QUALIDADE DE VIDA NO TRABALHO DOS SERVIDORES

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A revisão literária será apresentada a seguir para dar a base teórica à esta pesquisa que discorrerá acerca do tema delimitado como Qualidade de Vida no Trabalho e especificado como Qualidade de Vida no Trabalho dos servidores do Departamento de Promoção Social de Dionísio Cerqueira/SC. Para se realizar uma pesquisa é indispensável a compilação, que traz o maior número possível de descrições acerca do assunto que será abordado para que o autor não tome para si, algo que um outro já havia dito, também para que a pesquisa seja de melhor qualidade.

Administração de Recursos Humanos

A Administração de Recursos Humanos é aplicável a qualquer tipo ou tamanho de organização, sendo esta uma das mais importantes áreas da empresa, que dependerá de vários fatores para acontecer como: sua cultura, estrutura organizacional, características internas dentre outros.

Os Recursos Humanos são as pessoas que ingressam, permanecem e participam da organização, constituem o único recurso vivo e dinâmico da organização, o recurso que decide manipular os demais, que são estáticos e inertes por si. Este recurso é também um tipo de recurso que tem por vocação dirigida para o crescimento e desenvolvimento( CHIAVENATO, 1991).

Na atualidade produtividade, qualidade e competitividade são palavras chave para as empresas e cada vez mais é dada atenção ao trabalhador, que é o principal responsável no alcance de resultados, atentando para a sua valorização e motivação.

As pessoas trazem suas habilidades, conhecimentos, atitudes, comportamentos, percepções, independente do cargo que ocupam estas são características que cada um trará conforme sua individualidade, sua subjetividade. Este é um recurso altamente diversificado.

A Administração de Recursos Humanos é interdisciplinar envolvendo conceitos de Psicologia Organizacional, Sociologia Organizacional, Engenharia Industrial, Direito do Trabalho, Medicina do Trabalho, ela trata tanto de aspectos internos quanto aspectos externos.

Para se formar essa equipe será necessário que a organização realize um processo de provisão, aplicação, manutenção, desenvolvimento e controle de recursos humanos.

Para Chiavenato (1999):

Administração de Recursos Humanos( ARH) é o conjunto de políticas e práticas necessárias para conduzir os aspectos da posição gerencial relacionados com as pessoas ou recursos humanos incluindo recrutamento, seleção, treinamento, recompensas e avaliação de desempenho.(p.8)

A função dos Recursos Humanos é de relevante importância numa organização, pois, as pessoas constituem o principal ativo das organizações.

Gestão de Pessoas

O mundo está mudando com uma intensidade cada vez maior e uma das áreas empresariais que mais sofre mudanças é a de Recursos Humanos, até mesmo o nome desta área vem sofrendo mudanças. A denominação Administração de Recursos Humanos está sendo substituída por: Gestão de Talentos Humanos, Gestão de Parceiros ou, Colaboradores, Gestão do Capital Humano, Administração do Capital Intelectual e Gestão de Pessoas ou, Gestão com Pessoas.(CHIAVENATO, 1999).

Chiavenato (1999) ainda coloca que o termo RH ou Gestão de Pessoas pode ter três significados: RH como função ou, departamento; RH como práticas de recursos humanos; RH como profissão.

De uma maneira ou de outra, as pessoas são o principal foco, pois, são delas que as organizações dependem para atingir seus objetivos e cumprir suas missões, há de se convir que aí existe uma reciprocidade porque a organização também faz o papel de auxiliar as pessoas no alcance de seus objetivos pessoais.

O contexto da Gestão de Pessoas é formado por pessoas e organizações. As pessoas passam parte de suas vidas trabalhando dentro de organizações, e estas dependem daquelas para poderem funcionar e alcançar sucesso.(…) Na verdade cada uma das partes depende da outra. Uma relação de mútua dependência na qual há benefícios recíprocos. Uma relação de duradoura simbiose entre pessoas e organizações.(CHIAVENATO, 1999, p.4).

As relações no ambiente de trabalho passaram por diversas mudanças nos últimos anos, acentuadas principalmente na década de 80, em virtude do amplo desenvolvimento da tecnologia. Essa reforma refletiu diretamente na atuação dos recursos humanos, que ficaram frente a frente com o desafio imposto pela nova realidade: abandonar a postura focada em processos burocráticos e de controle, como por exemplo, o controle rígido de freqüência, para alavancar o crescimento da maior riqueza das organizações, que hoje é as pessoas.

As organizações que notaram as pessoas como diferencial competitivo, fizeram dos recursos humanos a área integradora das estruturas internas e externas da empresa e tornaram-se exceções, destacando-se no mercado competitivo. Estas organizações perceberam que a chave para o sucesso é pensar globalmente e agir localmente, levando em consideração as pessoas, que significa descobrir qual é a competência essencial da organização, sendo este o seu diferencial que é o resultado do conhecimento de todas as pessoas integradoras da organização.

Para fazer a diferença e conquistar o sucesso organizacional, os gerentes e profissionais da área de recursos humanos devem ter habilidades e competências para conduzir os indivíduos no ambiente de trabalho, por meio das relações, a comprometer-se com a organização a qual estão inseridos.

Chiavenato (1999) faz uma distinção entre as pessoas como recursos e as pessoas como parceiros na organização, colocando que, se a pessoa não é somente um recurso da empresa mas um parceiro, esta irá fornecer conhecimentos, habilidades, capacidades e a inteligência que é o grande diferencial, sendo o capital intelectual.

Este autor baseia a Gestão de Pessoas em três aspectos que são: as pessoas como seres humanos, as pessoas como ativadores inteligentes de recursos organizacionais e por fim as pessoas como parceiros na organização.

Segundo o autor os objetivos da Gestão de Pessoas são variados. A ARH deve contribuir para a eficácia organizacional através dos seguintes meios: Ajudar a organização a alcançar seus objetivos e realizar sua missão; Proporcionar competitividade à organização; Proporcionar à organização empregados bem treinados e bem motivados; Aumentar a auto- realização e a satisfação dos empregados no trabalho; Desenvolver e manter qualidade de vida no trabalho; Administrar a mudança; Manter políticas éticas de comportamento socialmente responsável.

Desenvolver e manter qualidade de vida no trabalho é o item acima citado que será trabalhado detalhadamente nesta pesquisa, com intuito de mostrar que é um dos meios que contribuem para o crescimento e desenvolvimento organizacional e que sem um cuidado especial à qualidade de vida do trabalhador a tendência à insatisfação e à menor produtividade tomam espaço.

Origem dos estudos acerca da Qualidade de Vida no Trabalho

As primeiras investigações acerca do comportamento e satisfação no trabalho datam de 1920, onde a empresa Western Eletric Company, efetuou um estudo sobre os efeitos da iluminação na produtividade do trabalhador, onde teve por objetivo verificar o grau de influência que as condições físicas do local exerciam sobre a produtividade dos mesmos, verificou-se no final, que diversos fatores desconhecidos estariam influenciando a aumento da produção e precisariam, portanto, ser determinados.

Segundo Miller e Form (apud RODRIGUES, 1994, p.38) Elton Mayo coordenou esta pesquisa, e chegou à conclusão de que o trabalho é uma atividade grupal, o mundo social do adulto é primariamente padronizada em relação à sua atividade no trabalho;

O trabalho é uma atividade grupal; O mundo social do adulto é primariamente padronizada em relação à sua atividade no trabalho; A necessidade de reconhecimento e segurança e o senso de pertencer a algo são mais importantes na determinação da moral do operário e da produtividade do que das condições físicas sob as quais ele trabalha; Uma reclamação não é necessariamente o enunciado objetivo de fatos, comumente é um sintoma de distúrbio, relacionado com o status do indivíduo; O trabalhador é uma pessoa cujas atitudes e eficiências são condicionadas pelas demandas sociais, tanto por dentro como fora da fábrica; Grupos informais dentro da fábrica exercem grande controle social sobre os hábitos no trabalho e atitudes do operário individual; A mudança de uma sociedade estabelecida para outra em adaptação tende a desmembrar continuamente a organização social de uma fábrica ou indústria em geral; A colaboração grupal não ocorre por acidente, ela deve ser planejada e desenvolvida. Se essa colaboração for alcançada, as relações no trabalho dentro da fábrica podem chegar a uma coesão que resiste aos efeitos do desmembramento de uma sociedade em adaptação.

A partir desta pesquisa, várias outras procederam. Maslow mostrou também a partir de um estudo sobre os fatores motivacionais, que havia cinco necessidades essenciais a serem supridas, elencadas em hierarquias. Maslow (1971 apud RODRIGUES, 1994, p. 40) coloca que:

…as necessidades humanas estão organizadas numa hierarquia de valor ou premência, quer dizer, a manifestação de uma necessidade se baseia geralmente na satisfação prévia de outra, mais importante ou premente. O homem é um animal que sempre deseja. Não há necessidade que possa ser tratada como se fosse isolada; toda necessidade se relaciona com o estado de satisfação ou insatisfação de outras necessidade.

Posteriormente Maslow admite que sua hierarquia na realidade é menos rígida do que foi sugerida.

.. por exemplo: uma vez satisfeita uma necessidade, surge outra. Isso pode dar a impressão errada de que uma necessidade deva ser 100% satisfeita antes de surgir a próxima. Na realidade, a maioria das pessoas normais em nossa sociedade se encontram parcialmente satisfeitas e parcialmente insatisfeitas em todas as suas necessidades fundamentais. Tomando números arbitrários, podemos dizer que o cidadão médio satisfaça talvez 85% das necessidades fisiológicas, 70% das de segurança e 10% das de auto realização.(RODRIGUES,1994,p.41)

Segundo Rodrigues(1994) a teoria de Maslow foi altamente discutida e criticada por diversos autores e diz que na percepção de Maccoby a teoria de Maslow começa a se tornar problemática quando ele constrói sua conhecida hierarquia de necessidade, ela é errônea e inadequada como base para entender o relacionamento entre fatores sociais e desenvolvimento industrial.

Para McGregor em seu estudo visualiza uma nova forma de satisfação no trabalho. Ele subentende que as necessidades básicas não são suficientes para alcançar a satisfação, propõe algo que suprisse as necessidades egoístas. Para confirmar e justificar sua teoria ele relacionou várias idéias oriundas da administração científica e criou a teoria x. Para mostrar uma visão além da que se tinha do indivíduo dentro da organização criou outra teoria a Y.

“A teoria Y sugeriu, portanto, que se oferecessem condições ao indivíduo para que as necessidades atendidas só fora do local de trabalho fossem atendidas no mesmo”. McGregor (1967 apud RODRIGUES, 1994, p.44).

A teoria Y propõe uma visão diferente do trabalhador na organização, McGregor (apud RODRIGUES, 1994), afirma que:

1. O dispêndio de esforço físico e mental do trabalho é tão natural como o jogo ou o descanso;

2. O controle externo e a ameaça de punição são os únicos meios de estimular o trabalho em vista dos objetivos organizacionais. O homem está sempre disposto a se autodirigir e se autocontrolar a serviço de objetivos com os quais se compromete;

3. O compromisso com os objetivos é dependente das recompensas associadas a sua consecução;

4. O ser humano comum aprende, sob condições adequadas, não só a aceitar responsabilidades como a procriá-las;

5.A capacidade de usar um grau relativamente alto de imaginação, de engenhosidade e de criatividade na solução de problemas organizacionais é mais amplamente distribuída na população do que geralmente se pensa;

6. Nas condições de vida industrial moderna, as potencialidades intelectuais do ser humano estão sendo parcialmente usadas.(p.43)

Por outro lado em seu estudo Herzberg apresenta uma teoria que parte do pressuposto da satisfação a partir do enriquecimento do cargo. Após uma pesquisa realizada, ele levantou a hipótese de dois fatores extremamente relevantes, e que estes se diferenciavam dos que produziam a satisfação dos que consequentemente produziam a insatisfação. Chamou-os de fatores higiênicos e motivadores.

Os fatores higiênicos segundo Hezberg (1968 apud RODRIGUES, p.45) compreendem: A política e a administração da empresa; As relações interpessoais com os supervisores; Supervisão; Condições de trabalho; Salários; “Status”; Segurança no trabalho

Já os fatores motivadores caracterizam-se por: Realização; Reconhecimento; O próprio trabalho; Responsabilidade; Progresso e desenvolvimento.

Surge, portanto a partir dessa pesquisa uma proposta de reestruturação e enriquecimento do cargo, pois de acordo com Herzberg (apud RODRIGUES, 1994, p.46) “o enriquecimento do cargo proporciona oportunidades para o desenvolvimento psicológico de empregado, ao passo que ampliação do cargo simplesmente torna um cargo estruturalmente maior”.

As pesquisas feitas por Maslow, McGregor, Hezberg, deram um pontapé inicial aos estudos sobre o comportamento humano nas organizações, e através desses estudos, temas como motivação, satisfação, crescimento, reestruturação tornaram-se relevantes e fundamentais, levantando os primeiros questionamentos sobre a qualidade de vida no trabalho, despertando assim interesse pelo assunto.

A qualidade de vida no trabalho tem sido uma freqüente preocupação para as organizações nos dias de hoje, principalmente quando se incita a questão de satisfação e motivação do trabalhador. A primeira fase do surgimento das pesquisas, teve início na década de 50, onde a QVT sofreu uma série de estudos que tiveram por base a satisfação do trabalhador e sua relação com o ambiente. Nesta década, segundo Rodrigues “Eric Trist e colaboradores estudavam um modelo macro para agrupar o trinômio indivíduo / trabalho/ organização. Esta nova técnica recebeu a denominação de Qualidade de Vida no Trabalho”. (1994, p.75). Nos anos 60, porém essa discussão tomou formas mais consistentes, com diversos modelos e discussões a cerca de sua definição, que também conforme Rodrigues “somente na década de 60, as preocupações com a qualidade de vida tomaram impulso”. (1994, p.77).

Huse e Cummings em 1985, (apud RODRIGUES, 1994, p.77), “admitem que a conscientização dos trabalhadores e o aumento das responsabilidades sociais das empresas contribuíram de forma decisiva, para que os cientistas e dirigentes organizacionais pesquisassem melhores formas de realizar o trabalho”.

Várias foram as influências sobre o tema qualidade de vida no trabalho, dentre elas podemos citar em 1979/1980 os ciclos de controle de qualidade os quais deram inicio a outra fase da QVT.

Origens da Qualidade de Vida no Trabalho

Natureza do problema Sintoma do problema Ação para solucionar o problema Indicadores Propostas
Econômico (1850)

Injustiça

União dos trabalhadores

Insatisfação

Greves

Cooperação

Divisão dos lucros

Participação nas decisões

Político (1850-1950)

Insegurança

Posições políticas

Insatisfação

Greves

Trabalho auto-supervisionado

Conselho de trabalhadores

Participação nas decisões

Psicológico (1950)

Alienação

Agentes de mudança

Desinteresse

Absenteísmo e “Turnover”

Enriquecimento das tarefas

Sociológico

Anomia

Autodesenvolvimento

Ausência de significação do trabalho

Absenteísmo e “Turnover”

Métodos sócio-técnicos aplicados aos grupos

Fonte: Westley 1979, apud Rodrigues, 1994, p.88

Conceitos de Qualidade de Vida no Trabalho

São vários os estudos sobre Qualidade de Vida no Trabalho, especialmente acerca de seu conceito, para tanto muitos autores mostraram-se preocupados e motivados pelo tema, o que fez com que apresentassem suas abordagens sobre o tema.

Para Handy (1978), o trabalho organizacional é vital e pode ser visto como parte inseparável da vida humana. A satisfação no trabalho não pode ser separada da vida do indivíduo.

Pesquisas realizadas buscam explicitar a qualidade de vida dentro e fora do trabalho. Entre estas o autor cita a pesquisa realizada por Vredenburgh e Sheridan, a pesquisa realizada por Robert Kahn e a pesquisa realizada por Shamir e Salomon.

Segundo os autores Vredenburgh e Sheridan “a qualidade da estrutura da vida inclui vários indicadores sociais e percepções individuais de insatisfação com domínios diferentes de nossa experiência de vida e municipalidade, moradia, condições financeiras”, visto na obra de Handy(1978).

Ainda segundo estes autores “o contentamento com a vida é uma construção do nosso conceito sobre satisfação com os domínios específicos da vida, tais como as experiências no trabalho e a família”.

Entende-se com isso que a Qualidade de Vida no Trabalho é vital para a realização do homem não apenas no trabalho, mas em todas as suas atividades sociais, é o que mostra os atores acima citados.

Kahn em seus estudos mostrou a importância que o trabalho tem para o ser humano, tendo como aspectos os jovens insatisfeitos no primeiro emprego e os velhos insatisfeitos com suas aposentadorias. Para este autor com os jovens o trabalho apresenta uma grande “lacuna entre a experiência e a realidade na distribuição de trabalho”.

Segundo pesquisa realizada por Barfield e Morgan:”41% dos aposentados pesquisados se sentiam mal por terem se aposentado”, e ainda, segundo pesquisa realizada por Quinn e Staines “75% dos empregados discordam de declaração mais felizes se não tivessem que trabalhar” e ainda “70% dos entrevistados afirmaram que mesmo não precisando do dinheiro, continuariam a trabalhar”.

Em Kahn, Dubin afirma que “o trabalho ocupa um lugar central na vida das pessoas, sobre o equilíbrio mais positivo do que negativo”. Para Kahn, a Qualidade de Vida no Trabalho é definida não só pelo que é feito para as pessoas, mas também pelo que elas fazem por si próprias e pelos outros.

Os autores Shamir e Salomon(1985), realizaram uma pesquisa a partir de uma nova tendência, que vem a ser a de trabalhar em casa, o que começa a acontecer em países desenvolvidos.Estes autores afirmam que “as inovações da tecnologia aumentam as possibilidades de se trabalhar em casa”. Seis fatores são analisados pelos autores para analisar os efeitos sobre a QVT que o trabalho em casa causa:

Característica da Tarefa: é estabelecida a partir de cinco dimensões: autonomia, “feedback”, variedade de habilidade, significação da tarefa e identidade da tarefa;

Relações Sociais: O local de trabalho permite um relacionamento social, o que pode ser afetado a partir do momento que o trabalho é executado em casa, pela não convivência com um grupo de pessoas;

O estresse Relacionado ao Emprego: os autores afirmam que para algumas pessoas o trabalho em casa elimina o estresse envolvido na jornada de trabalho;

Relações no Trabalho e Fora do Trabalho: segundo os autores a separação social do trabalho e fora oportuniza a compensação em casa de privações obtidas no trabalho e vice-versa;

“Status”, Poder e Igualdade: com a Revolução Industrial o trabalhador saiu de sua casa para ir a um local de trabalho. O retorno às origens (trabalho em casa) não trará ao trabalhador a ostentação de ser proprietário de seus equipamentos de trabalho, nem do controle do produto, pontos perdidos durante a Revolução;

Davis & Werther: QVT e o Projeto de Cargos

Em seus estudos K. Davis& W. Werter 1983 (apud RODRIGUES, 1994). p.87)”vêem a QVT como afetada por muitos fatores: supervisão, condições de trabalho, pagamento, benefícios e projetos de cargo. Porém, é a natureza do cargo que envolve mais intimamente o trabalhador.”

São três os níveis verificados no projeto de cargos:

Nível Organizacional: considera a eficiência, num trabalho mais racional mediante a especialização, sendo esta analisada pela abordagem mecanicista, o fluxo de trabalho e as práticas de trabalho.

Nível Ambiental: a habilidade e disponibilidade de empregados e as expectativas sociais;

Nível Comportamental: é a mais sensível, sendo destacado neste nível a autonomia (responsabilidade pelo trabalho), a variedade (uso de diferentes perícias e capacidades), a identidade da tarefa (fazer o todo da peça de trabalho) e ainda a retroinformação (a informação sobre o desempenho).

Nadler e Lawler: o sucesso da QVT nas Organizações

Através da conceituação de Nadler e Lawer (1983 apud Fernandes, 1996, p.44) em que se coloca que a “qualidade de vida no trabalho é vista como uma maneira de pensar a respeito das pessoas, do trabalho e das organizações”, a eficiência e a eficácia, bem como as satisfações dos trabalhadores passam a ser focadas e repensadas e consequentemente valorizadas como fatores importantes no desempenho das organizações, eles mostram através de um quadro evolutivo suas percepções frente ao estudo.

Fatores que prevêem o sucesso de QVT, segundo Nadler e Lawler :Percepção da necessidade; O foco do problema que é destacado na organização; Estrutura para identificação e solução do problema, teoria/modelo de projeto de treinamento e participantes; Compensações projetadas tanto para os processos quanto para os resultados; Sistemas múltiplos afetados; Envolvimento amplo da organização;

E ainda, para que o programa seja bem sucedido é necessário o desenvolvimento de um projeto em níveis diferentes bem como a mudanças nos sistemas gerenciais e disposições organizacionais, a alta gerência deve estar envolvida no processo.

Definições Evolutivas da QVT na visão de Nadler & Lawler

PERÍODO

FOCO PRINCIPAL

DEFINIÇÃO

159/1972

Variável

A QVT foi tratada como reação individual ao trabalho ou às conseqüências pessoais de experiência de trabalho.

1969/1975

Abordagem

A QVT dava ênfase ao indivíduo antes de dar ênfase aos resultados organizacionais, mas ao mesmo tempo era vista como um elo dos projetos cooperativos do trabalho gerencial.

1972/1975

Método

A QVT foi o meio para o engrandecimento do ambiente de trabalho e a execução de maior produtividade e satisfação.

1975/1980

Movimento

A QVT, como movimento, visa a utilização de termos “gerenciamento participativo” e “democracia industrial” com bastante freqüência, invocador como ideais de movimento.

1979/1983

Tudo

A QVT é vista como um conceito global e como uma forma de enfrentar os problemas de qualidade e produtividade.

Previsão Futura

Nada

A globalização da definição trará como conseqüência inevitável a descrença de alguns setores sobre o termo QVT. E para estes QVT nada representará.

Fonte: RODRIGUES, 1994, p. 81.

Westley

Já por sua vez, William Westley trabalha com quatro dimensões da qualidade de vida no trabalho, em seu entendimento Westley 1979, (apud Rodrigues, 1994).

“classifica e analisa quatro problemas que afetam diretamente e tornam-se obstáculos à QVT: o político, o econômico, o psicológico e o sociológico.” Dentro desses quatro problemas ele mostra também que a conseqüência traria a insegurança; o econômico a injustiça; o psicológico a alienação; e por último o sociológico traria a anomia .(p.85).

Huse e Cummings: a QVT e a Produtividade

A preocupação com o bem-estar do trabalhador e sua participação nas decisões e problemas do trabalho é explicitada por HUSE & CUMMINGS (1985) através de quatro aspectos:

A Participação do Trabalhador: quando este é envolvido no processo de tomada de decisões nos diversos níveis da organização;

O Projeto do Cargo: é a reestruturação do cargo, para melhor atenderem as necessidades tecnológicas do trabalhador;

Inovação no Sistema de Recompensa: envolve todo o plano de cargo e salário da organização buscando a equalização dos salários;

Melhora no Ambiente de Trabalho: mudanças físicas ou tangíveis nas condições de trabalho: flexibilidade de horário, modificações do layout, etc.

Dentre os diversos conceitos referentes a qualidade de vida, não há como deixar de observar o trinômio pessoas/trabalho/organização. Huse e Cummings em 1985 (apud Rodrigues, 1994, p.90) já observavam dois aspectos:1)a preocupação com o bem estar do trabalhador e com a eficácia organizacional, 2) a participação dos trabalhadores nas decisões e problemas do trabalho.

Modelo de Hackmann

O Modelo de Richard Hackmann seus colaboradores são tomado como referencial teórico. O instrumento utilizado para operacionalizar o modelo é o JOB Diagnostic Survey – JDS ( levantamento do diagnóstico do trabalho), exposto com a análise de sua estrutura.

Em 1957, Agyris aponta que a insatisfação do trabalhador com a especialização e simplificação de seu trabalho eram situações que alteravam o comportamento dos trabalhadores nas organizações. Esse apontamento foi considerado marco inicial dos estudos sobre o tema.

Desse modo, diversos autores começaram estudar o comportamento do trabalhador diante da tarefa. Para isso fez-se necessário ampliar o foco, buscando identificar e analisar os atributos da tarefa que são Variedade, Autonomia, Interação Exigida, Interação Operacional, Conhecimento, Habilidade e Responsabilidade, pois se via uma correlação direta e significativa entre os atributos da tarefa e a satisfação do trabalhador.

Outra relação era estabelecida entre alienação do trabalhador em nível de emprego e satisfação com o emprego, pois os fatores culturais determinam as respostas do trabalhador às características de seu emprego.

Portanto, a alternativa encontrada foi conceituar e medir as diferenças individuais relevantes diretamente no nível das análises, para então estabelecer as relações das características da tarefa sobre a satisfação e motivação do empregado.

O estudo proporcionou a Hackmann e Lawer chegar a cinco proposições:

“A primeira afirma que o empenho do trabalhador é proporcional ao grau em que ele acredita que pode obter um resultado positivo. A segunda vê as melhores condições de trabalho como complemento para as necessidades do trabalhador e estas influiriam positivamente na relação das metas organizacionais. A terceira relaciona a avaliação dos resultados e as necessidades psicológicas individuais. A quarta, afirma que as necessidades básicas não servirão de fatores motivadores. E, finalmente, a quinta proposição estabelece uma relação precisa entre o esforço individual e a capacidade de satisfazer as necessidades de ordem mais elevadas”. (Hackmann & Lawer apud Hackmann, 1975, p. 117)

As proposições acima indicam que é possível alcançar a satisfação do trabalhador na direção das metas organizacionais. O indivíduo deve responder as responsabilidades que lhe são empregadas e deve encarar seu trabalho como compensador. Como deveres da empresa podemos dizer que ela teria que proporcionar condições aos funcionários a cumprir suas responsabilidades e alcançar a compensação, e também, através do trabalho fornecer o feedback.

Na versão atual do modelo a sistematização dos estudos da influência das características da tarefa foi realizada por Hackmann e Oldham, os quais buscavam descrever um modelo arrojado de diagnóstico da qualidade de vida no trabalho, o qual será descrito a seguir.

A positividade pessoal e o resultado do trabalho são obtidos quando estão presentes no trabalho os três estados psicológicos, ou seja, a Significação Percebida (SP), Responsabilidade Percebida (RP) e o Conhecimento dos Resultados do Trabalho (CR), os quais devem apresentar um resultado positivo. Estes estados são criados por cinco dimensões básicas que são Variedade de Habilidade (VH), Identidade da Tarefa (IT), Significação (ST), Autonomia (AT) e o Feedback (FB). Baseando-se nessas dimensões os autores sugerem um fator denominado Potencial Motivador (PM), que serve como medida de análise do trabalho.

Em descrição a essas dimensões vemos que a VH, IT e ST contribuem para a significação do emprego para o trabalhador. A autonomia leva o trabalhador a experimentar o crescimento da responsabilidade em seu trabalho, e o feedback traz ao trabalhador conhecimentos dos resultados de seu trabalho.

Em seqüência aos seus estudos os autores identificaram cinco fatores que ativariam o nível das dimensões da tarefa, os quais são tarefas combinadas, unidades naturais de formação do trabalho, relações estabelecidas com o cliente, cargas verticais e canais abertos para o feedback.

O primeiro fator trata do agrupamento das tarefas fracionadas, formando novos e mais extensos módulos do trabalho, afeta as dimensões variedade de habilidade e identidade da tarefa.

O segundo representa a distribuição do trabalho numa estrutura lógica e óbvia. O terceiro fator trataria do aumento dos contatos entre trabalhador e cliente. Estes dois fatores estão associados a variedade de habilidade, autonomia e feedback.

O quarto fator tem o objetivo de fechar parcialmente a lacuna entre a execução e o controle das partes do trabalho, colhendo vantagens motivadoras, repercutindo na dimensão autonomia.

O canal aberto para o feedback que é o quinto fator, teria a função de fornecer ao trabalhador formas para o mesmo obter informações sobre o seu desempenho. Assim seria afetada a dimensão feedback.

A partir de estudos de Hackmann e Lawler uma sexta dimensão é proposta para ser incorporada ao grupo básico, a dimensão contato. O qual é o grau com que o indivíduo trabalha junto a outras pessoas, ou lida com outros membros da organização e clientes, buscando reabilitar a importância das características interpessoais do trabalhador.

Com base neste modelo entendemos a qualidade de vida no trabalho como resultante direta da combinação de dimensões básicas da tarefa capazes de produzir motivação e satisfação em diversos graus, gerando diferentes tipos de atitudes e condutas nos indivíduos pertencentes a determinada organização, como absenteísmo, rotatividade, ou pelo contrário, alta qualidade no desempenho de trabalho.

O grande diferencial do modelo foi a identificação das dimensões básicas da tarefa, que atuam como variáveis independentes na qualidade de vida no trabalho, permitindo assim um diagnóstico mais acurado. Dessa forma constitui-se numa importante ferramenta para o estudo dos indivíduos nas organizações.

Síntese das diversas abordagens da Qualidade de Vida no Trabalho

Abordagens/Período

Variáveis

Richard Walton

(1973)

1. Compensação Justa e Adequada;
2. Condições de segurança e saúde do trabalho;
3. Oportunidade imediata para a utilização e desenvolvimento da capacidade humana;
4. Oportunidade futura para crescimento contínuo e segurança;
5. Integração social na organização de trabalho;
6. Constitucionalismo
7. O trabalho e o espaço total da vida;
8. A relevância social da vida no trabalho

Willian Westley

(1979)

O autor apresenta quatro problemas que afetam a QVT como também as propostas para solucionar o problema:
1. Econômico: Cooperação, divisão dos lucros e participação nas decisões;
2. Político: Trabalho autosupervisionado, conselho de trabalhadores e participação nas decisões;
3. Psicológico: Enriquecimento das tarefas;
4. Sociológico: Métodos sócio-técnicos aplicados aos grupos.

K. Davis & W.

Werther (1983)

Os autores vêem a QVT como afetada por vários fatores:
1. Supervisão;
2. Condições de trabalho;
3. Pagamento de benefícios;
4. Projetos de cargos, sendo que é a natureza do cargo que envolve mais o trabalhador, logo, se dedicam a analisar o conteúdo e a designação dos cargos.

D. Nadler e E.

Lawler (1983)

Fatores que prevêem o sucesso dos projetos de QVT:
1. Percepção da necessidade de mudança nos sistemas de gerenciamento e disposições organizacionais, bem como no comportamento do gerenciamento superior;
2. O foco do problema que é destacado na organização;
3. Estrutura para identificação e solução do problema, teoria/modelo de projeto de treinamento e participantes;
4. Compensações projetadas tanto para os processos quanto para os resultados;
5. Sistemas múltiplos afetados;
6. Envolvimento amplo da organização.

E. Huse e T.

Cummings (1985)

1. A participação do trabalhador;
2. O projeto do cargo;
3. Inovação no sistema de recompensa;
4. Melhoria no ambiente de trabalho.

Fonte: Giesel, Fabiane Elisa (Relatório de Estágio Supervisionado II – 2002 – Qualidade de Vida no Trabalho na Auto Panambi Ltda).

O modelo de Walton em QVT critérios e indicadores

Em uma proposta para a qualidade de vida no trabalho Walton 1973 (apud RODRIGUES, 1994, p.81) mostra que a “expressão qualidade de vida tem sido usada com crescente freqüência para descrever certos valores ambientais e humanos, negligenciados pelas sociedades industriais em favor do avanço tecnológico, da produtividade e do crescimento econômico”.

Na concepção de Walton, (1973 apud FERNANDES, 1996) a QVT possui como meta:

Gerar uma organização mais humanizada na qual o trabalho envolve, simultaneamente, relativo grau de responsabilidade e de autonomia a nível de cargo, recebimento de recursos de feedback sobre o desempenho, com tarefas adequadas, variedade, enriquecimento do trabalho e com ênfase no desenvolvimento pessoal do indivíduo .(p.36)

O modelo de Walton consiste em um modelo de análise sobre a qualidade de vida, onde ele usa oito categorias conceituais para tentar mostrar. As mesmas consistem em uma compensação justa e adequada, as condições de trabalho oferecidas, o uso e desenvolvimento de suas capacidades, oportunidade de crescimento e segurança, integração social na organização, constitucionalismo, trabalho e espaço total de vida, bem como a relevância total da vida no trabalho.

A compensação justa e adequada é a “Categoria que visa mensurar a Qualidade de Vida no Trabalho em relação a remuneração recebida do trabalho realizado”.(FERNANDES, 1996, p.49).

Walton primeiramente considerava o trabalho como meio do indivíduo ganhar a vida. Nada melhor, portanto que uma compensação adequada e justa. Segundo Walton (apud RODRIGUES, 1994,p.82) essa compensação pelo trabalho “é um conceito relativo, não um simples consenso sobre os padrões objetivos e subjetivos para julgar a adequação da compensação.”

Em sua concepção Walton tenta mostrar que a renda adequada e a compensação justa seja melhor visualizada e entendida com a forma de responder a questionamentos pertinentes à ela:

Renda Adequada: a venda de um trabalho de horário integral encontra padrões determinados de suficiência ou o padrão subjetivo do recebedor?

Compensação Justa: O salário recebido por certo trabalho leva a uma relação apropriada com o salário recebido por outro trabalho? (RODRIGUES, 1994, p.82).

Conforme Fernandes(1996) existe três critérios que possam medir essa categoria, são eles:

Remuneração Adequada: remuneração necessária para o empregado viver dignamente dentro das necessidades pessoais e dos padrões culturais, sociais e econômicos da sociedade em que vive.

Equidade Interna: equidade na remuneração entre outros membros de uma mesma organização.

Equidade externa: equidade na remuneração em relação a outros profissionais no mercado de trabalho.( p.49)

Neste contexto, pode-se citar as variáveis inseridas que propiciam ou não que a compensação seja justa e adequada. Dentre essas variáveis pode-se citar a salário, responsabilidades, experiência, habilidade, demanda de mão de obra, média oferecida pela sociedade.

As condições de trabalho é a “Categoria que mede a Qualidade de vida no trabalho em relação as condições existentes no local de trabalho” (FERNANDES, 1996, p.49).

Dentro dessa categoria são determinantes os seguintes fatores:

a) Jornada de Trabalho: número de horas trabalhadas, previstas ou não pela legislação, e sua relação com as tarefas desempenhadas.

b) Carga de trabalho: quantidade de trabalho executados em um turno de trabalho.

c) Ambiente físico: local de trabalho e suas condições de bem estar (conforto) e organização para desempenho do trabalho.

d) Material e equipamento: quantidade e qualidade de material disponível para a execução do trabalho.

e) Ambiente saudável: local de trabalho e suas condições de segurança e de saúde em relação aos riscos de injúria ou de doenças.

d) Estresse: quantidade percebida de estresse a que o profissional é submetido na sua jornada de trabalho. (FERNANDES, 1996, p.49)

O uso e desenvolvimento de capacidades são a “Categoria que visa à mensuração da QVT em relação às oportunidades que o empregado tem de aplicar, no seu dia-a-dia , seu saber e suas aptidões profissionais.”(FERNANDES, 1996, p.50).

Fernandes(1996) mostra que entre os critérios que propiciam o uso e o desenvolvimento de capacidades destacam-se:

a) Autonomia: medida permitida, ao indivíduo, de liberdade substancial, independência e descrição na programação e execução de seu trabalho.

b) Significado da tarefa: relevância da tarefa desempenhada na vida e no trabalho de outras pessoas dentro fora da instituição.

c) Identidade da tarefa: medida da tarefa na sua integridade e avaliação do resultado.

d) Variedade da habilidade: possibilidade de legitimação de uma larga escala de capacidades e de habilidades do indivíduo.

Retroinformação: informação ao indivíduo acerca da avaliação do seu trabalho como um todo, e de suas ações. (p. 50).

Dentro de uma série de variáveis e fatores envolvidos nessa categoria pode-se elencar conforme Walton 1973 (apud RODRIGUES, 1994, p.83) a “autonomia no trabalho; múltiplas habilidades; informação e perspectivas; tarefas completas e planejamento”.

A oportunidade de crescimento e segurança é a “Categoria que tem por finalidade medir a QVT em relação às oportunidades que a instituição estabelece para o desenvolvimento e o crescimento pessoal de seus empregados e para a segurança do emprego.” (FERNANDES, 1996, p.50).

Dentre os critérios abordados, a importância do desenvolvimento e a perspectiva de aplicação são colocados da seguinte forma:

a) Possibilidade de carreira: viabilidade de oportunizar avanços na instituição e na carreira, reconhecidos por colegas, membros da família, comunidade.

b) Crescimento pessoal: processo de educação continuada para o desenvolvimento das potencialidades da pessoa e aplicação das mesmas.

c) Segurança de emprego: grau de segurança dos empregados quanto a manutenção dos seus empregos. (FERNANDES, 1996, p.50).

Walton focaliza a atenção na oportunidade de carreira. Pois conforme Rodrigues “é nele que surge uma barreira muitas vezes intransponível: a educação formal, que geralmente é pré-requisito para posições mais elevadas dentro da organização”. (1994, p.83).

A integração social na organização é a “Categoria que objetiva medir o grau de integração social existente na instituição”. (FERNANDES, 1996, p. 51)

Fernandes fez uma adaptação ao trabalho de Walton e definiu alguns critérios como:

a) Igualdade de oportunidades: grau de ausência de estratificação na organização de trabalho, em termos de símbolo de status e/ou estruturas hierárquicas íngremes e de discriminação quanto à raça, sexo, credo, origens, estilo de vida ou aparência;

b) Relacionamento: grau de relacionamento marcado por auxilio recíproco, apoio sócio emocional, abertura interpessoal e respeito ás individualidades.

c) Senso comunitário: Grau de senso de comunidade existente na instituição. (1996, p.51).

O constitucionalismo, de acordo com a visão de Fernandes, é uma “categoria que tem por finalidade medir o grau em que os direitos do empregado são cumpridos na instituição”. (1996, p.53).

Walton observou as normas que estabelecem direitos e deveres dos trabalhadores como sendo elementos chaves, essenciais para que se tenha um elevado grau de QVT. Os aspectos mais significativos em sua concepção sobre o constitucionalismo consistem no “direito a privacidade, direito de posicionamento (o diálogo livre) e o direito a tratamento justo em todos os assuntos”. (RODRIGUES, 1994, p.84).

Conforme citado por Fernandes(1996), os critérios elencados desta categoria são:

a) Direitos Trabalhistas: observância ao cumprimento dos direitos do trabalhador, inclusive o acesso à apelação;

b) Privacidade pessoal: grau de privacidade que o empregado possui dentro da instituição;

c) Liberdade de expressão: forma como o empregado pode expressar seus pontos de vista aos superiores, sem medo de represálias;

d) Normas e rotinas: maneira como normas e rotinas influenciam o desenvolvimento do trabalho. ( p..51)

Fernandes(1996, p.53) define como sendo o Trabalho e Espaço Total de Vida a “Categoria que objetiva mensurar o equilíbrio entre a vida pessoal do empregado e a vida no trabalho” De acordo com a autora os critérios para que se possam avaliar esse equilíbrio são os seguintes:

a) Papel balanceado no trabalho: equilíbrio entre jornada de trabalho, exigências da carreira, viagens, e convívio familiar.

b) Horário de entrada e saída do trabalho: equilíbrio entre horários de entrada do trabalho e convívio familiar. (1996, p. 52).

Walton apud Rodrigues (1994, p.84) afirma que a experiência de trabalho de um indivíduo pode ter efeito positivo ou negativo sobre outras esferas de sua vida, tais como suas relações com sua família”.

A Relevância Social da Vida no Trabalho é a “Categoria que visa mensurar a QVT através da percepção do empregado em relação à responsabilidade social da instituição na comunidade, à qualidade de prestação dos serviços e ao atendimento a seus empregados”. (FERNANDES, 1996, p.52).

Os critérios que se destacam para essa avaliação segundo Fernandes(1996):

a) Imagem da Instituição: visão do empregado em reação à sua instituição de trabalho: importância para a comunidade, orgulho e satisfação pessoais de fazer parte da instituição.

b) Responsabilidade social da Instituição: percepção do empregado quanto à responsabilidade social da instituição para a comunidade, refletida na preocupação de resolver os problemas da comunidade e também de não lhe causar danos.

c) Responsabilidade social pelos serviços: percepção do empregado quanto à responsabilidade da instituição com a qualidade de serviços postos à disposição da comunidade.

d) Responsabilidade social pelos empregados: percepção do empregado quanto à sua valorização e participação na instituição, a partir da política de Recursos Humanos. (p. 52)

Dentro da relevância social do trabalho Rodrigues(1994,p.85) retrata um estudo de Walton onde ele mostra que “somente com a reestruturação de trabalho, a qualidade de vida poderá ser exaltada e as expectativas dos trabalhadores de todos os níveis poderão ser entendidas e satisfeitas”. (1994, p.85).

Para uma melhor visualização do modelo de Walton ele pode ser apresentado através de um quadro:

Categorias conceituais de Qualidade de Vida no Trabalho

CRITÉRIOS

INDICADORES DE QVT

1 – COMPENSAÇÃO JUSTA E ADEQUADA
Equidade Interna e Externa
Justiça na compensação
Partilha dos ganhos de produtividade
Proporcionalidade entre salários
2 – CONDIÇÕES DE TRABALHO
Jornada de trabalho razoável
Ambiente físico seguro e saudável
Ausência de insalubridade
3 – USO E DESENVOLVIMENTO DE CAPACIDADES
Autonomia
Autocontrole relativo
Qualidades múltiplas
Informações sobre o processo total do trabalho
4 – OPORTUNIDADE DE CRESCIMENTO E SEGURANÇA
Possibilidade de carreira
Crescimento pessoal
Perspectiva de avanço salarial
Segurança de emprego
5 – INTEGRAÇÃO SOCIAL NA ORGANIZAÇÃO
Ausência de preconceitos
Igualdade
Mobilidade
Relacionamento
Senso comunitário
6 – CONSTITUCIONALISMO
Direitos de proteção do trabalhador
Privacidade pessoal
Liberdade de expressão
Tratamento imparcial
Direitos trabalhistas
7 – O TRABALHO E O ESPAÇO TOTAL DE VIDA
Papel balanceado no trabalho
Estabilidade de horários
Poucas mudanças geográficas
Tempo para lazer da família
8 – RELEVÃNCIA SOCIAL DO TRABALHO NA VIDA
Imagem da empresa
Responsabilidade social da empresa
Responsabilidade pelos produtos
Práticas de emprego
Fonte: Fernandes, 1996, p.48.

Perfil do gestor na organização

A sociedade evoluiu de maneira rápida fazendo com que as relações de trabalho acompanhassem essa mudança. Hoje, vivemos em mundo caracterizado pela tecnologia e pela informação, a globalização tornou-se acentuada e a competitividade passou a ditar o compasso nas relações de trabalho nas organizações. Surgiu com isso a necessidade de repensar o capital humano, substituindo a visão de homem máquina e passando a adotar políticas que beneficiassem o colaborador dentro e fora do local de trabalho com isso, muitas organizações foram obrigadas a repensar sua estrutura.

A partir disso o potencial individual das pessoas passam a ser redescobertos, e a valorização de seu trabalho enquanto pessoa, suas relações de trabalho em equipes e suas competências passam a influenciar diretamente no sucesso da organização.

O perfil do gestor na organização vem sofrendo profundas modificações ao longo dos anos, e uma das alavancas para essa mudança é a tão comentada globalização e a competitividade cada vez mais presentes em nossas vidas tanto profissionais como pessoais.

Segundo Limongi-França o perfil delineado para o gestor: :Internalização de valores de responsabilidade social, justiça e ética profissional; Formação humanística e visão global que o habilite a compreender os meios profissional e do desenvolvimento da autoconfiança.

Este perfil delineado por si só faz com que o gestor tenha cada vez mais consciência de seu papel fazendo o repensar as formas de gerir as organizações nos dias de hoje, fazendo com que se comprometa a fazer sua parte desempenhando assim sua função como gestor. Leva-se em consideração que gestor não é só a pessoa que gerencia a organização e sim qualquer pessoa que esteja na simples liderança de um grupo ou mesmo responsáveis por funcionários e setores em uma organização. Para essa liderança também suas habilidades enquanto gestores deverão ser reavaliadas. Segundo Limongi-França, dentre dessas habilidades destacam-se:

Comunicação interpessoal, expressão correta nos documentos técnicos específicos e interpretação da realidade nas organizações;

Raciocínio lógico, critico e analítico, operando com valores e formulações matemáticas e estabelecendo relações formais e causais entre fenômenos;

Criatividade em face dos diferentes contextos organizacionais e sociais;

Compreensão do todo administrativo, de modo integrado, sistêmico e estratégico, bem como sua relação com o ambiente externo;

Capacidade de lidar com modelos de gestão inovadores;

Resolução de problemas e desafios organizacionais com flexibilidade e adaptabilidade;

Ordenamento de atividades e programas; identificar e dimensionar riscos para a tomada de decisões;

Seleção de estratégias adequadas de ação, visando atender interesses Interpessoais e institucionais;

Seleção de procedimentos que privilegiem formas de atuação em prol de objetivos comuns.

O gestor hoje precisa fundamentalmente saber ouvir, e liderar pensando também no bem estar de seus funcionários, pois da sua satisfação e motivação para o trabalho resultará no crescimento, produtividade e qualidade de serviços e produtos oferecidos pela empresa, consequentemente seu desenvolvimento e crescimento. Precisa também saber mudar, ou seja, de acordo com Limongi França aprender a desaprender, o conceito de aprendizagem deve estar presente nas organizações, assim como o resgate de valores perdidos através dos tempos.

Portanto, de acordo com Limongi-França(1996,p.71) o perfil do administrador consiste no “grande propulsor das competências e dos valores das organizações da era pós-industrial. Com certeza, sua atuação viabiliza a gestão de QVT mais efetiva e consistente com as necessidades das pessoas e das empresas”.

REFERÊNCIAS

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DAVIS,K. NEWSTROM,J.W. Comportamento humano no trabalho. 2.ed. São Paulo: Pioneira,1996.

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LIMONGI-FRANÇA,A.C. Qualidade de vida no trabalho: conceitos e práticas nas empresas da sociedade pós-industrial. São Paulo: Atlas,2003.

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Geisel, Fabiane e Elisa , RELATÓRIO DE ESTÁGIO SUPERVISIONADO II- 2002- Qualidade de vida no trabalho na Auto-Panambi Ltda, Ijuí:UNIJUI. Trabalho não publicado

TEATRO GREGO

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É sabido que o teatro da Hélade partiu dos teatros egípcio, hindu, chinês e cretense, que desembocaram na Grécia, dando origem ao eterno teatro grego. Baseado na religião desde seus primórdios, jamais conseguiu sair destes limites. Colocando-a em sua base, desenvolveu-se voltado aos problemas do homem, porém não só do homem grego, mas do homem universal. Estas constatações mostram que o teatro grego é apenas uma forma evoluída destes já citados. Uma questão relevante, totalmente de acordo com a cultura helênica, é que as mulheres não participavam das peças.

As representações dramáticas gregas são divididas em três estilos diferentes: Tragédia, Drama Satírico e Comédia, que da mesma forma que diferem entre si, também têm sua matéria-prima na Mitologia. Os filósofos gregos divergem suas opiniões sobre as artes. Platão nega a dignidade a estas, pois as consideram cópias representativas do ser original e por isso, passível de falha e imperfeita. Já Aristóteles diz que todas as artes são dignas, já que atingem a essência do ser.

Tragédia

Um dos estilos teatrais gregos é a Tragédia, conferida aos dórios por Aristóteles e introduzida na Grécia por volta do século VII a.C. A Tragédia teria partido do ditirambo, coro em honra a Baco. Evoluiu assim aos “coros trágicos”, que seriam conjuntos corais, que falavam em versos, com narrativa ritual, contando passagens de um de seus heróis. A partir de vários indícios, provavelmente deve-se a Dionísio, deus do vinho e da vegetação, o início da Tragédia grega.

Para Aristóteles, a Tragédia tem a finalidade de suscitar o terror e a piedade, purgando os homens destes sentimentos. Aristófoles fala que o poeta tem a utilidade de educar, ao contrário de Goethe, que acredita que “o teatro não é uma casa de correção para malandros”.

A princípio, a Tragédia surgiu de modo somente cantado pelo coro, porém Téspis inventou o primeiro ator, introduzindo, então, as partes cantadas. Desta forma, o coro, que tinha o papel de conselheiro, ouvinte, juiz, espectador e intérprete, entre outros, cantava em dialeto jônico, apresentando-se como a união do ator e o público e representando os sentimentos durante a representação. Os atores recitavam em dialeto ático, examinando os temas propostos.

O acompanhamento musical era feito por flautas. As danças não eram apenas passos ritmados, eram também mímicas, que procuravam traduzir os objetos e as afeições da alma. Os atores eram divididos em três papéis: o protagonista, que fazia o papel principal, o denteragonista, que interpretava os papel de segundo plano, e o tritagonista, que era o papel mais ingrato da representação dramática.

As indumentárias provavelmente eram de origem dionisíaca, formadas basicamente por duas peças: uma túnica e um manto, que se estendia até os pés. Havia uma riqueza nos bordados, que eram suntuosos e coloridos, com tons de dourado. A veste apertava na altura do peito, para dar a impressão de maior estatura e majestade. Os calçados eram coturnos à moda daqueles usados na época helenística e romana, de cano e solado altos, estes com altura entre seis e onze centímetros, a fim de salientar a estatura, principalmente dos protagonistas.

As máscaras certamente tinham interesse para a religião e eram principalmente de dois tipos: A máscara protetora, que redimia o homem aos poderes maléficos, e a máscara mágica, que dava ao seu portador as propriedades dos demônios representados. Atribui-se a Ésquilo a invenção da máscara pintada com feições humanas. Estas procuravam traduzir o patético e a dor, com as rugas bem marcadas, os olhos arregalados e a boca aberta. Eram incrementadas com cabeleiras postiças e, quando necessário, também com barbas.

Drama Satírico

Anterior à Tragédia, a palavra satírico nada tem a ver com a sátira, o ato de criticar os defeitos de uma pessoa ou época. O nome vem dos sátiros, os eternos companheiros de Dionísio, seres rústicos, originalmente demônios-bodes.

Este estilo teatral tem origem em danças mímicas e rituais em honra a Baco. Com o tempo, transformou-se em representações rústicas reproduzidas por coros que reproduziam alguma aventura deste deus grego. Mais tarde, uniram-se ao Drama Satírico cerimônias fúnebres regionais, onde outras divindades ocuparam o lugar de Dionísio. No princípio coexistiram pacificamente Tragédia e Drama Satírico, porém, à medida que a primeira se destacava pelo seu tom sério e majestoso, quase levou à morte o estilo mais antigo.

Prátinas, natural do Peloponeso, foi quem introduziu o Drama Satírico em Atenas, porém, das 32 peças que este autor escreveu, nada chegou aos dias de hoje. Prátinas foi tão importante que, depois da “reforma” que propôs por volta de 490 a.C., tornou-se obrigatório nas representações dramáticas a tetralogia, isto é, a união em uma só peça de três Tragédias e um Drama Satírico.

O Drama Satírico tinha uma forma fixa e definida e, sobre o prisma artístico, era realmente primitivo. Seria um drama sem variáveis, onde os sátiros, prisioneiros ou escravos de um ser monstruoso, eram libertados por um herói. A vitória era sempre do protagonista, tendo invariavelmente um final feliz.

Ao contrário da Tragédia, o Drama Satírico conseguiu manter, ao menos em parte, o seu antigo caráter dionisíaco, pois a presença dos sátiros está sempre no coro. O Ciclope, de Eurípedes, é o único drama completo que se possui, e o assunto é uma adaptação de um dos versos da Odisséia, onde Ulisses cega o ciclope Polifemo e liberta os sátiros, prisioneiros do monstro.

Como a Tragédia, o Drama Satírico divide-se em partes cantadas pelo coro e recitadas pelos atores, além da divisão dos papéis em três atores. A dança era acompanhada por saltos e cambalhotas, que traduzia a exuberância destes seres rústicos e semi-animais.

Aparecem em cena heróis, reis, divindades e seres míticos, os sátiros, dos quais o adorno tradicional era um calção de pele de cabra, ornado com uma cauda de cavalo na parte de trás. À primeira vista pareciam nus, mas vestiam uma malha da cor da pele e andavam descalços. Os outros personagens mais nobres vestiam túnicas e calçavam coturnos. As máscaras do Drama Satírico tinham as mesmas características daquelas da Tragédia.

Comédia

A antiga Comédia ática tem sua origem e estrutura num verdadeiro enigma. A princípio executada por voluntários em atos improvisados, não teve a preocupação de registrar seu desenvolvimento desde o surgimento. Ignora-se quem introduziu as máscaras, os prólogos o número de atores e outras coisas. Porém a idéia de compor fábulas remonta a Epicarpo, uma idéia que veio da Sicília.

Aristóteles define a Comédia como oriunda dos antigos “cantos fálicos”, canções entoadas em procissões celebradas no campo, onde se escoltava um falo, símbolo da fertilidade. Segundo ele, antes de chegar a Atenas, passou por terras dóricas. Seu nome se traduz por “canto da procissão jocosa”.

A Comédia é dividida em duas partes: um agón e uma revista. O agón era uma luta ou debate entre o coro e o ator, que comportava uma ação. Pouco a pouco esta discussão transformou-se em debate, surgindo, então, a revista, que era os esclarecimentos sobre esta ação.

No agón, o coro faz o papel principal, portando-se como um verdadeiro ator. Já na revista, o coro age como porta-voz do poeta. Em ambas as partes encontra-se a farsa, sob aspectos diversos, onde se mistura piedade e obscenidades.

A Comédia inicia com um prólogo, seguido da entrada do coro. Há um debate, uma declaração ao público, a revista e a saída do coro. O debate é duplo, onde os dois adversários falam alternadamente sobre o tema. Ao final da segunda parte, a representação acaba com uma espécie de procissão alegre. Era um espetáculo à parte, com artistas de renome, cantores e dançarinos.

Com a finalidade de fazer rir, a indumentária era grotesca. Sobre uma malha da cor da pele, colocavam falsos ventres e falsas nádegas. Muito comum também era a utilização de túnicas curtas, para, propositalmente, deixar aparecer o falo e as nádegas. As máscaras eram de caras monstruosas e ridículas. Usavam as mesmas sandálias que calçavam na vida real.

Edifício Teatral Grego

O teatro grego é um edifício ao ar livre. As representações, portanto só eram possíveis durante o dia e quando o tempo permitia. Tanto quanto a tragédia, o edifício teatral surgiu do dirirambo, onde a multidão formava um círculo ao redor do coro, produzindo assim a forma circular que se vê até os dias de hoje. A palavra teatro significa “contemplo, vejo”, o que serve para denominar tanto a representação teatral como o local onde se assiste a peça.

A orquestra, que se traduz do grego para o português como “eu danço”, ficava no centro, em forma circular, onde no meio erguia-se um altar em honra a Dionísio. O prédio era destinado somente aos espectadores, onde eram construídas arquibancadas de pedra, em número proporcional ao tamanho do edifício. Além dos assentos comuns, havia os de honra, reservados aos sacerdotes, sacerdotisas, magistrados, embaixadores estrangeiros e hóspedes importantes. A capacidade de espectadores no teatro de Atenas, por exemplo, era de 14 mil.

Em frente ao teatro havia uma tenda, feita de tábuas e coberta de pano, onde os atores e o coro trocavam de máscaras e indumentárias. Era também o local onde aconteciam as cenas mais violentas, tão comuns na Tragédia, como assassinatos, suicídios, sacrifícios humanos, cenas estas que não poderiam ser praticadas diante dos espectadores no teatro grego.

Também havia muros no fundo desta tenda, onde provavelmente eram pintados os cenários das representações. Nos primeiros tempos do teatro, o cenário consistia em um único objeto de proporções grandes, como uma torre, um altar, um túmulo, ou ainda uma paisagem marinha ou rústica. Um progresso na cenografia surgiu a partir de 465 a.C., atribuído por Aristóteles a Sófocles. No fim do século V a.C. o cenário teatral tornou-se uma arte nas mãos de especialistas, os cenógrafos. Nos cenários do teatro grego empregavam-se vários maquinismos, como esteiras rolantes, guindastes, tribunas aéreas, entre outras.

Bibliografia

BRANDÃO, Junito. Teatro Grego: Origem e Evolução. São Paulo: Ars Poética. 1992.

SOCIEDADES ANÔNIMAS

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Administradores são compreendidos como aqueles membros que compõem o conselho de administração e da diretoria e que encontram-se submetidos às mesmas normas sobre requisitos, impedimentos, investidura, remuneração, deveres e responsabilidade.

No que tange ao vínculo existente entre a sociedade anônima e o diretor, há controvérsia na doutrina e jurisprudência de todo o mundo, uns acham que este vínculo seria trabalhista, outros acreditam que a matéria seria regido pelo direito societário. A verdade é que a natureza deste vínculo depende da prévia definição, estatutária ou contratual, existente entre o diretor e a sociedade anônima, e esta definição influencia diretamente em relação à extensão dos direitos do administrador.

A Lei das Sociedades Anônimas coloca evidenciado diversos deveres do administrador, de diferentes naturezas, por exemplo, de convocar a AGU (art. 123) e providenciar a elaboração das demonstrações financeiras (art. 176), também encontram-se deveres de maneira implícita, que se concluem de regras mais gerais ou, mesmo, de princípios, cita-se como exemplo, cumprir as deliberações dos órgãos societários hierarquicamente, além, principalmente, a partir do artigo 153, ilustrar os principais deveres dos administradores são eles: o de diligência, art. 153 da LSA, que diz que ele deve empregar, no exercício de suas funções, o cuidado e diligência próprio do homem ativo e probo na condução de seus interesses; o de cumprimento das finalidades da empresa, evidenciado no artigo 154 da LSA, onde o administrador deverá obedecer três fatores : os fins e interesses da companhia, o bem público e a função social da empresa, todos de acordo com lei ou estatuto, sob pena de responsabilidade no caso de ocorrer condutas proibidas; o de lealdade, art. 155 da LSA, relata que deve o administrador ter total lealdade com a empresa; por fim, o de informação, LSA – art.157 e seus parágrafos, onde o principal aspecto é a comunicação ao mercado, este restrito aos casos de companhia aberta, sob dois aspectos: o que diz respeito às informações para esclarecimento de acionistas e a comunicações de modificações na posição acionária ou de fatos relevantes.

As responsabilidades civis dos administradores de sociedades anônimas estão mencionadas no artigo 158 da Lei das Sociedades por Ações e são elas: a primeira relacionada aos prejuízos causados por sua culpa ou dolo, mesmo que sem exorbitância de poderes e atribuições (inciso I), esta com unanimidade na sua compreensão na doutrina, imputando ao administrador responsabilidade subjetiva clássica; e a outra relacionada a não obediência da lei ou estatuto (inciso II), com entendimento conflitante na doutrina, uns achando que se trata de responsabilidade objetiva, outros entendem ser responsabilidade subjetiva com presunção de culpa.

Então, existem dois tipos da natureza da responsabilidade, conforme artigo 158 da LSA e estes são interdefiníveis, que dizer, não há conduta que se enquadre num deles que não se enquadre no outro ao mesmo tempo. Portanto, considerar que cada dispositivo expressa um sistema diferente de responsabilidade civil para os administradores da sociedade anônima, é incorreto.

Ressalta-se que existem quatro sistemas de responsabilidade civil, que conjuga elementos diversos como fundamento (culpa ou posição econômica), ônus probatório (cabendo ao demandante ou demandado) e ligação entre a conduta responsável e resultado danoso, ou seja, nexo de causalidade (modelo puro ou mitigado).

Esta responsabilização civil dos administradores por esses danos infratores da empresa é apurada por Assembléia Geral e a efetivação desta, se dá pela condenação do administrador processado judicialmente.

Em casos em que a irregularidade relaciona-se a dever legal imposto para assegurar o normal funcionamento da sociedade, pode-se haver solidariedade entre os administradores. Nas sociedades fechadas, respondem todos os administradores que não consignaram em ata a sua divergência, já na aberta, aqueles com competência relacionada com a irregularidade, a menos que tenham consignado em ata sua divergência e comunicado à assembléia sobre o assunto.

Os administradores de instituições financeiras, segundo os arts. 36 a 49 da Lei 6.024/74, aplicando igualmente aos de seguradoras, de sociedade de previdência privada aberta e das de capitalização (Lei 10.190/01), detêm regras próprias para responsabilizá-los, quanto a natureza e extensão são idênticas, em regra. Diferenciam-se no que toca à apuração, aqui feita através, em geral, por ação de indenização movida pela sociedade ou pelos acionistas substitutos processuais, somente cabendo a afetação dos bens do administrador após a decisão condenatória; e efetivação, que lança mão de várias medidas preventivas e assecuratórias ( arresto, seqüestro de bens, legitimidade do MP para a ação de indenização etc).

Referência bibliográfica:

Coelho, Fábio Ulhoa, Curso de Direito Comercial, vol. 2, 5ª ed. ver. e atual de acordo com o novo Código Civil e alterações da LSA, São Paulo: Saraiva, 2002.

BERIBÉRI

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Beribéri é uma doença causada pela deficiência de tiamina ou vitamina B1. É rara, porque são varias as fontes de alimentação de tiamina como carne suína, aves, gema de ovo, peixe, leguminosas, pães, e cereais enriquecidos, leite, frutas e hortaliças.

Não podem processar os carboidratos ou gorduras adequadamente e desenvolve vários sintomas: confusão mental, neuropatia, taquicardia e insuficiência cardíaca.

É mais freqüente em alcoólatras, e, em pessoas que possuem uma dieta a base, somente, de cereais refinados que não são enriquecidos com tiamina.

Introdução

O Ministério da Saúde divulgou recentemente que morreram 33 pessoas no Maranhão por falta de vit. B1.

A palavra Beribéri significa”fraqueza extrema”.A moléstia era conhecida desde antes de Cristo na China e em países pobres que se alimentavam basicamente de arroz polido, ou seja, do qual se retira a casca e toda película marrom clara e rica, em nutrientes que envolvem o grão.

Hoje, o beribéri ocorre em regiões da Ásia, da África, na América do Sul e de modo geral em todos os países nos quais parte da população tem fome e é mal nutrida.Outro alvo são os alcoólicos crônicos, que, bebem em excesso e, por essa razão, se alimentam mal ou nos casos mais graves nem se alimentam.

A avitaminose B1 pode se manifestar em qualquer pessoa. Aparece em geral após meses de carência na substância.O primeiro sintoma normalmente é o formigamento das pernas, outras indicações são dormência nas pernas, fraqueza e dificuldades para andar, doentes apresentam ainda falta de apetite e emagrecimento.

Desenvolvimento

O Beribéri é uma doença provocada por carência de vitamina B1 (tecnicamente chamada avitaminose B1),seus sinais característico são: insônia, nervosismo, irritação, fadiga,depressão, perda de apetite e energia, dores no adbomen e no peito,sensação de agulhadas e queimação nos pés,perda do tato e da memória,problemas de concentração.Alem disso a doença provoca fraqueza muscular e dificuldades respiratórias,pode afetar o coração,dando origem a uma cardiomiopatia por dificuldades nutricionais chamada de Beribéri cardíaco,comum no etilista crônico,manifesta-se também em pacientes com deficiências nutricionais devido a cirurgias gástricas ou intestinais

O abuso de álcool, café, cigarro, antiácido,

barbituricos,diuréticos,excesso de doces e açúcar,pode levar a uma deficiência em tiamina.

A maior parte da tiamina na dieta vem de cereais fortificados e pão.Outras grandes fontes são de muidos carne de porco,nozes legumes(ervilha e feijão).Grandes doses de tiamina superiores a 3 gramas ao dia,podem causar dores de cabeça,insônia fraqueza e problemas na pele

Observa-se que a deficiência de tiamina pode comprometer acentuadamente o funcionamento do sistema nervoso central. As células neuronais do sistema nervoso centra quase sempre exibem cromatise e tumefação durante a deficiência de tiamina ,alteração que são característica de célula neuronais com nutrição deficiente

Alem do mais, a deficiência de tiamina pode provocar degeneração das bainhas de mielina das fibras nervosas dos nervos periféricos e do sistema nervoso central, As lesões dos nervos periféricos quase sempre fazem com que eles se tornem extremamente irritáveis, resultando em “polineurite”caracterizada por dor se irradia ao longo do trajeto de um ou mais nervos periféricos

Em relação ao sistema cardiovascular, a deficiência de tiamina também enfraquece o músculo cardíaco, de modo que a deficiência grave desta vitamina algumas vezes desenvolve insuficiência cardíaca.

A falata de tiamina também pode provocar indigestão,constipação grave,anorexia,atonia gástrica e hipocloridria.Todos estes efeitos resultam possivelmente da incapacidade de o músculo liso e as glândulas do trato gastrintestinal obterem energia suficiente do metabolismo dos carboidratos.

Ainda em relação a tiamina destaca-se hipertireodismo,metabolismo de todos os corpos que se torna muito aumentado,potanto a resistência periférica total diminui acentuadamente por causa das reações de controle de fluxo sanguíneo dos tecidos locais por todo o corpo

Em se tratando da anemia, dois efeitos periféricos provocam a diminuição da resistência Um deles é a viscosidade reduzida do sangue, no qual diminui-se as concentração de células vermelhas O outro é o aporte de oxigênio diminuindo aos tecidos por causa da hemoglobina diminuída a falta d aporte de oxigênio causa vasodilatacao local.Em conseqüência, o debio cardíaco aumenta muito.Entretanto, mesmo este pequeno aumento não é mantido por mais do que alguns minutos, apesar de o coração continuar a ser fortemente estimulado.Há duas razões para isto:(1) O excesso de fluxo sanguíneo pelos tecidos causa a vasoconstrição automática dos vasos sanguíneos por causa do mecanismo da auto-regulação e com isso reduzindo o retorno venoso e o débito cardíaco de volta ao normal.(2) A pressão arterial ligeiramente aumentada que resulta após a estimulação cardíaca aguda eleva a pressão capilar e o líquido é filtrado dos capilares para os tecidos.Isso diminui o volume sanguíneo e também diminui o retorno venoso de volta ao normal.Por um período de horas e dias, a pressão aumentada também faz com que os rins percam volume de líquido corporal até que a pressão arterial e o débito cardíaco voltem ao normal.

Caso clínico:Homem de 20 anos, pardo, trabalhador rural braçal, apresentando parestesia e edema de membros inferiores há 10 meses e há um mês edema generalizado e dispnéia aos esforços.Sem antecedentes de tabagismo e, na história alimentar, relatada ingestão de uma a duas garrafas de cerveja nos finais de semana.Apresentava ao exame físico:freqüência cardíaca de 100 bpm, freqüência respiratória de 16 movimentos/minuto e pressão arterial de 140x70mmHg, edema de membros inferiores(3+/4+),edema sacral, pulsos amplos e tremor de extremidades.O exame físico mostrou:estase jugular ausente, íctus não visível, palpável em decúbito lateral esquerdo no 5º espaço intercostal esquerdo, 2 cm para fora da linha hemiclavicular, na extensão de 2-3 polpas e impulsivo.A ausculta evidenciou presença de 2 bulhas rítmicas normofonéticas, com sopro holossistólico(2+/6+) rude em foco mitral e tricúspide.Enquanto a semiologia respiratória não mostrou anormalidades, o exame do abdome evidenciou fígado palpável a 2 cm do rebordo costal, ascite ausente, sem outras alterações.

Os exames laboratoriais revelaram ausência de proteinúria em urina de 24h; níveis de uréia, creatinina, albumina e bilirrubinas normais no soro: coagulograma, hemograma e exames da tireóide sem alterações.Verificou-se no exame radiológico do tórax (PA), índice cardiotorácico > 0, 5, com abaulamento do arco médio e acentuação da trama vascular(fig. 1).Ao eletrocardiograma, verificam-se taquicardia sinusal e bloqueio incompleto de ramo direito(fig. 2).O ecogradiograma da internação revelou aumento das câmaras esquerdas, além de altos valores no percentual de encurtamento e na fração de ejeção.

Os resultados dos exames subsidiários, somados ao quadro clínico, eram compatíveis com estado hiperdinâmico da circulação.C Omo o paciente não apresentava anemia, hipertireoidismo, ou evidência de fístula artério-venosa, foi feita a hipótese diagnóstica de bebibéri. Três dias após introdução de tiamina, o paciente apresentou melhora do edema, desaparecimento do sopro cardíaco e redução da área cardíaca á radiologia.O exame ecocardiográfico, realizado sete dias após introdução da tiamina, foi compatível com a normalidade.O paciente vem sendo acompanhado em ambulatório e encontra-se assintomático.

Recomendações: A vitamina B1 foi à primeira do complexo B a ser descoberta.A sua falta provoca o beribéri, doença cuja incidência aumentou significativamente no século 19, principalmente na Ásia quando se começou a produzir o arroz polido.Em 1880 o almirante Takaki da marinha japonesa provou que a causa do beribéri era alimentar, ao acrescentar á dieta dos marinheiros da marinha nipônica peixes, carnes, cevada e vegetais.Em 1897 Eijkman, um médico holandês que atuava em Java observou que o pó resultante do polimento do arroz, se diluído em água e se administrado aos portadores de beribéri, curava a doença.Em 1936 a vit. B1 foi isolada e foi batizada com o nome de tiamina.

Doses diárias recomendadas: 1,5 mg.Para mães que amamentam e para idosos é 3,0 mg

Principais funções: atua principalmente no metabolismo energético dos açucares.A sua função como neurotransmissor é discutida.

Principais fontes: carnes, cereais, nozes, verduras e cerveja.

Obs: alguns peixes e crustáceos e chás pretos podem conter fatores anti-tiamina.

Conclusão: pessoas com sintomas de beribéri devem ser levadas logo a um médico especializado em clínica geral.O diagnóstico é basicamente clínico: o especialista conversa e faz uma avaliação do paciente com o objetivo de identificar a doença.Também pede que faça movimentos como levantar as pernas: portadores de beribéri em geral têm dificuldade ou não conseguem fazê-lo.Em alguns laboratórios das capitais e grandes cidades já é possível dosar os níveis de tiamina no sangue, que devem ser de 83 a 180nmol/litro.Quando os doentes estão muito debilitados, são internados para que possa cuidar melhor do quadro e evitar o óbito.Nessa situação, além de hidratação e outros cuidados básicos, recebem suplementação de vitamina B1.Nos casos mais simples, porém, basta o consumo de alimentos ricos na substância por alguns dias que a doença começa a desaparecer.O alcoólico crônico, naturalmente, ainda precisará fazer tratamento para se livrar da dependência de bebidas.

ADOECIMENTO MENTAL

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1. TEMA

Fatores que podem melhorar a qualidade de vida dos internos e o que poderia ser feito para evitar o internamento.

1.1 EXPLICAÇÃO DO TEMA

Devido as campanhas anti-maniconiais estarem em evidência e ao grande número de pessoas depressivas na sociedade moderna, que se não tratadas podem agravar o quadro da doença.

1.2 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA / COLOCAÇÃO DO PROBLEMA

O afastamento da família e da sociedade prejudica o andamento do tratamento?

Quais as dificuldades encontradas quando os pacientes voltam para o convívio da Sociedade e da família?

Qual o nível de aceitação da Sociedade em relação a ex-internos?

1.3 OBJETIVO DA PESQUISA

Conhecer a rotina dos pacientes internados e o que pode ser feito para melhorar a sua qualidade de vida. Essa pesquisa também tem por objetivo analisar formas de incluir esses pacientes na sociedade.

1.4 CARACTERIZAÇÃO DO ESTUDO

a) Segundo os campos de atividade humana, ou setores do conhecimento, o presente estudo classificar-se-á como interdisciplinar uma vez que é de interesse principalmente das áreas de sociologia, psicologia, ciências políticas e administrativas.

b) Tipologia do estudo:

O projeto propõem-se a observar a rotina dos internos, para que possamos sugerir melhorias em sua qualidade de vida dentro e fora das casas de internamento.

c) Quanto á natureza dos dados, o projeto constitui-se da entrevista com a assistente social do hospital psiquiátrico Allan Kardec de Franca-SP, Lázara e da observação dos pacientes.

d) Através dos dados levantados a partir de nossas pesquisas bibliográficas e em bancos de dados da internet, observação e entrevistas, será feito um projeto que buscará trazer melhorias na qualidade de vida dos internos e da instituição.

1.5 HIPÓTESES DO ESTUDO

a) Hipótese geral

Para casos mais leves de adoecimento mental a internação pode ser prejudicial, devido o afastamento da família e da Sociedade.

b) Sub-hipótese

A presença da família e o convívio com a sociedade são importantes para a recuperação dos pacientes.

1.6 DEFINIÇÃO OPERACIONAL DOS TERMOS DA HIPÓTESE

a) Pacientes internados: serão analisados a evolução e o tempo de duração do tratamento de pacientes que estão internados em instituições especializadas, longe do convívio com a família e a Sociedade.

b) Pacientes em regime aberto: serão analisados a evolução e o tempo de duração do tratamento de pacientes que estão em regime aberto, podendo conviver com a sua família e com a Sociedade.

1.7 ASPECTOS METODOLÓGICOS DA INVESTIGAÇÃO

O estudo desenvolver-se-á com a utilização de entrevista, observação e referências bibliográficas e de internet.

1.8 CRONOGRAMA

Prevê-se um período de um mês para a realização de presente projeto.

1.9 ORÇAMENTO

Não há orçamento previsto.

2 ENTREVISTA

ENTREVISTA COM A ASSISTENTE SOCIAL LAZARA DO HOSPITAL PSIQUIÁTRICO ALLAN KARDEC DE FRANCA-SP.

1- Como é feito o encaminhamento dos pacientes e qual o critério usado para separá-los?

Primeiro o paciente deve passar por uma avaliação clínica no pronto socorro Dr. Janjão, depois ele deve passar pela Santa Casa onde um psiquiatra fará uma triagem, se necessário após a triagem o paciente é encaminhado para lá onde será internado de acordo com a sua patologia.

2- Qual a Regularidade das visitas e o que pode ser levado a eles?

A primeira visita após o internamento só poderá ocorrer após o quinto dia, pois geralmente durante esse período o paciente fica muito revoltado com sua família por tê-lo deixado lá e é um período de adaptação. Após o quinto dia poderão ser feitas visitas diárias das 16:00 ás 17:00 horas. Quanto ao que pode ser levado à eles, tudo o que as famílias levarem deverá passar pela portaria, sendo permitido apenas a entrada de objetos de uso pessoas, alimentos são proibidos.

3- As visitas são feitas com supervisão?

As visitas são feitas com a supervisão de assistentes sociais e enfermeiros e antes da entrada das famílias, elas são atendidas pela equipe da psicologia para que seja dado um amparo à elas.

4- Há algum programa de inclusão dos internos a sociedade?

Os pacientes são levados algumas vezes à passeios externos e convida-se músicos e artistas para fazerem apresentações dentro do hospital, há também voluntários que levam atividades aos pacientes.

5- Todos os pacientes são internos?

Não. São 200 leitos, sendo 124 residentes e 66 são pacientes agudos que fazem o tratamento e retornam para casa.

6- Qual a rotina dos internos?

Eles acordam ás 7:00 horas, fazem sua higiene pessoal (banho, escovam os dentes) com o apoio dos enfermeiros, tomam o café da manhã, recebem a medicação, seguindo para atividades como caminhada por exemplo, almoçam o café da tarde e seguem para atividades do período da tarde, ás 15:00 hs ocorre a prece que não é obrigatória, aos sábados e domingos ela é feita ás 9:00 horas.

Das 16:00 ás 17:00 ocorrem as visitas, quando familiares dos pacientes vão embora, eles planejam e decidem o jantar que é feito ás 18:00 horas, após o jantar eles aguardam o horário da ceia que ocorre ás 17:30 fazendo o que preferem, alguns assistem televisão, outros passeiam pelo pátio, ás 20:00 horas eles são medicados novamente e recolhidos.

7- O que é feito em datas comemorativas?

Em todas as datas comemorativas são feitas festas e a cada mês comemora-se os aniversários com presentes e festas. As famílias são sempre convidadas nessas datas, porém poucas comparecem.

8- Qual a contribuição da família para o tratamento dos pacientes? Vocês acreditam que ela possa trazer benefícios á eles?

A contribuição que a família pode trazer aos pacientes é através das visitas e participação nos projetos em que eles são solicitados. Sua presença é de fundamental importância para o tratamento dos pacientes.

9- Como o hospital se mantém financeiramente?

Ele é uma fundação filantrópica de caráter privado, prestador de serviço do SUS (Sistema Único de Saúde) e os recursos são escassos e insuficientes. Porém o hospital recebe muitas doações da população francana.

10- Quais os casos mais comuns?

Os casos mais comuns são de psicose.

11- Do que se compõem a equipe do hospital?

Compõem-se de: médico clínico, psiquiatra, psicólogo, assistente social, enfermeira, nutricionista, monitores e auxiliares de enfermagem.

12- Como é feita a parte de higiene pessoal e alimentação?

A higienização dos pacientes é feita diariamente com o auxílio dos enfermeiros do hospital e a alimentação é feita com uma dieta balanceada desenvolvida por uma nutricionista.

CL 50%

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INTRODUÇÃO

O começo do tratamento de doenças por meio de drogas perde-se na antiguidade, tendo precedido a história escrita. As primeiras drogas foram de origem natural, extraídas principalmente de plantas superiores e destinavam-se a terapia de doenças infecciosas (KOROLKOVAS, et. al. 1982).

O homem primitivo, ao procurar plantas para seu sustento, foi descobrindo espécies de uso terapêutico e que poderiam ao mesmo tempo serem tóxicas, dando inicio a uma sistematização empírica dos seres vivos, de acordo com o uso que podia fazer delas (BEZERRA; FERNANDES, et al. 1989).

O uso popular é mesmo o tradicional, não são suficientes para validar eticamente as plantas medicinais como medicamentos eficazes e seguros. Nesse sentido as plantas medicinais não se diferenciam de qualquer outro xenobiótico (produto estranho ao nosso organismo) sintético e sua preconização, ou a autorização oficial do seu uso medicamentoso, deve ser fundamentadas em evidências experimentais comprobatórios de que o risco a que se expõe aqueles que utilizam é suplementado pelos benefícios que passam advir (BRASIL et al. 1995).

Laboratórios de Produtos Naturais tem inserido dentro de suas rotinas de isolamento e elucidação estrutural, diversos ensaios biológicos simples. Dentre estes bioensaios, encontra-se a toxidade sobre Artemia salina (TAS), que se caracteriza por ser de baixo custo, rápido e não exigir técnicas assépticas. Inúmeros constituintes bioativos têm sido obtido de extratos vegetais utilizando este teste na monitoração de fitoquímicos e/ou toxicológicos (McLAUGHLIN et al. 1991, 1993). A Artemia salina é um microcrustáceo de água salgada que é utilizado como alimentos vivo para peixes, sendo seus ovos facilmente encontrados em lojas aquaristas. A simplicidade do biensaio TAS favorece sua utilização rotineira, podendo ser desenvolvida no próprio laboratório de fitoquímica (McLAUGHLIN, et al. 1991).

Popularmente conhecida como Cáscara-sagrada, pertencente a família Rhamnacere de nome científico Rhamnus purshiana DC é uma espécie originaria da costa dos Estados Unidos, atualmente cultivada também em outras regiões e no Canadá, de forma que praticamente toda a cáscara-sagrada utilizada medicinalmente provém cultivo (Wagner, 1988). Utilizando-se a casca do caule com propriedades laxantes, seu uso é muito popular mos Estados Unidos, onde existem vários medicamentos de venda livre contendo extratos desta planta. Ela é considerada a mais suave entre as drogas laxantes contendo derivadas antracênicos (TYLER et al. 1994).

OBJETIVO

O propósito do presente trabalho é determinar a CL 50% dos extratos do extrato hidroalcoólico de Rhamnus purshiana frente a Artemina salina (TAS).

MÉTODOS E MATERIAL

Preparação do extrato: Para a preparação, 10 g de pó da casca do caule da Rhamnus purshiana foram submetidas à maceração com 300 ml de etanol/água (7:3) por 15 dias, filtrar e concentrar em evaporador rotativo até a completa eliminação do solvente.

Ensaio Biológico: Determinação da CL 50% segundo o método TAS, descrito por Mclaughlin (MCLAUGHLIN, 1993).

ANALÍSE DOS RESULTADOS

Estimativa da CL 50% através do método de Análise de produtos com 95% de intervalo de confiança para comparações estatísticas significativas.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BEZERRA, P.; FERNANDES, A. Fundamentos de taxonomia vegetal. Fortaleza: UFC, Brasília: Proed, 1989. p. 100.

BRASIL. Ministério da Saúde, Secretaria de vigilância Sanitária. Portaria nº 6 de 31.01.95. Diário Oficial da União, v. 200, Seção I, p. 1523-1524, 06.02.1995.

KORALKOVAS, Andrejus; H. BRUCKHALTE, Joseph. Guanabara Koogan S. A. Rio de Janeiro. Química Farmacêutica. Cap. I. pág. 3-24.

MCLAUGHLIN, J. L.; CHANG, C. J.; SMITH, D. L. In: Studies in Natural Products chemistry, vol. 9. Ed. Atta. Amsterdam 1991, p. 383-409.

MCLAUGHLIN, J. L.; CHANG, C. J.; SMITH, D. L. In Humam Medicianl Agents from Plants. Kinghorn, A. D e Balandrin, M. F. eds., Symposium Series nº 534, Americam Chemical Society, Washington, D. C. 1993, p. 112-137.

SIMÕES, Claudia Maria Oliveira; GUERRA, Miguel Pedro. Farmacognosia da planta ao medicamento… et al. – 5. ed. rev. ampl. Primeira impressão – Porto Alegre/ Florianópolis: UFRGS/ Editora da UFSC, 2004. Cap. 25 – Quinonas. P. 673-674.

TYLER, V. E. Herbs of choice: the therapeutic use of phrytomedicinals. New York: Pharmaceutical Products, 1994.

WAGNER , H. Pharmazeutische biologie 2: drogen und ilvre Inbraltsstoffe 4. Aufl, Stuttgart: Gustare Fischer, 1988.

GENÉTICA MOLECULAR

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Em genética, como um todo, poucos tópicos envolvem aspectos humanos de forma tão direta quanto as mudanças no número de cromossomos presentes em nossas células. É importante o fato de que um grupo de distúrbios genéticos comuns resulta da presença de um número anormal de cromossomos. Embora este grupo de distúrbios seja pequeno, ele contribui para uma grande proporção de problemas de saúde geneticamente determinados que afligem os seres humanos. É também relevante para os seres humanos o papel das mutações cromossômicas no cruzamento de plantas: os criadores de plantas tem manipulado rotineiramente o número de cromossomos para melhorar cultivos agriculturais comercialmente impotentes.

As mudanças no número de cromossomos são basicamente de dois tipos: mudança em conjuntos totais de cromossomos, resultando em uma condição chamada de euploidia aberrante, e mudanças em partes de conjunto de cromossomos, resultando em uma condição de aneuploidia.

EUPLOIDIA ABERRANTE

Os organismos com múltiplos do conjunto básico de cromossomos (genoma) são chamados de euplóides.

Os estados haplóides e diplóides são ambos são ambos casos de euploidia normal. Organismos que têm mais ou menos que o número normal do conjuntos saq aberrantes euplóides. Os poliplóides são organismos individuais que têm mais de dois conjuntos cromossômicos. Eles podem apresentar 3n (triplóide), 4n (tetraplóide), 5n (pentaploides), 6n (hexaploide) e assim por diante.

Um indivíduo de uma espécie normalmente diplóide que tem apenas um conjunto (n) cromossômico é chamado de monoplóide, para distingui-lo de um individuo de uma espécie normalmente haplóide (também n)

MONOPLÓIDES

Zangões, vespas e formigas são monoplóides. Nos ciclos de vida normais destes insetos, os machos se desenvolvem por partenogênese (o desenvolvimento de um tipo especializado de ovócito não fertiliza em um embrião sem a necessidade de fertilização).

POLIPLÓIDES

A poliploidia é muito comum em plantas, mas mais raras em animais.

De fato, um aumento no número de conjuntos cromossômicos foi um fator importantes na origem de algumas espécies de novas plantas.

MUDANÇA NA ESTRUTURA DOS CROMOSSOMOS

As mudanças na estrutura do cromossomo, chamadas de rearranjos, englobam varias classes importantes de eventos. Um segmento cromossômico pode ser perdido, constituindo uma deleção, ou duplicada, para formar uma duplicação. A orientação de um segmento dentro do cromossomo pode ser revertida, constituindo uma inversão. Ou um segmento pode ser movido pode ser movido para um cromossomo diferente, constituindo uma translocação. A quebra do DNA é uma causa importante de cada um destes eventos. Ambos os filamentos do DNA devem ser quebrados em dois locais diferentes, seguido de uma reunião das pontas quebradas para produzir os rearranjos cromossômicos. Os rearranjos cromossômicos por quebra podem ser induzidos artificialmente com o uso da radiação ionizante. Este tipo de radiação, particularmente os raios X e raios gama, é altamente energético e causa várias quebras bifilamentares no DNA.

DELEÇÕES

O processo espontâneo de deleção deve incluir duas quebras para a saída do segmento do meio. Caso as duas extremidades criadas se juntem e uma delas possua o centrômero será criado um cromossomo de tamanho reduzido, e esse será dito carregador de uma deleção. O fragmento deletado é acêntrico (não possui centrômero), conseqüentemente é imóvel e será perdido.

Um mutágeno eficiente para causar deleções é a radiação ionizante, que é altamente energética e causa quebras cromossomais. A forma como a quebra se religa determina o tipo de rearranjo produzido. Dois tipos de deleções são pssíveis:

Duas quebras podem produzir uma deleção intersticial;

A princípio, uma quebra pode causar uma deleção terminal, mas devido à necessidade dos telômeros é mais provável que as deleções terminais incluam duas quebras, sendo uma dela próxima ao telômero.

Os efeitos das deleções dependem de seu tamanho. Uma deleção pequena dentro de um gene, chamada deleção intragênica, inativa apenas aquele gene, tendo o mesmo efeito de qualquer outra mutação que anulasse o gene. No entanto, as deleções intragênicas normalmente não são reversíveis, e essa característica é usada para distingui-las das outras mutações.

Deleções multigênicas são aquelas que removem de dois a alguns milhares de genes e têm conseqüências muito severas. Através de autofecundação podem ser originados zigotos homozigotos para essa deleção, mas quase sempre isso é letal. Isso mostra como a maioria das regiões dos cromossomos é essencial para a viabilidade normal e a eliminação de qualquer segmento do genoma é deletério. Até mesmo indivíduos heterozigotos para a deleção multigênica podem não sobreviver. Existem diversos motivos para essa falha:

Existe uma “regulação fina” da expressão gênica e as deleções atrapalham esse balanço;

O genoma possui uma vasta gama de alelos recessivos letais que normalmente estão escondidos graças aos genes normais presentes nos cromossomos homólogos. Caso haja a deleção de algum desses genes normais o alelo letal deixa de ter seu efeito sobreposto.

Algumas pequenas deleções são viáveis em combinação com um cromossomo homólogo normal. Nesses casos a deleção pode, algumas vezes, ser identificada através de uma análise citogenética. A análise dos cromossomos meióticos de um indivíduo com uma deleção heterozigota mostra a formação de uma volta (deletion loop) no cromossomo normal devido à ausência de região homóloga. Uma deleção pode ser ligada a uma região específica do cromossomo determinando qual cromossomo possuiu essa volta e em que posição do cromossomo a volta está.

As mutações cromossômicas podem ser uma causa de câncer, e isso demonstra o seu caráter deletério. Não são todas as células de um tumor que apresentam essas deleções, e o mais usual é encontrar vários tipos de deleções dentro de um único tumor. Alguns tumores onde são encontradas deleções: neuroblastoma; melanoma; carcinoma de pulmão; tumores testiculares

DUPLICAÇÕES

O processo de mutação cromossômica às vezes produz uma cópia extra de alguma região do cromossomo. As regiões duplicadas podem estar localizadas adjacentes uma à outra ou uma das regiões duplicadas pode estr em sua região normal e a outra em alguma outra parte do cromossomo ou até mesmo de um cromossomo diferente. Em um organismo diplóide, o conjunto de cromossomos contendo uma duplicação normalmente está associado a um conjunto de cromossomos sem a duplicação, as células de tal organismo terão então três cópias da região do cromossomo em questão.

Os heterozigotos para duplicações apresentam estruturas de pareamento interessantes durante a meiose. A estrutura formada depende do tipo de duplicação. O presente estudo considerará apenas duplicações adjacentes, que podem ser tandem como no exemplo: A B C B C D; ou reversa como no exemplo: A B C C B D.

A região extra de uma duplicação está livre para sofrer mutações genéticas porque as funções básicas necessárias da região serão realizadas pela outra cópia. Mutação na região extra é uma oportunidade para divergência na função dos genes duplicados, o que pode ser vantajoso na evolução do genoma. De fato, em situações onde diferentes produtos gênicos com funções relacionadas, tais como as globinas, foram comparados existem muitos indícios de que tais produtos surgiram de duplicações.

Duplicações tandem são raras em humanos. A maioria das duplicações consiste em um braço ou um pedaço de braço extra, geralmente associado a um cromossomo não homólogo. Diferentemente das deleções, duplicações não revelam genes letais recessivos, sendo assim, as anormalidades ligadas às duplicações estão associadas a uma quebra no balanço de expressão gênica devido à cópia extra da região. Em geral, duplicações são difíceis de detectar e raras, no entanto são um mecanismo muito útil para a evolução.

INVERSÕES

Quando ocorrem duas quebras em um cromossomo, algumas vezes a região as quebras sofre uma rotação de 180 graus antes da religação dos fragmentos. Tal evento cria uma mutação cromossomal denominada inversão.

Diferentemente de deleções e duplicações, inversões não causam uma mudança no balanço de material gênico expresso, então inversões normalmente são viáveis e não causam anormalidades fenotípicas. Em alguns casos uma das rupturas do cromossomo é em um gene com função essencial, e o ponto de quebra age como uma mutação letal. Nesse caso a inversão não pode ser encontrada em homozigose.

A maioria das análises de inversões usam indivíduos heterozigotos – indivíduos com um cromossomo com a inversão e um cromossomo homólogo normal. A observação microscópica da meiose nesses heterozigotos revela a região ou pelo menos a presença de inversão devido aos padrões de dobramento nesses cromossomos. No caso mais simples forma-se uma volta de inversão (inversion loop)

A localização do centrômero em relação ao segmento invertido determina o comportamento genético do cromossomo. Se o centrômero estiver fora da inversão ela é denominada paracêntrica, enquanto uma inversão que inclua o centrômero é denominada pericêntrica.

A maior importância das inversões, no entanto são os crossing over que podem acontecer dentro das diferentes voltas de inversão que podem ser produzidas pelos diferentes padrões de inversão. Os casos mais comuns são:

Deleção recorrente de crossing over entre um cromossomo normal e um com uma inversão paracêntrica. Além de cromossomos com pequenas deleções são originados cromossomos inviáveis;
Duplicação de grandes regiões (braço longo) do cromossomo devido à permutação entre um cromossomo normal e um com inversão pericêntrica perto de uma braço curto dispensável.
TRANSLOCAÇÕES

Quando dois cromossomos não homólogos sofrem uma mutação de troca de partes o resultado é denominado translocação. Aqui consideraremos translocações recíprocas, onde um segmento de um cromossomo é trocado por um segmento de outro cromossomo não homólogo, gerando assim dois cromossomos translocados.

A troca de partes de cromossomos não homólogos gera novas relações de ligação entre os genes desses cromossomos. Essa mudança de relação entre genes é muito facilmente estudada para indivíduos homozigotos para essa mutação. As translocações podem alterar drasticamente o tamanho e posição do centrômero nos cromossomos em questão. No exemplo abaixo um grande cromossomo metacêntrico é transformado em um pequeno acrocêntrico.

Outro caso muito comum é a translocação entre cromossomos acrocêntricos com os braços curtos dispensáveis. Esse tipo é chamado de Translocação Robertsoniana e é encontrada em várias populações naturais

Várias conseqüências advêm das translocações, podendo elas ser visíveis no portador ou na prole. Alguns casos de câncer parecem estar ligados a translocações em células somáticas, como é o caso do câncer na papila ovariana e tumor na parótida. O padrão de meiose contendo cromossomos translocados pode resultar em outras mutações tais como deleções ou duplicações. Os efeitos potenciais dessas mutações já foram discutidos em tópicos anteriores.

As translocações são muito importantes no processo de especiação por resultarem em uma barreira genética para a reprodução entre duas populações da mesma espécie, especialmente no caso da Translocação Robertsoniana. Isso pode ser demonstrado pelo exemplo da Síndrome de Down em humanos que possuem uma translocação entre os cromossomos 21 e 14. Um indivíduo heterozigoto para essa mutação tem seu sucesso reprodutivo reduzido quando seu parceiro não é portador. Isso é causado pelos genótipos letais e com Síndrome de Down obtidos freqüentemente na prole.

DISTÚRBIOS DO METABOLISMO

VARIANTES DO METABOLISMO

Até hoje, já foram descritos mais de 350 erros inatos do metabolismo e a maioria deles é rara. Em conjunto, entretanto,os distúrbios metabólicos contribuem com uma porcentagem substancial de morbidade e mortalidade diretamente atribuídas a doenças genética. Alem disso estamos a compreender que alelos diferentes podem alterar o risco de muitas doenças comuns.

Fazer o diagnóstico de um distúrbio metabólico pode ser um desafio. Assim, a morbidade associada a defeitos metabólicos é provavelmente subestimada. Na década de 1970 muitas crianças foram diagnosticadas com uma encefalopatia metabólica geralmente fatal chamada síndrome de Reye. Nas décadas seguintes, aprendemos que algumas crianças diagnosticadas com uma encefalopatia indistinguível da síndrome de Reye tinha um defeito no ciclo da uréia que produzia hiperamonemia (aumento de amônia) e morte. O reconhecimento da síndrome de Reye como uma fenocópia de um defeito no ciclo da uréia é importante porque, além dos cuidados de apoio, os defeitos do ciclo da uréia são diretamente tratáveis.

Herança dos defeitos metabólicos

A maioria dos distúrbios metabólicos é herdada de modo autossômico recessivo. Só as pessoas com dois alelos mutantes são afetadas. Embora um alelo mutante produza ou não atividade enzimática reduzida, ele geralmente não altera a saúde do heterozigoto portador. Como muitos dos genes que codificam enzimas relacionadas a doença foram clonados e suas mutações caracterizadas, o teste dos portadores e o diagnóstico pré-natal de muitos distúrbios metabólicos estão disponíveis. Entretanto os testes em amostras de sangue seco quanto a níveis elevados, de metabólitos no período neonatal ainda são os mais usados nas triagens populacionais para distúrbios metabólicos. Infelizmente, a maioria das mortes causadas por erros inativos do metabolismo é devida a variantes enzimática não incluídas nos programas de triagem neonatal. À medida que progredir a tecnologia para testes de DNA rápidos e eficientes quanto a alelos mutantes, provavelmente serão incorporados distúrbios adicionais nas triagens de população.

TIPOS DE PROCESSO METABÓLICO

Os distúrbios metabólicos têm sido classificados de muitos modos, incluindo: (1) os efeitos patológicos de via bloqueada (ex: ausência do produto final, acúmulo de substrato); (2) classes funcionais diferentes de proteínas (ex: receptores, hormônios); (3) co-fatores associados (ex: metais, vitaminas); e (4) vias afetadas (ex: glicólise, ciclo do acido cítrico). Todos têm vantagens e desvantagens, e nenhum engloba todos os distúrbios metabólicos. Todavia, a classificação que mais completamente integra nossos conhecimentos de biologia celular, fisiologia e patologia com os distúrbios metabólitos classifica os defeitos do metabolismo pelos tipos de processo que são pertubados.

DEFEITOS DOS PROCESSOS METABÓLICOS

Quase todas as reações bioquímicas no corpo humano são controladas por enzimas, que atuam como catalisadores. As propriedades catalíticas das enzimas tipicamente aumentam as taxas de reação em mais de um milhão de vezes. Estas reações mediam a síntese, transferência, uso e degradação de biomoléculas para construir e manter as estruturas internas das células, tecidos e órgãos. As biomoléculas podem ser categorizadas em quatro grupos primários: acido nucléicos, proteínas, carboidratos e lipídios. As principais vias metabólicas que metabolizam estas moléculas incluem glicólise, ciclo do ácido cítrico, shunt de pentose fosfato, gliconeogênese, síntese e armazenamento de glicogênio e de ácidos graxos, vias degradativas, produção de energia e sistemas de transporte. Discutiremos como os defeitos em cada uma destas vias metabólicas podem causar doenças humanas.

METABOLISMO DE CARBOIDRATOS

Em vista das muitas aplicações diferentes que têm em todos os organismos, os carboidratos são a substancia orgânica mais abundante no planeta. Funcionam como substrato para produção de energia e armazenamento, como intermediários de vias metabólicas e no arcabouço do DNA e do RNA. Consequentemente, os carboidratos contribuem com parte importante da dieta humana, e são metabolizados em três monossacarídeos principais: glicose, galactose e frutose. A galactose e a frutose são convertidas em glicose antes da glicólise. Não utilizar efetivamente estes açúcares contribui para a maioria dos erros inatos do metabolismo de carboidratos em seres humanos.

METABOLISMO DOS AMINOÁCIDOS

As proteínas têm as funções, mais diversas entre as grandes biomolécula.

HIPERFENILALANINEMIAS

Os defeitos no metabolismo de fenilalanina (um aminoácido essencial) causam as hiperfenilalaninemias.

Os níveis elevados de fenilalanina plasmática perturbam processos celulares essenciais no cérebro tais como a mielinização e sínteses de proteínas, produzindo essencialmente grave retardo mental. A maioria dos casos de hiperfenilalaninemias é causada por mutações da finilalanina hidoxilase (PAH) e produzem a fenilcetonúria clássica (PKU). Mais de 100 mutações foram identificadas na PAH, incluindo substituição, inserções de deleções.

O tratamento da hiperfenilalaninemias visa a restaurar os níveis normais de fenilalanina sangüínea restringindo a ingestão dietética de alimentos contendo fenilalanina.

A fenilalanina é um aminoácido essencial e suplementos adequados são necessários ao crecimento e desenvolvimento normal.

A hiperfenilalaninemias em uma mulher grávida pode causar embriopatia , que consiste na ma formação fetal.

METABOLISMO DE LIPÍDIOS

Os lipídios ou gorduras são um grupo heterogêneo de biomoléculas indissolúveis na água e altamente solúveis em solventes orgânicos. São o arcabouço para os fosfolipídios e esfingolipídios, que são componentes de todas as membranas biológicas. Os lipídios também são constituintes dos hormônios. Atuam como mensageiros intracelulares e servem como substrato energético. Níveis séricos elevados de lipídios (hiperlipidemia) são comuns, e resultam de mecanismos defeituosos de transporte de lipídio. Os erros do metabolismo de ácidos graxos são muito menos freqüentes. A caracterização dos erros de oxidação de ácidos graxos tem sido uma eficiente abordagem para se compreender a base bioquímica do catabolismo de lipídios.

Durante o jejum e exercícios aeróbicos prolongados, os ácidos graxos, são mobilizados do tecido adiposo, tornando-se um substrato importante para a produção de energia no fígado, musculosos esqueléticos e músculo cardíaco. As principais etapas desta via incluem a captação e ativação de ácidos graxos pelas células, transporte através das membranas internas e externas das mitocôndrias.

FARMACOGENÉTICA

O estudo da modificação genética das respostas humanas a agentes farmacológicos é chamado de farmacogenética. Uma deficiência causa aumento da sensibilidade à droga antimalarígena primaquina, produzindo aguda anemia hemolítica. A exposição de uma pessoa tendo um polimorfismo enzimático comum a uma substancia química especifica produz um efeito farmacológico não previsto.

Uma variante farmacogenética pode ser importante se (1) a droga for amplamente usada na prática clinica, (2) os efeitos terapêuticos e tóxicos da droga forem difíceis de avaliar e titular clinicamente e (3) o destino do agente ativo for amplamente dependente da via variante.

BIBLIOGRAFIAS

GRIFFITHS: Anthony J. F. Introdução a genética. 8 ed.. Ed. Guanabara Koogan. Tradutor: Paulo A. Mota. Rio de Janeiro – RJ.

JORDE, Lynn B. Genética Médica. 2 ed. Ed. Guanabara Koogan. Tradutor: Paulo A Motta. Rio de Janeiro – RJ

ANOREXIA

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O termo anorexia vem do grego, significando falta de apetite. O termo, na verdade , é errôneo, já que a falta de apetite é rara, pois o indivíduo muitas vezes sentem fome, mas procuram negá-la.

A síndrome foi identificada como entidade clínica em 1868, por Gull e Lasígue, apesar de Ter sido descrita em 1694 por Richard Morton, que relatava um emagrecimento auto-induzido em decorrência de um medo mórbido de ganhar peso.

As características essenciais da anorexia nervosa são: recusa do indivíduo de manter um peso corporal na faixa normal mínima associado à um temor intenso de ganhar peso. Esse distúrbio é caracterizado por distúrbios severos no comportamento alimentar, que merecem análise cuidadosa no que diz respeito aos aspectos e cuidados nutricionais.

A comunidade científica trata a (AN) como sintomas do inconsciente da cultura contemporânea.

Na realidade, trata-se de uma perturbação significativa na percepção do esquema corporal, ou seja, da auto-percepção da forma e ou do tamanho do corpo.

Parece ter tornado-se do senso comum que tais transtornos são muito mais predominantes nas sociedades industrializadas, nas quais há abundância de comida e onde, especialmente para as mulheres, é considerada atraente a pessoa que é magra. Contraditoriamente, em algumas culturas, a percepção distorcida do corpo pode não ser proeminente, e a motivação expressa para a restrição alimentar poderia Ter um conteúdo diferente, como o desconforto espigástrico.

A anorexia nervosa tem fatores psicológicos, biológicos e sociais.

Epidemiologia

A taxa de prevalência de indivíduos com Anorexia é de 1% e desses cerca de 90% dos casos de Anorexia Nervosa são em mulheres. Os casos acontecem com mais freqüência em classes sociais mais elevadas. Em 45% dos casos, a Anorexia acontece após uma dieta de emagrecimento. Em 40% acontece por competição, como por exemplo pessoas que sua profissão exige magreza como modelos e bailarinas.

Nas últimas décadas, tem crescido o número de relatos em meninas pré- púberes e em homens. As idades mais comuns de início ocorre na adolescência, mas até 5% dos pacientes com Anorexia Nervosa tem início logo após os 20 anos.

Etiologia

Não se conhecem as causas fundamentais da Anorexia Nervosa. Há autores que evidenciam como causa a interação sociocultural mal adaptada, fatores biológicos, mecanismos psicológicos menos específicos e especial vulnerabilidade de personalidade.

Fatores biológicos: Incluem as alterações hormonais que ocorrem durante a puberdade e as disfunções de neuro- transmissores cerebrais (disfunção cerebral ao nível do hipotálomo, que comandam os estímulos da fome, da sede e amadurecimento sexual) tais como a dopamina, a serotonina, noradrenalina e dos pepitídeos opióides.

Vários trabalhos apontam para uma pré- disposição genética para o desenvolvimento da Anorexia. Estudos demonstram uma taxa se concordância muito maior em gêmeos monozigóticos em comparação com gêmeos dizigóticos (56% contra 5%). Parentes de primeiro graus de pacientes com Anorexia exibe um risco de aproximadamente 8 vezes maior de apresentar a doença do que a população geral.

Fatores psicológicos: Muitas anoréxicas pertencem a famílias rígidas e fechadas sobre elas próprias, e geralmente tem um relacionamento patológico com a mãe. As anoréxicas são freqüentemente pessoas dependentes mas atuando de uma forma de perfeita independência, extremamente carente de afeto, quase obsessiva tendência para o perfeccionismo intelectual, que as leva quase incurável racionalização.

Há como que uma recusa inconsciente de crescer, tentando conservar as formas de infância. A tentativa de controle do corpo surge assim como uma forma inconsciente de compensação de um sentimento generalizado de incapacidade, de dependência e de dificuldade de autonomia.

Fatores socioculturais: Os aspectos socioculturais dos transtornos alimentares têm sido amplamente estudados e já foram objeto de inúmeros trabalhos médicos, antropológicos, sociológicos e históricos. O interesse pelo tema decorre de observações, encontradas já nas primeiras descrições contemporâneas destes transtornos, de que a extrema valorização da magreza nas sociedades ocidentais desenvolvidas estaria fortemente associada à ocorrência de anorexia nervosa.

Os dados revelam também que anorexia nervosa pareça ser mais prevalente em países ocidentais e são claramente mais freqüentes entre as mulheres jovens, especialmente aquelas pertencentes aos estratos sociais mais elevados destas sociedades, o que fortalece sua conexão com fatores socioculturais.

A pressão cultural para emagrecer é considerada um elemento fundamental da etiologia dos transtornos alimentares, que interage com fatores biológicos, psicológicos e familiares para gerar a preocupação excessiva com o corpo e o pavor doentio de engordar, característicos da anorexia nervosa. A influência dos aspectos socioculturais é marcante.

Os transtornos alimentares, na forma como se apresentam hoje em dia, emergem das pesquisas epidemiológicas como doenças relativamente modernas e predominantemente ocidentais. Segundo DiNicola (1990), a concepção de um modelo de compreensão dos transtornos alimentares que explique os dados sobre sua ocorrência e distribuição deve incluir necessariamente a abordagem do contexto sociocultural onde ocorrem.

Nas sociedades afluentes, ao mesmo tempo em que observamos uma oferta abundante de alimentos de alto teor calórico e de rápido consumo, e a vida cotidiana se torna cada vez mais sedentária, as modelos e atrizes de sucesso, representantes dos padrões ideais de beleza feminina, são extremamente magras e muitas vezes apresentam um corpo de pré- adolescente, com formas pouco definidas.

Assim, as sociedades ocidentais contemporâneas vivem atualmente sob o ideal da magreza e da boa forma física. Este padrão se impõe especialmente para asa mulheres, nas quais a aparência física representa uma importante medida de valor pessoal. Proliferam novas e miraculosas dietas para emagrecimento.

Apesar na falta de informação com sólida base empírica e das limitações metodológicas de algumas pesquisas sobre transtornos alimentares em países não europeus ou norte-americanos, a descrição crescente da ocorrência da anorexia nervosa em outras sociedades tem oferecido dados para a argumentação contrária à visão dos transtornos alimentares como síndrome restrita à cultura ocidental.

O processo de aculturação parece também ter alguma influência na ocorrência dos transtornos alimentares entre imigrantes residindo em países ocidentais de primeiro mundo e nas minorias étnicas destes países.

Segundo autores, a razão para este aumento se deve a melhores métodos de detecção de caso, maior acesso ao sistema de saúde, mudanças nos padrões sócio-econômicos e mais ampla adoção do padrão de magreza.

Quais as teorias psicológicas que tentam explicar o que acontece com alguém com transtorno alimentar?

As teorias psicológicas tentam discutir e compreender como se dá a relação do ser humano com o alimento e a forma corporal, bem como de que forma isso poderia se relacionar com o modo pelo as anoréxicas pensam, sentem e se comportam.

De modo bem simples, poderíamos destacar a visão psicanalítica e a visão cognitivista a respeito dos transtornos alimentares, porque são as formas de psicoterapia maios utilizadas no tratamento individual ou em grupo dessas pacientes.

A visão psicanalítica se formou, a partir dos estudos e teorias de Sigmund Freud, o criador da Psicanálise, no início de século. Entre outras idéias, formulou que a causa da maioria dos problemas e sofrimentos psicológicos são conflitos, em geral entre os desejos do próprio indivíduo e os limites do ambiente e da sociedade. Anoréxicas e bulímicas passam, ao longo da vida, por diversas experiências de conflito e sofrimento psíquico, seja em aceitar a si próprias e às suas necessidades básicas (por exemplo, a de precisar de alimento), seja em relação às expectativas de outras pessoas, as quais buscam atender ( por exemplo, familiares). Contudo, para explicar por que problemas emocionais vão se refletir na alimentação, é preciso recordar outra das teorias de Freud, a respeito do desenvolvimento afetivos e sexual, que se inicia na infância. Ele dividiu em diversas etapas ou fases este desenvolvimento, no qual a criança vai descobrindo, em si mesma, fontes de sentimentos prazerosos e desprazerosos. A primeira dessas etapas é justamente a chamada fase oral, na qual a criança, a partir do contato com o seio materno, associa a obtenção de alimento com o contato afetivo e o prazer. Obviamente, outros estudiosos modificam e ampliaram essas teorias. AO se entrar em contato com uma paciente anoréxica ou bulímica, percebe-se que o mais importante é que ela descubra qual é o significado (muitas vezes inconsciente e desconhecido para ela) do seu sintoma e como isso pode ser integrado e vivido de forma menos angustiante.

A visão cognitivista se baseia em uma outra teoria, a de que as cognições ou idéias do indivíduo influenciam a sua afetividade. No caso da Anorexia Nervosa e da bulimia nervosa, pessoas com esses tipos de problema teriam originalmente experiências que as fizeram pensar que somente se sentiriam melhor ou mais valorizadas se tivessem determinada aparência, não fossem obesas e para tanto tivessem que praticar dietas e comportamentos purgativos. Ademais, teriam erros de raciocínio ou “distorções cognitivas” que justificariam continuar mantendo esses comportamentos, como, por exemplo, “sou magra e estou bem”, “aquela comida vai me engordar, por isso nunca mais vou comê-la”, sem argumentos lógicos que justifiquem tais idéias.

Diagnósticos e características clínicas

O aparecimento da Anorexia Nervosa ocorre entre os 10 e 30 anos de idade. Os pacientes fora desta faixa etária não representam casos típicos e, portanto, seus diagnósticos devem ser questionados. Após os 13 anos de idade, a freqüência do aparecimento da condição aumenta rapidamente, sendo máxima aos 17 ou 18 anos de idade. Em cerca de 85% de todos os pacientes com Anorexia Nervosa o surgimento da doença dá- se entre os 13 e 20 anos, alguns, antes dos 10 anos, eram “enjoados” para comer ou tinham freqüentes problemas digestivos.

Os critérios de diagnóstico do DSM-IV para Anorexia Nervosa são estes:

Recusas a manter o peso corporal em um nível igual ou acima do mínimo normal adequado a idade e a altura (por exemplo, perda de peso e levando a manutenção do peso corporal abaixo de 85% do esperado; o fracasso é inteiro ganho de peso esperado durante o período de crescimento, levando a um peso corporal menor que 85% do esperado).

Medo intenso de ganhar peso ou de se tornar gordo, mesmo estando com peso abaixo do normal.

Perturbação no modo de vivenciar o peso ou a forma do corpo, influencia indevida do peso ou da forma do corpo sobre a auto- avaliação, ou negação do baixo peso corporal atual.

Nas mulheres pós- menarca, amenorréia, isto é, ausência de pelo menos 3 ciclos menstruais consecutivos. (Considera-se que uma mulher tenha amenorréia se seus períodos ocorrem apenas após a administração de hormônio, por exemplo estrógeno).

Características físicas:

Os pacientes geralmente chegam ao médico quando a perda de peso se torna aparente, o peso cai assustadoramente. Anoréxicas com 42 kg são consideradas de peso bom. Freqüentemente o peso chega a 36, 32, 28 kg ou menos.

A medida que a perda ponderal se aprofunda aparecem sinais físicos como hipotermia (temperatura abaixo de 35 C), edema (inchaço), bradicardia (coração bate mais lentamente), hipotensão (pressão arterial abaixo do normal), lanugo (pelos finos que recobrem a pele do rosto e outras partes do corpo), pele seca, intolerância ao frio, queda de cabelo, olhos fundos, envelhecimento precoce e outras alterações metabólicas.

Algumas pacientes chegam a atenção médica por causa da amenorréia que freqüentemente aparece antes de sua perda de peso ser perceptível.

Outras complicações médicas desse transtorno alimentar serão citadas logo abaixo:

Relacionadas a perda de peso:
Caquexia: Perda de gordura, massa muscular, metabolismo tireoídeo reduzido, dificuldades para manter a temperatura corporal básica.

Cardíaca: Perda do músculo cardíaco, coração pequeno, arritmia cardíaca, parada cardíaca.

Digestivos gastrintestinais: Inchação, constipação (queixas de intestino preso), dor abdominal .

Reprodutivas: Baixos níveis de hormônios luteinizante (LH) e hormônio folículo- estimulante (FSH).

Hematológicas: leucopenia (diminuição do número de leucócitos: diminuição da defesa do organismo a infecções).

Neuropsiquiátricas: Sentido de paladar anormal

Esqueléticas: Osteoporose (Conseqüência do baixo consumo e absorção de cálcio).

Endócrinas: Hipotireoidismo

Relacionadas a purgação (vômitos e uso de laxantes)

Digestivas- gastrintestinais: Inflamação e aumento das glândulas salivares e pancreáticas e aumento da amilase sérica, erosão esofágica e gástrica.

Dentárias: Erosão do esmalte dentário

Neuropsiquiátricas: Convulsões, fadiga e fraqueza.

Características psicológicas:
Surgimento da doença dá-se entre os 13 e 20 anos.

Meninas inteligentes, bonitas, perfeccionistas e espertas.

Existe uma preocupação em comer em público.

Enquanto fazem uma refeição tentam livrar-se do alimento colocando-o no guardanapo ou escondendo-o nos bolsos.

Cortam a carne em pedaços muito pequenos e levam muito tempo mexendo com a comida no prato.

Sentimento de inutilidade

Pensamento inflexível

Isolamento social (até mesmo namoro)

Expressão emocional demasiadamente refreadas

Sua auto- estima está associada ao grau de sua forma e peso corporais

A perda de peso é vista como uma conquista, é um sinal de auto- disciplina

E o ganho de peso é visto como um fracasso

Os indivíduos com estes transtornos até reconhecem que estão magros, mas negam as implicações de seu estado de desnutrição, ou até mesmo a morte.

A indução de vômitos, onde uma simples escova de dentes ou cabo de uma colher se tornam ótimos instrumentos para induzir o vômito (se não vomitarem se sentem sujas).

Abuso de laxantes e diuréticos que conduzem ao mórbido emagrecimento desejado.

Irritabilidade (pouco conversam)

Agressividade

Choro

Adoram cozinhar e servir comida para os outros, mas elas mesmas fazem exercícios físicos exageradamente

Acham que o tratamento é totalmente desnecessário

Transtornos mentais associados:
Transtornos depressivos tais como: humor deprimido, retraimento social, irritabilidade, insônia e interesse diminuído por sexo. Esses pacientes podem ter um quadro clínico e sintomático que satisfaz os critérios para um transtorno depressivo maior. Estes sintomas de perturbação de humor deve portanto ser reavaliados após uma reavaliação completa ou parcial do peso.

A depressão também é muito freqüente entre indivíduos com AN.

Transtornos Obsessivos Compulsivos: Pessoas com TOC sente-se aprisionadas por

pensamentos e comportamentos que se repetem e que o próprio indivíduo considera absurdos, desagradáveis e impossíveis de fazer cessar.

Quando os indivíduos com AN apresentam obsessões e compulsões não relacionadas a alimentos, forma corporal ou peso, podem haver um diagnóstico conjunto e concomitante de transtornos obsessivo compulsivo que são relacionados quando não são relacionados com comida.

Tipos de Anorexia

Os seguintes subtipos podem ser usados para a especificação da presença ou ausência de compulsões periódicas ou purgações regulares durante o episódio atual de Anorexia Nervosa.

Anorexia Nervosa do tipo restritivo

Neste tipo a perda de peso é conseguida pelo fato da pessoa limitar suas opções alimentares através de dietas, jejuns ou exercícios excessivos, consumindo o mínimo possível de calorias. Durante o episódio atual, esses pacientes não desenvolveram compulsões periódicas ou purgações.

Anorexia Nervosa do tipo compulsão periódica/purgativo

O tipo compulsão periódica/purgativo se desenvolve em até 50% das pessoas com Anorexia Nervosa. Os indivíduos do tipo compulsão periódica/purgativo tendem a ter famílias nas quais alguns membros são obesos, e elas próprias tem histórias de maior peso corporal antes do transtorno que as pessoas restritas, é quando o paciente se envolve regularmente em compulsões de comer seguidas de purgações durante o episódio atual de Anorexia. A maioria dos pacientes com Anorexia Nervosa que comem compulsivamente também fazem purgações mediante vômitos auto- induzidos ou uso indevido de laxantes, diuréticos ou enemas. Algumas pessoas com Anorexia Nervosa são do tipo purgativo, porém sem compulsão periódica, ou seja, fazem purgações regularmente mesmo após o consumo de pequenas quantidades de alimentos. Aparentemente, a maior parte dos pacientes com o tipo compulsão periódica/purgativo dedica-se a esses comportamentos pelo menos uma vez por semana.

Cada um dos dois tipos parece ter características históricas e clínicas distintas. Compartilha muitas das características dos que tem bulimia nervosa, mas não Anorexia Nervosa. Comparados os dois grupos, os pacientes com Anorexia Nervosa, tipo restrito são menos graves e tem melhor prognóstico que aqueles com o tipo compulsão periódica/purgativo. Ambos os tipos podem ter sintomas de transtorno depressivo e interesse sexual diminuído, mas os indivíduos que tem Anorexia Nervosa com o tipo compulsão periódica/purgativo estão mais propensos a ter outros problemas como o de controle dos impulsos, abuso de álcool ou outras drogas, e exibirem maior instabilidade do humor.

Características comuns nas famílias dos indivíduos com Anorexia Nervosa

Estrutura familiar parecidas.

1- Perfeccionismo: é muito comum que o bom comportamento e uma conduta social extremamente adequada seja algo que as famílias valorizem muito. É comum ouvir: “Ela sempre foi uma menina modelo, nunca deu trabalho, sempre foi estudiosa e obediente”.

Trata-se de famílias preocupadas em se ajustar demais no modelo social, no qual o ideal familiar é pais e filhos perfeitos tendo como guia para realização deste desejo as convenções sociais mais rígidas.

Esse perfeccionismo dos pais leva freqüentemente a um hipercontrole dos filhos e o que muitas vezes resulta na sua infantilização.

2- Superproteção: Na maioria das famílias de indivíduos anoréxicos pode se encontrar uma extrema preocupação pelo bem estar dos seus membros.

Esse exagero na proteção em geral conduz a um atraso de desenvolvimento da autonomia pessoal e consequentemente, a uma ligação muito forte com os pais, em especial com a mãe.

“Ela não precisa trabalhar, acho ela muito criança”, “ainda é cedo para namorar…” são frases que mostram as dificuldades das famílias em aceitar o crescimento dos filhos e a tendência em mante-los o máximo tempo possível ao lado dos pais.

3- Aglutinação: Algumas famílias permanecem tão unidas que os papeis se confundem, filhos assumem o papel dos pais.

4- Repressão das emoções: Um controle restrito sobre as emoções que podem se originar de uma hipermoralidade do sistema familiar que faz com que os sentimentos de raiva e ciúmes, etc não possam ser expressados e onde qualquer conduta considerada agressiva é vivenciada com extrema angústia pela família.

5- Preocupação com peso e com regimes: Alguém da família faz dieta e há um temor exagerado de engordar encontrado predominantemente no casal de pais. Também é comum a idealização do magro como algo bom e o culto ao corpo está supervalorizado.

6- Confronto entre o casal de pais e sensação de fracasso na família: No início da doença a família anda em círculos e tenta achar um culpado, nisso o tempo vai passando.

No quadro geral o conflito profundo e reprimido da família.

Tratamento

Uma das primeiras dificuldades é a que diz respeito à aderir o paciente ao tratamento, pois a negação da doença é muitas vezes parte integrante do quadro. As pacientes com anorexia nervosa em geral desconfiam dos médicos, os quais elas percebem como inimigos e interessados apenas em realimentá-las, em fazê-las perder a vontade de controlar seus pesos.

O tratamento tem que começar rápido, com muita firmeza, sem deixar absolutamente nenhuma alternativa para o paciente, de modo que fiquei claro para ela que não pode vomitar e que tem que ganhar peso.

O objetivo do tratamento é a recuperação do estado nutricional do paciente debilitado pelo estado de semi-inonição.

O modelo de tratamento com uma equipe multiprofissional é o melhor aceito atualmente. O ideal é que a equipe de tratamento inclua um clínico, um nutricionista, um psicoterapeuta individual, um psicoterapeuta de grupo familiar e um psicofarmacologista.

Durante todo o processo de recuperação, o nutricionista deve relacionar aspectos psicológicos e nutricionais dos transtornos alimentares, visando estabelecer padrões nutricionais adequados. A mudança em atitudes alimentares é uma medida importante do resultado geral nestes pacientes. Para isso, é fundamental criar um vínculo terapêutico como o paciente e colocar-se como aliado no tratamento, oferecendo ajuda, apoio e orientação. No entanto, o nutricionista não pode esquecer que a terapia para os transtornos alimentares é um processo integrado, no qual ele e a equipe trabalham juntos para modificar os comportamentos relacionados ao peso e à alimentação do paciente.

Cabe ao nutricionista, como provedor de informação sobre alimentos, nutrição e saúde, identificar o problema e informar outros profissionais da área de saúde e o poder público sobre o perigo das dietas de emagrecimento e uso inadequado de produtos dietéticos e orientar a população a manter padrões saudáveis de peso e métodos adequados para estabilização de peso.

É importante orientar a família. A reeducação nutricional deve ser oferecida juntamente com a terapia, cautelosamente. O nutricionista pode auxiliar a diminuir suas frustrações no horário das refeições, por aliviar a família da responsabilidade de monitorar o consumo alimentar ou mudar hábitos alimentares do paciente.

É muito importante, embora geralmente as pacientes só vão ao terapeuta para que a família as deixe em paz. Esse é um dos motivos pelos quais a psicoterapia não se aprofunda, fica arrastada, e parece que é castigo semanal para a paciente. A forma de psicoterapia mais eficaz é a Cognitiva- Comportamental, que encoraja a adoção de atitudes mais sadias por parte da paciente, que é recompensada com elogios e diminuição de sua mobilidade. A psicoterapia individual é indicada visando a modificação do comportamento, das crenças e dos esquemas falhos de pensamento.

É difícil tratar a anoréxica com psicoterapia, pois as jovens, falam muito pouco, e há uma recusa de falar de si próprias. Há psicoterapias adequadas, e só assim, aliando-se aos antidepressivos convencionais poderá ser melhorado um terço.

A psicofarmacoterapia é indispensável e, normalmente, se faz às custas de antidepressivos, notadamente com tricíclicos que tenham como efeito colateral também o estímulo do apetite e o ganho do peso, como é o caso da maprotilina, amitriptilina ou clomipramina. Havendo necessidade de sedação (quase sempre há), recomenda-se que seja feita com neurolépticos e, preferentemente, com aqueles que também aumentam o apetite, como é o caso da levomepromazina.

Se receita antidepressivos porque quase sempre a Anorexia é acompanhada de um estado depressivo, porque eles diminuem o caráter Obsessivo-compulsivo dos vômitos e da distorção da auto- imagem e finalmente porque eles agem no Sistema de Neurotransmissores que estão alterados nessa doença.

O tempo de espera para começar o efeito é de várias semanas; além disso a paciente não aceita estar doente e não quer tomar remédios (a não ser aqueles que a façam perder peso).

Além disso, existem muitos Antidepressivos diferentes e pode ser que as primeiras tentativas não tenham um resultado bom. Nesse caso, é preciso Ter paciência para uma tentativa com outro Antidepressivo que também precisará de algumas semanas para ser avaliado.

Dependendo das condições clínicas da paciente, é necessário, muitas vezes em função de uma caquexia, proceder a internação da paciente para restabelecimento de sua saúde em ambiente hospitalar.

Internação hospitalar se dá em algumas semanas. Atenção: hospitalização não é castigo. Ela deve ser encarada da seguinte maneira: o tratamento da Anorexia é como se fosse uma corrida. De um lado está a paciente, seu tratamento medicamentoso e psicológico. De outro lado está a natureza da doença, que freqüentemente é fatal. Chega uma hora em que a paciente e seus terapeutas começam a perder a corrida. Isto quer dizer que o estado de emagrecimento chegou num ponto em que a paciente começa a correr riscos para sua saúde física. Nessa hora entra a hospitalização.

Os principais objetivos são:

Ganhar peso.

Tratar intercorrências orgânicas da desnutrição.

Deixar claro para a paciente que trata-se de salvar sua vida, quer ela queria ou não.

Embora seja muito pouco aceita pela família (pela paciente nem se fala), uma internação hospitalar no início de um tratamento proporciona os melhores resultados.

Mesmo após a melhora é bom ter em mente que as recaídas são freqüentes. No caso da internação, a taxa de recidiva imediata é superior a 25%. Portanto o acompanhamento destas pacientes deve-se fazer por anos.

Quando curada a paciente deve ser capaz de separar comportamentos relacionados com alimento e com o peso, de sentimentos e questões psicológicas; normalizar seu consumo alimentar; manter um peso adequado e ser capaz de lidar com o alimento em situações sociais.

O papel da família

Na maioria das vezes, porém, a família demora a perceber a evolução dos distúrbios alimentares, provavelmente pelo desconhecimento das síndromes, despreparo médico em diagnosticar as mesmas e escassez de serviços que oferecem tratamento especializado. O sentimento de culpa e vergonha aliados a idéia de que este não seja um problema médico, também adiam o diagnóstico.

O papel da família tem um grande peso na cura. A família também precisa de auxilio, devendo os médicos muito bem preparados sobre a síndrome, explicar o porquê da recusa de alimentos, que poderá ser para chamar-lhes atenção ou uma mera afirmação pessoal. Eles deverão tentar compreender a situação e lutar em conjunto contra a doença, criando um ambiente agradável perto dela.

A família também deverá ter um apoio com psicólogos e nutricionistas, porque a família deverá ser totalmente reestruturada, tendo também novos hábitos como: reunir a família em volta da mesa para o almoço e para o jantar.

O apoio psicológico ajudará a família a se preparar para uma luta diária que deverá durar até mesmo anos, geralmente a família sofre porque não consegue ajudar e sobrecarrega o indivíduo porque ele não quer ser ajudado.

Por mais que os pais e médicos achem que estão controlando a situação, as anoréxicas são sempre mais espertas… pelo menos no começo…

Curso e Prognóstico

O curso da Anorexia Nervosa varia imensamente- recuperação espontânea sem tratamento, recuperação após uma variedade de tratamentos, curso flutuante de ganhos de peso seguidos de recaídas e um curso de deterioração gradual resultando em morte causada por complicações da inanição. Em geral, o prognóstico não é bom. Naqueles que recuperaram peso suficiente, a preocupação com alimentos e peso corporal freqüentemente continua, os relacionamentos sociais geralmente são pobres, e muitos são deprimidos. A resposta dos pacientes a curto prazo a praticamente qualquer programa de tratamento hospitalar é boa. Há estudos mostrando taxa de mortalidade que vão de 5% a 18%.

Indicadores de um resultado favorável são a admissão da fome menos negação, menos imaturidade e melhora na auto- estima. Fatores como neurose infantil, conflito entre os pais, bulimia, vômitos, abuso de laxantes e várias manifestações comportamentais (por ex: sintomas obsessivos- compulsivos, histéricos, depressivos, psicossomáticos, neuróticos e de negação) tem sido relacionados a fracos resultados em alguns estudos, mas não afetam significativamente o resultado em outros.

30% a 50% dos pacientes anoréxicos tem os sintomas de bulimia nervosa, e, geralmente, estes ocorrem dentro de 1 a 1/2 anos após o início da Anorexia Nervosa. Às vezes, os sintomas bulímicos precedem a Anorexia Nervosa.

Conclusão

O conhecimento geral sobre transtornos alimentares no Brasil, sua incidência e características- principalmente sobre aspectos da alimentação e nutrição desses pacientes é limitado.

Os profissionais que trabalham com transtornos alimentares devem intensificar seus trabalhos de pesquisa, para que, munidos de melhores dados, possam ser implantada uma estratégia preventiva conjunta de atuação com a comunidade.

É necessário, para se compreender e fazer calar a etiologia desses distúrbios, desenvolver um modo novo de ouvir que conduza a uma forma delicada de tratar.

Apesar de poucos recursos bibliográficos disponíveis, principalmente no que diz respeito aos padrões alimentares desses pacientes, é importante que se dê uma maior importância a Anorexia Nervosa e a bulimia nervosa pois estes transtornos alimentares vem aumentando gradativamente.

Relato de uma anoréxica

Vou contar uma parte do meu caso, digo uma parte porque existem muitos detalhes que terão que ficar de fora, e espero poder ajudar quem está passando por isso, é difícil, eu ainda não estou curada, mas vale a pena!

Quando era pequena, até uns 12 anos, eu era muito magra, muito mesmo, comia e não engordava. Com 13 comecei a comer mais, porque achava que eu nunca iria engordar, eu nem sabia o que era isso. Foi na mesma época em que eu cresci e o meu corpo começou a se desenvolver. Acabei confundindo formas com gordura, não era mais um palito, mas nem cheguei perto de ser gorda.

Passei um tempo assim, sem fazer dieta, comendo muita “porcaria”, e sem o meu peso mudar muito. Só que eu sempre achei lindo o corpo de modelo, reto feito uma tábua, corpo de anoréxica, como dizem, mas eu ainda não sabia como era essa doença.

Em Outubro de 99, com 15 anos, resolvi perder peso pela primeira vez, mas não queria que acontecesse comigo o famoso efeito sanfona (emagrece- engorda), e decidi nunca mais comer o que comia.

Não contei pra ninguém o que pretendia, porque sabia que iriam dizer: “Pra que, você não precisa!”. Mentira, eu pensava, eu tô uma baleia!!! Cortei tudo que podia cortar, só almoçava, muito pouco, e jantava um pão integral com uma folha de alface, quando jantava, o que resultava em menos de 500 calorias por dia.

Não fazia exercícios porque nunca gostei de fazer, queria passar o dia normalmente, só queria ver quanto tempo eu aguentava ficar sem comer. Eu me sentia muito bem quando ia dormir e sentia meu estômago vazio, era uma vitória, mais um dia tinha se passado.

Em dois meses perdi 6 quilos, e já estava muito fraca, sendo que antes já estava com peso normal. Sentia dores no corpo, minhas mãos e unhas ficaram roxas, tinha os olhos fundos, estava completamente enfraquecida.

Tive sorte, pois a minha mãe logo percebeu o problema e me levou a vários médicos, desde esse dia passei a freqüentá-los. A doença foi diagnosticada e eu comecei um tratamento com um grupo de médicas, uma nutricionista, uma psicóloga e uma clínica geral.

No começo eu dava gargalhada quando diziam que eu estava doente, achava que elas estavam loucas, e em uma semana eu seria dispensada. Com o tempo entendi que não era assim.

Aos poucos foram incluídos os alimentos no meu esquema alimentar, para que eu aumentasse de 500 a 800g por semana. Perdi mais 3 quilos antes de começar a repor peso. Foi difícil, tenho que comer tudo, era vigiada 24 horas pela minha mãe, ela me servia, cuidava de mim como um bebê. Era assim que eu estava. Me irritava, chorava, esperneava, mas ela não dava bola e eu me sentia incompreendida, estava sendo envenenada pela minha família.

Mas desde o começo vi que não podia enganar a minha família, nem minha médica, deixando de comer ou fazendo exercícios, que são proibidos, por isso nunca os fiz. Chorava muito, todos os dias, me sentia sozinha lutando contra todos, e ainda tendo que esconder das minha amigas, porque aquilo não parecia ser real.

Apesar de não querer comer, queria cozinhar, fazer banquetes, doces, “engordar os outros também”. Via programas de receitas, colecionava livros de comida, decorei as calorias de tudo, não pensava em outra coisa. Só me dei conta de como estava o meu corpo quando vi uma foto no meu aniversário, em novembro, que eu estava parecendo morta, sem exageros! Imagino o que os outros achavam de mim!

Bom, agora aumentei 3 quilos, com custo, e ainda faltam alguns. Mas já tenho alguma liberdade, faço algumas refeições sozinha, e atividades normais, se não for exercício, claro! Mas mesmo assim, ainda hoje eu penso que quando eu estiver “livre” vou fazer tudo de novo, vou ficar um palito, mas bem longe daqui, onde ninguém possa me impedir. Acho que só assim posso ser como quero. É bobagem, mas…

Bibliografia

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ANEMIA PERNICIOSA

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Anemia perniciosa ou de Biermer, megaloblástica, é exemplo de uma anemia carencial (freqüente em regimes vegetarianos ou em idosos com má nutrição), ou de fator intrínseco (também chamado de Castle. A designação megaloblástica provém da libertação prematura dos eritrócitos pela medula óssea, devido à carência de vitamina B12, o que lhes confere o aspecto gigante, característico dos megaloblastos. A vitamina B12 e o ácido fólico, são necessários à síntese do DNA e portanto das mitoses (no processo de divisão celular), acarretando a sua insuficiência um aumento do tamanho das células (megaloblastos) da linha eritroblástica, libertadas precocemente pela medula óssea na circulação sanguínea e designadas por megalíticos. Essencial para formação de hemácias (células vermelhas).

Palavras-chave: anemia perniciosa; doença; deficiência.

INTRODUÇÃO

Anemia perniciosa ou de Biermer, megaloblástica, é exemplo de uma anemia carencial (freqüente em regimes vegetarianos ou em idosos com má nutrição), ou de fator intrínseco (também chamado de Castle). A designação megaloblástica provém da libertação prematura dos eritrócitos pela medula óssea, devido à carência de vitamina B12, o que lhes confere o aspecto gigante, característico dos megaloblastos.

A vitamina B12 e o ácido fólico, são necessários à síntese do DNA e portanto das mitoses (no processo de divisão celular), acarretando a sua insuficiência um aumento do tamanho das células (megaloblastos) da linha eritroblástica, libertadas precocemente pela medula óssea na circulação sanguínea e designadas por megalíticos. Essencial para formação de hemácias (células vermelhas).

A deficiência comum é a que decorre da falta de absorção da vitamina, por uma doença auto-imune da mucosa do estômago – a gastrite atrófica – que, rara antes dos 40 anos, aumenta de freqüência com a idade, até tornar-se muito comum na velhice. A incidência é maior no sexo feminino, em pacientes com doenças da tireóide e com vitiligo. A falta de vitamina B12 causa anemia e alterações neurológicas, que são progressivas e mortais se não houver tratamento, donde o nome de anemia perniciosa dado à doença antes de sua notável e recente descoberta.

Anos de absorção inadequada são necessários para o esgotamento das reservas de B12 do organismo, mas a partir daí, a anemização é rápida: há glossite (língua vermelha e ardente) surgem dormências, depois falta de sensibilidade, nas extremidades e, por fim, deterioração mental irreversível.

O hemograma mostra que a anemia é macrocítica, isto é, caracterizada pela presença de eritrócitos (glóbulos vermelhos) maiores que o usual. A dosagem de vitamina B12 no soro sangüíneo é útil para o diagnóstico, que se completa pela notável resposta ao tratamento de reposição: dois ou três dias após a primeira injeção intramuscular de vitamina B12, o paciente sente-se eufórico, bem disposto e com apetite. A anemia cura-se em poucas semanas; os sintomas neurológicos de modo mais lento. Como a gastrite atrófica é uma doença definitiva, o tratamento com uma injeção mensal de B12 deve ser mantido por toda a vida.

As fontes de vitamina B12 são as carne, ovos, leite, legumes e em especial o fígado, necessitando da presença do fator intrínseco, produzido pelas células parietais da mucosa gástrica (no estômago), para o seu transporte, através da mucosa intestinal; a sua absorção efetua-se no íleo terminal.

OBJETIVO

No Brasil é comum, em:

Crianças em idade de máximo crescimento (1 a 3 anos): o crescimento exige ácido fólico.
Gestantes: o crescimento fetal consome ácido fólico materno.
Alcoolistas: alimentam-se apenas das calorias vazias do álcool e desenvolvem múltiplas deficiências; a de ácido fólico é potencializada porque o álcool age como seu antagonista no metabolismo.
Pacientes com doenças inflamatórias crônicas do trato digestivo que ocasionam má absorção de ácido fólico; são raras.
CASO CLÍNICO

Doente do sexo feminino, 48 anos de idade e raça caucasiana.Internada em Outubro de 2002 por anemia grave. Como antecedentes relevantes referia apenas dispepsia(aumento de HCl). Um ano antes do internamento referia um quadro de irritabilidade, sem factores desencadeantes,de início insidioso, com agravamento progressivo associado de cansaço, adinamia e anorexia, que foi diagnosticado como uma síndrome depressiva e medicado com antidepressivos. Numa avaliação laboratorial de rotina, quatro meses antes, foi-lhe diagnosticada anemia normocítica,tendo iniciado terapêutica com Ferro oral.

Quadro I – Avaliação analítica realizada no momento do internamento.

Eritrócitos

1,25×106/mm3

Hemoglobina

5,1 g/dl

Hematócrito

14,8%

VGM

118,4 fl

Leucócitos

2.200/mm3

Plaquetas

58.000/mm3

Sideremia

194 µg/dl

Ferritina

58,2 ng/ml

Transferrina

1,56 g/L

Reticulócitos

3,36%

Bilirrubina total

1,72 mg/dl

Bilirrubina indirecta

1,45 mg/dl

LDH

5940 U/L

TGO

62 U/L

À observação, salientavam-se mucosas muito descoradas.Ao exame neurológico, não se evidenciavam achados patológicos, nomeadamente alterações da sensibilidadetáctil ou vibratória. Ao exame psiquiátrico,a doente apresentava humor distímico.

Na avaliação analítica inicial (Quadro I) evidenciou-se uma anemia macrocítica grave que se acompanhava duma leucopenia (diminuição de leucócitos no sangue) e de uma trombocitopenia (diminuição de plaquetasno sangue). No estudo bioquímico do soro encontrou-se um aumento da bilirrubina e subida dos níveis séricos de LDH(colesterol ruim) e TGO(enzima encontrada no fígado que quando ele esta sendo destruído é jogado na corrente sanguinea). Era de registar, ainda, uma diminuição dos níveis séricos de transferrina com valores de ferro circulante elevados.

Fig. 1 – Medula óssea com normocelularidade, sem hiatos e com hiperplasia eritróide, com diseritropoiese que é compatível com anemia megaloblástica.

Para excluir a hipótese dum processo infiltrativo da medulacomo causa dos achado hematológicos, realizou-se um mielograma (Fig.1) que evidenciou uma medula óssea com normocelularidade e megaloblastose em todas as séries.No estudo consequente desta anemia megaloblástica procedeu-se aos doseamentos do Ac. Fólico, que se encontrava dentro da normalidade (12,1ng/ml), e da Vit. B12, que se encontrava claramente diminuída (64 pg/ml).

Pensando numa situação de má absorção como etiologia deste défice vitamínico, a doente foi submetida a uma Endoscopia Digestiva Alta (EDA), onde se observou uma mucosa de aspecto atrófico ao nível do fundo e do corpo gástrico, apresentando o antro motilidade normal e mucosa aparentemente sem alterações. Quanto ao estudo histológico da mucosa do fundo e corpo gástrico biopsados, demonstrou-se a presença duma gastrite crónica com atrofia e metaplasia intestinal completa, não se observando glândulas oxínticas. Para confirmar, então, o diagnóstico de anemia perniciosa procedeu-se ao doseamento do Ac. anti-célula parietal gástrica (Ac.-CPG) e do Ac. anti-Factor Intrínseco (Ac-FI), que foram positivos.

Do ponto de vista terapêutico, houve necessidade de se efectuar transfusão de concentrado eritrocitário, não se observando alterações da sintomatologia depressiva, apesar da reposição do hematócrito. Após se ter chegado à conclusão diagnóstica, iniciou-se terapêutica com Vit. B12 IM, com melhoria progressiva do estado geral e de humor.

Na reavaliação, dois meses depois, encontrava-se com bom estado geral, negando qualquer sintomatologia e evidenciando normalização do estado de humor, sem recurso a qualquer fármaco anti-depressivo. Analiticamente, verificava- se a normalização dos parâmetros hematológicos (Quadro II) e bioquímicos. A doente foi então referenciada ao seu médico assistente com indicação para manter indefinidamente o tratamento com Vit. B12.

DISCUSSÃO

Embora rara, a anemia perniciosa é nos países desenvolvidos uma das principais causas de anemia megaloblástica, que afeta principalmente indivíduos de raça caucasiana acima dos 40 anos. Pensa-se que a sua etiologia seja essencialmente auto-imune; a apoiá-lo estão as evidências de que nestes doentes existe uma maior prevalência de outras doenças auto-imunes como a Diabetes Mellitus tipo1 e as tiroidites, e de que no seu soro conseguem-se isolar autoanticorpos como o Ac. anti-célula parietal gástrica (Ac-CPG), o Ac. anti-Factor Intrínseco (Ac-FI) e o Ac. antigastrina. Deste processo inflamatório resulta uma gastrite crónica atrófica com a destruição das glândulas oxínticas, deixando-se de produzir Factor Intrínseco, o que provoca uma déficiencia de absorção de Vitamina B12 e, consequentemente uma diminuição dos seus níveis séricos.

Este défice vitamínico pode adoptar apresentações muito variáveis. Geralmente, o tecido hematopoiético vai ser o principal alvo, desenvolvendo estes doentes uma anemia macrocítica que pode atingir níveis de hemoglobina muito baixos, habitualmente bem tolerados devido à instalação insidiosa da doença, como é o exemplo do caso aqui descrito. Como as outras séries também são afetadas, estes doentes podem também apresentar leucopenia e trombocitopenia, como se observou na nossa doente.

A deficiência de Vit. B12 também pode apresentar-se por alterações neurológicas, o que é raro acontecer com o défice de Ác. Fólico. Os sintomas iniciais mais frequentes são alterações da sensibilidade vibratória e proprioceptiva que podem manifestar-se por desequilíbrio.

Posteriormente, podem surgir parestesias e diminuição da força muscular. Isto é resultado da mielopatia degenerativa consequente deste défice vitamínico em que tipicamente os cordões posteriores são os primeiros a ser afectados. Menos frequentemente, esta patologia pode provocar alterações do humor, irritabilidade, demência e até mesmo perturbações psicóticas com alucinações e delírios. É comum a deficiência de Vitamina B12 manifestar-se inicialmente com sintomas neuropsiquiátricos isolados.

Apesar da sua apresentação atípica, podemos afirmar que estamos perante um caso de anemia perniciosa porque, para além da pancitopenia com um VGM eritrocitário > 110 fl e do mielograma com megaloblastose de todas as séries sem infiltração medular que são típicos das anemias megaloblásticas, esta doente apresentava um défice acentuado dos níveis séricos de Vitamina B12 e uma gastrite crônica atrófica do tipo A, confirmada histologicamente. Apesar de não ter sido possível realizar o teste de Schilling, que é considerado o exame standard de diagnóstico desta patologia, a probabilidade diagnóstica é elevadíssima, dada a presença do Ac.-CPG, que tem uma sensibilidade de 90%, e do Ac.-FI, que é altamente específico. Apesar da relação entre a anemia perniciosa e outras doenças auto-imunes acima descrita, é de referir que a doente não apresentava evidência de diabetes mellitus nem alterações da função tiroideia.

Estamos na presença dum caso de anemia perniciosa que se apresentou inicialmente por uma Síndrome depressiva. Os dados que nos permitem concluir esta relação são o facto de ele ser não reactivo, resistente ao tratamento antidepressivo clássico e ter remitido completamente após o início da terapêutica de substituição com Vitamina B12, não estando a doente, no momento, a tomar qualquer outro fármaco. Além disso, podemos excluir a hipótese de que os sintomas depressivos seriam secundários à própria anemia e não ao défice vitamínico, porque, após a correcção do hematócrito com a transfusão do concentrado eritrocitário, não se verificou qualquer alteração do estado de humor da nossa doente.

É portanto, de valorizar o défice de Vitamina B12 como etiologia possível da Síndrome depressiva, principalmente quando esta é atípica e resistente ao tratamento antidepressivo habitual, como no caso que aqui descrevemos, podendo ou não estar associado a uma anemia macrocítica, que pode ainda estar oculta, ou a alterações neurológicas focais. Esta suspeita diagnóstica pode então, em alguns casos, contribuir para o diagnóstico precoce da deficiência de Vitamina B12 e, consequentemente, da anemia perniciosa. Pretende-se assim evitar o atraso diagnóstico, como foi o caso da nossa doente, no qual este só foi realizado cerca de um ano após o início da sintomatologia, evitando-se assim a morbilidade do doente e possíveis seqüelas neurológicas que daqui podem advir quando este já apresenta mielopatia degenerativa. Sugerimos o doseamento sérico da Vitamina B12 em todos os casos de sintomatologia depressiva refractária à terapêutica antidepressiva clássica.

CONCLUSÃO

Concluímos que a anemia perniciosa ocorre devido a falta de vitamina B12, comum na velhice e no sexo feminino. A doença é caracterizada megaloblastica, porém a liberação pré matura dos leucócitos e por isso é importante a interação da vitamina B12 e acidpo fólico, que são necessários para síntese de DNA e alterações neurológicas, podendo levar ate a morte. Anos de absorção inadequada esgotam as reservas de B12 do organismo, depois o individuo anemiza-se rapidamente, isso ocorre geralmente em populações de poucas condições socioeconômicas. O tratamento pode ser por injeção intra muscular de vitamina b12 . já que a gastrite atrofica é uma doença definitiva o tratamento com injeção pode ser mantido por toda a vida. O tratamento com ácido fólico pode ser feito por via oral, causando melhora clinica.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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MAHAN, L K; SCOTT-STUMP, S. Krause: Alimentos, Nutrição e dietoterapia, 11ª ed, São Paulo, Ed. Roca, 2005.

AMAZÔNIA

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O Website Cola da Web grita sobre a devastação das florestas mostra como argumentos errados podem fazer mal a uma idéia certa. Os motivos pelos quais a Amazônia deve ser defendida nem sempre são lembrados pelos defensores.

Em novembro de 1971, o biólogo alemão Harald Sioli, do Instituto Max Planck, então fazendo pesquisas na Amazônia, foi entrevistado por um repórter de uma agência de notícias americanas. O jornalista estava interessado na questão da influência da floresta sobre o planeta e o pesquisador respondeu com precisão a todas as perguntas que lhe foram feitas. Mais tarde, porém ao redigir a entrevista, o repórter acabou cometendo um erro que ajudaria a criar um dos mais persistentes mitos sobre a floresta amazônica. Numa de suas respostas, Sioli afirmara que a floresta continha grande porcentagem de dióxido de carbono (CO2) existente na atmosfera. No entanto, ao transcrever a declaração, o jornalista esqueceu a letra C – símbolo do átomo de carbono – da fórmula citada pelo biólogo, que ficou no texto como O2, o símbolo da molécula de oxigênio.

A reportagem com o oxigênio no lugar do dióxido de carbono foi publicada pelo mundo afora e assim, da noite para o dia, a Amazônia se tornou conhecida como “pulmão do mundo” – uma expressão de grande impacto emocional que tem ajudado a semear a confusão no debate apaixonado sobre os efeitos ambientais em larga escala da ocupação da floresta. É um debate em que, por enganos, como aquele, maus argumentos acabam sendo usados para escorar uma causa justa. As organizações de defesa da ecologia misturam às vezes no mesmo balaio fatos e fantasias ao alertar para os perigos das queimadas da floresta amazônica – até porque os dados e conceitos capengas sobre o assunto só levam água para o moinho daqueles que não querem que se faça alarde algum sobre as agressões à natureza que ali se cometem.

De resto, não é tão simples assim achar as verdades definitivas sobre o papel que a floresta desempenha no quebra-cabeça ambiental, num mundo assolado por espectros do tipo efeito estufa, desertificação, chuva ácida e destruição da camada de ozônio, para citar apenas os mais assustadores. As teimosas referências ao “pulmão do mundo”, nesse contexto, são exemplares. Pois a floresta amazônica, simplesmente, não é o pulmão do mundo. E o motivo não é difícil de entender. As árvores, arbustos e plantas de pequeno porte, da mesma forma que os animais, respiram oxigênio durante as 24 horas do dia. Na floresta, a quantidade desse gás produzida de dia pelas plantas é totalmente absorvida durante a noite, quando a falta do sol interrompe a fotossíntese. Os vegetais são capazes de criar eles próprios os alimentos de que precisam. O responsável por essa característica é justamente a fotossíntese.

Na presença da luz solar, graças a uma molécula chamada clorofila, que lhes dá a coloração verde característica, as plantas, incluindo as algas e o plâncton marinho, retiram da atmosfera dióxido de carbono e o transformam em carboidratos, principalmente glicose, amido e celulose. Desta sucessão de reações químicas, sobra o oxigênio, do qual uma parte é aproveitada para os processos respiratórios dos vegetais e outra é lançada na atmosfera. Quando a planta é jovem, em fase de crescimento, o volume de oxigênio produzido na fotossíntese é maior que o volume necessário à respiração. Nesse caso, a planta produz mais oxigênio do que utiliza.

Isso acontece porque a planta jovem precisa fixar um grande volume de carbono para poder sintetizar as moléculas que são a matéria-prima de seu crescimento. Já nas plantas maduras, porém, o consumo de oxigênio na respiração tende a igualar o total produzido na fotossíntese. A Amazônia não constitui uma floresta em formação. Ao contrário, é um exemplo da plenitude do ecossistema – interação entre um ambiente e os seres vivos que o habitam – chamado floresta tropical úmida. Nela, portanto, os seres vegetais já crescidos consomem todo o oxigênio que produzem. Apesar de não ser o pulmão do mundo, a floresta amazônica apresenta outras características que muito contribuem para a manutenção da vida no planeta.

As florestas são grandes fixadoras do carbono existente na atmosfera. Somente as matas tropicais contêm cerca de 350 milhões de toneladas de carbono, aproximadamente a metade do que há na atmosfera. Ora, o ciclo deste elemento químico está saturado no planeta, como dizem os especialistas. Devido à queima de combustíveis fósseis – gás, carvão e petróleo -, o carbono se acumula cada vez mais na atmosfera na forma de dióxido de carbono, metano e compostos de clorofluorcarbono. Esse acúmulo é responsável pelo chamado efeito estufa, o aprisionamento de energia radiante que, se suspeita, tende a aumentar a temperatura global da Terra, com efeitos catastróficos também para o homem (SI nº 4, ano 3). Nesse quadro, as florestas exercem uma função essencial na condição de maiores controladoras do efeito estufa. Por isso, o metereologista Luiz Carlos Molion, do Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), de São José dos Campos, afirma que a floresta amazônica é o “grande filtro” do planeta.

Segundo ele, medições feitas em 1987 mostraram que cada hectare da floresta retira da atmosfera, em média, cerca de 9 quilos de carbono por dia. (Um hectare equivale a 10 mil metros quadrados. O parque Ibirapuera, em São Paulo, por exemplo, tem quase 150 hectares.) A cada ano, o homem lança na atmosfera algo como 5 bilhões de toneladas de carbono. É como se cada ser humano fosse pessoalmente responsável pelo lançamento de uma tonelada do gás por ano. Somente a Amazônia brasileira, com seus 350 milhões de hectares, retira do ar aproximadamente 1,2 bilhão de toneladas anuais, ou seja, pouco mais de um quinto do total. Números como esses causariam polêmica num passado não muito remoto, quando se duvidava que a floresta fosse capaz de armazenar tamanho volume de carbono. Hoje, porém, se sabe que a assimilação apenas repõe o volume do gás continuamente perdido para o solo e para os rios.

Algumas pesquisas estimam que somente na Amazônia possa residir cerca de 30 por cento de todo o estoque genético do planeta, ou seja, 30 por cento de todas as seqüências de DNA que a natureza combinou. É um número extraordinário, e certos pesquisadores ainda consideram tratar-se de um cálculo por baixo. Uma coisa é absolutamente certa: a preservação da variedade genética da floresta amazônica – que faz da região uma espécie de banco de genes, o maior do mundo – deve ser um dos argumentos mais fortes contra o desmatamento por atacado e a ocupação sem critério da Amazônia. Pois, por mais abstrato que esse argumento possa parecer aos invasores do local – desde os simples colonos que migraram de outras regiões às empresas multinacionais de mineração – cada espécie é única e insubstituível e sua destruição pode significar a perda de um importante acervo genético, de incalculável valor prático para o homem.

Apenas se começa a aprender a ler informações contidas nas florestas tropicais – e existe aí uma verdadeira enciclopédia a ser conhecida. Os índios com certeza têm algo a ensinar nesse vasto capítulo. Os antropólogos descobriram que cada comunidade indígena que habita a Amazônia dispõe de um cardápio de pelo menos cem plantas e um receituário de duzentas espécies vegetais. Um exemplo relativamente recente da utilização do estoque genético da floresta é o desenvolvimento de um remédio contra a hipertensão – inspirado no veneno da jararaca. Essa cobra mata sua presa com uma substância tóxica que reduz a zero a pressão sanguínea do animal. Os estudos sobre a ação do veneno no organismo trouxeram informações valiosas para o reconhecimento da pressão no ser humano.

É esse patrimônio que deve ser preservado junto com as florestas. É um desafio urgente. Segundo o biólogo e ecologista Wellington Braz Carvalho Delitti, da USP, o atual ritmo de extinção de espécies no mundo provavelmente não tem paralelo. Os pesquisadores calculam que nos próximos 25 anos cerca de 1,2 milhão de espécies (dos até 30 milhões que se supões existir na Terra) desaparecerão por completo com a devastação dos seus refúgios florestais. Isso equivale a um genocídio de aproximadamente 130 espécies inteiras por dia.

O debate em torno da preservação das florestas tropicais ainda está longe de se esgotar. A maioria das previsões – menos ou mais desastrosas – que se faz nesse campo estão atreladas a modelos matemáticos, muitas vezes passíveis de falhas. De todo modo, enquanto os especialistas conferem suas projeções, fatos acontecem. E a idéia de preservar indefinidamente a floresta amazônica se mostra cada vez mais impraticável. Essa realidade não escapa a observadores como o insuspeito ecologista Jacques-Yves Cousteau, o oceanógrafo que chefiou uma expedição à região em 1982. “A Amazônia não pode ser intocável”, concorda o deputado federal paulista Fábio Feldman, presidente da entidade ecológica Oikos. Para ele, no entanto, “como a vocação da Amazônia é essencialmente florestal, é necessária a sua utilização racional, menos predatória”.

A questão que está posta é rigorosamente esta: conjugar o desenvolvimento e a abertura de novas fronteiras com o delicado equilíbrio que sustenta os ecossistemas da floresta tropical. Iniciativas como a construção de grandes hidrelétricas devem ser planejadas cuidadosamente, se bem que seus efeitos a longo prazo para a floresta ainda sejam desconhecidos. Não se pode perder de vista um dado essencial” o conhecimento sobre a dinâmica das florestas tropicais ainda é muito precário. Não ocorre o mesmo com as florestas temperadas do hemisfério norte. Por sinal, ao contrário do que se imagina, essas florestas vêm aumentando sensivelmente nas últimas décadas. Na França, por exemplo, representam atualmente cerca de 30 por cento do território – menos em todo caso que ao tempo da Revolução de 1789. Calcula-se que a chuva ácida e a poluição danificaram pouco mais de um quinto das áreas florestais na Europa. No Japão, o último relatório anual sobre a situação do meio ambiente no país mostra que 67 por cento do arquipélago está coberto de florestas. Se a isso se somarem as áreas ocupadas por lagos, montanhas, neves eternas e pradarias, se verá que ali as regiões naturais chegam a 80 por cento da área total. Em resumo, toda a extraordinariamente vigorosa economia do Japão brota numa área inferior a do Rio de Janeiro – prova de que a propriedade não é incompatível com a preservação da natureza. Ou com seu uso inteligente, quando há outra alternativa.

Oxigênio um presente dos mares

Se a Amazônia não é o pulmão do mundo, qual é então? Afinal, o que produziu o oxigênio da atmosfera da Terra e ainda mantém os seus níveis praticamente constantes? A maior parte da teorias afirma que o oxigênio foi originalmente levado à atmosfera pelo processo da fotossíntese. Portanto, segundo essa hipótese, foram os vegetais primitivos, as algas e o fitoplâncton – pequenos organismos que vivem, aos milhões, suspensos na água do mar – os responsáveis pela produção e acúmulo do gás na atmosfera terrestre.

Uma das barreiras ao desenvolvimento da vida no planeta há cerca de 1 bilhão de anos, era a intensidade das radiações ultravioleta da luz solar. Nessa época, o fitoplâncton e as algas somente conseguiam sobreviver a grandes profundidades. Quando, graças à atividade fotossintética, o oxigênio atmosférico chegou a 1 por cento de seu nível atual, há aproximadamente 800 milhões de anos, foi possível a formação de moléculas de ozônio (O3) em número suficiente para filtrar os raios ultravioleta. Isso permitiu que o fitoplâncton migrasse para as camadas superiores dos mares, mais iluminadas pelo Sol. O resultado foi um aumento exponencial da fotossíntese nos oceanos, levando à rápida formação do oxigênio.

Outras teorias sustentam que o oxigênio, ou pelo menos a maior parte dele, teve origem inorgânica, a partir da fotodissociação da molécula de água. A fotodissociação consiste na separação de um átomo de oxigênio da molécula H2O, devido às radiações ultravioleta. Embora essa hipótese tenha seus defensores, as evidências fósseis e geológicas indicam que o oxigênio teve mesmo origem nos oceanos, confirmando a vocação da água como a grande fonte de vida na Terra.

Como se São Paulo e Santa Catarina tivessem ardido

O Instituto de Pesquisas Espaciais (INPE), de São José dos Campos, concluiu em extenso trabalho, a partir de imagens de satélites, sobre as condições do desmatamento da Amazônia. Os resultados agradaram tanto ao governo que o presidente Sarney os divulgou em rede de TV, ao apresentar sua política de meio ambiente para o país – o programa Nossa Natureza. Pelos dados apresentados apenas 5 por cento (251,4 mil quilômetros quadrados) da Amazônia tinham sido destruídos por queimadas ou desmatamentos “recentes”. Esse índice relativamente tranqüilizador foi logo contestado por outros pesquisadores e ecologistas, que sugeriram ter havido manipulação de dados.

Tempos depois, uma segunda edição do trabalho do INPE acrescentou outros 92,5 mil quilômetros quadrados, a título de “desmatamentos antigos”. Chega-se assim a um total admitido de 343,9 mil quilômetros quadrados de áreas destruídas – equivalentes a um território do tamanho dos Estados de São Paulo e Santa Catarina juntos. Técnicos do Banco Mundial, em Washington, trabalham por sua vez com números ainda piores – 12 por cento de área devastada – e com base nisso aparentemente a instituição tem-se recusado a financiar projetos na região.

Idéias para proteger a Amazônia

Como seria de esperar, quem mais entende do aproveitamento da floresta tropical são os nativos da Amazônia – índios, caboclos e seringueiros. Eles têm sobrevivido à custa do verde sem causar danos sérios à floresta – ao contrário, portanto, dos colonos vindos de fora e dos garimpeiros de Serra Pelada. Seu segredo parece ser a utilização de procedimentos que levam em conta naturalmente a ecologia da região. As clareiras abertas para o cultivo não ultrapassam 1 ou 2 hectares. Depois que a terra se exaure, a clareira que fica não é muito maior do que a formada por uma grande árvore que tivesse caído ali.

Segundo o deputado verde Fábio Feldman, a solução para o aproveitamento da floresta seria a criação de reservas extrativistas, nas quais as atividades econômicas estariam perfeitamente afinadas com a ecologia das matas. Para Feldman, somente medidas que regulamentem a ocupação humana da região podem conter a destruição da floresta. O programa Nossa Natureza, lançado em abril último, não prevê reservas como as imaginadas pelo deputado, mas propõe cerca de cinqüenta medidas para a região amazônica.

Elas incluem, entre outras, a suspensão de incentivos fiscais para projetos na região, a regulamentação da exportação de madeira, a desapropriação de áreas de interesse florestal e o controle do uso de agrotóxicos na floresta. Segundo o físico José Goldemberg, reitor da Universidade de São Paulo, a ampliação das áreas protegidas mediante a criação de parques e reservas poderia abranger cerca de 70 por cento da Amazônia. Para ele, esta deveria ser uma medida imediata no sentido de frear os desmatamentos. Outra seria dirigir os créditos oficiais apenas para investimentos que não impliquem a destruição da floresta.