Empresa Hotelária

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Autoria: Patricia Porto

Empresa Hoteleira

ARARANGUA, 26 DE MAIO DE 2004

INTRODUÇÃO

Quando falamos de desenvolvimento, temos um leque muito grande de significados. Para muitos países o turismo tem sido uma medida de progresso econômico. Porém o turismo tem sido um grande empurrão para muitos países se desenvolverem, principalmente os países considerados pobres.

Com isso o turismo tem se tornado algo de grande importância. Tendo olhares especiais de governantes, investidores e estudantes. Apesar de importantes vantagens que o turismo trás para a economia dos países, há também as desvantagens que ele trás, como os gostos de cada um, a religião de cada indivíduo, as diversas culturas dos povos e nações, o que faz ter diferenças entre as pessoas, o que pode ocasionar conflitos culturais, étnicos, e algo bastante constrangedor, que é o racismo e o preconceito.

Por isso é extremamente importante a participação das pessoas com o governo, para que haja conscientização de diferenças culturais. Com todos esses fatos, vemos então a importância, ou melhor, essência de planejar, de organizar tanto as pessoas em atitudes e palavras, como a forma de administrar o turismo de forma que haja desenvolvimento.

A construção de um hotel, para que satisfaça as exigências de um mercado competitivo requer uma soma grande de custos, desde o terreno, passando pela edificação até os custos com equipamento e mobília. Para isso é necessário haver uma administração contábil muito qualificada. Esta condição prevalece também nos casos de reforma, ampliações em sua estrutura, pois o produto de um hotel é “consumido” não possuído.

Custo geralmente é atribuído de uma maneira geral. Entretanto contabilmente quando se fala de custo, faz-se referencia apenas a determinados gastos aplicados diretamente na prestação de serviço, que se constituíam no objeto do hotel e que devem gerar uma receita para a empresa. Os demais gastos eventualmente existentes serão denominados de despesa ou investimentos.

Prestação de Serviços

Serviços

Entende-se por Serviços um conjunto de recursos organizados e estruturados para a produção de um bem Intangível, que agrega valor pela utilidade ou pelo estado e pode ser classificado pela forma, tempo, lugar ou posse.

Tipo de serviço:

Comercial: consultorias, bancos, seguros, turismo, imobiliário, etc.

Importância dos serviços:

A importância dos serviços pode ser visualizada por sua participação nos PIB dos vários países, pela geração de empregos e pela análise das transformações que a economia mundial está experimentando. Paralelamente, as atividades de serviços exercem papel importante no desempenho de outros setores, notadamente o manufatureiro.

Características:

A intangibilidade dos serviços e a necessidade da presença do cliente ou um bem de sua propriedade.

Os serviços são produzidos e consumidos simultaneamente

Presença e participação do cliente no processo:

Cliente é o elemento que dispara a operação em termos de quando e como esta deve se realizar;

Devido à necessidade da presença do cliente, o tempo e o custo do deslocamento são sempre considerados;

Existem limites referentes ao tempo que os clientes estão dispostos a esperar pelo serviço;

Mão-de-obra é o recurso determinante na eficácia da organização;

Alto grau de contato entre o cliente e os funcionários;

Adequação do serviço às necessidades específicas de cada cliente (alto grau de julgamento pessoal);

A introdução de tecnologia tem alterado algumas das conseqüências do contato cliente/empresa;

Tecnologia contribui para gerar exceções quanto à necessidade de lidar fisicamente com os clientes.

Empresa Hoteleira

Historicamente, a idéia de hotel esta ligada ao castelo e palácio que hospedavam famílias reais e suas escoltas, etc… Esta hospedagem era dada gratuitamente dentro dos mais elevados requintes e hospitalidade. Com Luis XIV acabou a era dos palácios. Surgindo os albergues, casas onde se comia e bebia mediante pagamento.

Somente após a Revolução Francesa, surgiu a necessidade de hotéis públicos. As antigas formas de hospedagem haviam praticamente desaparecido. Foi então que homens como Cezar Ritz procuraram dar forma e organização aos hotéis. Nessa época, o importante para o hotel era o titulo do cliente, pois sua permanência no mesmo se estendia por longos períodos. Após a guerra de 1914-18, verificou-se profunda mudança nesse quadro. O processo técnico mudou as estruturas sociais existentes. Começou-se a trabalhar nas industrias, obtendo-se o direito as férias. Os hotéis passaram a ocupar-se com essa clientela. A empresa hoteleira, para poder satisfazer os desejos desta demanda e, alem disso, obter lucros, teve que estudar processos específicos de racionalização, exigindo do hoteleiro uma formação mais profunda e adequada.

O turismo é hoje uma realidade que vem ganhando uma importância cada vez maior no contexto do desenvolvimento sócio-econômico. À medida que a renda aumenta nos paises desenvolvidos, os gastos em atividades de laser crescem mais rapidamente e dentre estes a viagem ao exterior é um dos mais importantes. Para conquistar esta demanda é necessário satisfazer as necessidades e exigências de um consumidor já habituado com a prática do turismo. É preciso oferecer-lhe um produto acabado e de ótima qualidade. Isto significa serviços de primeira qualidade, já que o hotel é um dos principais suportes do roteiro turístico.

A industria hoteleira apresenta uma diversidade muito grande de tarefas que exigem certa habilidade na execução.

A Evolução do Turismo

A hotelaria teve a função inicial básica de alojar aqueles que, por estarem fora de seus lares, necessitavam de um quarto, uma cama e um bom banho. Com a evolução da área, os novos empreendimentos hoteleiros procuravam atender todas as necessidades das pessoas em trânsito e atrair a população da micro região para consumir seus produtos e serviços (total market concept).

Como tendência da hospitalidade moderna, ocorrem hoje grandes esforços para a terceirização de serviços e, com isso, a hotelaria tende a voltar para sua primeira definição – alojar clientes.

A evolução do turismo fez com que as empresas hoteleiras estabelecessem vínculos com outras empresas também voltadas para o mesmo público: o turista. Essa correlação levou a segmentação no mercado turístico das empresas: transportadoras, agentes de turismo, agentes de viagem e turismo, e hoteleiros, caracterizando as parcerias que compõem o trade turístico.

HOTEL: PAULISTA WALL STREET SUITES

Paulista Wall Street Suítes, flat categoria 5 estrelas com localização privilegiada, a uma quadra da Avenida Paulista, o coração financeiro de São Paulo, e fácil acesso aos aeroportos internacional de Guarulhos e doméstico Congonhas. Um novo conceito de hospedagem.

Turismo significa viajar e viajar requer hospedar. O setor hoteleiro é um dos que mais cresce. O Brasil não foge a tendência mundial: aqui, também o turismo é um dos segmentos do setor terciário que mais emprega mão-de-obra. De acordo com a pesquisa Estudo Econômico-Financeiro dos Meios de Hospedagem, realizada pela Embratur, o país conta cerca de 18 mil meios de hospedagem. Isso corresponderia, segundo o estudo, a 550 mil pessoas empregadas no setor, ou seja, 0,8% da população economicamente ativa do país.

Segundo o Presidente da Associação Brasileira da Industria de Hotéis (ABIH), esse número é bem maior, se for contabilizada somente a mão-de-obra empregada nos hotéis. “Se cada emprego direto existem três indiretos por setor, chegando à conclusão de que hoje um milhão e 650 mil pessoas vivem de hotelaria no país”.

A médio e longo prazo, as perspectivas são ainda mais promissoras. Ao contrario de países que praticamente já esgotaram as possibilidades de crescimento nesse campo, o Brasil ainda tem enorme potencial turístico inexplorado.

Todas essas mudanças fizeram com que se alterassem também as estruturas dos hotéis. Estes procuraram, gradativamente, atender aos desejos de conforto e qualidade dos serviços de uma demanda cada vez mais crescente. A empresa hoteleira, para poder satisfazer os desejos desta demanda e, além disso, obter lucros, teve que estudar processos específicos de racionalização, exigindo do hoteleiro uma formação mais profunda e adequada com a capacitação de mão-de-obra para o setor.

Formas de Turismo

São inúmeras as formas de turismos. São elas: turismo de lazer, turismo de eventos, congressos, convenções seminários, mesas redondas, simpósios, painel, conferências, fórum, colóquio, palestra, exposições, mostras, salões, bolsas, shows, fastas, feiras, festivais, encontros, turismo individual, turismo em grupo, turismo organizado, turismo receptivo, turismo emissivo, turismo de águas termais, turismo religioso, turismo desportivo, turismo social, turismo de juventude, turismo cultural, turismo ecológico, turismo de compras, turismo de aventura, turismo de intercâmbio, turismo rural, turismo étnico, turismo nostálgico, turismo de negócios, turismo da terceira idade, turismo técnico, turismo gastronômico, turismo de incentivo, turismo de cruzeiros marítimos, turismo de saúde e turismo gays (gls).

Tamanho das Empresas

As empresas hoteleiras podem ser classificadas, quanto ao seu tamanho em pequenas, médias e grandes. O parâmetro que fundamenta esta classificação pode ser: O apartamento, o nº de leitos ou a receita anual.

No caso do Brasil, a Resolução nº 1.023, do Conselho Nacional do Turismo – CNTUR, estabelece o seguinte:

Art 1º- para fins da presente Resolução considera-se:

Pequena empresa, aquela com receita bruta anual máxima possível inferior a dez mil (10.000) valores de referencia;
Média empresa, aquela com receita bruta anual máxima possível superior ao limite acima, mas inferior a vinte e cinco mil (25.000) valores de referencia;
“Art. 5º – A expressão valores de referencia utilizada na presente Resolução corresponde ao maior valor de referencia fixada nos termos da Lei nº 6.205 de20 de abril de 1975”.

O hotel pode ser definido como sendo uma edificação que, mediante o pagamento de diárias, oferece alojamento à clientela indiscriminada.

Definição oficial brasileira:

“São estabelecimentos hoteleiros os destinados a proporcionar alojamento, mediante remuneração, com ou sem o fornecimento de refeições e outros serviços acessórios”.(Decreto – Lei nº 49.399, capitulo III, seção I, artigo 14).

O hotel se apresenta ao cliente como um todo, onde se distinguem, fundamentalmente, duas realidades: a estrutura e o funcionamento. Desde o momento em que um serviço é solicitado por parte de um cliente, até o atendimento desse serviço, transcorre um processo sincronizado: deve existir suporte estrutural e funcional igualmente perfeito.

A estrutura organizacional e funcional da grande maioria dos hotéis compreende as seguintes áreas: hospedagem, alimentos e bebidas, administração, vendas.

Hospedagem: A área de hospedagem compreende vários setores ou serviços, dentro da estrutura organizacional de um hotel:

Reserva recepção portaria social telefonia governanta lazer limpeza

Comidas e Bebidas: A área de comidas e bebidas, dentro da estrutura organizacional do hotel é uma das mais complexas. É necessário dota-la de organização e controle, sob o comando de um excelente administrador.

Gerencia geral

Gerencia de comidas e bebidas

Restaurantes banquetes cozinha copa bar stwarding

Administração: A gerencia administrativa assume maior ou menor complexidade, dependendo do tamanho da empresa hoteleira.

Gerencia Geral

Gerencia administrativa

Portaria de serviço dep. De pessoal almoxarifado compras manutenção

Venda: O setor ou gerencia de vendas compõe-se, de: um gerente, alguns vendedores, uma secretária e um responsável pelas reservas.

Base Para Formação do Preço de Venda

Preço: É o valor estabelecido pelo vendedor para fazer uma venda. No preço está incluído o custo do serviço e o lucro do estabelecimento.
Gasto: É o valor pago por um bem, podendo ser incluídos a elaboração e comercialização, independente da quantidade adquirida.
Receita: É o preço de venda de um bem multiplicado pela quantidade vendida.
Despesa: É uma parte ou o todo do custo gasto no processo de elaboração de um produto, ou serviço.
Custo: A soma de todos os valores agregados, desde a fabricação até a comercialização de um bem ou serviço.
A técnica usada no sistema de custeio consiste no estudo, demonstração e analise das origens e destino dos custos, fornecendo subsídios para a administração do hotel.

Os principais termos utilizados para entendimento do custo em hotelaria são os seguintes:

Centro de custos: são as unidades nas quais são feitas as acumulações de custos. Normalmente a acumulação é feita por um departamento, mas pode haver tantas subdivisões quantas sejam necessárias.
Unidades de custo: Representam a totalização de custos por lotes, pedidos ou outras unidades utilizadas para fornecimento de serviços aos clientes do hotel.
Custo: É a avaliação em unidades de dinheiro de todos os bens materiais e imateriais, trabalho e serviços consumidos pelo hotel, na produção de seus serviços, bem como aqueles consumidos na manutenção de suas instalações e equipamentos. O custo é muito importante, pois sem uma previsão, não é possível planificar a administração financeira do estabelecimento.
Custo Direto e indireto: Esta classificação é importante para a gerencia da empresa e para determinação do custeio efetivo.Por ex; os custos diretos são aqueles identificados e aplicados diretamente em um determinado bem ou serviço, como no setor de alimentos e bebidas; os custos indiretos são aqueles identificados como uma unidade produtiva, mas, não diretamente com o produto ou serviço, como o aluguel do prédio do hotel.

Custo da Mão-de-Obra Direta e Indireta: Os custos de mão-de-obra são significativos em empresas hoteleiras. Em alguns casos podem formar mais da metade dos custos de uma organização, considerando salários e encargos. Na mão-de-obra direta o custo pode ser identificado com um determinado produto, entretanto a mão-de-obra indireta é impossível de ser associada diretamente com um determinado produto, por ex: Marketing, Administração.

Existem custos em todas as atividades econômicas, sendo que estes custos devem ser divididos de acordo com as classificações e finalidades de cada custo.

1- Quanto à natureza: Os custos devem ser classificados, visando a formação de grupos, de forma que reúna os custos da mesma natureza. Os lançamentos contábeis devem ser realizados tendo como limitação e extensão o Sistema Uniforme de Contabilidade para os Hotéis.

A classificação dos custos deve fazer com que os registros contábeis sejam iguais em qualquer período. Cada hotel deve possuir títulos próprios às suas necessidades e para cada uma das suas operações deve usar, uma classificação própria. Cada custo deve ser alocado a um ou mais departamentos ou funções da empresa. Assim, será obtida a classificação de custo por função.

2- Quanto à Função: A departamentalização do hotel deve assumir níveis de acordo com o seu organograma, e através dele realizar uma classificação de cada custo. As funções podem ser centralizadas em cinco níveis: Direção, apoio, gerencia, supervisão e execução; Sendo que para o nível de gerencia há três outras classificações de custo:

Custo de produção: São aqueles que ocorrem nos setores de produção e necessários apenas á elaboração dos bens e serviços, tais como mão-de-obra e outros custos indispensáveis à elaboração dos produtos de um hotel.
Custo administrativo: São os dispêndios necessários à administração do hotel como um todo: a programação e ao controle, indispensáveis à execução das políticas e da programação das atividades das empresas.
Custo de comercialização: Os custos com a divulgação do hotel, com comissão de agencias, com translado de hospedes e, em alguns casos, com o check-in e check-out.
3- Quanto a Formação: são classificados em fixos, variáveis e mistos.

Custos Variáveis: Dependem da oscilação quantitativa da atividade da empresa; quanto maior o volume de produção, maior será o consumo dos itens que geram esses custos, ou seja, quanto mais se produzir mais gastos com materiais para a produção. Ex: salários pro comissão.
Custos Fixos: O montante dos custos fixos independe do volume de produção.
Podem ser divididos em custos fixos repetitivos e custos não relativos. Os repetitivos seriam aqueles que, por vários períodos atingem a mesma importância. Ex: salários.

Os
não relativos seriam aqueles que possuem uma oscilação de período em período. Ex: a energia elétrica.

Custos Mistos: São aqueles que possuem, uma parcela fixa e uma parcela variável.
4- Quanto à Ocorrência: Nos hotéis existem diversas etapas de produção; em cada uma delas os custos podem ser determinados e acumulados. Podem ser classificados em:

Custo Básico: ocorrem na fase de elaboração do produto. É representado pelo valor da matéria prima ou do material direto consumido.
Custo de transformação: É o valor dos elementos que são aplicados à formação do custo básico, tais como mão-de-obra direta apropriada e os custos indiretos.
Custo Direto ou Primário: Une o valor da matéria-prima direta ou material direto e da mão-de-obra direta apropriada, é expresso pela soma destes dois custos. São os primeiros custos a ocorrerem no processo de produção.
Custo indireto: É formado pela soma de todos os custos não primários de produção e não classificados como matéria-prima ou mão-de-obra direta.
Custo de Elaboração: Representa o susto total aplicado durante um determinado período no setor de elaboração de uma tarefa ou serviço, independente da tarefa ficar pronta ou não.
Custos dos Produtos Elaborados: Alguns itens não são totalmente concluídos no final do período contábil. Este custo é somente o valor aplicado nas unidades que se transformaram em produtos acabados.
Custo dos Produtos Vendidos: É o custo dos produtos efetivamente vendidos. Não devem ser considerados os valores dos bens e serviços elaborados, porém não vendidos.
Estrutura e Custo dos Capitais Próprios e de Terceiros

Custo de Capital: É a taxa de retorno mínima para atrair recursos para um investimento, ou seja, uma taxa que “garanta” a rentabilidade da empresa em níveis razoavelmente atrativos e seguros.

Capital da Empresa: Pode ser definido como a soma dos empréstimos recebidos de terceiros e que permanecerão a longo prazo, mais os recursos mantidos pelos sócios.

Custo do Capital Próprio: Pode ser definido como a taxa de retorno esperado, propriamente em mercados de capitais, para investimentos alternativos em risco equivalente.

Custo do Capital Próprio da Empresa: É a taxa de desconto, ou o valor do dinheiro no tempo, usado para converter o valor esperado dos fluxos de caixa a valor presente.

O investidor apenas aprovara projetos que lhe tragam retornos maiores que os mínimos por ele exigidos. Se uma empresa hoteleira, obter retornos superiores ao custo de capital, seu valor presente aumenta, no que reflete no crescimento do valor do seu patrimônio, tornando a empresa mais forte e com possibilidade de crescimento continuado.

Custo do Capital Total: O custo do capital total considera tanto o Capital Próprio como o Capital de Terceiros, utilizados pelo hotel. A avaliação dos ativos de uma empresa, com base no custo médio ponderado de capital, permite evidenciar a maior parte das decisões que envolvem investimentos.

Ponto de Equilíbrio: O ponto de equilíbrio nada mais é do que o ponto em que o valor das vendas se iguala ao custo dos recursos utilizados para a obtenção deste produto ou serviço, que é o custo total.

Lucro e Prejuízo

Quando um hotel ultrapassa o ponto de Equilíbrio, obtém lucro; no caso oposto, quando o hotel esta trabalhando abaixo, gera prejuízo. Portanto caso um hotel registre, habitualmente, vendas de diárias em níveis que não ultrapasse o ponto de Custos Totais, deve, com urgência, procurar identificar qual a causa desta instabilidade e, assim que a descobrir, tomar as medidas e providencias necessárias para solucionar o problema de receita baixa e/ ou custos altos.

O prejuízo pode ser evitado com uma analise criteriosa de todos os custos e da participação de cada setor, produto e/ ou serviço. Dessa maneira pode-se decidir, por exemplo, pela terceirização de um serviço que esteja gerando prejuízo.

Sistema de Custo Padrão

As informações financeiras, disponíveis nos arquivos da contabilidade das empresas hoteleiras, podem ser usadas como base para um planejamento do seu futuro. Este planejamento é chamado de custo padrão. O seu propósito é prever gastos da produção ou serviços do ano todo e assim saber se a empresa está atendendo ou não às expectativas de produção, promover medir eficiências, simplificar os procedimentos, controlar e reduzir ao máximo os custos, fixar os preços de venda e avaliar os níveis de estoque. Para algumas empresas este sistema representa uma técnica para se obter o controle total de sua produção, podendo até prever seu lucro. Isso porque o Custo Padrão oferece meios de se comparar o desempenho e os resultados reais, com as metas estabelecidas.

Na hotelaria ele é utilizado para o planejamento dos cálculos futuros na área de alimentos e bebidas, salários dos funcionários, reservas e outras.

IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA – ISS

O Imposto Sobre Serviços de Qualquer Natureza, de competência dos Municípios e do Distrito Federal, tem como fato gerador à prestação de serviços constantes da lista anexa á Lei Complementar 116/2003, ainda que esses não se constituam como atividade preponderante do prestador.

O ISS até 31.07.2003 foi regido pelo DL 406/1968 e alterações posteriores. A partir de 01.08.2003, o ISS é regido pela Lei Complementar 116/2003.

Contribuinte

Contribuinte é o prestador do serviço.

Local dos Serviços

O serviço considera-se prestado e o imposto devido no local do estabelecimento prestador ou, na falta do estabelecimento, no local do domicílio do prestador, exceto nas hipóteses previstas nos itens I a XXII do art. 3 da Lei Complementar 116/2003.

Anteriormente a edição da LC 116/2003, o STJ manifestou entendimento jurisprudencial que o local de recolhimento do ISS é onde são prestados os serviços. Leia a jurisprudência do Acórdão STJ 252.114-PR.

Alíquota Mínima

A Emenda Constitucional 37/2002, em seu artigo 3, incluiu o artigo 88 ao Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, fixando a alíquota mínima do ISS em 2% (dois por cento), a partir da data da publicação da Emenda (13.06.2002).

A alíquota mínima poderá ser reduzida para os serviços a que se referem os itens 32, 33 e 34 da Lista de Serviços anexa ao Decreto-Lei nº 406, de 31 de dezembro de 1968.

Alíquota Máxima

A alíquota máxima de incidência do ISS foi fixada em 5% pelo art. 8, II, da Lei Complementar 116/2003.

ISS na Exportação de Serviços

O ISS não incide sobre as exportações de serviços para o exterior do País.

Nota: são tributáveis os serviços desenvolvidos no Brasil, cujo resultado aqui se verifique, ainda que o pagamento seja feito por residente no exterior.

Plano de Contas de Hotel

O agrupamento de contas dos demonstrativos de balanço obedece basicamente às disposições da lei nº 6.404, que fixou normas e padrões a serem adotados para a elaboração do Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultados das empresas.

A estrutura básica destes instrumentos, de acordo com a referida lei será descrita a seguir, atenta às condições e natureza das operações da área de hotelaria.

ATIVO

ATIVO CIRCULANTE

Disponível

Caixa

Fundo Fixo de Caixa

Disponibilidade em moeda estrangeira

Banco Conta Movimento

Numerário em transito

Aplicações Financeiras de Liquidez Imediata

(-) Provisão para Ajuste ao Valor de Mercado

REALIZADO A CURTO PRAZO

Créditos

Clientes

Duplicatas a receber

Hospedagem em curso

(-) Duplicatas descontadas

(-) Provisão para devedores duvidosos

Contas a receber

Aplicações financeiras

Impostos a recuperar

Outros créditos

Estoques

Despesa do exercício seguinte

REALIZADO A LONGO PRAZO

Depósitos e cauções

Depósitos incentivos fiscais

Empréstimos compulsórios

Créditos com sociedade coligada

Títulos e valores mobiliários

ATIVO PERMANENTE

INVESTIMENTO

Cauções permanentes

Imóveis não destinados a uso

Obras de arte

Terrenos e imóveis (para futura utilização)

Participações em coligadas e controladas

(-) Depreciação de imóveis não destinados a uso

Outros investimentos permanentes

IMOBILIZADO

Imóveis de uso

Instalações

Maquinas, aparelhos e equipamentos

Moveis e utensílios

Obras de arte e artigos de luxo

Materiais de reposição

Equipamentos e processamentos de dados

Veículos

Outras imobilizações

Imobilizações em andamento

(-) Depreciação e amortização acumulada

DIFERIDO

Despesas pré-operacionais

(-) Amortização acumulada

PASSIVO

PASSIVO CIRCULANTE

Fornecedores

Empréstimos e financiamentos

Contribuições e impostos a recolher

Contas a pagar

Outras obrigações

Provisões

EXIGIVEL A LONGO PRAZO

Fornecedores

Empréstimos e financiamentos

Débitos com sociedades ligadas

Débitos com sócios e acionistas

Provisões

RESULTADOS DE EXERCICIOS FUTUROS

Receitas de exercícios futuros

(-) custo s/ receita de exercício futuro

PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Capital social

Reserva de capital

Reserva de reavaliação

Reserva de lucros

Resultados acumulados

Lucros acumulados

(-) Prejuízos acumulados

Resultado do exercício

DEMONSTRAÇÃO DE RESULTADOS DO EXERCÍCIO

Demonstração que revela a composição do resultado de um determinado período de operação da empresa.

DRE

RESULTADO OPERACIONAL

Receita operacional liquida

Receita de vendas de mercadorias e produtos

Recuperação de despesa

Comissões diversas

Receitas especiais

(-) Deduções de vendas e serviços

Custos dos serviços

Custos dos produtos vendidos

Administração do hotel

Despesas administrativas

Depreciação e amortização

Encargos financeiros líquidos

RESULTADO NÃO OPERACIONAL

CONTRIBUIÇÃO SOCIAL

RESULTADO DO EXERCÍCIO ANTES DO IMPOSTO DE RENDA

PROVISÃO PARA O IMPOSTO DE RENDA

RESULTADO LÍQUIDO APÓS O IMPOSTO DE RENDA

DEMONSTRAÇÃO DE LUCROS OU PREJUÍZOS ACUMULADOS

Demonstração contábil destinado a evidenciar, num determinado período o lucro do período e a sua distribuição e movimentação nos resultados acumulados da empresa (lucros ou prejuízos).

A demonstração apresentará discriminadamente:

Saldo do inicio do período;
Ajustes de exercícios anteriores;
Parcela de lucros, incorporada ao capital;
Correção monetária;
Recursos e reservas;
Resultado líquido do período;
Compensações de prejuízos;
Destinações do lucro líquido do período;
Lucros distribuídos;
Saldo no final do período.

DEMONSTRAÇÃO DAS MUTAÇÕES DO PATRIMÔNIO LÍQUIDO

Demonstração destinada a evidenciar, num determinado período a movimentação das contas patrimoniais da empresa.

A demonstração apresentará:

Saldo no inicio do período;
Ajustes de exercícios anteriores;
Reversões e transferências de reservas e lucros;
Aumentos de capital, indicando a sua natureza;
Redução da capital;
Destinação do lucro líquido do período;
Reavaliação de ativos e sua realização, líquida do efeito dos impostos correspondentes;
Resultado líquido do período;
Compensações de prejuízos;
Lucros distribuídos;
Saldo no final do período…
DEMONSTRAÇÃO DAS ORIGENS E APLICAÇÕES DE RECURSOS

Demonstração destinada a evidenciar, num determinado período, as modificações, que originaram as variações no capital circulante líquido da empresa.

A demonstração apresentará:

Valor resultante das operações da empresa, correspondente ao resultado líquido do período, retificado por valores que não geraram movimentação de numerário ou não afetaram o capital circulante, que poderá constituir-se ou em aplicação de recursos;

Origens dos recursos tais como:

Aportes de capital;
Recursos de realização de ativos de longo prazo e permanente;
Recursos de capitais de terceiros de longo prazo;
Aplicações dos recursos tais como:

Pagamento das participações nos lucros aos acionista ou sócios;
Aquisição do permanente e ativos de longo prazo;
Pagamento de obrigações de longo prazo;
Reembolsos de capital;
Variação de capital circulante líquido, resultante da diferença entre os totais das origens e das aplicações dos recursos.

Demonstração da variação do capital circulante líquido compreendendo os saldos iniciais e finais do ativo e do passivo circulante e respectivas variações líquidas do período.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

“A Qualidade daquilo que resulta de um processo é determinada pela Qualidade daquilo que entra e do que acontece em cada etapa ao longo do caminho. Portanto, precisamos construir Qualidade em todas as etapas, processos e sistemas da organização” (Scholtes). A qualidade fundamenta-se em todo processo estrutural do Hotel. Portanto, é preciso derrubar todas as barreiras existentes entre as diferentes unidades ou áreas, integrando cada vez mais as pessoas que as compõem.

O procedimento da Qualidade Total tem como resultado um encaminhamento do trabalho para um perfeito estado, onde todas as pessoas e todos os setores possam se equilibrar com o intuito de satisfazer os clientes. É preciso romper certos paradigmas se ela quiser sobreviver. Este rompimento exige determinação, pois se mexe com a maneira de pensar das pessoas.

O turismo é uma grande arma econômica, que de forma planejada pode transformar uma economia. O turismo gera grande impacto positivo. Ele é um grande propulsor de empregos, e ele faz com que praticamente todas as áreas do local visitado, tenham desenvolvimento econômico.

É algo perigoso se analisado de curto prazo. Talvez o mais importante seja a forma de planejar. Afinal, o planejamento é a pedra angular para o desenvolvimento do turismo. Ou seja, o planejamento certo, bem pensado e estudado, tem grande chance de fazer com que a economia possa a cada dia desenvolver mais e mais.

No turismo há uma concorrência muito grande de disputa de mercado, e de turistas. Ganha essa disputa quem estiver mais preparado.

REFERENCIAS

1. ZANELLA, Luiz Carlos. Sistema de Custos em Hotelaria. 1º ed. Editora Ulbra, 1996. 147p.

2. FEMENICK, Tomislav R. (Coord). Sistemas de Custos Para Hotéis. 2º ed. Editora Cenaun, 2000. 127p.

3. ZANELLA, Luiz Carlos. Administração de Custos em Hotelaria. 1º ed. Editora EDUCS, 1993. 186p.

4. CASTELLI, Geraldo. Administração Hoteleira. 4º ed. Editora EDUCS, 1992. 404p.

5. ZANELLA, Luiz Carlos. Manual de Contabilidade Para Hotéis e Restaurantes. 1º ed. Editora Palloti, 1994. 117 p.

6. http://www.ecotributos.com.br/tributos/iss.html

Empresas de Consultoria em Hotelaria

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Autoria: Denise Martins

Empresa de Consultoria para Empreendimentos Hoteleiros

Tema: Empresa de Consultoria p/ Empreendimentos Hoteleiros

Objetivo Geral:

Criar uma empresa capaz de assessorar no desenvolvimento de projetos almejados por gestores hoteleiros.

Objetivos Específicos:

Melhorar na qualidade dos serviços;
Suprir as mais sucintas necessidades dos clientes;
Aprimorar a realização de empreendimentos hoteleiros junto aos gestores;
Realizar treinamentos hoteleiros em seus diversos setores;
Justificativa:

A hotelaria mundial ao longo dos anos tem tentado de todas as formas e saídas encontrar a boa qualidade nos serviços oferecidos nos hotéis. Nos últimos anos é comum falar em “companhia voltada ao cliente” sinônimo de empresa que, atendendo as expectativas, gera qualidade em produtos e serviços.

Alguns que já perseguem essa meta, lamentam: não deu certo, o programa de qualidade total não funcionou, continuam com a mesma taxa ocupacional e as reclamações dos hóspedes são iguais . O que teria acontecido? Para implantar um programa de qualidade, algumas providências devem ser adotadas, observando conceitos elementares. A qualidade deve ser visualizada em duas dimensões: o produto e o serviço. Como o hotel é basicamente serviço, compreende-se como produto o todo do empreendimento em seus mínimos e importantes detalhes, pois esses podem fazer a diferença.

Verifica-se que o conceito da qualidade reflete-se a opinião do hóspede, portanto, ouvi-lo é fundamental. Por isso é imprescindível a realização de uma pesquisa sobre quais os comportamentos e as ações que resultam na satisfação sistemática do cliente. A análise desses dados conduzirá ao planejamento e à sistematização de procedimentos que devem se inserir na cultura do hotel. Para tanto é necessário que o grupo de trabalho responsável pelo programa em implantação se conscientize dessa necessidade. Isso é a chave para alcançar uma vantagem competitiva e duradoura. Entretanto o sucesso da implantação de uma conduta de trabalho com qualidade vincula-se ao comprometimento da direção que deve transmiti-la de maneira transparente a todo o “staff”, dos auxiliares até a gerencia. Segundo Índio Cândido (hotelnews, 2000, p. 106) “A qualidade em serviços está determinando o sucesso e em alguns casos a sobrevivência de empresas hoteleiras no mercado brasileiro. Diante da concorrência acirrada, os empreendedores com essa meta tem o foco nas necessidades e expectativas dos clientes”. Por esse motivo volto a ressaltar sem qualidade não há empreendimento que sobreviva e nada como uma qualificada empresa de consultoria para assessorar a empresa em suas diversas carências de bons funcionamentos.

Referencial Teórico:

“Qualidade define sucesso”, Índio Cândido ditou esta frase, ressaltando que sem qualidade total não poderemos chegar há lugar algum. Boas e modernas ferramentas para a implantação de um programa de qualidade devem ser utilizadas, seguindo-se passo a passo suas técnicas e metodologia de aplicação. Neste processo, é fundamental não ignorar a importância das pessoas e as boas técnicas de liderança. Estamos numa fase de competência e competitividade entre as empresas e nenhuma que tenha sua base de faturamento na venda de serviços, como os hotéis, conseguirá superar problemas sem uma equipe treinada e motivada. Lembre-se: perante o hóspede o funcionário é o hotel. O hóspede levará consigo tudo o que ouvir, ver e receber das pessoas que o atenderem. Por isso todo investimento que for realizado por feito de qualificação e atualização profissional terá retorno valioso, pois representa um crédito direto no patrimônio mais importante do hotel: O quadro funcional, as pessoas. Diante da competitividade, os funcionários devem encantar os clientes, tornando-os fiéis e , portanto garantindo, a continuidade do hotel. O novos e modernos conceitos não estão admitindo mais a palavra “empregados” como Luiz Carlos Zanella (hotelnews, 2001, p. 104) ” Passou o tempo da escravidão, hoje não só podemos mais devemos considerar as pessoas que trabalham em nossos empreendimentos como colaboradores ” termo que deve ser substituído por “colaboradores”. Esse é um passo difícil, mas muitos já o trilharam e sabem a reposta. As empresas que estão investindo em qualificação profissional, em treinamento, na reformulação de conceitos e na implantação de novas técnicas estão colhendo os frutos. Considerando que o negócio só é bom quando ambos os lados estão sendo beneficiados, indaga-se: quem ganhou? Ganhou o hóspede porque ficou satisfeito, pois percebeu que está pagando um serviço de qualidade e torna-se um cliente fiel. Ganhou o colaborador porque foi valorizado, adquiriu novos conhecimentos ao participar no processo de mudança qualitativa e a nova consciência lhe dá segurança. Ganhou o hoteleiro que agregou valores aos serviços, passou a competir com a igualdade no mercado e garantiu seu investimento, afastando o fantasma da baixa ocupação. Sem dúvida, não é fácil implantar com sucesso um programa de qualidade.

Com a atuação da uma empresa de consultoria com exelência em hotelaria o investidor terá mais opções de saída para a supervisão e resolução de problemas que surgem na administração do hotel.

Nossa empresa de consultoria trabalha de forma consciente e razoável no qual um sistema de gestão é implementado pela organização. Desta maneira, nosso objetivo não é escrever procedimentos para o cliente, e sim ensina-lo e orienta-lo a desenvolver e implementar o sistema de gestão. Assim, finda a consultoria, o sistema estará rodando independentemente, e as pessoas da organização terão condições de implementar a melhoria contínua sem ficar dependentes do consultor.

Outra grande diretriz se refere a efetividade. Se as empresa procura um certificado para colocar em sua recepção de modo que todos os hóspedes percebam, terá que procurar uma outra empresa de consultoria, pois trabalhamos com uma missão em implementar sistemas que realmente agreguem valor a gestão da organização. Trabalhamos sempre com a valorização do ser humano como já dizia Geraldo Castelli (Administração Hoteleira. 7º Edição. P. 77) ” Satisfazer significa atender as necessidades das pessoas através de bens e serviços com qualidade. Qualidade em todas aquelas dimensões que afetam a satisfação das pessoas. Satisfazer as necessidades de todas as pessoas com os quais a empresa tem necessariamente compromisso, tais como: Colaboradores, clientes, acionistas e vizinhos (Comunidade)” Tudo funciona como um ciclo que se não haver continuidade em se funcionamento não obteremos máxima satisfação. Segundo Geraldo Castelli (Administração Hoteleira. 7º Edição, P. 36) ” Embora o processo técnico tenha trazido inovações e aperfeiçoamento no seio da empresa hoteleira, o elemento humano continua sendo a peça fundamental. É dele que depende todo o processo de acolhida dos clientes e, conseqüentemente , a própria rentabilidade da empresa. É do tratamento que o hóspede recebe no hotel que depende, em grande parte, a formação de uma imagem positiva ou negativa da cidade, da região ou do país. A demanda é humana, e a oferta depende fundamentalmente do elemento humano “.

Nossa proposta se destaca no bom funcionamento de todo o empreendimento, com uma atenção interessada para o setor de entretenimento, pois acreditamos ser uma grande potencial de um qualificado hotel.

Procedimento de implementação geral de nossos projetos de consultoria

1º Fase: Preparação

Analisar onde a companhia está e onde ela quer chegar com o projeto. Entrevistas, auditorias, avaliações, visitas e consulta a resultados de auditorias anteriores permitirão a listagem dos pontos que serão usados como medida do avanço da implementação do sistema de gestão.

2º Fase: Desenvolvimento

Desenvolver o sistema de gestão e sua disponibilização para a implementação e operação afetivas, bem como formatação de documentação necessária do sistema de gestão. Nesta mesma fase é realizado um levantamento, a nível abrangente, dos principais dados e informações relativos a área, atividade a ser certificada e estudada pelo sistema de gestão.

3º Fase: Conscientização (Muito Importante)

Com a participação da consultoria e do coordenador da implantação do sistema de gestão. Seu principal objetivo nesta fase é obter o comprometimento das pessoas.

4º Fase: Implementação

O sistema de gestão será efetivamente implantado.

5º Fase: Operação

A operação do sistema de gestão é representada pelo dia-a-dia, quando se busca o monitoramento e melhoria contínua.

Auditorias
Preparação do programa e planos de auditorias internas
Realização do primeiro ciclo de auditorias internas
Análise crítica do sistema de gestão
Primeira análise crítica do sistema de gestão envolvendo a alta administração com respectivas ações corretivas advindas da auditoria interna.
6º Fase: Certificação

Preparação para a auditoria de certificação.

Para que tanta qualidade?

Hotelaria no Mundo

As mudanças que estão ocorrendo no setor hoteleiro no mundo são decorrentes do desenvolvimento das relações internacionais e do avanço tecnológico que estão moldando o cenário sócio-econômico do século XXI que se aproxima. Essas transformações acontecem em ritmo acelerado. Há poucos anos, assistimos a entrada no mercado brasileiro de redes internacionais de padrão cinco estrelas, em seguida, os investidores apostaram em quatro e três estrelas. Nos últimos meses, vemos surgir empreendimentos com classificação econômica. São hotéis que se enquadram no perfil do executivo que viaja priorizando a melhor relação entre custo e qualidade e nas expectativas de classe média brasileira, que com o plano real, cresceu em quantidade. O setor hoteleiro brasileiro é carente e não está preparado para atender a demanda crescentes de turistas, Basta lembrar que no país há um quarto de hotel para cada mil habitantes. Traçando parâmetros, verifica-se que na França, essa relação é de 100 para mil e nos Estados Unidos, de 70 por mil habitantes. A hotelaria é um dos setores mais promissores para a economia brasileira, principalmente para a criação de empregos. Apesar dessa carência, a entrada de redes internacionais com classificação econômica no mercado acirra a concorrência, pois esses empreendimentos oferecem aos hóspedes instalações modernas, aconchegantes e eficientes, por um preço satisfatório. Diante disto os hoteleiros brasileiros deveriam competir com diferencial nos serviços oferecidos investindo em estabelecimentos com as mesmas características e sofisticações, além de capacitar a mão-de-obra, através de treinamentos e aí é aqui que nós surgimos. Nessa competição um dos aspectos mais importantes é a qualidade das instalações e dos serviços, pois uma das principais características destes estabelecimentos é o fato de oferecerem condições econômicas para hospedagem com um nível de acomodação e serviços mais que satisfatório. Estamos na era do conhecimento e o momento exige que todos os seguimentos que compõem a cadeia produtiva do setor agreguem valor ao serviços de muito boa qualidade ofertados. A hotelaria em sua essência é a prestação de serviço em exelência. Olhando para o futuro. Temos certeza que é a única coisa permanente são as mudanças em ritmo acelerado. O empreendedor brasileiro precisa se preparar para enfrentas a velocidade em que se acirra a concorrência nesta fase do capitalismo. Os economistas reconhecem que este caminho é difícil e com desafios. A sobrevivência será dos empreendedores que souberam enfrentar de forma criativa, honesta e objetiva a concorrência de alto padrão. Geraldo Castelli afirma (Administração Hoteleira, 7º Edição, p. 147) “Todo cliente possui expectativas ao consumir um serviço: leituras, filmes, amigos, etc. Como descobrir tais expectativas? Através de pesquisas. Afinal o que os viajantes esperam ao ingressar no hotel? É preciso “ouvir sua voz” para se saber o que eles querem. Do contrário só adivinhando e isso não é recomendável. Quando as expectativas se apresentam claras diante dos “olhos” da empresa, é possível, então, sentir aquilo que os clientes querem e desejam” Ressaltamos então que nossa empresa tem por objetivo descobrir de todas as formas possíveis como agradar, satisfazer e conquistar nosso cliente com responsabilidade, honestidade e competência, ou seja, com o diferencial da percistência da satisfação plena de nossos hóspedes.

Sendo uma empresa de consultoria apta para informar a partir de estudos de casos, pesquisas e trabalhos direcionados, como o gestor deve investir em seu empreendimento ou se o empreendedor ainda não tiver concluído seu empreendimento, orientá-lo à como realizar a segmentação que ele pretende direcionar, pois já está mais do que claro que é muito importante direcionar um perfil de cliente. Geraldo Castelli (Administração Hoteleira, 7º Edição, p. 146) “Trata-se de descobrir o cliente com os quais se quer trabalhar, até porque existe uma tipologia muito diversificada deles. Cada vez mais existem hotéis específicos para atender. Cada empresa quer agradar seu segmento de mercado, cumprindo com sua promessa de serviço. Claro está que a empresa, ao tomar certa decisão, deve estar ciente do custo da oportunidade. Ou seja, da oportunidade perdida de não atender outros segmentos de clientes”. Pesquisar incansavelmente a viabilidade de serviços projetados, pois projetar é fácil o difícil é saber se o investimento terá retorno. Afirma Marta Rossi (Brasilturisjornal, 2001, p. 32) “Como em todas as coisas boas, na hotelaria internacionalizada nenhum detalhe pode ser deixado de lado” e é assim que pretendemos levar nossa empresa á Exelência em Hotelaria.

Eventos na Hotelaria

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Autoria: João Carlos

Eventos Hotelaria

Modelo de Briefing – Check List – Custos – Cronograma

Modelo de Briefing

Cliente:______

Fone de contato: _____

Objetivo: _______________

Tipo de evento: _______________

Estilo (traje): _____________

Público-alvo: ____________

Verba disponível: _________

Título/ Subtítulo do evento: ______

Data do evento: ____Local: ___ Horário: ___

Idioma oficial: _____

Programação: _____

Decoração: ______

Serviço de A&B (tanto para participantes quanto a equipe de apoio): __

Serviço de brindes aos participantes e/ou convidados: ____

Seleção das pessoas à serem convidadas: _____

Número de convidados (homens, mulheres, crianças): __

Convites (Formato, quantidade, serviços gráficos e data para expedição): ___

Pessoal de apoio para o dia do evento:

-Seguranças
-Manobristas
-Recepcionistas
-Tradutores
–Mestre de cerimônias
–Equipe de foto/filmagem
-Limpeza
–Serviço médico
– Animação (infantil, bandas, etc)

Equipamento de som: _____

Elaboração do roteiro/script do evento: ___

Locação de materiai para decoração ou buffet: ______

Divulgação do evento: ______

Programação visual do evento (logotipo e material refletindo o objetivo do evento): __

Sinalização:______

Traslados/Acomodações/Recepção dos participantes e convidados de outros Estados/Países:__

Atividades sociais: __

Atividades turísticas: __

Legislação/Seguros: __

Definir equipe de trabalho (nomear coordenadores para cada área, tanto para atuar na elaboração quanto na execução do evento): __________________

Observações: _______

Este é um briefing que pode ser utilizado pela equipe organizadora, tanto como um documento sobre o evento que está organizando quanto como um suporte para suas reuniões, pois, a cada uma delas podem aparecer itens que ainda não foram providenciados. Além disso, pode ser feito um briefing mais detalhado, com especificações e sugestões de decoração, cardápio, animação, para que o cliente monte o seu evento ao lado do organizador, sendo que o mesmo dará dicas e explanará melhor como aproveitar a verba disponível. Caso este seja confeccionado, o briefing deverá conter a assinatura do cliente e do organizador para que não crie problemas futuros, em caso de aprovação do evento.

Para facilitar o trabalho da equipe que trabalhará na organização, bem como do coordenador, o check list é imprescindível em todas as reuniões, desde a concepção do evento até o dia da sua realização. Poderá ser confeccionado como uma lista e ainda conter a data para a qual está agendada tal procedimento, para poder haver um controle se foi cumprido na data ou não. Encontramos um check list simples para qualquer tipo de evento:

Modelo de Check List

1-Preparo de correspondênciasgerais

-circulares
–malas diretas
-programa
– convites
– impresso
–ofícios/convites/credenciais autorizados e palestrantes)
– contratos com fornecedores

2-Preparo de correspondênciasespeciais

–Chefe de Cerimonial
–Banda da Polícia Militar
-DSV
-Detran
-Cemar
– Outros órgãos públicos

3 – Material aos participantes

-brindes
-pastas
– blocos
– canetas
– crachá

4- Material Gráfico

–fichas de inscrição
– folhetos
–papel e envelopes timbrados
– programa (oficial e social)
– certificado de participação
– mapas de localização
– convites
– adesivos
– cartões para a mesa de trabalho (prisma)

5 – Material para imprensa

– press release
– press kit
– fotos

6 – Hotel

– cartões de boas-vindas
– serviço informativo/recepção
– serviço de turismo (city tour)
– relação de telefones úteis
– relação de locais de compra
– revistas
– jornais/diários
– frutas/flores
– sala de reunião (horários de entrada e saída)
– equipamentos disponíveis

7 – Programação visual

Placas de sinalização para:

– local do evento
– hotéis
– aeroportos
– áreas externas
– letreiros de identificação
– faixas
– painéis fotográficos

8 – Serviços turísticos

– transporte
– passagens aéreas
– hospedagem
– programa social
– elaboração de tours
– receptivo nos aeroportos

9 – Outros

– orquestras
– bandas
– shows
– correio
– entrega protocolada
– locação de veículos
– exposição paralela
– seguro
– assistência médica
– rádio táxi
– lazer programado
– acordos de co – patrocinadores

10 – Recursos Físicos

Local para:

– jantar/almoço
– coquetel
– cofee break
– imprensa
– sala vip
– secretaria geral
– informações
– pronto socorro
– estacionamento
– pessoal de manutenção
– pessoal de limpeza
– instalações sanitárias
– pessoal de apoio
– copa/cozinha
– banco
– reuniões
– câmbio

Recursos Humanos

a) Coordenadores de área
b) Recepcionistas
– secretaria
– balcão de informações
– sala vip
– plenário
– salas para palestras
– cerimonial
– imprensa
– sala de diretoria
c) Tradutores
d) Intérpretes
e) Comitê de recepção
f) Assessor de imprensa
g) Operadores de som/luz
h) Médico/enfermaria
i) Pessoal de copa
j) Pessoal de limpeza
k) Pessoal de segurança
l) Manobristas
m) Office-boy
n) Fotógrafo
o) Operador de vídeo
p) Pessoal de manutenção
q) Maitres/garçons/copeiras
r) Mestre de cerimônia
s) Motorista
t) Montagem de stands

12 – Recursos Materiais

Equipamento e materiais

Para projeção:
– slides
– retroprojetor
– telão
– filmes
– data show
– vídeo cassete
– telas

Para sonorização:
– microfones
– amplificadores
– aparelho de som
– gravadores
– fitas de música ambiente
– fitas para gravação

Para secretaria:
– computador
– xerox
– off-set
– fax
– telefone
– giz
– apagador
– pincel atômico
– folhas para transparência
– canetas para retroprojetor
– canetas
– blocos
– borracha
– durex
– fita adesiva/dupla face
– régua
– tesoura
– prisma
– clips
– grampeador
– furador
– cola

Outros:

– lousa
– flip chart
– mastros
– bandeiras/banners/faixas
– stands
– palanque
– passarela
– palco
– material de copa

13 – Local para alimentação:

– disposição das mesas
– decoração
– sonorização
– pontos de luz
– pontos de água
– sinalização/ iluminação
– ar condicionado
– ventiladores
– tablado
– música ambiente

Este é um modelo simples de check list que serve para qualquer tipo de evento e pode ser modificado de acordo com as necessidades da equipe organizadora.

Juntamente com o briefing e o check list é necessário também se confeccionar um cronograma de tarefas, onde serão definidos os responsáveis, suas responsabilidades, datas e situações. É necessário ter uma divisão de equipes que irão cuidar dos seguintes itens:

– Infra-estrutura física;
– Logístico: equipamentos e materiais
– Pessoal: serviços terceirizados e fornecedores
– Serviços externos

Referências Bibliográficas

MARTINS, Ana Maria Santana. Apostila sobre o curso Gestão de Eventos e Cerimonial. São Paulo, 2000

Custos

Quando se pensa em organizar um evento, além de montarmos o briefing e o check list, temos de elaborar o custo deste evento. O autor ANDRADE (1999, pág 104), aborda em seu livro uma maneira objetiva de como se calcular o custo de um evento nos mostrando um modelo de check list que pode ser aplicado em qualquer evento, sendo importante salientar a existência de pelo menos um responsável para confeccionar e controlar esta planilha:

Modelo simples de estimativa de custos:

A – Descrição do evento:
1 – Denominação
2 – Natureza
3 – Data
4 – Local
5 – Entidade promotora
6 – Estimativa de participantes
7 – Público-alvo

B – Custos:
1 – Locação da área
20% em __/__/__ US$_____
40% em __/__/__ US$_____
40% em __/__/__ US$_____
Total US$_____

2 – Decoração
Projeto US$_____
Paisagismo US$_____
Locação de móveis US$_____
Mão-de-obra US$_____

3 – Promoção (espetáculo/atração)
Contratos US$_____
Serviços de terceiros US$_____
Despesas gerais US$_____

4 – Despesas com pessoal
Técnicos US$_____
Recepcionistas US$_____
Secretaria US$_____
Representação US$_____

5 – Locomoção
Transporte US$_____
Hospedagem US$_____
Refeições US$_____
Material US$_____

C – Fontes de Recursos:
Patrocínios US$_____
Doações US$_____
Vendas de entradas US$_____

Este é apenas um modelo simples de estimativa de custos, sendo que o mesmo pode ser alterado de acordo com as necessidades de cada evento, por exemplo, se o evento for acompanhado de um coquetel, terá de ser anexado à este modelo os custos com fornecedores de alimentos e bebidas.

Outro modelo que exemplifica a relação custo/benefício de um evento de uma forma bem simplificada e prática:

A organização de um evento – dependendo do seu tipo – poderá gerar receitas próprias, além de verba alocada pelo cliente, que irão contribuir com a sua implantação, tais como:
Elementos da receita:

Patrocínios + venda de espaços (estandes ou espaços publicitários) + venda de produtos promocionais (camisetas, chaveiros) + venda de ingressos/ inscrições = receita do evento + apoio/permuta = receita final do evento

Despesas do evento:

Custo do profissional organizador/empresa contratada + custo financeiro (custo do dinheiro parado, quando o cliente desembolsar uma verba antecipada, para pagamentos que assim o exijam contratualmente) + custo administrativo (logístico+pessoal+externo) + tributos e taxas + comissões (valor pago a profissionais sobre venda de estandes, espaços publicitários e outros) + custo real (custo sem o percentual de lucro) + lucro = preço de venda/despesas
Depois de definido o preço de venda/despesas poderá ser dividido as cotas de patrocínio e preço de inscrições.

Para que o evento obtenha um resultado final satisfatório, a receita final deve ser superior ao custo final do evento = lucro.

Se a receita final for igual ao custo final = ponto de equilíbrio – nem lucro, nem prejuízo.

Se a receita final for inferior ao custo final = prejuízo. (MEIRELLES, 1999, p. 201-206)

Referências bibliográficas

ANDRADE, Renato Brenol. Manual de eventos. Caxias do Sul: Educs, 1999.
MEIRELLES, Gilda Fleury. Tudo sobre eventos. São Paulo: STS, 1999.

Modelo de Cronograma Simplificado

Segue o Cronograma de Subcomissões de Grandes Eventos, segundo CESCA (1997, p. 47).

Evento:_______________
Data:_________________
Local:________________
Responsável pela subcomissão:___

Já com as equipes subdivididas e responsáveis por determinadas tarefas, é necessário observar detalhes importantes, principalmente no que diz respeito à contratação de prestadores de serviços e fornecedores. A primeira delas é sempre conhecer mais de um fornecedor, visitar suas instalações, conferir de perto a qualidade do seu trabalho e sempre, por maior confiança que se tenha, fazer um contrato de prestação de serviços, para evitar maiores preocupações. Outro fator é quanto ao pessoal de apoio (recepcionistas, mestre de cerimônias, seguranças) para o dia do evento, observar se estão de acordo para o tipo de evento, postura, profissionalismo e aparência são itens que devem ser observados, e se possível, avaliar o trabalho em outro evento, antes de contratá-los.

A parte de alimentação, também, é um fator importante, pois, tomar cuidado com quem fornece, conhecer a qualidade do produto, fazer um contrato, principalmente pelo fato de alguns buffets cumprirem à risca a quantidade de alimentos por pessoa, correndo o risco de ultrapassar o número firmado, limitar mais a passagem dos alimentos, dando uma impressão de escassez e o constrangimento dos convidados.
O autor ANDRADE (1999, p. 114) traz mais detalhes que tem de ser observados quanto à gastronomia e sua importância:

A gastronomia em eventos é importante para promotores e/ou organizadores, porque é um componente do conjunto que constrói e mantém marcas fortes, ajuda na obtenção de diferenciais e é um suporte valioso para a agregação de valor.

astronomia em evento inicia com a parceria com fornecedores de reconhecida qualidade. Nunca se deve esquecer de que os freqüentadores de um evento, ao final, são um consumidores como qualquer outro: ele deseja Serviço (perfeito desenvolvimento do tema proposto); ele deseja Preço e ele deseja Recompensa (entre estas, os elementos gastronômicos, quando incluídos no programa, têm muito realce).

Contudo, existem algumas dicas que podem ser úteis para os responsáveis pela gastronomia em eventos, levantadas pela técnica Ione Teichman:

Evitar a repetição de cardápios e de locais, porque, de acordo com periodicidade e público, vai acontecer a monotonia da rotina;

Evitar alimentos que deixem odor forte na boca ou que deixem resíduos entre dentes;

Evitar alimentos que exijam “técnica”para ingestão, afastando constrangimentos e possibilitando melhor comunicação entre comensais;

Inserir o momento gastronômico adequadamente na programação geral:

Considerar necessidade de deslocamento, antes e após, entre o local do momento gastronômico e os locais onde se desenvolvem as atividades do evento;

Evitar coquetel após longo tempo sem ingestão de alimentos
Por exemplo: marcar coquetel como encerramento de uma conferência que começa às 14 horas e se estende até às 18 horas;

Evitar alimentos de difícil digestão em intervalos para almoço (geralmente pouco tempo). No reinício dos trabalhos há grande probabilidade de sonolência;

Escolher cardápio e serviço adequados ao período de intervalo;

Escolher cardápio que possa “esperar pelo comensal”

Em alguns casos, a própria gastronomia é o evento. Então, os cuidados devem ser redobrados, a fim de que se possa criar um diferencial que irá permitir tornar-se o evento gastronômico uma atração periódica.
Referências bibliográficas

ANDRADE, Renato Brenol. Manual de eventos. Caxias do Sul: Educs, 1999.
CESCA, Cleuza G. Gimenes. Organização de eventos. São Paulo: Summus, 1997.

Eventos na Hotelaria

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Autoria: Gustavo Giacomini

Eventos na Hotelaria

INTRODUÇÃO:

Os eventos vêm-se tornando essenciais ao sucesso das organizações e cada vez mais crescem em números, qualidade e sofisticação, vindo a ter grande espaço nas estratégias das empresas, investimentos até maiores que os feitos na mídia, tornando-se a “fachada” da empresa em um trampolim para o desfecho de negócios.

Apresentamos neste trabalho, alguns tipos de eventos utilizados pelas mais variadas organizações, suas vantagens e critérios básicos para se chegar a uma conclusão de qual evento deverá ser utilizado, com o principal objetivo de não se prender somente em um dos vários segmentos de evento existentes no mercado.

O objetivo principal deste estágio e o comprimento da grade curricular, e através dele podemos perceber também, que os eventos principalmente no setor hoteleiro, está cresecendo cada vez mais, já que acaba sendo uma fonte de renda a mais. No Brasil, este segmento está em pleno crescimento, os hotéis estão se adequando as novas perspctivas de mercado.

Nós podemos perceber em vários empreendimentos hoteleiros que estão sendo construidos, em várias cidades que eles já estão preocupando em fazer salas para a captação de eventos, e os que já estão construidos, buscam algum lugar para a construção de salas, estes eventos podem ser de vários tamanhos, espécie, e categoria.

Antes de tratarmos da classificação dos eventos é importante abordamos alguns conceitos de eventos. Existem muitas definições complexas, mas ainda nenhuma em comum acordo entre os autores; depois de várias análises sobre o conceito de eventos, a que nos parece mais sucinta, entre todos os autores é a seguinte:

“Evento – atividade dos mais diferentes tipos, reunindo pessoas” (ANDRADE, 1999, p. 117).

Com base em nossas pesquisas, chegamos a elaborar nosso próprio conceito de evento, que é o seguinte:

“Evento – Atividade que atrai pessoas com um objetivo, considerando suas ramificações”.

É importante lembrar que a opção por determinado evento deverá ser realizada em harmonia com a elaboração de outros planos de comunicação, para que a mesma imagem gerada nos eventos seja percebida quando forem utilizados os demais mecanismos de comunicação, como propagandas, publicidade e promoção de vendas.

Os diversos tipos de eventos que uma empresa organiza, patrocina ou participa podem ser classificados de acordo com vários critérios. A classificação visa esclarecer sobre diferentes possibilidades de realização de eventos. Quanto a finalidade, podem ser primordialmente institucionais e promocionais; quanto à periodicidade, esporádicos, periódicos ou de oportunidade; quanto à área de abrangência, locais, regionais, nacionais e internacionais; quanto ao âmbito, internos ou externos; quanto ao público-alvo desejado, corporativo ou para o consumidor; quanto ao nível de participação, patrocinado ou realização própria. Não é uma classificação excludente, isto é, um evento pode ser ao mesmo tempo cultural e comercial, como as Bienais do Livro, voltado ao consumidor, e corporativo, coma a Fenit, e de alavancagem da imagem da empresa e de vendas, como os roadshows e assim por diante.

A classificação dos eventos é muito importante principalmente na hora de decidirmos qual evento será executado para a idéia na qual tivemos. Existem várias formas de se classificar eventos. Todo o evento nada mais é do que uma forma de reunião: “a reunião caracteriza-se como o embrião de todos os tipos de eventos. Trata-se do encontro de duas ou mais pessoas, a fim de discutir, debater e solucionar questões sobre determinado tema relacionado com suas áreas de atividade”. Também se assemelha com eventos, pois precisa ser planejada, ter convite, infra-estrutura e relatório para poder acontecer e atingir os objetivos.

Reunião dialogal: baseada na informação, no questionamento e na discussão.
Palestra, conferência, seminário, simpósio, convenção, entrevista, entre outros.
Reunião coloquial: baseada no entretenimento, no lazer, na aproximação entre as pessoas e na confraternização – coquetel, café da manhã, almoço, jantar, brunch, happy hour, entre outros.
Reunião Competitiva: concurso, torneios, entre outros.
Expositivas e Demonstrativas: feira, salão, mostra, exposição, desfile, lançamento de produtos, inauguração, entre outros.
È importante lembrar que devido à abrangência dos eventos, não devemos observar apenas a classificação de tipologia, mas também sua categoria e áreas de interesse.

1. IDENTIFICAÇÃO DO HOTEL:

Este estágio foi realizado no Oásis Plaza Hotel, de acordo com a rede OTHON, ele está classificado de hotel Boutique.

Como nome da razão social Oásis Plaza Hotel Ltda ME, e “Oásis Plaza Hotel” como o nome fantasia, incrito no CGC 03638820/0001-00 e Inscrição Estadual isento.

Ele está localizado na Av. Presidente Kennedy – 2445, Parque Industrial Lagoinha, Ribeirão Preto – SP. Localizado próximo ao novo Shoping, e das maiores indústrias de Ribeirão Preto e de 2 entradas da cidade, facilita muito a chegada até ele e também aos seus hóspedes que na sua maioria são a negócios.

O Hotel Oásis, conta com 66 apartamentos, dividido nas categorias Single, Double, Triplo e King Size. Todos os apartamentos estão equipados com TV de 20″, frigobar, Ar – Condicionado, os colchões são todos do modelo Box Spring, e os travesseiros são de pena de ganso, os banheiros contam ainda com ducha pressurizada, fazendo com que a agua saia bem forte, e elevador.

Não só os apartamentos mais o hotel por completo, é feito todo em marmore e granito carrara, o que é bem adequado ao clima da região.

O hotel oferece ainda a seus hóspedes, uma completa área para passar um final de semana agradável, com piscina, sauna a vapor, acadêmia, hidro, tudo com modernos equipamentos, e um moderno Business Center, equipado com um computador moderno e monitor de cristal liquido, os apartamentos assim como o Business center, conta com pontos de acesso rápido a internet, basta solicitar o cabo do speed na recepção.

2. PRODUTO:

2.1) Salas:

O Hotel Oásis, conta com 02 salas destinadas a eventos, sendo elas o salão Diamante, o maior deles com capacidade para até 130 pessoas em auditório, espinha de peixi 70 e em U 55 pessoas, ele mede 150 M2. e o seu pé direito mede 4 M. de altura, quanto a sua localização ele está no 1º piso, próximo ao Business Center, e a recepção, ao lado direito está localizado os sanitários, e possui ainda em seu inteiror, dois Ar-Condicionado, frigobar e caso o contratante da sala deseje o Coffee – Break, pode ser servido dentro da sala, ou no American – Bar que fica ao lado da sala.

O outro salão, chama – se salão Topázio, está no 2º piso, ao lado esquerdo do elevador, tem 105 M2, e com o pé direito também com os 4 M. de altura, quanto a sua capacidade é de 90 pessoas em auditório, 55 em espinha de peixe e de 55 em U. Seus dois sanitários estão localizados no lado de fora da sala, tem também dois Ar – Condicionado, frigobar e capacidade de servir o Coffee – Break dentro da sala, na frente desta sala possui um local aberto para as pessoas fumarem. Está sala tem a capacidade de receber uma média de 80 pessoas também no formato de auditório.

Quanto a sala, para que as pessoas possam estar guardando seus materiais, está localizado no 2º piso ao lado direito da sala Topázio, a sala diamante usa o mesmo depósito caso necessitem e não estaja sendo usado pela sala Topázio, neste caso é guardado, na sala do departamento de eventos que no hotel é chamada de sala de apoio, pelos funcionários do mesmo.

As mesas utilizadas nas salas são de madeira e são mesas estreitas especialmente, projetadas para reuniões. Já as cadeiras são de ferro e almofadadas, para proporcionar maior conforto possivel, aos seus usuários. Como pode se ver o Oásis se preocupa bastante com a satisfação dos seus hóspedes, de pessoas que vão ao hotel para uma simples visita apenas.

2.2) Equipamentos Audiovisuais:

Os equipamentos, seja de audio ou visual utilizados no Oásis, são de uma empresa terceirizadas pelo hotel de total confinça, a empresa presta serviços deste tipo para o hotel desde o seu começo.

Os equipamentos podem ser solicitados diretamente com os responsaveis pelo setor de eventos, que já é consultado na hora, da possibilitade de utilizar algum destes equipamentos. Esta empresa que presta os serviços ao hotel, tem todos equipamentos que podem ser utilizados em uma convenção, ou até mesmo em uma simples reunião com poucas pessoas.

Em relação a quantidade dos mesmos, a empresa conta com no minimo 4 aparelhos de cada um, todos em ótimo estado de conservação, e dos mais modernos possivéis. Entre estes equipamentos estão, Projetores, Data-Show, Slides, Canhões, Aparelhagem de Som completa, TV, Video, DVD, onde o Hotel dá de cortesia as empresas a Tv, Video e o Retro. Os demais são locados.

E todo estes aparelhos, são deixados montado na sala, para quando as pessoas chegarem, já estar tudo testado e funcionando corretamente, para não perde tempo.

Caso o produtor do evento queira, uma pessoa responsavel pelos equipamentos, poderá ficar no local para opera – los. As salas ainda são equipadas com pontos de acesso rápido a internet, se por um acaso for necessário utilizar estes serviços.

2.3) Materiais Diversos:

Para a montagem das salas, depende do tipo de evento que será realizado na mesma, já que cada evento precisa de uma montagem diferenciada, como por exemplo a colocação de tablados para facilitar a visualização de todos, mastros para bandeiras, cabines de tradução, estandes dentro da sala.

Enfim estes equipamentos, como são pouco utilizados nos eventos, não compensa o hotel ter, por este motivo e que eles são locados, mas estes tipos de equipamento são pouco utilizado hoje em dia, e na maioria das vezes as proprias empresas já tem estes materiais dispóniveis e os levam, descartando assim a possibilidade de locação de alguma empresa.

2.4) Kit Eventos:

O Hotel Oásis, não conta com um kit de eventos especifico, quando os responsavéis pelo setor fazem visitas externas a empresas, eles levam simplesmente o seu cartão de visitas e um folder do hotel.

O motivo para não ter um kit de eventos, principalmente é o custo do material que é relativamente elevado, e a diretoria acha que não conpensa um investimento no momento neste tipo de material. Mas pelo folder da pra se ter uma idéia de como são as salas, uma vez que tem as fotos, no mesmo.

No Oásis Plaza Hotel, o movimento de eventos, de vários tamanhos e tipos são bem frequentes na média de pelo menos, 03 por semana. Na minha opinião se tivesse este material de eventos especificos, para deixar nas empresas quando fosse fazer visitas as mesmas seria maior o numero de eventos no hotel.

2.5) Business Center:

O Hotel Oásis, conta apenas com um computador disponivel para os hospedes, no business center. Como no Oásis a maioria de seus hospedes são de empresas geralmente eles usam os pontos de internet nos próprios apartamentos, já que uma vez os apartamentos contam com esta disponibilidade.

No caso do hospede querer utilizar o acesso a banda larga do hotel, que se for um periodo longo de uso seria a melhor opção já que com a banda larga voce não tem que pagar as ligações telefonicas que ficariam com um custo um pouco elevada.

Mas para o hospede, usar a banda larga, ele tem que tar solicitando o cabo na recepção, com o custo de R$ 20,00 durante o periodo todo de sua estada, quando o hospede já e habitué da casa, o cabo as vezes pode ser emprestado, isso raramente acontece, a frequencia maior é um desconto no preço.

O business center, funciona praticamente da mesma forma, se for usado simplesmente para digitar ou outro serviço qualquer que não use a internet não é cobrado nada pelo computador, com o acesso a internet também em banda larga, tem um custo para o hospede de R$ 10,00 a hora, se houver a necessidade de impressão não é cobrado nada a mais, se for um número pequeno de páginas, como 10 páginas por exemplo acima desta quantia tem o custo de R$ 1,00 por folha.

2.6 ) Tabela de Preços:

Como a maioria dos equipamentos são alugados, com uma empresa especializada no ramo. É importante já constar na ficha que fica com o hotel a necessidade dos equipamentos.

No caso do contratante da sala querer um coffee-break, e necessário constar na ficha também, para que possa ter tempo da cozinha preparar o mesmo. Dependendo do número de pessoas que irão participar do evento e o horário que irá servir o coffee, é mais interessante o serviço de restaurante no logar do coffee.

O almoço tem o valor de R$ 15,00 por pessoa e no minimo de 20 pessoas, este serviço também é terceirizado, pelo hotel. Mas no caso do coffee-break, o hotel oferece 03 opções estas feitas pelo próprio hotal são elas:

Opção I. Café, suco natural de laranja e acerola, suco de ( polpa desidratada) de pêra, manga, tangerina, uva, pães, torradas simples e temperadas, 2 tipos de patês, bolachas doces e salgadas, bolo, pão de metro, geléias e manteiga. R$ 6,00
Opção II. Suco natural de laranja e acerola, suco de (polpa desidratada) de pêra, manga, tangerina, uva, leite, chá, café, pães, torradas simples e temperadas, bolachas doces e salgadas, rosquinhas, bolo, geléia, manteiga, salsicha ao molho tailandês e pão de metro. R$ 8,00
Opção III : Suco natural de laranja e acerola, suco de (polpa desidratada) de pêra, manga, tangerina, uva, dois tipos de frutas, leite, chá, café, agua mineral, 03 tipos de pães, torradas simples e temperadas, bolachas doces e salgadas, rosquinhas, bolo, torta salgada, ovos mexidos, geléia, manteiga, salsicha ao molho tailandês. R$ 10,00.
Quanto ao aluguel dos equipamentos audiovisuais, temos os seguintes preços:

APARELHO:
PREÇO:

TV
Cortesia do hotel

Video
Cortesia do hotel

Flip-chart
Cortesia do hotel

Retro projetor
Cortesia do hotel

Data-show
R$ 250,00

Som
R$ 120,00

Business center
R$ 10,00 a hora.

3) PÚBLICO ALVO:

O Oásis é voltado mais para o público de negócios em geral ou seja, é um hotel de categoria boutique, com tarifas de economico e ao mesmo tempo um hotel executivo, devido ao seu público alvo.

No Oásis, a média de 03 eventos por semana, é uma quantia muito boa, já que a maioria das empresas que la realizam seus eventos, são praticamente sempre as mesmas, de vez em quando tem alguma empresa diferente.

A maioria dos eventos realizados no hotel são reuniões, de empresas do tipo herbalife, drogacenter, empresas grandes, e tem em seus principais objetivos a motivação de seus funcionários. Nestas reuniões sempre é servido alguma coisa para os seus funcionários, pode ser um simples coffe-break ou até mesmo um almoço o que acontece na maioria das vezes.

Quanto as promoções destes eventos, os responsáveis pelas suas realizações são os diretores e presidentes das empresas, as pessoas responsáveis por eventos no Oásis, vão atrás de mais eventos e firmar contrato com novas empresas e buscando firmar com as que já tem, para isso o Oásis conta com excelentes preços e pessoais treinados e capacitados para desenvolverem este tipo de serviço, buscando sempre a satisfação dos hospédes e o pessoal das reuniões. No Oásis seja nos eventos realizados ou nas hospedagens a satisfação do cliente está sempre em primeiro lugar e alem de tudo e de todos.

4) COLABORADORES:

Para uma melhor visualização e comprenção, podemos ver no organograma a seguir, como funciona a o esquema no setor de eventos do Oásis.

Evolução da Hotelaria em Natal – RN

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Autoria: Carolina Malleb

A EVOLUÇÃO DA HOTELARIA NO BRASIL E EM NATAL

INTRODUÇÃO

O presente trabalho tem como objetivo principal relatar a evolução da hotelaria a partir da década de 90, tanto no Brasil como na cidade do Natal. Nos dois, foi dado um tópico superficial no seu histórico, justamente para esclarecer a importância do setor hoteleiro, que beneficia tanto quem precisa dos serviços prestados pelos mesmo, como para quem presta os serviços.

1. HISTÓRIA DA HOTELARIA NO BRASIL

O Brasil ainda é considerado um país jovem e nossa tradição em hospedagem foi baseada nos modelos europeus e posteriormente, norte-americano.

Os primeiros grandes hotéis brasileiros erguidos por imigrantes, que viam na nova terra boas possibilidades de sucesso logo no início , quase toda a estrutura dos hotéis era importada, pois o Brasil era um país não industrializado e por esse motivo tinha que comprar no exterior os materiais que não fabricava.

A hotelaria brasileira começou a crescer meados do século XIX, quando muitas capitais e cidades principais de nosso país ganharam grandes e elegantes hotéis. No entanto, só após a II Guerra Mundial é que a atividade hoteleira foi intensificada e hoje encontra-se quase lado a lado da hotelaria internacional.

1.1 HISTÓRICO DA HOTELARIA

Não é de hoje que a hotelaria corre atrás de algum tipo de conforto para o próprio bem estar, em 1703 um anônimo viajante francês, de passagem pelo Rio de Janeiro disse que foi obrigado a dormir a bordo do seu navio porque não havia como na França, hospedarias nem quartos mobiliados para alugar.

Já em 1787, o cirurgião inglês John White, considerou o maior incômodo não achar café ou hotéis onde pudéssemos tomar refresco ou passar uma ou duas noites em terra.

Apenas no ano de 1870 que começa a aparecer em São Paulo os primeiros estabelecimentos hoteleiros dignos dessa dominação, em 1984, 1.711 hotéis já tinham sido classificados pela EMBRATUR. Em 1986 é fundada a

Associação Paulista de Albergues da Juventude, até então este tipo de hospedagem alternativa (Albergues) era desconhecida no Brasil.

1.2 EVOLUÇÃO DA HOTELARIA A PARTIR DA DÉCADA DE 90

A hotelaria é uma indústria que cresce a cada dia que passa, devido as exigências dos consumidores, pois, os mesmos procuram cada vez mais conforto, comodidade e qualidade a um preço mais acessível. Todos os dias a concorrência aumenta, pois, o mercado só emprega profissionais capacitados a tender as necessidades do consumidor, pelo simples fato de serem eles os principais produtos da hotelaria. Além de visar lucros o setor hoteleiro se preocupa principalmente com a qualidade do serviço que está sendo prestado, estando sempre correndo atrás de um diferencial que venha satisfazer seus clientes tanto os atuantes, como os não atuantes, ou seja, aqueles que por um motivo qualquer estão ali por acaso.

Os meios de hospedagem variam bastante podendo ser divididos e classificados em diversos tipos; a forma de registro, localização, o porte e a destinação dos serviços oferecidos.

1.3 O DIFERENCIAL DOS MEIOS DE HOSPEDAGEM

Dentre os diversos meios de hospedagem o principal é o diferencial. Podendo ser uma pousada mais aconchegante, com comidas diferentes a um hotel de luxo, o qual não economiza nas novidades. É o caso do L´Hotel, de São Paulo, a suíte tem lençóis de algodão egípcio, cadeiras inglesas e espelhos venezianos. No Sheraton Morfarrej, também de São, cada andar tem um mordomo poliglota 24 horas à disposição. O Copacabana Palace, do Rio de Janeiro, passou por uma reforma em 1997, que custou 30 milhões de dólares, os hóspedes recebem à beira da piscina uma toalha umedecida com lavanda para se refrescar do calor carioca. Todos os apartamentos são equipados com aparelho de som a laser e videocassete. No Transamérica, o único hotel brasileiro com certificado de qualidade ISSO 9002, há campo de golfe e um dos maiores centros de convenções do país. No Inter-Continental de São Paulo, o sistema de segurança é tão eficiente que, em caso de incêndio, as escadas de emergência são pressurizadas, impedindo o avanço do fogo.

Devido a grande diversificação nos meios de hospedagem serão demonstrados alguns:

Pousadas e Albergues, são meios de hospedagem mais simples, com um certo tipo de conforto o qual algumas vezes é proporcionado por nós mesmos. Ressaltando que no albergue não é oferecido nenhum serviço que os hotéis também oferecem, só que nas pousadas os preços são mais acessíveis.
Flat e apart-hotéis, são meios de hospedagem mais procurados por executivos. Estes meios de hospedagem oferecem moradia, cuidados e diversão. E nos dias de hoje está sendo construído sobretudo em São Paulo e Rio de Janeiro, edifícios de flats e apart-hotéis destinados à chamada terceira idade, onde menor de 65 anos só entra para visitar e tudo, do cardápio do restaurante ao tamanho das letras nos avisos, é programado para atender pessoas idosas.
Hotéis em geral, os hotéis são classificados a partir de suas estrelas, ou seja, quanto mais estrela tiver, mais conforto e qualidade ela oferece nos seus serviços dentro da hotelaria.
O diferencial entre os hotéis é feito através de como os serviços são oferecidos e como o cliente é tratado. Por exemplo, em um hotel de categoria média, tipo 3 estrelas, eles tem menos serviços do que os de luxo, mas são limpos e funcionais e possuem algum charme. Atraem tanto os executivos que viajam a trabalho quanto os turistas que desejam um serviço correto e mais barato. O grupo ACCOR, que atua em 48 países, deve construir no Brasil 43 novos estabelecimentos da marca Íbis, conhecida por estar dentro desse segmento.

Outro exemplo é a americana Choice Atlântica Hotels, a maior cadeia franqueadora do ramo no mundo, com suas quatro marcas – Sleep Inn, Comfort, Quality e Clarion. Até 2003, a empresa quer ter setenta hotéis no país. O principal foco da Choice são os executivos em viagem por São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre, que no ano passado já recebeu um hotel da rede Caesar Park no bairro Moinhos de Vento. A Choice inaugurou em setembro/98 seu primeiro hotel no Brasil, um Comfort com 115 apartamentos em São Paulo, e administrará outros dois junto a aeroportos internacionais, em Guarulhos e Porto Alegre.

Em Gramado, no Rio Grande do Sul o Kur Hotel, acrescentou a seus serviços um centro dedicado exclusivamente ao controle do stress, devido a sua procura. O diretor técnico da clínica diz que essa é uma nova tendência nos principais centros de emagrecimento do país: aproveitar a tranqüilidade das instalações e a estrutura da hotelaria para recarregar as baterias de quem enfrenta uma rotina estafante nas grandes cidades.

Resorts, são aqueles hotéis que oferecem tudo para que o turista nem precise sair dali, da comida a esportes náuticos, são um sucesso no mundo inteiro. No Brasil, por muito tempo existiam apenas meia dúzia de empreendimentos, como o Transamérica da Ilha de Comandatuba, o Club Méd de Itaparica e o Praia do Forte EcoResort, todos na Bahia, além do Club Med rio das Pedras, em Mangaratiba, no Rio de Janeiro. Agora tudo está mudando rapidamente, dezenas de projetos para a construção de novos resorts estão saindo do papel, no embalo da retomada do turismo interno e na perspectiva de atração de mais turistas estrangeiros. A maioria será no Nordeste, devido a paisagem, o clima e a proximidade com a Europa e os Estados Unidos, a região concentra todos os apelos para concorrer com outros resorts do mundo que oferecem sol, areia e mar.
Em parte, os resorts são ainda um negócio pouco explorado no Brasil, porque exigem investimento alto, planejamento cuidadoso e mão-de-obra qualificada. Por exemplo, o Costa do Sauípe na Bahia, é um conjunto de cinco resorts e um campo de golfe de dezoito buracos. Este tipo de hotel, atende a clientes estrangeiros acostumados com resorts de alto luxo.
Só na Bahia, há outros cinco novos resorts planejados para a região de Trancoso, um em Porto Seguro e dois na Praia de santo André. No Ceará, será construída uma pequena Cancun em litoral brasileiro. Será o projeto Aquiraz, com catorze condomínios residenciais, hípica, marina e lugar para um futuro cassino. A primeira etapa será inaugurada em 2001. Existem ainda projetos para resorts em Barra de São Miguel, na Praia do Francês e em Maragogi, em Alagoas; em Pipa e Extremoz, no Rio Grande do Norte; em Angra dos Reis e Búzios no Rio de Janeiro; e Maria Farinha, em Pernambuco. Os empreendimentos que já existem também planejam expandir-se. O Praia do Forte construiu um spa, que foi inaugurado em 2000. o Blue Tree, de Cabo de Santo Agostinho, em Pernambuco, tem planos para aumentar a sua área de lazer.

2. A HOTELARIA EM NATAL

Natal é uma cidade que sempre teve um grande potencial para a atividade turística, devido seus atrativos naturais, históricos entre outros, e que até hoje ainda são explorados lugares desconhecidos.

Em 1º de abril de 1948, foi fundado o Hotel Bom Jesus, pelo sr. Mário Cabral que alugou a casa do sr. José Tavares por 500 mil réis e passou a desenvolver a atividade de hoteleiro. Na época de sua fundação só existiam algumas pensões, posteriormente surgiram o grande Hotel e o Hotel Natal.

O Grande Hotel foi construído entre os anos de 1937 – 1938, e inaugurado no dia 13 de maio de 1939. Ele veio para satisfazer os anseios da elite potiguar que clamava já algum tempo, por um hotel luxuoso e de grande porte, o que não havia ainda na cidade, não tendo assim nenhum concorrente a altura. O seu declínio começou a partir da inauguração do Hotel Reis Magos, que passou a ser seu concorrente, além do boom turístico de Natal com a abertura de vários outros estabelecimentos em locais mais atraentes da cidade.

O Hotel Internacional dos Reis Magos, foi inaugurado em setembro 1965, sendo o primeiro hotel de lazer da cidade do Natal. Na sua fundação o hotel dispunha de uma suíte presidencial e 59 apartamentos de luxo, constantemente lotados, fazendo com que a clientela excedente procurasse hospedagem no grande Hotel e no Hotel Samburá (posteriormente). Atualmente, o Hotel Internacional dos Reis Magos dispõe de 91 unidades habitacionais. O seu declínio começou em 1978, com a chegada da Via Costeira com seu primeiro hotel, o Natal Mar Hotel, e os empreendimentos seguintes, mais modernos cada vez mais.

Em 1984, foi inaugurado o primeiro hotel da Via Costeira – o Natal Mar Hotel, que foi construído inicialmente com 100 apartamentos e depois de inaugurado, com a alta taxa de ocupação que apresentava, foi ampliado para 149 apartamentos. Com a inauguração do Natal Mar Hotel, a capital potiguar ganhou um entusiasmo pelo turismo na cidade e com isso houve maior divulgação.

Em 1999, foi inaugurado o Pirâmide Palace Hotel, o maior hotel do Rio Grande do Norte, e tem todos os detalhes e requintes das grandes cadeias internacionais de hotéis padrão 5 estrelas. Ao todo são, 315 unidades, sendo 300 apartamentos e 15 suítes. O parque aquático do hotel está sendo considerado por profissionais da área de turismo como um dos mais bonitos do Brasil. Ele possui uma área de 10 mil metros quadrados, um bar e um restaurante grill, área de lazer para crianças, além de uma piscina integrada com jardins e dotada de cascata e hidromassagem. No lobby do hotel, destacam-se 3 características: o espaço físico na entrada do hotel, o maior tapete persa do Brasil, com 70 metros quadrados e a pirâmide de vitrais, que marca todos ao chegarem ao lobby.

As cadeias internacionais de hotéis também estão descobrindo o potencial turístico do Rio Grande do Norte. A grife portuguesa Carlton, vai administrar o hotel Praiabela Costeira. O Carlton Praiabela Costeira, é o mais novo hotel da Via Costeira, e entrará em operação em maio. São 194 apartamentos e suítes, amplo e moderno parque aquático, restaurantes, centro de convenções e uma série de serviços típicos da hotelaria mundial de ponta.

O contrato com a rede Carlton vai propiciar não só um novo padrão de qualidade no atendimento como a garantia da vinda de turistas europeus através de vôos charters. Os empreendedores estão confiantes no salto de qualidade que a própria hotelaria no Rio Grande do Norte vai experimentar a partir do funcionamento do Carlton Praiabela Costeira.

CONCLUSÃO

No passado o setor hoteleiro tinha uma única ocupação que era a acomodações das pessoas que procuravam pernoitar durante o seu deslocamento, os cômodos que eram oferecidos eram simples e com o mínimo de conforto.

Nunca no Brasil, os hotéis se esforçaram tanto para tratar melhor os seus hóspedes. Até pouco tempo os hotéis brasileiros eram muito parecidos entre si, mas, isso começou a mudar , as pessoas passaram a se preocupar mais com a qualidade dos serviços prestados, muitas vezes pagando até mais para obterem o conforto necessário. Jamais esquecendo dos avanços tecnológicos, pois, os mesmos ajudam a rede hoteleira, oferecendo uma qualidade ainda melhor aos clientes, seja em qualquer parte do Brasil e até mesmo no mundo.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

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TRIGO, Luiz Gonzaga Godoi. Viagem na memória: Guia histórico das viagens e do turismo no Brasil. São Paulo: Editora SENAC São Paulo, 2000. cap.V, p.153 – 163.
KOTSCHO, Ricardo. Turismo. Rev. ÉPOCA. São Paulo: Editora Globol, nº135 18 dez. , 2000.
KALIL, Mariana. Profissão. Rev. ÉPOCA. São Paulo: Editora Globo, nº118, 21 ago. , 2000.
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CONFORTO SOB MEDIDA, Rev. Veja. São Paulo: Editora Abril, 21 out 1998.
ILHAS DA FANTASIA, Rev. Veja. São Paulo: Editora Abril, 02 dez 1998.
SÓ PARA MAIORES, Rev. Veja. São Paulo: Editora Abril, 28 abr 1999.
BONS E BARATOS, Rev. Veja. São Paulo: Editora Abril, 09 jun 1999.
SÓ PARA RELAXAR, Rev. Veja. São Paulo: Editora Abril, 23 jun 1999.

Gestão Ambiental na Hotelaria

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Autoria: Maria Emília

Gestão Ambiental na Hotelaria

1 INTRODUÇÃO

A questão da proteção ambiental nas organizações transformou-se em um dos fatores de maior influência da década de 90. Atualmente , a utilização de recursos naturais já não é mais possível sem um prévio planejamento , de sua substituição ou recuperação integral , através de regulamentações , ou ainda da necessidade natural das empresas em competir num mercado sem fronteiras.

O uso racional dos recursos disponíveis na natureza já não é exigência apenas dos ecologistas ou entidades governamentais , passando a fazer parte , também, do planejamento estratégico das organizações . Considerando que as preferências dos consumidores tomam como alvo às entidades ecologicamente correta, na sua prestação de serviço , na produção de produtos ou a forma de interagir com seus fornecedores, funcionários e a comunidade em geral , existindo a necessidade de adequação aos novos padrões exigidos , sendo essenciais para uma convivência pacífica e longínqua , humanitária e protetora ao ambiente.

Pode-se observar na moderna administração, o comprometimento das empresas com o meio ambiente , preocupação esta, presente em todos os ramos de negócios e em todos os sentidos de desenvolvimento. Segundo DONAIRE( 1999, p. 29 ), ” …temos o poder de reconciliar as atividades humanas com as leis naturais e de nos enriquecermos com isso. E nesse processo , nossa herança cultural e espiritual pode fortalecer nossos interesses econômicos e imperativos de sobrevivência”.

A proteção do ambiente constitui um dos maiores desafios da geração atual, ao qual nenhum setor de atividade pode ficar indiferente. O estado de degradação a que o planeta chegou e, a necessidade de aplicar medidas vigentes que minimizem os efeitos causados pelas agressões ambientais são alguns dos objetos de estudo do referido projeto.

As atividades ligadas ao Turismo foram , durante muitos anos , consideradas inofensivas , em termos de agressão ambiental , quando comparadas com os setores industriais tradicionais, os quais, já vêm aplicando práticas ambientais há alguns anos. Os Profissionais responsáveis ligados aos setores de Turismo, em especial os Gestores ligados à Hotelaria, reconheceram a importância de incluírem práticas ambientais na gestão dos negócios.

Grandes redes de hotéis e empresas preocupadas com o desenvolvimento ambiental, estão implantando em sua cadeia de gerenciamento o Sistema de Gestão Ambiental , onde este inclui a estrutura organizacional, as atividades de planificação , as responsabilidades , as práticas , os procedimentos , os processos e os recursos para elaborar , implementar , realizar , rever e manter a política ambiental, além do almejo da ISO 14001.

Diante de estudos e considerações ligados ao fator ambiente, observar-se-á como a hotelaria e, em especial o mercado de resorts , delimitando como área de estudo o Resort Costão do Santinho , localizado em Florianópolis – SC, têm utilizado e aplicado o sistema de gestão ambiental , bem como a descrição da implantação , visto que o grande desejo das empresas que já executam o sistema é ser reconhecida através da obtenção da ISO 14001, ao qual o Hotel em estudo já obteve.

O objetivo fundamental deste estudo de caso , Resort Costão do Santinho , é identificar quais os fatores que levaram o hotel a buscar a implantação do Sistema de Gestão Ambiental e a forma como estabeleceram sua política ambiental, os critérios adotados pela empresa para a obtenção de certificação da norma ISO 14001, bem como os meios utilizados para a manutenção do SGA e finalmente a avaliação dos impactos ambientais, realização de auditorias, sistema de comunicação, e os principais benefícios estratégicos da empresa depois da Certificação ISO 14001, através de um diagnóstico minucioso das principais etapas.

O referido projeto de pesquisa pretende mostrar , através de pesquisa qualitativa , como vem se desenvolvendo o sistema em questão, procurando principalmente desenvolver estudos científicos sobre a gestão ambiental na hotelaria , neste caso, se apoiando no estudo de caso, Resort Costão do Santinho.

2 OBJETIVOS

2.1 Objetivo Geral

Descrever o processo de implantação do Sistema de Gestão Ambiental e da certificação da norma ISO 14001 na hotelaria, tendo como base , o estudo de caso, Resort Costão do Santinho em Florianópolis – SC.

2.2 Objetivos Específicos

identificar os fatores que levaram o hotel a implantar o SGA;
identificar os critérios utilizados pela certificadora para a obtenção da norma ISO 14001;
analisar o processo de manutenção do sistema de gestão ambiental;
descrever a política ambiental da empresa;
identificar os principais benefícios alcançados após a implantação do SGA, bem como sua influência no planejamento estratégico da empresa .

3 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Recentemente o número de seres humanos no planeta atingiu a casa dos cinco bilhões . Segundo projeções demográficas apresentadas pela COMISSÃO MUNDIAL SOBRE O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO(199, P.110), essa cifra será superior a oito bilhões já no ano de 2020 .

Pode-se observar grandes fatores que propiciam esta imersão populacional no mundo e, entres estes , o aumento da qualidade de vida , a tecnologia sofisticada relacionada com a medicina e fontes de pesquisas que freqüentemente atraem cientistas a descobrir novas formas de combater doenças , epidemias e, em alguns casos até mesmo o desemprego . Devido a fatos como estes , o mundo detecta uma profunda mudança no ambiente natural baseado no aumento da densidade demográfica nos grandes centros ,juntamente com os fatores que provêm dela.

Diante desta preocupação , a mentalidade ecológica da sociedade tem ganhado um destaque significativo em face do papel fundamental que exerce para a qualidade de vida da população.

Desde a 1ª Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, realizada em 1972 em Estolcomo, na Suécia, até a consolidação do termo ” Desenvolvimento Sustentado” na linguagem do dia-a-dia, a sociedade atual está cada vez mais convicta de que é possível uma nova gestão dos recursos naturais que possibilita ao mesmo tempo , eficácia e eficiência na atividade econômica e que se possa manter a diversidade e estabilidade do meio ambiente.

As atividades turísticas também estão diretamente ligadas à questão ecológica porque o turismo feito de forma desordenada e além da capacidade de recepção de um local em determinado tempo , acaba se transformando num fator de poluição e de destruição não só do patrimônio natural existente mas também do próprio patrimônio cultural da comunidade.

Neste ritmo acelerado pelo controle do meio ambiente , o desenvolvimento sustentável atribuído por muitos autores tem sido o principal tema ligado ao turismo nos último anos, conforme relatório da COMISSÃO MUNDIAL SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO ( 1991, p.46 ), ” o desenvolvimento sustentável é aquele que atende

às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidade .”

No entanto, é importante lembrar que no âmbito do turismo , é sempre mais indicada a prevenção do que a cura, visto que essa última pode apresentar seqüelas irreversíveis. Assim , o processo da pesquisa visando o desenvolvimento sustentável se adapta a outro tema ainda mais específico para o meio ambiente , o sistema de gestão ambiental , ao qual aborda um gerenciamento ecológico buscando algumas diretrizes e estratégias que se classificam em : inovação, cooperação e comunicação.

Na tentativa de desenvolver uma pesquisa com o intuito de descrever como o processo de sistema de gestão ambiental se desenvolve na hotelaria, faz-se referência ao estudo de caso, Resort Costão do Santinho em Florianópolis.

3.1 A Pesquisa em Turismo

Atualmente, as pesquisas no campo do turismo e hotelaria vêm se tornando mais favoráveis ao conhecimento e atuação de mercado e reconhecidas cientificamente , devido às técnicas de pesquisas atuais e às abordagens de grandes estudiosos da área. Analisar-se-á como a pesquisa voltada ao estudo de caso se caracteriza no turismo.

Assim traduz BEATRIZ HELENA GELAS LAGE e PAULO CÉSAR MILONE(2001, P. 306) “Ponderado como uma pesquisa em que o objeto é uma unidade social que deve ser profundamente observada e analisada , o estudo de caso é praticado no turismo por meio de um trabalho de campo – em situações típicas ( usuais ) ou incomuns ( excepcionais ) – visando , por exemplo : à investigação de uma comunidade local receptora de turismo de negócios ; ao comportamento dos indivíduos ( turistas ) quando em viagens de férias e de diversão, entre outros.”

Habitualmente assumido para obter respostas do gênero – ” o que, qual, quem, quando, onde, como e por que” – o estudo de caso no turismo tem-se tornado uma estratégia metodológica exploratória e descritiva bastante usual por estudantes, tendo em vista o problema a ser investigado , contribuindo para a difusão das múltiplas experiências que a complexa atividade turística incorpora.

Assim, diante das variáveis adotadas na pesquisa em turismo , o referido projeto se apoiará em um estudo de caso sobre hotelaria , especificamente sobre o Resort Costão do Santinho em Florianópolis, tendo como tema principal sua questão ambiental.

3.2 A Hotelaria no mercado atual

O desenvolvimento do turismo , quando aplicado ao fator econômico movimenta grandes receitas no mundo atualmente. E, dentre seus principais produtos, a hotelaria lidera como forte meio de hospedagem aos principais destinos e também se tornando “o destino”, se destacando entre os principais hotéis de lazer e Resorts espalhados pelo mundo.

Segundo VIRGÍLIO CARVELHO(2000, P. 209) “a indústria hoteleira internacional está imersa em profunda transformação . As mudanças afetam tanto a estrutura empresarial quanto a concepção de negócios. Os fluxos turísticos estão variando substancialmente , mudando os sistemas de administração e gestão de administradores ortodoxos e clássicos e dos donos de hotéis. A visão moderna transformará todos os empresários de vanguarda em empreendedores hoteleiros , prevendo a mudança inclusive no Brasil.”

O mesmo autor (2000) salienta que o foco do mercado hoteleiro tinha na Europa seu feudo, e isso se devia ao fato de que o velho continente era o destino turístico de maior volume e também o que vivia maiores índices de crescimento . Hoje, esta mentalidade já não prevalece mais, e já não é o continente americano , como se poderia pensar , mas a Ásia e o Pacífico que desenvolverão esta indústria com mais intensidade, nos próximos anos. Um dos aspectos que mais incidem na transformação da indústria hoteleira internacional é a permanente evolução das tendências do mercado, geradas sobretudo pela forte concorrência de preço e qualidade.

A hotelaria brasileira começou a crescer desde meados do século XIX, quando muitas das capitais e cidades principais de nosso país ganharam grandes e elegantes hotéis . No entanto , a expansão da atividade hoteleira só foi intensificada depois da II Guerra Mundial, e hoje está em níveis bem próximos dos vigentes na hotelaria internacional.

A hotelaria no Brasil, não poderia deixar de aparecer entre os principais destinos da atual temporada, devido principalmente a certas ocorrências dos países Latino Americanos, que até então eram líderes do turismo mundial. Assim, o Brasil, destaca-se no mercado turístico , pela sua diversidade de produtos e também pela qualidade de serviços, ainda estando um pouco longe dos moldes americanos e europeus, mas já inserido na indústria turística como destino provável.

3.2.1 A ISO 14001 e o Setor Hoteleiro

As normas ISO 9000 e ISO 14001 são normas opcionais dentro das empresas. Na era da modernidade e tecnologia, ainda não há exigência internacional oficial para as empresas alcançarem a certificação ISO 14001. Mas isso não significa que não haverá pressão para que se alcance a certificação ISO 14001. Grandes empresas , principalmente aquelas associadas à poluição ambiental , provavelmente serão as primeiras a alcançar a certificação ISO 14001.

A ISO 14001 não estabelece exigências absolutas para o desempenho ambiental, mas tão-somente um compromisso ( estabelecido na política ambiental da empresa )de cumprir a legislação e regulamentos aplicáveis e de realizar melhorias contínuas. Não há nada na norma ISO 14001 que especifique a quantidade de materiais perigosos que podem ser despejados como efluentes. Ao contrário, a norma simplesmente estabelece ( entre outras coisas ) que a gerência sênior deve definir a política ambiental da organização e assegurar que :

c) inclua um compromisso de obedecer a legislação ambiental relevante, as regulamentações e outras exigências às quais se propõe a organização” ( ISO 14001 Parágrafo 4.2 Política Ambiental )

A ISO 14001 é mais genérica. Sob o escopo , por exemplo , leia-se:

Esta Norma Internacional é aplicável a qualquer organização que deseja:

a) implementar, manter e aprimorar o sistema de gestão ambiental;

b) garantir-se de que está em conformidade com a política ambiental estabelecida;

c) demonstrar tal conformidade com a política de gestão ambiental estabelecida;

d) procurar certificação/ registro do sistema de gestão ambiental de uma organização externa;

e) afirmar autodeterminação e autodeclaração de conformidade em relação à Norma Internacional ISO 14001.

Percebe-se que a norma é propositalmente ampla em seu escopo. As palavras ” qualquer organização”podem aplicar-se a um hotel ou restaurante , assim como a indústrias químicas e fábricas de papel.A norma simplesmente estabelece que qualquer um que deseja a certificação ISO 14001, perceba que a certificação é uma opção e não uma exigência , sendo assim, a empresa terá de identificar e ter acesso a exigências legais e outras a que a organização se proponha , que sejam aplicáveis a aspectos ambientais de suas atividades , produtos e serviços.

O alcance da certificação ISO 14001 por uma empresa de turismo e, principalmente por um hotel demonstra que ambos implementaram um programa de gestão ambiental rigoroso. Este fato certamente atrai o interesse de um grupo substancial de turistas para os quais o ecoturismo é um aspecto importante. Naturalmente , não se pode sugerir que a certificação ISO 14001 seja equivalente a ecoturismo. De fato, muitos proponentes do ecoturismo argumentariam que uma experiência de ecoturismo verdadeira está além das exigências estabelecidas na norma ISO 14001. Argumentariam, por exemplo, que o ecoturismo engloba tais conceitos nebulosos , como desenvolvimento sustentável, manutenção da biodiversidade, redução do consumo exagerado, sustentação da economia local e, geralmente , prática do turismo responsável.

O ecoturismo é uma oportunidade de demonstrar que o desenvolvimento econômico e a preocupação pelo ambiente podem coexistir simbioticamente . Em uma tentativa de abordar o turista ecologicamente engajado , alguns dos programas chamados Green Label têm pouco a ver com proteger o ambiente.

Observa-se no entanto, que o ecoturismo é apenas uma das formas de proteger o meio ambiente e aprimorar o desenvolvimento sustentável, podendo se manifestar outros produtos tão importantes quanto, sendo de extrema importância esta preocupação por todas as empresas de turismo.

Pode-se recomendar que as empresas interessadas na ISO 14001 implementem um sistema simples e prático desenvolvido para adicionar valor . O sistema de gestão ambiental não pode se tornar o sistema oneroso que é bem conhecido , mas não é praticado. O sistema deve ser desenvolvido de forma que aumente a eficiência e o lucro . Sob a orientação adequada , a norma ISO 14001 pode ajudar as empresas a alcançarem seus objetivos.

3.3 Turismo e Desenvolvimento Sustentável

” O turismo contemporâneo é um grande consumidor da natureza e sua evolução , nas últimas décadas , ocorreu como conseqüência da ” busca do verde” e de “fuga” dos tumultos dos grandes conglomerados urbanos pelas pessoas que tentam recuperar o equilíbrio psicofísico em contato com os ambientes naturais durante seu tempo de lazer.” ( 1997, p. 9 )

Atualmente , o grande afluxo de pessoas residente em áreas urbano tem aumentado significativamente em função do trabalho e melhores condições de vida. Devido a este, e outros fatos relevantes, nota-se freqüentemente a preocupação de toda a população pelo controle do meio ambiente natural, visto que , as conseqüências deste grande afluxo de pessoas nesses ambientes , extremamente sensíveis, fazem com que o planejamento dos espaços , dos equipamentos e das atividades turísticas se apresente como fundamental para evitar os danos sobre os meios visitados e manter a atratividade dos recursos para as gerações futuras.

Assim, o planejamento dos espaços turísticos e não turísticos, de modo geral, tem a finalidade de preservar e precaver quaisquer danos que possam causar a natureza, para que várias gerações possam usufruir de forma adequada todas as atratividades e espaços do empreendimento.

O turismo nos espaços naturais não é apenas modismo de uma época e a opinião pública tem se conscientizado , cada vez mais, da necessidade de proteger o meio ambiente . Se, pelo lado da demanda , a motivação ” contato com a natureza” se torna cada vez mais intensa, a natureza intacta e protegida passa a ser um argumento comercial importante . Assim, o turismo de qualidade pode tornar-se economicamente viável , desde que associado à proteção dos espaços naturais e excelência dos serviços e equipamentos oferecidos pelos clientes.

É preciso que o turismo e o meio ambiente encontrem um ponto de equilíbrio , a fim de que a atratividade dos recursos naturais não seja a causa da sua degradação.

Diante dos tópicos acima descritos , abordar-se-á como mais uma base de estudo, o desenvolvimento sustentável, aplicável constantemente no planejamento das empresas. De acordo com o relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento(1991, p.46 ) , o ” desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem ás suas próprias necessidades”.

Então na necessidade de adequar modelos de gestão que visem um desenvolvimento econômico e social saudável, referindo-se ainda à Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento , observa-se que a satisfação das necessidades essenciais dependem em parte do crescimento potencial pleno, sendo várias as questões que podem determinar ou não esta satisfação, como o crescimento desordenado da população desencadeando então a privação de certos benefícios como a alimentação , a saúde pública e a educação.Portanto observar-se-ia o desenvolvimento como ferramenta para a equidade desde que bem administrada.

ANDRADE(2000), refere-se a Comissão Mundial do Meio Ambiente e Desenvolvimento , destacando a preservação do ambiente na realização do desenvolvimento sustentável, e ainda paralelamente a Carta Empresa para o Desenvolvimento Sustentável, declara que uma das prioridades de qualquer organização , hoje, é a preservação do meio ambiente , considerando que as organizações precisam ter consciência de que deve existir um objetivo comum, e não um conflito, entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental, tanto para o momento presente como para as gerações futuras.

Em essência, relata a COMISSÃO MUNDILA SOBRE MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO(1991), o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos , a direção dos investimentos , a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro , a fim de atender às necessidades e aspirações humanas. Declarando que será necessário a adoção de princípios básicos para estabelecimento das políticas ambientais e desenvolvimento sustentável , entre os quais destaca-se:

Alteração da qualidade do desenvolvimento;
Atender as necessidades de emprego, alimentação, energia, água e saneamento;
Manter um nível populacional sustentável;
Conversar e melhorar a base de recursos ;
Reorientar a tecnologia e administrar o risco;
Incluir o meio ambiente e a economia no processo de tomada de decisões;
Conscientizar a população local da importância do turismo sustentável;
Estar atento a possíveis riscos ambientais , visando uma demanda apurada e a qualidade dos serviços prestados;
Finalmente , entende-se que o planejamento deve ser propício a todos os níveis de negócios, e em especial ao turismo, pois a atividade turística tem a capacidade de envolver inúmeros setores e, entres estes o setor ambiental.

3.4 O mercado de Resorts

A Indústria do Lazer e Entretenimento no Brasil está em pleno apogeu. Este reflexo começa a tomar corpo a partir dos anos 90, segundo estudos realizados pelo WTTC – World Travel & Tourism Council; em que grandes modificações ocorridas no mundo foram capazes de proporcionar mais conforto , facilidades e maior tempo livre para as pessoas, juntamente com crescimento do ócio nas sociedades popularmente constituídas.

O mundo dos negócios e grandes centros urbanos são responsáveis em parte por essa nova tendência mercadológica. A intensa era da economia , a globalização, e a busca da informação são fatores que de certa forma exerce influência sobre as pessoas , principalmente aquelas que convivem nesses centros urbanos , onde o fator do stress e o excesso de trabalho a atividades fazem com que se sintam atraídas pela ociosidade e lazer.

Grandes transformações no país podem ser caracterizadas como conseqüências de tendências na busca do mercado de Resorts . O crescimento demográfico diminuiu , as nações amadureceram e o número de aposentados vem aumentando. Isto explica o desenvolvimento , com acelerado crescimento , das viagens e turismo por todos os países dos diversos continentes.

O turismo de lazer , de acordo com a OMT, será o principal motor propulsor da expansão da atividade turística ao longo da primeira década do século XXI.

Nos últimos anos , o rápido crescimento do turismo europeu para a América do Norte foi baseado nos Resorts de Cancun ( México ) , Flórida e Havaí ( EUA ), refletindo a tendência da exploração não somente dos destinos close – to- home, mas também de localidades que ofereçam diferentes experiências e tidos como exciting and unspoilt.

Acompanhando essas mudanças , deu-se início no Brasil a construção de Resorts. Salienta-se que os hotéis de lazer sempre existiram, porém modestamente no país. O diferencial na hotelaria do novo século foi um novo conceito tanto no aspecto físico quanto no de serviços. O Brasil, como país continental , foi um campo aberto para a edificação de Resorts , que já não encontravam espaços físicos em outros países.

A EMBRATUR, em sua nova norma de classificação , admite como tipo Resort o hotel que esteja localizado em área de conservação e equilíbrio ambientais. Sua construção deve ter sido precedida por estudos de impacto ambiental e planejamento da ocupação do solo. Precisa dispor de infra-estrutura de entretenimento e lazer significativamente similares , e deve classificar-se nas categorias de luxo ou luxo superior.

Os Resorts que se encontram dentro dos padrões necessários exigidos pela EMBRATUR, dispõe de arquiteturas horizontais, sendo esta a característica mais fiel, contando com amplos espaços aquáticos, áreas de recreação, health clubs e spas. Nos serviços , uma estrutura completa , alguns com sistema all inclusive, outros com sistema de meia pensão. Todos com qualidade e capacidade de alto luxo.

Os Resorts no Brasil tem sua origem marcada por empreendimentos como o Transamérica da ilha de Comandatuba, o Club Méd de Itaparica o Costão do Santinho e o mais completo megaempreendimento de lazer já construído no país- Costa do Sauípe.

Tendo como base o estudo da hotelaria internacional destacar-se-á algumas características dos resorts do Novo Milênio:

ao estilo da região ou temáticos;
Ar livre. Locais Exóticos e desconhecidos;
Locais com apelo ecológico;
Agregação de cultura e conhecimento ( artesanato, pintura, técnicas de relaxamento, etc );
Decoração
Atualmente tem-se sabido que diversos projetos destinados a construção de novos Resorts estão saindo do papel, no embalo da retomada do turismo interno e na perspectiva de atração de mais turistas estrangeiros.

“Os Resorts ou Megaresorts hoje têm como preocupação maior o ser humano, oferecendo o lazer, sempre agregados à saúde, esporte, cultura e ecologia.” ( OMT, 2001, p.28)

3.5 A Gestão Ambiental

Atualmente, o ambiente ganhou um lugar de destaque como preocupação mundial, quer em nível do simples cidadão , quer em nível das organizações, agentes econômicos e sociais que , através da sua intervenção no nosso cotidiano, apresenta uma interação direta ou indireta com o ambiente.

Sendo de interesse primordial da atualidade e, principalmente deste estudo, faz-se oportuno resgatar o entendimento conceitual sobre o termo ” meio ambiente”, palavra chave e referência central desta abordagem. Segundo PAULO PIRES( 2001, p.229 ) , “o termo “meio”( do latim médium ) se refere ao lugar onde pode ser encontrado qualquer ser vivo, enquanto o termo “ambiente” ( do latim ambire ) se refere a tudo que envolve este lugar.Dessa forma , o termo ambiente completa a idéia de meio reforçando a idéia de entorno ou de realidade física que envolve todos os seres vivos do planeta.”

Até por volta dos anos 1970 a expressão meio ambiente era difundida e utilizada genericamente referindo-se ao meio natural, ou seja, à natureza ou aos ecossistemas naturais , acepção esta que ainda predomina na maioria leiga da população.Assim, o termo “meio ambiente” inclui não só o meio natural, mas também o meio artificial pleno de realizações materiais humanas, como os meios sociocultural e político- institucional em toda a sua dimensão.

Desta forma, o desenvolvimento do sistema de gestão ambiental relaciona-se a toda organização , no entanto, fazendo referência à preservação dos recursos naturais renováveis e não-renováveis, buscando acima de tudo a qualidade total e o desenvolvimento sustentável como um todo.

A necessidade de que atividades que de alguma forma ofereçam risco à comunidade, sejam desenvolvidas ambientalmente corretas, tem levado as empresas a buscarem alternativas para diminuir ou até sanar este tipo de problema, através da implantação de modelos de gestão ambiental nos mais variados setores de atuação das empresas, sendo indústrias ou prestadoras de serviço, indiferente do segmento de mercado. O dilema do empresariado brasileiro, atualmente, é o de adaptar-se ou correr o risco de perder espaços arduamente conquistados.

E, em se tratando do segmento turístico, a preocupação tende a ser cada vez maior , visto que os impactos ambientais nas comunidades receptoras ou até mesmo nos equipamentos turísticos são relativamente freqüentes. A busca pelo desenvolvimento sustentável tem levado muitas empresas do setor turístico a implementar modelos de gestão ambiental, a fim de garantir sua qualidade e sanar qualquer tipo de problema que por ventura venha a ocorrer em função do turismo, como por exemplo a falta de capacidade de carga, que se caracteriza por ser um sério problema dos produtos naturais (ambientes naturais).

Com a implantação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) a empresa deve visar a sua própria sobrevivência, como sinônimo de melhoria contínua, não significando necessariamente a implantação de tecnologias caras. O setor empresarial do país pressionado por exigências cada vez mais fortes do mercado internacional viu-se impelido a adotar estratégias de gestão ambiental, não só para eliminar não-conformidades legais e atender às crescentes investidas dos órgãos ambientais, mas também para garantir sua permanência num mercado altamente competitivo.

Segundo CZAJA (2001), a empresa não deve implantar um sistema de gestão ambiental visando apenas o melhoramento de sua imagem ou para se enquadrar às leis ambientais vigentes, mas implantar de forma que os resultados sejam transferidos para os objetivos centrais da organização, a partir de uma avaliação estratégica dos problemas e soluções, fazendo-se perguntas básicas como: Onde a organização pretende estar no futuro? Como chegar até lá? Onde a organização será bem-sucedida? Como medir o sucesso?

Quando uma organização implementa um SGA, está concordando em manter uma responsabilidade ambiental, como um contrato invisível com o meio ambiente. O que implica numa tomada da consciência de seu papel na sociedade, sendo que em alguns casos fica mais barato ter o sistema, em fase dos riscos ambientais que esta sujeita. Segundo ANDRADE (2000), uma vez que o sistema de gestão ambiental se aproxima de uma administração participativa e inovadora, exigem a participação da comunidade na gestão, bem como a busca do consenso, cooperação, democracia e autonomia, demonstrando um claro estágio de desenvolvimento.

Numa visão da busca pela certificação ISO 14000, a definição de sistema de Gestão Ambiental (SGA), segundo a AGÊNCIA DE CONSULTORIA CONTATO AGÊNCIA AQUARIANA(2000), é um conjunto de normas referentes a métodos e análises, que possibilitam certificar que: determinado produto (seu carro, seu inseticida, o papel que você usa, entre outros) quando da sua produção, sua distribuição e descarte; e/ou a organização que o produziu, utilizando um processo gerencial e técnico: não proporcionam, ou reduzem ao mínimo, os danos ambientais, e que estejam de acordo com a legislação ambiental.

Um exemplo de como o SGA pode repercutir positivamente, é o caso da SANEPAR (Companhia de Saneamento do Paraná) – Foz do Iguaçu(2001), que na busca pela melhoria contínua, no atendimento e nos processos que geram impactos ambientais, visando a redução de risco de acidentes ambientais, implantou o SGA. A diretoria da SANEPAR, para isto, inicialmente estabeleceu uma política ambiental, definiu um comitê para implanta-la e deu claras demonstrações aos seus colaboradores da importância do SGA para a empresa e que não era uma jogada de marketing, nem modismo gerencial. (fonte: revista SANARE-revista técnica da SANEPAR (2001). O resultado foi a certificação ISO 14001.

Christian Döbereiner, gerente de consultoria ambiental da Shell do Brasil S.A, falando do processo de implantação do Sistema de Gestão Ambiental na Shell, descreve como sendo o primeiro passo, a definição de uma política ambiental clara, que assinada pelo presidente da companhia, foi divulgada em toda a organização, incluindo companhias associadas e contratadas.

3.5.1 Implantação de um SGA de acordo com a norma ISO 14001

Tomando como fonte, VALLE (1996), enumeraremos as normas e diretrizes mínimas que a empresa deve estabelecer a partir da política ambiental, alcançando assim o sistema de gestão ambiental, que deve ter como objetivo o aprimoramento contínuo das atividades da empresa, através de técnicas que conduzam aos melhores resultados, em harmonia com o meio ambiente:

a) Manter um sistema de gestão ambiental que assegure que suas atividades atendam à legislação vigente e aos padrões estabelecidos pela empresa…

b) Estabelecer e manter um diálogo permanente com seus empregados e a comunidade, visando ao aperfeiçoamento de ações ambientais conjuntas. Por exemplo, a coleta seletiva de lixo.

c) Educar e treinar seus funcionários para que atuem sempre de forma ambientalmente correta. (economia de energia, eletricidade, etc).

d) Exigir de seus fornecedores produtos e componentes com qualidade ambiental compatível com a de seus próprios produtos.

e) Desenvolver pesquisas e patrocinar a adoção de novas tecnologias que reduzam os impactos ambientais e contribuam para a redução do consumo de matérias-primas, água e energia.

f) Assegurar-se de que seus resíduos são transportados corretamente e em segurança até o destino estabelecido, de acordo com as boas práticas ambientais.

Sendo que uma política serve para dar maior clareza às ações que se pretende efetivar, evitando assim o desperdício desnecessário de recursos de todas as ordens.

A norma ISO 14001, segundo RIBEIRO(1999), especifica os requisitos para estabelecer uma política ambiental; determina os aspectos e impactos ambientais dos processos (produção, serviços, distribuição, etc); implementação de ações para cumprir as metas e objetivos estabelecidos; avaliação e ações corretivas, quando necessário; revisão. Para tanto deve preparar-se previamente, seguindo os passos:

Definição da Política Ambiental

Deve ser por escrito, e ser distribuídos a todos os interessados e envolvidos. Tendo com principais pontos o compromisso do cumprimento da legislação ambiental e a melhoria contínua de desempenho ambiental.

Diagnóstico Ambiental Inicial

Com o objetivo de permitir conhecer detalhadamente o estado atual da empresa.

Avaliação dos Impactos Ambientais

Conhecer os impactos ambientais vindouros de sua atividade. Impacto ambiental segundo SANARE(2001) É qualquer modificação no meio ambiente, adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em parte, das atividades, produtos ou serviços de uma organização), para servir de base para definição dos objetivos e metas ambientais da mesma.

Elaboração de um Programa Ambiental

Determinar estratégias, linhas de atuação e a descrição de responsabilidades que permitam à empresa alcançar os objetivos e metas ambientais definidos.

· Implementação de um SGA

É o estabelecimento de um sistema de procedimentos operativos e de controle que assegurem a implantação com êxito, da política e do programa ambiental.

Realização de Auditorias Ambientais

Depois de implantado deve existir um mecanismo de avaliação, sendo através de auditorias interna periódicas, a freqüência dependerá do grau de risco das atividades.

Estabelecimento de um Sistema de Comunicação

Será necessário para a devida atualização dos processos, visando uma comunicação entre todos os interessados.

3.6 Objetivos Da Gestão Ambiental

a) Decidiu-se implantar o SGA para:

Reduzir o consumo de água;
Reduzir o consumo de energia elétrica;
Reduzir a poluição;
b) Definição dos objetivos e metas a atingir:

Redução do consumo de água em 30 %;
Redução do consumo de eletricidade em 20 %;
Redução da poluição causada pelos químicos não biológicos utilizados nos jardins para 90 %;
Redução da poluição causada pelos detergentes normais, com a sua substituição por detergentes biodegradáveis para 90 %;
Seleção dos resíduos sólidos e posterior tratamento;
c) Medidas adotadas para a sua implementação:

Adaptação de redutores de consumo nas torneiras dos WC;
Montagem de autoclismos com regulação de débito nos WC;
Construção de uma ETAR ecológica para reciclagem dos esgotos com posterior utilização da água produzida na rega dos jardins;
Captação de pluviais para posterior utilização na rega dos jardins;
Redução do consumo de eletricidade com a montagem de 130 painéis solares;
Montagem de um sistema de gestão de energia centralizado;
Montagem de lâmpadas de baixo consumo;
Substituição dos químicos vulgares por produtos biológicos no tratamento dos jardins;
Substituição dos detergentes e produtos de limpeza vulgares por detergentes e produtos de limpeza biodegradáveis;
d) Seleção dos resíduos sólidos a saber:

Resíduos orgânicos;
Plásticos;
Papel;
Vidro;
Óleos vegetais.
3.6.1 Etapas do programa da Gestão Ambiental

Etapa 1 : Execução do levantamento ambiental, o qual incidiu sobre 3 pontos chave e teve a duração de 3 meses;
Etapa 2 : Planejamento e Definição da estrutura ( prazo irrelevante );
Etapa 3 : Realização de Ações de Formação de curta duração destinadas a informar / formar todos os colaboradores dos princípios ligados a SGA, com a duração de 2 semanas;
Etapa 4 : Elaboração de Planos de ações relativos a : Energia, Resíduos sólidos, Água, Efluentes e Fornecedores; com definição de objetivos e metas , medidas a implementar , sistemas de monitorizarão e responsabilidades , com a duração de 6 meses;
Etapa 5 : Realização de auditorias ambientais durante 3 meses.

3.7 A ISO 14001

A norma ISO 14001 descreve os requisitos básicos de um Sistema de Gestão Ambiental. É a norma que a empresa projetará, e é em relação a esta norma que ela se autodeclará em conformidade ou buscará uma certificação junto a terceiros. O principal uso da ISO 14001, conforme previsões é a certificação junto a uma terceira entidade, embora ela possa ser usada internamente com finalidades de autoceclaração e em situações contratuais. O principal uso, todavia, será possivelmente a certificação junto a terceiros. Logo, a ISO 14001 contém apenas aquelas exigências que possam ser objeto de uma auditoria objetiva com finalidade de certificação e/ou de autodeclaração.

3.7.1 ISO 14001 – Termos e definições básicas

a) Organização

De acordo com a Cláusula 3.12 da ISO 14001(1996), a organização é mencionada como “uma empresa, corporação, firma, empreendimento, instituição e partes ou combinações destas, mesmo que não pertençam à mesma razão social públicas e privadas, que tenham sua própria função e administração”. Se uma empresa estiver pleiteando um certificado ISO 14001, o objetivo real da certificação pode se aplicar a uma instalação local, uma fábrica, parte de uma instalação local ou várias instalações que compartilhem o mesmo Sistema de Gestão Ambiental. De acordo com a informação supracitada, observa-se que para entidades ou estabelecimentos com mais de uma unidade operacional, uma única unidade operacional pode ser definida como uma organização. É de responsabilidade da organização trabalhar junto a entidade certificadora para definir o objetivo exato do Sistema de Gestão Ambiental e os produtos, processos ou serviços aos quais o sistema se adapta.

b) Meio ambiente

A ISO 14001(1996) define Meio ambiente como os “arredores”no qual uma organização opera, incluindo “ar, água, terra, recursos naturais, flora, fauna, seres humanos e suas inter-relações.” O meio ambiente se alonga do interior da organização até o sistema global.

O meio ambiente recitado a uma empresa seriam os arredores no qual as atividades, produtos e serviços de uma organização tenham um impacto ambiental significativo e sobre o qual a organização possa exercer controle ou influência razoáveis. Essa influência e controle podem se estender do ambiente local para o regional e até a condições globais, dependendo da natureza da organização.

c) Aspecto ambiental

A ISO 14001(1996) explica Aspecto ambiental como um elemento da atividade produtos e/ou serviços de uma organização que possa, interagir com o meio ambiente. Pode-se dizer que um aspecto ambiental significativo seria um aspecto ambiental que possua ou possa ter um impacto ambiental significativo. Fica a cargo da organização identificar os aspectos ambientais de seus produtos, processos e serviços ao estabelecer um Sistema de Gestão Ambiental

d) Impacto ambiental

Qualquer mudança no ambiente, seja adversa ou benéfica, resultante total ou parcialmente das atividades, produtos e/ou serviços de uma organização é considerado como impacto ambiental.

e) Sistema de Gestão Ambiental

O Sistema de Gestão Ambiental é aquela parte do sistema total de Gestão Ambiental que inclui a estrutura organizacional, as atividades de planejamento, as responsabilidades, práticas, procedimentos, processos e recursos para desenvolver, implementar, alcançar, proceder à avaliação crítica e manter as políticas ambientais.

f) Auditoria do Sistema de Gestão Ambiental

Auditoria ambiental é um processo de verificação sistemático e documentado para obter e avaliar objetivamente evidências para determinar se o Sistema de Gestão Ambiental de uma organização está em conformidade com os critérios de auditoria de Sistemas de Gestão Ambiental que são formados pela própria organização. Cabe-se dizer que os resultados do processo de auditoria do Sistema de Gestão Ambiental devem ser comunicados à gerência.

g) Desempenho ambiental

Desempenho ambiental refere-se a resultados mensuráveis do Sistema de Gestão Ambiental, relacionados com o controle dos aspectos ambientais de uma organização baseados em suas políticas, objetivos e alvos ambientais.

h) Melhorias contínuas

Melhorias contínuas diz respeito ao processo de aperfeiçoar o Sistema de Gestão Ambiental para atingir melhorias no desempenho ambiental total em alinhamento com as políticas da organização. Cabe ressaltar que não é necessário o processo ocorrer em todas as áreas de atividade simultaneamente.

3.7.2 Introdução a ISO 14001

Organizações de vários segmentos almejam alcançar e demonstrar um desempenho ambiental eficaz. Uma maneira de faze-lo é controlando os impactos ambientais de suas atividades, produtos e/ou serviços. Isso pode ocorrer através de auditorias e análises críticas do meio ambiente. Contudo, mesmo sendo essas ferramentas úteis, não são suficientes ou completas em abrangência. Para garantir que a organização atenda às suas metas, as auditorias devem fazer parte de um contexto de trabalho mais amplo – um sistema de gerenciamento estruturado que seja integrado com a atividade de gerência total.

a) Aplicabilidade

A norma é aplicável a organizações de todos os tipos e tamanhos, tendo como intenção acomodar condições geográficas, culturais e sociais diversas e ser aplicada de maneira bem sucinta em qualquer lugar.

Um ponto crítico citado anteriormente é que a norma não estabelece requisitos absolutos de desempenho ambiental além do compromisso formal, contido na política de cumprir a legislação e estar em conformidade com as regulamentações aplicáveis, bem como o compromisso com as melhorias contínuas. A implicação é que duas organizações que desempenhem atividades parecidas e atinjam desempenhos ambientais diferentes podem estar ambas em conformidade com a ISO 14001.

O Sistema de Gestão Ambiental descrito na ISO 14001 aplica-se aqueles aspectos ambientais que a organização possa controlar e sobre os quais espera-se que ela tenha influência. A norma em si não declara critérios específicos de desempenho ambiental.

Uma certificação ISO 14001 não garantirá que uma instalação em particular tenha alcançado o melhor desempenho ambiental possível, mas tão somente que ela tenha instalado os elementos básicos de um sistema de gestão ambiental. As melhorias continuas mencionadas na norma referem-se a melhorias continuas no sistema gerencial, e não no desempenho ambiental diretamente.

A finalidade básica de um sistema de gestão ambiental é a de fornecer a uma organização um processo estruturado e um contexto de trabalho com os quais ela possa alcançar e controlar sistematicamente o nível de desempenho ambiental que estabelecer para si, sendo que o nível real de desempenho depende do contexto econômico, da regulamentação e de outras circunstancia.

b) Não inclui saúde e segurança

A norma não aborda requisitos de gestão de saúde ou segurança ocupacionais, e esses requisitos não serão objetos de auditoria. Por outro lado, a norma não impede que as organizações incorporem questões de saúde e segurança a seus programas de gestão ambiental.

c) Não há necessidade de reinventar a Roda

As organizações podem adaptar um sistema ISO 9000 existente para utiliza-lo como base para um sistema de gestão ambiental. O ponto é que uma empresa não precisa reinventar a roda para estabelecer os elementos da ISO 14001 que sejam interdependentes de sistemas gerencias existentes. A gestão ambiental é parte integral do sistema gerencial total da organização e seus elementos devem ser coordenados com os esforços existentes em outras áreas.

d) Escopo

Quando uma organização obtém um certificado ISO 14001, ela declara que um sistema de gestão ambiental específico cumpre a norma. O sistema de gestão ambiental pode abranger toda a organização, uma instalação ou unidade operacional específica ou várias instalações. Cabe à organização decidir o nível de detalhe e complexibilidade de seu sistema de gestão ambiental e a quais atividades, processos e produtos ele se aplica.

3.7.3 Requisitos da ISO 14001

O modelo básico para um sistema de gestão ambiental possui um processo de cinco etapas:

Compromisso e política

Nesta fase, a organização define uma política ambiental e assegura seu comprometimento com ela.

Planejamento

A organização formula um plano que satisfaça às políticas.

Implementação

A organização coloca um plano em ação, fornecendo os recursos e mecanismos de apoio.

Medição e avaliação

A organização mede, monitora e avalia seu desempenho ambiental contra objetivos e alvos.

Análise critica e melhoria

A organização realiza uma análise crítica e implementa continuamente melhorias em seu SGA para alcançar melhorias no desempenho ambiental total.

a) Políticas ambientais

A ISO 14001 define uma política ambiental como uma declaração “feita pela organização de suas intenções e princípios em relação ao desempenho ambiental geral”. A política ambiental dá o sentido geral da direção e comprometimento da organização com relação ao meio ambiente e fornece um contexto de trabalho para fixação de metas e objetivos.

Muitas organizações já possuem políticas ambientais. Para aquelas que não a possuem, as áreas óbvias a focalizar seria o cumprimento das regulamentações ou as áreas de risco ambiental potencial. A política pode se referir a princípios de orientação com relação ao meio ambiente desenvolvidos por associações do setor industrial, pelo governo ou por grupos voltados para o interesse público. A política normalmente é estabelecida em toda a organização por seus proprietários, conselho diretor e outras entidades que a governam; e a alta gerência é responsável por formular, implementar e modificar essa política.

b) Requisitos-chave da política

Qualquer que seja o conteúdo específico da política de uma organização, a ISO 14001 requer que:

Ela seja apropriada à natureza, escala e impactos ambientais das atividades, produtos e serviços da organização;
Inclua compromisso com melhorias contínuas;
Inclua compromisso com a prevenção da poluição;
Inclua compromisso em cumprir a legislação, as regulamentações e outras exigências relevantes às quais a organização esteja submetida;
Forneça um quadro contextual de trabalho para fixar e reavaliar os objetivos e alvos ambientais;
Seja documentada, implementada, mantida e comunicada a todos os colaboradores;
Esteja disponível ao público.
b) Políticas e normas internas

Os requisitos aos quais a organização pode se declarar em conformidade podem incluir políticas internas, inclusive aquelas de saúde e segurança, normas de programas de auditoria existentes e políticas corporativas de respostas e emergências. Estes podem ser declarados diretamente na política.

Uma declaração de política eficaz pode ser geral – pode e deve refletir a missão da empresa e seus valores essências. Mas não deve ser apresentada com declarações válidas e pomposas que não possam ser traduzidas em objetivos claros e alvos mensurávies.

d) Compromisso da alta gerência

A alta gerência comunica a todos os empregados as políticas ambientais e seu compromisso com elas. A mensagem é que a concretização dessa política seja da responsabilidade de todos. Na maioria das empresas onde a gerência consegue o apoio à política, isso se deve a recompensas tangíveis dadas aos empregados por alcançarem os objetivos ambientais.

3.7.4 Planejamento

A fase de planejamento tem cinco etapas básicas:

1. Identificar os aspectos ambientais das atividades, produtos e serviços da organização que possam ser controlados e influenciados;

2. Determinar quais estão associados a impactos ambientais significativos;

3. Identificar e manter o acesso às exigências legais e a todos os outros requisitos que se apliquem aos aspectos ambientais das atividades, produtos e serviços;

4. Estabelecer objetivos e alvos;

5. Estabelecer sistema de gestão ambiental (SGA).

Um ponto a observar: a ISO 14001 requer planejamento, mas não necessariamente um plano estratégico escrito. O planejamento é normalmente comunicado por documentos escritos; a ISO 14001, entretanto, não exige que explicitamente assim seja.

Uma empresa pode estar preocupada com os aspectos ambientais do uso real de seus produtos pelos clientes. Porém, se ela não detiver um controle prático dos impactos ambientais causados pela utilização do produto pelo cliente, ela não levará esses impactos em consideração em seu sistema de gestão ambiental. Ela poderá focalizar-se em atividades que possa controlar, tais como manuseio e disposição após uso apropriados. Similarmente, um subcontratado o fornecedor poderá deter um controle mínimo sobre os aspectos ambientais do produto, enquanto a instalação responsável pelo projeto do produto detém muito mais controle – por exemplo, a instalação poderá alterar um material utilizado no produto.

Uma forma de focalizar-se nos aspectos ambientais é trabalhar a partir das exigências regulamentares e legais ou dos riscos legais e do negócio que afetem as atividades da organização. As regulamentações governamentais já refletem aspectos ambientais-chave da atividade industrial.

a) Impactos ambientais

A próxima etapa é identificar, avaliar e priorizar os impactos ambientais significativos associados com os aspectos ambientais das atividades, produtos ou serviços. Impactos são definidos na ISO 14001 (1996) como “qualquer mudança no meio ambiente, seja adversa ou benéfica, total ou parcialmente resultantes das atividades, produtos ou serviços da organização.

A norma de orientação sugere um procedimento de quatro etapas para identificar aspectos e impactos:

1. Selecionar uma atividade ou processo ( por exemplo, manuseio de materiais prejudiciais).

2. Identificar todos os aspectos ambientais possíveis da atividade ou processo ( por exemplo, derramamentos acidentais em potencial).

3. Identificar impactos reais ou potenciais associados com o aspecto. (por exemplo, níveis de contaminação do solo e/ou água).

4. Avaliar a importância dos impactos.

Uma vez definidos os impactos ambientais, é necessário determinar sua importância. Para avalia-la, a norma de orientação ISO 14004 observa fatores como:

A escala do impacto;
Sua gravidade;
A probabilidade de sua ocorrência;
A duração do impacto.

3.7.5 Objetivos e Alvos

A próxima etapa é transformar em objetivos e alvos específicos a política ambiental e aqueles aspectos ambientais das atividades, produtos e processos da organização que tenham impactos ambientais significativos. Os objetivos gerais – ou seja, reduzir o desperdício, o lixo e os resíduos – estão associados a alvos específicos para todos os níveis da organização. A meta geral da organização pode ser a de reduzir em 50% as emissões atmosféricas num prazo de dois anos. Isso pode se traduzir em alvos específicos de redução aplicáveis a várias fábricas, sendo que cada alvo reflete as circunstâncias peculiares e as condições ambientais da fábrica.

Enquanto os objetivos são metas de longo prazo, os alvos são etapas de curto prazo ao longo do percurso para atingir os objetivos. Eles devem ser específicos e mensuráveis, e devem ter um quadro temporal específico a seu alcance sempre que possível. Por exemplo:

Objetivo: Reduzir o uso de solventes químicos e substituí-lo por elementos de limpeza biodegradáveis.
Alvo: Reduzir o uso de solventes químicos em 80 por centro até 2003.
a) Avaliação do desenvolvimento ambiental

Ao estabelecer objetivos e alvos, a organização pode utilizar indicadores de desempenho ambiental. Eles são medições específicas de desempenho ambiental. Eles são medições específicas de desempenho, como as seguintes:

Rejeitos e resíduos gerados por quantidade de produto acabado;
Percentual de rejeitos e resíduos reciclado;
Quantidades específicas de poluentes;
Hectares de terras de reservas florestais e habitat animal;
Número de violações à regulamentação

3.7.6 Programa de Gestão Ambiental

A etapa final no planejamento é estabelecer e manter um sistema de gestão ambiental que possa alcançar os objetivos e alvos da empresa. A organização deve:

Designar responsabilidades no alcance de objetivos e alvos em cada função ou nível relevante;
Proporcionar meios para atingir os objetivos e alvos;
Designar um período de tempo dentro do qual deverão ser alcançados.
Basicamente, o SGA detalha o que tem que ser feito, por quem, como e até quando. Ele pode ser subdividido em processos e procedimentos individuais aplicáveis a cada local ou instalação em um local. A norma de orientação ISO 14001 enfatiza que os empregados em todos os níveis devem prestar contas, dentro do escopo de suas responsabilidades, pelo desempenho ambiental que apóia o sistema SGA total.

O SGA normalmente abrange, planejamento, projeto, materiais, processos de produção, marketing e níveis de descarte. Para novas instalações ou reformas significativas nas instalações existentes, o sistema pode incluir planejamento, projeto, construção, delegações, operações e também a destituição de delegação. Novas atividades podem exigir análises ambientais.

3.7.7 Implementação e operação

A próxima etapa no processo SGA é implementar o programa. Isso significa estabelecer recursos humanos, físicos e financeiros para alcançar os objetivos e alvos da empresa. A norma focaliza as seguintes áreas:

Estrutura e responsabilidade;
Treinamento, conscientização e competência;
Comunicações;
Documentação do SGA;
Controle da documentação;
Controle operacional;
Prontidão para emergências e respostas às emergências

3.8 Práticas de Gestão Ambiental na Hotelaria – Estudo de Casos

O estudo de caso , de acordo com YIN (1981), é uma estratégia de pesquisa que busca examinar um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto . Difere , pois , dos delineadores experimentais no sentido de que estes deliberadamente divorciam o fenômeno em estudo de seu contexto .Igualmente , estudos de caso diferem do método histórico , por se referirem ao presente e não passado .

As práticas de gestão ambientais na hotelaria serão apresentadas sob forma de estudos de casos já realizados na mesma , que se preocupam com a questão ambiental e a qualidade ambiental como planejamento da empresa.

3.8.1 O caso do Hotel – Ecológico

O hotel Ecológico criou um agressivo programa que provê as bases para a implantação do registro na ISO 14000. É um hotel histórico com uma clientela de classe alta. Sua abordagem agressiva de reduzir o impacto ambiental lhe ajudou a identificar muitos benefícios . As áreas mais focalizadas foram: reciclagem e redução do consumo de energia e água.

As principais ações e resultados do hotel ecológico :

a) Reciclagem ( em R$ mil )

Reciclagem material
Reciclagem
Lucro

Caixa de papelão
980

Contêineres
1.400
56

Desperdício de Alimento
1.50

Vazilhames de vidro
350

Latas de metal
70

Papel de escritório
350

Jornais
350

Listas telefônicas
21

Total anual
1.750
2.877

Fonte: Gestão Ambiental e desenvolvimento sustentável no Brasil ( 2000, p. 19 )

b)Redução de Uso de Energia

Lâmpadas eficientes foram instaladas em áreas públicas que necessitam de iluminação 24 horas por dia . Lâmpadas incandescentes de 60 watts foram substituídas por lâmpadas compactas fluorescentes de 15 watts, economizando R$3.622 mil anualmente , ou seja, 90% de redução nos custos de trabalho. Lâmpadas incandescentes de 90 watts em escrivaninhas , saguões e elevadores foram substituídas por lâmpadas compactas fluorescentes de 2 watts , economizando R$1.540 mil anualmente e reduzindo os custos do trabalho. Lâmpadas de 30 watts para sinalização de saídas foram substituídas por lâmpadas de 1,8 LED de sinalização , economizando mais de R$1.179 mil anualmente.

Lâmpadas compactas fluorescentes em forma de tubo foram instaladas nas mesas dos quartos dos hóspedes , dando um retorno igual a 1,81 por ano.

Lâmpadas compactas fluorescentes em forma de tubo foram instaladas nas áreas dos fundos do hotel, as quais ficam ligadas 24 horas por dia , economizando igualmente R$59,57 por lâmpada. Lembrar os funcionários de desligar os aparelhos e lâmpadas fora de uso: sem estimativa de economia.

c) Redução do Consumo de Água

Substituição nos toaletes de descargas com 1,5 galão de capacidade por outras de 3,5 galões de capacidade , que economizará R$3.276 mil e 430.000galões de água anualmente.

Chuveiros de grande eficiência foram instalados , economizando R$6.546 mil e 859.000 galões anualmente. Foi oferecida aos hóspedes a opção de reutilização de suas toalhas e lençóis no caso de permanecerem por mais de um dia. Esse projeto economizou R$4.000 mil anualmente.

3.8.2 O caso do Hotel – Tropical das Cataratas

Localizado dentro de uma unidade de conservação do Ibama – Parque Nacional do Iguaçu – o Tropical das Cataratas, administrado pela Companhia Tropical de Hotéis, controlado pela Varig S.A ., possui 201 apartamentos , construídos a partir de um contrato de arrendamento e incorporados ao patrimônio ao patrimônio da União, comprometendo-se inclusive, com a conservação ecológica do parque , das estradas de acesso, na construção de passarelas e mirantes com vistas para as Cataratas . Dentro desse processo de colaboração foram realizadas : adaptação das instalações contra incêndio ; reforma da rede hidráulica , elétrica, tratamento de água e esgoto; eliminação de detritos e reciclagem de lixo.

Evitar, reduzir e reciclar. Esses são os princípios básicos do gerenciamento ambiental do Tropical das Cataratas Eco Resort . Sua política ambiental estabelece a preocupação com a melhoria da qualidade de vida da comunidade por meio do comprometimento da legislação vigente e da norma ISO 14001, outorgada pela DQS do Brasil em outubro de 2000.

Para implementar o Sistema de Gestão Ambiental , criou-se um comitê ambiental composto por funcionários de diversas áreas , responsáveis pelo acompanhamento de todas as ações do processo de implantação do sistema. Formou um programa de gestão ambiental , baseado no levantamento de aspectos decorrentes das atividades exercidas pelo hotel , definiu metas e objetivos.

O Programa de Gestão Ambiental que atende os quatro princípios fundamentais , enfoca principalmente o tratamento do lixo, a redução de energia elétrica, a conservação de recursos hídricos e de outros recursos naturais . Com o aval do Instituto Ambiental do Paraná, foi construída a Estação de Tratamento de Efluentes ( ETE ), com sistema de filtros biológicos anaeróbios.

Os investimentos para a implantação da ISO 14001 foram de 800 mil reais e 300 mil reais para a construção de ETE. Nestes 40 anos de existência , a Companhia Tropical administra um patrimônio construído por ela própria , em zona fronteira , tombado como Patrimônio da Humanidade pela UNESCO. Mantém estrito o cumprimento de todas as normas inerentes a essa situação. Hoje, o Tropical das Cataratas faz parte de vários catálogos de turismo publicados sobre a América do Sul e se tornou um dos maiores contribuintes da região , tanto de impostos municipais quanto estaduais.

3.8.3 O caso do Hotel – Vila Vita Parc Hotel

O Vila Vita Parc é um empreendimento turístico de luxo de 20 hectares , composto por um Hotel de 65 quartos e 8 suítes , uma Residência com 26 quartos duplos e 3 suítes , moradias em banda no Oásis Parc com 30 Junior suítes e 30 suítes familiares , assim como 12 unidades de apartamentos em Vista Parc . Duas vivendas com 4 suítes cada e duas respectivas piscinas privadas completam a nossa oferta de alojamento dentro do Resort.

Dispõe também de 6 salas de conferência , 6 restaurantes e 9 bares , assim como de uma vasta oferta de facilidades como um Health Club , um Vital Center , um Parque Infantil , um Pitch & Putt de 9 buracos , 5 campos de tênis , piscinas exteriores e uma interior aquecida , squash , minigolfe e desportos aquáticos.

O fato de somente uma pequena parte do total da área da unidade hoteleira ter sido ocupada com edifícios e a grande diversificação de restaurantes , bares, várias piscinas e outras zonas de entretenimento específico, transmitem aos clientes uma sensação de relaxamento , em virtude de nunca haver uma grande aglomeração de pessoas.

Em virtude da identificação dos muitos problemas ecológicos do nosso planeta foi, é e continuará sendo a ser um dos objetivos principais do empreendimento , criar sistemas que permitam sentir-se bem .Os sistemas de gestão ambiental são uma realidade desde o primeiro momento , tendo vindo a ser melhorados durante os anos de laboração.

As atividades ligadas ao Turismo foram, durante muitos anos , consideradas inofensivas, em termos de agressão ambiental , quando comparadas com os setores industriais tradicionais , os quais , já vêm aplicando práticas ambientais há alguns anos.

As unidades hoteleiras , por exemplo, consomem grandes quantidades de recursos naturais : energia , água a materiais diversos, ao mesmo tempo , que têm de gerir volumes consideráveis de resíduos. O ambiente foi sempre considerado um fator de primordial importância , sendo os objetivos de gestão ambiental a seguir mencionados.

a)Considerações da implantação do SGA

Até o momento existem já ganhos consideráveis com as medidas que foram implementadas. Os clientes de VILA VITA PARC têm sido bastante receptivos às iniciativas que lhes têm sido propostas , chegando mesmo a dar sugestões de melhoria.

Salienta-se o elevado nível de sensibilização que todos os colaboradores de VILA VITA PARC têm manifestado relativamente às questões ambientais , e o sucesso do programa de Gestão Ambiental implementado não teria sido alcançado sem o contribuo e esforço de todos. A etapa seguinte à implementação do Sistema de Gestão Ambiental será a obtenção da Certificação segundo standard ISSO 14001, o que constitui o reconhecimento , por uma entidade independente , que em VILA VITA PARC as regras de Gestão Ambiental estão de fato a ser seguidas.

3.9 Costão do Santinho Resort – Florianópolis

O Costão do Santinho Resort é o mais completo e luxuoso complexo turístico habitacional do Sul do Brasil, aliando infra-estrutura e serviços de padrão internacional à beleza de uma das mais sedutoras praias brasileiras – a Praia do Santinho – localizada na costa leste da ilha de Santa Catarina, estando a 35 Km do centro de Florianópolis.

O empreendimento ocupa uma área de 1 milhão de m², sendo 750 mil m² de Mata Atlântica e dunas preservadas. Do total de sua área, 650 mil m² foram transformados em unidade de conservação(RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural Morro das Aranhas).

O complexo possui apartamentos nas vilas e estúdios no Hotel Internacional, somando, aproximadamente, 500 apartamentos. Para apoio dessas unidades habitacionais, além de uma equipe de trabalho de 450 pessoas, o Resort dispõe de um complexo social com bares, restaurantes e piscinas indoor e outdoor, um complexo esportivo com canchas de tênis, bocha, padle e futebol, e um centro comercial com lojas e salas de reunião com capacidade para 1,2 mil pessoas.

A Conquista do Certificado ISSO 9002 não foi nenhuma surpresa para todos que conhecem o Costão do Santinho. Afinal, qualidade sempre foi uma marca do empreendimento. O Costão do Santinho Resort é um dos mais premiados empreendimentos turísticos brasileiros. Em sua jovem história – apenas 9 anos desde a sua inauguração – foram vários prêmios que atestam a qualidade do seu projeto, das suas instalações e dos seus serviços, sendo eles:

International Award for Tourism “Golden Helm” (1995)
Prêmio Master Imobiliário – “Melhor Resort Praia” (1995)
Partner of SRS – Steingenberger Reservation Service (1995)
Prêmio Master do Turismo – “Categotia Hoteleiro” (1996)
Prêmio Expressão de Ecologia (1996)
Pilão de Ouro da Protur (1997)
Certificação ISSO 9002 – BRTÜV INMETRO (1999)
Certificação ISSO 14001 – BRTÜV (2000)
Se existe uma palavra que defina o Costão do Santinho, essa palavra é qualidade; ainda se tratando de natureza.

O Costão do Santinho Resort, desde a sua inauguração, sempre teve um grande envolvimento com a proteção e a valorização do patrimônio natural e cultural do empreendimento e da região. Consciente da importância e necessidade da implantação de uma postura ambiental pró-ativa, já que está situado em meio a um santuário ecológico, o Costão do Santinho Resort deu início aos trabalhos de implantação de seu SGA – Sistema de Gestão Ambiental em outubro de 1999, conquistando a certificação em conformidade com a norma ISSO 14001 em novembro de 2000, concedido pela BRTÜV do Brasil, sendo assim o primeiro Resort de praia do país a conquistar a certificação ambiental, que cont

Gestão Ambiental na Hotelaria

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Autoria: Edson Saraiva

Gestão Ambiental na Hotelaria

Belo Horizonte

2004

Dedico este trabalho à minha orientadora, Renata e minha ex-professora Ângela , que, com delicadeza e sensibilidade, conseguiu conduzir o meu eu interior e mostrar-me, com competência, os caminhos de um trabalho sério e coerente.

AGRADECIMENTOS

Agradeço Deus, que me orienta, me fortalece com sua presença, me conforta nos momentos difíceis por permitir mais uma conquista.

Dedico este trabalho, aos meus pais que me instruíram com dedicação, paciência e sabedoria, dando-me todo o auxílio e força para que eu continue neste caminho por mim escolhido. Essa vitória é graças a vocês e aos meus irmãos.

Aos meus amigos, Andréa, Aparecida Maria, Carmelita (in memorian), Cristiano Henrique, Elaine Moreira, Eliane Moreira, Herogina Beatriz, Jaqueline Monteiro, Jakeline Silveira, Marcelo Aviz, Rafael Bevilaqua, Sonia, Veve, por me ensinarem o verdadeiro sentido da palavra amizade, pelo muito que aprendemos juntos, pelo companheirismo, por fazerem da minha vitória.

Ao Professor Paulo Queiroga, amigo e coordenador, por despertar em mim à vontade de aprender, por compartilhar sem medida todo seu conhecimento, pela disponibilidade e seriedade em suas orientações.

A Faculdade Estácio de Sá de Belo Horizonte, que ao oferecer este curso de Administração Hoteleira, me permitiu a realização de um sonho.

A todos aqueles que de alguma forma contribuíram para a realização deste trabalho.

RESUMO

O presente estudo é descrever e caracterizar os principais impactos ambientais causados pela operação do Setor Hoteleiro sobre o meio ambiente, identificando os fatores que o hotel levou a implantar o SGA, os critérios para a obtenção da norma ISO14001 e os principais benefícios alcançados. Este estudo apresenta, ainda, uma análise do processo de manutenção do sistema de gestão ambiental, descrevendo a política ambiental da empresa.

1 INTRODUÇÃO

A questão da proteção ambiental nas organizações transformou-se em um dos fatores de maior influência da década de 90. Atualmente, a utilização de recursos naturais já não é mais possível sem um prévio planejamento, de sua substituição ou recuperação integral, através de regulamentações, ou ainda da necessidade natural das empresas em competir num mercado sem fronteiras.

O uso racional dos recursos disponíveis na natureza já não é exigência apenas dos ecologistas ou entidades governamentais, passando a fazer parte, também, do planejamento estratégico das organizações. Considerando que as preferências dos consumidores tomam como alvo às entidades ecologicamente correta, na sua prestação de serviço, na produção de produtos ou a forma de interagir com seus fornecedores, funcionários e a comunidade em geral, existindo a necessidade de adequação aos novos padrões exigidos, sendo essenciais para uma convivência pacífica e longínqua, humanitária e protetora ao ambiente.

Pode-se observar na moderna administração, o comprometimento das empresas com o meio ambiente, preocupação esta, presente em todos os ramos de negócios e em todos os sentidos de desenvolvimento.

Segundo Donaire (1999, p. 29), “… temos o poder de reconciliar as atividades humanas com as leis naturais e de nos enriquecermos com isso. E nesse processo, nossa herança cultural e espiritual pode fortalecer nossos interesses econômicos e imperativos de sobrevivência”.

A proteção do ambiente constitui um dos maiores desafios da geração atual, ao qual nenhum setor de atividade pode ficar indiferente. O estado de degradação a que o planeta chegou e, a necessidade de aplicar medidas vigentes que minimizem os efeitos causados pelas agressões ambientais é alguns dos objetos de estudo do referido trabalho.

De acordo com Embratur, (2003) a posição do Brasil vem evoluindo de forma gradativa no concorrido ranking da OMT, Organização Mundial de Turismo, de destino turístico mais demandado no mundo. Porém, muito ainda tem a ser feito de forma a garantir a posição que o país realmente merece, considerando a sua dimensão continental, situação geográfica e o rico acervo natural, cultural e histórico que dispõe.

Embora o turismo no Brasil já tenha conquistado um patamar consolidando na política econômica nacional, muito ainda tem que ser feito, principalmente no que se refere a ações relacionadas com a proteção ambiental, já que o crescimento do turismo numa determinada região está associado a uma gestão sustentada do seu patrimônio natural e cultural. EMBRATUR, (2003).

Segundo Domasio (1998), “as atividades ligadas ao turismo foram, durante muitos anos, consideradas inofensivas, em termos de agressão ambiental, quando comparadas com os setores industriais tradicionais, os quais, já vêm aplicando práticas ambientais há alguns anos”. Os profissionais responsáveis ligados aos setores de turismo, em especial os gestores ligados à hotelaria, reconheceram a importância de incluírem práticas ambientais na gestão dos negócios.

De acordo com Salvati (2001), há dez anos as grandes redes de hotelaria norte-americanas e européias adotaram práticas de valorização dos recursos ambientais demonstrando que o conceito de consumo responsável chegou ao turismo. Alemanha, Japão e EUA são os países com maior número de turistas com essa preocupação. Na Europa, já existem grupos de operadoras voltadas para o turismo sustentável.

Segundo Abreu (2001), de um modo geral, está ocorrendo um crescente envolvimento da sociedade com as questões ambientais. O número de pessoas sensibilizadas com essas questões cresce a cada dia, principalmente nos países da Europa. Estas pessoas saem por aí, viajam, se hospedam, observam e exige uma prática mais responsável, fazendo com que o segmento hoteleiro, em particular, seja cada vez mais pressionado a demonstrar um bom desempenho em relação às suas questões ambientais. Assim, os hóspedes, sejam estes turistas ou pessoas que estão viajando a negócios, já começaram a exigir dos hotéis um novo tipo de requisito que não está apenas atrelado à qualidade dos serviços a eles prestados, mas, fundamentalmente, associado à qualidade ambiental. É o chamado turismo sustentável, destinado a atrair os viajantes “verdes” de todas as partes do mundo.

Grandes redes de hotéis e empresas preocupadas com o desenvolvimento ambiental estão implantando em sua cadeia de gerenciamento o Sistema de Gestão Ambiental (SGA), onde este inclui a estrutura organizacional, as atividades de planificação, as responsabilidades, as práticas, os procedimentos, os processos e os recursos para elaborar, implementar, realizar, rever e manter a política ambiental, além do almejo da ISO 14001. ABIH (2003).

ABIH (2003), informa que para atender essa preocupação de alguns hotéis que vivem do turismo ecológico, introduziu no Brasil o programa internacional Hóspede da Natureza, um selo ambiental criado pela ONG Internacional Hotels Envionment. Para obter o selo, o hotel ou pousada tem de colocar em prática um programa de preservação ambiental que envolve medidas de uso racional dos recursos naturais (água, energia e gás), medidas para reciclagem de lixo e até a conscientização ecológica de funcionários e hóspedes.

O objetivo fundamental deste estudo de caso, Estalagem das Minas Gerais, é identificar quais os fatores que levaram o hotel a buscar a implantação do Sistema de Gestão Ambiental e a forma como estabeleceram sua política ambiental, os critérios adotados pela empresa para a obtenção de certificação da norma ISO 14001, bem como os meios utilizados para a manutenção do SGA e finalmente a avaliação dos impactos ambientais, realização de auditorias, sistema de comunicação, e os principais benefícios estratégicos da empresa depois da Certificação ISO 14001, através de um diagnóstico minucioso das principais etapas.

O referido trabalho de pesquisa pretende mostrar, através de pesquisa qualitativa , como vem se desenvolvendo o sistema em questão, procurando principalmente desenvolver estudos científicos sobre a gestão ambiental na hotelaria, neste caso, se apoiando no estudo de caso, Estalagem das Minas Gerais.

1.1 Objetivos

1.1.1 Objetivo geral

Descrever o processo de implantação do Sistema de Gestão Ambiental e da certificação da norma ISO 14001 na hotelaria, tendo como base, o estudo de caso, Estalagem das Minas Gerais em Ouro Preto – MG.

1.1.2 Objetivos específicos

identificar os fatores que levaram o hotel a implantar o SGA;
identificar os critérios utilizados pela certificadora para a obtenção da norma ISO 14001;
analisar o processo de manutenção do sistema de gestão ambiental;
descrever a política ambiental da empresa;
identificar os principais benefícios alcançados após a implantação do SGA, bem como sua influência no planejamento estratégico da empresa.
1.2 Justificativa

Organizações empresariais de todos os tipos estão cada vez mais preocupadas em atingir e demonstrar um desempenho ambiental correto, controlando o impacto de suas atividades , produtos ou serviços no meio ambiente e levando em consideração sua política e seus objetivos ambientais. Este comportamento insere-se no contexto de uma legislação cada vez mais exigente, do desenvolvimento de políticas econômicas, de outras medidas destinadas a estimular a proteção ao meio ambiente e de uma crescente preocupação das partes interessadas em relação às questões ambientais e ao desenvolvimento sustentável.

Neste final de século, a humanidade se preocupa muito com os problemas ambientais, pois os níveis de sustentabilidade do processo de desenvolvimento colocam em risco a qualidade de vida. Dentro desta perspectiva, todos os setores têm responsabilidades no processo de mudança, podendo contribuir, de forma decisiva, para as transformações necessárias.

Este estudo se faz importante para a hotelaria na medida em que ela é entendida e ligada ao fator ambiental. A gestão ambiental está presente em todos os ramos de negócios e em todos os sentidos de desenvolvimento. E foi com base neste que se deu o desenvolvimento do presente trabalho. Partiu-se da premissa que a proteção do ambiente constitui um dos maiores desafios da geração atual, ao qual nenhum setor de atividade pode ficar indiferente. O estado de degradação a que o planeta chegou e, a necessidade de aplicar medidas vigentes que minimizem os efeitos causados pelas agressões ambientais.

2 DESENVOLVIMENTO

Recentemente o número de seres humanos no planeta atingiu a casa dos cinco bilhões. Segundo projeções demográficas apresentadas pela Comissão Mundial Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (1999, p.110), essa cifra será superior a oito bilhões já no ano de 2020.

Conforme o relatório Comissão Mundial Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (1999, p.99), pode-se observar grandes fatores que propiciam esta imersão populacional no mundo e, entres estes, o aumento da qualidade de vida, a tecnologia sofisticada relacionada com a medicina e fontes de pesquisas que freqüentemente atraem cientistas a descobrir novas formas de combater doenças, epidemias e, em alguns casos até mesmo o desemprego. Devido a fatos como estes, o mundo detecta uma profunda mudança no ambiente natural baseado no aumento da densidade demográfica nos grandes centros, juntamente com os fatores que provêm dela.

Diante desta preocupação, a mentalidade ecológica da sociedade tem ganhado um destaque significativo em face do papel fundamental que exerce para a qualidade de vida da população.

Desde a 1ª Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente, realizada em 1972 em Estolcomo, na Suécia, até a consolidação do termo “Desenvolvimento Sustentado” na linguagem do dia-a-dia, a sociedade atual está cada vez mais convicta de que é possível uma nova gestão dos recursos naturais que possibilita ao mesmo tempo, eficácia e eficiência na atividade econômica e que se possa manter a diversidade e estabilidade do meio ambiente.

As atividades turísticas também estão diretamente ligadas à questão ecológica porque o turismo feito de forma desordenada e além da capacidade de recepção de um local em determinado tempo, acaba se transformando num fator de poluição e de destruição não só do patrimônio natural existente, mas também do próprio patrimônio cultural da comunidade. COMISSÃO MUNDIAL SOBRE O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO (1991, p. 35)

Neste ritmo acelerado pelo controle do meio ambiente, o desenvolvimento sustentável atribuído por muitos autores tem sido o principal tema ligado ao turismo nos últimos anos, conforme relatório da Comissão Mundial Sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento (1991, p.46), “o desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem às suas próprias necessidade”.

No entanto, é importante lembrar que no âmbito do turismo, é sempre mais indicada a prevenção do que a cura, visto que essa última pode apresentar seqüelas irreversíveis. Assim, o processo da pesquisa visando o desenvolvimento sustentável se adapta a outro tema ainda mais específico para o meio ambiente, o sistema de gestão ambiental, ao qual aborda um gerenciamento ecológico buscando algumas diretrizes e estratégias que se classificam em: inovação, cooperação e comunicação.

Na tentativa de desenvolver uma pesquisa com o intuito de descrever como o processo de sistema de gestão ambiental se desenvolve na hotelaria, faz-se referência ao estudo de caso, Estalagem das Minas Gerais em Ouro Preto.

2.1 A Pesquisa em Turismo

Durante muito tempo o setor industrial foi considerado, para análise de desenvolvimento, o setor que mais gerava recursos dentro de um país, porem a tendência desse quadro tem apresentado um novo perfil. A indústria de transformação vem perdendo lugar para o setor de prestação de serviços, em especial o turismo, MARRA (2001).

Atualmente, as pesquisas no campo do turismo e hotelaria vêm se tornando mais favoráveis ao conhecimento e atuação de mercado e reconhecidas cientificamente, devido às técnicas de pesquisas atuais e às abordagens de grandes estudiosos da área (Lage, Milone, Wearing, Lindberg). Analisar-se-á como a pesquisa voltada ao estudo de caso se caracteriza no turismo.

Assim traduz Lage e Milone (2001, p. 306) “Ponderado como uma pesquisa em que o objeto é uma unidade social que deve ser profundamente observada e analisada, o estudo de caso é praticado no turismo por meio de um trabalho de campo – em situações típicas (usuais) ou incomuns (excepcionais) – visando, por exemplo: à investigação de uma comunidade local receptora de turismo de negócios; ao comportamento dos indivíduos (turistas) quando em viagens de férias e de diversão, entre outros”.

Habitualmente assumido para obter respostas do gênero – “o que, qual, quem, quando, onde, como e por que” – o estudo de caso no turismo tem-se tornado uma estratégia metodológica exploratória e descritiva bastante usual por estudantes, tendo em vista o problema a ser investigado, contribuindo para a difusão das múltiplas experiências que a complexa atividade turística incorpora.

Segundo a Embratur, (2003) (apaud Marra/2001), o desenvolvimento do turismo no Brasil começa depois dos anos 70. Anterior há esta década, o único pólo turístico conhecido no exterior era a cidade do Rio de Janeiro. Na década de 90, principalmente no período de 1994 a 1998, o turismo no Brasil vem acompanhando o desenvolvimento do turismo mundial, resultante de uma “revolução silenciosa”. Os resultados dessa revolução já podem ser sentidos por volta de 1995 quando o Brasil recebeu pouco mais de um milhão de visitantes. Me 1998 esse número saltou para quase cinco milhões. No período entre 1994 a 1998 o turismo no país gerou uma receita da ordem de US$ 38 bilhões, proporcionando uma arrecadação de impostos diretos e indiretos da ordem de US$ 7 bilhões, gerando aproximadamente 5 milhões de novos postos de trabalho.

Assim esta rápida expansão da atividade da “indústria turística”, da qual o setor de hotelaria ocupa uma grande influência, caracterizada por expectativas de um bom rendimento dos investidores, geração de emprego e renda, está modificando o quadro em países, sobretudo os chamados em desenvolvimento, principalmente para aquele que apresentam uma vocação turística por apresentar áreas naturais em que possa ser possível explorar os atrativos naturais através da prática do ecoturismo.

Assim, diante das variáveis adotadas na pesquisa em turismo, o referido estudo se apoiará em um estudo de caso sobre hotelaria, especificamente sobre a Estalagem das Minas Gerais em Ouro Preto, tendo como tema principal sua questão ambiental.

2.2 A Hotelaria no Mercado Atual

O desenvolvimento do turismo, quando aplicado ao fator econômico movimenta grandes receitas no mundo atualmente. E, dentre seus principais produtos, a hotelaria lidera como forte meio de hospedagem aos principais destinos e também se tornando “o destino”, se destacando entre os principais hotéis de negócios espalhados pelo mundo.

No Brasil, o setor de serviços é o que tem apresentado os maiores índices de crescimento nas ultimas décadas, em 1980 representava 48,8% do PIB, enquanto o setor industrial representava 41% e o setor agropecuário representava 10,2%. Em 15 anos, estes índices evoluíram para 55,7%, 32% e 12,3% respectivamente. No mesmo período, o setor de turismo e evolui de 2,62% do PIB Nacional para 8% (IBGE, 1998) (apaud EMBRATUR, 2003).

Segundo Carvelho (2000, p. 209) afirma que “a indústria hoteleira internacional está imersa em profunda transformação. As mudanças afetam tanto a estrutura empresarial quanto à concepção de negócios. Os fluxos turísticos estão variando substancialmente, mudando os sistemas de administração e gestão de administradores ortodoxos e clássicos e dos donos de hotéis. A visão moderna transformará todos os empresários de vanguarda em empreendedores hoteleiros, prevendo a mudança inclusive no Brasil”.

O mesmo autor salienta que o foco do mercado hoteleiro tinha na Europa seu feudo, e isso se devia ao fato de que o velho continente era o destino turístico de maior volume e também o que vivia maiores índices de crescimento. Hoje, esta mentalidade já não prevalece mais, e já não é o continente americano, como se poderia pensar, mas a Ásia e o Pacífico que desenvolverão esta indústria com mais intensidade, nos próximos anos. Um dos aspectos que mais incidem na transformação da indústria hoteleira internacional é a permanente evolução das tendências do mercado, geradas, sobretudo pela forte concorrência de preço e qualidade.

Destaca o autor Carvelho (2000, p. 300) que a hotelaria brasileira começou a crescer desde meados do século XIX, quando muitas das capitais e cidades principais de nosso país ganharam grandes e elegantes hotéis. No entanto, a expansão da atividade hoteleira só foi intensificada depois da II Guerra Mundial, e hoje está em níveis bem próximos dos vigentes na hotelaria internacional.

O mesmo autor salienta que a hotelaria no Brasil, não poderia deixar de aparecer entre os principais destinos da atual temporada, devida principalmente a certas ocorrências dos países Latinos Americanos, que até então eram líderes do turismo mundial. Assim, o Brasil, destaca-se no mercado turístico, pela sua diversidade de produtos e também pela qualidade de serviços, ainda estando um pouco longe dos moldes americanos e europeus, mas já inserido na indústria turística como destino provável.

Conforme afirma Bini (1998), a hotelaria é um dos pilares mestre na infra-estrutura para o desenvolvimento do turismo em nosso país. O setor hoteleiro está atravessando um momento de crescimento ou grande desenvolvimento, em função do aumento no fluxo de turistas e de viajantes a negócios, o que tem atraído atenção de empresários e investidores tanto nacionais como estrangeiros. O crescimento do parque hoteleiro e a importância do turismo na economia brasileira podem ser comprovados pelo surgimento, em nosso mercado, de cadeias nacionais e pela chegada de grandes grupos internacionais de hotéis, resorts e parques temáticos.

2.3 A ISO 14001 e o Setor Hoteleiro

De acordo com o site Isovirtual, (2003) as normas ISO 9000 e ISO 14001 são normas opcionais no setor empresarial das empresas. Na era da modernidade e da tecnologia, ainda não há exigência internacional oficial para as empresas alcançarem a certificação ISO 14001. Mas isso não significa que não haverá pressão para que se alcance a certificação ISO 14001. Grandes empresas, principalmente aquelas associadas à poluição ambiental, provavelmente serão as primeiras a alcançar a certificação ISO 14001.

A ISO 14001 não estabelece exigências absolutas para o desempenho ambiental, mas tão-somente um compromisso (estabelecido na política ambiental da empresa) de cumprir a legislação e regulamentos aplicáveis e de realizar melhorias contínuas. Não há nada na norma ISO 14001 que especifique a quantidade de materiais perigosos que podem ser despejados como efluentes. Ao contrário, a norma simplesmente estabelece (entre outras coisas) que a gerência sênior deve definir a política ambiental da organização e assegurar que: inclua um compromisso de obedecer à legislação ambiental relevante, as regulamentações e outras exigências às quais se propõe a organização “(ISO 14001 Parágrafo 4.2 Política Ambiental). A ISO 14001 é mais genérica. Sob o escopo, por exemplo, leia-se”: Esta Norma Internacional é aplicável a qualquer organização que deseja:

a) implementar, manter e aprimorar o sistema de gestão ambiental;

b) garantir-se de que está em conformidade com a política ambiental estabelecida;

c) demonstrar tal conformidade com a política de gestão ambiental estabelecida;

d) procurar certificação/ registro do sistema de gestão ambiental de uma organização externa;

e) afirmar autodeterminação e autodeclaração de conformidade em relação

Percebe-se que a norma é propositalmente ampla em seu escopo. As palavras “qualquer organização” podem aplicar-se a um hotel ou restaurante, assim como a indústrias químicas e fábricas de papel.A norma simplesmente estabelece que qualquer um que deseja a certificação ISO 14001, perceba que a certificação é uma opção e não uma exigência, sendo assim, a empresa terá de identificar e ter acesso a exigências legais e outras a que a organização se proponha, que sejam aplicáveis a aspectos ambientais de suas atividades, produtos e serviços.

O alcance da certificação ISO 14001 por uma empresa de turismo e, principalmente por um hotel demonstra que ambos implementaram um programa de gestão ambiental rigoroso. Este fato certamente atrai o interesse de um grupo substancial de turistas para os quais o ecoturismo é um aspecto importante. Naturalmente, não se pode sugerir que a certificação ISO 14001 seja equivalente para o ecoturismo. De fato, muitos proponentes do ecoturismo argumentariam que uma experiência de ecoturismo verdadeira está além das exigências estabelecidas na norma ISO 14001. Argumentariam, por exemplo, que o ecoturismo engloba tais conceitos nebulosos, como desenvolvimento sustentável, manutenção da biodiversidade, redução do consumo exagerado, sustentação da economia local e, geralmente, prática do turismo responsável.

Segundo Lindberg (2003, p.19) afirma que “o ecoturismo é uma oportunidade de demonstrar que o desenvolvimento econômico e a preocupação pelo ambiente podem coexistir simbioticamente. Em uma tentativa de abordar o turista ecologicamente engajado, alguns dos programas chamados Green Label têm pouco a ver com proteger o ambiente”.

Observa-se, no entanto, que o ecoturismo é apenas uma das formas de proteger o meio ambiente e aprimorar o desenvolvimento sustentável, podendo se manifestar outros produtos tão importantes quanto, sendo de extrema importância esta preocupação por todas as empresas de turismo.

Pode-se recomendar que as empresas interessadas na ISO 14001 implementem um sistema simples e prático desenvolvido para adicionar valor. O sistema de gestão ambiental não pode se tornar o sistema oneroso que é bem conhecido, mas não é praticado. O sistema deve ser desenvolvido de forma que aumente a eficiência e o lucro. Sob a orientação adequada, a norma ISO 14001 pode ajudar as empresas.

2.4 Turismo e Desenvolvimento Sustentável

“O turismo contemporâneo é um grande consumidor da natureza e sua evolução, nas últimas décadas, ocorreu como conseqüência da” busca do verde “e de” fuga “dos tumultos dos grandes conglomerados urbanos pelas pessoas que tentam recuperar o equilíbrio psicofísico em contato com os ambientes naturais durante seu tempo de lazer”. Swarbrooke (1997 p. 9).

De acordo com o IBGE, (2003) atualmente, o grande afluxo de pessoas residente em áreas urbano tem aumentado significativamente em função do trabalho e melhores condições de vida. Devido a este, e outros fatos relevantes, nota-se freqüentemente a preocupação de toda a população pelo controle do meio ambiente natural, visto que, as conseqüências deste grande afluxo de pessoas nesses ambientes, extremamente sensíveis, fazem com que o planejamento dos espaços, dos equipamentos e das atividades turísticas se apresente como fundamental para evitar os danos sobre os meios visitados e manter a atratividade dos recursos para as gerações futuras.

Assim, o planejamento dos espaços turísticos e não turísticos, de modo geral, tem a finalidade de preservar e precaver quaisquer danos que possam causar a natureza, para que várias gerações possam usufruir forma adequada todas as atratividades e espaços do empreendimento.IBGE, (2003).

O turismo nos espaços naturais não é apenas modismo de uma época e a opinião pública tem se conscientizado, cada vez mais, da necessidade de proteger o meio ambiente. Segundo Swarbrooke (2003, p.84) se, pelo lado da demanda, a motivação “contato com a natureza” se torna cada vez mais intensa, a natureza intacta e protegida passa a ser um argumento comercial importante. Assim, o turismo de qualidade pode tornar-se economicamente viável, desde que associado à proteção dos espaços naturais e excelência dos serviços e equipamentos oferecidos pelos clientes.

É preciso que o turismo e o meio ambiente encontrem um ponto de equilíbrio, a fim de que a atratividade dos recursos naturais não seja a causa da sua degradação.IBGE, (2003).

Diante dos tópicos acima descritos, abordar-se-á como mais uma base de estudo, o desenvolvimento sustentável, aplicável constantemente no planejamento das empresas. De acordo com o relatório da Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1991, p.46), o “desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem ás suas próprias necessidades”.

Então na necessidade de adequar modelos de gestão que visem um desenvolvimento econômico e social saudável, referindo-se ainda à Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, observa-se que a satisfação das necessidades essencial depende em parte do crescimento potencial pleno, sendo várias as questões que podem determinar ou não esta satisfação, como o crescimento desordenado da população desencadeando então a privação de certos benefícios como a alimentação, a saúde pública e a educação.Portanto observar-se-ia o desenvolvimento como ferramenta para a equidade desde que bem administrada.

Andrade (2000), refere-se á Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento, destacando a preservação do ambiente na realização do desenvolvimento sustentável, e ainda paralelamente a Carta Empresa para o Desenvolvimento Sustentável, declara que uma das prioridades de qualquer organização, hoje, é a preservação do meio ambiente, considerando que as organizações precisam ter consciência de que deve existir um objetivo comum, e não um conflito, entre desenvolvimento econômico e proteção ambiental, tanto para o momento presente como para as gerações futuras.

Em essência, relata a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (1991), o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas. Declarando que será necessária a adoção de princípios básicos para estabelecimento das políticas ambientais e desenvolvimento sustentável, entre os quais destaca-se:

Alteração da qualidade do desenvolvimento;
Atender as necessidades de emprego, alimentação, energia, água e saneamento;
Manter um nível populacional sustentável;
Conversar e melhorar a base de recursos;
Reorientar a tecnologia e administrar o risco;
Incluir o meio ambiente e a economia no processo de tomada de decisões;
Conscientizar a população local da importância do turismo sustentável;
Estar atento a possíveis riscos ambientais, visando uma demanda apurada e a qualidade dos serviços prestados;
Finalmente, entende-se que o planejamento deve ser propício a todos os níveis de negócios, e em especial ao turismo, pois a atividade turística tem a capacidade de envolver inúmeros setores e, entre estes o setor ambiental.
2.5 Mercado

O setor do lazer e entretenimento no Brasil está em pleno apogeu. Este reflexo começa a tomar corpo a partir dos anos 90, segundo estudos realizados pelo WTTC – World Travel & Tourism Council (1990); em que grandes modificações ocorridas no mundo foram capazes de proporcionar mais conforto, facilidades e maior tempo livre para as pessoas, juntamente com crescimento do ócio nas sociedades popularmente constituídas.

O mundo dos negócios e grandes centros urbanos são responsáveis em parte por essa nova tendência mercadológica. A intensa era da economia, a globalização, e a busca da informação são fatores que de certa forma exercem influência sobre as pessoas, principalmente aquelas que convivem nesses centros urbanos, onde o fator do stress e o excesso de trabalho a atividades fazem com que se sintam atraídas pela ociosidade e lazer.

Grandes transformações no país podem ser caracterizadas como conseqüências de tendências na busca do mercado de Turismo de Lazer. De acordo com o IBGE (2003) “o crescimento demográfico diminuiu, as nações amadureceram e o número de aposentados vem aumentando”. Isto explica o desenvolvimento, com acelerado crescimento, das viagens e turismo por todos os países dos diversos continentes.

O turismo de lazer de acordo com a OMT (2002) será o principal motor propulsor da expansão da atividade turística ao longo da primeira década do século XXI.

Embratur (2003) nos últimos anos, o rápido crescimento do turismo europeu para a América do Norte foi baseado em países como Cancun (México), Flórida e Havaí (EUA), refletindo a tendência da exploração não somente dos destinos close – to- home, mas também de localidades que ofereçam diferentes experiências e tidos como exciting and unspoilt.

ABIH (2003) salienta-se que os hotéis de lazer sempre existiram, porém modestamente no país. O diferencial na hotelaria do novo século foi um novo conceito tanto no aspecto físico quanto no de serviços. O Brasil, como país continental, foi um campo aberto para a edificação de turismo no campo ou ecológico, que já não encontravam espaços físicos em outros países.

A Embratur (2003) em sua nova norma de classificação, admite que o hotel ecológico esteja localizado em área de conservação e equilíbrio ambientais. Sua construção deve ter sido precedida por estudos de impacto ambiental e planejamento da ocupação do solo. Precisa dispor de infra-estrutura de entretenimento e lazer significativamente similares, e deve classificar-se nas categorias de luxo ou luxo superior.

Os hotéis ecológicos que se encontram dentro dos padrões necessários exigidos pela Embratur (2003) dispõe de arquiteturas horizontais, sendo esta a característica mais fiel, contando com amplos espaços aquáticos, áreas de recreação, health clubs e spas. Nos serviços, uma estrutura completa, alguns com sistema all inclusive, outros com sistema de meia pensão. Todos com qualidade e capacidade de alto luxo.

“Os Hotéis Ecológicos hoje têm como preocupação maior o ser humano, oferecendo o lazer, sempre agregados à saúde, esporte, cultura e ecologia”. (OMT, 2001, p.28).

Lindeberg, (2003) tendo como base o estudo da hotelaria internacional destacar-se-á algumas características dos hotéis ecológicos do Novo Milênio: ao estilo da região ou temáticos; ar livre. locais exóticos e desconhecidos; locais com apelo ecológico; agregação de cultura e conhecimento (artesanato, pintura, técnicas de relaxamento, etc); decoração.

Atualmente sabe-se que diversos projetos destinados à construção de novos hotéis ecológicos estão saindo do papel, no embalo da retomada do turismo interno e na perspectiva de atração de mais turistas estrangeiros.

2.6 Gestão Ambiental

Beto (2002) afirma que atualmente, o ambiente ganhou um lugar de destaque como preocupação mundial, quer em nível do simples cidadão, quer em nível das organizações, agentes econômicos e sociais que, através da sua intervenção no nosso cotidiano, apresenta uma interação direta ou indireta com o ambiente.

Sendo de interesse primordial da atualidade e, principalmente deste estudo, faz-se oportuno resgatar o entendimento conceitual sobre o termo “meio ambiente”, palavra chave e referência central desta abordagem. Segundo Pires (2001, p.229), “o termo” meio “(do latim médium) se refere ao lugar onde pode ser encontrado qualquer ser vivo, enquanto o termo” ambiente “(do latim ambire) se refere a tudo que envolve este lugar. Dessa forma, o termo ambiente completa a idéia de meio reforçando a idéia de entorno ou de realidade física que envolve todos os seres vivos do planeta”.

Andrade (2000), diz que: até por volta dos anos 1970 a expressão meio ambiente era difundida e utilizada genericamente referindo-se ao meio natural, ou seja, à natureza ou aos ecossistemas naturais, acepção esta que ainda predomina na maioria leiga da população.Assim, o termo “meio ambiente” inclui não só o meio natural, mas também o meio artificial pleno de realizações materiais humanas, como os meios sociocultural e político-institucional em toda a sua dimensão.

De acordo com Beto (2003, p. 25) o desenvolvimento do sistema de gestão ambiental relaciona-se a toda organização, no entanto, fazendo referência à preservação dos recursos naturais renováveis e não-renováveis, buscando acima de tudo a qualidade total e o desenvolvimento sustentável como um todo.

A necessidade de que atividades que de alguma forma ofereçam risco à comunidade, sejam desenvolvidas ambientalmente corretas, tem levado as empresas a buscarem alternativas para diminuir ou até sanar este tipo de problema, através da implantação de modelos de gestão ambiental nos mais variados setores de atuação das empresas, sendo indústrias ou prestadoras de serviço, indiferente do segmento de mercado. O mesmo autor diz que o dilema do empresariado brasileiro, atualmente, é o de adaptar-se ou correr o risco de perder espaços arduamente conquistados.

Embratur, (2003) em se tratando do segmento turístico, a preocupação tende a ser cada vez maior, visto que os impactos ambientais nas comunidades receptoras ou até mesmo nos equipamentos turísticos são relativamente freqüentes. A busca pelo desenvolvimento sustentável tem levado muitas empresas do setor turístico a implementar modelos de gestão ambiental, a fim de garantir sua qualidade e sanar qualquer tipo de problema que por ventura venha a ocorrer em função do turismo, como por exemplo, a falta de capacidade de carga, que se caracteriza por ser um sério problema dos produtos naturais (ambientes naturais).

Andrade, (2000) com a implantação do Sistema de Gestão Ambiental (SGA) a empresa deve visar a sua própria sobrevivência, como sinônimo de melhoria contínua, não significando necessariamente a implantação de tecnologias caras. O setor empresarial do país pressionado por exigências cada vez mais fortes do mercado internacional viu-se impelido a adotar estratégias de gestão ambiental, não só para eliminar não-conformidades legais e atender às crescentes investidas dos órgãos ambientais, mas também para garantir sua permanência num mercado altamente competitivo.

Segundo
Czaja (2001), a empresa não deve implantar um sistema de gestão ambiental visando apenas o melhoramento de sua imagem ou para se enquadrar às leis ambientais vigentes, mas implantar de forma que os resultados sejam transferidos para os objetivos centrais da organização, a partir de uma avaliação estratégica dos problemas e soluções, fazendo-se perguntas básicas como: Onde a organização pretende estar no futuro? Como chegar até lá? Onde a organização será bem-sucedida? Como medir o sucesso?

Quando uma organização implementa um SGA, está concordando em manter uma responsabilidade ambiental, como um contrato invisível com o meio ambiente. O que implica numa tomada da consciência de seu papel na sociedade, sendo que em alguns casos fica mais barato ter o sistema, em fase dos riscos ambientais que esta sujeita. Segundo Andrade (2000), uma vez que o sistema de gestão ambiental se aproxima de uma administração participativa e inovadora, exigem a participação da comunidade na gestão, bem como a busca do consenso, cooperação, democracia e autonomia, demonstrando um claro estágio de desenvolvimento.

Numa visão da busca pela certificação ISO 14000, a definição de sistema de Gestão Ambiental (SGA), segundo a Agência de Consultoria Contato Agência Aquariana (2000), é um conjunto de normas referentes a métodos e análises, que possibilitam certificar que: determinado produto (seu carro, seu inseticida, o papel que você usa, entre outros) quando da sua produção, sua distribuição e descarte; e/ou a organização que o produziu, utilizando um processo gerencial e técnico: não proporcionam, ou reduzem ao mínimo, os danos ambientais, e que estejam de acordo com a legislação ambiental.

Um exemplo de como o SGA pode repercutir positivamente, é o caso da SANEMG (Companhia de Saneamento de Minas Gerais) – Belo Horizonte (2003), que na busca pela melhoria contínua, no atendimento e nos processos que geram impactos ambientais, visando a redução de risco de acidentes ambientais, implantou o SGA. A diretoria da SANEMG, para isto, inicialmente estabeleceu uma política ambiental, definiu um comitê para implanta-la e deu claras demonstrações aos seus colaboradores da importância do SGA para a empresa e que não era uma jogada de marketing, nem modismo gerencial SANEMG (2001). O resultado foi à certificação ISO 14001.

Döbereiner (2000), afirma que o gerente de consultoria ambiental da Shell do Brasil S. A, falando do processo de implantação do Sistema de Gestão Ambiental na Shell, descreve como sendo o primeiro passo, a definição de uma política ambiental clara, que assinada pelo presidente da companhia, foi divulgada em toda a organização, incluindo companhias associadas e contratadas.

2.6.1 Implantação de um SGA de acordo com a norma ISO 14001

Tomando como fonte, Valle (1996), enumerar-se-a, abaixo, as normas e diretrizes mínimas que a empresa deve estabelecer a partir da política ambiental, alcançando assim o sistema de gestão ambiental, que deve ter como objetivo o aprimoramento contínuo das atividades da empresa, através de técnicas que conduzam aos melhores resultados, em harmonia com o meio ambiente:

a) Manter um sistema de gestão ambiental que assegure que suas atividades atendam à legislação vigente e aos padrões estabelecidos pela empresa;

b) Estabelecer e manter um diálogo permanente com seus empregados e a comunidade, visando ao aperfeiçoamento de ações ambientais conjuntas. Por exemplo, a coleta seletiva de lixo;

c) Educar e treinar seus funcionários para que atuem sempre de forma ambientalmente correta. (economia de energia, eletricidade, etc);

d) Exigir de seus fornecedores produtos e componentes com qualidade ambiental compatível com a de seus próprios produtos;

e) Desenvolver pesquisas e patrocinar a adoção de novas tecnologias que reduzam os impactos ambientais e contribuam para a redução do consumo de matérias-primas, água e energia;

f) Assegurar-se de que seus resíduos são transportados corretamente e em segurança até o destino estabelecido, de acordo com as boas práticas ambientais.

Sendo que uma política serve para dar maior clareza às ações que se pretende efetivar, evitando assim o desperdício desnecessário de recursos de todas as ordens.

A norma ISO 14001, segundo Ribeiro (1999), especifica os requisitos para estabelecer uma política ambiental; determina os aspectos e impactos ambientais dos processos (produção, serviços, distribuição, etc); implementação de ações para cumprir as metas e objetivos estabelecidos; avaliação e ações corretivas, quando necessário; revisão. Para tanto deve preparar-se previamente, seguindo os passos descritos abaixo:

Definição da Política Ambiental – Deve ser por escrito, e ser distribuídos a todos os interessados e envolvidos. Tendo com principais pontos o compromisso do cumprimento da legislação ambiental e a melhoria contínua de desempenho ambiental.

Diagnóstico Ambiental Inicial – Com o objetivo de permitir conhecer detalhadamente o estado atual da empresa.

Avaliação dos Impactos Ambientais – Conhecer os impactos ambientais vindouros de sua atividade. Impacto ambiental segundo Sanare, (2001) É qualquer modificação no meio ambiente, adversa ou benéfica, que resulte, no todo ou em parte, das atividades, (produtos ou serviços de uma organização), para servir de base para definição dos objetivos e metas ambientais da mesma.

Elaboração de um Programa Ambiental – Determinar estratégias, linhas de atuação e a descrição de responsabilidades que permitam à empresa alcançar os objetivos e metas ambientais definidos.

Implementação de um SGA – É o estabelecimento de um sistema de procedimentos operativos e de controle que assegurem a implantação com êxito, da política e do programa ambiental.

Realização de Auditorias Ambientais – Depois de implantado deve existir um mecanismo de avaliação, sendo através de auditorias interna periódicas, a freqüência dependerá do grau de risco das atividades.

Estabelecimento de um Sistema de Comunicação – Será necessário para a devida atualização dos processos, visando uma comunicação entre todos os interessados.

2.7 Etapas do programa da Gestão Ambiental

Etapa 1: Execução do levantamento ambiental, o qual incidiu sobre 3 pontos chave e teve a duração de 3 meses;

Etapa 2: Planejamento e Definição da estrutura (prazo irrelevante);

Etapa 3: Realização de Ações de Formação de curta duração destinadas a informar / formar todos os colaboradores dos princípios ligados a SGA, com a duração de 2 semanas;

Etapa 4: Elaboração de Planos de ações relativos a: Energia, Resíduos sólidos, Água, Efluentes e Fornecedores; com definição de objetivos e metas, medidas a implementar, sistemas de monitorizarão e responsabilidades, com a duração de 6 meses;

Etapa 5: Realização de auditorias ambientais durante 3 meses.

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Para a construção deste estudo, foi realizada em uma primeira fase a sistematização das informações encontradas na pesquisa bibliográfica existente sobre o meio ambiente e desenvolvimento na tentativa de desenvolver uma pesquisa com o intuito de descrever o processo de sistema de gestão ambiental se desenvolve na hotelaria que faz referência ao estudo de caso, da Estalagem das Minas Gerais.

A partir da sistematização destas informações, foi identificados os fatores que levaram o hotel a implantar o SGA, os critérios utilizados pela certificadora para a obtenção da norma ISO 14001 e os principais benefícios alcançados após a implantação do SGA, bem como sua influência no planejamento estratégico da empresa.

Em seguida, foi analisado o processo de manutenção do sistema de gestão ambiental descrevendo a política ambiental da empresa. Nessas condições, é importante ressaltar que a confiabilidade dos resultados finais depende da veracidade dos valores fornecidos e, indiretamente, do interesse da empresa neste estudo.

A interpretação dos dados da pesquisa será feita dentro de uma análise qualitativa, tendo como ponto de apoio à legislação ambiental e práticas já existentes em outras organizações de SGA.

A análise deverá ser apoiar em algumas premissas e parâmetros a descrever:

quais as atividades, por setor, que podem comprometer o meio ambiente;
o que está sendo feito, e o que poderia melhorar;
a percepção dos funcionários diante de uma gestão ambiental;
a manutenção do sistema está de acordo com a legislação ambiental e/ ou certificadora ISO 14001;
3.1 Entrevista de profundidade

Foram feitas entrevistas de profundidade com três principais executivos da Estalagem das Minas Gerais em Ouro Preto. A Cleusa Maria Reis Salvador é sócia-proprietária, da assessoria comercial Delusa hotéis com mais de 40 anos e uma experiência de aproximadamente 30 anos na hotelaria. A Carla de Fátima Salvador é sócia-proprietária, da assessoria comercial Delusa hotéis, com mais de 30 anos e uma experiência na hotelaria de, também, mais 25 anos. A gerente geral da Estalagem das Minas Gerais, com 25 anos e uma experiência de 5 anos na hotelaria.

Devido ao fato da gerente da Estalagem das Minas Gerais ser mais jovem e ter estado em contato com as novas tecnologias em prol do seu trabalho, a tendência para a mudança de cultura da empresa é iminente. Ela reconhece que no mundo de hoje, é possível, com base em tecnologias hoje disponíveis, transformar um grande problema em uma oportunidade de negócio, com resultados ambientais e sociais relevantes.

Sem dúvida, o trabalho da gerente geral da Estalagem das Minas gerais é um tanto difícil, dado o alcance, volume e diversidade de suas responsabilidades. Junto com o resto da equipe de administração do hotel, ela está atualmente está tentando contribuir coma minimização dos impactos ambientais decorrentes do processo de operação do setor de hospedagem sobre o meio ambiente.:

Os tipos de serviços prestados pela Estalagem das Minas Gerais são divididos em três grandes grupos:

Hospedagem;
Lazer;
Convenções.
A Estalagem das Minas Gerais tem em seu quadro 250 funcionários, sendo que 50 são terceirizados.

De acordo com a observação e com o depoimento dos dirigentes do SESC a Delusa Hotéis, trabalha de forma moderna e prática com uma política de marketing coerente, a maior e melhor representação de hotéis de Minas Gerais, utilizando estratégias eficazes para alcançar os seus objetivos.

Desde o surgimento da produção em larga escala, a indústria teve que se situar frente às comunidades antrópicas e biológicas. Tendo de compartilha seu espaço físico com as comunidades de um determinado contexto, teve que sempre estabelecer postura agressiva diante do dilema da produção contra impactos. O resultado dessa postura agressiva, é a quebra da sustentabilidade do ambiente, têm levado a sociedade a longas e intermináveis discussões, que embora sempre levem à conclusão genérica da necessidade de conservação do ambiente, poucos resultados práticos têm trazido, visto que a destruição de ecossistemas importantes é contínua.

Para a cidade industrializada, existe o momento onde é questionado seu papel como consumidor de energias e gerador de poluição. Tanto no sistema industrial como no urbano prevê-se a adoção de procedimentos para controlar seus processos de crescimento e interações negativas com o mundo natural. Atualmente, as indústrias nacionais e internacionais vêm adotando sistemas voluntários de gerenciamento ambiental do tipo ISO 14001, enquanto que as cidades utilizam o planejamento urbano como método de controle. Observa-se que o planejamento urbano normalmente adotado pouco tem se adequado à realidade, pois geralmente segue os passos de desenvolvimento baseado em um plano diretor que apenas limita o uso do solo. É visível que, tanto as cidades quanto às indústrias gerenciam a aquisição e a troca de energia e informações de tal forma que a continuidade desse processo a longo prazo causa danos ambientais irreversíveis. No final, seus sistemas controlam somente problemas devidos a atos isolados de desenvolvimento e tendem a ignorar os problemas conjuntos.

A Estalagem das Minas Gerais implantou o SGA com adoção de um conjunto de procedimentos para a preservação dos recursos naturais e minimização dos impactos ambientais causados pelo empreendimento.

O hotel foi equipado com uma estação de tratamento de esgoto para reuso de água não potável para serem utilizadas em vasos sanitários, irrigação de jardins e lavagem de pátios. Há também um sistema para captação de águas de chuva que são encaminhadas para estação de tratamento para reuso. De acordo com os dirigentes do SESC, estas medidas foi possível assegurar uma economia no consumo de água potável. A Estalagem das Minas Gerais também utilizam uma área com painéis coletores solares para aquecimento de água, os quais produzem 80% da água quente para banheiros do hotel. O equipamento de ar condicionamento tem um dispositivo que desliga automaticamente o ar em um quarto, quando as janelas estão abertas. A Estalagem das Minas Gerais reduziu aproximadamente em 40% os custos com a energia elétrica. Para completar o SGA, foi implantado um sistema de coleta seletiva para a redução do lixo e encaminhamento do material coletado para a indústria de reciclagem.

Em maio de 2003, a Estalagem das Minas Gerais publicou os resultados de uma pesquisa internamente com seus hóspedes e colaboradores, a respeito das práticas ambientais aplicadas nos espaços internos da Estalagem, questionando qual seria a sua atitude caso fosse convidado a praticá-las. Todos os hóspedes entrevistados indicaram que estavam dispostos em participar e contribuir com estas práticas ambientais, tais como:

95% concordaram em separar o seu lixo para a reciclagem;
57% concordaram em usar mais de uma vez suas toalhas;
35% concordaram em dormir nos mesmos lençóis, não solicitando sua troca;
83% são favoráveis à idéia de substituir sabonetes individuais por um distribuidor de sabão líquido coletivo;
90% preferem permanecer em um hotel que seja comprometido com uma política de preservação ambiental.
Os resultados relatados pelo SESC não deixam duvidas sobre os resultados do SGA, com adoção de um conjunto de tecnologias limpas, que, além de beneficiar o meio ambiente, representa, para a empresa, como a redução do desperdício e, em conseqüência desse fato, a economia de recursos naturais, financeiros e o aumento da consciência dos hóspedes e das comunidades interna e externa ao hotel. O que significa que a indústria hoteleira passa a exercer importante papel no processo de introdução de soluções sustentáveis contribuir para o turismo sustentável no Brasil.

De acordo com depoimento da Gerente da Estalagem das Minas Gerais ela nos relatou que no sentido de contribuir para implantação de uma produção mais limpa nas atividades diárias do hotel, criando ou estimulando uma atitude de responsabilidade social voltada para a preservação ambiental nos permitiu a minimização dos principais impactos ambientais, tais como, a redução do esgoto doméstico, efluentes orgânicos, eficiência e racionalização no emprego da água. Segundo ela, a geração de energia renovável é uma boa oportunidade para a Estalagem, mas ainda está sendo pouco aproveitada de forma a aumentar a economia de energia e a diminuir os custos relacionados a esse setor.

Segundo informações do arquiteto Sérgio Vasconcelos, da empresa Soletrol Aquecedores de Água Ltda, a placa para coletor solar é um equipamento relativamente simples que permite a circulação da água, que se aquece através da transmissão de calor da luz solar para a água. A água aquecida é armazenada em um reservatório térmico (boiler), que também conserva quente. A quantidade necessária de coletores é definida em função do volume do reservatório de água (boiler). A capacidade do boiler é definida conforme a necessidade diária de água quente consumida, na Estalagem das Minas Gerais.

Conforme os Dirigentes Técnicos do SESC, a partir de dados o custo de um banho com chuveiro elétrico é de R$ 0,89 por litro de água aquecida, e para um aquecedor a gás é de R$ 0,64 por litro de água aquecida, bem maior quando comparado ao aquecedor solar de R$ 0,0035 por litro ou de R$ 3,48 por m3 de água aquecida, retornando o seu investimento inicial na instalação em menos de 24 meses. Nos tempos atuais de alta competitividade e crise de energia, o aquecedor solar vem se destacando como opção para redução de custos operacionais e otimização no uso sem alterar a qualidade do serviço prestado ao hóspede.

De acordo com a Gerente da Estalagem das Minas Gerais, o hotel possui 23 apartamentos externos equipados para duas pessoas com uma taxa de ocupação 100%.

Tabela – 01: Parâmetros para calculo de consumo água quente

Ponto
Consumo Médio Água Quente Hóspede/Dia
Nº de Hóspede/Dia
Volume Max. Água Quente/Dia

Chuveiro 19 litros
200
12.000 L

Lavatório 8 litros
200
1.000 L

Total 65 litros
200
13.000 L

Fonte: SESC, 2003

Segundo os cálculos dos parâmetros acima definidos, pode-se considerar como volume máximo de água quente consumida por dia no hotel de 13.000 litros.

Tabela – 02: Produção energia calórica em relação tipo de energia utilizada

Energia Elétrica -> 1Kwh = 860 Kcal

Gás Natural (com PCI) -> 1Kg = 9.500 Kcal

Fonte: SESC, 2003

Tabela – 03: Estudo quantidade de energia necessária para aquecimento de água

Volume Água Quente Energia Solar Kcal Energia Elétrica Kwh Gás Natural Kg
1 Litro 25 Kcal 0,03 Kwh 0,003 Kg
13.000 Litros/Dia 325.000 Kcal 378 Kwh 34,2 Kg
390.000 Litros/Mês 9.780.000 Kcal 11.340 Kwh 1.026,3 Kg
Fonte: SESC, 2003

Segundo o SESC, para atender um consumo máximo diário de 13.000 litros de água quente e consumo mensal de 390.000 litros, o custo da instalação na Estalagem das Minas Gerais de um aquecedor solar foi de R$ 55.620,62.

Relativo a esse investimento inicial a Tabela – 05, quando comparado a um sistema convencional elétrico, o ganho real está sendo de R$ 2.381,40 por mês, com um retorno do investimento em menos de 24 meses e, quando comparado com um sistema convencional a gás, o ganho real está sendo de R$ 1.128,60 por mês, com um retorno do investimento em menos de 48 meses.

Além do retorno financeiro para esse investimento, tem-se principalmente a redução do consumo de energia elétrica e redução do consumo e queima de gás natural ou GLP, contribuindo para a minimização dos seus impactos ambientais, conforme parâmetros de consumo apresentado na Tabela – 04.

Tabela – 04: Análise para viabilidade econômica sobre o investimento

Volume Água Quente
Energia Solar
Energia Elétrica (**)
Gás Natural (***)

13.000 Litros/Dia
Zero (*)
R$ 79,38
R$ 37,62

390.000 Litros/Mês
R$ 2.381,40
R$ 1.280,60

Fonte: SESC, 2003

(*) Investimento de implantação: R$ 55.605,20

(**) Tarifa Média Kwh CEMIG: R$ 0,21/Kwh

(***) Tarifa Média com gás 1 Kg Gás natural: R$ 1,10/kg

De acordo com a Gerente da Estalagem das Minas Gerais o sistema de tratamento esgoto é viável em pequenas comunidades como Ouro Preto. Este tipo de estação foi instalado nas áreas externas. A primeira do tratamento consistiu na decantação dos sólidos mais grosseiros em tanques de decantação, que foi feito de fibra de vidro. O tratamento do tanque é reduzido em função do descarte de parte do iodo na rede existente. A pós a decantação, o efluente passa por um ou mais biocilindros rotativos responsáveis pelo tratamento biológico do material orgânico. Após esta etapa, os efluentes são encaminhados ao sistema de decantação secundária onde a biomassa degradada é acumulada no fundo e enviada ao sistema de decantação primária uma vez ao dia. Segundo ela, o gasto de energia com todo o sistema varia em torno de 0,5 a 1,0 kwh/usuário/mês. A água tratada é desinfetada podendo ser armazenada em sistemas de onde é bombeada a um reservatório que alimenta os pontos de utilização de água de reuso.

Segundo o SESC, essa aplicação tem por objetivo apresentar um sistema para tratamento e reuso de uma parte do esgoto doméstico gerado pela a Estalagem das Minas Gerais, provenientes de chuveiros e lavatórios, e aí avaliamos a viabilidade econômica. Para a realização desta aplicação foram definidos alguns parâmetros de consumo de água e geração de esgoto, conforme apresentado na tabela 02, são 23 apartamentos, com uma taxa de ocupação 100% com 2 hóspedes por apartamentos.

Tabela – 05: Parâmetros de consumo de água

Fontes Consumo
Consumo Médio Água/Hóspede/Dia
Total Hóspedes/ Dia
Consumo Médio Água/ Dia

Chuveiro
49 Litros
200
9.800 Litros

Lavatório
26 Litros
200
5.200 Litros

Total
75 Litros
200
15.000 Litros

Fonte: SESC, 2003

Portanto, a vazão de geração estimada é de 15.000 Litros por dia ou 15 m3 por dia para um período de operação de 10 horas por dia, considerando os horários de maior consumo do hotel. A água a ser tratada é coletada e transportada, através de tubulação específica segregada das águas de bacias sanitárias, cozinhas, encaminhadas ao sistema de tratamento, somente águas provenientes de lavatórios dos apartamentos e banhos dos hóspedes.

Conforme a informação da Gerente da Estalagem das Minas Gerais a Estação de Tratamento de Esgoto, utiliza a técnica por iodos ativados com um sistema de recuperação do material clarificado, por ultravioleta, para reuso como água de descarga em bacias sanitárias dos apartamentos, irrigação dos jardins e lavagem dos pátios e garagem do hotel, por esse sistema dotado de um alto grau de remoção de carga orgânica, pequena área de instalação, e também, por apresentar um baixo custo operacional, de R$ 0,93/m3 de água tratada.

Tabela – 06: Custo operacional mensal para tratamento 450 m3/mês

Descrição Operação
Custo (R$/Mês)

Agente Desinfetante
R$ 150,00

Energia Elétrica (600 kwh)
R$ 160,00

Operação (4,5 horas / dia)
R$ 168,75

Total Custo Operacional / mês
R$ 418,75

Fonte: SESC, 2003

4 DESENVOLVIMENTO DA PESQUISA

Um dos objetivos deste estudo, é uma estratégia de pesquisa que busca examinar um fenômeno contemporâneo dentro de seu contexto. Difere, pois, dos delineadores experimentais no sentido de que estes deliberadamente divorciam o fenômeno em estudo de seu contexto. As práticas de gestão ambiental na hotelaria são apresentadas sob forma de estudos de casos já realizados na mesma, que se preocupam com a questão ambiental e a qualidade ambiental como planejamento da empresa.

4.1 O caso da Estalagem da Minas Gerais – Hotel Ecológico

A Estalagem das Minas Gerais é um Hotel Ecológico que criou um agressivo programa que provê as bases para a implantação do registro na ISO 14000. É um hotel histórico com uma clientela de classe alta. Sua abordagem agressiva de reduzir o impacto ambiental lhe ajudou a identificar muitos benefícios. As áreas mais focalizadas foram: reciclagem e redução do consumo de energia e água.

As principais ações e resultados do hotel ecológico:

Reciclagem (em R$ mil)

Tabela 07 – Reciclagem

Reciclagem material
Reciclagem
Lucro

Caixa de papelão
980

Contêineres
1.400
56

Desperdício de Alimento
1.50

Vasilhames de vidro
350

Latas de metal
70

Papel de escritório
350

Jornais
350

Listas telefônicas
21

Total anual
1.750
2.877

Fonte: SESC/MG

Redução de Uso de Energia

Lâmpadas eficientes foram instaladas em áreas públicas que necessitam de iluminação 24 horas por dia. Lâmpadas incandescentes de 60 watts foram substituídas por lâmpadas compactas fluorescentes de 15 watts, economizando R$3.622 mil anualmente, ou seja, 90% de redução nos custos de trabalho. Lâmpadas incandescentes de 90 watts em escrivaninhas, saguões e elevadores foram substituídas por lâmpadas compactas fluorescentes de 2 watts, economizando R$1.540 mil anualmente e reduzindo os custos do trabalho. Lâmpadas de 30 watts para sinalização de saídas foram substituídas por lâmpadas de 1,8 LED de sinalização, economizando mais de R$1.179 mil anualmente.

Lâmpadas compactas fluorescentes em forma de tubo foram instaladas nas mesas dos quartos dos hóspedes, dando um retorno igual a 1,81 por ano.

Lâmpadas compactas fluorescentes em forma de tubo foram instaladas nas áreas dos fundos do hotel, as quais ficam ligadas 24 horas por dia, economizando igualmente R$59,57 por lâmpada. Lembrar os funcionários de desligar os aparelhos e lâmpadas fora de uso: sem estimativa de economia.

Redução do Consumo de Água

Substituição nos toaletes de descargas com 1,5 galão de capacidade por outras de 3,5 galões de capacidade, que economizará R$3.276 mil e 430.000galões de água anualmente.

Chuveiros de grande eficiência foram instalados, economizando R$6.546 mil e 859.000 galões anualmente. Foi oferecida aos hóspedes a opção de reutilização de suas toalhas e lençóis no caso de permanecerem por mais de um dia. Esse projeto economizou R$4.000 mil anualmente.

4.2 Estalagem das Minas Gerais – Ouro Preto

A Estalagem das Minas Gerais em Ouro Preto é o mais completo e luxuoso Parque Ecológico do Tripuí – a Estalagem das Minas Gerais, aliando infra-estrutura e serviços de padrão internacional à beleza de uma das mais bonitas reservas nativas do Estado – Ouro Preto– localizada na Rodovia dos Inconfidentes, Km 90.

O empreendimento ocupa uma área imensa de reserva nativa. Do total de sua área, 650 mil m² foram transformados em unidade de conservação (RPPN – Reserva Particular do Patrimônio Natural Tripuí).

O complexo possui 74 apartamentos no bloco central, equipados para até 3 pessoas com tv a cores, telefone, frigobar e som ambiente; 23 apartamentos externos com o mesmo tipo de equipamento; 04 suítes completas, sendo uma presidencial, uma nupcial e 02 executivas; 41 bangalôs independentes para até 5 pessoas, com equipamentos completos; Restaurante com capacidade para 200 pessoas, serviço de categoria internacional e cardápio mineiro; Salão de convenções com completa infra-estrutura e equipamentos; Sala de estar; Salão de café; Salão de jogos; Varanda panorâmica; Conjunto esportivo com piscina; Sauna; Bar; Sala de lareira; Serestas; Trilha para caminhadas ecológicas; Heliporto; Quadras de futebol, vôlei, peteca e basquete.

A Conquista do Certificado ISSO 9002 não foi nenhuma surpresa para todos que conhecem a Estalagem das Minas Gerais. Afinal, qualidade sempre foi uma marca do empreendimento. A Estalagem das Minas Gerais é um dos mais premiados empreendimentos turísticos brasileiros. Em sua jovem história –desde a sua inauguração – foram vários prêmios que atestam a qualidade do seu projeto, das suas instalações e dos seus serviços.

Se existe uma palavra que defina a Estalagem das Minas Gerais, essa palavra é qualidade; ainda se tratando de natureza.

A Estalagem das Minas Gerais, desde a sua inauguração, sempre teve um grande envolvimento com a proteção e a valorização do patrimônio natural e cultural do empreendimento e da região. Consciente da importância e necessidade da implantação de uma postura ambiental pró-ativa, já que está situado em meio a um santuário ecológico, a Estalagem das Minas Gerais deu início aos trabalhos de implantação de seu SGA – Sistema de Gestão Ambiental, conquistando a certificação em conformidade com a norma ISSO 14001, concedido pela BRTÜV do Brasil, sendo assim o primeiro Hotel Histórico de Minas Gerais a conquistar a certificação ambiental, que contou com a participação de uma equipe de profissionais da própria empresa e de consultores externos, com a assistência do Instituto FIEMG – Federação das Indústrias do Estado das Minas Gerais.

A conquista do ISO 14001 veio premiar uma política ambiental moderna, abrangente e atuante, que pode ser resumida nas seguintes áreas de atuação:

Melhoria contínua;
Prevenção da poluição;
Requisitos Legais;
Uso de recursos naturais;
Fauna e flora terrestres;
Cultura;
Comunidade local;
Colaboradores;
Política ambiental.
Segundo a coordenadora de qualidade Lima (2000, p. 78), “a implantação do SGA levou à implantação de uma nova ETE – Estação de Tratamento de Efluentes, com maior capacidade de operação, ao desenvolvimento de material informativo sobre a importância da conservação do meio ambiente e à melhoria do gerenciamento de resíduos. Entre outras ações promovidas durante esse processo, podemos citar a coleta seletiva de material reciclável, a geração de adubo orgânico, o destino final adequado dos resíduos tóxicos, recuperação de trechos da reserva ecológica na qual o empreendimento está inserido, programas de educação ambiental e a preservação do patrimônio natural e arqueológico”, a salienta. De acordo com Lima (2000) também foram realizados vários tr

grafologia

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Autoria: Cleiton Cerutti

Grafologia

ÍNDICE : INTRODUÇÃO – HISTÓRICO – PRINCIPAIS USOS DA GRAFOLOGIA – AVALIAÇÃO GRAFOLÓGICA

INTRODUÇÃO

A Grafologia é uma ciência que visa fazer uma correspondência entre a grafia (letra) do sujeito e as suas características de personalidade. Os princípios básicos da grafologia são três:

1) Princípio neurológico:

Quando uma pessoa está começando a aprender a escrever ela tem que pensar nas formas de cada letra que ela irá representar graficamente. As crianças treinam a coordenação motora fina . Lembram do: ondinha vai – ondinha vem, quando passávamos o lápis sobre os pontilhados das mimeografias que a professora do pré-primário pedia pra gente fazer? A professora queria que nós automatizássemos o movimento da escrita. E foi isto que aconteceu. Hoje quando você escreve, você não precisa pensar em cada letra de cada palavra, você não precisa pensar na forma da letra “a” para poder escrevê-la. Então escrever entra na categoria dos “automatismos secundários” assim como andar, tocar instrumentos musicais, etc… Você faz sem ter que pensar, ou seja você não tem controle racional sobre escrever, pois isto é automático. Portanto existe uma relação neurológica com o processo da escrita.

2) Princípio Projetivo

Quando você escreve você “desenha” letras em um papel, portanto todo o simbolismo gráfico utilizado pelos psicólogos nas avaliações de personalidade através de desenhos também são utilizados em grafologia.

3) Social

Quando aprendemos a escrever temos um padrão previamente estabelecido que deve ser adotado. Tanto que quando a criança consegue reproduzir o padrão desejado (letra caligráfica, ou a letra da professora) ela é elogiada: – Parabéns! Muito bem! Que letra linda!, etc… E quando ela não consegue reproduzir o padrão desejado ela é critica: Que letra feia! Que caderno porco! Que letra suja! Você precisa treinar mais! Etc…
Com a passar dos anos cada um vai reeditando a própria letra, ou seja, vai criando a “sua letra”. Alguns se afastam muito do padrão e outros nem tanto. E estes dados são levados em conta na hora de uma avaliação grafológica.
E juntado tudo, ou seja: princípio neurológico, projetivo e social, nós temos um instrumento muito completo, profundo e confiável para a avaliação de personalidade de uma pessoa

A grafologia pode ser considerada uma ciência, tanto que na Itália há até um curso superior de Grafologia. Aqui no Brasil a grafologia não é ensinada em faculdades, portanto podemos ter falhas na formação de alguns grafólogos. A grafologia é uma ciência séria, porém corre-se o risco de termos grafólogos que não sejam sérios devido a dificuldade de controlar o uso profissional da grafologia no Brasil.

A Grafologia pode trazer muitos benefícios para uma pessoa, o principal ganho é o autoconhecimento, pois uma avaliação grafológica oferece dados claros e estruturados sobre aspectos de personalidade, potencial e sociabilidade. O sujeito que conhece os seus pontos fortes e fracos pode investir mais energia no primeiro e tentar trabalhar melhor o segundo.

HISTÓRICO

A ciência grafológica é mais antiga do que a Psicologia. Quanto aos seus primeiros estudos, não há registros para precisar, mas o estudo da escrita como ciência teve suas origens no século XVII na Itália, em 1628, com Camilo Baldi, que escreveu: ´Trattado Come Di Una Lettera Miseiva Si Conosccano La Natura e Qualitá Dello Escrittore.

Em 1871, o abade Jean Hipolito Michon, sistematizou um pouco mais a análise da Grafologia e foi um marco, escrevendo seu livro mais analítico: Systeme de Graphologie. Foi ele quem observou o princípio da universalidade das relações entre o cérebro e a escrita.

Em 1880 o Médico e Biólogo Francês e estudioso do assunto, Jean Jacques Cripieux-Jamin, retomando os estudos de Michon, estabaleceu os princípios da grafologia, classificando a escrita em gêneros e espécies grafológicas. A partir de então grandes nomes de outras ciências corroboraram com a ampliação e enriquecimento da análise grafológica, tais como: Ludwig Klages, Filósofo, Psicólogo alemão contribuiu com o estudo do nível de forma da escrita, descobrindo a ambivalência na grafia; Max Pulver, Psicólogo e Filósofo suiço discípulo de Jung, contribuiu com o simbolismo do espaço gráfico; W. Hegar, Grafólogo alemão contribuiu com o estudo do elemento de base o traço gráfico; Ania Teillard, Psicanalista francesa, discípula de Jung e de Klages, contribuiu com seus estudos sobre o indivíduo consciência e a escrita; Pophal, Médico Psiquiatra alemão especialista em doenças cerebrais, contribuiu com os estudos sobre as correlações entre a grafia e as partes cerebrais.

A utilização da Grafologia estendeu a várias partes do mundo e continuou a receber contribuições de outros profissionais como: Neurologistas, Psiquiatras, Pedagogos, Psicólogos, Caracteriologistas, oriundos da Alemanha, Itália, Suiça, Inglaterra, França, Espanha, Estados Unidos.

A Grafologia no Brasil teve sua primeira obra publicada em 1900, uma tese de doutoramento da Escola de Medicina da Bahia. A partir de 1930 foi aplicada na área clínica médica psiquiátrica. Somente a partir de 1960 iniciou-se sua utilização nas empresas como um dos meios para selecionar pessoas, mas com pouca divulgação.

A ciência grafológica tem seu valor internacionalmente reconhecido, sendo utilizada em larga escala pelas maiores empresas européias e norte-americanas nas áreas de recursos humanaos para selecionar pessoas, para desenvolver equipes, aconselhamento de carreira, consultorias. No Brasil começamos a assistir sua maior utilização a partir de 1985. A análise Grafológica nos fornece dados estruturais e situacionais do apreciado tais como: inteligência, traços de personalidade, habilidades, liderança, iniciativa, tomada de decisão, caráter, problemas de saúde, dependência de substâncias tóxicas, tendência a apropriação indébita, etc, etc.

A contribuição da Grafologia no mundo é reconhecida é lembrarmos a Société de Graphologie na França, fundada em 1871 por Michon e que foi reconhecida pelo governo francês como entidade de utilidade pública.

A Grafologia ou o estudo do grafismo é citada no livro ¨Manual de Psiquiatria¨ de Henri Ey, P. Bernard e C. Brisset, como ¨um fenômeno projetivo¨.

Hoje a Grafologia é usada em Recursos Humanos (em grandes empresas nacionais e transnacionais); na área Médica, Psiquiatria, Psicologia Clínica; área Criminal; na área de Orientação e Aconselhamento (Profissional, Vacocional, Matrimonial, Pré-nupcial).

PRINCIPAIS USOS DA GRAFOLOGIA

Orientação profissional e educacional.
Orientação matrimonial.
Autoconhecimento.
Falsificações
Grafoterapia
Diagnósticos médicos.
Na psiquiatria, é utilizada para o diagnóstico e acompanhamento do tratamento de diversas enfermidades, inclusive tendências suicidas e consumo de drogas.

Na criminologia, também é muito utilizada, para o conhecimento das tendências dos indivíduos, falsificações, etc.

Seleção de Pessoal, Promoções, Identificação do potencial :
As grandes, médias e pequenas empresas de todos os países desenvolvidos solicitam os serviços da grafologia para o estudo das aptidões e da idoneidade, a fim de promoverem seus empregados a cargos qualificados e selecionarem os candidatos a emprego. No Brasil, há alguns anos que foram substituídas as cartas de recomendação por informações grafológicas.

Vantagens da aplicação da grafologia nas empresas

1- Alto grau de acertos das conclusões tiradas; Um grafólogo experiente, sério e com um excelente conhecimento da grafologia, psicologia, psicopedagogia, cultura geral e específica, tem a probalidade de 90% de acertos, desde que a amostra (redação) seja feita conforme as exigências.
2 – Permite detectar traços da personalidade, não identificáveis em outros métodos;
3 – Comparativamente, apresenta um custo baixo e utiliza poucos recursos;
4 – O material utilizado pelo Grafólogo é muito simples. O avaliado só precisa fazer uma redação;
5 – A pessoa avaliada não precisa, necessariamente, estar presente para ser analisada. É até melhor fazer a Avaliação sem conhecer o candidato, para que não haja nenhuma influência subjetiva. A entrevista será feita depois.
6 – Exige pouco tempo do avaliado; O tempo necessário para a elaboração de uma redação.
7 – Seus resultados são autênticos pois é impossível ” preparar-se” para fazer um bom teste.
8 – Permite detectar, com profundidade, alguns traços da personalidade, não identificáveis por outros métodos.

Tais como:

Sinais de Desonestidade: mentira, cleptomania, mitomania, tendências suicidas, consumo de drogas, falsificações;

Aspectos Emocionais: auto-imagem, equilíbrio, autocontrole, administração das emoções e atitudes, impulsividade ou prudência, clareza de julgamento, paciência ou impaciência, auto- estima;

Aspectos da Inteligência: Inteligência viva, profunda, superficial, agilidade, flexibilidade de idéias, abstrata/concreta. Tipo de raciocínio: lógico- dedutivo (matemático), intuitivo ou os dois, se possui abertura intelectual para apreender atividades novas, reciclar os seus conhecimentos e usar a sua criatividade para adaptá-los à vida profissional, se a atenção é concentrada ou dispersa.

Postura profissional : Autoconceito, autocrítica; sabe se impor diante dos demais; sabe fazer seu “marketing pessoal”, é exigente consigo mesmo e com os outros; procura efetuar um trabalho de qualidade. Tem automotivação; iniciativa; esforço pessoal.

Os seus potenciais: segurança, autoconfiança; organização; observação de detalhes, visão geral, se é perfeccionista, qual é o nível de energia, eficiência; dinamismo, força de vontade ativa ou passiva; ritmo em suas atividades.

Aspectos da Comunicação e dos Relacionamentos Interpessoais

Inibição ou espontaneidade nos contatos e nas atitudes;
expressão verbal,
clareza de idéias,
fluência,
persuasão,
agressividade introversão/extroversão;
consideração às pessoas a sua volta;
sociabilidade,
diplomacia;
fácil/difícil adaptação;
maturidade;
ingenuidade/perspicácia;
Outros Aspectos: Lealdade, comprometimento; visão de conjunto; exigências, críticas, assertividade, planejamento, improvisação, autoridade; se estabelece contatos; cumpre prazos; aprecia desafios; se tem atitudes reativas ou pró-ativas; senso de oportunidade; se é combativo, tenaz para enfrentar os problemas; iniciativa; audácia e arrojo profissional. Autonomia, independência, como reage às regras da empresa, se tem poder de decisão, se gera receita para a empresa, se tem sentido prático, perseverança em suas ações, seu nível de eficiência;

Temperamentos: Quais os cargos ou profissões mais indicados para o temperamento do autor; as combinações dos temperamentos e Compatibilidade de gênios entre chefias, pares, parcerias ou sócios. Como conviver, o que mais irrita, quais as ocupações, sugestões, comportamentos e lazer adequados para o tipo.

A grafoterapia pode ser aconselhada nos seguintes casos:

Correção da auto-imagem negativa ou do fracasso
Correção de estados de angústia, depressão ou ansiedade
Correção dos defeitos de atenção e memória
Correção da vontade (instável, indecisa…)
Correção de certos defeitos de conduta moral
Correção de tendências hipocondríacas
Por exemplo:

Imaginemos uma pessoa “correta” moralmente, mas com traços de baixa energia interna, vontade geral e segurança pessoal frágeis.

O traçado de sua escrita será: letra pequena, falta de pressão, pequeno espaço entre as letras e as palavras, hesitação, lentidão, inclinação para a esquerda, traços finais regressivos, espaçamentos desproporcionais, letras maiúsculas pequenas, zonas inferiores curtas, linhas descendentes, barras do ” t “quase inexistentes etc.

É muito difícil uma pessoa ter tudo isto, é apenas um exemplo.

Para se modificar os traços desfavoráveis do seu temperamento, pode-se recomendar:
que ela começasse, colocando uma pontuação mais alta, que fizesse predominar as curvas nas letras e que tornasse sua escrita mais ligeira, mais espaçada, mais aberta etc.

Num segundo momento, quando já tiver uma significativa mudança no traçado e adquirido um automatismo na execução da escrita, poderíamos recomendar: que mudasse ainda mais produzindo uma escrita mais arredondada, estruturada, rápida, nutrida, apoiada, alinhada, com as letras normalmente prolongadas para baixo e com as barras dos “t” mais firmes…

A AVALIAÇÃO GRAFOLÓGICA

O sujeito a ser avaliado deve escrever um texto de próprio punho com no mínimo vinte linhas em um papel sulfite branco sem pauta e sem margens. O texto deve ser uma criação espontânea do sujeito e não uma cópia. Ao final o sujeito deve assinar e se tiver por sua rubrica.

A avaliação grafológica é na verdade uma avaliação psicológica. Nela teremos dados sobre: personalidade (como o indivíduo é), sociabilidade (como o indivíduo se relaciona com as pessoas) e potencial (os talentos e os adjetivos que o indivíduo possui que podem ser usados como ferramenta de trabalho e de resolução de problemas)

Abaixo segue alguns itens que podem ser identificados através de uma avaliação grafológica:

Adaptação a normas e valores
Afetividade e Sensibilidade
Autenticidade
Auto-imagem
Capacidade crítica
Capacidade de análise e síntese
Capacidade de planejamento e organização
Clareza ou confusão mental
Comunicabilidade
Controle emocional
Criatividade
Dinamismo
Estabilidade e constância de caráter
Ideais
Impulso Vital ( energia produtiva)
Indícios patológicos
Iniciativa ou passividade
Inteligência
Interesses e preocupações
Liderança
Maturidade
Necessidade de auto-afirmação
Necessidade de contato
Originalidade
Perseveração
Qualidade e precisão
Relacionamento Interpessoal
Rendimento no trabalho
Resistência à frustração
Ritmo produtivo
Sinceridade ou dissimulação
Sociabilidade
Tipo de raciocínio
Pode-se aplicar a avaliação grafológica em qualquer pessoa que saiba escrever e faça isso de forma automática, ou seja, que não precise “pensar” para escrever. Pessoas analfabetas ou que foram alfabetizadas, porém tem muita dificuldade em escrever, pensando na forma de cada letra e fazendo isso muito lentamente não podem ser submetidas a uma avaliação grafológica.

Helena – O Eterno Feminino

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Autoria: Marlene Aparecida

HELENA, O ETERNO FEMININO

Pág. 9. O mito do rapto de Helena é universalmente conhecido, mas em regra, quando se fala da rainha de Esparta, o ângulo investigado é o de sua sedução por Páris, dito também Alexandre, príncipe troiano, filho de Príamo e Hécila, reis de Ilion.

Pág.10….a responsável pela sangrenta Guerra de Tróia (…) qualidade de imortal e de deusa espartana, a seu pedestal de glória, na Ilha dos Bem-aventurados.

Pág. 11. É simplesmente impossível falar da mulher grega de maneira genérica, e isso porque a grosso modo, jamais existiu um Grécia Antiga independente que fosse jurídica, política e socialmente constituída…

Pág. 12… a mulher de Creta era detentora dos mesmos direitos que os homens…

Pág. 13. Na Ilíada e Odisséia (…) existe uma pequena mas encantadora galeria de matizados e apaixonantes retratos femininos…

Pág. 16. O homem prudente une-se a uma mulher comprada, uma escrava que pode enxotar a qualquer momento, e não a uma legitima esposa que possui direitos vagos, porém incontestáveis.

A Idade Lírica (…) a mulher volta a ser o centro das atenções, positiva ou negativamente, ao menos na poesia.

Pág. 17. O poema nos aponta dez tipos diferentes de mulheres, todas indesejáveis, com exceção do ultimo: a mulher suja descendente da porca; a mulher astuta e velhaca procede da raposa; a má e questionadora, da cadela, (…) e por fim a honesta e desejável provém da abelha.

Quanto ao homem, atribui-se a sua criação nos primórdios, ao ser inteligente, sem concurso de mulher.

Pág. 19. … as jovens de Lesbos dedicavam-se com afinco aos esportes atléticos, quando não para conservarem a beleza do corpo, a graça e os encantos femininos.

… para um pais como a Grécia, em que a mulher semi-analfabeta passava o tempo no gineceu ocupando-se do tear e da roca; a “residência das discípulas das musas” foi uma iniciativa corajosa e arrojada (…) a poetisa, a mulher, por sua independência e cultura, tornou-se alvo fácil das chicotadas machistas e conservadoras dos poetas da comédia Ática.

Na poesia de Péricles, a menina já vinha ao mundo como indesejável. O ideal seria que o casal tivesse logo um menino (…) se casando jovem passava a participar do culto familiar do marido…

Pág. 26. Para evitar famílias numerosas e problemas com filhos ilegítimos, praticavam em Atenas a exposição e o aborto, genericamente tidos como legais.

Pág. 28. …o casamento era sempre do homem (…) do qual não participava a mulher, portanto esta em Atenas não tinha direitos, nem políticos, nem jurídicos…

Pág. 29. …os jovens atenienses se casavam por conveniência religiosa e social, e não por gosto…

Pág. 33…. o grego não inovou em matéria de repressão à mulher particularmente no que tange ao matrimonio…

Pag. 35. A função primeira da mulher é dar ao marido um herdeiro, talvez um casal…

Pág. 39. …três ocasiões em que a mulher estava autorizada a ausentar-se do lar: para comparecer a uma festa, para fazer determinadas compras ou para o cumprimento da obrigações religiosas.

Pág. 40. Na literatura, Eurípedes (…) tentou mostrar aquilo de que a mulher era capaz no amor e no ódio (…) como diz Medeia (…) “O coração tem razoes que a própria razão desconhece”(…) das dezessete tragédias euripedianas chegadas até nós, doze são de nomes femininos e treze tem como protagonista uma mulher”.

Pág. 42… a vida de um só homem vale mais que a de milhares de mulheres (Eurípedes, JA, 1394)…

Pág. 44. Um casamento sem amor, apenas para perpetuar a família, fatalmente levaria o ateniense para outros braços (…) as concubinas e heteras…

Pág. 47. .. em Atenas concubinas e heteras eram muito mais amadas do que a esposa legítimas.

Pág. 49. …a mulher espartana é outra vítima de uma estrutura social caduca e ultraconservadora (…) os casamento eram realizados no interior de um mesmo grupo social…

Pág. 51. Mas algo muito estranho ocorria no casamento espartano, cortava os cabelos da jovem e a travestia, com trajes e calçado masculino.

Pág. 52… o travestismo era rito de passagem (…) tinha assim um valor positivo e benéfico: cada um dos sexo adquiria com ele as energias do sexo oposto.

Pág. 53. …As jovens gregas, pouco antes do casamento ofereciam um mecha de cabelo a um deus, a um herói ou a uma heroína (em Esparta era a cabeleira toda). O sentido simbólico desse rito é o de separação, do individuo com a vida profana, para penetrar no sagrado.

Pág. 57. A grande pedagogia espartana resumia-se em ensinar a criança a obedecer sem discutir, a falar estritamente o necessário (…) a suportar pacientemente a fadiga e a perseguir sempre a vitória…

Pág.63. …a mulher grega ainda foi obrigada a enfrentar a concorrência do homossexualisamo…

Pág. 66. Existem pedaços de Helena dispersos por toda a literatura grego-latina e nas obras que tratam de seu mito, inclusive nos dois primeiros volumes de nossa Mitologia Grega.

Pág. 67. O nascimento de Helena foi cercado de acidentes. O nascimento complicado é característica comum a toda a constelação de heróis e heroínas.

Pág. 71… Nêmesis pôs um ovo que foi escondido num bosque, era a semente depositada no seio da terra. O ovo encontrado por um pastor, foi entregue a Leda, consorte de Fíndaro. A princesa o guardou num cesto e, devido tempo nasceu Helena, para os homens a bela das mulheres e o mais grave dos destinos. Tradição que faz de Leda mãe de Helena, metamorfoseada. Também em gansa, acrescenta que Zeus, igualmente em forma de uma ave – um cisne fê-la pôr um ovo, do qual nasceu Helena.

Pág. 71. Segundo uma outra versão, foram dois ovos: de um nasceu Helena e Pólux, imortais; do outro Castor e Clitemnestra, mortais.

Pág. 72. Pela Ilíada se sabe que Helena é filha de Zeus, mas acerca de sua mãe nada se diz (…) a Guerra de Tróia foi considerada pelos Aqueus como uma expedição para vingar o rapto de Helena.

Pág. 73. Troianos e Aqueus lutavam por Helena, a Nêmesis que os punia…

Pág. 73. …A Ilíada (…) herói é Aquiles e a heroína Helena.

Pág. 74. Do casamento de Helena com Menelau teria vindo ao mundo apenas uma filha, Hermiona…

Pág. 75… O gênio de Homero nos oferece em sua Ilíada uma Helena desvinculada de Nêmesis e vitima de Afrodite , embora a idéia de punição permaneça subjacente.

Pág. 76. Através do mito, da epopéia homérica e da literatura clássica grega é possível seguir a evolução de Helena, de deusa a heroína e desta a uma simples mulher adultera e criminosa (…) iniciando sua carreira como gran mãe cretense, Helena chega a Homero através da civilização creto-micênica como heroína e herdeira da apoteose. Converte-se em simples mulher, oscilando entre a fidelidade e a tropeza, entre Penélope e a cadela traidora, no dizer de Eurípedes, uma consumada adultera, um espécie de Frinéia aristocrata…Apenas a conservadora Esparta e alguns outros locais em geral, laconizados, teimaram em manter-lhe o culto e invocá-la como deusa…

Pág. 77. … diz Alsina que o mito de Helena é de origem cretense, isto é, que a futura rainha de Esparta é uma grande mãe. Helena e tantas outras, em função de transformações políticas, sociais e culturais decaíram de seu pedestal de deusas, transformando-se em heroínas, ou foram rebaixadas à condição de princesa ou até mesmo de simples mulheres…

Pág. 79…. o culto à deusa Helena foi sobremodo difundido na antiguidade clássica.

Pág. 80. Helena foi raptada na realidade, tr|ês vezes: a primeira aos sete anos, por Teseu; a segunda por Afidno e a terceira por Páris ou Alexandre.

Pág. 81. … levaram até Roma a Helena dos vales helênicos, ecoando-lhe, no entanto, como se a de mencionar, particularmente o adultério e a responsabilidade pela ruína de tróia.

Pág. 82. Ela própria, refletindo sobre as desgraças que trouxera a gregos e troianos, amaldiçoa seu destino e se julga digna de castigo.

Pág. 83. A catarse da heroína atinge o clímax quando ela saudosa da pátria e do marido, enxerga que Páris é tão comente beleza e sensualidade.

Pág. 84. …ligação entre Alexandre e Helena, apoiada unicamente na atração carnal.

Pág. 88. … o grande épico, na Ilíada e na Odisséia jamais a acusa frontalmente de haver provocado a Guerra de Tróia.

Pág. 89…. Helena mítica, transformada em heroína ou, mais precisamente, em autentica mulher nos poemas homéricos agiu irrefletidamente sob o impulso de Afrodite.

Pág. 90. …uma nova mentalidade social, política e cultural, brilhou no horizonte da Hílade pós-homérica… Helena, descendo o ultimo degrau da escada de ouro que ligava o Olimpo à terra dos mortais, teve seu mito racionalizado e converteu-se em mulher-desejo, em mulher-sexo, quando não em adultera e cadela traidora… Páris, tendo raptado Helena, navegou célebre em direção a Tróia, mas ventos contrários fizeram-no aportar no Egito…

Pág. 98. em Andrômaca, Helena é a lacedemônia pervertida e depravada…

Pág. 99. As torianas marcam ainda mais a aversão do poeta pela adultera rainha de Esparta.

Pág. 104. A deusa dos espartanos era tão somente uma criminosa e adultera indigna de uma imortalidade gloriosa e merecedora de morte infamante (…) Hera, a protetora dos amores legítimos, ferida em sua majestade e orgulho com o julgamento de Páris, fez que este levasse para Tróia não a verdadeira Helena, mas seu ‘corpo astral’.

Pág. 106…. Helena, após a morte receberia como recompensa a apoteose, que seria cultuada como deusa, e que o ínclito Menelau habitaria a Ilha dos Bem-aventurados, Teoclímeno fecha a tragédia com um hino de louvor à mais corajosa casta e digna de todas as mulheres.

Pág. 109. Helena é, a nosso ver, uma peça política em prol da paz, jamais uma desefa da mulher (…) para explicar o rapto da mais bela das mulheres, a rainha de Esparta ou foi coagida, ou vencida pelo poder da palavra, ou enfeitiçada pelo amor.

Pág.111. …na questão de seu rapto Alexandre, o orador deixa claro que o seu objetivo não é justificar o procedimento de Helena, mas sim fazer-lhe tão somente o elogio.

Pág. 112. O rapto da rainha espartana acabou-se sendo altamente benéfico, por ter livrado os gregos de uma escravidão que de outra forma os bárbaros lhes haveriam imposto. Graças a Helena, os desregrados Aqueus se uniram e sobre as cinzas de Tróia, pode então a Europa pela primeira vez erguer um troféu no coração de Ana…

Pág. 113. Morto Páris, por uma flecha de Tiloctetes, Helena foi obrigada a unir-se a Deífobo (…) a beleza divina de Helena era capaz de desarmar qualquer ódio dos mortais, habituados que estavam ao belo em outra dimensão…

Pág. 114. …a presença da heroína no Egito é uma constante quer sozinha, quer em companhia de Páris e mais tarde do esposo.

Pág.115. Mais tarde, terminada a Guerra de Tróia, Menelau encontrou-a no Egito. Nem mesmo após sua morte ou gloriosa apoteose, a rainha de Esparta se libertou dos poetas e escritores gregos e latinos.

Pág. 124. Bem mais benévolo foi Goethe no tratamento dispensado à antiga deusa da vegetação, à heroína micênica, a mulher Helena, à beleza imprescindível do eterno feminino. Se a beleza em si é de pouco apreço, porque efêmera quando vinculada ao amor é o belo perene, que a tudo transcede. O poeta não atrela ao tempo, nem o mito, por ser um perene recomeço. Nem Helena, a mulher, por ser a matriz da vida, a fonte da criação, bem mais próxima de Deus.

Pág. 121…. entre muitos poetas modernos Helena continua sendo sua caminhada, às vezes parecendo que o sangue de Tróia nunca foi expurgado…

Pág. 126. Um aspecto que aflora da análise diacrônica do mito e da personalidade literária de Helena, é seu lento, mas progressivo descenso, de deusa da vegetação, para uma simples mulher, bela e fatal.

Pág. 129. A Helena todavia, por ser mulher, símbolo da reprimida, considerada incapaz, foi a pouco descendo de seu pedestal de filha de Zeus e de rainha de Esparta para converter-se não só na principal responsável pela Guerra de Tróia, mas também numa cadela traidora, num impudica mulher de muitos maridos, uma concubina de reis e príncipes. A cobiça expansionista das duas principais polis da Grécia (…) cujo trágico desfecho dói a Guerra do Poloponeso.

Pág. 130. Como adultera Helena era a esposa do atrida Menelau (…) Helena é a mulher de muitos homens e Menelau o poltrão, o pusilânime, o que se deixou vencer pelos seios desnudos da Frinéia da Lacônia. Helena (…) voltou a compartilhar do néctar e da ambrósia dos imortais (…) Esparta soube honrar a sua deusa, erguendo-lhe um templo e mantendo-lhe um culto permanente. Estava fechado o uróboro. Os deuses também repousaram.

Fonte:

HELENA, O ETERNO FEMININO – BRANDÃO, Junito de Souza. Petrópolis:Vozes, 1989

Lazer e Jogos

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Autoria: Laura Wanderley

Lazer e Jogos

I – Introdução

A palavra “lazer” vem do latim licere: “ser lícito”. Significa na língua portuguesa “descanso, folga, ócio”.

O lazer tem se mostrado um tema de grande importância a ser estudado, graças as suas qualidades que são proporcionadas a vida do indivíduo.

Tem funções educativas, de ensino, integrativas, recreativas, culturais e compensadoras, produzindo descarga e eliminação de cansaço psíquico das tensões e estresse e assegurando a tranqüilidade.

O lazer pode ser promovido no trabalho (mesmo sendo em minoria), com a família, ou sozinho, em qualquer lugar que seja considerado prazeroso ao individuo e propicio ao seu descanso.

Promove um fator fundamental no aumento do turismo como forma de relaxamento e descontração (o turismo de lazer), e da procura de hotéis que não sejam apenas para se passar a noite e sim aqueles que proporcionam um momento de lazer, de descanso e prazer para seu cliente e seus possíveis acompanhantes.

Os jogos competitivos e cooperativos podem ser meios para o consumo do lazer, cada um com suas propriedades de importância em sua prática, porém apresentando conteúdos totalmente diferentes.

II – Desenvolvimento do tema

1. Lazer

1.1 – O que é lazer?

Para o sociólogo francês Dumazedier,1976, o lazer é um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se, ou ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais(http://www.cds.ufsc.br/~valmir/cl.html).

Camargo,1989, considera lazer um conjunto de atividades gratuitas, prazerosas, voluntárias e liberatórias, centradas em interesses culturais, físicos, manuais, intelectuais, artísticos e associativos, realizadas num tempo livre roubado ou conquistado históricamente sobre a jornada de trabalho profissional e doméstico e que interferem no desenvolvimento pessoal e social dos indivíduos( http://www.cds.ufsc.br/~valmir/cl.html)

Segundo Rolin,1989, o indivíduo se libera à vontade do cansaço, repousando; do aborrecimento, divertindo-se; da especialização funcional, desenvolvendo de forma intencional as capacidades de seu corpo e espírito(http://www.cds.ufsc.br/~valmir/cl.html).

Para a geóloga Mônica Lopes Gonçalves,lazer é ócio, descanso, folga e pode se dar de várias formas: contemplação, esportes (inclusive caminhadas), gastronomia, cultura e aquisição de bens (http://an.uol.com.br/jville2002/pg04.htm)

Rodrigues,1999,relata que um dos conceitos de lazer pode ser o de se praticar alguma atividade prazerosa durante um determinado tempo do dia. Essas atividades podem ser desde ler um livro, ver TV, ouvir uma música, até dançar, fazer um cooper, jogar boliche, tenis…. O importante é que se pratique uma atividade de lazer ao, dia.

(http://www.leisurerecreation.com.br/lazer.htm)

Para Dahl, o lazer de que as pessoas precisam, não é tempo livre, mas espírito livre.

O lazer se traduz por uma dimensão privilegiada da expressão humana dentro de um espaço de um tempo conquistado, materializada através de uma experiência pessoal criativa, de prazer e que não se repete no tempo/espaço, cujo eixo principal é a ludicidade. Ela é enriquecida pelo seu potencial socializador e determinada, predominantemente, por grande motivação intrínseca e realizada dentro de um contexto marcado pela percepção de liberdade. É feita pelo amor, pode transcender a existência e, muitas vezes, chega a aproximar-se de um ato de fé. Sua vivência está relacionada diretamente às oportunidades de acesso aos bens culturais, os quais são determinados, via regra, por fatores sócio-político-econômico e influenciados por fatores ambientais (Bramante,1998).

Goldbey considera que o lazer é um espaço onde se vive uma relativa liberdade em relação às forças compulsivas externas do ambiente físico e cultural, de forma a ser capaz de agir também a partir da vontade interna em caminhos que são pessoalmente agradáveis e que intuitivamente valham a pena.

Para Sturion e Cabral (2003),nas relações modernas o lazer se apresenta como um elemento central da cultura das sociedades, o homem busca ansiosamente transformar o resultado do seu trabalho árduo em algo que lhe traga compensações prazerosas.

(http://www.faculdade.nobel.br/?action=revista&id=32).

1.2 – Atividades de lazer

A realização de qualquer atividade de lazer envolve satisfação de aspirações dos praticantes, tendo em mente procurar atender as pessoas no seu todo.

A escolha está diretamente ligada ao conhecimento das alternativas que o lazer oferece, dividido em áreas fundamentais que são:

O campo de domínio dos interesses artísticos é o imaginário (as imagens, emoções e sentimentos; seu conteúdo é estético e configura a busca da beleza e do encantamento). Abrangem todas as manifestações artísticas, como ir ao teatro, cinema, museu, a uma exposição de arte.

Já os interesses intelectuais, o que busca é o contato com o real, as informações objetivas e explicações racionais. A ênfase é dada ao conhecimento vivido, experimentado, como na leitura de livros, de revistas, de jornais, participação de cursos, participação de eventos relacionados à profissão atuante.

No campo dos interesses físicos são todas as atividades onde prevalece o movimento, ou o exercício físico, incluindo diversas modalidades esportivas que podem ser práticas esportivas, passeios, pesca, ginástica, caminhadas.

Já os interesses manuais, são as capacidades de manipulação, quer para transformar objetos ou materiais, quer para lidar com a natureza como a prática do artesanato, da bricolage, jardinagem, cuidado com os animais.

Nos interesses turísticos, a quebra da rotina temporal e espacial pela busca de novas paisagens, de novas pessoas e costumes são as aspirações mais presentes. Alguns exemplos são passeios, viagens, excurções escolares, acampamento, ecoturismo.

Nos interesses sociais do lazer, o fundamental é o relacionamento, os contatos face-a-face,o contato social propiciado nos bailes, bares e cafés, boates, churrascos, festas.

O ideal seria que cada pessoa praticasse atividades que abrangessem os vários grupos de interesses, procurando, dessa forma, exercitar, no tempo disponível, o corpo, a imaginação, o raciocínio, a habilidade manual, o contato com outros costumes e o relacionamento social, quando, onde, com quem e da maneira que desejar.

Também há propriedades de diferenciação de atividades de lazer através de propriedades diversas. Elas são escolha pessoal, gratuidade, prazer e liberação.

Na escolha pessoal se refere ao peso que os determinantes sociais, culturais, políticos e econômicos sobre todas as atividades do cotidiano, inclusive sobre o lazer. Há uma influência da mídia e dos amigos.

Porém, há um grau de liberdade nas escolhas dentro do lazer, maior que nas escolhas no trabalho, no ritmo familiar, na vida sócio-religiosa e sócio-política.

Por livre escolha do lazer entende-se assim a existência de um tempo precioso onde pode exercitar com mais criatividade as alternativas de ação ou de participação.

No que se refere a gratuidade,é importante ressaltar que nem todo lazer é gratuito e desinteressado. Toda ação obedece a algum interesse, mesmo que disfarçado. Como exemplo, sonhar com o sucesso ao cantar ou dançar em frente ao espelho; escrever e esperar que alguém o reconheça como um grande escritor.

O lazer nunca é inteiramente gratuito, mas é um tempo onde se pode exercitar o fazer-por-fazer, sem que necessariamente haja um ganho financeiro em vista ou um preço a pagar.

As atividades de lazer são hedonísticas, prazerosas, por isso tem uma propriedade de prazer em seu desenvolvimento. Porém,algumas observações são feitas para discutir aonde se encontra o prazer nestas circunstância, por exemplo, a criança ao fim de sua festa, o torcedor ao fim de um jogo em que seu time foi derrotado, o adolescente ao fim da festa que não ficou com ninguém.

O lazer é sempre liberatório de obrigações: busca compensar e substituir algum esforço que a vida social impõe, graças a isso a última propriedade é a liberação.

Esta é a propriedade mais óbvia do lazer. Para muitos trabalhadores com extenuantes jornadas de trabalho, mais transportes e obrigações domésticas, o lazer é compensatório, pois ajuda na liberação da fadiga e repõe energias para o trabalho no dia seguinte. Exemplos como ir ao clube para descansar das tensões da escola, andar de bicicleta ao final de um dia cansativo e cheio de preocupações.

Por mais interessante que seja o lazer, acaba sendo interrompido pelo sono.

1.3 – Barreiras e preconceitos no lazer

Falta de tempo;
Trânsito;
Casa;
Filhos;
Cansaço;
Falta de dinheiro e recursos;
Violência;
“Falta de opção”;
Stress;
Sedentarismo;
Preocupações;
Comodidade.
1.4 – Tempo de lazer

É verdade que as aspirações ao lazer na sociedade moderna, ainda estão concentradas nas classes sociais mais abastadas, o tempo livre destinado ao lazer é privilégio daqueles que detêm o poder do capital e conseqüentemente uma expressão social de destaque na sociedade. Enquanto que nas classes sociais mais altas o tempo livre é liberado com o acúmulo da riqueza produzida, nas classes menos abastadas, o pseudo tempo livre é liberado pelo subemprego ou desemprego, onde o indivíduo marginalizado pelo mercado de trabalho transforma este tempo livre em ações nocivas à sociedade, aumentando a violência e a marginalidade.

Naturalmente o lazer não está restrito a estes dois extremos, considerando como um todo, o tempo livre permite estabelecer a escolha de tipo de lazer para cada segmento social. Por outro lado, o mundo do desemprego, onde o tempo livre é imposto sem opções de capital, é traçado por ações violentas e de revolta por não encontrar soluções para seus conflitos. Todavia, nas classes sociais que permeiam estes dois extremos os indivíduos buscam satisfação no tempo livre disponível em ações prazerosas, que os aliviem da tensão social imposta pelo meio da rotina do trabalho e que geram stress e cansaço. Para essa outra área é que enfocamos nossa discussão, buscando elucidar em que o indivíduo hoje pode concentrar as atividades no seu tempo livre.

Para isto precisamos distinguir as relações e as interações entre tempo e o trabalho. Para muitos, lazer seria todo tempo livre disponível, sabemos,entretanto,que tempo socialmente ocupado com o trabalho familiar, tempo socialmente compromissados com práticas (políticas, religiosas e sociais), nem sempre pode ser chamado de tempo livre para lazer, da mesma forma que o tempo inocupado (desemprego, subemprego) gerado pela incapacidade da economia em fornecer formas de empregabilidade não pode ser considerado tempo de lazer. Lazer seria todo tempo livre ocupado em ações que são capazes de gerar satisfações e prazer, pessoal ou coletivo

Pode-se ter o tempo livre ocupado com ações que não geram satisfações ou prazer, às vezes levando ao tédio e ao stress, desta forma é importante frisar que o tempo livre, ou tempo livre ocupado, não é necessariamente caracterizado como tempo de lazer.

Nos últimos cinqüenta anos ocorreu um aumento considerável do tempo livre e uma redução da carga de trabalho, entretanto, este aumento de tempo livre não se transformou em tempo de lazer para todas as camadas sociais, apenas uma parcela deste tempo foi preenchido por atividades consideradas essencialmente de lazer. Para as classes mais abastadas ou para àquelas compostas de aposentados com um bom nível salarial, ou em países desenvolvidos onde o poder aquisitivo permite aproveitar este tempo livre em atividades de lazer, se observa esta realidade. O tempo de repouso permanece inalterado no decorrer dos últimos 150 anos e ocupa em média um terço do tempo total.

Comparando-se os três componentes do tempo total, verifica-se com facilidade a constante do tempo de repouso, o declínio no decorrer dos anos do tempo dedicado ao trabalho e o crescimento do tempo livre do homem, todavia não podemos nos equivocar e generalizar que este tempo livre tem o mesmo significado para todas as classes sociais, enquanto para as classes abastadas o tempo livre é quase totalmente dedicado ao lazer, para as classes sociais de menor poder aquisitivo este tempo livre significa desemprego e subemprego.

(http://www.faculdade.nobel.br/?action=revista&id=32).

2. Jogos

2.1 – O que é jogo?

Para Dhome, 2003,o jogo é uma atividade ou ocupação voluntária, exercida dentro de certos e determinados limites de tempo e de espaço, segundo regras livremente consentidas mas absolutamente obrigatórias, dotado de um fim em si mesmo, acompanhado de um sentido de tensão e de alegria e de uma consciência de ser diferente da vida quotidiana.

Bruneer relata que o jogo tem interpretação semelhante ao ato lúdico de poder criar situações exploratórias propícias para a solução de problemas.

(http://www.jogoscooperativos.com.br/entendendo_os_jogos.htm)

A teoria dos jogos é uma teoria matemática sobre conflito e colaboração, de situações nas quais se pode favorecer ou contrariar um ao outro,ou ambos ao mesmo tempo. Para alguns jogos, a teoria pode indicar uma “solução” para o jogo, isto é, a melhor maneira a proceder para cada pessoa envolvida. No entanto, na maioria dos jogos que descrevem problemas reais, ela só nos fornece uma visão geral da situação, descartando algumas “jogadas” que não levarão a bons resultados (http://www.mat.puc-rio.br/~inicient/3_jogos/index_jogos.htm).

Para Barros,1970,o jogo constitui uma atividade primária do ser humano. É principalmente na criança que se manifesta de maneira espontânea; alivia a tensão interior e permite a educação do comportamento, o aumento da coeficiência de auto-confiança e suficiência,a expansão do eu, e, ás vezes, a sublimação das tendências instintivas; faz as crianças agirem contra o medo; favorece o desenvolvimento físico, mental, emocional e social.

Segundo Gramigna,1993,o jogo é uma atividade espontânea, realizada por mais de uma pessoa, regida por regras que determinam quem o vencerá, ou seja, em sua concepção necessariamente deve haver um vencedor e um vencido. Nas regras do jogo, segundo ela, estão o tempo de duração, o que é permitido e proibido, valores das jogadas e indicadores de como terminar a partida”.

(http://www.jogoscooperativos.com.br/entendendo_os_jogos.htm)

Celso Antunes relata que o jogo é uma relação interpessoal definida por regras”,enquanto Falcão, 2003,que”Jogo é toda e qualquer interação entre dois ou mais sujeitos dentro de um conjunto definido de regras”e Gustavo Trípode que jogo é aprender a lidar com a competitividade existente dentro de nós. Compreender a competição e as emoções relacionadas a ela num ambiente assistido, no espaço da aprendizagem, é uma oportunidade para que as crianças passem a lidar com a realidade do mundo competitivo de maneira mais serena e equilibrada”.

(http://www.jogoscooperativos.com.br/entendendo_os_jogos.htm)

Jogo é toda brincadeira que tem objetivos competitivos, ou seja, no final, há sempre um vencedor; é algo estruturado e com regras e tem forma eficaz de aprendizado, de descanso, relaxamento, permite grande mobilidade física e imaginária, descobertas de coisas novas e de si mesma, forma de gastar energia, coordenação motora, pode-se trabalhar o respeito, a coletividade, a colaboração, estimulam o imaginário e iniciativa para solução de problemas e trazem satisfação e alegria.

2.2 – Classificação dos jogos:

2.2 – 1 – Jogos tradicionais infantis

Filiados ao folclore que incorporam a mentalidade popular, expressando-se, sobretudo, pela oralidade. Desenvolvem formas de convivência social e resgata a cultura.

Se dividem em :

a) Sociológico:

Influência do contexto social no qual os diferentes grupos de crianças brincam

b) Educacional:

Contribuição do jogo para a educação; desenvolvimento e/ou aprendizagem da criança.

c) Psicológico:

Jogo como meio para compreender melhor o funcionamento da psique, das emoções e da personalidade dos indivíduos.

d) Antropológico:

A maneira como o jogo reflete, em cada sociedade, os costumes e a história das diferenças culturais

e) Folclórico:

Analisando o jogo como expressão da cultura infantil através das diversas gerações, bem como as tradições e costumes através dos tempos nele refletidos.

(http://www.jogoscooperativos.com.br/entendendo_os_jogos.htm)

Exemplos: escravos de Jó, ciranda cirandinha, cabra cega, balança caixão, gato mia, etc.

2.2 – 2 – Jogos de regras

Estipulam normas as quais a criança ou adulto não pode violar. Caso isto aconteça, ela será penalizada. Ajuda no caráter e no senso crítico, coletividade, companheirismo e respeito. Os mais conhecidos são os jogos esportivos.

Com intervenções qualificadas, desenvolvem habilidades cognitivas como a quantificação e o cálculo, a percepção das relações espaciais, o planejamento e atitudes de respeito ao colega.

Exemplos: Carimbada, basquete, queimada, handbol, futebol, voley, tênis, etc.

2.2 – 3 – Jogos de faz-de-conta

A criança imagina viver uma situação, estimulando a criatividade e a imaginação. Envolvem brincadeiras em que os participantes imitam situações, animais, etc.

Exemplos: casinha, bang-bang, mocinha e vilão, * gavião, a galinha e os pintinhos, etc.

*Gavião, galinha e os pintinhos

Um dos jogadores é o gavião, o outro a galinha e os restantes são os pintinhos. Ficam todos em linha, uns atrás dos outros, colocando as duas mãos sobre os ombros do que lhe está em frente. À testa de todos se acha a galinha. O gavião, que permanece afastado, aproxima-se dos pintinhos, procurando roubar um ou mais deles. Para isso, ora salta, ora corre, negaceia com o corpo, etc. A missão da galinha é defender os pintos, pondo-se sempre em frente ao gavião, embargando-lhe o passo. Os pintinhos obedecem aos manejos da galinha, imitando-a em tudo quanto fizer, sem jamais saírem da ordem em que ficaram colocados, mesmo no caso em que tenham de desprender as mãos dos ombros do companheiro em frente.

Se, por acaso, conseguir o gavião agarrar um dos pintos, todos os outros que ficarem depois desse lhe pertencerão; e, tornando-se gaviõezinhos são obrigados a imitar o gavião. Decorrido algum tempo, se vir que o gavião não consegue apanhar nenhum pinto, outro o substituirá (Pimentel,1959).

2.2 – 4 – Jogos de construção

Destina-se ao livre manuseio de peças onde a criança constrói o seu mundo. Ajuda na expressão do imaginário no desenvolvimento afetivo e intelectual.

Jogos que pressupõem a construção de algo, como exemplo, um brinquedo.

Exemplos: Lego, Zimfarm (jogo de administrar uma fazenda), Simcity (jogo de construir uma cidade), dominó, etc.

2.3 – Teoria sobre a origem dos jogos

O jogo é uma atividade típica do homem. O homem inventa jogos e se diverte com eles desde que se tem conhecimento de sua existência.

Para PIAGET, a atividade lúdica surge, inicialmente sob forma de simples exercícios motores. Sua finalidade é o próprio prazer do funcionamento. No período entre dois e seis anos, a tendência lúdica se manifesta sob forma de jogo, a criança tenta reproduzir as atitudes e as relações predominantes no seu meio ambiente; ela será autoritária ou liberal, carinhosa ou agressiva, conforme o tratamento que recebe dos adultos com os quais convive. Dos sete aos doze anos, conforme PIAGET, as crianças aprendem o jogo de regras, que predomina durante toda a vida do indivíduo. Esta é uma conduta lúdica, que supõe relações sociais, pois as regras são controladas pelo grupo, sendo que sua violação é considerada uma falta. Para ele, o jogo na criança, inicialmente egocêntrico e espontâneo, via se tornando cada vez mais uma atividade social, na qual as relações interindividuais são fundamentais.

Sabe-se que impressões arqueológicas e pinturas rupestres demonstram a existência de certos jogos na antiguidade. Fala-se dos jogos entre os gregos, romanos e incas, e traz a década de 1950 como marco histórico: a introdução dos jogos simulados como instrumentos de aprendizagem, nos Estados Unidos.

Os gregos deixaram para a humanidade um legado único na história de todas as civilizações: o esporte. Não só diversas modalidades de competição que acabariam por tirar o sentido trágico das arenas que sacrificavam pessoas, como a noção da integração dos povos a partir das competições esportivas.

A cada quatro anos, os gregos das mais diversas cidades-estado reuniam-se na cidade de Olímpia para a realização de várias competições esportivas. O evento era, por isso, chamado de Jogos Olímpicos ou Olimpíadas.

Os jogos funcionavam como uma celebração em honra a Zeus, o mais importante deus grego. O evento incluía provas de diversas modalidades esportivas, muitas delas ainda hoje praticadas em todo o mundo, como corridas, saltos, arremessos e lutas corporais.

Para a Grécia, os Jogos Olímpicos tinham tamanha importância que chegavam a interromper as guerras entre as cidades, num ritual conhecido por trégua sagrada. O argumento era para não prejudicar a realização das competições.

O significado ia além. Todos os atletas que participavam das competições eram considerados em toda a Grécia invioláveis como pessoa. Diferentemente de hoje, quando se distribui três categorias de medalhas – ouro, prata e bronze – o prêmio para os vencedores era uma simples coroa, feita com ramos da árvore oliveira.

Mesmo sem valor material, a coroa de louros, como era também conhecida, tinha um significado muito especial para cada atleta e, conseqüentemente, para sua cidade, pois representava principalmente a suprema glória para a alma grega.

Apesar de certa rivalidade entre as polis, os jogos funcionavam num contexto muito mais amplo, pois representavam a unidade do Estado grego. Enquanto isso, as cidades recebiam os atletas vitoriosos com grandes festas, construindo estátuas em homenagem aos vencedores.

Tempos mais tarde estes, os jogos Olímpicos foram abolidos por serem considerados pagãos em meados de 390 d.C. pelo imperador Theodosius.

Mas em 1894 um homem que lutou muito pela melhoria no sistema educacional de seu país, o francês Pierre de Coubertin, teve em seu estudo – Os exercícios físicos no mundo moderno – aceito após muito tempo de incompreensão, já que o estudo também sugeria a volta dos Jogos Olímpicos.

Após a aceitação de todos os congressistas, estava criado o COI (Comitê Olímpico Internacional). Sendo assim, logo em 1896 os Jogos Olímpicos voltaram a serem disputados e em seu país de origem. Já no século XX os jogos começaram viajar o mundo, sendo disputados em diversos países de culturas, costumes e crenças diferentes, espalhando cada vez mais o verdadeiro objetivo dos jogos: a união e igualdade entre os povos.

(http://mitosdagrecia.vilabol.uol.com.br/jogos_olimpicos.htm)

Em uma pesquisa realizada na Inglaterra, se constatou, que a causa maior de acidentes com crianças era a falta de espaço para brincar. Toda criança sã tem disposição para jogar e se não lhe proporciona local adequado, ela vai para a rua desprezando o perigo. A aspiração dos ingleses é que cada bairro possua um campo próprio para jogos instalado próximo a uma escola. Para a Inglaterra são os jogos que mantém a tradição

(http://www.agperformance.com.br/esporte.html).

Já na Alemanha, os jogos datam desde o século VXIII, onde serviam para resolver grandes problemas sociais da época.

Os jogos não só eram realizados ordinariamente no programa de trabalho, mas constituiam a principal atividade das festas escolares nas datas nacionais, pois John (1778 – 1852) julgava que os jogos são o melhor meio para quebrar as diferenças existentes entre as classes sociais.

FROEBEL (1782 – 1852) que junto com Pestalozzi que é considerado o pai da pedagogia moderna considerava que a educação mais eficiente é aquela que proporciona atividade, auto expressão e participação social das crianças.

Os franceses acreditam que a medida em que as massas são conquistadas pelos jogos, cresce o número de turmas esportivas e modifica o espírito dos jovens.

A Itália não acompanhou o progresso dos outros países europeus no que se refere aos jogos, por motivos políticos, somente a partir de 1900 é que vem se valorizando os jogos, após a criação da instituição “Instituzione dei Giovani esploratori”, que cuida para que o lazer seja preservado.

Nos Estados Unidos, a velha doutrina rígida e formal apenas tolerava os jogos, desconfiando do seu valor educativo, mas, graças ao progresso da psicologia, que vem mostrando que a motivação do jogo pode transferir-se para a motivação do trabalho e a vida em sociedade, acredita-se que o jogo proporciona saúde física e mental das crianças, do adolescente e do adulto.

(http://www.brazcubas.br/professores/sdamy/mfcnm02.html)

2.4 – Imaginário, criativo em jogo

Segundo Samulski (1998) criatividade é a capacidade de produzir novas ações (originais e inesperadas) ou ações apropriadas (úteis, adaptáveis sobre tarefas). Este mesmo autor conceitua inteligência, no contexto do jogo, como um pensamento estratégico, operativo e intuitivo cuja complexidade abrange processos cognitivos como a atenção, percepção, concentração, imaginação e memória. Estas duas capacidades, associadas aos conhecimentos de ordens técnicas, táticas e normativas dos esportes coletivos, constituem os pilares norteadores para a formação do jogador criativo.

Neste contexto, não se pode admitir um processo de iniciação esportiva, conforme afirma Korsakas (2002), que privilegie a exigência pela perfeição do gesto técnico e o rigor tático, ignorando as potencialidades e limitações individuais na medida em que oferece uma única possibilidade de resposta correta. Ao contrário disto, deve-se buscar oferecer uma ampla rede de atividades motoras que permita a cada jogador vivenciar experiências múltiplas de movimentos ao nível das habilidades motoras locomotoras, habilidades motoras não-locomotoras e habilidades motoras manipulativas, indispensáveis ao vocabulário motor do ser humano e que irão contribuir significativamente no ponta-pé inicial do processo de Educação Esportiva, que é a Educação Motora (desenvolvimento das habilidades motoras básicas e específicas). Como afirma Roth (2003) quem dispõe de uma plataforma ampla de experiências, percepções e emoções tem a vantagem de poder recorrer e procurar em um grande reservatório criativo, fornecendo um tipo de solo fértil para a formação do jogador criativo. Este trabalho deve ser realizado de forma lúdica implícita, privilegiando os aspectos socioeducativos de cooperação, participação e emancipação, porém não esquecendo de abordar aspectos técnicos, táticos e normativos dos esportes coletivos. Neste momento os jogos surgem como uma ótima alternativa pedagógica de ensino pois possuem um caráter lúdico e ao mesmo tempo podem agir como facilitadores para os jogadores compreenderem a lógica técnica-tática dos esportes coletivos. Neste contexto, Paes (2002) aponta o que ele denomina de “jogo possível” como um importante instrumento visto que o mesmo:

(…)”é um meio que permite aos professores promover intervenções no processo de educação dos alunos, possibilitando-lhes o aprendizado dos fundamentos e das regras; trabalhando em espaços físicos que possam ser adaptados e com o uso reduzido de materiais, permitindo a interação de quem sabe jogar com quem quer aprender. Afinal, o aluno não precisa aprender para jogar, e sim jogar para aprender. Além dos aspectos técnicos e táticos, o “jogo possível” pode ser facilitador das intervenções relativas aos princípios norteadores, aos valores e aos modos de comportamento de crianças e jovens” (…)

Porém, para que o “jogo possível funcione em toda a sua plenitude no sentido de desenvolver no jogador as capacidades de criatividade e inteligência contribuindo assim para a formação do jogador criativo, 4 elementos essenciais devem ser trabalhados: velocidade, antecipação, versatilidade e universalidade.

2.5 – Lazer no jogo

Vygotsky(1971) já dizia que jogo é uma atividade livre, conscientemente tomada como não séria e exterior a vida habitual, mas ao mesmo tempo capaz de absorver o jogador de maneira intensa e total. É uma atividade desligada de todo e qualquer interesse material, com a qual não se pode obter lucro, praticado dentro de limites espaciais e temporais próprios, segundo uma certa ordem e certas regras. Promove a formação de grupos sociais com tendência a rodearem-se de segredo e a sublimarem sua diferença em relação ao resto do mundo por meio de disfarces ou outros meios semelhantes, ou seja, explicando um pouco da ligação entre o Lazer e o jogo. Porém é importante ressaltar, também citado por Vygotsky, que nem sempre o jogo possui estas características, por que em certos casos “há esforço e desprazer” na busca do objetivo do jogo.

Os jogos são atividades que os participantes possuem uma maneira formal de proceder e estão sujeitos a regras. Se direcionados e conduzidos de maneira adequada, favorecem momentos de confraternização, participação e integração, aliviando o cansaço físico e mental, proporcionando um certo tipo de lazer a este indivíduo. Proporciona aos participantes entendimento das expressões como jogar, busca pela vitória, cooperação, aceitação da derrota e equilíbrio durante a realização das atividades, com os adversários de jogo ou companheiros.

Do ponto de vista da forma, pode-se definir o jogo em breves palavras como um momento de lazer, uma ação livre sentida como fictícia e situada à margem da vida quotidiana, capaz, contudo, de absorver totalmente ao jogador. Uma atividade desprovida de todo o interesse material e de toda utilidade, que acontece num tempo e num espaço expressamente determinados, desenvolve-se obedecendo a regras estabelecidas e suscita na vida as relações entre grupos que deliberadamente, rodeia-se de mistério ou acentuam mediante o disfarce, sua estranheza face ao mundo habitual.

Segundo Carvalho (1999), os jogos e brincadeiras representam um elo na construção de novos conhecimentos, estabelecendo um maior dinamismo e criatividade no processo de ensino-aprendizagem. A autora acredita que é necessário além de buscar um novo sentido para este processo, descobrir o elo de ligação entre a sala de aula e a realidade social em que se encontram inseridas as crianças, para que o ato de aprender deixe de ser apenas memorização ou repasse de conteúdos para ser a construção do conhecimento.

Oberteuffer e Ulrich (1977) consideram que uma pessoa, jogando, reage totalmente a experiência, expressando seu mundo interior e exterior.

A atividade diária, na residência, na escola, na rua e mesmo no trabalho, pode e ser considerada como um jogo. Quase sempre há uma competição ou uma imitação e sempre ocorre uma interação com o meio e um aprendizado, enfim, sempre há jogo.

(http://www.asselvi.com.br/natur/jogos_brincadeiras.php)

2.6 – Lazer no turismo

O turismo, em sua maior parte, é uma forma de lazer. Ele abriga a visita de praias, dunas , montanhas, camping, hotéis, pousadas, resorts, restaurantes, boates, festas típicas, entre milhares de outros. Tudo que leve um ser a sair de sua cidade local pode ser considerado turismo. E tudo que este ser fizer para obter um momento de descontração, conhecimento, relaxamento, diversão pode ser considerado como lazer. As cidades tanto brasileiras quanto estrangeiras oferecem todas as opções para proporcionar ao seu turista um momento de lazer. Porém o a relação de lazer e turismo, muda de acordo com os gostos e necessidades de cada indivíduo.

A melhor maneira para se explicar esta relação entre turismo e lazer é o próprio turismo de lazer. Categorizar turismo de lazer não é tarefa fácil. Muitas vezes em viagens de lazer o turista hospeda-se em hotéis comerciais. Ocorre também o contrário, ou seja, em viagens comerciais hospedar-se em estabelecimentos tipicamente de lazer.

Alguns dos melhores meios de hospedagem que podem ser apresentados e que possuem uma imensa proporção de lazer em uma estadia são Hotéis 5 estrelas, Balneários, Resorts, Hotéis Fazenda, Parque-Hotel, Pousadas Rurais (que instaladas em sítios ou chácaras não se caracterizam como Hotéis Fazenda), SPA´s, e também áreas de camping, organizadas e com infra-estrutura adequada ao seu conforto.

Através destes relatos é fácil entender a necessária conecção entre o Lazer e o Turismo, já que a sobrevivência do turismo se torna dependente de um momento de lazer de seus hóspedes.

(http://www.desvendar.com/turismo/lazer/default.asp)

2.7 – Lazer no hotel

Com o advento da tecnologia e com a competição cada vez mais acirrada entre as empresas e entre as pessoas na busca de reconhecimento profissional, que exige incansáveis horas de trabalho dos homens, houve a necessidade dos mesmos de passarem algum tempo em contato com o lazer e com o descanso, como forma de aliviar o estresse rotineiro.

Nada melhor para exemplificar o lazer no hotel do que os hotéis de lazer, que tem a finalidade de proporcionar às pessoas, juntamente com suas famílias, momentos de prazer, num ambiente totalmente voltado ao lazer e à diversão.

Os hotéis de lazer, na sociedade atual, são empreendimentos turísticos de grande importância, pois agem no intuito de integrar as pessoas, fazendo-as sair de sua rotina e a participarem de atividades em conjunto, tornando os homens mais sociáveis. Segundo estudiosos, o homem moderno está vivendo cada vez mais de maneira individualista, se empobrecendo social e emocionalmente. Participar de atividades conjuntas de lazer e recreação é uma maneira de reverter essa situação; pois estas ampliam os espaços para a vida social e conduzem as pessoas para a experimentação conjunta de sentimentos.

Os Hotéis de lazer podem contar então com:

Quadras de tênis (mais de uma, pois o esporte é praticado em duplas; e o máximo número de hóspedes deve ser contemplado ao requisitarem esse esporte);
Quadra poliesportiva (uma basta, pois vários esportes podem ocorrer na mesma durante o dia);
Quadra/ Campo de areia (indicada para modalidade de futebol de areia, vôlei de praia, frescobol, etc.; além de suprir a carência de esportes desenvolvidos na praia em hotéis longe do mar);
Campo de futebol society (um dos esportes mais requisitados pelo público masculino);
Piscinas (onde se desenvolvem as atividades voltadas principalmente para adultos: hidroginástica, pólo aquático, biribol; e também gincanas aquáticas infantis. Deve haver mais de três, pois uma deve ser reservada só para crianças – profundidade rasa – e enquanto há atividades em uma piscina, quem não quiser delas participar pode se relaxar nas outras livres de agitação);
Salão de jogos;
Salas de ginástica e musculação;
Sauna;
Espaço para shows e apresentações.
Para crianças: piscina infantil, playground e demais espaços físicos adaptados com dimensões reduzidas.
Porém para que as pessoas participem efetivamente das recreações existentes nos hotéis de lazer, estes terão que contar com profissionais qualificados (monitores de lazer), com uma vasta grade de programação para atrair diversos tipos de pessoas e também com uma infra-estrutura física que ofereça lugares apropriados para a prática de recreação.

Estudar os programas de lazer e recreação existentes hoje nos hotéis de lazer do Brasil é uma forma de qualificar a prestação destes serviços, bem como de aprimorar as práticas já existentes; para uma futura modelagem adequada de uma efetiva estrutura de lazer e recreação apropriada para o público brasileiro; segundo seus gostos e costumes.

As pessoas quando saem de férias, exigem o melhor. Hoje, um bom hotel de lazer, deve contar com uma programação de atividades recreativas ampla, segura e com profissionais competentes para realizá-la da melhor forma, satisfazendo as necessidades de lazer e diversão dos hóspedes.

O diferencial de um hotel de lazer para um hotel qualquer é a parte da recreação e esta deve ser completa para atrair e satisfazer cada vez mais os clientes que escolhem entre diversas atividades turísticas, um hotel de lazer.

Este projeto de estágio tem por finalidade estudar os programas de lazer e recreação dos hotéis de lazer do Brasil a fim de modelar/desenvolver uma estrutura completa de lazer e recreação, dentro dos padrões da sociedade brasileira.

Para proporcionar diversão a essa fatia de mercado e também para explorar o turismo no Brasil, estão surgindo com muita rapidez os resorts, ou seja, hotéis de lazer providos de grande infra-estrutura com o objetivo de oferecer aos hóspedes estadias com conforto e serviços agregados, entre eles, os programas de lazer e recreação.

Existem vários tipos de lazer e também existem várias personalidades unidas em um mesmo hotel. Um bom programa de lazer e recreação deve abranger, senão todas as pessoas, mas a grande maioria dos hóspedes; e para que isso aconteça as atividades contidas no programa devem ser as mais diversas possíveis.

O lazer se relaciona mais ao conceito de experiência. Modernamente, o lazer pode ser considerado como um fenômeno pessoal, com dois atributos básicos: a criatividade e o prazer. O lazer possui certa relatividade: uma sessão de hidroginástica, na piscina de um hotel, pode ser lazer para uns, mas não para outros. O que era lazer há poucos minutos pode já não possuir mais este significado, devido a existência de inúmeros fatores pessoais, ambientais e circunstanciais. Assim sendo, por mais que se recrie o ambiente de uma experiência de lazer bem sucedida, ela é sempre nova. Pode ser até mais enriquecedora, mas nunca igual.

Há vários tipos de atividades que podem ser desenvolvidas no contexto do lazer e da recreação em geral; porém sabemos que na hotelaria a recreação ativa é a mais habitualmente usada nas grades de programação.

Jogo é a atividade física ou mental organizada por um sistema de regras que apenas definem a perda ou o ganho. É um brinquedo, um passatempo, uma forma de divertimento.

Na hotelaria é a ferramenta mais usada para criar ludicidade; pois existem vários tipos de jogos e estes podem ser alterados a qualquer momento para trazer mais prazer.

Podemos subdividir os diversos tipos de jogos, segundo suas características principais:

Grandes Jogos: São aqueles que envolvem muitos participantes, com regras anteriormente estabelecidas; onde já existem normas pré-desportivadas, como exemplo, o voley, o futebol, entre outros.

Os jogos Ativos são aqueles que mantém a freqüência cardíaca mais alta, incluindo movimentação ampla, como exemplo, os piques (pique-pega, pique-esconde, pique-agaixa).

Os jogos para Aquecimento são aqueles que predispõem atividades subseqüentes mais intensas, como exemplo, as brincadeiras de mãos dadas.

Os jogos para Volta à Calma: São aqueles que mantém menor freqüência cardíaca, finalizando as atividades, como exemplo, os jogos que incluem mímicas.

Todos os jogos existentes no contexto da recreação em geral, podem ser desenvolvidos nos complexos hoteleiros; claro que algumas adaptações se tornam relevantes para se aumentar o número de participantes e para uma melhor integração dos mesmos.

Em programações amplas de lazer e recreação, é de fundamental importância a inclusão de jogos intelectuais. Estes jogos se baseiam na utilização de elementos cognitivos, tais como a inteligência, a memória, o raciocínio lógico e o nível de conhecimentos gerais. Os jogos intelectuais podem ser aplicados em quaisquer momentos circunstanciais, mas pode-se destacar: horário após o almoço, à noite, em climas extremos (alta e baixa temperatura) e para hóspedes que não gostam de praticar exercícios físicos. Estes jogos são democráticos, mas podem ser adequados às faixas etárias para nivelar o grau de conhecimento dos participantes. São jogos com elevado fator de socialização, sobre tudo quando realizados em sistemas “grupo X grupo”.

Os Jogos de Salão tem grande procura nos hotéis e estão entre eles a sinuca,as cartas, as damas, o bingo, o pebolim, o futebol de botão e tênis de mesa.

Podem ser executados em um hotel Grandes Jogos, Jogos Ativos, Jogos para Volta à Calma, Jogos para Aquecimento: Queimada, piques (pique-pega, de esconder, por tempo, pique-bandeira), frescobol, biribol (vôlei na água ), basquete aquático, béti, salve-cadeia, salve-latinha, dica, batalha naval, adedonha, imagem e ação, mímica de filmes, jogo dos nomes, banana boat, toboágua, passeios de bicicleta, gincanas, confecção de artes, desfiles temáticos e inúmeros outros.

2.8– O jogo e a criança

O jogo é uma necessidade infantil, tem uma finalidade educacional porque começa como exercício funcional. A criança que joga, torna-se um adulto preparado. O jogo tem um papel amplo: leva a criança a pensar (Macedo, 1991).

Conforme Mariotti (1996), os professores primários devem utilizar-se do jogo como meio para desenvolver as capacidades pessoais e sociais, permitindo a criança manifestar-se com liberdade e que no jogo espontâneo as crianças protagonizam situações criativas e escolhem ser as promotoras e condutoras das atividades que realizam.

TEIXEIRA e MAZZEI (1967), colocaram os jogos como base na educação física da criança, sendo uma atividade formativa bio-psico-espiritual imposta pela própria natureza servindo de motivo para atividades absolutamente indispensáveis na obra educativa. No desenvolvimento, um seguro natural que serve para despertar as capacidades de educando, cria situações através das quais o indivíduo revela o seu caráter e descobre sua alma permitindo intervenções diretas e oportunas.

Já Piaget coloca 3 níveis necessários para a criança passar da ação à operação ( dos 2-3 anos aos 6-7 anos), onde ela ultrapassará certos obstáculos por 5 ou 6 anos. Seria o período pré-operatório. Ela precisa concluir o processo de reconstituição de acontecimentos no plano da representação, o que já fora adquirido no da ação. Em segundo lugar ela precisa concluir o processo de descentração também no plano da representação. Essa descentração não se baseará mais somente num universo físico, mas agora também inter individual e social. Estas novas construções e descentrações são inseparáveis das construções e descentrações afetivas e sociais. Este período inicial seria de organização e preparação, enquanto que o período de 7-8 a 11-12 anos é o do remate das operações concretas.

No período pré-operatório há a ausência de noções de conservação: um líquido que passa para um recipiente mais estreito aumenta de volume. A criança ainda está presa às configurações, desprezando as transformações. Ela não ignora, apenas ainda não consegue conceber a modificação das formas sem alteração na quantidade. No das operações concretas a criança dirá “é a mesma água, pode-se despejá-la de volta e fica como estava antes” (reversibilidade por inversão). Ou ainda “é mais alto e mais estreito, por isso é a mesma coisa” (reversibilidade por compensação). A criança não fica mais presa à ação, os estados subordinam-se às transformações que são sempre relativas a um invariante. A isso Piaget denominou de esquemas de conservação.

A seriação consiste em um outro processo de construção da realidade. A criança é capaz de ordenar os elementos segundo grandezas crescentes ou decrescentes, como é o caso de jogos de construção. Crianças no sensório-motor já apresentam algumas noções de seriação quando empilham blocos para fazer uma torre, colocando os maiores em baixo e os menores em cima. No entanto quando estas diferenças não são imediatamente perceptíveis, exige um método mais elaborado de procurar entre os elementos, o menor deles, depois o menor dos que ficaram, etc. Só crianças por volta dos sete anos, no operatório concreto conseguem fazer estas comparações.

A classificação se completa também no operatório concreto. Se apresentarmos a uma criança no pré-operatório um conjunto de 12 flores sendo que destas 12, 6 são margaridas e lhe pedirmos que nos mostre primeiro as flores e depois as margaridas ela responderá corretamente, pois consegue designar o todo (todas as flores) e a parte (só as margaridas). No entanto se lhe pedirmos se há mais flores ou mais margaridas, a criança não saberá responder, pois se pensa na parte, o todo deixa de conservar-se como unidade. Ela responderá portanto, que é a mesma coisa. Este encaixe de classes só é conseguido cerca dos 8 anos. É a classificação operatória.

A noção de velocidade se estabelece quando a criança concebe que um móvel é mais rápido que o outro se o ultrapassa. Uma criança no pré operatório considera apenas os pontos de chegada. A criança começa a julgar o tempo primeiro independente da velocidade. Assim achará que um móvel andou mais tempo se chegou mais longe. Depois disso ela conseguirá relacionar a distância com a velocidade e perceber o tempo também dentro desta relação.

Em 1932, no inicio de sua carreira de epistemólogo e de psicólogo, Jean Piaget publicou “Le jugement moral chez l’enfant” (aqui no Brasil publicado sob o título de “O Julgamento Moral na Criança”). Este livro tornar-se-ia um clássico da literatura psicológica contemporânea, referência obrigatória para todos os pesquisadores da moralidade humana e das interações sociais.

Conforme Piaget (1977), “toda moral consiste num sistema de regras, e a essência de toda moralidade deve ser procurada no respeito que o indivíduo adquire por essas regras”. La Taille (1992) aponta que inspirado por esta definição Piaget inicia suas pesquisas, escolhendo um campo muito peculiar da atividade humana: o jogo de regras. Para ele, os jogos coletivos de regras são paradigmáticos para a moralidade humana. La Taille indica três razões, pelo menos:

Em primeiro lugar, apresentam uma atividade inter-individual necessariamente regulada por certas normas que, embora geralmente herdadas das gerações anteriores, podem ser modificadas pelos membros de cada grupo de jogadores, fato esse que explica a condição de “legislador ” de cada um deles. Em segundo lugar, embora tais normas não tenham em si caráter moral, o respeito a elas devido é, ele sim, moral (e envolve questões de justiça e honestidade). Finalmente, tal respeito provém de mútuos acordos entre os jogadores, e não da mera aceitação de normas impostas por autoridades estranhas à comunidade de jogadores.

No estudo sobre regras em jogos como bolinha de gude e amarelinha, para cada sujeito, Piaget (1977) pesquisou a prática e a consciência da regra, pedindo-lhes, num primeiro momento, que o ensinasse a jogar e jogasse com ele, e, em seguida, que lhe dissesse de onde vinham estas regras, quem as tinha inventado, se poderiam ser modificadas, etc.

Assim, para Piaget (1977, citado em La Taille, 1992), a evolução da prática e da consciência da regra pode ser dividida em três etapas. A primeira delas é a etapa da anomia. Crianças de até cinco, seis anos de idade não seguem regras coletivas. Interessam-se, por exemplo, por bolas de gude, mas antes para satisfazerem seus interesses motores ou suas fantasias simbólicas, e não tanto para participarem de uma atividade coletiva.

A segunda etapa é chamada heteronomia. Nota-se, agora, um interesse em participar de atividades coletivas e regradas. Todavia, duas características desta participação explicitam a heteronomia da criança de até nove, dez anos em média. A primeira delas refere-se à interpretação que tem das origens das regras e da possibilidade de modificá-las: foram “senhores” ou até Deus que, muito tempo atrás, conceberam e impuseram as regras do jogo, e qualquer modificação destas regras, mesmo que recebesse o acordo dos vários jogadores, é proibida ou vista coma “trapaça”. La Taille ressalta que a criança desta fase não concebe tais regras como um contrato firmado entre jogadores, ma como sagradas e imutáveis, impostas pela “tradição”. E não concebe a si própria coma possível legisladora, ou seja como possível inventora de regras que possam ser, por mútuo acordo, aceitas por todos.

Uma segunda característica vem confirmar tal heteronomia. La Taille aponta que embora demonstre um respeito muito profundo pelas regras quando interrogada, a criança, quando joga, ainda se mostra bastante “liberal” no que tange à aplicação das regras: freqüentemente introduz, sem consultar o adversário, alguma variante que lhe possibilita ter melhor desempenho e não acha estranho afirmar no final de uma partida que “todo mundo ganhou”.

Segundo uma expressão famosa, as crianças desta fase jogam mais umas ao lado das outras do que realmente umas contra ou com as outras. Tal desrespeito prático pode parecer contraditório com as concepções sobre a inviolabilidade das regras, porém, a criança heterônoma não assimilou ainda o sentido da existência de regras: não as concebe como necessárias para regular e harmonizar as ações de um grupo de jogadores e por isso não as segue à risca. E justamente por não as conceber desta forma, atribui-lhes uma origem totalmente estranha à atividade e aos membros do grupo, e uma imutabilidade definitiva que faz as regras assemelharem-se a leis físicas.

A terceira e última etapa é a da autonomia. Suas características são justamente opostas às da fase de heteronomia, e correspondem à concepção adulta do jogo. Em primeiro lugar, as crianças jogam seguindo as regras com esmero. Em segundo lugar, o respeito pelas regras é compreendido como decorrente de mútuos acordos entre os jogadores, cada um concebendo a si próprio como possível “legislador”, ou seja, criador de novas regras que serão submetidas à apreciação e aceitação dos outros. Deve-se acrescentar que a autonomia demonstrada na prática da regra aparece um pouco mais cedo do que aquela revelada pela consciência da mesma.

Em função desses dados, Piaget formulou a hipótese de que o desenvolvimento do juízo moral – quer dizer, aquele da prática e da compreensão das regras propriamente ditas morais – seguiria as mesmas etapas.

Um fato interessante, que pode influenciar nos jogos e as crianças é, segundo Kamii,, que não é possível dissociar os objetivos sociais, afetivos e cognitivos, particularmente na primeira infância. As crianças que confiam na sua capacidade de tirar conclusões próprias constroem o conhecimento mais depressa do que aquelas que não tem essa confiança, e o mesmo se pode dizer para as posteriores fases da vida. Indivíduos autoconfiantes tentam mais incisivamente chegar a uma resposta. Quando conseguem uma resposta, não têm medo de expressá-la, e se a opinião deles se mostra diferente das dos outros, tentam convencer os outros ou admitem estar errados. Em contraste, as crianças que têm medo de errar ficam de boca fechada e com a mente isenta de opiniões, permanecendo passivas.

Algumas vezes as crianças resolvem modificar uma regra ao invés de segui-la. Numa sala de crianças de cinco anos, por exemplo, a professora introduziu o jogo Pega-Varetas da maneira usual, demonstrando que cada jogador deveria pegar uma vareta após outra, tentando não mover mais nenhuma, do contrário perderia a vez. Quem pegasse o maior número de varetas seria o vencedor. Depois de jogar esse jogo algum tempo, a professora saiu da sala por alguns minutos e, quando voltou, encontrou as crianças jogando com regras diferentes.

Estavam jogando em turnos curtos, cada um pegando uma vareta por vez. Quando um jogador fazia uma vareta mexer, punha aquela na mesa e mais uma outra das suas como penalidade. Ao invés de obedecer cegamente ao professor, as crianças começaram a modificar o jogo. Haviam conseguido um nível de cooperação entre si, do contrário não poderiam ter concordado a respeito dessa modificação. A versão que fizeram maximizou o potencial do jogo para seu desenvolvimento. Pequenos turnos permitiram que cada jogador fosse mais ativo e a penalidade de pagar com uma vareta tinha mais sentido para as crianças, para as quais vencer, no momento, era irrelevante, até pelo estágio de desenvolvimento em que se encontravam.

A autonomia não tem somente aspectos político, intelectuais e morais, mas também aspectos emocionais. Sem um forte sentido de si mesmo (autoconceito positivo e auto-estima), não pode haver autonomia moral, intelectual e política, e vice-versa. Quando a criança obedece apenas a regras feitas por outra pessoa, permanece indiferenciada em relação àquela pessoa. Sua vontade é apenas uma extensão da vontade daquela pessoa. Nas divergências em relação a regras, se a professora intervém de modo a encorajar o desenvolvimento da autonomia, contribui para que a criança desenvolva um autoconceito e uma auto-estima positivos.

Além de contribuir para a construção de regras, os jogos em grupo têm a vantagem de estimular ações físicas e encorajar as crianças a manter-se mentalmente ativas. A possibilidade de as crianças pequenas se manterem mentalmente ativas se relaciona de perto à possibilidade de ação física, pois o seu pensamento ainda não pode ser completamente diferenciado de suas ações.

2.9– O jogo e o adolescente

A adolescência compreende o período da segunda década de vida (Chipkevitch, 1995), e é marcada por um período de intensas transformações físicas e psicossociais. É o período da chamada “segunda individuação” e da construção da identidade. Na adolescência surgem questionamentos sobre “quem sou”, sobre a moral e valores paternos, sobre a realidade do mundo e o papel que se exercerá nesse mundo. Assim, são comuns os conflitos, as crises e a rebeldia, com quais uma personalidade em formação precisa lidar. É importante uma resolução ótima desses conflitos, de forma que esses comportamentos não se perpetuem na continuidade da vida do indivíduo.

É evidente que na adolescência não serão resolvidos todos os conflitos da vida de um homem, mas nesta fase se erguerá a base que permitirá a construção da vida adulta.

A passagem para a vida adulta não se dá num salto. O adolescente, então, vive num “ir e vir” de atitudes maduras e infantis. Isto se deve à transformação do modo de encarar o mundo, e pode ser compreendida pela teoria do desenvolvimento de Piaget.

Depois de desenvolvidos os principais esquemas do período sensório motor (formação de hábitos, inteligência prática, noção de objeto permanente até o “insight”) e da função simbólica (jogo simbólico, as imagens mentais, desenho, linguagem), seria de esperar uma rápida transformação das ações em operações. Entretanto é necessário esperar até os 7 ou 8 anos para que isto aconteça.

Por
volta dos 11-12 a 14-15 anos o adolescente vai passando não só por modificações físicas, mas também por modificações na estrutura de seu pensamento; o “estirão cognitivo”. Estas modificações podem influenciar no entendimento da regra.

O estágio operatório formal caracteriza-se pelo adolescente libertar-se do concreto e situar o real num conjunto de transformações possíveis, e marca o final da infância. Dessa forma, este modo de pensamento dinâmico (no sentido de que não precisa do palpável para ocorrer) vai fazer o adolescente não só adaptar-se ao real e ao cotidiano, mas também a formular grandiosas teorias e idéias. É importante ressaltar também, que para Piaget, as transformações emocionais que ocorrem na adolescência dependem das transformações cognitivas. Uma das grandes transformações que marcam o estágio operatório formal é o surgimento do pensamento hipotético-dedutivo. No estágio anterior (operatório concreto) o sujeito apenas raciocinava sobre proposições que ele julgasse verdadeiras, apoiando-se no concreto para isso. Já no estágio em discussão, torna-se capaz de raciocinar corretamente sobre proposições em que não acredita, ou ainda não acredita, isto é, que considera como hipóteses, tornando-se assim capaz de inferir as conseqüências necessárias, de verdades simplesmente possíveis.

A habilidade combinatória também constitui-se numa das grandes transformações cognitivas. No estágio anterior, o sujeito somente conseguia ligar dois elementos vizinhos, já no estágio presente, através da habilidade combinatória, ele consegue ligar um elemento a cada um dos outros. Esta nova faculdade permite ao sujeito não só combinar entre si objetos ou fatores mas também idéias ou proposições ( o que engendra uma nova lógica). Conseqüentemente, ele pode raciocinar em cada caso sobre a realidade dada, considerando-a não mais sob seus aspectos limitados e concretos, mas em função de um número qualquer de combinações possíveis. Isto reforça consideravelmente os poderes dedutivos da inteligência.

É importante destacar que estas transformações são mais ou menos gerais para todos os indivíduos. Entretanto, eles estão sob influência dos meios escolares, familiares, etc. Por isso, nem todos os adolescentes se desenvolverão de modo igual, podendo uns estarem mais desenvolvidos que outros. Deste modo, os profissionais interessados no jogo a nível terapêutico ou educativo devem estar atentos a esta questão, levando em consideração que geralmente em determinados estágios piagetianos, as pessoas podem realizar certas ações concretas ou no nível do pensamento, porém podem haver excessões. Tornando-se, assim, estas informações ferramentas para o bom andamento do jogo, e não para nivelar todos os participantes igualmente.

Em relação ao aprendizado, deve-se estimulá-los a serem alertas, curiosos, críticos e confiantes na sua capacidade de imaginar coisas e dizer o que realmente pensam. Seria importante também que elas tivessem iniciativa, elaborassem idéias, perguntas e problemas interessantes e relacionassem as coisas umas com outras.

Não é preciso demonstrar o quanto se aprende, e com muito prazer, remando, esquiando, brincando e consertando bicicletas e carros. As crianças aprendem física quando esquiam e remam e enquanto consertam e mexem com bicicletas, carros e outras máquinas. O fato de termos freqüentado uma escola autoritária e obtido sucesso no sistema educacional obedecendo a um currículo imposto vertical e autoritariamente não significa que a educação deva permanecer nesse estágio para sempre.

As crianças (e adolescentes) se desenvolvem não apenas social, moral e cognitivamente, mas também politica e emocionalmente através de jogos com regras. Um jogo não pode começar a não ser que os jogadores concordem com as regras. Uma vez começado, não pode continuar a não ser que os jogadores concordem na interpretação das regras.

A inteligência se desenvolve com o uso, o cumprimento da regra requer seu uso ativo.

Do ponto de vista da criança, e principalmente do adolescente existe uma grande diferença entre desistir de um desejo par vontade própria e desistir dele sob a pressão de ordens. O ego não é violado se a pessoa desiste voluntariamente. Ela pode se convencer autonomamente de que isso era necessário e significativo naquele memento (Piaget,1977;Piaget, 1985; Kamii e Devries, 1991; La Taille et al.,1992;Chipkevitch, 1995;Mc Kinnon e Renner, 1971;Schwebel, 1975; http://orbita.starmedia.com/ente6/rpg/adrpg.htm#resumo).

2.10 – O jogo e o adulto

Os seres humanos parecem ter um desejo intrínseco de crescer que pode ser observado nos bebês ao aprenderem a andar e falar e no orgulho que têm de suas conquistas. Os seres humanos também parecem gostar de estar mentalmente ativos. Nas prisões, os adultos sentem necessidade de trabalhar, jogar jogos ou praticar esportes. Na vida normal, os adultos também sentem necessidade de trabalhar e ter passatempos. O currículo escolar freqüentemente destrói esse desejo intrínseco de trabalhar e crescer graças à imposição de lições e exercícios sem significação. Como relata Kamii, muitos pais percebem que seus filhos estavam motivados para aprender quando entraram na escola, mas que essa motivação acabou pouco depois. São esses pais talvez as pessoas indicadas a nos ajudar a convencer a todos de que os jogos em grupo são um dos meios mais naturais de preservar e estimular a capacidade que a criança tem de desenvolver-se.

Para um adulto, uma das maiores formas de se salvar do estresse cotidiano é pra ticando o jogo na forma de esporte, como, no caso dos homens, o futebol do fim de semana (mais conhecido com “pelada”) e as mulheres no carteado. É uma forma de prática de lazer, que os faz descansar, mesmo que depois dos jogos se sentirem cansados fisicamente ou mentalmente.

Tem prioridade em jogos de mesa e jogos de sorte e azar (apostas).

2.11– O jogo e o idoso

Com o declínio gradual das aptidões físicas, o impacto do envelhecimento e das doenças, o idoso tende a ir alterando seus hábitos de vida e rotinas diárias por atividades e formas de ocupação pouco ativas. Os efeitos associados à inatividade e a má adaptabilidade são muito sérios. Pode acarretar numa redução no desempenho físico, na habilidade motora, na capacidade de concentração, de reação e de coordenação, gerando processos de auto-desvalorização, apatia, insegurança, perda da motivação, isolamento social e a solidão.

Os efeitos da diminuição natural do desempenho físico podem ser atenuados se forem desenvolvidos com os idosos, programas de atividades físicas que visem a melhoria das capacidades motoras que apóiam a realização de sua vida cotidiana, dando ênfase na manutenção das aptidões físicas de principal importância no seu bem estar como: a força muscular, a flexibilidade, a mobilidade articular e a resistência.

A força dos membros inferiores é muito importante para a prevenção de quedas. A força dos músculos abdominais e lombares para a manutenção da estática corporal e no andar, evitando dores crônicas e muita incapacidade.

A mobilidade articular, está diretamente relacionada com a amplitude do movimento, a flexibilidade com sua qualidade. A resistência esta ligada à freqüência com que o idoso se dedica a ocupações ativas. A redução desses fatores prejudica a performance de muitas atividades do dia a dia.

A promoção de saúde e a qualidade de vida são os objetivos mais importantes numa atividade física com idosos. É fundamental que o idoso aprenda a lidar com as transformações de seu corpo e tire proveito de sua condição, prevenindo e mantendo em bom nível sua plena autonomia. Para isso é necessário que se procure estilos de vida ativos, integrando atividades físicas como os jogos a sua vida cotidiana.

Fazer atividades moderadas de forma sistemática dão melhor resultado do que atividades intensas durante um curto espaço de tempo. O aumento da carga de exercícios deve ocorrer de forma gradual, evitando o cansaço intenso e a dor, objetivando desenvolver a resistência e manter níveis aceitáveis de capacitação física.

Um controle médico regular é fundamental para se saber as atividades mais aconselháveis e estabelecer eventuais restrições sobre o que se faz.

Os jogos mais adequados para os idosos são aqueles que envolvem o alongamento sendo feitos sob medida, segundo sua estrutura muscular, sua flexibilidade, e segundo os diversos níveis de tensão. O ponto-chave é a regularidade com relaxamento. O objetivo é a redução da tensão muscular, o que em decorrência promove movimentos mais soltos, e não um esforço concentrados para conseguir-se a extrema flexibilidade que freqüentemente conduz a superestiramentos e a lesões, relacionados à caminhada, sendo indicados pelos médicos e praticados por gente de todas as idades. O simples ato de andar vem sendo considerado uma das melhores atividades físicas, pois além de proporcionar benefícios orgânicos, posturais e psíquicos, é uma atividade agradável e acessível, que não tem contra-indicações e contribui de forma significativa para a integração social, a hidroginástica, que propõe atividades no meio líquido adequadas às necessidades de movimento, contribuindo para uma melhor qualidade de vida, os que envolvem atividades físicas que oportunizam a prática de exercícios físicos, resgatando a auto-confiança, a sociabilização e a melhora das capacidades físicas necessárias à independência e a adaptação dos idosos ao cotidiano social, relacionados a dança, proporcionando um movimento de sociabilização, lazer e alegria, contribuindo para uma melhora qualidade de vida, relacionados a atividades manuais, artísticas e corporais.

Praticam esportes (com adaptação das regras à faixa etária); jogos de salão em potencial e jogos de mesa em potencial.

(www.maisde50.com.br; www.bemvividos.com; www.felizidade.com.br

www2.uol.com.Br/maturidade;www.uol.com.br/sesconline;
www.melodiaonline.com.br,Faria Junior, 1977;Faria Junior et al.,1998)

2.12 – O jogo e o deficiente

O Professor Vilson Bragattini (1982 ), dedicou uma obra tendo como proposta a Educação Física Especial, onde seus alunos “especiais” passam por uma série de situações educativas, onde a criança tem o seu devido valor e realiza tarefas concretas e úteis, onde a prática de determinados gestos e movimentos, melhorará e muito sua adaptaçã