelectualismo e a espiritualidade, sendo Deus nos céus o parceiro.

Agressividade na Infância

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PLANO DE AÇÃO

1. TEMA DA PESQUISA – Agressividade na Infância.

2. OBJETIVO – Conscientizar as crianças quanto ao seu comportamento agressivo dentro da sala de aula.

3. JUSTIFICATIVA – Observa-se, através de meios de comunicação e relatos de educadores que o comportamento agressivo entre crianças, dentro da sala de aula, cresce cada vez mais.

4. METODOLOGIA – Pesquisa-ação.

5. PÚBLICO ALVO – Crianças de 8 a 10 anos.

6. NÚMERO DE PARTICIPANTES – A partir de 20 participantes.

7. NÚMERO DE ENCONTROS – 4 encontros, com 2hs de duração cada.

8. LOCAL – Escola Educador Paulo Freire, situada na Av. Abdias de Carvalho, s/nº – Bongi – Recife – PE – CEP: 50761-650.

1º Encontro – Dia: 19 / 11/ 2009 – O comportamento agressivo em sala de aula.

a) Técnica: Apresentação da equipe e dos alunos.

Objetivo: Interação e conhecimento da equipe com os alunos.
Material: Crachá e papel.
Duração: 20 min.
Descrição: Os membros da equipe, assim como os alunos irão se apresentar verbalmente, um a um. Em seguida, a equipe irá informar sobre o objetivo e a metodologia do trabalho. 

b) Técnica: Roda de conversa.

Objetivo: Fazer as crianças identificarem situações que envolveram agressividade dentro de seu cotidiano.
Material: Nenhum.
Duração: 30 min.
Descrição: Sentadas em círculo as crianças deverão relatar histórias, que vivenciaram ou ouviram, que possuam conteúdo agressivo.

c) Técnica: Dramatização.

Objetivo: Permitir que as crianças elaborem a experiência agressiva e a vivencie por uma nova perspectiva.
Material: Nenhum.
Duração: 30 min.
Descrição: Entre as histórias relatadas na roda de conversa, uma será eleita e dramatizada pelas crianças. Será proposto que elas elaborem um desfecho diferente do que na realidade ocorreu.

d) Técnica: Desenho.

Objetivo: Expressar o relacionamento entre eles.
Material: Papel, lápis, borracha.
Duração: 30 min.
Descrição: Distribuir o material e pedir para que desenhem algo que expresse o relacionamento entre os mesmos. Terminado o tempo, pedir que falem sobre os seus desenhos.

e) Técnica: Avaliação.

Objetivo: Avaliar o grau de satisfação da criança.
Material: Nenhum
Duração: 10 min.
Descrição: Através de perguntas a criança irá manifestar sua satisfação pelo o que foi apresentado.

LANCHE

2º Encontro – Dia: 20 / 11 / 2009 – Estimular o desenvolvimento de um comportamento altruísta nas crianças. 

a) Técnica: Revisão sobre o 1º encontro

Objetivo: Verificar se o conteúdo apresentado anteriormente foi assimilado pelas crianças.
Material: Perguntas sobre comportamento agressivo – Anexo 1
Duração: 30 min.
Descrição: Palestra em forma de “perguntas e respostas” para estimular a participação das crianças e observar se realmente aprendeu o conteúdo exposto. 

b) Técnica: Leitura de estória sobre altruísmo

Objetivo: Mostrar para as crianças através da leitura de uma estória a importância do desenvolvimento do comportamento de solidariedade para eles e para sua sociedade.
Material: Texto – O pequeno polegar – Anexo 2
Duração: 40 min. 
Descrição: A equipe irá realizar a leitura da estória com todos os alunos sentados em circulo e dramatizando para facilitar a compreensão.

c) Técnica: Reflexão sobre comportamentos altruístas

Objetivo: Verificar os comportamentos altruístas conhecidos pelas crianças.
Material: Papel e lápis.
Duração: 40 min.
Descrição: Em duplas, as crianças irão escrever pelo menos dois comportamentos solidários conhecidos por elas. Logo depois irão apresentar e fixar na parede.

d) Técnica: Avaliação.

Objetivo: Avaliar o grau de satisfação da criança.
Material: Nenhum.
Duração: 10 min.
Descrição: Através de perguntas a criança irá manifestar sua satisfação pelo o que foi apresentado.

LANCHE

3º Encontro – Dia: 26 / 11 / 2009 – Desenvolver o sentimento de fraternidade e amizade entre as crianças.

a) Técnica: Revisão sobre o 2º encontro

Objetivo: Verificar se o conteúdo apresentado anteriormente foi assimilado pelas crianças.
Material: Atividades confeccionadas no 2º encontro na dinâmica.
Duração: 20min. 
Descrição: Juntaremos as duplas do encontro anterior, e com o material o qual fora confeccionado a facilitadora propõe que os participantes façam à leitura dos dois comportamentos solidários expostos por eles, para que assim possam relembrar a importância de serem solidários com os outros.

b) Técnica: Fraternidade e Amizade.

Objetivo: Mostrar e desenvolver o sentimento de fraternidade e amizade entre as crianças.
Material: Papel em formato de coração, lápis, borracha, pequeno texto sobre Amizade e fraternidade.
Duração: 45 min.
Descrição: Cada aluno deverá escolher um coleguinha da sala e escrever o nome do coleguinha no coração juntamente com uma frase especial para ele. Ao final a equipe lerá um pequeno texto – AMIZADE… FRATERNIDADE… SOLIDARIEDADE (Anexo – 3), estimulantes ao desenvolvimento do sentimento de amizade e fraternidade e será feita uma reflexão junto com os participantes do conteúdo exposto.

c) Técnica: Juntando os Pedaços.

Objetivo: Proporcionar momentos de reflexão sobre a necessidade da amizade.
Material: Gravuras recortadas de revistas ou jornais.
Duração: 45 min.
Descrição: As crianças receberão gravuras recortadas de revistas ou jornais e depois cada uma irá procurar o seu par, ou seja, irá encontrar um companheiro que tenha a outra parte da sua figura.

d) Técnica: Avaliação.

Objetivo: Avaliar o grau de satisfação da criança.
Material: Nenhum.
Duração: 10 mim.
Descrição: Através de perguntas a criança irá manifestar sua satisfação pelo o que foi apresentado.

LANCHE

4º Encontro – Dia: 03 / 12 / 2009 – Cooperação com os Outros.

a) Técnica: Revisão sobre o 3º encontro.

Objetivo: Verificar se o conteúdo apresentado anteriormente foi assimilado pelas crianças.
Material: Perguntas sobre fraternidade e amizade – Anexo 4
Duração: 20 min. 
Descrição: Palestra em forma de “perguntas e respostas” para estimular a participação das crianças e observar se realmente aprenderam o conteúdo exposto.

b) Técnica: Mensagem no Balão.

Objetivo: Explicitar para as crianças a importância de ajudar as pessoas.
Material: Bexiga, papel, caneta.
Duração: 40 min.
Descrição: Cada criança terá uma bexiga com um papel dentro contendo uma mensagem. Cada criança irá encher sua bexiga. Logo em seguida o facilitador da equipe irá pedir para que todas elas comecem a jogar para cima. Depois o facilitador irá retirar as crianças uma a uma, até que fique apenas uma no final e que se torne impossível para ela controlar todas as bexigas no alto. Após todas as bexigas terem ido ao chão a equipe explicará para toda a turma a importância de que todos cooperem uns com os outros para que possam resolver melhor seus problemas. No final todos irão estourar suas bexigas para que possam ler as mensagens contidas dentro.

c) Técnica: Trabalhar juntos com massa de modelar.

Objetivo: Fazer com que as crianças trabalhem juntas utilizando massa de modelar, mostrando as mesmas a necessidade da cooperação com outro para a realização da atividade.
Material: Massa de modelar.
Duração: 30 min.
Descrição: As crianças serão divididas em subgrupos (cada um deles deverá conter 1 facilitador). Solicita-se que cada subgrupo modele uma parte do corpo humano. Ao final os facilitadores juntam as partes modeladas e mostram a necessidade de todas as partes para que possa ser um corpo perfeito, assim como as pessoas precisam uma das outras.

d) Técnica: Avaliação.

Objetivo: Avaliar o grau de satisfação da criança em relação aos encontros.
Material: Músicas variadas.
Duração: 20 min.
Descrição: Colocaremos uma música bem calma e num tom baixo, onde iremos fazer com as crianças reflitam sobre tudo o que foi apresentado nos encontros e como irá contribuir para as suas vidas.

REFERÊNCIAS

ALBIGENOR e Rose MILITÃO. Jogos, dinâmicas e Vivência Grupais. Rio de Janeiro, Editora Quality Mark, 2003.

HIRATUKA, Lucia e GOÉS, Lucia Pimentel. O polegarzinho – Contos e Lendas do Japão. ISSOUM Boshi, Editora Malpese, 1995.

SALAVERRY, Marcial. Amizade, Fraternidade, Solidariedade. Santos – SP, publicado em Recanto das Letras em 20/07/08. Acesso disponível em http://recantodasletras.uol.com.br

Responsável pelo trabalho

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Profª. Alda Batista

Recife, de de 2009.

ANEXOS

Anexo 1 – Perguntas sobre comportamento agressivo.

Vocês lembram do conteúdo apresentado no encontro anterior?

Porque nós não podemos ser agressivos com outro?

Após termos ido embora houve algum comportamento agressivo em sala de aula? Se sim, por quê?

Conforme conversamos em relação aos comportamentos agressivos apresentados em sala de aula, vocês acham que ser agressivo é ser respeitado?

Vocês lembram como podemos evitar o comportamento agressivo?

A agressão resolve problemas?

O que devemos fazer para não ser agressivos?

Anexo 2 – Texto – O pequeno polegar.

ERA UMA VEZ um casal de lenhadores que tinha sete filhos. O caçula era muito fraquinho. Ao nascer era do tamanho de um dedo polegar; deram-lhe então o apelido de Pequeno Polegar. Alguns anos depois, infelizmente, houve tanta miséria que os pobres pais resolveram se desfazer de seus filhos. Um dia em que as crianças estavam deitadas o lenhador disse à sua mulher:

– Você está vendo que não podemos mais alimentar os nossos filhos. Estou resolvido a levá-los amanhã ao bosque para que lá eles se percam.
– Como! Exclamou a mulher. Você, teria coragem de abandonar seus próprios filhos?

Porém pensando na dor que sentiria ao vê-los morrer de fome, consentiu no plano e foi deitar-se chorando. O Pequeno Polegar ouvira o que eles tinham dito e não dormiu mais o resto da noite, imaginando o que poderia fazer. Levantou-se muito cedo e foi até a beira de um riacho onde encheu os bolsos com seixinhos brancos. Partiram, e o Pequeno Polegar nada disse do que sabia a seus irmãos. Foram para uma floresta espessa, onde, a 10 passos de distância, ninguém se enxergava.

O lenhador começou a cortar lenha e seus filhos se puseram a apanhar gravetos para fazer feixes. O pai e a mãe, vendo-os ocupados a trabalhar, afastaram-se deles pouco a pouco. Fugiram depois de repente por um caminhozinho afastado.

Quando os meninos viram que estavam sozinhos, começaram a chorar. O Pequeno Polegar os deixava chorar, pois na vinda jogara em todo o caminho os pequenos seixos brancos que trazia nos seus bolsos. Disse-lhes então:

– Não tenham medo, meus irmãos, eu levarei vocês de volta para casa, é só vocês me seguirem!

Na hora em que os lenhadores chegaram a casa, o Senhor da aldeia enviou-lhe 10 escudos que lhe devia há muito tempo e que eles não esperavam mais receber. Como eles não comiam há dias, a mulher do lenhador comprou três vezes mais carne do que seria preciso para o jantar dos dois. Quando já tinham comido bastante, ela disse:

– Ai! Que desgraça! Onde estarão os nossos filhos! Será que os lobos os comeram?

Neste momento as crianças, na porta, começaram gritar:

– “Nós estamos aqui! Nós estamos aqui!!!

A boa mulher correu depressa para abrir a porta e disse-lhes beijando-os:

– “Estou tão contente porque vocês voltaram, meus filhos queridos!

Puseram-se à mesa e comeram com um apetite que enchia de satisfação o pai e a mãe. Esta alegria durou enquanto duraram os 10 escudos. Mas, quando o dinheiro acabou, recaíram na mesma tristeza e resolveram soltar os filhos outra vez na floresta.

O Pequeno Polegar decidiu fazer o mesmo que fizera na primeira vez e levantou-se muito cedo para ir juntar seixinhos, mas viu que a porta da casa estava fechada com chave. Sua mãe, tendo dado a cada filho um pedaço de pão para o almoço, ele teve a idéia de fazer com o pão o que fizera com os seixos, jogando bolinhas de miolo por onde passassem.

O pai e a mãe deixaram-nos no lugar mais fechado e escuro da floresta. O Pequeno Polegar não ligou muito porque acreditava que encontraria com facilidade o caminho. Porém teve uma grande surpresa não achando mais uma só migalha. Os pássaros tinham vindo e comido tudo. A noite caiu e levantou-se um vento terrível que metia medo pavoroso nas crianças. Eles pensavam ouvir de todos os lados os uivos dos lobos, vindo para devorá-los.

O Pequeno Polegar trepou no topo de uma árvore de onde avistou uma luzinha. Caminhando algum tempo com seus irmãos do lado de onde vira a luz, tornou a vê-la quando saiu do bosque. Chegaram enfim a casa onde brilhava a vela. Bateram na porta, e uma mulher veio abrir. Vendo-os tão bonitos, ela começou a chorar e lhes disse:

– “Ah! meus pobres meninos, vocês não sabem onde estão!!! Pois aqui é a casa de um Ogro que come criancinhas!”

– Ah! Meu Deus! Respondeu-lhe o Pequeno Polegar, que tremia dos pés a cabeça, assim como seus irmãos. O que é que nós vamos fazer?

A mulher do Ogro, julgando que pudesse escondê-los de seu marido até o dia seguinte, deixou-os entrar e levou-os para junto da lareira. Assim que eles estavam começando a se esquentar, ouviram bater três pancadas na porta. Era o Ogro que voltava. Imediatamente sua mulher escondeu-os debaixo da cama e foi abrir a porta. O Ogro perguntou logo se o jantar estava pronto e se tinham ido buscar vinho, e depois foi para a mesa.

– Estou sentindo cheiro de carne fresca – disse o Ogro bruscamente, olhando sua mulher com desconfiança – Aqui há qualquer coisa que eu não estou gostando! Dizendo estas palavras, ele levantou-se da mesa e foi direto para a cama.

– Ah, ah !!! Disse. É assim que você quer me enganar, mulher maldita!

Arrastou de baixo da cama, um depois do outro, todos os meninos. Foi então buscar um facão, mas sua mulher disse:

– O que é que você vai fazer a esta hora? Amanhã você tem muito tempo!

– Você tem razão, disse o Ogro. Dê bastante comida para eles não emagrecerem e bote-os na cama.

A boa mulher ficou radiante e deu-lhe de comer. Enquanto isso o Ogro recomeçou a beber, e, ficando um pouco tonto, foi obrigado a ir deitar-se. O Ogro tinha sete filhas que eram ainda crianças. Elas tinham ido dormir cedo e estavam todas numa cama grande, cada uma com uma coroa na cabeça.

Havia no mesmo quarto uma outra cama do mesmo tamanho. Foi nela que a mulher do Ogro deitou os sete meninos. O Pequeno Polegar, com receio de que o Ogro se arrependesse de não tê-los degolado no mesmo dia, levantou-se durante a noite, pegou os chapéus de seus irmãos e o seu, e foi devagarzinho colocá-los na cabeça das sete filhas do Ogro, não sem primeiro ter tirado as coroas que ele botou nas cabeças de seus irmãos e na sua.

A coisa aconteceu como ele tinha pensado, pois o Ogro, tendo acordado lá pela meia-noite, subiu no escuro ao quarto de suas filhas, e aproximou-se da cama onde estavam os meninos que dormiam, com exceção do Pequeno Polegar. O Ogro apalpou as coroas.

– Arre! – disse ele – quase que eu me enganava. Acho que bebi demais ontem à noite!

Foi em seguida até a cama de suas filhas, onde, apalpando os chapéus, disse:

– Ah, ah!!! Aqui estão os marotos! Dizendo isto, degolou as suas sete filhas.

Muito contente com sua proeza, voltou para a cama. Assim que o Pequeno Polegar ouviu roncar o Ogro, acordou seus irmãos e ordenou-lhes que o seguissem. Desceram até o jardim, pularam o muro e correram até o amanhecer, sempre tremendo e sem saber para onde iriam. O Ogro, quando acordou, disse à sua mulher:

– Vá lá em cima preparar aqueles mantimentos de ontem para serem comidos!

Ela subiu e teve uma surpresa horrível vendo as suas sete filhas degoladas. Caiu logo desmaiada. O Ogro não ficou menos espantado que sua mulher quando viu aquele espetáculo pavoroso.

– Ah! O que foi que eu fiz! Exclamou. Eles hão de me pagar. Estes miseráveis! E vai ser já! Dê-me logo as minhas botas de sete léguas para que eu possa alcançá-los!

Pôs-se em marcha, e depois de ter corrido em todas as direções chegou enfim ao caminho onde estavam os pobres meninos. Estes viram o Ogro que ia de montanha em montanha e que atravessava os rios como se fossem riachos. O Pequeno Polegar, vendo um rochedo que formava uma espécie de gruta perto do lugar onde estavam, ali escondeu seus irmãos, entrando também, mas sem perder o Ogro de vista.

Este, que estava muito cansado do longo caminho que fizera inutilmente, quis descansar e por acaso foi sentar-se no rochedo onde os meninos estavam escondidos. Exausto, pegou no sono, e começou a roncar pavorosamente. O Pequeno Polegar disse a seus irmãos que fugissem rapidamente e não se preocupassem com ele. Eles seguiram seu conselho e chegaram por fim a casa de seus pais.

O Pequeno Polegar, tendo-se aproximado do Ogro, tirou-lhe as botas cuidadosamente e calçou-as. As botas eram muito grandes e muito largas, mas, como eram encantadas, ficaram tão certinhas em seus pés, que pareciam ter sido feitas para ele. Com suas botas de sete léguas foi-se apresentar ao Rei, que desejava ter informações sobre uma batalha que se estava travando há duas léguas dali: logo ele voltou com a notícia da vitória.

Depois de ter trabalhado durante algum tempo como correio do Rei e de ter ganho muito dinheiro, voltou para a sua família. Vocês bem podem imaginar com que alegria ele foi recebido. Graças à sua fortuna, o Pequeno Polegar pôde assegurar a felicidade de seus pais e de seus seis irmãos.

Anexo 3 – Texto – AMIZADE… FRATERNIDADE… SOLIDARIEDADE

O verdadeiro sentir da amizade,
vem da fraternidade, da solidariedade,
assim, quando o Ser Humano,
aprender a ser humano,
e descobrir que estão em seu interior,
os verdadeiros tesouros do amor,
aprendendo a cultivar a Solidariedade,
e a praticar a Fraternidade,
a humanidade viverá com humanidade,
descobrindo serem esses os reais princípios da AMIZADE,
e poderá atingir sua felicidade…

Anexo 4 – Perguntas sobre fraternidade e amizade.

Vocês lembram do conteúdo apresentado no encontro anterior?
Qual a importância da amizade em nossas vidas?
Conseguimos viver sem amigos?
Como devemos viver com os nossos amigos?
Quais os princípios da amizade?
Porque temos necessidade de vivermos em fraternidade?
Onde podemos encontrar os nossos amigos?
O que devemos fazer para cultivar nossas amizades?

Evolução da Língua Falada

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SUMÁRIO

I CAPÍTULO: AUTORES E SUAS CONCEPÇÕES 
II CAPÍTULO: 
2.1. A influência de fatores históricos e culturais 
2.2. O fator histórico 
2.3 Fatores culturais 
2.3.1 Reações ortográficas 
2.3.2 Vocalização 
2.3.3 Rotacismo – troca do l por r 
2.3.4 Lambdacismo – troca do r por l 
2.3.5. Ausência da pronúncia do r no final 
2.3.6 Brasileirismo 
2.3.7 Metaplasmo de subtração 
3. Gramática Culta X Gramática Oral 
III CAPÍTULO: ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA DE CAMPO 
CONCLUSÃO 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
ANEXOS

INTRODUÇÃO

Este trabalho tem como objetivo considerar a grande variedade lingüística que existe em nosso país e a riqueza de expressão que resulta desse fenômeno. Nossa intenção é mostrar que as variações dialetais existentes na língua falada não é aceita pelos teóricos conservadores, não é aceita na escola e em muitos lugares da sociedade. Fica claro que há uma barreira e uma discriminação quanto a este assunto, e no decorrer dessa discussão, iremos mostrar a posição dos autores conservadores e liberais já citados no resumo do trabalho.

O foco principal do primeiro capítulo é mostrar a concepção teórica de cada um deles, destacando o que defendem os conservadores e os liberais, seguido de reflexão pessoal depois de um longo tempo de leituras e pesquisas.

Procuraremos avaliar a posição desses autores de acordo com a linha que defendem, isto é, se aceitam as diferentes manifestações da língua falada como uma ocorrência natural e legítima ou se eles defendem a norma padrão e a gramática normativa como a forma ideal de expressão da Língua Materna, considerando outras normas como marcadas socialmente e sem prestígio. Abordaremos ainda os fatores de cunho histórico, social e cultural que ajudaram na transformação da língua falada.

O segundo capítulo aborda uma questão que tem sido motivo de constantes debates no meio acadêmico, “Gramática Culta x Gramática Oral”. Encontramos conceitos e posições dos autores para dizer se a gramática normativa deve ou não estar presente na escola e na sociedade. É possível dizer que durante os estágios que realizamos no 3º e 4º ano do curso de Letras o que em sala de aula muito nos ajudou a perceber como anda o ensino da matéria Língua Portuguesa. As observações num todo das aulas e as conversas com os alunos a respeito da matéria deixaram claro que há alguma coisa errada e algo precisa ser feito. Essas mudanças ou partes delas, são consideradas neste capítulo do nosso trabalho.

No capítulo três, apresentamos uma pequena pesquisa de campo onde através dos dados colhidos dos alunos e professores, analisamos a concepção de cada um tem sobre a evolução da língua falada.

A principal meta deste trabalho é conduzir o leitor, principalmente professores de Língua Materna e alunos de Letras, a uma reflexão sobre a diversidade lingüística e a importância das variações que existem na (língua falada), tema que oferece amplo espaço para discussão.

I CAPÍTULO: AUTORES E SUAS CONCEPÇÕES

Segundo Havelock, encontramos fatores que contribuem para o desenvolvimento da oralidade.

A oralidade pode ser caracterizada como origem e berço da cultura popular que, por sua vez, tem sustento, conservação e retorno basicamente na comunicação oral. Continua o autor: A oralidade dependerá do lugar, da sociedade, da família, da região, dos conhecimentos (estudo) que a pessoa possui. A oralidade só será da mesma forma que a escrita quando todos tiverem uma cultura, quer dizer uma educação quanto ao modo correto que a língua deve ser usada. A oralidade tem sido utilizada para distinguir sociedade.(2000: 23-34)

Como vimos, a oralidade não se transforma por acaso, porque para cada situação de conversa, para cada região, sociedade ou grupos, a oralidade acontecerá e de diversas maneiras pela força dos próprios falantes e pela necessidade, mas o problema é que estas variedades existentes na língua falada passaram a ser vistas pelos conservadores da língua como erro, sendo motivo até de distinção de sociedade, entre os que sabem falar bem e os que não sabem.

Segundo Magalhães para a maioria das comunidades letradas (estudadas) a língua escrita tem prioridade social sobre a falada:

É a língua escrita que tem prestígio social. Tal prestígio se mostra de forma contundente em nosso sistema educacional e na organização jurídica da sociedade. É a língua escrita, freqüentemente a língua literária, que se ensina nas escolas. Não existe entre nós uma tradição de estudo da língua oral. Todo o ensino de português no Brasil restringe-se ao português escrito.(2000: 33)

Podemos notar a grande barreira que a língua falada enfrenta, pois realmente, não é estudada e não é aceita por todos. Por outro lado, a língua escrita é estudada e essa sim é considerada como certa.

Queremos de salientar a proposta dos PCNs ao posicionar-se frente a este assunto como favorável no dever de respeitar as muitas variedades existentes na Língua Portuguesa. Enfatizam:

A diversidade sociocultural brasileira, do ponto de vista educacional, a partir dos elementos que não são comuns aos grupos culturais influenciam na formação da oralidade. Os problemas influenciam por ser uma população diversificada, onde muitas pessoas não conheceram ou conhecem as estruturas próprias de sua língua” (1997: 65-66).

Essa diversificação acontece pelo fato de que nem todos têm o privilégio de estudar. Esse é um dos motivos pelo qual a oralidade da pessoa não é convencionada, e muitas vezes rejeitada como errada. Ainda segundo os PCNs.

A variação é constitutiva das línguas humanas, ocorrendo em todos os níveis. Ela sempre existiu e sempre existirá, independentemente de qualquer ação normativa. Assim, quando se fala em Língua Portuguesa, está se falando de uma unidade que se constitui de muitas variedades. […] a imagem de uma língua única, mais próxima da modalidade escrita da linguagem, subjacente às prescrições normativas da gramática escolar, dos manuais e mesmo dos programas de difusão da mídia sobre “o que se deve e o que não se deve falar e escrever”, não se sustenta na análise dos usos da língua.(1997: 29)

Apesar de a proposta dos PCNs respeitarem a variedade lingüística e concederem à oralidade um lugar no ensino de LM, algumas discussões têm sido feitas ao meio acadêmico por se considerar que a proposta teórica não condiz com a prática. Queremos dizer os instrumentos de avaliação utilizados pelo MEC ainda se valem dos métodos que enfatizam a norma padrão, como por exemplo, o polêmico Provão aplicado no ultimo ano dos cursos universitários.

É inevitável a variação, pois as variedades que acompanham as línguas humanas. Neste sentido é interessante buscar explicações em vez de criticar ou discordar, pois a língua falada existe e existirá independente de ação normativa, ou de regras. Marcuschi afirma que as pessoas fazem uso de palavras alongadas ou reduzidas pelo fato de não dominarem os recursos gramaticais. Conforme lemos, “os usuários da língua tendem a usar a ampliação e redução nas palavras pelo fato de não dominarem os recursos da gramática”. (2000: 12)

Depois de muita reflexão, posso dizer que não concordo com Marcuschi pelo fato de as pessoas não usarem determinadas palavras por desconhecer os recursos gramaticais, e sim porque a oralidade é viva e está em constante modificação; tais modificações acontecem porque os falantes escolhem uma fala mais simples, objetiva, enfim, mais clara possível onde o importante é que haja comunicação.

A pretensão de Monteiro Lobato é mostrar a língua corrente e viva que existe ao nosso redor, portanto vejamos: (…) uma língua não para nunca. Evolui sempre, isto é, muda sempre. Há certos gramáticos que querem fazer a língua parar num certo ponto, e acham que é erro dizermos de modo diferente do que dizem os clássicos.(1934: 100) Vindo deste grande escritor, o que podemos esperar? Fica claro ou ainda é confuso? Não há sombra de dúvidas de que, não podemos nos prender e ficarmos estanques num determinado ponto, pois se existem variedades é porque são usadas e aceitas pelos que usam e fazem dela seu meio de interação na sociedade.

Segundo o pensamento de Cagliari a ênfase é apresentar que a gramática tinha como objetivo descrever a língua, mas com o tempo a própria sociedade fez dela um corpo de regras que regeria a linguagem. Assim temos:

A gramática normativa foi num primeiro momento uma gramática descritiva de um dialeto de uma língua. Depois a sociedade fez dela um corpo de leis para reger o uso da linguagem. Por sua própria natureza, uma gramática normativa está condenada ao fracasso, já que a linguagem é um fenômeno dinâmico e as línguas mudam com o tempo; e para continuar sendo a expressão do poder social demonstrado por um dialeto, a gramática normativa deveria mudar.(1977: 46).

Queremos fortalecer o que já temos citado, de que a gramática normativa não consegue esclarecer essas evoluções e que os conservadores e seus discípulos deveriam analisar, pesquisar antes de querer dizer o que é certo e o que é errado na língua falada. O foco marcante que veremos nas citações seguintes é mostrar a linguagem como tal, julgada e analisa no seu contexto, é claro respeitando algumas regras, mas não ficando presas a elas, pois, se não contribuem, não as deixe atrapalharem na sua comunicação. Para Luft “[…] a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal”.(1995: 15-22) Luft crítica a escola tradicional pelo fato de transformar o estudo da língua em estudo de gramática. A linguagem das pessoas, sua composição, deveriam ser julgadas, exclusivamente, como atos de comunicação, e não como campo de purismo gramatical.

Ele ainda enfatiza que: “algumas regras da gramática devem ser respeitadas para evitar vexame”. As verdadeiras regras a serem usadas pelos falantes, são as regras naturais, da gramática natural, no interior dos falantes. O autor é liberal a ponto de dizer que: “todas as regras que não contribuem para uma eficiência comunicativa, as que embaraçam e atravancam a comunicação, que dão aos alunos e pessoas que o português é uma chateação, não serve para nada”. “A gramática completa de uma língua deveria registrar sua variabilidade e as tendências evolutivas”.

Naturalmente, podemos chegar a uma conclusão de que a língua é rica por apresentar essas variedades lingüísticas, por dar aos falantes o poder de criação, a liberdade. Essa é a beleza de uma língua, não é preciso ficar estanque, preso às regras, é necessário que quando for comunicar algo, o faça de maneira mais clara possível. O importante é comunicar, surpreender, iluminar, divertir.

O autor Sírio Possenti no seu livro Por que (não) ensinar gramática na escola diz que o objetivo da escola é ensinar o português padrão ou talvez mais exatamente, o de criar condições para que ele seja aprendido. O autor ainda enfatiza que: “Os grupos que falam uma língua ou um dialeto em geral julgam a fala dos outros a partir da sua e acabam considerando que a diferença é um defeito ou um erro. Essas variedades têm a sua razão: são fatores históricos, culturais e sociais” (1998: 29).

Entramos nos parágrafos seguintes no grupo dos chamados conservadores, e veremos o que eles dizem e como se posicionam a respeito desse assunto. Bechara enfoca alguns dos fatores que fizeram com que a oralidade língua falada esteja como está, vejamos os motivos:

Um dos fatores acontece na sociedade, que seguiu a tendência do após-guerra, que privilegiava o coloquial, o espontâneo, renovando com isso a língua popular. A desinformação das pessoas e a crescente substituição da leitura pelos meios de comunicação de massa não permitiram ver o quanto havia de erro na suposição de que os modernistas, aceitando a decisiva influência popular, admitiram todas as alterações de linguagem, ainda aquelas que destruíam as leis da sintaxe e a essencial pureza do idioma.(1995: 67)

Sem dúvida alguma, o movimento Modernista trouxe mudanças, que fizeram com que as pessoas fossem mais livres para se expressar, criar, inovar. Não posso concordar com Bechara quando diz que os meios de comunicação não permitiram que as pessoas vissem o quanto de erro havia na suposição dos modernistas. Será que deveríamos ficar presos, ao arcaico, seguindo o que os europeus ditavam? Não. Não existem erros, o que existe são inovações, transformações naturais, e essas inovações não destruíram a pureza do idioma, mas sim fizeram com que ele ficasse mais rico. Como dizia Machado de Assis(1908). “Tudo é válido na língua, desde que logre comunicar-se”.

Bechara declara com uma atitude totalmente conservadora que, não está havendo um empenho como deveria quanto ao ensino da língua. Ele afirma que o fator dessa alteração é caracterizado na escola, onde existe uma crise, pois não está havendo distinções necessárias entre gramática geral, gramática descritiva e gramática normativa. “Os professores estão se preocupando demais com a gramática geral e descritiva e estão deixando de lado a gramática normativa” (1995: 7).

Notamos que a preocupação dos conservadores, é que a gramática normativa e todas as suas regras e leis devam permear e estar presente na vida dos falantes. Para Bechara a gramática normativa deve estar presente na escola, caso contrário os alunos nunca irão desenvolver seu potencial lingüístico. Como sempre, acreditam que para alcançar um potencial é preciso regras. A língua falada se desenvolve dentro de suas línguas naturais.

Os conservadores defendem a gramática normativa, e chegam a dizer que para ter um padrão culto da língua, é necessário dominar a gramática normativa. Realmente, a visão desses conservadores está totalmente limitada, pois não conseguem aceitar a riqueza e as variedades lingüísticas da nossa língua.

Os escritores Cipro e Infante(1997), dizem que a gramática é instrumento fundamental para o domínio do padrão culto da língua. Até quando ficarão nesse barco, afundando aos poucos? A língua, nunca irá se prender como está a gramática. É preciso uma renovação gramatical ou deixar que a língua siga seu caminho livremente. Reforço minhas palavras juntamente com as palavras de Luft diz que: “um ensino gramaticalista abafa justamente os talentos naturais, incute insegurança na linguagem, gera aversão ao estudo do idioma, medo à expressão livre e autêntica de si mesmo”.(1995: 7)

Temos a necessidade e o dever de mostrar a riqueza lingüística que existe, não apenas em nossa língua, mas em todas as línguas faladas pelos homens. Essas variedades devem ser respeitadas, analisadas, levando o aluno a conhecer todos os potências, orientando os pais e professores quanto a essa evolução lingüística existente no mundo.

Na opinião de Sacconi (1903) variedades de erros não são inaceitáveis, o autor crítica qualquer tipo de erro dentro da língua, ele não vê as causas, os motivos pelo qual as pessoas fazem uso da linguagem do jeito que fazem, para ele as pessoas devem conhecer a língua, e quem faz uso da mesma de forma não convencionada é considerado um débil mental e outras coisas, encontramos essas classificações às pessoas em suas obras. Podemos perceber o teor de conservadorismo e purismo do autor, mas falta com respeito ao usuário da língua, pois cada pessoa faz uso da língua conforme a sua necessidade e do conhecimento que tem. Dentro deste imenso mundo da língua falada, fica difícil aceitar apenas uma como certa, todas as outras formas são certas e precisam ser respeitadas e levadas em conta.

Tanto Figueiredo (1903), quanto Bagno(2002) concordam que evoluir agora é sinônimo de deturpações.

A beleza da língua se faz com as inovações, invenções e Cândido vem nos dizer que a evolução da sociedade e as relações com outros povos fazem com que a língua portuguesa, nossa língua, sofra enxertos e invenções. Aliás, o que é vivo transforma e o que é morto deforma, a língua falada nunca se prenderá aos caprichos da gramática normativa.

Vimos que é grande e muito vasto o campo da oralidade e como conseqüência disto, grandes escritores escrevendo a respeito. Felizes aqueles que são mais acessíveis, que têm visão de mundo e de evolução, e que procura entender o porque das transformações da língua falada. Fico mais tranqüilo, pois posso encontrar escritores que nos embasam com suas pesquisas e nos dão força para entender que a língua deve ser aceita como tal e não ficar massacrando como fazem os conservadores, que não aceitam a evolução e as variedades lingüísticas.

II CAPÍTULO

2.1. A influência de fatores históricos e culturais

Depois de consideradas as concepções dos autores, pudemos, com isso, fazer um levantamento do que os estudiosos da área têm a dizer referente a esse assunto tão polêmico e importante que ocorre não só em nossa língua, mas, em todas as línguas do mundo. Ficou claro que a evolução da oralidade é um campo vasto e muito rico, onde a lingüística tem um papel importantíssimo: o de estudar e esclarecer as dúvidas que surgem entre “certo e errado” dentro da língua falada.

Dos autores citados, nem todos têm a mesma posição. Há vários conservadores, como há também os mais liberais. Os conservadores defendem sua posição, apoiando e defendendo a gramática normativa, porque para eles só é possível falar bem se conhecer as regras e normas gramaticais, não aceitando, portanto, as variedades lingüísticas existentes na língua portuguesa falada. Contudo os mais liberais estão ao lado da lingüística em uma visão mais ampla, desmistificando essas idéias de que para se falar bem é preciso conhecer as regras gramaticais.

Um exemplo claro de liberalismo, vemos no escritor Luft(1995), que ao lado da lingüística diz: “a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal”. Estamos diante de duas classes, nas quais as duas têm visões e concepções diferentes, mas o fenômeno da oralidade ocorre naturalmente independente das posições desses estudiosos. No entanto para entendermos um pouco mais essa evolução lingüística, é preciso levar em consideração alguns fatores, que contribuem para que ocorram essas transformações na língua falada como, por exemplo: históricos e sociais.

2.2 O Fator Histórico

O latim falado pelos romanos era classificado em: o latim clássico, falado pela nobreza, pelos mais ricos, e o latim vulgar falado pelos soldados e pelo povo. O latim clássico, com o tempo, foi perdendo sua força, ao contrário do latim vulgar que com o passar dos anos espalhou-se mais. Através da influência de outros povos, o latim vulgar foi se reestruturando, conforme a necessidade do povo. Para facilitar o uso, foram caindo vogais, consoantes, contraindo assim a palavra. Esse fenômeno acontece em todas as línguas de origem latina: português, italiano, francês, espanhol e em qualquer outra. E não é diferente no português, que é filha do latim. Assim como ocorriam as transformações no latim, o mesmo acontece em nossa língua portuguesa. A língua é viva e dinâmica e não há, portanto, como não aceitar essas transformações e mais ainda tentar detê-las.

2.3. Fatores Culturais

Outra razão pela qual a língua apresenta essas variedades na fala foi e continuará sendo a influência cultural. Sabemos que o Brasil é um país constituído por muitas raças. Um exemplo muito forte e importante foi o da influência negra que trouxe uma série de variantes para o português do Brasil. Essas variantes lingüísticas estão documentadas nas mais diversas regiões desse imenso país, inclusive onde a presença negra foi ou é mínima.

Muitas pessoas falam conforme a sociedade onde vivem, e o autor Marcos Bagno diz: “alguns preferem usar taio, no lugar de talho, transformando o lh em i, fato comum em certas regiões do país, normalmente naquelas que receberam influência do elemento africano como a Bahia. Na Bahia também, é claro, em certas regiões o d dos gerúndios não soa. Dizem então: correno, andano, caíno, em vez de correndo, andando, caindo, trata-se de um caso típico de influência africana”.

Esses e outros são fenômenos naturais da língua que ocorreram por influência de uma raça. Gostaria de mencionar o fato das pessoas trocarem o l pelo r arto, iguar, tarco, etc, por influencia da língua dos indígenas, que não conheciam o fonema l, mas apenas o som r, de caro, barato. A intenção dos bandeirantes era aproximar-se dos índios e de suas riquezas, e faziam o possível para ter uma aproximação mais amigável, até mesmo aprender a pronunciar como eles.

Nesse passo começou então depois de muito uso o hábito de trocar o l por r, fenômeno conhecido pelo nome de rotacismo, muito comum em certas cidades paulistas como: Tatuí, Piracicaba, Tietê, Laranjal, Porto Feliz, Itu, Salto, Capivari. Nota-se que essas cidades fazem parte da região onde o lendário rio Tietê passa. O Tietê era o meio de transporte dos bandeirantes que deixaram marcas nessa região através do linguajar” (BAGNO, 2002: 89).

Vejamos alguns dos fatores que acontecem na língua viva:

2.3.1. Reações Ortográficas

Ex.: descer – decer e até mesmo dece.
facto – fato
directo – direto

2.3.2. Vocalização

Ex.: arto – alto
farta – falta
farsa – falsa
barde – balde

2.3.3. Rotacismo – troca do l por r

igual – iguar
falso – farso
bolso – borso
balde – barde

2.3.4. Lambdacismo – troca do r por l

carvão – calvão
cerveja – celveja
garfo – galfo

2.3.5. Ausência da pronúncia do “r” no final

Ex.: pegar – pegá
fazer – faze
lavar – lava
falar – fala

2.3.6. Brasileirismo

Ex.: Não sei não – sei não
Não sei lá – sei lá

2.3.7. Metaplasmos de subtração

a) aférese – a perda do fonema inicial.

Ex.: insônia – isonia
alambique – lambique
você – ocê e hoje em uso cê.

Temos ainda síncope – perda do fonema no meio da palavra, apócope – perda de um fonema no final da palavra. Esses são algumas das mudanças que ocorreram na língua e ainda ocorrem pelo fato da língua ser viva e estar em uso constantemente. Existem ainda outros fatores, esses são alguns, que são necessários para vermos que são normais na língua essas transformações. Notamos que o escritor Willians(1994), nos deixa claro com os exemplos de (rotacismo, vocalização, reações ortográficas, etc) já citados acima, que são naturais as transformações ocorridas e ocorrentes na língua falada.

Continuando com o assunto das influências históricas e sociais temos uma declaração de Luft que nos diz: “Uma língua viva está em constante evolução: dialetos, gírias, neologismos, estrangeirismos, tudo faz parte dessa evolução que a mantém animada”. (1994: 15-110)

A riqueza lingüística é estupenda, pois a grande riqueza da língua está nas muitas maneiras e formas de como a língua é usada. Há os dialetos em certas regiões, a gíria usada em grupos. Entre outros dando força ao crescimento da oralidade. Enfim, língua falada envolve tudo o que se pode falar, inovando ou criando, isto é o que chamamos de língua viva.

Para entendermos melhor existem dois tipos de fatores que produzem diferenças na fala de pessoas, e não há como deixar de citá-las. Possenti enfatiza:

Um deles é o fator externo, e os principais são: o fator geográfico, de classe, de idade, de sexo, de etnia e de profissão etc. Ou seja: as pessoas que moram em lugares diferentes acabam-se caracterizando por falar de algum modo, com sotaque peculiar. Pessoas que pertencem a classes sociais diferentes, do mesmo modo. Já o fator interno acontece na língua condicionando a variações.

A variação é de alguma forma regrada por uma gramática interior da língua. Por isso não é preciso estudar uma língua para não errar em certos casos. Existem erros que ninguém comete, porque a língua não permite. Por exemplo, ouvem-se pronúncias alternativas de palavras como caixa, peixe, outro: a pronúncia padrão incluiria a semivogal, a pronúncia não padrão a eliminaria (caxa, pexe, otro). Estes são fatores internos que acontecem naturalmente.(POSSENTI, 1998:34-38)

“Um exemplo histórico dessa mudança ocorreu com o latim, não foi por castigo ou por azar. Ocorreu com outras línguas, como o alemão, o inglês, o grego, e o português. Na verdade, com todas as línguas. E continua acontecendo. Não há língua que permaneça uniforme. Todas as línguas mudam. Não há como discutir é um fenômeno natural” POSSENTI – 1998.

Podemos perceber e analisar que essas variações ocorrem por vários fatores, como já foi dito, social, cultural, econômico, pois há aqueles que nunca tiveram contato com a gramática ou escola, mas falam.

Já que todas as transformações ocorreram e foram registradas e estudadas, o que é considerado como erro então? POSSENTI diz:

“A noção mais corrente de erro é a que decorre da gramática normativa: é erro tudo aquilo que foge à variedade que foi eleita como exemplo de boa linguagem. É importante frisar aqui que: esses ideais de boa linguagem foram buscados num passado mais ou menos distante, em boa parte arcaizantes. Em matéria de língua nada seja uniforme. Já os exemplos utilizados pelas gramáticas são mais arcaizantes que os jornais e textos de muitos escritores vivos de qualidade reconhecida”.(POSSENTI: 1998:38)

Por essa definição, como é que a gramática normativa pretende corrigir a oralidade se ela é, em outras palavras, ultrapassada. Não podemos expor que isso é certo e aquilo é errado, devemos parar, analisar e pesquisar levando em consideração todas as formas e variedades lingüísticas. O grande dilema é, em quem se apoiar enquanto estudiosos estão por toda parte desse mundo da língua escrita e falada, tentando esclarecer o certo e o errado, a língua é viva, como nunca, continua e continuará em constante modificação não se importando com o que “os estudiosos” que tentam, de muitas formas, impor isso como certo e aquilo como errado.

3. Gramática Culta X Gramática Oral

Durante o curso de Letras, vimos muitas coisas interessantes que o governo, através dos PCNS, propôs como guia para uma melhor educação, auxílio ao professor quanto ao que ensinar não ficando preso a idéias já formadas, levando o aluno a criar, pensar, expressar-se, sendo o professor o guia. As propostas e os objetivos são nobres e elevados, os através de sua política nos diz que:

A diversidade sociocultural brasileira, do ponto de vista educacional, a partir dos elementos que não são comuns aos grupos culturais influenciam na formação da oralidade. Os problemas influenciam por ser uma população diversificada, onde muitas pessoas não conheceram ou conhecem as estruturas próprias de sua língua. A variação é constitutiva das línguas humanas, ocorrendo em todos os níveis. Ela sempre existiu e sempre existirá, independentemente de qualquer ação normativa. Assim, quando se fala em “Língua Portuguesa”, está-se falando de uma unidade que se constitui de muitas variedades.(PCNs, 1998:29)

Tal declaração prevê maior abertura e aceitação das variedades lingüísticas, o documento também diz: quando se fala em “Língua Portuguesa”, está se falando de uma unidade que se constitui de muitas variedades. São planos e projetos positivos, mas ainda há um grande trabalho a ser feito. No decorrer do curso, os alunos fizeram estágios de Língua Portuguesa, em várias escolas, e não percebemos mudanças significativas, pois os professores não estão orientados quanto ao que dizem os PCNS. Continuam seguindo a gramática normativa, porque para eles falar e escrever bem não é possível sem conhecer a gramática. Para que as mudanças se efetivem é preciso uma orientação e acompanhamento junto aos professores, pois, muitos não estão atualizados, nem se reciclam quanto aos estudos da Lingüística.

É necessário uma mudança de atitude, “cada um de nós, professor ou não, precisa recusar com veemência os velhos argumentos que visem a menosprezar o saber lingüístico individual de cada um de nós. Temos que nos impor como falantes competentes de nossa língua materna. É preciso lançar dúvidas e pesquisar o que está sendo falado, questionar e buscar explicações e não simplesmente dizer é errado porque a gramática diz. Para a gramática a língua é uma caixa fechada, pronta e acabada, mas sabemos que não é assim. Não há como prender a língua numa caixa ou querer fixá-la em regras que não dão conta de explicar todas as suas transformações. “Toda língua viva é uma língua em decomposição e em recomposição, em permanente transformação, tudo muda no universo, e a língua também” (BAGNO,2002:117).

É difícil, pois muitos professores têm a concepção e acreditam que a gramática é a manda chuva, rotulando assim a língua falada, discriminando toda e qualquer manifestação lingüística (fonética, morfológica e sintática), qualquer forma de expressão que se diferencie das regras prescritas pela gramática normativa é taxada de erro. Esse problema e visão não acontecem apenas com professores, mas com estudiosos da área (conservadores) e com muitos pais de alunos que exigem que a escola ensine o que a gramática mostra como certo.

Nosso objetivo é mostrar a variedade apoiada dentro da ciência. Não estamos querendo inventar ou mudar, mas queremos mostrar a grandeza de uma língua. O bom professor age como o filósofo Spinoza(2002), que escreveu: “Tenho me esforçado por não rir das ações humanas, por não deplorá-las nem odiá-las, mas por entendê-las”. Surge o questionamento por parte destes professores, estudiosos e pais: então vale tudo? Não é bem assim, em concepção de língua tudo tem sua importância, tudo vale alguma coisa ou quer transmitir algo. Precisamos então validar e analisar uma série de fatores, tudo é válido se usado no lugar certo e no contexto adequado com as pessoas certas. Como sempre, tudo vai depender de “quem diz o quê, a quem, como, quando, onde, por quê e visando que efeito” (BAGNO, 2002: 131).

Nossa meta é levar os professores, diretores e pais a entender que se faz necessário mudar, pois todas as ciências mudam, evoluem e que a ciência da língua como todas as outras também evolui. O próprio Ministro da Educação, através dos PCNS, apresentou uma grande proposta de avanço para a renovação do ensino da Língua Portuguesa. É claro que muita coisa ainda precisa ser feita. Não há como instituir essas transformações apenas nas escolas, é preciso empregar essas novas pesquisas em faculdades e processos de vestibular, deixando de lado os mitos de que falar certo só é possível se souber gramática. Mas fica claro que o governo já deu um passo, mas muita coisa ainda precisa ser feita, pois é preciso continuar com os planos, pois a meu ver, esses planos e metas ainda não foram conscientizados a todas as instituições de educação.

Durante o período em que estou na escola, eu converso com meus alunos perguntando a respeito das aulas de Português, se gostam e por que não gostam. As respostas eram sempre as mesmas. “Português é muito difícil, tem muitas regras…”.

Vejamos o que diz o professor Ataliba T. de Castilho da USP, atual presidente da Associação de Lingüística e Filosofia da América Latina e coordenador do grande Projeto da gramática do Português Falado escreve em seu livro A língua falada e o ensino de português:

[…] os recortes lingüísticos devem ilustrar as variedades socioculturais da Língua Portuguesa, sem descriminações contra a fala vernácula do aluno, isto é, de sua fala familiar. A escola é o primeiro contato do cidadão com o Estado, e seria bom que ele não se assemelhasse a um “bicho estranho”, a um lugar onde se cuida de coisas fora da realidade cotidiana. Com o tempo o aluno entenderá que para cada situação se requer uma variedade lingüística, e será assim iniciado no padrão culto, caso já não tenha trazido de casa. (…) a gramática deixará de ser vista pelos alunos como a disciplina do certo e do errado, reassumindo sua verdadeira dimensão, que é a de esquadrinhar através doa materiais lingüísticos o funcionamento da mente humana.(BAGNO, 2002: 181)

Não há como negar a necessidade de uma reformulação urgente, e isso pode começar com você e comigo, senão nossos alunos sempre verão o aprendizado de Língua Portuguesa como um fardo. O mito “saber português”, na verdade sempre significou saber gramática”, nisso vemos por que existe um grande bloqueio da parte dos alunos, em dizer que sua própria língua materna é difícil e complicada. Acredito que é possível, juntos, Ministro da Educação, professores, diretores e pais, mudar essa concepção, pois senão, nunca haverá um aprendizado, um conhecimento da riqueza lingüística que nossa língua tem a nos oferecer, a não ser que fiquemos presos à gramática normativa e fechemos os olhos para a variedade lingüística à nossa volta.

III CAPÍTULO

ANÁLISE DOS DADOS DA PESQUISA DE CAMPO

O professor A, vê esse fenômeno como natural, e ele se enquadra nas concepções de Luft e Possenti(1995 – 1998), algumas regras devem ser respeitadas para não passar vexame, no caso de que jeito falar dependerá da ocasião. Para o professor A, não há erros na oralidade, o que pode acontecer é uma forma falada não ser aceita pelas pessoas, e isso é levantado por Possenti(1998). O professor A ainda esta dentro da concepção de Luft(1995) no que se diz respeito ao papel da escola, a escola deve orientar e não impor. O professor A, também vê como importância o ambiente social, pois não há manifestação lingüística fora do contexto social.

O professor B se enquadra dentro das concepções de Luft e Possenti(1995 – 1998), dizendo que as regras serão usadas dependendo do momento, o professor B estaria contra a gramática normativa, pois diz que na oralidade nada é erro se houver comunicação, basta haver entendimento, mas a gramática classifica como erro algumas estruturas se estas não estiverem como são convencionadas. Para o professor B o fator social também influência, tanto que ele cita o regionalismo como fator.

Entre os professores A e B, podemos observar um certo entendimento quanto à visão desse fenômeno. É possível dizer que os professores não são radicais, e que se enquadram dentro dos PCNS(1998), principal instrumento do Ministro da Educação.

O aluno A se encontra na concepção de Luft(1995), liberdade na oralidade, não sendo presa a normas cultas estipuladas pelas gramáticas. O aluno A diz que se a escrita fosse como a oralidade seria mais criativa, essa colocação encontra-se na concepção de Luft(1995), onde diz que: a gramática completa de uma língua deveria registrar sua variabilidade e as tendências evolutivas. Essa evolução a manteria animada. O papel da escola segundo o aluno A é conviver com os dois lados, não desprezando os que não usam a norma culta, Luft(1995) defende essa concepção, não é certo impor, deixe que a pessoa aprenda por si, é natural. O aluno A considera importante os fatores sociais. Em toda a história da língua encontraremos fatores históricos, culturais e sociais, não é apenas nas respostas dos professores e alunos.

O aluno B aceita essa evolução da língua no campo da oralidade concepção de Luft(1995), a oralidade para o aluno B, é diferente da escrita concepção de Possenti(1995). As regras gramaticais e a forma usada da oralidade vão depender da ocasião concepção de Luft(1995). Para o aluno B, o fator social também influência na maneira de falar.

Ao analisar as concepções e o que professores e alunos disseram, observei que todos aceitam esse fenômeno da língua, a língua é viva é está em constante modificação. A escola tem seu papel, mas, não deve desprezar essa variedade da oralidade.

Gostaríamos de deixar claro que os professores A e B, são professores de nível superior, e que estão mais abertos a estas novas tendências lingüísticas, mostrando que estão acompanhando os estudos quanto ao que diz respeito “evolução da oralidade”. Os alunos A e B, estão cursando o nível superior, e deram seus pareceres também.

Entretanto os professores C e D, são professores da rede pública, que seguem uma linhagem mais conservadora quanto ao ensino da língua, vimos que através das suas respostas, demonstraram ser bem conservadores, não aceitando nada que esteja fora da gramática normativa, prezam pela norma culta, tanto falada como escrita, e não são apenas professores, existem alunos que são verdadeiros discípulos e que também aceitam apenas a norma culta como certa. Na analise dos dados é claríssimo que estes professores e também alunos se enquadram dentro das concepções de Sacconi(1903), Bechara(1995), Figueiredo(1903), Pasquale(1997), mostrando que ainda prezam pela norma culta não aceitando outra forma a não ser a instituída pela gramática normativa.

Através desta pesquisa, gostaríamos de esclarecer que não são todos os que aceitam estas variantes lingüistas. Há professores mais orientados e preparados para esse assunto, mas ainda existem os que não estão. É preciso levantar a questão de que o Ministro da Educação, através dos PCNS(1998) propõe que deve haver respeito quanto às variedades lingüísticas. Mas, esta visão e proposta, não foram implantadas nas redes públicas, pois os professores ainda continuam com aquela visão de pureza e conservadorismo.

Acredito que ficou claro através desta pesquisa o que pensam os dois lados, tanto professores e alunos, a respeito da “evolução da oralidade”.

CONCLUSÃO

A análise apresentada nesta pesquisa revelou como a língua é viva, e como os teóricos se posicionam frente a essa evolução. Os fatores que se apresentam no decorrer do processo da oralidade confirmam uma língua viva.

Não há como evitar, mesmo que queiram os conservadores, nunca irão conseguir, pois a língua é como um rio em que as águas se renovam a todo instante e a gramática e suas regras, é como uma lagoa, parada que nunca muda. É claro não podemos desprezar e abandonar a gramática de uma vez por todas, mas devemos entender que a gramática não é absoluta, pois ela mesma não consegue acompanhar essas evoluções. O que deve ficar claro, é que todas as variedades são possíveis, e a gramática deve ser ensinada como uma variedade, para ser usada em ocasiões onde a fala deve ser mais formal. Ao longo deste trabalho consideramos, se há ou não há lugar para a gramática na escola. O ponto principal é não excluir essa imensa variedade lingüística existente na língua falada, e para explicar e nos apoiar na base teórica encontramos os autores mais liberais, reflexivos no que diz respeito à língua falada.

Concluímos que, devemos como professores, profissionais da área de línguas, entender que não existe uma única forma de expressão, o que existe, quanto a questão da oralidade (língua falada), é um campo magnífico, mas ao mesmo tempo complicado, porque não há aceitação por parte de todos os que deveriam entender e conhecer. Aqui fica a sugestão: pare de criticar o falante que não utiliza a língua padrão e faça uma reflexão, não deplore, mas procure entender.

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PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS. (PCNs), Língua Portuguesa, 5ª a 8ª séries, Brasília, 1998.

POSSENTI, Sírio. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas SP: Mercado de Letras, 1998.

SACCONI, Luiz Antônio. Não erre mais, São Paulo: Harbra, 1903

WILLIANS, Edwin B. Do latim ao português. 6ª ed. Rio de Janeiro: Tempo, Brasileiro, 1994.

ANEXOS

Meu intuito com essa pesquisa de campo é mostrar para os leitores o que acham os professores de Língua Portuguesa. Verificando se são favoráveis ou contra, a estas manifestações lingüísticas, com certeza é de grande importância saber deles, pois, são profissionais da área. minha pesquisa também inclui alunos, pois também quero saber como eles vêm essas variedades.

O método que adotei para essa pesquisa foi em forma de questionário, onde professores A, B, C, D, e alunos responderam o questionário. No entanto nossa pesquisa gostaria de enfatizar o posicionamento de professores e alunos dos dois níveis, superior e básico. Para isso, minha pesquisa se estendeu ao Ensino Básico, sendo o mesmo questionário direcionado a dois professores e um aluno do Ensino Médio do Colégio Estadual Ministro Petrônio Portella da cidade de Estrela do Norte GO.

Segue-se abaixo o questionário que todos os entrevistados preencheram.

Questionário da pesquisa de campo

1. Como você vê a oralidade em relação à evolução lingüística?
2. Como deve ser considerada a relação entre a oralidade e a escrita?
3. Até que ponto deve ser respeitado, na oralidade, a gramática normativa?
4. O que deve ser considerado como erro na oralidade.
5. Qual o papel da escola na constituição da oralidade de um aprendiz da língua materna.
6. O ambiente social é fator decisivo na constituição da oralidade? Justifique.

Descrição dos dados

Analisei em meu trabalho quatro professores e três alunos, focalizando assim como eles vêem esse fenômeno lingüístico. Por razões étnicos não citarei o nome de nenhum deles, tanto professores como alunos.

ROFESSOR: A

1. Como você vê a oralidade em relação à evolução lingüística?
R: A oralidade é a primeira manifestação do ser humano. A fala é um gesto natural, adquirida normalmente desde os primeiros anos do indivíduo no ambiente familiar, enquanto a escrita é adquirida em um ambiente formal e institucionalizado com a escola. Há culturas que até hoje não possuem língua escrita, mas nenhuma deixou de desenvolver a oralidade.
2. Como deve ser considerada a relação entre a oralidade e a escrita?
R: Essa relação oralidade/escrita tem a ver com a visão que o indivíduo tem da língua. A posição que eu defendo é a do continuum tipológico, ou seja, oralidade e escrita não devem ser vistas como duas modalidades separadas, pois, não é possível classificá-las de modo homogêneo. Há textos escritos como cartas pessoais, bilhetes, e outros que se aproximem do pólo da conversação oral enquanto há textos falados como conferencias e palestra está mais próxima da escrita. Assim, vista desta perspectiva, a língua apresenta-se como um fenômeno dinâmico, não linear, não focalizado.
3. Até que ponto deve ser respeitado, na oralidade, a gramática normativa?
R: Há situações de uso formal da língua onde se exige o domínio da norma padrão. Em um discurso político, uma conferência, um sermão pregado, uma aula e situações similares. Deve-se considerar o contexto de uso da língua neste caso.
4. O que deve ser considerado como erro na oralidade.
R: Não sei se “erro” é a melhor expressão. Talvez seja melhor dizer adequado ou não adequado, levando-se em conta o contexto de uso. Não seria adequado usar a norma coloquial (o modo como se fala com pessoas íntimas) em uma situação de formalidade.
5. Qual o papel da escola na constituição da oralidade de um aprendiz da língua materna.
R: A escola tem privilegiado mais a escrita, através dos tempos do que a oralidade. Felizmente essa visão está se modificando. O papel da escola é trabalhar as quatro competências: ouvir, falar, ler e escrever propiciando ao aprendiz um domínio equilibrado da língua moderna.
6. O ambiente social é fator decisivo na constituição da oralidade? Justifique.
R: Sem dúvida. Não há manifestação lingüística fora do social. Língua, cultura e sociedade interagem significantemente na constituição lingüística do indivíduo. A expressão oral se constituíra a partir do ambiente social do indivíduo.

PROFESSOR: B

1. Como você vê a oralidade em relação à evolução lingüística?
R: Vejo que a lingüística tem se preocupado com esse assunto em conseqüência disso, os estudos em torno da oralidade têm trazido grandes esclarecimentos sobre a afirmação espacial da oralidade na sociedade moderna.
2. Como deve ser considerada a relação entre a oralidade e a escrita?
R: É, ao meu modo de ver, uma relação bem tênue, pelo fato da dificuldade de escrevermos aquilo que pensamos ou falamos. Falar é bem mais fácil do que escrever. Dominar a escrita exige outra competência bem diferente do falar.
3. Até que ponto deve ser respeitada, na oralidade, a gramática normativa?
R: Aqui penso que o falante será a peça fundamental. Pois é ele (o falante) que decidira o momento exato de fazer o uso ou não de uma gramática normativa. É lógico que isso se dará dentro de um contexto histórico imediato de desse falante.
4. O que deve ser considerado como erro na oralidade.
R: Talvez tudo o que for usado (palavras) e não consiga ser comunicável.
5. Qual o papel da escola na constituição da oralidade de um aprendiz da língua materna.
R: Ninguém aprende a língua materna na escola, portanto todos já a praticam desde o berço. O papel da escola, neste caso, é dar continuidade a esse processo de oralidade e aperfeiçoá-lo na medida do possível.
6. O ambiente social é fator decisivo na constituição da oralidade? Justifique.
R: Claro que sim. Podemos perceber isso na linguagem regionalista que temos em nosso país. O sul tem a linguagem característica, assim como o nordeste.

PROFESSOR: C

1. Como você vê a oralidade em relação à evolução lingüística?
R: Não há como deixar de aceitar a ciência do campo lingüístico, mas a lingüística como estudo, aceita essas transformações da língua, e põem por terra as regras gramaticais da língua, pois, se existe a gramática, ela deve ser respeitada e seguida como guia tanto para a escrita como para a fala.
2. Como deve ser considerada a relação entre a oralidade e a escrita?
R: Deve ser um todo e toda pessoa deve escrever e falar conforme o que as regras gramaticais propõem.
3. Até que ponto deve ser respeitado, na oralidade, a gramática normativa?
R: Acredito que para uma formação da língua é preciso conhecer à gramática e suas regras, e a língua é formada por fala e escrita, então, não vejo como as regras servirem apenas para a escrita, as regras devem ser seguidas e respeitadas pela escrita e pela oralidade, há meu ver deve ser respeitada sempre.
4. O que deve ser considerado como erro na oralidade.
R: As novas tendências, expressões, construções de frases, palavras faltando letras, criam uma linguagem sem regras e isso conforme a gramática é erro, pois não tem classificação. As pessoas estão abusando, falando tudo errado.
5. Qual o papel da escola na constituição da oralidade de um aprendiz da língua materna.
R: O papel da escola e dos professores é mostrar a forma correta de falar e escrever, os alunos vêm para a escola para aprender, e aprendem a norma culta, baseado na gramática.
6. O ambiente social é fator decisivo na constituição da oralidade? Justifique.
R: Não podemos aceitar que o aluno ou qualquer outra pessoa fale de forma errada só por que vive em um ambiente social diferente, porque sendo assim, se deixarmos falar da maneira como aprendem na sociedade ou em casa, onde vamos chegar.

PROFESSOR: D

1. Como você vê a oralidade em relação à evolução lingüística?
R: A oralidade é hoje diferente da escrita, está seguindo novos rumos e apoiada à lingüística, mas, essa evolução coloca por terra toda uma norma culta da língua, fazendo com que desvalorize com o passar do tempo, é preciso que a língua seja preservada, mantida como era.
2. Como deve ser considerada a relação entre a oralidade e a escrita?
R: Elas precisam caminhar juntas, se existe normas para a língua, é preciso que estas normas sejam seguidas por todo tipo de manifestação da língua.
3. Até que ponto deve ser respeitado, na oralidade, a gramática normativa?
R: Como já disse, a oralidade deve respeitar as regras existentes. Estas regras servem tanto para a escrita como para a fala. Aprendemos a escrever corretamente e precisamos falar como se escreve, precisamos seguir as regras, para não termos uma língua comum e desvalorizada.
4. O que deve ser considerado como erro na oralidade.
R: Erro é tudo aquilo que foge as normas estabelecidas pela gramática normativa. Se não estiver conforme as normas vigentes e estabelecidas, está errado.
5. Qual o papel da escola na constituição da oralidade de um aprendiz da língua materna.
R: Levar e mostrar o aluno que existe uma maneira correta de falar e escrever, e os alunos vão à escola para aprender, e não há como aceita estas manifestações, pois elas não seguem o padrão da língua.
6. O ambiente social é fator decisivo na constituição da oralidade? Justifique.
R: Sim, mas não podemos aceitar as várias manifestações da oralidade, existe uma que precisa e deve ser seguida, então quando estas pessoas tiverem contato com a escola ou de outra forma, devemos ensiná-las a maneira correta.

ALUNO: A

1. Como você vê a oralidade em relação à evolução lingüística?
R: Muito bom, uma língua evolui com o passar do tempo tanto a escrita e a oralidade. O português só é o português que conhecemos graças à influência de outras línguas e a sua evolução.
2. Como deve ser considerada a relação entre a oralidade e a escrita?
R: Elas se divergem, nem tudo que se fala pode ser escrito.
3. Até que ponto deve ser respeitado, na oralidade, a gramática normativa?
R: Até o ponto que não ofenda as pessoas que não falam de acordo com a gramática normativa.
4. O que deve ser considerado como erro na oralidade.
R: Aquilo que se fala e não se consegue entender.
5. Qual o papel da escola na constituição da oralidade de um aprendiz da língua materna.
R: A escola tem o papel de ensinar a oralidade que for, por mais conveniente que seja para usar na sociedade.
6. O ambiente social é fator decisivo na constituição da oralidade? Justifique.
R: Sim. A sociedade ou o meio em que você vive influenciara a maneira que a pessoa fala.

ALUNO: B

1. Como você vê a oralidade em relação à evolução lingüística?
R: Como algo muito positivo, pois a língua (no caso a oralidade) é livre para seguir outros caminhos. Ela não é presa a normas cultas que prendem o ser humano.
2. Como deve ser considerada a relação entre a oralidade e a escrita?
R: A escrita sendo vista como um posicionamento mais tradicional e restrito. Porém se vista como a oralidade pode ser mais livre e criativa. Através da oralidade o homem pode criar novas formas de escrita.
3. Até que ponto deve ser respeitado, na oralidade, a gramática normativa?
R: A gramática normativa é sempre padronizada, que segue suas leis estáveis e não aceita muitas vezes a oralidade que é livre.
4. O que deve ser considerado como erro na oralidade.
R: Acredito que não há erros na oralidade o que pode acontecer é uma forma falada não ser aceita pelos usuários
5. Qual o papel da escola na constituição da oralidade de um aprendiz da língua materna.
R: O papel da escola é saber conviver com os dois lados e não ser extremista a ponto de só aceitar a norma culta.
6. O ambiente social é fator decisivo na constituição da oralidade? Justifique.
R: Sim, pois cada grupo possui a sua individualidade e liberdade para criar a sua própria linguagem, são as gangues, os ripes, os skatistas, enfim os grupos que se destacam como diferentes da sociedade.

ALUNO: C

1. Como você vê a oralidade em relação à evolução lingüística?
R: Gosto e prezo muito pela minha língua materna, mas existem muitas formas de falar, e muitas palavras que são ditas não como mostra e pede a gramática. Para mim, é importante seguir a maneira mais correta da língua.
2. Como deve ser considerada a relação entre a oralidade e a escrita?
R: Bem, elas devem estar uma ao lado da outra, falamos o que é escrito, se há regras para a escrita, então devemos falar da maneira como é escrito ou registrado as palavras através dos textos, etc.
3. Até que ponto deve ser respeitada, na oralidade, a gramática normativa?
R: Como já disse, a oralidade deve seguir a escrita.
4. O que deve ser considerado como erro na oralidade.
R: Bom, já respondi esta pergunta na questão dois, mas digo que, a oralidade deve estar ao lado da escrita sempre, e a escrita deve ser da melhor maneira possível, seguida conforme as regras da gramática normativa.
5. Qual o papel da escola na constituição da oralidade de um aprendiz da língua materna.
R: Ensinar a maneira correta de se expressar através da fala e da escrita.
6. O ambiente social é fator decisivo na constituição da oralidade? Justifique.
R: Concordo que sim, mas não devemos aceitar estas tendências, pois elas desvalorizam a língua, e as pessoas começam a falar de qualquer jeito. Vejo isso como um erro e não concordo.

Prevenção de Hipertensão Arterial

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Atualmente os volumes de produção e consumo de alimentos são cada vez maiores, as dietas com altos valores calóricos e ricas em gorduras, combinadas com um estilo de vida sedentário, têm levado a algumas doenças bem conhecidas, uma delas, a hipertensão arterial. Esta revisão da literatura tem como objetivo associar alimentos fonte de ômega-3 e uma alimentação saudável na prevenção da hipertensão arterial, já que esta doença é um dos maiores problemas de Saúde Pública no Brasil, responsável por 40% das mortes por acidente vascular encefálico e 25% das ocorridas por doença arterial coronariana. A hipertensão é uma doença crônica que se manifesta quando as artérias tornam-se resistentes à passagem do fluxo sanguíneo.

Esse quadro se instala, em geral, por uma associação de fatores genéticos e ambientais. Ômega-3 ou série n-3 são denominações utilizadas para os ácidos graxos poliinsaturados que possuem a primeira dupla ligação na posição 3. Os principais representantes são o alfa linolênico e seus derivados DHA – Docosahexaenóico (C 22:6) e EPA – Eicosapentaenóico (C 20:5). A ingestão de ômega−3 tem sido associada à redução dos riscos de doenças cardiovasculares por redução da coagulação sanguínea, da circulação de lipoproteínas de baixa densidade (LDL – fração ruim do colesterol) e aumento das lipoproteínas de alta densidade (HDL – fração boa do colesterol). A baixa mortalidade dos esquimós por doenças cardiovasculares está diretamente relacionada com alto consumo de peixes ricos ômega−3 e ômega-6. Neste contexto pode-se verificar que ômega−3 associados a hábitos alimentares saudáveis contribuem para a prevenção de hipertensão arterial.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
2.2 Objetivo Específico
3 METODOLOGIA
4 HIPERTENSÃO ARTERIAL
4.1 Epidemiologia
4.2 Dietoterapia
5 ÁCIDOS GRAXOS ÔMEGA−3
5.1 Alimentos Fontes
5.2 Recomendações
5.3 Ômega-3 Na Prevenção De Hipertensão
6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS

1 INTRODUÇÃO

No campo da nutrição, cada século tem sido caracterizado por um problema de saúde, que em geral são reflexos do estilo de vida e da alimentação.

Atualmente os volumes de produção e consumo de alimentos são cada vez maiores, as dietas com altos valores calóricos e ricas em gorduras, combinadas com um estilo de vida sedentário têm levado a algumas doenças bem conhecidas, uma delas, a Hipertensão Arterial (HA).

A Hipertensão Arterial transformou-se numa epidemia no mundo moderno. Estudos mostram que cerca de 50% dos adultos acima de 50 anos são hipertensos e, infelizmente, esse número não pára de crescer. A prevalência estimada de hipertensão no Brasil atualmente é de 35% da população acima de 40 anos. Isso representa em números absolutos um total de 17 milhões de portadores da doença, segundo estimativa de 2004 do Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE).

Apesar de o seu surgimento estar intimamente relacionado aos fatores de risco constitucionais como idade, sexo, raça/cor e história familiar, a prevenção da HA pode ser obtida através da eliminação ou controle dos fatores de risco ambientais, sedentarismo, sobrepeso/obesidade, consumo de alimentos insalubres (excesso de sal, gordura animal, preferência por carboidratos simples e complexos, ingestão diária acima de 100 ml de café ou de bebidas que contém cafeína, uso abusivo de álcool, estresse não gerenciado e tabagismo). Esse quadro pode ser alterado adotando-se um estilo de vida saudável que, por sua vez, inclui a prática regular de exercício físico; o controle do peso, a alimentação saudável, consumo moderado de álcool, a abolição do hábito do tabagismo e o gerenciamento do estresse. Todos esses fatores relacionados com a introdução de alimentos fonte de ômega-3 (ω−3) na alimentação resultam em prevenção e controle da hipertensão arterial. (SALGADO, 2000).

Os ácidos graxos ω−3 e ômega-6 (ω−6), ácido linolênico e acido linoléico segundo Sizer 2003, servem como matérias-primas com as quais o organismo fabrica substâncias semelhantes a hormônios, que regulam uma ampla variedade de funções: pressão arterial, coagulação sanguínea, lipídeos do sangue, resposta imunológica, resposta inflamatória às lesões e infecções, e muitas outras.

Silva e Mura (2007), afirmam que os ácidos graxos ω−3, promovem a redução do perfil lipídico, diminuindo principalmente os níveis de triacilgliceróis, e também outros efeitos cardiovasculares, como redução da viscosidade do sangue, relaxamento das artérias, redução da pressão arterial e também efeitos antiarrítmicos e antiinflamatórios.

Sendo a hipertensão arterial um dos fatores de risco mais importantes de morbidade e mortalidade no mundo atualmente, esse tema foi escolhido visando a promoção da qualidade de vida para a população.



2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral

Demonstrar através de pesquisa em estudos científicos, que o ω−3 contribui na prevenção da hipertensão arterial.

2.2 Objetivo Específico

• Levantar dados e informações sobre hipertensão arterial;
• Pesquisar definição, função e alimentos fonte de ω−3;
• Comprovar que o ácido graxo ω−3, aliado a uma alimentação saudável, previne a hipertensão arterial.



3 METODOLOGIA

O presente trabalho consta de pesquisa bibliográfica, que utiliza livros, artigos científicos, periódicos nacionais e internacionais, impressos e on-line na base de dados Scielo, que abordam o tema ômega−3 e Hipertensão Arterial descrevendo os benefícios do ômega−3 na prevenção de Hipertensão Arterial.



4 HIPERTENSÃO ARTERIAL

Segundo Gullo (2004), a hipertensão é uma doença crônica que se manifesta quando as artérias, que são os vasos que levam sangue do coração para os órgãos, tornam-se resistentes à passagem do fluxo sanguíneo. Esse quadro se instala, em geral, por uma associação de fatores genéticos e ambientais. Em comum, todos têm o fato de que interferem sobre o calibre dos vasos sanguíneos.

A pressão sanguínea é determinada pela força exercida pelo sangue contra as paredes das artérias, de acordo com os movimentos sistólicos e diastólicos do coração e pela resistência a esta força, exercida pelos outros vasos do organismo. Esta resistência pode aumentar quando o sangue bombeado excede as necessidades do organismo, ou quando o coração bombeia a quantidade de sangue necessária, porém através de vasos sanguíneos estreitados (BONDINSKI, 1998).

A hipertensão é entendida pelo aumento da pressão sanguínea nas paredes das artérias, levando à pressão arterial sistêmica cronicamente aumentada. Os critérios da Organização Mundial de Saúde (OMS) para a hipertensão arterial sistêmica estabelecem a pressão sanguínea sistólica de 140mmHg e a diastólica de 95mmHg (SILVA, 2006).

A hipertensão é um sintoma que se manifesta por um aumento permanente da pressão arterial diastólica, ou da sistólica, ou de ambas. A pressão sanguínea tomada na posição supina (deitado de costas, com o dorso elevado) é considerada elevada, no adulto, se as leituras forem de 160/95 mm de mercúrio, ou mais altas. Em virtude da pressão sanguínea aumentar com a idade, as leituras são comparadas com os valores normais mais baixos das crianças e dos bebês (BODINSKI, 1998).

Segundo Salgado (2000), a Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS) é uma síndrome de origem multifatorial, caracterizada pelo aumento das cifras pressóricas arteriais, ou seja, a partir de 135mmHg para a Pressão Arterial Sistólica (PAS) e 85mmHg para a Pressão Arterial Diastólica (PAD), desse modo possibilitando anormalidades cardiovasculares e metabólicas que podem levar à alterações funcionais e/ou estruturais de vários órgãos, principalmente coração, cérebro, rins e vasos periféricos.

Porém Robbins (2006); Shils (2003); Bevilacqua (1998), e Krause (2003), definem os níveis de pressão arterial sistêmica elevada quando a pressão diastólica for maior do que 90 mmHg, ou pressão sistólica superior a 140 mmHg. Entretanto Anteczak, 2005, diz que a pressão arterial elevada é quando a pressão sistólica for superior a 139 mmHg e a diastólica inferior a 89 mmHg

A Hipertensão leve é sistólica de 140 a 159 mmHg e diastólica 91 por 104 mmHg. Hipertensão moderada é sistólica de 160 a 180 mmHg e diastólica de 105 a 115 mmHg e Hipertensão grave é sistólica > 181 mmHg e diastólica > 115 mmHg (BEVILACQUA, 1998).

De acordo com VI Relatório do “Joint National Commitee, 1997, a hipertensão é classificada em estágios de acordo com o risco de desenvolvimento de doença cardiovascular.

Segundo a V Diretriz Brasileira de Hipertensão, a hipertensão está classificada em: ótima ou ideal; normal; normal limítrofe, estágio 1; estágio 2 e estágio 3.

Segundo Robbins (2006), a classificação da pressão arterial se dá em relação à origem, isto é, hipertensão primária ou essencial e hipertensão secundária. A hipertensão arterial primária corresponde a 90% dos casos e se caracteriza por não haver uma causa conhecida, enquanto os 10% restantes correspondem à hipertensão secundária, em que é possível identificar uma causa para a hipertensão.

Sabe-se que a hipertensão está presente em 17% dos adultos de acordo com o National Health and Nutrition Examination Survey e que uma grande parte da população mundial (90% a 95%) sofre de hipertensão arterial essencial, ou seja, a hipertensão é idiopática de causa desconhecida (GULLO, 2004).

De acordo com Anteczak (2005) as causas da hipertensão primária são desconhecidas, e as causas da hipertensão secundária são estenose da artéria renal e doença parenquimatosa; tumor cerebral, quadriplegia e lesão da cabeça; feocromocitoma, síndrome de cushing, hiperaldosteronismo e disfunção tireóidea, hipofisária ou paratireóidea; anticoncepcionais orais, cocaína, epoetina alfa, estimulantes simpáticos, inibidores da monoaminoxidase tomados com tiramina, terapia de reposição com estrogênio e antiinflamatórios não-esteróides. Os fatores de risco da hipertensão primária são: antecedentes familiares; idade avançada; obesidade; estilo de vida sedentário; tabagismo; alta ingestão de sódio; gordura saturada; álcool; estresse; diabetes melito.

O desenvolvimento da hipertensão depende da interação entre predisposição genética e fatores ambientais, a hipertensão é acompanhada por alterações funcionais do sistema nervoso autônomo simpático, dos rins, do sistema renina-angiotensina, além de outros mecanismos humorais e de disfunção endotelial. Assim a hipertensão resulta de várias alterações estruturais do sistema cardiovascular que tanto amplificam o estímulo hipertensivo, quanto causam dano cardiovascular (BARBOSA, 2008).

O sistema renina-angiotensina representa o mecanismo pressor humoral renal. A renina é uma enzima proteolítica sintetizada, armazenada e secretada pelas células justaglomerulares renais. Ela entra na corrente sanguínea onde fica circulando até ser inativada pelo fígado e pelas enzimas proteolíticas plasmáticas, para ser eliminada pela bile ou pela urina (BEVILACQUA, 1998).

A renina é uma protease que quebra o angiotensinogênio a um decapeptídio, denominado angiotensina I. Entretanto, a angiotensina I é convertida angiotensina II pela ECA (enzima conversora da angiotensina), uma proteína encontrada na superfície das células endoteliais. A angiotensina II é um vasoconstritor que também afeta centros no sistema nervoso central que controlam o efluxo simpático e estimulam a liberação de aldosterona a partir da glândula supra-renal. A aldosterona atua nos túbulos renais aumentando a reabsorção de sódio. O efeito final de todas essas ações é a elevação do volume total de líquido corporal. Assim, o sistema renina-angiotensina eleva a pressão arterial por meio de três mecanismos: aumento da descarga simpática; aumento da secreção de mineralocorticóide; vasoconstrição direta (RUBIN, 2006).

A renina age sobre seu substrato, angiotensinogênio, que é uma alfa-2 globulina fabricado pelo fígado, e produz a angiotensina. A angiotensina II, poderosa substância vasopressora natural, estimula os esteróides adrenocorticais, a liberação de catecolaminas pelas supra-renais e a síntese de proteínas, possui também uma ação cerebral produzindo liberação de vasopressina que por sua vez ativa o mecanismo de sede. A angiotensina II atua de várias maneiras e com diferentes receptores no organismo. Muitas outras ações da angiotensina II são provavelmente secundárias ao seu efeito vasoconstritor ou na sua capacidade de liberar hormônios. Essas ações são: elevação de lactato plasmático, hiperglicemia, diminuição dos ácidos graxos livres no plasma e hipercoagulabilidade sanguínea (BEVILACQUA, 1998).

Conforme a Sociedade Brasileira de Hipertensão as conseqüências da hipertensão nos diversos órgãos estão relacionadas principalmente à arteriosclerose. A hipertensão faz com que aumente a força do fluxo de sangue na parede dos vasos, isto pode causar feridas dentro deles que cicatrizam de um modo exagerado formando o trombo. Esta cicatriz pode entupir vasos de calibre menor e impedir a chegada de sangue. Se um trombo se forma num vaso do coração, pode ocorrer a morte de tecido cardíaco. Se a mesma lesão ocorrer num vaso que irriga o cérebro, pode ocorrer um acidente vascular cerebral.

O trombo é um agregado de sangue coagulado que contém plaquetas, fibrina, leucócitos e eritrócitos. A formação de um trombo envolve uma disputa entre fatores que promovem trombose e os que a inibem. A trombose ocorre quando os sistemas antitrombóticos não conseguem equilibrar os processos protrombóticos (RUBIN, 2006).

Segundo a Sociedade Brasileira de Hipertensão, o coração é um órgão particularmente suscetível na hipertensão, porque o aumento da pressão faz com que ele tenha que bombear sangue com muito mais força. Como ele é um músculo, ao fazer mais força ele aumenta de tamanho, este aumento de tamanho dificulta ainda mais a chegada de oxigênio e nutrientes.

Em decorrência da sobrecarga imposta ao coração, a hipertensão causa hipertrofia ventricular esquerda. As paredes livres do ventrículo esquerdo e o septo interventricular se tornam espessados uniforme e concentricamente, e o peso global do coração aumenta para mais de 375 g em homens e 350 g em mulheres (RUBIN, 2006).

Conforme a Sociedade Brasileira de Hipertensão, o rim, cuja função é filtrar o sangue que passa por ele, também fica sobrecarregado; para que o sangue seja filtrado, ele atravessa poros microscópicos. A hipertensão aumenta a pressão de filtração e alarga os poros, com isso, proteínas como a albumina, que normalmente ficariam no sangue perdem-se na urina. Se não houver tratamento, esta perda de proteínas leva a uma piora gradual do funcionamento do rim e à insuficiência renal.

A hipertensão causa isquemia glomerular com eventual depósito hialino, obliteração do espaço capsular e fibrose, com conseqüente destruição dos néfrons. Nos casos de hipertensão “maligna” esses danos são extensos e levam o paciente à insuficiência renal (BEVILACQUA, 1998).

A Sociedade Brasileira de Hipertensão diz que na retina a hipertensão dificilmente causa perda de visão como faz o diabetes, utiliza-se o exame de fundo de olho, pois ele permite o exame direto dos vasos, que aparecem estreitados. Se houver este tipo de alteração, significa que outros vasos do corpo devem também ter lesão pela arteriosclerose e o tratamento da pressão deve ser mais agressivo.

A pressão arterial elevada pode levar a conseqüências para o organismo, tais como: ruptura dos vasos sanguíneos cerebrais, dos vasos renais, causando insuficiência renal ou dos vasos de outros órgãos vitais; também pode causar cegueira, surdez, ataques cardíacos, dentre outros (SILVA, 2006).

Os sintomas da hipertensão incluem dores de cabeça freqüentes, distúrbios da visão, falta de ar, sangramento nasal, dores no peito, tontura, falhas de memória e distúrbios gastrointestinais. A hipertensão não tratada pode resultar em derrame, ICC (Insuficiência Cardíaca Congestiva), doenças renais, infarto do miocárdio ou problemas de memória prolongada (ESCOTT-STUMP, 1998).

Segundo Cuppari (2002), a hipertensão arterial é assintomática. Geralmente apresenta os seguintes sintomas: cefaléia, pois causa a vasoconstrição; sangramento pelo nariz, pois a rede de capilares nasal é muito sensível ao aumento do fluxo sangüíneo; tontura; falta de ar; dentre outros.

A hipertensão é o problema de saúde pública mais comum nos países desenvolvidos. A hipertensão não tratada leva ao desenvolvimento de muitas doenças crônico-degenerativas, como a insuficiência cardíaca congestiva, a falência renal e a doença vascular periférica (KRAUSE, 2003).

Na visão de Robbins (1998), a hipertensão é um dos fatores de risco mais importantes tanto para doença arterial coronariana quanto para acidentes vasculares cerebrais e pode provocar insuficiência cardíaca congestiva (cardiopatia hipertensiva), dissecção aórtica e insuficiência renal.

De acordo com Magnoni (2007), reafirmando Robbins, a hipertensão arterial é um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença arterial coronária.

Segundo Krause (2003), os fatores de risco para o desenvolvimento da pressão arterial são: pressão arterial normal limítrofe, histórico familiar de hipertensão, ancestrais afro-americanos, sobrepeso, consumo excessivel de sal, baixa atividade física, consumo de álcool.

Para Silva (2006), os fatores ambientais contribuem para a expressão dos determinantes genéticos, que elevam os níveis pressóricos. E cita como exemplos o tabagismo, inatividade física, consumo excessivo de sal, obesidade e estresse. Outro aspecto importante é o papel do sódio no controle da pressão arterial. O cloreto de sódio há muito tempo tem sido considerado importante fator de desenvolvimento e na intensidade da Hipertensão Arterial Sistêmica (HAS), sendo a correlação entre o aumento da prevalência de hipertensão e a ingestão de sal bastante citada na literatura.

Uma alta ingestão de cloreto de sódio (NaCl), contribui convincentemente para pressão arterial elevada em vários modelos genéticos adquiridos de hipertensão experimental. Em estudo com chimpanzés, foi demonstrado que a adição de NaCl à dieta usual do chimpanzé (uma dieta de frutas e vegetais que é baixa em sódio e alta em potássio), ao longo de 20 meses, resulta em uma elevação significativa da pressão arterial. A pressão arterial não aumentou em animais controles mantidos com a sua dieta usual (SHILS, 2003).

O excesso de sódio, primeiramente, eleva a pressão arterial por aumento da volemia e conseqüentemente o aumento do débito cardíaco. Além de seu efeito isolado, a alta ingestão de sal ativa diversos mecanismos pressóricos com aumento da vasoconstrição renal e da reatividade vascular aos agentes vasoconstritores e elevação dos inibidores de Na+/K+ ATPase. Existem evidências de que a simples redução de sódio na dieta induz à queda significativa da pressão arterial sistólica de indivíduos hipertensos, além de diminuir o risco de eventos cardiovasculares (SILVA, 2009).

Os resultados de uma experiência randomizada sugeriu que uma alta ingestão de NaCl durante as primeiras 5 semanas de vida associa-se com mais altas pressões arteriais durante a adolescência (SHILS, 2003).

Existem indivíduos que apresentam respostas diferentes quanto à sensibilidade ao sal, por isso é realizada a divisão entre indivíduos sal-sensíveis e sal-insensíveis. A ingestão de sal eleva a pressão arterial nos indivíduos sal-sensíveis, que geneticamente são mais suscetíveis (MAGNONI, 2007).

Segundo Iososaki (2004), os indivíduos sal-sensíveis são aqueles que apresentam uma variação da pressão arterial > 10mmHg com excesso ou restrição de sódio, enquanto que aqueles que apresentam uma variação arterial < 5mmHg são considerados sal-resistentes, sendo nos hipertensos a maior sensibilidade ao sal esta entre os indivíduos de raça negra e em idosos.

Os indivíduos sal-sensíveis apresentam níveis menores de renina e aldosterona do que os não sensíveis, quando submetidos a uma dieta hipossódica. Quando há uma sobrecarga de sódio, os sal-sensíveis suprem menos os seus níveis de nodadrenalina plasmática do que os normotensos. Essa mesma sobrecarga pode aumentar a retenção de sódio e da pressão arterial, em uma maior atividade do sistema nervoso adrenérgico.(MAGNONI, 2007).

Uma associação entre obesidade e hipertensão foi amplamente documentada. Dados de estudos de corte transversal indicam uma correlação linear direta entre o peso corporal e a pressão arterial. A gordura corporal localizada centralmente é um determinante mais importante da elevação da pressão arterial que a gordura corporal perifericamente localizada, tanto em mulheres quanto em homens (SHILS, 2003).

Os possíveis mecanismos para explicar esse fato são o aumento do débito cardíaco e do volume de sangue total nos obesos, maior ativação simpática, aumento da reabsorção do sódio pelos túbulos renais, resistência à leptina, entre outros. É provável que o mais importante seja o aumento da resistência à insulina com conseqüente hiperinsulinemia, a qual está presente em todo hipertenso obeso (MAGNONI, 2007).

A obesidade associa-se com resistência à captação de glicose estimulada pela insulina e hiperinsulinemia, e a perda de peso aumenta a sensibilidade à insulina. A união de resistência à insulina, hiperinsulinemia reativa, concentrações aumentadas de triglicerídeos séricos, HDL colesterol diminuído e hipertensão é chamada de “síndrome X”. Independentemente de obesidade, a distribuição centrípeta da gordura corporal é também associada com resistência à insulina e pressão arterial elevada. A resistência a insulina também se associa com alterações na cascata da coagulação sanguínea que acentuam trombose ao aumentarem a coagulação e diminuírem a fibrinólise. (SHILS, 2003).

As características da síndrome x são: obesidade abdominal; hipertensão; altos níveis de ácido úrico; dislipidemia. (SILVA; MURA, 2007).

Sendo a obesidade uma das causas de diabetes melittus, foi confirmado por Escott-Stump, 1998, que o início precoce de diabetes melittus predispõe a hipertensão arterial.

Há um aumento de 6,6 mm de mercúrio na pressão sanguínea no homem por cada 10% de peso acima do normal. Freqüentemente, a perda de peso resulta em redução da pressão sanguínea. Em relação ao homem, a redução do peso nas mulheres reduz apenas à metade a pressão sanguínea (BODINSKI, 1998).

Uma redução da pressão arterial por perda de peso foi claramente documentada em experiências à curto prazo em indivíduos hipertensos e normotensos. Com base nos resultados reunidos de experiências controladas de intervenção na dieta, foi estimado que uma alteração média do peso corporal de 9,2 kg associa-se com uma alteração de 6,3 mmHg na pressão arterial sistólica e alteração de 3,1 mmHg na pressão arterial diastólica (SHILS, 2003).

Segundo National High Blood Pressure Education Program, o controle de fatores de risco modificáveis: sobrepeso; consumo excessivo de sal; consumo de álcool e inatividade física, tem eficácia documentada na prevenção primária do controle da hipertensão (KRAUSE, 2003).

A hipertensão ocorre mais frequentemente em adultos negros (32%) do que em brancos (23%) ou mexicanos (23%), e a morbidade e a mortalidade também são maiores em negros. A pressão arterial diastólica aumenta com a idade até os 55 ou 60 anos de idade (MANUAL MERCK, 2001).

A proporção de hipertensão é pouco maior nos homens (26%) que nas mulheres (22%). Apesar do aperfeiçoamento na detecção da hipertensão não houve um declínio em sua prevalência (KRAUSE, 2003).

Estima-se que a 20% a 30% da hipertensão pode ser atribuída a excesso de peso. A força da associação entre o peso corporal e pressão arterial e entre mudanças no peso e mudança na pressão arterial ao longo do tempo indica que a redução de peso nos indivíduos com excesso de peso e a fuga da obesidade seriam estratégicas-chave para prevenção e tratamento da hipertensão (SHILS, 2003).

Os afro-americanos apresentam uma prevalência maior de hipertensão (30% entre os homens; 27% entre as mulheres) que os brancos não hispânicos (26% dos homens e 24% das mulheres). A prevalência de hipertensão aumenta com o avanço da idade, sendo que cerca da metade da população adulta, acima de 60 anos, tem hipertensão (KRAUSE, 2003).

4.1 Epidemiologia

A elevação da pressão arterial representa um fator de risco independente, linear e continuo para doença cardiovascular. A hipertensão arterial apresenta custos médicos e socioeconômicos elevados, decorrentes principalmente das suas complicações, tais como: doença cerebrovascular, doença arterial coronariana, insuficiência cardíaca, insuficiência renal crônica e doença vascular de extremidades (VEIGA, 2003).

No Brasil, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 33% dos óbitos com causas conhecidas. Além disso, essas doenças foram a primeira causa de hospitalização no setor público, entre 1996 e 1999, e responderam por 17% das internações de pessoas com idade entre 40 e 59 anos 2 e 29% daquelas com 60 ou mais anos (PASSOS; ASSIS; BARRETO, 2006).

Segundo o Boletim Eletrônico da Secretaria de Vigilância em Saúde, 2007, o percentual de adultos que afirmaram ter tido diagnóstico médico de hipertensão arterial variou entre 15,1% em Palmas e 24,9% em Recife. No sexo masculino, as maiores freqüências foram observadas em Belo Horizonte (22,7%) e Vitória (23,1%), e as menores em Florianópolis (14,9%), Palmas (14,9%) e Brasília (15,5%). Entre mulheres, as maiores freqüências foram observadas em Salvador (27,3%) e no Rio de Janeiro (28,0%), e as menores em Palmas (15,3%) e Teresina (18,4%). O levantamento aponta que mais mulheres (24,4%) do que homens (18,4%) apresentaram o diagnóstico médico prévio de hipertensão arterial.

O excesso de peso, que hoje se é um dos maiores problemas de saúde pública nos países industrializados, está fortemente associado à hipertensão arterial sistêmica em todos os grandes estudos epidemiológicos (MAGNONI, 2007).

A hipertensão arterial e as doenças relacionadas à pressão arterial são responsáveis por alta freqüência de internações. Insuficiência cardíaca é a principal causa de hospitalização entre as doenças cardiovasculares, sendo duas vezes mais freqüente que as internações por acidente vascular cerebral. Em 2005 ocorreram 1.180.184 internações por doenças cardiovasculares, com custo global de R$1.323.775.008,283 (VEIGA, 2003).

Segundo Shils (2003), nos Estados Unidos, 50 milhões de pessoas tem pressão arterial elevada ou estão tomando medicações anti-hipertensivos. Robbins, 2006, reforça que esses números apresentam 25% da prevalência de hipertensão nos Estados Unidos, contudo os efeitos da hipertensão aumentam continuamente com a elevação da pressão e sem a definição de um limite de segurança.

No Brasil, em 2003, 27,4% dos óbitos foram decorrentes de doenças cardiovasculares, atingindo 37% quando são excluídos os óbitos por causas definidas e a violência. A principal causa de morte em todas as regiões do Brasil é o acidente vascular cerebral, acomentendo as mulheres em maior proporção (VEIGA, 2003).

De fato, entre 30% e 40% de todos os eventos de doença cardiovascular relacionados a hipertensos, ocorrem em indivíduos com pressões arteriais médias abaixo dos níveis hipertensivos atualmente definidos, mas acima de 120 / 80 mmHg. Um relatório de consenso recomendou que o objetivo do tratamento dos pacientes hipertensos é manter níveis de pressão arterial abaixo de 140 / 90 mmHg, e possivelmente em níveis de 130 / 85 mmHg, enquanto concomitantemente controla outros fatores de risco modificáveis (SHILS, 2003).

Entre os fatores de risco de mortalidade, hipertensão arterial explica 40% das mortes por acidente vascular cerebral e 25% daquelas por doença coronariana. A mortalidade por doença cardiovascular aumenta progressivamente com a elevação da pressão arterial, a partir de 115/75 mmHg. Inquéritos de base populacional realizados em algumas cidades do Brasil mostram prevalência de hipertensão arterial ≥ 140 mmHg de 22,3 % a 43,9 % (VEIGA, 2003).

O excesso de massa corporal é um fator predisponente para a hipertensão, podendo ser responsável por 20% a 30% dos casos de hipertensão arterial; 75% dos homens e 65% das mulheres apresentam hipertensão diretamente atribuível a sobrepeso e obesidade (SHILS, 2003).

A HAS é um dos maiores problemas de Saúde Pública no Brasil, responsável por 40% das mortes por acidente vascular encefálico e 25% das ocorridas por doença arterial coronariana. (SALGADO, 2000).

Segundo Cezário (2005), em relatório para OMS, 28% dos brasileiros adultos maiores de 25 anos possuem hipertensão arterial.

No Brasil, a hipertensão arterial sistêmica (HAS) afeta, aproximadamente, entre 11 a 20% da população adulta com idade superior a 20 anos. Cerca de 85% dos pacientes vítimas de acidente vascular encefálico e 40% dos infartados apresentam a hipertensão associada (SILVA, 2006).

Segundo Lessa 1998, 50% dos pacientes portadores de HAS não fazem nenhum tipo de tratamento e, dentre os que fazem, poucos têm a pressão arterial controlada; 30 a 50% dos hipertensos interrompem o tratamento no primeiro ano e 75% depois de cinco anos.

4.2 Dietoterapia

Existem casos de hipertensão que podem ser controlados através de medidas não medicamentosas. Essas medidas são conseguidas exercendo hábitos saudáveis, como evitar o tabagismo, alimentar-se adequadamente, com uma alimentação adequada (hipocalórica), com mais ingestão de verduras, legumes, frutas, carnes magras, praticar atividades esportivas, evitar consumo excessivo de sal e álcool e evitar o estresse (SILVA, 2006).

Em geral, os resultados de estudos observacionais e de intervenção demonstram que as dietas lactovovegetarianas que consistem em uma ingestão relativamente baixa de gorduras saturadas, e uma relação alta de gordura poliinsaturada, consumidas pelos indivíduos aculturados são associadas com uma prevalência diminuída de hipertensão e níveis mais baixos de pressão arterial do que as dietas dos onívoros (SHILS, 2003).

Devem ser ofertados cerca de 10% de açúcar refinado, e um aporte total de carboidratos de no máximo 50% das calorias da dieta. (AUGUSTO, 1993).

Segundo Silva e Mura (2007), o plano alimentar Dietary Approaches to Stop Hypertension (DASH), equilibra macro e micro nutrientes de uma maneira considerada ideal para redução expressiva dos níveis de pressão arterial, pois é composta de produtos com baixa quantidade de gordura, como peixe, frango, carnes vermelhas magras e laticínios magros, visando a diminuição do consumo de gordura saturada e colesterol e o aumento do aporte de proteína e cálcio, assim é possível aumentar também o nível das gorduras poliinsaturadas. Uma das características de grande relevância no plano alimentar DASH está relacionada à quantidade de sódio, no plano alimentar DASH a quantidade de sódio é a mesma da dieta comum que corresponde a uma dieta normossódica, pois a redução da pressão arterial está associada ao conjunto de nutrientes e não exclusivamente ao sódio. Segue abaixo quadro com composição nutricional desse plano alimentar:

Para otimizar o efeito da dieta sobre a pressão arterial é recomendado reduzir a ingestão de NaCl; controlar o peso corporal; consumir quantidades adequadas de potássio, cálcio e magnésio; e ingestão moderada de bebidas alcoólicas (SHILS, 2003).

A ingestão de sódio no almoço deve ser menor do que no jantar, controlar as calorias da dieta, caso o paciente esteja obeso. A ingestão de gorduras deve ser levemente baixa. Óleos de oliva, canola e soja podem substituir os óleos saturados no preparo dos alimentos. A dieta deve incluir potássio, e aumentar a ingestão de cálcio, a razão de sódio e cálcio é de 1:4:4,1, o magnésio também é um importante suplemento oral que pode baixar a pressão arterial. Bebidas como cafeína devem ser consumidas com moderação, e fazer restrição absoluta de bebidas alcoólicas (ESCOTT-STUMP, 1998).

A suplementação de cálcio produz pequenas diminuições no LDL-colesterol em homens hipercolesterolêmicos (KRAUSE, 2003).

Usar fontes de ácido graxo ω−3 diversas vezes por semana, ex. cavala, hadoque, salmão e atum. Aumentar consumo de frutas e vegetais devido aos seus flavonóides e propriedades fitoquímicas (ESCOTT-STUMP, 1998)

As fibras solúveis, pectinas, gomas, mucilagens, psílium, polissacarídeos de algas e algumas hemiceluloses, contidas em legumes, aveia, frutas reduzem o colesterol sérico e o LDL-colesterol. A quantidade de fibra necessária para promover efeito na redução de lipídios varia conforme a fonte alimentar; quantidades maiores de legumes são mais necessárias do que de pectinas e de gomas (KRAUSE, 2003).

A restrição lipídica com maior proporção de ácidos graxos poliinsaturados e mais particularmente a restrição de colesterol (300mg/dia) são benéficas, pois previnem a sua deposição nos tecidos e no endotélio dos vasos sanguíneos, o que agravaria a hipertensão e, a ela associada, aumentaria o risco da precipitação de doença aterosclerótica (AUGUSTO, 1993).

Várias iniciativas de educação alimentar baseadas na população foram introduzidas recentemente nos Estados Unidos a Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) emitiu recomendações revistas de ingestão para os americanos. As recomendações de ingestão são comunicadas pela “pirâmide alimentar” que enfatiza uma dieta baseada em ingestão aumentada de carboidratos complexos e ingestão limitada de alimentos densos em calorias (SHILS, 2003).

A restrição calórica é o primeiro passo na terapêutica nutricional do hipertenso, se houver o excesso de peso. O aporte calórico deve ser adequado para chegar ao peso ideal, juntamente com algum tipo de exercício físico, se este não for contra indicado (AUGUSTO, 1993).

Desde o início do século passado, nos estudos pioneiros, já se tinha notícia da relação entre ingestão de sódio e hipertensão. Kempner, em 1948, difundiu a rígida restrição de sódio na dieta, no tempo em que os recursos para a hipertensão eram escassos, com a chamada “dieta do arroz” que se mostrava efetiva devido aos baixos teores desse íon nela contido. Vários estudos têm se reproduzido através das décadas, nesse sentido (MAGNONI, 2007).

De acordo com Augusto (1993), o sal é o grande vilão dietético que predispõe à hipertensão. Estudos epidemiológicos demonstram maior prevalência de hipertensão arterial em populações que consomem maior quantidade de sódio. Além desse fator, a redução de gorduras e carboidratos dietéticos, o aumento de fibras dietéticas e de proteína vegetal, a restrição de álcool e a realização e exercícios isotônicos são medidas eficazes na prevenção ou tratamento da hipertensão.

O sódio é o eletrólito principal do fluido extracelular e um dos principais minerais do plasma. A bile e o suco pancreático contêm quantidades elevadas de sódio e aproximadamente 35 a 40% estão no esqueleto. Do sódio ingerido apenas uma pequena quantidade é absorvida no estômago, sendo sua maioria absorvida no intestino. O sódio é filtrado nos rins e em seguida retorna ao sangue para manter os níveis apropriados (MAGNONI, 2007).

A proteína não é limitada na dieta do hipertenso, a menos que haja comprometimento da função renal, pelo contrário, devido à restrição calórica, a dieta costuma ser hiperprotéica (AUGUSTO, 1993).

Em sociedades com altas ingestões de potássio, tanto a pressão arterial média, quanto a prevalência de hipertensão tende a ser mais baixas que nas sociedades com baixas ingestões de potássio. Diversos levantamentos demonstram uma significativa correlação inversa entre a ingestão de potássio e a pressão arterial em indivíduos dentro de uma população; essa associação inversa é mais proeminente sob uma dieta com alto teor NaCl. Entretanto, em alguns estudos, depois de ajustar para outras variáveis (p. ex., idade, peso, consumo de álcool, fibra, magnésio) o potássio na dieta não foi constatado associado independentemente com a pressão arterial, e nem todos os levantamentos documentaram uma associação entre a ingestão de potássio e o nível de pressão arterial ou a prevalência de hipertensão (SHILS, 2003).



5 ÁCIDOS GRAXOS ω−3

Os óleos e as gorduras são muito importantes na alimentação, uma vez que fornecem energia, ácidos graxos essenciais e são veículos de vitaminas lipossolúveis e antioxidantes, são imprescindíveis na composição de uma dieta saudável (PHILIPPI, 2008)

Os lipídeos são macronutrientes que desempenham funções energéticas, estruturais e hormonais no organismo, eles são quase completamente absorvidos pelo organismo e transportados no sangue por um complexo molecular denominado lipoproteínas. Gorduras e óleos têm, como principal função, o fornecimento de energia, enquanto os fosfolipídeos são constituintes de membrana, desempenhando função estrutural de alta importância biológica (OLIVEIRA, MARCHINI, 1998).

Os fosfolipídeos presentes nos óleos e gorduras são principalmente fosfoacilgliceróis, compostos cuja estrutura geral é definida por uma molécula de glicerol unida por uma ligação éster a dois ácidos graxos de cadeia longa e a um grupo fosfato, este ligado a uma base nitrogenada. A fosfatidilcolina, conhecida como lecitina, é um dos fosfolipídios mais comuns em alimentos. Os fosfolipídios apresentam a propriedade de estabilizar emulsões, pois sua molécula tem caráter lipofílico, e são usados como agentes emulsificantes em alimentos (PHILIPPI, 2008)

Silva e Mura (2007), afirmam, que os fosfolipídios atuam como agentes emulsificantes e estão presentes na bile, e fazem parte da monocamada externa das lipoproteínas.

Os ácidos graxos são definidos quimicamente como ácidos monocarboxílicos alifáticos. São constituídos por uma cadeia carbônica não ramificada, de comprimento variável, contendo em uma das extremidades um grupo funcional ácido, o grupo carboxílico, (-COOH), denominada extremidade delta. A outra extremidade da cadeia carbônica termina com um grupo metila (-CH3) e é denominada extremidade ômega (PHILIPPI, 2008).

Os ácidos graxos são compostos de quase todos os lipídeos. Eles são ácidos monocarboxílicos de cadeia hidrocarbonada de tamanho variável, podendo apresentar duplas ligações em posições específicas entre os átomos de carbono. Alguns ácidos graxos poliinsaturados não podem ser sintetizados pelas células dos mamíferos e são conhecidos como ácidos graxos essenciais. São componentes obrigatórios na alimentação (OLIVEIRA, MARCHINI, 1998).

Os ácidos graxos essenciais são ácidos graxos poliinsaturados, que apresentam duplas ligações cis, pertencentes à família ω−3 ou ω-6, que não podem ser produzidos pelos humanos (SILVA E MURA, 2007).

Os ácidos graxos são diferentes entre si pelo comprimento da cadeia de carbono, pela presença, quantidade e configuração de duplas ligações na cadeia carbônica e pela posição do ácido graxo na molécula de glicerol (PHILIPPI, 2008).

Segundo Galvão (2000), ω-3 ou série n-3 são denominações utilizadas para os ácidos graxos poliinsaturados que possuem a primeira dupla ligação na posição 3. Os principais representantes são o alfa linolênico e seus derivados DHA – Docosahexaenóico (C 22:6) e EPA – Eicosapentaenóico (C 20:5).

Segundo Tirapegui (2006), acreditava-se que o organismo não era capaz de sintetizar ω−3 e ω 6 por ausências de enzimas que colocassem duplas ligações nos carbonos 3 e 6 dos ácidos graxos: em função disto, os ácidos araquidônicos ω 6 linoléico, e ω−3 linolênico, eicosapentaenóico (EPA ω−3) eram chamados de ácidos graxos essenciais e só poderiam ser obtidos pela ingestão dos alimentos fontes.

O ácido graxo linoléico ω-6 e o ácido graxo alfa-linolênico ω-3 são conhecidos como essenciais, pois precisamos obtê-los dos alimentos: por meio deles o organismo deve ser capaz de fabricar outros (POLUNIN, 2007).

O organismo humano necessita de suprimento adequado de ácido alfa linolênico, uma vez que trata-se de uma substância essencial, que como as vitaminas não pode ser sintetizado. Os ácidos docosahexaenóico e eicosapentaenóico podem ser formados através de transformações enzimáticas do Alfa linolênico, entretanto, as taxas de transformações são limitadas a aproximadamente 5%, o que faz com que estes produtos sejam classificados como condicionalmente essenciais (GALVÃO, 2000).

Os ácidos graxos das famílias ω-6 e ω−3 são obtidos por meio da dieta ou produzidos pelo organismo a partir dos ácidos linoléico e alfa-linolênico, pela ação de enzimas alongase e dessaturase. As alongases catalisam o alongamento da cadeia carbônica de ácidos graxos pela adição seqüencial de pares de carbonos à extremidade delta, onde se encontra o grupo carboxílico. As dessaturases promovem a inserção de ligações duplas nas cadeias carbônicas, restrita a posições distanciadas pelo menos nove carbonos da extremidade delta, onde se encontra o grupo carboxílico, originando uma dupla ligação com a configuração cis. Por essa razão, o organismo humano não é capaz de sintetizar os ácidos linoléico e linolênico a partir de outros ácidos graxos, nem de converter um ácido graxo ω-6 em ω−3, ou vice e versa (MARTIN, 2006).

As dessaturases atuam no metabolismo dos ácidos linoléico e do alfa-linolênico, há competição pela ação enzimática, modulada pela ingestão dietética desses ácidos graxos. Uma alta ingestão de ácido linoléico, por exemplo, reduz os níveis de DHA no organismo (PHILIPPI, 2008).

Estudos demonstraram que o ácido araquidônico poderia ser originado do ácido linoléico, da mesma forma que o linolênico sintetizaria o EPA e este por sua vez o DHA (TIRAPEGUI, 2006).

Segundo Althabe (1993), quando é mencionado o ácido graxo ω−3, está sendo feita a referência à posição da ligação dupla mais próxima do carbono metil terminal ou “carbono ômega”. Uma forma convencional de notação química designa os ácidos graxos escrevendo-se em primeiro lugar o número de átomos de carbono que sua cadeia possui, seguido de dois pontos do número de ligações dupla que tem e, finalmente, da série ômega a que pertencem. Com esta notação o ácido linolênico de 18 átomos de carbono e poliinsaturado será escrito (18:3) ω−3.

Em relação ao número de insaturações, o ácido linoléico e o ácido linolênico são denominados genericamente de ácidos graxos poliinsaturados (AGPI), assim como outros ácidos que apresentam duas ou mais insaturações. Em relação ao tamanho da cadeia carbônica, os AGPI que possuem 18 ou mais átomos de carbono são denominados, por alguns autores, de ácidos de cadeia longa, no entanto não há consenso na literatura sobre essa denominação. Alguns autores consideram ácidos graxos de cadeia longa aqueles que apresentam cadeia com número de átomos de carbono maior que 20 átomos (MARTIN, 2006).

5.1 Alimentos Fontes

A aveia é o melhor alimento reconstituinte do organismo debilitado, pelo seu alto teor de gordura insaturada formada principalmente pelo ácido linoléico 6,7g ômega 6, em 100g de aveia. Atua na prevenção de problemas relativos ao colesterol no sangue, porque elimina os estoques de ácidos biliares no tubo gastrointestinal, ajuda a proteger o coração e a circulação contra arteriosclerose (COSTA, 2002).

De acordo com o conhecimento científico, a linhaça é considerada um alimento funcional com boa concentração de proteínas, apresentando ainda propriedades antiaterogênicas devido ao seu alto conteúdo de lipídios insaturados, principalmente de ω−3 (SANTOS, et al., 2007).

A linhaça (Linum usitatissimum; Linaceae) é uma semente marrom escura, que na alimentação é usada como complemento no preparo de pães e bolos. O ácido ω−3 presente em cerca de 60% faz com que a semente seja a maior fonte vegetal deste composto. O ácido graxo ômega 6 também está presente). Portanto, a ingestão de linhaça proporciona níveis adequados de ácidos graxos poliinsaturados, atuando na prevenção e modulação de doenças cardíacas e auto-imunes, de câncer de mama, próstata e cólon e artrite reumatóide (CALDARELLI; BENASSI; MATIOLI, 2008).

Pode-se encontrar ω−3 em grãos integrais, vegetais e peixes de água fria e salgada, este último grupo contendo maior quantidade de ácido graxo ω−3, com destaque para o salmão, sardinha e atum (TIRAPEGUI, 2006).

Segundo, Galvão (2000), óleos vegetais, como o de Canola e Soja são ricos em ácido Alfa Linolênico, enquanto óleos de peixe são fontes de DHA e EPA.

Já Sizer (2003), diz que podemos encontrar ω−3 em óleos vegetais e em peixes de águas frias, e descreve abaixo:

Ácido linolênico:

• Gorduras e óleos (canola, soja, nozes, germe de trigo, margarina e e óleo de soja;
• Nozes e sementes (noz-manteiga [noz branca], nozes, sementes de soja);
• Vegetais (soja).

EPA e DHA:

• Leite materno;
• Crustáceos e peixes (cavalinha, salmão, anchova, tainha, manjuba, arenque, truta, sardinhas, atum);
• Ou pode ser feito a partir de ácido linolênico.

O ácido alfa-linolênico e os ácidos graxos poliinsaturados de cadeia longa estão presentes em alimentos de origem animal, como peixes e aves, sendo as suas quantidades muito dependentes da dieta a que esses animais foram submetidos. Assim, inúmeros estudos têm sido conduzidos com o objetivo de estabelecer as quantidades mais apropriadas para a incorporação do ácido alfa-linolênico nas rações dos animais, resultando em maiores quantidades de EPA e DHA nos alimentos provenientes desses animais (MARTIN, 2006).

De fato, observa-se decréscimo no consumo de peixes, principal fonte de ω−3, e maior produção de rações para animais como frango e peixes de cativeiro, ricas em ômega 6. Em resumo, a agricultura moderna promoveu nos últimos anos a redução do teor de ω−3 em vários alimentos como ovos, hortaliças e carnes (ANDRADE, 2006).

Entre os peixes, os de origem marinha, como a sardinha e o salmão, geralmente apresentam quantidades maiores de EPA e ADH que os peixes oriundos de águas continentais. Isso ocorre, devido à expressiva quantidade desses ácidos graxos no fitoplâncton, que provê a sua distribuição ao longo da cadeia alimentar marinha. Nos alimentos oriundos de animais terrestres, que não foram submetidos a dietas com fontes adicionais de ácido linolênico, geralmente não se observa a presença de EPA e DHA (MARTIN, 2006).

Todos esses peixes, (cavalinha, salmão, anchova, tainha, manjuba, arenque, truta, sardinhas, atum). exceto o atum, fornecem pelo menos 1 grama de ácidos graxos ω−3 em 100 gramas; a quantidade de óleo de peixe de cada espécie varia com a estação e o local de captura. O atum é o mais pobre em ácidos graxos ω−3, mas, como é comumente consumido, sua contribuição pode ser significativa (SIZER, 2003).

Segundo Martin (2006), embora as hortaliças apresentem pequenas quantidades de ácido alfa linolênico, devido seu baixo conteúdo lipídico, o consumo de vegetais, como agrião, a couve, a alface, o espinafre e o brócolis, pode contribuir para elevar a sua ingestão, principalmente em dietas vegetarianas. Entre os cereais e as leguminosas, a aveia, o arroz, o feijão, a ervilha e a soja, constituem importantes fontes desse ácido. Nos óleos vegetais, a maior concentração do ácido alfa linolênico ocorre no óleo de linhaça, sendo que os óleos de canola e soja também apresentam concentrações significativas.

5.2 Recomendações

A recomendação da quantidade ideal de ω-3 na dieta ainda não está bem estabelecida. A Food And Agriculture Administration (FAO) recomenda a ingestão de 1 a 2% das calorias totais da dieta. A American Dietetics Association (ADA) recomenda o consumo semanal de 180 g de peixes ricos em ω-3 (SILVA; MURA, 2007).

Segundo a Dietary Reference Intakes (DRIs, 2002), recomendam para crianças de 1 a 3 anos, 0,6 a 1,2 % de ácido linolênico ω−3, crianças de 4 a 18 anos, 06, a 1,2 % ácido linolênico ω−3, e para adultos > de 18 anos 0,6 a 1,2 % de de ácido linolênico ω−3.

Segundo a Dietary Reference Intakes (DRIs, 2005), as recomendações de ácido linolênico ω−3 nas diferentes faixas etárias são:

Segundo Martin (2006), a recomendação diária satisfatória de ω−3 equivale de 10 a 20% das calorias que sejam destes óleos, mas se os óleos forem aquecidos em temperatura alta ou hidrogenados, esses ácidos são convertidos em não essenciais, devido saturação estabelecida e não é recomendável.

Segundo Tirapegui (2006), a necessidade diária desses componentes está por volta de 1% a 2% do total de calorias da dieta, o que em uma dieta de 2500 cal representa uma colher de sopa de óleo vegetal por dia. Contudo, podemos encontrá-lo em grãos integrais, vegetais e peixes de água fria e salgada, este último grupo contendo maior quantidade de ácido graxo ω−3, com destaque para o salmão, sardinha e atum.

Estudo realizado pelo Instituto Nacional do Coração, Pulmão e Sangue dos EUA sugere que a ingestão diária de 0,5-1 g de ω-3, como 100 g de salmão ou 50 g de peixe defumado, poderia reduzir o risco de doenças do coração em homens de meia idade em cerca de 40%. Não parece surgir benefícios ao ingerir mais de 700 g por semana (POLUNIN, 2007).

Os ácidos graxos ω−3 possuem efeitos hipotrigliceridêmicos, bastando doses inferiores a 2g/dia para produzirem efeitos preventivos. Segundo o Food and Nutrition Board, Institute of Medicine, a ingestão recomendada de ácido linolênico esta estimada em 0,6 a 1,2% do valor calórico/dia, ou seja, de 1,3g a 2,7g para uma dieta de 2.000 Kcal (MAGNONI, 2007).

Os especialistas proclamam que a dieta dos norte-americanos é deficiente em ácidos graxos ω−3, mas excessiva em ω 6. Eles recomendam uma ingestão mais equilibrada. Por enquanto, aconselham consumir peixe 2 ou 3 vezes por semana, totalizando cerca de 280 gramas de peixe, bem como pequenas quantidades de óleos vegetais, a fim de obter o equilíbrio entre ω−3 e ω 6, mesmo o consumo de peixe uma vez por semana foi associado a um menor risco de ataque cardíaco, e as pessoas que se empenham em comer mais que essa quantidade apresentam a metade da incidência de derrame cerebral em comparação com as que não comem peixe. A relação entre ácidos graxos ω−3 e ω-6 deve ser de 1 para 4. Essa proporção pode ate mesmo vir a comprovar-se a chave das necessidades humanas; mais ω−3 pode não ser necessariamente melhor (SIZER, 2003).

Nos últimos anos tem havido grande interesse, por parte da comunidade científica, pelos ácidos graxos poliinsaturados ω−3, principalmente EPA (ácido eicopensanóico) e DHA (ácido docosahexaenóico), encontrados em peixes e óleos de peixe. A base desse interesse, pela ingestão dietética de EPA e DHA, vem de estudos populacionais e epidemiológicos, os quais mostraram que o consumo de peixe está associado à diminuição de morbimortalidade pelas doenças cardiovasculares. Os ácidos graxos poliinsaturados ω−3 necessitam estar no organismo numa proporção adequada para apresentar esses efeitos benéficos. A relação dietética de n-6/n-3 deve estar entre 3:1 a 5:1. As dietas ocidentais possuem elevado teor de n-6, estabelecendo a relação entre eles de 10 a 25:1. Nesse contexto, atualmente recomenda-se maior consumo de n-3 devido à baixa ingestão desses ácidos graxos pela população (ANDRADE, 2006).

Segundo Martin (2006), a necessidade de diminuir a razão ω 6 / ω−3 nas dietas modernas tem sido importante, pois com a industrialização ocorreu aumento na produção de óleos refinados com alto teor de ω 6, e a diminuição de frutas e verduras, resultando em dietas inadequadas de ω−3, sendo assim houve uma mudança na recomendação desta razão para 4:1, destacando-se estudos que apontam diminuição de 70% da taxa de mortalidade em pacientes com doença cardiovascular.

5.3 Ômega−3 na Prevenção de Hipertensão

Dentre os ácidos graxos poliinsaturados, a série ω-3 apresenta papel importante na prevenção de doenças cardiovasculares através da redução dos níveis de triglicerídeos. O EPA possui ação na prevenção de doenças cardiovasculares e hipertensão e o DHA possui capacidade de reduzir a taxa de triglicerídeos, além de ser importante no desenvolvimento da função visual e cerebral (MAGNONI, 2007).

Segundo, Sizer (2003), ácido linolênico e ácido linoléico servem como matérias-primas com as quais o organismo fabrica substâncias semelhantes a hormônios, que regulam uma ampla variedade de funções: pressão arterial, coagulação sanguínea, lipídeos do sangue, resposta imunológica, resposta inflamatória à lesões e infecções, e muitas outras.

Os ômega−3 possuem várias funções na fisiologia humana, como o de constituintes das membranas celulares e fonte de energia. Os ácidos graxos EPA e DHA são precursores dos eicosanóides, substâncias biologicamente ativas em concentrações muito baixas que possuem, por exemplo, ação fluidificante sobre o sangue podendo, portanto, ser relacionada a redução de risco de doenças cardiovasculares (GALVÃO, 2000).

Segundo Philippi, (2008), reafirma que os ácidos graxos ω−3 e ω-6 são precursores dos eicosanódeis, compostos de vinte carbonos biologicamente ativos, que apresentam ação semelhante a hormônios. Os eicosanóides atuam na coagulação sanguínea, em processos antiinflamatórios e na resposta imune e incluem principalmente as prostaglandinas, os tromboxanos, leucotrienos e lipoxinas.

As doenças cardiovasculares estão relacionadas com o estreitamento da luz arterial por deposição de gordura nas paredes das artérias, ocasionando o aumento da pressão arterial. A lesão do leito vascular estimula a formação de coágulos, originando trombos com o deslocamento dessas placas de gordura. Esses coágulos são originados em presença de substâncias integrantes do sistema imune denominadas eicosanóides – prostaglandinas, leucotrienos e tromboxanas, que são liberadas na resposta inflamatória e promovem a agregação plaquetária e a vasoconstrição, formadoras de trombos.

As famílias ω−3 e ω 6 dos ácidos graxos dão origem a diferentes séries de eicosanóides, que são distintos em relação à intensidade da resposta inflamatória. Por exemplo, o ácido linoléico ω-6 gera eicosanóides de série par, como prostaglandinas E2, tromboxanas A2 e leucotrienos B4, que são responsáveis pela agregação plaquetária e vasoconstrição, enquanto o ácido linolênico ω−3 gera eicosanóides de serie ímpar, como prostaglandinas E3, tromb oxana A3, e leucotrienos B5, que respondem por uma reação inflamatória minimizada em função da baixa atividade desta série. Além disso, os ácidos ω−3 promovem a inibição da síntese de eicosanóides pró-inflamatórios. (TIRAPEGUI, 2006).

Os organismos animais, entre eles o ser humano são capazes de realizar uma síntese “de novo” de alguns ácidos graxos. Outros são considerados essenciais, pois devem ser infalivelmente fornecidos pela dieta. No homem, os ácidos graxos essenciais são os linoléico e linolênico, que tem entre outras a função fundamental de compor os fosfolipídeos estruturais das membranas biológicas (ATHABE, 1993).

A principal função dos fosfolípides é compor a bicamada de todas as membranas biológicas. A estrutura anfipática dos fosfolípides permite o seu contato com o meio aquoso de dentro e fora da célula, e mantém esses compartimentos separados devido à parte lipídica (SILVA; MURA, 2007).

Os componentes lipídicos, especialmente os ácidos graxos, estão presentes nas mais diversas formas de vida, desempenhando importantes funções na estrutura das membranas celulares e nos processos metabólicos. Em humanos, os ácidos linoléico (18:2n-6, AL) e alfa-linolênico (18:3n-3, AAL) são necessários para manter sob condições normais, as membranas celulares, as funções cerebrais e a transmissão de impulsos nervosos. Esses ácidos graxos também participam da transferência do oxigênio atmosférico para o plasma sangüíneo, da síntese da hemoglobina e da divisão celular, sendo denominados essenciais por não serem sintetizados pelo organismo a partir dos ácidos graxos provenientes da síntese de novo (MARTIN, 2006).

A ingestão de ω−3 tem sido associada à redução dos riscos de doenças cardiovasculares por redução da coagulação sanguínea, da circulação de lipoproteínas de baixa densidade (LDL – fração ruim do colesterol) e aumento das lipoproteínas de alta densidade (HDL – fração boa do colesterol). Vale lembrar que excesso na ingestão de ω−3 e ω 6 pode diminuir a capacidade de coagulação do sangue ao ponto de a pessoa ao se ferir poderia apresentar um sangramento descontrolado pela não coagulação do sangue (TIRAPEGUI, 2006).

A redução nos níveis de triglicerídeos plasmático acontece por inibição da secreção hepática de VLDL devido a diminuição da atividade de várias enzimas hepáticas, responsáveis pela síntese de triglicerídeos, também há redução da produção da apolipoproteína B no fígado, fundamental para a secreção dos VLDL. A Apolipoproteína B, é o maior constituinte protéico de lipoproteína densidade baixa (LDL) e, secundariamente, das VLDL (MAGNONI, 2007).

Os ácidos graxos linolênicos são importantes mediadores da inflamação, são encontrados nos peixes de águas geladas. São essenciais para diminuir as taxas de colesterol e triglicerídeos do sangue, reduzindo os riscos de problemas cardiovasculares; previnem o infarto do miocárdio, arteriosclerose, embolia, artrite e riscos de trombose (COSTA, 2002).

Segundo Sizer (2003), os povos da Groelândia e do Alasca, que consomem uma dieta rica em gordura poliinsaturada, tem uma taxa de mortalidade por doenças cardíacas baixa. Alguns indícios levaram à abundancia de peixes e outros seres marinhos que eles consomem, e também aos óleos desses peixes e finalmente a dois ácidos graxos ω−3, EPA e DHA, presentes nos óleos. Desde então, as pesquisas revelaram que esses ácidos graxos constituem uma grande parte da área do cérebro relacionada ao raciocínio, o córtex cerebral, e do centro principal da visão, a retina, e são necessários para o desenvolvimento normal desses órgãos.

Os ácidos graxos ω−3 promovem a redução do perfil lipídico, diminuindo principalmente os níveis de triacilgliceróis, e também outros efeitos cardiovasculares, como redução da viscosidade do sangue, relaxamento das artérias, redução da pressão arterial e também efeitos antiarrítmicos e antiinflamatórios (SILVA; MURA, 2007).

Em 1970, Bang e Dyerberg reportaram os primeiros dados da baixa mortalidade dos esquimós por doenças cardiovasculares. Estudos posteriores da dieta deste povo sugeriram uma relação positiva deste fato com consumo de peixes ricos em EPA e DHA (GALVÃO, 2000).

Os ácidos graxos poliinsaturados ω−3 vem atraindo a atenção de inúmeros pesquisadores pelo seu papel em estimular o metabolismo lipídico e turnover de lipoproteínas. Além disso, a maior ingestão de ω−3 vem acompanhada de aumento da concentração desses ácidos graxos no plasma, o que, por sua vez, pode aumentar função imunológica do indivíduo ajudando na proteção contra eventos cardiovasculares (ANDRADE, 2006).

No metabolismo lipídico, os ácidos graxos serie n-3 reduzem a viscosidade do sangue pelo aumento da deformidade dos glóbulos vermelhos, aumentam a atividade fibrinolítica endógena, aumentando os níveis do ativador do plasmogênio tecidual e reduzindo os níveis de seus inibidores, promovem relaxamento do endotélio das artérias coronárias e reduzem a resposta vasoespática às catecolaminas e, possivelmente, à angiotensina, com isso reduzem a pressão arterial. (SILVA; MURA, 2007).

A explicação mais aceita sobre o mecanismo de ação dos ômega-3 na redução da pressão arterial é a diminuição da síntese de tromboxane A2 e aumento da síntese de prostaciclinas (PGI2 e PGI3) e de tromboxane A3. O tromboxane A2 é vasoconstritor e as prostaciclinas são vasodilatadoras. O EPA da dieta é convertido em PGI3 no homem e não suprime a formação de PGI2 a partir do ácido araquidônico. (JUNIO, 2005).

Estudos em humanos mostram que os ω−3 exercem consistente efeito hipotrigliceridêmico. Em trabalho de revisão realizado por Harris, evidenciou-se que 72 estudos controlados por placebo foram suplementados de 1 a 7g diárias de EPA e DHA por, no mínimo duas semanas e as concentrações plasmáticas de triglicerídeos foram reduzidas de 25 a 30% em geral. A duração do período de suplementação é também um fator importante, pois baixas doses de ω−3 suplementadas por um longo período de tempo teriam um efeito hipotrigliceridêmico semelhante ao de suplementações por períodos mais curtos e com altas doses. A suplementação de 1g de ω−3 por 12 semanas reduziu significativamente as concentrações de triglicerídeo de jejum em 21%. A importância da duração da suplementação é confirmada pelos resultados de outros estudos. Schmidt et al. Demonstraram que o aporte de 4g de ω−3 por nove meses também reduziu os valores de triglicerídeo no plasma.

Os trabalhos conduzidos por Saynor e Gilliott mostram uma redução contínua quando a suplementação se dá por períodos maiores que quatro anos (ANDRADE, 2006). 

A ingestão regular de peixes oleosos é uma das melhores maneiras comprovadas de alimentação saudável. Resultados de cerca de 800 estudos ligaram uma grande quantidade de benefícios de saúde aos ácidos graxos ômega-3 em peixes oleosos. Tais benefícios incluem diminuição de doenças do coração, formação de coágulos no sangue e ação antiinflamatória (POLUNIN, 2007).

Segundo Galvão (2000), já existem evidências científicas comprovando que DHA e EPA reduzem os níveis de triglicérides no sangue, que DHA atua prevenindo arritmias cardíacas e EPA contribui para a manutenção/redução da pressão arterial, através da promoção da dilatação das veias e redução da agregação plaquetária.

Dentre vários estudos, a ingestão de cavalinha enlatada 3 vezes por semana por 2 semanas reduziu significamente os níveis de pressão sanguínea e colesterol (POLUNIN, 2007).

Estudos com trabalho duplo cego, controlado com placebo e cruzado tratou 25 pacientes não obesos com hipertensão arterial essencial moderada. O grupo que recebeu a suplementação com ômega-3 ( Efamol-marine 3 cápsulas 3 vezes ao dia) apresentou queda significante da pressão sistólica em 8 semanas de ingestão do ácido graxo (PA : 160/100 caiu para 140/90 mmHg). O Efamol – marine contém em 1 cápsula: 275 mg da ácido linoléico , 40 mg de ácido gamalinolenico e 20 mg de ácido eicosapentanóico. (JUNIO, 2005).

Estudou-se 156 homens e mulheres com hipertensão essencial moderada não previamente tratada, de uma pequena cidade norueguesa, em estudo randomizado, duplo cego e controlado com placebo. Um grupo recebeu por 10 semanas, 6 g ao dia de uma preparação com 85% de ácido eicosapentanóico e docosahexanóico e o outro grupo recebeu 6 g ao dia de óleo de milho. A suplementação foi administrada em cápsulas de 1000 mg na dose inicial de 1 g ao dia aumentando-se gradativamente para 6 g ao dia , para melhorar a tolerabilidade ao óleo. O óleo de peixe estava na forma etil-ester (etil-ester K85, Norsk Hydro, Oslo, Norway). Em 10 semanas a pressão sistólica caiu 4,6 mmHg, e a pressão diastólica caiu 3,0 mmHg, no grupo que recebeu o óleo de peixe. De um modo geral a pressão arterial caiu de 145/95 para 140/92 mmHg em 10 semanas de óleo de peixe. Não houve alterações de pressão no grupo que recebeu o óleo de milho.

A diminuição da pressão arterial foi maior à medida que aumentava o nível de fosfolípide ômega-3 no plasma. (BONNAA, 1990).

Margolin em 1991 estudou 46 idosos hipertensos de um modo randomizado, duplo-cego, controlado com placebo e cruzado. O período de tratamento foi de 4 semanas com um período de 3 semanas. Comparou 9g ao dia de óleo de peixe com 9 g de óleo de milho. O grupo com óleo de peixe recebeu 3 cápsulas de 1000mg, três vezes ao dia . Cada cápsula continha 30% de EPA, 22% de DHA e 1mg de vitamina E. No final a quantidade diária de ômega-3 administrada foi de 4,7 g/dia (52% de 9g/dia). O resultado foi muito bom: a pressão sistólica caiu 11,7 mmHg e a pressão diastólica caiu 5,4 mmHg em 4 semanas de tratamento, ambas com significância estatística.

De acordo com Junio, 2005, 8 estudos de pacientes com hipertensão essencial moderada que receberam em média 5 g/dia de ômega-3 verificou que a pressão sistólica caiu em torno de 10 mmHg e a diastólica, 6 mmHg. Quanto maior a pressão inicial maiores são os efeitos hipotensores. Em um estudo que durou 28 semanas a pressão sistólica reduziu 16 mmHg e a diastólica, 8 mmHg.

Pesquisa feita com 31 pessoas hipertensas mostrou o efeito da quantidade de ômega 3 ingerida sobre a pressão arterial e observou-se que houve diminuição de 0,66 / 0,35 mmHg na PAS / PAD a cada grama ingerida de ômega 3. Em outro estudo foi observado a diminuição de 3,4 / 2,0 mmHg na PAS / PAD em hipertensos que consumiram 5,6g por dia de ômega 3. Em outra pesquisa houve diminuição de 5,5 (PAS) / 3,5 (PAD) mmHg em hipertensos que consumiram mais de 3g/dia de ômega 3. (DENARDI, 2007).

De acordo com Tirapegui (2006), vários estudos demonstram que os ácidos graxos ω−3 diminuem a trigliceridemia por reduzirem a secreção hepática de VLDL.

Os ácidos graxos ômega 3 exercem ainda outros efeitos cardiovasculares no homem, não relacionados ao metabolismo dos eicasanóides, tais como: reduzem a viscosidade do sangue total, por aumentarem a deformidade das hemácias, que ocorre com a incorporação do DHA na membrana eritrocitária; aumentam a atividade fibrinolítica endógena, elevando os níveis dos ativadores do plasmogênio tissular e reduzindo os níveis dos inibidores do ativador; aumentam relaxamento endotélio-dependente das artérias coronárias em resposta à bradicinina, serotonina, difosfato de adenosina e trombina; induzem redução discreta da pressão arterial em indivíduos normotensos e com hipertensão arterial leve; reduzem a resposta vasoespástica às catecolaminas e possivelmente à angiotensina; a ingestão de altas doses de óleo de peixe ou de animais marinhos pode, ocasionalmente, reduzir a contagem das plaquetas, raramente, a níveis abaixo do limite inferior da normalidade (MAGNONI, 2007).



6 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ingestão de ômega−3 tem sido associada à redução dos riscos de doenças cardiovasculares por redução da coagulação sanguínea.

De fato, ácidos graxos ω−3 contribuem para a redução da pressão arterial, assim como promovem a redução do perfil lipídico, diminuição dos níveis de triacilgliceróis, além de outros efeitos cardiovasculares, como redução da viscosidade do sangue, relaxamento das artérias e também efeitos antiarrítmicos e antiinflamatórios.

Todos os autores comprovam os benefícios do ômega−3, e a recomendação para mulheres adultas é 1,1g/dia de ácido graxo ômega 3, e para homens adultos, 1,6g/dia.

É necessário enfatizar a importância de hábitos alimentares saudáveis, com maior ingestão de frutas e verduras, pratica de atividade física, controle do peso, redução no consumo de sal, álcool e abolição do tabagismo como coadjuvantes no tratamento e prevenção da hipertensão arterial, além de inserir na dieta alimentos fonte de ômega 3 como: linhaça, grão integrais, peixes de água fria e salgada (salmão, atum, cavalinha, arenque, sardinha, truta, bacalhau e linguado), os óleos de canola, girassol, milho, azeite e soja.

A ingestão diária de 0,5-1 g de ω-3, como 100 g de salmão, reduz o risco de doenças do coração em homens de meia idade em cerca de 40%. O consumo de peixe uma vez por semana esta associado a um menor risco de ataque cardíaco. A ingestão de 1 a 7 gramas diárias de EPA e DHA, por duas semanas reduziu 25 a 30 % as concentrações plasmáticas de triglicerídeos e 1 g de ômega 3 por 12 semanas reduziu a concentração de triglicerídeo de jejum em 21%.

Os ácidos graxos poliinsaturados ω−3 necessitam estar no organismo numa proporção adequada para apresentar esses efeitos benéficos. A relação dietética de ω-6/ ω-3 deve estar entre 3:1 a 5:1.

Contudo, foi possível identificar, a importância na atuação do profissional de saúde incentivando o consumo de uma alimentação saudável e rica em alimentos fontes de ácidos graxos em ω−3, na prevenção e redução da hipertensão arterial.

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Direito Empresarial e Trabalhista

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João das Botas em outubro de 2008 descumpriu diversas determinações da empresa onde trabalhava, fato este que em pouco tempo se tornou conhecido dos colegas e de seus superiores que o advertiram expressamente quanto a sua conduta. Percebendo seu erro, João, com medo de ser mandado embora, acabou por ficar extremamente compenetrado em seu trabalho, realizando suas funções de maneira exemplar. Decorrido o final do ano, o início do ano seguinte, foi chamado em julho pelo seu superior que informou sua demissão por justa causa, tendo em vista sua insubordinação as determinações de seus superiores em decorrência daqueles acontecimentos do ano anterior. Foi dispensado do cumprimento do aviso prévio e recebeu as verbas devidas para uma demissão por justa causa.

Pergunta-se:

a) A empresa poderia mandar João embora por justa causa por aqueles acontecimentos? Explique, informando com base na lei os requisitos para a justa causa.

Não, a empresa não poderia ter mandado João embora por justa causa.

Neste caso o ato que caracterizaria justa causa era de conhecimento dos seus superiores, que já o haviam punido disciplinarmente através de advertência verbal em outubro de 2008, punição que a empresa considerou justa naquele momento.

Portanto João não poderá ser submetido à aplicação da demissão por justa causa em Julho 2009, uma vez que, o empregado foi advertido anteriormente, caracterizando duas punições pelo mesmo motivo, ou seja, o empregado já “pagou” por sua indisciplina ou por sua atitude indevida feita na época.

Também deve ser levada em conta sua conduta após a advertência que o mesmo sofreu, onde se caracterizou uma conduta exemplar, se redimindo e não apresentando novamente um mau procedimento no ambiente de trabalho caracterizando a eficiência da punição imposta pelo empregador.

Há empresa só poderia ter demitido João, se tivesse aplicado imediatamente a justa causa após o conhecimento e apuração da falta grave estipulada no artigo 482 da CLT, uma vez que o empregado se enquadrou em pelo menos três tópicos:

b) Incontinência de conduta ou mau procedimento – a incontinência de conduta diz respeito a atos impróprios ou constrangedores de natureza sexual, enquanto o mau procedimento inclui tudo o que seja incompatível com as regras sociais e internas.

Neste caso empregado se enquadra na questão do mau procedimento, visto que descumpriu determinações da empresa.

e) Desídia no desempenho das respectivas funções – se refere a uma série de faltas leves, como imprudência, negligência ou imperícia, por parte do trabalhador.

Como o empregado descumpriu determinações da empresa, descumpriu normas internas e isso resultou na advertência pelos seus superiores.

h) Ato de indisciplina ou de insubordinação – É um dos itens mais marcantes no caso de João das Botas pelo fato do descumprimento das determinações da empresa.

Dentre a demissão por justa causa, podemos destacar também três elementos que configuram este ato:

Gravidade – A penalidade aplicada deve corresponder ao grau da falta cometida. Havendo excesso na punição, será fator determinante na descaracterização. O empregador deve usar de bom senso no momento da dosagem da pena. A pena maior, rompimento do vínculo empregatício, deve-se utilizar às faltas que impliquem em violação séria e irreparável das obrigações contratuais assumidas pelo empregado, ou para os casos de prática com mais afinco de faltas consideradas leves.

Atualidade – A punição deve ser aplicada em seguida à falta, ou seja, entre a falta e a punição não deve haver período longo, sob pena de incorrer o empregador no perdão tácito. No que diz respeito ao espaço de tempo, deve-se adotar o critério de punir, tão logo se tome conhecimento do ato ou fato praticado pelo trabalhador.

Imediação – A imediação diz respeito à relação entre causa e efeito, ou seja, à vinculação direta entre a falta e a punição.

Portando a demissão por justa causa de João das Botas foi indevida.

b) Neste caso, João pode propor alguma ação em face da empresa? Quais seriam seus direitos? Explique fundamentando sua resposta na lei e nos princípios que regem as relações de trabalho.

Sim, neste caso João das Botas tem o total direito de propor uma ação contra a empresa, já que o mesmo já tinha sido advertido e neste caso não poderia ter sido penalizado duas vezes pelo mesmo motivo, descumprindo desta maneira um dos requisitos da justa causa que é a Vedação da dupla punição.

Assim João poderia solicitar sua reintegração junto à empresa conforme artigo 495 CLT, e caso essa reintegração seja efetivada ele poderá solicitar o pagamento de salário do tempo que esteve desempregado, pois se entende que neste tempo ele deveria estar trabalhando e não estava por conta de erros de demissão arbitrária.

João também pode solicitar uma ação contra danos morais por conta e danos pessoais (danos financeiros). Uma segunda opção de João seria reverter à demissão por justa causa para uma demissão sem justa causa solicitando todos os valores devidos como:

• Aviso prévio,
• Saldo de salário,
• Salário família
• Férias proporcionais,
• Acréscimo sobre férias (1/3),
• 13º salário proporcional,
• FGTS – sobre a rescisão,
• Multa sobre o saldo do FGTS, que deverá ser depositada na conta vinculada do empregado, por meio da GRFC (Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS e da Contribuição Social),
• Seguro desemprego.

Referências Bibliográficas

CENTRAL jurídica. Todas as doutrinas de direito do trabalho. Disponível em: <http://www.centraljuridica.com/mapa/doutrina/direito_do_trabalho/direito_do_trabalho.html>. Acesso em: 28 mar. 2010.

Conheça os direitos do trabalhador ao se desligar do emprego. Disponível em: < http://meusalario.uol.com.br/main/direitos/conheca-os-direitos-do-trabalhador-ao-se-desligar-do-emprego-1> Acesso em 29 mar 2010.

DIREITO do trabalho. Disponível em:<http://jus2.uol.com.br/doutrina/areas.asp?sub0=20>. Acesso em: 28 mar. 2010.Justa causa e dano moral: uma reflexão sobre a demissão por justa causa. Disponível em: < http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=1205 >. Acesso em 20 mar. 2010.

Multa do artigo 477 da CLT . Disponível em < http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/1081/Multa-do-artigo-477-da-CLT> Acesso em 30 mar 2010.

NOVO código civil. Disponível em:<http://jus2.uol.com.br/doutrina/lista.asp?assunto=49>. Acesso em: 29 mar.2010.

RESCISÃO DE CONTRATO DE TRABALHO POR JUSTA CAUSA DO EMPREGADODisponível em: <http://www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/justacausa.htm> Acesso em 29 mar 2010.

ZANLUCA, Júlio César. Rescisão de contrato de trabalho por justa causo do empregado. Guia trabalhista on-line. Disponível em: <http://www.guiatrabalhista.com.br/tematicas/justacausa.htm>. Acesso em: 29 mar. 2010.

Separação de Mistura

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Catação

É um método de separação bastante rudimentar, usado para separação de sistemas sólido-sólido. Baseia-se na identificação visual dos componentes da mistura e na separação dos mesmos separando-os manualmente. É o método utilizado na limpeza do feijão antes do cozimento.

Filtração

Este é um método de separação muito presente no laboratório químico e também no cotidiano. É usado para separar um sólido de um líquido ou sólido de um gás, mesmo que o sólido se apresente em suspensão. A mistura atravessa um filtro poroso, onde o material particulado fica retido. A preparação do café é um exemplo de filtração.

No cotidiano, o aspirador de pó é o melhor exemplo do processo de filtração. Separa partículas sólidas suspensas no ar aspirado.

A decantação

Consiste na separação dos objetos sólidos, utilizando-se, para tanto, a própria diferença de densidade dos materiais presentes no líquido.

Destilação simples

A destilação simples é utilizada quando se deseja separar a substância sólida dissolvida do solvente e não se deseja perder este último, como no processo de evaporação. Aquece-se a mistura até atingir o ponto de ebulição do solvente. Não existe necessidade de controle de temperatura, pois o ponto de ebulição do sólido é muito mais elevado que o do solvente.

A Centrifucação

É uma maneira de acelerar o processo de decantação, utilizando-se uma centrífuga. Na centrifugação, a decantação é acelerada devido à rotação, que, por inércia, faz com que os sólidos procurem o fundo do recipiente:

A separação magnética

É, basicamente, um método baseado na utilização da força de atração que um ímã exerce sobre certos metais (principalmente materiais ferrosos), a fim de separá-los dos demais. Uma mistura de limalha de ferro com pó de enxofre, um pó amarelo, pode ser separada com o emprego de um ímã.

Redução ao Valor Recuperável de Ativos

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO 
1.1 Objetivos 
1.1.1 Objetivo geral
1.1.2 Objetivos específicos 
1.2 Justificativa 
1.3 Metodologia 
2 REVISÃO DA LITERATURA E DA LEGISLAÇÃO VIGENTE
2.1 Resumo da norma internacional
2.2 Impairment
2.3 Periodicidade do teste
2.4 O teste de impairment
2.4.1 Valor líquido de venda
2.4.2 Valor em uso
2.4.2.1 Identificação da unidade geradora de caixa
2.4.2.2 Identificação do valor contábil líquido dos ativos da CGU, incluindo critérios de alocação de ativos corporativos e goodwill
2.4.2.3 Estimativa do fluxo de caixa futuro para cada CGU
2.4.2.4 Determinar a taxa de desconto apropriada
2.4.2.5 Comparar o valor em uso do valor do ativo e registrar a perda por impairment
2.5 Reversão de perda por redução ao valor de recuperação
2.6 Divulgação requerida
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. INTRODUÇÃO

Com as recentes alterações na legislação societária, o Brasil iniciou-se no processo de convergência das normas brasileiras aos padrões internacionais do IASB.

A Lei 11.638/2007 introduziu novos dispositivos à Lei das Sociedades Anônimas e estabelece novo critério de avaliação de ativos pelo seu valor recuperável, sendo obrigatório, na elaboração de demonstrações financeiras das sociedades anônimas de capital aberto, para as sociedades anônimas de capital fechado e limitadas de grande porte, onde seu ativo for superior a R$240 milhões ou seu faturamento bruto anual ultrapassar R$300 milhões.

Com o objetivo de facilitar a adoção ao novo padrão contábil estabelecido pela Lei 11.638/07, foi criado o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC promovendo discussões que buscam o alinhamento às normas internacionais.

O CPC elaborou 32 pronunciamentos, dentre eles se caracteriza pela objetividade o CPC 01, reconhecido pela Comissão de Valores Mobiliários – CVM através da deliberação 527/2007, que refere-se a redução ao valor recuperável de ativos, sendo este o objeto deste trabalho.

O CPC 01 tem o objetivo claro de definir procedimentos para que os ativos não sejam avaliados contabilmente por um valor superior ao valor passível de ser recuperado no tempo por uso nas operações ou por venda.

O “impairment” acontece quando se compara o valor contábil do ativo (ou grupo de ativos) com o seu valor justo. Caso o valor contábil exceda o valor justo deverá ser reconhecida uma perda por impairment. Para verificar se há indicativos de impairment a entidade deve identificar se possuem sinais externos ou internos de que seus ativos estão registrados na contabilidade com valor acima do praticado no mercado, ou se a expectativa de benefício futuro a ser gerado pelo bem está abaixo do previsto. Este procedimento consiste em um teste dos ativos patrimoniais para verificar se os mesmos se enquadram aos requisitos necessários para adequação às normas contábeis brasileiras perante as normas internacionais do IFRS e, assim, analisar se pode ser efetuada sua redução do valor. Diante desses novos fatores, torna-se importante identificarmos: Quais os impactos da nova lei no que diz respeito ao valor recuperável dos ativos?

1.1 Objetivos

1.1.1 Objetivo geral

Definir quais os impactos da nova lei no que diz respeito ao valor recuperável dos ativos nas entidades.

1.1.2 Objetivos específicos

• Identificar se há indicativos necessários para a realização do teste de impairment.
• Exemplificar a aplicação do teste de impairment.
• Comparar os métodos utilizados.

1.2 Justificativa

Com as recentes alterações na legislação brasileira, visando a padronização contábil, este estudo terá como principal finalidade auxiliar os profissionais de contabilidade na aplicação dos conceitos constantes no CPC 01.

Devido à complexidade deste assunto, torna-se praticamente impossível esgotarmos os assuntos relacionados ao impairment, mesmo porque as recentes alterações proporcionam muitas discussões entre os órgãos competentes. Portanto o bom entendimento desse assunto torna-se indispensável para a padronização das práticas tornando a contabilidade mais sólida e transparente

1.3 Metodologia

A metodologia será os meios utilizados para se obter o conhecimento desejado sobre um determinado assunto, então, “método é o conjunto coerente de procedimentos racionais ou prático-racionais que orienta o pensamento para serem alcançados conhecimentos validos” (NÉRICI, 1978, p.15).

Dentre os inúmeros conceitos relacionados a método podemos citar que, “método é a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários para atingir um fim dado (…) é o caminho a seguir para chegar à verdade nas ciências” (JOLIVET, 1979, p.71).

Mas os autores citados abaixo definem metodologia:

Método é a forma de proceder ao longo de um caminho. Na ciência os métodos constituem os instrumentos básicos que ordenam de início o pensamento em sistemas, traçam de modo ordenado a forma de proceder do cientista ao longo de um percurso para alcançar um objetivo. (TRUJILLO, 1974, p.24).

Em sentido mais geral, o método é a ordem que se deve impor aos diferentes processos necessários para atingir um fim dado ou um resultado desejado. Nas ciências, entende-se por método o conjunto de processos que o espírito humano deve empregar na investigação e demonstração da verdade. (CERVO; BERVIAN, 1978, p.17).

Para realização deste trabalho será utilizada a pesquisa bibliográfica que segundo Marconi e Lakatos (1999, p.53) “abrange toda a bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo”. Para este propósito serão utilizados revistas, livros, artigos científicos, arquivos eletrônicos e periódicos.

2 REVISÃO DA LITERATURA E DA LEGISLAÇÃO VIGENTE

2.1 Resumo da norma internacional

A IAS 36 – Impairment of Assets, foi desenvolvido em 1996 pelo International Accounting Standards Board – IASB, definindo uma metodologia a ser aplicada pelas entidades objetivando comprovar que os ativos de longo prazo não estão, contabilmente, registrados por valor superior ao recuperável pelo uso em suas operações ou pela venda.

As principais razões da criação deste pronunciamento pelo IASB foram:

a) A combinação em um único pronunciamento contábil dos requisitos a serem seguidos na identificação, mensuração, reconhecimento e reversão de uma redução do valor recuperável, de forma a alcançar consistência nessas exigências;

b) Os requerimentos e orientações anteriores para o reconhecimento de uma perda por redução no âmbito das normas contábeis internacionais (International Accounting Standards) não apresentavam detalhes suficientes para assegurar que as empresas aplicariam o normativo contábil de maneira consistente. Além disso, era necessário eliminar certas faculdades concedidas pelos normativos contábeis anteriores, como por exemplo a permissão para utilização de fluxos de caixa não descontados; e

c) O IASB havia decidido explorar a discussão sobre amortização de intangíveis e do ágio fundamentado na expectativa de rentabilidade futura (goodwill) por períodos superiores a 20 anos, desde que sujeitos a testes do valor recuperável (impairment test) detalhados e confiáveis (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.301).

Este pronunciamento (IAS 36) foi discutido por várias entidades de inúmeros segmentos e países acompanhados pelos comitês contábeis de diversos países, sendo em 1998 aprovado. Com o desenvolvimento de Normas contábeis para combinação de negócios (Business combination) a IAS 36 sofreu uma revisão para adequá-lo à realidade existente. Para o IASB a adoção da IAS 36 é de extrema importância pois proporcionaria “migrar da contabilidade com base no custo histórico para uma contabilidade com base em benefícios econômicos futuros prováveis (ativos) ou nos valores de sacrifícios econômicos futuros prováveis (passivos)” (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.302).

Para uma melhor compreensão da IAS 36 é preciso conceituar alguns termos, que são definidos da seguinte forma:

Valor contábil líquido (carrying amount): é o valor pelo qual o ativo está registrado na contabilidade, líquido da depreciação acumulada e das provisões para perda registradas para esse ativo.

Unidade geradora de caixa (cash-genereting unit – CGU): é o menor nível identificável de um ativo ou grupo de ativos capazes de gerar entradas de caixa representativas e independentes de outros ativos ou grupos de ativos.

Valor líquido de venda (fair value less cost to sell): é o valor obtido ou que se pode obter na venda de um ativo ou de uma unidade geradora de caixa, líquido dos custos correspondentes. Esse valor deve considerar uma transação entre partes independentes, em condições usuais de mercado.

Valor em uso (value in use): é o valor presente da estimativa de fluxos futuros de caixa descontados a valor presente, derivados de um determinado ativo ou unidade geradora de caixa.

Valor recuperável (recoverable amount): é o maior valor entre o valor líquido de venda e o valor em uso.

Perda por redução ao valor recuperável (impairment loss): é a parcela do valor contábil líquido de um ativo que excede o seu valor recuperável.

Vida útil (usefull life): é o período no qual é esperado que um ativo seja utilizado por uma entidade; ou, as unidades totais esperadas na produção por parte desse ativo ao longo da sua utilização por uma entidade (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, p.302).

Ativo Intangível: ativo não monetário identificável e sem substância física. A definição de ativo pela norma é a mesma da estrutura conceitual, uma vez que um ativo é um recurso controlado pela entidade como resultado de eventos passados e do qual são esperados benefícios futuros para a entidade (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, p.325).

Goodwill: qualquer excesso de valor pago em uma aquisição, em relação à participação do adquirente no valor justo dos ativos e passivos identificáveis da empresa adquirida (SANTOS E OUTROS, 2009, p.04).

A contabilização do impairment, através desta Norma, deve ser aplicada a todos os componentes do ativo, exceto para aqueles que possuam Norma específica. São ativos que possuem norma especifica:

• Estoques (IAS 2 – Inventories);
• Ativos relativos a contratos de construção (IAS 11 – Construction Contracts);
• Ativos relativos a impostos diferidos (IAS 12 – Income Taxes);
• Ativos provenientes de benefícios a empregados (IAS 19 – Employee Benefits);
• Ativos financeiros (IAS 39 – Financial Instruments: Recognition and Measurement);
• Ativos de investimento mensurados ao valor justo (IAS 40 – Investment Property);
• Ativos biológicos relacionados a atividades agrícolas (IAS 41 – Agriculture);
• Ativos diferidos e intangíveis resultantes de um contrato de seguro em uma seguradora (IFRS 4 – Insurance Contracts); e
• Ativos não correntes destinados a venda (IFRS 5 – Non-current Assets Held for Sale and Discontinued Operations), (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.302,303).

No Brasil, o BR GAAP, já previa a mensuração dos ativos de longo prazo, porém, não havia uma normatização que esclarecia como proceder a análise e em qual grupo de ativos.

Para preencher as lacunas existentes na filosofia utilizada no Brasil o Comitê de Pronunciamentos Contábeis – CPC, elaborou o pronunciamento referente à redução ao valor recuperável de ativos (CPC 01) em setembro de 2007, a Comissão de Valores Mobiliários – CVM emitiu a Deliberação N.º 527/07 aprovando e tornando obrigatórias para as companhias abertas, o CPC 01 também foi aprovado pelo Conselho Federal de Contabilidade – CFC e pela Superintendência de Seguros Privados – SUSEP.

2.2 Impairment

A palavra impairment significa na sua tradução literal deterioração, tecnicamente significa a redução de um bem ativo e na prática é a mensuração dos benefícios presentes e futuros que estes ativos geram.

Instrumento utilizado para adequar o ativo a sua real capacidade de retorno econômico. O impairment é aplicado em ativos fixos (ativos imobilizados), ativo de vida útil indefinida (goodwill), ativos disponíveis para venda, investimentos em operações descontinuadas (SILVA E OUTROS, 2006, p.01).

Com as alterações na legislação brasileira surge a seguinte definição de impairment segundo comparação entre o IFRS e o BR GAAP:

Quanto ao princípio fundamental, são semelhantes ao IFRS, em que, segundo a Lei 11.638, se introduziu o conceito análise de capacidade de recuperação dos valores registrados no ativo imobilizado, intangível e ativo diferido. Sempre que o valor contábil de um bem for superior ao valor recuperável, uma perda deve ser registrada para reduzir o valor contábil ao valor de recuperação (MACMANUS, 2009, p.204).

Com a correta compreensão e entendimento do conceito de impariment as entidades conseguiram avaliar os seus ativos ao valor mais próximo da realidade o que acarretará uma maior transparência junto ao mercado.

2.3 Periodicidade do teste

O teste de impairment deve ser realizado sempre que houver perda do valor recuperável do ativo, entretanto, existem alguns ativos que o teste para impairment deve ser realizado ao menos uma vez a cada exercício.

São identificadas as seguintes classes de ativos como sendo as que necessitam que seja realizado o teste para impairment ao menos uma vez a cada exercício:

a) Ativos intangíveis de vida útil indefinida;

b) Ativos intangíveis ainda não disponíveis para uso; e

c) Ágio gerado através de uma combinação de negócios, cujo fundamento econômico seja a expectativa de rentabilidade futura (goodwill), (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.302).

O teste de impairment tem como objetivo principal certificar que os ativos ou grupos de ativos de longo prazo não estão registrados com o seu valor contábil líquido superior ao seu valor recuperável.

Apesar, exceto para os ativos listados, de não haver a necessidade de se determinar o valor recuperável para seus ativos as entidades deverão documentar a real existência ou não dos indicativos de impariment a cada encerramento de exercício ou período contábil.

A avaliação destes ativos deve considerar os seguintes aspectos:

a) Fatores externos:

I. durante o período, o valor de mercado de um ativo diminuiu significativamente mais do que seria esperado como resultado da passagem do tempo ou do uso normal;
II. ocorreram durante o período ou irão ocorrer no futuro próximo alterações significativas com um efeito adverso na entidade, relativas ao ambiente tecnológico, de mercado, econômico ou legal em que a entidade opera ou no mercado ao qual o ativo está dedicado;
III. as taxas de juros praticadas no mercado ou outras taxas de mercado de retorno de investimentos aumentaram durante o período e esses aumentos provavelmente afetarão a taxa de desconto usada no cálculo do valor de uso de um ativo e reduzirão o valor recuperável do ativo;
IV. a quantia escriturada dos ativos líquidos da entidade é superior à sua capitalização de mercado.

b) Fatores internos:

V. está disponível evidência de obsolescência ou dano físico de um ativo;
VI. alterações significativas com um efeito adverso na entidade ocorreram durante o período, ou espera-se que ocorram num futuro próximo, até ao ponto em que, ou na forma em que, um ativo seja usado ou se espera que seja usado. Essas alterações incluem planos para descontinuar ou reestruturar a unidade operacional à qual o ativo pertence;
VII. existe evidência nos relatórios internos indicando que o desempenho econômico de um ativo é, ou será, pior que o esperado (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.303).

São indicados como outros fatores para apurar a redução do valor recuperável do ativo:

i. redução da vida útil do ativo;
ii. dispêndios de capital acima do planejado para desenvolvimento do ativo;
iii. gastos com manutenção excessivos e/ou acima do esperado;
iv. o ativo vem operando com capacidade ociosa;
v. oscilações no ambiente político do país em que o ativo opera ou vende;
vi. a comparação entre os resultados orçados e os realizados daquele ativo apresenta distorções significativas;
vii. executivos e empregados chaves de uma determinada unidade geradora de caixa deixam de trabalhar na companhia;
viii. aumento de concorrência, entre outros (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.303,304).

A entidade ao verificar a existência de algum ou vários indicativos de impairment, deverá efetuar o teste e verificar se os seus ativos estão contabilizados corretamente.

2.4 O teste de impairment

O teste de impairment tem por finalidade comparar o valor contábil líquido e o seu valor recuperável. O valor recuperável será o maior valor encontrado entre o valor em uso e o valor líquido de venda,

Contudo, “vale enfatizar que, se for possível determinar o valor líquido de venda de um ativo ou unidade geradora de caixa, não é necessário o calculo do valor em uso” (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.304).

Para a correta realização do teste de impairment a entidade deverá estar atenta para o uso adequado de todos os parâmetros e aspectos a serem utilizados.

2.4.1 Valor líquido de venda

O instrumento que melhor evidencia a valor líquido de venda de um ativo, conforme o ERNEST & YOUNG; FIPECAFI (2009, p.304), “é um contrato de venda firmado entre partes independentes, menos os custos diretos atribuídos à venda”. Porém, é importante lembrar que:

Caso já exista um contrato de venda do ativo, esse ativo deve ser reclassificado para ativos mantidos para venda (help for sale) e, portanto, estará sujeito às regras da IFRS 5 (Non-current Assets Held for Sale and Discontinued Operations), (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.304).

Nos casos em que não houver um contrato de venda firmado as entidades poderão utilizar o resultado recente na venda de ativos semelhantes, sendo que o valor mais correto a se utilizar será o da última transação. Entretanto, em não havendo um contrato firmado e nem mercado ativo o valor líquido de venda “pode ser estimado com base na melhor estimativa da administração na data do balanço, que deverá considerar o resultado de transações recentes com ativos similares no mesmo ramo de negócios” (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.304).

Vale ressaltar que o valor líquido de venda considera todos os custos e despesas relacionados à sua venda, incluindo os tributos inerentes à sua venda, outro ponto importante é que em caso de “passivos relacionados ao ativo sendo avaliado, que necessariamente devam ser assumidos pelo comprador em caso de venda, devem ser deduzidos para fins do valor líquido de venda” (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.304

2.4.2 Valor em uso

A mensuração do valor em uso de um ativo somente deverá ser elaborada se a entidade não conseguir mensurar o valor líquido de sua venda ou se este valor for inferior ao valor registrado contabilmente. Porém como o calculo do valor em uso de um ativo é muito complexo as principais etapas a serem seguidas pelas entidades são:

• identificação da unidade geradora de caixa;
• identificação do valor contábil líquido dos ativos da CGU, incluindo critérios de alocação de ativos corporativos e goodwill;
• estimativa do fluxo de caixa futuro para cada CGU;
• determinar a taxa de desconto apropriada;
• comparar o valor em uso do valor do ativo e registrar a perda por impairment (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.304,306).

É considerado como valor recuperável o maior valor encontrado entre o valor de mercado, ou valor justo, do ativo diminuído dos custos de sua venda e o retorno que esse ativo ainda poderá proporcionar, ou seja o seu valor em uso.

Os fluxos de caixa futuros provenientes daquele ativo específico, descontados a valor presente, utilizando-se uma taxa de mercado antes dos impostos que corresponde à atual avaliação do tempo, valor do dinheiro e dos riscos específicos ao ativo para os quais as estimativas de fluxo de caixa não tiverem sido ajustadas (MACMANUS, 2009, p. 203).

A apuração do valor em uso é muito importante, pois indicará o valor que um ativo ainda poderá gerar de receita por um determinado tempo no futuro. Estes valores apurados nos fluxos de caixa projetados devem ser trazidos a valor presente para que haja uma comparação fidedigna.

2.4.2.1 Identificação da unidade geradora de caixa

Para identificação da unidade geradora de caixa, a entidade deve utilizar o menor grupo de ativo que consiga gerar entradas de caixa expressivas e que sejam independentes de outros ativos ou de grupos de ativos. O principal questionamento a se fazer no ato de identificar-se as unidades geradores de caixa é “como a administração monitora as atividades da companhia?” (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.305), ainda de acordo com o autor, “exemplos de CGU são uma linha de produto, uma fábrica, uma loja, uma cidade ou região, uma concessão etc.” (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.305).

2.4.2.2 Identificação do valor contábil líquido dos ativos da CGU, incluindo critérios de alocação de ativos corporativos e goodwill

A identificação do valor contábil líquido de uma UGC segue os parâmetros utilizados para a identificação das UGC`s. é importante salientar que “deve-se assegurar que todos os ativos sujeitos ao teste de impairment foram considerados” (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.305), ainda conforme o autor “um bom controle na certificação de que a análise é completa, seria a reconciliação da soma dos valores contábeis líquidos de todas as CGU com os registros contábeis da companhia” (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.305).

2.4.2.3 Estimativa do fluxo de caixa futuro para cada CGU

Com relação às projeções de fluxo de caixa os seguintes aspectos que devem ser considerados na sua elaboração:

a) as projeções de fluxo de caixa devem ser consistentes e razoáveis, devendo estar suportados por premissas que representem a melhor estimativa da administração, considerando as condições econômicas previstas ao longo da vida útil do ativo ou grupo de ativos;
b) essas projeções deverão ser conciliadas com o plano de negócios da companhia aprovado pelo Conselho de Administração. Entretanto, deverão ser excluídos os efeitos das estimativas de recebimento e pagamentos futuros (estimated future cash inflows and cash outflows) originados de futuras reestruturações ou de investimentos de capital para melhoria de performance do ativo. Exceção deve ser feita caso a companhia já esteja comprometida com uma reestruturação ou nos casos em que o investimento de capital é necessário para a manutenção das operações. A IAS 36 ainda determina que o período máximo a ser considerado deve ser de cinco anos, a não ser que um período mais longo possa ser justificado;
c) estimativas por período maior que cinco anos deverão representar uma extrapolação da projeção mais recente, considerando uma taxa de crescimento estável ou decrescente para além dos cinco anos, exceto em raros casos onde uma taxa de crescimento maior pode ser justificada. Nessas circunstâncias, a taxa de crescimento considerada não deverá exceder à taxa de crescimento de um produto, industria ou país onde a companhia opera. Na prática, deverá ser difícil suportar a decisão de utilizar taxas de crescimento diferentes de estável ou decrescentes;
d) a inflação projetada para o período orçado pode ser considerada na estimativa. Nesse caso, a inflação também deverá ser considerada no calculo da taxa de desconto;
e) fluxos de caixa de operações em outra moeda devem ser projetados na moeda que serão gerados e convertidos para a moeda funcional da companhia, considerando a taxa de câmbio do fechamento na data da projeção (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.305,306).

A responsabilidade pelos métodos utilizados para projetar os fluxos de caixa será totalmente da administração, que deverá assegurar que estes métodos são consistentes e condizem com os resultados já ocorridos mais recentemente.

2.4.2.4 Determinar a taxa de desconto apropriada

É extremamente importante que a entidade determine uma taxa e desconto para os fluxos de caixa que exprimam fielmente o retorno esperado pelos investidores, levando-se em consideração os valores, época e riscos equivalentes ao ativo que será avaliado.

Uma das taxas mais utilizadas e aceitas pelo mercado é o Custo Ponderado de Capital (WACC), mas o WACC deve ser utilizado apenas como um ponto de partida devido à existência de algumas questões que devem ser levadas em consideração.

a) o WACC é uma taxa determinada após a apuração de impostos sobre a renda. Segundo a IAS 36, o valor em uso deve ser calculado utilizando-se fluxo de caixa antes de impostos sobre a renda e a taxa deve ser calculada antes de impostos sobre a renda;

b) outros fatores fiscais necessitam ser levados em consideração, como por exemplo a época do desembolso para o pagamento dos impostos sobre a renda;

c) o WACC da própria entidade pode não ser adequado como taxa de desconto se houver algo atípico em ralação à estrutura de capital em comparação com os “típicos”participantes de mercado; e

d) o WACC deve refletir os riscos especificamente relacionados com o ativo, e não os riscos relacionados com a entidade como um todo, como o risco de inadimplência, por exemplo (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.306).

A entidade, conseguindo determinar uma taxa de desconto que exprima com mais exatidão o retorno esperado para aquele determinado ativo irá conseguir auferir o valor em uso, de seu ativo, o mais próximo da realidade do mercado.

2.4.2.5 Comparar o valor em uso do valor do ativo e registrar a perda por impairment

Em casos onde o valor em uso for igual ou maior que o seu valor contábil, não haverá a necessidade de efetuar o registro contábil, mas ocorrendo o contrário, ou seja, o valor em uso ser inferior ao valor contábil, este precisará ser ajustado ao valor em uso.

Com relação à contrapartida deste ajuste contábil o FIPECAFI relata que:

A contrapartida deverá ser a conta de resultado do exercício, exceto quando apresentar um ajuste da parcela reavaliada de um ativo, quando deverá ser lançada contra a respectiva conta de reserva de reavaliação no patrimônio líquido (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.306).

Mas Mcmanus apresenta de forma mais detalhada o reconhecimento da perda por impairment, que deve ser da seguinte maneira:

É reconhecida como uma perda por redução ao valor de recuperação na demonstração do resultado quando o valor contábil do ativo não reavaliado superar seu valor de recuperação. Se o ativo for contabilizado pela avaliação, a perda por redução ao valor de recuperação é reconhecida diretamente como contrapartida de uma apreciação de reavaliação do ativo, na medida em que a perda por redução ao valor de recuperação não ultrapassar o valor da apreciação de reavaliação daquele mesmo ativo; a eventual diferença é reconhecida na demonstração de resultado (MACMANUS, 2009, p.203).

De forma adicional exige-se que a entidade avalie se a perda por impairment deve ser revertida nos próximos períodos, para isso, a entidade deve utilizar os mesmos métodos e parâmetros utilizados para identificação da existência ou não de indicativos internos ou externos de perda por impairment.

2.5 Reversão de perda por redução ao valor de recuperação

Quanto às possíveis reversões que poderão ser efetuadas pelas entidades, as perdas por redução ao valor de recuperação são estornadas quando tiver havido uma mudança nas condições econômicas ou no uso previsto do ativo” (MACMANUS, 2009, p.204).

As possíveis reversões poderão ser efetuadas até o valor da provisão contabilizada anteriormente, entretanto, não é permitido, conforme a IAS 36, a reversão de perda do valor recuperável de um goodwill e/ou ativo intangível com vida útil indefinida.

2.6 Divulgação requerida

Na IAS 36 existem várias determinações pertinentes à divulgação da redução ao valor recuperável de ativos, estas informações incluem:

a) o valor da perda ou reversão de perda anteriormente reconhecida, lançada no resultado do exercício e/ou em reservas de reavaliação, e a linha na demonstração do resultado na qual a perda foi incluída/revertida;

b) os eventos e circunstâncias que levaram a tal reconhecimento;

c) a natureza de cada tipo de ativo que tenha sido ajustado ao valor de recuperação;

d) para cada unidade geradora de caixa:

I. a descrição da unidade de geração de caixa;
II. o valor da provisão para perda reconhecida ou revertida para cada ativo ou segmento de negócio que a companhia reporte; e
III. se a maneira utilizada pela companhia para agregar os ativos tiver sido modificada, essa mudança deve ser divulgada;

e) o valor líquido de venda considerado na avaliação ou a taxa de desconto utilizada na estimativa, caso tenha sido determinado o valor de recuperação de ativo em uso;

f) o valor da perda reconhecida no resultado e diretamente no patrimônio líquido; e

g) divulgação específica deve ser feita para o caso de goodwill e ativos intangíveis de vida útil indefinida, especialmente em situações em que há alocação do valor contábil em várias CGU`s. uma descrição detalhada dessa exigência está descrita nos parágrafos 134 e 135 da IAS 36 (ERNEST & YOUNG; FIPECAFI, 2009, p.307).

Para exemplificar o disposto sobre as informações que as entidades devem estar atentas com relação à divulgação demonstraremos com Demonstrações Financeiras da Centrais Elétricas Brasileiras – ELETROBRÁS publicadas em 2009.

Primeiro será demonstrado um exemplo de como a entidade deve reconhecer a perda imairment em sua Demonstração de Resultado do Exercício – DER.

Em seqüência a demonstração de como a entidade deve apresentar em sua Demostração de Fluxo de Caixa – DFC o reconhecimento da perda por impairment.

Para finalizar será apresentado como deve ser divulgada as informações sobre a perda por impairment nas notas explicativas das Demonstrações Financeiras a serem publicadas.

Adicionalmente é necessário publicar a política contábil adotada na avaliação do impairment, assim como as considerações e preceitos adotados pela administração, estas informações devem constar de suas notas explicativas.

A Companhia definiu como unidade geradora de caixa a totalidade de seus ativos de geração, transmissão e distribuição, não sendo a análise feita por usina, linha de transmissão ou outros grupos de ativos.

A administração da Companhia, amparada em opinião de consultor jurídico independente, considerou a reversão do ativo líquido residual ao final da concessão do serviço público de energia elétrica, tomando por base o valor contábil.

Considerou, também, a depreciação levando em consideração o tempo de vida útil do bem e não o prazo da concessão.

Na avaliação do valor justo, são utilizados fluxos de caixa futuros estimados, descontados a valor presente por taxa de desconto anterior à tributação que reflete as condições de mercado, valor do dinheiro corrente no tempo e riscos específicos relacionados ao ativo ou grupo de ativos.

Como conseqüência, a Companhia reconheceu no resultado do exercício o montante de R$ 770.231 mil como provisão para redução ao valor recuperável de ativos (impairment) (RELATÓRIO ANUAL – ELETROBRÁS, 2009, p.200).

Assim a entidade demonstrará uma maior transparência e comprometimento, possibilitando uma melhor apresentação de suas movimentações contábeis e que fiquem de melhor entendimento para seus vários usuários como investidores, instituições financeiras, órgãos governamentais, etc..

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Os conceitos de impairment apresentados, bem como os seus objetivos indicam que a sua adoção pelas entidades fará com que os valores de seus ativos estejam o mais próximo da realidade de mercado.

Este trabalho se propôs responder ao objetivo estipulado, ao demonstrar como as entidades efetuam a verificação de indicadores que demonstrem a real necessidade da realização do teste de impairment, bem como as formas de sua mensuração, contabilização e divulgação.

Ainda pode-se constatar que com o alinhamento das Normas Brasileiras de contabilidade às Normas Internacionais as demonstrações contábeis e financeiras das entidades estarão mais transparentes e expressaram com mais fidelidade a real estrutura das entidades no que tange a mensuração de seus ativos e passivos, com isso a contabilidade como um todo se tornará cada vez mais consistente e de fácil interpretação.

Devido ao assunto, no Brasil, ter sofrido alterações recentes e por ainda ter alguns pontos relacionados ao fisco que estão sob discussão fica a sugestão, para futuros estudos, elaborar um estudo de caso para verificação das possíveis alterações da Norma e a sua aplicação dentro das entidades, tendo como base, no mínimo, dois períodos contábeis. Para que esta pesquisa sugerida seja realmente abrangente e sólida é importante aguardamos as primeiras Demonstrações Financeiras que saram elaboradas, com obrigatoriedade, a partir do exercício de 2010.

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A Arte Cartográfica

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Quando se estuda o espaço geográfico, percebe-se a importância das representações deste espaço, embora seja difícil de analisá-lo dentro de seu porte real. Esta função é destinada à cartografia, a qual tem por objetivo retratar a realidade em que o homem vive utilizando-se dos mapas enquanto instrumento de representação. Assim, a cartografia, enquanto meio de análise, pode contribuir de modo aprofundado para pesquisas ambientais, buscando refletir sobre esta temática e auxiliar na formação de visões e ações cada vez mais críticas entre a relação sociedade-espaço. Sendo assim, este artigo apresenta experiências e considerações sobre a importância da cartografia e sua aplicação em análises ambientais, abordando aspectos relacionados às contribuições que esta ciência proporciona. Diante deste enfoque e das observações gerais, verificam-se perspectivas de análises específicas para fins determinados, pois considera-se que a arte cartográfica proporciona possibilidades múltiplas.

INTRODUÇÃO

A compreensão das questões ambientais pressupõe um trabalho interdisciplinar. A análise de problemas ambientais envolve questões políticas, históricas, econômicas, ecológicas, geográficas, enfim, envolve processos variados, portanto não seria possível compreendê-los e explicá-los pelo olhar de uma única ciência (P.C.N. 1998. p.46)(1) .

O estudo mais detalhado das grandes questões do Meio Ambiente (poluição, desmatamento, limites para uso dos recursos naturais, sustentabilidade, desperdício), permite o trabalho com a especialização dos fenômenos geográficos por meio da cartografia (P.C.N. 1998).

A questão está inserida na busca de novos meios de análises, mais complexo, os quais terão auxílio da ciência cartográfica. Permeando a mesma faz-se considerações onde existem os vários modos de ser utilizada, por isso será realizado um enfoque geral do que é a cartografia e de como é utilizada, relatando quais os seus pontos relevantes, suas regras, convenções, expressando a gramática cartográfica de forma convencional.

A Cartografia tem por objetivo retratar a realidade em que o homem vive, o mais fielmente possível, utilizando-se dos mapas enquanto instrumento de representação. Para isso, busca-se apresentar uma proposta voltada à temática ambiental, área que a Geografia, enquanto ciência, tem muito a contribuir. Assim, buscar-se-á verificar, nesta pesquisa, como a cartografia, juntamente com outras áreas do conhecimento, está contribuindo para o processo de análise e educação ambiental. Esta proposta está pautada na necessidade de repensarmos os impactos ambientais, tais como a destruição da flora e fauna, a perda da qualidade de vida dos seres humanos, o desequilíbrio climático e dos demais ciclos bióticos e abióticos, utilizando-se da cartografia.

A CARTOGRAFIA COMO CIÊNCIA

Para SOUZA e KATUTA (2001. p.55), a cartografia pode ser definida como “a arte de conceber, de levantar, de redigir e de divulgar mapas”, e, através deles, há diferentes possibilidades de representar graficamente determinada área da superfície terrestre, utilizando-se para isso de simbologias, cores, traçados, a fim de que o leitor consiga, com maior precisão, captar as informações presentes nos mesmos.

Dessa maneira, DUARTE (1994. p. 21) define a cartografia como

“ciência porque se constitui num campo de atividade humana que requer o desenvolvimento de conhecimentos específicos, aplicação sistemática de operações, metodologia de trabalho, aplicação de técnicas e conhecimentos de outras ciências. Tudo com vistas à obtenção de um documento de caráter altamente técnico, o mapa, objetivando representar os aspectos naturais e artificiais da superfície terrestre, de outros astros ou mesmo do céu. Enfim, a organização do espaço, seja ele terrestre ou não, é mostrado através de mapas, os quais resultam de uma série de operações que fazem parte de um campo definido da atividade humana: a cartografia”.

A cartografia tem como função maior a representação da superfície terrestre de forma clara e precisa, possibilitando a identificação das características geométricas, da natureza e de outras particularidades dos objetos e fenômenos observados. Assim, essa Ciência, desde seus primórdios, apropriou-se das técnicas de comunicação visual, no sentido de disponibilizar a informação cartográfica através de um modelo de representação da mesma. Dessa forma, a Cartografia é uma ciência de cunho geográfico que se apóia em princípios matemáticos e nas artes gráficas para descrever e comunicar, através de um código de sinais, o conhecimento dos mais diversos aspectos físicos e culturais da paisagem. Assim, o principal objetivo da Cartografia é a comunicação de idéias, fatos e conhecimentos através de um “veículo” de interpretação imediata, o mapa (BRANDÃO, 2001).

Contudo, sabe-se que não é tão simples trabalhar com a arte cartográfica, pois a mesma requer conhecimentos amplos, fato que dificulta e estreita o campo referenciado, conforme relata FRANCISCHETT (1997), “A dificuldade de conhecer e lidar com a Cartografia não é fato apenas do passado; a nossa, hoje, está relacionada também com as atitudes de nossos governantes, que divulgam somente os fatos que lhes interessam. A dominação eletizada da cultura e do conhecimento é algo que herdamos desde a origem de nossa história, pois muitos registros apontam significados camuflados da realidade, com o intuito de garantir o interesse distorcido dos fatos, dar fama aos heróis”.

MARTINELLI (2003. p.08) vem reforçar esta questão, quando afirma que: “(…) a finalidade mais marcante em toda a história dos mapas, desde o seu início, parece ter sido aquele de estarem sempre voltados à prática, principalmente a serviço da dominação, do poder. Sempre registraram o que mais interessava a uma minoria, fato este que acabou estimulando o incessante aperfeiçoamento deles.”

E, neste contexto, ao se analisar toda a trajetória do desenvolvimento da Cartografia e sua utilização, pode-se observar que esta área passou por grandes avanços, recebendo auxílio de diversas áreas afins, principalmente com o advento da fotogrametria, do Sistema de Informação Geográfica (SIG) e do sensoriamento remoto, assistido por um vasto processo de informatização, o que sem dúvida possibilitou o acesso mais rápido às informações sobre os lugares e análises mais aprimoradas, obtendo-se mapas com maior precisão em suas especificidades (BERNASKI 2004).

Ainda ressaltando a questão do desenvolvimento da cartografia, pode-se enfatizar conforme MARTINELLI (2003. p.23), : o desenvolvimento de tecnologias computacionais trouxe para a cartografia, junto aos interesses da visualização, a exploração de novas operações de multimídia com grande aplicação educacional, interligando os lares às livrarias, escolas, empresas, instituições, através de redes de informação cartográfica.

Com o auxílio de satélites e computadores, a cartografia vem se tornando cada vez mais um verdadeiro Sistema de Informações Geográficas, visando à coleta, o armazenamento, a recuperação, a análise e a apresentação de informações sobre lugares, sendo estas monitoradas no tempo, além de proporcionar simulações de eventos e situações complexas da realidade, tendo em vista a tomada de decisões deliberadas (MARTINELLI, 2003).

Para JOLY (1990), todo esse processo de automação contribui grandemente para a efetivação dos trabalhos na área de cartografia, uma vez que oferece vantagens de rapidez na elaboração dos dados e na atualização dos mapas. Porém, vale destacar que nem todo este avanço dispensa a capacidade do ser humano, pois este, através de seu intelecto, consegue modificar e criar novos instrumentos que venham facilitar e agilizar o desenvolvimento de suas ações.

Conforme SIMIELLI (1999), os mapas nos permitem ter domínio espacial e fazer a síntese dos fenômenos que ocorrem num determinado espaço. No cotidiano de todos é possível ter-se a leitura do espaço por meio de diferentes informações e, na cartografia, por diferentes formas de representar estas informações. Pode-se ainda ter diferentes produtos representando diferentes informações para diferentes finalidades: mapas de turismo, mapas de planejamento, mapas rodoviários, mapas de minerais, mapas geológicos, entre outros.

Portanto para poder-se ter este domínio espacial e estar interados do que ocorre em nosso espaço é essencial utilizar diferentes fontes de informações e recursos tecnológicos, pois conforme autores já citados a cartografia em sua amplitude tem uma contribuição grandiosa em diversas áreas e com variadas finalidades. E é a partir do conhecimento do vasto campo da cartografia que seremos capazes de questionar e verificar o grau de veracidade de cada informação, ampliando assim as possibilidades de síntese do nosso espaço, sendo capaz de analisar, detectar problemas e tentar resolve-los, com pensamento lógico, criatividade e capacidade de análise crítica.

REPRESENTAÇÃO CARTOGRÁFICA

Conforme MARTINELLI (2003), referenciado por BERNASKI (2004) a representação gráfica constitui-se em um meio de comunicação visual e social, uma vez que, utilizando sinais específicos criados pelo homem, permite, através de uma linguagem gráfica, estabelecer uma comunicação entre a imagem e o seu leitor, sendo que a informação a ser transmitida assume um único significado, integrando-se a um sistema semiológico monossêmico. Quando se elabora um mapa, registra-se uma determinada informação que deve ser analisada igualitariamente por todos que tiverem contato com o mesmo, e isso certamente vem justificar a existência de simbologias específicas universais, a fim de que não haja problemas com ambigüidade de informações.

Somando-se a estas características, a representação gráfica tem por meta transcrever três relações fundamentais existentes entre os objetos representados no mapa – diversidade (≠), ordem(O) e proporcionalidade(Q), pois são diversos os métodos a serem utilizados para construir um mapa temático, conforme as características de cada fenômeno a ser estudado. Estes métodos fundamentam-se em quatro categorias específicas: métodos para representação qualitativa, quantitativa, ordenada e dinâmica, sendo que o qualitativo responde à pergunta “o quê?”, tendo relações de diversidade entre os lugares. O ordenado responde à pergunta “em que ordem?”, relação de ordens e o quantitativo responde à pergunta “quantos?”, relação de proporção, (MARTINELLI, 2003), o qual exemplifica da seguinte maneira:

– Métodos para representações qualitativas: cujas representações qualitativas em mapas são empregadas para expressar a existência, a localização e a extensão das ocorrências dos fenômenos que se diferenciam pela natureza, tipo, podendo ser classificadas por critérios estabelecidos pelas ciências que estudam tais fenômenos.
– Métodos para representações ordenadas: as representações ordenadas em mapas são indicadas quando os fenômenos admitem uma classificação segundo uma ordem, com categorias deduzidas de interpretações quantitativas ou de datações. São exemplos as hierarquias das cidades
– Métodos para representações quantitativas: as representações quantitativas em mapas são empregadas para comunicar quantidades ou ordens de grandezas de fenômenos, às quais podem ser atribuídos valores numéricos, evidenciando a proporcionalidade entre eles: a cidade A tem quatro vezes mais moradores que a cidade B.
– Métodos para representações dinâmicas: o dinamismo dos fenômenos pode ser apreciado no tempo e no espaço. No tempo, ele se traduz pelas transformações de estados que se sucedem, ou pelas variações quantitativas (acréscimos ou decréscimos) dos fenômenos para um mesmo lugar. No espaço, o dinamismo dos fenômenos se manifesta através de movimentos, deslocamento de quantidades ao longo de percursos, as quais poderão receber três tipos básicos de implantação, quais sejam, a implantação pontual (a área utilizada é mínima, mas tem a vantagem de ser precisa), a implantação linear (considera o comprimento e não a largura) e a implantação zonal (utilizada para representar uma área com maior extensão) (BERTIN, 1973), que devem fornecer especial atenção às variáveis visuais a serem utilizadas as quais possuam propriedades perceptivas compatíveis.

Assim, respeitando-se a especificidade de cada fenômeno a ser representado, determina-se o método e a variável mais adequada à sua representação, são vários os métodos possíveis de serem utilizados que devem respeitar os objetivos de cada representação.

Cada uma delas possui propriedades perceptivas específicas que vão possibilitar ao leitor dos mapas uma compreensão mais adequada e instantânea dos elementos representados. As variáveis visuais são: tamanho, valor, textura, granulação, cor, orientação e forma e as propriedades perceptivas que podem possuir são de ordem, diversidade e quantidade.pode-se observar de forma mais clara as propriedades perceptivas e as variáveis visuais que representam as relações entre os dados que serão representados (MARTINELLI, 2003).

• Conforme (BERTIN, 1973. p.16) (…) são seis as variáveis retinianas ou variáveis visuais, através das quais pode-se exprimir a diferenciação local dos componentes de qualificação, sendo:
• A forma da mancha, geométrica ou figurativa, permite ao mesmo tempo uma qualificação precisa dos objetos e uma boa percepção de sua similitude ou de suas diferenças;
• O tamanho, ou dimensão da superfície da mancha, pode ser proporcional ao do objeto a representar; é prati¬camente a melhor expressão de uma comparação entre quantidades distintas;
• A orientação, na ausência da cor, é uma boa va¬riável seletiva, sobretudo em implantação zonal;
• A cor, ou tonalidade, é a variável mais forte, facil¬mente perceptível e intensamente seletiva; é também a mais delicada para manipular e a mais difícil de utilizar;
• O valor ou matiz da cor é resultado de uma adição à cor pura ou cor “chapada” de uma certa quantidade de branco que enfraquece a tonalidade; o valor é uma boa variável seletiva que permite diferenciar os subgrupos de um conjunto do mesmo tamanho ou da mesma forma e também um bom meio de classificação para ordenar uma série progressiva;
• A granulação, ou estrutura da mancha, é uma modulação da impressão visual, fornecida por variações de tamanho dos elementos figurados, sem modificação da proporção de cor e de branco por unidade de superfície; tal como o valor, a granulação é uma boa variável seletiva e, secundariamente, de classificação de uma série ordenada.

Estas variáveis, segundo (MARTINELLI, 1998), apresentam propriedades perceptivas características, como:

a) Percepção dissociativa: a visibilidade é variável, afastando-se da vista tamanhos e valores visuais diferentes, somem sucessivamente (tamanho, valor).
b) Percepção associativa: a visibilidade é constante, pois as categorias se confundem; afastando-se da vista, entretanto, não somem (forma, granulação, cores de mesmo valor visual, orientação ).
c) Percepção seletiva: o olho consegue isolar os elementos distintos (cor, tamanho,valor,granulação,forma).
d) Percepção ordenada: as categorias se ordenam espontaneamente (valor, tamanho).
e) Percepção quantitativa: a relação de proporção é imediata (unicamente o tamanho). 
Além das diversas formas de representação, deve-se utilizar as escalas corretas para o fim desejado, pois cada objetivo requer uma escala específica, as quais estão representadas no quadro 4.

Somando-se ao exposto, tem-se ainda a classificação sugerida por (ALMEIDA e RIGOLIN, 2003. p. 32):

a) Quanto à finalidade das cartas e dos mapas:

– Gerais: contêm informações sobre temas variados e geralmente são elaboradas em escala reduzida (1:1 000 000).
– Especiais: contêm informações técnicas e específicas a profissionais especializados, como geólogos e meteorologistas.
– Temáticos: fazem referência a um determinado aspecto da geografia, em geral os topográficos.

b) Quanto aos tipos de mapas e cartas:

– Cartas cadastrais ou plantas, são geralmente plantas urbanas com detalhes que auxiliam na administração pública (1:500 a 1:10 000).
– Mapas ou cartas topográficas: possuem um certo grau de precisão (1:25 000 a 1: 250 000).
– Mapas ou cartas geográficas: representam grandes regiões, como países, continentes e o mundo (1:500 000 a 1:1000 000).

Dentro deste contexto, têm-se os mapas, enquanto instrumentos, que auxiliam o indivíduo a olhar mais criticamente para sua realidade, uma vez que possibilitam obter uma visão de passado/presente e até mesmo fazer projeções futuras, o que facilita conhecê-lo sócio/histórico/culturalmente e agir sobre ele.

Para que o ser humano se engaje na reconstrução desse espaço-sociedade, é preciso que ele seja antes de mais nada um “geógrafo crítico”, um leitor competente do espaço e de sua representação. Um leitor crítico do espaço é aquele capaz de ler o espaço real e sua representação, o mapa. E através dessas leituras apreender os problemas do espaço e ao mesmo tempo conseguir pensar as transformações possíveis para aquele espaço (PASSINI, 1994).

Depreende-se disso que um mapa não pode ser construído do “dia para a noite”, ele exige a utilização de técnicas e métodos específicos, bem como a definição clara dos objetivos que se pretende alcançar, pois deve ser possibilitado ao leitor o entendimento de suas informações e, através do conteúdo nele presente, que possibilite ampliar seus conhecimentos, entendendo melhor o seu espaço e sabendo como nele agir (BERNASKI, 2004).

CARTOGRAFIA ANALÓGICA/DIGITAL

A cartografia cresceu significativamente, tanto na forma analógica quanto digital e tridimensional. Pode-se assim dizer que a cartografia digital deixou de ser inédita, pois alguns usuários e profissionais da área questionam as propriedades funcionais e a qualidade dos produtos cartográficos digitais disponíveis.

O “mapa digital” (MD) é um modelo numérico do mapa, criado através da digitalização das fontes cartográficas, via transformação fotogramétrica dos materiais de sensoriamento remoto, através do registro digital dos dados de trabalhos de campo, ex. Sistema de Posicionamento Global (GPS) ou com outros métodos. Pela sua essência, o MD significa exatamente o modelo numérico (inglês – digital) ou dados cartográficos numéricos. O MD cria-se com cumprimento total das normas e regras de mapeamento, da precisão de mapas, da generalização e dos sistemas dos sinais convencionais, serve de base para edição dos mapas em papel, mapas computacionais e mapas eletrônicos; faz parte dos bancos de dados cartográficos; representa um dos elementos mais importantes de fornecimento informativo dos SIG e ao mesmo tempo pode ser o resultado de funcionamento destas (BERLIANT, 1998, referenciado In: KARNAUKHOVA e LOCH, 2001).

Além disso, tem-se o mapa computacional e o mapa eletrônico, conceitos muitas vezes confundidos entre si. Entende-se como: “mapa eletrônico”, a representação cartográfica visualizada com auxílio dos softwares e meios técnicos numa dada projeção, formato e do sistema de sinais convencionais no vídeo (tela) do computador com base nos dados de mapas digitais ou dos bancos de dados do SIG. Quando há necessidade pode ser transformado ou completado com novos dados (ex. com informação operativa) (BERLIANT, 1998, referenciado In: KARNAUKHOVA e LOCH, 2001).

O “mapa computacional” é um mapa sobre papel, poliéster, filme fotográfico ou outros materiais, adquirido com auxílio dos meios de mapeamento automatizados (digitalizadores, plotters, etc.). Sendo assim, a “cartografia digital” representa a parte da Cartografia que abrange a teoria e os métodos de criação e uso prático dos mapas digitais e outros modelos cartográficos digitais espacial – temporários (BERLIANT, 1998, referenciado In: KARNAUKHOVA e LOCH, 2001).

Os mapeamentos por computador e os sistemas de SIG continuam explorando novos caminhos de aplicação com grande rapidez no processamento na capacidade de armazenamento de dados, na flexibilidade de compilação e na visualização da informação (…). A ênfase à visualização tem o potencial de revitalizar a cartografia para além do SIG e da cartografia digital, em direção aos Atlas eletrônicos interativos e sistemas de multimídia que incorporam o SIG apenas como uma das inúmeras tecnologias. Os conceitos deste tipo de Atlas envolvem a visualização da informação, esquematização, análise comparativa, ordenação, animação, modelagem dinâmica, projeção, navegação casual, hipertexto, base de dados e uma capacidade para processamento de interatividade, (ARCHELA e ARCHELA, 2002).

Tem-se também como definição de GIS (Geographical Information System) ou SIG, segundo ALMEIDA e RIGOLIN (2003), o conjunto de tecnologias que permite a coleta de informações sobre determinado tema. Além de ser um sistema de processamento de dados, o GIS permite a superposição e o cruzamento de informações, tendo como características integrar, em uma única base, informações diversas de forma que seja possível consultar, comparar e analisar essas informações, além de produzir mapas, podendo ser aplicado a qualquer tema que envolva informações de um lugar com elementos que possam ser representados.

Diante das informações expostas: a cartografia como ciência; a representação da cartografia; a cartografia analógica/digital referenciamos a partir daqui os sistemas de informações geográficas e a cartografia ambiental.

SIG X CARTOGRAFIA AMBIENTAL

As definições encontradas, referentes ao SIG, podem ser entendidas desta maneira: segundo os Cursos em Geoprocessamento – Edição 2003 (encontrado no site www.cav.udesc.br) os Sistemas de Informação Geográfica SIG/GIS são tecnologias de Geoprocessamento que lidam com informação geográfica na forma de dados geográficos. Por sua vez, dados geográficos podem ser classificados como dados espaciais e dados de atributos. A Geomática reúne métodos, técnicas, metodologias e tecnologias das Ciências Geodésicas com o formalismo matemático, com o objetivo de coletar, tratar e processar dados espaciais, tornando-os aptos a serem utilizados por tecnologias SIG. Estes dados permitem que se conheça a estrutura geométrica de entes espaciais e sua posição no espaço geográfico. SIG trata-se de um conjunto integrado de componentes com a função de fornecer informação, na forma de dado, aos processos decisórios. Em certa medida, um SIG é um SADE, ou seja, um Sistema de Apoio à Decisão Espacial.

Um SIG pode ser utilizado para a produção de mapas gerando um banco de dados geográficos, que dará suporte para análises espaciais de diversas ordens. Sendo assim, pode-se perceber que tal arte traz possibilidades grandiosas de conhecimentos e análises. Enfim, é uma “arma” poderosa de trabalho e, desse modo, acredita-se ser indispensável nas questões ambientais, como análises, monitoramento, recuperações de áreas degradadas, prevenção de maiores prejuízos e técnicas a serem desenvolvidas a favor de um meio ambiente mais saudável (BERNASKI, 2004).

Para representar a dinâmica do Meio Ambiente é importante que se busque uma cartografia que incorpore todas as relações existentes entre os elementos naturais e sociais, como um instrumento capaz de revelar o conteúdo da informação mobilizada de forma abrangente, esclarecedora e crítica (ARCHELA et al, 2002).

Nas questões ambientais são os mapas de síntese que melhor representam a cartografia ambiental, pois (…) o mapa de síntese é a fusão de mapas analíticos em conjuntos espaciais característicos, que dão a dinâmica necessária à cartografia ambiental, permitindo a compreensão e a visualização da dinâmica do meio ambiente (ARCHELA et al, 2002).

Os primeiros trabalhos desenvolvidos na cartografia ambiental foram no Laboratório de Geomorfologia do Centro National de Rechercher Scientifiquer em Caen, na França, sob a coordenação do Professor (André Journaux 1985 In: ARCHELA et al 2002). Dentro desta pesquisa foram utilizadas escalas de diversos tamanhos, que possibilitaram conduzir decisões de planejamento territorial, da estrutura e da dinâmica do meio natural e antrôpico, incluindo inter-relações entre ar, água, solo, degradação e recuperação. Pesquisa esta que permitiu a adoção da legenda criada pela equipe de Caen, como modelo padrão para todas as regiões da França, adotado pela Comissão Nacional de Cartografia do Meio Ambiente e de sua Dinâmica, do Comitê Nacional Francês de Geografia.

As cartas elaboradas a partir da metodologia citada passaram a ser utilizadas intensamente pelos órgãos do governo Francês, nos trabalhos de planejamento de uso e ocupação do espaço. Journaux (1985) apresenta uma classificação metodológica para as cartas que tratam da temática ambiental desde a análise simples dos fenômenos até a síntese complexa e classifica os mapas em três níveis: cartas de análise, cartas de sistemas e cartas de síntese (ARCHELA, et al, 2002).

Dentro destes três tipos de cartas, Journaux explica a função de cada uma, sua utilização e para quais fins cada uma é mais apropriada.

As cartas de análise têm por objetivo cartografar elementos ou processos simples. Por elementos podem ser consideradas as coberturas superficiais, as formações geológicas, as distribuições fitológicas, os espaços agrícolas, tipos de construções urbanas, densidades populacionais, refeitos e poluições do ar, da água, etc. (…). Por processos podem ser consideradas as cartas geomorfológicas, as de utilização do solo, de degradação do ambiente, etc. (…). As cartas de sistema têm por objetivo cartografar as associações de elementos ou de processos, para definir sistemas ou obter cartas de aptidão (…). Por sistemas são consideradas as cartas de sistemas agrários, cartas ecológicas, que permitem visualizar a degradação do meio ambiente etc. (ARCHELA et al 2002. p.58).

As cartas de síntese são as cartas de sensibilização aos problemas ambientais, destinadas não somente à conscientização do estado e da dinâmica ambiental, mas para subsidiar as ações e decisões no planejamento territorial. A carta do meio ambiente e sua dinâmica podem ser elaboradas na forma digital ou analógica, porém deve levar em conta os elementos naturais, água, ar e solo e a ação antrópica passada e presente (ARCHELA et al 2002).

Pode-se citar exemplos de cartas, que têm objetivos específicos, tais como: as cartas mostram que a utilização dessa metodologia para a elaboração de cartas ambientais pode representar uma contribuição importante para a avaliação das condições de vida da população, e também para avaliação da qualidade ambiental, como um instrumento de conscientização. A cartografia está sendo utilizada no estudo do meio ambiente, mas a sua importância ainda não é a mesma das análises ambientais. É certo que o uso dos sistemas de informações geográficas viabilizam o gerenciamento do espaço, possibilitando ao usuário estabelecer, por exemplo, previsões de impactos ambientais e planejar medidas eficazes (ARCHELA et al, 2002).

CONSIDERAÇÕES GERAIS

A partir de observações que instigaram a realizar esta pesquisa, percebe-se a necessidade de buscar os caminhos possíveis para trabalhar melhor a questão cartográfica em torno da temática ambiental. Esta questão envolve vários fatores estruturais, a fim de elucidar a presente proposta ao contexto no qual ela se insere e apresentar alguns pontos que acreditamos estar ligados às dificuldades e limitações de um trabalho cartográfico ambiental, que visa à educação ambiental.

Além da experiência que adquirimos na prática pedagógica, a realização do trabalho de conclusão do curso de licenciatura em Geografia nos aproximou ainda mais da temática, mediante a pesquisa realizada na área da educação, mas especificamente, o uso da cartografia no ensino de geografia. Esses problemas que nos atingem há muito tempo têm se ampliado de forma generalizada, principalmente pela ética antropocêntrica e sua relação com o meio. Neste contexto, considera-se fundamental pensar a educação ambiental através da contribuição cartográfica como um dos caminhos possíveis para se pensar soluções em torno da problemática ambiental e, ao mesmo tempo, verificar como este processo pode contribuir para a modificação dos atuais valores, atitudes e comportamentos da sociedade com relação ao meio ambiente. Assim, pretende-se continuar a desenvolver pesquisas nesta área, com o objetivo de contribuir para o aprofundamento teórico sobre a temática e também para a formação profissional.

Assim, dentro de todo esse crescimento, o que ainda está faltando é o reconhecimento e a divulgação da cartografia e, principalmente, a democratização dos seus produtos, em especial, os mapas. Neste processo de conquistas técnicas, a ciência cartográfica foi recebendo diferentes concepções, que variam entre o entendimento da cartografia como ciência, técnica, arte etc, tendo em comum o fato de considerá-la como o mecanismo de conhecer a Terra e representá-la em escalas diferenciadas.

A partir do surgimento da computação gráfica, as possibilidades da cartografia multiplicaram-se para além do reconhecimento da distribuição espacial dos objetos e fenômenos. Isso devido aos produtos cartográficos digitais, que permitem um amplo aproveitamento do potencial dos recursos oferecidos pela computação eletrônica, como: a capacidade de armazenamento e processamento de grandes volumes de dados, a recuperação de dados armazenados, a possibilidade de geração de modelos derivados e a realização de simulações.

Atualmente a cartografia deve estar direcionada a trazer informações mais complexas sobre a estruturação do espaço, tais como sua forma de organização, como está constituído, sua transformação ao longo dos anos e demais informações que permitirão ao indivíduo sair de visões superficiais, para atingir dados mais aprimorados do objeto em estudo. Então, dentro de uma perspectiva cartográfica, os mapas vêm assumir um papel extremamente relevante, pois por meio destes possibilita-se ao homem a obtenção de diversas visões e redimensionamentos do tema neles especificados, sendo possível analisá-los sob diversos aspectos, o que certamente colaborará para a efetivação de estudos com maior fundamentação, abrindo-se um leque de possibilidades para o entendimento dos mesmos, o que caracteriza a pluralidade do trabalho com os mapas. Desta forma, partindo do objetivo que se quer atingir, assim deverá ser utilizada a carta adequada.

Por exemplo, é importante saber as causas da degradação e sua amplitude para poder corrigir e prevenir novas degradações. Portanto, tendo como base a linha de pesquisa, far-se-á a coleta de dados onde se faz importante uma ordem, a qual pode ser geográfica ou cronológica.

Quando se sobrepõem muitos dados no mesmo mapa, deve-se seguir um parâmetro para não confundir as informações. Por exemplo, utilizar a cor azul para hidrografia e hidrologia; o branco para o ar; o laranja para espaços construídos, o marrom para espaços cultivados e o verde para formações vegetais. Para representar a dinâmica do meio ambiente utilizam-se vermelho, lilás e roxo. Essas cores são utilizadas para as modificações do meio ambiente (solo, ar e água) e o preto para as áreas de proteção. Desta forma, tem-se: lilás = poluição das águas; roxo = poluição do ar; preto = proteção e melhorias, por exemplo. A partir do exposto, pode-se ter uma noção de que seja o que for que irá ser representado é necessário uma ordem e que deve seguir as normas da simbologia cartográfica.

Visando essa linha de pesquisa, expôs-se as aspirações, onde buscou-se mostrar considerações referentes à arte cartográfica, pois a curiosidade estimula-nos a pesquisar, o que nos leva a um saber mais profundo. “Aprender para nós é construir, reconstruir, constatar para mudar, o que não se faz sem abertura ao risco e à aventura do espírito” (FREIRE, 1996. p.77). Observando o que Freire cita, refletimos sobre nossa capacidade em contribuir para um pensar mais sensibilizado às questões ambientais, mesmo para quem pensa incorretamente. Pois já dizia (FREIRE, 1996.p. 30) “só na verdade, quem pensa certo, mesmo que, às vezes pense errado, é quem pode ensinar a pensar certo”.

Deste modo, salienta-se a grandiosidade de poder que se têm em mãos, sendo possível através da cartografia ampliar os horizontes ambientais, contribuindo para a sua preservação. Assim espera-se, pois o futuro depende de uma participação ativa, presente, consciente e responsável por parte dos educadores.

CONCLUSÃO

Diante da pesquisa realizada, pode-se afirmar que a cartografia pode e deve ser utilizada em muitas pesquisas, bem como nas análises ambientais, fato este que enriquece e amplia o conhecimento de áreas específicas, sejam elas para fins diversos, com objetivos múltiplos, como exemplo a contenção de uma área em deterioração ou prevenção de um desequilíbrio ecológico.

Portanto, pesquisar, analisar, vivenciar as situações e tentar resolvê-las requer ferramentas que facilitem o trabalho e uma delas é a cartografia.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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ARCHELA, Rosely Sampaio; ARCHELA, Edison.; BARROS, O. N. F.; BENADUCE, G. M. C. Abordagem metodológica para a cartografia ambiental. Geografia: Revista do Departamento de Geociências, Londrina, v.11, n.1, p. 57-65, 2002.

ARCHELA, Rosely Sampaio e ARCHELA Edison. Correntes da cartografia teórica e seus reflexos na pesquisa. In: Departamento de Geociências da Universidade Estadual de Londrina v.11 n.2, Londrina: Ed. UEL, 2002.

BERTIN, J. A Linguagem Cartográfica; Semiologie Graphique.. 2ª ed. Paris, Mouton-Gauthier-Villars, 1973.

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www.cav.udesc.br/~engrural/ie/eventos/cursosig.html, Cursos em Geoprocessamento – edição 2003, acessado em 07/10/2006 às 17:00 horas.

A Economia do Rio Grande do Norte

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No inicio da colonização, a economia do RN era basicamente de subsistência, concentrando-se na pesca, pecuária e agricultura. A cultura da cana de açúcar, tão bem desenvolvida em outras capitanias, não teve o mesmo sucesso no Rio Grande, restringindo-se ao sul do Estado. O mais importante engenho é o Engenho do Cunhaú, fundado em 1630.

A exploração do Pau-Brasil, grande riqueza brasileira e praticamente o primeiro produto exportado do Rio Grande do Norte para a Europa, consistia na maior atividade econômica na época da Colônia, e foi também o motivo de varias invasões à nossa costa, tanto de franceses quanto holandeses, atrás da sua exploração clandestina.

Das atividades de subsistência, a pecuária foi a que mais se desenvolveu, com a criação de gado em grandes fazendas destinadas ao abastecimento das outras capitanias próximas. As fazendas de criação de gado deram origem aos distritos que hoje formam os 166 municípios do Estado do Rio Grande do Norte.

Atualmente, a economia do Estado está em pleno desenvolvimento. Suas principais atividades se concentram nas áreas de Agricultura – com o cultivo de algodão, arroz, banana, castanha-de-caju, cana-de-açúcar, coco-da-baía, feijão, mandioca, milho, batata-doce, sisal, fumo, abacaxi e mamona; Pecuária – bovina, suínos, avicultura; Pesca; Extração vegetal – Carnaúba e Mineração – sal marinho, calcário, diatomito, estanho, caulim, gás natural, petróleo, tungstênio, feldspato, nióbio.

O cultivo do algodão teve importante participação na economia do Rio Grande do Norte desde a colonização do Estado, e a pecuária ainda é uma das atividades econômicas mais fortes do Estado. Os pólos salineiros no na região litorânea do extremo norte do Estado movimentam o porto de Areia Branca, sendo responsável por 90% da produção nacional. Já a extração de petróleo movimenta o porto de Guamaré, sendo um dos maiores centros extratores de petróleo do país, e o maior produtor de petróleo “em terra” no Brasil. Estas duas atividades respondem pelo maior crescimento da Economia do Estado.

O Rio Grande do Norte vem desenvolvendo-se rapidamente nos últimos anos. Sua indústria, cujos principais produtos ainda são os têxteis, os artesanatos e cerâmicas, vêm ganhando força graças às exportações. Produtos como o sal, camarão, frutas – mamão, melão, melancia, abacaxi, manga, etc. – peixes e doces tornaram o Estado o campeão de exportações do Nordeste.

A falta de estrutura ainda é um problema na economia, mas pólos industriais estão sendo montados, e melhorias e ampliações as estruturas de portos e aeroportos também estão contribuindo para o incremento das atividades econômicas.

O setor turístico é outro setor em franco desenvolvimento. O Rio Grande do Norte conta com uma das paisagens mais belas do Nordeste brasileiro, e suas praias de águas mornas e seu clima sempre favorável o torna o principal alvo de turistas nacionais e estrangeiros. O setor turístico no Estado ainda é carente de profissionais especializados e subsídios do Governo, mas novas Faculdades e Escolas de Turismo estão atuando cada vez mais no Rio Grande do Norte.

ECONOMIA – Participação no PIB nacional: 0,9% (2004).Composição do PIB: agropec.: 5,6%; ind.: 44,2%; serv.: 50,2% (2004).PIB per capita: R$ 5.370 (2004). Export. (US$ 413,3 milhões): crustáceos e peixes (30,5%), frutas (19,3%), tecidos e confecções de algodão (12,3%), petróleo (10,8%), castanha de caju (8,5%), açúcar (5,3%), bombons e confeitos (3,9%), sal marinho (3,7%). Import. (US$ 110,3 milhões): geradores (27,5%), trigo (15,7%), máquinas e motores não têxteis (14,8%), alumínio (6,7%), máquinas têxteis (5,2%), algodão (3,6%), cartão ondulado – embalagens (2,8%) – 2005.

O Rio Grande do Norte é o maior produtor nacional de petróleo em terra e o segundo no mar, também é o terceiro na exploração de gás natural, com 9% da produção brasileira. Apresenta o maior índices de emprego formal do Nordeste, segundo o IBGE. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE), o Rio Grande do Norte paga o segundo melhor salário do Nordeste para professores da rede estadual.

Bibliografia

http://www.nataltrip.com/index.php?Fa=rni.infEconomia

http://www.portalbrasil.net/estados_rn.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Rio_Grande_do_Norte

Prevalência de Sintomas Músculo-esqueléticos

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A proposta deste artigo foi de estimar a prevalência de sintomas músculo-esqueléticos em estudantes de violão da Faculdade de Música de uma Universidade Particular de Salvador, Bahia, no período de agosto a setembro de 2007. Foram selecionados todos os estudantes de violão, totalizando 32 pessoas, que responderam a um questionário adaptado do Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares, contendo os seguintes aspectos: dados pessoais, atividades profissionais, sintomatologia relacionadas ao ato de tocar, tratamento utilizado e conseqüências da sintomatologia. A análise foi feita no programa SPSS 15.0, utilizando os Teste de Qui-quadrado com correção de Yates ou o Teste de Fisher, com nível de significância de 5%. Foram verificados características gerais e específicas da população. Todos os estudantes responderam ao questionário. A prevalência de sintomatologia dolorosa foi alta, 28 (87,5%) dos 32 estudantes apresentavam dor no ato de tocar o instrumento. O presente estudo encontrou uma elevada prevalênci queléticos freqüentes, com referência aos últimos 12 meses, principalmente na região cervical em 14 (43,8%) indivíduos e região dorsal em 16 (50,0%). Quando questionados sobre sintomatologia no ato de tocar 13 (40,6%) desses entrevistados apresentaram sintomas músculo-esqueléticos freqüentes em região de punho e mãos. Esses sintomas podem estar associados às cargas físicas e emocionais da atividade. Diante dos resultados encontrados faz-se necessária à elaboração e implantação de estratégias para amenizar a carga de esforço e evitar agravos.

SUMARIO

Agradecimentos 
Dedicatória 
Folha de Rosto
Introdução 
Material e Métodos 
Resultados 
Discussão 
Conclusão 
Referências Bibliográficas
Projeto da Pesquisa

INTRODUÇÃO

A música está sempre associada ao momento de prazer, algo que causa bem estar e traz equilíbrio emocional. Porém são crescentes as evidências de que músicos estão sujeitos a fatores de risco do próprio trabalho, o que acarreta no aparecimento de sintomas músculo-esqueléticos. A dor como consequência de um processo inflamatório é um dos sintomas que surgem, podendo assumir característica de doença crônica e levar o músico a afastar-se de suas atividades.

Os sintomas músculo-esqueléticos variam desde um desconforto que pode persistir, piorar e levar a lesões sérias. Essas lesões podem se apresentar de várias formas, como afecções músculo-tendíneas, compressões nervosas ou disfunções motoras e são passíveis de tratamento efetivo quando iniciado precocemente.

Os músicos podem apresentar sintomas músculo-esqueléticos por realizar movimentos repetitivos em posturas inadequadas e vivenciar situações de estresse, independente da idade16. No Brasil, pesquisa sobre o nível de estresse em instrumentistas de cordas feita em 13 estados brasileiros, detectou que 88% dos músicos apresentavam desconfortos relacionados ao tocar, sendo a dor o sintoma predominante em 30% deles.

Os estudantes de violão geralmente ingressam na faculdade com o intuito de se tornarem profissionais. Muitos deles já estudam o instrumento por conta própria há vários anos, além de desempenharem outras profissões. Os sintomas músculo-esqueléticos afetam as atividades dos músicos e se tornam doenças ocupacionais freqüentes nesta população6. Vários estudos mostram que a dor contínua ou intermitente causa desconforto físico e é fator de risco para esta população.

A prática do instrumento sem o devido condicionamento físico, aliado a posturas incorretas pode vir a causar disfunções, para evitá-las prevenir é a melhor opção8. O condicionamento físico é necessário para a prática do instrumento, sem o mesmo, ela será prejudicial. O uso de antiinflamatórios, relaxantes musculares, fisioterapia e acupuntura não evitarão fato o progresso da doença. A assistência precoce e intervenção nestes sintomas fazem parte do tratamento de reabilitação ocupacional8.

Existem muitos estudos sobre sintomas músculo-esqueléticos em músicos profissionais, porém não foi encontrado até o momento nenhum estudo que aborde o tema envolvendo estudantes de violão. Instrumento este, popular e de fácil acesso, devendo ser tema de estudo para profissionais da área de saúde.

A proposta deste estudo foi estimar a prevalência de sintomas músculo-esqueléticos nos estudantes de violão da Faculdade de Música de uma Universidade Particular de Salvador, Bahia, Brasil.

MATERIAL E MÉTODOS

Trata-se de um estudo transversal realizado com 32 estudantes de violão da Faculdade de Música de uma Universidade Particular localizada em Salvador, Bahia, Brasil. Os indivíduos foram escolhidos por conveniência, indicados por professores e outros alunos, sendo estes apenas os estudantes do curso de graduação da Universidade Particular devidamente matriculados. Foram excluídos estudantes que praticavam outros instrumentos. As entrevistas foram realizadas no período de agosto a setembro de 2007 e realizadas face a face com a aplicação de questionário semi-estruturado para o entrevistado sempre nos intervalos das aulas e efetuadas na biblioteca da Faculdade de Música.

O instrumento de coleta utilizado foi o Questionário Nórdico de Sintomas Osteomusculares (QNSO) traduzido e validado para a população brasileira17 contendo as variáveis: sexo, estado civil, idade, semestre em curso, anos de prática do instrumento, atividade profissional, horas de prática do instrumento por dia, hábitos e estilo de vida, dominância, presença de patologias pregressas e utilização de medicamentos.

Foi questionado também a presença de dor nos últimos 12 meses, sete dias e no momento do estudo do instrumento e qual a intensidade da dor sendo esta indicada na escala analógica de dor (EAD) formulada com variação de zero (nenhuma dor) a dez (máxima dor). Além disso, questionou-se sobre a dor, desconforto ou dormência sendo indicados em figura humana contendo nove locais anatômico para referida sintomatologia (pescoço, ombros, braço, cotovelo, antebraço, punhos/mãos/dedos, região dorsal, região lombar, quadril/membros inferiores). A freqüência de dor (não há, raramente, com freqüência e sempre), também foi uma variável estudada e marcada em um quadro anexo a figura.

Para o tratamento estatístico dos dados, foi utilizado o programa SPSS 15.0 for Windows e o software Access da Microsoft para criar o banco de dados. Para análise das variáveis os Testes de qui-quadrado com correção de Yates e o Teste de Fisher nos casos em que ocorreram freqüência esperada menor que cinco. O nível de significância adotado foi de 5%.

Todos os participantes assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, onde estavam expostos os objetivos do estudo, sendo garantidos a confidencialidade dos dados e o direito de se retirar da pesquisa a qualquer momento sem qualquer ônus, de acordo com os aspectos éticos concebidos pela resolução 196/96 do Conselho nacional de Ética e Pesquisa envolvendo seres humanos. Vale salientar que o presente estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade Católica do Salvador.

RESULTADOS

A população estudada constitui-se predominantemente por estudantes do sexo masculino. Dos 32 estudantes de violão, 26 (84,4%) foram indivíduos do gênero masculino e cinco (15,6%) do gênero feminino. A idade variou de 20 a 33 anos (Figura 1). Em relação ao estado civil observou-se que 26 (84,4%) eram solteiros e 5 (15,6%) eram indivíduos casados.

Em relação ao uso de tabaco, apenas 6 (18,8%) faziam uso de algum tipo de fumo e 26 (81,3%) não. Dos entrevistados, 24 (75,0%) não realizavam atividades profissionais e apenas oito (25,0%) trabalhavam como professores de violão ou tocavam em bandas. Do total de entrevistados 16 (50,0%) praticavam algum tipo de atividade física regular e 16 (50,0%) relataram levar uma vida sedentária.

O semestre dos alunos variou do 1º ao 9º semestre, não foram encontrados alunos do 8º semestre (Figura 2). Do total, 87,5% relataram ter algum tipo de sintoma músculo-esquelético nos últimos 12 meses, 84,4% nos últimos sete dias e 87,5% no momento do estudo. As regiões anatômicas mais acometidas nos últimos 12 meses foram as regiões cervical (43,8%) e dorsal (50,0%). Nos últimos sete dias não houve região com notável acometimento sendo a sintomatologia sendo a maior em 31,3% em região de punho, mãos e dedos. No momento do estudo do instrumento a região anatômica com maior acometimento foi a de punho, mão e dedos (40,6%) (Figura 3).

Em relação à presença de dor nos últimos 12 meses, quando solicitados para classificarem sua dor de acordo com a escala de dor, as notas variaram de zero a dez, sendo apenas um (3,1%) indivíduo a responder com nota dez. As notas com maior significado foram quatro (18,8%), cinco (18,8%) e sete (18,8%). Nos últimos sete dias a classificação variou de zero a dez, sendo o mesmo entrevistado (3,1%) a relatar nota dez. A nota com maior significância foi cinco (28,1%) seguida de zero (15,6%). No momento do estudo as notas variam de zero a oito, sendo seis (21,9) a de maior freqüência seguida da nota sete (18,8%) (Figura 4).

Destes estudantes, quatro (12,5%) relataram realizar algum tratamento para os sintomas de dor, onde dois (6,25%) deles optaram por tratamento médico e dois (6,25%) por tratamento fisioterapêutico. Ainda nesta população, oito (25,0%) afirmaram possuir patologias relacionadas com o ato de tocar, dentre elas: tenossinovite, escoliose e hérnia discal. A porcentagem de estudantes que reduziram o tempo de estudo devido à dor foi de 16 (50,0%). Quando questionados sobre a prática de atividades físicas, 16 (50,0%) dos entrevistados afirmaram realizar atividades como: corrida, musculação, surf, ginástica entre outros. Também foi perguntado sobre o uso de tabaco sendo 81,3% o número de não usuários.

DISCUSSÃO

O presente estudo encontrou uma elevada freqüência de sintomas músculo-esqueléticos nestes estudantes de violão. Os dados condizem com a literatura. Joubrel et al. (2001) verificaram entre 141 músicos instrumentistas franceses que 76,6% apresentavam sintomas músculo-esqueléticos, principalmente em coluna, punho e mãos. Siemon e Borisch (2002) observaram também elevado número (74%) de sintomas em pescoço, lombar e mãos. Toledo et al. (2004) refere que os membros superiores são locais mais afetados. Lockwood (1986) refere que mãos, ombros e cabeça são regiões comumente acometidas.

Na maioria da população a região mais acometida eram as regiões cervical e dorsal e de punho, mãos e dedos, o que nos leva a pensar nos possíveis fatores de riscos relacionados com essas dores. Bejjani, Kaye e Benham (1996) afirmam que os sintomas músculo-esqueléticos nos músicos estão associados aos movimentos repetitivos ao tocar associado à postura inadequada durante prolongado período de tempo, o autor também faz referência ao peso do instrumento. Além disso, os músicos não estão expostos somente a cargas físicas, mas também emocionais em decorrência da própria atividade, como tocar em público, sob um olhar crítico e a cobrança de perfeição de si próprio.

A população formada na maioria por homens 26 (84,4%), não condiz com outros estudos onde as mulheres são maioria, ou estão em mesmo número que os homens. Devido à escassez de estudos com instrumentistas de violão não se pode basear-se adequadamente em relação ao gênero, além do que esses estudos são feitos com uma grande variedade de músicos e a maioria de outros países.

Outros fatores de risco a que o estudante de violão está exposto é o fator psicológico, tanto em relação às performances ao vivo, quanto a possíveis cobranças de familiares. Ribeiro (1997) e Sato (2001) referem existir uma forte associação entre sintomas músculo-esqueléticos e sofrimento psíquico. A maioria dos estudos mostra uma associação entre pelo menos um fator psicossocial relacionado à atividade e o aparecimento de sintomas. Além disso, para atingir uma performance excelente, necessitam de uma rotina diária de treinamento constante e cuidado com a alimentação e descanso.

Observou-se no estudo que poucos são os músicos acometidos por agravos músculo-esquelético que vêm a procurar assistência às suas dores quatro (12,5%), o que poderá elevar as chances de afastamento das atividades por estes agravos. Segundo Dupuis (1993), muitos músicos só procuram assistência médica em casos já bem avançados e o tratamento nessas situações requer um afastamento prolongado do instrumento, fato não facilmente aceito. Nourissat, Chamagne e Dumontier (2003), observaram que dos 277 músicos que procuraram serviços de saúde mais da metade apresentavam queixas de dores, 18% perceberam quando estavam tocando.

Devido à falta de estudos focados no instrumentista de violão, torna-se difícil transcorrer sobre os dados avaliados neste estudo, tornando-se isto um possível viés. Acreditando que, por se tratar de um estudo inovador, há a necessidade de um maior aprofundamento sobre os fatores de risco associados e um estudo de intervenção em uma população maior.

CONCLUSÃO

Foi demonstrado neste estudo que os estudantes pesquisados apresentavam elevada prevalência de sintomas músculo-esqueléticos. Esses sintomas podem estar relacionados às cargas físicas e emocionais da própria atividade. Diante dos resultados encontrados, faz-se necessária à elaboração e implantação de estratégias para amenizar a carga de trabalho e evitar maiores agravos, além de orientação e encaminhamento para tratamento neste estudantes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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