Loucura no Trabalho e Saúde Mental

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Autoria: Mauricio Alonso

Loucura no Trabalho e Saúde Mental

Introdução

A vida dos trabalhadores e sua melhora são objeto de numerosos estudos e ações. Até agora, entretanto a vida mental dos trabalhadores permanece um terreno pouco explorado. Quase não se leva em consideração o drama existencial dos trabalhadores de hoje, e a repercussão que ele pode ter sobre sua saúde mental e, indiretamente, sobre seu estado físico. Os próprios trabalhadores desconhecem este aspecto importante de sua existência e se desenvolvem todas estratégias de defesa para ocultá -lo. Por sua vez, as ciências humanas notadamente a psicanálise e a sociopsicologia, avaliam mal o que é especifico aos grupos de trabalhadores.

Este sofrimento escondido, esta dor de natureza mental é exatamente o que vamos falar neste trabalho de acordo com Dejours, ele tenta captar nas falas dos trabalhadores e nos comportamentos insólitos próprios de cada profissão. É claro que não deixam de existir exemplos nos quais o trabalho traz uma satisfação de sublimação.

LOUCURA NO TRABALHO – O ESTUDO DA PSICOPATOLOGIA DO TRABALHO

De acordo com Dejours poderíamos falar de violência em vários lugares tais como fábricas, oficina, no escritório, etc. Mas pelo que eu percebi ao ler o livro, falaremos dos serviços públicos, dentre outros: com intuito de revelar certos sofrimentos que foram descuidados até hoje pelos especialistas do homem no trabalho.

Portanto, iremos tentar divulgar aquilo que afronta o homem com a sua tarefa, ou seja, no seu trabalho, o que põe em perigo, o que o prejudica na sua vida mental, assim queremos chamar a atenção sobre especificidade da vivência operária.

Conforme o autor nos informa o campo potencial da psicopatologia do trabalho é ocupado pela psicanálise, psicossociologia e a psicologia abstrata, sendo assim ela foi estudada por fenômenos de ordem histórica.

Pela a historia não entenderemos a historia dos operários, mas principalmente a historia do movimento operário e da correlação de forças entre trabalhadores, patrões e Estado. O que é um ponto importante da história da saúde dos trabalhadores, a evolução das condições de vida e de trabalho.

Segundo Dejours existem três correntes sob a imagem do ‘Trabalho Social “: o movimento higienista, o movimento das ciências morais e políticas e o movimento dos grandes alienistas.

A psicopatologia do trabalho faz-se necessário reconhecer o conflito que opõe o trabalho à vida mental, só que é um território quase desconhecido. È verdade que os especialistas do homem no trabalho se concentram, em matéria de psicologia, em definir métodos de seleção psicológica, ou seja, sua atividade é bem real, se desdobra fora das questões da saúde mental.

Se, todavia este tema está efetivamente presente há uma década, pode-se perguntar o quê, no trabalho, é acusado como fonte específica de nocividade para vida mental. A questão é de uma importância essencial e crucial. A luta pela sobrevivência condenava a duração excessiva do trabalho.

Quanto ao sofrimento mental resulta da organização do trabalho, portanto é preciso entender por condição de trabalho: o ambiente físico (temperatura, pressão, barulho, vibração, irradiação, altitude etc), ambiente químico (produtos manipulados, vapores e gases tóxicos, poeiras, fumaças etc), o ambiente biológico (vírus, bactérias, parasitas, fungos), as condições de higiene, de segurança, e as características antropométricas do posto de trabalho.

Por organização de trabalho designamos a divisão do trabalho, o conteúdo da tarefa (na medida em que ele deriva), o sistema hierárquico, as modalidades de comando, as relações de poder, as questões de responsabilidades etc. geralmente a psicopatologia do trabalho acentua-se os comportamentos humanos, seu objetivo é o de explicar os campos não – comportamentais, ocupados.

Os mecanismos de defesa individual contra a organização do trabalho: exemplo do repetitivo

Trabalho “taylorizado” de acordo com o Dejours é uma organização tão rígida que domina não somente a vida durante as horas de trabalho, mas invade igualmente, como vamos ver, o tempo fora do trabalho.

O objetivo deste sistema é o aumento da produtividade, Taylor durante seus estudos, teve uma aprendizagem de operário, formulava contra os operários a reprimenda de “vadiagem”. A “vadiagem no local de trabalho” não eram tanto os momentos de repouso que se intercalavam no trabalho, mas as fases durante as quais os operários trabalhavam num ritmo menor do que aquele que poderiam ou deveriam adotar. Sendo assim a vadiagem foi denunciada como perda de tempo, de produção e de dinheiro.

O trabalho taylorizado engendra, definitivamente, mas divisões entre os indivíduos do que pontos de união. Mesmo se eles partilham coletivamente da vivência do local de trabalho, do barulho, da cadência, e da disciplina, o fato é que, pela própria estrutura desta organização do trabalho, os operários são confrontados um por um, individualmente e na solidão, ás violências da produtividade.

Os resíduos das defesas coletivas

O trabalho em equipe e a participação num grupo de operação como nos fala Dejours, o sentido é compreendido pelo conjunto dos operários tornam possível à realização de defesas coletivas. A falta de sentido da tarefa individual e o desconhecimento do sentido da tarefa coletiva só tornam a sua verdadeira dimensão psicológica na divisão e na separação dos homens. Pode-se então falar realmente de defesa coletiva?

Sim, se o que é coletivamente desafiado com este comportamento é o tempo, o ritmo, as cadências e a organização do trabalho. Não, na medida em que esta atitude tomada coletivamente contra o sofrimento só dura alguns momentos. Aliás, sua eficácia é muito limitada, limitada em relação ao que nós caracterizamos, mas acima, a propósito do subproletariado, como perigo real.

Nós vemos que a realidade dos riscos no trabalho taylorizado não é tanto devida às cadências em si, mas á violência que esta organização do trabalho exerce no funcionamento mental.

O tempo fora do trabalho

Conforme Dejours o tempo fora do trabalho não seria nem livre e nem virgem, e os estereótipos comportamentais não seriam testemunhas apenas resíduos anedóticos. Ao contrário, tempo de trabalho e tempo fora de trabalho formariam um contínuo dificilmente dissociável. É bem possível que as atividades feitas às pressas em casa não sejam o resultado de uma atitude passiva, mas que exijam também um esforço.

A produção esperada exige um total engajamento da personalidade física e mental. O mais perigoso, a partir de então, para o operário, é a adaptação que exigirá, inevitavelmente, um novo aprendizado.

Assim, o ritmo do tempo fora do trabalho não é somente contaminação, mas estratégia, destinada a manter eficazmente a repressão dos comportamentos espontâneos que marcariam uma brecha no condicionamento mental ao comportamento produtivo.

Fadiga, carga de trabalho e insatisfação

Ao invés de fazer referência á noção de carga psíquica do trabalho, que corresponde, antes de tudo, à preocupação em apresentar uma concepção coerente com a ergonomia contemporânea, Dejours nos fala que é melhor interrogar-se sobre o custo humano da insatisfação. A organização do trabalho, concebida por um serviço especializado da empresa, estranho aos trabalhadores, choca-se frontalmente com a vida mental e, mais precisamente, com a esfera das motivações e dos desejos.

Num trabalho rigidamente e organizado, mesmo se ele não for dividido, parcelado, nenhuma adaptação do trabalho à personalidade é possível. As frustrações resultantes de um conteúdo significativo inadequado ás potencialidades e ás necessidades da personalidade podem ser uma fonte de grandes esforços de adaptação. Mesmo as más condições de trabalho são, no conjunto, menos temíveis do que uma organização de trabalho rígida e imutável. O sofrimento começa quando o trabalhador usou o máximo de suas faculdades intelectuais, psicoafetivas, de aprendizagem e de adaptação. “Quando um trabalhador usou de tudo de que dispunha de saber e de poder na organização do trabalho e quando ele não pode mais mudar de tarefa”.(Dejours, 1987 – 2ª edição)

Não são tanto as exigências mentais ou psíquicas do trabalho que fazem o sofrimento (se bem que este fator seja evidentemente importante quanto á Impossibilidade de toda a evolução em direção ao seu alivio. A certeza de que o nível atingido de insatisfação não pode mais diminuir marca o começo do sofrimento).

De acordo com Dejours a insatisfação proveniente de um conteúdo ergonômico inadaptado á estrutura da personalidade não é outra coisa do que uma carga de trabalho psíquica. Esta carga de trabalho não é idêntica à carga de trabalho física ou psicossensomotora. Os efeitos desta carga e o sofrimento estão no registro mental e se ocasionam desordens no corpo, não são equivalente ás doenças diretamente infligidas ao organismo pelas condições de trabalho. A carga de trabalho psíquica representada pelo sofrimento proveniente de um desconforto do corpo coloca inteiramente o trabalhador e sua personalidade á prova de uma realidade material, primeiramente. O conflito não é outro senão o que opõe o homem à organização do trabalho (na medida em que o conteúdo ergonômico do trabalho resulta da divisão do trabalho).

No centro da relação saúde – trabalho, a vivência do trabalhador ocupa um lugar particular que lhe é conferido pela posição privilegiada do aparelho psíquico na economia psicossomática. O aparelho psíquico seria, de alguma maneira encarregado de representar e de fazer triunfar as aspirações do sujeito, num arranjo da realidade suscetível de produzir, simultaneamente, satisfações concretas e simbólicas.

As satisfações concretas dizem respeito à proteção da vida, ao bem estar físico, biológico e nervoso, isto é, a saúde do corpo.

A satisfação simbólica desta vez trata-se da vivência qualitativa da tarefa. É o sentido, a significação do trabalho que importam nas suas relações com o desejo.

Não é mais questão das necessidades como no caso do corpo, mas dos desejos ou das motivações. Isto depende do que a tarefa veicula do ponto de vista simbólico.

Trabalho e medo

Conforme Dejours falaremos agora de medo não de angústia. A investigação da angústia sói deve ser realizada pela psicanálise. A angústia é uma produção individual, cujas características só podem ser esclarecidas pela referência contínua da história individual, a estrutura de personalidade e ao modo especifico de relação objetal.

O problema do medo no trabalho surge da oposição entre a natureza coletiva e material do risco residual e a natureza individual e psicológica da prevenção a cada instante de trabalho. Contra este medo e a impressão dolorosa de que deve ser, bem ou mal, assumida individualmente, os trabalhadores elaboram defesas específicas. Quando são muito eficazes praticamente não se encontra mais nenhum traço de medo do discurso do trabalhador. Assim, para estudá-la de acordo com Dejours é preciso procurar pelos sinais indiretos que são justamente sinais defensivos.

Saúde física e condições de trabalho: estas são claramente apontadas pelos trabalhadores segundo Dejours como fonte de perigo para o corpo; antes de tudo, são condições de trabalho que são acusadas as condições físicas e químicas de trabalho. Se a relação corpo -condições de trabalho muitas vezes é estudada corretamente, ao contrário, nunca se faz menção das repercussões do perigo real a nível mental, da carga (de trabalho) psíquica inerente ao trabalho perigoso que, entretanto, faz parte do desgaste do organismo. O medo relativo ao risco pode ficar sensivelmente amplificado pelo desconhecimento dos limites deste risco ou pela ignorância dos métodos de prevenção eficazes. Alem de ser um coeficiente multiplicado do medo, a ignorância aumenta também o custo mental ou psíquico do trabalho.

De acordo com Dejours, claro que perfeição não existe e ainda há acidentes, mas geralmente é de ordem material, é o que se chama de falha humana. Esses acidentes são, aliás, úteis para manter a agressividade e o gosto pelo risco dos pilotos de caça. Na aviação de transporte, em primeiro lugar está a segurança, jamais fazer nenhuma proeza e não correr riscos inúteis, não esquecer jamais que dezenas de pessoas estão sob a responsabilidade do piloto, ao contrário do piloto de caça, a coragem, a agressividade, obter o sucesso da missão a qualquer preço, levam o piloto a manobras super arriscadas. Na verdade, eles são os cavaleiros do céu, esses valentes formam uma elite na aviação e é entre eles que se recrutam o Estado-maior da Aeronáutica.

Poucas profissões realizam uma tal unidade teórica-prática e poucas situações pedem tanta capacidade de um só sujeito simultaneamente. A valorização do corpo e do espírito pela situação de trabalho é exemplar da síntese trabalho intelectual – trabalho manual. A motivação é um fator muito importante nessa profissão, se o piloto estiver sem ânimo e com problemas pessoais o risco de catástrofe é inevitável.

E claro que os pilotos são seres humanos, tem medo do perigo real que qualquer distração poderá representar, mas o que supera esse problema é a motivação que eles tem. Esses pilotos atingem o máximo de liberdade de voar, dos limites do homem em relação a uma máquina super potente. Livram-se das amarras, libertam-se das leis físicas. Voar sozinho é uma situação muito estimada, pelos pilotos de caça o que se opõe a divisão do trabalho presente nas equipes de vários homens das aviações de transporte. Em alguns instantes, privilegiando o “voar sozinho”, significa a reconciliação entre o “eu” adulto e as aspirações arcaicas do ideal “ideal do ego”, fonte de um sentimento de bem-estar de vitória de exaltação. O piloto de caça, em geral, narcisista, sente tanto prazer no que faz que o exibicionismo não se ate às qualidades profissionais, mas chega também à pessoa física e ao vestuário. Suas relações amorosas geralmente são muito tensas, pois eles convivem com o perigo freqüentemente. Outro fator importante é a transgressão permanente que o trabalho supõe, não traz nenhuma culpa. Seja um combate aéreo ou uma morte dada ao adversário, nunca se vê um único traço de remorso. Nessa profissão, a agressividade é uma exigência fundamental. Entretanto, a profissão de piloto de caça exige simultaneamente um bom controle de realidade e sérias raízes no campo do conhecimento e da disciplina científica e técnica. Essas disciplinas são relativamente longas e repetitivas, contínua durante toda a carreira ela está estritamente ligada à vida militar.

A seleção do piloto de caça divide-se em duas partes, corpo físico e qualidades intelectuais se a seleção física é bem conhecida à seleção psíquica é geralmente considerada como inexistente e de toda forma, impossível, ela acontece entre dois pólos. Numa extremidade a população dita motivada, na outra, as condições objetivas do trabalho.

Na motivação retém-se o prazer da super potência e a formação agressiva, isto é, o prazer pelo “risco”. Em uma missão de guerra, por exemplo, o aviador tem que atingir o objetivo por uma trajetória simples, utilizando-se antes de tudo, os esforços técnicos. (o uso de instrumentos sofisticados eletrônicos, complexa de interferência), isto é, ao nível da mestria muito mais que ao nível da coragem. O objetivo da missão é o controle de jogar uma bomba como se fosse um jacote.

O piloto na seleção física tem que estar clinicamente, fisiologicamente e biologicamente em excelente nível. Na seleção nervosa, são feitos testes de nível e psicomotores. Os oficiais que passam pelas grandes escolas não precisam destes testes, pois são estudados diariamente. Outro fator importante é a adaptação psicológica dos pilotos de caça, o que conta é precisamente, a qualidade das relações com os camaradas, à adesão aos valores existentes, a participação também a sua elaboração coletiva e ao seu reforço. Eles têm que trabalhar em conjunto, o egoísmo não tem lugar, as estruturas mentais muito particulares dos pilotos de caça contem talvez um “grão de loucura” que não é inútil para desafiar assim a morte diariamente.

Outro profissional que faz de seu sofrimento proveniente de insatisfação o aumento da produtividade é a telefonista. Tudo que a telefonista faz é mecânico e estudado, por exemplo: não podem dizer “bom dia” e sim “pois não, informações”; quando falam é o sistema telefônico que fala e sem cansar de ficar sentadas o dia inteiro não é fácil. Esse profissional, não pode desligar o telefone, é o assinante que deve desligar primeiro.

As telefonistas são controladas por um controle exercido por monitores se eles estiverem “de mau humor” haverá sempre qualquer coisa para comentar e chamar a atenção, esses controladores dão notas pelo desempenho que ficam registrados num relatório e depende daí a possibilidade de conseguir uma vaga em uma cidade do interior, que é mais sossegado.

É tudo tão mecânico e controlado que a confiança vai embora e o desgaste mental é grande. É um trabalho robotizado sem prazer e personalidade e talvez ainda se desculpar se o interlocutor for desagradável, a única saída para a agressividade, aliás, bem restrita, é trabalhar mais depressa. Eis aí um fato extraordinário, que conduz e fazer aumentar a produtividade, exasperando as telefonistas.

Nesse caso, não é o “trabalho que causa o sofrimento, é o sofrimento que produz o trabalho”.

Nas industrias químicas, reina a ignorância sobre o processo e seus incidentes. A direção não pode fornecer um organograma das tarefas, em razão da própria natureza do trabalho, que se estrutura em função dos incidentes que se deve enfrentar na maioria dos casos, os trabalhadores ignoram o funcionamento exato do processo industrial, dos diferentes equipamentos, etc. Eles têm apenas “dicas” de um saber descontinuo, o nome do produto de entrada e saída, o nome da instalação, sua tonelagem, seus rendimentos globais, etc. Não existe nenhuma formação a esse respeito destinada aos trabalhadores. O saber circula em nível dos engenheiros, dos escritórios de projetos, da matriz na capital, etc. O que os trabalhadores aprendem é com o dia a dia e por hábito. Existem apenas algumas instruções dadas pela direção, sobre o manuseio das maquinas.

Onde

a companheirismo e união, existe uma ajuda mutua entre os funcionários e os conhecimentos são passados junto com os “macetes” assim acumulados e coletivamente, partilhados por todos e é isso que faz a fábrica funcionar. Os trabalhadores sabem que os técnicos de nível universitário desconhecem o funcionamento da empresa e de suas instalações. São detentores de um conhecimento teórico e formaram-se em grandes faculdades, mas chegam nas fábricas sem nenhum conhecimento prático. Eles visitam a fábrica e os funcionários dão as “dicas” e depois se refugiam em seus escritórios e ninguém mais os vê.

Quando acontece um acidente que não era previsível, na maioria das vezes, não é por falta de precaução, mas porque ninguém tinha antes nenhuma experiência a respeito isso causa muito medo nos trabalhadores. Isso tudo aumenta com a ignorância.

Quanto mais a relação homem-trabalho está calçada na ignorância mais o trabalhador tem medo. Tudo isso agrava quando eles são novos no trabalho ou quando mudam de função, pois ainda existe um mistério e o risco mais indefinido.

O funcionário “polivalente” na verdade, conhece um grande número de “macetes”, mas acumula também zonas de ignorância, e assim está confrontado a uma extensão do risco. Cresce seu medo e é freqüente então a uma descompensação, conduzindo à licença médica, ao repouso forçado e a um tratamento medicamentoso “por depressão”. Tudo isso acompanhado de angústia e irritação; nem um operário, como nenhum outro homem, está salvo de uma explosão de angústia. Às vezes ele ao sair da fábrica continua tenso e irritado e precisa de medicamentos para dormir, como tranqüilizantes, pois podem acordar de madrugada inseguros se fecharam bem às válvulas de segurança, pois qualquer falha poderá levar a uma explosão. Só sentem seguros no dia seguinte ao voltarem ao posto de trabalho, e pouco a pouco, toda a vida do operário é atravessada pela ansiedade gerada pelo trabalho.

Às vezes, atividade dos trabalhadores em industrias petroquímicas é interrompida por práticas insólitas; é verdade que o trabalho tem pausas para o descanso e esse tempo livre é utilizado para conversas entre eles, jogos de carta e muitas vezes jogos perigosos, como trotes e brincadeiras de mau gosto que muitas vezes, trazem conseqüências sérias. Outras vezes, no turno da noite fazem jantares regados a bebidas alcoólicas, pondo em segurança a própria vida deles, como por exemplo: assar pizza em um novo filtro de compressor, liberando vapor a 800ºC.

Fica difícil avaliar os defeitos dessas defesas coletivas destas sobre a população operária como um todo. Porém, aquele que pratica isso, um dia ou outro será a própria vitima.

O medo é utilizado pela direção como uma verdadeira alavanca para fazer trabalhar e a fábrica já “entrou nos costumes” na vida, nas conversas, na família, nas gerações, na própria cidade. Pois toda a população local vive dela, direta ou indiretamente.

O medo partilhado cria uma verdadeira solidariedade na eficiência. O risco diz respeito a todo mundo, criando espontaneamente a iniciativa favorecendo a multiplicidade de tarefas e permite a economia de uma formação verdadeira, que a direção, aliás, não poderia dar.

O estado de medo e de alerta que não abandona o trabalhador durante todo tempo, espicaça a imaginação e excita a curiosidade. É nesse confronto entre equipamentos monstruosos e ameaçadores e operários sem muita preparação, tendo que se adaptarem o mais depressa possível, é que estão sujeitos a todos os tipos de riscos e perigos. Em resumo, a exploração do medo aumenta a produtividade, exercendo uma pressão no sentido da ordem social e estimulam o processo de produção de “macetes”, “dicas”, indispensáveis ao funcionamento da empresa.

Toda essa tensão traz problemas psicológicos e físicos na saúde dos trabalhadores; basta diminuir a pressão organizacional para fazer desaparecer toda manifestação do sofrimento.

Quando o funcionário sentir que não está mantendo seu ritmo de trabalho, ele sairá da empresa ou trocará de posto. Mesmo não estando propriamente doente, o operário esgotado e à beira da descompensação psiconeurótica não poderá abandonar a fábrica sem maiores explicações. Esse tipo de sofrimento é proibido de se manifestar numa fábrica. Só a doença real é admissível e o médico dará um atestado que ele está sob efeitos de psicoestimulantes ou analgésicos.

Apesar de toda esta tensão nervosa o operário não cria doenças mentais especificas e o simples fato da psicoterapia poderá beneficiar qualquer paciente, também causou problemas, pois o operário teria que parar de trabalhar. A verdade e que esse tipo de tratamento não é muito levado a sério, pois esse tipo de doença mental não é visto como uma “fratura” e sim sentida pela pessoa e pedir licença no trabalho por ansiedade, angústia, medo, equivaleria à demissão automaticamente, sem indenização ou pensão; somente uma doença mental caracterizada pelo médico, permitiria a aquisição de um “status” de invalidez.

A desorganização à qual sucumbe o doente faz aparecerem “doenças somáticas”. Elas aparecem em pessoas com grandes conflitos e esse processo mental desencadeia no corpo, desordens “endócrino-metabolicas”, que viram na realidade doenças reais.

Por isso é que é importante a organização do trabalho, ela faz a divisão do trabalho, aliviando mais os operários da sobrecarga que lhes são impostas.

O trabalho repetitivo cria a insatisfação, cujas conseqüências não se limitam a um desgosto particular. Ela é de uma certa forma uma porta de entrada para a doença, e uma encruzilhada que se abre para as descompensações mentais ou doenças somáticas em virtude de regras que foram, em grande parte aliviada. Tarefas perigosas executadas em grupos dão origem a um medo específico, agora, contra a angústia do trabalho, contra a insatisfação dos operários elaboram estratégias defensivas, de maneira que o sofrimento não é imediatamente identificável. O sofrimento só pode ser revelado através de uma capa própria a cada profissão, que constitui de certa forma sua sintomatologia.

Quanto à relação com a organização do trabalho é favorável, ao invés de ser conflituosa, é porque pelo menos uma das condições seguintes é realizada. O prazer de funcionar, como os artesãos, profissões liberais, pilotos de caça, etc.

São profissionais que escolheram livremente suas atividades e fazem prazerosamente. Claro, tudo tem o seu preço, mas o prazer pelo trabalho lhe permite uma melhor defesa.

A fadiga, o esgotamento do corpo é uma peça necessária, embora insuficiente, da alienação pela organização do trabalho. Assim, a alienação é mais fácil de ser obtida com os operários cansados, mas fácil no fim do ano do que após as férias e mais durante a semana do que no fim de semana. O corpo sente tanto cansaço, que termina se acostumando. É na palavra e através dos sistemas defensivos, que é preciso ler o sofrimento operário. Isso quer dizer a necessidade de uma interpretação. Em outras palavras é preciso compreender que as resistências individuais ao prazer acompanham resistências coletivas, no centro dos quais se encontram, precisamente, as ideologias coletivas de profissão. Entretanto, o problema não é, absolutamente criar novos homens, mas encontrar soluções que permitiriam por fim a destruição de um certo número deles pelo trabalho.

Para poder começar uma pesquisa em Psicopatologia do Trabalho, um grupo de trabalhadores deve fazer uma solicitação. Ela deve vir dos próprios trabalhadores, pois o interesse é deles.

Logo após, dois ou três pesquisadores, como sociólogo, ergonomista ou economista, podem participar dessa pesquisa, que leva cerca de vários meses, para ser trabalhada. Logo após, saber quem participará pelos trabalhadores em geral é um serviço coletivo, não individual.

Os pesquisadores deverão Ter acesso à empresa, e investigá-la em todos os sentidos e após tudo isso, a história das lutas, greves, incidentes tudo o que se refere à vida entre trabalhares e hierarquia.

Como é um trabalho em conjunto, é importante o entrosamento entre pesquisador e operário. Esse tem que confiar nele plenamente. O comentário verbal feitos pelos trabalhadores a propósito do conteúdo de sua solicitação é o que mais interessa na Psicopatologia do Trabalho.

É preciso haver discussões entre os participantes do grupo de trabalhadores. Os pesquisadores efetuam um esforço especial, durante a pesquisa para detectar as relações existentes entre as expressões de sofrimento ou de prazer, as expressões positivas ou os silêncios claramente respeitados quanto a certos temas, e as características da organização do trabalho.

O profissional da área irá fazer a interpretação correta, observando tudo o que o operário disser e tirar daí todo o seu problema real, o que pode ocasionar problemas mentais futuros. Chega-se à questão da deontologia, que se desdobra então numa questão técnica e teórica. Ela exige que se interprete fatos, sem cometer violências. As exposições do sofrimento e da dimensão subjetivas da exploração podem, às vezes, ser intoleráveis, ameaçando os indivíduos ou o grupo inteiro em sua relação às exigências organizacionais podendo ser difícil o retorno ao assunto da pesquisa.

A parte técnica de Deontologia une-se a um assessor “externo”, pode ser uma equipe psiquiátrica ou médica cirúrgica. Esse tipo de assessoria destina-se a ajudar a equipe a enfrentar as dificuldades do trabalho que realiza, como por exemplo, loucuras de doentes mentais, morte nos serviços de tratamento intensivo e de reanimação, sofrimento intolerável dos grandes queimados, etc. tudo isso proveniente dos acidentes de trabalho.

Na metodologia da Psicopatologia do Trabalho, a parte mais difícil de ser formulada, conhece a definição do que constitui o material da pesquisa. O material é o resultado no que foi discutido pelo coletivo. Esta operação trata do que foi dito, como “palavra” vinda do grupo de trabalhadores.

O comentário é o material certo para se tomar certo contato com o mental dos trabalhadores. Esses comentários são marcados pela ênfase interpessoal e o único objetivo é o de convencer, informar o outro sobre a maneira pelo qual a coletiva estrutura sua relação com o trabalho.

Quando se aborda sobre os perigos do trabalho, imediatamente, uma listagem de riscos está descrita, talvez com o intuito de tentar amenizar esses tais perigos constantes.

A seguir, mais ou menos rapidamente, a discussão dirige-se para anedotas relativas às condutas paradoxais e às chamadas perigosas.

A observação clínica é um material essencial para a elaboração e a discussão psicopatológicas. Não se trata apenas a descrição de “fatos observados” como são rotulados nas ciências naturais. Como os fatos observados são subjetivos, o que interessa é colocar por escrito o que foi detectado pelos pesquisadores durante o desenrolar da pesquisa, por exemplo, os movimentos existentes entre o grupo de trabalhadores e o grupo de pesquisadores. Em outras palavras, trata-se não somente de restituir os comentários dos trabalhadores sobre o sofrimento, mas de ilustrá-los e articulá-los, à medida que se apresentam, com o comentário subjetivo do pesquisador, facilitando assim o objetivo da pesquisa. A redação é feita imediatamente após o término de cada reunião, basicamente a partir do que o pesquisador se lembra. Às vezes, são usadas notas e fitas gravadas.

Em psicopatologia do trabalho, a experiência mostra que o texto escrito do que foi dito não permite um trabalho muito rico de interpretação, nem de discussão. Muito pelo contrário, o resumo comentado de um pesquisador é muito mais interessante para uma discussão.

Às vezes, existem contradições entre os trabalhadores que variam de interpretação, porque decorrem da multiplicidade de observações ou da discussão sobre uma única observação, elas serão registradas no relatório, que será entregue para os trabalhadores que aparecerão neste sob forma de perguntas.

No encontro com os trabalhadores temos por objetivo formalizar o que, para o pesquisador, parece ser espantoso, surpreendente, incompreensível, desgastante, etc; em relação à experiência que possui, baseada em sua prática clínica, individual, seja em qualquer área. Trata-se de levar em conta a tensão que surge, devido a distancia entre a posição baseada no fato de ser trabalhador numa empresa, e a posição do pesquisador, de não estar na mesma posição dos funcionários.

O pesquisador, na verdade, é alguém que não sabe, que não vivência o que os trabalhadores vivem dia a dia. Eles são pagos por este trabalho, seja através de um contrato de pesquisa ou pela posição dos pesquisadores. Em todo caso, não se trata de uma obra beneficente e isso deve ser esclarecido, tornando-os, talvez por isso, mais críticos e mais interessados em desempenhar bem a pesquisa.

É claro que a psicopatologia do trabalho baseia-se num modelo de homem e subjetividade emprestado a psicanálise.

Temos, como idéia central, que o sofrimento e o prazer. São em suas origens, provenientes de uma relação específica com o inconsciente. Nesse jogo entre pré-consciente e inconsciente é que se negociam as relações de prazer, de sofrimento, de desejo e de saúde mental e até de saúde física, se nos referimos também a psicossomáticas.Na verdade, pelo que entendi, é preciso fazer o que se gosta, mesmo que isso cause desaprovações em outras pessoas. Trabalhar pelo simples ato, às vezes é necessário pela parte material, mas o ideal será o de procurar e batalhar por uma profissão que una o prazer com a sobrevivência.

Saúde Mental no Trabalho

O trabalho forma a identidade do indivíduo, a profissão do indivíduo caracteriza o seu ser, por isso, diferentes espaços de trabalho oferecidos constituem-se em oportunidades diferenciadas para a aquisição de atributos qualificativos da identidade de trabalhador.

Do ponto de vista psicológico, o trabalho provoca diferentes graus de motivação e satisfação, principalmente, quanto à forma e ao meio no qual se desempenha a tarefa.

À medida que o indivíduo está inserido no contexto organizacional, está sujeito a diferentes variáveis que afetam diretamente o seu trabalho. Atualmente, existe uma preocupação na saúde do indivíduo neste contexto, pois se relaciona, principalmente, com a produtividade da empresa.

Ou seja, para que se atinja produtividade e qualidade, é preciso ter indivíduos saudáveis e atribuídos de qualidade. Em contrapartida, a organização atua de forma onde muitas vezes pressiona-se o indivíduo, levando-o a estados de doenças, de satisfação e desmotivação.

A partir destas considerações, este estudo buscou diagnosticar a Saúde Mental na relação do homem com o trabalho, bem como o sofrimento psíquico provocado pelas relações de trabalho que reduz por conseqüência a qualidade de vida do trabalhador.

As Relações entre Trabalho e Saúde Mental

Na relação do homem com o trabalho, não somente se “ganha” como também se constrói a vida, estabelecendo-se um status social que não se restringe ao ambiente físico do trabalho. Pelo contrário, a atividade profissional é parte inextricável do universo social e individual de cada um, podendo ser traduzida tanto como meio de equilíbrio e de desenvolvimento quanto fator diretamente responsável por danos à saúde.

Nos estudos sobre as condições de trabalho, tem-se reconhecido cada vez mais a existência de fatores de agressão à saúde relacionada com o trabalho. Deterioração, desgaste, envelhecimento precoce são implicações das diferentes relações do homem com seu trabalho.

Inúmeras tem sido as ocorrências de agravo à saúde mental relacionadas com o trabalho, cujas causas básicas repousam nos fatores subjetivos e psicossociais. A morbidade psiquiátrica tem se revelado um importante dado a compor estatísticas de auxílio-doença no Brasil, podendo-se atribuir tal fato às situações de tensão vivenciadas coletivamente no trabalho, as quais se traduzem em adoecimentos individualizados.

Observados a partir de uma perspectiva epidemiológica, os cruzamentos dos registros de absenteísmo com as observações clínicas e os registros dos serviços médicos permitem identificar duas situações distintas:

Ocorrência elevada de crises desencadeadas por situações no interior das empresas e caracterizadas por episódios clínicos agudos: “crises nervosas”, taquicardia, “distonia neurovegetativa”, hipertensão arterial e até infartos cardíacos. Tais períodos de crise são verificáveis justamente em situações de trabalho que exacerbam o cansaço e a tensão emocional. São, portanto, reações à ansiedade causada por determinadas circunstâncias de trabalho.
Situações em que há maior prevalência de distúrbios da esfera psíquica. Dizem respeito a certos setores de atividades, profissões ou formas de organização do trabalho em que os riscos mentais se evidenciam em função de fatores de risco que interagem na situação de trabalho.
É necessário considerar que tais problemas de morbidade têm caráter cumulativo e atuam tanto no nível individual quanto em termos de coletivos de trabalho.

A conexão entre a instância psíquica e os vários âmbitos das esferas sociais são assim sintetizados:

Há uma interação dinâmica e contínua entre instância psíquica (individual) e experiência laboral (coletivo micro-social).
As dinâmicas que se processam articulam vivências individuais que, pela via da intersubjetividade, atingem a instância coletiva.
O sofrimento vivenciado pelos trabalhadores devido a essas conexões dá ensejo para que, no nível coletivo, duas formações tenham lugar: o chamado sistema coletivo de defesa contra o sofrimento e o sistema de resistência emancipatória e de compromisso ético.
Esses dois sistemas coletivos são objetos de estudo de Cristophe Dejours, para quem a organização do trabalho se encontra sobredeterminada pelas relações sociais de trabalho. Em decorrência, os fenômenos intrapsíquicos, os intra-subjetivos e as configurações assumidas no nível “micro” pelos coletivos de trabalho devem ser pesquisados através de uma abordagem qualitativa, que também considere o contexto macrossocial, de forma a articular os registros do singular e do coletivo. Ante essa perspectiva ampla defendida pelo pesquisador, há que se considerar, sobretudo a diversidade de componentes da instância trabalho e os níveis que ela alcança, do individual ao macrossocial. Em linhas gerais, podem ser apontados alguns dos aspectos envolvidos, os quais vêm sendo estudados sob várias abordagens teóricas:

O sistema coletivo de defesas contra o sofrimento. É a linha de estudos encabeçada por Dejours, segundo a qual os trabalhadores criam defesas coletivas a fim de tornar suportável a permanência em situações de perigo no trabalho. É o caso, por exemplo, da ridicularização do perigo verificada em situações de trabalho que põem em risco o trabalhador.

A natureza e o conteúdo das tarefas, envolvendo a esfera psicoafetiva, como as que exigem intenso autocontrole emocional.
A densidade do trabalho, em especial a densidade das atividades cognitivas.
A estrutura temporal do trabalho, destacando a nocividade do sistema de turnos alternados no que concerne à saúde psicossocial e também à saúde física.
O controle, que tanto incide na subjetividade (a dominação e a negação da autonomia) quanto no nível coletivo.
O ambiente físico, químico e biológico onde decorre o trabalho, ou seja, condições desfavoráveis repercutindo na saúde mental.
As necessidades psicológicas fortemente vinculadas à preservação da identidade social.
A singularidade individual.

A Abordagem de Dejours – A Psicopatologia do Trabalho

Do choque entre a história individual, com projetos, esperanças e desejos, e uma organização do trabalho que os ignora, resulta um sofrimento, que se traduz em insatisfação, medo, angústia do trabalho, enfim, explicitando a relação entre o aparelho psíquico e o trabalho, Dejours afirma que o bem estar psíquico provém de um livre funcionamento em relação ao conteúdo da tarefa. Assis, se o trabalho é favorável a esse livre funcionamento, existe o equilíbrio; se a ele se opõe, será fator de sofrimento e de doença.

Nesse âmbito é que se insere a psicopatologia do trabalho: o sofrimento está no centro da relação psíquica do homem com o trabalho. Não se trata de eliminar esse sofrimento da situação de trabalho nem tampouco eliminar o trabalho. Dentre outras diretrizes, a psicopatologia trata das conseqüências mentais do trabalho mesmo na ausência de doenças. Trata-se do impacto da organização científica do trabalho sobre a saúde mental do trabalhador. O principal fator determinante da psicopatologia do trabalho é a própria organização do trabalho, geradora do conflito na medida em que ocorre que opõe o desejo do trabalhador à realidade limitada do trabalho. A destruição desse desejo se dá em função de dois pontos cruciais, o conteúdo das tarefas e as relações humanas.

Sob o domínio Taylorista de produção, o trabalhador é submetido a um tipo de trabalho de tarefas fragmentadas, com modo operatório e ritmo preestabelecido por outra pessoa. É um trabalho repetitivo e sobre pressão, no qual não sobra lugar para a atividade fantasiosa. Como conseqüência, acumula-se energia psíquica, transformada em fonte de tensão, astenia e, posteriormente, patologia.

O trabalhador, submetido a excitações vindas do exterior (informações visuais, auditivas, táteis, etc…) ou do interior (excitações instituais ou puncionais, inveja, desejo), o trabalhador retém energia. A excitação quando se acumula, torna-se a origem de uma tensão psíquica, popularmente chamada de tensão nervosa. Para liberar essa energia, o trabalhador dispõe de muitas vias de descargas que são, esquematicamente: via psíquica, via motórica e via visceral. O segundo elemento, as relações humanas, materializa-se na divisão dos homens. As pessoas são divididas hierarquicamente pela organização do trabalho, sendo comandadas e supervisionadas, tendo suas relações definidas e reguladas pelo modelo de organização do trabalho. Nessa abordagem, há necessidade de flexibilizar a organização do trabalho de modo a conceder maior liberdade de operação ao trabalhador, o qual passaria a atender seus desejos, as necessidades de seu corpo e as variações de seu estado de espírito.

Abordagem da Relação entre Saúde Mental e Trabalho

O trabalho e seus efeitos são difíceis de detectar devido à onipresença do primeiro. As definições fundamentais são encobertas pelo modo como o trabalho se organiza na sociedade. Além disso, as relações entre saúde mental e trabalho se manifestam num plano individual estrito, apesar de determinadas pela estrutura social. O produto do trabalho tem papel importante nas relações entre saúde mental e trabalho, portanto, chama a atenção o papel do trabalho na produção da identidade.

Uma das poucas coisas que se sabe sobre saúde mental e trabalho é o fato de que a consciência do risco é fator ansiogênico que potência o próprio risco. Ocorre, portanto a ruptura entre trabalho e afeto, exacerbada pela organização científica do trabalho.

A possibilidade da doença no trabalho surge no confronto do trabalho como valor de uso e de troca.

Transtornos Mentais e do Comportamento de Origem Profissional

Os transtornos mentais e do comportamento relacionados ao trabalho são determinados pelos lugares, pelo tempo e pela ação do trabalho na interação com o corpo e aparato psíquico dos trabalhadores. Assim, as ações implicadas no ato de trabalhar podem não só atingir o corpo dos trabalhadores, produzindo disfunções e lesões biológicas como também reações psíquicas às situações de trabalho patogênicas, além de poderem desencadear processos psicopatológicos. Especificamente relacionados às condições do trabalho desempenhado pelo trabalhador.

Em decorrência do lugar de destaque que o trabalho ocupa das fontes de garantias de subsistência e de posição social a falta de sofrimento psíquico, pois ameaça a manutenção material da vida do trabalhador e da sua família ao mesmo tempo em que abala o valor subjetivo que a pessoa se atribui, gerando sentimento de menos valia e angústia, insegurança, desânimo e desespero, caracterizando quadros ansiosos e depressivos.

O trabalho ocupa também um lugar fundamental na dinâmica do investimento afetivo das pessoas. Por isso o trabalho satisfatório determina alegria, prazer e saúde. O trabalho desprovido de significação, o trabalho não reconhecido ou fonte de ameaças à integridade física e/ou psíquica determinam sofrimento psíquico. Um fracasso, um acidente de trabalho, uma mudança de posição (ascensão ou queda) na hierarquia numa carreira profissional determinam quadros psicopatológicos diversos indo desde os chamados Transtornos de Ajustamento ou Reações ao Estresse até depressões graves e incapacitantes.

O trabalho ocupa grande parte do tempo em que os trabalhadores estão acordados, jornadas de trabalho longos, com poucas pausas destinadas a descanso e/ou refeições de curta duração e em lugares desconfortáveis; turnos de trabalho noturnos, alternados ou turnos iniciando muito cedo pela manhã; ritmos intensos ou monótonos, controle do tempo de trabalho em função das máquinas ou sob pressão de supervisores ou chefia (o trabalhador não controla o tempo do seu trabalho) geram quadros ansiosos, da fadiga crônica e distúrbios do sono.

Os níveis de atenção e concentração exigidos para a realização das tarefas combinados com o nível de pressão exercido pela organização do trabalho podem gerar tensão e outros sinais da ansiedade, culminando em quadros caracterizados como esgotamento do trabalho.

As intoxicações ocupacionais especialmente por metais pesados e solventes devido à ação tóxica direta desses agentes sobre o sistema nervoso determinam distúrbios mentais com o comprometimento do comportamento (irritabilidade, nervosismo, inquietação) da memória e da cognição, inicialmente pouco específicos e por fim, com evolução crônica, muitas vezes irreversível e incapacitante.

Os acidentes de trabalho podem ter conseqüências mentais diretas quando, por exemplo, afetam diretamente o sistema nervoso central como nos traumatismos crânios-encefálicos com concussão e contusão. Entretanto, a vivência de acidentes de trabalho que envolve risco de vida ou que ameaçam a integridade física dos trabalhadores determina por vezes quadros psicopatológicos típicos, caracterizados como síndrome psíquica pós-traumáticas. Por vezes, temos síndromes relacionadas à disfunção ou lesão cerebral sobreposta a sintomas psíquicos, combinando-se ainda à interiorização da rede social em função de mudanças no panorama econômico do trabalho, agravando os quadros psiquiátricos.

Saúde Mental no Trabalho: O Risco da Síndrome Loco-Neurótica

A sociologia dos ambientes de trabalho e suas conseqüências, especialmente a “Síndrome Loco-Neurótica”, ou SLN, é um grave risco à saúde mental.

Como sabemos, estatísticas internacionais apontam o aumento alarmante de casos de depressão, stress, impotência sexual Burnout e outras desordens mentais, além de suicídios e do consumo abusivo de drogas, lícitas ou não, provocados por circunstâncias relativas às condições de trabalho.

No Brasil, o recente conhecimento legal de tais patologias dentre as doenças cujas causas podem ser atribuídas ao exercício profissional – com as conseqüentes responsabilidades e garantias judiciais – vêm criando uma série de desafios para todos aqueles que militam no vasto campo da saúde do trabalhador. Trata-se de uma iniciativa que coloca o país entre os mais avançados do mundo e traz à tona uma importantíssima discussão, chamando atenção para a necessária mudança de enfoque em relação à saúde psíquica.

Até recentemente, acreditava-se que um indivíduo deprimido no local de trabalho era apenas uma pessoa desmotivada, “culpada” pela sua própria falta de disposição e desinteresse. A expressão “isso é só psicológico”, popularizada sob diversas formas, ainda hoje é empregada como sinônimo de um “falso sintoma”, ou seja, o queixoso aparentemente estaria manifestando uma ilusão, originada em sua mente, sem relação com a realidade.

Segundo este entendimento – freqüentemente pejorativo -, comportamentos e atitudes dependeriam exclusivamente de vontade pessoal, ou seja, o indivíduo poderia estar atingindo de forma diferente, se quisesse. Inúmeros programas de treinamento, inclusive, falham por ainda fundamentarem-se nesse questionável paradigma: a crença num comportamento auto-orientado, limitado ao universo privado.

De forma geral, tais programas constituem-se de cursos e seminários, isolados do cotidiano do trabalho, onde se apelam às racionalidades, julgando que “conscientizados” os empregados agirão de forma diferente. Ao retornarem às suas rotinas, ouvem-se comentários como: “aquilo tudo é muito lindo, mas aqui não funciona…”, ou ainda a conhecida crítica à dicotomia entre teoria e prática. Muitos recursos são desperdiçados, muitas horas de trabalho são perdidas e as avaliações acabam apontando falsos indicadores que conduzem a novos enganos.

Dentro da mesma lógica, o stress, as dificuldades para dormir, o desinteresse sexual, a impotência, a fadiga crônica e outros males tornam-se alvos de um grande descaso, agravando muitos os quadros patológicos, pela negligência para com o que seria indicado e necessário em cada caso. Mesmo o indivíduo que sofre com tais situações, muitas vezes desconhece que seus sintomas exigem atenção e atendimento especializado.

É comuns as pessoas perceberem que alguma coisa está lhe afetando, mas se submeterem ao incômodo conformadas, sem buscar ajuda mais efetiva. Em muitos casos, inclusive observam-se situações em que o indivíduo passa a consumir “remédios” – chás, calmantes, antidepressivos, etc. – por conta própria, medicando-se a partir de sugestões de amigos leigos, igualmente automedicados e desconhecedores dos riscos que estão se submetendo.

Por outro lado, sob a perspectiva empresarial, encontramos uma grave desatenção para a responsabilidade e os custos de uma área até agora pouco valorizada, a saúde psíquica. É bastante alarmante o prejuízo provocado por um grupo de trabalhadores deprimidos, cansados e tensos por noites de sono mal dormidas. Não apenas a significativa queda da produtividade – principalmente pelo desânimo em relação às novas propostas, pela falta de criatividade e de disposição para enfrentar os desafios mais comuns do cotidiano -, mas também o absenteísmo, provocado pelo adoecimento freqüente, vão minando as melhores projeções em relação ao futuro empresarial.

Trata-se de um desperdício diário, com um importante desgaste de energias e capacidades, desviadas para os atritos pessoais e para a própria sobrevivência num ambiente hostil, uma vez que o problema da saúde psíquica não se restringe ao adoentado, mas passa pela empresa e a extrapola, consumindo recursos sociais incalculáveis. Em relação aos produtos e serviços, em tais circunstâncias também os cidadãos acabam lesados e mal atendidos.

É possível admitir que se apenas uma pessoa sofre de algum distúrbio psíquico num local de trabalho onde as outras estão bem, tal sofrimento pode ser atribuído a razões particulares. Entretanto, se várias pessoas se mostram desanimadas, tensas, adoentadas, desmotivadas, os problemas está – efetivamente – neste local de trabalho.

Tais considerações vêm contribuir para que empresas reconheçam um indicador seguro de que é preciso alguma ação mais especializada na identificação e na erradicação também deste risco, o sócio-ambiental. O custo produzido pela presença de patologias corroendo o desempenho dia a dia não passa invisivelmente pela contabilidade empresarial.

Como podemos perceber, há um conjunto importante de conhecimentos – principalmente sobre a SLN – que precisam ser melhor difundidos e apropriados. Infelizmente nos encontramos muito distantes de uma prática prevencionista, ainda dirigindo os olhares – erroneamente – para a negação da relação entre a doença e o exercício profissional. Esta atitude – negar o problema – coloca a empresa/organização e seus empregados numa faixa de risco que poderia ser evitada, se reconhecida e prevenida adequadamente.

Podemos dizer que a variável mais importante que temos encontrado, diferenciando os ambientes onde a SLN se mostra presente daqueles onde a condição de risco é baixa, é a autoridade instituída, ou seja, as características da relação de poder e desempenho da chefia, da gerência. Portanto, a adequada capacitação daqueles que exercem funções de gerenciamento e coordenação de grupos de profissionais é uma das mais efetivas formas de prevenir a SLN.

Enfim, cabe destacar que não há uma fórmula mágica, capaz de “tirar da cartola” um grupo criativo e produtivo. Já se sabe, porém, que algumas práticas administrativas são capazes de produzir o inverso: destruir as melhores energias que cada homem é capaz de gerar quando se apropria de seu trabalho. Ninguém se beneficia com esta situação: nem as empresas, nem os trabalhadores, nem a sociedade. Portanto, cabe unir esforços para criar melhores condições para que o trabalho se desenvolva.

Estruturas Neuróticas e Psicóticas

Freud contribuiu significativamente em relação à questão da normalidade e patologia. Para a Psicanálise, o que distingue o normal do anormal é uma questão de grau e não de natureza, isto é, nos indivíduos “normais” e nos “anormais” existem as mesmas estruturas de personalidade e as mesmas estruturas de conteúdos, que mais ou menos “ativadas”, são responsáveis pelos distúrbios no indivíduo. Essas estruturas são neuróticas e psicóticas.

Freud definiu os quadros clínicos assim:

Neurose – os sintomas (distúrbios do comportamento, das idéias ou dos sentimentos) são a expressão simbólica de um conflito psíquico que tem suas raízes na história infantil do indivíduo.

As neuroses podem ser subdivididas em:

Neurose Obsessiva – esse tipo de conflito psíquico leva a comportamentos compulsivos (por exemplo, lavar a mão com freqüência não usual); ter idéias obsedantes, por exemplo, de que alguém pode estar perseguindo-o e, ao mesmo tempo, ocorre uma luta contra esses pensamentos e dúvidas quanto ao pensamento que faz ou fez.
Neurose Histérica ou Histeria de Angústia – a angústia é fixada, de modo mais ou menos estável, num objeto exterior, isto é, o sintoma central é a fobia, o medo. Medo de altura, medo de animais, medo de ficar sozinho, etc.
Neurose Histérica ou Histeria de Conversão – o conflito psíquico simboliza-se nos sintomas corporais de modo ocasional, isto é, como crises. Por exemplo, crise de choro com teatralidade, ou sintomas que se apresentam de modo duradouro, como a paralisia de um membro, a úlcera, etc.
Todas as formas de manifestação da neurose têm sua origem na vida infantil, mesmo quando se manifestam mais tarde, desencadeadas por vivências, situações conflitivas, etc. nos dois últimos casos apresentados, a neurose está associada a conflitos infantis de ordem sexual.

A esses tipos de neurose deve-se acrescentar a Neurose Traumática, em que os sintomas – pensar obsessivamente no acontecimento traumatizante, ter perturbações do sono, etc. – aparecem após um choque emotivo do indivíduo, ligado a uma experiência em que ele correu risco de vida. Mas mesmo nesse caso, existiria, segundo Freud, uma predisposição, isto é, o traumatismo desencadeou uma estrutura neurótica preexistente.

Psicose – refere-se a uma perturbação intensa do indivíduo na relação com a realidade. Na psicose ocorre uma ruptura entre o ego e a realidade, ficando o ego sob domínio do id, isto é, dos impulsos. Posteriormente na evolução da doença, o ego reconstrói a realidade de acordo com os desejos do id.

As Psicoses se subdividem em:

Paranóia – é uma psicose que se caracteriza por um delírio mais ou menos sistematizado, articulando sobre um ou vários temas. Não existe deterioração da capacidade intelectual. Aqui se incluem os delírios de perseguição, de grandeza.
Esquizofrenia – caracteriza-se por: afastamento da realidade – o indivíduo entra num processo de centramento em si mesmo, no seu mundo interior, ficando, progressivamente, entregue as próprias fantasias. Manifesta incoerência ou desagregação do pensamento, das ações e da afetividade. Os delírios são acentuados e mal sistematizados. A característica fundamental da esquizofrenia é ser um quadro progressivo, que leva a uma deterioração intelectual e afetiva.
Mania e Melancolia ou Psicose Maníaco-depressiva – caracteriza-se pela oscilação entre o estado de extrema euforia (mania) e estados depressivos (melancolia). Na depressão, o indivíduo pode negar-se ao contato com o outro, não se preocupa com os cuidados pessoais (higiene, apreciação pessoal) e pode mesmo, em casos mais graves buscar o suicídio.

Burnout: Um Desafio à Saúde do Trabalhador

Os indivíduos podem vivenciar suas próprias experiências de trabalho em função de sua forma de ser. As diferenças individuais são um componente importante, que atuam de uma forma ou outra no trabalho. Em uma perspectiva interacionista que considere um ajuste dinâmico entre pessoa, local de trabalho e organização, pode-se perceber que o ajuste nem sempre é adequado, e quando assim está, o indivíduo tende a perceber que não dispõe de recursos suficientes para ajustar-se, surgindo assim o estado de estresse. Estas experiências são geralmente, negativas e podem ter conseqüências graves e, muitas vezes, irreparáveis tanto para a saúde e bem estar físico quanto psicológico e social.

Percebe-se ainda, que o número de doenças diretamente relacionadas com o estresse está aumentando, e, concomitantemente, a preocupação sob formas de prevenção e cura. O estresse e seus estados crônicos afetam diretamente a execução de tarefas e desenvolvimento do trabalho.

E mesmo o trabalho que motiva e gratifica, quando realizado com afinco, exige esforço, capacidade de concentração, de raciocínio, implica desgaste físico e/ou mental, atuando na qualidade de vida. O relacionamento com outras pessoas no âmbito de trabalho é uma fonte de estresse. E neste sentido, aparece em meados da década de 70 o termo Burnout, que no sentido literal significa “estar esgotado” ou “queimado”, e que é característico de profissões de ajuda, serviços humanos ou como vida.

Cabe salientar que o Burnout é formado de diversos estados sucessivos que ocorrem em um tempo e representam uma forma de adaptação às fontes de estresse. Assim, Burnout e estresse estão são fenômenos que expressam sua relevância na saúde do indivíduo e da organização.

Portanto, ao considerar qualidade de vida no trabalho, de forma a englobar aspectos de bem-estar e saúde biopsicossocial, deve-se tomar medidas de prevenção e tratamento para que esses estados não afetem a organização de maneira a impedir a produtividade e o desenvolvimento, nem mesmo ao indivíduo na sua saúde e qualidade de vida.

Acrescentando que, ao se tomar medidas, sejam de prevenção ou tratamento, é preciso conhecer os conceitos de tais estados na sua essência, para que não ocorram distorções como comumente acontece, referindo-se ao Burnout como um sinônimo de estresse crônico. É, no entanto, relevante associar esses termos relacionando-os com a prática dentro do contexto organizacional.

Álcool e local de trabalho

De acordo com o autor o álcool é a droga mais amplamente utilizada no mundo, nas mais diferentes culturas. Obviamente a utilização desta substância no local de trabalho é parte integrante desse padrão de uso global.

Estudos similares mostram que 90% da população já usou bebida alcoólica durante a vida; 60 a 70% bebem habitualmente; 40% tiveram problemas temporários em decorrência do uso do álcool; 20% dos homens e 10% das mulheres usam abusivamente e 10% dos homens e 3 a 5% das mulheres são dependentes do álcool e representam 20 a 30% de toda clientela psiquiátrica. A faixa etária em que mais se consome álcool é dos 20 aos 40 anos, com freqüentes problemas clínicos e psiquiátricos associados, dificuldades de convivência familiar e social, além de evidentes prejuízos na capacitação e desempenho profissional.

Estudos apontam para um maior consumo de álcool entre os homens, embora as mulheres pareçam apresentar uma maior vulnerabilidade aos danos decorrentes do uso deste e, para uma tendência de aumento do uso de álcool entre as mulheres nos últimos anos, paralelo ao crescimento do percentual economicamente ativo destas.

Nos séculos XVII e XVIII, o álcool era encarado e utilizado como uma substância psicoativa que aumentava o “rendimento” do trabalhador e permitia que esse se submetesse às condições mais adversas de trabalho.

As empresas em seu local de trabalho enfatizam o ganho ou a reconquista do controle sobre o bem-estar pessoal, com estímulos de práticas saudáveis entre os indivíduos através de programas de educação e treinamento, mas também para o desenvolvimento e manutenção de condições de trabalho que conduzam no bem-estar da equipe como um todo, e para prevenção de problemas relacionados a álcool e drogas.

É incontestável o grande número de prejuízos que o uso de bebidas alcoólicas traz quando feito no período de trabalho, o que tem gerado uma proliferação de políticas específicas de cada empresa endereçadas a este problema. Dentre os prejuízos, encontram-se mais bem documentados aumento do absenteísmo, a diminuição da produtividade, elevação da taxa de renovação do quadro funcional, prejuízos nas relações interpessoais e na imagem da empresa.

Geralmente os fatores que podem influenciar o uso do álcool no trabalho podem ser o ambiente de trabalho, onde este exerce uma influência extremamente negativa, incentivando o uso do álcool pelos funcionários de um modo não intencional. A acessibilidade ao álcool no ambiente de trabalho é de relevante importância, como a presença de restaurantes que vendem bebidas alcoólicas, lugares em que se podem beber as escondidas, a inexistência de uma política clara referente ao uso de álcool no trabalho que componha as diretrizes gerais de funcionamento da empresa, até mesmo a permissividade por parte da empresa quanto ao uso do por alguns ou todos os funcionários em determinadas ocasiões. Outro fator que pode influenciar seriam fatores específicos do local de trabalho, como o local de trabalho, o tipo de emprego pode exercer uma importante influência no consumo de álcool. Os principais fatores que aumentam essa predisposição parecem ser a disponibilidade do álcool no trabalho, a pressão social para beber, falta de flexibilidade ou tarefas repetitivas, isolamento de relações sociais ou sexuais, baixos níveis de supervisão ou falta de perspectiva no trabalho.

Drogas e trabalho

De acordo com o autor o ser humano sempre procurou fugir de sua condição natural cotidiana, empregando substâncias que aliviassem seus males ou que propiciassem prazer. O recurso às drogas, inicialmente de cunho religioso ou médico, disseminou-se com o homem nas suas migrações, marginalizando-se ou tornando-se culturalmente aceitável ou até mesmo banal.

O consumo de substâncias que possuem a capacidade de alterar estados de consciência e modificar o comportamento parece ser um fenômeno universal da humanidade. Problemas relacionados ao abuso de certas substancias narcóticas já tem ocorrido desde o final do século passado e já eram alvo de preocupação internacional. Naquela época, porém, o número de substâncias disponíveis com potencial para o uso problemático era bem menor.

Os efeitos danosos do uso de drogas e álcool no local de trabalho se estendem muito além das simples conseqüências negativas para a saúde. Tal situação é nociva também aos interesses financeiros das companhias e dos negócios e resultam em grandes perdas na produtividade, geradas principalmente por absenteísmo e dificuldades no desempenho e atividades.

A dependência química é uma doença de números superlativos; dados da OMS apontam que 10% da população de qualquer país do mundo apresentam problemas relacionados ao uso de álcool. Desta forma, o Brasil apresenta algo em torno de 15 milhões de indivíduos neste quadro, comprometendo 20% da força de trabalho, a um custo de US$ 19 bilhões (5,4% do PIB).

Com relação aos dados referentes a danos e transtornos relacionados ao consumo de drogas ilícitas, temos uma escassez muito maior de trabalhos relatando sua magnitude, exatamente devido ao caráter ilegal no consumo de tais substancias, porém, estimativas da própria OMS calculam que tais cifras teriam aumento de 5 a 6% quando incluída as substancias psicoativas ilícitas.

Segundo dados da Organização Internacional do trabalhador (OIT) funcionário dependente de drogas, tem três vezes mais chances de tirar licenças médicas, e cinco vezes mais de sofrer ferimentos ou incapacitações resultantes de acidentes de trabalho, sendo que o número de faltas é de duas a três vezes maior. Levantamentos de algumas empresas mostram que as drogas são a terceira maior causa de faltas ao trabalho, e estimam que um dependente produz cerca de 65% menos em comparação a um não dependente.

Segundo um levantamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), de cada US$ 1 investido em programas de recuperação, as empresas obtêm um retorno de US$ 2 em aumento de produtividade. As empresas economizam recursos, evitando a perda de empregados especializados e reduzindo a deterioração da eficiência, custos de treinamentos acidentes, absenteísmo e gastos com doenças.

Saúde mental do adolescente trabalhador

De acordo com o autor o adolescente trabalhador, além de apresentar os conflitos próprios dessa fase de vida e as dificuldades específicas de sua condição sócio-econômica, enfrenta algumas situações desencadeantes de sofrimento emocional, tais como: condições de trabalho inadequadas; pouco convívio familiar; pouco tempo para se dedicar a esportes e lazer; dificuldades escolares decorrentes do tempo restrito de dedicação aos estudos e do cansaço físico implicado na conciliação de duas jornadas, a de trabalho e a escolar; pouca oportunidade de qualificação profissional.

A entrada do jovem adolescente no mercado de trabalho estabelece uma relação estreita entre trabalho remunerado e escolaridade. A obrigatoriedade de cumprir horários determinados de trabalho, em sua maioria de 8 horas diárias, parece levar a um atraso na escolaridade, já que fica difícil conciliar as duas atividades: de trabalho e escola e lidar com a falta de nexo entre elas. Parece, ainda, que este atraso escolar leva a uma desmotivação na continuidade dos estudos pelo fato de que

O CICLO DO HÓSPEDE

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Autoria: Marlos Cardoso

O Ciclo do Hóspede

HOSPEDAGEM:

Em um hotel ou em qualquer meio de hospedagem, todos os departamentos são de vital importância para a boa operação do mesmo. Esta visão interna de uma unidade hoteleira. O mesmo não podemos dizer quando nos referimos à visão do hóspede e/ou cliente – a visão externa.

Neste caso, o setor de hospedagem se torna o coração da unidade hoteleira. O setor de hospedagem é o primeiro e o último setor a efetuar contato com o hóspede e/ou cliente. Sua principal missão é atender a todas as necessidades e expectativas que o hóspede criou pela unidade hoteleira. Internamente este setor é o dissipador de um vasto leque de informação para os demais departamentos da unidade hoteleira.

O CICLO DO HÓSPEDE:

O fluxo de hóspedes em uma unidade hoteleira, determina o resultado de um trabalho realizado anteriormente com o intuito de gerar fonte de receita satisfatória. A esse fluxo de hóspedes denominamos de ciclo de um hóspede. Será a forma mais simples de compreender a importância do setor de um hospedagem. O ciclo de um hóspede encontra-se dividido em quatro fases:

A previsão de chegada: Reserva
A chegada do hóspede: Check-in
A estada do hóspede
A partida do hóspede: Check-out.
Quando qualquer pessoa se ausenta de sua casa devido a uma determinada motivação inicia-se um processo de escolha da unidade hoteleira. Esta escolha poderá ser feita tendo em conta vários fatores: publicidade, preço, localização, facilidades dentro da estrutura da unidade, recomendações de terceiros, experiência anterior com a própria unidade receptora ou outra da cadeia. A escolha também pode ser bastante influenciada pela facilidade de efetuar a reserva, pela discrição que o agente de venda efetuou a reserva da unidade.

Uma atitude eficiente do setor de reservas de uma unidade hoteleira é extremamente importante. Obviamente que este setor tem que conhecer muito bem todas as facilidades da unidade bem com a diversidade de preços existentes consoante o tipo da unidade habitacional e fonte de reserva. É deles o primeiro contato direto ou indireto com o hóspede e a primeira apresentação do hotel para quem vai se hospedar.

Quando o hóspede chega à unidade hoteleira, inicia-se uma relação muito mais forte com toda a equipe de front-office: recepção, concierges, telefonistas, capitão porteiro, manobristas e mensageiros. Esta equipe tem a tarefa de esclarecer o relacionamento entre o hotel e o hóspede e das expectativas criadas por ambos.

O Check-in é o primeiro momento de verdade entre o hóspede e os representantes do hotel. Todo o registro deverá ser bem efetuado; a reserva não só deverá ser reconfirmada em todos os seus itens ( nome, número de pessoas, dias de estada, tipo de unidade habitacional, preço da diária e o que inclui, responsabilidade de pagamento e a forma do mesmo, etc.) como deverá ser atendida conforme o requerido pelo hóspede. A recepção tem o dever de informar, neste momento, todas as facilidades existentes dentro da unidade hoteleira, suas localizações e horários de funcionamento.

A estada do hóspede é a fase onde o front-office tem um contato quase permanente com o dia-a-dia do hóspedes. São relações públicas, confidentes, amigos, cúmplices, políticos. São os representantes da organização perante o hóspede. O maior objetivo o front-office é providenciar para que todas as necessidades ou anseios do hóspede, dentro dos limites da unidade hoteleira, possam ser prontamente atendidos para encorajar o retorno desse hóspede no futuro.

No centro da atividade do front-office encontra a coordenação dos serviços para o hóspede. Esses serviços podem incluir: informações, providenciar equipamentos e serviços necessários à sua estada.

No Check-out o front-office deverá proporcionar uma atenção especial a função do caixa em relação às contas do hóspede. Normalmente existem duas contas, que poderão ser mais, dependendo do acordo preestabelecido entre a unidade e o hóspede na ocasião da reserva ou do Check-in. A principal, é a conta da unidade habitacional, e as restantes, as de consumo de serviços efetuados durante a sua estada. O front office tem que estar atento ao valor da conta em débito. A maioria das Unidades Hoteleiras estipulam limite de crédito por unidade habitacional. Quando atingido o hóspede é convidado a efetuar um depósito, por fim a saída do hóspede o check-out propriamente dito, cessam todos os serviços que o hóspede tem direito a usufruir, bem com a sua conta.

Se o check-in foi efetuado de forma correta, este procedimento final não terá problemas. Toda a conta deve ser fácil de entender e confirmada por comprovantes de consumo, assinados pelo hóspede. Todo o trabalho realizado anteriormente com profissionalismo poderá ter sido em vão se este não obtiver a mesma qualidade. Nunca esquecer que um hóspede insatisfeito com o hotel, alerta esse fato a pelo menos 15 potenciais futuros clientes. Nesta fase de check-out é usual recolher dos hóspedes informações e/ou sugestões sobre a unidade hoteleira e seus serviços. De preferência que sejam escritos nos formulários de sugestões, reclamações e/ou avaliação de serviços.

Para os setores de vendas e marketing estas informações são muito úteis. Quanto mais informações se obtiver dos hóspedes melhor se poderá preencher e superar as suas expectativas desenvolvendo, consequentemente uma estratégia de marketing adequada ao público e segmentos de mercado alvo, com o intuito de melhorar os resultados operacionais da estrutura hoteleira.

CHECK-IN

Padronizando o processo de Check-in:

Dar boas vindas ao hóspede
Caso o hóspede não possua reserva, verificar disponibilidade de aptos.
Caso não haja disponibilidade, oferecer para efetuar reserva em outro hotel;
Caso haja disponibilidade, solicitar aos hóspedes que preencha a ficha de identificação do hotel e a FNRH e a ficha de uso do cofre;
Solicitar ao hóspede que assine a FNRH e a ficha do cofre;
Solicitar o pagamento antecipado da primeira diária;
Se o hóspede possuir reserva verificar se a mesma consta no sistema;
Caso a reserva conste no sistema, confirmar dados da reserva;
Entregar FNRH e a ficha de cofre ao hóspede para o preenchimento da mesma;
Verificar se o apto está vago limpo.
Recolher a ficha de registro
Entregar a chave do apto ao mensageiro
Colocar-se a disposição do hóspede, desejando-lhe boa estada
Mensageiro encaminha hóspede ao apto ,informado-lhe de forma breve o funcionamento do hotel.
Ao chegar ao apto informa funcionamento dos equipamentos e coloca-se a disposição do hóspede para qualquer eventualidade;
Mensageiro retira-se do apto, desejando ao hóspede uma boa estada.
CHECK-IN dentro do horário com apto sujo:

Desculpar-se de maneira gentil com o hóspede, oferecendo-se para guardar a bagagem do hóspede;
Oferecer os serviços do hotel e eventualmente uma cortesia ( drink ou sauna) enquanto o hóspede aguarda a liberação do apto.
Caso o hóspede não esteja dentro do horário previsto para o check-in informar-lhe o horário que o apto estará liberado, oferecendo-lhe os serviços do hotel.
CHECK-IN de Grupos

Transportar as bagagens dos hóspedes até o hall da recepção;
Encaminhar os hóspedes até o balcão da recepção ou local determinado para efetuarem o check-in;
Entregar ao hóspede o cartão de identificação e a chave do apto, desejando-lhe uma boa estada;
Nota: Em casos de grupos é preenchida somente uma FNRH em nome da empresa. Anexar uma cópia do rooming list do grupo na ficha.

Orientar a localização do apto ao hóspede;
Etiquetar as bagagens, munido do rooming list do grupo, já com o nome do hóspede e número do apto;
Caso não haja identificação na bagagem, solicitar aos hóspedes que façam a identificação das mesmas;
Encaminhar as bagagens para os aptos;
Neste procedimento a explicação do funcionamento dos equipamentos do apto será feita quando a bagagem for entregue ou mediante solicitação do hóspede.

CHECK-OUT

Quando o hóspede solicita o fechamento da conta, verificar se o mesmo deseja que busque a sua bagagem;
Caso o hóspede não solicite a bagagem, informá-lo que o fechamento de sua conta só poderá ser feito após a entrega da chave do apto;
Solicitar a chave do apto ao hóspede;
Solicitar conferência do apto por parte da camareira ou pessoa responsável, não esquecer do consumo do frigobar;
Entregar ao hóspede as notas de débito de conferência
Caso haja algum lançamento indevido, verificar o lançamento e efetuar o estorno e justificar no verso da comanda, solicitando visto do hóspede;
Caso o hóspede tenha efetuado pagamento antecipado, efetuar a cobrança do restante do débito, e emitir nota fiscal;
Quando não houver depósito antecipado efetuar a cobrança total dos débitos emitindo nota fiscal para o hóspede;
Despedir-se do hóspede de forma cortês.

Veja também no Trabalhos Escolares:

O CICLO DE SERVIÇOS

O LEGADO CULTURAL GREGO

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O Legado Cultural da Grécia

Introdução.

O estopo do tema Grécia abrange o estudo panorâmico do legado cultural grego, com enfoque nos aspectos históricos. A contextualização histórica é de fundamental importância no nosso estudo que tem por seu título: O legado cultural Grego.

Iniciaremos nossa contextualização pelo chamado O legado cultural grego, que tem por fim abordar a sua ligação histórica.

Resumo.

As principais características gregas eram: a sua religião que era politeísta, mas não impunha verdades absolutas. As cerimônias religiosas eram importantes porque reuniam pessoas de todas as cidades do mundo grego que peregrinavam até os santuários mais famosos.

A Filosofia quer dizer amigo da sabedoria é o método utilizado para observar o mundo e refletir sobre ele.

As principais fases da filosofia grega são: Pré-socrática ou cosmológica; Socrática ou antropológica; Sistemática.

Os deuses eram cultuados nas casas e em cerimônias públicas, com orações, sacrifícios e oferendas ou libações.

Desenvolvimento.

O Legado Cultural da Grécia.

As principais características gregas era: que a religião era politeísta, mas não impunha verdades absolutas. As cerimônias religiosas representavam um elo entre as pessoas e entre as cidades. Os deuses tinham emoções e defeitos, como os humanos. E o mais importante dos deuses era Zeus.

Para a mitologia grega, Urano e Gaia surgiram do nada. Urano comia os próprios filhos e foi destituído pelo mais jovem deles, Cronos. Este, por sua vez, passou a comer os próprios filhos, até que Rea, sua esposa, salvou Zeus, o último deles, escondendo-o. Ao crescer, Zeus obrigou o pai a devolver os irmãos e dividiu então o universo com eles. Zeus assumiu o papel de mais importante dos deuses e casou-se com sua Irmã Hera. O mundo subterrâneo ficou a cargo de Hades, enquanto o mundo dos oceanos coube a Poseidon.

Os heróis eram homens que se destacavam por seus feitos e ações gloriosas. O maior de todos eles era Hércules. Outros foram Perseu, Teseu, Jasão.

Os deuses eram cultuados nas casas e em cerimônias públicas, com orações, sacrifícios e oferendas ou libações. No templo, os sacrifícios podiam ser de animais. A religião estava presente no cotidiano e todo momento da vida era motivo para rituais. Nascimento, funeral, casamento, homenagem aos mortos, festas, procissões, jogos (como os olímpicos) eram oportunidades para celebrações religiosas. Alguns deuses eram homenageados em determinadas regiões, enquanto outros recebiam culto em toda a Hélade e tinham grandes e famosos santuários. Os mais conhecidos estavam em Delos, Olímpia e Delfos.

As cerimônias religiosas eram importantes porque reuniam pessoas de todas as cidades do mundo grego que peregrinavam até os santuários mais famosos. Dessa forma, preservava-se a cultura, além de se incentivar o teatro, a música e a arte nos concursos organizados nas festas.

As pecas teatrais gregas, muitas até hoje representadas nos teatros contemporâneos ou publicadas em livros, abordavam temas como a vida e a morte, as relações de poder, o sofrimento, o amor, a traição.

Filosofia quer dizer amigo da sabedoria. É o método utilizado para observar o mundo e refletir sobre ele, buscando explicações racionais e lógicas. Filósofos como Sócrates, Platão, Aristóteles e outros eram pessoas que se dedicavam a esse método e arte.

As principais fases da filosofia grega são:
a) Pré-socrática ou cosmológica, preocupada com o problema da origem do mundo. Seus filósofos principais são Tales, Pitágoras, Heráclito, Parmênides;

b) Socrática ou antropológica, aborda temas relacionados com os problemas do individuo e da organização da humanidade. Preocupa-se com a justiça, o bem , o belo, a virtude. Seus expoentes principais são Sócrates e Platão;

c) Sistemática, que tem em Aristóteles seu principal filósofo. Reflete sobre os mais variados assuntos: plantas, animais, astros, pessoas.

A maiêutica quer dizer trabalho de parteira. Foi utilizada em homenagem a mãe de Sócrates, que era parteira. Seguindo esse método, Sócrates não respondia diretamente as perguntas que lhe faziam. Ao contrário, fazia outra pergunta, ajudando a pessoa a chegar por si mesma ao conhecimento

Heródoto, chamado Pai da História, antes de escrever seus estudos, procurava conhecer os costumes dos povos que descrevia. Viajou muito. Além de descrever Os fatos, ele Os interpretava de acordo com suas crenças religiosas. Pois, para ele, os acontecimentos eram resultado da vontade dos deuses. Para Tucídides, os fatos eram causados não pelos deuses, mas pelos interesses políticos. Ele é o precursor da História como ciência, pois tinha um olhar mais objetivo do que Heródoto.

O desenvolvimento da cultura Fenícia.
A região povoada pelos fenícios, que corresponde ao atual estado do Líbano e parte da Síria, consistia em uma pequena faixa de terra estreita, comprimida entre o Mar Mediterrâneo e as montanhas do Líbano. Vivendo praticamente “espremido” entre o mar e a montanha.

Gradativamente, os fenícios vão sendo impulsionados ao mar pela excelente localização geográfica, desenvolvendo uma intensa atividade comercial no Mediterrâneo e se transformando nos melhores navegadores da Antiguidade.

Os fenícios fizeram da navegação e do comércio sua principal atividade econômica.

A organização política da Fenícia caracterizou-se pela descentralização administrativa; as cidades jamais constituíram um estado unificado.
Cada cidade possuía seu próprio regime de governo, independente das outras cidades fenícias. Por essa razão, as principais cidades – estados, Ugarit, Biblos, Sidon e Tiro, criaram um sentimento de rivalidade e disputa pelo domínio das principais rotas comerciais, formando um verdadeiro império marítimo. As viagens fenícias, ultrapassando os limites do Mediterrâneo, contribuíram para o conhecimento das terras ocidentais.

A exploração destas terras a oeste e o contato com vários povos de línguas e costumes diferentes determinaram o desenvolvimento da cultura fenícia.

Com relação à produção artística, não há nada de original. Os homens limitaram-se a reproduzir o que os povos da região haviam criado. Quanto à religião, o politeísmo continua predominando, uma vez que cada cidade-estado fenícia possuía uma divindade local.

O grande destaque da reprodução cultural fenícia foi, sem dúvida, a criação da escrita alfabética. O alfabeto fenício consistia na maior contribuição cultural deixada por esta civilização aos demais povos do ocidente. A escrita fenícia espalhou-se por todo o mediterrâneo, influenciando o alfabeto grego e, posteriormente, o latino.

Os homens sentiam a necessidade utilizar um sistema simplificado da escrita em virtude do grande volume de transações comerciais realizadas com vários povos, de nacionalidade, língua e costumes diferentes.

O aprimoramento das técnicas de navegação, a intensificação da atividade mercantil e o desenvolvimento da escrita fonética foram elementos fundamentais de aproximação das sociedades orientais com as ocidentais, além de representar o grande legado cultural deixado pelos fenícios.

O Legado Grego.

Florianópolis – A comemoração dos 120 anos da primeira colônia grega do Brasil, a Comunidade Ortodoxa Helênica de São Nicolau, de Florianópolis, neste domingo, 21 de setembro, chama a atenção para a colonização grega na Capital. Embora a presença dos gregos seja desconhecida por muitos, a comunidade influenciou significativamente na formação da identidade sócio-cultural da cidade. Durante muitos anos tiveram hegemonia no comércio de secos e molhados no centro. Alguns descendentes exerceram papel de destaque na sociedade, como o governador de Santa Catarina, Jorge Lacerda, natural de Paranaguá, que administrou o Estado entre 1956 e 1958; o vereador Antônio Paschoal Apóstolo, que em agosto de 1956 assumiu a prefeitura interinamente enquanto o prefeito Osmar Cunha estava em viagem aos Estados Unidos e o ex-presidente da Academia Catarinense de Letras (ACL) Paschoal Apóstolo Pítsica. Recentemente o casamento de uma descendente, Priscila Komninos, com o jogador de vôlei Giovane, feito na tradição ortodoxa, foi noticiado na TV e nos jornais, e contribuiu para colocar a colônia em evidência.

Os ‘helênicos’ chegaram em Santa Catarina em 1883, quando Florianópolis ainda era Nossa Senhora de Desterro. O navio Lefkí Peristerá (Pomba Branca), de propriedade do capitão Savas Nicolau Savas, havia partido da ilha de Kastelorizón, situada no Dodecaneso, região próxima à Turquia, e pretendia seguir viagem pela costa brasileira até Buenos Aires. Porém, a expedição passou por Desterro para recuperar danos na embarcação e a tripulação ficou encantada com as belezas naturais da Ilha, que lembravam sua terra natal. Parte dos gregos resolveu buscar um substituto para Kastelorizón, dilapidada por invasões e guerras diversas. O capitão Savas deixou então alguns parentes e tripulantes e, após fazer outras viagens comerciais e ter passado um ano em Portugual, onde aprendeu o português, trouxe mais familiares e amigos da Grécia, fixando moradia em Desterro no final de 1889. Nessa época, havia cerca de cem gregos morando na Capital.

A comunida de grega em Florianópolis gira em torno da Igreja Grega Ortodoxa São Nicolau, localizada no centro da Capital (rua Tenente Silveira, 494), também sede da Associação Helênica. As missas, realizadas aos domingos, das 10 às 11 horas, contribuem para manter a colônia unida e preservar as tradições. A Igreja Católica Ortodoxa, religião predominante na Grécia, é muito semelhante à Igreja Católica Apostólica Romana, da qual se separou oficialmente em 1054 d.C. “A igreja ortodoxa permite ao padre se casar, tem pinturas em vez de imagens, mas as orações são praticamente as mesmas”, diz Syriaco Spyros Diamantaras, tesoureiro da Associação Helênica. Na sede do templo de São Nicolau é possível conhecer os ícones pintados pelo catarinense Eduardo Dias, “um artista notável, da estatura de um Martinho de Haro”, segundo Pítsica, além de obras do pintor Malinverni, natural de Lages. “Todos os um randili (lamparina acesa), e muitos possuem ícones executados por Dias”, completa.

Um evento bastante concorrido é o Lanche de São Nicolau, uma atividade beneficente realizada às terças-feiras, cada vez na casa de uma associada. A tradição mantém-se desde 14 de julho de 1951, quando Kiriaki Nicolau Spyrides ofereceu a primeira recepção a senhoras da religião ortodoxa e pessoas que falavam o grego. Nos casamentos, como de Priscila e Giovane, os noivos e convidados fazem o ritual de “quebrar pratos”, uma maneira de desejar alegria e prosperidade aos noivos. Outro costume é jogar amêndoas e dinheiro sobre o casal, para desejar-lhe doçura e riqueza. Nem sempre os descendentes optam por fazer a cerimônia tradicional, mas o casamento ecumênico permite aos parceiros e filhos obter a dupla nacionalidade.

Os descendentes preservam também as datas importantes, como 25 de março, Dia da Independência da Grécia em relação aos turcos otomanos, e o dia 28 de outubro, Dia do Oxi, o Dia do Não, marcando a ocasião que o primeiro-ministro italiano João Metaxás opôs-se à ocupação da Grécia pela Itália na Segunda Guerra Mundial. A Páscoa, importante também para os ortodoxos, nem sempre coincide com a dos católicos romanos, pois a comemoração segue o calendário bizantino. Uma curiosidade é que o ovo usado não é de chocolate, mas um ovo comum cozido pintado de vermelho e coberto por papel celofane. “Existe um ritual em que duas pessoas pegam cada uma um ovo, fazem um pedido, e batem um contra o outro. Aquela que conservar o ovo intacto tem o desejo realizado”, diz Alceu Atherino Neves, 25, irmão de Augusto.

Geração atual é síntese de duas culturas.

Florianópolis – Após três ou quatro gerações desde a primeira leva de imigrantes gregos, a identidade cultural da colônia já não é tão forte, tendo ocorrido, como diz Savas Apóstolo Pítsica, uma “síntese cordial entre as duas culturas”. Para fazer a apresentação de dança da comunidade grega na Festa das Nações, em agosto passado, por exemplo, foi preciso trazer um grupo de Curitiba para apresentar o sirtáki e o kalamatianós. “Embora não tenhamos hoje um grupo de dança, estas são praticadas durante as festas”, defende Pítsica. Mesmo as missas já não têm a mesma participação da comunidade. “Infelizmente, a igreja muitas vezes fica vazia aos domingos”, diz Syriaco Spyros Diamantaras, tesoureiro da Associação Helênica. “Tentamos levar mais jovens à celebração, mas atualmente são poucos os que vão”, afirma Augusto Atherino Neves, de 22anos.

O idioma, muito freqüentemente usado em conversas nos cafés freqüentados pelos gregos das primeiras gerações, hoje raramente é falado. “Poucos conhecem a língua. A terceira geração mal sabe dar bom dia”, diz Diamantaras. O jovem Augusto Neves já fez aula de grego na Associação Helênica, mas não domina o idioma. “Consigo compreender algumas expressões, mas manter uma conversação é difícil”. Segundo Pítsica, que atualmente ministra os cursos da língua no salão paroquial da igreja, “os descendentes, especialmente os das primeiras gerações, geralmente falam o grego, e o utilizam para conversar em casa. Os mais jovens muitas vezes não falam, mas entendem um pouco e conseguem assimilar rapidamente, pois ouviam o grego em casa”.

Uma tradição marcante que está se perdendo é o comércio. Os gregos já tiveram a hegemonia no atacado de secos e molhados realizado no centro da cidade, em que eram vendidos produtos importados, vinhos, bacalhau, azeite, charque, frutas natalinas. Porém, hoje resta apenas a Kotzias Presentes & Utilidades, na Conselheiro Mafra, e ainda assim a loja está prestes a ser vendida. “Antes a rua toda era ocupada pelos comerciantes gregos. A maioria fechou por causa da concorrência com as grandes redes”, diz Estefano Kotzias, proprietário. Em outros segmentos, poucas lojas, como a Casa Kotzias, de tecidos, fundada em 1910, mantêm-se prósperas. Os descendentes dos gregos estão migrando para outras atividades econômicas. “Hoje são quase todos profissionais liberais. A maioria agora trabalha dentro dos consultórios como médico, advogado ou engenheiro”, diz Pítsica, que tem vário parente nesses segmentos.

Embora em seu livro “Os Gregos no Brasil” diga que o núcleo começa a mostrar sinais de desagregação, Pítsica não considera que a comunidade esteja sofrendo aculturação. “Os gregos não estão perdendo seus valores, até porque muitos ainda são da primeira geração. Meus pais vieram de Kastelórizon. Ainda é cedo para fazer uma análise”, diz. A colônia de Florianópolis não recebeu novas levas de imigrantes, e atualmente deve ter cerca de 200 famílias. Alguns membros da comunidade mudaram-se para cidades como Curitiba e Paranaguá, ambas no Paraná e onde formaram-se novas colônias. Já os gregos de outras regiões do Brasil, como São Paulo e Brasília, geralmente são provenientes de correntes migratórias distintas. “Há 30 anos a colônia em Florianópolis era bem maior. Talvez porque cerca de 90% dos integrantes vieram de Kastelórizon, cuja população se dispersou, não houve renovação de gregos aqui”, diz Diamantaras. Além disso, muitos descendentes se misturaram a famílias de outras origens e mudaram seus nomes. “Devemos ressalvar que miscigenação não significa aculturação. A população grega está sendo naturalmente absorvida pelo meio, o que acho ótimo. Mesmo a Grécia é formada por várias etnias, que ajudaram a formar seu tecido social. Essa miscigenação social fortalece uma raça”, diz.

Os descendentes visitam a Grécia quando possível, mas após a adoção do euro a viagem encareceu bastante. Antes da unificação monetária, a Grécia era um dos países europeus mais baratos para o turismo. “Já fui cinco vezes, mas depois do euro não sei quando poderei ir outra vez”, diz Diamantaras. “Eu e meu irmão ainda não fomos ainda. Sei que o governo grego dá bolsas de viagem e estudo a descendentes, e espero conhecer o país assim que possível”, diz Alceu.

Kastelórizon resistiu a muitas guerras

A ilha de Kastelérizon, uma das 1,5 mil que formam a Grécia, é o ponto territorial mais oriental daquele País, próximo de Chipre e da Turquia. Segundo a mitologia, era lá que Apólo, filho de Zeus e irmão de Artemis, criava seus rebanhos e praticava suas artes. Atacada inúmeras vezes entre a Primeira e Segunda guerras mundiais, Kastelérizon teve sua população reduzida de 18 mil pessoas, no século passado, para os apenas cerca de cem habitantes atuais. “Metade da população foi para Sidney, e a outra metade veio para Florianópolis”, diz o dr. Savas Apóstolo Pitsica, autor de obras sobre a colonização grega e vice-presidente da Associação Helênica de Santa Catarina.

Escritor liderou movimento Litoral.

Paschoal Apóstolo Pítsica (1938-2003), nascido em Florianópolis, o descendente de uma tradicional família de imigrantes da Grécia foi presidente da Academia Catarinense de Letras (ACL) durante mais de 14 anos e também da Colônia Grega em Santa Catarina, além de sócio emérito do Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina (IHGSC). O escritor liderou o movimento Litoral e dirigiu a revista “Litoral” entre 1959 e 1960. Entre os livros publicados estão “A Contribuição Grega”, de 1994, “Aquarela Grega”, de 2000, e Memória Visual da Colônia Grega de Florianópolis, em 2003.

Capitão

Savas Trouxe Gregos À Ilha.

Savas Nicolau Savas, o grande estimulador da colonização grega para o Brasil, nasceu no dia 6 de março de 1858, na ilha de Kastelorizón. Ainda jovem transferiu-se para Atenas e Syro, onde cursou a Escola Naval. Savas navegou todo o Mediterrâneo após haver cruzado Gibraltar, atravessou o Atlântico, e chegou a Montevidéu, no Uruguai, no dia 27 de abril de 1883, após 85 dias de viagem. Na volta, ao passar por Desterro, teve de trocar o mastro principal de seu veleiro.

Alguns gregos ficaram na ilha, e nos anos seguintes a imigração passou a se desenvolver. Retornou à Grécia, e em fins de 1889 de novo atracou em Desterro. Prosseguiu viagem até Montevidéu e Buenos Aires, onde vendeu sua caravela Pomba Branca com toda a carga que transportava, em 1890. Depois se estabeleceu em Desterro, com membros de sua família, e abriu uma casa comercial. O comércio prosperou, e possibilitou ao capitão adquirir três pequenos navios. Retornou à Grécia em 1892, e depois voltou ao Brasil. Chegando ao Desterro, encontrou os primeiros gregos e demais habitantes da Ilha vivendo um clima de horror e guerra, devido ao governo despótico do Coronel Moreira Cesar. Embarcou dezenas de catarinenses nos porões de seus barcos, levando-os às escondidas para o exterior e salvando-os da Ilha de Anhatomirim. Em 1892 abriu um comércio de exportação no Desterro, com filiais em Paranaguá, Montevidéo e Buenos Aires. Faleceu em 2 de outubro de 1926.

A Influência do Ocidente: Grécia e/ou Roma.

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Arquitetura Romana

Em vários aspectos culturais, atualmente na Civilização Ocidental, está ocorrendo uma supervalorização aos valores da Grécia clássica, que se refletem na política, cultura, historiografia e costumes, deslocando para um segundo plano todo o legado humanístico de Roma, que também contribuiu na formação da cultura ocidental tanto quanto a influência grega, pois as culturas das duas maiores civilizações da Antigüidade são complementares e não tão antagônicas como nos são mostradas hoje. A influência romana, além de estar em segundo plano em nossos dias, está sendo deixada de lado como modelo no âmbito da política, que prefere eleger Atenas como modelo de democracia ao invés da República Romana.

Para o ensaísta norte-americano Michael Lind em seu ensaio intitulado: “A Segunda Queda de Roma”, constata que a imagem da civilização romana vem sendo constantemente deturpada e prejudicada por partidários da civilização grega, que rebaixam a cultura, política, filosofia, literatura, arte e arquitetura romana para enaltecerem à Grécia. Para eles, o legado político e cultural deixado pela civilização romana não passou de uma cópia inferior à matriz cultural grega. Muitos intelectuais e políticos organizadores da sociedade norte-americana depois da sua independência, se apropriaram do modelo de constituição política da República Romana. Todavia, não admitiam essa influência e atribuía a sua forma de organização política ao modelo da sociedade inglesa.

Michael Lind afirma que: “A reputação da civilização romana no mundo ocidental nunca esteve pior que hoje. O legado cultural e político da República e do Império Romano foram extirpados da memória coletiva dos EUA e de outros países ocidentais em grau notável (…)” . Até os supostos tradicionalistas que se julgam defensores da cultura romana são os primeiros a relegá-la.

A democracia ocidental que tanto bebeu na fonte do legado político do Império e da República Romana, hoje tem as suas origens identificadas em Atenas. “O filósofo e estadista romano Cícero (106-43 a.C.), possivelmente o mais importante modelo histórico na cabeça dos primeiros europeus modernos e republicanos americanos, teve seu lugar tomado pelo líder ateniense Péricles como ideal de estadista ocidental”.

Ao legado do Império Romano, hoje os modernos ocidentais se referem à influência negativa aos governos ditatoriais e totalitários do século XX como o fascismo italiano e o nazismo alemão. A arte e a literatura romana também caíram em descrédito depreciativo, como simples imitações inferiores da arte e literatura grega. “Autores romanos como Virgílio, Horácio, Sêneca e Plauto são freqüentemente descritos, em tom displicente, como imitadores de segunda categoria dos gregos. Os três maiores poetas épicos do Ocidente são identificados, por consenso, como Homero, Dante e Milton. Embora o épico fosse especialidade romana, Virgílio, Estácio e Lucano são relegados a uma categoria secundária ou ignorados por completo”.

As raízes deste desprezo aos romanos pelas sociedades ocidentais atuais e a supervalorização dos gregos é o resultado de um viés anti-romano e anti-latino que vem deturpando a cultura européia desde o século XVIII – um viés que o modernismo do século XX herdou do romantismo do século XIX e do neoclassicismo do século XVIII.

Nesse contexto, apresentaremos uma rápida descrição paralela entre o legado político cultural da Grécia e de Roma.

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Arquitetura Grega

A Religião Grega.

A religião grega caracterizou pelo politeísmo antropomórfico, ou seja, os gregos acreditavam em vários deuses que se assemelhavam aos Homens, tendo as mesmas fraquezas, paixões e virtudes do gênero humano. O que distinguia os deuses dos Homens era a imortalidade e seus poderes, que se devia ao alimento do qual se nutriam – a Ambrósia.

Os deuses gregos moravam no Monte Olimpo, de onde comandavam os destinos humanos. A população grega possuía uma série de mitos, lendas e histórias – a respeito de seus deuses e heróis. Os principais personagens da mitologia grega, além dos deuses, são os semi-deuses Hércules, conhecido por sua força extraordinária, Perseu, que domou o cavalo alado Pégaso e decapitou a cabeça da tenebrosa Medusa, cujo simples olhar petrificava qualquer ser vivo e Teseu, que livrou a ilha de Creta da opressão do Minotauro, ao matá-lo e conseguir sair de um labirinto.

Os principais deuses eram: Zeus, senhor de todos os deuses; Hera, sua esposa e protetora das mulheres, fertilidade e casamento; Atena, filha de Zeus, deusa da razão e da sabedoria, protetora da cidade de Atenas, que em sua homenagem foi construído o Pártenon no governo de Péricles; Apolo, deus da luz e das artes; Afrodite, deusa do amor; Ares, deus da guerra; Hermes, mensageiro dos deuses e deus do comércio; Dioniso, deus do vinho; Poseidon, deus das águas e dos mares e Hades, deus do mundo subterrâneo dos mortos.

Os deuses que habitavam o Olimpo formavam uma família, e em sua honra, de 4 em 4 anos os gregos celebravam os Jogos Olímpicos.

A Cultura Grega e o Helenismo.

A civilização grega apresenta o mais notável desenvolvimento artístico – cultural da Antigüidade. Seus valores intelectuais da lógica e da filosofia moldaram metade da mentalidade ocidental de nossos dias.

O chamado século de Péricles (século V a.C.) foi o momento áureo da cultura grega. Os principais dramaturgos, poetas, filósofos, arquitetos e artistas em geral do mundo grego viveram nessa época. O pensamento grego tinha por base a razão humana e, por isso, supervalorizava o Homem (antropocentrismo), influenciando profundamente o racionalismo ocidental.

A cultura grega é celebre pela riqueza de sua arte, onde várias formas de expressão artística surgiram no século dourado (V a.C.).

O Teatro foi uma das áreas artísticas que mais se destacou, os grandes dramaturgos com suas tragédias e comedias atestam a genialidade da cultura grega.

*Ésquilo: considerado como primeiro grande autor de tragédias. Escreveu “Prometeu Acorrentado”, “Os Persas” e “Sete Contra Tebas”.

*Sófocles: considerado como o maior dramaturgo grego e pai da tragédia por Aristóteles. Escreveu “Édipo Rei”, “Édipo em Colona”, “Electra”, “Antígona”, entre outras.

*Eurípedes: Autor de “Medéia”, “As Troianas” e “As Bacantes”.

*Aristófanes: Autor das comédias satíricas “As Nuvens”, “As Rãs” e “As Vespas”.

Na história, Heródoto é o historiador considerado o “pai da História”, pois descreveu com pormenores as guerras médicas, encarando-as como desígnios de Zeus. Tucídides, autor de “A Guerra do Peloponeso”, buscou esclarecer os fatores políticos que determinaram os acontecimentos históricos.

Na literatura, além das tragédias, se destacam as poesias épicas, com a “Ilíada” e “Odisséia”, cuja autoria é atribuída a Homero e “Teogonia” e “O Trabalho e os Dias” de Hesíodo. Na arquitetura, os grandes nomes foram Ictínio e Calicrates, responsáveis pela construção de vários monumentos, dos quais o mais famoso é o Pártenon em Atenas. Três foram os estilos arquitetônicos que se desenvolveram na Grécia antiga distintos pela forma e feitio das colunas e do capitel: o Jônico caracterizado pela leveza e elegância das colunas; o Dórico, apresentando colunas de linhas mais rígidas e capitel liso, o que oferece mais funcionalidade; e o Coríntio, com colunas mais ornamentadas, expressando luxo e abundância.

Na escultura, vale lembrar o nome de Fídias, escultor da estátua da deusa Atena, de Zeus e dos relevos do Pártenon e Miron, conhecido pela estátua do Discóbolo.

A civilização grega é igualmente influente por suas realizações filosóficas e cientificas. A Filosofia surgiu no período arcaico com a Escola de Mileto, onde se destacaram Tales, Anaxímenes e Anaximandro. Na concepção dessa escola, tudo na natureza descendia de um elemento básico (água, ar ou matéria). Pitágoras, considerado o pai da Matemática, atribuía aos números a essência de tudo. Acreditando na mobilidade do universo, Heráclito opôs-se a estas idéias, afirmando que o universo achava-se em constante mudança.

Os sofistas eram dedicados à crítica da tradição do Estado, religião, privilégios e defensores da democracia. Dizia Protágoras: “O Homem é a medida de todas as coisas”. Platão, discípulo de Sócrates e Aristóteles, seu discípulo foram considerados os maiores filósofos do período clássico grego.

Nas ciências, vale destacar o avanço da Matemática com Euclides, criador da geometria, a Física com Arquimedes de Siracusa, Geografia com Eratóstenes e da Astronomia com Aristarco, Hiparco e Ptolomeu, este ultimo defensor do geocentrismo, teoria que foi aceita universalmente até o início da era moderna (séculos XV e XVI).

O helenismo, que foi a expansão da cultura grega pelos domínios do Império Macedônico de Alexandre O Grande e Império Romano, originou ainda novas correntes filosóficas como:

Estoicismo: fundada por Zenão, defendia a felicidade como equilíbrio interior, o qual oferecia ao Homem a possibilidade de aceitar, com serenidade, a dor e o prazer, a ventura e o infortúnio;

Epicurismo: fundada por Epicuro de Atenas, pregava a obtenção do prazer e da amizade como bens supremos e base da felicidade, e procurava aliviar o medo da dor, morte e dos deuses. Ceticismo: fundada por Pirro, caracterizava-se essencialmente, pelo negativismo e defendia que a felicidade consiste em não julgar coisa alguma;
O helenismo acrescentou a cultura grega o despotismo, segundo o qual a autoridade do governante era inquestionável;
A divisão do Império Macedônico e as lutas internas resultaram no enfraquecimento político, o que possibilitou a conquista romana, concretizada durante os séculos II e I a.C. Entretanto, mesmo conquistando a Grécia, Roma teve de se curvar perante a grandeza da civilização grega, assimilando muitos de seus valores culturais.

Aspecto Cultural Da Roma Antiga

Em termos culturais, a República e o Direito foram as mais importantes contribuições para a civilização ocidental. Ainda hoje muitas das leis em vigor no ocidente, têm as suas raízes no antigo Direito Romano.

No início da civilização romana, as leis não eram escritas. Foi a pressão da plebe que originou o primeiro código jurídico de Roma: a Lei das 12 Tábuas. Aprimorada pelos jurisconsultos, a legislação romana dividia-se em 3 ramos principais:

Jus Civile (Direito Civil), conjunto das leis a serem obedecidas pelos cidadãos romanos; Jus Gentium (Direito dos Gentios), código mais abrangente, que dizia respeito a todos os habitantes do Império, independentemente da nacionalidade;

Jus Naturale (Direito Natural), verdadeira filosofia jurídica, destacando-se entre seus fundamentos o seguinte princípio: “Todos os Homens são por natureza, iguais e detentores de certos direitos que os governos não tem autoridade para transgredir”.

Entre os principais jurisconsultos romanos estão Sálvio Juliano, Emílio Papiano, Ulpiano e Caio.

No plano artístico, a cultura romana apresenta significativa influência grega, tanto na literatura como na escultura, arquitetura e pintura.

Na literatura, alguns nomes merecem ser mencionados:

Cícero, um dos maiores oradores da Antigüidade, foi discípulo de Zenão, seguidor do estoicismo e defensor da idéia de que o direito do individuo está acima do direito do Estado.

Virgílio, autor de “Eneida”, “Bucólicas” e “Geórgicas”, grande influência para Dante Alighieri e sua “Divina Comédia”.

Horácio, autor de odes e sátiras.

Ovídio, autor do poema “Ars Amatoria” (A Arte de Amar).

Tito Lívio, autor da primeira grande obra histórica em latim.

Tácito, autor de Anais e Histórias, foi o mais importante historiador da Roma clássica.

No campo das artes, a que mais se destacou em Roma e no Império, especialmente pela grandiosidade de suas obras foi a Arquitetura. Aquedutos, estradas e muralhas romanas ainda hoje estão conservadas na Europa, refletindo as dimensões alcançadas pelos domínios da Roma Imperial.

Nas ciências, destacam-se Plínio O Velho, com sua História natural e Celso na medicina. O progresso científico foi, todavia, bastante reduzido, restringindo-se basicamente aos conhecimentos herdados e desenvolvidos pelos gregos.

Também a primitiva religião romana assumiu traços da grega, igualmente politeísta e antropomórfica. Algumas divindades latinas confundiam-se com as gregas, alterando-se simplesmente os nomes, Zeus chamou-se Júpiter, Hera chamou-se Juno, Afrodite chamou-se Vênus, Dioniso chamou-se Baco, Ártemis chamou-se Diana e assim por diante.

Porém, a partir do período imperial, essa forma religiosa começou a ser suplantada pelo Cristianismo, o qual baseava-se nas pregações de Jesus de Nazaré, morto crucificado durante o governo de Tibério.

Conclusão.

Durante este trabalho pude obter a conclusão que a herança cultural deixado pelos gregos foram riquíssimas e influenciaram em toda a civilização ocidental.

Suas concepções de beleza são retratadas nas obras como: pinturas, esculturas e arquiteturas. Em se tratando de história, os gregos foram os primeiros a tratar a história com espírito cientifico, reparando as lendas ou mitos dos fatos concretos, verídicos.

O teatro grego, basicamente é dividido em tragédias (guerras) e comedias. Já nas artes, os gregos alcançarão notável desempenho, especialmente na arquitetura e na escultura. As artes caracterizam-se pelo humanismo através da glorificação do ser humano e do nacionalismo que simbolizava o orgulho do povo pela sua cidade. Portanto na escultura grega valorizam o antropocentrismo de suas obras.

Bibliografia.

Sites.

http://an.uol.com.br/2003/set/21/0ane.htm

http://warj.med.br/re/1/n1-art05.asp?rev=1

http://www.geocities.com/rogelsamuel/guida.html

http://www.unifap.br/borges/filosofia1.htm

http://www.lasalle.g12.br

http://www.duplipensar.net/materias/2004-05-grecia-roma.html

Perfil das Principais Cadeias Hoteleiras Internacionais

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Autoria: Bruna Cirqueira

REDES HOTELEIRAS

Nas grandes cadeias nacionais têm-se observado, ultimamente, movimentos em busca da melhoria da qualidade dos serviços ofertados e incrementos na capacidade física hoteleira instalada, o que decorre da entrada de novas cadeias hoteleiras internacionais no Brasil e representa um importante fator de competitividade para o produto turístico brasileiro. Essas cadeias, em conjunto com outros agentes econômicos, pretendem realizar investimentos significativos na construção e implantação de novas unidades hoteleiras no país.

Os grandes grupos internacionais também deverão investir principalmente em hotéis de médio porte (categorias econômica/executiva), que visam oferecer um bom nível de atendimento, com preços de diária mais acessíveis. A Accor, maior grupo do mundo, que em 1999 administrava 3.234 hotéis (354.652 quartos), dos quais 33% próprios, 37% em regime de leasing, 13% franqueados e 17% em regime de contrato, é responsável no Brasil por cerca de 3% da oferta hoteleira, o que lhe assegura a primeira posição, com 7.506 quartos. Segundo o presidente do grupo, a oferta hoteleira no país ainda é muito reduzida, com a média de um apartamento para cada mil habitantes, enquanto nos Estados Unidos essa relação é de 1 para 70.

Com relação aos hotéis independentes, verificasse que existe um nicho de mercado tipicamente fidelizado, construído principalmente a partir da composição de uma identidade própria. Apesar do cenário cada vez mais competitivo, principalmente com a entrada de novas cadeias internacionais, a tendência é que eles se mantenham no mercado, sempre em função de seu diferencial, como atendimento personalizado e requinte de instalações.

Ranking das Principais Redes Hoteleiras Nacionais e Internacionais no Brasil
REDES HOTELEIRAS CLASSIFICAÇÃO

Accor

Othon

Best Western

Transamérica

Tropical

Meliá

Hilton

Sheraton (Starwood)

Perfil das Principais Cadeias Hoteleiras Internacionais no Brasil
REDE HOTELEIRA DE ORIGEM
INTERNACIONAL CLASSIFICAÇÃO NO BRASIL MEIOS DE HOSPEDAGEM
Entre as Redes Internacionais Geral No Brasil No Mundo
Accor 1º

80º
3.234º

Best Western 2°

17º
4.000º

Sol Meliá 3º

11°
270

Hilton 4°


1.813º

Starwooda 5º 8°
3
716º

Club Med –
18º
2
93°

Posadasa –
20°
3
51º

Granadaa –

1
400º

Marriott –

1
1.749º

Orient Express –

1
21

Bass –


2.800º

Choice –


5.000º

Redes Nacionais: Ranking por Número de Apartamentos em Operação

EMPREENDIMENTOS EM OPERAÇÃO PROJEÇÃO PARA 2007
Numero de Apartamentos Numero de Empreendimentos Numero de apartamentos Numero de Empreendimentos
Blue Tree 5235
22
5.585
24

Othon 3141
26
3.141
26

Nacional Inn 2286
18
2.486
19

Transamérica Flats 2105
17
2.189
18

Tropical 1935
9
2.407
11

Bristol Hotelaria 1918
16
2.303
19

Bourbon 1673
9
1.673
9

Windsor 1410
6
2.383
10

Estanplaza 1142
9
1.142
9

Rede Bristol 1097
17
1.257
20

Ponto de Mutação

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Autoria: Vanessa Araujo

Resenha Sobre o Filme Ponto de Mutação

O filme conta a história de um encontro entre Jack Edwards, um político liberal democrata; Thomas Harriman, um escritor que reside na França já que se cansou de viver no meio da fogueira da vaidade de Nova Yorque e Sônia Hoffmann, uma física que resolveu dar-se um tempo, após o polêmico projeto Guerra nas Estrelas, um resquício da Guerra Fria.

O escritor, Thomas, convida Jack para passar uns dias com ele no Monte Saint Michel, uma antiga fortaleza perto do Cabo da Mancha, para relaxar e conversar sobre a vida. Em uma das salas da fortaleza eles se deparam com Sônia, a física, e daí surgem os mais diversos questionamentos sobre os conceitos ideológicos, ambientais, físicos e científicos.

Uma das partes mais interessantes, pelo meu ponto de vista é quando Sônia discursa sobre o fato da miséria vivida pelos países do terceiro mundo, principalmente quando ela menciona a frase de um presidente questionando se as crianças deveriam passar fome para que as contas do país fossem pagas, e nos faz ver que realmente, as crianças pagam por essa dívida, e, diga-se de passagem, que pagam um preço alto demais até hoje.

Outro fato importante é como Sônia retrata a Teoria de Newton trazendo muitos benefícios as pessoas, mas sua teoria sobre um átomo, uma partícula sólida, não foi confirmado pelos cientistas. Estes acham que os átomos se movimentam numa região vasta de espaço vazio.

Sônia diz uma frase muito importante “Pela ciência ninguém nunca é responsável.”

Qualidade do Serviço Turístico na Hotelaria

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Autoria: Vanessa Araujo

Qualidade de Serviço Turístico e Hoteleiro

A qualidade de serviço na hotelaria esta extremamente relacionada ao compromisso, seja ele com, o investidor, com o hóspede, com a sociedade, com o funcionário ou com o meio ambiente.

Relacionado com o investidor é necessário comprometimento total com a maximização da rentabilidade do investimento, conceituando, operando e continuamente atualizando os produtos e serviços hoteleiros. O objetivo do hoteleiro é obter resultados que excedam as expectativas do mercado, assim como anteciparas tendências futuras, ampliando as oportunidades do próprio produto e dos novos empreendimentos.

Já como hóspede, é oferecer excelente e inigualável experiência em hospedagem em todo os segmentos se atuação, encantando-os pelo conforto das instalações, pelo alto nível de competência e pela qualidade dos serviços.

Com o funcionário é necessário mantê-lo sempre motivado, atualizando e comprometido com os clientes, através de constantes treinamentos e desenvolvimentos profissionais, com autoridade e responsabilidade para exceder as expectativas dos clientes a atingir os resultados operacionais, financeiros e de qualidade de serviços.

Incrementar a economia com a rentabilidade dos investimentos, ampliando oportunidades de trabalho e melhorando o nível técnico e profissional no setor de serviços hoteleiros e de alimentos e bebidas é melhor forma de interagir com a sociedade.

Preservar e valorizar a natureza, procurando desenvolver os empreendimentos sempre respeitando o meio ambiente, bem como criando sinergia com tipicidade e cultura da região deve ser o compromisso com a qualidade de serviço em relação ao maio ambiente.

A nova era no turismo e na hotelaria passa preponderantemente pelo fluxo e boa administração das informações. O administrador atento, para atingir os seus objetivos e alcançar as metas, jamais poderá abdicar da formação de uma estrutura interna , eu possibilite a todos estarem antenados como que acontece nos quatro cantos da terra e em tempo real.

Tudo o que a hotelaria disponibiliza ao seu hóspede, sofre de forma concomitante uma avaliação, a cada dia mais rigorosa.

Diferente das outras indústrias, a hotelaria tem o desconforto de estar com o seu cliente frente-a-frente, enquanto produz o que irá atendê-lo. Com isso, não há possibilidade de margem de erro. Com a premissa básica da Qualidade Total, o erro tem que ser zero.

Desde a reserva até o check-out, toda equipe deve estar comprometida com a qualidade. Vale ressaltar que o setor de manutenção, tem importância significativa nesse contexto e alguns hotéis ainda precisam atinar para isso.

Colocar sua unidade hoteleira para o mundo requer investimentos, calculados na média de 2% do faturamento, como sendo tecnicamente corretos. Um bom trabalho de marketing poderá otimizar os recursos disponíveis , adequando-os as mídias e formas de divulgação mais coerentes.

O básico do marketing: A.I.D.A. (Atenção; Interesse; Desejo;Ação) precisa ser bem utilizado. Chamar a atenção, despertar o interesse, provocar o desejo e induzir a ação.

A exigência do cliente por informações claras e abrangentes requer muita criatividade e inovação.

Marqueteiros sem a devida intimidade com o mundo da hotelaria e hoteleiro amadores podem perder muito dos espaços comprados em jornais, revistas, guias com informações desnecessárias, em detrimento daquilo que o cliente realmente busca.

Turismo e hotelaria exigem atualização constante, pois a dinâmica hoje difere muitíssimo do que a história nos conta no passado.

O turismo é um dos negócios mais promissores da Bahia, que é o lugar preferido pelos brasileiros em férias e um dos maiores destinos do turismo internacional no Brasil. Com um produto turístico consolidado, o estado oferece atrativos cada vez mais procurados pelo mercado: natureza preservada, cenários exóticos e diversificados, oportunidades de convívio com populações diferentes, novas experiências e emoções. A Bahia tem um forte potencial turístico e um apelo voltado para o mercado onde as demandas são cad vez maiores por destinos ambientais saudáveis. O produto Bahia se caracteriza pela natureza tropical de clima agradável e cenários de aventura ainda inexplorados, monumentos históricos preservados e uma cultura formada por uma mistura de etnias. Mar limpo, sol na maior parte do ano e temperaturas com poucas variações em todas as áreas do Estado são ideais para a implantação de projetos turísticos integrados às paisagens naturais, que respeitem as características dos ecossistemas locais e que promovam o desenvolvimento econômico e social das comunidades vizinhas.

Acredito que todos esses tópicos estão extremamente relacionados com qualidade de serviço, já que depende dela para atrairmos o turismo e é daí que surgem pessoas qualificadas, que fazem a diferença nas prestações hoteleiras, essas pessoas que fazem parte do quadro funcional do hotel para fornecerem serviços como mais elevado grau de qualidade.

A atuação do funcionário é sempre muito importante mas muito mais importante é a atuação do grupo todo. A postura pessoal de todos os componentes que integram a empresa faz parte da qualidade das prestações hoteleiras.

Para as empresa hoteleira se manterem competitivas dentro do turismo, uma das maiores atividades econômicas do século XX, é necessário detonar certas barreiras que as afixam. Para tal, cabe aos seus dirigentes desfazerem-se de paradigmas já ultrapassados – tarefa nada fácil pois mexe-se com o comportamento das pessoas. Mas a hotelaria é uma empresa prestadora de serviços , um campo com espaço ainda para se teorizar.

Apesar de um número crescente de novos hotéis, e conseqüentemente um número maior de habitações, os resultados mostram que a cada ano que passa o desempenho melhora em relação ao ano anterior, e mesmo regiões com desempenho ocupacional baixo possuem planos otimistas de investimentos no setor para os próximos anos. Isto permitirá que cada vez mais, diferencial de cada hotel seja a qualidade do serviço prestado, já que cada um sairá na busca de novos diferenciais, os que o cliente visualize como um valor agregado, em um mercado extremamente competitivo.

Bibliografia

LAMPRECHT, James & RICCI, Renato; Padronizando o sistema da qualidade na hotelaria mundial-Como implementar a ISSO 9000e Isso 14000 em hotéis e restaurantes. Qualitymark editora, 1ª reimpressão, 2001, capítulos 2, 3 e 4.

CASTELLI, Geraldo; Excelência em hotelaria-Uma abordagem prática. Qualitymark editora, 3ª reimpressão, 2000, capítulos 2, 3 e 6.

Rede Hoteleira Accor

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Autoria: Rodrigo Dias Alves

ACCOR – A MAIOR REDE HOTELEIRA DO MUNDO

Areia Branca / RN

2006

Introdução

A hotelaria é uma indústria de serviços que possui suas próprias características organizacionais. Sua principal finalidade é o fornecimento de hospedagem, segurança, alimentação e demais serviços inerentes à atividade de receber.

O Brasil é um país ainda com pouca tradição no setor hoteleiro. Aqui, a hotelaria teve origem com as hospedarias pertencentes aos portugueses, na maioria das vezes localizadas na própria moradia do proprietário. O primeiro hotel, de classe internacional, foi instalado no Rio de Janeiro em 1816, sendo de propriedade do francês Louis Pharoux. A partir de então, surgiram pequenos hotéis, que incorporavam características de hotéis europeus em seus serviços e instalações. Somente após a Segunda Guerra Mundial, com as grandes transformações tecnológicas e o desenvolvimento industrial crescente, a hotelaria brasileira passou a se aperfeiçoar e criar conceitos próprios, diferenciando as diversas categorias de estabelecimentos e criando regras e normas que direcionassem suas atividades, embora alguns hotéis,

Inaugurados em época mais recente, como a Copacabana Palace e o Hotel Glória (em 1923 e 1922, respectivamente), ainda reproduzissem o padrão europeu.

A rede hoteleira Accor mantém uma Academia de formação (universidade corporativa), cuja missão básica contempla a educação continuada, objetivando a difusão dos valores e da cultura empresarial, o desenvolvimento da comunicação interna e externa, a pesquisa e inovação gerencial constantes, e a multiplicação e sinergia dos conhecimentos adquiridos pelas unidades de negócio, em seus campos específicos de atuação.

O empreendimento, pioneiro no Brasil, localizado na cidade de Campinas, foi constituído em 1992, mantendo um intercâmbio constante com sua similar francesa, a Academie Accor – Université de Services (constituída em 1985), com a qual compartilha os mesmos interesses e expectativas.

O objetivo estratégico da Academia mencionada abarca a formação dos quase 20.000 colaboradores da Accor no Brasil, distribuídos em unidades estratégicas de negócio, que congregam as 17 marcas presentes no país, com valores culturais e empresariais comuns, motivando-os e, principalmente, reduzindo o indesejável “turn-over”.

ACCOR

1- Área de Atuação

Accor é um grupo mundial que atua em diversos segmentos distintos e complementares: hotelaria, alimentação, gestão de pessoas, gestão de frotas, viagens e produtividade das empresas. A identidade visual tem por objetivo gerar uma percepção do conjunto de bandeiras e de marcas dos diversos produtos e serviços que compõem o leque de soluções oferecidas, e que se dividem da seguinte forma:

Dois “métiers” internacionais: Accor Hotels e Accor Services;
As atividades complementares, nas quais Accor opera localmente mediante joint-venture com outro grupo de porte: GRSA
Uma aliança mundial com o Club Med: além de uma participação acionária do Group Accor no capital do Club Méditerranée, as duas organizações colocam em prática ações de sinergia operacional e comercial;
Duas unidades de apoio: Académie Accor Latin America e Instituto Accor.
Atualmente, Accor no Brasil conta com marcas notórias, sendo:

Comerciais/produtos: Sofitel, Novotel, Mercure, Ibis, Formule 1, Ticket Restaurante, Ticket Alimentação, Ticket Car, Ticket Transporte, Ticket Seg, Incentive House, Build-Up, GR, Atta, Medirest, Canteen, ESS, SSP, School Cook;
Institucionais/produto: Ticket e Accentiv’;
Institucionais/atividade: Accor Hotels e Accor Services;
Corporativas: Accor, Académie Accor Latin America e Instituto Accor.

2- História

A história e conquistas traduzem-se em números expressivos:

Marcas de produtos e serviços: 28
Empresas-clientes: 60 mil
Consumidores/dia: 5 milhões
Volume de negócios em 2005: R$ 8,1 bilhões
Colaboradores: 30 mil
Cartões eletrônicos ativos: 2 milhões
Estabelecimentos credenciados: 280 mil
Refeições servidas por dia: 700 mil
Unidades hoteleiras: 132
Apartamentos: 20 mil
Room nights no ano: 4 milhões
Postos de serviços e filiais: 123
Passagens e vouchers emitidos por ano: 933 mil
Participantes em programas de fidelização e ações de relacionamento: 500 mil
Treinandos na Académie Accor Latin America: 75 mil
A Hotelaria Accor Brasil (HAB) possui a maior e mais completa rede de hotéis e flats do Brasil. A empresa atua no mercado nacional desde 1977, quando foi inaugurado, em São Paulo, o primeiro empreendimento hoteleiro com a marca Novotel.
Atualmente, a HAB marca presença em 44 cidades brasileiras, com mais de 120 hotéis e flats nas categorias luxo, alto padrão, superior, econômica e flat service.

A chegada da Accor no Brasil

Em 1977 a Accor abria seu primeiro hotel no Brasil – o Novotel São Paulo Morumbi -, empreendimento que marcou a introdução da primeira rede internacional de categoria superior do País e também a criação de um pólo de desenvolvimento hoteleiro na zona sul da capital.

Antes do final da década, a empresa francesa já havia inaugurado outros três hotéis da marca Novotel. Os anos 80 foram marcados pela criação da Parthenon, primeira e maior rede de flats para hospedagem do País, com a abertura de 10 empreendimentos. No final de 1989, a Accor administrava 21 hotéis e flats das marcas Sofitel, Novotel e Parthenon. Mas foi na década de 90 – principalmente a partir da implantação do Plano Real e da estabilização da economia – que se acelerou, de forma acentuada, o desenvolvimento da Hotelaria Accor Brasil. Neste período, a empresa introduziu duas novas marcas – a Ibis, de categoria econômica, e a Mercure, de categorias alto padrão e superior – e, em 1999, já somava mais de 70 hotéis e flats pelo País. De acordo com Roland de Bonadona, diretor-geral da Hotelaria Accor Brasil, “até 2004 deveremos inaugurar mais 72 hotéis e flats e nos próximos dois anos vamos registrar um crescimento de 50% no volume de negócios”.

Para a implantação dos empreendimentos a serem inaugurados até 2004 deverão ser investidos cerca de R$ 878 milhões. A Hotelaria Accor Brasil participará com cerca de 10% destes investimentos, principalmente para desenvolver as redes Ibis e Formule 1. A empresa conta hoje com mais de 5,5 mil funcionários, dos quais 1,7 mil foram contratados no ano passado. Nos três próximos anos, deverão ser admitidas mais 3,5 mil pessoas.

A Accor no Brasil é orientada por

Três pólos de forças:

A ambição, de liderança e resultados;
Os ideais alicerçados nos valores;
A “expertise”, o profissionalismo, a competência e o desenvolvimento de talentos.
Quatro pontos cardeais:

Trabalhar ao máximo dirigido para objetivos e em equipe;
Dar exemplo, os recursos para investir, formação e progresso;
Ousar crescer, tomar iniciativas, delegar e conceder o direito ao erro;
Exigir resultados, retorno dos investimentos espírito de equipe.
Cinco princípios de ação:

Pensar grande. Nada é mais motivador que empreender, crescer e pensar grande.
Ter bases sólidas. Milhares de clientes importantes e fiéis e milhões de consumidores satisfeitos.
Estar voltado para o cliente. Ter consciência que a perda de um cliente é uma perda insubstituível e a fidelidade do cliente se conquista a cada dia.
Ser moderna e flexível. Promover a liberdade de iniciativa alocando meios adequados para servir, competir e gerir de forma independente.
Viver em revolução permanente. Não se acomodar nunca e se estimular com as mudanças impostas pelo ambiente.

3 – Valores Accor

Os valores Accor são mundiais, praticados em todos os países em que o Grupo Accor está presente: Confiança, Inovação, Profissionalismo, Responsabilidade e Transparência. Eles reúnem a história do Grupo e seu futuro. Eles são o alicerce da sua cultura, que possibilita a cada um se expressar e evoluir dentro da Organização. Essa cultura forte e compartilhada não se limita às questões de ordem financeira, vão além como fator de mobilização de energias em um período de mudanças. O compartilhamento e a vivência dos valores da Accor são a garantia do desenvolvimento duradouro nos setores de atuação do grupo: hotelaria, turismo e serviços.

4 – Franquias

6 marcas, com hotéis de diferentes categorias, da hotelaria de luxo a supereconômica.
O maior grupo hoteleiro da Europa;
O maior grupo hoteleiro do Brasil;
Quase 1000 hotéis franqueados em todo o mundo, sendo 700 na Europa;
Mais de 30 anos de experiência e sucesso absoluto.
Um sistema de reservas único, com acesso 24 horas por dia, 7 dias por semana , em tempo real, em todo o mundo, até o ultimo apartamento dispinivel. Mais de 6 milhoes de noites vendidas em 2003. 3,7 milhoes de visitantes as páginas na internet no mundo, todo mês. 140 mil agensias de viagem conectadas através de 400 mil terminais via GDS. 550 vebdedores em rede, 22 escritorios de venda, uma base de dados de clientes de todo o mundo. Parcerias com empresas como Air France, TAM, Hertz e MasterCard, entre outras. O programa de fidelidade Compliments from Accor Hotels que conta atualmente com mais de 70 mil clientes ativos. Projeto Phoenix: gera uma economia significativa, centralizando a área de compras de todas as unidades do grupo Accor.

5 – Aliança

Em 2004 o Grupo Accor adquiriu 28,9% do capital do Club Méditerranée, a maior rede internacional de hotéis de lazer do mundo. Presente em 40 países, com 100 “villages”, os hotéis da rede oferecem opções de lazer para todos os gostos. Essa aliança contribui para a realização natural de parcerias comerciais e operacionais que beneficiam o cliente.

6 – Parceria

A E-bit é uma empresa de marketing on-line pioneira na realização de pesquisas sobre hábitos e tendências do e-commerce no Brasil. Fundada em 1999, a empresa realiza pesquisas de mercado, investigações de usabilidade e consultoria para a construção de websites, envio de e-mail marketing, consultoria e marketing direto pela Internet.

7 – Desenvolvimento Sustentável

A transformação da sociedade requer o envolvimento das Organizações Empresariais que nela estão inseridas. O Grupo Accor sempre esteve comprometido com esta idéia, contribuindo com ações afirmativas para a construção de um cenário social mais equânime e promissor.A partir da criação do Instituto Accor, no entanto, a atuação da Empresa neste campo foi amplificada. Com a chancela do Instituto, os projetos desenvolvidos nas áreas de educação, formação e meio ambiente passaram a ter maior alcance e ainda mais legitimidade. E mais: agregaram valor à imagem institucional do Grupo Accor, estabelecendo um vínculo de credibilidade especial com suas diversas marcas.

8 – Missão

Contribuir para a melhoria dos resultados do Grupo Accor, para a promoção de sua cultura, da gestão, das vendas e de sua imagem, por meio de políticas de RH e Comunicação modernas e diferenciadas.

9 – Académie Accor Latin America

Como manter a atuação de uma Organização Empresarial alinhada com as necessidades de seus clientes, as tendências e exigências do mercado, às expectativas dos acionistas e ao desenvolvimento contínuo dos seus colaboradores.A resposta do nosso Grupo a esta questão foi dada com a criação, em 1992, da Académie Accor Latin America, um núcleo de apoio e sustentação às atividades que desenvolvemos em diversos países.Educação corporativa, formação, integração e aprimoramento profissional. São nessas áreas que a Académie Accor Latin America mantém seu foco de ação. Sua missão é difundir os valores e cultura da organização e assegurar o desenvolvimento das compentências-chave, por meio da educação permanente, contribuindo para reforçar sua imagem e diferencial competitivo.Avançada na sua formulação, audaciosa nas suas metas e eficiente na sua implementação. Assim é a Académie Accor Latin America, que, apoiando a gestão empresarial, busca assegurar condições favoráveis ao crescimento de todas as nossas áreas de negócios e as satisfação de nossos clientes.

10 – Acionistas

A Accor no Brasil é o resultado da soma das forças de mais de 30.000 colaboradores e de seus acionistas, os grupos: Accor, Brascan e Espírito Santo.

Accor no mundo

Com 168 mil colaboradores em 140 países, a Accor é líder na Europa e um dos maiores grupo de viagens, turismo e serviços corporativos com duas principais atividades. Hotelaria – Quase quatro mil hotéis (470 mil apartamentos) em 92 países, cassinos, agências de viagens e restaurantes; Serviços para clientes corporativos e instituições – 21 milhões de pessoas em 35 países utilizam uma ampla gama de serviços (desde tickets de alimentação, serviços diversos, projetos de incentivo, programas de fidelidade a eventos) coordenados e administrados pela Accor.

Brascan Brasil S.A.

Brascan Corporation é um dos maiores grupos econômicos canadenses.
No Brasil há mais de 100 anos, sendo as suas principais áreas de atuação: Brascan Imobiliária (incorporando prédios residenciais, comerciais e shopping-centers – Rio sul, Madureira Shopping, Bay Market e Rio Sul e outros mais em projeto), e de hotelaria (hotéis Intercontinental do Rio e de São Paulo); Brascan Recursos Naturais ( pecuária, mineração e atividade florestal); Brascan Energética (geração de energia);Brascan Corretora de Seguros e ainda no financeiro, através do Banco Brascan. A Brascan participa com 40% da composição acionária da Accor no Brasil.

Espírito Santo

O grupo Espírito Santo, maior conglomerado empresarial português, atua mundialmente nas áreas: financeira (Banco Espírito Santo, ESSI e Inter-Atlântico; Companhias de Seguro Tranqüilidade e Inter-Atlântico; Gestão de Fundos ESAF); de serviços de assistência 24 horas (Europe Assistance); e agribusiness. Exerce suas atividades no Brasil desde 1975. O grupo Espírito Santo participa com 10% da composição acionária da Accor no Brasil.

11 – Projetos Sociais

11.1- Accor-Plan

A Accor, com 30 anos de Brasil, acredita em transformação e desenvolvimento social. Por isso, investe recursos, viabiliza idéias e incentiva colaboradores, clientes e parceiros a apoiarem projetos humanitários.O ideal de transformar para que mais pessoas tenham um mundo melhor une, em uma parceria global, a Accor com a Plan, organização não governamental sem fins lucrativos e sem filiação religiosa ou política. A Plan desenvolve projetos em comunidades carentes da África, Ásia e América Latina.

No Brasil, atua desde 1997, orientada pelo objetivo de contribuir para a construção de um mundo onde todas as crianças possam desenvolver seus potenciais, em sociedades que respeitem os direitos e a dignidade das pessoas. A Accor no Brasil e a Plan se complementam em uma parceria que tem como principal compromisso oferecer desenvolvimento, solidariedade e oportunidades para crianças e jovens de comunidades menos favorecidas de cidades dos estados do Pernambuco e Maranhão abrangendo, aproximadamente, 65 comunidades. A pessoa pode ajudar a Plan de duas maneiras: patrocinando uma criança ou contribuindo para projetos.

11.2- Sonho de Criança

O Projeto “Sonho de Criança” é uma grande iniciativa de Responsabilidade Social da Ticket, com o apoio do Instituto Accor. Em parceria com a Prefeitura Municipal de São Paulo, a Ticket construiu um Centro de Educação Infantil, o CEI, modelo a ser seguido, com o claro intuito de oferecer o que existe de melhor nos quesitos de proteção, educação, alimentação, lazer e saúde, favorecendo assim o desenvolvimento físico, intelectual, emocional e social de 240 crianças, entre zero e seis anos. Tudo isto pensado para esta época em que elas – que serão responsáveis por nosso mundo – estão definindo seus valores, personalidade e inteligência. As crianças são moradoras da antiga Favela do Gato, no bairro do Bom Retiro, na cidade de São Paulo, e pertenciam a famílias com renda inferior a dois salários mínimos. O CEI está inserido em um projeto da Prefeitura de São Paulo de grande importância e transformação social. Trata-se da revitalização da região da antiga Favela do Gato, Projeto do Parque Tamanduateí, um complexo de 175 mil metros quadrados, que previu.

Os benefícios se estenderam a toda a comunidade, através de melhorias na infra-estrutura, saneamento e segurança. A gestão é feita pela Associação São Camilo. O projeto teve um total de investimento social de R$ 1,5 milhão, sendo que R$ 900 mil foram provenientes da Ticket, R$ 400 mil de outras unidades e fornecedores Accor. E em 2006 serão implementados, com a coordenação da área de Responsabilidade Social da Accor Services, dois projetos em prol dos familiares das crianças da CEI:

Programa de Alfabetização para os pais, em parceria com a Fundação Bradesco;
Programa de Capacitação Profissional para os irmãos e pais, em parceria com o Instituto Dom Bosco. A previsão de início de ambos os projetos é agosto de 2006.
11.3- Campanha do Agasalho

A idéia é organizar uma competição saudável entre as áreas da Accor Services para a arrecadação de alimentos e roupas, premiando a área que obtiver mais pontos. Um troféu é oferecido pelo Instituto Accor. Em 2005, no primeiro ano do projeto, quatro instituições filantrópicas foram beneficiadas com essas arrecadações. Além disso, o ingresso pedido aos convidados era um quilo de alimento não-perecível. Para 2006, estimamos ajudar seis instituições.

11.4 – Projeto Encaminhar

O Projeto Encaminhar visa fornecer capacitação profissional e inserção no mercado de trabalho para jovens da comunidade, em funções operacionais e administrativas, relativas à atividade de alimentação. Além de treinar os jovens para um emprego formal, há ainda a possibilidade de efetivação dentro do grupo Accor. Os jovens em treinamento são oriundos de São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco, Paraíba, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Ceará, Pará, Paraná e Santa Catarina. O público-alvo do Projeto Encaminhar são estudantes do Ensino Médio público, entre 17 e 20 anos de idade, pertencentes a famílias com renda inferior a quatro salários mínimos.

11.5- Jovem Cidadão

O Projeto Jovem Cidadão visa, principalmente, inserir jovens no mercado de trabalho. São estudantes entre 16 e 21 anos, provenientes do Ensino Médio estadual, que são alocados dentro da Accor Services. Em parceria com o Governo do Estado de São Paulo, a Accor Services é responsável pelos benefícios e metade da remuneração dos jovens. Um projeto de capacitação que, com o surgimento de vagas, pode vir a efetivar jovens talentos.

11.6- Projeto Ecologia

Desde 1997 na França e 1999 no Brasil, o projeto zela pela preservação do meio ambiente dentro das empresas do Grupo, com o objetivo de conscientizar os colaboradores e hóspedes sobre a importância da preservação da natureza. Todos os hotéis atuantes relatam quais as ações da Carta Ambiental executadas em suas unidades. Além dessas ações, existe o controle e o monitoramento mensal de energia, água e gás.

Todos os hotéis envolvidos fazem parte de uma associação ou coletividade designada a promover ações em prol da ecologia, além de informar aos clientes Accor Hotels as medidas implantadas em suas respectivas unidades, pela defesa do meio ambiente.

11.7-Dia Accor Por Um Mundo Melhor

O “Dia Accor por um Mundo Melhor” é um dia especial, pois em todos os anos, sempre no segundo sábado do mês de abril, a data é dedicada à prática do voluntariado Accor. Em âmbito nacional, são desenvolvidas ações sociais em prol de crianças e jovens carentes, gerando momentos de recreação e educação, distribuição de alimentos e outros produtos, reformas de creches etc. Tal iniciativa foi criada pela Accor no Brasil, através do seu instituto, por acreditar que a prática do voluntariado é uma ferramenta eficiente na promoção do crescimento pessoal e na descoberta de novas competências de seus colaboradores. O Instituto Accor coordena, define e comunica as diretrizes, o foco de atuação e a metodologia para a mobilização e concretização das ações sociais e regionais, bem como o papel dos líderes sociais – coordenadores locais, dos gestores e colaboradores Accor – e voluntários selecionados. Alem disso, disponibiliza a todos os colaboradores voluntários e líderes sociais uma camiseta com o logotipo do “Dia Accor por um Mundo Melhor” para o dia da ação.

11.8- Projeto ReciclAccor

O ReciclAccor é um programa de conscientização, feito junto aos colaboradores Accor, sobre a importância da reciclagem e do reaproveitamento dos recursos materiais, como plásticos e papéis.

O objetivo do ReciclAccor é reverter tais recursos materiais em recursos financeiros, que serão investidos em projetos sociais em prol dos nossos colaboradores terceiros, como o pessoal de manutenção, limpeza e segurança, para promover a compra de produtos de necessidade básica, como remédios, cesta básica e produtos de uso comum.

11.9- Campanha de Doação de Sangue

As campanhas de doação de sangue da Cipa Accor Services conquistaram inúmeros doadores cativos. A primeira campanha, no início de fevereiro de 2004, mobilizou 146 colaboradores, dos quais 104 puderam doar.

11.10- Campanha “Seja o Papai Noel de uma Criança”

O projeto tem como objetivo adotar uma criança ou jovem, entre zero e 16 anos, morador de uma de cinco comunidades carentes de São Paulo. Todos os colaboradores de cada unidade de negócios do grupo são mobilizados para propiciar um Natal mais feliz para estas crianças e jovens, através da doação de brinquedos, roupas ou sapatos. Os pedidos chegam através da recepção de cartinhas direcionadas ao Papai Noel Colaborador Accor, nas quais constam o desejo do presente e um desenho feito por eles.

11.11- Hope – Apoio à Criança com Câncer.

A Associação Pró-Hope Apoio à Criança com Câncer surgiu em 1996. Através do programa “Parceiros Pela Vida”, a Pró-Hope busca apoio de empresas que contribuam para o sucesso destas ações. Desta forma, a GRSA/Medirest, no ano de 2000, sensibilizada pelos objetivos do projeto e com sua expertise em alimentação e atendimento nutricional, abraçou esta causa com grande louvor.

11.12- Premio Bem Eficiente

Anualmente, a Accor tem o grande prazer de patrocinar o Prêmio Bem Eficiente, cujo objetivo é homenagear as 50 entidades beneficentes mais eficientes do Brasil, divulgá-las em nível nacional e incentivar a profissionalização e a busca da eficiência e qualidade nas atividades do Terceiro Setor.”É evidente, a cada dia, a cada ano, a evolução da cultura de valorização da responsabilidade social entre as empresas, contribuindo para a inserção do indivíduo em um contexto social digno. Nesse processo, há que se louvar o trabalho árduo das instituições que se esmeram em promover a vida e a dignidade humana, cuja competência é merecedora de toda a nossa exaltação.

12- Projeto de Empresa

Para a Accor no Brasil, um grupo de empresas de serviços, as pessoas fazem a principal diferença. E pensando nessas pessoas, foi lançado em 1998 o Projeto de Empresa. O Projeto de Empresa busca desenvolver uma organização sempre melhor, que estimula o trabalho em equipe e a criatividade a serviço dos clientes, oferecendo a participação nas decisões e nos resultados obtidos pelo esforço de todos.

People: são os talentos, a primeira e mais poderosa força da Organização Accor. Para as pessoas, queremos ser um ótimo ambiente para se trabalhar.

Service: é a maneira especial de atender às necessidades dos clientes, que são a razão da empresa existir. É a excelência em serviços, o padrão de qualidade Accor de servir.

Profit: é a resposta à confiança dos clientes e dos acionistas ao nosso trabalho. É a rentabilidade crescente somada à geração de valor e imagem, em que todos os envolvidos saem ganhando com a Accor. Nas palavras de Firmin António, presidente da Accor, “para que nossos planos se realizem, deixando de ser desejos que apenas sonhamos, criamos o Projeto de Empresa. Cada um tem e depende de seu projeto de vida para prosperar e alcançar sonhos. O Projeto de Empresa é como um projeto de vida coletivo, estruturado e alimentado permanentemente pelas conquistas e pelas revoluções feitas ao longo do caminho. É uma revolução na forma de pensar, de agir e de realizar dentro da empresa”.

13- Inovação

Innovaccor dá a todos os Colaboradores da Accor a oportunidade de:

Propor idéias;
Ver as respectivas idéias aplicadas, recompensadas e divulgadas;
Demonstrar a respectiva criatividade e iniciativa.
Innovaccor também é uma ferramenta de trabalho para os Gestores, que lhes permite:
Organizar os desafios para envolver os respectivos colaboradores na resolução de problemas;
Avaliar as idéias, decidir aplicá-las e as recompensar;
Conhecer as boas práticas e colocá-las em execução na sua unidade.

14-Áreas de Atuação

Hoje em dia a ACCOR Brasil é um grupo de serviços empresarias em três grandes áreas:

Alimentação & Restaurantes

A ACCOR Brasil é líder no setor de refeição – convênio, administração de restaurantes de empresas e de cestas de alimentos, com soluções pioneiras com enfoque social, que beneficiam trabalhadores, empresários e contribuem para o desenvolvimento do Brasil.

Ticket Restaurante

É um dos serviços empresariais prestados pela ACCOR Brasil. Pioneiro e líder do mercado no sistema de refeição-convênio, detém 50% do mercado brasileiro. Atendendo as empresas-clientes, “o amigo do meio dia” revolucionou a alimentação dos trabalhadores nos grandes centros urbanos, possibilitando aos trabalhadores o acesso a uma refeição diária em um dos restaurantes filiados.

2,3 milhões de usuários por dia
21.239 empresas-clientes ativas.
18.642 estabelecimentos ativos.
4,8 mil cidades atendidas.
Ticket Alimentação Eletrônico

Permite aos trabalhadores adquirir gêneros alimentícios numa rede de estabelecimentos conveniados em todo o país. Inicia uma nova era no sistema alimentação-convênio. Aliando segurança, agilidade, praticidade e modernidade ele reinventa o sistema de concessão de benefícios de alimentação porque utiliza a mais moderna tecnologia de cartões magnéticos com senha, a fim de simplificar a operação e reduzir custos para as empresas-clientes e estabelecimentos comerciais do setor de alimentos. As vantagens se estendem aos usuários e valorizam o Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT.

2,5 milhões de usuários por dia.
14.414 empresas-clientes ativas.
11.682 estabelecimentos ativos
GR Serviços de Alimentação

É uma associação Accor Brasil e Compassa Group, é líder de mercado no segmento de refeições para coletividades. Implanta e administra restaurantes empresarias e industriais. Atende também hospitais, escolas e outros segmentos e oferece serviços complementares à atividade principal, como “vending machines”, “branding” e novos produtos.

530.000 refeições por dia.
890 restaurantes clientes.
17.000 toneladas de alimentos por mês.
43 lanchonetes / quiosques.
720.000 consumidores por mês em rodoviárias e aeroportos.
Cestaticket

Atende as necessidades básicas do trabalhador e sua família, complementando a alimentação diária com a cesta de alimentos, integrando-os nos objetivos da empresa. A composição da cesta é elaborada de acordo com a necessidade e preferência do cliente, com opções no sistema de distribuição, através de unidades de atendimento ao usuário, na própria empresa, em postos-volantes ou domiciliar. É líder do segmento de cestas de alimentos em todo país.

460.000 cestas por mês.
350.000 trabalhadores beneficiados
3.300 empresas clientes
10.500 toneladas de alimentos por mês.
No total foram 330.000 toneladas de alimentos comprados em 2000.

Hotelaria & Viagens

A Accor Brasil ocupa posição de liderança em prestação de serviços de hotelaria e viagens, com vasta rede em todo o país. O sagrado direito de ir e vir. Ficar com conforto e segurança, sempre com uma opção de adequada às necessidades profissionais e pessoais dos clientes.

Hotel Sofitel

“Mais de 120 endereços de prestígio no mundo”. São hotéis de luxo, cinco estrelas, sofisticados e elegantes, com estilo europeu e gastronomia francesa. Destinados a viajantes de alto nível a negócio e lazer, com atendimento personalizado. São localizados em privilegiados de cidades com trânsito intercontinental ou pelo menos internacional. A diária em torno de 500 reais ou 300 dólares. Tem ainda os cincos estrelas de Resort, que são para férias com conforto.

6 unidades
1.509 apartamentos
196.721 diárias por ano
Novotel

“Seja bem-vindo, sinta-se a vontade”. São hotéis de categoria superior, quatro estrelas, com ambiente moderno e funcional, apartamentos padronizados e confortáveis. Com excelente atendimento, têm infra-estrutura completa para convenções, reuniões de negócios e lazer. São localizados em capitais e grandes cidades, em endereços convenientes e de fácil acesso. A diária é em torno de 140 reais.

12 unidades
1.509 apartamentos
284.236 diárias por ano
Mercure

“Todas as chaves da cidade”. São hotéis de alto padrão, quatro estrelas, que refletem o estilo de vida da cidade. Exclusivos e originais, com produtos variados, dão ênfase à gastronomia e oferecem o melhor serviço em hotelaria tradicional. Destinados à clientela de negócios, lazer e turismo. A diária é em torno de 300 reais. É versátil, tendo um posicionamento chamado Gran-Mercure, que mesmo não tendo o padrão, oferece algumas coisas do cinco estrelas, por um preço mais em conta.

13 unidade
353 apartamentos
102.754 diárias por ano.
Íbis

“Venha sentir a diferença”. São hotéis econômicos, três estrelas. Instalações simples, modernas e ambiente descontraído, oferecendo boas condições de descanso, higiene, segurança e alimentação, porém sem sofisticação. São competitivos, com relação entre qualidade e de serviço e preço. A diária é em torno de 75 reais.

9 unidades
1.196 apartamentos
275.593 diárias por ano
Parthenon

“A primeira e maior rede de flats do Brasil”. A rede Parthenon apresenta um produto com conceito diferenciado da hotelaria tradicional. São flats residenciais com serviços hoteleiros, conforto, segurança, localização privilegiada e infra-estrutura para hospedagens de curta e longa permanência. Além de um confortável quarto, oferece no mínimo um segundo ambiente independente e cozinha equipada, proporcionando ao hóspede o sentimento de “estar em casa”, pela privacidade e ambiente espaçoso e acolhedor. A diária é em torno de 120 reais.

64 unidades
5.789 apartamentos
1.095.891 diárias por ano.
No total, a hotelaria Accor recebeu 2,5 milhões de hóspedes no ano de 2005, em 105 hotéis e 12.357 apartamentos.

Formule 1

Supermoderno, superprático e supereconômico. Um hotel que reúne o máximo de funcionalidade pelo menor preço, com padrão de qualidade internacional. Maior rede de hotéis.

Carlson Wagonlit Travel

Com uma presença mundial e uma atuação local é voltada à consultoria e prestação de serviços em viagens e de negócios e lazer, oferecendo as empresas-clientes o gerenciamento de seu budget de viagens, através de um sistema de relatórios gerenciais. Atuam também no segmento de congressos, eventos e convenções, além de representar os sistemas de passes de trens europeus no Brasil.

670 mil clientes ativos por mês
40.503 bilhetes aéreos emitidos por mês
24.242 bilhetes terrestres emitidos por mês
2.974 passes de trem por mês
2.109 locações
Produtividade e Marketing

A Accor Brasil atua na fidelização de clientes, no incentivo de equipes e na melhoria da produtividade. Inovação. Diferentes ferramentas aplicadas no incremento à produção, motivação, logística, serviços e produtos diversos a bem do desenvolvimento dos objetivos dos clientes.

Incentive House

Pioneira na implantação do conceito de incentivo profissional no Brasil. É especializada em pessoas, desafios e incentivos a produção. Planejamento e criação de programas de motivação, voltados ao incremento de vendas e produtividade. Para atender as necessidades dos clientes, oferece soluções diversificadas como o Top Premium.

1.400 empresas clientes
37.000 lojas filiadas ao Top Premium
27.500 profissionais premiados com o Top Premium por mês
Ticket Transporte

Serviço pioneiro resolve problemas operacionais das empresas-clientes, prestando um serviço de gerenciamento com a compra, separação e distribuição dos vales-transporte para cada funcionário da empresa.

1.492 empresas clientes
249.982 usuários
Dalkia Infra4

Administração de Infra-estrutura. Assume em nome da empresa o trabalho de cuidar dos prestadores de serviços, com a missão de gerenciar as atividades de suporte de infra-estrutura com a melhor relação custo/qualidade, liberando o cliente o para a dedicação a sua atividade principal. Elabora diagnose, planeja, implanta, gerencia e desenvolve todo o processo de terceirização de atividades-meio de grandes e médias organizações empresarias.

66 clientes
350 unidades operacionais
11.000.000 m2 administrativos
Ticket Car

É a mais moderna solução para a gestão de frotas, garantindo sua produtividade. Resultado de um grande investimento em tecnologia e equipamentos de última geração, oferece segurança e agilidade aos serviços oferecidos em postos e oficinas como: abastecimento, lavagem, troca de óleo, compra de aditivos e filtros e manutenção. A solução baseia-se em rede ampla de postos e oficinas em todo o Brasil, cartão magnético ou “smart card” para efetuar pagamentos e relatórios gerenciais para o acompanhamento da gestão dos veículos da frota. Também oferece serviços adicionais como: assistência 24 horas, seguro, gestão administrativa e gestão operacional. Assim libera tempo e recursos para que as empresas possam dedicar-se as suas atividades principais.

910 empresas clientes
5.500 estabelecimentos credenciados
96.000 usuários
Ticket Seg

Corretora de seguros, especializada no desenvolvimento e comercialização de produtos que promovam a produtividade, o bem-estar e a segurança dos clientes, seus colaboradores e familiares.

1.420 empresas clientes
28.822 segurados
Academia

Universidade de Serviços. Seu foco é a formação e o aprimoramento profissional dos colaboradores da Accor Brasil e a divulgação e disseminação de inovações empresariais.

47.641 colaboradores treinados
1.965 cursos ministrados

Considerações Finais

A Accor acredita que as empresas, como os mais poderosos agentes de transformação e influência na sociedade, ganham, no seu papel social, novo contorno, mais amplo e mais abrangente. Para a Accor responsabilidade social é um dos seus mais sólidos valores, seja por meio dos colaboradores ou atos corporativos, a empresa está sempre sintonizada com as grandes questões sociais.

Diante disso, age mais integrada às comunidades onde exerce suas atividades. A Accor desenvolve, direta e indiretamente, diversos programas de natureza social, primeiramente para seus colaboradores e, depois para a comunidade.

Público interno: plano de odontologia, plano de participação nos resultados, plano de previdência privada, colaboradores acionistas, internet, banco de oportunidades etc.

Público externo: ação de orientação de trabalho para jovens estudantes, campanha para empresários para doação ao Fundo Municipal da Criança, do Menor e do Adolescente, programa de ecologia da Accor Hotels, campanha de arrecadação e doação de recursos para crianças, idosos, participação da arrecadação em eventos, campanha de doação de sangue e de agasalhos, programa de estágios profissionais, caminhadas pela saúde, olimpíadas esportivas e concursos de artes com crianças e adultos, entre outros.

Bibliografia

No site: http// www.accor.com.br

SPAs – Viver Bem é Viver com Saúde

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Autoria: Patrícia Pérola

SPA

RESUMO

Este trabalho tem por objetivo despertar a reflexão sobre o assunto SPA, servindo como um meio da sociedade estar se inteirando para este assunto.

Através da presente pesquisa pudemos mostrar a importância da interdisciplinaridade na prática no dia-a-dia nos SPAS; onde pudemos focar dentro do Estado de São Paulo, mais especificamente na cidade que é a pioneira e conhecida pelos SPAS de emagrecimento nela instalada, Sorocaba.

O SPA é de suma importância para um complexo turístico que providencia atividades de lazer saudável, geralmente em contato com a natureza e a água.

Esta pesquisa mostra como é a estrutura de um SPA, os padrões e o nível de geração de empregos diretos e indiretos, o comportamento do ser humano fora de sua residência, a importância da boa aparência, os eventos que acontecem dentro dos SPAS.

Procurou-se em seus capítulos aprofundar nos seguintes assuntos: Turismo, Turismo de Saúde, Termalismo, Nascimento da hotelaria, Hotelaria no Brasil, Definições de SPA e suas origens, Tipos e Categorias dos SPAS, Alimentação nos SPAS, SPA X Economia e Estatística, Comportamento da sociedade perante o SPA, o diferencial dos uniformes de um SPA, Tecnologia X SPA, Lazer e entretenimento nos SPAS, Gestão de Pessoas na Hotelaria/SPA, onde você poderá através deste trabalho formar a sua própria postura científica.

INTRODUÇÃO

Com esta pesquisa pretendeu-se mostrar a importância de interdisciplinaridade junto ao ramo de hotelaria, mais especificamente o “SPA”, com o objetivo de focalizar essa interpretação equivocada a respeito de que as disciplinas não estão interligadas como uma teia.

Através de nossas investigações bibliográficas foi possível proporcionar um maior conhecimento a respeito desta nova visão da interdisciplinaridade.

Essa visão da interdisciplinaridade é muito recente, e levará algum tempo para que haja consciência desta prática no dia-a-dia dos empresários.

O tema SPA foi escolhido porque a nossa região é pioneira nesse quesito, principalmente a cidade de Sorocaba, que é conhecida pelos SPAS de emagrecimento.

A palavra SPA é originaria de um município da Bélgica, da província de Ardenas, famosa por suas termas chamada SPA Francorchamps. Ela tem como significado “Sanus per Aquam”, Saúde pela água.

O SPA é uma designação técnica para um complexo turístico que providencia atividades de lazer saudável, geralmente em contato com a natureza. Tem como objetivo promover a saúde a senso latu (física, mental e social), atuando na prevenção, tratamento e reabilitação de doenças para melhorar e aumentar a qualidade de vida através da reeducação alimentar, diagnóstico dirigido e tratamento de estresse.

Os principais pilares do conceito dessa são a educação alimentar com dietas personalizadas, as avaliações físicas individuais, o acompanhamento psicológico e o lazer. Possui estrutura física, equipamentos e profissionais para atender diversos objetivos do público que procura os benefícios de técnicas e procedimentos para promoção de saúde e a conquista de novos hábitos.

Para um melhor desenvolvimento desse trabalho de pesquisa científica, visitamos o SPA Med Campus da região de Sorocaba para uma melhor visão da realidade dentro dele. Contudo, cabe a nós sabermos de antemão uma visão teórica do assunto em pauta, para assim poder ser verificado na prática.

Segundo os autores, Ana Lívia Silva e Cristiane Barreira (1994:41):

“SPA instituto autônomo ou ligado a uma organização hoteleira com programação definida de esportes, exercícios, lazer, fisioterapia, atividades recreativas, orientação medica, até uma dieta balanceada que tem como um dos seus propósitos remover o excesso de peso, dando ao individuo melhor aparência estética”.

Segundo o autor, Fred Lawson (2002:87)

“Os modernos spas buscam clientes em um mercado com uma variedade de necessidades e incluem uma ampla gama de disponibilidades para recreação individual e da família”.

Para os autores Nelson Andrade, Paulo Lúcio Brito e Edson Wilson Jorge (2000:85), a idéia é que

“SPAS são voltados para hóspedes interessados em saúde e cuidados com o corpo. Originalmente os SPAS vinculam-se a locais onde as propriedades terapêuticas das águas constituíam o atrativo principal. Hoje, o interesse por esse tipo de instalação vem se aplicando com o foco sendo desviado para o controle de peso e condicionamento físico”.

Pode-se notar que cada autor citado acima tem um conceito de SPA próprio, porém todos mencionam que seu principal objetivo é o de cuidar da saúde.

Iniciamos nosso trabalho com a definição de turismo e turismo de saúde. Nesta pesquisa analisamos as origens do SPA, o que significa, onde surgiu, por que surgiu, quais são os tipos e o que mudou ao longo dos anos.

Procuramos mostrar como é uma estrutura organizacional dentro de um SPA, como eles se dividem para atender os clientes.Comparamos as classificações de SPA fornecidas pelas associações ABC (Associação Brasileira de Clínicas SPAS) e ISPA (Internation SPA Association), e como é a administração do Sistema Americano utilizado nos SPAS.

Apresentamos os padrões e o nível de geração de empregos diretos e indiretos que a indústria hoteleira proporciona junto ao setor de SPA, direcionando o foco para a região de Sorocaba, onde também analisamos os preços das diárias, dos pacotes e serviços opcionais que eles oferecem, tudo isso de maneira teórica e com alguns gráficos. Analisamos o SPA como um produto turístico e qual a demanda e a oferta turística nessa categoria.

Abordamos ainda o comportamento do ser humano fora de sua residência, o porquê do ser humano ser tão diferente do que é fora do seu ambiente residencial, incluindo o comportamento social, modo de agir e falar.

Analisamos a importância do uso dos uniformes dentro do SPA e seu diferencial, os cuidados com a aparência pessoal, sobre os eventos que acontecem dentro dos SPAS e o porquê de algumas empresas preferirem os SPAS ao invés de hotéis mistos ou de negócios.

Procuramos também verificar os benefícios que os sistemas informatizados de reservas – utilizados para procedimentos tais como check-in, check-out e reservas – trouxeram para os SPAS e a sua importância na atualidade para tais estabelecimentos.

CAPÍTULO I

TURISMO

1.1 Conceito de Turismo

A palavra turismo se originou da palavra tour, que é associada à idéia de uma viagem ou turnê teatral.

O turismo pode ser definido como a ciência, a arte e a atividade comercial especializada em atrair e transportar visitantes acomodá-los, e atender com cortesia as suas necessidades e desejos.

Segundo Lord Curzon (1859-1925), governador-geral da Índia, apud, Beni (1997:17)

“O Turismo é uma Universidade em que o aluno nunca se gradua, é o Templo onde o suplicante cultua mas nunca vislumbra a imagem de sua veneração, é uma Viagem com destino sempre à frente mas jamais atingido. Haverá sempre discípulos, sempre contempladores, sempre errantes aventureiros.

Vários autores procuraram conceituar este fenômeno que foi evoluindo até chegar ao conceito mais difundido que é o da OMT, Organização Mundial de Turismo.

Em 1910 o economista Herman von Schullard, apud, IGNARRA (2003:12) definiu-o como:

“… a soma das operações, especialmente as de natureza econômica, diretamente relacionada com a entrada, a permanência e o deslocamento de estrangeiros para dentro e para fora de um país, cidade ou região”.

Tempos após surgiu a Escola de Berlim, que estudou o turismo nos aspectos econômicos. Arthur Bormann, apud, IGNARRA (2003:12) definiu-o como:

“… o conjunto de viagens que tem por objetivo o prazer ou motivos comerciais, profissionais ou outros análogos, durante os quais é temporária sua ausência da residência habitual. As viagens realizadas para locomover-se ao local de trabalho não constituem em turismo”.

Já Jafar Jafari, apud, IGNARRA (2003:12) apresenta uma definição mais holística do turismo:

“É o estudo do homem longe de seu local de residência, da industria que satisfaz suas necessidades, e dos impactos que ambos, ele e a industria, geram sobre os ambientes físico, econômico e sociocultural da área receptora”.

Para Oscar de La Torre, apud, IGNARRA (2003:13):

“O turismo é fundamental social que consiste no deslocamento voluntário e temporário de indivíduos ou grupos de pessoas que, fundamentalmente por motivos de recreação, descanso, cultura ou saúde, saem de seu local de residência habitual para outro, no qual não exercem nenhuma atividade lucrativa nem remunerada, gerando múltiplas inter-relações de importância social, econômica e cultural”.

Enfim, o turismo é conceituado pela OMT, apud, IGNARRA (2003:11), como:

“… o turismo engloba as atividades das pessoas que viajam e permanecem em lugares fora de seu ambiente usual durante não mais do que um ano consecutivo, por prazer, negócios ou outros fins”.

Pôde-se observar pela diversidade das definições que o turismo é um fenômeno complexo. A maioria das definições exclui dele as viagens desenvolvidas por motivos de negócios, de lucros.

O uso do termo ambiente usual tem por finalidade excluir as viagens dentro da área habitual de residência e as viagens freqüentes ou regulares entre o domicílio e o lugar de trabalho e outras viagens dentro da comunidade com caráter de hábito. Tal definição serve para padronizar o conceito de turismo nos vários países-membros dessa organização, mas não para definir a real magnitude desse fenômeno.

Por esta definição, o turismo é um fenômeno que envolve quatro componentes com perspectivas diversas:

O turista, que busca diversas experiências e satisfações espirituais e físicas;
Os prestadores de serviços, que encaram o turismo como uma forma de obter lucros financeiros;
O governo, que considera o turismo como um fator de riqueza para a região sobre sua jurisdição;
A comunidade do destino turístico, que vê a atividade como geradora de empregos e promotora de intercâmbio cultural.
Contudo, as viagens são responsáveis por grande parte da ocupação dos meios de transportes, dos hotéis, da estrutura de entretenimento, das locadoras de veículos e dos espaços de eventos. Todos esses elementos são considerados empreendimentos turísticos. Não é por outra razão que se desenvolveram os termos turismo de negócios ou turismo de eventos.

O turismo é uma combinação de atividades, serviços e indústrias que se relacionam com a realização de uma viagem: transportes, alojamento, serviços de alimentação, lojas, espetáculos, instalações para atividades diversas e outros serviços receptivos disponíveis para indivíduos ou grupos que viajam para fora de seu ambiente habitual. Ele engloba todos os prestadores de serviços para os visitantes ou para os relacionados com eles.

O turismo é toda uma indústria mundial de viagens, hotéis, transportes e todos os demais componentes, incluindo o marketing turístico que atende as necessidades e desejos dos viajantes. Do ponto de vista estritamente econômico, pode-se dizer que ele é a soma total dos gastos turísticos dentro de um país, subdivisão política ou região econômica centrada no deslocamento de pessoas entre áreas contíguas. Neste conceito, são também considerados os efeitos multiplicadores destes gastos turísticos.

Assim, podemos defini-lo como o deslocamento de pessoas de seu local de residência habitual por períodos determinados e não motivados por razões de exercício profissional constante.

Uma pessoa que reside em um município e se desloca para outro diariamente para exercer sua profissão não estará fazendo turismo, mas um profissional que esporadicamente viaja para participar de um congresso ou fechar um negócio em outra localidade que não a de sua residência, sim.

1.1.1 O conceito de Turista, Excursionista e Visitantes

Os viajantes são consumidores de serviço turísticos, quaisquer que sejam suas motivações. Porém, de acordo com a Organização Mundial do Turismo (OMT), estes consumidores podem ser classificados em turistas, excursionistas e visitantes.

Turista, na conceituação tradicional, é aquele que viaja com objetivo de recreação e que pernoita no destino visitado. Já em 1954, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU):

“Toda pessoa, sem distinção de raça, sexo, língua e religião, que ingresse no território de uma localidade diversa daquela em que tem residência habitual e nele permaneça pelo prazo mínimo de 24 horas e máximo de seis meses, no transcorrer de um período de 12 meses, com finalidade de turismo, recreio, esporte, saúde, motivos familiares, estudos, peregrinações religiosas ou negócios, mas sem propósito de imigração”. (apud, IGANARRA – 2003:14).

Quando o visitante não pernoita em uma localidade turística, ele é definido como excursionista. Aquele que viaja e permanece menos de 24 horas em local que não seja de sua residência fixa ou habitual com as mesmas finalidades que caracterizam os turistas, mas sem nele pernoitar, é considerado excursionista ou turista de um dia.

Costumou-se designar os participantes de cruzeiros marítimos ou fluviais que visitam uma localidade, mas que pernoitam nas embarcações, com o termo visitante, embora este enquadre tanto turistas como excursionistas. Por similaridade, alguns autores o têm utilizado para designar aqueles que se hospedam em residências secundárias ou em casas de parentes.

De acordo com a amplitude das viagens, o turismo pode ser classificado em:

Local – Quando ocorre entre municípios vizinhos;
Regional – Quando ocorre em locais em torno de 200 ou 300 km de distância da residência do turista;
Doméstico – Quando ocorre dentro do país de residência do turista;
Internacional – Quando ocorre fora do país de residência do turista (intracontinental ou intercontinental);
Conforme a direção do fluxo turístico, ele pode ser classificado em:

Turismo emissivo – Fluxo de saída de turistas que residem em localidade;
Turismo receptivo – Fluxo de entrada de turistas em um determinado local.
Ele pode também ser classificado de outras formas. Cohen, em 1972, classificou em institucionalizados aqueles que individualmente ou em grupos viajam para lugares conhecidos por intermédio de agências de viagens, e em não-institucionalizados aqueles que viajam por conta própria para locais desconhecidos ou pouco conhecidos, fugindo das grandes massas de turistas.

Os viajantes não são necessariamente turistas, embora a maior parte deles demande os mesmos tipos de serviços turísticos.

A primeira distinção se faz entre residentes e visitantes. Parte dos residentes não é viajante, mas parte é; e os visitantes, por definição, são viajantes e podem ser classificados em dois grupos:

– viajantes de interesse do setor de turismo: dividem-se em internacionais, que podem ser divididos entre aqueles que viajam dentro do próprio continente onde residem e os que visitam outros continentes, e em domésticos, que podem ser classificados entre os que viajam dentro da região em que residem e aqueles que viajam para regiões mais distantes. O professor Wilson Rabahy propôs outra divisão para as viagens internas brasileiras: turismo doméstico propriamente dito e turismo rotineiro.

– Outros tipos de viajantes: representados pelas tripulações, pelos trabalhadores temporários, migrantes, estudantes etc.

Como se vê, os conceitos de viagem, turismo e recreação estão interligados e se confundem:

Viagens – A ação e as atividades das pessoas que se deslocam para um lugar ou lugares fora de sua comunidade de origem com qualquer propósito, exceto o deslocamento diário de ida e volta ao trabalho.
Turismo – Termo sinônimo de viagem.
Recreação – A ação e as atividades das pessoas que empregam o seu tempo livre de maneira construtiva e pessoalmente prazerosa.
A recreação pode incluir a participação passiva ou ativa em esportes individuais ou de grupos, em funções culturais, a apreciação dos aspectos da história natural e humana, educação não-formal, viagens de lazer etc.

1.1.2 Os Tipos de Turistas

Cohen, apud, IGNARRA (2003:17), em 1979 propôs nova classificação para os turistas:

Existenciais: Buscam a paz espiritual pela quebra de sua rotina.
Experimentais: Querem conhecer e experimentar modos de vida diferentes.
Diversionários: Procuram recreação e lazer organizados, preferencialmente em grandes grupos.
Recreacionistas: Buscam entretenimento e relaxamento para recuperação de suas forças psíquicas e mentais.
Robert McIntosh, apud, IGNARRA (2003:18), classifica-os em:

Alocêntricos: Têm motivos educacionais e culturais, políticos ou de divertimentos caros, como jogos de azar, e viajam individualmente.
Quase alocêntricos: São motivados por eventos esportivos, religiosos, profissionais e culturais.
Mediocêntricos: São motivados pela busca do descanso, quebra de rotina, aventuras sexuais e gastronômicas e tratamento de saúde.
Quase psicocêntricos: Viajam em busca de status social.
Psicocêntricos: São motivados por campanhas publicitárias.
O turismo pode ser classificado em turismo individualizado ou em turismo de massa. Essa divisão está relacionada com a diferença entre o volume de turistas. Porém, os termos têm sido utilizados também para classificar o padrão de gastos dos turistas. O turismo individualizado seria o praticado por aqueles que consomem mais e de forma mais seletiva, e o turismo de massa seria mias econômico e mais coletivo.

O turismo individualizado caracteriza-se pela maior indiferença em relação aos níveis de gastos, busca destinações mais distantes e exóticas, procura os meios de transporte mais cômodos, hospeda-se em hotéis luxuosos e procura os restaurantes mais famosos.

O turismo de massa, ao contrário, caracteriza-se por utilização de agências de viagens para a aquisição de pacotes, procura destinações mais próximas, viagens com duração mais curta, transportes mais baratos, hotéis econômicos, prefere destinações mais conhecidas, escolhe os períodos de férias escolares.

Essa divisão do turismo implica, naturalmente, exceções. Há formas de turismo individualizado, como o praticado em albergues da juventude, grandes grupos, mas com elevado nível de gastos, como é o caso dos cruzeiros marítimos.

Um fenômeno bastante singular do turismo é aquele movimentado de turistas para determinadas localidades para curtir o verão, o que, em geral, é feito em direção às cidades litorâneas, onde se curtem, praias e mar. Ele se caracteriza por ser periódico, ou seja, as pessoas procuram, via de regra, os mesmos lugares todas as férias ou todos os feriados prolongados.

Caracteriza-se, também, por períodos prolongados de permanência nas épocas de férias e por ocupar preferencialmente residências secundárias e não a estrutura hoteleira. Os turistas (veranistas) procuram se hospedar em casas próprias, de amigos ou parentes, ou alugam essas residências por temporadas.

1.2 Conceito de Turismo de Saúde

A origem do nome Turismo de Saúde deriva do termo francês week-end de santé, que quer dizer “tratamento de fim de semana”. Esse termo surgiu nos institutos franceses de “talassoterapia”, onde percebeu-se então que era possível obter resultados positivos com o uso das águas, mesmo em pequenas temporadas, num final de semana e até em três dias.

Segundo Mourão, apud, SILVA e BARREIRA (1994:20):

“O Turismo de Saúde se propõe a ser modalidade crenoterápica, na qualidade de inovação surgida recentemente, destinada aos esgotados, estressados ou acometida de certas doenças crônicas de tratamento ambulativo, que virtude de seus afazeres profissionais, questões econômicas e outras decorrências particulares”.

Pode-se dizer que o Turismo de Saúde é o conjunto de atividades turísticas que as pessoas realizam na procura de meios de manutenção ou de aquisição do bom funcionamento e da sanidade do seu físico e do seu psiquismo.

O Turismo de Saúde constitui, atualmente, uma das manifestações da área mais destacadas em muitos países da Europa, incluindo: check-ups, dietas especiais, tratamentos com complexos vitamínicos, tratamento com ervas, hidroterapia, balneoterapia, homeopatia, acupuntura e assim por diante.

Os componentes terapêuticos relacionados com a saúde não são novos; o que é novidade, entretanto, é o conceito de Turismo de Saúde como uma estratégia mercadológica deliberada e crescente.

1.2.1 Fase de Transformações

Segundo a definição de Licínio Cunha, Presidente da Comissão de Economia da FITEC (Federação Internacional de Termalismo e Climatismo), apud, SILVA e BARREIRA (1994:19):

“O Termalismo é o conjunto de relações e vantagens que derivam de deslocação e permanência das pessoas nas estâncias termais, com o fim de obterem melhores condições de saúde, ou evitarem sua degradação, mediante a utilização de fatores e meios terapêuticos”.

O Termalismo é considerado uma divisão da Medicina Física, e como tal, é uma atividade científica. Como toda Ciência, é dinâmico, está em constante evolução, adquirindo novos conhecimentos sobre a saúde do ser humano e como recuperá-la, ou seja, como manter o bem-estar físico e psíquico dos indivíduos. Sob esse prisma, a atualização em todos os seus setores é fundamental.

No decorrer dos tempos, sua evolução precisou ajustar-se às amplas mudanças políticas, econômicas e sociais ocorridas no mundo, bem como à industrialização e aos avanços tecnológicos deste final de século.

De forma mais ampla, o Termalismo passou a envolver um complexo de atividades científicas, fisioterápicas, turísticas, médicas, empresariais, públicas e administrativas.

Como conseqüência dessas mudanças, surgiu o Turismo de Saúde, em voga em alguns países europeus, no qual os turistas, geralmente habitantes das grandes cidades, em curtas temporadas, finais de semana, feriados, férias de poucos dias, à exceção dos períodos de intenso movimento, buscam tranqüilidade, repouso e bem-estar físico e psíquico.

Dessa forma, de maneira muito simplista, o Termalismo clássico de média e longa permanência nas estâncias será sempre o verdadeiro; o de curta permanência está reservado ao Turismo de Saúde, que deve ser valorizado.

As duas modalidades podem ser perfeitamente conciliadas nas estâncias, a fim de aumentar a freqüência dos turistas, principalmente nos meses de baixa estação, que caracteriza a ociosidade dos equipamentos receptivos.

1.2.2 Modalidades do Turismo de Saúde

O Turismo de Saúde se resume no Termalismo Médico de curta duração, em curas sucessivas. Realizado como processo crenoterápico, tal qual acontece na cura termal clássica, a persistência torna-se fator indispensável, devendo-se evitar sua interrupção até que os resultados desejados sejam obtidos. Em caso contrário, os pacientes não alcançarão alívio para os seus sintomas, nem mesmo temporário.

Diante dessas considerações, podemos distinguir duas modalidades de Turismo de Saúde: o transitório e o medicinal.

A primeira modalidade, o Turismo de Saúde transitório, não possui valor terapêutico preventivo ou curativo, no qual os turistas de passagem, em busca de novidades ou por simples curiosidade, vão às termas para conhecerem e experimentarem os tratamentos disponíveis. Normalmente, eles apreciam e elogiam as aplicações terapêuticas, mas os efeitos são apenas psicológicos.

Esses turistas devem ser bem tratados, pois, além de pagarem pelos serviços das termas, são “curistas potenciais” e podem ser ótimos agentes de propaganda.

A segunda modalidade, o medicinal, é considerado o autêntico Turismo de Saúde. Diz respeito aos turistas que utilizam as águas para se tratarem, mas que, por falta de tempo, não podem permanecer por um período mais longo nas estâncias. Nesses casos, o médico deve considerar o problema apresentado criando um cronograma crenoterápico a fim de que o curista possa retornar em outras ocasiões, de acordo com suas conveniências, para dar continuidade ao tratamento iniciado.

As curas sucessivas dividem-se em:

A. Pequenas temporadas – a permanência na estância deve ser de duas semanas, com uma sessão hidrotermal diária. Caso não tenha sido suficiente, o curista retornará assim que possível para uma ou mais temporadas. Independentemente do resultado obtido, para consolidar o tratamento o paciente deverá retornar dentro de seis meses, permanecendo no mínimo uma semana;

B. Curtas permanências – estadia de poucos dias (finais de semana, feriados, etc.), repetidas aproximadamente a cada três meses, até que os resultados alcançados sejam considerados satisfatórios. Somente a persistência e a regularidade no tratamento poderão proporcionar respostas clínicas adequadas.

1.2.3 Desenvolvimento do turismo de saúde

Na década de 70, a maioria das estações turísticas e termais da Europa, transferindo a ênfase do tratamento de doenças para o incremento e prolongamento da saúde num ambiente de lazer, começaram a recuperar suas atividades, resultando na modernização da infra-estrutura e numa forma de hospedagem e de entretenimentos mais bem adaptados à clientela.

Essa reação foi necessária para escapar de uma especialização excessivamente geriátrica e para atrair visitantes mais jovens, que buscaram férias junto ao mar, à areia e ao sol.

O surgimento e evolução desses novos produtos posicionam os tratamentos preventivos em oposição àqueles de cura, dando assim uma nova dimensão às termas do continente europeu.

Segundo SILVA e BARREIRA (1994:22):

“Na Alemanha e Itália, existem uma cultura e uma indústria de Turismo voltados à saúde, bem estabelecidas, sendo esses dois países seguidos de perto pela França, Suíça e Áustria”.

Diante de uma tendência crescente da retomada do culto ao corpo como meio de prolongar a eficiência e as capacidades vitais, os turistas estão voltando a freqüentar as estâncias e buscam cada vez mais esses locais para se tratarem, por indicação médica ou por conselho de algum amigo.

Hoje, há um sensível aumento de jovens e adultos sadios que viajam em busca dos recursos terapêuticos nas estâncias climáticas, termais e hidrominerais, até bem pouco tempo freqüentadas quase que exclusivamente por idosos e enfermos.

Esse redirecionamento está ajudando a provocar um movimento de efetivo reconhecimento das águas mineromedicinais como recurso terapêutico e importante ponto de marketing turístico para a promoção das estâncias.

Segundo SILVA e BARREIRA (1994:23):

“O Turismo de Saúde é a alavanca que pode terminar de vez com a esfera, o desânimo e a letargia por que passam as estâncias brasileiras, vocacionadas e preparadas fisicamente para a recepção dos turistas”.

1.3 SPA – Viver bem é viver com saúde

A saúde é um aspecto muito importante de nossas vidas, mas somente nos damos conta disso quando começamos a perdê-la.

Mas a saúde não se resume somente aos aspectos físicos, também aos aspectos mentais. A prova disso é o comportamento das pessoas que se encontram acima do peso.

Partindo então deste princípio é que os SPAS atuais estão cuidando não somente dos aspectos físicos do paciente (emagrecimento), mas também dos aspectos psicológicos (mente).

As pessoas começam o mau relacionamento com sua aparência primeiramente com o espelho, depois descarregam a frustração na alimentação, principalmente em horários irregulares.

Quando chegam no estágio físico de “obeso” começam a demonstrar doenças físicas, como: dor na coluna, pernas inchadas e a pior de todas, a “depressão”.

Dentre todas as doenças de aspectos psicológicos de nossa época, talvez a mais comum seja o stress, que acarreta muitos e muitos problemas para o ser humano.

Mas por que viver bem é viver com saúde? Porque é humanamente impossível viver bem e não ter saúde, com saúde sim podemos pensar no modo de como viver bem.

Todos conhecem aquele famoso ditado popular: “As pessoas só dão valor para as cousas depois que as perdem”. Sendo assim, com a correria diária da vida moderna as pessoas não têm tempo para pensar em si mesmas, elas se esquecem de que o mais importante na vida, mais ainda que todos os bens que o dinheiro pode comprar: a saúde.

Por tais motivos surgiram os SPAS, que hoje são referência para quem quer ter uma qualidade de vida associada ao bem estar.

A maioria dos SPAS possui área verde, médicos especializados, nutricionistas, psicólogos, etc., lugares estes que proporcionam bem estar para corpo e mente.

Em geral, um dos principais motivos que leva uma pessoa a procurar um SPA é a perda da auto-estima. Este fato exige um ambiente totalmente diferente do que a pessoa vive em sua rotina normal.

Os SPAS também focam o seu atendimento para pessoas que se encontram cansadas pelo stress do dia-a-dia, principalmente os executivos, para um simples relaxamento.

Para que as mudanças de hábitos possam realmente acontecer, temos que crer que os SPAS são os melhores ambientes para que uma pessoa consiga mudar seus hábitos alimentares e começar a viver bem e com saúde.

CAPÍTULO II

TERMALISMO

2.1 Conceito de Termalismo

As estâncias hidrominerais, climáticas, termais e litorâneas possuem recursos que, por si só, podem ser utilizados de forma muito benéfica para o organismo humano. O aproveitamento dos recursos naturais de forma a produzir efeitos terapêuticos é o que define o conceito de Termalismo (thermai, do grego, e thermae, do latim, referem-se a banhos quentes).

A palavra Termalismo é utilizada de maneira genérica para designar o emprego da água mineral (Crenoterapia), do clima (Climatoterapia), do mar (Talassoterapia), das areias e emanações radiotivas (Radioclimatoterapia) e do microclima de determinadas grutas, cavernas e galerias subterrâneas (Espeleoterapia) com finalidades curativas.

Quando falamos em práticas termais, referimo-nos aqui a um conjunto de práticas que têm como agente terapêutico a água termal e que ocorrem no espaço de um estabelecimento balnear, usualmente designado em Portugal e no Brasil por balneários, termas ou casa de banhos. Os locais onde existem esses estabelecimentos têm designações diferentes conforme o país e a época histórica. São utilizadas para essas localidades as seguintes designações: caldas, termas, estâncias termais, estâncias hidrominerais. Estas expressões estão hoje definidas por legislações internacionais e nacionais relativas ao termalismo, às águas minerais e ao turismo.

A expressão termalismo tem sido usada indiferentemente por aqueles que têm escrito sobre o uso das águas termais. No entanto, as fontes e a bibliografia até agora por nós consultadas parecem indicar que a designação foi utilizada apenas no século XX.

As práticas termais tiveram uso ancestral e são associadas, sobretudo por médicos, à fase ‘religiosa’ e ‘empírica’ da medicina. Com o advento da medicina dita científicos, os médicos sentiram necessidade de se apropriar dessa prática terapêutica — para uns populares, para outros do domínio da magia — de modo a que ela acompanhasse a história da medicina.

Segundo Armando Narciso (1940:3):

“… a terapêutica termal foi até a pouco, quase julgada pela ciência oficial, como um ramo da magia. Desta situação resultou o desdém de muitos cientistas por esta terapêutica e o seu afastamento sistemático do ensino universitário”.

Nessa terapêutica, o agente é a água termal, que foi transformada no final do século XIX, particularmente na França, em objeto de estudo de uma nova ciência, a Hidrologia Médica.

E foram médicos hidrologistas que definiram o termalismo como “… um conjunto de atividades que envolvem a terapêutica pelas águas minero-medicinais aplicadas a um doente durante a sua estadia numa Estância Termal”.

Segundo Mourão, (1992:13), apud, Teixeira (1990:27):

“… termalismo ou hidroclimatismo, diz respeito ao conjunto de tratamento hidriático, climático, pelóidico, pepsâmico, cinésico, psicológico e higienodietético. E todos eles, sempre que possível, empregados simultaneamente constituindo um programa com diversas modalidades de cura e admitindo-se, em determinados casos, a complementação com fisioterapia e farmacoterapia”.

Empregamos aqui a designação termalismo quando nos referimos ao conjunto de atividades terapêuticas desenvolvidas no espaço de um estabelecimento balnear e que tem como agente terapêutico a água termal.

No Brasil, usualmente, o acesso aos estabelecimentos termais não impõe uma passagem prévia por um médico, nem esse tipo de terapia está integrado em um sistema de saúde.

Já em Portugal é necessário haver supervisão médica para se usar as águas termais. Este tipo de terapia está contemplado no sistema nacional de saúde, sendo comparticipada financeiramente pelo Estado português.

Essa conjuntura poderia induzir-nos a pensar que em Portugal haveria uma tendência entre os médicos a prescrever esse tipo de terapia assiduamente.

Mas isso não é, no entanto, o que a etnografia realizada por meio de entrevistas com usuários e médicos, permitiu perceber, nem o que decorre da leitura de alguns textos médicos.

Os usuários comentam freqüentemente que, quando questionados sobre a utilidade do uso dessa prática, os respectivos médicos dão como resposta: “Pode ir! Se não fizer bem, mal também não faz”.

Já os médicos queixam-se do desconhecimento e da minimização desse tipo de terapia por parte de alguns colegas, a quem acusam de contribuir para o não desenvolvimento dessa ‘ciência’. Pois em Portugal, para poder exercer clínica em um estabelecimento termal, é necessário ter formação no nível de pós-graduação em hidrologia médica.

A situação parece apresentar-se como um paradoxo: as práticas termais em Portugal são legitimadas como um saber médico ‘científico’ pela medicina e pelo Estado, mas simultaneamente são negadas no próprio contexto do corpo médico ou adotadas como placebo.

No Brasil, não é necessária a especialidade em hidrologia médica para exercer clínica em um balneário termal, sendo que hoje inexiste tal disciplina no currículo escolar das universidades de medicina.

Assim, os dois contextos levam a usos diferentes das práticas termais por parte de seus utilizadores e dos demais atores sociais envolvidos nesse processo.

2.2

Como surgiram as termas?

A relação homem/água remota aos primórdios do ser humano na face da Terra. A água cobre sete décimos desse planeta e não existe ser vivo que sobreviva sem sua existência, pois ela é veículo para elementos indispensáveis à vida, sendo o organismo humano adulto constituído de aproximadamente 60% de água.

Segundo Alvisi (2001:100)

“O uso terapêutico das águas começou quando o homem pré-histórico notou que lavadas as feridas saravam mais rápido, ou que poderia diminuir suas dores se imergisse a região afetada”.

A origem das águas minerais é discutida desde a mitologia grega, onde se relatava que Pégasus, o cavalo alado, escoiceando uma rocha, fez uma fenda e dela teria brotado a primeira fonte de água mineral. Poderes milagrosos de cura foram atribuídos a muitas dessas fontes, as quais recebiam o nome dos deuses, tais como Minerva, Vulcano, etc.

Ao redor dessas fontes, num ambiente propício para tratamentos diversos, formavam-se os “Asclepions”, que eram santuários, verdadeiros centros de peregrinação, onde o conhecimento da arte médica era passado de geração para geração por sacerdotes. Asclépio foi um médico, citado na Ilíada por Homero que sofreu um processo de glorificação e posteriormente veio a divinização, tornando-se deus da medicina. Devido à fama, teria emprestado seu nome para esses centros médicos espalhados pela Grécia, que possuíam, além das fontes, campos de esportes e divertimentos. Os gregos usavam a música para perturbações nervosas, sonhos para descobrirem a origem das doenças e a hipnose com finalidades terapêuticas, associadas ao uso das águas. A civilização grega trouxe o início da utilização das práticas hidroterápicas enquanto ciências, acompanhadas de massagens e dietas especiais.

O emprego de banhos teve seu apogeu na Idade Antiga com o Império Romano: em toda a sua extensão de domínio, havia Thermas que guardavam dois objetivos: o primeiro era de caráter curativo e revigorante das tropas e atendia também à população das localidades onde as termas eram construídas; o segundo era o aspecto social, proporcionando às famílias ricas um conjunto de facilidades destinadas, sobretudo ao repouso e ao divertimento. Essas famílias iam em caravanas até às localidades recém-conquistadas, onde as Thermas iam sendo consolidadas, desenvolvendo assim uma atividade turística. Palácios e vilas ricamente construídas junto às fontes serviam como segunda residência e neles se realizavam, a ritmo quase constante, festas destinadas a entreter os poucos privilegiados que, rodeados de escravos, gozavam as delicias de seu status político e social.

Os romanos não só impunham novas leis aos povos conquistados, como também seus costumes. Isso acarretou que grande parte da Europa e norte da África também adquirissem o “vício” das práticas termais. Mais ou menos 300 anos d.C. Roma tinha por volta de 1000 termas, onde teve origem a expressão Termalismo, referindo-se à utilização das termas. Muitas dessas termas ficaram famosas e o são fatos hoje, como a Aix-la-Chapelle (onde Carlos Magno fixou a sede de seu governo) e muitas outras.

Bath, na Inglaterra, é até hoje uma comprovação da dominação romana nas Ilhas Britânicas. É considerada uma cidade mundialmente importante porque abriga ruínas que testemunharam a história da humanidade. A arqueologia nos últimos 300 anos desvendou em Bath a complexa estrutura, com divisões arquitetônicas como as salas de teridarum (com piscina de água tépida), laconicum (verdadeiras saunas), caldarium (com piscinas de água quente), etc., que eram construções destinadas a utilizações diversas, com finalidades específicas, evidenciando a utilização das termas com propósitos curativos. Entretanto, quando sobreveio a queda do Império Romano e a passagem para a Idade Média, o corpo foi considerado por muitos como instrumento de pecado e o uso de banhos praticamente desapareceu, chegando mesmo a ser apontado como uma das causas do declínio romano.

Durante a Idade Média, as trevas culturais levaram a uma regressão de toda a Ciência invadida que se viu por conceitos místicos retrógrados, por pressões religiosas cruéis, que só visavam à reorganização e à recuperação do poder da Igreja. As pragas e epidemias que dominaram esse período reforçaram o abandono do uso dos banhos públicos.

Com a Renascença, mudaram-se os hábitos e os costumes, possibilitando o ressurgimento do Termalismo. Mas esse retorno às práticas termais pouco durou em função da sífilis. Acreditava-se que ela fosse transmitida através das piscinas térmicas. Só no final da Renascença e com o controle da sífilis é que o Termalismo finalmente renasceu.

Na França, nos séculos XVII e XVIII, os reis iam às águas com suas comitivas, e assim as fontes e os banhos foram pouco a pouco sendo redescoberto. Como os visitantes das estâncias utilizavam apenas parte do dia para os banhos, sobrava tempo para outras atividades. Assim, criaram-se outras opções de entretenimento que não tinham necessariamente alguma ligação com o aspecto medicinal e constituíam-se de teatros, casas de ópera, cassinos, pista de corrida, livrarias, salões de bailes, etc., mudando a ênfase da saúde para o lazer, atraindo a aristocracia da época. Dessa forma, as cidades adquiriram fama não pela quantidade dos tratamentos que ofereciam, mas sim pela reputação de sua clientela.

No século XIX, o Termalismo alcançou o seu apogeu. As grandes estâncias hidrominerais progrediram aceleradamente, principalmente na Europa, com a invenção das estradas de ferro, que facilitaram o acesso às estações de águas.

No final do século XIX e início do século XX, o Termalismo passou da era empírica para a clínica, com estudos científicos e controle das águas para análise química. Billard, um pesquisador francês, foi quem em 1905:

Segundo Pupo (1952:35), apud, SILVA e BARREIRA (1994:20):

“… deu início a uma série de experiências que comprovariam as qualidades terapêuticas das águas minerais e passariam a ser consideradas águas medicinais”.

Nessa época, a Hidrologia médica passou a ser ensinada nas faculdades de medicina em vários países europeus.

“Esse surto de evolução [de acordo com Fumest (s.d:6)] resistiu até o final de Segunda Guerra Mundial”, a partir da qual o Termalismo sofreu um profundo esvaziamento, em conseqüência do avanço da indústria farmacêutica, que inaugurou a era dos antibióticos e dos corticóides. O emprego de uma medicação de efeito mais rápido e mais potente permitiu que progressivamente os recursos naturais oferecidos pelo termalismo fossem caindo no esquecimento. A queda do poder aquisitivo decorrente das mudanças socioculturais e políticas do século XX, aliada à procura crescente pelas estâncias balneárias litorâneas por parte dos turistas, acabou por acentuar o declínio da procura pelas estâncias hidrominerais.

Segundo Oswaldo (1974:58), apud, SILVA e BARREIRA (1994:25):

“Crenoterapia é a mais desenvolvida área do termalismo, é o tratamento de doenças com o aproveitamento das propriedades químicas e fisicoquimicas das águas minerais naturais”.

A Crenoterapia vem reerguendo-se lentamente na França, Alemanha e Rússia desde a década de 60, onde é vista como uma forma de Medicina Alternativa, e muitas clínicas européias localizam-se em formosas e tradicionais estâncias hidrominerais.

Hoje existe a nível mundial uma grande preocupação com a manutenção da saúde no seu aspecto preventivo e não só com a recuperação da mesma, sob o aspecto curativo, o que direciona o indivíduo em busca de recursos naturais de tratamentos, desintoxicantes e relaxantes, tão necessários ao desgaste psicofísico provocado pela vida moderna.

Segundo Bruggemann, apud, SILVA e BARREIRA (1994:16):

“A hipótese mais provável é que a água da chuva desça pelas fendas de formação rochosa e encontre a mais de um mil metros de profundidade, rocha em fusão. Suba por pressão de temperatura e vá trazendo traços dos minerais presentes nas rochas, a maioria granito. Acaba retornando aquecida e mineralizada”.

Atualmente podemos obter informações da sua existência baseados em estudos do biólogo Fernando Bruggemann, que há 11 anos estuda educação ambiental no Resort Plaza Caldas da Imperatriz, localizado em Santa Catarina, e explica que os diferentes tipos de rochas é que são responsáveis pelo enriquecimento das águas, podendo ser alcalinas, magnesianas, radioativas, entre outras.

O gerente geral do Resort Plaza Caldas da Imperatriz SC, Eduardo Pereira Mello apud, SILVA e BARREIRA (1994:16), explica que:

“A combinação dos sais identificados na água, com a sua neutralidade, de uma pequena dose de radioatividade, aliada á temperatura, favorece o corpo todo”.

Hoje as águas presentes em cavidades subterrâneas são as principais reservas de águas e estas abastecem os rios e lagos. O seu uso é bastante diversificado entre eles: consumo, irrigação, balneoterapia.

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico – IBGE (Recursos Naturais e Meio Ambiente, 1998) nos indica que “51% do suprimento de água potável se origina do recurso hídrico subterrâneo”;

2.3 Termalismo no Brasil

Embora já existissem no Brasil registros de fontes de água mineral, o Termalismo teve início real no país com a ocupação do interior pelos bandeirantes, que descobriram as primeiras fontes de água mineral e passaram a utilizá-las para a cura e o repouso.

Em 1722, Bartolomeu da Silva, desbravando o sertão goiano à procura de ouro, registrou a de descoberta de várias fontes de águas quentes. Porém, apenas os índios da região usufruíam das propriedades medicinais das águas durante esse período. Em 1777, Martin Coelho de Siqueira, também à procura de ouro em Goiás, descobriu novas fontes termais e a partir de então se deu início à formação dos primeiros núcleos habitacionais, constituídos de garimpeiros e enfermos, atraídos pelas águas termais.

Segundo Alvisi (2001:101), com o deslocamento da família real portuguesa para o Brasil, em 1808, “teve início a avaliação médico – científica de nossas águas, pois nessa época, na Europa, as práticas termais já eram um hábito arraigado “.

Em 1813, foi descoberta em Santa Catarina uma fonte que viria a ser considerada a primeira estância hidromineral brasileira. Essa fonte termal foi alvo de disputa entre silvícolas e o governo da época.

Segundo Pupo (1974:37), apud, SILVA e BARREIRA (1994:17):

“Em 1845, o então Imperador D. Pedro II e a Imperatriz D. Thereza Christina hospedaram-se na localidade e deram uma contribuição de 400 mil réis para a construção de uma casa para hospedagem dos doentes que procurassem a localidade, e que passou a ser denominada ‘Caldas da Imperatriz ’”.

Em 1860, as estâncias sul-minerais, já em início de funcionamento, foram prestigiadas com a visita da Princesa Isabel para tratamento de saúde, em Caxambu, dando início a um grande desenvolvimento do Termalismo no Brasil.

Descobertas as fontes brasileiras, fossem por bandeirantes à caça de ouro (Caldas Novas, por exemplo), ou por exploradores à procura de petróleo (como é o caso de Águas de São Pedro), a confirmação do valor terapêutico das águas foi-se solidificando aos poucos.

Desta época até 1945, nossas estâncias possuíam um nível que se igualava às melhores instalações hidroterápicas da Europa. Foram criadas as estâncias hidrominerais de Águas da Prata (1935), Águas de Lindóia (1937), Águas de São Pedro (1940) e foi inaugurado o Complexo Termal-Grande Hotel Balneário na Estância do Barreiro, em Araxá (1944), caracterizando o período entre os anos 20 e 45 como o seu apogeu.

As pesquisas biológicas foram iniciadas na Bahia, por Adriano Ponde, em 1923; Otávio Magalhães no ano de 1925, em Araxá, verificou poderes microbicidas na lama medicinal e larvicida no microclima do Barreiro. Em 1936, estudos clínicos experimentais foram realizados em Águas de São Pedro por Otávio de Paula Santos e Tito de Albuquerque Cavalcante e, posteriormente, os resultados encontrados nesses estudos foram comprovados em laboratório pela cadeira de Fisiologia da Faculdade de Medicina de São Paulo, através de Cyro Camargo Nogueira. Ensinava-se Crenoterapia nas faculdades de medicinas do Brasil, porém na década de 50 essas cadeiras foram sendo desativadas.

Pela ausência de apoio e estímulo acadêmico, os médicos crenoterapeutas foram ficando isolados nas estâncias. Sem uma instrução formal, instalou-se a ignorância acerca desse recurso terapêutico que foi substituído por métodos mais agressivos e avançados, impostos pela evolução da medicina, após a Segunda Guerra Mundial:

Segundo Mourão (1976:77), apud, SILVA e BARREIRA (1994:18):

“Atribui-se à falta de ensino nas faculdades de medicina o desconhecimento e pouco progresso científico verificado na Hidrologia e Climatologia Médicas em nosso país”.

O Termalismo no Brasil esteve associado à atividade dos cassinos durante a sua fase áurea. Aliava-se o jogo à necessidade de férias, recreação, contato com a natureza, sendo que a permanência prolongada nessas cidades, pela situação econômica da época, satisfazia a necessidade do uso das águas durante 21 dias.

Em 1946, o então Presidente da República Eurico Gaspar Dutra abruptamente proibiu o jogo, provocando o fechamento dos cassinos no país, e conseqüentemente o caos na economia das estâncias hidrominerais brasileiras. Algumas estâncias reagiram, procurando diferentes alternativas econômicas ou turísticas, enquanto outras estacionaram e mantiveram-se em compasso de espera, pela reabertura dos cassinos.

Porém, essa reação no sentido de sobrevivência ao fechamento dos cassinos afastou a estância da sua vocação natural para o Turismo de Saúde. Com investimentos no Turismo convencional não direcionado para a saúde, em grande parte provocou-se a descaracterização da localidade como estância, que foi perdendo o seu maior diferencial mercadológico.

Após praticamente 30 anos de silêncio, em 1987, na cidade de Juiz de Fora foi realizado o primeiro Curso de Extensão Universitária em Termalismo, num movimento isolado de reinformar a classe médica sobre as possibilidades de utilização da Crenoterapia como recurso terapêutico de valor considerável.

Em Poços de Caldas, Benedictus Mário Mourão, diretor das Thermas Antônio Carlos, há dois anos realiza cursos sobre Termalismo para profissionais ligados à área de saúde com o intuito de difundir conhecimentos e potencialidades das estâncias de cura brasileiras, além de noções técnicas e científicas, de maneira a permitir o seu emprego em atividades profissionais.

O interesse por recursos naturais de tratamento, tão como em Yoga neste final de século, provocou um movimento de retorno à sua utilização; Crenoterapia, Homeopatia, Acupuntura, Fitoterapia, etc., usados em conjunto ou não, já começaram a serem oferecidos em balneários de algumas estâncias hidrominerais brasileiras.

CAPÍTULO III

HISTÓRIA DA HOTELARIA

3.1 Nascimento da Hotelaria

A história da hotelaria começa com os primeiros deslocamentos do homem, quando as grandes distâncias e os meios utilizados obrigavam os viajantes a pernoitar em lugares seguros, onde também tivessem refeição. As razões do deslocamento dos povos foram muitas: a conquista de novas terras, a religião, o comércio, etc. tais lugares, chamados de pousadas, eram similares às tabernas, cuja profissão, a de taberneiro, já se mencionava no Código de Hammurabi.

Na antiga Grécia, estas “tabernas” se situavam próximas aos templos, onde muitas vezes sacrificavam animais, os quais eram consumidos em grandes banquetes.

O Império Romano marca fatos fundamentais, tais como a construção da Via Àpia, executada por Appius Claudius Crassus no ano de 312 a.C. (século IV a.C.), ou a construção destinada a albergue público em Lenindaran, Olímpia, também no século IV a.C. construída em razão dos jogos olímpicos.

Pouco a pouco o Império Romano foi se estendendo por toda a Europa e no ano 117 a.C. as estradas chegavam a uma extensão de mais de 80.000 km, ao longo dos quais se instalaram estabelecimentos destinados á acomodação dos viajantes (pousadas), onde sem luxo ofereciam teto e camas de feno e, em alguns casos, alimentos e bebidas (cardápios à base de carne, pão e vinho).

Com o cristianismo vão se generalizando determinados princípios, como o de dar um melhor tratamento ao próximo e abrigá-lo em sua própria casa, convertendo-o em um hóspede diferenciado. Em contrapartida, cai o Império Romano, diminuindo o comércio e desaparecendo as pousadas construídas ao longo de muitas estradas.

Na Idade Antiga, no ano de 622 d.C. (século VII), surge na Arábia o islamismo, expandindo-se com o cristianismo, sobretudo na Idade Média. A rivalidade entre estas religiões trouxe consigo o confronto: as Cruzadas ou Guerras Santas, nas quais se realizavam grandes experiências religiosas e militares cuja finalidade era resgatar os “Lugares Santos”: Jerusalém, Belém e Nazaré, em poder dos seljúcidas ou seldjúquidas (otomanos que dominaram a Ásia Ocidental nos séculos XI e XII). Depois da recuperação dos “Lugares Santos”, em 1137, foi fundada a ordem de São João de Jerusalém, formada por cavaleiros que tinham por objetivo oferecer proteção e hospedagem aos peregrinos destes lugares, fato que trouxe a fundação de hospitais, do latim hospes que significa hóspedes, de cujo vocábulo também deriva a palavra hotel. Estes hospitais serviam mais como albergues do que como centros assistenciais.

Durante a Idade Média os mosteiros foram as instituições que ofereceram hospedagem aos viajantes sem pedir nenhum pagamento; estes viajantes contribuíram voluntariamente com os gastos de tais mosteiros na medida de suas possibilidades.

Com o fim da Idade Média, o conseqüente ressurgimento da cultura ocidental, o aumento e a freqüência de viagens voltam a aparecer os estabelecimentos de hospedagem, as hospedarias e as estalagens, que ofereciam, com fins lucrativos, acomodação, alimentos, bebidas e abrigo para os cavalos. As hospedarias se localizavam nos povoados e nas estalagens ao longo dos caminhos.

É assim que surge uma casa especial de hóspedes chamada de inn ou hospedaria, a primeira de origem inglesa e a segunda do vocábulo francês Maison que significa casa. Na Grã-Bretanha, a palavra inn foi utilizada até 1956 (ano de aprovação da Ata de Proprietários de Hotel).

Já na Idade Moderna, mais precisamente em 1539, acontece um fato importante na Inglaterra: a supressão dos mosteiros, que provocou a proliferação dos inns (um censo do ano 1577 já os contava na quantidade de 1631).

Desde

o século XVII foram consideravelmente melhorados os caminhos e surgiram as primeiras diligências, que trouxeram como conseqüência a criação de estradas públicas, que por sua vez aumentaram as viagens e a demanda por acomodação.

Durante o reinado de Luis XV (1715-1774), na França já se denominava hôtel garni aos estabelecimentos de hospedagem, cuja derivação, a palavra hôtel, foi introduzida em Londres com os estabelecimentos The Grand Hotel, The Cantre Hotel e St. Ames Hotel, dirigido pelo Duque de Devoshire.

Vale destacar também na evolução da hotelaria a inauguração em Paris, em 1765, do primeiro restaurant dirigido por Boulanger, o qual se diferenciava das pousadas e tabernas que, como já se mencionou, também ofereciam acomodação. Este estabelecimento tinha em sua entrada um cartaz que ostentava em latim a seguinte frase: Venite ad me omnes qui stomacho laboratis et ego restaurabo vos (venham a mim homens de estômago roncando, que eu os restaurarei – de onde se deriva o vocábulo restaurante).

A invenção da máquina a vapor teve efeitos importantíssimos no desenvolvimento da hotelaria, assim como o surgimento da estrada de ferro, que permitiu que cada vez mais pessoas se deslocassem, com maior freqüência, e para um maior número de cidades. Isto resultou na criação de centros turísticos, aparecendo também os primeiros edifícios destinados a prestar serviços de acomodação, alimentação e recreação, chamados hotéis.

Nos Estados Unidos, em 1794, foi inaugurado em Nova Iorque o primeiro edifício com fins claramente hoteleiro, batizado com o nome de City Hotel. Este estabelecimento oferecia ao público 73 quartos. A partir deste momento, surgiu a concorrência na construção de hotéis, em cidades como Boston, Baltimore e Filadélfia; como exemplo, em 1801 foi aberto na Filadélfia o Francis Union Hotel, e em 1824 foi inaugurado o primeiro grande hotel de férias, com 300 quartos, o Mountain House.

Em 1829 é fundado na cidade de Boston o Tremont House Hotel, fato considerado como “o nascimento da indústria hoteleira”. Este hotel tinha 170 quartos (em três andares) e o mais caro edifício que até então se havia construído com tal finalidade. Introduziu uma série de inovações que o colocaram em um lugar privilegiado em relação aos demais, pois foi o primeiro que teve pessoal uniformizado (mensageiros), quarto privativo (simples e duplos), banheiro interior, porta com fechaduras, fornecimento de água e sabão incluído, e restaurante com cozinha francesa, além de dar instruções ao pessoal sobre a forma adequada de servir e tratar os hóspedes – e assim nasci a idade da Escola Hoteleira da América.

São muitas as pessoas que contribuíram para o desenvolvimento do turismo e da hotelaria, mas devemos destacar dois grandes homens: Thomas Cook e César Ritz, o primeiro como precursor da comercialização de viagens e o segundo como introdutor da hotelaria moderna, que aos 28 anos já era gerente do Grand Hotel National de Lucerna (Suíça). Ritz, com a colaboração de Auguste Escoffier (segundo especialistas, o melhor chefe fé cozinha de todos os tempos), inauguraram em 1898 o primeiro restaurante dentro de um hotel. Ritz chegou a dirigir simultaneamente uma dúzia de hotéis, sendo estas empresas sinônimo do maior luxo, como o Savoy, o Claridge, etc.

No final do século XIX e os primeiros anos do século XX, começa a chamada “Belle Époque”, na qual floresceram os grandes e luxuosos hotéis, muitos dos quais continuam em atividade.

No período entre 1875 e 1950 se desenvolveram as “sociedades de consumo” e os hotéis se multiplicaram com as cidades, o crescimento econômico e a população mundial. Desta maneira, generalizou-se a influência norte-americana de converter os hotéis em “algo público”.

A influência dos EUA na hotelaria crescia a cada ano, a ponto de ter quase a metade dos hotéis do mundo (50.000 de algo mais do que 100.000) com uma média de 15 quartos com banheiro privativo (entre hotéis e hotéis de estrada) para cada mil habitantes.

A expansão das cadeias hoteleiras na década de 30 (quando dominava no mercado hoteleiro a cadeia Statler, cujo primeiro hotel foi construído por Ellsqorth Statler em 1908); o ingresso de Conrad Hilton, Ernest Henderson e Robert Moore (os quais abriram o primeiro Hotel Sheraton em 1937) e as cadeias hoteleiras Hilton e Sheraton fizeram crescer a hotelaria americana. Além disso, com o grande aumento do uso do automóvel generalizaram-se os hotéis de estrada na década de 50.

Em 1948, começa a expansão americana além das fronteiras. A Pan American Airways (hoje desaparecida) e seu grupo IHC (Inter-Continetal Hotels Coporation) construíram hotéis no Brasil, Colômbia, Cuba, Chile, México, República Dominicana, Uruguai e Venezuela. Conrad Hilton construiu o modelo dos Hilton Internacionais com seu Caribe Hilton San Juan, em Porto Rico.

Em 1959 começaram os vôos comerciais internacionais, contribuindo ainda mais para o desenvolvimento da indústria hoteleira.

Pouco a pouco, mediante concessões exclusivas, franquias ou contratos de administração, foram se expandindo por todo o mundo as cadeias hoteleiras, como Holiday Inn (que abriu seu primeiro hotel em 1952, fundada por Kemmons Wilson), Days Inn, Sheraton, Hilton, Quality Inn, Ramda Inn, Hyatt, etc.

Os hotéis evoluíram em tamanho e qualidade de serviços, como o MGM de Lãs Vegas com 5.005 quartos.

E essa evolução só foi possível graças a boa hospitalidade, sendo definida por Lashley e Morrison como:

“A hospitalidade pode ser concebida como um conjunto de comportamentos originários da própria base da sociedade. A partilha e a troca dos frutos do trabalho, junto com a mutualidade e a reciprocidade, associadas originalmente à caça e à coleta de alimentos, são a essência da organização coletiva e do senso de comunidade… Enfim, a hospitalidade envolve, originalmente, mutualidade e troca e, por meio dessas, sentimentos de altruísmo e beneficência”.

3.2 Hotelaria no Brasil

No Brasil os primórdios da hotelaria não foram diferentes, pois havia a divisão de classes sociais. Os viajantes comuns eram acolhidos em ranchos e casas de senhores de engenho da época.

Este fato, além de ter contribuído para o desenvolvimento hoteleiro no país, proporcionou também a formação de novas cidades surgidas da aglomeração de ranchos que se expandia com rapidez.

Enquanto isso, os viajantes considerados ilustres eram hospedados nas igrejas e nos mosteiros. Aliás, no século XIII, no Mosteiro de São Bento – Rio de Janeiro, foi construída uma área destinada especialmente a hospedar viajantes de prestígio.

Em 1808, com a chegada da corte portuguesa ao Brasil, mais especificamente ao Rio de Janeiro, houve uma grande abertura para que estrangeiros também viessem ao país para ocupar cargos diplomáticos, científicos e econômicos. Devido a isso, ocorreu o aumento da procura por alojamentos, a ponto de a estrutura física hoteleira do Rio de Janeiro tornar-se insuficiente.

Diante dessa situação, empreendedores de outras regiões notaram que o setor de hotéis era um bom empreendimento para capitalização, e então começaram surgir novos meios de hospedagem por todo o Brasil, em especial nas grandes capitais, áreas paisagísticas e em estâncias minerais.

Dessa forma, descobriu-se o potencial turístico e hoteleiro do país, sendo este hoje uma das atividades econômicas mais significativas e em expansão no país.

3.3 Definição de Hotel.

A palavra hotel, utilizada pela primeira vez na França, deriva do latim hospes, que significa pessoa acomodada, e de hospitium, que significa hospitalidade, termo este que substituiu taberna e pousada. Devido à influência francesa generalizou-se nos demais países.

Hotel pode ser definido como um estabelecimento de caráter público, destinado a fornecer uma série de serviços: acomodação, alimentos e bebidas, lazer e deve estar orientado a três grandes objetivos:

Ser uma fonte de receita;
Ser uma fonte de emprego;
Oferecer um serviço à comunidade.
O hotel é uma empresa de prestação de serviços e diferencia-se completamente de outros estabelecimentos industriais ou comerciais.

Enquanto na indústria pode-se planejar o número certo de equipamentos, instalações e pessoal para um determinado tipo de produção, o mesmo não acontece com a hotelaria, que fica no aguardo dos clientes para pôr em funcionamento seu esquema operacional. O produto hoteleiro é estático. O consumidor deve ir até ele. Já as empresas industriais ou comerciais fazem chegar o produto até o cliente. Os custos do esquema operacional hoteleiro são fixos.

A empresa hoteleira, quando comparada a outros tipos de empresa, é menos propensa à automação, pois o tratamento pessoal, o calor humano faz parte essencial da prestação dos serviços hoteleiros. Ela emprega pessoas para cobrir praticamente todas as atividades em todos os setores, e por isso qualquer escassez de mão-de-obra tem reflexos imediatos e diretos em seu funcionamento. Alguns países europeus evidenciaram esse fato nos últimos anos com a política implantada por alguns governos que queriam diminuir o número de trabalhadores estrangeiros, verificando-se uma queda brusca na qualidade dos seviços e uma tendência preocupante ao self-service.

Além dessas características especificas e diferenciadoras, há inúmeras outras como o efeito multiplicador, a interdependência dos serviços, os aspectos organizacionais, etc.

A empresa hoteleira, um dos elementos essenciais da infra-estruta turística, constituiu um dos suportes básicos para o desenvolvimento do Turismo num país. É necessário serem criadas redes de hotéis ou similares que satisfaçam as exigências das demandas interna e receptiva, tanto no que se refere à qualidade dos serviços quanto ao conforto.

Os hotéis reservam quartos e apartamentos solicitados pelas agências de viagens, mas, considerando que muitas delas falham na última hora, eles trabalham com over booking, evitando maiores prejuízos. Portanto, tanto o hoteleiro quanto os agentes de viagem devem criar entre si uma confiança mútua. O agente de viagens deve assumir o compromisso com o hoteleiro de encaminhar os clientes ou de, pelo menos, respeitar os prazos de cancelamento das reservas. Por sua vez, o hotel, certo da seriedade do agente de viagem, não trabalhará com grande over booking, assumindo o compromisso com os clientes enviados pelo agente, tratando-os da mesma forma como trata os demais clientes.

Existe um princípio admitido universalmente para os agentes de viagens e hoteleiros entenderem-se quanto à forma de pagamento pelo encaminhamento de hóspedes individuais ou em grupos para o hotel, que é a comissão. Os problemas decorrentes da comissão são vários, dentre os quais, queixam-se os agentes de viagens por atraso no seu pagamento.

É muito comum que clientes enviados pela agência de viagens, sobretudo aqueles em grupos, não recebam o mesmo tratamento dado aos demais hóspedes. Nota-se que há um certo preconceito contra os grupos. Embora criem alguns problemas, no momento em que o hotel concordou em recebê-los deve envidar todos os esforços para dar-lhes idêntico atendimento ao dos demais hóspedes. O que se espera do agente de viagens e do hoteleiro é o amadurecimento e qualificação profissional no trato com os clientes. Caso isso não ocorra, hotel e agência de viagens perderão clientes – razão de ser de seus negócios.

Além disso, o relacionamento entre essas duas categorias profissionais decorre também da legislação específica, e tudo isso demanda tempo, mas existem clientes que se deslocam continuamente e precisam ser atendidos.

3.3.1 Hotéis segundo a sua Modalidade Comercial.

De acordo com a modalidade comercial da operação, os hotéis podem ser:

De negócios ou de cidade: Localizados nos centros urbanos, apresentam grande capacidade de acomodação e seus serviços estão direcionados às necessidades dos viajantes a negócios.
De férias (resort): Um resort é um lugar usado para relaxamento ou recreação. Como resultado, as pessoas procuram um resort para passar feriados ou férias.Geralmente, um resort é uma grande seleção com diversas atividades, como bebida, comida, alojamento, esportes, entretenimento, e compras.
Próximos a aeroportos (airports hotels): S

Tendências na Hotelaria

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Autoria: Katia Marina

Tendências na Hotelaria

As cadeias e seus hotéis vêm buscando aprimorar-se e diferenciar-se dos concorrentes, agregando serviços diferenciados, itens sofisticados e inusitados.

Verificando as necessidades dos hóspedes e conhecendo a fundo os desejos e tipo de público, mudanças de ordem política, econômica e cultural, os hotéis buscam adequar-se às tendências profissionais e alterações de costumes para adquirir itens que tornam-se necessários para os clientes, fazendo-os optar pelo hotel, pois desejam sentir-se familiarizados após o contato com “novidades” que passam a ser indispensáveis no hotel e sua rotina.

Para criar ambiente diferenciado, os hotéis investem em itens que vão desde hidromassagem para box (efeito parecido ao de uma banheira de hidromassagem), comandos e mensagens no toque do polegar (equipamento que com as digitais do hóspede o identifica e proporciona uma série de serviços. São eles: rapidez na hora do check-in, informações sem dirigir-se à recepção, emissão do extrato da conta, troca de mensagens com funcionários e visualização de reservas), andar exclusivo para mulheres executivas (num andar cujo tema são as violetas, só elas se hospedam. E há alguns itens a mais nos apartamentos: kit de amenidades com hidratante, absorvente higiênico, meias finas, apetrechos para fazer unhas e costuras de emergência, flores, balança, microondas e roupão), móveis ecologicamente corretos (seguindo a linha de respeito à natureza), berços dobráveis (não é preciso deslocá-lo do depósito para o quarto toda a vez em que um hóspede mirim chegar, pois é “encolhível” e pode ser guardado atrás da porta), impressão sem fio (permite que notebooks, computadores de mão e até celulares imprimam documentos sem a necessidade de cabos ou fios para conectar-se à impressora), travesseiro e colchão em látex (material que tem a capacidade de voltar ao estado original em poucos segundos após o uso, o que garante mais durabilidade e resistência. Outras vantagens garantidas são melhor circulação de ar e, consequentemente, chances reduzidas de proliferação de fungos e bactérias), televisores com selo de economia de energia (contém o selo de economia de energia e proteção ambiental, o que reduz em até 30% o consumo do aparelho), dentre outros. Conforme o público-alvo que o hotel deseja atingir, ele adequa seus serviços, atingindo seu alvo e agradando-o e surpreendendo-o cada vez mais.

A princípio o contato com as novidades recém apresentadas é inicialmente um “choque”, porém, com o passar de diárias, tornam-se comuns e necessárias, sentindo falta em outros hotéis que não possuem estes itens.

Há também os hotéis tematizados que são realmente voltados ao seu público, como o hotel Mc Donald´s, hotel de gelo ou até mesmo embaixo do mar, além do hotel desing (uma nova tendência que busca diferenciar o hotel com uma arquitetura diferencial e criativa e com uma decoração não convencional), hotel de charme (um meio de hospedagem com apartamentos aconchegantes devido a sua decoração e destinado ao público-alvo), hotel butique ( a mais nova expressão do mercado hoteleiro, o hotel-butique, pouco conhecido no Brasil, teve um início em Nova York e agora espalha-se pelo mundo inteiro como “o padrão hoteleiro do século XXI”. Com uma proposta de ser um hotel de vanguarda que prima pelo bom gosto, tem não só na decoração como também no atendimento o seu grande diferencial. Na decoração busca parcerias com grandes arquitetos e decoradores, que transformam áreas sociais e quartos em ambientes agradáveis, íntimos e casuais, com obras de arte e peças únicas, bem diferentes da hotelaria convencional. Até mesmo os uniformes dos funcionários podem ser assinados por um estilista famoso. Nada de massificação, principalmente no atendimento feito por funcionários, que tratam cada hóspede informalmente. A idéia é que o hotel seja sua “casa-fora-de-casa”, tudo com muito conforto e luxo), hotel econômico (são hotéis 3 estrelas que oferecem seus serviços por menores preços, muitas empresas estão investindo nesse segmento devido a sua rentabilidade. Seu público é viajantes de empresas nacionais e internacionais, grupos de empresas e viajantes individuais com permanência de 2 a 10 dias), tudo isso para tornar-se realmente uma atração à parte.

Vale lembrar que cada hotel não oferece somente o serviço de hospedagem, mas tudo de que o cliente precisaria durante a sua estadia (restaurante, business center, fitness center, etc). O restaurante permite ao hotel diferenciar-se de tantos outros e vir a ser uma importante fonte de renda, se bem administrado, levando em conta todos os fatores internos e externos (estudo da concorrência local, recursos humanos).

Os hotéis, assim como tudo na vida, refletem a sociedade em que vivemos; o hotel-butique, por exemplo, reflete uma nova geração de profissionais pouco convencionais, cada vez mais jovens, despojados, ricos e influenciados pela moda.

A hotelaria, depois de alguns anos apresentando sempre o mesmo formato, hoje está “plugada” no mundo, atenta a todas as exigências do mercado.

Com tudo isso, quem tem a ganhar são os clientes, que agora possuem um enorme leque de opções com preços variados e atendendo de forma singular, tudo que ele almeja, sonha ou necessita vivenciar.

Além disso, cabe a cada empresa (hotel) possuir seu tipo de hóspede, evitando uma concorrência aberta, ou seja; grande segmentação, portanto é uma ótima alternativa, pois junto aos novos “adereços” incluso em seus hotéis, irão existir públicos para cada oferta existente no mercado.

BIBLIOGRAFIA

ANSARAH, Marília Gomes dos Reis. Turismo: Como aprender, como ensinar 2. 2ª ed. São Paulo: SENAC, 2001

GUERRIER, Yvonne. Comportamento Organizacional em Hotéis e Restaurantes. 2ª ed. São Paulo: Futura, 2001.

Jornal da Tarde – 10/10/2002

Revista Exame, São Paulo

www.hotelservice.com.br

Tipos de Eventos

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Autoria: Jairo Silva

TIPOS DE EVENTOS: CURSO, WORKSHOPS e BRUNCH

Goiânia

Março – 2004

INTRODUÇÃO

Os eventos vêm-se tornando essenciais ao sucesso das organizações. Cada vez mais crescem em números, qualidade e sofisticação, vindo a ter grande espaço nas estratégias das empresas, investimentos até maiores que os feitos na mídia, tornando-se a “fachada” da empresa e trampolim para o desfecho de negócios.

Apresentamos nesse trabalho, além do workshop, curso e brunch, um breve comentário de outros tipos de eventos utilizados pelas mais variadas organizações, suas vantagens e critérios básicos para se chegar a uma conclusão de qual evento deverá ser utilizado, com o objetivo de não se prender apenas na obrigação dos três eventos mencionados acima. Nos três capítulos seguintes, encontramos os eventos “curso”, “brunch” e workshop.

CLASSIFICAÇÃO DOS EVENTOS

Antes de tratarmos da classificação dos eventos é importante abordamos alguns conceitos de eventos. Existem muitas definições complexas, mas ainda nenhuma em comum acordo entre os autores; depois de várias análises sobre o conceito de eventos, a que nos parece mais sucinta, entre todos os autores é a seguinte:

“Evento – atividade dos mais diferentes tipos, reunindo pessoas” (ANDRADE, 1999, p. 117).

Com base em nossas pesquisas, chegamos a elaborar nosso próprio conceito de evento, que é o seguinte:

“Evento – Atividade que atrai pessoas com um objetivo, considerando suas ramificações”.

É importante lembrar que a opção por determinado evento deverá ser realizada em harmonia com a elaboração de outros planos de comunicação, para que a mesma imagem gerada nos eventos seja percebida quando forem utilizados os demais mecanismos de comunicação, como propagandas, publicidade e promoção de vendas.

Os diversos tipos de eventos que uma empresa organiza, patrocina ou participa podem ser classificados de acordo com vários critérios. A classificação visa esclarecer sobre diferentes possibilidades de realização de eventos. Quanto a finalidade, podem ser primordialmente institucionais e promocionais; quanto à periodicidade, esporádicos, periódicos ou de oportunidade; quanto à área de abrangência, locais, regionais, nacionais e internacionais; quanto ao âmbito, internos ou externos; quanto ao público-alvo desejado, corporativo ou para o consumidor; quanto ao nível de participação, patrocinado ou de realização própria. Não é uma classificação excludente, isto é, um evento pode ser ao mesmo tempo cultural e comercial, como as Bienais do Livro, voltado ao consumidor, e corporativo, coma a Fenit, e de alavancagem da imagem da empresa e de vendas, como os roadshows e assim por diante.

A classificação dos eventos é muito importante principalmente na hora de decidirmos qual evento será executado para a idéia na qual tivemos. Existem várias formas de se classificar eventos. Todo o evento nada mais é do que uma forma de reunião: “a reunião caracteriza-se como o embrião de todos os tipos de eventos. Trata-se do encontro de duas ou mais pessoas, a fim de discutir, debater e solucionar questões sobre determinado tema relacionado com suas áreas de atividade”. Também se assemelha com eventos, pois precisa ser planejada, ter convite, infra-estrutura e relatório para poder acontecer e atingir os objetivos.

Reunião dialogal: baseada na informação, no questionamento e na discussão.
Palestra, conferência, seminário, simpósio, convenção, entrevista, entre outros.
Reunião coloquial: baseada no entretenimento, no lazer, na aproximação entre as pessoas e na confraternização – coquetel, café da manhã, almoço, jantar, brunch, happy hour, entre outros.
Reunião Competitiva: concurso, torneios, entre outros.
Expositivas e Demonstrativas: feira, salão, mostra, exposição, desfile, lançamento de produtos, inauguração, entre outros.
È importante lembrar que devido à abrangência dos eventos, não devemos observar apenas a classificação de tipologia, mas também sua categoria e áreas de interesse.

Quanto à classificação por categoria, retrata uma gama de eventos, podendo assim ser resumido: Eventos especiais, de participação, permanentes, esporádicos, únicos, de oportunidade, de massa, de nicho, promocionais de marca, promocionais de produtos e serviços, locais, regionalizados e globais.

Na realidade o mais importante destas classificações é ter a informação correta para se planejar um evento de acordo com o objetivo, por exemplo, se o objetivo é atrair pessoas para discutir um assunto de uma determinada área, chamar este encontro de conferência, ao invés de fórum, ou então não identificar a área de interesse, ou não saber distinguir um evento competitivo de um expositivo.

Quanto à definição dos eventos encontramos uma forma didática de se definir alguns eventos, que parecem simples no nome, mas se não tomarmos cuidado podemos confundi-los e acabar atraindo um público não esperado, ou literalmente não executar o evento planejado, já que nossos objetivos não serão atingidos.

TIPOS DE EVENTOS

É importante salientar que existem definições mais detalhadas e outros tipos de eventos que não estão descritos aqui. Os eventos são:

Ciclo de palestras: é uma série de palestras. Tanto pode ser um assunto desdobrado em várias apresentações como vários assuntos que se complementam.Igualmente, pode ser ministrado por um ou vários palestrantes, especialistas no assunto.
Conferência: é uma reunião formal, em que um especialista desenvolve determinado tema sobre o qual tem amplo domínio. Ao final de sua exposição, responde perguntas.
Congresso: são reuniões promovidas por entidades de classe ou associações diversas, para apreciação, estudos, debates de interesses seus, de seus participantes ou sobre algum ramo de conhecimento que queira criar, desenvolver ou colaborar. Normalmente, o congresso se desenvolve em módulos ou sessões organizados de diversas formas: mesas-redondas, sessões plenárias, reuniões de comissões mistas, subcomissões, subgrupos ou grupos de trabalhos.
Convenção: é o esforço de um determinado agrupamento social. Normalmente busca a integração, o conhecimento recíproco dos seus participantes, a homogeneização de procedimentos, comportamentos ou informações.
Fórum: destinado exclusivamente às pessoas que dominem o assunto a ser tratado. O participante poderá debater com liberdade suas posições, sem restrições quanto à quantidade de participantes. Existe um mediador para garantir a participação livre dos interessados, direcionando-os na busca do consenso e no registro de opiniões significativas.
Inauguração: é um evento formal de alta representatividade social, e portanto, requer um planejamento minucioso, envolvendo todas as fases de um evento complexo, portanto, não deve ser confundido com apenas um cortar de fita e o descerramento de uma guarnição que envolve uma bela placa comemorativa.
Mesa redonda: técnica utilizada por pequenos grupos comprometidos com um mesmo ramo de conhecimento ou interesse, para esclarecimentos, troca de idéias, discussão de casos. Cada participante tem tempo para expor os seus pontos de vista, para serem apreciados e debatidos. Para se garantir a boa ordem dos trabalhos é nomeado um coordenador que todos devem acatar.
Palestra: uma pessoa, conhecida como palestrante, se propõe ou concorda em levar aos ouvintes o seu conhecimento, a sua experiência ou o seu entendimento sobre determinado assunto. Não existe uma regra fixa quanto ao tempo de duração e a participação do público. Normalmente, realiza-se no intervalo de 30 e 60 minutos, com ou sem perguntas durante a exposição. O comum é que perguntas ocorram após o término da palestra.
Recepção: simpática reunião, rápida e simples de se organizar e de baixo custo. Na maioria das vezes é feita na própria instalação (residência, escola, escritório, empresa) ou em clubes, objetivando atender às necessidades e às satisfações pessoais ou sociais.
Reunião: é o encontro de duas ou mais pessoas para o exercício de alguma atividade. Elas podem ser formais ou informais.
Seminário: destinado a pessoas que apresentem praticamente o mesmo nível de conhecimento. Os participantes têm prévio conhecimento do que será tratado. Divide-se em três fases: Exposição, discussão e conclusão.
Sessão de autógrafo: é o encontro do autor de um livro com o seu público. Com certeza vai ficar carinhosamente marcado por uma dedicatória e um autógrafo. O autor cria uma excelente oportunidade para confirmar as suas pesquisas, quanto ao tipo de pessoas que ele está sensibilizando com a sua escrita: expectativas, suas necessidades, etc.
Simpósio: os expositores debatem os assuntos com o público assistente, dentro de normas pré-estabelecidas.
Solenidade: normalmente é um evento que consegue concentrar muitas pessoas. Não raro, destina-se a homenagens que prevêem a entrega de prêmios, de placas comemorativas, prática de discursos, etc.
Workshop: na verdade, trata-se de uma Loja de Trabalho, cuja finalidade é promover o aprendizado de forma prática. (MARTINS, 1999, p. 77-81)
Brunch (breakfast + lunch) – tipo de evento criado nos Estados Unidos e adotado com sucesso no Brasil. Caracteriza-se por um café da manhã – almoço servido em estilo buffet, com o objetivo de apresentar e “vender” uma idéia ou produto a um grupo de pessoas, não exigindo contigüidade física entre os participantes.

Além do bom planejamento, o sucesso do brunch está no equilíbrio entre os doces e salgados e entre os sucos e bebidas. Deve ser lembrado de que se trata de um café da manhã-almoço, horário no qual os estômagos estão vazios.

Além do seu conceito empresarial, o brunch é utilizado socialmente em finais de semana, quando os horários são mais flexíveis e as pessoas acabam fazendo duas refeições em uma só. O horário ideal para sua realização é das 10:00 às 14:00 horas.

Happy Hour: empresarialmente, trata-se de um evento caracterizado por um drink, sempre ao final da tarde, utilizado como política de entrosamento da empresa. É dirigido a um número limitado de participantes, que se reúnem em local adequado – bar, galerias, restaurantes -, objetivando a otimização do relacionamento, entre drinks, canapés e uma boa conversa.
Pode haver entretenimento, como sorteios de aperitivos e jogos de salão, sendo o horário ideal para sua realização das 17:30 às 19:00 horas.

Almoço ou jantar: evento utilizado para comemorações, confraternizações e consolidação entre parceiros empresariais. O jantar é mais formal do que o almoço, exigindo uma forma mais elaborada, com planejamento e cerimonial adequados à ocasião. (MEIRELLES, 1999, págs 49- 55).
Coffee-break: é conhecido como a famosa “paradinha para o café”, ocorrendo em reuniões de altos executivos, cursos, palestras, congressos. Muitas vezes é utilizada uma sala de apoio para servir o coffee-break, que dura em torno de quinze minutos, ocorrendo ocasionalmente entre às 10:00 e às 15:00 horas. São servidos dois tipos de biscoito, pão doce, um tipo de salgado, suco de laranja, chá, café, leite, mel, geléias e manteiga.
Breakfast: é o desjejum ou café da manhã forte, normalmente informal e sadio. Envolve alimentos ricos em proteínas, cereais e vitaminas e pode ser realizado das 6:00 às 10:00 horas.
Coquetel: é um tipo de reunião social prática e rápida, em que as pessoas ficam em pé, circulando por entre vários grupos, o que estimula a comunicação entre as pessoas. Realizado por inúmeros motivos (homenagear alguém, inaugurações, comemorações, etc), permite reunir um número maior de pessoas, durante um determinado período, geralmente das 19:00 às 21:00 horas, sem dar muito trabalho aos anfitriões.
Um coquetel pede um cardápio simples: patês, torradas, petiscos, salgadinhos quentes, drinks variados e diferentes. Costuma-se resumir o coquetel em quatro S:

Surgir: ser pontual é ponto de honra na vida social;
Saudar: saber se apresentar, compor-se, ter entrosamento;
Sorrir: apresentar espírito de festa, ser agradável;
Sumir: saber que existe um limite de tempo para permanecer em coquetéis, nunca ultrapassar duas horas.
No tópico acima, apresentamos uma forma de fácil compreensão para classificar os eventos quanto sua tipologia, já que muitos autores somente descrevem os eventos, mas não os classificam como dialogais, ou competitivos e assim por diante, dizendo apenas o que são, sua definição, e não em que contextos estão inseridos. É importante lembrar que devido à abrangência dos eventos, não devemos observar apenas esta classificação, mas também sua categoria e áreas de interesse.

Quanto à classificação por categoria, NETO (1999, p. 25), retrata uma gama de eventos, podendo assim ser resumido: Eventos especiais, de participação, permanentes, esporádicos, únicos, de oportunidade, de massa, de nicho, promocionais de marca, promocionais de produtos e serviços, locais, regionalizados e globais.

Na realidade o mais importante destas classificações é ter a informação correta para se planejar um evento de acordo com o objetivo, por exemplo, se o objetivo é atrair pessoas para discutir um assunto de uma determinada área, chamar este encontro de conferência, ao invés de fórum, ou então não identificar a área de interesse, ou não saber distinguir um evento competitivo de um expositivo.

CURSO

Evento educativo, caracterizado pela apresentação de um tema específico, objetivando o conhecimento, treinamento ou a reciclagem dos participantes, capacitando-os para o exercício das atividades relacionadas ao assunto proposto.

Por serem permitidas perguntas e debates, o número de participantes não deve ser superior a 35 pessoas.

É produtivo para o curso que sejam utilizados recursos audiovisuais e fornecido material de apoio, como apostila, livro didático, pasta, bloco, caneta e certificado de conclusão ou participação. Também são permitidas gravações, anotações ou filmagens, desde que autorizadas pelo instrutor.

A duração do curso depende de vários fatores, variando entre mínimo de oito horas e o máximo de doze meses.

Segundo o dicionário, curso é uma série de lições sobre determinada matéria; conjunto de matérias que constituem um estudo.

BRUNCH (breakfast + lunch)

Tipo de evento criado nos Estados Unidos e adotado com sucesso no Brasil. Caracteriza-se por ser um café da manhã – almoço, servido em estilo buffet, com o objetivo de apresentar e “vender” uma idéia ou produto a um grupo de pessoas, não exigindo contigüidade física entre os participantes.

O número de participantes deverá estar de acordo com o tamanho do espaço físico utilizado e do cardápio escolhido, não havendo limite para tal.

Além do bom planejamento, o sucesso do brunch está no equilíbrio entre os doces e salgados e entre os sucos e bebidas. Deve ser lembrado de que se trata de um café da manhã – almoço, horário no qual os estômagos estão vazios. Tortas salgadas e sanduíches podem ser servidas com bolo inglês, pãezinhos, pães de queijo; frios e queijos são bem-vindos. Próximo da hora do almoço, empadas, coxinhas. Sucos, café, chá, leite podem estar lado a lado com coquetéis de frutas. Não abusar de cremes, chocolates e bebidas com alto teor alcoólico, principalmente na primeira fase do evento.

Além do seu conceito empresarial, o brunch é utilizado socialmente em finais de semana, quando os horários são mais flexíveis e as pessoas acabam fazendo duas refeições em uma só. O horário ideal para sua realização é das 10:00 às 14:00 horas.

Outras definições do Brunch:

1- Inclui grande parte dos itens do coffee-break, além de um ou mais pratos quentes, que possam ser degustados somente com garfo. Caso contrário, é melhor providencias mesas com cadeiras para todos. Geralmente, é realizado no final da manhã, próximo ao horário de almoço.

2- Contração inglesa de breakfast e lunh serve para designar o café-da-manhã reforçado que é servido aos domingos, próximos ao almoço ou em seu lugar.

3- Designação que se dá, nos EUA, a um buffet-lunch que serve simultaneamente de café da manhã e almoço, servido entre as 12 e às 15 horas.

4- Moda inventada pelos americanos, é a mistura do café da manhã (breakfast) com o almoço (lunch), daí o nome brunch. É ideal para festas que acontecem pela manhã e ultrapassam o horário do almoço, como primeira-comunhão, batizados, bar mitzvah e por que não uma reunião com os amigos ou uma festa de aniversário? A tendência é ousar! E você pode servir o que tiver vontade, desde que sirva componentes de café da manhã e almoço, como leite, café, chá, geléias, pães, quiches, pratos quentes, refrigerante, e inclusive, bebidas com álcool e doces. O sistema é o americano: você arruma tudo num bufê, desde o leite até os doces, e deixa cada um se servir à vontade. Se você colocou pratos em réchaud, preste atenção ao fogo, para que não fique nem muito forte a ponto de queimar o alimento, ou então que se apague, deixando que os pratos esfriem. A mesa deve ser tirada depois que o último convidado tiver ido embora.

WORKSHOPS

A definição do dicionário para workshop é: “curso intensivo ou grupo experimental”. Na prática, nesse tipo de evento profissionais do mesmo ramo, área de negócio ou até da mesma empresa reúnem-se em determinado local com o objetivo de solucionar um problema ou tema a eles apresentado.

Para desenvolver um workshop são utilizadas várias técnicas. Uma delas refere-se à experimentação. Nessa técnica é apresentado um problema que deverá ser respondido pelo grupo mediante tentativas e experimentos com o material fornecido, seja este o próprio produto – acabado ou inacabado -, sejam suas réplicas moldáveis ou qualquer outro material capaz de reproduzir uma situação real.

A utilização de um questionário aberto a ser preenchido individualmente pelos participantes após a apresentação do problema ou tema constitui-se em outra técnica bastante utilizada em workshops. Se for de interesse da empresa, o resultado do questionário poderá ser novamente colocado em pauta para discussão com o grupo e obtenção de um resultado final em comum.

A discussão entre os membros do grupo e a anotação das observações e conclusões pela equipe constitui-se em outro instrumento para atingir o objetivo desejado. É importante nessas reuniões propiciar uma comunicação aberta a todos os participantes, permitindo todo e qualquer tipo de comentário, sem criticas ou prejulgamentos de idéias.

Com relação ao público a ser chamado para esse tipo de evento existem duas possibilidades: ou se monta um grupo formado por clientes e parceiros ou se reúnem profissionais da própria empresa para discussão. Mesmo nos casos em que haja interesse de colher informações de ambos os grupos devem-se desenvolver eventos separados. Unindo-os, os profissionais da empresa sentir-se-ão constrangidos de expressar suas opiniões sinceras sobre o tema em questão, com receio de denegrirem a imagem da empresa ou dos produtos perante os clientes. Da mesma forma os clientes não se sentirão à vontade para opinar abertamente, com receio de receberem duras criticas dos profissionais da empresa presentes na reunião.

O local escolhido para o evento deverá ser neutro, isto é, fora do ambiente da empresa de cada profissional participante, mesmo nos casos em que estejam envolvidos apenas funcionários. O ideal é escolher uma sala de hotel, onde, além de não serem incomodados, os profissionais são se sintam pressionados.

Vários objetivos podem ser previstos para a realização de workshops, entre eles:

A- Desenvolvimento ou aprimoramento de produtos: As empresas podem utilizar de workshops para testar e verificar a reação dos clientes, prospects ou mesmo funcionários perante uma nova idéia de produto ou alguma alteração deste (embalagem, configuração, ingredientes, marcas, etc.) Nesses casos o grupo participante deverá ser escolhido com critérios bastante aprimorados, que garantam resultado efetivo e real. Se o grupo for formado por clientes, sugere-se optar por aqueles que possuam o seguinte perfil:

Clientes completamente satisfeitos com a empresa;
Clientes de conhecimento da diretoria ou gerência da empresa e que estejam há, pelo menos, dois anos com ela;
Clientes com conhecimentos de mercado e capacidade de analisa-lo;
Clientes principalmente confiáveis, no que se refere à credibilidade das informações e opiniões prestadas durante o evento e à confiabilidade mantida perante o mercado com relação aos resultados obtidos.
Para os grupos formados por profissionais da própria empresa, deve-se buscar aqueles que:

Tenham capacidade de observação e análise minuciosa;
Mantenham confiabilidade das informações e resultados obtidos no evento;
Tenham conhecimento do mercado, dos produtos, de concorrentes e da filosofia da empresa.
É ainda interessante mesclar profissionais de diferentes áreas da empresa, desde o atendimento até a área técnica, priorizando aquelas que mantém contato direto com o mercado. Deve-se aproveitar a contribuição gerada por profissionais de diferentes níveis hierárquicos da empresa e não somente os de primeiro e segundo escalões. Os níveis inferiores terão a possibilidade e oportunidade de expor suas opiniões e sugestões, nem sempre ouvidas ou objeto da devida atenção por parte de seus superiores.

Para os grupos formados por prospects, deve-se tomar muito cuidado na condução da reunião. Falhas graves nos produtos expostos, mesmo que ainda não concluídos, poderão desmotivá-los a futuras compras e, por sua vez, transmitir esse fracasso ao mercado.

B- Discussão de temas relevantes para o futuro da empresa. Debates sobre tendências de mercado, levantamento de oportunidades e possíveis ameaças são também objetivos para a realização de workshops.

Reunir profissionais de mercado, especialistas em determinado tema, clientes e prospects participativos e bem informados e funcionários de nível estratégico da empresa, ainda que em grupos separados, contribui para que sejam analisadas situações e tendências de mercado que no dia-a-dia da empresa são esquecidas pela falta de tempo e pelo envolvimento em tarefas operacionais.

É necessário que de tempos em tempos os decisores estratégicos da empresa possam reservar um momento de reflexão e estudo da situação atual da empresa e que possam ouvir – de seus clientes, prospects e especialistas (normalmente consultores) – as novas tendências e opiniões sobre o futuro do mercado. Empresas que não permitem essa abertura, mantendo seus profissionais alheios ao mundo exterior, apenas preocupados com a solução de problemas operacionais da empresa, acabam por deixar escapar novas oportunidades e não considerar possíveis ameaças ao seu negócio.

C- Solução de problemas operacionais da empresa. Quando a empresa passa por dificuldades operacionais – seja com relação aos produtos em serviços prestados, seja no tocante à operação – é possível recorrer a workshops para tentar soluciona-las.

Com esse tipo de reunião será possível discutir, com profissionais envolvidos direta ou indiretamente no problema, alternativas para soluciona-lo. Excepcionalmente, clientes, desde que de extrema confiança da empresa, poderão participar da reunião, apesar de geralmente esse fato não ser aconselhável. É interessante ainda contar com a colaboração de um especialista no assunto, para que ele possa orientar o grupo na direção correta da solução.

Nessas reuniões alguns cuidados e etapas deverão ser considerados:

Seleção de um mediador ou facilitador que deverá conduzir a reunião, fornecendo recursos aos participantes, controlando o tempo, evitando fugas quanto aos objetivos traçados e motivando o grupo a buscar soluções criativas, entre outras tarefas;
Definição e análise do problema. O grupo que irá tentar solucionar a questão levantada deverá compreender e perceber o problema da mesma maneira. É preciso, antes que se parta para a busca da solução, definir e analisar cada aspecto do problema e verificar se todos o entendem da mesma forma. Além disso os membros do grupo devem comprar para si o problema;
Inclusão no grupo dos reais envolvidos no problema. Se no grupo não estiverem as pessoas com o poder de interferir ou com a capacidade de resolver o problema, na prática, de nada adiantará a reunião;
Levantamento de alternativas de solução. A busca de alternativas inclui criatividade e participação geral. Isso significa que todos devem ter a oportunidade de expor idéias, sem preconceitos nem limites. Quanto maior o número de idéias, maiores as possibilidades de chegar próximo à solução ideal.
D- Treinamento. O workshop pode ser útil para o treinamento de clientes, canais de venda ou funcionários da empresa, no que diz respeito às novas técnicas, novos produtos/serviços ou mesmo reciclagem dos produtos já existentes.

Se o treinamento for planejado regionalmente esse tipo de evento pode assemelhar-se muito aos roadshows. A diferença básica, entretanto, está no fato de que em workshops há a participação aberta e livre de todos os membros do grupo, durante todo o período da reunião, enquanto em roadshows o evento é desenvolvido através de palestras proferidas pelos profissionais da empresa, cabendo à platéia tirar suas dúvidas e fazer perguntas no final. Além disso o próprio conteúdo do workshop é desenvolvido pelo grupo, apenas com a orientação de um roteiro predefinido e com objetivo comum e limite de tempo para seu atingimento. Essa diferença pode ser observada até na maneira como são dispostas as salas para cada tipo de evento.

Enquanto nos roadshows as salas utilizadas são normalmente dispostas em auditório, nos workshops priorizam-se as disposições que facilitem a comunicação entre os participantes, como as salas em “U” ou as com mesas compostas por oito a dez pessoas.

Workshops do Quality College

Os cursos e treinamentos são realizados nos formatos aberto ou “in-company” com recomendações e consultoria para a implantação. São os seguintes:

Clínica do Processo para a Melhoria da Qualidade para Gerentes.

Com 2 dias de duração este workshop visa mostrar aos gerentes como implementar o Processo para a melhoria da Qualidade em seus departamentos. O workshop inclui consultoria, recomendações de ações e orientações para a obtenção de resultados.

Workshops para a implantação da Melhoria da Qualidade.

Cada um destes workshops visam fornecer subsídios na implementação do Processo para a Melhoria da Qualidade. Eles orientam e dão apoio ao desenvolvimento de sistemas específicos para fortalecer a melhoria da qualidade.

Os temas dos workshop incluem: Conscientização, Ação Corretiva, Custo da Qualidade, Equipes para a Melhoria da Qualidade, Gestão da Qualidade dos Fornecedores, Medições.

CONCLUSÃO

Foram citados vários tipos de eventos nesse trabalho, com ênfase em três tipos, o workshop, curso e o brunch, de maneira didática e demonstrativa, mostrando quando e como utilizar cada um deles. Pois cada tipo de evento possui suas características peculiares, motivo pelo qual os passos, as vezes, as suas ordens direfem. Entretanto, pode haver coincidência entre alguns deles.

BIBLIOGRAFIA

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CORNELL, Tim. Grandes Impérios e Civilizações: O Mundo Egípcio Vol. I. Rio de Janeiro: Del Prado, 1982.
MARTINS, Ana Maria Santana. Apostila sobre o curso Gestão de Eventos e Cerimonial. São Paulo, 2000.
MEIRELLES, Gilda Fleury. Tudo sobre eventos. São Paulo: STS, 1999.
NETO, Francisco Paulo de Melo. Marketing de eventos. Rio de Janeiro: Sprint, 1999.

GIACAGLIA, Maria Cecília. Organização de Eventos – Teoria e Prática. São Paulo: Thomson, 2003.

LUFT, Celso Pedro. Dicionário Brasileiro Globo. São Paulo: Globo, 1994.