A chuva, neve ou neblina com alta concentração de ácidos em sua composição, conhecida como chuva ácida, é um problema ambiental que afeta particularmente a Ásia hoje, por causa do consumo crescente de combustíveis fósseis na região.
O óxido de nitrogênio (NO) e os dióxidos de enxofre (SO2), principais componentes da chuva ácida, são liberados na queima de carvão e óleo, fontes de energia que movem as economias asiáticas. No decorrer da década de 90, os países da região lançam na atmosfera cerca de 34 milhões de toneladas de dióxido de enxofre ao ano, 40% a mais do que emitem os Estados Unidos (EUA), até então o maior responsável pela ocorrência do fenômeno.
Esses números devem triplicar até 2010, sobretudo na China, Índia, Tailândia e Coréia do Sul, não só por causa do aumento da produção industrial e da frota de veículos, mas também porque esses países usam basicamente carvão para gerar energia. Na China, por exemplo, 70% da energia provém da queima desse combustível.
Ao retornar à superfície por meio da chuva, os ácidos alteram a composição do solo e das águas, comprometendo as lavouras, as florestas e a vida aquática. Também podem corroer edifícios, estátuas e monumentos históricos, o que já acontece em vários lugares da Europa e nas ruínas maias do México.
As precipitações ácidas se concentram historicamente nas áreas industriais do hemisfério norte. O Fundo Mundial para a Natureza (WWF) estima que cerca de 35% dos ecossistemas europeus se encontram degradados pela acidez da chuva. No leste dos EUA e na Europa Ocidental já foram registrados índices de acidez entre 2 e 3, numa escala de 0 a 14 – indicadores abaixo de 7 são considerados ácidos. Muitas espécies de peixes e quase todas as de moluscos não sobrevivem a índices abaixo de 4,8.
Desertificação
A perda de produtividade do solo por causa do manejo inadequado das culturas, do uso excessivo de fertilizantes e da destruição da cobertura vegetal é responsável hoje pela desertificação de extensas áreas do globo. Conforme o Worldwatch Institute, organização norte-americana que acompanha o estado atual dos recursos naturais do planeta, cerca de 15% da superfície terrestre está sob risco de desertificação em algum grau. As áreas mais afetadas são o oeste da América do Sul, o nordeste do Brasil, o norte e o sul da África, o Oriente Médio, a Ásia Central, o noroeste da China, a Austrália e o sudoeste dos Estados Unidos (EUA).
Já em 1977, ano da primeira Conferência Mundial sobre Desertificação, realizada no Quênia, o problema era conhecido. Na ocasião, os cientistas chamaram a atenção para a diferença entre o fenômeno de desertificação e a progressão natural dos desertos. A desertificação resulta da degradação do solo, que o torna estéril, e vem sendo provocada principalmente pelo homem, por meio do desmatamento de extensas áreas de floresta, da agropecuária intensiva e da mineração desordenada. Essas atividades destroem a cobertura vegetal natural do solo, contribuindo para o surgimento de terrenos arenosos, impermeáveis à absorção de água. Na década de 90, o manejo agrícola inadequado foi responsável pela degradação de 562 milhões de hectares de terra, ou seja, 38% do total da área plantada no mundo, conforme o relatório do World Resources Institute (WRI).
Parte dessa extensão de terra foi apenas levemente prejudicada pela erosão, mas uma fatia considerável ficou seriamente comprometida em sua capacidade produtiva. Segundo o WRI, as perdas acumuladas desde o início de 1990 ficam entre 5 e 6 milhões de hectares. O esgotamento do solo em conseqüência da atividade humana predatória pode ser remediada, mas leva tempo e exige enormes recursos financeiros.
Efeito Estufa
O carbono presente na atmosfera garante uma das condições básicas para a existência de vida no planeta: a temperatura. A Terra é aquecida pelas radiações infravermelhas emitidas pelo Sol até uma temperatura de -27oC. Essas radiações chegam à superfície e são refletidas para o espaço.
O carbono forma uma redoma protetora que aprisiona parte dessas radiações infravermelhas e as reflete novamente para a superfície. Isso produz um aumento de 43oC na temperatura média do planeta, mantendo-a em torno dos 16oC. Sem o carbono na atmosfera a superfície seria coberta de gelo.
O excesso de carbono, no entanto, tenderia a aprisionar mais radiações infravermelhas, produzindo o chamado efeito estufa: a elevação da temperatura média a ponto de reduzir ou até acabar com as calotas de gelo que cobrem os pólos. Os cientistas ainda não estão de acordo se o efeito estufa já está ocorrendo, mas preocupam-se com o aumento do dióxido de carbono na atmosfera a um ritmo médio de 1% ao ano. A queima da cobertura vegetal nos países subdesenvolvidos é responsável por 25% desse aumento. A maior fonte, no entanto, é a queima de combustíveis fósseis, como o petróleo, principalmente nos países desenvolvidos. O Japão é o que tem registrado maior crescimento: de 1985 a 1989, sua emissão de dióxido de carbono passa de 265 milhões de toneladas por ano para 299 milhões.
Novo dilúvio – Pesquisas realizadas pela Nasa mostram que a temperatura média do planeta já subiu 0,18oC desde o início do século. Nos anos 80, fotos tiradas pelo satélite meteorológico Nimbus em um período de 15 anos registram a diminuição do perímetro de gelo em volta dos pólos. Supondo o efeito estufa em ação, os cientistas projetam um cenário de dilúvio: o aquecimento do ar aumenta a evaporação da água do mar, cria um maior volume de nuvens, faz crescer o nível de chuvas e altera o regime dos ventos. Haveria chuvas intensas em áreas hoje desérticas, como o norte da África e o nordeste do Brasil, e faltaria água em regiões férteis, como o meio-oeste dos EUA. O degelo das calotas polares elevaria o nível do mar, inundando ilhas e áreas costeiras. Holanda, Bangladesh, Miami, Rio de Janeiro e parte de Nova York, por exemplo, sumiriam do mapa.
O aumento da temperatura global também provocaria a multiplicação de ervas daninhas e insetos e a transferência das pragas de clima quente – como a mosca tsé-tsé, que vive no centro da África – para regiões de clima frio. A absorção do excesso de dióxido de carbono faria a vegetação crescer mais rapidamente e retirar mais nutrientes do solo. Segundo essas projeções, as florestas temperadas só sobreviveriam no Canadá.
El Niño
O surgimento da fase positiva (El Niño) está associado ao enfraquecimento dos ventos alísios, e caracteriza-se pelo aquecimento das águas superficiais do Pacífico Tropical e pelo registro negativo do IOS.
Os pescadores peruanos já conviviam com esse fenômeno que causava uma diminuição na quantidade de peixes na Costa do Peru, sempre na época do Natal, e por isso lhe deram o nome de El Niño (menino-Deus, em espanhol), repassando essa cultura aos seus habitantes
O El Niño – Oscilação Sul (ENOS) é um fenômeno de interação atmosfera-oceano, associado a alterações dos padrões normais da Temperatura da Superfície do Mar (TSM) e dos ventos alísios na região do Pacífico Equatorial, entre a Costa Peruana e a Austrália.
Além da temperatura do mar, o fenômeno ENOS pode ser medido pelo Índice de Oscilação Sul (IOS), que é a diferença média da pressão ao nível do mar entre os setores do centro-leste (Taiti/Oceania) e oeste (Darwin/Austrália) do Pacífico Tropical. Esse índice está relacionado ao aquecimento/resfriamento das águas na região.
As fases positivas e negativas do fenômeno ENOS são denominadas de El Niño e La Niña, respectivamente. Estes são fenômenos naturais que existem há vários anos e continuarão existindo como fenômenos cíclicos, entretanto sem um período regular.
Eventos de La Niña apresentam maior variabilidade e ocorrem com uma freqüência menor do que eventos de El Niño. De 1900 a 1997, ocorreram 28 episódios de El Niño e 18 de La Niña, permanecendo 53% dos anos sem ocorrência dos fenômenos. Em geral, o episódio começa a desenvolver-se em meados de um ano, atinge sua intensidade máxima no final daquele ano, e dissipa-se em meados do ano seguinte (tab. 1).
Anos de El Niño e La Niña
O El Niño faz com que os ventos em altos níveis (12 km de altitude), chamados de Jato Subtropical, tornem-se mais intensos que o normal em decorrência do aumento do gradiente de temperatura entre o Equador e os Pólos. O fortalecimento destes jatos cria um bloqueio para os sistemas frontais que chegam no estado, permanecendo estacionados sobre esta área.
Desta forma, ocorre um aumento da precipitação (anomalia positiva) nesta região, principalmente na primavera do ano em que o fenômeno se inicia, e no outono-inverno do ano seguinte, abrangendo mais intensamente as áreas próximas ao oceano (GRIMM et al., 1996).
Intensificação do Jato Subtropical e conseqüente bloqueio dos sistemas frontais.
Além do El Niño, existem outros fatores que influenciam na climatologia de chuvas e enchentes no estado, como as temperaturas do Oceano Atlântico, na costa catarinense, por exemplo, que podem ser responsáveis pelo aumento da precipitação no litoral.
Destruição de Florestas
Uma das principais atitudes que prejudica e destrói as florestas é o desmatamento.
Este processo de destruição, em grande escala, das florestas, que já atinge a metade das matas nativas do mundo. Segundo o Fundo Mundial para a Natureza (WWF), as florestas cobrem atualmente cerca de 33.000.000 de km² (12.000.000 são tropicais, 21.100.000 são temperadas e 200.000.000 são mangues), número que corresponde a 22% das terras emersas do planeta. A Organização de Alimentação e Agricultura (FAO) estima que, entre 1981 e 1990, foram derrubados 150.000.000 de ha de matas tropicais no mundo.
Na Amazônia, segundo dados do governo brasileiro, a taxa de desmatamento cresceu 34% depois de 1992: a extensão devastada, que até 1991 totalizava 11.130 km², passou a 14.896 km² no ano de 1996. As regiões de proteção ambiental abrangem apenas 6% das florestas remanescentes, área equivalente à do México. Em poucos anos a floresta Amazônica já perdeu cerca de 10% do seu domínio original. Quando os portugueses chegaram ao Brasil, 61% das terras que hoje pertencem ao nosso país eram ocupadas por matas. Desde então, simultaneamente à ocupação do território e à expansão do povoamento, o território brasileiro começou a ser desmatado.
OS MOTIVOS DA DEVASTAÇÃO – Eles têm sido diversos: obtenção de lenha para as fornalhas dos engenhos de açúcar, limpeza do terreno para a instalação de lavouras ou de pastagens para o gado, exploração da madeira etc. A primeira floresta a ser devastada foi a mata Atlântica e, restam hoje apenas 5% daquilo que ela era originalmente. A extensão das florestas brasileiras corresponde atualmente a menos de 30% da superfície do país.
FORMAS DE DESMATAMENTO – Uma das principais formas de desmatamento têm sido as queimadas de extensas áreas para a prática de agricultura e pecuária. A expansão dos centros urbanos, a construção de estradas e a implantação de grandes projetos agrominerais e hidrelétricos também motivam as devastações. Outra causa importante é a comercialização da madeira e, em menor grau, o extrativismo de inúmeras outras espécies de interesse econômico. Segundo a WWF, em 1991 a exploração mundial dos recursos florestais rendeu cerca de US$ 400 bilhões. A extração de madeira – matéria-prima para a construção de moradias e importante fonte de energia – responde por grande parte desse valor. Em países como Zaire, Tanzânia e Gabão, a atividade corresponde a até 6% do PIB. Em Camarões, o desmatamento aumentou 400% desde 1993.
CONSEQÛENCIAS DO DESMATAMENTO – As principais são:
– Destruição da biodiversidade; – Genocídio e etnocídio das nações indígenas; – Erosão e empobrecimento dos solos; – Enchentes e assoreamento dos rios; – Elevação das temperaturas; – Desertificação; – Proliferação de pragas e doenças.
A primeira conseqüência do desmatamento é a destruição da biodiversidade, como resultado da diminuição ou, muitas vezes, da extinção de espécies vegetais e animais. Um efeito do desmatamento é o agravamento dos processos erosivos. A erosão é um fenômeno natural, que é absorvido pelos ecossistemas sem nenhum tipo de desequilíbrio. A retirada da cobertura vegetal expõe o solo ao impacto das chuvas. As conseqüências dessa interferência humana são várias:
– Aumento do processo erosivo, o que leva a um empobrecimento dos solos, como resultado de sua camada superficial, e, muitas vezes, acaba inviabilizando a agricultura;
– Assoreamento de rios e lagos, como resultado da elevação da sedimentação, que provoca desequilíbrios nesses ecossistemas aquáticos, além de causar enchentes e, muitas vezes, trazer dificuldades para a navegação;
– Extinção de nascentes; o rebaixamento do lençol freático, resultante da menor infiltração da água das chuvas no subsolo;
– Diminuição dos índices pluviométricos, em conseqüência do fenômeno descrito acima, mas também do fim da evapotranspiração. Estima-se que metades das chuvas-ácidas sobre as florestas tropicais são resultantes da evapotranspiração, ou, seja da troca de água da floresta com a atmosfera;
– Elevação das temperaturas locais e regionais, como conseqüência da maior irradiação de calor para a atmosfera a partir do solo exposto;
– Agravamento dos processos de desertificação, devido à combinação de todos os fenômenos até agora descritos;
– Redução ou fim das atividades extrativas vegetais, muitas vezes de alto valor socioeconômico;
– Proliferação de pragas e doenças, como resultado de desequilíbrios nas cadeias alimentares.
Além desses impactos locais e regionais da devastação das florestas, há também um perigoso impacto em escala global. A queima das florestas seja em incêndios criminosos, seja na forma de lenha ou carvão vegetal vem tem colaborado para aumentar a concentração de gás carbônico (CO2) na atmosfera. É importante lembrar que esse gás é um dos principais responsáveis pelo efeito estufa.
IMPACTOS AMBIENTAIS EM ECOSSISTEMAS NATURAIS – Um dos principais impactos ambientais que ocorrem em um ecossistema natural é a devastação das florestas, notadamente das tropicais, as mais ricas em biodiversidade. E por que ocorre com tanta avidez o desmatamento de milhares de quilômetros quadrados de florestas tropicais? Essa devastação ocorre basicamente por fatores econômicos, tanto na Amazônia quanto nas florestas africanas e nas do Sul e Sudeste Asiático.
A exploração madeireira é feita clandestinamente ou, muitas vezes, com a conivência de governantes inescrupulosos e insensíveis aos graves problemas ecológicos decorrentes dela. Não levam em conta os interesses das comunidades, nem os interesses da nação que os abriga porque, com raras exceções, esses projetos são comandados por grandes grupos transnacionais, interessados apenas em auferir altos lucros.
Ilha de Calor
Na realidade é nos grandes centros urbanos que o espaço construído pelo homem, a Segunda natureza, alcança seu grau máximo. Quase tudo aí é artificial; e, quando é algo natural, sempre acaba apresentando variações modificações provocadas pela ação humana. O próprio clima das metrópoles, o chamado clima urbano, um tipo específico de microclima constitui um exemplo disso. Nas grandes aglomerações urbanas faz mais calor e chove um pouco mais que nas áreas rurais vizinhas; além disso, nessas áreas são também mais comuns as enchentes após algumas chuvas. Todos os fatores que provocam o aumento dessas temperaturas médias nos grandes centros urbanos serão estudados no decorrer desta pesquisa.
Nos espaços altamente urbanizados, é significativa a diferença de temperatura entre a região central, mais quente, e a periferia, com menor temperatura. Em alguns casos, a diferença pode chegar a 9ºC. Isso ocorre porque nas áreas centrais os automóveis e indústrias lançam poluentes, que provocam o aumento da temperatura. O concreto e o asfalto absorvem rapidamente o calor, cuja dispersão é dificultada pela poluição.
Uma das formas de evitar a formação dessas ilhas de calor é a manutenção de áreas verdes nos centros urbanos pois a vegetação altera os índices de reflexão do calor e favorece a manutenção da umidade relativa do ar.
O clima recebe influência de fatores naturais e do impacto provocado por algumas atividades humanas. As grandes cidades, como São Paulo e Rio de Janeiro, por exemplo, apresentam hoje o chamado clima urbano, resultante da poluição industrial e da emissão de monóxido de carbono (CO) dos automóveis. Os gases formam nuvens que permanecem perto da superfície, retendo parte da radiação infravermelha responsável pelo aumento da temperatura e formando “ilhas de calor”.
As cidades também são mais sujeitas a enchentes, já que o solo impermeabilizado não absorve com rapidez a água da chuva. Outra característica do clima dos centros urbanos são as inversões térmicas, que resultam no agravamento da poluição do ar. O fenômeno acontece no inverno, quando as camadas atmosféricas próximas da superfície estão mais frias que as camadas superiores, o que dificulta a dispersão dos gases, intensificando a poluição atmosférica.
Alterações climáticas graves são provocadas ainda pelo desmatamento. A derrubada e a queimada de florestas aumentam a temperatura do ar e deixam a superfície devastada, sem condições de reter a energia do sol nem de gerar fluxos ascendentes de ar. Assim, as nuvens não se formam e não chove, o que prejudica a agricultura e ameaça a vegetação.
Ilha de calor: é um dos fenômenos típico que afeta as grandes cidades, colabora para aumentar os índices de poluição nas regiões urbanizadas.
A ilha de calor resulta da elevação das temperaturas médias nas zonas centrais da mancha urbana, em comparação com as zonas periféricas ou com as rurais. As variações térmicas podem chegar até 7ºC e ocorrem basicamente devido às diferenças de irradiação de calor entre as regiões edificadas e as florestas e também à concentração de poluentes, maior nas zonas centrais da cidade.
A substituição por grande quantidade de casas e prédios, ruas e avenidas, pontes e viadutos e uma série de outras construções, que é tanto maior quanto mais se aproxima do centro das grandes cidades, faz aumentar significativamente a irradiação de calor para a atmosfera em comparação com as zonas periféricas ou rurais, onde, em geral, é maior a cobertura vegetal. Além disso, na atmosfera das zonas centrais da cidade, é muito maior a concentração de gases e materiais particulados, lançados pelos automóveis e pelas fábricas, reponsáveis por um “efeito estufa” localizado, que colabora para aumentar a retenção de calor. Sem contar com os milhares ou, dependendo da cidade, milhões de automóveis, que são uma grande fonte de produção de calor, o cal se soma ao calor irradiados pelos edifícios, acentuando o fenômeno da ilha de calor.
Deve-se salientar, no entanto, que uma cidade pode Ter vários picos de temperatura espalhados pela mancha urbana, cacterizando assim várias ilhas de calor. Uma região fortemente edificada e industrializada como o eixo da marginal Tietê apresenta picos de temperatura mais elevados do que a região do Morumbi, ainda com bastante áreas verdes.
As cidades apresentam temperaturas médias maiores do que as zonas rurais de mesma latitude. Dentro delas, as temperaturas aumentam das periferias em direção ao centro. Em casos externos, a diferença de temperatura entre as zonas periféricas e o centro pode atingir até 10ºC. Esse fenômeno, resulta em muitas alterações humanas sobre o meio ambiente.
O uso de grande quantidade de combustíveis fósseis em aquecedores, automóveis e indústrias transforma a cidade em uma fonte inesgotável de calor.
Os materiais usados na construção, como o asfalto e o concreto, servem de refletores para o calor produzido na cidade e para o calor solar. De dia, os edifícios funcionam como um labirinto de reflexão nas camadas mais altas de ar aquecido. À noite a poluição do ar impede a dispersão de calor.
As áreas centrais de uma cidade concentram a mais alta densidade de construções, bem como atividades de emissoras de poluentes. A massa de ar quente carregada de material particulado que se forma sobre essas áreas tende a subir até se resfriar. Quando se resfria, retorna a superfície, dando origem a intensos nevoeiros na periferia da mancha urbana. Daí, volta a região central. É um verdadeiro círculo vicioso de fuligem e poeira.
Apesar de todo esse calor, as grandes cidades recebem em média menos radiação solar do que as áreas rurais. É que a poeira suspensa no ar absorve e reflete a radiação antes que ela atinja a superfície. Entretanto, a produção de calor e a conversão do calor latente realizadas pelas construções urbanas mais do que compensam essa perda.
As áreas metropolitanas costumam apresentar vários “picos” de temperatura. As atividades que causam esse afeito podem estar concentradas em várias regiões do tecido urbano, que funcionariam como o “centro”. Bairros fabris pouco arborizados tendem a ser mais quentes que bairros residenciais de luxo, com baixa densidade de construção e muitas áreas verdes.
Mas quais são as conseqüências desse leve aumento das temperaturas? Quais são as conseqüências do surgimento desses microclima urbano? A elevação da temperatura nessas áreas centrais da mancha urbana facilita ascensão do ar, quando não há inversão térmica, formando uma zona de baixa pressão. Isso faz com que, os ventos soprem, pelo menos durante o dia, para essa região central, levando muitas vezes, maiores quantidades de poluentes. Assim, sobre a zona central da mancha urbana forma-se uma “cúpula” de ar pesadamente poluído. No caso de São Paulo, os ventos que sopram de zonas industriais periféricas – cidades do ABC, Osasco, Guarulho, etc. – rumo as zonas centrais da metrópole concentram ainda maiores quantidades de poluentes. Quando se chega à cidade, pode-se ver nitidamente uma “cúpula” acinzentada recobrindo-a.
Os fenômenos descritos acima são impactos produzidos pela sociedade urbano-indústrial em escala local. Mas a sociedade moderna produz sérios impactos também em escala regional e global, que não se limitam às cidades. Estamos falando fundamentalmente do efeito estufa, da destruição da camada de ozônio e das chuvas ácidas.
versão Térmica
CLIMA:
Sabe-se que o clima é constituído de vários elementos: temperatura, chuva, umidade, ventos, massas de ar e pressão atmosférica.
Esses elementos do clima sofrem a influência de vários fatores, como, por exemplo: a posição astronômica e geográfica da região ou país, a configuração do território, as altitudes e as linhas mestras do relevo, a latitude, a altitude, a proximidade do mar, a vegetação e a continentalidade.
POSIÇÃO ASTRONÔMICA E GEOGRÁFICA:
Sabemos que a maior parte do território brasileiro (cerca de 92%) localiza-se na zona tropical (entre os trópicos de Câncer e Capricórnio).
Essa localização do Brasil permite que a maior parte do território seja bem iluminada e aquecida pelos raios solares no decorrer do ano, possibilitando que o clima seja de modo geral quente.
Apenas uma menor parcela do território localiza-se ao sul do trópico de Capricórnio, onde os raios solares incidem de forma inclinada, apresentando um menor aquecimento.
A quase totalidade do território brasileiro localiza-se no hemisfério sul, que é o hemisfério das águas, isto é , existe um predomínio das massas líquidas sobre as massas continentais. Tal fato confere ao território brasileiro um acentuado grau de umidade (as massas de ar que atuam no Brasil, provenientes do oceano, são úmidas).
A CONFIGURAÇÃO DO TERRITÓRIO:
O território brasileiro assemelha-se a um triângulo com a base voltada para o hemisfério norte e um dos vértices voltado para o sul. Essa porção voltada para o sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul) sofre a influência marítima, impedindo que se estabeleça um clima de neve, encontrado em espaços e latitudes semelhantes aos dos estados acima citados.
” Se o triângulo estivesse invertido, a área contígua a base teria condições de tempo e clima comparáveis às da América do Norte”. (Gilberto Osório de Andrade).
AS LINHAS MESTRAS E AS ALTITUDES DO RELEVO BRASILEIRO
O relevo brasileiro possui altitudes baixas:
– As terras entre 0 e 200m. de altitude abrangem 41% do território brasileiro;
– As terras entre 200 e 500m. de altitude abrangem 37%;
– As terras entre 500 e 1.200m. de altitude abrangem 21,5%; e as terras com altitude superior a 1.200m. abrangem apenas 0,5%.
As altitudes baixas do relevo brasileiro facilitam a circulação atmosférica. As massas de ar que se originam no oceano conseguem penetrar a fundo o território, levando as suas características de temperatura e umidade para o interior do país. Não existem, portanto grandes barreiras naturais (altas montanhas) que impeçam a circulação das massas de ar.
Além das altitudes modestas do território, devem-se considerar as linhas mestras do relevo brasileiro. Estas se dispõem no sentido longitudinal, isto é, no sentido dos meridianos. Desse modo, facilitam a penetração de massas de ar, como é o caso da massa polar atlântica. Essa massa de ar, que se origina no sul da Argentina, avança em direção do território brasileiro seguindo as “aberturas” entre os alinhamentos do relevo, as quais facilitam a sue penetração.
Cumpre também destacar os vales fluviais. Eles funcionam como verdadeiros corredores para a circulação das massas de ar. É esse o caso do vale dos rios Paraná, Paraguai, São Francisco, além do grande vale amazônico por onde penetram massas de ar originárias de um centro dispersor no Atlântico Norte (os Açores).
A LATITUDE
A latitude influi na temperatura do ar atmosférico. Quanto maior a latitude, isto é, quanto mais próximos estivermos dos pólos, menor será a temperatura do ar atmosférico.
Isso pode ser explicado:
Pelas diferentes inclinações dos raios solares segundo a latitude;
Pelas diferentes espessuras das camadas de ar atmosférico que aumentam com a latitude.
A ALTITUDE:
A altitude é outro fator que exerce influência na temperatura na temperatura do ar atmosférico, pois o aquecimento da atmosfera se faz por irradiação do calor absorvido pela Terra.
Quanto maior for a altitude, menor será a temperatura do ar atmosférico. Desse modo, a temperatura do ar atmosférico, nas altas montanhas, é menor do que nas áreas de baixa altitude. Em média, a cada 200m. de altitude, a temperatura do ar atmosférico diminui 1°C.
No caso do território brasileiro, devemos lembrar que as terras altas povoadas localizam-se nas regiões Sudeste e Sul. Assim, podemos observar a influência da altitude na temperatura do ar atmosférico, comparando algumas cidades brasileiras, umas situadas no litoral e outras em planaltos.
Existem outros fatores, como proximidade do mar, a presença de florestas ou matas, a continentalidade e as correntes marítimas. Os dois últimos são inexpressivos no caso do clima no Brasil.
Quanto à proximidade do mar, esta exerce influência na formação das brisas, em virtude das diferenças de aquecimento, pelos raios solares, das terras e das águas. Esse fator também influi na queda das chuvas, pois de modo geral, mas não determinante, as áreas litorâneas ou próximas a elas recebem mais facilmente a umidade oceânica em forma de chuva, trazidas pelas massas de ar, cujo centro de origem se localiza no oceano.
Já as áreas cobertas por florestas provocam um abaixamento de temperatura do ar atmosférico, pois dificultam a penetração dos raios solares.
Além de todos esses fatores apontados, existem aqueles resultantes da ação do homem sobre o espaço: construção de cidades, desmatamentos, poluição do ar atmosférico e muitos outros.
CLIMA, TEMPO ATMOSFÉRICO, E TIPO DE TEMPO – CONCEITOS.
Conceito de clima:
Clima é a sucessão habitual dos tipos de tempo
Conceito de tempo no sentido climático ou meteorológico
Tempo é uma combinação passageira dos elementos do clima
Quando percebemos que num dado momento o tempo está quente e chuvoso, como podemos entender tal fato?
Isso resulta de uma certa combinação dos elementos que formam o clima, destacando-se principalmente a temperatura elevada e a umidade.
No entanto, no outro dia, ou mesmo em poucas horas, o tempo pode “mudar”. Pode tornar-se frio e seco ou mesmo adquirir outras características ou qualidades
Contudo, por que ocorrem as mudanças de tempo?
Por causa das massas de ar, pois são elas as responsáveis, nos seus deslocamentos de um ponto para outro da superfície terrestre, pelas mudanças de tempo e pelo clima de uma certa área ou região.
MASSA DE AR
O ar atmosférico está sempre em movimento na forma de massa de ar ou de vento
Massa de ar é uma porção da atmosfera que carrega consigo as características de temperatura e umidade das áreas onde se forma.
Se uma massa de ar possui características particulares de temperatura e umidade, é ela a responsável pelo tempo e, portanto pelo clima de uma certa área.
As massas de ar estão constantemente deslocando-se sobre o globo terrestre, pois o ar atmosférico está sempre em movimento.
Se um certo lugar de superfície terrestre recebe uma massa de ar fria, o tempo desse lugar torna-se frio. Se recebe uma massa de ar quente e úmida, o tempo torna-se quente e úmido.
Compreende-se, então, que são os deslocamentos das massas de ar durante o ano que caracterizam o tempo, o tipo de tempo e, portanto, o clima.
Por que as massas de ar se deslocam de uma área para outra da superfície terrestre?
Isso é explicado pelas diferenças de temperatura do ar atmosférico, entre as regiões frias e quentes da superfície terrestre.
As áreas frias são consideradas de alta pressão atmosférica e constituem áreas de dispersão de massas de ar. É o caso das áreas polares e das áreas subtropicais.
Tais tipos de área recebem o nome de áreas anticiclonais. Áreas anticiclonais são áreas dispersoras ou que emitem massas de ar ou ventos.
As áreas equatoriais e temperadas, de baixa pressão atmosférica, recebem as massas de ar e são denominadas as áreas ciclonais.
Compreende-se, então, que os deslocamentos das massas de ar dependem da temperatura e, portanto, da pressão atmosférica. Esta, sendo maior nas áreas frias, faz com que as massas de ar se desloquem daí para as áreas mais quentes. Portanto, são as massas de ar das regiões polares que comandam os deslocamentos de todas as massas de ar, isto é, quando é inverno no hemisfério norte, as massas de ar polares migram em direção ao sul, “empurrando” as outras massas de ar também em direção ao norte.
Quando é inverno no hemisfério sul, ocorre o inverso: as massas de ar “empurram” as outras massas de ar em direção ao norte.
Para facilitar a compreensão do que foi citado, quanto aos deslocamentos das massas de ar, suponhamos que nós da 101, temos aulas seguidas com o professor Arilson, e ficamos,portanto, na sala de aula durante muito tempo. Suponhamos também que a sala esteja com janelas e portas fechadas.
Em virtude de várias pessoas estarem respirando dentro da sala de aula, o ar aí contido se aquece, tornando-se, então, mais quente e mais leve que o ar do corredor.
Depois de algum tempo abre-se a porta. Se colocarmos uma vela acesa na parte superior da porta, observaremos que a chama da vela estará inclinada para fora da sala, isto é , em direção ao corredor. Estará indicando que o ar contido na sala de aula, por ser mais quente e, portanto, menos denso que o ar do corredor, desloca-se por camadas mais elevadas (pela parte superior da porta).
Colocando-se ao mesmo tempo, uma vela acesa na parte inferior da porta, observaremos o contrário. A chama dessa vela ficará inclinada em direção à sala de aula. Portanto demonstrará que o ar do corredor, sendo mais frio, é mais denso e tende a se deslocarem baixa altura ou pelas camadas inferiores.
É isso que ocorre na atmosfera quanto aos deslocamentos de massas de ar.
Como se explicam as qualidades de temperatura e umidade das massas de ar?
Uma massa de ar possui qualidades ou características de temperatura e umidades adquiridas da superfície terrestre onde se formam.
O aquecimento da atmosfera se faz indiretamente ou por irradiação. Nas zonas onde os raios solares caem inclinados (zonas glaciais e temperadas), o aquecimento das terras e das águas é menor que nas zonas onde os raios solares caem perpendicularmente (zona equatorial e tropical). Assim, nas médias e altas latitudes, a atmosfera possui temperaturas baixas e, nas áreas de baixa latitude, as temperaturas são elevadas.
Logo, nas áreas de médias a altas latitudes, formam-se massas de ar frias. Nas áreas de baixa latitude formam-se massas de ar quentes.
Quanto à umidade de uma massa de ar, devemos lembrar que o globo terrestre possui terras e águas.
Os oceanos, mares, lagos e rios fornecem umidade para a atmosfera através da evaporação de suas águas. Assim, nas áreas oceânicas ou marítimas, formam-se massas de ar úmidas e, nas áreas continentais, formam-se geralmente massas de ar secas; constituem exceção as áreas de grande florestas (Amazônia por exemplo), em que os vegetais colocam vapor de água na atmosfera pela transpiração – evaporação.
AS MASSAS DE AR QUE ATUAM NO BRASIL
Dependendo da estação do ano, pois as áreas de alta e baixa pressão atmosférica deslocam-se no decorrer do ano, essas massas de ar avançam o território brasileiro ou recuam.
Os seus avanços ou recuos é que vão determinar o clima, pois as massas de ar são portadoras de uma certa combinação de elementos (temperatura e umidade). Elas imprimem em cada área sobre a qual pairam certas características de tempo e de tipo de tempo, decorrentes de suas qualidades ou propriedades.
No entanto, as massas de ar recebem da superfície terrestre, para onde se deslocam, certas qualidades que acabam por transformá-las. Mas a climatologia é dinâmica, isto é, que a atmosfera está em constante movimento. Uma massa de ar é substituída por outra, existindo sempre uma troca ou substituição. Por exemplo, a massa de ar polar atlântica, quando chega o inverno no hemisfério sul, avança em direção ao território da América do Sul, perdendo as suas propriedades iniciais quando atinge, vamos dizer, o interior do Brasil (planalto Central), depois de algum tempo de atuação. Mas poderá vir logo em seguida, ou ao mesmo tempo, à sua diluição outra massa polar atlântica, na mesma área de dominação da primeira.
A ação dessas massas de ar no território brasileiro apresenta certas características. Umas decorrem da altitude do relevo e de suas linhas mestras, outras da configuração do território e da posição astronômica e geográfica do Brasil.
CLASSIFICAÇÕES CLIMÁTICAS
Classificação de Arthur Strahler
Baseado no estudo das dinâmicas das massas de ar, dos elementos e dos fatores do clima, os especialistas propuseram várias classificações climáticas.
Uma delas cabe a Arthur Strahler e a segunda a Wilhelm Köppen.
A classificação de Strahler baseia-se nas áreas da superfície terrestre, controladas ou dominadas pelas massas de ar. Assim sendo é uma classificação que deriva do estado das massas de ar.
Classificação climática de Köppen
A segunda classificação, de Wilhelm Köppen, ainda utilizada, pertence á escola tradicional ou separatista. Estuda separadamente os elementos do clima (temperatura, umidade, pressão do vento) para depois recompô-los no seu todo. Contudo, pode ser utilizada pela escola dinâmica.
Esta classificação foi adaptada no Brasil por Lysia Maria Cavalcante Bernardes, geógrafa do Conselho Nacional de Geografia, e por outros geógrafos.
A classificação climática de Köppen baseia-se fundamentalmente na temperatura, na precipitação e na distribuição dos valores de temperatura e precipitação durante as estações do ano.
Camada de Ozônio
Situada na estratosfera , entre os quilômetros 20 e 35 de altitude, a camada de ozônio tem cerca de 15 km de espessura. Sua constituição, há cerca de 400 milhões de anos, permitiu o desenvolvimento de vida na Terra, já que o ozônio, um gás rarefeito cujas moléculas se compõem de três átomos de oxigênio, impede a passagem de grande parte da radiação ultravioleta emitida pelo Sol.
Redução da camada – Como a composição da atmosfera nessa altitude é bastante estável, a camada de ozônio manteve-se inalterada por milhões de anos. Nas últimas décadas, entretanto, vem ocorrendo uma diminuição na concentração de ozônio, causada pela emissão de poluentes na atmosfera.
O maior responsável é o cloro presente em clorofluorcarbonetos (CFCs). Ele é utilizado como propelente de sprays, em embalagens de plástico, chips de computador, solventes para a indústria eletrônica e, especialmente, em aparelhos de refrigeração, como geladeira e ar-condicionado. Um novo inimigo é descoberto em 1992: o brometo de metila, um inseticida usado em plantações de tomate e morango, que existe em quantidade bem menor que o CFC, mas é 50 vezes mais prejudicial. Calcula-se que o bromo encontrado no brometo de metila seja responsável por 5% a 10% do total da destruição da camada de ozônio no mundo.
O ozônio é um gás atmosférico azul-escuro. A diferença entre o ozônio e o oxigênio dá a impressão de ser muito pequena, pois se resume a um átomo: enquanto uma molécula de oxigênio possui dois átomos, uma molécula de ozônio possui três. Essa pequena diferença, no entanto, é fundamental para a manutenção de todas as formas de vida na Terra, pois o ozônio tem a função de proteger o planeta da radiação ultravioleta do Sol. Sem essa proteção, a vida na Terra seria quase que completamente extinta.O ozônio sempre foi mais concentrado nos pólos do que no equador, e nos pólos ele também se situa numa altitude mais baixa.
Desde 1957 são feitas medições na camada de ozônio acima da Antártida e os valores considerados normais variam de 300 a 500 dobsons. No ano de 1982, porém, o cientista Joe Farman, juntamente com outros pesquisadores da British Antartic Survey, observaram pela primeira vez estranhos desaparecimentos de ozônio no ar sobre a Antártida. Como estavam usando um equipamento já um tanto antigo, e os dados que estavam coletando não tinham precedentes, em vista da grande diminuição da concentração do gás (cerca de 20% de redução na camada de ozônio), acharam por bem aguardar e fazer novas medições em outra época, com um aparelho mais moderno, antes de tornar público um fato tão alarmante. Além disso, o satélite Nimbus 7, lançado em 1978 com a função justamente de monitorar a camada de ozônio, não havia até então detectado nada de anormal sobre a Antártida.
Joe Farman e seus colegas continuaram medindo o ozônio na Antártida nos dois anos seguintes, no período da primavera, e constataram não só que a camada de ozônio continuava diminuindo como ainda que essa redução tornava-se cada vez maior. Agora estavam usando um novo equipamento, o qual lhes indicou, em 1984, uma redução de 30% na camada de ozônio, valor este confirmado por uma outra estação terrestre situada a 1.600 km de distância. Nos anos seguintes a concentração de ozônio continuou a cair na época da primavera e, em 1987, verificou-se que 50% do ozônio estratosférico havia sido destruído, antes que uma recuperação parcial ocorresse com a chegada do verão antártico.
O satélite Nimbus 7 não havia detectado as primeiras reduções na camada de ozônio por uma razão muito simples: ele não havia sido programado para detectar níveis de ozônio tão baixos. Valores abaixo de 200 dobsons eram considerados erros de leitura, e por isso não eram levados em conta…
Naquela época Joe Farman ainda não podia imaginar que a destruição ainda aumentaria muito mais nos próximos anos, que o buraco se alargaria, que sua ocorrência não ficaria restrita a alguns dias por ano, que apareceria um segundo buraco no Ártico e que surgiriam outros pontos no globo com decréscimo do nível de ozônio.
Em 1991, a NASA anunciou que o ozônio estratosférico sobre a Antártida havia atingido o nível mais baixo até então registrado: 110 dobsons para um nível esperado de 500 dobsons. Também em 1991, o Programa das Nações Unidas Para o Meio Ambiente (PNUMA) revelou que, pela primeira vez, estava-se produzindo uma perda importante do ozônio tanto na primavera como no verão, e tanto no hemisfério norte como no hemisfério sul, em latitudes altas e médias. Este fato fez crescer a apreensão geral, já que no verão os raios solares são muito mais perigosos que no inverno.
Em 1992 os pesquisadores constataram que a destruição estava se generalizando mais ainda, ocorrendo de forma global desde a Antártida até o Ártico, nos trópicos e nas regiões de latitudes médias, com uma redução variando entre 10% e 15%. A partir daquela época, os habitantes das ilhas Falklands/Malvinas passaram a ficar expostos ao buraco todos os anos durante o mês de outubro.
A figura abaixo mostra a variação do buraco na Antártida ano a ano, de 1979 até 1992. Observa-se um crescimento contínuo durante a década de 80, com ligeira redução de suas dimensões nos anos de 1986 e 1988. A partir de 1989, porém, o buraco não se reduz mais.
Em setembro de 1994, 226 cientistas de 29 países entregaram à OMM um relatório onde afirmavam que de 1992 a 1994 haviam sido registrados “níveis recordes” de destruição da camada de ozônio.
O gráfico abaixo mostra a variação da concentração média de ozônio sobre a Antártida nos meses de outubro, medida em unidades Dobson, de 1960 a 1994:
Em 1995 a OMM avisou que o buraco na camada de ozônio na Antártida havia atingido o tamanho recorde de 10 milhões de km², área aproximadamente igual a da Europa. A revista Veja do mês de setembro de 1995 reagiu desta forma ao anúncio da OMM: “O cenário de homens consumidos por violentos carcinomas de pele voltou a povoar os pesadelos do século com o anúncio feito na semana passada pela Organização Meteorológica Mundial.”
Em novembro daquele ano, também de acordo com a OMM, o buraco apresentava a maior área já registrada para aquela época do ano, em seu movimento cíclico de expansão e redução: 20 milhões de km². Entre setembro e outubro de 1996, o tamanho da destruição era de nada menos que 22 milhões de km²…
O efeito imediato da redução da camada de ozônio é o aumento da nociva radiação ultravioleta UV-B .No ano de 1993, o Dr. Paul Epstein, da Universidade de Harvard, alertava que em razão do aumento da radiação ultravioleta, o bacilo do cólera poderia estar sofrendo mutações mais aceleradas, adquirindo fatores resistentes a antibióticos presentes nos gigantescos blocos de algas flutuantes nos mares.
Em 1996 o buraco sobre o hemisfério norte começou dois meses mais cedo e foi o mais profundo e duradouro até então observado. Em março daquele ano, o assessor especial da Organização Meteorológica Mundial, Romen Boykov, alertou: “Não estamos falando de regiões desérticas, mas de regiões povoadas, onde os níveis de radiação duplicaram. Isso é muito preocupante!” Boykov fazia referência agora à redução constatada de 45% de ozônio em um terço do hemisfério norte.
Os dados disponíveis em 1996 indicavam que a média anual de radiação ultravioleta no hemisfério norte estava aumentando 6,8% por década, incluindo áreas da Inglaterra, Alemanha, Rússia e Escandinávia. No hemisfério sul, a taxa de crescimento da radiação era de 9,9% por década, atingindo o sul da Argentina e do Chile. O cientista atmosférico Jay Herman avisou: “O aumento da radiação UV-B é maior nas latitudes altas e médias, onde a maioria das pessoas mora e onde a maior parte da agricultura ocorre. ” No Brasil, no início de 1997, chegava a notícia de que sobre os Estados do Nordeste o nível de radiação ultravioleta havia aumentado 40% em comparação com igual período de 1996…
Enquanto surgia o novo buraco sobre a Argentina e o Chile, o pioneiro sobre o pólo Sul aparecia mais cedo. O ozônio começou a decrescer já em março, registrando-se um nível de 225 dobsons; em maio o buraco sobre a Antártida já estava completamente formado. Era a primeira vez que isto acontecia.
No Ártico a situação não era melhor. O Dr. Pawan K. Bhartia, cientista do projeto TOMS (Total Ozone Mapping Spectromer) avisava que estavam sendo detectados os mais baixos valores já medidos de ozônio nos meses de março e abril: 219 dobsons. Os dados de satélite indicavam que a área afetada estendia-se por 5,3 milhões de quilômetros quadrados.
Como é de praxe, já começaram a aparecer algumas idéias mirabolantes para resolver o problema crescente da destruição da camada de ozônio no planeta. Pesquisadores russos apresentaram um estudo segundo o qual seria possível reparar a camada de ozônio utilizando equipamentos de raios laser e satélites.
O projeto consiste na montagem de um sistema com 30 a 50 satélites que bombardeariam a atmosfera com raios laser ultrapotentes, estimulando a produção de até 20 milhões de toneladas anuais de ozônio; esses cientistas acreditam que o problema pode ser contornado em dez anos, a um custo estimado de 100 bilhões de dólares… Tem gente também que quer fabricar ozônio no solo e comboiá-lo até a estratosfera em foguetes, grandes jatos e balões… Apenas com base numa amostragem de todos os fracassos humanos já colecionados nas tentativas anteriores de dominar, intervir ou até mesmo prever fenômenos da natureza, já podemos afirmar, sem medo de errar, que mesmo que tais projeto fossem exeqüíveis, o resultado final seria mais um fiasco.
Se for para incentivar atitudes desse tipo, exacerbadas e irrealistas, é melhor que se continue apresentando outras iniciativas, também inócuas mas pelo menos não tão dispendiosas, como a desesperada proibição da fabricação de CFC e a decretação do “Dia Internacional do Ozônio”, comemorado em 16 de setembro de cada ano.
Mas quais são os efeitos que a redução da camada de ozônio pode trazer ao planeta, e aos seres humanos em particular?
A redução da camada de ozônio causa maior incidência dos raios ultravioleta, o que diminui a capacidade de fotossíntese nos vegetais e afeta as espécies animais. Nos seres humanos compromete a resistência do sistema imunológico e causa câncer de pele e doenças oculares, como a catarata.
Em 1975, um cientista chamado Mike McElroy, ao estudar os efeitos que adviriam de uma destruição da camada de ozônio, advertiu que isto poderia ser usado como uma nova arma de guerra. Um composto químico como o bromo, se lançado deliberadamente na atmosfera, daria origem a um buraco na camada de ozônio sobre o território inimigo, incapacitando pessoas desprotegidas e destruindo plantações.
Nós conseguimos perceber com os nossos sentidos uma parte da energia emitida pelo Sol, através da luz e do calor. Mas o Sol emite energia também fora da faixa que denominamos luz visível, e que não é portanto percebida pelos nossos olhos. A faixa “acima” da luz visível é chamada infravermelha e a faixa “abaixo” dela é chamada ultravioleta. “Acima” e “abaixo” significam comprimentos de onda de irradiação maiores ou menores. Mas isso não vem ao caso, o que interessa saber é que irradiações com comprimentos de onda menores contêm muito mais energia concentrada, sendo portanto muito mais fortes, ou, em outras palavras, muito mais perigosas. A natureza, sabiamente, protegeu o planeta Terra com um escudo contra a irradiação ultravioleta prejudicial. Esse escudo, a camada de ozônio, absorve grande parte da radiação ultravioleta perigosa, impedindo que esta chegue até o solo.
Toda a vida na Terra é especialmente sensível à radiação ultravioleta com comprimento de onda entre 290 a 320 nanômetros. Tão sensível, que essa radiação recebe um nome especial: UV-B, que significa “radiação biologicamente ativa”.
A maior parte da radiação UV-B é, pois, absorvida pela camada de ozônio, mas mesmo a pequena parte que chega até a superfície é perigosa para quem se expõe a ela por períodos mais prolongados. A Agência Norte-Americana de Proteção Ambiental estima que 1% de redução da camada de ozônio provocaria um aumento de 5% no número de pessoas que contraem câncer de pele. Em setembro de 1994 foi divulgado um estudo realizado por médicos brasileiros e norte-americanos, onde se demonstrava que cada 1% de redução da camada de ozônio, desencadeava um crescimento específico de 2,5% na incidência de melanomas.
A incidência de melanoma, aliás, já está aumentando de forma bastante acelerada. Entre 1980 e 1989, o número de novos casos anuais nos Estados Unidos praticamente dobrou; segundo a Fundação de Câncer de Pele, enquanto que em 1930 a probabilidade de as crianças americanas terem melanoma era de uma para 1.500, em 1988 essa chance era de uma para 135.Em 1995 já se observava um aumento nos casos de câncer de pele e catarata em regiões do hemisfério sul, como a Austrália, Nova Zelândia, África do Sul e Patagônia. Em Queensland, no nordeste da Austrália, mais de 75% dos cidadãos acima de 65 anos apresentam alguma forma de câncer de pele; a lei local obriga as crianças a usarem grandes chapéus e cachecóis quando vão à escola, para se protegerem das radiações ultravioleta.
A Academia de Ciências dos Estados Unidos calcula que apenas naquele país estejam surgindo anualmente 10 mil casos de carcinoma de pele por causa da redução da camada de ozônio. O Ministério da Saúde do Chile informou que desde o aparecimento do buraco no ozônio sobre o pólo Sul, os casos de câncer de pele no Chile cresceram 133%; atualmente o governo fez campanhas para a população utilizar cremes protetores para a pele e não ficar exposta ao Sol durante as horas mais críticas do dia.
Além de tornar mais fáceis as condições para que os tumores se desenvolvam sem que o corpo consiga combatê-los, supõe-se que haveria um aumento de infecções por herpes, hepatite e infecções dermatológicas provocadas por parasitas.
A maior parte das plantas ainda não foi testada quanto aos efeitos de um aumento da UV-B, mas das 200 espécies analisadas até 1988, dois terços manifestaram algum tipo de sensibilidade. A soja, por exemplo, apresenta uma redução de 25% na produção quando há um aumento de 25% na concentração de UV-B. O fitoplâncton, base da cadeia alimentar marinha, assim como as larvas de alguns peixes, também sofrem efeitos negativos quando expostos a uma maior radiação UV-B. Já se constatou também que rebanhos apresentam um aumento de enfermidades oculares, como conjuntivite e até câncer, quando expostos a uma incidência maior de UV-B.
Ressalte-se que todos esses efeitos são ocasionados por um ligeiro acréscimo da radiação UV-B. Existe, contudo, um outro tipo de radiação ainda mais temível: a UV-C. A radiação UV-C apresenta comprimentos de onda entre 240 e 290 nanômetros e é (até agora) completamente absorvida pelo ozônio estratosférico. Sabe-se que a UV-C é capaz de destruir o DNA (ácido desoxirribonucléico).
1 A origem da evolução do dinheiro 2 Dinheiro no Brasil 3 Cifrão 4 A história do Cheques 5 A história do Cartão de crédito
Introdução
Com base na unidade I do livro de Matemática financeira e utilização de outras fontes de pesquisa (livro, revistas, sites.). Foi de grande importância o tema abordado, pois nele relata sobre a história dos meios de riqueza, como a história do dinheiro, a origem da evolução do dinheiro, cifrão, chegue e cartões de crédito, e com esse trabalho obtivemos melhores conhecimentos com relação aos meios financeiros, pois estão presentes em todos os dias em nosso cotidiano.
A origem da evolução do dinheiro
A moeda, como hoje a conhecemos, é o resultado de uma longa evolução, no início não havia moeda. Praticava-se o escambo, simples troca de mercadoria por mercadoria, sem equivalência de valor. Depois o homem descobriu o metal e logo passou a utilizá-lo para fabricar seus utensílios e armas anteriormente feitos de pedra. Como sua produção exigia, além do domínio das técnicas de fundição, o conhecimento dos locais onde o metal poderia ser encontrado, essa tarefa, naturalmente, não estava ao alcance de todos. Os primeiros metais utilizados na cunhagem de moedas foram o ouro e a prata. O emprego destes metais se impôs, não só pela sua raridade, beleza, imunidade à corrosão e valor econômico, mas também por antigos costumes religiosos.
A moeda em formato de objetos foi utilizada com o aparecimento de réplicas de objetos metálicos, em pequenas dimensões, que circulavam como dinheiro. Na Idade Média, surgiu o costume de se guardarem os valores com um ourives, pessoa que negociava objetos de ouro e prata. Este, como garantia, entregava um recibo. Com o tempo, esses recibos passaram a ser utilizados para efetuar pagamentos, circulando de mão em mão e dando origem à moeda de papel.
Dinheiro no Brasil
O primeiro dinheiro do Brasil foi à moeda-mercadoria. Durante muito tempo, o comércio da terra foi feito por meio da troca de mercadorias, mesmo após a introdução da moeda de metal, mesmo após a introdução da moeda de metal. As primeiras moedas metálicas (de ouro, prata e cobre) chegaram com o início da colonização portuguesa.
As casas fabricantes de moedas foram aqui criadas à medida que os lugares iam desenvolvendo-se e necessitavam de dinheiro. A primeira foi à Casa da Moeda da Bahia, seguida pelas do Rio de Janeiro, Pernambuco e Minas Gerais.
O estabelecimento de uma casa da moeda em Minas Gerais foi determinado em 1720, quando da proibição da circulação do ouro em pó dentro da capitania. Além de moedas iguais às cunhadas no Reino, no Rio de Janeiro e
E na Bahia, a nova casa da moeda deveria fabricar peças com valores nominais de 20.000 e 10.000 réis. Elas circularam com os valores efetivos de 24.000 e 12.000 réis. Instalada em Vila Rica, a casa da moeda de Minas funcionou no período de 1724 a 1734, a qual marcou uma grande importância para a história do dinheiro no nosso país.
Até o ano de 1810, a nossa moeda era, de fato, o ouro, e a prata fazia então o ofício de troca, afirmou Roberto C. Simonsen, autor de “História Econômica do Brasil.
Nesse período, os gastos extraordinários com a administração, a insuficiência da arrecadação de impostos, as guerras externas e as revoluções internas, os gastos da Corte e outros fatores causaram déficit no Tesouro. Passou-se a emitir dinheiro sem lastro metálico, desvalorizando-o e provocando inflação. A criação do Banco do Brasil, por meio de Alvará de 12 out. 1808, teve por principal objetivo dotar a Coroa de um instrumento para levantamento dos recursos necessários à manutenção da corte.
Cifrão
Com o passar dos anos as moedas começaram a ter uma representação gráfica, geralmente constituída por duas partes: uma sigla de designação abreviada para o padrão monetário, que varia de país para país, e o cifrão, símbolo universal do dinheiro e que se origina etimologicamente do árabe cifra, que em português também originou cifra.
O cifrão, cujo símbolo é ($), é o marcador de moeda de alguns países: Brasil (real), Estados Unidos da América (dólar),etc. O símbolo está fortemente associado ao contexto mona Segunda, em que, para alcançar a Europa, teria Tárique partido da Arábia e passado, sucessivamente, pelo Egito, desertos do Saara e da Líbia, Tunísia, Argélia e Marrocos; cruzando o estreito das Colunas de Hércules e chegado, por fim, à Península Ibérica teria mandado gravar, em moedas comemorativas do feito, uma linha sinuosa, em forma de “S”, representando o longo e tortuoso caminho percorrido para alcançar o continente europeu. Cortando essa linha sinuosa mandou colocar, no sentido vertical, duas colunas paralelas, representando as Colunas de Hércules, significando a força, poder e a perseverança da empreitada. O símbolo, assim gravado nas moedas, se difundiu e passou a ser reconhecido com o passar dos anos, em todo o mundo, como cifrão, representação gráfica do dinheiro. Etário/financeiro.
A história do cheque
Na Idade Média, era comum que os senhores depositassem seu ouro em um único lugar que tinha instalações de segurança apropriadas: a oficina do ourives. Com o tempo, os responsáveis pelo arquivamento do ouro começaram a emitir papéis que representavam uma quantidade específica do metal, dando direito ao seu dono, de resgatar a tal quantidade a qualquer momento.
No século XIV, com o surgimento da classe burguesa (burguesia) e o auge do comércio que mobilizou na Europa bens e valores em uma escala nunca antes imaginada, estes documentos com valores fixos muitas vezes eram insuficientes para as necessidades do capitalismo nascente, o que motivou outros novos documentos que podiam ser escritos pelo depositante com o valor desejado, sempre que estivesse coberto pelos seus depósitos.
Este costume estendeu-se às Ilhas Britânicas com a criação, em 1605, do Banco da Inglaterra, que assumiu a função de guardar o ouro do reino e emitir papéis que o representassem com seu valor equivalente expresso em libras esterlinas. Surgiram assim os primeiros cheques de banco emitidos por um Estado.
A história do cartão de crédito
O cartão de crédito surgiu na década de 1920, nos Estados Unidos. Inicialmente, os cartões de créditos eram dados somente aos clientes mais fiéis em que o dono do estabelecimento acreditava em que eles pagavam as suas compras em dia. Mas foi na década de 1950, quando Frank MacNamara estava com executivos financeiros em um restaurante na cidade de Nova York e percebeu que tinha esquecido seu dinheiro e seu talão de cheques para pagar a conta, que teve a idéia de criar um cartão em que contivesse o nome do dono, e que após um tempo, o dono do cartão pudesse pagar a conta.
Em 1958, foi à vez de a American Express criar o seu cartão, mas foi em 1966 que o BankAmerican Service Corporation, criou o cartão BankAmericard com um sucesso, já que era aceito em mais de 12 milhões de estabelecimentos e, pouco tempo depois, o cartão passou a se chamar a atual Visa. No mesmo ano, foi criado o Master Charge que originou a bandeira MasterCard. Em 1975, a Diners, lançou o “Corporate Card”, que se tratava do primeiro cartão de crédito corporativo do mundo, e em 1981 a Citicorp (atual Citibank) comprou a Diners Club da Continental Insurance Corporation.
As abelhas brasileiras sem ferrão (meliponíneos) são responsáveis, conforme o ecossistema, por 40 a 90% da polinização das árvores nativas. Estão amplamente distribuídas pelas regiões brasileiras devido à abrangência do clima tropical. Sua presença, inclusive até em áreas de pequeno porte, permeiam as condições de sobrevivência de vários seres vivos. A redução dos diversos habitats está diretamente interligada a extinção dos meliponíneos. É imprescindível, então a elaboração de programas de conservação e de educação ambiental, junto aos órgãos públicos e privados, a fim de usufruir dos benefícios presentes nos ambientes naturais, disseminando a idéia de preservação dos meliponíneos.
INTRODUÇÃO
Conhecidas popularmente como abelhas sem ferrão, abelhas nativas ou indígenas, essas abelhas (meliponíneos), possuem ferrão atrofiado e estão amplamente distribuídas pelas regiões tropicais e subtropicais do planeta, nas Américas do Sul e Central, Malásia, Índia, Indonésia, África e Austrália (WILLE, 1979). Segundo VELTHUIS (1997) foram descritas aproximadamente 400 espécies, porém, de acordo com MICHENER (2000) esta pode ser uma subestimativa devido ao grande número de espécies crípticas (espécies morfologicamente semelhantes). Algumas espécies são pouco agressivas, adaptam-se bem a colméias racionais e ao manejo e produzem um mel saboroso e apreciado.
No Brasil, distribuídas em vários ecossistemas, devem existir aproximadamente 300 espécies de meliponíneos, que apresentam grande heterogeneidade na cor, tamanho, forma, hábitos de nidificação e população dos ninhos, mantendo uma estreita relação com a natureza onde vivem. Sendo o Brasil um país de dimensões tropicais com natureza e condições climáticas amplamente diversificadas, a dispersão dessas abelhas está bastante regionalizada, onde espécies de abelhas de uma região podem não ser encontradas em outras. Contudo, a maior parte da população humana não possui conhecimento sobre esta grande diversidade.
Algumas abelhas são bem ornamentadas com listas e manchas pelo corpo, e outras possuem cores lisas ou brilhantes de várias tonalidades entre negro e amarelo. Existem abelhas que chegam a medir mais de 5 centímetros e outras muito pequenas com pouco mais de 2 milímetros, que geralmente também são confundidas com outros grupos de insetos.
Segundo levantamentos feitos em diferentes regiões do Brasil, há uma ampla diversidade de formas, tamanhos e cores, que caracterizam a nossa apifauna. Existem espécies com tons verdes, azuis e roxos metálicas, que geralmente são confundidas com moscas varejeiras ou outros insetos (NOGUEIRA-NETO, 1997).
A criação de abelhas indígenas sem ferrão em cabaças, cortiços e caixas rústicas constitui uma atividade tradicional em quase todas as regiões do Brasil. Essa atividade, conhecida como meliponicultura, foi inicialmente desenvolvida pelos índios, que revelaram um conhecimento assombroso da anatomia e comportamento das espécies das quais ainda aproveitam seus produtos há muito tempo, mantendo colônias junto a suas moradias para extração de mel, pólen e as larvas para alimentação; a cera o cerúmen e as resinas para confecção de artefatos (inclusive flechas), e misturas de abelhas e partes do ninho na medicina – além de mitologicamente se espelharem nestes animais para entender a origem e organização da tribo. Ao longo dos anos, a meliponicultura vem sendo praticada por pequenos e médios produtores, assim como por produtores de base familiar.
A importância das abelhas para o ecossistema vai além da produção do mel. Elas são responsáveis por 40 a 90% do processo de polinização que resulta na produção de frutos de plantas floríferas dos diferentes biomas brasileiros (KERR, CARVALHO & NASCIMENTO, 1996). As abelhas são seres fundamentais para a manutenção da vegetação natural e cultivada, pois contribuem para a perpetuação de muitas espécies nativas e de culturas agrícolas. Sua preservação é importante devido ao papel fundamental que desempenham na cadeia biológica: fazer a polinização e garantir, dessa forma, a continuidade das espécies de flores de onde insetos e outros animais retiram seu alimento.
No entanto, as agressões que o homem tem imposto ao meio ambiente, tais como, poluição, desmatamento, incêndios florestais, uso de agrotóxicos, acrescentado às mudanças climáticas, têm resultado num desequilíbrio ambiental sem precedentes. Todos esses fatores acabam alterando as atividades das abelhas, que por sua vez colocam em risco não só a produção de alimentos, mas também a preservação das matas e sua biodiversidade. Assim, para um desenvolvimento sustentável é necessário antes de tudo, a educação ambiental.
Apis mellifera X Meliponíneos
A literatura relata que foi o padre português Antônio C. Aureliano quem, em 1839, introduziu no Brasil as primeiras abelhas européias Apis mellifera. A partir daí, diversas raças de abelhas européias do gênero Apis foram trazidas para o Brasil por diferentes imigrantes. Na década de 1950 foram trazidas para pesquisa algumas espécies de abelhas africanas, que escaparam acidentalmente, e rapidamente se miscigenaram com as européias aqui existentes, resultando assim nas Apis mellifera “africanizadas”. Muito mais agressivas, elas criaram grandes problemas na época para a apicultura brasileira. As abelhas do gênero Apis constituem hoje em dia um material de trabalho para os apicultores brasileiros, gerando assim uma atividade sustentável, pois apesar de sua maior agressividade, elas começam a produzir mais cedo, param mais tarde e não apresentam o instinto de hibernação comum às raças européias. Seu mel e outros produtos são amplamente comercializados em todo o mundo e suas picadas são famosas. Muitos aspectos da sua biologia foram minuciosamente estudados – até Aristóteles já escreveu sobre elas.
O mesmo não ocorre com as abelhas sem ferrão: como são quase uma exclusividade dos trópicos, não chegaram ao conhecimento ocidental até que os naturalistas se aventuraram nas expedições ultramarinas nos últimos séculos. Desta maneira, as abelhas nativas, sem ferrão, destacam-se pela sua importância para a manutenção de áreas naturais. Elas estão diretamente ligadas à biodiversidade das reservas ecológicas, pois passam boa parte de suas vidas voando de flor em flor, à procura de néctar, fonte de açúcares, e de pólen, fonte de proteínas, que levam ao ninho. A flor por sua vez, recebe grãos de pólen de outras plantas da mesma espécie, garantindo assim a sua variabilidade genética.
Do ponto de vista biológico, Kerr, Carvalho & Nascimento (1996, p. 71-72) afirmam que “o interesse pelas abelhas sem ferrão é justificado na maioria dos casos pelo uso nutricional e terapêutico do mel e pelo fato da sua comercialização promover um aumento da renda familiar, além da atividade servir como fonte de lazer”.
Devido a essa diversidade, é fundamental realizar pesquisas sobre comportamento e reprodução específicas para cada espécie de meliponíneos; adaptar técnicas de manejo e equipamentos; analisar e caracterizar os produtos fornecidos e estudar formas de conservação destas abelhas, inclusive discutir a importância dos meliponíneos no ambiente escolar.
O QUE É POLINIZAÇÃO?
Aprendemos desde cedo, nas aulas de Ciências a importância das abelhas como agentes polinizadores das plantas. Mas será que compreendemos o significado científico do que é a polinização e quais as suas implicações? Em linguagem simples, a polinização é definida como a transferência de grãos de pólen das anteras de uma flor para o estigma da mesma flor ou de uma outra flor da mesma espécie (CAMARGO et al., 1992). Porém, essa simples deposição de grãos de pólen no estigma da flor não é suficiente para que haja a formação de sementes e frutos. É preciso que após a polinização propriamente dita, alguns desses grãos de pólen depositado no estigma venham a germinar e fertilizar o(s) óvulo(s) presente(s) no ovário da flor, em um processo chamado de fertilização. Quanto mais eficiente for o processo de polinização, ou seja, quanto maior for o número de grãos de pólen viáveis e compatíveis no estigma, maior será a competição entre eles para fecundar os óvulos e maior será a percentagem de fertilização (FREITAS, 2004).
Como bem sabemos, as plantas dependem de agentes polinizadores, principalmente as abelhas, para realizarem a transferência de pólen das anteras para os estigmas. No entanto, a eficiência polinizadora de qualquer visitante floral está relacionada à estrutura e morfologia da sua flor; o volume, concentração e conteúdo de açúcar total do seu néctar; horário e padrão de secreção do néctar ou liberação de pólen; viabilidade e longevidade do pólen; autocompatibilidade ou incompatibilidade do pólen da mesma planta, variedade ou cultivar; período de receptividade do estigma; e vida útil dos óvulos (CAMARGO et al., 1992).
Por outro lado, para que uma espécie animal qualquer, incluindo as abelhas, possa ser classificada como polinizadora de uma certa cultura agrícola, é preciso que o potencial polinizador seja atraído pelas flores da cultura; que apresente fidelidade àquela espécie; que possua tamanho e comportamento adequados para remover pólen dos estames e depositá-los nos estigmas; que transporte em seu corpo grandes quantidades de pólen viável e compatível; que visite as flores quando os estigmas ainda apresentam boa receptividade e antes do início da degeneração dos óvulos (KERR, CARVALHO & NASCIMENTO, 1996).
A IMPORTÂNCIA DOS MELIPONÍNEOS
As abelhas sem ferrão são, sem dúvida, os principais agentes polinizadores de várias plantas nativas. Preservar essas abelhas contribui, portanto, para conservar os mais diversos tipos de vegetação. Há muitos agricultores utilizando as abelhas sem ferrão na polinização de culturas agrícolas tais como urucum, chuchu, carambola, coco-da-bahia e manga. Essa prática, amplamente usada com as abelhas do gênero Apis (conhecidas como abelhas africanizadas ou abelhas africanas) e Bombus (as mamangavas), vêm sendo utilizada até mesmo para cultivar morangos dentro de estufas (SÁ & PRATO, 2007). A polinização, portanto, é outro produto importante fornecido pelos meliponíneos. Uma vez que não possuem o ferrão, as abelhas nativas podem ser usadas com segurança na polinização de espécies vegetais cultivadas no ambiente fechado da casa de vegetação.
Durante suas visitas às flores, as abelhas transferem o pólen de uma flor para outra, promovendo o que chamamos de polinização cruzada, ou seja, neste momento ocorre à troca de gametas entre as plantas. Uma boa polinização garante a variabilidade genética dos vegetais e a formação de bons frutos. Deste modo, as abelhas também são importantes para as plantas cultivadas que dependem de agentes polinizadores. Portanto, as abelhas são indiretamente responsáveis pela produção de alimentos: frutas, legumes e grãos. O principal interesse pela criação de abelhas sem ferrão está no prazer que o manejo diário proporciona ao homem e sua família, uma vez que esta atividade não representa qualquer risco de acidentes com enxames. É a natureza, e indiretamente o homem, os que mais lucram com os efeitos da criação e preservação destas abelhas, devido aos serviços de coleta de pólen das flores prestados pelas campeiras.
O trabalho de dispersão de sementes é importante tanto para as plantas quanto para as abelhas (CAMARGO et al., 1992). O benefício é mútuo. Para a abelha porque visitando a planta consegue o seu recurso floral e para a planta que por meio deste agente polinizador estará, conseqüentemente, frutificando e perpetuando a sua espécie.
Além do mel, essas abelhas podem fornecer, para exploração comercial, pólen, cerume, geoprópolis e os próprios enxames. Segundo NOGUEIRA-NETO, 1997, o mel produzido pelas abelhas sem ferrão contém os nutrientes básicos necessários à saúde, como açúcares, proteínas, vitaminas e gordura. Esse mel possui, também, uma elevada atividade antibacteriana e é tradicionalmente usado contra doenças pulmonares, resfriado, gripe, fraqueza e infecções de olhos em várias regiões do país.
No entanto, diante da aptidão natural que os meliponíneos apresentam em relacionar-se com o meio, existem outras formas de exploração sustentável, as quais destacam-se: educação ambiental, turismo ecológico e paisagismo. Além de fonte de alimento e remédio, o mel produzido pelas abelhas sem ferrão representa, em algumas regiões, uma importante fonte de renda. São, de um modo geral, abelhas bastante dóceis e de fácil manejo. A docilidade da maioria das espécies e seu comportamento fascinante as tornam um excelente material lúdico para os adultos e um instrumento de educação ambiental para as crianças.
Outra forma de exploração visa promover a preservação e retratar o aspecto de ambientação do meio, ou seja, promover a integração no jardim, focada no paisagismo. Dando aspectos de ruralidade/ecológica às residências. Isso pode ser feito utilizando colméias de barro ou pedra, onde as abelhas são mantidas em locais que permitam a reprodução natural e enxameação da espécie sem interferência do homem, constituindo também um lazer contemplativo e cultural. Alguns cuidados devem ser tomados quando da aplicação de agrotóxicos, como a aplicação de inseticida contra o mosquito causador da dengue, que podem causar a mortalidade de colônias.
O fator mais forte a ser evidenciado deve ser a educação ambiental, que rege o conhecimento sobre a biologia, produtos e importância das abelhas para o meio ambiente, que tende a torna-se mais objetiva, através do planejamento e instalação de meliponários em áreas de escolas, parques, reservas e hortos, localizados em ambientes urbanizados de grande fluxo de pessoas que geralmente tem um certo temor desses insetos e são potencialmente favoráveis ao acontecimento de acidentes.
A abrangência do turismo também é indiscutível, pois os turistas freqüentam várias regiões d Brasil, desejando conhecer a natureza e o que ela oferece de produtos. Uma característica das abelhas sem ferrão é que podem ser utilizadas como atrativo turístico para regiões secas ou úmidas além de favorecendo o aumento do consumo do mel. A instalação de meliponários onde o visitante possa provar os potes de mel e observar os diversos tipos de abrigos das abelhas permite um aumento de renda e ao mesmo tempo preservação das espécies. Além disso, as atividades de lazer propiciam a muitas pessoas acometidas de cansaço e outros males da vida moderna, um espaço contemplativo. Utilizar as abelhas como terapia para a diminuição da carga de stress do dia a dia, instalando meliponários para observação das atividades das abelhas, também é uma opção para estimular o tratamento de malefícios da alma.
Nesta linha de raciocínio ocorre também a inserção do poder econômico, o qual constitui uma atividade alternativa que possa gerar renda para manutenção da propriedade (chácaras) através da venda de seus produtos.
A meliponicultura é, portanto, uma atividade de baixo impacto ambiental, que produz um alimento de elevado nível nutricional, e de retorno financeiro garantido. Se bem planejada, a criação de abelhas sem ferrão tem efeito em promover o uso racional dos recursos da floresta, equilibrando interesses ambientais, com interesses sociais de melhoria de qualidade de vida das populações que residem na região.
A EXTINÇÃO DOS MELIPONÍNEOS
A falta de conhecimento sobre os meliponíneos é fator preponderante na extinção destes animais. Muitas contribuições são ainda necessárias para compreendermos melhor a relação entre as abelhas e o meio natural. Entretanto, muitos produtores em busca de enxames para povoarem os meliponários, acabam atuando como verdadeiros predadores, derrubando árvores para retirada das colônias, que, muitas vezes, acabam morrendo devido à falta de cuidado durante o translado e ao manejo inadequado.
Outra causa da morte das colônias é a criação de espécies não adaptadas à sua região natural. É relativamente comum que produtores iniciantes ou experientes das regiões Sul e Sudeste do Brasil queiram criar abelhas nativas adaptadas às regiões Norte e Nordeste, e vice-versa. A falta de adaptação dessas abelhas às condições ambientais da região em que são colocadas acabam por matar as colônias, podendo contribuir para a extinção das mesmas.
Kerr, Carvalho & Nascimento (1996, p. 14-15) afirmam que:
As inúmeras espécies de abelhas sem ferrão brasileiras diminuem em taxa mais rápida que a destruição das florestas devido à retirada de seus ninhos, derrubada das árvores para a retirada do mel, fragmentação de áreas que prejudicam a variação genética dos grupos de abelhas, a incrementação de meliponários particulares que afetam o enxameamento natural, as ações das serrarias que destroem grandes áreas de mata primária e o uso acentuado de pesticidas, especialmente nas proximidades de plantações de grande interesse humano.
A extinção dessas espécies causará um problema ecológico de enormes proporções, uma vez que as mesmas são responsáveis, dependendo do bioma, pela polinização de 80 a 90% das plantas nativas no Brasil. Assim, o desaparecimento das abelhas causaria a extinção de boa parte da flora brasileira e de toda a fauna que dependa dessas espécies vegetais para alimentação ou nidificação. Este problema de ordem pública fez com que o governo brasileiro, por meio do Conselho Nacional do Meio Ambiente (CONAMA), publicasse, no Diário Oficial da União em 17 de agosto de 2004 a RESOLUÇÃO Nº 346 DE 06 DE JULHO DE 2004, que disciplina a utilização de abelhas silvestres nativas. A destruição acelerada dos ecossistemas naturais está condenando várias espécies a uma existência limitada às gavetas dos museus. O Projeto de Lei 1634/07 prevê proteção especial às espécies de abelhas polinizadoras com foco especial na monocultura, o uso intensivo de agrotóxicos, o desmatamento e as queimadas, a urbanização inadequada e o lixo irregular.
Mesmo onde ainda há matas em bom estado – o único ambiente possível para muitas espécies – é comum a destruição dos ninhos para a coleta predatória do mel. As espécies que conseguem sobreviver em ambientes modificados pelo homem também enfrentam sérios problemas: é fácil imaginar qual é o impacto nos polinizadores da própria lavoura com uso irresponsável de inseticidas. Neste último caso o efeito econômico não se faz esperar, pois com menos polinizadores a produção agrícola tende a cair.
Além disso, as abelhas sem ferrão correm o risco de desaparecer nos ambientes alterados pela atividade humana devido à derrubada das florestas e o surgimento de pequenas ilhas de mata (fragmentação), que fazem com que diminuía o número de colônias de muitas abelhas nesses ambientes, favorecendo o processo de endogamia, ou seja, o cruzamento entre indivíduos aparentados (KERR, CARVALHO & NASCIMENTO, 1996).
A endogamia pode levar a morte da população em algumas gerações, resultando também no desaparecimento de algumas espécies vegetais visitadas por essas abelhas, desestabilizando toda a rede de inter-relações existente nos ecossistemas e afetando o próprio homem.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Podemos supor que o mundo era bem diferente quando os dinossauros ainda dominavam a paisagem e os antepassados do homem eram uns pequenos insetívoros que habitavam a noite da floresta. Mas nessa época, há 80 milhões de anos, as abelhas sem ferrão já estavam lá e cumpriam seu papel de polinizadores ao visitar as flores que recentemente tinham feito sua aparição na paisagem. Para que estes seres tão benéficos para os ecossistemas tropicais e para o próprio homem continuem existindo temos que tomar medidas, que, aliás, são as que todos já conhecemos, e que não só ajudam às abelhas, mas a muitas outras espécies – inclusive ao homem. Essas medidas são a proteção dos ecossistemas, o uso sustentado dos recursos naturais, o respeito às leis ambientais vigentes e a implementação da educação ambiental desde a escola.
Se considerarmos que no território que o nosso país ocupa se encontra nada menos que mais da metade das 400 espécies de abelhas sem ferrão, percebemos que também neste caso, além de privilegiados donos de um enorme potencial natural a ser explorado, também somos depositários de uma responsabilidade extraordinária frente à presente e às futuras gerações.
No entanto, apesar desse papel como elemento fundamental a sustentabilidade das áreas com vegetação natural, a maioria da população desconhece a existência e a importância das nossas abelhas nativas.
Uma atenção toda especial deve ser dada ao plantio das árvores e arbustos que lhes sejam úteis como pasto e abrigo. Finalmente, há necessidade de termos campanhas de educação ambiental, sobre as nossas abelhas, ressaltando que elas não representam perigo algum para as pessoas e delas depende a polinização de muitas plantas e conseqüentemente a produção de fruto que alimentam a fauna e de sementes que garantem a perpetuação da floresta.
A idéia é fazer com que a comunidade conhecesse as espécies existentes na área e aprendesse sobre a importância de sua preservação. Com a redução das colônias de abelhas podem ocorrer diversos prejuízos para a biodiversidade e também para a agricultura, indústria e comércio de produtos derivados do pólen e do mel, além dos derivados obtidos das plantas que se reproduzem pelo processo de dispersão de sementes realizado pelo inseto. Estudos referentes à associação inseto-planta, especificamente entre meliponíneos e vegetais nativos da região (SÁ & PRATO, 2007).
As abelhas podem ainda ser vistas sob o ponto de vista econômico, como produtoras de mel e outros produtos com valor alimentício, farmacêutico etc. Inclusive podem ser criadas e manejadas muito facilmente no Brasil, tornando-se uma fonte de renda. Assim sendo, toda e qualquer possibilidade de desenvolver projetos destinados à divulgação do conhecimento sobre os meliponíneos, contribuirá para o entendimento sobre a interação desses grupos com as comunidades naturais, estimulando a idéia de preservação e conservação.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CAMARGO, J.M.F. et al. O conhecimento dos Kayapó sobre as abelhas sociais sem ferrão (Meliponidae, Apidae, Hymenoptera): notas adicionais. Revista de Zoologia. São Paulo, 1990. v. 6 (1): 17-22
FREITAS, G. S. Meliponicultura: Biologia e manejo de abelhas sem ferrão. Ribeirão Preto, 2004. 35 p.
MICHENER, C.D. Whats was the protobee? Anais do IV Encontro sobre Abelhas. Ribeirão Preto – São Paulo, 2000. p. 2-7.
NOGUEIRA-NETO, Paulo. Vida e criação de abelhas indígenas sem ferrão. São Paulo: Nogueirapis, 1997. 445 p.
SÁ, Natália de Paula; PRATO, Mauro. Conhecendo as abelhas: um projeto de ensino. Uberlândia, v. 23, Suplemento 1, p. 107- 110, Nov. 2007 108.
VELTHUIS, H.W. The biology of stingless bees. Universidade São Paulo. São Paulo, 1997.
WILLE, A. Phylogeny and relationships among the genera and subgenera of the stingless bees (Meliponinae) of the world. Revista de Biologia Tropical 27: 241
Vivemos em um mundo cada vez mais globalizado, no qual a dinâmica de informações é intensa e constante. A troca de idéias e mercadorias entre os mais distantes lugares tornou-se ainda mais freqüente e rápida após o advento da internet. Dentro desse contexto, há um importante fator que deve ser levado em consideração: a mídia como um mecanismo de manipulação das massas. Através de inúmeros meios de comunicação como rádio, televisão, jornais, revistas, outdoors, internet, entre outros, a mídia tem realizado o seu trabalho de convencer as pessoas a consumir. Para isso utiliza-se de algumas artimanhas, como artistas famosos e queridos que incitam o público a comprar os produtos divulgados. O ser humano nasce e cresce vivenciando esse mundo manipulado pela mídia, e acreditando que a felicidade possa ser encontrada quando se adquire determinada marca de roupa, calçado, carro, jóia, celular ou qualquer outro produto. Divulga-se constantemente a idéia da felicidade comprada. O individuo que nasce nesse ambiente consumista dificilmente aprende valores interiores e subjetivos, como a amizade, o amor ao próximo, o companheirismo, o respeito, a dignidade, a honestidade que o edificam como ser pensante e emotivo. Decorre disso a dificuldade de se preencher o vazio interior, o que é comumente buscado no consumo de bens concretos e superficiais. Não há como afirmar que tais bens são dispensáveis à felicidade, porém estes não estão capacitados a trazer a realização pessoal buscada pelo homem. A partir das idéias discutidas, podemos concluir que uma das melhores maneiras de garantir a realização pessoal é combatendo o consumismo incitado pela mídia – uma vez que este proporciona uma felicidade maquiada e momentânea que não caracteriza uma realização pessoal plena e sólida – e educando nossas crianças com base em valores como a solidariedade, o amor e o respeito
Há uma grande discussão no que se refere à garantia expressa no Texto Constitucional brasileiro, o direito de acesso à Justiça a todos, sem qualquer distinção de raça, cor, religião, opinião política ou condição socioeconômica. Porém, o que se observa é uma infinidade de injustiças sociais, ignorando assim, de forma entristecedora, as garantias individuais salvaguardadas pela Constituição Federal (Lei Maior).
Diante da realidade a qual se evidencia no sistema de prestação dos serviços jurisdicionais, verifica-se que a questão das dificuldades financeiras para que todo e qualquer indivíduo tenha efetivamente o direito dessa prestação, assegurado constitucionalmente, tem sido ainda um óbice no que concerne o acesso à jurisdição. Portanto, optou-se por este tema, qual seja, a Barreira Econômica do Acesso à Justiça, delimitando-o na cidade de Eunápolis-Bahia.
O tema proposto surgiu de uma grande inquietação que ocorria ao observar, diariamente, no âmbito profissional a demanda incessante e que, na sua maioria, se tratava de pessoas menos favorecidas socialmente, bem como a falta de celeridade processual, tornando mais difícil ainda a realidade do pobre na busca por soluções dos seus litígios. E ainda, além do interesse pessoal, fora escolhido pelo vasto material doutrinário encontrado, com riquíssimas abordagens em suas mais variadas nuances.
Essa constatação auxiliou a definir a presente pesquisa monográfica como meio de buscar a real situação da camada excluída da sociedade, no sentido econômico, como essas pessoas se encontram no que tange às condições que lhe são oferecidas para terem seu direito salvaguardado. Em resumo, este trabalho requer demonstrar como estão dispostos os meios de acesso à Justiça para os mais carentes na região delimitada, comparando a cidade de Porto Seguro-Ba, onde há a Instituição de suma importância para dar efetividade a tal direito, a Defensoria Pública, e a cidade de Eunápolis, onde não existe o aludido órgão.
Para dar condições de um melhor entendimento acerca do tema escolhido, o trabalho fora dividido em uma sequência com quatro capítulos, bem como optou-se em aplicar uma entrevista no que diz respeito aos obstáculos que as pessoas enfrentam em seu cotidiano quando buscam essa justiça menos onerosa. A entrevista será realizada em alguns órgãos inerentes ao tema, como na Defensoria Pública e no Serviço de Atendimento Judiciário – SAJ em Porto Seguro, bem como no Núcleo de Prática Jurídica das Faculdades Integradas do Extremo Sul da Bahia, na Prefeitura Municipal de Eunápolis que presta o serviço de atendimento jurídico gratuito à comunidade local e no Serviço de Atendimento Judiciário – SAJ em Eunápolis.
Introduz-se no primeiro capítulo a importância do tema a ser pesquisado e a evolução do conceito de acesso à Justiça englobando alguns outros conceitos próprios do assunto, como o Princípio Fundamental da Dignidade da Pessoa Humana e o Princípio da Isonomia, como corolário do devido processo legal, citando autores renomados como Mauro Cappelletti, o qual não poderia ser excluído desta pesquisa, tendo em vista sua forte influência sobre dos estudos referentes ao tema aludido, assim também Alexandre Freitas Câmara, dentre outros. O capítulo demonstra a origem histórica da defesa desde os primórdios, apresentando a ordem cronológica da história do direito até a concepção contemporânea da supracitada garantia, incluindo a explanação acerca de como o processo se mostra um instrumento pelo qual o indivíduo possa exercer seu direito.
Já no segundo capítulo, abordam-se as adversidades que integram os entraves econômicos, quais sejam, o alto custo da Justiça, demonstrando por meio de tabelas com os valores cobrados por alguns atos no âmbito jurisdicional, e ainda, o ônus que os indivíduos têm para buscar a tutela dos seus direitos com um profissional qualificado na categoria do direito, os honorários advocatícios, incluindo os de sucumbência e o direito que têm os militantes da área que atuam, apresentando como exemplo uma tabela comparativa entre os valores cobrados no Estado da Bahia e no Estado de São Paulo.
No terceiro capítulo merece destaque a Defensoria Pública como a Instituição que mais representa o papel da democracia quando se faz referência ao direito de acesso à Justiça pelos menos favorecidos. O capítulo constitui todo o histórico do órgão, princípios institucionais, sua função primordial expressa pela nossa Constituição, sua evolução até atingir a tal sonhada regulamentação, enfatizando o Estado do Rio de Janeiro como precursor desse projeto, analisando também os problemas que mais afligem a instituição, inserindo no contexto a questão da ineficácia da Lei nº. 1060/50, que versa sobre a justiça gratuita, tornando-os, dessa forma, obstáculos para que aquela atinja seu mais alto grau de aperfeiçoamento no que tange à efetividade da justa e igualitária prestação jurisdicional.
No último capítulo, a abordagem, de suma importância, explicita o grande avanço que o legislador trouxe para o meio social a partir do surgimento e implementação da Lei nº. 9.099/95 que trata sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais. Esclarece-se como se efetivou sua regulamentação, enfatizando a iniciativa do Estado do Rio Grande do Sul que a impulsionou até sua efetiva criação, suas características preponderantes e que fizeram dela um Diploma Legal Especial, a discussão acerca da dispensa do profissional da advocacia, prevista na aludida Lei, bem como o objetivo que teve o legislador quando a criou: se para desafogar a Justiça de primeiro grau ou se favorecer os menos contemplados economicamente.
Para finalizar, demonstra-se o resultado da entrevista aplicada, analisando os dados colhidos, seguindo então, com a conclusão definitiva mediante o tema proposto.
Vale ressaltar que o tema escolhido tem inúmeras nuances a serem discutidas, mas será dado destaque com ênfase às barreiras econômicas do acesso à Justiça, visto que também existem percalços de ordem ética, sociológica, filosófica, entre outras.
2 ACESSO À JUSTIÇA
2.1 Evolução do conceito de acesso à Justiça
O acesso à Justiça é um tema largamente difundido entre pesquisadores, autores renomados e, que, por considerá-lo de suma importância para o crescimento e melhoramento social, bem como para uma democracia efetiva, escolheu-se por buscar maior entendimento sobre o assunto, abordando pontos ainda discutíveis nesse meio enquanto indagadores e formadores de opinião, como por exemplo, o papel da Defensoria Pública como meio de acesso à jurisdição de maneira efetiva, justa e coerente pela classe considerada como minoria.
Em uma sociedade tão capitalista como esta na qual se vive, pode-se vivenciar e comprovar como a desigualdade está entranhada no meio social, diariamente na vida de todos. Seja no trabalho, nas relações pessoais, no meio acadêmico, enfim, em todo o universo da sociedade da qual se faz parte.
Quando aborda-se o tema “Barreira Econômica do Acesso à Justiça”, nele está inerente o termo desigualdade, o qual está relacionado a vários sentidos, porém o que estará sendo abordado aqui neste presente trabalho será a desigualdade perante o direito de acesso à justiça, que envolve desrespeito a alguns princípios constitucionais, sobretudo o princípio da dignidade da pessoa humana, além de outros princípios também observados e que devem integrar o rol ora mencionado, por se tratar de extrema relevância no âmbito do processo constitucional, bem como a questão da representação dos advogados nos Juizados Especiais e a ausência de Defensoria Pública na região em estudo.
Para iniciar-se a exploração do tema supracitado, faz-se necessário abordar alguns conceitos extremamente necessários para um entendimento mais apurado. E num primeiro plano seria o conceito da expressão “Acesso à Justiça” que como explanam de forma magnífica Mauro Cappelletti e Garth(1) :
A expressão “acesso à Justiça” é reconhecidamente de difícil definição, mas serve para determinar duas finalidades básicas do sistema jurídico – o sistema pelo qual as pessoas podem reivindicar seus direitos e/ou resolver seus litígios sob os auspícios do Estado. Primeiro, o sistema deve ser igualmente acessível a todos; segundo, ele deve produzir resultados que sejam individualmente e socialmente justos.
Como se vê, a questão do acesso à Justiça não é tão fácil de ser desmistificada como parece, não é simples dizer que todos têm o direito de ter acesso à Justiça, de reivindicar seus direitos, como elencado no Artigo 5°, Inciso XXXV da Constituição Federal, onde está expresso que “a lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”, mas que isto seja real, efetivamente justo e isonômico, disponibilizando oportunidade a todos que necessitem buscar a tutela desse direito. Para que isso seja efetivado, devem ser dadas condições necessárias e suficientes para essa minoria ter seu direito tutelado. Diante disso, Ruy Alves Henrique Filho(2) assegura que:
Neste cenário, como “tarefa” dos direitos fundamentais à prestação, compete ao Estado disponibilizar os meios materiais e de pessoal capaz de implementar faticamente o exercício das liberdades e garantias fundamentais, de modo que é perfeitamente exigível uma postura ativa do Estado por intermédio dos seus membros, com o desiderato de dar atendimento à ordem constitucional.
O que ocorre é a falta de comprometimento. Com as falhas existentes nesse sistema, mesmo que com um largo e vasto ordenamento jurídico vigente, ainda vivenciam-se desigualdades sociais de forma estarrecedora no meio social. São incontáveis as leis e normas vigentes brasileiras, porém a efetividade delas se torna cada dia mais utópica.
Antes de qualquer coisa, tem-se que entender que existem princípios a serem observados com seriedade, e que deles dependem muitas situações, muitos problemas. Vale lembrar um dos princípios elencados no atual Texto Constitucional, e que, ressalte-se ser um dos pilares da nossa Constituição Federal: o Princípio da Dignidade da Pessoa Humana, no inciso III, do art. 1º.
Para Flademir Jerônimo Belinati Martins(3) , o Princípio Constitucional Fundamental da Dignidade da Pessoa Humana teve desde a época dos ocidentais (na Grécia Antiga, para os cristãos, para os filósofos Tomás de Aquino, Kant, Sartre e outros) um significado ultra relevante para assim merecer o reconhecimento no mundo do direito positivo. Afirma, pois, que a atual Constituição foi a primeira a tratar do princípio em pauta, “enquanto fundamento da República e do Estado Democrático de Direito em que ela se constitui”, e assevera(4) ainda que:
Funciona como uma ‘cláusula aberta’ no sentido de respaldar o surgimento de direitos novos, bem como constitui um instrumento de estabilidade constitucional, permitindo a adaptação do conteúdo constitucional, sem necessidade de reforma e alteração do texto, à evolução da sociedade e aos novos direitos que em seu seio são ‘gerados’. Por fim, em qualquer perspectiva que se tome os direitos fundamentais, em maior ou menor grau, e ainda que o direito em si não decorra diretamente da noção de dignidade da pessoa humana, estaremos frente a uma concreção histórica do valor. E na verdade, reconhecer que a dignidade da pessoa constitui critério ou parâmetro interpretativo aplicável a todo o sistema jurídico, implica vincular o intérprete, sob pena de flagrante inconstitucionalidade, a seu conteúdo valorativo.
Outro princípio a ser abordado é o da isonomia ou princípio da igualdade, corolário do devido processo legal. Está expresso no caput do art. 5º da Constituição da República que “todos são iguais perante a lei”. Dessa forma entende-se que o tratamento deveria ser igual para todos os indivíduos, para assim poder haver o equilíbrio necessário no devido processo legal, já que devem ser observadas as diversas diferenças entre os indivíduos. Como diz Alexandre Freitas Câmara(5) :
Em outras palavras, o princípio da isonomia só estará sendo adequadamente respeitado no momento em que se garantir aos sujeitos do processo que estes ingressarão no mesmo em igualdade de armas, ou seja, em condições equilibradas. Este é o verdadeiro sentido da expressão par conditio, condições paritárias.
O mesmo autor(6) afirma que “as diversidades existentes entre todas as pessoas devem ser respeitadas para que a garantia da igualdade, mais do que meramente formal, seja uma garantia substancial”. Portanto, Câmara(7) conclui assim:
É, pois, dever do Estado assegurar tratamento que supra as desigualdades naturais existentes entre as pessoas. Somente assim ter-se-á assegurado a igualdade substancial (e não meramente formal) que corresponde a uma exigência do processo justo, garantido pela cláusula due process Law.
Como assevera Cleber Francisco Alves e Marília Gonçalves Pimenta(8) “essa igualdade de todos de invocar a lei e a jurisdição é mais do que um direito do homem. É um direito que preexiste à Lei, congênito do homem, que já nasceu com ele.
Faz-se necessário averiguar a origem da defesa, como a mesma evoluiu ao longo dos tempos, para então entender-se a questão do acesso à justiça no sistema jurisdicional vigente, direito fundamental ao Estado Democrático de Direito.
Tudo teve início desde os primórdios, com a história da raça humana, quando o homem, por meio da linguagem, por meio da linguagem, passou a utilizar os vocábulos para então desenvolver o hábito da defesa na forma falada e também escrita.
A sequência cronológica histórica do direito classifica-se segundo Paulo Cesar Ribeiro Galliez(9) assim:
2350 a.C.: código de Urukagina. Mencionado como apanhado de “ordens” ou de leis promulgadas por reis mesopotâmicos.
2050 a.C.: código de Ur-Nammu. Baseado em um sistema no qual as testemunhas depunham ante juízes profissionais, que podiam ordenar que o culpado indenizasse a vítima.
1700 a.C.: código de Hamurabi. A expressão “olho por olho” simboliza seu princípio básico.
1300 a.C.: os 10 Mandamentos. Uma lista de 10 leis foi recebida do profeta Moisés e foi integrada à Bíblia em seguida.
1280 a 888 a.C.: as leis de Manu. Prescrições jurídicas constituíam a base do sistema de casta na índia, que classificava os indivíduos segundo seu status social.
621 a.C.: as leis de Dracon. Este grego redigiu um código jurídico para Atenas, que por ser tão severo, “draconiano” significa hoje “excessivamente duro”.
450 a.C.: as 12 Tábuas. Foram redigidas para governar os romanos, essas leis constituem a base de grande parte do direito moderno. Organizam as investigações judiciais públicas dos crimes e instituem um sistema que permite as partes lesadas reclamar indenizações a seus agressores. Princípio fundamental: a lei deve ser escrita. A justiça não deve depender apenas da interpretação de juízes.
350 a.C.: código chinês de Li Kui. Primeiro código imperial chinês, com disposições sobre roubo, furto, prisão, detenção e regras gerais.
529: código de Justiniano. O imperador bizantino Justiniano deixou seu nome na história por sua codificação do direito romano, o Corpus Júris Civilis, de onde provêm muitas das máximas jurídicas ainda em uso. Ele inspirou a concepção moderna da justiça.
604: a Constituição em 17 artigos do Japão. Modelou a própria idéia da ética e do direito no Japão. Um de seus artigos dizia: ‘A paz e a harmonia devem ser respeitadas, pois são importantíssimas para as relações entre os grupos’. Isso demonstra a essência do ‘direito material’, que busca prevenir os conflitos, enquanto o ‘direito ocidental’ busca resolvê-los.
653: código T’ang. Relaciona os crimes e sua sanções em 501 artigos, revisa os códigos chineses anteriores e uniformiza as formas de processo.
1100: a primeira escola de direito. Contribui para a ressurreição do Corpus Júris e para a expansão do direito romano em toda a Europa.
1215: Carta Magna. O rei da Inglaterra João sem Terra, ao assinar essa Carta, concedeu direitos jurídicos aos seus barões e a seu povo. Primeira vez que um rei admitia que podia ser obrigado a respeitar uma lei ou que os barões podiam contestá-lo. É considerada o ‘primeiro esboço da common law inglesa’.
1776: Declaração da Independência norte-americana. Pela primeira vez, um Estado rejeitava a teoria medieval segundo a qual certas pessoas têm, por direito, o poder de dirigir as outras.
1804: código de Napoleão. Consagrava inúmeras conquistas da Revolução Francesa, como liberdade individual, igualdade ante a lei e laicidade do Estado.
1864: convenção de Genebra. Concebida para garantir um mínimo de respeito aos direitos do homem em tempos de guerra, como a proteção do pessoal médico militar e o tratamento humano dos feridos.
1945/46: processos dos crimes de guerra em Nuremberg. Um tribunal julgou os chefes nazistas por crimes contra a paz, contra a humanidade e crimes de guerra, demonstrando que mesmo em tempos de guerra, as normas morais fundamentais mantêm-se em vigor.
1948: adoção pela ONU da Declaração Universal dos Direitos do Homem (civis, políticos, econômicos, sociais e culturais).
Para Paulo Galliez(10) “a prática da defesa de maior notoriedade da humanidade, de que se tem conhecimentos, é a de Sócrates perante o Tribunal de Atenas.”
Para o ilustre autor Mauro Cappelletti, harmoniosamente com Garth(11) “nos estados liberais “burgueses” dos séculos dezoito e dezenove, os procedimentos adotados para solução dos litígios civis refletiam a filosofia essencialmente individualista dos direitos…”.
2.2 Concepção contemporânea de acesso à Justiça
Com a promulgação da Constituição Federal de 1824 foram implantadas as garantias individuais no direito brasileiro. Em seguida, a Lei Maior de 1964 não previa ainda o direito à assistência judiciária aos necessitados, que foi ocorrer apenas com a Carta de 1967.
A atual Constituição Federal incluiu como cláusula pétrea os direitos e garantias individuais em seu texto, dando o Estado direito a quem comprovasse não possuir condições para tal.
Diante de uma sociedade amplamente avassaladora, a qual anseia por atitudes concretas, o Estado se viu na obrigação de tomar uma posição mais efetiva, justa e mais difundida, com referência ao poder dos indivíduos brasileiros terem acesso jurisdicional, adotando-se assim medidas urgentes como a criação de refúgios para esta demanda, que clama por exercer um direito que sabe ser salvaguardado constitucionalmente, qual seja, o acesso à justiça. Temos como exemplo bem conhecido dessas medidas a Lei nº. 9.099/95, Lei dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, a qual deu vazão a uma parcela considerável da população.
Não se pode negar o valioso avanço que deu o Estado Democrático de Direito, buscando sempre aperfeiçoar tal questão, que ao longo de anos cresce em pesquisa e estudo, porém não chegando ainda a uma solução por completo e satisfatória.
Os avanços já obtidos são marcos que representam efetividade na empreitada do sistema processual no Brasil por esse caminho instrumentalista.
Porém, este mesmo Estado não pode “cruzar os braços” de forma passiva, concluindo que este passo foi suficiente para resolver a problemática da efetividade do acesso jurisdicional de uma gama visivelmente necessitada, desamparada, excluída enquanto sociedade. Ele deve persistir nesse avanço com perspicácia.
A falta de recursos humanos e materiais, juízes, comarcas, servidores, estrutura física adequada nos órgãos do Poder Judiciário é uma grande barreira para o acesso à Justiça ser efetivado de forma eficaz.
Julgadores são em número insuficientes para a demanda que cresce diuturnamente; a estrutura física na grande maioria das dependências do Judiciário não condiz com as necessidades exigíveis para a execução de um bom trabalho ou prestação de um serviço de qualidade; as condições laborais são inadequadas; por vezes, isso ocorre por descaso dos governos estaduais que não dão o devido valor às comarcas do interior, por exemplo, como se nessas localidades, a demanda não merecesse um atendimento otimizado, ou ainda, igualitário. Falta material humano e de expediente. Alguns destes, com freqüência, são fornecidos de forma precária – com data de validade ultrapassada.
O atendimento ao público já fora suspenso em algumas unidades pela insalubridade do ambiente de trabalho – falta de ar condicionado ou qualquer saída de ar natural. Isso é a precariedade evidenciada das condições laborais oferecidas nas dependências do Poder Judiciário. Entretanto, as cobranças para o aumento das estatísticas de atendimento ao público são cada vez maiores. E surge, ainda, a questão dos salários dos serventuários estaduais, a remuneração defasada, a qual é absurdamente desigual se comparada à realidade da Justiça Federal.
Atualmente, o que se pode observar é uma vasta demanda pelo acesso à Justiça. Pessoas sentem necessidade de terem tutelados seus direitos e muitas vezes o simples fato de chegar ao órgão público, conseguir uma senha para atendimento e ser ouvido pelo atendente judiciário, já torna-se uma efetiva solução, pode-se assim dizer. Esperam ter suas pretensões atendidas, sentem tranquilidade perante os esclarecimentos e informações concedidas, como se o problema que as impulsionou até a repartição pública tivesse solução instantânea. O desabafo ao atendente judiciário foi suficiente, ao menos naquele momento. Inúmeras vezes, elas questionam acerca da primeira audiência de conciliação marcada, pois têm em mente que o simples fato de terem explanado seus problemas, é suficiente por si só para terem o direito assegurado.
As estatísticas em órgãos públicos evidenciam o aumento dessa demanda, tudo isso em função de uma sociedade crescente, a qual está a cada dia mais conhecedora dos seus próprios direitos, mais inteirada e, por conseguinte, mais exigente.
Na verdade, alguns outros fatores tiveram forte influência nesse crescimento das demandas judiciais nos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, e pode-se aqui destacar o progresso súbito e inesperado, com ele, a massificação populacional; a redução aparente dos preços, o denominado aumento do poder aquisitivo, o consumismo desenfreado, fabricantes e fornecedores menos comprometidos com a qualidade de seus produtos e/ou serviços, porém com o aumento do volume das vendas, e consequentemente, maior incidência de insatisfação dos consumidores, em especial, no que tange aos produtos eletroeletrônicos, gerando um aumento exorbitante das demandas judiciais nos Juizados Especiais Cíveis e Criminais (já que a criminalidade e infrações penais evidentemente intensificam com o acréscimo populacional).
Diariamente, os órgãos públicos que atendem a prestação do serviço jurisdicional como os Juizados Especiais, recebem inúmeras pessoas em busca da tutela de um direito que julgam ser legítimos e que, por vezes, têm a certeza que vão ser agraciados com o mérito sentenciado pelo juiz togado, ou seja, terão suas pretensões iniciais prontamente atendidas, bastando apenas ter como requisito o ato de ingressar com a “queixa” no órgão citado. Isso é resultado de um trabalho ineficaz no meio social, onde as pessoas recebem poucas informações a respeito de leis, procedimentos, funções, atribuições, competências e, sobretudo, direitos. O Poder Judiciário demonstra mínima preocupação, leva à população, por qualquer que seja o meio, conhecimento insuficiente do que vem a ser o presente Poder, seu papel a ser desempenhado no âmbito social, como se dá seu funcionamento, suas atribuições, funções, bem como limites e obrigações. Muitas são as vezes que o direito não é sequer juridicamente exigível.
O indivíduo está com a concepção que qualquer insatisfação, por mais ínfima que seja, gerará dano moral ou material. E sabe-se que não é bem assim. É, simplesmente, uma questão de educação, no sentido de que o Estado tem por obrigação preencher tais deficiências com projetos e/ou programas em prol da sociedade, para que esta tenha discernimento das limitações dos seus direitos.
2.3 Processo enquanto instrumento de realização de Direitos
A questão da instrumentalidade do processo como meio de realização de direitos deve ter aqui atenção especial.
Um dos caminhos para se efetivar os direitos sociais garantidos pela Carta Magna vigente é por meio do acesso à justiça. Porém, este acesso deve ser viabilizado como acesso à ordem jurídica justa e não somente como acesso a uma instituição que ao Estado pertence.
Com fulcro na Constituição Federal, o processo é um instrumento obrigatório pelo qual o cidadão tem a condição de proteger ou reaver um direito que foi violado ou está da iminência de o ser, ou seja, está sob ameaça. Ocorre que não resta evidenciado que o processo tem sido aplicado com a finalidade direcionada a ele próprio. Mesmo tendo em vista que a efetividade é a aptidão de um meio ou instrumento para a realização dos fins ou produção dos efeitos a que se destina. E, ainda, que segundo Cândido Rangel Dinamarco(12) :
O que caracteriza fundamentalmente o processo é a celebração contraditória do procedimento, assegurada a participação dos interessados mediante exercício das faculdades e poderes integrantes da relação jurídica processual.
Primeiro houve mudanças no sentido processual, em 1973, mudanças tais que resultaram na inovação do Código de Processo Civil, ainda falho, ainda com lacunas diversas. Tempos depois, por volta dos anos 1994/1995, outra reforma aconteceu, agregando melhorias à Lei nº. 5.869/73, porém, apesar de ter sido um grande avanço, ainda persistem características que o faz insuficiente e ineficaz, como por exemplo, a burocracia exagerada, impossibilitando a efetivação dos objetivos que com as mudanças eram almejados.
Cândido Range(13)l defende que “não é enrijecendo as exigências formais, em um fetichismo à forma, que se asseguram direitos; ao contrário, o formalismo obcecado e irracional é fator de empobrecimento do processo e cegueira para os seus fins.
A morosidade das atividades jurisdicionais prestadas à população demonstra a verdadeira injustiça com tal sociedade, já que o considerado rico tem a possibilidade para aguardar o resultado, na medida em que o economicamente fraco não possui as mesmas condições.
Como assevera Cândido Rangel Dinamarco(14) :
Tinha-se, até então a remansosa tranquilidade de uma visão plana do ordenamento jurídico, onde a ação era definida como o direito subjetivo lesado (ou: o resultado da lesão ao direito subjetivo), a jurisdição como sistema de tutela aos direitos, o processo como mera sucessão de atos (procedimento); incluíam a ação no sistema de exercício dos direitos e o processo era tido como conjunto de formas para esse exercício, sob a condução pouco participativa do juiz.
Ocorre que com os estudos dos processualistas, foi se descobrindo que processo não era apenas procedimento, a ação deveria ser mais independente e o juiz deveria ter uma maior participação, por meio da sensibilidade relativa aos valores sociais e às mudanças dessa sociedade, tornando-se, assim, um julgador coerente e, sobretudo, consciente em suas decisões, situação adversa de tempos anteriores.
Assim, haveria uma participação efetiva dos sujeitos da lide, fazendo com que o processo tivesse uma adequada utilização, sendo este, instrumento que o direito processual dispõe.
A efetividade do processo deve ser atingida mediante a aplicação e exercício dos Princípios Constitucionais como o da Inafastabilidade do Controle Jurisdicional, da Ampla Defesa e do Contraditório e do Devido Processo Legal. Caso uma dessas garantias constitucionais do processo venha a ser violada, irá repercutir na limitação do acesso de todos à ordem jurídica justa. Pois, assim, Cândido Rangel Dinamarco(15) aborda:
Conduz à existência de um processo acessível a todos e a todas as suas causas (por mais humildes que sejam aqueles e menor expressão econômica tenham estas), ágil e simplificado, aberto à participação efetiva dos interessados e contando com a atenta vigilância do juiz sobre a instrução e sua interferência até ao ponto em que não atinja a própria liberdade dos litigantes.
Afirma Dinamarco(16) que:
Cada ato do procedimento há de ser conforme a lei, não em razão de estar descrito na lei nem na medida do rigor das exigências legais, mas na medida da necessidade de cumprir certas funções do processo e porque existem as funções a cumprir.
Essa efetividade só se concretiza se houver a participação concisa dos interessados no processo, com a aplicação do contraditório, podendo os interessados produzir alegações, recorrer, comprovar fatos que os interessem. Sendo assim, uma questão de democracia, como expressa Cândido Rangel Dinamarco(17) :
Seria arbitrário o poder exercido sem a participação dos próprios interessados diretos no resultado do processo. Essa participação constitui postulado inafastável da democracia e o processo é em si mesmo democrático e portanto participativo, sob pena de não ser legítimo.
A base da participação dos interessados no processo está no Princípio do Contraditório. Aplicando este instituto, a parte poderá acompanhar todos os passos do processo, por meio da informação – intimações e/ou citações, por exemplo – poderá se defender de forma igualitária, “atacar” com maior segurança, tendo em vista ser o processo meio para se atuar um direito.
Dinamarco(18) expõe que “se é o conflito entre eles que constitui o mais importante motivo da própria existência do processo, nada mais natural que cada um se aplique a este na medida do valor que lhe represente o interesse litigioso.”
Não há razão para permitir que o processo abandone o título de instrumento para almejar direitos e seja transformando em óbice nessa empreitada.
Pois, como explana Cândido Rangel Dinamarco(19) “o processo é um instrumento sensivelmente ético e não friamente técnico.”
Os litigantes buscam ao ingressar em juízo a diminuição ou a eliminação de angústias, tristezas, injustiças que as incomodam, conflitos que as envolvem, na esperança de obter um resultado justo, uma sentença favorável, que só se efetua com a garantia do contraditório, onde as partes e o julgador interagem – fase instrutória – almejando a melhor decisão, a mais coerente possível.
O ilustre autor Cândido Rangel(20) esclarece que:
A efetividade do processo, entendida como se propõe, significa a sua almejada aptidão a eliminar insatisfações, com justiça e fazendo cumprir o direito, além de valer como meio de educação geral, para o exercício e respeito aos direitos e canal de participação dos indivíduos nos destinos da sociedade e assegurar-lhes a liberdade.
3 A BARREIRA ECONÔMICA DO ACESSO À JUSTIÇA
3.1 O custo da Justiça
De bom alvitre rememorar que o acesso à Justiça enfrenta inúmeros óbices, de ordem social, jurídica e econômica. No âmbito da barreira financeira, há dois entraves para o efetivo acesso à prestação jurisdicional que são as custas judiciais e os honorários advocatícios. Aborda-se neste primeiro momento o primeiro obstáculo.
O valor monetário que tem que ser desembolsado aos cofres do Poder Judiciário para se almejar e defender um direito é relativamente alto tendo como ponto de partida uma demanda excluída, a qual ingressa em juízo na sua grande maioria, porém é a que menos condições, economicamente dignas, possui. Em suma, a situação é totalmente desigual, injusta e precária quando analisadas ambas as partes litigantes, que não possuem igualdade de armas.
Existe a evidência que para litigar em juízo, fatalmente implicará em custos – que teoricamente são para garantir o bom funcionamento da máquina judiciária, tendo em vista as despesas do Estado, o qual por algum meio deverá arrecadar para cobri-las – sejam elas de quaisquer natureza, como por exemplo, a cópia dos documentos para anexar aos autos, que por vezes, a parte interessada não dispõe de recursos necessários, ainda que insignificante para alguns, e sem opção, cede o documento original, para evitar em última hipótese, a desistência de ingressar com a ação.
O que se evidencia, diversas vezes, é que ao postular a ação, as partes deveriam fazer uma análise do binômio custo/benefício da litigância. Analisar se haverá uma compensação, ou seja, se o custo com a ação será menor que o valor objetivado, se terá viabilidade. Pois, em se tratando do economicamente inferior, por vezes, não seria viável tal demanda, aumentando com isso, a frustração pessoal e, sobretudo, a frustração com a Justiça.
Como assegura Pedro Pita Barros(21) :
Os preços de acesso à Justiça têm que obter um equilíbrio entre eficiência (só haver processos relevantes), equidade (não existir dissuasão do recurso aos serviços de justiça apenas por motivos financeiros) e contribuição para financiar o sistema.
A questão da falta de celeridade no curso dos processos incide diretamente no custo aos menos favorecidos, pois estes fizeram um investimento, ou seja, tiveram despesas, e este valor correspondente fica sem retorno por um longo período, fica estagnado, ou, às vezes, não retornam, o que nada facilita para quem é desprovido de recursos. Isso resulta na aceitação de uma proposta desfavorável ou na desistência da ação ou ainda no abandono da causa.
Capelletti e Garth(22) corroboram:
Os efeitos dessa delonga, especialmente se considerados os índices de inflação, podem ser devastadores. Ela aumenta os custos para as partes e pressiona os economicamente fracos a abandonar suas causas, ou aceitar acordos muito inferiores àqueles a que teriam direito.
E, ainda, na visão de Leonardo Greco(23) :
Os obstáculos econômicos atingem o pobre, na medida em que a Defensoria Pública, apesar da previsão constitucional, não está adequadamente estruturada em todo o país.
E atingem igualmente o cidadão de classe média, aquele que não pode beneficiar-se da gratuidade, mas para quem as despesas judiciais impõem sacrifício apreciável.
As despesas processuais muito elevadas, como, por exemplo, a taxa judiciária incidente sobre o benefício econômico almejado pelo autor, são, em muitos Estados, outro fator de desestímulo ao acesso à Justiça.
Muito sábia é a teoria de Nehemias Domingos de Melo(24) acerca do grande entrave econômico que torna o acesso à justiça menos efetivo, especialmente aos mais carentes, que é a realidade socioeconômica que assola o país, como pode-se acompanhar por meio das palavras do autor supramencionado:
A exclusão social e a pobreza são os maiores obstáculos do livre acesso à justiça. O pleno acesso à justiça só será possível com a erradicação da pobreza ou com a inclusão dos excluídos no processo de democratização ou ainda, com a intervenção do judiciário efetivando oportunidades iguais aos desiguais, e criando um mecanismo de contrapeso, dotando os mais fracos e miseráveis, da possibilidade, real e efetiva, de acesso a uma ordem jurídica justa e equânime.
“A justiça é monopólio do Estado, logo seu acesso deveria ser livre e gratuito para aqueles que pleiteassem tal benefício.
É evidente que o Estado não permite agir por si só, sem o seu intermédio, ou seja, não podemos fazer justiça com as próprias mãos. Aquele deve ser o elo entre o litigante e o direito almejado. Logo, da mesma forma que os direitos de segurança e de paz pública, o acesso à Justiça não deveria ter qualquer ônus, tendo como base o preço da justiça nesse país – muito elevado – que o interessado deve arcar. Isso tem uma conotação de que o interesse político está longe do realmente necessário, pois há no Estado de São Paulo programas facilitadores ou, ao menos, que amenizem a situação do caos do acesso à justiça, que são os denominados Juizados Especiais Itinerantes – unidades móveis do Tribunal de Justiça – que se deslocam até bairros distantes, às periferias com alto índice de exclusão social para dar atendimento a essa demanda carente.
No Estado da Bahia tem-se unidades móveis, denominados de SAC Móvel, porém não são fornecidos os serviços de ações judiciais ou queixas, apenas o serviço de primeiro Registro de Nascimento de crianças de 0 a 12 anos de idade. É simplesmente falta de um sistema eficiente e eficaz, aliás, o nosso sistema é quase inexistente, é precário em demasia.
Os avanços do Estado para garantir com eficácia a prestação jurisdicional foram de grande relevância, contudo, ainda está muito aquém da realidade social desejada.
Coerente é a assertiva do célebre autor Cândido Rangel Dinamarco(25) :
O patrocínio técnico gratuito não passa de solene promessa constitucional, cumprida em casos que ainda são muito poucos. O Estado não o oferece como deveria e prometeu; os profissionais liberais não se consideram obrigados a prestar serviço gratuito, ainda que isso seja de grande relevância social.
Mesmo com a implantação dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, com a institucionalização da Defensoria Pública e outros institutos que têm a finalidade e incumbência de dar efetividade ao acesso jurisdicional aos menos favorecidos economicamente, reconhece-se a grande melhoria no que concerne à garantia deste direito salvaguardado constitucionalmente, ainda restam evidenciados resíduos de uma política estatal ineficaz, da existência de insatisfação social neste sentido, há lacunas que deverão ser eliminadas ou, ao menos, minimizadas. Por exemplo, nos Juizados Especiais Cíveis não há possibilidade de intentar uma ação de alimentos ou de divórcio, pois o litigante deverá buscar a justiça comum estadual constituindo, obrigatoriamente, um advogado para representá-lo em juízo.
Caso a região não tenha a instituição da Defensoria Pública ou Núcleos de Prática Jurídica universitários, o cidadão dependerá de defensor dativo que, possivelmente, será modificado ao longo da demanda judicial, o que gera desconforto, insegurança e descrédito no Poder Judiciário. A parte interessada, sem recursos próprios para dar agilidade ao processo, então, se vê em uma situação praticamente sem opção: ou aceita o defensor dativo e deposita toda sua confiança nesse profissional ou desiste de sua pretensão junto ao judiciário.
Um ponto relevante faz-se necessário ser analisado cautelosamente: refere-se à participação do litigante no processo, tendo em vista que se o mesmo não obtiver recursos financeiros para custear as despesas processuais, forma de adiantamento, não poderá ter o direito real de acompanhamento e até mesmo de sua participação ativa durante o curso da ação, pois como explana Cândido Rangel(26) “além de tudo isso, o processo exige despesas de outras ordens, cujo adiantamento não pode ser exigido aos pobres, sob pena de lhes impossibilitar a participação no processo.”
Com a Tabela de Custas (vide Anexo I) tem-se noção dos valores cobrados pelas custas judiciais no Estado da Bahia.
No entanto, existem despesas inerentes à demanda e que muitas vezes são extremamente essenciais, indispensáveis para elucidar dúvidas, indagações. Trata-se das despesas com perícias e exames técnicos, por exemplo; são auxiliares da Justiça que os fazem, os quais não exercem suas atividades laborais sem cunho pecuniário, é óbvio. Mesmo porque não fazem parte do quadro de servidores do Poder Judiciário, portanto, não há elo obrigacional com o julgador que fez a solicitação dos serviços, apenas atende de maneira meramente profissional, tendo em vista o faturamento com a prestação dos seus serviços; todavia, não há como o juiz exigir-lhes a prestação do serviço, tampouco de forma gratuita. Afinal, trata-se do meio de sua subsistência, porque são profissionais especializados naquela área e que prestam serviços a qualquer entidade ou indivíduo que se disponha interessado, mediante contraprestação ou, ainda, por meio de convênios. Entretanto, o litigante terá que arcar com tais dispêndios.
É sempre uma incógnita o resultado da postulação judicial; é muito raro alguém ingressar em juízo com a certeza de contemplação favorável: sentença de mérito. Isso leva o litigante avaliar até que ponto é viável a propositura da ação, pois a questão dos gastos com a justiça torna-se preponderante, tendo em vista o elevado dispêndio dos litígios e o pouco recurso financeiro da parte.
3.2 Honorários advocatícios
Inicia-se este tópico com o exemplo citado por Daniele Toste(27) :
A advocacia é um múnus público, ou seja, uma atividade com alta relevância social, como se observa no Art. 133 da Constituição Federal – O advogado é indispensável à administração da justiça – e, portanto, honorário é aquilo dado por honra, representando o reconhecimento por uma nobre prestação de serviços. Assim, a remuneração do advogado será uma benesse destinada mais a compensar o tempo despendido pelo advogado na defesa do cliente do que uma vantagem pecuniária propriamente dita.
Todo profissional liberal, em qualquer área, tem direito a perceber remuneração pelos serviços contratados, por suas atividades profissionais executadas. E, assim, não é diferente no que tange à função do advogado, o qual tem por garantia, fundamentada na Constituição de 1988, o exercício da atividade laboral remunerada. Essa prestação de serviço remunerada é denominada de Honorários Advocatícios.
Considerado também como uma espécie de barreira econômica para a efetividade de um dos direitos fundamentais, qual seja o acesso à justiça, os honorários advocatícios são tidos como direitos dos profissionais da advocacia, assegurados pela Lei nº. 8.906 de 04 de julho de 1994, Estatuto da Advocacia e a Ordem dos Advogados do Brasil – OAB, em seu Art. 22, o qual reza que “a prestação de serviço profissional assegura aos inscritos na OAB o direito aos honorários convencionados, aos fixados por arbitramento judicial e aos de sucumbência.”
Capelletti e Garth(28) corroboram que “a mais importante despesa individual para os litigantes consiste, naturalmente, nos honorários advocatícios.”
Esse fato pode ser evidenciado quando analisam-se as tabelas dos honorários advocatícios disponibilizadas pelas Secções da Ordem dos Advogados do Brasil de todas as unidades da federação; os valores são excessivamente elevados, em contrapartida, vislumbrar uma sentença de mérito sem esse representante é uma realidade.
Os procedimentos judiciais necessários à solução de uma lide, na maioria dos países, possuem custos pagos pelos autores – pólo ativo na ação – incluindo os honorários advocatícios e algumas custas judiciais. Consistem em gasto essencial do litigante, os honorários advocatícios, que representam a esmagadora proporção dos altos custos do litígio, pois os advogados e seus serviços são dispendiosos.
Da mesma maneira que qualquer atividade profissional prestada, o labor do profissional do direito deverá ser exercido mediante contrato, o qual conterá em suas cláusulas o tipo de ação que irá representar em juízo, o valor combinado dos honorários advocatícios, a forma de pagamento, reajustes, dando assim maior garantia e segurança a ambas as partes.
Os honorários advocatícios serão pagos para que o advogado possa representar a parte interessada em juízo, transformando assim, em uma situação de maior tranquilidade e confiança para o litigante, já que o contratado tem maiores e melhores condições cognitivas, maior preparo para assim desempenhar um melhor trabalho, bem como a possibilidade de ter sua atuação mais incisiva, concisa e coerente em busca da tutela do direito do contratante, afinal, aquele é especialista no assunto “Direito”, facilitando ou mesmo permitindo que o acesso à justiça seja realmente efetivado de forma justa.
Em regra, o pagamento dos honorários advocatícios se dá ao iniciar os trabalhos na quantia de um terço do valor acordado pelo contratante e contratado, mais um terço quando da decisão de primeiro grau e o que subsistir, diante do resultado final, como pode-se confirmar com o texto do Art. 22, § 3º da Lei nº. 8.906/94 o qual reza que “salvo estipulação em contrário, 1/3 (um terço) dos honorários é devido no início do serviço, outro terço até a decisão de primeira instância e o restante no final.”
Estes valores recebem atualização monetária, principalmente por se saber que, geralmente, o curso do processo não tem duração razoável, a delonga existe.
A remuneração em destaque não é percebida apenas em caso de êxito no resultado da lide, ou seja, também é devida independentemente de resultado favorável ao contratante ou não, pois o profissional exerceu sua atividade, arcou com despesas, teve seu tempo tomado; nada mais justo que seja reconhecido pelo trabalho desempenhado.
Há um entendimento divergente no que concerne ao percentual-base de 30% sobre o valor do acordo ou da condenação que os profissionais das ciências jurídicas costumam por em prática no ato da contratação com seus clientes. Muitos vêem a importância vultosa. Outros admitem ser devido o pagamento. Porém, vale ressaltar que além de tempo despendido, a grande questão é a dúvida que paira: o resultado positivo viria ou a sentença de mérito seria almejada sem o empenho do bacharel em direito, procurador do litigante? A esta indagação pode-se responder afirmativo ou negativamente, pois cada situação é singular, onde tudo pode acontecer. Contudo, o contratante há de convir que a probabilidade de obter êxito ao final do procedimento é, sem sombra de dúvidas, mais segura e mais concreta com os serviços profissionais do advogado.
O valor dos honorários terá como base o tipo de procedimento a ser executado. Para isso, a tabela dos honorários advocatícios deverá ser consultada. Essa tabela é disponibilizada pelo órgão da OAB de cada Estado da federação e seus valores variam, não é fixado no âmbito nacional. Por exemplo, na ação de alimentos, nem sempre o valor tabelado pela OAB-SP será equivalente ao valor na tabela da OAB-BA; poderá ser próximo, porém não, necessariamente, será idêntico.
A seguir, tem-se outra tabela (vide Anexo II), a qual compara os valores dos honorários advocatícios cobrados simultaneamente pela OAB-BA e pela OAB-SP.
Diante disso, torna-se fácil compreender porque alguns profissionais se recusam a representar um cliente em juízo por meio da gratuidade, afinal seu labor é o meio do seu próprio sustento bem como de sua família. Exercer atividades de maneira gratuita não gera satisfação a ninguém. Hoje em dia, é difícil e basicamente impraticável, em especial aqui, a prestação dos serviços da advocacia, a qual não possui constante perspectivas, ora há muitos clientes e ações promissoras que fazem o profissional motivado, ora este advogado se vê em situações delicadas diante de tão pouca demanda; quer dizer, a realidade é de “altos e baixos”, de extrema variação.
Ainda assim, existem inúmeros atuantes na área do Direito que não se furtam em atender à população necessitada e dispõem seus serviços aos menos favorecidos economicamente, dispensando-os do pagamento de seus honorários devidos. Trata-se de atitude voluntária a qual é reconhecidamente de extrema relevância à sociedade, face ao alto índice das desigualdades, diferenças sociais, econômicas e culturais neste país, e que, infelizmente, estão inseridas e agregadas nas camadas que constituem a maioria.
Faz-se necessário acrescer aqui o debate que fora instalado acerca dos honorários advocatícios por sucumbência serem devidos, justos ou não. O princípio ou teoria da sucumbência faz com que os honorários sejam pagos ao defensor pela parte vencida – valor esse a ser arbitrado pelo julgador da causa – ou seja, quem perder em juízo pagará, ainda que parcialmente, custos da parte que venceu, além das suas próprias despesas. O Art. 20 e §§ do Código de Processo Civil(29) esclarece como se dá o pagamento de tais despesas e seu cabimento, a saber:
A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou e os honorários advocatícios. Essa verba honorária será devida, também, nos casos em que o advogado funcionar em causa própria.
§ 1º – O juiz, ao decidir qualquer incidente ou recurso, condenará nas despesas o vencido.
§ 2º – As despesas abrangem não só as custas dos atos do processo, como também a indenização de viagem, diária de testemunha e remuneração do assistente técnico.
O Art. 21 do instituto supra(30) complementa que “se cada litigante for em parte vencedor e vencido, serão recíproca e proporcionalmente distribuídos e compensados entre eles os honorários e as despesas.”
A finalidade é inibir a litigância em demasia, a propositura de ações irrelevantes ou lides ajuizadas de forma irresponsável e inconsequente, levando ao congestionamento da máquina judiciária, nos tribunais, impedindo ou dificultando a celeridade maior nas decisões processuais.
Outro ponto de entendimento fracionado por alguns juristas e pelos Tribunais brasileiros é referente ao beneficiário da assistência judiciária gratuita ter ou não que suportar o ônus das verbas honorárias. Há fundamentação que se o litigante solicita a gratuidade para as custas judiciais, não terá condições para arcar com os honorários advocatícios também. Por outro lado, existe entendimento diverso assegurando que não há interdependência entre uma despesa e outra, podendo sim o postulante assumir os gastos com o seu defensor, por qualquer meio que os contratantes acordem entre si, pedindo a isenção das custas por meio do benefício da gratuidade jurídica com a intenção de valorizar mais o profissional, seu representante, para que este tenha motivação, incentivo e empenho maior na sua causa, podendo assim, otimizar sua atuação na ação proposta.
Não há como deixar de mencionar a questão da falta de um sistema que normatize o pagamento dos honorários advocatícios dos defensores dativos nas comarcas. Essa situação caótica e precária é desestimulante para qualquer profissional, ao exercer o múnus público da advocacia, principalmente, quando se trata de procuradores iniciantes, nomeados por magistrados em comarcas de interior, que se julgam “pressionados” em ter que aceitar a função de defensor dativo, com a triste realidade que possivelmente não serão agraciados com qualquer pecúnia pela prestação dos seus serviços, apenas terão o reconhecimento do litigante e do insigne julgador que os nomeou. Não que para um iniciante, ser nomeado pelo juiz, não venha contribuir com a confiança a ser depositada pelo magistrado ou também sirva para enriquecer seu valor perante a sociedade, mas, por muitas vezes, isso se dá em função da falta de opção.
A quantidade, a disponibilidade de defensores públicos com referência à população é ínfima, e não há a devida preocupação do Estado no que tange ao pagamento dos honorários destes defensores, sejam eles nomeados pelo célebre julgador ou que tenham convênios com órgãos públicos, como as Prefeituras, por exemplo.
O elevado valor do processo é um dos principais entraves, empecilhos para um firme acesso à justiça. Sendo o Brasil dotado de uma péssima distribuição de renda, podemos concluir o quão limitador é o direito a essa garantia constitucional. E pode-se corroborar que a barreira também se dá à cidadania como um todo, devido à desigualdade econômica e social.
4 A DEFENSORIA PÚBLICA
4.1 Histórico
Para diversos autores, há uma opinião de que a questão do acesso à Justiça pelos não privilegiados, os excluídos de uma sociedade, é um problema que, talvez, só será elidida quando o Estado se voltar verdadeiramente para o fato, por meio de investimentos e/ou políticas sociais e com a intervenção do poder público. E é assim que entra-se no tópico merecedor de atenção: a Defensoria Pública como órgão que facilita o acesso à justiça pelos mais necessitados.
O direito pode ser considerado como um conjunto de normas para moldar, polir as condutas de cada indivíduo. Criaram-se, então, regras e padrões a serem implantados e utilizados nas sociedades para que cada pessoa pudesse ter a possibilidade de viver em sociedade, e se possível, da melhor maneira, de forma harmoniosa.
Ocorre que, apesar dos ditames de tais regras e padrões sociais inseridos nessa sociedade, essa ainda assim, vive experiências diuturnamente que se transformam, muitas vezes, em conflitos, sejam eles individuais ou entre o particular e o Estado. Este por sua vez, tem a incumbência de amenizar tais percalços, especialmente quando o próprio Estado encontra-se envolvido.
No princípio do processo de civilização, cada um defendia seu direito por si só, ou seja, não havia qualquer tipo de assistência para tal defesa. À proporção que os povos foram evoluindo, foram surgindo a justiça pública e a particular. Aquela veio depois de muita evolução.
Com a implantação de regras jurídicas e também do sistema judiciário era para vivermos em uma sociedade onde as pessoas pudessem ter suas vidas mais tranquilas e serenas. Onde todos pudessem resolver suas insatisfações e/ou litígios perante os órgãos competentes da administração ou por meio dos órgãos judiciais. Todavia, a exclusão social é tão gritante que torna a desigualdade e os desníveis sociais como fatores preponderantes na inibição ou dificuldade de por em prática a franca tutela jurisdicional.
O Estado entra como possuidor dessa função de extrema relevância no meio social. Essa função é fundamental para um efetivo Estado Democrático de Direito.
Deve-se compreender o processo desde o início, com o histórico acerca da defesa do acesso à justiça até o surgimento e a efetiva implantação da Defensoria Pública propriamente dita.
Encontra-se na história do órgão supra que desde o ano 1694 a.C., no Parágrafo 48, XIV do Código de Hamurabi, já havia preocupação com o tema aqui abordado. Simone dos Santos Oliveira(31) transcreve que a passagem dizia:
Se um awilum (o homem livre em pleno uso de seus direitos na sociedade babilônica) tem sobre si uma dívida e se Adad (forças da natureza) inundou seu campo ou a torrente o carregou, ou ainda por falta de água, não cresceu cevada no campo, nesse ato ele não dará cevada ao seu credor. Ele umedecerá a sua tábua e não pagará os juros desse ano.” (BOUZON, 2003 p. 86).
Essa passagem demonstra o antigo interesse em proteger os desprovidos de melhores condições econômicas, os menos desprovidos socialmente.
Com a mesma intenção de dar proteção aos desiguais, Simone dos Santos Oliveira(32) em seu artigo expõe:
Em Atenas, na Grécia antiga, podemos vislumbrar uma atuação mais concreta junto aos pobres. Nesta região eram designados anualmente dez advogados para defender esses menos favorecidos contra os poderosos diante dos tribunais civis e criminais. Em Roma, existiam diversos dispositivos legais que resguardavam os direitos dos necessitados, e era uma questão de honra para os governantes, observar se seus governados mantinham entre si uma certa igualdade perante a lei, cabendo a estes governantes sanar qualquer abuso (ORIGEM, 2006).
Simone dos Santos Oliveira(33) cita que para Humberto Peña Moraes (1984, p. 21) Constantino teve a primeira iniciativa legalmente instituída, a qual foi incorporada à Legislação de Justiniano onde o advogado era concedido às pessoas que não possuíam meios para arcar com as despesas inerentes à sua defesa.
O cristianismo também teve sua participação na defesa dos mais carentes, pois impôs aos advogados a defesa como obrigação de forma gratuita, não remunerada, e aos juízes o dever de julgar, sem custas, tendo como pressuposto a disseminação doutrinária da caridade.
Na Idade Média e com o influente feudalismo, essa característica de promover defesa aos desamparados teve na verdade sua prática diminuída consideravelmente.
No ano de 1789, com o movimento da Revolução Francesa, os temas de igualdade, liberdade e fraternidade impulsionaram ao Estado a mobilização para que instituições oficiais fossem implantadas dando suporte judiciário aos excluídos. A preocupação com a situação era evidenciada, os direitos individuais tinham sua importância reconhecida, mas não havia ainda uma estrutura adequada e satisfatória.
A autora Simone dos Santos Oliveira(34) cita:
Apercebidos que tal desigualdade ocasionaria, fatalmente, diferença de oportunidade, procuraram inserir, nos seus ordenamentos legais, princípios de ordem pública que ensejassem aos pobres a mesma oportunidade de invocar a jurisdição, possível de ser exercida, por expensas próprias pelos afortunados (MORAES, 1984, p. 19).
Prelecionou(35) ainda que:
O asseguramento do direito de acesso de todos à prestação jurisdicional, independentemente de suficiência de recursos, permaneceu, no mundo moderno, mantidas as peculiaridades locais, como um dos principais objetivos das legislações próprias, aperfeiçoada, sob o influxo de novas concepções sócio-jurídicas, econômicas e políticas, embora ainda sejam registrados sistemas bastante primários de ajuda legal (MORAES, 1984, p.28).
Em 1870, o Instituto dos Advogados Brasileiros cria um Conselho para dar auxílio a quem mais tinha carência de assistência judiciária nas demandas de ordem cível e penal. Tal iniciativa foi de grande valia, tendo em vista a inércia do Estado para com o tema.
Simone dos Santos Oliveira(36) cita Humberto Peña Moraes assim:
Se não se pode tudo, faz-se o que é possível. No estado actual da nossa legislação, e atendendo às despesas que uma demanda custa, pode-se dizer, sem medo de errar, que a igualdade perante a lei não é uma palavra vã. Que importa ter direito, se não é possível mantel-o? Se um outro pode vir privar-nos delle? Que importa ter uma reclamação justa, se não podemos apresentál-a e seguil-a por falta de dinheiro? A lei é, pois, para quem tem dinheiro, para quem pode pagar as despesas das demandas (MORAES, 1984, p. 85).
Em 05 de maio de 1897 ocorreu a publicação do decreto, formado por uma Comissão Central e várias Comissões Seccionais, que instituía a assistência judiciária no Rio de Janeiro, capital do Brasil naquele momento.
Com a Proclamação da República foram editadas normas com sustentação estatal as quais deram início ao processo acerca da assistência judiciária.
A primeira Constituição após a República, a de 1891, não trouxe em seu texto o assunto da assistência judiciária, contudo fez alusão à defesa em seu Art. 72, § 16. Anos depois da Carta Magna de 1891 ser promulgada, uma legislação infraconstitucional organizou a assistência judiciária no Distrito Federal que foi aplicado como exemplo nos Estados da Bahia, São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais. A Lei Maior de 1934(37) trazia no seu inteiro teor o acesso gratuito à Justiça inserido no rol dos Direitos e Garantias individuais, dizendo que “a União e os Estados concederão aos necessitados assistência judiciária, para esse efeito, órgãos especiais, e assegurando isenção de emolumentos, custas, taxas e selos.”
O Estado de São Paulo, no ano de 1935, teve a iniciativa de inserir o primeiro serviço do estado no que tange a assistência judiciária no país – onde os defensores contavam com sua remuneração a ser paga pelo poder público – modelo esse que foi implantado pelos Estados do Rio Grande do Sul e Minas Gerais.
Meados dos anos 30, no século XX, fora criada a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) com a finalidade de prestar assistência judiciária, sem ônus, nos Estados que não dispunham de órgãos oficiais com esse mesmo fim.
A Carta Magna de 1946(38) retoma o tema e expressa em seu Art. 141, parágrafo 35 que “o poder público, na forma que a Lei estabelecer, concederá assistência judiciária aos necessitados.”. Porém, não evidenciou referência à competência de quem teria que patrocinar a assistência aos carentes, se seria responsabilidade do Estado ou da União. Logo, alguns Estados se manifestaram, instalando órgãos oficiais específicos para essa tutela jurisdicional. Outros, todavia, não tiveram a mesma criação, mas contratavam advogados para exercer a função de forma gratuita.
Surge no ano de 1950 a Lei nº. 1060/50 que trata da Justiça Gratuita, grande marco e avanço para o assunto aqui em questão.
Nos anos 70, o “Movimento de Acesso à Justiça” fez com que o tema aqui em estudo avançasse para o progresso.
Com esse avanço substancial, o eloquente anseio da sociedade e o clamor do povo na busca por melhorias no que diz respeito ao acesso jurisdicional, a vigente Constituição Federal(39) criou a instituição da Defensoria Pública, tratando-a como “essencial à função jurisdicional do Estado”, e destacou no Art. 134 do seu texto, a importância do órgão, equiparada à importância do Ministério Público e da Advocacia Pública, para a efetivação da Justiça por meio de orientações jurídicas bem como a defesa de todos os economicamente fracos que dela necessitarem.
4.2 Regulamentação
Não é competência, única e exclusivamente, do Poder Judiciário garantir a prestação jurisdicional aos indivíduos, assim também, é competente para tal o Poder Executivo, ao qual pertence à instituição da Defensoria Pública. Por meio da efetividade deste órgão, os menos aquinhoados economicamente poderão ao menos ter mais esperança e oportunidade em usufruir da garantia de um dos direitos que lhe são inerentes pela via Constitucional: a Justiça. Assim, pode-se afirmar que tem-se um real Estado Democrático de Direito. E como afirmam Ana Lúcia Raymundo, Alessandra Raymundo Monteiro e Jeanne Karenina Santiago Bezerra(40) , “a Defensoria Pública é essencial à democratização da Justiça e à própria efetividade da Constituição.”
Apesar de a legislação brasileira ter trazido em seu Texto Constitucional a função essencial da Defensoria Pública no Parágrafo Único do Art. 134 desde 1988, a instituição só veio a ser regulamentada após seis anos, pela Lei Complementar Federal nº. 80, de 12 de janeiro de 1994, organizando-a na forma estrutural e jurídica, bem como apontando normas gerais para a instituição na esfera estadual.
O instituto supra em seu Art. 1º define a instituição como “essencial à função jurisdicional do Estado, incumbindo-lhe prestar assistência jurídica, judicial e extrajudicial, integral e gratuita, aos necessitados, assim considerados na forma da lei.” (41)41
Evidencia-se a relevância institucional do órgão, pois além de prestar assistência judiciária em todos os graus de jurisdição aos mais carentes, sendo eles individuais ou coletivos, difusos ou homogêneos, os assiste também na esfera extrajudicial por meio de orientações, conselhos, informações e ainda presta consultoria; quer dizer, o Defensor Público atua de forma educativa, auxiliando nos casos onde a demanda judicial poderia ser evitada, utilizando a arte da conciliação entre os dois pólos litigantes, evitando, assim, uma avalanche de ações no judiciário. Assim explana Ana Lúcia Raymundo, Alessandra Raymundo Monteiro e Jeanne Karenina Santiago Bezerra(41) :
A atuação extrajudicial da Defensoria Pública na pacificação dos conflitos através da conciliação é aspecto democratizador do acesso à justiça, porque a maioria dos conflitos se dá pela ausência de informação e do conhecimento dos direitos.
A Lei Complementar Federal nº. 80/94(42) demonstra, no Art. 2º, a abrangência do órgão, qual seja:
I – a Defensoria Pública da União, a qual atua junto à Justiça Federal Comum e às Justiças Especializadas (Justiça do Trabalho, Justiça Militar e Justiça Eleitoral); II – a Defensoria Pública do Distrito Federal e dos Territórios; III – as Defensorias Públicas dos Estados. Vale ressaltar que, atualmente, existem Estados-membros da Federação onde ainda não fora implantada a Defensoria Pública, a exemplo dos Estados de Goiás e de Santa Catarina. Isso é inacreditável diante da legislação em vigor no território brasileiro há mais de uma década. O Estado do Paraná sofreu com sua luta por mais de quinze anos contra a ausência do órgão, um verdadeiro desrespeito aos interesses sociais.
Viu-se que não há no Brasil a Defensoria Pública regulamentada em seus municípios, o que se averigua são alguns municípios que têm instituído o órgão como na cidade de Porto Seguro no Estado da Bahia, apesar de não possuir sede própria e ainda funcionar precariamente em uma das salas no prédio dos Juizados Especiais Cíveis e Criminais, bem como em outras comarcas do interior, existe a chamada Justiça Municipalizada. Essa estrutura funciona com a contratação de advogados pagos pelo município para atender a essa demanda desprovida de recursos financeiros, a camada social excluída economicamente, que funciona também de forma bastante desestruturada e precária. Citamos como exemplo o município de Eunápolis ainda na Bahia.
Reporta-se nesse instante à Defensoria do Estado do Rio de Janeiro, a qual é considerada modelo para outros Estados-membros da Federação por diversos autores.
Paulo Galliez(43) assevera em sua obra que a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro teve uma “inegável contribuição para o aprimoramento dos institutos democráticos, notadamente para a assistência jurídica integral dos excluídos.”
Informa Paulo Cesar Ribeiro Galliez(44) que a instituição carioca tem sua história com o acesso à Justiça desde os anos 50 com a criação de cargos de Defensor Público. Em 1962 surgiu a Lei Orgânica do Ministério Público e da Assistência que atribuiu aos Defensores o dever de patrocinar aos carentes, atendimento jurídico sem ônus algum. No ano de 1970 o órgão foi denominado de Órgão do Estado com o mesmo fim acima aludido. Em 1975, o Decreto-lei nº. 11 fez a escolha em adotar o modelo de prestar assistência judiciária utilizado pelo anterior Estado do Rio, permanecendo com o Ministério Público e a Assistência Judiciária de forma independente, chefiadas pelo Procurador Geral da Justiça, abandonando o sistema antigo de assistência legal no Estado da Guanabara, tido como inadequado, pois usava Defensores Públicos que faziam parte da classe inicial da carreira do Ministério Público.
A Assistência Judiciária teve destaque ao ser promulgada a Constituição daquele Estado, em 1975, com a finalidade de assistir aos menos favorecidos em todos os graus de jurisdição, tendo a organização de sua carreira por meio de concurso público de provas e de títulos e o regime jurídico de seus membros instituído pela Lei Complementar nº. 6 de 12 de maio de 1977. O órgão da Defensoria era autônomo na forma administrativa, contudo, seu chefe era o Secretário Estadual de Justiça, que em 1987 com a Emenda Constitucional nº. 37 passou a ser “Procurador-Geral da Defensoria Pública”.
A Emenda Constitucional nº. 16, de 14 de dezembro de 2000 trouxe alterações formais na Constituição Estadual como a nomenclatura de “Procurador-Geral da Defensoria Pública” e “Procuradoria-Geral da Defensoria Pública”, para “Defensor Público Geral do Estado” e “Defensoria Pública Geral do Estado”, respectivamente.
Outra disciplina, a Emenda Constitucional nº. 45, de 08 de dezembro de 2004, concedeu autonomia de função e administrativa à Defensoria Pública no âmbito federal, tendo poderes para planejar seu próprio orçamento dentro dos limites da lei.
A Ouvidoria Geral da Defensoria Pública, criada pela Lei Complementar nº 112, de 19 de julho de 2006 no Estado do Rio de Janeiro, tinha como finalidade acompanhar a fiscalização das atividades funcionais dos seus membros e servidores.
Galliez(45) cita Maria Beatriz Bogado Bastos de Oliveira, Defensora Pública do Rio de Janeiro em 2007, a qual ilustra:
Ressalte-se que a inserção da Defensoria Pública como órgão do estado na Constituição Federal, marco importante no contexto de modernização da ordem econômico-social, se deveu não só à luta dos Defensores Públicos de todo o Brasil, e, em especial dos Defensores Públicos de nosso Estado, mas ao apoio recebido de outros órgãos, como a Assembléia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro e o Instituto dos Advogados Brasileiros, no Rio de Janeiro que, reconhecendo a relevante missão que a Defensoria Pública desempenha na sociedade, na qual constitui-se em fator de segurança e valorização do indivíduo diante das diferenças sociais…
Segundo Marília Gonçalves Pimenta(46) :
A Defensoria Pública é a instituição estatal que abrange todas estas definições (Assistência Jurídica Pública, Assistência Judiciária e Justiça Gratuita), propiciando além da Assistência jurídica Integral, o efetivo exercício do contraditório e da ampla defesa, mesmo aqueles economicamente suficientes, quando a causa verse sobre direitos indisponíveis, como é o caso dos réus na Justiça Criminal, ou em casos de relevante interesse público, na curadoria ao vínculo.
Nos dias atuais, percebe-se que o tema ainda possui grande relevância social, pois é vasto o interesse da comunidade de resolver esse óbice, apesar de ter-se que salientar que os avanços vêm sendo incontestáveis e enriquecedores para o direito, para o atual ordenamento jurídico.
Há uma acirrada luta para que o aperfeiçoamento de tal problemática seja eficaz. Isso se dá em função do clamor do povo, das angústias da sociedade, das exigências cada vez maiores de uma população mais conhecedora e lutadora pelo que é seu por direito, mesmo com toda a barreira do poder econômico, que como bem defende Paulo Cesar Ribeiro Galliez(47) :
Na medida em que o clamor público exigir, o processo de consolidação de instituições como a Defensoria Pública se verificará apesar da resistência do poder econômico, que terá contra si as próprias artimanhas e mecanismos utilizados em proveito do lucro e à custa da desigualdade social.
Porém essa barreira econômica não pode impedir que o indivíduo possa por em prática seu direito, seus objetivos jurídicos garantidos pela Carta Magna deste país, que defende ser um Estado Democrático e, por vezes, não resta evidenciada a Democracia de forma efetiva e justa, a verdadeira cidadania.
A Defensoria Pública é uma instituição a qual possui função primordial na sociedade, pois luta pela tutela das camadas conhecidas como minorias, porém, a maioria na sociedade marginalizada é representada por: “mulheres, índios, idosos, crianças, presidiários, negros, sem-teto, sem-terra”, como afirma Cleber Francisco Alves(48) .
Com fulcro no Artigo 3º da Lei Complementar Federal nº 80/94, a Defensoria Pública possui três princípios institucionais: a UNIDADE, a INDIVISIBILIDADE e a INDEPENDÊNCIA FUNCIONAL.
Sendo que, como defende Paulo Galliez(49) “a unidade consiste, pois, na prevalência contínua e permanente de todos os mecanismos inerentes à atuação do Defensor Público.”
Com referência à Indivisibilidade, assegura o autor(50) supra que sua razão de ser consiste no fato de que as suas normas fundamentais e o funcionamento de seus órgãos não podem sofrer qualquer solução e continuidade. Uma vez deflagrada a atuação do Defensor Público, deve a assistência jurídica ser prestada até atingir o seu objetivo…
E complementa(51) que “o acesso à Defensoria Pública é decorrente de garantia constitucional como segmento do exercício da cidadania.”.
Logo, não adianta o Estado trazer em seu Texto Constitucional o direito à jurisdição, direito à igualdade entre todos, se não há um reflexo coerente com a realidade social. Esse mesmo Estado não fornece condições efetivas de acessar à justiça de forma igualitária e justa. Enquanto isso for fato, a sociedade ainda viverá dias angustiantes e opressores.
O terceiro princípio institucional, o da Independência Funcional, diz respeito acerca da não hierarquia diante dos outros agentes estatais. Tal princípio, segundo Paulo Galliez(52) , “assegura a plena liberdade de ação do defensor público perante todos os órgãos da administração pública, especialmente o judiciário.”
Torna-se claro perceber que o Defensor Público diante de tais princípios, e também pelo direito de fazer uso das prerrogativas da inamovibilidade, da irredutibilidade de vencimentos e da estabilidade, tem o mesmo tratamento que um juiz, sendo que este corre o risco de ser removido para outra comarca e aquele não, evitando a negativa remoção por interesses políticos ou pessoais, assegurando, assim, o efetivo múnus público do Defensor. Contudo, ainda evidencia-se a denominação do Defensor Público como “advogado dos pobres”. É passível de indignação permitir tal tratamento com a classe.
Dessa forma, viu-se que ainda há uma negligência ostensiva no que tange à suma importância da função social da Defensoria Pública, haja vista a falta de estrutura da instituição em todo o país, sobretudo, e infelizmente, a existência de Estados da Federação que ainda não tiveram sua regulamentação.
Ora, como então será dada a garantia constitucional do direito de acesso à Justiça às populações mais pobres nessas localidades? Extraído fica o entendimento que a garantia assegurada pela Lei Maior passa a ter pouca eficácia. Portanto, seriam prudentes atitudes e políticas mais enérgicas para aprimorar e estruturar de forma eficaz os órgãos das Defensorias Públicas, como essência do acesso à jurisdição, para que assim pudessem cumprir com sua função constitucional.
4.3 Problemas das Defensorias Públicas
Diante do que foi observado, comprovou-se que as Defensorias Públicas em todo o Estado brasileiro ainda não receberam a merecedora e necessária atenção para que assim possam ser reconhecidas como instituições democráticas em um Estado de Direito.
Como assegura Amélia Soares da Rocha(53) :
Na realidade brasileira, em tese, vive-se um Estado Democrático de Direito a ser garantido por um triângulo eqüilátero, tendo em cada um de seus vértices, uma instituição estatal essencial à realização da Justiça, quais sejam Ministério Público, Magistratura e Defensoria Pública.
A efetivação da sociedade livre, justa e solidária implica a atuação integral de tais instituições. Se uma delas não estiver nos moldes determinados pela Lei Maior não se viverá um Estado Democrático de Direito. O enfraquecimento de qualquer delas implica desobediência constitucional e, por conseqüência, ineficiência das essenciais políticas públicas a elas incumbidas.
Após a leitura e análise de alguns textos acerca da matéria, observou-se que são inúmeros os problemas enfrentados pelas Defensorias Públicas, quais sejam:
* O número ínfimo de Defensores Públicos diante da enorme demanda que busca esse serviço, a camada dos excluídos e que são, infelizmente, maioria na sociedade, situação essa que abarrota as Defensorias Públicas com múltiplas e infindáveis demandas judiciais; * Inexistência de auxiliares para os servidores no Órgão; * Estagiários que não recebem incentivos; não há política para remunerá-los, ao menos com bolsa-auxílio; * Pouco investimento é feito nas instituições, quase insignificante – muitas delas não têm sede própria -, ainda que, com o rol de impostos pagos pelos contribuintes aos cofres públicos, o que vem desvalorizando a Defensoria Pública enquanto instituição que transforma a sociedade de hoje em uma nova sociedade: mais atuante, mais consciente e mais participativa; * Mesmo com a ampla existência de cargos, as vagas ainda são diversas, pois após os concursos públicos, grande parcela dos aprovados não é convocada para compor o quadro de servidores, fundamentando que o orçamento disponível é hipossuficiente para atender os custos das nomeações. Segundo o IPEA(54) (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), o impacto orçamentário para nomeações é insignificante, não justificando assim, a não convocação dos candidatos aprovados em concurso público para Defensor Público; * Em torno de 60% dos municípios brasileiros não contam com os serviços da Defensoria Pública. O que é mais estarrecedor, é que esses municípios são na maioria os que apresentam os menores índices de desenvolvimento social e, por conseguinte, a população que mais necessita, ou seja, os mais pobres. Resumindo, quanto menor o Índice de Desenvolvimento Humano, maior a dificuldade de efetivar o direito de acesso à Justiça aos menos favorecidos; * Outro problema enfrentado seria a discriminação que há referente ao Defensor Público, o conhecido “defensor dos pobres”, que apesar de encontrar-se no mesmo patamar que os Magistrados e os Promotores Públicos, são visivelmente tratados de forma desigual. Inclusive a remuneração é desigual. É como se a função fosse totalmente negligenciada no âmbito social.
A falta de importância dada à instituição é ainda irrelevante, visto que até o ano de 2005 não contavam com o órgão os Estados de São Paulo (implantação no início do ano de 2006), Goiás (segundo o Diretor da ANADEP, ainda não instalada), Paraná (2009) e Santa Catarina (permanece sem regulamentação).
No ano de 2005 foi feito o I Diagnóstico da Defensoria Pública no Brasil(55) pelo Ministério da Justiça/Secretaria de Reforma do Judiciário, o qual traçava o perfil institucional das defensorias analisando seu desempenho em cada Estado, no Distrito Federal e na Defensoria Pública da União, bem como analisava o perfil dos defensores públicos nas suas atividades, levando em consideração as peculiaridades regionais. O Estado do Mato Grosso do Sul surgia no ranking como a Defensoria Pública melhor estruturada no país, ficando o Estado da Bahia na 19ª posição. No ano seguinte foi realizado o II Diagnóstico apresentando avanços, como a criação de mais duas Defensorias Estaduais (São Paulo e Rio Grande do Norte).
Em um questionamento sobre a Instituição aqui referida, enviado no dia 18 de maio do corrente ano por correio eletrônico à Associação Nacional da Defensoria Pública (ANADEP), o Sr. Antonio Maffezoli, Diretor da Associação, retornou pelo mesmo meio (vide Anexo III) abordando os problemas enfrentados pela Instituição nesse país; comentou sobre a ineficácia da Lei nº. 1060/50 e prestou esclarecimento quanto à regulamentação do órgão nos Estados da Federação, consolidando as análises já obtidas.
Passa-se a analisar a questão, muito discutida, da ineficácia da Lei nº. 1060/50, que versa sobre a gratuidade da justiça e que está intimamente ligada à Instituição da Defensoria Pública.
Com base na Constitucional democrática de 1946, a Lei nº. 1060(56) , de 05 de fevereiro de 1950 foi editada estabelecendo normas para conceder aos menos aquinhoados economicamente a assistência judiciária e traz em seu Art. 4º que “a parte gozará dos benefícios da assistência judiciária, mediante simples afirmação, na própria petição inicial, de que não está em condições de pagar as custas do processo e os honorários de advogado, sem prejuízo próprio ou de sua família.”
Em regra, todo aquele que alegar impossibilidade de arcar com as custas e despesas processuais, contratação de advogado, ou seja, se julgar abastado economicamente, sob as penas legais, está constitucionalmente amparado para litigar judicialmente.
Essa afirmação é um tanto quanto confusa, pois deixa margem à dúbia interpretação. Ora, se um indivíduo percebe R$ 5.000,00 (cinco mil reais) mensais, e tem R$ 4.000,00 (quatro mil reais) com despesas de aluguel, condomínio, alimentação, telefone, água, luz, transporte e escola, só lhe sobrará R$ 1.000,00 (mil reais), para custear as despesas processuais. A depender do valor da causa, esse montante não será suficiente. Logo, esse indivíduo considerado integrante da camada de renda média, poderá, na exordial, afirmar que não possui condições financeiras para arcar com tais custas.
Há entendimento da Sexta Turma, por unanimidade, o qual teve acolhido o voto do relator Des. Fed. Poul Erik Dyrlund(57) , no sentido de dar provimento ao recurso, e extraiu-se do julgado:
A justa medida, para o deslinde da pretensão deduzida pelo apelante, em face do quase caos que é o cabimento ou não da gratuidade se projeta no senso de justiça; nessa coisa a que se convencionou nominar de bom senso, e, primacialmente, no confronto entre tudo aquilo que foi argumentado nos tópicos anteriores e a situação jurídica e financeira do apelante, isto é, na aplicação do art. 5º da Lei de Introdução do Código Civil, que consagra o princípio da adequação da norma jurídica à realidade social.
Naturalmente, seria uma superfetação incidir nos diversos lugares-comuns, a que dá ensejo o festejado art. 5º da Lei de Introdução ao Código Civil, por tais razões, restrinjo-me ao estritamente necessário, e, respeitando a inteligência e o bom senso do jurisdicionado.
O que se quer, à luz dos princípios aqui aventados, e, precipuamente o da nivelação social, sem esquecer o citado art. 5º, é a quase exata harmonia entre o interesse particular e o interesse público, ou em termos da ética aristotélica: a já mencionada justa medida.
Dado o irrefutável valor que confiro ao juízo cognoscente da jurisprudência, passo a comparar duas ementas de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça:
– A Constituição Federal (art. 5º, inciso LXXXIV e a Lei nº 1.060/50 (art. 5º), conferem ao juiz, em havendo fundadas razões, o poder de exigir do pretendente à assistência judiciária a prova da insuficiência de recursos'(Roms. 2938/RJ, DJ de 21.08.95, Ministro Antônio Torreão Braz). – Devem ser concedidos os benefícios da gratuidade judicial mediante mera afirmação de ser o postulante desprovido de recursos para arcar com as despesas do processo e a verba do patrocínio.’(Resp. 253528/RJ, Ministro José Arnaldo da Fonseca, DJ de 18.09.2000)
Cotejando tais ementas, vê-se, sem maiores elucubrações, que a 1ª fala ‘em fundadas razões’ para que o requerente demonstre a ‘insuficiência de recursos’. Em suma: se o juiz for tomado por seríssimas dúvidas quanto ao pedido de gratuidade; se o juiz aduzir que a aludida pretensão tende mais para a mentira do que para a verdade, e, assim por diante.
A 2ª ementa, que é praticamente a suma da jurisprudência a respeito, só exige uma manifestação de vontade (afirmação) da parte de que ela não pode arcar com as despesas e nem pagar honorários advocatícios.
Ocorre que, neste particular, a simples declaração (ou afirmação) de que não pode arcar com as respectivas despesas do processo dá azo ao famigerado ‘jeitinho brasileiro’, pois quem acredita que algum cidadão (autoridade ou não) se vai dar ao trabalho de PIRRO de verificar se aquela declaração é falsa ou verdadeira? Dir-se-á, mas aí, não se tipificará (em sendo falsa) o crime de falsidade ideológica?
A resposta franca e, sem rodeios ou polidez excessiva, é que o aparato judiciário não tem como investigar, se a afirmação é falsa ou verdadeira, e, desse modo, se perpetram milhares de gratuidade, sem a certeza de que essa via de acesso à Justiça está sendo utilizada com seriedade e dentro dos limites do razoável, pois, repita-se: a gratuidade é exceção e não a regra geral.
Verifica-se, a toda evidência, que não existe um motivo justo, uma fundada razão, uma justa medida para se negar a gratuidade requerida pelo Sr. Julio Ferreira, quanto mais ao se tratar de uma ação de usucapião, a qual requer despesas bem acima do desejável, não se olvidando de sua notória formalidade e outros adminículos processuais. Insistir, neste ponto, é colocar por terra a advertência de CÍCERO:
‘A discussão enfraquece a evidência’
A regra do § 1º, do artigo 267, do CPC, também restou inobservado, o que autoriza o acolhimento, outrossim, do apelo.
Por derradeiro, o documento de fls.182, que poderá ser impugnado, oportunamente, pela parte contrária, datado de 7 de janeiro de 2000, estabelece a presunção, exigida pela Lei1060/50.
Ante as razões acima expendidas, não só conheço do recurso interposto, como também lhe dou o necessário provimento, pois a concessão de gratuidade no caso “sub-oculis” se impõe, dentre outros princípios, pelo da nivelação social e o da justa medida, determinando, assim, o regular prosseguimento do feito, com o deferimento dos benefícios da Lei nº 1060/50, até ulterior modificação de situação jurídico-patrimonial do autor.
É como voto.
A discussão é travada porque o julgador não faz pesquisa se a afirmação de pobreza é verdadeira. Apenas acata ou não a gratuidade de acordo com o seu entendimento, levando em consideração o pedido de gratuidade da justiça por simples declaração de hipossuficiência de recursos para arcar com as despesas das custas processuais e honorários advocatícios, com fulcro na Lei ora em debate.
O aludido Diploma Legal não faz menção quanto à diferença para que os indivíduos recebam a prestação jurídica gratuita, ou seja, tanto poderá ser contemplada, com a assistência sem ônus, a pessoa física quanto a pessoa jurídica, bastando ser brasileira ou não, residente no país e, assim, peticionar a gratuidade da Justiça diante da insuficiência de recursos financeiros sem prejuízo para o sustento próprio e da família, cabendo impugnação da parte contrária, caso a afirmação não tenha cunho verdadeiro. Também não menciona o limite de renda que o indivíduo deve ter para ser beneficiário da gratuidade, bastando a afirmação da falta de condições de cunho pecuniário sem prejuízo do sustento familiar e próprio, o que muitas vezes, não faz muito sentido, tendo em vista que o legislador parece ter tido a intenção de beneficiar pessoas carentes (pobres) e não pessoas que tenham remuneração suficiente para manter uma vida econômica considerada estável.
Assim também, há falhas quanto ao cabimento do benefício à parte que constituir advogado particular, pois a Lei supra não faz diferença entre o cliente que estiver assistido por defensor público ou por um advogado particular, o que dá entender que ambos têm o direito de ser agraciados com a concessão da justiça gratuita. E as lacunas se resumem na preocupação que o legislador não teve em redigir adequadamente o texto legal, deixando margens às mais variadas interpretações.
5 JUIZADOS ESPECIAIS
5.1 Regulamentação
Enfim, chega-se ao capítulo que aborda a matéria no âmbito dos Juizados Especiais, o grande avanço para a efetividade da garantia constitucional que é o direito de acesso à Justiça.
A comunidade brasileira sentia a ausência de um sistema jurisdicional menos lento, mais prático, menos burocrático, mais simplificado e que oferecesse melhores condições para o mais carente ter acesso. Por conseguinte, seria efetivo enquanto direito de acesso à Justiça ao menos favorecido.
Tudo começou na Região Sul do país, mais especificamente no Estado do Rio Grande do Sul onde militantes do Direito tiveram iniciativa em prol desses excluídos.
Fátima Nancy Andrighi(58) , Ministra do Supremo Tribunal de Justiça (STJ) explana acerca da história do acesso à Justiça melhorado, assim:
No Brasil o Juizado de Pequenas Causas teve origem na preocupação de alguns juízes que, trabalhando duramente na comarca de Rio Grande do Sul, percebiam que a comunidade não estava recebendo a prestação jurisdicional na forma ideal. Notavam que os membros da comunidade deixavam de reivindicar os seus direitos em face do alto custo e morosidade da justiça. Resolveram, então, estes juízes de forma empírica começar um trabalho pioneiro de atendimento à comunidade à noite na sede do Fórum. A idéia cresceu, em face dos bons resultados, e a associação dos juízes, AJURIS, com o beneplácito do Tribunal de Justiça, instalou na comarca de Rio Grande o primeiro Conselho de Conciliação e Arbitramento-CCA em 23.07.82.
A iniciativa rendeu bons frutos até o ponto de surgir a Lei nº. 7.244, de 07 de novembro de 1984 que dispunha a criação e como funcionaria o Juizado Especial de Pequenas Causas, instituída como órgão da Justiça ordinária estadual.
“A Lei Estadual nº 8.124, de 1986, instituiu o ‘Sistema Estadual de Juizados de Pequenas Causas’. Em 1991, a Lei Estadual nº 9.466 dispôs sobre a competência dos Juizados Especiais.”(59)
O Diploma Legal, Lei dos Juizados Especiais, teve reconhecimento constitucional na Lei Maior de 1988 em seu Art. 98(60) que reza:
A união, no Distrito Federal e nos Territórios, e os Estados criarão:
I – juizados especiais, providos por juízes togados, ou togados e leigos, competentes para a conciliação, o julgamento e a execução de causas cíveis de menor complexidade e infrações penais de menor potencial ofensivo, mediante os procedimentos oral e sumaríssimo.
Além de permitir que as ações obedecessem ao rito sumaríssimo, a Constituição também deu abertura para que o procedimento das execuções quanto ao não cumprimento dos acordos em audiência, fosse realizado pelo próprio Juizado, facilitando ainda mais o sistema novo de acesso jurisdicional.
O Juizado de Pequenas Causas no Rio Grande do Sul tinha como características a oralidade, simplificação, informalidade, economia processual e rapidez, com intuito maior de atingir a conciliação entre os litigantes.
Apesar dos grandes avanços, ainda persistia a problemática quanto ao acesso dos carentes à Justiça e seus litígios de menor complexidade, ante uma demanda que crescia dia após dia e a lentidão do ritmo processual. Com tal situação surge a Lei nº. 8.078, de 11 de setembro de 1990, o Código de Defesa do Consumidor, a chamada Lei Consumerista. E, após uma década, diante da incessante demanda de conflitos, bem como do clamor popular cria-se, então, a Lei nº. 9.099, de 26 de setembro de 1995, a qual dispõe sobre os Juizados Especiais Cíveis e Criminais – temos Juizados Especiais Cíveis Federais e Estaduais.
A Lei dos Juizados Especiais substituiu o sistema dos Juizados de Pequenas Causas que tinha como Lei reguladora a de nº. 7.244/84, porém ainda hoje, muitos ainda mantêm a mesma denominação anterior ou a denominam de PROCON, o que significa que não há esclarecimento junto à população nesse sentido.
Somente as pessoas físicas e as microempresas podem propor ações junto aos Juizados Especiais Cíveis. Podem fazer parte na relação jurídico-processual como pólo passivo, no mesmo âmbito, as pessoas jurídicas. Pessoas declaradas incapazes, o preso, o governo, a massa falida e o insolvente civil não podem compor essa relação jurídico-processual.
O sistema dos Juizados Especiais Cíveis funciona com um objetivo preponderante: buscar solucionar conflitos de menor dificuldade na primeira tentativa, ou seja, no menor espaço de tempo, na primeira audiência denominada de sessão de conciliação. Para ter-se uma noção da busca pela celeridade processual, basta saber que a Lei estabelece o prazo de 15 dias para ser designada a Audiência de Conciliação. Caso o conciliador não tenha êxito, uma nova audiência é designada, porém será não mais de conciliação, e sim de Instrução e Julgamento a ser presidida pelo meritíssimo juiz.
Ocorre atualmente uma triste realidade: inúmeras demandas não têm o êxito almejado – o acordo – na sessão de conciliação, o que facilita evidenciar uma gama de processos aguardando a fase de instrução nas sedes dos Juizados. É um contraste diante da finalidade a que se propôs o legislador ao criar a Lei 9.099/95. Outra realidade que gera preocupação é o tema sempre abordado no FONAJE (FÓRUM NACIONAL DOS JUIZADOS ESPECIAIS): “a falta de entendimento comum entre os magistrados nos juizados”(61) , pois se assim o fosse, diminuiria o número de recursos, tornando ainda mais célere todo o procedimento, bem como a unificação de jurisprudências.
E surge o debate: esse Diploma Legal veio para desobstruir a Justiça Comum ou facilitar o acesso jurisdicional aos menos aquinhoados, tendo a isenção de custas e a dispensa de advogado como características preponderantes?
Acredita-se que a segunda alternativa responde à questão acima aludida, pois não são todas as ações que competem aos Juizados (causas da Vara de Família, por exemplo) e por isso, passa-se, então, a tratar da dispensa do advogado nas demandas ajuizadas nos Juizados Especiais Cíveis, abordando acerca da sua constitucionalidade ou inconstitucionalidade.
5.2 Dispensa do Advogado
A doutrina não é unânime na questão da dispensa do advogado para as causas nos Juizados. Alguns autores defendem que os Juizados Especiais trazem em sua regulamentação uma inconstitucionalidade, como o nobre Alexandre Freitas Câmara(62) , o qual assegura que a dispensa do advogado vem como regra “contrariar o disposto no artigo 133 da Constituição da República, em cujos termos o advogado é essencial ao exercício da função jurisdicional, na forma da lei.”
Para os autores Roldão Oliveira de Carvalho e Algomiro Carvalho Neto(63) “o que dita a maior ou menor complexidade da causa é o seu valor econômico. Mais acertada teria sido a obrigatoriedade do patrocínio, através de advogado, qualquer que fosse o valor da causa.”
Citam e comentam(64) o Enunciado de nº 36 do Fórum Permanente de Coordenadores de Juizados Especiais:
Enunciado 36. A assistência obrigatória prevista no art. 9º da Lei nº 9.099/95 tem lugar a partir da fase instrutória, não se aplicando para a formulação do pedido e a sessão de conciliação.
A intenção do enunciado supra transcrito, certamente, foi a de possibilitar a realização de acordo entre as partes até a sessão de conciliação, sem a intervenção de advogado, para o que, à toda evidência, é dispensável, posto que a parte pode transigir extrajudicialmente sem a assistência de advogado.
Os autores(65) supra concluem que: diante da exigência e sendo o advogado o titular do jus postulandi, a ele, tão somente, cabe o direito de postular em juízo posto ser a capacidade postulatória pressuposto processual de natureza subjetiva, essencial à formação da relação jurídico-processual válida.
Adversamente, o ilustre autor Cândido Rangel Dinamarco(66) no que tange à constitucionalidade da aludida regra assevera que:
A indispensabilidade do advogado não é princípio que deva sobrepor-se à promessa constitucional de acesso à justiça (Const., art. 5º, inc. XXXV), sendo notório que as causas menores, levadas aos juizados, nem sempre comportam despesas com advogado e nem sempre quem as promove tem como despender.
Samir José Caetano Martins(67) defende com a mesma categoria que:
O centro de gravidade de qualquer abordagem sobre a constitucionalidade do artigo 9º da Lei nº. 9.099/95 é a garantia de acesso à justiça (artigo 5º, XXXV, da Constituição da República) e não a previsão da indispensabilidade do advogado à administração da justiça (artigo 133 da Constituição da República).
E assegura(68) ainda que “a exigência intransigente da assistência de advogado acaba por não atender ao objetivo último do processo, que é o acesso à ordem jurídica justa.”
Pode-se analisar com a seguinte ótica: o Diploma Legal é uma Lei em caráter especial que veio para favorecer os mais carentes e atender a demanda de litígios de menor complexidade, na área cível e penal, e não uma Lei com a finalidade de extinguir a função relevante do profissional do direito da sociedade. A Lei 9.099/95 dispõe acerca da faculdade que as partes têm em não constituir advogado e não de uma obrigatoriedade. Os advogados não vão deixar de ter seus trabalhos, suas demandas, seus clientes. Inclusive nos próprios Juizados, muitos preferem a assistência, por se sentirem mais seguros e protegidos. E ainda, quando o valor da causa exceder 20 (vinte) salários mínimos, a dispensa do profissional não se aplica, ou seja, é indispensável a assistência à parte pelo advogado nas ações que excedam aquele valor e que não ultrapassem 40 (quarenta) salários, limite de alçada nos Juizados.
Sem dúvida, a parte desassistida por advogado, na sua grande maioria, estará em condições menos favoráveis tendo em vista a falta de conhecimento jurídico. Mas, essa realidade dependerá muito da causa, onde há peculiaridades. No momento da propositura da ação, o atendente judiciário terá a obrigação de esclarecer as reais condições do desamparo por meio de defensor, isto é, em se tratando de causa um pouco mais complexa, ainda que competente no âmbito dos Juizados Especiais pelo seu valor caberá ao servidor esclarecer à parte se se faz necessário constituir um advogado. Logo, diante de tais explicações, caberá à parte decidir se constituirá ou não um assistente para lhe acompanhar na sessão de conciliação e não correr o risco de ter um resultado inesperado ou se sentir em desvantagem na demanda com referência ao outro pólo.
Dessa forma, também caberá ao Juiz a obrigação de, quando a causa recomendar, informar às partes no que tange a conveniência do patrocínio do profissional habilitado, para que assim haja igualdade de defesa entre os pólos ativo e passivo. E, quando o magistrado, porventura, evidenciar uma desvantagem para a parte desassistida, poderá redesignar uma outra audiência para que assim a parte possa providenciar um assistente e se tornar parte equivalente no litígio. Como assegura João Roberto Parizatto(69) :
se uma das partes comparecer assistida por advogado, ou se o réu for pessoa jurídica ou firma individual, terá a outra parte, se quiser, assistência judiciária prestada por órgão instituído junto ao Juizado Especial, na forma da lei local. Tal disposição visa equilibrar as condições das partes no Juizado Especial, para que uma comparecendo com advogado possa auferir maiores vantagens que a outra.
O aludido autor(70) acrescenta:
Estabeleceu-se a obrigatoriedade e não faculdade, de o Juiz alertar, ou seja informar as partes acerca da conveniência do patrocínio da causa através de advogado habilitado, quando a causa o recomendar, levando-se em conta a condição profissional do profissional do direito que terá melhores condições de defender os interesses de seu constituinte, ainda que junto ao Juizado Especial.
Por exemplo, a parte vai ao Juizado Especial Cível com a intenção de ajuizar uma ação contra uma empresa prestadora de serviços de táxi; ao informar que contratou um taxista para que ele o levasse, bem como sua família até uma cidade próxima de sua residência e que, no decorrer da viagem ocorreu um acidente com o automóvel causando danos gravíssimos a todos os passageiros, o servidor prestou o esclarecimento adequado informando que a atitude mais apropriada seria propor a ação na Justiça Comum em face da complexidade da causa, tendo em vista a necessidade de perícias, o que no Juizado não há possibilidade para serem realizadas. Informando também que o dono da empresa seria um advogado, e diante mão o autor estaria em desvantagem. Com isso, percebe-se que haverá falhas e resultados frustrantes para as partes se as explicações não forem dadas de forma clara e concisa, porém tal situação é passível de acontecer ainda que com os esclarecimentos, pois cabe à parte decidir onde ajuizará a demanda.
Outro ponto a ser discutido é se desafoga ou não a Justiça Comum. Acredita-se que o objetivo da Lei 9.099/95 não veio com esse intuito, e sim o de favorecer a população excluída economicamente. Porém, não se pode negar que de um jeito ou de outro é uma evasão sim da jurisdição de primeiro grau, tendo como base as características essenciais na esfera dos Juizados Especiais: simplificação, a dispensa de advogado, celeridade etc. Imagine-se a infinidade de ações ajuizadas nessa instância acerca de cobranças de dívidas de parcelas de R$ 10,00 (dez) reais, restituição de quantia paga indevidamente no valor de R$ 50,00 (cinqüenta reais), substituição de produtos eletroeletrônicos com defeito de fábrica dentre outras tantas de menor complexidade. Não haveria juiz suficiente (o que já não há para demandas competentes nessa jurisdição) para julgar tantos litígios com menor dificuldade de solução. Seria um verdadeiro caos processual.
6 ENTREVISTAS
6.1 Tabulação de dados
6.2 Análise de dados
A entrevista foi aplicada entre os dias 11/05 a 03/06/2009 no Serviço de Atendimento Judiciário (SAJ) e na Defensoria Pública na cidade de Porto Seguro, no Serviço de Atendimento Judiciário (SAJ), na Defensoria Pública da Prefeitura Municipal e no Núcleo de Prática Jurídica das Faculdades Integradas do Extremo Sul da Bahia na cidade de Eunápolis, tendo sido direcionada às pessoas mais carentes, público alvo desta pesquisa, com faixa etária entre 17 e 86 anos e nível de escolaridade oscilando entre o semi-analfabeto e o Ensino Médio incompleto, estudantes, pessoas do lar, trabalhadores rurais, comerciários, desempregados, pensionistas, diaristas, pedreiros, carpinteiros, autônomos e serviços gerais, totalizando 41 pessoas entrevistadas.
Teve como objetivo verificar como a barreira econômica do acesso à Justiça é visto junto à sociedade Eunapolitana e Porto Segurense, abordando pessoas que frequentam órgãos do Poder Judiciário em busca de informações e esclarecimentos, bem como soluções dos seus litígios do dia a dia, conhecer a realidade do acesso que essas pessoas têm à Justiça, suas dificuldades e sugestões para melhoria dos serviços jurisdicionais prestados e se sabem da existência e finalidade dos órgãos prestadores da justiça gratuita, como exemplo a Defensoria Pública e os Juizados Especiais. E ainda, tomar conhecimento de como é vista a função do advogado na sociedade. Extraiu-se que:
• o acesso à Justiça ainda persiste com grandes dificuldades, especialmente pelos excluídos da sociedade, os menos favorecidos economicamente; • a prestação de informações e esclarecimentos à sociedade acerca da função, finalidade, competência e existência dos órgãos do Poder Judiciário e da Defensoria Pública, bem como dos direitos assegurados pela Constituição Federal vigente e outros Diplomas Legais permanece muito aquém do necessário e do que se almeja, no entanto as pessoas acreditam que o único meio para resolver suas lides é buscando as dependências do Judiciário; • a insatisfação prevalece, sobretudo acerca da falta de celeridade processual; • o acesso à Justiça é demasiadamente oneroso; • o profissional da advocacia é visto como função de muita importância para pleitear direitos; • tornar o curso do processo mais célere e estruturar em todos os sentidos de maneira mais efetiva e eficaz as unidades do Poder Judiciário são reivindicações que as pessoas entrevistadas clamam para, assim então, aperfeiçoar o direito constitucional do acesso à Justiça.
7 CONCLUSÃO
O acesso à Justiça é uma tormenta que vem de longas datas, entretanto, ainda está distante o dia em que estará esgotado o assunto acerca do direito salvaguardado constitucionalmente, o direito à jurisdição, bem como os gastos para ajuizar uma ação e a questão do papel a ser desempenhado pela tão relevante Defensoria Pública.
É perceptível a busca pela melhoria e o aperfeiçoamento da questão. O indivíduo toma conhecimento maior de suas possibilidades, de seus direitos, onde buscá-los. Significando dizer que a sociedade, como um todo, está mais atenta, mais exigente e mais crítica. Isso se dá em função de uma evolução cronológica, que se acompanha desde as primeiras civilizações, mas que foram se desenvolvendo, avançando e hoje está de forma mais humana, porém ainda não satisfatória por si só, tampouco eficaz. Ainda cabem ao Estado muitas responsabilidades, muito incentivo e muitos investimentos. Apenas constar na legislação como direito constitucional é hipossuficiente. Não traz efetividade da garantia assegurada em nosso ordenamento.
A sociedade clama por maiores condições de acesso à justiça. Indiscutivelmente, tais condições já tiveram grandes avanços, como por exemplo, a Lei dos Juizados Especiais (9.099/95), e isso se deu por meio de incansáveis lutas em busca de um Estado de Direito realmente Democrático, mas que ainda deixa a desejar. Muitas vezes, o acesso se dá de forma preconceituosa, diferenciada, e isso é fato. O que não se pode aceitar é a inércia do Estado. Para tanto, precisa-se continuar em busca de um efetivo, real e justo direito de exercer a cidadania do indivíduo, já que conseguiu-se e assim, faz-se necessário. É como um direito líquido e certo, digno de ser exercido.
Uma das mudanças que a atual máquina judiciária está necessitando o mais breve possível diz respeito à estrutura em todas as unidades e dependências do Poder Judiciário, sejam físicas, dos equipamentos ou de material humano. E ainda, o investimento de recursos para viabilizar melhores condições nos órgãos desse Poder. É uma realidade que empobrece a prestação dos serviços jurisdicionais, permitindo a insatisfação de toda uma população que faz uso daqueles. Vale salientar a necessidade de implantação de projetos práticos, simples, porém que transformem a atual situação dessas instituições, como melhor utilização de estagiários e/ou graduandos na área das Ciências Jurídicas. Ressalte-se a Defensoria Pública como de suma importância para a efetividade do acesso à Justiça, que também encontra-se em uma situação precária em toda sua estrutura, por todo o país.
Foi observado que grande parte dos usuários está insatisfeita tanto quanto à pouca disponibilidade de defensores públicos, bem como com a falta de celeridade no curso dos processos. Essa parcela refere-se aos cidadãos que utilizam os serviços prestados nos órgãos de maneira não onerosa, que prestam a justiça gratuita como os Juizados. Tal evidência atua como motivo para tornar o Poder Judiciário em um âmbito desacreditado pela sociedade.
Um verdadeiro Estado Democrático de Direito não deveria se preocupar apenas com a criação de Leis e Normas, suas modificações e criação de direitos, deve, sobretudo implantar condições para que esses sejam efetivos, para que não se tornem mera utopia.
8 REFERÊNCIAS
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Realmente, Goiás e Santa Catarina são os estados que ainda não instalaram suas Defensorias Públicas. O estado de Goiás acabou de montar uma comissão para preparar o primeiro concurso para defensores públicos. Santa Catarina, contudo, não tem sequer lei orgânica criando a instituição.
O estado do Paraná também merece menção, pois, embora tenha criado sua Defensoria Pública, ela não está estruturada, havendo apenas alguns advogados exercendo a função em cargos em comissão.
Nos demais estados e na União, os principais problemas enfrentados pelas Defensorias Públicas são o pequeno número de defensores – a grande maioria das cidades brasileiras não possui defensor público – e a baix a remuneração, que tem levado a constante êxodo de profissionais duramente selecionados, através de concurso, e treinados. Tanto a criação de cargos quanto a remuneração são fixados a partir de lei de iniciativa exclusiva do chefe do Poder Executivo e, por isso, tem sido constante a luta dos defensores públicos e da sociedade civil para sensibilizá-los da importância e da necessidade da ampliação dos cargos e da justa remuneração dos defensores.
Quanto à lei 1060/50, ela está defasada, pois sancionada numa época que sequer existia Defensoria Pública. Ela precisa ser reformada e há hoje na Câmara dos Deputados um projeto em que se discute esse reforma. Contudo, essa lei tem permitido que pessoas pobres possam acessar o Judiciário sem, pelo menos, arcar com as custas processuais, o que já é um alento, embora se tenha notícia de que muitas pessoas que têm condições financeiras pleiteiem os benefícios dessa lei indevidamente, o que deve ria ser coibido pelo juiz da causa.
Estamos sempre à disposição.
Atenciosamente,
Antonio M. Diretor da Anadep
Nome: R. Pinheiro
Mensagem: Gostaria de obter algumas informações:
1- Quais os Estados da Federação que ainda não têm Defensoria Pública, pois na lista de endereços deste site não consta Goiás nem Santa Catarina?
2-Quais seriam os problemas enfrentados pela instituição? A Lei nº1060/50 é ineficaz ou não?
Cordialmente,
R. Pinheiro Estudante de Direito
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Anexo III
ENTREVISTA
Nome: Estado Civil: Idade: Ocupação: Escolaridade:
Há quanto tempo mora na região?
( ) Eunápolis ( ) Porto Seguro
01 – Para que serve o Poder Judiciário? Você sabe que tem esse direito?
02 – Você acredita que o Poder Judiciário possa resolver seus problemas? Por quê?
03 – Quando se sente lesado, onde busca seus direitos?
04 – Você sabia que para ir buscar direitos junto ao Poder Judiciário tem que ter advogado?
( ) Sim ( ) Não
05 – Sabe para que serve a Defensoria Pública? Sabe se existe em sua cidade?
06 – Conhece os Juizados Especiais? Sabe se há na sua cidade?
07 – Quando é que você procura os Juizados Especiais?
08 – Se já procurou: Foi advogado particular ou defensor público?
09 – Já ajuizou alguma ação?
( ) Sim ( ) Não
Onde? ( )Juizados
( ) Justiça comum ( ) Justiça Federal ( ) Justiça do Trabalho
Que tipo de ação?
Se já ajuizou, houve resultado final?
( ) Sim ( ) Não
Esse resultado foi favorável?
( ) Sim ( ) Não ( ) Não se aplica
Se ainda está em curso o processo, há quanto tempo aguarda resultado final?
( ) Menos de 01 ano ( ) Mais de 01 ano ( ) Mais de 02 anos ( ) Superior a 03 anos ( ) Não se aplica, já resolvido
10 – Você acredita que o serviço do advogado foi importante para a defesa do seu direito?
( )Sim ( )Não
O advogado foi diligente?
( )Sim ( )Não
Já sentiu alguma dificuldade para buscar seus direitos perante o Poder Judiciário?
( )Sim ( )Não
Qual tipo de dificuldade?
( ) Financeira ( )Esclarecimento/Conhecimento/Informação ( ) Outros
11 – O que pode ser melhorado quanto ao acesso do mais carente à justiça? Tem alguma sugestão?
( ) Sim ( ) Não
Qual?
12 – Com vê a função do advogado na sociedade da sua cidade?
Anexo IV
(1) CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à Justiça. Tradução: Ellen Gracie Northfleet. Porto Alegre: FABRIS, 1988, p. 08. (2) FILHO, Ruy Alves Henriques. Direitos fundamentais e processo. Rio de Janeiro: Renovar, 2008, p. 71. (3) MARTINS, Flademir Jerônimo Belinati. Dignidade da Pessoa Humana. 1ª edição. Curitiba: Juruá, 2008, p. 19 e 47. (4) MARTINS, Flademir Jerônimo Belinati. Dignidade da Pessoa Humana. 1ª edição. Curitiba: Juruá, 2008, p. 124-125. (5) CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de Direito Processual Civil. 17ª edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2008, p. 41. (6) Ibidem (7) Ibidem, p. 43. (8) ALVES, Cleber Francisco; PIMENTA, Marília Gonçalves. Acesso à Justiça em Preto e Branco: Retratos Institucionais da Defensoria Pública. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2004, p.96. (9) GALLIEZ, Paulo Cesar Ribeiro. Princípios Institucionais da Defensoria Pública. 2ª edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, p. 06-09. (10) GALLIEZ, Paulo Cesar Ribeiro. Princípios Institucionais da Defensoria Pública. 2ª edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, p. 09. (11) CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à Justiça. Tradução: Ellen Gracie Northfleet. Porto Alegre: Fabris, 1988, p. 09. (12) DINAMARCO, Cândido Rangel. A Instrumentalidade do Processo. 13ª edição. São Paulo: Malheiros, 2008, p. 77. (13) DINAMARCO, Cândido Rangel. A Instrumentalidade do Processo. 13ª edição. São Paulo: Malheiros, 2008, p.152. (14) Ibidem, p. 18. (15) Ibidem, p. 36. (16) DINAMARCO, Cândido Rangel. A Instrumentalidade do Processo. 13ª edição. São Paulo: Malheiros, 2008, p. 153. (17) Ibidem, p. 155/156. (18) Ibidem, p. 196. (19) Ibidem, p. 301. (20) Ibidem, p. 320. (21) http://ppbarros.fe.une.pt/My%20shared%20Documents/de-justic%CC%A7acomprec%CC%A7o-151206.pdf. (22) CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à Justiça. Tradução: Ellen Gracie Northfleet. Porto Alegre: Fabris, 1988, p. 20. (23) GRECO, Leonardo. Estudos de Direito Processual. Rio de Janeiro: Faculdade de Direito de Campos, 2001, p. 207. (24) http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4877 (25) DINAMARCO, Cândido Rangel. A Instrumentalidade do Processo. 13ª edição. São Paulo: Malheiros, 2008, p. 326. (26) DINAMARCO, Cândido Rangel. A Instrumentalidade do Processo. 13ª edição. São Paulo: Malheiros, 2008, p. 327. (27) http://www.danitoste.com/2007/09/05/honorarios-advocaticios/ (28) CAPPELLETTI, Mauro; GARTH, Bryant. Acesso à Justiça. Tradução: Ellen Gracie Northfleet. Porto Alegre: Fabris, 1988, p.18. (29) Lei nº. 5.869 de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil, Art. 20, § 1º e 2º. (30) Ibidem, Art. 21. (31) OLIVEIRA, Simone dos Santos. Defensoria Pública Brasileira: Sua História. www.uel.br/revistas/direitopub. Disponível em:<http: ://74.125.47.132/search?q=cache:iRP2VMJyvawJ:www2.uel.br/revistas/direitopub/pdfs/VOLUME_2/num_2/Artigo-Simone%255B3%255D.pdf+defensoria+publica+brasileira:+sua+historia&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br >. (32) Ibidem. (33) Ibidem. (34) OLIVEIRA, Simone dos Santos. Defensoria Pública Brasileira: Sua História. www.uel.br/revistas/direitopub. Disponível em:<http: ://74.125.47.132/search?q=cache:iRP2VMJyvawJ:www2.uel.br/revistas/direitopub/pdfs/VOLUME_2/num_2/Artigo-Simone%255B3%255D.pdf+defensoria+publica+brasileira:+sua+historia&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br >. (35) Ibidem. (36) Ibidem. (37) Constituição Federal de 1934, Título III, Capítulo II, Art. 113, nº 32. (38) Constituição Federal de 1946, Título IV, Capítulo II, Art. 141, parágrafo 35. (39) Constituição Federal de 1988, Título IV, Capítulo IV, Art. 134. (40) http://74.125.47.132/search?q=cache:D37fxaJjQOAJ:www.mp.m.gov.br/bibliotecapgj/artigos/artigo21.pdf+acesso+a+justi%C3%A7a+e+honorarios=advocaticios&cd=24&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br (41) http://74.125.47.132/search?q=cache:D37fxaJjQOAJ:www.mp.m.gov.br/bibliotecapgj/artigos/artigo21.pdf+acesso+a+justi%C3%A7a+e+honorarios=advocaticios&cd=24&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=br (42) Lei Complementar Federal nº. 80, de 12 de janeiro de 1994, Art. 1º. (43) GALLIEZ, Paulo Cesar Ribeiro. Princípios Institucionais da Defensoria Pública. 2ª edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, p. 28. (44) Ibidem, p. 17. (45) GALLIEZ, Paulo Cesar Ribeiro. Princípios Institucionais da Defensoria Pública. 2ª edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, p. 20. (46) ALVES, Cleber Francisco; PIMENTA, Marília Gonçalves. Acesso à Justiça em Preto e Branco: Retratos Institucionais da Defensoria Pública. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2004, p.103. (47) GALLIEZ, Paulo Cesar Ribeiro. Princípios Institucionais da Defensoria Pública. 2ª edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, p. 15. (48) ALVES, Cleber Francisco; PIMENTA, Marília Gonçalves. Acesso à Justiça em Preto e Branco: Retratos Institucionais da Defensoria Pública. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2004, p.28. (49) GALLIEZ, Paulo Cesar Ribeiro. Princípios Institucionais da Defensoria Pública. 2ª edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, p. 30. (50) Ibidem, p. 34. (51) Ibidem, p. 39. (52) GALLIEZ, Paulo Cesar Ribeiro. Princípios Institucionais da Defensoria Pública. 2ª edição. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2007, p. 41. (53) ROCHA, Amélia Soares da. Defensoria Pública e transformação social. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 400, 11 ago. 2004. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=5572>. Acesso em: 17 maio 2009. (54) http://www.ipea.gov.br (55) http://www.anadep.org.br/wtkside/downloads/Diag_defensoria_II.pdf (56) Lei nº. 1.060 de 05 de fevereiro de 1950 – Lei de Assistência Judiciária, Art. 4º. (57) http://www.trf2.gov.br/jurisprudencia/infojur47.htm#6turma (58) http://74.125.95.132/search?q=cache:4BW_4nzTnRMJ:bdjur.stj.gov.br/jspui/bitstream/2011/1712/4/Juizado_Pequenas_Causas.pdf+minha+primeira+palavra+%C3%A9+de+homenagem+a+este+valoroso+Clube&cd=1&hl=pt-BR&ct=clnk&gl=BR (59) http://www.tjrs.jus.br/institu/je/cartilha_je.php (60) Constituição Federal de 1988, Título IV, Capítulo III, Art. 98, caput, I. (61) CELSO NETO, João. Os Juizados Especiais e a Justiça Comum. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 51, out. 2001. Disponível em:http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=2048>. Acesso em: 04 de maio de 2009. (62) CÂMARA, Alexandre Freitas. Lições de Direito Processual Civil. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2003, p. 232. (63) CARVALHO, Roldão Oliveira de; NETO, Algomiro Carvalho. Juizados Especiais Cíveis e Criminais. Goiânia: Bestbook, 2006, p. 81. (64) Ibidem. (65) Ibidem. (66) DINAMARCO, Cândido Rangel. Instituições de Direito Processual Civil. 13ª edição. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 287. (67) MARTINS, Samir José Caetano. A dispensa da assistência de advogado nos Juizados Especiais Cíveis. Uma abordagem processual constitucional. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 1234, 17 nov. 2006. Disponível em:http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9148. Acesso em: 04 de maio de 2009. (68) MARTINS, Samir José Caetano. A dispensa da assistência de advogado nos Juizados Especiais Cíveis. Uma abordagem processual constitucional. Jus Navigandi, Teresina, ano 11, n. 1234, 17 nov. 2006. Disponível em:http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=9148. Acesso em: 04 de maio de 2009. (69) PARIZATTO, João Roberto. Manual Prático do Juizado Especial Cível. Parizatto, 2001, p. 02. (70) Ibidem, p. 03.
1. INTRODUÇÃO 2. DESENVOLVIMENTO INCLUSÃO E CORPOREIDADE NO COTIDIANO DA PRÁTICA DOCENTE 3. CONCLUSÃO 4. REFERENCIAS 5. APÊNDICE 1 – QUESTÃO INDIVIDUAL
INTRODUÇÃO
O processo histórico revela momentos distintos em relação ao papel e o lugar ocupado pela pessoa com deficiência na sociedade, já há algum tempo pessoas lutam por direitos iguais para todas as pessoas portadoras de deficiência.
Existem muitas discussões sobre a importância da inclusão e integração do aluno com necessidades educativas especiais, no âmbito da escola regular. Hoje as crianças com necessidades educativas têm que ser vista e aceita pelas suas possibilidades e não pela suas incapacidades.
A Educação Inclusiva atenta a diversidade inerente à espécie humana, busca perceber e atender as necessidades educativas especiais de todos os alunos, em salas de aulas comuns, em um sistema regular de ensino, de forma a promover a aprendizagem e o desenvolvimento pessoal de todos. Para que ela aconteça é preciso uma Prática Pedagógica Coletiva, multifacetada, dinâmica e flexível requer mudanças significativas na estrutura e no funcionamento das escolas, na formação dos professores e nas relações família-escola.
No decorre dos anos tivemos grandes nomes que lutaram por um espaço para que essas crianças fossem incluídas e não excluídas, hoje temos varias pessoas engajada nessa missão que enche o coração das pessoas ao ver uma criança com alguma necessidade, não vista mais no dia de hoje como uma pobre criança, mais sim como alguém que tem um futuro pela frente.
Com atividades corporais pode-se desenvolver o psicomotor ou a expressão corporal da criança, fazendo que ela consiga desenvolver um atrativo capacitando assim uma vontade ainda maior para desenvolver cada atividade proposta para ela isso e uma das maravilhas que pode ser feita por meio da Educação Física, organizar essas atividades sejam elas de educação física ou não faz parte do cotidiano do pedagogo e do professor ter um conteúdo que abrange a inclusão do aluno faz parte de um trabalho que e construído dia apos dia.
DESENVOLVIMENTO
A educação de pessoas com deficiência nasceu de forma solitária, segregada e excludente, essas pessoas sempre foram marcadas por forte rejeição, descriminação e preconceito, observa-se que desde a Antiguidade, as crianças que nasciam com algum tipo de deficiência sofriam de algum tipo de abuso e eram condenadas a viverem isoladas até a morte.
Jean Paul Bonet em 1960 na França começou as primeiras iniciativas de educação para deficientes mudos ao ensiná-los a falar. Em Paris foram fundadas as primeiras instituições na educação de pessoas com deficiências. O Abade Charles M. Eppé criou o “Método dos Sinais” para a comunicação com surdos. Também em Paris, no ano de 1784 foi fundado pó Valetin Hauy o Instituto Real dos Jovens Cegos que se destinava à leitura tátil pelo sistema de letras em relevo, Louis Braille (1834) criou o sistema de leitura e escrita por caracteres com relevo, possibilitando aos cegos a comunicação. A leitura chamada de Sistema Braille possibilita uma educação e independência dos cegos.
Fundada pelo francês Edward Seguin a primeira instituição pública para educação de crianças com deficiência mental foi residencial. Ele criou o método educacional baseado na neurofisiologia que utilizava recursos didáticos como cores e musicas para despertar o interesse e a motivação desses deficientes mentais. Já no Brasil a primeira escola especial foi fundada em 1854 no Rio de Janeiro o Imperial Instituto Meninos Cegos, posteriormente em 1857 o Instituto Imperial de educação de Surdos que tinha influência das instituições européias. Na metade do século XX foi criada a Pestalozzi e as APAES com o objetivo de implantar programas de reabilitação e educação especial.
Por volta da metade do século XIX e início do século XX, as escolas especiais proliferaram por toda a Europa e Estados Unidos e, surgiram sobre o enfoque médico e clínico. A médica italiana Maria Montessori criou o Método Montessori voltado para crianças com deficiência mental, baseado na rotina diária e na ação funcional, fundamentando-se na estimulação sensório-perceptiva e auto-aprendizagem. O Método Montessori foi bastante difundido entre as escolas especiais e até hoje é utilizado em educação de crianças da pré-escola sem qualquer deficiência.
Graças ao trabalho do médico Jean Itard (1774-1838) a parti do século XIX as pessoas com deficiência mental passaram a ser consideradas passíveis de serem educadas. Considerando o primeiro teórico de Educação Especial o menino Victor de Avevron, conhecido como o “menino selvagem”. O trabalho de Itard se baseava na teoria empirista do conhecimento, salienta a insuficiência de princípios cartesianos (“metafísicos”) das idéias inatas, usa em referência a eles a expressão “trabalho de gabinetes”. Isto é, separado da observação. Opõe-lhe seu próprio trabalho de laboratório antecipando-se em várias décadas a Ernst Mach e à psicologia experimental. Faz explicita sua adesão a Condillac e faz questão, em diversos momentos, de mostra a coerência de suas escolhas metódicas com a filosofia sensualista.
Historicamente temos conhecimentos, eram os deficientes eliminados de varias formas (eliminação no sentido de extermínio e no sentido do asilo). Esta atitude provinha da preocupação do grupo social no sentido de “não ver”. Desde a época mais primitiva passando pelo Cristianismo, Idade Média e Reformismo, todos os momentos da sociedade eram explicados pelo prisma dualista de Deus e Diabo, Céu e Inferno, Bem e Mal. Neste contexto os deficientes eram encarados como: “criança de Deus” ou “indivíduos possuídos pelo Satanás” e assim, eram condenados ao extermínio.
A parti da segunda metade da década de 90 com a difusão da conhecida Declaração de Salamanca (UNESCO, 1994) a educação de alunos com necessidade educativa especial que tradicionalmente se pautava num modelo de atendimento segregado, ganhou força já que entre outros pontos propõe que “as crianças e jovens com necessidades educativas especiais devem ter acesso às escolas regulares que devem se adequar…”, pois tais escolas “constituem os meios mais capazes para combater as atitudes discriminatórias, constituindo uma sociedade inclusiva e atingindo a educação para todos…” (p.8-9, grifo nosso).
Teve início em 1985 um projeto de Integração desenvolvido na Espanha, um progresso significativo em relação aos objetivos educacionais proposto para os alunos com necessidades educacionais especiais, conforme retrata Marchesi (1995). Este projeto aponta para uma participação voluntária das escolas, acompanhada de compromissos assumidos tanto pelos centros educacionais solicitantes, como pela administração educacional. O processo de integração tem o caráter de um programa aberto que dá lugar a projetos diversificados nos diferentes centros educacionais, adequando seus recursos e metodologias, não somente aos alunos com necessidade especiais, mais também aos alunos regulares. O termo Integração tem aparecidos associado ao termo inovação educacional, o qual foi utilizado na Espanha na década de 80. De acordo com tais idéias devera ocorrer uma mudança positiva e significativa em relação ao projeto pedagógico global.
A Educação Especial desenvolve-se em torno da igualdade de oportunidades, em que todos os indivíduos, independentemente das suas diferenças, deverão ter acesso a uma educação com qualidade, capaz de responder a todas as suas necessidades. Desta forma, a educação deve-se desenvolver de forma especial, numa tentativa de atender às diferenças individuais de cada criança, através de uma adaptação do sistema educativo.
A educação inclusiva é um processo em que se amplia a participação de todos os estudantes nos estabelecimentos de ensino regular. Trata-se de uma reestruturação da cultura, da prática e das políticas vivenciadas nas escolas de modo que estas respondam à diversidade de alunos. É uma abordagem humanística, democrática, que percebe o sujeito e suas singularidades, tendo como objetivos o desenvolvimento, a satisfação pessoal e a inserção social de todos.
“Há que se recordar que as necessidades especiais não constituem um quadro único, igual para todos os alunos que as apresentam. Essa dificuldade pode se apresentar em diferentes níveis, desde as que se resolvem co algum suporte do professor ou de um colega, até as que necessitem de adaptações curriculares de grande porte ou significativas. (Bergamo, 2009, p 74).”
O ensino especial é desde sua origem um sistema separado de educação das crianças com deficiência, fora do ensino regular, baseado na crença de que as necessidades das crianças com deficiência não podem ser supridas nas escolas regulares. Existe ensino especial em todo o mundo sejam em escolas de freqüência diária, internatos ou pequenas unidades ligadas à escola de ensino regular.
O objetivo geral é garantir o acesso de todas as crianças e adolescentes com necessidades educacionais especiais ao sistema educacionais público, bem como disseminar a política de construção de sistemas educacionais inclusivos e apoiar o processo de implementação nos municípios brasileiros.
O grande desafio do profissional que atua na educação inclusiva é justamente articular o que ele tem que ensinar com o que a criança já construiu, e com a maneira do estudante aprender.
A inclusão se base em princípios tais como a aceitação das diferenças individuais como atributo e não como obstáculo a valorização da diversidade humana pela sua importância para o enriquecimento de todas as pessoas, o direito de pertencer e de não ficar de fora, o igual valor das minorias em comparação com a maioria. A inclusão propõe um único sistema educacional de qualidade para todos os alunos com ou sem deficiência e com ou sem outros tipos de condição atípica.
Ao pesquisarmos serviços de inclusão em nossa cidade, observamos que o serviço educacional busca perspectivas para melhor atender o aluno, mesmo tendo evidente que essa prática está distante do desejável, ou seja, ainda não e o suficiente para necessidades do aluno.
Há professores especializados (na rede pública de ensino fundamental, infantil e escola particular) em lidar com alunos de educação inclusiva, porém esses professores fazem parte de uma minoria e muitas vezes são sobrecarregados com vários alunos na mesma sala impossibilitando de dar a devida atenção tanto aos alunos de educação inclusiva quantos para os demais.
Podemos ver que na maioria dos casos os alunos de educação inclusiva não suprem as necessidades desejadas porque os professores não desenvolvem projetos abrangentes qual envolve todos os alunos.
Os professores que não são especializados em educação inclusiva também recebem esses alunos, mesmo sem preparo para lidar com eles, por isso na maioria das vezes esse aluno fica isolado do restante da sala, fazendo atividades diferentes da que e proposta para os outros. Ou seja, eles são colocados em uma sala regular, mas não são totalmente incluídos.
Depois da família a escola é o espaço fundamental para o processo de socialização da criança. No caso específico da Educação Física é necessária que os profissionais envolvidos tragam contribuições para modificar o contexto social que vive as pessoas com deficiência.
A Educação Física vem resgatar uma educação para todos, principalmente no que se refere aos alunos que apresentam necessidades especiais permanentes ou não. Dando oportunidades ao aluno, com necessidades educativas especiais de conhecer suas possibilidades e vencer seus limites, facilitando a sua participação sempre que possível nas aulas de Educação Física, promovendo a interação.
Para Gaio e Porto (2006)
“o que diferencia os seres humanos dos outros seres que habitam este planeta é o fato de termos um corpo com tantas possibilidades. Pensar, sentir, agir, criar, dialogar, relacionar-se e entre tantas outras particularidades, sendo capaz de se adaptar as mais diversas situações da vida”
De acordo com o autor, o corpo é a presença constante na vida de cada ser humano, desde o nascimento até a morte; pelo fato de estar sempre em construção e transformação advindas das experiências vividas de cada um, dificilmente o corpo.
Para ser inclusiva a educação de pessoas portadoras de necessidades especiais, deve ser visualizado o direito humano.
Segundo Cavalcante (2005)
“A inclusão tem crescido a cada ano e o desafio de garantir uma educação para todos também. Na escola inclusiva os alunos aprendem a conviver com as diferenças e se tornam pessoas solidárias. Para que isso possa se tornar realidade a participação do professor é essencial.”
É importante que os professores estejam atentos ao comportamento sócio-afetivo de cada criança e jovem, pois eles reagem emocionalmente de maneira diferenciada às tarefas solicitadas. Esta relação se refere ao grau de auto-estima do aluno. A auto-estima influencia a participação em esportes e atividades físicas, bem como o domínio de habilidades.
Para que o aluno com deficiência tenha um auto-conceito positivo, deverá sentir-se pertencente ao grupo, não apenas fazendo parte dele. Ele terá que ser valorizado e reconhecido pelos colegas, professores e por si próprio como sendo um sujeito integrante do grupo, aceitando as regras, assim como o grupo precisa aceitar as limitações de cada colega e do conjunto.
Brincar é criar, tomar iniciativas. É aprender regras e limites para que o jogo funcione. Através do jogo, a criança descobre valores, aprende a conviver sem gritar e brigar. Ganha auto-estima e confiança, pois se sente capaz de participar. Desenvolve a concentração, a coordenação e a habilidade motora. Dá asas à imaginação e à fantasia.
Os jogos não devem ser organizados de maneira rigorosa, mas como uma proposta que poderá ser alterada conforme a necessidade do grupo, levando sempre em consideração a criatividade, habilidade e a sociabilidade das crianças e jovens envolvidos.
É interessante atividades de simulação para crianças consideradas normais vivenciar uma deficiência. Essas experiências permitem que eles percebam melhor as dificuldades das pessoas portadoras de deficiência e como elas podem se sentir eventualmente. É fundamental que os participantes sejam incentivados a dizer como se sentiram durante as atividades, principalmente naquelas em que são simuladas vivências de deficiências, pois sabemos que estas podem se constituir em experiências muito enriquecedoras e marcantes para a pessoa. Compartilhar esses sentimentos com os demais é sempre muito frutífero para todos.
Estas atividades darão oportunidade para ao aluno conhecer suas possibilidades e seus limites, favorecendo a confraternização entre eles.
Segue abaixo propostas de atividades inclusivas e simulações de algumas deficiências. Muitas destas atividades são aplicadas para crianças consideradas normais, que foram adaptadas para incluir o aluno com necessidades educativas especiais nas aulas de Educação Física. O educador deverá selecionar a atividade visando o comprometimento motor, a idade cronológica e o desenvolvimento intelectual do aluno.
Abaixo uma atividade para trabalhar com crianças:
ATIVIDADE: Passa 10
Número de participantes: livre
Material: coletes coloridos, 1 bola.
Descrição do Jogo: Todos os alunos deverão estar sentados na quadra, independente de ter ou não comprometimento motor. A turma deverá se dividir em dois grupos, onde cada grupo deverá usar coletes de cores diferentes para se distinguir melhor. A delimitação do espaço será de acordo com o número de participantes. O grupo que tiver com a posse de bola deverá tentar realizar 10 passes jogando com as mãos, conseguindo, marcará ponto. Caso a bola caia no chão, ou seja, interceptada pelo grupo adversário, a contagem será zerada. Vence o grupo que fizer mais pontos. O tempo do jogo será determinado pelo professor.
Adaptação: Se houver um cadeirante, o grupo adversário deverá ter um participante de sua equipe sentado em uma cadeira. Caso tenha mais de um cadeirante, o número de participantes em cadeiras deverá ser aumentado. No decorrer do jogo, todos os alunos deverão ficar pelo menos uma vez sentados na cadeira.
Variação: O professor poderá aumentar ou diminuir o espaço do jogo e o número de passes para realizar um ponto.
É necessário que haja uma preparação de todos os profissionais da escola regular, para receber o aluno com necessidades educativas especiais. Já o professor de Educação Física deverá estar sempre atento às mudanças, que deverão ser feitas, para melhor atender aos alunos com necessidades educativas especiais, evitando que eles sejam isolados de seus colegas e das atividades propostas pelo professor.
Para falar sobre inclusão escolar é preciso repensar o sentido que se está atribuindo à educação, além de atualizar nossas concepções e resignificar o processo de construção de todo o indivíduo, compreendendo a complexidade e amplitude que envolve essa temática. Pegamos como parâmetro a região metropolitana do Estado do Rio Grande do Sul, sendo esses os municípios de Gravataí, Glorinha, Alvorada, Viamão e Porto Alegre, observamos que o coeficiente de escolas especiais para o atendimento às crianças e adolescentes com necessidades especiais diversas ainda é pequeno, o mesmo podemos dizer das escolas que desenvolvem a inclusão desses alunos nas turmas regulares.
Desta forma, cabe a estas escolas, buscar através de parcerias, convênios e intercâmbios de experiências, soluções para poder facilitar o acesso dessas crianças e adolescentes nas escolas públicas faz-se necessário também avaliar as experiências exitosas de inclusão e acessibilidade dessas pessoas nas escolas da rede.
Com base na experiência dos profissionais envolvidos, e em conformidade com a legislação vigente, a Escola adotou algumas diretrizes básicas para praticar a inclusão. Entre outras preocupações estão.
• Respeito ao ritmo e aos limites dos alunos com necessidades especiais; • A adequação do trabalho didático para garantir a participação de todos os alunos, inclusive alunos com necessidades especiais, com adaptações nos currículos, nas práticas pedagógicas e com atividades de integração com a turma. • O desenvolvimento de atividades específicas com o aluno, que auxiliem no seu desenvolvimento individual e na sua socialização, buscando sempre evitar o isolamento do aluno com relação aos colegas e ao ritmo do coletivo (tarefas e avaliação com conteúdo e forma adequada); • O intercâmbio constante de informações entre a Escola, a família e os profissionais que eventualmente atuam com o aluno fora do contexto escolar, de forma a permitir um trabalho em rede e uma cooperação; • A integração dos alunos na sua turma, o que inclui em particular um trabalho constante de conscientização dos alunos sobre a importância de respeito às diferenças.
Assim, é necessário que todo o professores, equipe diretiva e comunidade escolar criem situações no seio da escola para que essa inclusão seja aprofundada experimentada e compartilhada afim de que não se torne “um gol contra” na vida dessas pessoas, mas, sobretudo um serviço de qualidade do professor, que possa auxiliar as pessoas que tanto necessitam.
CONCLUSÃO
A criança pode participar do sistema de educação e da própria sociedade sem ser excluído não é apenas um dever para com aqueles que são portadores de deficiência mais sim um direito de todos.
A inclusão do deficiente não e feita apenas pelas pessoas que luta por esses espaços tem que ter o acompanhamento da família que deve abraçar essa causa com dedicação. Não devemos ver estas crianças com preconceitos ou um grande problema sem solução, hoje as coisas mudarão, os tempos, conceitos e paradigmas, vemos com outros olhos e com outros pensamentos, ou seja, todos têm o mesmo direito de viver bem.
Podemos dizer que as representações sociais dos professores e de seus alunos com necessidades educativas especiais estão sendo construídas. A partir disso estão sendo delimitadas as relações entre professores e alunos. Nesse sentido, esse estudo vem proporcionar alguns pontos de reflexão à cerca, especialmente, do processo de inclusão. Sendo assim, devemos manifestar nossa convicção de que para adentrar nesse processo é necessário, além de recursos físicos, investirem na capacitação dos profissionais para atender aos desafios da educação especial com preparo, dedicação e compreensão.
A relação de ensino e aprendizagem deve ter uma atuação em conjunto da instituição e do aluno para que possa ter seu rendimento com referência o currículo regular.
Uma das possibilidades de ação pedagógica é o tipo de conteúdo e atividade visando a socialização, a inclusão e a relação conteúdo-atividade dentro das suas reais necessidades.
Não é necessário um conteúdo diferente para trabalhar a inclusão em sala de aula, o professor pode trabalhar atividades que são usadas no dia-a-dia, mas é necessária que essas atividades sejam adaptadas à realidade de todos os alunos, sejam eles com necessidades educativas especiais ou não.
É importante que haja uma ampla variedade de atividades sendo oferecida aos alunos para que se efetive a inclusão, pois só será possível a inclusão de todos os alunos, a partir da criação diversificada de conteúdos e atividades.
A garantia de acesso à educação e permanência na escola dos alunos portadores de necessidades especiais é um direito que vem sendo conquistado ao longo dos anos e está, hoje, previsto em lei. Trata-se de respeitar um direito de todos, de completar a constante busca pelo respeito aos direitos humanos para todos os cidadãos, qualquer que sejam suas peculiaridades.
Estimular os pais para que eles se envolvam na rotina da escola e no dia a dia da criança, estimulando brincadeiras, danças, cantos, jogos, literatura, escrita entre outras atividades mais, isso ira ajudar fortalecer o trabalho do docente que em conjunto com os pais e a comunidade ganharão cada vez mais força e espaço.
REFERÊNCIAS
• BERGAMO, Regiane. Pesquisa e Pratica Profissional: Educação Especial. Curitiba: IBPEX, 2009. • CAVALCANTE, MEIRE. A escola que é de todas as crianças. Nova Escola, Vol. 20, nº 182, 2005. • FARFUS, Daniele. Organização pedagógica dos espaços educativos. Disciplina Organização Pedagógica Espaços Educativos do Curso de Pedagogia EAD da FACINTER. Curitiba, 2009. • FERNANDES, Sueli. Fundamentos da Educação Especial. Curitiba: IBPEX, 2007. • GAIO, ROBERTO; PORTO, ELINE in MARCO, ADEMIR De ET al. Educação Física: cultura e sociedade. Cap. Educação física e pedagogia do movimento: possibilidades do corpo em diálogo com as diferenças. Campinas, SP: Papirus, 2006. • GONÇALVES, Nezilda Leci Gody. Metodologia do Ensino da Educação Física. Curitiba: IBPEX, 2007 • www.gestãouniversitária.com.br • http://br.groups.yahoo.com/group/acessibilidade/message/447 • http://www.artigonal.com/educacao-artigos/a-inclusao-de-todos-na-escola-1094672.html
APENDICE 1 – QUESTÃO INDIVIDUAL
Apresente (textualmente) pelo menos três condições que a escola precisa ter para desenvolver atividades de cultura corporal (corporeidade) e educação inclusiva (Como as escolas podem se organizar para a prática inclusiva quanto a adequação dos espaços físicos, a formação de professores para o atendimento de necessidades educacionais especiais, a metodologia das aulas, a disponibilização de recursos tecnológicos específicos, entre outros aspectos).
Para ter um bom desenvolvimento a escola necessita observar cada aluno possibilitando que cada um venha evoluir individualmente respeitando os limites e dificuldades, sempre incentivando o uso de suas potencialidades e capacidades, desenvolver formas de usar o corpo como um forte aliado para o progresso de cada aluno. Ter o acompanhamento do profissional de acordo com cada oficina ofertada. Saber usar de forma objetiva cada atividade realizada já que e através dela que podemos concluir o desenvolvimento de cada um em particular se foi concluído o objetivo previsto e qual o foi o seu ganho real.
A prática inclusiva torna a educação capaz de acolher a todos, independentemente das diferenças e preconceitos existentes entre diversas pessoas e culturas. A construção de uma escola inclusiva deve ser um projeto coletivo, onde a escola tem que ter um espaço escolar com salas dinâmicas e adequadas com o grande objetivo de receber pessoas especiais, isso não e apenas o espaço físico mais passando também por currículo e critérios de avaliação, ou seja, inclusão com responsabilidade e compromisso com o processo educacional por parte de todos que nele estarão envolvidos, professores, pais, diretores, secretários de educação e claro a comunidade. A formação dos educadores não é uma formação para a inclusão já que não tem como prepara alguém para as diversidades, mais a formação na inclusão.
A educação inclusiva no sistema educacional regular depende de mudanças significativas na escola e na sociedade. Ou seja, mudança na estrutura da formação de professores e na relação família-escola. Promover estratégias mais abrangentes para tornar a sociedade inclusiva.
A escola precisa trabalhar para que haja permanência do aluno com qualidade, ou seja, um desenvolvimento real que possa ser entendida como um valor, possibilitando participação de todos para os exercícios das práticas pedagógicas.
Além dos projetos desenvolvidos para educadores no processo de ampliação do sistema educacional inclusivo, a escola deve se atentar à diversidade de material pedagógico, implantando-os nas salas de aula. Assim, a escola e os professores desenvolvem a capacidade de propor atividades que valorizam experiências culturais, proporcionando novas atitudes. Trabalhar no concreto, sempre dentro das dificuldades, previamente identificadas pelo professor. O aluno poderá nesta atividade explorar as cores (com tintas, lápis, giz), os números em material de uso manual etc. A adaptação deverá ser realizada sempre dentro do nível intelectual de cada educando. Lembrando sempre que for necessário, uma vez que o mesmo consiga desempenhar as atividades, esta não irá necessitar de adaptações.
Quando pensamos em educação inclusiva no dia a dia de uma sala de aula não podemos esquecer-nos de refletir sobre os conflitos e agressões vividos entre os alunos. É importante resgatar experiências vividas, porém de maneira enriquecedora acrescentando novos conhecimentos e novas capacidades de decisão a partir da experiência vividas.
Para que realmente haja inclusão escolar é necessário que as adotem métodos e práticas de ensino adequados às diferenças dos alunos em geral, oferecendo alternativas que contemplem a diversidade, além de recursos de ensino e equipamentos especializados, que atendam a todas as necessidades educacionais dos educando, com e sem deficiências, mas sem discriminações.
Os professores devem aprender práticas de ensino adequadas às diferenças, como a língua de sinais, aprendizagem do sistema “Braille” e outros recursos especiais de ensino e de aprendizagem.
Mudar a escola é enfrentar muitas frentes de trabalho, cujas tarefas fundamentais, do meu ponto de vista, são:
• Recriar o modelo educativo escolar, tendo como eixo o ensino para todos; • Reorganizar pedagogicamente as escolas, abrindo espaços para que a cooperação, o diálogo, a solidariedade, a criatividade e o espírito crítico sejam exercitados nas escolas, por professores, administradores, funcionários e alunos, porque são habilidades mínimas para o exercício da verdadeira cidadania; • Garantir aos alunos tempo e liberdade para aprender e um ensino que não segrega e reprova a repetência; • Formar, aprimorar continuamente e valorizar o professor para que tenha condições e estímulo para ensinar a turma toda, sem exclusões e exceções;
A escola prepara o futuro e de certo que, se as crianças aprenderem a valorizar e a conviver com as diferenças nas salas de aula, serão adultos bem diferentes de nós que temos de nos empenhar tanto para entender e viver a experiência da inclusão!
Para desenvolver atividades de cultura corporal (corporeidade) e educação inclusiva, em educação física as escolas necessitam de espaço físico que permita o fácil acesso ao aluno com necessidades educacionais especiais, profissionais capacitados na área de Educação Física e uma grade curricular voltada ao atendimento das diversidades dos alunos, com atividades que explorem o seu potencial. Favorecendo o desenvolvimento dos alunos ampliando suas capacidades, habilidades físicas e propiciando para ele e aos demais alunos o desenvolvimento de atitudes constantes de solidariedade, respeito, companheirismo, responsabilidade e cooperação.
Como já sabemos a gravidez é um período de grandes transformações para a mulher, tanto físicas quanto emocionais. Algumas dessas mudanças causam transtornos e as queixas mais freqüentes são as dores lombares, os edemas, a predisposição a varizes, a lesões articulares, e dificuldade respiratória. Iremos mostrar nesse trabalho que estes problemas podem ser amenizados, tratados e até evitados através da fisioterapia. A fisioterapia pré-parto prepara a gestante utilizando exercícios de fortalecimento para a musculatura perineal, alongamentos e exercícios de correção postural favorecendo o equilíbrio corporal e técnicas de respiração para o parto. A gestação é um período sublime na vida da mulher e iremos mostrar que a fisioterapia contribuir de forma saudável, tornando mais fácil à assimilação das alterações pelas quais seu organismo passará, fazendo com que se sinta ativa e participante em um dos momentos mais importantes de sua vida.
O objetivo da fisioterapia pré-pós parto é garantir à gestante uma gravidez mais saudável e tranqüila e o objetivo desse trabalho é procurar contribuir com o conhecimento dos benefícios que a prática de atividade física pode trazer durante a gestação. Podemos concluir nesse trabalho que essas alterações fisiológicas que ocorre durante a gestação podem ser evitadas e/ou tratadas com a prática de atividade física.
INTRODUÇÃO
A fisioterapia é, segundo o COFFITO (Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional), “uma área de conhecimento em saúde, que estuda os distúrbios cinéticos e sinérgicos funcionais que acometem os órgãos e sistemas do corpo humano, gerados por alterações genéticas, por trauma ou por condições adquiridas”. A gravidez, por ser considerada uma condição adquirida pela mulher em idade fértil, e que promove alterações de diversos tipos no corpo feminino, passou a contribuir para o crescimento, como profissão, dessa nova área de atuação da fisioterapia na saúde da mulher, a obstetrícia, dando assim ao fisioterapeuta uma importância crescente como profissional habilitado para tratar os possíveis distúrbios musculoesqueléticos e neuromusculares da gravidez.
O fisioterapeuta trabalha também com atividades educativas que incluem orientações ergonômicas, posturais e das AVD’s, bem como a indicação de atividade física adequada a cada gestante; o fisioterapeuta indica e reescreve exercícios a gestantes que desejam permanecer ativa neste período.
A Fisioterapia tem como prioridade a atuação, o esclarecimento e orientação de gestantes a fim de minimizar os efeitos indesejáveis das alterações fisiológicas na gestação.
É necessário durante a gravidez, que ocorram alterações físicas no corpo da mulher para que se tenha um perfeito crescimento e desenvolvimento do feto. Porém essas alterações podem às vezes trazer como conseqüência dor e limitações em suas atividades diárias.
Sabe-se que a atividade física e a preparação para o parto são importantes para que a gestação seja um sucesso. Além de sofrer menos com as mudanças que estão ocorrendo no seu corpo, uma gestante que se exercita pode ter menor probabilidade de complicações durante o parto e melhor recuperação pós-parto, o que produzirá uma sensação de bem-estar e um melhor relacionamento com o bebê.
Seja durante a gravidez, seja na condição de não gravidez, o exercício pode atuar no controle do quadro diabético, além de auxiliar no retorno venoso, agindo profilática e terapeuticamente nas varizes. Age também melhorando as condições de distribuição sangüínea e a oxigenação, favorecendo as condições de irrigação dos tecidos e da placenta. Promove a melhora da elasticidade e a força muscular, auxiliando na manutenção postural. Contribui também para diminuir o stress e melhorar a auto-imagem.
Existem ainda outros benefícios a considerar, como a prevenção do excesso de peso e das dores lombares, manutenção da forma física e postural, melhor adaptação psicológica às alterações da gravidez e diminuição do risco de pré-eclâmpsia.
As vantagens da atividade física durante a gestação se estendem ainda aos aspectos emocionais, contribuindo para que a gestante torne-se mais auto-confiante e satisfeita com a aparência, eleve a auto-estima e apresente maior satisfação na prática dos exercícios.
Maiorias das mulheres muitas vezes acreditam que, durante a gravidez, a atividade física não é indicada. Pelo contrário, durante a gravidez, ela é especial e de fundamental importância, pois além de aumentar a disposição física para o trabalho, cuida do corpo, relaxa, minimiza os efeitos da gravidez e propicia melhores condições para o parto. A fisioterapia em gestante objetiva cuidar do corpo com suas estruturas em transformação durante nove meses e mais, proporcionar segurança e conforto emocional.
O objetivo dessa pesquisa é procurar contribuir com o conhecimento da prática de atividade física durante gravidez, destacando algumas alterações fisiológicas que podem ser evitadas, tratadas ou amenizadas com atividade física durante a gestação.
METODOLOGIA
Este estudo constitui-se em uma Revisão Bibliográfica, de caráter descritivo sobre a Atividade Física durante Gestação. O período de estudo para conclusão desse artigo foi de Janeiro de 2010 à Março de 2010. Para a realização desse trabalho foram utilizadas 20 referências bibliográficas, do ano de 1993-2008. Os dados desse estudo foram encontrados em bibliotecas virtuais como; Bireme (Biblioteca Virtual em Saúde), SCIELO (Scientific Electronic Library Online), LILASC (Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências Saúde), e Google. As palavras-chave utilizadas de acordo com os Descritores em Ciências da Saúde DeCS, foram: Gestação, Atividade Física, Fisioterapia
ANÁLISE E DISCURSÃO
Em décadas passadas, as gestantes eram aconselhadas a reduzirem suas atividades e interromperem, até mesmo, o trabalho ocupacional, especialmente durante os estágios finais da gestação, acreditando-se que o exercício aumentaria o risco de trabalho de parto prematuro por meio de estimulação da atividade uterina.
No entanto, em meados da década de 90, o Ame-rican College of Obstetricians and Gynecologists (ACOG), reconheceu que a prática da atividade física regular no período gestacional, deveria ser desenvolvida desde que a gestante apresentasse condições apropriadas.
As atitudes clínicas e as tradições relativamente ao exercício físico durante a gravidez têm sido moldadas mais por influências culturais do que por evidências científicas. Contudo, o avanço da ciência, aliado a uma forte procura de informação pela população em geral, levantou importantes questões sobre a relação risco/benefício do exercício durante a gravidez, tornando-se imprescindível a criação de consensos relativamente às suas recomendações.
Hoje em dia, um grande número de gestantes tem procurado diversos meios para obtenção de uma gravidez mais segura e tranqüila, visando o bem-estar próprio e o do bebê. Sob este ponto de vista, o fisioterapeuta pode contribuir muito para proporcionar uma gestação saudável,[11] pois pode conscientizar a gestante da importância da prática de atividade física, além de promover o aprendizado das técnicas que auxiliam a mulher a adquirir maior autocontrole durante o trabalho de parto e no momento da expulsão.
Com relação às técnicas utilizadas pelas gestantes, tem-se observado que a respiração pode ser controlada voluntariamente de modo a fornecer à mãe e ao feto a oxigenação necessária, sem ocorrência de fadiga durante o trabalho de parto. O uso das técnicas de relaxamento é defendida como um meio de quebrar esse ciclo vicioso da dor-temortensão. E o treino da expulsão se faz necessário para a gestante adquirir segurança e confiança para o momento do parto.
Na ocorrência de dores nas mãos e membros inferiores, que geralmente acontece por volta do terceiro trimestre, frente à diminuição da flexibilidade nas juntas, a prática da atividade física regular direcionada durante a gestação terá o efeito de minimizá-las, possivelmente, por promover menor retenção de líquidos no tecido conectivo.
Sabe-se que a atividade cardiovascular durante a gestação se eleva comparada ao período não gestacional. No entanto, com a prática regular de exercícios físicos reduz-se esse estresse cardiovascular, o que se reflete, especialmente, em freqüências cardíacas mais baixas, maior volume sangüíneo em circulação, maior capacidade de oxigenação, menor pressão arterial, prevenção de trombose e varizes, e redução do risco de diabetes gestacional.
As mulheres sedentárias apresentam um considerável declínio do condicionamento físico durante a gravidez. Além disto, a falta de atividade física regular é um dos fatores associados a uma susceptibilidade maior a doenças durante e após a gestação. Há um consenso geral na literatura científica de que a manutenção de exercícios de intensidade moderada durante uma gravidez não-complicada proporciona inúmeros benefícios para a saúde da mulher. Apesar de ainda existirem poucos estudos nesta área, exercícios resistidos de intensidade leve a moderada podem promover melhora na resistência e flexibilidade muscular, sem aumento no risco de lesões, complicações na gestação ou relativas ao peso do feto ao nascer. Conseqüentemente, a mulher passa a suportar melhor o aumento de peso e atenua as alterações posturais decorrentes desse período.
A atividade física aeróbia auxilia de forma significativa no controle do peso e na manutenção do condicionamento, além de reduzir riscos de diabetes gestacional, condição que afeta 5% das gestantes. A ativação dos grandes grupos musculares propicia uma melhor utilização da glicose e aumenta simultaneamente a sensibilidade à insulina. Os estudos também mostram que a manutenção da prática regular de exercícios físicos ou esporte apresenta fatores protetores sobre a saúde mental e emocional da mulher durante e depois da gravidez. Além disso, existem dados sugestivos de que a prática de exercício físico durante a gravidez exerce proteção contra a depressão puerperal.
A mulher grávida deve ingressar em atividades que lhe garantam prazer e bem-estar, desde que ela tenha sido submetida a uma avaliação médica especializada e que não apresente anormalidades físicas e complicações com a gestação.
Tanto os exercícios com sustentação de peso quantos exercícios com pouca sustentação de peso são recomendados durante a gestação. O importante é que o exercício traga conforto para a praticante, devendo os mesmos ser modificados se impuserem risco a região abdominal ou trazer fadiga para a gestante. O Colégio Americano de Ginecologia e Obstetrícia apostando nos benefícios maternos e fetais definiu algumas recomendações de interesse na prescrição de programas de exercícios na gravidez. Independentemente do tipo, as intensidades leve ou moderada são as mais adequadas, com freqüência mínima de três vezes por semana, mantida regularmente. Devem ser evitadas as atividades intensas; é importante respeitar o limite de 140 bpm para a freqüência cardíaca materna e de 38ºC para a temperatura ambiente. Os exercícios de solo devem ser realizados em superfícies firmes e regulares e de maneira geral, assegurar melhor controle da percepção corporal, da auto-estima, do humor e da ansiedade, proporcionando sensação de bem-estar físico e psicológico.
Alguns sinais ou sintomas representam sinal de perigo de complicações na gestação durante a prática de atividade física e indicam que o exercício deve ser imediatamente interrompido por constituírem grande risco para a saúde tanto da gestante e quanto do feto. Os principais sinais de que a atividade física deve cessar são: perda de líquido amniótico, dor no peito, sangramento vaginal, enxaqueca, dispnéia, edema, dor nas costas, náuseas, dor abdominal, contrações uterinas, fraquezas musculares, tontura e redução dos movimentos do feto. Mulheres fumantes têm contra-indicação na prática de atividade física em altitudes acima de 2.500m. A presença de náuseas, sonolência e desconforto, podem sugerir que o tipo, intensidade, duração e/ou freqüência da atividade física para a gestante devam ser modificados, sem que seja necessário interrompe-la. A própria prática de atividade física durante a gestação possibilita a ocorrência de fenômenos que devem alertar os especialistas para uma eventual interrupção dos exercícios. Tais sinais correspondem a: dor de qualquer tipo, injúrias musculoesqueléticas; complicações cardiovasculares; trabalho de parto prematuro; aumento do risco de aborto no primeiro trimestre da gestação e grave hipoglicemia, indicando, igualmente, a interrupção do exercício.
A atividade física para gestantes apresenta contra-indicação absoluta em mulheres portadoras de: doença cardíaca com alterações hemodinâmicas significativas, doença pulmonar restritiva, multípara com risco de prematuridade, placenta prévia depois de 26 semanas de gestação, ruptura de membranas, sangramento uterino persistente no segundo ou terceiro trimestre, cérvix incompetente e pré-eclâmpsia.
CONCLUSÃO
Durante a gestação a mulher sofre diversas alterações fisiológicas que podem trazer dor e limitações em suas atividades diárias variando de mulher para mulher e o sedentarismo pode agrava ainda mais essas alterações dando uma predisposição a edemas, varizes, dores na região lombar, obesidade e diabete gestacional.
O fisioterapeuta entra com o papel de prevenir e tratar essas modificações através atividades educativas que incluem orientações e indicação de atividade física adequada a cada gestante que desejam permanecer ativa neste período, pois como sabemos pratica de atividade física faz com que a gestante sofra menos com as mudanças que estão ocorrendo no seu corpo, proporcionando uma sensação de bem-estar e um melhor relacionamento com o bebê.
Então, podemos concluir que a prática de atividade física durante a gestação traz diversos benefícios, estando a gestante fora de riscos, realizando exercícios de forma correta sobre acompanhamento fisioterapêutico e médico.
REFERÊNCIAS
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1 INTRODUÇÃO 2 OBJETIVOS 2.1 OBJETIVO GERAL 2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS 3 HIPÓTESES 4 METODOLOGIA 4.1 Métodos de Pesquisa 4.2 População e Amostra 4.3 Local do Estudo 4.4 Período 4.5 Critérios de Inclusão 4.6 Critérios de Exclusão 4.7 Coleta de Dados 4.7.1 Procedimentos do Tratamento 4.8 Análise dos Dados 4.9 Aspectos Éticos 5 RESULTADOS ESPERADOS 6 CRITÉRIOS PARA SUSPENDER OU ENCERRAR A PESQUISA 7 ORÇAMENTO 8 BIBLIOGRAFIA 9 ANEXOS 10 APÊNDICE
1 INTRODUÇÃO
O sistema linfático representa dentro do corpo humano uma via secundária de acesso, por onde os líquidos provenientes do interstício são devolvidos ao sangue. Essa circulação linfática estar diretamente ligada à circulação sanguínea e aos líquidos teciduais, sendo que estes são absorvidos e transportados pela extensa rede de capilares linfáticos, que através de vasos progressivamente maiores, desemborcam no sistema venoso pelo coletor principal (MARX; CAMARGO, 1986).
Segundo Moore (1994), o sistema linfático também inclui os órgãos linfáticos. O sistema linfático drena o excesso de fluido dos tecidos e fornece mecanismo de defesa para o corpo. Quando o fluido dos tecidos tissular entra em vaso linfático, passa a ser chamado de linfa. O excesso de tecido tissular é filtrado através do linfonodos e retorna a corrente sanguínea.
De acordo com Brobeck (1976), uma das funções mais importantes do sistema linfático é o retorno da proteína, água e eletrólito dos espaços teciduais para o sangue. Os linfáticos são extremamente importantes na absorção de substancias nutritivas, sobretudo das gorduras do trato gastrintestinal.
A drenagem linfática manual é uma técnica massoterápica, que favorece a drenagem da linfa da periferia do organismo para o coração. Hoje considerada de ampla utilização no tratamento de várias patologias, a drenagem linfática manual desenvolve sua ação principal sobre o sistema circulatório linfático, formada pela linfa, vasos linfáticos e linfonodos. A aplicação auxilia o aumento do transporte da linfa, que melhora a vascularização, a anastomose linfolinfática e linfovenosa e proporciona maior resistência defensiva imunitária do organismo, devido ao aumento de células imunitárias que veiculam no próprio sistema linfático (LOPES, 2002).
Segundo, Gallego e Expósito (1993), a massagem de drenagem linfática é uma forma especial de massagem destinada a melhorar as funções essenciais do sistema linfático por meio de manobras precisas, leves, suaves, lentas e rítmicas, que obedecem ao trajeto do sistema linfático superficial.
De acordo com Kasseroller (1998), a drenagem linfática manual, também exerce uma ação sedante, tranqüilizante e relaxante. Favorece o predomínio do sistema nervoso parassimpático, à parte do sistema nervoso autônomo, que preside à recuperação de forças e à regeneração de tecidos. De fato, quando se inicia o tratamento, as maiorias dos pacientes sentem
que seus músculos se relaxam, as suas pálpebras pesam e uma sensação de torpor invade-os.
Ferrandez (2001) cita que, a drenagem linfática manual é indicada como parte integrante do tratamento de grande quantidade de transtornos, sendo validada cientificamente nos edemas de origem linfático: edemas pós-operatórios, para facilitar a cicatrização e evitar suas complicações; fibroedema gelóide; cicatrizes hipertróficas quelóides e tratamentos de rejuvenescimento facial.
Guirro e Guirro (2004), também cita como indicações, a prevenção e/ou tratamento de: edema, linfedema, sensação de cansaço nos membros inferiores, dor muscular, hematomas, equimose.
O parto é basicamente uma função natural do organismo que acontece de uma maneira espontânea e involuntária no final da gestação. É um trabalho intenso do útero, que inicia contrações irregulares, afastadas a princípio e que vão se tornando mais próximas umas das outras com o passar do tempo, até culminar na expulsão do feto (NEME, 1995).
Segundo Fagundes (1991), cesária é o nome que se dá à cirurgia por via abdominal que corta o útero, com intenção de se retirar a criança. Inicialmente, só existia a cesárea post-mortem, que era o corte no abdome de uma gestante morta há poucos minutos, para se tentar retirar a criança ainda com vida.
Já Hacker (1994), diz que a cesariana é uma cirurgia como qualquer outra, que irá requerer certos cuidados, antes, durante e após a sua realização. Em geral, a cesariana é empregada quando a demora no parto compromete seriamente o feto, a mãe ou ambos, e o parto vaginal não pode ser realizado com segurança.
De acordo com Kisner (2005), a intervenção pós-parto para a mulher que fez um parto cesárea é essencial a mesma da que teve parto vaginal. Contudo, como uma cesárea é uma cirurgia abdominal de grande porte com todos os risco e complicações de tais cirurgias, a mulher também precisará de reabilitação pós cirúrgica geral. Devido essa afirmação, os fisioterapeutas devem estar preparados para aborda as questões especificam a esse paciente em todo o seu período pós-operatório.
De acordo com Ministério da Saúde (2001) o puerpério (pós-parto) inicia-se de uma a duas horas depois da saída da placenta e tem seu término imprevisto, pois enquanto a mulher amamentar estará sofrendo transformações do puerpério.
Para Rezende citado por Machado (1999) o puerpério é dividido em três estágios, o pós- parto imediato do primeiro ao décimo dia; o pós- parto tardio do décimo primeiro ao quadragésimo quinto dia e o pós- parto remoto superior ao quadragésimo quinto dia.
Este trabalho tem como objetivo analisar os benefícios da drenagem linfática manual no pós-parto cesáreo, melhorar a qualidade de vida do paciente nas atividades de vida diária e de acordo com os efeitos da drenagem linfática manual obter redução de medidas, com a redução de líquidos intersticiais retidos.
2 OBJETIVOS
2.1 Objetivo Geral
Analisar os benefícios da drenagem linfática manual no pós-operatório da cesárea.
2.2 Objetivo Específico:
– Observar a influência da Drenagem Linfática Manual na qualidade de vida da paciente puérpera. – Mensurar e comparar as medidas circunferenciais da paciente no início e no fim do tratamento.
3 HIPÓTESE:
A Drenagem Linfática Manual proporcionará algum benefício em puérperas cesáreas?
4 METODOLOGIA
4.1 Método de Pesquisa:
– A pesquisa realizada é um estudo de campo do tipo descritivo e explicativo com abordagem qualitativa. – A pesquisa descritiva tem como objetivo primordial a descrição das características de determinada população. Já a parte explicativa, têm como preocupação identificar o fator que determinam ou que contribuem para a ocorrência do fenômeno (GIL, 2002).
4.2 População e Amostra:
O estudo será realizado com as puérperas cesáreas da Clínica Escola do Núcleo de Apoio á Saúde de Teresina-PI, onde serão retiradas seis mulheres para amostra desse seguinte estudo.
4.3 Local de Estudo:
O estudo será realizado na Clínica Escola do Núcleo de Apoio á Saúde, localizada na Rua Elias João Tájra, 963-Jóckey, na cidade de Teresina-PI.
4.4 Período:
A análise será realiza no período de Agosto à Outubro de 2009. Serão realizados três atendimentos semanais, com duração de quarenta minutos.
4.5 Critérios de Inclusão:
Os pacientes dessa pesquisa deverão estar de acordo com o termo de consentimento livre e esclarecido (ANEXO A) e ter as seguintes características: mulher com pós-parto de cesárea há menos de três meses, com a faixa etária entre vinte á quarenta anos de idade.
4.6 Critérios de Exclusão:
Pacientes que não colaborem com o desenvolvimento da pesquisa ou que tenha outra patologia associada que dificulte o trabalho.
4.7 Coleta de Dados
Os dados dessa pesquisa serão adquiridos através de uma ficha de avaliação contendo dados de identificação e medidas circunferências da paciente (APÊNDICE A) a fim de mensurar os efeitos do tratamento na reavaliação. Também será aplicado no final do trabalho um Questionário de Qualidade de Vida (APÊNDICE B) para acompanhar a evolução obtida com o paciente.
O tratamento será realizado na clinica escola de fisioterapia do Núcleo de Apoio á Saúde, serão realizados três atendimentos semanais de aproximadamente quarenta minutos.
Procedimentos do Tratamento
Para aferir a temperatura corporal, será colocado o termômetro de marca Incoterm, de preferência sob a axila esquerda (lado do coração), de forma que o bulbo de mercúrio fique em contato com a pele, por cerca de 5 minutos.
A pressão será aferida com um esfigmomanómetro de marca BIC, antes de aferir a pressão arterial, será explicado o procedimento ao paciente, deixá-lo descansar 5-10 minutos em ambiente calmo, manter o braço do paciente na altura do coração, palpar o pulso radial, inflar o manguito até seu desaparecimento, para estimar o nível da pressão sistólica, desinflar rapidamente e aguardar 15-30 segundos antes de inflar novamente, posicionar campânula do estetoscópio sobre artéria braquial, inflar rapidamente, até o nível estimado da pressão sistólica, desinflar lentamente, determinar pressão sistólica no aparecimento do primeiro som que se intensifica com aumento da deflação, determinar pressão diastólica no desaparecimento do som.
Durante a drenagem linfática o paciente ficará em decúbito dorsal para a realização do tratamento, que se resume em manobras em ritmo lento, pausado e repetitivo, em respeito ao mecanismo de transporte da linfa, cuja freqüência de contração é de 5 a 7 vezes por minuto.
As manobras serão executadas no sentido proximal-distal e vão ser praticadas por maior espaço de tempo onde há maior retenção de líquido, ou seja, linfedema. As manobras não poderão ser desagradáveis e jamais provocar dor. A pressão da mão sobre o corpo deverá ser leve para não produzir colapso linfático, onde o valor aplicado será o sugerido que gira em torno de 30 – 50 mmHg.
4.8 Análise dos Dados
Os dados serão analisados conforme a estatística descritiva simples, de forma comparativa, analisando assim os resultados obtidos pelo Questionário de Qualidade de Vida e expondo através de quadros a evolução das medidas circunferenciais.
4.9 Aspectos Éticos
Cada participante do estudo assinará um termo de consentimento livre e esclarecido (ANEXO A).
De acordo com a Resolução 196/63 do CNS/MS, em seu artigo IV, parágrafo 3º.
Esse projeto será submetido ao Comitê de Ética e Pesquisa da UNIP (Universidade Paulista).
5 RESULTADOS ESPERADOS:
Espera-se obter resultados satisfatórios, como uma melhora na qualidade de vida dos pacientes, de acordo com os efeitos promovidos pela técnica utilizada (drenagem linfática manual) reduzindo o edema pós-gestacional e pós-cirúrgico.
6 CRITÉRIOS PARA SUSPENDER OU ENCERRAR A PESQUISA.
Falta de paciente puérpera cesáreo; Falta de recursos e condições físicas.
7 ORÇAMENTO:
(ANEXO B)
8 BIBLIOGRAFIA:
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NEME, Bussâmara. Obstetrícia básica. São Paulo: Sarvier, 1995.
ANEXOS
APÊNDICE A
FICHA DE AVALIAÇÃO (APÊNDICE A)
1 DADOS PESSOAIS:
Nome do Paciente: Data de Nasc: Idade: Estado Civil: Altura: Peso: Sexo: ( ) M ( ) F Profissão: Escolaridade: Endereço: Bairro: Cidade: Fone res: Fone com: Cel: Data de avaliação: Encaminhado por: Diagnóstico Clínico:
2 DADOS CLÍNICOS:
Queixa Principal: Tempo de evolução do edema: Antecedentes e Patologias Associada: ( )IVC ( )IR ( )Cirurgia ( )Câncer ( )Infecção ( )Micoses ( )HAS ( )Problemas Ortopédicos ( )Diabetes Mellitus ( )Hipertiroidismo ( )ICC ( )Fumo ( )Álcool obs: Antecedentes Familiares: Tratamento Anterior: Medicamentos em uso: Exames Complementares:
3 INSPEÇÃO
Localização do Linfedema: Coloração: ( ) Normal ( ) Marrom ( ) Vermelha ( ) Azul Obs: Características da Pele: Cicatriz: ( ) Ausente ( ) Presente ( ) Aderência ( ) Hipertrofismo Local: Edema: ( ) Sinal de Cacifo ( ) Sinal de Stemmer Hematomas: ( ) Ausente ( ) Presente Local: Varizes: ( ) Ausente ( ) Presente Local: Micoses: ( ) Ausente ( ) Presente Local: Ulcerações: ( ) Ausente ( ) Presente Local: Fístulas Linfáticas: ( ) Ausente ( ) Presente Local: Linfocistos: ( ) Ausente ( ) Presente Local: Marcas de Roupa: ( ) Ausente ( ) Presente Local: Alt. Sensibilidade: ( ) Ausente ( ) Presente Local: Dor: ( ) Ausente ( ) Presente Local: Temperatura: MID: ( ) Normal ( ) Quente ( ) Fria MIE: ( ) Normal ( ) Quente ( ) Fria Força Muscular Comparativa: MID: MIE:
4 PERIMETRIA
5 FOTOS : Antes e Depois
6 DIAGNÓSTICO FISIOTERAPÊUTICO:
OBS.:
______________________________________ Assinatura do responsável Questionário sobre Qualidade de Vida
(APÊNDICES B)
Instruções: Esta pesquisa questiona você sobre sua saúde. Estas informações nos manterão informados de como você se sente e quão bem você é capaz de fazer atividades de vida diária. Responda cada questão marcando a resposta como indicado. Caso você esteja inseguro em como responder, por favor, tente responder o melhor que puder.
1. INTRODUÇÃO 1.1. JUSTIFICATIVA 1.2. OBJETIVOS 1.2.1. OBJETIVO GERAL 1.2.2. OBJETIVO ESPECÍFICO 1.3. PROBLEMA 1.4. METODOLOGIA REVISÃO DA LITERATURA 2. Contabilidade Geral 2.1. ESPECIALIZAÇÕES DA CIÊNCIA CONTÁBIL 2.2. Origem e Evolução da Contabilidade 2.3. Objetivos da Contabilidade 2.4. CONTABILIDADE DE CUSTOS 2.4.1. ESPECIALIZAÇÃO 2.4.2. Objetivos, objeto e finalidades 2.4.3. CLASSIFICAÇÕES E NOMENCLATURAS DE CUSTOS 2.4.3.1. QUANTO A UNIDADE DO PRODUTO OU APURAÇÃO 2.4.3.2. Quanto à apuração 2.4.3.3. QUANTO AO COMPORTAMENTO EM RELAÇAO AO VOLUME DE ATIVIDADE 2.4.3.4. QUANTO A CONTROLABILIDADE 2.4.3.5. QUANTO A BASE MONETÁRIA 2.5. DEPARTAMENTALIZAÇÃO 2.5.1. CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO 2.5.2. PORQUE DEPARTAMENTALIZAR 2.5.3. DEPARTAMENTO E CENTRO DE CUSTO 2.5.4. CONTABILIZAÇÃO DOS CUSTOS COM A DEPARTAMENTALIZAÇÃO 2.5.5. CRITÉRIO DE RATEIO DOS CIF PELOS DEPARTAMENTOS 2.5.6. MATERIAIS DIRETOS 2.5.7. MÃO DE OBRA DIRETA 2.5.8. APLICACACAO DOS CIF 2.6. SISTEMAS DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS 2.6.1. SISTEMAS 2.6.2. SISTEMAS DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS 2.6.2.1. TIPOS DE SISTEMAS DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS 2.7. SISTEMAS DE CUSTEAMENTO 2.7.1. POR RESPONSABILIDADE 2.8. ANALISE DA RELAÇÃO CUSTO/VOLUME/LUCRO 2.8.1. PONTO DE EQUILÍBRIO 2.8.2. MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO 2.8.3. ALAVANCAGEM OPERACIONAL 2.9. MÉTODOS DE CUSTEIO 2.9.1. DIRETO 2.9.2. ABSORÇÃO 2.9.3. MISTO 2.10. FORMAS DE CUSTEIO – MENSURAÇÃO 2.10.1. PADRÃO 2.10.2. REAL OU HISTÓRICO 2.10.3. ESTIMADO 2. DESENVOLVIMENTO 2.1. A EMPRESA 2.2. ORGANOGRAMA 2.3. FLUXOGRAMA 2.4. PLANILHA DE GASTOS 2.5. PLANILHA DE CUSTOS 2.6. RELAÇÃO CUSTO/VOLUME LUCRO 2.6.1. MARGEM DE CONTRIBUIÇÃO 2.6.2. PROBLEMAS DE ALAVANCAGEM OPERACIONAL 2.6.3. PONTO DE EQUILÍBRIO 2.6.3.1. PONTO DE EQUILÍBRIO COM LUCRO DESEJADO 2.6.4. O MÉTODO DOS MÍNIMOS QUADRADOS 2.7. FORMAÇÃO DO PREÇO DE VENDA 2.8. SISTEMAS DE CUSTEAMENTO 2.8.1. MÉTODO MISTO 2.8.2. MÉTODO DIRETO OU VARIÁVEL 2.8.3. MÉTODO POR ABSORÇÃO 2.9. CONTABILIZAÇÃO POR RAZONETES 2.10. CONCLUSÕES E RECOMENDAÇÕES 4. ANEXOS 5. ASSINATURAS 6. TERMO DE RENÚNCIA 7. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1. INTRODUÇÃO
Segundo LEONE, “os sistemas de acumulação de custos destinam-se a coletar os dados de custos, direta ou indiretamente, identificados através de algum objeto de custeio, a organizá-los de forma que possam contribuir para o desenvolvimento de informações que se destinam ao atendimento de alguma necessidade gerencial diferente ou especial” (1997,p.186).
Esta definição mostra como é importante o conhecimento dos tipos de sistemas de acumulação de custos, pois é através deste, que é possível controlar todos os gastos da empresa. Porém, para um bom sistema de acumulação, é necessário conhecimento de todo funcionamento da empresa, como veremos a seguir nas de planilhas, macrofluxogramas e fluxogramas, bem como os principais conceitos utilizados na contabilidade de custos e suas aplicações.
Este trabalho visa, através de aplicação prática numa empresa industrial e pesquisa bibliográfica, analisar toda a estrutura desta empresa e, após a resolução de alguns exercícios, tirar conclusões sobre a eficácia dos sistemas utilizados e definir a melhor maneira de agir para a tomada de decisões.
1.1. JUSTIFICATIVA.
A elaboração do presente trabalho, justifica-se pela necessidade de conhecer e avaliar os custos da empresa, bem como a implantação de um sistema que venha a atender as exigências dos usuários de modo especifico à tomada de decisões gerenciais, num menor espaço de tempo possível e máxima qualidade.
O estudo realizou-se na empresa Óleobom Indústria e Comércio Ltda, empresa que atua na industrialização e comércio de óleo e farelo de soja, na cidade de Ponta Grossa, região predominantemente agrícola. Num mercado competitivo como este, um sistema de acumulação de custos bem aplicado, será de grande valia para tomada de decisões, cujos objetivos poderão ajudar a empresa a identificar melhor seus custos durante o processo produtivo.
Justifica-se ainda, pela necessidade de se distinguir custos e despesas aplicados à produção, bem como tomada de decisões sobre a viabilidade do processo produtivo, ou seja, por que produzir ou cortar determinado produto e se o mesmo não está onerando muito a empresa e acumulando os custos dos outros produtos.
1.2. OBJETIVOS
1.2.1. OBJETIVO GERAL
Tem como principal objetivo, implantação de um sistema de acumulação de custos na empresa Óleobom Industria e Comércio Ltda
1.2.2. OBJETIVO ESPECÍFICO
– Identificar e coletar os dados para implantação de um sistema de acumulação de custos; – Separar e classificar os custos e despesas da empresa; – Identificar os custos diretos e indiretos de fabricação; – Apresentar os custos da empresa e separá-los por departamento; – Fazer o rateio dos custos dentro de cada departamento; – Mostrar as vantagens e desvantagens de um sistema de acumulação de custos; – Identificar a viabilidade da implantação de um sistema de acumulação de custos.
1.3. PROBLEMA
Busca-se através da implantação de um sistema de acumulação de custos, sanar a falta de informações gerenciais no que tange a custos e controles internos dentro da empresa e durante todo o processo produtivo.
Identificar em cada departamento o quanto cada produto despende do total de custos acumulados na empresa, bem como a viabilidade da produção de determinado produto ou o corte ou aumento da produção de outro, onde os empresários, de modo geral, não conseguem ter acesso direto a essas informações.
Como a empresa não possui um sistema apropriado de informações gerenciais e de controle de custos, faz-se necessário a implantação de um sistema ágil e eficaz, onde os usuários destas informações possam, de maneira imediata, avaliar o desempenho de seus custos, bem como a situação geral da empresa no mercado em que atua.
1.4. METODOLOGIA
O presente trabalho será realizado em duas fases a saber:
Num primeiro momento, apresentaremos os procedimentos atinentes à obtenção do embasamento teórico necessário para o desenvolvimento global do trabalho, tais sejam:
Levantamento bibliográfico e coleta de informações referente ao tema proposto, bem como consulta a dissertações, periódicos, livros e demais meios de informação; Analise dos procedimentos adotados durante o estudo do caso apresentado;
Na segunda fase, apresentaremos os dados para execução do estudo de caso em pauta, através de contato direto com a empresa:
Estudo e conhecimento dos dados referente à produção e funcionamento do sistema; Coleta dos dados a serem trabalhados durante o estudo de caso; Análise das informações colhidas, visando atingir os objetivos do trabalho. Apresentar a estrutura organizacional da entidade, visando conhecer cada nível hierárquico e funcional; Identificar qual o método de custeamento utilizado dentro da entidade; Demonstrar a viabilidade da continuidade das operações dentro deste ramo de atividade.
REVISÃO DA LITERATURA
2. CONTABILIDADE GERAL
Segundo FAVERO (1997, p. 13) a Contabilidade tem por finalidade analisar, interpretar e registrar os fenômenos que ocorrem no patrimônio das pessoas físicas e jurídicas, busca demonstrar a seus usuários, através de relatórios próprios (Demonstração de Resultado do Exercício, Demonstração das Mutações do Patrimônio Líquido ou Demonstração de Lucros ou Prejuízos Acumulados, Balanço Patrimonial, Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos e outros), as informações sobre o comportamento dos negócios para tomada de decisões.
Para IUDÍCUBUS (1998, p. 24) a contabilidade é um conjunto integrado de princípios e normas para fornecer informações, visando duas finalidades principais que seriam o controle e o planejamento.
2.1. ESPECIALIZAÇÕES DA CIÊNCIA CONTÁBIL
A Contabilidade já existia desde os primórdios da civilização e, durante um longo tempo, foi tida como a arte da escrituração mercantil. Utilizava técnicas específicas, que foram se aperfeiçoando e se especializando, sendo algumas delas aplicadas até hoje.
Com a passar dos tempos, a contabilidade foi se aperfeiçoando, dando forma e adaptando-se as necessidades de cada usuário, realizada apenas para efeito de controle interno e fiscal.
Como pode se observar, a Ciência Contábil, pode ser estudada sob diversos enfoques particulares, denominados de especializações da Contabilidade. A informação já existia desde a origem da contabilidade até os dias atuais, a qual foi se adaptando a cada necessidade do usuário.
A partir da necessidade de atender seus (vários) usuários, a contabilidade ramificou-se em várias especializações:
Alguns autores, em obras de Contabilidade mais especializadas, chegam a distinguir dois grandes ramos ou ênfase pelos quais a Contabilidade pode desempenhar seu papel informativo. A Contabilidade Financeira, cujos relatórios finais básicos são o Balanço Patrimonial, a Demonstração de Resultados, a Demonstração de Origens e Aplicações de Recursos e os Fluxos de Caixa, teria maior utilidade ou visaria mais diretamente aos agentes econômicos externos à empresa, assim como aos sócios desligados da direção, ao passo que a Contabilidade Gerencial, mais analítica, incluindo em seu campo de atuação também a Contabilidade de Custos, visaria primeiramente à administração da empresa (Contabilidade Introdutória, 1998, p. 23).
A partir da Revolução Industrial, segundo MARTINS (2000, p.19), “(…) houve então a necessidade de avaliar os estoques, custos da produção e também a depreciação, dando espaço à contabilidade de custos para controle de produção”.
Para LEONE (1995, p.7), “(…) a contabilidade geral prende-se aos requisitos legais e fiscais, às convenções e padrões. A contabilidade administrativa tem a função precípua de registrar as operações internas, controlar tais operações e despesas relacionadas, e informar o administrador, quando este necessita tomar decisões”.
2.2. ORIGEM E EVOLUÇÃO DA CONTABILIDADE
Para IUDÍCIBUS, “(…) a Contabilidade teve evolução relativamente lenta até o aparecimento da moeda. Na época da troca pura e simples de mercadorias, os negociantes anotavam as obrigações, os direitos e os bens perante terceiros, porém, obviamente, tratava-se de um mero elenco de inventário físico, sem avaliação monetária” (1997, p. 30).
Não se sabe ao certo ainda quando a Contabilidade iniciou, mas muitos pesquisadores e historiadores acreditam, que com o surgimento do homem na Era Primitiva a Contabilidade começou a dar seus primeiros passos.
IUDÍCIBUS (1997, p. 30), “(…) afirma que alguns historiadores fazem remontar os primeiros sinais objetivos da existência de contas aproximadamente a 4.000 anos a.C.”.
Percebe-se ainda que não foi precisamente descoberto quando a Contabilidade teve seu início, mas alguns autores acreditam que a contabilidade teve surgimento a mais ou menos 20.000 anos a.C.
Desde seu surgimento, o homem sempre teve a necessidade de possuir, controlar e aumentar seu patrimônio. Na antiguidade o homem fazia o controle patrimonial de uma forma rudimentar.
Para IUDÍCIBUS (1997, p. 30) “(…) o homem primitivo, ao inventariar o número de instrumentos de caça e pesca disponíveis, ao contar seus rebanhos, ao contar suas ânforas de bebidas, já estava praticando uma forma rudimentar de Contabilidade”.
À medida que o homem passou a desenvolver e aprimorar as atividades mercantis a contabilidade também acompanhou seu desenvolvimento.
Os registros contábeis mais importantes de que se tem conhecimento foram encontrados na Suméria, da civilização egípcia e da civilização pré-helênica, que demonstram que a Contabilidade já era considerada um importante instrumento de controle pelas principais civilizações do mundo antigo.
A Contabilidade começou a dar seus primeiros passos com o surgimento do homem, mas segundo IUDÍCIBUS (1997, p. 30), “(…) teve evolução relativamente lenta até o aparecimento da moeda”.
Com o surgimento da moeda, ficou mais fácil adquirir bens, produtos e mensurá-los em valor. Antes disso as transações mercantis eram feitas através do escambo, ou seja, troca de produtos por bens e vice-versa.
Para alguns autores, a Contabilidade teve seu marco evolutivo através do método das partidas dobradas, quando em 1494, Luca Pacioli, publicou, a obra Summa de Aritmética, Geométrica, Proportioni et Proportionalitá, na qual está inserido seu tratado.
Como afirma HENDRIKSEN (1999, p. 39):
“A Summa era principalmente um tratado de matemática, mais incluía uma seção sobre o sistema de escrituração por partidas dobradas, denominada Particularis de Computis et Scripturis. Esta seção foi o primeiro material publicado que descrevia o sistema de partidas dobradas, e apresentava o raciocínio em que se baseavam os lançamentos contábeis”.
A Contabilidade teve seu florescer, como disciplina adulta e completa, nas cidades italianas de Veneza, Gênova, Florença, Pisa e outras. Estas cidades e outras da Europa fervilharam de atividade mercantil, econômica e cultural, mormente a partir do Século XIII até o início do Século XVII. Representaram o que de mais avançado poderia existir, na época, em termos de empreendimentos comerciais e industriais incipientes. Foi nesse período, obviamente, que Pacioli escreveu seu famoso Tractatus de Computis et Scriptuis, provavelmente o primeiro a dar uma exposição completa e com muitos detalhes, ainda hoje atual, da Contabilidade. IUDÍCIBUS (1997, p. 31):
2.3. OBJETIVOS DA CONTABILIDADE
No capítulo anterior, percebe-se que o homem desde seu surgimento, teve a necessidade de anotar, controlar e evidenciar, mesmo que de uma forma rudimentar, todos os seus bens patrimoniais.
HENDRIKSEN, (1999, p. 39), destaca que “(…) o principal objetivo da contabilidade era produzir informação para o proprietário – geralmente proprietário único. Em conseqüência, as contas eram mantidas em sigilo, e não havia pressão externa, como hoje, no sentido de exatidão ou da adoção de padrões uniformes de divulgação”.
Já para IUDÍCIBUS (1997, p. 28), “(…) o objetivo principal da Contabilidade é fornecer informação econômica relevante para que cada usuário possa tomar suas decisões e realizar seus julgamentos com segurança”.
Segundo, FRANCO (1997, p. 19), “(…) sua função é registrar, classificar, demonstrar, auditar e analisar todos os fenômenos que ocorrem no patrimônio das entidades, objetivando fornecer informações, interpretações e orientações sobre a composição e as variações desse patrimônio, para a tomada de decisões de seus administradores”.
De acordo com os autores que elaboraram o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações, (…) “a Contabilidade é, objetivamente, um sistema de informação e avaliação destinado a prover seus usuários com demonstrações e análises de natureza econômica, financeira, física e de produtividade, com relação à entidade objeto de contabilização” (FIPECAFI, 1995, p. 58).
Hoje, a contabilidade é essencialmente um sistema de informação, no qual demonstra diversas situações, seja ela econômica, financeira, física ou de produtividade da empresa.
2.4. CONTABILIDADE DE CUSTOS
2.4.1. ESPECIALIZAÇÃO:
Custos que é um dos ramos da contabilidade e será tratada a seguir: A contabilidade de custos é um importante ramo da área contábil, entre suas funções está a apresentação e análise dos fatores que interferem na produção de determinado bem ou serviço.
Contabilidade de custos é o processo ordenado de usar os princípios da contabilidade geral para registrar os custos de operação de um negócio, de tal maneira que, com os dados da produção e das vendas, se torne possível à administração utilizar as contas para estabelecer os custos de produção e de distribuição, tanto por unidade como pelo total para um ou para todos os produtos fabricados ou serviços prestados e os custos das outras diversas funções do negócio, com a finalidade de obter operação eficiente, econômica e lucrativa.(W. B. Lawrence).
CALDERELLI (1999, p.175), define a contabilidade de custos como sendo:
Aquela destinada ao controle dos custos operacionais de uma empresa de finalidades industriais. Todavia, ela se aplica também a outras empresas que determinam o custo de suas operações, como custos administrativos, custos de entrega, custos de serviços etc”. Nas indústrias, registra o movimento de gastos, quer sejam diretos ou indiretos; serve também como elemento retificador dos custos padrões (estimativos ou posterior). Em sua nomenclatura estrutural, mantém contas que registram as aplicações diretas e a e apropriação de gastos gerais, de um lado; de outro, o controle de produção já concluída, entregue ao almoxarifado com o preço real. Funciona com um plano de contas paralelo à escrituração patrimonial, por meio do qual, oferece o resultado industrial. 1. A contabilidade de custos é o ramo da Contabilidade que se destina a produzir informações para os diversos níveis gerenciais de uma entidade, como auxílio às funções de determinação de desempenho, de planejamento e controle das operações e de tomada de decisões. 2. A Contabilidade de Custos coleta, classifica e registra os dados operacionais das diversas atividades da entidade, denominados de dados internos, bem como, algumas vezes, coleta e organiza dados externos. 3. Os dados coletados podem ser tanto monetários como físicos. Exemplos de dados físicos operacionais: unidades produzidas, horas trabalhadas, quantidade de requisições de materiais e de ordens de produção, entre muitos outros. Neste ponto, reside uma das grandes potencialidades da Contabilidade de Custos: a combinação de dados monetários e físicos resulta em indicadores gerenciais de grande poder informativo. 4. Em seguida a Contabilidade de custos acumula, organiza, analisa e interpreta os dados operacionais, físicos e os indicadores combinados no sentido de produzir, para os diversos níveis de administração e de operação, relatórios com as informações de custos solicitadas. 5. Outra particularidade da Contabilidade de Custos é aquela que trabalha dados operacionais de vários tipos: os dados podem ser históricos, estimados (futuros), padronizados e produzidos. Aqui reside, também, uma das fortes vantagens da Contabilidade de Custos. Ela pode (e deve) fornecer informações de custos diferentes para atender a necessidades gerenciais diferentes. São muitas as necessidades gerenciais (…).
LEONE faz uma abordagem dos meios em que a Contabilidade de Custos atua, como são tratadas e coletadas as informações, e a importância do deslocamento de dados para os processos decisórios, gerenciais ou de controle.
2.4.2. OBJETIVOS, OBJETO E FINALIDADES
HORNEGREN (1978, p.39) apresenta duas finalidades consideradas principais: “(…) 01- planejamento e controle, doravante freqüentemente chamados controle, por questão de brevidade e 02- custeio de produto”.
Pode se encontrar três objetivos básicos a seguir: (…) Determinação do lucro utilizando os dados dos registros convencionais de contabilidade, ou compilando-os de maneira diferente para que sejam m,ais úteis à administração. Controle das operações e dos estoques, estabelecimento de padrões e orçamentos, comparações ente o custo real e o custo orçado e ainda provisões. Tomada de decisões, formação de preços, quantidade a ser produzida, que produto produzir, corte de produtos, comprar ou fabricar. (CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO, 1992, p. 15-16).
Analisando os dois autores percebe-se que os objetivos e finalidades da contabilidade de custos estão voltados para o controle e planejamento fornecendo importantes recursos para as tomada de decisões, é através da contabilidade de custos na qual defini-se qual produto devemos manter e qual podemos eliminar de modo que não afete o objetivo principal da empresa que é o lucro.
2.4.3. CLASSIFICAÇÕES E NOMENCLATURAS DE CUSTOS
Algumas classificações de custos:
2.4.3.1. QUANTO A UNIDADE DO PRODUTO OU APURAÇÃO
– Diretos: são aqueles diretamente incluídos no cálculo dos produtos.São os materiais diretos usados na fabricação do produto e mão-de-obra direta. Os custos diretos têm a prioridade de ser perfeitamente mensuráveis de maneira objetiva (…) – Indiretos: são aqueles que apenas mediante aproximação podem ser atribuídos por algum critério de rateio. São os materiais indiretos (como cola e verniz, consumidos na fabricação de móveis), a mão-de-obra indireta (chefia, supervisão, operários que cuidam da manutenção de equipamentos) e os demais custos da fabricação (seguros, impostos, aluguel de fábrica). Incluem-se nos materiais indiretos, os diretos por natureza, mas irrelevantes ou de difícil mensuração (…). – Primários: são apenas a matéria-prima e a mão de obra direta. – De transformação (também chamados de custos de conversão ou custos de agregação): representam o esforço agregado pela empresa na obtenção do produto. São todos os custos, exceto as matérias-prima, os componentes adquiridos prontos e as embalagens compradas. Portanto, compreendem a mão-de-obra direta e os custos indiretos de fabricação. (CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO, 1992, p. 18-19).
Em relação à unidade do produto o autor distinguiu os custos de acordo com sua participação no processo, ou seja, alguns custos são apropriados diretamente na fase de produção outros são agregados após a produção mas continuam relacionados com o mesmo produto.
2.4.3.2. QUANTO À APURAÇÃO
– Direto – É aquele que pode ser diretamente apropriado a cada tipo de bem ou órgão, no momento da usa ocorrência, isto é, está ligado diretamente a cada tipo de bem ou função de custo. – Indireto- É aquele que não se pode apropriar diretamente a cada tipo de bem ou função de custo através de um critério de rateio. É um custo comum a muitos tipos diferentes de bens, sem que se possa separar a parcela referente a cada um, no momento da sua ocorrência. Tal separação é efetuada através de um critério especial, denominado rateio. – Rateio é uma divisão proporcional por uma base que tenha valores conhecidos em cada função e que se julga que o custo ocorre nas mesmas proporções da base. Assim, uma das maneiras de efetuar o rateio é: eleger a melhor base de rateio, entre as disponíveis para o custo; dividir o total a ser rateado pelo total da base escolhida, para obter o coeficiente de rateio; multiplicar o coeficiente de rateio por cada um dos valores componentes do total da base, obtendo-se a parcela de custo indireto atribuível a cada função.(DUTRA,1991, p.35)
Na concepção de Dutra ele aborda os custos em dois grandes grupos com relação à apuração, que são os custos diretos e os indiretos, definindo-se entre um e outro pelo critério de rateio, explica ainda que é necessário a escolha do melhor critério para que sejam bem definidas as diferenças e entre os custos, direto e indiretos.
2.4.3.3. QUANTO AO COMPORTAMENTO EM RELAÇAO AO VOLUME DE ATIVIDADE
Em relação ao volume de atividade os autores dividem os custos em: fixos, variáveis, semi-fixos, semi-variáveis e as despesas em: fixas e variáveis, como veremos a seguir:
– Fixos: são os custos que num certo período de tempo e numa certa capacidade instalada não variam, qualquer que seja o volume de atividade da empresa, estes dividem-se em: custo fixo de capacidade que é o custo relativo às instalações da empresa e reflete a própria capacidade instalada, como depreciação, amortização, etc. e custo fixo operacional é o relativo às operações das instalações da companhia como seguro, imposto predial, etc. – Variáveis: o valor dos custos variáveis modifica-se em proporção direta à quantidade produzida. – Semi-fixos: são os custos fixos que podem variar de tempo em tempo, como aluguel reajustado, depreciação pela soma dos dígitos, etc. – Semi-variáveis: são os custos variáveis que não acompanham linearmente a variação da produção, mas aos saltos, mantendo-se fixos dentro de estreitos limites. Exemplo contratação de supervisores.
As despesas também se classificam em fixas e variáveis:
– Despesas fixas: não variam em função do volume de vendas (…) – Despesas variáveis: variam de acordo com o volume de vendas (…)
Como pode-se observar de acordo com a intensidade de produção, local e período os custos recebem uma denominação específica.
Dutra aborda custos em relação ao volume a seguir:
Quanto `a formação, os custos podem ser classificados em fixos, variáveis e mistos.
Define-se custos fixos como os custos de estrutura que ocorrem período após período sem variações ou cujas variações não ocorrem como conseqüência de variação no volume de atividade em períodos iguais. O exemplo característico é o aluguel de imóvel ocupado por indústria, cujo valor mensal é o mesmo em cada período considerado. Mesmo quando o valor do aluguel é reajustado, o custo continua fixo porque houve apenas uma atualização do valor contratado, em função da desvalorização do poder aquisitivo da moeda. Outro exemplo é a depreciação acumulada pelo método de linha reta, em que o valor de cada período é sempre o mesmo independentemente do volume produzido pelo equipamento que está sofrendo depreciação.
Defini-se custos variáveis como os custos que variam em função do volume de atividade, ou seja, da variação da quantidade produzida no período. Quanto maior o volume de atividade no período, maior será o custo variável e, conseqüentemente, quanto menor o volume de atividade no período, menor será o custo variável.
O custo variável apresenta-se subdividido em progressivo, constante e regressivo. (DUTRA,1991, p. 37).
2.4.3.4. QUANTO A CONTROLABILIDADE
Os custos podem ser classificados em controláveis e não controláveis:
– Controláveis: quando os itens de custo podem ser controlados por alguém dentro de sua escala hierárquica. Podem ser previstos, realizados e organizados pelo responsável da unidade, o qual poderá ser cobrado por desvios apurados. – Não controláveis: fogem ao controle do chefe do departamento, como pr exemplo o salário do chefe. (CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO, 1992, p. 20).
2.4.3.5. QUANTO A BASE MONETÁRIA
Em relação à base monetária os custos dividem-se em:
– Históricos: custos originais da época em que ocorreu a compra, pela nota fiscal. – Históricos corrigidos: custos trazidos para o valor monetário atual. – Correntes (ou de reposição): é um custo pra repor um item no total (…) – Estimados: custos previstos, olhando para o futuro. – Custo-padrão: custo estimado com maior eficiência, o custo ideal a ser perseguido numa empresa.(CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE DO ESTADO DE SÃO PAULO, 1992, p. 20).
2.5. DEPARTAMENTALIZAÇÃO
2.5.1. CONCEITO E CLASSIFICAÇÃO
Para VICECONTI (1993, p. 45) (…) “a Departamentalização consiste em dividir a fábrica em segmentos, chamados Departamentos, aos quais são debitados todos os custos de produção neles incorridos”
Segundo, MARTINS (2000, p.70) (…) “departamento é a unidade mínima administrativa para a Contabilidade de Custos, representada por homens e máquinas (na maioria dos casos), que desenvolve atividades homogêneas. Diz-se unidade mínima administrativa porque sempre haverá um responsável para cada Departamento”.
Conforme descreve o autor VICECONTI (1993, p. 45) (…) “os departamentos podem ser divididos em dois grupos: Departamentos de Produção e Departamento de Serviços”.
Para MARTINS (2000, p. 70 e 71) (…) “os Departamentos de Produção (também conhecidos por Produtivos) têm seus custos jogados sobre os produtos, já que estes passam inclusive fisicamente por eles”.
“Os Departamentos de Serviços (impropriamente chamados às vezes de Não-produtivos e também conhecidos por Auxiliares) geralmente não têm seus custos apropriados diretamente aos produtos, pois estes não passam por eles. Por viverem esses Departamentos para a prestação de serviços a outros Departamentos, têm seus custos transferidos para os que deles se beneficiam”. (MARTINS, 2000, p. 71).
Como descrito pelos autores, a Departamentalização de uma organização é e suma importância para que os custos diretos e indiretos sejam atribuídos aos produtos de uma forma justa.
2.5.2. PORQUE DEPARTAMENTALIZAR
Existem dois objetivos principais para a departamentalização dos custos, sendo eles:
1. Para haver uma melhoria no controle dos custos; 2. Determinar com maior precisão o custo dos produtos.
VICECONTI (1993, p. 46), destaca que (…) “o objetivo de melhor controle dos custos é atingido porque a departamentalização torna a incorrência dos custos de produção no âmbito do Departamento como sendo de responsabilidade do respectivo chefe ou Supervisor”.
Quanto a determinação mais precisa do custo dos produtos, isto é devido que a departamentalização “diminui a arbitrariedade dos critérios de rateios” (VICECONTI, 1993, p. 46).
Para esta maior precisão existem dois casos:
– determinados custos, apesar de serem considerados indiretos em relação aos produtos, são diretos em relação aos departamentos. – não são todos os produtos que tramitam por todos os Departamentos, e quando passam por todos, o fazem em proporções diferentes.
“Os produtos foram mais trabalhados em alguns Departamentos de Produção do que em outros”. (VICECONTI, 1993, p. 47)
Departamentalizar é acumular os CIF por departamento e rateá-los adequadamente aos produtos, em virtude de que a distribuição dos CIF aos produtos não é homogênea, entre estes departamentos.
Muitas organizações, efetuam o rateio dos CIF, ignorando o controle mais apurado que a departamentalização pode oferecer, efetuando o seguinte cálculo: apuram-se as horas trabalhadas nos produtos, e os custos totais indiretos são rateados pelo total destas mesmas horas trabalhadas, gerando um determinado valor final, o que não seria uma distribuição justa dos custos aos produtos.
Por outro lado, utilizando-se do processo de departamentalização, como por exemplo, efetua-se a análise da evolução das horas trabalhadas que cada produto levou para ser fabricado, verificam-se os gastos (exemplos) de: MOI, energia, manutenção e Outros CIF, que foram utilizados em cada produto durante o processo de produção em cada departamento.
Somando-se estes custos por departamento, dividindo-se pelo número de horas trabalhadas, também por departamento, efetua-se a apropriação do rateio aos produtos,
Podemos efetuar os cálculos sem a Departamentalização e com a Departamentalização, e comparando-se os rateios verificamos que (…) “a diferença é significativa e pode ter conseqüências, por exemplo, na fixação do preço de venda dos produtos. O rateio com departamentos e, sem dúvida, mais acurado” (VICECONTI, 1999, p. 48).
2.5.3. DEPARTAMENTO E CENTRO DE CUSTO
Para VICECONTI (1993, p. 45 e 46) (…) “na maioria das vezes o departamento é um Centro de Custos, ou seja, nele são acumulados os custos para posterior alocação aos produtos (Departamentos de Produção) ou a outros Departamentos (Departamento de Serviços). Em alguns, casos podem existir mais de um Centro de Custos num mesmo Departamento”.
É o caso que, apesar das atividades operacionais serem homogêneas, podem existir máquinas com diversas capacidades produtivas e operadas por pessoal especializado, e que seria correto, criar-se Centro de Custos por máquinas, para apuração e controle mais justo dos custos que deverão ser agregados a um determinado produto.
Centro de Custo, conforme define HORNGREN, (1972, p. 691) (…) “é a menor fração de atividade ou área de responsabilidade para a qual é feita a acumulação de custos”.
2.5.4. CONTABILIZAÇÃO DOS CUSTOS COM A DEPARTAMENTALIZAÇÃO
Podemos dizer que na prática, os custos dos departamentos de serviços necessitam ser alocados aos departamentos de produção e os custos comuns da fábrica ( aluguel, seguros, depreciação do prédio, impostos, etc) devem ser rateados a todos os departamentos.
Para que isto aconteça é preciso o seguinte:
– identificar os custos indiretos que podem ser alocados diretamente aos departamentos; – ratear os custos comuns entre os departamentos; – transferir os custos dos departamentos de serviços para os departamentos de produção, levando-se em conta os que tem mais custos a ratear; – após a alocação dos custos aos departamentos de produção, atribuir aos produtos, utilizando-se de algum critério de rateio (MOD, horas trabalhadas, etc).
2.5.5. CRITÉRIO DE RATEIO DOS CIF PELOS DEPARTAMENTOS
Além de utilizarmos o sistema de departamentalização para acumularmos os custos e efetuarmos rateio destes, existem critérios que devemos analisar de cada situação, para que possamos descobrir uma medida para desdobro destes custos apropriando-se adequadamente aos produtos.
Para MARTINS (2000, p. 84) (…) “todos os Custos Indiretos só podem ser apropriados, por sua própria definição, de forma indireta aos produtos, isto é, mediante estimativas, critérios de rateios, previsão do comportamento de custos etc. Todas essas formas de distribuição contêm em menor ou maior grau, certo subjetivismo; portanto, a arbitrariedade sempre vai existir nessas alocações, sendo que às vezes ela existirá em nível bastante aceitável, e em outras oportunidades só a aceitamos por não haver alternativas melhores. (Há recursos matemáticos e estatísticos que podem ajudar a resolver esses problemas, mas nem sempre é possível sua utilização.)”
MARTINS (2000, p. 84), comenta em seu livro Contabilidade de Custos, (…) “que a primeira medida a ser tomada é a separação entre Custos e Despesas”. VICECONTI (1999, p. 51) descreve que (…) “para efetuar o rateio dos CIF que são indiretos em relação aos departamentos e dos que representam custos comuns a todos eles, cada empresa deve estudar a sua situação específica para escolher critérios adequados que efetivamente reflitam a carga de custos que devam ser descarregados em cada um deles”.
Existem alguns exemplos amplamente utilizados pelas empresas na prática, que, mas que não deverão ser tomados como base única, conforme a seguir:
• Gastos relacionados com o edifício da fábrica como: Aluguel, Depreciação, seguros, Limpeza, Reparos e Imposto Predial • Iluminação da Fábrica • Gastos com escritório da Fábrica (inclusive os relativos à Contabilidade de Custos) • Material Indireto • Mão de Obra Indireta • Almoxarifado • Manutenção das máquinas • Custo de Refeitório, Transporte e Assistência Médica dos empregados • Energia Elétrica (força)
Área ocupada
Área ocupada, número de lâmpadas ou de pontos de luz.
Número de empregados, horas máquina trabalhadas ou horas trabalhadas / MOD
Material Direto
Número de empregados, horas trabalhadas / MOD
Custos do Materiais
Horas-máquina trabalhadas
Número de empregados
Kilowatt-hora consumido
2.5.6. MATERIAIS DIRETOS
2.5.7. MÃO DE OBRA DIRETA
2.5.8. APLICACACAO DOS CIF
2.6. SISTEMAS DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS
2.6.1. SISTEMAS
Inicialmente, para podermos tratar deste assunto, devemos ter uma preocupação geral, do que vem a ser um sistema(1) .
O sistema aberto pode ser compreendido como um conjunto de partes em constante interação (o que ressalta um dos aspectos fundamentais da idéia de sistemas: a interdependência das partes), constituindo um todo orientado para determinados fins e em permanente relação de interdependência e com o ambiente externo (ou seja, influenciando e sendo influenciado pelo ambiente externo). Uma das implicações críticas dos conceitos de sistemas na Administração é justamente a concepção da empresa como ,um sistema aberto, pois tal visão ressalta que o ambiente em que vive a empresa é essencialmente dinâmico, fazendo com que um sistema organizacional, para sobreviver, tenha de responder eficazmente às pressões exercidas pelas mudanças continuas e rápidas do ambiente. (BIO. 1985, p.18)
Desta forma, como veremos neste trabalho, um sistema de acumulação de custos deve estar em constante interação com todas as partes, setores, departamentos e pessoas envolvidas, de modo que possa atingir um modelo ou padrão mínimo desejado. O autor cita acima, que os sistemas influenciam e são influenciados pelo ambiente externo, no sentido mais amplo. Mas especificamente em custos, o acompanhamento de todo o processo, deste a implantação até o início da operação e a colocação em prática deste sistema, vai sofrer muita influência externa, de modo que deve ser totalmente flexível e interagir com os outros sistemas dentro da entidade (financeiro, administrativo, contábil, etc) e principalmente ter um controle dentro de cada fase de implantação, ter um planejamento mínimo necessário de como acontecerão estas fases e, como veremos a seguir, a relação custo beneficio deste sistema.
A interdependência das partes fica bem explícita nos sistemas de acumulação de custos, no momento em que este, já implantado e em pleno funcionamento, começa a fornecer as informações detalhadas dentro de cada departamento e principalmente no que diz respeito ao seu objeto principal, a ACUMULAÇÃO DOS CUSTOS, procurando identificar onde cada custos esta inserido, qual processo está despendo mais ou menos recursos e se este altera as funções de cada departamento dentro do processo produtivo, ou seja, existe uma continuidade coerente dentro do ciclo produtivo? Um setor está usando todo tempo necessário para terminar uma operação? Um certo departamento não esta com “sobras de tempo”, enquanto outro falta? Essas perguntas, entre outras, devem estar presente sempre durante a “administração” do sistema que, desde o seu planejamento deve se procurar atingir o objetivo principal já prescrito nos planejamentos e nos controles do sistema.
No livro publicado pela Editora Atlas (BERNARDI. 1996, p.96), o autor refere-se a um projeto de implantação de sistema de acumulação de custos, e diz que o mesmo só será um bom projeto quando: “(…) é desenvolvido com base em informação aberta, motivação, treinamento e principalmente conscientização da importância dos dados, dos detalhes, da precisão por parte das operações. Os avanços no projeto devem ser gradativos, bem consolidados, etapa por etapa, de modo que assegure qualidade e confiabilidade nas informações”. Ou seja, todo projeto que irá envolver um número significativo de pessoas, materiais e que ocorrerão mudanças nos sistemas aplicados pela entidade até o inicio do mesmo, devem, ser bem planejados, localizar quais as partes envolvidas, e principalmente quais os objetivos que se devem alcançar.
Antes de se iniciado, o projeto deve conter os objetivos e os seguintes pontos:
• Quem são os usuários da,informação? • O que se espera do sistema? • Qual o principal objetivo • Que informações são necessárias? • Qual a freqüência das informações?
Para BERNARDI (1996, p.96) só serão alcançados os objetivos propostos e para se ter um bom sistema, deve-se fazer as seguintes perguntas acima, tendo em mente sempre as limitações, os recursos necessários, um bom planejamento e principalmente um acompanhamento durante todo o projeto.
2.6.2. SISTEMAS DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS
Desta forma, um sistema de acumulação de custos é tão somente a forma, o método e o tipo como serão acumulados estes custos durante o processo produtivo de uma entidade. Faz-se necessário conhecer os custos de produção de um determinado produto pela entidade, pois é através destes métodos e sistemas adotados é que poderemos identificar a viabilidade desta produção, quanto desembolso, por quanto devo vender o produto além de inúmeras informações importantes.
PADOVEZE (1997, p.217) descreve estes métodos, sistemas e formas de acumulação em três segmentos básicos, conforme figura 01 abaixo:
Pode-se seguir como modelo, para nosso trabalho o esquema ora apresentado, dando a cada método, conceituações e formas de interpretação de outros autores.
PADOVEZE (1997, p.217), explica o esquema do sistema de acumulação de custos, dizendo que:
(…) a empresa tem condições de escolher o sistema de acumulação de custos que se coordena com seu processo produtivo. Uma indústria cujos produtos são manufaturados por encomenda deverá utilizar o sistema de acumulação por ordem. Uma indústria que fabrica seus produtos num fluxo contínuo de operações deverá utilizar o sistema de custeamento por processo. Quando os produtos de uma empresa iniciam-se num processo continuo e posteriormente, nas fases subseqüentes , tenham características de produção em lotes diferentes, esta deverá utilizar o sistema híbrido , acumulando os dados de custos pelo sistema por processo para as fases iniciais e por ordem ou encomenda para as fases finais.
O que o autor refere-se no parágrafo acima, é que primeiramente deve se definir ou identificar qual a forma de sistema que a empresa utiliza, ou seja, se ela trabalha com ordens especificas no seu ciclo operacional ou tem um processo continuo, onde faz produtos em escala e continuamente, sem se preocupar em alocar os custos diretamente àqueles produtos.
Para melhor entendimento e implantação de um Sistema de Acumulação de Custos, devemos seguir alguns passos e levantamentos preliminares e um profundo conhecimento de alguns aspectos, como cita PEREZ JR. (1999, p.87):
• Estrutura organizacional da empresa seja industria ou prestadora de serviços; • Procedimentos operacionais ou processos de manufatura para confecção dos produtos acabados ou para a prestação dos serviços contratados; • Controles físicos em níveis gerais e em nível de departamentalização; • Tipos de informação de custos desejadas pela administração e demais usuários e • Sistemas – ou métodos – adotados para a acumulação de custos nos diversos períodos e para os diversos produtos ou serviços.
Quando o autor fala em estrutura organizacional da empresa, devemos ter em mente qual o tipo de empresa que estamos trabalhando e que vai ser implantado o Sistema de Acumulação de Custos, conhecer o produto de sua área fabril (industrial ou prestadora de serviços). Devemos ainda, conhecer o caminho que percorre cada produto, desde sua origem, na aquisição das matérias primas até sua colocação para a venda e os problemas advindos de todo esse processo, como as limitações e os métodos de controle dos custos.
O principal objetivo da implantação de um sistema de acumulação de custos é de se conhecer quanto custa cada produto em cada fase da produção ou em um determinado período e principalmente quais os tipos de informações que este sistema irá fornecer aos seus usuários. Se o sistema for bem aplicado na indústria ou prestadora de serviços, este poderá contribuir muito para a sobrevivência das operações da entidade, bem como para o investimento e abertura de novos caminhos pra tomada de decisões. De outro lado, um sistema falho, poderá deixar informações importantes e relevantes, como por exemplo, se é viável ou não a produção em escala de determinado produto ou faz-se necessário trabalhar somente com pedidos por ordem; devemos cortar ou aumentar a produção deste ou daquele e avaliar ainda, qual fase da produção temos maior custo ou qual departamento despende maior gasto operacional.
Outra pergunta muito freqüente e que jamais poderia ser deixada de lado é o porque da implantação de um sistema de custos e os custos para a implantação deste sistema, ou seja, a relação custo-benefício que o mesmo trará para a entidade.
MARTINS (2000. p.378), responde esta pergunta de modo a ser entendido que o custo desta implantação poderá ser alto, mais deve-se pensar primeiramente nos benefícios que o mesmo trará.
A informação é generosamente cara. Cara porque consome tempo para ser obtida, tempo, às vezes, de equipamento para ser processada e tempo pra ser lida. Consome horas deste setores mais baratos até a Alta (e Cara) Administração.
A tendência é de, para se obterem as primeiras informações, gastar-se uma quantia razoável com a designação ou contratação de algumas pessoas especializadas. Após isso, a adição de numero de informações, bem como de sua qualidade, acaba por assumir o seguinte comportamento: o custo de algumas a mais é relativamente irrelevante até determinado ponto, por entrarem quase que automaticamente no Sistema; mas, a partir de certo momento, passam a exigir certo grau de sofisticação e de aumento de pessoal e papéis, que acabam por ter um acréscimo de custo muito grande.
Existem dois sistemas básicos de acumulação de custos, e temos inúmeros autores para citar, mas para ilustrar estes dois sistemas, que vem a ser a forma como a entidade aplica e controla seus custos, tomaremos, inicialmente, o conceito de LEONE (1997, p. 186), que diz:
Os dois sistemas básicos de acumulação de custos que se destinam a custear produtos e serviços são os seguintes: o sistema de custeamento por ordem de produção e o sistema de custeamento por processo. Estes dois sistemas são empregados amplamente e produzem informações para a determinação da rentabilidade (o custo dos produtos ou serviços vendidos), informação dirigida à Demonstração de Resultados do Exercício e para avaliação de estoques de fim de período (informação que vai compor o Ativo do Balanço Patrimonial). A diferença fundamental entre os dois sistemas está no objeto de custeio. Enquanto que para o sistema de ordens de Produção o objetivo e determinar o custo do produto ou serviço, para o sistema por processo, a finalidade primeira é acumular os custos do processo.
Esta definição traz claramente a distinção entre os dois sistemas, pois diz no sistema por ordem é determinar o custo direto do produto ou alocar os custos destes e no sistema por processo é de acumular os custos do processo.
Já MAHER (2001, p.189), cita três tipos de sistemas de acumulação de custos, de acordo com o tipo de organização.
(…) organizações que fabricam produtos individualizados – construtoras, por exemplo -, que utilizam o custeio por ordem; organizações em que a produção é realizado em um processo contínuo – fabricantes de refrigerantes por exemplo -, que utilizam o custeio por processo; e organizações que trabalham com base em operações – fabricantes de automóveis, por exemplo -, que utilizam o custo por operação. O custeio por operação combina aspectos de custeio por ordem – a atribuição de materiais diferentes a produtos diferentes -, com aspectos de custeio por processo – a atribuição do mesmo custo de conversão à mesma operação.
2.6.2.1. TIPOS DE SISTEMAS DE ACUMULAÇÃO DE CUSTOS
Veremos agora, separadamente os dois métodos de custeio mais utilizados pelas empresas, o sistema de custeio por ordem e por processo:
Segundo PADOVEZE (1999, p.218), o sistema de custeio por ordem, os custos são alocados diretamente aos produtos e são anotados, especificamente para o mesmo produto ou uma série igual de produtos que irão despender os mesmos materiais, em fichas de controle.
(…) um sistema de custeio por ordem coleta os custos de cada serviço ou partida de produção fisicamente identificável, à medida que se muda através da fábrica, sem levar em conta o período que se realiza o trabalho. Para a apuração do custo total da ordem, a acumulação dos custos vai desde o início até o fim da produção dessa ordem, mesmo que ultrapassem o final do exercício contábil convencionado. É claro que no encerramento desse exercício serão levadas em conta as ordens em aberto.
Poderemos ter ainda varias definições de sistemas de custeio por ordem, onde todos os custos são alocados às ordens especificas e irão receber todos os custos até o término do lote ou dos produtos referentes a encomenda.
Outra definição que traz este tipo de custeio é a definição de LEONE (1997, p.192), que descreve o sistema por ordem como sendo:
(…) é um sistema pela qual cada elemento de custo é acumulado separadamente, segundo ordens específicas de fabricação, emitidas pela área industrial, de serviços ou comercial. A cada Ordem de Produção (lembre-se que este é um termo genérico) é atribuído um código que identifica um trabalho, ou serviço, a ser executado. Todos os documentos relacionados as operações e transações que envolvem a ordem de produção , sobretudo o consumo dos fatores de produção ou a realização de serviço, devem ser identificados à Ordem de Produção por meio daquele código.
O autor diz claramente que, ao solicitar um produto ou serviço especifico, o setor comercial ou de serviços, autoriza a área fabril, através de seus responsáveis, a executar todas as tarefas necessárias para execução da referida ordem, ou seja, abre-se uma “ficha” para o lote ou produto a ser vendido e começa-se a alocar todos os custos.
Utiliza-se para isso, criação de códigos específicos desde a cotação dos elementos necessários para cumprir o pedido até o término do mesmo. Caso o lote ou o produto ultrapasse o exercício social da empresa, faz-se o fechamento das fichas de controle até aquele determinado momento, somente para fins contábeis e de controle, mas continua-se a alocar todos os custos até o termino da produção do mesmo, como diz PADOVEZE (1997, p.219), (…) “para apuração dos custos totais da ordem, a acumulação dos custos vai desde o inicio até o fim da produção dessa ordem, mesmo que ultrapasse o exercício contábil convencionado. É claro que no encerramento desse exercício serão levadas em conta as ordens em aberto”.
Vários autores trazem modelos de folhas de controle de custo ou fichas de controle de custos para controle das ordens de produção. Estes modelos não são convencionados ou utilizados como obrigatório para as empresas, mas estas devem ter seus modelos de referência de acordo com suas necessidades e forma de trabalho.
Trazemos, a seguir, um modelo segundo PADOVEZE (1997, p.220), onde o autor traz os principais elementos que irão compor estas ordens ou fichas, sendo ainda, mais especifico, porque separa os custos por departamentos até chegar no custo final das ordens.
No sistema de custos por processo, não se atribui custo a determinado lote ou produto especifico, mas são alocados igualmente a cada processo de fabricação a um determinado período de tempo, num processo contínuo.
A forma de acumular os custos – o Si8stema de Acumulação – depende fundamentalmente das características do Sistema Produtivo, no que se refere à complexidade de tratamento dos dados.
Tradicionalmente, a maior importância do Sistema de Acumulação é conferida ao Custeio dos Produtos para valorização do Ativo e apuração de resultados (DRE).
Neste contexto, a clássica distinção entre Produção por ordem versus Produção por Processo não é relevante sob o ponto de vista lógico. A importância do Sistema de Custos, neste sentido, destaca-se nos processos de Avaliação de Resultados e de Desempenhos, quando a preocupação com a acumulação linear dos gastos, por ordem ou por processo, é substituída pela Identificação dos gastos a alguma unidade cuja relação seja objetivamente mensurável: Produtos, Lote, Eventos, Atividade, Área, Turno, etc. A escolha da unidade específica, em determinada circunstância, depende dos objetivos de custos perseguidos naquele instante.
A produção por ordem ocorre quando a empresa programa a sua atividade produtiva a partir de encomendas específicas de cada cliente. È o caso, por exemplo, da industria produtora de maquinas e equipamentos e dos fabricantes de piscinas. Cada pedido tem características especiais de tamanho, de capacidade e de outros atributos que o tornas praticamente único (diferente dos demais).
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LUFT, Celso Pedro. Pequeno Dicionário da Língua Portuguesa. 7 ed. São Paulo: Scipione,1988.
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PEREZ JR, José Hernandes; OLIVEIRA, Luís Martins de; COSTA, Rogério Guedes. Gestão Estratégica de Custos. São Paulo: Atlas, 1999.
VICECONTI, Paulo Eduardo V, NEVES, Silvério das. Contabilidade de Custos: Um Enfoque Direto.
A pesquisa que se segue: “A televisão possibilitando novos olhares no saber – fazer pedagógico” investiga formas de apropriação da televisão como ferramenta pedagógica nas instituições de ensino. O hábito de ver televisão faz parte da cultura atual. Na maioria dos lares brasileiros, estejam eles no ponto mais distante do mapa, a TV está presente entretendo e distraindo as pessoas, e por ser um meio de comunicação tão atraente e popular acaba por interferir no modo de pensar, agir e se relacionar com o mundo. Nesse sentido, o projeto procura mostrar de uma forma atraente, o uso desta tecnologia para promover a aprendizagem de forma crítica e atualizada, já que a grade de programação de todas as emissoras busca tratar de assuntos atuais em seus programas, sejam eles informativos ou de entretenimento.
Sendo assim, os meios tecnológicos de comunicação, em especial a televisão, podem ser usados como recurso para educar o olhar, motivar os alunos e transformar as aulas em laboratórios do conhecimento humano e assim contribuir para a formação de cidadãos que conseguem ver além das imagens e participar democraticamente dos processos políticos e sociais do contexto em que está inserido. Para tanto, foi realizado pesquisa de campo em escolas da rede pública estadual de ensino, com aplicação de questionários abertos para alunos e professores. Teoricamente o trabalho se fundamenta no pensamento de autores que há muito tampo se dedicam ao tema como Douglas Kellner, Marcos Napolitano, Pedrinho Guareschi, José Manoel Moram, dentre outros.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO 1 HISTORICIZANDO A TELEVISÃO 2 CONSIDERAÇÕES SOBRE O TEMA 2.1 SOBRE A PUBLICIDADE 2.2 SOBRE AS TELENOVELAS 2.3 SOBRE OS PROGRAMAS JORNALÍSTICOS 2.4 SOBRE OS PROGRAMAS INFANTIS 2.5 SOBRE OS PROGRAMAS EDUCATIVOS 3 OS RECURSO AUDIOVISUAUS 4 A TELEVISÃO SOBRE OS PRISMA DE VISÃO DE ALUNOS E PROFESSORES CONCLUSÃO REFERÊNCIAS
INTRODUÇÃO
Muito tem se especulado a respeito da televisão, porém poucos autores se esmeram em mostrar seus aspectos positivos, ou seja, suas contribuições em termos educativos que vai muito além do ato de informar. Indo de encontro a essas especulações, este trabalho irá demonstrar que a televisão pode ser um meio educativo e democratizador dos bens culturais.
Vivemos em uma sociedade do trabalho e da falta de tempo para a convivência familiar e o diálogo. As crianças aprendem principalmente com a televisão, a internet e dominam com facilidade as tecnologias. O que se percebe nesse processo é a formação de jovens egocêntricos, solitários, sem criatividade e com apresentação de adolescência precoce.
Outro ponto que preocupa é a quantidade de informação que as crianças da “era da informação” recebem e não tem maturidade suficiente para filtrá-las, processá-las e usá-las em seu beneficio, e os que usam não o associam com a aprendizagem escolar, sendo que um é inerente ao outro. Guareschi (2005) observa que essa quantidade desenfreada de informação, sem reflexão contínua e metódica faz com que jovens, sem perceber, os interesses presentes na mídia, se prendam em inúmeras armadilhas, ‘sejam ideológicas, política, econômica, consumista, alienatória’, dentre tantas outras.
Essa pesquisa surgiu das observações feitas à cerca das mudanças ocorridas na sociedade nas últimas décadas. Pais que se dividem entre trabalho e capacitação para manter ou melhorar seus postos de serviços e filhos, que muitas vezes ficam sob o cuidado de uma babá eletrônica – a TV e as novas tecnologias.
Nesse impasse, os pais falam mal da mídia, mas deixam seus filhos sob os “cuidados” da mesma. As instituições de ensino tentam, muitas vezes de maneira equivocada, introduzir essa “concorrente” em seus espaços educativos enquanto crianças e jovens continuam preferindo a educação midiática. Para Napolitano (2003, p. 12)
A mídiabilidade é um dos principais problemas a serem pensados pela escola (…) Não se trata de tentar dissipar a influência da mídia na vida das pessoas, mas de explicitar este fenômeno e fornecer alguns pressupostos críticos,valorizando elementos culturais que muitas vezes o aluno já possui.
Estamos, então, diante de um grande dilema: A TV educa, deseduca, aliena ou educa alienando? Sabemos que a televisão desenvolve uma educação paralela a escola, devido às informações que veicula por meio do jogo de imagens, sons e movimento que atraem e encantam os alunos. Porém essas informações, sozinhas, podem ser consideradas conhecimento? Através da televisão, as crianças e jovens têm acesso a inúmeras informações que tratam dos mais variados assuntos, muitas vezes esses assuntos são apresentados de forma fragmentada, descontextualizada e até carregados de intencionalidades. Em outros casos, a televisão traz informações preciosas que ajudam na assimilação de um determinado assunto visto em sala de aula, ou até muitos que a escola resiste em colocar em suas abordagens ou conteúdos.
Nessa proposta de estudo, a mídia televisão será abordada como uma aliada do professor na explanação dos mais diversos assuntos, dos atuais aos antigos, possibilitando uma viagem no tempo com as produções de época e analisando o futuro com base nas notícias vinculadas sobre as grandes descobertas científicas.
É preciso pensar a influência da televisão no nosso dia-a-dia, reconhecendo suas características positivas e negativas bem como compreendendo sua influência sobre a sociedade.
Para tanto, surge a necessidade de apresentar a televisão e sua grade de programação como ferramenta educacional eficiente, utilizando-se da linguagem e do encanto das imagens em movimentos que as crianças e jovens já estão acostumados, como fonte de informação tão segura quanto os livros didáticos. O uso da televisão como recurso pedagógico, pode ser utilizado, a priori, como forma de atração, de sedução pelas imagens, sons e movimentos, e no decorrer do processo se transformar em recurso didático capaz de fazer uma interligação entre as disciplinas, os acontecimentos sociais, políticos e culturais locais e globais com uma criticidade no olhar, tanto em relação à TV e outras mídias como em relação ao mundo.
O trabalho será dividido em capítulos e cada um deles trará uma abordagem sobre o impacto da televisão na educação informal dos sujeitos sociais, nos vários segmentos de programas que são apresentados pelas mesmas.
Parte desse trabalho será dedicada a publicidade, ou seja, as campanhas publicitárias ou, como chamamos comumente os comerciais de TV, pois estes são os campeões de críticas e ajudam fortalecer o coro de deseducadora, alienadora e fortalecedora do consumismo inconsciente.
O jornalismo e as telenovelas, que são os mais assistidos e comentados pelos telespectadores, serão fenômenos de aprofundamento maior, pois suas informações, mesmo que sem intenção e planejamento, são muito utilizadas nas salas de aulas como exemplo da realidade e para fundamentar pensamentos e idéias dos livros didáticos.
Serão analisados, ainda, os programas infantis e educativos vinculados pela TV e ao final, será feito a análise e discussão dos dados colhidos em duas escolas da rede pública da cidade de Juazeiro.
A base teórica desse trabalho serão as idéias de autores que, também têm se dedicado ao estudo e análise crítica da televisão, com o intuito de jogar por terra o paradigma de que a televisão é responsável por muitas mazelas da sociedade, tais como Marcos Napolitano (2003), que em seus últimos trabalhos apresenta a televisão e outras mídias como ferramenta eficiente de aprendizagem; Pedrinho Guareschi (2005) que em seu trabalho “Mídia, Educação e sociedade”, apresenta as mídias de massa, em especial a televisão como produtos ideológicos e defende a idéia de que a escola precisa colocar essa pauta em discussão, possibilitando aos alunos uma leitura analítica do que vêm em seus programas favoritos, inclusive selecionando-os de forma crítica; de José Manoel Moram (1993) que apresenta as novas tecnologias como mediação ao saber fazer pedagógico.
O sociólogo Douglas Kellner (2001) em seu livro “A cultura da Mídia”, embora não fale diretamente da televisão ou de outra mídia específica, mostra os produtos midiáticos e seus impactos na sociedade, dentre outros que defendem idéias semelhantes.
E, como a escola e seus atores serão os objetos de observação do trabalho, foram feita visitas investigativas a escolas da rede pública de ensino, com o intuito verificar como a televisão vem sendo usada nesses espaços.
Usar um meio tão atraente e instrutivo em sala de aula pode render bons frutos no futuro, facilitar o trabalho do professor e tornar as aulas mais atrativas. È isso que o trabalho irá apresentar.
1 HISTORICIZANDO A TELEVISÂO
Para falar da televisão e de suas possibilidades educacionais, será feito, inicialmente, o caminho percorrido pela mesma em contextos históricos diferenciados e os estudos e pesquisas que culminaram com a invenção do maior meio de comunicação de massa.
O advento da televisão não é tão novo como parece. A história da televisão é fruto de pesquisas e trabalho conjunto de cientistas, físicos e matemáticos que acreditavam ser possível fazer transmissões, também de imagens e distância.
A necessidade de representar a realidade sob forma de imagens acompanha o homem desde a pré-história quando, de forma primitiva, o homem usava o ocre e o carvão para deixar imortalizado nas paredes das cavernas, suas vivências e aventuras. Os povos egípcios por sua vez, já contavam com técnicas mais avançadas para fazer essas representações e, assim, a humanidade sempre foi seduzida pela vontade de se ver representada sob forma de imagem. Com a descoberta da fotografia e o avanço dos recursos tecnológicos, a reprodução da realidade ganhou recursos de luz, retoques e ângulos favoráveis, tornando as imagens mais fiéis e capazes de transmitir e captar sentimentos. Porém, a televisão tem um fascínio maior, pois une som imagem e movimento ao alcance de todos, ao clique de um botão.
A palavra televisão surge antes mesmo do aparelho que hoje vemos na maioria dos lares. É uma junção de duas palavras: tele, que vem do grego e quer dizer distante e visione que vem do latim e designa visão. Portanto, um sistema eletrônico de recepção de imagens e som à distância por meio das ondas eletromagnéticas. O trabalho de pesquisa dos cientistas, físicos e matemáticos começou a funcionar em 1892, quando os físicos Július Elster e Habs Getiel inventaram uma célula fotoelética e em 1906 Arbowe Nelt desenvolveu um sistema de televisão através de raios catódicos[1]. No entanto, foi só em 1920 que o britânico John Logie Baird realizou as verdadeiras transmissões. Seus estudos foram exibidos à comunidade científica em Londres no Royal Institution e o cientista foi de imediato contratado pela BBC (British Broadcasting Corporation / Corporação Britânica de Transmissão), para executar transmissões experimentais.
O primeiro sistema semi-mecânico de televisão analógica só foi demonstrado em fevereiro de 1924 em Londres e, posteriormente, em 30 de outubro de 1924, foram apresentadas imagens em movimento. Porém, a técnica de Baird comportava poucas linhas. Em 1928, foram feitas transmissões mais promissoras nos Estados Unidos e em 1930, na França, as descobertas deixaram de ser ensaios e passaram a ser progressos técnicos reais. A primeira transmissão de televisão oficial foi feita a partir da Torre Eiffel em 1935, mais precisamente em 25 de abril, às vinte horas e quinze minutos, enquanto os primeiros serviços de alta definição foram exibidos na Alemanha em março de1935, porém, disponível apenas para 22 salas públicas.
Apesar dos avanços serem rápidos para a época, o primeiro programa de televisão reconhecido oficialmente só foi ao ar um ano depois na Inglaterra. Quatro anos mais tarde, o transmissor pioneiro já dispunha de quinze horas semanais de programação, mas o primeiro “telejornal” só foi ao ar pela primeira vez, dez anos mais tarde.
As grandes transmissões começaram a partir dos jogos olímpicos de 1936, e depois da Segunda Grande Guerra, devido ao grande avanço tecnológico, o uso da televisão cresceu enormemente em todo o mundo e conquistou adeptos em todas as classes sociais em busca de informações dos mais distantes lugares. Segundo o historiador Fontes (2000, p. 131) […] “Na terra, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas, reunidas diante dos vídeos, segundo cálculos da NASA, ficaram fascinadas pelo duplo milagre da descida e da transmissão das imagens […] na lua.”
No Brasil, a primeira transmissão televisiva foi uma partida de futebol em 28 de setembro de 1948 na cidade de Juiz de Fora, MG. Dois anos depois, no dia 03 de abril aconteceu a pré-estréia da televisão e no dia 18 do mesmo mês a inauguração oficial da TV Difusora, em São Paulo. Essa emissora foi pioneira nas transmissões comerciais no Brasil, que se tornou, então, o quarto país a possuir uma emissora de televisão, atrás, apenas dos Estados Unidos, Inglaterra e França.
No Rio de Janeiro, nesse mesmo ano foi inaugurada a TV Tupi, emissoras de Assis Chateaubriand. Nesse período, muitos artistas, já famosos no rádio, migraram para a televisão que era transmitida ao vivo.
A televisão fascinava a todos e era tida como símbolo de status, mudando, inclusive a estrutura física da casa, que agora se organizava em torno do aparelho e os assuntos mais comentados, também, eram sobre a tão comentada mídia. Para Guaresch (2005, p.69)
A entrada desse novo veículo de comunicação se situa no contexto de um período de crescimento industrial, da migração das áreas rurais para as urbanas que marca um espaço de mudança na estrutura econômica, social e política no Brasil.
Diferente de outros países, a chegada e a popularização da televisão ao Brasil foi cercada por muitos mistérios e jogos de poder. Assis Chateaubriand Bandeira de Melo, um paraibano do município de Umbuzeiro, dono de uma cadeia de jornais, e de estações de rádio, senador da República e embaixador do Brasil em Londres, com o propósito de aumentar seu aglomerado de mídia “Diários Associados”, resolveu implantar a televisão no Brasil. Como na época, nenhum equipamento referente a televisão era produzido em nosso país, Chatô, como era popularmente conhecido, precisou trazer todo o equipamento e aparelhagem dos Estados Unidos.
Revistas da época davam conta que Assis Chateaubriand precisou usar sua influência política para liberara seus equipamentos da alfândega do porto de Santos. Porém tudo foi desmentido e a Revista Cruzeiro, que fazia parte do grupo “Diários Associados” em sua edição do dia 28 de março de 1950 trouxe apenas notícias falando da chegada dos fantásticos aparelhos que foram recebidos por políticos e membros da alta sociedade paulistana e seguiram em desfile pelas ruas do centro de São Paulo (MATOS, 2002).
Em 1952 foi inaugurado a TV Paulista, pertencente às Organizações Victor Costa, no ano seguinte a TV Record inicia suas transmissões, TV Rio passa a transmitir imagens no mês de julho de 1955 pelo canal 13 e a TV Excelsior principia seus trabalhos aos meados de 1960, mas é cassada nove anos depois pelos militares, descontentes com os festivais da canção que eram produzidos e transmitidos pela mesma.
A empatia a televisão só aumentava e o poder público se esforçava em elaborar mecanismos que a mantivesse sob vigilância. Em 1962 foi instituído o “Código Brasileiro de Televisão” e o governo federal cria o Conselho Nacional de telecomunicações (CONTEL), que o autoriza a constituir uma empresa de televisão pública. Os proprietários de emissoras de TV também buscaram proteção e fundam a ABERT(Associação brasileira das Emissoras de Radio e Televisão). O primeiro presidente dessa entidade foi o deputado João Calmon, que conseguiu, como grande ato, a mudança no prazo de concessão, que era de 03 anos e passou a ser de 15 anos.
Com a cassação dos direitos de transmissões da TV Excelsior, os militares mostraram sua força e o que aconteceria com os que pensassem contrário ao sistema. Muitos profissionais ficaram desempregados e gênios da comunicação foram contratados por outras emissoras com salários bem abaixo do mercado (MATOS, 2002). A partir daí, uma emissora começa uma decolagem extraordinária e cheia de artimanhas e interrogações. A Rede Globo de televisão foi inaugurada no Rio de Janeiro em 26 de abril de 1969, associada ao grupo norte-americano Time Life. Sobre essa negociação, Guareschi (2005, p.70) comenta o seguinte:
[…] Esta novidade no cenário da mídia eletrônica provocou a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), a partir da denúncia do senador João Calmon […] no sentido que esse acordo entre as duas emissoras infringia o artigo 160 da constituição Federal, de 1946, o qual vedava a participação de capital estrangeiro na gestão ou propriedade de canais de radiodifusão.
Segundo o autor, o Presidente Castelo Branco considerou a operação legal e só dois anos depois a rede de televisão globo foi obrigada a desfazer o acordo com o grupo norte-americano, entretanto, “a emissora, a essa altura, já havia adquirido tecnologia e capital suficiente para se impor no cenário brasileiro” (GUARESCHI, 2005, p. 71). Desde então a emissora se tornou um fenômeno de audiência e impõe, até hoje, padrões de moda, beleza, comportamento, e influencia a política e a economia no país.
Foi depois da metade do século XX que a televisão ganhou força entre as classes populares, e ameaçou a popularidade dos cinemas e teatros, pela rapidez com que conquistava cada vez mais adeptos a seus programas. Nessa época a televisão, também, começou a ser vista como papel importante de intervenção social, econômica e política. Para Kelnner (2001, p.) “A televisão exerce uma força enorme sobre os telespectadores […] é capaz de aumentar a cotação da bolsa, eleger e derrubar governantes e mudar a opinião pública sobre os mais polêmicos assuntos”.
Com o passar do tempo, a televisão ganha cor e video-tape e se torna cada vez mais presente nos lares brasileiros. O censo demográfico nacional (1970) registra que 27% das residências já possuiam televisores e 75% desses aparelhos se concentravam no eixo Rio-São Paulo. Devido a copa do mundo do México ser transmitida ao vivo, chega ao número de quatro milhões os lares que possuem televisores, o equivalente a 25 milhões de telespectadores. Nesse mesmo ano o governo baixou um decreto determinando o corte das concessões das emissoras que não transmitissem uma porcentagem mínima de programas em cores, e para aumentar as vendas de receptores coloridos a Fábrica Colorado, patrocina replays de jogos de futebol todas as tardes nas TVs Bandeirantes e Gazeta.
[…] a cultura da mídia é industrial; organiza-se com base no modelo de produção de massa e é produzida para a massa de acordo com tipos (gêneros), seguindo fórmulas, códigos e normas convencionais. E, portanto, uma forma de cultura comercial, e seus produtos são mercadorias. (KELLNER, 2001, p. 9)
Foi nessa época, também, que os anunciantes passaram a comprar espaços entre os programas em vez de patrocinar o programa como um todo e a propaganda governamental foi regulamentada, com direito a seis minutos diários de publicidade gratuita.
Percebendo o grande potencial da televisão, houve um imenso interesse da classe política brasileira em conseguir concessões de canais de televisão. E essas concessões foram dadas, muitas vezes, infringindo as leis, que estabelecia que nenhuma empresa ou pessoa, poderia ter a propriedade de mais de dez emissoras de TV em todo o território. Contudo, “se recorria ao registro dos canais em nome de diferentes pessoas da mesma família, para ultrapassar o limite de propriedades de canais permitidos pela legislação” (GUARESCHI, 2005, p.77). Desta maneira, os veículos de comunicação regionais ganharam donos com poder de ditar o que devíamos ver, ouvir, saber e comentar.
No dia 03 de fevereiro de 1980 é declarado oficialmente o fim da censura ao tele- jornalismo brasileiro. A história da censura aos meios de comunicações começa com o surgimento dos mesmos, porém no início a censura era ética ou estética, ditada pelos próprios produtores. Foi em outubro de 1959, que o então Ministro da Justiça, Armando Falcão, assinou a primeira legislação que regulamentava a censura da programação de televisão do Brasil. Em 1966 o Departamento Federal de Segurança pública decretou novas normas de censura para a TV.
Com o fim da censura, as emissoras de televisão passaram a ter autonomia para decidir o que vincular em seus programas. Em 1994 as redes de televisão aderiram às campanhas populares. No Brasil, nesse período, já existiam 106 emissoras comerciais de televisão, sendo que 12 emissoras eram estatais. Muitas atividades políticas eram transmitidas ao vivo, como o comício das “Diretas Já” que foi realizado na Avenida Paulista de São Paulo, contando com um público recorde, a participação das principais autoridades políticas do país e artistas de notoriedade de nacional; a eleição indireta de Tancredo Neves, sua doença e morte. Cinco anos depois transmitiu ao vivo e na íntegra a posse do primeiro presidente civil eleito pelo voto direto desde o golpe militar de 1964, Fernando Collor de Mello.
Foi, ainda, a mídia de massa que divulgou e acompanhou passo a passo o andamento das investigações das denúncias de corrupção contra Collor e impulsionou a juventude Cara Pintada invadirem as ruas pedindo a renúncia ou derrubada do mesmo, e Fernando Collor foi o primeiro presidente eleito e deposto pelo povo. A votação do impeachment e o pedido de renúncia, também, foram transmitidos ao vivo.
Partindo dessas observações, os telespectadores começaram sentir-se participante do processo democrático e criativo da televisão que ganhou cada vez mais prestígio no cenário nacional, passando a ser a porta voz da população.
Com o fim da censura, as emissoras se sentiram mais autônomas e até arriscaram reeditar programas que haviam sido censurados nos anos de chumbo. Na rede Globo de televisão, no dia 24 de junho de 1985, aconteceu da estréia a segunda versão da novela Roque Santeiro, considerada a novela de maior sucesso da história da emissora, atingindo a marca de 90% de audiência, com média de 75% pontos, segundo o IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística).
Por mencionar o instituto de opinião, a década de 90 foi o período de guerras travadas pela audiência e preciosos pontos no IBOPE. Para os publicitários “a concorrência motiva a melhoria na qualidade dos produtos” (MORAIS, 2005, p. 39), mas não foi o que aconteceu na mídia televisiva. A programação das emissoras baixaram o nível e o público perdeu uma excelente oportunidade de assistir uma disputa sadia onde a qualidade da programação seria o ponto atraente, e a TV que deveria ser um instrumento de entretenimento e educativa, segundo a legislação brasileira (BRASIL,1988), passou a ser um veículo de deseducação em massa. Os programas de televisão levavam ao ar atrações de gostos duvidosos e exploravam a nudez feminina e até masculina, como na novela pantanal, exibida pela TV Manchete e a novela Tieta produzida pela TV Globo. Após inúmeros debates e discussões, em 1999 foi realizado em Brasília o I Fórum Permanente da Educação para a Mídia, com o objetivo de discutir perspectivas para a qualidade da informação. Outro encontro que também buscava soluções aos abusos televisivos foi o seminário intitulado “A problemática da Comunicação de Massa: Reflexões e Soluções”, promovido pelo Governo Federal. Após esses encontros que contou com a participação de estudiosos, organizações não governamentais, dos então Ministros da Educação Paulo Renato Souza e da Justiça Bernardo Cabral, o Congresso elaborou emendas para regulamentar os programas e a faixa etária própria a cada um deles.
Foi, também, na década de 90 que o UNICEF em parceria com a TV Globo lançaram o projeto “Criança Esperança”, que uniu personalidades da música, Cinema, TV, esporte, empresas parceiras e o público que participa por telefone, em prol da arrecadação de fundos. O objetivo inicial era o combate à mortalidade infantil, depois à erradicação da desnutrição e hoje, além dessas iniciativas o projeto ajuda instituições que desenvolvem ações de apoio a crianças e adolescentes em situações de risco.
O projeto “Criança Esperança”, que no ano de 1991 ganhou o prêmio Eco, da câmara Americano do Comércio, pela melhor contribuição à comunidade no setor de saúde, teve o mesmo formato e intenção que o S.O.S Nordeste, projeto, também da TV Globo, realizado em 1970 para arrecadar alimentos para os “flagelados da seca”, e era apresentado por Renato Aragão, o mesmo apresentador do criança esperança.
Com uma programação pobre de atrações inteligentes, o público migrou para as TVs educativas. A TV Cultura e a TV educativa, ambas públicas, caíram nas graças dos telespectadores por vincularem programas com teor, considerado, de alto nível intelectual. Os estudiosos atribuem esse fator […] “a capacidade do público de resistir à manipulação da mídia, criando seus próprios significados e usos” (KELLNER, 2001 p. 12). Os programas de maior audiência na TV Cultura eram: Matéria prima, Vitrine, Papo Informal, Fórum, Janela Indiscreta entre outros que dinamizavam a programação e atraiam uma legião de jovens. Os programas infantis de maior sucesso eram Revistinha e Castelo Rá-Tim-Bum e os programas Roda Vida, Metrópole e o Jornal da Cultura atraiam o público adulto.
Para recuperar a audiência e a confiança do público, as emissoras, que estavam perdendo espaço, iniciaram uma corrida pelos telespectadores, investiram em equipamentos de última geração, fizeram contratações de novos artistas e modificaram a roupagem dos antigos programas. Seguindo essa linha de raciocínio, o jornalismo, ainda era a linha de frente e investia pesado nas grandes reportagens, denúncias e coberturas de fatos internacionais.
Os meios tecnológicos de informação foram os primeiros a aderirem a globalização. Em 1991 os conflitos no Golfo Pérsico eram transmitidos por correspondentes internacionais ao vivo e essas matérias batiam recordes de audiência nas TVs do mundo inteiro. Para Guareschi (2005, p. 57)
Há uma estreita relação entre a mídia e a globalização em que vivemos; em grande parte esta globalização, principalmente cultural, só foi possível devido à mídia. A política também mudou de lugar. A sociedade nacional transformou-se em província da sociedade global.
Já no final dos anos 90, os telespectadores brasileiros experimentavam a autonomia dos canais a cabo e os telhados dos lares brasileiros, fossem urbanos ou rurais, infestaram-se de antenas parabólicas e logo em seguida de antenas de canais por assinatura. Em 1997 foi criada a agencia Nacional de Telecomunicações (ANATEL) para regularizar e fiscalizar o setor de telecomunicações no Brasil. No final de 2007 começaram as transmissões da TVD (televisão digital). Agora a informação interativa estava ao alcance de todos sem corte ou maquiagem, eram o que pensavam os mais ingênuos.
O uso da televisão para transmitir preceitos educacionais começou no final da década de 60 e início dos anos 70. Era o auge do regime militar, e a televisão que já tinha sua ideologia, era usada em benefício de um regime para disseminar suas idéias e esconder suas intenções. Nas escolas era comum citar notícias de telejornais para exaltar o regime ou denunciar o que não era divulgado.
Nessa mesma época, surgiram os cursos técnicos na rede pública de ensino e a televisão foi rebaixada a simples técnica de colocá-la em funcionamento. No final dos anos 70 a Fundação Roberto Marinho e a Fundação Padre Anchieta lançam, em rede nacional, o Telecurso 2º grau, deixando pra trás os cursos por correspondência. A partir daí a Mídia em questão, aparecia no universo educacional de forma ainda tímida, e somente no início dos anos 90 ela voltou a cena, com programas voltado para o contexto educativo, e até programas infantis das TVs educativas batiam recordes de audiência.
Em 1982 foi instituído a Sistema de Nacional de Radiodifusão Educativa (SINRED), ligado ao Ministério da Educação e Cultura e ao Ministério das Comunicações. Emissoras educativas, algumas ligadas as grandes redes de televisão, surgiram como se quisessem se redimir pela deseducação que provocaram durante anos, dentre elas podemos citar a TV Cultura, a SESC TV, o Canal Futura, ligado a Rede Globo, A TV escola, voltada ao público docente, Paraná Educativa, TV Câmara e Senado, dentre outras. O governo, também investiu em educação a distância com cursos televisivos e implantação de KITs ( antena parabólica, aparelho de TV, fitas de vídeo e manuais de uso e metodologias) nas escolas públicas de todo o Brasil.
No ano 2000, com as comemorações dos 500 anos do Brasil, a Rede Globo de televisão, inspirada nas discussões do seminário “Brasil 500 anos – Como se muda um país através da educação” inicia um projeto educacional de alcance nacional, mas que não vai adiante, que se estende só até abril do mesmo ano. Em 2001, mais precisamente no dia 13 de março desfez-se a RPTV (Rede Pública de Televisão). TV Educativa e TV Cultura se separam e o que já era difícil junto se tornou praticamente inviável separadas.
A programação educativa tornou-se escassa e os canais educativos com dificuldades de prosseguirem concorrendo com as atrações comerciais dos canais de TV aberta. A solução seria conceder novas licitações para exploração de canais com fins educativos. Em 03 anos e meio de governo, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva aprovou concessões a fundações sem fins lucrativos de 110 emissoras educativas, sendo que 29 são emissoras de TV. No entanto, se formos buscar no site do Ministério das Telecomunicações, essas emissoras estão em nome de pessoas ou fundações ligadas à políticos, muito parecido com as concessões do período militar.
Atualmente, há um projeto para votação na Câmara Federal da nova TV pública. O relator da emenda, Walter Pinheiro, acredita que essa iniciativa é de fundamental importância para a democracia do país, pois será um sistema autônomo e independente de governo e de mercado econômico. Entretanto, ainda há de se ter cuidado, pois para ser de fato pública, a nova TV precisa ter gestão independente do governo e programação que apresente a vasta diversidade da sociedade brasileira. Se não for dessa forma, essa instituição deixa de se constituir pública para ser uma rede estatal, a serviço do governo e seus interesses.
Hoje, a televisão está presente em quase a totalidade dos lares brasileiros. Porém, seu potencial educativo ainda é pouco utilizado, de fato, nas escolas.
2 CONSIDERAÇÕES SOBRE O TEMA
Sendo, a televisão a grande invenção dos últimos tempos e o entretenimento de mais fácil acesso na comunidade global atual, precisamos saber usar de forma inteligente esse meio de comunicação, para que, além da diversão, possamos obter informações e conhecimentos úteis para nossas vidas.
O fato é que a TV desempenha um papel importante na vida das pessoas, sem falar no tempo que lhe é dedicado. A televisão é o veículo de comunicação de maior alcance no país e o meio de entretenimento e informação mais utilizado pelos brasileiros, sua influência é inegável, principalmente entre crianças e jovens. Sendo assim, a televisão pode ser vista como um enorme e democrático fórum de debate com caminho aberto para o mundo da informação e do conhecimento.
Precisamos ter consciência que as novas tecnologias de informação são decisivas no desenvolvimento das nações.
Inicialmente as tecnologias pesam na economia, pois os países que não detém conhecimentos e aparatos tecnológicos precisam importá-los, tornando-se assim dependente do importador. Do ponto de vista social as pessoas sem acesso aos meios tecnológicos de informação ficam sem condições de plena participação no mundo atual, o que acentuará ainda mais as desigualdades sociais já existentes. E do ponto de vista político, sabemos que os veículos de informação, em especial a televisão, são fortes cabos eleitorais e, principalmente, fortalecedores de determinadas ideologias.
Os meios tecnológicos estão presentes no cotidiano de todos e a escola faz parte desse todo e para cumprir com sua função de contribuir para a formação de indivíduos que possam exercer plenamente sua cidadania, participando dos processos de transformação e construções da realidade desejada, precisa acompanhar as mudanças. Dessa forma, devem estar abertas à incorporar as novas tendências da educação contemporânea. É importante também que a instituição integre a cultura tecnológica extra-classe em seu currículo e busque a ajuda e a efetiva participação dos pais, pois nos dias atuais o problema que afeta os jovens não é a falta de acesso aos meios tecnológicos e sim a pouca capacidade crítica para lidar com a variedade e quantidade de informações.
As escolas precisam estar abertas a essa modernidade propiciando aos nossos jovens habilidades relacionadas às informações recebidas, ou seja, aprender a selecionar e julgar a pertinência, procedência e utilidade, e só então se apropriar da informação com mais profundidade.
Dessa forma a escola assume um outro papel importante na sociedade – o de orientar os alunos na maneira seletiva e crítica de se relacionar com esse universo midiático, proporcionando melhores espaços de aprendizagem já que o desenvolvimento tecnológico da informação permite que a aprendizagem ocorra em diferentes lugares e por diferentes meios.
2.1 SOBRE A PUBLICIDADE
Outro fato que inquieta e será elucidado nesse trabalho, são os comerciais de TV que vendem qualquer produto, fazendo o telespectador acreditar que este é o melhor, e às vezes tirando do mesmo o direita a livre concorrência.
Empresas gastam bilhões de dólares em propaganda a cada ano porque sabem que o público é influenciado pelo que vê e ouve. Em 2004, por exemplo, a empresa Coca Cola gastou, segundo o DIEESE (Departamento Intersindical de Estatísticas e estudos Sócio Econômicos), 2,2 bilhões em anúncios publicitários veiculados no rádio e TV do mundo inteiro, e embolsou de volta 22 bilhões de dólares só naquele ano. Contudo, as peças publicitárias ainda continuam impondo suas presenças, mesmo que sutil, nos programas da grade. Por trás do entretenimento rotineiro, a publicidade apresenta novas posturas, forma de pensar e viver. Isso fica claro quando a assistimos de maneira analítica. Observa-se que nos programas de TV mais assistidos, a base da alimentação dos protagonistas é sempre: pizza, salgadinhos,fest food, todos estes relacionados a refrigerantes. Os programas que mais mostram o consumo de saladas, frutas e verduras são os da TV brasileira, porém sempre associados a dietas ou algo que não seja prazeroso.
Para Kelnner (2001 p.324), a publicidade está “[…] tão preocupada em vender estilos de vida e identidade socialmente desejáveis, associadas aos seus produtos, quanto em vender o próprio produto”.
No entanto, a publicidade não deve ser vista, apenas, como promotora de vendas ou estimuladora do consumo compulsivo. O horário da publicidade na TV, pode ser muito educativo, tanto no que diz respeito à reflexão sobre a forma de vida moderna e do consumo, como em relação aos conteúdos, propriamente dito. Em sala de aula as publicidades de televisão podem abrir leques para as mais diversas abordagens, como, por exemplo, o uso da linguagem padrão ou coloquial, dependendo do público que deseja atingir; as taxas de juros embutidas nas promoções das grandes lojas; Normas de transito; prevenção de doenças; dentre tantas outras pautas que podem surgir após assistirmos uma das inúmeras publicidades vinculadas na televisão aberta. Kellner (2001, p. 318) diz ainda que “[…] a publicidade é um mecanismo importante e negligenciado de socialização […]”
Seguindo essa linha de pensamento, a propaganda deixa de ser a vilã do consumismo passando a ser um recurso de educação e socialização para os telespectadores, independente do nível cultural ou idade. Querendo ou não, somos todos bombardeados diariamente com as mais diversas mensagens publicitárias. Precisamos, então, começar uma alfabetização para as peças publicitárias, seja na escola ou não. Ler as intenções e ideologias do que somos induzidos a consumir não é papel apenas da escola, entretanto, a escola, como espaço de produção de conhecimento e reduto de reunião de jovens de todas as idades pode assumir essa função e propor em seu currículo essas discussões.
Além do apelo irresistível ao consumo os comerciais, quando apresentados de forma crítica e democrática em sala de aula, propicia a análise dos mais diversos assuntos, em especial os comportamentais. Ao propagarem modelos de comportamento através do consumo, os comerciais exercem tanta influência quanto os personagens de novelas. E, ao reforçar estereótipos associados à raça ou condição social, as campanhas publicitárias contribuem decisivamente para que imagens distorcidas da sociedade se firmem como verdadeiras. Um bom exemplo disso pode ser observado em um comercial idealizado pela agência de publicidade GIOVANE+DRAFTFCD, de um produto produzido pele Nestlé, para auxiliar nas funções intestinais. O comercial se passa em um camarim onde uma atriz famosa e popular se prepara para as filmagens e diz como se falasse com o telespectador. […] “Eu tenho intestino preguiçoso […] por isso eu tomo Nesvita todo dia”.
O comercial segue e uma personagem, que parece ser a camareira, diz que também usa o produto, então a protagonista ri e diz ‘’tá’ tomando os meus ‘né’ danadinha’. Ao final, aparece um médico e explica sobre o funcionamento do produto. Ao analisar o comercial, mesmo que superficialmente, sentimos que há uma forma de discriminação. É como se a camareira só pudesse consumir o produto se pegasse o da atriz, ou como se o produto não tivesse ao alcance de simples “mortais”. Nessa última observação, a mensagem é clara: quem usa aquele produto ou serviço pertence aquele mundo e quem não usa, está fora da sociedade dos holofotes. (GUARESCHI 2005, p. 159) em sua obra, demonstra que “a publicidade seleciona programas de acordo com seus princípios e valores que, com raras exceções, são cultural e politicamente conservadores” (2005, p. 159).
Em relação ao comercial em questão, a mensagem ideológica demonstra claramente a divisão de classes que deve ser propagada. Esses tipos de comerciais “raramente irão patrocinar programas com conteúdos críticos” Guareschi (2005, p.159).
Sobre a propaganda, a Constituição Federal (1988) não traz tantas restrições, o único parágrafo que fala com clareza da publicidade diz apenas: “§ 4º – A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeitos a restrições legais […] e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios de seu uso.”
Desse modo, fica claro que lei raramente irá interferir em casos onde o telespectador se sinta ferido em sua identidade, delegando, então, esse papel para a própria consciência crítica do telespectador ou para a opinião pública como um todo.
Nesse sentido, aprender a ler as peças publicitárias veiculadas nas redes de TV – e que muitas vezes não se limitam apenas aos intervalos de três minutos estipulados pela lei e invadem os programas, disseminando suas mensagens – é tão importante na formação do telespectador crítico, como a capacidade de analisar o conteúdo dos programas jornalísticos, de auditório ou as telenovelas. Para os jovens consumidores, compreender as estratégias usadas para criar o apelo ao consumo pode contribuir para o surgimento de consumidores mais conscientes e preocupados com a economia e os bens naturais do planeta.
Exercitar essa consciência crítica nos alunos é desenvolver capacidades de identificar e se posicionar contra as ideologias embutidas nas propagandas. Em virtude disso, a escola deve reconhecer o papel da mídia na formação de seus educandos.
2.2 SOBRE AS TELENOVELAS
A importância que a televisão assume nas sociedades contemporâneas vai além do entretenimento. Suas narrativas dão significados aos acontecimentos do mundo, fatos que se passam à nossa volta e que os identificarmos como parte da nossa vida cotidiana ou de outros indivíduos que conhecemos. Nesse sentido, nada mais significativo na vida das pessoas que as novelas
As telenovelas reproduzem a vida cotidiana, apresentando com pitadas de humor e drama os problemas familiares, intrigas domésticas, questões de relacionamento, temas polêmicos da sociedade, valores éticos e assuntos referentes à política. Por esses e outros motivos as novelas ganharam tanto espaço nas vidas dos telespectadores e esses se tornam seguidores incondicionais dos enredos. Mas, não devemos observar as telenovelas apenas por esses aspectos. Não há como apresentar a vida como esta realmente é. O que vemos retratados nas telas nada mais é que um recorte da realidade e como todo recorte as peças ou pedaços são posicionados da forma que mais agrada quem os coloca, ou seja, esse cotidiano que as novelas retratam, são trabalhados com intencionalidades específicas pelos autores levando em conta os temas que mais atrairão o público.
Observando por esse prisma, é importante compreender também, que cada assunto abordado nas novelas tem um propósito e muitos temas, como os relacionados a raça, sexo, classes sociais, corrupção, aparecem “entremesclados e funcionam como veículo das ideologias de dominação que justificam, legitimam, mascaram as desigualdades, a injustiça e opressão” (KELLNER, 2001, p. 128). Seguindo essa linha de raciocínio, constatamos que por todas essas intencionalidades e pela névoa criada para embaçar nosso olhar, as telenovelas devem ser fenômenos de estudo obrigatório nas salas de aula.
As novelas possuem um formato ímpar do gênero ficcional e a novela brasileira assume esse formato de maneira bastante particular, por isso faz tanto sucesso e já se tornou produto de exportação. Suas produções carregadas de romances, intrigas e muito suspense caíram no gosto popular desde a época da rádio-novela. Com a chegada da televisão, a imaginação deu lugar às imagens reais. Inicialmente as novelas apresentavam romances impossíveis, que na vida real jamais teriam chances de acontecer e o enredo estava condicionado sempre aos mesmos espaços – os grandes centros urbanos do país. Com o decorrer do tempo o regionalismo foi sendo introduzido e várias partes do país foram sendo conhecidas, admirada e valorizada pelo grande público através da televisão.
A partir dos anos 70 foram incluídos, em suas tramas, temas sociais o que ‘contribuiu para ampliar o debate sobre assuntos emergentes’ (GUARESCHI, 2005), nos anos 80, com o fim da ditadura militar, os autores ousaram em trazer para as “telinhas” a temática política e nos anos 90 foi a vez da problemática rural ser conhecida por todos em telenovelas como Pantanal, Renascer, O Rei do Gado, dentre outras.
Atualmente, as telenovelas “são produções complexas que incorporam discursos sociais e políticos” (KELLNER, 2001, p. 13) e por esse motivo a escola não pode desconsiderar o potencial educativo das telenovelas, especialmente, no que diz respeito aos temas polêmicos, pois, principalmente, esses temas são os mais impregnados de intencionalidades. Quando um assunto é abordado pela telenovela o educador precisa se questionar sobre o porquê daquele tema, relacionando-o com os acontecimentos reais da atualidade e propiciar aos alunos a mesma reflexão. Em muitas ocasiões temas são lançados para motivar tomadas de partido da população, ou para pressionar a opinião pública, que por sua vez pressiona o poder público a tomar decisões.
Sendo assim outros temas, absorvidos sem reflexões, podem desencadear atitudes extremas como aconteceu em 2002, que inúmeros brasileiros tentaram atravessar a fronteira México – Estados Unidos de forma ilegal como acontecia na novela América, transmitida pela Rede Globo. A novela retratava a saga de uma garota que queria alcançar o sonho americano e apesar de todo o sofrimento que enfrentava para atravessar a fronteira. Quando aportava em solo americano tudo se transformava, a “heroína” encontrava emprego com facilidade e até um “príncipe encantado” para viver feliz para sempre. Kellner(2005) descreve a televisão e outros produtos da “indústria cultural”, como fortalecedores de modelos sociais.
Nesse caso em questão a escola pode interferir nesse modelo distorcido da personagem e impedir que jovens se aventurem nesse sonho, e o debate pode tomar diversos rumos, em sala de aula, pois sabemos que: em qualquer lugar do mundo é difícil arranjar emprego; imigrantes ilegais recebem menos da metade pelos trabalhos que prestam e ainda podem ser chantageados pelos empregadores; a qualidade dos trabalhos que a garota se submetia não seria difícil conseguí-los em seu país e quanto ao príncipe, os imigrantes não são vistos com bons olhos pelos nativos, principalmente os americanos. A televisão, apenas apresenta os fatos e enfatiza os assuntos, a reflexão e as discussões ficam por conta do público. Portanto as instituições de ensino devem assumir seu papel de mediadora, pois crianças e jovens precisam ter censo crítico para não propagarem os estereótipos fomentados pelas telenovelas.
2.3 SOBRE OS PROGRAMAS JORNALÍSTICOS
Os telejornais fazem parte da programação televisiva brasileira cumprindo uma determinação legal. O decreto que estipula que as emissoras de radiodifusão dediquem 5% da programação diária ao serviço noticioso é de 1963 e mesmo com a constituição de 1988 a lei 52.795 do dia 31 de outubro, continuou a vigorar. Hoje as informações notificadas pelos telejornais são verdades absolutas e essas informações colaboram para produzir no telespectador um sentimento de inclusão social e política e até de pertencimento ao mundo como um todo, pois os mesmos assuntos comentados nas rodas de um “butiquim” de subúrbio podem ser os mesmos tratados nas reuniões de todas as outras esferas da sociedade. Para Napolitano (2003) os telejornais têm uma importância muito grande na definição dos fatos históricos, por esse motivo os assuntos tratados nos telejornais são tão comentados em sala de aula. Nessa perspectiva educacional Napolitano pede um pouco de cautela aos professores:
O mais importante é desenvolver um olhar crítico sobre aquilo que nos é proposto como fato social e histórico pelos telejornais e pele imprensa como um todo. É muito importante que o professor estimule uma discussão acerca não só do que foi lembrado, mas também do que foi esquecido de mostrar (NAPOLITANO, 2003, p.82).
A mediação feita pelo jornalista entre a comunidade e a fonte de informação é de suma importância, pois para muitos telespectadores a televisão é a única fonte de informação e grande parte da população ainda se atualiza pelos noticiários da TV. Nesse sentido então, as notícias telejornalísticas precisam ser claras, mas sem perder a formalidade, ao mesmo tempo que comprometidas com a legitimidade e imparcialidade. Mas, quando se fala de imparcialidade, muitos estudiosos acreditam que as notícias transmitidas pela mídia em geral nunca são totalmente imparciais. Napolitano (2003) acredita que os jornais mesclam notícias de impactos com fatos recorrentes como economia, violência urbana, hábitos de consumo; e ainda acrescenta que a imprensa em geral não só noticia o fato como também pode criá-lo.
Ponto de vista parecido também é defendido por Guareschi (2005) quando afirma que as notícias quando chegam ao telespectador já passaram por uma série de transformação, obedecendo a interesses dos controladores e as mudanças propostas pelos redatores.
Nessa análise, a escola como formadora de cidadãos, não pode ficar alheia a essa temática. Os fatos jornalísticos não devem ser utilizados apenas para exemplificar a realidade, eles devem ser utilizados principalmente para questionar a realidade. Os alunos devem analisar as notícias levando em conta a pertinência ou importância de cada uma delas para as comunidades e questionando o tempo todo aos impactos das mesmas na sociedade. Um exemplo disso pode ser as estatísticas do aumento das produções agrícolas. Quando somos informados que “a produção agrícola nacional obteve um aumento de 13% em relação ao ano passado” (DIEESE), temos que fazer algumas perguntas, tais como: Quanto foi desmatado de mata nativa para alcançar essa meta? Se há uma produção tão grande de alimentos por que a fome ainda perturba o país? Quem ganha com essa produção recorde? O custo de vida vai cair? Dentre tantas outras indagações que surgirão no calor dos debates.
As instituições escolares precisam ter uma atenção especial ao analisar os conteúdos dos programas jornalísticos para que os fatos passem de fontes de informação para fontes de pesquisa.
2.4 SOBRE OS PROGRAMAS INFANTIS
A preocupação com a elaboração e transmissão de programas infantis, teve início no Brasil junto com a própria televisão. Logo no ano de 1955, cinco anos depois de ser inaugurada a televisão, a TV Tupi trouxe do rádio o Clube do Guri. Nesse programa a criançada tinha contato com a literatura e música de qualidade, declamando versos de Castro Alves, tocando instrumento de cordas e ouvindo melodias nas vozes de Ângela Maria e Dalva de Oliveira.
Com a garantia de sucesso e aprovação dos telespectadores outras produções surgiram, como o Teatrinho Trol em 1956, que apresentava óperas, reproduzia clássicos do teatro e da literatura mundial e os heróicos: Capitão Furacão e Capitão AZA em 1965 e 1966 respectivamente, que exaltavam os heróis da marinha e aeronáutica brasileira enquanto divertiam. No entanto, essa fórmula, com o passar dos anos, foi ficando saturada. Surge então a necessidade de novas idéias.
Na década de 70 a TV Cultura em parceria com a Rede Globo trouxeram para o Brasil a série americana Sesame Street, ou Vila Sésamo e ara apresentada conjuntamente pelas duas emissoras. A princípio a série era dublada, mas depois do capítulo 40, os direitos do formato foram comprados e o programa passou a ser produzido totalmente no Brasil.
Para a estudiosa Veiga (1996), esse gênero de programa pode ser considerado, em sua totalidade, como educativo, pois toda sua elaboração foi baseada em opiniões e teorias emitidas por técnicos em educação. Por esse motivo, o Vila Sésamo trouxe para a televisão uma fórmula inovadora e inteligente que unia diversão, educação e humor. Sendo assim, o programa conseguia educar sem ser cansativo ou monótono. E, naquela época, já incluía em suas pautas temas como ecologia, consciência ambiental e outros assuntos que instigavam o pensamento crítico das crianças e que só mais tarde ganhariam dimensão e preocupação mundial.
Outro programa de muito sucesso entre as crianças foi o Sítio do Pica-Pau Amarelo, baseado na obra de Monteiro Lobato, considerado pelos críticos de arte como um dos mais bem produzidos programas infantis da TV brasileira. Essa produção apresentava histórias da literatura mundial, mas dava ênfase a cultura nacional, apresentando personagens como o Saci-Pererê, a Mula Sem Cabeça e o Lobisomem. A segunda versão da atração não agradou ao público mirim e apesar de várias reformulações acabou por ser substituída pelos desenhos de muita ação e pouquíssimo conteúdo.
No início dos anos 80, entra no ar um programa com uma roupagem totalmente nova – era “A Turma do Balão Mágico”. Não era bem um programa educativo, mas tinha uma dinâmica inovadora que apresentava as crianças como autônomas de suas práticas. As músicas eram divertidas e falavam das vivências ingênuas dos pequenos. O balão mágico foi o primeiro grupo infantil a ganhar disco de ouro pele venda de suas canções, e foi a partir daí que os programas deixaram de atender à necessidade das crianças e passaram a atender á lógica publicitária e mercantilista.
Nessa visão capitalista, o mercado publicitário começou a perceber uma nova demanda econômica – a criança consumidora. Esse pensamento fica claro quando analisamos a crescente aparição de programas infantis em todos os canais e, em sua totalidade, seguindo a mesma linha: Apresentadoras jovens, bonitas, com roupas curtíssimas e uma infinidade de produtos, no mercado, levando suas marcas. Kellner (2005) analisa que enquanto as estrelas e empresas enriquecem, as crianças empobrecem intelectualmente e ainda acrescenta:
[…] Enquanto a cultura da mídia promove os interesses das classes que possuem e controlam os grandes conglomerados dos meios de comunicação, seus produtos também participam dos conflitos sociais entre grupos concorrentes, promovendo, às vezes, forças de resistência ao progresso […].(KELLNER, 2001, p.27).
Em conseqüência disso percebe-se que as crianças estão cada vez mais valorizando o “ter” e esquecendo-se do “ser”.
Outro ponto preocupante em relação a linha de programas em questão são os desenhos animados. Essas produções, que invadem as manhãs das TVs comerciais e canais completos das TVs por assinatura, se dividem em dois gêneros: os de lutas e pancadaria e os de futilidades.
Os desenhos animados de ação, como são chamados, apregoam lutas bárbaras do começo ao fim e usam uma linguagem ofensiva, como aparece no desenho Dragom Ball e as continuações da série. E presenciar cenas de violência e xingamentos não pode ser considerado educativo, nem uma forma de entretenimento saudável. Outros desenhos investem na diversão sem conteúdo. Como: o Bob Esponja, produzido pela Nickelodeon, que apresenta personagens marinhos adultos, mas totalmente imaturos e que não contribuem em nada para o crescimento intelectual ou amadurecimento para a vida de nenhuma criança e As Três Espiãs de Mais, produzido pela Marathon production, que retrata as aventuras de três adolescentes espiãs que moram em Beverly Hills e lutam contra o crime dentro de shopings usando uns aparatos estranhos (brincos com raios laser, batons comunicadores, perfumes congelantes, botas ante gravidade, dentre outros).
Aprofundando um pouco a análise no último desenho, podemos perceber, sem muito esforço, que este enfoca questões referentes exclusivamente ao consumo, reforçando uma idéia, já disseminada pela mídia, de um universo feminino envolto em vaidade excessiva, futilidades e fofocas paralelas sobre compras, namoros e ídolos da TV, música ou esporte. O desenho, ainda apresenta os alunos estudiosos do colégio das espiãs de uma forma estereotipada, ou seja, feios, sem graça, impopulares e que nunca se dão bem em seus projetos pessoais, nem com as garotas. Em vista disso, nota-se que os preceitos repassados por essas produções não possuem nenhum teor educativo e ainda contribuem para a desvalorização das instituições de ensino.
Nesse entendimento, voltamos nossos olhares para as TVs públicas, que por não ter compromisso com o lucro em si, apresentam uma programação infantil que propicia a reflexão sobre temas atuais e enfatiza valores éticos e culturais, exemplos disso são os programas: Castelo Rá-Tim-Bum, apresentado pela TV Cultura, une informação e diversão enquanto aborda noções de ciências, história, matemática, cidadania, música, entre tantas outras; Sesinho na TV, produzido pela TV SESI, é um desenho animado, onde os personagem vivem aventura envolvendo trabalho infantil, evasão escolar, desvalorização do trabalhador; Teca na TV, do Canal Futura, apresenta uma garotinha muito esperta descobrindo os mistérios do mundo que o cerca e contextualizando-os com conhecimentos escolares.
No entanto, as emissoras de televisão aberta ainda são as preferidas do grande público, por isso a necessidade de uma reflexão sobre seus conteúdos e suas ideologias. As salas de aula podem ser palco para essas discussões e os professores mediadores desse debate.
2.5 SOBRE OS PROGRAMAS EDUCATIVOS
O papel exercido pelos programas educativos é indiscutível junto às crianças e jovens e incontestável junto aos pais, mas esses programas, nos últimos tempos, se resumem aos canais propriamente educativos. Mesmo quem só “dá uma rápida olhada” nos programas televisivos, já percebeu a falta de opções quando o assunto é programa educativo específico.
As emissoras educativas como a TV Escola, TVE, TV Cultura, TV SESC, Futura e até as redes de televisão dedicadas ao mundo da política como a TV senado e TV Câmara se dedicam a vincular, em toda sua programação, produções voltadas ao ato educativo, seja educação informal, seja orientação pedagógica para pais e professores. Todavia, essa programação não se encontra a disposição de todos, pois os canais mencionados acima são canais de TV a cabo e apenas as residências que possuem antenas parabólicas os utilizam.
Nas TVs comerciais o número inexpressivo de produções do gênero é evidente em todas as emissoras, mesmo nos canais por assinatura. Os poucos que vão ao ar pelas TVs comerciais se concentram em uma única emissora, a TV Globo e são apresentados em horário pouco propício a audiência do grande público. Na emissora em questão os programas educativos que são exibidos durante a semana, iniciam ao amanhecer e terminam antes das sete horas da manhã com duração de aproximadamente quinze minutos cada módulo. São programas direcionados para adultos que vão prestar exames supletivos e dessa maneira o formato segue os moldes das salas de aulas tradicionais e os métodos utilizados para explanar os assuntos são da mesma forma, ultrapassados o que contribui, decisivamente, para o fracasso dos mesmos. Ao que parece os produtores que esbanjam talento em outras produções usam pouco da criatividade quando o assunto é educação.
Nos fins de semana há uma variedade maior de programas voltados propriamente para a educação e os temas destes são mais atrativos. São produções que tratam, de forma descontraída e linguagem simples, da problemática ecológica, de consciência ambiental, solidariedade, voluntariado, descobertas científicas e valorização do potencial educativo e rigor intelectual. Temas que despertam muito interesse. No entanto, o horário não atrai a audiência e nem patrocinadores, o que faz a emissoras lhes render pouca dedicação.
As emissoras de televisão por serem detentoras de um meio de comunicação tão poderoso e influente na atualidade, não podem se limitar a ser uma indústria, seguindo a lógica do mercantilismo. É de extrema importância que essa mídia esteja comprometida em formar uma cidadania democrática visando o desenvolvimento da educação e a proteção da identidade cultural da coletividade. Segundo a Constituição (BRASIL,1988)
Art. 221- A produção e a programação de emissores de radio e TV devem atender aos seguintes princípios:
I – Preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas; II – Promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação; III – Regionalização da produção cultural artística e jornalista, conforme percentuais estabelecidos em lei; IV – Respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.
Sendo assim, a lei garante à todos um entretenimento televisivo de qualidade e os programas educativos não podem ser limitados a horários e temas específicos pré estabelecidos. Devem fazer, naturalmente, parte da programação, favorecendo o conhecimento científico e artístico, estimulando a criatividade e imaginação em seus diversos domínios e colaborando com o respeito étnico e cultural dos povos.
3 OS RECURSOS AUDIOVISUAIS
Durante muito tempo as instituições de ensino exerceram importância única na vida das pessoas. Era através desses espaços que se buscava e conseguia ascensão profissional, cultural, social e política. Porém, atualmente, o que se percebe é um declínio na educação brasileira, principalmente da instituição pública de ensino.
Dentre os fatores que mais contribuem para essa desvalorização do ensino está a cultura eletrônica popular. As crianças e jovens passam boa parte de seu tempo dentro dessa cultura, e como a escola não conseguiu alcançar esse avanço, perdeu espaço. Não devemos desconsiderar a inevitável participação da mídia eletrônica na formação desses jovens, tampouco a atração que esses meios exercem sobre quem os utiliza. A televisão é o meio mais utilizado por todos, seguida pelo computador e as estações de música. Então, se essas mídias despertam tanta simpatia entre os jovens devem ser agregadas ao currículo escolar, pois a educação precisa construir pontes entre os indivíduos e as comunidades.
Para Moram (1993, p. 36) “Tudo que passa na televisão é educativo. Basta o professor fazer as intervenções certas e proporcionar momentos de debate e reflexão”. Portanto o uso da televisão como recurso didático impulsionará uma inovação no ensino. Não se trata de trocar os métodos convencionais pela televisão e o debate puro e simples.
A proposta é incorporar as temáticas apresentadas na televisão ao ensino diário da sala de aula, aproveitando-se da rapidez da informação, das imagens, da diversidade de linguagem, das pesquisas e reproduções de época e tantas outras abordagens, que bem utilizadas transformarão as salas de aula em espaços muito mais atrativos e darão significado prático aos conteúdos. Moram (1993) diz ainda que as mudanças qualitativas no ensino aprendizagem acontecem de fato quando conseguimos integrar dentro de uma visão inovadora todas as tecnologias: as telemáticas, as áudio visuais, as textuais, as orais, musicais, lúdicas e corporais.
Nessa nova perspectiva, a televisão se torna uma ferramenta de fundamental importância, por unir todas essas tecnologias e possibilitar um vasto leque de opções ao educador, tornando o trabalho com a turma mais dinâmico e criativo em todas as disciplinas, como foi observado por Ferrés (1998, p. 136)
A educação com os multimeios tem muitas vantagens suplementares. Cada meio ativa nos alunos alguns mecanismos perceptivos e mentais diferentes […] permite, então, adaptar-se às capacidades perceptivas e mentais diferentes dos diversos alunos, compensando os déficits derivados da aprendizagem com outros meios
Pensando assim, a televisão se apresenta como mediadora entre as experiências do censo comum e as descobertas e relações entre pessoas e sociedade, é como se fosse pensar e visualizar concretamente o pensamento, as imagens possibilitam a abstração e análise lógica dos fatos. A junção de acontecimentos, som e imagens transmitidas pela TV, possibilitam aos alunos a proximidade com espaços geográficos, descobertas científicas, habitats, formas de vida e cultura que poucos veículos podem fornecer de forma tão real.
O uso da televisão como instrumento de educação, justifica-se pela sua indiscutível importância na sociedade brasileira. Além de ser um recurso inesgotável, a televisão tem um aspecto abrangente que pode ser utilizada em todas as disciplinas e apresenta subsídios para tratar de qualquer assunto, seja ilustrando aspectos históricos, humanos, sociais e científicos, como no comportamento da humanidade frente as mudanças.
O uso da televisão em sala de aula deve ser encarado como um projeto, de preferência coletivo, partilhado entre diversos profissionais de um estabelecimento escolar. O poder e a influência da TV só podem ser revertidos em conhecimento escolar na medida em que o uso da TV em sala de aula seja a conseqüência de um conjunto de atividades e reflexões compartilhadas (NAPOLITANO, 2003, p.25).
Para tanto, o uso dessa ferramenta, como qualquer outra, requer planejamento, objetivos definidos e participação de todos. E será útil, inclusive, para a interação dos professores, que agora farão trabalho em conjunto, tendo oportunidade de dialogar com os colegas sobre suas percepções em relação ao desenvolvimento e comportamento dos alunos, bem como compartilhar suas práticas, experiências e descobertas.
Para tanto, o uso dessa ferramenta, como qualquer outra, requer planejamento, objetivos definidos e participação de todos. E será útil, inclusive, para a interação dos professores, que agora farão trabalho em conjunto, tendo oportunidade de dialogar com os colegas sobre suas percepções em relação ao desenvolvimento e comportamento dos alunos, bem como compartilhar suas práticas, experiências e descobertas.
Nessa perspectiva, a televisão aparece como uma oportunidade de democratização dos conhecimentos e da cultura, ampliando os horizontes e as leituras de mundo, não apenas dos alunos, mas de todos que compõem a comunidade escolar. Guareschi (2005) acredita que os processos educativos atuais precisam de modificações urgentes, pois estamos passando por mudanças muito rápidas e diversificadas. Os jovens vivem em ambientes que, apenas as formas tradicionais de conhecimentos não são suficientes para prepará-los pra vida. Na concepção de Guareschi (2005, p.32), “o educador que se detiver na interpretação dos acontecimentos está imediatamente superado”.
Se a sociedade esta mudando de forma tão rápida a escola não pode esperar, precisa se destacar, conhecer e explorar as preferências e interesses de sua clientela. Incluir a mídia televisão em seu espaça acadêmico é uma forma de fazer o diferencial, “mas não se trata só de saber o que passa [na televisão], ou seja a informação, mas de pensar, refletir, entender,saber analisar aquilo que lhe é repassado”(GUARESCHI, 2005, p.33).
Muitas escolas e educadores já se utilizam da televisão para exibir filmes, documentários e algumas produções de TV. Porém a lógica desse fazer ainda se remete aos métodos tradicionais. As experiências desses profissionais continuam voltadas a um aprendizado reprodutivo. Usar a televisão e sua imensa gama de programas no aprendizado escolar, não se limita, somente, ao ver, discutir e relacionar ao conteúdo, como estamos acostumados a observar nas práticas de muitos educadores. O ato de ver a televisão em sala de aula vai muito além disso, é preciso que se possibilite uma reflexão contínua e metódica em relação aos programas, pois mesmo quando estes se mostram educativos, estão impregnados de conceitos ideológicos, como observa Guareschi(2005, p. 38) quando diz:
[…] A mídia é o coração da sociedade da informação, sob cuja égide vivemos. E a informação é o novo modo de desenvolvimento responsável pela produtividade do sistema capitalista nos dias de hoje. Quem detém a informação, de um modo geral, e dentro dela a mídia, detém o fator central de desenvolvimento[…].
Nesse ponto de vista, o estudo com a televisão toma ares de análise muito mais amplo. É preciso analisar o comportamento no contexto real em que os fatos acontecem e por que acontecem. Quais causas e conseqüência desses fatos no desenrolar da história, e principalmente ter o entendimento que dessa história todas fazem parte.
Se por um prisma de visão a TV possibilita uma elaboração cognitiva mais rápida dos saberes atuais, se observarmos com cautela, os assuntos podem se tornar superficiais porque não dá tempo de se aprofundar em cada um deles, devido a rapidez com que são lançados ao público. É nesse sentido, também, que a escola deve se apresentar. Ensinando seu aluno como assistir televisão, como analisar os fatos sem se perder nas banalidades e tendo uma visão ampla que consiga ver além das imagens e não se esquivando de criticar e buscar mecanismos que melhore a produção midiática que é ofertada a todos.
Nessa visão, Guareschi (2005) ainda acrescenta que é fundamental demonstrar o que pensamos e que não nos furtamos a tomar uma posição frente a mídia. Para o autor, o trabalho crítico não se faz sobre o nada, mas sobre as contradições existentes na sociedade e, no caso em questão, as existentes no campo da mídia, que precisam ser apontadas, uma vez que seus “donos” fogem da autocrítica. Essa crítica mencionada pelo autor só será possível se o aluno estiver em contato o ver a mídia de forma reflexiva, e isso só se dará em sala de aula.
Sabendo da influencia que os meios midiáticos exercem na vida dos jovens em idade escolar, a mídia deve permear os processos educativos da mesma forma como acontece com a leitura e escrita convencional. Desde a idade mais tênue a criança precisa ser estimulada a leitura crítica do que vê na televisão e vídeo, as produções apresentadas as crianças desde as séries iniciais precisam ser refletidas, seus temas devem trazer ensinamento e não condicionamento ou alienação. O profissional de educação dos novos tempos deve saber utilizar essas produções para instigar o censo crítico de seus alunos. Moram (1993) diz que a midiabilidade sem mediação acaba por criar ícones no imaginário infantil, e a criança passa a compreender o universo televisivo como um mundo de sonhos e trazer essa visão para suas vivências.
Desse modo, a leitura da mídia torna-se indispensável para uma educação integral do indivíduo. Para Veiga (1996) saber lar as imagens é infinitamante mais importante que apenas vê-las. Porém os profissionais precisam estar capacitados a isso para não cair no que Férres ( 1998) chama de feitichismo da tecnologia, que consiste em acreditar ingenuamente que basta uma mensagem ser vinculada por uma máquina para que seja eficaz. A apropriação das linguagens, informações e fatos da TV é inerente aos cuidados que o educador deve ter ao preparar suas aulas convencionais. Da mesma forma que o professor planeja, seleciona textos, também deve pesquisar, assistir programas e selecionar os mais adequados e coerentes as aulas e assuntos abordados, para explorá-lo didaticamente em sala de aula.
Reforçando esse pensamento, Veiga (1996) ainda observa que o planejamento adequado para o uso desses recursos vai além do assistir e selecionar, para a autora esses recursos não funcionam por si sós, é necessário que os alunos sejam informados de aspectos que os situem, para que os mesmos já assistam a programação com o olhar aguçado, é necessário também que as exibições sejam enriquecidas com atividades dirigidas, já previamente definida e complementadas por discussões, que vão trazer fatos e observações que apenas no calor do debate podem surgir. Isso é o ler nas entrelinhas.
Mais que se utilizar dos recursos televisivos,o professor precisa se utilizar do recursos humanos, que são os alunos e próprio professor. O professor precisa de auto valorizar-se e valorizar o ensino que oferece a sua clientela. Os recursos tecnológicos são apenas suportes, quem toma as decisões, norteia as conversas e possibilita as viagens imaginárias ao mundo do conhecimento é o professor. Nesta perspectiva, professor e aluno são parceiros na exploração das tecnologias e nas descobertas das possibilidades pedagógicas que a televisão oferece.
Vale ressaltar, que a prática pedagógica atual precisa ser mais dinâmica, abrangente e por que não dizer revolucionária. O aluno não precisa, apenas, da informação que a mídia vincula. O alunado atual precisa ser informado dos processos de produção, as formas e as fontes de informação, levando em conta os aspectos ideológicos, políticos, econômicos, culturais e estéticos que a mídia está envolta. O aluno precisa saber, inclusive, “que os meios de comunicação eletrônicos (rádio e televisão) são um serviço público […] são concessões temporárias” (GUARESCHI, 2005, p.44). Sendo assim, a comunicação que é um direito humano universal passa a ser exercido por todos e todos devem ter o direito de expressar sua opinião, manifestar seu pensamento através desses serviços públicos.
Veiga (1996) ressalta que a escola e a TV ainda não estabeleceram uma integração produtiva, à altura de suas relevâncias na formação das novas gerações. Os apelos pela audiência faz a TV distorcer seu foco e afastar-se cada vez mais de atuar em benefício da sociedade, indo de encontro a natureza formativa e tradicional da escola. Distanciadas assim, nem uma nem outra exerce seu papel integralmente dentro da sociedade, pois a televisão, na atualidade é um fortíssimo instrumento de educação informal, como observa Baccega (2000)
[…] a televisão, com meio século de presença entre nós, compartilha com a escola e família o processo educacional, tornando-se um importante agente de formação. Ela até mesmo leva vantagem em relação aos demais agentes: sua linguagem é mais ágil e está muito mais integrada ao cotidiano: o tempo de exposição à televisão costuma ser maior do que o destinado à escola ou a convivência com os pais […] (BACCEGA, 2000, p.95).
Observando por esse ângulo de visão, a didática de ensino dos novos tempos precisa se adequar as mudanças e as demandas. Os avanços didáticos devem seguir a lógica das mudanças e preparar sua clientela para dominar as mudanças e não apenas se enquadrar a elas. Se a televisão é tão importante na formação dos jovens, precisa ser revista suas formas de apropriação, para que a mesma tenha um caráter formador desde a elaboração da programação até a outra ponta do fio, que é o telespectador.
O que se percebe é que muito se fala sobre os malefícios da TV, porém, pouco se faz para que a televisão seja o veículo “com finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas e que respeita os valores éticos e sociais da pessoa e da família” (Brasil, 1988). Se a mídia precisa mudar o modo de apresentar e representar o mundo através da TV, os educadores, também precisam mudar suas formas de apropriar-se desse recurso, e a sociedade precisa reagir aos abusos que a mídia comete. Mas, para que essa reação à mídia televisiva aconteça o telespectador precisa estar preparado com argumentos críticos e conhecimentos sobre a mídia e isso “ela” não transmite. Para que os jovens compreendam a lógica da programação de TV, estes precisam ter, o que Kellner (1995) denomina de “alfabetismo das imagens, ou leitura crítica das mensagens midiáticas. Alfabetizar para as mídias é, principalmente, função da escola.
Existe uma necessidade de ampliar o alfabetismo e as competências cognitivas para que possamos sobreviver ao assalto das imagens, mensagens e espetáculos da mídia que inundam nossa cultura. O objetivo será desenvolver um alfabetismo crítico em relação á mídia, um alfabetismo que contribua para tornar os indivíduos mais autônomos e capazes de se emancipar das formas contemporâneas de dominação, tornado-se cidadãos mais ativos, competentes e motivados para se envolverem em processos de transformação social(KELLNER,1995, p.105)
Se a palavra de ordem é alfabetizar, é reaprender a ver a televisão, aprender a utilizá-la de forma pedagógica e até melhorar a qualidade das produções. A educação para as mídias, então, está sob a responsabilidade dos profissionais de educação e estes precisam estar cientes disso. Ainda está em tempo de iniciar essa cruzada pela alfabetização das mídias e isso deve partir do pré suposto de que a mídia é poderosa e influente e repassa para seu espectador apenas as forças que a sustenta – o capital financeiro e empresarial.
Portanto, compreender os mecanismos de produção, transmissão e recepção do que a mídia vincula é função da escola e de todos os envolvidos no processo educativo, e elaborar soluções democráticas para uma mídia de qualidade e comprometida com a formação de cidadãos autônomos faz parte do exercício de quem quer ser um educador consciente e engajado.
4 A TELEVISÂO SOBRE O PRISMA DE VISÂO DE ALUNOS E PROFESSORES
Para compreender como os recursos áudio visuais estão sendo utilizados nas escolas é necessário aprofundar-se em pesquisa. A observação da prática docente e principalmente os direcionamentos pedagógicos envolvendo as mídias, em especial a televisão, é decisivo para verificar se os profissionais de educação estão com um olhar voltado para a formação ampla e crítica das novas gerações.
Porém, o que se percebe nessas observações é uma prática antiquada com o professor, ainda, sendo o centro das atenções e aulas expositivas com participação dos alunos quase nula. Desta forma é quase impossível uma formação que possibilite o olhar crítico e a reflexão sobre os signos, imagens, fatos e informações que a mídia exibe.
Ferrés (1998) analisa que o descompasso da escola em relação ao avanço dos meios de comunicação se deve ao atraso da primeira e as dificuldades que os profissionais apresentam em se desligarem dos métodos tradicionais e promoverem mudanças em suas práticas cotidianas. Nesse sentido, chama atenção para o fato de que:
O professor que reluta em usar maneiras mais sintonizadas com as mudanças contemporâneas, o faz porque vive em uma instituição que se auto protege, alegando, muitas vezes motivos de ordem cultural não percebendo, portanto, as contradições que sua atitude encerra. (FERRES, 1998, p. 10).
Sendo assim a própria instituição de ensino precisa se apressar para promover essas mudança e capacitar seus profissionais para o ensino na contemporaneidade.
As escolas disponibilizam de alguns recursos. Porém, não são bem aproveitados pelos profissionais e ao final, quem perde são os alunos que deixam de participar da construção de um conhecimento atualizado e contextualizado com a realidade local e global.
O trabalho com as mídias e as linguagens audiovisuais, a princípio, assusta os professores por vários motivos: medo do desafio, medo do novo, falta de prática em manusear os equipamentos tecnológicos, falta de compromisso e até por acreditar que precisa de formação específica. Mas não é necessário nada disso. Para um bom trabalho com as mídias em sala de aula, o educador precisa ter disponibilidade para planejar e analisar criticamente o que ver, é a incorporação natural do recurso em sala de aula.
Para Napolitano (2003), o educador deve levar em consideração algumas questões, tais como:
– Trabalhar com material fonte que tenha domínio para sanar todas, ou quase totalidade das questões, – Não impor preferências pessoais. Permitir que os alunos opinem sobre algumas escolhas; – Selecionar os programas levando em conta os gostos do alunado e para isso professor e alunos precisam estar em sintonia. – Buscar sempre novas abordagens, para que as aulas não caiam na monotonia, pois se for assim não surte efeito. – Deixar claro que as atividades que seguirão, são trabalhos e não lazer.
As escolas visitadas, Colégio Estadual Hildete Lomanto, Escola Agrotécnica de Juazeiro (ambos da rede estadual de ensino) e Colégio Dínamo (da rede particular de ensino), contam com um aparato tecnológico, que se fosse bem utilizado possibilitaria um salto na educação. Todas elas possuem antena parabólica, televisão, aparelhagem para gravação de vídeo, aparelho de áudio, projetor de slides, televisores, vídeo cassete, aparelho de DVD e uma delas, a Escola Agrotécnica, possui retroprojetor de multimídias. Isso retira o argumento que as escolas não têm equipamentos.
Foram aplicados questionários a professores e alunos e após as respostas escritas os entrevistados ainda fizeram alguns comentários orais sobre o assunto, que foram prontamente gravados no celular.
Dos alunos pesquisados, cerca de 86% apontam a televisão como o lazer favorito, e quando a pergunta é quantas horas passam assistindo televisão, as respostas foram reveladoras:
Quando foram questionados sobre os equipamentos tecnológicos, constatou-se que os alunos sabem pouco sobre o que a escola possui para dinamizar suas práticas e quase todos responderam apenas a televisão e o vídeo e houve dois professores que, apesar de trabalhar na escola há mais de três anos desconheciam que esta possuísse um retroprojetor de multimídias.
Quando a pergunta é sobre o uso dos equipamentos tecnológicos que a escola dispõe, professores e alunos se contradizem, como se não tivessem falando da mesma escola.
Outra pergunta que provocou contradição nas respostas foi sobre o uso da tele visão em sala de aula, e de que forma é utilizado esse recurso. Os professores foram unânimes em dizer que utilizam a televisão para exibirem filmes relacionados aos conteúdos e que em seguida propõem um debate amplo sobre todos os aspectos abordados. Entretanto, os alunos rebatem dizendo que o uso do vídeo é apenas para fins de entretenimento.
A televisão brasileira apresenta programas para todos os gostos, cada programa é direcionado para uma fatia de telespectador. Estes programas pesquisam os gostos e interesses de seu público alvo e elaboram a programação e atrações que atendam aos anseios desse público, inclusive os patrocínios são de produtos e serviços voltados a esse universo.
Quando a pergunta é sobre os gostos televivisos dos entrevistados, estes se aproximam e se distanciam com a mesma intensidade, porém os professores não costumam assistir a programação que seus alunos mais gostam, enquanto os alunos tem gostos mais ecléticos e passeiam por quase todos os programas da grade das grandes emissoras.
Sobre o aprendizado que esses programas possibilitam, as respostas são as mais variadas.
Outro ponto intrigante na pesquisa é o desconhecimento total dos gostos e anseios dos alunos pelos educadores. Quando perguntou-se sobre os comentários que os alunos fazem em sala de aula sobre televisão, os professores, se limitaram a responder que esses falam sobre temas polêmicos como violência e corrupção. Quando a pergunta foi lançada aos alunos, a resposta foi que se falam desde as receitas de bolo dos programas femininos matutinos, até temas mais amplos, como pesquisas sobre aquecimento do planeta. Os alunos responderam ainda que sentem necessidade de aprofundamento em algumas questões que na televisão são exibidas superficialmente, como inflação e juros bancários.
Tendo em vista esses dados as conclusões sobre os usos e desusos da televisão em sala de aula, torna-se mais perto de ser elucidada.
ANÁLISE DOS DADOS
Os dados acima acenam para uma prática pedagógica com ênfase nos fundamentos tradicionais, professores e alunos distantes e didática de ensino que não satisfaz as necessidades e exigências da modernidade; que requer dos jovens autonomia e criticidade de pensamento.
O gráfico 01 demonstra que os alunos passam boa parte de seu tempo livre diante da televisão. Analisando esses dados, percebe-se que é muito tempo diante de uma maquina de informação sem adquirir conhecimentos. A televisão não deve ser uma forma de condicionamento, e sim uma fonte de informação que agregada aos conteúdos escolares e os debates, torna a formação do aluno em formação ampla e integral para os desafios futuros.
Quando se fala em conhecer a escola e suas possibilidades, é muito importante que todos tenham conhecimentos do que a escola oferece e de que forma isso será utilizado para o bem comum, analisando o gráfico 02 percebe-se que essa proposta ainda é uma utopia, mesmo na rede particular de ensino. Sabendo o que a escola disponibiliza, os alunos podem cobrar o uso desses equipamentos e os professores os utilizaram com mais freqüência e de forma mais didática. Isso fica claro se verificarmos o gráfico 03.
Os dados do gráfico 04, mostram que o uso da televisão nas salas de aula das escolas pesquisada ainda é restrito e que, quando se fala em televisão, tanto professores quanto alunos continuam atrelados ao uso do vídeo, e não da televisão e sua vasta programação, que não está condicionada a uma única temática ou enredo. Os alunos não conseguem perceber a televisão como veículo de comunicação educativo e os professores pouco fazem para mudar essa realidade. Nesse contexto, fica claro, também, que o uso do vídeo em boa parte das escolas não tem fins didáticos. Nesse sentido, Moram (1993) é taxativo. O uso do vídeo não pode ser feito sem um planejamento prévio, o vídeo “tapa buraco” é a desvalorização de um recurso riquíssimo e também a desvalorização do profissional, que não é capaz de aliar a tecnologia da informação à sua prática.
Por esse ponto de vista, a pesquisa mostra que o discurso do professor distancia-se muito da sua prática em sala de aula, e que este tem ciência da necessidade do uso da televisão e outras mídias nas atividades pedagógicas. Dessa forma a falta de uso do recurso com fins pedagógico não acontece por despreparo do profissional, como estes tentam demonstrar, acontece por falta de compromisso com sua missão de educar, como fica claro nessas falas:
“Uso o vídeo e a TV nas minhas aulas. Assisto os filmes em casa, muitos vem indicados no livro didático, Depois que faço uma boa observação e trago. Os alunos gostam muito. Eles debatem sobre o assunto. A aula fica mais divertida…” (Professor A)
“Até o tempo passa mais rápido.” Completa o professor B.
Em outra fala o professor B ainda diz:
“Falar da televisão é como falar da realidade no momento em que as coisas acontecem. Eu acho que já passou foi da hora de trazer a televisão pra ser vista e discutida, só não pode é ser todos os dias…”
No entanto, a investigação aponta que os professores, apesar de defenderem uma postura crítica e reflexiva em seus discursos, em suas aulas a prática é diferente. Muitos professores não programam nada para ser feito utilizando os equipamentos e alguns, se quer, sabem ou querem saber, o que a escola dispõe para suas aulas. O que fica, claramente, demonstrado nas falas dos alunos:
“Os nossos professores passam filmes quando tem que falar com a diretora ou receber algum pai” (Aluno A, da rede particular de ensino)
“Geralmente os filmes são nos dias de sexta feira, os professores dizem que vão falar dos filmes, mas é um corre, corre tão grande que acaba não dando tempo. Aí, na segunda não fala mais” (Aluno B)
“Quem fala muito dos filmes é só a gente” (Aluno C)
Para modificar essa realidade, cada docente deve buscar formas mais adequadas de integrar a televisão aos seus procedimentos metodológicos. No entanto, é necessário que se possibilite junto a isso a ampliação de formas de comunicação interpessoal e grupal, para que os alunos não se detenham, apenas a comunicação audiovisual e telemática. Sobre isso, Kellner (1995, p. 105) diz que o professor precisa “trabalhar perspectivas que apontem novas tendências e condições e condições sociais que exigem rediscussão de nossas velhas teorias”.
Quanto aos alunos, a pesquisa demonstra que esses sentem necessidade de mudança na didática de ensino, mas não sabem em que sentido isso poderia acontecer e alguns, apesar de citar a televisão o tempo todo, não conseguem perceber como essa mídia influencia suas vidas.
“Era bom falar de televisão… Eles (os professores) não iam gostar. Mas tem coisas boas de se ver.” (Aluno B)
“Assisto bastante, é um passa tempo” (Aluno C)
Os alunos como estão habituados assistir os programas sem nenhuma reflexão crítica, pouco percebem a contribuição desses em suas vidas, e quando são questionados sobre modismos e bordões que a televisão de certa forma impõe, não encontram uma explicação para tal acontecimento. E quanto aos professores, esses percebem as ideologias impregnadas nos programas e criticam os possíveis malefícios da televisão na sociedade atual, porém não conseguem perceber os pontos positivos que a mesma pode propiciar. Para esses profissionais, além dos fatos jornalísticos e dos programas tidos como educativos, a TV não tem outro fim se não o de entretenimento banal.
“Tem coisas que passam na televisão, que eu fico imaginando o porquê daquilo. Quando é estréia de novela, falam sobre isso em tudo que é programa. Deixam de passar coisas importantes pra falar da novela” (Professor A)
“O programa Ação, o Globo Ecologia e o Telecurso são muito bons. O Telecurso nós usamos em sala de aula. Aqui na escola tem a coleção completa, veio com o projeto das parabólicas” (Professor B).
Os alunos dizem que os professores citam fatos, acontecimentos e cenas de novelas para fundamentarem seus pensamentos e aproximarem suas práticas da realidade. Se a televisão é mencionada a todo tempo na sala de aula, porque não é utilizada de fato para uma análise aprofundada de tudo que esta vincula. Segundo Napolitano (2003) Compreender toda a dinâmica que envolve a televisão é quase uma obrigação para o educador dos novos tempos.
A pesquisa aponta que professores e alunos tem gostos diferenciados em relação aos programas de TV que mais assistem. Os alunos, apesar de não assistirem a televisão em busca de conhecimento, conhecem toda a programação e falam com desenvoltura sobre os programas, enquanto que os professores, são tradicionais até nas escolhas da programação de televisão. Se os professores não se permitem assistir tudo que a televisão exibe, não terão subsídios para comentar, criticar ou apontar alternativas pedagógicas. Como fica claro no gráfico 05.
As possibilidades de aprendizado informal e formal que a televisão possibilita são inúmeras e podem ser utilizadas em todas as disciplinas e conteúdos, contextualizando com a realidade e dando significado real ao aprendizado. Porém, nessa perspectiva de ação tanto professores quanto alunos pouco tem a acrescentar. Na visão de ambos, a televisão está condicionada ao lado filosófico da reflexão e do debate de idéias e que não avançam além disso. Isso é demonstrado no gráfico 06 e fica, ainda mais evidente na fala de professor e aluno.
“Quando passa uma matéria como a do rapaz que devolveu o dinheiro. Aquilo é muito importante para eles (os alunos) perceberem o valor da honestidade” (Professor C)
Essa fala é muito intrigante, pois a professora age exatamente como a mídia quer. Quando é vinculada uma matéria como a citada acima, a mídia está tentando fazer com que a classe trabalhadora seja honesta. No entanto. A mídia não exibe nada quando essa classe está sendo explorada, ou quando os grandes grupos estão sendo desonesto com seus subordinados. Quando o professor acompanha o pensamento da mídia, este está sendo conivente com sua ideologia.
Os alunos, também pensam de forma parecida, alguns citam as produções da Disney como promovedoras de valores de força e superação.
“São filmes que nos fazem acreditar que podemos tudo, que não há desigualdade e só ser bom basta.” (Aluno C)
Mais uma vez a mídia se sobressai e impõe sua ideologia. Quando o aluno acredita que “só sendo bom basta”, este deixa de lutar por seu espaço e as desigualdades sociais continuam passando despercebidas.
Sendo assim, a televisão e seus conteúdos devem ser socializada com os docentes durante seus planejamentos, pois o debate entre eles pode motivar uma mudança radical em suas práticas.
Sobre os programas que indicariam como educativos, mais uma vez os entrevistados se deparam com o tradicionalismo. Os alunos demonstram uma visão mais moderna e reconhecem que pode-se aprender com os programas de televisão que assistem nas horas de lazer, inclusive as novelas e os programas de variedades e que esses podem ser bem utilizados em sala de aula. Já os professores, apesar de demonstrarem uma postura crítica e reflexiva, quando se fala em programas de TV suas falas sempre se voltam, exclusivamente aos programas de cunho educativos em sua essência.
“As novelas são interessantes, dá pra falar sobre um monte de assunto. Quando passou Sinhá Moça, o professor de história usava exemplos da novela pra gente entender o assunto. Era muito legal.” (Aluno A)
“A malhação passa uns negócios sobre gravidez. Aí, na aula de biologia a gente fica perguntando…” (Aluno B)
“Eu gosto muito do Globo Ecologia, tem dados interessantes pra se trabalhar em sala de aula” (Professor A)
“Eu assisto os programas de revista eletrônica que passa aos domingos. Passam umas séries bem interessantes sobre a vida na terra, sobre doenças e teve um sobre física que mandei gravar, mas ainda não usei” (Professor B)
Para finalizar a análise, o gráfico 07 demonstra o quanto a interação entre professor e aluno precisa ser reconstruída. Para que os métodos utilizados, sejam eles inovadores ou não, surtam efeito é necessário que alunos e professores estejam em harmonia, falando a mesma língua. O conhecimento de gostos e vivencias dos alunos é fundamental para que o professor trace um plano de ações didáticas que os estimulem e motivem a participação ativa nas aulas. A pesquisa apresenta dados que comprovam que professores e alunos caminham para lados opostos, desta maneira a educação fica sem norte.
Os conhecimentos midiáticos são de domínio público, porém a apropriação desses para o conhecimento do mundo e desenvolvimento da sociedade é de domínio da comunidade, da família e principalmente da escola.
CONCLUSÃO
Chegando ao fim desse trabalho percebo que muito descobri sobre a televisão e toda a dinâmica que a envolve, porém minhas descobertas são apenas uma pequenina ponta da discussão que não pode ficar engavetada nas escrivaninhas burocráticas das escolas, faculdades e outros órgãos educacionais.
Nesse trabalho pude pontuar fatos e levantar questionamentos pertinentes ao campo comunicacional e educacional, pois acredito que da mesma forma que a escola precisa mudar sua visão em relação a televisão e outras mídias, as emissoras de TV devem se engajar em utilizar esse instrumento tão rico que é a comunicação de massa em benefício da formação de gerações críticas e questionadoras.
Para encaminhar essas mudanças é necessário coragem para debater os meios de comunicação de massa, que hoje são grandes oligopólios a serviço do capitalismo mercantilista. Penso que essa realidade deve ser modificada e acompanho o pensamento de Silverstone (2002), quando este diz que a sociedade precisa se manifestar criando o que pode ser chamado de quinto poder, que seja capaz de controlar o quarto poder – a mídia- que já controla muito bem os outros três.
O papel desse quinto poder seria desafiar, criticar, enfrentar e responder a mídia. Quanto a escola, a responsabilidade dessa instituição vai além da formação intelectual, deve transcender a formação humana e cidadã e alcançar o ápice de uma formação integral do indivíduo, onde este possa contra argumentar e se posicionar-se frente as intencionalidades das mídias, não deixando de assisti-las e participar de suas produções, mas lendo-as de forma crítica, reflexiva e decidindo-se de forma democrática sobre seus valores e contribuições à sociedade.
Sempre é tempo de iniciar um letramento para as mídias, e para essa tarefa obter êxito ninguém pode ficar de fora. A sociedade civil e o poder público devem ampliar seus conhecimentos sobre a mídia eletrônica para junto aos órgãos educacionais buscar formas de democratizá-la.
A obrigação da mídia é defender os interesses do país, e a obrigação da escola é possibilitar as futuras gerações a participação ativa nas mudanças e a compreensão intrínseca desses interesses. Portanto, na sociedade atual, uma não deve caminhar sem a outra do lado.
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