Tuberculose

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Autoria: Alexsandra Luzia

TUBERCULOSE

Neste trabalho, iremos abordar a tuberculose,uma doença altamente contagiosa, habitualmente comlonga duração que tem um elevado índice de mortalidade principalmente em países de baixa renda.

A doença pode ter uma evolução rápida fulminante,podendo levar o doente a morte.

Porém, vamos abordar alguns meios de contágio,prevenção, tratamento desta doença, visando compreendera melhor a sua forma de disseminação e erradicação.

Todavia, estaremos abertos a criticas e sugestões.

Elas certamente, poderão dar novas cores à nossa abordagem e tornar esse trabalho mais útil e atraente.

Tuberculose Pulmonar

* Definição:

Doença infecto-contagiosa de evolução subaguda ou crônica que, primariamente afeta o parênquima pulmonar, com os sintomas insidiosos ou intensos podendo apresentar períodos de relativo bem-estar fazendo com que o paciente relaxe no tratamento e desenvolva a doença com maior agressividade e se não for tratada eficazmente pode levar ao óbito. Foi descoberta por Robert Koch em 1892, que isolou e descreveu o bacilo e definiu a base fundamental para o diagnóstico da tuberculose. É causada por um bacilo que ataca com maior freqüência os pulmões, mas que pode também se disseminar para outras partes do organismo humano. É uma doença comum que através dos séculos ainda consegue obter um índice grande de mortalidade entre a população mundial, e atualmente com a ascendência da AIDS ou SIDA, a tuberculose voltou a ser uma das doenças com maior índice de mortalidade, apesar de todos os medicamentos e tratamentos atuais. Atualmente o Brasil tem o Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), implantado pelo Ministério da Saúde, que vem sendo aplicado como programa descentralizado e hierarquizado que se define como: “conjunto de ações integradas desenvolvidas pelos diferentes níveis do governo, com a participação da comunidade, visando modificar a situação epidemiológica através da redução da mortalidade e atenuar o sofrimento humano causado pela doença, mediante o uso adequado dos conhecimentos técnicos e científicos e dos recursos disponíveis e mobilizáveis”.

* Agente etiológico:

Bactéria Mycobacterium tuberculosis, também chamado de Bacilo de Koch. É uma bactéria aeróbica, ácido-resistente, que cresce lentamente, possuindo uma cápsula que o protege dos agentes químicos, mas que é facilmente destruído pelos agentes físicos como as radiações ionizantes, calor e luz solar.

É aeróbico estrito preferindo os pulmões principalmente pela presença de oxigênio o que facilita a sua multiplicação lenta na divisão celular, resultando em bacilos mutantes resistentes e na transmissão da doença por causa da ligação dos pulmões com o externo. O espirro de uma pessoa infectada joga no ar cerca de dois milhões de bacilos que permanecem em suspensão durante algumas horas.

* Tipos de resistência:

1. Resistência adquirida: Por seleção de germes resistentes por quimioterapia de baixa potência, irregularidade ou abandono ao tratamento;

2. Resistência primária: Transmissão de bacilos selecionados por resistência adquirida para pacientes sem tratamento anterior;

3. Multirresistência: Resistência a mais de uma droga. No Brasil ocorre resistência a três das mais importantes drogas usuais dificultando o tratamento;

4. Resistência natural: Por mutação genética.

* Fonte de infecção:

O principal reservatório é o homem infectado ou o gado bovino infectado.

* Incidência:

1. O Brasil ocupa o sexto lugar no mundo em número de casos pela OMS;

2. Pessoas que tem um nível sócio-econômico mais baixo;

3. Entre 5 a 10% dos infectados pelo bacilo de Koch, contraem a doença;

4. Com o aparecimento da aids, a tuberculose voltou ao topo das doenças que mais causam mortes no mundo;

5. Crianças até 3 anos, adolescentes e adultos jovens;

6. Maior em pessoas imunodeprimidas, pessoas desnutridas, alcoólatras, viciados em drogas e fumantes.

* Período de incubação:

Em média de 6 meses a anos, sendo que o primeiro ano constitui o período de maior risco.

* Fisiopatologia:

Os bacilos de Koch quando são aspirados para dentro do organismo, seguem imediatamente para os alvéolos pulmonares, onde sofre a ação dos macrófagos alveolares resultando no processo de fagocitose, que consegue destruir uma parte dos bacilos, sendo que outra parte permanece viva, se replicando e multiplicando dentro dos macrófagos ou livres na cavidade alveolar. A multiplicação dos bacilos provoca a morte do macrófago e destruição residual, causando uma reação inflamatória e posteriormente necrose tecidual na região do parênquima pulmonar, dando origem a um granuloma que constitui a lesão inicial da doença, chamado de cancro de inoculação.

Depois de vários processos a lesão original se expande, formando cavidade e outras lesões secundárias por contigüidade. Todo esse processo pode dá origem ao complexo primário que dependendo da sua evolução e tamanho pode torna-se visível no RX. Dependendo da imunidade e suscetibilidade do hospedeiro a doença poderá ou não se desenvolver.

* Vias de disseminação:

São quatro as vias pelas quais o bacilo de Koch, pode alcançar outros órgãos a partir do pulmão:

1. Via linfo-hematogênica;

2. Via hematogênica;

3. Via por contigüidade;

4. Via intracanicular.

* Transmissão:

1. Direta: de pessoa a pessoa através de perdigotos (saliva), tosse, escarro de pessoas portadoras da doença;

2. Indireta: pela ingestão de alimentos contaminados, uso de talheres, pratos e copos infectados; em escolas e creches é transmitida pelos bicos, mamadeiras e brinquedos contaminados, que as crianças podem levar à boca. Pode ser transmitida para o filho pela mãe tuberculosa através da placenta sendo esse tipo de transmissão é chamada de congênita;

3. A principal via de entrada é a via respiratória; a via digestiva ocorre quando se ingere um produto de um animal infectado pelo bacilo Mycobacterium bovis.

* Período de transmissibilidade:

Enquanto um paciente eliminar os bacilos de Koch.

* Fatores de risco para adquirir a tuberculose:

1. Pessoas desnutridas;

2. Profissionais que trabalham com tuberculosos;

3. Idosos doentes e acamados;

4. Indivíduos com o vírus da aids, diabetes, insuficiência renal crônica (IRC);

5. Pessoas que fazem uso de medicações imunodepressoras;

6. Pessoas que fumam e tem problemas respiratórios com freqüência;

7. Pessoas com a imunidade baixa;

8. Pessoas que bebem (etilismo ou alcoolismo);

9. Pessoas que vivem em moradias inadequadas e com superpopulação;

10. Viciados em drogas:

11. Indivíduos que passam muito tempo em instituições fechadas: presidiários, doentes mentais que vivem em sanatórios, idosos que vivem em abrigos, crianças que vivem em orfanatos ou creches.

* Sinais e sintomas:

1. Principal sinal é a tosse seca continua no início produtiva por mais de 4 semanas, evoluindo na maioria das vezes, para uma tosse com uma expectoração purulenta ou sanguinolenta com coloração vermelho-brilhante;

2. Fadiga excessiva;

3. Febre baixa geralmente à tarde;

4. Sudorese noturna;

5. Inapetência;

6. Anorexia e perda ponderal;

7. Palidez;

8. Emagrecimento acentuado;

9. Rouquidão;

10. Astenia (fraqueza muscular);

11. Adinamia.

Casos graves:

1. Dispnéia;

2. Dor torácica pode aparecer quando há comprometimento da pleura;

3. Hemoptise com maior quantidade de sangue (escarro com sangue);

4. Alectasia.

* Diagnóstico:

1. Exame físico;

2. Exame clínico;

3. Exames laboratoriais;

4. Exame de escarro preferencialmente pela manhã;

5. Radiografia do pulmão;

6. Ultra-sonografia do tórax;

7. Teste de mantux (teste tuberculínico cutâneo).

* Tratamento:

1. Específico: tratamento com medicação padrão antituberculosa sob indicação médica;

2. Repouso absoluto quando o paciente está na fase crônica: tosse com expectoração sanguinolenta, febre, perda de peso acentuada;

3. Enquanto o exame de escarro for positivo (bacilíferos) o paciente deve ficar em isolamento respiratório (IRE) no hospital;

4. Quando o tratamento é interrompido pelo doente, os bacilos rapidamente evoluem para cepas resistentes aos medicamentos utilizados, sendo esse processo chamado de resistência adquirida ou multirresistência às drogas. Quando o doente adoece de novo e reinicia o tratamento, os bacilos já estão resistentes àqueles medicamentos anteriores, necessitando então de medicamentos potentes e por vezes mais caros;

5. O tratamento da tuberculose pode ser classificado em duas etapas: fase de ataque no início do tratamento; fase de manutenção, prevenir recaídas, recidivas e a eliminação total dos germes persistentes;

6. Paciente deve ser orientado quando em tratamento ambulatorial, para tomar a mediação corretamente e procurar o posto de saúde imediatamente quando houver intercorrências;

7. Controle do tratamento ambulatorial deve ser mensal, com fornecimento da medicação e exames de avaliação para verificar se o tratamento está ou não surtindo efeito, sendo interessante que esse tratamento seja supervisionado pelo posto de saúde ou hospital, para que o doente não abandone o tratamento;

8. Dieta com suplementos nutricionais líquidos e refeições com quantidade pequena e freqüente é indicado;

9. Tomar suplementos vitamínicos sob indicação médica;

10. Doença que exige a assistência de uma equipe multidisciplinar composta de médicos especialistas, enfermeiras, técnicos e auxiliares de enfermagem, assistentes sociais, atendentes e apoio se possível e/ou psiquiatras;

11. Em alguns casos, é necessária a intervenção cirúrgica, principalmente nos casos de TBMR (tuberculose multirresistente).

Obs: Os efeitos colaterais da mediação antituberculose são de freqüência variável e em situações mais graves dependendo da sintomatologia, exige a necessidade da interrupção ou troca da droga antituberculose específica, mas sempre com o cuidado de pelo menos testar a mudança de horário ou interagir as drogas com outros medicamentos, porque quando se modifica a droga em alguns casos o tratamento pode se prolongar por mais tempo. Os efeitos colaterais geralmente são: reações cutâneas, intolerância digestiva, artralgias, reações neurológicas, anemia hemolítica, alterações renais, elevação da taxa de glicemia, formigamento circumoral, ginecomastia; nos casos mais graves podem ocorre a hepatoxidade que é rara, mas que deve ser diagnosticada o mais rápido possível porque pode levar o paciente ao óbito.

* Complicações:

1. recidivas de tuberculose pode levar ao câncer pulmonar;

2. Lesões hepáticas graves;

3. Lesões renais graves;

4. Lesões pulmonares graves;

5. Alterações respiratórias graves;

6. Se não for tratada precocemente a tuberculose pulmonar pode infeccionar outros órgãos.

* Profilaxia:

1. Notificação Compulsória às Autoridades Sanitárias;

2. Vacinação da população infantil logo após o nascimento BCG, sendo que a criança soropositivo ou recém-nascida que apresentam sinais ou sintomas de aids não deve receber a vacina BCG;

3. Quimioprofilaxia dos comunicantes principalmente os intradomiciliares;

4. Pessoas que trabalham em hospitais que recebem pacientes tuberculosos devem fazer o teste tuberculínico uma vez por ano;

5. Ambientes devem ser mais ventilados com as janelas abertas principalmente para entrar a luz solar;

6. Educação sanitária ao público;

7. Pessoas com tosse e expectoração por quatro semanas ou mais devem ser investigadas;

8. Comunicantes intradomiciliares de focos bacilíferos positivos devem ser investigados sendo que os testes para tuberculose devem ser feitos imediatamente;

9. Devem ser feitos procedimentos de biossegurança e vigilância, para os profissionais de saúde que trabalham com os portadores de tuberculose e conscientizar os profissionais a utilizar a máscara especial.

* Hospitais de referência:

1. Postos de Saúde;

2. Ambulatório do Hospital das Clínicas da UFPE;

3. Fundação Oswaldo Cruz;

4. Hospital Albert Sabin;

5. Hospital Getulio Vargas;

6. Hospital Geral Otavio de Freitas;

7. Hospital Geral de Jaboatão dos Guararapes;

8. Hospital Geral do Paudalho;

9. Hospital Geral de Limoeiro;

10. Santa Casa de Misericórdia do Recife;

11. Casa de Saúde Santa Efigênia – Caruaru.

Entre outros.

* Vacinação:

A vacina contra a tuberculose, denominada BCG, é produzida a partir de cepas atenuadas do Mycobacterium bovis. A produção no Brasil é na forma liofilizada, devendo ser mantida em geladeira, entre +2 e +8oC, e ao abrigo da luz solar direta, pois é inativada pelos raios solares. A reconstituição de cada frasco com 50 doses devem ser feita com 5 ml de solução fisiológica, de maneira delicada e cuidadosa e sem agitação. Após a reconstituição, a vacina deve ser usada no mesmo dia (até 6 horas), podendo ser aplicada no mesmo ambiente onde se aplica a demais vacina, pois a luz artificial não lhe causa danos.

As crianças podem e devem ser vacinadas a partir do nascimento, de preferência no berçário, por via intradérmica, no braço direito, na altura da inserção inferior do músculo deltóide, sem o emprego prévio de anti-sépticos e com seringa e agulhas apropriadas e descartáveis. Quando o local da aplicação estiver sujo, deve-se lavar com água e sabão.

A dose preconizada para todas as idades é de 0,1 ml de uma só vez, sendo a população prioritária os menores de um ano de idade. Havendo condições operacionais, indica-se a realização da reação de Mantoux (PPD) prévia, em crianças com mais de três meses. Sendo negativa, aplicamos o BCG intradérmico.

O BCG bem aplicado leva à viragem do PPD em cerca de 75 a 80% dos casos e isto pode ser confirmado realizando-se a reação de mantoux após seis meses da aplicação do BCG. Nos casos que se mostram negativos, o reforço deve ser realizado apenas se a primeira aplicação foi tecnicamente incorreta, ou se não houve reação no local da aplicação. O Ministério da Saúde indica o reforço da vacina BCG. Por haver controvérsia em relação a essa conduta, a Secretaria da Saúde decidiu, por ora, não adotá-la no calendário vacinal do Estado de São Paulo. No entanto, em municípios selecionados a partir de critérios epidemiológicos e operacionais, analisandos conjuntamente pelas Secretarias Estadual e Municipal de Saúde, esse reforço poderá ser aplicado entre 6 e 10 anos, preferencialmente entre 12 e 14 anos de idade.

Após a aplicação da vacina, os sintomas mais freqüentes são o aparecimento de nódulos no local da aplicação, que evolui para úlcera e crosta com duração média de 8 a 10 semanas. Nos casos de aplicação profunda, dose maior ou resposta imune exagerada, a cicatrização pode ser retardada. As complicações são bastante raras, porém podem ocorrer linfadenites simples ou supuradas, úlceras necróticas, abcessos locais ou à distância, erupção maculosa, reação lupóide, eritema nodoso e polimorfo, lupus vulgar e osteíte de localização diversas.

Em casos selecionados e quando há necessidade, deve-se fazer uso da ionizada, na dose de 10 mg/kg de peso/dia durante seis meses, para o tratamento das complicações vacinais.

A infecção disseminada pelo BCG, envolvendo múltiplos órgãos, levando o doente ao óbito, é muito rara, porém este fenômeno ocorre em indivíduos que fazem uso prolongado de corticosteróides, imunossupressores, em portadores de doenças crônicas debilitantes ou que apresentam deficiências congênitas do sistema imune. Neste caso a aplicação do BCG está contra-indicada.

Também não deve ser aplicado em crianças com peso inferior a 2.000 g e com afecções dermatológicas externas e em atividade. Como não há dados disponíveis sobre os efeitos do BCG em adultos infectados pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV), sintomática ou não, a vacinação não deve ser recomendada para esses casos. A aplicação precoce do BCG visa reduzir a incidência da tuberculose, especialmente as formas graves da doença, tais como a tuberculose meníngea e a tuberculose miliar, que aparecem com maior freqüência até os quarto anos de idade.

Conclusão

Concluímos que a tuberculose é uma doença adquirida e transmissível causador de um índice elevado de mortalidade.

Porém, observamos que a verdadeira erradicação não depende tão-somente dos meios profiláticos e dos avanços terapêuticos. A vacina contribui para prevenir a infecção, mas nunca conseguirá proscrever esta moléstia sem que antes o governo proporcionem melhores condições de vida, de promover uma nutrição, moradia, de higiene e saneamento e um programa intenso de educação e cuidados básicos de saúde principalmente às comunidades subnutridas e de baixa renda.

Bibliografia

– Programa de Saúde

José Luiz Soares

Editora Scipione

– Revista Isto É

No. 1655 de 20/06/2001

– Doenças Infecciosas e Contagiosas

Maria da Conceição Correia

Site: http://mccoreia1701.vilabol.com.br/

Outros Autores: Adones de Azevedo, Adelúcia Gomes, Fernanda Cavalcanti e Vilmagélia Gomes

Anatomia

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Autoria: Igor de Araujo

Anatomia

Rio 11 de outubro de 2000

Sistema Nervoso

Sistema Nervoso Cefalorraquidiano

Esse sistema, também chamado cérebro-espinhal, é formado por células estreladas que recebem o nome de neurônios.

Os neurônios são formados pelo corpo celular, que compreende a estrela do neurônio e tem cor cinzenta.

Do corpo celular saem numerosas ramificações denominadas dentritos e um grande prolongamento de cor branca denominado axônio.

Os axônios constituem os nervos e chegam, em certos casos, a medir cerca de um metro de comprimento. Cada axônio é envolvido por uma membrana gordurosa e isolante denominada bainha de mielina.

O sistema cefalorraquidiano divide-se em duas partes: sistema nervoso central e sistema nervoso periférico.

Sistema Nervoso Central

É formado pelo encéfalo e pela medula espinhal. Os encéfalo localiza-se dentro da caixa craniana e é constituído por três órgãos: cérebro, cerebelo e bulbo. A medula espinhal situa-se dentro da coluna vertebral, ou seja, no canal medular.

Todos esses órgãos são formados por uma substância cinzenta e uma substância branca. A substância cinzenta produz ou recebe os estímulos nervosos, enquanto a substância branca é responsável pela transmissão dos estímulos nervosos do sistema nervoso para os órgãos e vice-versa.

Cérebro

É o órgão mais volumoso e mais importante do sistema nervoso. Divide-se em duas partes denominadas hemisférios cerebrais. Os hemisférios estão ligados um ao outro pelo corpo caloso.

A superfície do cérebro apresenta sulcos chamados cissuras. Os sulcos dividem a superfície do cérebro em regiões que se chamam circunvoluções cerebrais. A maior das cissuras é a inter-hemisférica, que divide o cérebro nos dois hemisférios cerebrais.

Cada circunvolução cerebral é responsável pelo controle de determinadas funções. As circunvoluções que se localizam na frente, junto ao osso frontal, controlam a fala. As que se situam atrás, junto ao osso occipital, controlam as sensações visuais. Junto aos ossos parietais ficam as circunvoluções que controlam os movimentos do corpo. As sensações auditivas são controladas pelas circunvoluções localizadas junto aos ossos temporais.

A substância cinzenta do cérebro localiza-se na parte externa; a substância branca situa-se na parte interna.

O cérebro é o órgão mais importante do sistema nervoso, pois é ele que controla os movimentos, recebe e interpreta os estímulos sensitivos, coordena os atos da inteligência, da memória, do raciocínio e da imaginação.

Cerebelo

Situa-se embaixo e na parte posterior do cérebro. divide-se em duas massas denominadas lobos cerebelares. Os lobos são ligados no centro pelo verme cerebral.

Da mesma forma que o cérebro, o cerebelo apresenta substância cinzenta na parte exterior e branca no interior.

A função do cerebelo é coordenar os movimentos do corpo para manter seu equilíbrio. Regula também o tônus muscular, que é o estado de semicontração que os músculos se encontram, para entrarem imediatamente em movimento, sempre que for necessário.

O álcool afeta o cerebelo e é por essa razão que a pessoa bêbada não consegue caminhar em linha reta.

Bulbo

Localiza-se embaixo do cérebro e na frente do cerebelo. Possui a forma de um cone invertido. Ao contrário do cérebro e do cerebelo, no bulbo a substância branca situa-se na parte externa e a cinzenta, na interna.

A função do bulbo é conduzir os impulsos nervosos do cérebro para a medula espinhal e vice-versa. Também produz os estímulos nervosos que controlam a circulação, a respiração, a digestão e a excreção.

A região do bulbo que controla os movimentos respiratórios e os cardíacos chama-se nó vital. Recebe esse nome porque se uma pessoa recebe uma forte pancada nesse local poderá morrer instantaneamente, devido à paralisação dos movimentos respiratórios e cardíacos.

Medula Espinhal

É um tubo nervoso, com aproximadamente 45 centímetros de comprimento e 1 centímetro de diâmetro, situado dentro da coluna vertebral. Na parte superior, a medula está ligada ao bulbo, como se fosso uma continuação desse órgão.

A medula espinhal possui também a substância branca na parte externa e a cinzenta, na interna. A substância cinzenta se dispõe na forma de um H, cujos ramos dão origem às raízes nervosas que saem da medula.

A medula espinhal tem duas funções:

• Conduzir os impulsos nervosos do corpo para o cérebro. Essa função é realizada pela substância branca.

• Produzir os impulsos nervosos. Essa função é realizada pela substância cinzenta. A medula é capaz de coordenar os atos involuntários ou inconscientes, como retirar o deio rapidamente de uma panela de água fervendo.

Sistema Nervoso Periférico

É formado por um conjunto de nervos que podem ser classificados em dois tipos: raquidianos e cranianos.

Nervos Raquidianos

São 31 pares de nervos que partem da medula espinhal e se ramificam por todo o corpo. Os nervos raquidianos são formados pelas raízes nervosas que se iniciam nos ramos que formam o H da substância cinzenta da medula espinhal.

Quanto à transmissão dos estímulos nervosos, os nervos podem ser de três tipos:

Sensitivos: Levam os estímulos nervosos do corpo para o cérebro.
Motores: Levam os estímulos nervosos do cérebro para o corpo.
Mistos: São sensitivos e motores, simultaneamente.
Na realidade, os nervos raquidianos são mistos, pois são formados por duas raízes nervosas: a raiz anterior, que é motora, e a raiz posterior, que é sensitiva.

De acordo com as regiões da coluna vertebral, os 31 pares de nervos raquidianos distribuem-se da seguinte forma:

oito pares de nervos cervicais;
doze pares de nervos dorsais;
cinco pares de nervos lombares;
seis pares de nervos sagrados ou sacrais.
Nervos Cranianos

Os nervos cranianos são constituídos por doze pares de nervos que saem do encéfalo e se distribuem pelo corpo. Podem ser sensitivos, motores ou mistos.

A seguir, apresento a relação desses doze pares de nervos e suas respectivas funções.

Óptico: Conduz os estímulos de luz do globo ocular para o cérebro.
Motor ocular comum: Estimula a contração dos músculos que movimentam os olhos para baixo e para cima.
Motor ocular externo: Estimula certos músculos dos olhos, movimentando-os lateralmente.
Auditivo: Conduz para o cérebro os estímulos sonoros e os impulsos responsáveis pelo equilíbrio.
Olfativo: Conduz os estímulos do olfato para o cérebro.
Trigêmeo: Leva ao cérebro a sensibilidade da parte superior da face e dos dentes. Estimula também os músculos que movimentam o maxilar inferior.
Glossofaríngio: Conduz os estímulos do paladar para o cérebro e movimenta os músculos da faringe.
Hipoglosso: Estimula os músculos da língua.
Patético: Estimula certos músculos dos olhos, movimentando-os para os lados e para baixo.
Facial: Estimula os músculos da face, as glândulas salivares e as lacrimais.
Pneumogástrico ou Vago: Estimula o coração, os pulmões, o estômago e o intestino, entre outros órgãos, dando movimento e sensibilidade às vísceras.
Espinhal: Estimula os músculos do pescoço, permitindo a fonação e os movimentos da cabeça e da faringe.
Sistema Nervoso Autônomo

Como o próprio nome diz, o sistema nervoso autônomo é aquele que funciona independentemente de nossa vontade. É ele que controla as funções da vida vegetativa, como a digestão e a respiração.

O sistema nervoso autônomo compõe-se de três partes:

Dois ramos nervosos situados ao lado da coluna vertebral. Esses ramos são formados por pequenas dilatações denominadas gânglios, num total de 23 pares.
Um conjunto de nervos que liga os gânglios nervosos aos diversos órgãos de nutrição, como o estômago, o coração e os pulmões.
Um conjunto de nervos comunicantes que ligam os gânglios aos nervos raquidianos, fazendo com que os sistema autônomo não seja totalmente independente do sistema nervoso cefalorraquidiano.
O sistema nervoso autônomo divide-se em sistema nervoso simpático e sistema nervoso Parasimpáticos. De modo geral, esses dois sistemas têm funções contrárias. Um corrige os excessos do outro. Por exemplo, se o sistema simpático acelera demasiadamente as batidas do coração, o sistema parassimpático entra em ação, diminuindo o ritmo cardíaco. Se o sistema simpático acelera o trabalho do estômago e dos intestinos, o parassimpático entra em ação para diminuir as contrações desses órgãos.

Sistema Muscular

Músculo são tecido ou órgão do corpo animal, caracterizado por sua capacidade de contrair-se, geralmente em resposta a um estímulo nervoso. Há três tipos de tecido muscular: liso, esquelético e cardíaco.

A estrutura do musculo estriado esquelético

As musculaturas estridas esqueleticas constitui a maior parte do voulume muscular corpóreo. Ela compreende os musculos que estão ligados ao esqueleto e que são os responsaveis pela movimentação do corpo. Os musculos esqueleticos têm contração voluntária.

O musculo estriado esqueletico é formado pelas fibras musculares estriadas, as quais são muitoalongadas e multinucleadas.

O citoplasma de uma fibra muscular é totalmente preenchido por uma enorme quantidade de filamentos, constituidos principalmente por moléculas das protéinas actina e miosina. Esses filamento são chamados de fibrilas musculares ou miofibrilas.

RESUMINDO O MUSCULO ESTRIADO ESQUELETICO:

Músculo esquelético ou estriado: é inervado pelo sistema nervoso central e, como este se encontra em parte sob controle consciente, chama-se músculo voluntário. As contrações do músculo esquelético permitem os movimentos dos diversos ossos e cartilagens do esqueleto.

Muscular Liso

Músculo liso: o músculo involuntário localiza-se na pele, órgãos internos, aparelho reprodutor, grandes vasos sangüíneos e aparelho excretor. O estímulo para a contração dos músculos lisos é mediado pelo sistema nervoso vegetativo.

Muscular Cardiaco

Músculo cardíaco: este tipo de tecido muscular forma a maior parte do coração dos vertebrados. O músculo cardíaco carece de controle voluntário. É inervado pelo sistema nervoso vegetativo.

A Úlcera de Pressão

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Autoria: Patricia Gomes

A Úlcera de Pressão

Joinville, setembro de 2001

A Úlcera de Decúbito, ou Escara de Decúbito, Úlcera de Pressão são áreas onde o tecido da pele foi destruído (necrosou) e há uma destruição progressiva do tecido subjacente. Esta patologia ocorre em pessoas enfermas ou acamadas por longo período ou que permanecem sentadas em cadeiras de roda várias horas.

A patologia é o resultado da pressão prolongada sobre uma área do corpo, resultando uma perda de circulação sanguínea nessa região e conseqüentemente a destruição do tecido. Também existem outros fatores que contribuem como: estado nutricional deficiente, destruição, principalmente quando há um balanço nitrogenado negativo, desidratação, emagrecimento (proeminência ósseas desprotegida do tecido adiposo), idade avançada (pele enrugada pela perda da gordura subcutânea), paralisia (pela eliminação de movimentos), incontinência fecal e urinária, falta de higiene, aplicação imprópria de gesso, presença de microorganismos patogênicos na pele, umidade na região e atrito.

Localização das Úlceras de Pressão:

As regiões onde mais ocorre úlcera de pressão são:

Sacro: os curativos têm que ser escolhidos com cuidados, uma vez que muitos deles tendem a sair do lugar ou enrugar a medida que o paciente se mexe. A forma de sentar na cadeira deve ser estritamente controlada em termos de tipo de cadeira e o período de tempo que o paciente fica sentado nela.

Nádegas: igual ao sacro.

Calcanhares: o ideal seria os curativos não serem muito volumosos, uma vez que isso pode impedir a mobilidade. Os curativos podem ter que ser feitos “sobe medida” para se encaixarem adequadamente ao redor do calcanhar. Certifique-se de que a pressão é aliviada de madeira adequada quando o paciente está de cama.

Trocânteres: alguns curativos podem sair do lugar ou enrugar, devem ser selecionados com cudado.

Cotovelos: as úlceras de pressão geralmente são provocadas pela fricção dos movimentos na cama, deve-se procurar usar armações, coxins ou curativos de filme semipermeável.

Tronco: não é comum encontrar úlceras no tronco, portanto deve-se identificar a fonte da pressão e retirar-la ou modifica-la.

Outras partes que também pode ocorrer a úlcera de pressão são: ilíaca, escapular, joelhos, tornozelos, coluna serviçal e orelhas, parte superior da cabeça, artelhos, entre duas superfícies (axilas, seios…) ou qualquer superfície que esteja sofrendo uma pressão constante.

Os primeiros sinais:

Palidez e a hipersensibilidade da região. O paciente queixa-se de sensação de queimação além da diminuição da temperatura e edema junto com vermelhidão da pele, a região então se torna azulada e finalmente preta. Ocorre a perda de peso, resultando daí uma cratera necrótica.

Prevenção:

A conduta de enfermagem deve ser dirigida para a manutenção da pele seca, estimular a circulação (fazendo massagens por exemplo) e diminuir ou remover a pressão. O paciente deve ser encorajado à maior atividade possível. Quando possível, deve praticar exercícios ativos, se o paciente for incapaz de realizar exercícios ativos, que faça os passivos.

Deve-se procurar virar o paciente freqüentemente e mantido na posição com auxílio de travesseiros. Deve ser colocado um acolchoado acima e abaixo das saliências ósseas e sobre as áreas de pressão, nunca diretamente sobre a área de pressão suspeita.

É recomendado o uso de colchões com pressão variável de água ou acolchoamento com pele de carneiro pois auxiliam a diminuir ou eliminar a pressão. A enfermaria deve também ter maior atenção com a higiene e nutrição do paciente além de inspecionar a pele freqüentemente. Os pacientes com tração ou aparelhos gessados devem ter todas as áreas de pressão inspecionados freqüentemente

A pressão causada por esses aparelhos deve ser aliviada imediatamente.

O tratamento:

Visa a realizar curativos com técnicas asséptica, eliminando o tecido necrosado (evitar a infecção secundária e a transferência das bactérias para outras regiões do corpo e aos outros pacientes. Deixar a região afetada em repouso e proporcionar ao paciente uma boa nutrição, hidratação, movimentação e higiene. O tratamento também inclui a exposição ao ar ou a uma luz ultravioleta e aplicação de agentes tópicos tais como açúcar granulado, ungüento, solução salina, mistura de tintura de benzóica, ou enzimas; e o uso de spray tanto os que formam uma cobertura plástica como os que contém corticosteróides e antibióticos.

Ocasionalmente, pode ser necessário a internação cirúrgica para o desbridamento, fechamento ou enxerto.

BIBLIOGRAFIA

DONAHOO, Clara R. N. & DIMON III, Joseph H.M.D. Enfermagem em Ortopedia e Traumatologia. 1O reimpressão, 1977.

VEIGA, D.A. & CROSSETTI, M.G. Manual de Técnicas de Enfermagem. 2O edição. D.C. Luzzatto Editores ltda.

Outros Autores: Cristiane Cláudia, Cristiane Mello, Ediane, Elizete e Izadir

Úlcera Péptica

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Autoria: Rodrigo

ÚLCERA PÉPTICA

Bacabal

2004

INTRODUÇÃO

As úlceras pépticas incluem as úlceras gástricas, duodenais e esofágicas. Já se notou, ao estudar o mecanismo da digestão, que o suco gástrico é o único líquido digestivo ácido. É por esta razão que as úlceras aparecem geralmente no estômago, na primeira parte do intestino delgado, no duodeno, e na última parte do esôfago. Não é possível surgir uma úlcera sem que haja acidez excessiva. O suco gástrico, em estado normal de saúde, não provoca úlceras.

A hiperacidez do estômago, associada a um regime alimentar desequilibrado, fornece o aparecimento de úlceras. Os alimentos que são digeridos no estômago são as proteínas (carnes, peixes, queijo, ovos, frutos oleaginosos, etc.) e a digestão dos amidos se inicia na boca com a impregnação pela saliva. Convém recordar ainda dois importantes fatores da dieta; o primeiro é o fato de as proteínas e os amidos formarem ácidos; o segundo, o de os frutos e vegetais alcalinizantes fornecerem os sais minerais essenciais para os sucos digestivos e para a assimilação dos alimentos.

O consumo de grandes quantidades de amidos mal mastigados cria um estado de estagnação no estômago, dado que os amidos parcialmente digeridos permanecem no estômago, provocando fermentação e acidez, até terminar a digestão das proteínas.

Um outro fato que também contribui para o aparecimento de úlceras, éa acidez resultante de ansiedade, do medo, da angústia, da neurose, etc.

ANATOMIA E FISIOLOGIA DO ESTÔMAGO, ESÔFAGO E INTESTINO DELGADO

O estômago localiza-se na parte superior do abdome, à esquerda da linha média, exatamente abaixo do diafragma esquerdo. E uma bolsa distensivel, com uma capacidade de aproximadamente 1.500 ml. A entrada do estômago échamada de junção gastroesofágíca; ela é circundada por um anel de músculo liso denominado esfincter esofágico inferior (ou esfincter da cárdia), que sob contração isola o estômago do esôfago. O estômago pode ser dividido em quatro regiões anatômicas: a cárdia (entrada), o fundo, o corpo e o piloro (saída). A musculatura lisa circular na parede do piloro forma o esfíncter pilórico e controla a abertura entre o estômago e o intestino delgado.

O esôfago está localizado no mediastíno, na cavidade torácica, anterior à coluna vertebral e posterior à traquéia e ao coração. Esse tubo passível de colobamento, que tem cerca de 25 cm de comprimento, torna-se distendido quando o alimento o atravessa.

O intestino delgado representa o segmento mais longo do trato gastrointestinal, contribuindo com cerca de dois terços do comprimento total do trato. Ele se dobra para trás e para diante de si mesmo, possibilitando uma área de superficie

De aproximadamente 7.000 cm para a secreção e absorção, o processo pelo qual os nutrientes penetram no corrente sanguínea através das paredes intestinais.

O intestino delgado é dividido em três partes anatômicas: a parte superior chamada duodeno, a parte média denominada jejuno e a parte inferior chamada de íleo.

Após a deglutição, o músculo liso na parede do esôfago contraí-se em uma seqüência ritmada, a partir da parte superior do esôfago, no sentido do estômago, visando impulsionar o bolo alimentar ao longo do trato. Durante esse período de perístalse esofágica, o esfincter esofágico inferior relaxa e permite que o bolo alimentar entre no estômago. A seguir, o esfincter esofágico inferior fecha-se firmemente para impedir o refluxo do conteúdo estomacal para dentro do esôfago.

O estômago armazena e mistura o alimento com secreções.ele secreta o ácido clorídrico que tem a função de clivar o alimento em componentes mais absorvíveis e auxiliar na deglutição da maioria das bactérias ingeridas. A perístalse no estômago e as contrações do esfíncter pilórico possibilitam que o alimento parcialmente digerido penetre no intestino delgado em uma velocidade que permite a absorção eficiente dos nutrientes.

O processo digestivo continua no duodeno. As secreções no duodeno originam-se dos órgãos digestivos acessórios (pâncreas, figado, e vesícula biliar) e das glândulas na parede do próprio intestino.

As glândulas intestinais secretam mucos, hormônios, eletrólitos e enzimas. O muco cobre as células, e protege a mucosa contra a lesão provocada pelo ácido clorídrico.

As contrações de segmentação produzem a mistura de ondas que movem o conteúdo intestinal para trás e adiante em um movimento de mistura.

A peristalse intestinal impulsiona o conteúdo intestino delgado no sentido do cólon.

Pequenas projeções digitiformes, chamadas vilosidades, estão por todo o intestino e funcionam para produzir as enzimas digestivas, assim como para absorverem nutrientes.

ÚLCERA PÉPTICA

Uma úlcera é um ferimento ou abertura nas camadas protetoras do corpo. As úlceras localizadas no estômago ( gástricas ) e as úlceras localizadas na primeira porção do intestino delgado ( duodenais ) são agrupadas em “úlceras pépticas.”

Ela é causada pela erosão de uma ‘área circunscrita de membrana da mucosa. Essa erosão pode estender-se profundamente nas camadas musculares ou através do músculo para o peritônio. As úlceras, de modo geral, ocorrem sozinhas, mas podem ser múltiplas.

A síndrome de Zollinger — Ellison (SZE), que consiste em úlceras pépticas graves, hiperacidez gástrica extrema e secreção de gastrina de tumores malignos ou benignos do pâncreas, é um tipo de ulceração péptica.

A bactéria gram-negativa Helicobacter pylori está presente em 70% dos pacientes com úlceras gástricas e em 95% dos pacientes com úlceras duodenais. Não está associada com úlceras esofagianas. As úlceras pépticas tratadas com antibióticos para erradicar Helicobact pylori têm 10% de taxa de recorrência. A doença ocorre com maior freqüência nas pessoas com maior idade entre 40 e 60 anos. E relativamente incomum nas mulheres na idade de procríação, mas tem sido observada nas crianças, até mesmo nas bem pequenas. Após a menopausa, a incidência de úlcera péptica nas mulheres é quase igual à observada nos homens.

As úlceras desenvolvem-se mais comumente nas pessoas tensas. A presença excessiva de secreção de ácido clorídrico no estômago pode contribuir para a formação de úlceras gástricas, e o estresse pode estar associado a um aumento da secreção de ácido clorídrico. A ingestão de leite e bebidas com cafeína, o fumo e o álcool podem também aumentar a secreção de ácido clorídrico.

Um adicional elo de hereditariedade é percebido, considerando-se que as pessoas com tipo sanguíneo O são os mais suscetíveis do que as pessoas com tipo sanguíneo A B ou A.

FISIOPATOLOGIA

Em resposta à ingestão de alimentos, a acetilcolina, a gastrina e a histamina ligam-se a receptores específicos e estimulam as células parietais do fundo do estômago a secretarem ácido clorídrico. As células parietais, com a ajuda da bomba adenosina trifosfatase hidrogênio-potássio, transformam assim o ácido clorídrico para a luz do estômago.’ As células principais do estômago secretam pepsinogênio, que se converte em pepsina na presença do ácido clorídrico. A pepsina atua na divisão do alimento, enquanto que as células duodenais do epitélio gástrico secretam uma barreira de muco para proteger a camada interna da área duodenal.

As úlceras pépticas ocorrem principalmente na mucosa gastroduodenal porque esse tecido não pode resistir à ação digestiva do ácido gástrico e da pepsina. A erosão é devida à concentração aumentada ou àatividade da acídopepsina, ou à diminuição da resistência da mucosa. Uma mucosa lesada não pode secretar muco suficiente para agir como barreira contra o ácido hidroclorídrico. O uso de antiinflamatórios não-esteróides inibe a secreção de muco que protege a mucosa.

Suspeita-se de síndrome de Zollinger — Elisson (SZE) quando o paciente tem muitas úlceras pépticas ou uma úlcera que é resistente à terapia médica padrão. Ela é identificada pelos seguintes achados: hipersecreção de suco gástrico, úlceras duodenais e gastrinomas do pâncreas. 90% dos tumores são achados no “triângulo gástrico”, o qual abrange o cístico e os dutos comuns da bile, a segunda e a terceira porções do duodeno e o pescoço e corpo do pâncreas. Aproximadamente 1/3 dos gastrinomas é maligno. Diarréia e esteatorréia (gordura não absorvida nas fezes) podem ser evidentes. O paciente pode ter, ao mesmo tempo, adenomas ou hiperplasia da paratireóide e pode, dessa forma, mostrar sinais de hipercalcemia. A queixa mais freqüente é de dor epigástrica. A H.pylori não é um fator de risco para SZE.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

Muitas pessoas não têm sintomas de úlceras e, em 20 a 30%, perfurações ou hemorragias podem ocorrer sem nenhuma manifestação anterior.

O paciente com úlcera queixa-se de uma dor maçante corrosiva, ou de uma sensação de queimação no médio epigástrico ou nas costas. Acredita-se que a dor ocorre quando o aumento do conteúdo gástrico do estômago e do duodeno destrói a lesão e estimula a exposição das terminações nervosas. Outra teoria sugere que o contato da lesão com o ácido estimula o mecanismo reflexo local, que inicia contrações nos músculos lisos adjacentes. A dor é geralmente aliviada pela alimentação, pois o alimento neutraliza o ácido, ou tomando algum conteúdo alcalino. Entretanto, uma vez esvaziado, o estômago ou passado o efeito do alcalino, a dor retorna.

Outros sintomas incluem a pirose (azia), vômitos, constipação e diarréia ou sangramento. Os vômitos podem ou não ser precedidos de náuseas. Geralmente são seguidos por um episódio de dor aguda, que é aliviado pela ejeção dos conteúdos gástricos. A êmese geralmente contém alimentos nãodigeridos ingeridos muitas horas antes. A constipação ou a diarréia podem ocorrer, provavelmente como resultado da dieta ou dos medicamentos.

Vinte e cinco porcento dos pacientes portadores de úlceras gástricas podem apresentar sangramento.

AVALIACÃO DIAGNÓSTICA

Um exame feito pode revelar dor, sensibilidade na região epigástrica ou distensão abdominal. Um estudo com a utilização do bário ou no trato gastrointestinal pode evidenciar uma úlcera. Entretanto, a endoscopia é o procedimento diagnóstico preferido, porque ela permite uma visualização direta das alterações inflamatórias, úlceras e lesões. A endoscopia pode revelar lesões não-evidentes nos estudos de raios X por causa do tamanho ou da localização.

As fezes podem ser testadas periodicamente até que sejam negativas para sangue oculto. Estudos da secreção gástrica são valiosos para o diagnóstico de acloridria e SZE. A infecção por H.pylori pode ser determinada pela biópsia e histologia com cultura. Existe também o teste respiratório que detecta H.pylori, assim como um teste sorológico para anticorpos do antígeno da H.pylori. Dor que é aliviada com ingesta de alimentos ou antiácidos e ausência de dor ao acordar também são altamente sugestivas de úlcera.

TRATAMENTO

1. Farmacoterapia específica:

Agentes neutralizadores de ácidos (antiácidos).
Anticolinérgicos (popantilina): para inibir a estimulação vagal, reduzindo assim a produção de gastrina e a acidez gástrica. Não são utilizados nas úlceras gástricas, pois prolongam o esvaziamento gástrico.
Antagonistas do receptor da histamina (cimetidina, ranitidina): inibem a ação da histamina sobre os receptores H2 nas células parietais, reduzindo assim o débito e a concentração ácido-gástricos.
Drogas citoprotetoras (sucralfato): aderem à superficie da úlcera, protegendo-a pela formação de uma barreira.
Anti-secretores / Citoprotetores (misoprostol): prostaglandina com efeitos anti-secretores, citoprotetores. Inibe a produção de ácido clorídrico no estômago.
Anti-secretor (omeprazol): inibe a produção de ácido hídroclorídrico no estômago. Capaz de cicatrizar rapidamente a úlcera, em 4 a 8 semanas.
2. Aconselhamento no sentido de ajudar a lidar com um estilo de vida gerador de tensões;

3. Sedativos / tranqüilizantes: para o paciente com úlcera gástrica, para oferecer repouso e relaxamento.

4. É necessária a monitorizarão de líquidos, eletrólitos e da volemia com visitas à sua reposição.

5. Controle da dieta: alimentos conforme tolerância. Evitar alimentos que gerem desconforto. Pequenas refeições com curtos intervalos.

CONDUTA CIRÚRGICA

1. Gastrojejunostomia com vagotomia:

Realiza-se uma anastomose entre o jejuno e o estômago, formando uma segunda via de saída para os conteúdos estomacais.
A secção do nervo vago reduz as secreções e os movimentos do estômago.
2. Antrectomia com Vagotomia:

A porção ressecada inclui uma pequena porção do duodeno, piloro e o antro (cerca da metade do estômago).
O colo duodenal é fechado por sutura, realizando-se uma anastomose término lateral do jejuno com a extremidade seccionada do estômago.
3 .Gastrectomia subtotal:

A porção ressecada inclui uma pequena porção do duodeno, o piloro e de dois terços a três quartos do estômago.
O duodeno ou a porção lateral do jejuno é unido por anastomose à porção restante do estômago.
4.Vagotomia e piloroplastia:

É realizada uma incisão longitudinal no piloro que é fechado transversalmente para permitir que o músculo relaxe, aumentando assim a via de saída.
Isso compensa o retardo no esvaziamento gástrico produzido pela vagotomia.

COMPLICACÕES

1 .Hemorragia:

Observar a presença de material sanguinolento vermelho-vivo ou em borra de café;
Observar a presença de fezes pretas, tipo piche (melena).
2.Perfuração:

Fique atento quanto à presença de dor abdominal aguda,defesa abdominal descompressão dolorosa, ausência de ruídos peristálticos.
3 .Obstrução:

Observar a distensão abdominal, timpanismo e ruídos hidroaéreos à ausculta abdominal.

DIETA NA DOENÇA

Alimentos a serem evitados:

– Alimentos gordurosos e frituras em geral

– Frutas ácidas (laranja, abacaxi, limão, morango, damasco, pêssego, cereja, kiwi)

– Temperos (vinagre, pimenta, molho inglês, massa de tomate, molhos industrializados, ketchup, mostarda, caldos concentrados, molho tártaro, picles)

– Doces concentrados (goiabada, marmelada, doce de leite, cocada, pé-de-moleque, geléia, compotas)

– Frutas secas e cristalizadas

– Ovos cozidos, poches, quentes

– Feijão e outras leguminosas

– Bebidas alcoólicas e gasosas

– Pepino, tomate, couve, couve-flor, brócolos, repolho, pimentão, nabo, rabanete

– Café, chá preto, mate e chocolate

– Lingüiça, salsicha , patês, mortadela, presunto, bacon, carne de porco, carnes gordas, alimentos enlatados e em conserva

Alimentos permitidos:

– Leite, queijo fresco, ricota

– Chá de camomila, erva-doce, erva-cidreira, melissa, espinheira santa

– Carnes magras desfiadas, picadas, moídas, ensopadas, cozidas, assadas, grelhadas

– Sopas magras

– Verduras e legumes bem cozidos

– Frutas (exceto as mencionadas acima)

– Pães brancos, bolachas Maria, maizena e de água e sal

– Arroz, macarrão simples

– Batata, mandioca, mandioquinha cozidos

Recomendação Importante: Não ficar por mais de 3 horas sem se alimentar

PLANO ASSISTENCIAL DE ENFERMAGEM

DIAGNÓSTICO DE ENFERMAGEM
INTERVENÇÕES DE ENFERMAGEM
JUSTIFICATIVAS GERAIS

1- Dor relacionada a desconforto epigástrico devido à hipersecreção de ácido erosão da mucosa ou perfuração. – Tratar a dor epigástrica ou de alerta oferecendo antiácidos, conforme prescrito.

– Administrar a medicação prescrita.

– Fornecer pequenas refeições com freqüência, para evitar a distensão gástrica.

– Fazer o paciente compreender que cafeína, bebidas alcoólicas e nicotinas podem aumentar a acidez gástrica e promover a erosão da mucosa gástrica.

– Alertar ao paciente sobre os efeitos irritantes de determinadas substâncias sobre a mucosa gástrica, principalmente de fármacos contendo aspirina e antiinflamatórios como Alka-Seltzer, Pepto-Bismol e Ibuprofeno.
– Ausência de complicações; ausência de sinais de hemorragia ou de perfuração.

– Manter o equilíbrio hidroeletrolítico.

– Declarar não ter dor.

– Redução na freqüência das evacuações.

– Comer diversas vezes ao dia.

– Capacidade do paciente descrever a doença ulcerosa péptica, seu tratamento e suas complicações.

2 -Déficit de vol. de líq. durante a hemorragia ou perfuração – Monitorizar ingesta e débito.

– Observar as fezes quanto a sangue oculto.

– Monitorizar hemoglobina, hematócrito

e eletrólitos.

– Administrar a hidratação venosa prescrita.

– Cateterizar (com sonda nasogástrica), conforme prescrição e observar a drenagem quanto e hipotensão (sinais de choque).

3 – Diarréia relacionada a sangramento gastrointestinal ou tratamento com antiácidos – Observar os padrões de evacuações do paciente para determinar os efeitos dos antiácidos.

– Verificar os sinais vitais; diarréia persistente pode ser um sinal de sangramento.

– Atentar para sinais de hipovolemia.

4 – Alteração nutricional (inferior às necessidades corporais) relacionada ao processo patológico. – Eliminar alimentos que causem dor ou desconforto, não há necessidade de outras restrições dietétícas.

– Fornecer as refeições no horário e em pequenas quantidades.

– Aconselhar pcte a evitar alimentos ou líq. muito quentes ou frios e a mastigar bem.

CONCLUSÃO

Além dos fatores dietéticos na etiologia das úlceras pépticas, deve-se recordar que estas constituem uma doença psicossomática associada ao viver moderno. Predominância nos homens. As mulheres são mais sujeitas às úlceras, após a menopausa, enquanto a idade média do aparecimento da doença, no caso do homem, oscila entre vinte e quarenta anos ( fase em que os problemas financeiros e ambições pessoais são mais intensas). A componente nervosa da úlcera, além dos efeitos da preocupação e do medo, etc., consiste no espamo vascular que restringe a correte sanguínea e agrava a acidez e a perda dos líquidos alcalinos e das substâncias protetoras. Por isso, bons hábitos alimentares, exercícios físicos e uma vida equilibrada são fatores fundamentais para a prevenção.

A nova realidade da doença ulcerosa está sob domínio. Novas drogas antiácidas potentes e a implicação da infecção por Helicobacter pylori, tem revolucionado o tratamento.

BIBLIOGRAFIA

BRUNNER E SUDDARTH. Tratado de Enfermagem Médico – Cirúrgica. 9ª edição. Editora Guanabara koogan. Rio de Janeiro – RJ. 2002.

SUDDARTH, Doris Smith. Prática de Enfermagem. 7ª edição. Editora Guanabara Koogan. Rio de Janeiro – RJ. 2002.

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www.gastronet.com.br

www.abcdasaude.com.br

www.cirurgiaendocrina.com.br

Úlceras por pressão

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Autoria: Maria Fernanda

Introdução

As úlceras por pressão ocorrem sobretudo em locais com proeminências ósseas, onde praticamente só existem pele e osso. Suas maiores incidências acontecem nos calcanhares, tornozelos, dorso dos pés, dedos, joelhos, maléolos, espinhas ilíacas, cotovelos, costelas, escápulas, ombros, proeminências das vértebras, cabeça, orelhas, região trocantérica(cabeça do fêmur), região isquiática(ossos da bacia), região sacral(final da coluna vertebral) e genitais.

Tais lesões atingem, principalmente, pessoas que por algum motivo perderam a capacidade de se mover e de sentir dores em certas regiões do corpo, como no caso de pessoas com uma lesão medular.

Processo de Formação

As regiões do corpo com proeminências ósseas, podem sofrer grande pressão, por descuido ou falta de informação. Tais regiões tem que ser protegidas, usando-se artifícios para distribuir o peso exercido sobre estas regiões, ou seja, fazer uma distribuição do peso, para que certas regiões não sofram uma sobrecarga.

Caso uma força fique concentrada sobre um ponto, o peso exercido será intenso e grande. Tal concentração de carga acarretará em pressão da pele, músculos e gorduras sobre os óssos, diminuindo ou interrompendo o fluxo sanguíneo desta região. Desta forma, o sangue não conseguirá levar o oxigênio e os alimentos até às células, provocando assim, a morte das mesmas. Quanto mais células forem atingidas, maior será a úlcera.

As úlceras podem se expandir tanto na largura como na profundidade, podendo atingir as camadas superficiais da pele, camadas mais profundas, tecidos gordurosos, músculares e ósseos. Existem quatro graus de classificação, que variam de acordo com a gravidade da lesão:

Grau I – atinge apenas a pele, sendo caracterizada pelo rubor e aumento de temperatura local;
Grau II – atinge todas as camadas da pele, chegando até aos tecidos gordurosos, onde a lesão fica caracterizada por bordas elevadas, endurecidas e com cor de sangue;
Grau III – a lesão atinge a camada de gordura, chegando até ao músculo. A região interna da úlcera fica com o tecido necrosado, ou seja, tecido morto e suas bordas bem endurecidas;
Grau IV – a lesão atinge todos os tecidos, inclusive o ósseo, podendo levar à graves infecções.

Como evitá-las

A distribuição do peso é fundamental para evitar as úlceras. Tal distribuição deverá ser feita de acordo com a posição do corpo.

Úlceras Isquiáticas

Uma pessoa que usa cadeira de rodas deverá sentar-se sobre uma almofada, afim de distribuir o peso por todo o quadril, evitando assim, as úlceras isquiáticas. Existem vários tipos de almofadas, fabricadas de diferentes tipos de materiais, que serão usadas de acordo com as necessidades particulares de cada pessoa. Algumas almofadas são fabricadas de plásticos ou borrachas especiais, podendo ser preenchidas por ar ou água. A quantidade de ar ou água deverá ser de acordo com o peso e altura da pessoa, sempre buscando a maior distribuição possível do peso e o equilíbrio de tronco. Outras almofadas são confeccionadas por espumas especiais, por gel ou combinações de gel e espuma. Tais artefatos podem ser feitos sob medida por locais competentes ou, podem ser comprados em casas cirúrgicas, com tamanhos e espessuras padrão.

O que também ajuda na prevenção das úlceras são os “push-ups”, ou seja, elevações do quadril, tirando temporariamente a pressão desta região. Para que uma pessoa faça estas elevações, ela terá que apoiar as mãos nos aros de propulsão, nos pneus ou nos apoios de braço da cadeira de rodas, para estender os braços e conseguir a elevação. Caso a pessoa não tenha movimentos ou força o suficiente para os “push-ups”, ela poderá fazer inclinações do tronco lateralmente ou, para frente da cadeira ou para traz. Se isso ainda não for possível, será preciso que uma terceira pessoa eleve o quadril da pessoa que usa a cadeira, segurando-a pelas costas e elevando-a para cima.

Ao sentar-se em outras superfícies que não sejam uma cadeira de rodas, como outras cadeiras, poltronas, sofás, banco de carro, etc, uma pessoa também deverá usar uma almofada, caso tal superfície não seja macia o suficiente.

Úlceras Sacrais e Trocantéricas

Estas úlceras ocorrem, na maioria das vezes, quando uma pessoa esta deitada de costas(decúbito dorsal), ou sobre o lado esquerdo ou direito do corpo(decúbito lateral). Uma das formas de evitá-las é fazendo o uso de colchões macios, especiais ou comuns, afim de distribuir o peso por várias regiões que estarão em contato com a superfície. Existem vários tipos de colchões, fabricados de diferentes tipos de materias, podendo conter em seu interior, ar, água ou espuma.

Alguns colchões com preenchimento de ar se assemelham a bóias, como as usadas para recreação, com um volume de ar estático e pressão de acordo com o peso da pessoa; outros possuem um compressor que bombeia constantemente o ar para o colchão, fazendo uma espécie de massagem e mudando de posição as áreas de pressão do corpo sobre a superfície.

Os colchões preenchidos por água, mantém um volume constante da mesma, com uma pressão que também vai variar de acordo com o peso da pessoa. Uma pressão interna pequena, ou seja, baixo volume de água, vai tornar o colchão instável, dificultando o equilíbrio de uma pessoa e diminuindo as propriedades de proteção.

Colchões de espuma, constituem o meio mais simples de proteção. Tais colchões nunca deverão ter uma espuma rígida, ou seja, dura, pois tais superfícies ajudam a provocar úlceras. O colchão deve possuir uma espuma macia. Além do colchão, podem ser usadas proteções extras sobre o mesmo, como o colchão “caixa de ovo”. Ainda, sob as regiões sacral e trocantérica podem ser usadas as almofadas citadas anteriormente, garantindo uma proteção extra.

A mudança de decúbito, ou seja, de posição do corpo(hora deitado de costas, de frente, do lado esquerdo ou direito), também ajudará na prevenção, promovendo o “alívio” da região que estava sendo pressionada, proporcionando o aumento ou a volta do fluxo sanguíneo na região.

Outras Úlceras

Ainda na posição deitada(decúbito dorsal), existe a chance de ocorrências de úlceras nos calcanhares, tornozelos, joelhos, cotovelos e costelas, dependendo da posição em que a pessoa esteja. Alguns artifícios para proteção destas regiões devem ser usados, como a colocação de um objeto macio(espuma, travesseiro, almofada) entre os joelhos, caso estejam apoiados sobre ou sob o outro; uma pessoa deitada “de bruços”, os joelhos também terão que receber uma proteção extra.

Na posição de costas(decúbito dorsal), os calcanhares deverão ficar suspensos ou apoiados sobre uma superfície macia.

Caso a pessoa esteja deitada sobre o lado esquerdo ou direito do corpo(decúbito lateral), os tornozelos terão que ficar apoiados sobre uma superfície macia e nunca apoiados um sobre o outro.

A falta de movimentos e/ou de sensibilidade nos cotovelos serão fatores propícios ao surgimento de úlceras, então, para contornar tais fatores, caso não haja movimentos e nem sensibilidade, os dois braços deverão ser posicionados sobre proteções macias, ou, caso haja movimentos e falte a sensibilidade, uma pessoa terá que ter cuidado para não bater os cotovelos contra superfícies que provocarão ferimentos.

Apesar de menos frequente, as regiões correspondentes às costelas também estão sujeitas à formação de úlceras. Com proteções e posicionamentos, estas regiões estarão livres destes problemas.

Existem outros fatores que também podem gerar úlceras, como rugas em roupas, sapatos e roupas apertadas, rugas em lençóis, queimaduras geradas por aquecedores de ambiente, sol, água quente ou partes da cadeira de rodas que fiquem em contato com o sol, pele ressecada ou úmida, órteses mau ajustadas e todos os tipos de agressões que podem vir a machucar o corpo de uma pessoa.

Formas de Tratamento

As formas de tratamentos serão seguidos de acordo com o grau e gravidade das úlcerações.

A primeira providência a ser tomada é evitar qualquer tipo de pressão sobre a úlcera.

Para as úlceras de Grau I e Grau II, podem ser adotados tratamentos convencionais, ou seja, fazer a limpeza da região com produtos como o povidine, aplicar sobre a úlcera uma substância para ajudar na cicatrização, como pomadas cicatrizantes e cobrir e proteger a região, fazendo curativos ou usando alguns já existentes no mercado. Durante este período, também não poderão ser feitos quaisquer tipos de pressão sobre a área.

Algumas pessoas adotam o uso de papaína ou açucares para ajudar na cicatrização. Todos estes processos devem ser orientados e acompanhados por profissionais especialistas em lesão medular, tanto da área de enfermagem como da área médica.

Já as úlceras Grau III e Grau IV, por serem profundas e atingirem vários tecidos, não deverão ser adotados os metodos de tratamentos citados anteriormente, pois a cicatrização será muito demorada e de má qualidade. Nestes casos serão adotados métodos cirúrgicos. O tratamento consiste em uma cirurgia plástica, para a remoção dos tecidos fibrosados e necrosados, com posterior preenchimento do local com um retalho do tecido muscular, gorduroso e cutâneo, elaborado de regiões próximas à lesão, ou de outras regiões do próprio corpo do paciente. Em casos mais extremos, onde a úlcera alcança o tecido ósseo, causando o comprometimento do mesmo por infecções, a cirurgia consistirá também na retirada das partes atingidas, podendo chegar até à amputações das regiões não recuperáveis.

Após a cirurgia, o paciente passará por um período de recuperação, onde não poderá ser feita, em hipótese nenhuma, qualquer tipo de pressão sobre a área operada ou regiões próximas.

Unidade de Terapia Intensiva

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Autoria: Anônima

UTI

Estudo científico sobre:

Des-cuidar: as representações sociais dos enfermeiros de UTI sobre as ocorrências iatrogênicas de Enfermagegem

INTRODUÇÃO

Ocorrências inatrogênicas (OIs) na prática de enfermagem são eventos indesejáveis que depõem contra a qualidade do cuidado pretendido ou complicações ou ainda reações adversas, ocorrem porque:

administração de medicamentos prescritos a pacientes trocados
administração de fármacos em concentrações incorretas
omissão de doses
queimaduras provocadas por bolsas de água quente
hemorragias por desconexão de catéteres
asfixia por obstrução de cânulas de intubação
traumatismo e fratura por queda do paciente
e outros
As OIs são muito piores quando ocorrem nas UTIs, pois qualquer erro é fatal;sendo estas OIs resultantes de fatores relacionados com o ambiente físico, aos recursos humanos e materiais e ao próprio paciente. O conhecimento das OIs promove a prevenção.

METODOLOGIA

O estudos sobre esta prevenção foi feito tendo por base métodos empíricos e também no cotidiano das UTIs.

As representações sociais dos enfermeiros em UTI acerca das OIs permite a triangulação entre:

dimensão subjetiva (memória, imaginário, emoção, necessidades)
intersubjetiva (ideal sócio-profissional)
elementos contextuais mediados na análise das iantrogenias.
Foi utilizado para o estudo 6 enfermeiros integrantes de um curso de especialização em cuidados intensivos e seu cotidiano, observando-se: focalização do tipo de doente, a natureza do trabalho desenvolvido na unidade e o ser enfermeiro nesse contexto.

ANÁLISE

CUIDAR: o objeto da ação na UTI, a ação propriamente dita e o agente da ação naquele cenário.

DESCUIDAR: (negação do cuidado, pelo cuidado prestados incorretamente e pelo caráter involuntário do profissional):o objeto da ação na UTI, a ação propriamente dita e o agente da ação naquele cenário.

O CUIDAR: objeto da ação

As características do paciente (pelos enfermeiros) são baseadas em: gravidade, a dependência(de cuidados e a solidão (decorrente do isolamento a que fica submetido)

Os médicos “recomendam” UTI em casos de: pacientes graves, recuperáveis, que demandam cuidados especializados e intensivos nas 24 horas do dia.

O CUIDAR: a ação

O trabalho em UTI tem aspectos positivos e negativos.

Positivos: organização(que permite ao enfermeiro prestar a assistência de forma direta, individualizada e integral),aplicação de cuidados mais próximos do ideal, divisão do trabalho e reconhecimento profissional.

Negativos: ritmo das atividades e o stress dele decorrente, escassez de quantidade e qualidade do pessoal de enfermagem, impotência e frustração decorrentes da falta de controle das condições e a possibilidade da ocorrência de OIs.

O CUIDAR: o agente da ação

O enfermeiro na UTI age como sujeito presente, ativo e co-participante. Compõe esse tema os significados de ordem emocional, que será sustentado pelo prazer pessoal obtido pelo trabalho.

Apesar da natureza ambígua do trabalho que desenvolve, tem a sua identidade profissional pautada na face gratificante do trabalho que lhe confere satisfação profissional e pessoal.

O DESCUIDAR: o objeto da ação

O paciente foi apontado nesse caso como vítima; mostrando a visão ainda limitada quanto aos prejuízos que o profissional envolvido nessas situações pode sofrer. Talvez ancorada numa realidade onde os indivíduos estão começando a conhecer a cidadania: reivindicando seus direitos e implicações legais.

O DESCUIDAR: o agente da ação

Nessa categoria foram agrupados os casos em que o sujeito a quem se atribui diretamente a ocorrência iantrogênica; onde os enfermeiros se apontaram como sujeitos nas OIs, independente de serem causadores diretos.

Dois grupos de emoções: um que se volta contra si(culpa e impotência)-sendo o causador direto da OIs e outro que se revolta contra o outro da equipe(raiva).

O DESCUIDAR: a ação

O cotidiano definiu que neste caso é preciso:

resgatar o Cuidar
impedir novos Descuidar
Possibilitou reflexão sobre as circunstâncias que aconteceram, trazendo conclusões e não discussões.

Condição para ação: fatores intervenientes

A última categoria emergente, destacando:

problemas relacionados aos recursos humanos de enfermagem(desqualificação e desatenção)
aos recursos materiais(quantidade e qualidade)
a planta física da UTI(falta de espaço)
próprio paciente

Conclusão

A trajetória do estudo permitiu conhecer as OIs ,mas também a prática diária da UTI, investigando e compreendendo as ocorrências.

A responsabilidade profissional mostra que o enfermeiro busca controle quase absoluto de tudo, exigindo de si mesmo atitudes sobre-humanas .

Conclui-se que mais do que buscar culpados, as representações sociais apontam para o potencial educativo, com vistas ao avanço da qualidade do cuidar, onde estão envolvidos: profissionais, sistema formador e prestador de serviço e sociedade em geral.

Uretrite

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Autoria: Vicente Fco.

Uretrite

Umuarama

2006

Introdução

Uretrite é um processo inflamatório da uretra, que habitualmente cursa com secreção uretral e ardor ao urinar. A causa mais freqüente é bacteriana, de transmissão venérea, sendo o agente mais freqüente o gonococos (uretrite, gonorréia) e a Chlamydia trachomatis (uretrite inespecífica). O tratamento baseia-se no uso de antimicrobianos adequados e sempre que possível, deve-se tratar os contactantes.

Outras causas, além da bacteriana, pode ser: causa química ( espermaticida usado durante as relações) ou causa traumática (cirurgias, corpo estranho).

A maioria das uretrites são sexualmente transmitidas. Nos últimos anos houve aumento na freqüência das uretrites sexualmente transmitidas devido:

à promiscuidade sexual
ao acesso fácil a anticoncepcionais
à divulgação de material erótico e pornográfico
à prática de automedicação com tratamentos inadequados
à migração de população de baixo nível socioeconômico-cultural para cidades grandes
ao grande número de portadores sãos
à não utilização de preservativos

Uretrite Gonocócica

É conhecida por gonorréia e blenorragia e popularmente por corrimento, escorrimento ou pingadeira. É um dos tipos mais comuns de uretrite masculina. Causa infecção da mucosa uretral o agente causador é a Neisseria gonorrhoeae, um diplococo, aeróbico, gram negativo e no microscópio, assemelha-se a um pequeno rim.

O período de incubação é habitualmente de 2 a 10 dias. No homem estima-se que após o contato infectante, cerca de 25% irão desenvolver a doença. A incidência é maior nos indivíduos jovens (entre 15 e 30 anos), sexualmente ativos e sem parceiro fixo. A transmissão é pelo contato sexual.

Manifestações clínicas:

sensação de prurido
ardor ao urinar
secreção purulenta abundante, esverdeada
urgência urinária
pode ocorrer febre
as áreas cutâneas apresentam múltiplas erosões, arredondadas ou ovaladas, com superfície rósea e contorno não endurecido
maioria das mulheres não sentem sintomas, mas transmitem aos homens
Diagnóstico

A história do paciente junto com o exame físico fornece elementos fundamentais para o diagnóstico. O exame bacterioscópico de secreção, com o auxílio de corantes especiais, pode ser realizado no próprio consultório, pelo médico, se houver condições. Se não, o exame bacterioscópico e bacteriológico feitos em laboratórios são solicitados.

Complicações

Dentre as complicações no homem destacam-se: balanopostite, prostatite, epididimite, artrite, meningite, faringite, pielonefrite, miocardite, pericardite, septicemia. Pode causar ainda uma estenose (estreitamento) uretral. A estenose aumenta o risco de uretrite em uma região mais alta da uretra e, ocasionalmente, pode acarretar a formação de um abcesso em torno da uretra. O abcesso pode provocar o surgimento de divertículos uretrais (abaulamentos na parede uretral) que também podem ser infectados. Quando o abcesso perfura a pele e forma uma fístula uretral a urina pode escoar através da mesma.

Tratamento

É tratada com medicamentos à base de antibióticos. Durante o tratamento, o portador não pode ter relações sexuais e deve evitar bebida alcoólica. Deve-se tratar o paciente e seus parceiros.

Uretrite Não-Gonocócica

É uma infecção sexualmente transmitida acometendo geralmente a uretra. O homem, ao ter relações com uma parceira infectada, tem 50% de chance de se infectar. Pode ser causada por vários microorganismos, tais como: Tricomonas vaginales, Cytomegalovirus, Cândida albicans e Chlamydia trachomatis.Este último é o agente etiológico mais freqüente. É uma bactéria, gram negativa, obrigatoriamente intracelular, sendo o período de incubação no homem, de 14 a 21 dias.

Estima-se que dois terços das parceiras estáveis de homens com UNG hospedem a C. trachomatis no endocérvix e podem reinfectar seu parceiro sexual. Essas mulheres raramente apresentam sintomas típicos.

Manifestações clínicas

prurido
discreta dor uretral
secreção mucóide, branca e escassa
disúria leve e intermitente
alguns corrimentos da UNG podem simular, clinicamente, os da gonorréia
Diagnóstico

A história do paciente, juntamente com os sinais e sintomas citados acima, fazem suspeitar de clamídia. O exame da secreção deve ser feito a fim de se detectar a clamídia e também para se fazer o diagnóstico diferencial da gonorréia.

A secreção é colocada em lâminas para serem coradas pelo gram (coloração especial para gonorréia) ou para se submeterem a testes mais sofisticados como imunofluorescência, ensaios imuno-enzimáticos. Detecção de anticorpos anticlamídia (IgM) é outro meio diagnóstico usado em casos mais complexos.

Complicações

A uretrite não gonocócica pode evoluir para: prostatite, epididimite, balanites, conjuntivites (por auto-inoculação) e Síndrome uretro-conjuntivo-sinovial. Pode ocorrer também estenose uretral, infertilidade masculina e contaminação do reto ocasionando dor retal com evacuação sanguinolenta e tenesmo. Na mulher, pode ocorrer endometrite, doença inflamatória pélvica, infertilidade, gravidez ectópica e desconforto abdominal crônico.

Tratamento

O tratamento é feito através de antibióticos, devendo envolver o paciente e sua parceira. Deve-se manter abstinência sexual.

Assistência de enfermagem

Histórico

O paciente deve ser solicitado a descrever o início e a progressão dos sintomas. Deve-se questionar sobre corrimento (cor, consistência, odor, início, quantidade), prurido, ardor, lesões. É importante proteger a confidencialidade quando se discutem questões sexuais.

Durante o exame físico, observa-se a presença de exantemas, lesões, secreção e inchação.

Diagnóstico de enfermagem

Déficit de conhecimento sobre a doença e o risco de disseminação da infecção e reinfecção.
Recusa em seguir o tratamento.
Medo relacionado à estigmatização prevista e ao prognóstico e complicações.
Prescrições de enfermagem

Orientar o paciente sobre a doença, explicar a evolução da infecção e as possíveis complicações sanando todas as suas dúvidas em relação à patologia
Orientar sobre a importância do tratamento para o paciente e sua parceira e a não interrupção do mesmo.
Orientar o uso de preservativos e outras medidas preventivas como: evitar promiscuidade sexual e selecionar o parceiro sexual.
Evolução

Os resultados esperados podem incluir:
Adquire o conhecimento e a compreensão sobre a doença
Adere ao tratamento
Alcança o tratamento efetivo
Demonstra uma conduta menos ansiosa.

Conclusão

A uretrite é a designação genérica para processos inflamatórios ou infecciosos da uretra (canal que conduz a urina da bexiga para o meio externo), se não tratada adequadamente pode acarretar sérias conseqüências para homens e mulheres. Dessa maneira, é fundamental ficar atento a qualquer alteração, e quando surgir deve procurar orientação e ajuda com profissionais especializados.

O tratamento não deve ser interrompido e deve-se manter todas as orientações do médico para ser bem sucedido. Lembrando também, que a prevenção é o uso de preservativos, seleção adequada de parceiro e evitar promiscuidade sexual.

Referências bibliográficas

BRUNNER & SUDDARTH, Tratado de enfermagem Médico-Cirúrgica, 9ª edição, Guanabara Koogan, Rio de Janeiro, 2002.

KUNIN, Calvin; Infecções Urinárias, 4ª edição, Editora Revinter.

http://www.dstfacil.hpg.ig.com.br/uretrite_menu.htm

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?218

http://www.msd-brazil.com/msd43/m_manual/mm_sec11_127.htm

http://www.guiasexual.com.br/saude/gonorreia.htmhttp://www.uro.com.br/dst.htm

http://www.sobral.ce.gov.br/saudedafamilia/Publicacoes/DST/corrimento%20uretral.htm

Validação e Qualidade dos Cuidados de Enfermagem

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Autoria: Rui Gonçalves

INTRODUÇÃO

Falar de ‘validação’ actualmente constitui uma emergência nos domínios do cuidar em enfermagem. Falar de validação é, sem dúvida alguma, arriscar uma temática que ainda não ganha nas manchetes das publicações da berra.

Mas… o que é validação? Para que serve? E que relação ou aplicação pode ter quando falamos de cuidados de enfermagem? É este o propósito deste trabalho, realizado no âmbito da disciplina de vertente opcional – Hospitalar, e que será complementado com a apresentação utilizando a técnica de seminário.

Pois validação é, na base da sua definição, ‘acto ou efeito de tornar válido, de dar validade, de legitimar’. Trata-se, portanto, e no que respeita aos cuidados de enfermagem, da legitimação desses cuidados, isto é, das estratégias e movimentos que circundam a prestação de cuidados de enfermagem integrais e capazes (e logo válidos!).

O presente trabalho incide precisamente sobre os conceitos e terminologias que permitem que se fale de validação em enfermagem. E porque falar de validação passa também pela qualidade dos cuidados, aqui se fala também de qualidade, esse desafio ao qual urge também delegar algum tempo de reflexão. Entendemos que a qualidade dos cuidados, bem como a humanização e a importância da teoria como fundamentação da prática habitam o cerne do grande tópico aqui abordado.

Dividido em três capítulos, este documento bebe de um triplo contributo : cuidados de enfermagem, qualidade dos cuidados e validação propriamente dita. Culmina na conclusão, onde, para além de se tecerem os aspectos mais emergentes de todo o trabalho, e tratando-se de um trabalho que será posteriormente apresentado em seminário, levantamos alguns aspectos que consideramos fulcrais para uma futura discussão.

Resta dizer que as fontes utilizadas para a realização do trabalho foram essencialmente a extensa pesquisa bibliográfica, salpicada, aqui e ali, com um cunho pessoal dos autores.

1 – CUIDADOS DE ENFERMAGEM

A principal actividade dos enfermeiros, segundo o guia das profissões da Direcção geral do emprego e formação profissional (2002) é a de prestar cuidados de enfermagem a pessoas, sãs ou doentes, de forma a que mantenham, melhorem ou recuperem a sua saúde, ajudando-as a atingir o seu máximo bem-estar físico e psíquico, tão rapidamente quanto possível. Os cuidados que prestam têm sempre em conta as necessidades físicas, emocionais e sociais dos pacientes e visam um ou mais dos objectivos fundamentais desta profissão: a promoção da saúde, a prevenção da doença, o tratamento, a reabilitação e a reintegração social. Para além da prestação de cuidados de enfermagem globais a indivíduos (desde o nascimento até à morte), os enfermeiros prestam igualmente cuidados a famílias, grupos e comunidades. As suas responsabilidades e actividades dependem, contudo, de factores como a sua área de actuação, a sua categoria profissional e a entidade para a qual trabalham.

1.1 – DEFINIÇÃO

O que realmente significa “Cuidado”? À luz dos tempos actuais, em que este termo se utiliza quase indiscriminadamente, observamos que essa evolução temporal trouxe ao termo novas conotações e designações.

Em termos biomédicos, cuidado prende-se com atenção, isto é, a miscelânea de acções, atitudes, comportamentos e intenções que rodeiam o outro a partir dos agentes “cuidantes”. Essa atenção especial passa primordialmente pela ajuda ao outro. E, como especial que é, deve ser única e particular, tal como é o próprio indivíduo cuidado. Esta noção, cuja designação já alimentou inúmeras teorias, é a base fulcral, o fundamento do Cuidar. Há que, todavia, estar atento ao alerta de M-F. Collière aquando da abordagem desta temática: cai-se frequentemente numa “representação abstracta da prestação de cuidados” o que se torna um ponto a favor do antigo dualismo teoria-prática. Por isso, a palavra ‘cuidado’ deve ser utilizada no singular, fugindo-se, assim, ao cariz instrumentalizado que a conotação plural erroneamente abarca. O cuidado, singular, é único e peculiar, e toca a pessoa, como única que é, um corpo-sujeito, diferente de qualquer outro, mas muito mais que o corpo-objecto que, infelizmente, faz as práticas de cuidados (que não o são).(HASBEEN, 2000).

Atravessamos, portanto, uma crise de cuidado secundária à crise de definição de indivíduo, de sujeito único.

Para Colliére, citada por COSTA (1998) cuidados de enfermagem são “o prolongamento, uma substituição daquilo que os utilizadores dos cuidados não podem, temporariamente, assegurar por si próprios, ou lhes é assegurado pelos que os cercam”, ou seja, “é a mobilização e desenvolvimento de capacidades (no cliente e/ou nos que o cercam) que permitam fazer face às limitações ocasionadas pela doença, ou fazer face a acontecimentos (de vida)”.

Já Phaneuf citada por RICHARDSON (1976) diz que “Cuidados de enfermagem são, para além da execução das tarefas e técnicas que couberam ao enfermeiro na partilha sociológica de funções, coordenar e promover a existência de todos os meios, para que o cliente posa compensar as limitações ocasionadas pela doença ou desenvolver as suas capacidades de manutenção de vida. (…) São um processo de interacção e de transacção dentro do qual se realizam tarefas e actividades, mas o cuidado ao doente é mais que a soma das tarefas e das actividades implicadas”.

Em termos legais, em Portugal, o Regulamento do Exercício Profissional da Enfermagem (REPE), Dec. Lei n. º 161/96 de 4 de Setembro clarifica conceitos relativos à profissão de Enfermagem. Um dos conceitos é precisamente o de Cuidados de Enfermagem, entendendo-os como “intervenções autónomas e interdependentes a realizar pelo enfermeiro no âmbito das suas qualificações profissionais”. Ainda este Dec. Lei define que os Cuidados de enfermagem são caracterizados por terem por fundamento uma interacção entre enfermeiro e comunidade, a relação de ajuda e o facto de utilizarem uma metodologia científica.

Importa ainda referir que intervenções autónomas são aquelas realizadas pelos enfermeiros sob a sua única e exclusiva responsabilidade, tendo em conta a preparação e qualificações que detêm. Intervenções interdependentes prendem-se com a interdisciplinaridade intrínseca à própria profissão, ou seja, trata-se do conjunto de acções que o enfermeiro executa juntamente com outros profissionais, com vista a um objectivo comum.

1.2 – INFLUÊNCIA HISTÓRICA NO CUIDAR EM ENFERMAGEM

A Enfermagem, como arte e ciência, não é descrita directamente nos tempos antigos. A Enfermagem é concebida como prática social, porque está articulada com o conjunto das práticas que compõem a estrutura das sociedades, e, portanto determinada económica, política e ideologicamente. Sendo uma prática social, ela possui seu carácter histórico, pois transforma-se e é determinada socialmente.

1.2.1 – Pré-História e Antiguidade

Costuma afirmar-se a origem da Enfermagem nos cuidados das mulheres da pré-história aos homens feridos na caça (ADAM, 1994).

No séc. IV a.C., o médico grego Hipócrates fundou a medicina racional quando declarou que a doença era devida a desordens funcionais do organismo, desobediências às leis da saúde e não devido à influência de espíritos maus ou à cólera dos deuses, como anteriormente se acreditava.

Todavia, os cuidados de Enfermagem não eram descritos uma vez que estes eram realizados pelo médico e aprendizes. A Enfermagem estava nas mãos das mulheres de casa ou de escravas (CLARKE, 1977).

1.2.2 – Era Cristã

Iniciava-se o seguimento de princípios bíblicos, formou-se a ordem dos diaconistas, que se tornou o primeiro serviço de visitas domiciliárias (CHURCH, 1990).

No período medieval quando a Igreja era a grande força intelectual e social, em todos os países da Cristandade, as ordens religiosas eram responsáveis pelos cuidados de todos os que precisavam de ajuda.

No tempo das cruzadas, séc. XII fundaram-se as ordens militares. A mais poderosa e famosa era a ordem dos cavaleiros hospitalares de S. João de Jerusalém. A Enfermagem era exercida pelos irmãos servitas, mas havia uma ordem subsidiária de mulheres (CLARKE, 1977).

Antes da reforma protestante do séc. XVI, os Hospitais organizavam-se com a direcção da igreja Católica. A partir da reforma, em princípios de 1517, o interesse pela igreja e pela religião diminuiu. Esta crise provocou o nascimento do chamado Período Obscuro da Enfermagem. Os hospitais eram locais obscuros, degradantes e sujos. Mulheres descritas como sendo alcoólicas, cruéis e imorais ocupavam-se da atenção do enfermo, lavando a roupa, fazendo as tarefas domésticas do hospital. Não era necessária formação para se ser enfermeira. O período obscuro terminou por volta do séc. XIX (CLARKE, 1977).

Em França, no séc. XVII, a ordem de Enfermagem mais importante era a das Irmãs Augustianas. Não era conveniente que as irmãs celibatárias tivessem muitos conhecimento sobre a anatomia dos doentes ou sobre as suas doenças e, por isso, dificilmente era possível uma Enfermagem eficiente.

Vicente de Paula, hoje santo, contribui para uma melhor prestação de serviços, quando, ao visitar o hospital Hôtel-Dieu, instalou numa casa de Paris um grupo de camponesas honestas que deveriam ser treinadas para trabalhar no hospital com as irmãs Augustianas, dada a insuficiência na prestação de cuidados. S. Vicente ensinou as irmãs a prestar uma rigorosa obediência aos médicos (CHURCH, 1990).

1.2.3 – Era Nightingale

Quando Nightingale foi solicitada pelo secretário da guerra, Sidney Herbert, para levar um grupo de mulheres para a Crimeia, a fim de prestarem aos soldados ingleses os mesmo cuidados que as irmãs de caridade estavam já a prestar aos franceses, chegou a grande oportunidade de uma vida de preparação para tal tarefa (DOCK, 1938).

Florence, de vasta cultura e de elevada posição social desde a juventude, estava convencida de que os cuidados e o conforto dos doentes e a promoção da saúde na família era trabalho para mulheres de energia moral e com educação. Apesar da oposição da família, estava destinada a estabelecer normas de Enfermagem Prática e de Administração hospitalar muito mais avançadas que as que encontrou. A sua primeira dificuldade quando aceitou a tarefa de organizar um serviço de enfermagem para o exército foi encontrar um número suficiente de enfermeiras com práticas e idoneidade moral, e recusar as numerosas ofertas das que não tinham experiência e não estavam à altura das suas exigências (CLARKE, 1977).

Já em campo, as dificuldades eram extremas, tanto ao nível dos ferimentos, como ao nível do pessoal que havia contratado. Mesmo assim, não desfaleceu e lutou até ao fim. Chegada a Londres, foi homenageada com um prémio em dinheiro, que a ajudou a abrir, na mesma cidade, o Nightingale Training School, no Hospital de Saint Thomas (BULLOUGH, 1971).

Além de estabelecer os firmes alicerces do moderno sistema de ensino de enfermagem, esta mulher sozinha foi responsável pela completa reorganização dos hospitais civis e militares e por muitas reformas que melhoraram a sanidade e higiene do exército.

Nightingale lutou sempre pela limpeza e conforto dos hospitais, trabalhando, também, em favor da educação do povo, ensinando a tomar medidas sanitárias e a evitar, o mais possível, as doenças, provocadas pelas condições insuficientes das cidades. Acreditava na prevenção e na necessidade de um ambiente sempre fresco, água potável, medicação adequada, paz, mobilidade e o conhecimento para que o doente cuidasse de si mesmo. Para além disto, pretendia a formação das enfermeiras.

Mauksch citado por ADAM (1994) afirma que as funções tradicionais da enfermeira se foram, progressivamente, diferenciando, para dar lugar a muitas especialidades.

Vivemos, actualmente, numa sociedade caracterizada pelos avanços tecnológicos que atingiram, também, a enfermagem. O papel dos enfermeiros, intimamente relacionado com a prevenção da doença e promoção da saúde, num clima de relação de ajuda tende, cada vez mais, para a independência e interdependência no contexto da prestação de cuidados.

1.3.– PROBLEMÁTICA DO DESENVOLVIMENTO DOS CUIDADOS

Assistimos actualmente a uma abundância de documentos e diligências sobre o cuidar.

LOPES (1993) refere que essa circunstância não pode ser entendida como uma moda, mas sim como o reflexo da evolução da própria enfermagem que procura firmar a sua posição.

No entanto, apesar ser incontestável que a enfermagem se defronta numa conjuntura de viragem, são evidentes os condicionantes com que se articula, para que os enfermeiros reconheçam e promovam o espírito do cuidar como um estrado para uma prática comensurável e científica. HENRIQUES (1994) identifica quatro tipos de condicionantes que impedem o rápido avanço da nova filosofia de cuidados: condicionantes históricos, culturais e de formação, económicos e políticos.

Condicionantes históricos

Na primeira metade do séc. XX, a ênfase era posta na doença e não no doente. Abonava-se essencialmente a tecnicidade, sendo o cuidado considerado como um desempenho de tarefas muitas vezes desligadas.

Actualmente quer pela vivência que os profissionais têm dos serviços de saúde, quer pelas análises que já se efectivaram, sabemos que as condições de trabalho e a organização dos cuidados propagam e alimentam o modelo biomédico, criando um entrave importante à expansão do cuidar.

Torna-se categórico que os enfermeiros se consciencializem que só se reconquistará a identidade da profissão e só se alcançará absoluta autonomia, se se considerarem os actos de cuidar como diferentes e complementares dos cuidados médicos (LOPES, 1993).

Condicionantes culturais e de formação

Apesar da profissão de enfermagem ter, desde sempre, os seus valores nativos, a aquiescência ao modelo biomédico, em que a cura é a condição suprema, tem orientado não só a formação dos enfermeiros, como a organização e a prestação de cuidados. São determinantes os condicionantes culturais implantados em muitos enfermeiros e na própria representação social da profissão.

Confirma-se, actualmente, que os cursos de enfermagem abrangem um teor de formação cada vez mais intenso em ciências sociais e humanas, o que favorece a humanização dos cuidados. Por outro lado, o crescente número de enfermeiros especialistas, bem como a fugacidade de difusão de informação, conduzirão ao desenvolvimento desta nova filosofia dos cuidados.

Destaca-se, ainda, o facto de que só será possível prestar cuidados humanizados se as relações interpessoais, e os próprios fundamentos que comportam a organização forem também humanizados. Daí que a comunicação entre todos os agentes da saúde deva ser acicatada (HENRIQUES, 1994).

Condicionantes económicos

O motivo de se analisar a saúde como um somatório de factos mensuráveis constitui um obstáculo ao desenvolvimento do cuidar. A relação entre quem presta e entre quem recebe cuidados não pode ser vista como um acto mensurável. Torna-se árdua a demonstração da rentabilidade de determinadas intervenções de enfermagem, como o toque ou a escuta activa.

É inadiável que enfermeiros, equipa multidisciplinar e comunidade em geral, se consciencializem que a assistência de enfermagem centrada no utente, em que é enaltecida a relação entre ambos, pode minorar os custos. COLLIÈRE (1989) refere que a “incidência económica deverá ser estudada em relação às pessoas que são tratadas e a quem trata: os cuidados que partem da relação entre quem presta e quem recebe cuidados têm efeitos terapêuticos insubstituíveis” levando à diminuição de certos medicamentos ou tratamentos.

Condicionantes políticos

Um dos elementos que, segundo HENRIQUES (1994), parece sitiar o progresso da nova perspectiva dos cuidados de enfermagem em certas instituições de saúde é a precariedade de enlace dos enfermeiros, levando a uma instabilidade profissional.

Ainda existe uma ampla instabilidade nas equipas de enfermagem que se modificam regularmente graças à falta de vínculo de muitos elementos. Este feito representa um factor motivacional na procura de respostas para a sua condição pessoal, com consequentes efeitos funestos para a qualidade dos cuidados prestados.

Só uma política de saúde que permita a estabilidade de enfermeiros no mesmo local de trabalho, poderá certificar a estabilidade das equipas, favorecendo o desenvolvimento da qualidade dos cuidados de enfermagem.

2 – A QUALIDADE DOS CUIDADOS DE ENFERMAGEM

A qualidade pode ser descrita como uma filosofia de lutar pela excelência, que deve existir a todos os níveis numa organização. Neste contexto a qualidade é um processo contínuo e dinâmico criado a partir de vários factores, como seja, estratégias e valores partilhados.

2.1

QUALIDADE NA PRESTAÇÃO DOS CUIDADOS

Wilson Barnett citado por RICHARDSON (1976), descreveu qualidade como “relacionada com o valor ou benefício derivado dos cuidados” e define-a como “o grau de sucesso obtido no alcance destas metas” e, consequentemente, pressupõe “uma avaliação dos cuidados”. O que pretendemos quando dizemos que estamos a avaliar os cuidados? Em linguagem simples isso significa habitualmente medir até que ponto o resultado real dos cuidados prescritos obteve os resultados “pretendidos” para o utente.

Donabedian citado por FERREIRA (1991, p.98-100), define qualidade de cuidados de saúde como “tipo de cuidados que maximiza uma medida que inclui o bem-estar dos doentes, após se considerar o equilíbrio entre os ganhos e as perdas esperadas que acompanham o processo de cuidados em todas as suas componentes”.

Para este, a qualidade dos cuidados deve ser encarada essencialmente em quatro dimensões: conduta do prestador de cuidados que se refere às funções de curar e cuidar; acesso aos cuidados e conveniência que tem a ver com a facilidade de encontrar serviços de acordo com as necessidades e com as capacidades financeiras, disponibilidade de recursos materiais e humanos, continuidade de cuidados em formas de promoção da saúde, prevenção da doença e reabilitação nas múltiplas dimensões da vida:

“Os padrões do processo e critérios para os cuidados de enfermagem, dizem respeito ao que os enfermeiros fazem e como prestam cuidados. Eles constituem um meio de demonstrar os valores, as crenças e os conhecimentos da profissão, e individualmente, do enfermeiro. Os resultados do processo de avaliação deveriam habilitar os enfermeiros a melhorar a prática nos seus pontos fracos, eliminar o que já não tem interesse e reforçar o que está bem”. RICHARDSON et al (1976)

Cada enfermeiro é responsável pelos seus actos, como tal, deveria avaliar os cuidados prestados por forma a melhorá-los, reforçando os aspectos positivos e eliminando os menos positivos.

Tendo em conta a definição atrás citada de cuidados de enfermagem, poderemos dizer que os enfermeiros poderão melhor avaliar os seus actos tendo que, para tal, criar uma lista de necessidades e assim desenvolver os padrões e critérios de todo um processo de avaliação.

Segundo RICHARDSON (1976), um padrão é um nível acordado de execução, próprio para a população a que se destina, que é observável, realizável, mensurável e desejável. Um critério é um meio ou padrão de avaliação; um teste; uma regra. O mesmo autor afirma que os critérios definem os padrões, porque os critérios são indicadores pormenorizados dos padrões e podem ser específicos para o campo ou o tipo de doente.

O processo de enfermagem é a base para a orientação do exercício da profissão.

Olhando para os planos de cuidados, poderemos obter inspirações para a criação de padrões e critérios do processo de avaliação. As acções de enfermagem indicariam os padrões do processo, e as metas a atingir com os cuidados seriam a fonte dos critérios para a avaliação.

O processo de promoção e obtenção de qualidade dos cuidados de enfermagem requer que se definam previamente os padrões necessários para uma boa prestação desses cuidados. Este processo envolve todas as actividades e toda a equipa.

Deverão ser os profissionais de enfermagem a elaborar e aplicar as suas próprias normas e critérios de cuidados desejados.

Primeiramente deverá ser feito um diagnóstico da situação, identificando as necessidades, implementando um projecto de cuidados de enfermagem, e fazendo a avaliação sistemática, introduzindo, se necessário, medidas correctivas.

Para RICHARDSON (1976) existem alguns parâmetros a seguir para uma boa avaliação dos cuidados a prestar. Eles são: examinar diferentes metodologias de vigilância de qualidade, antes de escolher uma; verificar se os padrões e os critérios estão aptos para realizar o que se pretende; realizar primeiro uma experiência piloto dos instrumentos; estabelecer uma boa comunicação; providenciar para que o pessoal saiba o que se está a passar; divulgar os sistemas de garantia de qualidade nas folhas de informação para os doentes; estabelecer uma educação eficiente e prática suficiente para o pessoal; utilizar uma selecção de doentes ao acaso, ou seja, que cada um tenha a possibilidade de ser escolhido; as perguntas devem ser claramente elaboradas; devolver os resultados da avaliação em tempo útil.

Deve ainda ser feita uma avaliação periódica da metodologia de vigilância de qualidade, realizar-se testes de fiabilidade, pelo menos uma vez por ano e fazer uma revisão das respostas não aplicáveis.

Ao ajudar os enfermeiros a olhar de forma crítica para o padrão dos cuidados que prestam aos seus doentes, podemos estar a pedir-lhes que se familiarizem com termos de uma nova terminologia e que usem procedimentos que não lhes são familiares.

A mudança não é fácil, mas se houver um apoio adequado relativamente ao ensino e formação, a eficácia da mudança será tanto maior.

2.2 – AVALIAÇÃO DA QUALIDADE

É nos dias de hoje um dado adquirido que a avaliação da qualidade é um imperativo de todas as organizações produtoras de bens e/ou serviços, na medida em que esta nos possibilita a determinação do nível de qualidade dos produtos utilizados. Tendo por base a identificação e precisão dos defeitos e a utilização dos resultados para o planeamento e implementação de medidas que visem uma melhoria contínua da qualidade.

A nível público e privado, a avaliação da qualidade depara-se como um instrumento de gestão precioso e fulcral, a qualquer nível de actividade.

Em busca da precisão, objectividade e coerência da avaliação é indispensável determinar previamente as normas correspondentes e os parâmetros de qualidade que irão servir e funcionar como modelo de imitação e comparação dos produtos e serviços.

Especificando o campo sobre o qual pretendemos incidir, também os serviços de saúde têm o dever de se preocupar com o que rodeia a qualidade.

A implementação da avaliação contínua da qualidade tem razão de ser a partir do momento em que esta organização é encarada como sendo produtora de bens e serviços onde o investimento das finanças públicas e privadas é uma realidade (LAURIN,1985).

Desta feita, e estando enquadrada num ciclo com etapas rigorosamente estipuladas no âmbito da estrutura, processo e resultados, o recurso a avaliações periódicas e contínuas do nível de qualidade dos cuidados prestados deve ser enfatizado como o culminar de todo o ciclo que, progressivamente, deverá ser o mais eficaz e eficiente possível.

De facto, é cada vez mais evidente uma preocupação relativa com as questões da qualidade e respectiva avaliação a nível organizativo, apesar de ser ainda evidente uma certa dificuldade na “penetração” da esfera da “cultura organizacional”, não atingindo este aspecto a notoriedade e dimensão desejada.

Assim, é imperativo um investimento em áreas individualizadas no que diz respeito à avaliação do processo de cuidados, permitindo determinar a contribuição de um dado grupo profissional na garantia e suporte da qualidade.

Estando a enfermagem num período de franco desenvolvimento, convém também realizarmos uma incursão ao nível da avaliação da qualidade dos cuidados prestados pelos enfermeiros, analisando as questões relacionadas com os pressupostos necessários à sua implementação.

2.2.1 – Avaliação em cuidados de enfermagem

Segundo Albuquerque (1989) as primeiras tentativas de avaliação da qualidade de unidades de enfermagem foram realizadas com Reitor ao definir o “código de boa prática”.

Continuando o que de mais significativo teve influência sobre a visão acerca da qualidade dos cuidados de enfermagem, cronologicamente, e ainda segundo Albuquerque (1989), a Liga Nacional de Enfermeiros dos Estados Unidos da América criou e propôs um “Guia de Auto-Avaliação dos Cuidados de Enfermagem”.

Na década de 70, num período de grande expansão desta metodologia, surgiram vários modelos como os de Dunn e Cash, baseados no processo de Enfermagem e na observação directa da actuação da enfermeiro e/ou do utente; os métodos completos da avaliação da qualidade com observações prolongadas foram desenvolvidos e incrementadas por Wandelt Ager e Rush Medius; ZIMMER (1980) define uma lista de critérios para analisar os resultados em termos de conhecimento do utente acerca da sua doença, seu tratamento e capacidade de se autocuidar.

No que respeita ao nosso País, os primeiros passos nesta temática foram dados na década de 80 onde, embora de uma forma ténue e pouco notória, se tentou abordar a avaliação da qualidade de cuidados de enfermagem.

Com a elaboração do projecto “Metas de Saúde para Todos” foi enfatizada toda uma panóplia de medidas em que, todos os Estados Membros, nos quais está englobado Portugal, deveriam estabelecer os mecanismos eficazes de garantia de qualidade dos cuidados dos quais usufrui o utente, inserido no sistema de cuidados de saúde.

Ainda neste âmbito, para a Organização Mundial de Saúde, citado por Justo (1992), “avaliar a qualidade dos cuidados não é apenas medir o nível de desenvolvimento técnico ou de competência dos serviços; é necessário também medir a eficácia, a eficiência, dos métodos de prestação de cuidados e a sua adequação às necessidades da população”.

A partir da década de 90 tem-se assistido a uma grande expansão em torno desta problemática emergindo um elevado número de conceptualizações e definições relativas à avaliação dos cuidados de enfermagem, tendo como grande objectivo o determinar das diferenças existentes entre os cuidados prestados e a forma como são idealizados, segundo as normas preestabelecidas, e a sua aplicação na prática.

Assim, segundo a Direcção Geral dos Hospitais (1987), avaliar a qualidade dos cuidados de enfermagem “consiste em estabelecer a diferença entre a realidade e aquilo que é considerado óptimo, com o objectivo de melhorar essa realidade”.

Apesar da subjectividade inerente à qualidade dos cuidados prestados fica patente, na definição de Richardson (1976), que deve ser definido um “nível desejado de cuidados” que, posteriormente, deverá ser alvo de comparação com o “nível dos cuidados prestados no aqui e agora”.

Realçando o cuidado subjectivo desta afirmação, Trembley citado por Diniz (1995) enfatiza o facto de se ter que recorrer ao “julgamento de valor sobre uma determinada realidade, através de um processo sistemático para determinar o nível de eficiência e eficácia dos cuidados prestados face aos recursos científicos disponíveis”, partindo o julgamento de valor da “comparação de dados recolhidos com normas pré-determinadas”.

Numa perspectiva de comparação entre os resultados da assistência à saúde e os procedimentos recomendados, Pereira (1995) define a avaliação dos cuidados como um processo que visa saber “se as pessoas fazem o que deve ser feito, à vista do conhecimento disponível”.

Após a apresentação de diferentes conceptualizações em torno da qualidade dos cuidados prestados do foro da enfermagem, poderemos concluir que estamos perante uma avaliação de um processo que permite saber o que é feito e como deverá ser feito, aumentando na forma de aquisição e processamento de evidências por forma a incrementar uma melhoria no sistema de controlo e formação contínua para a qualidade global.

Qualidade global, segundo NUNES (1994), consiste na “prestação de cuidados e produção de satisfação numa determinada população de utentes, de acordo com as limitações tecnológicas que temos, os recursos de que dispomos e as características dessa população e utentes”.

O termo qualidade global na prestação de cuidados engloba a confiabilidade do desempenho (consistência do desempenho no tempo), a conformidade do desempenho (expectativas do utente) e a facilidade e flexibilidade na resolução de problemas.

A avaliação da qualidade dos cuidados prestados ao nível da enfermagem para além de abarcarem os cuidados de enfermagem propriamente ditos deverá ter em linha de conta a qualidade de vida do utente e o respectivo bem-estar, numa escala hierárquica mutável variando de indivíduo para indivíduo em termos de conforto, segurança, acolhimento, bem-estar, no que se refere ao exercício da enfermagem de um modo humanizado e holístico.

A perspectiva anteriormente referida vai ao encontro do referido por OURIVES (1993) dado que “a avaliação do desempenho do serviço de enfermagem deve abranger a totalidade dos padrões preconizados para o período em apreço, através de indicadores que possam medir a qualidade relativa à satisfação dos clientes e dos resultados dos cuidados de enfermagem”.

Fazendo um apanhado geral das definições apresentadas, fica patente um reforço significativo das vantagens, da utilidade de um ambiente de qualidade na organização e dos benefícios e interesses da avaliação da qualidade dos cuidados prestados, perspectivando o controlo e garantia dos níveis adequados e preconizados dos cuidados de enfermagem e de qualidade total dos cuidados de saúde.

2.2.2 – Utilização da avaliação dos cuidados

A avaliação da qualidade de cuidados de enfermagem acarreta um vasto número de benefícios que serão distribuídos no âmbito do utente, respectiva família e sociedade em geral, no âmbito dos profissionais de enfermagem, organização prestadora de cuidados e serviços e para os financiadores.

Todo o “universo” que envolve a avaliação dos cuidados de enfermagem, na perspectiva das suas diferentes partes, tem vantagem na utilização dos métodos correspondentes. Globalmente, visa melhorar os cuidados prestados ao utente, na medida em que nos possibilita a identificação das causas e das lacunas inerentes à prestação de unidades deficientes. Desta forma, e como consequência deste aspecto, permite a elaboração de um plano coerente e objectivo de acções a desenvolver, tendo como meta o superar das deficiências detectadas e consequente promoção da melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem.

Por forma a objectivarmos a vantagem referente à avaliação dos cuidados de enfermagem, é indispensável “dissecarmos” o “universo” que envolve esta avaliação, tendo em vista uma mais fácil compreensão, referindo as vantagens que cada uma das partes usufrui, directamente, a partir desta metodologia.

No que se refere ao utente permite receber cuidados de qualidade de forma holística e humanizada, assegurar-se da satisfação do utente relativamente à qualidade do serviço recebido (LAURIN, 1988).

Relativamente à organização, a avaliação permite garantir a qualidade dos cuidados; determinar a diferença que existe entre os cuidados prestados e as normas de actuação preestabelecidas; analisar a pertinência das normas de actuação e critérios de avaliação dos cuidados; implementar medidas correctivas; favorecer o diálogo entre gestores e prestadores de cuidados; estimular a inovação e a criatividade no processo de melhoria da qualidade; atingir melhores resultados dos cuidados de saúde através do envolvimento de todos os colaboradores num processo de melhoria continua.

Quanto à profissão de enfermagem, a avaliação dos cuidados prestados permite esclarecer o que são bons cuidados; adequar as normas de actuação e critérios de avaliação à prestação de cuidados de enfermagem; especificar as acções correctivas conducentes à melhoria da qualidade dos cuidados de enfermagem; medir a qualidade dos cuidados de enfermagem; gerir correctamente os recursos de enfermagem; definir áreas de competência, elevar o nível da profissão e garantir a autonomia da profissão de enfermagem; identificar necessidades de formação e estabelecer prioridades; favorecer as actividades de ensino e de pesquisa no sentido de mudar atitudes e comportamentos (LAURIN, 1985).

Actualmente, e com a evolução e incrementar da avaliação dos cuidados de enfermagem, têm sido utilizados diversos métodos destinados a avaliar a qualidade dos cuidados. Destes podem ser destacados o método directo, que consiste numa observação directa das práticas de enfermagem, simultaneamente com a realização de entrevistas aos principais implicados no processo, enfermeiros, utentes e família.

A determinação do nível de aplicação das normas de actuação profissional protocolizadas após terem sido definidas pela organização e baseadas nos padrões de qualidade das unidades de enfermagem é denominada de método indirecto.

Relativamente ao método retrospectivo, este baseia-se na análise dos registos de enfermagem após os cuidados de enfermagem e respectiva alta hospitalar.

Por último, o sistema de auditorias é um outro método de avaliar os cuidados prestados no qual o auditor comprova se os cuidados prestados vão ao encontro das normas preestabelecidas pela organização.

A avaliação dos cuidados prestados deve ser realizada por todos aqueles que têm um papel activo na planificação, que participam e beneficiam dos cuidados, devendo estes ser, prioritariamente, da responsabilidade dos serviços e profissionais envolvidos, dado que só eles podem garantir a aplicação de medidas correctivas.

O processo avaliativo, em toda a sua complexidade deve ser constituído por três traves mestras, interagindo entre si sendo denominadas de estrutura, processos e resultados.

Apesar de actualmente, já se poder recorrer a vários métodos de avaliação da qualidade, poderemos referenciar dois dos métodos mais utilizados, um geral e outro específico.

O método de carácter geral refere-se ao Modelo de Donabedian que subdivide a avaliação da qualidade em três dimensões distintas, como já foi referido anteriormente: estrutura, processo e resultados.

No que respeita ao método específico, o Método de Avaliação da Qualidade de Cuidados de Enfermagem Hospitalar (MAQCEH) o seu cerne corresponde, essencialmente, à avaliação do processo de cuidados, embora com uma vertente de resultados obtidos através de entrevistas aos utentes.

Avaliar a qualidade dos cuidados é uma etapa essencial, sendo das mais complexas de todo o processo de cuidar. A avaliação tem por base um julgamento sobre o valor da prática do cuidar e, por conseguinte, sobre a do serviço prestado pelos profissionais à população.

Trata-se de um assunto sensível que implica, de qualquer maneira, o discernir sobre o que está bem ou não.

Por vezes, é notória uma certa confusão entre a avaliação da prática de cuidados e o recurso a determinados instrumentos de medida. Pode ser uma prova deste facto o querer objectivar a prática recorrendo aos instrumentos que atribuem um carácter irrefutável aos resultados obtidos, permitindo desde logo, comparações (LAURIN, 1985).

Se os instrumentos de avaliação de cuidados são indubitavelmente úteis, estes não podem, no entanto, englobar e concentrar todos os aspectos. A prudência impõe-se a fim de não dar aos instrumentos de avaliação o que eles não podem exprimir.

Reter-se-á, pois, que é necessário medir apenas o que é mensurável e renunciar à medição daquilo que não pode ser alvo de mensuração tendo em conta as fronteiras existentes entre o mensurável e o não mensurável.

2.3. – MODELO DE GESTÃO PARA A QUALIDADE

Para a melhoria da qualidade não é suficiente um investimento em tecnologias. Torna-se cada vez mais indispensável repensar estratégias, reequacionar os modos de organização e, sobretudo, abordar formas de gestão motivadoras da participação do pessoal. (APOLINÁRIO, 1995).

A qualidade não se verifica se não existirem pessoas de qualidade. A maioria das pessoas pode ser de qualidade quando certas no local certo, motivadas e envolvidas.

A qualidade ao nível dos cuidados começa na qualidade da gestão dos recursos humanos da organização, na medida em que a qualidade é da responsabilidade de todos e depende do envolvimento de cada um no processo e da capacidade de envolver os outros.

O gestor de recursos humanos e de projectos de qualidade tem que ser um verdadeiro líder, aplicando as técnicas de liderança no exercício da gestão, pois é do conhecimento de todos, que o tipo de gestão e de organização dos cuidados influencia a qualidade dos mesmos. É, portanto, função do gestor promover o envolvimento pessoal e a auto-responsabilização na auto-avaliação do desempenho dos subordinados. Para tal, é fundamental que o líder possua competências a nível conceptual, técnico, mas, essencialmente, competências ao nível humano e relacional (APOLINÁRIO, 1995).

O enfermeiro gestor está inserido neste contexto de gestão, através do conteúdo funcional definido no Dec.-Lei nº 437/91, de 8 de Novembro, no qual lhe são atribuídas funções e competências em todos os níveis de prestação de cuidados e da gestão de recursos materiais e humanos.

Para uma melhor compreensão das referidas funções, torna-se pertinente a abordagem de alguns princípios importantes no desempenho das funções de administração, direcção e chefia.

2.3.1 – Liderança

A liderança é a arte de dirigir, coordenar e motivar pessoas em grupo. O líder é aquele que tem a capacidade de reunir outros indivíduos para com eles atingir os objectivos da organização e dos profissionais. Deste modo, o tipo de liderança desenvolvido é determinante do envolvimento colectivo, condição essencial para a melhoria contínua da qualidade. (CARVALHO, 1994).

Para POLÓNIA (1993), a gestão da qualidade passa por uma abordagem técnica e uma abordagem de gestão centrada na liderança e nas relações humanas. Para tal, a implementação de um processo desta natureza passa por uma mudança de atitudes, crenças e da mentalidade de cada um dos colaboradores.

O tipo de liderança desenvolvido ou aplicado é um passo determinante para o envolvimento colectivo do hospital/instituição, pelo que deve existir um esforço de compatibilização da individualidade e necessidade de cada profissional, com a filosofia e objectivos organizacionais ou do serviço. Na criação de um ambiente de qualidade total, o líder deve orientar a sua actividade para acções de apoio e acções directivas, o que poderá conduzir a quatro estilos de liderança: direccional, apoio, participativo e delegativo, consoante a fase de implementação do projecto de qualidade. (CARVALHO, 1994).

Com o estilo direccional pretend ganhar-se a confiança; com o segundo estilo explicar os “porquês”; no terceiro ambiciona-se a participação dos colaboradores e no quarto uma transição de poder para as pessoas, aumentando a sua responsabilidade e envolvimento. A utilização destes diferentes estilos de liderança visa, essencialmente, a diminuição da tendência para resistir à implementação e participação nos programas e projectos. (POLÓNIA, 1993).

Segundo o mesmo autor, a resistência à mudança resulta de factores de ordem estrutural e humano relacionados com a organização. Prendem-se essencialmente com o excesso de burocracia, desconhecimento do plano e dos objectivos, baixa remuneração, trabalho rotineiro, insegurança do posto de trabalho e falta de ambição.

Num ambiente onde se verifique qualidade, os factores anteriormente referidos têm que ser fortemente contrariados, na medida em que os vários autores concluíram que a gestão estratégica é um factor primordial e de significância elevada no momento da implementação de um sistema de controlo da qualidade total.

Na liderança autocrática ou democrática pode existir uma grande taxa de sucesso, desde que a imagem do líder tenha importância para a organização e para os colaboradores.

Uma liderança baseada na desconfiança, no medo, na tensão e na falta de comunicação com os colaboradores, conduz facilmente a sentimentos de insegurança e também à realização de acções incorrectas de forma consciente ou inconsciente. Existe da mesma forma, uma forte resistência à mudança. Por tal facto, num ambiente onde se pretende a promoção da qualidade dos cuidados, a gestão deverá ser do tipo participativo, baseada numa prática efectiva do processo de negociação, gestão contratual, participação nas tomadas de decisão, sistemas de incentivos remuneratórios e outros, na medida em que se exige maior capacidade e responsabilidade dos colaboradores. (CARVALHO, 1994).

2.3.2 – Método de trabalho

O tipo de método de trabalho é outro importante factor na qualidade dos cuidados de enfermagem.

A qualidade exige uma gestão científica e participada com recursos a instrumentos de gestão, utilizando também metodologias de organização de cuidados que permitam, não apenas, cuidados globais e personalizados, mas também a definição de padrões de qualidade, avaliação do desempenho em função dos objectivos organizacionais e individuais, numa intervenção ampla em que a Enfermagem vai da liderança estratégica à operacionalização dos cuidados.

Segundo alguns autores como Biley, citado por GRAY (1987), somos levados a crer que o método de distribuição de trabalho que melhor responde às exigências da qualidade é o método por enfermeiro responsável. Este método é uma forma eficaz de organizar e aplicar os cuidados de enfermagem, no qual cada enfermeiro fica responsável por um determinado número de utentes, desde a sua admissão na unidade até à sua alta ou transferência.

O enfermeiro é responsável pela avaliação inicial do utente, pelo planeamento, execução e avaliação dos cuidados de enfermagem. Quando o enfermeiro responsável se encontra, por qualquer motivo ausente, os seus colegas funcionam como assistentes, aplicando os cuidados prescritos e actualizando os planos de cuidados quando se verificam alterações no estado de saúde do utente. (GRAY, 1987).

Ao analisar a Enfermagem “por responsável”, BILEY (1990) identificou quatro elementos neste método de organizar e aplicar os cuidados de enfermagem:

Responsabilidade – o enfermeiro é responsável pelos cuidados nas 24 horas e durante todo o internamento;
Autonomia – o enfermeiro tem autoridade para tomar decisões sobre os cuidados;
Coordenação – o enfermeiro comunica directa e continuamente com os colegas que também participam nos cuidados;
Globalidade – o enfermeiro providencia todos os cuidados de enfermagem quando se encontra de serviço;
Embora este método ofereça muitas vantagens, nem sempre é possível a sua aplicação por diversos factores: a resistência à mudança, por falta de preparação e motivação, falta de recursos humanos e em especial por problemas de gestão.

Na impossibilidade de utilização deste método, deve aplicar-se o método individual ou, então, o método de trabalho em equipa, especialmente nos turnos da noite, e às vezes no turno da tarde, em consequência do número reduzido de pessoal.

Desta forma, os enfermeiros gestores que pretendam implementar a qualidade dos cuidados na sua unidade, deverão fazer um esforço por desenvolver o processo de enfermagem e utilizar como método de organização e prestação de cuidados, a enfermagem por enfermeiro responsável. Esta forma de trabalho conduz a um aumento da autoridade e responsabilidade, fazendo com que os enfermeiros se sintam motivados para realizar cuidados de enfermagem de qualidade. (BILEY, 1990).

Outros factores estão implicados na gestão das unidades e dos cuidados, podendo influenciar fortemente a qualidade que se pretende atingir. São exemplos destes factores, a informação/comunicação, a formação e a orientação aos colaboradores.

A informação/comunicação é um instrumento de gestão vital em projectos de qualidade, sendo imprescindível a comunicação a todos os níveis e a todos os colaboradores da organização.

A formação é também um dos factores a considerar num processo de qualidade dos cuidados. A formação permite dotar os meios humanos de conhecimentos, habilidades e atitudes, por forma a que os colaboradores desempenhem as suas funções de acordo com o desejado. Através da formação podem eliminar-se muitos problemas que surgem no início de um projecto, pois muitas pessoas resistem por sentirem-se inseguras ou por desconhecimento do seu papel na organização. Quando se pretende melhorar a qualidade, a formação deverá ser intensa e contemplar todos os estratos profissionais que estão envolvidos nos projectos.

Relativamente ao processo de orientação, é sabido que todo e qualquer projecto em fase de desenvolvimento precisa de um acompanhamento sistemático, para orientação, supervisão e avaliação do processo e dos resultados.

No que se refere à implementação de projectos de qualidade, o trabalho em equipa é um dos aspectos muito defendidos pelos especialistas da qualidade total, na medida em que a expressão “total” implica totalidade de empenho e de utilização de recursos materiais e humanos. Grande parte do sucesso da implementação de um projecto deve-se ao trabalho de grupo e à utilização do método de resolução de problemas num grupo (POLÓNIA, 1993).

No contexto da chefia e da liderança, verifica-se a enfatização do papel do chefe no esclarecimento, informação e motivação dos colaboradores, com os quais deverá formar uma óptima equipa de trabalho dentro da instituição (GRAÇA, 1989).

Segundo GANHÃO (1993), a qualidade dos cuidados é um elemento preponderante para o sucesso da organização, mas dificilmente existirá qualidade se não pensarmos a forma de agir e gerir mesmas organizações. Neste contexto, o autor recomenda que é necessário romper com o passado em áreas, por forma a estabelecer novas políticas, objectivos, planos, organização, medições e controlos; melhoria contínua da qualidade, hoje, amanhã e sempre; formação de todos os colaboradores em processos para se atingir, controlar e melhorar a qualidade.

3 – VALIDAÇÃO DOS CUIDADOS DE ENFERMAGEM

Por definição, Validação constitui o “acto ou efeito de validar ou de tornar válido, legitimação do acto, para que se torne eficaz ou produza efeitos de direito” (Michaelis, 2002).

No âmbito dos cuidados de Enfermagem, faremos seguidamente uma abordagem teórica, abrangendo o modelo teórico, os conceitos, padrões, normas e critérios como fundamentos da teoria de enfermagem. Não esqueçamos que no actual desfasamento teoria-prática concorrem factores como o desajuste teórico e a deficiente capacidade reflexiva, imprescindíveis para a perfeita validação dos cuidados.

3.1 – IMPORTÂNCIA DO MODELO TEÓRICO EM ENFERMAGEM

O enfermeiro actual tem o dever de definir de forma rigorosa o seu contributo pessoal, no seio de uma equipa multidisciplinar, quer para a sua realização pessoal, quer por respeito para com a sociedade que pretende servir. Com o passar dos tempos os profissionais de enfermagem têm sentido cada vez mais a necessidade de reflectir sobre as suas práticas, o que conduziu ao surgimento de teorias e modelos teóricos de enfermagem, funcionando como referências preestabelecidas para aprender a organizar, estruturar e utilizar diferentes conhecimentos em função das situações de cuidados.

A palavra teoria tem origem no grego theoria, que significa “visão”. Com base nessa natureza sensorial, o desenvolvimento de teorias deve ser encarado como racional e intelectual conduzindo à descoberta da verdade (GEORGE, 1993). A mesma autora indica que o propósito das teorias é a descrição, explicação, previsão e controlo de acontecimentos.

KERLINGER (1965) encara as teorias como um conjunto de conceitos interrelacionados que proporcionam uma visão sistemática de enfermagem.

Segundo PEARSON (1992), a teoria é um guia de toda a prática, referindo mesmo um ditado antigo que diz “não há nada tão prático como uma boa teoria”. Mas, embora concordemos com esta verdade sabemos também da dificuldade de operacionalizar as teorias na prática de cuidados, surgindo então vários autores que procuram maximizar a sua aplicabilidade com a criação dos modelos de enfermagem.

Na perspectiva de COLLIÈRE (1989) examinando o que se qualifica como modelo teórico de cuidados de enfermagem, apercebemo-nos de que, ou esta expressão foi introduzida posteriormente aos escritos de certos autores ou então reveste-se de um sentido muito variável, mesmo nos escritos de um mesmo autor.

Assim, e de acordo com ADAM (1994), o modelo conceptual ou modelo teórico é uma representação estrutural da realidade, e não a própria realidade. É uma abstracção, uma concepção, uma criação do espírito. No tocante à enfermagem modelo conceptual pode significar a imagem mental da profissão, uma concepção daquilo que a mesma poderia ou deveria ser, isto é, um quadro de referência constituído por três componentes: valores, postulados e elementos:

Os postulados que sustentam o todo;
Os valores e crenças que justificam o todo;
Os elementos: objectivo, utente, papel profissional, a origem da dificuldade sentida pelo utente, a intervenção do profissional e as consequências.
(Johnson citado por ADAM, 1994).

A enfermagem teórica é rica em modelos o que dificulta a escolha de um ou mais destes esquemas para guiar a prática. No entanto esse pluralismo denota o desejo da assunção de escolas de pensamento caracterizando, assim, uma fase pré-paradigmática. Cada modelo teórico realça o cuidar já que este “parece ser o núcleo central, ou a estrutura fundamental subjacente, para tudo o que é enfermagem (MICKENNA, 1994, p.33)”.

A importância dos modelos teóricos reside na utilidade que os profissionais de enfermagem descobrem aquando da sua aplicação prática. Orientam o modo organizacional do serviço, apreciam, planeiam, executam e avaliam os cuidados, traçam aspectos de relação entre a equipa de enfermagem.

COLLIÈRE (1989), refere que o modelo é uma regra de conduta científica chamada a modelar a pessoa do enfermeiro, e expõe que os modelos ajudam essencialmente a:

Clarificar o significado de enfermagem;
Identificar o sistema de valores da enfermagem;
Orientar a prática profissional;
Definir conteúdo funcional e aumentar a autonomia;
Definir conhecimentos teóricos, técnicos e relacionais necessários ao exercício;
Suportar a incrementação do processo de enfermagem;
Promover mudanças nos métodos de trabalho;
Definir áreas de investigação;
Fornecer directivas de formação;
Guiar a gestão de cuidados de enfermagem;
Neste contexto o modelo precede o processo de enfermagem, porque orienta a forma de colher os dados para apreciação, de definir problemas de enfermagem, de definir objectivos, elaborar planos, de executar acções, de avaliar e orientar a elaboração dos registos.

Em suma, os modelos teóricos de enfermagem são fulcrais à prática profissional, pois facilitam a compreensão e a definição da qualidade e validação dos cuidados de enfermagem que desejamos.

3.2 – CONCEITOS

A fim de clarificar o que caracteriza de facto a disciplina de enfermagem, vários teóricos analisaram os registos de enfermagem e aperceberam-se que, de forma implícita ou explícita, estavam presentes quatro conceitos. Estes quatro conceitos formam a estrutura de base a partir da qual o conhecimento evolui. Contudo estes conceitos per si não são suficientes para precisar a contribuição da enfermagem aos cuidados de saúde. No entanto, é na relação particular destes quatro conceitos que está o coração da disciplina de enfermagem (MENKE, 1990).

É possível, portanto, analisar as várias escolas no tocante aos quatro conceitos (Homem, Ambiente, Saúde e Enfermagem).

Nightingale foi a primeira teórica a apresentar uma concepção de enfermagem que tem orientado a prática, a formação e a gestão durante várias gerações. Foi preciso esperar até finais da década de 50 para que novas teóricas propusessem novas concepções para a disciplina.

Tomando como exemplo a escola das necessidades defendida por Virgínia Henderson, o conceito de Homem aparece como sendo um todo complexo com catorze necessidades fundamentais, cada uma delas bidimensional (bio-fisiológica e psico-sócio-cultural); ambiente é a natureza ou meio agindo de forma positiva ou negativa sobre a pessoa; a finalidade da enfermagem passa por conservar ou restabelecer a independência do doente na satisfação das suas necessidades, o mais rapidamente possível. Esta escola não apresenta um conceito formal de saúde, no entanto das suas notas infere-se que saúde é a capacidade que a pessoa tem de satisfazer independentemente as suas necessidades fundamentais.

3.3 – PADRÕES, NORMAS E CRITÉRIOS

O nível de qualidade dos cuidados de enfermagem prestados em muito depende da definição dos padrões, das normas e dos critérios de qualidade.

A definição de padrões de cuidados parte da finalidade específica da enfermagem, do seu modelo conceptual e da metodologia científica utilizados no exercício da profissão. Simbolizam o cumprimento integral do serviço de enfermagem, administrando parâmetros para a monitorização e apreciação da qualidade.

Essa definição dos padrões de cuidados é um pressuposto para a definição de normas de actuação profissional em termos gerais e específicos, para as diferentes categorias, operacionalizando assim os próprios padrões.

Finalmente, os padrões de cuidados podem ser referidos como padrões de quantidade, de tempo, de custo, de qualidade e focalizam-se nos destinatários (OURIVES, 1993).

A norma consiste nas habilidades, conhecimentos e atitudes e na capacidade de as aplicar no exercício da profissão. É um conjunto de regras de desempenho e representa o nível desejado de excelência.

O critério é um facto observável que permite saber se a norma foi ou não atingida. É uma característica do desempenho que deve ser pertinente, objectiva e formulada em termos de comportamento esperado (OURIVES, 1993).

No que respeita aos cuidados de enfermagem, as normas e os critérios guiam o enfermeiro na prestação dos cuidados e constituem a base sobre a qual se avaliam e validam esses mesmos cuidados.

3.4 – PENSAMENTO CRÍTICO E PRÁTICA REFLEXIVA EM ENFERMAGEM

Na visão de BANDMAN (1994) pensamento crítico é definido como o exame racional das ideias, inferências, princípios, argumentos, conclusões, factores, crenças e acções. Este exame abarca um processo científico, incluindo o processo de enfermagem, a tomada de decisões e a aplicação da razão (reasoning) nos parâmetros controversos. Na óptica deste autor são quatro os tipos de reasoning: dedutivo, indutivo, quotidiano e prático.

Uma razão para pensar criticamente é tornar-se consciente e reflectir sobre o nosso papel e identidade no mundo, em relação a coisas, acontecimentos e outras pessoas. Pela clarificação dos meios e dos fins dos modos de vida, o pensamento crítico ajuda a focar e a aguçar a consciência.

O pensamento crítico tem uma importância fulcral na enfermagem. Ao definir as condições sobre as quais as conclusões válidas são descritas, o pensamento crítico facilita a compreensão e aplicação do processo de enfermagem. É, assim, uma força libertadora em toda a actividade humana reflectida.

A enfermagem encontra-se em estado de mudança, extremamente activa em definir a sua teoria, a sua prática, investigação, a sua representação social e crítica perante o seu status actual e corrente.

Alguns teóricos de enfermagem apresentam os seus conhecimentos de um ponto de vista singular, monolítico e concreto. Esse tipo de abordagem elimina a possibilidade de dúvida pelo questionamento, curiosidade fornecendo alternativas. O pensamento crítico oferece métodos para transformar estudantes e profissionais em participantes activos no seu próprio crescimento intelectual.

A profissão de enfermagem experiencia actualmente uma fase em que pressões várias a fazem autonomizar-se em relação à parente Medicina. É, pois, um momento auspicioso para o uso do pensamento crítico na definição das crenças, objectivos e valores que caracterizam a Enfermagem. Em suma, o pensamento crítico fornece uma ajuda na tomada de decisão sobre o que realmente importa, o que é importante, e como alcançar os verdadeiros objectivos e aspirações da enfermagem (BANDMAN, 1994).

O processo de enfermagem define-se como a variação do conceito científico de reasoning e é utilizado pelos enfermeiros com o intuito de diagnosticar e dar resposta a potenciais e actuais problemas de saúde do ser humano.

Assim, o processo de enfermagem é uma abordagem geral aos sistemas familiares, individuais, grupais ou comunitários Pela sua generalidade, o processo de enfermagem pode ser utilizado para extrair, deduzir ou inferir a partir de dados, a análise das esferas práticas de aplicação à enfermagem. Também relacionado com a sua generalidade, o processo de enfermagem pode ser utilizado no contexto de vários conceitos que são competitivos e contraditórios em vários aspectos (FERNANDEZ, 1998).

O pensamento crítico ajuda racionalmente a resolver controvérsias ligadas aos cuidados de saúde. Num sentido, apelamos facilmente às regras de inferências ou às falácias como adjuvantes na resolução de desacordos, conflitos e dilemas. Por outro lado, apelamos às regras mais informais ou aos critérios de argumentação.

O papel do pensamento crítico na resolução dos conflitos dos cuidados de saúde prende-se com o facto de que existe um movimento da liberdade para exprimir ideias e sentimentos para uma liberdade enriquecida, indutiva, que goza das regras informais da inferência. A tentativa de resolver conflitos consiste em examinar racionalmente os conceitos, as políticas e as práticas propensas de serem contestadas, e é um processo contínuo. Mas mesmo quando todas as estratégias são utilizadas existem questões que ficam sem resposta.

Muitas vezes, não sabemos o que fazer ou dizer a um doente. Outras, não sabemos como resolver um conflito entre os desejos do doente em fase terminal, os familiares mais próximos e os profissionais de saúde. Procuramos métodos práticos e conceptuais para aceder às dinâmicas interiores que causam esses conflitos. Portanto, muitos dos conflitos podem não ter solução. Nem tudo está perdido… Podemos guiar-nos pelo pensamento de Wittgenstein: “um processo interior precisa sempre de um critério exterior, tal como um mapa (critério externo) ajuda um viajante a encontrar o seu caminho”. Um conflito tem um processo interno com causas e efeitos, e o papel dos critérios externos consiste em aceder aos próprios processos internos. São esses mesmos critérios que auxiliam o enfermeiro a orientar, a compreender e a avaliar os processos interiores, que podem incluir os factores chave que acendem a controvérsia. Contra estes processos interiores podemos utilizar o pensamento crítico pela resolução das controvérsias. Aqui o pensamento crítico consiste em aceder aos dados que envolvem as disputas, examinar, generalizar e testar as inferências e, por último, formar e rever continuamente os julgamentos do que consideramos razoável, credível e justificável.

O pensamento crítico não é unicamente crítico, ele é também criativo, podendo ajudar a resolver aspectos controversos em enfermagem, gradualmente, gerando ideias e argumentos.

Há algumas linhas condutoras para uso do pensamento crítico na resolução racional das controvérsias nos cuidados de saúde, que permitem conduzir a decisões, no âmbito da enfermagem, cada vez melhor fundamentadas.

A prática profissional incorrecta pode considerar-se como o aspecto controverso que temos vindo a referir. Segundo QUEIRÓS (2001) uma situação de prática profissional incorrecta interfere com a habilidade do enfermeiro para desenvolver intervenções de enfermagem de acordo com os padrões profissionais definidos, podendo ter um efeito perigoso para o utente. Ao agir perante um problema profissional, o enfermeiro protege os doentes de algum dano e evita o conflito, para além de ser responsável e, portanto, possuir o dever de prestar contas para assegurar que se mantêm os padrões de intervenção profissional.

Afinal, cuidar com autonomia em enfermagem também passa por minimizar as possibilidades de práticas profissionais incorrectas.

3.5 – ESTRATÉGIAS DE VALIDAÇÃO

Quando os profissionais de enfermagem executam o seu trabalho numa atmosfera humanizante, como profissionais autónomos, trabalhando em colaboração com outros profissionais e outras disciplinas, estão mais aptos a reduzir a desumanização dos cuidados, culminando numa perfeita validação desses mesmos cuidados.

DRACUP (1990), influenciada pela escola do pensamento crítico em enfermagem, expõe algumas condições para que haja validação dos cuidados de saúde: holismo, tomada de decisão colaborativa, presença de ambiente flexível, de empatia e afecto ao invés da neutralidade.

3.5.1 – Holismo

O conceito de cuidado holista sempre fez parte do sistema de valores de enfermagem. Actualmente significa cuidar do utente, não pela acumulação de diagnósticos de enfermagem, mas tomando-o como um indivíduo único, insubstituível e parte integrante de um passado e de um presente com valor. A empatia toma aqui um papel preponderante. QUEIRÓS (1999) citando Chalifour, afirma que o termo empatia indica a capacidade de imersão num mundo subjectivo do outro, isto é, a capacidade de verdadeiramente se colocar no lugar do outro, vendo o mundo como ele o vê.

BARRET (1994) considera que a empatia é a qualidade responsável pela criação de um ambiente “cuidativo”.

Em suma, a empatia humaniza tanto o doente como o enfermeiro, e a validação dos cuidados de enfermagem passa, em grande parte, pela consciencialização dos princípios fundamentais do holismo, bem como pela educação empática na base da prestação dos cuidados.

3.5.2 – Tomada de decisão colaborativa

A formação actual dos enfermeiros tem em conta a responsabilidade que emerge da prestação de cuidados por si só. Alguns mecanismos institucionais, tais como a gestão participativa e uma filosofia de prática colaborativa, proporcionam apoio e autonomia, facilitando a participação integral dos enfermeiros nas várias tomadas de decisões presentes nos cuidados de saúde.

Os doentes têm o direito á autodeterminação, mesmo quando os prestadores de cuidados não concordam com as escolhas feitas pelos utentes. Este direito é baseado no princípio ético da autonomia, que estabelece a ligação com o valor mais abrangente da dignidade da pessoa humana (KUCZEWSKI, 1994; NEVES, 2000). Logo, o processo de validação dos cuidados também se relaciona com a descoberta de mecanismos que evidenciam a autonomia de cada doente. Por exemplo, o consentimento informado para um tratamento ou um estudo de investigação deve ser um processo colaborativo e não um ritual de assinatura no formulário de consentimento informado.

É frequente nos cuidados de saúde que muito pouco se saiba sobre os valores e desejos do doente acerca do tratamento. Quando possível, o simples facto de se perguntar aos doentes acerca dos seus pontos de vista e preferências várias, pode evitar conflitos no decurso dos tratamentos/internamento (DRACUP, 1990).

3.5.3 – Ambiente flexível

Todo e qualquer profissional de enfermagem necessita de apoio no estabelecimento de um ambiente favorável à recuperação do utente. Assim, devem procurar formas de providenciar mais flexibilidade à sua rotina diária e ás suas interacções com os doentes. Alguma desta flexibilidade será conseguida quando os enfermeiros delegarem funções que são mais adequadamente realizadas por outros (DRACUP, 1990).

Um ambiente flexível necessita de uma boa liderança (na pessoal do Enfermeiro Chefe). Para além disso, essa flexibilidade em muito deve ao facto de se tomar em conta as necessidades do doente e família.

COUSINS (1983) explica que um ambiente flexível e crítico de cuidados por si só não permite que o doente esqueça que está realmente doente. Este autor descreveu que o enfermeiro possui formação e deve possuir capacidade para dissipar esses sentimentos menos positivos por parte do doente, através da prestação de cuidados racionais baseados no apoio, compreensão e empatia. Já NIGHTINGALE (1959) disse que “o que a enfermeira deve fazer é colocar o doente na melhor condição para que a natureza aja sobre ele”. O que ela quereria dizer era que uma pessoa doente necessita de um ambiente que conduza à saúde: limpo, livre de ruídos desnecessários, com ar e luz suficientes. Este ambiente também inclui a família, os amigos que conduzem ao bem estar do doente. Nesta concepção, o prestador de cuidados deveria observar e estar atento às necessidades do doente. Estas recomendações da fundadora da enfermagem moderna continuam a ser relevantes para os enferm

Volvoparia

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Autoria: Celia Regina

VALVOPATIAS

BEBEDOURO

SETEMBRO, 2006

Definição

As válvulas cardíacas são uma causa importante de Cardiopatia. Os tipos principais são:

Estreitamento ou rigidez anormal da válvula, resultando em estenose;
Insuficiência de oclusão completa da válvula, resultando em insuficiência;
Anomalias congênitas;
cicatrizes pós-inflamatórias;
degeneração pela idade;
dilatação do anel valvar;
degeneração do tecido colagenoso de sustentação da válvula, e;
destruição por inflamação necronizante.
Constituem as principais causas de doenças valvar. Qualquer válvula estrutural anômala é mais propensa a desenvolver colonização por microorganismos (valvulite infecciosa).

Em geral, é fácil compreender o distúrbio da circulação causado pelas lesões das válvulas cardíacas. Se uma válvula ficar estenosada, o sangue não passará facilmente pela válvula, de modo que ele vai ficar repressado atrás da válvula.No caso da regurgitação, o sangue passa pela válvula satisfatoriamente mas, então, também flui de volta quando a válvula deveria se fechar.Assim, o efeito sobre a circulação é quase o mesmo em cada caso, ou seja, bombeamento deficiente pelo coração.

Obviamente, nas lesões da válvula aórtica, o sangue tende a se acumular no ventrículo esquerdo. Isso aumenta o ventrículo, estira seu músculo e causa hipertrofia muscular. Às vezes a hipertrofia é grande o bastante para superar parcialmente os efeitos prejudiciais da lesão da válvula.Noutras vezes, a lesão é tão grave que mesmo com hipertrofia máxima o ventrículo não pode bombear quantidades adequadas de sangue, causando assim insuficiência cardíaca.

No caso das lesões da válvula mitral, o sangue não flui facilmente do átrio esquerdo para o ventrículo esquerdo. Portanto, grandes quantidades de sangue se acumulam no átrio esquerdo e nos pulmões.Frequentemente o átrio é aumentado até várias vezes seu tamanho normal.Isso provoca,muitas vezes, duas conseqüências principais.

Primeira, a parede atrial aumentada abre uma via extremamente longa para a passagem dos potenciais de ação dentro do músculo atrial. Na fibrilação cardíaca, uma via longa pode fazer com que a fibrilação se desenvolva.

Como se faz o diagnóstico?

Através do exame clínico do paciente feito por um cardiologista. O eletrocardiograma não é de grande valor na investigação clínica mas pode ser útil. Os exames radiológicos, os estudos ecográficos do coração e exames hemodinâmicos dão as melhores informações para o diagnóstico.As lesões valvulares do coração são melhor avaliadas por exames como ecodopplercardiografia,estudos hemodinâmicos angiográficos.

Estenose Aórtica

Etiologia

Estenose Aórtica pode ser de origem congênita, degenerativa ou reumática. As por alterações degenerativas e congênitas são as causas mais comuns na estenose aórtica isolada. Na doença reumática geralmente é acompanhada do acometimento mitral. É mais comum em homens que em mulheres.

A obstrução aórtica pode ocorrer ainda a nível supra valvar e subvalvar.

Estenose Aórtica Congênita

A estenose aórtica congênita pode se apresentar com valva uni, bi ou tricúspide. A forma unicúspide causa obstrução severa sendo a principal causa de Estenose Aórtica fatal em pacientes abaixo de um ano.A valva bicúspide raramente causa obstrução significativa durante a infância. As alterações de sua estrutura normalmente geram turbulência que leva a calcificação e rigidez da valva, que manifestará sinais de estenose na vida adulta. A valva bicúspide é susceptível à endocardite infecciosa. A infecção pode tornar a valva bicúspide insuficiente, fato raro quando não ocorre infecção.Uma forma tricúspide de valva aórtica estenótica congênita existe, quando ocorre desigualdade de tamanho entre as cúspides e certo grau de fusão comissural. Da mesma forma que a valva bicúspide, normalmente não ocorre distúrbio hemodinâmico significativo na infância, mas sua arquitetura alterada irá causar sua degeneração com o passar dos anos.

Estenose Aórtica Adquirida

A estenose aórtica de origem reumática se origina da adesão e fusão das comissuras e cúspides, e vascularização dos folhetos e do anel aórtico, levando a retração e espessamento dos folhetos. Ocorre deposição de cálcio e o orifício valvar se reduz. Normalmente ocorre regurgitação concomitante por não coaptação dos folhetos também durante a diástole. Geralmente se associa também o comprometimento mitral.

estenose aórtica senil, relacionada com a degeneração e calcificação é a causa mais comum de troca valvar em estenose aórtica. É o resultado do stress hemodinâmico normal. Depósitos de cálcio ocorrem sobre os folhetos nas linhas de flexão, na base da valvula, tornando-as imóveis, sem comprometimento comissural. Esta forma de estenose raramente se acompanha de insuficiência.

A hipercolesterolemia, diabetes e outros fatores de risco para aterosclerose são fatores de risco para o aparecimento dessa lesão. A associação entre a presença de EAo e doença coronariana não é, portanto por acaso, havendo maior incidência de IAM e mortalidade cardiovascular nesses pacientes.

Fisiopatologia

A instalação da obstrução é gradual e crônica, sendo compensada por hipertrofia ventricular esquerda. Esta hipertrofia causa um aumento da pressão do VE, sustentando o débito cardíaco por até vários anos, antes que este entre em declínio. Obstrução crítica do trato de saída do VE tem como características hemodinâmicas: Pressão de pico > 50mmHg na presença de débito cardíaco normal; ou um orifício efetivo, calculado pela formula de Gorlin, inferior a 0,8cm2 de área para um adulto (<0,5cm2/m2 de área corporal). Isto corresponde a menos de 1/4 da área normal que é de 3 a 4 cm2. Estenose moderada tem de 1 a 1,5 cm2 de área. Estenoses leves de 1,5 a 2,0cm2. A pressão diastólica final é caracteristicamente elevada. A onda de pulso apresenta: onda a aumentada no traçado de câmaras esquerdas; pico de onda arredondada, no lugar da forma apiculada. Apesar do aumento da força atrial a pressão diastólica da câmara atrial e da PCP se mantém normais. Apesar do débito cardíaco se manter normal em repouso, o aumento do DC no exercício é limitado. No curso à longo prazo o débito cardíaco em repouso irá diminuir e as pressões atrial e pulmonar passam a se elevar, caso a história natural não sofra interferência. História Natural Pacientes com estenose aórtica podem se manter assintomáticos por anos, apesar da existência de obstrução de grau severo. O prognóstico na ausência de sintomas possui uma mortalidade baixa. Com o curso tardio da doença surgem os sintomas que se correlacionam com prognóstico ruim. A presença de Angina, Síncope ou insuficiência cardíaca possui significado importante, dando uma sobrevida média de um a três anos. A morte súbita pode ocorrer no portador de Estenose Aórtica, mas é rara no paciente previamente assintomático. História Clínica A angina ocorre em cerca de 2/3 dos pacientes com estenose severa. Metade destes possui doença coronariana associada. A angina é decorrente do desequilíbrio entre o consumo aumentado de O2 do miocárdio hipertrofiado e a perfusão diminuída pela compressão dos vasos coronários. A síncope é decorrente de baixa perfusão cerebral ocorrendo durante o esforço. Como o débito é fixo pela obstrução da via de saída a vaso-dilatação periférica induz a hipotensão e hipoperfusão cerebral. Sintomas pré sincopais são comuns. Síncope em repouso está associada a arritmias cardíacas. Sintomas de baixo débito e insuficiência cardíaca geralmente só aparecem tardiamente no curso da doença. A presença de sintomas indica mal prognóstico se não houver tratamento, sendo considerada uma sobrevida aproximada de 2 anos quando ocorre insuficiência cardíaca, 3 no caso de síncope e 5 anos para angina. (acrônimo: ISA-235). A endocardite bacteriana é mais provável de ocorrer num paciente mais jovem com valva mais móvel do que no idoso com grande calcificação valvar. Tratamento clínico: Orientar o paciente para evitar esforços físicos vigorosos – essa orientação não é válida para portadores de estenoses leves assintomáticas. Orientar profilaxia para endocardite bacteriana. Observação ecocardiográfica: na estenose leve a cada 2 anos, na estenose moderada a severa assintomática deve ser feita no mínimo anualmente ou até semestralmente, para avaliar a função de VE. Teste de esforço é contra-indicado nos pacientes sintomáticos, mas pode ser realizado em pacientes assintomáticos para avaliação da capacidade máxima de esforço. Normalmente pacientes sintomáticos tem indicação cirúrgica e o tratamento farmacológico: É de pouco valor. Alguns casos onde ocorre contra-indicação cirúrgica a terapia medicamentosa pode ser útil. O digital está indicado na disfunção ventricular com aumento ventricular e redução do DC. Os diuréticos devem ser usados apenas quando ocorrer retenção hídrica e com cautela, pois podem precipitar baixo débito e hipotensão ortostática pela hipovolemia. Beta bloqueadores são contra-indicados na EAo. Adultos com indicação cirúrgica para EAo devem ser submetidos à coronariografia para diagnóstico de DAC associada. Menos de 10% dos pacientes com EAo desenvolvem FA ou flutter, já que o aumento do átrio esquerdo só ocorre de forma tardia na história natural da EAo. A taquicardia e a perda da contração atrial leva a rápida deterioração hemodinâmica, levando a hipotensão e angina. O tratamento deve ser imediato com cardioversão elétrica. Tratamento Cirúrgico: Indicações: Crianças com aorta bicúspide: Comisurotomia aórtica (por balão quando possível). Está indicada mesmo em assintomáticos quando for severa. Como a valva não retorna a uma condição absolutamente normal, é esperado que com o passar dos anos ocorra calcificação. Após 10 a 20 anos é esperada reestenose, podendo ser necessária à substituição então por prótese valvar. Adultos: A plastia valvar não possui bom resultado e a substituição por prótese é a indicação de eleição. É indicada nos pacientes sintomáticos, com área valvar inferior a 1,0 cm2 ou < 0,6 cm2/M2 de área corporal. Em pacientes assintomáticos a cirurgia é indicada naqueles que apresentem disfunção ventricular progressiva ou resposta deprimida da pressão arterial ao esforço. O prognóstico operatório é bom naqueles com função ventricular preservada, com risco global menor que 5% e menor que 1% nos pacientes com menos de 70 anos. Aumentam o risco a disfunção ventricular, a idade avançada, classe funcional alta e presença de coronariopatia associada. A sobrevida de 10 anos após a cirurgia chega a 85%.
Estenose Mitral

Etiologia

A causa mais predominante de estenose mitral é a doença reumática do coração. 99% das valvas mitrais estenóticas substituídas cirurgicamente tem comprometimento reumático. 2/3 dos pacientes com EM são do sexo feminino. Dos pacientes com doença reumática 25% são acometidos de estenose mitral pura e 40% possuem estenose associada à regurgitação mitral.

De forma mais rara a estenose pode ser congênita. Muito raramente a estenose mitral pode ser decorrente de uma das situações a seguir: carcinoide maligno, lupus, artrite reumatóide, mucopolissacaridoses, D. de Fabry, D. Whipple, terapia com metisergida.

A estenose mitral pode ser simulada por fenômenos obstrutivos ao nível do anel mitral, como no mixoma atrial, grandes trombos atriais, grandes vegetações de endocardite e no cor triatriatum.

Patologia

A estenose mitral reumática surge por comprometimento das cúspides mitrais, por fusão das comissuras, por envolvimento das cordoalhas ou por um processo combinado entre essas 3 partes do aparelho valvar. A maioria dos casos de estenose (>40%) ocorre por comprometimento combinado. 30% possuem fusão isolada das comissuras. 15% apresentam comprometimento isolado das cúspides e apenas 10% envolvem as cordoalhas isoladamente.

Caracteristicamente as cúspides se fundem em suas bordas e a fusão das cordoalhas leva ao espessamento e encurtamento das mesmas. Os folhetos apresentam espessamento fibroso e depósitos de cálcio. A valva toma uma forma de funil e o orifício valvar toma forma de boca de peixe. O espessamento e a rigidez dos folhetos podem chegar a tal ponto que impede o fechamento da valva, diminuindo a 1º bulha e levando a insuficiência mitral conjugada. O comprometimento das cordoalhas quando é predominante também leva a insuficiência mitral concomitante.

É discutível se as alterações anatômicas da valva mitral podem ser decorrentes tanto de um processo reumático continuo sobre a valva quanto a alterações induzidas por trauma hemodinâmico após um surto inicial. Provavelmente ambos os mecanismos devem estar envolvidos no processo.

Fisiopatologia

A área valvar mitral do adulto é de 4 a 6 cm2. Uma redução de área até 2 cm2 é considerada uma estenose leve, onde o enchimento ventricular se faz com um pequeno gradiente. Áreas menores de 1 cm2 são consideradas estenoses importantes, gerando gradientes de 20 mmHg e pressões médias de 25 mmHg no átrio esquerdo, para manter um enchimento ventricular normal em repouso. A elevação de pressão atrial esquerda leva ao aumento da pressão venocapilar pulmonar, que produz dispnéia aos esforços. Os primeiros surtos são deflagrados por exercícios, stress emocional, atividade sexual, infecção ou surto de fibrilação atrial.

A taquicardia encurta o tempo de diástole, assim diminui o tempo de enchimento ventricular. Em conseqüência, independente do débito cardíaco, a taquicardia vai elevar o gradiente AV e a pressão atrial esquerda. Isto explica a súbita descompensação de um paciente previamente assintomático durante um surto de fibrilação atrial aguda com alta resposta ventricular. Também explica a melhora clínica após a redução da freqüência cardíaca com uso de digital , beta-bloqueadores ou bloqueadores de canais de cálcio, mesmo que o fluxo mitral se mantenha constante.

Uma constante hidráulica dita que, para um dado orifício, o gradiente de pressão é relação direta do quadrado do fluxo por este orifício. Assim se o fluxo transvalvar dobrar de valor (exemplo: aumento causado por exercício físico) o gradiente pressórico quadruplica.

A contração atrial aumenta em até 30% o gradiente transvalvar. A perda do impulso atrial na fibrilação atrial vai representar uma perda de 20% do débito cardíaco.

Hemodinâmica

Fig 1: Quadro demonstrando o ciclo cardíaco e as curvas de pressão intra cavitárias na estenose mitral. A curva atrial mostra onda “a” aumentada e a substituição do colapso y usual por uma fase plana de declínio lento. A diferença da pressão atrial e diastólica final de VE representa o gradiente mitral (em destaque).

O quadro acima demonstra as pressões cavitárias durante o ciclo cardíaco e a comparação entre os valores normais e os existentes na EM.

Nos pacientes com EM e ritmo sinusal a pressão média do AE está elevada e a curva apresenta uma onda “a” elevada e uma onda “y” com um declínio gradual. Nos casos de EM leve a moderada a PAP pode estar normal ou apensa pouco elevada. Em pacientes com EM severa ocorre aumento da resistência vascular pulmonar e aumento da PAP mesmo em repouso. Pressões de 30 até 60 mmHg de PAP não produzem alterações no esvaziamento do VD. Com o exercício, os pacientes com PAP severa podem ter diminuição da função de VD.

A pressão diastólica de VE é normal na EM pura. Pode estar elevada quando coexiste IM, IAo ou EAo, doença miocárdica isquêmica, HAS ou miocardiopatia. Em 25% dos pacientes com EM pura os índices do VE estão reduzidos, devido a restrição do enchimento da cavidade. A maior parte dos pacientes com EM consegue ter a FE aumentada e o VSF diminuído durante o exercício.

A hipertensão pulmonar é conseqüente a 3 mecanismos: 1) transmissão retrograda passiva do aumento de pressão intra atrial; 2) constricção arteriolar reativa; e 3) obliteração do leito vascular pulmonar (complicação tardia da hipertensão).

História Clínica

O sintoma mais importante é a dispnéia de esforço, que pode ser acompanhada por tosse e sibilos. A capacidade vital é reduzida, devido o engurgitamento dos vasos pulmonares e edema intersticial. Pacientes com obstruções críticas em classe funcional III, geralmente se queixam de ortopneia e podem desenvolver episódios edema agudo de pulmão. Nos pacientes com elevação importante da pressão pulmonar, geralmente ocorre disfunção ventricular direita.

Hemoptise pode ocorrer em diversos graus e formas de apresentação. Dor torácica do tipo anginosa é infrequente mas pode ocorrer em até 15% dos pacientes com EM.

Embolia sistêmica é uma complicação importante, relacionada com 25% dos óbitos nos pacientes com EM. A chance de êmbolos múltiplos ou recorrentes em um paciente com embolia sistêmica é da ordem de 25% dos casos.

A endocardite infecciosa é mais propensa em pacientes com estenoses mais LEVES e válvulas mais flexíveis e menos calcificadas.

Exame físico

pulso arterial em geral é normal, podendo ser reduzido em pacientes mais graves com volume sistólico já reduzido. O pulso venoso mostra uma onda a proeminente quando o ritmo é sinusal. Nos pacientes em fibrilação atrial o colapso x é substituído por um platô e apenas uma onda grande onda V é discernível. O ictus não é proeminente. A palpação de ondas de enchimento diastólico fala muito contra a presença de estenose mitral grave. O choque de B1 é sentido na presença de um flolheto anterior ainda móvel.

Na ausculta a B1 é proeminente. P2 pode estar aumentada na presença de Hipertensão pulmonar. Gradualmente B2 pode se tornar única. Na estenose mitral PURA não há 3º bulha.

Fig 2 – Representação do fonocardiograma do sopro da estenose mitral

A ausculta típica da diástole consiste em um ruído de abertura mitral (mais audível na ponta e com o diafragma) seguido de um ruflar diastólico, que é um sopro audível no apex, de baixa freqüência (melhor audível com a campânula) e melhor audível na posição de decúbito lateral esquerdo. A intensidade (que geralmente é pequena) não se relaciona com o grau de estenose, mas a duração do sopro é diretamente proporcional ao gradiente, sendo que o sopro se inicia logo após o ruído de abertura e nos casos de EM grave pode durar toda a diástole. Na presença da contração atrial o sopro aumenta de intensidade imediatamente antes da primeira bulha (reforço pré-sistólico).

Na ausculta dinâmica, a inspiração reduz a intensidade tanto do estalido de abertura(EA) quanto o sopro. O estalido de abertura pode ficar melhor audível por ocorrer aumento do intervalo A2-EA, podendo se tornar audíveis 3 componentes (A2-P2-EA). A elevação do tronco também aumenta a distancia A2-EA o que diferencia do desdobramento de B2 que se reduz nesse movimento.

O sopro aumenta de intensidade durante a expiração, ao se inalar nitrito de amilo e com a tosse.

Tratamento clínico

Cuidados gerais: Recomendação de evitar esforços extenuantes nos pacientes sintomáticos. Todos devem ser orientados quanto a profilaxia da endocardite bacteriana. Anemia ou infecções devem receber tratamento agressivo.

Tratamento farmacológico:

Diuréticos têm excelente resposta para os pacientes sintomáticos. O digital não melhora a hemodinâmica e não possui efeito benéfico no paciente em ritmo sinusal. beta-bloqueadores e antogonistas do cálcio reduzem a freqüência cardíaca, aumentando o tempo de enchimento diastólico, melhorando a classe funcional, tanto em pacientes em ritmo sinusal quanto nos pacientes em FA. Tratamento anti-coagulante deve ser realizado nos pacientes de risco (passado de embolia sistêmica, fibrilação atrial, idosos, passado ou grande risco de TEP). Não existe indicação de uso de anti-coagulantes de forma profilática em pacientes com ritmo sinusal. A fibrilação atrial geralmente não consegue ser revertida ao ritmo sinusal exclusivamente com o uso de fármacos, nos pacientes com EM, sendo necessária a cardioversão elétrica para este fim.

História Natural da EM

Na estenose mitral não tratada, os sintomas podem aparecer apenas uma década após um período assintomático. A partir dos primeiros sintomas, sinais de insuficiência cardíaca grave surgem entre 5 e 10 anos. A progressão é mais rápida em determinadas regiões, principalmente nas menos desenvolvidas e de clima temperado. Apesar de uma grande variação entre pacientes, a média de progressão da EM em estudos ecocardiográficos é na média da ordem de 0,09 cm2/ano.

Na era pré cirúrgica a sobrevida de 5 anos de pacientes em classe III era de 62%. Pacientes classe IV tinham apenas 15% de sobrevida no mesmo período. O advento do tratamento cirúrgico modificou profundamente a história natural de todas as valvopatias, tendo em vista impedir a progressão da deterioração miocárdica ao melhorar a lesão anatômica valvar.

Indicações de tratamento cirúrgico

A intervenção está indicada em pacientes levemente sintomáticos com área valvar inferior a 1,0 cm2/m2 de área corporal, equivalente a menos de 1,5 cm2 em adultos normais. Sintomas durante atividades ordinárias que desenvolvam aumento da pressão pulmonar durante o esforço podem ser indicação conforme o paciente, mesmo com áreas entre 1,0 e 1,5cm2/m2. A indicação do tratamento deve ser individualizado, levando-se em conta a idade do paciente, seu grau de lesão e o grau de comprometimento funcional.

A valvotomia não está indicada em pacientes totalmente assintomáticos, tendo em vista não haver evidências de melhora do prognóstico nessa população.

Pacientes vítimas de fenômenos tromboembólicos também devem ter o procedimento cirúrgico indicado, tendo em vista a alta taxa de recorrência dessa complicação. O paciente deve permanecer anti-coagulado até o procedimento.

Opções de tratamento invasivo

Valvoplastia por balão

Comissurotomia Cirúrgica

Substituição valvar por prótese

Estenose Pulmonar

Etiologia

A forma mais comum de estenose pulmonar é a congênita. O acometimento reumático é raro, dificilmente levando a deformidade importante e nunca acontecendo sem o envolvimento de outras valvas. Placas carcinoides podem se depositar na via de saída do VD, similares as que acometem a valva tricuspide, levando a estenose pulmonar ou a estenose + regurgitação. Obstrução extrinseca ao aparelho valvar levando a estenose pulmonar pode ocorrer no aneurisma do seio de valsalva e na presença de tumores cardíacos.

ESTENOSE TRICÚSPIDE

Essa lesão é predominantemente de origem reumática. As manifestações clínicas são o sopro diastólico, às vezes confundido como sendo provocado por estenose mitral. O tratamento é cirúrgico com visão direta, ou com troca de válvula ou por valvuloplastia com balão.

Insuficiência Aórtica

Etiologia

A insuficiência aortica pode se originar tanto de doença primária da valva aórtica, quanto das paredes da aorta.

A causa valvar mais comum de regurgitação aórtica é a doença reumática do coração. Neste caso as cúspides se apresentam infiltradas de material fibroso e com retração, ou seja, um encurtamento que impede sua coaptação completa durante a diastole. A fusão comissural associada pode levar a dupla lesão com estenose. O comprometimento mitral também comumente se associa.

A calcificação aórtica senil do idoso leva a estenose aórtica que se associa a insuficiência leve, também por defeito de coaptação na diastole em 75% dos pacientes com esta situação clínica.

Na endocardite bacteriana pode ocorrer destriução das cúspides ou interferencia na coaptação por uma vegetação, causando insuficiência.

Trauma com lesão da aorta ascendente pode causar insuficiência aortica por perda da sustentação das cuspides.

Apesar da valva congênita bicuspide causar principalmente estenose, essa pode ser responsavel por insuficiência aórtica, tanto combinada como raramente insuficiência isolada, por prolapso das cuspides ou por mal fechamento.

Insuficiencia aortica progressiva pode ocorrer em pacientes com comunicações interventriculares importantes e em pacientes com estenose subaortica membranosa.

Outras causas são degeneração mixomatosa, complicação por ablação com cateteres de radiofreqüência, a disfunção protética.

Causas mais raras são as alterações congênitas e as por complicação de doenças reumatológicas e outras doenças sistêmicas.

As causas vasculares estão se tornando mais importantes, principalmente nos pacientes com indicação para troca valvar, contando com mais de 50% dos pacientes encaminhados para essa cirurgia. As causas de dilatação da aorta ascendente, levando a insuficiência aórtica incluem alterações degenerativas (senis), necrose cística da média sejade forma isolada ou associada a síndrome de Marfan, dissecção aórtica, aortite sifilítica, osteogenese imperfecta, Espondilite anquilosante, Sind de Behçet, Artrite Psoriática, Artrite associada a colite ulcerativa, Policondrite recidivante, Sind de Reiter, Arterite de células gigantes e hipertensão arterial sistêmica, bem como algumas drogas anorexigenas.

Fisiopatologia

Na insuficiência aórtica ocorre simultaneamente um aumento da pré e da pós carga, o que a diferencia da insuficiência mitral, onde basicamente ocorre aumento exclusivamente da pré carga. O aumento simultâneo repercute na remodelação da câmara de VE com hipertrofia de componentes concêntricos e excêntricos.

O refluxo aórtico é proporcional a retração ou prolapso dos folhetos aórticos. No entanto quanto maior for a pré carga e maior a frequência cardíaca, menor será o refluxo, por redução da diferença de pressão e por redução da diástole respectivamente.

Na insuficiência aórtica aguda não a tempo para adaptação do músculo cardíaco ocorrendo aumento súbito da pré-carga. A taquicardia na descompensação aguda também mascara o sopro diastólico, que fica diminuido como já citado a cima.

A insuficiência Aortica Crônica e severa produz os maiores aumentos de massa cardíaca e de volume diastólico final, além de qualquer outra patologia que produza insuficiência cardíaca.

História Clínica

O paciente se mantem assintomático por longo período na IAo crônica. Os sintomas se desenvolvem após grande cardiomegalia e perda da função ventricular. Sintomas principais como dispneia aos esforços, ortopneia e dispneia paroxistica noturna desenvolvem-se gradualmente. Angina ocorre muito mais tardiamente. Taquicardia ao stress ou esforço e desconforto relacionado aos batimentos cardíacos, especialmente após extrassistoles, são comuns e ocorrem antes do desenvolvimento da disfunção ventricular.

O movimento da cabeça relacionado com o pulso dos batimentos cardíacos é chamado de “sinal de Musset”. O pulso arterial amplo (martelo d’água) é característico. O pulso amplo com colapso rápido é chamado de pulso de Corrigan. O pulso bisferens é reconhecivel melhor nas arterias femorais e radiais do que na carótida. O batimento é audível audível nas artérias, levando a dificuldade na aferição da pressão diastólica que deve ser marcada pelo apagamento do som de Korotchkov (4º fase). O som audível até a desinsuflação do manguito de PA é chamado de “pistol shot” ou de sinal de Traube. A Pressão sistólica é caracteristicamente elevada, enquanto a diastólica (medida na fase 4) é bastante reduzida.

Outros sinais: Müller – batimento da úvula; Duroziez – sopro audível na femoral, sendo sistólico se a artéria é comprimida proximalmente e diastólico se a compressão for distal. ; Quincke – pulsação capilar visível ou na ponta dos dedos com auxilio de luz, ou nos lábios com auxílio de uma lâmina de vidro.

O ICTUS é difuso e hiperdinâmico, lateralizado a esquerda e inferiormente. O enchimento rápido pode ser palpado.

Na ausculta a 1º bulha é discreta e a 2º bulha pode ser inaudível. Um sopro de ejeção pode estar presente devido o volume sistólico aumentado. A presença de 3º bulha se relaciona com o aumento do volume diastólico final. O sopro de regurgitação começa imediatamente junto a A2 com um padrão de pico inicial eseguido de um decrescendo durante a diastole. Quanto maior a duração do sopro mais grave é a regurgitação, não sendo correlacionavel a intensidade do sopro com a gravidade da lesão. O sopro é melhor audível com o diafragma do estetoscópio (alta frequencia) e aumenta com o paciente sentado e expiração forçada. O sopro se reduz nas ações que reduzem a pressão sistólica como na inalação de nitrito de amilo e na fase de esforço da manobra de valsalva. Um sopro apical tele-diastólico causado por uma estenose relativa da mitral, que se fecha pela passagem do fluxo regurgitante, é chamado de sopro de Austin Flint.

A Insuficiência Aórtica aguda causa um quadro clínico catastrófico sem os sinais típicos da Insuficiência Crônica e exige tratamento rápido.

Insuficiência Mitral

Etiologia

As maiores causas de insuficiência mitral são: 1) Doença Reumática; 2) Endocardite infecciosa; 3) doença vascular do colágeno; 4) Miocardiopatias; 5) Doença Isquêmica do coração; e 6) Prolapso da valva mitral.Uma causa rara é a relacionada ao uso de supressores do apetite.

Anormalidade de qualquer dos componentes valvares (folhetos, cordas tendineas, músculo papilar, anel mitral) pode gerar insuficiência mitral, independente das etiologias descritas.

Patologia

Anormalidades dos folhetos valvulares: O envolvimento predominante dos folhetos ocorre caracteristicamente na IM de origem reumática. No entanto, ao contrário da EM esse tipo de lesão ocorre mais comumente em homens que em mulheres. A IM é consequencia da rigidez, encurtamento, retração e deformidade de um ou ambos os folhetos mitrais e esta associada a alterações de fusão e encurtamento das cordoalhas e do musculo papilar. A endocardite infecciosa pode resultar em IM por perfuração direta de um dos folhetos valvares, por interposição da vegetação na coaptação dos folhetos ou or retração cicatricial na fase de cura.

Anormalidade do anel mitral: A dilatação do anel pode ocorrer secundariamente a qualquer forma de miocardiopatia com dilatação do VE. A calcificação do anel mitral é um achado comum em autopsias, mas não leva geralmente a IM. No entanto pode ser um componente importante para IM quando o comprometimento for severo, sendo nesse caso mais comum em mulheres que em homens.

Anormalidade das cordas tendineas: Alongamento e ruptura de cordoalhas é caracteristica do PVM. A ruptura de cordas tendineas pode ocorrer de forma idiopática, na febre reumática e na endocardite infecciosa entre outros.

Musculo papilar: O envolvimento primário do músculo papilar é característico nas doenças isquemicas, principalmente como complicação do IAM.

Fisiopatologia

O orifício Mitral é funcionalmente paralelo ao orifício aórtico. Dessa forma, quando ocorre insuficiência mitral, a impedância ao esvaziamento ventricular fica reduzida.

Quase 50% do volume regurgitante ocorre durante o que seria a fase isovolumica do ciclo, ou seja, antes da abertura da valva aórtica.

O grau de regurgitação varia de acordo com o orifício regurgitante, com o nível do gradiente VE-AE e com a resistência vascular periférica.

Aumentos da pré e pós cargas e a redução da contratilidade aumentam o volume do VE e por consequência do orifício mitral, aumentando a regurgitação.

A dilatação ventricular piora a regurgitação, que por sua vez gera maior volume ventricular, gerando um ciclo vicioso.

Medidas farmacológicas que diminuam a pré e pós cargas e que aumentem o inotropismo, reduzem o fluxo regurgitante, especialmente a redução da pós carga através do uso de vaso-dilatadores.

A insuficiência mitral gera hipertrofia excentrica compensatória. A compensação hemodinâmica pode ser mantida por anos, antes que ocorra falência ventricular. Os índices sistólicos (FE, fração de encurtmento, vel circ. de encurtamento) estão inicialmente aumentados, passando a niveis normais ou abaixo do normal quando o paciente fica extremamente sintomático. Assim pacientes com IM aguda com função ventricular normal ao ECO na verdade já apresentam defict da função miocárdica. Disfunções leves ao ECO nessas situações devem ser consideradas como comprometimento severo da função miocárdica.

Hemodinâmica

O débito cardíaco total na insuficiência mitral severa está aumentado até a fase tardia da doença. No entanto o débito efetivo, que passa pela valva aórtica, está normalmente reduzido. A capacidade funcional do paciente depende deste débito efetivo durante o exercício e não do volume regurgitante.

A onda “a” atrial não é tão proeminente quanto a da estenose mitral. A onda “v” no entanto ´e muito importante. A onda “y” é de descenso rápido na insuficiência mitral pura, sendo gradual com gradiente persistente duarante a diastole quando existe estenose mitral concomitante.

Insuficiência Pulmonar

Etiologia

A causa mais comum de insuficiência pulmonar é a dilatação do anel valvar secundária a hipertensão pulmonar de qualquer etiologia ou secundária a dilatação da artéria pulmonar seja idiopática ou seja como conseqüência de distúrbios do tecido conjuntivo como na Síndrome de Marfan. A segunda causa mais comum de insuficiência pulmonar é a endocardite infecciosa. De forma menos frequente a IP pode ser de origem iatrogênica, como consequencia do tratamento da estenose pulmonar ou da tetralogia de Fallot. Alterações congênitas podem ocorrer levando a insuficiência pulmonar por ausência da valva, má formação, fenestração ou por valvulas supranumerárias. Apesar de poderem ocorrer de forma isolada, geralmente se acompanham de outras má formações, em especial a tetralogia de Fallot, CIV e a Estenose Pulmonar. Causas menos comuns são doença reumática, carcinoide, trauma sifilis e acidentes de cateter.

A insuficiência pulmonar isolada gera um aumento da cavidade ventricular direita, que pode ser assintomática por longo período até o surgimento de uma complicação ou o aparecimento de hipertensão pulmonar. Nos casos relacionados com endocardite bacteriana, geralmente ocorre grave insuficiência ventricular direita.

Tratamento:

A regurgitação pulmonar isolada raramente necessita tratamento específico. Os digitálicos são úteis no controle da Insuficiência Ventricular Direita. O tratamento da condição primária geralmente é eficaz (ex: endocardite, correção da EM que causava hipertensão pulmonar). O tratamento direto da valva pulmonar insuficiente é raramente necessário, estando relacionado com casos de tetralogia de fallot com grave insuficiência cardíaca direita onde pode ser exigida a substituição da valva por prótese biológica.

INSUFICIÊNCIA TRICÚSPIDE

Etiologia

Pode ocorrer lesão congênita endocardite bacteriana e atualmente e m toxicômanos que usam drogas injetáveis. É comum em pessoas com insuficiência cardíaca direita e ainda como complicação de infarto do miocárdio. A insuficiência tricúspide pode ainda ocorrer com complicação de doença carcinóide, lúpus eritematoso e degeneração mixomatosa da válvula, ou por dilatação severa do ventrículo direito. Algumas desses insuficiências tricúspides podem regredir com a correção da doença básica.

Prolapso da Válvula Mitral

Definição

que é Prolapso da Valva Mitral?

Prolapso Mitral é uma anormalidade estrutural da valva mitral, que é a estrutura que separa o átrio esquerdo do ventriculo esquerdo, como uma porta. Geralmente não causa sintomas ou repercussões e até 2% da população dita normal possui essa alteração, não havendo um motivo conhecido para que ocorra esta alteração. Alguns podem referir sintomas como dor torácica e palpitações. A insuficiência mitral é o refluxo de sangue através da valva por ela não se fechar completamente. No Prolapso de Valva Mitral não é obrigatório ocorrer refluxo. Quando este existe geralmente é pequeno e raramente evolui para formas mais graves.

Conceito

É uma das anormalidades valvares mais prevalentes, atingindo 2,4% da população. Mais comum em mulheres na razão de 2:1. A insuficiência mitral severa no entanto é menos comum e atinge mais o homem idoso com esta síndrome. Anteriormente a adoção de critérios diagnósticos mais rígidos a alteração era super-estimada e diagnosticada equivocadamente. Um único critério maior sela o diagnóstico. Critérios menores (pelo menos 2) não dão diagnóstico de certeza mas aumentam a suspeita diagnóstica. Outros critérios presentes na síndrome do PVM podem estar presentes mas isoladamente não representam diagnóstico quando forem achados.

A doença é primária e está relacionada a proliferação mixomatosa no aparelho mitral. No entanto são descritas associações , nem sempre comprovadas, com outras síndromes: S. de Marfan, S. de Ehlers-Danlos, Osteogenesis imperfecta, pseudoxantoma elastico, poliarterite nodosa, distrofia miotônica, S. de von Willebrand, Hipertireoidismo, D. de Ebstein, CIA tipo osteo secundum, Miocardiopatia hipertrofica.

História clínica

Apresenta um componente hereditário, manifestado por traço autossomico dominante. As manifestações clínicas são diversas, mas a maioriados pacientes é assintomática. Pacientes podem referir diversos sintomas inespecíficos como fadiga, palpitações e alterações posturais, mas a correlação direta desses sintomas com o PVM não é clara. Podem ocorrer queixas de síncope, pré-síncope, palpitações e desconforto torácico atípico. Quando associada a regurgitação mitral severa, os sintomas típicos dessa podem predominar.

A ausculta típica inclui click (0,14s após S1), distinguivel do ruído de abertura aórtico ao fonocardiograma por ocorrer após o pico do pulso carotídeo. Os clicks podem ser múltiplos, devido a uma distensão das cordoalhas da valvula prolapsada.

Geralmente, mas não obrigatoriamente, o click é seguido de um sopro telessistólico em crescendo, que se continua com A2. Em geral a duração do sopro é proporcional ao grau de severidade da regurgitação mitral, sendo tão mais grave quanto mais precoce o seu início.

A ausculta dinâmica é especialmente útil no PVM. Qualquer manobra que diminua o volume de VE ou a impedância da via de saída faz com que o click fique próximo a M1 e o sopro se antecipa. Ao contrário, aumentos do VDFVE e aumentos da impedância da via de saída, retardam o click e sopro.

Assim a taquicardia, a inalação de nitrato de amilo, a elevação do tronco e a fase de esforço da manobra de valsalva antecipam o click que fica menos audível e antecipam o sopro que fica melhor audível.

A bradicardia, a posição deitada, a elevação dos membros inferiores e após a manobra de valsalva o click é retardado ficando melhor audível e o sopro se reduz.

Essas manobras difereciam este sopro do que ocorre na MCPH.

Referências Bibliográficas

Eugene Braunwald – Valvular Heart Disease IN Braunwald Zipes Libby – Heart Disease – A Textbook of Cardiovascular Medicine; Chap 46: 1671~80 – 6th Ed – Sauders / HIE 2001

Alan Stevens – James Lowe – Patologia – 1ª edição/1996.

Guyton e Hall – Fisiologia Humana e Mecanismos das Doenças – 6ª edição/1998.

Violência Familiar

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Autoria: Patrícia Fidali

Introdução:

Os serviços de emergência são geralmente o primeiro local onde as vítimas de violência familiar ,abuso ou negligência vão para procurar ajuda .

As estatísticas mostram que , a cada ano 3 a 4 milhões de mulheres são espancadas ;1,5 crianças sofrem sérios abusos sexuais e 2,5 milhões de idosos sofrem abuso ou negligência . Todavia ,estes dados são provavelmente subestimados diante da verdadeira extensão do abuso e da negligência.

Manifestações clínicas:

Quando a vítima de abuso procuram tratamento , elas podem apresentar lesões físicas ou problemas de saúde como ansiedade , insônia ou sintomas gastrointestinais relacionados ao estresse. Elas geralmente não se afastam de seu explorador.

A possibilidade de nigligência deve ser investigada sempre que uma pessoa apresenta múltiplas lesões em vários estágios de evolução, ou quando as lesões são inexplicáveis ou a explicação não corresponde a apresentação física . A possibilidade de negligência deve ser investigada sempre que uma pessoa dependente , com recursos adequados e com uma pessoa designada como responsável , apresenta evidências de desatenção quanto a higiene , á nutrição ou a uma conhecida necessidade de medicamento como , por exemplo , não seguimento das prescrições médicas ou falta ás consultas com os profissionais da saúde . Nos SEs, as lesões físicas mais comumente observadas são inexplicadas contusões , lacerações , abrasoes ,traumatismos na cabeça ou fraturas . Má nutrição e desidratação são a manifestação clínica mais comum de negligência.

Sempre que a evidência levar uma pessoa a suspeitar de abuso ou negligência , um histórico com cuidadosa documentação da descrição dos eventos e desenhos das lesões é fundamental porque o prontuário clínico pode ser utilizado como parte da documentação legal. A aparência geral do paciente , as interações com as pessoas significativas , o exame de toda a superfície corporal e o exame do estado mental são cruciais.

Detecção:

As enfermeiras nos SEs estão numa condição privilegiada para realizar a detecção precoce e proporcionar cuidados para as vítimas da violência doméstica . Isto exige uma aguda atenção aos possíveis sinais de abuso , maus tratos e negligência . DE vem ser habilidosas nas técnicas de entrevista que , provavelmente , extraem informações precisas. Um histórico criterioso é fundamental no processo de detecção . As seguintes questões , feitas e discutidas em privacidade , longe de outras pessoas , podem ser úteis no levantamento de informações sobre abuso , maus tratos e negligência.

Observei que você tem algumas contusões. Você pode me contar como elas aconteceram? Alguém na sua casa o machucou? Você parece assustado. Alguém na sua casa o tem machucado?

Ás vezes os pacientes me contam que são machucados por alguém da família , Isto poderia acontecer com você?

Você tem medo de alguém de casa? Ou você tem medo de alguém com quem tem contato?

Alguém deixou de lhe prestar ajuda no sentido de cuidar de você quando precisou?

Alguém já o proibiu de ver amigos ou outras pessoas que você gostaria de encontrar?

Você assinou algum documento que não entendeu bem?

Alguém o obrigou a assinar documentos contra sua vontade?

Tratamento:

Sempre que se suspeitar de abuso . maltrato ou negligência , a principal preocupação do profissional da saúde deve ser a segurança e o bem estar do paciente . Os protocolos da maioria dos serviços de emergência indicam a utilização de uma abordagem multidisciplinar . Enfermeiras , médicos assistentes sociais e instituições comunitárias trabalham em colaboração para desenvolver e implementar um plano que atenda ás necessidades do paciente.

Se em perigo imediato , o paciente deve ser separado da pessoa que abusa ou niglengência sempre que possível . Com base neste perigo ou nas lesões ou nas condições clínicas negligenciadas , a hospitalização é justificável até que sejam feitos planos alternativos . Todavia , deve-se lembrar que os seguros de saúde podem não aprovar a hospitalização justificada pelo abuso ou negligência.

Quando o abuso ou a negligência acontece devido ao estresse vivenciado pela pessoa que cuida e que não é mais capaz de lidar com encargo de cuidar de uma pessoa idosa ou de uma pessoa com doença crônica , os serviços de apoio podem ser necessários . OS grupos de apoio podem ser úteis para para estes cuidadores . Quando fatores patológicos mentais , na pessoa que esta abusando ou negligenciando , são os responsáveis pela situação , podem ser necessárias acomodações quanto a uma moradia alternativa.

Deve- se lembrar que adultos competentes são livres para aceitar ou recusar a ajuda que lhe é oferecida . Alguns pacientes irão insistir em permanecer no ambiente do lar onde o abuso ou a negligência está acontecendo.Para pacientes competentes e sem comprometimento cognitivo, devem -se respeitar seus desejos . Todavia, todas as alternativas possíveis e recursos disponíveis devem ser explorados com o paciente.

Leis que obrigam os profissionais de saúde a relatarem suspeita de abuso a uma instituição oficial, geralmente a Adult (or Child) Proctetive Services ( Serviço de Proteção ao Adulto ou a criança), existem em 42 estados . Em muitos destes estados , a suspeita de abuso é tudo que é necessário relatar , e o profissional de saúde não precisa provar nada .

Além disso , os profissionais de saúde que relatam suspeita de abuso estão imunes ás responsabilidade civis ou criminais se o relato for feito de boa fé . A subsequente visita domiciliar que resulta do relato de suspeita de abuso é parte do processo de obtenção de informações sobre o paciente no ambiente familiar . Além disso , muitos estados oferecem como recursos serviços telefônicos á disposição de profissionais de saúde e pacientes que buscam esclarecimentos sobre abuso e negligência.

Bibliografia

Smeltzer.C.Suzane; Bare. G. Brenda; Tratado de Enfermagem Médico -Cirúrgica.

Editora: Guanabara Koogan, 8ºed , Volume :2 ,-1998