Tipós de parto

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Autoria: Ari Luiz de Oliveira

Tipos de Parto

2005

INTRODUÇÃO

Atualmente as gestantes têm o conhecimento, a orientação de como possa vir a ser o seu parto e como se sentirá melhor, podendo a ver escolha. Essas orientações geralmente são realizadas durante o pré-natal por enfermeiras, médicos, dentre outros funcionários da saúde capacitados a esse trabalho.

Dessa forma, esse trabalho retratará os tipos de partos e alojamento a puérpera e ao recém-nascido, onde ambos poderão ter conforto nesse momento especial e de muitíssima importância.

Os esclarecimentos serão seguidos de pequenos comentários de especialista da área, com a finalidade de obtermos mais segurança dos benefícios citados; além de acrescentamos alguma curiosidade, técnicas e rotinas que compõe esses procedimentos.

Conhecimento traz segurança e qualidade, além de aumentar à auto – estima dos seres humanos.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (OMS), a mulher tem o direito de escolher como quer ter o filho. E já que não existe parto sem dor, a idéia é torná-lo menos traumático possível, para a mãe e para o bebê.

A escolha da técnica utilizada para o parto é tão importante quanto a decisão de ter um filho. Esta escolha deve obedecer a critérios médicos e, principalmente, ao desejo expressado pela gestante, pois a mulher precisa estar confiante na hora do parto. A informação detalhada sobre os tipos de parto, seus prós e contras, é a melhor aliada na hora da escolha.

Cesariana

Os motivos para optar por uma cesariana devem ser essencialmente, clínicos. A razão mais freqüente são a desproporção do tamanho do bebê em relação à pelve feminina, infecção herpética ativa, gestantes diabéticas, posição do bebê invertida e difícil, ou ainda, se o seu trabalho de parto não estiver progredindo normalmente.

Na cesariana, a barriga será coberta com um anti-séptico destinado a exterminar as bactérias e a anestesia será a epidural (em alguns casos a geral é necessária). A gestante tomará soro e uma sonda será introduzida na bexiga para esvaziá-la. Você não poderá acompanhar a cirurgia, já que uma tela será colocada na parte superior do seu corpo, impedindo sua visão. Uma incisão horizontal, de 15 a 20 cm, será feita acima dos pêlos púbicos, através da parede da sua barriga e então através do útero. Ao alcançar o bebê, o cirurgião irá tirá-lo suavemente. A equipe removerá a placenta e a examinará, assim como o seu bebê. O corte será fechado com pontos. O procedimento deve ser de aproximadamente 30 minutos, o parto leva em torno de 5 a 10 minutos e o fechamento do corte, em torno de 20 minutos.

É importante saber que como uma cirurgia, a recuperação em uma cesariana é lenta, e requer a internação por alguns dias. Será difícil rir, ficar em pé….

*Não se deve marcar a cesárea com antecedência!!

O parto cesárea quando bem indicado é a solução que salva a vida do bebê e/ou da mulher. Nessa situação, os riscos das complicações são minimizados pelos benefícios.

Motivos Reais para se fazer cesárea: não se deixe levar:

O diagnóstico da necessidade da cesárea não se dá por circulares de cordão ou tempo de parto.

Um parto pode demorar 48 horas.

O diagnóstico de sofrimento fetal se dá pelos batimentos cardíacos e de preferência pela análise do PH do sangue do bebê, o que não é muito usado no Brasil.

Então a gente usa mesmo os batimentos cardíacos.

INDICAÇÃO DE CESÁREA ANTES DO PARTO:

Placenta prévia: raro e claro
Herpes Genital com Lesão Ativa: raro e claro
Bebê em Posição Transversa: raro e claro
INDICAÇÃO DE CESÁREA DURANTE O TRABALHO DE PARTO:

Eclâmpsia: Raro e Claro
Prolapso de Cordão: Raro e Claro
Descolamento Prematuro da Placenta: Fácil de diagnosticar, raro de ocorrer
Desproporção Céfalo-Pélvica: Altamente discutível largamente usada de forma errada
Parada de Proporção: Altamente discutível largamente usada de forma errada
Sofrimento Fetal Agudo: Altamente discutível largamente usada de forma errada
NÃO É INDICAÇÃO DE CESÁREA

Circular de cordão (não importa quantas)
Parto prolongado
Expulsivo prolongado
Pós-datismo (passou de 40 semanas)
Pressão Alta
Bacia “muito estreita”
Bebê “muito grande”
Cesárea anterior
Primigesta Senil
Primigesta Adolescente
HPV, verrugas genitais, miomas, cistos, duendes e elfos, etc.
DISCUTE-SE MAS NÃO HÁ PROVA DE QUE UMA CESÁREA ELETIVA SEJA MELHOR A LONGO PRAZO:

Bebê Sentado
Mais de uma cesárea anterior
Bacias deficientes (sem a tentativa de parto normal)
AIDS

Parto de Cócoras

O parto de cócoras durante praticamente toda a humanidade foi a forma de dar a luz mais utilizada e hoje, após um longo período de esquecimento entre a civilização moderna, volta a ser uma opção procurada.

No Brasil, deve-se a um trabalho pioneiro dos Drs. Moisés e Claudio Paciornik que, na década de 70, o estudaram em uma Comunidade Indígena do Paraná e introduziram a prática em seu hospital.

Segundo o Dr.Adailton Meira, Ginecologista e atual coordenador do REHUNA (Rede para Humanização do Parto e Nascimento), este procedimento traz diversas vantagens para mãe, pois facilita a liberação (saída) da cabeça e propicia um parto com menos intervenções, como o corte do perioneo além do fato da mãe sentir mais e participar do parto. No caso do Bebê, este também se beneficia, pois é mais rápido, e recebe melhor aporte de sangue.

Como é?

A parturiente pode ficar caminhando ou em baixo de um chuveiro ou deitada de lado durante o processo da dilatação. No momento chamado expulsivo, ela se posiciona de cócoras, usando como apoio uma cadeira ou cama apropriada para este procedimento ou também com o apoio do marido que serve como apoio físico e psicológico.

Parto em Casa

Algumas mulheres optam por um parto residencial por se sentirem mais seguras num ambiente conhecido. É importante saber que o seu médico só concordará com esta opção caso sua gestação tenha transcorrido sem problemas e se a possibilidade de parto normal for dominante. O especialista lhe dará uma lista de como preparar o local do parto e de coisas que precisará, tais como boa iluminação, mesinha com rodas na qual colocará seu equipamento, muitas toalhas macias.

O médico deverá ir previamente a sua residência para avaliar o local, a qualidade do leito. Os médicos tentam persuadir as pacientes que optam por este tipo de parto, alegando que se houver alguma complicação, principalmente com o bebê, haverá dificuldades para o socorro. Na verdade, você deve ponderar.

Parto Normal

Em intervalos de cinco a cinco minutos as contrações duram entre 60 e 90 segundos. Esta fase, chamada transição, é o momento que indica a chegada do bebê. O médico deve então, avaliar se o colo está totalmente dilatado. Após esta fase, você começa a sentir o desejo involuntário de “empurrar”. Quando a cabeça do bebê atinge o canal vaginal, a criança pressionará o períneo, fazendo também, pressão no reto. Durante cada contração, o bebê começa a aparecer na vagina e depois de alguns minutos sua cabeça já começa a aparecer.

Após esta fase, o nascimento é uma questão de minutos. Você deverá parar de “empurrar” e começar a respirar rapidamente, permitindo que o períneo se alargue. Na saída total da criança, uma grande quantidade de líquido.

Amniótico deve ser liberado. A placenta deve ser expelida em até meia hora após o parto.
Você poderá combinar, previamente, com o obstetra a ingestão do Syntociron, um hormônio artificial que imita a oxitocina e ajuda na contração do útero, além de ajudar a reduzir a perda de sangue.

A grande vantagem do parto normal é a rápida recuperação da mãe.

Parto Normal é Vantajoso Para a Mãe e Para o Bebê

As vantagens do parto normal são tantas que é difícil enumerá-las. Para o lado psicológico, a interação mãe-bebê é muito favorecida pelo parto natural, no qual os laços de ligação são potencializados, quando comparados a uma cesárea. O fato de o bebê poder mamar já na sala de parto e da mãe estar mais disposta à convivência inicial, sem as dores do corte na barriga, feito na cesárea, e com uma anestesia em geral que permite uma movimentação muito mais fácil e precoce, fazem com que o vínculo seja mais estreito nesta condição.

Do ponto de vista físico, no parto normal não há cicatriz aparente, a possibilidade de dores abdominais por aderências é infinitamente menor, assim como a chance de hemorragias e infecções. A recuperação pós-parto é praticamente imediata, podendo a mulher voltar ao seu afeito bem mais rápido. As complicações anestésicas são menores, pois a quantidade de anestésico não precisa ser tão grande.

As Dores do Parto Normal

Após o parto normal, apesar da recuperação rápida, a mamãe sentirá alguns incômodos característicos desta fase. A dor no períneo, por exemplo, pode ser intensa, principalmente ao sentar. Para aliviar a sensação, o ideal é sentar-se apoiada em dois travesseiros nas costas. Sentar em uma toalha retorcida em formato de roda, pode ser útil também.

A pressão causada no piso pélvico quando a mulher tosse ou gargalha pode causar incômodo e, até mesmo, a sensação de que os pontos estão arrebentando. Neste caso, procure contrair os músculos do períneo quando for assuar o nariz, espirrar, tossir ou rir

Atenção com as Dores no Baixo-Ventre

O parto normal apresenta um alto índice de boa recuperação da parturiente e mostra-se seguro, quando indicado e acompanhado por um profissional capacitado. Entretanto, alguns sinais após o parto normal devem ser levados à sério, pois podem sinalizar problemas. Dores intensas no baixo-ventre, por exemplo, podem indicar que ocorreu laceração nos tecidos e distensão da musculatura, podendo inclusive, comprometer os tendões.

Bebês grandes, falta de corte no períneo, demora para o nascimento, o que obriga a mulher a fazer mais força podem ser fatores causadores da dor no baixo-ventre. Quando comprovado o problema de inflamação, há necessidade de um tratamento específico, utilizando desde medicamentos antiinflamatórios até fisioterapia. Os antibióticos são indicados para a parametrite, infecção que atinge o tecido ao lado do útero.

Os especialistas recomendam que a paciente procure, o mais breve possível, um médico que possa avaliar o caso.

Curiosidade

Parto na água, mais uma opção para a gestante.

Cláudia Nascimento

O parto na água, surgido na década de 70, ainda é pouco difundido no Brasil, mas algumas mulheres têm optado por esse tipo de parto, pelos benefícios que pode proporcionar à mãe e ao bebê. Durante o trabalho de parto a gestante é colocada numa banheira que pode ser plástica ou de hidromassagem, com água na temperatura de 36 –37 ºC, cobrindo a barriga.

A parturiente poderá ficar na água durante as contrações, sair para ter o bebê ou permanecer nela, até que o bebê nasça.

“Além do relaxamento produzido pela água quente, o alívio de seu peso que diminui ao entrar na água, facilita a movimentação e a descida do bebê na pelve. O maior benefício para a gestante é o efeito analgésico da água sobre as contrações”, explica o Dr. Adailton Salvatore Meira, ginecologista e obstetra.

O parto na água promove também a participação do pai no instante do nascimento – ele pode entrar na banheira, sentar-se atrás da mãe, servindo de apoio para suas costas e ao mesmo tempo, transmitir-lhe carinho e confiança. Segundo o Dr. Meira são realizados em sua clínica, de dois a três partos na água por mês e também na casa da gestante, quando a gravidez é de baixo risco. “Atualmente em São Paulo, o Hospital Albert Einstein, já conta com uma banheira, não propriamente para parto, mas usada durante as contrações”, informa.

Na Austrália, Estados Unidos, Japão, Alemanha e outros países, há hospitais e “centros de nascimento”, onde a prática do parto na água é bastante comum. “Há um movimento internacional para o aumento de partos na água. Assim que mais hospitais abrirem suas portas para um parto não ortodoxo e, portanto, mais fisiológico, talvez, mais e mais casais possam ter acesso a esse tipo de parto”, finaliza o Dr. Meira.

Fórceps

Quando a mãe não consegue “empurrar” o bebê ou em casos em que a criança está sentada, é prematura ou tem uma cabeça maior do que a dilatação da vagina da mãe é utilizada o fórceps, um processo no qual o aparelho é encaixado na cabeça do bebê, após a episiotomia na mãe, e puxado delicadamente pelo médico.

Parto em Gestantes HIV Positivo

Apesar de toda a movimentação da comunidade médica mundial em prol do parto normal, em alguns casos específicos esta prática não é recomendada. Este é o caso de gestante soro positivas – portadora do vírus da AIDS -, nas quais a cesariana é mais recomendável.

Segundo especialistas, há evidências de que a cesariana diminui os riscos de infecção para o bebê, porém, pesquisadores salientam que a cirurgia não é recomendada em partos de mulheres com baixa taxa de vírus no sangue, já que a diminuição do risco é automática neste caso. Um outro caso em que a cesariana é contra indicada é para mulheres com o sistema imune debilitado. Neste caso o risco concentra-se em complicações pós-operatória na mãe.

Parto X Diabetes

Em casos de gestantes diabéticas, o parto, a menos que se suspeite que o feto esteja em perigo, não deve ser induzido antes do termo. A cesárea, segundo o especialista em Ginecologia e Obstetrícia da Associação Médica Brasileira, Dr. Evaldo Rodrigues Júnior, deve ser praticada quando for verificada pelo médico a ausência de condições para indução, capacidade pélvica questionável (bacia estreita), macrossomia fetal (4 kg), histórico de perdas fetais pela via vaginal, cesáreas anteriores e provas funcionais, indicando baixas reservas ueroplacentárias de oxigênio e sofrimento fetal.

Caso contrário será permitido a via vaginal (parto normal). A anestesia eletiva é de condução, dando-se preferência à anestesia peridural? Salienta o médico. Além disso, segundo especialista, o parto deve ser acompanhado por um neonatologista e, se possível, em ambiente que disponha de recursos para cuidados intensivos ao recém-nascido.

ALOJAMENTO CONJUNTO

Definição

ALOJAMENTO CONJUNTO é um sistema hospitalar em que o recém-nascido sadio, logo após o nascimento, permanece ao lado da mãe, 24 horas por dia, num mesmo ambiente, até a alta hospitalar. Tal sistema possibilita a prestação de todos os cuidados assistenciais, bem como a orientação à mãe sobre a saúde da binômia mãe e filho.

NORMAS

1. O Alojamento Conjunto deve ser iniciado na sala de parto.

2. A amamentação do recém-nascido deve ser praticada em regime de livre demanda, isto é, sem horários fixos.

3. É contra-indicado o uso de bicos.

4. É contra-indicado o uso de outros alimentos ou líquidos além do leite materno, exceto em casos clinicamente indicados.

5. É proibida a distribuição de bicos, mamadeiras, propagandas e amostras de substitutos do leite materno (resolução n° 31/92 – CNS).

6. O aleitamento materno cruzado está contra-indicado.

7. A puérpera deve ser continuamente apoiada e informada, durante sua internação, sobre aspectos relacionados ao aleitamento materno.

8. Os horários de visitas para os pais devem ser flexíveis e com maior duração.

9. No momento da alta, a mãe deve ser orientada sobre a importância da amamentação e agendada o retorno precoce para ambos, nos primeiros 7 a 10 dias.

ROTINAS

1. A puérpera e o recém-nascido devem ser levados da sala de parto diretamente para o Alojamento Conjunto, ficando a criança ao lado da mãe, supervisionados por pessoal treinado, sendo que os recém-nascidos só devem ser afastados da mãe para os procedimentos hospitalares por no máximo 1 hora.

2. A equipe de saúde deverá informar à mãe que o bebê deverá ser colocado para mamar sem qualquer restrição quanto à freqüência ou duração das mamadas.

3. A equipe de saúde deverá informar às mães que no Alojamento Conjunto não é permitido nenhum tipo de bico artificial ou chupeta, bem como as conseqüências do seu uso.

4. A equipe de saúde deverá informar às mães que não está sendo oferecido água, solução glicosada, chá, fórmulas lácteas ou outros alimentos ao seu bebê amamentado ao seio, a não ser por indicação médica.

5. Não haverá nenhuma propaganda de alimentos infantis ou outros líquidos, mamadeiras e bicos afixados ou distribuídos às mães ou funcionárias do Alojamento Conjunto.

6. Durante a permanência das mães no Alojamento Conjunto, a equipe de saúde deverá reforçar as orientações sobre a amamentação, salientando a contra-indicação e conseqüências da amamentação cruzada.

7. As puerperais receberão apoio e orientações principalmente sobre:

a. Importância da amamentação sob livre demanda.

b. Como assegurar uma quantidade suficiente de leite.

c. Posição adequada para a pega da aréola.

A equipe deverá identificar as puerperais que por algum motivo não estão estimuladas a amamentar e dedicar-lhes especial atenção.

8. A participação dos pais e familiares no processo de amamentação será estimulada através da flexibilidade no horário de visitas e de reuniões educativas diárias no período da tarde.

9. Deverá constar da rotina de alta:

a. Orientação para procurar, em caso de qualquer dificuldade na amamentação, o Banco de Leite Humano, Puericultura ou o próprio Alojamento Conjunto.

b. Encaminhamento da criança ao centro de saúde mais próximo de sua residência ou à Puericultura do próprio Hospital, entregando cartão da criança devidamente preenchido.

c. Agendamento para a consulta de enfermagem puerperal no prazo de 7 a 10 dias.

UNIDADES DE TERAPIA INTENSIVA E DE RISCO INTERMEDIÁRIO NEONATAL

NORMAS

1. Os recém-nascidos internados, assim que apresentarem maturidade e bom estado geral, serão estimulados a iniciar a sucção ao seio.

2. As mães serão estimuladas e orientadas a ordenhar o leite a partir de 6 horas pós-parto.

3. Será estimulada a presença da mãe na unidade o máximo de tempo enquanto seu filho estiver internado.

4. Os recém-nascidos receberão preferencialmente leite da própria mãe.

5. É contra-indicado o uso de bicos, chupetas, mamadeiras ou chucas, exceto em situações especiais a critério médico.

6. No momento da alta, a mãe será orientada sobre a importância da manutenção do aleitamento exclusivo.

ROTINAS

1. A orientação da ordenha será feita pelos componentes das unidades de internação e do Banco de Leite Humano e a ordenha será realizada a cada 2 ou 3 horas/dia.

2. O leite ordenhado será pasteurizado e repassado ao recém-nascido. Quando possível, o leite poderá ser repassado sem pasteurização, e quando necessário também será ofertado leite humano pasteurizado de mães com recém-nascidos de idade gestacional semelhante.

3. A sucção ao seio será iniciada assim que o estado geral permitir, sendo que os prematuros iniciarão sucção a partir de 32 a 34 semanas de idade gestacional. A participação da fonoaudióloga na estimulação à sucção deverá ser requisitada.

4. No processo de relactação, as mães dos recém-nascidos internados, especialmente dos prematuros, deverão ser permanentemente orientadas e supervisionadas.

5. Quando iniciar a oferta de leite via oral para complementação do aleitamento ao seio, esta será feita utilizando o copo. Neste momento, especial atenção deve ser dada à curva de peso e à ocorrência de apnéias.

6. Na alta hospitalar será enfatizada a importância do aleitamento materno exclusivo. Os prematuros deverão ter retorno precoce (de preferência na primeira semana) para reavaliação da lactação.

TÉCNICAS DE AMAMENTAÇÃO

1. Lavar as mãos com água e sabão.

2. Limpar o mamilo e aréola com água.

3. Acomodar-se em posição confortável.

4. Massagear a mama, com movimentos circulares pequenos, iniciando da aréola para sua base, pressionando os seios galactóforos, facilitando a descida do leite.

5. Fazer a expressão do mamilo certificando-se da presença do leite e então colocar o bebê para sugar.

6. Oferecer o seio à criança e verificar se ela abocanhou toda a aréola.

7. Oferecer as duas mamas alternadamente, iniciando pela última da mamada anterior.

8. Ao término da mamada interromper a sucção colocando o dedo mínimo no canto da boca do bebê e afastar seu rosto com o auxílio dos dedos.

9. Deixar o bebê no colo, de pé ou de bruço, para facilitar a eructação e evitar a bronco aspiração.

10. Deitar o bebê em decúbito lateral direito e colocar travesseiro nas suas laterais para impedir que mude de posição para o decúbito ventral.

11. É recomendação, até os seis meses de idade, evitar a posição de decúbito ventral (barriga para baixo) e uso de travesseiros como profilaxia da síndrome de morte súbita.

ARMAZENAMENTO DO LEITE MATERNO

1. O leite ordenhado e colhido com higiene adequada mantém a sua validade por 24 horas, quando guardado na geladeira.

2. No congelador, até 7 dias e no freezer até 1 mês, desde que o congelamento seja imediato.

3. Evitar o aquecimento do leite à temperatura superior a 36ºC. Amornar o leite colocando-o em banho maria com água morna.

4. Uma vez descongelado não pode ser recongelado novamente

CONCLUSÃO

É satisfatório quando se faz um trabalho realizado à base de pesquisas, e nos faz felizes quando temos a chance de transmitir esses conhecimentos a outras pessoas.

Tudo fica mais real, quando se torna uma verdadeira corrente de transmissão de conhecimento, e isso faz bem a todos. E a saúde agradece. Esse ensinamento já nasce com cada ser humano, porque é o dom de Deus e essência para os Humanos. A alma pede conforto e segurança aquela gera aquela que dá luz, e o corpo obedece.

Assim, cada parto realizado com sucesso desperta um novo sorriso, porque cada parto é uma nova pessoa.

BIBLIOGRAFIA

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

Lawrence & Lawrence. Pediatr. C. N. Amer. 48 (1): 235-51, 2.001.

SAUDE DA MULHER/TERRA

CANTINHO DO BEBE;

Unifesp

Tipos de Trauma e Ferimentos e Conduta na Emergência e Imobi

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Autoria: Anônima

Tipos de Trauma e Ferimentos e Conduta na Emergência e Imobilização

Para um bom trabalho na emergência é necessário reconhecer os tipos de ferimentos e qual a conduta a ser tomada.

Todas as pessoas têm uma noção geral do que são ferimentos, mas um bom socorrista precisa identificar suas diferenças básicas. Considera-se sangramento com um sinal de ferimento.

Descreve partes moles como sendo os tecidos do corpo que compõem a pele, músculos, nervos, vasos sanguíneos, células dos órgãos e glândulas.

Pode haver feridas fechadas de partes moles, que são causadas por impacto incapaz de romper a pele, pode ser uma contusão e causar a ruptura de órgãos internos. Contusões estão associadas à perda sanguínea, em extensões maiores indicam fraturas ou grave dano de tecido.

Nas feridas abertas, outras estruturas podem ser atingidas. Sua extensão determina a gravidade, apresentam-se como simples arranhões; cortes mais profundos, que podem ser classificados em incisões – cortes com bordas regulares – ou lacerações – cortes com bordas irregulares –; perfurações, que normalmente danificam o tecido em linha transversal, pode haver somente ponto de entrada – penetrante – ou também ter um ponto de saída – perfurante –; avulsões, partes são rasgadas ou arrancadas; e amputações.

Há ferimentos por esmagamento que geralmente apresentam hemorragia externa e interna profusa.

Quando ocorre queimadura nas partes moles, pode atingir apenas a camada superficial ou apresentar maior complexidade atingindo nervos, vasos sanguíneos, músculos e ossos.

Para uma assistência efetiva é preciso executar um atendimento correto, quando pessoas sem treinamento começam o serviço e o socorrista chega depois, ele precisa atentar para os erros cometidos e corrigi-los rapidamente. Sempre considerando a gravidade do caso, o Resgate deve ser comunicado e a vítima tranqüilizada quanto a sua segurança.

Uma ferida fechada se apresenta em forma de contusão, então o socorrista precisa procurar e também avaliar a presença de edemas ou deformidades que possam indicar fraturas. É necessário cuidar de uma ferida fechada com todo o cuidado, considerando a possibilidade de hemorragia interna e o desenvolvimento do choque hipovolêmico.

Quando se trata de feridas abertas, o socorrista precisa expor o local, afastando a roupa, mas não insistindo quando está se encontra aderida ao ferimento. Deve limpar a superfície para remoção do material estranho que está na pele. Controlar o sangramento, fazendo compressão direta ou compressão direta mais elevação de membro, descartando a possibilidade de fraturas. Precisa prevenir quanto à contaminação, uma boa maneira é enfaixar o local com compressa, pano limpo, lençol. Sempre deixar a vítima deitada, tentando tranqüilizá-la. Cuidar para que evite a evolução de choque hipovolêmico.

Para proceder ao atendimento quando a vítima tem um ferimento perfurante é preciso primeiro saber que essa ferida é extensa e apresenta hemorragia interna, é feita a análise para saber se há também um ponto de saída (mais sério que a de entrada).

Não retira e nem toca no objeto transfixado, mas é preciso expor o local, também é feito o controle da hemorragia, é preciso estabilizar o objeto, para isso faz curativo absorvente, pode improvisar lençóis ou toalhas. O paciente precisa ficar em repouso. O socorrista, como em todos os casos, precisa prevenir o choque hipovolêmico, tentando diminuir os riscos.

Para tratar avulsões que rasga parcialmente o tecido é preciso limpar o local, cobrir a área atingida e fazer o controle da hemorragia utilizando curativo compressivo.

Quando a pele está totalmente rasgada e desprendida, usa curativo absorvente compressivo, é necessário preservar a parte desprendida, colocando em um saco plástico.

Em amputações, a hemorragia é controlada por curativo compressivo diretamente na ferida, mas quando não controlada, irá tentar o método de compressão indireta, ou até mesmo o torniquete. A parte amputada deve ser preservada, mantendo-a num saco plástico ou campo estéril se possível.

Pode ocorrer feridas que exponham órgãos, nestes casos, essa ferida aberta deve ser coberta com um pano limpo ou plástico, jamais tentar colocar os órgãos expostos no lugar, sempre prevenir quanto ao choque. E não dar nada ao paciente para beber ou comer.

Para realizar os procedimentos citados acima, o socorrista usa curativos, que são materiais para cobrir e controlar o sangramento numa hemorragia e evitar a contaminação e também utiliza bandagens que é usada pra fixar o curativo em lugar adequado.

Há vários tipos de curativos:

Esterilizados, isentos de todos os microorganismos;
Limpos, livres de sujidade e corpos estranhos;
Absorventes, camadas de curativo que ajudam no controle de hemorragias profusas, auxiliam na estabilização de objetos transfixados ou ainda podem cobrir feridas abertas e extensas;
Oclusivos, fecha totalmente uma ferida aberta.
Para um curativo fixar-se exatamente no local, é necessário utilizar bandagens. Para efetivo resultado é importante que o sangramento esteja realmente controlado, é preciso evitar tocar na parte do curativo que fica em contato com a ferida e precisa cobrir toda a área da ferida. As bandagens não podem ficar muito apertadas, dificultando a circulação, nem folgadas, suas pontas precisam estar presas, as extremidades precisam ficar expostas para verificar a circulação, a bandagem deve ser feita da extremidade para a raiz dos membros. Sua pressão tem que ser a mesma em toda a extensão da ferida e precisa ser respeitada a área das articulações.

No couro cabeludo e na face encontra-se uma grande dificuldade em cuidar, são muitos vasos sanguíneos e assim intenso sangramento, se os ossos do crânio, vias aéreas ou o pescoço forem afetados os problemas se agravam.

Esse tipo de trauma costuma ser bastante doloroso e o sangramento excessivo pode assustar a vítima, o socorrista precisa conversar e explicar o que está acontecendo, dizer também que o Resgate já vai chegar, na tentativa de aliviar a preocupação e o medo desta.

Não é necessário limpar o couro cabeludo, pois pode aumentar o sangramento, não deve ser feito pressão por causa de possível fratura no crânio.

Alguns cuidados para esse tipo de ferida compreendem:

Controlar a hemorragia usando curativo, mas sem fazer pressão;
Usar bandagens de rolo ou gaze;
Resfriar o local da ferida com gelo, envolvido em um pano ou compressa;
Colocar a vítima com cabeças e ombros elevados, se excluída a possibilidade de fraturas.
Quando a face é atingida, em primeiro lugar a preocupação vem com a desobstrução das vias aéreas e faz a verificação do pulso carotídeo. A hemorragia deve ser controlada com compressão direta e é necessário fazer uso de curativos e bandagem.

Se há um objeto transfixado na bochecha e este obstrui as vias aéreas, o socorrista pode removê-lo. Ele irá observar exatamente a direção que entrou, puxar ou empurrar para fora da bochecha, se não for possível sua retirada, será preciso estabilizar com curativo, na porção externa. O rosto deve ser virado de maneira a escoar o sangue da boca, excluída a possibilidade de fraturas, para ajudar no controle da hemorragia o socorrista deve introduzir curativo no interior da boca. Ou se retirou o objeto também coloca curativo internamente, deixando uma ponta para fora para evitar que o paciente possa fazer sucção.

Com ferimento no olho, não retira objeto transfixado e nem recoloca o olho na cavidade orbital. Lava o olho com água, jogando-a em seu canto e orientando que o paciente mexa os olhos. Para evitar que este paciente movimente os olhos, é preciso fazer curativo oclusivo, em ambos, mesmo que apenas um tenha sido atingido. Ao fazer o tampão nos olhos é importante manter um contato com o paciente, seja com palavras ou toque, ou então deixar outra pessoa junto, estando o paciente consciente ou não.

De acordo com a intervenção feita pelo socorrista será possível preservar a visão do paciente.

Se houve queimaduras no olho, o socorrista precisa cuidar de acordo com o tipo da agressão. Queimadura por calor precisa ser coberta as pálpebras com curativos úmidos e não compressivos. Por claridade, as pálpebras são fechadas e é feito tampão de cor escura nos olhos. Queimadura química deve ser lavada com água em abundância, potável, cerca de 20 minutos, feito isso, aplicar curativo úmido, não compressivo, sempre com as pálpebras fechadas.

As orelhas também podem ser agredidas externamente, com cortes, que requerem curativos e bandagens no lugar; rasgos, nos quais são usados curativos absorventes, enfaixa atrás do tecido lacerado; avulsões, faz curativos absorventes, enfaixando o local, a parte arrancada deve ser mantida resfriada e em local separado, um saco plástico por exemplo.

Quando as orelhas são atingidas internamente pode indicar ferimento mais sério na cabeça. O sangramento na orelha deve ser tampado com curativos externos e fixado com bandagens; se há objetos na orelha não é feita a remoção; se há presença de fluidos sanguinolentos ou claros é preciso aplicar curativo externo não compressivo; para lidar com o entupimento de ouvido é necessário calma do paciente, pode ser ferimento no tímpano ou fluidos na orelha média, porém podem resolver espontânea e rapidamente após intervenção médica.

O paciente pode sofrer danos no nariz, nesse caso, a maior preocupação é manter as vias aéreas livres e fazer o controle da hemorragia.

Se o paciente está consciente, o socorrista irá colocá-lo sentado, e inclinado levemente para frente, aperta-se a narina até que seja controlado o sangramento.

Caso o paciente esteja inconsciente, será necessário virá-lo de costas, mantendo a cabeça lateralizada para facilitar a drenagem de sangue e fluidos do nariz e da boca, aperta a narina até controlar totalmente a hemorragia.

Não usar tampão quando são drenados fluidos no nariz; não fazer remoção de objetos estranhos; em caso de avulsões, faz-se um curativo de pressão local, guarda a parte arrancada e a mantêm resfriada.

Para prestar atendimento a vítimas com ferimento na boca, o socorrista precisa manter as vias aéreas livres, após excluir a possibilidade de fraturas no crânio, coluna ou pescoço, deve sentar o paciente, inclinando a cabeça um pouco para frente, isso facilita a drenagem do sangue e outros fluidos.

Para cortes internos no lábio é usado um curativo dobrado, entre a gengiva e os lábios; em lábios avulsionados é necessário aplicar bandagem de pressão no local; e em cortes na parte interna da bochecha deve colocar uma pequena quantidade de curativo dentro da boca, deixando um ponta externa.

Sinais de ferimentos no pescoço podem demonstrar:

Dificuldade na fala ou impossibilidade;
Vias aéreas obstruídas, provavelmente por edemas;
Desvio traqueal;
Depressões no pescoço;
Ferimentos, cortes ou perfurações.
Se a artéria foi rompida é preciso aplicar imediatamente a compressão direta sobre o ferimento, controlando por meio de curativo oclusivo, após o controle da hemorragia, virar o paciente para a esquerda, mantendo a cabeça mais baixa (para eliminação de possível bolha gás presente na circulação) e prevenção do choque hipovolêmico.

Porém, se o rompimento foi em uma veia, após iniciar com compressão direta e curativo oclusivo, fecha hermeticamente o local e então virar o paciente para a esquerda e evitar o choque.

Nos casos de sangramento profuso dos vasos sanguíneos do pescoço, também é feita compressão direta e curativo oclusivo, e ainda coloca outro curativo sobre o primeiro e aplica pressão, fixando os curativos com bandagem, coloca-se o paciente do lado esquerdo e previna o choque.

Para feridas abertas no abdome ou que possam causar ruptura de órgãos, o socorrista faz curativos em toda a extensão do ferimento, este paciente fica deitado com as pernas flexionadas, se não há fraturas, são feitos cuidados preventivos ao choque, seus órgãos não podem ser tocados, devem ser aquecidos com material limpo ou esterilizado e não remover objetos que estejam transfixados, apenas estabilizá-os.

Não é comum acontecer ferimentos na genitália, pois é protegida pela genitália externa (pélvis e coxa). Se acontecer: Ferimento traumático por objeto rombudo apenas aplica uma bolsa de gelo, para diminuição da dor e sangramento. Se há cortes, o sangramento é controlado através de compressão direta, é usado curativo absorvente, aplica-se bandagem do mesmo modo de uma fralda.

Princípios básicos do transporte de pacientes:

Avaliar a situação e decidir se o paciente deve ser transportado, selecionar a melhor técnica para mobilizar um paciente, o local do paciente oferece perigo iminente, cuidados que precisam de reposicionamento , ter acesso a outros pacientes, fatores no local que causam variações no estado do paciente e o paciente insistir em ser transportado.

Como mobilizar um paciente: Em cuidados de primeiros socorros, os melhores transportes são feitos com a ajuda de outras pessoas treinadas. Entretanto, nas imobilizações de emergência, o socorrista poderá ter que imobilizar o paciente, mesmo estando sozinho. Transportes em situações não emergenciais devem ser feitos de modo a prevenir um agravo adicional ao paciente . os cuidados devem evitar desconforto e dor. Transportes em situações de emergência oferecem pouca proteção; regras para transportar em situação não emergencial: paciente consciente, avaliação inicial completa, freqüência do pulso e respiração deverão estar estáveis dentro dos padrões normais, não devera haver sinal de suspeita de trauma na coluna vertebral ou no pescoço, os locais com suspeita de fratura e os ferimentos nos membros deverão ser imobilizados e protegidos antes da mobilização.

As técnicas de levantamento devem evitar danos às costas ou joelhos, manter o equilíbrio e prevenir queda, ferindo a pessoa e o paciente, planejar o movimento, não tentar se não puder agüentar o peso do paciente, começar o movimento em posição segura, levantar o paciente com o esforço dos músculos de suas pernas e nunca com os das costas, não se deve levantar e carregar um paciente enquanto estiver segurando o fôlego, manter as costas retas enquanto estiver carregando o paciente.

Apoio num socorrista é um método fácil de transporte. Se carregar um paciente consciente o procedimento é carregá-lo pendurado. Quando tiver ajudante, este deve ajudá-lo a levantar e posicionar o paciente para o levantamento tipo bombeiro. Um paciente pesado ou um que esteja inconsciente ou incapaz de mover-se sozinho poderá ser transportado usando um dos métodos de arrastamento. Puxe na direção do comprimento do corpo, mantendo a cabeça dele o mais baixo possível. Transportes não emergenciais podem ser por levantamento direto do solo e poderá ser empregado em pacientes com possíveis lesões na coluna, que foram encontrados em locais perigosos. Estabilizar a cabeça e o pescoço e ter pelo menos três outras pessoas, levantamento pelos membros não deverá ser usado se o paciente apresentar suspeitas de traumas cranianos , nos pescoços ou medula espinhal, se estiver inconsciente ou se tiver fraturas nos membros superiores ou inferiores. Requer dois socorristas, você levantando o paciente pelos ombros e seu ajudante levantando os joelhos do paciente. Quando estiver transportando o paciente , você deverá mantê-lo junto ao seu tórax e ao seus ajudantes.

Conclusão:

Pra cuidar de pacientes com ferimentos e traumas, o socorrista determina o tipo, a extensão, a área afetada e conduz os 1ºs socorros. É importante ressaltar que cada procedimento tem uma maneira a seguir, e esta tem que ser feita rigorosamente, pois isto define a seqüência do atendimento e influi na recuperação da vítima.

Fazer curativos é uma forma de controlar a evolução do caso, para tanto, é preciso fazê-los observando cada particularidade.

Posso concluir também que transporte de pacientes é um dos procedimentos mais delicados e somente a equipe de resgate pode fazer, mas se houver realmente a necessidade de remoção da vítima, o socorrista precisa estar acompanhado e coordenar o movimento.

Trabalhar consciente, eticamente e com apoio de mias profissionais preparados é a única forma de antever a piora de situações emergenciais. A enfermagem deve se empenhar mais nessa área.

TOMOGRAFIA

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TOMOGRAFIA

1 – INTRODUÇÃO

Tomografia significa imagens de tomos, ou de planos. Com este método, podemos estudar estruturas localizadas no interior do corpo, situadas em outros planos, sem superposição. É uma técnica também conhecida como radiografia segmentar do corpo, planigrafia, laminografia e estratigrafia. Podem ser feitas tomografias lineares, circulares, elípticas, hipocicloidal como também, transversas.

A tomografia linear é realizada por um aparelho, cuja ampola de raios-X emite radiação, movendo-se simultaneamente e em direção oposta ao filme, sendo a ele conectado por uma haste. Este método utiliza o princípio de que a irradiação de um corpo em movimento impede a formação de imagem nítida. O “plano de corte” do paciente é o único que permanece sem movimento, durante a exposição, permitindo que a imagem formada seja nítida.

A tomografia linear vem sendo largamente substituída pela tomografia computadorizada (TC) devido às vantagens que esta proporciona na quantidade e qualidade de informações. No entanto, por sua simplicidade, ela ainda pode ser de grande valia em locais onde o acesso à TC seja limitado.

A TC, como o próprio nome diz, é uma tomografia realizada com o auxílio de um computador. O método utiliza um tudo de raios-X, que emite radiações movendo-se em semicírculo, em torno do paciente. Ao invés do filme convencional, a radiação é captada por sensores conectados ao computador, que decodificam a intensidade da radiação em valores numéricos e os transformam numa escala de tons, que varia do branco ao preto, passando por várias tonalidades de cinza. (Ver quadro 1)

Na TC estudamos as estruturas em cortes axiais e, em alguns casos, coronais. A documentação do estudo é feita usualmente em filmes especiais, mais sensíveis do que os utilizados na radiologia convencional. As imagens mais importantes podem ser arquivadas em disco magnético para reestudo, ou comparação futura.

1.2 – EVOLUÇÃO

Em 1973, nos Estados Unidos os aparelhos eram específicos para realizar TC do crânio, mas em 1974 já se fazia TC de todo corpo. Com o desenvolvimento da tecnologia, o tomógrafo passou por várias gerações. O de primeira geração possui um detector e realizam cortes de vários minutos; os de segunda geração, de 5 a 50 detectores e cortes de 6 a 20 segundos; os de terceira geração, de 200 a 600 detectores e cortes de 3 a 8 segundos; e os de quarta geração possuem de 300 a 1000 detectores e fazem cortes de 1 a 4 segundos. Com maior número de detectores, de menos tempo de corte e com aumento da resolução da imagem reduz os artefatos gerados pelos movimentos respiratórios, peristálticos e batimentos cardíacos fornecendo melhores informações.

2 – PRINCÍPIOS BIOFÍSICOS

Os valores numéricos dos coeficientes de absorção dos diversos tecidos são calculados sempre em relação ao coeficiente linear da água, para o qual é atribuído o valor numérico de zero, em uma escala que pode variar de acordo com a aparelhagem usada. Entre os tecidos humanos, os ossos estariam na faixa mais alta da escala, e ar (pulmão e tubo digestivo), na faixa mais baixa. Estes valores são denominados Unidades Hounsfield ou UH (físico inglês, pioneiro da TC) ou valores de atenuação.

Como nos exames da Radiologia Convencional, a definição da imagem depende do contraste entre as diferentes densidades das estruturas, conseqüente do grau de absorção de raios-X em cada uma delas. Como o computador consegue ter mais sensibilidade na detecção da radiação, existe maior gama de tons intermediários, permitindo maiores informações que na Radiologia Convencional.

A cada valor numérico corresponde um tom de cinza, preto ou branco na composição da imagem. (Quadro 1)

Densidade na TC
Valores de atenuação
Imagem no filme

Meio de contraste
+100 a 1.000
Branca brilhante

Osso
100
Branca

Água, (partes moles)
0 a 100
Cinza médio

Gordura
-60 a –100
Cinza escuro

Ar
-120 a –1.000
Preta

Quadro 1

2.1 – DENSIDADE

A densidade é usualmente referenciada às partes moles, cujo valor é variável entre 0 a 100 UH. Fala-se, assim, de imagens hipodensas ou hiperdensas.

Imagem Hipodensa: valores de atenuação baixos, isto é, entre o ar e a água, menores ou iguais a 100 UH formam imagens do preto ao cinza escuro. Ex: ar, gordura e líquor.

Imagem Hiperdensa : valores de atenuação altos, isto é, maiores ou iguais a 100 UH, formam imagens brancas. Ex: calcificações, meio de contraste.

Imagem mista: Imagem com as duas densidades (parcialmente hipodensa e hiperdensa).

3 – IMPORTÂNCIA

A tomografia linear é útil para melhor definição de contornos e identificação de elementos no interior de uma lesão (calcificações e cavitações) não visibilizados na radiografia convencional. As indicações de procedimentos estão diretamente relacionadas com a lesão a ser observada, a escolha desta modalidade de exame deve levar em conta vários fatores. Geralmente, áreas anatômicas, como o retroperitônio e a pelve, são, na maioria dos casos, mais adequados para orientação por TC, assim como lesões pequenas situadas em áreas críticas, em situações em que seja preciso evitar alças intestinais ou estruturas vasculares. Em pacientes imunologicamente comprometidos, em indicação clínica de uma biópsia por grande agulha cortante ou quando deve ser injetado algum tipo de agente de contraste, como o contraste urográfico ou ar, a TC também é a modalidade escolhida.

3.1 – CONTRASTE

Na TC utilizamos meio de contraste endovenoso à base de Iodo, cuja densidade metálica permite não só dissociar vasos como demonstrar processos dinâmicos de funcionamento dos órgãos estudados. A injeção endovenosa de contraste iodado permite uma melhor avaliação melhorando o detalhadamento anatômico (a visualização da estruturas bem como todos os seus detalhes anatômicos).

Os contrastes iodados são macromoléculas com densidade suficiente para absorver os feixes de raios-X. Essas substâncias são excretadas pelos rins, sendo filtradas pelos glomérulos e concentrada pelos túbulos, aparecendo em grande concentração nas vias excretoras.

Quando fazemos a injeção endovenosa do meio de contraste, as lesões podem captar ou não o iodo. Baseados nesse fato podemos classificar as lesões em:

Lesão hipercaptante – lesão que capta muito o meio de contraste;
Lesão hipocaptante – lesão que capta pouco o meio de contraste;
Lesão não captante – lesão que não capta o meio de contraste;
Lesão espontaneamente densa – lesão com alta densidade sem a injeção do meio de contraste;
Lesão isodensa – lesão que capta o meio de contraste e torna-se de igual densidade às estruturas vizinhas.
3.2 – CONTRA INDICAÇÃO

A TC é contra-indicada nas seguintes situações: mulheres grávidas, pessoas obesas (acima de 150 Kg), portadores de alergia ao contraste iodado ou com insuficiência renal crônica (somente submetem a fase sem contraste), pessoas que fizeram exames contrastado recentemente utilizando substância de sulfato de bário, pessoas com distúrbios neurológicos, portadores de mal de Parkinson e outras afecções que causam movimentos involuntários, distúrbios psiquiátricos e os extremos de idade.

3.3 – COMPLICAÇÕES

As complicações gerais de procedimento da TC são limitadas à técnica inadequada, ausência de cooperação do paciente ou processos intersticiais obstrutivos ou difusos não diagnosticados no pulmão.

3.4 – ARTEFATOS METÁLICOS

São imagens que não pertencem à lesão, e que tiveram a origem a partir de corpos estranhos, como a do metal das próteses dentárias. Isso ocorre porque o metal impede a passagem dos raios-X, como na radiologia convencional. As estruturas situadas por trás do metal não são detectadas, formando imagens lineares pretas.

3.5 – ARTEFATOS DE MOVIMENTO

Em decorrência de movimentos voluntários ou não do paciente, as imagens tornam-se tremidas (sem nitidez), perdendo a definição.

3.6 – VANTAGENS E DESVANTAGENS DA TC

A radiografia em duas incidências permite estudar topografia e contornos da lesão. Na tomografia linear os contornos são ainda mais nítidos. Já na TC podemos estudar densidades, relação com estruturas vizinhas e planos de clivagem.

3.6.1 – VANTAGENS

Obtenção de imagens em cortes, sem superposição, capacidade de detectar diferenças de densidades tissular da ordem de 0.5% ou menos, capacidade de através da análise dos valores numéricos dos coeficientes de absorção identificar os componentes dominantes das estruturas, possibilidade de processar a imagem a qualquer momento através de dados armazenados em discos magnéticos.

3.6.2 – DESVANTAGENS

“Alto custo”, utiliza radiação ionizante e meio de contraste iodado, limitação de planos de corte em equipamentos mais antigos que não fornecem boas imagens de reconstrução.

4 – CONCLUSÃO

Concluímos que a Tomografia Computadorizada é um exame que possibilita a visualização de lesões, usando feixes de raios-X que são transmitidos para o computador resultando em um material que auxilia no diagnóstico de várias doenças. Mencionado exame evoluiu tecnologicamente, passando por modernos equipamentos, o que possibilitou uma menor exposição do paciente à radiação e resultados mais efetivos.

5 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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ELETA, Francisco A. Diagnóstico por imágenes de la cara, cráneo y endocráneo: radiografías simples, tomografía convencional, angiografía, tomografía computada. 1. ed. Barcelona, España: Editorial JIMS, 1985. 2v.

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ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE: Empleo futuro de nuevas técnicas de dignostico por imagen en paises en desarollo: informe de un grupo cientifico de la OMS.. Ginebra: OMS, 1985. 73p.

WEBB, W. Richard; BRANT, William E.; HELMS, Clyde A. Fundamentos de tomografia computadorizada do corpo. 2. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2000. 303p.

PAUL, Lester W.; JUHL, John H.; CRUMMY, Andrew B. Interpretação Radiológica. 6. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, c1996. 1024p.

PAUL, Lester W.; JUHL, John H.; CRUMMY, Andrew B.; KUHLMAN, Janet E. Interpretação radiológica. 7. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, c2000. 1186p.

KOCH, Hilton A.Radiologia na formação do médico geral. Rio de Janeiro: Revinter, 1997. 257p.

HAAGA, John R. Tomografia computadorizada e ressonância magnética do corpo humano. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, c1996. 2v.

LEE, Joseph K. T. Tomografia computadorizada e ressonância magnética do corpo humano. 3. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, c1996. 2v.

NISCHIMURA, Lúcia Y.; POTENZA, Marlene M.; CESARETTI, Isabel U. R. Enfermagem nas unidades de diagnóstico por imagem: Aspectos fundamentais. São Paulo: Atheneu, 2000.

NASCIMENTO, Jorge do. Temas de técnica radiológica com tópicos sobre tomografia computadorizada e ressonância magnética. 3. ed. São Paulo: Revinter, 1996.

LEITE, Cláudia da C.; JÚNIOR, Edson A. OTADUY, Maria G. Física básica da tomografia computadorizada: princípios da formação da imagem em tomografia computadorizada. Disponível em: . Acesso em: 08/05/2005.

JÚNIOR, Edson A.; YAMASHITA, Hélio. Aspectos básicos da tomografia computadorizada e ressonância magnética. Disponível em: Acesso em: 08/05/2005.

TRANSFUSÃO DE SANGUE

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Autoria: Christiane Pereira

Tranfusão Sanguínea: Aspectos Éticos

I – INTRODUÇÃO

Quem são as Testemunhas de Jeová? São uma organização religiosa que teve origem no americano Charles Taze Russell (1852-1916).

Quando surgiram? Em 1870, quando Russell, aos 18 anos de idade, formou um grupo para estudar a Bíblia, partindo da premissa de que todas as igrejas de seu tempo eram falsas e não ensinavam a verdade bíblica.

A que eles se opõem? A terapia transfusional por motivos de convicção religiosa, desde 1945.

Levíticos 17:10 e Atos dos Apóstolos 15:20.

Cernicchiaro (1999) diz : “No Direito Nacional, o sangue é tido como substância essencial à vida do homem e de alguns animais; poderá ser objeto material do crime de lesão corporal (art. 124), necessário que é à saúde. Os testemunhas de Jeová, ao contrário, além da realidade e características físicas, conferem-lhe natureza sacra e, por isso, intocável, impossível, então, como conseqüência, a prática de transfusão.”

Miguel Kfouri Neto (1998) diz: “As Testemunhas de Jeová consideram que o sangue alheio é impuro e moralmente contaminado. Daí a recomendação de não consumir esse material biológico, quer por via oral ou endovenosa.

Depois, ao longo dos anos, estabeleceu novas regras ( a organização) que entraram em aspectos cada vez mais técnicos da questão. A tabela seguinte apresenta aquela que é basicamente a posição atual da organização acerca do uso de sangue:

Componentes do sangue e práticas proibidas
Componentes do sangue e práticas permitidas

Sangue Total Albumina
Plasma Imunoglobulina
Glóbulos Brancos(leucócitos) Preparados hemofílicos (Fator VIII e IX)
Glóbulos Vermelhos Passagem do sangue do paciente através de uma bomba cárdio-pulmonar ou outra em que a circulação extra-corpórea seja ininterrupta.
Plaquetas
Armazenar o sangue do Próprio paciente para Transfusão posterior.

Fonte: www.geocities.com./observa3/busca09.htm

Alegar um impedimento religioso para a realização de um ato médico é bastante mais freqüente do que se imagina. Muitas vezes os pacientes ou seus familiares ficam constrangidos de utilizarem um referencial religioso para orientar a sua tomada de decisão. Algumas denominações religiosas, como por exemplo, Ciência Cristã e Testemunhas de Jeová, são conhecidas por seus seguidores imporem restrições desta ordem a algumas formas de tratamento.

A questão que envolve a indicação médica de transfusão de sangue em pacientes da seita Testemunhas de Jeová, é das mais polêmicas e conhecidas. Esta situação envolve um confronto entre um dado objetivo com uma crença, entre um benefício médico e o exercício da autonomia do paciente.

A base religiosa que os Testemunhas de Jeová alegam para não permitirem ser transfundidos é obtida em alguns textos contidos na Bíblia.

“Deus diz que a alma está no sangue. De modo que é errado ingerir sangue (Gn 9.3,4 e 16; Lv 17.10-14;7.26-27;At 15.19-29; 21.25). Isto significa que de forma alguma devemos receber em nosso corpo o sangue de outras pessoas ou mesmo o nosso sangue armazenado (At 21.25). Portanto os verdadeiros cristãos não aceitam transfusões de sangue. Querem viver, mas não tentarão salvar a vida por violar as leis de Deus (Mt 16.25). É fatal prezar mais a vida do que a lei de Deus”. (MENEZES,2001, Pg 338).

Estas passagens proíbem a transfusão de sangue? De maneira nenhuma. A proibição é de comer o sangue, fazendo do sangue um alimento. Além disso, todas elas falam do sangue dos animais, e não do sangue humano. Alimentar-se de sangue de animais é uma coisa, e um enfermo necessitar de sangue ou de uma transfusão para a sua sobrevivência é outra bem diferente.

A revista DESPERTAI! 1990, coloca outros questionamentos que as TJ fazem no artigo intitulado: Como o sangue pode salvar a sua vida?

As transfusões de sangue são seguras? Baseados num estudo de uma conferência realizada nos EUA sobre as Transfusões, escrevem; Cerca de 1 em cada 100 transfusões é acompanhada de febre, calafrios ou urticária… cerca de 1 em cada 6.000 tranfusões de hemácias resultam numa reação transfuncional hemolítica. Segundo a revista World Report (1/5/89), 5% dos que recebem sangue nos EUA, contraem hepatite – 175.000 por ano. Cerca de metade delas tornam-se portadores crônicos, pelo menos, 1 em cada 5, manifesta a cirrose hepática, ou o câncer do fígado. Calcula-se que 4.000 delas morrem. Também lançam o argumento de que o vírus da AIDS, e a Doença de Chagas encontram um bom meio de transporte no sangue.”

Infelizmente eles esquecem de colocar a estatística e os números de quantos são salvos diariamente devido as transfusões de sangue, e esquecem que quem primeiro recusou a transfusão de sangue foram os alemães que adotaram a ideologia nazista da raça superior. Temiam receber sangue de uma raça inferior. Mesmo quando feridos, recusavam-se à transfusão de sangue, com medo de receber sangue de negro ou judeu. Odiavam e desprezavam outras raças.

Baseando-se em Mateus 24.45-47, a organização Testemunhas de Jeová ensina que Jesus profetizou a existência de uma classe chamada, na Tradução do Novo Mundo, “escravo fiel e discreto”. Essa classe teria como porta-voz um grupo conhecido como Corpo Governante, que se encontra na sede mundial da organização, corpo este composto por cerca de uma dezena de homens (Janeiro de 2001). Sua tarefa é interpretar a Bíblia para os TJ, os quais não podem contrariar suas interpretações. Tudo que o Corpo Governante ensinar deve ser recebido como vontade de Jeová para a organização. Sobre este grupo, as publicações da organização afirmam:

“Os interesses do Reino na Terra foram confiados ao “escravo fiel e discreto”, representado pelo Corpo Governante das Testemunhas de Jeová. O Corpo Governante preocupa-se primariamente com o fornecimento de instruções espirituais e de orientação à congregação cristã. (A SENTINELA, 15/12/2000, pg21).

Os homens desse Corpo Governante, como os apóstolos e anciãos em Jerusalém, têm muitos anos de experiência no serviço de Deus. Mas não confiam na sabedoria humana ao fazerem as decisões. Não sendo governados teocraticamente, seguem o exemplo do primitivo Corpo Governante em Jerusalém, cujas decisões baseavam-se na Palavra de Deus, e eram feitas sob a direção do Espírito Santo.

Para apegar-se à chefia de Cristo, é portanto necessário obedecer à organização que ele dirige pessoalmente. Fazer o que a organização diz, é fazer o que ele diz. Resistir a organização, é resistir a ele. (A SENTINELA , 1/11/1959, 87, pg 653).

Segundo o Corpo Governante “meramente ter a Palavra de Deus e lê-la não basta para adquirir o conhecimento exato que coloca a pessoa no caminho da vida”. Por isso, existem outras publicações como: A Sentinela, Despertai!, Raciocínios à Base das Escrituras, Conhecimento que Conduz à Vida Eterna, e outros. De um lado, a organização TJ diz que essas publicações produzidas pelo Corpo Governante, não podem substituir a Bíblia; de outro, crê que a Bíblia não pode substitui-las”.

Cremos que a Bíblia seja a Palavra de Deus, conquanto interpretada pelo “escravo fiel e discreto” e seu Corpo Governante; se não estivermos com este canal de comunicação usado por Jeová para nos ensinar a entender a Bíblia, não avançaremos na estrada da vida, não importa quanto a leiamos. Cremos também que a Tradução do Novo Mundo, produzida por fiéis servos de Jeová, é a única confiável; as demais, usadas pela cristandade, estão repletas de sectarismos e filosofias mundanas”(MENEZES, 2001, Pg 77-79).

Já existe uma farta bibliografia a respeito desta questão. A maioria divide-se em duas abordagens básicas: o paciente capaz de decidir moral e legalmente e o paciente incapaz.

O paciente reconhecidamente capaz deve poder exercer a sua autonomia plenamente. Este posicionamento foi utilizado pelo Prof. Diego Gracia, da Universidade Complutense de Madri/Espanha, ele utiliza esta situação como paradigmática no exercício da autonomia do indivíduo frente a pressões sociais.

Para alguns autores, como Genival Veloso de França este posicionamento só é válido enquanto não houver risco de morte iminente associado ao estado do paciente. Nesta situação o médico estaria autorizado a transfundir o paciente, mesmo contra a sua vontade, com base no princípio da Beneficência. O argumento utilizado o de que a vida é um bem maior, tornando a realização do ato médico um dever prima facie , sobrepujando-se ao anterior que era o de respeitar a autonomia (FRANÇA,1994). Este posicionamento tem respaldo, inclusive no Código de Ética Médica.

Artigo 46 – (É vedado ao médico) efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e o consentimento prévios do paciente ou de seu responsável legal, salvo em iminente risco de vida.

Artigo 56 – (É vedado ao médico) desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnosticas ou terapêuticas, salvo e, caso de iminente risco de vida.

O Conselho Federal de Medicina se manifestou, em 26 de setembro de 1980, através de uma Resolução n° . 1021, especificamente sobre a questão da transfusão de sangue em Testemunhas de Jeová.

A Constituição Brasileira de 1988 propõe a liberdade de crença para todo cidadão. Quando a situação envolve menores de idade ou outros pacientes tidos como incapazes, como por exemplo uma pessoa acidentada inconsciente, a questão ganha outras conotações, pois o papel de proteger o paciente, apesar da vontade expressa de seus responsáveis legais pode ser ampliado. A questão que pode ser levantada no caso de adolescentes é até que ponto eles não podem ser equiparados, desde o ponto de vista estritamente moral, aos adultos, quanto a sua opção religiosa. ) Estatuto da Criança e do Adolescente, em seu artigo 17, lhes dá o direito de exercerem a sua liberdade de culto, garantindo igualmente o respeito a esta manifestação. Este mesmo Estatuto permite que, em caso de adoção, o menor com doze ou mais anos possa também se manifestar. Por que este consentimento também não pode ser ampliado para esta questão? Muitas vezes as equipes de saúde solicitam à Procuradoria da Infância e Adolescência que busque autorização judicial para a realização do procedimento, através da suspensão temporária do pátrio poder.

A restrição à realização de transfusões de sangue pode gerar no médico uma dificuldade em manter o vínculo adequado com o seu paciente. Ambos têm diferentes perspectivas sobre qual a melhor decisão a ser tomada, caracterizando um conflito entre a autonomia do médico e a do paciente. Uma possível alternativa da resolução deste conflito moral é a de transferir o cuidado do paciente para um médico que respeite esta restrição de procedimento.

Os seguidores desta denominação religiosa — Testemunhas de Jeová — estão muito bem organizados para auxiliarem as equipes de saúde no processo de tomada de decisão. Existem Comissões de Ligação com Hospitais, que são constituidas por pessoas que se dispõem a ir ao hospital prestar acessoria visando o melhor encaminhamento possível ao caso. A CLH dispõe de um cadastro de médicos que pode ser útil em tais situações.

Os princípios da nossa Constituição, que tem como finalidade maior a proteção dos direitos fundamentais do ser humano, e se chocam algumas vezes com as emanações do Código de Ética Médica, código este que norteia os profissionais da medicina. Há um verdadeiro e sério descompasso entre as leis brasileiras, ou seja, a Constituição Federal, o Código Penal Brasileiro, o Código de Ética Médica e suas devidas aplicações.

No artigo 5° , inciso VI, a Constituição de 1988 dispõe:

“É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias”.

No inciso VIII deste mesmo artigo lê-se que:

“Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta, e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei”.

O Código Penal Brasileiro, no seu artigo 135, refere omissão de socorro quando o médico “deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparo, ou em grave e iminente perigo de vida “.

Talvez ai residam as razões pelas quais os médicos se preocupem em atender aos pacientes em iminente perigo de vida, como dever legal.

Em consonância com tal pensamento. O artigo 146 do mesmo dispositivo penal reforça a idéia da classe médica quando refere: “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite ou fazer o que ela não manda…”o parágrafo 3° deste mesmo artigo, entretanto aduz: “Não se compreendem na disposição deste artigo: I — a intervenção médica ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal, se justificada por iminente perigo de vida “.

É com base nesse parágrafo 3° , certamente que os médicos fazem cumprir o auxílio do iminente perigo de vida, sem levar em consideração o caput do artigo 146.

O artigo 46 do Código de Ética Médica — (É vedado ao médico) efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e o consentimento prévios do paciente ou de seu responsável legal, salvo em iminente risco de vida. E o artigo 48 do mesmo código diz que: Exercer sua autoridade de maneira a limitar o direito do paciente de decidir livremente sobre sua pessoa ou seu bem estar.

O Código Civíl Brasileiro, em seu artigo 159, ordena: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência, ou imprudência, violar direito, ou causar prejuizo a outrem, fica obrigado a reparar o dano”.

Eis, portanto, situações conflitantes no que diz respeito aos ordenamentos legais (Código Penal e Civil Brasileiros e Código de Ética Médica).

Merece consideração especial o fato de que a Constituição Brasileira se sobrepõe aos dispositivos do Código Civil e Penal, que se acham a ele subordinados.

O artigo 5° , inciso VI, da referida Constituição, faz segura referência ao direito de liberdade, inclusive o “inviolável” direito de liberdade religiosa.

Adicione-se a esse pensamento o princípio da autonomia, marco indubitável da caminhada e do reconhecimento profundo da bioética, que se constitui em aspecto importante da existência humana porque traduz a vontade do indivíduo, do seu EU como pessoa humana, seus deveres, seus direitos, que estão firmados em códigos, mas sobretudo, no seu código interior que lhe é próprio.

O homem e a mulher formam a constelação maior da humanidade, assim seus princípios, sua vontade, sua capacidade de discernir, seus sentimentos, sua independência, sua autonomia, merecem o respeito e a atenção devidos em todos os atos de suas vidas, quaisquer que sejam as circunstâncias. É a visão holística da autonomia do indivíduo.

Cid Célio Carvalhaes, no artigo intitulado : Testemunha de Jeová — Transfundir ou Não, Eis a Questão diz: “Em caso de haver recusa em permitir a transfusão de sangue, o médico, obedecendo ao Código de Ética Médica deverá observar a seguinte conduta:

1 – Se não houver iminente perigo de vida, o médico respeitará a vontade do paciente ou de seus responsáveis.

2 – Se houver iminente perigo de vida, o médico praticará a transfusão de sangue, independentemente de consentimento do paciente ou de seus responsáveis’.

Dr. Telmo Reis Ferreira – Relator.

Quanto a este dilema, que preocupa a maioria dos médicos dos serviços de P.S., UTIs e C.C., parece-nos bastante esclarecedora a Resolução do CFM n° 1021 de 26/9/80.

Decisão do Superior Tribunal de Justiça em Habeas Corpus n° 7785, de São Paulo, refere-se à decisão soberana do médico, que deverá adotar conduta adequada ao caso concreto, ou seja, decisões terapêuticas competem ao médico. (Julgado em Nov/98).

(ORLANDO, 2001).

1.1 – COLISÃO DE DIREITOS

LIBERDADE X VIDA

Liberdade Religiosa X Direito à Vida

A Constituição Federal/88 garante ambas.

O que pode acarretar uma transfusão sangüínea?

Infecções virais, bacterianas, reações e desequilíbrios quimico/metabólicos, tais como:

AIDS
Reações imunomediadas.
Reações transfusionais sorológicas e hemolíticas tardias.
Reações transfusionais não-hemolíticas febris.
Reações alérgicas.
Reações anafiláticas.
Hepatites.
Doença de Chagas.
Toxoplasmose.
Sífilis.
Trompocitopenia pós transfusional.
BUSCA DOS CIENTÍSTAS – desenvolver meios de realizar cirurgias sem transfusão de sangue pois o risco inerente à transfusão de sangue e componentes de sangue ou frações é real.

A melhor solução seria a Transfusão Autóloga, que consiste na coleta e reinfusão do próprio sangue do paciente para reduzir a exposição a sangue alogênico.

Jay Menitove (1997) diz: ” a transfusão de sangue total é indicada na reposição de déficits sintomáticos e concomitantes na capacidade de transporte do oxigênio e volume sangüíneo.”

Administram-se fluidos (soluções cristalóides ou colóides) em pacientes com hemorragia moderada, visando a restauração do volume intravascular. Entretanto, quando a perda de sangue atinge, aproximadamente, de 25 a 30% do volume sangüíneo, o paciente encontra-se em IMINENTE RISCO DE VIDA, em virtude do risco de choque hipovolêmico. Assim sendo, a transfusão de sangue total se faz necessária para que se reestabeleça o volume intravascular, e para que se restaure a capacidade de transporte do oxigênio.

Determinação da Constituição Federal/ 88 : “Ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa, senão em virtude de lei”; art. 5 , inciso II. Por outro lado, existe o dever legal do médico de prestar socorro.

DIREITO À VIDA

IRRECONCILIÁVEIS

DIREITO À LIBERDADE RELIGIOSA

Como harmonizar esses direitos conflitantes, sem o total sacrifício de um deles?

A vida pode ser renunciada, em detrimento da liberdade religiosa?

Cada ser humano, tem sua escala de valores, que é dependente da cultura, da genética e, também, da experiência de vida.

Havendo a recusa do tratamento por parte do paciente ou de seu representante legal, cada caso, em particular, poderá ser solucionado a critério médico, nas situações de emergência, ou através da tutela jurisdicional, quando houver a necessidade de se recorrer a esse meio de resolução de conflitos. Nesse ultimo caso, o médico pode obter uma liminar, autorizando a realização do tratamento. O médico é o único árbitro, que deve tomar as decisões nas situações de emergência. Em face do iminente perigo de vida, em alguns casos , não há tempo para se recorrer ao judiciário. Constantino (1998) se manifestou assim: é o médico quem vai “definir se é necessária uma transfusão de sangue ou outro tratamento alternativo; sendo a transfusão necessária, o profissional da medicina não pode omitir-se de aplicá-la, em razão da religião de seu paciente, pois a vida é o direito maior, irrenunciável, de ordem pública.”

A orientação do Conselho Federal de Medicina aos médicos, buscando fixar uma abordagem ética diz:

“Em caso de haver recusa em permitir a transfusão de sangue, o médico, obedecendo o seu Código de Ética, deverá observar a seguinte conduta: 1° – Se não houver perigo de vida, o médico respeitará a vontade do paciente ou de seus responsáveis. 2° – Se houver iminente perigo de vida, o médico praticará a transfusão de sangue, independentemente do consentimento do paciente ou de seus responsáveis.

Estará assim, cumprindo seu dever ético e legal.”

O iminente perigo de vida, justifica, plenamente, a existência do estado de necessidade, que afasta tanto a responsabilidade civil como penal. Quando porém, não havendo o iminente risco de vida, o direito a liberdade religiosa teria sido violado. Dar-se-ia ensejo a responsabilidade penal e, também, seria possível a reparação civil, por danos morais.

Pena de acordo com o artigo 146 do Código Penal:

Detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, ou multa.

1.2 – PAPEL DO ENFERMEIRO

Resolução COFEN – 200/97

Regulamento da atuação dos Profissionais de Enfermagem em Hemoterapia.

1 – Finalidade

O presente regulamento tem como finalidade estabelecer a atuação dos profissionais de Enfermagem em hemoterapia segundo as Normas Técnicas estabelecidas pelo Ministério da Saúde.

2 – Objetivo Geral

Regulamentar a atuação dos profissionais de Enfermagem nos serviços de hemoterapia.

2.2 – Objetivos Específicos

Assegurar a qualidade da assistência prestada pelos profissionais de Enfermagem em todo processo hemoterápico em níveis hospitalar, ambulatorial e domiciliar.

Promover a humanização dos procedimentos relativos à hemoterapia.

Garantir os direitos à vida e à dignidade do homem, no pleno exercício das ações de Enfermagem, desenvolvidas no processo hemoterápico.

3 – Recursos Humanos

Os profissionais de Enfermagem devem integrar a equipe multiprofissional de hemoterapia, em conformidade com a legislação vigente.

4 – Competência do Enfermeiro em Hemoterapia.

Planejar, executar, coordenar, supervisionar e avaliar os procedimentos hemoterápicos e de Enfermagem nas Unidades, visando assegurar a qualidade do sangue e hemocomponentes/hemoderivados coletados e infundidos.
Assistir de maneira integral aos doadores, receptores e suas famílias, tendo como base o Código de Ética dos profissionais de Enfermagem e a legislação vigente.
Promover e difundir medidas de saúde preventivas e curativas através da educação de doadores, receptores, familiares e comunidade em geral, objetivando a saúde e segurança dos mesmos.
Cumprir e fazer cumprir as normas, regulamentos e legislação vigente.
Elaborar a prescrição de enfermagem, necessária para as diversas etapas do processo hemoterápico.
Executar e/ou supervisionar a administração e a monitorização da infusão de hemocomponentes e hemoderivados, detectando as eventuais reações adversas.
Registrar informações e dados estatísticos, pertinentes à assistência de Enfermagem ao doador e receptor.

1.3 – LEIS

Constituição Federal/88 – Art.5, inciso II – “Ninguém será obrigado a fazer alguma coisa, senão em virtude da lei.

Artigo 5, inciso VI – “É inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias.”

Artigo 5, inciso VIII – “Ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta, e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei.”

Código de Ética Médica

Artigo 46 – É vedado ao médico efetuar qualquer procedimento médico sem o esclarecimento e o consentimento prévios do paciente ou de seu responsável legal, salvo em iminente perigo de vida.

Artigo 56 – É vedado ao médico desrespeitar o direito do paciente de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo e, caso de iminente risco de vida.

1° – Se não houver perigo de vida, o médico respeitará a vontade de seu paciente ou de seus responsáveis. ( no caso de recusa).

2° – Se houver iminente perigo de vida, o médico praticará a transfusão de sangue, independentemente do consentimento do paciente ou de seus responsáveis.

Quando não houver iminente perigo de vida — acarretaria em responsabilidade penal, e possível reparação civil, por danos morais, com pena de detenção de 3 meses a 1 ano, ou multa segundo o Código Penal.

O Código Penal Brasileiro, artigo 135, refere omissão de socorro quando o médico “deixar de prestar assistência, quando possível fazê-lo sem risco pessoal, à criança abandonada ou extraviada, ou à pessoa inválida ou ferida, ao desamparado, ou em grave e iminente perigo de vida.”

Artigo 146 reforça a idéia da classe médica quando refere: “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite ou fazer o que ela não manda…”

O parágrafo 3° deste mesmo artigo, entretanto aduz: “Não se compreendem na disposição deste artigo: I – a intervenção médico ou cirúrgica, sem o consentimento do paciente ou de seu representante legal, se justificada por iminente perigo de vida”.

No artigo 159, o Código Civíl Brasileiro, ordena: “Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito, ou causar prejuizo a outrem, fica obrigado a reparar o dano”.

II – JUSTIFICATIVA

A partir de um trabalho de pesquisa de classe, sobre a matéria Ética na Enfermagem, buscamos, através de bibliografias, mostrar a realidade das Leis Brasileiras, diante do problema Transfusão de Sangue para as Testemunhas de Jeová, o papel do médico e conseqüentemente o papel da Enfermagem na equipe multiprofissional que cuida desse paciente.

III – DELIMITAÇÃO DO PROBLEMA

As Testemunhas de Jeová não aceitam a Transfusão Sangüínea em circunstância alguma e se valem da própria lei constitucional para defender seus direitos, a mesma lei que dá ao médico o direito de intervir contra, se houver perigo iminente de morte.

IV – OBJETIVOS

Compreender o ponto de vista dos seguidores da Seita Testemunha de Jeová para uma posição ética perante o paciente, familiares e equipe multiprofissional.

Conhecer o que a Constituição Brasileira diz sobre os direitos do paciente e as obrigações dos médicos com relação a transfusão sangüínea à pacientes Testemunhas de Jeová.

V- METODOLOGIA

Pesquisa Bibliográfica.

VI – CONCLUSÃO

Esse problema subsistirá enquanto a terapia transfusional for necessária. Infelizmente, os tratamentos alternativos não podem ser utilizados em todos os casos. Na verdade, eles só podem ser aplicados a uma porcentagem muito pequena. A transfusão de sangue continua sendo imprescindível, sem qualquer possibilidade de ser evitada.

Embora haja muita incoerência, por exemplo: Na edição de22/10/90 a revista Despertai! (Órgão Máximo da Organização Testemunhas de Jeová), é colocado que o Plasma constitui cerca de 55% do volume do sangue. E quanto a critério do volume é colocado na lista de “componentes maiores” proibidos pela Torre de Vigia. No entanto o plasma chega a ser constituido por 93% de água simples. Quais os componentes restantes que perfazem 7%? As principais são albumina, globulina, ( as imunoglobulinas são as mais importantes), fibrinogênio e fatores de coagulação (usadas nas soluções hemofilicas). Estas são as colocadas na lista de ” permitidas” aos seus membros. O plasma é proibido apesar de seus componentes principais serem permitidos desde que separadamente.

Proibem também os leucócitos que compõem apenas 1% do sangue, e se esquecem que o leite humano contém leucócitos. O sangue contém cerca de 4.000 a 11.000 leucócitos por milímetro cúbico, enquanto leite de uma mãe pode conter, durante os primeiros meses de aleitação até 50.000 leucócitos por milímetro cúbico. Isto representa entre cinco e doze vezes mais do que a quantidade presente no sangue.

Importante se faz que a Enfermeira esteja ciente desses fatos e que esteja constantemente em reciclagem para ter argumentos científicos, não para demover as convicções dos pacientes Testemunhas de Jeová, mas para responder a cada um que pergunte sobre sua posição com autoridade, podendo inclusive mudar o curso do tratamento.

VII – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Direitos e Obrigações dos Médicos, compilação organizada para a LTr Editora por HBTextos – São Paulo: LTr, 1998.

FRANZ, Raymond. Crise de Consciência. São Paulo: Hagnos,2002.

MATHER, George A.; NICHOLS, Larry A.; Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo. São Paulo: Editora Vida, 2000.

MENEZES, Aldo; Porque abandonei as Testemunhas de Jeová. São Paulo: Editora Vida, 2001.

www.cfm.org.br/revista/bio1v4/casoclin.htm1

www.geocities.com/debatetj/doutrinas.htm

www.geocities.com/observa3/busca09.htm

www1.jus.com.br/doutrina/texto.asp?id=2405

www.ufrgs.br/HCPA/gppg/transfus.htm

Transplante de Medula Óssea

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Autoria: Aline de Sena

TRANSPLANTE DA MÉDULA ÓSSEA

COLETA DE MEDULA ÓSSEA

Avaliação do Receptor

Os critérios de elegibilidade incluem idade (geralmente abaixo de 55 para o TMO alogênico e menos de 65 para o autólogo) e a disponibilidade de uma medula óssea ou de uma fonte de célula matriz periférica adequada.

Antes do TMO, uma pesquisa intensiva certifica que a doença da paciente é tratável pelo transplante e que ele não tem limitações que aumentem o risco de mortalidade. Os critérios específicos podem variar entre os centros de transplante e os protocolos de tratamento, mas geralmente incluem:

Investigação da gravidade e do grau de manifestações de uma doença especifica atual.
Função cardíaca adequada: geralmente uma fração de ejeção ventricular esquerda superior a 45%.
Boa função pulmonar: geralmente uma capacidade expiratória forçada e capacidade vital forçada maiores que 50%.
Boa função renal: em geral,creatinina inferior a 2 mg/dL.
Boa função hepática: em geral , bilirrubina inferior a 2 mg/dL.
Ausência de infecções em atividade( incluindo o HIV)
Nenhuma patologia clinica grave concomitante ou descontrolada.

Avaliação do Doador

Uma vez que a doação óssea para o TMO alogênico ou singênico é um procedimento eletivo sem qualquer beneficio ao doador, deve-se ter grande cuidado para assegurar que este esteja apto para a cirurgia e compreenda os possiveis riscos. Em geral,a investigação inclui:

Anamnese clinica exame físico completos
Radiografia do tórax
Eletrocardiograma
Avaliação laboratorial ( hemograma completo , bioquimica, pesquisa de CMV, hepatite B, hepatite C, HIV e sifilis, determinação do grupo ABO e Rh ,estudos de coagulação).
Deve-se obter o consentimento formal, incluindo as possiveis complicações no doador. As complicações relativamente mais comuns:

Equimose
Dor nos locais de aspiração
Sangramento leve
As complicações raras incluem:
Efeitos adversos da anestesia( geral, subdural ou epidural)
Infecções nos locais de aspiração
Dor persistente
Neuropatias transitórias
Em virtude da perda significativa de volemia e hemácias durante um procedimento de coleta,os doadores devem fornecer 1 ou 2 unidades de sangue autologo 1 a 3 semanas antes da cirurgia, as quais devem ser reinfundidas durante a coleta da medula se necessárias.

Procedimento de Coleta

Medula Óssea ( Autóloga ou Alogênica)

Feito sob anestesia epidural,subdural ou geral em condições estereis na sala de cirurgia.
É utilizada uma agulha de sapiração para puncionar a pele e depois várias vezes a crista ilíca sem sair da pele, retirando-se a medula em alíquotas de 2 a 5 mL( amostras).
A medula é colocada em seringas heparinizadas e filtrada para remoção de coágulos de fibrina e outros detritos
A medula pode ser infundida imediatamente, tratada e infundida ou congelada em uma solução cionservante contendo dimetilsulfóxido ( DMSO) até ser necessária.
A doação de medula óssea é um procedimento cirúrgico relativamente seguro com poucas complicações graves> uma revisão de 3.000casos comunicados ao International Bone Marrow Transplant Registry só constatou duas moprtes de doadores, nenhuma das quais resultou do procedimento de coleta em si.
Assistência ao Doador Depois da Coleta

Em geral, o procedimento é feito no mesmo dia, com o paciente recebendo alta depois de se recuperar da anestesia.
Observar as possiveis complicações ( sangramento, hipotensão decorrente da perda de liquido).
Instruir o paciente para retornar às atividades normais gradativamente na semana seguinte à doação.
Dizer ao paciente que mantenha os locais de aspiração limpos e secos e observar quanto a sinais de infecções( hiporemia, edema, calor ou secreção nos locais ,febre ,astenia).
Fazer uma boa analgesia( geralmente acetaminofeno com codeína) e ensinar ao paciente o controle da dor.
Providenciar a consulta de acompanhamento com o médico ,em 2 a 3 semanas, para realização de um hemograma completo

PREPARO E REALIZAÇÃO DO TRANSPLANTE

Preparo do Receptor

Instalar um cateter central de longa permanência para varios tratamentos endovenosos, nutrição parenteral total e flebotomias.
Administrar quimioterapia em altas doses ou radioterapia para:
Destruir células tumorais residuais.
Suprimir a resposta imunológica contra a medula nova.
Criar espaço na medula para as novas células.
Os sintomas imediatamente associados à quimioterapia de altas doses ou aos esquemas de radioterapia usados no TMO podem incluir:

Náuseas e vômitos graves ( em muitos esquemas)
Cardiomiopatia, cistite hemorrágica( com a ciclofosfamida)
Crises convulsivas
Febre, hiperemia generalizada, parotidite( com irradiação total do corpo)

Reinfusão da Medula Óssea

Medula Óssea Alogênica ABO Não- tratada

Administrada em 2 a 4 horas com uma grande bolsa de infusão de sangue, geralmente através de um cateter central calibroso.
O volume depende do tamanho do recptor e da celularidade de sua médula óssea; geralmente 500 a 2.000 mL.
As reações adversas imediatas possiveis geralmente têm relação com a sobrecarga de volume, reações alérgicas ou comprometimento do pulmão.
Deve haver pronta disponibilidade de medicamentos de emergência, e o receptor deve ser rigorosamente monitorado durante toda a infusão.

Medula Óssea Alogênica ABO Incompativel

A medula óssea ABO incompativel èr processada depois da coleta par se removerem hemácias incompativeis e plasma.
É administrada durante 2 a 4 horas com uma bolsa de infusão de sangue, geralmente através de um cateter central calibroso.
Em geral, o volume depois da remoção das hemácias é de 200 a 600 mL.
As possíveis reações adversas imediatas geralmente têm relação com reações alérgicas ou com a hemólise intravascular.
Deve haver pronta disponibilidade de medicamentos de emergência e o receptor deve ser rigorosamente monitorado durante a infusão.

Medula Óssea Alogênica Tratada

A medula óssea alogênica pode ser tratada antes da infusão por vários métodos que removam as células T, para impedir a DEVH. Os métodos incluem anticorpos monoclonais, centrifugação por contrafluxo e seleção positiva de células CD34+.

Estas manipulações podem alterar o volume total e resultar na retirada de hemácias e plasma.

Medula Óssea Autóloga

Esta é descongelada por imersão de água morna imediatamente antes de sua infusão.
É administrada por injeção IV lenta ou por pequenas bolsas de infusão.
O volume depende do tamanho do receptor e da quantidade de medula óssea coletada, geralmente 100 a 500mL.
As reações adversas imediatas geralmente têm relação com uso do DMSO como solução conservante e incluem reação de liberação de histamina, arritmias cardíacas, principalmente bradicardia e anafilaxia.
Assistência Pós-transplante

Considerações Gerais

Podfem ocorrer complicações importantes que requerem atendimento médico e de enfermagem especializados durante as primeiras semanas e meses após o TMO.

O atendimentos pela enfermagem visa a indentificação e tratamento precosse de problemas e inclui:

Avaliação fisicas e psicologica completa
Comunicação imediata do médico assitente, caso, sejam encontrados paramentros anormais
Tratamento especializados de problemas que possam ocorrer depois do TMO, como nauseas, vomitos, dor, fadiga, ansiedade, delirio.
Prevenção de infecção
Prevenção de sagramento
Complicação Hematopoieticas
Os pacientes que recebem TMO correm o risco de infecções bacterianas, virais e fungicas letais, em virtude de sua profunda imunossuspessão.

De maneira geral, esses pacientes são tratados em um ambiente protegido, que varia de aposentos hepafiltrados até um ambiente esteril isolado com fluxo de ar rigorosamente laminar

Outras intervenções prventivas variam muito e incluem procedimentos sostificados de desinfecção: dietas modificadas ou esteres; antiobioticos, antivirais e ntifungicos profilaticos culturas e vigilancia.

De maneira geral, omegacariocito é a ultima celula produzida pela medula ossea nova, e as plaquetometrias podem demorar meses ate retornarem ao normal.

Os pacientes submetidos ao TMO requerem a avaliação frequente dos sinaise sintomas de sagramentop visivel ou oculto, proteção contra ferimentos e ajuda de derivados contendo plaquetas

A anemia é uma complicação frequente em virtude de perda de hemacias por envelhecimento, destruição, sagramento e punções frequente.

Complicações Gastrintestinais

Pode sobreviver mucosite decorrente de quemioterapia de alta dose e da radioterapia, que destroi com rapidez as celulas em divisão incluido aquelas que revestem a boca e o esofago.

O tratamento inclui higiene oral meticulosa, analgesica local e sistema antibioticoterapia.
Podem ocorrer nauseas e vomitos de varias causas, incluido quimioterapia de alta dose,, infecção, hemorragia digestiva, DEVH ajuda e medicações.
O tratamento inclui intervemnções farmamacologicas e não-farmacologicas, reposição hidroeletrolitica e suporte das necessidaded nutricionais.
A diarreia pode ter varias causas, incluido quimioterapia de altas doses, infecção, hemorragia digestiva, DEVH e medicamentos
O tratamento inclui o uso cauteloso de antidiarreicos, reposição hidroeletrolitica, suporte das necessidades nutricionais, proteção da pele perirreal contra escoriação.
Complicações Renais e Geniturinarias

Ainsuficiencia renal pode ter varias causas, incluido toxidez medicamentos, infecção e isquemia
O tratamento inclui a manutenção de equilibrio hidroeletrooloitica a monitorização dos niveis dos medicamentos e a hemodialise
Pode ocorrer cistite hemorragica em decorrencia das altas doses de ciclofosfamida (Cytoxan) ou quando há certas viroses.
O tratamento inclui hidratação, hemoderivados, irrigação continua da bexiga e procedimentos invasivox como instlição de aluminio ou formalina.
Complicações Hepaticas

Pode ocorrer venooclusiva como resultado da lesão heptaica pela quimioterapia de alta dose e pela radioterapia; incidencia aproximada de 20%.
Os sinais e sintomas incluem hepatomegalia (geralmente dolorosa), bilirrubinemia, ganho de peso.
Pode evoluir para a encefalopatia hepatica, coagulopatias, com e morte em ate 50% dos pacientes com doeças venooclusiva.
Em geral, o tratamento visa a preveção de lesões adicionais e o tratamento dos sintomas.

Antilipêmicos – Terapia Medicamentosa para Hipercolesterolem

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Autoria: Juliana Klart

ANTILIPÊMICOS – TERAPIA MEDICAMENTOSA PARA HIPERCOLESTEROLEMIA E DISLIPIDEMIA

PALMEIRA DOS ÍNDIOS/AL

2006/02

INTRODUÇÃO

A hiperlipidemia é a principal causa de aterosclerose e doenças associadas à aterosclerose, tais como doença cardíaca coronariana, doença cerebrovascAutoria: Juliana Klartular isquêmica e doença vascular periférica. Os fármacos discutidos incluem inibidores da HMg-CoA redutase – as estatinas – que são fármacos mais efetivos e mais bem tolerados atualmente em uso para o tratamento de dislipidemia; resinas quelantes de ácidos biliares e ácido nicotínico (niacina).

A hiperlipidemia (hipercolesterolemia) é a principal causa de risco aterogênico aumentado e tanto os distúrbios genéticos como as dietas enriquecidas em gordura saturada e colesterol contribuem para os níveis lipídicos elevados da nossa população e de muitos outros paises desenvolvidos no mundo.

O reconhecimento da hipercolesterolemia como fator de risco levou ao desenvolvimento de fármacos que reduzem os níveis de colesterol.

A hipertrigliceridemia (níveis elevados de triglicerídeos) se grave (>1.000mg/dl), requer terapia para evitar pancreatite. Níveis de triglicerídios moderadamente elevados (150-400 mg/dl) também são preocupantes porque frequentemente ocorrem como parte de uma síndrome distinta pela resistência à insulina, obesidade, hipertensão e risco substancialmente aumentado de DCC. A dislipidemia aterogênica em pacientes com tal resistência à insulina ou síndrome metabólica caracteriza-se por triglicerídios moderadamente elevados, níveis baixos de HDL colesterol e LDL de lipídio depletado (às vezes chamado de LDL denso ou pequeno).

A hiperlipidemia (níveis elevados de triglicerídios ou colesterol) e níveis reduzidos de HDL colesterol ocorrem como uma conseqüência de vários fatores que atingem a concentrações das vaárias lipoproteínas plasmáticas. Esses fatores podem ser de estilo de vida ou comportamentais (dieta ou exercícios), genéticos (mutações em um gene que regula os níveis de lipoproteína) ou condições metabólicas (diabetes melito) que influenciam o metabolismo da lipoproteína plasmática.

METABOLISMO DA LIPOPROTEINA PLASMÁTICA

As lipoproteínas são macromoléculas que contêm lipídios e proteínas conhecidos como apolipoproteínas ou apoproteínas. Os componentes lipídicos incluem colesterol livre e esterificado, triglicerídios e fosfolipídios. As apoproteínas são muito importantes porque promovem estabilidade estrutual para as lipoproteínas e várias apoproteínas funcionam como ligandos nas interações lipoproteína-receptor ou são co-fatores nos processos enzimáticos que regulam o metabolismo da lipoproteína. Em todas as lipoproteínas esféricas, os lipídios mais insolúveis em água (colesteril estéril ésteres e triglicerídios) são componentes essenciais e os componentes mais polares solúveis em água (apoproteínas, fosfolipídios e colesterol não-esterificado) estão localizados na superfície. Essas apolipoproteínas incluem apoliproteínas (apo) A-I, apoA-II, apoA-IV, apoB-100, apoB-48, apoC-I, aoC-II, apoCIII, apoE e apo (a).

Quilomícrons: os quilomícrons são sintetizados a partir dos ácidos graxos dos triglicerídios dietéticos e do colesterol absorvidos do intestino delgado pelas células epiteliais. A síntese dos triglicerídios em muitos tecidos. Após serem sintetizados no retículo endoplasmático, os triglicerídios são transferidos por uma proteína de transferência de triglicerídios microssômico (MTP) para o local onde a apoB-48 recém-sintetizada está disponível para formar quilomícrons. O colesterol dietético é esterificado através de uma das duas formas de enzima acilcoenzima A: colesterol acetiltransferase (ACAT). Essa enzima, ACAT-2 é encontrada no intestino e no fígado, onde o colesterol celular livre é esterificado antes das lipoproteínas ricas em triglicerídios serem montadas. No intestino, a ACAT-2 regula a absorção do colesterol dietético e pode ser um alvo farmacológico potencial para a redução dos níveis de colesterol no sangue.

Após conseguirem entrar na circulação via ducto torácico, os quilomícrons são metabolizados inicialmente na superfície luminar dos tecidos que sintetizam a lipoproteína lípase (LPL), um triglicerídio hidrolase. Esses tecidos incluem tecido adiposo, músculo esquelético e cardíaco e tecido de mama de nutrizes. Como os triglicerídios são hidrolizados pela LPL, os ácidos graxos livres resultantes são absorvidos e utilizados pelos tecidos adjacentes. A interação dos quilomicrons e da LPL e dos triglicerídios quilomícrons. A ausência da LPL funcional ou da apoC-II funcional evita a hidrolise dos triglicerídios nos quilomícrons e resulta em hipertrigliceridemia e pancreatite durante a infância ou mesmo a lactancia (síndrome da quilomicronemia).

A concentração de quilomícrons pode ser controlada apenas pela redução do consumo de gordura na dieta. Não há atualmente nenhuma abordagem terapêutica que aumente o catabolismo do quilomícron exceto para reposição de insulina em pacientes com diabetes tipo I (a insulina tem um “efeito permissivo” na hidrólise do triglicerídio mediado pela LPL).

Quilomícons remanescentes: Após a remoção mediada pela LPL de muitos dos triglicerídios dietéticos, os quilomícrons remanescentes, que ainda contêm todo o colesterol dietético, soltam-se da superfície capilar e dentro de muitos são removidos da circulação pelo fígado em um processo de várias etapas mediado pela apoE. Primeiro, os remanescentes são seqüestrados pela interação da apoE com proteoglicanos de sulfato de heparina na superfície dos hepatócitos e são processados pela lípase hepática (HL), que depois reduz o conteúdo de triglicerídio restante. Depois, a apoE medeia a captação do remanescente através da interação com o receptor LDL hepático ou com a proteína LDL relacionada com o receptor (LRP). O LRP é um receptor com múltiplas funções que reconhece uma variedade de ligandos – incluindo apoE, HL e LPL. A ausência hereditária da LH funcional ou da apoE funcional impede a depuração dos remanescentes pelo receptor LDL e LRP, resultando em uma hiperlipidemia caracterizada por um aumento das lipoproteínas remanescentes ricas em colesterol e triglicerídios no plasma (hiperlipoproteinemia tipo III).

Os remanescentes de quilomícrons não são precursores da LDL. No entanto, durante a hidrólise inicial dos triglicerídios do quilomícron pela LPL, a apoA-I e os fosfolipídios são derramados a partir da superfície dos quilomícrons e continuam no plasma. Esse é um mecanismo pelo qual HDL nascente é gerado.

Lipoproteínas de muito baixa densidade: As VLDL são produzidas no fígado e são sintetizadas quando a produção de triglicerídios é estimulada por fluxo aumentado de ácidos graxos livres ou por síntese de novo aumento de ácidos graxos pelo fígado.

A apoB-100, a apoE e apoC-I, C-II e C-III sai sintetizadas constitutivamente pelo fígado e incorporadas na VLDL. Se os triglicerídios não estiverem disponíveis para formar a VLDL, a apoB-100 recém-sintetizada é degradada pelos hepatócitos. A VLDL nascente incorpora pequenas quantidades de apoE e apoproteínas C dentro do fígado antes da secreção, mas a maioria dessas apoproteínas é adquirida a partir do HDL, plasmática após as VLDL serem secretadas pelo fígado.

As VLDL plasmáticas são então catabolizadas nos leitos capilares em um processo semelhante ao processamento lipolítico descrito para os quilomícrons. Quando a hidrólise dos triglicerídios está quase completa, os remanescentes de VLDL, em geral chamados de IDL, são liberados do endotélio capilar e entram novamente na circulação. As VLDL pequenas que contêm apoB-100 e IDL, cuja meia-vida é de menos de 30min, apresentam dois destinos potenciais. Cerca de 40-60% são ligados por receptores LDL ou pelo LRP, que reconhece ligandos (apoB-100 e apoE) nos remanescentes e é depurada a partir do plasma essencialmente pelo fígado. O restante do IDL é depois atacado pela LPL e pelo HL – que removem triglicerídios adicionais, apoproteínas C e apoE – e são convertidos em LDL plasmático. Praticamente todas as partículas LDL no plasma são derivadas da VLDL.

Lipoproteínas de baixa densidade: As partículas de LDL que surgem do catabolismo da IDL têm uma meia-vida de 1,5-2 dias, que é responsável pela maior concentração plasmática de LDL do que de VLDL e IDL. A depuração plasmática de partículas de LDL é mediada essencialmente pelos receptores de LDL; um pequeno componente é mediado por mecanismos de depuração de não-receptores. A ausência ou o defeito dos receptores de LDL causa níveis elevados de LDL, plasmática e hipercolesterolemia familiar. A apoB-100, a única apoproteína da LDL, é o ligando que liga a LDL ao seu receptor. Os resíduos3.000-3.700 na seqüência carboxiterminal são fundamentais para a ligação. Mutações nessa região desfazem a ligação e são uma causa de hipercolesterolemia.

O fígado expressa um grande complemento de receptores LDL remove cerca de 75% de toda a LDL do plasma. Consequentemente, a manipulação da expressão do receptor LDL hepático é a forma mais efetiva de modular a LDL plasmática e os níveis de colesterol.

Os tratamentos dietéticos (redução no consumo de colesterol e de gordura saturada) e farmacológicos (tratamento com estatinas) mais efetivos da LDL hepático.

As LDL tornam-se aterogênicas quando são modificadas por oxidação, etapa necessária para a captação de LDL por meio de receptores de limpeza dos macrófagos.

Lipoproteínas de alta densidade: o metabolismo do HDL é complexo por causa dos mútiplos mecanismos pelos quais as partículas de HDL são modificadas no compartimento plasmático e pelos quais as partículas de HDL são sintetizadas. A apoA-I é a principal apoproteína HDL e sua concentração plasmática é o mais poderoso preditor inverso de risco de DCC do que o nível de HDL colesterol.

A síntese de apoA-I é necessária para a produção normal de HDL. Duas subclasses principais de partículas de HDL maduras no plasma podem ser diferenciadas por seu conteúdo de apoproteínas HDL principais, a apoA-I e a apoA-II.

O precursor da maior parte do HDL plasmático é uma partícula discoidal que contem apoA_I e fosfolipídio, chamada HDL pré-ß¹ por causa de sua mobilidade eletroferética pré-ß¹. Os HDL pré-ß¹ são sintetizados pelo fígado e pelo intestino e também surgem quando os fosfolipídios de superfície e apoA-I dos quilomícrons e VLDL se perdem à medida que triglicerídios dessas lipoproteínas são hidrolizadas.

A atividade da LH é regulada e modulada os níveis de HDL colesterol. Tanto os androgênios quanto os estrogênios atingem a expressão do gene da LH, mas com efeitos postos. Os androgênios aumentam a atividade de HL, o que acarreta valores de HDL colesterol mais baixos nos homens do que nas mulheres. Os estrogênios reduzem a atividade da LH, mas seu impacto nos níveis de HDL colesterol nas mulheres é substancialmente menor que aquele dos androgênios nos níveis de HDL colesterol nos homens. A LH parece ter um papel primordial na regulação dos níveis de LDL colesterol, já que a atividade da LH é aumentada em muitos pacientes com níveis de HDL colesterol baixos.

O HDL são lipoproteínas protetoras que diminuem o risco de DCC.

HIPERLIPIDEMIA E ATEROSCLEROSE

Os principais fatores de risco mais conhecidos são LDL colesterol elevado, HDL colesterol reduzido, fumo, hipertensão, diabetes melito tipo 2, idade avançada e historia familiar de eventos de DCC prematuros em um parente de primeiro grau. O controle dos fatores de risco modificáveis é especialmente importante na prevenção de DCC prematura. Estudos observacionais sugerem que os fatores de risco modificáveis são responsáveis por 85% do risco em excesso para DCC prematura. Além disso, esses estudos indicam que, quando níveis totais de colesterol estão abaixo de 160mg/dl, de risco de DCC é acentualmente atenuado, mesmo na presença de fatores de risco adicionais. Esse papel essencial da hipercolesterolemia na aterogenese levantou a hipótese quase universalmente aceita da dieta de colesterol para DCC.

A hipótese dieta de colesterol para DCC, sustenta que níveis de colesterol plasmático elevados causam DCC, que dietas ricas em gordura saturada e colesterol aumentam os níveis de colesterol e que a redução dos níveis de colesterol reduz o risco de DCC.

PROTOCOLO DO NATIONAL CHOLESTEROL EDUCATION PROGRAM (NCEP) PARA TRATAMENTO: tratando pacientes com dislipidemia

O protocolo NCEP atual para o tratamento de pacientes com distúrbios lipídicos é de dois tipos. Um é uma abordagem baseada n população, que tem a intenção de baixar o colesterol sanguíneo através de recomendações dietéticas: reduzir o total de calorias da gordura para menos de 30 % e da gordura saturada para menos de 10%. Consumir menos de 300 mg/dia de colesterol; e manter o peso corporal desejável. O segundo é uma abordagem baseada no paciente descrita no relatório de 2001 do Adult Treatment Panel III do NCEP, que continua a focalizar a redução dos níveis de LDL colesterol como objetivo básico da terapia. O protocolo do Adult Treatment Panel III de 2001 para o tratamento dos adultos de 20 anos ou mais recomendam um perfil lipoprotéico completo e não um exame para colesterol total e HDL colesterol sozinhos. Outros fatores de risco par doença vascular se presentes, devem ser avaliados e tratados individualmente.

Todos os pacientes devem receber instrução sobre a restrição dietética de gordura saturada e colesterol. Pacientes com DCC ou com um equivalente da DCC (doença sintomática periférica ou doença vascular da carótida, aneurisma abdominal aórtico, >20% de risco de 10 anos de DCC ou diabetes melito) devem começar imediatamente a terapia de baixa de lipídios apropriada. Pacientes com DCC ou equivalente à DCC devem ser tratados com aconselhamento sobre estilo de vida (dieta, exercício, controle de peso) por 3-6 meses antes de a terapia medicamentosa ser implementada. A maioria das causas secundárias pode ser excluída através da verificação da história de medicação do paciente e medindo-se a creatinina sérica e fazendo-se testes de função hepática, da glicose em jejum e dos níveis hormonais de estimulação da tireóide. O tratamento do distúrbio que causa a dislipidemia secundaria pode evitar a necessidade de tratamento com fármacos hipolipidêmicos.

QUEM E COMO TRATAR?

Experimentos em larga escala com estatinas têm trazido novos insights sobre quais pacientes com dislipidemia devem ser tratados e quando o tratamento deve ser iniciado.

Sexo. Tanto os homens quanto as mulheres se beneficiam da terapia de redução de lipídios.

Idade. Idade > 45 anos em homens e > 55 em mulheres é considerada fator de risco para DCC. Os experimentos com estatina mostraram que pacientes > 65 anos beneficiam-se da terapia tanto quanto os pacientes mais jovens. A idade avançada em si não é motivo para se adotar à terapia medicamentosa em uma pessoa saudável.

Pacientes com doença cerebrovascular. Na maioria dos estudos de pacientes com doença cerebrovascular, os níveis de colesterol plasmático correlacionam-se positivamente com risco de AVC e/ou ataques isquêmicos transitórios em pacientes com e sem DCC.

Pacientes com doença vascular periférica. As estatinas se provaram benéficas em pacientes com doença vascular periférica.

Pacientes hipertensos e fumantes. A redução de risco para eventos coronarianos em pacientes hipertensos e fumantes é semelhante em indivíduos sem esses fatores de risco.

Diabetes melito tipo 2. pacientes com diabetes melito tipo 2 beneficiam-se muito significativamente de redução lipídica agressiva.

Pacientes de revascularização ou com infarto pós-miocárdio. Logo que a DCC é diagnosticada, é essencial começar uma terapia com redução de lipídios. Adesão à terapia medicamentosa aumenta bastante se o tratamento for iniciado no hospital.

Tratamento do diabetes tipo 2

O diabetes melito é um prognosticador independente de alto risco para DCC. A morbidade por DCC é 2-4 vezes mais alta em pacientes com diabetes do que em não-diabéticos e a mortalidade por DCC é até 100% maior nos pacientes diabéticos do que nos não-diabéticos em período de 6 anos. O controle da glicose é essencial, mas isso fornece apenas um beneficio mínimo com respeito à prevenção de DCC. O tratamento agressivo da dislipidemia diabética através de dieta, o controle do peso e fármacos (na maioria dos casos) são críticos na redução do risco.

A dislipidemia diabética é em geral caracterizada por triglicerídios altos, baixo HDL colesterol e elevações moderadas do colesterol total e do LDL colesterol.

O protocolo revisado de 2001 do NCEP também refletirá essa recomendação. Haffner et al. Relataram que o diabetes sem DCC diagnosticada situa-se no mesmo nível de risco dos não-diabéticos com DCC instalada. Isso é consistente com a recomendação de se reduzirem os níveis de LDL colesterol plasmático de todos os diabéticos para < 100mg/dl, independente de se eles apresentarem ou não um evento vascular isquêmico anterior. A American Diabetes Association também recomenda que a primeira linha de tratamento para um dislipidemia diabética em geral deve ser uma estatina. Os experimentos clínicos com sivastatina, pravastatina e lovastatina estabeleceram claramente em análises post hoc que os diabéticos se beneficiam da redução do colesterol tanto quanto outros subgrupos ou mesmo mais. Por exemplo, os diabéticos no 4S, CARE, AFCAPS/TexCAPS e os experimentos LIPID tiveram reduções de 55, 25 , 43 e 19% nos eventos respectivamente. O Diabetes Atherosclerosis Intervention Study mostrou um beneficio significativo no tratamento dos diabéticos tipo 2 com fenofibrato. Síndrome metabólica O protocolo de 2001 do NECP reconhece aumento do risco de DCC associado a estado pré-diabético resistente à insulina descrito sob nome de “sindrome metabólica”. Esta síndrome consiste em um conjunto de 5 fatores de risco de DCC. O protocolo do NCEP 2001 define de maneira arbitraria a presença de 3 ou mais desses fatores de risco como indicativos que um paciente está acometido. O tratamento deve concentrar-se na perda de peso e a obesidade em geral impedem a redução ótima dos fatores de risco. Também se deve instituir tratamento especifico de níveis aumentados de LDL colesterol e triglicerídios e níveis baixos de HDL colesterol. Tratamento da hipertrigliceridemia O protocolo de 2001 do NCEP reflete o aumento do risco associado à presença de níveis de triglicerídios acima de 150mg/dl. Três categorias de hipertrigliceridemia são reconhecidas e o tratamento é recomendada com base no grau de elevação. Perda de peso, exercício aumentado e restrição de álcool são importantes para todos os pacientes com hipertrigliceridemia. A meta de LDL colesterol deve ser verificada com base no fator de risco de cada paciente ou no status da DCC. Se os triglicerídios continuarem acima de 200mg/dl após o objetivo do LDL colesterol ser alcançado, pode-se alcançar redução posterior dos triglicerídios através do aumento da dose de uma estatina ou niacina. Pode ser necessária a terapia de combinação (estatina mais niacina ou estatina mais fibrato), mas é preciso ter cautela com essas combinações para evitar miopatia. Tratamento de HDL colesterol baixo O fator de risco mais freqüente para DCC prematura é o HDL colesterol baixo. Em pacientes com HDL colesterol baixo, a razão entre colesterol total e HDL colesterol é um prognósticador particularmente útil é =3,5 e uma razão = 4,5 é associada a aumento do risco. Os homens americanos, que são um grupo de alto risco, apresentam uma razão típica de cerca de 4,5. Pacientes com baixo HDL de colesterol podem ter o que são considerados níveis “normais” de colesterol total e LDL e não seriam qualificados para terapia, mas – por causa do HDL colesterol baixo – podem estar em risco com base na razão entre colesterol total e HDL colesterol. Um nível de colesterol total desejável em pacientes com HDL colesterol baixo pode ser consideravelmente mais baixo do que 200mg/dl. Isso é especialmente verdadeiro porque muitos pacientes com HDL colesterol baixo também apresentam trigliceridios moderadamente elevados, o que pode exprimir níveis aumentados de lipoproteínas aterogênicas remanescentes. O protocolo de 2001 do NCEP estende o tratamento para incluir alguns, mas não todos, os pacientes ou no status da DCC e uma redução do colesterol VLDL abaixo de 30mg/dl. Se essa estratégia resultar em uma razão de cerca de 4,0 ou menos entre o colesterol total e o HDL colesterol, será ótimo. Os pacientes com razão entre colesterol total e HDL colesterol mais alta estarão ainda em risco mesmo que seus níveis de “não-HDL colesterol” estejam nos valores-alvo recomendados pelo protocolo de 2001 do NCEP.
TERAPIA MEDICAMENTOSA PARA DISLIPIDEMIA

ESTATINAS

As estatinas são os agentes mais bem tolerados e mais efetivos para o tratamento da dislipidemia. Estes fármacos são inibidores competitivos da 3-hidroxi-3-metilglutaril coenzima A (HMG-CoA) redutase, que catalisa uma etapa mais precoce e limitante da taxa na biossintese do colesterol. Doses mais altas das estatinas mais potentes também podem reduzir os níveis de triglicerídios causados por níveis elevados de VLDL. Algumas estatinas também são indicadas para aumentar os níveis de HDL colesterol, embora a significância clínica desses efeitos no HDL colesterol continue de se comprovada.

História

Em 1976, as estatinas foram isoladas a partir de uma colônia, Penicillium citrinium, e identificadas como inibidoras da biossíntese do colesterol por Endo e colaboradores. Posteriormente em 1978 foi estabelecido que as estatinas atuam inibindo a HMG-CoA redutase. A primeira estaina estudada em seres humanos foi a compatina, renomeada mevastatina, que demonstrou o potencial terapêutico dessa classe de fármacos . no entanto, Alberts e colaboradores na Merk desenvolveram a primeira estatina (lavastatina, antes conhecida como mevinolina) que foi aprovada para uso em seres humanos, que foi isolada do Aspergillus terreus. Desde a aprovação da lovastatina pelo Unidet States Food and Drug Administration em 1987, 5 outras estatinas foram aprovadas. Duas destas, a pravastatina e a sinvastatina, são derivados quimicamente modificados da lovastatina. As estatinas mais recentemente aprovadas – atorvastatina, fluvastatina e cerivastatina – são compostos sintéticos.

Química

A mevastatina, a lovastatina e a apravastatina são metabólitos fúngicos e cada qual contem um anel hexaidronaftaleno. A lovatatina difere da mevastatina porque tem um grupo metil no carbono 3. Há duas cadeias secundarias principais. Uma é um éster metilbutirato (lovastatina e pravastatina) ou um éster dimetilbutirato (sinvastatina). A outra contem um hidroxiácido que forma um análogo de 6 membros do composto intermediário na reação da HMG-CoA redutase. A fluvastatina, a atorvastatina e a cerivastatina são compostos inteiramente sintéticos que contem uma cadeia secundaria de ácido heptanóico que forma um análogo estrutural do intermediário da HMG-CoA.

Em decorrência da sua semelhança estrutural com a HMG-CoA, as estatinas são inibidores competitivos reversíveis do substrato natural da enzima, HMG-CoA.

Mecanismo de ação

As estatinas exercem seu principal efeito – redução de nível de LDL – através de uma porção parecida com o acido mevalônico que inibe de maneira competitiva a HMG-CoA redutase através da inibição do produto.

As estatinas atingem os níveis de colesterol do sangue inibindo a colesterogênese no fígado, o que resulta em aumento da expressão do gene receptor LDL. Os fatores de transcrição são então ligados pelo elemento de resposta ao esterol do gene receptor de LDL, aumentando a transcrição e finalmente acentuando a síntese dos receptores LDL. A degradação dos receptores LDL também é reduzida. O número maior de receptores LDL na superfície dos hepatócidos resulta em remoção aumentada de LDL no sangue, diminuindo assim os níveis de LDL colesterol.

Alguns estudos sugerem que as estatinas também podem reduzir os níveis de LDL aumentando a remoção de VLDL hepático. Como os remanescentes de VLDL e o IDL são enriquecidos em apoE, um aumento induzido pela estatina no numero de receptores LDL, que reconhecem tanto apoB-100 como apoE aumenta a depuração desses precursores do LDL.

Redução de triglicerídios pelas estatinas

Níveis de triglicerídios mais altos que 250mg/dl são reduzidos substancialmente pelas estatinas e a redução percentual alcançada é semelhante à redução percentual do LDL colesterol. Consequentemente, os pacientes hipertrigliceridêmicos que tomam as doses mais altas (80mg/dia) de duas das mais potentes estatinas (sivastatina, atorvastatina) experimentam uma redução de 35-45% do LDL colesterol e uma redução semelhante nos níveis de triglicerídios em jejum. Se os níveis de triglicerídios não excedem 25%, independentemente da dose ou da estatina usada. Reduções semelhantes (35-45%) nos triglicerídios podem ser alcançadas com doses usuais de fibratos ou niacina, embora estes fármacos não reduzam o LDL colesterol na mesma extensão que doses de 80mg de atorvastatina ou sinvastatina.

Efeito das estatinas nos níveis de HDL colesterol – as estatinas abaixam o LDL em 20-55%, dependendo da dose e da estatina empregada.

Estatinas e função endotelial – vários estudos estabelecerem que o endotélio vascular desempenha um papel dinâmico na vasoconstrição/relaxamento e que a hiercolesterolemia modula esses processos de maneira direta.

Estatina e inflamação – a apreciação da importância dos processos inflamatórios na aterogênese está crescendo e sugeriu-se que as estatinas tinham um papel antiinflamatório.

Estatinas e coagulação – as estatinas reduzem a agregação plaquetaria e modelos de sistema in vitro indicam que as estatinas reduzem a deposição de trombos plaquetários na aorta porcina.

Estatinas em combinação com outros fármacos de redução

As estatinas mais resinas unidas aos ácidos taurocólico e glicocólico colestiramina e colestipol produzem reduções do LDL colesterol 20-30% maiores do que as que podem ser atingidas apenas com estatinas. Dados preliminares indicam que o cloridrato de colesevelam mais uma estatina abaixa o LDL colesterol em 8-16% mais do que as estatinas sozinhas. A niacina também pode aumentar o efeito das estatinas, mas a ocorrência de miopatia aumenta quando doses de estatina maiores que 25% do máximo são utilizadas com niacina. Um fibrato mais uma estatina são particularmente úteis em pacientes com hipertrigliceridemia e um nível alto de LDL colesterol. Essa combinação realmente aumenta o risco de miopatia, mas em geral é seguro utilizar um fibrato em sua dose usual máxima mais 25%, no máximo, de cada dose máxima de estatina. A terapia tripla com resinas, niacina e estatinas pode reduzir o LDL colesterol em até 70%.

Efeitos adversos e interações farmacológicas.

Hepatoxicidade e miopatia, são os dois efeitos adversos mais comum.

Seqüestradores de ácidos biliares

Os dois seqüestradores estabelecidos dos ácidos biliares ou resinas biliares estão entre os fármacos hipolipidêmicos mais antigos e eles são provavelmente os mais seguros, já que não são absorvidos a partir do intestino. Essas resinas são os únicos fármacos hipocolesterolêmicos corretamente recomendados para as crianças de 11-20 anos. Pelo fato de as estatinas serem tão efetivas como monoterapia, as resinas são na maioria das vezes usadas como agentes secundários se a terapia com estatina não baixar suficientemente os níveis de LDL colesterol. Quando usados com uma estatina, a colestiramina e o colestipol são, em geral, prescritos em doses submáximas podem reduzir o LDL colesterol em até 25%, mas estão associadas a efeitos colaterais gastrintestinais inaceitáveis (inchaço devido a gases e prisão de ventre) que limitam a adesão. O colsevelam é um seqüestrador ácidos biliares preparado como um gel anidro e tomado em comprimidos. Ele baixa o LDL colesterol em 18% na dose máxima. A segurança e a eficácia do colesevelam não foram estudadas em pacientes pediátricos nem em mulheres grávidas.

Mecanismo de ação

Os seqüestradores de ácidos biliares são alta e positivamente carregados e unem-se aos ácidos biliares negativamente carregados. Por causa de seu tamanho grande, as resinas não são absorvidas e os ácidos biliares ligados são excretados nas fezes. Como mais de 95% dos ácidos biliares são normalmente absorvidos, a interrupção desse processo depleta o fígado de ácidos biliares e a síntese hepática dos ácidos biliares aumenta. Em conseqüência, o teor de colesterol hepático declina, estimulando a produção dos receptores LDL, um efeito semelhante ao das estatinas. O aumento dos receptores hepáticos de LDL aumenta a depuração de LDL e baixa os níveis de LDL colesterol, mas esse efeito é em parte compensado pela síntese aumentada de colesterol causada por uma regulação para acima da HMG-CoA redutase. A inibição da atividade da redutase por uma estatina aumenta substancialmente a efetividade das resinas. O aumento induzido pela resina na produção de ácidos biliares é acompanhado de um aumento na síntese de trigliceridios hepáticos, que é a conseqüência nos pacientes com significativa hipertrigliceridemia.

Ácido nicotínico (niacina)

O ácido nicotínico é um dos fármacos mais antigos usados para tratar dislipidemia, e é o mais versátil porque atinge de modo favorável praticamente todos os parâmetros lipídicos. A niacina é uma vitamina do complexo b solúvel em água que funciona como uma vitamina apenas após sua conversão em dinucleotídeo de adenina nicotinamida. A niacina é o melhor agente disponível para aumentar o HDL colesterol, também baixa os triglicerídios em 35-45% e reduz os níveis de LDL colesterol em 20-30%. A niacina também é o único fármaco redutor de lipídios que reduz os níveis de Lp significativamente, em cerca de 40%.

Mecanismo de ação.

A niacina tem vários efeitos no metabolismo da lipoproteína. No tecido adiposo, a niacina inibe a lipólise dos triglicerídios através da lípase sensível ao hormônio, que reduz o transporte de ácidos graxos livres para o fígado e diminui a síntese hepática de triglicerídios. No fígado, a niacina reduz a síntese hepática de triglicerídios inibindo tanto a síntese quanto a esterificação dos ácidos graxos, efeitos que aumentam a degradação da apoB. A redução da síntese dos triglicerídios reduz a produção hepática de VLDL, que é responsável pelos níveis reduzidos de LDL. A niacina também aumenta a atividade da LPL, que promove o depuração dos quilomícrons e dos triglicerídios VLDL. A niacina eleva os níveis de HDL colesterol diminuindo a depuração fracionada da apoA-I no HDL e não aumentando a síntese de HDL. Esse efeito se deve à redução da depuração hepática de HDL-apoA-I, mas não dos ésteres colesteril, aumentado assim o teor de apoA-I, do plasma e aumentando o transporte reverso de colesterol.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

GOODMAN Alfred Gilman ;. HARDMAN Joel G; LIMBIRD. Lee E. As Bases Farmacológicas da Terapêutica Goodman & Gilman 10ª edição; pág.731-748. março de 2003.

Dicionário de Administração de Medicamentos na Enfermagem – AME, 2005/2006- Rio de Janeiro: EPUB, 2004.

Tratamento do Lixo

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Autoria: Geylson Azevedo

LIXO

RESUMO: Muito se tem discutido sobre as melhores formas de tratar e eliminar o lixo — industrial, comercial, doméstico, hospitalar, nuclear etc. — gerado pelo estilo de vida da sociedade contemporânea. Todos concordam, no entanto, que o lixo é o espelho fiel da sociedade, sempre tão mais geradora de lixo quanto mais rica e consumista. Qualquer tentativa de reduzir a quantidade de lixo ou alterar sua composição pressupõe mudanças no comportamento social.

PALAVRAS CHAVE:Lixo industrial,tipos de lixo,limpeza,eliminação do lixo,lixo coletado.

Introdução

A concentração demográfica nas grandes cidades e o grande aumento do consumo de bens geram uma enorme quantidade de resíduos de todo tipo, procedentes tanto das residências como das atividades públicas e dos processos industriais. Todos esses materiais recebem a denominação de lixo, e sua eliminação e possível reaproveitamento são um desafio ainda a ser vencido pelas sociedades modernas.

De acordo com sua origem, há quatro tipos de lixo: residencial, comercial, público e de fontes especiais. Entre os últimos se incluem, por exemplo, o lixo industrial, o hospitalar e o radioativo, que exigem cuidados especiais em seu acondicionamento, manipulação e disposição final. Juntos, os tipos doméstico e comercial constituem o chamado lixo domiciliar que, com o lixo público — resíduos da limpeza de ruas e praças, entulho de obras etc. — representam a maior parte dos resíduos sólidos produzidos nas cidades.

Destinação do lixo urbano e hospitalar

A adequada condução do serviço de limpeza urbana é importante não só do ponto de vista sanitário, mas também econômico-financeiro, social, estético e de bem-estar. Apesar disso, um estudo conveniado da Organização Pan-Americana de Saúde, de 1990, que estimou em mais de oitenta mil toneladas a quantidade de resíduos sólidos gerados diariamente nas cidades brasileiras, constatou que apenas a metade era coletada. A outra metade acabava nas ruas, terrenos baldios, encostas de morros e cursos d’água. Da parte coletada, 34% iam para os lixões (depósitos a céu aberto) e 63% eram despejados pelos próprios serviços de coleta em beiras de rios, áreas alagadas ou manguezais, prática cada vez mais questionada por suas implicações ecológicas. Somente três por cento da parte coletada recebiam destinação adequada ou pelo menos controlada.

O lixo coletado pode ser processado, isto é, passar por algum tipo de beneficiamento a fim de reduzir custos de transporte e inconvenientes sanitários e ambientais. As opções de tratamento do lixo urbano, que podem ocorrer de forma associada, são: compactação, que reduz o volume inicial dos resíduos em até um terço, trituração e incineração. Boa opção do ponto de vista sanitário, a incineração, porém, é condenada por acarretar poluição atmosférica.

A disposição final do lixo pode ser feita em aterros sanitários e controlados ou visar à compostagem (aproveitamento do material orgânico para a fabricação de adubo) e a reciclagem. Esses dois últimos processos associados constituem a mais importante forma de recuperação energética. A reciclagem exige uma seleção prévia do material, a fim de aproveitar os resíduos dos quais ainda se pode obter algum benefício, como é o caso do vidro, do papel e de alguns metais.

A solução defendida por muitos especialistas, porém, envolve a redução do volume de lixo produzido. Isso exigiria tanto uma mudança nos padrões de produção e consumo, quanto a implantação de programas de coleta seletiva de lixo. Nesse caso, os diversos materiais recicláveis devem ser separados antes da coleta, com a colaboração da comunidade.

Os países industrializados são os que mais produzem lixo e também os que mais reciclam. O Japão reutiliza 50% de seu lixo sólido e promove, entre outros tipos de reciclagem, o reaproveitamento da água do chuveiro no vaso sanitário. Os Estados Unidos (EUA) recuperam 11% do lixo que produzem e a Europa Ocidental, 30%. A taxa de produção de lixo per capita dos norte-americanos, de 1,5 quilo por dia, é a mais alta do mundo. Equivale ao dobro da de outros países desenvolvidos. Nova York é a cidade que mais produz lixo, uma média diária de 13 mil toneladas. São Paulo produz 12 mil toneladas. Entre os líderes mundiais da reciclagem de latas de alumínio destacam-se Japão (70%), EUA (64%) e Brasil (61%), conforme dados de 1996 da Associação Brasileira de Alumínio.

POLUIÇÃO DO SOLO – As principais causas da poluição do solo são o acúmulo de lixo sólido, como embalagens de plástico, papel e metal, e de produtos químicos, como fertilizantes, pesticidas e herbicidas. O material sólido do lixo demora muito tempo para desaparecer no ambiente. O vidro, por exemplo, leva cerca de 5 mil anos para se decompor, enquanto certos tipos de plástico nunca se desintegram, pois são impermeáveis ao processo de biodegradação promovido pelos microorganismos.

As soluções usadas para reduzir o acúmulo de lixo, como a incineração e a deposição em aterros, também têm efeito poluidor, pois emitem fumaça tóxica, no primeiro caso, ou produzem fluidos tóxicos que se infiltram no solo e contaminam os lençóis de água. A melhor forma de amenizar o problema, na opinião de especialistas, é reduzir a quantidade de lixo produzida, por meio da reciclagem e do uso de materiais biodegradáveis ou não descartáveis.

MÉTODOS DE ELIMINAÇÃO

O aterro sanitário é o modo mais barato de eliminar resíduos, mas depende da existência de locais adequados. Esse método consiste em armazenar os resíduos, dispostos em camadas, em locais escavados. Cada camada é prensada por máquinas, até alcançar uma altura de 3 metros. Em seguida, é coberta por uma camada de terra e volta a ser comprimida. É fundamental escolher o terreno adequado, para que não haja contaminação nem na superfície, nem nos lençóis subterrâneos. Além disso, o vazadouro deve ter boa ventilação.

Os incineradores convencionais são fornos, nos quais se queimam os resíduos. Além de calor, a incineração gera dióxido de carbono, óxidos de enxofre e nitrogênio, dioxinas e outros contaminantes gasosos, cinzas voláteis e resíduos sólidos que não se queimam. É possível controlar a emissão de poluentes mediante processos adequados de limpeza dos gases.

A fabricação de fertilizantes ou adubos, a partir de resíduos sólidos, consiste na degradação da matéria orgânica por microorganismos aeróbicos. O húmus resultante contém de 1% a 3% de nitrogênio, fósforo e potássio.

GERAÇÃO DE RECURSOS ENERGÉTICOS

É possível gerar energia a partir de alguns processos de eliminação de resíduos. Alguns incineradores aproveitam para gerar vapor e produzir eletricidade. A pirólise é um processo de decomposição química de resíduos sólidos por meio do calor em uma atmosfera com pouco oxigênio. Isto gera uma corrente de gás composta por hidrogênio, metano, monóxido de carbono (os três são combustíveis), dióxido de carbono, cinza inerte e outros gases.

RECICLAGEM

É muito antiga a prática de reciclagem de resíduos sólidos. Os utensílios metálicos são fundidos e remodelados desde os tempos pré-históricos. Os materiais recicláveis são recuperados de muitas maneiras, como o desfibramento, separação magnética de metais, separação de materiais leves e pesados, peneiração e lavagem.

Mais sobre Poluição do solo

A poluição pode afetar também o solo e dificultar seu cultivo. Nas grandes aglomerações urbanas, o principal foco de poluição do solo são os resíduos industriais e domésticos. O lixo das cidades brasileiras, por exemplo, contém de setenta e a oitenta por cento de matéria orgânica em decomposição e constitui uma permanente ameaça de surtos epidêmicos. O esgoto tem sido usado em alguns países para mineralizar a matéria orgânica e irrigar o solo, mas esse processo apresenta o inconveniente de veicular microrganismos patogênicos. Excrementos humanos podem provocar a contaminação de poços e mananciais de superfície. Os resíduos radioativos, juntamente com nutrientes, são absorvidos pelas plantas. Os fertilizantes e pesticidas sintéticos são suscetíveis de incorporar-se à cadeia alimentar.

Fator principal de poluição do solo é o desmatamento, causa de desequilíbrios hidrogeológicos, pois em conseqüência de tal prática a terra deixa de reter as águas pluviais. Calcula-se que no Brasil sejam abatidos anualmente trinta mil quilômetros quadrados de florestas, com o objetivo de obter madeira ou áreas para cultivo.

Outra grande ameaça à agricultura é o fenômeno conhecido como chuva ácida. Trata-se de gases tóxicos em suspensão na atmosfera que são arrastados para a terra pelas precipitações. A chuva ácida afeta regiões com elevado índice de industrialização e exerce uma ação nefasta sobre as áreas cultivadas e os campos em geral.

Referências

www.cade.com.br/lixo

www.zip-net.com.br/lixo

www.saude.gov.br/

Tratamento Multiprofissional à Terceira Idade

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Autoria: Rita de Cassia

Tratamento Multiprofissional à Terceira Idade

Revisão Bibliográfica

O Idoso

O Envelhecimento

As principais manifestações somáticas, isto é, em geral do envelhecimento, são evidentes e de fácil observação, o mesmo pode ser definido como redução da capacidade de sobreviver, com diversas modificações, sendo estas fisiológicas, psicológicas, motoras, etc., estas alterações também desenvolve a dificuldade de adaptação do individuo ao meio ambiente e social que o mesmo esta inserido.

Muitos fatores podem afetar e acelerar o envelhecimento, sendo assim destacamos:

Poluição,
Tensão Emocional,
Alimentação,
Radicais Livres, entre outros.
Até aproximadamente o século XVIII, o velho, apesar das perdas físicas e funcionais, não era discriminado, o mesmo era reconhecido como um sábio devido á sua experiência de vida, sendo então, uma etapa prestigiada de existência humana. Porém a parir da Revolução Industrial o principal marco da discriminação e exclusão da velhice, atualmente segundo Georg Simmel, as grandes cidades não permitem que o mesmo envelheça, mas que apenas aterrorize-se trecho que demonstra claramente a marginalização dos idosos em sociedades evoluídas, esta realidade só se ameniza diante de capital, isto é, bens materiais, onde o idoso se protege da marginalização.

Mas na realidade deveremos focar que a vida não é unicamente biológica, ela é constituída por muitos fatores, isto é, construídos socialmente e culturalmente, então podemos afirmar que os estágios da vida são pré – determinados, então o envelhecimento é um fenômeno natural, e o mais importante dessa etapa “como em todas as outras” é a qualidade e vida, relacionada ao meio social e cultural que o mesmo está inserido. Porem o mais importante para atingirmos uma qualidade de vida satisfatória aos idosos é a Saúde.

Envelhecimento Natural e Ativo

O envelhecimento cronológico (por idade) é um processo biológico universal, uma experiência que afeta todos os indivíduos com a passagem do tempo.

Se quisermos que o envelhecimento seja uma experiência positiva, uma vida mais longa deve ser acompanhada de oportunidades contínuas para a saúde, a participação e a segurança. A Organização Mundial de Saúde tem adotado o termo “envelhecimento ativo” para expressar o processo de conquista dessa visão.

O conceito de envelhecimento ativo é baseado no reconhecimento dos direitos humanos das pessoas mais velhas e nos princípios de independência, participação, dignidade, assistência e auto – realização estabelecidos pela Organização das Nações Unidas (ONU).

A palavra “ativo” refere-se á participação contínua nas questões sociais, econômicas, culturais, espirituais e civis, e não somente á capacidade de estar fisicamente ativo ou de fazer parte da força de trabalho.

O objetivo do envelhecimento ativo é aumentar a expectativa de uma vida saudável e a qualidade de vida para todas as pessoas que estão envelhecendo, inclusive as que são frágeis, incapacitadas fisicamente, e que requerem cuidados.

A Importância da Qualidade de Vida

Qualidade de vida é um conceito que incorpora a saúde física, o estado psicológico, o nível de dependência, as relações sociais e crenças de uma pessoa. À medida que envelhecemos, a qualidade de vida é determinada por nossa habilidade de manter a autonomia e a independência.

O envelhecimento ativo nos permite participar da sociedade de acordo com nossos desejos, necessidades e capacidade.

1 – Autonomia

É a habilidade de controlar, tomar e arcar com decisões pessoais sobre como se deve viver diariamente, de acordo com suas próprias regras e preferências.

2 – Independência

É a habilidade de executar funções relacionadas á vida diária, isto é, a capacidade de viver independentemente na comunidade com alguma ou nenhuma ajuda de outros.

3 – Equilíbrio

Atenção nas ruas e adoção de medidas úteis em casa podem ajudar a evitar quedas e acidentes. As quedas podem causar desde lesões leves, como contusões e torções, até muito graves, como as contusões cerebrais. Para quem sofre e osteoporose, o risco de fratura é maior e a recuperação, mais difícil.

4 – Memória

A memória tem uma função social. A Terceira Idade é o momento de desempenhar a alta função da lembrança, como diz a psicóloga Ecléa Bosi em Memória e Sociedade – Lembranças de Velhos.

A lembrança é a sobrevivência do passado. A memória da pessoa está ligada a memória do grupo; e esta ultima esta ligada á esfera maior da tradição, que é a memória coletiva de cada sociedade. É o modo como se vai formando a reconstrução do passado.

5 – Atividade Física

Política Nacional do idoso: “Incentivar e criar programas de laser, esporte e atividade física que proporcionem a melhoria da qualidade de vida do idoso e estimulem sua participação na comunidade”.

Exercícios físicos evitam doenças e deixam você mais ágil e independente, com mais vontade de viver e se divertir; com mais disposição para sair com amigos e familiares, namorar, fazer novos planos ou realizar desejos antigos. Nunca é tarde para começar.

Exercícios Físicos e Prevenção de Doenças Crônicas

Estudos demonstram que idosos ativos tem pressão arterial mais baixa que os não ativos.

No caso de diabetes, a atividade física traz múltiplos benefícios: facilita a queima de glicose pelos músculos, o que melhora o controle diário da doença; aumenta a ação dos medicamentos; reduz o peso corporal.

O termo “osteoporose” significa “osso poroso”; áreas ósseas antes compactas ficam porosas.

Essas condições resultam em ossos fracos, frágeis, que se quebram facilmente. As áreas mais afetadas são bacia, espinha e pulso. A atividade física diminui os riscos de fraturas, incidência e a severidade das quedas. Beneficia não só o conteúdo mineral ósseo, mas igualmente outros fatores relacionados aos riscos de fraturas como a força muscular, a flexibilidade, o tempo de reação e o equilíbrio – elementos fundamentais para o adequado controle do corpo em movimento.

Ajudam a reduzir obesidade, colesterol alto e risco de doenças do coração, combatendo também a depressão.

6 – Alimentação

Alimentação saudável é aquela que contém todos os nutrientes de forma equilibrada: carboidratos ou açúcares, proteínas, gordura, sais minerais, vitaminas, fibras, vegetais e água. Saber se alimentar é apenas fazer a escolha e a dosagem correta dos alimentos. Alimentar-se bem é a melhor maneira de combater a desnutrição e a obesidade e prevenir doenças como pressão alta e diabetes.

A pirâmide Alimentar é uma classificação dos alimentos de afinidade.

O Atendimento Multidisciplinar

Historicamente o atendimento era direcionado á doenças instaladas, isto é, com um único objetivo “tratar” e buscar a cura de uma determinada patologia, para a realização desta função, os principais profissionais que atuavam deste setor, normalmente médicos, enfermeiros e dentistas. Já que os mesmos, reconheciam as patologias, taravam e ofereciam aos enfermos os cuidados básicos para sua sobrevivência. E normalmente todas estas atitudes eram responsabilidade de apenas um (1) profissional.

A evolução deste quadro passou a diversificar as possibilidades de assistência a saúde, fator que motivou o aparecimento de áreas inexistentes para uma potencialização dos profissionais que focam o diagnostico e as terapêuticas utilizadas para o tratamento. Esta diferenciação pode ser observada claramente, a partir de dois importantes prismas:

A partir do momento que o atendimento deixa de ser centralizado em apenas um (1) profissional e passa a ser dividido por diversos profissionais, sendo cada um responsabilizado por uma área especificamente de assistência, sem sombra de duvidas o atendimento ao cliente torna-se muito mais competente e eficiente.

O fator negativo deste atendimento multidisciplinar é o risco e que o paciente seja subdividido em um conjunto de diferentes especialidades, diagnósticos e tratamentos.

Com certeza o atendimento multidisciplinar, principalmente ao idoso, devido a suas dificuldades e locomoção e a necessidade de presença de familiares e amigos , isto é, afeto é a chave do segredo de um trabalho onde atuam simultaneamente diversos profissionais em diferentes áreas da saúde, com uma integração adequada mantendo assim um controle eficiente, diante da patologia, seguindo os mesmos objetivos e estratégias adotadas como prioridade.

O Atendimento Multidisciplinar do Idoso

O atendimento multidisciplinar do idoso, busca muito mais que a busca ou controle das doenças. O principal objetivo do idoso atualmente é o de manter sua qualidade de vida, autonomia e bem- estar; isto é, programas de promoção á saúde entre os idosos, sendo então um “conjunto de ações” que provoquem mudanças no estilo de vida, objetivando a diminuição do risco de adoecer e morrer, estabilizando ou melhorando á saúde dos indivíduos (idosos) em sua totalidade, aliando á saúde física a sua complexidade social (OMS)”.

Quando citamos qualquer ação que promovam á saúde, estamos incluindo atuações nos campos: biológicos, psicossocial, político e legal, a fim que o idoso tenha uma completa e integrada “promoção de saúde”.

Vantagens e Desvantagens do Atendimento Multidisciplinar.

É muito complexo classificar as principais vantagens e desvantagens deste atendimento.

É indiscutível a importante vantagem ao atendimento multidisciplinar ao idoso, mas também, existem diversas desvantagens, sendo elas:

O Custeio;

O custo de um atendimento multidisciplinar limita muita sua expansão, devido á seu alto custo, o que provavelmente ocorra é o entrosamento entre clientes, isto é, a formação de grupos, que entre outras vantagens, atimiza o período de trabalho dos profissionais, diminuindo assim o seu custo.

A Organização e Manutenção da Equipe;

É de extrema importância e dificuldade, manter uma equipe em atuação, mantendo seus princípios básicos de organização e manutenção, ambos são fundamentais para o bom desenvolvimento e conclusão da promoção da saúde, entre outros.

Um importante modelo de Assistência Multidisciplinar ao idoso (GAMIA), nos mostra a importância da promoção de Saúde do Idoso.

Mantendo um grupo de aproximadamente dez (10) especialidades diferentes, sendo elas:

Fisioterapia, Psicologia, Enfermagem, Medicina, etc.

Com um único intuito de promover a saúde do idoso, isto é, nos mostra que ainda falta muita conscientização e a valorização dos aspectos preventivos e de promoção aos idosos, porém que estes clientes e seus familiares necessitam de promoção de saúde, nesta faixa etária.

A avaliação Global do Idoso

As queixas, a evolução dos problemas o grau de incapacidade funcional;
A integridade cognitiva afetiva,as necessidades básicas alternadas;
A modificação em uso ;
O relacionamento familiar;
As dificuldades sócio-econômico, suporte disponível, etc.
A Avaliação Bio-Funcional

Os fatores de risco e doenças crônicas as limitações funcionais de todos os sistemas orgânicos do idoso.
A avaliação da locomoção e mobilidade;
A avaliação do cuidado corporal, pele e temperamentos:
A avaliação do grau de dependência;
A avaliação do sistema sensorial.
As Atribuições no Atendimento Multidisciplinar ao Idoso

Conhecer o funcionamento e o programa de atendimento ao qual está inserido.
Planejar, desenvolver, auxiliar com os outros profissionais o programa de atendimento geral: critério de admissão, acompanhamento e alta.
Participar das reuniões técnicas e administrativas.
Preparar, orientar o idoso, o familiar e os cuidadores para que eles possam compreender o processo de assistência de enfermagem e interdisciplinar.
Estimular o idoso para o autocuidado e adaptações necessárias no meio- ambiente e social que o mesmo está inserido.
Orientar, educar, adaptar o ambiente do idoso quando necessário nos âmbitos (físico, emocional, social).
Realizar e participar de pesquisas relacionadas a este seguimento.
Coordenar as ações da enfermagem, determinar as prioridades da assistência de enfermagem, planejar, realizar, avaliar as visitas implementar as consultas de enfermagem.
Orientar, educar o idoso (família) e cuidados, sobre as realizações dos cuidados prestados.
Capacitar e equipe de enfermagem inserida no programa.
Capacitar os familiares aos cuidados no atendimento as necessidades básicas e na continuidade do tratamento.
Estimular o idoso ao autocuidado e avaliar as dificuldades.
Proporcionar ao idoso e a família os principais cuidados, isto é, conforto, apoio nos casos de morte, perdas, agonia etc.
Realizar o relacionamento interpessoal afetivo.
Realizar os encaminhamentos necessários aos outros profissionais.
Durante sua existência, o ser humano ocupa vários espaços sociais:

Família, Trabalho, Lazer, Vizinhança, Moradia, etc., que influencia seu ‘’estar’’ no mundo e as formas de relacionamento com as pessoas. Sendo comum a maior permanência do idoso em seu próprio domicilio e ou locais mais próximos, isto pode ser um espelho de sua condição econômica, física, emocional e social. Para muitos idosos o domicilio, a família e a vizinhança, ou melhor, o conhecimento, acaba sendo tudo o que possuem, logo é importante destacar os laços estabelecidos com o espaço, os objetos e as pessoas, como fatores de garantia para a manutenção de seu equilíbrio e sentimento de segurança, todavia cuidados devem ser tomados para que está atenção não favoreça uma situação de confinamento ou asilamento domiciliar.

Atender aos desafios decorrentes das mudanças na estrutura etária do país que envolve o crescimento da população idosa. Implica múltiplas tarefas dentre as quais é assegurar a equidade na distribuição dos recursos e das oportunidades sociais.

A importância da Gerontologia

É muito importante que o profissional que atua diariamente com a população idosa, tenha uma formação em gerontologia, pois segundo os próprios profissionais este tipo de curso modifica na maioria das vezes a sua visão e atuação com o idoso, principalmente na interação, comunicação e na possibilidade de compreender e respeitar as mudanças, limites e dificuldades vivenciadas por eles.

Outro fator importante que é por diversas vezes citado, mas que muitos profissionais não compreendem é a necessidade de afeto, atenção e qualidade na assistência prestada ao idoso, para que assim possa suprir suas necessidades básicas e fornecer a ele uma melhor qualidade de vida.

A Sociedade e o Idoso

A Visão da Sociedade Perante o Idoso

A velhice é um fenômeno histórico, social, cultural, enfim, multifacetado e multidisciplinar. Perpassa as trajetórias de vida pessoal e social e só pode ser compreendida em determinado tempo, espaço, classe social relações de gênero e de etnia, dentre outras variáveis.

O processo de envelhecimento não se resume aos aspectos demográficos. Sua complexidade exige que seja estudado por diversas disciplinas, sob múltiplos ângulos. É um fenômeno que percorre toda a história da humanidade mas apresenta características diferenciadas de acordo com a cultura, com o tempo e com o espaço.

Destacando a trajetória histórica da questão da velhice, Callis (1996), procura demarcar as diferenças culturais nas formas de encarar o envelhecimento e de tratar os idosos. Remete-se às civilizações diferenciadas, como os esquimós, que são incitados aos suicídios, enquanto entre os hotentores, na África, só são respeitados os idosos lúcidos e descartam aqueles que perderam a lucidez. Cita, também, o ritual de antigas aldeias japonesas que conduziam os velhos para as “montanhas da morte”. Situação inversa vivem os idosos na cultura dos Yahgans, na Terra do Fogo, que são respeitados como detentores do saber e fazem parte do “Conselho dos Velhos”, instância deliberativa máxima da comunidade.

No Sudão, a comunidade dos Zandas também respeita os idosos, por considerá-los detentores do poder mágico, situação semelhante dos índios Navajo. Na China há uma filosofia que valoriza os idosos, respaldada em Confúcio e em Lao-Tsé, segundo o qual “é aos 60 anos que o homem se torna capaz de se libertar de seu corpo e de se tornar santo”. (1996:24). Cita o exemplo da escritora americana Pearl Buck, que viveu muitos anos na China, que afirma em seu livro “Minha Vida”, que uma civilização só tem força se tratar bem de seus desvalidos. Buck presenciou a mudança que melhorou a situação dos idosos norte-americanos após a II Guerra Mundial.

Callis

se remete ao Egito de 2500 anos (a.c), em que Ptah-Hotep lamenta as vicissitudes da velhice. Registra, também a valorização que a Bíblia, no livro Provérbios, parece destinar aos velhos, quando assinala que “Os cabelos brancos são uma coroa de honra”. (1996:26) Conclui afirmando ser paradoxal a vida dos idosos na civilização ocidental, que acaba se resumindo aos termos cronológicos.

Mas o envelhecimento só emerge enquanto fenômeno social de alta relevância a partir do nosso século, testemunha de maior expectativa de vida e de avanços nas áreas da saúde, do saneamento básico, da tecnologia e da questão ambiental principalmente nos países do chamado Primeiro Mundo. As condições objetivas de vida da população interferem diretamente sobre o envelhecimento, tanto no aumento quantitativo da expectativa de vida quanto na qualidade oferecida aos que envelhecem através de políticas sociais, principalmente nas áreas da saúde, da previdência e da assistência. Nos países onde se instaurou o Estado de Bem-Estar Social, os idosos contaram, como os demais setores mais frágeis da sociedade, com programas e serviços que lhes garantiam um final de vida amparado, pelo menos do ponto de vista material. Não é, portanto, por acaso serem os países da Europa, os Estados Unidos da América e o Japão, os de maior expectativa de vida, além de uma participação expressiva de pessoas com mais de 60 anos nas pirâmides etárias de suas respectivas regiões.

A própria Organização Mundial de Saúde têm parâmetros diferenciados para o início do processo de envelhecimento. Entende, desde 1982, que nos países mais ricos o patamar começa aos 65 anos enquanto que nos países subdesenvolvidos (ou em desenvolvimento para os mais otimistas) se inicia aos 60 anos.

Aspecto

Um aspecto atraente é um grande reforçador do moral; parecer bem significa que a pessoa mais se sente bem. Uma vez que as pessoas mais velhas Poe vezes cuidam de sua aparência, elas precisam ser estimuladas a ter um bom aspecto.

Homens e mulheres apreciam igualmente roupas bonitas ou um pouco de cor para avivar a sua aparência. Mesmo alguns homens conservadores parecem gostar de pijamas de cores alegres. Uma pequena flor na lapela do roupão de banho de um homem alegrará o seu espírito. A barba feita e um corte de cabelo faz para o homem o que o batom faz para a maior parte das mulheres. Quase todos acham refrescante a fragrância de certos polvilhos e colônias. Isso possui um apelo especial quando o odor se harmoniza com a personalidade do individuo. Seguramente, a equipe será capaz de encontrar pelo menos algo que ajudará imensamente a animar um paciente mais velho.

A Família

A idéia que as pessoas mais velhas são rejeitadas por suas famílias é um exagero. As pessoas idosas geralmente não são ignoradas pela família nem estranhas aos seus filhos. Muitas vivem um dia de trabalho de um membro da família. A cooperação da família deve ser solicitada tão logo possível no tratamento do paciente, a fim de assegurar o cuidado de convalescença e a proteção contra possíveis complicações e posteriores recidivas da doença. Fornecer informações a respeito da velhice é útil para s famílias na promoção de compreensão, apoio e relacionamentos melhores com os membros mais velhos da família.

Uma crise evolutiva se dá quando a saúde mental ou física de um pai idoso começa a declinar. A incapacidade de o pai viver independentemente estabelece novas solicitações para os filhos adultos que se defrontam como tomar decisões criticas nesse ponto decisivo nas suas próprias vidas. À medida que ocorre uma mudança de papeis, pode haver sentimentos de culpa e de raiva, conflitos não resolvidos, tensão financeira e pressões sociais. A equipe deve reconhecer e compreender que a família provavelmente possui sentimentos ambivalentes a respeito dos cuidados com o pai. Opções alternativas que a família pode considerar são fornecimentos de serviços de apoio, tais como serviços cuidados domésticos, “Refeições sobre Rodas”, visitas pela equipe de saúde comunitária e contatos mais freqüentes da família para ajudar ao paciente a continuar viver no ambiente presente. Se o paciente não puder continuar a ser independente, um serviço de cuidados ampliados ou casa de retiro podem se a reposta. Ou os filhos podem ter pai morando com um deles, embora áreas de atrito potenciais posam surgir com respeito á falta de espaço e de privacidade, entretenimento de amigos (igualmente dos filhos adultos e dos pais), despesas, recreação, férias, criação dos filhos e administração das tarefas domesticas. Tais conflitos devem ser previstos, identificados e discutidos, e esforços devem ser empreendidos para resolver tais problemas em breve. A equipe pode ajudar proporcionando o clima terapêutico no qual a família possa ventilar os seus sentimentos, reduzir a ansiedade e a culpa, procurar opções e estabelecer prioridades.

Contribuições Psicossociais ao Paciente Internado

Um paciente recém – admitido deve ter a sensação de ser bem – vindo e de estar em casa a ser apresentado aos pacientes vizinhos se as circunstancias permitem. Por ocasião desse encontro inicial, a equipe pode observar qualquer incapacidade, tais como dificuldade de audição, tremor de uma extremidade, problemas na mobilidade etc. em pacientes idosos, mais do que em pacientes jovens, uma mudança repentina de ambientes familiares para a rotina impessoal de um hospital pode reduzir uma sensação de insegurança e estresse emocional. A equipe compreensiva pode fazer muita para ajudar o paciente a vencer o aborrecimento de transição entre o lar e a intuição. Colocar o paciente próximo a um outro paciente proporciona uma oportunidade de falar para alguém e ajuda na execução das adaptações necessárias ao ambiente hospitalar.

Tocar a mão ou ombro do paciente quando se está dando uma explicação é especialmente útil na promoção de aceitação, relaxamento e confiança. Muitas pessoas mais velhas perderam os seus contatos sociais, e a equipe pode ser a única pessoa “que se preocupa”.

Algumas vezes a transição para um novo ambiente pode provocar estado temporário de ansiedade, confusão, regressão e desorientação. Comportamento senil pode ser exibido em causa fisiológica. O paciente pode ser erroneamente julgado como sendo senil quando a causa real é medo, depressão e uma sensação de inadaptação desesperada. Quando ocorrem sintomas e comportamento de senilidade, tais como, incontinência etc., proceda na suposição de que são temporários. A abordagem de a equipe dever ser positiva, transmitindo a idéia de que os problemas podem ser modificados.

A fim de reduzir o estresse psíquico, as alterações devem ser feitas ao mínimo.o mesmo pessoal deve cuidar do paciente, sempre que possível. O ambiente dever ser mantido simples e previsível, e uns poços pertences do paciente devem estar bem vistas. A rotina normal deve ser escrita no plano de cuidados da equipe e seguida de maneira a proporcionar confiança. Uma vez que algumas vezes é difícil para os velhos lembrar-se de nomes de lugares e de acontecimentos recentes, especialmente em uma situação que provoca ansiedade, tal como a hospitalização, a equipe deve identificar- se pelo nome de cada contato. Para minimizar a confusão que ocorre muitas vezes com a hospitalização, a família e os amigos do paciente são estimulados a manter contato e visitá-lo freqüentemente.

Como os demais, as pessoas mais velhas respondem a sugestões. É útil lembrar ao paciente de sucessos passados e observar que cada período da vida também possui os seus problemas, benefícios e gratificações singulares. Aceitar o paciente como ele é dar-lhe-á a segurança de que há pessoas que se preocupam e que ajudarão quando preciso. A demonstração de respeito e de amizade fará muito para aumentar a auto- estima e mobilizar os recursos pessoais para auxílio próprio.

Os idosos temem a solidão e a dependência com todas as suas dores e angustias acompanhantes. Tão logo o paciente entre no hospital, referencias e planos devem ser feitos com relação á alta do hospital. Isso afasta muito de sempre presente temos de invalidez, dependência e morte. Todas as atividades da equipe estão orientadas para a recuperação da capacidade de cuidar de si.

A equipe bem – sucedida reconhece inicialmente as diferenças nas pessoas mais velhas. Algumas podem der e velhas fisicamente frágeis, porém mentalmente alerta e forte de espírito. Muito prontamente pode-se identificar um sendo de humor inerente, um estado de espírito filosófico ou uma personalidade contrariada e deprimida, muitas vezes o temperamento do paciente orientará o curso do progresso. A observação perspicaz dessas manifestações representará um desafio para a equipe no desenvolvimento do plano de cuidados.

Uma rotina fixa proporciona uma sensação de segurança para algumas pessoas idosas. Saber que uma determinada atividade tem lugar em uma hora determinada proporciona um horário que pode ser antecipado e planejado. A equipe pode transmitir alem disso uma sensação de aceitação lembrando-se dos anseios e das peculiaridades do paciente mesmo quando eles parecem triviais.

Antes que os procedimentos ou exames sejam executados ou as grades laterais do leito colocadas no lugar, devem ser dadas explicações a fim de eliminar os temores e as tensões. Visto que as pessoas idosas não gostam de ser apressadas, deve ser permitido tempo bastante na preparação um tratamento. Todo esforço deve ser realizado para ajudar ao paciente mais velho a sentir confiança naqueles responsáveis pela prestação dos cuidados.

O Atendimento de Saúde ao Idoso.

O envelhecimento como já sabemos é marcado por perdas e desilusões, porem por mais que o envelhecimento seja individual, o ser humano é social e sofre as influencias da sociedade. A vida não é unicamente biológica, a qualidade de vida e, conseqüentemente a qualidade do envelhecimento é extremamente relacionada com a visão que os mesmos possuem da sociedade onde ele esta inserido.

Tratamento ao Paciente Idoso.

A equipe gerontológica, é um desafio crescente no mundo atual. Á medida que mais pessoas idosas se tornam parte da clientela da equipe, todos os recursos científicos e humanísticos estão abertos. Não somente há problemas médicos e necessidades de cuidados múltiplos que devem ser tratados simultaneamente, mas problemas psicológicos e sócios- econômicos que também devem ser atendidos. Em geral, um paciente idoso requer 20% mais tempo de cuidados de saúde e de assistência geral do que um paciente mais jovem.

Quando nos aproximamos de uma pessoa idosa e frágil com doenças múltiplas que necessitam de varias formas de tratamento, é necessário mais do que a extensão habitual de avaliação, julgamento clínico e competência desta equipe. A equipe gerontológica requer compreensão da condição humana aumentada por compaixão, paciência e respeito. Ao mesmo tempo, podem ser obtidas grandes recompensas interagindo e aprendendo com as pessoas que acumulam uma experiência de toda uma vida adaptando-se e lutando de maneira bem sucedida com importantes crises sociais, econômicas e pessoais. O principio fundamental na abordagem do paciente idoso é reconhecer e respeitar a individualidade e a singularidade da pessoa.

A Política do idoso em Nossa Sociedade

A Política do Idoso

Atualmente a política do idoso oferece inúmeros benefícios aos idosos, infelizmente a grande maioria destes benefícios ainda não são possíveis à grande parcela da população idosa, por inúmeros motivos, tais como:

Falta de informação;
Pouca divulgação, etc.
Diversos benefícios nem sequer saíram do papel, devem ser reivindicadas com a força e poder da ação da população idosa e dos nossos políticos.

Iremos citar alguns dos mais importantes direitos e benefícios do idoso, como à saúde, educação, lazer, etc.

Depois de anos de discussão, finalmente foi aprovado pelo Congresso Nacional e sancionado no dia 1º de outubro de 2003, pelo presidente da República, a Lei 10.741/03, que dispõe sobre o Estatuto do Idoso.

Trata-se de Legislação moderna, na mesma linha da Lei de Ação Civil Pública, do Estatuto da Criança e do Adolescente e do Código do Consumidor.

A aprovação do Estatuto do Idoso demonstra preocupação da sociedade brasileira com o seu novo perfil populacional. O Brasil não é mais um país de jovens, mas um país em acelerado processo de envelhecimento. Esse perfil populacional exige do Estado e da sociedade ações efetivas voltadas à garantia dos direitos fundamentais das pessoas envelhecidas.

Importante observar que no início do século XX a expectativa de vida da população brasileira era apenas de 33 anos. Nesse contexto, portanto, a velhice não se colocava como questão social relevante, até mesmo porque o número de velhos era pequeno e a velhice era tratada como questão doméstica, do mundo privado.

Com o aumento da expectativa de vida da população (hoje já se aproxima dos 70 anos) e a conseqüente organização dos idosos, que passaram a lutar por um sistema de aposentadoria capaz de garantir-lhes dignidade, por um sistema de saúde adequado, por espaços de lazer, por leis mais duras contra atos de violência contra eles praticados nos próprios lares, a questão do envelhecimento transformou-se em questão pública.

Todo esse movimento estimulou o Legislativo a construir, com a decisiva colaboração da sociedade civil, um conjunto de normas voltadas a dar efetividade aos dispositivos constitucionais que garantem dignidade a todo ser humano, independentemente de sua idade.

Dentro de uma cultura jurídica em que as leis valem mais que a Constituição, quando o racional seria o contrário, elaborou-se o Estatuto do Idoso, o qual – é o que se espera – deve contribuir decisivamente para um mais amplo conhecimento e respeito dos direitos fundamentais dos idosos.

Por outro lado, é importante que se diga que o Estatuto do Idoso não irá eliminar instantaneamente de uma vez por todas e para sempre todas as discriminações e violências praticadas contra os idosos. O Estatuto apresenta-se apenas como mais uma ferramenta – muito importante, diga-se de passagem – de um processo voltado à construção de um espaço em que a dignidade da pessoa humana ocupe espaço de eminência.

No Brasil, apesar de a Constituição de 1988 determinar que o respeito à pessoa humana deva ser a principal conduta das autoridades e dos cidadãos, a grande maioria da população continua abandonada e privada dos seus direitos fundamentais. Por isso, não adianta pensar que a proteção aos idosos através de uma lei especial irá resolver os problemas desse segmento populacional. As carências e os sofrimentos dos idosos não começam na velhice. O velho sofrido e aviltado em sua dignidade é, na maioria das vezes, resultado de uma infância abandonada, de uma adolescência desprezada, de uma vida adulta marcada pelo desemprego.

Antes essa observação, vê-se que o Estatuto do Idoso não eliminará todas as violências e privações as quais os idosos estão submetidos.

As normas registradas no estatuto do Idoso consoante as quais as pessoas com mais de 60 anos têm direito à vida, à liberdade, ao respeito , à dignidade, aos alimentos, à saúde, à educação, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à profissionalização, à previdência, à assistência, à habitação, ao transporte não são suficientes para garantir concretamente esses direitos. Se os idosos não tiverem consciência de que esses direitos existem e que as autoridades e demais cidadãos devem agir no sentido de afirmá-los, de nada terá adiantado todo o esforço para sua elaboração e vigência. A lei por si só não é capaz de mudar a realidade. Ela necessita da disposição de todos no sentido de cumpri-la.

As medidas de proteção também são insuficientes para garantir que os idosos não mais serão vítimas de violência, contudo se constituem em previsão importante para evitar abusos e vacilações do Poder Judiciário no sentido de punir aqueles que maltratam as pessoas envelhecidas.

O papel do Ministério Público inscrito de forma tão clara no Estatuto do Idoso representa um avanço importante na luta pela afirmação da dignidade da pessoa humana, mas não suficiente se o Poder Judiciário não se comprometer com esse processo, inclusive por meio da criação de Varas Especializadas para atendimento das demandas dos idosos.

Por fim, esperava-se que o legislador impusesse penas severas contra aqueles que violentam os idosos em sua dignidade e contra parentes que se apropriam indevidamente de suas rendas. Lamentavelmente isso não aconteceu. Observa-se no Estatuto do Idoso enorme complacência do legislador com aqueles que vulneram os direitos fundamentais dos idosos, na medida em que inscreveu como norma o dispositivo consoante o qual os crimes punidos com até quatro anos de prisão devem ser tratados como de menor potencial ofensivo.

Ora, os crimes de menor potencial ofensivo não podem ser definidos de forma distinta por cada nova legislação penal, por mais específica que seja, sob pena de causar distinções iníquas, não agasalhadas pela Constituição. Por outro lado, alterar a todo momento o que se deve entender por crime de menor potencial ofensivo só traz instabilidade para a sociedade, na medida em que norma posterior mais benéfica sempre será invocada para poupar de punição autores contumazes de condutas delituosas.

A lei 9.099/95 em seu art. 61 estabeleceu crimes de menor potencial ofensivo aqueles cuja pena privativa de liberdade é de até um ano. Com o advento da Lei dos Juizados Federais Criminais, os tribunais de todo País têm entendido que referidos crimes passaram a ter nova definição, alcançando todos aqueles cuja pena privativa de liberdade não ultrapassa dois anos.

Com o art. 94 da Lei 10.741/03 (Estatuto do Idoso), os acusados de prática de crime contra pessoas com mais de 60 anos, cuja pena não seja superior a quatro anos de prisão passam a gozar de tratamento privilegiado em relação aqueles acusados de crimes cuja pena é maior de dois anos.

Argumento de que os crimes previstos no Estatuto do Idoso são específicos e sem paralelo não pode subsistir porquanto o instituto crime de menor potencial ofensivo não pode ter várias definições.

Não parece razoável entender como crimes de menor potencial ofensivo aqueles com grande poder devastador sobre a dignidade dos idosos. Por conta disso, o art. 94 da lei 10.941/03 merece ser declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.

Casas

de Repouso

Portaria nº 810/89

Aprova normas e os padrões para o funcionamento de casas de repouso, clínicas geriátricas e outras instituições destinadas ao atendimento de idosos, a serem observados em todo o território nacional.

O Ministro de Estado da Saúde, no uso de suas atribuições considerando:

O aumento da população de idosos no Brasil;
A associação do processo de envelhecimento a condições sociais e sanitárias que demandam atendimento específico;
A necessidade de estabelecerem-se normas para que o atendimento ao idoso em instituições seja realizado dentro de padrões técnicos elevados, resolve:
I- Ficam aprovadas as normas e os padrões para o funcionamento de casas de repouso, clínicas geriátricas e outras instituições destinadas ao atendimento de idosos, a serem observados em todo o território nacional.

II- O órgão competente da Secretaria Nacional de Programas Especiais de Saúde, se articulará com as Secretarias de Saúde, a fim de orienta-las sobre o exato cumprimento e interpretação das normas aprovadas.

Definição

Consideram-se como instituições específicas para idosos os estabelecimentos, com denominações diversas, correspondentes aos locais físicos equipados para atender pessoas com 60 ou mais anos de idade, sob regime de internato ou não, mediante pagamento ou não, durante um período indeterminado e que dispõem de um quadro de funcionários para atender às necessidades de cuidados com a saúde, alimentação, higiene, repouso e lazer dos usuários e desenvolver outras atividades características da vida institucional.

Organização

Administração

Estatutos e Regulamentos

Toda instituição de atenção ao idoso deve ter um estatuto e regulamentos onde estejam explicitados os seus objetivos, a estrutura da sua organização e, também, todo o conjunto de normas básicas que regem a instituição.

Direção Técnica

As instituições para idosos devem contar com um responsável técnico detentor de título de uma das profissões da área de saúde, que responderá pela instituição junto à autoridade sanitária.

As instituições que tem entre as suas finalidades prestar atenção médico-sanitária aos idosos devem contar em seu quadro funcional com um coordenador médico.A designação de especialização em geriatria e gerontologia deve obedecer às normas da Associação Médica Brasileira (AMB).

Funcionamento

Alvará

Todas as instituições específicas para idosos devem efetuar o registro no órgão sanitário competente a nível estadual ou municipal, ou no órgão correspondente no Distrito Federal.

Até a data da vigência desta Portaria, será concedido registro, em caráter precário, às instituições existentes, que não se enquadram nas normas aqui estabelecidas, sendo concedido prazo de até 12 meses para as adaptações imprescindíveis, a critério da autoridade sanitária.

A partir da vigência destas normas, só será concedido registro às instituições que se adequarem às presentes disposições.

As instituições que se propõem ao atendimento de pacientes (clínicas e hospitais geriátricos), deverão atender prioritariamente ao disposto na Portaria 400, do Ministério da Saúde de 06 de dezembro de 1977.

O alvará de funcionamento poderá ser cassado pela autoridade sanitária a qualquer momento, desde que haja infringência às normas estabelecidas por esta Portaria.

Registro de Informações e Dados

Registro de Admissão

As instituições deverão manter um registro atualizado das pessoas atendidas, constando de nome completo, data de nascimento, sexo, nome e endereço de um familiar ou do responsável, caso o atendimento não se deva à decisão do próprio idoso.

Além dos dados acima devem ser anexadas ao registro informações demonstrando a capacidade funcional e o estado de saúde do indivíduo, a fim de adequar os serviços às necessidades da pessoa a ser atendida. Serão anotados neste registro todos os fatos relevantes ocorridos no período de atendimento relacionados à saúde, bem estar social, direitos previdenciários, alta e/ou óbito.

Prontuário

As instituições que se propõem a atender o idoso enfermo devem manter o prontuário de atendimento contendo descrição da evolução dos pacientes, ações propedêuticas e terapêuticas.

Relatórios

As instituições deverão produzir e manter arquivado um relatório mensal, que poderá ser exigido a qualquer momento pela autoridade sanitária competente, contendo o nome dos internos, um sumário da situação de cada um no que se refere à saúde e as necessidades sociais e também informações de caráter administrativo.

Área Física e Instalações

A área física destinada a atender os idosos deve ser planejada levando-se em conta que uma parcela significativa dos usuários apresenta ou pode vir a apresentar dificuldades de locomoção e maior vulnerabilidade a acidentes, o que justifica a criação de um ambiente adequado. Assim sendo, é exigível:

As instituições específicas para idosos deverão funcionar, preferencialmente em construções horizontais de caráter pavilhonar. Quando dotadas de mais de um plano e não dispuserem de equipamento adequado como rampa ou elevador para a circulação vertical, estas instituições só poderão atender pessoas imobilizadas no leito e com problemas locomotores ou psíquicos, no pavimento térreo.
Os prédios deverão dispor de meios que possibilitem o rápido escoamento, em segurança, dos residentes, em casos de emergência, de acordo com as normas estabelecidas pelo Corpo de Bombeiros ou, quando inexistir essa corporação no local, pela Coordenadoria de Defesa Civil do Município.
Acessos

Os acessos ao prédio deverão possuir rampa com inclinação máxima de 5%, largura mínima de 1,50m, dotada de guarda-corpo e corrimão, piso revestido com material não derrapante, que permita o livre rolamento de cadeiras de rodas, inclusive.

Exige-se que existam no mínimo dois acessos independentes, sendo um deles para os idosos e outro para os serviços.

Portas e Esquadrias

As portas externas e internas devem ter uma luz de 0,80m no mínimo, dobradiças externas e soleiras com bordas arredondadas. Portas de correr terão os trilhos embutidos na soleira e no piso, para permitir a passagem de nível, especialmente para cadeira de rodas.

As portas dos sanitários devem abrir para fora, e devem ser instaladas de forma a deixar vãos livres de 0,20m na parte inferior.

As maçanetas das portas não deverão ser do tipo arredondado ou de qualquer outra forma que dificulte a abertura das mesmas.

Circulação Interna

Horizontal

Os corredores principais das instituições a serem instaladas, após a entrada em vigor desta Portaria, deverão ter largura mínima de 1,50m. Exige-se que todas as instituições já existentes ou que venham a ser criadas equipem os corredores com corrimão em ambos os lados, instalados a 0,80m do piso e distantes 0,05m da parede.

Não se permite a criação de qualquer forma de obstáculos à circulação nos corredores, incluindo bancos, vasos e outros móveis ou equipamentos decorativos.

Circulação Vertical

Escadas

As escadas devem ser em lances retos, com largura mínima de 1,20m, dotadas de corrimão em ambos os lados não devendo existir vão livre entre o piso e o corrimão. Os espelhos do primeiro e do último degraus devem ser pintados de amarelo e equipados com luz de vigília permanente.Exige-se que as escadas tenham portas de contenção com molas e travas leves, que as mantenham em posição fechada.

Rampas

Devem obedecer às especificações descritas no item “acesso” e devem ser instaladas em todos os locais onde exista mudança de nível entre 2 ambientes.

Elevadores e Monta-Cargas

Obedecerão às Normas estabelecidas na Portaria n° 400, do Ministério da Saúde, de 06 de dezembro de 1977.

Instalações Sanitárias

Os sanitários deverão ser separados por sexo e obrigatoriamente equipados com barras de apoio instaladas a 0,80m do piso e afastadas 0,05m da parede, tanto no lavatório, como no vaso sanitário e no “box” do chuveiro. Devem ser instalados no mesmo pavimento onde permanecerem os idosos atendidos.

Vaso Sanitário

Deve ser instalado sobre um sóculo de 0,15m de altura, na proporção de 1 vaso sanitário para cada 6 pessoas. No caso das paredes laterais ao vaso sanitário serem afastadas, deverá ser instalada em ambos os lados do vaso uma estrutura de apoio em substituição às barras instaladas na parede.

Chuveiro

Deve ser instalado em compartimento (box) com dimensões internas compatíveis com banho em posição assentada, dotado obrigatoriamente de água quente e na proporção de 1 chuveiro para cada 12 leitos.

Bacia Sanitária (BIDET)

Quando existente, deve ser instalada sobre um sóculo de 0,15m de altura, e equipada com a mesma estrutura de apoio descrita para o vaso sanitário.

As banheiras de imersão só serão permitidas nas salas de fisioterapia.

Iluminação, Ventilação, Instalações Elétricas e Hidráulicas

Deverão obedecer aos padrões mínimos exigidos pelo código de obras local.

É obrigatória a instalação de luz de vigília nos dormitórios, banheiros, áreas de circulação, no primeiro e no último degraus da escada.

Áreas Mínimas

Dormitório

A medida linear mínima dos dormitórios é de 2,5m.

A área mínima para um dormitório é de 6,5m² quando equipado com apenas 1 leito, e de 5m² por leito para até 4 leitos, sendo este o número máximo recomendável por dormitório.

Aquelas instalações já existentes com dormitórios tendo acima de 4 leitos deverão seguir as normas em vigor do Ministério da Saúde para enfermarias.

É expressamente vetado o uso de camas tipo beliche, camas de armar ou assemelhadas e a instalação de divisórias improvisadas que não respeitem os espaços mínimos ou que prejudiquem a iluminação e a ventilação, conforme estabelecido pelo código de obras local.

A distância mínima entre dois leitos paralelos deve ser de 1,0m e de 1,50m entre um leito e outro fronteiriço. Recomenda-se que a distância mínima entre o leito e a parede que lhe seja paralela deva ser de 0,50m.

Sala Para o Serviço de Nutrição e Dietética

É constituída por cozinha, refeitório e despensa, sendo que o refeitório poderá também servir como sala para a realização de atividades recreativas e ocupacionais, com área mínima de 1,5m² por pessoa para instituições com capacidade para até 100 pessoas.

Área de Recreação e Lazer

Todas as instituições deverão contar com área destinada à recreação e ao lazer, inclusive de localização externa, com área mínima de 1m² por leito instalado.

Área para Atividades de Reabilitação

Aquelas instituições que se propõem a executar ações visando a reabilitação funcional e cognitiva deverão possuir instalações específicas com área mínima de 30m² e dotadas de pia com bancada, sanitário próximo, mobiliário e equipamento específicos estipulados por profissionais legalmente habilitados, inscritos no conselho de profissionais da área respectiva.

Limpeza e Higienização

As dependências deverão ser mantidas em perfeitas condições de higiene e asseio.

Todo o lixo deverá ser acondicionado em sacos plásticos apropriados, conforme norma técnica da ABNT. Deverá ser prevista lixeira ou abrigo de lixo externo à edificação para armazenamento dos resíduos até a coleta municipal.

Tipos de Materiais de Construção

As paredes e tetos deverão possuir revestimento lavável de cores claras, permitindo limpeza e desinfecção. Não é permitida a instalação de paredes de material inflamável com o objetivo de dividir ambientes.

Os revestimentos dos pisos devem ser preferencialmente monocromáticos e de material de fácil limpeza e antiderrapante, nas áreas de circulação, banheiros, refeitórios e cozinha.

Mobiliário e Equipamentos Básicos

A disposição do mobiliário deve possibilitar fácil circulação e minimizar o risco de acidentes e incêndio.

Nas instalações sanitárias e na cabeceira de cada leito ocupado por residente com dificuldade de locomoção, deverá ser instalado um botão de campainha ao alcance da mão.

É desejável a instalação de telefone comunitário para uso dos idosos.

Recursos Humanos

As instituições para idosos em geral devem contar com:

assistência médica
assistência odontológica
assistência de enfermagem
assistência nutricional
assistência psicológica
assistência farmacêutica
atividades de lazer
atividades de reabilitação (fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia)
serviço social
apoio jurídico e administrativo
serviços gerais
O dimensionamento da equipe multiprofissional necessária à assistência ao idoso institucionalizado deverá se basear:

a) nas necessidades da população atendida;

b) na disponibilidade de recursos humanos regionais ou locais;

c) nos critérios dos respectivos conselhos regionais de profissionais.

Assim, mostramos a formação estrutural, física, arquitetônica e profissional desta clínica de repouso pública “localizada” na Cidade de Santo André, ABC Paulista.

Planta Física – Casa de Repouso.

Esta planta física mantém normas e regras acima descritas.

Pesquisa de Campo

Complementações sobre à Área Física da Clínica de Repouso

O imóvel ocupado pela Clinica de Repouso foi modernizado, com a eliminação das escadas e a instalação de rampas e corrimãos em todas as áreas disponibilizadas aos clientes. O local é aprazível, de fácil acesso e tem jardins que permitem o seu uso pelos nossos idosos.

Possui dez (10) quartos – suítes, contando com um total de treze (13) leitos fixos. Além disso a clínica possui duas (2) salas espaçosas e amplas, uma copa e uma cozinha, quatro (4) banheiros, um (1) salão para recreação e atividades físicas e uma área livre bastante agradável e arejada.

Os suportes não visíveis ao visitante, a casa é equipada com o mais moderno sistema de gás atualmente disponível no mercado, dotado de tanque estacionário, abastecido diretamente pelo caminhão tanque do fornecedor e todas as paredes e portas possuem barras de segurança até mesmo nos dormitórios e banheiros. Como a clinica é térrea e plana não temos nenhuma escada, mas em todas as entradas temos rampas, para os clientes que utilizam cadeiras de roda.

Possuímos onze (11) extintores/hidrantes, distribuídos estrategicamente em toda área física na clínica e duas (2) saídas de emergência.

Em fase de construção, brevemente, será instalado um local destinado à meditação e reza, que será configurado pela construção de pequena capela e de uma área rústica para uso dos idosos nos dias de calor, de forma a permitir seu contato com a natureza sem expô-los às conseqüências danosas dos raios solares.

Implementamos um Plano de Prevenção aos Riscos Ambientais – PPRA, permitindo com isto que nossa instituição sofra a avaliação externa por engenheiros e técnicos ligados à medicina do trabalho e desta forma garantir a permanente melhora da qualidade ambiental de nossa instituição.

Como a Clinica é uma instituição pública, os gastos para reforma e compra de materiais, equipamentos e mobílias, são cedidos pela prefeitura e gerenciado pelo administrador e o médico, que são responsáveis pela clínica. Inicialmente para a reforma e inauguração da clinica o investimento foi de aproximadamente R$ 100.000,00 (cem mil reais) e atualmente o repasse de verba é de acordo com os gastos da instituição. Atualmente a grande maioria dos funcionários (21) são contratados devido concurso público e temos aproximadamente três (3) funcionários contratos para serviços temporários.

Legenda

Extintores

e Hidrantes.

Quadro de Funcionários

A clinica conta com vinte e três (24) funcionários, sendo:

Dois (2) Médicos
Manhã, Tarde e Noite

Dois (2) Enfermeiros
Manhã, Tarde e Noite

Um (1) Diretor Administrativo
Manhã e Tarde

Um (1) Assistente Social
Manhã e Tarde

Um (1) Psicólogo
Manhã e Tarde

Dois (2) Fisioterapeutas
Manhã, Tarde e Noite

Um (1) Fonoaudiólogo
Manhã e Tarde

Um (1) Nutricionista
Manhã e Tarde

Um (1) Profº de Educação Física
Manhã e Tarde

Quatro (4) Aux. de Enfermagem
Manhã, Tarde e Noite

Dois (2) Téc. de Enfermagem
Manhã, Tarde e Noite

Dois (2) Cozinheiros
Manhã, Tarde e Noite

Um (1) Ajudante Geral
Manhã e Tarde

Um (1) Faxineiro
Manhã e Tarde

Uma (1) Lavadeira
Manhã e Tarde

Um (1) Aux. de Manutenção
Manhã e Tarde

Trauma Torácico

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Autoria: Ana Paula de Souza

Trauma Toracico

INTRODUÇÃO

O traumatismo torácico nos dias atuais assume grande importância devido, em parte, a sua incidência e, por outro lado, pelo aumento da gravidade e da mortalidade das lesões. Isto se deve pelo aumento do numero e variedade dos mecanismos lesivos, como por exemplo, a maior velocidade dos automóveis, a violência urbana, e dentro desta, o maior poder lesivo dos armamentos, além de outros fatores.

As lesões de tórax são divididas naquelas que implicam em risco imediato à vida e que, portanto, devem ser pesquisadas no exame primário e naquelas que implicam em risco potencial à vida e que, portanto, são observadas durante o exame secundário. Do 1º grupo fazem parte: obstrução das vias aéreas, pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, hemotórax maciço, tórax instável e tamponamento cardíaco. Já, no 2º grupo, incluem-se: contusão pulmonar, contusão miocárdica, ruptura aórtica, ruptura traumática do diafragma, laceração traqueobrônquica e laceração esofágica.

É causa direta de cerca de 25% das mortes traumáticas, visto que este segmento corpóreo aloja órgãos de vital importância, como o coração, os pulmões, os grandes vasos (aorta, artéria pulmonar), que muitas vezes, quando lesados, podem levar o paciente rapidamente ao óbito. Aproximadamente 50% das mortes por trauma tem alguma lesão torácica associada. Outros dados ainda por demais significantes apontam que cerca de 80% dos pacientes morrem no local do trauma. Dos 20% que chegam vivos ao hospital, 85% apresentam, em geral, uma boa evolução, enquanto 15% restantes tem uma alta taxa de mortalidade, em parte, devido a outros tipos de trauma (ex: TCE).

Classicamente, os traumatismos torácicos se classificam em abertos (penetrantes ou não) e fechados. No entanto, essa classificação não tem grande valor prático, pois qualquer destes tipos pode causar lesões em qualquer víscera torácica, tornando-se pouco confiável para o norteamento terapêutico.

FISIOPATOLOGIA

A hipóxia tecidual, a hipercarbia e a acidose são resultados freqüentes do trauma torácico. A hipóxia tecidual resulta de uma oferta inadequada de oxigênio aos tecidos causada pela hipovolemia, por alteração da relação ventilação/perfusão pulmonar (contusão, hematoma, colapso alveolar, etc), e por alterações nas relações pressóricas intratorácicas (pneumotórax hipertensivo, pneumotórax aberto, etc). a hipercarbia implica em hipoventilação. Agudamente, a hipóxia é mais importante. A acidose é causada pela ventilação inadequada, por alterações nas relações pressóricas intratorácicas, por depressão do nível da consciência, etc. já a acidose metabólica é causada pela hipoperfusão dos tecidos (choque).

CLASSIFICAÇÃO

Quanto ao tipo de lesão: como já mencionado anteriormente, divide-se em:

Aberto: são os ferimentos. Os mais comuns são os causados por arma branca (FAB) e os por arma de fogo (FAF).
Fechado: são as contusões. O tipo mais comum dessa categoria de trauma é representado pelos acidentes automobilísticos.
Quanto ao agente causal:

FAF: Ferimento por arma de fogo.
FAB: Ferimento por arma branca.
Acidentes automobilísticos.
Outros.
Quanto à manifestação clínica:

Pneumotórax (hipertensivo ou não).
Hemotórax.
Tamponamento cardíaco.
Contusão pulmonar.
Lesão de grandes vasos (artéria aorta, pulmonar, veia cava)

MECANISMOS DE LESÃO

Muitas vezes fica difícil isolar um único mecanismo de lesão, mas para um melhor entendimento, dividiremos em quatro os principais mecanismos, são eles:

Trauma Direto: neste mecanismo, a caixa torácica é golpeada por um objeto em movimento ou ela vai de encontro a uma estrutura fixa. Nesse caso, a parede torácica absorve o impacto e o transmite à víscera. Além disso, nesse tipo de trauma é freqüente que o individuo, ao perceber que o trauma irá ocorrer, involuntariamente, inspire e feche a glote, o que poderá causar um pneumotórax no paciente. No trauma direto, geralmente, ocorrem lesões bem delimitadas de costelas e mais raramente de esterno, coração e vasos, apresentando um bom prognóstico.

Trauma por compressão: este mecanismo é muito comum em desmoronamento, construção civil, escavações, etc. Apresenta lesões mais difusas na caixa torácica, mal delimitadas e, se a compressão for prolongada, pode causar asfixia traumática, apresentando cianose cérvico-facial e hemorragia sub-conjuntival. Em crianças, este mecanismo é de primordial importância, visto que a caixa torácica é mais flexível, podendo causar lesões externas de vísceras torácicas (Síndrome do esmagamento) com o mínimo de lesão aparente. Em determinadas situações, a lesão do parênquima pulmonar é facilitada pelo próprio paciente, como já visto anteriormente ( o acidentado, na eminência do trauma, prende a respiração, fechando a glote e contraindo os músculos torácicos, com o intuito de se proteger, mas aumenta demasiadamente a pressão pulmonar). No momento do choque, a energia de compressão faz com que aumente ainda mais essa pressão, provocando o rompimento do parênquima pulmonar e até de brônquios.

Trauma por desaceleração (ou contusão): caracterizado por processo inflamatório em pulmão e/ ou coração no local do impacto, causando edema e presença de infiltrado linfomonocitario o que caracterizará a contusão. Nesse tipo de trauma, o paciente terá algia local, porém sem alterações no momento do trauma. Após cerca de 24h, no entanto, o paciente apresentará atelectasia ou quadro semelhante à pneumonia (Rx de tórax com aspecto fioconoso; diminuição do murmúrio vesicular; dispnéia; ausculta semelhante a quadro de pneumonia). No coração ocorre, geralmente, diminuição da fração de ejeção e alteração da função cardíaca (insuficiência cardíaca, arritmias graves). A insuficiência cardíaca deve ser tratada com diurético, digital a suporte hemodinâmico. As arritmias devem ser tratadas com antiarritmicos específicos. Além disso, devem ser feitos RX seriados até 48h após o trauma. Seu diagnóstico é feito, basicamente, através da clinica, de ECG e de dosagens de enzimas cardíacas de modo seriado. Esse tipo de trauma é muito comum em acidentes automobilísticos e quedas de grandes alturas. O choque frontal contra um obstáculo rígido, como, por exemplo, o volante de um automóvel, causa à desaceleração rápida da caixa torácica com continuação do movimento dos órgãos intra-toracicos, pela lei da inércia. Na desaceleração brusca, o coração e a aorta descendente basculam para frente rompendo a aorta no seu ponto fixo. Já em quedas de grandes alturas, quando o individuo cai sentado ou em pé, podem ocorrer lesões da valava aórtica. No momento da diástole ventricular ( quando a valva está fechada), pela inércia vertical, ocorre um a grande força exercida pelo volume de sangue à montante da valva, forçando-a, causando seu rompimento.

Traumas penetrantes: (FAB e FAF são seus tipos mais comuns). É o mecanismo mais comum de traumas abertos. Pode ser causado criminalmente ou acidentalmente por armas brancas, objeto pontiagudo, estilhaços de explosões, projéteis de armas de fogo etc. As armas brancas provocam lesões mais retilíneas e previsíveis, pela baixa energia cinética. Já as armas de fogo causam lesões mais tortuosas, irregulares, sendo por isso mais graves e demais difícil tratamento.

AVALIAÇÃO INICIAL DAS LESÕES TRAUMÁTICAS TORACICAS

O Atendimento do paciente deve ser orientado inicialmente segundo os critérios de prioridade, comuns aos vários tipos de traumas ( ABCD do trauma, que tem por objetivo manter a ventilação e perfusão adequada, evitando, assim as deficiências respiratórias e circulatórias pelo mecanismo de parada cardíaca anóxica).

Mais especificamente o trauma torácico leva com freqüência a hipóxia tecidual. Esta é resultado de um dos fatores abaixo, ou da associação destes, que são:

Queda do volume sanguíneo circulante
Distúrbio na ventilação pulmonar
Contusão pulmonar
Alterações do espaço pleural
Desse modo, os seguintes itens deverão ser avaliados:
Vias aéreas: aqui se deve certificar a permeabilidade das vias aéreas (a sensação tátil e ruidosa pelo nariz e boca do paciente nos orienta sobre ela e também sobre distúrbios na troca gasosa). Se identificada alguma obstrução, realizar o tratamento imediato, garantindo assim a ventilação ( elevação do mento e tração da mandíbula, uso de cânula orofaríngea ou nasofaringea, traqueostomia). Também pode ser notado sinais de insuficiência respiratória, como tiragem de fúrcula, batimentos da asa do nariz. A orofaringe sempre deve ser examinada a procura de obstrução por corpos estranhos, particularmente em pacientes com alterações da consciência.

Respiração: fazer uma rápida propedêutica do tórax, avaliando o padrão respiratório, através da amplitude dos movimentos torácicos, presença de movimentos paradoxais (afundamento torácico, simetria da expansibilidade, fraturas no gradeado costal, enfisema de subcutâneo. Nesta fase, também deve se suspeitar, frente a sintomas característicos, de pneumotórax hipertensivos e tamponamento cardíaco, pois são lesões que se não identificadas e tratadas prontamente, levam rapidamente ao óbito).

Circulação: para sua avaliação, faz-se monitorização da pressão arterial, do pulso ( qualidade, freqüência, regularidade: ex: os pacientes hipovolêmicos podem apresentar ausência de pulso radial e pedioso ), bem como de estase jugular e perfusão tecidual. Estes parâmetros são muitos úteis para uma avaliação geral do sistema cárdio-circulatório. Visto isso, passaremos agora a um estudo pormenorizado das lesões que mais comumente acomete o segmento torácico, dando ênfase a suas etiologias, diagnósticos e tratamentos.

PROCEDIMENTOS MÉDICOS

Toracotomia: para as lesões que, potencialmente coloque em risco a vida do paciente, este poderá eventualmente, ser um procedimento necessário. A massagem cardíaca externa convencional e de parada cardíaca ou dissociação eletromecânica é inefetiva em pacientes hipovolemicos. Os paciente que chegam com perdas volêmicas maciças ( perda maior que 1500ml ou 100 a 200ml/h. de sangue contínuo na drenagem ), com lesão penetrante em região precordial ( área de Ziedler, área de projeção do coração e dos grandes vasos, ex: ferimento miocárdico em vasos da base ), sem pulso, porém com atividade elétrica miocárdica, podem ser candidatos a toracotomia na sala de emergência em casos de lesão do parênquima ou do hilo pulmonar, do brônquio; caso de laceração de parede costal; casos de quilotórax; lesões de artérias intercostais, de esôfago. Presumindo-se que um cirurgião que esteja presente deve ser realizada uma toracotomia anterior esquerda com clampeamento da aórta torácica descendente, devendo ser indicada à massagem cardíaca aberta, paralelamente a reposição do volume intravascular.

Drenagem torácica: Em casos de hemorragia intratorácica ou pneumotórax, antes de um procedimento mais invasivo, opta-se pela drenagem ( 85% dos casos), nesse caso é realizada com um tubo plástico multifenestrado no 6º ou 7º espaço intercostal, na linha auxiliar média sob sistema de selo d’agua. Outras indicações para o uso do dreno de tórax seriam: 1) – Suspeita de lesão pulmonar grave, especialmente aqueles que necessitam ser transferidos por transporte aéreo ou terrestre, 2) – Pacientes que necessitam de anestesia geral para tratamento de outras lesões, nos quais se suspeita de lesão pulmonar significativa, 3) – Pacientes que necessitam de ventilação com pressão positiva nos quais se suspeite de lesão torácica importante.

Toracocentese: é uma punção realizada na altura do 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular, indicada em casos de pneumotórax hipertensivo.

FRATURAS

São as lesões mais comuns do tórax e assumem fundamental importância, pois a dor causada por elas dificulta a respiração e levam ao acúmulo de secreção.

As etiologias mais comuns das fraturas são o trauma direto e a compressão do tórax. Geralmente as lesões por trauma direto formam espículas que se direcionam para o interior do tórax, logo com maior potencialidade de lesar a cavidade pleural. Nas lesões por compressões, as espícolas se direcionam para fora, diminuindo a potencialidade de acometimento da cavidade pleural, porém, com maior chance de levar a um tórax instável e de lesões de órgãos internos.

Fraturas de costelas: As costelas são as estruturas mais comumente lesadas da caixa torácica. A dor provoca restrição a ventilação e consequentemente acúmulo de secreção traqueo brônquica. A atelectasia e a pneumonia podem complicar o quadro, principalmente em pacientes com doença pulmonar pré-existente. Quando fraturadas as três primeiras costelas indicam maior incidência de lesão da coluna cérvico-dorsal, traqueais e vasculares e por isso, a mortalidade pode chegar a 50%. A cintura escapular confere proteção relativa as costelas superiores, tornando-as sujeitas a fraturas apenas quando o trauma é de grande violência. Quando a fratura do primeiro arco associada com e segundo ou terceiro aros, deve-se sempre fazer uma endoscopia e nela pesquise lesão esofágica ou traqueal. Em geral, se houver fratura apenas do primeiro arco costal será mais dificilmente encontrada lesão esofágica ou traqueal. Já as costelas intermediarias (4º a 9º) sofrem a maioria dos traumas contusos, a força aplicada diretamente sobre as costelas tende a fratura-las e a direcionar procedimentos fraturados para dentro do tórax, aumenta desse modo, o risco de lesões intratorácicos, tais como o pneumotórax. No caso de fraturas das últimas costelas (da 10º a 12º) deve aumentar a suspeita de trauma hepato-esplênico, diagnóstico das fraturas é dado pela sensibilidade e dor a palpação onde se nota também a crepitação óssea e também por uma possível deformidade palpável ou visível. Esse diagnóstico é confirmado pelo RX simples de tórax e também poderá evidenciar alguma outra lesão intratorácica. O tratamento dessa lesão costal é baseado no controle da dor, feito através de opiáceos , analgésicos ou infiltrações .

Afundamentos: O afundamento do tórax se dá quando há fratura de várias costelas em múltiplos pontos, levando ao chamado “tórax oscilante”. Como são em geral, posteriores ou laterais seu maior problema se constitui na probabilidade de causarem perfuração pulmonar. Já as inferiores como mencionados anteriormente poderão causar lesão em fígado ou baço, e as mais superiores em traquéia ou esôfago. O movimento do tórax é assimétrico e descordenado, a algia associada à restrição dos movimentos respiratórios e a lesão do parênquima pulmonar, contribuem para e hipóxia do paciente.

Fraturas do esterno: São lesões raras mais de alta mortalidade, devido à ocorrência de lesões associadas (contusão cardíaca, traqueobrônquica, ferimentos musculares) que devem ser pesquisados concomitantemente. A algia intensa, o aumento de volume e as crepitações ósseas aos movimentos respiratórios nos orientam para esse diagnóstico, que é confirmado com exame radiológico.

Fraturas da clavícula: Apresentam pouca dificuldade de diagnóstico, se o paciente for visto logo após a lesão a deformidade clínica é óbvia e pode ser fora de proporção à quantidade de desconforto que o paciente experimenta. Fragmento proximal está desviado para cima e para trás e pode erguer e esticar a pele. O paciente usualmente se apresenta imobilizando a extremidade comprometida, porque qualquer movimento provoca dor. Embora a deformidade inicial possa ser óbvia mais tarde com tumefação aguda dos tecidos moles e hemorragia a deformidade pode ficar oculta.

ALTERAÇÕES DA CAVIDADE PLEURAL

PNEUMOTORAX

O pneumotórax é definido como o acúmulo de ar na cavidade pleural, restringindo o parênquima pulmonar e prejudicando a respiração.

Aberto: é caracterizado pelo contato do espaço pleural com o meio ambiente ( solução de continuidade entre a cavidade e o meio externo), levando a uma equivalência entre as pressões atmosféricas e intratorácicas, o que ocasionará, em última instância o colapso pulmonar, queda da hematose de uma hipóxia aguda. Se o diâmetro dessa abertura for de aproximadamente 2/3 do diâmetro da traquéia ou superior a esse valor o ar entrará, preferencialmente por esse orifício, proporcionando uma maior gravidade. Esse tipo de pneumotórax geralmente não é causado por ferimento por arma de fogo ou arma branca, já que nesse caso os músculos da parede torácica tamponam a lesão. Os sinais e sintomas comuns são: 1) – Traumatopnéia: caracteriza-se por saída de ar pelo orifício da lesão; 2) – Mecanismo pendular: passagem de ar do pulmão não lesado para o pulmão lesado e ocorre quando durante a inspiração o pulmão lesado tende a se colabar e na expiração a se expandir. 3) – Dispnéia; 4) – Taquicardia; 5) – Ausência de murmúrio vesicular; 6) Hipertimpanismo.

Simples: o pneumotórax simples tem sua etiologia baseada, principalmente, no trauma penetrante e na contusão torácica. Seu diagnóstico é dado pela hipersonoridade à percussão e diminuição ou ausência de murmúrio vesicular. O tratamento preconizado para ele é (ATLS) é a drenagem pleural feita no 5º ou 6º espaço intercostal na linha auxiliar média, a fim de se evitar complicações como lesão de diafragma, fígado ou outros órgãos. Em casos onde há borbulhamento persistente do selo d’água é indicado uma aspiração continua com 20 a 30 cm de água de pressão.

Hipertensivo: É uma lesão grave que põe em risco imediato a vida do paciente e por isso deve ser tratado com extrema urgência. Ocorre quando há vazamento de ar para o espaço pleural por um sistema de “válvula unidirecional”( geralmente por fratura do arco costal). O sistema de válvula faz com que o ar entre para a cavidade torácica sem a possibilidade de sair, colapsando completamente o pulmão do lado afetado. O mediastino e a traquéia são deslocados para o lado oposto, diminuindo o retorno venoso e comprimindo o pulmão oposto. Pode ocorrer óbito rápido devido à compressão do parênquima lateral, que leva a hipóxia. As causas mais comuns de pneumotórax hipertensivo são a ventilação mecânica, com pressão expiratória final positiva, o pneumotórax espontâneo pela ruptura de uma bolha de enfisema com cicatrização deficiente e o trauma contuso de tórax. É caracterizado por dispnéia intensa, taquicardia, hipotensão, desvio da traquéia, ausência de murmúrio vesicular unilateral, extensão das veias do pescoço, hipersonoridade. Pela semelhança dos sintomas, o pneumotórax hipertensivo pode inicialmente ser confundido com tamponamento cardíaco. Contudo ele é mais comum. A diferenciação pode ser feita pelo timpanismo notado a percussão sobre o hemitórax.

HEMOTÓRAX

O hemotórax é definido como coleção de sangue na cavidade torácica (acúmulo de mais de 1500ml). Suas etiologias mais freqüentes são: lesão da artéria intercostal, laceração do parênquima pulmonar (que geralmente é periférica), lesões em vasos da base, e lesão cardíaca. O hemotórax é assintomático até que dê choque hipovolêmico. O diagnóstico do hemotórax é dado pela diminuição de expansibilidade torácica, dispnéia, diminuição ou ausência de murmúrios vesiculares e pela maciez ou submaciez de base pulmonar à percussão. Seu tratamento consiste na drenagem torácica ou toracotomia, dependendo da gravidade. É importante dizer que a drenagem torácica com autotransfusão resolve cerca de 85% dos casos, enquanto 15% destes são solucionados por outros procedimentos.

QUILOTORAX

O quilotorax é o acúmulo de liquido linfático na cavidade pleural. Sua etiologia geralmente é devido a um ferimento transfixante do tórax que acontece o ducto torácico. O diagnóstico é semelhante ao do hemotórax, porem quando se drena um líquido vertente, de aspecto leitoso e rico em células linfóides, é caracterizado o quilotorax. Seu tratamento é feito pela drenagem pleural ou por toracocentese e, completando por uma dieta rica em triglicérides, que aceleram a cicatrização da lesão do ducto.

TRAUMATISMO CARDÍACO

Os traumatismos cardíacos podem ser divididos em duas condições básicas, que são o tamponamento cardíaco e a contusão cardíaca, as quais põe em grande risco a vida do paciente.

TAMPONAMENTO CARDÍACO

O tamponamento cardíaco resulta, mais comumente, de ferimentos penetrantes, principalmente aqueles que incidem na perigosa área de Ziedler. Sua fisiopatologia funciona como a de um choque hipovolêmico, no qual ocorre restrição de enchimento das câmaras cardíacas diretas, levando a restrição diastólica pela diminuição do retorno venoso, que diminui a pré-carga. O trauma contuso também pode causar um derrame pericárdico de sangue proveniente do coração, dos grandes vasos, ou dos vasos pericárdicos. No caso dos esmagamentos ou perfurações por pontas ósseas, o quadro é mais grave e esses pacientes raramente chegam vivos ao hospital. Nessa situação ocorre um derramamento de sangue no saco pericárdico e, como este é muito pouco distensível, faz com que ocorra uma limitação da diástole ventricular, causando um grande déficit da “bomba” cardíaca, mesmo quando a quantidade de sangue derramado for pequena.

CONTUSÃO CARDÍACA

Este tipo de lesão ocorre em traumatismos fechados, pelos quais se procede à compressão do coração entre o esterno e a coluna. Em grandes afundamentos frontais do tórax deve-se sempre suspeitar de contusão cardíaca. As queixas de desconforto referidas pelo paciente geralmente são interpretadas como sendo devida á contusão de parede torácica e a fraturas de esterno e de costelas. O diagnóstico é feito pela intensa dor torácica, pela dosagem de enzimas cardíacas (TGO,CKMB,CPK), pela história do trauma e pelo traçado do ECG, que pode mostrar desnivelamento do segmento ST, fibrilação atrial, bloqueio de ramo direto. A elevação da pressão venosa central, na ausência de uma causa obvia, pode indicar disfunção ventricular direta secundária à contusão. O tratamento baseia-se no repouso e na monitorização cardíaca em regime de UTI.

CONTUSÃO PULMONAR

A contusão pulmonar é a lesão torácica potencialmente letal . a insuficiência respiratória pode ser sutil e, inicialmente, passar despercebida e desenvolver-se depois de algum tempo. O tratamento definitivo pode exigir alterações á medida que o tempo passa, com base na cuidadosa monitorização e reavaliação do paciente. Alguns pacientes em condições estáveis podem ser tratados seletivamente, sem intubação endotraqueal ou ventilação mecânica. Os pacientes com hipoxia significante devem ser intubados e ventilados já na primeira hora após a lesão ou até mesmo traqueostomizados, se necessário. Enfermidades associadas, tais como doença pulmonar crônica e insuficiência renal, predispõem à necessidade de intubação precoce e de ventilação mecânica.

LESÃO DE GRANDES VASOS

A desaceleração brusca pode levar à ruptura total ou parcial da aorta, pela aplicação de uma força de cisalhamento em seus pontos de fixação. Além deste mecanismo, outro que comumente acomete os grandes vasos são os penetrantes, principalmente os que indiquem em terço superior do tórax. Somente 20% dos pacientes com lesão aórtica chegam vivos ao hospital e correspondem aqueles que mantiveram a integridade da intima arterial.

Se o mecanismo de trauma sugerir uma lesão de aorta, deve-se estabelecer outros parâmetros, como pressão arterial, que pode estar diminuindo e desigual, bem como a presença de sopros na área de projeção da aorta. O tratamento se baseia na reparação cirúrgica direta.

RUPTURA TRAUMÁTICA DO DIAFRAGMA

A ruptura traumática do diafragma é mais comumente diagnosticada do lado esquerdo, onde o aparecimento de alças intestinais, do estomago ou de SNG facilita a sua identificação. Uma hérnia do lado direito fica praticamente obliterada pelo fígado, o que dificulta o diagnóstico. O trauma contuso produz ruptura radicais grandes que levam a herniação. O trauma penetrante produz perfurações pequenas que levam algum tempo, às vezes anos, para resultar em hérnias diafragmáticas.

Trauma torácico fechado – paciente idoso vítima de atropelamento. Observamos na primeira figura a presença de placas calcificadas na pleura parietal e nas fotos seguintes o pulmão, diafragma roto e o fígado.

LACERAÇÃO TRAQUEOBRÔNQUICA

As principais etiologias que levam a esse tipo de lesão são a desaceleração horizontal (força tipo momento), ferimento transfixante no mediastino médio superior e compressão torácica intensa. O diagnóstico é dado, principalmente, pela historia clínica, pelo tipo de trauma, pelo borbulhamento contínuo do selo d´água, por um enfisema subcutâneo evidente e por episódios de hemoptise no inicio do quadro clínico.

Se as bordas da lesão estiverem alinhadas e tamponadas, o tratamento se da espontaneamente, porém, caso isso não ocorra, haverá necessidade de uma toracotomia postero-lateral direito. A mais freqüente e grave complicação desta lesão é o pneumotórax hipertensivo.

LESÃO ESOFÁGICA

Dentre as possíveis etiologias que podem levar a lesões esofágicas, os ferimento penetrantes são o e maior destaque em qualquer porção do esôfago. Entretanto, cabe ressaltar que existem outras etiologias, que podem acometer as porções mais inferiores do esôfago. Uma delas é a síndrome de BOERHEAVE ou pós emética, a qual leva a um rompimento total ou parcial da parede postero lateral do esôfago, devido a violentas náuseas ou vômitos, muitas vezes decorrente de traumas crânio-encefalico associados. Esses vômitos violentíssimos elevam subitamente a pressão intraluminal esofágica, resultando nessa ruptura espontânea. Do mesmo modo, os traumas fechados abdominais determinam picos elevados da pressão abdominal, podendo levar a lesões lineares do terço inferior do esôfago torácico.

Na associação de ferimentos penetrantes da traquéia e do esôfago, tem-se preconizado a interposição de um segmento de pulmão, evitando assim, as fístulas traqueo-esofagicas, as quais demonstram péssimo prognóstico.

FISIOPATOLOGIA DA MORTE PRECOCE NO TRAUMATISMO TORACICO

O mecanismo básico da morte precoce no traumatismo torácico é a parada cardíaca anóxica. Esta anóxia pode ser provocada tanto por distúrbios respiratórios, quanto por distúrbios circulatórios ou por ambos.

Nos distúrbios respiratórios, o sangue circula normalmente, mas não é oxigenado. Ele pode ser causado por obstrução das vias respiratórias, por aspiração de sangue, vômitos e corpos estranhos, os quais impedem a chegada do oxigênio aos alvéolos. Mas raramente, pode ser causado por broncoespasmos, resultado numa obstrução funcional. Outra causa muito importante de distúrbios respiratórios são as alterações do espaço pleural, como pneumotórax, principalmente o hipertensivo e hemotórax, os quais impedem a expansão pulmonar, prejudicando a ventilação. Em lesões extensas da caixa torácica que causam tórax oscilante, também pode ocorrer uma insuficiência, pois não são gerados gradientes pressóricos adequados para ventilação alveolar.

Já nos distúrbios ventilatórios, o sangue não esta “disponível” para ser oxigenado no pulmão, levando igualmente a anóxia tecidual. Uma grande causa de distúrbio circulatório é a hemorrágica, geralmente por acometimento de grandes vasos, parênquima ou hilo pulmonar, que podem levar prontamente ao choque. Outra causa é o tamponamento cardíaco, que resulta em uma grande queda do débito cardíaco, resultando em anóxia tecidual.

MECANISMOS PROFILÁTICOS DE TRAUMATISMOS TORÁCICOS

Infelizmente, não cabe a equipe de saúde o papel de prevenir as lesões traumáticas, mas sim o de alertar as autoridades para a importância dessa prevenção. Deve haver então, um maior rigor no cumprimento das normas de segurança no trabalho, como em construções civis, industrias, com o objetivo de prevenir ou mesmo atenuar os possíveis acidentes que, por vezes, acometem o segmento torácico, resultando em grande morbidade e mortalidade.

Na área automobilística, o uso de cinto de segurança deve ser amplamente divulgado tanto nas rodovias, quanto nas cidades e a combinação da direção com o álcool deve ser intensamente coibida. Outro mecanismo muito efetivo é o Air Bag, que segundo estudos realizados na Alemanha, mostrou que este mecanismo tem reduzido bruscamente as lesões crânio-encefalicas, cervicais e torácicas.

ASSISTÊNCIA DE ENFERMAGEM

Admitir o paciente na sala de emergência, pesquisando a história do trauma, relacionando com a possibilidade da lesão
Realizar as manobras necessárias para manter vias aéreas pérvias com cuidado com a coluna cervical
Administrar oxigênio úmido 10 a 12 litros /´ por máscara
Observar sinais de dificuldades respiratórias progressivas e examinar o tórax buscando sinais de lesões torácicas.
Na presença de pneumotórax aberto, providenciar o curativo valvulado
Examinar o paciente buscando por sinais de choque
Providenciar acessos venosos calibrosos, colher sangue para tipagem
Providenciar material necessário para punção e drenagem pleural
Providenciar material para intubação
Estar preparado para iniciar manobras de reanimação cardio-pulmonar s/n, ate a chegada do medico
Preparar equipamentos para suporte avançado, ventilador, monitor, desfibrilador.
NA OBSERVAÇÃO

Deve-se avaliar as queixas algicas do paciente e atentar para sedação excessiva e a supressão do aporte respiratório.
Ataduras torácicas podem diminuir a dor local gerada pelos movimentos
Gelo pode ser colocado sobre o local da fratura a fim de prevenir hemorragias e edema.
Em casos de drenagem torácica deve-se controlar o debito drenado e seus aspectos
Monitorizar ventilação
Observar intensificamente sangramentos
Monitorizar exames de HC, observando a contagem de leucócitos detectando possível infecção devido a lesões abertas, assim como Hb e Ht detectando possível hemorragia interna.
Monitorizar gasometria, identificando a saturação e índices de oxigênio e gás carbônico, para controlar a ventilação, evitando hipoxia e acidose metabólica e respiratória
Monitorizar intensamente o paciente para sinais e sintomas de lesões associadas.

CONCLUSÃO

Por tudo, conclui-se que os métodos diagnósticos e terapêuticos devem ser precoces e constar do conhecimento de ATLS, pois, na maioria das vezes, para salvar a vida de um traumatizado torácico, não se necessita de grandes cirurgias, mas sim de um efetivo controle das vias aéreas, manutenção da ventilação, da volemia e da circulação. O enfermeiro, no entanto, deve conhecer e ter habilidade nas avaliações primaria e secundaria a fim de atender adequadamente o lesado e na ausência de um médico poder preservar a vida do paciente. Também saber identificar as necessidades de cada lesão com o intuito de determinar as prioridades de sua assistência, além de trabalhar intensamente na profilaxia destes traumas, agindo como educadores na prevenção de acidentes.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

BERNINI, C.O – Abordagem diagnóstica e terapêutica no trauma torácico. 1º ed. São Paulo, Atheneu, 1996.

EBERT, P.A – Traumatismo torácico. 1º ed. Rio de Janeiro, Interamericana,1979.

MARQUES, E.F – Traumatismos torácicos. 4º ed. São Paulo, Sevier, 1993.

CHARLES,A; ROCKWOOD; GREEN; BUCHOLZ – Fraturas em adultos,. 3º ed.São Paulo, Manole, 1993.

BRUNNER & SUDDANDH – Tratado de Enfermagem Médico Cirúrgica, vol 2, Ed. Guanabara Koogan, 2000.

Traumatismos de Grandes Vasos Abdominais

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Autoria: Benny Moya

TRAUMATISMOS DE GRANDES VASOS ABDOMINAIS

JOÃO PESSOA-PB,AGOSTO 2006

MENSAGEM

Carinho é fonte energética.
Carinho é caminho de amor.
Carinho nunca é demais.
A afetividade é importante, sim.
Pois, como um ser humano ainda imperfeito,
ainda aprendiz, pode bastar-se a si mesmo?
Não, amigos, a individualidade, sem dúvida,
é direito de cada um de nós.
Mas, em excesso, é egoísmo.

Viemos aqui para aprender.
Aprendizagem é sinônimo de troca de experiências,
troca de energia, troca de informações,
troca de afeto, troca e troca…

Carinho é plumagem bonita, macia, gostosa de sentir.
Quem dá afeto se fortifica; quem o recebe se acalma,
se tranqüiliza, se equilibra.

Carinho é sinônimo de amor, amigos.
Amor é bálsamo para a nossa condição de criança espiritual.
Criança precisa de amor para crescer psicologicamente,
afetivamente e fisicamente saudável.

Criança precisa de apoio e de muita troca.
Portanto, também nós precisamos de afeto.
Não esqueçam desse detalhe amigos:
amor é fonte de energia, é vida, é crescimento.
Dêem e aceitem todo o tipo de afeto com verdadeiro amor.

(Castilho)

INTRODUÇÃO

deve ser considerado como tendo uma lesão vascular abdominal. Rummel (1997) situaram as lesões vasculares abdominais como um problema demasiadamente comum nos centros de trauma urbanos. As lesões vasculares representam 10% a 20% de todos os pacientes submetidos a uma laparotomia por traumatismo penetrante na população civil urbana (Feliciano,1999), sendo 24,6% por arma de fogo e 10,3% por arma branca. CAPS (2000) relaciona uma miríade de fatores de risco nitidamente associados à agressão interpessoal, assaltos e homicídios a que está exposta a população urbana, tais como idade,sexo, situação sócio-econômica, nível de instrução, porte e propriedade de arma de fogo, antecedentes criminais e abuso de álcool e entorpecentes (Melzer-Lange, 1998; Feliciano 1990). Todos estes fatores e seus resultantes situam-se na gênese do traumatismo vascular penetrante em 50 a 90% dos casos. Os traumatismos fechados ou não-penetrantes de abdome estão geralmente relacionados aos acidentes por veículos automotores e quedas de alturas, resultando em cerca de 5 a 10% de todos os traumatismos vasculares abdominais (Cox, 1984; Cohen, 1980; Matttox, 1974). Um outro aspecto que não deve ser esquecido ao tratar-se de ferimentos vasculares abdominais diz respeito à iatrogenia. Feliciano et al (1999) referiram-se à lesão iatrogênica dos grandes vasos abdominais como um problema incomum, porém persistente. Burihan (1995; 1983) qualificou as lesões vasculares iatrogênicas como decorrentes do manuseio arterial e venoso com finalidade diagnóstica ou terapêutica. Tais lesões têm aumentado consideravelmente pelo próprio aumento da demanda destes procedimentos, que incluem angiografia, cateterismo cardíaco, videolaparoscopia, cirurgias abdominais incluindo procedimentos pélvicos e retroperitoneais e cirurgias ortopédicas (correção de hérnias de disco e outras). Hood (1995); Munhoz (1992) chamaram a atenção para o avanço do trauma como um grave problema de saúde pública nos EUA. E o traumatismo vascular é um importante componente deste problema.

Em 1986 ocorreram 41.000 vítimas fatais. O custo direto de tratamento destes traumatismos chegou a 1,1 bilhão de dólares. Como os ferimentosvasculares tendem a ocorrer em homens jovens,o custo indireto, incluindo a perda da produtividade, pensões e indenizações pagas por morte e invalidez, atingiu a soma de 13,4 bilhões de dólares. O custo total de 14.5 bilhões de dólares representou 0,37% do Produto Interno Bruto – PIB norte -americano em 1986. Analisando 104.403 necrópsias no IML de São Paulo de 1984 a 1993, Delmonte (1994) encontrou 153 casos de lesão vascular, observando que deste total 45 óbitos ocorreram por ferimentos de veia cava inferior (16,8%) e 61 óbitos por ferimentos de aorta abdominal(22,8%). No Amazonas, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde, foram atendidos cerca de 8.000 pacientes com traumatismos graves no período de 1997 a 1999 (Carvalho, 2000) (Figura 1). De janeiro de 1997 a abril de 1999 foram relatados 50 casos de traumatismos de veia cava inferior em doentes atendidos vivos na cidade de Manaus (Costa, 2000) (Tabela I e Figura 2) e 8 ferimentos aórticos no mesmo período (Santos, 2001), também em doentes atendidos vivos Figura 1 – Números da violência urbana em Manaus. Reproduzido do artigo “A escalada da violência”, publicado nojornal “A Crítica”, de 22 de janeiro de 2000. (Carvalho,2000).

TRAUMA ABDOMINAL

ANATOMIA

Externa

Parede anterior
Flancos
Dorso
Interna

Abdome superior
Pelve
Retroperitônio

DIAGNÓSTICO E CONDUTAS DEREANIMAÇÃO NOS TRAUMATISMOS DE GRANDES VASOS ABDOMINAIS

O capítulo de “biomecânica do trauma” do ATLS (1997) inicia-se com a afirmação de que “as características do evento traumático podem oferecer pistas para identificação de 90% das lesões sofridas pela vítima”. E prossegue afirmando que “é importante obter informações pormenorizadas desde a fase que antecede o trauma. Informações obtidas do pessoal de resgate pré-hospitalar quanto às circunstâncias nas quais ocorreu o evento podem sugerir a necessidade de uma intervenção cirúrgica. Assim, os ferimentos penetrantes do tronco que resultam em hipotensão rápida costumam indicar a existência de lesões de grandes vasos e sugerem a necessidade de uma intervenção cirúrgica rápida”

Hematomaretroperitoneal Freqüência %

Presença 28 56,0

Ausência 22 44,0

Total 50 100,0

Rummel (1997) referiram que o Colégio Americano de Cirurgiões tem estabelecido um programa para atendimento inicial do doente traumatizado, cujas prioridades são assegurar as vias aéreas pérvias e a ventilação adequada, seguida de reposição volêmica com soluções isosmóticas cristalóides à temperatura normal do corpo humano. Para o doente que permanece instável hemodinamicamente pode ser necessária a transfusão sangüínea durante a reanimação. Após a estabilização do doente é completado o exame físico, para prevenir lesões despercebidas, e estudos diagnósticos podem ser realizados, desde que não comprometam a estabilidade hemodinâmica do doente e não retardem os cuidados definitivos. O ATLS (1997) cita Yoram Bem-Merachen: “Lei da proporcionalidade inversa: o número de radiografias feitas na sala de emergência deve ser inversamente proporcional à gravidade das lesões”. As radiografias básicas devem incluir uma posição anteroposterior de tórax e de pelve.

Um lavado peritoneal pode ser de grande ajuda no doente com suspeita de lesão abdominal que não responde adequadamente à reposição volêmica ou cujo exame físico abdominal não é confiável por intoxicações, inconsciência ou anestesia geral (Rummel, 1997; Mattox, 1982; Mattox, 1975). A tomografia computadorizada vem sendo utilizada para avaliar as vítimas que se encontram hemodinamicamente estáveis, com traumatismo abdominal fechado. Pode avaliar as estruturas retroperitoneais, condição em que o lavado peritoneal não é específico (Feliciano, 1999; Muñoz, 1998; Parke, 1993). Rozycki (1998) enfatizaram a ultra –sonografia na sala de emergência no contexto do método “FAST”, como um teste diagnóstico rápido, sensível e específico do tronco, possibilitando a identificação de tamponamento pericárdico, hemotórax, hemoperitônio e hematoma retroperitoneal. Além de dados como idade, sexo, mecanismo de trauma e local da lesão, tem razoável valor Traumatismos de Grandes Vasos Abdominais. A sistemática de Moore (1981) prevê o registro de lesões existentes no duodeno, pâncreas, fígado, intestino delgado e grosso, vias biliares extra-hepáticas, estômago, baço, rins, ureteres, bexiga, grandes vasos, pequenos vasos e ossos. A presença de choque hipovolêmico à admissão deve ser avaliada conforme definição do Programa ATLS (1997), que classifica a perda estimada de líquidos e sangue em classes, relacionadas a dados de freqüência de pulso, pressão arterial e diurese.

CONDUTA OPERATÓRIA NOS TRAUMATISMOS DE GRANDES VASOS ABDOMINAIS

Feliciano (1999); Rummel (1997); Mullins (1996); Deggiannis (1996), citaram o choque hemorrágico como a causa imediata mais comum de morte nos doentes com lesões vasculares abdominais. Durante a avaliação inicial de um doente traumatizado no departamento de emergência, o cirurgião deve determinar rapidamente se o doente tem uma hemorragia intra -abdominal potencialmente fatal e prosseguir prontamente com o controle da sangria. O cirurgião deve realizar imediatamente três tarefas durante a celiotomia para evitar uma hemorragia com exsanguinação no abdome:

a) Identificação da localização do vaso ou dos vasos lesados;

b) Exposição cirúrgica dos vasos traumatizados;

c) Realização da hemostasia e restauração do fluxo sangüíneo crítico.

As artérias ou veias sangrantes podem ser reparadas ou ligadas; a decisão do cirurgião é influenciada pelos benefícios da hemostasia imediata em comparação com os riscos da isquemia. A reconstrução dos vasos em um campo contaminado pelo conteúdo entérico complica as decisões acerca da conduta ideal de substituição.Ledgerwood (1976) alertaram para o risco observado com a abertura do abdome que apresenta grande quantidade de sangue sob tensão, cuja descompressão resulta em agravamento por perda sangüínea adicional, hipotensão e parada cardíaca. É prudente obter quantidades adequadas de sangue na sala de cirurgia, incluindo a autotransfusão, prevenir a hipotermia e manter monitorização contínua da pressão arterial, de oximetria, eletrocardiográfica, de pulso e de débito urinário. Após a celiotomia, realizado o tamponamento para a hemostasia temporária do abdome e obtida a exposição cirúrgica adequada, o cirurgião deve prosseguir sistematicamente com a identificação do local da hemorragia. A seguir os tampões dos quatro quadrantes, colocados num primeiro momento, devem ser removidos em ordem seqüencial, começando com os dois quadrantes inferiores (Mullins, 1996). Se, durante a operação, a sangria se manifesta principalmente como um grande hematoma retroperitoneal expansivo ou como uma sangria ativa que não pode ser eliminado pela compressão, cabe ao cirurgião decidir se prossegue na tentativa de expor e controlar proximal e distalmente a lesão, ou se lança mão de compressão proximal da aorta e continua a confiar na compressão por tampões até obter melhor condição hemodinâmica. Mullins (1996) ressaltaram que avançar com a dissecção com o doente em condição volêmica precária, sob o risco de aumentar a perda sangüínea e evoluir para uma fase de irreversibilidade do choque hipovolêmico, seria decidir-se por uma manobra imprudente.

Nesta condição existe a alternativa de uma toracotomia de emergência (Saad, 2000), na intenção de obter-se uma oclusão da aorta torácica, que além de permitir melhor perfusão coronariana e cerebral, pode oferecer a possibilidade de uma adequada exposição vascular abdominal que não venha a agravar a exsanguinação. Kudsk (1982); Goins (1997), classificaram as zonas anatômicas dos hematomas retroperitoneais na intenção de facilitar seu tratamento. De acordo com esta classificação Feliciano (1999), Ombrellaro (1997), situaram o hematoma retroperitoneal de linha média inframesocólico (zona I central/medial) como suspeito de provável lesão aórtica ou de veia cava inferior (Figura 6).

Coimbra (1996), Feliciano (1990) chamaram a atenção para um aspecto extremamente relevante para a sobrevivência do doente com lesão de grandes vasos abdominais: a integridade do retroperitônio. Esta condição está intimamente relacionada à condição volêmica à admissão na sala de emergência, e é por si mesma um fator preditivo de prognóstico.

LESÕES DE AORTA ABDOMINAL

A localização anatômica no retroperitônioconfere uma extraordinária proteção aos grandes vasos abdominais e sempre devemos ter em mente que um ferimento aórtico penetrante, seja por arma branca ou arma de fogo, quase sempre traz outras lesões graves associadas. As lesões aórticas geralmente são letais e, quando chegam vivos à emergência, os doentes apresentam-se hipotensos, hipotérmicos, com sinais de grave hipovolemia. Doentes nestas condições com ferimento abdominal penetrante e hipovolemia devem ser levados imediatamente à sala de operação, porque o alto grau de suspeição de lesão vascular e a rapidez na decisão farão a diferença quanto à sobrevida. A toracotomia de emergência pode ser uma alternativa frente a um sangramento abdominal maciço vermelho rutilante, para permitir o controle temporário da hemorragia e a localização da lesão aórtica (Figura 7).

Aorta descendente torácica reparada por meio de fita cardíaca durante toracotomia de emergência, para controle temporário de ferimento de aorta abdominal por arma de fogo, em doente operado pelo autor em 1998. O acesso através da manobra de Mattox permite a exposição de toda a aorta abdominal desde sua posição supramesocólica até as artérias ilíacas. A integridade do retroperitônio tem sido relatada como um importante fator prognóstico (Coimbra, 1996). A presença de hematoma retroperitoneal é importante não apenas pelo efeito de contenção, mas também por permitir ao cirurgião um valioso acréscimo de tempo para obter o controle adequado da lesão vascular.

As suturas que diminuem o diâmetro do vaso próximo a 50% devem ser reparadas por enxerto venoso autólogo ou prótese (Dacron, nem sempre pré-coagulado e eventualmente o politetrafluoretileno-PTFE). Deve ser lembrado que os ferimentos por projéteis por arma de fogo podem causar queimadura em área um tanto maior que o orifício no vaso e um desbridamento judicioso previne uma necrose e deiscência posterior. Também vale a pena procurar discernir uma lesão tangencial de uma lesão com duplo orifício de entrada e saída do projétil Outro cuidado importante é fazer todo o possível para evitar contaminação entérica e fecal durante o reparo vascular. Veia renal esquerda cruzando anteriormente a aorta abdominal imediatamente abaixo da origem da artéria mesentérica superior. Observa se um remendo de DacronÒ no local de lesão do projetil de arma de fogo na aorta, em doente operado pelo autor em 1998.

LESÕES DO TRONCO CELÍACO E SEUS RAMOS

As lesões incisas ou lacerantes neste nível devem ser suturadas. As lesões complexas do tronco celíaco podem requerer a ligadura do mesmo, desde que exista a permeabilidade da artéria mesentérica superior (Rummel, 1997; Canizaro, 1990). A ligadura da artéria gástrica esquerda ou esplênica pode ser bem tolerada, mas é uma alternativa arriscada para a artéria hepática e deve ser evitada sempre que possível, ainda que uma anastomose término-terminal ou enxerto venoso possa ser exeqüível, mas irá representar maior demora no procedimento.

ARTÉRIAS MESENTÉRICAS SUPERIOR E INFERIOR

A maioria dos doentes com lesão de artéria mesentérica superior foi vítima de ferimento penetrante e a taxa de sobrevivência nestes doentes oscila de 10 a 32% e a causa mais comum de morte é a hemorragia com exsanguinação (Rummel, 1997). Uma lesão de artéria mesentérica superior costuma ser difícil de oscilar por causa do hematoma adjacente e a tentativa de pinçamento do vaso sem visão direta pode aumentar a lesão arterial e ampliá-la aos vasos circundantes. A anastomose término-terminal ou enxerto venoso autólogo são mandatórios para prevenir a necrose isquêmica do intestino. Deve-se evitar tensão na sutura, que poderá agravar-se com o edema intestinal pós-operatório. Caso a ligadura seja a única alternativa a uma hemorragia severa, uma segunda revisão deve ser realizada após 24 ou 48 horas, com a intenção de reavaliar a lesão e a possível isquemia intestinal resultante, após correção da hipovolemia, hipotermia, acidose e hipocoagulação. É importante avaliar a perfusão, cor, pulsatilidade mesocólica e peristalse do cólon esquerdo, além de observar se há refluxo pela artéria mesentérica inferior. Estes são sinais que podem indicar um suprimento arterial colateral adequado através dos vasos cólicos esquerdos e pélvicos, permitindo a ligadura da artéria mesentérica inferior. Na dúvida o reimplante pode prevenir uma colite isquêmica que piora muito o prognóstico.

LESÕES DE VEIA PORTA

Uma boa exposição dos ramos mais proximais da veia portal é dificultada pela grande proximidade das estruturas vasculares arteriais e do pâncreas. A mobilização das vísceras no lado direito por uma “manobra de Kocher plena” consegue trazer essas estruturas para a ferida a partir do retroperitônio. O pâncreas deve ser dividido se um sangramento ativo ou um hematoma em expansão indica que existe uma lesão vascular atrás do mesmo. Pelo pinçamento das extremidades divididas com pinças vasculares e, a seguir, utilizando pinças para separar o plano posterior relativamente exangue até o pâncreas, o cirurgião será capaz de bordar diretamente a veia mesentérica uperior proximal e sua confluência com a veia splênica (Mullins, 1996). reparo venoso lateral é preferido para a aioria dos pacientes com uma lesão venosa ignificativa. A parede fina e frágil desses vasos orna os fios de tração perigosos e a passagem e pontos mais profundos nas paredes venosas stão freqüentemente associadas a uma nastomose estreitada. Foram publicados alguns elatos de sobrevida após ligadura portal e da eia mesentérica superior proximal. Mullins 1996) enfatizaram que se for realmente ecessário realizar a ligadura, deverá ser mpreendida precocemente, em vez de persistir coma tentativa de reparo que resulta em perda angüínea substancial. A reanimação com eposição volumosa de líquidos poderá ser ecessária nos pacientes com ligadura da veia portal, por causa do edema intestinal maciço e brigatório que se instala nesses pacientes.

Após o reparo das lesões da veia portal, pode correr trombose. A perda do intestino pode ecorrer da isquemia mesentérica relacionada com a ipertensão venosa.

LESÕES DE ARTÉRIAS RENAIS

A decisão de reparar a artéria renal deve levar m conta a condição do doente e o tempo necessário que se levaria para tentar um reparo. lém disso, o tempo de isquemia está iretamente relacionado ao prognóstico uncional do rim, comumente estimado entre 1 e 2 horas. A recuperação da função renal pode evar semanas, podendo ser acompanhada por ultra -sonografia e ecodoppler. uitas séries têm relatado, em até 100% dosdoentes, a ocorrência de duas ou mais lesõesassociadas. A nefrectomia é opção de eleiçãoquando orim contralateral é palpável, tópico eexista diurese mensurável ou caso seja possívelobter umaurografia excretora. As alternativasincluem ressecção segmentar do rim, enxerto deveia safena autóloga, ponte aortorrenal comprótese ou derivação extra-anatômica a partirdas artérias hepática, mesentérica inferior ouesplênica (Rummel, 1997).

LESÕES DE VEIA CAVA INFERIOR

O controle vascular da veia cava inferior infra -hepática é geralmente obtido após a manobra deexposição do retroperitônio à direita (Figura 10)e é feito com compressão à montante e àjusante da lesão, seguida de dissecção parcial daveia cava inferior e venorrafia. Pode sernecessário o emprego de pinças Satinsky para oadequado isolamento da lesão Saroyan (1993) sugeriram uso de enxertos desafena autóloga ou politetrafluoretileno (PTFE),em situações de destruição tecidual da veia cavainferior. Feliciano (1988) propôs a ligadura daveia cava inferior como a última opção cirúrgicapara os doentes com lesões muito graves, oucujo estado hemodinâmico e lesõesconcomitantes tornariam a reconstrução da veiacava inferior um tempo cirúrgico proibitivo.Burch (1998) relata ram o uso da ligadura da veiarenal esquerda para possibilitar a mobilização daveia cava inferior na confluência das veiasrenais. Entretanto Baptista–Silva (1997b),Baptista -Silva (1994) demonstraramexperimentalmente acentuadas alteraçõespatológicas e complicações renais, testiculares edas glândulas supra-renais após a ligadura daveia renal esquerda e enfatizou que este é umprocedimento de alto risco, que deve serevitado.Liberação do cólon ascendente e duodeno,permitindo a visualização ampla da veia cava inferior.

Coimbra (1993) reforçaram a convicção naligadura como alternativa válida para abreviar a cirurgia no doente crítico.Feliciano (1988); Scribner (1987) relataram quea ligadura da veia cava inferior é geralmentebem tolerada, apesar da redução abrupta dodébito cardíaco e a necessária reposição devolume adicional.É recomendado manter-se os membrosinferiores elevados na primeira semana pósligadura.A morbidade tardia inclui os sinais esintomas da síndrome pós-trombótica (Mullins,1980).

Ombrellaro (1996); Coimbra (1993) relataramque as lesões da porção supra -renal comportamtaxas de mortalidade mais altas que a lesão daporção infra-renal e mais baixas que a lesão daporção retro-hepática. Estas lesões associam-seem sua maioria, as lesões hepáticas, duodenais epancreáticas, além de tratar-se de uma áreaonde o controle vascular é mais difícil.Misra,(1983); Millikan, (1983) relataram que as lesõesda veia cava inferior retro-hepática respondempelas mais altas taxas de mortalidade quandocomparadas às outras porções deste vaso.Segundo Coimbra (1993) existem basicamentetrês táticas empregadas na abordagem daslesões da veia cava inferior retro-hepática:

a) Dissecção direta da lesão;

b) Utilização de desvios intra-cava;

c) Dissecção trans-hepática.

Heaney (1966) propuseram pela primeira vez oisolamento vascular total do fígado para o controle das lesões venosas retro-hepáticas, queinicia-se pelo pinçamento aórtico infradiafragmático,seguido de manobra de Pringle,controle venoso proximal supra-renal e distalintra -pericárdico.Após complicações encontradas com oisolamento vascular do fígado, Schrock (1968)introduziram um tubo plástico na veia cavainferior, usando-o como desvio para manter ofluxo venoso e diversasmodificações concernentes ao tipo de tubo e aosacessos foram descritos, ma s há consensoquanto a necessidade de toracotomia à direita associada à; Burch 1988;Feliciano, 1977; Mcclelland, 1970) Yellin (1971) publicaram o uso de um tuboorotraqueal, como solução para o “shunt”(desvio) atriocaval. Múltiplas complicaçõesincluindo embolia gasosa, erro técnico ehemorragia estão relatadas com o uso do “shunt”atriocaval.Pacther (1986) descreveram a dissecção transhepática,com digitoclasia romba do parênquimahepático, ligadura dos vasos e canalículosbiliares até a visualização direta das veiashepáticas ou veia cava inferior retro-hepáticalesadas. Além da manobra de Pringle, associava -se ao método a hipotermia hepática e usosistêmico de corticóides pela experiênciarelatada por muitos autores (Richardson, 19991;Weichert,1970). Há consenso quanto à complexidade dosferimentos de veia cava inferior o que implicouno desenvolvimento de múltiplas técnicasoperatórias.Isolamento vascular na lesão de veia cava retrohepáticae/ou de veia hepática. A – Isolamento vascular – “Shunt atriocaval”. Modificado de Klein (1994).

Quando se manifesta a tríade de hipotermia,acidose e coagulopatia, as respostas sistêmicasque deram origem a essa tríade já estavampresentes por muitos minutos e são quaseirreversíveis se for continuada a seqüênciacirúrgica habitual.Na década de oitenta, múltiplos autores ao sedepararem com estes problemas complexos,trouxeram a noção de cirurgia por etapas, oucirurgia de controle emergencial do danocirúrgico, que hoje começa a firmar-se comoalternativa consistente ao reparo extenso deuma lesão orgânica complexa, que muitas vezesnão alcança o objetivo: a sobrevivência dodoente (Hirshberg, 1997, Porter, 1997).Utilização de “shunt atriocaval” em ferimento deveia cava inferior retro-hepática (Doente operado pelo autorem 1999).Toracotomia à direita associada à laparotomia,para acesso cirúrgico à veia cava inferior retro-hepática. (Doente operado pelo autor em 1998).

LESÕES VASCULARES PÉLVICAS

Os hematomas pélvicos são angustiantes para ocirurgião. A experiência determina que, se a lesão foi causada por um traumatismo contuso,em geral as veias pélvicas são os vasos sangrantes. A hemorragia venosa pélvica écontrolada mais facilmente por métodos incruentos e a descompressãodo hematoma pélvico pode resultar emsangramento torrencial.Uretrocistografia retrógrada com lesão rológicaassociada à lesão pélvica.É importante conhecer a anatomia das veiasilíacas internas, cujos ramos colaterais formam um plexo, onde uma laceração pode ter umefeito devastador, porque não há estruturas circunvizinhas que dêem sustentação à tentativade rafia; o tecido muscular é escasso e só há praticamente retroperitônio e pelve ósseaVeias ilíacas do lado direito na superfície inferior da pelve. (Modi ficado de Testut, 1968).Em 15% dos pacientes que apresentam lesõesarteriais sangrantes com fraturas pélvicas, aembolização por cateterismo arterial éaltamente eficaz. Assim, os hematomas pélvicosisolados associados a um traumatismo contuso eas fraturas pélvicas não são explorados, a nãoser quando existe uma indicação clara de lesãode um dos grandes ramos da aorta, conformemostrada pela exsanguinação e pela evidênciaclínica de isquemia nas extremidades inferiores.A decisão de explorar o hematoma na pelve,produzido por feridas penetrantes éindividualizada. As lesões associadas atraumatismos pélvicos penetrantes são comuns,incluindo reto, bexiga, útero, vagina e ureter. Aexploração completa da área da lesão na pelvecostuma ser necessária para tratar essasferidas (Mullins, 1986).

ASSISTÊNCIA DA ENFERMAGEM AO TRAUMATIZADO

Em relação as atividades assistencias exercidas pelo enfermeiro, salientamos abaixo as principais:

– presta o cuidado ao paciente juntamente com o médico;

– prepara e ministra medicamentos;

– viabiliza a execução de exames especiais procedendo a coleta;

– instala sondas nasogástricas, nasoenterais e vesicais em pacientes;

– realiza troca de traqueostomia e punção venosa com cateter;

– efetua curativos de maior complexidade;

– prepara instrumentos para intubação, aspiração, monitoramento cardíaco e desfibrilação, auxiliando a equipe médica na execução dos procedimentos diversos;

– realiza o controle dos sinais vitais;

– executa a evolução do pacientes e anota no prontuário.

Dentre as atividades administrativas efetuadas pelo enfermeiro, destacamos:

– realiza a estatística dos atendimentos ocorridos na unidade;

– lidera a equipe de enfermagem no atendimento dos pacientes críticos e não críticos;

– coordena as atividades do pessoal de recepção, limpeza e portaria;

– soluciona problemas decorrentes com o atendimento médico-ambulatorial;

– aloca pessoal e recursos materiais necessários;

– realiza a escala diária e mensal da equipe de enfermagem;

– controla estoque de material;

– verifica a necessidade de manutenção dos equipamentos do setor.

Em relação as atividades de ensino exercidas pelo enfermeiro, ressaltamos que este profissional na sua prática diária orienta a equipe de enfermagem na realização da pré-consulta e promove treinamento em serviço sobre os protocolos de atendimento e novos procedimentos.

No hospital existe um setor específico para o desenvolvimento de programas de educação continuada, no qual atua um enfermeiro responsável em implementar programas, cujos propósitos consistem em sanar dificuldades evidenciadas na prática da enfermagem e promover o aprendizado de novos conhecimentos sobre os avanços ocorridos na área da saúde.

A seguir, descreveremos as principais atividades desenvolvidas pela equipe de enfermagem:

– realiza a pré-consulta, verifica os sinais vitais e anota a queixa atual do paciente;

– acomoda o paciente na sala de urgência, e instala o monitor cardíaco;

– instala soroterapia, sonda vesical e sonda nasogástrica;

– administra medicamentos via intramuscular e/ou via endovenosa;

– prepara o material e circula a sala de procedimento de sutura;

– prepara o material de punção sub¾clávia e/ou dissecção de veia e auxilia a equipe médica;

– encaminha o paciente ao RX e exames complementares;

– realiza a evolução e a anotação dos pacientes em observação.

“O papel do enfermeiro na unidade de emergência consiste em obter a história do paciente, fazer exame físico, executar tratamento, aconselhando e ensinando a manutenção da saúde e orientando os enfermos para uma continuidade do tratamento e medidas vitais”(10). O enfermeiro desta unidade é responsável pela coordenação da equipe de enfermagem e é uma parte vital e integrante da equipe de emergência.

CONCLUSÃO

Os traumatismos de grandes vasos abdominais mantêm-se com alta mortalidade, apesar dos avanços da ciência em cuidados pré-hospitalares,transporte rápido, protocolos agressivos de reanimação e tratamentos dispendiosos.Vários outros autores acreditam que com o desenvolvimento de sistemas integrados deatenção ao trauma, muitos pacientes críticoschegam vivos aos centros de trauma, causandouma redução da mortalidade no local do acidente(ou agressão) e um aumento da mortalidadeintra -hospitalar.Os ferimentos de grandes vasos abdominaisconstituem um problema operatório grave epossuem uma relação intrínseca com a violênciaurbana.A sobrevivência depende de uma imediata evigorosa reposição de volume, um manejooperatório adequado e todo esforço em evitarsehipotermia.

Como problema de saúde pública os ferimentosde grandes vasos abdominais é uma doença inevitável (como todo trauma), onde a educaçãoe as leis que inibam a posse e o porte de armaspodem fazer uma enorme diferença.

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