Direitos Humanos

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1.INTRODUÇÃO

Este trabalho visa responder se pode haver relatividade de direitos fundamentais ou se existe a possibilidade de um direito absoluto, pleno, intocável, sem que venha a ser ponderado perante os demais direitos. A analise do problema será feita sob a ótica constitucional, com base na pesquisa doutrinal e em artigos sobre o tema. Para melhor compreensão da assunto, elucidando o questionamento, incumbe buscar um melhor juízo do que vem a ser direitos fundamentais sob o aspecto jurídico brasileiro, vislumbrar as possibilidades de conflitos entre estes direitos, que possam vir a exigir ou não a aplicação do Princípio da Relatividade. 
Para suscitar a discussão, fez-se necessária a leitura de um texto, com o título: Cacilda foi protegida, Severina torturada. Na breve história, nos são apresentadas duas mulheres que tiveram gestações de fetos anencefálicos, sendo que Cacilda aceitou manter a gravidez até o final e Severina, não. Na decisão de não prosseguir com a gestação, Severina viveu um dilema torturante, pois a justiça não garantiu a ela o direito de interromper a gravidez. 
Além da dor de carregar um filho que, possivelmente, não sobreviveria ao parto, viveu também o drama e as angústias da imposição legal de prosseguir com a gravidez. Vimos nesta exposição dos fatos, que houve uma colisão de direitos, o direito à vida do feto contra o direito à dignidade da pessoa, situação dirimida pela justiça, na esfera do Supremo Tribunal Federal. Perante avaliação do exposto, uma questão foi sugerida: Existe ou não a relatividade para os direitos fundamentais?

2.DESENVOLVIMENTO

Os direitos fundamentais são, na verdade, os direitos humanos positivados em âmbito interno, pela Constituição Federal de 1988. Portanto, são normas constitucionais e de natureza essencial. Carl Schmitt, citado por Bonavides, percebe direitos fundamentais como sendo:
Aqueles que recebem da Constituição um grau mais elevado de garantia ou de segurança. No Direito brasileiro, por exemplo, temos a proteção concedida pela Constituição, que impede qualquer deliberação de emenda tendente a abolir os direitos e garantias fundamentais (Art. 60, § 4º, IV).
Os indivíduos são ao mesmo tempo, titulares de direitos fundamentais e destinatários de deveres advindos dos direitos fundamentais. No Código Civil verificamos esta realidade e é bom salientar que o feto, embrião intra-uterino também possui direitos:
Art. 1o Toda pessoa é capaz de direitos e deveres na ordem civil.
Art. 2º A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro.
As garantias e direitos fundamentais são consagrados pela constituição brasileira, contudo, não é lógico dizer que são eles, absolutos ou sem limites, pois se assim fossem, deveriam ser previamente enumerados, de forma expressa, em grau de importância uns sobre os outros, o que esclareceria mais abstratamente os conflitos entre eles. 
Portanto, o direito fundamental pode ser limitado perante a outro direito igualmente protegido pela constituição. O que garante esta limitação é o Princípio da Relatividade ou Convivência das liberdades públicas. Desta forma, diante de um choque de direitos, cabe ao juiz analisar cada caso em concreto e dentro das suas atribuições jurisdicionais, objetivar a existência do choque de direitos, ponderar as hipóteses, se utilizar do juízo de razoabilidade, observar o custo/benefício da medida a ser aplicada naquela situação em especial e decidir qual dos direitos fundamentais prevalecerá, ou seja, para qual lado a balança da justiça penderá para efetivar o direito. 
A concretização do direito à vida que é direito fundamental foi a defesa para indeferir o pedido de Severina, a mesma sentença denegou outro direito garantido pela constituição, o da dignidade da pessoa, um sobressaiu a outro por entendimento do poder judiciário, ou seja, pelo Estado. Ocorreu uma colisão de direitos que necessitou da intervenção estatal para ser dissolvida, que mediante o emprego do princípio da proporcionalidade, sopesou ambos direitos e forçosamente excluiu um deles em favor do outro. Tratou-se então tecnicamente de uma colisão excludente.
Quanto à possibilidade de prevalência de um direito sobre o outro, importa registrar o entendimento de J.J. Gomes Canotilho :
“Os exemplos anteriores apontam para a necessidade de as regras do direito constitucional de conflitos deverem construir-se com base na harmonização de direitos, e, no caso, de isso ser necessário, na prevalência (ou relação de prevalência) de um direito ou bem em relação a outro (D1 P D2). Todavia, uma eventual relação de prevalência só em face das circunstâncias concretas se poderá determinar, pois só nestas condições é legítimo dizer que um direito tem mais peso do que o outro (D1 P D2)C, ou seja, um direito (D1) prefere (P) outro (D2) em face das circunstâncias do caso (C)”
Este tipo de solução ao conflito de direitos fundamentais não é a mais freqüente, só ocorre em casos excepcionais, em regra utiliza-se uma leve majoração de um sobre o outro, não a ponto de um excluir o outro, mas sim harmonizá-los.

REFERÊNCIAS :
Canotilho, JJ Gomes, Estudos sobre Direitos Fundamentais. 1.ª Edição – 2008, Editora Revista dos Tribunais
Morais de Alexandre, Direito Constitucional, São Paulo, Ed. Atlas, 2009.
Bonavides, Paulo. Curso de Direito Constitucional. 6. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1996.

Problema Trabalhista

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
APRESENTAÇÃO DA QUESTÃO PROBLEMA
ANÁLISE COM A RESPOSTA DA QUESTÃO “A”
ANÁLISE COM A RESPOSTA DA QUESTÃO “B”
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS



INTRODUÇÃO

Os casos de demissões por justa causa são vários, mas nem sempre expressam a verdadeira justiça entre os fatos ocorridos e o que realmente determina a Lei nesses casos. Fato esse, que leva assim, o funcionário insatisfeito por ter sido lesado com a perda de seus devidos direitos, a encaminhar o caso à Justiça do Trabalho.

Neste trabalho, iremos analisar um caso característico de demissão por justa causa. Fato esse que nos leva a analisar e procurar os verdadeiros direitos e deveres do empregado e do empregador conforme o que determina a CLT conforme a sua característica de origem.

APRESENTAÇÃO DA QUESTÃO PROBLEMA

João das Botas em outubro de 2008 descumpriu diversas determinações da empresa onde trabalhava, fato este que em pouco tempo se tornou conhecido dos colegas e de seus superiores que o advertiram expressamente quanto a sua conduta. Percebendo seu erro, João, com medo de ser mandado embora, acabou por ficar extremamente compenetrado em seu trabalho, realizando suas funções de maneira exemplar. Decorrido o final do ano, o inicio do ano seguinte, foi chamado em julho pelo seu superior que informou sua demissão por justa causa, tendo em vista sua insubordinação as determinações de seus superiores em decorrência daqueles acontecimentos do ano anterior. Foi dispensado do cumprimento do aviso prévio e recebeu as verbas devidas para uma demissão por justa causa.

Pergunta-se:

A empresa poderia mandar João embora por justa causa por aqueles acontecimentos?

Neste caso, João pode propor alguma ação em face da empresa? Quais seriam seus direitos?

ANÁLISE COM A RESPOSTA DA QUESTÃO “A”

A empresa não poderia demitir João das Botas por justa causa sem comprovação da falta cometida por João. , conforme parágrafo único do Artigo 482 da CLT a seguir:

Parágrafo único – Constitui igualmente justa causa para dispensa de empregado a prática, devidamente comprovada em inquérito administrativo, de atos atentatórios à segurança nacional. (Incluído pelo Decreto-lei nº 3, de 27.1.1966).

E no caso de João se deu decorrido 9 meses por aqueles acontecimentos, a demissão por justa causa deve ser aplicada pelo empregador de imediato após a ciência dos fatos e a apuração da falta grave. E no caso de João das Botas, a empresa tomou conhecimento de tudo em outubro de 2008 e, o demitindo em julho de 2009. Contudo, podemos afirmar que, a empresa não poderia demitir João das Botas em Julho de 2009. E sim, ter emitido o “Aviso Prévio Trabalhado” a João das Botas, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, conforme previsto no artigo 487 da CLT e o art. 7º, inc. XXI, da Constituição Federal de 1988.

ANÁLISE COM A RESPOSTA DA QUESTÃO “B”

Como a empresa o demitiu com justa causa indevidamente, descumprindo os artigos 482 e 487 da CLT, João das Botas, perdeu seus verdadeiros direitos que deveria só pôde desfrutar apenas dos dias trabalhados. Assim, sendo João pode sim propor uma ação trabalhista junto a Justiça do Trabalho, pois o mesmo foi lesado quanto a perda de seus verdadeiros devidos direitos, pois o correto seria uma demissão sem justa causa.

Ele será indenizado por ter sido demitido de forma incorreta, no caso por justa causa, e receber suas verbas no que determina o artigo 481 da CLT, a demissão sem justa causa.

CONCLUSÃO

Posso concluir que devemos sempre buscar base no Decreto-Lei nº. 5.452, de 01.05.1943, publicado no D.O.U. de 09.08.1943, ou melhor, a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho sempre que formos proceder a um caso de demissão. Pois é o alicerce para a verificação desses casos, para que ocorra de forma precisa e sem prejuízo para ambos os lados, evitando as chamadas ocorrências de ações trabalhistas.

REFERÊNCIAS

CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, disponível no site da Casa Civil: http://www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm

Caracterização do Serviço da Terapia Ocupacional

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Devido à imaturidade funcional e estrutural dos organismo dos recém nascidos prematuros, estes podem apresentar sequelas e diversos graus de comprometimentos em seu desenvolvimento. Com isso, a intervenção da Terapia Ocupacional com estes bebês torna-se de suma importância em seus três níveis de atuação: estimulação precoce e direta aos prematuros; favorecimento de um vínculo maior das mães com seus bebês e no ambiente. Nesse sentido, este estudo teve como objetivo fazer um levantamento dos bebês internados no berçário de cuidados especiais de um hospital materno infantil, identificando quais apresentam risco de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e foram encaminhados para o atendimento terapêutico ocupacional no ambulatório de follow-up de neonatos e acompanhar o trabalho da Terapia Ocupacional nestes setores. Foi realizado um levantamento de todos os bebês nascidos prematuramente durante aproximadamente 5 meses, ano de 2009.

Fizeram parte da amostra 25 bebês acompanhados no berçário de cuidados especiais, dos quais 5 foram encaminhados para atendimento no ambulatório de follow-up, e 9 bebês que já se encontravam em atendimento no setor quando a pesquisa se iniciou. Entrevistas semi-estruturadas foram aplicadas a 6 profissionais destes setores, visando caracterização do local. Os resultados mostraram que os atendimentos terapêuticos ocupacionais nos setores analisados, apesar de terem sido implantados recentemente, corroboram com os demais encontrados na literatura. Os atendimentos no berçário de cuidados especiais visaram a realização de estimulações sensoriais, contenção facilitadora e mobilização de membros superiores e inferiores. Já os atendimentos no ambulatório de follow-up visaram avaliações gerais do desenvolvimento neuropsicomotor, estimulação ao desenvolvimento adequado e orientações aos pais. Quanto ao fato dos bebês apresentarem atrasos no desenvolvimento, constatou-se que para isso diversos fatores estão envolvidos. 
Demonstrou-se também que os profissionais atuantes dentro desses setores conhecem e reconhecem o trabalho da terapia ocupacional com essa população.

LISTA DE QUADROS

Quadro 1: Dados relevantes das mães dos prematuros
Quadro 2: Caracterização dos bebês participantes acompanhados no berçário de cuidados especiais
Quadro 3: Atendimentos terapêuticos ocupacionais no berçário de cuidados especiais
Quadro 4: Bebês encaminhados para a Terapia Ocupacional no ambulatório de follow-up: situação do DNPM e procedimentos realizados no setor
Quadro 5: Caracterização dos bebês que já estavam em atendimento ambulatorial no início da pesquisa
Quadro 6: Breve relato da situação do desenvolvimento neuropsicomotor dos bebês atendidos no ambulatório de follow-up e os procedimentos realizados ao longo dos atendimentos

LISTA DE ABREVIATURAS

UTIN – Unidade de cuidados intensivos neonatal
RNPT – Recém nascido pré-termo
RTCA – Reflexo Tonico cervical assimétrico
RN – Recém-nascido
TCLE – Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
DNPM – Desenvolvimento neuropsicomotor

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO 
1.1 O Nascimento prematuro e suas implicações para o bebê 
1.2 Desenvolvimento normal do recém-nascido até os 12 meses e anormalidades freqüentes nos prematuros
1.3 Intervenção terapêutica ocupacional com bebês nascidos pré-termo
1.4 Ambulatório de follow-up 
2 OBJETIVOS 
2.1 Objetivo geral 
2.2 Objetivos específicos 
3 MÈTODO
3.1.1 Local 
3.1.2 Caracterização do berçário de Cuidados Especiais 
3.1.3 Caracterização do Ambulatório de follow-up
3.2 Participantes 
3.2.1 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido
3.3 Instrumento 
3.4 Procedimento 
3.4.1 Coleta de dados 
3.4.2 Procedimento de análise de dados 
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO 
4.1 Caracterização dos bebês do berçário de cuidados especiais 
4.2 Bebês acompanhados apenas nos atendimento no ambulatório de follow-up, por já se encontrarem no setor no início da pesquisa 
4.3. Entrevista com os profissionais 
5 CONIDERAÇÕES FINAIS 
REFERÊNCIA 
GLOSSÁRIO 
APÊNDICE A: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido aos pais
APÊNCIDE B: Termo de Consentimento Livre e Esclarecido aos Profissionai
APÊNDICE C: Roteiro de Entrevista Semi-Estruturada com os profissionais
APÊNDICE D: Ficha de Registro de Dados do bebê 
APÊNDICE E: Ficha de Registro da Terapia Ocupacional
ANEXO A: Quadro 7: Comportamentos de auto-regulação descritos na avaliação do comportamento do bebê pré-termo, segundo Als (1982)

1 INTRODUÇÃO

1.1 O Nascimento prematuro e suas implicações para o bebê

De acordo com Braga (2004), no aspecto fisiológico, o nascimento é considerado um momento complexo e que envolve adaptações respiratórias, metabólicas e circulatórias. O feto, antes imerso em líquido e dependente da placenta para trocas gasosas, excreção e nutrição, passa a necessitar de ar para respiração e tem que desenvolver suas funções de forma independente.

O momento do nascimento pode ou não ser traumático para o bebê. A experiência do nascimento vem acompanhada de uma carga intensa de energia que invade o bebê e pode desestabilizar o ritmo temporal construído durante o período de gestação. Sendo assim, no momento em que a mãe aconchega seu bebê e lhe oferece um contato para instituir o laço familiar, restitui-se o compasso quebrado pelo nascimento. Quando a gestação do bebê é interrompida antecipadamente com um parto prematuro, as sensações de angústia e ansiedade se prolongam na ausência dos cuidados familiares e o trauma pode se instalar. (MOREIRA, 2007).

Segundo a Organização Mundial de Saúde, o recém-nascido pré-termo (RNPT) é todo aquele nascido com idade gestacional inferior a 37 semanas, ou antes de 259 dias. Estas semanas são calculadas a partir do 1º dia do último ciclo menstrual.

De acordo com Rugolo (2000 apud AYACHE; CORÌNTIO, 2003), segundo o peso de nascimento, os recém-nascidos podem ser classificados como sendo de baixo peso (entre 1.500 e 2.499 gramas), de muito baixo peso (entre 1.000 e 1.499 gramas) e de extremo baixo peso (inferior a 1.000 gramas). Os recém-nascidos também podem ser classificados como prematuros moderados, com idade gestacional entre 31 e 36 semanas, ou prematuros extremos, com idade gestacional entre 24 e 30 semanas.

Bebês prematuros podem encontrar dificuldades de adaptação extra-uterina, devido à imaturidade funcional e estrutural de alguns de seus sistemas. Sendo assim, a condição de nascimento pré-termo constitui-se como um risco para a criança, uma vez que, além de expô-la a uma cadeia de adversidades sucessivas e simultâneas decorrentes da própria condição adversa da prematuridade, pode acarretar em diversos graus e níveis de comprometimentos no desenvolvimento global desta criança. (AYACHE; CORÍNTIO, 2003; LINHARES, 2003).

Algumas das principais sequelas que um bebê pré-termo pode apresentar são:

– sequelas neurológicas decorrentes de hemorragia intracraniana ou anormalidades graves; 
– imaturidade pulmonar, que pode desencadear uma depressão respiratória e tornar o bebê mais suscetível a desenvolver displasia broncopulmonar, doença da membrana hialina e apnéia da prematuridade; 
– no sistema cardiovascular podem estar presentes hipotensão, hipovolemia e insuficiência cardíaca congestiva, hipoglicemia, hipocalcemia, acidose metabólica e osteopenia; 
– no sistema hematológico podem estar presentes anemia ou hiperbilirrubinemia, rins imaturos podem apresentar deficiência na filtração glomerular e a imaturidade de mecanismos de regulação térmica pode acarretar hipotermia ou hipertermia; 
– nas vias oftalmológicas, há risco de desenvolver retinopatia da prematuridade e o sistema imunológico pode estar mais suscetível a infecções. (LINHARES, 2003; ACIOLY, 2003).

”Na América Latina, a incidência da prematuridade varia de dez a quarenta e três por cento, e no Brasil o índice é em torno de onze por cento.” (BENZECRY; OLIVEIRA; LEMGRUBER, 2000, p.913).

É difícil antever se um parto será prematuro, mas há mulheres que apresentam fatores de risco para a prematuridade, tais como: classe socioeconômica baixa; mulheres negras; mulheres com menos de dezesseis anos ou mais de trinta e cinco; pequeno intervalo entre gestações; antecedentes de partos prematuros; gestação múltipla; atividade materna intensa e sem acompanhamento médico; doença materna aguda ou crônica; hipertensão arterial; diabetes; infecções urinárias; vaginites; estresse; descolamento de placenta; tabagismo; mulheres com peso baixo antes da gestação e que ganham pouco peso durante a gravidez; anormalidades anatômicas do útero; anemia grave; uso de drogas lícitas e ilícitas; dentre outros, que devem ter um acompanhamento médico mais cuidadoso. (ACIOLY, 2003; BENZECRY; OLIVEIRA; LEMGRUBER, 2000).

O desenvolvimento de cuidados cada vez mais avançados em Terapia Intensiva Neonatal (UTIN), nas ultimas décadas, propiciou a sobrevida de um grande número de recém-nascido pré-termo de muito baixo peso. Porém, apesar dos cuidados avançados, o ambiente hospitalar ainda difere-se em grande escala do útero materno e, com isso, o bebê prematuro não conta com o ambiente uterino da mãe para protegê-lo de perturbações externas, para suprir constantemente suas necessidades nutricionais, controlar sua temperatura e regular seus hormônios.

Devido à privação de um completo desenvolvimento intra-uterino, prematuros poderão apresentar atrasos no desenvolvimento motor, além de possíveis problemas cognitivos, como retardo mental (baixo QI). Estudos revelam que cerca de 50% dos prematuros que nascem com idade gestacional inferior a 30 semanas apresentam distúrbios neurológicos. (CARDOSO et al, 2006).

1.2 Desenvolvimento normal do recém-nascido até os 12 meses e anormalidades frequentes nos prematuros

Devido à postura intra-uterina assumida durante todo o período pré-natal, o neonato tende a apresentar uma postura em flexão. A maturação do córtex cerebral é notada com o aparecimento e desaparecimento de reações e reflexos evoluindo no sentido céfalo-caudal. “O desenvolvimento motor se faz em etapas, dos movimentos grosseiros aos mais finos, evoluindo de forma sequencial: controle da cabeça, rolar, sentar, ficar em pé e andar.” (AYACHE; CORÍNTIO, 2003, p.6). O aparecimento ou não de aquisições motoras correspondentes a cada idade é um importante parâmetro para a detecção precoce de desvios e atrasos do desenvolvimento.

De acordo com Flehmig (1987), Ayache e Coríntio (2003) e Jacobs (2006), o desenvolvimento normal do recém-nascido de 1 a 12 meses ocorre da seguinte maneira:

No primeiro mês de vida o bebê possui uma postura predominantemente flexora, tanto em decúbito dorsal como em ventral; a cabeça se encontra frequentemente de lado e o corpo realiza rotação em bloco; reage a efeitos luminosos e acústicos extremos franzindo a testa, com choro, reação de moro ou ficando quieta; punhos encontram-se fechado. Reflexos de sucção, de preensão palmar, de flexão plantar, de marcha, de moro, tônico cervical assimétrico (RTCA) e reação postural cervical são alguns presentes nesta fase.

No segundo mês o tono flexor ainda está presente nas posições em prono e supino; mantém olhar fixo em objetos e acompanha parte de sua trajetória; esperneia alternadamente; a cabeça já se levanta, porém por curtos intervalos de tempo; reage ainda da mesma maneira a estímulos luminosos ou sonoros; sorri e observa com atenção fisionomias. Reações e reflexos ainda continuam presentes.

No terceiro mês a criança encontra-se ora em posturas simétricas, ora em posturas assimétricas; em decúbito dorsal vira-se para os lados não mais em bloco como antes, mas já com certa rotação; a cabeça pode ser mantida na linha média, mas coloca-se frequentemente para um lado (influência do RTCA); em decúbito ventral inicia extensão cervical, erguendo a cabeça a 45º, com apoio nos antebraços; o tônus já não é mais predominantemente flexor, mas também extensor; em decúbito dorsal, quando puxado para sentar a cabeça já se mantém alinhada ao tronco; as mãos já podem ser trazidas para a linha média e são frequentemente levadas á boca; agarra objetos para brincar, mas ainda tem dificuldades para soltá-los; o campo de alcance visual está aumentado, juntamente com a capacidade de acompanhar objetos por um maior período de tempo; ao ouvir ruídos vira-se para o lado da fonte geradora. Reflexo de flexão palmar tende a ir desaparecendo, mas pode ainda persistir o de flexão plantar e a Reação de Moro.

No quarto mês o bebê apresenta movimentos mais coordenados; da posição dorsal é capaz de rolar para os dois lados; a cabeça pode encontrar-se na linha média, mas há a preferência por um dos lados; em decúbito ventral, consegue uma extensão da cabeça de quase 90º com apoio nos antebraços; com ligeira rotação externa e abdução das pernas em decúbito ventral, a criança inicia o rastejar; com a aquisição da coordenação óculo-manual, o bebê brinca com as mãos de maneira mais voluntaria e objetos pegos pelas mãos e manipulados na linha média, casualmente já podem ser largados; melhora o controle cervical e quando puxada para sentar, a criança traz a cabeça alinhada ao tronco; sentada ainda não possui equilíbrio, mantendo o dorso curvado. O Reflexo de flexão palmar é quase inexistente, e os reflexos RTCA, de flexão plantar e de moro são bastante discretos.

No quinto mês, na posição dorsal, além de rolar para os lados, ocasionalmente o bebê consegue rolar para decúbito ventral. Ainda em decúbito dorsal, também já consegui erguer a cabeça e arquear as costas levantando o quadril como se fizesse uma ponte; os pés são agarrados e levados á boca; na posição ventral consegue manter-se sobre apoio de somente um dos antebraços, enquanto libera o outro membro e estende para frente; movimentos já se apresentam de forma mais coordenada; quando puxada para sentar, trás a cabeça antes do tronco; objetos são transferidos de uma mão para outra, frequentemente são levados á boca e largados por acaso; produz sons inarticulados e conversa sozinha; sorri para sua imagem no espelho; diferencia pessoas conhecidas de desconhecidas. Nesta fase desaparecem os reflexos e reações primárias do período neonatal e inicia-se o reflexo de Landau.

No sexto mês a criança em decúbito dorsal, que já não é o preferido, estende os braços e vira-se para decúbito ventral; rola de prono para supino não mais em bloco, mas com dissociação de cintura; permanece sentada sem apoio momentaneamente, com o dorso curvado, joelhos fletidos e quadris abduzidos; levantada para manter-se em pé a criança já suporta bem seu peso, mas ainda oscila bastante e não se mantém na posição sozinha; ao pegar objetos realiza preensão palmar; começa a imitar sons lingüísticos.

Entre o sétimo e o oitavo mês a criança já não fica em decúbito dorsal. Em decúbito ventral já consegue arrastar-se e passar para a posição de gato e engatinhar, inicialmente movimentando-se em bloco e, posteriormente, com maior dissociação de cinturas; senta-se sem apoio, pois já desenvolveu reação de proteção e equilíbrio para frente e, posteriormente, para os lados; a criança puxa-se para ficar em pé, mas ainda não possui equilíbrio suficiente para manter-se sozinha na posição; imita sons próprios e que ouve; bate um brinquedo contra o outro.

Durante o nono e o décimo mês a criança não permanece mais nos decúbitos ventral e dorsal, virando-se sempre para os lados e sentando-se; sentada possui um bom equilíbrio, apóia-se nos braços para trás, gira sobre si mesma e, desta posição, consegue deslizar para frente e para trás; da posição sentada passa para a de engatinhar, e vice-versa; levanta-se sozinha segurando em objetos; balança-se e troca passos com apoio; frequentemente passa da posição em pé para a de engatinhar; engatinha com rapidez e boa rotação; um brinquedo já pode ser largado e jogado; pega objetos com preensão fina (pinça bi-dígito); emite sussurros e diz sílabas dobradas (como “mamã” e “papá”); começa a brincar com os outros, e não somente sozinha.

Entre o décimo primeiro e o décimo segundo mês, a criança praticamente só assume a posição ventral e dorsal no momento de dormir; adquiriu bom equilíbrio na posição sentada, conseguindo apoiar-se para todos os lados; passa da posição sentada para engatinhar, de maneira rápida e bem equilibrada; levanta-se e fica em pé com ou sem apoio, passando às vezes pela posição de urso (apoio não mão e nos pés); consegue trocar alguns passos sem apoio, mas o equilíbrio ainda é precário nesta posição; inicio do controle esfincteriano da bexiga; começa a falar; torna-se mais autônoma.

A evolução do desenvolvimento neuropsicomotor de bebês prematuros difere substancialmente da evolução de bebês a termo. Bebês pré-termo tendem a apresentar uma hipotonia global, por isso seu padrão flexor (uma característica de recém-nascidos a termo) encontra-se bastante diminuído. A falta de flexão fisiológica destes bebês deve-se à redução do tempo em ambiente uterino e a ação da gravidade na musculatura ainda fraca destes bebês, predominando assim uma postura extensora.

Movimentos espontâneos de braços e pernas podem estar mais lentos e a resistência à movimentos passivos é pequena. Um ou todos os membros poderão ser assimétricos e os reflexos e reações primitivas podem ser ausentes, inconsistentes ou anormais. Mesmo com o aumento gradativo do tono flexor à medida que o bebê se desenvolve, o prematuro não conseguirá atingir o grau completo de tono muscular equivalente a um bebê a termo, desencadeando assim um desequilíbrio entre os grupos musculares flexores e extensores. Este desequilíbrio poderá interferir na aquisição de importantes funções motoras, como controle de cabeça e de tronco, equilíbrio sentado, habilidades e coordenação bilateral, dificuldades de conquistar a linha média, atraso na locomoção, e ainda afetar a imagem corporal e habilidades de exploração.

De acordo com Ayache e Coríntio (2003), além de problemas físicos ocasionados pelo nascimento prematuro, há também influências do meio ambiente, que deveria proporcionar experiências, interações e vinculo com os pais do bebê, desde o nascimento. Contudo, bebês nascidos pré-termo permanecem internados por longos períodos em Unidades de Terapia Intensiva e/ou berçários de alto risco, locais estes que se apresentam como ambientes hostis e agressivos, e que frequentemente lhes proporciona sensações desagradáveis e nocivas. Dentro de Unidades de Terapia Intensiva Neonatais encontra-se grande quantidade de estímulos nocivos, como: luminosidade, ruídos, manipulações excessivas e dolorosas, e que nem sempre são dosadas e adequadas, que levam o bebê a um estado de apatia profunda e de grande desgaste físico e emocional.

1.3 Intervenção terapêutica ocupacional com bebês nascidos pré-termo

A atuação da Terapia Ocupacional nestes ambientes visa estimular o bebê de maneira e intensidade adequadas, a fim de facilitar o desenvolvimento neuropsicomotor dos neonatos, favorecer o vinculo mãe-bebê e oferecer suporte a estas famílias. Desta forma, segundo Monteiro (2007), há três níveis de intervenção nos espaços de Unidade de Terapia Intensiva Neonatal e nos berçário de alto risco (berçário de cuidados especiais), quais sejam:

Intervenção no ambiente físico e humanização

Para a humanização do ambiente das Unidades de Terapia Intensiva Neonatais e proporcionar uma melhor qualidade de vida aos bebês durante o período de internação, podem ser realizados alguns procedimentos visando diminuir as “agressões ambientais” à que os recém-nascidos estão expostos. O ambiente físico deve ser levado em consideração, tornando-o menos assustador, mais agradável, acolhedor e familiar. Para isso, deve-se rever o design da UTIN (distanciamento das incubadoras e localização) e personalizar as incubadoras, com nomes dos bebês e brinquedos laváveis (MONTEIRO, 2007).

Os níveis de ruídos dentro das UTIN, segundo recomendações da Agência de Proteção dos Estados Unidos, não deveriam ultrapassar 45 dB durante o dia e 35 dB durante a noite. Excessos de ruídos podem causar estresse e insônia aos bebês. A insônia provocada pelo excesso de ruídos faz com que os prematuros consumam energia necessária para seu processo de cura, devido à relação com a imunossupressão, síntese adequada de proteínas, confusão, irritabilidade, desorientação, falta de controle e ansiedade. (CARVALHO; PEDREIRA; AGUIAR, 2005). Os ruídos produzidos neste ambiente hospitalar são produzidos, principalmente, por aparelhos (monitores cardíacos, ventiladores mecânicos, oxímeros de pulso, sistema de alarmes); vozes humanas; telefones; rádios; passos; o ruído de abrir e fechar gavetas; abrir e fechar incubadoras; apoiar objetos sobre as incubadoras; abrir e fechar portas; torneiras de pias e lixeiras.

Algumas medidas que podem ser tomadas são: utilizar abafadores nas lixeiras, portinholas, pias e portas; reduzir sons de alarmes, bips e campainhas; falar baixo; não utilizar rádios; diminuir a abertura e fechamento das portinholas das incubadoras e não arrastá-la ou tamborilar sobre as mesmas; não apoiar objetos e pranchetas sobre cúpula de acrílicos das incubadoras; desligar alarmes o mais rapidamente possível e optar por sapatos que produzam pouco ruído ao caminhar. (GOMES; FUMAGALLI; GUERRA, 2000; MONTEIRO, 2007; CARVALHO; PEDREIRA; AGUIAR, 2005; ZACONETA et al, 2001).

Para que haja uma correta observação pelos profissionais de saúde, os bebês estão constantemente expostos à iluminação excessiva, o que pode causar reações lesivas sobre as estruturas óticas podendo agravar retinopatias, uma vez que recém nascidos pré-termo possuem características anatômicas oculares que permitem entrada de grande quantidade de luz na retina. Outro agravante é que o excesso de luz constante impossibilita que os bebês abram os olhos para interagir com o meio circundante e desorganiza o ritmo circadiano hormonal. (ZACONETA et al, 2001).

Providências a serem tomadas para este caso pode ser: introduzir um mecanismo de luz cíclica, ou seja, diminuição da luz durante a noite, que pode ajudar o bebê a diferenciar o dia da noite (ciclo sono-vigília); posicionar incubadoras onde não tenha excessos de iluminação; utilizar cortinas para diminuir a intensidade da luz dentro da unidade; personalizar incubadora, cobrindo-as a fim de dosar a intensidade de luz para o bebê. (MONTEIRO, 2007; ZACONETA et al, 2001).

Intervenção junto ao recém-nascido

A intervenção diretamente com os bebês é alicerçada de acordo com as atitudes comportamentais demonstradas pelo bebê. A capacidade de perceber e interpretar as necessidades do recém-nascido pode ser embasado pelo Modelo Síncrono Ativo de Heidelise Als, que delineia caminhos para se observar o funcionamento cerebral através dos comportamentos do bebê. De acordo com Meyerhof (1997), os cinco subsistemas propostos pelo modelo, são: as capacidades autônomas; motora; de organização dos estados, de atenção e de auto-regulação do recém-nascido, e podem ser observadas a olho nu, identificando especificamente onde se encontra o limiar daquele bebê em relação ao estresse, ao aumento da capacidade de auto-regulação e de auto-diferenciação entre estes cinco subsistemas.

A seguir a descrição dos 5 subsistemas:

a) O sistema autônomo é observável através dos padrões de respiração, mudanças na cor da pele, sinais viscerais, como movimentos peristálticos, regurgitar, soluços e freqüência cardíaca.
b) Para o sistema motor é observável a postura, o tônus e os movimentos do bebê. 
c) O sistema de organização dos estados pode ser observado por meio de variações do estado de consciência, as transições de um estado para o outro e a clareza e diferenciação entre eles. 
d) Para a observação da atenção devem-se notar as habilidades do recém nascido em assumir e manter um estado de alerta e em responder adequadamente a estímulos sociais e cognitivos. 
e) Finalmente, o sistema de auto-regulação é notável através de estratégias utilizadas pelo neonato, para manter o equilíbrio relativamente estável e relaxado dos subsistemas.

Caso haja excesso de estimulação, desequilíbrio ou sobrecarga dos subsistemas, o recém-nascido expressará seu estresse por sinais de retraimento. Por outro lado, quando há equilíbrio dos subsistemas o neonato demonstrará receptividade às interações com os pais e aos manuseios dos profissionais, ou seja, é o momento mais adequado para realização de estimulação direta com o bebê.

Sendo assim, sinais comportamentais de aproximação geralmente indicam que o bebê está recebendo uma quantidade adequada de estimulação e interação, por outro lado, sinais comportamentais de retraimento indicam que o recém-nascido está estressado e que as estimulações excessivas deveriam ser gradativamente retiradas (KUDO et al, 1997). O quadro com os comportamentos de auto-regulação descritos na avaliação do comportamento do bebê pré-termo, segundo Als, (1982), encontra-se em anexo (Anexo A).

A fim de facilitar o desenvolvimento neuropsicomotor, no momento de interagir com o neonato, é de suma importância a interpretação e o respeito dos sinais comportamentais demonstrados pelo bebê, bem como os estados de consciência. Brazelton (1984 apud MEYERHOF, 1997) define seis estados de consciência claramente distintos, sendo dois estados de sono e quatro de vigília.

Os estados de consciência são: Sono profundo (olhos fechados, respiração regular e profunda; dura cerca de 20 minutos e é importante para o repouso e organização do sistema nervoso do recém nascido pré-termo); sono leve (com movimentos rápidos dos olhos, respiração irregular e rápida, esboça caretas, sorrisos ou movimentos bucais e movimentos corporais); sonolência (olhos abrem e fecham com movimentos suaves dos membros); alerta inativo (olhos brilhantes respiração regular, corpo e face relativamente inatos, estado mais favorável á interação pois responde facilmente a estímulos auditivos e visuais); alerta ativo (olhos abertos e mais atividade corporal, pode protestar e choramingar) e choro (choro forte com intensa atividade motora).

Segundo Meyerhof (1997, p.207), a intervenção envolve tanto a inibição quanto a estimulação. O terapeuta deverá estruturar o ambiente de tal forma que o bebê consiga uma melhor auto-organização. Portanto o objetivo da intervenção será tanto no sentido de promover “input” sensorial, como a de proteger o bebê de excessos de estimulação, graduando os estímulos de acordo com o desenvolvimento adaptativo do neonato.

Para se dar início ao atendimento, é de suma importância observar as condições do bebê, verificando em que estado de consciência o mesmo se encontra e obter informações sobre como foi o dia do bebê (se dormiu, chorou, foi amamentado, se recebeu a visita da mãe). As intervenções podem ocorrer nas atividades de vida diária do bebê internado, ou seja, nas manipulações de rotina.

Durante o banho, é importante que toda a equipe esteja orientada quanto à melhor posição para realizá-lo, sempre com o bebê em prono, que evita a reação de moro e subseqüente choro. A pesagem deve acontecer com o bebê sempre em prono ou decúbito lateral, facilitando assim sua auto-organização e que o recém nascido leve a mão á boca. Durante os procedimentos de troca de fraldas, a equipe também deve ser orientada para realizá-la com o recém-nascido em decúbito lateral, com o berço ou apoio levemente inclinado (posição anti-refluxo) e a fralda a ser colocada não deve ser grande para o tamanho do neonato, para não propiciar uma abdução exagerada de quadril. (MONTEIRO, 2007)

As intervenções precoces diretas com pré-termo ocorrem com relação ao posicionamento, estimulação oral, visual, auditiva, tátil sinestésica, multimodal e social. O manuseio dos bebês deve ocorrer na forma de enrolamento e contenção facilitadora. (KUDO et al, 1997)

Durante o manuseio dos prematuros devem-se utilizar as técnicas de enrolamento, que consiste em uma aproximação das extremidades do corpo do bebê, ou seja, uma aproximação da cabeça e dos membros inferiores. Deve-se utilizar esta postura no neonato para inibir extensão cervical ou durante as passagens da incubadora para a balança e para o banho, por exemplo.

A equipe também deve receber orientações do terapeuta sobre: evitar mudanças bruscas de posicionamento; realizar procedimentos de rotina, sempre que possível, respeitando o estado comportamental do bebê e o seu sono; evitar manuseios desnecessários e incômodos ao bebê; durante procedimentos dolorosos, posicionarem bem o recém-nascido para que ele permaneça acomodado e utilizar técnicas que minimizem o estresse, como a sucção não nutritiva, por exemplo.

A contenção facilitadora, também pode ser utilizada em procedimentos dolorosos, ou sempre que o bebê se desorganizar. A técnica consiste em colocar o bebê em decúbito lateral e as mãos do terapeuta sobre a cabeça e sobre a planta dos pés do neonato, proporcionado assim que ele se reorganize.

O “ninho” também é indicado para os bebês dentro das incubadoras, e consiste em utilizar “rolinhos” feitos de lençol, por exemplo, para conter e acomodar o bebê em todos os decúbitos. A utilização do ninho proporciona limite e toque ao bebê, permitindo assim que ele se organize melhor e sinta-se seguro.

Nos berçários de alto risco, devido à maior estabilidade clínica dos prematuros, as intervenções terapêuticas ocupacionais ocorrem, majoritariamente, no sentido de acompanhar recém-nascidos que possuam fatores de risco para o crescimento e/ou desenvolvimento, estimulando-o precocemente e orientando os pais sobre como estimular seu bebê durante as atividades rotineiras.

Apoio aos familiares

A terapia ocupacional também tem como foco a intervenção com os pais dos bebês internados, que podem experimentar reações psíquicas de culpa, medo, desesperança e de negação, o que acaba dificultando a formação do apego e do vínculo pais-bebê. A perda do bebê imaginário e sonhado durante a gestação traz aos pais a sensação de luto e angústia, principalmente ao verem, pela primeira vez pós-internação, seu filho envolto por tubos que “invade” todo o pequeno e desprotegido corpo (MONTEIRO, 2007). Segundo Baldini e Krebs (2000, p.182 apud Dittiz et al, 2006, p.43), “pais entram num estágio de luto após o nascimento do filho, que pode ser tão intenso quanto o luto da morte real”.

Neste sentido, a Terapia Ocupacional visa oferecer apoio à mãe e a família, buscando minimizar o sofrimento inerente á condição do filho internado e desenvolver habilidades de enfrentamento da situação. Podem ser realizados atendimentos grupais, afim de que a mãe possa expressar seus sentimentos e expectativas.

A interação pais-bebê deve ser estimulada para que o apego se desenvolva precocemente, encorajando e preparando a mãe para que ela se reconheça como cuidadora do bebê. Neste sentido, podem ser realizadas atividades grupais para que as mães confeccionem móbiles, placas nominais e outros objetos para seus bebês, contribuindo também para a construção de um ambiente mais personalizado para cada criança. A mãe também deve ser incentivada a estabelecer maior contato com seu bebê e a participar dos cuidados diários prestados ao bebê pela equipe da unidade. A Terapia Ocupacional também pode atuar como mediador das relações entre os profissionais e a mãe/família, entre os profissionais e até entre as próprias mães.

1.4 Ambulatório de Follow-Up

O seguimento do recém-nascido (RN) de risco é uma especialidade estabelecida na maior parte dos serviços de saúde dos países desenvolvidos. No Brasil, os primeiros ambulatórios de Follow-up surgiram por volta da década de 80, sendo que no primeiro momento os cuidados eram voltados principalmente para os aspectos clínicos dos bebês acompanhados. Com uma ampliação dos objetivos do programa tornou-se necessária a formação de equipes interdisciplinares para atendimento á clientela. (LEMOS et al, 2004).

O ambulatório de seguimento follow-up é a continuidade da assistência ao recém-nascido após sua alta hospitalar, que se segue até que este complete cerca de sete anos de idade. A prioridade assistencial neste setor é identificar, o mais precocemente possível, desvios no desenvolvimento global dos recém-nascidos, e intervir afim de eliminar ou amenizar este desvio. Os atendimentos, realizados pela equipe interdisciplinar, ocorrem, geralmente, acompanhando recém-nascidos que apresentaram: nascimento prematuro, asfixia perinatal, problemas neurológicos, hiperbilirrubinemia, policitemia sintomática, hipoglicemia sintomática, necessidade de uso de ventilação mecânica, infecções congênitas, más formações congênitas e síndromes genéticas. (MONTEIRO, 2007; SILVA, [200?]).

Os principais objetivos dos atendimentos ambulatoriais de follow-up, atualmente são: identificar crianças de alto risco para problemas de desenvolvimento; acompanhamento para detecção e intervenção profilática/terapêutica o mais precocemente possível e dar suporte á família dos recém-nascidos. (SILVA,[200?])

Ao terapeuta ocupacional atuante neste setor cabe avaliar, junto á equipe médica, o desenvolvimento neuropsicomotor dos bebês e, caso haja disfunção, acompanhá-lo em sessões semanais objetivando estimulação global do mesmo. (LEMOS et al, 2004).

Sendo assim, o presente trabalho realizou um levantamento dos bebês internados no berçário de cuidados especiais de um hospital materno infantil, identificando quais apresentavam risco de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e foram encaminhados para o atendimento terapêutico ocupacional no ambulatório de follow-up, bem como acompanhar o trabalho da terapia ocupacional nestes setores.

2 OBJETIVOS



2.1 Objetivo Geral

Fazer um levantamento dos bebês internados no berçário de cuidados especiais de um hospital materno infantil, identificando quais apresentam risco de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor e foram encaminhados para o atendimento terapêutico ocupacional no ambulatório de follow-up.

2.2 Objetivos Específicos

– Por meio de dados coletados nos prontuários e com a equipe profissional do setor, identificar as causas de partos prematuros e as possíveis complicações no nascimento de bebês pré-termo.
– Relatar os atendimentos terapêuticos ocupacionais ocorridos no berçário e no ambulatório durante o período de coleta de dados visando caracterização da atuação profissional terapêutica ocupacional neste setor.
– Identificar a percepção da equipe que atua nesses setores, sobre a atuação da Terapia Ocupacional com os bebês prematuros.

3 MÉTODO

3.1 Local

A pesquisa foi realizada no berçário de cuidados especiais e no ambulatório de follow-up de um hospital materno infantil, localizado em uma cidade do interior paulista. O trabalho de Terapia Ocupacional nesses setores acontece desde fevereiro de 2009 e é realizado por meio do estágio supervisionado, com as alunas do 4º ano do Curso de Terapia Ocupacional de uma universidade pública da mesma cidade.

3.1.1 Caracterização do berçário de cuidados especiais

No berçário de cuidados especiais os atendimentos terapêuticos ocupacionais acontecem 2 vezes por semana, no período da manhã, entre 08:00 e 09:00 horas, antes dos procedimentos de banho, troca de fraldas e alimentação. O trabalho de Terapia Ocupacional realizado no berçário de cuidados especiais visa estimulação destes prematuros; realização de mudanças de decúbito para favorecer auto-regulação e auto-organização; utilização de contenção facilitadora nos momentos de procedimentos invasivos realizados pela enfermagem, dentre outros. As mães dos bebês internados também são atendidas, através de grupos que a Terapia Ocupacional realiza, visando favorecer o vínculo destas com os seus bebês; troca de experiências entre as mães; expressão de sentimentos e expectativas e orientações necessárias sobre os cuidados com os bebês.

Os bebês que passam por internação nos berçários de cuidados especiais são prematuros que permaneceram internados na UTI Neonatal por algum tempo e que ainda não receberam alta hospitalar após o nascimento, mas que já apresentam certa estabilidade de seu quadro. Após receberam alta hospitalar estes prematuros receberam acompanhamento de uma equipe multiprofissional por meio de atendimentos ambulatoriais, no ambulatório de follow-up. Os bebês encaminhados para atendimento terapêutico ocupacional no ambulatório de follow-up são prematuros que apresentam risco de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, detectado por meio da aplicação de escalas de avaliação pelos médicos neonatologistas, fonoaudióloga e pelas estagiárias de terapia ocupacional, enquanto o bebê ainda encontra-se internado no berçário de cuidados especiais.

3.1.2 Caracterização do Ambulatório de follow-up

O ambulatório de follow-up atende as crianças 2 vezes na semana, sendo às terças-feiras e às quintas-feiras. A equipe multidisciplinar atuante no local é composta por: 1 médico neonatologista, 1 fonoaudióloga, 1 médico residente; 1 nutricionista, 1 assistente social, 1 terapeuta ocupacional e estagiárias de terapia ocupacional.

Os atendimentos terapêuticos ocupacionais realizados pelas estagiárias acontecem 1 vez na semana, sendo às quintas-feiras no período da tarde. Estes atendimentos visam realizar avaliações quanto ao desenvolvimento do bebê, pautadas em avaliações médicas e em testes padronizados, como o DENVER II, estimulação dos bebês e orientações aos familiares dos bebês. Dependendo da gravidade de cada caso pode ser necessário realizar encaminhamento dos bebês para centros de atendimentos multidisciplinares para um acompanhamento mais intensivo e com periodicidade semanal.

Especificidade do ambulatório de follow-up de quinta-feira

• A quem se destina: Aos recém-nascidos de alto risco: menor que 1500g; maior que 1500g apresentando asfixia neonatal grave; bebês que tiveram insuficiência respiratória grave; sepse com meningite; enterocolite grave e choque. 
• Objetivos: Detecção e intervenção terapêutica e profilática o mais precoce possível; suporte multidisciplinar; seguimento do recém-nascido de alto rico; treinamento de residentes em acompanhamento multidisciplinar e acompanhamento dos seguintes aspectos: antropometria, desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM), linguagem, audição, retinopatia da prematuridade, anemia, distúrbios da deglutição, displasia broncopulmonar e nefrocalsinose.
• Periodicidade para consultas: Para bebês com até um ano as consultas acontecem mensalmente ou trimestralmente, podendo acontecem com maior ou menor frequência, dependendo da necessidade de cada caso. Para bebês com até 2 anos a consulta pode ser semestral ou com menor frequência, dependendo da necessidade de cada caso.

3.2 Participantes

Participaram do estudo, bebês prematuros de ambos os gêneros, com patologias variadas, que estiveram internados no berçário de cuidados especiais de um hospital materno infantil e que tiveram acompanhamento da terapia ocupacional no ambulatório de follow-up.

Também participaram os profissionais do berçário, sendo um médico neonatologista, um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem, um fonoaudiólogo, um residente de medicina e um fisioterapeuta.

3.2.1 Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

Explicações sobre a pesquisa foram fornecidas aos responsáveis pelos participantes, bem como para os responsáveis pela instituição onde foi realizado o estudo. Todos os interessados assinaram um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido, autorizando a participação das crianças na pesquisa e a posterior divulgação dos dados obtidos (Apêndices A e B). Estes documentos foram elaborados de acordo com os termos da Resolução 196/96 sobre pesquisa envolvendo seres humanos adotada por esta instituição, tendo sido o projeto submetido e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Marília, na reunião de 24/04/09 sob o nº de protocolo 160/09.

3.3 Instrumento

Foram elaborados para a coleta de dados (Apêndices C, D e E):

– Um roteiro de entrevista semi-estruturada aplicada aos profissionais que atuam no berçário de cuidados especiais (Apêndice C);
– Uma ficha de registro para coletar os dados dos bebês, versando sobre: idade gestacional, peso ao nascer, procedimento cirúrgico, complicações, tempo de internação e possível risco de atraso no desenvolvimento (Apêndice D);
– Fichas de registro da Terapia Ocupacional, constando às atividades realizadas com os bebês atendidos, e orientações passadas à mãe sobre os cuidados necessários com o seu filho. (Apêndice E)

3.4 Procedimento

3.4.1 Coleta de dados

Inicialmente, foi realizado o contato inicial com os responsáveis do hospital e do berçário, solicitando a autorização para realização da pesquisa no local. De posse da autorização, realizou-se um levantamento de dados dos bebês internados no berçário e entregue o TCLE para os profissionais da unidade e para os responsáveis pelos bebês que aceitaram participar da pesquisa. O período de coleta de dados foi de 5 meses, de março à junho e durante o mês de agosto do ano de 2009. Não houve coleta de dados no mês de julho devido ás férias dos alunos do estágio de Terapia Ocupacional. Dos bebês internados, identificaram-se quais apresentaram fatores de risco para o desenvolvimento neuropsicomotor, e que foram encaminhados para o ambulatório de follow-up.

Durante o período de coleta de dados (de março a agosto), o número total de bebês que compôs a amostra da pesquisa, tendo permanecido internados no berçário de cuidados especiais neste período, foi de 25 bebês. Destes 25 bebês, 5 foram encaminhados para o atendimento de Terapia Ocupacional no ambulatório de follow-up. Todos esses bebês também foram acompanhados pela terapia ocupacional no berçário.

Quando se iniciou a pesquisa, no mês de março, 9 bebês já estavam sendo atendidos pela terapia ocupacional no ambulatório desde fevereiro. Sendo assim, estes 9 bebês somente foram acompanhados em seus atendimentos ambulatoriais, pois sua passagem pelo berçário de cuidados especiais aconteceu antes do início da coleta de dados da pesquisa.

As entrevistas com os profissionais foram realizadas no início da coleta de dados, sendo que as datas das entrevistas foram marcadas previamente para não acarretar prejuízo no desenvolvimento do trabalho realizado.

3.4.2 Procedimento de análise de dados

Os dados da ficha de registro visaram coletar informações sobre o bebê, bem como idades gestacionais, complicações apresentadas devido ao nascimento prematuro, tempo de internação, dentre outros.

As entrevistas com os profissionais visaram à caracterização do setor e mensuração do conhecimento dos profissionais atuantes no berçário de cuidados especiais e UTIN acerca das atuações terapêuticas ocupacionais com os prematuros.

As fichas de registro da Terapia Ocupacional visaram coletar informações sobre os atendimentos com os bebês. Desta forma, foi possível observar o número de bebês prematuros nascidos durante o decorrer da pesquisa e, destes bebês, detectar quais apresentaram fator de risco para atraso no desenvolvimento neuropsicomotor, e seguiram para o atendimento ambulatorial. Sendo assim, foi possível descrever e caracterizar o trabalho da terapia ocupacional com estes bebês nesses setores.

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados foram distribuídos em quadros para melhor visualização e análise, sendo divididos em 3 categorias, a saber:

4.1) Caracterização dos bebês no berçário de cuidados especiais;
4.2) Bebês acompanhados apenas nos atendimento do ambulatório de follow-up, por já se encontrarem no setor no início da pesquisa; 
4.3) Entrevista com os profissionais atuantes no berçário de cuidados especiais.

4.1 Caracterização dos bebês do berçário de cuidados especiais

Todos os bebês que compuseram a pesquisa tendo sido acompanhados no berçário de cuidados especiais foram atendidos pelas estagiárias do 4º ano de terapia ocupacional ao menos uma vez, sendo que o número de atendimentos variou de 1 a 5 para cada bebê. O que determinou o número de atendimentos que cada bebê recebeu, foi a quantidade de dias que este permaneceu internado no setor e a estabilidade de seu quadro (alguns retornavam à UTI Neonatal).

O Quadro 1 a seguir mostra alguns dados relacionados as causas da prematuridade dos participantes da pesquisa.

Os campos preenchidos com “X” indicam alguns dados não existentes em prontuários e que profissionais do local não souberam informar.

Observando o Quadro 1 abaixo é possível notar que a média de idade das mães dos bebês foi de 28 e 29 anos e a média da idade gestacional encontradas foi de 31 e 32 semanas.

Sobre as idades das mães dos bebês, nota-se que 48% das idades variaram entre 15 e 20 anos e entre 31 e 35 anos. As idades acima de 35 anos, fator este que, isoladamente, já é de risco para o nascimento de bebês prematuros, de acordo

Quadro 1 – Dados relevantes das mães dos prematuros.

B1*- significa bebê 1

Com (ACIOLY, 2003; BENZECRY; OLIVEIRA; LEMGRUBER, 2000) representam 20% da amostra. É importante ressaltar que 8% da amostra encontram-se sem informação da idade das mães.

Com relação às causas da prematuridade durante a gestação, cerca de 32% dos nascimentos tiveram entre as causas a hipertensão da mãe nesse período; 28% dos nascimentos estiveram relacionados com infecções da mãe; 16% com o fato da gestação ter sido gemelar; 16% devido à mãe ter desenvolvido pré-eclâmpsia e eclampsia; 8% ao fato de a mãe ter sustentado vícios, como tabagismo e etilismo, mesmo durante a gestação, e outros motivos apareceram em cerca de 48% dos nascidos. Grande parte dos nascimentos pré-termo esteve relacionada a mais de um fator de risco para a prematuridade.

Quadro 2 – Caracterização dos bebês participantes acompanhados no berçário de cuidados especiais.

O Quadro 2 acima mostra os dados dos 25 bebês que passaram pelo setor de berçário de cuidados especiais durante a coleta de dados da pesquisa.

De acordo com o quadro, a média de peso dos bebês ao nascerem ficou entre 1400g e 1500g e a média do tempo de internação dos bebês nos setores, entre UTIN e berçário foi de 40 dias.

É possível notar também que entre as idades gestacionais houve um predomínio de nascidos entre 31 e 35 semanas, representando cerca de 48% dos nascimentos; seguido pelas idades entre 25 e 30 semanas, com cerca de 40%. Apenas uma pequena proporção dos bebês nasceu com idade gestacional superior a 35 semanas, sendo cerca de 12% dos casos. Desta forma, é possível notar que a maior parte dos bebês nascidos foi considerada, de acordo com Rugolo (2000 apud AYACHE; CORÌNTIO, 2003), como bebês prematuros moderados, ou seja, com idades gestacionais entre 31 e 36 semanas, seguida pelos bebês considerados prematuros extremos, ou seja, com idades gestacionais entre 24 e 30 semanas.

Sobre os pesos dos bebês ao nascerem foi possível notar que predominaram os pesos entre 1500g e 2499g, representando cerca de 44% da amostra, que segundo Rugolo (2000 apud AYACHE; CORÌNTIO, 2003), são considerados recém-nascidos de baixo peso. Bebês considerados como sendo de muito baixo peso, ou seja, com peso ao nascer entre 1000 g e 1499g, compuseram cerca de 40% da amostra, e os bebês considerados como sendo de extremo baixo peso, com peso ao nascer inferior a 1000g compuseram cerca de 16% a amostra.

Com relação às complicação que os bebês apresentaram após o nascimento, devido á gestação pré-termo, destacaram-se as anormalidades e dificuldades respiratórias, que apareceram em cerca de 84% dos bebês. A condição cianótica ao nascer apareceu em cerca de 20% dos casos, alterações cardíacas apareceram em cerca de 8% dos casos e demais alterações constaram, cada uma, em cerca 4% dos bebês. Quase que a totalidade dos bebês apresentou mais que uma complicação em seu quadro.

Quanto ao tempo total de internação dos bebês é possível notar que a quantidade de dias permaneceu bem distribuída, sendo notável que apenas uma pequena proporção da amostra permaneceu mais que 60 dias internada, o equivalente a cerca de 12% dos bebês.

Sobre o fato de os bebês terem ou não realizados procedimento cirúrgicos, apenas 2 bebês o realizaram, sendo um devido à hidrocefalia e o outro devido à gastrosquíse.

Dos bebês dispostos no Quadro 2 acima, os B 1 e B 12 foram encaminhados para atendimento terapêutico ocupacional em centro de especialidades multidisciplinar devido a uma maior gravidade de seu quadro.

Os prematuros B 17 e B 18 foram a óbito no decorrer da pesquisa, enquanto ainda encontravam-se internados, devido à grande fragilidade de seus quadros.

Dos 25 bebês participantes da pesquisa, revelou-se através do Quadro 2, que 5 apresentaram fator de risco para o desenvolvimento neuropsicomotor e, por isso, foram encaminhados para atendimento terapêutico ocupacional no ambulatório de follow-up, sendo os cinco bebês: B 4, B 10, B 12, B 13, B 19. 

Entre estes 5 bebês encaminhados para atendimento terapêutico ocupacional no ambulatório de follow-up , é possível observar que as causas do parto prematuro foram variadas, não havendo uma única causa comum envolvida. O mesmo aconteceu com as idades das mães. Com relação as idade gestacional, nenhum dos 5 bebês nasceu com mais de 31 semanas.

Quanto ao peso de nascimento, 4 dos 5 bebês nasceram com peso entre 1000g e 1500g, considerados assim como sendo recém-nascidos de muito baixo peso, enquanto que 1 bebê foi considerado, ao nascer, como recém-nascido de baixo peso, de acordo com Rugolo (2000 apud AYACHE; CORÌNTIO, 2003, p.6), com peso de nascimento entre 1500g e 2499g. 

Sobre as complicações apresentadas devido ao nascimento prematuro, todos os 5 bebês tiveram envolvidas complicações relacionadas ao sistema respiratório.

Quanto ao tempo de internação destes bebês, o tempo mínimo encontrado foi de 59 dias.

Sobre os atendimentos terapêuticos ocupacionais ocorridos no setor, o Quadro 3 abaixo mostra o número de atendimentos recebidos e o tipo o procedimentos realizados a cada bebê no setor do berçário.

Quadro 3: Atendimentos terapêuticos ocupacionais no berçário de cuidados especiais

Dos atendimentos realizados pela Terapia Ocupacional no berçário, visualizados no quadro 3 acima, a contenção facilitadora teve o objetivo de acalmar e confortar os bebês que se apresentavam desorganizados, proporcionando assim uma melhor auto-organização e auto-regulação destes. Esse procedimento também ocorria nos momentos em que os bebês sofriam procedimentos invasivos, como por exemplo, punção venosa. As estimulações sensoriais e motoras (mobilização de membros) englobaram os aspectos táteis, visuais, auditivos, cinestésicos, proprioceptivos e vestibulares dos bebês, sendo que tais estimulações ocorreram em espaços curtos de tempo, para não levá-los á um estresse de informações sensoriais.

Já as mudanças de decúbito visaram, principalmente, acomodar os recém-nascidos em decúbito lateral, de modo a aproximar as extremidades de seu corpo na linha média, favorecendo auto-organização. Essa posição, de acordo com Monteiro (2007) e Meyerhof (1997) facilita a auto-organização do bebê e possibilita que este leve a mão á boca, mantendo contato visual com as mãos por facilitar a manutenção dos membros superiores na linha média, e permite que o neonato mantenha as pernas e pés em contato e fletidos.

De acordo com Meyerhof (1997), o posicionamento adequado do recém-nascido é importante para o desenvolvimento de padrões de movimentos mais maduros, além de manter o tônus muscular mais adequado.

Quanto aos 5 bebês encaminhados para atendimento terapêutico ocupacional no ambulatório de follow-up após a alta hospitalar do berçário, o Quadro 4 abaixo mostra a situação do DNPM detectada pelas avaliações da Terapia Ocupacional no local, baseadas na escala de Denver II, e os procedimentos realizados com os bebês nas consultas.

Como já foi relatado anteriormente, o bebê 12, foi encaminhado para atendimentos terapêuticos ocupacionais no Centro especialidades multidisciplinar.

Os resultados revelados na avaliação do DNPM apontam reações, reflexos e capacidades motoras esperadas de acordo com cada etapa do desenvolvimento do bebê, considerando-se a idade corrigida do prematuro, e não a cronológica. A idade corrigida de um bebê é calculada subtraindo-se de 40 (o número de semanas de uma gestação normal) o número de semanas com que o bebê nasceu (idade gesta-

Quadro 4: Bebês encaminhados para a Terapia Ocupacional no ambulatório de follow-up: situação do DNPM e procedimentos realizados no setorcional). Este valor deve ser subtraído da idade atual em que o bebê se encontra (idade cronológica), por exemplo: um bebê que nasceu há 3 meses (12 semanas) com idade gestacional de 34 semanas: 40 – 34 = 6 semanas. Das 12 semanas de seu nascimento subtrai-se 6, ou seja, a idade corrigida do bebê é 6 semanas, ou 1 mês e meio. Desta forma, ele estará na etapa de desenvolvimento de um bebê de 1 mês e meio e não de um bebê de 3 meses.

As avaliações e reavaliações terapêuticas ocupacionais no setor basearam-se nos comportamentos, reflexos e reações esperados para cada faixa etária do desenvolvimento do bebê.

As principais estimulações realizadas foram visuais, táteis, auditivas, vestibulares, cinestésicas e proprioceptivas, no sentido de favorecer os ganhos psicomotores normais para cada faixa etária, descritos a seguir de maneira sucinta, respeitando-se a evolução normal do bebê desde o primeiro mês de vida, de acordo com Flehmig (1987), Ayache e Coríntio (2003) e Jacobs (2006):

• Comportamento motor grosseiro: Movimentos e rotações para mudanças de decúbito, com dissociação de cinturas; início do controle cervical na posição de prono, com apoio em antebraço; início de movimentos de rastejar; equilíbrio em apenas um membro superior e liberação do outro para manipulação de objetos; sentar-se com apoio e sem apoio; aquisição de equilíbrio na posição quadrupedal (engatinhamento); ficar em pé com apoio e sem apoio; trocar passos com apoio e sem apoio; dentre outros.
• Comportamento motor mais fino: manipulações de objetos; transferência de objeto de uma mão para outra; coordenação viso motora; aquisição de preensão cada vez mais fina; dentre outros.
• Comportamento de linguagem: Inicio de balbucios; vocalização monossilábica para polissilábica; imitação de sons lingüísticos próprios; início de emissão das primeiras palavras etc.
• Comportamento social: Esboço de sorrisos; reconhecimento de pessoas conhecidas; inicio da socialização etc.

As orientações passadas às mães e pais dos bebês basearam-se nas necessidades pessoais maternas e paternas, e nas queixas por eles apresentadas em cada consulta, tendo sido, em sua maioria, relacionadas à lateralização do bebê, trocas de turno para o sono, dentre outras. As orientações na maior parte dos casos relacionaram-se á: como dar banho; como realizar estimulações dos bebês em casa, respeitando-se a etapa evolutiva e o contexto de desenvolvimento em que a criança se insere; como manter interação mãe-bebê; orientações quanto a hábitos, incluindo nova adaptação ao horário de sono; orientações sobre posicionamentos adequados para desestimular a lateralização; quanto á importância do carinho, da sensibilização, do toque e da comunicação com o bebê; orientações sobre correção de comportamentos; dentre outras.

4.2 Bebês acompanhados apenas nos atendimento no ambulatório de follow-up, por já se encontrarem no setor no início da pesquisa

Os bebês acompanhados durante seus atendimentos terapêuticos ocupacionais no ambulatório de follow-up já se encontravam em atendimento no setor quando a pesquisa se iniciou, por apresentarem risco de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Os atendimentos aconteceram cerca de uma vez ao mês e a média de atendimentos que todos os bebês receberam durante o período da coleta da pesquisa foi 3 atendimentos.

O Quadro 5 abaixo mostra a relação dos bebês acompanhados neste setor, que foram nomeados de forma aleatória, por algarismos romanos.

Os campos preenchidos com “X” indicam dados que não foram coletados por não constarem em prontuário médico e demais fichas de registro dos profissionais do local.

Quanto às idades das mães dos bebês que compuseram o Quadro 5 abaixo, a média encontrada foi entre 27 e 28 anos de idade; a média encontrada entre as idades gestacionais foi entre 30 e 31 semanas; a média de peso ao nascer dos bebês foi entre 1500g e 1600g e a média do tempo de internação destes bebês foi de 50 a 51 dias.

Quanto às idades das mães dos bebês nota-se que não houve um grande predomínio de nenhuma faixa etária, sendo que os intervalos entre 21 e 25 anos e entre 31 e 35 anos corresponderam, cada um, a cerca de 22% das mães. As idades que variaram entre 15 e 20 anos, entre 26 e 30 anos e entre 36 e 40 anos corresponderam a cerca de 11% dos casos, cada intervalo. Em cerca de 22% das mães a idade não constava em prontuário médico.

Com relação ás possíveis causas de o parto ter ocorrido prematuramente, destacaram-se as infecções diversas adquiridas pelas mães no período da gestação, a gemelaridade, a amniorexe e a leucorréia, aparecendo ambas em cerca de 22% dos casos. O fato de a mãe ter mantido vícios durante a gestação, ter desenvolvido leucocitose, ter idade avançada para gestação, ter tido trombofilia e a incompatibilidade genética entre mãe e pai, apareceram, cada causa, em cerca de 11% dos casos. Parte considerável das possíveis causas apareceu em mais de um caso.

Quadro 5: Caracterização dos bebês que já estavam em atendimento ambulatorial no início da pesquisa

Sobre as idades gestacionais dos bebês houve predomínio das idades entre 25 e 30 semanas, que representaram cerca de 56% dos casos. As idades gestacionais entre 31 e 35 semanas representaram cerca de 33% ,e as idades gestacionais entre 36 e 40 semanas representaram apenas 11%. A maior parte dos bebês pôde ser considerada, de acordo com Rogulo (2000 apud AYACHE; CORÌNTIO, 2003), como bebês prematuros extremos, entre 24 e 30 semanas, seguidos pelos considerados prematuros moderados, com idades gestacionais entre 31 e 36 semanas.

Quanto ao peso ao nascer destes bebês nota-se que cerca de 67% dos bebês nasceram com pesos entre 1000g e 1500g, o que de acordo com Rogulo (2000 apud AYACHE; CORÌNTIO, 2003), foram considerados recém-nascidos de muito baixo peso. Cerca de 22% dos bebês tiveram peso ao nascer entre 1501g e 2500g, podendo ser considerados recém-nascidos de baixo peso e apenas 11% tiveram peso maior que 2500g.

Com relação ás complicações que os bebês apresentaram após o nascimento, devidos á prematuridade, destacaram as anormalidades e dificuldades respiratórias e/ou cardíacas, que apareceram em cerca de 78% dos casos. Cianose, retinopatia da prematuridade e infecções apareceram, cada uma, em cerca de 22% dos prematuros. As demais complicações, que apareceram cada uma em apenas um bebê, compreenderam cerca de 11% dos casos, cada uma.

Quanto ao tempo total de internação, houve predomínio do intervalo de tempo entre 41 e 50 dias, representando cerca de 33% dos bebês. Os intervalos entre 10 e 20 dias e entre 71 e 80 dias representaram cerca de 22% dos casos, cada um. Tempo de internação maior que 80 dias e bebês que não foi possível consultar o tempo total de internação corresponderam a 11%, cada um.

Sobre a realização de procedimentos cirúrgicos, foi possível observar que nenhum dos nove bebês necessitou deste procedimento.

Quanto aos atendimentos terapêuticos ocupacionais oferecidos no ambulatório de follow-up para estes bebês, o Quadro 6 abaixo mostra os procedimentos realizados com os bebê e a situação do desenvolvimento neuropsicomotor (DNPM) em que cada um se encontrou no decorrer dos atendimentos, de acordo com a avaliação terapêutica ocupacional.

Quanto ao desenvolvimento neuropsicomotor segundo perspectivas da Terapia Ocupacional, revelada no quadro 6 abaixo, nota-se que cerca de 44% dos bebês encontravam-se com DNPM dentro do esperado, enquanto que cerca de 56% encontraram-se com atrasos no DNPM, considerando-se o esperado para a idade corrigida do bebê, e não a cronológica.

As orientações e estimulações realizadas pela Terapia Ocupacional já foram mais detalhadamente descrita anteriormente.

Quadro 6: Breve relato da situação do desenvolvimento neuropsicomotor dos bebês atendidos no ambulatório de follow-up e os procedimentos realizados ao longo dos atendimentos.

B I*- Significa bebê I

4.3. Entrevista com os profissionais

A entrevista semi-estruturada foi aplicada aos profissionais atuantes no setor do berçário de cuidados especiais, sendo estes nomeados, de forma aleatória, de P1, P2, etc. As perguntas objetivaram caracterizar os setores, coletando informações sobre a rotina do setor, e analisar os conhecimentos da equipe acerca da atuação terapêutica ocupacional com os prematuros.

O roteiro foi composto por 5 perguntas abertas que serão analisadas separadamente, considerando-se as respostas dadas por cada profissional.

Questão 1: Quais os critérios que determinam a alta dos bebês da UTI neonatal, para que passem para o berçário?

As respostas obtidas estão transcritas abaixo:

“A melhora do quadro respiratório, infeccioso e uma boa aceitação alimentar” (P1)

“Uma melhora respiratória infecciosa e aceitação alimentar” (P2)

“Sem necessidade de oxigênio, ganho de peso, sem uso de antibioticoterapia” (P3)

“Condições clínica estáveis e ausência de uso de antibioticoterapia” (P4)

“Desmame de oxigênio e o peso acima de 1.000g” (P5)

“Causa de base estável e aleitamento materno” (P6)

Das respostas obtidas acima, apesar de haver diferenças entre elas, ambas se relacionam a uma melhora do quadro geral do bebê e a ganho de peso. De acordo com Meyerhof (1997), a alta do neonato deve levar em consideração a qualidade de vida do mesmo e deve ser planejada dos pontos de vista clínicos e comportamental.

Questão 2: As mães conseguem manter uma boa relação e vínculo com o seu bebê internado? Se não, por quê?

As respostas dos profissionais P1, P2 e P6 foram afirmativas, mas os demais profissionais relataram que:

“Não, mães que moram longe e não conseguem vir todos os dias, mães que têm medo de manipular seu bebê” (P3)

“Não, devido ao acesso restrito aos bebês” (P4)

“Não, devido ao nível socioeconômico” (P5)

Observando-se as respostas pode-se notar que o acesso restrito ás mães do berçário pode ser devido á vários fatores. Primeiramente é importante considerar que estes setores apresentam uma rotina profissional muito peculiar, por estarem sempre próximos do limite entre da vida e a morte, ainda mais em se tratando de bebês que acabaram de nascer e, por isso, são extremamente frágeis. Talvez por estes motivos exista a crença de que um maior acesso das mães aos seus recém-nascidos possa vir a atrapalhar as práticas profissionais diárias no setor. Quando o pensamento dos responsáveis pela instituição gira em torno deste raciocínio, perde-se um pouco o foco sobre as mães de uma maneira geral, que passam por um grande sofrimento ao ver seu bebê nascer antes do momento esperado e não poder tirá-lo do hospital. Visando amenizar este sofrimento, um maior acesso ao bebê, inclusive nos momentos de cuidados diários, faz-se muito importante para estas mães, no sentido de acolhê-las e reconhecê-las.

Por outro lado existem mães que, devido á condições socioeconômicas ou pelo fato de terem que trabalhar durante o dia, não conseguem manter um contato diário satisfatório como seu bebê, visitando-o ainda menos do que o permitido no setor.

Questão 3: Quantas vezes a mãe tem contato com o bebê enquanto este está dentro do berçário?

“De três em três horas” (P1)

“De três em três horas, e se o bebê chora chamamos antes” (P2)

“Cerca de três vezes por dia, mas há mães que não vêm” (P3)

“Se não estiver amamentando o contato é duas vezes ao dia em dois horários de visita, e se estiver amamentando é conforme a liberação do número de amamentações” (P4)

“No mínimo duas vezes por dia” (P5)

“Três vezes por dia” (P6)

De acordo com Linhares (2003), a interação da mãe com o seu bebê contribui significativamente como um mecanismo de proteção psicossocial para os bebês vulneráveis devido à prematuridade, atuante como promotora de seu desenvolvimento. Partindo-se deste propósito, é importante que o apego mãe-bebê se desenvolva o mais precocemente possível, preparando-a para receber seu filho. Para auxiliar nesse processo é importante que as mães tenham acesso menos restrito aos seus bebês internados, acompanhando-os nos cuidados diários prestados pela equipe.

Segundo Moreira (2007), quando a mãe aconchega seu bebê e lhe oferece um contato para instituir o laço familiar, restitui-se o compasso quebrado pelo nascimento, devido à interrupção da gestação.

Questão 4: São passadas orientações regularmente ás mães quanto ao contato e os cuidados que elas têm que ter com o seu bebê?

As respostas dadas a essa questão foram, de forma unânime, afirmativas, tendo todos os profissionais relatado que as mães são bem orientadas quanto aos cuidados necessários com seus bebês.

De acordo com MONTEIRO (2007), para que as mães possam descobrir-se competentes para cuidarem e seus bebês e entenderem que ele deseja e precisa de carinhos e carícias maternas, é necessário que as mães sejam acompanhadas nos primeiros contatos com o seu bebê, ainda internado.

Desta forma, é de suma importância que a mãe seja orientada corretamente sobre como realizar os cuidados diários com o seu bebê após a alta, para que ela não desenvolva medo de manipulá-lo e de estimulá-lo.

Questão 5: Em sua opinião, quais as contribuições do terapeuta ocupacional dentro do berçário de cuidados especiais?

As respostas obtidas com esta questão encontram-se transcritas abaixo:

“É de uma importância, pois eles colaboram com a diminuição do stress do recém-nascido, auxiliando na coordenação motora do recém-nascido” (P1)

“O recém nascido fica tranqüilo, menos stressado” (P2)

“Estimulação precoce, orientação e incentivo do vínculo da mãe com o seu bebê” (P3)

“Para organização dos bebês, contenção” (P4)

“Para os cuidados da mãe com o bebê e sobre a mãe saber estimular o bebê, estimulação precoce, e estimular o contato da mãe com o seu bebê” (P5)

“É fundamental para estimular o desenvolvimento neuropsicomotor” (P6)

Através destes relatos é possível notar que os profissionais possuem conhecimento do trabalho realizado pela Terapia Ocupacional no setor, pois, todos os profissionais relataram ações que realmente são desenvolvidas no berçário de cuidados especiais.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir dos dados coletados é possível concluir que para que um bebê apresente real atraso no DNPM, vários fatores estão envolvidos.

Considerando-se que através dos dados obtidos não houve uma relação direta entre o tempo de internação dos bebês com o aparecimento ou não de atraso, o mesmo ocorreu quanto ás idades gestacionais, idades das mães, complicações na gestação e complicações apresentadas pelos bebês devido á prematuridade, o que indica que vários outros fatores, como capacidades adaptativas dos bebês, também interferem na capacidade do mesmo seguir ou não com um desenvolvimento DNPM normal.

Quanto ás prevalências dos dados, nas idades gestacionais dos bebês acompanhados desde o berçário houve um predomínio das idades entre 31 e 36 semanas, bebês estes considerados como prematuros moderados, de acordo com Rugolo (2000 apud AYACHE; CORÌNTIO, 2003, p.6). Já entre os bebês que já se encontravam no ambulatório de follow-up ao início da pesquisa, com de fato risco de atraso no DNPM, houve predomínio das idades gestacionais entre 25 e 30 semanas, sendo assim considerados prematuros extremos.

Com relação ao peso dos bebês acompanhados no berçário, houve um predomínio de valores entre 1500g e 2499g, ou seja, prematuros considerados de baixo peso. Já nos bebês que já se encontravam no ambulatório ao inicio da pesquisa, houve um predomínio dos pesos que variaram entre 1000g e 1500g, ou seja, recém-nascidos considerados de muito baixo peso. Desta forma, a amostra revela que, para estes bebês, tais fatores puderam estar relacionados á risco de atraso, mas não de maneira isolada, sendo necessário considerar outros fatores.

Através dos dados revelados, foi possível observar também que, entre os bebês da amostra, não houve uma relação direta entre a idade gestacional dos mesmos e o tempo total de internação, parecendo este estar mais relacionado com a estabilidade do quadro e com o ganho de peso dos bebês.

A pesquisa nos mostra também que, ao menos no período de sua realização, as complicações mais freqüentes nos bebês prematuros estiveram relacionadas ao sistema respiratório, e que os dois únicos bebês que apresentaram hidrocefalia, durante a gestação, as mães tiveram leucorréia e uma delas também se vacinou contra rubéola no início da gestação.

Quanto às atuações terapêuticas ocupacionais, em ambos os setores analisados na pesquisa, apesar de a implantação do serviço ainda estar se iniciando, é possível notar que as atuações estão indo ao encontro das demais encontradas na literatura, como as descritas por Meyerhof (1997), Obana e Oshiro (2002) e Takatori (2004). Obana e Oshiro (2002) falam sobre a importância de se estimular precocemente os bebês, da verificação do posicionamento correto do bebê na incubadora e no berço, ver se o mesmo está aconchegado, organizado, em flexão de membros inferiores e superiores, lembrando assim a posição do útero, e sobre a importância de realizar “rolinhos” e contenção facilitadora, a fim de proporcionar uma melhor auto-organização e auto-regulação do bebê.

Quanto ao acompanhamento do desenvolvimento e ás orientações passadas ás mães sobre como cuidar e manusear os seus bebês de forma adequada, Monteiro (2007, p. 51) relata que “O terapeuta ocupacional precisa oferecer suporte à família por meio de acolhimento atencioso quanto às dúvidas e dificuldades declaradas, principalmente durante as atividades diárias.

Sobre as entrevistas com os profissionais do setor de UTI neonatal e berçário de cuidados especiais, foi possível concluir que dos profissionais entrevistados, todos apresentam algum conhecimento sobre a atuação da terapia ocupacional no setor, e reconhecem sua importância com os bebês dos prematuros, apesar do pouco tempo de atuação.

REFERÊNCIAS

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AYACHE, M.G.; CORINTIO, M.N. Considerações sobre o desenvolvimento motor do prematuro. Temas sobre o Desenvolvimento, v.12, n.71, p.5-9, 2003

BENZECRY, R.; OLIVEIRA, H. C.; LEMGRUBER, I. Tratado de Obstetrícia – FEBRASGO. Rio de Janeiro: Revinter, 2000, 913p.

BRAGA, T.D.A. Neonatologia- Instituto Materno Infantil de Pernambuco. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2004.

CARDOSO, A.S. et al. A observação de bebês na UTI Neonatal para verificação de sinais de dor/estresse durante procedimentos rotineiros. Revista UNIVAP, v.13, p. 597-600, 2006.

CARVALHO, W.B.; PEDREIRA, M.L.G.; AGUIAR, M.A.L. Nível de ruídos em uma unidade de cuidados intensivos pediátricos. Jornal de Pediatria. Rio de Janeiro, 2005.

DITTIZ, E.S. et al. A terapia ocupacional no contexto da assistência à mãe e á família de recém-nascidos internado em unidade de terapia intensiva. Revista de terapia Ocupacional Universidade de São Paulo, v.17, n.1, p.42-47, jan/abril, 2006.

FLEHMIG, I. Desenvolvimento Normal e seus Desvios no Lactente : diagnóstico e tratamento precoce do nascimento até o 18º Mês. Tradução Dr. Samuel A. Reis. Rio de Janeiro – São Paulo: Livraria Atheneu, 1987. p. 111- 249.

GOMES, C.F.; FUMAGALLI, C.T.; GUERRA, E.B. Elaboração de um programa de prevenção contra ruídos hospitalares em unidades de recém nascidos e UTI neonatal. Temas sobre o Desenvolvimento, v.9, n.50, p.5-9, 2000.

JACOBS, K; JACOBS, L. Dicionário de Terapia ocupacional – Guia de Referência. São Paulo: Roca, 2006. p. 158.

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LEMOS, M.L. et al. Seguimento do recém-nascido de risco(FOLLOW-UP): Assistência ao recém nascido de risco. 2ª ed., 2004.

LINHARES, M.B.M.; Prematuridade, risco e mecanismos de proteção ao desenvolvimento. In: II Encontro de Estudos de Desenvolvimento Humano em Condições Especiais. São Paulo, agosto de 2003. Temas sobre o Desenvolvimento, v.12, Suplemento Especial, p.18-24, 2003

MEYERHOF, P.G. O neonato pré-termo no berçário de cuidados especiais: como observá-lo para saber como e quando se faz necessário intervir respeitando sua individualidade, suas fragilidades e suas forças. Temas sobre o Desenvolvimento, v.5, n.30, p.15-19, 1997.

MONTEIRO, R.C.S. Neonatologia. In: CAVALCANTI, A.; GALVÃO, C. Terapia Ocupacional: Fundamentação & Prática. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2007.

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ZACONETA, C.M. et al. Neonatologia, a terceira onda. Brasília, 2001.

GLOSSÁRIO

Amniorexe: Rotura das membranas corioamnióticas antes da deflagração do trabalho de parto, independente da idade gestacional.
Anemia: Diminuição dos níveis de hemoglobina na circulação.
Apnéia: Períodos de interrupção da respiração durante o sono.
Bradicardia: Diminuição da freqüência cardíaca.
Broncodisplasia: Doença respiratória crônica, que acomete geralmente prematuros de muito baixo peso, expostos a um insulto primário, como oxigenioterapia, barotrauma, infecções respiratórias, excesso de administração de fluidos, entre outros.
Candidíase mucocutânea: Aumento da quantidade do fungo Cândida Albicans na pele.
Cianose: Coloração azulada da pele e das mucosas.
Conjuntivite: Doença ocular caracterizada principalmente por coceira e vermelhidão.
Descolamento de placenta: Intercorrência gestacional grave, que pode acontecer em qualquer época da gravidez acima da 20ª semana, e que necessita de intervenção urgente.
Desidratação: Distúrbio caracterizado pela falta de correlação entre ingestão e eliminação de água.
Diabetes: Doença do metabolismo crônica causada pela falta de insulina.
Displasia broncopulmonar: Distúrbio pulmonar crônico que pode afetar bebês que precisam de terapia de oxigênio extensiva ou respiradores artificiais.
Doença metabólica óssea: Conjunto de condições que determinam alterações no processo de mineralização óssea, levando a fragilidade do suporte estrutural deste e nos casos mais graves pode ocasionar o aparecimento de fraturas espontâneas.
Eclâmpsia: Uma séria complicação da gravidez sendo caracterizada por convulsões.
Enterocolite: Inflamação o intestino delgado e cólon.
Epilepsia: Desordem cerebral na qual os neurônios algumas vezes sinalizam de forma anormal, o que pode desencadear convulsões, espasmos musculares e perda de consciência.
Etilismo: Dependência do uso de bebidas alcoólicas.
Gastrosquíse: É uma malformação fetal decorrente de um defeito na formação da parede abdominal.
Gemelaridade: Indicativo de gestação de gêmeos.
Hidrocefalia: Acúmulo anormal de fluido cérebroespinhal nas cavidades do cérebro, chamadas ventrículos. 
Hipertensão: Aumento da pressão arterial.
Hipoatividade: Baixa atividade.
Hipocalcemia: Existência de pequena quantidade de cálcio na circulação.
Hipotensão: Pressão arterial baixa.
Icterícia: Síndrome caracterizada pela colocação amarelada na pele e mucosas devido a acúmulo de bilirrubina no organismo.
Infecção: Colonização de um organismo hospedeiro por uma espécie estranha.
Leucocitose: Aumento no número de leucócitos no sangue, causado, na maioria das vezes, por início de combates a infecções ou por descontrole em divisões celulares.
Leucorréia: Nome dado ao corrimento vaginal, que pode ser crônico ou agudo podendo também provocar coceira e irritação.
Meningocele: Protrusão das meninges através da coluna vertebral ou crânio.
Obesidade: Excesso de peso corporal.
Oxigênioterapia: Terapia com oxigênio para tratamento de dificuldades respiratórias.
Pneumotórax: Acúmulo anormal de ar entre o pulmão e a pleura.
Parada cardíaca: Cessação súbita e inesperada dos batimentos cardíacos.
Pré-eclâmpsia: Estado caracterizado pelo aumento da pressão arterial da gestante, após a 20ª semana da gestação.
Refluxo gastroesofágico: Refluxo do conteúdo alimentar do estômago para o esôfago.
Retinopatia da prematuridade: Desordem caracterizada pela proliferação anormal dos vasos sanguíneos da retina em desenvolvimento.
Sepse: Conjunto de manifestações em todo o organismo produzidas por uma infecção.
Síndrome do desconforto respiratório: Doença da membrana hialina, sendo uma das causas mais freqüentes da insuficiência respiratória.
Tabagismo: Dependência física e psicológica do consumo de nicotina, substância química presente no tabaco.
Taquidispnéia: Estado de respiração acelerada e dificultosa.
Taquipnéia: Distúrbio respiratório causado pelo retarde da absorção do líquido pulmonar.
Trombofilia: Tendência à trombose decorrente de alterações hereditárias ou adquiridas.
Ventilação mecânica: Auxílio de aparelhos para a respiração.

Problema Trabalhista

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
APRESENTAÇÃO DA QUESTÃO PROBLEMA
ANÁLISE COM A RESPOSTA DA QUESTÃO “A”
ANÁLISE COM A RESPOSTA DA QUESTÃO “B”
CONCLUSÃO
REFERÊNCIAS



INTRODUÇÃO

Os casos de demissões por justa causa são vários, mas nem sempre expressam a verdadeira justiça entre os fatos ocorridos e o que realmente determina a Lei nesses casos. Fato esse, que leva assim, o funcionário insatisfeito por ter sido lesado com a perda de seus devidos direitos, a encaminhar o caso à Justiça do Trabalho.

Neste trabalho, iremos analisar um caso característico de demissão por justa causa. Fato esse que nos leva a analisar e procurar os verdadeiros direitos e deveres do empregado e do empregador conforme o que determina a CLT conforme a sua característica de origem.

APRESENTAÇÃO DA QUESTÃO PROBLEMA

João das Botas em outubro de 2008 descumpriu diversas determinações da empresa onde trabalhava, fato este que em pouco tempo se tornou conhecido dos colegas e de seus superiores que o advertiram expressamente quanto a sua conduta. Percebendo seu erro, João, com medo de ser mandado embora, acabou por ficar extremamente compenetrado em seu trabalho, realizando suas funções de maneira exemplar. Decorrido o final do ano, o inicio do ano seguinte, foi chamado em julho pelo seu superior que informou sua demissão por justa causa, tendo em vista sua insubordinação as determinações de seus superiores em decorrência daqueles acontecimentos do ano anterior. Foi dispensado do cumprimento do aviso prévio e recebeu as verbas devidas para uma demissão por justa causa.

Pergunta-se:

A empresa poderia mandar João embora por justa causa por aqueles acontecimentos?

Neste caso, João pode propor alguma ação em face da empresa? Quais seriam seus direitos?

ANÁLISE COM A RESPOSTA DA QUESTÃO “A”

A empresa não poderia demitir João das Botas por justa causa sem comprovação da falta cometida por João. , conforme parágrafo único do Artigo 482 da CLT a seguir:

Parágrafo único – Constitui igualmente justa causa para dispensa de empregado a prática, devidamente comprovada em inquérito administrativo, de atos atentatórios à segurança nacional. (Incluído pelo Decreto-lei nº 3, de 27.1.1966).

E no caso de João se deu decorrido 9 meses por aqueles acontecimentos, a demissão por justa causa deve ser aplicada pelo empregador de imediato após a ciência dos fatos e a apuração da falta grave. E no caso de João das Botas, a empresa tomou conhecimento de tudo em outubro de 2008 e, o demitindo em julho de 2009. Contudo, podemos afirmar que, a empresa não poderia demitir João das Botas em Julho de 2009. E sim, ter emitido o “Aviso Prévio Trabalhado” a João das Botas, com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, conforme previsto no artigo 487 da CLT e o art. 7º, inc. XXI, da Constituição Federal de 1988.

ANÁLISE COM A RESPOSTA DA QUESTÃO “B”

Como a empresa o demitiu com justa causa indevidamente, descumprindo os artigos 482 e 487 da CLT, João das Botas, perdeu seus verdadeiros direitos que deveria só pôde desfrutar apenas dos dias trabalhados. Assim, sendo João pode sim propor uma ação trabalhista junto a Justiça do Trabalho, pois o mesmo foi lesado quanto a perda de seus verdadeiros devidos direitos, pois o correto seria uma demissão sem justa causa.

Ele será indenizado por ter sido demitido de forma incorreta, no caso por justa causa, e receber suas verbas no que determina o artigo 481 da CLT, a demissão sem justa causa.

CONCLUSÃO

Posso concluir que devemos sempre buscar base no Decreto-Lei nº. 5.452, de 01.05.1943, publicado no D.O.U. de 09.08.1943, ou melhor, a CLT – Consolidação das Leis do Trabalho sempre que formos proceder a um caso de demissão. Pois é o alicerce para a verificação desses casos, para que ocorra de forma precisa e sem prejuízo para ambos os lados, evitando as chamadas ocorrências de ações trabalhistas.

REFERÊNCIAS

CLT – Consolidação das Leis do Trabalho, disponível no site da Casa Civil: http://www.planalto.gov.br/ccivil/Decreto-Lei/Del5452.htm

Educação, Ciência e Tecnologia

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SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO
2. CIÊNCIAS TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO
3. FUNDAMENTOS DA EAD
4. AVALIAÇÃO ESCOLAR
5. TECNOLOGIA EDUCACIONAL
CONSIDERAÇÕES FINAIS
CRONOGRAMA
REFERÊNCIAS

1. Introdução

No intuito de compreender e melhor aprofundar sobre o curso de pedagogia, apresentamos neste trabalho as atividades do portfolio das disciplinas: Avaliação Escolar, Ciência, Tecnologia e Educação, Fundamentos da Educação a Distância e Tecnologia Educacional. Esse Portfolio é importante para que possamos compreender que a formação e profissionalização de docentes são aspectos indissociáveis na forma de ingresso no campo de atuação, nas formas de organização e produção do trabalho escolar e nas perspectivas de crescimento e desenvolvimento profissional.

O mesmo também é base para aprimorar nossos conhecimentos sobre a aprendizagem digital, visto que no momento em que as tecnologias de informação e comunicação revolucionam o mundo.

O ensino não pode se constituir na exceção à regra, principalmente quando é evidente que os acessos às redes, sejam internos ou a seja própria Internet, é cada vez mais democrático, e os equipamentos necessários, cada vez mais acessíveis.

Permitindo-nos conquistar nossa identidade como professor e educador, uma vez que; A educação é um bem amplamente social. Sua intervenção possibilita valorização do ser humano. Utiliza-se das potencialidades educacionais e de seus resultados para a promoção de melhoria de qualidade de vida à sociedade.

“Ensinar é um exercício de imortalidade. De alguma forma continuamos a viver naqueles cujos olhos aprenderam a ver o mundo pela magia da nossa palavra. O professor, assim, não morre jamais…”.(Alves, 1994, p. 1)

2. CIÊNCIAS TECNOLOGIA E EDUCAÇÃO

4. Muitos professores não estão inseridos no mundo digital. Aponte quais os motivos desta exclusão e quais medidas podem ser tomadas para evitar este problema.

É mas que natural muito professor não compreender bem o uso de computadores em suas práticas pedagógicas. O mediador que é experiente sabe ensinar sem o uso dos computadores, em sua maioria não usam computadores nem para seus próprios afazeres particulares e não vêm como nem por que deveriam usá-los na escola; não se inserem adequadamente no mundo digital, por muitas razões, entre elas: má formação original, falta de formação permanente, carência de recursos para ter computador e acesso a internet, currículos defasado e ambiente escolar atrasado.

A condição socioeconômica do docente é crucial para a existência em casa de Computadores e internet. Embora a opinião dos docentes já se oriente pela valorização dos efeitos das novas tecnologias, grande parte não participa ainda de listas de discussão, e-mails, navegação na internet etc. Alguns Programas Governamentais como: Proinfo, Banda Larga, Computador para professor ajudam a evitar a exclusão. Empresas privadas, também visam o combate à exclusão digital, desenvolvendo programas e projetos que visam minimizar as diferenças de acesso ao mundo digital, como exemplo podemos citar o projeto do SBT do computador do milhão, o programa das Organizações Globo com o projeto computador para todos que oferecem computadores à comunidade com financiamentos acessíveis, além de projetos do Bradesco, das Universidades Públicas dentre outros, que também incentivam a disseminação da internet e da informática.

“Os recursos da informática não são o fim da aprendizagem, mas são meios que podem instigar novas metodologias que levem o aluno a “aprender a aprender” com interesse, com criatividade, com autonomia. O professor não deve se furtar de articular projetos de aprendizagem que envolva tecnologia, principalmente quando ela já está disponível nas suas instituições de ensino”. Moran (2000).

3. FUNDAMENTOS DA EAD

Capítulo 2

1) A partir do quadro resumo apresentado sobre as principais experiências em EAD no mundo, discorra sobre a importância da Internet para o crescimento do ensino a distância.

A internet se tornou muito importante, tanto na área educacional como no cotidiano das pessoas. A educação à distância, portanto, constitui-se num recurso de extrema importância para atender a grandes contingentes de alunos de forma mais efetiva que outras modalidades, ou para atender a pequenos contingentes de alunos residentes em áreas dispersas e distantes dos grandes centros geradores ou difusores do conhecimento. Além disso, tem dotado as instituições educacionais de condições para atender às novas demandas por ensino e treinamento ágil e eficaz.

A mesma não compete com a educação presencial convencional e nem a substitui. Ao contrário, tem seu próprio aspecto de atuação e pode, com grande sucesso, complementar o ensino convencional, em todos os níveis, sempre que necessário.

Ensino a distância ou educação à distância, são denominações utilizadas para conceituar a modalidade de educação em que as atividades de ensino-aprendizagem ocorrem sem que, necessariamente, alunos e professores estejam reunidos num mesmo lugar à mesma hora. Independente dos créditos consagrados pelos historiadores, pode afirmar que a educação a distância é um recurso bastante antigo.

O desenvolvimento dos meios de comunicação propiciou a sua utilização cada vez mais ampla, nas atividades de educação à distância. Desse modo, cada um há seu tempo, o rádio, a televisão, os computadores e por último, a internet constituiram-se em valiosos meios para o estabelecimento de diversas modalidades de ensino a distância.

Pois, economiza o tempo e o estresse de quem precisa estudar, torna a aula tão interessante quanto em sala de aula. A flexibilidade do tempo, a agilidade na emissão e recebimento de materiais, além da quebra das barreiras espaciais faz com que muitos optem por essa modalidade de ensino, além de outros fatores.

4. AVALIAÇÃO ESCOLAR

Capítulo 5

Como atividade de aprendizagem, desenvolva a seguinte questão com vistas a produzir o trabalho de portfólio: “A avaliação da criança na Educação Infantil objetiva o acompanhamento de seu desenvolvimento”.

O trabalho educativo deve estar voltado para o desenvolvimento integral dos indivíduos e da sociedade. A integração precoce da criança na vida social pela educação favorece seu desenvolvimento biológico, psicológico e social. Pois, estas são as primeiras tentativas da criança em sua vida de aprendiz, a caminho do ensino fundamental. Desde a concepção até os seis anos, a criança desperta para a percepção de um mundo ainda por desvendar.

A avaliação se destina a obter informações e subsídios capazes de favorecer o desenvolvimento das crianças e ampliação de seus conhecimentos. Nesse sentido, avaliar não é apenas medir, comparar ou julgar. Muito mais do que isso, a avaliação apresenta uma importância social e política fundamental no fazer educativo da educação infantil.

A avaliação constitui-se de acompanhamento da criança: observando-a, percebendo-a, sentindo-a e orientando-a em seu comportamento, reações e percepções. Assim, no espaço da Educação Infantil, a escola deve oportunizar-lhe um ambiente físico e social onde se sinta acolhida e segura para enfrentar desafios; à medida que tais desafios se ampliam, possibilitam-lhe aumentar o conhecimento de si mesma, dos outros e do meio em que vive ao mesmo tempo em que contribuem para o desenvolvimento de habilidades essenciais, como: autonomia, criatividade, expressividade e solidariedade.

Brincar com a criança não é perder tempo, é ganhá-lo. Se é triste ver meninos sem escola, mas triste ainda é vê-los enfileirados em salas sem ar, com atividades estéreis sem importância alguma para a formação humana. (Drumonnd).

5. TECNOLOGIA EDUCACIONAL

4) Pesquise o que é inclusão digital. Você conhece algum programa de inclusão digital na sua região ou município? E qual a sua sugestão para incluir o professor digitalmente? Página: 138.

Inclusão Digital ou infoinclusão é a democratização do acesso às tecnologias da Informação, de forma a permitir a inserção de todos na sociedade da informação. Inclusão digital é também simplificar a sua rotina diária, maximizar o tempo e as suas potencialidades. Um incluído digitalmente não é aquele que apenas utiliza essa nova linguagem, que é o mundo digital, para trocar e-mails. Mas aquele que usufrui desse suporte para melhorar as suas condições de vida. A mesma, para acontecer, precisa de três instrumentos básicos que são: computador, acesso à rede e o domínio dessas ferramentas pois não basta apenas o cidadão possuir um simples computador conectado à internet que iremos considerar ele, um incluído digitalmente. Ele precisa saber o que fazer com essas ferramentas.

Aqui no Amapá O Ministério das Comunicações assinou convênio com todos os 16 municípios do Amapá para entrega dos kits de instalação de telecentros comunitários licitados no segundo semestre de 2007. Além dos equipamentos previstos nos kits, estes municípios serão conectados à internet de alta velocidade, assim como todas as escolas públicas do Estado. O mesmo foi o primeiro Estado a receber os kits dos telecentros comunitários, por ser a única Unidade da Federação que ainda não havia instalado nenhum telecentro comunitário em parceria com o Ministério das Comunicações. O MC, em convênio com as prefeituras e o estado, capacitou monitores para promover cursos de qualificação profissional, de cidadania, e ainda dar apoio educacional aos estudantes. O telecentro conta com telefonia, via VOIP, e IPTV, o que permite veiculação de programas como a “TV Escola”.

Nossa sugestão para incluir os professores digitalmente, é que os mesmos devem considerar as oficinas de capacitação para o uso pedagógico dos computadores e da Internet como oportunidades valiosas de aprendizagem de novas metodologias e técnicas de ensino-aprendizagem.

CONSIDERAÇÕE FINAIS

Esta atividade nos permitiu analisar a utilização e a incorporação das novas tecnologias na sala de aula. A internet veio para mexer com os paradigmas educacionais. No momento, contudo, as novas tecnologias da informação e da comunicação vêm suscitando, pelo seu desenvolvimento acelerado e potencial de aplicação, novas abordagens de utilização no processo educativo. Contudo, não poderíamos deixar de falar da inclusão digital. Podemos entender a mesma como o uso correto e acompanhado da tecnologia apresentada a benefício da comunidade; que esta tenha o propósito de melhorias educacionais e financeiras.

Esse recurso tecnológico pode ser aplicado tanto no ensino presencial quanto à distância, modificando, principalmente, os papéis do professor e do aluno, o foco do aprender no lugar do ensinar e a distinção entre informação e conhecimento em todos os níveis de ensino, desde a educação infantil que por certo, é um dos pontos altos da educação brasileira, até o nível superior e principalmente a EAD.

De acordo com Litto (22006), o crescimento da EAD na atualidade se deve, em grande parte, a dois fatores: a evolução das tecnologias de informação e a importância do conhecimento na sociedade contemporânea, que gera demandas crescentes por formação permanente. O autor destaca que “a internet adquiriu nos últimos anos papel extraordinário, ao permitir que milhões de brasileiros possam aprender em qualquer lugar, seja em casa, no escritório, na fábrica, um telecentro ou nos momentos de lazer”.

É certo que não é fácil apresentar soluções para a problemática do ensino brasileiro. Os sistemas de ensino pensam estar acertando, os educadores pensam, a cada onda que chega estar descobrindo o melhor caminho para o enfrentamento dos problemas.(Libâneo)

REFERÊNCIAS

BOTH, Ivo José. Avaliação planejada, aprendizagem consentida: é ensinando que se avalia, é avaliando que se ensina. 2 ed.rev. e ampl. / Ivo José Both. –Curitiba: IBPEX, 2008. 196p.

BRITO Gláucia da Silva. Educação e Novas Tecnologias: um re-pensar / Gláucia da Silva Brito, Ivonélia da Purificação. 2 ed. Ver, atual. e ampl. – Curitiba: IBPEX, 2008. 139p.

CORTELAZZO, Iolanda Bueno de Camargo, ROMANOWSKI, Joana Paulin. Pesquisa e Prática Profissional – Materiais Didáticos. Curitiba: IBPEX,2006.

DEMO, Pedro. O Porvir: desafios das linguagens do século XXI. / Pedro Demo. – Curitiba: IBPEX, 2007. 189p.

GUAREZI, Rita de Cássia Menegaz. Educação à distância sem segredos. Rita de Cássia Menegaz Guarezi, Marcia Maria de Matos. – Curitiba: IBPEX, 2009.

Internet

BOECHAT, Ivone, Disponível em; http://www.pedagobrasil.com.br/.http://www.pedagobrasil.com.br/pedagogia/avaliacaoformativa.htm

Informações da Assessoria de Imprensa do Ministério das Comunicações, Disponível em; http://www.inclusaodigital.gov.br/inclusao/noticia/municipios-do-amapa-sao-conectados-a-internet-banda-larga/

Inclusão e Corporeidade no Cotidiano da Prática Docente

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO
2 INCLUSÃO E CORPOREIDADE NO COTIDIANO DA PRÁTICA 
DOCENTE 
3 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
REFERÊNCIAS
APÊNDICE 1 – QUESTÃO INDIVIDUAL

1 – INTRODUÇÃO

No intuito de compreender e melhor aprofundar sobre a unidade temática CORPOREIDADE E INCLUSÃO, a presente PA articula os conteúdos de quatro disciplinas cursadas durante esta UTA: Fundamentos para as Necessidades Educativas Especiais, Metodologia do Ensino de Educação Física, Pesquisa e Prática Profissional – Educação Especial, Organização Pedagógica Espaços Educativos. Além de alguns projetos educativos do Estado do Amapá.

Nosso objetivo nesse trabalho é conhecer um pouco sobre a história da inclusão, as ações do pedagogo em espaços não-educativos e corporeidade numa dimensão mais ampla, percebendo que esta não se resume somente a escola, mas também a instituições, empresa, hospitais, etc..

Essa PA é importante para compreendermos que a formação e profissionalização de docentes são aspectos indissociáveis na forma de ingresso no campo de atuação, nas formas de organização e produção do trabalho escolar e nas perspectivas de crescimento e desenvolvimento profissional.

A mesma também é importante para aprimorar nossos conhecimentos sobre inclusão e corporeidade, visto que no momento a inclusão está presente em quase todas as escolas.

Para a elaboração desta PA foram consultadas diversas fontes de informações, tais como: SITES, livros, apostilas, seja por meio da leitura de textos específicos ou mesmo resultados de investigações sobre a temática.

Acho uma profissão sacrificada, mas faço porque gosto.

E quando vejo que um aluno aprendeu, compensa todo o esforço. Gosto de desafios encaro estes alunos com problemas que recebo como um desafio a ser vencido. E algumas vezes da certo…

Profª. C.- 4ª série, citada por Fontoura, 1994.

Na antiguidade, período histórico iniciado com as mais antigas civilizações e que se estendeu até a queda do Império Romano do Ocidente (século V), apenas as pessoas nobres detinham o poder social, político e econômico. O corpo perfeito e forte para guerrear, a beleza física, a capacidade retórica para proferir discursos filosóficos, eram aspectos que valorizavam algumas pessoas e conferiam-lhes a cidadania nessa sociedade.

Segundo Misés, citado por stobaus e Mosquera, em um trecho de um manuscrito de governantes espartanos, na antiguidade:

Nós matamos os cães danados e touros ferozes, egolamos ovelhas doentes, asfixiamos os recém-nascidos mal constituídos; mesmo as crianças se forem débeis ou anormais, nós as afogamos, não se trata de ódio, mas da razão que nos convida a separar das partes são aquelas que podem corrompê-las. (pág., 20, 20003)

Portanto, não existia a idéia de inclusão, a maioria das pessoas (principalmente mulheres, deficientes físicos e mentais, de outras raças que não a branca, e pobres) não tinha o direito ou as condições mínimas para freqüentarem a escola.

Por outro lado, havia a interpretação de que essas pessoas eram escolhidas por Cristo e predestinadas para o “dom da cura”. Cegos, por exemplo, eram tidos como pessoas abençoadas com o poder sobrenatural dos profetas para a vidência.

Assim, surgiram às primeiras iniciativas de proteção aos deficientes, criaram-se então os primeiros asilos e abrigos onde eram doadas esmolas e prestada a assistência a essas pessoas, como um ato de caridade que conduzia a salvação da alma.

Com a chegada do século XVI, inicia o período da segregação (isolar, separar), mais pessoas tem acesso à escola, porém dificilmente se misturam com os alunos representantes da classe dominante. Na segunda metade do século surgem as “escolas especiais” (que atendem crianças “deficientes”) e mais tarde as classes especiais dentro das “escolas comuns”. Surge assim uma aberração pedagógica, a separação de dois sistemas educacionais, por um lado a educação comum e do outro a educação especial.

Em decorrência, foi promulgada, em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos documento que passa a inspirar, desde então, as políticas publicas e os instrumentos jurídicos de alguns países.

A partir da década de 80 as recomendações mundiais pautam-se nos princípios da integração e normalização para educação Especial e o Brasil engaja-se neste movimento. A Declaração de Salamanca desperta o conceito de escola inclusiva, norteia mudanças no paradigma da Educação Especial e repercute na LDB (1996), cujo preceito inovador é a inclusão e a integração de todos os alunos na rede regular de ensino. Ou seja, escolas comuns aceitavam alguns alunos, antes rejeitados ou marginalizados, que poderiam freqüentar classes comuns desde que conseguissem adaptar-se.

Finalmente chegamos à inclusão (na verdade, os primeiros movimentos que apontavam para o surgimento da inclusão escolar são do final da década de 80). Só há um tipo de educação, e ela é para todos sem restrição nem separação.

2 INCLUSÃO E CORPOREIDADE NO COTIDIANO DA PRÁTICA

A inclusão começou como um movimento de pessoas com deficiência e seus familiares na luta pelos seus direitos de igualdade na sociedade. E como a maioria desses direitos começa a ser conquistado a partir da educação (da escola, lugar onde se ensina cidadania), a inclusão chegou até a escola (espelho da sociedade). Hoje a inclusão é de todos sem discriminação.

Entretanto, o precursor da educação especial Jean Itard não poupou esforços para educar um menino selvagem encontrado em uma floresta convivendo com animais e considerado ineducável chamado Vitor, mais conhecido como o “Selvagem de Aveyron”.

Reconhecido como o primeiro estudioso a usar métodos sistematizados para o ensino de deficientes, ele estava certo de que a inteligência de seu aluno era educável, desenvolveu um programa baseado em procedimentos médicos e pedagógicos, os mesmos eram baseados no treinamento e na exploração dos canais sensoriais para a aprendizagem. Tinha por objetivo recuperar o potencial cognitivo do menino, desenvolvendo suas capacidades humanas.

Segundo Bergámo, a educação especial constitui-se, portanto, como uma proposta pedagógica que assegura recursos e serviços para apoiar e complementar serviços educacionais comuns.

Portanto, as finalidades da educação especial são claras: apoiar, complementar, suplementar ou, em alguns casos, substituir os serviços ofertados pela escola regular. Trata-se de um movimento que compreende a educação como um direito humano fundamental e a base para uma sociedade mais justa.

Segundo Fernandes a educação especial é definida na LDB nº 9394 como uma modalidade de educação escolar. No documento de Diretrizes Nacionais para Educação Especial na Educação Básica, promulgado pela resolução CNE nº 02/2001, defini-se:

Art. 3º – Por educação especial, modalidade da educação escolar, entende-se um processo educacional definido por uma proposta pedagógica que assegure recursos e serviços educacionais especiais, organizados institucionalmente para apoiar, complementar, suplementar e, em alguns casos, substituir os serviços educacionais comuns, de modo a garantir a educação escolar e promover o desenvolvimento das potencialidades dos educandos que apresentam necessidades educacionais especiais, em todas as etapas e modalidades da educação básica.

Assim, as escolas devem acolher todas as crianças, jovens e adultos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento, bem dotados, que vivem nas ruas e trabalham, de populações distantes, etnia, cultural diferente e outros grupos ou zonas desfavorecidos ou marginalizados, as mesmas devem ter assegurado o seu direito de aprender no ensino regular, na série correspondente à sua faixa etária. Os professores da educação comum, em articulação com a educação especial, devem estabelecer estratégias pedagógicas e formativas, metodologias que favoreçam a aprendizagem e a participação desses alunos no contexto escolar.

Aqui no Estado do Amapá, podemos citar como serviço de inclusão, o projeto CENTINELA, PROERD, HOSPITAL GERAL.

O HOSPITAL GERAL desenvolve um trabalho interdisciplinar com pacientes portadores de AIDS, cabe ao psicólogo traçar um Plano Interventivo que permita facilitar o enfrentamento da doença e a colaboração diagnóstica interventiva. Fornecer apoio para enfrentar o estigma e o preconceito, orientar e fornecer apoio à família.

O PROERD, programa desenvolvido pelo governo do Estado do Amapá, em parceria com Polícia Militar, já atendeu em todo o Estado 40 mil alunos da rede pública estadual, municipal e particular de ensino. É um programa institucional, de caráter educativo. Possui como material didático o LIVRO DO ESTUDANTE, LIVRO DOS PAIS E MANUAL DO INSTRUTOR, auxiliando os respectivos cursandos e os policiais PROERD no desenvolvimento das lições, através do mesmo estes jovens são capacitados com noções de cidadania, prevenção e conscientização sobre o uso de drogas, e o controle da violência.

Para participar do programa o aluno deve estar regularmente matriculado na rede pública ou particular de ensino, cursando a 4ª, 5ª ou a 6ª série do ensino fundamental. A capacitação dos alunos é feita de forma lúdica por instrutores treinados pela Polícia Militar do Amapá, juntamente com professores e psicólogos.

O projeto CENTINELA, O Programa Sentinela oferece um conjunto de procedimentos técnico-especializado para o atendimento e proteção imediata às crianças e aos adolescentes vítimas de abuso ou exploração sexual, bem como seus familiares, proporcionando-lhes condições para o fortalecimento da auto-estima, superação da situação de violação de direitos e reparação de violência vivida. Seus profissionais são capacitados através de oficinas pedagógicas, toda a equipe de cada município, tem um representante do Conselho Tutelar dos referentes municípios que contemplam o Programa Sentinela e ainda duas vagas para cada instituição parceira da Rede. A meta é promover estratégias de sensibilização e prevenção contra o abuso sexual, fortalecendo a política de proteção Integrada (rede de Proteção) à criança e ao adolescente na perspectiva da universalização da garantia de seus direitos.

Assim, podemos dizer que o pedagogo tem um campo vasto de atuação profissional nos dias atuais, como por exemplo, em ambientes hospitalares, em associações, institutos, fundações, empresas, etc. Ampliam o universo de possibilidades, pois, rompem as barreiras dos muros institucionais.

São os espaços alternativos de atuação do pedagogo que facilitarão a apreensão da democracia por todos. O homem, nesse processo, é um ser que se encontra em um processo progressivo de adaptação e de criação com o meio; de equilíbrio provisório e dinâmico, onde é necessária a presença das readaptações, sendo que estas possibilitam uma reinvenção da humanidade.

Pois à medida que ocorre esta reinvenção do mundo é que se desenvolve, cada vez mais, a inteligência, a afetividade e a sociabilidade.

Falando um pouco sobre a disciplina de Educação Física, que tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança. Propomos como atividade na Educação infantil: dançar com a bola na testa, para as primeiras séries do ensino fundamental sugerimos uma dança folclórica como, por exemplo, boi-bumbá. Ambas as atividades estimulam as crianças de maneira lúdica e prazerosa, além de ajustamento da postura e a socialização entre alunos ditos normais e deficientes ou até mesmos de cor diferente. Evitando assim o preconceito. Representam todas as formas de linguagem: musical, oral ou falada, gestual, emocional, entre outras.

A presença, a participação e o incentivo do professor são muito importante nas aulas de Educação Física; as mesmas devem ser sempre planejadas e avaliadas. Tendo em mente que a criança não é um adulto em miniatura, que os seus limites devem ser respeitados, que a criança tem que sentir prazer, alegria e satisfação ao participar de uma aula de Educação Física com atividades que devem ser realizadas de uma forma lúdica. Entendemos, assim, que a formação atual do pedagogo e do professor não deve apenas restringir-se a uma mera atualização cientifica dos conteúdos formais, mas, sim, propor-se a criar espaços de participação e reflexão para que esse profissional aprenda a adaptar-se a nova realidade da inclusão, expondo aos alunos sem deficiência que podem beneficiar-se da amizade com colegas deficientes e vice-versa.

3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Esta atividade nos permitiu conhecer a história da inclusão, passando por todos passando por suas principais fases: extermínio, segregação, integração e inclusão. Através do mesmo descobrimos que a disciplina de Educação Física, tem como objetivo principal incentivar a prática do movimento em todas as etapas da vida de uma criança. E que o pedagogo pode atuar não apenas em escolas mas, em hospitais, empresas, etc.

Ficou clara a necessidade da formação docente em educação especial, tendo em vista a inclusão, de crianças com necessidades especiais em escolas comuns.

A concepção de ensino e aprendizagem revela-se na prática de sala de aula e na forma como os professores e alunos relacionam-se com crianças especiais.

A presença, a participação e o incentivo do professor são muito importantes tanto nas aulas comuns, como também de Educação Física; as mesmas devem ser sempre planejadas e avaliadas.

Concluiu-se, portanto, que não basta que a tecnologia exista. É preciso, sobretudo, que exista também uma boa relação da criança, jovem ou adulto com o professor, com o conteúdo, com todos os atores da escola e do ambiente de ensino-aprendizagem. É necessário que a inclusão esteja presente nos projetos da escola, sendo contemplada com políticas governamentais coerentes, com a disponibilização de recursos adequados e de professores capacitados.

“[…] impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou sensorial que em interação com diversas barreiras podem ter restringida sua participação plena e efetiva na escola e na sociedade”.

(Política nacional de educação especial na perspectiva da educação inclusiva)



REFERÊNCIAS

BERGAMO, Regiane. Pesquisa e Prática Profissional: Educação Especial. Curitiba: IBPEX, 2009.

FARFUS, Daniele. Organização pedagógica dos espaços educativos. Disciplina Organização Pedagógica Espaços Educativos do Curso de Pedagogia EAD da FACINTER. Curitiba, 2009.

FACION, José Raimundo (Org). Inclusão escolar e suas implicações. 2. ed. rev. e atual. – Curitiba: IBPEX, 2008.

FERNANDES, Sueli. Fundamentos da Educação Especial. Curitiba: IBPEX, 2007.

GONÇALVES, Nezilda Leci Gody. Metodologia do Ensino da Educação Física. Curitiba: IBPEX, 2007

Referencias complementares

FACION, José Raimundo (Org). Inclusão escolar e suas implicações. 2. ed. rev. e atual. – Curitiba: IBPEX, 2008.

APÊNDICE 1

QUESTÃO INDIVIDUAL

Apresente (textualmente) pelo menos três condições que a escola precisa ter para desenvolver atividades de cultura corporal (corporeidade) e educação inclusiva (Como as escolas podem se organizar para a prática inclusiva quanto à adequação dos espaços físicos, a formação de professores para o atendimento de necessidades educacionais especiais, a metodologia das aulas, a disponibilização de recursos tecnológicos específicos, entre outros aspectos).

Construção ou adaptação de rampas; alargamento de portas e passagens; adaptação de sanitários; e sinalização visual, tátil e sonora, professores capacitados em educação especial, nenhuma exclusão do sistema de ensino regular por motivo de deficiência e sim oferecer suporte tanto ao professor quanto ao portador de necessidades especiais, por meio do acompanhamento, estudo e pesquisa de modo a inseri-lo e mantê-lo na rede comum de ensino em todos os seus níveis. (ELMA). Necessidade de capacitação de dois tipos de profissionais: professores do ensino comum com formação básica para lidar com a diversidade e professores especializados, os quais trabalhariam como equipe de atendimento e apoio, a escola precisaria estar refletindo em seu projeto pedagógico, currículo, metodologia de ensino, avaliação e atitude dos educadores, ações que favoreceriam a integração social, adaptando-se para oferecer serviços educativos de qualidade para todos (IRANY).

O processo de inclusão de pessoas com necessidades especiais causa extremas mudanças. Não apenas os professores precisam estar capacitados para enfrentar esse novo desafio, mas principalmente, alunos, pais e comunidade precisam compreender como a convivência com alunos incluídos poderá enriquecer a formação humana de seus membros. (MARIA). Implantação das funções de monitor para auxiliar alunos nas atividades de higiene, alimentação e locomoção no cotidiano escolar e outras que tiverem necessidade de apoio constante Inclusão de professores capacitados para atender as necessidades de alunos portadores de deficiência, nas salas de aula. Adaptação do ambiente escolar conforme a necessidade do aluno. (NATASHA).

Compósitos reforçados por fibra de Coco

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Analisou-se a fibra de coco como reforço em matrizes cimentícias, caracterizando-as e determinando-se as propriedades mecânicas dos compósitos. Produziram-se compósitos com argamassa de traços em massa 1:1 e 1:2, com fibras de diferentes comprimentos e teores. Resultados dos ensaios de compressão mostraram que, nos compósitos de traço 1:1, as fibras trouxeram redução da resistência e, com traço 1:2, deu-se o contrário. Ensaios de flexão foram feitos em corpos-de-prova em formato de vigotas e placas. Nos ensaios com vigotas, para matriz 1:1, a adição de fibras reduziu a resistência à flexão. Para matriz 1:2, essa adição praticamente não alterou essa resistência. Nos ensaios com placas, a adição do reforço, para qualquer teor e comprimento de fibra, reduziu a resistência à flexão.

PALAVRAS-CHAVE: compósitos cimentícios, fibras de coco, desempenho mecânico

SUMÁRIO

1 Introdução
2 Revisão da Literatura
2.1 Materiais não convencionais para construção
2.2 Compósitos cimentícios reforçados por fibras
2.2.1 Matrizes cimentícias
2.2.1.1 Cimento Portland
2.2.1.2 Agregados
2.2.2 Fibras como elementos de reforço
2.2.2.1 Fibras artificiais
2.2.2.2 Fibras vegetais
2.2.3 Compósitos reforçados por fibras vegetais
2.2.3.1 Propriedades dos compósitos cimentícios com fibras vegetais
3 Metodologia
3.1 Materiais utilizados
3.2 Procedimento experimental
3.2.1 Determinação das propriedades físicas e mecânicas das fibras
3.2.1.1 Geometria das fibras
3.2.1.2 Determinação da massa específica real
3.2.1.3 Determinação do teor de umidade
3.2.1.4 Determinação da absorção de água
3.2.1.5 Determinação da resistência à tração das fibras
3.2.2 Produção dos compósitos
3.2.2.1 Ensaio de compressão
3.2.2.1 Ensaio de flexão
4 Resultados e discussão
4.1 Características do cimento e do agregado
4.2 Propriedades físicas e mecânicas das fibras
4.2.1 Geometria
4.2.2 Massa específica real
4.2.3 Teor de umidade
4.2.4 Absorção da água
4.2.5 Resistência à tração
4.3 Desempenho mecânico dos compósitos
4.3.1 Resistência à compressão
4.3.2 Resistência à flexão
4.3.2.1 Em corpos-de-prova em forma de vigota
4.3.2.2 Em corpos-de-prova em forma de placa
5 Conclusões
6 Referências Bibliográficas

1 INTRODUÇÃO

Na construção civil, o fibrocimento é um material largamente usado, sob a forma de telhas, reservatórios e placas de vedação. A maior parte desses componentes construtivos continua, em nosso país, sendo produzida com fibrocimento que utiliza fibras de amianto. Essas fibras minerais são conhecidas por seu poder deletério sobre a saúde humana. Na maioria dos países desenvolvidos, o uso do amianto já foi banido e, no Brasil, as ações governamentais encaminham-se no sentido de proibir sua aplicação em produtos industrializados. A substituição do amianto, como reforço do fibrocimento, por fibras vegetais, tem sido proposta pelas vantagens significativas dessas últimas, principalmente relacionadas à salubridade do processo de produção. Além disso, as fibras vegetais têm baixa densidade, provêm de fontes renováveis, são obtidas com pouco consumo de energia e a criação desse novo mercado pode vir a beneficiar a economia das regiões produtoras de plantas fornecedoras de fibras. Os países de clima tropical, como o Brasil, costumam apresentar abundância de culturas vegetais fornecedoras de fibras, sendo que muitos deles são países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. A diversidade de plantas que podem fornecer fibras torna numerosas as possibilidades de produção e aplicação de componentes construtivos. Em Sergipe, as fibras de coco são abundantes e aqui se encontra uma das poucas indústrias do país que produz a fibra de coco beneficiada (seca, penteada e cortada). 
Esse compósito alternativo pode se constituir em opção economicamente vantajosa para o provimento de habitação popular, que, no Brasil, é uma questão grave. A introdução de novas tecnologias, com a utilização de materiais locais, apresenta-se como uma alternativa de redução dos custos da produção das habitações. 
Combinar elementos de reforço com matrizes é um conceito que tem sido extensivamente aplicado por projetistas para desenvolver materiais de construção eficientes. Inicialmente, com o uso da palha para reforçar o barro e os tijolos de argila, pelos antigos egípcios, passando pelo desenvolvimento da madeira compensada, os materiais compósitos têm respondido às crescentes necessidades em termos de estruturas para construção. Engenheiros civis e projetistas continuam a desenvolver e adotar novas formas de materiais que possam adequar-se à construção de estruturas mais resistentes, maiores, mais duráveis, mais eficientes em termos de energia e mais harmoniosas (LOPEZ-ANIDO e KARBHARI, 2000). Os compósitos com reforço de fibras encontram-se entre as opções por materiais que podem ter seus atributos melhorados em relação aos materiais convencionais.
A utilização de fibras sintéticas, a exemplo das fibras de aço, como reforço em matrizes cimentícias, já se encontra em estágio de conhecimento evoluído. SAVASTANO Jr. e AGOPYAN (1998) já apresentavam estimativa de 28 milhões de toneladas por ano, no mundo, especialmente em países desenvolvidos. As vantagens de suas aplicações são diversas: obtenção de componentes esbeltos, mais leves e bom desempenho mecânico, com elevada absorção de energia sob esforços dinâmicos. Mas, para aumentar o acesso de países em desenvolvimento a esses produtos, há necessidade de redução do custo. As fibras vegetais apresentam-se como alternativa econômica viável, desde que sejam solucionados problemas de durabilidade, resultantes de interações físico-químicas entre essas fibras e a matriz.
GUIMARÃES (1984) estudou o comportamento mecânico de argamassas de cimento reforçadas com fibras de coco e sisal, considerando o comprimento da fibra, as relações água-cimento e areia-cimento da matriz, a fração volumétrica das fibras no compósito e o processo de moldagem. Observou que as fibras de sisal podiam aumentar a resistência à flexão e a ductilidade, enquanto as fibras de coco tinham menor peso específico e também garantiam uma ductilidade pós-fissuração. Devido ao baixo módulo de elasticidade e grande alongamento na ruptura, o compósito com fibras de coco, provavelmente, teria uma alta resistência ao impacto.
A presente pesquisa propõe-se a estudar as propriedades de materiais compósitos, produzidos com argamassa reforçada com fibras vegetais, mais especificamente as fibras de coco, visando sua utilização em produtos para coberturas e vedações. Este Relatório está composto de uma revisão bibliográfica (capítulo 2), a descrição da metodologia da pesquisa experimental (capítulo 3), a exposição dos resultados obtidos até o presente momento no desenvolvimento da pesquisa experimental (capítulo 4) e, por último, conclusões, embora ainda preliminares, sobre os resultados obtidos (capítulo 5).

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 MATERIAIS NÃO CONVENCIONAIS PARA CONSTRUÇÃO

Com o crescimento da indústria da construção civil e com a preocupação ecológica atual, foi constatada a necessidade de estimular o uso de materiais que sejam provenientes de fontes renováveis, de baixo custo e que tenham reduzido consumo de energia para sua produção. A variedade desses materiais é enorme, geralmente são encontrados na natureza em abundância. Os materiais compósitos com fibras vegetais são um bom exemplo de materiais não convencionais.
Com o crescimento populacional, principalmente nos países em desenvolvimento, houve incremento do déficit habitacional na maioria das cidades desses países, nos quais, uma parcela considerável da população lança mão de resíduos tais como, restos de madeira e plástico, para improvisar moradias, como reflexo das críticas condições econômicas da população, somadas ao alto custo dos materiais de construção tradicionais.
A produção de materiais de construção convencionais é, sabidamente, acompanhada de efeitos nocivos ao meio ambiente, a exemplo da indústria cimenteira e dos produtos reforçados com amianto, sendo este último maléfico a saúde humana, o que se evidencia no fato de que pessoas expostas à aspiração de suas microfibras duras apresentam risco de contrair câncer de pulmão e asbestose. Esse material já tem seu uso proibido em quase todos os países desenvolvidos. Ainda assim, no mercado brasileiro, o cimento-amianto é o único compósito fibroso à base de matriz cimentícia com larga escala de produção. 
Cimentos comerciais podem ser substituídos por cimentos alternativos, que estão em fase de desenvolvimento. As fibras de amianto, por sua vez, podem ser substituídas por fibras vegetais, menos insalubres e mais adequadas ecologicamente.
Segundo ABIKO (2003) o problema é, em primeiro lugar, a dificuldade de introduzir qualquer inovação tecnológica na construção civil, pois esse setor é refratário a mudanças, podendo-se constatar uma desconfiança em relação ao comportamento dos novos materiais. Além disso, pode-se registrar a idéia equivocada de que a tecnologia apropriada é mais simples que a tecnologia convencional, e qualquer indivíduo teria capacidade de utilizá-la.
No Brasil, o uso e aplicação de novos materiais de construção têm sido objeto de crescentes iniciativas, favorecidas pelo fato de ser esse um país muito rico em culturas de plantas fornecedoras de fibras.

2.2 COMPÓSITOS CIMENTÍCIOS REFORÇADOS POR FIBRAS

O compósito é um material multifásico que exibe uma significante proporção das propriedades de ambas as fases dos constituintes, tal que uma melhor combinação de propriedades seja obtida. Muitos compósitos são formados por somente duas fases. Uma delas é a chamada matriz, que é contínua e envolve a outra fase, geralmente chamada de fase dispersiva. As propriedades dos compósitos estão relacionadas com as propriedades das fases constituintes, suas quantidades relativas e geometria da fase dispersiva, (forma e tamanho das partículas), distribuição e orientação (CALLISTER, 1994 apud PICANÇO, 2005).
Num compósito reforçado com fibras, a eficiência do reforço pode ser avaliada sob dois critérios principais: priorizando a resistência ou tenacidade dos compósitos em relação à matriz. Esses efeitos dependem do comprimento da fibra, de sua orientação (fibras longas costumam ter uma direção e espaçamento pré-determinados, dentro da matriz, já as fibras curtas, são freqüentemente, distribuídas aleatoriamente e normalmente são menores que 50 mm) e são muito dependentes do grau de aderência com a matriz.
Quanto maior for a aderência, maior a resistência mecânica, porém menor é a tenacidade na fratura. Esse comportamento resulta da possibilidade de aumento da incidência de fraturas das fibras do compósito sob a ação de solicitação mecânica e a conseqüente diminuição na energia absorvida através do processo de arrancamento da fibra. A dificuldade no tratamento da eficiência da fibra é que parâmetros que ressaltam a resistência à tração não necessariamente conduzem a uma maior tenacidade.

2.2.1 Matrizes cimentícias

As matrizes cimentícias são compostas de aglomerantes minerais, podendo conter agregados, que dão origem a concretos, argamassas ou pastas. As matrizes mais utilizadas são aquelas à base de cimento Portland, devido a sua maior resistência mecânica e durabilidade.
Num compósito de baixo ou médio desempenho, com fibras de baixo módulo de elasticidade, a matriz, é quem exerce o principal papel de suporte de esforços. Além disso, a matriz deve prover a proteção física e a ancoragem das fibras, transferindo as tensões entre os elementos de reforço. Freqüentemente, devido a interações físicas ou químicas, forma-se entre as fibras e a matriz uma fase intermediária, chamada interface ou zona de transição que, embora de pequena espessura, pode interferir no controle dos mecanismos de falha, na tenacidade na fratura e na relação tensão deformação do material (DANIEL e ISHAI, 1994).
No caso de matrizes cimentícias, o diâmetro das partículas dos agregados torna-se também importante, pois afeta a distribuição das fibras e a quantidade de fibras que pode ser incluída no compósito. O tamanho médio das partículas da pasta de cimento antes da hidratação se encontra entre 10 a 30 µ, enquanto se pode considerar que uma argamassa contenha partículas de diâmetro máximo de até cerca de 5 mm. Em concretos nos quais se pretenda inserir fibras, não deveria haver partículas maiores que 20 mm, e preferivelmente, não maiores que 10 mm, pois, do contrário, torna-se difícil obter uma distribuição uniforme das fibras (HANNANT, 1978 apud PICANÇO, 2005).

2.2.1.1 Cimento Portland

O cimento Portland é um material pulverulento, constituído de silicatos e aluminatos de cálcio, praticamente sem cal livre. Ao ser misturado com água, hidrata-se e produz o endurecimento da massa, que pode então oferecer elevada resistência mecânica.
O cimento Portland é um aglomerante hidráulico obtido pela moagem de clínquer Portland ao qual se adiciona, durante a operação, a quantidade necessária de uma ou mais formas de sulfato de cálcio. Durante a moagem é permitido adicionar a esta mistura materiais pozolânicos, escórias granuladas de alto-forno e/ou materiais carbonáticos (ABNT, 1991).
Os componentes principais do cimento Portland são: cal (CaO), sílica (SiO2), alumina (Al2O3), óxido de ferro (Fe2O3), magnésia (MgO), álcalis (Na2O e K2O) e sulfatos (SO3). A cal é o componente essencial, encontrado em grande quantidade, de 60 a 67%, da massa do Portland comum. A sílica se encontra combinada com outros componentes, com quantidade de 17 a 25%, e da sua combinação com a cal resultam os compostos mais importantes do Porland. A alumina é encontrada em pequena quantidade, de 3 a 8%, e se combinada com a cal, acelera a pega do aglomerante e reduz sua resistência aos sulfatos. O óxido de ferro é encontrado em pequenas quantidades, de 0,5 a 6%, e combinado com outros óxidos presentes. Os sulfatos são encontrados em quantidade de 3% e são usados principalmente como retardadores de pega. A magnésia é encontrada com teor de 0,1 a 6,5% no cimento e, como não costuma estar combinada, ao ultrapassar esse limite, atua expansivamente. Os álcalis encontram-se com teores de 0,5 a 1,3% agindo como aceleradores de pega.
A hidratação do cimento consiste na transformação de compostos anidros mais solúveis em compostos hidratados menos solúveis, que ocorre a partir do contato dos compostos anidros presentes no cimento com a água. O tempo de início de pega é o tempo que decorre desde a adição da água até o início das reações com os compostos do cimento. Esse processo é evidenciado pelo aumento brusco da viscosidade da pasta e pela elevação da temperatura. Quando o meio se torna contínuo, é chegado o final da pega. A seguir começa a fase de endurecimento, quando ainda continuam a aumentar a coesão e a resistência.
No Brasil, existem cinco tipos de cimento Portland normalizados, denominados de:
• CP I – cimento Portland comum
• CP II – cimento Portland composto com adições de carbonático, pozolona ou escória
• CP III – cimento Portland de alto forno
• CP IV – cimento Portland pozolânico
• CP V-ARI – cimento Portland de alta resistência inicial.

2.2.1.2 Agregados

Agregado é o material granular, sem forma e volume definidos, geralmente inerte, de dimensões e propriedades adequadas para o uso em obras de engenharia (PETRUCCI, 2005). Classificam-se em miúdos e graúdos de acordo com a dimensão dos grãos. A areia é o material de origem natural e está classificado como agregado miúdo, pois, passa na peneira de abertura de malha quadrada de 4,8 mm de lado, ou seja, até 15% de seus grãos ficam retidos.
As características mais importantes dos agregados são:
• Granulometria (proporção, expressa em porcentagem, dos diferentes tamanhos dos grãos que constituem a areia) é geralmente determinada através da peneiração.
• Massa específica real (massa da unidade de volume, excluindo os vazios permeáveis e entre os grãos) e massa unitária (massa da unidade de volume incluindo todos os vazios).
• Umidade (o agregado pode estar em diferentes condições de umidade: seco em estufa, quando não há umidade interna e externa; seco ao ar, quando não apresenta umidade externa, mas possui a umidade interna sem estar saturada; saturado com superfície seca, quando a umidade interna está satura, mas não há a umidade externa; e saturado, quando tanto a umidade externa e interna está saturada). A umidade pode ser obtida de diversas maneiras, como por exemplo, secagem em estufa, frasco de Chapman, secagem por aquecimento ao fogo, etc. O controle da umidade é de grande importância para qualidade do compósito, pela possibilidade de alteração da relação água/cimento da mistura, que é determinante da resistência mecânica do produto final.
• Absorção (o teor de umidade no estado saturado, superfície seca).

2.2.1.3 Água

O teor de água é muito importante na determinação da resistência mecânica e trabalhabilidade da mistura. Quanto menor o valor da relação água/cimento, maior a resistência, menor a permeabilidade e, mais importante, maior é a durabilidade.
2.2.2 Fibras como elementos de reforço

As fibras para reforço de compósitos podem ser naturais, como as vegetais e de amianto, ou artificiais, como as fibras poliméricas, de aço e de vidro. Podem estar distribuídas no compósito em arranjos diversos, podendo ser contínuas ou descontínuas. São mais freqüentemente empregadas em pequenas porcentagens em volume, curtas e distribuídas aleatoriamente na matriz. 
As proporções entre os valores de algumas propriedades das fibras e da matriz são importantes fatores para a determinação do desempenho teórico do compósito. Quando são utilizadas fibras com alongamento na ruptura superior ao da matriz, essa última pode fissurar muito antes de ser atingido o limite de resistência da fibra. Se o módulo de elasticidade a tração da fibra é consideravelmente menor que o da matriz, como ocorre geralmente em compósitos com matriz cimentícia e fibras de celulose, somente após fissuração da matriz é que as fibras passam a sofrer a maior parte da solicitação mecânica (PICANÇO, 2005).
As principais finalidades de se reforçar uma matriz frágil, como a cimentícia, com fibras são o aumento das resistências a tração e ao impacto, a maior capacidade de absorção de energia e a possibilidade de uso no estágio pós-fissuração. O tipo, a distribuição, a relação comprimento-diâmetro e a durabilidade da fibra, assim como o seu grau de aderência com a matriz determinam o comportamento mecânico do compósito e o desempenho do componente fabricado (BARTOS, 1981, GRAY; JOHNSTON, 1987 e BENTUR, 1989 apud SAVASTANO JUNIOR, 1992).

2.2.2.1 Fibras artificiais

As fibras artificiais mais usadas em compósitos são as de vidro, de nylon, de polipropileno e de aço. As fibras de vidro, obtidas pela fusão e fiberização de uma mistura de óxidos metálicos, são muito usadas como reforço, não apenas em matrizes de cimento e gesso, mas principalmente como reforço em resinas termoplásticas e termofixas. As fibras de vidro apresentam as seguintes características: baixo coeficiente de dilatação térmica, consideráveis propriedades mecânicas, manutenção dessas propriedades mecânicas sob altas temperaturas, grande alongamento na ruptura, facilidade de processamento e baixo custo. 
Em função da natureza e proporção dos óxidos metálicos, pode-se obter fibras de vidro de dois tipos diferentes: vidro A (alcalino), usado para fazer garrafas, copos, vidraças etc., e vidro E (elétrico), de alta resistividade elétrica, a qual é conferida pelo baixo teor de óxidos alcalinos, usado para o reforço de plásticos.
As fibras de nylon, utilizadas como reforço de argamassas de cimento, reduzem a retração por secagem. Quando incorporadas ao concreto fresco atuam no sentido de reduzir a formação de microfissuras na fase de retração plástica.
As fibras de polipropileno, usadas em argamassas de assentamento de blocos cerâmicos com furos na vertical, garantem à mistura fresca suficiente trabalhabilidade, para evitar seu deslizamento para dentro dos furos dos blocos cerâmicos. Essas fibras são resistentes aos ácidos, álcalis, água do mar e produtos químicos, possuem ainda grande resistência à quebra e à abrasão, são menos predispostas ao desgaste e ao rasgo e rêm alto módulo de elasticidade. Quando incorporadas ao concreto fresco atuam no sentido de reduzir a formação de microfissuras na fase de retração plástica. Solos reforçados com fibras plásticas de polipropileno geralmente apresentam maior resistência à tração que o solo original, sendo indicadas para o uso em pavimentação.
As fibras de aço são fabricadas com base em fios de aço trefilados e apresentam-se com as extremidades dobradas para favorecer a ancoragem dentro da matriz cimentícia. A qualidade dos concretos reforçados com fibras de aço depende, basicamente, do fator de forma (relação entre o comprimento e o diâmetro da fibra), de tal modo que, quanto maior for esse fator, melhor será o seu desempenho. O desempenho ainda depende da dosagem e de outras características próprias, como sua resistência à tração e ancoragem.
Concretos reforçados com fibras de aço apresentam ductilidade elevada, com grande absorção de energia, controle eficaz de fissuras, durabilidade e aplicação rápida e fácil. Sua aplicação tem sido freqüente em obras de pavimentação industrial, em pavimentação de exteriores, em revestimento de suporte de túneis e minas etc.
Apesar das vantagens em sua utilização, as fibras artificiais são de obtenção cara em nosso país e representam parcela elevada do custo final do componente produzido, apesar dos pequenos teores utilizados (geralmente inferiores a 10% em volume).

2.2.2.2 Fibras vegetais

As fibras vegetais macroscópicas são, cada uma, um material compósito complexo (SAVASTANO JR., 1992). Cada macro-fibra é constituída de várias fibras individuais ou microfibras, que são células longas e pontiagudas, aderidas por uma lamela intermediária (que é a ligação entre as fibras), composta principalmente por um composto orgânico complexo, a lignina, que é uma espécie de matriz natural. Cada microfibra é formada por quatro camadas, com diferentes teores de celulose, hemicelulose e lignina, sendo as moléculas de celulose as responsáveis pela resistência das fibras. 
As células da fibra têm de 10 µm a 25 µm de diâmetro. Pode haver, ainda, a presença de extrativos, que influenciam na coloração, densidade, durabilidade, combustibilidade e absorção de umidade das fibras (COUTTS, 1988 apud SALES, 2006). Existe também uma cavidade localizada na região central da fibra (lúmen) que é responsável pela elevada absorção de água e baixa massa específica aparente.
Numa matriz cimentícia, o meio alcalino, proporcionado pelos produtos de hidratação do cimento, costuma causar degradação de alguns dos constituintes das fibras vegetais. A celulose é relativamente imune ao ataque por álcalis ou ácidos diluídos. Alem disso, substâncias agressivas costumam penetrar no lúmen, a exemplo dos compostos hidratados de cimento. Esses compostos podem, sofrer cristalização nessa cavidade central, e demais vazios das fibras, causando enrijecimento desse reforço e sua conseqüente fragilização.
Por serem materiais naturais, as fibras vegetais estão sujeitas à heterogeneidade causada pela diversidade das condições de vida do vegetal, dos métodos de extração, dos tratamentos, da variedade de espécie de um mesmo gênero, e até num mesmo exemplar, dependendo do local de onde foram extraídas as fibras (SALES, 2006).
Quanto à morfologia, as fibras vegetais podem se apresentar sob a forma de feixes de fibras (macro-fibras) ou polpa (micro-fibras). Quanto à origem, podem ser provenientes de folhas (sisal, curauá, fique), talo (juta, linho, piaçava), caule (bambu, bagaço-de-cana) ou do fruto (coco, algodão). As fibras das folhas têm origem nas plantas monocotiledôneas e ocorrem em feixes com extremidades sobrepostas de tal forma que produzem filamentos contínuos através do comprimento da folha (TOLEDO FILHO, 1997), conferindo-lhe resistência e dando suporte aos vasos de condução de água vegetal (PICANÇO, 2005).
As fibras de talo ou tronco são originárias das plantas dicotiledôneas e ocorrem no floema, que fica na entrecasca do talo. Os feixes de fibra são unidos entre si e mantidos no lugar pelo tecido celular do floema e pelas substâncias gomosas e graxas. As fibras podem ser obtidas colocando-se os talos em tanques de água quente ou deixando-os espalhados no chão para permitir que a ação das bactérias dissolva o material que envolve as fibras. O processo é seguido por secagem das fibras (PICANÇO, 2005). As fibras do caule são fibras curtas, grossas e rígidas. Pedaços de madeira são processados em várias soluções e sujeitos a tratamentos mecânicos para extrair fibras de celulose de boa qualidade na forma de polpa (TOLEDO FILHO, 1997). 
As fibras são formadas por celulose, hemicelulose e lignina. A celulose é um polímero derivado da glicose, a hemicelulose é um polímero de açúcares raramente ou nunca cristalino que apresenta baixo grau de polimerização e é solúvel em álcalis (PICANÇO, 2005). Já a lignina é um adesivo natural cuja estrutura ainda não foi completamente demonstrada (WALKER, 1993 apud PICANÇO, 2005). É um polímero de cadeia muito complexa que, para ser dissolvido, necessita ser primeiramente subdividido em substancias mais simples (COUTTS, 1988 apud PICANÇO, 2005). A lignina pode ser dissolvida e lixiviada em meio alcalino e está presente em grandes concentrações na lamela intermediária (cerca de 78%) (TOLEDO FILHO, 1997). Na Tabela 01, a seguir, são apresentados valores de propriedades físicas e mecânicas de algumas fibras do Brasil.


Fibras de Sisal

O sisal é resistente a clima seco e cultivado em regiões tropicais e subtropicais, sendo o plantio comum no Nordeste brasileiro. Uma característica desta planta é que ela possui folhas grandes, pontiagudas e dispostas em roseta, semelhante ao abacaxi. Originou-se no México espalhando-se em seguida para outras regiões do mundo como África, Europa e Ásia (FERRI, 1976 apud PICANÇO, 2005).
As folhas apresentam coloração em tom cinza-esverdeado com largura entre 8 e 10 cm e comprimento entre 150 e 250 cm. As fibras encontram-se incrustadas no cerne das folhas e são compostas de microfibras resistentes à tração, durável e medem em média 1,50 m. Após o corte das folhas, essas devem ser trabalhadas o quanto antes, uma vez que seu armazenamento causa rápida putrefação.
Conhecida por sua grande resistência mecânica, a fibra de sisal é disponível a um custo razoável, pois se renova rapidamente e sua vida útil está estimada em 25 anos. Possui valores de absorção de água maiores do que das fibras de coco, podendo causar perda da aderência com a matriz. Argamassas com fibras de sisal apresentam menor trabalhabilidade que com fibras de coco, pela maior capacidade de absorção e maior relação de aspecto.
Em ensaios de arrancamento com corpos-de-prova de argamassa de cimento com uma fibra de sisal, com comprimento inserido entre 7,5 e 50 mm, a resistência de aderência ficou entre 0,32 e 0,76 MPa. Foi observada a ocorrência de arrancamento da fibra para pequenos comprimentos inseridos, e ruptura para comprimentos maiores. Como em muitos sistemas as fibras maiores que 25 mm falharam por ruptura, esse valor foi sugerido como comprimento crítico para a fibra de sisal (TOLEDO FILHO, 1997).
SAVASTANO JR (1992) obteve, em seus ensaios com a fibra de sisal, valores de massa específica real de 1370 kg/m³, massa específica aparente de 564 kg/m³, absorção máxima de 110%, diâmetro de 0,227 ± 0,092mm e resistência à tração de 347 a 378 MPa.
GRAM (1984) estudou a durabilidade das fibras de sisal, relatando a perda de cerca de 80% da resistência à tração original, após mantê-las em solução saturada de cal por seis meses. Para as fibras de coco, a perda foi em torno de 35%. Submetidos à alternância de molhagem e secagem, os compósitos com sisal sofreram fragilização em maior escala que os compósitos de fibras de coco.

Fibras de Juta

Originária da Índia, a juta foi introduzida no Brasil no século XX por Ryota Oyama, passando por um processo de climatização. Teve sua cultura iniciada com os japoneses, posteriormente começou a ser cultivada pelas populações ribeirinhas da região Norte do Brasil (PICANÇO, 2005).
A juta é uma fibra muito resistente e tem módulo de elasticidade relativamente elevado, o que a torna conveniente para o uso como reforço de matriz cimentícia. Com pasta de cimento, os compósitos tiveram aumento de até 97% na resistência à tração e 60% na resistência à flexão em relação à matriz sem reforço, mas com matriz de argamassa, o aumento não foi significativo. As resistências foram maximizadas para um comprimento de fibra entre 12 e 18 mm, com fração volumétrica de 2%. A fração volumétrica ótima ficou em torno de 2% a 3% para um comprimento de 25 mm. A presença do reforço aumentou consideravelmente a tenacidade e resistência ao impacto, essa última tendo aumentado 400%. A fratura do compósito se deu em parte por arrancamento e em parte por ruptura das fibras. A pouca aderência foi atribuída à expansão das fibras na mistura úmida (MANSUR E AZIZ, 1982 apud SALES, 2006).
RAMASWAMY (1983) estudou a estabilidade dimensional das fibras de juta juntamente com fibras de coco e bambu. As fibras de juta tiveram aumento de peso de cerca de 140% após imersão em água por 280 horas, mas não apresentaram, visualmente, sinais de expansão. A resistência à tração das fibras, de 226 MPa, foi cerca de 60% superior a das fibras de coco. Houve perda em torno de 32% da resistência, após as fibras de juta permaneceram imersas em meio alcalino durante 28 dias. Para as fibras de coco, a perda foi de apenas 5%. O alongamento sob tração foi muito menor para a fibra de juta, ficando em torno de 4,85% do valor para a fibra de coco.
PICANÇO (2005) obteve valores de diâmetro da fibra de juta de 0,091 mm, utilizando projetor de perfil, teor de umidade natural de 11,37%, peso específico de 10,79 kN/mm³, absorção de água na saturação de 274,70% e resistência média à tração de 299,92 MPa.

Fibras de Bambu

O bambu é um vegetal da classe das gramíneas que ocorre de forma natural, em regiões tropicais, subtropicais e até temperadas. Apresenta grande potencial como reforço de matrizes cimentícias, aliando o baixo custo à boa resistência mecânica. Cresce em grupos de canas com comprimentos de 3 a 35 m, que têm colmos cilíndricos individuais ocos, com diâmetros de 20 a 300 mm. O colmo é dividido em intervalos separados por nós contendo diafragmas transversais. Como reforço pode ser usado o colmo, taliscas ou fibras (SUBRAHMANYAM, 1984 apud SALES, 2006).
Alguns estudiosos ressaltam a dificuldade de desfibrar o bambu (CEPED 1982). O uso como reforço na forma de polpa se apresenta como alternativa. A polpa pode ter microfibras com comprimentos médios de 2,70 mm e diâmetro em torno de 2,75 x 10-2 mm (PAKOTIPRAPHA, 1978 apud SALES, 2006). COUTTS, (1994) apud SALES, (2006) encontrou comprimentos médios de 1,70 mm.

Fibras de Coco

A cultura do coco é abundante em muitos países tropicais, principalmente nas faixas de litoral. O coqueiro cresce em areias salgadas de praias, onde nenhuma outra cultura seria economicamente viável. É de fácil cultivo e produz por longo período, sendo seu fruto constituído por uma casca lisa, o exocarpo, pelo mesocarpo, parte espessa intermediária e pelo endocarpo, casca duríssima e lenhosa. O mesocarpo fornece as fibras que, no fruto maduro, apresentam-se lenhosas e duras e, nos frutos verdosos, são moles, com alto teor de umidade e fornecem a melhor fibra celulósica. Como a colheita é feita, em maior escala, quando os cocos estão maduros, há maior disponibilidade de fibras grosseiras (CEPED, 1982).
O processo de preparação da fibra é feito pelo curtimento ( as cascas são imersas em tanques com água), pressão (a casca é comprimida para expelir água e achatar-se), desfibramento (faz-se com máquinas com dentes finalizando o processo de separação), classificação (as fibras escovadas são classificadas segundo a cor e o comprimento), e enfardamento. 
TOLEDO FILHO et. al. (1997) obtiveram valor para o diâmetro das fibras de coco de 0,25 mm. A umidade natural obtida foi de 13,5%, o peso específico 8 kN/m³, a absorção de água na saturação é de 100% e resistência à tração de 174 MPa. SAVASTANO JR (1992) obteve, em seus ensaios com a fibra de coco, valores de massa específica real 1177 kg/m³, massa específica aparente de 638 kg/m³, absorção máxima de 93,8%, diâmetro de 0,210 ± 0,101 mm e resistência à tração de 95 a 118 MPa.
A curva de tensão-deformação para as fibras de coco apresentou-se como tendo uma parte linear inicial, seguida de uma região não-linear com deformação altamente desproporcional à tensão e finalmente uma região retilínea ascendente, sugerindo certo encruamento por deformação (KULKARNI, 1981 apud SALES, 2006).
As características microestruturais justificam a superioridade das fibras de coco, no que se refere à durabilidade em meio alcalino. RAMASWAMY (1983) observou perda da resistência à tração, após 28 dias de imersão em meio alcalino, menor para fibras de coco (5% de perda) que para as fibras de juta (32% de perda). Dados experimentais apontam para limitações na aplicação das fibras de coco como reforço em compósitos, pelo baixo módulo de elasticidade e grande absorção de água, sendo muito sensíveis a variações de umidade (SALES, 2006).
No estudo de TOLEDO FILHO (2000), usando fibras de sisal e de coco em argamassa de cimento, ambas as fibras foram consideradas altamente sensíveis à alcalinidade da matriz. Imersas em solução de hidróxido de cálcio por 300 dias, as fibras de coco e sisal sofreram perda total de flexibilidade. Imersas em água, perderam resistência, possivelmente por ação microbiológica, restando, após 420 dias, 83,3% e 77,2% das resistências originais, respectivamente, para fibras de sisal e coco. Os compósitos com essas fibras tiveram significativa redução na tenacidade após seis meses de exposição ao ar ou submetidos a ciclos de molhagem e secagem. Fibras curtas sofreram maior fragilização que fibras longas, pela existência de maior número de extremidades e maior área superficial, permitindo mais rápida penetração dos produtos de hidratação.
O estado de Sergipe é o sexto maior produtor de coco do país, produzindo anualmente cerca de 3.163 frutos de coco por hectare. Em relação à área colhida, encontra-se em terceiro lugar, com 39,4 mil hectares, só perdendo para o estado do Ceará (40,4 mil ha) e da Bahia (78,5 mil ha), e que somados representam mais que 50% da área brasileira de coleta de coco (AGRIANUAL, 2006 apud TODAFRUTA, 2008).
2.2.3 Compósitos reforçados por fibras vegetais

As fibras vegetais apresentam alta absorção de água, o que prejudica a aderência com a matriz, pois sofre expansão quando imersas na mistura ainda úmida e se retraem, na secagem, gerando descolamento na interface. 
Dependendo das condições de serviço a que estiverem sujeitas, as matrizes com características frágeis, tais como pastas de argamassas e concreto de cimento Portland, podem necessitar de melhoria de algumas de suas propriedades. Sabe-se que os compósitos cimentícios reforçado com fibras vegetais têm o desempenho estrutural limitado, já que essas fibras em geral, possuem baixo módulo de elasticidade, sendo considerado que não atuam como reforço antes da fissuração da matriz e os compósitos sofrem com a diminuição na resistência à compressão. No entanto, a adição das mesmas nesse tipo de matriz tem trazido ganhos de desempenho em relação à matriz sem reforço, pela melhor distribuição das tensões no material, aumento da resistência à flexão, acréscimo da capacidade de absorção de energia, tornando o compósito mais resistente a impactos, maior ductilidade e tenacidade, maior resistência à fissuração, conferindo-lhe maior capacidade de carregamento após o aparecimento das primeiras fissuras. Podem ser obtidas, adicionalmente, melhores propriedades de isolamento térmico e acústico (SALES, 2006).
Algumas características consideradas relevantes das fibras vegetais:
• Geometria: a relação de aspecto (comprimento/diâmetro) determina o montante de esforço transferido. É necessário determinar o comprimento crítico da fibra, abaixo da qual a fibra escorregará dentro da matriz, ao invés de romper, quando submetida à tração. O aspecto superficial da fibra (seções transversais irregulares e fibrilas) pode contribuir para a ancoragem da fibra à matriz. A relação de aspecto também influencia na trabalhabilidade do compósito cimentício no estado fresco, quanto menor essa relação, melhor a trabalhabilidade.
• Volume de vazios: é considerado em fibras vegetais, leva a alta absorção de água desde a imersão na matriz cimentícia no estado fresco, interferindo na relação água/cimento e na aderência entre fibra e matriz.
• Resistência à tração: deve garantir que o processo de arrancamento seja predominante em relação à ruptura da fibra, após fissuração da matriz.
Nos ensaios de trabalhabilidade realizados por TOLEDO FILHO (1997), com compósitos cimentícios com fração volumétrica de 2% e 3%, foi observada uma trabalhabilidade entre média e alta. No entanto, foi mostrado que o aumento na fração volumétrica das fibras de 2% para 3% foi suficiente para reduzir o abatimento em 70%. Logo, frações volumétricas maiores não são recomendadas quando se pretende fazer compósitos com fibras vegetais em matriz cimentícia sem utilização de plastificantes (PICANÇO, 2005).
Estudos comparativos realizados com fibras de jutas em compósitos, com diferentes frações volumétricas, mostraram uma melhora no comportamento do material à flexão com o aumento da fração volumétrica de 0% a 3%. A utilização do maior volume de fibras (4%) provocou uma diminuição dessa resistência (MANSUR E AZIZ, 1981 apud SALES, 2006).

2.2.3.1 Propriedades dos compósitos cimentícios com fibras vegetais

Compósitos de fibras curtas não são tão resistentes quanto aqueles de fibras contínuas, pois as fibras longas, apesar de terem continuidade, estão alinhadas e distribuídas uniformemente em todo o compósito, favorecendo o aumento da resistência. Já as curtas estão dispostas aleatoriamente e necessitam ter um comprimento adequado para que possa haver a devida transferência de tensões por parte da matriz.
Uma propriedade mecânica bastante interessante para os compósitos é a tenacidade, que determina a capacidade do material de sofrer deformação plástica, absorvendo portanto energia, antes de se romper. É uma característica necessária ao bom desempenho do material quando há incidência de impactos.
Em relação à tenacidade, contudo, importa o fato de haver oposição ao crescimento da fissura. Se o crescimento da fissura pode ser impedido de alguma maneira, então uma energia maior será requerida para fazê-la propagar-se. Um modelo explicativo dessa interação fibra-matriz (Figura 01) mostra que se o compósito está sob tensão, uma fissura que surge na matriz começa a se propagar à superfície da interface fibra-matriz. Quando a fissura se aproxima da interface, ela é momentaneamente impedida de crescer pela ação da fibra, que une as faces da fissura. Se a interface é pouco resistente, o cisalhamento interfacial e a contração lateral da fibra e da matriz, provocados pelo estado de tensão aplicado, resultarão em deslocamento e deflexão da fissura na direção normal à interface fibra-matriz. Um aumento da fissura na sua direção principal de crescimento ocorrerá após algum tempo. Com o crescimento da tensão no compósito, o deslocamento na interface continua e a ruptura da fibra poderá ocorrer em algum ponto mais fraco, ao longo de seu comprimento. As extremidades inseridas na matriz serão arrancadas, encontrando como oposição à resistência friccional da interface e, finalmente, haverá a total separação (CHAWLA, 1987 apud SALES, 2006).

Pode-se concluir que as fibras curtas (descontinuas) podem contribuir para maior tenacidade do compósito, restringindo o crescimento inicial da fissura, sendo esse efeito dependente do comprimento inserido na matriz e da resistência à tração das fibras. Segundo BANTHIA e SHENG (1996) apud SALES (2006), se há condições favoráveis, os compósitos podem ainda apresentar um pseudo-encruamento por deformação, após a primeira fissuração, que é manifestado como um crescimento não-linear da tensão, com um aumento da deformação imposta. 
Experimentos têm comprovado que o aumento da fração volumétrica das fibras leva ao aumento da tenacidade. Isso se deve ao fato de que são as fibras os elementos promotores do impedimento ao crescimento abrupto das fissuras. A presença das fibras em maior escala garante que mais processos de interação com a matriz possam consumir energia, garantindo uma maior montante de energia absorvida. Mas este aumento da fração volumétrica tem um limite, que depende do tipo, geometria e arranjo das fibras, acima do qual há prejuízo a propriedades importantes, como trabalhabilidade, homogeneidade e coesão entre fibra e matriz, levando à diminuição da resistência mecânica e, também, da tenacidade (SALES, 2006).

Resistência à compressão

A resistência à compressão do compósito é influenciada pelo tipo, comprimento e fração volumétrica das fibras. Observa-se redução dessa propriedade com o aumento das frações volumétricas das fibras, como reflexo do fato de que as fibras não atuam como reforço sob compressão, podendo na verdade constituírem-se em falhas na estrutura do material (PICANÇO 2005).
PICANÇO, 2005 observou, durante um ensaio de compressão de compósitos de argamassa reforçada com vibra vegetal, que é comum que o corpo-de-prova, já rompido, mantenha suas partes unidas pelas fibras, não perdendo, assim, sua continuidade e evitando sua fratura catastrófica. Isso vem reafirmar o papel das fibras como elementos capazes de ligar as faces das fissuras, conferindo ao material uma certa capacidade, mesmo que mínima, de carregamento, após a fissuração da matriz.

Resistência à flexão

A carga de flexão suportada por uma viga de concreto pode ser aumentada pela inclusão de fibras. A atuação das mesmas é marcante depois de atingida a carga de pico, que corresponde ao inicio da fissuração da argamassa. Assim, ao invés da ruptura brusca apresentada pela matriz sem reforço, o compósito continua a suportar carga, embora em níveis inferiores à carga de pico, apresentando grande deformação (PICANÇO, 2005).
Por simplificação e supondo-se a existência de comportamento elástico perfeito, pode-se considerar que, quando uma viga retangular do material é carregada em flexão, as tensões e deformações longitudinais, em uma dada seção transversal, variam de forma linear da superfície em compressão, para atingir um máximo de tração na superfície oposta. A tensão de ruptura, calculada a partir do momento de flexão, então, é conhecida como módulo de ruptura (MOR) e é uma medida da resistência à tração do material. Na prática, mesmo para um material elástico, o módulo de ruptura é geralmente maior que a resistência à tração, pois um volume menor do corpo de prova é tencionado e tensões de flexão, que podem surgir em um ensaio de tração pelo desalinhamento das garras, são eliminadas. No entanto, a teoria convencional das vigas é inadequada para compósitos reforçados por fibras, pois a curva tensão-deformação pós-fissuração, no lado tracionado, é diferente daquela observada em compressão.
LAWS e WALTON (1978) apud SAVASTANO JR. (1992) estudaram a resistência a tração obtida a partir de ensaio de flexão e concluíram que os valores encontrados são maiores que aqueles dos ensaios de tração direta. Isso se justifica pelo modelo adotado para distribuição de esforços, que considera diagrama triangular de tensões e módulos de elasticidade iguais, na fase elástica de carregamento, tanto para tração como para compressão.

Resistência à tração

O ensaio de medida dessa propriedade pode ser feito por tração direta ou indireta. O ensaio de tração direta é feito, utilizando corpos-de-prova cujo formato evita a concentração de tensões durante a sua solicitação. Como resultado dos ensaios obtém-se o gráfico de tensão-deformação específica, na fase elástica do carregamento e após a fissuração do material, sendo os dados obtidos utilizados para medida indireta da aderência fibra-matriz.
HANNANT et al. (1983) apud SAVASTANO JR (1992) propuseram a aplicação da teoria de Griffith, segundo a qual as fissuras têm início em falhas do compósito e são limitadas, em seu crescimento, pela presença das fibras. A partir do estágio em que essas fissuras começam a se juntar, a soma de seus efeitos exerce influência sobre a tenacidade, em decorrência das grandes deformações sofridas pelo material. Tem-se, nesse caso, justificativa para o aumento de ductilidade conferido pelas fibras, uma vez que elas são responsáveis pela incorporação de vazios e descontinuidades que aumentam a energia absorvida durante a fissuração e, ao mesmo tempo, limitam a sua propagação.
MANSUR e AZIZ (1982) apud TOLEDO (1997) observaram, para pastas e argamassas reforçadas com fibras de juta, que a resistência à tração, primeiro aumenta com o tamanho da fibra e, após atingir um valor máximo, começa a decrescer devido ao efeito adverso de se aumentar o volume de vazios no compósito.

Aderência

As fibras de baixo módulo de elasticidade são incorporadas aos materiais à base de cimento, com o objetivo de aumentar a ductilidade do compósito no estágio de pós-fissuração, o que faz do aumento de resistência um efeito secundário. Para os casos em que o arrancamento predomina sobre a ruptura da fibra, tem-se a aderência fibra-matriz como o principal fator de influência sobre a tenacidade do compósito (SAVASTANO JR. 1992).
Em relação à aderência fibra-matriz cimentícia, deve-se considerar que a alta capacidade de absorção de água da fibra vegetal pode provocar a perda do contato com a matriz, com redução da resistência de aderência na interface.
Em qualquer compósito cimentício, a aderência entre a fibra e a matriz é também prejudicada pela formação da chamada zona de transição, que difere do restante da pasta, no entorno da fibra. A presença de inclusões na matriz ainda plástica cria o chamado “efeito parede”, ou seja, a formação de um filme de água na interface, levando a uma maior porosidade e a uma maior concentração de portlandita e de etringita. Observou-se que a zona de transição, nos compósitos com fibras vegetais, que não foram previamente impermeabilizadas, é mais pronunciada, pois, sendo mais porosas, elas atraem mais água da matriz que as inclusões impermeáveis. Isso provoca maior espessura e maior porosidade da camada correspondente à zona de transição (SAVASTANO JR., 1992).
A resistência de aderência interfacial fibra-matriz pode ser determinada experimentalmente através de ensaios de arrancamento (Pull-out), porém a geometria bastante irregular das fibras vegetais pode levar a falhas de interpretação dos resultados desses testes (BENTUR e MINDESS, 1990). Em muitos casos os valores de resistência de aderência interfacial foram registrados num intervalo de 0,8 a 13 MPa. (op. cit.).
MORRISSEY et al. (1985) apud SAVASTANO JR (1992) estudaram o comprimento critico (comprimento, acima do qual, as fibras rompem antes de escorregar) para fibras vegetais em matriz de pasta de cimento. Concluíram que a resistência de aderência das fibras não é proporcional ao comprimento de ancoragem e depende, sobretudo, de pontos localizados onde a aderência é maior. Considera-se, assim, comprimento critico não como aquele em que a tensão de atrito distribuída uniformemente na superfície da fibra se iguala a sua resistência a ruptura, mas sim como o comprimento em que se torna maior a probabilidade de ocorrência de ancoragem localizada e de alta resistência ao cisalhamento.

Durabilidade

A avaliação da durabilidade dos compósitos com fibras vegetais é de suma importância para sua aplicação, por tratar-se de nova tecnologia. Em compósitos formados por matrizes frágeis e fibras vegetais os principais fatores que podem reduzir a durabilidade do material são a idade do compósito, o ataque alcalino às fibras e a incompatibilidade física entre a fibra e a matriz.
A durabilidade dos compósitos com fibras vegetais inseridas em matriz cimentícia sofre forte influência do ambiente externo. Há possibilidade da água alcalina do poro da matriz cimentícia causar desintegração de componentes da fibra (GRAM, 1983).
Pode ocorrer, também, a fragilização da fibra pelo processo de mineralização, resultante da migração de produtos de hidratação, especialmente o hidróxido de cálcio, para a cavidade central, paredes e vazios da fibra, onde cristalizam. Fibras frágeis sofrem ruptura sem alongamento considerável, não contribuindo conforme o esperado para o incremento da tenacidade do compósito (TOLEDO FILHO, 1997).
São propostos diversos métodos para atenuar os efeitos da interação fibra-mariz, podendo-se classificar as alternativas de solução, conforme sua natureza, em intrínsecas, relacionadas a modificações nos constituintes do compósito (substituição de parte do cimento por pozolanas, uso de cimentos especiais, com menor alcalinidade, impregnação das fibras ou imersão em sílica antes da mistura com a matriz), ou extrínsecas, relacionadas ao compósito como um todo (modificação da estrutura dos poros e da porosidade por compactação, condições especiais de cura, tratamento pós-cura) (GRAM, 1983, SAVASTANO JR., 2003, TOLEDO FILHO et. al., 2003, SAVASTANO JR., 2002, DOS ANJOS, 2002).

3 METODOLOGIA

3.1 MATERIAIS UTILIZADOS

Na produção dos compósitos foram utilizadas fibras de coco provenientes da indústria Indufibras de Aracaju, Sergipe, como elemento de reforço e matriz de argamassa de cimento Portland. 
O cimento utilizado foi o Portland comum (CPI), da marca Poty. Para esse cimento foi determinado o índice de finura, de acordo com a NBR 11579 – Cimento Portland – Determinação da finura por meio da peneira 75µm (nº 200) – Método de ensaio (ABNT, 1991). A determinação dos tempos de pega foi feita, de acordo com a NBR 11581 – Cimento Portland – Determinação dos tempos de pega – Método de ensaio (ABNT, 2003). Foi admitida como resistência do cimento aquela relacionada à sua categoria de fabricação, ou seja, 32 MPa aos 28 dias de idade. A água utilizada foi obtida da rede de abastecimento da cidade Aracaju.
O agregado miúdo utilizado foi areia lavada, adquirida no comércio local do município de São Cristóvão. Para esse agregado foi determinada a massa específica unitária no estado seco, de acordo com a NBR 7251 – Agregado em estado solto – Determinação da massa unitária (ABNT, 1982). A determinação da massa específica real foi feita, de acordo com a NBR 9776 – Agregados – Determinação da massa específica de agregados miúdos por meio do frasco de Chapman (ABNT, 1987). A composição granulométrica foi também determinada, de acordo com a NBR 7217 – Agregados – Determinação da composição granulométrica (ABNT, 1987).

3.2 PROCEDIMENTO EXPERIMENTAL

3.2.1 Determinação das propriedades físicas e mecânicas das fibras

3.2.1.1 Geometria das fibras

Para determinar o diâmetro da fibra de coco, foi utilizado um microscópio eletrônico marca BODELIN, dotado de software PRO-SCOPE (Figura 02a) com magnificação de 200 vezes, cuja imagem foi projetada na tela do computador (Figura 02b). A leitura do diâmetro da fibra foi feita através de uma lente com escala de precisão de 10 µm (Figura 03). Foram utilizados 30 exemplares de fibras de 50 mm de comprimento, nos quais foram realizadas três medidas ao longo do comprimento de cada exemplar, determinando-se a média aritmética. As medidas individuais dos diâmetros foram obtidas com a utilização do software de tratamento de imagem Image-Pro Express. 


Para determinar o comprimento da fibra de coco, foram colhidos 100 exemplares que foram medidos com uma trena metálica, de precisão de 1 mm. Foram, também, medidos os comprimentos com os quais a fábrica produz e comercializa as fibras, considerando ser essa a máxima medida possível de se obter, após processamento industrial.

3.2.1.2 Determinação da massa específica real

A massa específica real das fibras foi determinada pelo método do picnômetro. Foram utilizados dois picnômetros e uma bomba a vácuo, para a retirada do ar (Figura 04). Em cada picnômetro foram colocados 4 g de fibra, de 30 mm de comprimento, e o frasco foi preenchido com água até cobrir as fibras. As fibras ficaram imersas por 24 horas, permitindo a saída prévia de ar contido nos vazios. Após esse período, o ar ainda presente nas fibras foi retirado pela ação da bomba à vácuo agindo sobre a imersão por 15 minutos. Em seguida, o picnômetro foi completamente preenchido com água e determinou-se seu peso. A medida da massa específica real foi obtida através da equação 01.

 (01)

Onde: ? – massa específica real em g/cm³
P1 – massa do picnômetro vazio em gramas 
P2 – massa do picnômetro com fibra em gramas
P3 – massa do picnômetro contendo água e fibras em gramas
P4 – massa do picnômetro preenchido com água em gramas

3.2.1.3 Determinação do teor de umidade

Foi determinado o teor de umidade que a fibra de coco apresenta quando exposta ao ar, no ambiente de laboratório. As fibras foram cortadas em um comprimento de 30 mm e depois secas em estufa a 60 °C até constância de massa, obtendo a massa seca (Pe). Depois foram retiradas da estufa e deixadas expostas ao ar por 24 horas, obtendo-se a massa seca ao ar (Pa). O teor de umidades das fibras foi calculado pela equação 02:

 (02) 

3.2.1.4 Determinação da absorção de água

Na determinação da absorção da água, as fibras de 30 mm de comprimento foram colocadas na estufa, a 60°C, até a constância de massa, em seguida foram imersas em água (Figura 05) e tiveram suas massas determinadas. Procedeu-se então às determinações de massa em intervalos de 5 minutos, 30 minutos, 1 hora e 2 horas. A partir daí, foram feitas as determinações em intervalos de 24 horas até o sexto dia. Em seguida, em intervalos de 48 horas até atingir a saturação. Para calcular a absorção foi utilizada a equação 03:

 (03)

Onde: mht = massa úmida da fibra (g)
ms = massa seca seco da fibra (g)

Cada fibra foi colocada numa moldura confeccionada com uma folha de papel, com um orifício. Ao colar a fibra na moldura de papel, tomou-se o cuidado para que só fosse transmitido o esforço de tração ao segmento livre e também foi observado se a garra do equipamento não dilacerava a fibra pela pressão exercida. O equipamento utilizado foi um dinamômetro com capacidade máxima de 10 N.

3.2.2 Produção dos compósitos

Buscou-se estudar as influências dos fatores: traço da argamassa, teor e comprimento das fibras. Para o traço da argamassa, foram utilizadas as relações em massa 1:1 (cimento:areia), com relação água/cimento 0,40, e 1:2, com relação água/cimento 0,52. As relações água/cimento tiveram que ser diferentes, para manter a mesma trabalhabilidade das misturas. Em relação aos teores de fibras (frações volumétricas), foram utilizadas as percentagens de 2% e 3%. Quanto ao comprimento das fibras, foram utilizados os valores de 15 mm e 25 mm. Assim, foram produzidos oito tipos de mistura de compósitos reforçados com fibras de coco, além de duas misturas de referência (argamassas com traços em massa 1:1 e 1:2). A apresenta a nomenclatura usada para designar cada mistura.

3.2.2.1 Ensaio de compressão

Para cada mistura, foram produzidas em argamassadeira (Figura 07), seis corpos-de-prova cilíndricos, com 50 mm de diâmetro e 100 mm de altura.
Primeiramente, foi misturada cada argamassa e, em seguida, adicionaram-se as fibras e procedeu-se à homogeneização da mistura, na própria argamassadeira. O adensamento foi feito em mesa vibratória, em duas camadas, por 10 segundos cada. Os corpos-de-prova moldados foram deixados nos moldes, cobertos com placa de vidro, por 48 horas, e em seguida foi feita a desmoldagem. A cura foi feita mantendo os corpos-de-prova em sacos plásticos, até a idade de 28 dias, quando foi realizado o ensaio de ruptura à compressão. Esse ensaio foi realizado em uma máquina MUE-100, marca EMIC. Antes do ensaio, foi feita a regularização dos topos dos corpos-de-prova, com massa plástica, e foram fixados extensômetros elétricos (Figura 08b), para obtenção da curva tensão-deformação desses materiais, usando aparelho de aquisição automática de dados marca HBM, modelo Spider 8.
– Argamassadeira

Para o cálculo da resistência à compressão, utilizou-se a equação 04:

(04)
Onde: P = carga aplicada
A = área do topo do corpo-de-prova

3.2.2.1 Ensaio de flexão

O ensaio de flexão foi feito para dois tipos de seção. Uma delas media 50 x 50 mm com comprimento de 300 mm (vigota) e a outra, com largura de 70 mm, altura de 8 mm e comprimento de 250 mm, pretendendo simular a seção e uma placa ou telha de cobertura a ser fabricada com o material.

Vigota

Para cada mistura, foram produzidos em argamassadeira, três corpos-de-prova prismáticos. Primeiramente, foi misturada cada argamassa e, em seguida, adicionaram-se as fibras e procedeu-se à homogeneização da mistura, na própria argamassadeira. O adensamento foi feito em mesa vibratória, com apenas uma camada (Figura 09a). Os corpos-de-prova moldados foram deixados nos moldes, cobertos com placa de vidro, por 48 horas, e em seguida foram desmoldados. A cura foi feita em sacos plásticos, até a idade de 28 dias, quando foi realizado o ensaio de ruptura à flexão em três pontos (Figura 09b), na máquina universal MUE-100, marca EMIC, com utilização de célula de carga de 1 tf, marca GUNT. Adotou-se vão livre de 240 mm. 

Placas

Para cada mistura, foram produzidas em argamassadeira, duas placas quadradas com 250 mm de lado e 8 mm de altura. Primeiramente, foi misturada cada argamassa e, em seguida, adicionaram-se as fibras e procedeu-se à homogeneização da mistura, na própria argamassadeira. O adensamento foi feito em mesa vibratória, em uma única camada (Figura 10a). Os corpos-de-prova moldados foram deixados nos moldes, dentro de sacos plásticos, por 48 horas, e em seguida desmoldados. A cura foi feita em sacos plásticos, até a idade de 28 dias, quando cada placa foi cortada em três peças com 70 mm de largura. Optou-se por executar o ensaio de flexão das placas com aplicação de pesos (Figura 10b), pois as cargas de ruptura previstas para esses corpos-de-prova eram muito pequenas para as células de carga disponíveis, o que comprometeria a precisão das determinações. 

(05)
Onde: P= carga aplicada
L = vão livre
b = largura da viga
h = altura da viga

4 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.1 CARACTERÍSTICAS DO CIMENTO E DO AGREGADO

O cimento utilizado apresentou índice de finura igual a 2,9%. O tempo de início de pega foi de 1h 23min e o tempo de fim de pega, de 5h 29 mim. O agregado miúdo apresentou massa específica unitária no estado seco igual a 1,55 kg/dm³. A determinação da massa específica real resultou no valor de 2,62 kg/dm³. A curva granulométrica obtida encontra-se apresentada na Figura 11. Percebe-se que esse agregado poderia ser classificado como areia grossa (ABNT, 1983). O módulo de finura e o diâmetro máximo da areia foram de 3,02 e 9,5 mm, respectivamente. Foi observada a presença de grãos maiores, como se tivesse havido modificação da granulometria por mistura com uma pequena quantidade de seixo, o que levou à determinação de um diâmetro máximo acima do esperado para um agregado miúdo.

4.2 PROPRIEDADES FÍSICAS E MECÂNICAS DAS FIBRAS

4.2.1 Geometria

A média dos diâmetros das fibras de coco foi de 0,317 mm, com coeficiente de variação de 0,30. Em comparação com o valor médio obtido por TOLEDO FILHO (1997), que foi de 0,25 mm, e por SAVASTANO JR (1992), de 0,210 ± 0,101 mm, o diâmetro medido está dentro do esperado.
A média dos comprimentos das fibras foi de 22,34 cm, com coeficiente de variação de 0,20. Esse valor é comparável ao obtido por SAVASTANO JR (1992), de 28,70 ± 10,38 mm. O comprimento das fibras, que é a medida na qual a fibra é comercializada, depende das características de produção de cada indústria.

4.2.2 Massa específica real

A média da massa específica real das fibras foi de 1453,6 kg/m³. Esse valor foi superior ao obtido, para esse mesmo tipo de fibra por SAVASTANO JR (1992), que foi de 1177 kg/m³. Isso pode se dever ao método utilizado, nesse trabalho, para a determinação dessa propriedade, no qual foi garantida a retirada do ar contido nos vazios, através de vácuo, permitindo o preenchimento com água.

4.2.3 Teor de umidade

O teor de umidade da fibra exposta ao ar, no Laboratório de Materiais de Construção da UFS, obtido foi de 8,77%. O valor obtido por TOLEDO FILHO (1997), de 13,5%, foi superior em mais de 50% em relação ao obtido nesse trabalho, supostamente devido a diferenças das condições ambientais a que as fibras ficaram expostas.

4.2.4 Absorção da água

A absorção da água pelas fibras na saturação foi de 171,85%. Esse valor, em comparação com os valores obtidos por TOLEDO FILHO (1997), de 100%, e por SAVASTANO JR (1992), de 93,8%, mostrou-se consideravelmente superior.

4.2.5 Resistência à tração

A média das tensões obtidas nos ensaios de tração foi de 87,25 MPa. TOLEDO FILHO (1997) obteve para essa propriedade o valor de 174 MPa e SAVASTANO JR (1992), de 95 a 118 MPa. Considera-se essa variação, entre os resultados obtidos em experimentos conduzidos em diferentes trabalhos, como um reflexo da ausência de normalização técnica que oriente os procedimentos de ensaio. O valor obtido nesse trabalho está próximo ao valor inferior obtido por SAVASTANO JR (1992).

4.3 DESEMPENHO MECÂNICO DOS COMPÓSITOS

4.3.1 Resistência à compressão

apresentam curvas tensão-deformação dos compósitos com traço 1:1 e 1:2, respectivamente, obtidas nos ensaios de resistência à compressão. Pode-se notar que as curvas das matrizes reforçadas com fibras de coco apresentam formas similares às curvas típicas normalmente obtidas com matrizes sem fibra.

Calculou-se a média das tensões de ruptura obtidas do ensaio à compressão, para cada mistura, calculando-se, também, o coeficiente de variação (Cv) das amostras. A partir das curvas tensão-deformação, foram determinados os módulos de elasticidade das misturas.


Para misturas com matriz de argamassa de traço 1:1, a adição de fibras trouxe redução da resistência à compressão. As fibras, nessa matriz mais resistente (relação água/cimento 0,40), atuaram como falhas, sob esforço de compressão, já que sob esse tipo de solicitação, as fibras não atuam como reforço. Para essa matriz, com o teor de fibras de 2%, o aumento do comprimento para 25 mm, provocou redução da resistência, sendo essa redução creditada ao aumento do número de falhas representadas pelas fibras. Já para os compósitos com 3% de fibras, esse aumento de comprimento provocou aumento de resistência. Para os compósitos com essa matriz, quando foi houve aumento do teor de fibras de 2% para 3%, houve redução da resistência à compressão, para os dois comprimentos de fibra utilizados, chegando a um percentual de 45,7%, para compósitos com fibras de 15 mm de comprimento.
Para o compósito com matriz de traço 1:2, a adição de fibras trouxe aumento da resistência à compressão. Essa matriz apresentou baixa resistência, devido à alta relação água/cimento, de 0,52. Pode-se supor que a fibra, com alta absorção de água, reteve a água da mistura, não deixando tanta água disponível para ser perdida para o meio, por secagem, aumentando assim a resistência. A água retida pelas fibras pode promover uma espécie de cura interna da pasta de cimento, favorecendo o ganho de resistência. Para essa matriz, com o teor de fibras de 2%, o aumento do comprimento para 25 mm, provocou redução da resistência. Já para os compósitos com 3% de fibra, esse aumento de comprimento provocou aumento de resistência, havendo, nestes casos, semelhança de comportamento com a matriz 1:1. Para os compósitos com matriz 1:2, quando houve aumento do teor de fibras para 3%, mantendo o comprimento de 15 mm, ocorreu redução de resistência de 20,3%. Já para comprimento de 25 mm, ocorreu um pequeno aumento de resistência à compressão, de 9,7%.
Pode-se atribuir esses desempenhos diferenciados ao fato de que, para cada tipo de matriz, sempre há um comprimento, chamado de crítico, para o qual a fibra tem seu desempenho mecânico explorado ao máximo (GIBSON, 1993). Isso depende da resistência de aderência entre fibra e matriz. PICANÇO (2005) obteve no ensaio de compressão com fibra de curauá, com mesma matriz, com fração volumétrica das fibras de 3% e comprimento de 25 mm, uma redução da resistência de cerca de 58%. Nesse trabalho, para esse mesmo teor e comprimento de fibra, a redução foi de 35%. Apesar de ser a fibra de curauá mais resistente à tração (492,62 MPa, segundo PICANÇO, 2005) que a de coco (87,25 MPa, nesse estudo), sabe-se que, sob compressão, essa vantagem não se constitui em garantia de reforço, o que fica mostrado nos resultados apresentados.
Os resultados da determinação dos módulos de elasticidade sob compressão mostraram que houve redução da rigidez das misturas, com a adição do reforço com fibras. A mesma tendência foi observada por PICANÇO (2005). No estudo de TOLEDO FILHO (1997) foi considerado que as mudanças no módulo de elasticidade podem ser consideradas desprezíveis em razão da adição de fibras à matriz. 
4.3.2 Resistência à flexão

4.3.2.1 Em corpos-de-prova em forma de vigota

Foi calculada a média das tensões de ruptura à flexão (módulo de ruptura MOR), obtidas com o ensaio de flexão dos quatro corpos-de-prova, tendo sido determinado, também, o coeficiente de variação (Cv).

Para matriz 1:1, a adição de fibras trouxe uma pequena redução (em torno de 15%, em geral) da resistência à flexão. Na matriz com mais alta resistência, a adição das fibras pode ter contribuído para o aumento da porosidade da mistura, que, possivelmente, se refletiu num menor desempenho dos compósitos. Com o teor de 2% de fibras, o aumento do comprimento de 15 mm para 25 mm, resultou em aumento da resistência à flexão em cerca de 10%, como reflexo de um maior comprimento de ancoragem da fibra na matriz. Com o teor de 3% de fibra, o aumento do comprimento para 25 mm, praticamente não trouxe variação da resistência. Ainda para a mesma matriz, o mesmo ocorreu em relação ao aumento do teor de fibras de 2% para 3%, tanto para o comprimento de 15 mm, como para o de 25 mm.
Para matriz 1:2, a adição de fibras praticamente não alterou a resistência à flexão. Não houve considerável influência sobre o desempenho mecânico, nem com a alteração do comprimento, nem com a variação da fração volumétrica das fibras.
SAVASTANO JR. (1992) obteve valores, para flexão de compósitos com fibras de coco, com mesmas geometria e dimensões dos corpos-de-prova usados no presente estudo, em torno de 3,0 a 4,5 MPa, sendo essa variação atribuída à variação do teor e comprimento das fibras. PICANÇO (2005) obteve, no ensaio de flexão de compósitos de argamassa com fibra de curauá, redução da resistência, em relação à matriz sem reforço, de cerca de 30%, para a fração volumétrica de 2% de fibras com comprimento de 25 mm, e redução de 12% para a fração volumétrica de 3%.

4.3.2.2 Em corpos-de-prova em forma de placa

Foi feita a média com os valores das tensões obtidas com o ensaio de flexão em placa, dos seis corpos-de-prova, calculando-se também o coeficiente de variação (Cv). Obtiveram-se os resultados mostrados na Tabela 05.

A adição de fibras na mistura para qualquer teor e comprimento trouxe redução na resistência à flexão, em comparação com a mistura sem fibras, que configura a mesma tendência já observada para os corpos-de-prova em forma de vigota. As fibras podem ter atuado como falhas nessa matriz com mais alta resistência, sob esforço de flexão.
Para matriz 1:1, com o teor de 2% de fibras o aumento do comprimento de 15 mm para 25 mm aumentou a resistência em cerca de 11%. Isso pode ser creditado a um maior comprimento de ancoragem que beneficiou o desempenho sob flexão. Para o teor de 3% de fibras, não houve variação considerável da resistência à flexão, quando se aumentou o comprimento da fibra de 15 mm para 25 mm. Pode-se supor que, para um maior teor de fibras, o incremento da resistência que poderia ser causado pelo aumento do comprimento, foi prejudicado pela redução da trabalhabilidade da mistura fresca. Para o comprimento de fibra de 15 mm, o aumento do ter de fibras de 2% para 3%, aumentou a resistência em 16%. Com o comprimento de 25 mm, o aumento do teor de fibras para 3% não levou a modificações consideráveis da resistência. 
Para matriz 1:2, para qualquer dos dois teores de fibras utilizados, o aumento do comprimento de 15 mm para 25 mm trouxe redução da resistência, chegando-se a 29% e 19% de redução dessa propriedade, respectivamente, para 2% e 3% de fibras. Para qualquer dos comprimentos de fibras utilizados, o aumento do teor de fibras de 2% para 3% não resultou em consideráveis alterações da resistência à flexão.
De forma geral, para o comprimento de fibra de 15 mm, a resistência do compósito permaneceu alta e praticamente constante, mesmo quando houve mudança do traço da matriz e variação do teor de fibras na mistura, o que pode levar à conclusão de que esse comprimento seria adequado para reforço desse tipo de matriz, dentro do intervalo de teores estudado.
Comparando-se os resultados dos ensaios de flexão em vigotas (seção transversal de 50 x 50 mm, área de 2500 mm²) com os realizados com corpos-de-prova em formato de placas finas (seção 8 x 70 mm, área de 560 mm²), percebe-se a superioridade dos valores de resistência à flexão dos últimos. Isso pode ser explicado, inicialmente, pelo efeito de escala, segundo o qual, quanto maiores as dimensões dos espécimes, maior a probabilidade de existência de falhas, onde as tensões se concentram e provocam a ruptura. Adicionalmente, no caso desse estudo, o método de adensamento em mesa vibratória, resultou, nas vigotas, em menor eficiência na compactação, devido às suas maiores alturas da seção transversal. Já para as placas finas, a pequena espessura garantia que toda a camada fosse adensada com mais eficiência, causando melhoria dos índices mecânicos. Esse fato fica exemplificado no estudo de AGGARWAL (1992), que, em compósitos cimentícios com fibras de coco, aplicou compressão na moldagem, variável de 0,5 a 3,0 MPa. A resistência à flexão, para a menor pressão na moldagem, ficou em torno de 3,5 MPa, enquanto que, para pressão de 3,0 MPa, esse valor de resistência passou a 10,5 MPa.

5 CONCLUSÕES

A partir dos resultados obtidos no ensaio de resistência à compressão, foi possível concluir que, para misturas com matriz de argamassa de traço 1:1, a adição de fibras trouxe redução da resistência à compressão. Já para o compósito com matriz de traço 1:2, a adição de fibras trouxe aumento da resistência à compressão. Os resultados da determinação dos módulos de elasticidade sob compressão mostraram que houve redução da rigidez das misturas, com a adição do reforço com fibras. 
A partir dos resultados obtidos nos ensaios de resistência à flexão em vigotas, conclui-se que, para matriz 1:1, a adição de fibras trouxe uma pequena redução da resistência à flexão. Para matriz 1:2, a adição de fibras praticamente não alterou a resistência à flexão. Não houve considerável influência sobre o desempenho mecânico, nem quando houve alteração do comprimento, nem com a variação da fração volumétrica das fibras.
A partir dos resultados obtidos no ensaio de resistência à flexão em placas, concluiu-se que a adição de fibras na mistura para qualquer teor e comprimento trouxe redução na resistência à flexão, em comparação com a mistura sem fibras, que configura a mesma tendência já observada para os corpos-de-prova em forma de vigota. 
Comparando-se os resultados dos ensaios de flexão em vigotas com as placas, percebe-se a superioridade dos valores de resistência à flexão dos últimos. Isso pode ser explicado, inicialmente, pelo efeito de escala, segundo o qual, quanto maiores forem as dimensões dos espécimes, maior a probabilidade de existência de falhas, onde as tensões podem se concentrar e provocar a ruptura. Adicionalmente, no caso desse estudo, o método de adensamento em mesa vibratória, resultou, nas vigotas, em menor eficiência na compactação, devido às suas maiores alturas de seção transversal. Já para as placas, a pequena espessura garantia que toda a camada fosse adensada com mais eficiência, melhorando os índices mecânicos. 
Observou-se, dos resultados obtidos, que houve predominância de uma resistência do compósito mais alta, para o reforço com comprimento de fibra de 15 mm, mantendo-se essa tendência praticamente constante, mesmo quando houve mudança do traço da matriz e variação do teor de fibras na mistura. Isso poderia levar à conclusão de que esse comprimento seria adequado para reforço desse tipo de matriz, dentro dos intervalos de teores de fibras e de traços da matriz utilizados nesse trabalho.
De modo geral, os resultados obtidos nesse trabalho foram comparáveis aos obtidos em trabalhos anteriores, conforme literatura técnica consultada, para compósitos com mesma matriz e fibra vegetal.
Considerando o ainda escasso número de pesquisas sobre esses materiais não convencionais para a construção, a variabilidade inerente aos componentes desse tipo de compósito e a suscetibilidade das fibras vegetais ao ataque por agentes agressivos intrínsecos e extrínsecos ao compósito, coloca-se, como sugestão para posteriores trabalhos, a investigação da durabilidade dessas misturas e seu comportamento em relação à retração por secagem.

6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 7211 – Agregado para concreto. Rio de Janeiro: ABNT, 1983.
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 9776 – Agregados – Determinação da massa específica de agregados miúdos por meio do frasco de Chapman. Rio de Janeiro, mar. 1987.
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 7217 – Agregados – Determinação da composição granulométrica. Rio de Janeiro, ago. 1987. 
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 5732 – Cimento Portland comum. Rio de Janeiro, jul. 1991.
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 11579 – Cimento Portland – Determinação da finura por meio da peneira 75µm (nº 200). Rio de Janeiro, jul. 1991.
ABNT – Associação Brasileira de Normas Técnicas. NBR 11581 – Cimento Portland – Determinação dos tempos de pega. Rio de Janeiro, jul. 2003.
AGGARWAL, L. K. Studies on cement-bonded coir fibre boards. Cement & Concrete Composites n. 14, p. 63-69. Great Britain : Elsevier Science Limited, 1992.
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CEPED – Centro de Pesquisa e Desenvolvimento. Utilização de fibras vegetais no fibro-cimento e no concreto-fibra. BNH-DEPEA, Rio de Janeiro,1982. 
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Infância e Ludicidade

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SUMÁRIO

Introdução
Educação Infantil – Metodologia e Procedimentos / Educação Infantil – Fundamentos
A Ludicidade na Educação: uma atitude pedagógica
Temas Transversais: Como utilizá-los na prática educativa?
Metodologia do ensino da Literatura Infantil
Considerações Finais
Referências

1. Introdução

O presente estágio propõe uma aproximação, entendimento, sobre educação Infantil, de modo a nos possibilitar como estudantes o contato com o trabalho profissional em diferentes atividades.

Na atualidade a educação infantil está adquirindo uma crescente importância perante os teóricos e também profissionais dessa área, os mesmos buscam possibilitar desenvolvimento integral das crianças, de forma significativa e para isso levam em consideração as contribuições e benefícios das múltiplas linguagens.

Falaremos sobre jogo, literatura infantil e temas transversais. Uma vez que, tanto na infância como na adolescência e também na fase adulta é muito mais agradável e prazeroso realizar o aprendizado através de ações lúdicas: brincadeiras, recreações e jogos. A literatura estabelece relações com a realidade, mostram outras visões de mundo, outros mundos. Vamos falar sobre inclusão, ao fazermos a atividade aplica a prática do livro Temas Transversais.

A Educação Especial marca o lugar da diferença, ao conviver com limitações humanas mais evidentes ou menos claras. Atuando em escolas comuns e especiais.

Alunos, professores, técnicos, especialistas, pais, e comunidade, todos devem assumir o desafio da descoberta e a superação de limites, construindo novas competências referenciadas no paradigma da escola inclusiva.

Mais detalhes, sobre educação infantil, no decorrer do trabalho.

Educação Infantil – Metodologia e Procedimentos

Educação Infantil – Fundamentos

CD Coleção Gira Mundo,

Toda criança necessita de atenção, amor, carinho e respeito, essa é a primeira base para formar um cidadão apto a viver bem em sociedade. Essa relação deve existir entre todos os funcionários da escola e entre as crianças também.

Depois vem o processo de socialização, que também é muito importante. Através do qual as crianças deverão aprender a respeitar o seu próximo, a cooperar com todos, a cumprir com as suas responsabilidades, que são de acordo com a sua faixa etária.

E para isso o professor tem que realizar um trabalho diário desde o primeiro momento em que as crianças chegam à escola até o momento em que vão embora, além do apoio didático e dos temas transversais, que auxiliam bastante para conscientização das crianças. E por último, e não menos importante o processo de aprendizagem.

O ponto de partida é oferecer um ambiente onde as crianças tenham oportunidade de se deparar com muitos desafios, informações, noções da sua própria realidade, para que assim possam construir o seu próprio conhecimento de forma prazerosa, favorecendo seu desenvolvimento integral.

As crianças da educação infantil estão em fase de grandes descobertas e por isso necessitam de muitas novidades para explorarem e desenvolverem esse processo de aprendizado de forma saudável e produtiva.

Após as leituras de nossos livros didáticos, dos textos no AVA e do CD coleção gira mundo, destacamos a finalidade da educação infantil por etapas como: Mini-Maternal (1 ano a completar 2 anos): Nessa fase as crianças estão em processo de grandes descobertas. Portanto cabe a escola saciar todas essas necessidades, através de brincadeiras, vídeos, histórias, músicas e projetos, tudo voltado para a sua faixa etária.

Dessa forma a criança poderá desenvolver a imaginação, a expressão corporal e oral, entre outras habilidades.

O professor deverá ministrar as atividades incentivando novos desafios e visando sempre o lúdico, assim a criança terá a oportunidade de realizar grandes descobertas. Maternal I (2 anos a completar 3 anos): As crianças buscam sempre novos conhecimentos. O professor tem a função de atrair a atenção das crianças, e para isso dispõem de métodos que proporcionem desafios, conhecimentos, através de brincadeiras, jogos, histórias, artes musicais, entre outros entretenimentos. Assim a criança terá a oportunidade de construir noções da realidade em que vive e enriquecer seu conhecimento.

Maternal II (3 anos a completar 4): A criança dessa faixa etária está iniciando seu processo de autonomia e relacionamento social ativo. Portanto o trabalho com essa fase deve ser voltado ao reconhecimento por parte do aluno de sua capacidade de pensar e agir por si só. Através de jogos e brincadeiras de faz-de-conta, os conteúdos deverão ser apresentados aos alunos em forma de questionamento e desafios para exercitarem suas habilidades e gerar novos conhecimentos. A necessidade de brincar da criança será reconhecida e a ênfase maior do processo de ensino aprendizagem será dada ao aspecto lúdico.

Jardim I (4 anos a completar 5): Com quatro anos, as crianças elaboram, interpretam e conferem novos significados aos elementos da realidade que vivenciam e têm a oportunidade de experimentar e expressar sua forma particular de compreender o mundo social em que vivem. Nesse ambiente, a criança deve ser incentivada a falar, e relatar experiências, exercitando sua linguagem. E em constante interação com o educador, ela poderá aperfeiçoar seu conhecimento sobre a linguagem oral e ampliar seu vocabulário.

Jardim II (5 anos a completar 6): As crianças dessa fase ampliam com êxito o conhecimento sobre si, sobre o meio em que vivem e sobre o processo de alfabetização. Cabe ao professor oferecer um espaço aberto para os alunos explorarem de forma satisfatória suas competências e habilidades. O conteúdo deverá proporcionar exatamente a prática de tudo isso. O lúdico continua a fazer parte da grade curricular, através da apostila das datas comemorativas e dos projetos também.

Pré: Na última fase da educação infantil, as crianças encontram-se mais preparadas, tanto no aspecto emocional, como também no social, além de já possuírem uma bagagem de conhecimentos gerais bastante diversificados. O educador deve dar ênfase no processo de alfabetização e socialização, complementando com brincadeiras, histórias, jogos, teatros, músicas, etc, pois ambos proporcionam desafios, estimulam a imaginação, ampliam o vocabulário, além de enriquecer o conhecimento da criança.

A Ludicidade na Educação: uma atitude pedagógica

Escolhemos a concepção do lúdico como recreação e lazer, assim elaboramos o jogo abaixo para crianças de 6 anos.

Começou a Chover

Objetivos: Desenvolve a atenção; integração; imaginação.

Organização: Pedir que as crianças se espalhem numa determinada área. Depois é só pedir que cada uma desenhe um círculo ao redor dos pés (não colado aos pés, mas grande, em volta); estas serão as casas. Deve haver uma “casa” a menos que o total de participantes (ou seja, não desenhe um círculo ao redor dos seus próprios pés).

Desenvolvimento: Começando a brincadeira: o professor sai andando pelo pátio, contando uma história qualquer e as crianças devem segui-lo fazendo gestos e movimentos de acordo com a história. Procure se afastar das “casas” enquanto anda. Num determinado momento diga “Então, começou a chover!” As crianças devem então procurar a “casa” mais próxima e aí ficar. Quem ficar sem “casa” sai do jogo, apaga-se uma casa cada vez que um participante sair, então novamente o professor começa a contar outra história. Ganha quem ficar por último sem casa.

Espaço: Pátio da escola

Durante a infância, mas especificamente entre os 6 e 8 anos de idade, a educação é de fundamental importância para o ser, pois é justamente nesta fase que se consolidam os hábitos, atitudes,valores e esquemas mentais que delineiam e direcionam a constituição da personalidade. O convívio social e o desenvolvimento de habilidades motoras são extremamente importantes para o crescimento físico e a evolução moral e espiritual da criança.

Quando se aplica um jogo recreativo, produz-se nos jogadores uma excitação mental agradável. Ele deve, também, garantir e manter a espontaneidade dos participantes fixando-se o conceito de que o mais importante não é ganhar ou perder e, sim, participar.

Os jogos, quando utilizados de maneira correta e consciente, são muito eficientes para a fixação, a introdução e a transmissão do conhecimento de forma a atraente, motivadora e participativa.

Temas Transversais: Como utilizá-los na prática educativa?

Ao fazermos a brincadeira de olhos vendados, com as crianças da sala da qual estagiamos, turma de 4anos, as mesmas acharam muito divertido, atravessarem a sala sem vê, alguns conseguiram chegar do outro lado, mas, saíram de cima da linha feita com durex colorido. Outros acabaram virando pra direita ou esquerda outros seguiram em frente e foram para o lado errado, apenas Cinco de doze alunos fizeram o percurso certo.

Partindo do pressuposto de que as brincadeiras infantis não são inatas, ou seja, necessitam de aprendizagem, consideramos como algo insubstituível que o educador de infância ou o professor, numa atitude persistente e contínua, os jogos, na sua versão pedagogicamente correta, para que as crianças possam vivenciar emoções e experiências estruturantes da sua forma de agir sobre o envolvimento.

A criança, nesta faixa etária, aprende noções tão fundamentais para a vida em comum como a cooperação com os outros ou o respeito pelas regras. A brincadeira de olhos vendados tem por objetivo a formação de caráter e a futura adaptação social da criança.

De acordo com Laura Montes em seu Livro Temas Transversal, como educadores para ensinarmos quem não enxerga, devemos aprender e ensinar nossos alunos a desenvolverem a disponibilidade de aprender, quando a interação exigir. Os preconceitos precisam ser diminuídos, e todos podem se sentir preparados para interagir com todos.

Metodologia do ensino da Literatura Infantil

De acordo com as entrevistas feitas com as crianças Gabriela, Natália e Gabriel, essas são as histórias que eles gostam muito. (Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Os Três porquinhos.). Cada uma tem um jeitinho muito especial de falar o que sentem quando estão ouvindo, ou lendo algumas dessas narrativas, parecem que elas estão vivendo dentro da história, emoção é o que não falta, por exemplo, Chapeuzinho Vermelho, Gabriela nos falou que” toda vez que ela escuta essa história dá vontade de chorar por que no final o lobo come a vovó e depois o caçador abre a barriga do lobo e tira a vovó de lá, ela nos falou que tudo isso é emocionante.”

Uma boa história para elas é o que mexe com sonho, fantasias, alegria, suspense, medo, emoção. Assim como em Branca de Neve, quando tem que fugir do caçador e na hora em que a bruxa entrega a maçã envenenada, “dá uma ansiedade, angustia é como se eu estivesse no lugar dela.” (Natália).

Com relação aos Três Porquinhos, Gabriel nos respondeu que, “gostou muito quando cada um construiu sua casa, mas ficou triste quando o lobo a derrubou se sentiu muito feliz porque o irmãozinho chamado Tijolota, ajudou os outros dois que o Lobo havia derrubado a casa, juntos conseguirem derrotar o Lobo.”

Comparando com o que estudamos, os relatos das crianças estão de acordo com o que lemos. Pois, a literatura desenvolve bastante o pensamento da criança, muda seu modo de falar e se comportar.

Segundo Marta Morais em Metodologia do Ensino de Literatura infantil, a literatura com finalidade utilitária constrói no entendimento das crianças a noção de que ler é buscar confirmações do já percebido, é reafirmar, é reproduzir sem participar. Temos, assim, a arte transformada em ferramenta. No entanto, a literatura propõe um texto diferenciado, cuja finalidade é mais recusa do utilitário e de proposta de pensamento divergente. ‘’ A riqueza polissêmica da literatura é um campo de plena liberdade para o leitor. Daí provém o próprio prazer da leitura, uma vez que ela mobiliza mais intensa e inteiramente a consciência do leitor, sem obrigá-lo a manter-se nas amarras do cotidiano.

Na visão de FRITZEN (1999, p.9) “É nos momentos de maior desinibição, de relax, de desconcentração, oferecidos pelos jogos e brincadeiras, que as pessoas se desbloqueiam se descontraem, e se realiza uma proximidade maior, uma melhor integração”.

Apesar de o jogo ser uma atividade espontânea nas crianças, isso não significa que o professor não necessite ter uma atitude ativa sobre ela, inclusive, uma atitude de observação que lhe permitirá conhecer muito sobre as crianças com quem trabalha.

Considerações Finais

Esta atividade nos permitiu o estudo sobre a educação infantil, a qual não deve ser responsabilidade somente da escola, deve ser compartilhada com a família.

O lúdico não pode ser abolido de nenhuma fase da educação infantil, pois através das brincadeiras, as crianças manifestam seus sentimentos e constroem um aprendizado saudável. Seja ela deficiente ou não.

A Educação Especial marca o lugar da diferença, ao conviver com limitações humanas mais evidentes ou menos claras. Atuando em escolas comuns e especiais.

A sala de aula da educação infantil deve ser um espaço visualmente limpo, claro, permitindo que as crianças sintam-se à vontade para desenvolver suas capacidades de criar e imaginar, bem como, interagir e serem capazes de exercer uma série de atividades.

O brincar aparece reafirmado como uma estratégia que possibilita a aproximação entre as crianças, constituindo-se em espaços de produção de cultura nos quais podem experimentar pertencimento. A inclusão revela-se como um processo dinâmico que se dá no cotidiano e no qual as interações entre as crianças desempenham um papel fundamental, compreender o outro.

REFERÊNCIAS

Barbosa, Laura Monte Serrat- Temas Transversais: Como utilizá-los na prática educativa? Curitiba: Ibpex, 2007, 147p.

Costa, Marta Morais da – Metodologia do ensino da Literatura Infantil, Curitiba: Ibpex, 2007, 171p.

Fritzen, S. J. Jogos dirigidos para grupos recreação e aulas de Educação Física. 25. ed. Petrópolis-RJ: Vozes, 1999

Rau, Maria Cristina Trois Dorneles – A ludicidade na Educação: uma atitude pedagógica, Curitiba: Ibpex, 2007, 164p.

TEXTOS BASE:

CD. MÍDIA – Educação Infantil. Coleção Gira Mundo – Sistema de Ensino. UNINTER. Editora: IBPEX, Curitiba, 2008.

Estudo das Estratégias de Marketing

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Este trabalho tem como objetivo relacionar e identificar as estratégias de marketing que são utilizadas pelos escritórios de contabilidade de Itabira-MG, a fim de conquistar maior fidelidade por parte dos consumidores de seus serviços. Discute-se também o avanço na Ciência Contábil, alterando a imagem do contador, deixando de ser um “guarda-livros” para ser um profissional de extrema importância no auxilio à tomada de decisões. O público em geral não conseguiu acompanhar a evolução da contabilidade, sendo grande parte da culpa, a falta de comunicação eficiente, gerando um “abismo” entre a imagem que o público tem da contabilidade e sua verdadeira realidade. Através da pesquisa bibliográfica e a análise das entrevistas realizadas, pode-se verificar que o escritório contábil ainda está tendo uma postura passiva diante do mercado.

O tempo é oportuno para o contador rever seu papel e redescobrir sua verdadeira missão, isso implica abandonar determinados comportamentos e atividades e adotar outros mais adequados às novas demandas do mercado. O escritório de contabilidade deverá adaptar-se as novas regras do mercado buscando prestar serviços diferenciados e com mais eficiência interagindo com o mercado. O papel do marketing na contabilidade é redesenhar o serviço prestado para alterar o quadro de demanda de seus serviços valorizando a classe contábil e auxiliando na fidelização e na atração de clientes.

Palavras-Chave: Marketing, Estratégias de Marketing, Fidelização de Clientes, Mercado, Valorização.

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

AAA – American Accouting Association

AMA – American Marketing Association

AICPA- American Institute of Certified Public Accoutants

CFC – Conselho Federal de Contabilidade

FASB – Financial Accouting Standard Board

MKT – Marketing

RBC – Revista Brasileira de Contabilidade

SEC – Security Exchange Commission,

SINNESCONTÁBIL/MG – Sindicato dos Escritórios de Contabilidade, Auditoria e Perícias Contábeis no Estado de Minas Gerais.

SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO
1.1 Problema
1.2 Hipótese
1.3 Objetivo Geral
1.4 Objetivos Específicos
1.5 Justificativa
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Conceito de Marketing
2.1.1 A evolução histórica do Marketing
2.2 Marketing de serviços
2.3 Estratégias de fidelização de clientes
2.3.1.Estratégias de fidelização segundo Kotler (1998)
2.4 Satisfação de clientes
2.5 Marketing na Contabilidade
2.5.1 História da Contabilidade
2.5.2 Evolução da Contabilidade no Brasil
2.5.3 Código de Ética Profissional do Contabilista
2.5.4 A utilização do marketing nos escritórios de Contabilidade no mercado atual
3 METODOLOGIA DE PESQUISA
3.1 Tipo da pesquisa
3.1.1 Tipo da pesquisa quanto à abordagem
3.1.2 Tipo da pesquisa quanto aos fins
3.1.3 Tipo da pesquisa quanto aos meios
3.2 Universo de pesquisa
3.3 Amostra
3.4 Procedimentos de Coleta de dados
3.5 Procedimentos de Análise dos dados
3.6 Limitações do método escolhido
4 ANÁLISE DE DADOS 
4.1 Visão geral da amostra
4.2 Percepção dos profissionais contadores de Itabira quanto às exigências do novo mercado
4.3 Estratégias de marketing utilizadas pelos escritórios contábeis de Itabira
4.4 Relação entre as estratégias identificadas e utilizadas pelos escritórios de contabilidade e a fidelização dos clientes
CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS

1. INTRODUÇÃO

O mercado de trabalho tem se modificado nos últimos anos, exigindo mudanças em muitas áreas e obrigando os profissionais a se aprimorarem e se qualificarem. Os profissionais que trabalham nos escritórios de contabilidade estão expostos a esse processo de mudanças, o que faz ser relevantes perguntas como, por exemplo: O que faz um contador? Qual é o seu papel? Que função justifica a existência desse profissional?

Muitas são as mudanças que afetam os escritórios de contabilidade, tais como a economia, com a intensificação do capital investido, a desestabilização de organizações locais por multinacionais, dando origem a ameaças e oportunidades para os escritórios como, por exemplo, maior concorrência e possibilidades de terceirização.

As inovações tecnológicas com grandes aumentos de produtividade e a aplicação dessas tecnologias nas atividades administrativas fazem desaparecer algumas funções, barateando os serviços e aumentando a concorrência em âmbito geograficamente mais amplo. As influencias externas são características importantes da prestação de serviços contábeis, pois as constantes mudanças na legislação, principalmente a tributária, afetam a rotina dos escritórios e de seus clientes.

Rosa (2004) e Marion (2004) defendem que o contador empresário que busca sucesso profissional deve desenvolver serviços diferenciados, identificar e entender a necessidade de seus clientes estarem atualizados com as tendências do mercado em que o cliente atua.

Questões como o compromisso com a qualidade e o comprometimento com os princípios éticos são cada vez mais valorizados no mercado. Boas ou más impressões sentidas pelo cliente afetam qualquer negocio, sendo necessário saber o que o cliente sente sobre o serviço prestado e manter uma busca permanente pela melhoria continua. Serviços de qualidade superior resultam, teoricamente, em consumidores mais satisfeitos, o que propicia maior fidelização e atração de novos clientes.

Rosa (2004) e Marion (2004) ainda afirmam que o Marketing para os escritórios contábeis é necessário, mais pouco praticado, considerando a ampla gama de serviços e benefícios que poderiam ser oferecidos às micro, pequenas e grandes organizações como também as pessoas físicas.

Garcia et al (2007) falam que diferentemente do Brasil, o uso do Marketing por escritórios de contabilidade em outros países já uma é realidade e cita autores que tratam do assunto, como por exemplo, O’Donohoe et al (1991) que defendem a idéia de que os profissionais contábeis precisam se conhecer melhor e pesquisaram como os serviços de Marketing são ofertados aos contadores na Europa; Nassuti (1994) descreveu resultados obtidos por escritórios de contabilidade que realizaram campanhas de marketing nos Estados Unidos; Crittenden et al (2003), pesquisaram esforços promocionais de empresas de serviços contábeis em Hong Kong e Estados Unidos.

Segundo Rosa (2004) e Marion (2004) no Brasil, estudos e pesquisas sobre o assunto são embrionários. A pesquisa em sua maioria, vem da iniciativa de doutores e mestrandos das universidades São Paulo e Distrito Federal. O que deveria ser abordado por todo o país.

Em Minas Gerais o Sindicato dos Escritórios de Contabilidade, Auditoria e Perícias Contábeis no Estado de Minas Gerais (SINNESCONTÁBIL/MG), o Conselho Regional de Minas Gerais (CRC/MG) e a Revista Brasileira de Contabilidade (RBC) divulgam periodicamente noticias e informações sobre o tema, mais ainda assim não é o suficiente. Dever-se-ia falar mais sobre o assunto devido sua importância dentro do contexto atual de mercado de trabalho.

Diante disso, observa-se a necessidade de maiores estudos por parte dos nos escritórios contábeis, visando um maior poder de atração de novos clientes e da fidelização dos clientes já existentes, mudando um pouco a cultura tradicionalista e passiva, aplicando estratégias de Marketing que ajudarão aos escritórios adquirirem uma nova postura competitiva sem infringir o código de ética.

Nos próximos capítulos, serão abordados problema, o objetivo principal e os objetivos específicos deste pré-projeto. Será apresentada também, uma justificativa mostrando a relevância deste trabalho no contexto atual e sua metodologia relacionando os procedimentos de como serão realizadas as etapas do trabalho.

1.1 Problema

Quais estratégias de marketing são utilizadas pelos escritórios de contabilidade de Itabira, MG a fim de conquistar maior fidelidade por parte dos consumidores de seus serviços?



1.2 Hipótese

A fidelização de clientes dos escritórios de contabilidade de Itabira, MG, é baixa por falta do uso de estratégias de marketing eficientes.

1.3 Objetivo Geral

Relacionar e identificar as estratégias de marketing que são utilizadas pelos escritórios de contabilidade de Itabira, MG a fim de conquistar maior fidelidade por parte dos consumidores de seus serviços.

1.4 Objetivos específicos

• Demonstrar a percepção dos profissionais contadores de Itabira quanto ao uso do marketing na contabilidade;
• Identificar as estratégias de marketing utilizadas pelos escritórios contábeis de Itabira;
• Examinar a relação entre as estratégias identificadas e utilizadas pelos escritórios de contabilidade e a fidelização e atração de clientes.

1.5 Justificativa

Este projeto tem sua justificativa apoiada em três pontos; 1) a necessidade de adaptação dos escritórios de contabilidade as novas regras impostas pelo mercado competitivo, 2) à importância de fidelizar e atrair clientes e 3) a valorização do contador e de sua profissão.

Rosa (2004) e Marion (2004) afirmam que há hoje uma disparidade entre a imagem que o contador tem de si mesmo e a imagem que o público em geral tem dele. Não sabendo o público, o quanto a contabilidade lhe pode ser útil em muitas outras formas além das tradicionais e obrigatórias atividades contábeis.

A Ciência Contábil evolui muito e continua evoluindo. O que se vê hoje infelizmente, é que o serviço prestado pelos escritórios de contabilidade em sua maioria, está limitado à elaboração e publicação de demonstrações financeiras e atendimento a questões obrigatórias exigidas pelo fisco.

Segundo Rosa (2004) e Marion (2004) em geral, os escritórios de contabilidade não tinham uma filosofia de marketing, mais esse quadro começa a mudar, com uma preocupação cada vez maior com o cliente, com novos serviços e com novas estratégias.

É importante a constante avaliação e mudança dos serviços contábeis para manter a atratividade da clientela. Porém não basta ter serviços de qualidade que atendam aos clientes sem que esses o saibam, sendo necessária a divulgação continua de ofertar esses serviços a clientes em potencial e “seduzi-los” para comprar serviços do escritório.

Marion (2003) e Müller (2003) atentam para importância do marketing na contabilidade:

È intrigante que os cursos de Ciências Contábeis em todo o país quase sempre negligenciam a matéria de marketing dentro de seus planos de ensino. É bastante difícil encontrar um programa que contemple noções de marketing como conteúdo obrigatório. Como o contador venderá seus serviços então? (MARION; MULLER, 2003)

Para Rosa (2004) e Marion (2004) o uso das estratégias de Marketing está sendo intuitivo e embrionário nos escritórios. O tempo é oportuno para o contador rever seu papel, abandonar comportamentos, adotar outros mais adequados às novas demandas.

É necessária uma nova postura perante o mercado competitivo de modo que os escritórios contábeis transmitam uma imagem condizente com sua atual realidade, tendo assim uma nova visão, e conhecimento da importância da aplicação do Marketing na contabilidade pelos graduandos em Ciências Contábeis, e pelos profissionais já formados que exercem a profissão, visualizando a aplicabilidade e viabilidade do Marketing nos escritórios de contabilidade em Itabira, MG.

2 REFERENCIAL TEÓRICO

2.1 Conceito de Marketing

Pretende-se neste capítulo abordar os diferentes conceitos e definições de Marketing segundo a visão de autores consagrados neste tema. O conhecimento da definição de Marketing é imprescindível para melhor entendimento do conteúdo deste trabalho.

O Marketing segundo Cobra (1997) não é um fenômeno novo, pois é praticado no Brasil há quatro décadas, e mesmo assim ainda é confundido por muitos, como propaganda ou exclusivamente como venda, enquanto deveria ser encarado como uma filosofia ou uma norma de conduta para as empresas, em que as necessidades dos clientes devem definir as características dos serviços e/ou produtos a serem elaborados e oferecidos.

Cobra (1997) relata que em 1960 a American Marketing Association – (Associação Americana de Marketing) – AMA, definia Marketing como o desempenho das atividades de negócios que dirigem o fluxo de bens e serviços do produtor ao consumidor ou utilizador.

Em 1965 a Ohio State University (Universidade Estadual de Ohio), ainda citado por Cobra (1997), definiu Marketing como sendo o processo na sociedade pelo qual a estrutura da demanda para bens econômicos e serviços é antecipada ou abrangida e satisfeita através da concepção, promoção, troca e distribuição física de bens e serviços.

Para Marion (2004) e Rosa (2004), o Marketing traça uma forma de conceber os negócios. Trata-se de diferentes atividades que compreendem os esforços necessários para estabelecer as melhores relações entre a empresa e seus clientes.

Etzel et al (2001) afirmam que o conceito de Marketing está baseado em três crenças: a orientação para o cliente, os objetivos de desempenho da organização e atividades coordenadas de Marketing, que geram satisfação aos clientes e sucesso organizacional. A base do marketing para os autores, é a troca, onde um lado fornece algo de valor em troca de algo também de valor. Os autores ainda resumem que o Marketing consiste de todas as atividades de desenvolvimento para gerar ou facilitar uma troca que pretende satisfazer as necessidades humanas.

Kotler (2000) definiu Marketing como sendo um processo social e gerencial pelo qual indivíduos e grupos obtêm o que necessitam e desejam através da criação de oferta e troca de produtos de valor com outros e que o Marketing surge quando as pessoas decidem satisfazer necessidades e desejos através de trocas, sendo a troca o ato de obter um produto ou serviço desejado oferecendo algo de valor.

Os autores citados acima concordam que Marketing é um conjunto de atividades para a distribuição ou troca de bens ou serviços, Kotler (2000) se aprofundou mais ao dizer que o Marketing é um processo social, pelo qual, as pessoas geram necessidades e desejos que precisam ser satisfeitos. Etzel et al (2001) reforçaram o objetivo de Marketing defendido por todos os autores acima descritos, que é a satisfação do cliente. Foi possível observar com esses conceitos, que o Marketing não é apenas estratégia de propaganda e promoção, mais sim todo o processo de fornecimento e troca de bens ou serviços, procurando sempre satisfazer as necessidades dos clientes.

Ainda segundo Kotler (2000), o conceito de Marketing fundamenta-se em quatro pilares que são o mercado alvo, necessidades dos consumidores, marketing integrado e rentabilidade.

No primeiro pilar, o mercado alvo, Kotler (2000) explica que nenhuma empresa pode operar em todos os mercados e satisfazer a todas as necessidades, nem fazer um trabalho de qualidade dentro de um mercado muito amplo. Pode-se entender com isso, que a empresa deve definir seu mercado alvo e procurar atende-lo da melhor forma.

No segundo pilar, o das necessidades dos consumidores, Kotler (1998) afirma que mesmo definindo seu mercado alvo, a empresa poderá falhar no que diz respeito a conhecer plenamente as necessidades de seus clientes. Alguns clientes têm necessidades que nem mesmo eles entedem ou conseguem expressá-las. É fundamental entender as necessidades reais dos clientes.

No terceiro pilar, o do marketing integrado, Kotler (2000) explica que quando todos os departamentos da empresa trabalham em conjunto para atender aos interesses dos clientes, o resultado é o MKT Integrado, mas infelizmente nem todos os funcionários são treinados para trabalhar assim.

No quarto pilar, o da rentabilidade, Kotler (2000) afirma que o propósito final do conceito de Marketing é ajudar as organizações a atingir suas metas, no caso dos escritórios de contabilidade, o lucro.

Foi possível observar com base nos pilares do conceito de Marketing acima descritos, que estes são os principais aspectos a serem observados pelas empresas, no que diz respeito à organização em determinar o mercado alvo, a atender as necessidades do cliente e conquista-los mantendo-os satisfeitos alcançando o objetivo final de lucro.

2.1.1 Evolução histórica do Marketing

O marketing não foi considerado uma ciência, mais sim uma filosofia, um conjunto de atividades de negócios que dirigem o fluxo de bens e serviços do produtor ao consumidor ou utilizador. Pretende-se neste capítulo abordar a evolução histórica do Marketing no mercado, que como em todo estudo, seja de uma ciência ou uma filosofia, faz-se necessário conhecer sua história.

Segundo Cobra (1997), a partir do momento que surgiu a produção em massa, a chamada economia de fabricação, surgiu o dilema de como compatibilizar a capacidade de produção com a capacidade de consumo e vice-versa, de que mercados existem e para que tipos de produtos e serviços.

Cobra (1997) afirmou que quando a capacidade de produção aumenta e a capacidade de consumo diminui, surge à necessidade de criar ou estimular o mercado seja ele de serviços ou produtos e que esse desequilíbrio faz parte da economia de mercado e, é em decorrência dele, que surge o papel do Marketing tentando estimular o mercado oferecendo vantagens e divulgando-as.

Etzel et al (2001) voltam mais no tempo ao dizer que os alicerces do Marketing nos Estados Unidos foram construídos na era colonial, quando os primeiros colonos negociavam entre si e com os índios. Alguns colonos tornaram-se varejistas, atacadistas e mascates itinerantes. Mas reconhecem que o Marketing começou a tomar forma mesmo, na Revolução Industrial no final do século XIX, desde então o Marketing tem evoluído.

Marion (2004) e Rosa (2004) explicam que antes da existência do Marketing, as empresas concebiam as relações com cliente de modo diferente. Nem sempre se preocupavam com o cliente e o colocavam em primeiro plano. Houve um período em que as empresas preocupavam-se prioritariamente com o produto, esquecendo-se de que é feito para o cliente. Ainda hoje há empresas que não conseguem ter uma filosofia de Marketing e não atendem de forma eficiente ao mercado.

De acordo com os autores citados acima, a filosofia de Marketing vem sendo usada há muitos anos, e faz parte da economia do mercado. Esta surgiu com a necessidade de consumo das pessoas, porém por muito tempo foi usada de maneira errônea quando as empresas preocupavam-se mais com os produtos do que com os clientes, como descrito acima por Marion (2004) e Rosa (2004).

Hoje, devido às mudanças da economia, tecnologia e a política, clientes estão mais exigentes, os produtos e serviços estão sendo desenvolvido com mais rigor de qualidade e visão atender as necessidades do cliente e não da empresa.

Foi possível observar neste tópico os conceitos de Marketing e sua evolução histórica segundo a ótica de autores consagrados, e seus fundamentos, e pode-se observar que todos concordaram entre si, quanto ao objetivo do Marketing que é o de satisfazer as necessidades dos clientes, sendo o Marketing todo o processo para chegar a este fim.

No próximo tópico será explorado o Marketing de serviço, suas características e atribuições e uma das modalidades do Marketing.

2.2 Marketing de serviços

Cobra (2001) explica que o Marketing é constituído por várias modalidades e cita algumas como, por exemplo, o social, o político, agrícola, industrial, de serviços de saúde, de instituições sem fins lucrativos, etc. Para este trabalho científico, será estuda a modalidade Marketing de serviços.

Uma das principais maneiras de uma empresa de serviço diferenciar-se de concorrentes é prestar serviços de qualidade. A chave é atender ou exceder as expectativas de qualidade dos consumidores-alvos. Suas expectativas são formadas por experiências passadas, divulgação boca a boca e propaganda da empresa de serviços. Os consumidores escolhem prestadoras de serviços nessa base e depois comparam o serviço recebido com o serviço esperado. (KOTLER, 1998, p.421.)

Segundo Marion (2004) e Rosa (2004), as prestações de serviços são intangíveis, não podem ser tocadas ou sentidas antes de comprá-las, são também imprevisíveis. Por este fato, a qualidade do serviço prestado deve estar evidente para amenizar esses fatores e transmitir confiança, isso inclui fatores como funcionários bem treinados, a localização, os equipamentos, a “fama” do escritório no mercado e o prestigio de seus profissionais.

O mesmo é dito por Cobra (2001), afirmando que a intangibilidade dos serviços é um agravante, pois, ao mesmo tempo em que é produzido deve ser consumido e que por isso, existe a crença de que é mais difícil estabelecer lealdade para serviços do que para produtos.

Marion (2004) e Rosa (2004) explicam que uma vez que o serviço depende de quem o executa e de onde é prestado, isso o torna inconstante, podendo gerar diversos resultados, variando de acordo com cada cliente e funcionário. Esta variabilidade é prevista e faz parte do trabalho.

Kotler (2000) define serviço como sendo qualquer ato ou desempenho que uma parte possa oferecer a outra e que seja essencialmente intangível e não resulte na propriedade de nada. Sua produção pode ou não estar vinculada a um produto físico. Ele ainda o divide em três vertentes, o Marketing externo, Marketing interno, e o Marketing interativo.

De acordo com Kotler (1998), o Marketing externo descreve o trabalho normal realizado pela empresa para preparar, distribuir e promover os serviços aos clientes. O Marketing interno descreve o trabalho feito pela empresa para treinar e motivar seus funcionários no bom atendimento aos clientes, e o Marketing interativo descreve a habilidade dos funcionários em atender os clientes.

No que diz respeito ao tratamento dos funcionários, Kotler (1998) afirma que as empresas com uma boa administração defendem que as relações com os funcionários refletem sobre a relação da empresa com os clientes. Adotando o Marketing interno, algumas empresas recompensam seus funcionários pelo bom desempenho e regulamente audita a satisfação de seus funcionários em relação as suas tarefas.

Hoffman (2006) e Bateson (2006) definem serviços como ações, esforços ou desempenhos inatingíveis. Falam que quando um cliente compra um serviço ele na verdade está comprando uma experiência, pois não podem ser vistos ou tocados antes da final prestação dos mesmos. E que a característica de intangibilidade é um fator difilcultador para promovê-los. Uma maneira de corrigir isso seriam as fontes pessoais de informação, o chamado boca a boca.

Outra estratégia indicada por Hoffman (2006) e Bateson (2006) é a criação de sólida imagem organizacional, pois uma imagem muito conhecida e respeitada transmite confiança aos possíveis futuros clientes, devido ao fato de que estes estarão envolvidos no processo.

Etzel et al (2001) expõem que as empresas prestadoras de serviços começaram a mudar seus pensamentos em relação ao Marketing somente nos últimos 20 anos.

Para Etzel et al (2001) tradicionalmente, as empresas prestadoras de serviço não eram orientadas para o Marketing, muitas vezes por não entender o que é o Marketing e como ele poderia contribuir para o sucesso da empresa. Porém, nos últimos anos, este cenário vem mudando devido o aumento da concorrência e das novas leis, que vem conscientizando os prestadores de serviço.

Kotler (2000) em seu livro propõe um checklist para o marketing de serviços, composto por perguntas que toda empresa deveria se fazer periodicamente como, por exemplo, se a empresa está se esforçando para apresentar um quadro realista de seus serviços, se desempenhar corretamente um serviço pela primeira vez é a principal prioridade da empresa, se faz uma comunicação eficaz com os clientes, se os clientes são surpreendidos durante a prestação de serviços, se seus funcionários consideram os problemas enfrentados na prestação de serviços como oportunidades para impressionar os clientes ou esses problemas não passam de contratempos e se elas avaliam e melhoram continuamente o desempenho em ralação às expectativas de seus clientes.

Esta avaliação de desempenho aplicada com uma periodicidade torna-se uma ferramenta fundamental para manter viva a necessidade de melhorar continuamente e de se tornar uma empresa com padrões elevados de qualidade, mantendo um sistema de monitoramento de desempenho dos serviços para não deixar o nível desta qualidade cair e dar espaço para a concorrência.

No próximo tópico, será abordado o tema de fidelização de clientes e algumas estratégias de fidelização indicadas por alguns autores.

2.3 Estratégias de fidelização de clientes

A fidelização de clientes é hoje desejada por praticamente todas as organizações com fins lucrativos. Antes, como já dito por alguns autores nos capítulos anteriores, as empresas não se preocupavam com os clientes, mas só com seus produtos ou serviços e os lucros, porém, se esqueciam da origem deste lucro e para quem trabalhavam; para os clientes. Hoje isso já foi notado por muitos e grande parte dessas empresas vem investindo em programas e estratégias de fidelização de clientes, pois perceberam que de nada adianta atrair novos clientes se os antigos vão embora.

Segundo Kotler (2000) o cliente busca sempre um melhor valor, porém quando está muito satisfeito, não trocará de empresa. Ele quer o melhor serviço, ou melhor, produto pelo melhor preço.

Kotler (2000) ainda afirma que o custo de atrair novos clientes é cinco vezes o custo de mantê-lo satisfeito, e que é necessário muito esforço para induzir clientes satisfeitos a abandonarem a empresa. A retenção dos clientes é, portanto, muito mais importante do que a atração dos mesmos.

Tratando-se de uma estratégia a longo prazo, Kotler (2000) propõe dois tipos de programa para fidelizar o cliente, o programa de marketing de freqüência onde os clientes habituais recebem recompensas, seja em descontos ou acréscimo nos serviços, e o programa de marketing clube, onde a empresa fornece um cartão onde o cliente acumula pontos e ganha descontos efetuados com mais freqüência no comércio.

Para Kotler (2000) a alta satisfação ou o encanto cria uma afinidade emocional com a empresa resultando em lealdade do cliente, isso torna difícil para um concorrente ganhar seus clientes simplesmente oferecendo preços menores.

Pode-se notar que Kotler (2000) defende a idéia de fidelizar clientes, e indica programas de fidelização, porém estes programas não se aplicam a todas as empresas, isso irá variar muito de acordo com o tipo de serviço prestado, no caso da contabilidade o que mais caberia seria o programa de Marketing de freqüência.

2.3.1 Estratégias de fidelização segundo Kotler

Muitas são as estratégias de Marketing que podem ser usadas no escritório de contabilidade com objetivo de fidelizar os clientes. Kotler (2000) propõe algumas estratégias que encaixam no perfil dos clientes contábeis. Uma delas é a estratégia da diferenciação que é o ato de desenvolver um conjunto de diferenças significativas para distinguir a oferta da empresa das ofertas de seus concorrentes. Isto se aplica no escritório contábil quando este consegue fornecer algum tipo de serviço que seus concorrentes não ofereçam, como por exemplo, a visita à empresa, o suporte a decisões e prestação de serviços de consultoria.

Outra estratégia indicada por Kotler (1998) é a de qualidade de desempenho que se refere aos níveis pelos quais as características básicas do produto ou serviço operam. Quando a empresa melhora continuamente o serviço, ela obtém lucro e maior participação no mercado. Pode ela também, manter a qualidade em um nível considerado bom.

A estratégia da confiabilidade, segundo Kotler (2000), trata-se da probabilidade de que um serviço ou produto não apresentará falha em um determinado período específico. Os clientes desejam evitar altos custos provenientes de tais erros, e no caso da Contabilidade os erros são inadmissíveis, apesar de acontecerem com freqüência.

Kotler (2000) explica que a estratégia de serviços e consultoria ao consumidor se refere aos dados, sistemas de informação e de orientação oferecidos gratuitamente ou por um preço irrisório. Dar apoio aos clientes é uma maneira de gerar relação de confiança, é um diferencial oferecido. A atenção a maior dispensada mostra que o cliente é importante e fundamental para a empresa.

A estratégia da atmosfera, para Kotler (2000), seria o espaço físico em que a organização trabalha e entrega seus serviços é um poderoso gerador de imagem. O ambiente tanto como o clima organizacional deve estar adequado aos fins da empresa. Esta estratégia vale para qualquer setor onde se preocupe com a imagem que o cliente criará de sua empresa.

Kotler (2000) ainda indica a estratégia do posicionamento, como sendo um ato de desenvolver a imagem da empresa, de maneira que ocupem uma posição competitiva distinta e significativa nas mentes dos clientes – alvos. Na contabilidade deve-se atentar para o que diz o Código de Ética sobre concorrência desleal, porém não é proibido fazer a promoção de sua empresa.

Por ultimo, Kotler (2000) indica a estratégia de intensificação de uso, que trata de conseguir convencer as pessoas a usar mais os serviços ao invés de só quando for obrigatório, como é o caso da contabilidade.

Este tópico abordou as estratégias de fidelização de clientes indicadas por Kotler (2000) que podem ser ajustadas de acordo com o perfil dos escritórios, mais são estratégicas básicas que não necessitam de grande investimento e que podem resultar em grandes diferenças, que poderão ser notadas através do feedback dos clientes.

No próximo tópico será abordada a satisfação dos clientes, sendo este um dos principais objetivos da utilização de estratégias de Marketing nas empresas.

2.4 Satisfação de clientes

A satisfação dos clientes é um dos principais objetivos da aplicação de estratégias de marketing nas empresas. A satisfação de suas necessidades e desejos é o foco principal do marketing. Este tópico abordará a satisfação dos clientes externos e internos, pois se os funcionários não estiverem satisfeitos com a empresa o resultado final do trabalho não satisfará também as expectativas dos clientes.

Segundo Hoffman (2006) e Bateson (2006), dentro de uma perspectiva histórica, os estudos voltados para a área de satisfação do cliente começaram a partir de 1970, quando o consumismo estava em alta. O súbito aumento da inflação neste período forçou muitas empresas a reduzirem drasticamente os serviços num esforço de manter os preços baixos, e conseqüentemente ocasionou na insatisfação dos clientes. A competição de preço era a diferenciação das empresas. Ao longo dos anos, os clientes ficaram mais difíceis de agradar, hoje eles são bem mais informados e suas expectativas aumentaram e estão mais meticulosos sobre onde gastar seu dinheiro.

Para Cobra (1997), manter os clientes satisfeitos não basta, ou seja, não se mantém clientes apenas satisfeitos, é preciso encantá-los, surpreendê-los. Pode-se entender com isso que sem clientes a empresa de serviços não tem razão de existir, por isso não se pode minimizar a satisfação do cliente. As empresas de serviços deveriam se preocupar definindo e medindo a satisfação dos seus clientes, e não esperar que eles reclamem para identificar problemas no sistema de prestação de serviços. As próprias pesquisas de satisfação serviriam como fonte de pesquisa para as empresas identificarem problemas existentes e providenciar atitudes corretivas.

Etzel et al (2001) afirmam que, para o Marketing, a melhor indicação de qualidade é a satisfação do consumidor.

Para Kotler (2000), satisfação é o sentimento de prazer ou de desapontamento resultante da comparação do desempenho esperado pelo serviço ou produto em relação às expectativas da pessoa. Se as empresas criarem expectativas muito altas, criarão também à possibilidade do cliente ficar desapontado.

Para Hoffman (2006) e Bateson (2006), satisfação ou insatisfação do cliente é uma comparação das expectativas do cliente com suas percepções a respeito do encontro de serviço real. Os profissionais de Marketing chamam essa comparação de modelo de quebra da expectativa, quando um cliente satisfaz suas expectativas diz-se que as expectativas foram confirmadas, se as percepções de expectativa não forem iguais, diz-se que as expectativas foram quebradas.

Cobra (1997, p.32) defende que o papel do Marketing é satisfazer às necessidades do consumidor, mas os brasileiros o utilizam na expectativa de criar desejos de consumo de certos serviços e produtos que não atendam a nenhuma necessidade. Explica também que o marketing estimula o cliente a ter certo serviço ou certo produto que já desejava e não o motiva a tê-lo. “As pessoas não são motivadas, a motivação é um drive que já existe na pessoa”.

Kotler (2000) ainda afirma que além de rastrear as expectativas do cliente, a percepção de seu próprio desempenho e a satisfação do consumidor, as empresas precisam monitorar o desempenho de seus concorrentes.

Neste tópico foi abordado o tema satisfação dos clientes, com base na argumentação de autores consagrados na matéria em estudo. Pode-se concluir que as inovações tecnológicas constantemente aplicadas nos produtos e serviços já não são suficientes para agradar os consumidores que a cada dia se tornam mais exigentes. É por isso que o serviço ao cliente tem-se sofisticado, procurando não apenas encantá-los, mas surpreendê-los. Para isso, é necessário que as pessoas da empresa estejam dispostas a encantar o consumidor, não medindo esforços para isso.

Com base nas explicações dos autores citados acima, pode-se dizer que o cliente de serviços contábeis compra não o que o serviço é, mas a satisfação de uma necessidade. Quando o serviço tem uma qualidade, é gerada uma satisfação da necessidade do cliente declarada e implícita. Prestar um serviço de qualidade é dever e não um diferencial da empresa. Esta qualidade deve ser percebida pelos clientes, e deve ser um compromisso de todos os funcionários.

2.5 Marketing na contabilidade

2.5.1 História da contabilidade

Antes de começar a abordar a utilização do Marketing na Contabilidade, faz-se necessário uma breve explanação da historia da contabilidade até os dias de hoje. Como surgiu e como foi sua evolução.

Para Marion (2003), a contabilidade é tão antiga quanto a origem do homem, que na Bíblia, no livro de Gêneses já se falava sobre a competição no crescimento de riquezas em rebanhos de ovelhas entre Jacó e seu sogro Labão a mais ou menos 4.000 a.C, as pinturas em cerâmicas mostravam as transações entre egípcias e babilônicos destacando o pagamento de impostos a mais ou menos 3.000 a.C. A contabilidade atingiu sua maturidade entre os séculos XIII e XVI d.C com o comercio das índias, a burguesia, o renascimento, o mercantilismo, etc.

Alguns historiadores segundo Iudícibus (1997) falam que os primeiros sinais da existência de contas surgiram há 4.000 anos a.C. Entretanto antes disto o homem primitivo já contava seus rebanhos, seus instrumentos de caça e pesca seus alimentos praticando assim uma forma rudimentar de contabilidade. Na época em que a economia era centrada na troca de mercadorias, os negociantes anotavam as obrigações, os direitos e os bens perante terceiros, como um inventário físico.

Iudícibus (1997), afirmou que a contabilidade pôs ordem ao caos, tomando o pulso do empreendimento, o homem contador passou a classificar, agregar e inventariar o que o produzia. A contabilidade é muito mais que um mero registro; é um dos principais instrumentos de gestão.

Para Iudícibus (1997), o acompanhamento da evolução do patrimônio liquida das entidades de qualquer natureza constitui-se no fator mais importante da evolução da disciplina contábil.

Segundo Iudícibus (1997), o grau de desenvolvimento das teorias contábeis de suas práticas está diretamente associado na maioria das vezes, ao grau de desenvolvimento comercial, social e institucional das sociedades, cidades e nações.

Pode-se verificar que tanto Iudícibus (1997) quanto Marion (2003), remetem a origem da contabilidade em tempos maias antigos a.C., e responsabilizam pela sua evolução ao crescimento do comercio, e do desenvolvimento da sociedade.

Será abordada agora a evolução dos estudos da contabilidade no Brasil segundo a visão dos mesmos autores.

2.5.2 Evolução da contabilidade no Brasil

Segundo Iudícibus (1997), o Brasil foi fortemente influenciado pela “Escola italiana”. A primeira escola especializada no ensino as Contabilidade foi a Escola de Comércio Álvares Penteado, em 1902, que produziu professores excelentes como D’Auria e Frederico Herrmann Júnior, entretanto foi com a Fundação de Ciências Econômicas e Administrativas da USP, em 1946, e com a instalação do curso de Ciências Contábeis e Atuariais que o Brasil ganhou o primeiro núcleo efetivo de pesquisa contábil nos moldes norte-americanos.

Iudícibus (1997) descreve que a contabilidade no Brasil evolui sob a influencia da “escola italiana”, não sem aparecer traços de uma escola verdadeiramente brasileira, até que algumas firmas de origem anglo-americanas como a BTC da General Eletric e a faculdade de Economia e Administração em seu curso básico de Contabilidade Gerencial ofereceram cursos e treinamento em contabilidade e finanças, exercendo forte influenciam revertendo a tendência italiana. A partir de 1920, se inicia a fase de predominância norte-americana dentro da Contabilidade.

O domínio da Escola Contábil Americana, segundo Marion (2003), iniciado com a Circular nº. 179/72 do Banco Central, tornou-se evidente com o advento da lei nº. 6.404/76, lei das Sociedades por Ações que passa a adotar uma filosofia nitidamente americana.

Uma das características do estágio atual do desenvolvimento da Contabilidade no Brasil segundo Iudícibus (1997), é a baixa qualidade das normas contábeis editadas pelos órgãos governamentais. Segundo ele, a classe contábil deveria poder participar da elaboração dessas normas.

Segundo os autores acima, o Brasil foi influenciado por muito tempo pela “escola Italiana”. Porém, a partir de 1920, a influência da “escola norte-americana” foi intensificada pela criação da Lei das Sociedades por Ações. Desde então, é predominante a tendência norte-americana nas aplicações contábeis brasileiras.

2.5.3 Código de ética profissional do contabilista

No art. 1º do Código de Ética Profissional do Contabilista (Res. CFC Nº.803/96), cita que o objetivo do código é fixar a forma pela qual se deve conduzir os contabilistas no exercício de sua profissão. Este Código revoga a antiga resolução do CFC, Nº. 290/70.

No Código de Ética Profissional do Contabilista, editado pelo Conselho Regional de Contabilidade de Minas Gerais, em seu artigo 3º, no § I, informa que é vedado aos contabilistas anunciar em qualquer modalidade ou veículo de comunicação, conteúdo que resulte na diminuição do colega, da organização Contábil ou da classe Contábil, sendo sempre admitida a indicação de títulos, especializações, serviços oferecidos, trabalhos realizados e relação de clientes.

O Artigo 8º informa também que é vedado ao Contabilista oferecer ou disputar serviços profissionais mediante aviltamento de honorários ou em concorrência desleal.

Fica claro no Código de Ética a vedação a propaganda que resulte na diminuição do colega, da organização Contábil ou da classe Contábil e a concorrência desleal.

2.5.4 A utilização do marketing nos escritórios de Contabilidade no mercado atual

A sobrevivência no mercado de trabalho atual exige das empresas uma constante busca de idéias novas. São conhecidas hoje as dificuldades enfrentadas por muitas empresas, frequentemente por aquelas que enfrentam uma concorrência dia a dia mais competitiva. Essas empresas devem encontrar oportunidades provenientes dessas mudanças de mercado.

O marketing auxilia o contador a refletir sobre sua missão, a sintonizar-se com os novos tempos e a ajustar-se às novas demandas.

Segundo Marion (2004) e Rosa (2004), hoje os escritórios de contabilidade sofrem com a concorrência das grandes empresas de consultoria, que poderão oferecer serviços de contabilidade para dar maior sustentação a suas atividades, os escritórios contábeis de grande, médio e pequeno porte que já tem tempo de mercado e já estão bem posicionados, empresas que prestam serviços de apoio às pequenas empresas como o Sebrae e a própria internet que facultou a existência de revistas eletrônicas, bancos virtuais e mais cedo ou mais tarde poderá viabilizar também a existência de escritórios virtuais.

Marion (2004) e Rosa (2004) ainda afirmam que o tempo é oportuno para o contador rever seu papel e redescobrir sua verdadeira missão, isso implica abandonar determinados comportamentos e atividades e adotar outros mais adequados às novas demandas do mercado. O escritório de contabilidade deverá adapta-se as novas regras do mercado buscando prestar serviços diferenciados e com mais eficiência interagindo com o mercado.

O surgimento de uma organização é propiciado pelas condições do meio, se ela for capaz de atender eficientemente a uma demanda proveniente do meio, dentro das condições impostas por esse meio, sobrevive e desenvolve-se. Quando há mudanças significativas, ela se adapta a tempo, ou se não for capaz de fazê-lo definha e acaba por desaparecer. (MARION, ROSA 2004, p 9.)

A inserção do marketing, como instrumento de apoio, se torna um desafio, a fim de levar o contador a novas conquistas e buscar, cada vez mais, a valorização profissional da classe contábil. Segundo Marion (2004) e Rosa (2004), é certo que nenhuma empresa estará disposta a investir em marketing se não visualizar um retorno compensador. A mudança também nem sempre é agradável. Porém, nota-se hoje que, os clientes dos serviços contábeis estão cada vez mais esclarecidos e cônscios de suas necessidades, desejos e expectativas, à espera de serem satisfeitos. Surge então a necessidade da implantação de esforços em Marketing para atingir o objetivo de satisfazer os clientes mais exigentes.

Kotler (2000) explica que a empresa deve formular uma estratégia ampla e definir um composto de Marketing específico e um plano de ação para aperfeiçoar o seu desempenho em longo prazo.

Segundo Etzel et al (2001), a implantação de planejamento de estratégico de Marketing pode auxiliar as empresas a atingirem seus objetivos. Este planejamento consiste em estabelecer metas, planejar um programa de Marketing, implementá-lo e avaliar seu desempenho. Fazer uma busca continua pelo aperfeiçoamento.

Marion (2004) e Rosa (2004) definem decisões estratégicas fundamentais para os escritórios de contabilidade, como por exemplo, definição do ramo de atividade, os serviços a oferecer, quais os clientes a servir, em que investir, qual tecnologia escolher entre outras.

O escritório de contabilidade não pode fazer determinados tipos de propaganda que são comuns na indústria, pois isso poderá ferir o código de ética e geralmente os pequenos escritórios não dispõem de verba para atividades de promoção.

Kotler (2000) define demanda negativa quando o mercado não gosta do produto e/ou serviço e paga somente por que é necessário. De acordo com notas de aula do Professor Leandro Diniz da Silva, existe uma demanda negativa de serviços contábeis, onde os clientes pagam pelo serviço para não ter que arcar com multas posteriormente. O papel do marketing neste caso é redesenhar o serviço prestado para alterar este quadro de demanda negativa.

3 METODOLOGIA DE PESQUISA

3.1 Tipo de pesquisa

3.1.1 Tipo da pesquisa quanto à abordagem

Trata-se de uma pesquisa qualitativa, pois não é objetivo desta pesquisa generalizar seus resultados para a população estudada, bem como é de interesse desta analisar as respostas de forma mais aprofundada, conforme é defendido por autores. Beuren (2003) afirma que as pesquisas qualitativas concebem analises mais profundas em relação aos fenômenos que estão sendo estudados. Segundo Minayo (2005), citado por SILVA (2001, p.59), “ a pesquisa qualitativa não se baseia no critério numérico para garatir sua representatividade”.

3.1.2 Tipo da pesquisa quanto aos fins

Esta pesquisa tem natureza descritiva, tendo como principal objetivo identificar e relacionar informações sobre a aplicação de estratégias de Marketing nos escritórios contábeis de Itabira.

Para Barros (2000) e Lehfeld (2000) a pesquisa descritiva procura descobrir a freqüência com que um fenômeno ocorre, sua natureza, características, causas, relações e conexões com outros fenômenos.

Andrade (2006) afirma na pesquisa descritiva, os fatos são analisados, registrados, classificados e interpretados, sem que o pesquisador interfira neles. Os fenômenos não são manipulados pelo pesquisador.

Para Jung (2004) o objetivo da pesquisa descritiva é registrar e analisar os fenômenos ou sistemas técnicos, sem entrar no mérito dos conteúdos.

3.1.3 Tipo da pesquisa quanto aos meios

Foi aplicada uma Pesquisa de Campo em escritórios de contabilidade em Itabira, MG, com a coleta e estudo de dados objetivando compreender e explicar o problema pesquisado,

Segundo Lakatos (2005) a pesquisa de campo está voltada para o estudo de indivíduos, grupos, comunidades, instituições e outros campos, visando a compreensão de vários aspectos da sociedade.

Para Barros (2000) e Lehfeld (2000) falam que o investigador na pesquisa de campo assume o papel de observador, coletando diretamente os dados no local em que se deram ou surgiram os fenômenos, caracterizando o trabalho de campo pelo contato direto com o fenômeno estudado.

Andrade (2006) cita Marconi para definir pesquisa de campo:

Pesquisa de campo é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou conhecimento acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma hipótese, que se queira comprovar ou, ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre eles. (MARCONI, 1990, p. 75).

É também uma pesquisa bibliográfica abrangendo a leitura e interpretação de livros, periódicos, artigos e textos científicos, auxiliando na resolução do problema proposto.

Para Lakatos (2005), uma pesquisa bibliográfica abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao tema de estudo, desde publicações avulsas, boletins, jornais, revistas, livros, monografias, teses, etc. Teno como finalidade colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que foi escrito, dito ou filmado sobre determinado assunto.

3.2 Universo de pesquisa

O universo da pesquisa de campo abrangeu os escritórios de contabilidade de Itabira, MG.

“O universo ou população é o conjunto de seres animados ou inanimados que apresentam pelo menos uma característica em comum”. (LAKATOS, 2005, p.225).

3.3 Amostra

A amostra foi definida por acessibilidade ou conveniência. Foi uma amostra não-probabilística por tipicidade, que compreenderá um total de cinco escritórios de contabilidade de Itabira, MG.

Para Marconi (2002) e Lakatos (2002), a característica principal da amostra não-probabilística, é a de que, não se utiliza de formas aleatórias de seleção, tornando impossível a aplicação de formulas estatísticas.

Ainda segundo Marconi (2002) e Lakatos (2002) a amostra não-probabilistica por tipicidade, é o tipo de amostra onde fica a cargo do pesquisador a tentativa de buscar por outras vias, uma amostra representativa. Restringem-se as observações de um subgrupo típico e as conclusões obtidas são generalizadas para o total da população.

3.4 Coleta de dados

A técnica utilizada na coleta de dados foi a entrevista padronizada ou estruturada que segundo Marconi (2005) e Lakatos (2005) o entrevistador segue um roteiro previamente estabelecido para permitir que todas as respostas possam ser comparadas. As entrevistas serão gravadas e posteriormente redigidas na integra.

3.5 Procedimentos de análise dos dados

O tratamento dos dados foi feito através da técnica de analise de conteúdo que segundo Marconi (2002) e Lakatos (2002), procuram descrever sistematicamente o conteúdo das comunicações.

A analise de conteúdo foi realizada através da comparação das respostas obtidas na entrevista e de todo o referencial teórico. Após o levantamento dos dados serão feitos esforços para examinar, interpretar, descrever e registrar o material coletado quanto aos objetivos do trabalho.

3.6 Limitações do método escolhido

A pesquisa se limitou à aplicação de entrevistas em cinco escritórios de contabilidade de Itabira, MG, nem sempre podendo escolher quem será o entrevistado.

A entrevista tomou muito tempo e foi difícil de ser realizada.

Verificou-se que o entrevistado reteve algumas informações importantes, receando que sua identidade fosse revelada e sentiu-se influenciado pela presença do entrevistador.

Houve também dificuldades para encontrar teoria que abrangesse mais o tema, sendo necessária a utilização de artigos, periódicos e revistas cientificam.

4 ANÁLISE DOS DADOS

A partir das respostas obtidas através das entrevistas realizadas (apêndice), foi possível verificar os objetivos específicos propostos neste trabalho.

As entrevistas foram realizadas em cinco escritórios de contabilidade na região central da cidade de Itabira – MG. Tratam-se de microempresas, que segundo o artigo 966 do Código Civil Brasileiro, auferem receita bruta igual ou inferior a R$ 240.000,00 ao ano.

4.1 Visão geral da amostra

Para se conseguir ter uma visão do perfil destes escritórios de contabilidade e de seus funcionários, foram realizadas as perguntas de 1 a 5, nas quais foi identificado que todos possuem mais de 12 anos de mercado, sendo que 2 deles tem mais de 30 anos. Todos eles começaram suas atividades com no máximo 5 pessoas. Hoje, o escritório que tem menos tempo de mercado é o que possui maior número de funcionários.

Um fator observado também, em todos os escritórios entrevistados, foi o pequeno número de profissionais formados em curso superior de Ciências Contábeis, os quais são, em sua maioria, os sócios e proprietários do escritório contábil. Os funcionários possuem nível médio e alguns têm formação técnica em contabilidade. Os poucos funcionários que fazem curso superior, optaram por se graduar em Administração e Direito. Este é um fato que chama a atenção, pois quanto maior o número de pessoas capacitadas dentro da empresa, melhor a qualidade da prestação do serviço, o que afeta diretamente as estratégias de confiabilidade e de qualidade de desempenho elaboradas por Kotler (2000) e já citadas neste trabalho. Trata-se de evitar erros e manter a qualidade do serviço em alto nível.

Para Cobra (2001 p.56), o bom desempenho em serviços depende do conhecimento do serviço e do mercado, da habilidade e da vontade de servir, ter atitude, ter prazer em atender.

Segundo Spinelli (1999), a falta de treinamento, de capacitação e a acomodação dos profissionais afetam o aspecto técnico-contábil, essencial à mensuração das informações e defende que os profissionais de hoje precisam identificar-se com uma busca contínua do aperfeiçoamento.

Sabe-se que o profissional contábil exerce papel fundamental na sociedade, pois, é a partir das informações fornecidas por ele, que os usuários da contabilidade tomam suas decisões, fazendo-se necessário desta forma um profundo conhecimento contábil para satisfazer ás necessidades dos clientes.

Caberia a estes escritórios de contabilidade incentivar a formação e a especialização dos profissionais que neles trabalham, buscando com isso, implementar as estratégias de Kotler, estratégia de confiabilidade e estratégia de qualidade de desempenho, assegurando desta forma, a característica básica da prestação do serviço contábil, a qualidade e eficiência das informações.

4.2 Percepção dos profissionais contadores de Itabira quanto às exigências do novo ambiente de mercado.

Tendo como objetivo demonstrar a percepção dos profissionais contadores de Itabira quanto às exigências do novo ambiente de mercado, e suas ações em relação à estas exigências, fez-se as perguntas 4 a 7.

A pergunta 4, teve como objetivo, saber se os profissionais dos escritórios contábeis de Itabira acompanham as mudanças da profissão e do mercado, se buscam se especializar e de quanto em quanto tempo. A resposta foi positiva para todos, porém eles só fazem cursos quando são oferecidos por órgãos como o CRC e a Associação dos Contabilistas, e enviam um representante ou separam os funcionários por setores. Se o curso for voltado para uma determinada área, só algumas pessoas daquele setor é que o fazem. Isto fica claro nas falas dos entrevistados como é possível verificar abaixo:

Entrevistado 1: Como eu te falei né, sempre que tem cursos agente ta fazendo, ai agente divide por área né, fiscal, contábil…, agente sempre ta fazendo. É necessário né, cursos da Associação dos contabilistas, do CRC…

Entrevistado 2: Geralmente quando são oferecidos, agente aloca por setor esses funcionários.

Entrevistado 4: Sempre que o CRC promove alguma palestra, um seminário, alguma reunião específica, agente sempre manda algum representante…

Na pergunta de número 5, identificou-se que todos os escritórios entrevistados são dividos por setores, com o objetivo de organização, porém, isso faz com que a maioria dos funcionários não tenham a visão da contabilidade como um todo. Isso ocorre por que a própria gestão do escritório limita o funcionário a executar somente um determinado tipo de função, cabendo a ele saber somente sobre o seu setor, não lhe interessando as outras áreas.

A divisão do escritório por setores é necessária e eficaz, porém, ela não pode gerar barreiras para os profissionais agregarem conhecimento de todas as áreas, conhecendo o exercício da contabilidade como um todo.

O conhecimento dos funcionários na contabilidade deve estar sempre atualizado, devendo este buscar se especializar e conhecer as constantes mudanças na legislação, tendo a iniciativa de aprender e não somente esperar que cursos sejam oferecidos.

A formação dos funcionários pode se tornar um diferencial para os escritórios, conforme os autores Marion (2004), Rosa (2004) e Cobra (2001), ao concordarem que as prestações de serviços são intangíveis, não podem ser tocadas ou sentidas antes de comprá-las, são também imprevisíveis. Por isso, existe a crença de que é mais difícil estabelecer lealdade para serviços do que para produtos. Por este fato, a qualidade do serviço prestado deve estar evidente para amenizar esses fatores e transmitir confiança, isso inclui fatores como funcionários bem treinados.

Na pergunta de número 6, objetivou-se saber se os clientes dos serviços contábeis mudaram sua postura para com os escritórios, comparando o início de suas atividades até hoje. As respostas obtidas foram em síntese que, os clientes estão mais conscientes, mais “pés no chão”, conhecendo melhor as leis e estão cobrando mais, exigindo mais da contabilidade.

Dois escritórios afirmaram que essa nova postura dos clientes teve sua origem em decorrência das mudanças na legislação. O entrevistado 5, além de confirmar esta mudança, afirmou que hoje atende seus clientes orientando-os nas tomadas de decisões conforme pode ser visto abaixo:

Entrevistado 5: Hoje o serviço contábil é mais um serviço de orientação, ele…, é mais voltado na tomada de decisão, mais voltado para a tomada de decisão, lógico que tem a execução, mas ele é mais orientação, para o cliente é orientação, execução mais é para os órgãos mesmo, municipal, federal e estadual.

Um dos escritórios vai além ao afirmar que é uma extensão das empresas de seus clientes, e que por isso, é cobrado o tempo todo e que não são admitidos erros:

Entrevistado 1: … até por que agente vê assim, que nós somos a extensão da empresa né, somos cobrados o tempo todo, então não é admitido erros. Hoje eu acho que eles cobram mais, perguntam mais, ficam na cola mesmo do que antes.

De fato pôde-se observar que a contabilidade hoje tem uma nova participação na empresa. Além daquela demanda negativa, onde os clientes precisam dos serviços contábeis para não ter que arcar com penalidades posteriores, conforme explicado anteriormente no tópico 2.5.4, já existem demandas positivas, onde os clientes buscam o serviço contábil para fins de orientação, controle e planejamento.

O papel do Marketing neste caso é redesenhar o serviço prestado para alterar este quadro de demanda negativa. Por isso, faz-se necessário a constante avaliação e mudança dos serviços contábeis para manter a atratividade da clientela, lembrando o que já foi afirmado por Rosa (2004) e Marion (2004), é necessária uma nova postura perante o mercado competitivo de modo que os escritórios contábeis transmitam uma imagem condizente com sua atual realidade.

Na pergunta de número 7, objetivou-se conhecer como os escritórios de contabilidade se analisam, para saber como melhor se posicionar diante das mudanças de mercado. As respostas obtidas foram bem variadas.

Pôde-se observar que dois dos cinco escritórios não têm nenhum método de análise. Em síntese, responderam que são guiados pelas mudanças da legislação e que devem se adaptar a elas, que, em resumo, trabalham com objetivo de atender ao fisco.

Entrevistado 2: É… de acordo com a própria mudança da legislação mesmo né, a contabilidade hoje ela acompanha, como se diz, os trabalhos do governo, digamos assim né, em função da gente não ter a ferramenta necessária para dar uma assistência administrativa. Agente praticamente trabalha pra exercer a, como se diz, para apurar os resultados para obedecer ao fisco…

Entrevistado 3: Por que, o que acontece, as leis elas mudam o tempo todo, principalmente na área de ICMS, quase que muda todo dia né…, no momento que ocorreu a mudança na legislação ai eles começam a disponibilizar cursos, automaticamente assim, dependendo da mudança, eles já começam a fazer palestras, e é cursos né, e agente tem que estar fazendo pra poder estar se inteirando com a lei pra poder fazer a parte contábil da empresa

Um desses dois escritórios acrescentou que quando percebe alguma ameaça no mercado busca melhor preparar seus funcionários para ter uma empresa mais bem preparada do que as outras.

Entrevistado 2: … e quando agente vê que tem uma ameaça, agente tenta buscar através de marketing, através de uma preparação melhor de funcionários, e através de um corpo de funcionários muito mais bem preparado do que as outras empresas no caso.

Um dos escritórios afirmou que sempre busca informações em revistas eletrônicas e está sempre atento às mudanças.

Entrevistado 4: Eu acho que agente tem que te é…, acho que para tudo, boas revistas, bons programas, hoje em dia é tudo informatizado né, pra ter uma idéia hoje não tem mais revista , mais papel, tem revista eletrônica né. Então todos os micros têm acesso a revistas, todos os setores têm dúvida, acesso ali a resposta é na hora, de consulta online… É estar sempre acompanhando a evolução né, ficar pra traz não.

Outro escritório já afirmou que sempre espera o feedback dos clientes que quando ele começa a reclamar é por que algo tem que mudar.

Entrevistado 5: Normalmente o Feedback é dado pelo cliente né, então quando o cliente começa a reclamar você vê que alguma coisa está de errado, não é que tem que esperar isso, agente sempre ta buscando, apoio, faz o acompanhamento e tudo, mais normalmente é um… contato direto com o cliente mesmo, a nossa analise é mais voltada para com o cliente.

Por último, um escritório afirma fazer reuniões semanais com a equipe, onde cada semana um setor dá uma aula sobre o seu trabalho e as mudanças que ocorreram nele, para alinhar todos os funcionários, conseguindo pessoas mais capacitadas, porém, não analisam a empresa.

Entrevistado 1: Buscando sempre fazer cursos né, se aprimorar, aqui agente faz toda sexta feira uma reunião, onde cada semana uma pessoa de um setor da uma aula para as outros funcionários, agente queria que com isso, todos soubessem um pouquinho de cada área. Então se agente faz uma analise, não, mais nestas reuniões os funcionários perguntam, tiram dúvida né, e eu acho que assim agente consegue pessoas mais capacitadas para atuar na empresa.

Voltando para o que Kotler (2000) propôs, um checklist para o marketing de serviços, composto por perguntas que toda empresa deveria se fazer periodicamente como, por exemplo, se a empresa está se esforçando para apresentar um quadro realista de seus serviços, se desempenhar corretamente um serviço pela primeira vez é a principal prioridade da empresa, se fazem uma comunicação eficaz com os clientes, se os clientes são surpreendidos durante a prestação de serviços, entre outras perguntas. Segundo Kotler (2000), esta análise ou avaliação de desempenho, aplicada com uma periodicidade torna-se uma ferramenta fundamental para manter viva a necessidade de melhorar continuamente e de se tornar uma empresa com padrões elevados de qualidade, mantendo um sistema de monitoramento de desempenho dos serviços para não deixar o nível desta qualidade cair e dar espaço para a concorrência.

Pôde-se constatar através das respostas afirmadas acima que, estes escritórios de contabilidade não fazem uma análise de sua empresa para saber como melhor se posicionar diante das mudanças de mercado. Eles ligam as mudanças de mercado somente às mudanças na legislação e não levam em consideração outros fatores, não analisam suas fraquezas e forças internas e não analisam as ameaças e oportunidades do ambiente externo.

O que se pôde observar foi que estes escritórios têm posturas diferentes frente ao mercado. Apenas um deles busca promover reuniões com a equipe para alinhar todos sobre as mudanças, mesmo reconhecendo que não fazem uma análise da empresa, talvez por que não achou necessário, ou estão satisfeitos com sua atual posição no mercado conforme se pode verificar abaixo:

Entrevistado 1: …aqui agente faz toda sexta feira uma reunião, onde cada semana uma pessoa de um setor da uma aula para as outros funcionários, agente queria que com isso, todos soubessem um pouquinho de cada área. Então se agente faz uma analise, não…

Apenas um reconheceu a importância do feedback do cliente, porém, este, aguarda o cliente “reclamar” para efetuar mudanças:

Entrevistado 5: Normalmente o Feedback é dado pelo cliente né, então quando o cliente começa a reclamar você vê que alguma coisa está de errado….

Este Feedback negativo direto com os executores do serviço contábil deveria ser cuidadosamente administrado e elevado ao conhecimento de todos, para mudar o desempenho em tempo hábil para melhorar, porém, só esperar este Feedback do cliente não resolve, sendo necessário se antecipar as possíveis reclamações, tomando medidas preventivas e erradicando possíveis falhas.

Carr (1998, p.147) chama essa atitude preventiva de Feedback estratégico, que responde a perguntas como: o que teremos que fazer daqui a um mês, a um ano, a dez anos? Quem serão nossos clientes e o que devemos dar a eles? Essas entre outras perguntas que projetam o futuro de acordo com as indagações dos clientes de hoje.

4.3 Estratégias de marketing utilizadas pelos escritórios contábeis de Itabira

As perguntas de 8 a 15, com exceção da pergunta de número 13, foram feitas com o propósito de identificar estratégias de marketing utilizadas pelos escritórios de contábeis de Itabira.

A pergunta de número 8 tinha como objetivo saber se os escritórios de contabilidade faziam algum tipo de publicidade.

Todos os escritórios ligaram o termo publicidade ao termo propaganda, o que é aceitável, pois, existem autores que consideram a propaganda como parte da publicidade e autores que diferenciam os dois termos, como exemplo, Costa (1996) e Talarico (1996) que defendem a diferenciação dos dois termos, definindo propaganda como uma forma de comunicação paga, que tem como objetivo primordial criar uma imagem favorável da empresa influenciando diretamente na decisão de compra pela lembrança da marca. Já a publicidade, os autores definem como sendo a estratégia que explora o caráter informativo da comunicação, a criação de fatos e a provocação de notícias desenvolvendo um trabalho de formação e fortalecimento da imagem corporativa da empresa.

Etzel et al (2001 p. 490, 509), Rosa (2004) e Marion (2004 p.52), concordam em diferenciar publicidade da propaganda ao afirmarem que a propaganda é uma mensagem não-pessoal, paga e com um patrocinador identificável sendo mais agressiva e explicita já a publicidade é qualquer comunicação sobre a organização, por meio da mídia, como artigos escritos, entrevistas, palestras, geralmente aparecendo por meio de um comentário ou uma divulgação dado por um indivíduo ligado ou não diretamente a empresa.

Dois escritórios responderam que fazem publicidade, porém, muito pouco como se pode verificar abaixo:

Entrevistado 2: Raras mais sim, são poucas mais sim. A publicidade mais voltada para aqueles eventos um caráter na finalidade social né, de responsabilidade social. Quando agente pode agente faz nesse sentido. Tem um site…

Entrevistado 5: Pouco, faz pouco, muito pouco, agente faz em jornal e rádio, quando tem faz, usa em outdoor, jornal e rádio, mas é muito pouco.

Três informaram que não fazem nenhuma publicidade e as justificativas foram em suma, dois fatores: primeiro, afirmaram que não podem fazer propaganda devido à suposta proibição no código de ética e segundo, afirmaram que os escritórios devem ser discretos e que devem deixar que os clientes façam o “boca a boca”.

Entrevistado 4: Não, nenhuma, é o próprio cliente que faz a publicidade, é boca a boca. Primeiro por que agente tem aquela coisa de código de ética, o código de ética não permite que agente faça propaganda, por que eu não posso chegar ali e falar – a minha contabilidade oferece isso, oferece aquilo, oferece principalmente assim, em relação a preço, muitas vezes as pessoas relacionam a publicidade a preço, e muitas vezes o preço não é o melhor, a qualidade sim né. Então agente deixa mais que o cliente faça a propaganda, e tem tido bom resultado né. Então as pessoas pedem apoio mais eu nem faço questão que divulgue o nome da contabilidade.

Entrevistado 1: Agente não faz por que um escritório ele tem que ser discreto, não pode sair por ai fazendo propaganda até mesmo pra não prejudicar os outros colegas de escritórios na cidade né, agente não pode divulgar preços, eu acho que os próprios clientes é que conseguem novos clientes pra gente.

Entrevistado 3: Em jornal eu sei que não, em revista …, eu já vi assim, só anúncios né, anúncios pequenos, propaganda, propaganda mesmo eu acredito que não. Eu acho que nem pode fazer.

Pôde-se identificar que há uma interpretação errônea do código de ética profissional do contabilista, que em seu artigo 3º, no § I e no artigo 8º expõe a vedação a propaganda que resulte na diminuição do colega, da organização Contábil ou da classe Contábil e a concorrência desleal, não proibindo a publicidade e/ou propaganda “saudável”, identificado no artigo 3º: “…sendo sempre admitida a indicação de títulos, especializações, serviços oferecidos, trabalhos realizados e relação de clientes”.

Quanto à propaganda boca a boca dos clientes, de certo, é uma das principais fontes de captação de novos clientes, porém, não se pode jogar toda a responsabilidade apenas nos clientes, devem-se buscar novas formas para conquistar novos clientes e divulgar o trabalho.

Rosa (2004) e Marion (2004) p.52, afirmaram que os escritórios de contabilidade devem gerir suas comunicações com bastante atenção e cuidado, podendo estes divulgar suas realizações em seminários, divulgar serviços que oferecem, promover eventos de utilidade à comunidade empresarial, divulgar premiações recebidas, divulgar ampliação de suas atividades, divulgar matérias informativas de interesse público entre outras coisas, dentro critérios de seriedade e respeito aos colegas.

Rosa (2004) e Marion (2004) p.52, ainda descrevem os principais veículos de comunicação como jornais e revistas especializados e não especializados como classificados ou jornais e revistas de menor tiragem, folhetos contendo os serviços e recursos dos escritórios, boletins informativos para clientes atuais e clientes potenciais e a internet com um site com informações sobre os serviços e localização no mínimo.

Com as perguntas de número 9 e 10, buscou-se identificar se os escritórios entrevistados consideravam algum diferencial que possuíam, se seus clientes percebiam este diferencial e como este era feedback era repassado. Três dos cinco clientes responderam que era o atendimento, o contato direto do cliente com os funcionários do setor que precisavam:

Entrevistado 2: é uma empresa que funciona em departamentos, ou seja, os clientes eles tem, eles não tem que passar por todas as pessoas pra cobrir aquela necessidade que ele tem, geralmente eles já procura o chefe do departamento responsável, de acordo com aquela necessidade que ele tem…

Entrevistado 3: ….ah pode ser o atendimento dos funcionários direto com os clientes, pelo que eu sei de outras contabilidades, as vezes os clientes entram em contato diretamente com o dono da contabilidade, com o próprio contador, as vezes assim é o contador que resolvi tudo entendeu, então, aqui é tipo assim, agente procura entrar mais em contato, eles vão direto na gente sabe?…

Entrevistado 5: …mais é contato direto mesmo, contato direto, a tendência aqui do nosso… contabilidade ele é mais de contato direto, nos temos uma relação de confiança, que a contabilidade tem que ser né, é relação de confiança mesmo.

Dois escritórios também falaram da tradição no mercado como diferencial:

Entrevistado 1: Primeiro a questão de tradição sendo que são trinta anos de mercado que agente ta aqui…

Entrevistado 2: …e a tradição né , que agente já tem neste mercado.

Outros diferenciais mencionados foram a pontualidade, a qualidade e seriedade do serviço, o grande número de funcionários, as visitas externas aos clientes e fornecer informações preventivas ao cliente na decisão de abertura de empresas.

Pôde-se verificar que características básicas e essências do serviço contábil estão sendo consideradas como diferencial. 

De acordo com Rosa (2004) e Marion (2004), o escritório de contabilidade deverá adaptar-se as novas regras do mercado buscando prestar serviços diferenciados e com mais eficiência. Com o aumento da concorrência deve-se buscar o aprimoramento constante para não se ver fora da competição. Por melhor que seje um serviço ele sempre acaba perdendo a atratividade tendo o escritório contábil transforma-lo e criar novos serviços para conseguir sustentar sua posição no mercado.

Rosa (2004) e Marion (2004) p. 37, afirmaram que o escritório contábil com serviço tradicional provavelmente não vai desaparecer de todo, mas vai ter de transformar-se em um novo escritório, vai perder espaço para aqueles que incorporarem outras atividades.

Rosa (2004) e Marion (2004) p. 37, ainda citaram alguns possíveis novos serviços para o escritório contábil, como exemplo, serviços especializados em um tipo de cliente, serviços informatizados e mais baratos para clientes com necessidades simples, administração de imóveis, terceirização de serviços contábeis de grandes e médias empresas, consultoria financeira, consultoria jurídica em associação com escritório especializado, contabilidade nas dependências do cliente, entre outros. Para isso é necessário analisar as oportunidades do ambiente onde o escritório está inserido.

Quando se perguntou sobre como os clientes percebem os diferencias informados e como este feedback e repassado, dois escritórios responderam que os clientes percebem os diferencias e que eles percebem isso pois o próprio cliente indica novos clientes para o escritório o que sem dúvida é um bom feefback, porém, não pode ser o único termômetro de satisfação.

Entrevistado 2: Por que os próprios clientes acabam indicando novos clientes…

Entrevistado 1: “Percebem por que, por ele mesmo indica novos clientes…

Tomando como exemplo Rosa (2004) e Marion (2004) que indicaram a contabilidade nas dependências do cliente e a consultoria como possíveis novos serviços e diferenciais para os escritórios de contabilidade, foram feitas as perguntas de número 11, 12 e 14, com o propósito de verificar se os escritórios de contabilidade visitam as empresas de seus clientes, com que freqüência seus clientes tipo pessoa jurídica procuram o escritório e se algum dos escritórios prestava serviço de consultoria.

Quanto a ser procurado pelos clientes e visitá-los, todos responderam que periodicamente são procurados pelos clientes, quase todos os dias para tirar dúvidas, na entrega de documentos e para resolver problemas. Também todos responderam que não visitam seus clientes com periodicidade, apenas quando lhe são solicitados e reconhecem que poderiam fazer isso como se pode verificar nos exemplos abaixo:

Entrevistado 3: A igual eu te falei né, agente fez esse trabalho a mais tempo hoje não ta sendo feito mais, só quando tem um problema, mais é pouco. Há um tempo que agente fazia visitas a cada cliente, vamos supor, eu tenho vinte empresas, sou responsável por vinte empresas, então eu fazia uma lista do que era necessário na empresa, e agente marcava um horário ia na empresa, ia conversando com eles e tal né, ai agora ta precisando de voltar a fazer isso de novo, por que depois dessa época já tem muitas empresas novas, então agente ta precisando fazer, mais hoje em dia não esta sendo feito mais não. É bom e necessário, de extrema importância.

Entrevistado 4: Ai é pouco por que…, infelizmente é pouco, deveria ser mais, por que o escritório não tem condições de por exemplo todo mês ir visitar um cliente, o mesmo cliente, então é raras as visitas, mais se eles vierem na contabilidade agente vai lá, agente só vai quando é convidado pelo cliente.

4.4 Relação entre as estratégias identificadas e utilizadas pelos escritórios de contabilidade e a fidelização dos clientes.

A pergunta de número 13 teve como objetivo verificar se os escritórios de contabilidade entrevistados relacionavam alguma estratégia de marketing á fidelização de clientes. A pergunta foi feita da seguinte forma: Como a empresa faz para que o cliente seja fiel a seus serviços e não busque outro escritório de contabilidade?

Três escritórios citaram a qualidade da prestação do serviço como fator principal para manter a fidelidade dos clientes como se pode ver em algumas respostas abaixo:

Entrevistado 1: Eu acho que é a qualidade da prestação de serviço né, a qualidade mesmo.

Entrevistado 2: …agente executa um serviço de qualidade, né e por ai vai, agente atende o máximo até onde, incluse agente as vezes trabalha até aonde a contabilidade não vai , agente pesquisa este tipo de demanda, que agente tiver, trabalha além da nossa função de contabilidade para sustentar a necessidade do cliente.

Entrevistado 3: …essa confiança do serviço estar sendo prestado é um serviço de qualidade, um serviço bom que não vai dar problemas futuros. É a boa prestação de serviço.

Os escritórios também falaram da qualidade do atendimento aos clientes, de tratar bem, como se pode ver nas respostas abaixo:

Entrevistado 3: É tem que tratar bem o cliente é…, então agente tem que ta sempre em dia com o cliente.

Entrevistado 4: Como que ela faz, eu acho que o modo de agir né, de tratar uma pessoa, tratar o cliente com respeito né, pra gente ter entendimento, por que é…, é o bom relacionamento.

Pode-se identificar que os escritórios de contabilidade alegam ter serviços de qualidade e um bom atendimento e que essas características, mantêm um cliente fiel.

Para Kotler (2000), essas características se enquadram na estratégia de qualidade de desempenho, mantendo a qualidade em um nível considerado bom. Podem estar relacionadas também com a estratégia de confiabilidade, onde há uma probabilidade de que o serviço prestado, não apresentará falha em um determinado período específico, o que é fundamental para a contabilidade.

Nenhum dos escritórios mencionou alguma diferenciação como, por exemplo, fornecer algum tipo de serviço que seus concorrentes não ofereçam. Apenas o entrevistado 5 citou a estratégia de serviços e consultoria ao consumidor oferecido gratuitamente ou por um preço irrisório, dando apoio ao cliente gerando uma relação de confiança como se pode verificar nas respostas da pergunta de número 14, onde foi realizada a seguinte pergunta: O escritório presta serviços de consultoria empresarial? As respostas foram em sua maioria negativa.

Entrevistado 5: Presta. A é… de recursos humanos, consultoria tributária, jurídica, de custo pra concorrência. Então tem.

Entrevistado 1: Não, agente indica outros profissionais.

Entrevistado 2: Ainda não, é, efetivamente assim, especificado não, mais acaba acontecendo como eu to te falando, em função da necessidade, agente procura sempre ta chegando a resolver que o cliente leva.

Entrevistado 3: Não, por que essa área de consultoria ela é muito ampla né, então eu acho que requer mais de um…, um consultor ele precisa estar bem a par da legislação que é muito ampla, pra estar dando este tipo de consultoria né. É mais para empresas especializadas em consultoria né., eu acho que seria pedir demais né, no momento agente não faz não.

Entrevistado 4: Não, por que agente ainda não atinou pra isso ainda, né, talvez ta faltando ampliar neste sentido. Tem que ter mais recursos né, pra dar uma consultoria, agente ainda não tem como fazer isso. Acaba fazendo por que a contabilidade na verdade funciona como contabilidade, psicologia, com tudo né, mais não tem esse setor. Se quiser você pode formar e vir trabalhar aqui com isso.

A estratégia da atmosfera, que se trata do ambiente e do clima organizacional adequados aos fins, contribuindo para uma melhor imagem da empresa, nem a estratégia de posicionamento, onde a empresa assume uma posição competitiva distinta e significativa nas mentes dos clientes, não foram relacionadas.

E por ultimo e talvez uma das principais estratégias de fidelização ao cliente para o ramo contábil, que seria a estratégia da intensificação, conseguindo convencer os clientes a usarem mais os serviços contábeis ao invés do só obrigatório, mostrando as vantagens de se ter um controle de suas atividades financeiras não foi mencionado em nenhum momento das entrevistas por nenhum dos cinco escritórios.

Na última pergunta de número 15, objetivou-se identificar se os escritórios de contabilidade sabiam definir qual o seu negócio, qual a razão de ser da empresa e onde queriam chegar. Para responder a isso, questionou-se aos escritórios se estes possuíam uma missão e uma visão. Apenas um escritório tinha sua missão e visão ao fácil alcance, os demais escritórios afirmaram que possuíam sim uma missão e uma visão mais não lembravam e também não se preocuparam em tê-las em mãos como se pode verificar abaixo:

Entrevistado 1: Tem, deixa eu procurar aqui… Prestar um serviço com pontualidade, respaldando o cliente com todas as dúvidas e necessidades, acompanhando as condições de crescimento e o desenvolvimento saudável do mesmo. A visão é ter profissionais de qualidade juntamente com tecnologia e atendimento de ponta, atentos as modificações da legislação orientando e modificando de acordo com as necessidades de cada cliente.

Entrevistado 2: É a nossa missão agente pode colocar é estar sempre desenvolvendo esse serviço de contabilidade de qualidade e atendendo da melhor forma os clientes, né. E a nossa visão é ser referência no mercado em contabilidade, eu acho que deve ser isso.

Entrevistado 3: No menina, esse negócio ai, tem mais eu sabia, ta lá na minha casa se eu não joguei fora, que eu fiz um curso ali na Acita, mais não lembro não. Nos fizemos e escrevemos isso sabe mais agora eu não vou saber te dizer isso não.

Entrevistado 4: Tem mais de cor eu não sei, a missão é sair colocando a serviço do cliente né e a visão nossa é atender bem este cliente né, tem missão e visão, mais agente ainda não criou aquilo assim né.

Entrevistado 5: “Tê tem, só que eu não sei te responder, tem que melhorar mais.”

Pode-se identificar com as respostas acima uma característica desfavorável a estes escritórios. Rosa (2004) e Marion (2004) p 78-79, afirmam que definir uma missão e uma visão a empresa é um dos primeiros passos em qualquer planejamento, e que suas definições claras contribuem para orientação dos esforços, dos investimentos, para a concentração dos recursos e talentos nas atividades certas.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

No desenvolvimento deste trabalho procurou-se relacionar e identificar as estratégias de marketing que são utilizadas pelos escritórios de contabilidade de Itabira, MG, a fim de conquistar maior fidelidade por parte dos consumidores de seus serviços.

Foi possível identificar neste trabalho a percepção dos profissionais contadores de Itabira quanto ao uso do marketing na contabilidade. Os profissionais entrevistados relacionaram a publicidade diretamente à propaganda e interpretaram de forma errônea o Código de Ética Profissional do Contabilista, alegando ser proibido fazer publicidade. O Código de Ética Profissional do Contabilista em seu artigo 3º informa que é vedado aos contabilistas anunciar em qualquer modalidade ou veículo de comunicação, conteúdo que resulte na diminuição do colega, da organização Contábil ou da classe Contábil, porém admiti a indicação de títulos, especializações, serviços oferecidos, trabalhos realizados e relação de clientes.

Sim, é possível promover o escritório de forma ética e positiva. Divulgar suas realizações como seminários, serviços especiais, os serviços que oferece divulgar ampliações, lançamentos de novos serviços, premiações recebidas, são alguns exemplos do que pode ser feito como publicidade do escritório, desde que estabelecendo uma estratégia de comunicação e definido seu publico alvo, escolhendo bem os veículos de comunicação a serem utilizados sem que resulte na diminuição dos colegas da classe contábil.

Não foi identificada a utilização de estratégias de marketing nos escritórios de contabilidade entrevistados. Estes escritórios alegam ter serviços de qualidade e um bom atendimento e que essas características, mantêm um cliente fiel. Porém, estas são características básicas e fundamentais no exercício contábil. Poderiam ser consideradas estratégias de qualidade de desempenho que segundo Kotler (2000) refere-se aos níveis pelos quais as características básicas do produto ou serviço operam e consequentemente a estratégia de confiabilidade, onde não são admitidas falhas em um determinado período específico, evitando altos custos provenientes de tais erros, o que na contabilidade é essencial. Porém, até estas estratégias de caráter básico e fundamental necessitam de um planejamento para sua implementação, com uma visão de longo prazo, visando o melhoramento contínuo, o que não foi identificado.

Foi possível perceber através da respostas obtidas que essas características de qualidade e confiabilidade estariam intrínsecas nos serviços prestados, mais não havia um planejamento para que esta qualidade e confiabilidade fossem “sólidas” e contínuas.

Apenas um dos escritórios entrevistados afirmou que faz consultoria, aplicando assim uma das estratégias que Kotler (2000) propõe, a estratégia de serviços e consultoria ao consumidor. Trata-se dos sistemas de informação e de orientação oferecidos gratuitamente ou por um valor irrisório, dando apoio aos clientes, gerando desta forma uma relação de confiança, sendo este um diferencial oferecido.

Estes escritórios poderiam valer-se de mais estratégias propostas por Kotler (2000) para melhor se posicionarem no mercado. Estratégias como as de atmosfera que trata do ambiente físico e do clima organizacional, transmitindo uma melhor imagem para os clientes, a estratégia de posicionamento como sendo um ato de desenvolver a imagem da empresa de maneira que ocupem uma posição competitiva distinta e significativa nas mentes dos clientes, e a estratégia de intensificação de uso, que trata de conseguir convencer os clientes a usarem mais os serviços ao invés do sô obrigatório, demonstrando as vantagens disso.

Examinando as estratégias identificadas e utilizadas pelos escritórios de contabilidade foi possível perceber a falta de esforços de marketing para se conseguir reter os clientes e atrair novos. Marion (2004), Rosa (2004) e Cobra (2001), afirmam que as prestações de serviços são intangíveis, não podem ser tocadas ou sentidas antes de comprá-las, são também imprevisíveis. Por isso, existe a crença de que é mais difícil estabelecer lealdade para serviços do que para produtos. Kotler (2000) ainda afirma que o custo de atrair novos clientes é cinco vezes o custo de mantê-lo satisfeito, e que é necessário muito esforço para induzir clientes satisfeitos a trocarem a empresa em que estão. A retenção dos clientes é, portanto, muito mais importante do que a atração dos mesmos. Por este fato, a qualidade do serviço prestado deve estar evidente para amenizar esses fatores e transmitir confiança, isso inclui fatores como funcionários bem treinados.

O conhecimento é de fato uma das principais exigências para melhor se posicionar no mercado, é saber fazer de maneira eficaz e eficiente o serviço, tendo que possuir para isso, o conhecimento necessário. De acordo com as respostas obtidas, foi identificado que poucos são os profissionais formados em contabilidade e que quando são oferecidos cursos para a classe contábil, apenas uma pequena parcela dos funcionários dos escritórios é que participam. Este é um fator preocupante devido ao fato de o conhecimento ser um dos principais requisitos para se prestar um serviço de qualidade, sendo necessário muito estudo e interesse em aprender sempre, uma vez que a contabilidade é uma ciência mutante, e há bastantes alterações nas leis. Na contabilidade não são admitidos erros.

Os escritórios reconhecem que a postura dos clientes tem mudado e que eles têm cobrado mais, e estão mais conscientes, não apenas entregam o serviço na mão do contador, mais procuram acompanhar o andamento deste serviço. Reconheceram também que o escritório contábil é uma extensão da empresa de seus clientes e que erros devem ser evitados. Pode-se observar com isso que hoje, além daquela demanda negativa, já existem demandas positivas, onde os clientes buscam o serviço contábil para fins de orientação, controle e planejamento e os escritórios perceberam o importante papel da contabilidade hoje para as empresas como orientadoras na tomada de decisões. Porém, não basta apenas perceber isso. É necessária a constante avaliação e mudança dos serviços contábeis para manter a atratividade da clientela, assumindo uma nova postura perante o mercado competitivo de modo que os escritórios contábeis transmitam uma imagem condizente com sua atual realidade.

É necessário que os profissionais dos escritórios de contabilidade avaliem sua atual posição no mercado para fazer perceber se seus escritórios realmente estão se esforçando para apresentar um quadro realista de seus serviços, se fazem uma comunicação eficaz com os clientes. Segundo Kotler (2000), esta análise ou avaliação de desempenho, aplicada com uma periodicidade torna-se uma ferramenta fundamental para manter viva a necessidade de melhorar continuamente e de se tornar uma empresa com padrões elevados de qualidade, mantendo um sistema de monitoramento de desempenho dos serviços para não deixar o nível desta qualidade cair e dar espaço para a concorrência.

De acordo com o referencial teórico pesquisado e a análise das respostas obtidas com as entrevistas, não foi possível relacionar estratégias de marketing utilizadas pelos escritórios de contabilidade de Itabira, MG. Tais estratégias não foram identificadas, confirmando a hipótese deste trabalho onde a fidelização de clientes dos escritórios de contabilidade de Itabira, MG é baixa por falta do uso de estratégias de marketing eficientes. Pode-se identificar que os escritórios não tem bem definido sua razão de ser e não estão procurando melhor se posicionar neste mercado cada vês mais competitivo. O que verifica-se é que estes escritórios não se sentem ameaçados pelo mercado e não buscam melhorias, não fazem planejamentos e não investem na formação profissionais de seus funcionários.

Um fator limitante para o melhor posicionamento no mercado e a fixação da imagem do escritório na mente dos clientes, é o fato de interpretarem errado o próprio código de ética da classe, achando que há proibição na promoção do escritório contábil. O boca a boca é tido como único instrumento de divulgação dos serviços dos escritórios.

Verifica-se a necessidade de um plano de ação do escritório para que ele consiga se estar no ramo da atividade contábil de Itabira, tornando competitivo. Este escritório deve ter bem definido sua razão de ser e onde quere chegar. Deve analisar o ambiente em que está inserido, visualizando as ameaças e oportunidades e suas forças e fraquezas.

Com certeza é um grande desafio para o profissional de contabilidade profissionalizar seus serviços, desenvolvendo sua marca pessoal e promovendo a realização dos mesmos, valendo-se das ferramentas do marketing. Infelizmente o público em geral não conseguiu acompanhar a evolução da Ciência Contábil, grande parte da culpa foi a falta de comunicação, o que gerou um “abismo” entre a imagem que o público tem da contabilidade e sua verdadeira realidade.

Lembrando do que foi afirmado por Marion (2004), Rosa (2004), o tempo é oportuno para o contador rever seu papel e redescobrir sua verdadeira missão, isso implica abandonar determinados comportamentos e atividades e adotar outros mais adequados às novas demandas do mercado. O escritório de contabilidade deverá adapta-se as novas regras do mercado buscando prestar serviços diferenciados e com mais eficiência interagindo com o mercado.

Sugere-se para uma pesquisa futura, a realização de um maior número de entrevistas com escritórios de cidades diferentes comparando o perfil dos contadores e a influência da cultura na atividade contábil. Sugere-se também a realização de uma análise quanti-quali, para uma interpretação mais aprofundada do tema e a percepção de novas soluções aos problemas encontrados.

REFERÊNCIAS

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Processo de Fidelização em Academias

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Pretendo com esse trabalho dar caminhos se não soluções para a questão da fidelização do cliente interno e externo em se tratando de academias de ginástica. Questão essa que se mostra um tormento para os gestores de empresas desse segmento. Após longo estudo que compôs pesquisas, enquêtes e um conjunto de ações, tivemos a devida noção da amplitude desse tema que aflige quase a totalidade do setor. Definir o que é fidelização, a dimensão que atinge e quais etapas devem ser cumpridas para que esse objetivo seja alcançado é a motivação maior para a realização desse estudo, que para não se situar apenas na teoria procuramos aplicá-lo na prática a uma renomada empresa do ramo do fitness, melhorando ainda assim seus resultados.

SUMÁRIO

1 – INTRODUÇÃO E TEMA
2 – JUSTIFICATIVA
3 – A HISTÓRIA DO FITNESS
4 – OS NÚMEROS DO SETOR 
5 – REFERENCIAL TEÓRICO 
5.1 – PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO
5.2 – O PROBLEMA 
5.3 – AS CINCO FORÇAS DE PORTER
5.4 – MATRIZ SWOT
5.5 – BALANCED SCORECARD
5.6 – O PAPEL DO LÍDER
5.7 – FIDELIZAÇÃO
5.7.1 – POR QUE FIDELIZAR O ALUNO/CLIENTE
5.7.2 – FIDELIZAÇÃO INTERNA
5.7.3 – FIDELIZAÇÃO EXTERNA 
5.7.4 – A COMUNICAÇÃO COMO ARMA NA RETENÇÃO
5.7.5 – AÇÕES DE RELACIONAMENTO 
6 – HIPÓTESES
7 – Análise da Empresa: HABEAS CORPUS GYM CENTER ACADEMIA LTDA
8 – METODOLOGIA
9 – CONCLUSÃO
10 – REFERÊNCIAS E REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

1 – INTRODUÇÃO e TEMA

Com o aumento da expectativa de vida das pessoas e da competição no mercado de trabalho, a sociedade contemporânea demonstra uma preocupação crescente com a beleza (estética), saúde e qualidade de vida.

A chegada dos anos 80 e a dita valorização do corpo nos traz dos EUA a ginástica aeróbica e o convite aos primeiros “aventureiros” a desbravar o território da saúde através de sessões diárias de exercícios físicos em um ambiente chamado academia.

Desta data até os dias atuais, passamos por “fórmulas mágicas” e algum tempo depois reprovadas de séries de exercícios “miraculosos”, centenas de aparelhos e acessórios, roupas, luvas, meias, tênis da moda, suplementos alimentares e uma infinidade de produtos que rondam o chamado setor de academias que está inserido no globalizado wellness, ou seja a indústria do bem estar.

Associada à melhoria da qualidade de vida, diminuição do estresse e à boa saúde, a ginástica praticada no ambiente alegre das academias tem se transformado num hábito comum do mundo moderno.

O setor do fitness (academias) se integra a três outros setores para formar o conceito de wellness (bem estar), tão em voga no mundo atual, estética, entretenimento (lazer) e saúde.

A reboque carrega consigo outras industrias com elevados números em seus faturamentos. Equipamentos, bicicletas ergométricas e spinning, esteiras, transports, acessórios de ginástica, suplementos alimentares, bebidas energéticas e isotônicas, roupas de ginástica, luvas específicas, programas de computador, franquias de atividades, e a cada dia surge um novo produto para o mercado específico das academias.

Analisando o setor de fitness poderemos buscar no passado dados que podem contribuir para encontrar soluções aos problemas presentes e futuros, bem como, lançar novas tendências de mercado, largando na frente e superando a concorrência.

O Tema Fitness é de amplo alcance e por ser algo considerado novo nos apresenta diversas questões, que por si só, ainda não foram respondidas. E a maior delas é a fidelização. Como manter seus clientes satisfeitos e funcionários comprometidos e motivados? Essa questão comum às empresas que prestam esse serviço é tida como um tabu e tentaremos explicá-la e resolvê-la ao longo desse trabalho.

2 – JUSTIFICATIVA

Se obtivermos sucesso nesse projeto, poderemos vir a auxiliar um grande número de academias, que persistem em permanecer no setor e pouco fazem para diminuir esse “entra e sai” de alunos o que invariavelmente joga uma tinta vermelha no saldo de suas contas bancárias. Outro fator importante seria alcançar com êxito o objetivo proposto pelo projeto contribuindo com a solução da questão do pouco empenho dos funcionários do setor.

Estatísticas da HIRSA mostram que o aluno que frequenta academia menos de seis vezes ao mês tende a não pagar o mês seguinte. Enquanto que aqueles que freqüentam doze vezes ou mais a academia tendem a continuar pagando. Então se subentende que a fidelização está diretamente ligada a freqüência dos alunos durante o mês e isso deve ser acompanhado de perto pelos profissionais de fitness.

3 – A HISTÓRIA DO FITNESS

A profissão de professor de educação física foi regulamentada em 1998, algo bastante recente e ainda está se adaptando aos critérios das leis que insistem em tratar o setor como um comércio de serviços qualquer e não permitem incentivos fiscais; estes merecidos já que o setor ajuda a desobstruir a fila de pacientes do SUS (Sistema Único de Saúde), pois a atividade física acompanhada faz com que as pessoas agreguem mais qualidade às suas vidas e colham resultados bastante satisfatórios.

A Nova Zelândia é considerada o país do esporte, onde mais de 70% da população pratica atividade física e os médicos criaram o receituário verde que ao invés de medicamentos receitam atividades físicas de acordo com a capacidade de cada um e com acompanhamento de profissionais de diversas áreas.

Nos EUA, Europa e mesmo na Ásia os grandes conglomerados começam a tomar conta deste setor em um processo de concentração de poder em uma mesma empresa com dezenas de filiais alcançando um faturamento, que em alguns casos, supera os US$ 100 milhões/ano.

Investidores institucionais se movimentaram em torno desse setor compondo o “funding” para expansão dessas redes, com capital de risco e até com algumas delas se tornando públicas, com capital aberto e negociadas nas bolsas de Nova York e Londres.

Um marco na história do fitness foi a publicação nos EUA, em 1996, do relatório do Surgeon General e do CDC – Center for Disease Control and Prevention – “Physical Activity and Health” que passou a considerar o sedentarismo, pelos danos que provoca ao organismo, um problema de saúde pública e seu combate um problema do governo. Em 1980 o custo do sistema de saúde americano (health care) era da ordem de 240 bilhões de dólares. Em 2000 esse valor ultrapassou 1 trilhão de dólares, consumindo 14% do PIB americano.

Esses mesmos gastos na França, Austrália e Suíça giraram em torno de 10% do PIB. 50% desses custos são conseqüências de doenças crônicas tais como: hipertensão, diabetes, obesidade, arteriosclerose, artrite, osteoporose etc. relacionadas ao sedentarismo, fumo, stress e má nutrição, portanto podem ser evitadas agindo preventivamente.

As academias têm a função de zelar por restabelecer a qualidade de vida a essas pessoas, desonerando o setor de saúde. Pensando assim e com perspectiva de crescimento muito positiva para a próxima década, o setor vem se firmando, não só aqui, como em todo o mundo.

No Brasil, estima-se que os fabricantes de equipamentos para academias comercializem R$ 150 milhões para o mercado profissional e o triplo desse valor para o mercado de home fitness, enquanto que nos EUA esses valores giram em torno de US$ 600 milhões para profissionais e US$ 4,5 bilhões para home.

O mercado americano cresceu 100% na década de 90. A IHRSA e a SGMA Sporting Goods Manufactures Associations lançaram há três anos uma articulada campanha denominada: “50 MILLION 2010” , visando atrair 50 milhões de clientes para as academias até final de 2010 e 100 milhões em todo o planeta.

No Brasil, devido ao baixo percentual da população frequentar as academias, pelos mais diversos motivos, o setor apresenta uma perspectiva futura muito boa, e segundo números reais está longe de se estagnar, com um crescimento superior ao do mercado americano.

Há vinte anos quem freqüentava academia era considerado “marombeiro” e mal visto por grande parte da população. Dizia-se que não tinha cérebro, ou até que estava se preparando para trabalhar no cais do porto. Com o culto ao corpo tomando forma e invadindo os meios de comunicação em massa a idéia de ter um corpo perfeito foi propagada a princípio entre os mais jovens, e a pouco tempo a população acima dos cinqüenta anos passou a freqüentar as salas de ginástica, tentando minimizar o peso da idade sobre seus corpos e aliviando a mente em um lazer construtivo, seguro e acompanhado por profissionais. E muitas das vezes até indicado por médicos.

4 – OS NÚMEROS DO SETOR

Segundo dados extraídos do site da ACAD Brasil, (associação brasileira de academias, Citações e referências de documentos eletrônicos, disponível em < http://www.site.acadbrasil.com.br/busca_academias.asp > acesso em 16/07/2009), Os E.U.A. lideram esse setor com 20.249 academias e 39,4 milhões de clientes. Esse número representa 14% da população daquele país, o que produz um faturamento anual de US$ 14,1 bilhões.

A Inglaterra vem em 2º lugar com 4.050 academias 1,6 bilhões de libras de faturamento, 3,4 milhões de clientes e 5,7% da população.

Em seguida temos o Japão com 1872 academias, 2,99 milhões de clientes e US$ 2,5 bilhões de faturamento.

A França se apresenta com 2.000 academias, 1,5 milhões de clientes com 3% da população.

Na Espanha 1500 academias, 2milhões de clientes com 5% de penetração.

Hoje no Brasil, segundo a ACAD – Associação Brasileira de Academias, estima-se existirem 9.000 academias, dentre estas, 4.800 cadastradas na associação nacional que representa o setor, empregando 140.000 pessoas (são aproximadamente 50.000 profissionais de educação física registrados no CREF – Conselho Regional de Educação Física) admitindo-se uma média de 400 clientes por unidade, alcançamos 2,8 milhões de pessoas (1,7% da população), com um faturamento anual de R$ 1,5 bilhões.

Constatamos que em nosso país o mercado de fitness encontra-se altamente pulverizado entre micro e pequenas empresas, com mínima estrutura gerencial.

No novo cenário, especialistas acreditam que as academias ofereçam cada vez mais equipamentos modernos, várias modalidades de atividades esportivas e tecnologia atualizada, assim como a especialização em determinados nichos, como feminino, terceira idade, ioga, entre outros, o que poderá favorecer as academias de menor porte. Existem academias com mensalidades variando de R$ 35,00 a R$ 300,00, segundo dados da mesma ACAD Brasil, dependendo do público alvo, serviços oferecidos e da região em que estiver instalada. Portanto, os primeiros passos para quem deseja atuar no setor são: escolher com que público-alvo deseja trabalhar, quais serviços irá prestar (modalidades) e definir o local ideal.

Vale aqui ressaltar a percepção do lazer, do esporte e da atividade física em geral como campo de intervenção profissional que assume progressivamente a condição de um dos principais itens na obtenção de uma melhor forma física para a população em geral, visto que os profissionais de saúde, salvo poucas exceções, recomendam atividade física, alimentação balanceada e descanso. A abordagem que privilegia a motivação dessas atividades apenas como entretenimento é hoje incompatível com as demandas sociais e culturais de um setor que gera milhões de postos de trabalho no mundo. Movimenta parte significativa do PIB (produto interno bruto) de muitas nações (1% no caso brasileiro, correspondendo ao valor de R$ 6,5 bilhões) e se caracteriza como a terceira força econômica mundial, superado apenas pelo comércio de alimentos e de armamentos. Na copa do mundo de 2002 o Brasil chegou a movimentar 2,7% do PIB em função do esporte.

Em nosso país o segmento de fitness está sujeito a variações de sazonalidade. Nos meses mais quentes, primavera e verão mostram-se maior frequência, enquanto que nos meses mais frios que compõem outono e inverno a presença de alunos é bastante menor, algo em torno de 20%. Esses dados foram divulgados aos empresários em reunião da ACAD Brasil onde se divulga números desse setor com base em enquête realizadas nas academias membros.

Dados da mesma associação brasileira de academias (ACAD) mostram que o aluno permanece ativo, em média, três meses na academia. E quando se afasta há uma queda óbvia do faturamento, que acaba por comprometer o fluxo de caixa da empresa. O setor, por si só, requer investimentos específicos e ininterruptos para que a empresa possa estar atualizada diante da concorrência. Esses investimentos são feitos em diversas prestações que se tornam compromissos financeiros futuros a serem honrados; a dificuldade se amplia devido à saída do aluno e a queda na receita, comprometendo a capacidade de pagamento da empresa. Como exemplo podemos citar que uma esteira profissional para academia custa em torno de R$ 7.000,00 e que essa deve ser substituída a cada três anos. Pensando que o gestor dessa academia se programe para esse fato, contando com o faturamento e possível lucro, para com arte dele honrar a prestação desse equipamento, se o mesmo não houver, deverá buscar recursos em via bancária, assumindo riscos e juros e criando endividamento para a empresa.

O setor apresenta oscilação na frequência de acordo com os meses do ano. Essa sazonalidade se converte em queda da receita nos meses de dezembro (festas de fim de ano), fevereiro (carnaval) e nos meses de inverno: junho, julho e agosto. Tendo os meses de ápice em setembro, outubro e novembro, com a elevação da temperatura e a chegada da primavera. Podemos citar o caso da academia Hábeas Corpus que nos meses de inverno possui um número médio de alunos em torno de 530, em fevereiro em torno de 500 e nos meses de setembro, outubro e novembro chega a atingir 700 alunos pagantes. ,

O excessivo número de concorrentes limita a correção dos valores cobrados pela prestação do serviço limitando o lucro apesar da necessidade de investimentos quase que full time na qualidade e reaparelhamento, além de eventos de divulgação e ações de relacionamento.

O comprometimento dos professores e funcionários em geral com as metas da empresa também se mostra um problema, pois, os professores, em sua maioria, recebem a sua remuneração baseados nas horas em que permanece na empresa. Não importando então, a quantidade de alunos atendida por ele. Com isso, é normal ver um professor sentado na cantina da academia conversando com os amigos e justificando que seus alunos não vieram ou não estão dispostos a fazer aula naquele momento. Eis aí o desafio da fidelização interna ou endomarketing. Esse fato é comum e até corriqueiro para as empresas do setor.

5 – REFERENCIAL TEÓRICO

5.1 – PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO

Pensando que tudo o que deve ser feito deve antecipadamente ser planejado, buscar a fidelização como objetivo final exige que definamos quais as etapas teremos que cumprir para alcançar essa meta. O planejamento estratégico é uma ação fundamental para o sucesso dessa busca. Segundo a Wikipedia Planejamento Estratégico é um processo gerencial que diz respeito à formulação de objetivos para a seleção de programas de ação e para sua execução, levando em conta as condições internas e externas à empresa e sua evolução esperada. Também considera premissas básicas que a empresa deve respeitar para que todo o processo tenha coerência e sustentação.

Segundo Públio (2008) O estabelecimento de um planejamento estratégico de marketing envolve diversas atividades: Planejamento estratégico, Propaganda e publicidade, comunicação integrada de marketing, planejamento de campanha.

Segundo Pereira ( 2005. pag. 194) “Num mundo de constantes mudanças, precisamos usar mecanismos eficientes de gestão que forneçam condições de lidar com o inesperado. O planejamento estratégico e financeiro é a melhor maneira de administrar as mudanças.”

Planejar é pensar de forma contínua, tendo um compromisso com o presente, fundamentado no passado, mas com uma visão de futuro, prevendo a escolha de cursos de ação para a tomada de decisão, preparando mudanças que podem afetar os objetivos da empresa no contexto de relações com diversos ambientes, É a destinação de recursos avaliados visando atingir determinados objetivos em curto, médio e longo prazos, num ambiente altamente competitivo e dinâmico.

Planejamento Estratégico é predominantemente qualitativo, voltado a idéias, envolvendo decisões estratégicas sobre a direção que a academia deve seguir e cujos objetivos serão alcançados em longo prazo. É o plano de vôo rumo ao futuro.

Marynês é especialista em consultoria e administração de academias, atuando a mais de vinte anos no setor de fitness. Nessa caminhada ela cita que tão importante quanto o planejamento e as ações tomadas em função disso, saber analisar os resultados comparativamente com o que foi planejado é fundamental para que nos atualizemos de forma isenta e sem torcida.

5.2 – O PROBLEMA

Em enquête realizada entre as academias registradas na ACAD (Associação Brasileira de Academias) percebemos que a fidelização, alinhar o que oferecemos com a expectativa de quem recebe, deve ser discutida e trabalhada considerando num leque de opções a que melhor se adapte a instituição em questão. O problema discutido nesse estudo é comum a todas as empresas do setor. Isso por si só já é um bom motivo para essa escolha.

O tema fidelização é de tal importância que deve ser dividido em duas partes:

1. Fidelização Interna (funcionário, consumidor interno)
2. Fidelização externa (aluno ou cliente)

Faz-se necessária a implantação de um conjunto de ações para que cheguemos a um resultado satisfatório na solução dessas questões. Se não for possível implantar conjuntamente as ações propostas devemos iniciar pela fidelização do funcionário, de nosso consumidor interno, que, tendo sucesso, esse mesmo consumidor tratará de divulgar nossas ações atingindo o público alvo e retendo nossos clientes, ampliando a receita com a efetivação de novas matrículas e a redução do turn over de alunos.

5.3 – AS CINCO FORÇAS DE PORTER

Essa ferramenta será bastante útil para avaliarmos o mercado do fitness e a força dos concorrentes do setor. Atuamos em um mercado capitalista de alta competição, onde as empresas disputam os melhores funcionários, os funcionários as melhores empresas, as empresas os clientes e fornecedores. E já que estamos nessa disputa é natural que conheçamos nossos adversários. As cinco forças de Michael Porter certamente contribuirá na escolha das ações e reações diante de eventuais tentativas de reposicionamento.

Segundo Porter (1947) O modelo das Cinco Forças foi concebido por ele mesmo em 1979 e destina-se à análise da competição entre empresas. Considera como os cinco fatores as “forças” competitivas, que devem ser estudados para que se possa desenvolver uma estratégia empresarial eficiente. Porter refere-se a essas forças como microambiente, em contraste com o termo mais geral macroambiente. Utilizam-se dessas forças em uma empresa que afeta a sua capacidade para servir os seus clientes e obter lucros. Uma mudança em qualquer uma das forças normalmente requer uma nova pesquisa (análise) para re-avaliar o mercado.

Porter avalia que a estratégia competitiva de uma empresa deve aparecer a partir da abrangência das regras da concorrência que definem a atratividade de uma empresa.

As cinco forças de Porter são

1 – Rivalidade entre os concorrentes 
2 – Poder Negocial dos clientes 
3 – Poder Negocial dos fornecedores 
4 – Ameaça de Entrada de Novos Concorrentes 
5 – Ameaça de produtos substitutos

5.4 – ANÁLISE MATRIZ SWOT

A análise SWOT é outra poderosa ferramenta e deve ser realizada ao menos uma vez por ano, durante o planejamento estratégico de marketing ou apenas planejamento estratégico. Como as cinco forças de Porter não deve ser negligenciada, por qualquer que seja a empresa, na busca da excelência de produtos ou serviços.

A sigla SWOT, vem das iniciais das palavras inglesas Strenghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças), pois estes são justamente os pontos a serem analisados.

Não há registros precisos sobre a origem desse tipo de análise, segundo PÚBLIO (2008) a análise SWOT foi criada por dois professores da Harvard Business School: Kenneth Andrews e Roland Christensen. Por outro lado, TARAPANOFF (2001:209) indica que a idéia da análise SWOT já era utilizada há mais de três mil anos quando cita em uma epígrafe um conselho de Sun Tzu: “Concentre-se nos pontos fortes, reconheça as fraquezas, agarre as oportunidades e proteja-se contra as ameaças ” (SUN TZU, 500 a.C.) Apesar de bastante divulgada e citada por autores, é difícil encontrar uma literatura que aborde diretamente esse tema.

5.5 – BALANCED SCORECARD

Mais uma ferramenta de gestão, de grande utilidade como as duas citadas anteriormente, embora seja vista como elitista e de alto custo, optamos por usufruir do que podemos extrair de melhor dela.

Robert Kaplan, consagrado professor da Harvard Business School, em conjunto com David Norton, desenvolveu uma ferramenta revolucionária para avaliar e gerenciar o desempenho de uma empresa, o Balanced Scorecard.

O BSC, como é mais conhecido, é um sistema que reconhece que os indicadores financeiros, por mesmos, não são suficientes para se alcançar o sucesso. As medições financeiras precisam ser completadas com avaliações sobre o cliente e aprimoramento de processos internos, além de uma constante análise das possibilidades de aprendizado e de crescimento. As pequenas e médias empresas normalmente não estão cientes da sua estratégia e têm uma tendência de descontinuidade. O BSC não tem como base somente indicadores financeiros e não financeiros, preconiza que, para que a estratégia seja bem sucedida, toda a força de trabalho deve estar envolvida, assim como a exata noção dos objetivos a serem alcançados.

Aplicado a empresas do setor o Balanced Scorecard pode ser uma eficiente ferramenta na busca de informações e direcionamentos mais precisos, culminando com a elevação do ticket médio das mensalidades, juntamente com o nível de retenção de alunos.

Fazer a estratégia sair do papel para a ação é uma tarefa difícil, já que a administração de uma academia se assemelha a uma grande colcha de retalhos. Na prática são quatro passos fundamentais:

Dividir o negócio em quatro perspectivas: financeira,cliente, processo interno e aprendizado/crescimento;

Para cada uma dessas perspectivas, determinar objetivos, indicadores, metas e, principalmente ações estratégicas (quem faz o que, quando, onde e por que);

Para se determinar as metas é preciso saber um pouco da história da empresa e suas sazonalidades para não estabelecer metas inatingíveis e, portanto, desestimuladoras;

Para se determinar os objetivos e as iniciativas estratégicas, são necessárias idéias, e elas não caem do céu, nascem de capacitação intensa, com muita leitura (rica e diversificada) e muitos cursos.

5.6 – O PAPEL DO LÍDER

“Não basta apenas formatarmos um projeto, precisamos de líderes para torná-los reais.” Segundo Peter Ferdinand Drucker, o “pai da administração moderna” e o mais renomado dos pensadores de administração, “quando empresas elegem líderes fracos e despreparados para conduzir grandes projetos e equipes o resultado costuma acabar em duas situações: a demissão do líder em questão ou a “tragédia” na empresa. Também vale para gerenciamento de projetos.”

Guilherme Schneider, diretor da consultoria InQ, diz que: “Se tornar líder não o torna necessariamente um bom líder. Por mais que se repita esta frase, fico impressionado como as empresas não a levam como um mote na hora de preparar e selecionar seus futuros líderes. Peter Drucker acreditava que existiam dois tipos de liderança: a liderança nata e a liderança que podia ser ensinada e aprendida.”

Dezenas de artigos e matérias têm salientado a dificuldade que as empresas estão enfrentando por eleger líderes fracos e despreparados para conduzir grandes projetos e equipes. Esses mesmos líderes acabam por não perceber suas dificuldades e fraquezas e não modificam seu comportamento, o que acaba gerando um grande círculo vicioso que, ultimamente, só tem acabado em duas situações: com a demissão do líder em questão ou com a total e completa “tragédia” na empresa, quando se demora a perceber o erro e corrigi-lo.

Mas como remediar isso? Como já citamos, Peter Drucker dizia que a liderança podia ser nata ou aprendida. “Se você não é um líder nato (acredite, poucos o são e os que são geralmente o sabem que são) a melhor alternativa que você tem é procurar qualificação e, sim, aprender a liderar, da mesma forma que você aprendeu matemática ou português.”

“A qualificação de nada adianta se você não tiver atitude de líder.” Peter Drucker

Outro ponto essencialmente importante para a formação de um bom líder é a capacidade de motivar sua equipe, sempre. Uma equipe bem motivada rende sempre muito mais do que uma equipe desmotivada. E para isso, não existe fórmula mágica, o líder deverá criar a capacidade de identificar como motivar sua equipe de uma forma consistente, para que essa produza sempre além das expectativas.

Portanto, para formarmos um líder precisamos atentar para esses pontos e buscar crescimento e qualificação, sempre.

5.7 – FIDELIZAÇÃO

Fidelização é normalmente confundido com a satisfação do cliente. A fidelização é um relacionamento de longo prazo, diferentemente da satisfação que pode ser conseguida em uma única transação o que não impede que o cliente procure um concorrente. Para que aconteça a fidelização, portanto, é preciso conhecer o cliente identificando suas características, necessidades e desejos utilizando essas informações para estreitar esse relacionamento estabelecendo um elo de confiança criando facilidades para os clientes e barreiras para a concorrência, pois esta teria que iniciar um relacionamento do zero.

Segundo Moutella C (2005 – ebooksevangelicos.com) “A estratégia de fidelização de clientes não pode estar calcada apenas em programas de fidelidade. Iniciativas de marketing, muitas vezes, são esforços isolados de fidelização, o que não é suficiente.” Antes de qualquer coisa, toda a empresa deve estar preparada para garantir os produtos, os serviços e o atendimento em todos os canais de comunicação. Isso é fidelização estratégica: o esforço de habilitar toda a empresa para reter seus clientes ao longo do tempo. Os programas de fidelidade são ações de fidelização tática, visando incrementar o valor dos negócios proporcionados por cada cliente, direcionando os esforços para os segmentos mais importantes da carteira de clientes.

A fidelização deve ser um compromisso de toda a empresa. Promover o relacionamento com seus clientes deve fazer parte de sua cultura e de sua missão. Reter e fidelizar clientes devem ser encarados como fator de sobrevivência.

Fidelizar não é gerenciar produtos, mas clientes. Empresas que, em todos os níveis, não estão preparadas para o relacionamento com seus clientes, os vê como adversários. Sem domínio da situação, desconfiam dos clientes e geram desentendimentos.

Segundo Dennis Duffy (2002) “Organizar internamente a empresa para focar o cliente não é um destino, mas uma viagem. E acrescento: um trabalho constante e permanente, de melhoria contínua.”.

Segundo Jones (2007), autor do livro Putting The Service Chain to Work – HBR, Se clientes satisfeitos são a alma de qualquer negócio bem-sucedido, clientes fiéis são essenciais para a sustentação da liderança no negócio. Mas como uma empresa evolui de clientes meramente satisfeitos para clientes absolutamente fiéis?

Com base na obra de Jones (2007) que em outras palavras afirma que muitas empresas acreditam que fornecer produtos e serviços continuamente melhorados, a preços competitivos, seja o suficiente. Outras vão mais além, proporcionando programas de benefícios para usuários freqüentes e descontos preferenciais. Mas nada disso aumenta significativamente a fidelidade do cliente em longo prazo. Por quê? Por que a maioria desses enfoques não está centrada no cliente individual e na sua definição individual de valor. Em vez disso, tratam os clientes como uma grande massa sem muita diferenciação.

A chave para a fidelidade em longo prazo é expandir valor para o cliente com base na sua definição individual de valor. Essa definição pode variar muito de um cliente (por exemplo, descontos no preço) para outro (por exemplo, atenção pessoal) e ainda para outro (por exemplo, acesso a informações).

5.7.1 – POR QUE FIDELIZAR O ALUNO/CLIENTE

Segundo Pereira (2005, pág. 175) Com a expansão do mercado do fitness o número de academias cresceu em maior percentual do que a população que as freqüenta. A concorrência foca nos mesmos clientes ao invés de buscar aqueles que estão em casa, sedentários. Com isso a estratégia do preço se torna presente entre as empresas do setor jogando a margem de lucro para baixo. Classificamos essa ação como concorrência predatória.

Em seu livro Marynês discorre sobre o tema fidelização e retenção, convencendo-nos dessa necessidade. Ela diz que: “fidelizar o cliente permite-nos elevar sobre maneira o faturamento na medida em que recebemos novas matrículas e retornantes, mantendo clientes antigos e perdendo apenas e inevitavelmente aqueles chamados “impossíveis”, ou melhor, aqueles que se afastam por queda no poder financeiro, mudança de endereço, separação de cônjugue, falecimento ou similares.”

O cliente, com o decorrer do tempo se torna mais rentável, pois aumenta seu volume de compras de produtos comercializados internamente à academia como: bebidas energéticas e isotônicas, serviços de personal trainer, roupas para a prática do fitness, avaliações físicas e etc. Isso representa economia para a empresa em comparação com o aluno novo que exige total atenção por parte dos profissionais e professores, devido às dúvidas pertinentes.

Indicação de novos clientes, quando se apresenta satisfeito e ganhos originados pelo preço adicional que as pessoas pagarão pelo serviço em que confiam.

“Ao perder um cliente não se perde apenas uma venda, mas uma vida inteira de vendas.” Marynês Pereira

Entendemos que fidelizar é alinhar o que eu tenho a oferecer com a sua expectativa em relação a isso. Por outro lado, encantar seria superar essa expectativa. Todo o contexto que envolve essa situação nos remete a apenas um momento ou período, tornando-se irreal a idéia de manter seu cliente encantado por longo tempo. Mas se tivermos o encantamento como objetivo, essa busca deve ser preenchida com ações constantes que preencham a lacuna dos desejos desse cliente. Entendendo que desejos são infinitos e sujeitos a mudanças, quem se habilitar a isso fatalmente terá uma árdua história de decepções e baixa margem de lucro, pois o próprio desejo poderá ser adquirir seus serviços por um preço mais baixo.

Pensamos que fidelizar é algo mais amplo, enquanto que reter é uma das etapas da fidelização e pode ser momentâneo. Reter está mais para a realidade do mercado, em vista da mobilização da concorrência em busca dos mesmos clientes. Uma das ações de retenção é fazer com que o cliente alcance seu objetivo. Que ele atinja a meta que o levou a buscar a academia. Como exemplo, em uma situação comum, o aluno, cliente, busca uma academia para emagrecer e melhorar sua forma física. Além dos procedimentos de rotina com avaliação física e médica, a indicação de exercícios com alto gasto calórico e o acompanhamento para certificarmos que estará executando esses exercícios de forma correta, podendo também ser indicado a ele uma consulta com um profissional nutricionista e, se houver necessidade, um profissional psicólogo. Com isso os profissionais estarão auxiliando-o a alcançar sua principal meta e o motivo maior que o levou a buscar a academia, a perda de peso.

As reavaliações físicas a cada três meses é fator preponderante no acompanhamento dos resultados obtidos pelo aluno enquanto estiver ativo sob os cuidados da academia.

Fidelizar é reter e relacionar-se ao ponto de superar as expectativas dele.

Em relação a fidelização, e de acordo com as publicações citadas anteriormente, testadas por nós com sucesso no case Hábeas Corpus Gym Center, entendemos que por si só ela é o objetivo final, sendo composta de outras etapas que devem ser devidamente cumpridas com sucesso para que a alcancemos. São elas:

5.7.2 – FIDELIZAÇÃO INTERNA

• IMPLANTAÇÃO DE UM CÓDIGO DE NORMAS INTERNAS
• PLANILHA DE CONTROLE DE ALUNOS POR AULA
• GRATIFICAÇÃO POR DESEMPENHO
• CAMPANHAS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL
• IDENTIFICAÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE TALENTOS 
• RENOVAÇÃO DE PROFISSIONAIS

5.7.3 – FIDELIZAÇÃO EXTERNA

• ACOMPANHAMENTO E AUXÍLIO CONTÍNUO AO CLIENTE
• ENQUETE MEDIÇÃO DO NÍVEL DE SATISFAÇÃO
• IDENTIFICAÇÃO DE DEMANDAS DE NOVAS ATIVIDADES FÍSICAS 
• CAMPANHAS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL
• CAMPANHAS DE MARKETING E VALORIAÇÃO DA MARCA

A retenção como ponto de partida para se chegar a fidelização deve agregar outras ações como o acompanhamento do cliente e o auxílio na obtenção do resultado buscado pelo mesmo além de ações de relacionamento. O motivo principal que o levou a buscar uma academia deve ser alcançado para que tenhamos sucesso em nosso trabalho. Se houver dificuldade nessa busca o ato de transparência será passar todos os pontos em que não conseguimos evoluir e discutir as possíveis soluções para o problema em questão.

A SATISFAÇÃO DO CLIENTE, (matéria extraída da revista Acad, n. 49, dezembro de 2009, págs 12 e 13, traduzida e sintetizada por Marcelo Ferreira, baseado em reportagem da revista CBI, edição de setembro 2009).

Pesquisa realizada por Christopher Gallo, da The Health Club Development Company, revela o que os clientes valorizam durante a experiência de freqüentar uma academia. O estudo teve a participação de mais de 7,5 mil pessoas e contou com a assistência de autoridades científicas e parceria da IHRSA, Advance Health Solution e Lês Mills International Ltd.

• 63,9% dos clientes adoram variedade de equipamentos
• 42,4% variedade de aulas coletivas
• 41,6% Ambientes motivantes
• 34,7% Acesso ao staff
• 33,5% Ficar longe de casa ou trabalho

A pesquisa também mostrou que um staff profissional tem efeito positivo nas vendas de planos de academia no ato da adesão. E que os vendedores devem ser passionais e passar credibilidade e conhecimento de causa. Outra informação confirmada pela pesquisa é que a comunicação verbal e acompanhamento valem muito na tentativa de satisfazer o cliente.

Os fatores revelados pela pesquisa que preferencialmente têm grande influência no compromisso de permanência de longo prazo do aluno/cliente com a academia são:

1. Limpeza
2. Conveniência
3. Situação financeira pessoal
4. Manutenção de equipamentos
5. Motivação pessoal

Marcelo Ferreira afirma que: “a simples aplicação do modelo discutido aqui produziu os números mencionados sem a necessidade de maiores investimentos nas academias por nos acompanhadas”. Mais uma vez, não afirmamos que investimento em infra-estrutura não é importante para o negocio, mas somente que os números acima mencionados foram conseguidos sem este investimento como uma forma de medir o real desempenho do modelo.

Segundo Marcelo, “Quando aplicamos as estratégias de retenção em conjunto com mudanças na estrutura os resultados foram ainda mais significativos.”

5.7.4 – A COMUNICAÇÃO COMO ARMA NA RETENÇÃO

Segundo Mehrabian Albert (1980), a sua mensagem é transmitida por meio do que dizemos, isto é palavras, em 7% dos casos;Como dizemos, isto é, a maneira como falamos, tom de voz, volume, representa 38%; e a linguagem corporal representa 55%. Sendo assim, essa última é o mais importante meio de comunicação que possuímos. Um exemplo simples e eficiente é a expressão do rosto. Sorrir é uma forma surpreendentemente eficaz de iniciar e manter uma comunicação. Saber se comunicar, escolher um tom de voz agradável e conduzir a negociação de forma a transmitir confiança em quem adquire seus serviços é uma técnica que deve ser implantada e praticada sempre.

Toda a equipe deve ser treinada para atender com excelência e presteza. Não demorarão a colher bons resultados com essa ação.

A boa comunicação nos levará a um melhor relacionamento com nossos clientes. Nesse relacionamento não devemos abrir mão de mais uma ferramenta, ágil, de baixo custo e de longo alcance que é a internet. No livro a cauda longa, (ANDERSON, 2009, p. 39) o autor cita a busca pela facilidade de ser encontrado e a utilização da modernidade como auxiliador nessa busca. Ter contatos de fácil acesso é eliminar mais uma barreira no relacionamento, a distância.

Segundo Kotler(2008), a cadeia de relacionamentos de uma empresa não pode negligenciar as alternativas da internet. Embora envolva ríscos de invasão, adulteração de sites e mensagens, que devem ser monitoradas o maior tempo possível, e em alguns caso o elevado custo de implantação, esse caminho poderá render bons frutos se manipulado de forma correta. “… a velocidade de mudança dessa ferramenta deverá ser acompanhada e atualizada de perto, quase que instantaneamente, pois, se for percebida a desatualização a empresa cairá em descrédito.”

Sua empresa será acessível ao passo que demonstre facilidade de relacionamento com os que estão ao seu redor. A internet facilita sobre maneira essa ação. Pode-se encontrar uma informação, pessoa ou empresa em minutos acessando um computador e até emitir conceitos, sugestões e hiatos a serem preenchidos por aquele que se interessar. Isso é relacionamento imediato. Nos dias atuais não podemos abrir mão dessa oportunidade.

5.7.5 – AÇÕES DE RELACIONAMENTO

Carlos Henrique Vilela, planejador estratégico da Tom Comunicação, em entrevista no site chmkt atenta para os perigos da ação de relacionamento via internet ao mesmo tempo que ampliam a visibilidade das empresas, dando oportunidade para que as pessoas conheçam mais sobre a companhia e até comprem seus produtos, também expõem as marcas a uma enxurrada de críticas, que podem provocar danos graves à reputação. Portanto, é indispensável abrir os olhos. Para que se possa lidar melhor com possíveis situações adversas no ambiente virtual. Ele dita algumas dicas que podem ajudar bastante nessa ação:

1 – Não subestime o poder da internet. Muitas empresas ainda não acreditam ou não conhecem a verdadeira força da internet, principalmente, nos processos de mobilização social. Um simples deslize pode se tornar público em questão de segundos, e as pessoas irão se posicionar sobre o assunto perante outras milhares de pessoas. O processo de formação de opinião mudou. Quem dita as regras são as pessoas comuns.
2 – Transparência nunca foi tão importante. As empresas acostumadas a fazer negócios de maneira tradicional, com base nas regras pré-internet, podem se dar mal neste novo cenário. Com o surgimento das redes sociais, entramos na era do diálogo em tempo real e da colaboração. As pessoas nunca estiveram tão antenadas ao que sua marca está fazendo. E elas vão falar sobre isso. Não há como impedi-las.
3 – Esteja sempre presente. Se sua marca tem um relacionamento estabelecido com os usuários das redes sociais, é mais fácil resolver este tipo de situação de forma rápida e efetiva. Esses meios também funcionam como canal para os defensores da marca avisarem a empresa sobre o ocorrido. Mas não basta apenas ouvir. É preciso resolver.
4 – Monitore sua marca, o tempo todo. Com a fluência da informação em tempo real, ficar sabendo de problemas dessa magnitude só no dia seguinte pode custar muito caro. Além de ajudar a prevenir que algo prejudicial se espalhe pela rede, o monitoramento pode ajudar a detectar inúmeras oportunidades. Uma pessoa me disse outro dia que, após ter feito um comentário favorável sobre uma marca de shampoo, foi procurada pela empresa que lhe enviou um kit. Hoje, ela é cliente fiel à marca.
6 – Fale a verdade. Quando um problema surge na internet, é melhor a empresa se dirigir aos internautas dizendo que desconhece a origem do problema e que vai apurar e divulgar os motivos do que se manter calada. Pedir desculpas ou dizer que não sabe não deve ser motivo de vergonha para ninguém. Pelo contrário, é uma maneira de não gerar mais especulações. Resolvido o problema, diga o que a empresa está fazendo para que o ocorrido não se repita. Mas lembre-se: cumpra com tudo o que prometer.
7 – Planeje-se. A grande falha de muitas empresas é não ter uma estratégia pronta para resolver problemas na internet. Se a empresa tem um número alto de seguidores no Twitter, por exemplo, fica mais fácil falar com um alto número de pessoas. Se você monitora sua marca na web, sabe quem são os seus defensores e como eles podem te ajudar nessa hora. Se as diretrizes para resolver problemas on line estiverem bem estabelecidas, dá pra partir logo à ação. Começar a pensar depois que o problema aparece pode sair caro demais.

6 – Hipóteses

Ao discorrer pelas hipóteses para a solução do problema da fidelização que justifica esse projeto, resolvemos levantar dados e números de uma empresa, a Hábeas Corpus Gym Center Academia ltda, passando assim uma imagem da realidade e aflições desse mercado. Podemos aplicar à teoria desse trabalho e a prática de uma empresa respeitada pelos clientes e até pela concorrência. Em seus quatorze anos em que atua buscando a excelência no atendimento.

7 – Análise da Empresa: HABEAS CORPUS GYM CENTER ACADEMIA LTDA

Empresa atuante no setor de fitness, fundada em 1995 no bairro de Bangu, subúrbio da cidade do Rio de Janeiro. Consegue se destacar diante da concorrência devido à boa localização, em um condomínio aberto com 1.400 casas e poder aquisitivo acima da média para a região, defronte a uma praça com boa estrutura de planejamento com quadras de esportes, inclusive tênis, o que leva um bom número de pessoas a circularem nesse local.

Proprietária de um bonito prédio que se impõe pela magnitude e o bom gosto da construção divulga as atividades externamente na forma de grandes fotos digitalizadas cuidadosamente afixadas em estrutura da sua fachada, mais precisamente no terceiro andar, propiciando uma amplitude visual melhor e mais distante.

A empresa possui um programa (software) para controle das atividades. Essa tecnologia da informação, que atua em conjunto com uma catraca eletrônica biométrica (impressão digital), nos fornece relatórios das situações dos alunos pagantes, devedores, faltosos e ex-alunos para se ter a idéia exata dos fluxos. Outro programa inserido na empresa é o de avaliação física, que depois de realizada por fisioterapeutas, é arquivada em uma pasta do computador que os alunos e professores terão livre acesso, quando quiserem. Está em desenvolvimento um programa que disponibilizará aos alunos em dia com a mensalidade o histórico físico através do site da academia após inserir o número de matricula e senha. Esta informação é inédita no setor e está em fase de término.

Quatro computadores em rede e dois programas monitoram os números da empresa. A entrada dos alunos e funcionários somente é permitida pelo acesso biométrico, sendo que os dados referentes à hora de entrada e saída ficam armazenados em arquivo restrito a alta administração.

Por trabalhar na prestação de serviços, mais precisamente na orientação e acompanhamento de clientes (alunos) que se dispõe a alcançar uma melhor forma física, a empresa prima pela qualidade, que após uma pesquisa interna entre os clientes e externa com dados do curso de gestão de academias da Body System’s, se materializou como além de atividades inéditas na região a atenção no contato entre funcionários e clientes, sejam os funcionários pertencentes a qualquer departamento da empresa.

Ciente de que 30% das pessoas que freqüentam academias o fazem apenas por lazer, a empresa procura não aborrecê-los com séries de exercícios muito exigentes e extenuantes, atuando de forma diferenciada quando identificam um objetivo mais sério por parte destes. Para isso os clientes passam por uma sessão de avaliação física onde é preenchido um questionário por um fisioterapeuta com as possibilidades e indicações para cada um dos afiliados. O mesmo formulário é repassado para o professor que o acompanhará e será seu “tutor”, enquanto ele permanecer na empresa e procurando atende-lo sempre, de forma que não deixe nada a desejar por parte dele e, se possível, identificar novidades para que esse mesmo cliente seja surpreendido de forma positiva e encantado, mesmo sabendo que esse encantamento é passageiro, mantendo assim a concorrência afastada por mais algum tempo.

O quadro de funcionários é composto por um proprietário (gestor), que emprega um estilo de administração atuante e participativa com a distribuição de funções e responsabilidades, três secretárias que tem total autonomia nas tomadas de decisões, e o fazem na maioria das vezes na ausência do gestor, procurando resolver de forma imediata as situações quando se apresentam, não deixando acumular problemas, sejam eles quais forem. Quando não conseguem, buscam imediatamente a orientação do gestor para solução do referido. Dezenove professores formados e registrados do conselho de educação física, que se revezam na orientação de vinte e seis atividades oferecidas pela academia, quatro fisioterapeutas, quatro instrutores de dança e lutas e quatro funcionários de serviços gerais e manutenção e cinco estagiários totalizando trinta e quatro pessoas entre funcionários e terceirizados.

Em sua maioria os professores são remunerados por hora trabalhada, sendo nos casos de dança e lutas, atividades participativas, receberem 50% do valor das mensalidades.

De uma maneira geral a igualdade impera na relação do dia a dia, sendo que o gestor e as três secretárias além de supervisionar o andamento das atividades realizam a parte de controle e acompanhamento das freqüências e números, tanto por parte dos alunos quanto dos professores. Auxiliando e oferecendo sugestões práticas ao gestor, agilizando assim a parte operacional da empresa. Já os professores têm total interação com a administração, mas a postura apresentada por esses funcionários não é de exclusividade, pois a grande maioria trabalha em mais de uma empresa, o que acaba prejudicando o rendimento desses profissionais por não depender apenas e exclusivamente de uma única fonte de renda. De certa forma esse profissional acaba incorrendo em faltas e atrasos por ter que se deslocar de uma empresa para outra e visando obter melhores resultados financeiros a serem acrescidos ao seu orçamento.

Em alguns casos as faltas se devem a procura por parte de alunos por um “personal trainer” onde a hora/aula é melhor remunerada e não incidem impostos. Esse professor deixa então de lecionar aulas na empresa que o contratou e conta com sua presença, para atuar de forma autônoma visando lucro imediato o que denigre a imagem da categoria, pois as desculpas para as faltas se revezam e se repetem. Por agirem dessa forma, a empresa procura valorizar mais os professores exclusivos, nos quais concentra maior número de aulas e certa flexibilidade de horários, férias e até empréstimos sem juros, ao ponto que ele esteja satisfeito e se sinta valorizado, tendo ainda obrigatoriamente um quadro de estagiários treinados para substituições urgentes e inesperadas.

Posicionamento da marca

• Classe sócio-econômica B e C; 
• Preço abaixo dos principais concorrentes; 
• Qualidade na prestação de serviços;
• Inovação em ações promocionais;
• Público qualificado e formador de opinião;
• Perfil comportamental dos clientes: moderno e dinâmico

Aos funcionários são oferecidos benefícios, visando aumentar a satisfação dos mesmos e pessoas envolvidas com a empresa, bem como os parceiros e familiares diretos.

Benefícios aos funcionários:

• Café da manhã e lanche
• Praticar atividades físicas na empresa sem nenhum ônus
• A possibilidade de se ausentar do serviço, por no máximo um dia ao mês, desde que autorizado pela administração e devidamente substituído.

No caso dos professores e fisioterapeutas, os mesmos não receberão a remuneração em caso de substituição sem justificativa aceitável, de acordo com as leis trabalhistas vigentes no país. Flexibilidade de horário ou troca.

• Cursos e palestras de treinamento e desenvolvimento profissional custeadas pela empresa
• A possibilidade de um bonus salarial em forma de serviços de personal trainer sem recolhimento por parte da empresa.
• Gratificação por desempenho alcançada para a equipe de vendas.
• Descontos na mensalidade que podem chegar a 100% nos casos de familiares praticantes de atividades na empresa 
• Possibilidade de crescimento profissional na empresa
• Bom ambiente de trabalho
• Participar de uma equipe vista como uma referência de qualidade e estabilidade de emprego, além de praticar os melhores salários da região.

O valor cobrado pela mensalidade é fator preponderante na escolha de uma academia por parte do aluno, onde tudo o que é oferecido é também avaliado e a barganha e o pedido de descontos realidade presente diariamente. Nesse ponto a empresa procura demonstrar que se a mensalidade for dividida pelo número de dias do mês se torna mais barato do que tomar um refrigerante por dia ou ir à manicure uma vez por semana e outros comparativos do gênero. O slogan “Quanto vale o seu bem estar?” está posicionado bem em frente a secretaria.

Análise da Matriz SWOT

Aos funcionários é direcionado um memorando comunicativo mensal onde se procura firmar o sentimento de equipe e união demonstrando os números alcançados e as metas a serem atingidas. Afirmando que: “Para nós, só o melhor é suficientemente bom”.

O Mark up (brak even) da empresa gira em torno de 437 alunos com uma mensalidade média praticada de R$ 53,33 em comparação com uma média de 628 alunos/mês pagantes nos últimos doze meses. O que gera uma receita bruta média mensal de R$ 33.491,00. Diante das despesas totais de R$ 23.259,00 com um lucro líquido de R$ 10.232,00 em se tratando apenas de mensalidades. A comercialização de roupas, bebidas, barras de cereais e serviços ajudam a complementar a renda da empresa que chega a atingir R$ 17.000,00 nos meses de pico.

PARCERIA

Existe na empresa uma vitrine de roupas para fitness e acessórios de ginástica como: toalhas, luvas, squeezes e etc. As roupas de ginástica femininas tem boa aceitação e complementam o faturamento da empresa. A fabricante das roupas é a MHT fitness wear, empresa tradicional do setor de vestuário para fitness. A academia formalizou uma proposta de patrocínio do uniforme dos funcionários que foi prontamente aceita pela fabricante que se comprometeu a desenvolver e fabricar as peças, mediante espaço para imprimir sua marca nos ombros ou costas, o que ficasse melhor visualizado.

Dois espaços são disponibilizados para que a MHT exponha banners e propagandas da marca além da distribuição entre os alunos de revistas e catálogos com as fotos da coleção.

Essa parceria se mostrou bastante proveitosa para ambas as partes numa relação ganha-ganha, como devem ser as relações, sejam elas pessoais ou comerciais.

AÇÕES DE RESPONSABILIDADE SOCIAL

É fato que o público consumidor pesa a escolha de um produto ou serviço por sua expectativa em relação ao que está adquirindo. A Responsabilidade Social de Empresas é uma das temáticas mais faladas atualmente e fator que poderá definir na escolha desse cliente. Essa tendência decorre da maior conscientização do consumidor e conseqüente procura de produtos e práticas que gerem melhoria para o meio ambiente ou comunidade, valorizando aspectos ligados à cidadania. Além disso, essas profundas transformações mostram-nos que o crescimento econômico só será possível se estiver alicerçado em bases sólidas. Deve haver um desenvolvimento de estratégias empresariais competitivas por meio de soluções socialmente corretas, ambientalmente sustentáveis e economicamente viáveis. A academia Hábeas Corpus é bastante conhecida pelo envolvimento em causas sociais, dentre elas:

• CAMPANHA NATAL SEM FOME DOS SONHOS
• HEMORIO – DOE SANGUE, DOE VIDA.
• ESCOLNHA DE VOLLEY BALL PARA A COMUNIDADE
• DIVERSAS OUTRAS CAMPANHAS SOCIAIS EM PROL DE INSTITUIÇÕES DO BAIRRO, ENTRE ELAS: campanha do agasalho, campanha do quilo, do agasalho, de brinquedos entre outras.

Quanto mais as pessoas desenvolvem consciência de responsabilidade social mais esse tipo de posicionamento de marca se torna relevante e, consequentemente, mais empresas investem nele.

A Importância do Natal sem Fome para a Sociedade

A existência de 32 milhões de famílias na miséria no país faz surgir, em 1993, liderado pelo sociólogo Betinho, o Natal sem Fome. Era necessário chamar a atenção da sociedade para o grande contingente de miseráveis no país. A arrecadação e distribuição de alimentos era uma forma lúdica e pedagógica de esclarecer a população sobre a ineficiência do Estado, e foi essencial na criação de um sentimento de solidariedade nacional na mobilização dos setores da sociedade contra a fome e a miséria.

A campanha Natal sem Fome é, sem dúvida, a maior campanha de solidariedade que o país já conheceu. Nos seus primeiros 13 anos a campanha arrecadou mais de 30.000 toneladas de alimentos, mobilizou mais de 7.000 lideranças comunitárias e beneficiou cerca de 15 milhões de pessoas que vivem nos bolsões de pobreza do Brasil. Quando o governo assume o combate emergencial à fome, ampliando a cobertura dos Programas de Transferência de Renda (Bolsa Família, PETI, etc), o Natal sem Fome dos Sonhos passa a arrecadar brinquedos e livros simbolizando a luta da Ação da Cidadania por mudanças mais estruturais que erradiquem de vez a miséria: educação fundamental de qualidade para todos. A campanha passa a denunciar a violação do direito das crianças e jovens de estudar e brincar, e convida toda a sociedade a fazer a sua parte. A grandeza do Natal sem Fome dos Sonhos não se dá somente pela ampla cobertura.

A campanha consolida a prática social da participação, da mobilização popular dos próprios interessados, em um processo de motivação que se fez, e se faz, de baixo para cima, e que envolve todos os setores da sociedade: empresas privadas, ONGs, governo, igrejas e o cidadão comum. E o melhor de tudo é que ela se faz de Solidariedade Consciente, e tem seus alicerces no entendimento de que o Estado precisa garantir os direitos básicos do cidadão e a sociedade deve exigir que isso aconteça.

Em 2008 a campanha Natal sem Fome dos Sonhos arrecadou cerca de 220 mil brinquedos e 40 mil livros no Rio de Janeiro. Os brinquedos são doados aos Comitês Locais da Ação da Cidadania para serem distribuídos, na noite do Natal, a crianças de bolsões de pobreza de todo o país. A empresa participa dessa campanha há três anos arrecadando cada vez mais itens e ligando sua imagem a essa notável ação.

PREMIAÇÃO

Parece que a empresa está no caminho certo, pois, em 10 de dezembro último fomos selecionados entre quinze empresas para a final do prêmio MPE Brasil 2009, excelência em gestão, evento realizado no prédio da FIRJAN, centro do Rio de Janeiro.

Esse é o reconhecimento por tantos esforços e noites de sono perdidas, pois o empreendedor o é em tempo integral. É uma máquina pensante que avalia possibilidades e riscos ao longo da vida. É uma maneira singular de pensar e fazer acontecer. Aprender com os próprios erros, criar caminhos e seguir em frente. Pois, acreditamos que o segredo do sucesso, se é que ele existe, é tentar mais uma vez.

Colocamos em prática as ações sugeridas nesse trabalho com o objetivo de reter e fidelizar o aluno/cliente, e com isso elevar o ticket médio de mensalidade além do número médio de alunos pagantes e fixos, aumentando assim a receita da empresa.

As ações escolhidas e implantadas foram:

FIDELIZAÇÃO INTERNA

→ Implantação de um Código de Conduta Profissional em Academia

→ Relatório diário de controle de freqüência por aula

→ Gratificação por Desempenho

→ Enquête de avaliação dos gestores

→ Identificação e desenvolvimento de talentos

→ Renovação dos profissionais de baixo rendimento

→ Campanhas de responsabilidade social 

Em recente enquête com os clientes da academia, identificamos que os mesmos se aborreciam com freqüência quando se locomoviam até as instalações e o professor não estava presente. E também, mesmo quando estavam presentes se recusavam a dar aulas para apenas dois ou três alunos (chamamos isso de absenteísmo presente), prejudicando a imagem da empresa diante de seus clientes.

O absenteísmo é a ausência do trabalhador no processo de trabalho, seja por falta ou atraso, devido a algum motivo interveniente. As causas e conseqüências das ausências foram intensamente estudadas através de pesquisas que mostraram que o absenteísmo é afetado pela capacidade profissional das pessoas e pela sua motivação para o trabalho, além de fatores internos e externos ao trabalho. A motivação para a assiduidade é afetada pelas praticas (práticas) organizacionais, como por exemplo, recompensas e punições ao absenteísmo. As organizações bem-sucedidas estão incentivando a presença e desestimulando as ausências ao trabalho através de práticas gerenciais e culturais que privilegiam a participação, ao mesmo tempo em que desenvolvem atitudes, valores e objetivos dos funcionários favoráveis a participação. Gerando assim maior satisfação da parte dos funcionários.

Para diminuirmos o índice de absenteísmo decidimos desenvolver um Código de conduta profissional para a empresa. Esse código funcionará como a “Carta Constitucional da empresa”, a sua “Constituição”, onde registrará o perfil do funcionário, a missão, visão e valores da empresa, bem como a maneira que se espera que ele haja diante dos fatos do dia a dia.

Notamos que os professores que recebiam sua remuneração baseada no número de alunos atendidos, lutas e dança, não apresentavam esse absenteísmo. Conjuntamente criamos uma gratificação por desempenho. Os professores, em sua maioria, recebem por hora trabalhada. Se por acaso não houver alunos no momento da aula, ele receberá assim mesmo, não constituindo prejuízo ao seu salário. Implantamos um instrumento de controle por parte da administração onde um funcionário, que não é o professor, se dirige até a sala de aula e conta o número de alunos presentes naquele horário. Esses números comporão um banco de dados que será armazenado e utilizado de forma comparativa registrando a informação quanto à presença ou ausência do professor no horário, bem como o aumento ou a diminuição da frequência de alunos em cada turma.

Anteriormente a constituição do código de conduta profissional em academia da empresa, ouviu-se dos funcionários sua avaliação sobre a empresa como um todo e o modelo de gestão vigente. Nessa avaliação não foi necessária a identificação da pessoa que avaliava. Sentindo-se livre para criticar o que quer que fosse de seu interesse. Com isso poderemos construir um código de conduta baseado em fatos reais e sob duas óticas diferentes: a dos funcionários e a do empregador.

AVALIAÇÃO DA EMPRESA E DO GESTOR

O objetivo da avaliação do gestor e da empresa é buscar outras ferramentas de mensuração, procurando ampliar o conjunto de indicadores de resultados, além dos tradicionais indicadores financeiros, outros vetores de desempenho dos problemas e das possíveis oportunidades que há dentro e fora da empresa. No futuro implementar correções na estrutura organizacional. Esta avaliação também faz parte de um processo gerencial que possibilitará não apenas mensurar os resultados estratégicos, mas identificar e ilustrar a cadeia de relações de causa e efeito e dar foco no alinhamento à estratégia organizacional dividindo com todos a responsabilidade dos resultados obtidos no período. Porém, o primeiro passo é conhecer quais são os problemas da empresa, para que possamos resolvê-los antes de iniciarmos qualquer trabalho em equipe.

O resultado da enquête foi amplamente favorável a empresa, mostrando um grau de excelência superior a 85% na classificação geral entre bom e ótimo para se trabalhar.

O setor de fitness (academias) está em mera expansão, apesar de, a cada dia, surgirem novos concorrentes o setor tende a se profissionalizar com o surgimento de academias de grande porte com gestão de profissionais de administração e não professores de academias tentando realizar seu sonho de serem donos do próprio negócio. O empreendedorismo requer estudo, pesquisa, análise e conhecimento. A emoção, nesse caso acaba tirando de foco a realidade dos fatos e criando uma nuvem de ilusão e super valorização do próprio negócio. Segundo Chistian Munaier, Gerente de Relacionamentos da Body System’s,

“Gerir uma academia não é somente administrar pessoas. É gerenciar recursos! Recursos humanos, suas necessidades e melindres; recursos financeiros, seus números e armadilhas. Portanto, quando você olha para o seu extrato bancário e ele vêm, invariavelmente, acompanhado da cor vermelha, não adianta culpar a época do ano, o seu bairro ou o santo de devoção. Assuma a sua parcela de culpa e reaja, pois o cobrador baterá somente na sua porta… a saúde financeira de sua empresa e a sua tranqüilidade emocional dependerão da sua competência em gerenciar recursos.”

Para que elevemos o número de alunos e, a partir daí, possamos fidelizá-los, é indicada uma campanha de marketing que valorize o espaço e os profissionais que atuam nele. Desenvolvemos uma campanha de impacto para diferenciar a empresa dos demais concorrentes. Contactamos a franquia que presta serviços de treinamento de professores e funcionários a Body Systems que enviou uma foto que caiu como uma luva em nossas pretensões.

Divulgamos interna e externamente essa idéia que foi muito bem aceita pela população do fitness. A frase “Não damos aulas, damos um show.” Foi muito bem aceita por toda a equipe.

Por ser a única academia a assinar essa franquia, possui exclusividade de algumas atividades e material de divulgação, além de apresentar profissionais trimestralmente aos workshops da referida empresa de treinamento.

Identificamos que os funcionários devem se comprometer com as metas e objetivos da empresa. A dificuldade é que 70% deles possuem outras fontes de renda e se dividem em atividades diversas, inclusive em outras academias próximas, colocando em cheque todo o investimento feito pela empresa no funcionário com o intuito de capacitá-lo para o mercado. Enquanto que a outra empresa em questão se beneficia desse treinamento sem a necessidade do investimento.

Sugerimos que fosse feito um código de normas e procedimentos internos e que esse fosse seguido à risca por todos. Ele seria explicado e minuciosamente discutido em reunião e após essas etapas, caso não haja dúvidas, cada um assinaria ao lado do seu nome impresso no mesmo código e ao final da última página concordando com as normas que passam a vigorar.

Identificamos a dificuldade da empresa em substituir professores que incorrem em absenteísmo. Mostrou-se improvável a substituição por outros professores devido a exercerem a mesma atividade em outras empresas, não podendo deixá-las para se apresentarem.

Sugerimos então a idéia de um quadro reserva de estagiários que seriam selecionados junto as universidades e participariam de capacitação visando desenvolver nos mesmos os atributos para que possam substituir os profissionais ausentes. O plano seria divulgado nas duas universidades próximas a academia sob o título de:

“Procuram-se Talentos.”

Durante dois meses a empresa selecionou cinco estagiários que se mostraram bastante interessados e disponíveis para o aprendizado prático e o serviço. Esses foram incentivados a se prepararem através de cursos de aperfeiçoamento e a prática na própria sala de aula da academia. O valor investido nesses cursos eles devolverão em forma de hora/aula e os melhores substituirão outros professores em caso de férias ampliando assim suas chances de efetivação.

Percebemos que a migração do público acima dos 50 anos para as academias é uma conquista relevante. Identificamos essa fatia de mercado como o último patamar a ser conquistado, pois a nova geração já nasce dentro das academias, e, apesar do “entra e sai”, permanece em atividade por quase toda a idade adulta. A idéia de saúde física e mental está se multiplicando pelas praças, que agora são em maior número que a duas décadas. Com verdadeiras multidões realizando suas caminhadas matinais e os políticos atrás desses votos tentam multiplicar esses espaços e melhorar as condições para essa prática.

É fato que a população está envelhecendo e com a perda de massa muscular, devido à diminuição na produção de hormônios, o enfraquecimento do corpo como um todo exige um trabalho permanente de resistência e tonificação para que sejam amenizados os sintomas da velhice sobre o nosso corpo. Pense num homem de 80 anos. Que força terá que fazer para se levantar de sua cadeira de balanço? Provavelmente ficará exausto. Ao ponto que com o passar dos anos precisará de ajuda de terceiros para isso.

Essa situação só acontecerá se não houver preparo para a velhice. Temos como exemplo Maria José Nunes, aluna de hidroginástica com idade superior a 80 anos. Esta caminha três quilômetros todos os dias e participa ativamente de três sessões de hidroginástica por semana. É aluna há dez anos. Agora se encontra em melhor forma física do que quando começou, e isso não é uma exceção, esse público acima de 50 anos já é superior a 20% do total de alunos matriculados na academia Hábeas Corpus.

Ao identificar essa lucrativa fatia de mercado, notamos que esse público se mostrava mais exigente. E que era mais assíduo e menos sujeito a variações financeiras, o que afasta boa parte dos alunos por períodos às vezes longos por se tratar de uma atividade considerada por muitos como supérflua. Metódicos, com a vida toda programada em horários e avessos a atrasos e deslizes por parte do prestador de serviços esse novo aluno nos obriga a realizar mudanças nos horários de limpeza, pois quando chegam não querem ver ninguém limpando, querem encontrar limpo. Barras de apoio têm de ser colocadas nas escadas e corredores, e tapetes antiderrapante nos banheiros.

Teremos então de adequar a empresa aos novos padrões desse público. Exigir pontualidade dos professores e fisioterapeutas e solicitar maior atenção, principalmente com os mais velhos. Muitas das vezes eles não têm com quem conversar, ou até têm, mas falta paciência para dar ouvidos a eles. Nós teríamos de ter tempo, paciência e entusiasmá-los com a atividade/lazer, pois assim os cativaríamos de vez. Além da hidroginástica e da musculação implantar uma turma de dança de salão para a terceira idade seria indicado.

Essa “tribo” é como as outras, se agrupam por similaridade e assim uma leva a outra e as duas como companhia se manterá por mais tempo em atividade. Fidelizar o cliente é o grande desafio das empresas, mais até do que trazer novos clientes.

A empresa identificou uma atividade que seria um mix entre fisioterapia e atividade física chamada “Pilates”. O método Pilates tem como base, os princípios criados por Joseph H. Pilates e associa a estes, os conceitos de Rolfing, Polestar, Feldenkrais, Power Yoga, Isso stretching, Fisioball, Gyrokinesis e outras técnicas de conscientização corporal e teorias de controle motor. Com a certeza de que os músculos devem ser fortes e flexíveis para se manterem bonitos e saudáveis, o Pilates através dos seus exercícios, fortalece os músculos fracos, alonga os músculos que estão encurtados e aumenta a mobilidade das articulações. Movimentos fluentes são feitos sem pressa e com muito controle para evitar estresse. O alinhamento postural é importante em cada exercício, ajudando na melhora da postura global do indivíduo. Assim, a força, a tonificação e o alongamento são trabalhados de dentro para fora do corpo, tornando-o forte, bonito, saudável, harmonioso e elegante.

“Qualquer pessoa, entre 10 e 100 anos e em todos os níveis de condicionamento físico pode praticar o Pilates.”

O Pilates tem 25 milhões de adeptos no mundo, enquanto que no Brasil apenas 10.000 pessoas praticam esse tipo de atividade. As mensalidades praticadas são 100% superiores as da musculação. E a equipe de trabalho seria remunerada com base no número de alunos atendidos por eles, na ordem de 40% para o profissional e 60% para a empresa. Isso seria registrado em contrato de aluguel de espaço, segundo orientação de um advogado trabalhista, sem ônus de férias, 13º salários, FGTS e outros.

Analisamos esses dados e constatamos uma boa oportunidade. Partimos então para a montagem de nosso plano de negócios.

Identificamos um espaço ocioso no 3º piso do prédio que funcionava como sótão. Nesse espaço estavam armazenados aparelhos aguardando manutenção, arquivos mortos e mais um monte de quinquilharias sem valor.

Através de um projeto orientado por um arquiteto levantamos os custos do projeto que variava em torno de R$ 85.000,00 com margem de erro de 10%.

Ao invés de oferecer apenas uma sala de Pilates, o que por si só já seria uma evolução, resolvemos ampliar o conceito e criar o “Espaço Zen Hábeas Corpus”, onde poderíamos oferecer além do Pilates, RPG, Massoterapia, Drenagem Linfática, Acupuntura, Aromaterapia, Fisioterapias Estéticas e o que mais agregar valor ao projeto em um ambiente muito agradável e seleto em estilo oriental.

O resultado superou as expectativas. Em quatro meses inauguramos o espaço com um coquetel onde estiveram presentes figuras de peso político da região e formadores de opinião, alem de todos os funcionários e alunos interessados nas atividades.

A empresa contratou uma modelo e atriz da rede globo, Luciana Pacheco, para as fotos do catálogo agregando maior valor ao serviço oferecido.

Não demoraram os elogios e há fila de espera para horários de atendimento, já que são feitos apenas com hora marcada. O Pilates, juntamente com o “Espaço Zen”, se mostrou um ótimo investimento, agregando valor ao negócio.

O desafio da retenção de clientes é algo que deve ser buscado sempre. Atualmente, segundo pesquisa da Body System’s (franqueadora de atividades físicas para academias) gasta-se cinco vezes mais para trazer um novo cliente a se matricular do que em manter o seu para que não saia ou mude de academia. Tentando fidelizar os clientes e confirmar essa tendência de envelhecimento interno oferecer descontos progressivos aos familiares, e com isso conseguir famílias inteiras freqüentando assiduamente as instalações é algo recomendável.

A implantação de eventos internamente, será um fator de integração e formação de amizades e relacionamentos, o que, em muitos dos casos, serve de trampolim para conseguir reter o cliente (aluno) por mais tempo. Algo como: os aniversariantes do mês, festas juninas, primavera, das mães, dos pais, namorados e outras.

Campanhas de apoio a instituições filantrópicas, como: recolhimento de roupas e alimentos ajuda a melhorar a imagem da empresa perante a sociedade. Além de elevar a auto estima do grupo envolvido com essa atividade. Já que estamos cuidando do corpo, que tal cuidarmos da alma?

Buscar parcerias com outras empresas da região é sempre uma boa idéia. Oferecendo descontos em horários de baixa freqüência, bem como espaço interno para propaganda, uniformes para funcionários padronizados e com a logomarca do suposto parceiro em segundo plano, bolsas integrais de mensalidades em troca de apoio publicitário e etc.

Identificamos um funcionário semi-analfabeto na empresa hábeas corpus, o que dificulta a relação dele com os outros funcionários da mesma. Aconselhamos ao gestor que determine um horário durante o expediente em que o funcionário, orientado por um professor (em horário ocioso) tenha aulas básicas de leitura e escrita, já que o mesmo se recusa a freqüentar uma escola.

Em conjunto poderá ser feito um programa de incentivo aos “bons funcionários” com premiações (nunca em dinheiro) Poderá ser um tênis de uma boa marca, pois o dinheiro ele gastará e em pouco tempo não mais se lembrará. Enquanto que, com o par de tênis, ele, a cada vez que usar olhará com orgulho a premiação. Esse programa de incentivo deve ser baseado em pontos: positivos e negativos. Por exemplo: o funcionário que se atrasar perderá um ponto, o que faltar perderá três pontos, o que cobrir a falta de outro ganhará três pontos, o que obtiver maior número de elogios em pesquisa interna ganhará mais tantos pontos, e por aí vai.

Os elogios deverão ser, sempre que possível feitos em público e os corretivos sempre em particular.

Investimento no treinamento dos funcionários deverá ser mais freqüente.

A inovação das atividades oferecidas pela academia também é um fator que pesa tanto para os alunos quanto para os funcionários. O desafio é um estímulo a mais.

A administração da empresa resolveu implantar um plano de aproximação dos clientes através de ações de relacionamento tendo como base a internet. Identificamos que na ficha de inscrição dos alunos havia espaço para o endereço de e-mail, mas esse não era usado para contato. Por ser uma comunicação eficiente e de baixo custo, desenvolvemos um “e-busines” visando esse contato de aproximação e informação sobre os acontecimentos e eventos relevantes no mundo do fitness.

Começamos por criar uma página de relacionamentos no orkut e enviar convites de participação para todos os endereços do cadastro. Criamos um blog onde foram postadas as fotos dos últimos eventos.

Desenvolvemos uma mala direta via e-mail com imagens da academia e informações dos nossos patrocínios, eventos e atividades.

Estamos implantando em nossa rede um sistema que inclua as avaliações físicas em nosso site que poderá ser acessado pelo aluno com seu número de matrícula e senha, para que acompanhe o resultado de seu empenho avaliado por fisioterapeutas como massa muscular e percentual de gordura, além de suas medidas.

8 – METODOLOGIA

A metodologia usada nesse trabalho foi a de levantamento de dados e históricos do fitness, pesquisa de caso, análise de dados mundiais, leitura dinâmica de entrevistas com consultores desse mesmo mercado e entrevista com gestores, clientes e funcionários.

9 – CONCLUSÃO

Após tantos dados, e análises, observamos que o setor ainda tem muito que evoluir; e que o mercado, mesmo que regulamentado, ainda está se adequando à sociedade, pois, a população é flutuante e não padronizada. No atual cenário corporativo, em que a sobrevivência das organizações é definida pelo seu desempenho e pela qualidade de seus gestores, a profissionalização dos empreendedores é fundamental para a evolução racional e sustentada do mercado de academias de ginástica. Balizadas por uma tendência de investimento em novas tecnologias, objetivando a excelência no atendimento e o conforto para a prática da atividade física regular, as academias devem buscar se adaptarem ao exercício da ética concorrêncial, que será benéfica para todos.

Em nosso trabalho identificamos falhas no processo de comercialização serviço e relacionamento com a equipe e seus clientes; devidamente discutidos e solucionados através de ações objetivas que se mostraram eficazes em seus resultados, aumentando o comprometimento dos profissionais com a empresa e diminuindo o absenteísmo.

No caso dos clientes, a oferta de novas atividades, contribuiu para que ao invés de se desligarem os clientes migrassem para outras aulas, ou até para um trabalho personalizado com os “personais trainers”. Notamos também que quando o cliente se afasta da academia migrando para uma concorrente, temos grandes chances de resgatá-lo. o que diminui (Dimiunui o quê?) bastante quando ele volta a ser um sedentário.

A validade do nosso trabalho foi testada e aprovada no case Hábeas Corpus. Em busca da fidelização implantamos as ações sugeridas no trabalho e constatamos a diminuição do turn over (cliente) de 11% para 7% e a elevação do número de clientes ativos no período, tendo como referência que a academia considerada como a melhor do planeta trabalha com uma taxa de turn over em torno de 5%. Que é aonde desejamos chegar. Os funcionários se mostram mais participativos e o absenteísmo encontra-se quase que zerado. Com isso atingimos nosso objetivo de fidelizar o cliente interno, funcionário e externo, cliente.

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