O POSITIVISMO NO DIREITO

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Introdução

O positivismo propunha à existência humana valores completamente humanos, afastando radicalmente teologia ou metafísica.No direito foi um movimento pela codificação do direito segundo algumas regras pré-estabelecidas que dominaram durante mais de um século de cultura jurídica e influenciaram as constituições de muitos países.

Positivismo

O positivismo é uma linha teórica da sociologia, criada pelo francês Auguste Comte (1798-1857), que começou a atribuir fatores humanos nas explicações dos diversos assuntos, contrariando o primado da razão, da teologia e da metafísica. Segundo Henry Myers (1966), o “Positivismo é a visão de que o inquérito científico sério não deveria procurar causas últimas que derivem de alguma fonte externa, mas sim, confinar-se ao estudo de relações existentes entre fatos que são diretamente acessíveis pela observação”.

Em outras palavras, os positivistas abandonaram a busca pela explicação de fenômenos externos, como a criação do homem, por exemplo, para buscar explicar coisas mais práticas e presentes na vida do homem, como no caso das leis, das relações sociais e da ética.

Para Comte, o método positivista consiste na observação dos fenômenos, subordinando a imaginação à observação. O fundador da linha de pensamento sintetizou seu ideal em sete palavras: real, útil, certo, preciso, relativo, orgânico e simpático. Comte preocupou-se em tentar elaborar um sistema de valores adaptado com a realidade que o mundo vivia na época da Revolução Industrial, valorizando o ser humano, a paz e a concórdia universal.

O positivismo teve fortes influências no Brasil, tendo como sua representação máxima, o emprego da frase positivista “Ordem e Progresso”, extraída da fórmula máxima do Positivismo: “O amor por princípio, a ordem por base, o progresso por fim”, em plena bandeira brasileira. A frase tenta passar a imagem de que cada coisa em seu devido lugar conduziria para a perfeita orientação ética da vida social.

Embora o positivismo tenha tido grande aceitação na Europa e também em outros países, como o Brasil, e talvez seja, a base do pensamento da sociologia, as idéias de Comte foram duramente criticadas pela tradição sociológica e filosófica marxista, com destaque para a Escola de Frankfurt.

Positivismo de Comte

A doutrina filosófica do positivismo tem raízes ideológicas em diversos movimentos que tiveram lugar no século XVIII, como o empirismo radical de David Hume, que concedia primazia absoluta à experiência no processo do conhecimento, e o Iluminismo, com sua crença no progresso da humanidade por meio da razão. O positivismo é produto direto de sua época. Com a revolução industrial já plenamente realizada, em pleno florescimento das ciências experimentais, que conquistavam progressivamente mais e mais espaço, em detrimento da especulação racionalista, Comte tentou a síntese dos conhecimentos positivos de seu tempo. Era recente e estrondoso o triunfo da física, da química e de algumas idéias biológicas. Com intenção de reforma social, o pensamento de Comte pretendeu ser um comentário geral sobre os últimos resultados das ciências positivas.

Ao contrário do que afirmaram alguns divulgadores, Comte nunca se inclinou a favor de um empirismo radical. Pelo contrário, situava o positivismo entre o empirismo — a pura experiência direta do fato — e o racionalismo, que ele chamava também de misticismo. O saber científico depende tanto de dados empíricos como de elaboração racional. O real não é dado diretamente, pela simples sensação, ou mera apreensão da realidade pelos sentidos, que precisam ser complementados por ação do intelecto. O espírito reage, reelabora os dados dos sentidos e os organiza segundo uma hipótese de trabalho e cria uma imagem de mundo formada por elementos empíricos e racionais.

No pensamento social de Comte manifesta-se a influência de seu mestre, Saint-Simon, teórico do socialismo utópico, que preconizava uma reforma da sociedade. Comte se propôs a dois objetivos básicos: a elaboração de uma sociologia — disciplina criada por ele e à qual pensou dar o nome de “física social” — sobre a base exclusiva do estudo científico dos dados da experiência, e a reorganização das ciências de acordo com o mesmo critério.

A doutrina de Comte, exposta no Cours de philosophie positive (1830-1842; Curso de filosofia positiva), baseou-se na chamada lei dos três estados ou etapas do desenvolvimento intelectual da humanidade. O primeiro estágio é o teológico, no qual o homem explica os fenômenos da natureza mediante o recurso a entes sobrenaturais ou divindades, e cuja fase superior é o monoteísmo. No segundo estágio, o metafísico, não se interpreta o mundo sensível em função de seres exteriores a ele, mas apela-se para forças ou conceitos imanentes e abstratos (formas, idéias, potências, princípios). Por último, no estado positivo, o homem se limita a descrever os fenômenos e a estabelecer “as relações constantes de semelhança e sucessão entre eles”. Nesse estágio, que é o da filosofia positiva, não se pretende achar as causas ou a essência das coisas, mas descobrir as leis que as regem, já que a filosofia está “destinada por sua natureza não a descobrir, mas a organizar”.

O objetivo básico da filosofia positiva é, pois, a ordenação e a classificação das ciências. Comte estabeleceu uma pirâmide de seis ciências puras, na base da qual se encontrava a matemática — única ciência que não pressupõe as demais — seguida da astronomia, física, química, biologia e sociologia. Todas seriam regidas pelo mesmo método descritivo, e cada uma delas utilizaria os dados proporcionados pelas precedentes. Comte estabelecia assim o princípio da unidade da ciência.

No Discours sur l’ensemble du positivisme (1848; Discurso sobre o conjunto do positivismo), Comte incumbiu-se de relacionar os diversos sentidos da palavra “positivo”: relativo, orgânico, preciso, certo, útil, real. No mesmo ensaio, parte dessas características do positivo para chegar a uma significação moral e social mais ampla, de reorganização da sociedade, com predomínio do coração e dos sentimentos sobre a razão e a atividade, cujo ápice é a religião da humanidade. O positivismo contém assim uma teoria da ciência, uma doutrina de reforma social e uma religião.

Uma segunda fase na vida do criador da doutrina positivista inicia-se com o predomínio dos propósitos práticos em detrimento dos teóricos ou filosóficos, fase da qual é bem representativo o seu Système de politique positive (1851-1854; Sistema de política positiva). Constitui-se então a chamada “religião da humanidade”, com ídolos, novo fetichismo, sociolatria, sociocracia, sacerdotes, catecismo, tudo confessadamente muito próximo do catolicismo. Assim, o positivismo assume a condição de um credo baseado na ciência, que não exclui a abertura de templos e a prática de culto. Os aspectos religiosos do positivismo se encontram tratados em Le Cathécisme positiviste (1852; O catecismo positivista).

A INFLUÊNCIA DO POSITIVISMO NO ENSINO DO DIREITO

Sempre que se anuncia uma nova doutrina os paradigmas econômicos, sociais e religiosos são conseqüentemente afetados. Assim, em linhas gerais, os avanços experimentados pelo positivismo também acabaram encontrando terreno fértil ainda no século XIX na concepção do positivismo jurídico e refletindo no ensino do Direito. Não se pode negar que o caráter cientificista valorizado pelos positivistas e propagado por Kelsen (2003), ajudou a construir uma visão compartilhada de que o Direito é um “sistema de normas jurídicas”. Todavia, ele, não afirmou que esse sistema interage e se completa, formando uma cadeia interdependente. Nessa ótica, o conhecimento se esgotaria em si mesmo e não privilegia o compartilhamento das informações com outras áreas.

Nos dizeres expressivos de Kelsen, (2003, p. 79) “apreender algo juridicamente, não pode significar senão apreender algo como Direito, o que quer dizer: como norma jurídica ou conteúdo de uma norma jurídica”. O exame dessa questão a luz do pensamento positivo Kelseniano sugere a construção de um postulado baseado na normalização geral e disciplinar, gerando assim um modelo de ensino constituído por grupos de disciplinas que se completam, mas não interagem. Desta forma, Kelsen contribuiu para a criação da especialidade da ciência jurídica ou normativa, reforçando, assim, o processo de fragmentação do saber científico. Contrapondo-se a esse modelo, Bobbio (1995) alerta para a necessidade do estudo interdisciplinar do Direito, uma vez que, a norma jurídica não deve ser estudada desprezando o conjunto coordenado, suas interfaces e as inter-relações da própria norma.

Conveniente seria notar, qualquer que seja o enfoque dado pela doutrina positivista à característica marcante do Direito Positivo será sempre baseada no conjunto de normas vinculados ao poder do estado ou a autoridade competente. Isso não quer dizer que o pensamento positivista não tenha sido muito importante para a humanidade, até mesmo porque não se pode negar a sua relevância social dentro de um contexto espaço-temporal e seus reflexos nas diversas áreas do conhecimento.

ORIGENS DO POSITIVISMO JURÍDICO

Positivismo jurídico, doutrina segundo a qual não existe outro direito senão o positivo nasce do impulso histórico para a legislação e se consolida quando lei torna-se a fonte exclusiva do direito – ou que de qualquer modo absolutamente prevalece – do direito. E, seu resultado último é representado pela codificação.

Surge na Alemanha durante a formação do Estado Moderno, tendo como predecessor à “Escola Histórica de Direito”, cujo principal precursor foi o filósofo Savigny. Esta escola é considerada a precursora do direito positivo por criticar o direito natural como um direito universal, imutável, deduzido pela razão, como defendiam os iluministas. A escola histórica defende o direito consuetudinário, por ser a expressão da realidade histórica e social do povo em oposição ao jus naturalismo que defendia um direito universal e imutável, deduzido pela razão. Opõe-se a codificação do direito germânico, por julgar impróprio a tal civilização, a cristalização do direito.

Após um certo tempo o próprio Savigny passa a defender a codificação, a partir do momento que a sociedade se encontrasse evoluída para tal acontecimento, o que segundo ele ainda não estava. Para Savagny a Alemanha encontrava-se numa época juridicamente primitiva, na qual o direito estava em vias de formação, visto assim, o fazendo se bloquearia o processo natural de desenvolvimento e de organização do direito. Numa época de declínio cultural e jurídica, a codificação é danosa por cristalizar e perpetuar um direito já decadente.

Para codificar o direito alemão era necessário promover o nascimento e o desenvolvimento do direito científico, isto é, a elaboração do direito por parte da ciência jurídica. Tal corrente defendia o direito consuetudinário.

Em oposição aos historicistas, a corrente iluminista criticava o direito consuetudinário por considerá-lo uma herança da idade média, como contrário às exigências do homem civilizado e da sociedade inspirado nos princípios de civilização, enquanto expressão não da razão, mas do irracional, não incitado em toda tradição. Consideravam necessária a substituição das normas consuetudinárias por um conjunto de normas jurídicas postas pelo Estado. Segundo esta corrente de pensamento, o homem não deve ficar preso à tradição, devendo sim superá-la e renová-la.

A idéia de codificação surgiu do pensamento iluminista do século XVIII, mas somente na legislação napoleônica ocorreu à codificação propriamente dita, como a entendemos hoje, ou seja, um corpo de normas sistematicamente organizadas e elaboradas com o intuito de simplificar as leis e condensá-las no menor número possível, acreditando-se que a multiplicidade de leis facilitava a corrupção. Representou a expressão orgânica e sintética da tradição francesa do direito comum, foi elaborada numa época em que a população desejava romper com o passado.

Na Inglaterra houve uma ampla teorização da codificação, apesar de não ter sido codificado o direito, pois neste país predominava o direito costumeiro, não codificado e confinado ao trabalho dos juízes, não se fundava em leis gerais, mas em casos cujo cumprimento era obrigatório.

Benthan, um jurista inglês, propôs uma reforma radical do direito mediante uma codificação completa que deveria sistematizar toda a matéria jurídica em três partes: Direito Civil, Direito Penal e Direito Constitucional. Esta sistematização deveria ser universal, no sentido que serviria não apenas a Inglaterra, mas a todo o mundo civilizado. Segundo Benthan, a lei não deveria apresentar lacunas, devendo ser escrita para que todos pudessem conhecê-la. As leis deveriam ser elaboradas pelo legislativo e não pelo judiciário, uma vez que o direito judiciário não trazia segurança ao direito, por não permitir aos cidadãos prever as conseqüências das próprias ações. Não havendo, portanto, segurança para os direitos individuais, ou uma segurança muito inferior a do direito escrito.

Conclusão

O Positivismo jurídico é uma doutrina do direito que considera que somente é Direito, aquilo que é posto pelo Estado, sendo então esse o objeto que deve ser definido e cujos esforços sejam voltados à reflexão sobre a sua interpretação

Sua tese básica é que o direito constitui produto da ação e vontade humana (direito posto, direito positivo) e não da imposição de Deus, da natureza ou da razão como afirma o Jusnaturalismo.

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RESENHA: O MUNDO DE SOFIA

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O MUNDO DE SOFIA

A FILOSOFIA

A Filosofia antiga ou contemporânea ajuda a definir a visão do mundo de um povo, de uma civilização ou de uma cultura. Independente do contexto histórico a filosofia tem sua relevância para a atualidade. A filosofia, de modo vago e geral, ao conjunto de idéias, valores e práticas pela qual uma sociedade apreende e compreende o mundo e a si mesma, definindo para si o tempo e o espaço, o sagrado e o profano, o bom e o mau, o justo e o injusto, o belo e o feio, o verdadeiro e o falso, o possível e o impossível, o contingente e o necessário.

A Filosofia é sempre usada no nosso cotidiano, quando questionamos nossas infindáveis dúvidas, quando começamos a interrogar-nos mesmos; desejando conhecer porque cremos e no que cremos, porque sentimos e o que sentimos, o que são nossas crenças e o que são nossos sentimentos.

A Filosofia é importante também para que possamos avaliar o mundo e a vida, julgando como estamos nos comportando diante dela. Ao avaliarmos que uma coisa é mais bonita que a outra ou que uma pessoa é mais jovem que a outra, acreditamos que as coisas, as pessoas e as situações, podem ser comparadas, avaliados e julgados por suas qualidades e quantidades. Concluímos assim que a qualidade e a quantidade existem; e que podemos conhecê-las e usá-las em nossa vida.

No mundo de Sofia durante a leitura é possível refletirmos com a jovem menina e com o nosso próprio imaginário. Na condição de estudante de Teologia acredito que deveríamos ter um maior envolvimento com a filosofia nas Faculdades EST. A organização de simpósios ou de cursos nessa área seria de grande produtividade.

INTRODUÇÃO AO LIVRO

Jostein Gaarder utilizou de sua criatividade para unir em uma única obra o conhecimento da filosofia em uma interessante estória voltada mais precisamente para os adolescentes.O título “O Mundo de Sofia”, mostra que o mesmo vai se contar a história da vida de uma jovem, ao usar a palavra “mundo” pensamos que entraremos em sua vida, que vamos estar ao seu lado, olhando tudo, suas psiques, suas dúvidas, seus achados. A adolescência é um período de descobertas! No entanto, as descobertas não se caracterizam apenas nessa etapa da vida. A nossa vida é uma constante descoberta. Nos diferentes períodos vitais surgem diante de nós interrogações sobre o sentido da vida, sobre o papel que ocupamos na sociedade e sobre a vinda de um futuro que desconhecemos. Existe uma constante transformação da qual muitas vezes desconhecemos. Nós seres humanos não somos objetos moldáveis, temos liberdade para aprender e crescer a partir das nossas escolhas.

O livro possui um vocabulário que facilita a comunicação entre autor e leitor. O autor manteve uma ordem cronológica dos acontecimentos, passava um ensinamento de filosofia e logo após falava da vida “real” de Sofia, com isso o livro oferece um equilíbrio entre as teorias apresentadas, as realidades e os contextos históricos. O livro deixa o leito curioso para descobrir os vários mistérios que existem ao longo da leitura, os enigmas que prendem a atenção e a forma humorística do autor ao escrever a história, principalmente a fala de Sofia. Ele conseguiu transformar a história da filosofia em uma aventura sem perder a capacidade critica de refletir teoricamente os pilares do mundo filosófico.

A filosofia é uma busca continua da verdade, é o Saber Luz, que nos faz saber o sentido secreto da realidade, ela nos leva a refletir, ela é a única ciência que estuda de uma forma global, generalizada, ela busca conhecer não somente o superficial, más também a essência, diz que todo ser nasce numa essência, aquilo que faz um ser o que ele é, é a característica própria de cada um, a diferença é a racionalidade. O livro começa tendo como título do primeiro capítulo “O Jardim do Éden”, que significa o “início”. Deus criou o mundo e o habitou com Adão e Eva, que viveram no Jardim do Éden, primeiros habitantes (surgimento).

O JARDIM DO EDEM

Sofia está em busca por novas descobertas e por novas respostas. Ela apesar da pouca idade e experiência, explora o sentido da vida através de diálogos constantes consigo e com outros personagens. O dialogo entre seu pensamento e o mundo filosófico é o fim condutor. Demonstra a forte habilidade que temos para refletir independente da idade. Ela era uma menina de quase quinze anos que morava com sua mãe. Devido o trabalho do pai o relacionamento de Sofia com ele era mais distante. Sofia encontrou dois pequenos envelopes brancos. Em cada um havia uma indagação e elas provocaram uma discussão: refletir sobre a vida e a origem do mundo. Também recebeu um cartão-postal que deveria ser entregue a uma pessoa que ela nem conhecia e cujo nome era Hilde. Sofia recorreu a um esconderijo no jardim de sua casa para pensar e refletir sobre as perguntas. Para ela, ele representava um mundo à parte, um paraíso particular, como o jardim do Éden mencionado na Bíblia. O Jardim do Edem assume um papel importante, não é somente um lugar simbólico ou geográfico, mas representa a conexão do pensamento de Sofia com as questões existências. O leitor se envolve na estória e tenta desvendar este enigma. A origem do mundo é uma grande polêmica. Sabemos que a vida humana está muito além das narrativas do Jardim do Edem. A Filosofia nos pergunta pelos fatos que estão além uma primeira descoberta. O Jardim do Edem, nesse sentido, é meramente uma das hipóteses.

A CARTOLA

O segundo capítulo é intitulado de “Cartola”. Sofia recebe um envelope com as recomendações básicas de seu curso de filosofia. Ela está empolgada frente ao desafio. O autor centraliza atenção para o interesse de Sofia na ciência da filosofia. Com isso alerta nosso próprio interesse. O campo que Sofia pretende explorar é enorme e de certa forma representa a necessidade da atenção e da profundidade dos temas. Não são assuntos comuns, são assuntos que precisam ser lidos e relidos. A entrega e o compromisso: a jovem se insere em um vasto campo, deixando de lado outras coisas do seu cotidiano. A filosofia torna-se sua companheira! A primeira parte explica basicamente o que é filosofia, fazendo alusão aos exemplos simples, fala o quanto à filosofia é importante na vida das pessoas e demonstra uma visão diferente do “mundo” que vivemos, imaginamos e experimentamos. A garota transforma as dicussoes filosóficas como “fazer diário”, uma teoria aplicada na prática, no dia a dia, em coisas comuns. Quando Sofia recebe um grande envelope amarelo com a inscrição: Curso de filosofia. Maneje com cuidado. O seu conteúdo diz que as pessoas têm preferências por uma variedade de assuntos. Isso demonstra a pluralidade de gostos, de atitudes, de sentimentos, enfaticamente relata a diversidade humana. O livro cita: algumas pessoas procuram observar os astros, já outras se interessam por esportes. Os seres humanos não são iguais, a única coisa que temos em comum são nossas afinidades, gênero, raça. São nossas semelhanças que nos tornam mais próximos uns dos outros e também são nossa diferenças que nos aproximam para conhecer e descobrir o que ainda não há em nós mesmos.

O fato de sermos diferentes não representa que não possamos ter planejamentos em concordância. Há ênfase para detalhes, assuntos e questões que deveriam interessar a todos como, por exemplo, saber quem somos e de onde viemos. Buscar nossa “identidade” e aquilo que não conhecemos ou eventualmente não procuramos conhecer. Conhecer a si mesmo para então poder conhecer ao próximo é um possível caminho. Explorar nossa “identidade”: o que queremos e para onde vamos?

O contexto histórico estimula nossa própria caminhada e conhecimento, através do ontem é que também fundamentamos nossas relações no presente e de certa forma assim construímos uma expressão coletiva de tempo, espaço e história. Os filósofos buscam verdades o que nem sempre são as nossas verdades ou aquilo que acreditamos. Participar nesse processo é estar aberto às opiniões diferentes e não simplesmente discriminá-las como irreais ou irrelevantes. Uma reflexão nem sempre representa as nossas necessidades necessariamente, contudo aponta para as necessidades de outro alguém. Interagir com os dados apresentados no livro é conviver com “necessidades” e “contextos” diversificados.

Hoje em dia também devemos procurar nossas respostas e é importante conhecermos o que foi dito em outras épocas para que possamos formar uma opinião própria ou uma visão mais crítica sobre determinado assunto. A história do passado também reflete na história que pertence ao presente e que diariamente cria e recria acontecimentos.

O professor de filosofia também faz referência a um truque mágico onde um coelhinho branco é tirado de uma cartola preta. Assim, ele quer passar para Sofia a idéia de que também fazemos parte de um grande mistério. O professor nos compara ao coelho com a diferença de que, ao contrário deste, temos consciência de estarmos participando de um enigma e procuramos explicações e motivações para isso. Na vida humana existem várias cartolas das quais concentram vários mistérios. Qual é a sua? Qual é a minha? Nem sempre compreendemos os mistérios da vida, mas buscamos através da reflexão e da interpretação de acontecimentos aproximações de uma realidade que, muitas vezes, transcende nosso entendimento.

No mesmo dia, Sofia recebe um outro envelope amarelo. Primeiramente, o professor faz uma citação: “a única coisa de que precisamos para nos tornarmos bons filósofos é a capacidade de nos admirarmos com as coisas”. Depois diz que os bebês possuem esta capacidade. Porém, os Bebes a medida que crescem vão perdendo-a. Um filosofo pode ser comparado a uma criança: tanto um quanto o outro ainda não se acostumaram com o mundo e não pretendem se acomodar com as coisas. A naturalidade de certas coisas para alguns pode ser um enigma para outros. A Fé, por exemplo, representa uma simplicidade para alguns e um verdadeiro conflito para outros. A Filosofia não apenas questiona, antes disso ela pergunta.

OS MITOS

Nós acreditamos em mitos e discutimos sobre mitos? O terceiro capítulo reserva uma descrição sobre os mitos, principalmente sobre os mitos surgidos na Grécia por volta de 600 a.C. Às histórias contadas nas civilizações gregas estavam vinculadas ao “mundo” dos Deuses. A cosmovisão sobre o mundo transcendia um “espírito” racional. As afirmativas referentes aos Deuses frequentemente alicerçavam um forte elo entre as civilizações e divindades específicas. Às explanações para as coisas eram resultantes dos mitos que são histórias de deuses. Os mitos surgiram da necessidade do ser humano justificar e incentivar o imaginário humano. Os fenômenos como o crescimento das plantas, as chuvas, os trovões, as mudanças climáticas pela ausência de uma explicação cientifica foram compreendidos como mitos. Tudo que ocorria aqui na Terra estava intimamente ligado ao que acontecia no mundo dos deuses: secas, epidemias e demais aspectos negativos eram as conseqüências de que as forças do mal triunfavam sobre as do bem e o inverso ocorria quando havia fartura e prosperidade. Também, existiam deuses específicos para situações especificas. Um Deus específico representava uma determinada cultura e a força de um povo.

Homero e Hesíodo por volta de 700 a.C. registraram por escrito boa parte da mitologia grega. A mitologia grega ainda exerce uma forte repercussão na atualidade. Há cursos em destaque para áreas e assuntos da época. Recordando de um filósofo crítico em relação aos mitos destaca-se o nome Xenófanes. O questionamento era devido os “representantes” terem sido criados à imagem e semelhança das pessoas. Na Grécia começaram a surgir as cidades-estados e uma forte expansão de outras regiões. A educação tornava-se elementar. No sistema escravista os homens livres desfrutaram de maior participação nos eventos políticos, culturais, econômicos etc. Os quetsionamento não geravam somente uma oposição frente às várias mudanças na sociedade grega, mas contribuíram para as novas tendências e pensamentos convergentes. Surge uma evolução no modo de pensar e no modo de agir. Houve maior interação e aproximação com a natureza. As explicações pelos mitos seguiram-se de “explicações naturais para os processos da natureza”. Um fator positivo é que os mitos não nos revelam somente uma divindade ou um tipo seletivo de visão aliada à crença popular, eles demonstram a maneira pela qual a sociedade interpretava o seu mundo a partir da sua própria realidade.

OS FILOSOFOS DA NATUREZA

O autor utiliza um método para interagir com Sofia e com o leitor. Sem uma explicação detalhada, ela recebe um envelope com algumas perguntas. As perguntas antecedem as respostas. Não uma exposição que conduza previamente o caminho das respostas. Há sim mais questionamentos. Surge então um intenso diálogo entre os pensamentos da menina e os polígrafos que o professor misterioso de filosofia escrevia.

Os primeiros pensadores gregos possuíam muito interesse pelos processos naturais e pelos ciclos da vida. O titulo os “filósofos da natureza” caracterizam este cenário. A natureza não é apenas um assunto de hoje. As manifestações “naturais” surpreendiam os filósofos. As transformações no meio ambiente estimulavam perguntas a cerca do que era possível ou não e de que maneira tudo isso acontecia naturalmente. Os pensadores partiram do pressuposto de que sempre existiu alguma coisa e, vendo as transformações acreditavam que havia uma substância básica que subjazia a todas essas mudanças.Os filósofos também tentaram descobrir leis eternas a partir da observação dos fatos, desconsiderando quase que completamente as explanações mitológicas.

A filosofia desvinculava-se dos mitos e abdicava sua independência como ciência relevante e de profundo conhecimento. Também com a religião ou religiosidade houve rompimento. Os primeiros ensaios e observações de uma forma científica de pensar começavam a aparecer e a se desenvolver. A racionalidade é agregada nas discussões, contribuindo para uma pluralidade de pensamentos no campo filosófico. Não existia apenas a filosofia como saber, mas sim as filosofias do saber. Destaque aos nomes de Tales, Anaximandro e Anaxímenes, três filósofos de Mileto.

Tales considerava a água como fonte principal da vida. Para ele a água era um elemento indispensável para entendermos qualquer forma de vida. Da água tudo se originava e a ela tudo retornava. Anaximandro fez distinção ao pensamento de Tales. Nesse caso, a terra era um entre vários mundos surgidos de “alguma coisa” e nessa relação assumia uma condição infinita. Já Anaxímenes (c. 550-526 a.C.) declarou que o ar era a substância básica de todas as coisas e para todas as coisas. A água seria a condensação do ar e o fogo, o ar rarefeito. Ele afirmava a possibilidade de transformar a água em terra.

Nada pode surgir do nada:. Era extremamente racionalista e não confiava nos sentidos. Parmênides desconsiderava as possíveis mudanças na natureza: nada podia vir do nada e nada que existisse poderia se transformar em outra coisa. Embora soubesse que a natureza se transformava sua interpretação não compactuava ou atestava tal existência. Tudo flui: Ele confiava nos sentidos. Heráclito afirmou que a principal característica da natureza seriam realmente as mudanças que ocorriam de modo perceptíveis aos sentidos humanos. . Sua crença abre especial ênfase aos opostos: guerra e paz, saúde e doença, bem e mal. Quatro elementos básicos: Empédocles (c. 494-434 a.C.) para eliminar o impasse a que a filosofia se encontrava, realizou uma síntese do modo de pensar de Heráclito e Parmênides. Apesar de uma tentativa de unificação de idéias, surgiu de certo modo uma evolução do pensamento. Em sua convicção era a existência de mais de uma substância primordial. Nesse sentido, consideravam-se quatro elementos básicos: terra, ar, fogo e água. As demais coisas estavam direta ou indiretamente vinculadas, isto é, em proporções diferentes. O amor e a disputa também eram forças que atuavam juntamente a natureza.

Um pouco de tudo em tudo: Anaxágoras (c.500-428 a.C.) refletia a existência da matéria, a criação das coisas, através de pequenas partículas invisíveis ao olho de nu. As partículas poderiam estar divididas e denominadas como partes minúsculas. Ele considerou a inteligência, uma força superior e parte fundamental na criação das coisas. Na cidade de Atenas Anaxágoras foi o primeiro filósofo, entretanto foi expulso da cidade sendo acusado de ateísmo. Um dos seus grandes interesses era astronomia, onde procurou explicar que a Lua não possuía luz própria e de que maneira surgiram os eclipses.

DEMÓCRITO

O autor dá ênfase ao misterioso professor de filosofia. A garota tenta descobrir quem é ele. Isto faz com que o leitor seja descontraído. Logo após, autor continua com o mesmo sistema, Sofia recebem primeiras as perguntas e depois as respostas que se encontra dentro do texto referente ao filósofo a ser estudado.

Demócrito (c. 460-370 a.C.) foi o último filósofo da natureza. A idéia sobre átomos surgiu em suas reflexões. Os átomos seriam partículas indispensáveis, minúsculas e eternas, por exemplo, quando um animal morresse seus átomos no “processo de decomposição” participariam da constituição de outros corpos. Os estudiosos da atualidade afirmam que Demócrito estava certo em grande parte de sua teoria, mas errou ao falar que os átomos são indivisíveis. A razão e as coisas matérias foram devidamente valorizadas por Demócrito. Sua explanação contrariava muitas teorias da sua sociedade que defendiam a participação das “forcas” nos processos naturais. Ele não cria na condição imortal da alma, sua teoria atômica explicava nossas percepções sensoriais e a alma também se constituía de átomos.

Para Demócrito tudo era composto por átomos. A morte não de um ser humano resultava na continuação de um “processo”. Quando algo perdia a vida, seus átomos se espalhavam pela natureza e cada um fazia parte de uma nova vida. Nada melhor para explicar isso como fazendo uma comparação com um quebra cabeças. No “quebra cabeças” o todo só existe a partir da fusão das peças menores. O autor é criativo na utilização e apropriação de exemplos. A menina Sofia não representa ter opiniões formadas sobre o que aprendia, primeiramente, ela apenas concordava e se surpreendia com o conteúdo dos polígrafos. Apesar de Sofia ser a personagem central assume muitas vezes a neutralidade. Talvez fosse interessante uma exposição maior de perguntas da parte de Sofia, ampliando as discussões com o “mundo” dos leitores.

O DESTINO

O autor centraliza sua criatividade em torno de outro mistério. Sofia escreve uma carta ao filósofo e com isso recebe uma aula sobre destino. Surge do nada um echarpe de cor vermelha e bordado com o nome Hilde. A problematizarão desta sessão encontra-se vinculada ao “sentido” da pré-destinação. A fatalidade ou mentalidade de que todos já nascem designados para algo ou para alguma coisa. Uma das características dos antigos gregos era o fato de eles serem fatalistas, isto é, acreditar que tudo que vai acontecer já está traçado no seu destino. Uma desgraça está inteiramente ligada com o destino e com um suposto castigo de Deus. Assim sendo, cresce no seio dessa idéia os sacrifícios, uma “negociação” com as “divindades” em troca da cura ou proteção.

SÓCRATES

O professor ensina que os três maiores filósofos da natureza foram: Sócrates, Platão e Aristóteles. O autor também inicia sua reflexão por intermédio de Alberto, descrevendo que Sócrates não deixou nada escrito, foi Platão quem escreveu as teorias. Ele era um sujeito que não tinha como objetivo centra se expor. Os demais filósofos que antecederam Sócrates foram denominados de Pré-Sócrates. Sofia recebeu a carta do seu professor de filosofia movida de um pedido de desculpas por recusar-se de ir até a sua casa conhecê-la pessoalmente. A nova carta aprofundava a filosofia em Atenas e de Sócrates.

Sócrates: Sócrates foi definitivamente contemporâneo dos Sofistas. Os Sofistas eram conhecidos na cidade de Atenas e em provavelmente em outros lugares. A reflexão dos Sofistas debatia o que era natural e o que não era tendo a sociedade como pano de fundo, estimulando assim uma “critica social”. Sócrates também se preocupava com o cotidiano da vida das pessoas. Ele refletia questões como os costumes, as tradições, a existência do bem e do mal. Uma das características mais notórias era sua humildade. Ao contrario dos Sofistas não cobrava por seus ensinamentos e tampouco se vangloriava com suas exposições. Sua convicção partia do ponto: “Nada sei”, considerava como um eterno aprendiz carente do total conhecimento das coisas e do mundo. Sócrates não procurou esclarecer todas as suas dúvidas, e sim, construir o seu conhecimento através delas. Em relação ao outras pessoas fazia questão de mencionar que todos sabem muito pouco e necessitam aperfeiçoamento. O importante era encontrar um alicerce seguro para os conhecimentos. Em 399 a.C.devido ao racionalismo convicto foi acusado de corromper a classe mais jovem da sociedade e de não aceitar e refletir devidamente a existência dos deuses. No seu julgamento foi considerado culpado e condenado à morte.

ATENAS

O livro apresenta uma mudança na metodologia do ensino. Agora o professor de filosofia sugere o uso de uma fita de vídeo. O material torna-se mais didático e cativante. No ensino traz pela primeira vez à imagem do filosofo em Atenas por volta do século V. a.C. Nesse cenário também surge um homem fazendo mais exposições sobre referente a capital grega. Para a surpresa de todos era o seu professor. O Professor trouxe um arsenal de novidades: Os históricos monumentos, o antigo teatro de Dioniso com as repercussões das comédias e tragédias gregas, o Areópago, as ruínas da antiga praça do mercado numa época bastante remota concentrava tribunais, edifícios públicos, comércio, ginásio de esportes, etc. Tudo isso em torno do contexto social, político e econômico de Atenas. Para o entusiasmo de Sofia a cidade histórica de Atenas foi totalmente reconstruída. Era possível conhecer o “mundo” de Atenas. Os resquícios e as decomposições dos monumentos, edifícios e lugares sofridas durante séculos estavam novamente intactos. As pessoas também assumiram sua presença na aula e durante a exibição do vídeo. Nesse cenário a menina Sofia foi introduzida a Sócrates e Platão. Seguidamente surgiram perguntas para a jovem diante de sua reflexão, contudo a exibição acabou em um momento tão oportuno para o aproveitamento de outras informações.

PLATÃO

A imoralidade da alma e sua existência permanente. Para Platão alguns assuntos eram irrelevantes. Em sua reflexão de nada adianta estudar aquilo que é mutável e que não tem ligação com o eterno. Em sua citação surge a metáfora da bolha de sabão que ao passe que é gerada logo se extingue. A alma é o centro de sua discussão. Tudo flui menos a alma. Ele fazia uma diferenciação entre o real e aquilo que está escondido. O escondido somente conheceremos no momento apropriado.

Platão seguiu Sócrates em muitos dos seus princípios. Em defesa de Sócrates publicou um discurso fazendo alusão ao que havia dito ao júri. Elaborou uma coletânea com inúmeros diálogos dando um passo fundamental para organizar sua própria Academia, isto é, escola de filosofia.

Platão fundamentava seus idéias em torno de uma realidade autônoma – algo por trás do mundo dos sentidos – a qual denominou de mundo das idéias. O projeto filosófico de Platão é compreendido no seu interesse pelo que é eterno e imutável tanto no que se refere à natureza, quanto à moral e à sociedade. O interessante é que Platão não se apropriou somente dos aspectos em torno do eterno, mas buscou elementos da própria sociedade.

A dualidade humana. Para Platão o homem possui um corpo (que flui) e uma alma imortal (a morada da razão). A alma segundo alguns dos textos apresentados no livro já existia anteriormente ao corpo. Tinha em mente que a alma procurava se libertado homem, transcender, originando a saudade, um anseio e uma necessidade. Essa descrição provocou o que ele chamou de Eros, o amor.

Platão caracterizou uma divisão para o corpo humano em três partes: cabeça (razão), peito (vontade) e baixo-ventre (desejo ou prazer). A integridade do ser humano estava vinculada a ação deste todo trabalhando em conjunto. Defendeu o papel das mulheres no que tange as atividades publicas, afirmando que independente do gênero humano todos tem a capacidade de governar desde que recebessem a formação necessária para que isso ocorresse.

A CABANA DO MAJOR

Após conhecermos um pouco mais sobre Platão, Sofia permaneceu em seu esconderijo refletindo sobre as idéias deste filósofo. Sofia queria encontrar seu professor. Sofia seguiu a trilha da floresta e, pouco tempo depois, viu um lago e do outro lado, uma cabana. O texto menciona o desafio de atravessar um lago. É notável o interesse do autor em criar obstáculos para o acesso a informação. Não bastava a disposição de Sofia, ela precisava de mais para ir à busca do seu interesse. Na casa ninguém respondeu ao seu chamado, mesmo assim resolveu entrar. Em um ambiente antigo localizou um velho fogão a lenha, uma maquina de escrever e vários livros. Também, chamou a sua atenção os dois quadros na parede de Berkeley e Bjerkely. Nesse ambiente ela se confrontou diante de um espelho. Um exemplo refletindo a imagem daquele cenário, daquele momento, da própria história de Sofia. Com o passar do tempo descobriu que naquela cabana residia Alberto. Retornando ao Espelho a menina prestou maior atenção para a sua imagem que pisava os olhos para ela. No primeiro instante ela se assustou com tudo aquilo e caladamente não descreveu outras características mediante a situação. Ao retornar novamente outro desafio. O barco não estava na beira do lado, e sim, ao meio dele. Sofia precisou percorrer um caminho mais longo para retornar. Antes disso havia coletado uma carta tendo me mente a continuação do próximo filósofo, o pensador Aristóteles. Sua mãe ao encontrar Sofia e questiona-la do seu desaparecido esclareceu para o leitor o contexto do qual a menina coletou a devida carta. Segundo a mãe se tratava da “cabana do major”, nome atribuído ao homem que por muitos anos viveu naquele lugar. A jovem nervosa diante das novas revelações por resolveu escrever-lhe uma carta pedindo desculpas ao professor.

ARISTÓTELES

Um capitulo oportuno para entendermos detalhes tidos nas “entrelinhas”. A menina assume uma postura mais dinâmica frente às circunstâncias. Digamos que ela defendeu sua opinião e não apenas participou das narrativas. Por exemplo quando a jovem conheceu a visão que Aristóteles tinha das mulheres, ela ficou surpresa e irritada ao mesmo tempo. “Como alguém podia ser um filósofo tão competente e, ao mesmo tempo, um perfeito idiota” relata o livro. Porem, essa iniciativa de Sofia não produz muitos efeitos posteriormente. Ela retorna novamente para a neutralidade. O auto então procura resgatar estudos acerca de Aristóteles.

Aristóteles foi um opositor e critico aos princípios básicos da filosofia de Platão. Sua reflexão tornou-se muito conhecida e influente. .Aristóteles considerava a mulher um homem imperfeito. O pré-conceito de Aristóteles provavelmente gerou polêmicas na sua época, mas não imobilizou o crescimento de sua reflexão filosófica. As mulheres na falta de direitos humanos foram oprimidas por teorias como esta.

Aristóteles participou e foi aluno da Academia de Platão. Na Europa antiga tornou-se um grande biólogo e defensor da natureza viva. Na elaboração de linguagem técnica mediante os estudos da natureza, formulou sua própria filosofia e contribui para elementos que ainda hoje encontramos na ciência. Para ele nós participávamos do mundo através dos nossos próprios sentidos, aquilo que ouvimos e víamos, moldaram nossa conduta como seres humanos. A realidade está naquilo que percebemos. Dessa forma negava a possibilidade de um “mundo das idéias”.

A natureza possuía na visão de Aristóteles a probabilidade de se concretizar em uma realidade que lhe fosse inerente. De uma pedra poderíamos transformá-la em uma estatua, ao contrario, de um ovo de galinha jamais poderia nascer outro tipo de ave, pois essa característica não lhe é inerente. Em sua busca por respostas não se convencia meramente por qualquer tipo de explicação, procurava pela causa, pelo efeito e pela finalidade em qualquer discussão. Para ele não bastava o conhecimento das respostas era preciso ir além para descobrir o propósitos e a finalidade de todas suas interrogativas. Assim, quando identificamos as coisas, as classificamos e as ordenamos em diferentes grupos ou categorias concluímos que tudo na natureza pertence a grupos e subgrupos. Sem dúvida sua cientificidade contribui para a evolução da ciência do seu tempo, tornando-se o fundador da ciência da lógica.

Aristóteles classificou os seres humanos como inteligentes capazes de refletir sobre sua própria existência. O ser humano está acima de outros seres vivos, pois além da capacidade de locomoção, de se alimentar, de nutrir sentimentos, detêm consigo a razão. Deus era uma força impulsora ou segundo sua descrição a causa primordial de todas as coisas. Outra classificação foi definir o “mundo” entre as coisas inanimadas que precisavam de agentes externos para evoluir e se transformar e as criaturas vivas que detinham capacidade própria e uma potencialidade para que isso acontecesse.

Na sua fala sobre a Ética temos referencia para termos como: moderação, equilíbrio, harmonia. A sociedade assumiu um importante espaço nas suas teorias. Aristóteles afirmou que a sociedade contribuía para a formação completa do ser humano. A generosidade e a coragem deveriam caminhar lado a lado sem uma se sobrepor à outra, assim um principio ético.

O HELENISMO

O Livro surpreende a todo instante. Os contextos são muito plurais para uma história única com base em uma jovem menina. O autor tenta agrupar diferentes contextos para de certa forma motivar uma coerência de informações. O que elimina detalhes importantes pela falta de informações mais precisas e não tão generalizadas. Também os cartões que são endereçados a Sofia tornam-se mais confusos e instigantes. É necessário captarmos os enigmas e além de tudo focar nossa atenção no fio condutor que perpassa toda literatura, ou seja, a história da filosofia. O autor tem muita habilidade para comprimir importantes dados, deixando sempre uma interrogação. O autor continua sua história, passando pela Idade Média, o Renascimento, Barroco, Descartes, Spinoza, Locke, Um, Berkeley, Bjerkely, O Iluminismo, Kant, O Romantismo, Hengel, Kierkegaarg.

Para Sofia compreender o universo da idade média Alberto comparou cada cem anos à uma hora contada no relógio. Para motivar nossa leitura a idade média nesse cario durou apenas dez horas. Mudando as regras do jogo o professor resolve aparecer pessoalmente a menina Sofia. Fator positivo porque existe uma comunicação mais precisa entre os dois personagens. Sofia ao questioná-lo assume uma postura descontraída, um vocabulário específico de uma jovem, demonstrando estar na condição única de aprendiz. A inexperiência de Sofia comunica-se com a nossa própria inexperiência frente aos diversos assuntos. Novamente surge uma confusão de personagens centrais. Outro personagem chamado Hilde passa a ser brevemente a protagonista.

As perguntas que se destacaram neste capítulo foram: “o que faço no mundo?” e “o que faço dentro de um livro retratando a historia da filosofia”? As perguntas nos fazem pensar sobre a realidade da vida e as interrogativas que nos cercam diante da mesma. Para tudo existe uma resposta desde que saibamos a devida pergunta. Sem provocativas e perguntas, estaríamos alienados frente a algo que desconhecemos. De contra partida o excesso de perguntas pode provocar crises existenciais. Talvez para aquilo que desconhecemos e para os nossos questionamentos jamais encontraremos uma resposta única e final. Toda resposta sempre gera uma nova pergunta.

Retornando ao assunto sobre o helenismo, considerou-se como um período marcado pelo rompimento de fronteiras entre países e culturas. Na religião ocorreu uma espécie de sincretismo e na ciência uma mistura de diferentes experiências culturais. A Filosofia difundia-se entre diversas sociedades e encontrava vínculos com outras ideologias. A filosofia dos pré-socráticos e de Sócrates, Platão e Aristóteles serviu como fonte de inspiração para os temas a seguir.

Os Cínicos: A filosofia cínica foi fundada em Atenas por Antístenes (discípulo de Sócrates) por volta de 400 a.C. Os cínicos diziam que a felicidade podia ser alcançada por todos, pois ela não consistia em luxúria, poder político ou boa saúde e sim em se libertar disto tudo. Os Cínicos consideravam que as pessoas não deviam se preocupar com o sofrimento pessoal ou de outra pessoa, nem mesmo com a morte. Diógenes foi o principal repercursor desta corrente filosófica.

Os Estóicos: Interessavam-se pela convivência em sociedade, por política e acreditavam que os processos naturais (morte, por exemplo) eram regidos pelas leis da natureza e por isso o homem deveria aceitar deu destino. O imperador romano Marco Aurélio (121-180), o filósofo e político Cícero (106-43 a.C.) e Sêneca (4 a.C.-65 d.C.) foram alguns que seguiram o estoicismo. A filosofia estóica surgiu em Atenas por volta de 300 a.C. e seu fundador foi Zenão, originário da ilha de Chipre. Os estóicos consideravam as pessoas como parte de uma mesma razão universal e isto levou à idéia de um direito universalmente válido, inclusive para os escravos. Eram monistas (negavam a oposição entre espírito e matéria) e cosmopolitas.

Os Epicureus: Aristipo foi aluno de Sócrates. Ele desenvolveu uma filosofia cujo objetivo era obter para a vida, através dos sentidos, o máximo possível de satisfação afastando toda e qualquer forma de sofrimento. Por volta de 300 a.C. Epicuro (341-270 a.C.) fundou em Atenas a escola dos epicureus que desenvolveu mais ainda a ética do prazer de Aristipo e a combinou com a teoria atômica de Demócrito. Epicuro ensinava que o resultado prazeroso de uma ação devia ser ponderado, por causa dos efeitos colaterais. Achava também que o prazer a longo prazo possibilitava mais satisfação ao homem. Ele se utilizava da teoria de Demócrito contra a religião e superstição. Os epicureus quase não se interessavam pela política e sociedade e sua palavra de ordem era “Viver o momento”.

O Neoplatonismo: O neoplatonismo foi a mais importante corrente filosófica da Antigüidade. Ela foi inspirada em Platão. O neoplatônico mais importante foi Plotino (c. 205-270). Ele via o mundo como algo dividido entre dois pólos: numa extremidade estava a luz divina, Uno ou Deus. Na outra reinavam as trevas absolutas. A seu ver, a luz do Uno iluminava a alma, ao passo que a matéria eram as trevas. O neoplatonismo exerceu forte influência sobre a teologia cristã.

O Misticismo: Uma experiência mística significa experimentar a sensação de fundir sua alma com Deus. É que o “eu” que conhecemos não é nosso “eu” verdadeiro e os místicos procuravam conhecer um “eu” maior que pode possuir várias denominações: Deus, espírito cósmico, universo, etc. No entanto, para chegar a esse estado de plenitude, é preciso passar por um caminho de purificação e iluminação através de uma vida simples. Encontra-se tendências místicas nas maiorias religiões do mundo. Na mística ocidental (judaísmo, cristianismo e islamismo), o místico diz que seu encontro é com um Deus pessoal. Na oriental (hinduísmo, budismo e religião chinesa) o que se afirma é que há uma fusão total com deus, que é o espírito cósmico. É importante notar que essas correntes místicas já existiam muito antes de Platão e que pessoas de nossa época têm relatado experiências místicas como uma forma de experimentar o mundo sob a perspectiva da eternidade.

OS CARTÕES-POSTAIS

Passados alguns dias sem que Sofia nada recebesse do seu professor de filosofia e como ela estaria livre a partir da quinta-feira devido a um feriado, aceitou o convite de sua amiga Jorunn para acampar e escolheu, intencionalmente, um lugar próximo à cabana do major, pois ela pretendia ir lá novamente.

Chegando ao local, armaram a barraca e depois de organizarem tudo, fizeram um lanche. Sofia perguntou se Jorunn já tinha ouvido falar da cabana e convenceu a amiga a ir até lá. Depois de uma caminhada, avistaram o lago e a casa que parecia estar abandonada. Utilizaram o barco para irem para o outro lado e, desta vez, Sofia teve todo o cuidado de puxá-lo.

Quando entraram na casa estava muito escuro, mas Sofia tinha trazido fósforo e acendeu uma vela que lá havia. Então, chamou Jorunn para ver o espelho e lhe disse que era um espelho mágico. Nesse momento, Jorunn descobriu alguma coisa no chão da sala. Eram cartões-postais. Todos vinham do Líbano e estavam endereçados a Hilde Knag. Sofia teve um certo receio, pois seu nome poderia estar mencionado nos cartões (Jorunn não sabia sobre o filósofo nem sobre outros cartões que Sofia recebera) mas começou a lê-los com a amiga. Eles falavam do aniversário de quinze anos de Hilde e sobre um misterioso presente que ela receberia. No entanto, no último cartão estavam mencionados os nomes de Sofia e Jorunn. Elas ficaram assustadas. Além disso, ainda havia um detalhe: era dezesseis de maio de mil novecentos e noventa e o cartão indicava a mesma data. Como aquilo era possível? Sofia disse que tinha algo a ver com o espelho mágico e Jorunn achou absurdo , mas não havia outra explicação. Ela ainda mostrou à amiga os dois quadros na parede — Berkeley e Bjerkely. A vela já estava quase no fim. Jorunn queria ir embora e Sofia a seguiu mas, antes disso, resolveu levar o espelho consigo. As duas voltaram para o acampamento caladas. Na manhã seguinte, após tomarem café, conversaram sobre os cartões-postais e caminharam de volta para casa. No outro dia, pela manhã, Sofia foi até seu esconderijo e encontrou outro envelope amarelo. Imediatamente começou a ler.

DOIS CÍRCULOS CULTURAIS

Os indo-europeus: A denominação indo-européia é dada a todos os países e culturas nos quais são faladas as línguas indo-européias . Os indo-europeus primitivos viveram a mais ou menos quatro mil anos nas proximidades dos mares Negro e Cáspio. De lá, espalharam-se por diversos lugares: Irã, Índia, Grécia, Itália, Espanha, Inglaterra, França, Escandinávia, Leste Europeu e Rússia, formando o círculo cultural indo-europeu. Dentre outras coisas, pode-se dizer que sua cultura era marcada pelo politeísmo, a visão era o principal sentido para eles e acreditavam que a história era cíclica. As duas grandes religiões orientais – hinduísmo e budismo – são de origem indo-européia. O mesmo vale para a filosofia grega. Nessas religiões, enfatiza-se a presença de Deus em tudo (panteísmo). Outro ponto importante é a crença de que o homem pode chegar a uma unidade com Deus por meio do conhecimento religioso. No Oriente, a passividade e a vida reclusa são vistas como ideais religiosos e em muitas culturas indo-européias acredita-se na metempsicose ou transmigração da alma.

Os semitas: Os semitas pertencem a um círculo cultural completamente diferente, com uma língua completamente diferente também. Eles são originários da península da Arábia e também se expandiram para extensas e diferentes partes do mundo. As três religiões ocidentais – judaísmo, o cristianismo e o islamismo – têm base semita. De modo geral, o que se pode dizer dos semitas é que eram monoteístas, possuíam uma visão linear da história, a audição desempenhava papel preponderante e proibiam a representação pictórica. Quanto à história, é interessante saber que, para eles, ela começou com a criação do mundo por Deus e Este tinha o poder de intervir em seu curso. Em relação às imagens, ainda são proibidas no judaísmo e no islamismo, mas no cristianismo são permitidas devido à influência do mundo greco-romano.

Israel: Agora vamos examinar o pano de fundo judeu do cristianismo. A história é a seguinte: houve a criação do mundo e a rebelação do homem contra Deus (Adão e Eva) e a partir de então, a morte passou a existir na Terra. A desobediência do homem a Deus atravessa toda a história contada na Bíblia. No Gênesis há a menção do pacto feito entre Deus e Abraão e seus descendentes que exigia a obediência rigorosa aos mandamentos de Deus. Esse pacto foi mais tarde renovado com a entrega das Tábuas da Lei a Moisés no monte Sinai. Naquela época, os israelitas viviam havia muito tempo como escravos no Egito, mas foram libertados e levados de volta a Israel onde se formou dois reinos – Israel (ao Norte) e Judá (ao Sul) – que foram assolados por guerras, e por todos os séculos que se seguiram até o nascimento de Jesus Cristo, os judeus continuaram sob dominação estrangeira. O povo judeu não entendia o motivo de tanta desgraça e atribuía isso ao castigo de Deus sobre Israel devido à sua desobediência. Então começaram a surgir profecias sobre o Juízo Final e também sobre a vinda de um “príncipe da paz” que iria restaurar o antigo reino de Davi e assegurar ao povo um futuro feliz. Esse messias viria para restituir a Israel a sua grandeza e fundar um “Reino de Deus”.

Jesus: No contexto de toda essa efervescência nasceu Jesus Cristo. Naquela época, o povo imaginava o messias como um líder político, militar e religioso. Outros, duzentos anos antes do nascimento de Jesus, diziam que o messias seria o libertador de todo o mundo. Mas Jesus apareceu com pregações diferentes das que vigoravam e admitia publicamente não ser um comandante militar ou político. E mais, dizia que o Reino de Deus era o amor ao próximo e aos inimigos. Ele não considerava indigno conversar com prostitutas, funcionários corruptos e inimigos políticos do povo e achava que estes seriam vistos por Deus como pessoas justas bastando para isso que se voltassem para Ele e Lhe pedisse perdão. Jesus acreditava que nós mesmos não podíamos nos redimir de nossos pecados e que nenhuma pessoa era reta aos olhos de Deus. Ele foi um ser humano extraordinário. Soube usar de forma genial a língua de seu tempo e deu a conceitos antigos um sentido novo, extremamente ampliado. Tudo isto acrescentado a sua mensagem radical de redenção dos homens ameaçava tantos interesses e posições de poder que ele acabou sendo crucificado. Para o cristianismo, Jesus foi o único homem justo que viveu e o único que sofreu e morreu por todos os homens.

Paulo: Alguns dias depois da crucificação e enterro de Jesus, começaram a surgir boatos sobre sua ressurreição. Pode-se dizer que a Igreja cristã começou naquela manhã de Páscoa. Paulo disse: “Pois se Cristo não ressuscitou, então todo nosso sermão é vão; é vã toda a vossa crença”. A partir de então todas as pessoas podiam ter esperança na “ressurreição da carne”. Os primeiros cristãos começaram a espalhar a “boa-nova” da redenção pela fé em Cristo. Poucos anos depois da morte de Jesus, o fariseu Paulo se converteu ao cristianismo e suas viagens missionárias pelo mundo greco-romano transformaram o cristianismo numa religião universal. Quando esteve em Atenas, ele fez um discurso do Areópago que falava do Deus que os atenienses desconheciam e isso provocou um choque entre a filosofia grega e a doutrina da redenção cristã. Apesar de tudo, Paulo encontrou nessa cultura um sólido apoio, ao chamar atenção para o fato de que a busca por Deus estava dentro de todos os homens. Em Atos dos Apóstolos está escrito que depois de seu discurso, foi vítima de zombaria por parte de algumas pessoas, quando estas o ouviram dizer que Cristo havia ressuscitado dos mortos. Mas também houve os que se interessaram pelo assunto. Depois, Paulo prosseguiu em sua tarefa missionária e passadas algumas décadas da morte de Cristo já existiam comunidades cristãs em todas as cidades gregas e romanas mais importantes.

O Credo: Paulo não foi importante para o cristianismo apenas por suas pregações missionárias. Dentro das comunidades cristãs, sua influência era muito grande pois as pessoas também queriam aprofundar-se em sua orientação espiritual. Pelo fato de o cristianismo não ser a única religião nova daquela época, a Igreja precisava definir claramente a doutrina cristã, a fim de estabelecer seus limites em relação às demais religiões e evitar uma cisão interna. Surgiram assim as primeiras profissões de fé, os primeiros credos que resumiam os princípios ou os dogmas cristãos mais importantes como o que dizia que Jesus havia sido Deus e homem ao mesmo tempo e de forma plena e que realmente tinha padecido na cruz.

A IDADE MÉDIA

Sofia recebeu um telefonema de Alberto dizendo que de agora em diante não haveria mais cartas. Ele marcou um encontro para lhe falar sobre a Idade Média. Sofia não entendeu absolutamente nada. Eles se encontraram numa igreja antiga construída na época medieval durante a madrugada. O professor vestido de monge se encontrou com Sofia e começou a falar sobre o período da Idade Média. Dentre outras coisas disse que na Idade Média se formou uma unidade cultural cristã sólida. Havia uma contradição entre Deus e razão. Essa problemática foi tratada por dois importantes filósofos desta época: Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino. O primeiro dividiu o mundo entre bem e mal, mesclou sua concepção filosófica com a de Platão e a do cristianismo (“cristianizou Platão”); achava que o mal era a ausência de Deus e que a “boa vontade era obra de Deus”. O segundo foi o filósofo quem “cristianizou Aristóteles”, tendo o mérito de ter conseguido fazer uma síntese da fé e do conhecimento. Ele acreditava que existiam dois caminhos para se chegar a Deus: a revelação cristã, a razão e os sentidos. Nessa compreensão, Deus havia se revelado ao homem através da Bíblia e da razão.

O RENASCIMENTO

Durante a noite Sofia teve um sonho com a personagem Hilde. O sonho também demonstrou um aspecto revelador. Ao seu lado apareceu uma corrente de ouro e uma cruz. Sofia identifica algumas letras grafadas: HMK, atribuídas novamente a Hilde. Sofia. No Domingo outro personagem chamado Hermes conduziu Sofia para um casarão. Alberto estava a sua espera para falar sobre o Renascimento.

O Renascimento foi definitivamente o período que re-introduziu a arte e a cultura da antiguidade. Percebe-se muita ênfase ao ser humano como centro de todas as coisas, o antropocentrismo, muito distinto da Idade Média com maior ênfase ao Teocentrismo. Nesse sentido, identificamos expressões como o humanismo do renascimento ou época em tornar o ser humano mais grandioso, valioso, isto é, individualizado. A nova visão sobre o ser humana demonstrava maior autonomia. O ser humano não existia apenas para servir a Deus, mas a ele próprio. Vale ressaltar que no Renascimento desenvolveu-se um novo método científico – o princípio vigente era o da investigação da natureza mediante a observação e a experimentação – método empírico.

O BARROCO

O significado dentro da origem do termo barroco é “perola irregular”. A tendência desse período é a valorização das formas opulentas e com vários contrastes. O barroco é um reflexo da irracionalidade e da vaidade humana. Na dimensão política foi uma época marcante pelo surgimento de potências na Europa e de outro lado pelas guerras. A diferenciação de classes sociais é expressiva e entra como um evidente aspecto social. Um correlato disso na política seriam os assassinatos e as conspirações marcadas por processos políticos. William Shakespeare, o poeta dramático espanhol, Calderón de la Barca e Ludvig Holdberg são os principais representantes desta época.

DESCARTES

René Descartes nasceu em 1596. Ele foi seguido por Spinoza e Leibniz, Locke e Berkeley, Hume e Kant. Seu objetivo é encontrar respostas para as questões filosóficas mais importantes. Para descartes a relação entre Corpo e Alma necessitava ser explorada, aprofundada, interpretada. Sua obra mais importante é Discurso do método, onde explica, entre outras coisas, que não se deve considerar nada como verdadeiro e que não devíamos confiar em nossos sentidos. Para ele a única coisa sobre a qual se podia ter certeza era a de que duvidava de tudo e tudo estava sob ótica da racionalidade. Ele acreditava na existência de Deus como algo tão evidente quanto o fato de que alguém que pensa era um ser, um Eu presente. Nas suas explicações formulou a seguinte tese: o ser humano é um ser dual, ou seja, tanto pensa como ocupa lugar no espaço. A sua morte foi aos 54 anos, mas mesmo após sua morte continuou a ser uma figura de grande importância para a filosofia.

SPINOZA

Baruch Spinoza foi um filósofo holandês e em sua filosofia percebem-se muitas influências de Descartes. Em sua filosofia é fundamental enxergar as coisas sobre a perspectiva da eternidade. Ele era membro da comunidade judaica de Amsterdã, contudo foi excomungado por heresia ao contestar a veracidade dos conteúdos bíblicos no quis respeito à inspiração de Deus em cada palavra. Na sua reflexão era necessário ler a Bíblia com um olhar crítico e contextualizado. Para sobreviver seu sustento provinha do polimento de lentes e isso tem um significado simbólico: a tarefa de um filósofo é justamente ajudar as pessoas a ver a vida de um modo novo.

LOCKE

Então começaram com o estudo sobre Locke, um filósofo da experiência ou empírico. Um empírico deriva todo o seu conhecimento daquilo que lhe dizem os sentidos. A formulação clássica de uma postura empírica vem de Aristóteles. Locke repetiu as palavras deste filósofo. John Locke (1632-1704) foi o primeiro filósofo empírico inglês. Locke tentava explicar duas questões: em primeiro lugar, de onde o ser humano retirava seus pensamentos e suas noções e em segundo analise como nós podaríamos confiar no que nossos sentidos nos transmitem.

HUME

David Hume nasceu em 1711 e morreu em 1776. É um referencial dentro da filosofia empírica. Para ele era preciso retornar a forma original de experimentar o mundo. Na sua leitura destacou que o ser humano tem impressões de um lado e idéias de outro. Ambas poderiam ser simples ou complexas. No âmbito da ética e da moral, Hume se opôs ao pensamento racionalista. Os racionalistas consideravam uma qualidade inata da razão humana e a utilizavam para distinguir entre o certo e o errado. Hume não concordou e rejeitou as teorias que afirmavam a razão como fator determinante das ações e dos pensamentos.

BERKELEY

George Berkeley (1685-1753) foi um bispo irlandês. A Filosofia e a ciência não foram observadas com bons olhos por Berkeley. Para ele ambas tornavam-se uma ameaça para uma interpretação e para uma visão cristã do mundo. Na sua concepção o materialismo crescente contrariava a idéia de que Deus cria e mantém a natureza. Berkeley afirmava que as idéias tinham uma causa fora da consciência, mas que esta causa não era de natureza material e sim de natureza espiritual. Portanto, a alma podia ser a causa das próprias idéias, mas só outra vontade, só outro espírito podia ser a causa das idéias que formavam o mundo material. Ele dizia que tudo vinha do espírito “onipotente por meio do qual tudo existia”. Afirmava que tudo que víamos e sentíamos era um efeito da força de Deus. Deus estava presente no fundo de nossa consciência e era a causa de toda a multiplicidade de idéias e sensações a que estávamos constantemente sujeitos. Este espírito, no qual tudo existia era o Deus cristão.

ILUMINISMO

Para a maioria dos pensadores iluministas a razão era um crença inabalável. A ciência por sua vez atestava que tudo na natureza era permanentemente racional. Os pensadores que defendiam estes ideais acreditavam que o pensamento racional deveria ser levado adiante substituindo as crenças religiosas e o misticismo, que, segundo eles, bloqueavam a evolução do ser humano. O ser humano deveria ser o centro e passar a buscar respostas para as questões que, até então, eram justificadas somente pela fé.
Os filósofos iluministas tinham em mente a tarefa de criar e estimular um alicerce para a moral, para a ética e para a religião. Tudo isso em sintonia com a razão imutável do ser humano. Para os pensadores a humanidade só desfrutaria de um verdadeiro progresso através da razão alicerçada no conhecimento. Na atmosfera religiosa, isto é, a religião, precisaria estar em consonância com a razão natural do homem. A para a Revolução Francesa de 1789 utilizou-se do iluminismo como fator aliado.

KANT

Conhecido popularmente como Kant, nasceu em Königsberg em 19723, região da Prússia Oriental. Para ele tanto os sentidos como a razão são importantes. Percebe-se que ele conheceu outros filósofos racionalistas e empíricos. É evidente sua afinidade filosófica com Hume e com os empíricos, descrevendo que todos os conhecimentos surgiam também a partir dos sentidos. No entanto, ele não rejeitava a razão e sua importância relativamente na percepção do mundo. Kant afirmava a condição humana como atribuída às condições de tempo e do espaço, formando parte da consciência e não atributos do mundo físico. Para ele a razão humana trabalhava como os elementos: causa X efeito. Portanto, a consciência estava vinculada com as demais coisas e vice-versa.

No aspecto teológico o filosofo não poupou afirmações claras em torno de sua compreensão sobre o sagrado. Para Kant o ser humano está impossibilitado de conhecer plenamente e com segurança a existência de Deus. Também os limites do universo(s) podem ser questionados entre ser ou não ser infinito. A razão na lógica de Kant operava fora dos limites da compressão humana. A experiência e a razão eram dois elementos que contribuíam para o conhecimento do mundo.

O ROMANTISMO

O surgimento do Romantismo está vinculado com os paises europeus, principalmente com a Alemanha em torno do século XVIII. Os principais efeitos do romantismo é a reação critica frente a razão e a conseqüências do período iluminista. O Romantismo perpassou na história e deixou profundas marcas até o século passado. Isso não significa sua extinção, pois ainda hoje percebemos muitos aspectos na cultura global.

As principais ênfases: anseio, experiência, imaginação, anseio e sentimento. Existe uma supervalorização da liberdade e do “Eu”. A arte recebeu enorme destaque nesse período e certamente refletiu muitas ideologias. Alguns artistas eram quase que comparados com o próprio Deus. A arte tinha um caráter não só imaginário, da imaginação, mas de um sentido revelador, transcendente. Acreditava-se que o “êxtase artístico” poderia diminuir as fronteiras entre o sonho e a realidade. Primeiramente os românticos se preocupavam a alma do mundo, com o gênio artístico e com a natureza. Em segundo plano, houve um espaço profundo para tematizar a história do povo, sua língua e a cultura popular.

KIERKEGAARD

Kierkegaard nasceu na cidade de Copenhague em 1813. Sem duvida, foi um grande pensador e critico a cerca do mundo filosófico. Afirmou convictamente que o historicismo de Hegel e a filosofia dos românticos usurparam totalmente a responsabilidade pela vida de cada indivíduo. Para Kierkegaard não é tão importante à busca por todas as verdades ou por uma única verdade, mas sim por verdades que são importantes na vida de cada ser humano. Nesse sentido, as verdades mais importantes eram subjetivas.

Kierkegaard manifestou muitas contribuições no campo filosófico e uma delas são os estágios da existência humana: estético, ético e religioso. Para o estético ele atribuiu o prazer, o momento, a imagem. No ético caracterizou-o pelos padrões morais, pela seriedade e pelas decisões consistentes. Por ultimo, o religioso, é a opção da fé acima de qualquer outro elemento ou ordem racional.

HEGEL

Hegel da forte ênfase na questão do “ser” e elabora algumas reflexões. Quando se define um conceito para o “ser” é impossível não idealizarmos uma noção oposta, isto é, “não ser”. Nessa ambigüidade existem os conflitos e as tensões. Para Hegel outro fator eram as forças objetivas: a família e o Estado. Elas influenciavam direta ou indiretamente cada indivíduo. Hegel achava impossível desligar-se da sociedade por assim dizer. Para ele, quem dava as costas à sociedade na qual vivia e preferia encontrar-se a si mesmo não estava em juízo normal. Na sua interpretação filosófica o espírito do mundo encontrava cada indivíduo e não vice-versa. Nessa visão estruturou os seguintes aspectos: (1) o espírito do mundo se conscientiza de si mesmo no indivíduo (2) atingindo um nível mais elevado de consciência na família, na sociedade e no Estado, e (3) assim eleva o autoconhecimento na razão absoluta. Hegel era por vezes muito restrito quando utilizava expressões como somente na filosofia era que o espírito do mundo se encontraria. A filosofia torna-se o espelho do espírito do mundo.

MARX

Marx tinha na política um dos alicerces de suas reflexões. É considerado um filosofo materialista. Além disso, possui uma ampla formação em outras áreas de conhecimento: história, sociologia e economia. Para Marx as evoluções decorrentes na história e na sociedade dependiam essencialmente das condições materiais. Na religião ele questionava os pressupostos espirituais na sociedade, pois para ele eram determinados pelas modificações materiais. Portanto, ele afirmou que as condições matérias também determinavam os elementos e as condições espirituais. A economia de um contexto foi tida com um dos principais fatores agentes da transformação histórica de um contexto ou ambiente.

DARWIN

Darwin é um grande pensador dentro do campo da ciência biológica. A partir da seleção natural ele procurou sintetizar a teoria da evolução. Em suas pesquisas detectou vários resquícios de fósseis estratificados em vários tipos de formações rochosas permitindo assim a suspeita da correlação dessas fosses com o desenvolvimento biológico. Outro detalhe é sua análise das diferenças que surgiam entre as espécies vivas a partir da distribuição e do contexto geográfico. Darwin não acreditava que as espécies eram imutáveis, contudo não conseguiu explicar como acontecia esse processo. No entanto, argumentou que todos os seres vivos possuíam um ancestral em comum. No caso dos animais, por exemplo, a evolução dos embriões dos mamíferos.

FREUD

Freud é uma referência marcante e expressiva até os dias atuais. Ele nasceu em 1856 e estudou medicina na Universidade de Viena. Tinha uma inquietação entre o meio/ambiente e o ser humano. Paralelamente sintetizou termos como racionais e irracionais. No caso dos sonhos, pensamentos e ações das pessoas poderiam ser analisados a partir dos impulsos irracionais. Tudo aquilo que está no interior de cada individuo e procura por uma manifestação. Após anos de experiência como psicoterapeuta desenvolveu uma vasta experiência com pacientes e formulou a seguinte tese: “utilizando-se de uma metáfora descreveu a consciência como a ponta de um iceberg que se elevava para além da superfície da água. Sob a superfície/limiar da consciência, estava o subconsciente ou inconsciente.” A expressão inconsciente significava, para Freud, tudo o que reprimimos e não expressamos livremente. Os sonhos possivelmente poderiam ser manifestações daquilo que está “adormecido” em nós.

A GRANDE EXPLOSÃO

Essa é uma parte que me chamou muita atenção. A grande explosão! Hilde retorna para as páginas do livro escutando entusiasmadamente o pai falando do universo. No mesmo ambiente estavam Alberto e Sofia partilhando do momento e do saber. A teoria do Big Bang entra em destaque e gera questionamentos. O “Big Bang” é a tese da grande explosão cósmica que ocorreu há bilhões de anos. O Big Bang se torna um das hipóteses existentes para compreendermos a origem de muitas coisas. Entram também em pauta ênfases sobre astronomia e a gravidade.

BREVE CONCLUSÃO

Todos nós temos uma história assim como Sofia tem a sua própria. Todos nós estamos diariamente buscando repostas para nossa vida. Uma vida que cria e recria mais e mais histórias. A filosofia nos pergunta: quem somos? O que queremos? O que acreditamos? Qual é o sentido da nossa vida? Para que vivemos e para aonde iremos? De um lado, temos o entusiasmo de explorar a nossa identidade como seres humanos. De outro, é frustrante que novas respostas sempre acabam tornando-se novos questionamentos. Em palavras simples poderia dizer que a filosofia nos promove encontros e nesses encontros há os desencontros. A busca por maior conhecimento é uma necessidade constante. É preciso saber, entender e reconhecer aquilo que não é claro e evidente aos nossos olhos. O mundo de Sofia pode ser analisado como uma simples historinha de criança e depois de criadas todas essas historinhas são obrigadas a viver num plano de existência paralelo. Porém, o mundo de Sofia ultrapassa nossas expectativas. Em uma linguagem acessível o autor alcança nossa própria caminhada e nos convida para ser mais um personagem. Um personagem integrante de suas histórias. Quero dizer com isso que autor nos convida a inserção, a experimentar e a vivenciar os conteúdos filosóficos. Para finalizar é interessante destacar os acontecimentos em torno do Espelho. O “espelho” quando mencionado durante a leitura reflete uma imagem, a imagem de Sofia? Sim e Não. Certamente, o espelho também nos convida a pensar sobre nossa própria imagem, sobre nossa própria existência e de que maneira somos e fazemos parte desse mundo. Esse espelho, talvez, é a nossa vida. Uma vida cheia de significados.

BIBLIOGRAFIA

GAARDER, Jostein, O Mundo de Sofia. Romance da História da Filosofia, 34º edição. São Paulo, Ed.Cia das Letras, 1995. Traduzido por João Azenha Junior.
JASPERS, Karl. Introdução ao pensamento filosófico. São Paulo: Cultura, 1993.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Minidicionário Aurélio. 2. ed. revista e ampliada. São Paulo: Nova Fronteira, 1994

Obs. Para elaboração da resenha também foram coletadas informações em matérias de revistas, livros e artigos que abordam o livro.

ENFERMAGEM E GÊNERO

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Florence Nightingale

Em seus primórdios tinha estreita relação com a maternidade, e era exclusivamente feita por mulheres. Desta “seleção exclusivamente para mulheres”, a enfermagem prosseguiu, de novo pelas mulheres que exerciam a profissão mais antiga do mundo, prostituição, alargando a prestação de cuidados ao sexo masculino, dos moribundos da guerra. Eram escolhidas as prostitutas por estas conhecerem melhor que as outras mulheres o corpo dos homens, em todas as suas vertentes, íntima também e como forma de reintegração destas à sociedade. A enfermagem moderna, com a suas bases de rigor técnico e científico, começou a se desenvolver no século XIX, através de Florence Nightingale, que estruturou seu modelo de assistência depois de ter trabalhado no cuidado de soldados durante a guerra da Criméia. a sua assistência baseada em fatos observáveis prestou valiosos contribuição na recuperação dos moribundos, e iniciou uma nova vaga do conhecimento em enfermagem, através do caráter científico que lhe impunha.

Caracteriza-se por efetuação de refistos clínicos, dando origem à implementação do, ainda atual, e mundialmente adaptado, processo clínico do doente.

A North American Nursing Association- NANDA, define Enfermagem como o diagnóstico e tratamento de respostas humanas a problemas reais e ou potenciais de saúde. (NANDA)

A enfermagem tem atualmente uma linguagem própria, constantemente atualizada e editada pelo Conselho Internacional de Enfermeiras (ICN), designada por Classificação Internacional para a Prática de Enfermagem (CIPE). Esta classificação guia os enfermeiros na formulação de diagnósticos de enfermagem, planejamento das intervenções e avaliação dos resultados sensíveis aos cuidados de enfermagem.

Existe também a NANDA, um manual padronizado de diagnósticos de enfermagem, da North American Nursing Diagnosis Association, no qual os diagnósticos reais e de risco são listados com suas características definidoras e seus fatores relacionados.

Portanto, a enfermagem é um trabalho de perfeita ordem com responsáveis a serviço da saúde, implementando, desenvolvendo, coordenando serviços, havendo até certas e determinadas classes profissionais que lhe atribuem , com desdém, a manipulação dos serviços de saúde dado o elevado número de profissionais que se verificam, e pelo brilhantismo superior com que projetam novas configurações de políticas de saúde, com principal ênfase nas políticas de promoção da saúde. destaca-se neste campo, a implementação de programas de vacinação que nasceram da enfermagem comunitária do arquipélago dos açores, implementada por enfermeiros açorianos e que rapidamente se estendeu ao portugal continental.

Há pontos de vista discordantes na literatura. Sustenta-se, por exemplo, que muito antes de Nightingale a enfermagem já se tornara um exercício profissional. O caso da Inglaterra seria o mais revelador, por sugerir a existência de categorias numerosas de cuidadores e cuidadoras desde muito cedo no século XX, como as atendentes particulares para enfermos de famílias mais abastadas e os auxiliares (quase sempre homens) de médicos em hospitais, que ajudavam com curativos, sangrias e banhos, no preparo e administração de poções, na aplicação de ventosas etc. Um texto que pode gerar interpretações nessa direção é o de Dingwall, Rafferty e Webster (1988).2 No entanto esses mesmos autores levantam as pistas para uma visão contrária, ao indicarem que as atendentes, ou private duty nurses, ocupavam um espaço bastante marginal nos lares ingleses, ao passo que os auxiliares nos hospitais dedicavam-se apenas a tarefas rotineiras.

Nos hospitais, como nos espaços privados, “havia muito pouco conteúdo técnico” nas atividades exercidas pelos cuidadores, em geral provenientes das classes populares, sem acesso aos bens da cultura.

Fonte: não me lembro de onde tirei Enfermagem – Mulheres são maioria entre formandas, porém 3 homens se destacam.

Das 39 formandas do curso de Enfermagem da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp de 2006, três se destacam: Edson, Rafael e Rodrigo. Mesmo sendo a enfermagem uma profissão caracterizada pela presença feminina, a paixão pela profissão não impediu os três de seguirem essa carreira.

Para Edson Fernando Fuim, quem determinou a sua escolha foi o tio, enfermeiro. “Eu também pretendia fisioterapia, mas passei na Unicamp e resolvi fazer enfermagem”, disse, relatando que a convivência com tantas mulheres foi difícil no começo, principalmente com relação à forma de pensar e também ao preconceito por parte dos amigos.

Entretanto, isso lhe valeu mudanças na forma de ver o mundo e uma convivência muito intensa. “Tenho um carinho muito grande por elas e sei que a recíproca é a mesma”, comentou, durante os abraços recebidos durante a solenidade de descerramento do painel de fotos dos formandos de 2006, ocorrido hoje (29) pela manhã na Enfermagem.

Rafael Silva Marconato, também concorda que estudar com muitas mulheres é uma experiência difícil, porém o aprenzidado profissional e pessoal é “indescritível”.

“As mulheres são mais sensíveis e a competitividade entre elas é maior”, disse, lembrando que só tem coisas positivas desse período e que os laços de amizade formados serão eternos.

Já Rodrigo Veronesi Thomazin, por ter viajado durante alguns meses no ano passado e perdido algumas matérias, não irá se “formar” com essa turma, devendo estudar por mais um semestre. “Somente irei me graduar no meio do ano que vem, mas a minha foto está lá, junto com as garotas”, informou, contando que por vezes os três se reuniam para dar força “uns para os outros” contra as idéias mirabolantes das mulheres. “Elas são muito criativas”, confidenciou.

O evento teve também a participação do diretor-associado da FCM, Gil Guerra Jr., da coordenadora do curso de Enfermagem, Izilda Esmênia Muglia, do coordenador de graduação da Enfermagem, José Luiz Tatagiba Lamas e de diversos docentes e funcionários e alunos da Enfermagem.

Fonte: http://www.fcm.unicamp.br/noticias/vernot.php?vernot=8

O sexo das profissões?

Ao escolher carreira, jovens derrubam tabus pela própria vontade

Por Lilian Burgardt

Pedagogia, Nutrição, Psicologia, Enfermagem. Em sua opinião, quem mais opta por este tipo de curso no vestibular: os meninos ou as meninas? E quanto à Engenharia Elétrica, Mecânica, Ciências da Computação e Mecatrônica? Serão eles, ou elas? Ainda que a emancipação da mulher, decorrente das pressões sociais e das mudanças culturais, tenha garantido seu ingresso e amplo acesso ao meio acadêmico e profissional, áreas ligadas ao “cuidar” continuam sendo majoritariamente ocupadas pela força feminina, enquanto as que exigem raciocínio rápido e preciso permanecem atreladas ao sexo masculino.

Colocando desta forma até parece que mulher não pensa e homem não sente, mas é mais ou menos assim que a sociedade dividia homens e mulheres a fim de manter um equilíbrio: razão e emoção. Quem nunca ouviu falar que os homens são racionais e as mulheres emotivas? “É uma forma encontrada pela sociedade, desde os tempos mais primórdios, para estabelecer os papéis dos diferentes indivíduos na sociedade. Com a emancipação da mulher, o quer era refletido apenas nas atividades domésticas, se estendeu para o meio profissional”, explica a antropóloga da PUCRS (Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul), Gilse Rodrigues.

Segundo a antropóloga, a divisão razão e emoção vem reforçar o imaginário de que o homem é a figura forte e a mulher a sensível, pólos determinantes para o sucesso de ideais como, por exemplo, a família, tão valorizada pelas camadas sociais dominantes na antigüidade, representada majoritariamente – ainda que não exclusivamente – pela igreja e seus dogmas. “O que cabe ao homem e a mulher são tarefas que sofrem influência cultural e de organização social. Mesmo as sociedades mais primitivas e tribais estabelecem os mesmos papéis para ambos os sexos”, lembra Gilse.

No entanto, aquilo que, para as feministas, pode remeter a anos de opressão e marginalidade, hoje, frente aos tempos modernos, também é entrave para a liberação masculina, o que não permite que ELES se desvencilhem de rótulos pré-estabelecidos e ampliem suas escolhas profissionais como, ao invés de partir para a Engenharia Mecatrônica, optar pela Fonoaudiologia.

Para Gilse, na maioria das vezes, as escolhas são inconscientes, ou seja, o jovem não pensa na pressão social, cultural, tampouco na possibilidade de prover uma família ao escolher a carreira de professor, ou a de médico cirurgião. O que acontece, porém, é que a cultura masculina (e aí, de novo, por causa da influência social) direciona o jovem para carreiras que têm prestígio e, portanto, poder. Historicamente, posições ocupadas por homens. Enquanto as mulheres, sempre doutrinadas ao cuidar e “ridicularizadas” ao ousar penetrar no universo masculino das Ciências Exatas, são condicionadas a carreiras ligadas à área de Humanas (influenciadas pela emoção) e essencialmente ao cuidar do outro.

Pode até parecer uma provocação: “afinal, escolhi Enfermagem porque não consigo me desvencilhar do papel que a sociedade atribuiu a mim como mulher?” Nem sempre. Segundo a antropóloga, a questão é: você se identifica com sua profissão? Já imaginou fazer outro curso ou apostar em outra carreira que só não foi levada adiante pela possibilidade de enfrentar um ambiente hostil e, por vezes, ser penalizada por sua sexualidade? “O jovem no período pré-vestibular deve se perguntar: o que sou e o que quero deve ser o reflexo do que a sociedade espera, ou de meus desejos?”, diz ela. Essa “tal sociedade” é muitas vezes representada pela pressão dos pais, a opinião dos amigos e a estranheza dos colegas de outro sexo quando virem você na sala de aula ou no trabalho, diz a antropóloga.

Infiltrada no universo masculino

A estudante de Ciências da Computação, Flávia Cristina Medeiros, venceu estes medos e preconceitos e levou adiante seu sonho de ingressar na faculdade de Ciências da Computação. No começo, ela diz, foi difícil. “Quando falava que fazia Ciências da Computação as pessoas me perguntavam: mas por que não Direito? Aliás, não sei porque essa cisma com Direito. Direito, por acaso, é profissão só de mulher?”, brinca.

Na faculdade, também não foi fácil. Flávia precisou encarar uma sala com 60 meninos e só oito meninas. Depois, quebrar o gelo e mostrar a que veio. Mais tarde, provar que estava ali para aprender e não para brincar. “O maior problema é se firmar com seriedade e ser respeitada como estudante. Os homens ainda acham que meninas têm mais dificuldade e que Exatas não é coisa de mulher,” diz. Flávia, que além de mulher é loira, também reclama de algumas piadinhas em sala. Segundo ela, os próprios professores “forçam a barra” quando uma pergunta boba vem de mulher. “Se é o menino que faz a pergunta eles ‘zoam’ um pouco, mas logo passa. Agora, se é mulher e loira ainda por cima…”, diz Flávia.

Será mesmo que os homens têm esse preconceito com as mulheres na área de Exatas? Segundo o diretor da escola de Engenharia da Mauá (Centro Universitário Mauá), Mário Cavaleiro Fernandes Garrote, nos últimos anos houve um crescimento exponencial de alunos nos cursos de Exatas na instituição, o que ele considera muito positivo. “As meninas agora ingressam nesta área com força e, ao contrário do que pregam por aí, elas levam muito jeito para a área. São dedicadas e persistentes. Acho que, em boa parte dos casos, se saem até melhor do que os homens”, compara o professor.

Garrote lembra que nos seus tempos de faculdade, os alunos brincavam que as mulheres de Engenharia eram muito feias, brincadeiras que ele credita à disparidade no número de estudantes em sala. “Naquela época, eram duas alunas ou três, no máximo. Aí é claro que elas viram o foco da brincadeira, mas agora, como a proporção é maior e tende a crescer, logo logo isso tudo será deixado de lado,” diz.

Para se ter uma idéia, na Mauá a proporção de homens e mulheres nos cursos de Exatas é a seguinte: no período diurno, há maior incidência de meninas nos cursos, fato atribuído a questão segurança no campus e a existência do curso de Engenharia de Alimentos. Este, o mais procurado por mulheres com 84% de alunas, contra o curso de Mecânica, com apenas 4%.

No período noturno, em que não há o curso de Engenharia de Alimentos, as meninas “migram” para a Química, com 52% de alunas, contra o 4% das meninas em Engenharia Eletrônica e em Controle e Automação. “Nestas áreas, apesar do curso ter um viés de engenharia automotiva, ou seja, de pensar o produto, predomina a visão limitada de que a mulher vai sujar a mão de graxa e vestir o macacão azul da oficina, o que afasta as estudantes”, conclui Garrote.

Apesar das diferenças, fazer parte da minoria também tem lá suas vantagens. Segundo Flávia, ela já saiu na frente em disputa por estágios porque os recrutadores queriam diversificar a equipe e, muitas vezes, somar o “olhar feminino” à uma equipe composta por homens para refinar o trabalho. “Alguns recrutadores enxergam vantagens em contratar mulheres para determinados projetos porque elas têm mais atenção aos detalhes, além de serem mais tolerantes, o que também facilita o trabalho em equipe”, acredita ela.

Ele do lado delas

Se do lado deles, homens e mulheres vivem às turras ao tentar ocupar o mesmo lugar no espaço, do lado delas, parece que a aceitação é bem mais tranqüila. É o que conta o estudante do curso de Nutrição da Uninove (Universidade Nove de Julho), Sérgio Luiz Oliveira Jacinto, 30 anos. Na sala de aula, as meninas são simpáticas e atenciosas, o que facilitou para que o estudante se integrasse. As piadinhas que ouviu quando escolheu o curso partiram dos amigos, que, agora, mudaram de idéia. “Antes eles diziam: ‘hummm, curso de menina’, essas coisas. Agora que sou exclusivo entre as mulheres eles até me chamam de sortudo”, brinca.

Sérgio escolheu Nutrição por amor ao esporte. Queria fazer Educação Física, mas a pouca oferta de trabalho e a má remuneração o fizeram mudar de planos. Hoje, prestes a se formar, ele pretende direcionar os conhecimentos em Nutrição para a área esportiva. “Todo mundo pensa que fazer Nutrição é coisa para menino gay. Fazer um curso considerado de menina tem esse problema, mas eu não sou gay e não ligo para esse preconceito porque estou feliz com minha carreira e tenho planos para o futuro ligados ao esporte, área que gosto”, diz.

Fazer um curso de menina, aliás, pode ser bem menos traumático se as universidades estiverem preparadas para lidar com essa diversidade de escolhas. Na FATEC-SP (Faculdade Tecnológica de São Paulo), por exemplo, o curso de Automação de Escritórios, popularmente conhecido como Secretariado Executivo, é majoritariamente composto por alunas, mas um ou outro aluno faz parte da turma. Apesar de a instituição ser composta – quase que em sua maioria – por cursos de Mecânica e Mecatrônica, onde predominam homens, o preconceito não passa de uma série de piadinhas com os “bixos” no começo do ano letivo.

“Aqui nunca ouvi falar de nenhum tipo de briga, ou perseguição com os estudantes homens do curso de Automação de Escritórios. Muito pelo contrário, os meninos fazem parte da turma dos garotos de outros cursos”, ressalta o coordenador do curso, José Miguel Centurin Filho. E mais, para ele, o preconceito está muito mais atrelado à falta de informação em relação às atividades desempenhadas pelo profissional de automação de escritórios, do que ao fato o curso ser mais procurado por meninas. “O que é uma grande bobagem. Este aluno, aliás, deveria ser considerado privilegiado”, brinca.

Fonte: http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=14621

O ensino de Enfermagem no Brasil

A origem da Enfermagem é freqüentemente associada ao cristianismo, pela preocupação desinteressada com o próximo, denotando caridade. Porém, o tipo de cuidado prestado aos enfermos seria uma característica da natureza humana, remontando a períodos anteriores à Era Cristã (Martín et alii, 1997).

Nesse passado remoto, em civilizações não-cristãs mais recentes, entre os indígenas que habitavam o Brasil quando da chegada dos colonizadores europeus ou os africanos trazidos como escravos no período colonial, as práticas de cuidar da saúde eram exercidas predominantemente por homens, nas figuras dos pajés e curandeiros (Medeiros; Tipple e Munari, 1999).

A imagem que a sociedade tem da enfermeira −mulher devotada ao atendimento de seus semelhantes que sofrem −se consolida com a religiosidade cristã. Essa imagem se manteve por muitos séculos, até que a cultura ocidental transformada pelo cientificismo, que vai substituindo os dogmas e as crenças pelo conhecimento que o homem adquire através da pesquisa, da cognição e da correlação de saberes.

Fonte: http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/modulo05.pdf

Considerações finais

O desafio de romper o esquema binário, em que o masculino e o feminino se constroem na oposição um ao outro, tem sido desafiante para o movimento feminista, que se propõe a desmontar um esquema construído numa lógica patriarcal que dificulta a percepção e construção de mundo de outras formas. Algumas das estudiosas do feminismo, a exemplo de Joan Scott, se apropriam de teorizações pós-estruturalistas da desconstrução, como a de Derrida – para o qual o pensamento ocidental vem operando na base de princípios expressados pela hierarquização de pares opostos – para pensar as relações de gênero.

A proposta de desconstrução é, pois, a de desmontar a lógica das oposições binárias do pensamento tradicional, evidenciando que estas são históricas e socialmente construídas, e rejeitar o caráter fixo e permanente da oposição binária de uma historicização genuína em termos de diferença sexual, dando visibilidade aos sujeitos diferentes. A descontrução da polaridade masculino/feminino poderá ser útil para desmontar a lógica binária que rege outros pares de conceitos a ela articulados, tais como público/privado produção/reprodução, cultura/natureza etc. No processo de desconstrução, é necessário atentar para o fato de que o oposto da igualdade é a desigualdade, ao invés da diferença. Ao lado da proposta de desconstrução, está a de construir a lógica da diferença como elemento positivo, pautado na identidade e sem a desigualdade, considerando a diferença dos termos, mas mostrando que um está presente no outro, e portanto, ambos podem ser equivalentes.

As diferenças entre homens e mulheres, ao se afirmarem, rompem a unidade, impossibilitando a existência de uma identidade masculina e de uma outra identidade feminina. Elementos como classe, etnia, religião, idade etc. atravessam a pretensa unidade de cada elemento do par, transformando em múltiplo o sujeito masculino ou feminino pensado no singular.

Fonte: http://www.fundaj.gov.br/tpd/113.html

LEONARDO BOFF, ÉTICA E MORAL: A BUSCA DOS FUNDAMENTOS

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RESUMO DO TEXTO DE LEONARDO BOFF, ÉTICA E MORAL: A BUSCA DOS FUNDAMENTOS

BOFF, Leonardo. Ética e moral: a busca dos fundamentos. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

O autor busca, em sua obra, esclarecer onde e quando se deu o surgimento da ética, seus princípios e valores e quais as suas implicações no passado e nos dias atuais.

Ao tratar da ética, a didática utilizada pelo mesmo foi a partir do esclarecimento do ethos (que seria uma espécie de morada humana, o lugar onde se dão todas as relações e interações do homem com ele mesmo e com o seu ambiente) e do daimon (que seria o anjo bom, o gênio protetor do ser humano, ou seja uma espécie de consciência do homem).

Quando se fala em ética, estamos nos referindo ao bem comum, que pode ser explicado pelo acesso de todos aos bens básicos e o direito de todos ao reconhecimento, ao respeito e à convivência pacífica e solidária, não ao individualismo que vem sendo instaurado e imposto pela doutrina capitalista.

Já a moral, podemos definir como conjunto de costumes e valores de uma determinada sociedade ou de um determinado grupo de pessoas. Pode-se, por exemplo, agir de acordo com a moral com determinados interesses, como ser aceito no grupo, e, mesmo agindo conforme a moral, não significa que esta ação se deu de forma ética.

O autor tenta deixar claro que existe a necessidade de uma intensa mudança nas relações humanas e na forma do homem de pensar e agir, uma vez que, caso o homem não mude de atitude, o meio-ambiente e a Terra terão de arcar com as conseqüências desse individualismo. O homem vem pecando contra o meio, pois ele não reconhece mais a sua condição de criatura, não enxerga limites.

O homem não pode simplesmente se deixar levar pela onda da globalização e perder seus valores, costumes, princípios em prol da pregação capitalista em busca do lucro. Devemos reforçar nossas relações, nos interagir cada vez mais e de uma forma mais saudável para que possamos, enfim, viver nesse Bem-Comum.

O EMPREENDEDORISMO NO BRASIL E NO MUNDO

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A prática do empreendedorismo vem se consolidando no mercado a partir da abertura da economia para os mercados externos. Com a entrada dos produtos importados, o Brasil nem sempre conseguia competir com os mesmos porque na maioria das vezes, não conseguia atingir a mesma tecnologia empregada nos produtos estrangeiros, o que gerou a necessidade das empresas se modernizarem para se tornarem mais competitivas no mercado.

As principais características do empreendedorismo são a inovação, mudança, criatividade e risco, ou seja, um empreendedor deve ter uma visão geral do seu negócio a fim de saber agir de forma eficaz diante de diversos cenários e tendências internacionais e mudanças em prol do sucesso do seu negócio e adaptação de forma ética e cidadã ao novo mercado, criando empregos e evitando armadilhas no mercado em que se incide.

Agir de forma competente na criação e realização de novos métodos produtivos, novos mercados e formatos da organização, são práticas mais do que necessárias para um empreendedor de sucesso que sabe o que faz no mundo capitalista.

No artigo “Comportamento do Empreendedor”, Robert Menezes diz que “ser empreendedor é preparar-se emocionalmente para o cultivo de atitudes positivas no planejamento da vida. É buscar o equilíbrio nas realizações considerando as possibilidades de erros como um processo de aprendizado e melhoramento. Ser empreendedor é criar ambientes mentais criativos, transformando sonhos em riqueza.”

Segundo o GEM, uma pesquisa realizada pela London Business School e Babson College dos Estados Unidos, o Brasil apresenta uma das maiores taxas de empreendedores iniciais e está na 7ª posição no ranking dos participantes. Vale ressaltar que participam desta pesquisa tanto os países considerados de renda per capita alta quanto os de média e ambos estão criando novos negócios.

O Brasil apresenta essa colocação no ranking não porque aqui se apresentam muitas oportunidades para se empreender, mas porque a necessidade de se atualizar e modernizar, sem falar na grande dificuldade encontrada no país para se conseguir trabalho, o que leva às pessoas a buscarem novas alternativas em função do medo que possuem de ficarem desempregadas.

Atividades diretamente relacionadas ao consumidor fi­nal são mais encontradas nos países de renda média, enquanto nos países de renda mais alta os negócios estão mais voltados para clientes que se apresentam como empresas. O segmento de alimentação como o de maior interes­se dos empreendedores brasileiros. Ressalta-se também o crescimento, aqui no Brasil, da atividade de artesa­nato e da venda por catálogos.

A partir de 2005, no Brasil, apontou para o empreende­dorismo feminino uma quase igualdade com o gêne­ro masculino, principalmente no estágio de negócio considerado inicial, em que para cada homem existe uma mulher. Este fato coloca o Brasil na 2ª posição, o que é diferente do cenário encontrado no país 4 anos antes dessa pesquisa, quando as atividades empreendedoras que se encontravam no país eram predominantemente praticadas por homens.

Os brasileiros em geral atuam em segmentos já consolidados e de alta concorrência e a baixa permanência dos negócios e as dificuldades em se prosperar são explicadas pelo baixo nível de inovação e até mesmo pelo sistema econômico-financeiro, que apresenta juros muito altos e muita burocracia. O Brasil é um dos países mais bu­rocráticos do mundo em relação à rigidez da legislação trabalhista, à dificuldade para abertura e fechamento de negócios e alto custo na demissão de funcioná­rios.

LICITAÇÃO – DIREITO ADMINISTRATIVO

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1. NOÇÕES GERAIS

Licitação é um procedimento administrativo, que engloba critérios pré-definidos, procurando impedir a ilegalidade, impessoalidade, imoralidade e ineficiência tendo como objetivo adquirir bens, serviços ou obras de engenharia com menor custo para a Administração. Embora existam alguns custos relacionados ao descumprimento de direitos e garantias, estes não são expostos no processo de licitação, ou seja, quando existe uma empresa que aparentemente esteja em maior vantagem de custo não podemos avaliar com certeza que este foi devido. Assim, por via de regra, uma licitação somente existe entre órgãos públicos, porém há entre órgãos privados processos praticamente idênticos a uma licitação.

No processamento e julgamento da licitação constituirão princípios básicos: a legalidade, a impessoalidade, a moralidade, a igualdade, a publicidade, a probidade administrativa, a vinculação ao instrumento convocatório, o julgamento objetivo e os que lhes são correlatos.

A Legislação vigente, no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios – Lei n° 8.666, de 21-06-93, republicada em 06 de julho de 1994, contendo as alterações efetuadas pela Lei 8.883, de 08/06/94 e posteriormente alterada pela Lei 9.648, de 27/05/98 – aplica-se aos órgãos da administração direta, aos fundos especiais, as autarquias, as fundações públicas, as empresas públicas, as sociedades de economia mista e demais entidades controladas direta ou indiretamente por qualquer dessas esferas. As obras, serviços, compras e alienações realizadas pelos órgãos dos Poderes Legislativo e Judiciário e pelo Tribunal de Contas, no que couber, nas três esferas administrativas, regem-se, também, pelas mesmas normas.

O contrato administrativo exige licitação prévia, só dispensada, dispensável ou inexigível nos casos expressamente previstos em lei, e que constitui uma de suas peculiaridades, de caráter externo. Assim, a licitação é o antecedente necessário do contrato administrativo; o contrato é o conseqüente lógico da licitação. Mas esta se observa é apenas um procedimento administrativo preparatório do futuro ajuste, de modo que não confere ao vendedor nenhum direito ao contrato, apenas uma expectativa de direito.

Realmente, concluída a licitação, não fica a administração obrigada a celebrar o contrato, mas, se o fizer, há de ser com o proponente vendedor.

2. OBJETOS DA LICITAÇÃO

A licitação vai ter por objeto aquilo sobre o que a Administração deseja contratar. Dispõe da lei que a licitação pode ter por objetivos serviços, obras, compras, alimentações, concessões, permissões e locações da Administração Pública.

A atual lei licitatória, (Lei n. 8.666, de 21/06/1993, alterada pelas Leis n. 8.883, de 08/06/1994, 9.032, de 28/04/1995 e 9.648, de 27/05/1998) modificou a compreensão legal de cada uma destas expressões. Hoje, por obra entende-se não só toda construção, reforma, ampliação, como também a fabricação e a restauração, realizada pela execução direta ou indireta.

Quanto ao serviço, entende-se por toda atividade destinada a obter determinada utilidade de interesse para a Administração, tais como: serviço de demolição, conservação, reparação, entre outros. È bom frisar agora que a locação de bens figura como serviço.

A compra vem a ser aquisição remunerada de bens para fornecimento de uma vez só ou parceladamente.

A alienação é toda transferência de domínio de bens a terceiros.

Todas as construções que tenham estas modalidades serão sempre antecipadas de licitação, salvo nos casos de inexigibilidade ou dispensa.

3. PROCEDIMENTO E JULGAMENTO

A providência para iniciar-se uma licitação é a abertura de processo administrativo, autuado, protocolado e numerado, contendo a autorização, o resumo do objeto e a indicação do recurso pelo qual correrá a despesa.

Todos os documentos relativos à licitação deverão integrar o referido processo, à medida que os fatos forem ocorrendo, portanto, podendo-se dizer, em ordem cronológica.

Em condições normais, deverão ser juntados ao processo, oportunamente:

– Edital ou convite e respectivos anexos, quando for o caso;
– Comprovante das publicações do edital resumido, ou de entrega do convite;
– Ato de designação da comissão de licitação, do leiloeiro administrativo ou oficial, ou do responsável pelo convite;
– Original das propostas e dos documentos que as instruírem;
– Atas, relatórios e deliberações da Comissão Julgadora;
– Parecer técnico ou jurídico emitido sobre a licitação, dispensa ou inexigibilidade;
– Atos de adjudicação do objeto da licitação ou de sua homologação;
– Recursos eventualmente apresentados pelos licitantes e respectivas manifestações e decisões;
– Despacho de anulação ou de revogação da licitação, quando for o caso, fundamentado circunstanciadamente;
– Termo de contrato ou instrumento equivalente, conforme o caso:
– Outros comprovantes de publicações; e,
– Demais documentos relativos à licitação.

O julgamento das propostas, de forma objetiva, de conformidade com os tipos de licitação, critérios previamente estabelecidos no ato convocatório e fatores exclusivamente nele referidos, assegura sua aferição pelos licitantes e pelos órgãos de controle.

Deverão ser observados, pela comissão de licitação ou pelo responsável pelo convite, os seguintes procedimentos:

– Abertura dos envelopes contendo a documentação relativa á habilitação dos concorrentes e sua apreciação;
– Devolução dos envelopes fechados aos concorrentes inabilitados, desde que transcorrido o prazo sem interposição de recurso, ou tenha havido recurso ou após sua denegação;
– Abertura dos envelopes contendo as propostas dos concorrentes habilitados, desde que transcorrido o prazo sem interposição de recurso, ou tenha havido desistência expressa, ou após o julgamento dos recursos interpostos;
– Verificação da conformidade de cada proposta com os requisitos do edital e, conforme o caso, com os preços correntes no mercado ou fixados por órgão oficial competente, ou ainda com os constantes do sistema de registro de preços, os quais deverão ser devidamente registrados na ata de julgamento, promovendo-se a desclassificação das propostas desconformes ou incompatíveis;
– Julgamento e classificação das propostas de acordo com os critérios de avaliação constantes do edital; e,
– Deliberação da autoridade competente quanto à homologação e adjudicação do objeto da licitação.

Para habilitação do interessado, a lei previu, exclusivamente, documentação relativa à:

I. Habilitação jurídica;
II. Qualificação técnica;
III. Qualificação econômico-financeira;
IV. Regularidade fiscal.

A lei determina que a abertura dos envelopes contendo a documentação para a habilitação e as propostas sejam realizadas em ato público do qual se lavrará ata circunstanciada (Ver em anexo – modelo básico de uma Ata de abertura e Recebimento de Propostas Apresentadas para uma licitação por tomada de preços).

Portanto a ata citada deverá ser assinada pelos licitantes presentes e pela comissão, que deverão rubricar ainda todos os documentos e propostas.

Uma vez habilitado e abertas às propostas, o candidato não pode mais ser desclassificado por motivo relacionado com a habilitação, salvo em razão de fatos supervenientes ou só conhecidos após o julgamento, assim como não lhe é permitido desistir da participação, exceto por fato superveniente que deverá ser aceito pela comissão.

Os procedimentos e julgamentos da forma exposta são obrigatórios nas licitações por concorrência; no entanto, aplicam-se, no que couber, ao concurso, ao leilão, à tomada de preços e ao convite.

Ressalte-se que a Administração, em cumprimento ao princípio da igualdade, não poderá criar condições restritivas ao caráter de competição da licitação, nem estabelecer referências ou distinções em razão da naturalidade ou domicílio dos licitantes, pouco fixar tratamento diferenciado entre empresas brasileiras e estrangeiras.

4. REGIMES OU FORMAS DE EXECUÇÃO

– A Lei estabeleceu os regimes ou formas de execução das obras e serviços, dando-lhes definições próprias, como sendo de:
– Execução direta
– A que é feita pelos meios próprios disponíveis dos órgãos e entidades da Administração;
– Execução indireta
– A que é feita mediante contratação com terceiros pelos órgãos e entidades da Administração, sob qualquer dos seguintes regimes:
– Empreitada por preço global
– Quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo e total;
– Empreitada por preço unitário
– Quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo de unidades determinadas; tarefa
– Quando se ajusta mão de obra para pequenos trabalhos por preço certo, com ou sem fornecimentos de material; e,
– Empreitada integral
– Quando se contrata um empreendimento em sua integridade, compreendendo todas as etapas das obras, serviços e instalações necessárias, sob inteira responsabilidade da contratada até sua entrega ao contratante em condições de entrada em operação, atendido os requisitos técnicos e legais para sua utilização em condições de segurança estrutural e operacional e com as características adequadas às finalidades para que fosse contratada.

5. PRINCÍPIOS DA LICITAÇÃO

Os princípios que regem a licitação, qualquer que seja sua modalidade, resumem-se nos seguintes preceitos: procedimento formal; publicidade de seus atos; igualdade entre os licitantes; sigilo na apresentação das propostas; vinculação ao edital ou convite; julgamento objetivo; adjudicação compulsória ao vencedor. O estatuto acrescentou, agora, dentre os princípios básicos da licitação, o da probidade administrativa.

5.1 Procedimento Formal: O princípio do procedimento formal é o que impõe a vinculação da licitação às prescrições legais que regem em todos os seus atos e fases. Essas prescrições decorrem não só da lei, mas, também, do regulamento, do caderno de obrigações e até do próprio edital ou convite, que complemente as normas superiores, tendo em vista a licitação a que se refere (Lei 8.666/93, art. 4°).

5.2 Publicidade de seus atos: A ampla publicidade da licitação tem o objetivo de permitir o conhecimento dos atos praticados, ensejando o questionamento dos seus diversos aspectos. Ela se inicia com a notícia de sua abertura, com a publicação do edital, até a publicação do resultado.

As restrições devem ser limitadas. A Lei é taxativa: “A licitação não será sigilosa, sendo públicos e acessíveis ao público os atos de seu procedimento, salvo quanto ao conteúdo das propostas, até a respectiva abertura” (§ 3º do art. 3º).

5.3 Igualdade entre os licitantes: Igualdade entre os licitantes é o princípio impeditivo da discriminação entre os participantes do certame, quer através de cláusulas que, no edital ou no convite, favoreçam uns em detrimento de outros, que mediante julgamento faccioso, que desiguale os iguais ou iguale os desiguais.

5.4 Sigilo na apresentação das propostas: O sigilo na apresentação das propostas é consectário da igualdade entre os licitantes, pois ficaria em posição vantajosa o proponente que viesse a conhecer a proposta do seu concorrente antes da apresentação da sua. Daí o necessário sigilo, que há de ser guardado relativamente a todas as propostas, até a data designada para a abertura dos envelopes ou invólucros que as contenham, após a habilitação dos proponentes (art. 3°, § 3°, e 43, § 1°). A abertura da documentação ou das propostas ou a revelação de seu conteúdo antecipadamente, além de ensejar a anulação do procedimento, constitui também ilícito penal, com pena de detenção e multa.

5.5 Vinculação do edital: O princípio da vinculação ao edital ou instrumento convocatório é aquele que preceitua que o edital constitui a regra da licitação. Através dele, a Administração Pública, no processamento e julgamento da licitação, deve estar estritamente vinculada ao edital, não podendo descumprir suas normas e condições, sob pena de nulidade do processo.

5.6 Julgamento Objetivo: Já pelo princípio do julgamento objetivo, a licitação deve ser julgada nos termos do edital, sem qualquer discricionariedade por parte do agente.

5.7 Probidade administrativa: A probidade administrativa é o dever de todo administrador público, seu descumprimento importa em sanções penais e civis (Lei 8.429/92).

5.8 Adjudicação compulsória: O princípio da adjudicação compulsória ao vencedor impede que a Administração, concluído o procedimento licita tório, atribua o seu objeto a outrem que não o legítimo vencedor.

6. OBRIGATORIEDADE DA LICITAÇÃO

Por disposição constitucional, a licitação é procedimento obrigatório para toda a Administração, direta, indireta e funcional. Entretanto, a lei preceitua casos em que a Administração pode ou deve deixar de realizar a licitação, tornando-a dispensada, dispensável ou inexigível.

Licitação dispensada é a que a lei declarou como tal, no art. 17, I e II, da Lei de Licitações. Dá-se, por exemplo, no caso de imóveis, em dações em pagamento, investidura, venda ou doação a outro órgão público. Para bens móveis, é dispensada, por exemplo, nos casos de doação, permuta, venda de ações e títulos, etc. Dispensável é a que a Administração pode dispensar quando lhe convier. São os casos enumerados no art. 24, I a XXI da Lei. Tem-se, por exemplo, em caso de guerra ou grave perturbação da ordem, em caso de emergência ou calamidade pública e compras de gêneros alimentícios perecíveis. Já a inexigibilidade, ocorre quando há impossibilidade jurídica de competição. Dá-se quando há produtor ou vendedor exclusivo, em serviços técnicos profissionais especializados, serviços de publicidade e contratação de artistas.

7. DISPENSA DA LICITAÇÃO:

A Lei nº. 8.666/93 enumera em seu artigo 17, as situações de alienação, nas quais a licitação é dispensada, como sendo:

a) No caso de imóveis dependerá de autorização legislativa quando estes pertencerem aos órgãos da administração direta, autarquias e fundações e, avaliações prévias, para todos, inclusive para os das entidades paraestatais, quando ocorrer:

– Doação em pagamento;
– Doação, permitida exclusivamente para outro órgão ou entidade da administração pública, de qualquer esfera de governo;
– Permuta por outro imóvel destinado ao atendimento as finalidades da administração;
– Investidura;
– Venda para outro órgão ou entidade da administração pública, de qualquer esfera de governo; e,
– Alienação, concessão de direito real de uso, locação ou permissão de uso de bens imóveis construídos e destinados ou efetivamente utilizados no âmbito dos programas habitacionais de interesse social, por órgãos ou entidades da administração pública criados para esse fim.

b) No caso de móveis, dependerá de avaliação prévia, quando ocorrer:

– Doação, permitida exclusivamente para fins e uso de interesse social, após avaliação de sua oportunidade e conveniência socioeconômica, relativamente á escolha de outra forma de alienação;
– Permuta, permitida exclusivamente entre órgão ou entidades da administração pública;
– Venda de ações;
– Venda de títulos;
– Venda de bens produzidos ou comercializados por órgãos ou entidades da administração pública, em virtude de suas finalidades;
– Venda de materiais e equipamentos para outros órgãos ou entidades da administração pública, sem utilização previsível por quem deles dispõe.

Será dispensada a licitação nos casos previstos em:

– Concessão de direito real de uso de bens imóveis, quando o uso se destina para outro órgão ou entidade da administração pública; e,
– Doação com encargo, no caso de interesse público, devidamente justificado.

c) A licitação pode ser dispensada, a critério da Administração, nos casos especificados no art. 24 da Lei n° 8.666/93, que são:

I. Para obras e serviços de engenharia de valor até cinco por cento do limite para a sua realização através de convite, desde que não se refiram as parcelas de uma mesma obra ou serviço ou ainda para obras e serviços da mesma natureza e no mesmo local, que possam ser realizadas conjunta e concomitantemente;
II. Para outros serviços e compras de valor até cinco por cento do limite para sua realização através de convite, e para alienações, nos casos previstos na Lei, desde que não se refiram as parcelas de um mesmo serviço, compra ou alienação de maior valor, que possa ser realizada de uma só vez;
III. Nos casos de guerra ou grave perturbação da ordem;
IV. Nos casos urgentes que possa ocasionar prejuízo ou comprometer a segurança de pessoas, obras, serviços, equipamentos e outros bens, públicos ou particulares, e somente para os bens necessários ao atendimento da situação emergencial e para as parcelas de obras e serviços que possam ser concluídas no prazo máximo de cento e oitenta dias consecutivo e interrupto, contado da ocorrência da emergência ou da calamidade vedado à prorrogação dos respectivos contratos;
V. Quando não acudirem interessados á licitação anterior e esta, justificadamente, não puder ser repetido sem prejuízo para Administração, mantidas, neste caso, todas as condições preestabelecidas;
VI. Quando a União tiver de intervir no domínio econômico para regular preço ou normalizar o abastecimento;
VII. Quando as propostas apresentadas consignarem preços manifestamente superiores aos praticados no mercado, ou forrem incompatíveis com os fixados pelos órgãos estatais incumbidos do controle oficial de preços, casos em que – facultado à Administração dar novo prazo de 08 (oito) dias úteis aos licitantes para apresentação de novas propostas – será admitida a adjudicação direta dos bens ou serviços, por valor não superior ao constante do registro de preços, ou serviços;
VIII. Para a aquisição, por pessoa jurídica de direito público interno, de bens produzidos ou serviços prestados por órgão ou entidade que integre a Administração Pública e que tenha sido criado para esse fim específico em data anterior á vigência da Lei, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado;
IX. Quando houver possibilidade de comprometimento da segurança nacional, nos casos estabelecidos em decreto do Presidente da República, ouvindo o Conselho de Defesa Nacional;
X. Para ou locação de imóvel destinado ao atendimento das finalidades precípuas da Administração, cujas necessidades de instalação e localização condicionem sua escolha, desde que o preço seja compatível com o valor de mercado segundo avaliação prévia;
XI. Na contratação de remanescente de obra, serviço ou fornecimento, em conseqüência de rescisão contratual, desde que atendida a ordem de classificação da licitação anterior e aceitas as mesmas condições oferecidas pelo licitante vencedor, inclusive quanto ao preço, devidamente corrigido;
XII. Nas compras de hortifrutigranjeiros, pão e outros gêneros perecíveis, no tempo necessário para a realização dos processos licitatórios correspondentes, realizadas diretamente com base no preço do dia;
XIII. Na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada á recuperação social de preso, desde que a contratada detenha inquestionável reputação ético-profissional e não tenha fins lucrativos;
XIV. Para aquisição de bens ou serviços nos termos de acordos internacionais específicos aprovados pelo Congresso Nacional, quando as condições ofertadas forem manifestamente vantajosas para o Poder Público;
XV. Para a aquisição ou restauração de obras de arte e objetos históricos, de autenticidade certificada, desde que compatível ou inerente ás finalidades do órgão ou entidade;
XVI. Para a impressão dos diários oficiais, de formulários padronizados de uso da Administração, e de edições técnicas oficiais, bem como para a prestação de serviços de informática a pessoa jurídica de direito público interno, por órgãos ou entidades que integrem a Administração Pública, criados para esse fim específico;
XVII. Para a aquisição de componentes ou peças de origem nacional ou estrangeira, necessários á manutenção de equipamentos durante o período de garantia técnica, junto ao fornecedor original desses equipamentos, quando tal condição de exclusividade for indispensável para a vigência da garantia;
XVIII. Nas compras ou contratações de serviços para o abastecimento de navios, embarcações, unidades aéreas ou tropas e seus meios de deslocamento, quando em estada eventual de curta duração em portos, aeroportos ou localidades diferentes de suas sedes, por motivo de movimentação operacional ou de adestramento, quando a exigüidade dos prazos legais puder comprometer a normalidade e os propósitos das operações e desde que seu valor não exceda ao limite para a realização de compras e serviços através de convite;
XIX. Para as compras de materiais de uso pelas Forças Armadas, com exceção de materiais de uso pessoal e administrativo, quando houver necessidade de manter a padronização requerida pela estrutura de apoio logístico dos meios navais, aéreos e terrestres, mediante parecer de comissão instituída por decreto;
XX. Na contratação de associação de portadores de deficiência física, sem fins lucrativos e de comprovada idoneidade, por órgãos ou entidades da Administração pública para a prestação de serviços ou fornecimento de mão-de-obra, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado;
XXI. Para aquisição de bens destinados exclusivamente a pesquisa científica e tecnológica com recursos concedidos pela CAPES, FINEP e CNPq, ou outras instituições de fomento a pesquisa credenciadas pelo CNPq para esse fim específico; e,
XXII. Na contratação do fornecimento ou suprimento de energia elétrica com concessionário, permissionário ou autorizado, segundo as normas da legislação específica;
XXIII. Na contratação realizada por empresa pública ou sociedade de economia mista com suas subsidiárias e controladas, para a aquisição ou alienação de bens, prestação ou obtenção de serviços, desde que o preço contratado seja compatível com o praticado no mercado; e,
XXIV. Para a celebração de contratos de prestação de serviços com as organizações sociais, qualificadas no âmbito das respectivas esferas de governo, para atividades contempladas no contrato de gestão;

Para as dispensas enquadradas no inciso IV – emergência ou calamidade pública, quando caracterizada urgência de atendimento de situação – a Administração deverá avaliar criteriosamente a condição que permita caracterizá-los como tal, uma vez que essas situações não poderão ter sido originadas total ou parcialmente da falta de planejamento ou de negligência administrativa de agente público, cuja obrigação era de agir, na época devida, para preveni-la.

Se o fato ocorrer de forma imprevisível, as providências deverão ser adotadas, de imediato, visando, de fato, ao atendimento da situação calamitosa que possa causar prejuízo ou comprometer a segurança de bens e pessoas, sem prejuízo da apuração das responsabilidades, se houver.

Serão de 20% (vinte por cento) os percentuais referidos nos incisos I e II, quando se tratar de compras, obras e serviços contratados por sociedade de economia mista, empresa-pública, bem assim por autarquia e fundação qualificada como agência executiva.

Todas as dispensas, conforme o artigo 17 e as duas primeiras hipóteses – incisos I e II do art. 24 deverão ser justificadas e comunicadas, dentro de três dias, à autoridade superior, para ratificação e publicação na Imprensa Oficial, dentro de cinco dias, sendo que o ato não tem eficácia.

8. INEXIGIBILIDADE E VEDAÇÃO

De acordo com o art. 25 da Lei n° 8.666/93, é inexigível a licitação quando houver inviabilidade de competição, em especial:

– Para a aquisição de materiais, equipamentos, ou gêneros que só possam ser fornecidos por produtor, empresa ou representante comercial exclusivo, vedada à preferência de marca, devendo a comprovação de exclusividade ser feita através de atestado fornecido pelo órgão de registro do comércio do local em que se realizaria a licitação ou a obra ou o serviço, pelo Sindicato, Federação ou Confederação Patronal, ou ainda, pelas entidades equivalentes;

– Para contratação de serviços técnicos, de natureza singular, com profissionais ou empresas de notória especialização, vedada a inexigibilidade para serviços de publicidade e divulgação;

– Para contratação de profissional de qualquer setor artístico, diretamente ou através de empresário exclusivo, desde que consagrado pela crítica especializada ou pela opinião pública.

Podemos considerar serviços técnicos profissionais especializados os trabalhos relativos á:

– Estudos técnicos, planejamentos e projetos básicos ou executivos;
– Pareceres, perícias e avaliações em geral;
– Assessorias ou consultorias técnicas e auditorias financeiras ou tributárias;
– Fiscalização, supervisão ou gerenciamento de obras ou serviços;
– Patrocínio ou defesa de causas judiciais ou administrativas;
– Retreinamento e aperfeiçoamento de pessoal;
– Restauração de obras de arte e bens de valor histórico.

Somente é inexigível licitar quando houver inviabilidade de competição, o que não é sinônimo de inviabilidade de licitação.Também nas situações de inexigibilidade, faz-se necessário que as mesmas sejam justificadas e comunicadas, dentro de três dias, á autoridade superior, para ratificação e publicação na Imprensa Oficial, no prazo de cinco dias, como condição para sua eficácia.

Tanto os processos de inexigibilidade, como os de dispensa ou de retardamento, deverão ser instruídos, conforme o caso, com:

– A razão da escolha do fornecedor ou executante;
– A justificativa do preço;
– A caracterização da situação emergencial que justifica dispensa, quando for o caso.

Nos casos de fornecimentos efetuados pelos concessionários de serviços públicos tais como água, luz, telefone, o novo entendimento é de que deverão ser enquadrados no art. 25, caput, que trata da inexigibilidade, uma vez que não exista mais de uma empresa que preste tais serviços na mesma localidade, caracterizando “inviabilidade de competição”. Portanto, a situação não se enquadra mais como dispensa de licitação, como prevista expressamente na legislação anterior (Decreto-lei n° 2.300/86).

9. FASES

O procedimento licitatório possui duas fases. A primeira é interna e transcorre com a abertura do processo em que a autoridade competente determina sua realização, delimita seu objeto e indica os recursos para a despesa. A segunda é a que se desenvolve em etapas, numa seguinte seqüência: audiência pública, edital ou convite, recebimento da documentação e propostas, habilitação, julgamento, homologação e adjudicação.

Antes de ser publicado o edital, a Administração Pública efetua uma audiência pública, mas somente quando o valor estimado para a licitação for superior a cem vezes o quantum previsto para a concorrência de obras e serviços de engenharia.

O Edital é, em regra, a primeira fase da licitação. Nesta etapa, a Administração cuida da elaboração do edital, inserindo todos os aspectos que envolvem a aquisição, principalmente os técnicos. Objetiva o chamamento dos interessados na participação do certame. É a materialização da publicidade na Administração Pública.

Cumpridas todas as exigências da fase externa do edital, os interessados vão se habilitar a fornecer o que a Administração Pública pretende, entregando a ela suas propostas e documentação. O art. 27, da Lei 8666/93 estabelece as exigências para a habilitação, dispondo sobre a documentação necessária para a participação no certame.

Na fase do julgamento, após a apresentação dos documentos, obedecidas as exigências, haverá o julgamento das propostas, de acordo com o aspecto: subjetivo, que consiste na análise dos documentos e objetivo, que diz respeito à qualificação técnica do produto e a capacidade do participante de fornecê-lo.

Selecionar a proposta mais vantajosa é o objetivo da licitação, e este pode ser com base no menor preço, melhor técnica, técnica e preço ou, melhor lance ou oferta, dependendo do tipo de licitação escolhido pelo Poder Público.

Na homologação, verificado o vencedor da licitação, a Administração Pública homologará o resultado. E, por fim, na adjudicação, a Administração Pública assume o compromisso de adquirir o produto. A contratação não faz parte da adjudicação, de modo que, quem vence a licitação não tem direito ao contrato, mas apenas uma expectativa de direito, tem direito apenas a não ser preterido em uma eventual contratação.

10. MODALIDADES

O art. 22 da Lei de Licitações, em seus incisos I, II, III, IV e V, dispõem sobre as modalidades da licitação, estabelecendo os conceitos nos parágrafos 1°, 2°, 3°, 4° e 5°. São elas:

10.1 Concorrência – é a modalidade de licitação utilizada para aquisições de grande porte e que se realiza com ampla publicidade para assegurar a participação de quaisquer interessados que preencham os requisitos previstos no edital. Deste conceito decorrem suas características básicas, que são a ampla publicidade e a universalidade. A publicidade é assegurada pela publicação do edital, no mínimo uma vez. A universalidade significa a possibilidade de participação de quaisquer interessados que, na fase inicial de habilitação preliminar, comprovem possuir os requisitos mínimos de qualificação exigidos no edital para execução de seu objeto.

10.2 Tomada de preços – é a modalidade de licitação utilizada para aquisições de médio porte e que se realiza entre interessados previamente cadastrados ou que preencham os requisitos para cadastramento até o terceiro dia anterior à data do recebimento das propostas, observada a necessária qualificação.

10.3 Convite – é a modalidade de licitação utilizada para aquisições de pequeno porte e que se realiza entre, no mínimo, três interessados do ramo pertinente a seu objeto, cadastrados ou não, escolhidos e convidados pela unidade administrativa, e da qual podem participar também aqueles que, não sendo convidados, estiverem cadastrados na correspondente especialidade e manifestarem seu interesse com antecedência de 24 horas da apresentação das propostas. É a única modalidade de licitação em que a lei não exige publicação de edital, já que a convocação se faz por antecedência, por meio da chamada carta-convite.

10.4 Concurso – é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para escolha de trabalho técnico, científico ou artístico, mediante a instituição de prêmio ou remuneração aos vencedores.

10.5 Leilão – é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis imprestáveis para a administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, ou para a alienação de bens imóveis previstos no art. 19, a quem possa oferecer o maior lance, igual ou superior ao da avaliação.

10.6 Pregão – é uma nova modalidade de licitação instituída pela MP 2.182/01. Não se encontra regulada pela Lei de Licitações, como as modalidades anteriores, mas na Lei n° 10.520/02. O pregão é utilizado para a aquisição de bens e contratação de serviços comuns, qualquer que seja o valor estimado da contratação. São considerados como bens e serviços comuns aqueles cujos padrões de desempenho e qualidade podem ser objetivamente definidos em edital, por meio de especificações usuais de mercado. Excetuam-se dessa modalidade as alienações em geral, as locações imobiliárias, as obras e serviços de engenharia. A agilidade e a transparência são características inerentes a esta modalidade. Pelo sistema, os representantes das empresas interessadas devem estar presentes à sessão pública e formular lances verbalmente, na presença dos demais concorrentes. O pregão inverte as etapas usuais da licitação, definindo primeiro a melhor proposta para, depois, cuidar de toda a parte burocrática da licitação.

Desse modo, a participação dos fornecedores torna-se fácil e mais rápida.

11. PROCEDIMENTO LICITATÓRIO

A licitação é levada a feito mediante determinado procedimento. As fases em que pode ser dividido esse procedimento são:

– Audiência pública;
– Edital;
– Habilitação;
– Classificação ou julgamento;
– Adjudicação;
– Homologação.

A nova lei de licitação prevê para obras e serviços de grande vulto a necessidade de uma audiência pública para iniciar o processo licitatório, sendo que este deve ter uma antecedência mínima de quinze dias úteis da data prevista para a publicação do edital, com uma divulgação prévia de dez dias, no mínimo da própria audiência.

O edital é o ato pelo qual a Administração dá início, normalmente, ao processo licitatório. Consiste na fixação das condições para a participação dos interessados, devendo constar todos os elementos necessários para tanto, tais como: descrição do objeto, data de abertura e encerramento da entrega das propostas e etc. Procuram de fato, tornar compreensível para todos os interessados as regras que presidirão todo o procedimento.

A omissão de pontos essenciais leva à anulidade do edital. Da mesma forma que se as condições expressas pelo mesmo não forem respeitantes aos amplos princípios que informam a licitação, o edital pode ser impugnado. Não importa se o vício encontra-se de forma ostensiva ou recôndita, ou seja, visível ou dissimulado.

A modalidade de licitação “carta convite” dispensa o edital, o qual é substituído pela própria carta, que faz às vezes de instrumento convocatório dos interessados. No entanto, o convite, de forma simplificada, deve conter na essência os mesmos elementos do edital.

A habilitação foi à forma encontrada pela Administração Pública de julgar previamente a capacidade jurídica da empresa licitante, bem como sua capacidade técnica, econômico-financeira e fiscal, todas comprovadas pela documentação apresentada.

A habilitação não leva a nenhuma classificação, apenas estabelece se o participante está qualificado ou não.

12. CRITÉRIOS PARA AVALIAÇÃO DAS PROPOSTAS

Já a classificação é a fase de julgamento da proposta especificamente, devendo obedecer aos critérios objetivos definidos no edital ou no convite. Esta fase obedece ao princípio da vinculação ao ato convocatório da Lei 8.666/93.

A própria lei mencionada estabelece critérios padrões que o julgamento pode adotar. E no caso de igualdade de condições, os critérios de desempate são traduzidos também pela nova lei. Os critérios são:

– Menor preço (visa otimizar gastos);
– Melhor proposta técnica (é fixado o teto máximo para aquisição do objeto);
– Melhor técnica e menor preço (os parâmetros são fixados pelo edital);

A adjudicação é a fase onde ocorre a entrega jurídica ao vencedor pela comissão julgadora, do objeto da licitação. È a fase em que propriamente a Administração, pela comissão julgadora, confere o direito de preferência de ser contratado ao vencedor; determina o único com quem poderá contratar.

Caso o vencedor recuse a adjudicação recebe como penalidade a perda do seu direito e o segundo colocado é chamado.

Já a Administração pode não adjudicar revogando a licitação, mas se o fizer confere o direito de preferência da contratação ao vencedor e libera os demais clientes.

13. HOMOLOGAÇÃO

A homologação é o ato da autoridade competente que confirma a adjudicação feita pela comissão julgadora da licitação e encerra o procedimento licitatório. É um ato de natureza formal. Na verdade, a homologação existe muito mais pelo caráter fiscalizatório. Detectada alguma irregularidade recusa-se a homologação, caso em que se poderá pedir a retificação da irregularidade se ela for sanável ou anular todo o processo se tiver ocorrido ilegalidade insanável e prejudicial à Administração.

A partir da homologação a autoridade que a fez responde pelos feitos da adjudicação homologada.

14. RECURSOS

A nova Lei Licitatória estatui regras sobre o assunto e com o nomen juris de DOS RECURSOS ADMINISTRATIVOS (art. 109), abrangendo:

14.1 O Recurso: cabível no prazo de cinco (5) dias úteis a contar da intimação do ato ou da lavratura da ata, apresentados perante a autoridade que praticou o ato, que poderá exercer a reconsideração, porém dirigidos à autoridade superior, nos casos de:

a) habilitação ou inabilitação do licitante (I – quando as propostas não atendam às exigências do ato convocatório; II – quando as propostas estejam com preços excessivos ou manifestamente inexeqüíveis), com efeito suspensivo. Vale adiantar, que nos dois casos colocados entre parênteses, o art. 48, parágrafo único da LEI 8.666/93 dispõe que quando todas as propostas forem desclassificadas a Administração poderá fixar aos licitantes o prazo de 8 (oito) dias úteis para a apresentação de outras propostas escoimadas das causas que as inviabilizaram;
b) julgamento das propostas, também com efeito suspensivo;
c) anulação ou revogação da licitação;
d) indeferimento do pedido de inscrição em registro cadastral, sua alteração ou cancelamento;
e) rescisão do contrato por ato unilateral da Administração, na hipótese do art. 78, incisos I da LEI 8.666/93;
f) aplicação das penas de advertência, suspensão temporária ou de multa. Interposto o recurso, será feita comunicação aos demais licitantes que, em cinco (5) dias úteis poderão impugná-lo;

14.2 A Representação: poderá ser exercida, também, no prazo de cinco (5) dias úteis contados da intimação da decisão relacionada com o objeto da licitação ou do contrato, de que não caiba recurso hierárquico;

14.3 Pedido de Reconsideração: admissível no prazo de dez (10) dias úteis contados da intimação do ato, de decisão do Ministro de Estado (sendo o certame federal) ou Secretários de Estado ou de Município (sendo certames, respectivamente, de âmbito estadual ou municipal), no caso de declaração de inidoneidade para licitar ou contratar com a Administração Pública correspondente, enquanto perdurarem os motivos determinantes da punição ou até que seja promovida a reabilitação, perante a própria autoridade que aplicou a sanção.

Observação: A autoridade competente, motivadamente e presentes razões de interesse público, poderá atribuir efeito suspensivo aos demais recursos não ressalvados na parte inicial do § 2º do art. 109.

A intimação aqui referida nos casos de recurso das alíneas a, b, c, e e, excluídos os de advertência e multa de mora, e no caso de pedido de reconsideração será feita mediante publicação na imprensa oficial, salvo nos casos das alíneas a e b, se presentes os prepostos dos licitantes no ato em que foi adotada a decisão, quando a comunicação poderá ser feita diretamente aos interessados e lavrada em ata.

As hipóteses aqui aventadas não retiram ao licitante ou executor de um contrato valer-se da via judicial visando à correção do ato ou decisão administrativa que tenha sido lesiva aos seus interesses (C.F., art. 5º, inciso XXXV), ainda que não exercido o direito na via administrativa ou se exercido concomitantemente, não tenha sido o recurso recebido no efeito suspensivo.

Em caso de recurso o prazo para a representação da autoridade menor ou decisão da autoridade superior, será de cinco (5) dias úteis, contado do recebimento, sob pena de responsabilidade.

Nenhum prazo de recurso, representação ou pedido de reconsideração se inicia ou corre sem que os autos do processo estejam com vista franqueada ao interessado.

As diversas situações deverão ser, desde logo, definidas no edital, porquanto um direito previsto na própria Constituição Federal – art. 5º, XXXIV, a.

Decididas às questões incidentes, a autoridade resolvendo homologar o julgamento, dará publicidade ao seu despacho para a desobrigação dos demais licitantes e respectiva convocação do adjudicatário para a celebração do contrato.

Uma última e importante observação resulta da inclusão do § 6º ao artigo 109, pela Lei n° 8.883/94, dando conta que nas licitações realizadas na modalidade “carta convite” os prazos para “recurso, representação e da impugnação de que cuida o § 3º” serão de apenas dois dias úteis.

15. BIBLIOGRAFIA

01. BASTOS, Celso Ribeiro. – Curso de Direito Administrativo, Editora Saraiva, 1994.
02. CAPOBIANCO, Eduardo Ribeiro. – “Não é preciso corromper para ser empreiteiro” – Folha, edição de 12.05.96.
03. FREITAS, Juarez. – Estudos de Direito Administrativos, Malheiros, 1995.
04. GASPARINI, Diógenes. – Direito Administrativo – 3ª ed., Saraiva.
05. JUSTEN FILHO, Marçal. – Comentários à Lei de Licitações e Contratos Administrativos, Aide, 2ª ed.
06. MEIRELLES, Hely Lopes. – Direito Administrativo, Malheiros, 18ª Edição.
07. MELLO, Celso Antônio Bandeira. – Curso de Direito Administrativo, 4ª ed., Malheiros.

TROMBOSE VENOSA PROFUNDA E TROMBOEMBOLISMO PULMONAR

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TROMBOSE VENOSA PROFUNDA E TROMBOEMBOLISMO PULMONAR

INTRODUÇÃO

Comum em todas as especialidades médicas, a trombose venosa profunda (TVP) e o tromboembolismo pulmonar (TEP), continuam sendo as doenças mais negligenciadas no cenário clínico atual. A não classificação do risco de trombose venosa profunda e/ou embolismo pulmonar, a ausência de profilaxia adequada, o diagnóstico por vezes não tão óbvio e simples, resultam por vezes no tratamento de doentes que não tem a patologia ou no não tratamento de quem a tem. Qualquer uma das duas situações deve ser evitada.

Embora, neste trabalho, tivemos preferência por descrever as patologias separadamente, o embolismo pulmonar é uma entidade em íntima associação com a trombose venosa profunda, apesar do quadro clínico bastante distinto entre uma e outra situação as duas possuem etiologias semelhantes.

Assim, este trabalho trará algumas explicações referentes à definição, desenvolvimento, sintomas, diagnósticos, tratamentos, curiosidades e prevenção de ambas as doenças, afim de que esse cenário nos leve a uma reflexão e a uma postura agressiva para prevenirmos e tratarmos, principalmente através da fisioterapia, os doentes que tenham fatores de risco ou que venham a apresentar fatores desencadeantes da trombose venosa profunda e do tromboembolismo pulmonar.

TROMBOSE VENOSA PROFUNDA (TVP)

DEFINIÇÃO
A trombose venosa profunda (TVP) é o desenvolvimento de um trombo (do grego Thrómbos) significa coágulo de sangue, dentro de um vaso sanguíneo venoso com conseqüente reação inflamatória do vaso, podendo, esse trombo, determinar obstrução venosa total ou parcial.

A TVP é relativamente comum (50 casos/100.000 habitantes) e é responsável por seqüelas de insuficiência venosa crônica: dor nas pernas, edema (inchaço) e úlceras de estase (feridas). Os trombos originam-se com maior freqüência nas veias profundas dos membros inferiores, particularmente as veias musculares da panturrilha. Em geral são clinicamente silenciosos, mas possuem o desagradável potencial de originar êmbolos que se alojam nos pulmões para produzir embolia e infarto pulmonar.

A trombose pode ocorrer em uma veia situada na superfície corporal, logo abaixo da pele. Nessa localização é chamada de tromboflebite superficial.
Quando o trombo se forma em veias profundas, no interior dos músculos, caracteriza a trombose. Em qualquer localização, o trombo irá provocar uma inflamação na veia, podendo permanecer restrito ao local inicial de formação ou se estender ao longo da mesma, provocando sua obstrução parcial ou total.

Dois milhões de americanos desenvolvem TPV por ano.

MORFOLOGIA DOS TROMBOS

Os trombos podem desenvolver-se em qualquer parte do sistema cardiovascular: nas cavidades cardíacas ou nas artérias, veias ou capilares. Aqueles que se originam no lado arterial da circulação diferem um pouco dos que se originam no lado venoso.

O trombo arterial é uma massa cinzenta entrelaçada, friável, seca, que ao corte transversal de regra mostra linhas de um cinza mais escuro de plaquetas agregado interpostas entre camadas mais pálidas de fibrina coagulada.

O trombo venoso é quase invariavelmente oclusivo, ou seja, dá-se em artérias menores que a aorta e forma-se rapidamente até obstruir tosa a luz. Estes trombos possuem uma mistura muito mais rica de hemácias, sendo por isso conhecidos como trombos vermelhos, coagulativos ou de estase. Ao corte transversal, as laminações não são bem desenvolvidas, mas geralmente podem ser observados filamentos entrelaçados de fibrina.

Se um paciente sobrevive aos efeitos imediatos da obstrução vascular, irá desenvolver uma das seqüências: O trombo pode propagar-se e finalmente causar obstrução de algum vaso importante, pode embolizar, pode ser removido por atividade fibrinolítica ou sofrer organização e ser incorporado à parede do vaso.

DESENVOLVIMENTO

O desenvolvimento de um trombo é mais bem avaliado como a conseqüência de ativação imprópria do processo de hemostasia normal. Hemostasia é um complexo mecanismo desencadeado pelo organismo para coibir uma hemorragia. Ela se passa nos vasos de pequeno calibre (arteríola terminal , vênula pós-capilar e capilar) e para que tenha sucesso, é necessário que construa um tampão (trombo hemostático) na altura da lesão vascular. Para a formação do trombo hemostático participam as plaquetas, inúmeras substâncias do sangue circulante e a própria parede vascular no local da lesão. Quando um vaso é seccionado quase imediatamente ele se contrai, devido aos mecanismos neurogênicos reflexos aumentados por fatores humorais tais como a endotelina um potente vasoconstritor derivado do endotélio, essa contração vascular é mais evidente em vasos que possuem paredes musculares bem definidas, mas também ocorre nos mecanismos esfincterianos situados na junção das metarteríolas e capilares fechando assim os leitos capilares, logo o espasmo vascular diminui e o sangramento seria reiniciado se não fosse pela ativação dos sistemas plaquetários e de coagulação. Podemos dividir o sistema de hemostasia normal através dos principais fatores contribuintes para a formação do trombo, que são a lesão das células endoteliais, as plaquetas e o sistema de coagulação.

As células endoteliais intactas, embora multifuncionais, servem predominantemente para inibir a adesão plaquetária e o início da coagulação sanguínea. Inversamente, a lesão das células endoteliais representa uma perda dos mecanismos anticoagulantes, assim contribuindo para a hemostasia e para a trombose.

Este desenvolvimento da TVP é complexo, podendo estar relacionado a um ou mais dos três fatores abaixo:

Estase Venosa:

Situações em que há diminuição da velocidade da circulação do sangue. Por exemplo: pessoas acamadas, cirurgias prolongadas, posição sentada por muito tempo (viagens longas em espaços reduzidos – avião, ônibus).

Lesão do vaso:

O vaso sanguíneo normal possui paredes internas lisas por onde o sangue passa sem coagular (como uma mangueira por onde flui a água). Lesões, rupturas na parede interna do vaso propiciam a formação de trombos, como, por exemplo, em traumas, infecções, medicações endovenosas.

Hipercoagulabilidade:

Situações em que o sangue fica mais suscetível à formação de coágulos espontâneos, como por exemplo, tumores, gravidez, uso de anticoncepcionais, diabete, doenças do sangue.

Nosso corpo é dotado de mecanismos que mantém constante o seu equilíbrio. No sangue há fatores que favorecem a coagulação do sangue, chamada procoagulantes, e fatores que inibem a formação de coágulos, chamados anticoagulantes, responsáveis pela manutenção do sangue em estado líquido. Quando ocorre um desequilíbrio em favor dos procoagulantes, desencadeia a formação do trombo.

Embora possa acometer vasos de qualquer segmento do organismo, a TVP acomete em mais de 90% dos casos, as extremidades inferiores (coxas e pernas), mais ou menos na seguinte ordem de freqüência: veias profundas da panturrilha, femorais, poplíteas e ilíacas. Menos comumente, podem desenvolver-se trombos venosos no plexo periprostático, ou veias ovarianas e periuterinas. Eventualmente ocorrem na veia porta ou suas radículas, ou nos seios durais.

TROMBOSE VENOSA EM VIAGENS

A imobilidade prolongada durante uma viagem acontece quando uma pessoa permanece sentada, praticamente em uma mesma posição, durante horas seguidas, o que pode ser exacerbado pelo uso excessivo de sedativos ou de bebidas alcoólicas. Nestas circunstâncias, existe risco de trombose venosa profunda, uma vez que a compressão prolongada das veias dos membros inferiores (pernas e coxas) contra as bordas dos assentos dificulta a circulação do sangue e facilita a formação de coágulos.

O risco de trombose venosa profunda é proporcional ao período de imobilidade, sendo mais significativo quando a duração da viagem é superior a cinco horas. Além disto, a doença é mais freqüente em viajantes que tenham fatores individuais de risco, como uso de anticoncepcionais, gestação, obesidade, idade superior a quarenta anos, infarto recente etc.

A doença tromboembólica, relacionada com imobilidade prolongada foi descrita em Londres, durante a II Guerra Mundial, em pessoas que permaneciam sentadas por longos períodos de tempo em abrigos antiaéreos. Nos anos 50 foram registrados os primeiros episódios relacionados com viagens de avião e, na década de 70, com a popularização dos vôos internacionais, a doença passou a chamar a atenção notadamente pelos casos de embolia pulmonar que resultavam em mortes de passageiros, às vezes em pleno ar.

Nos anos 90 passou-se a utilizar a expressão síndrome da classe econômica, numa alusão à freqüência deste tipo de evento em passageiros submetidos a uma exigüidade de espaço que dificultava a mobilidade durante as viagens aéreas. A expressão é, contudo, imprecisa, uma vez que a ocorrência de doença tromboembólica não é uma exclusividade dos passageiros da classe econômica. Além disto, a doença ocorre também em viajantes que utilizam outros meios de transporte, como carros e trens.

Ainda que não exista um estudo conclusivo, é inegável que algumas peculiaridades das viagens aéreas sugerem uma provável associação com doença tromboembólica, maior do que em outros meios de transporte. A freqüência das escalas durante uma viagem aérea, quando elas ocorrem, é ditada por motivos econômicos ou técnicos e, naturalmente, não obedece a um padrão regular. A disposição dos assentos,

em múltiplas fileiras paralelas, inibe até eventuais idas ao toalete e, de resto, não é aconselhável, por motivos de segurança, que os passageiros fiquem andando durante o vôo, o que facilita a imobilidade prolongada. Além disto, o ambiente do interior das aeronaves, seco e com níveis baixos de pressão atmosférica e de oxigênio, favorece a desidratação, que é um dos fatores de risco para a doença tromboembólica.

O risco de doença tromboembólica (trombose venosa profunda e embolia pulmonar) é relativamente pequeno, considerando o número total de pessoas que viajam. Contudo, em razão da possível ocorrência de embolia pulmonar, que pode resultar em morte durante ou logo após uma viagem, é importante que sejam observadas medidas preventivas.

Para se prevenir em viagens, procure sempre:

Um fácil exercício para a musculatura da panturrilha:

Fixe o calcanhar no chão e levante a ponta dos pés.

Fixe a ponta dos pés e levante os calcanhares.

Fixar a ponta do pé e girar o calcanhar.

SINTOMAS E SINAIS

Os sintomas da TVP variam muito, desde clinicamente assintomático (cerca de 50% dos casos de TVP passam desapercebidos) até sinais e sintomas.

Os sintomas mais comuns da Trombose Venosa Profunda (TVP) ocorrem geralmente em uma das pernas, mais comumente nas panturrilhas (batatas das pernas), caracterizando-se freqüentemente pelo início recente dos seguintes sinais clínicos: dor, edema (inchaço) e rubor (vermelhidão) na área afetada (perna ou coxa). Outros sinais são o calor e o empastamento no membro acometido (rigidez da musculatura da panturrilha). Diante de tais manifestações o indivíduo deve ser encaminhado a um serviço médico de emergência, sobretudo pelo risco do quadro evoluir para uma embolia pulmonar.

Os sintomas clássicos da TVP são:
Inchaço (edema) da panturrilha e/ou coxa de uma das pernas;
Desconforto
Câimbras
Febre
Sensação de “queimação” em membros inferiores.
Ligeira elevação da temperatura local
Vermelhidão nas pernas
Distensão das veias superficiais
Veia espessada sensível ou palpável

DIAGNÒSTICO

Quando a TVP se apresenta com sinais e sintomas clássicos são facilmente diagnosticada clinicamente. Na maioria das vezes isso não ocorre e são necessários exames complementares específicos.

O diagnóstico clínico da trombose venosa profunda depende da anamnese e do exame físico acurado. Todo paciente com queixa de edema e dor nos membros inferiores (MMII) deve ser avaliado pensando-se em trombose venosa profunda. A sensibilidade do exame clínico, contudo, é baixa, uma vez que estudos mostram que 50% dos pacientes com TVP diagnosticada por exame objetivo não apresentavam sintomas clínicos. Wells et al. propuseram, em 1995, critérios para avaliação individual do risco de o indivíduo desenvolver TVP, para melhorar a acurácia do exame clínico.

Os pacientes com trombose venosa profunda se apresentam de duas formas: assintomáticos ou com manifestações clínicas, que são mais intensas à medida que o processo de trombose se torna mais proximal. A trombose venosa profunda é definida como proximal quando o trombo acomete as veias poplíteas, femorais ou ilíacas, com ou sem trombo nas veias da panturrilha; a trombose distal é confinada às veias da panturrilha.

Nos pacientes acamados, a TVP é freqüentemente assintomática e pode se apresentar diretamente como uma embolia pulmonar.

Durante o exame, o membro afetado pode estar mais edemaciado, com dor presente à palpação da panturrilha e a dorsiflexão do pé; pode-se observar veias varicosas ou veias superficiais dilatadas e edema de tornozelo. Com a progressão da trombose venosa para veias proximais, pode-se observar dor e edema de coxa. Se a trombose leva a oclusão total do vaso profundo, pode-se observar palidez da coxa acometida por compressão dos capilares arteriais pelo intenso edema, quadro conhecido como flegmasia alba dolens. Se este quadro clínico progride, ocorre intenso seqüestro de líquidos na extremidade acometida, que passa a apresentar cianose: é a chamada flegmasia cerúlea dolens. Raramente ocorre gangrena venosa.

Além de o diagnóstico clínico ser de baixa sensibilidade, outras condições clínicas podem apresentar sintomas semelhantes aos da trombose venosa profunda, especialmente em pacientes ambulatoriais, constituindo-se em diagnóstico diferencial da trombose venosa profunda.

Além disso, Hirsh mostrou, em 1996, que somente 30% dos pacientes com suspeita clínica de trombose venosa profunda têm esse diagnóstico confirmado por exames objetivos. Assim, os exames complementares se fazem necessários não só para confirmar a doença, mas para nortear se o tratamento está sendo efetivo ou não e avaliar possíveis recorrências. Contudo, em serviços onde não existir pessoal e equipamento adequados para o diagnóstico preciso da TVP, em casos de suspeita clínica, o tratamento adequado deve ser iniciado independente de exames complementares.

Exames complementares: usados nos casos em que há dúvidas, mas não devem retardar o tratamento clínico.

Flebografia: Contraste iodado em veias do dorso do pé. Considerado com “padrão ouro”. As complicações são inerentes ao uso do contraste. Não é recomendada como primeiro estudo devido ao desconforto do paciente e à dificuldade em se obter um estudo tecnicamente adequado.

US com compressão: Na maioria das circunstâncias é o melhor exame para a avaliação inicial do paciente com suspeita de TVP. O diagnóstico pode ser feito através de achados como: comportamento anormal da veia à compressão, coloração anormal do fluxo ao Doppler, presença de banda ecogênica, alteração anormal do diâmetro durante a manobra de Valsalva. Estudos prospectivos mostram que a ausência de “compressibilidade” da veia tem sensibilidade e especificidade de 95% para o diagnóstico de TVP proximal. A cronicidade do trombo pode ser inferida pela sua ecogenicidade.

Ressonância Magnética Venosa: é tão acurada quanto à flebografia para o diagnóstico de TVP. A sensibilidade é de 100% e a especificidade de 96%. Diferencia TVP antiga x recente.

Plestimografia: detecta alterações volumétricas por impedância elétrica. Único método que quantifica a insuficiência venosa. A trombose venosa proximal pode ser detectada com 91% de sensibilidade e 96% de especificidade. Não oferece diagnóstico anatômico e é especialmente útil na avaliação de uma recorrência da TVP.

Duplex Scan: tende a ser o melhor exame, mas é caro e depende do examinador.

FATORES DE RISCO

IAM: Infarto agudo do miocárdio

ICC: Insuficiência cardíaca congestiva

AVCI: Acidente vascular cerebral

Policitemia: Tipo de doença do sangue.

COMPLICAÇÕES

A tromboflebite superficial raramente provoca sérias complicações; as veias atingidas podem, na maioria das vezes, ser retiradas com procedimento cirúrgico, eliminando as chances de complicar. No entanto, se a trombose é numa veia profunda, o risco de complicações é grande.

Complicações imediatas ou agudas – a mais temida é a embolia pulmonar. O coágulo da veia profunda se desloca, podendo migrar e ir até o pulmão, onde pode ocluir uma artéria e colocá-lo em risco de vida.

Complicações tardias – tudo se resume numa síndrome chamada Insuficiência Venosa Crônica (IVC), que se inicia com a destruição das válvulas existentes nas veias e que seriam responsáveis por direcionar o sangue para o coração. O sinal mais precoce da IVC é o edema, seguido do aumento de veias varicosas e alterações da cor da pele. Se o paciente não é submetido a um tratamento adequado, segue-se o endurecimento do tecido subcutâneo, presença de eczema e, por fim, a tão temida úlcera de estase ou úlcera varicosa.

TRATAMENTO

No tratamento da TVP visa-se prevenir a ocorrência de embolia pulmonar fatal, evitar a recorrência, minimizar o risco de complicações e seqüelas crônicas. Utilizam-se medicações anticoagulantes (que diminuem a chance do sangue coagular) em doses altas e injetáveis, aplicação de calor na área afetada, elevação das pernas e uso de antiinflamatórios não esteróides. É recomendada a utilização de heparina (composto orgânico de ação anticoagulante que se extrai do fígado ou do pulmão de animais). A heparina reduziu a mortalidade de óbito da TEP em 8%. Catalisa a inativação da trombina e dos fatores Ixa e Xa, através da potencialização da antitrombina 3.

Porém, com a heparina, podem surgir complicações, como:

Sangramento: em 5-10% dos pacientes. Se for brando pode ser avaliado com interrupção da heparina. No sangramento grave usar sulfato de protamina EV 10 min em dose de 1mg/100U de heparina circulante, até dose máxima de 250mg. (Na heparina EV, o cálculo é feito pela metade da dose de heparina usada de hora em hora).

Trombocitopenia: no início da terap6eutica é provocada por agregação plaquetária desencadeada por heparina não purificada. Após a primeira semana o mecanismo é por imunocomplexo. Se PLQ < 70.000: não usar heparina. Osteoporose: risco aumenta após uso > 6 meses.

Para o tratamento, leva em conta a classificação do paciente (cirúrgico) em:

Risco baixo: <40 anos, cirurgia pequena, sem FR. Risco moderado: >40 anos, cirurgia média, sem FR.

Risco alto: >40 anos, cirurgia grande, com FR ou IAM prévio.

Risco muito alto: >40 anos, cirurgia grande, TEP prévio, câncer AVC, TRM, cirurgia ortopédica.

Risco moderado: heparina 5.000U SC 12horas (ou 2 horas) antes da cirurgia + 5.000U SC 12/12 horas até deambulação plena.

Risco alto/muito alto: 5.000U SC 8/8 horas até deambulação plena.

Na TVP pode ser necessário manter-se internado durante os primeiros dias, a fim de fazer uso de anticoagulantes injetáveis. Concomitante com medicação, o paciente deve fazer repouso com as pernas elevadas e fazer uso de meia elástica adequada à sua perna. Existe procedimento de exceção para coibir complicações, tais como: colocação de filtro de veia cava, remoção do coágulo (trombectomia) e angioplastia com stent (dispositivo aramado e recoberto com um tecido, o qual evita que a veia se feche novamente).

Referente a fisioterapia, no tratamento são utilizadas técnicas específicas como ventilação por pressão positiva intermitente, inspirometria de incentivo, técnicas motoras, marcha estacionária e deambulação leve.

PREVENÇÃO

O fato de a TVP ocorrer principalmente em pacientes hospitalizados que ficam muito tempo acamado ou em cirurgias grandes faz com que a prevenção seja necessária. Portanto, nestes casos, utilizam-se medicações anticoagulantes em baixas doses para prevenir a TVP. O início da fisioterapia com movimentação ativa e passiva dos membros inferiores deve ser iniciada imediatamente.

A principal providência é combater a estase venosa, isto é, fazer o sangue venoso circular, facilitando seu retorno ao coração.

No dia-a-dia, dentro do possível, atente para estas recomendações:
• Faça caminhadas regularmente.
• Nas situações em que necessite permanecer sentado por muito tempo, procure movimentar os pés como se estivesse pedalando uma máquina de costura.
• Quando estiver em pé parado, mova-se discretamente como se estivesse andando sem sair do lugar.
• Antes das viagens de longa distância, fale com seu médico sobre a possibilidade de usar alguma medicação preventiva.
• Quando permanecer acamado faça movimentos com os pés e as pernas. Se necessário, solicite ajuda de alguém.
• Evite qualquer uma daquelas condições que favorecem a formação do coágulo dentro da veia, descritas anteriormente.
• Evite fumar e o sedentarismo.
• Controle seu peso.
• Se você necessita fazer uso de hormônios ou já foi acometido de trombose ou tem história familiar de tendência à trombose (trombofilia), consulte regularmente seu médico.
• Use meia elástica se seu tornozelo incha com freqüência. A compressão inelástica funciona como uma bomba junto com a articulação do tornozelo, criando uma força de direção, evitando o edema e auxiliando o retorno venoso.
• Nunca se automedique

TROMBOEMBOLISMO PULMONAR (TEP)

DEFINIÇÃO

A embolia pulmonar refere-se à oclusão de uma parte do sistema cardiovascular pela impactação de alguma massa (êmbolo) transportada para o local através da corrente sanguínea. A grande maioria dos êmbolos representa certa parte ou o todo de um trombo deslocado, daí o termo comumente utilizado tromboembolismo. Muito menos comumente, a embolização é produzida por gotículas de gordura, bolhas de ar ou gás não dissolvidas, fragmentos ateroscleróticos (êmbolos de colesterol), fragmentos tumorais, fragmentos de medula óssea, ou qualquer outra substância que tenha acesso à corrente sanguínea (como um projétil). Coletivamente, as formas raras representam menos de 1% das embolias e assim, exceto sae houver outra indicação, a embolia é considerada de origem trombótica.

A forma mais grave de doença tromboembólica é a embolia pulmonar.

Tromboembolismo pulmonar (TEP) é uma entidade clinica comum que resulta em morbidade e mortalidade em um grande número de pacientes. Em quase 70% dos casos não é sequer suspeitada antes do óbito.

A embolia pulmonar ocorre quando um coágulo (trombo), que está fixo numa veia do corpo, se desprende e vai pela circulação até o pulmão, onde fica obstruindo a passagem de sangue por uma artéria. A área do pulmão suprida por esta artéria poderá sofrer alterações com repercussões no organismo da pessoa, podendo causar sintomas. Às vezes, mais de um trombo pode se deslocar, acometendo mais de uma artéria.

Nos Estados Unidos, é responsável por 1,5 milhão de casos anuais, com 250 mil hospitalizações e 50 mil óbitos, dos quais 10% ocorrem na primeira hora. Menos de 10% dos pacientes que morrem de TEP chegam a receber tratamento para esta condição, um fato que demonstra a dificuldade para se fazer o diagnóstico. Morrem mais mulheres por embolia pulmonar (TEP) do que de câncer (neoplasia) de mama por ano.

DESENVOLVIMENTO

Mais de 90% dos êmbolos pulmonares se originam de coágulos nas veias profundas dos membros inferiores. Eventualmente, o TEP origina-se de coágulo do átrio direito do coração ou de veias do membro superior.

Existem algumas situações que facilitam o aparecimento de tromboses venosas, que causam as embolias pulmonares. Quando o trombo se desprende, vai para a circulação e acaba trancando numa artéria do pulmão, podendo ou não causar problemas. Se for pequeno, poderá até não causar sintomas, mas se for de razoável tamanho, poderá causar dano pulmonar ou, até mesmo, a morte imediata.

Diversos fatores de risco, adquiridos ou hereditários estão relacionados como no quadro a seguir:

Além de fatores comuns como fraturas; pessoas muito tempo acamadas, sem atividade física; varizes; tabagismo; obesidade.

As conseqüências clínicas do tromboembolismo pulmonar são: De 60-80% dos casos, resolução. 20%, hemorragia ou infarto pulmonar. 5% resultam em choque (ou colapso vascular). 2-3% em hipertensão pulmonar e de 5-10% em morte.

TIPOS DE EMBOLIA PULMONAR

A embolia pulmonar causada por trombos nas veias não é a única forma de embolia, mas é a mais freqüente. Além desta, podemos também citar:

Embolia Gordurosa: Pessoas que sofrem fraturas expostas (com exposição do osso) podem ter a liberação da gordura que está dentro do osso para a corrente sanguínea. A gordura poderá chegar aos pulmões, configurando o quadro de embolia pulmonar gordurosa.

Embolia por Líquido Amniótico: Existe também um tipo de embolia muito infrequente que ocorre nas mulheres grávida no momento do parto, chamada embolia pulmonar pelo líquido amniótico.

Embolia Gasosa: Também conhecida como doença dos mergulhadores. Pode-se manifestar em mergulhadores de mar profundo, operário de construção subaquática e em indivíduos viajando em aviões não pressurizados que ascendem rapidamente para elevadas altitudes. À medida que os mergulhadores descem a maiores profundidades, a pressão do ar aumenta no interior da roupa de mergulho e capacete para compensar a pressão da água. Os gases contidos no ar pressurizado dissolvem-se no sangue, líquido tecidual e gordura. Se o mergulhador então ascende à superfície muito rapidamente, o oxigênio, dióxido de carbono e nitrogênio dissolvidos podem deixar a solução na forma de pequenas bolhas. Embora os dois primeiros gases sejam rapidamente solubilizados, o nitrogênio tem baixa solubilidade e persiste como bolhas. Praticamente a mesma seqüência ocorre com a ascensão de pressões atmosféricas normais para a atmosfera rarefeita de grandes altitudes.

Embolia por drogas de abuso: A embolia por drogas de abuso nas veias surge quando algum corpo estranho (objeto diminuto) pode chegar nos pulmões pela circulação, após a injeção da droga, e causar uma embolia. Entende-se por drogas de abuso, qualquer substância que, por agir sobre os mecanismos de gratificação do cérebro, é usada com propósitos não-médicos, devido a seus efeitos estimulantes, euforizantes ou tranqüilizantes.

SINTOMAS E SINAIS

Dentre os sintomas de TEP, destacam-se:

Dispnéia: Falta de ar;

Dor pleurítica: Dor nos pulmões;

Hemoptise: Expectoração sanguínea ou sanguinolenta através da tosse;

Diaforese: Transpiração abundante;

Síncope: Desmaio;

Estertores: Som cavo que caracteriza a respiração de pessoas que sofrem de problemas respiratório;

Hiperfonese: Hipertensão;

Cianose: Alteração da cor da pele para tonalidade arroxeada.

Febre baixa pode estar presente em até 40% dos casos. Tromboflebite pode ser notada em um terço dos casos. É importante ressaltar, que o conjunto de sinais e sintomas não diferenciam a gravidade do TEP.

As alterações clínicas em um paciente com TEP agudo dependem do tamanho do êmbolo e da presença de uma alteração cardiopulmonar pré-existente. É classificado como maciço quando atinge a circulação pulmonar em mais de 50%, submaciço entre 20% e 50%, e leve quando atinge menos de 20% da circulação pulmonar. Não existe sinal ou sintoma clínico patognomônico de TEP.

DIAGNÓSTICO

Através da conversa com o paciente, do seu exame físico e da sua situação particular, o médico poderá suspeitar do diagnóstico de embolia pulmonar.

Algoritmo diagnóstico: A literatura mais recente recomenda o seguinte algoritmo diagnóstico para a avaliação por imagem de pacientes com suspeita clínica de TEP agudo:

1. Todos os pacientes devem ter uma radiografia do tórax, cujo principal papel é excluir anormalidades tais como pneumonia que podem mimetizar TEP clinicamente.

2. Pacientes com sintomas ou sinais de trombose venosa profunda devem ser submetidos à avaliação dos membros inferiores, sendo o ultra-som (US) com Doppler colorido geralmente o método recomendado. Caso o exame de US com Doppler seja positivo para TVP, o paciente pode ser considerado como tendo TEP e geralmente não requer outra investigação.

3. Pacientes com suspeita clinica de TEP e sem sinais ou sintomas de TVP devem ser submetidos à angiografia pulmonar por TC espiral. Salienta-se que a realização desse exame requer a utilização de contraste iodado. Pacientes que têm contra-indicação à utilização do meio de contraste devem realizar cintilografia pulmonar. Deve-se também salientar que a cintilografia continua sendo o método de imagem principal em centros que não possuem TC espiral.

4. Pacientes com exames de TC de má qualidade e negativos para TEP, mas com elevada suspeita clínica, devem ser submetidos à angiografia pulmonar.

Especificação dos exames utilizados:

Dímeros-D: são marcadores plasmáticos específicos para fibrinólise e, assim, sua presença, em quantidades aumentadas, indica a formação de trombo. O teste não aponta, porém, o local do fenômeno trombótico. A quantificação dos dímeros-D tem sido empregada em vários centros como exame de triagem para TEP. Em casos com suspeita de TEP, níveis normais de dímeros-D praticamente excluem essa possibilidade diagnóstica. Para esta finalidade, o teste tem mostrado sensibilidade superior a cintilografia pulmonar. O exame deve ser usado apenas para exclusão diagnóstica, uma vez que níveis aumentados de dímeros D podem surgir em conseqüência de trombose em qualquer sítio.

RX na embolia sem infarto: mostra áreas de hipoperfusão, diminuição do volume do pulmão, atelectasias laminares, derrame pleural e aumento do calibre da artéria pulmonar com redução abrupta do calibre.

RX na embolia com infarto: mostra condensação triangular, ocorrência da giba de Hampton e derrame pleural é um achado mais freqüente.

Gasometria arterial: Costuma acusar uma diminuição do oxigênio no sangue do paciente com sintomas.

Cintilografia pulmonar: É um exame de imagem dos pulmões, poderá confirmar o diagnóstico em muitos casos. Por muitos anos, a cintilografia ventilação-perfusão (V/Q) representou o principal método de imagem utilizado na avaliação de pacientes com suspeita clínica de TEP. A cintilografia de alta probabilidade fornece suficiente confiabilidade para confirmar o diagnóstico de TEP, enquanto que exame normal ou perto do normal, exclui, seguramente, o diagnóstico. Infelizmente só um terço dos pacientes pertencem a uma destas categorias; nos restantes dois terços dos pacientes os resultados da cintilografia são inconclusivos. Deve-se ressaltar também que, no Brasil, a cintilografia pulmonar não está disponível diariamente, limitando ainda mais o seu uso.

Arteriografia pulmonar: Exame que injeta uma substância que contrasta as artérias, usualmente, dá o diagnóstico de certeza para o médico. Todavia, é um método invasivo, disponível em poucos centros e utilizado cada vez menos na avaliação destes pacientes, mesmo quando os outros exames não são conclusivos.

Ressonância magnética: A possibilidade da visibilização das artérias pulmonares, sem a necessidade da utilização de contraste iodado e sem exposição à radiação, é a principal vantagem da RM. Em um estudo comparativo com a tomografia helicoidal, avaliado por cinco observadores, a ressonância magnética mostrou sensibilidade de 46% e especificidade de 90%.

Tomografia computadorizada (TC): A introdução da tomografia computadorizada (TC) espiral no início dos anos 90 tornou possível avaliar todo o tórax num curto espaço de tempo, bem como analisar as artérias pulmonares durante o pico máximo de opacificação pelo meio de contraste. Vários estudos demonstraram elevada sensibilidade e especificidade da TC espiral para o diagnóstico de TEP. A acurácia da TC aumentou ainda mais com o recente advento dos equipamentos de TC espiral com multidetectores que permitem uma melhor avaliação das artérias pulmonares segmentares e subsegmentares. Em diversos centros, a TC espiral tornou-se a modalidade de escolha para o diagnóstico de TEP. Na última década vários estudos têm demonstrado que a TC espiral apresenta elevada sensibilidade e especificidade no diagnóstico de tromboembolismo pulmonar agudo. Uma melhor avaliação das artérias pulmonares tornou-se possível com a recente introdução dos equipamentos de TC espirais com multidetectores. Vários pesquisadores têm sugerido que a angiografia pulmonar por TC espiral deve substituir a cintilografia na avaliação de pacientes com suspeita clinica de tromboembolismo pulmonar agudo.

Ecocardiograma (ECG): Fornece informações importantes, desde a identificação de trombos de grande volume em troncos das artérias pulmonares até estimativas da pressão de artéria pulmonar, e da função do ventrículo direito, mostrando hipocinesias ou acinesias do músculo cardíaco. Pressões da artéria pulmonar em torno de 30 a 40 mmHg são indicativas de extenso comprometimento do parênquima pulmonar, e estudos comparativos com a cintilografia de perfusão e ventilação mostraram que os pacientes com níveis pressóricos desta ordem apresentavam comprometimento de mais de dois terços da perfusão pulmonar. O mesmo conceito é válido para aqueles casos nos quais encontramos acinesia ou hipocinesia de ventrículo direito.

TRATAMENTO

Conforme a necessidade, o oxigênio poderá ser utilizado junto com medicação para dor. A cirurgia é aconselhável em poucos casos.

A terapêutica do TEP ou de suas complicações inclui medidas de suporte geral, cardiovascular e ventilatório, anticoagulação, fibrinólise, embolectomia e eventualmente interrupção do fluxo venoso.

Medidas de suporte geral:

Consistem principalmente na correção hídrica e eletrolítica e administração de aporte calórico. Administrar oxigênio para manter a saturação da hemoglobina acima de 90%, drogas inotrópicas para assegurar uma pressão arterial média acima de 70 mmHg, broncodilatadores, correção do distúrbio ácido básico, alívio da dor torácica, etc.

Expansão volêmica e drogas inotrópicas:

Várias drogas inotrópicas e vasodilatadoras tem sido indicadas quando há instabilidade hemodinâmica, como a dobutamina, dopamina, isoprenalina, noradrenalina, hidralazina e amrinone. Em situações especiais, a associação de drogas pode ser utilizada.

Heparina:

Composto orgânico de ação anticoagulante que se extrai do fígado ou do pulmão de animais. Reduziu a mortalidade de óbito da TEP em 8%. Sua ação benéfica baseia-se na ativação da antitrombina III em até 1000 vezes e na inibição de outros fatores da coagulação (trombina, fator Ixa, Xa, Xia e XIIa).

Suporte ventilatório:
Diante da hipoxemia desenvolvida nestes pacientes, deve ser introduzida oxigenoterapia para elevar-se o PO2 acima de 80 mmHg, principalmente quando houver hipotensão e diminuição da perfusão tecidual.
Quando ocorrer broncoespasmo, que aumenta a resistência aérea em até quatro vezes, deve-se introduzir inalações com agonista b-2-adrenérgico, aminofilina intravenosa e corticóides.

Suporte hemodinâmico:
É fundamental a rápida e precisa correção de qualquer componente hipovolêmico, principalmente se houver redução dos níveis pressóricos basais do paciente. Em virtude da hipertensão pulmonar aguda e do aumento da pressão venosa central determinado pela embolia de pulmão, muitas vezes há necessidade de se instalar o cateter de Swan Ganz para medidas da pressão do capilar pulmonar, que poderá nos dar a medida exata do possível déficit de volume do intravascular ou da disfunção do ventrículo esquerdo. Se não houver disponibilidade de se realizar este procedimento, a reposição de volume poderá ser feita, desde que cautelosamente, através de provas de infusão de volume em pequenas quantidades fracionadas (200 ml), com controle da pressão venosa central (PVC) a cada infusão. Se a PVC elevar-se mais que 2 cm de H2O a cada 200 ml de volume infundido ou se a pressão do capilar pulmonar for superior a 20 mmHg, a reposição de volume deverá ser feita com extremo cuidado.

Anticoagulação
Aproximadamente 70% dos pacientes com TEP letal, documentados em necrópsias, apresentavam alguma evidência clínica algumas horas, dias ou até mesmo semanas antes do evento final e não foram sequer suspeitadas em vida. Portanto, a atenção do médico deve estar voltada a esta temível doença, pois a introdução da terapêutica específica, através da heparinização, pode salvar vidas e evitar graves complicações.
A heparina está indicada precocemente e deve ser dada por infusão contínua, com dose plena, no sentido de prevenir novos episódios embólicos. O uso da heparina na dosagem correta reduziu, em muitos serviços, a mortalidade de 30% para 8%(14). A dose preconizada é de 5000 U em bolo, com o objetivo de saturar o espaço intravascular e intersticial. A seguir, infundimos continuamente 1000 a 1500 U por hora até que o tempo de tromboplastina parcial ativado atinja valor de 1,5 a 2,5 vezes superior ao anterior à heparinização, que deve ser mantida de sete a dez dias. Este período de tratamento é suficiente para que o trombo se organize e se fixe na parede venosa, onde é posteriormente coberto pelo endotélio, evitando assim a recorrência de novos episódios embólicos.
Esta duração do tratamento com a heparina é importante também para que o sistema fibrinolítico endógeno, no paciente anticoagulado, possa exercer a lise do coágulo e

desobstruir os vasos. É importante lembrar que o pulmão é o órgão mais rico em ativador tecidual do plasminogênio e a trombólise fisiológica pode recanalizar os vasos pulmonares ao promover a lise completa dos êmbolos ou coágulos, conforme pode ser demonstrado através de controles cintilográficos seriados.

Fibrinólise
Quando ocorre hipotensão, mesmo naqueles pacientes com pressão arterial normal, porém com o ecocardiograma demonstrando hipocinesia de ventrículo direito ou com a cintilografia pulmonar evidenciando comprometimento superior a 40% do parênquima, indicamos trombólise. Não esperamos a instalação do quadro, assim chamado fulminante ou de tromboembolismo maciço, mesmo porque, este diagnóstico é subjetivo. Optamos por orientar-nos em dados concretos e mensuráveis, baseados em estudos de Goldhaber, cujos casos o ecocardiograma mostrava hipocinesia de ventrículo direito, o uso de trombolítico melhorou as condições clínicas em 88%, contra 44% dos pacientes tratados com heparina, nas primeiras 24 horas.
Por ser o órgão que possui maior teor de ativador tecidual do plasminogênio, o pulmão possui grande capacidade de lise do coágulo ou êmbolo. Em torno do sétimo dia, após a instalação do tromboembolismo pulmonar, os resultados com uso de trombolíticos ou heparina se equivalem, em função desta propriedade.

Embolectomia pulmonar
É o tratamento mais adequado nos pacientes com embolia documentada e que persistem em choque grave e refratário(16), mesmo após utilização do tratamento já descrito. A taxa de mortalidade varia de 25% a 60%.

Filtro de cava inferior (filtro de Greenfeld)
Está indicado naqueles casos em que o paciente não pode ser anticoagulado, ou receber trombolíticos, naqueles em que haja recorrência de embolia, apesar de anticoagulado, nos casos de embolizações tardias associadas à presença de fatores predisponentes de TEP, ou em pacientes com TEP maciço com alto risco de reembolização.

PREVENÇÃO

Medicações anticoagulantes em doses preventivas podem ser utilizadas por aqueles pacientes que ficarão acamados por um longo período. Já as pessoas sem impedimentos, do ponto de vista médico, deverão exercitar as pernas através de caminhadas no cotidiano. Pessoas que quase não caminham tem mais chance de ter um tromboembolismo pulmonar. Os casos de embolia gasosa dos mergulhadores podem ser evitados se eles usarem procedimentos adequados e não retornarem à superfície rapidamente.

O uso de drogas de abuso nas veias deve ser evitado.

A prevenção é fundamental, podendo bloquear o aparecimento de TEP em pacientes predispostos. A prevenção da trombose venosa e do TEP deve ser iniciada em todos os pacientes internados em UTI, naqueles em pós-operatório, nos politraumatizados e nos pacientes em pré-operatório para cirurgias de grande porte (tórax, abdome e MMII).
A prevenção deve ser iniciada com a movimentação precoce, especialmente dos membros inferiores e liberar o paciente para deambular precocemente. É importante que fora do leito não permaneça por tempo prolongado na posição sentada com as pernas em ângulo reto em relação às coxas.O início da fisioterapia com movimentação ativa e passiva dos membros inferiores deve ser iniciada imediatamente, especialmente naqueles pacientes impossibilitados de sair do leito. Caso não haja contra-indicações, a elevação dos membros inferiores a 30o melhora o retorno venoso, diminuindo a estase e prevenindo.
O uso de meias ou bandagens elásticas devem ser incentivadas. Atualmente dispomos de meias de compressão automática e intermitente, utilizadas especialmente em pacientes de unidades de terapia intensiva, com excelentes resultados na TVP e TEP.
Finalmente, a heparina subcutânea, heparina de baixo peso molecular e antiagregantes plaquetários também estão indicados na profilaxia da trombose venosa profunda e do TEP.

CONCLUSÃO

Esperamos que com este trabalho possamos ter agregado a todos, mais conhecimento sobre tão importantes patologias.

Queremos enfatizar que o TVP e a TEP são doenças que levam o paciente ao óbito e a profilaxia deve ser feita sempre o mais precoce possível. Todas as vezes que o médico suspeitar de tais patologias, não deve aguardar por exames sofisticados para iniciar o tratamento, pois aquele que esperar obter prova definitiva, para instituir a terapêutica adequada, terá infelizmente esta prova na mesa de necrópsia.

Se durante este caminho profissional que decidimos abraçar, venhamos a encontrar pacientes com semelhantes doenças, esperamos que todos nós possamos desempenhar de forma correta e prática o que deixamos nesta teoria.

BIBLIOGRAFIA

BETTARELLO, Agostinho et. Al. Medicina e Saúde Enciclopédia Ilustrada, 1. ed. Volume 1. São Paulo. Abril Cultural, 1979.
KNOBEL, Elias. Condutas no paciente, 2º ed. São Paulo, Atheneu, 2002.
REY, Luis. Dicionário de termos técnicos de medicina e saúde. Rio de Janeiro – RJ: Guanabara Koogan S.A., 1999.
ROBBINS, Kumar Cotran. Patologia Básica. 5ed. Aparecida – SP, Santuário S.A., 2000.
RUSSO, C. A. et. Al. Medicina e Saúde Enciclopédia Ilustrada, 3. ed. Volume 10. São Paulo. Abril Cultural, 1985.
VIEGAS, A. R. et. al. Medicina e Saúde Enciclopédia Ilustrada, 5. ed. Volume 3. São Paulo. Abril Cultural, 1983.
http://www.abcdasaude.com.br/artigo431
http://www.scielo.br
http://www.trombose.med.br

ANEXO


Figura 1 – Flegmasia cerúlea dolens. Quadro mais grave da trombose venosa profunda, leva a isquemia arterial com necrose da extremidade.

ACIDOSE E ALCALOSE

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ACIDOSE METABÓLICA

A acidose metabólica é redução primária no HCO3 plasmático para menos de 17mEq/L em cães e 15mEq/L em gatos. O aporte de um ácido fixo consome bicarbonato e outros tampões, desloca a reação (1) para a direita, e provoca acidemia, segundo a Equação (1).

A acidose metabólica pode dever-se a adição de um ácido forte ao LEC, a perda de HCO3 do LEC, ou expansão do LEC com solução de acidose metabólica.

Em casos de Diabete Mellitos, uma carência absoluta ou relativa de insulina pode levar a hiperprodução dos ácidos acetoacético e beta-hidroxibutírico a partir do acetil-CoA derivado de precursores ácidos graxos. O aumento na produção de ácido leva a acidose metabólica e a acidemia. Uma hiperglisemia/glicosúria concomitante causa deplação de K, e os níveis corporais totais deste eletrólitos poderão ficar diminuídos. Entretanto, a concentração plasmática de K geralmente permanece normal, devido a troca de H por K, entre o LEC e o LIC. Em geral a acidose láctica resulta do aumento da produção de ácido lático durante a hipoxia dos tecidos, como nos casos de choque. A azotemia está associada a acidose metabólica, devido a redução na capacidade tubular de produção de amônia e, assim, de secretar H. Nos casos de insuficiência renal, a retenção dos ácidos leva a leve aumento do intervalo aniônico, mas estes intervalos em geral não é muito grande. A ingestão de etileno glicol favorece a produção de diversos ácidos glicólicos, glicoxílico, e exálico, levando a acidose metabólica razoavelmente grave, acompanhada de grandes intervalos aniônicos e osmolares.

Diarréias agudas e crônicas graves podem levar a perda simultânea de Na, K e HCO3, havendo acidose metabólica com intervalo anômico normal. A acidose tubular renal (ATR), tanto proximal quanto distal, leva a acidose metabólica, devido a secreção tubular de H prejudicada. Comunmente a ATR proximal está associada a outros defeitos do transporte para a glicose, fosfato e aminoácidos, como na síndrome de Fanconi dos cães Basenji. A excessiva administração de cloreto de amônio para a acidificação urinária em gatos causa leve acidose metabólica, e determinados gatos podem mesmo sofrer acidose metabólica grave (HCO3 <12mEq/L) acompanhada de hipocalcemia.
CAUSAS DADE ACIDOSE METABÓLICA

ACIDOSE RESPIRATÓRIA

A acidose respiratória ocorre quando a PaCO2 eleva-se acima do nível normal de 40 mmHg. Ocorre hipercapnia em decorrência de redução na ventilação alveolar efetiva, de modo que a produção de CO2. A PaCO2 eleva-se até que seja atingido um novo estado de equilíbrio, em que a excreção se iguala a produção. A PaCO2 elevada desloca a reação (1) para a direita e provoca o surgimento de acidemia, segundo a Equação (1).

CAUSAS DE ACIDOSE RESPIRATÓRIA

ACIDOSE

RESPIRATÓRIA

Distúrbios Neuromusculares

Paralisia por picada de carrapato
Polirradiculoneurite
Hiperdosagem de narcóticos,sedativos, ou tranquilizantes
Miastenia grave
Intoxicação por organofosforado
Hipotiroidismo grave
Distúrbios respiratórios

Obstrução das vias respiratórios
Pneumotórax
Derrame pleural
Pneumonia grave
Edema pulmonar grave
Moléstia pulmonar grave
Edema pulmonar grave
Moléstia metastática difusa
Embolia pulmonar maciça
Parada cardiopulmonar

ALCALOSE METABÓLICA

O acúmulo de HCO3 no LEC consome H, desloca a reação (1) para a esquerda, e causa alcalemia, segundo a Equação (1). A alcalose metabólica se deve ao aumento no HCO3 plasmático para os valores superiores a 24 mEq/L

Vômito, uso de diurético ou administração de excesso de álcali são as causas mais comuns de alcalose metabólica. O vômito associado a obstrução do fluxo pilórico causa a perda de H do organismo, com adição de HCO3 ao LEC. Como o vômito está associado a depleção no volume do LEC, fica reforçada secreção de H em troca da reabsorção de Na no túbulo distal, e assim é mantida a alcalose metabólica. O tratamento com diuréticos de alça, como a furosemia e os diuréticos do grupo das tiazidas, causa a depleção de Cl em quantidades desproporcionadas a perda de HCO3. Assim, a depleção no volume do LEC ocorre em face de relativa retenção de HCO3. Ainda uma vez, a reabsorção distal ávira de Na em face do volume do LEC faz com que seja mantida a alcalose metabólica

ALCALOSE RESPIRATÓRIA

Alcalose respiratória refer-se a reduzida PaCO2, abaixo do nível normal, ocorrente quando a excreção de CO2 pelos pulmões exerce a produção deste gás pelos tecidos. A hiperventilação reduz a PaCO2, deslocando a Ração (1) para a esquerda, e causando alcalemia, segundo a Equação (1).

CAUSAS DA ALCALOSE RESPIRATÓRIA

ALCALOSE RESPIRATÓRIA

Estimulação Central

Ansiedade
Afecção do SNC
Febre
Dor
Estimulação Periférica

Pneumonia
Afcção pulmonar periférica
Outros

Septicemia Gram-negativa
Hiperventilação mecânica

BIBLIOGRAFIA

ETTINGER. J. S; FELDMAN. C. E; Tratado de Medicina Veterinária Interna;4º ed; editora Manole; São Paulo 1991.

ANTICOAGULANTES, ANTIPLAQUETÁRIOS E TROMBOLÍTICOS

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ANTICOAGULANTES, ANTIPLAQUETÁRIOS, TROMBOLÍTICOS E ANTIFIBRINOLÍTICOS

INTRODUÇÃO

O funcionamento normal dos componentes sangüíneos que tem por função inibir sangramentos, hemorragias assim como preveni-los são fundamentas para que o organismo permaneça sempre em equilíbrio, chamado de hemostase. Os mecanismos fisiológicos que mantém a hemostase sangüínea chamamos de hemostasia.

Este trabalho tem por objetivo expor os mecanismo fisiológicos do controle da hemostasia e os fármacos que podemos utilizar para prevenir ou tratar distúrbios no mecanismo de hemostasia. Sendo estes fármacos classificados como agentes anticoagulantes, antiplaquetários, antitrombolíticos e trombolíticos.

Mecanismo Geral da Hemostasia e da Coagulação Sangüínea

A hemóstase normal é um equilíbrio delicado entre processos pró-coagulantes, anticoagulantes e fibrinolíticos nos vasos sangüíneos. O dano à parede dos vasos sangüíneos inicia uma série complexa de eventos envolvendo plaquetas, células endoteliais e proteínas da coagulação que resulta na formação de um coágulo. Qualquer dano causado a parede do vaso sangüíneo causa desequilíbrio da hemóstase, e a interrupção na perda de sangue do vaso lesado é a Hemostasia.

A série complexa de eventos inicia-se com a adesão plaquetária às macromoléculas nas regiões subendoteliais até a ativação dos fatores de coagulação e a formação do coagulo de fibrina, que impede a saída do sangue pela lesão vascular . Este processo é dividido em diferentes fases, a saber:

Fase vascular: nesta fase inicia-se o processo de hemostasia, dentro de segundos após um traumatismo ou rompimento da parede vascular, a fim de retardar a saída de sangue do vaso lesado. Este processo vasoconstritor local é rápido, durando cerca de 20 a 30 minutos, a partir dos quais seguem-se as fases de agregação plaquetária e coagulação sanguínea propriamente dita.

Fase plaquetária: concomitantemente à contração da parede vascular ocorre adesão de plaquetas no local da lesão, formando um tampão ou um trombo de plaquetas. A manutenção deste processo é estimulada pela liberação e agregação de constituintes plaquetários, os quais também atuam para desencadear as fases subseqüentes para a formação do coágulo sanguíneo. A aderências das plaquetas a um local da parede do vaso ocorre através da interação entre os receptores da glicoproteína integrina com as proteínas da matriz, como o colágeno. As plaquetas ativadas liberam os conteúdos de seus grânulos durante a agregação e estimulam a atividade pró-coagulante proporcionando superfícies de ligação fosfolipídicas para os complexos enzimáticos na cascata de coagulação.

Fase de coagulação sanguínea: a coagulação sangüínea refere-se a transformação do sangue liquido em gel sólido ou coágulo. O principal evento consiste na conversão do fibrinogênio solúvel em filamentos insolúveis de fibrina, a ultima etapa de uma complexa cascata de enzimas, que é denominada Cascata de Coagulação. Estas enzimas são os fatores presentes no sangue na forma de precursores inativos (“zimogênos”) de enzimas proteolíticas e co-fatores, que são ativados por proteólise. As formas ativas são designadas pelo sufixos “a”. Os fatores XIIa, XIa, IXa, Xa e a trombina (IIa) são, todos eles, serina proteases. A ativação de uma pequena quantidade de determinado fator catalisa a formação de quantidades ainda maiores de outro fator posterior, e assim sucessivamente, de modo que esta cascata proporciona um mecanismo de amplificação.

A fase inicial do processo de coagulação sanguínea implica a formação do ativador de protrombina e é a fase mais complexa e, então, ser produzida por duas vias básicas: a via intrínseca (estimulada por traumatismo ou alteração no próprio sangue, sendo assim chamada devido a todos seus componentes estarem presentes no sangue), e a outra via extrínseca estimulada pela lesão vascular (sendo assim chamada devido a alguns de seus componentes provém de locais fora do sangue). A via extrínseca é particularmente importante no controle da coagulação sanguínea no corpo e pode ser denominada com muita precisão de via in vivo. A via intrínseca (mais bem denominada via de contato) é ativada quando o sangue derramado entra em contato com uma superfície artificial, como o vidro.

A via extrínseca é desencadeada por um “fator tecidual”, que é o receptor celular e co-fator do fator VII, que sofre uma transição de sitio ativo ao ligar-se ao fator tecidual na presença de íons cálcio, potencializando a sua atividade e resultando em rápida ativação autocatalítica do fator VII em VIIa. O complexo fator tecidual-VIIa ativa os fatores IX e X . Os fosfolipídeos ácidos são supridos durante a ativação plaquetária, que expõe os fosfolipídeos ácidos que localizam e ativam vários fatores da coagulação. As plaquetas também contribuem através da secreção de fatores de coagulação, incluindo o fator Va e o fibrinogênio.

A coagulação prossegue através da produção adicional de fator Xa pelo complexo IXa-VIIIa-cálcio-fosfolipídeo. Isto é necessário, uma vez que o complexo fator tecidual-VIIa é rapidamente inativado no plasma pelo inibidor da via do fator tecidual e pela antitrombina III. O fator Xa, na presença de cálcio, de fosfolipídeo e do fator Va, ativa protrombina em trombina, principal enzima da cascata.

A via intrínseca começa quando o fator XII(fator de Hageman) adere a uma superfície negativa, convergindo para a via extrínseca no estágio de ativação do fator X. Tanto a via extrínseca como a intrínseca ativam o fator X sendo a partir daí formada uma via comum. O fator Xa cliva a protrombina em trombina.

A trombina (fator IIa) cliva o fibrinogênio, produzindo fragmentos que sofrem polimerização para formar a fibrina. Além disso, ativa o fator XIII, uma fibrinoligase, que reforça as ligações entre uma fibrina e outra, estabilizando, assim, o coágulo (ver figura 1). Além de sua ação coagulante a trombina também provoca agregação plaquetária, estimula proliferação celular e modula contração do músculo liso. Paradoxalmente, pode tanto inibir quanto promover coagulação. Os efeitos da trombina sobre as plaquetas e a musculatura lisa são desencadeados pela sua interação com receptores específicos da trombina que pertencem à família dos receptores acoplados a proteína G.

A transformação do fibrinogênio em fibrina forma uma rede fibrinosa, sob ação da trombina sendo formado o chamado coagulo de fibrina, que oblitera totalmente o vaso sanguíneo lesado ou rompido. Como seria de se esperar, esta cascata enzimática de aceleração deve ser controlada por inibidores, visto que, de outro modo, todo sangue do organismo se solidificaria após o inicio da hemostasia. Um dos inibidores mais importantes é uma a ²-globulina, a antitrombina III, que neutraliza todas as serina proteases na cascata. Outra, o co-fatorII da heparina, inibe apenas a trombina. A heparina como co-fator da antitrombina III aumenta a inativação do fator Xa e da trombina pela antitrombina III.

O endotélio vascular desempenha função essencial na prevenção da ativação plaquetária e coagulação intravascular além da sua função ativa na hemostasia, sintetizando e armazenando vários componentes hemostáticos essenciais: o fator de von Willebrand, o fator tecidual e o inibidor do ativador do plasminogênio I (PAI-1) sendo particularmente importantes. Estes fatores pró-trombóticos estão envolvidos, respesctivamente, na adesão plaquetária, na coagulação e na estabilização do coágulo.

O epitélio vascular também esta implícito na limitação do trombo produzindo prostaciclina e oxido nítrico, transforma o agonista plaquetário ADP em adenosina, que inibe a função plaquetária, sintetiza o ativador do plasminogênio tecidual e expressa a tombomodulina. A trombina liga-se a trombomodulina ativando a via da proteína C com seu co-fator proteína S (sendo ambas dependentes de vitamina K) que inativa os fatores Va e VIIa. A relevância fisiológica da antitrombina III, proteína C e proteína S é subestimada pelo risco significantemente aumentado de trombose venosa em pessoas com deficiências para estes anticoagulantes naturais.

Fase da fibrinólise: em um ou dois dias após a formação do coágulo de fibrina este sofre ação da enzima ativadora de plasminogênio do tipo tecidual presente no soro sanguíneo e liberada a partir do plasminogênio. Esta enzima circulante é relativamente inativa. Uma vez incorporada ao coágulo de fibrina, a enzima ativadora de plasminogênio do tipo tecidual converte ativamente o plasminogênio fibrina-ligado em plasmina, que degrada o coágulo de fibrina e também diminui o mecanismo de coagulação por inibir os fatores de coagulação sanguínea. A fibrinólise é um mecanismo fisiológico inverso da coagulação, servindo como defesa contra a manutenção de coágulos sanguíneos no organismo.

Anticoagulantes

Os anticoagulantes são drogas muito importantes na prevenção e tratamento dos trombos vermelhos.

Anticoagulantes Injetáveis

Heparina

A heparina foi descoberta em 1916 por um estudante do segundo ano de medicina do Johns Hopkins Hospital. Durante um projeto de férias, quando tentava extrair substâncias tromboplásticas de vários tecidos, ele descobriu, ao invés disso, uma substância com poderosa atividade anticoagulante. Essa substância foi denominada “heparina” por ter sido inicialmente extraída do fígado.

A heparina não é uma única substância, porém uma família de glicosaminoglicanos sulfatados (mucopolissacarídeos), com faixa de pesos moleculares de até 40.000. É encontrada (na forma de grandes polímeros com peso molecular de 750.000) juntamente com a histamina nos grânulos dos mastócitos. A heparina farmacêutica normalmente é extraída da mucosa intestinal de suínos e de pulmão de bovinos, e, como as preparações diferem quanto a sua potencia, são submetidas a ensaios biológicos para comparação com um padrão internacional estabelecido: as doses são expressas mais em unidades de atividade, do que em massa.

Os fragmentos de heparina, conhecidos como heparinas de baixo peso molecular (LMWHs, low-molecular-weight heparins), estão sendo cada vez mais utilizados em lugar da heparina não fracionada. Os pesos moleculares das diferentes preparações variam de 4.000 a 15.000.

Mecanismo de Ação: a heparina inibe a coagulação tanto intrínseca como extrínseca ao ativar a antitrombina III. A antitrombina III inibe a trombina e outras serinas proteases através de sua ligação ao sítio ativo da serina. A heparina modifica essa interação ao ligar-se, através de uma seqüência de pentassacarídio peculiar, à antitrombina III, modificando a sua estrutura e acelerando a sua velocidade de ação. Ao ligar-se a antitrombina III a heparina altera significativamente a conformação da antitrombina III e acelera a inibição da trombina, do fator Xa e do fator IXa. A antitrombina III é uma a -globulina que inibe as serina-proteases, inclusive vários fatores de coagulação pela ligação em uma razão de 1:1 ao resíduo serina no centro de reação dos fatores da coagulação, levando à inativação destes fatores. A heparina participa destas reações como um agente catalítico, catalisando a inativação da trombina pela ação da antitrombina III como molde ao qual tanto a antitrombina III quanto a trombina se ligam para formar um complexo ternário(heparina-antitrombinaIII-fator IIa). Em contraste, a inativação do fator Xa pela antitrombina III não exige a formação do complexo ternário. As moléculas de heparina de menor peso molecular com menos de 18 cadeias polissacarídicas por antitrombina III, mas retêm a capacidade de inativar o fator Xa.

As heparinas de baixo peso molecular aumentam a ação da antitrombina III sobre o fator Xa, mas não a sua ação sobre trombina, visto que as moléculas são muito pequenas para ligar-se tanto à enzima quanto ao inibidor – um fato essencial para inibição de trombina, mas não para o fator Xa.

A ação anticoagulante da heparina é modificada pelas plaquetas, pela fibrina e por proteínas plasmáticas. Não apenas as plaquetas liberam uma proteína neutralizadora da heparina, o fator plaquetário IV, mas também o fator Xa, recém-produzido na superfície das plaquetas, é protegido da ação da do complexo heparina-antitrombina III. A trombina, quando ligada à fibrina, também é protegida da ação do complexo.

Administração e aspectos farmacocinéticos

A heparina não é absorvida pelo intestino em virtude de sua carga e de suas grandes dimensões; por conseguinte, é administrada por via intravenosa ou subcutânea (as injeções intramusculares causam hematomas). Após a injeção entravenosa de uma dose na forma de bolo, observa-se uma fase de rápida eliminação, seguida de desaparecimento mais gradual, devido a processos saturáveis (envolvendo a ligação a sítios nas células endoteliais e nos macrófagos) e a processos de primeira ordem mais lentos, incluindo excreção renal. Em conseqüência, quando a dose ultrapassa a concentração de saturação, uma proporção maior da droga passa a ser processada por esses processos mais lentos, e a meia-vida aparente aumenta com doses crescentes.

A heparina atua imediatamente após administração intravenosa, sendo esta via preferencial frente a uma necessidade de anticoagulação imediata, sendo a administração subcutânea em torno de 1 a 2 horas para exercer seu efeito. O tratamento com heparina exige monitoramento laboratorial constante. As dosagens de heparina precisam ser s fim de se obter um tempo parcial de tromboplastina ativada que seja 1,5 a 2,5 vezes o valor do controle normal.

Quanto ao mecanismo de ação, os efeitos anticoagulantes das heparinas de baixo peso molecular diferem daqueles da heparina-padrão porque:

A razão antitrombina/antifator Xa de 1:1 para 1:4;
As propiedades farmocinéticas são melhores em razão da menor ligação às proteínas;
A interação com plaquetas é menor.
As heparinas de baixo peso molecular possuem várias vantagens sobre a heparina. Níveis plasmáticos máximos, após a injeção subcutânea de heparina de baixo peso molecular, são atingidos dentro de 2 a 3 horas. Em comparação, a meia-vida das heparinas de baixo peso melecular é de aproximadamente 4 horas (duas vezes maior que o da heparina-padrão). Além do mais, a biodisponibilidade das heparinas de baixo peso molecular é de aproximadamente 90%, enquanto a da heparina-padrão é em torno de 20%. As heparinas de baixo peso molecular possuem resposta anticoagulante mais previsível com base em dose ajustada do peso, o que significa que elas podem ser utilizadas subcutaneamente 1 ou 2 vezes ao dia sem monitoramento laboratorial, o que permite aos pacientes a aplicação de suas próprias injeções em casa. Ensaios clínicos demonstram que as heparina de baixo peso molecular são tão eficazes quanto a heparina padrão na prevenção e no tratamento de tromboses venosas e podem estar associadas ao menor número de complicações por sangramento.

A heparina é eficaz na (o):

Prevenção de trombose venosa;
Tratamento de tromboembolismo de veias profundas;
Tratamento precoce de pacientes com angina instável e infarto agudo do miocárdio;
Prevenção de coágulos em cateteres utilizados na canulação dos vasos sanguíneos;
Dispositivos anticoagulantes extracorpóreos, como nas cirurgias de desvio cardíaco e na hemodiálise;
Tratamento da trombose arterial, como infarto agudo do miocárdio, em combinação com agentes antiplaquetários e antitrombolíticos.
Efeitos Indesejáveis

O principal risco consiste em hemorragia, que é tratada interrompendo-se o tratamento e, se necessário, administrando-se sulfato de protamina. Este antagonista da heparina, que é administrado por via intravenosa, é uma proteína fortemente básica que forma um complexo inativo com a heparina. A dose é calculada a partir da dose de heparina recentemente administrada, e é importante não se administrar uma quantidade excessiva, visto que pode causar sangramento. Quando necessário, efetua-se um teste de neutralização in vitro numa amostra de sangue do paciente, a fim de obter-ser uma indicação mais precisa sobre a dose necessária.

A trombose é um efeito adverso incomum, porém grave, da heparina, e, pode ser equivocadamente ser atribuída à historia natural da doença a qual a heparina esta sendo administrada. Paradoxalmente esta associada a trombocitopenia. A trombocitopenia mais grave que surge dentro de 2 a 14 dias após o inicio do tratamento é mais rara e é causada por anticorpos IgM ou IgG dirigidos contra o complexo de heparina e do fator plaquetário 4. A heparina de baixo peso molecular tem baixa probabilidade causar trombocitopenia e trombose, sendo o primeiro devido a ela ser menos tendenciosa do que a heparina-padrão para ativar a liberação do fator plaquetário 4 pelas plaquetas e ligam-se menos avidamente a este fator.

Foi relatada ocorrência de osteoporose com fraturas espontâneas no tratamento a longo prazo (seis meses ou mais) com heparina (em geral, durante a gravidez). Desconhece-se o motivo. Foi descrito também hipoaldesteronismo (com conseqüência hipercalemia), embora este evento seja extremamente raro.

As reações de hipersensibilidade à heparina são raras, porém são mais comuns com protamina.

Agentes mais novos relacionados com a Trombina

O sulfato de dermatam é um glicosaminoglicano relacionado com a heparina. Potencializa o co-fator II da heparina, que inibe seletivamente a trombina. Por conseguinte, espera-se que possa causar menos sangramento do que a heparina. Sua segurança e eficácia ainda não foram comparadas com aquelas da heparina de baixo peso molecular.

Anticoagulantes Orais

Warfarin

Este medicamento é um antagonista da vitamina K, é amplamente na clinica como anticoagulante oral. A síntese de vários fatores de coagulação (fatores II, VII, IX e X) no fígado é dependente de vitamina K, a carboxilação pós-tradução dos resíduos do acido glutâmico destes fatores de coagulação em acido g -caboxiglutâmico exige a vitamina K como um co-fator na reação enzimática. Na presença de íons cálcio, os resíduos g -carboxiglutamila permitem a alteração conformacional dos fatores de coagulação necessária para atividade biológica destes elementos. O Wafarin inibe a epóxi-redutase da vitamina K, levando à depleção da vitamina K reduzida e a uma diminuição da g -carboxilação, o que, por conseguinte, prejudica a função dos fatores da coagulação.

O Wafarin não inibe diretamente os fatores da coagulação dependentes de vitamina K mas seus efeitos anticoagulantes resultam do desaparecimento dos fatores de coagulação g -carboxilados. A protrombina possui tempo mais prolongado de eliminação, com meia-vida de 60 horas; portanto, para o warfarin antitrombócitos, são necessários 5 dias de tratamento. Esta é a razão para a terapia de sobreposição de Warfarin com a heparina, por pelo menos 5 dias no tratamento das trombopatias, mesmo que o INR (razão internacional normalizada dos tempos de protrombina) atinja níveis terapêuticos antes de 5 dias. Em geral a dose é ajustada para fornecer uma INR de 2-4, dependendo do alvo preciso da situação clinica. O seu uso terapêutico exige um cuidadoso equilíbrio entre a administração de uma dose muito peque, que não modifica a coagulação desregulada, e o uso de uma quantidade excessiva, causando hemorragia.

A administração da droga é feita por via oral, sofre absorção rápida e completa pelo trato gastrointestinal. Possui pequeno volume de distribuição e liga-se fortemente a albumina plasmática.. A concentração máxima no sangue ocorre uma hora após sua ingestão, mas, em virtude de seu mecanismo de ação, não coincide com seu efeito farmacológico máximo, que ocorre cerca de 48 horas mais tarde. O efeito de um dose única só começa depois de 12-16 horas e dura 4 a 5 dias. O Warfarin é metabolizado pelo sistema hepático P450 de oxidases de função mista, e sua meia-vida é muito variável, sendo da ordem de 40 horas em muitos indivíduos.

O Warfarin indicado em muitas situações clinicas. Os ensaios clínicos demonstram eficácia na:

Prevenção e tratamento de tromboembolismo venoso;
Prevenção de derrames trombóticos e embólicos e da recidiva de infarto em pacientes com infarto agudo do miocárdio.
Os pacientes com próteses mecânicas de válvulas cardíacas devem ser anticoagulados.Um protocolo de Warfarin com aspirina em baixas doses parece ser melhor do que o Warfarin isoladamente. Atualmente existem dados convincentes de que os pacientes com fibrilação atrial devem ser mantidos indefinidamente em terapia anticoagulante com Warfarin.

Potencialização do Warfarin: doenças e drogas podem potencializar seus efeitos.

A hepatopatia interfere na síntese dos fatores da coagulação. As condições nas quais existe uma elevada taxa metabólica, como a febre e a tireotoxicose, aumentam o efeito dos anticoagulantes, aumentando a degradação dos fatores da coagulação.

Muitas drogas potencializam o Warfarin:

Agentes que inibem o metabolismo hepático de drogas: essa drogas incluem: cimedina, imipramina, cotrimoxazol, cloranfenicol, ciprofloxacina, metronidazol, amiodarona e muitos azóis fúngicos.

Drogas que inibem a função plaquetária: antiinflmatórios não-esteróides, moxalactama e carbenicilina. A aspirina aumenta o risco de sangramento se administrada durante o tratamento com Warfarin, embora essa combinação possa ser utilizada com segurança se for efetuada cuidadosa monitoração.

Drogas que deslocam o Warfarin de seus sítios de ligação: na albumina plasmática, resultando em elevação transitória na concentração plasmática de Warfarin livre. Os exemplos incluem alguns antiinflamatórios não-esteróides e hidrato de cloral. Este mecanismo é raramente importante, a não ser que seja acompanhado de efeito adicional sobre o metabolismo do Warfarin.

Drogas que inibem a redução de vitamina K: como por exemplo a cefalosporina.

Drogas que diminuem a disponibilidade de vitamina K: os antibióticos de amplo espectro e algumas sulfonamidas deprimem a flora intestinal que normalmente sentetiza vitamina K²; todavia, isto tem pouco efeito, a não ser que haja deficiência dietética concomitante.

Há fatores que potencializam o efeito dos Warfarin:

Estado fisiológico/doença: verifica-se redução da resposta a Warfarin em condições nas quais ocorres aumento na síntese de fatores da coagulação (gravidez). De forma semelhante, o efeito dos Warfarin diminui no hipotireoidismo, que esta associado a uma redução na degradação dos fatores de coagulação.

Drogas: varias drogas reduzem a eficácia do Warfarin, exigindo o uso de doses maiores para obter-se a INR desejada. Se a dose de Warfarin não for reduzida por ocasião da interrupção do fármaco que interage, pode resultar em anticoagulação excessiva e hemorragia.

A vitamina K é encontrada em algumas alimentações parenterais e preparados de vitamina. Os níveis flutuantes de ingestão de vitamina K na dieta podem ser causa importante das variações na anticoagulação em pacientes com terapia por longo prazo com Warfarin.
As drogas que induzem as enzimas P450 hepáticas aumentam a degradação do Warfarin (rifampicina, carbomazepina, barbitúricos, griseofulvina). A indução pode desaparecer apenas lentamente após a suspensão da droga indutora, dificultando o ajuste apropiado da dose.
Drogas que reduzem a absorção como por exemplo a colestiramina.
Efeitos Indesejáveis

O principal risco consiste em hemorragia (particularmente intestinal ou cerebral). Os efeitos anticoagulantes do Warfarin podem ser parcialmente revertidos por baixas doses de vitamina K com ação na via Warfarin-resistente. Os pacientes também se tornam Warfarin-resistentes quando recebem doses muito elevadas de vitamina K. Plasma congelado fresco ou complexos concentrados de protrombina podem ser infundidos quando se deseja a reversão rápida do efeito da Warfarin, como nos casos de hemorragia. É raro haver hepatotoxicidade. Raramente ocorre necrose de tecidos moles (mama ou nádegas) devido a trombose nas vênulas pouco depois do inicio do tratamento. A necrose é atribuída a inibição da biossíntese de proteína c. que possui meia-vida de eliminação mais curta que os fatores da coagulação vitamina k dependentes; isto resulta num estado pró-coagulante pouco depois do inicio do tratamento, podendo ser evitada com uso de doses terapêuticas concomitantes de heparina no inicio da terapia com Warfarin.

O Warfarin é teratogênico, não podendo ser administrados em pacientes nos primeiros meses de gravidez (período critico 6-14 semanas), nem nos estágios mais avançados, visto que causam hemorragia intracraniana no recém nascido durante o parto; causam anormalidades no sistema nervoso central . Além disso aparem no leite durante a amamentação.

Hirudina e hirulog

Muitos fatores podem contribuir para o desenvolvimento de distúrbios trombócitos, porém, a trombina exerce um papel central. A hirudina, uma proteína de 65 aminoácidos originalmente purificada das glândulas salivares da sanguessuga, Hirudo medicinalis, agora esta disponível como uma proteína recombinante. A hirudina e o hirulog, um análogo sintético, são potentes inibidores diretos da trombina e se apresentam como novos agentes antitrombócitos promissores. Diferentemente da heparina, que requer inibição da trombina pela antitrombina III, a hirudina e o hirulog inibem diretamente a trombina, independente da antitrmbina III. Teoricamente, estes inibidores diretos da trombina devem ser mais seguros do que a heparina já que inibem seletivamente trombina e não afetam a função plaquetária. Além do mais, estes agentes não estão associados a trombocitopenia. Ensaios clínicos estão em desenvolvimento e devem determinar o papel da hirudina e do hirulog no monitoramento de doenças tombóticas.

Agentes Trombolíticos

Quando o sistema de coagulação intrínseca é ativado, o sistema fibrinolitico também é deflagrado através de vários ativadores do plasminogênio endógenos, incluindo o ativador do plasminogênio do tipo tecidual, o ativador do plasminogênio tipo uroquinase, calicreína e elastase dos neutrófílos. Além disso, existem vários outros ativadores exógenos da fibrinólise, incluindo a estreptoquinase. Parte do ativador do plasminogênio do tipo tecidual provém do endotélio e das células fagocíticas, enquanto outra parte origina-se da ação do fator XIIa sobre ativadores no plasma ou nos tecidos. O plasminogênio é depositado sobre os filamentos de trombina no interior do trombo, tendo como ativadores serina proteases, que são instáveis no sangue circulantes. Estas serina proteases difundem-se no trombo e clivam o plasminogênio, liberando plasmina, que atua digerindo fibrina, o fibrinogênio, os fatores II, VII e VIII e muitas outras proteínas.

A plasmina é formada localmente e atua sobre a rede de fibrina, dando origem a produtos da degradação da fibrina e produzindo lise do coágulo. Sua ação é localizada no coágulo, visto que os ativadores do plasminogênio são eficazes principalmente no plasminogênio adsorvido a fibrina; qualquer plasmina que cai na circulação é inativada por inibidores da plasmina, incluindo o inibidor do ativador do plasminogênio I.

Certas drogas afetam esse sistema ao aumentar ou inibir a fibrinólise (agentes fibrinolíticos e antifibrinolíticos, respectivamente). O emprego de agentes Trombolíticos (fibrinolíticos) é utilizado para dissolução de coágulos patológicos, sendo terapia-padrão no infarto agudo do miocárdio.

Estreptoquinase

É uma proteína não enzimática extraída de cultura estreptococos b -hemolíticos do grupo A e , portanto é altamente antigênica, e foi submetida a ensaios biológicos e padronizada. Liga-se ao plasminogênio, expondo o sítio ativo de serina e resultando em atividade da plasmina. Quando infundida por via intravenosa, reduz a taxa de mortalidade no infarto agudo do miocárdio, sendo este efeito benéfico aditivo com o da aspirina. Sua ação é bloqueada por anticorpos antiestreptocócicos, que aparecem cerca de quatro dias ou mais após a administração da dose inicial. È necessário um intervalo de pelo menos uma no para que possa ser novamente utilizada.

Anistreplase (APSAC)

É um complexo de lys-plasminogênio humano e estreptoquinase, que foi inativado através da introdução de um grupo para (p)-anisoil em seu centro catalítico. O grupo anisoil é removido in vivo, de modo que a anistreplase é uma pró-droga da estreptoquinase. A meia-vida de ativação dura cerca de duas horas, tanto no sangue quanto no trmbo. A anistreplase é administrada por via intravenosa por 4 a 5 minutos, e sua atividade fibrinolítica persiste por 4 a 6 horas.

Alteplase e Duteplase

A alteplase e a duteplase são ativadores do plasminogênio tipo tecidual recombinantes, sendo a primeira constituída de cadeia simples, e a segunda, de cadeia dupla. Sua atividade é potencializada na presença de fibrina, isto é, são mais ativas sobre o plasminogênio plasmático, sendo portanto consideradas “seletivas de coágulo”. O ativador do plasminogênio do tipo tecidual não é antigênico e pode ser utilizado em pacientes com tendência a produzir anticorpos dirigidos contra estreptoquinase. Em virtude de suas meias vidas curtas, ambas as drogas devem ser administradas na forma de infusão intravenosa.

Reteplase

É semelhante as anteriores, porém possui meia-vida de eliminação mais prolongada que o ativador do plasminogênio do tipo tecidual, permitindo a administração na forma de bolo e simplificando a sua administração. É disponível para uso clinico no infarto do miocárdio.

Uroquinase

È preparada a partir de culturas de células renais embrionárias humanas e foi submetida a ensaios biológicos e padronizada. Atua diretamente como ativador do plasminogênio, porém sua eficácia no infarto do miocárdio ainda não foi estabelecida. Seu uso clinico é limitado.

Efeitos indesejáveis e contra-indicações ao o uso de Agentes Trombolíticos

O principal risco de todos os agentes trombolíticos consiste em sangramento, incluindo hemorragia gastrointestinal e acidentes vascular cerebral. Quando grave, o sangramento pode ser tratado com acido tranexânico, plasma fresco ou fatores de coagulação. A Estreptoquinase e a anistreplase podem causar reações alérgicas, sendo que a primeira provoca febre baixa em cerca de 25% dos pacientes. A estreptoquinase provoxa um surto de formação de plasmina, produzindo cininas e causando hipotensão.

As contra-indicações ao uso desses agentes consistem em sangramento interno ativo, doença vascular cerebral hemorrágica, diáteses hemorrágicas, gravidez, hipertensão não controlada, procedimentos invasivos nos quais a hemostasia é importante e traumatismo recente – incluindo ressuscitação cardiopulmonar vigorosa.

Agentes Antifibrinolíticos e Hemostáticos

O acido tranexâmico inibe a ativação do plasminogênio e, portanto, impede a fibrinólise. Pode ser administrado por via oral ou por injeção intravenosa. É utilizado no tratamento de diversas condições nas quais ocorre sangramento, como hemorragia após prostatectomia ou extração dentária, na menorragia (perda excessiva de sangue menstrual) e após superdosagem de agente trombolítico. O acido tranexâmico é também utilizado em pacientes com raro distúrbio de angioedema hereditário.

A aprotinina inibe as enzimas e é utilizadas na hiperplasminemia causada por superdosagem de agentes trombolíticos, bem como em pacientes com risco de acentuada perda de sangue durante a cirurgia cardíaca.

Agentes Antiplaquetários

Existem muitos ativadores plaquetários fisiológicos, como a trombina, adenosina difosfato (ADP), epinefrina, colágeno, ácido arquidônico e tromboxano A², que promovem a agregação plaquetária. Existem também, inibidores fisiológicos plaquetários como prostaciclina e oxido nítrico. O endotélio intato, não danificado secreta estes inibidores para impedir a ativação e agregação plaquetárias. Entretanto, nos vasos lesados, o endotélio produz menos prostaciclina e, portanto, promove a ativação plaquetária. Além do mais, o colágeno e a trombina gerada localmente estimulam a liberação do ácido arquidônico a partir dos fosfolipídeos das membranas plaquetárias. O ácido arquidônico é primeiramente convertido em prostaglandina H² pela ciclooxigenase. A prostaglandina H² é então metabolizada em tromboxano A², que ativa as plaquetas circulantes. As drogas antiplaquetárias possuem imenso valor terapêutico potencial, devido a atividade exercida pelas plaquetas na doença tromboembólica.

Aspirina

A aspirina bloqueia a síntese de tromboxano A² a partir do ácido arquidônico nas plaquetas por acetilação irreversível e inibição da ciclooxigenase, uma enzima-chave na síntese de prostaglandinas. A inibição de tromboxano A² induzida pela aspirina e a supressão resultante da agregação plaquetária perduram por aproximadamente 7 a 10 dias da meia-vida das plaquetas. A aspirina também bloqueia a síntese do inibidor plaquetário postaciclina nas células endoteliais. Entretanto, esse efeito é de curta duração comparado àquele na síntese plaquetária do tromboxano A², uma vez que as células endoteliais são capazes de re-sintetizar a ciclioxigenase. São necessárias doses mais altas de aspirina para inibir a ciclooxigenase do endotélio vascular do que para fazê-lo nas plaquetas, particularmente quando administrada por via oral. Isto se deve ao fato de as plaquetas serem expostas à aspirina no sangue porta, enquanto a vasculatura sistêmica é particularmente protegida pelo metabolismo pré-sistêmico da aspirina a salicilato sob ação de esterases no fígado. Por conseguinte, a administração intermitente de baixas doses de aspirina diminuem a síntese de tromboxano A² sem reduzir drasticamente a síntese de prostaciclina. A aspirina é rapidamente absorvida pelo trato gastrointestinal, parcialmente hidrolisada em salicilato pela sua primeira passagem pelo fígado e é amplamente distribuída na maioria dos tecidos após a administração oral, o salicilato pode estar presente no soro dentro de 5 a 30 minutos e os picos da concentrações séricas são alcançados em 1 hora. A hemostase retorna ao normal aproximadamente 36 horas após a última dose da droga.

A irritação gastrointestinal constitui o efeito adverso mais comum. Tinido e toxicidade do sistema nervoso central são eventos raros com baixas doses utilizadas para obter os efeitos antitrombóticos.

A aspirina é eficaz na prevenção secundária de infarto do miocárdio e na redução da mortalidade em pacientes pós-infarto do miocárdio. A aspirina também é eficaz na prevenção das crises isquêmicas tansitórias recorrentes e também é comumente utilizada em condições de risco aumentado de trombose arterial, como cateterização das coronárias, angioplastia de balão e no periodo pós-operatório seguinte a cirurgia vascular. A aspirina freqüentemente é utilizada em associação a outros anticoagulantes, heprina ou Warfarin.

Ticlopidina

É um derivado da tienopiridina. A ticlopidina interfere na ligação ADP-induzida do fibrinogênio aos receptores nas membranas da plaquetas e na agregação plaquetárias, portanto, são inibidas, e os efeitos inibitórios sobre a agregação plaquetárias são irreverssíveis. O início da sua ação é lento, sendo necessário 3 a 7 dias para atingir os efeitos máximos. O fármaco atua através de um metabólito ativo. Sua eficácia na redução do acidente vascular cerebral assemelha-se a da aspirina. Porém os efeitos adversos, particularmente neutropenia, limitaram seu uso a longo prazo. Entretanto o uso a curto prazo (um mês) da ticlopidina recentemente aumentou de modo significativo, em associação a um procedimento consiste na introdução de um dispositivo de expansão na artéria coronária enferma, na tentativa de mante-la desobstruída após angioplastia com balão. Essa abordagem basea-se no estudo clínico em que o tratamento com combinação com ticlopidina mais aspirina durante um mês foi comparado com tratamento convencional com aspirina, heparina e anticoagulante oral. A ticlopidina associada com aspirina reduziu significativamente os eventos cardíacos, bem como as complicações hemorrágicas e vasculares, em comparação com o tratamento convencional.

Os antagonistas do receptor de membrana plaquetária são interessantes por inibirem todas as vias de ativação das plaquetas. Um fragmento FAB de anticorpo monoclonal hibrido urino/humano, dirigido contra o receptor de membrana plaquetário (GPIIb/IIIa), que recebeu a exótica designação de “abciximab”, foi aprovado para uso em pacientes de alto risco submetidos a angioplastia coronariana como adjuvantes da heparina e aspirina. Reduz o risco de estenose, porém a custa de um aumento no risco de sangramento. A imunogenicidade limita o seu uso uma administração única. Como a trombina é um poderoso estimulante da ativação e agregação plaquetárias, as drogas que inibem a sua ação poderiam ser consideradas agentes antiplaquetários.

Dipiridamol

O dipiridamol foi aprovado como um agente antiplaquetário em 1986. Entretanto, esta droga não inibe a agregação plaquetária quando utilizada isoladamente, mas, em associação à Warfarin, prolonga a sobrevida das plaqutetas em pacientes com vacuolopatias cardíacas e mantém as contagens plaquetárias em pacientes à cirurgi cardíaca.

Anagrelida

Contagens plaquetárias elevadas resultantes de doenças mieloproliferativas, como trombocitemia essencial, podem ter conseqüências trombóticas. O tratamento convencional destes distúrbios tem adotado agentes quimioterápicos linhagem-inespecíficos, como hidroxiuréia. A anagrelida, uma quinazolina ativa por via oral, apresenta alta especificidade contra os megacariócitos e, portanto, reduz seletivamente a contagem plaquetária. Caso os ensaios clínicos venham a comprovar que a anagelida não possui potencial leucogênico, este agente pode se tornar o tratamento de escolha na trombocitopenia.

Bibliografia

1 – FARMACOLOGIA APLICADA À MEDICINA VETERINÁRIA. Helenice S. Spinosa, Silvana L. Górniak e Maria M. Bernardi. 2ª edição. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 1999. Pg 246 a 250.

2 – FARMACOLOGIA. H. P. Rang; M.M. Dalle e J. M. Ritter. 9ª edição. Guanabara Koogan, Rio de Janeiro. Pg 256 a 268.

3 – FARMACOLOGIA INTEGRADA. Page; Curtis; Sutter; Walker; Hofman. Editora Manole Ltda, São Paulo, 1999. Pg192-193e 205-213.

HISTÓRIA DA ANATOMIA VETERINÁRIA

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HISTÓRIA DA ANATOMIA VETERINÁRIA

Os estudos de Anatomia começaram nos primórdios da história humana.

O homem pré-histórico já observava à sua volta a existência de seres diferentes de seu corpo, os animais. Com isso, passou a gravar nas paredes das cavernas e fazer esculturas das formas que via. Com isso passou a notar detalhes, que hoje nos permite identificar as espécies animais descritas. Foram os gregos que denotaram um maior avanço no estudo da anatomia, com Asclépio.

Depois de Asclépio, vieram sucessores, constituindo escola, como por exemplo: Hipócrates; Aristóteles; Herófilo; Erasístrato; Celso; Rufus; Galeno.

Os Anatomistas estudaram sempre às escondidas, pois era proibido o uso da dissecação. Considerava-se abuso a violação de um cadáver, de forma especial, o humano. Os estudos provenientes nessa época e nas seguintes, dependiam da autorização expressa do rei, ou corria-se o risco de ser preso e condenado.

Galeno, por exemplo, estudou muito animais e fez alusão ao ser humano, cometendo desta maneira, grandes erros, descobertos depois por anatomistas de outras épocas. Suas descobertas foram ainda utilizadas por 1400 anos.

As dissecações eram feitas em porões, adentrando as madrugadas.

Como não havia um curso de medicina ou de anatomia, os discípulos deviam acompanhar os grandes cirurgiões – anatomistas.

Com o passar dos anos, viu-se a necessidade de se criar faculdades de medicina veterinária, e com isso, instituíram-se os laboratórios.

A primeira escola de Anatomia a se destacar na Europa foi a Escola de Salerno, onde era feita a dissecação de forma efetiva em animais, acompanhando os livros de Galeno.

Normal, Variação, Anomalia, Monstruosidade

Normal em medicina veterinária e humana, do ponto de vista clínico, significa sadio. Em Anatomia pode representar conotações diferentes: do ponto de vista estatístico – normal é a estrutura mais freqüente, ocorrendo em mais de 50% dos casos; do ponto de vista idealístico – normal é a estrutura mais adequada para realizar com perfeição uma função; Variação é uma disposição diferente daquela geralmente encontrada, mas que não determina alteração do ponto de vista funcional; Anomalia é uma alteração morfológica que pode alterar e mesmo impedir a função normal;

O que pode influenciar na variação anatômica?

Anatomia Veterinária

1. Anatomia Sistemática/ Dirigida sucessivamente para grupos de órgãos com atividades intimamente relacionadas, que constituem sistemas orgânicos com uma evidente função comum.

2. Anatomia Topográfica/ Preocupa-se com a forma e as relações de todos os órgãos existentes em uma determinada região do organismo.

3. Osteologia/Estudo dos ossos, mas também das cartilagens.

Os tubarões apresentam cartilagens no lugar dos ossos propriamente ditos.

Então podemos chamar de esqueleto, toda estrutura que der forma a um componente do corpo, como o esqueleto fibroso que sustenta o fígado, o esqueleto ósseo que sustenta a musculatura para dar movimentos, o esqueleto cartilaginoso que forma a laringe, dá forma ao pavilhão auricular.

1. Proteção

Órgãos mais frágeis situados nas cavidades são protegidos por estruturas ósseas como por exemplo: medula neural, coração e pulmões.

A figura representa uma estrutura mais rústica protegendo uma muito mais frágil.

Podemos considerar os ossos como essa estrutura mais rústica e o neném os frágeis, fundamentais à vida…

2. Sustentação

Assim como os prédios, os corpos dos animais também precisam de fortes bases estruturais de sustentação…

Senão, onde estariam os monumentos tão antigos que perduram até os dias de hoje?

Assim é com os animais… cada um tem um esqueleto diferente para adaptar-se ao meio e sustentar, como nas girafas, a cabeça, para a boca ficar o mais próximo possível de brotos de árvores.

4. Dar formato ao corpo

Se não fosse esse formato promovido pelo esqueleto, suínos não teriam tanta mobilidade do focinho…devido ao osso rostral.

5. Armazena minerais e íons

Durante a vida e manutenção da mesma, os animais necessitam de mobilizar minerais, que se encontram nos ossos.

Uma lactação por exemplo, expolia muito a fêmea quanto aos minerais cálcio e fósforo, pois o leite é muito rico nestes.

Como o osso tem muito desses minerais, a retirada é expressiva, retornando depois conforme o filhote for sendo desmamado.

Outro fator é a contração muscular, que demanda Cálcio para ocorrer, pois encontra-se circulante no sangue.

5. Funciona como alavanca para a movimentação

Age como componente passivo de um movimento, sendo os músculos a parte ativa.

6. Produz células sangüíneas (hematopoiese)

As extremidades dos ossos mais longos produz sangue.

Lá a osteoarquitetura é trabeculada, onde células pluripotenciais (stem cells) se inserem e acabam povoando o osso para produzirem células sanguíneas.

7. Auto – remodelamento

Os ossos também têm a capacidade do auto-remodelamento, para que seja possível a adaptação da postura ao meio que é exigido.

Mulheres por exemplo, ao usarem por muito tempo salto baixo, vão em uma festa com salto alto, não demora muito, começam a sentir dores nas pernas.

Esse é um sinal de que seu aprumo não está correto, ou seja, os ossos não se adaptaram ainda e não se remodelaram para uma melhor distribuição de peso.

O mesmo ocorre no inverso. Outro exemplo são os desvios de coluna, por vícios de posição e postura, causando a escoliose, lordose ou cifose.

Zoologia – Quanto à zoologia e cronologia evolutiva, os animais podem ser invertebrados ou vertebrados.

Entre os invertebrados podemos Ter alguns animais com tecido rico em queratina, como os besouros, formando assim o exoesqueleto.

O besouro Hypocephalus sp. é um invertebrado com exoesqueleto.

O polvo é um invertebrado sem exoesqueleto.

Entre os vertebrados, temos alguns animais com exoesqueleto também, associado com o endoesqueleto, como por exemplo o tatu, jacaré e a tartaruga.

Outros vertebrados apresentam somente o endoesqueleto, como os mamíferos de forma geral.

Divisão do esqueleto ósseo:

1. esqueleto axial = representado pela coluna vertebral, cabeça e tórax;

2. apendicular = representado pelos membros torácico e pélvico;

3. visceral = representado por ossos situados em vísceras, como o osso do clitóris da cadela, osso peniano do cão e osso cardíaco do bovino.

Número de ossos:

Varia conforme a idade, devido à fusão de certas junções, as vértebras lombares e caudais variam muito em algumas espécies.

Há autores que desconsideram os ossos sesamóides como partes constituintes do esqueleto ósseo, assim como não contam os ossos do orelha interno (martelo, bigorna e estribo). A patela é considerada um osso sesamóide, notamos na primeira figura; na figura do meio, uma pelve de filhote, notam-se áreas mais escuras sobre o acetábulo. É onde os ossos se juntam, constituindo um único osso no adulto. A terceira figura apresenta o crânio de um filhote de cão, onde as junturas ainda não se consolidaram.

Classificação dos ossos:

Os ossos apresentam variações no seu formato, dependendo da sua função. Assim, podemos compará-los a formas geométricas e classificá-los:

Longos – ossos que apresentam um comprimento sobressaindo sob as outras medidas, apresenta também uma câmara medular.

Forma geométrica similar a um paralelepípedo. Exemplo: tíbia, fêmur, rádio, úmero, metatarsos e metacarpos.

Curtos – ossos que apresentam o comprimento, largura e espessura mais ou menos homogêneos, não sobressaindo nenhuma medida sobre as outras, não apresenta uma câmara medular.

Forma geométrica similar a um cubo. Exemplo: carpos, tarsos, falange média e proximal.

Planos – ossos que apresentam um comprimento e uma largura sobressaindo sobre a espessura, pode apresentar uma parte totalmente maciça, onde as camadas ósseas compactas se encontram. Forma geométrica similar a uma tábua, é laminar. Exemplo: Escápula, ossos planos do crânio, pelve.

Há um tipo de osso plano, ossos do crânio, que não apresentam o periósteo em uma de suas faces, sendo substituído diretamente pela dura máter.

Pneumáticos – ossos que estão localizados na cabeça dos mamíferos e no corpo das aves. É caracterizado, não por um formato geométrico, mas sim por ser oco e apresentar câmaras de ar internamente.

Isso tem a função de dar leveza à cabeça ao mesmo tempo de proteção e aumentar a área de inserção dos músculos faciais.

Esse espaço preenchido por ar denomina-se seio paranasal, pois estes ossos tem comunicação com o aparelho respiratório.

Exemplo: osso frontal, maxilar, nasal.

Irregulares – ossos que não se encaixam em nenhuma descrição anterior, com vários processos (pontas) para fixar ligamentos, fáscias e músculos.

Não possuem forma definida. Exemplo: ossos da coluna vertebral, falange distal.

Constituição básica de um osso longo:

Os ossos longos apresentam duas extremidades chamadas epífises. Unindo as epífises encontramos a diáfise. Entre a diáfise e as epífises, há uma região de crescimento ósseo, formada por tecido cartilaginoso nos jovens.

Essa região apresenta-se como uma linha denominada metáfise.

O osso longo apresenta ainda uma cavidade, chamada cavidade ou câmara medular.

É nessa câmara que encontra-se a Medula óssea vermelha e medula óssea amarela. A medula óssea amarela apresenta um espaço mais livre, preenchido com tecido adiposo, delimitado nas paredes pela camada óssea compacta.

Já a medula óssea vermelha apresenta as chamadas trabéculas ósseas, constituindo a camada óssea esponjosa.

É nessa camada esponjosa que há a formação de células sanguíneas.

Essa cavidade onde se encontra a medula óssea amarela, apresenta o endósteo, que nada mais é do que uma lâmina fibrosa com células de crescimento ou reabsorção óssea interna.

A estas células denominamos: osteócitos, osteoclastos e osteoblastos.

Externamente, há ainda uma lâmina denominada periósteo, com dois folhetos:

1ª) folheto fibroso, composta por fibras de colágeno (tecido fibroso), células nervosas e vasos sangüíneos.

2ª) folheto osteogênico ou celular, composto por osteócitos, osteoclastos e osteoblastos.

Quanto à vascularização óssea, basicamente teremos:

Ossos curtos: suprimento pelo periósteo;
Ossos planos: suprimento pelo periósteo e forame nutrício;
Ossos longos: suprimento pelo forame nutrício, periósteo, epífises e endósteo.
Aparelhos e Sistemas

Há muita controvérsia neste âmbito. Alguns professores preferem utilizar o termo APARELHO para denominar o conjunto de órgãos de um complexo com finalidade comum.

Outros utilizam-se do termo SISTEMA.

Não quero criar discordância entre os profissionais da Anatomia.

Somente desejo esclarecer, principalmente aos alunos de Medicina Veterinária, que as duas formas estão corretas.

O que devemos ter bem claro em mente, é o fundamento de adotarmos um conceito.

Existem os conceitos embasados na:

Embriologia;
Histologia;
Morfologia;
Fisiologia…
Por exemplo: O Sistema Nervoso é o único que não é motivo de atrito, pois tanto embriologica, morfológica, fisiológica ou histologicamente, é homogêneo.

Já o Aparelho Digestório, pode ser assim denominado se nos embasarmos na :

Embriologia = Temos como constituintes o ectoderma (lábios e dentes) e o endoderma (todo o trato digestório);

Histologia = o tecido constituinte do esôfago difere grandemente do fígado, do intestino, e da língua;

Morfologia = composição macroscópica de cada porção do trato gastrointestinal é diferente;

Fisiologia = se analisarmos cada unidade digestória, veremos que são diferentes, mas se analisarmos como um todo, teremos uma finalidade comum: a digestão, e aí sim cabe utilizarmos o termo Sistema.

Semelhante modo ocorre com o Sistema ou Aparelho circulatório.

Se considerarmos que o tecido sangüíneo é heterogêneo e o endotélio um tecido totalmente diferente, assim como a função dos vasos ser diferente do coração, ou a morfologia de vasos, sangue e coração, então teremos um APARELHO.

Mas se considerarmos que o coração embriologicamente é originado do dobramento dos vasos, então teremos um SISTEMA.

Esse assunto é um certo tabu entre os Anatomistas, pois ainda não se entrou em consenso, apesar da Nômina trazer SISTEMA.

Isso foi adotado como padronização: todos falarem Sistema para tudo e não ter brigas.

Introdução

Veremos aqui, alguns aspectos da Anatomia no decorrer da história.

Ao contrário do que muitos pensam, a Anatomia não é uma ciência morta.

Digamos que você tivesse que ser operado às pressas por um médico.

Só há duas alternativas: um médico que dissecou trezentos cadáveres e outro que dissecou trezentos ratos.

Qual você escolhe para abrir sua barriga?

Certamente quem dissecou os cadáveres.

Então vemos neste exemplo, que Anatomia, além de não ser uma ciência

A utilização dos animais mortos é UM dos artifícios mais tradicionais que a Anatomia lança mão.

Hoje em dia, a anatomia veterinária se modernizou, e só não vê quem não quer.

Um exemplo é a existência deste e outros sites sobre o assunto.

Há projetos em escolas de primeiro grau, onde estimula-se a criança a ter maior contato com os animais, usam-se modelos em acrílico… Algumas Faculdades, como a nossa, estão promovendo uma maior integração de disciplinas, como por exemplo, professores de anatomia, fisiologia, patologia, cirurgia trabalhando juntos em prol da educação.

Acredita-se assim, que o aluno tenha contato mais prolongado com a disciplina, que o acompanhará até a conclusão do curso.

Quando começou o estudo da Anatomia?

Começou nos primórdios da história humana.

O homem pré-histórico já observava à sua volta a existência de seres diferentes de seu corpo. Com isso passou a notar detalhes, que hoje nos permite identificar as espécies animais descritas.

Primeiros cientistas

Na verdade, torna-se impossível distinguir a história da Anatomia Humana, Anatomia Veterinária, Medicina e Medicina Veterinária, visto que estas áreas cresceram se e se desenvolveram em “parceria” durante séculos.

A importância do médico que cuidava dos animais era tão grande para os Mesopotâmios, que o exercício da atividade ganhou destaque até no “código de Hamurabi”. Essa importância era devida aos cavalos, pois estes eram: o meio de transporte, máquina de guerra e moeda de escambo.

Outros povos que estudaram muito a anatomia veterinária nessa época foram os chineses.

Sabemos que a medicina oriental desde os primórdios é muito diferente da ocidental. Isso é devido ao contínuo estudo da anatomia para localização de pontos de pressão.

Na Antigüidade

Foram os que denotaram um maior avanço no estudo da anatomia, com Asclépio.

Depois de Asclépio, vieram sucessores, constituindo escola, como por exemplo:

Herófilo; Erasístrato; Celso; Rufus;

Os Anatomistas estudaram sempre, pois era proibido o uso da dissecação.

Considerava-se abuso a violação de um cadáver, de forma especial, o humano. Os estudos provenientes nessa época e nas seguintes, dependiam da autorização expressa do rei, ou corria-se o risco de ser preso e condenado.

Galeno, por exemplo, estudou muito animais e fez alusão ao ser humano, cometendo desta maneira, grandes erros, descobertos depois por anatomistas de outras épocas. Suas descobertas foram ainda utilizadas por 1400 anos.

Idade Média

Foi quem contribuiu muito para a anatomia. Estudando com finalidade de buscar a perfeição em suas formas artísticas, acabou por contribuir com a descrição de partes do corpo. Michelangelo também estudou o corpo humano a fundo.

Foi um inovador, mudando a metodologia de ensino da época. Mostrou com as próprias mãos como se fazia uma cirurgia. Insistia para que seus alunos também dissecassem.

Dissecações

As dissecações eram feitas em, adentrando as madrugadas. Como não havia um curso de medicina ou de anatomia, os discípulos deviam acompanhar os grandes

Laboratórios Com o passar dos anos, viu-se a necessidade de se criar faculdades de medicina veterinária, e com isso, instituíram-se os

A primeira escola de Anatomia a se destacar na Europa foi a Escola de Salerno, onde era feita a dissecação de forma efetiva em animais, acompanhando os

METODOLOGIA E EQUIPAMENTOS (Parte 1)

Todo o material utilizado neste atlas, seja ele visualizado através de microscopia de luz ou eletrônica, teve que ser fixado logo após a sua obtenção.

O processo de fixação varia um pouco, dependendo do propósito e do equipamento a ser usado para a análise, mas de maneira geral, o material visualizado em microscopia de luz é fixado em solução de formaldeído a 10% em solução tamponante. Já o material observado em microscopia eletrônica é fixado em Glutaraldeído a 2,5% e paraformaldeído a 4% também em solução tamponante. O material foi mantido nestas soluções por períodos que variavam de 1 a 24 horas à 4 0C.

Após o processo de lavagem, desidratação e inclusão em resina, (que também varia se a preparação for para a visualização em microscopia de luz ou eletrônica de transmissão) o material é cortado.

Na microscopia de luz, utiliza-se um aparelho conhecido como micrótomo e são obtidos cortes com espessura variável, em torno de alguns micrômetros (6-10mm). Depois do processo de microtomia, o material destinado a microscopia de luz é, após ser coletado em uma lâmina, desparafinizado e corado.

Diversas colorações foram utilizadas no preparo deste Atlas.

A coloração mais usada nos estudos Histológicos é a Hematoxilina & Eosina, conhecida como H&E.

Nesta coloração, o núcleo celular cora-se normalmente em roxo pela Hematoxilina e o citoplasma em rosa pela Eosina.
Após um período de secagem a lâmina deve ser montada. Sobre o corte se deposita uma gota de bálsamo e posteriormente a lamínula.

A lâmina assim, está pronta para ser observada em microscópio de luz.

O material a ser observado na microscopia eletrônica de transmissão(MET) também deve ser cortado.

O aparelho onde se realiza este trabalho é conhecido como Ultramicrótomo.

Os cortes realizados pelo ultramicrótomo são de algumas dezenas de nanômetros (1nm= 10-3mm) para que possam ser atravessados pelo feixe eletrônico e observados ao MET. O material cortado pelo ultramicrótomo é coletado em pequeníssimas grades e deve ser contrastado antes de ser observado.

Para este fim, utilizam-se substâncias contendo metais de grande número atômico como chumbo, urânio e ósmio

METODOLOGIA E EQUIPAMENTOS (parte II)

As lâminas coradas são observadas em um microscópio de luz.

As grades, depois de contrastadas, são inseridas no microscópio eletrônico.
Novas imagens estão sendo feitas com a mais nova aquisição da UERJ – um microscópio de varredura de vácuo variável, LEO 1450VP, que não necessita dos processos de eliminação de água. Isto é, após a coleta do material só será necessária a fixação para a posterior observação direta no microscópio.

As imagens geradas são digitalizadas pelo próprio aparelho em alta resolução.
Os microscópios utilizados neste trabalho estavam conectados a câmaras de vídeo, e suas imagens eram gravadas em fitas ou digitalizadas.

Neste último modo, um computador com uma placa de conversão analógico-digital transformava as imagens em arquivos, para que pudessem ser posteriormente manipulados.

Porém, para poderem ser visualizadas de forma mais eficiente pela Internet, as imagens foram comprimidas e salvas em formato JPEG.

Isto significa que, em alguns casos, a resolução que originalmente era boa, foi em parte perdida no processo de compressão. Isto é particularmente notório nas imagens obtidas por microscopia eletrônica de transmissão.

Um outro recurso utilizado foi a montagem de vários quadros para obtenção de uma imagem de boa resolução de um amplo campo.

Estas imagens geralmente são apresentadas na página inicial de cada tecido e sistema estudado.

Introdução:

Por que estudar Anatomia no curso de Zootecnia e Agronomia?

A zootecnia é uma profissão que atende basicamente o setor comercial da criação de animais. Para podermos criar bem um animal e comercializá-lo de forma efetiva e com o maior rendimento, necessitamos ter o conhecimento básico da sua normalidade, de seus aspectos anatômicos, de suas adaptações e possibilidades de mudanças de hábito, visto que uma grande maioria de animais domésticos é mantida em cativeiro, sejam pastagens, baias, gaiolas ou galpões.

A anatomia é essencial para que o zootecnista conheça os princípios da digestão, reprodução e desempenho destes animais. O mesmo serve para os Agrônomos, onde o manejo de pastagens, seleção de alimentos para a nutrição animal exigem conhecimentos de Anatomia. Um exemplo claro é o de que um agrônomo não pode recomendar uma soja como exclusiva fonte de alimentação de uma vaca. Mesmo que a soja possua o maior nível nutricional, pois sabe-se que alimentos como a soja causam distúrbios gastrintestinais em ruminantes e eqüinos.

Por que tantos nomes difíceis?

Todo mundo tem um nome pelo qual é chamado. Os detalhes anatômicos também. Isto serve para padronizarmos e facilitarmos a comunicação entre pessoas quando se referirem a um assunto, por exemplo, para explicar de uma secreção do prepúcio num boi doente, como diríamos?

Caso fujamos dos termos mais técnicos, por termos um curso superior, tornaríamos vulgares, e até o funcionário da fazenda pode perder o crédito em nossa capacidade profissional. É uma questão de postura.

Para isso, existe uma Nomina Anatômica, onde os nomes são padronizados por uma equipe internacional, e atualizada a cada década.

Como padronização, os nomes são grafados em latim e seguem algumas normas técnicas. Isso evita os chamados EPÔNIMOS, ou seja, um detalhe anatômico ser chamado de “detalhe do fulano” em um lugar e em outro chamar de “estrutura do cicrano ainda jovem”. Posso abreviar alguns nomes?

Sim. Nomes que se repetem e explicam o tipo de estrutura em referência, podem ser abreviados, conforme a seguinte tabela:

Divisão do corpo dos animais:

Dividido em fundamentais:

1. Cabeça;

2. Pescoço;

3. Tronco – três regiões: torácica, abdominal, pelvina;

4. Membros – em número de quatro: um par torácico e um par pelvino;

5. Cauda.

Para toda a descrição, usamos considerar o animal em estação, em pé, com os quatro membros apoiados ao solo, pescoço formando um ângulo de 145º com o dorso do animal, cabeça e olhar dirigidos para a frente.

A – dois planos horizontais: um tangente ao dorso (plano dorsal); um tangente ao ventre (plano ventral)

B- quatro planos verticais:

um tangente ao lado esquerdo – plano lateral esquerdo
um tangente ao lado direito – plano lateral direito
um tangente à cabeça – plano cranial
um tangente à cauda – plano caudal
Eixos São formados por linhas imaginárias.

Eixo craniocaudal – estende-se do ponto de interseção das diagonais do plano cranial ao ponto correspondente do plano caudal;
Eixo dorsoventral – estende-se do ponto de interseção das diagonais do plano dorsal ao ponto correspondente do plano ventral;
Eixo laterolateral – estende-se do ponto de interseção das diagonais dos planos laterais entre si.
Deslizando-se o eixo craniocaudal sobre o eixo dorsoventral, obtém-se o plano sagital mediano. As duas metades resultantes são denominadas antímeros.

Deslizando-se o eixo laterolateral sobre o eixo dorsoventral, obtém-se o plano transversal.

As duas metades resultantes são denominadas metâmeros.

Deslizando-se o eixo laterolateral sobre o eixo craniocaudal, obtém-se o plano frontal.

As duas metades resultantes são denominadas paquímeros.

Termos indicativos de posição e direção

a) Cranial e Caudal: estruturas próximas ou voltadas para o plano cranial ou caudal;

b) Dorsal, Ventral e Médio: estruturas próximas ou voltadas para o plano dorsal ou ventral, médio é usado para designar estruturas entre estas duas;

c) Lateral, Medial, Intermédio e Mediano: posição da estrutura em relação ao plano mediano. Próximo ao plano lateral ou mediano designamos lateral e medial, exatamente sobre o plano mediano denominamos mediano, entre um lateral e um medial, denominamos de intermédio;

d) Externo e Interno: significam respectivamente mais próximo ou mais distante do centro de um órgão ou de uma cavidade;

e) Superficial e Profundo: indicam mais próximo ou mais afastado da superfície do corpo respectivamente;

f) Proximal e Distal: para membros e órgãos apendiculares. Indicam mais próximo e mais distante da raiz ou inserção;

g) Palmar e Plantar: referem-se à face caudal do carpo, metacarpo, tarso, metatarso e dedos;

h) Axial e Abaxial: são utilizados para as espécies cujo eixo funcional do membro passe entre o III e o IV dedos, como nos suínos e ruminantes.

A face do dedo voltada para o eixo é chamada axial e aquela voltada para a face oposta é chamada abaxial;

Rostral, Superior e Inferior = rostral substitui o termo cranial para as estruturas localizadas na cabeça.

Superior e inferior são termos pouco utilizados em animais, servindo para designar somente os lábios e pálpebras superior e inferior.