DIABETES TIPO 2

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Sabe-se que o diabetes do tipo 2 possui um fator hereditário maior do que a diabetes tipo 1. Além disso, há uma grande relação com a obesidade e o sedentarismo. Estima-se que 60% a 90% dos portadores da doença sejam obesos. A incidência é maior após os 40 anos.

Uma de suas peculiaridades é a contínua produção de insulina pelo pâncreas. O problema está na incapacidade de absorção das células musculares e adiposas. Por muitas razões, suas células não conseguem metabolizar a glicose suficiente da corrente sangüínea. Esta é uma anomalia chamada de “resistência Insulínica”.

O diabetes tipo 2 é cerca de 8 a 10 vezes mais comum que a diabetes tipo 1 e pode responder ao tratamento com dieta e exercício físico. Outras vezes vai necessitar de medicamentos orais e, por fim, a combinação destes com a insulina.

Principais Sintomas:

    • Infecções freqüentes;
    • Alteração visual (visão embaçada);
    • Dificuldade na cicatrização de feridas;
    • Formigamento nos pés;
    Furunculose.

DIABETES TIPO 1

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Diabetes Tipo 1 – Sinais e Sintomas de Diabetes, Equipamentos, Monitorização e Medicamentos para Diabetes

Introdução

O diabetes Tipo 1 (DM1) é uma doença auto-imune caracterizada pela destruição das células beta produtoras de insulina. Isso acontece por engano porque o organismo as identifica como corpos estranhos. A sua ação é uma resposta auto-imune. Este tipo de reação também ocorre em outras doenças, como esclerose múltipla, Lupus e doenças da tireóide.

A DM1 surge quando o organismo deixa de produzir insulina (ou produz apenas uma quantidade muito pequena.) Quando isso acontece, é preciso tomar insulina para viver e se manter saudável. As pessoas precisam de injeções diárias de insulina para regularizar o metabolismo do açúcar. Pois, sem insulina, a glicose não consegue chegar até às células, que precisam dela para queimar e transformá-la em energia. As altas taxas de glicose acumulada no sangue, com o passar do tempo, podem afetar os olhos, rins, nervos ou coração.

A maioria das pessoas com DM1 desenvolve grandes quantidades de auto-anticorpos, que circulam na corrente sanguínea algum tempo antes da doença ser diagnosticada. Os anticorpos são proteínas geradas no organismo para destruir germes ou vírus. Auto-anticorpos são anticorpos com “mau comportamento”, ou seja, eles atacam os próprios tecidos do corpo de uma pessoa. Nos casos de DM1, os auto-anticorpos podem atacar as células que a produzem.

Não se sabe ao certo por que as pessoas desenvolvem o DM1. Sabe-se que há casos em que algumas pessoas nascem com genes que as predispõem à doença. Mas outras têm os mesmos genes e não têm diabetes. Pode ser algo próprio do organismo, ou uma causa externa, como por exemplo, uma perda emocional. Ou também alguma agressão por determinados tipos de vírus como o cocsaquie. Outro dado é que, no geral, é mais freqüente em pessoas com menos de 35 anos, mas vale lembrar que ela pode surgir em qualquer idade.

Sintomas

Pessoas com níveis altos ou mal controlados de glicose no sangue podem apresentar:

    • Vontade de urinar diversas vezes;
    • Fome freqüente;
    • Sede constante;
    • Perda de peso;
    • Fraqueza;
    • Fadiga;
    • Nervosismo;
    • Mudanças de humor;
    • Náusea;
    Vômito

EQUIPAMENTOS

Medidores de Glicemia

O medidor de glicemia é essencial para o controle do diabetes. A única maneira de dominar a situação tomando nota dos níveis glicêmicos e reconhecer quando estão anormais para tomar as providncias necessrias. há uma grande variedade de marcar de medidores que detectam a quantidade de glicose que flutuam pelo sangue. A maioria utiliza um dos dois métodos existentes para medir a glicemia.

há os que usam o químico, que mudam de cor após entrar em contato com a glicose do sangue. Depois a fita inserida no medidor, que verifica a intensidade da cor e produz uma leitura eletrôúnica traduzida por computador da quantidade de glicose (mg/dl) no sangue.

Outros medidores mensuram uma corrente elétrica no sangue, que também est em uma fita. Uma enzima especial transfere os elétrons da glicose para um químico na fita e o medidor calcula este fluxo de elétrons como corrente.

A quantidade da corrente depende da quantidade de glicose no sangue. O medidor produz uma leitura eletrôúnica do níveis glicêmicos (mg/dl). Tanto os medidores que usam o teste da cor quanto os que medem a corrente possuem o mesmo grau de precisão. Todos eles desempenham a mesma função básica de medir a quantidade de glicose presente no sangue, mas nem todos são iguais, mesmo que sejam do mesmo tipo. Dependendo do estilo de vida, alguns modelos podem ser mais adequados. Diversos aspectos devem ser considerados na escolha do medidor certo.

Fitas reagentes

As fitas reagentes são utilizadas para coletar a amostra do sangue que ser inserido no medidor. Mas existem alguns modelos chamados de leitura visual para sangue e urina, que no precisam do equipamento eletrnico para mensurar a glicose. O nível glicêmico estimado através da comparação entre a cor da fita e a correspondente numa tabela colada ao frasco.

As cores geralmente progridem numa medida de 20 a 30 mg/dl. Essas fitas custam praticamente o mesmo valor que as fitas dos medidores que usam o mesmo sistema de cor. A glicose também aparece na urina e há fitas de leitura visual que se informam se os níveis estão muito altos, mas não conseguem medir os baixos. Entretanto, testar a glicose da urina não é um bom método para determinar a glicemia, especialmente porque a glicose no aparece na urina até que esteja bastante elevada no sangue.

além disso, os exames de urina s mostram a quantidade de sangue presente algumas horas atrs, uma informao intil para se decidir a dose de insulina no caso de emergncia ou mesmo para avaliar o andamento geral do tratamento.

Fita de Leitura Visual para cetonúria (cetona na urina)

Mensurar a quantidade de cetona no organismo muito importante para a pessoa com diabetes. Isso porque a cetona uma toxina e por isso importante detê-la antes que aumente muito. O tempo que leva entre a aplicação da urina na fita até a leitura do resultado varia de 15 segundos a dois minutos, depende do tipo da fita, portanto importante saber o tempo exigido pelo fabricante.

Algumas fitas de cetonas também medem a glicose e têm duas almofadas em cada peça. Os níveis de cetonas não são lidos em unidades exatas de glicose, por isso há um gráfico ao lado do frasco que lê de zero e traços a pequeno, moderado e grande. Algumas marcas mostram apenas sinais de +.Se a leitura for maior que zero ou um trao ocasional, consulte um médico sobre os níveis perigosos para o seu caso.

A cetona pode aparecer na urina por diversos motivos:

    • alimentação insuficiente (costuma ser chamada de cetose de jejum e geralmente acontece quando as refeições são muito restritas em calorias)
    • Hipoglicemia ou baixos níveis de glicose no sangue (na ausncia de glicose, o organismo transforma gordura em glicose)
    • Hiperglicemia ou altos níveis de glicose no sangue (glicemia elevada sinal de falta de insulina para o transporte da glicose até as células. O organismo transforma a gordura porque não consegue usar a glicose do sangue)
    • doença
    • Falta de insulina
    Efeito dos hormônios masculinos

Lancetas

A lanceta uma espcie de agulha utilizada para furar o dedo que ser usado para coletar o sangue para medir o nível de glicemia. Muitos medidores de glicemia são acompanhados de lancetas e um dispositivo para usa-las. Outros possuem a lanceta dentro do próprio aparelho.

Lancetas diferentes produzirão tamanhos diferentes de gotas de sangue, portanto compare as fitas de teste que irá usar e o tamanho da gota de sangue que requerem com a produzida pela lanceta. Estes dispositivos costumam ter duas tampas diferentes ou uma ponta ajustável que controla a profundidade com que as lancetas furam o dedo.

Fure o mínimo possível, assim a picada será quase imperceptível e doer menos. A lanceta mais moderna do mercado utiliza um raio laser minúsculo para obter a amostra de sangue.

Bomba de Insulina

As bombas de insulina são miniaturas computadorizadas, têm o tamanho de um pager e podem ser usados no cinto ou no bolso do casaco. A bomba envia uma quantidade medida e constante de insulina através de um tubo plástico flexível para uma pequena agulha que fica inserida na pele e selada com uma fita adesiva.

Este modo de liberar insulina chama-se infusão subcutânea contínua de insulina (ISCI). Ao seu comando, a bomba também pode enviar um reforço ao organismo, caso necessário, como logo antes das refeições para ajustar a glicemia que seguir com a digestão. O equipamento apita se entupir, informa quando as pilhas estão com pouca carga e pode-se programá-la para mudar a quantidade de insulina a ser bombeada de acordo com o próprio metabolismo.

Porm, elas não são totalmente seguras. Embora sejam capazes de alerta-lo no caso de um entupimento, não consegue detectar um fluxo lento. necessário estar sempre monitorando a glicemia. Outro empecilho para a aquisição da bomba é o seu alto custo. O equipamento custa em torno de R$ 10 mil e ainda é preciso uma manutenção mensal de aproximadamente R$ 700, incluindo a insulina, os conjuntos de infusão e os suprimentos para exame de sangue.

Tubo de infusão

Este dispositivo reduz o número de espetadas na pele. Com uma agulha especial de cateter, o tubo de infusão inserido no local da aplicação e pode ficar ali por até três dias. A insulina injetada em um tubo especial que se fecha automaticamente após cada entrada da agulha. O risco de infecção mais alto, por isso é preciso mais atenção quanto á esterilização.

Injetores

Um injetor automático aplica a agulha na pele sem dor. Alguns injetam a insulina automaticamente quando a agulha atravessa a pele. Outros exigem que se pressione o cilindro. O injetor automático til se a pessoa tem artrite ou outro problema que a impea de segurar a injeção com firmeza. Caso tenha medo de se aplicar ou tenha medo de ver agulhas.

Jet injectors

Esse equipamento injeta a insulina através da pele sem a necessidade de agulha. Seu mecanismo semelhante ao usado na pistola para aplicar vacinas. uma boa opção para quem tem medo de agulha ou precisa tomar várias injeções por dia. Converse com o seu médico sobre o jet injector, pois algumas pessoas podem sofrer contusões, especialmente os magros, crianças e idosos; que possuem menos gordura por baixo da pele. têm sido menos utilizados atualmente, devido às alterações na absorção da insulina.

Caneta

Estas seringas têm a mesma aparência de uma caneta de tinta. Em vez de uma pena, elas apresentam uma agulha descartável. E no lugar da carga de tinta, há uma carga de insulina. Elas são populares devido conveniência e precisão de dosagem. No precisão se preocupar em encher seringas ou carrega-las quando se está distante de casa.

MONITORIZAÇÃO

Após ter o Diabetes diagnosticado e iniciado o tratamento, é importante considerar alguns assuntos:

    • Manter-se livre das internações;
    • Manter-se em boa saúde e sentindo-se bem;
    • Permitir-se fazer coisas que pessoas de sua idade usualmente fazem;
    • Permitir-se viver uma vida longa, operante e feliz;
    Permitir-se crescer e desenvolver-se normalmente.

Para conseguir atingir esses objetivos é preciso aprender a cuidar de seu Diabetes. E a automonitorização (controle domiciliar), que são testes simples e rápidos para a avaliação dos níveis de glicemia (glicose no sangue), glicosúria (glicose na urina) e cetonúria (cetonas na urina), tem papel fundamental neste processo.

As tiras reagentes para glicosúria baseiam-se na quantidade de glicose existente na urina, com a variação da cor na área reagente. Esses testes avaliam indiretamente a glicemia, não existe necessariamente uma correlação definida entre os níveis de glicemia e da glicosúria.

A glicose se detectada na urina, quando os níveis de glicemia atingem 160 a 180 mg/dl ou mais. Os testes de glicosúria não detectam uma possível hipoglicemia. Portanto, recomenda-se a substituição dos testes de glicosúria pelos de glicemia, que são bem mais precisos e confiáveis, principalmente para o Diabetes Tipo 1.

A cetonúria serve para indicar que, quando o paciente não está tendo insulina suficiente, o organismo lança mão da queima de gorduras para tentar obter a energia que não foi conseguida com a utilização de glicose. Formam-se, então, os corpos cetônicos (o que dá o hálito cetônicos ou de ma passada), que passam para a urina e sinalizam que o diabetes já está bastante descontrolado.

A presença de cetonas na urina um sinal de alarme de que a situação metabólica está fora de controle. Por isso é preciso procurar um médico para descobrir o que está acontecendo de errado no controle glicêmico, pois a situação geralmente exige correções de conduta terapêutica.

Os testes de cetonúria são indicados sempre que os níveis glicêmicos estiverem mais altos (glicemia acima de 250 mg/dl) e em todas as situações que possam afetar o controle glicêmico (doenças, estresse físico e emocional etc).

A medida da glicemia é o teste mais importante, pois reflete o nível exato de glicose sanguínea em um momento específico. Esse teste é muito simples de ser realizado. Primeiro é preciso furar o dedo com uma lanceta, a fim de se obter uma gota de sangue, que deverá ser colocada na área de reação da fita reagente.

A glicose contida no sangue reage com os produtos químicos da área reagente desenvolvendo uma coloração (método de reflectância) ou uma intensidade de corrente elétrica (método de sensor), a qual proporcional quantidade de glicose existente no sangue. No entanto, ainda é preciso saber adaptar o tratamento aos resultados.

A pessoa com Diabetes bem orientada quanto monitorização, certamente não entrará em coma, seja hipoglicêmico ou hiperglicêmico, além de aprender diariamente como melhor lidar com seu diabetes. A monitorização laboratorial é importante para ver como anda o controle.

A hemoglobina glicada traduz a média das glicemias dos três últimos meses, e a frutosamina das três últimas semanas. A hemoglobina glicada deve ser realizada a cada três meses e deve ficar, idealmente, no máximo 1 ponto percentual acima do limite superior de referência do laboratório.

MEDICAMENTOS

O tratamento do diabetes tipo 1, na maioria dos casos, consiste na aplicação diária de insulina, dieta e exercícios , uma vez que o organismo não produz mais o hormônio. A quantidade de insulina necessária dependerá do nível glicêmico. Naturalmente, a alimentação também é muito importante, pois ela contribui para a determinação dos níveis glicêmicos. Os exercícios físicos baixam os níveis, diminuindo, assim, a necessidade de insulina.

Existem diferentes tipos de preparação de insulina, que distinguem-se pela velocidade com que é absorvida do tecido subcutâneo para o sangue (início da ação) e pelo tempo necessário para que toda a insulina injetada seja absorvida (duração da ação).

Insulina de ação rápida

Esta é uma solução límpida (transparente) de insulina que possui rápido início e uma curta duração de ação. As insulinas de ação rápida atingem o sangue e começam a reduzir o açúcar sangüíneo aproximadamente ½ hora após a injeção. Porém, como os nutrientes dos alimentos são absorvidos ainda mais rapidamente do intestino para a corrente sangüínea, a insulina deve ser injetada ½ hora antes de uma refeição.

Insulina de ação ultra-rápida

Assemelha-se à água de rocha, cristalina e transparente. Sua ação se inicia em 1 a 5 minutos, atinge o pico em 30 minutos, período máximo de ação persistente até 2,5 horas e dura de 3 a 4 horas. Não contém protamina ou zinco. Age de maneira mais semelhante à produzida pelo pâncreas normal.

Insulina de ação lenta

O conteúdo é leitoso, turvo, em decorrência de substâncias que retardam a absorção e prolongam seus efeitos. A insulina é preparada com zinco. Sua ação inicia-se em 1 a 3 horas, atinge o máximo no sangue (pico) em 8 a 12 horas e dura de 20 a 24 horas. É a insulina que mais se aproxima do ideal no controle rotineiro do diabetes.

Insulina de ação ultralenta

Tem aspecto leitoso e também é preparada com zinco. Sua ação tem início em 4 a 6 horas. Seu pico acontece após 12/16 horas e tem duração de 24 horas, podendo atingir 36 horas.

Insulina de ação intermediária

Esta insulina é obtida pela adição de uma substância que retarda a absorção da insulina. A combinação da insulina com uma substância de retardo geralmente resulta na formação de cristais que dão ao liquido uma aparência turva.

Os cristais de insulina devem ser misturados de forma homogênea no líquido antes de cada injeção. As insulinas de ação intermediária levam aproximadamente 1 ½ hora antes de começarem a produzir um efeito. O maior efeito ocorre entre 4 e 12 horas após a injeção, e aproximadamente após 18 a 24 horas a dose terá sido completamente absorvida.

Insulina pré-mistura

Existem também misturas prontas de insulinas de ação rápida e de ação intermediária. Estas pré-misturas são apresentadas em várias e diferentes combinações pré-misturadas, contendo de 10 – 50% de insulina de ação rápida e de 90 a 50% de insulina de ação intermediária.

Insulina de ação prolongada

Finalmente, há insulinas de ação prolongada, feitas através de técnicas de recombinação genética, que possuem uma duração em torno de 24 horas. São as insulinas mais atuais, e tentam aproximar-se da insulina basal ideal.

É importante observar que os tempos de duração e absorção aqui descritos são apenas aproximados. A absorção da insulina sempre depende de fatores individuais. O tamanho da dose é outro fator: quanto maior a dose, maior a duração.

A CONTAGEM DOS CARBOIDRATOS COMO ESTRATÉGIA NUTRICIONAL PARA O EXERCÍCIO FÍSICO

A insulinoterapia, o exercício físico e o planejamento alimentar, em conjunto, compõem a abordagem mais completa no tratamento do diabetes mellitus tipo 1 (DM1).

O exercício físico regular é um importante componente no planejamento terapêutico do paciente diabético, por melhorar a sensibilidade insulínica e reduzir fatores de risco cardiovascular, como hipertensão e dislipidemia.

Antes da descoberta da insulina, pessoas com DM1 tinham poucas chances de participarem de programas de exercícios físicos vigorosos. Distúrbios metabólicos incluindo cetoacidose, desidratação grave e complicações musculares eram agravados significativamente pelo exercício. Contudo, após a descoberta da insulina em 1922, alguns pesquisadores passaram a descrever a interação entre esse hormônio e a atividade física regular, com possíveis benefícios no tratamento do diabetes.
Tal como ocorre em pessoas não diabéticas, a prática regular de exercício pode produzir importantes benefícios no curto, médio e longo prazos. Vários estudos têm demonstrado uma consistente melhora do metabolismo dos carboidratos e da sensibilidade à insulina com a prática regular de exercício física. Porém, para se beneficiar de todos esses efeitos positivos, o diabético tipo 1 deve ser capaz de realizar os ajustes necessários na dose de insulina ou na alimentação, de acordo com seu conhecimento das possíveis alterações metabólicas relacionadas a cada atividade.

O crise de hipoglicemia causada pelo exercício em indivíduos com DM1 é uma preocupação tanto para profissionais quanto para os diabéticos e a sua ocorrência é considerada um dos efeitos adversos mais comuns do tratamento. O risco é aumentado caso não se realize a monitorização glicêmica antes, durante e após sua prática, bem como se não houver um ajuste da alimentação e da dose de insulina para a prática esportiva.

Alguns estudos científicos têm identificado fatores que diminuem o risco de hipoglicemia durante o exercício físico: a manutenção da glicemia dentro de limites preestabelecidos, o controle alimentar, o local de aplicação de insulina, o tempo de sua aplicação em relação ao início do exercício e a taxa de absorção de insulina de acordo com a temperatura ambiente.

Controle metabólico antes da atividade física

Antes de iniciar um programa de atividade física, o indivíduo com DM1 deve ser submetido à anamnese clínica, exame físico e exames laboratoriais, objetivando-se avaliar o controle metabólico e diagnosticar a presença ou não de complicações crônicas relacionadas.

Um teste ergométrico é recomendado para todos os indivíduos com DM sedentários ou que apresentem neuropatia e que desejem iniciar atividade física mais intensa do que a sua usual do dia-a-dia.

A monitorização glicêmica é fundamental para possíveis correções, caso haja hipo ou hiperglicemia. Recomenda-se monitorar a glicemia e averiguar se há hiperglicemia (250 mg/dL com cetose ou 300 mg/dL mesmo sem cetose) ou glicemia reduzida (menores que 100 mg/dL). Em ambos os casos, deve-se fazer a correção glicêmica já que representarem fatores de risco para o desenvolvimento de cetose e hipoglicemia, respectivamente.

A faixa glicêmica ideal, ou seja, mais segura, para a prática de exercício físico de intensidade leve seria entre 130 mg/dL e 180mg/dL. Sugere-se ainda que a monitorização glicêmica seja realizada a cada 30 minutos, especialmente se a intensidade do exercício for diferente da habitualmente praticada.

Se o exercício for programado com antecedência, uma estratégia interessante é iniciá-lo aproximadamente 1-3 horas após uma refeição e administração de insulina. A manipulação da dose diária de insulina e o rodízio do local de aplicação da insulina podem ser necessários. Isso pode ser discutido com o Endocrinologista previamente.

Exercício físico x contagem de carboidratos

Desde a publicação do trabalho The Diabetes Control and Complications Trial (DCCT), quando a contagem de carboidratos ficou mais popular, essa tem sido considerada uma opção interessante para os praticantes de atividade física, principalmente devido à maior flexibilidade que proporciona nas refeições dos indivíduos que a utilizam, além de proporcionar melhor controle glicêmico quando adequadamente realizada. Para tal, algumas recomendações se fazem necessárias, a fim de se evitar episódios de hipoglicemia.

    • – Antes do início do exercício físico, recomenda-se a ingestão de 15-20 g de carboidratos, se a glicemia estiver menor que 100 mg/dL.
    • – Em exercícios prolongados e de intensidade leve, recomenda-se a ingestão de 10 a 15g de carboidratos a cada 30 minutos, assim como após a atividade. Tal medida é especialmente importante se não houve redução das doses de insulina próximas ao exercício, o que pode ser discutido com o médico assistente.
    • – Se o exercício for de moderada a alta intensidade, deve-se ingerir 20-60g de carboidrato a cada 30 minutos de atividade;
    • – Realizar a automonitorização da glicemia antes, durante e após as sessões de exercício;
    – Praticar exercícios físicos com uma pessoa que tenha conhecimento dos sintomas da hipoglicemia e que saiba como proceder nessa situação.

Para os diabéticos em tratamento intensivo (com múltiplas doses de insulina), a contagem de carboidratos será mais uma aliada no combate às hipoglicemias provocadas pelo exercício físico, uma vez que é possível aumentar a quantidade de carboidratos sem alterar-se a dose de insulina relativa à refeição anterior ao exercício físico. No caso de diabéticos com excesso de peso, pode ser preferível reduzir-se a dose de insulina de ação ultrarrápida da refeição anterior à atividade física, sem aumentar-se a ingestão alimentar posteriormente.

Para aqueles em esquema convencional de insulina, recomenda-se apenas adicionar porções de carboidratos à refeição que precede o exercício físico e realizar-se a automonitorização glicêmica durante a atividade. A quantidade e o tipo de carboidrato a ser adicionado deverão ser condicionados à intensidade e ao tempo de duração da atividade física e às variações individuais de sensibilidade.

Vale ressaltar que a quantidade de carboidratos presentes nos alimentos pode ser verificada no rótulo destes ou ainda, em tabelas de contagem de carboidratos.

Conclusão

A intervenção nutricional direcionada às pessoas com DM1 mostra a importância de se integrar a terapia com insulina, o plano alimentar e atividade física no tratamento do diabetes. O ajuste individualizado das doses de insulina à alimentação, aliado à educação em diabetes, é a chave para o adequado controle metabólico. O programa alimentar deve ser personalizado, aliado a esquemas insulínicos flexíveis e, fundamentalmente, ligado à monitoração da glicemia como guia para a tomada de decisões.

É certo que o uso frequente de técnicas de automonitorização glicêmica e a implantação de insulinoterapia intensificada permitem ao diabético tipo 1 desenvolver estratégias e ajustes no consumo de carboidratos e doses de insulina, para poder participar de maneira mais segura de exercícios físicos e se beneficiar de todos os seus aspectos positivos.

Por ser uma patologia crônica, o diabetes afeta várias áreas da vida do indivíduo; e para que não o leve a condições limitantes, há a demanda um cuidado contínuo, que envolve tratamento adequado e individualizado, constantemente reavaliado, junto ao médico, pelo principal protagonista desse tratamento, ou seja, pelo próprio diabético.

Dessa forma, a individualização da terapia nutricional bem como da prescrição do exercício físico são importantes estratégias para melhorar a adesão das pessoas com DM1, o que favorece seu controle metabólico e sua qualidade de vida. A contagem de carboidratos, por ser um método simples e de fácil acesso, pode beneficiar o paciente no alcance da normoglicemia e evitar episódios de hipoglicemia durante e após o exercício físico.

BIBLIOGRAFIAS

Consultor: Dra. Claudia Pieper – Comitê Editorial do Site da SBD (Gestão 2006-2007)
Consultor: Dr. Balduino Tschiedel, Vice-Presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes
Consultor: Juciane Barbosa – Nutricionista – Especialista em Nutrição Clínica e Pediatria Fisiologista do Exercício
Consultor: Rafael Machado Mantovani – Endocrinologista Pediátrico – http://www.clinicamonpetit.com.br
Fontes: Norwood, Janet W. & Inlander, Charles B. Entendendo a Diabetes – Para educação do Paciente. Julio Louzada Publicações. São Paulo, 2000.
Diabetes de A a Z: o que você precisa saber sobre diabetes explicado de maneira simples. American Diabetes Association. JSN editora. São Paulo, 1998

COMO REALIZAR O RASTREIO DE DÉFICIT COGNITIVO EM IDOSOS

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COMO REALIZAR O RASTREIO DE DÉFICIT COGNITIVO EM IDOSOS

Por definição, a Cognição é um conceito amplo relacionado a manutenção da capacidade de resolução de problemas do cotidiano, incluindo a independênia e autonomia nas atividades de vida diária básicas e instrumentais. A execução dessas atividades exige harmonia e integração no funcionamento das funções cognitivas em geral, como: Mémória, Função Executiva, Linguagem, Praxia, Gnosia e Função Visuoespacial.
O envelhecimento fisiológico não altera as funções cognitivas de forma importante a ponto que haver alteração na realização das atividades diárias. Ocorre, sim, uma lentificação do processamento e execução daessa funções, sem que se observe comprometimento na independência e autonomia do indivíduo.

Esquecimento significativo não faz parte das alterações da Senescência!!!

Diante da importância da Cognição para a funcionalidade do idoso, é fundamental que todos os profissionais da área de saúde que lidem com esse público saibam realizar um rastreio cognitivo com o objetivo de acompanhar, diagnósticar, tratar ou prevenir qualquer déficit cognitivo.

MINI EXAME DO ESTADO MENTAL

É o teste de avaliação mais usado na triagem cognitiva por ser simples e de fácil aplicação, durando em média de 5 a 10 minutos.

É composto de 11 itens divididos em 2 fases. A primeira fase (itens 1-5) avalia a memória e a função executiva (atenção e concentração). A segunda (itens 6-11) avalia as outras funções cognitivas como: linguagem, praxia, gnosia, função visuoespacial e função executiva. É capaz de rastrear todas as funções cognitivas.

Pontos – Analfabetos / Baixa Escolaridade: 18 pontos.
– 8 anos ou mais de Escolaridade: 26 pontos.

LISTA DE PALAVRAS DO CERAD

Este teste depende exclusivamente da atenção e da audição.

O examinador fará a leitura de 10 palavras não relacionadas, solicitando que o paciente repita uma a uma em voz alta (em caso de boa escolaridade, o paciente pode fazer a leitura das palavras em voz alta e de forma lenta). Ao final, o examinador solicita que o paciente repita as 10 palavras ditas ou lidas em tempo cronometrado de 90 segundos, em qualquer ordem. O mesmo procedimento é repetido mais 2 vezes com as mesmas palavras, porém em ordens diferentes.

Após as três etapas, o examinador apresenta uma outra lista de palavras (lista distratora). Passados um tempo de 5 minutos, é feita a evocação da lista de palavras original por um período máximo de 90 segundos.

Na maioria dos casos, observa-se aprendizado entre a primeira e a terceira tentativa. Na evocação após 5 minutos, o paciente sem alteração cognitiva, normalmente lembra de pelo menos 3 a 4 palavras.

TESTE DO RELÓGIO

É um teste simples e de rápida aplicação. Avalia diversas funções cognitivas como: memória semântica,; função executiva, relacionada ao planejamento; praxia; e função visuoespacial.

Pede-se que o paciente desenhe um relógio, com os números marcando uma hora exata, como por exemplo, 11:10 horas, sem mencionar a necessidade dos ponteiros. O círculo pode ou não ser oferecido previamente.

O teste é considerado completo quando o paciente desenha todos os números do relógio espacialmente bem distribuídos e os ponteiros estão marcando a hora corretamente. Não há tempo cronometrado para a realização do teste e ele pode ser repetido quantas vezes forem necessárias.

Na figura abaixo, observa-se quatro exemplos de teste, comprometimentos diferentes.

Interpretação do teste segundo Shulman:
0 – Inabilidade absoluta de representar o relógio;
1 – O desenho tem algo a ver com o relógio mas com desorganização visuoespacial grave;
2 – Desorganização visuo-espacial moderada que leva a uma marcação de hora incorreta, perseveração, confusão esquerda-direita, números faltando, números repetidos, sem ponteiros, com ponteiros em excesso;
3 – Distribuição visuo-espacial correta com marcação errada da hora;
4 – Pequenos erros espaciais com dígitos e hora corretos;
5 – Relógio perfeito;

TESTE DE RECONHECIMENTO DE 10 FIGURAS

É um teste de simples aplicação e que depende muito pouco da escolaridade do paciente.

São apresentadas ao paciente 10 figuras, perguntando: “Que figuras são estas?”. O escore do teste é dado pelo número de figuras corretamente identificadas, mesmo que não tenho sido exatamente nomeadas (avaliação da percepção visual e nomeação). No caso do paciente não identificar nenuma figura, explique o que elas representam.

Em seguida, esconda a folha e pergunte: “Que figuras eu lhe mostrei?”. O tempo máximo de evocação das figuras é de 60 segundos. O escore é dado pelo número de respostas certas. Essa fase está avaliando a memória incidental.

Mostre novamente as figuras durante 30 segundos e peça para que ele olhe bem as figuras e memorize-as novamente. Esconda novamente as figuras e pergunte: “que figuras eu lhe mostrei?”. Essa fase do teste está avaliando a memória imediata.

Mostre as figuras novamente durante 30 segundos e peça para que o paciente olhe bem as figuras e guarde-as na memória. Pergunte novamente quais são as figuras e anote o escore. Essa fase avalia o aprendizado. Em seguida, apresente qualquer distrator ao paciente durante 5 minutos e faça novamente a pergunta sobre as figuras.

O ponto é dado pelo número de respostas corretas na evocação após 5 minutos. Finalmente, avalia-se o reconhecimento das figuras colocando uma lista de 20 figuras que contenha as 10 figuras mostradas anteriormente em frente ao paciente e peça para que ele reconheça quais as figuras mostradas inicialmente.


TESTE DE RECONHECIMENTO DE FIGURAS
Percepção Visual e Nomeação
Mostre a folha contendo as 10 figuras e pergunte: “que figuras são estas?”
Percepção visual correta: …………………………………………………………………………….( )
Nomeação correta: ……………………………………… …………………………………………..( )
Memória Incidental (MI) ………………………………………………………………………………( )
Esconda as figuras e pergunte: “que figuras eu acabei de lhe mostrar?”
Memória Imediata (MI1) ………………………………………………………………………………( )
Mostre as figuras novamente durante 30 segundos dizendo: “Olhe bem e procure memorizar esta figuras” (Se houver déficit visual importante, peça que memorize as palavras que você vai dizer)
Memória Imediata 2 (MI2) …………………………………………………………………………….( )

Esses testes descritos acima são o suficiente para a realização do rastreio de déficits cognitivos e demências pois eles avaliam todas as áreas cognitivas importantes para a preservação da autonomia e independência do indivíduo.
Você até podera verificar pacientes com AVC, desde que você saiba que ele é apenas um rastreio para observar presença ou não de alterações cognitivas.
Se algo estiver alterado nos testes é importante fazer uma avaliação mais criteriosa.

TEMA DE REDAÇÃO

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Não adianta fazer exercício de futurologia. Qual será o tema? Certamente algo ligado ao mundo que nos cerca, às questões que interferem diretamente no nosso dia a dia, na nossa condição de seres humanos, o que significa que o leque é amplo: vai da água ao efeito estufa, da biodiversidade ao pluralismo (ideológico, étnico etc.), da ditadura (e ainda há tantas no mundo!) à liberdade ou à falsa liberdade, do homem que pensa por si à massificação de conceitos e ideias etc., etc., etc. Parece desnecessário dizer que o aluno que leu jornais e revistas durante o ano todo está em situação melhor do que a do aluno que não leu…

O fato é que, qualquer que seja o tema, é preciso desenvolvê-lo bem e escrever o texto na modalidade culta da língua portuguesa. Sobre esse segundo tópico já falamos um pouco no último texto, mas não custa (re)lembrar que, quando se trata de comunicação formal, impõem-se a sintaxe a grafia padrão. Outro ponto importante é o do vocabulário, que deve ser amplo e adequado.

Mas vamos ao tema em si, ou melhor, ao seu desenvolvimento, o que começa pela compreensão do que se pede. Imagine que a banca ofereça um texto (ou mais de um) como base inicial de reflexão para a elaboração da dissertação… Xi! Bem, é preciso deixar claro que uma dissertação é a defesa de uma tese, de um ponto de vista. Por incrível que pareça, muitos alunos ainda creem (e muitos professores ainda dizem) que não se deve expor o ponto de vista na redação.

Ora pipocas! Se se pede uma dissertação, ou seja, se se pede a apresentação do ponto de vista, de quem será esse ponto de vista? Do bispo? Do vizinho? É óbvio que o aluno DEVE expor o ponto de vista DELE. Para que isso seja feito de modo satisfatório, é preciso — obviamente — que o aluno tenha ponto de vista, o que pode parecer redundante, mas deixa de ser (redundante) quando se constata que muita gente não tem opinião alguma sobre coisa alguma ou, pior, tem a opinião do pai, do tio, da mãe etc. Na hora de defender essa “opinião”, falta argumento, falta base sólida para assentar as razões pelas quais se tem este ou aquele ponto de vista. Numa dissertação, é FUNDAMENTAL ter argumentos convincentes, que, por isso mesmo, não podem ser ilógicos. Em outras palavras, meu caro, forçar a barra não leva ninguém a canto algum.

Mas voltemos ao tema, ou melhor, à apresentação do tema, que, como já vimos, muitas vezes começa com um texto (ou mais) sobre determinado assunto. Se eu não entendo o que se discute ali ou se acho que ali se discute X, mas na verdade se discute Y, corro o risco de escrever sobre X e… É como entregar um bolo de cenoura a quem pediu um de coco. Por mais gostoso que seja o bolo de cenoura… Já entendeu o que acontece com quem faz isso, não? Vamos lá, sem rodeios: zero!

Outra bobagem histórica é crer que o aluno deve “acertar” o ponto de vista do examinador. Ai de mim se eu defender o ponto de vista X e o examinador for defensor do ponto de vista Y… Nada disso! Examinador que faz isso é desonesto, para dizer o mínimo. O que se julga é COMO o candidato costura seus argumentos, como os comprova, como lhes dá razão de ser na cadeia que o leva ao ponto de vista X ou Y. Quem diz, por exemplo, que a pena de morte diminui a criminalidade precisa provar que isso é verdadeiro. Uma bela prova pode ser a apresentação de índices de criminalidade pré e pós pena de morte, em países que a adotaram. Um aviso aos navegantes: não houve diminuição dos índices de criminalidade nos países que adotaram a pena de morte, portanto esse argumento é FURADO. Antes que me esqueça, é fundamental mostrar respeito aos direitos humanos, o que não significa (o que pensam os ignorantes) que respeitar direitos humanos é defender a prática de crimes ou o direito de quem quer que seja de cometer atos bárbaros. Devagar com o andor, senão o zero pode começar aí…

A dissertação exige uma conclusão clara, isto é, o leitor deve saber qual é o ponto de vista defendido pelo redator do texto. Esse ponto de vista pode até ser do tipo “depende da situação” (ou algo que o valha), mas tem de ficar expresso no texto e, sobretudo, tem de ficar apoiado no que se apresentou na argumentação.

Por fim, uma orientação importante: não faça paráfrase do(s) texto(s) apresentados pela banca para o desenvolvimento do tema. Não sabe o que é paráfrase? Lá vai, em palavras simples: é dizer outra vez, com outras palavras, o que já está no texto. O examinador agradece sua boa vontade, mas a dispensa: ele já leu (e entendeu) o texto que apresenta ao candidato. Para ser bem claro: não se ponha a fazer da sua redação a “tradução” do(s) texto(s) apresentado(s) pela banca. Tome esse(s) texto(s) como ponto de partida para a elaboração do seu texto, em que será apresentada a SUA opinião sobre o tema. E não se esqueça de que não se aceitam versos (assim como não se aceita narração).

CÂNCER NO PÂNCREAS DE STEVE JOBS ERA RARO

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CÂNCER NO PÂNCREAS DE STEVE JOBS ERA RARO

O câncer que atingiu o fundador da Apple Steve Jobs é um tipo raro que se forma em células que produzem hormônios, que acabam sendo alterados pelo tumor e jogados na corrente sanguínea. No caso de Jobs, atingiu o fígado, causando metástase.


Câncer no pâncreas de Steve Jobs é de um tipo raro que tem um desenvolvimento mais lento e que altera as células de hormônios

A luta de Steve Jobs contra um câncer no pâncreas chegou ao fim na última quarta-feira (05/10). Desde 2004 o empresário e fundador da marca Apple luta contra esse câncer que com o tempo foi deixando-o fisicamente debilitado. Steve trabalhava para alavancar sua marca no mundo da tecnologia, que escapou de ir a falência nos anos 90, se transformando na maior empresa de tecnologia do planeta.

Já bastante debilitado, Jobs deixou o comando da empresa Apple há 42 dias, quando foi obrigado a lidar com a morte. Steve nunca foi de revelar sua vida pessoal e o mesmo tentava fazer com a vida profissional, mas certos fatos são inevitáveis.

CÂNCER RARO NO PÂNCREAS

De acordo com os médicos que acompanharam o caso do empresário Steve Jobs, o tipo de câncer no pâncreas que ele tinha evoluía lentamente, o que dificultava bastante no diagnóstico precoce. É um tipo de câncer normalmente assintomático, ou seja, que não manifesta nenhum tipo de sintoma. Como uma manifestação do câncer está a perda de peso, que é o principal sinal para identificação da doença.

Com Steve Jobs não foi diferente. Conforme o câncer ia progredindo, Steve se tornava mais frágil e mais magro. Dentre os tipos de cânceres que afeta o pâncreas, o tipo menos agressivo foi o que atingiu Steve Jobs. Esse tipo de câncer se forma em células especializadas na produção de hormônios. Esses hormônios são alterados pelo tumor e acaba indo para a corrente sanguínea, chegando ao fígado e provocando a metástase. É um tipo de câncer mais comum após os 50 anos.

O tipo de câncer de Steve Jobs tinha um desenvolvimento lento, o que aumentava a sobrevida dele. Para esse tipo de câncer, a média de vida é de 5 anos, mas Steve viveu mais do que isso, prolongando sua vida por mais 2 anos, já que o diagnóstico foi dado em 2003. Esse câncer chega a matar 95% dos pacientes que descobrem, isso tudo devido a falta de sintomas, o que faz com que a doença seja descoberta tardiamente.

STEVE JOBS


Steve Jobs, fundador da empresa Apple morreu aos 56 anos de um tipo raro de câncer no pâncreas.

Steve morreu ao 56 anos de idade e deixou lembranças e projetos incríveis, que recebiam constante elogios pelo sucesso que faziam. Mesmo sem ser formado em uma Universidade, Steve se mostrava com uma inteligência incrível e inigualável. Steve foi o fundador da marca Apple e acabou se tornando um ícone na área de tecnologia e sinônimo de sucesso.

Após descobrir que estava com câncer, Steve lutou e passou por uma cirurgia para remover partes de seu sistema digestivo e, desde então, presumia-se que ele tinha se livrado do problema. Sem muito o que fazer, Steve foi vivendo do jeito que podia, até chegar ao seu limite, quando abandonou a empresa. Na quarta-feira (05/10), o site da empresa Apple anunciou a morte do fundador. O Google também se sensibilizou e prestou homenagem ao empresário, que irá ficar pra sempre na memória de todos.

OBESIDADE EM CÃES

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OBESIDADE EM CÃES

Como nos humanos, a obesidade em cães também está bastante frequente no dia a dia. Na minha rotina clínica, me deparo com muitos cães que estão acima do peso.

A obesidade canina pode ser secundária a alguma doença metabólica e/ou hormonal, como por exemplo hipotireoidismo, ou “primária”, como por exemplo erro de manejo alimentar. Claro que alguns cães ou determinadas raças tem uma tendência maior à obesidade – animais ansiosos e raças como o Beagle, Retriever do Labrador e Cocker Inglês, por exemplo, são mais susceptíveis. Como toda regra tem sua exceção, alguns cães se tornam obesos sem causa aparente, tendo eles alimentação correta, atividade física correta e nenhum diagnóstico de doença pré-existente.

A obesidade pode desencadear doenças na coluna, como hérnia de disco, ou até um diabetes. Ela pode também piorar o quadro de algumas doenças respiratórias, cardíacas, articulares etc. O cão obeso se cansa mais fácil, podendo ficar ofegante uma boa parte do tempo.

Existem alguns detalhes físicos e clínicos que já são suficientes para diagnosticar uma obesidade.

O tratamento pode ser feito com alimentação específica e balanceada, seja industrializada ou caseira. Muitas vezes são necessários medicamentos associados à dieta. E claro que não podemos esquecer de uma atividade física controlada. Tudo isso só pode ser feito com acompanhamento de um veterinário capacitado.

Como medidas preventivas, recomendo ter um veterinário de confiança que acompanhe a vida do animal desde a fase de crescimento para orientar sobre manejo, alimentação e atividade física, levando sempre em conta cada organismo, raça e outras particularidades individuais. Consultas de rotina e check up de alguns exames ajudam na descoberta precoce de algumas doenças, muitas vezes evitando danos maiores, e no controle do peso do animal.

Não sou contra alimentação caseira e petiscos, porém estes devem ser feitos e oferecidos de uma forma correta para cada cão. Determinados alimentos devem ser evitados. É importante que os donos de cães não escondam de seus veterinários nada sobre a alimentação oferecida, pois só assim poderão ser orientados da forma correta de oferecer ou não oferecer determinado alimento ou petisco.

Daniel Lima

DOENÇA DO SONO

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Causas

A doença do sono é provocada pelo Trypanosoma brucei gambiense e pelo Trypanosoma brucei rhodesiense, protozoários presentes no organismo de diversos animais mamíferos e de seres humanos parasitados. Estes protozoários desenvolvem parte do seu ciclo biológico no aparelho digestivo das moscas do género Glossina, conhecidas como moscas tsé-tsé, que vivem em habitats húmidos e nos bosques da África tropical, onde a doença do sono é endémica. O contágio ao ser humano efectua-se através das picadas das moscas tsé-tsé, que actuam como vectores dos agentes causadores.

Manifestações e evolução

Uma ou duas semanas após o contágio, começa a evidenciar-se uma lesão característica na zona da pele por onde os tripanossomas se inocularam: uma elevação ou pequeno tumor vermelho, muito doloroso, que desaparece espontaneamente ao fim de alguns dias ou semanas. Todavia, na maioria dos casos, esta lesão inicial cutânea acaba por não se manifestar ou até passar despercebida. De qualquer forma, algumas semanas após a produção do contágio, começa a manifestar-se febre, com uma notória subida da temperatura do corpo acompanhada por intensos arrepios e suores que, embora de início se repitam várias vezes ao longo de cada dia, posteriormente adoptam um padrão mais irregular. Uma outra manifestação muito habitual desta fase inicial do problema é a inflamação dos gânglios linfáticos, particularmente evidente nos que se situam na nuca e na região supraclavicular.

Numa segunda fase, normalmente ao fim de alguns meses, evidenciam-se as típicas manifestações neurológicas que designam a doença: alterações no comportamento e personalidade, indiferença face ao que o rodeia, debilidade, tremores, dificuldade em realizar os movimentos mais comuns, como a locomoção, dificuldades na linguagem, alterações de humor, intensa sonolência e letargia. Caso não se proceda ao devido tratamento, os casos mais graves evoluem para um estado de coma, que muitas vezes provoca a morte do paciente por paralisia respiratória.

Tratamento

O tratamento baseia-se na administração de medicamentos activos contra os protozoários responsáveis pela doença e, caso se proceda ao mesmo na fase inicial, consegue-se obter a eliminação dos protozoários em poucos dias, enquanto que nas fases avançadas é necessário uma terapêutica mais prolongada. Para além disso, deve-se igualmente administrar outros medicamentos que aliviem os eventuais sinais e sintomas e, caso seja necessário, deve-se proceder à hospitalização do paciente para prevenir ou tratar as complicações das fases mais avançadas.

EDUCAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO HUMANO PELO ESPORTE

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EDUCAÇÃO PARA O DESENVOLVIMENTO HUMANO PELO ESPORTE

Profa. Dnda. Ana Cláudia Porfírio Couto
EEFFTO / UFMG – Projeto Guanabara

INTRODUÇÃO
Em primeiro lugar eu gostaria de dedicar a minha fala às crianças, aos adolescentes e aos jovens do Projeto Guanabara e do Guanabara Jovens em Senna, pois sem eles eu não poderia estar aqui.
Dedico a eles todo o amor que houver disponível no mundo inteiro.

Com esta intervenção temos o objetivo de explicitar a relação da educação pelo esporte, hoje, no Brasil e como conseqüência ilustrar como esta vem contribuindo positivamente no desenvolvimento humano das crianças, dos adolescentes e dos jovens envolvidos, por meio da promoção dos valores que se constituem em competências para a toda a vida em sociedade. Nossa intervenção dar-se-á sobre três olhares: a pessoa humana; a educação em valores e o esporte.
Falamos pessoa humana por acreditarmos na sua diferença dos outros animais, na sua capacidade de aprendizagem e principalmente na sua potencialidade. Quando falamos da pessoa, direcionamos nossa reflexão à dignidade humana, ao incentivo que deve a educação conceder para que as pessoas possam aderir a uma hierarquia de valores própria. Tratamos da relação que se estabelece via educação, qual seja, educador e educando.
O educador é aquele que educa e o educando é aquela pessoa que está a ser educada. O educador é representado pelo adulto, quer seja nas famílias, quer seja nas escolas, quer seja na sociedade em geral. Neste contexto, é a pessoa que está a cargo da formação humana, de educar com base na axiologia.
A axiologia representa o estudo dos valores, na sua essência. Os valores têm seu conceito em si mesmo, valor é a ação, valor é a conduta, valor é o princípio e acima de tudo o comportamento social. São os valores que estabelecem as diferenças entre as sociedades, os valores éticos, morais e sociais.

A hierarquização dos valores significa possibilitar às pessoas escolherem com autonomia e liberdade seus valores, desde que baseado pelos princípios éticos. Somente a educação confere à pessoa condições de fazer escolhas e assim hierarquizar os seus valores. Para tanto trabalhamos com a categorização dos valores, definida em duas ordens: A ordem dos valores espirituais: representada pelos valores religiosos, éticos, estéticos e do conhecimento. E a ordem dos valores materiais: representada pelos valores vitais, práticos, e hedonísticos.
Acreditamos que a educação em valores represente um ideal e um princípio de educação. Desta forma podemos justificá-la na nossa crença na pessoa humana, cremos no potencial de cada um, o que faltam são oportunidades para que as potencialidades possam ser desenvolvidas. Quando as oportunidades são oferecidas, damos a possibilidade para que as pessoas possam fazer as melhores escolhas quando das tomadas de decisão na sua vida. Neste contexto, educar em valores pressupõe a clarificação, a promoção ou o fortalecimento dos valores, por meio da criação de oportunidades para que as crianças e os jovens desenvolvam suas competências Cognitivas, Pessoais, Sociais e Produtivas, e consequentemente insiram-se ativamente no meio social. A fim de que possamos atuar frente a educação em valores e com a certeza de que estamos desenvolvendo as competências, acreditamos que seja necessário um caminho, optamos pela Tecnologia Social em Educação pelo Esporte, pois por meio dela, conseguimos agir frente ao desenvolvimento humano, temos neste sentido, o esporte como matéria prima principal.

O esporte tornou-se um fenômeno social, nos últimos anos assiste-se a uma radical mudança do esporte, a ponto de uma simples comparação entre o seu passado recente e o seu presente, poder criar a ilusão de que se está diante de dois fenômenos distintos. Mas não, a sociedade encontra-se perante um mesmo fenômeno, que como todos os fenômenos sociais, é historicamente condicionado e culturalmente determinado. O conceito de esporte, atualmente, transcende as especificações das atividades formais, regulamentadas e reconhecidas através de suas competições oficiais. O esporte está inserido na multiplicidade das ações, seja no jogo informal dos finais de semana, ou na ginástica das academias, ou das
caminhadas ecológicas, ou na dança de salão da terceira idade, ou nas brincadeiras nas praças públicas. O esporte tem espaço para receber toda a gente, sem limites etários ou sociais; com objetivos de alto rendimento ou não; atuando com pessoas normais, dentro dos conceitos de saúde, ou com necessidades especiais. O esporte é, portanto o conteúdo da Educação Física, que pela sua pluralidade de sentidos, pode manifestar-se na escola, nos clubes, nas academias, nas ruas e em qualquer ambiente da sociedade. Sendo reconhecido como promotor da saúde, da educação e da formação humana. Sua representatividade pode se dar formalmente, como transmissão de conhecimentos sistematizados e regras pré-definidas, ou ainda, informalmente, como bem cultural e prazer de quem o pratica. A pluralidade de sentidos e manifestações do esporte tira dele a característica única, sistêmica, transformando-o decorrente aos valores de quem o pratica, e, assim transpondo-o a uma interface multicultural com a sociedade. Esta é a representação máxima do esporte nos projetos vinculados ao Programa Educação pelo Esporte. Conforme a conferência nacional do esporte, este pode se manifestar na
sociedade, como esporte educacional (escola), esporte de participação ou de lazer (opção de cada pessoa), esporte de rendimento (regras nacionais e internacionais) e esporte social (voltado para a inclusão social). Não mencionado, mas em destaque na sociedade está também o esporte adaptado (voltado para pessoas deficientes). Nos projetos do Programa Educação pelo Esporte, a abrangência do esporte se dá na perspectiva da oferta de oportunidades para que os educandos
possam desenvolver suas competências, desta forma o esporte tratado no programa não se restringe a uma única manifestação, mas sim à pluralidade de sentidos do esporte na sociedade atual.

Tratando ainda da relação plural do esporte, entendemos que sozinho o esporte não é capaz de atuar plenamente na formação das pessoas, desta forma, para o programa torna-se fundamental a parceria de outras áreas do conhecimento humano de forma tal a compor a base estrutural dos envolvidos. Como eixos direcionadores temos as artes, a pedagogia e a saúde, atuantes interdisciplinarmente com o esporte. As características regionais também são previstas, neste contexto, alguns projetos têm outras áreas que se envolvem nesta parceria interdisciplinar. Focaremos, a partir de agora a apontar quão importantes contribuições estamos proporcionando aos educandos, por meio da relação que se estabelece na educação pelo esporte. É mister ressaltar que não tratamos de contribuições matemáticas, definidas por meio de números, médias e desvios, mas tratamos de pessoas humanas que têm sentimento, que sofrem, que ficam felizes e que necessitam de cuidados pessoais, sociais, cognitivos e afetivos. Neste sentido, avaliamos sua melhoria na condução e no encaminhamento das suas relações diárias, com os seus pares. Acreditamos que estamos diante de uma resposta para a crise da educação,
neste contexto, acreditamos que os projetos do Programa Educação pelo Esporte sejam bons exemplos, uma vez que, por meio da educação e do esporte estamos conseguindo influenciar positivamente na formação integral dos nossos educandos.
Para marcarmos positivamente o exemplo que vem possibilitando que driblemos a crise da educação, utilizaremos do contexto do Projeto Guanabara. O Projeto Guanabara é desenvolvido pela Universidade Federal de Minas Gerais, por intermédio do departamento de Esportes da Escola de Educação Física Fisioterapia e Terapia Ocupacional. Desde o ano de 1996 até os dias de hoje, o projeto atua com crianças e adolescentes na faixa etária dos 07 aos 14 anos. Neste ano de 2005, iniciamos
o trabalho com os jovens a partir dos 15 anos. Objetivamos no Projeto Guanabara dar amplas oportunidades para que os participantes possam desenvolver suas potencialidades.

Utilizaremos de falas, autorizadas, para que possamos ilustrar a importância da prática esportiva, aliada às outras áreas do conhecimento na formação humana das crianças, dos adolescentes e dos jovens, especificamente, do Projeto Guanabara.
Para os educadores e os educandos, a importância da convivência harmoniosa e respeitosa é fundamental para o bom desempenho das atividades.

      “Os valores da convivência, do conviver principalmente no aprendizado.”

“A convivência e a criticidade.”

“Ajudam a gente a aprender a conviver”

A convivência social iluminada pela prática esportiva amplia os laços de amizade, conseqüentemente, iniciando o processo de socialização. “Antes eu nem conversava com meu pai, nem com minha mãe, agora eu converso,” Não se pode comparar a socialização a uma programação cultural, mas, pode-se perceber a importância dos relacionamentos culturais, no processo de transformação de crianças “supostamente indefesas”, em pessoas autoconscientes, com saberes e capacidades.

“…,valorização da qualidade de vida, da saúde, valorização do bom convívio social do bom desenvolvimento do grupo, enquanto desenvolvimento social, a valorização da cultura e dos costumes regionais.”

Tratando ainda da contribuição das aulas de Educação Física para o processo de convivência, nota-se que além da família, os laços vêm sendo estendidos para os colegas e professores:

“Eu aprendo a conviver com as pessoas. “
“Eles se manifestam intimamente na relação aluno com o professor, ele está vivenciando um momento em que ele tem que aprender a viver no conjunto, saber participar de uma maneira bastante efetiva e boa de certa forma.”

A união, a cooperação, o trabalho em equipe são valores éticos, que vêm sendo desenvolvidos com o intuito de gerar a convivência, de criar elos, de formar laços. Possibilitam, também, o convívio com os dissabores, com as derrotas e, acima de tudo, conduzem ao caminho da atuação autônoma, solidária e ética. Aprender a conviver é, além de, viver juntos, competir e cooperar intrinsecamente. (Delors, 2001).

“União da equipe no esporte, a colaboração, você conseguir atingir seus obstáculos pessoais e não só no trabalho em equipe, mas você conseguir melhorar em você sempre, você tá trabalhando numa atividade com um grupo, você tem estar convivendo com eles.”
Para o educador, o educando atuar em equipe fortalece o encontro consigo e com o outro, por meio do “Convívio com as pessoas, com os colegas até com o próprio monitor, conviver com pessoas diferentes, com as diferenças que existem mesmo, eu acho que aprender a conviver com a diferença. O respeito com o colega, conviver”. A convivência praticada no desporto contribui para a inserção do educando no seu contexto social, “ensina a gente a viver…” e incentiva que se estabeleçam os vínculos que influenciarão na sua formação. Cria condições sociais que ofereçam oportunidades, (Hoyos, 2004), para determinadas práticas de cidadania, tais práticas permitem que o educando aprecie a convivência como valiosa na sua formação. Além da relação explícita da ética, baseada pela convivência, destacamos ainda a presença os valores lógicos ou do conhecimento, aliados ao aprender a conhecer, que possibilitam a transformação da intuição em razão. São
interligados ao aprender a conhecer (Delors, 2001), por pressuporem a transcendência ao acúmulo dos conteúdos curriculares. Educar à luz dos valores lógicos é dar imaginação sociológica (Giddens,1997) aos conhecimentos racionais, e assim, reconhecer na sociedade, nos objetos, nas pessoas o conhecimento autêntico da realidade. “(…)pra trabalhar com os esportes eu procuro às vezes desvincular um pouco e ampliar um pouco o esporte, pra não somente aquela prática ali que a gente vê na televisão, com regras definidas, a gente faz as nossas regras (…)”. Como elo com o aprender a ser, temos os valores vitais, que por mais estranheza que cause, é para nós muito óbvio. Os valores vitais, conforme Patrício (1997), representam a estreita relação entre o princípio, a conduta e a necessidade de sobrevivência. Os educandos são oriundos de comunidades de baixa renda, muitos não têm condição digna de subsistência, eis a explicação.
Ora, para que consigamos promover valores pessoais nas crianças e nos adolescentes, conduzindo-os ao convívio social, necessitamos que estas pessoas estejam ávidas a este aprendizado. Contudo, a avidez ao aprendizado não é suficiente quando a dignidade humana está ferida, quando a fome sobrepõe-se a todos os outros valores. Neste sentido, os educandos do Projeto Guanabara em seus discursos destacam que antes de qualquer atividade a ser executada no período do
recreio, eles lancham, tem alguns que dizem inclusive que comem muito. Entendemos que estão com fome, que precisam sobreviver, para que depois possam dedicar-se ao desporto ou a outras atividades, que ao nosso entendimento está em segundo plano para estes educandos. A convergência entre o discurso e a prática é notória nesta categoria, pudemos vivenciar esta necessidade, bem como conversar com uma criança que não se envolveu na aula de Educação Física, por não gostar ou ter preguiça, mas por estar com fome e não ter forças para executar as atividades propostas. Colocamos-nos diante de desafios, muitas vezes inacessíveis a nós, como a questão da fome que não podemos resolvê-la, apenas amenizar no período do projeto. Outro valor em destaque manifesta o aprender a fazer, pilar tão necessário para o desenvolvimento das potencialidades e para o incentivo às escolhas e à expansão das liberdades que temos razão para valorizar (Amartya Sen), elementos que constituirão o projeto de vida de cada um. Nesta perspectiva, evocamos os valores práticos, os quais conduzem os educandos ao fazer, à ação. Destacamos no Projeto Guanabara o Protagonismo, pois como destacam
educadores e educandos, ensinar para os colegas o que aprenderam é muito prazeroso, pois todos podem brincar juntos com a novidade trazida do projeto. O valor prático, centrado neste contexto do protagonismo, envolve em sua magnitude a disseminação de conhecimento, que tem como conseqüência a influência na comunidade. A sobredeterminação (Patrício, 1997), é o princípio que preside esta ação, pois além da escola e do projeto, o conhecimento adquirido é levado ao ambiente social, gerando uma simbiose entre estes setores. Não poderíamos omitir os valores hedonísticos que no nosso entendimento aliam-se com perfeição ao aprender a ser e constituem assim o dia a dia do educando, seja nas rodas de conversa no Tempo livre da escola ou do Projeto Guanabara, seja no jogo de futebol, seja nas caminhadas pela escola, enfim, o prazer é sempre constante no Projeto Guanabara. Educadores têm prazer em educar e educandos têm prazer em serem educados.
Neste sentido, o conhecimento se dá pela apropriação de saberes constituídos e pela constituição de novos saberes, os quais assinalam os relatos sobre a prática e a convivência diária nos projetos, o potencial de cada um vem sendo fortalecido, com isso, seu projeto de vida vem sendo trilhado com mais autonomia e liberdade, com tomadas de decisão voltadas para a formação integral das pessoas envolvidas.
Demonstram-nos também os educandos e educadores, que a prática esportiva implica na constituição de laços afetivos, os quais permitirão que se promovam os valores e se desenvolvam as competências. Diante dos dados relatados, temos alguns exemplos positivos: Somos um projeto jovem, nossos egressos também são muito jovens a maioria ainda está conosco; alguns fazem faculdade; outros são músicos; um é pastor evangélico; outra é secretária do Projeto Guanabara; outra é aluna do curso de Educação Física, enfim, ao longo destes anos e com tantos educandos tivemos bons resultados. Contudo, alguns infelizmente perdemos (3), pois foram brutalmente assassinados; um se envolveu na criminalidade e esteve preso, mas acreditamos que encontrará outro caminho, pois sua dignidade soará mais forte. Por fim, pudemos constatar nesta investigação que a educação pelo esporte, e a forma como vem sendo conduzida a prática esportiva no Projeto Guanabara, influencia positivamente na formação humana das crianças, dos adolescentes e dos jovens e contribui:

      • Na constituição do Projeto de vida;
      • Na formação da conduta e de princípios éticos de respeito e de solidariedade;

• Para que as pessoas se tornem autônomas e participativas, conduzindo-as ao fortalecimento do seu papel de cidadão;

• Para o protagonismo junto aos seus pares;

• Na aquisição de novos conhecimentos;

• Para que o educando possa lidar com seus direitos e deveres;

• Para que o educando tenha a oportunidade de praticar o desporto;

• Para o desenvolvimento das competências de gestão;

• Para o desenvolvimento dos valores determinação e perseverança, tão necessários na sociedade brasileira;

• Para a promoção do prazer em estudar;

• Para a ampliação do desenvolvimento humano das pessoas envolvidas.

Com todas as contribuições, nós enquanto educadores e gestores de projetos que utilizam a tecnologia social em educação pelo esporte, cremos:

• Na pessoa humana, no seu potencial;

• Nas oportunidades que possam ser oferecidas e que vão ao encontro do desenvolvimento dos potenciais das pessoas envolvidas;

• Que o Brasil pode dar certo;

• Que por meio do esporte conseguiremos contribuir na formação humana de muitas pessoas envolvidas;

• No amor das pessoas diante da educação;

• Nas escolhas que certamente farão nossos educandos na constituição do seu projeto de vida.

Por fim, cremos na premente necessidade de implantação de políticas públicas que vão ao encontro dos problemas da população, a fim de que as pessoas possam viver com mais dignidade, e desta maneira, os projetos não sejam estrangulados pela falta de condições da população.

Muito obrigada!
Ana Cláudia Porfírio Couto

TEORIA DE TAYLOR E FAYOL

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FREDERICK WILSLOW TAYLOR E HENRY FAYOL

INTRODUÇÃO:

Na apresentação a seguir iremos acompanhar a história da administração que inicia dentro do século IX caminhando ai até os dias da atualidade, nos conceitos de FREDERIK WINSLOW TAYLOR(1856 – 1915) e HENRY FAYOL (1841-1925). Dois grandes personagens, mitos da administração mundial. TAYLOR pioneiro e FAYOL seguidor e aperfeiçoador das obras de TAYLOR, TAYLOR que por sua vez passou a estudar formas para aperfeiçoa as técnicas de administrar tanto das empresas, quanto da sociedade, buscando esse aperfeiçoamento na ciência.

TAYLOR começou seus estudos da base “o operário” para o topo “Gerentes, donos e supervisores”, trazendo em sua primeira obra “administração de oficinas” o estudo das técnicas de trabalho realizado pelo operário, se baseando em dois pontos, o tempo e o movimento, a partir desses pontos ele vai desenvolver outros vários conceitos que serão bem aceitos. Em um segundo momento TAYLOR traz uma segunda obra onde fala de princípios de administração, fundamentos e características, sem deixar de lado os dois pontos iniciais de seus estudos.

FAYOL seguindo os passos de TAYLOR dentro de uma ciência deu sua contribuição com a previsão e métodos adequados de gerência. FAYOL fez algo que TAYLOR também fez só que de traz para frente, estudou do topo para a base. Deu certo mesmo TAYLOR defendendo um pluralismo na organização e FAYOL fosse partidário da centralização. FAYOL trouxe as funções básicas das empresas passo a passo, princípios universais e gerais.

Veremos que ambos foram para o mundo administrativo às evoluções e revoluções em pessoa.

FREDERCK WINSLOW TAYLOR (1856 – 1915) é considerado o fundador da administração cientifica. Nos seus primeiros estudos tomou contato direto com os problemas sociais e empresariais decorrentes da revolução industrial. Iniciou sua vida profissional como operário, em 1878, passando a capataz contramestre, chefe de oficina, a engenheiro em 1885 quando se formou. Naquela época estava em moda o sistema de pagamento por peça ou por tarefa. Os patrões procuravam lucrar ao máximo na hora de fixar os preços da tarefa e os operários, por seu turno reduziam a um terço um ritmo de produção das maquinas, procurando contrabalançar desta forma o pagamento pro peça determinado pelos patrões. Isso levou TAYLOR a estudar o problema de produção nos seus mínimos detalhes, pois não podia decepcionar seus patrões, graças ao seu progresso na companhia, nem decepcionar seus colegas de trabalho.

A característica do estudo de TAYLOR é a busca de uma administração cientifica. Por isso é visto como o prenunciador da teoria da administração cientifica. TAYLOR via necessidades de aplicar métodos à administração para assegurar a máxima produção ao mínimo custo.

PRIMEIRO PERIODO DE TAYLOR

TAYLOR iniciou suas experiências e estudos pelo trabalho do operário e, mais tarde, generalizou as suas conclusões para administração geral. Sua teoria seguiu um caminho generalizado de baixo para cima e das partes para o todo. Em 1900, começou a revelar ao público as suas teorias acerca de administração cientifica. Registraram cerca de 50 patentes de invenções sobre máquinas, ferramentas e processos de trabalho. O primeiro período de TAYLOR à época da publicação do seu livro SHOP MANAGEMENT (administração de oficinas) (1903) onde o autor se preocupa exclusivamente com as técnicas de realização do trabalho de operário, através do estudo de tempo e movimento. TAYLOR começou por baixo, junto dos operários do nível de execução, efetuando um paciente trabalho de análise das tarefas de cada operário. Verificou que o operário médio produzia muito menos do que era potencial capaz com equipamento disponível. Concluiu que se o operário diligente e mais predisposto à produtividade perceber que no final acabará ganhando exatamente a mesma remuneração que seu colega menos interessado e menos produtivo, acabará se acomodando, perdendo o interesse e não produzindo de acordo com a sua capacidade. Daí, a necessidade de criar condições de pagar mais àquele que produz mais.

Ao primeiro período pertencem os seguintes princípios aplicados às funções de supervisão:

Principio: Atribuir a cada trabalhador a tarefa mais elevada possível, de acordo com suas aptidões pessoais.
Principio: Solicitar a cada trabalhador uma produção nunca inferior ao padrão estabelecido.
Principio: Atribuir aos trabalhadores tarifas de remuneração por unidade produzida, tarifas estas que serão satisfatórias para aqueles que alcancem o padrão estabelecido.
Desenvolveu o estado cronometrado dos tempos e movimentos, decompondo analiticamente o trabalho dos operários, visando a racionalizá-lo e a simplificá-lo, a fim de obter maior rendimento com menor esforço e com maior remuneração. Trata-se de decompor uma operação industrial em seus diversos elementos, componentes, verificando quantos segundos e fração de segundos dura cada uma e todas as operações. O estudo de tempos e movimento cria condições para a reestruturação das operações industriais eliminando ao máximo os movimentos desnecessários e economizando energia e tempo. Observando a metódica e pacientemente a execução das tarefas a cargo dos operários, viu TAYLOR a possibilidade de decompor cada tarefa em uma série ordenada de movimentos simples, cuja duração podia ser medida. Através de tal sistema, era possível especializar o pessoal em cada tarefa e selecioná-lo de tal forma admitir ao serviço apenas àqueles agentes capazes de executar sua tarefa dentro do tempo considerado conveniente e utilizando os demais em outras tarefas, para as quais revelassem habilidade suficiente. Assim, era possível atribuir a cada operário, a tarefa mais adequada a suas condições físicas e aptidões, dando-lhe possibilidade de receber em compensação, um salário bem superior à média.

Entre as numerosas vantagens do controle dos tempos e movimentos, destaca-se:

Eliminar os movimentos inúteis e substituí-los por outros eficazes;
Tornar mais eficaz e racional a seleção e treinamento do pessoal;
Ter uma base segura para melhorar a eficiência do trabalho do trabalho e, conseqüentemente, o rendimento da produção;
Distribuir uniformemente o trabalho, para que não haja períodos de falta ou excesso de trabalho;
Ter uma base uniforme para a fixação de salários eqüitativos e para a concessão de prêmios por aumento de produção;
Calcular com mais precisão o custo unitário e, por conseguinte, preço de venda dos produtos.
O ponto de partida da organização racional do trabalho pode ser reduzido aos seguintes aspectos fundamentais:

Ciência em lugar do empirismo e da improvisação: reunir todo o conhecimento tradicional relativo ao trabalho, num corpo sistematizado de serviços, métodos e processos.
Seleção e treinamento dos trabalhadores: selecionar, racional e cientificamente, o trabalhador e o seu treinamento e o desenvolvimento.
Articular o trabalho com a ciência: cooperar cordialmente com o trabalhador, selecionado e treinado, colocando a sua disposição àqueles conhecimentos reunidos e sistematizado.
Divisão do trabalho e das responsabilidades:

Planejamento a cargo da gerencia
Execução a cargo dos operários e de seus supervisores
O que TAYLOR procurava era:

Eliminação de todo esperdício de esforço humano;
Maior insistência em que os operários se adaptem à própria tarefa;
Maior cuidado em treinar os operários de maneira que respondam às exigências de seus respectivos trabalhos;
Maior especialização de atividades;
Estabelecimento de normas de atuação laboral bem detalhada.
TAYLOR se preocupou em criar um sistema educativo baseado na intensificação do ritmo de trabalho em busca da eficiência empresarial.

SEGUNDO PERIODO DE TAYLOR

Corresponde à época da publicação do seu livro “principio da administração cientifica” (1911), quando conclui que a racionalização do trabalho operário deveria ser logicamente acompanhado de uma estruturação geral da empresa e que tornasse coerente à aplicação dos seus princípios. Nesse segundo período, desenvolveu os seus estudos sobre a administração geral, a qual denominou administração cientifica, sem deixar, contudo sua preocupação com relação à tarefa do operário.

TAYLOR assegurava que as industrias de sua época padeciam de males que poderiam ser agrupados em três (3) fatores:

Vadiagem sistemática por parte dos operários, que reduziam propositalmente a produção à cerca de um terço da que seria normal, para evitar a redução das tarifas de salários pela gerencia. A três causas determinantes da vadiagem no trabalho, o maior rendimento do homem e da máquina terá como resultado desemprego de grande numero de operários; o sistema defeituoso na administração que força os operários à inatividade no trabalho. Os métodos baseados na experiência ineficientes, os quais o operário desperdiça grande parte do seu esforço e do seu tempo.

Desconhecimento pela gerencia, das rotinas de trabalho e do tempo necessário para sua efetivação;

Falta uniformidade das técnicas ou artifício de trabalho. Para sanar esses males, arquitetar o seu famoso sistema de administração que denominou “SCIENTIFIC MANAGEMENT” e que nos países de língua latina foi designada sob os nomes de sistema de TAYLOR, “gerencia cientifica”, “organização cientifica no trabalho” e “organização racional no trabalho”. Segundo o próprio TAYLOR é antes uma evolução do que uma teoria, tendo como ingredientes 75% de análise e 25% de bom senso.

FUNDAMENTO DA ADMINISTRAÇÃO CIENTIFICA

Objetivo principal da administração:

Assegurar o máximo de prosperidade ao patrão, e o máximo de prosperidade ao empregado.
Identidade de interesse de empregados e empregadores: TAYLOR salienta que a maioria das pessoas crê que os interesses fundamentais dos empregadores e dos empregados sejam necessariamente antagônicos. Ao contrário, à administração cientifica tem por seus fundamentos a certeza de que os verdadeiros interesses de ambos são uns únicos e mesmo interesse. É preciso dar ao trabalhador o que ele mais deseja alto salário, baixo custo de produção.
Influencia da produção na prosperidade de empregados e empregadores: ninguém atingirá maior prosperidade sem que tenha atingido o mais alto grau de eficiência.TAYLOR procura mostrar o lucro que as empresas obtém com a substituição de métodos empíricos por métodos científicos, bem como a economia de tempo e o conseqüente acréscimo de rendimento obtido pela eliminação de movimento lentos e ineficientes e sua substituição por movimentos rápidos em todas as tarefas.
Administração cientifica e o sistema de iniciativa, e incentivo: TAYLOR considera que o regime de incentiva – incentivo não conduzia a nenhum resultado. Dar incentivo ao operário através de prêmios por aumento de produção, deixando-lhe porem a iniciativa de escolher o seu método de trabalho.
TAYLOR assegura que o administrador comum deixa ao arbítrio do operário escolher o método melhor e mais econômico, para realizar o seu trabalho, porque ele acredita que a sua função seja induzir o trabalhador a usar a atividade, o melhor esforço, os conhecimentos tradicionais, a habilidade, a inteligência e a vontade. O problema principal da administração comum consiste então em se obter a iniciativa do operário. Para tanto, utiliza outro recurso, o incentivo, que é boa remuneração por peça produzida, etc. a este sistema deu-se o nome de administração por incentivo ou incentiva.

O sistema de iniciativa, e incentivo depende quase que inteiramente da obtenção da iniciativa do operário, e raramente esta é alcançada. Na administração cientifica, a iniciativa do trabalhador se obtém com absoluta uniformidade e em grau muito maior do que é possível sob o antigo sistema. A administração cientifica, as responsabilidades devem ser repartidas entre a gerência e o trabalhador, devendo a gerência tomar a seu cargo o estudo minucioso do trabalho e da assistência continua ao trabalhador durante a produção. Segundo TAYLOR, a mudança do sistema de iniciativa e incentivo para o de administração cientifica deve obedecer a um certo período de tempo, para que não apareçam alterações bruscas causando descontentamento por partes dos empregados e prejuízos aos patrões.

PRINCÍPIOS DE ADMINISTRAÇÃO CIENTIFICA

A gerência passa a ter novas atribuições e responsabilidades, descritas pelos quatro princípios abaixo:

Principio do planejamento
Principio do preparo;
Principio do controle;
Principio da execução;
Outros princípios implícitos de administração cientifica: estuda o trabalho dos operários, eliminar ou reduzir os movimentos inúteis ou aperfeiçoar e racionalizar os movimentos úteis. Estudar cada trabalho antes de fixar o modo como deverá executar. Selecionar cientificamente os trabalhos de acordo com as tarefas que lhe serão atribuídas. Dar aos trabalhadores instruções técnicas sobre o modo de trabalhar. Separar às funções de preparação e às de execução, dando-lhes atribuições precisas e delimitadas. Especializar e treinar os trabalhadores, tendo na preparação e no controle do trabalho quanto na sua execução. Estabelecer prêmios e incentivos para quando forem atingidos os padrões estabelecidos. Padronizar os utensílios, os materiais, o maquinário e o equipamento e os métodos e processos de trabalho a serem utilizados. Dividir proporcionalmente as vantagens que resultarem do aumento da produção proporcionado pela racionalização. Controlar a execução do trabalho. Classificar de forma a tornar fácil o seu trato e o seu uso.

Divisão do trabalho e especialização do trabalhador. Na busca de maior produtividade desdobrando-o em suas partes componentes.

Supervisão funcional essa nova doutrina de eficiência de trabalho exigiu uma completa mudança de idéia de organização de empresas na época.

Administração funcional consiste em dividir o trabalho de maneira que cada homem, desde o assistente até o superintendente tenha que executar a menor variedade possível de funções. Para TAYLOR a característica mais marcante e visível administração funcional consistem no fato de que cada operário, em lugar de pôr-se e, contato direto com a administração num único ponto.

PRINCIPAIS CARACTERISTICAS DA ASDMINISTRAÇÃO CIENTIFICA

Administração como ciência:

A organização e a administração devem ser estudadas e tratadas cientificamente e não empiricamente. A improvisação deve ceder lugar ao planejamento e o empirismo, à ciência.
O maior mérito de TAYLOR esta realmente na sua contribuição “para que se encarasse sistematicamente o estudo da organização, o que não só revolucionou completamente a indústria como também teve grande impacto sobre a administração”.
O fato de ter sido ele o primeiro a fazer uma análise completa do trabalho, inclusive dos tempos e dos movimentos, de ter sido ele que estabeleceu padrões preciosos de execução, que treinou o operário, que especializou o pessoal, inclusive o de direção que instalou uma sala de planejamento, em resumo, que assumiu uma atitude metódica ao analisar e organizar a unidade fundamental de qualquer estrutura. Tudo isto o eleva a uma altura não comum no campo de organização.
Para TAYLOR, os elementos de aplicação da administração cientifica são:

ESTUDO DE TEMPO;
SUPERVISÃO FUNCIONAL
PADRONIZAÇÃO DE FERRAMENTAS E INSTRUMENTOS;
SALA DE PLANEJAMENTO;
O PRINCIPIO DA EXECUÇÃO;
A UTILIZAÇÃO DA RÉGUA DE CALCULO E INSTRUMENTOS SEMELHANTES PARA ECONOMIZAR TEMPO;
FICHAS COM INSTRUÇÕES DE SERVIÇO;
A IDÉIA DE TAREFA, ASSOCIADA A PRÊMIOS PELA SUA EXECUÇÃO EFICIENTE;
GRATIFICAÇÃO DIFERENCIAL;
SISTEMAS Mnemônicos PARA CLASSIFICAÇÃO DOS PRODUTOS MANOFATURADOS, BEM COMO DO MATERIAL UTILIZADO NA MANOFATURA;
SISTEMA DE DELINEAMENTO DA ROTINA DE TRABALHO;
MODERNO SISTEMA DE CALCULOS DE CUSTO, ENTRE MUITOS OUTROS ELEMENTOS.
DIVISÃO DO TRABALHO E ESPECIALIZAÇÃO:

A organização deve se caracterizar por uma divisão do trabalho claramente definida. Os partidários da administração cientifica se preocupavam com a divisão do trabalho no nível do operário que executa as tarefas. O pessoal deve ser especializado em suas tarefas, que devem ser tanto mais simples quanto possível. Essa especialização permite exigir menor habilitação em preparo do pessoal que é admitido, bem como facilitar o seu treinamento e o seu controle. Para proceder à especialização, torna-se necessária à simplificação do trabalho. Enquanto a corrente dos anatomistas apoiava em uma racionalização da organização como um todo a corrente da administração cientifica se apoiava em uma organização racional do trabalho do operário, para TAYLOR e seus seguidores o método ideal para se realizar o trabalho era o estudo de tempos e movimentos.

SUPERVISÃO FUNCIONAL:

A administração funcional consiste em dividir o trabalho de maneira que cada homem, desde o assistente até o superintendente, tenha que executar a menor variedade possível de funções. Sempre que possível o trabalho de cada homem deverá limitar-se à execução de uma única função. A supervisão é exatamente a aplicação da divisão do trabalho e da especialização ao nível dos supervisores e chefes.

CONCEITO DO “HOMO ECONOMICUS”

É a presunção de que o homem é influenciado profundamente por recompensas e sanções salariais e financeiras. Para TAYLOR, a administração cientifica deve estudar as capacidades físicas do trabalhador, através do estudo dos tempos e dos movimentos, mas com uma abordagem econômica. Considerando o homem movido pelo medo da fome e da busca pelo dinheiro. Assim, as recompensas materiais, e econômicas influenciam decisivamente os esforços individuais no trabalho, fazendo com que o trabalhador desenvolva o Maximo padrão de realização de que é fisicamente capaz para atingir um ganho maior.

ÊNFASE NA EFICIÊNCIA:

Essência da administração cientifica é determinar a única maneira certa de se executar um trabalho. A metodologia desenvolvida por TAYLOR para determinar a maneira certa de executar o trabalho e totalmente assentada no estudo de tempos e movimentos. Através da analise do trabalho, estima à produção padrão que corresponde à eficiência desejada (100%).

TEORIA CLÁSSICA:

HENRY FAYOL defendia princípios semelhantes na Europa, baseando em sua experiência na alta administração. Enquanto os métodos e TAYLOR eram estudados por executivos europeus, os seguidores da administração cientifica só deixaram de ignorar a obra de FAYOL quando a mesma foi publicada nos ESTADOS UNIDOS. O atraso na difusão generaliza das idéias de FAYOL fez com que grandes contribuintes do pensamento administrativo desconhecessem seus princípios.

HENRY FAYOL (1841-4925) é considerado fundador da abordagem anatômica da administração. Nasceu em Constantinopla e faleceu em Paris, vivendo as conseqüências da revolução industrial e, mais tarde, da primeira guerra mundial. Formou-se em engenharia das minas aos 19 anos e entrou para a empresa metalúrgica e carbonífera onde desenvolveu toda a sua carreira FAYOL expôs teorias de administração, em uma conferência perante a sociedade da industria Mineira (1908). Essa conferência formou o esqueleto de seu famoso livro “ADMINISTRATION INDUSTRIALLE ET GENERALLE” publicado em Paris em 1916.

CIÊNCIA DA ADMINISTRAÇÃO DE FAYOL

FAYOL sempre afirmou seu êxito se devia não só as suas qualidades pessoais, mais aos métodos que empregava. Exatamente como TAYLOR, FAYOL empregou seus últimos anos de vida à tarefa de demonstrar que, com previsão cientifica e métodos adequados de gerência, resultados satisfatórios eram inevitáveis. TAYLOR e FAYOL dedicaram vida a introduzir o método cientifica na administração da empresas, FAYOL realizou suas pesquisas em sentido inverso, isso é, do topo para a base. As contribuições de TAYLOR e FAYOL são essencialmente complementadas, embora TAYLOR defendesse um pluralismo na organização e FAYOL fosse partidário da centralização.

SEIS FUNÇÕES BÁSICAS DAS EMPRESAS.

FUNÇÃO TECNICA: através da função técnica a empresa realizou a produção dos bens ou dos serviços. Salienta FAYOL que o número a variedade e a importância das operações técnicas, a circunstancia que os produtos de qualquer natureza (seja material, intelectual e moral) saem geralmente das mãos do técnico, contribui para dar a função técnica e, por conseguinte, à capacidade técnicas, tão necessárias e, às vezes até mais úteis ao desenvolvimento da empresa.

FUNÇÃO COMERCIAL: para FAYOL a prosperidade de uma empresa depende tanto da função comercial quanto da técnica. Saber comprar e vender é tão importante como saber fabricar bem. Habilidade comercial unida à capacidade e a decisão implicam em profundo conhecimento do mercado e das forças dos comerciante e grande previsão e, nas empresas importantes na aplicação cada vez mais freqüente das contribuições.

FUNÇÃO FINANCEIRA: é indispensável uma hábil gestão financeira, pára o aumento de capital, a fim de tirar o maior proveito possível das disponibilidades e evitar aplicações imprudentes de capital. Nenhuma reforma, nenhuma melhor é possível sem disponibilidade financeira e sem credito. Constitui condições essenciais de êxito ter constantemente à vista a situação financeira da empresa.

FUNÇÃO DE SEGURANÇA: relacionada com a proteção de bens e de pessoas.

FUNÇÕES CONTÁBEIS: a contabilidade constitui o órgão divisão das empresas. A ela cabe revelar, a qualquer momento, a posição e o rumo dos negócios. Uma boa contabilidade simples e clara que dê idéias exatas das condições da empresa é um poderoso instrumento de direção.

FUNÇÃO ADMINISTRATIVA: nenhuma das cinco funções essenciais tem o encargo de formular o programa de ação geral da empresa, de constituir o seu corpo social, de coordenar os esforços e de harmonizar os atos. Elas constituem uma outra função, designada habitualmente pelo nome de administração.
Face às funções, a operação de governos de uma empresa, como:

    • Operações técnicas;
    • Operações comerciais;
    • Operações financeiras e
    • Operações de segurança
    Ao lado de funções essenciais, como:
    • Operações contábeis e,
    • Operações administrativas
    Esses seis grupos de operações (que são realizados através das funções essenciais) existem sempre em qualquer empresa, seja pequena ou grande, simples ou complexa.

Conceito de administração:

FAYOL define administração como sendo:

Prever:

    • é visualizar o futuro e traçar o programa de ação;

Organizar:

    • é contribuir o duplo organismo material e social da empresa;

Comandar:

    • é dirigir e orientar o pessoal;

Coordenar:

    • é ligar, unir, harmonizar todos os atos e todos os esforços coletivos;

Controlar:

    é verificar que tudo ocorra de acordo com as regras estabelecidas e as ordens dadas.

Administração não é senão uma das seis funções, cujo ritmo é assegurado pela direção. Mas ocupa tamanho lugar nas funções dos altos chefes que, às vezes, pode parecer que seja exclusivamente administrativamente, isto é, situadas apenas no topo das empresas.

PROPORCIONALIDADE DA FUNÇÃO ADMINISTRATIVA;

A função administrativa não é encargo pessoal nem privilegio exclusivo do chefe ou dos dirigentes da empresa. É uma função que se reparte e se distribui com as outras funções essenciais proporcionalmente entre a cabeça e os membros do corpo social da empresa.

PRINCIPIOS UNIVERSAIS.

DIVISÃO DO TRABALHO: especialização dos trabalhadores e gerentes para aumentar a eficiência.
AUTORIDADE RESPONSABILIDADE: o direito de dar ordens e o poder de esperar obediência; responsabilidade é uma conseqüência natural da autoridade.
DISCIPLINA: obediência, aplicação, energia, comportamento e respeito de acordo com os acordos estabelecidos.
UNIDADE DE COMANDO: cada empregado deve receber ordens de apenas um supervisor.
UNIDADE DE DIREÇÃO: uma cabeça e um plano para cada grupo de atividade que tenham o mesmo objetivo.

SUBORDINAÇÃO DOS INTERESSES INDIVIDUAIS AOS INTERESSES GERAIS.

REMUNERAÇÃO DE PESSOAL:

    • deve haver justa e garantida satisfação para os empregados e a organização.

CADEIA ESCOLAR:

    • a linha de autoridade.

ORDEM:

    • um lugar para cada coisa e cada coisa em seu lugar.

EQUIDADE:

    • amabilidade e justiça.

ESTABILIDADE E DURAÇÃO (NUM CARGO) DO PESSOAL:

    • a rotação tem um impacto negativo sobre a eficiência da organização.

ESPIRITO DE EQUIPE:

    Harmonia e união entre as pessoas são grades forças para a organização.

QUALIDADE DO ADMINISTRADOR;

Qualidades físicas:

    • como saúde, destreza, vigor e etc.

Qualidades intelectuais:

    • Como aptidão para compreender e aprender, discernimento, agilidade mental, etc.

Qualidades morais:

    • como energia, firmeza, coragem de aceitar as responsabilidades, iniciativa, decisão, tato e dignidade.

Cultura Geral:

    • como conhecimentos variados, fora do domínio da função exercida.

Conhecimentos especiais:

    • relativos unicamente a função, seja ela técnica, comercial, administrativa etc.

Experiências:

    ou seja, o conhecimento resultante da pratica dos negócios. É a lembranças das lições que os fatos proporcionam a pessoa.

NECESSIDADE E POSSIBILIDADE DE ENSINAR A ADMINISTRAÇÃO:

FAYOL defendeu também a possibilidade e mesmo a necessidade de um ensino organizado de administração, de caráter geral, para formar melhores administradores, a partir de suas aptidões e qualidades pessoais.

DESTINÇÃO ENTRE administração E ORGANIZAÇÃO.

Ainda que reconhecendo o emprego da palavra administração como sinônimo de organização, FAYOL faz uma profunda distinção entra ambas as palavras.

Para ele a administração é um todo do qual a organização é uma das partes.

PRINCIPIOS GERAIS DE ADMINISTRAÇÃO PARA FAYOL

Divisão e trabalho: a divisão de trabalho consiste na designação de tarefas complementares a cada uma das partes da organização.
Autoridade e responsabilidade: para FAYOL ambas são intimamente ligadas, sendo a responsabilidade um corolário da autoridade, combinação de autoridade de autonomia oficial e autoridade de pessoal.
Disciplina: é o respeito a acordos que são destinados à obtenção de obediência, aplicação, energia e sinais externos de respeito. A disciplina exige bons superiores, em todos os níveis, acordos claros e justos, bem como aplicação judiciosa de penalidades e medidas disciplinares.
Unidades de Comando: um empregado deve receber ordens de um único superior. É o principio da autoridade única.
Unidade de direção: cada grupo de atividades, que tem um mesmo objetivo, deve ter um só chefe e um só plano. A unidade de direção relaciona-se com o funcionamento do corpo da empresa.
Subordinação do interesse individual ao interesse geral: o interesse do grupo deve sobrepor-se aos interesses dos indivíduos.
Remuneração pessoal: para FAYOL devem ser razoáveis e devem conseguir o Maximo de satisfação para o empregado e para o empregador.
Centralização: refere ao ponto até onde autoridade é concentrada ou dispersada em uma empresa. O grau de pessoas para poder produzir um melhor resultado geral.
Hierarquia ou cadeia escolar: FAYOL numa linha de autoridade, numa linha de superiores do escalão mais alto e mais baixo.
Ordem: é considerada a organização no arranjo e disposição de coisas e de pessoas.
– Equipe: consegue-se lealmente a devoção por parte do pessoal, mediante uma combinação de bondade e justiça ao lidar com subordinados.
– Estabilidade do pessoal: achando que a instabilidade é, a um só tempo, a causa e o efeito da má administração, FAYOL salienta os perigos e custos da rotação desnecessária de pessoal.
– Iniciativa: prática da experimentação e da tentativa, tanto no planejamento quanto na execução de um plano.

Espírito de equipe: é uma extensão do principio da unidade de comando: a união faz a força.

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Taylor x Fayol

CONCLUSÃO:

FAYOL E TAYLOR ou vice – versa, deu o que chamamos hoje de impulso a administração, desde que começou a revolução industrial só se sabia trabalhar de acordo com o patrão da forma que ele estipulasse era o que era, funcionários eram enganados e as forma administrativas eram precárias. Pode se observar que quando TAYLOR deu seu primeiro passo com sucesso para a busca perfeita da administração e em seguida FAYOL, começou uma evolução de uma nova sociedade que estava renascendo da revolução industrial para o mundo de globalizado.

Os feitos científicos desses dois intelectuais da administração puderam trazer aos dias atuais o que temos de melhor na administração que é a visão a longo, médio e curto prazo, os princípios, as funções, as operações, dando agilidade para quem administra e melhoria para quem trabalha.

Nesse meio viverá somente aqueles que adaptarem as inovações, que, a cada dia se avança mais.

BIBLIOGRAFIA:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Taylorismo
http://www.arvore.org.br/seer/index.php/rbadm

Tudo sobre a Administração Científica de Taylor


http://pt.wikipedia.org/wiki/Max_Weber
http://pt.wikipedia.org/wiki/Frederick_Taylor
http://pt.wikipedia.org/wiki/Jules_Henri_Fayol
http://pt.wikipedia.org/wiki/Henry_Ford

VEJA TAMBÉM EM TRABALHOS ESCOLARES:

TEORIAS DE TAYLOR, FORD, FAYOL E WEBER

WANDA DE AGUIAR HORTA

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WANDA DE AGUIAR HORTA

“ENFERMEIRO É UM SER HUMANO QUE CUIDA DE OUTRO SER HUMANO”

INTRODUÇÃO

A teoria se apóia e engloba leis gerais que regem os fenômenos universais, tais sejam, por exemplo, a lei do equilíbrio (homeostase ou homeodinâmica): todo o universo se mantém por processos de equilíbrio dinâmico entre os seus seres; a lei da adaptação: todos os seres do universo interagem com seu meio externo buscando sempre formas de ajustamento para se manterem em equilíbrio; lei do holismo: o universo é um todo, o ser humano é um todo, a célula é um todo, esse todo, não é mera soma das partes constituintes.

BREVE HISTÓRICO

Natural de Belém do Pará, nasceu em 1926 onde permaneceu até os 10 anos de idade, posteriormente mudando-se para Ponta Grossa/Paraná.
Graduou-se pela Escola de Enfermagem da São Paulo em 1948, foi licenciada em história natural pela Faculdade de Filosofia, Ciências e letras da Universidade do Paraná em 1953.
Pós- graduou-se em pedagogia e didática aplicada à Enfermagem na EEUSP, em 1962.
E tornou-se Doutora em Enfermagem, na Escola de Enfermagem Ana Néri da UFRJ com a tese intitulada “A observação sistematizada na identificação dos problemas de enfermagem em seus aspectos físicos”, apresentada à cadeira de Fundamentos de Enfermagem, Rio de Janeiro, em 31 de outubro de 1968.
Trabalhou em diversas instituições no período de 1948 a 1958 entre as quais destacamos, Chefe de Enfermagem do Serviço de Enfermagem do Hospital Central Sorocabano, SP, no período de 1954 a 1955 e como professora do Curso de Auxiliares de Enfermagem do Hospital Samaritano, SP, no período de 1956 a 1958.
Na escola de enfermagem da USP no período de 1959 a 1981, como professora auxiliar de Ensino da cadeira de Fundamentos de Enfermagem de 1959 a 1968, como Professor Livre Docente no período de 1970 a 1974, como Professor Titular das disciplinas Introdução à Enfermagem e Fundamentos de Enfermagem, no período de 1968 a 1974, como Professor adjunto de 1974 a 1977. Em 1981, ano do seu falecimento, foi proclamada Professor Emérito pela Egrégia Congregação da Escola de Enfermagem da USP.

TEORIA DE WANDA HORTA

Teoria das Necessidades Humanas Básicas

Essa teoria de enfermagem foi desenvolvida a partir da teoria da motivação humana, de MASLOW, que se fundamenta nas necessidades humanas básicas:

    • A enfermagem é um serviço prestado ao ser humano.
    • O ser humano é parte integrante do universo dinâmico, e como tal sujeito a todas as leis que o regem, no tempo e no espaço.
    O ser humano está em constante interação com o universo, dando e recebendo energia.

A dinâmica do universo provoca mudanças que o levam a estados de equilíbrio e desequilíbrio no tempo e no espaço.
Resulta, pois:

1. O ser humano como parte integrante do universo está sujeito a estados de equilíbrio e desequilíbrio no tempo e no espaço.
– O ser humano se distingue dos demais seres do universo por sua capacidade de reflexão, por ser dotado do poder de imaginação e simbolização e poder unir presente, passado e futuro.
– Estas características do ser humano permitem sua unicidade, autenticidade e individualidade.
– O ser humano, por suas características, é também agente de mudanças no universo dinâmico, no tempo e no espaço;
conseqüentemente:

2. O ser humano, como agente de mudança, é também a causa de equilíbrio e desequilíbrio em seu próprio dinamismo.
– Os desequilíbrios geram, no ser humano, necessidades que se caracterizam por estados de tensão conscientes ou inconscientes que o levam a buscar satisfação de tais necessidades para manter seu equilíbrio dinâmico no tempo e no espaço.
– As necessidades não-atendidas ou atendidas inadequadamente trazem desconforto, e se este se prolonga é causa de doença.
– Estar com saúde é estar em equilíbrio dinâmico no tempo e espaço.

A enfermagem é parte integrante da equipe de saúde

Do que resulta:
Como parte integrante da equipe de saúde, a enfermagem mantém o equilíbrio dinâmico, previne desequilíbrios e reverte
desequilíbrios em equilíbrio do ser humano, no tempo e no espaço.
O ser humano tem necessidades básicas que precisam ser atendidas para seu completo bem-estar.
O conhecimento do ser humano a respeito do atendimento de suas necessidades é limitado por seu próprio saber, exigindo, por isto, o auxílio de profissional habilitado.
Em estados de desequilíbrio esta assistência se faz mais necessária.

Todos os conhecimentos e técnicas acumuladas sobre a Enfermagem dizem respeito ao cuidado do ser humano, isto é, como atendê- lo em suas necessidades básicas.
valendo-se para isto dos conhecimentos e princípios científicos das ciências físico-químicas, biológicas e psicossociais.

A conclusão será:
A enfermagem como parte integrante da equipe de saúde implementa estados de equilíbrio, previne estados de
Desequilíbrio e reverte desequilíbrios em equilíbrio pela assistência ao ser humano no atendimento de suas necessidades básicas; procura sempre reconduzi-lo à situação de equilíbrio dinâmico no tempo e espaço.

Conceitos, proposições e princípios

Partindo-se da teoria proposta, o primeiro conceito que se impõe é o de enfermagem: enfermagem é a ciência e a arte de assistir o ser humano no atendimento de suas necessidades básicas, de torná-lo independente desta assistência, quando possível, pelo ensino do autocuidado; de recuperar, manter e promover a saúde em colaboração com outros profissionais.

Assistir em enfermagem é:
Fazer pelo ser humano aquilo que ele não pode fazer por si mesmo; ajudar ou auxiliar quando parcialmente impossibilitado de se autocuidar; orientar ou ensinar, supervisionar e encaminhar a outros profissionais.

Destes conceitos algumas proposições podem ser inferidas:
As funções da(o) enfermeira(0) podem ser consideradas em três áreas ou campos de ação distintos.

a) Área específica: assistir o ser humano no atendimento de suas necessidades básicas e torná-lo independente desta assistência, quando possível, pelo ensino do autocuidado.

b) Área de interdependência ou de colaboração: a sua atividade na equipe de saúde nos aspectos de manutenção, promoção e recuperação da saúde.

c) Área social: dentro de sua atuação como um profissional a serviço da sociedade, função de pesquisa, ensino, administração, responsabilidade legal e de participação na associação de classe.

A ciência da enfermagem compreende o estudo das necessidades humanas básicas, dos fatores que alteram sua manifestação e atendimento, e na assistência a ser prestada.

Alguns princípios podem também ser deduzidos:

    • A enfermagem respeita e mantém a unicidade, autenticidade e individualidade do ser humano.
    • A enfermagem é prestada ao ser humano e não à sua doença ou desequilíbrio.
    • Todo o cuidado de enfermagem é preventivo, curativo e de reabilitação.
    • A enfermagem reconhece o ser humano como membro de uma família e de uma comunidade.
    A enfermagem reconhece o ser humano como elemento participante ativo no seu autocuidado.

Aplicabilidade da Teoria na Prática

MASLOW baseia sua teoria sobre a motivação humana nas necessidades humanas básicas. Estas foram por ele hierarquizadas em cinco níveis:

    • necessidades fisiológicas;
    • de segurança;
    • de amor;
    • de estima,;
    de auto-realização.

Todas estas necessidades estão intimamente inter-relacionadas, uma vez que fazem parte de um todo, o ser humano. É fundamental que se integre o conceito holístico do homem, ele é um todo indivisível, não é soma de suas partes.
Quando a necessidade se manifesta, o faz por sinais e sintomas que em enfermagem, denominam-se problemas de enfermagem.

A necessidade de oxigenação seria o processo de utilização do oxigênio nos fenômenos de oxi-redução das atividades vitais.
Manifestações podem ser evidenciadas pelos seguintes problemas de enfermagem:
cianose, dispnéia, ortopnéia, lentidão, cansaço, fadiga, insegurança, agitação, irritabilidade, ansiedade, medo, euforia, tontura, coriza, tosse, hemorragia, sangramentos, tabagismo, obstrução das vias aéreas, estase circulatória, modificações no ritmo, freqüência e demais características dos movimentos respiratórios, etc.

A necessidade de amor é o processo dinâmico de troca de energia emocional positiva entre os seres vivos. Esta necessidade pode se manifestar por ansiedade, insegurança, tensão, rejeição, negativismo, indiferença, depressão, solidão, frustração, fuga, medo, dores, diminuição ou aumento da motricidade, angústia, agressividade, anorexia, emagrecimento, dependência, obesidade, insônia, choro, apatia, prostração, euforia, exibicionismo, delinqüência, desvios de comportamento, etc.

CONCLUSÃO

Concluímos que o ser humano é parte integrante do universo e está sujeito à constantes mudanças, reagindo à cada uma delas, lutando pela sobrevivência. Provocando equilíbrios e desequilíbrios em nós mesmos. Nosso organismo está sempre na defensiva em busca da homeostasia. As NHB dependem uma da outras para estarmos em perfeito equilíbrio.
O papel da enfermagem é procurar dominar o desequilíbrio, transformando-o em equilíbrio para que o mesmo não se transforme em doença, de forma a orientar e supervisionar cada indivíduo, procurando promover o cuidado visando “seres humanos” e não apenas pacientes.
Devido a isso Wanda Aguiar Horta relacionou o processo da doença as necessidades Humanas básicas de Maslow, visando um novo horizonte no cuidado da enfermagem.

    • TORNAR-SE
    • (Wanda Aguiar Horta)

Ser enfermeiro
É se engajar
na realidade da vida.
É um sofrer e amar
consciente e decidido.

É se aceitar
Com autenticidade
Em uso constante
E responsável
De sua liberdade

É compartilhar,
Com seus pacientes,
As esperanças, o amor,
A vida, as alegrias,
A saúde e o nascimento;
As decepções,
A solidão e o sofrimento,
A angústia e a dor,
A morte, as tristezas
E as frustrações.

É dar de si mesmo
E com isso crescer;
É assumir um compromisso
E com ele amadurecer.