ALIMENTOS-TRANSGENICOS

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O objetivo deste artigo é analisar os alimentos transgênicos ou O.G.M (organismos geneticamente modificados) consiste nos resultados da engenharia genética, na qual se introduz em plantas genes que não poderiam ser transferidos normalmente por cruzamentos entre plantas. Tais genes poderão ser de vírus, plantas, animais ou microorganismos. A produção de alimentos transgênicos no Brasil é muito tímida ainda, estando localizada principalmente nos estados da região Sul.

Palavras-chave: alimentos; transgênicos; rotulagem; patentes.

INTRODUÇÃO

O desenvolvimento de novos produtos, usando ou não as técnicas da engenharia genética, é denominado biotecnologia, e pode-se inserir características de espécies diferentes e até de microorganismos. Assim, podem ser “fabricadas” plantas resistentes a pragas, doenças, agrotóxicos, com melhor valor nutricional e adaptadas aos mais diversos ecossistemas. Sendo assim, hoje, teoricamente, poderíamos produzir alimentos transgênicos resistentes a uma série de pragas e doenças de alta produtividade e adaptadas ao meio-ambiente onde seriam cultivadas, porém, genéticamente, seriam parte vegetal, parte microorganismo e parte animal. (MOREIRA, 1998).

A diferença entre uma planta cultivada de forma tradicional e uma modificada geneticamente é que, nesta última, o material genético de uma espécie de planta, bactéria, vírus, animal ou peixe é literalmente inserido em outra espécie, com a qual nunca poderia cruzar-se de forma natural. A utilização destas técnicas faz surgir considerações cruciais do tipo ético e prático. (MOREIRA, 1998).

REVISÃO DE LITERATURA

Alimentos: conceito

Para Ferreira (1986, p. 86) a palavra alimento significa “toda substância que, ingerida por um ser vivo, o alimenta ou nutre”.

Gomes (1986, p. 323) por sua vez, entende que: “alimentos são prestações com as quais podem ser satisfeitas as necessidades vitais de quem não pode provê-las por si”.

De acordo com Almeida (1925, p. 314), alimentos são “prestações devidas, feitas para que quem às recebe possa subsistir, isto é, manter sua existência, realizar o direito à vida, tanto física (sustento do corpo) como intelectual e moral (cultivo e educação do espírito, do ser racional)”.

Alimentos Transgênicos: conceito

Ultimamente, com o avanço da engenharia genética, vários estudos e trabalhos científicos têm demonstrado avanços significativos na manipulação de material genético de plantas e outros seres vivos. Alvos de discussões sobre suas vantagens e desvantagens, a ciência dos transgênicos está em pleno desenvolvimento. Ambientalistas acusam os alimentos transgênicos de causar impactos irreversíveis ao meio ambiente. (TRANSGÊNICOS, 2003).

Os alimentos transgênicos são modificados geneticamente em laboratórios com o objetivo de conseguir melhorar a qualidade do produto. Os genes de plantas e animais são manipulados e muitas vezes combinados. Os organismos geneticamente modificados, depois da fase laboratorial, são implantados na agricultura ou na pecuária. Vários países estão adotando este método como forma de aumentar a produção e diminuir seus custos. (TRANSGÊNICOS, 2003).

A modificação por transferência de genes pode ser feita por algumas técnicas. De um modo geral, a engenharia genética permite que se retire o gene de um organismo e se transfira para outro. Esses genes entram na sequência de DNA (onde estão as características de um ser vivo) do organismo receptor, gerando uma reprogramação. A partir daí, chega-se a novas substâncias e aos organismos transgênicos (RAMOS, 2000).

Entre as técnicas mais utilizadas para manipulação genética estão a micro-injeção (uso de micro-agulhas), micro-encapsulação (transferência de genes através de cápsulas), eletroporação (por corrente elétrica), fusão celular e técnicas de hibridização (RAMOS, 2000).

Os alimentos transgênicos são aqueles cujas sementes foram alteradas com o DNA (material genético localizado no interior das células) de outro ser vivo (como uma bactéria ou fungo) para funcionarem como inseticidas naturais ou resistirem a um determinado tipo de herbicida. Surgiram no início dos anos 80, quando cientistas conseguiram transferir genes específicos de um ser vivo para outro. (ALIMENTOS, 1998)

Transgênicos são plantas criadas em laboratório com técnicas da engenharia genética que permitem “cortar e colar” genes de um organismo para outro, mudando a forma do organismo e manipulando sua estrutura natural a fim de obter características específicas (OLIVEIRA, 2003).

Alimentos transgênicos são alimentos que foram produzidos através de modificações genéticas.

A produção de alimentos transgênicos no exterior

Tanta controvérsia não impediu que os alimentos transgênicos começassem a ser produzidos em escala comercial nos Estados Unidos, líderes mundiais em OGMs, na Europa e em outros países do primeiro mundo (RAMOS; SANMATIN, 2000).

Os americanos cultivam plantas geneticamente modificadas desde 1994 e estima-se que, nos próximos cinco anos, suas exportações sejam compostas de 100% de transgênicos ou de produtos combinados a eles (RAMOS; SANMATIN, 2000).

Na Europa o quadro é um pouco diferente. Segundo pesquisas realizadas por órgãos de saúde em 1997, 80% dos consumidores europeus se mostravam temerosos em relação aos alimentos transgênicos e exigiam que eles fossem rotulados, de forma a dar ao comprador o direito de escolha entre um OGM e um produto normal (RAMOS; SANMATIN, 2000).

Atualmente a União Européia rotula os produtos transgênicos e patrocina constantes pesquisas e testes.

No Japão, desde 1º de abril de 2002 o Governo implementou a rotulagem obrigatória de alimentos derivados de transgênicos para alimentos selecionados. Como reação a esta política, muitos fabricantes de produtos alimentícios deixaram de usar grãos de soja transgênica importada dos EUA, o que fizeram no ano de 2000, e passaram a importar estes grãos de soja não-transgênica de outros países, como o Canadá e o Brasil, que se auto-promoveram como exportadores deste produto. A Austrália e a Nova Zelândia adotaram um regime de rotulagem obrigatória para todos os alimentos geneticamente modificados que contêm DNA estranho e/ou proteína estranha ou que possuem características alteradas. É permitida a presença acidental de alimentos transgênicos de até 1% por ingrediente. O regime entrou em vigor em sete de dezembro de 2001 (OLIVEIRA, 2003).

No Brasil, a discussão gira principalmente em torno da soja transgênica resistente ao Roundup, um poderoso herbicida que mata qualquer planta. Tanto o Roundup como a soja RR (Roundup Ready), que resiste ao veneno pela inserção de três genes encontrados em algas e bactérias, são produzidos pela empresa multinacional Monsanto, uma das detentoras da tecnologia no mundo, ao lado da Novartis, da Agrevo e outras (OLIVEIRA, 2006).

A produção de alimentos transgênicos no Brasil

Os alimentos geneticamente modificados estão chegando à mesa dos consumidores sem que estes saibam bem o que são e que efeitos nocivos podem ter. No Brasil, embora o plantio ainda esteja proibido, culturas clandestinas de soja transgênica começam a aparecer no Sul do País.

O cultivo de plantas trangênicas foi recentemente aprovado pelo governo brasileiro, e ainda causa muitas duvidas e contradições entre a população.

Entre as pesquisas feitas, tem destaque a produção de sojas resistentes a diferentes herbicidas, milho e algodão resistentes a insetos e herbicidas, e o plantio de fumo conhecido como “fumo louco”.

O maior problema encontrado para tornar-se possível a comercialização dos produtos para consumo, refere-se às restritas informações dadas à sociedade. Torna-se necessário definir o sistema de rotulagem desses produtos, definindo alimentos que sofreram modificação genética de alimentos que não sofreram.

Tratando-se de uma tecnologia recente e ainda de pouco conhecimento da sociedade pública, não se pode afirmar que os alimentos transgênicos são seguros, até por que não se tem total conhecimento de seus riscos e benefícios. (ALIMENTOS, 1998).

ESTUDOS DESFAVORÁVEIS AOS PRODUTOS TRANSGÊNICOS E OS RISCOS CAUSADOS

O professor Rubens Nodari, da UFSC veio recentemente em expor sobre os problemas do cultivo dos transgênicos: “Não é possível ter os dois tipos de plantação no mesmo lugar, mesmo em plantas de autofecundação, como a soja”. “Veja o caso do México, que não planta transgênicos, mas já tem variedades de milho contaminados pelos EUA. Pense até mesmo em como é feito o transporte: caminhões que viajam com grãos debaixo de uma lona. Sempre escapam sementes, fazendo nascer plantas em todo lugar. Claro, não será no primeiro ano que ocorrerá a contaminação, mas depois de dez anos transportando a produção de dez milhões de hectares, aquele agricultor que quer produzir orgânico não poderá mais. Com o tempo, tudo será contaminado.” “E há outro aspecto: o custo para garantir que o produto é orgânico será pago por quem? Liberar o transgênico gera um custo indireto para quem não quer usar” (OLIVEIRA, 2003).

E os transgênicos poderiam ser uma solução para amenizar a fome mundial. O diretor da ActionAid, Matthew Lockwood, afirma que os transgênicos não são a solução para a fome. “O que as pessoas pobres realmente precisam é acesso a terra, água, rodovias para levar suas colheitas ao mercado, educação e planos de crédito”. O estudo também indica que a nova tecnologia pode levar os agricultores a adquirirem dívidas, tornando-os mais dependentes de sementes e produtos químicos caros. Por outro lado, um relatório produzido pela Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul (Farsul), pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) e pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), logo na introdução há a seguinte afirmação: “A tecnologia convencional sozinha não permitirá que a produção de alimentos seja aumentada o suficiente para alimentar uma população de 9,37 bilhões de pessoas estimada para o ano 2050”. Os transgênicos, afirmam, seriam uma das soluções (OLIVEIRA, 2003).

Não é simples nem inócuo mexer com a natureza. Muitos cientistas alertam para o perigo da manipulação genética. A empresa Delta & Pine, dos EUA, patenteou o gene classificado como terminador (exterminador). Ele é incorporado às sementes que plantadas e colhidas tenham sementes estéreis. Isto obriga o agricultor a comprar sementes sempre for plantar. Na América Latina, causaria grandes e negativos impactos. A qualidade nutricional dos alimentos da engenharia genética pode ser diminuída

A Professora Lenise Garcia afirma que “um dos principais problemas com o risco relacionado aos transgênicos é exatamente a incerteza sobre quais são” (apud BARROS, 2000).

Da mesma forma, Flávia Natercia (2005) afirma que: “no debate travado na grande imprensa brasileira, esses riscos, não raro, são citados como possíveis fontes de efeitos, mais que indesejáveis, imprevisíveis para a saúde humana, a agricultura e a biodiversidade no planeta. E a imprevisibilidade serve de suporte para que se reivindique a suspensão da liberação do cultivo em larga escala, da comercialização e até mesmo do cultivo experimental dos transgênicos”.

Continuando nessa corrente, vários autores elencam inúmeros problemas que poderão surgir, a curto, médio ou longo prazo, sendo pertinente citar alguns, considerados principais, quais sejam:

O desenvolvimento biológico indesejado de algumas espécies, e o posterior alastramento de seus efeitos lesivos, tanto in natura quanto processados (como a hipótese do alastramento de doenças infecto-contagiosas).

O aumento do uso de herbicidas e agrotóxicos, e o aparecimento de pragas mais resistentes, chamadas de superpragas.

O aparecimento de traços patógenos em humanos, animais ou vegetais, como alergias e o aumento da resistência aos antibióticos.

A contaminação genética, com o cruzamento dos OGMs com a biodiversidade natural;

A diminuição da biodiversidade;

A perda de variação genética.

Os efeitos direitos dos OGMs à saúde humana constituem a área mais incerta dos debates, uma vez que para a obtenção de dados precisos é imprescindível saber se os organismos produzirão naturalmente materiais nocivos indesejados. Caso não produzam, os efeitos sobre o homem, advindos do consumo, só serão efetivamente percebidos em cerca de dez anos, após a absorção e permanência no corpo humano de uma quantidade de material suficiente para que algum quadro adverso ocorra (SUZUKI, 2006).

Atualmente, segundo dados de Greenpeace, em relação à saúde humana, os transgênicos têm causado o aumento de casos de alergia, principalmente entre crianças, além do aumento da resistência a antibióticos (PERGUNTAS…, 2005).

O caso de contaminação mais conhecido ocorreu na Europa, em que:

Cerca de 5.000 (cinco mil) pessoas adoecem, sendo que 37 (trinta e sete) delas vem a óbito e mais de 1.500 (mil e quinhentas) pessoas ficam com seqüelas permanentes, após terem consumido um complemento alimentar feito a partir de bactérias geneticamente modificadas, denominadas ‘tripofano’ (aminoácido componente de proteínas), que causaram a Síndrome de Eosinofilia-mialgia, que tem por sintomas dores musculares e o aumento de glóbulos brancos (leucócitos) no sangue. O referido complemento alimentar foi produzido pela empresa japonesa Showa-Denko, que após sua utilização, foi retirado do mercado em virtude das conseqüências trazidas aos consumidores (RODRIGUES, 2002).

É mais uma vez evidenciada a importância das pesquisas e das avaliações prévias de risco, principalmente nesse caso, em que o bem que se dispõe com o mau uso da engenharia é a vida humana.

A MONOPOLIZAÇÃO DAS PATENTES

A propriedade do conhecimento sobre formas de vida, pode levar a uma situação que representa um grande risco para a biodiversidade: a monopolização das patentes. Este é um problema que pode ser impedido pela ação governamental, visto que o uso inadequado dos genes pela transnacionais sementeiras pode acarretar graves problemas de biossegurança, pois pode promover a utilização de grandes populações homogêneas suscetíveis a patógenos. Quanto menor o número de variedades cultivadas, mais elas se tornam suscetíveis a superpragas, pois há uma limitação da diversidade genética. Alguns dados ilustram essa proposição: a uniformidade genética leva à perda de variedades e à vulnerabilidade das plantas às pragas e doenças. Para se ter uma idéia da magnitude do problema: os povos pré históricos alimentavam-se de mais de 1.500 espécies de plantas e pelo menos 500 dessas espécies e variedades têm sido cultivadas ao longo da história. Hoje, a alimentação está baseada em apenas 30 vegetais cultivados e, desses, trigo, arroz, milho e soja representam mais de 85% do consumo de grãos (VIA CAMPESINA BRASIL, 2003).

As patentes de plantas, animais e seus componentes implicam na perda do controle sobre os recursos que tradicionalmente os camponeses e as comunidades indígenas têm usado. Isso significa um acesso limitado e controlado aos recursos genéticos que, sem dúvida, levará a novas formas de controle sobre as nações e suas populações humanas. O uso, pelos agricultores, de produtos patenteados implica na aquisição, junto com a semente, de um pacote tecnológico, provocando a falta de sustentabilidade nos agrossistemas e na economia familiar, além de romper com as tradições culturais dos agricultores camponeses, como a de reservar sementes para os cultivos posteriores, a troca de sementes entre agricultores e comunidades e a geração de um conhecimento ligado à prática, no manejo dos recursos naturais (VIA CAMPESINA BRASIL, 2003).

As grandes empresas detentoras de biotecnologia, que apenas se preocupam com a expansão da produção, a acumulação da tecnologia, e a concentração dos crescentes mercados consumidores, visam apenas intensificar a produção, a comercialização e o cultivo dos OGM, fundamentando suas decisões unilaterais com proposições matemáticas, que enfatizam a fome do terceiro mundo e as toneladas relacionadas aos acréscimos na produção, justificando a utilização daqueles (VIA CAMPESINA BRASIL, 2003).

Esta justificativa, a de que as sementes híbridas ou transgênicos combatem a fome, é uma das formas mais utilizadas pelas grandes empresas para dominarem o mercado de sementes e convencerem governos a se submeter a seus planos.

DISCUSSÃO

Na discussão entre alimentos transgênicos e não transgênicos podemos observar a indústria conservadora e a indústria produtora de sementes transgênicos e sua postura diante desse assunto.

As empresas produtoras de sementes transgênicas dizem que as mesmas são mais produtivas do que as tradicionais e que o uso da soja transgênica e de agrotóxicos reduz as perdas por erosão. Já os produtos de sementes tradicionais dizem que tudo depende do ano, de safra das pragas. Além disso, dizem que a semente transgênica é muito mais cara que a não transgênica e o que reduz a erosão é o plantio direto, não as sementes transgênicas.

Os produtores de sementes transgênicas confirmam que as sementes transgênicas vão dar liberdade de escolha para o agricultor: se quiser usa, se não quiser, não usa e que também os transgênicos não fazem mal. Já que nunca ninguém ficou doente por causa deles por tanto para eles os transgênicos podem ajudar a reduzir a fome no mundo, pois eles são mais produtivos e mais nutritivos.

Descordando com tal afirmação os produtores de sementes tradicionais dizem que as empresas que vendem transgênicos dominam cada vez mais o mercado brasileiro de sementes. Elas podem, facilmente, vender só transgênicos acabando com a oferta de sementes não transgênicas e deixando o agricultor sem liberdade de escolha. Existe também o risco de uma lavoura de milho transgênico contaminar as lavouras vizinhas de milho não transgênicos, pela polinização, e assim prejudicar a produção das sementes próprias dos agricultores e acabar com a variedade. Por exemplo nos Estados Unidos, o milho transgênico BT Star Link teve que ser recolhido depois de causar alergia em várias pessoas. Além disso, as alterações genéticas podem vir a se manifestar somente em longo prazo.

Segundo Esper Cavaleiro presidente de CTN Bio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), se for para modificar uma bactéria que seria usada em uma guerra bacteriológica, ele é radicalmente contra. Mas se a idéia for produzir, com segurança, alimentos geneticamente modificados que contribuirão para combater a fome em diversas populações no mundo, é totalmente favorável.

No Brasil, o debate sobre os transgênicos parece ter se transformado em uma disputa entre o bem e o mal. É um debate bastante complexo. A palavra transgênicos está associada a alguns receios recentes da humanidade, como a possibilidade de se controlar a própria vida. Na área da genômica, as coisas aconteceram com muita rapidez, o que assusta. As pessoas usam com freqüência a expressão “brincar de Deus”. Isso bate muito forte no imaginário popular. Mas não se trata de “brinca de Deus” e sim tentar, com as provas conquistadas cientificamente, resolver problemas cruciais da humanidade. Ao lado disso, existem grupos que lutam por objetivos muito justos, mas vêem nos transgênicos mais uma forma de o homem agredir a natureza. Aqui também não se trata de agressão à natureza, mas de buscar com o mínimo colocando sua opinião os produtores tradicionais dizem que os transgênicos não são mais produtivos do que as variedades próprias dos agricultores ou as variedades melhoradas comerciais. Além disso, os alimentos naturais não fazem mal à saúde e são mais baratos. O problema da fome não é por falta de alimentos, mas sim, por causa da má distribuição.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A população deve ser informada sobre os riscos ao consumir tais produtos e exigir do Poder Público programas de conscientização do que são os organismos geneticamente modificados e vigilância na rotulagem destes produtos, que deve ser especial e com aviso ostensivo do conteúdo, seria de bom tom criar um selo vermelho escrito “produto contém organismo geneticamente modificado”.

Somos a favor de que os produtos liberados tenham no rótulo o aviso de que são resultados de modificação genética. E essa liberação não deve ocorrer antes que haja um grande debate público e se aprofundem os testes necessários para garantir a saúde humana e a qualidade ambiental.

Referências

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ALIMENTOS Transgênicos, Produtos Transgênicos, Pesquisa de transgênicos, plantas transgênicas, soja transgênica, impacto do meio-ambiente. Disponível em: <http://www.suapesquisa.com/transgenicos/>. Acesso em 04 jul. 2006.

ALMEIDA, E. de. Direito de família. Rio de Janeiro: Jacinto Ribeiro dos Santos, 1925.

BARROS, F. L. M. Biodiversidade e desenvolvimento sustentável: aspectos teóricos da proteção legal brasileira ao patrimônio genético. Jus Navigandi, Teresina, ano 4, n. 44, ago. 2000.

BIREME – Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciência e Saúde. Disponível em: <http://www.epm.br/bireme/bireme.htm>. Acesso em: 27 jun. 2001.

FERREIRA, A. B. de H. Dicionário da língua portuguesa. 2. ed. São Paulo: Nova Fronteira, 1986.

GOMES, O. Direito de família. São Paulo: Forense, 1986.

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NATERCIA, F. Os riscos ecológicos das plantas transgênicas: o que se diz e o que se sente. Revista Eletrônica Comciência, n. 67, jul. 2005. Disponível em: <http://www.comciencia.br/reportagens/transgenicos/trans18.htm>. Acesso em 5 ago. 2005.

O PERIGO dos alimentos transgênicos. Disponível em: <http://www.preservacaolimeira.com.br/p-transgenicos/perigo/>. Acesso em: 7 maio 2006.

OLIVEIRA, C. M. de. Direito do consumidor, Medida Provisória n. 131 e os produtos transgênicos. Jus Navigandi, Teresina, ano 8, n. 165, 18 dez. 2003. Disponível em: <http://jus2.uol.com.br/doutrina/texto.asp?id=4581>. Acesso em: 29 maio 2006.

PERGUNTAS e respostas sobre transgênicos. Greenpeace Brasil. 26 mar. 2005. Disponível em: <http://www.greenpeace.org.br/transgenicos/?conteudo_id=860&sub_campanha=0&img=15#1>. Acesso em 12 maio 2005.

RAMOS, J. B.; SANMATIN, P. A. Transgênicos: a controversa interferência na genética da natureza. no Informativo n. 31. maio/jun. 2000. Disponível: <http://www.institutoaqualung.com.br/info_trans39.html>. Acesso em: 20 maio 2006.

RODRIGUES, M. R. J. B. Biodireito: alimentos transgênicos. São Paulo: Lemos & Cruz, 2002.

VIA CAMPESINA BRASIL. Subsídios para implementar a campanha das sementes. São Paulo: Via Campesina Brasil, 2003.

ALTERAÇÕES RADIOGRÁFICAS

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PERIODONTO

O periodonto ou tecido periodontal é constituído de ; Gengiva , Ligamento Periodontal, Cemento e Osso Alveolar.
A gengiva está dividida anatomicamente em gengiva marginal, inserida e interdentaria ou papilar. A gengiva marginal é o bordo terminal da gengiva em torno dos dentes, a gengiva inserida é continua com a gengiva marginal . Ela é firme, resiliente e intimamente ligada as periósteo subjacente as osso alveolar e a gengiva interdentaria ou papilar ocupa a ameia gengival , que é o espaço interproximal situado abaixo da área do contato dentário.

O Ligamento periodontal é composto principalmente por fibras colágenas, que ligam o Cemento , Osso Alveolar e Gengiva.

O cemento é o tecido mesenquimatoso calcificado que forma a camada externa da raiz anatômica de um dente . Existem dois tipos de cemento, o cemento acelular (primário) e o celular (secundário). Ambos consistem de uma matriz interfibrilar calcificada e fibras colágenas .

O processo alveolar é o Osso que forma e suporta os alvéolos dentários. È composto pela parede interna do alvéolo de osso delgado e compactado , denominado osso alveolar propriamente dito (lâmina cribriforme); pelo osso alveolar de suporte , que consiste de trabéculas reticulares ;e pelas tábuas vestibulares e palatina de osso compactado. O septo interdentário é composto pelo osso de suporte incluído em um bordo compacto. Anatomicamente, o processo alveolar pode ser dividido em áreas separadas , mas ele funciona como um todo.Todas as partes são inter-relacionadas com o suporte dentário. Forças oclusais que são transmitidas desde o ligamento periodontal ate a parede do alvéolo são suportadas pela estrutura trabecular , que por sua vez é sustentada pelas tábuas corticais vestibular e lingual. A designação de todo o processo alveolar como osso alveolar guarda harmonia com sua unidade funcional.

PERIODONTITE

Periodontite é o tipo mais comum de doença periodontal e resulta da extensão do processo inflamatório iniciado na gengiva para os tecidos periodontais. Os autores Lindhe e cols estudaram os estágios seqüenciais no desenvolvimento da lesão periodontal em cachorros com base nas manifestações clinicas e medições do exsudato gengival. Eles descreveram os seguintes estágios.

1- Fase de gengivite subclínica, caracterizada por aumento rápido da exsudação gengival e migração de elucócitos sulculares , i.e., sinais de inflamação aguda

2- Fase de gengivite clínica, caracterizada por mudanças na cor da gengiva , textura e tendência a sangramento , porém mínimas alterações no numero de migração dos leucócitos sulculares.

3- Fase de colapso periodontal, caracterizada por perda de fibras do ligamento; surgem alterações radiográficas no osso.

A periodontite pode ser classificada como periodontite simples ou marginal, periodontite composta e periodontite juvenil , que acomete crianças e adolescentes.

DESTRUIÇÃO ÓSSEA NA DOENÇA PERIODONTAL

A destruição ossea na doença periodontal é causada principalmente por fatores locais , mas também por fatores sistêmicos , embora estes ainda não estejam bem definidos . Os fatores locais responsaveis pela destruição óssea formam dois grupos: aqueles que causam inflamação gengival e aqueles que causam trauma oclusal ., sendo responsaveis pela destruição óssea local na doença periodontal e determinam sua intensidade e forma . O enigma do problema da doença periodontal consiste nas alterações ósseas , pois afinal a responsável pela perda do órgão dental é a perda óssea .

ALTERAÇÕES RADIOGRÁFICAS EM DECORRÊNCIA DA PERIODONTITE

Uma avaliação geral dos tecidos periodontais é fundamental no exame clinico e nos achados radiográficos ,duas investigações que se completam. Infelizmente , como muitos outros indicadores da doença periodontal, as radiografias fornecem apenas evidencias retrospectivas do processo da doença. Entretanto , elas podem seu usadas para avaliar a morfologia dos dentes afetados , e o padrão e o grau de perda do osso alveolar. A perda óssea pode ser definida como a diferença entre a altura da crista presente e a altura óssea normal suposta para cada paciente em particular, levando em consideração a idade do paciente. De fato , as radiografias realmente mostram a quantidade de osso alveolar remanescente em relação ao comprimento radicular , mas essa informação é importante para a avaliação geral da gravidade da doença , para o prognostico dos dentes e para o planejamento do tratamento .

As radiografias são, portanto, utilizadas para :

avaliar a extensão da perda óssea e o envolvimento de furca
determinar a presença de algum fator local secundário
auxiliar no planejamento do tratamento
As Radiografias mais utilizadas para casos de avaliação de perda óssea em periodontite , é a radiografia periapical e panorâmica .

CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS DO PERIODONTO SAUDÁVEL

Um periodonto saudável pode ser considerado como um tecido periodontal que não apresente nenhuma evidencia de doença . Infelizmente , a saúde não pode ser verificada apenas pelas radiografias , informações clinicas também são necessárias .

Entretanto, para serem capazes de interpretar radiografias com sucesso , os profissionais precissam conhecer as características radiográficas normais de um tecido periodontal saudável em que não há perda óssea . A única característica radiográfica confiável é a relação entre a margem da crista óssea e a junção amelocementaria(JAC) . Se essa distãncia estiver dentro dos limites normais (2 a 3 mm) e não houver sinais clínicos de perda dessa relação , então pode se dizer que não há periodontite.

As características radiográficas habituais de um osso alveolar saudável incluem:

Cristas ósseas interdentais com margens corticais finas, lisas e uniformes nas regiões posteriores
Cristas ósseas interdentais com margens finas, uniformes e pontudas nas regiões anteriores. A cortical no topo da crista não é sempre evidente, devido principalmente á pequena quantidade de osso existente entre os dentes anteriores .
A crista óssea interdental é continua com as lâminas duras dos dentes adjacentes . A junção das duas forma um ângulo agudo.
Largura uniforme dos espaços mesial e distal do ligamento periodontal.
PONTOS IMPORTANTES A SEREM AVALIADOS NUMA RADIOGRAFIA

Apesar de essas serem as características habituais de um tecido periodontal saudável, elas nem sempre estão evidentes.

Sua ausência nas radiografias não significa necessariamente que há presença de doença periodontal.

Falhas na visualização dessas características podem ser devidas a:

Erro de técnica
Superexposição
Variação anatômica normal da forma e da densidade do osso alveolar.
Após um tratamento bem-sucedido , os tecidos periodontais devem aparecer clinicamente saudáveis , mas as radiografias podem mostrar evidencias de uma perda óssea mais adiantada quando a doença era ativa. A perda óssea observada nas radiografias não é, portanto, um indicador da presença de inflamação .

CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS DA DOENÇA PERIODONTAL E AVALIAÇÃO DA PERDA ÓSSEA E ENVOLVIMENTO DE FURCA

PERIODONTITE

Periodontite é o nome dado á doença periodontal quando a inflamação superficial dos tecidos gengivais se estende até o osso alveolar subjacente e ocorre perda de união. A destruição pode ser localizada , afetando pequenas regiões da boca , ou generalizada , afetando todas as regiões . A razão dessa progressão e subseqüente destruição óssea é normalmente lenta e contínua de forma intermitente durante vários anos, ou pode ser rápida. As características são similares ; são a distribuição e a quantidade de osso destruído que variam .

TERMINOLOGIA

Os termos utilizados para descrever os variados aspectos de detruição óssea são:

Perda óssea horizontal
Perda óssea vertical
Envolvimento de furca
Os termos Horizontal e Vertical têm sido usados tradicionalmente para descrever a direção ou o padrão de perda óssea utilizando uma linha que une as junções amelocementárias de dois dentes adjacentes como linha de referência . A quantidade de perda óssea é então classificada como leve, moderada ou severa. A perda óssea vertical severa, que vai da crista alveolar até o ápice dental , em que se acredita que a necrose do tecido pulpar seja um fator contribuinte , é descrita como lesão endo-perio .

O termo envolvimento de furca descreve o aspecto radiográfico da perda óssea na regiao de furca da raízes dentárias quando há evidência de doença avançada nessa região . Embora o envolvimento central de furca seja visto mais facilmente em molares inferiores , também pode ser encontrado em molares superiores apesar da sobreposição radiográfica da raiz palatina. Além disso, o envolvimento inicial de furca de molares superiores entre as raízes mésio-vestibular e palatina e disto-vestibular e palatina produz uma radioluscência característica de forma triangular no limite dentário.

As características radiográficas típicas dos três tipos de periodontite, chamadas de:

Periodontite Aguda
Periodontite Crônica
Periodontite Juvenil
PERIODONTITE AGUDA : ABSCESSO PERIODONTAL AGUDO

O diagnostico do abscesso periodontal é feito clinicamente onde os sinais de inflamação e infecção aguda são evidente e não-visíveis radiograficamente , visto que as alterações ósseas radiográficas podem ser indistinguíveis de outras formas de destruição óssea periodontal.

PERIODONTITE CRÔNICA

As principais características patológicas desta doença são :

Inflamação (normalmente progride a partir de uma gengivite crônica)
Destruição das firas do ligamento periodontal
Reabsorção do osso alveolar
Perda da Junção Epitelial
Formação de bolsas ao redor dos dentes
Retração Gengival
A reabsorção do osso alveolar fornece as principais caracteristicas radiograficas da periodontite crônica:

Perda da margem cortical da crista interdental, o limite ósseo fica irregular ou plano
Alargamento do espaço do ligamento periodontal na crista marginal.
Perda da forma angular normal entre a crista óssea e a lâmina dura- o ângulo ósseo fica arredondado e irregular
Perda localizada ou generalizada do osso alveolar de suporte
Perda do padrão ósseo – Horizontal e/ou Vertical , resultando em uma perda óssea leve ou formação de defeitos intra-ósseos complexos
Perda óssea nas regiões de furca dos dentes multirradiculados- pode variar desde um alargamento do ligamento periodontal até amplas áreas de destruição óssea
Alargamento dos espaços do ligamento periodontal interdentais
Associação de fatores complicadores locais secundários- apesar de a causa primaria da doença periodontal ser a placa bacteriana , muitos fatores complicadores locais secundários podem também estar envolvidos.
Alguns desses fatores podem ser detectados em radiografias , como:

Depósitos de cálculos
Cavidade de cárie
Excessos de restaurações
Margem de restaurações com falta
Falta de ponta de contato
Restaurações com sub contorno, incluindo os pônticos
Perfurações por pinos ou núcleos
Condição endodôntico em relação a lesões endo-perio
Extrusão de dentes antagonistas
Dentes inclinados
Aproximação radicular
Próteses parciais apoiadas em gengiva
PERIODONTITE JUVENIL

Esta forma localizada e grave da doença periodontal se desenvolve em adolescentes. As características radiográficas são:

Defeitos ósseos verticais graves afetando os 1º molares e/ou incisivos
Defeitos em forma de arco ou cauda
Algumas vezes a perda óssea é mais generalizada
Migração de incisivos com formação de diastemas
Rápida velocidade de perda óssea
CARACTERÍSTICAS RADIOGRÁFICAS DE ÁREA DE FURCA

O diagnostico definitivo de envolvimento de furca é feito através de exame clínico incluindo sondagem cuidadosa. As radiografias são úteis, mas apresentam defeitos que tornam possíveis a presença do envolvimento de furca clinicamente sem alterações radiográficas detectáveis.

DEFORMIDADES ÒSSEAS ( DEFEITOS ÓSSEOS)

Geralmente ocorre em adultos; mas tem sido encontradas em crânios humanos com dentição decídua. Sua presença pode ser observada radiograficamente, mas para determinar sua forma e dimensão temos que fazer uma sondagem cuidadosa e exposição cirúrgica.

Crateras ósseas, são concavidades na crista do osso interdentário confinadas entre as paredes vestibular e lingual, e com menor freqüência entre superfícies dentária e as tábuas ósseas vestibular e lingual. As crateras representam aproximadamente um terço de todos os defeitos e aproximadamente dois terços de todos os defeitos mandibulares . Manson apresentou os seguintes fatores como responsáveis pela ocorrência freqüente de crateras interdentarias:

A área interdentaria acumulo placas e é de difícil limpeza.
O plano normal ou ainda a forma côncava vestíbulo lingual do septo interdentário dos molares inferiores , a ausência de osso cortical na crista.
A inflamação caminha sobre a trajetória vascular e conseqüentemente mais rapidamente atravez da trabeculagem esponjosa vascular.
A trabeculagem esponjosa tem um regeneração mais rápida que o osso cortical.
DEFEITOS VERTICAIS (ANGULARES)

Esses defeitos são escavações sem forma de cadinho no osso, ao longo de uma ou mais superfícies radiculares desnudadas , encerradas dentro de uma , duas , ou três paredes ósseas . A base do defeito se localiza apicalmente ao osso circundante.

Em crânios humanos observou-se que defeitos angulares são mais comuns em superfícies de 2o e 3o molares inferiores ou superiores , que estão presentes em percentagens crescentes em indivíduos entre 2 e 44 anos de idade , quando se alcança o máximo , é que o numero de defeitos por indivíduos é maior após os 60 anos. Em outro estudo achou-se predominância de defeitos angulares na maxila.

CONTORNOS ÓSSEOS BULBOSOS

Esses são aumentos ósseos causados por exostoses, adaptação de função ou formação de osso de reforço. São muito mais freqüentes na amaxila.

HEMISSEPTO

A porção remanescente de um septo interdentário após a completa destruição da porção mesial ou distal pela doença denomina-se hemissepto, essa denominação é sinônimo de uma parede vertical ou perda óssea angular .

MARGENS IRREGULARES

Esses são defeitos angulares ou em forma de U produzidos pela reabsorção da tábua óssea vestibular ou lingual e a altura do septo interdentário. Esses defeitos são chamados de arquitetura invertida. São mais freqüentes na maxila.

REBORDOS

Os rebordos são margens ósseas em forma de plataforma, causados pela reabsorção de tabuas ósseas engrossadas.

LIMITAÇÕES DO DIAGNOSTICO RADIOGRÁFICO

A avaliação radiográfica das doenças periodontais é um tanto limitada. As principais limitações são:

Sobreposição e imagem bidimensional trazem os seguintes problemas:
Dificuldades em diferenciar os níveis das cristas ósseas vestibular e lingual.
Apenas uma parte do defeito ósseo complexo é mostrada.
Uma parede do defeito ósseo pode mascarar o resto do defeito.
Dentes densos ou imagens de restaurações podem obscurecer defeitos ósseos vestibulares ou linguais , e depósitos de cálculos vestibulares ou linguais.
Reabsorção óssea na região de furca pode ser mascarada por uma sobreposição radicular ou imagem óssea.
São obtidas informações apenas dos tecidos duros do periodonto, visto que defeitos gengivais em tecido mole não são normalmente detectados.

A perda óssea só é detectado quando há reabsorção suficiente do tecido calcificado para alterar a atenuação dos feixes de raio x . Como resultado, a parte histológica do processo patológico não pode ser determinada pelo aspecto radiográfico.

BIBLIOGRAFIA

Periodontia Clínica de Glickman – Carranza – Interamericana – 5a edição – 1979

Tratado de Periodontia Clínica e Implantologia Oral – Jan Lindhe – 3a edição – Guanabara koogan – 1999

Princípios de Radiologia Odontológica – Eric Whaites – 3a edição – Artmed – 2003.

ALBERT EINSTEIN

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O maior cientista da história

Autor da Lei da Relatividade, maior cientista do século XX e eleito pela revista Time como o homem do século, Einstein revolucionou nossa visão do Universo. Grande cientista e humanista, Albert Einstein ganhou o Prêmio Nobel de Física de 1922 e foi considerado uma das maiores personalidades de toda a história.

Varias são as lendas sobre sua vida e personalidade, mas a grande maioria não passa de simples “folclore”, como por exemplo, o fato de que Einstein não conseguiu passar em matemática quando ainda era jovem; ou então que não era capaz de lembrar o endereço de sua casa ou de contar o troco correto da passagem de ônibus.

Sua vida

Albert Einstein nasceu em 1879 em Ulm, na Alemanha, de uma família judia. Logo após seu nascimento, seus pais mudaram-se para Munique onde Albert Einstein passou sua juventude. Freqüentou até os 15 anos a escola Luitpold Gymnasiun. Suas maiores notas eram em Matemática e em Latim. Desde muito jovem demonstrou uma grande capacidade de entender os conceitos matemáticos mais complexos. Aos 12 anos já conhecia a geometria de Euclides.

Quando seus pais se mudaram para Milão, Itália, Einstein continuou seus estudos na Suíça, ingressando, em 1896, na Escola Politécnica Federal, em Zurique. Lá estudou Física e Matemática, tendo se formado em 1901. Em 1905 recebeu seu Ph.D pela Universidade de Zurique, na Suíça. No mesmo ano, publicou quatro artigos de grande importância para o desenvolvimento da Física. Um deles foi sobre o efeito fotoelétrico. Segundo Einstein, sob certas condições a luz se comporta como uma partícula. Esta teoria postulava que a energia dos raios luminosos se transfere em unidades individuais chamadas quanta, contrariando as teorias anteriores que afirmavam que a luz era manifestação de um processo contínuo. Essa teoria marcou a base da atual teoria sobre a natureza da luz.

Em outro artigo, Einstein expôs a formulação inicial da teoria da relatividade que, mais tarde, o tornaria mundialmente conhecido. Einstein propôs a famosa equação E = mc2. Esta equação afirma que a massa de qualquer objeto é diretamente proporcional à sua energia (E = energia, m = massa do objeto, c = velocidade da luz).

Na época em que foram apresentadas, as teorias de Einstein, além de serem complexas eram altamente polêmicas, gerando muita controvérsia.

Albert Einstein trabalhou no Departamento de Patentes da Suíça, em 1909 e tornou-se professor em Zurique e, dois anos mais tarde, professor de Física Teórica em Praga, voltando a lecionar em Zurique em 1912. Após voltar para a Alemanha em 1914 foi indicado diretor do Instituto Kaiser Wilhelm de Física e professor da Universidade de Berlim.

Em 1916, Einstein apresentou sua teoria geral da relatividade, na qual incluiu outras idéias, como o movimento dos corpos sob a influência da gravidade.

Em 1922, recebeu o Prêmio Nobel de Física, por seu trabalho publicado em 1905 sobre os efeitos fotoelétricos.

No entanto, a Alemanha não era um lugar onde um judeu poderia viver em paz. Após a Primeira Guerra Mundial e a devastadora derrota Alemã, o anti-semitismo tomou conta do país. Em 1920, enquanto ministrava uma de suas aulas na Universidade Berlim, Einstein assistiu a uma manifestação anti-semita e percebeu que logo teria que deixar a Alemanha. Um ano mais tarde visitou os Estados Unidos pela primeira vez, país para o qual emigraria, após renunciar à cidadania alemã, doze anos mais tarde, em 1933. Em 1940, Einstein tornou-se cidadão americano.

Na sua chegada aos Estados Unidos, Einstein assumiu o Departamento de Física da Universidade de Princeton, lecionando na mesma até 1945, quando se aposentou.

Einstein foi um sionista ativo, apoiando a criação do Estado de Israel e ajudando a arrecadar fundos para a criação da Universidade Hebraica de Jerusalém, na qual foi presidente de 1925 a 1928. Einstein doou os manuscritos de seus trabalhos científicos à universidade.

Em 1952, o primeiro-ministro de Israel, David Ben-Gurion, convidou Einstein para assumir a presidência do país. Einstein recusou o convite alegando não estar à altura do cargo.

Einstein era judeu e sempre acreditou em Deus. Ele defendeu a idéia do cosmo como produto de uma inteligência suprema, responsável pela organização da matéria e da vida.

Ele foi casado duas vezes. O primeiro casamento acabou em divórcio e no segundo, permaneceu até sua morte.

Einstein morreu no dia 18 de abril de 1955 em Princeton, Nova Jersey. Seu corpo foi cremado e seu cérebro doado a Thomas Harvey, patologista do Hospital de Princeton.

Apesar de atuar em prol da paz ao longo de sua vida, Einstein defendeu o desenvolvimento da bomba atômica pelos Estados Unidos, com o objetivo de frear Hitler e a Alemanha nazista. Em 1939, após tomar conhecimento de que os alemães estavam dedicando-se a um sigiloso projeto que envolvia o uso de urânio, Einstein escreveu uma carta ao Presidente Roosevelt, recomendando que os Estados Unidos se dedicassem à pesquisa nuclear. Isto resultaria no Projeto Manhattan e na construção da bomba atômica.

Uma semana antes de sua morte, Einstein assinou sua última carta que foi endereçada a Bertrand Russel. Nela, ele concordava que seu nome fosse incluído em um manifesto em prol de todas as nações que abandonassem as armas nucleares.

Idéias e teorias

Einstein sempre teve uma visão clara sobre os problemas da Física. Foi ele quem descobriu a estrutura essencial do Cosmo. Desde que começou a se dedicar à ciência, o então jovem físico percebeu algumas inadequações nas idéias de Newton. Em uma tentativa de reconciliar as leis da mecânica com o campo da eletromagnética acabou desenvolvendo a teoria da relatividade.

Em 1903 e 1904, ele publicou artigos sobre os fundamentos da mecânica estatística. Em 1905 terminou um trabalho que lhe garantiu o Prêmio Nobel de Física, em 1922, além de finalizar o texto que lhe deu o título de Doutor pela Universidade de Zurique.

A Teoria Especial da Relatividade, proposta por Albert Einstein em 1905, revolucionou a visão que se tinha do mundo. Em todos os modelos precedentes do universo, o espaço e o tempo eram vistos como dimensões absolutas e imutáveis da realidade. Do mesmo modo, a duração dos eventos e as medidas dos objetos eram vistas como qualidades totalmente independentes. A teoria da relatividade veio a modificar tais conceitos.

Nos anos 20, Einstein trabalhou no campo da unificação das teorias, na teoria quântica e no desenvolvimento da mecânica estatística. Mesmo após se aposentar, ele continuou a trabalhar rumo à unificação dos conceitos básicos da física.

Seus principais trabalhos são: “Teoria Especial da Relatividade”, 1905; “Teoria Geral da Relatividade”, 1916; “Investigações sobre a Teoria do Movimento Browniano”, 1926; e “Evolução da Física”, 1938. Entre seus trabalhos não científicos destacam-se “Sobre Sionismo”, 1930; “Minha Filosofia”, 1934; e “Meus últimos anos”, 1950.

Einstein foi o cientista mais renomado de todos os tempos. Ganhador do Prêmio Nobel de Física (1922), títulos de Doutor Honoris Causa de diversas universidades pelo mundo, títulos de Membro-Honorário de várias instituições e a Medalha Copley da Sociedade Real de Londres (1925), entre tantas. No ano 2000, Einstein foi eleito personalidade do século pela revista Time.

Frases de Einstein

“Ponha sua mão num forno quente por um minuto e isto lhe parecerá uma hora. Sente-se ao lado de uma bela moça por uma hora e lhe parecerá um minuto. Isto é relatividade”.

“Tem um sentido a minha vida? A vida de um homem tem sentido? Posso responder a tais perguntas se tenho espírito religioso, Mas, ‘fazer tais perguntas tem sentido?’ Respondo: ‘Aquele que considera sua vida e a dos outros sem qualquer sentido é fundamentalmente infeliz, pois não tem motivo algum para viver”.

Bibliografia

Pais, Abraham, “Sutil é o Senhor…A Ciência e a Vida de Albert Einstein”
Einstein, Albert, Como Vejo o Mundo
Revista Time, 10/01/2000
Manuscritos de 1912 da Teoria Especial da Relatividade de Einstein.

ÁGUA

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INTRODUÇÃO

A água é uma substância única, sem ela a vida no nosso planeta seria impossível. No mundo há muita água, mas ela não está distribuída com igualdade, alguns lugares possuem em abundância e outros lugares há falta.

A superfície da Terra é constituída de três quartos de água, cerca de 70%, a maior parte está concentrada nos oceanos e mares, cerca de 97,5%, o restante 2,5% está concentrado em icebergs e geleiras, sendo que só 0,007% vai para os rios, lagos e reservatórios da superfície do planeta.

O oceano mais salgado da Terra é o Mar Morto, entre Israel e Jordânia, que apresenta nove vezes mais sal do que os demais oceanos. O Oceano Pacífico é o maior oceano existente com 166 milhões de Km2; O maior mar está situado no Sul da China que possui 3 milhões de Km2; O maior lago de água potável é o Lago Superior localizado na América do Norte a qual mede 82.103 Km2; O rio mais longo do planeta é o Rio Nilo na África, a qual possui a extensão de 6.670 Km até o mar. É o maior constituinte dos seres vivos, nosso corpo é constituído de 70%. Está presente nos menores movimentos do nosso corpo, em células, nos vasos sangüíneos e nos tecidos de sustentação.

As suas propriedades vem de sua polaridade, de sua não usual constante dielétrica, e das ligações de hidrogênio que faz consigo mesma. Devido essas propriedades faz com que a água carregue compostos dissolvidos, alguns bastante tóxicos e ainda vírus e bactérias. É composta de hidrogênio e oxigênio, sendo que uma molécula de água consiste de dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio, representados pela fórmula H2O. Como substância, a água pura é incolor e inodora.

A água é um excelente condutor de corrente elétrica, no corpo humano a sua alta condutividade faz com que ela transforme a condutividade dos nervos num sensível e efetivo mecanismo para o corpo. A incrível habilidade de dissolver tantas substâncias permite às nossas células o uso de nutrientes valiosos e substâncias químicas no processo biológico. O transporte de íons de célula para a célula somente ocorre em função da presença da água.

Na natureza, encontramos diversos tipos de água, dependendo dos elementos que ela contém. Algumas são ideais para o consumo, enquanto que outras são prejudiciais á saúde. São elas:

1. Água potável: é o tipo ideal para o consumo, é fresca e sem impurezas;

2. Água poluída: é a água suja ou contaminada, isto é, contém impurezas, micróbios, vírus, etc;

3. Água doce: é a água dos rios, lagos e das fontes;

4. Água salgada: é a que contém muitos sais dissolvidos, como por exemplo a água do mar;

5. Água destilada: é constituída unicamente de hidrogênio e oxigênio, não há impurezas e nenhum tipo de sal dissolvido;

6. Águas minerais: são denominadas assim porque contêm uma grande quantidade de sais minerais dissolvidos, assim ela possui cheiro e sabor diferente da água que consumimos. Há diversos tipos de águas minerais, são elas:

Salobra: é levemente salgada e não forma espuma com o sabão;
Termal: além de apresentar sais minerais dissolvidos, ela possui uma temperatura mais elevada que a do ambiente em que se encontra, é utilizada para curar certas doenças de pele;
Acídula: contém gás carbônico, é também denominada de água gasosa, possui um sabor ácido e é usada para facilitar a digestão;
Magnesiana: nesse tipo de água predominam os sais de magnésios, é utilizada para ajudar o funcionamento do estômago e do intestino;
Alcalina: possui bicarbonato de sódio e combate a acidez do estômago;
Sulfurosa: contém substâncias à base de enxofre e é usada no tratamento da pele e das vias respiratórias;
Ferruginosa: possui ferro e ajuda no combate à anemia.
A água pode ser saudável ou nociva. Na natureza não encontramos água pura, devido à sua capacidade de dissolver elementos e compostos químicos. A água que encontramos nos rios ou em poços profundos contém várias substâncias dissolvidas, como o zinco, magnésio, cálcio e elementos radioativos. Dependendo do grau de concentração desses elementos, a água pode ser ou não nociva. Para que seja saudável, ela não pode conter substâncias tóxicas, vírus, bactérias e parasitos. Quando não tratada, a água é um importante veículo de transmissão de doenças, principalmente as do aparelho intestinal, como a cólera, a amebíase e a disenteria bacilar, além da esquistossomose, há também outras doenças como a febre tifóide, as cáries dentárias e hepatite infecciosa.

Ela é utilizada no nosso cotidiano, como no lar a utilizamos para higiene pessoal, para cozinhar, na limpeza da casa entre outras coisas. Na indústria ela é utilizada de várias formas, como por exemplo na fabricação de 1 tonelada de aço que é necessário cerca de 270 toneladas de água. Na agricultura é utilizada para irrigar as plantas, pois as plantas necessitam grande quantidade dela. Na hidrelétrica é utilizada como fonte de energia, para iluminação de casas e operação das fábricas. É utilizada ainda como via de transporte e recreação.

A água tem se tornado um elemento de disputa entre as nações. Hoje cerca de 250 milhões de pessoas, distribuídos em 26 países, já enfrentam escassez de água. Em 30 anos, o número aumentará para 3 bilhões em 52 países. Nesse período, a quantidade de água disponível por pessoa nos países do Oriente Médio e do norte da África estará reduzida em 80%. A projeção que se faz, é que nesse período, 8 bilhões de pessoas habitarão a Terra, em sua maioria concentradas nas grandes cidades. Assim será necessário aumentar a produção de comidas e energia, aumentando o consumo doméstico e industrial de água. Devido essa escassez de água, Israel utiliza de uma tecnologia de dessalinização, hoje o país tem mais da metade da área ocupada por desertos, é o principal exportador de produtos agrícolas do Oriente Médio. É a região que tem a menor taxa de água por pessoa no planeta, e é um exemplo que pode acontecer no resto do mundo.

O Brasil é um país privilegiado em relação à quantidade de água. Ele possui 13,7% de água doce do planeta, sendo que 7% encontra-se na região da bacia hidrográfica do rio Paraná, que inclui o rio Tietê, que está situado no Estado de São Paulo que possui 1,6 % de água doce em sua extensão. E 70% na Bacia Amazônica, sendo que o volume de água do rio Amazonas é o maior do globo, sendo considerado um rio essencial para o planeta. O restante está situado no Nordeste e Centro-Oeste, no rio São Francisco, mas, porém devido a super população, situadas nas grandes cidades o Brasil vem sofrendo problemas de escassez, isso já atinge os principais rios e represas das grandes cidades.

Em Porto Alegre, o rio Guaíba está comprometido pelo lançamento de resíduos domésticos e industriais, além de sofrer as conseqüências do uso inadequado de agrotóxicos e fertilizantes.

Na cidade de Brasília, além de enfrentar a escassez de água, tem problemas com a poluição do lago Paranoá.

A ocupação urbana de áreas de mananciais do Alto Iguaçu compromete a qualidade das águas para abastecimento de Curitiba.

O rio Paraíba do Sul, além de abastecer a região metropolitana do Rio de Janeiro, é manancial de outras importantes cidades de São Paulo e Minas Gerais, onde são graves os problemas devido ao garimpo, à erosão, aos desmatamentos e aos esgotos.

A cidade de Belo Horizonte já perdeu um manancial para abastecimento, a lagoa da Pampulha, que precisou ser substituído pelos rios Serra Azul e Manso, mais distantes do centro de consumo. Também no rio Doce, que atravessa os Estados de Minas Gerais e Espírito Santo, a extração de ouro, o desmatamento e o mau uso do solo agrícola provocam prejuízos enormes à qualidade de suas águas.

O Estado de São Paulo sofre escassez de água e com problemas decorrentes de poluição em diversas regiões: no Alto Tietê junto à região metropolitana; no rio Turvo; no rio Sorocaba, entre outros.

CICLO DA ÁGUA

Pode admitir-se que a quantidade total de água existente na Terra, nas suas três fases, sólida, líquida e gasosa, se tem mantido constante, desde o aparecimento do Homem. A água da Terra, que constitui a hidrosfera, se distribui por três reservatórios principais, os oceanos, os continentes e a atmosfera, entre os quais existe uma circulação perpétua denominada ciclo da água ou ciclo hidrológico. O movimento da água no ciclo hidrológico é mantido pela energia radiante de origem solar e pela atração gravítica.

A energia solar esquenta a água dos oceanos, mares e massas terrestres, transferindo-as à atmosfera como vapor de água. Na atmosfera, o vapor forma as nuvens, essas são transportadas por patrões do clima, que recebe influência da topografia do terreno. Às vezes o vapor se condensa em forma de neblina ou nuvens e eventualmente desce à Terra como precipitação, acumulando-se em águas superficiais e sob o terreno. Ato contínuo, o processo de reciclagem, com o regresso da água para a atmosfera continua. Os principais processos desse ciclo são: evaporação, transpiração, precipitação, infiltração, respiração e a combustão.

Para seguir o movimento da água através deste ciclo, a energia do sol evapora a água do mar até a atmosfera. Enquanto o vapor ascende dos oceanos e do terreno, deixa atrás de si minerais, tais como sais, que podem converter em inóspita a terra. Mas nos oceanos, este é só uma parte de um processo natural, que não causa efeito na vida marinha.

O vapor de água invisível se une então a procissão de moléculas de água numa viajem que o levará de regresso ao solo ou à água, em forma de precipitação. A precipitação pode tomar uma das várias formas possíveis, mas sempre começará como água congelada.

As moléculas de água se juntam e se lançam até a superfície da Terra. Assim, a água termina como gota de chuva, cristal de neve ou granizo, o que depende da estação da ano, da localização e do clima.

Nem toda a água chegará a Terra. Alguma se evaporará no caminho entre as nuvens e a terra e então regressará a atmosfera para iniciar de novo o ciclo.

Quando chegar a Terra, correrá sobre a superfície da terreno, se infiltrará (enchendo os espaços porosos que existem entre as partículas que compõem o solo), ou cairá num corpo de água (riacho, rio ou lago).

Este caminho pode ser interceptado mediante práticas de conservação, como são a construção de pequenas represas, platôs, e canais revestidos de grama. Estas práticas permitem que a água se infiltre e se detenha como água superficial.

Pequenas quantidades de água são retidas e mantidas por plantas, edifícios, automóveis, maquinaria e outras estruturas até que se evaporam e regressam à atmosfera.

A medida que os motores fazem seu trabalho de gerar potência aos veículos, parte de seu descarte consiste de vapor de água que são lançados à atmosfera através do processo de combustão e queima. E os animais inalam vapor de água quando respiram.

A maior parte de água se infiltra no terreno. Parte de água será absorvida pelas raízes das plantas, para logo ser transpiradas ou expulsas ao ar através de suas folhas em forma de vapor de água. Outra porção de água se moverá lentamente até os aqüíferos subterrâneos, percolando através do solo até chegar ao leito de rocha. Eventualmente, por médio de poços ou drenagem, a água subterrânea pode ser extraída e usada.

Outra parte da água ascendera lentamente através do solo e do leito de rocha até chegar a superfície em forma de mananciais ou de poços artesianos.

O excesso de água correrá sobre a superfície do terreno até os corpos de água, arrastando terra valiosa e todo o que se adere às partículas de terra. Então, o processo de evaporação, assim como o da transpiração, respiração e combustão, começa de novo. E a interminável reciclagem da água continua.

POLUIÇÃO DAS ÁGUAS

É o lançamento ou infiltração de substâncias nocivas na água. Os efeitos da poluição e destruição da natureza estão sendo desastrosos, pois se um rio é contaminado, a população inteira sofre as conseqüências. A poluição está prejudicando os rios, mares e lagos, em poucos anos, o rio que é poluído pode estar completamente morto. Para se efetuar a despoluição é gasto muito dinheiro, tempo e ainda por cima uma enorme quantidade de água. Os mananciais também estão em constante ameaça, pois acabam recebendo as sujeiras da cidades, levadas pelas enxurradas junto com outros detritos. A impermeabilização do solo causada pelo asfalto e pelo cimento dificulta a infiltração da água da chuva e impede a recarga dos lençóis freáticos. As ocupações clandestinas de áreas de mananciais, acabam também poluindo as águas, pois seus moradores depositam lixo e esgoto no local. O homem é o maior causador de poluição e destruição da natureza, pois jogam lixos diretamente nos rios, sem nenhum tratamento, matando milhares de peixes. Devastam as árvores dos mananciais e de matas ciliares. As pessoas tem plena consciência de que os automóveis poluem e colaboram para o efeito estufa, mas devido a falta de opção ou por comodismo não abrem mão desse meio de transporte. Também sabem que os lixos contaminam e poluem o meio ambiente, porém mesmo assim, muitas pessoas continuam jogando-os nas ruas, praias e parques.

Agora, descreveremos as principais formas de poluição das águas, são elas:

1. POLUIÇÃO NOS SISTEMAS URBANOS

A poluição das águas nas grandes cidades assume proporções catastróficas, pois nelas se concentram o maior número de pessoas e a maioria das indústrias. Nas cidades, há um grande consumo de água, e, consequentemente, uma infinidade de fontes poluidoras, tanto na forma de esgoto doméstico com de efluentes industriais. O consumo doméstico de água é muito grande, cerca de 20% escoam pelos vasos sanitários, 39% alimentam os chuveiros, 22% vão para lavar roupas e louças, e 19% para comidas e bebidas.

As fábricas lançam no ar atmosférico gases tóxicos, pois não instalam filtros em suas chaminés. Na cidade de São Paulo, só 17% das indústrias tratam seus esgotos; 83% jogam nos rios toda a sujeira que produzem. Quem mais polui é também quem mais consome, cerca de 23% da água tratada é consumida pelas indústrias.

A solução para esses problemas da poluição nas grandes cidades é o tratamento dessas águas poluídas.

Dados estatísticos referente a água, nos demonstram que:

– 1200 milhões de seres humanos ainda não possuem acesso a água potável e encanada, sendo que no Brasil, 55,51% da população não possuem água encanada e nem saneamento básico em suas residências. Assim, essas pessoas estão sujeitas a se contaminarem com doenças como a desenteria, a amebíase, a esquistossomose, a malária, a leishmaniose, a cólera, entre várias outras;

– 20% das espécies aquáticas fresca já estão extintas ou em processo de extinção;

– Por ano, cerca de 330 milhões de metros cúbicos de água evaporam-se dos oceanos;

– Anualmente 100 milhões de metros cúbicos de água caem na Terra em forma de precipitação.

2. PROBLEMÁTICAS DOS ESGOTOS

Eutrofização das Águas

Essa é a forma mais comum de poluição das águas, é causada pelos lançamentos de dejetos humanos nos rios, lagos e mares, levando assim a um aumento da quantidade de nutrientes disponíveis nesses ambientes.

A eutrofização permite grande proliferação de bactérias aeróbicas que consomem rapidamente todo o oxigênio existente na água. Consequentemente, a maioria das formas de vida acabam morrendo, inclusive as próprias bactérias.

Devido essa eutrofização por esgotos humanos, os rios que banham as grandes cidades do mundo tiveram sua fauna e flora destruídas, tornando-se esgotos a céu aberto. Com esse lançamento de esgotos nos rios, acarreta ainda mais a propagação de doenças causadas por vírus, bactérias e vermes.

Marés Vermelhas

Em alguns casos a eutrofização dos mares podem levar a uma grande propagação de certos dinoflagelados (protistas fotossintetizantes), esse fenômeno é denominado com maré vermelha devido à coloração que esse animais conferem a água. Esses dinoflagelados, provocam a morte de peixes e de outros seres marinhos, pois competem com eles pelo gás oxigênio, além de liberarem substâncias tóxicas na água.

Para solucionarmos esse problemas dos esgotos, devem ser feitos tratamentos de modo que os microrganismos sejam mortos e as impurezas eliminadas.

3. POLUIÇÃO POR FOSFATOS DE NITRATOS

Na agricultura os adubos e fertilizantes usados, contém grande concentração de nitrogênio e fósforo. Esses poluentes orgânicos constituem nutrientes para as plantas aquáticas, especialmente as algas que transformam a água em algo semelhante a um caldo verde (floração das águas).

Em alguns casos, a superfície é recoberta por um tapete formado pelo entrelaçamento de algas filamentosas, assim, ocorre a desoxigenação da água, além de dificultar a penetração da luz, impossibilitando assim a fotossíntese nas zonas inferiores, reduzindo a produção de oxigênio e a morte de vegetais. A decomposição desses vegetais, aumenta o consumo de oxigênio, agravando assim a desoxigenação das águas.

4. POLUIÇÃO TÉRMICA

Consiste no aquecimento das águas naturais pela introdução de águas quentes utilizadas na refrigeração de refinarias, siderúrgicas e indústrias diversas. Quando a temperatura se eleva, a solubilidade de oxigênio na água é afetada, assim ocorre o dispersamento desse gás para a atmosfera, acarretando uma diminuição de sua disponibilidade na água, prejudicando assim diversas formas aeróbicas aquáticas. A poluição térmica combinada e reforçada com outras formas de poluição pode empobrecer o ambiente de forma imprevisível.

5. POLUIÇÃO POR MERCÚRIO

O mercúrio é um metal muito pesado e extremamente tóxico. No garimpo é usado para a separação do ouro do minério bruto. Grandes quantidades desse metal é lançado nas águas dos rios que servem para a lavagem do minério, envenenando e matando assim, diversas formas de vida. Peixes envenenados pelo metal se consumidos pelo homem podem causar sérios danos ao Sistema Nervoso.

6. POLUIÇÃO POR FERTILIZANTES E AGROTÓXICOS

O desenvolvimento da agricultura também tem contribuído para a poluição do solo e da água. Agrotóxicos e fertilizantes espalhados sobre as lavouras além de poluir o solo são levados pelas águas da chuva até os rios, onde intoxicam e matam diversos seres vivos dos ecossistemas.

7. POLUIÇÃO POR DETERGENTES

Os detergentes aparecem nas águas naturais como o resultado das diversas lavagens domésticas e industriais. Muitas vezes provocam a formação de espumas brancas conhecidas como “cisnes-de- detergentes” que reduzem a penetração de oxigênio na água afetando as formas aeróbicas aquáticas.

As penas das aves em contato com esse detergentes, podem remover-lhes a secreção oleosa que impermeabiliza as penas, impedindo-os que se molhe. Sem o óleo isolante, as penas das aves molham-se em contato com a água, fazendo com que as mesmas afunde e acabam morrendo afogadas.

Os detergentes podem enriquecer as águas naturais com substâncias fosfatadas, favorecendo assim o processo de eutrofização. Os detergentes biodegradáveis também podem causarem problemas ao ambiente, pois os mesmos contribuem para o aumento da população microbiana, reduzindo o oxigênio na água afetando as formas aeróbias aquáticas.

8. POLUIÇÃO DOS RIOS

As fontes de poluição das águas dos rios, resultam entre outros fatores, dos esgotos domésticos, dos despejos industriais, do escoamento da chuva das áreas urbanas e das águas de retorno de irrigação. Com o aumento da população e do desenvolvimento industrial, além do uso, cada vez maior, de fertilizantes químicos e inseticidas na lavouras tem causado sérios danos aos rios e a vida.

As grandes concentrações de nitrogênio e fósforo, utilizados em adubos e fertilizantes, constituem um tipo muito comum de poluição das águas. As enxurradas transportam para os rios os fosfatos e nitratos, estes nutrem as plantas aquáticas, as quais, multiplicando-se (especialmente algas), absorvem o oxigênio da água. A falta desse gás ocasiona a morte de muitas plantas e animais que, ao se decomporem aumentam a poluição.

Os principais rios brasileiros poluídos são:

– O Rio Tietê que atravessa várias cidades do Estado de São Paulo, na cidade de São Paulo ele é um esgoto a céu aberto;

– O Rio Pardo e Mogi, que recebem poluentes industriais das usinas;

– O Rio São Francisco, poluído, por receber metais pesados vindo de fábricas próximas e recebem agrotóxicos.

9. POLUIÇÃO DO LITORAL

Antigamente, acreditava-se que as substâncias residuais despejadas no mar se diluíam e desapareciam para sempre. Mas, essas substâncias continuam em movimento. As correntes deslocam os desperdícios de um lado para o outro, concentrando-os aqui e diluindo-os ali. As correntes ascendentes, nas áreas onde a água fria das profundezas sobe a superfície, podem trazer à luz resíduos perigosos, enterrados em locais que se pensava serem seguros.

Hoje em dia, muitas cidades despejam seus esgotos diretamente nos mares, sem tratamento prévio. Isso nos mostra, que na época do verão as praias constituem um risco para os banhistas, pois muitos organismos patogênicos, podem ser encontrados nas águas, proveniente de contaminações fecais. Nessa época se observa em cidades “a beira-mar, o aumento de casos de diarréias, de hepatite infecciosas, de micoses e até de poliomielite.

Um bom indicador do grau de poluição das águas pelos esgotos, consiste na dosagem da quantidade de bactérias como a E. Coli. Essa bactéria não é patogênica por si mesma, ela vive normalmente no intestino dos humanos sem causar sérios problemas. Porém, sua presença em grande concentração nas águas, mostra contaminações por fezes e indica a presença provável de outros microrganismos, esses patogênicos. Um grande passo para a resolução parcial desse problema, foi a construção de um “interceptor oceânico submarino”, cujo papel é levar esgotos a grande distância mar adentro. Vale a pena lembrar, que as águas dos mares possui uma capacidade autodepuradora, ou seja, as bactérias humanas acabam sendo destruídas, provavelmente por meio de vírus bacteriófagos, protozoários e substâncias antibióticas produzidas por organismos marinhos.

Um dos problemas mais sérios de poluição marinha, se refere àquele causado por derramamento de petróleo. Esse líquido, além de poluir as águas e a areia, impossibilita a utilização das praias. Possui efeitos terríveis sobre o meio ambiente marinho. Esses derramamentos ocorrem devido acidentes com navios petroleiros ou com a lavagem de seus motores e reservatórios diretamente na água.

O petróleo é menos denso do que a água, por isso flutua sobre ela. Essa camada impede a penetração de oxigênio do ar e da luz do sol. Sem oxigênio os peixes não podem viver e sem a luz as plantas não podem fazer a fotossíntese.

No mar as algas flutuantes são as maiores fornecedoras de alimentos para os primeiros elos da cadeia alimentar. Ao derramar o petróleo na água, ele reduz a entrada de luz na água, o que faz diminuir a taxa de fotossíntese das algas e em conseqüência a oxigenação na água.

Nos peixes, o petróleo adere as guelras (brânquias) dos peixes, impedindo-os de respirar, matando-os por asfixia. Ele também, gruda nas penas da aves aquáticas impedindo que as mesmas voem.

Os mangues também são afetados pelo petróleo, matando os filhotes de várias espécies, assim o mangue vai sendo destruído.

No mundo os desastres ecológicos pelo derramamento de petróleo acontecem freqüentemente, um dos mais graves acidentes com petroleiros ocorreu no Alasca em março de 1988, com o petroleiro americano Exxon Valdez. Esse chocou-se contra os recifes derramando 40 milhões de litros de óleo no oceano. Vários animais morreram aos milhares e os que sobreviveram ficaram intoxicados propagando os efeitos do acidente. Cientistas calculam, que pelo menos duas décadas serão necessárias para a recuperação do Alasca e muito difícil será restabelecida as condições ambientais anteriores. Em 1983, no Oriente Médio, durante a guerra do Irã com o Iraque, bombardeios a campos petrolíferos da plataforma continental provocaram o derrame no Golfo Pérsico de milhares de barris de óleo por dia. Em conseqüência, alguns países da região foram privados de seu abastecimento de água potável, obtida por dessalinização da água do mar.

No Brasil, ocorreram vários desastres com petroleiros, em janeiro de 2000, 1,29 milhões de litros de óleo vazaram de um dos navios cargueiros na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Seis meses depois, um novo acidente provocou o vazamento de 380 litros na mesma região. Em julho de 2000, 4 milhões de óleo vazaram da Refinaria Getúlio Vargas, em Araucária, no Paraná, para o rio Iguaçu. No Ceará, houve um derramamento de aproximadamente 100 litros em duas plataformas de Paracuru. Em novembro de 2000, 86 mil litros de óleo foram derramados pelo canal de São Sebastião. Mais recentemente em março de 2001, ocorreu o pior acidente dos últimos anos, cerca de 1,5 milhões de litros de petróleo e diesel foram derramados devido uma explosão na plataforma, na Bacia de Campos no rio de Janeiro.

Para solucionar esse problema da poluição das águas, tem que ser tomadas algumas medidas, tais com:

– A existência de Leis mais rigorosas que obriguem as indústrias a tratarem seus resíduos antes de lançá-los nos rios e oceanos;

– Penalizações para as indústrias que não tiveram de acordo com as Leis. No caso de reincidência o seu fechamento é inevitável;

– Investimentos nas áreas de fiscalização dessas indústrias;

– Ampliação da rede de esgotos;

– Saneamento básico para todos;

– Investimentos nas construções de navios mais seguros para o transporte de combustíveis;

– Melhoramentos no sistema de coleta de lixos;

– Implantação de novas estações de tratamentos de esgotos;

– Campanhas publicitárias, buscando a explicação de técnicas de saneamento para a população carente;

– Campanhas de conscientização da população para os riscos de poluição;

– Criação de produtos químicos mais seguros para a agricultura;

– Cooperação com as entidades de proteção ambiental.

TRATAMENTO DE ÁGUA DE ABASTECIMENTO

O tratamento de água tem por finalidade melhorar a qualidade da água de abastecimento ao público, tendo os seguintes objetivos:

1. Higiene: Remoção de bactérias, elementos nocivos (tóxicos), compostos orgânicos, protozoários, etc.

2. Estética: Remoção da cor, turbidez, odor e sabor.

3. Economia: Redução da corrosividade.

A região metropolitana de São Paulo, possui sete grandes sistemas de tratamento de água, são elas: Cantareira, Guarapiranga, Alto e Baixo Cotia, Alto do Tietê, Rio Claro e Rio Grande. O maior deles é o da Cantareira, que é responsável por 33 mil litros de água por segundo. A água que é produzida nos sete sistemas chega aos consumidores através de 1200 quilômetros de grandes tubulações ou adutoras, reservatórios e 23 mil quilômetros de redes de distribuição.

A Estação de Tratamento de Água (ETA), é instalada quando a água bruta utilizada pela população, está imprópria para o consumo.

Geralmente esse sistema é instalado próximo de um manancial, que pode ser um rio ou represa, muitas vezes necessitando de uma Estação Elevatória para bombear a água até a entrada da Estação de Tratamento de Abastecimento.

Na entrada do sistema há um gradeamento que tem por finalidade deter os materiais flutuantes de maiores dimensões, evitando assim o desgaste e destruição dos esquipamentos.

A Estação de Tratamento é composta das seguintes fases:

1) Coagulação e Floculação

Essa etapa tem o objetivo de transformar as impurezas que se concentram em suspensão (partículas finas, bactérias, etc), materiais colidais (cor, ferro, manganês oxidado, etc) e alguns materiais dissolvidos em partículas gelatinosas (flocos). No processo de coagulação, é utilizado o coagulante químico sulfato de alumínio, que, após determinação em laboratório da dosagem ótima, é adicionada à água bruta em zona de grande turbulência. Após essa mistura, a água escoa para o floculador (zona de mistura lenta) para uma boa constituição e agregação das impurezas.

A água floculada passa, através de canais, para a fase seguinte que é a decantação.

2) Decantação

A água floculada escoa por gravidade para o decantador onde ocorre a separação das fases líquidas (água) e sólida (flocos), em virtude da velocidade da água ser bem moderada nesta etapa.

A qualidade da água decantada é excelente em relação à água bruta, mas não é suficiente para distribuí-la à população. Assim é necessário que haja à eliminação das partículas finas ainda existente na terceira etapa do tratamento, que é a filtração.

3) Filtração

Nessa etapa, a água passa nos filtros através de leitos de areia, com granulométrica variando entre 0,50 a 0,65 mm, sustentada por camadas de seixos (cascalhos, pedras de diversos tamanhos), sob as quais existe um sistema de drenos.

A água, após a filtração, encontra-se tratada no ponto de vista físico químico sendo, então, necessário realizar-se a desinfecção.

4) Fluoretação

Após a filtração, é realizado esse processo, que através da adição de ácido fluossilício, que tem como objetivo prevenir o aparecimento da cárie dentária, na áreas mais carentes.

5) Desenfecção por Cloração

A desinfecção é realizada através da dosagem de cloro gasoso. Para que esse processo ocorra adequadamente, é preciso que a água apresente um pH ácido, o que provavelmente é atingido com a adição de sulfato de alumínio, na etapa de coagulação e adição de ácido fluossilícico após a filtração.

Além disso, é preciso um tempo de contato na faixa de 2 a 4 horas, para se realizar no reservatório da Estação de tratamento.

Caso o comprimento das redes adutoras seja muito longo, é necessário a recloração em alguns pontos da rede de distribuição.

6) Alcalinização

Esse processo tem por finalidade, corrigir o pH da água que será distribuída a população, através da adição de cal (hidróxido de cálcio), evitando assim que a água fique ácida, causando sérios danos não só a população, mas também nas tubulações que a água percorre até chegar nas residências.

Após ter atingido, finalmente as condições ideais de consumo, essa água é bombeada para um reservatório superior, de onde será distribuída à população.

O padrão de potabilidade da água tratada e consumida pela população de São Paulo, segue as recomendações da Organização Mundial de Saúde, garantindo assim a inexistência de bactérias e partículas nocivas à saúde humana. Dessa forma, evita-se o surgimento de grandes surtos de epidemias, como a cólera e o tifo.

CONCLUSÃO

Concluímos que a água é essencial a vida dos seres, pois sem ela não teríamos vida em nosso planeta. Nosso planeta e nosso corpo é constituído de 70%, sendo que sua distribuição no planeta não é por igualdade, pois em muitos lugares há excesso e em outros escassez.

Devido a super população do mundo, a terceira guerra pode ser devido a falta de água em alguns países. O Brasil é o país mais privilegiado do mundo devido a sua abundância em água, mas devido aos homens isso pode tudo acabar, pois desmatam as florestas, poluem os rios, lagos, com poluentes tóxicos, químicos, entre outros, jogam esgotos, lixos, sem um tratamento prévio, assim as pessoas que tem contato com essa água poluída pode adquirir várias doenças como a disinteria, cáries dentárias, esquitossomose e outras.

Para se adquirir uma água potável, essa tem que ser tratada em estações de tratamento utilizando os seguintes processos: Coagulação e Floculação; Decantação, Filtração, Fluoretação, Desenfecção por Cloração e Alcalinização.

BIBLIOGRAFIA

Rocha, Aristides Almeida. Ciências do Ambiente, Saneamento, Saúde Pública.São Paulo, 1995: Departamento de Saúde Ambiental. Faculdade de Saúde Pública. Universidade de São Paulo, 407 p.

Branco, Samuel Murgel. Hidrobiologia Aplicada Á Engenharia Sanitária.São Paulo, 1986, Printed in Brazil, CETESB/ASCETESB, 640 p.

CULTURA, FUNDAÇÃO PADRE ANCHIETA. São Paulo, 1996 à 2000.Disponível em: . Acesso em 15 set. 2001.

VIEIRA, RICARDO, ACESSORIA DE PLANEJAMENTO – ASPLA. Alagoas, 1997.Disponível em: . Acesso em 01 set. 2001.

AGROTÓXICOS: O VENENO NOSSO DE CADA DIA

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Os agrotóxicos foram desenvolvidos na Primeira Guerra Mundial e utilizados mais amplamente na Segunda Guerra Mundial como arma química. Com o fim da guerra, o produto desenvolvido passou a ser utilizado como “defensivo agrícola”.

O primeiro veneno, o composto orgânico DDT, foi sintetizado em 1874 por Othomar Zeidler, porém só em 1939 Paul Muller descobriu suas propriedades inseticidas. Pela descoberta e posterior aplicação do DDT no combate a insetos, Muller recebeu o prêmio Nobel de química em 1948. O DDT era então a grande arma para acabar com o inseto propagador da malária, até que descobriu-se que ele &ndash como todos os compostos organoclorados &ndash é cancerígeno, teratogênico e cumulativo no organismo.

No pós-guerra, os vencedores articularam uma expansão dos seus negócios a partir das indústrias que haviam se desenvolvido durante o conflito, e entre elas a indústria química. Na Europa havia fome. Foi então que surgiu a “revolução verde”, que visava promover a agricultura, gerando comida para os famintos do mundo.

A “revolução verde” chegou ao Brasil em meados da década de 60. Foi implantada através de imposição das indústrias de venenos e do governo brasileiro: o financiamento bancário para a compra de semente só saia se o agricultor comprasse também o adubo e o agrotóxico.

Esta política levou a uma grande contaminação ambiental, sem que a fome fosse extinta. Hoje, 1/5 das crianças não ingerem a quantidade suficiente de calorias e proteínas que necessitam. E cerca de 2 bilhões de pessoas &ndash terceira parte de humanidade &ndash sofrem de anemia. A cada ano 30 milhões de pesssoas morrem de fome no mundo e 800 milhões sofrem de subalimentação crônica.

Enquanto alguns países, principalmente da Europa, tentam reverter o duro quadro de degradação ambiental e contaminação dos alimentos, no Brasil a situação se agrava a cada ano. Em 1970, fábricas obsoletas foram transferidas para o Brasil, que está entre os 5 maiores consumidores de venenos na agricultura no mundo.

Estima-se que no ano passado foram vendidos no país cerca de US$ 2 bilhões de agrotóxicos, aproximadamente 400 mil toneladas.

A degradação do meio ambiente tem conseqüências a longo prazo e seus efeitos podem ser irreversíveis. Em escala planetárias, existem mais de 2 trilhões de toneladas de resíduos industriais sólidos e cerca de 350 milhões de toneladas de detritos gerados por ano.

A utilização de agrotóxicos está comprometendo toda a humanidade e a vida na Terra. Os trabalhadores que manuseiam os venenos trabalham sem nenhuma proteção, como botas, macacões, máscaras, capacetes, luvas e outros equipamentos. Não existe orientação e falta conhecimento do que fazer com resíduos e embalagens. O governo brasileiro nunca fez valer a lei de agrotóxicos que, entre outros aspectos, proíbem a comercialização de produtos que sejam cancerígenos, mutagênicos e teratogênicos.

Atualmente, o controle dos agrotóxicos deve ser feito pelo Ministério da Saúde e a questão ambiental para o Ibama. O governo quer passar tudo para o Ministério da Agricultura.

Os agrotóxicos podem ser divididos em inseticidas e herbicidas. Os inseticidas formam 3 grandes grupos, os organoclorados, os organofosforados e carbamatos e as piretrinas. Os herbicidas têm como grupos mais importantes Paraquat, clorofenoxois e dinitrofenóis.

Os organoclorados são os que mais persistem no meio ambiente, chegando a permanecer por até 30 anos. São absorvidos por via oral, respiratória e dérmica, e atingem o sistema nervoso central e periférico. Provocando câncer e por isso foram banidos de vários países.

Os organofosforados e carbamatos são inseticidas mais utilizados atualmente a também são absorvidos pelas vias oral, respiratória e dérmica. Seus efeitos são alteração do funcionamento dos músculos cérebro e glândulas.

As piretrinas são inseticidas naturais ou artificiais. São instáveis à luz e por isso não se prestam à agricultura. São usados em ambientes domésticos na forma de spray, espirais ou em tabletes que se dissolvem ao aquecimento. São substâncias alergizantes e desencadeiam crises de asma e bronquites em crianças.

O herbicida Paraquat oferece grande risco. É um herbicida que mata todos os tipos de plantas. A substância determina lesões de Rim e se concentra nos Pulmões, causando fibrose irreversível.

Os principais clorofenóis são o 2.4-D e o 2.4.5-T, que são cancerígenos. O agente laranja, usado na Guerra do Vietnã, é uma mistura do 2.4-D e do 2.4.5-T.

Além dos dados acima, alguns pontos merecem ser levantados. Atualmente, 6 a 8 empresas detêm o oligopólio da produção de agrotóxicos no mundo. Em 1981 a Alemanha vendeu 2 fábricas de venenos para o Iraque matar os curdos. O Tamarron matou 16 pessoas em 1 ano na Costa Rica. Milhares de jovens às vezes com menos de 18 anos, quimicamente são castrados pelo DDCT (Bromocloropropano), que foi parado de fabricar nos USA em 1970.

Na U.E. uma pessoa só pode comprar fosforados após um curso de 60 horas e receber carteira de autorização de usar o agrotóxico no município. A maioria das fábricas de agrotóxicos atualmente estão em países do Terceiro mundo. Além disso, agrotóxico não paga ICMS no Brasil.

Intoxicação por agrotóxicos

O Brasil encontra-se entre um dos maiores consumidores de produtos praquicidas (agrotóxicos) do mundo, tanto aqueles de uso agrícola como os domésticos (domissanitários) e os utilizados em Campanha de Saúde.

Dada a falta de controle no uso destas substancias químicas tóxicas e o desconhecimento da população em geral sobre os riscos e perigos à saúde daí decorrentes, estima-se que as taxas de intoxicações humanas no pais sejam altas. Deve-se levar em conta que, segundo a Organização Nacional de Saúde para cada caso notificado de intoxicação ter-se-ia 50 outros não notificados.

Os perigos representados pelos agrotóxicos

O perigo começa no próprio campo, com os agricultores que pulverizam os agrotóxicos nas lavouras. A exposição destes produtos de elevada toxidade sem a devida proteção pode ocasionar invalidez e até morte.

Em seguida, o perigo chega à mesa do consumidor dos grandes e médios centros urbanos. Os vegetais e frutas disponíveis no mercado, de aspecto agradável podem esconder em sua película externa fragmentos de agrotóxicos utilizados na lavoura.

O consumo de alimentos cultivados com adubos orgânicos, sementes resistentes e que utilizem um controle biológico de pragas seria o ideal. Entretanto, este tipo de agricultura não é incentivado pelo governo, o que encarece e dificulta a comercialização dos produtos.

Os metais pesados atuam como agrotóxicos quando lançados nos rios e oceanos; acumulando na cadeia alimentar, chegam pelas descargas dos rios contaminados. As principais fontes são as industriais, os garimpos e as lavouras, que aplicam cobre e zinco no combate aos fungos.

Os efeitos da contaminação dependem não só da dose, como também do tipo de poluente. O chumbo altera a síntese de hemoglobina, provocando anemia, insuficiência renal, problemas no sistema nervoso, cólicas intestinais e convulsões.

Outro sistema de contaminação ocorre por ar contaminado, onde poluentes podem acarretar em debilidade mental, tontura e enfraquecimento de pernas.

Bioacumulação, eutrofização e conceito

A bioacumulação e o fenômeno através do qual os organismos vivos retêm, dentro de si, certas substancias tóxicas sem conseguir eliminá-las.

A eutrofização refere-se ao que poderíamos chamar de “fertilização” das águas dos rios, lagos, represas, ou mesmo do mar, e ocorre continuamente com depósito de várias substancias nutritivas que vão alimentar as algas, os peixes e outros organismos aquáticos.

Quando estas “fertilizações” acontecem lentamente, de modo a contribuir para o equilíbrio ecológico do ambiente aquático, é chamada de eutrofização natural.

Certas atividades humanas, como a agricultura, fazem chegar até as águas superficiais uma quantidade de nutrientes muito maior que o normal. Arrastados pelas enxurradas, os adubos agrícolas chegam até os rios e lagos, o que se chama de eutrofização cultural.

Conceitos de poluição:

De acordo com o conceito mais moderno e abrangente, poluição é tudo que ocorre com o meio e que altera suas características originais. Assim, um lago utilizado para o abastecimento de água ou para a pesca, estará poluído quando não mais se prestar a essas funções.

Esgotos

Os esgotos contêm, além de fezes humanas, restos de alimentos, sabões e detergentes, sendo considerados os principais fatores poluentes das águas em regiões densamente povoadas. Podendo citar como exemplo de águas poluídas por esgoto o rio Guaíba em Porto Alegre; o rio Tietê em São Paulo; e a Baía de Guanabara no Rio de Janeiro.

Agricultura

A agricultura contribui drasticamente com a poluição das águas, tanto superficiais como subterrâneas.

Essa contribuição se faz, basicamente, de duas formas: pelo aumento do despejo de substâncias eutrofizantes e pelo despejo de substâncias tóxicas.

Substâncias Eutrofizantes:

O aumento de substâncias eutrofizantes provocado pela agricultura ocorre em primeiro lugar, pelo transporte de fertilizantes químicos à base de nitrogênio e fósforo, e também de detritos animais, para os riachos e lagos, devido a ação das chuvas.

O potássio e o cálcio exercem pouca influência sobre o crescimento de microrganismos na água. Entretanto, o nitrogênio e, principalmente, o fósforo são extremamente importantes como elementos eutrofizantes, pois os fosfatos e alguns compostos nitrogenados favorecem grandemente a proliferação de algas e ourtos microrganismos aquáticos.

ÁCIDOS NUCLÉICOS

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Conceitos Gerais

São as moléculas com a função de armazenamento e expressão da informação genética
Existem basicamente 2 tipos de ácidos nucléicos:

O Ácido Desoxirribonucléico – DNA
O Ácido Ribonucléico – RNA
Os ácidos nucléicos são macromoléculas formadas pela ligação tipo fosfodiéster entre 5 nucleotídeos diferentes, suas unidades fundamentais.

Os Nucleotídeos

São as unidades fundamentais dos ácidos nucléicos
Ligam-se uns aos outros através de ligações fosfodiéster, formando cadeias muito longas com milhões de resíduos de comprimento
Além de participarem da estrutura dos ácidos nucléicos, os nucleotídeos atuam também como componentes na estrutura de coenzimas importantes no metabolismo oxidativo da célula, e como forma de energia química – ATP, por exemplo.
Atuam ainda como ativadores e inibidores importantes em várias vias do metabolismo intermediário da célula

Estrutura dos Nucleotídeos

Os nucleotídeos são moléculas formadas por:

Uma pentose
Uma base nitrogenada
Um ou mais radicais fosfato As Bases Nitrogenadas
Pertencem a 2 famílias e compostos, e são 5 no total:

Bases Púricas, ou Purinas: Adenina e Guanina
Bases Pirimídicas, ou Pirimidinas: Citosina, Timina Uracila
Tanto o DNA como o RNA possuem as mesmas bases púricas, e a citosina como base pirimídica.

A timina existe apenas no DNA, e no RNA, é substituída pela uracila – que possui um grupo metil a menos.

Em alguns tipos de DNA virais e no RNA de transferência podem aparecer bases incomuns.

As Pentoses

A adição de uma pentose a uma base nitrogenada produz um nucleosídeo
Os nucleosídeos de A, C, G, T e U são denominados, respectivamente, Adenosina, Citosina, Guanosina, Timidina e Uridina.
Se o açúcar em questão é a RIBOSE, temos um ribonucleosídeo, característico do RNA.
Se o açúcar é a desoxirribose – 1 hidroxila a menos em C2 – temos um desoxirribonucleosídeo, característico do DNA.
A ligação com a base nitrogenada ocorre sempre através da hidroxila do carbono anomérico da pentose.

O Fosfato

A adição de um ou mais radicais fosfato à pentose, através de ligação tipo éster com a hidroxila do carbono 5 da mesma, dá origem aos Nucleotídeos.
Os grupos fosfato são responsáveis pelas cargas negativas dos nucleotídeos e dos ácidos nucléicos.
A adição do segundo ou terceiro grupo fosfato ocorre em seqüência, dando origem aos nucleotídeos di e trifosfatados.

O DNA

Está presente no núcleo das células eucarióticas, nas mitocôndrias e nos cloroplastos, e no citosol das células procarióticas.
Nas células germinativas e no ovo fertilizado, dirige todo o desenvolvimento do organismo, a partir da informação contida em sua estrutura.
É duplicado cada vez que a célula somática se divide.

Estrutura do DNA

O DNA é um polidesoxirribonucleotídeo formado por milhares de nucleotídeos ligados entre si através de ligações 3’, 5’-fosfodiéster
Sua molécula é formada por uma fita dupla antiparalela, enrolada sobre si mesma formando uma dupla hélice

A Ligação Fosfodiéster

Ocorre entre o fosfato do carbono 5 da pentose de um nucleotídeo e a hidroxila do carbono 3 da pentose do nucleotídeo seguinte.

A cadeia resultante é bastante polar, e possui:

Uma extremidade 5’ –> Fosfato de carbono 5 da pentose livre
Uma extremidade 3’ –> Hidroxila de carbono 3 da pentose livre
Por convenção, as bases de uma seqüência são sempre descritas da extremidade 5’ para a extremidade 3’.

As ligações fosfodiéster podem ser quebradas enzimaticamente por enzimas chamadas NUCLEASES, que se dividem em:

Endonucleases –> Quebram ligações no meio da molécula;
Exonucleases –> Quebram ligações nas extremidades da molécula
A Dupla Hélice

Na dupla hélice do DNA, descrita pela primeira vez por Watson e Crick, as cadeias da molécula se dobram em torno de um eixo comum e de modo antiparalelo – a extremidade 5’ de uma cadeia é pareado com a extremidade 3’ da outra cadeia. No tipo mais comum de hélice – “B” – o esqueleto hidrofílico de fosfatos e pentoses fica na parte externa, enquanto que as bases hidrofóbicas, fixadas à este esqueleto, ficam no lado de dentro da estrutura. A estrutura lembra uma “escada em caracol”.

Há um PAREAMENTO DE BASES entre as fitas da molécula do DNA. Assim, temos sempre pareadas:

Adenina com Timina –> A-T
Citosina com Guanina –> C-G

As bases se mantém pareadas por pontes de hidrogênio, 2 entre “A” e “T” e 3 entre “C” e “G”.
As fitas do DNA podem ser separadas sob certas condições experimentais, sem rompimento das ligações fosfodiéster, e a dupla hélice pode ser desnaturada em um processo controlado e dependente de temperatura.

Existem 3 formas estruturais de DNA:

A forma “B” –> descrita por Watson e Crick em 1953 e já citada acima, é a forma mais comum; a hélice é voltada para a direita e com 10 resíduos por volta, com planos de bases perpendiculares ao eixo helical
A forma “A” –> Obtida pela desidratação moderada da forma “B”, também é voltada para a direita, mas possui 11 resíduos por volta e as bases estão em um ângulo de 20 graus em relação ao eixo helical
A forma “Z” –> A hélice nesta forma é voltada para a esquerda e contém cerca de 12 resíduos por volta
A transição entre as formas de DNA pode desempenhar um papel importante na regulação da expressão genética.

O RNA

Atua como uma espécie de “cópia de trabalho”, criada a partir do molde de DNA e utilizada na expressão da informação genética. A síntese de uma molécula de RNA a partir de um molde de DNA chama-se “TRANSCRIÇÃO”
Nesta transcrição, modificações podem ocorrer sobre a molécula de RNA transcrita, convertendo-a de uma cópia fiel em uma cópia funcional do DNA.

Estrutura do RNA

Em relação ao DNA, 4 diferenças são importantes: O RNA possui uracila no lugar da timina na seqüência de bases.

A pentose do RNA é a ribose

O RNA é formado por uma fita única, com eventual pareamento de bases intracadeia. A molécula do RNA é muito menor que a do DNA.

Existem 3 tipos de RNA, cada um com características estruturais e funcionais próprias:

RNA Ribossômico
Ou RNAr; É encontrado, em associação com várias proteínas diferentes, na estrutura dos ribossomos, as organelas responsáveis pela síntese protéica
Corresponde a até 80% do total de RNA da célula

RNA de Transferência
Ou RNA Transportador, ou ainda RNAt;
É a menor molécula dos 3 tipos de RNA; Está ligado de forma específica a cada um dos 20 aminoácidos encontrados nas proteínas
Corresponde a 15% do RNA total da célula
Fazem extenso pareamento de bases intracadeia, e atua no posicionamento dos aminoácidos na seqüência prevista pelo código genético, no momento da síntese protéica

RNA Mensageiro
Corresponde a apenas 5% do total de RNA da célula
Atua transportando a informação genética do núcleo da célula eucariótica ao citosol, onde ocorrerá a biossíntese protéica
É utilizado como molde nesta biossíntese.

Organização do Material Genético Eucariótico

O DNA total de uma célula mede em média 1 metro de comprimento!!
Para que volume tão grande de material genético caiba dentro do núcleo da célula, o DNA interage com um grande número de proteínas
Estas proteínas exercem funções importantes na organização e mobilização deste material genético

As Histonas

As histonas são pequenas proteínas básicas, ricas em lisina e arginina, e carregadas positivamente em pH fisiológico, às quais se associa a molécula do DNA
Suas cargas positivas, em associação com o cátion Mg++, facilitam esta ligação com o esqueleto negativo do DNA e estabilizam o conjunto.
Existem 5 classes de histonas: H1, H2, H2B, H3 e H4.

Os Nucleossomos

São considerados as unidades estruturais dos cromossomos
São formados por 8 moléculas de histonas: 2 H2, 2 H2B, 2 H3 e 2 H4, formando um octâmero regular sobre o qual se enrola a fita dupla do DNA, a quase 2 voltas por nucleossomo
Os nucleossomos são ligados entre si por segmentos de DNA “ligante” de aproximadamente 50 nucleotídeos de comprimento, formando os polinucleossomos, ou nucleofilamentos.
Após vários níveis de organização espacial, ancorados por vários tipos de proteínas, chegamos à estrutura final dos cromossomos.
A histona H1 não participa da estrutura dos nucleossomos, mas sim liga-se ao DNA “ligante” e participa do processo de compactação das estruturas.

SINDROME DE DOWN – ATIVIDADE FISICA

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Este estudo tem como objetivo buscar esclarecimento através da literatura do que é a Síndrome de Down e a importância da Educação Física Especial como fator contribuinte na estimulação essencial em crianças com necessidades especiais: assim em a inclusão social. Buscar a importância de uma orientação especializada para poder planejar corretamente as atividades físicas com o objetivo de proporcionar vivências de habilidades melhorar a auto-imagem, a linguagem, o desenvolvimento motor e psicológico. Apesar da participação do deficiente na prática esportiva ser muito recente, percebe-se os benefícios biopsicossociais que esta prática com caráter pedagógico oferece à essas crianças. O programa educacional orientado pelo professor consciente propõe uma relação direta entre atividades motoras e sociais, oportunizando vivências novas em ambientes distintos, utilizando jogos e brincadeiras como intermediários para o entendimento das regras sociais e culturais, permitindo vivenciar o que é ou não aceito no convívio social.

Palavras-chave: Síndrome de Down, Educação Física Especial, Professor Consciente.

INTRODUÇÃO

A proposta deste trabalho é mostrar como a atividade física pode contribuir no desenvolvimento da criança com Síndrome de Down.

Através de literatura, objetiva-se esclarecer o que é Síndrome de Down, suas características, alterações clínicas e a importância da estimulação.

O programa de Atividade Física Especial para este público propõe uma relação entre atividades motoras e sociais, oportunizando vivencias novas, utilizando jogos e brincadeiras como intermediários para o entendimento das regras sociais e culturais.

O trabalho lembra ainda que a atividade física para as crianças com SD é muito importante no processo de inclusão social, pois auxilia na socialização, melhora o equilíbrio emocional e também ajuda prevenir doenças congênitas que por acaso venham a tingir esse público. Lembrando porém que estas atividades devem ser ministradas o orientadas por um profissional especializado que conheça o diagnóstico clínico da deficiência e suas limitações para respeitar as dificuldades do aluno adaptando exercícios para alcançar os objetivos propostos.

1 O QUE É SÍNDROME DE DOWN?

A Síndrome de Down é uma condição associada a alteração cromossômica, em que a pessoa afetada apresenta um cromossomo extra em suas células, isto é, ao invés de apresentar 46 cromossomos em cada célula de seu corpo, a mesma apresenta 47 cromossomos.

Normalmente há 46 cromossomos em cada célula do nosso organismo, em que metade dos cromossomos (23 cromossomos) vem da mãe através do óvulo e a outra metade (23 cromossomos) vem do pai através do espermatozóide. Usualmente, estão dispostos em pares, de dois em dois, conforme seu tamanho.

No caso da pessoa portadora da Síndrome de Down o conteúdo cromossômico de suas células encontra-se alterado, apresentando 47 cromossomos ao invés dos 46 normais, sendo que o cromossomo adicional é o de número 21, isto é, ao invés dos dois cromossomos 21 comuns, a pessoa afetada apresenta três cromossomos 21.

Na Síndrome de Down pode-se encontrar três tipos genotípicos: trissomia 21, translocação e mosaicismo. Estas três formas de anormalidades cromossômicas são consideradas como sendo resultado de uma falha na distribuição dos cromossomos que pode acontecer ou no desenvolvimento do óvulo, ou no desenvolvimento do espermatozóide ou durante uma das divisões celulares precoces. Essa falha na distribuição cromossômica é na maioria dos casos o provável resultado da não disjunção meiótica.

A forma de anormalidade cromossômica mais freqüente é a trissomia 21, respondendo por cerca de 95% dos casos de Síndrome de Down.

Segundo Beatriz Helena Lefévre, a “Síndrome de Down” ou “Trissomia 21” faz parte do grupo de encefalopatias não progressivas, isto é, que à medida que o tempo passa não mostram acentuação da lentidão do desenvolvimento, nem o agente da doença se torna mais grave. Encefalopatias são, genericamente, as doenças localizadas no cérebro. Uma criança com a síndrome de Down tem tendência espontânea para a melhorar, porque o seu sistema nervosa central continua a amadurecer com o correr do tempo; o problema é que esse amadurecimento é mais lento do que o observado nas crianças normais.

Os traços físicos destas crianças os tornam parecidas com os habitantes da Mongólia e foram por isso denominadas crianças mongólicas; esta expressão prevaleceu, embora japoneses tenham mostrado não ser adequada, pois há diferenças entre os pacientes com mongolismo e as pessoa normais da raça mongólica.

Apenas em 1959 cientistas franceses mostraram que os pacientes com síndrome de Down apresentam um defeito na divisão dos cromossomos. Nesta doença, do ponto de vista da neuropatologia, o dado mais importante é a desaceleração no desenvolvimento do sistema nervosa central. O cérebro é reduzido de volume e peso, especialmente nas zonas do lobo frontal, tronco cerebral e cerebelo. É provável que as anomalias do cerebelo sejam responsáveis pela hipotonia, isto é, a moleza dos músculos, encontrada em quase todos os casos.

As circunvoluções cerebrais são mais simples do que nas crianças normais e o local do cérebro conhecido como giro temporal superior é bem estreito, o que deve estar relacionado com o lento desenvolvimento da fala na maior parte dos casos. O exame microscópio revela células nervosas (neurônios) pouco diferenciados ou pouco crescidos, assim como redução nas conexões entre os neurônios.

O aspecto das crianças é em geral bastante típico e quase sempre não se têm dúvidas sobre o diagnóstico desde o momento do nascimento.

1.1 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

Há também uma variabilidade considerável no que concerne as características físicas da Sídrome de Down em que algumas pessoa apresentam somente algumas características comuns às pessoa portadoras da condição, enquanto outras exibem muitas ou todas.

Os portadores de Sídrome de Down apresentam baixa estatura e desde cedo tendência à obesidade. O crânio é achatado no diâmetro antero-posterior, caracterizando a braquicefalia. Usualmente, há discreta microcefalia:

rosto apresenta um contorno achatado devido principalmente aos ossos faciais pouco desenvolvidos;
O osso nasal é afundado;
Os olhos são, geralmente normais quanto ao formato;
As pálpebras são estreitas e levemente oblíquas e a prega epicântia é muito comum. A periferia da iris muitas vezes apresenta pequenas marcas brancas (manchas de brushfield);
As orelhas são pequenas, a borda superior da orelha (Helik) é muitas vezes dobrada;
A boca é pequena, algumas crianças mantém a boca aberta e a lingual pode projetar-se um pouco;
O palato é mais estreito e alto;
É freqüente a deformidade do dedo mínimo das mãos, que se mostra desproporcionalmente pequeno, com encurvamento acentuado;
As mãos são pequenas, gordas, com a presença de uma prega palmar única transversa;
Nos pés é comum encontrar uma distância anormalmente grande entre o primeiro e o segundo dedo;
O pescoço da pessoa com Síndrome de Down pode ter uma aparência larga e grossa.
Em alguns casos, o tórax tem um formato estranho, sendo que a pessoa afetada pode apresentar um osso peitoral afundado (tórax afunilado) ou osso peitoral pode estar projetado (peito de pomba). Na criança cujo coração é aumentado devido à doença cardíaca congenital, o peito pode parecer mais do lado do coração.

Na maioria das crianças, os órgãos genitais tanto das meninas quanto dos meninos não são afetados. Mas em alguns casos pode acontecer dos testículos não encontrar no saco escrotal durante os primeiros anos de vida.

A pele geralmente é clara e pode ter uma aparência manchada durante a primeira infância.

1.2 ALTERAÇÕES CLÍNICAS

Em linhas gerais, há um atraso no desenvolvimento do recém-nascido com síndrome de Down, que já nasce com peso e estatura baixos. Em relação a seu desenvolvimento, nota-se que a defasagem fica mais evidente a partir do sexto mês de vida.

A) Sistema nervosa central – Grande parte das pessoas que têm trissomia do 21 desenvolve uma doença conhecida como Doença de Alzheimer,que causa um comprometimento mental progressiva (perda da idéia de tempo e de espaço). Esta doença atinge cerca de um milhão e meio de cidadãos americanos normais por volta dos seus 50 anos, época em que estão no auge de sua capacidade produtiva. Como os Estados Unidos vêm gastando milhões de dólares na possibilidade de cura desta doença, acredita-se que os indivíduos com síndrome de Down possam se beneficiar bastante desses resultados, aumentando, assim, sua expectativa de vida. A Doença de Alzheimer atinge cerca de 30 por cento dos adultos que têm síndrome de Down entre suas segunda e terceira décadas de vida. As estatísticas registram um número maior de casos de síndrome de Down em famílias nas quais existam pessoa com a Doença de Alzheimer do que em outras, situação que vem merecendo a atenção de especialistas interessados em entender o porquê desta relação. Outras doenças relacionadas ao aparelho nervosa central comuns em pessoa com trissomia do 21 são: calcificação de gânglia basal (que apresenta sintomas como síndromes convulsivas com degeneração) e epilepsia (entre cinco a dez por cento).

Também a anatomia do cérebro da pessoa com síndrome de Down é diferente. Há uma redução no volume de cerca de três a cinco por cento quando comparado com a população normal. Esta diminuição está relacionada ao tamanho dos lobos (regiões do cérebro), neste caso pequenos. As maiores alterações são observadas nos lobos que ficam na fronte (testa) e na área posterior correspondente, acima da nuca. Além de o número de neurônios – células do sistema nervoso central ser menor, eles também são imaturos em relação à população geral. Conclui-se, então, que estas diferenças anatômicas, e conseqüentemente funcionais, estão diretamente ligadas ao comportamento intelectual.

B) Aparelho cardiovascular: Cerca de 48 por cento dos casos apresentam cardiopatias congênitas operáveis, o que quase sempre acontece nos dois primeiros anos de vida.

C) Aparelho gastro-intestinal: Há alguns casos de estreitamento duodenal (de três a sete e meio por cento) que podem ocasionar obstruções ou suboclusões intestinais. Distúrbios do aparelho digestivo ocorrem em 12 por cento dos casos que, se graves, exigem correção cirúrgica imediata. Devido à hipotonia muscular (o intestino é um músculo liso) são comuns relatos de constipação intestinal, controlável com uma alimentação rica em fibras, que os auxilia na prevenção da obesidade. É relativamente freqüente o aparecimento de cálculos na vesícula, cuja incidência está em torno de dez por cento.

D) Aparelho genital: Nos meninos, percebe-se que o pênis é relativamente pequeno, sendo o saco escrotal pouco desenvolvido. Há relatos de tumores nos testículos com uma freqüência um pouco acima da estatística populacional e, provavelmente, está associada à não descida dos testículos para a bolsa escrotal.

E) Aparelho respiratório: Muitos têm predisposição a infecções no aparelho respiratório (casos de sinusite são freqüentes nos primeiros dez anos de vida). Por outro lado, a incidência de asma brônquica é rara. Isto se deve à hipotonia muscular característica da trissomia do 21, já que na asma brônquica há constrição dos brônquios. Uma outra doença que pode estar associada à síndrome é a mucovicidose (fibrose cística), que se manifesta numa associação múltipla de processos alérgicos e surtos de diarréia.

F) Dermatologia: Em geral, a pele apresenta-se áspera e seca, sujeita a freqüentes dermatites, infecções inter-relacionadas com deficiências vitamínicas, principalmente do grupo A. outro achado mais freqüente é o vitiligo (doença que deixa a pele irritada, com manchas mais escuras e outras mais claras), provavelmente relacionado com a imunodeficiência.

G) Infecções: Em função da grande predisposição a infecções, o bebê com síndrome de Down tem um calendário de vacinação mais abrangente que visa a reforças seu sistema imunológico.

H) Odontologia: É preciso atenção com o índice de cáries e de doenças de gengiva. A maioria destas crianças usa aparelho ortodôntico em função de terem um alinhamento dentário deficiente. Além da ausência de alguns dentes, eles costumam ser pequenos, com erupção tardia.

I) Ortopedia: Suas extremidades são encurtadas, de modo que mãos e pés têm aparência alargada e plana (normalmente têm pés chatos). Apresentam, ainda, frouxidão de ligamentos que também origina problemas nós pés, nos joelhos e nos quadris. As mais recentes descobertas referem-se a uma instabilidade nas articulações cervicais e a um comprometimento da articulação coxo-femural.

J) Visão: Estima-se que 70 por cento tenha miopia e 50 por cento, estrabismo. Alguns bebês nascem com cataratas congênitas, removidas cirurgicamente logo após o nascimento. Com o auxilio de óculos, podem ter visão normal. As chamadas manchas de Brushfield, que acometem de 85 a 90 por cento dos pacientes com síndrome de Down, são escuras, podem ter tamanho variável e se localizam na íris, sendo melhor evidenciadas nos olhos claros.

2 ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO DO BEBÊ COM SD.

Vejamos por alguns exemplos de crianças mongólicas como elas percorrem os diferentes estágios que Piaget descreve para o desenvolvimento em geral:

Primeiro estágio – A criança só tem movimentos reflexos e se alguém põe um dedo em sua mãozinha ela aperta sem conseguir soltar. Nessa fase é difícil para a criança sugar o seio com a força necessária, engolir e segurar a cabeça, pois ela faz tudo de maneira fraca, sem forças, porque a síndrome de Down causa uma hipotonia generalizada. Ela é mais molinha que a maioria das crianças e quando deitada de costas fica sem forças para levantar a cabeça, pois com exercícios adequados os reflexos vão desaparecendo e em seu lugar começam a surgir os atos voluntários: aproximar sua mão para segurar um chocalho, a mamadeira ou a chupeta.

Segundo estágio – Como os movimentos da criança vão se tornando voluntários, ela consegue pegar sua chupeta e com o tempo conseguirá coloca-la na boca. Sabendo fazer movimentos, ela inicia a exploração do seu corpo, olha para tudo, acompanhando o que se passa, escutando os sons que se fazem à sua volta. Nesta fase ela gosta de repetir muitas vezes o que sabe fazer. Como já sabe pegar as coisas, inicialmente só segura os objetos que lhe são oferecidos, mas logo depois sabe coloca-los na boca e chupa-los, fazendo isto com tudo que pega. Nesse momento estão se exercitando sua visão, sua preensão, sua audição, seu tacto, enfim todos os sentidos são solicitados quando se brinca com a criança.

Terceiro estagio – Agora a criança coordena os movimentos da mão com a visão e repete, muito interessada, as novas atividades que descobre pode fazer: sacode e puxa objetos, aperta-os na mão, procura o que derrubou. Ainda não consegue desvirar uma mamadeira para corrigir a posição do bico que quer chupar, mas já saiu da fase em que só sabia olhar e escutar. É importante que se respeitem suas novas capacidades, para lhe oferecer coisas que lhe interessem e aumentem sua vontade de explorar e experimentar o mundo que a rodeia.

Quarto estagio – A criança agora tem um objetivo, uma finalidade, embora ainda não saiba executar todos os tipos de movimentos; gosta de jogar tudo que lhe cai nas mãos e acha graça nesse jogo. Consegue imitar movimentos que viu alguém fazer e também já sabe imitar os sons de que gosta. Se a criança não sabe realizar o gesto que deseja, pega a mão do adulto para conseguir o que quer, usando-a como um intermediário para aquilo que ainda não pode fazer sozinha.

Quinto estagio – Neste momento de sua vida a criança vai se aproveitar de sua própria experiência para inventar modos de brincar, observando o que acontece quando realiza suas façanhas. Ela levanta um objeto, deixa-o cair, levanta de novo e deixa cair ou repete estes atos com outro objeto, sempre observando os resultados. Joga uma bola alto ou longe ela tenta alcança-lo puxando o pano em que está ou o fio em que está amarrado, chegando a empurrar o brinquedo com um pauzinho. Ao tentar obter os objetos, ela está agindo sobre eles. Ao mesmo tempo ela já sabe brincar com os objetos e é possível que ele imite alguém fumando. Experimenta tudo, procura novidades, está se encantando com o mundo que lhe oferece tanta variedade de coisas para brincar. Nesse estagio ela cria variações como se quisesse fazer experiências para ver o que acontece. Por exemplo, no banho mil brincadeiras a distraem com a água, com brinquedos que bóiam, com a esponja cheia de água que ela espreme para observar o que acontece. Em todas as suas atividades sentimos que a criança procura ativa e espontaneamente um jeito novo de brincar com o objeto que tem em mãos. PIAGET, que observava seus filhos pequenos, brincava com eles da seguinte maneira: apresentava objetos como livros, caixinhas e vidrinhos presos a uma fita, longe da criança e até mesmo fora de seu alcance visual. Com a criança já tinha aprendido a puxar o fio, ela o puxava mesmo que o objeto desaparecesse de sua visão e isso mostrava que ela sabia o que queria e sabia como o conseguir.

Sexto estagio – Surge agora a combinação mental. Passamos neste estagio para um nível superior onde a inteligência da criança trabalha inventando e utilizando as idéias que ela já possui dentro de sua cabecinha. Ela já sabe abrir uma caixa de fósforos de maneira prática, enfiando o dedinho na fenda que aparece na caixa. Lembra-se de coisas que já viu e que estão ausentes: se escondemos um brinquedo que ela deseja, vai procura-lo e sabe achá-lo. O objeto existe para ela mesmo que ela não o veja; ele permanece existindo mesmo desaparecido e a criança acha graça em brincar de procurar e achar aquilo que fizemos desaparecer diante dela. Se uma bola cai atrás do armário, ela tenta dar a volta no móvel para procurá-la, sabendo que ela deve estar lá. Neste estágio começa a surgir a linguagem. Seu trabalho espontâneo com os brinquedos é diferente da fase em que só sabia bater, sacudir ou jogar.

Agora a criança é capaz de combinar os objetos e diante de bastões e massinhas espalhados ela se diverte em combinar os objetos que coloca nas caixas, separa e diferencia. Se antes aglomerava tudo, amontoando numa caixa só, agora sabe fazer correspondências variadas, como por exemplo colocar todas as colherinhas juntas ou todos os carrinhos dentro da caixa grande. Anteriormente essas colherinhas seriam jogadas longe ou seriam talvez usadas para bater na caixa.

Um pouco mais tarde, depois de sexto estágio, a criança saberá imitar a mãe fazendo a boneca comer ou pegará o carrinho para andar num carrinho imaginário. Começou portanto a surgir a imagem, a representação, fazendo surgir o que se chama a função simbólica ou semiótica. O que a criança inventa é uma criação original, mesmo imitando atos que ela já viu outros fazerem e que repete a seu modo. A inteligência evolui sendo importante respeitar a sua criatividade, sua capacidade de inventar e imaginar coisas novas diante de um material tão simples.

Pesquisadores franceses, e um centro de estudos denominado CRESAS, mostraram a seguinte evolução da criança quanto aos estagio descritos por Piaget que aplicamos aqui para a criança mongólica:

Do nascimento até 5 ou 6 meses a criança está nos estágios I e II e ainda não sabe brincar com os objetos.

Dos 6 aos 11 ou 12 meses a criança está no estágio III e gosta de tocar, morder, bater nos objetos.

Dos 12 aos 24 meses a criança está no estágio IV e percebe que um objeto pode ser posto dentro de outro; sabe juntar objetos e colocar dentro do copo.

Dos 24 meses aos 3 anos a criança começa a combinar os objetos ajuntando os parecidos, distribuindo em coleções, o que mostra que ela está no estágio V.

Podemos exemplificar com uma criança mongólica de 5 anos que tinha diante de si várias caixinhas, pauzinhos e massinhas de tamanhos diferentes. Com a massa ela fez cobrinhas e pôs uma cobrinha dentro de cada caixinha. Depois construiu um trenzinho com as caixinhas, imitando o som do trem e colocando os pauzinhos em cima das cobrinhas. Com esse trabalho ela transformou o material apresentado, inventando uma ordenação no espaço o trem, que formava uma linha e seguia numa direção e estabelecendo correspondência entre os tamanhos dos objetos. Isto é o começo da organização de comportamentos que Piaget chama de pré-lógicos, que fase que logo se iniciará nesta criança. A mãe, observando o examinador avaliar a criança, percebeu como sua filha sozinha foi incapaz de criar espontaneamente, com brinquedos simples, combinações variadas e inteligentes.

2.1 DESENVOLVIMENTO MOTOR

O desenvolvimento motor mostra-se atrasado, da mesma forma que as demais áreas do desenvolvimento. A presença de graus importantes da hipotonia muscular seguramente contribui para este atraso motor. Todos os marcos do desenvolvimento motor surgirão mais tarde, com a idade média para sentar-se sozinho ocorrendo por volta dos nove meses (6-16 meses); ficar em pé com apoio por volta dos 15 meses (8-26 meses) e andar por volta dos 19 meses (13-48 meses). Se lembrarmos que a idade média para estas aquisições em crianças normais é de sete meses (5-9 meses) para sentar, oito meses (7-12) meses para ficar em pé com apoio com e 12 meses (9-17 meses) para andar, podemos constatar algo que se aplica a todas as áreas do desenvolvimento de crianças com SD, qual seja, que a variabilidade no desenvolvimento é muito mais ampla do que a observada em grupos de crianças normais. É evidente que um atraso no desenvolvimento motor da criança vai interferir com o desenvolvimento em outras áreas de atuação.

2.2 DESENVOLVIMENTO SOCIAL E EMOCIONAL

Esta área é aquela em que a criança com SD demonstra, habitualmente, o menor comprometimento. Sorriem em resposta à fala por volta dos dois meses (1, 5-4 meses); sorriem espontaneamente em torno dos três meses (2-6 meses) e reconhecem seus pais por volta dos três meses e meio (3-6 meses). Como podemos observar, estes marcos são atingidos com cerca de um mês de atraso com relação a grupos-controle.

2.3 DESENVOLVIMENTO DA AUTO-SUFICIÊNCIA

Problemas com a alimentação podem ser causa de muitas preocupações por uma série de razoes. Alguns bebês não parecem muito interessados na comida e este pode ser um fator estressante durante os primeiros anos de vida. Tanto constipação intestinal quanto diarréia poderão estar presentes e necessitarão de uma orientação adequada. As crianças com SD começam a aceitar alimentação sólida, em média, por volta dos oito meses (5-18 meses); a se alimentar com as mãos aos dez meses (6-14 meses) e a beber de um copo comum aos 20 meses (12-30 meses). Em algumas crianças, o estabelecimento de padrões adequados de mastigação e deglutição e deglutição pode ser particularmente difícil e trabalhoso. Padrões anormais de mastigação e deglutição podem exercer uma influencia adversa sobre a mobilidade da língua, lábios e boca e, desta forma, ter efeitos negativos sobre os movimentos necessários para a produção da fala. As crianças são capazes de se alimentar de forma bastante independente por volta dos 30 meses (20-48 meses). No que se refere ao controle dos esfíncteres, em geral este se mostra atrasado em cerca de um ano, de tal forma que as crianças conseguem o controle vesical diurno por volta dos 36 meses (15-50 meses) e fecal também aos 36 meses (20-60 meses). A maioria das crianças estará utilizando o vaso sanitário ou o pinico, sem ajuda, entre quatro e cinco anos de idade. No que se refere ao aprendizado relacionado ao se vestir, em geral são capazes de se despir por volta dos 36 meses(24-60 meses) e a vestir-se sem ou com pouca ajuda por volta dos quatro a cinco anos.

2.4 DESENVOLVIMENTO COGNITIVO

Atividades que possibilitam a exploração do ambiente surgirão, nos bebês com SD, com um atraso considerável. Estas crianças começam a tentar apanhar um circulo colocado próximo a elas por volta dos seis meses de idade (4-11 meses); portanto, uns dois meses mais tarde do que crianças normais, para as quais a média é de quatro meses (2-6 meses). Passam um brinquedo de uma mão para a outra por volta dos oito meses (6-12 meses); puxam um barbante para pegar um brinquedo aos 11,5 meses (7-17 meses); acham um objeto escondido por um pano aos 13 meses (9-21 meses); põem três ou mais objetos dentro de uma xícara aos 19 meses (12-34 meses); constroem uma torre com cubos aos 20 meses (14-32 meses). Claro está que estas atividades, que são tomadas como evidencias do desenvolvimento cognitivo, dependem muito da competência motora da criança para que possam ser realizadas.

Estudos de DUNST (1990) demonstram que crianças com SD passam pelos mesmos períodos sensório-motores e na mesma seqüência do que a observada nas crianças normais, porém de forma mais lenta.

A impressão que se tem, a julgar pelos resultados de algumas pesquisas (HODAPP e ZIGLER, 1990; WISHART, 1993), é a de que a trissomia perturba o aprendizado e torna certas habilidades aprendidas mais instáveis.

2.5 LINGUAGEM

Esta é a área na qual a criança com SD demonstra, em geral, os maiores atrasos. Emitem a primeira palavra, em média, aos 18 meses, o que significa um atraso de quatro meses com relação a grupos-controle. Por volta dos 30 meses (18-60 meses) começam a juntar palavras e irão se utilizar do mesmo padrão de fases com duas palavras que a as crianças normais. Após a fase das duas palavras, as crianças demonstram dificuldades crescentes para a aquisição das regras gramaticais e da construção de sentenças. Usualmente podem compreender bem mais do que emitir. Dificuldades articulatórias são comuns e, em geral, importantes e podem persistir até a vida adulta. A despeito destas dificuldades, a maioria dos pacientes faz uso funcional da linguagem e compreende as regras utilizadas nas conversações.

Algumas crianças demonstram um progresso mais rápido das habilidades comunicativas e, por volta da idade escolar, estarão construindo sentenças e, em alguns casos, inclusive lendo, enquanto outras serão bem mais lentas, começando a utilizar as primeiras palavras com três a quatro anos. Cerca de 5% das crianças com SD terão uma aquisição muito limitada da fala e poderão não passar do estágio do uso de algumas poucas palavras ou símbolos.

3 INTRODUÇÃO ÀS CONDUTAS TERAPÊUTICAS

3.1 IMPORTÂNCIA DA ESTIMULAÇÃO PRECOCE NAS CRIANÇAS COM SD

Não há duvidas de que a importância do diagnostico precoce da síndrome de Down está diretamente relacionada ao quanto é imprescindível, para essas crianças, serem estimuladas no seu primeiro ano de vida. Caso contrário, ocorrem o risco de ficar com seu desenvolvimento sensório-motor bastante prejudicado.

Ser estimulada precocemente é fundamental para o desempenho futuro da criança, tenha ela ou não síndrome de Down. Para compreendermos o porquê desta afirmação será preciso, antes, entender como se dá um fenômeno conhecido como mielinização.

Toda a sistematização do conhecimento humano ocorre através deste fenômeno. Ele consiste no aparecimento de uma substância, a mielina, ao redor de cada neurônio, permitindo que essas células nervosas se comuniquem entre si. A mielina funciona como um condutor elétrico da informação e só se forma a partir da soma de dois fatores: um interno e um externo.

O interno depende de uma constituição orgânica saudável e eficiente. O externo, de estímulos percebidos através dos cinco sentidos e das experiências motoras, por exemplo. São os fatores ambientais, e neles incluímos uma alimentação correta, estímulos tácteis e visuais variados, afeto etc. assim, se a criança que nasce com a síndrome tem uma estrutura interna deficitária, a estimulação adquire importância maior ainda.

Por falta de informação, entretanto, muitos pais desperdiçam o tempo precioso dos primeiros meses de vida do bebê, que geralmente coincide com a fase de maior desânimo da família: a confirmação do diagnostico da síndrome.

Assim, pai e mãe raramente procuram um especialista capaz de orienta-los na estimulação adequada do recém-nascido. Mesmo as famílias que, apesar de todo o sofrimento, têm consciência da importância desse tipo de ajuda, em geral chegam aos hospitais tristes, cabisbaixas, ou uma expectativa alta em relação aos resultados da estimulação.

E alguns pais, por estarem entregando suas crianças aos cuidados de um bom profissional, acreditam que sua responsabilidade termina aí. Engano. A estimulação do bebê com síndrome de Down é tarefa de todos que o cercam.

O trabalho dos profissionais, portanto, é bem mais abrangente do que simplesmente orientar os pais sobre como devem segurar ou brincar com o bebê. Eles precisam convencer a família de que nenhuma estimulação terá bons resultados se todos não se dispuserem a colaborar. Devem esclarecer, ainda, que não adiantará sobrecarregar a criança com terapias no intuito de acelerar um processo que se dá naturalmente, de dentro para fora. Agindo assim, ao invés de ajuda-la (o que não deixa de ser uma tendência, principalmente em famílias de alto poder aquisitivo), poderão prejudica-la.

Assim, quando falamos que a estimulação precoce no bebê com síndrome de Down deve começar ontem, falamos de uma série de exercícios específicos usados para desenvolver a capacidade daquela criança de acordo com seu grau de comprometimento e da fase de desenvolvimento em que se encontra.

Importante que cada criança com síndrome de Down tem o seu programa de estimulação. O que serve para uma pode não servir para outra. Há bebês que por não terem perdido alguns de seus reflexos iniciais (reflexos típicos de um recém-nascido que deveriam desaparecer aos poucos, nos meses seguintes ao nascimento), necessitam de uma antiestimulação (exercícios inibitórios). E o rendimento dos exercícios será tanto maior quanto mais forem incorporados à rotina do bebê e de sua família.

Alguns estímulos são os mesmos utilizados com qualquer bebê e se da de forma bastante natural. Só que no caso da criança com síndrome de Down devem ser feitos intensivamente, no intuito de compensar a deficiência. Outros mais específicos, só devem ser realizados com a orientação de um psicomotricista ou fisioterapeuta especializado, profissionais que devem ter conhecimento detalhado da história desse bebê, incluindo o resultado de seus exames.

A cada brincadeira nova, a cada ida ao circo ou ao parquinho de diversões, a cada atividade na hora do banho ou durante a refeição, estamos estimulando-as. Essa estimulação tem um efeito surpreendentemente bom, tanto que nem nos damos conta da influencia que temos nesse processo. Sabem por quê? Porque tudo é feito com muito carinho.

3.1.1 A FISIOTERAPIA

A fisioterapia atua como facilitadora e estimuladora das reações corporais e posturais no desenvolvimento das etapas consideradas normais do bebê. Por exemplo: facilita o controle da cabeça, a postura correta do corpo, a reação de proteção para frente, para os lados e para trás, aprender a apoiar-se com as mãos, permanecer sentado, arrastar-se, engatinhar, levantar-se, e ficar de pé, dando à criança consciência de que todo o seu peso está apoiado sobre os pés. Os exercícios facilitam, ainda, a percepção do espaço, da sensação do próprio corpo e da marcha independentemente, além de conferir maior habilidade motora ampla;

3.1.2 A FONOAUDIOLOGIA

A fonoaudiologia visa, nos primeiros anos de vida, a melhorar as funções de sucção, mastigação, deglutinação, respiração e fonação, que atuam como pré-requisitos para a aquisição da fala. Esse trabalho de base torna-se importante devido à hipotonia dos órgãos fonoarticulatórios (lábios, língua e bochecha) nas crianças com síndrome de Down. A fonoaudiologia atua também na construção da linguagem (verbal e não-verbal), seguindo as etapas de desenvolvimento e de sua interação com o meio. A aquisição de uma linguagem clara e bem-articulada incentiva a interação e a comunicação social. tenha

3.1.3 A TERAPIA OCUPACIONAL

A terapia ocupacional proporciona o desenvolvimento neutro-motor e percepto-cognitivo através de atividades intermediárias (lúdicas) que favorecem as experiências necessárias ao amadurecimento das funções que permitem a independência nas atividades de vida diária (comer, vestir, higiene pessoal etc).

4 EDUCAÇÃO FÍSICA ESPECIAL

4.1 CONCEITO

Sabe-se que a Educação Física Especial é um programa diversificado de atividades desenvolvimentistas, jogos rítmicos adequado aos interesses, capacidades e as limitações, de estudantes com deficiência que não podem se engajar na participação irrestrita, segura e bem sucedida, de atividades vigorosas de um programa de educação física geral (AAHPERD apud ZUCHETTO, 1999). Para ADAMS et al, 1985, esta abrange cinco grandes objetos que são desenvolvidos nas aulas para portadores de deficiência: Orgânico, Neuromuscular, Interpretativo, Social e Emocional.

Segundo ZUCHETTO (1990), é importante trabalhar o objetivo orgânico porque o portador da Síndrome de Down necessita desenvolver a força muscular, a resistência muscular, a resistência cardiovascular, que conseqüentemente causa o fortalecimento das articulações, diminuindo os riscos de infecções respiratórias e a hipotonia. Devido o seu atraso motor, o objetivo neuromuscular, irá proporcionar vivências de habilidades não aprendidas, além de desenvolver as realizadas com dificuldades de adaptação social serão trabalhadas nos objetivos social e emocional, procurando melhorar a auto-imagem, a linguagem, a comunicação, a expressão, etc. Com o objetivo interpretativo será trabalhado o desenvolvimento cognitivo, através de regras, estratégias, questionamentos, problemas surgidos ao longo dos jogos.

As atividades nas aulas de Educação Física deverão estar relacionados a idade mental da criança, e não a cronológica. Se for diagnosticada a instabilidade atlanto-axial em portadores da Síndrome de Down, ou se não possuírem diagnóstica, deve-se evitar movimento de flexão e extenção do pescoço para não causar danos ao cordão espinhal (SHERRIL, 1986; WINNICK, 1994; ADAMS et al, 1985)

Apesar da participação do deficiente na prática esportiva ser muito recente, pode perceber os benefícios biopsicossociais que esta prática com caráter pedagógico oferece à essas pessoas. O programa da Educação Física Especial para portadores da Síndrome de Down propõe uma relação direta entre atividades motoras e sociais, oportunizando vivências novas em ambientes distintos, utilizando jogos e brincadeiras como intermediários para o entendimento das regras sociais e culturais, permitindo vivenciar o que é ou não aceito no convívio social (LIMA et al, 1996).

4.2 BENEFÍCIOS DA EDUCAÇÃO FÍSICA

Segundo Kisner, 1998, saúde é definida como o bem-estar físico, mental, social e espiritual, não somente a ausência de doenças ou enfermidades. A saúde está relacionada à atividade física através de fatores de aptidão como a resistência cárdio-respiratória, endurance muscular, força muscular, composição corporal e flexibilidade muscular.A realização de atividades de vida diária, as atividades recreativas exigem que o corpo gaste mais energia do que no repouso, adaptando e até mesmo melhorando os fatores de aptidão física (capacidade de realizar atividades diárias com vigor).

Pequenas alterações que aumentam a atividade física diária permitem que os indivíduos reduzam os riscos de doenças crônicas e podem contribuir para melhor qualidade de vida. Palastangan; Field; Soames (2000), afirmam que cada adulto deveria praticar 30 minutos ou mais de atividade física com intensidade moderada de preferência todos os dias da semana.

As vantagens da atividade física para o cérebro são a sensação de bem estar, melhora a auto-estima, redução dos sintomas depressivos e ansiosos e melhora o controle do apetite. Estes benefícios estão relacionados com a liberação de endorfina, uma substância que o cérebro produz que dá aos indivíduos a sensação de prazer. O exercício reduz ainda a ocorrências de gripes, resfriados e infecções respiratórias em geral. A atividade física estimula a produção de alguns aminoácidos (componentes das proteínas) que melhoram a ação protetora do sistema imunológico. A melhora na capacidade pulmonar vem acompanhada do aumento da capacidade de consumo de oxigênio, já que o exercício aumenta a rede de pequenos vasos que irrigam os alvéolos pulmonares (estruturas de troca de gases), melhorando o aproveitamento de oxigênio pelo pulmão. Desse modo, a respiração fica mais eficiente (McArdle, Katch & Katch, 1998).

As vantagens fisiológicas da atividade física para o coração são: manter o bom funcionamento do coração, aumentando da resistência aos esforços físicos e ao estresse, redução das doenças cardíacas (angina, infarto, arritmias, insuficiência etc) devido entre outras coisas, ao aumento da circulação colateral dos vasos sanguíneos, que abre novos caminhos para o sangue passar nutrindo as células; o coração torna-se mais forte, aumentando o suprimento de sangue e de oxigênio para si e para o corpo; melhora o retorno venoso, já que durante os exercícios os músculos esqueléticos se contraem e comprimem os vasos sanguíneos relacionados aos mesmos, facilitando o retorno deste sangue. O aumento da irrigação de sangue para o próprio coração o que garante melhor funcionamento do órgão. Reduz fatores de risco para artérias coronárias – como pressão arterial e colesterol (Wilmore, J.H.; Costil, 2001).

Quanto ao sistema músculo-esquelético, Kisner (1998), afirma que fortalece a massa muscular, e aumenta a flexibilidade, pois, a atividade estimula o desenvolvimento das fibras musculares que compõem os diversos músculos do corpo, que tem que se adaptar ao estímulo que lhe é dado, melhorando desta forma suas aptidões. E, no sistema esquelético, reduz os riscos de osteoporose (enfraquecimento dos ossos).

Mellion (1997), defende que a execução de exercícios é favorável para prevenção de doenças e desenvolvimento muscular, no entanto se houver dores, principalmente nos exercícios de alto impacto, pode-se suspeitar que é resultante de uma atividade inadequada para aquele indivíduo ou até mesma conseqüência de desvios posturais.

5 METAS DA EDUCAÇÃO FÍSICA ESPECIAL

Há alguns aspectos da atividade física que devem ser considerados, se desejamos atingir o nosso objetivo como professores de alunos especiais:

Proporcionar em nossas atividades a alegria de viver mesmo com algumas limitações
Aumentar a coragem de viver, respeitando o limite de cada um.
Favorecer o espírito de companheirismo
Aumentar a confiança própria e sua capacidade
Melhorar a independência, formando cidadãos úteis.
Afastar inibições e complexos de inferioridade
Os benefícios também são facilmente observados:
Reintegração completa da criança na sociedade
Melhoria da condição motora
Domínio do corpo para o desempenho das atividades biopsicosociais
Reintegração familiar e social
Desenvolvimento sócio cultural
Melhoria cardio respiratória
Ainda segundo o professor Sidney Rosadas em seus estudos, há algumas metas na educação física especial que precisão ser priorizadas, onde ele cita algumas atividades físicas ministradas com sucesso.

A – Estimulo ao desenvolvimento;

Vários estudos sobre a interferência da Educação Física como fator de estímulo ao desenvolvimento, vêm sendo desenvolvidos atualmente, no tocante ao desenvolvimento físico, intelectual e social.

Pesquisadores associavam a atividade física ao ensino escolar normal, em experimento simples. Conhecidos, em uma turma, os elementos de alto, médio e baixo nível intelectual, com todos tendo sua atividade escolar simultânea, foram divididos dois grupos A e B, havendo em cada um deles, quantidades iguais de elementos de alto, médios e baixos rendimentos intelectuais.

Ao subgrupo A foi ministrada atividade física, enquanto o B manteve vida sedentária. Constatou-se melhoria intelectual nos três níveis do subgrupo A, com relativo estacionamento do subgrupo B. Tal fato, vem comprovar a necessidade da atividade física par o perfeito desenvolvimento da criança.

B – Possibilitar ao aluno condições de desenvolver seu potencial criativo e espontâneo;

Ser alegre, motivar e sociabilizar, são algumas das características afetivos sociais importantes em uma aula de educação física especial, promovendo integração, ajustamento, interesse e participação desta criança. O nosso aluno é carente socialmente e traz consigo uma série de “nãos”, que lhe são impostos no dia a dia. Ficam neles retidas a capacidade de pensar, sentir e agir. É preciso dar a esse tipo de indivíduo plenas capacidades de desenvolver suas potencialidades criativas e espontâneas.

Notamos esse fato, ao modificarmos as características de nossas aulas de Educação Física, que antes eram dirigidas, conforme a tradicional forma de ensino, e passaram a ser conduzidas de forma a explorar a participação e criatividade do aluno, cabendo ao professor a tarefa de realmente educar, supervisionando, apresentando os objetivos de forma clara e simples e observando a conduta e a disciplina.

Para muitos há de se suspeitar, que alunos especiais possam criar e ser espontâneo sem suas atividades, preconceito conservador de nossa cultura. Dando-lhes segurança, acreditando e educando para os objetivos a serem atingidos, ele vai responder, dentro de suas possibilidade, de forma criativa e espontânea.

C – Possibilitar criar situações que se pareçam com as situações reais da vida;

Para alguns alunos é dado tarefas, e responsabilidades dentro de seu grupo com esses procedimentos de responsabilidades, a tendência final é um grupo homogêneo e compacto. Existe também uma identificação positiva aluno/professor, melhorando a qualidade de ensino e o produto final: preparar o aluno para receber com mais desembaraço os encargos que certamente vão surgir no futuro.

D – Aproximar o aluno especial do convívio comunitário;

Os alunos deficientes na maioria das vezes haviam atingido os pontos mais elevados em seu programa de educação física e alfabetização, mas não estavam prontos para o mundo fora de sua sala de aula ou o ambiente familiar, então é aconselhável implantar atividades extra classe que envolvessem as crianças lentamente com crianças em escolaridade normal. As crianças deficientes que convivem com crianças normais, são muito bem aceitas, isso significa que no mundo infantil anão existem diferenças, as diferenças são criadas pela sociedade, que mal informada, as transforma em verdadeiras barreiras.

E – Auxiliar em plena integração afetivo-social;

Até que ponto o professor de educação física pode ajudar um aluno a ajustar-se socialmente?

O profissional de educação física, principalmente o que lida com crianças deficientes, muito pode colaborar para a sociabilização dela tendo em vista a essência característica de sua profissão: abordagem direta e total com o aluno.

Entretanto não devemos agir isoladamente, convocando a participação dos outros profissionais que compõe a equipe multidisciplinar e ouvindo deles as opiniões e medidas a serem tomadas.

Os educadores têm que observar o aluno de uma forma global, medindo as características afetivo-social, cognitiva e psicomotoras.

6 INCLUSÃO SOCIAL DE PORTADORES DE SD

6.1 TRECHOS DA DECLARAÇÃO DE SALAMANCA (UNESCO,1994)

Educação inclusiva: Capacitar escolas comuns para atender todos os alunos, especialmente aqueles que têm necessidades especiais.

Princípio da inclusão: Reconhecimento da necessidade de se caminhar rumo a um lugar que inclua todos os alunos, celebre a diferença, apóie a aprendizagem e responda às necessidades individuais.

Toda a pessoa tem direito fundamental à educação e a ela deve ser dada a oportunidade de atingir e manter um nível aceitável de aprendizagem.

Todo o aluno possui características, interesses, capacidades e necessidades de aprendizagem que são singulares. Os sistemas educacionais devem ser projetados e os programas educativos implementados de tal forma a considerar a ampla diversidade dessas características e necessidades.

As escolas devem acomodar todos os alunos independentemente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, emocionais, lingüísticas ou outras. O desafio para uma escola inclusiva é o de desenvolver uma pedagogia centrada no aluno, uma pedagogia capaz de educar com sucesso todos os alunos, incluindo aqueles com deficiências severas.

O princípio fundamental da escola consiste em que todas as pessoas devem aprender juntos, onde quer que isto seja possível, não importam quais dificuldades ou diferenças elas possam ter. Escolas inclusivas precisam reconhecer e responder a necessidades diversificadas de seus alunos, acomodando os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem e assegurando educação de qualidade para todos mediante currículos apropriados, mudanças organizacionais, estratégias de ensino, uso de recursos e parcerias com suas comunidades.

Os currículos devem ser adaptados às necessidades dos alunos e não o inverso. As escolas devem, portanto, oferecer oportunidades curriculares que se adaptem a alunos com diferente interesse se capacidades.

A fim de acompanhar o progresso de cada aluno, os procedimentos de avaliação devem ser revistos.

Aos alunos com necessidades educacionais especiais devem ser oferecidas diferentes formas de apoio, desde uma ajuda mínima em classes comuns até programas adicionais de apoio à aprendizagem na escola, bem como a assistência de professores especialistas e de equipe de apoio externo.

6.2 EXEMPLOS DE MÉTODOS DE AULAS COM DOWN

6.2.1 OBJETIVO GERAL:

Desenvolver habilidades, competências, conhecimentos crescimento pessoal, social e a autonomia dos alunos envolvidos.

6.2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Confeccionar com cada aluno o seu Portfólio.

Investir na construção da autonomia do aluno.

Rever-se, professores, alunos e pais a partir da auto-avaliação.

Mobilizar as famílias para participação, reconhecimento, valorização e aplicabilidade da produção e crescimento dos filhos.

Desenvolver o hábito de registrar as produções e analisá-las para dar continuidade ao processo de aprendizagem.

Elaborar projetas que correspondam ao interesse e necessidade dos alunos, subsidiado pelo conhecimento sistematizado.

6.2.3 METODOLOGIA (ATIVIDADES)

Ensino centrado no desenvolvimento da criança
Uso do portfólio onde a criança e a família serão o centro
As atividades serão desenvolvidas em contato com a natureza após ampla exploração do seu corpo no espaço natural. O conhecimento será sistematizados em sala de aula e oficinas
Todo o trabalho será realizado num clima agradável que privilegie a afetividade e a qualidade das relações que incidem diretamente no desenvolvimento funcional
O educando é visto como um ser integral com necessidades específicas e o trabalho se desenvolverá no sentido de atendê-las
Respeitar as experiências vividas pela criança e seus conhecimentos anteriores
Privilegiaremos o processo e os meios que a criança utilizará para resolver os problemas propostos.
Durante o processo de desenvolvimento do projeto, as atividades propostas e realizadas, bem como sua avaliação, estão organizadas na os resultados obtidos através da seqüência abaixo, e relatamos também, elaboração do portfólio, sistematizados no monitoramento.

6.2.4 SISTEMAS DE AULAS COM DOWN:

1- Objetivo – Rolar o corpo, percebendo a sua ocupação no tempo e espaço e exercendo o controle.

Atividades: Aula passeio em contato com a natureza (chácara) Exercícios de rolar, percepção do corpo.

Exercícios – deitados no gramado:

1°. Alongamento

2°. Movimento de rolar em círculo com os olhos acompanhando um objeto.

3°. Rolar de braços abertos; Rolar braços acima da cabeça para direita e esquerda.

4°. Identificar as partes do corpo; Aplaudir.

2- Objetivo- Desenhar o corpo e suas partes.

Atividades:

Deitado em um papel do tamanho do seu corpo

Contornar o corpo do outro que deve estar deitado no papel.

Identificar as partes do seu corpo e do seu colega.

Desenhar ou recortar essas partes, completando o corpo contornado.

3- Objetivo: Ser capaz de demonstrar uma postura adequada ao sentar-se

Atividades:

Conversação sobre postura correta de sentar-se em locais diferentes (cadeira, sofá, etc).

Conversação sobre a importância do equilíbrio.

Percepção do corpo e controle dos movimentos em locais diversificados: cadeira giratória, em dupla de mãos dadas, sentar e levantar ao mesmo tempo, sentar no joelho do colega.

Relaxamento, percepção dos sons do ambiente.

4- objetivo as famílias nas atividades desenvolvidas pêlos filhos.

Atividades:

Andar ereto Equilíbrio Coordenação ampla dos movimentos Aula passeio Sentindo as partes do corpo: pés, braços, tronco, cabeça, pescoço…

Retomada dos objetivos propostos no projeto.

Conversação sobre os resultados do trabalho percebida pais e envolvimento dos mesmos para continuidade do projeto.

Relaxamento utilizando um CD, onde os pais, alunos, professores, realizam os exercícios solicitados deitados no gramado/sentados/em pé.

5- objetivo – Estimular a capacidade de engatinhar com as mãos e os joelhos de maneira uniforme e coordenada.

Atividades:

Rastejar para frente e para trás.

Engatinhar brincando Formar um trenzinho e engatinhar.

Engatinhar em cima de bancos.

Buscar objetos determinados pelo grupo.

Relaxamento.

6- Objetivo: Desenvolver através do andar, equilíbrio e coordenação.

Desenvolver os exercícios de forma livre, prazerosa, objetivando também a relação harmoniosa entre os envolvidos.

Atividades:

Aula passeio, caminhada para fora do espaço da escola; observando a natureza e comentando sobre o que estão vivenciando.

1°. Exercícios diversos, envolvendo o corpo, sua ocupação no espaço, andando, sentindo os movimentos e percebendo irregularidades físicas do terreno explorado.

2°. Caminhada: À vontade pelo espaço sugerido, com as pontas dos pés, com os calcanhares, com a borda lateral e borda medial dos pés, com as pernas afastadas, sem fazer barulho, fazendo barulho com os pés, fazendo paradas e voltando a andar, em círculos (brincadeiras de roda), em zig-zag, brincando de trenzinho, livremente pelo espaço.

3°. Andando observando a natureza e percebendo as variações corporais; Ouvindo os barulhos da natureza.

4°. Retornando à escola, ouvir e executar exercícios de relaxamento, seguindo as instruções do CD de relaxamento.

7- Objetivo: Desenvolver a habilidade de correr por um caminho com e sem obstáculos.

Atividades:

Começar a correr devagar no mesmo lugar.

Correr entre filas de bancos.

Correr em volta da escola apontando consigo mesmo em volta do campo, etc.

Correr saltando um obstáculo.

Corrida de cachorro: o aluno galopa correndo para frente com ambas as mãos sobre o chão e os joelhos levemente dobrados.

Delimitar uma área de corrida para correr e agarrar uma bola de futebol enquanto corre.

8- Objetivo: Desenvolver a capacidade de arremessar um objeto com grau razoável de precisão.

Atividades:

O aluno deve ser capaz de jogar uma bola para uma outra pessoa, de modo que a bola possa ser apanhada.

Jogar papel: o aluno amassa bolas de papel e as arremessa dentro de uma cesta.

Atirar uma bola ou arremessar para derrubar uma pirâmide de caixas de leite.

Arremessar uma bola de basquete para uma pessoa, de modo que bata uma vez no chão.

Dois alunos correm para um alvo enquanto arremessam um para o outro e apanham um saquinho de feijão.

9- Objetivo: Desafiar o aluno a transpor obstáculos simples sem cair.

Atividades – Saltar juntos de frente para o aluno.

Saltar sobre uma linha: o aluno pula para trás e para frente, por um número determinado de vezes.

Saltar com um pé só.

Pular da cadeira para uma linha desenhada indicada no chão.

10- Objetivo – Estimular o aluno a saltitar por orientação, imitação e participação.

Atividades:

Saltitar com um e dois pés em toda direção.

Nomear um bicho e realizar os seus movimentos.

Saltitar elevando os joelhos.

Saltitar acompanhando a batida das palmas.

Saltitar para trás: as crianças pulam para trás, seguindo um caminho pré-estabelecido Em sala: Seleção de revistas, jornais, panfletos, etc, pelo professor e alunos onde serão recortadas e coladas gravuras de paisagens que lembrem o passeio e pessoas realizando exercícios.

Desenhar, manipular argila, massa de modelar, etc, tendo sempre como referência o ambiente do trem e paisagens da viagem.

Realizar exposição do material para conhecimento de toda a equipe da escola e possíveis visitantes.

11- Objetivo – Movimentar o corpo de acordo com a música, aula de maneira coordenada.

Atividades:

Crianças sentadas; batendo palmas de acordo com o ritmo.

Movimento livre; os alunos se movem livremente com os braços para cima da cabeça.

Criar movimentos seguindo o ritmo da música.Os alunos juntam as mãos em círculo, e seguem as instruções do professor para seguir a música.

Usar um lençol, segurado por várias crianças, acima de suas fosse pára-quedas;

para ensinar movimentos EURRITMICOS.

12- objetivo – Identificar e emparelhar objetos, tocando-os e sentindo-os.

Atividades:

Explorar a textura da lama, a areia molhada, tinta para pintura a dedo, argila úmida, água, etc…

Examinar a textura da areia seca, poeira, pedras, cimento, tijolos, madeira, tecido e papel áspero e liso, etc…

Examinar com o tato a textura, o tamanho e a diferença de formato de maçãs, bananas, pêras, batatas, tomates, uvas, etc…

Colocar cubos de gelo sobre os braços e corpo; descrever as sensações envolvidas.

De olhos vendados a criança coloca as mãos dentro de uma caixa surpresa e retira um objeto, apanhando-o e diz o que é, de que material é feito.

13- Objetivo: Captar e diferenciar estímulos auditivos e visuais.

Atividades:

Colocar um relógio de pulso perto de cada ouvido da criança, alternadamente, e treiná-la a escutar e a levantar a mão quando não ouvir mais o tique-taque.

Dar ordens baixinho para cada criança, variando as direções para cada ouvido.

Relacionar a gravura ao som correspondente.

Selecionar o material selecionado pela professora.

Reproduzir o mesmo ruído apresentado pela professora a partir de variados instrumentos.

14- objetivo – Interagir respeitando as interações estabelecidas consigo, com as pessoas próximas e com o meio.

Atividades:

Visitas e passeios para troca de experiências e vivências.

Informações sobre como lidar com os problemas do dia-dia;

alimentação, exercícios físicos, lazer e técnicas utilizadas para relaxamento da mente e do corpo.

Participação e valorização de situações que envolvam a combinação de algumas regras de convivência em grupo e aquelas referentes ao uso individual dos materiais e do espaço. enquanto pertinente.

Conhecimento, respeito e utilização de algumas regras elementares de convívio social; respeito, solidariedade, justiça, disciplina e liberdade.

15- Objetivo – Expressar através da dramatização seus sentimentos de medo, raiva, tristeza, alegria e amor.

Efetuar os movimentos realizados, durante o desenvolvimento do projeto.

Dramatizar ao som da música, representando os movimentos desde o nascimento, sua evolução.rastejando, engatinhando. Andando, dançando exercitando o seu corpo no espaço, percebendo os seus limites e suas possibilidades.

Atividades:

Alunos ensinam danças e os movimentos aos demais colegas.

Reunião de pais, para finalização e apresentação do número de dança e avaliação do projeto junto às famílias.

CONCLUSÃO
As crianças com SD possuem as mesmas necessidades que as crianças sem problemas: necessidade afetiva, social, física e intelectiva. Possuem um grande potencial que necessita ser despertado e acreditado. Precisam conviver em sociedade e desfrutar dos benefícios que o bem social, proporciona ao homem. A imagem para o deficiente de um mundo hostil, rejeitador ou mesmo superprotetor precisa ser mudada em prol de um controle de estímulos mais favoráveis e necessários. A invalides não significa que ela está condenada sempre ao fracasso e limitações.

Elas podem se relacionar bem com qualquer pessoa, principalmente com aqueles que se entendem, e para entende-los não é preciso pré-requisitos. Basicamente trata-los da mesma forma como tratamos qualquer outra pessoa: sem distinções, pena ou protencionismo, e, sobretudo acreditando em sua potencialidade. Temos que procurar fazer parte de um mundo que acreditam ser só deles, e tentando mostrar o mundo real que na verdade é tão cheio de seqüelas como aquele que eles pensam ser só deles. Nos como educadores devemos fazer o máximo para convivermos num só mundo compartilhando problemas, vibrando com suas vitórias e mostrando o verdadeiro amigo e professor nas derrotas.

Ter um aluno especial, é um desafio e ao mesmo tempo um presente.

O professor ao assumir o potencial que pode investir nestes alunos, na área educacional e física, será responsável pela organização do espaço físico e o construtor do espaço lúdico, que não deixa de ser sócio cultural. Nessa organização, ele não pode assumir a criança, mas deve criar um espaço para sua decisão, valorização o máximo as possibilidades de criatividade do aluno.

Força de vontade para quem quer fazer inclusão é essencial mas não basta. Orientação especializada é muito importante para planejar corretamente as atividades físicas.

Acredita-se que o futuro da criança com SD pode vir a ser cada vez melhor; devido as pesquisas e novas descobertas.

Hoje, elas já provaram que têm capacidade para ter um bom desempenho na escola e na sociedade.

No entanto, estas crianças tão especiais só terão chance de conquistar seu espaço e sua independência se os familiares e profissionais trabalharem juntos no sentido de conscientizar a sociedade de suas obrigações.

Só assim as crianças com SD terão seus direitos garantidos como qualquer outra criança que tem o direito de ser feliz.

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DIREITO ECÔNOMICO

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Introdução:

A maleabilidade de que se reveste o Direito Econômico, caracteriza-se, ao lado da diversidade de instrumentos, processos e tipos de atos adequados ao atendimento das finalidades sociais colimadas, pela “relativa imprecisão de suas regras, e por conseqüência, na extensão da liberdade de apreciação que consente à administração”

As peculiaridades da matéria econômica exigem do legislador a adoção de técnicas que permitam conciliar a tendência conservadora do Direito, refletida no procedimento legislativo, com o dinamismo da Economia, impulsionada por leis próprias e naturais, porém suscetíveis de uma margem de intervenção limitada.

A maleabilidade será, então, um traço original do Direito Administrativo Econômico, marcado pela preferência às fontes mais comodamente modificáveis, ou seja, genericamente, pela fonte regulamentar. Importa perquirir—e tal é o objetivo do texto—a extensão da competência, legalmente atribuída às Agências Reguladoras, de expedição de normas cogentes, analisando sua legitimidade em face da visão contemporânea do princípio da legalidade.

A tarefa a ser empreendida envolve a superação de obstáculos doutrinários, sustentados por uma visão oitocentista da lei formal como fonte (legítima) única do Direito e do regulamento como fiel executor daquela; daí afirmar-se que da lei apreende-se o fundamento único da legitimidade e controle do poder regulamentar.

Num primeiro momento, pretenderemos analisar a evolução pela qual vem passando o tradicional princípio da legalidade, para então enfrentar a difícil, porém cada vez mais importante questão traduzida no questionamento: o momento de aplicação/interpretação da norma setorial quando da expedição de regulamento pela agência, envolve ou não atividade criativa do direito? Antecipando uma resposta positiva, cumpre expor considerações acerca da legitimidade de tais regulamentos em face do princípio da legalidade e os mecanismos de controle que doutrina e jurisprudência vêm construindo, com base no princípio da proporcionalidade.

II. Princípio da Legalidade na Administração Reguladora

Evolução histórica do princípio da legalidade:

Na clássica exposição de Otto Mayer sobre o Direito Administrativo, a idéia de Estado de Direito (Rechtsstaat) se caracteriza pela concepção da lei como ato emanado do Parlamento representativo e se concretiza: a) na supremacia da lei sobre a Administração; b) subordinação à lei, e somente à ela, dos direitos dos cidadãos, com exclusão, portanto, de poderes autônomos da Administração que possam incidir sobre eles; c) presença de juízes independentes com competência exclusiva para aplicar a lei, e somente a lei, às controvérsias surgidas entre os cidadãos e entre estes e a Administração.

O Estado de Direito liberal era um Estado legislativo, que afirmava a si mesmo através do princípio da legalidade que expressava a idéia da lei como ato normativo supremo, derrotando a primazia das tradições jurídicas do Absolutismo e do Ancien Regime. O Estado de Direito e o princípio da legalidade supunham a redução do Direito à lei e a exclusão, ou, ao menos, a submissão à lei de todas as demais fontes do Direito.

Na França Revolucionária, a soberania da lei se apoiava na doutrina da soberania da nação, que estava “representada” pela Assembléia Legislativa.

A distinta posição frente à lei, que diferenciava a Administração pública dos sujeitos privados era conseqüência do princípio da liberdade, ao lado do princípio da legalidade, como pilar do Estado de Direito. A proteção da liberdade exigia que se admitissem as intervenções da autoridade apenas como exceção, ou seja, somente quando previstas em lei.

Também a generalidade da lei era garantia da imparcialidade do Estado em relação aos componentes sociais, assim como de sua igualdade jurídica, da certeza e previsibilidade do Direito.

Numa sociedade ‘monoclasse’, como afirma ZAGREBELSKY, a lei tudo podia, não havendo acima dela nenhuma regra jurídica que servisse para estabelecer limites, uma vez que estava materialmente a um contexto político e social definido e homogêneo.

A Revolução Francesa, e a crescente preocupação com proteção dos direitos fundamentais (basicamente a liberdade e a propriedade), levaram o novo Estado de Direito ao desafio de conciliar a tradicional liberdade decisória da Administração com a observância do princípio da legalidade, popularizando as idéias de regulamentação, sem lacunas, da Administração pela lei e do amplo controle pelos Tribunais. Somente após muitos anos de debate, a discricionariedade passou a ser aceita como verdadeira necessidade para habilitar a Administração Pública a agir com mais eficiência na organização dos serviços públicos e do atendimento das múltiplas demandas e reivindicações das sociedades industrializadas.

Com o advento do sufrágio universal e do Estado Constitucional de Direito, altera-se tal posição dos particulares frente à lei em numerosos setores do direito, que já não se inspiram na premissa liberal da autonomia como regra e do limite legislativo como exceção.

“En determinados sectores particularmente relevantes por la connotación social del estado contemporáneo, se niega el principio de la libertad general salvo disposición legislativa en contrario. En su lugar se estabelecen prohibiciones generales como presupuestos de normas o medidas particulares que eventualmente las remuevan en situaciones.”

EDUARDO GARCÍA DE ENTERRÍA e TOMÁS-RAMÓN FERNÁNDEZ observam, especificamente sobre as autorizações administrativas que o “conceito de autorização em sentido estrito que chegou até nós se formou no século passado (…). A crise do esquema tradicional se deu mais agudamente a partir do momento em que, ultrapassando o campo próprio da ordem pública, em sua tríplice dimensão compreensiva da tranquilidade, segurança e salubridade, em função da qual foi pensado dito esquema, a autorização foi transplantada ao complexo campo das atividades econômicas, nas quais desempenha um papel que não se reduz ao simples controle negativo do exercício de direitos, mas que se estende à própria regulação do mercado, com o explícito propósito de orientar e conformar positivamente a atividade autorizada no sentido da realização de uns objetivos previamente programados ou ao menos implicitamente definidos nas normas aplicáveis”.

Essa nova geração de autorizações propicia o surgimento de uma relação de caráter continuado entre a entidade autorizante e o sujeito autorizado, o que se dá em razão da importância da atividade autorizada, cuja realização se estende no tempo e compromete interesses públicos e gerais. Evidencia-se a aproximação entre as características da autorização de trato sucessivo e a concessão administrativa de serviço público. A submissão aos regulamentos a que se sujeita a atividade autorizada por sua conexão com o interesse público, e a vinculação continuada que surge entre a entidade autorizante e o sujeito autorizado para o desenvolvimento da atividade são notas comuns à fórmula concessional.

A crise da vinculação da administração à lei deriva da superação, por parte do aparato estatal, de sua função, prevalentemente “garantidora”, ou seja, de sua função de garantia concreta das regras jurídicas gerais e abstratas mediante atos aplicativos individuais e concretos e da assunção de tarefas de gestão direta de grandes interesses públicos, o que requer a existência de “grandes aparatos organizativos que atuam sua própria lógica, determinada por regras empresariais de eficiência, exigências objetivas de funcionamento, interesses sindicais dos empregados”.

Também a ascensão das classes operárias ao plano político, tornou-se mais difícil conceber a vontade parlamentar, expressa nas leis aprovadas, como a “vontade geral”. Para dizer com Karl Engisch, se, “plano superior, não temos de representar o poder legislativo como um aparelho racional que, segundo princípios abstractos, produz leis que são as ‘únicas justas’, mas como um processo orgânico por múltiplas componentes pessoais que em grande parte são ‘multividencial’ e ‘politicamente’ propelidas, como um processo no qual se luta vivamente pelo ‘justo’ (…) assim também não nos é lícito, no plano inferior da aplicação do direito (no mais lato dos sentidos), conceber os funcionários, as autoridades, o juiz e os tribunais como apenas chamados a uma esquemática execução do direito”.

Sobre essa nova feição da separação dos poderes estatais, assevera ALEXANDRE ARAGÃO, citando ROGÉRIO GUILHERME EHRHARDT SOARES: A “separação de poderes” deve ser atualmente encarada pelo prisma do pluralismo existente na sociedade, que “tem o significado de colocar perante várias instâncias da máquina estadual as reclamações ou o apoio de vozes diferentes. E assim resulta numa potenciação da divisão de poderes na organização interna do Estado, que ganha outra vez o valor duma divisão política. Só que, em vez da fórmula do século XIX de uma separação taxativa entre pretendentes ao poder, cada um com o seu veículo de expressão numa ‘função’ do Estado, vamos encontrar um sistema bem complexo e subtil (…). O pluralismo social vem assim a integrar-se num quadro alargado de separação de poderes, e representa uma função positiva na organização dum estado moderno”.

Em uma sociedade complexa e pluralista não há apenas um interesse público, mas muitos (melhoria e ampliação dos serviços, modicidade das tarifas, atração de investidores estrangeiros, regras pré-estabelecidas para propiciar maior segurança jurídica, possibilidade de adaptação das regras a circunstâncias supervenientes, etc.), o que leva ODETE MEDAUAR a observar que “à concepção de homogeneidade do interesse público, segue-se, assim, uma situação de heterogeneidade; de uma idéia de unicidade, passou-se à concreta existência de multiplicidade de interesses públicos. A doutrina contemporânea refere-se à impossibilidade de rigidez na prefixação do interesse público, sobretudo pela relatividade de todo padrão de comparação. Menciona-se a indeterminação e dificuldade de definição do interesse público, a sua difícil e incerta avaliação e hierarquização, o que gera crise na sua própria objetividade”.

Redução da generalidade e abstração das leis:

Ao lado dos problemas acima apontados, acrescentamos a redução da generalidade e abstração da lei como fator de crise do princípio da legalidade.

“La época actual viene marcada por la pulverización del derecho legislativo, ocasionada por la multiplicación de leyes de carácter sectorial y temporal, es decir, de reducida generalidad o de bajo grado de abstracción”. A crescente vitalidade de certos grupos sociais, em cada vez mais rápida transformação, requerem normas jurídicas adequadas às necessidades e destinadas a perder rapidamente seu sentido. Acrescente-se também a cada vez mais marcada “contratualização” dos conteúdos da lei. O ato de criação do direito legislado é a conclusão de um processo político em que participam numerosos sujeitos particulares.

Tal fenômeno constitui expressão do princípio da proporcionalidade, mais especificamente do elemento ‘necessidade’. ALEXANDRE ARAGÃO citando HEINRICH SCHOLLER observa que as restrições à liberdade econômica devem “operar apenas em um degrau (ou esfera)”, passando para fase seguinte “tão somente quando uma restrição mais intensa se fizer absolutamente indispensável para a consecução dos fins almejados”. Prossegue o ilustre professor: “Este é o elemento do Princípio da Proporcionalidade que leva à tendência atual da Administração dar preferência a mecanismos consensuais, indutivos e, portanto, menos constritivos, de regulação da economia. “O poder de império da Administração deixou de ser um dos seus principais (senão o único) dos seus poderes, para passar a figurar como um (e não o mais importante deles) dos aspectos das ações do estado. Se for possível alcançar o interesse público visado de maneira consensual, os instrumentos coercitivos deverão ser descartados por desproporcionais. Essa assertiva revela-se ainda mais forte quando a regulação vertical não for urgente, hipóteses em que a Administração Pública deverá tentar alcançar seus objetivos consensualmente e, em caso de insucesso, aí sim, partir para a adoção de instrumentos coercitivos de regulação da economia (princípio do trial and error das políticas públicas).

ODETE MEDAUAR assevera que contemporaneamente se impõe a modificação do ‘entendimento de sacrifício de interesse em benefício de outro, ou de primazia de um sobre outro interesse. Cogita-se hoje da função atribuída à Administração de ponderação dos interesses em confronto; o princípio é da não sacrificabilidade a priori de nenhum interesse; o objetivo dessa função está na busca do estatuto da compatibilidade entre os interesses (…) Pode-se associar à orientação ora exposta, de necessidade de completa apreciação de todos os fatores e interesses, com vista à sua conciliação e sacrifício mínimo, à previsão do princípio da impessoalidade, para todos os setores da Administração pública, na Constituição Federal, art. 37, caput.

Ficou evidente que, perante a dinâmica do mundo moderno, no qual sempre vêm surgindo situações novas e imprevistas, que exigem uma atuação célere e eficaz da Administração, o legislador está impossibilitado de regulamentar todos os possíveis casos de modo antecipado e em detalhes.

Muitos dos textos legais não apresentam mais as tradicionais hipóteses, mas prescrevem somente a perseguição de determinados objetivos, fins e metas, o que necessariamente abre uma maior liberdade de decisão para os governos e os órgãos administrativos que as implementam.

Em que pese a crítica de EROS ROBERTO GRAU, para quem: “a discricionariedade é atribuída, pela lei, à autoridade administrativa; não decorre da lei, utilizando-se o verbo decorrer, aqui, para referir a circunstância de o emprego, pelo texto legal, de conceitos indeterminados conduzir à discricionariedade” (grifos no original), cumpre observar, com ANDREAS KRELL, que “desde o fim dos anos 70, quando a teoria do controle abrangente dos conceitos jurídicos indeterminados atribuiu aos tribunais alemães um extenso poder de substituição das valorações efetuadas pela Administração, houve uma mudança na doutrina administrativista deste país, que começou a criticar a propriedade teórico-normativa e efetivo-funcional desse controle judicial abrangente”. Nas duas últimas décadas cresceu, prossegue o autor, “o número de autores que não aceitam mais a distinção rígida entre conceitos indeterminados e discricionariedade”.

A doutrina segundo a qual a aplicação, pela Administração, dos conceitos indeterminados, por envolver interpretação do direito, conduziria a uma única solução justa, parece ignorar que os parâmetros de preenchimento de tais conceitos devem ser buscados na realidade, inclusive na consideração das concepções políticas predominantes, concepções essas que variam conforme a atuação das forças sociais. Não é possível, leciona Celso Antônio Bandeira de Mello, “extrair objetivamente uma solução unívoca para situação vertente, pois essa ‘providência ideal’ em muitas situações, é objetivamente incognoscível”.

Isso porque a linguagem, enquanto lógica simbólica, não soluciona os problemas axiológicos que são necessários ter em conta na interpretação e aplicação do Direito, a definição das palavras jurídicas será quase sempre um problema de estipulação: “Una definición no puede establecer el significado de um término (…) éstos, por muchas razones, serán posiblemente tan vagos y confusos como los términos com los cuales comenzáramos (…) todos los términos que realmente son necesitados son términos indefinidos.

A doutrina do amplo controle da aplicação de conceitos fluidos pela Administração surge, na Alemanha, como reação à amarga experiência do regime nazista. A partir da promulgação da Lei Fundamental de Bonn, de 1949, o reforço do princípio da reserva da lei e a garantia constitucional de uma plena proteção judicial contribuíram para que a doutrina e a jurisprudência, num primeiro momento, adotassem amplamente a linha de que o emprego de conceitos indeterminados numa hipótese legal não atribuía qualquer discricionariedade.

Pressionado por setores da Administração Pública, especialmente dos municípios, que se sentiram indevidamente “tutelados” na sua atuação funcional, o Tribunal Federal Administrativo, no fim dos anos 70, começou a reduzir, de forma cautelosa, a densidade do controle de suas decisões, reforçando a responsabilidade dos órgãos administrativos em detrimento de uma plena sindicância judicial. Esse “espaço de livre apreciação cresce na medida em que o procedimento administrativo já prevê a participação dos indivíduos ou grupos interessados e as decisões são tomadas por órgãos colegiados independentes, compostos paritariamente e dotados de alta especialização técnica”.

Em relação a qualquer termo legal, que apresenta uma incerteza conceitual, a interpretação cognoscitiva combina-se, necessariamente, com um ato volitivo do aplicador do texto jurídico, através do qual ele “cria Direito” para um caso concreto.

Como conclusão parcial deste primeiro tópico, temos que os regulamentos em geral, especialmente aqueles expedidos por agências autônomas, não podem ser encaixados “à força” na concepção tradicional de regulamentos de execução, como meros instrumentos de uniformização procedimental interna na Administração, incapazes de inovar na ordem jurídica, e controláveis somente em face da lei que constitui seu fundamento e da qual é mero instrumento de aplicação prática.

Isso porque a própria atividade de “concretização” da lei, é por si só, atividade construtiva do direito; não há interpretação pura/imparcial. Quando analisamos os micro-sistemas que gravitam em torno das Agências, observamos que as competências atribuídas a esses organismos se revestem de grande amplitude, esta decorrente tanto da imprecisão dos termos utilizados pela norma atributiva da competência (discricionariedade em sentido “fraco”), como pela expressa previsão de “juízos de oportunidade” (discricionariedade em sentido “forte”).

Não podemos olvidar também que a ideologia reinante no período das privatizações de grandes empresas estatais e criação das primeiras agências de serviços públicos visou “imunizar” as decisões das agências de interesses político-partidários, conferindo caráter eminentemente técnico à regulação, enquanto a fixação dos fins e objetivos genéricos a serem alcançados permaneceu na esfera de competência do Poder Executivo central.

III. Regulamento e inovação na ordem jurídica:

Introdução:

A discussão acerca da amplitude do poder regulamentar no Brasil, especialmente sobre a existência de regulamentos autônomos, já foi objeto de longas discussões, renovadas pela instalação das agências reguladoras.

Não nos cabe, neste ponto, trazer à balia as profundas discussões sobre o tema, sintetizadas com maestria por MARÇAL JUSTEN FILHO, mas salientar algumas inovações que os estudos sobre o poder normativo das agências autônomas vêm criando, sobre a possibilidade e legitimidade de inovação na ordem jurídica pela via regulamentar.

Nos Estados Unidos da América, a técnica utilizada para solucionar as insuficiências do direito legislado em relação a setores regulados consistiu em conferir, mediante autorização legislativa, competências normativas para complementar e particularizar as leis, limitando-se estas a definir parâmetros genéricos para a atuação do Executivo.

Na França, optou-se por prever, na própria Constituição, competência para disciplinar um rol de matérias, sem participação ou com participação limitada do Legislativo. O Executivo passou a editar regulamentos autônomos ou independentes.

A disciplina das matérias estranhas ao rol submetido pelo constituinte francês ao domínio da lei é integralmente confiada ao Presidente da Reública, por meio de regulamentos autônomos, vedando-se qualquer ingerência do Poder Legislativo quanto aos regulamentos assim editados, pois qualquer invasão de competência é tida como inconstitucional, podendo assim ser declarada pelo Conselho Constitucional.

A atuação inovadora da Administração, através do regulamento, reflete uma necessidade relacionada à própria idéia de produção normativa; sendo o regulamento espécie do gênero “norma jurídica”, negar qualquer inovação seria tornar o poder regulamentar instituto sem utilidade.

“È inquestionável que o conflito entre lei e regulamento resolve-se a favor daquela. Portanto, uma determinação contra legem contida num regulamento é inválida. Logo, o regulamento não pode conter inovações incompatíveis com a lei”, e essa parece ser a melhor exegese acerca do art. 84, IV da CF, que determina incumbir ao Presidente da República a competência para editar decretos e regulamentos para fiel execução das leis. “O que se busca é a perfeita e integral aplicação da norma produzida legislativamente, o que importa a necessidade de adição ao conteúdo normativo até então existente.” (grifo nosso).

No entanto, a amplitude dessa faculdade depende diretamente do modo pelo qual a lei haja regulado determinada matéria. A lei poderá optar por uma disciplina completa e exaustiva, em que todos os pressupostos de incidência e todos os ângulos do comando normativo estão previamente determinados, de modo abstrato, através da lei, porém pode a lei disciplinar certa matéria de modo a conferir maior autonomia ao seu aplicador. Atribui-se ao aplicador uma competência discricionária para identificar os pressupostos ou determinar os comandos normativos para o caso concreto.

Analisamos, em tópicos anteriores, a discricionariedade que surge ao aplicador em virtude da utilização, pela lei, de conceitos fluidos, fenômeno que decorre da própria insuficiência da linguagem para apreender a realidade regulada, cada vez mais complexa e impregnada de aspectos técnicos e econômicos, aplicando-se inclusive aos próprios regulamentos. Tal fenômeno pode ser traduzido como discricionariedade “em sentido fraco”, ou “discricionariedade instrumental”

Na chamada discricionariedade “em sentido forte”, não há uma pauta material que condicione a decisão, mas a apenas a indicação do sujeito competente. A discricionariedade instrumental envolve apenas a possibilidade de escolher ou decidir dentro de uma margem de manobra como conseqüência de indeterminações, vaguezas ou outro tipo de imperfeição da regulação jurídica. A discricionariedade forte legitima a Administração para a adoção e desenvolvimento de uma determinada política de atuação, possibilitando-lhe a escolha de alternativas dentro do marco do ordenamento jurídico.

Tal discricionariedade ‘forte’ se faz presente nos chamados regulamentos autorizados, nos quais o Poder Executivo é investido de função normativa por autoridade legislativa.

Apesar da aversão da doutrina tradicional a essa espécie de regulamento, devemos reconhecer com García de Enterría e Ramón Fernández apud SÉRGIO VARELLA BRUNA, “não há, com efeito, nenhuma possibilidade de governar uma sociedade como a atual, cujas inter-relações são cada vez mais complexas e sutis, sem uma administração que assegure a manutenção de suas hipóteses básicas comuns e que disponha para isso de uma gama de poderes, um dos quais há de ser, sem dúvida, segundo experiência universal (…) a potestade regulamentaria. (…) A complexidade técnica de muitos desses produtos normativos tampouco faria possível atribuir sua aprovação a um Parlamento de composição política, sem hábitos, conhecimentos, experiências, arquivos ou capacidade técnica. Agrade ou desagrade, sejam ou não grandes os riscos de uma normação secundária desse caráter, a potestade regulamentaria da Administração é hoje absolutamente imprescindível”.

A lei não é mais uma afirmação carregada de sacralidade, mas, pela exigência de adaptação a quadro social em constante mudança, rebaixa-se a um mero expediente técnico, freqüentemente com intenções de solução dum esquema de interesses concretos. À medida que a diferenciação social aumenta, crescerá proporcionalmente o caudal de informação e comunicação. Cada vez mais se torna necessário estabelecer um equilíbrio entre a definitividade do modelo de acção e a flexibilidade no desenho do modelo de adaptação às exigências mutáveis da situação. É isto que se consegue num sistema estadual, estabelecendo uma aparelhagem destinada a gerar legitimidade (Política), através dum processo de trabalho das informações. Ao seu lado estruturam-se processos de racionalidade diferentes, uma Administração, um sistema de uso ou execução da legitimidade.

A preocupação dos que se opõem às “delegações legislativas” parece resumir-se à dimensão da margem de liberdade que se tolera seja conferida ao Executivo para criar o Direito, na medida em que o aplica. No dizer de CELSO ANTÔNIO BANDEIRA DE MELLO, ao se referir à necessidade da lei prever os contornos dos direitos e obrigações que institua, “mesmo que não o faça com precisão capilar, a lei tem que caracterizar o direito ou a obrigação, limitação, restrição que nela se contemple, tanto como o enunciado dos pressupostos para sua irrupção e os elementos de identificação dos destinatários da regra, de sorte que, ao menos, a compostura básica, os critérios para seu reconhecimento estejam de antemão fornecidos (…) Assim, o espaço regulamentar conter-se-á dentro destas balizas professadamente anunciadas na lei (…) Na delegação feita indiretamente justamente faltam estas especificações, pois se pretende liberar o Executivo para compô-las, ficando-lhe concedido como que um cheque em branco a ser preenchido por via regulamentar (…).

Jurisprudência da Suprema Corte norte-americana:

Apartir dos casos Panamá Refining Company v. Ryan e A.L.A vs Schechter Poultry Corp. v. United States, a delegation doctrine passou a assumir os contornos atuais, tendo a Suprema Corte assumido uma posição rigorosa em relação às delegações legislativas; no entanto em Yakus v. United states foi afirmada a admissibilidade de um certo grau de generalidade nas diretrizes estabelecidas na lei para o exercício das funções reguladas, restringindo-se as hipóteses de inconstitucionalidade aos casos em que a fluidez dessas disposições fosse tal que impedisse aferir se o comando legal foi ou não atendido pelo órgão executor. No caso Yakus consagrou-se o entendimento de que a delegação não deve ser considerada inconstitucional sempre que a lei ofereça meios para que se exerça o controle judicial dos atos com base nela praticados, ou seja, quando as diretrizes fixadas pelo legislador, embora contendo certo grau de imprecisão, permitam ao Judiciário investigar se foram devidamente atendidos os fins legais visados quando da atribuição da competência normativa.

Em Skinner v. Mid-America Pipeline.Co e Mistretta v. United
States foi reafirmada a necessidade da existência de diretrizes mínimas para pautar a ação administrativa, devendo ser tidas por inconstitucionais as disposições legais que, por sua amplitude e imprecisão, permitam ao administrador escolher livremente entre decisões que envolvam interesses sociais relevantes.

Supremo Tribunal Federal—ADIN 1.668/DF:

No Brasil, o supremo Tribunal Federal, apreciando pedido de medida cautela na Ação Direta de Inconstitucionalidade n.° 1.668/DF, deu aos arts. 19, IV e X e 22, II da L. 9.472, de 16 de Julho de 1997 (Lei Geral de Telecomunicações), interpretação conforme à Constituição restringindo a amplitude que o texto legal conferia à ANATEL quanto à normatização dos serviços de telecomunicações.

Os dispositivos objeto de interpretação conforme estabeleçem:

Art.19. À agência compete adotar as medidas necessárias para o atendimento do interesse público e para o desenvolvimento das telecomunicações brasileiras, atuando com independência, imparcialidade, legalidade, impessoalidade e publicidade, e especialmente:

(…)

IV- expedir normas quanto à outorga, prestação e fruição dos serviços de telecomunicações no regime público;

(…)

X- expedir normas sobre prestação de serviços de telecomunicações no regime privado

(…)

Art. 22. Compete ao Conselho Diretor:

(…)

II- aprovar normas próprias de licitação e contratação

Entendeu o Tribunal que em relação aos incisos do art.19, a competência da ANATEL subordina-se aos preceitos legais e regulamentares que regem a outorga, prestação e fruição dos serviços de telecomunicações, no regime público e privado. Quanto ao inciso II do art.22, o entendimento provisório do STF é o de que a competência do Conselho Diretor fica submetido às normas gerais e específicas de licitação e contratação previstas nas respectivas leis de regência.

FORMAÇÃO DO EMBRIÃO

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A SEGMENTAÇÃO DO OVO

Após a fecundação, a célula-ovo ou zigoto entra logo em segmentação ou clivagem e começa a formar os blastômeros (células embrionárias indiferenciadas). Inicialmente, eles são 2. Logo a seguir 4,8,16,31,64 etc. até formar um maciço celular, que por sua semelhança com a amora recebeu o nome de latino de mórula.

A segmentação da célula-ovo apresenta algumas variações, de acordo com o tipo de óvulo do qual se originou o zigoto.

Segmentação total igual

É observada em zigotos oriundos de óvulos alécitos e metalécitos. A célula se segmenta integralmente em 2 blastômeros iguais. Logo, esses se dividem também segundo um plano de clivagem perpendicular ao primeiro. Surgem 4 blastômeros. Uma clivagem num plano meridiano os divide em 8. Daí por diante, as clivagens ocorrem sem planos organizados, até o aparecimento da mórula. Todos os blastômeros dessa mórula são iguais.

Uma observação interessante: à proporção que os blastômeros se multipliquem, ficam cada vez menores, porque as mitoses se sucedem sem que haja tempo para o aumento de volume das células. Como conseqüência, a mórula tem um volume aproximadamente igual ao do zigoto que lhe deu origem.

Segmentação total desigual

É observada em zigotos decorrentes de óvulos heterolécitos. Como, nesses o vitelo se encontra misturado com o plasma germinativo (citoplasma) apenas no pólo vegetativo, ocorre que, nas duas primeiras clivagens, todos os blastômeros possuem um pouco de vitelo. Mas, da clivagem meridiana (transversal), resultam e blastômeros com vitelo (num hemisfério) e blastômeros com vitelo (no outro hemisfério). Considerando que a presença do vitelo prolonga o tempo de duração das mitoses, os bastômeros sem vitelo reproduzem-se mais depressa do que os que o possuem. O resultadi é uma mórula desigual, contendo um grande número de micrômeros (blastômeros pequenos) num pólo e um pequeno número de macrômeros (blastômeros grandes) no restante dela.

Segmentação parcial discoidal

É o tipo de clivagem que ocorre com zigotos provenientes de óvulos telolécitos (aves e répteis). O vitelo, quando puro, não sofre segmentação. Então, neste tipo de zigoto, em que o vitelo ocupa quase toda a célula, a segmentação é parcial, pois só ocorre na cicatrícula. E, assim, surge uma mórula achatada, discoidal, na superfície da grande massa vitelina, representada pela gema do ovo.

Segmentação parcial superficial

Pode ser observada com zigotos provenientes de óvulos centroléctios, como o das moscas, por exemplo. Neste óvulos, o vitelo se localiza no centro, ficando o citoplasma em sua maior parte situado na periferia. A segmentação, então, ocorre nas porções que envolvem o vitelo. É bom lembrar que o núcleo é circundado por uma pequena quantidade de citoplasma e também fica no centro da célula. Assim, quando o núcleo se segmenta várias vezes seguidas, os novos núcleos vão para a periferia e comandam a segmentação do citoplasma que ali se encontra. A conseqüência final é que surge um corpo multicelular cujas células estão na periferia, envolvendo a massa vitelina.

BLÁSTULA E DA GÁSTRULA

A formação da gástrula apresenta a partir da blástula apresenta notável diferença conforme seja estudada num animal inferior (o anfioxo, por exemplo) ou no homem. O anfioxo é um pequenino animal marinho, com aspecto parecido com o de um peixe. Durante sua formação embrionária, a blástula começa a sofrer invaginação num dos pólos. A invaginação se acentua até que esse pólo encontre o outro. A essa altura, o corpo multicelular assume o formato de um balão, cuja parede é constituída de duas camadas, e dotado de uma boca. A boca desse “balão” recebe o nome de blastóporo. Esta formada a gástrula.

A formação da gástrula pelo processo visto, é chamada de gastrulação por embolia. E a gástrula com apenas dois folhetos embrionários (ectoderma e endoderma) é a gástrula didérmica.

Nos mamíferos, ocorre a gastrulação por epibolia. A blástula (aqui também chamada blastocisto) mostra como uma esfera formada de uma só chamada de células. Mas num dos pólos dessas blástula encontramos um grupamento de células voltado para a cavidade blastular que recebe o nome de embrioblasto. É a partir do embrioblasto que vai originar-se a gástrula e, por conseguinte, o embrião. A camada de células que delimita toda a blástula é chamada de trofoblasto. Ao trofoblasto vai competir formar a placenta.

As células do embrioblasto começam a se organizar, formando duas camadas superpostas: o ectoderma (com células altas) e o endoderma (com células pequenas). As duas camadas juntas constituem o disco embrionário. Quando vistas de cima, revelam contorno circular ou discóide. Acima do disco, fica um pequeno espaço sem células, que é vesícula. Abaixo, surgirá, em breve, outra cavidade, que será a vesícula vitelina.

O recurvamento dos bordos dos disco embrionário para baixo (como um disco de cera que derretesse sobre uma pequena esfera) faz com que ele assuma o formato de um balão de paredes duplas. O que isso lhe sugere? Claro que já é a gástrula didérmica. Repare, então, que a gástrula, nesse caso formou-se “dentro” do blastocisto ou blástula e não “a partir”dele, como no caso do anfioxo.

A gástrula didérmica deve evoluir para gástrula tridérmica. Oara isso, deverá surgir um terceiro folheto embrionário – o mesoderma -, que se situará entre o ectoderma e o endoderma. A fim de que isso ocorra, uma região do endoderma, chamada mesentoderma, forma duas evaginações laterais, que acabam por se transformar em duas bolsas. Essas bolsas, finalmente, se estrangulam e se desprendem do mesentoderma que lhes deu origem. O desenvolvimento dessas bolsas levará ao aparecimento dos dois folhetos mesodérmicos, dos quais um ficará aderido ao ectoderma, com ele formando o que chamanos de somatopleura, e o outro ficará agrupado ao endoderma, formando juntamente com ele a esplancnopleura. O espaço interior do corpo embrionário delimitado pela somatopleura e pela esplancnopleura recebe o nome de celoma.

Enquanto o mesoderma se forma, simultaneamente o ectoderma sofre, ao longo do dorso da gástrula, um aprofundamento em forma de sulco. Os bordos desse sulco se fecham e surge um canal ou tubo que se desprende do ectoderma que lhe deu origem. Essa formação é o tubo neural. Ao mesmo tempo em que isso se passa o mesentoderma também sofre uma evaginação longitudinal, que acaba por dar origem a um cordão que dele se desprende. Esse cordão longitudinal que se situa entre o tubo neural e o arquêntero é a notocorda, notocórdio ou cordão dorsal.

OS ANEXOS EMBRIONÁRIOS

Durante todo o seu processo de desenvolvimento, o embrião dos vertebrados faz-se acompanhar de uma série de anexos que, juntamente com ele, formam-se também da segmentação do ovo, mas que não farão parte do seu corpo após o nascimento ou eclosão. É que tais formações se destinam, tão-somente, a servi-lo durante o seu desenvolvimento embrionário. Nos mamíferos, cujo conjunto de anexos é o mais completo, percebe-se nitidamente o quanto essas estruturas significam como propriedade temporária do filho e não da mãe, uma vez que, após o parto, os anexos rejeitados pelo filho eliminados pela mãe.

Os principais anexos embrionários são:

Versícula vitelina
Âmnio ou bolsa amniótica
Alantóide
Córion
Placenta
Cordão umbilical
Decídua

Os anfíbios nem ela possuem. O âmnio, o alantóide e o córion, além de vesícula vitelina, já aparecem em répteis, aves e mamíferos. Os mamíferos formam todos os anexos embrionários, inclusive a placenta, decídua e o cordão umbilical.

Vamos ao estudo de cada um desses anexos separadamente.

Vesícula vitelina

Tem origem, em parte, no endoderma. A sua função é armazenar substâncias nutritivas (vitelo) para o embrião durante o seu desenvolvimento. Mas, nos mamíferos, isso não é necessário e, por isso, ela se atrofia gradativamente, até o quase completo desaparecimento. Na época do parto, ela está, juntamente com o alantóide, reduzida a vestígios na estrutura do cordão umbilical.

Convém ressaltar, no entanto, que, durante as primeiras semanas do desenvolvimento embrionário, esse anexo ainda é razoavelmente grande para o concepto (em face das minúsculas dimensões deste) e se apresenta como o primeiro órgão hematopoético (formador de sangue), pois é ali que vão ser formadas as primeiras hemácias do embrião. Depois, essa função será delegada ao mesênquima; mais tarde, ao fígado e ao baço. Após o nascimento do individuo, esta função é desempenhada exclusivamente pela medula óssea vermelha.

Nos animais ovíparos, que são provenientes de óvulos telolécitos, a vesícula vitelina é muito grande e presta enorme serviço ao embrião como reserva nutritiva durante todo o seu desenvolvimento. Só os anfíbios, dentre todos os vertebrados, não formam esse anexo, embora conservem uma considerável quantidade de vitelo no interior de células grandes – os macrômeros -, resultantes da segmentação total e desigual do seu zigoto.

Âmnio ou bolsa amniótica

É uma estrutura membranosa de origem ectodérmica, em forma de grande bolsa, que envolve todo o concepto. Essa bolsa acumula gradativamente um líquido claro chamado líquido amniótico, no qual fica mergulhado o embrião. É um anexo de proteção que impede não só a infecção do organismo em formação por micróbios provenientes do meio externo, como atenua qualquer traumatismo que, atingindo o ventre materno, pudesse alcançar o embrião.

No mecanismo da evolução das espécies, o âmnio veio desempenhar papel decisivo para a libertação dos vertebrados em relação à água no seu processo de desenvolvimento. Quando os vertebrados tipicamente terrestres (répteis e aves), seus embriões já se desenvolviam no interior de uma bolsa cheia de liquido, eu lhes dava (dentro do ovo) a mesma condição que tinham os embriões de espécies menos desenvolvidas no meio aquático. Eles ficavam, assim, mergulhado em líquidos, não correndo risco de desidratação.

Nos mamíferos, o embrião não se forma dentro de um ovo com casaca, mas no interior do ventre materno. Ainda assim, o âmnio, com o seu líquido, confere-lhe um ambiente de certa forma semelhante ao dos seus primitivos precursores na história da Evolução.

Os animais que desenvolvem o âmnio durante a sua embrigênese denominam-se amniotas. Compreendem répteis, aves e mamíferos. Os que não o formam são chamados anamniotas.

Nos mamíferos, o âmnio se rasga, na ocasião do parto, permitindo a passagem do feto através de si e dos outros anexos embrionários, com os quais é também eliminado.

Alantóide

A partir de endoderma, um grupo de células começa a proliferar, formando uma pequena bolsa que cresce gradualmente e vai se insinuando entre as células do pedúnculo embrionário.

Isso quer dizer que a minúscula bolsa formada vai se acomodando na estrutura que originará o cordão umbilical. Nas espécies ovíparas (répteis e aves), nas quais não há cordão umbilical nem placenta, essa vesícula cresce bastante até alcançar a casca do ovo. Ela passa, então, a executar para esses animais importantes funções:

a. Função respiratória.

É através do alantóide que ocorrem as trocas gasosas (02 e CO2) entre o embrião e o meio. Se você impermeabilizar um ovo de galinha cobrindo-o com um verniz, nele não ocorrerá, de forma alguma, o desenvolvimento de um embrião. Por que?

b. Função excretora

No saco alantoidiano dos embriões de répteis e aves são descarregados os produtos da excreção nitrogenada, representados notadamente pelo ácido úrico, substância esbranquiçada e pouco solúvel em água, menos tóxica que a amônia (dos peixes) e a uréia (dos mamíferos). Durante a permanência do embrião dentro do ovo com casca, o ácido úrico se mantém confinado dentro do alantóide.

c. Transporte de cálcio

Através da alantóide, uma certa quantidade de cálcio é retirada da casca do ovo e transportada até o embrião, sendo utilizada na formação dos ossos.

Nos répteis e aves (animais ovíparos) o alantóide é bem desenvolvido e desempenha um papel muito parecido com o da placenta durante a sua formação embrionária, não precisam do alantóide, o qual, por isso mesmo, neles se apresenta pouco desenvolvimento.

Peixes e anfíbios são animais analantidianos, isto é, que não possuem alantóide durante a formação embrionária. Répteis, aves e mamíferos já são alantoidianos.

Placenta

É um corpo discóide, achatado, que possui uma face lustrosa, voltada para a feto e recoberta por membranas. Nesta face se localizam grossos vasos sangüíneos. A placenta possui ainda outra face, esponjosa, implantada na parede uterina. Nesta face, estão as vilosidades coriais, cujos vasos (pertencentes à circulação fetal) estão em íntima vizinhança com os vasos uterinos (pertencentes à circulação materna). A circulação sangüínea da mãe não se mistura com a circulação sangüínea do filho. Mãe e filho trocam substâncias ao nível da placenta, mas os elementos figurados do sangue (hemácias, leucócitos e plaquetas) não são trocados. Cada um circula no seu continente. A placenta tem origem trofoblástica e surge a partir do córion frondoso.

a. Trocas gasosas e metabólicas na relação feto-materna

As substâncias nutritivas, como glicose, aminoácidos, lipídios, vitaminas e sais, existentes no sangue da mãe atravessam a barreira placentária e alcançam a circulação fetal, enquanto, em sentido contrário, passam os excretas, como a uréia e outros produtos de metabolismo do feto, que são vertidos na circulação materna. Também os gases, como oxigênio e dióxido de carbono, sofrem essa permuta, em função das diferentes de pressões parciais entre o sangue da mãe e o sangue do filho.

b. Imunização fetal

Numerosas moléculas de anticorpos formados pela mãe, como gamaglobulinas e anticorpos específicos, atravessam a placenta e passam para o feto, conferido a este último imunidade temporária (por cerca de seis meses após o nascimento) à maioria das doenças infecciosas imunizantes, como sarampo, catapora, caxumba, a varíola, difteria etc.

c.Função hormonal

Logo após a nidação do ovo no endométrio, o corpo-lúteo ou corpo-amarelo, que se forma no ovário após a ovulação, produz progesterona em dose acentuada, tornando-se volumoso e se estabelecendo como “corpo-lúteo gravídico”. A progesterona por ele produzida e lançada na circulação provoca no útero um estado de “indiferença” à presença do concepto, que, na verdade, não passa de um corpo estranho para nele. No entanto, a partir do quatro mês, a placenta assume integralmente essa função, produzindo a progesterona e também certa quantidade de estrogênios. Assim, ela mantém o útero na condição de “indiferença” ao feto. Ao fim da gravidez, a placenta envelhecida diminui a sua produção hormonal. Essa queda de produção restitui ao útero a sua capacidade de contração e rejeição do corpo estranho. O útero passa a contarir-se, visando a expulsão do feto e de seus anexos. Inicia-se o período de trabalhar de parto.

A placenta representou na evolução das espécies, uma contribuição da Natureza aos mamíferos, permitindo-lhes desenvolver suas crias embrionariamente dentro do ventre materno, com maior segurança. Isso evita o ataque predador aos ovos (o que ocorre com os animais ovíparos), que limita muito o número de descendentes viáveis. Assim, os mamíferos podem ter menos descendentes, porém com uma viabilidade maior destes.

Cordão umbilical

É proveniente do pedúnculo embrionário. Atua como estrutura de comunicação entre o embrião e a placenta. Longo, mais ou menos cilíndrico, encerra três grossos vasos: uma veia e duas artérias, embora nas artérias corra sangue venoso (com dióxido de carbono) e na veia corra sangue oxigenado.

A estrutura do cordão é preenchida por um tecido conjuntivo gelatinoso conhecido como gelatina de Wharton.

Decídua

É uma membrana delgada, indistinta do córion liso e do âmnio (as três juntas delimitam a bolsa amniótica). Origina-se a partir da camada de endométrio (mucosa uterina) que ficou recobrindo o ovo após a nidação deste. A decídua tem, também função protetora.

Quando o blascotocisto chega ao útero, penetra na mucosa uterina, incrustando-se nela à custa de enzimas proteolíticas eliminadas pelo trofoblasto. Essa mucosa – o endométrio – cicatriza em seguida, recobrindo o ovo. Esse fenômeno é chamado de “nidação do ovo”. A camada de mucosa que reveste o ovo continuará cobrindo todo o concepto durante a gestação inteira. E não só a ele, mas aos demais anexos embrionários. Essa final camada de mucosa que se apresenta como uma delgada membrana, grudada à face externa do âmnio, é a decídua. Praticamente é inseparável no âmnio, e com ele será eliminada, após o parto. Tem, obviamente função de proteção.

Embriologia

Falaremos sobre o desenvolvimento embrionário. A partir do momento da concepção das duas células se e começa a fazer sucessivas divisões que darão origem ao zigoto.

A formação do zigoto divide-se em:

Mórula: é um maciço celular.

Blástula: é a etapa em que a célula começa a absorver líquidos e arrumar todas suas células na periferia.

Gástrula: Começa formar os três folhetos embrionários (endaderme, ectoderme, mesoderne).

Nêurula: é a gástrula já dotada de tubo neural.

CONCLUSÃO

Anexos Embrionários

Sem os anexos embrionários seria impossível haver o desenvolvimento do embrião, pois são estruturas de fundamental importância na formação do mesmo.

As estruturas embrionárias participam dos processos de nutrição, respiração, excreção e de proteção ao embrião, dentre outras.

Porém estas estruturas só tem importância ao embrião durante a gestação, após o parto todas os anexos são lançados para fora.

Verificamos através da pesquisa realizada o quanto cada divisão celular é importante para o processo de formação de todo ser vivo.

Bem como todas as estruturas e órgãos são formados através da divisão celular.

Os anexos embrionários

Os anexos embrionários são as estruturas formadas junto ao embrião com importantes funções. Estes anexos são expulsos do útero logo após o parto.

Placenta: é o anexo que tem a função de realizar as trocas respiratórias, realizar as trocas nutritivas.

Cordão umbilical è é a estrutura de comunicação entre a placenta e o embrião.

Bolsa amniótica è é uma membrana que envolve completamente o embrião onde encontramos o liquido amniótico no qual o embrião fica mergulhado.

Decíclua è é uma membrana delgada, indistinta do córion liso e do âmnio.

Vesícula Vitelinica è tem a função de armazenar substancias nutritivas para o embrião durante seu desenvolvimento.

Alantóide è é um anexo que tem a função de promover trocas gasosos respiratória entre o embrião e o meio exterior, de acumular excretos nitrogenados e atividade nutriclora.

BIBLIOGRAFIA

Soares, José Luiz Fundamentos de Biologia: a célula, os tecidos embrionários, Volume I – José Luiz Soares – São Paulo: Scipione 1998. MARCADANTE, Clarinda Coleção base: Biologia – Volume Único / Clarinda Marcadante, José Arnaldo Favareto – 1. ed – São Paulo: Moderna, 1999. SOARES, José Luiz Biologia: Volume único – José Luiz Soares – São Paulo: Scipione, 1997

FERTILIZAÇÃO IN VITRO

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A fertilização “in vitro” consiste em técnica de procriação assistida mediante a qual se reúnem, extracorporeamente, num tubo de ensaio, o material genético masculino e o material genético feminino, propiciando a fecundação e a formação do ovo, cuja introdução no útero da mulher dar-se-á após iniciada a divisão celular.

O motivo mais freqüente da procura desta técnica é a esterilidade que se segue à cirurgia de laqueadura.

São três as modalidades de utilização da fertilização “in vitro”: doação de óvulo, doação de embrião, empréstimo de útero.

A doação de óvulo é a versão feminina da doação de sêmen. Aqui a mãe uterina não é a mãe biológica e o pai civil é o pai biológico. Somente não são criados bancos de óvulos, iguais aos bancos de sêmen já existentes, porque não existem técnicas de descongelamento capazes de manter o óvulo produtivo.

Já a doação de embrião é uma modalidade de fertilização “in vitro” em que o pai civil e a mãe uterina não são pais biológicos. Isso ocorre porque na fertilização, vários óvulos são fertilizados com o intuito de que pelo menos um sobreviva, mas muitas vezes vários vingam, e aí não se sabe que destino dar aos embriões excedentes. A doação de embriões então, não se trata de uma solução, e sim de um problema.