Habilidades e Competência

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Metodologia

Este trabalho será desenvolvido através de pesquisa bibliográfica, e será exploratório e qualitativo dos eixos que norteiam as habilidades e competências do tutor na educação à distância.

I. INTRODUÇÃO

A Educação a Distância é uma modalidade de educação que vem assumindo cada vez mais uma posição de destaque no cenário educacional.

Não há dúvidas que o tutor é muito importante para a orientação e supervisão do processo de ensino-aprendizagem no ensino a distância. A tutoria visa à orientação acadêmica, acompanhamento pedagógico. Para isso, o tutor deve possuir um papel profissional com capacidades, habilidades e competências inerentes à função. Precisa expressar uma atitude de excelente receptividade diante do aluno e assegurar um clima motivacional.

Em virtude da compreensão da atuação do professor/tutor, presente em todas as etapas nos cursos de EAD (planejamento, desenvolvimento e avaliação), novas competências são atribuídas ao tutor, não apenas no tocante às competências tecnológicas, mas em todas as esferas do processo educacional em que atua.

Partindo desses pressupostos, as competências necessárias à tutoria em EAD correspondem às ações que possibilitarão o desenvolvimento do cursista e do curso. Assim, o tutor deve ter competências gerenciais (planejamento, comunicação, organização do curso), tecnológicas (saber lidar com mídias e diversos tipos de tecnologias), pedagógicas (ação fundamentada em teorias e práticas educacionais) e de conteúdo (ter conhecimentos aprofundados sobre o tema em foco).

Espera-se que o tutor, além de possuir domínio da política educativa da instituição onde está inserido e conhecimento atualizado das disciplinas sobre sua responsabilidade, exerça uma sedução pedagógica adequada no processo educativo.

II. APRESENTANDO CONCEITOS

EaD

A Educação a distância é tão complexa quanto o ensino presencial e para que ela tenha qualidade precisa ser organizada desde a sua proposta até a sua prática. Ao propor que um curso nesta modalidade, é preciso pensar em será sua estrutura, recursos humanos, preparação e distribuição do material didático, organização do plano de ensino e das aulas, organização administrativa e de responsabilidades.

A estrutura envolve todos os recursos materiais e de espaço, necessários e adequados para apoiar a proposta do curso. Trata-se de recursos como pólos para os estudantes com acesso a Internet e tutores presenciais, bibliotecas, salas/auditórios para os encontros presenciais ou equipamentos para o uso de videoconferência, entre outros. Através do item recursos humanos é preciso delinear quem serão os participantes, suas funções no curso e responsabilidades. Isto envolve coordenadores do curso, pessoal para atendimento aos alunos, equipe técnica e administrativa, professores e tutores. (artigo citado por Konrath, Mary Lúcia Pedroso; Tarouco, Liane Margarida R.; Behar, Patrícia Alejandra, s/pg.)

A preparação e distribuição do material didático e a construção dos planos de ensino e de aula, são de extrema importância porque devem estar de acordo com os princípios pedagógicos e técnicos do curso. Além disso, devem ser pensados em conjunto com a estrutura e perfil dos recursos humanos que farão parte desta arquitetura pedagógica. Por isso, que a equipe de profissionais envolvidas neste processo precisa ter clareza dos princípios pedagógicos, objetivos do curso, perfil dos atores envolvidos e suas especificidades, assim como conhecer como um todo, a proposta e seus relacionamentos. (artigo citado por Konrath, Mary Lúcia Pedroso; Tarouco, Liane Margarida R.; Behar, Patrícia Alejandra, s/pg.)

É preciso pensar sempre que todos os aspectos mencionados estão interligados e que devem estar de acordo, para que o curso possa ter coesão e qualidade. O aprendizado planejado, mencionado por Moore e Kearsley (2007), pressupõe o seu caráter intencional no qual professor, tutor e aluno assumem outros papéis. A partir desta concepção, o professor e o tutor auxiliam e criam deliberadamente meios para ajudar o aluno aprender, enquanto o aluno precisa se propor deliberadamente a aprender. Na prática de ensino-aprendizagem pensada a partir da mediação pedagógica, professor e tutor ficam responsáveis pela mediação pedagógica. Assim tem entre suas funções: organizar os materiais no ambiente virtual de aprendizagem, orientar os alunos, responder as dúvidas operacionais e sobre o conteúdo, comentar as produções e interagir nas ferramentas de discussão, acompanhar e avaliar os alunos.

O aluno entra neste cenário como alguém que precisa também ter comprometimento, disciplina e organização do seu tempo e espaço de trabalho para que tenha êxito em seu aprendizado. (artigo citado por Konrath, Mary Lúcia Pedroso; Tarouco, Liane Margarida R.; Behar, Patrícia Alejandra, s/pg.)

O Tutor

A ligação aluno-professor ainda é, no imaginário pedagógico, uma dominante, o que torna a tutoria um ponto-chave em um sistema de ensino a distância (Maia, 1998, apud Niskier, 1999:391).

A tutoria como método nasceu no século XV na universidade, onde foi usada como orientação de caráter religioso aos estudantes, com o objetivo de infundir a fé e a conduta moral. Posteriormente, no século XX, o tutor assumiu o papel de orientador e acompanhante dos trabalhos acadêmicos, e é com este mesmo sentido que incorporou aos atuais programas de educação à distância (Sá, 1998).

A idéia de guia é a que aparece com maior força na definição da tarefa do tutor. Podemos definir tutor como o “guia, protetor ou defensor de alguém em qualquer aspecto”, enquanto o professor é alguém que “ensina qualquer coisa” (Litwin, 2001:93). A palavra professor procede da palavra “professore”, que significa “aquele que ensina ou professa um saber” (Alves; Nova, 2003).

Na perspectiva tradicional da educação à distância, era comum sustentar a idéia de que o tutor dirigia, orientava, apoiava a aprendizagem dos alunos, mas não ensinava. Assumiu-se a noção de que eram os materiais que ensinavam e o lugar do tutor passou a ser o de um “acompanhante” funcional para o sistema. O lugar do ensino assim definido ficava a cargo dos materiais, “pacotes” auto-suficientes seqüenciados e pautados, que finalizava com uma avaliação semelhante em sua concepção de ensino (Litwin, 2001).

Pensava-se desta forma quando “ensinar” era sinônimo de transmitir informações, ou de estimular o aparecimento de determinadas condutas. Nesse contexto, a tarefa do tutor consistia em assegurar o cumprimento dos objetivos, servindo de apoio ao programa (Litwin, 2001).

Habilidades e Competências

Ser competente significa ter condições de julgar, avaliar e ponderar para solucionar problemas ou decidir entre opções. O sujeito precisa ter conhecimentos que o permitam resolver ou enfrentar com sucesso uma determinada situação, desta forma é preciso que o mesmo utilize-se de seus conhecimentos ou saiba como buscá-los para utilizá-los em momentos que estes sejam necessários. A competência implica que o sujeito aplique novos conhecimentos as estruturas dos conhecimentos já concebidos criando novas estruturas que facilitem a solução por ele de novos desafios. Ela é o conjunto de atitudes, aptidões, capacidades, habilidades e conhecimentos que habilitam o sujeito para vários desempenhos da vida. As competências pressupõem operações mentais, ou seja, capacidades para usar as habilidades adequadas à realização de tarefas e conhecimentos. Logo, entende-se nesta abordagem que, para ser competente é preciso saber-conhecer, saber-fazer, saber-conviver e saber-ser.

As habilidades devem ser desenvolvidas na busca de competências. São definidas como capacidade relacionada ao saber-fazer de forma física ou mental determinada atividade. Autores como Moretto (2002) exemplificam habilidades como identificar variáveis, compreender fenômenos, relacionar informações, analisar situações-problema, sintetizar, julgar, correlacionar e manipular. (artigo citado por Konrath, Mary Lúcia Pedroso; Tarouco, Liane Margarida R.; Behar, Patrícia Alejandra)

De acordo com Fleury e Fleury (2001):

“A competência é um saber agir de forma responsável e reconhecida, que implicará a mobilização, integração e transferência de conhecimentos, recursos e habilidades que agrega, valor econômico à organização e valor social ao indivíduo”.

Segundo Le Boterf (2003),

“A competência é uma ação ou um conjunto de ações finalizado sobre uma utilidade e sobre uma finalidade que tem um sentido para o profissional”.

A importância das competências do Tutor na EAD

Como definição de competências do tutor, diz Pedro Demo (1998):

“Que o professor em EAD deve agregar ao perfil exigências como saber lidar com materiais didáticos produzidos com meios eletrônicos, trabalhar com ambientes diferentes daqueles formais da escola ou universidade, acompanha ritmos pessoais e conviver com sistemas diversificadas de avaliação.

O tutor deve trabalhar com competências de comunicação interpessoal que pode ou não ser midiatizado pelo uso de suportes informatizados, apresentar seus saberes e experiências traduzidos de forma que os outros possam entendê-los e tirar proveito deles. Ele pode ajudar aos alunos a compreender o conteúdo, ajudá-los a desenvolver e aplicar processos de aprendizagem com eficiência e servir de ligação entre os alunos e a administração.

De acordo com Belloni (2001) há quatro dimensões de competências:

A pedagógica: a capacidade de o tutor interagir com o material didático; utilização de estratégias de orientação, acompanhamento e avaliação; demonstração de rapidez, clareza e correção nas respostas às perguntas e mensagens enviadas e estabelecer regras para o trabalho a ser desenvolvido.
A tecnológica: disposição para inovação educacional, adequação das tecnologias e do material didático do curso e domínio das ferramentas tecnológicas.
A didática: conhecimento do conteúdo do curso; capacidade de realizar intervenções didáticas; utilização de estratégias didáticas adequadas à diferenças culturais; proposição e supervisão de atividades práticas.
A pessoal: habilidades para interagir com os alunos de forma não presencial; habilidades para manter relações menos hierarquizadas do que na educação presencial; disposição para estimular a autonomia e a emancipação do aluno; competência para a conversação racionalmente comunicativa.

A importância das habilidades do Tutor na EAD

Os tutores têm que ter a habilidade de entendimento no uso do software, no teclado, capacidade razoável de leitura na tela e acesso bom a internet.
Ser respeitável na comunicação online (escrita), e capacidade de usar o tempo de forma apropriada.
Interagir através de e-mail em reuniões online e interação entre alunos.
Capacidade de resolver problemas online e resolver conflitos de forma construtiva.

III. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A partir do uso das novas tecnologias de informação e comunicação houve a necessidade de lidar de outra forma com a informação, aprender não pode ser mais encarado como sinônimo de memorizar, guardar conteúdos, transmitir e obter conhecimento. Para que precisamos decorar se temos recursos potentes e de acesso facilitado que nos permitem acessar informações a qualquer momento e de qualquer lugar via Internet. Diante disto, se faz necessário que professores reflitam sobre a necessidade de assumir uma nova postura e entender que o processo de ensino-aprendizagem precisa evoluir juntamente com os recursos que temos a nossa disposição.

Partindo desses pressupostos, as competências e habilidades necessárias à tutoria em Educação a Distância, correspondem às ações que possibilitarão o desenvolvimento do cursista e do curso. Assim o tutor deve ter competências gerenciais, tecnológicas e pedagógicas.

Entende-se que a responsabilidade, a formação continuada e o desempenho do tutor, são ingredientes essenciais para o profissional exercer uma orientação e uma supervisão adequada no processo educativo.

IV. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LITTO, Fredic M. “ Mapeando o Impacto da EAD na cultura do Ensino Aprendizagem” – em http//www.abed.org.br/congresso2008 – s/ pg. acessado dia 28/04/09

GUTTIERREZ e PIETRO (1994) “Competências e Habilidades do Tutor” – em http// www.moodle.ufba.br/mod/book/view – s/ pg. acessado dia 28/04/09

SOUZA, Carlos Alberto; SPANHOL, Fernando José; LIMAS, Fernanda Cristina de Oliveira; CASSOL, Marlei Pereira. “Tutoria em Educação a Distância” – em http//www.abed.org.br/congresso2004/por/htm – s/pg. acessado dia 28/04/09

PERRENOUD, Philippe . As competências para ensinar no século XXI: a formação dos professores e o desafio da avaliação; trad. Claudia Shilling e Fátima Murad. – Porto Alegre: Artmed Editora, 2002.

GONZALEZ, Mathias. “A arte da Sedução Pedagógica na Tutoria em Educação a Distância“ – em http//www.artigonal.com/…artigos/a-arte-da-seducao-pedagogica-na-tutoria-em-educacao-a-distancia-348606.html – s/pg. acessado dia 29/04/09

Commonwealth of Learning. “Tutoria em EAD – Um Manual para Tutores” – em http//www.scribd.com/doc/10553920/Tutoria-Ead –s/pg. acessado dia 29/04/09

GONZALEZ, Mathias. Fundamentos da tutoria em Educação a Distância. São Paulo: Editora Avercamp, 2005.

ALVES, L. NOVA C. (org.) Educação à distância: uma nova concepção e aprendizado e interatividade. São Paulo: Futura, 2003.

FERREIRA; S.L.; LOBO, V. I. T. “O tutor na educação à distância: que sujeito é esse. In: SERIE PROGED. Salvador, ISP/UFBA, p. 1-12, 2005.

KONRATH, Mary Lúcia Pedroso; TAROUCO, Liane Margarida R.; BEHAR, Patrícia Alejandra. “Competências: desafios para alunos tutores e professores na EAD”. – em http//www.cinted.ufrgs.br/renote/jul2009/artigos/3a_mary.pdf – acessado dia 16/11/2009

Democracia Eletrônica

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A relação entre democracia e as novas tecnologias digitais em geral é apresentada de maneira semelhante às máquinas “plug and play” (conecte e use), de forma que, ao se fornecer aos cidadãos um determinado equipamento de caráter descentralizado, sem constrangimentos de natureza comportamental, expressiva, ideológica ou espaço-temporal, automaticamente se daria uma revolução social em termos de busca do bem comum, pois, uma vez conectados, os indivíduos estariam prontos a se despir do egoísmo e exercitar suas virtudes, compartilhar, conversar pacificamente.

Nesse contexto, toma-se a tarefa de refletir sobre algumas das implicações geradas pelas novas tecnologias de comunicação na arena política. É necessário examinar as relações entre o advento das novas tecnologias de comunicação, prioritariamente a Internet, e o estabelecimento de novas configurações do jogo político, e levando em consideração a fusão do mass media de fornecer à esfera civil a informação necessária para se compreender a realidade política de cada sociedade.

O trabalho tem como objetivo examinar as diferentes dimensões da democracia digital. De acordo com os diferentes aspectos, a Internet tem a capacidade de fortalecer a democracia por facilitar o acesso à informação independentemente de posição social permitindo a interação entre cidadãos, ainda que dispersos geograficamente.

MELLO BRANDAO, Gilvaneide de (2006), Virtual Democracy – Dimensions of the Virtual Politics (Work of Conclusion of Course), Maceió: DECOS/UFAL.

Person who orientates: Prof. Dr. Ruy Matos e Ferreira.


SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO
2. TEORIA DEMOCRÁTICA
2.1 Cenário antigo e moderno da democracia
2.2 Dificuldades no funcionamento da democracia
2.3 Os modelos de democracia
2.4 Esfera pública
3. NATUREZA DAS REDES TELEMÁTICAS
3.1 Relação entre mass media e democracia
3.2 Da exclusão digital
3.3 A Internet como meio de comunicação
4. A INTERNET COMO AMBIENTE POLÍTICO
4.1 A teledemocracia e as distintas visões de democracia digital
4.2 Governo eletrônico
4.3 Voto eletrônico
4.4 Esfera pública virtual
5. CONSIDERAÇÃO FINAIS
BIBLIOGRAFIA


1. INTRODUÇÃO

Não são poucas as afirmações que dão como certas uma revitalização da democracia e de suas instituições com o advento das novas tecnologias de comunicação e informação, mais destacadamente a Internet.

Dentre as teses mais populares, estão desde as não suficientemente investigadas, como a de que o Estado se tornaria mais próximo do cidadão (por oferecer serviços e ganhar transparência) (Ferguson, 2002), até as que geram maior polêmica, por sustentarem que, com a Internet, seria enfraquecido decisivamente o caráter oligopólico da comunicação massiva, no qual se protegem os grandes conglomerados de informação e entretenimento (Moraes, 2001).

Não se pode negar, contudo, a força de uma nova perspectiva com relação à tecnologia de comunicação expressa em manifestações mais triunfalistas (Palacios, 2001). Se as bases teóricas tradicionais do campo mediático percebiam a comunicação de massa como caracterizada por uma estrutura vertical entre emissor e receptor, onde alguns poucos manipuladores disseminariam conteúdos de relevância duvidosa, interesses de grandes corporações e do “imperialismo cultural”, ganha força, contemporaneamente, o que Dominique Wolton (2001) define como “ideologia da técnica”.

A sedução pela “ideologia da técnica” exalta as inovações de última geração, a corrida pela rapidez dos processadores, a avidez pela imensidão informacional e a necessidade de estar todo o tempo conectado. Mas pouco negociaria ou daria atenção às estruturas sociais e culturais, mais lentas em sua evolução exatamente por serem mais complexas e contarem com o fator humano, em vez de máquina.

Assim, será preciso investigar se a idéia de que a democracia funciona de maneira semelhante às máquinas “plug and play” (conecte e use), de forma que, ao se fornecer aos cidadãos um determinado equipamento de caráter descentralizado, sem constrangimentos de natureza comportamental, expressiva, ideológica ou espaço-temporal, automaticamente se daria uma revolução social em termos de busca do bem comum, pois, uma vez conectados, os indivíduos estariam prontos a se despir do egoísmo e exercitar suas virtudes, compartilhar, conversar pacificamente .

Não se descarta toda a gama de possibilidades abertas por este novo sistema de comunicação, mais plural, dinâmico, ágil, que favorece o oferecimento dos vários pontos de vista.

Entretanto, como defende Daniel Bougnoux, “nossas relações técnicas estão necessariamente engestadas em relações pragmáticas que as precedem e as dirigem. Se está de acordo, hoje, ao dizer que se a ferramenta autoriza, ela raramente determina”. (1999, p. 107)

Em outros termos, torna-se mister verificar as características relativas à apreensão sócio-cultural de tais aparatos tecnológicos que permeiam a atualidade, para, posteriormente, examinar sua eficácia e maneiras de inserção no jogo político. Em suma, nem tudo o que se observou e investigou sobre o tema “democracia” deve ser reconsiderado a partir do “espaço de fluxos” como dizia Manuel Castells (1999).

Ressalte-se também de que não há, com o advento das redes telemáticas, rupturas completas com as formas políticas e institucionais já estabelecidas. Na verdade, estas tecnologias se inserem como um fator que complexifica o entendimento da forma democrática de governo e os posicionamentos dos diversos atores do campo político por oferecer perspectivas de modernização administrativa, possibilitar acesso fácil à informação, dar voz a opiniões antes suprimidas pelos grandes veículos de comunicação ou por governos autoritários, e, possibilitar uma relação direta dos atores políticos (institucionais ou não) com os cidadãos e dos cidadãos entre si, através da formação de grupos de debate e de ativismo político.

Nesse contexto, toma-se a tarefa de refletir sobre algumas das implicações geradas pelas novas tecnologias de comunicação na arena política. É necessário examinar as relações entre o advento das novas tecnologias de comunicação, prioritariamente a Internet, e o estabelecimento de novas configurações do jogo político, e levando em consideração a fusão do mass media de fornecer à esfera civil a informação necessária para se compreender a realidade política de cada sociedade democrática (temas processados na esfera pública e os agentes da decisão).

Pode-se propor, então, que as conseqüências das novas tecnologias de comunicação para o fazer político não são gerais, mas também não são tímidas o suficiente para ser encaradas como apenas peculiares.

Se os meios de comunicação de massa convencionais, como a televisão, o rádio e o jornal impresso, controlaram, sobretudo a partir da segunda metade do século XX, praticamente todo fluxo de informações necessárias ao bom funcionamento das sociedades democráticas, pode-se postular, com o advento da Internet, uma modificação, ainda que não seja total, na natureza das trocas de conteúdo cognitivo e de disposição entre os agentes deste sistema.

Em outras palavras, com a Internet torna-se possível aos agentes da esfera político-administrativa dirigir-se diretamente aos cidadãos (eleitores) por meio de conteúdos digitais próprios, complementando a circulação de seus informativos distribuídos através dos meios de comunicação convencionais, que nem sempre atingem o público desejado.

Isto é, abre-se uma possibilidade de que tais agentes não sejam compelidos, em todos os momentos, a se curvarem ou oferecer lisonja aos agentes e instituições da esfera da informação e do entretenimento, para que estes publiquem dada notícia, sob determinado enfoque. Apesar de ainda incipientes, podem ser apontados canais e instrumentos alternativos a serem empregados nas políticas de comunicação.

A Internet veio dinamizar esforços de intervenção dos movimentos sociais na cena pública, graças à singularidade de disponibilizar, em qualquer espaço-tempo, variando atividades e expressões de vida, sem submetê-la a hierarquias de juízos e idiossincrasias. Com a migração para a Web, as entidades aderem à comunicação em tempo real, sem centros fixos de enunciação. Esses modelos alternativos de expressão, apoiado em processos interativos, contribui para reduzir a dependência aos meios tradicionais, com a sua crônica desconfiança dos movimentos comunitários. O mosaico comunicacional da Web reforça, assim, os campos de resistência à concentração da mídia, permitindo que idéias humanistas se exprimam no perímetro do espaço político.

A compreensão e a força pragmática do paradigma de rede – e a mudança implícita que provoca nas relações de poder e representação – colocam o ponto de vista centralizado entre parênteses, obviamente, sem se esquecer de sua utilidade descritiva em determinados contextos. Adquirir o hábito de usar a comunicação para propósitos cívicos, democráticos e educacionais, por exemplo através da rede cívica metropolitana, pode ser a maneira mais efetiva de enfrentar o risco de surgimento de uma tecnocracia oligárquica telemática, e de aumentar a massa crítica capaz de usar o meio e de participar da produção de conteúdos e formas de linguagem específicas.

Nestes termos, a admissão de que democracia se torna necessariamente uma forma de governo com menos defeitos em virtude de uma maior quantidade de fluxos e de potenciais agentes em comunicação precisa ser investigada com cuidado, como aponta, com muita propriedade Pierre Lévy (1998).

2. TEORIA DEMOCRÁTICA

2.1 Cenário antigo e moderno da democracia

O século XX foi marcado pelo triunfo da forma democrática de governo. Depois de a história testemunhar regimes autoritários na Europa ocidental, que sucumbiram em boa parte ao término da Segunda Guerra Mundial; ditaduras latino-americanas, fracassadas sobretudo no plano econômico e social; e a queda do regime soviético, a democracia parece se firmar, atualmente, como o modo de governar que agrega a maior legitimação proveniente da esfera civil.

Este triunfo da democracia pode ser evidenciado nos discursos de líderes políticos ou de instituições que buscam associar às suas imagens públicas o adjetivo “democrático”: acontece, então, em muitos casos, um uso indiscriminado da palavra “democracia”, e seus derivados, o que a faz tornar-se um “imã semântico” (Ribeiro, 2001). A ex-União Soviética e os países que antes estavam sob sua influência, por exemplo, intitulavam-se “democracias populares”.

O fato é que a prática de governo arbitrário e que não possui o compromisso de prestar contas à sociedade parece ser uma idéia cada vez mais distante das realidades dos países ocidentais (Sader, 2001). Percebe-se, porém, que nem todos os países vivem sob este regime: o nacionalismo fervoroso, xenófobo ou o fanatismo religioso continuam servindo como justificativa para a manutenção de regimes onde um só ou apenas poucos governam, sem a anuência civil; há exemplos de países onde o voto não é estendido a toda população; onde a imprensa é capitaneada por escritórios do executivo central; aliás, onde os outros poderes (Judiciário e Legislativo), quando existem, estão encolhidos ou subsumidos (Dahl, 2001).

Segundo o mesmo autor, se a configuração moderna de democracia ainda é recente (aponta-se o século XVIII como seu início histórico), sua noção, porém, remonta a séculos (Dahl, 2001). Democracia vem do grego (demos, povo; kratein, governar) e foi exatamente na cidade-Estado de Atenas, pertencente ao mundo helênico, onde foi pela primeira vez praticada, por volta do século V a.C. (Ribeiro, 2001) observa que, desde sua origem na Antiguidade, a democracia não pressupõe um “governo pelo povo”, no qual este estaria no comando da administração estatal, por todo o tempo; o real significado é “governo do povo”, ou seja, onde o povo é a fonte do poder, tem a capacidade de autorizar o mando e de influenciar na execução de políticas públicas.

O poder deixa de ser exercido de dentro dos palácios (por tiranos, por exemplo), por quem governa sem o consentimento dos governados, e ganha visibilidade pública para avaliação e aprovação ou não dos considerados cidadãos.

Importante ressaltar, mesmo levando em consideração as correspondências históricas, que não faltam diferenças entre a democracia antiga e a contemporânea.

Enquanto na antiga Atenas o direito de participação era restrito aos “cidadãos” (homens livres, senhores de si), que podiam exercer a vontade da maioria diretamente, através de assembléias reunidas aproximadamente 40 vezes por ano, atualmente, nos países que adotam a democracia, existe a capacidade de se escolher, independentemente de condições econômicas ou grau de instrução educacional (o princípio da inclusão, isonomia, sem privilégio do sábio ou do tecnocrata), os representantes políticos.

Por preocupações particulares e fatores como complexificação social e administrativa, os cidadãos delegam, por determinado período de tempo, seus interesses a representantes que passam a coordenar as instituições políticas centrais (Dahl, 2001).

A origem da representatividade se encontra no Império Romano, onde, assim como em Atenas, o direito de participação política era concedido apenas aos homens livres, aos cidadãos. Todavia, com a expansão do Império para além das comunidades que cercavam Roma e o conseqüente aumento do número de cidadãos graças às localidades conquistadas, a participação destes concernidos provenientes de lugares distantes da sede do governo era dificultada justamente pelo fator espaço. Em outros termos, o sistema representativo ainda não havia sido instituído.

Justamente a partir desta dificuldade vem a idéia de que, para uma área extensa, onde fica impossibilitado o deslocamento e a participação de todos os civis nas diversas ocasiões políticas necessárias, o mais viável seria eleger representantes (Dahl, 2001). Isto quer dizer, na verdade, que o funcionamento razoável de uma democracia de grandes proporções, para além de uma comunidade ou cidade-estado (modelo este predominante no mundo Antigo), está comprometido a partir do momento em que não lançar mão do recurso da representatividade (o que não deixa de ser uma solução técnica), no instante em que não se dá voz a comunidades menos próximas ao comando central.

2.2 Dificuldades no funcionamento da democracia

A maior viabilidade em se adotar a democracia representativa em detrimento da democracia direta, porém, não é sem dificuldades. Desde há muito tempo alega-se a pouca legitimidade e a carência de participação popular no regime que, por princípio, deveria privilegiar a maioria (respeitando as minorias) e emanar de suas disposições.

Questiona-se, por exemplo, como pode ser justo um regime no qual o representante que propõe e estabelece leis em nome de determinado cidadão pode nem mesmo ter obtido o voto particular deste indivíduo, mas sim de outros eleitores (Dahl, 2001).

Pergunta-se, ainda, como avaliar comparativamente a opinião ou valor do voto de um cidadão qualificado, bem instruído e dedicado a pensar na coisa pública, com o voto ou opinião de um indivíduo que mal sabe ler e que possui pouco tempo, competência ou interesse para se dedicar a pensar no coletivo. São discussões fomentadas em grande medida pela filosofia política, conforme indicado por Ribeiro (2001).

É importante ressaltar que muitos dos ataques à forma democrática de governo estão intimamente ligados ao modelo de democracia representativa que, mesmo ao viabilizar uma das formas contemporâneas mais comuns da gestão governamental, trouxe desvantagens, como partidos políticos que dão preferência à disputa pelo poder, denunciando corrupções ou prejudicando de outros modos à trajetória de seus oponentes, pondo em segundo plano o debate de propostas importantes (Fallows, 1997); ao não prever um espaço institucional para a participação freqüente dos cidadãos, restringindo as manifestações deliberativas com poder de reunir toda a população a eleições ou plebiscitos; ao fazer com que os muitos dos concernidos acabem alienando sua participação a entidades corporativas, tendo como conseqüência a dúvida sobre se as reivindicações da esfera civil serão colocadas em pauta nos círculos institucionais previstos (Maia, 2002).

Porém, os que criticam a democracia não necessariamente parecem pregar a adoção de uma outra forma de governo, mas, sim, indicam eventuais falhas a serem corrigidas para que a democracia ganhe maior legitimidade.

A apatia dos cidadãos sobre os temas políticos também é um fato que depõe contra a idéia de que a democracia se configura enquanto uma forma de governo “menos ruim”, exatamente porque a democracia tem como meta dedicar maior atenção às disposições da esfera civil. Entretanto, deve-se observar este pouco interesse dos cidadãos no que se refere à coisa pública não como uma crítica à democracia em si, mas à cultura política intrínseca a cada sociedade, ou seja, à realidade onde determinado modelo de gestão política é aplicado (Dahl, 2001).

Já na década de 70, Richard Sennett (1989), diagnosticava o “declínio do homem público”. Haveria, de acordo Sennett, certo distanciamento dos cidadãos em relação aos temas de interesse coletivo, principalmente temas políticos, na direção de um processo de individualização crescente.

Causas diversas podem ser consideradas para esta indiferença dos cidadãos, que ocorre, mesmo nas sociedades com maior grau de instrução. Muito desta indiferença seria patrocinado pelos meios de comunicação de massa, segundo Neil Postman (1994), por preferir mencionar os perfis e peculiaridades de personagens políticos, em vez de debater e tornar a população esclarecida sobre os temas importantes em pauta; por propagarem uma onda consumista que tornaria o indivíduo cada vez mais objeto de seu narcisismo desenfreado.

Também Jurgen Habermas (1984), critica a ação dos meios de comunicação de massa por patrocinarem a própria rendição do campo político à noção de política espetáculo, que acabaria deteriorando a confiança nos homens públicos, preocupados com suas imagens e em evitar escândalos; e, ainda, por provocarem uma “mudança estrutural” no espaço simbólico da argumentação ao tratar sobretudo de temas frívolos.

Ao enumerar estas dificuldades, que são diagnosticadas em maior ou menor grau, a depender do especialista, pode-se perguntar se uma democracia funcionando perfeitamente, com os cidadãos participando, exercendo suas virtudes, através de instituições sempre idôneas e funcionando de maneira perfeita não seria mera ilusão.

2.3 Os modelos de democracia

Os debates contemporâneos em torno do tema democracia procuram especular sobre suas dificuldades e indicar saídas para seus problemas. De modo simplificado, a ciência política tende a agrupar dois modelos de democracia: os modelos procedimentalistas e os deliberacionistas. Segue-se uma breve caracterização de cada um.

Joseph Schumpeter é um dos precursores do procedimentalismo, através da sua concepção de “elitismo competitivo” (Miguel, 2002). Este teórico enfatiza, em sua única obra de cunho sociológico, “Capitalismo, Socialismo e Democracia”, as elites detentoras do poder político.

Schumpeter toma a democracia como um modo mais legítimo de escolher os líderes políticos ao mesmo tempo em que ela oferece limites para o exercício deste poder (prevenindo a tirania). Há, desta forma conforme Miguel:

Um rebaixamento do ideal democrático (…) a negação da possibilidade de qualquer forma substantiva de soberania popular. A participação do cidadão é reduzida ao mínimo, ao ato de votar, sendo exatamente o voto da sociedade o alvo das disputas (2002, p. 100).

Schumpeter é duramente criticado por defender uma visão mais “realista” de democracia, no sentido de associá-la preferencialmente a métodos do que à “soberania popular”, pois entende que o povo jamais teria condições de dirigir uma sociedade, porque nem todos os cidadãos saberiam o que desejam exatamente em termos políticos. A competição pelo voto, típica do procedimento minimalista, tem como conseqüência o abandono da busca da democracia enquanto um ideal. Amy Guttman (1995) critica o “pouco valor substantivo” da democracia compreendida por Schumpeter.

A perspectiva do elitismo ainda pode ser identificada nas formulações de Richard Dows (1999) sobre a democracia. Para o autor, os governos empregam a estrutura democrática para atingir seus interesses de manutenção do poder (Avritzer, 1996). Já o modelo deliberacionista, considerado uma nova versão da democracia participativa ou “strong democracy”, como propões Samuel Barber (1984), prefere valorizar o debate, a argumentação, o fortalecimento das instituições de governo e da participação dos cidadãos em geral. Em outras palavras, a deliberação política deve levar em conta a participação da esfera civil, composta por cidadãos livres e iguais, na formulação das decisões.

A marca instrumental da democracia que caracteriza o elitismo democrático perde espaço, neste modelo, para a compreensão de que deve haver uma produção coletiva das normas sociais (Miguel, 2001). A democracia deliberativa apresenta também diferenças em relação à democracia representativa porque considera que o ideal no exercício do poder político não está ligado prioritariamente à legitimidade do processo decisório ou ao resultado eleitoral, mas sobretudo ao debate público entre cidadãos livres e postos em condições iguais de participação. Pela natureza desta concepção, deve-se esclarecer que sociedade civil e esfera pública são dois conceitos essenciais para a democracia deliberativa.

Nos últimos tempos, esta concepção de democracia deliberativa vem ganhando maior destaque. Podem ser citados como adeptos desta vertente Jurgen Habermas, Amy Guttman, John Drysek e Joshua Cohen.

De acordo com Habermas (1995), no modelo denominado “democracia liberal”, os fenômenos ligados à política sempre carregariam boa parte de estratégias de ganhos e perdas, busca pela satisfação de interesses, pela barganha, pela quantidade de votos, pelo número de projetos aprovados nas casas parlamentares, pelas alianças entre partidos, enfim, pelo êxito obtido no campo político sem necessariamente buscar o entendimento ou o convencimento dos que são contra determinada proposta. Isto quer dizer que as elites políticas buscariam sempre a maximização de seus lucros, contemplando a política como meramente instrumental.

Já em sua forma de entender o fazer político, a democracia deliberativa considera os cidadãos capazes de formar determinados juízos sobre temas políticos, interessando-se pelos processos que dão origem a estes juízos e às formas como as decisões são tomadas.

A democracia deliberativa, então, afasta-se do modelo republicano porque leva em consideração que nem todas as opiniões são formadas exclusivamente pelo diálogo. Isso quer dizer que não há expectativa tão grande em relação à pureza moral dos sujeitos (Gimmler, 2001); os cidadãos não precisam estar o tempo todo mobilizados, exercendo suas virtudes e demonstrando seu esforço para o entendimento completo dos temas coletivos.

Entretanto, eles precisam, sim, estar preparados para exigirem transparência e implantação de projetos de interesse do bem comum por parte de seus representantes. As instituições públicas devem prestar contas de seus atos e as questões coletivas estarem sempre valorizadas (Habermas, 1995). Em suma, a democracia deliberativa em Habermas rompe com uma lógica que parte dos interesses individuais e também não pressupõe uma participação popular tão forte, como no modelo republicano.

Assim, a democracia de cunho deliberacionista ressalta a idéia fundamental ligada ao conceito de esfera pública que é a participação da esfera civil na produção da decisão política.

Em outras palavras, a esfera pública, uma das bases para o estabelecimento de um modelo de democracia participativa (origem do deliberacionismo), supõe a participação da esfera civil na decisão sobre os negócios públicos, não apenas através da concretização de suas disposições (o momento do voto), mas também a partir de procedimentos como uma boa carga de informação e diálogo entre as posições concorrentes para que se chegue a um consenso justo (Gomes, 1999).

2.4 Esfera pública

O surgimento da noção de esfera pública, onde os grandes temas da conjuntura social são debatidos de forma contraditória, veio preencher uma lacuna na compreensão da teoria democrática moderna. A busca pela transparência na gerência do Estado, desde o Iluminismo, é regra, condição necessária (mesmo não sendo suficiente) ao estabelecimento de um regime democrático.

Se cada vez mais, os dirigentes do Estado precisam justificar suas atitudes, é justamente na esfera pública onde estas atitudes são expostas, avaliadas e legitimadas. A configuração de um espaço destinado à argumentação livre e pública vai de encontro ao que ainda persiste em determinadas sociedades de governo despótico, onde a autoridade concebe suas realizações sem negociar ou submeter à revisão os projetos que implanta. De modo complementar, a idéia de público remete à idéia de democracia e participação dos cidadãos nos negócios de determinada comunidade.

Mesmo que ausente dos dicionários sobre política e democracia, como se percebe em Norberto Bobbio (2000), a categoria esfera pública, recente em termos de teoria social, vem se configurando como central para o entendimento da forma democrática de governo, ainda que sob o nome de “debate público”, “espaço público” ou “mediação discursiva entre o Estado e a sociedade”.

O “princípio da publicidade” ou “publicidade” em si teria as funções simultâneas de adicionar caráter público aos temas relativos à administração estatal (no sentido de fortalecer o interesse comum), e de fazer visível (dar publicidade) os temas e decisões, já que os governos absolutistas mantinham o monopólio da decisão política. O “princípio da publicidade” foi defendido pela insurgente burguesia comercial que se opunha aos monarcas e cortes da Europa que promoviam seus interesses privados utilizando-se do Estado.

Estaria formando, nestes termos, o cenário contraditório que culminou com a realização pública do debate, isto é, a formação da esfera pública: a classe que ganha força economicamente (graças ao capitalismo mercantil) não pode ditar os rumos e políticas de que carece por falta de poder, esta classe busca então garantir legitimação social compreendendo um espaço simbólico de argumentação não pertencente à tutela estatal e não afetado pela ingerência da vida privada. É por este motivo que se pode afirmar ser a esfera pública uma instância cujo processo de constituição se deu paralelamente ao surgimento do Estado-Nação (Costa, 2002).

A definição de esfera pública ainda hoje gera polêmicas para os especialistas no assunto. O fato é que a referência a esta categoria mudou ao longo da história, apesar de determinados estudiosos insistirem em seu caráter normativo, enquanto outros preferem se ater a uma compreensão alargada em excesso desta categoria.

A mudança estrutural da esfera pública, para Habermas (1984), estaria ainda intimamente ligada à modificação ocorrida no papel da imprensa e da comunicação, fenômeno característico do século XX. Os mas media teriam tornado os indivíduos atomizados e tolhido suas individualidades na medida em que passaram a favorecer a difusão de temas frívolos e de caráter meramente consumista.

Para deteriorar ainda mais o quadro, Habermas alega que, com o advento dos meios de comunicação eletrônicos (rádio e televisão principalmente), marcados pela verticalidade entre emissores e receptores, a replicabilidade, o diálogo, a interação, estariam comprometidos. Isto é, a mudança estrutural da esfera pública acontece, também, graças às diferentes condições de mediação, a partir do momento em que a palavra pura passa a ser influenciada pelo som e pela imagem, o que alteraria sobremaneira as condições da visibilidade política e da qualidade discursiva.

James Keane (1996) propõe a existência de três instâncias fundamentais e complementares de esferas públicas: (1) as micro esferas públicas, que mantém certa identificação com os primórdios da esfera pública do século XVIII tratada por Habermas, ligadas a conversações locais; (2) as médio esferas públicas, já combinadas com os meios de comunicação, em nível regional ou nacional, que permitem a superação da distância e do tempo enquanto fator de dificuldade para o estabelecimento de uma pauta comum de assuntos, fornecendo visibilidade e discussão a assuntos de interesse de milhões de cidadãos; (3) as macro esferas públicas, que, além de fazerem parte do quotidiano de centenas de milhões de cidadãos, seriam caracterizadas pelo desenvolvimento das telecomunicações e concentração dos meios de comunicação de massa nas mãos de poucos grupos de interesse.

Bernard Miège (1995) ainda fornece uma reflexão importante, alegando que a complexidade das sociedades modernas conduziu a um aumento (evolução) das competências do espaço público, ou seja, o espaço público não mais pode se limitar a temas exclusivos de natureza política.

A proposta de Wilson Gomes (1999) de classificação das tendências teóricas no trato com a esfera pública identifica quatro posições: os que caracterizam a cena pública das sociedades atuais como inconciliável com a conformação de uma esfera pública argumentativa; um grupo que também não admite a existência de uma esfera pública contemporânea, mas não porque ela se desestruturou ou perdeu consistência, mas porque tal categoria não funciona como um operador teórico válido, ou seja, a argumentação não existiria, apenas o espetáculo que se desenrola na cobertura mediática.

Na terceira categoria há reflexões que apostam na idéia de que existe sim uma esfera pública, mas que a argumentação racional e centrada não é seu forte, dando importância também aos conteúdos proferidos na esfera de visibilidade pública; E o quarto grupo, além de considerar a existência da esfera pública, toma-a contemporaneamente como um espaço argumentativo por excelência, ou seja: a parte do jogo político que não se submete à sabatina pública não pode constar entre os requisitos para se diagnosticar a existência de uma esfera pública.

Ou seja, independentemente dos alargamentos, das diferenças entre compreensões, as modificações da esfera pública de acordo com o contexto sócio-histórico afetam de modo sem igual a configuração da forma democrática de governo (Gomes, 1999). Neste sentido, grande parte dos pensadores admitem a importância deste conceito para a compreensão do caráter político-democrático das sociedades modernas.

3. NATUREZA DAS REDES TELEMÁTICAS

3.1 Relação entre mass media e democracia

Cada conquista tecnológica no campo da comunicação atiça reflexões sobre as dimensões políticas das sociedades, se seriam renovadas ou não. Foi assim com o advento do telégrafo, do rádio e, sobretudo, da televisão. À parte as considerações sobre o grau de modificações experimentadas a cada advento, o fato é que não se pode negar a influência destas evoluções de técnicas mediáticas no jogo político. Por exemplo, os eventos contemporâneos relativos à política, quando comparados aos eventos das sociedades tradicionais, se dão de modo diferentes, no sentido de organização, produção de conteúdo, modalidades de emissão e recepção (Thompson, 1998).

Em outras palavras, após o advento da imprensa, e mais acentuadamente com o surgimento dos meios audiovisuais, as condições de visibilidade política sofreram alterações. Isto significa que, se até o século XVIII, os cidadãos tinham condições de perceber seus administradores políticos, sobretudo a partir de uma relação de certa proximidade física, com o advento do rádio e da televisão personalidades passaram a fazer parte da realidade quotidiana de cada cidadão em contato com a informação mediada massivamente (Thompson, 1998).

Importante salientar que as mudanças na estruturação política das sociedades promovidas desde a Era Moderna não ocorreram apenas no plano técnico da comunicação. Elas foram fruto de transformações institucionais e administrativas que se aprofundaram sobretudo na Europa a partir do século XV, como a incipiente interligação dos processos econômicos e ajuntamento dos principados em Estados soberanos, acontecimentos que inclusive tiveram antes do convívio efetivo com a reprodutibilidade permitida pelas máquinas de comunicar.

Com o advento da noção moderna de democracia de massas houve uma outra mudança no que se refere aos atores políticos institucionais e á sua relação com a esfera que deixou de ser dos plebeus (por definição desprovidos de quota de poder) para ser dos cidadãos. A representatividade política, artifício criado para viabilizar a administração democrática de áreas territoriais extensas e a participação dos civis, vem evidenciar que o funcionamento razoável de uma democracia de grandes proporções, para além de uma comunidade ou cidade-estado, está comprometido a partir do momento em que não lançar mão do recurso da representatividade, no instante em que não se dá voz a comunidades menos próximas ao comando central (Dahl, 2001).

Deste modo, a esfera civil não foi prevista no arranjo institucional da administração do Estado democrático moderno enquanto ente deliberativo de projetos e demais iniciativas implantadas pelo governo. Entretanto, a última palavra em termos decisórios no que concerne à administração do Estado, por mais força que o voto exerça, que a pressão das ruas forneça, é dos representantes políticos.

Assim, se por um lado aos políticos parece ser concedida a capacidade única de atender a demandas da população, por outro lado eles só ganham esta função se autorizados por esta mesma esfera civil. Nestes termos, explica-se a importância da comunicação de massa em sociedades democráticas: é o modo de se chegar ao cidadão (eleitor) e buscar seu apoio e atuação em prol de determinada causa.

Os meios de comunicação, assim, tornaram-se, sobretudo ao longo do século XX, elementos capitais na estruturação política das sociedades. Mas não se deve omitir a intenção de atores individuais ou grupos apartados do Estado de também fazer uso destas formas de comunicação para alcançar um público mais amplo. Em outras palavras, graças ao avanço tecnológico, a natureza do alcance a que se sujeita determinado conteúdo modificou a própria disposição dos indivíduos frente ao que se comunica (Gomes, 1995).

É nestes termos que, mais recentemente, surgem análises que vão procurar dar conta dos fenômenos postos no jogo político por parte das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs). As TICs poderiam ser a resposta ideal para problemas inerentes ao fazer democrático, como a reversão da apatia ao possibilitar voz, conexão e ação por parte de indivíduos ou organizações, ao coagir governos a se mostrarem mais abertos e transparentes, e também por significar o advento de um meio de comunicação sem a chance de ser abarcado em sua totalidade por um dono ou administrado por um grupo específico regido por interesses.

Estas tecnologias vêm afetando, de variados modos e intensidades, diferentes dimensões sociais, provocando conseqüências no mundo do trabalho, com o fechamento de postos (mas também abertura de outros, ainda que em menor proporção); no campo social, com mudanças ao inaugurar novas plataformas de sociabilidade, seja através de salas de conversa ou ao pôr em contato pessoas a quem antes só se tinha acesso remotamente; no que se refere à cultura, com a propagação dos sites pessoais ou o compartilhamento e armazenamento de músicas sem passar pela mesma relação de consumo com a indústria fonográfica; no campo econômico, através da praticidade e rapidez permitida aos fluxos de capitais.

O acesso aos dados sobre praticamente todos os assuntos parece mais fácil. Isto é, a primeira opção, para os mais familiarizados com as novas tecnologias de comunicação e informação, não é mais necessariamente procurar nas pilhas de livros das bibliotecas ou apelar a profissionais do ramo, recorre-se ao uso das redes de dados abertas pela comunicação via Internet. Em poucos segundos, pode-se enumerar as facilidades trazidas pelo advento da informação e comunicação em bases digitais aos que têm acesso a um terminal conectado.

Mas há outras questões que tornam problemática a apreensão social destas novas tecnologias. No campo político, por exemplo, diversos indivíduos, em diferentes localidades, podem se filiar a uma Organização Não Governamental, planejar ações ambientalistas oprimidas. Os partidos políticos passam a competir em modalidades diferentes e buscam estratégias para se aproximar do eleitor conectado; mesmo o Estado tende a adotar as dinâmicas concernentes ao digital, barateando seus custos logísticos ou gerando dados à sua maneira.

Assim, entende-se a comunicação mediada pelo computador como um novo espaço de intervenção pública que vem se destacando por duas características principais: interatividade e agilidade dos processos comunicativos. Existe a possibilidade de se constituir agregações de natureza política, sem barreiras territoriais, a partir de recursos multimediáticos.

Abre-se ainda a possibilidade de os próprios cidadãos se organizarem e produzirem conteúdos a serem distribuídos entre os usuários das redes telemáticas, configurando-as como ferramentas políticas. Entretanto, como se pretende compreender, nem sempre tais modificações trazem benefícios ou parecem se realizar de acordo com a descrição “triunfalista” (Palacios, 2001).

Em muitos casos, estas manifestações de cidadãos ou entidades são de caráter xenófobo, abrem oportunidades de monitorar comportamentos dos usuários ou reproduzem as desigualdades com as quais já se convive no “mundo real”. Assim, o trabalho busca um maior cuidado quando se discute as conseqüências sociais e políticas que o novo advento técnico vem gerando (Castells, 2002).

3.2 Da exclusão digital

A partir do momento em que se pretende estabelecer, através do emprego da tecnologia digital, espaços de participação política, uma maior aproximação entre governo e esfera civil, articulações de movimentos sociais, dentre outras iniciativas, seria contra-senso um desejo de maior igualdade política se, ao mesmo tempo, nem todos têm os equipamentos e as capacidades suficientes para utilizá-las. O advento das novas tecnologias de comunicação e informação não traz, assim, apenas vantagens e um leque de potencialidades.

Um outro problema relativo à característica da rede mundial de computadores se refere ao dilúvio informacional (Lévy, 1999) que cerca seus usuários. Deve-se atentar para a relevância cultural do que é oferecido nas mais diversas plataformas de comunicação possibilitadas pelo meio digital.

As críticas às desigualdades no plano digital podem ser divididas em duas grandes vertentes: uma primeira põe em evidência as dificuldades tecnológicas (notadamente no plano técnico), enquanto a segunda guarda relação com os fatores culturais.

Na primeira vertente, discute-se preferencialmente a questão do acesso aos equipamentos, aos terminais de computadores, às máquinas em si, por parte dos cidadãos com necessidade de utilizar estas ferramentas. Ainda nesta vertente, estão as disparidades de domínio tecnológico entre os países e entre os centros de pesquisa, isto é, a dependência tecnológica das regiões menos avançadas em relação aos desenvolvedores de ponta do sistema de redes telemáticas.

Esta categoria engloba ainda as características relativas ao domínio do desenvolvimento e aplicações de tecnologia de comunicação por grandes empresas de comunicação pertencentes a poucos grupos econômicos (Postman, 1994). Conforme definição de Jager Wilhelm:

O termo exclusão digital possui características que se alteram, tendo sido apropriado por grupos com as mais diversas agendas. (…) Em seu sentido mais restrito, o termo refere-se ao acesso diferenciado às modernas ferramentas da telecomunicação, focalizando de forma mais exclusiva a Internet (…) algo que não irá se resolver simplesmente através de computadores mais baratos ou de correios eletrônicos gratuitos (2002, p. 237).

São essas formas diversas de acesso, por máquinas distintas em termos de plataforma operacional, capacidade, velocidade de conexão, periféricos, dentre outras diferenças, que fazem alguns estudiosos acreditarem ser a Internet e as demais tecnologias de comunicação e informação patrocinadoras do “abismo social”, reforçando a dessemelhança entre pobres e ricos, entre instruídos e indivíduos com pouca educação formal.

Em trabalho que versa sobre o acesso à informação, Elie (2002), critica não apenas o domínio da tecnologia de ponta quase que exclusivamente pelos países desenvolvidos, mas rechaça também o fato de que as empresas destes países não têm como foco clientes de regiões periféricas, apesar do caráter planetário que a tecnologia de comunicação reivindica.

Paralelamente a essas dificuldades encontradas no plano do acesso aos equipamentos, convive-se, sobretudo nos países com acesso escasso ao estado de bem-estar social, com realidades que de certo modo podem constranger os mais eufóricos quanto ao uso e proliferação das novas tecnologias de comunicação e informação.

Nestor Garcia Canclini (1999) e Martín Barbero (1996) documentam que as metrópoles latino-americanas, por exemplo, continuam tendo problemas como favelização, crescimento dos índices de violência e escassos recursos a serem aplicados em áreas sociais por parte dos governos. Desta forma, como aponta Lemos (2002), os problemas sociais contemporâneos não seriam, em sua maioria, de ordem técnica, mas de ordem política.

Pesquisas revelam que, nos países desenvolvidos, a grande barreira em relação ao acesso à Internet não é a falta de recursos financeiros, mas a idade, ou seja, o intervalo de gerações que permite a usuários de certa faixa etária terem mais facilidade que outros para lidar com o recente fenômeno técnico-social.

Segundo Eugênio Rondini Trivinho:

Força de condução à periferia, segregar é, no limite, eliminar, pelo que estar segregado é, a rigor, morrer, e morrer um pouco por dia – não, obviamente, por similitude prosaica ao preço natural de se estar vivo, mas por desaparecimento simbólico motivado por privação de acesso e por carência de capital dromocrático cibercultural. Nessa perspectiva, o indivíduo, a instituição, a empresa ou mesmo o país que não dispões (ou dispões de maneira insatisfatória) do capital dromocrático cibercultural está fadado a amargar a morte simbólica própria da cibercultura, vale dizer, sem trocadilho, a castração de direitos no âmbito do simbólico e do imaginário das tendências majoritárias da época (2003, p. 201).

No que tange à perspectiva de acesso cultural, ressalta-se também que a popularização dos equipamentos de conexão à Internet não pode acontecer apenas no plano material, mas deve ser acompanhada da formação intelectual dos usuários (Frey, 2002).

Pierre Lévy desenvolveu um modelo de Inteligência Coletiva com o intuito de se avaliar o potencial de uso das tecnologias de comunicação, seja por empresas, governos ou outros agentes. Este modelo se baseia em quatro elementos capitais, a saber, o técnico, o cultural, o social e o intelectual. Lévy acredita que a eficácia dos projetos envolvendo as novas tecnologias de comunicação e informação está condicionada à articulação entre estes quatro elementos, e que a omissão de algum deles ou a exacerbação de outro poderia acabar prejudicando o desenvolvimento geral de tais iniciativas.

Um exemplo ainda aliado a esta idéia dos quatro elementos capitais: se a Internet pode trazer maior transparência à administração da coisa pública, através do estímulo à participação, estabelecimento de fóruns, divulgação de dados, emissão de diferentes pontos de vista, suas potencialidades pouco adiantam a partir do momento em que os atores institucionalizados, pouco acostumados à “velocidade” do avanço técnico, não derem a devida importância a essas estâncias, fazendo com que as proposições criadas nesses ambientes dificilmente sejam institucionalizadas.

Não basta, assim, investir em capital técnico (implantação de computadores, redes.) ou fornecer instrução aos cidadãos sobre o uso das redes de computadores se as instâncias administrativas do Estado não estiverem abertas a avaliar ou implementar as demandas na esfera civil.

Assim, além de fornecer o simples acesso, as realizações na intenção de combater a exclusão digital devem se apoiar no favorecimento dos demais elementos capitais. Não adiantaria prover acesso a terminais de computadores conectados se o usuário não tem instrução suficiente para utilizar as ferramentas disponíveis, avaliar criticamente as mensagens que recebe ou mesmo criar e difundir conteúdos que digam respeito às suas particularidades e opiniões. É de pouca valia, ainda, o fato de possuir acesso à biblioteca de informações se estes dados não apresentam ligação com a realidade do usuário (Wilhelm, 2002).

Paralelamente às dificuldades no plano do acesso técnico e no plano cultural, o excesso de informações consiste em outro problema trazido pelo acesso aos conteúdos em base digital. Do mesmo modo que a Internet possibilita o contato com o remoto ou permite interconexões entre indivíduos de diferentes contextos geográficos, provê também conteúdos com os quais muitas vezes não se desejaria manter proximidade ou informações irrelevantes e de credibilidade duvidosa. Deste modo, é lícito perguntar se, necessariamente, o nível de vida dos usuários melhora quando se pode saber mais sobre determinado assunto, apesar da ausência de maiores critérios de escolha da informação ou sem censura.

Outros especialistas defendem, ainda sobre a questão do dilúvio informacional, que os usuários não são tão desprotegidos e que o excesso seria exatamente a essência do caráter caótico das redes telemáticas, próximo ao que se convencionou chamar de “pós-moderno” (Cebrián, 1999).

Nesse contexto, parecem surgir dois equívocos, um é evidenciado por Dominique Wolton, que destaca “há uma certa fanfarronice na crença de que uma pessoa pode autocultivar-se desde que tenha acesso ás redes informatizadas e às bases de dados” (2001, p. 79).

O segundo equívoco é a aparência em querer “nivelar por baixo” ou “nivelar por cima” todos os sujeitos de uma dada sociedade, quer dizer, ao se suprimir as desigualdades argumentativas e de instrução se chegaria à democracia plena. Em outras palavras, o acesso não suprime a hierarquia já existente do saber, dos conhecimentos entre diferentes indivíduos. Se um grupo possui, reconhecidamente, maior capacidade de compreensão dos fenômenos, passaria a ser considerado anti-democrático porque tende a se considerar superior no julgamento de determinadas questões?

Assim, colocar em segundo plano os avanços tecnológicos e a reflexão sobre sua influência por causa dos problemas sociais não é a saída mais inteligente. Além disso, os diferentes usos destas tecnologias não devem ser rechaçados em si por ainda estarem restritos apenas à camada mais rica e instruída das populações. Os avanços tecnológicos trazem facilidades e a tendência é de que aumente o número de participantes e a difusão de serviços (Lévy, 1999).

3.3 A Internet como meio de comunicação

Uma outra questão fundamental no âmbito deste trabalho diz respeito à dúvida sobre se a Internet pode ou não ser considerada um meio de comunicação. As perspectivas teóricas mais difundidas geralmente se polarizam, isto é, para alguns especialistas do tema, a Internet seria essencialmente um meio de comunicação e, além disso, englobaria outras funções intimamente ligadas ao contemporâneo ou ao “pós-moderno” (Filho, 2001).

Dominique Wolton (2001), insiste que os meios de comunicação convencionais, como a televisão, por serem “generalistas”, criam vínculos de sociabilidade, estabelecem uma pauta comum de preocupações, não favorecendo, assim, apenas às necessidades individuais, seriam o genuíno elo social, e por isso mesmo, os meios de comunicação de real importância.

A Internet, exatamente por não ter uma organização formal, um público pré-estabelecido e não estar circunscrita a regras de produção e controle de conteúdos, tenderia a se concentrar na escala individual, favorecendo uma lógica da procura. Isto significa que os meios de comunicação generalistas, apesar de não impossibilitarem também uma apreensão individual da realidade, permitem um compartilhamento cultural coletivo; já os “novos meios de comunicação” favoreceriam a uma lógica da procura, onde cada usuário buscaria apenas o que lhe convém, minando uma das funções da comunicação de massa, que seria justamente a significação compartilhada de valores.

Com uma perspectiva diferente, Ronaldo Lemos (2002) parece dar pouca credibilidade ao ceticismo de Wolton, preferindo considerar que a Internet, além de funcionar como um meio de comunicação, engloba os anteriores, criando novos canais e novos instrumentos, configurando-se como um ambiente cujo impacto ainda é imprevisível.

Também Lévy (1996) não concorda com Wolton. Rechaçando, o caráter generalista de meios como a televisão e o rádio, pois as formas de mediação geradas por tais modalidades de comunicação seriam opressoras, estabeleceriam uma cisão entre emissores e receptores, além de realizar uma forma grosseira de unificação cognitiva do coletivo ao instaurarem um contexto comum. Todavia, esse contexto é imposto, não resulta da atividade dos participantes no dispositivo, não pode ser negociado transversalmente entre os receptores.

O que não se leva em conta em muitos destes discursos, dentre os quais o muito difundido no Brasil de Lévy, é que essa abertura possibilitada pelos novos meios de comunicação nem sempre gera compartilhamento ou compreensão entre os que interagem.

No intento de evitar distorções em relação ao entendimento do fenômeno da comunicação digital, Gomes (2001), atenta para a necessidade de se fazer uma reflexão cuidadosa sobre o que se vem chamando de Internet. Esta, não pode propriamente ser considerada um meio de comunicação, mas a própria conexão ou conectividade material à disposição dos computadores, estes sim funcionando como instrumentos de comunicação.

Pode-se tomar ainda a Internet como uma imensa biblioteca de conteúdos, com dados disponíveis a qualquer terminal sobre vários assuntos, e que a cada dia aumenta em quantidade.

Outra dimensão importante para Gomes (2001), estaria nas fontes de interação possibilitadas a partir da conexão e do acesso ao mundo de informações; a troca de mensagens particulares, ou a participação em listas de discussão, as salas e programas de bate-papo, onde seriam problematizadas emissão e recepção a partir de “vínculos interpessoais” .

As diferenças, com o passar dos anos, não são apenas de ordem quantitativa (número de usuários e de máquinas conectadas, tempo despendido online), mas também qualitativa, na medida em que diversas aplicações são aposentadas e outras criadas, novos modos de uso são inventados pelos próprios utilizadores.

4. A INTERNET COMO AMBIENTE POLÍTICO

4.1 A teledemocracia e as distintas visões de democracia digital

Se a democracia representativa foi criada com o intuito de permitir que interesses de diferentes grupos e indivíduos, originários de diferentes regiões geográficas, tivessem modos de serem colocados em pauta nas instâncias deliberativas superiores, cogitou-se, desde 1970, a possibilidade da democracia direta através dos meios de comunicação.

Desde aquela época, os pensadores dedicados á teoria democrática já se inquietavam com a pouca participação cívica no campo político. A esperança dos defensores da teledemocracia era a de que os indivíduos pudessem decidir os rumos da coletividade a partir de suas casas, sem mais precisar de representantes ou sofrer o desconforto de se deslocar a uma urna eleitoral (Toffler, 1996). Isto significa dizer que, há algumas décadas, já existe a possibilidade técnica de uma empreitada desta natureza.

Mais recentemente, a expressão teledemocracia voltou a ser utilizada por especialistas da interface comunicação e democracia (Kinder, 2002). A idéia central é a de que terminais de computadores interconectados, além de permitirem a emissão massiva de conteúdos, oferecem a chance a cada indivíduo de refutar a idéia difundida por outrem ou formar grupos autônomos para estabelecer diálogo com seus pares, sem constrangimento de tempo ou espaço.

De acordo com Antje Gimmler (2001), a diferença entre a noção de teledemocracia das décadas anteriores e a teledemocracia possibilitada mediante redes telemáticas é que o formato contemporâneo traz modificações menos visionárias no sentido de não mais defender soluções estritamente técnicas (o voto à distância, por exemplo), mas também valorizar o processo de formação da decisão. Isto é, a idéia contemporânea de teledemocracia teria como meta obter uma maior participação política dos cidadãos, estabelecendo maneiras de encaminhar o processo político por modalidades diferentes.

As diferentes visões de democracia por meio das redes telemáticas ressaltam aspectos para reforçar suas preferências. Os que alertam para os perigos ou pouca eficácia do ambiente digital para fortalecer a forma democrática de governo argumentam que a Internet, além de, inicialmente, segregar os que têm acesso e os que não têm, permite o monitoramento dos cidadãos pelos governos e é marcada sobretudo pelo forte caráter comercial.

John Dean (2003) refere-se à Internet como uma das ferramentas para se fortalecer o que denomina “capitalismo comunicativo”, ou seja, as supostas potencialidades democráticas da Internet na verdade não passariam de estratégias para legitimar a adoção do ambiente digital e, assim, favorecer o crescimento dos grandes grupos econômicos. Nesse sentido, as declarações sobre a Internet como esfera pública ou como fomentadora do debate entre os cidadãos e da aproximação destes com a máquina administrativa pública seriam o pano de fundo para reforçar uma “ideologia da tecnocultura”.

Por outro lado, os principais argumentos a favor das promessas de democracia digital fazem alusão ao acesso irrestrito à informação, à maior dificuldade dos governos em controlar a emissão de conteúdos ou, a depender do caso, em manter o monopólio mediático, e ainda ao fato de que se torna possível a formação de arenas discursivas sem constrangimentos espaços-temporais (Lévy, 2003).

Entretanto, a maior parte dos defensores das novas tecnologias de comunicação e informação enquanto propulsoras da democracia parecem aderir à suposição de que as redes telemáticas estão mais aptas a exercer o papel de reforçar os laços entre representantes e cidadãos, em estimular uma maior transparência estatal.

Lena Dahlberg (2001) propõe sua própria sistematização das visões de democracia através das redes digitais e discorre sobre três perspectivas para se analisar o assunto: a visão liberal-individualista, a visão comunitária e, por último, a visão da democracia deliberativa.

Nestes termos, segundo Dahlberg, a vertente liberal-individualista se identifica com a noção de teledemocracia, que tenderia a preferir o individual, a preservação das liberdades individuais, o sujeito isolado politicamente, capaz de expressar e defender seus interesses sem valorizar laços coletivos. O caráter competitivo da política legitimaria, assim, a democracia.

A perspectiva comunitarista defende a legitimação política a partir do compartilhamento de valores, de relações estruturadas no sentido de garantir a liberdade de expressão, mas também na busca do diálogo e não do concernimento exclusivamente privado.

A terceira visão de democracia nas redes telemáticas seria a deliberativa, que rejeita, de acordo com Dahlberg (2001), a redução à unidade política pressuposta pelo comunitarismo (ou seja, reconhece-se que a política é feita de disputas e interesses nem sempre convergentes) e também descarta o modelo liberal-individualista, por apresentar uma versão fraca de democracia, pouco apegada às instâncias normativas que cercam o tema.

Steven Clift (2003) define democracia eletrônica em uma perspectiva um pouco diferente, sendo que sua contribuição está no fato de enunciar que as novas tecnologias devem ser tomadas como um auxílio às experiências democráticas, sobretudo na medida em que se percebe que os atores políticos previamente estruturados no campo político, exercendo cargos ou não, ou agregados em partidos e corporações de interesse, têm a capacidade de absorver estas tecnologias e promover suas políticas de comunicação.

Em uma perspectiva menos cuidadosa em termos de emprego dos conceitos advindos da ciência política, Lévy (2003) busca definir o que entende por ciberdemocracia apelando para os pressupostos da ciência que pretende implantar, denominada Inteligência Coletiva.

A ciberdemocracia seria o regime no qual a potência é sistematicamente preferida ao poder e para o qual a inteligência coletiva é ao mesmo tempo o meio e o objetivo da ação política. Nesse aspecto, a passagem ao governo eletrônico constitui uma etapa importante na via da ciberdemocracia e acelera a passagem das políticas de poder às políticas de potência (Lévy, 2003).

São imprescindíveis as críticas aos discursos das possibilidades, do porvir, dos prognósticos. Repete-se que, além de não provocarem respostas automáticas, os benefícios trazidos pelas novas tecnologias de comunicação e informação não influem do mesmo modo em diferentes sociedades nem instalam necessariamente artifícios para se aperfeiçoar a forma democrática de governo.

Com a mesma cautela, porém, deve-se levar em consideração que, pelo menos agora, tem-se um equipamento mais apto para promover fenômenos como interação e transparência governamental através do acesso a informações, mesmo que ainda muitas das tentativas de democratização através do emprego das plataformas digitais de comunicação não funcionem perfeitamente, ou que nem todos os cidadãos queiram participar de modo espontâneo e cívico (Castells, 2003).

4.2 Governo eletrônico

Dentro do conjunto de trabalhos que têm como tema a relação entre democracia e comunicação digital, pode-se diagnosticar a existência de uma sub-área cujo foco é o tratamento de questões inerentes à adoção destas tecnologias pelos Estados e suas instituições.

O governo eletrônico se relaciona, sobretudo, com o serviço prestado pelos governos, local, estadual ou nacional, ou por outros Poderes (Legislativo e Judiciário) aos cidadãos, como o fornecimento de informações sobre instituições ou o oferecimento de espaço para debates e denúncias. O governo eletrônico compreende, assim, uma série de processos, desde a relação da administração estatal com seus próprios “braços” até chegar aos cidadãos, passando por empresas fornecedoras e demais atores sociais.

A democracia digital, conforme se discutiu, vai além da esfera administrativa na qual está localizado o governo eletrônico. Estas duas categorias, democracia digital e governo eletrônico, estão muito próximas (a questão da transparência ou accountability exigida dos governos por empresas e cidadãos, por exemplo, é fundamental para se afirmar uma democracia forte), mas há de se marcar essa diferença. O governo eletrônico pode ser considerado, então, um dos instrumentos que convergem para a orquestra da ciberdemocracia.

A proposta brasileira de governo eletrônico se insere no contexto de reformas do Estado, assunto em pauta há pelo menos três décadas mas que apenas nos últimos anos vem se configurando como uma preocupação maior nos ambientes institucionais.

De fato, são interessantes as funções sociais (não apenas propagandísticas) que estes novos meios podem exercer. No ano de 2003, foram entregues cerca de 16,5 milhões de declarações de imposto de renda de pessoa física via Internet no Brasil, o que corresponde a 95% dos contribuintes. Esses dados demonstram os diferentes papéis sociais que as tecnologias de comunicação e informação podem assumir e que o uso desta tecnologia pelo público brasileiro vem aumentando, não obstante a dificuldade de aquisição dos equipamentos (Postman, 1994).

Juan Luis Cebrián, admite, assim, a possibilidade de aproximação entre governo e cidadãos a partir do uso de redes de computadores:

As possibilidades estendem-se muito além do comércio. O setor público está sitiado no mundo inteiro. Os contribuintes de todas as partes querem um Estado maior e mais barato (…) Os programas governamentais podem distribuir-se eletronicamente pela rede e, com isso, melhorar a qualidade e reduzir os custos. Os departamentos virtuais podem combinar o trabalho de muitos organismos para oferecer aos cidadãos um canal de comunicação único. Pelas redes, pode-se acabar com a burocracia (1999, p. 17).

Não obstante a proposta de governo eletrônico há quem considere que, ao mesmo tempo em que dá a impressão de descentralizar os serviços e desfavorecer uma burocracia existente na administração estatal há décadas, pode acabar facilitando, por parte do Estado, um controle mais eficaz em relação ao uso que cada cidadão faz dos serviços disponíveis na rede. Ou seja, algumas contribuições especulam sobre o fato de o governo eletrônico facilitar o monitoramento da atividade dos cidadãos (Lemos, 2002), comprometendo sua privacidade na medida em que eles precisam do auxílio de uma autarquia conectada.

Por outro lado, este monitoramento pode ser visto beneficamente, ao permitir que o Estado busque melhorar o serviço no qual o site recebe menos acessos ou direciona a atenção do usuário para um conteúdo específico através de estratégias de comunicação.

Ao se dar preferência a uma visão de governo menos oneroso, abre-se a perspectiva de que as iniciativas de governo eletrônico não sejam mais do que gerenciadores “high-tech” (de tecnologia elevada) de tarefas, mostrando-se como ferramentas automatizadas de licitações e demais compras sem buscar abertura em relação à participação popular, conforme postulam os modelos de democracia orientados pela idéia de soberania popular (Katz, 2001).

Os projetos mais avançados buscam não apenas uma melhora no ritmo de trabalho e de produção dos escritórios governamentais (através de redes internas de intercâmbio de informações e logística), mas também popularizam o acesso à rede mundial de computadores, fazendo questão de ouvir os cidadãos. Um exemplo se encontra no recebimento de denúncias por parte da Previdência Social.

De acordo com Moon (2002), a utilidade das novas tecnologias de comunicação e informação para a administração pública ocorre de dois modos: internamente, através da coleta de dados, compartilhamento de recursos, organização institucional e agilidade; e externamente, através de um relacionamento idealmente mais próximo ao cidadão (no sentido de oferecer facilidades e absorver sugestões) e possibilitar o acesso a informações antes confinadas a escritórios e demais órgãos da burocracia.

De acordo com Scott Morton (2002), os governos buscariam a manutenção de suas estruturas através do uso das novas tecnologias de comunicação e informação basicamente a partir de três processos: (1) automação, onde a tecnologia tem a função de gerar processos relativos à coisa pública; (2) informatização, que visa dispor informações qualificadas para posterior apropriação por parte dos cidadãos e disponibilizar serviços sem obrigatoriamente os usuários terem de pegar filas ou preencher dezenas de páginas de formulários; (3) transformação, que se constitui no último estágio, no qual se desenvolveria, de acordo com os proponentes, uma plena “democracia eletrônica”, estimulando a participação dos cidadãos, que teriam elementos para se engajarem nas decisões governamentais; aqui deixa de existir um fluxo de informação de mão única procedente do governo e dirigido ao cidadão.

Certamente, há dificuldades, tanto de ordem técnica quanto de ordem social e cultural, no curso das tentativas de implantação dos governos eletrônicos (o problema de financiamento de projetos desta natureza persiste praticamente no mundo todo). Estes problemas variam, do mesmo modo, de região para região.

A cultura política de determinada sociedade se configura como fator fundamental para se compreender que conseqüências às tecnologias de comunicação poderão provocar. Em outros aspectos, o governo eletrônico não se desenvolve nos mesmos moldes em todos os países do mundo, tanto no que tange à capacidade de financiamento do empreendimento quanto no concernente aos serviços oferecidos (suas necessidades, políticas, econômicas ou sociais), como ainda à própria cultura política de cada sociedade. Conforme considera Zhang (2002), a especificidade de cada cultura política dificulta, assim, o estabelecimento de um conceito comum de governo eletrônico.

Em resposta aos que admitem o fim da burocracia estatal a partir da adoção das novas tecnologias de comunicação, Wolton faz a seguinte observação:

E nada será mais falso do que imaginar uma sociedade na qual a burocracia teria desaparecido a partir do momento em que cada um poderia tratar tudo a partir do seu terminal. Seria esquecer as lições da história: os homens, as organizações e as instituições inventam incessantemente processos burocráticos porque a transparência da vida social é impossível. As relações sociais simplificam-se aqui para se obscurecerem ali (2001, p. 95-96).

4.3 Voto eletrônico

A abordagem desenvolvida nessa parte do trabalho possui a intenção de analisar, os pensamentos ligados a teledemocracia (entendida como democracia direta), as principais abordagens relativas à interface entre voto eletrônico e democracia digital.

A função deste tópico está em sintonia com a busca do presente trabalho em fundamentar a noção de que os problemas e dificuldades experimentados pela democracia devem tomar como ponto de partida um ângulo sócio-político em vez de técnico. Em outras palavras, não se deve diminuir a importância que os artifícios tecnológicos (como o voto eletrônico) adicionam à noção de democracia, mas o aperfeiçoamento desta forma de governo deve se ligar primordialmente à resolução de problemas institucionais (Wilhelm, 2002).

A crítica que se propõe construir não é ao voto eletrônico em si, mas à suposição de que apenas o estatuto do voto garante uma prática democrática de governo. Em outras palavras, a democracia digital só poderá ser mais efetiva na medida em que não se restringir ao processo digital de votação, procurando aliar também ao processo democrático o caráter discursivo dos debates.

O Brasil é um dos países pioneiros no que se refere à eleição eletrônica, isto é, ao uso de dispositivos que permitem uma totalização rápida, prática e, de acordo com as autoridades, mas contra a opinião de alguns estudiosos, segura.

A oportunidade dada pela primeira vez a todos os aproximadamente 115 milhões de eleitores brasileiros de votar por meio da urna eletrônica, durante as eleições de 2002, tornou o país referência na automação da votação, estimulando congratulações e pedidos de auxílio por parte de outros países ou entidades internacionais, como EUA e Organizações das Nações Unidas. Com o advento das novas tecnologias de comunicação e informação, passou-se a postular o uso de métodos eleitorais mais avançados, práticos e que diminuíssem ao mínimo as chances de fraude.

Neste contexto, as reflexões apresentadas no presente tópico buscam dar conta em linhas gerais, dos prós e contras de se adotar o procedimento eletrônico de sufrágio, mas não apenas em termos de viabilidade técnica.

Objetiva-se discutir que valor o voto eletrônico adiciona ao funcionamento dos sistemas políticos democráticos, através de um exame sobre a validade das principais iniciativas neste sentido, não apenas do ângulo da segurança, criptografia ou má fé por parte de funcionários responsáveis pelo gerenciamento das estruturas do sistema; busca-se uma reflexão sobre as diferenças qualificativas entre o voto eletrônico e o voto tradicional em cédulas.

Para dar início efetivo a esta discussão, uma distinção. Apesar de fortemente relacionados, voto eletrônico e voto online não compreendem, em todas as ocasiões, o mesmo fenômeno. Este último é uma espécie de voto eletrônico, mas que tem sua concretização, sua consumação, através da Internet; a idéia do voto online pressupõe que os cidadãos habilitados possam exercer seu direito de escolha mediante computadores instalados em suas próprias casas, escritórios ou por algum outro modo digital que não implique, necessariamente, em deslocamento a uma urna “offline” fornecida por autoridades (como acontece atualmente).

Este processo pode se dar de várias maneiras: o importante, de acordo com a iniciativa do voto online, é a possibilidade dada ao eleitor de se livrar de constrangimentos espacio-temporais (suprimir a fatalidade de ir aos locais de votação e esperar na fila) e de que sua escolha seja remetida diretamente ao órgão apurador. Com a dificuldade ainda existente, entretanto, de que não há como realizar a certificação in persona do eleitor (Chevret, 2003).

Uma outra espécie de voto eletrônico é o atual sistema utilizado no Brasil, operado através de urnas offline que vão totalizando parcialmente as opções dos cidadãos para, em um segundo momento, tais opções serem reunidas em um computador central e, a partir disso, contadas para efeitos de deputação dos representantes.

De modo simplificado, a urna eletrônica utilizada no Brasil não difere muito dos terminais particulares de computadores no seu funcionamento prático: um equipamento programado por técnicos e que, como qualquer outro microcomputador, pode estar sujeito a problemas comuns, desde mau funcionamento do software até danificação devido o pouco cuidado ao manusear.

A caneta e a cédula de cada eleitor dão lugar, neste novo procedimento, a uma memória magnética, para onde, logo depois de confirmar sua opção, o voto singular do eleitor se “locomove” e se junta aos já direcionados ao mesmo candidato. A conseqüência é a seguinte: os votos individuais desaparecem e perdem-se em um mesmo conjunto atribuído a um pretendente a cargo político, o que elimina a possibilidade de recontagem.

Para os suspeitos do voto eletrônico através da urna offline e de sua impossibilidade de aferição depois do resultado da contenda, uma solução encontrada foi à impressão, no ato da confirmação perante a urna, da opção política atribuída pelo eleitor, ainda que, no caso brasileiro, este fenômeno tenha tido lugar apenas em fase experimental. Outra solução possível, dada a alegação de aumento de custos causados pela impressão, seria uma individualização de cada escolha do eleitor, através de uma assinatura digital (garantindo, obviamente, o anonimato), não mais agregando todas as opções políticas em um mesmo conjunto.

Outra peculiar objeção à urna eletrônica alerta que ela dificulta o ato de votar para certos cargos majoritários, como presidente, governador ou senador, pois, na tela, ao contrário da cédula de papel, não consta o nome do candidato antecipadamente. Apenas depois de digitados os números referentes, o eleitor pode visualizar foto e partido do concorrente ao cargo público. Se não levar anotado ou não souber os números de antemão, o processo de votação pode não ser tão simples ou rápido como imaginado. Este é um dos motivos de, no dia das eleições, haver em cada seção eleitoral uma lista com o cargo, nome, número e partido de cada candidato.

De acordo as autoridades eleitorais, o próximo passo envolvendo a questão do voto eletrônico no Brasil é permitir que todos os cidadãos com acesso à Internet, a partir de suas casas ou não, possam ser compelidos o mínimo possível a se deslocarem quando o assunto for este dever constitucional (relembrando que, no Brasil, o voto é compulsório), realizando o ato de escolha online, em terminais próprios ou espalhados por pontos estratégicos das cidades (neste último caso o deslocamento do eleitor acontece de qualquer maneira).

Assim, a idéia defendida em alguns estudos é a de que, à vontade, a partir de casa, enquanto toma café ou lê a sucessão de jornais disponíveis nas redes telemáticas, cada cidadão poderá clicar na foto do candidato preferido ou preencher um formulário referente a um Projeto de Lei e decidir as melhores formas de se implantar os projetos políticos que considerar importante. Abre-se a possibilidade de cada cidadão votar eletronicamente que emendas à constituição devem ser aprovadas ou proposições efetivamente instituídas. De fato, dentro de pouco tempo, não haverá grandes estorvos técnicos sobre o assunto.

Registrar os cidadãos aptos a votar, preparar as cédulas, convocar voluntários para atuar como mesários e auxiliares, além da demora na apuração e necessidade de deslocamento por parte dos eleitores, são apontados como incômodos a serem superados com a chegada das novas tecnologias de comunicação (Dictson e Ray, 2002). Além disso, o voto eletrônico online tornaria o processo menos oneroso. O voto online facilita ainda a participação de deficientes físicos ou idosos com problemas de locomoção, sem causar danos aos demais eleitores.

As propostas dos adeptos do voto online vão desde votar a partir de casa, por meio de correio eletrônico ou através de uma página conectada ao servidor da Justiça Eleitoral, até o de deslocamento dos eleitores a pontos da cidade com terminais instalados especificamente para a escolha do candidato preferido (esta última opção não causaria grandes diferenças em relação ao sistema atualmente adotado no Brasil, a não ser pelo fato de o voto ser remetido diretamente à Justiça Eleitoral). Outras considerações sobre o benefício do voto eletrônico online são feitas por Dictson e Ray:

Talvez o argumento mais forte em favor do voto via Internet relacione-se ao fator conveniência. A conveniência é um estímulo à participação que conduzirá a um eleitorado mais forte. (…) Trazer as eleições, registros de eleitores e abaixo-assinados para o ciberespaço, legalizando o voto pela Internet e empregando certificados digitais será uma maneira de “pegar carona” na crescente universalização da Internet. Isto permitirá que se faça online aquilo que as pessoas gostariam, mas não têm tido condições de fazer pessoalmente, ou por estarem muito ocupadas, ou porque o processo tradicional é inconveniente para elas, e não porque estejam apáticas (2002, p. 199).

Motivado por exemplos como estes, muitas vezes o voto online é confundido inclusive em propagandas governamentais, com a realização de uma democracia digital, beneficiando a participação direta dos cidadãos, trazendo de volta a possibilidade da remissão de uma cidadania à moda antiga, na qual a voz dos interessados seria traduzida diretamente em disposições decisórias.

Ao contrapor democracia representativa com democracia plebiscitária (ou democracia de referendo, ou semi-direta ou cesarista), Alvin Toffler (1969), afirmou em suas obras que a tendência dos sistemas políticos seria de que eles se transformassem em uma seqüência de plebiscitos contínuos e que os cidadãos poderiam, assim, implantar o que lhes fosse aprazível.

Giovanni Sartori (1994) já afirmou que o voto é um instrumento democrático de singular importância, mas que, isoladamente, não garante o funcionamento democrático de uma sociedade. Nada impede um governo autoritário de utilizar eleições, em alguns casos até com certa freqüência, para adicionar um tom de legitimidade ao regime, transformando o recurso do voto em um mero procedimento.

Assim como o ato de delegar o mandatário, isto é, a deputação dos representantes constitui-se uma das bases da forma democrática de governo, não se pode descartar o fato de que a democracia pressupõe que o exercício do mandato e a administração pública devem estar permeados pelo poder que emana do povo (pelo menos para os que acreditam na soberania popular).

O voto, sozinho, não fornece esta característica essencial, apesar do fato de que o sufrágio universal é uma das diferenças marcantes entre a democracia contemporânea e todas as outras formas de democracia estabelecida anteriormente.

É nestes aspectos que, do mesmo modo, o voto online também não pode ser considerado como apto a satisfazer todos os requisitos para o alcance de uma plena democracia contemporânea.

Afirma-se, então, que um outro amparo da forma democrática de governo é a constituição de uma esfera de argumentação pública, onde são debatidos os temas relativos ao interesse comum de modo justo. Se uma das críticas de Habermas quanto à decadência da esfera pública foi a apreensão individual dos conteúdos, deve-se oferecer, então, maior importância ao debate com os pares no sentido de buscar atender ao caráter normativo correspondente ao modelo de democracia deliberacionista (Shudson, 1995).

Ainda há o argumento de que a qualidade do ato de votar perderia sentido (caso o voto online fosse adotado), de acordo com o que afirma Chevret:

A confusão recorrente entre a virtualidade e a materialidade ainda que aquela do espaço público com o espaço íntimo deve também levar a se interrogar sobre a perenidade do sentimento de pertença a uma comunidade política. A adoção do voto eletrônico por Internet implicaria a passagem do isolamento do eleitor na cabina de votação, lugar simbólico onde se realiza um ato concreto fruto de uma deliberação interior, a um procedimento instantâneo a partir de um lugar concreto, eventualmente íntimo, pelo qual a materialidade não é mais medida (2003, p. 240).

O voto material remete a um espaço público abstrato onde reina a igualdade de direitos dos cidadãos. A dimensão virtual do voto eletrônico pela Internet poria isso em risco ao conduzir à direção contrária. Pode-se insistir sobre o aspecto simbólico do isolamento na cabina de votação porque o voto é um rito e na medida em que o rito é de essência tribal. Retirar-lhe o simbólico do qual é carregado, é tomar o risco de participar da desagregação da comunidade política.

Percebe-se o quanto o voto eletrônico isoladamente não adiciona muito ao funcionamento das instituições democráticas. Possibilita, sim, com maior rapidez, a realização de plebiscitos ou consultas públicas, ocasiões extraordinárias por natureza. Assim, ganham força os argumentos de que os problemas e dilemas em torno da democracia não são de ordem técnica, conforme Wilhelm observa de maneira pertinente:

A euforia causada pelo voto online insere-se num rush social mais abrangente que busca soluções tecnológicas para problemas políticos antigos. Embora a tecnologia da informação seja vista, sob o pretexto do voto online, como uma bala de prata, é mais provável que uma revisão geral do sistema eleitoral seja a única maneira segura de corrigir o que está errado no processo democrático (2002, p. 258).

Há ainda duas outras observações em relação ao tema. Como apontam Dictson e Ray (2002), os proveitos de se adotar ou não o voto eletrônico reverberam decisivamente no campo político, pelo menos em países onde o voto não é obrigatório. Para estes dois especialistas, se a cada eleição os índices de participação são menores (os eleitores não se sentem compelidos a participar), a conveniência de votar a partir de casa poderia, em algum momento, fornecer um maior estímulo aos eleitores, influenciando, assim, no resultado direto de uma eleição.

As redes telemáticas podem ainda contribuir para uma maior participação dos eleitores, sobretudo os jovens (que são os que menos participam dos pleitos nos países onde o voto é facultativo), ao permitir não apenas a comodidade do voto online, mas também a conformação de espaços discursivos, a busca por informações sobre determinado candidato a partir de instrumentos próprios (motores de busca ou informações compartilhadas através de listas de discussão).

Aliado a essas considerações, não se deve perder de vista, por último, que o impulso para se adotar o voto eletrônico, seja por meio da internet ou urnas eletrônicas, vem prioritariamente do setor privado, isto é, de empresas que fabricam os programas, os equipamentos, e oferecem seus serviços ao governo. Dictson e Ray (2002), apesar da impressão conspiratória que passam, alertam para este perigo e se perguntam em que medida os interesses comerciais seriam conflitantes com o ideal político democrático.

4.4 Esfera pública virtual

A partir do momento em que favorece a troca de experiências, de conteúdos, as redes telemáticas também passam a atuar como um ambiente propício ao diálogo e ao entendimento: isso traria aos cidadãos interessados a possibilidade de, novamente, ter em suas mãos a influência nos rumos da esfera pública e, comodamente, encontrar outros cidadãos para discutir questões de interesse coletivo, sem necessariamente ter de se mostrar ao público; sem ter de sair de casa.

Em outras palavras, a Internet é tida, em diversos estudos, como revitalizadora da esfera pública argumentativa, pois daria oportunidade de expressão a vozes marginais, sem as barreiras impostas pela censura governamental ou interesses econômicos das indústrias do entretenimento e da informação (Mitra, 2001), abrindo ainda a chance da reciprocidade discursiva advinda da esfera civil. Nas palavras de Pierre Lévy:

A emergência da Internet a partir do final da década de 1980 e o surgimento da World Wide Web em 1994 prolongaram a precedente evolução da esfera pública, introduzindo ao mesmo tempo elementos radicalmente novos: a interconexão generalizada. É possível que a revolução do ciberespaço vá reestruturar profundamente a esfera pública mundial, o que terá profunda repercussão sobre a vida democrática (2003, p. 368-69).

O direito de uso da palavra, a “Isegoria”, o poder falar em assembléia, daria à Internet, de acordo com os defensores da idéia de esfera pública virtual, a propriedade fundamental para o estabelecimento deste espaço argumentativo, o que torna o computador um meio de comunicação diferenciado por excelência por permitir o diálogo, a possibilidade do convencimento.

Se a sociedade de massa e seus meios de comunicação, que funcionam em uma relação de mão única, cujo vetor vai do emissor ao receptor, havia desestimulado o encontro face a face dos cidadãos para o debate racional com vistas a alcançar o bem comum, a questão é examinar se os recursos multimediáticos (que empregam áudio, vídeo, permitem a interatividade em massa, em uma comunicação todos-todos, como sugere Lévy (1999)) fazem deslumbrar um novo espaço dialógico para o exercício livre da democracia.

Antes de continuar qualquer outra análise acerca do tema esfera pública virtual, é importante aprofundar o entendimento que este trabalho tem sobre esfera pública. Muito da confusão sobre se a Internet pode ou não funcionar como espaço argumentativo com vistas a influenciar a deliberação (ou mesmo servir como espaço deliberativo) tem relação com o entendimento pouco eficaz desta categoria.

Neste contexto, o presente trabalho tem a compreensão de que a categoria esfera pública admite três aspectos enunciados em Gomes (1999): o debate deliberativo, essencial à democracia, que pode ser exemplificado através das argumentações que se colocam nas casas parlamentares ou mesmo ligado a assuntos de um grupo particular; o debate não deliberativo, na maioria dos casos com fins informativos, no intuito de gerar nos concernidos uma maior capacidade de reflexão dos prós e contras sobre determinada matéria, e assim prepará-los à deliberação, ou apenas mantê-los a par do assunto.

E, por último, o debate pode ser apenas a esfera de exposição ou visibilidade públicas, quer dizer, quando não há uma argumentação entre quem emite e quem recebe determinado conteúdo, mas a exposição de matérias de forma impessoal acerca do que deverá habitar os setores deliberativos.

A partir destas considerações, pode-se perguntar: há uma esfera pública configurada nas casas legislativas? Teoricamente, sim, pois, mesmo que os partidos defendam interesses de corporações, ou que determinadas bancadas votem sistematicamente contra si, aquele espaço é argumentativo e, em princípio, os representantes eleitos vão até lá para serem convencidos por seus pares quanto á melhor proposta (ainda que as argumentações não sejam as mais sinceras ou que não se vote de acordo com a convicção desejável).

As disputas teóricas em torno de se aceitar ou não a Internet como esfera pública buscam investigar se, ao permitir o acesso a conteúdos e a interconexão entre usuários, as redes telemáticas poderiam funcionar como canal de expressão para esferas antes isoladas pela própria desorganização característica de conversações quotidianas, conformando um ambiente deliberativo viável;

Há uma vertente mais cética quanto à eficácia destas tecnologias à luz da teoria democrática por elas serem tomadas como algo pouco sério, um espaço onde reinaria o caos e a experimentação adolescente, como postula Wolton (2001). Ou, por último, a Internet apenas seria um complemento para uma melhor formação cívica, com debates sim, mas sem maior viabilidade de se aliar à deliberação plena.

Vê-se, a partir desse ponto, alguns exemplos de espaços digitais de conversação de maior sucesso e que, por isso mesmo, funcionam como vitrine para as afirmações de que a Internet modifica essencialmente o jogo político.

Nesse sentido, a cidade digital de Bolonha, na Itália, uma iniciativa de governo eletrônico que conta com grande repercussão, ofereceu, durante as campanhas eleitorais de 1999 e 2000, espaço na Internet para que os partidos e seus correligionários usufruíssem de mais um modo para exposição e debate dos planos de governo, através basicamente de duas plataformas de comunicação telemática: um quadro de avisos telemáticos, ligado principalmente à publicação das propostas, e uma ágora virtual. Sustentada por listas de discussão sobre temas de relevância coletiva (Guidi, 2002).

Uma outra iniciativa, o Moveon (http://www.moveon.org), propõe a oferecer aos cidadãos conectados à Internet a oportunidade de ter acesso a uma visão alternativa em relação às informações provenientes dos grandes meios de comunicação de massa; o site busca estabelecer um modelo de discussão alternativo com o objetivo de trazer os representantes políticos para mais perto do público. O Moveon, cujo lema é “Democracy is action” (Democracia é ação), é mantido com contribuições de pessoas comuns, sendo os custos relativamente baixos e poucos funcionários contratados.

Um outro exemplo de participação telemática é o Movimento Voto Consciente (http://www.votoconsciente.org.br), que desenvolve o trabalho de acompanhar o desempenho de políticos de câmaras municipais e da Câmara do estado de São Paulo. Realizam fóruns deliberativos com a participação média de três mil pessoas por ano e participam de eventos que visam ao fortalecimento das organizações da sociedade civil, estimulando-as a participar da política, em parceria com outras ONGs de trabalho voluntário. Divulgam notícias através do Informativo Nacional do Voto Consciente e através de boletins eletrônicos.

Parlamento Digital/Democracia Deliberativa

Ainda como uma modalidade de esfera pública virtual, mas em uma perspectiva decisória, podem ser compreendidas as iniciativas de parlamento virtual implantadas em vários países do mundo.

O Brasil, mais uma vez, é um dos países que mais se destaca na implantação de iniciativas nesse aspecto. Desde 1997, o Senado Federal, através do Prodasen (centro de Informática e Processamento de Dados do Senado) trabalha na efetivação do Portal Interlegis (http://www.interlegis.gov.br), que além de buscar modernização e maior agilidade dos processos legislativos em todo os âmbitos (federal, estadual e municipal), visa melhorar a troca de informações entre as casas de leis e possibilitar a participação mais efetiva dos cidadãos no processo decisório.

O plano estabelecido pela iniciativa, e implantado em mais de 2.000 municípios brasileiros, comporta videoconferência, cursos de educação a distância, desenvolvimento de tecnologias informáticas, informações sobre a tramitação de projetos, catálogos sobre parlamentares e o oferecimento, em maior quantidade e qualidade, de informações aos representantes. O objetivo, conforme declarado no próprio Portal, seria a democratização do Estado brasileiro, o que convergiria para a criação de uma “comunidade virtual” do Legislativo.

Em sintonia com o Interlegis estão os sites do Senado (www.senado.gov.br) e da Câmara Federal (www2.camara.gov.br). Este último, por exemplo, se não se destaca pela interação entre os parlamentares e a possibilidade de deliberação online, oferece um amplo leque de informações aos cidadãos que têm acesso e interesses nas questões políticas nacionais.

Deve-se ressaltar, entretanto, que, da mesma maneira quanto ao exame feito em relação à comunicação político-partidária, os representantes políticos também não vêm utilizando a Internet conforme a potência oferecida. As maiores preocupações dos políticos tradicionais parecem se concentrar no período eleitoral, quando procuram a visibilidade dos meios de comunicação convencionais, sem descartar a Internet como mais uma plataforma de comunicação.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Até aqui foram examinadas as diferentes dimensões da democracia digital. De acordo com os muitos aspectos avaliados, a Internet tem a capacidade de fortalecer a democracia, sobretudo se se aceita seu modelo deliberativo, por facilitar o acesso à informação independentemente de posição social; um outro requisito da democracia deliberativa também é preenchido por este meio de comunicação na medida em que permite a interação entre cidadãos, ainda que dispersos geograficamente.

Por outro lado, se a tese da “política espetáculo” cometeu equívocos ao dizer que a política foi revolucionada por inteiro pelos mass media, omitindo, assim, em muitos momentos, o jogo político que não tem como lugar a cena mediática ou não levando em consideração a negociação política, deve-se evitar afirmar que a política democrática será reconfigurada, ou seja, reedificada em sua plenitude a partir do ambiente digital.

Na verdade, o desenvolvimento desta nova tecnologia de comunicação, que é a Internet, a depender das dimensões avaliadas e dos agentes políticos, sinaliza uma agregação dos novos canais digitais de comunicação às políticas de comunicação já existentes, e às estruturas democráticas tradicionais. Além desta adoção por atores políticos tradicionais, a Internet não tem a capacidade, sobretudo sozinha e descolada da realidade e cultura política de cada sociedade, de implementar mudanças automáticas no plano democrático.

Como se procurou demonstrar, não há dúvidas de que a Internet é uma ferramenta importante, indispensável em vários momentos, para permitir a articulação entre organizações e entre indivíduos.

Trata-se de um sistema de comunicação diferente dos meios que se conhece, em especial por permitir, para além das instituições jornalísticas, acesso a outros pontos de vista, informações, indivíduos interessados em discutir, estabelecendo uma lógica complementar de interação, entre usuários, entre usuários e organizações, entre as próprias organizações.

A propósito disto, uma das críticas aos governos democráticos atuais se encontra exatamente na questão da informação para o aperfeiçoamento da cidadania, pois, além do já diagnosticado pouco interesse por parte da esfera civil, os meios de comunicação vêm dando pouca prioridade a material de relevância coletiva em termos políticos.

De algum modo, as redes digitais problematizam esta asserção. Isto é, as novas tecnologias de comunicação e informação contribuem com a democracia ao oferecer um canal complementar para se buscar informação. Os cidadãos mais engajados politicamente e com possibilidade de acesso à rede não formam mais suas opiniões apenas pela leitura dos jornais ou ao assistir televisão: agora existe, também, a oportunidade oferecida aos usuários de publicar seus pontos de vista, livrando-se de constrangimentos de ordem institucional, espacial, temporal e financeira.

Uma das principais contribuições da Internet reside na adição, ao campo político, de novos atores que, isolados, não institucionalizados em agremiações partidárias ou não fazendo parte do governo, sempre tiveram suas vozes marginalizadas; o advento de um meio de comunicação que une o caráter massivo e interativo permite a expressão de diferentes pontos de vista dos mais diversos grupos, pondo em cena outras reivindicações, manifestações e a luta pela consolidação de espaços discursivos mais ativos através das redes telemáticas.

Se a Internet favorece a manifestação de opiniões, busca de informação e espaços discursivos para a interação entre os diversos atores concernidos tanto na esfera política quanto na esfera civil, não fornece, por outro lado, garantias de que o debate no ambiente digital seguirá uma ordem que lhe conceda organização, legitimidade ou mesmo qualidade mínima. O diálogo entre os cidadãos, o compartilhamento de idéias, se não ocorre de maneira produtiva não parece ser por causa da falta de espaços comunicativos apropriados. Deve-se perceber, não obstante, que a simples existência destes espaços pode, sem dúvida, gerar uma forma inédita de participação, ainda que deficitária, o que é benéfico para a democracia.

Quanto à esfera pública desenvolvida no ambiente digital, pode-se dizer que ela se comporta de modo mais eficaz, no que se refere ao jogo político institucional de maior abrangência, como um espaço de interação, informação e educação cívica para os cidadãos. Esta reflexão implica que, mesmo ao possibilitar a criação de novas arenas e a formação de agregação em torno de determinado interesse ou tema, a Internet funciona melhor como um reforço para os laços e espaços sociais já existentes e para as instâncias deliberativas do quadro político tradicional.

Uma observação a mais, relativa à associação entre novas tecnologias de comunicação e democracia, é a necessidade de que se pense na natureza da tomada de decisão no plano político (que demanda tempo, ponderação, maturação, reflexão) em relação às modificações ocorridas graças à agilidade na troca de conteúdos; ou seja, as mudanças no plano tecnológico, mais velozes e dinâmicas, difíceis de serem apreendidas em sua totalidade, são impossíveis de serem acompanhadas ou absorvidas no mesmo ritmo pela cultura e estruturas sociais.

As investigações com o intuito de totalizar as generalizações sobre o ambiente telemático constituem uma tarefa árdua e de pouco sucesso. Não se consegue responder com clareza se a Internet é o lugar do indivíduo ou das massificações em escala coletiva; permite-se que cada agente expresse o que tenha vontade (ou seja, é um meio de comunicação caracterizado pela liberdade em excesso e pelo caos), ou se, na verdade, surge com o intuito de reforçar o sistema capitalista e favorecer o oligopólio das empresas de hardware, software e conteúdo; se, em termos de lógica, escapa aos meios de comunicação tradicionais, estruturando costumes e modos de ser e estar inéditos, ou se apenas acelera, facilita, dinamiza as emissões massificadas.

Sem dúvida, são necessárias novas investigações levando-se em consideração que a Internet possui relevância crescente na realidade social contemporânea; mas investigações que busquem pelo menos duas metas: à parte as dificuldades, procurar fugir de análises meramente descritivas do que está ocorrendo nas redes telemáticas; e, no curso dos exames sobre os fenômenos relativos ao digital, deve-se procurar “olhar para trás” em termos teóricos, sem perder perspectiva e tenacidade sobre apontamentos de tendências, quer dizer, não renegar os escritos tradicionais que se fundamentam em pressupostos consolidados, tanto da comunicação quanto das outras ciências sociais.

É necessário lembrar, por último, que não se pode dar vez a uma futurologia dos fenômenos digitais, baseada em prognóstico pouco confiáveis. Na verdade, até mesmo especular sobre o futuro das redes de comunicação tornou-se uma tarefa complicada.

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Resumo do Livro – Qual é a sua Obra

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Quando comecei a ler o livro já nas primeiras paginas pude perceber que se tratava de uma obra que me deixaria intrigado, pois em vários momentos da minha leitura me perguntava, como não pensei nisso antes ou isso e verdade, já passei por isso. Foi o que aconteceu logo no inicio quando o autor fala da relação do homem com o trabalho, quando ele cita Adão e Eva e seus pecados a relação do homem com o trabalho como castigo e avançando as paginas e os capítulos me enxergar de outra forma o trabalho e a vida profissional de uma pessoa.

Sempre ouvi uma frase que acabou se tornando um clichê nas empresas, mas ao ler o livro vi que havia muito sentido no ponto de vista do autor, que e a frase ‘ não misturo vida profissional com vida pessoal’, quando sem perceber vivemos todas as situações do dia a dia juntas e nem nos demos conta. Quantas vezes já saímos para um happy hour no final de um expediente ou quantas vezes convidamos o pessoal da empresa para um churrasco ou uma festa de aniversario de alguém da família e vou ate mais longe quantas vezes por dia não desabafamos com alguém da empresa sobre várias coisas que aconteceu em nossa casa.

No ponto que ele fala sobre a relação do homem com o trabalho e que cita que o trabalho braçal e feito por pessoas sem instruções, ou seja, pessoas que não prosseguiram com seus estudos para pleitear um espaço profissional melhor na sociedade, ai elas tem que partir para o serviço que não exigem muito do intelecto e sim do braçal que só precisam de pessoas com braços fortes e saúde física em dia. Muito interessante o exemplo que ele deu quando o pai diz: ao filho se você não estudar não vai ser nada vai virar lixeiro, dando ênfase em quando não se estuda as melhores oportunidades são as que aparecem e não a que escolhemos. E o exemplo sobre os bombeiros que são profissionais que não ganham tanto o quanto merecem mais são pessoas que andam de cabeça erguida nas ruas por onde passam e toda sociedade tem orgulho deles e de sua instituição.

Quando ele comenta sobre as oportunidades que perdemos ou ganhamos na vida seja profissional ou pessoal e uma difícil escolha que temos que fazer pois não da ate onde eu sei de se conciliar as duas coisas , pois sem querer estaremos mais pendente a um em uma parte da vida e depois a outro , haverá momentos que não estaremos nos doando por inteiro para a família ou para o trabalho. Por varias vezes com certeza que não estaremos na festa de final de anos de nossos filhos ou no próprio aniversario.

Pois teremos um dilema em fazer as escolhas pois se aumentar o ritmo de trabalho pode se perder os melhores anos da vida e também dos momentos em família , mais por outro lado se diminuir o ritmo pode cair o padrão de vida e o consumo cair, passar a ter que fazer contas antes de ir para o hipermercado fazer compras e não se der ao luxo de passar em todos os departamentos da loja, não ir com tanta freqüência ao shopping fazer compras e tudo escolha e não basta apenas parar ou acelerar achar o meio termo e o mais difícil mais necessário.

Trabalhei por quatro anos em uma rede de hipermercados antes de ela ser vendida para um grupo Frances que logo em seguida mudaria a bandeira e assumiria todas lojas , quando ainda trabalhava na antiga empresa sempre dizia: que nunca iria trabalhar para esses franceses pois eles tratam seus colaboradores como animais e estava decidido a pedir demissão assim que eles assumissem a loja. Dois meses depois eles assumiram a loja e vi que não era nada do que falavam e eu temia muito pela mudança. De inicio foi difícil pra todos, pois mudanças não são fáceis nem para as pessoas com maior desenvoltura e facilidade de adaptação. Mais descobri que o medo de não agradar ou ate de sair da própria zona de conforto nos faz querer ficar no nosso canto sem fazer barulho ou fazer muita sujeira.

Como muitas pessoas que passam anos na mesma empresa e mesmo cargo e mesmo salário, para alguns e um absurdo tanto comodismo, mas o que acontece e que essas pessoas não querem desafios novas metas outras expectativas e sim pagar as contas no final do mês e pronto.

Quando ele cita sobre velejador Amir Klink e fala sobre sua audácia seu tempo de preparo suas estratégias e todas as possibilidade de tudo dar errado ou dar certo e da excelência na qual ele prepara tudo, e ainda comenta que o que faz o velejador sair de sua rota são as pequenas ondas e não as grandes. Pode nos dar varias idéias de como às vezes podemos estar conduzindo mal um projeto errando nas pequenas coisas, que se não for observada e consertada com antecedência pode levar tudo a perder. Em caso de uma loja de eletroeletrônicos o dono colocar vendedores que detestam itens de tecnologia e não querem aprender sobre o assunto ou ate pior que isso que odeiam trabalhar com pessoas e destratam seus clientes com certeza sua loja estará com dias contados. Ou contratar uma pessoa que é um excelente vendedor mais todos os dias rouba um produto da loja. Providencias tem serem tomadas para que as pequenas ondas não mude sua rota e ao invés de levar para o sucesso, leve para o fracasso.

Agora liderança e a parte mais complexa de realizar com ser humano, pois algo que motiva um não e algo que motiva outro. Pois existem pessoas que são motivadas por simplesmente não ser convidadas a trabalhar ate mais tarde ou aos finais de semana e outras são motivadas apenas com o ‘bom dia ‘ do chefe pela manhã e também as que são motivadas pelo dinheiro, quanto melhor. Identificar o talento e extrair o melhor de cada um tem sido a grande estratégia das empresas para não haver desperdício de talento e o ‘torn over’ de pessoas que acaba gerando um desperdício no treinamento e também financeiro.

Ainda nos dias de hoje existem lideres que tratam seus times como parte de uma engrenagem que todas juntas tem que fazer o motor funcionar e se alguma peça quebra ou apresente defeito tem que ser substituída imediatamente, sabemos também que os tempos mudaram as precisam ser motivadas e cada tipo de pessoa de uma forma diferente que tem que ser identificado pelo líder assim como esta em as cinco competências na arte de liderar que explica como tem que ser a postura do líder diante de sua equipe para que ela a faça motivada e vencedora. Comentando ainda que um líder que realiza os cinco métodos com sua equipe ele não é necessariamente adorado pela equipe como esta no terceira competência que diz que as pessoa tem que sentir bem e ter alegria onde estão seriedade não e sinônimo de tristeza e tristeza sim e sinônimo de problema. Tira qualquer duvida sobre esse caso.

Ser ético nos dia de hoje que o tal ‘cafezinho’ pra você tomar mais tarde, ainda tem um peso grande sobre pessoas que tem um cargo de confiança, onde ela tem que lidar diariamente com fornecedores vendedores e ate diretores de empresas, que não teriam tanta facilidade em ter seus produtos aceitos, ou não teriam conseguido fornecer uma quantidade maior que a empresa necessita. Esse e um dos pontos que posso citar que para mim ficou bem claro no livro quando ele fala sobre pessoas que não tem o costume de usar a ética em suas vidas. Para se ter uma idéia tenho um conhecido que vivia reclamando que os políticos só roubam e não fazem nada que preste realmente para todos nos , ai durante um bate papo ele disse que havia um jeito de acessar a internet sem pagar nada para o provedor de acesso, ai eu perguntei : mais isso não e errado ele me respondeu : e mais não tem problemas.

Ai eu pergunto qual a diferença entre esse meu conhecido e aqueles políticos que ele tanto condenava, a balança que ele pesa os políticos não serve para ele. Ou ate pessoas que sentam no lugar reservado para idosos e gestantes no ônibus e metro e quando chega algum deles fingem que estão dormindo.

Acredito que todas as pessoas tenham pelo menos o mínimo de noção sobre ética mais há usa somente quando e necessário para própria comodidade. Porque ser ético não e fácil, pois ser ético e falar a verdade sempre e pagar todos os impostos não pagar e nem receber propina não entregar atestado falso na empresa para poder ir viajar alguns dias. E ser ético e para algumas pessoas ser ‘bobo’, e não percebem que quanto mais pessoa antiética tiver na empresa que trabalhamos na policia que nos protege nos políticos que nos governam estaremos em um atraso social cada vez maior.

Quando ele fala que temos que lembrar que somos imortais e cita generais romanos que quando voltavam da guerra tinha um escravo que a cada quinhentas jardas soprar no ouvido deles o seguinte lembre-te que es imortal me faz pensar o tanto que somos frágeis e damos muita importância para pequenas coisas e pouca as importantes. Do modo em que vivemos a vida e tratamos as pessoas que convivem conosco. Alguns dias atrás pude presenciar em uma loja de departamentos um rapaz de mais ou menos vinte e cinco anos que estava com sua namorada e outros dois amigos, ele estacionou em uma vaga de deficiente que por acaso era a ultima que havia próximo a porta da loja, então ela foi questioná-lo a respeito da vaga, pois ela estava com sua mãe de noventa e dois anos no carro e precisava da vaga. Então ele começou a chamar a mulher com palavras de baixo calão e disse que queria que a mãe dela morresse. Uma das piores cenas que já presenciei na vida, pois a falta de respeito era muito grande diante de uma pessoa idosa.

Vários direitos foram quebrados ali faltou ética, um rapaz que com certeza tem um ‘escravo ‘ assoprando no ouvido dele ‘lembra-te que es imortal’ que ele quando dizia manda guinchar meu carro não tem noção que o futuro não nos pertence e que na sua velhice ele com certeza vai precisar daquela vaga e possivelmente poderá esta ocupada com alguém igual a ele foi. E tentei achar uma outra forma de responder a pergunta “com quem acha que esta falando”, e uma forma educada não consegui pois então prefiro deixar essa pergunta por enquanto sem resposta.

Mais de uma forma geral este livro foi muito importante para mim, pois me abriu os horizontes onde eu antes não dava atenção e acabava negligenciando e muitas vezes foram fatais para o infortúnio dos meus projetos. E também foi muito bom ler este livro pois ele comentou sobre astronomia idade media sobre passagens bíblicas romanos e gregos etimologia que alem de ler o livro faz com que seus leitores continuem uma pesquisa sobre alguns assuntos que do livro não era foco mas foi comentado.

Cidade – Espaço de Fé, Força e Coragem

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JUSTIFICATIVA

Procuro mostrar neste trabalho de pesquisa a origem e surgimento deste tão imenso e grandioso espaço já visto e formado até hoje,a Cidade,assim como sua composição tanto no âmbito humano,como econômico,cultural e religioso,por isso o motivo do tema de nossa pesquisa,pois dentro deste estudo de pesquisa sobre a Cidade iremos abordar estes aspectos existentes dentro deste tão grande espaço.

O que é cidade? È uma pergunta bem interessante, segundo o mini-dicionário Ruth Rocha cidade “é nome dado à povoação que é sede de município; A área central ou o centro comercial de uma povoação”(1) ,ou seja,segundo este pequeno dicionário o conceito de cidade se remete somente a isso, área central, povoação etc, mas Cidade é muito mais do que isso,envolve mais do que simplesmente isso, ela faz parte de conjunto,composta pela população que nela reside, pela economia que circula dentro dela,a cultura e pela fé que cada cidadão que reside neste espaço possui,o conceito de cidade vai muito além.

Ainda segundo este mini-dicionário o conceito de espaço se refere a “ meio ilimitado que contém os seres;Extensão de superfície,capacidade e cabimento”(2) ,este é o conceito de Espaço dado por este dicionário,mas se analisarmos e observarmos bem o espaço de cada Cidade hoje,iremos perceber que muitas delas estão com um espaço muito pouco,outras superlotadas,é o caso de cidades como São Paulo,Rio de Janeiro etc,que devido ao grande número de habitantes,construções,empresas e muito mais coisas,estão fazendo com que seu espaço fique tão “abarrotados”,que ao andarmos em suas ruas podemos ver o resultado deste estufamento,pessoas dormindo nas ruas,pessoas desempregadas,congestionamentos etc,de certa forma,este espaço devido ao crescente número de pessoas,construções,se torna “limitado”,chegando ao ponto de “extravasar” ,e junto com este extravasamento,vem junto as conseqüências , e não são poucas,é o que podemos chamar de “colméia-urbana”.

Ao falarmos de Fé,estaremos falando de religiosidade,esta é outra “marca” importante que caracteriza e faz parte deste espaço,e por que não dizer uma das mais importantes,a religiosidade é outro fator muito importante deste espaço chamado Cidade,e essa importância não veio de agora,mas veio já de muito tempo,segundo Childe,citado por Lewis Mumford :

“os santuários ocupavam o lugar central nas aldeias protoletradas da Mesopotâmia”(3)

ou seja,desde o inicio,ainda nas aldeias era o santuário tido como algo importante,sagrado,respeitado,onde adoravam e cultuavam seus deuses.Com o passar do tempo e com o surgimento não da cidade em si,mas de cidadelas,esse símbolo de fé,foi transportado para dentro destas cidadelas ou

“antes,os sagrados limites do santuário devem ter sido lançados ao redor da fortaleza,tornando-a igualmente um recinto sagrado e inviolável”(4)

o santuário de certa forma,representava e demonstrava o que era a cidade,um recinto sagrado e inviolável como nos fala Munford.

As aldeias eram lideradas por chefes, geralmente caçadores, estes eram escolhidos para liderar,por serem homens meticulosos,estrategistas,sábios, fortes,qualidades de líder,estes eram escolhidos por terem todas estas qualidades,sem contar que este chefe-caçador ainda contava com a ajuda da casta-sacerdotal para obter todo este poder,mais uma vez vemos o grande papel do santuário tanto nas decisões tomadas dentro da aldeia,como num todo.Com o surgimento da cidade,este chefe passou a ser chamado de rei,e este já não dominava mais só os animais selvagens,mas passou a dominar montanhas,vales,rios,e formar para si exércitos que lutariam por este rei em busca de territórios.

A cidade, como centro de tudo isso,era ainda protegida por muralhas, que neste período foram muito valorizadas e usadas, pois serviam pra proteger a cidade contra possíveis ataques e saqueamentos, por isso o termo “força e coragem”, pois ao mesmo tempo que estamos falando do poderio deste novo chefe, estaremos também falando das fortificações que protegiam esta cidade.

PROBLEMATIZAÇÃO

Ao falarmos de cidade, estamos falando de um espaço comum, espaço este onde todos podem viver, participar, ter sua cultura, sua crença.Só que isto implica muitas coisas,sendo que a cidade é muito mais do que simplesmente um espaço,ela é algo mais complexo, é um local de paz,mas também é um espaço conflituoso,é um espaço de individualidades,mas também é um espaço de ajuda mútua,é um espaço de arbitrariedade,mas também é espaço de direitos e deveres,é um espaço de justiça,mas também de injustiças,ou seja,de forma que se formos expor a complexidade do que seja a cidade íamos bem mais longe.

Mas o que vemos hoje dentro deste espaço é reflexo do passado,que vem desde o surgimento do mesmo, no inicio da criação deste espaço chamado Cidade, vemos que foi repleto de mudanças, pois de aldeia pra cidade mudou-se muito, em todos os sentidos, primeiramente na estrutura, na aldeias as casas eram diferentes, viviam ao ar livre em suas cabanas, tinham um chefe e a este ouviam atentamente e seguiam seus conselhos, com o passar do tempo tudo foi mudando,com o surgimento da cidade,deixou-se de se ouvir o chefe para dar ouvido a um único homem,o rei,este antes chamado de chefe –caçador passa a ser agora chamado de rei,que passa a dominar não só mais os animais,a caça,mas passa dominar rios,lagoas,montanhas,e os homens ,formando para si poderosos e grandes exércitos que lutariam por este rei em busca de territórios.

Trazendo para os dias atuais podemos ver que não é diferente do passado,cada cidade tem seu representante que manda dentro deste espaço,e tem os que trabalham para ele,geralmente a maior parte da população,diferente num único sentido,a Cidade da antiguidade não tinha tantas pessoas,tantas casas,prédios,indústrias etc como hoje possui grandes capitais como São Paulo e Rio de Janeiro,sem falar em muitas outras,e a economia não era tão grande e absurda como hoje na atualidade,mas por que era diferente?

Com a invenção e o avanço da tecnologia tudo foi mudando,passou a ser construído prédios,casas,carros,e tudo isso foi enchendo a cidade,este avanço tecnológico tem contribuído muito para tais acontecimentos, pois com isso criou-se dentro da cidade imensos problemas,muitas pessoas para poucos empregos,poucas moradias para muitas pessoas,o que se resultou no que vemos hoje nas ruas,pessoas abandonadas,pedindo esmolas,dormindo nas calçadas.O espaço já foi preenchido de uma tal maneira,que já não comporta mais tanta gente,tanta construção,o espaço ficou pequeno pra tanta coisa assim.

Sem contar que dentro das cidades de hoje há o isolamento de certas pessoas em relação a outras,isso devido a outro fator que cresceu junto com a cidade,o medo,medo de sair de casa e ser assaltado,medo de andar nas ruas e ser atropelado pelos carros, o medo faz separação dentro de uma cidade, de forma que os indivíduos que residem dentro deste espaço fiquem “afastados”uns dos outros, e é o que vemos muito na atualidade, pessoas ficam presas em suas casas,muitas vezes não conhece nem o seu vizinho,por que tem medo de sair de casa,este é outro grande fator que faz com que a cidade se torne este lugar também de medo.

Assim como no passado,a cidade hoje possui seu “santuário”,a igreja de hoje, onde os fiéis vão e ali adoram seus deuses,e há também outras religiões,todas tem importância dentro deste espaço,e isso não vem de agora,o santuário como podemos perceber na leitura do texto tinha um significado muito grande,pois mostrava e representava o que era a cidade,um lugar sagrado e inviolado,de certa forma mostrava o poder que tinha o santuário,não diferente dos dias atuais,a igreja hoje existe no mundo inteiro e tem suma importância,pois de certa forma ela “manda”na cidade,e por que não dizer em boa parte do mundo?Ela impõe esse poder dentro da área religiosa no mundo inteiro,pois em cada lugar existe uma religião diferente,e cada uma destas tem um certo “poder” sobre as pessoas que são adeptas a ela.

Fazem uso de dogmas para trazerem para si dia após dia mais adeptos, e estes, claro, pessoas que estão em busca de algo que preencham alguma parte de suas vidas, e usam este meio para se “apoderarem” de suas vidas,buscando para si uma grande demanda de pessoas que serão a partir daquele momento “comandados” pelo sacerdote,pastor etc.

Não é de agora que a religião ocupa este tão imenso espaço dentro da Cidade,desde muito cedo ela já fazia parte do cotidiano das pessoas,mesmo quando ainda viviam em aldeamentos,só com uma pequena mudança,esta religião que era praticada dentro da aldeia,com o surgimento de cidadelas foi “transportada” para dentro destas cidadelas,passando a fazer parte daquele momento em diante da vida de cada cidadão que ali residisse,o santuário antes encontrado fora,agora se encontra dentro desta cidade,e será daquele dia em diante um local extremamente sagrado e inviolável,onde toda população irá adorar seus deuses,e é ali que irão pedir a seus deuses para darem abundância em suas lavouras,por chuva,e por tudo que necessitarem, de certa forma o santuário passa a fazer parte do cotidiano destas pessoas,e a medida que se passam os dias,ele terá mais e mais importância, pois passará a ser um ponto de referência para todos aqueles habitantes residentes dentro desta Cidade, pois esses povos acreditavam na existência de seus deuses,e que se não fizessem conforme lhes pediam,eram castigados,por isso quando não chovia e haviam secas e suas lavouras não produziam,logo pensavam no que poderiam ter feito para desagradar seus deuses e logo tratavam de agradar esses deuses para que fosse cessado sua fúria,isso era comum acontecer nestas aldeias,por isso,com o decorrer do tempo o sentido do religioso foi crescendo e ganhando grande importância até os dias atuais.

Sem contar que a casta-sacerdotal tinha grande influência nas escolhas dos chefes,e dependendo do apoio desta é que este “governante” teria poder,prestigio etc,se assim não fosse,muitos dos governantes não chegariam aos postos que se encontravam ou teriam poder para exercer alguma coisa,já a partir deste momento a igreja passa apoiar o rei,assim como o rei passa a apoiar a igreja,ou seja,um passa a apoiar o outro em seus “negócios”,e essa “união” com o passar do tempo trará benefícios para ambos os lados,pois ainda segundo Mumford

“A realeza aumentou as funções do clero e deu à classe sacerdotal uma posição dominante na comunidade,visível nos grandes templos que apenas os reis tinham recursos suficientes para construir”(5)

percebe-se com isso,que mesmo dentro da cidade,há sim a necessidade de se obter apoio para um futuro ataque,ou até mesmo para determinadas decisões,isso comprova mais ainda as palavras de Munford quando diz que :

“Esse clero media o tempo,limitava o espaço,previa os acontecimentos temporários.Aqueles que tinham dominado o tempo e o espaço podiam controlar grandes massas de homens”(6)

Sendo assim são feitas então alianças,e isso fortalecerá o poder real e sacerdotal,é como se o rei fizesse uma troca com o clero com propósito de assim obter o apoio desta casta –sacerdotal,sendo que

“em troca de seu apoio,os antigos reis davam a esses representantes do “poder espiritual” segurança,ócio,posição e moradias coletivas de grande magnificência”(7)

O santuário representado pela sua casta sacerdotal se beneficiará com estas alianças,pois ambas as partes terão apoio um do outro,com isso este santuário deixará de ser apenas um simples santuário,transformando-se num vasto templo,dotando-o assim também de amplas bases econômicas,que será constituída por todo um trabalho compulsório realizado por toda comunidade,tudo isso graças a esse “acordo” entre a corte e o clero.Atualmente,isso já não é mais como antigamente,a igreja em si tem sim muito prestigio e poder,mas somente ela,não apóiam diretamente mais o Estado como antigamente e nem o Estado apóia diretamente mais a igreja,isto faz parte de uma mudança ocorrida dentro deste espaço com o passar do tempo,hoje cada um cuida do que é seu,nenhum tem direito de se meter nas decisões um do outro,claro que há o respeito um pelo outro afinal,são estes dois poderes que governam esta cidade,este país,por isso há sim esse respeito,só que cada um no seu devido lugar.

Claro que pode existir na atualidade algum ou alguns paises que ainda sigam esse preceito de ter a igreja como aliada e vice-versa,mas se ainda existe,ainda não ouvi falar,mas acredito que boa parte dos paises de hoje em sua maioria são laicos.

A cidade como espaço de habitação,econômico e social,tende com o passar do tempo a se tornar o que poderíamos chamar de grande “colméia urbana”,pois a medida que se passam os dias mais e mais ela cresce,se expande,se observarmos atentamente,poderemos ver que a Cidade nunca para,estar sempre em continuo movimento,são novas construções dia após dia,são reparamentos em casas,apartamentos,é o aumento crescente dia após dia de novas pessoas que saem de suas cidades do interior para a cidade grande em busca de oportunidades,e muita das vezes acabam não conseguindo o que procuram,ficando então desempregadas,muitas das vezes passando a viverem uma vida miserável,dormindo nas ruas,passando fome,necessidades,é a realidade de nossas cidades atualmente,a economia a cada dia que passa mais aumenta,só que beneficiando somente a alguns dentro deste espaço,pois se beneficiasse a todos não haveriam tantos desempregos,tantas pessoas passando dificuldades financeiras e material,de certa forma os governantes destas cidades tem em grande parte culpa no que acontece,pois se tivessem mais controle e investissem mais em empregos dando oportunidade para estas pessoas,não haveriam tantos desempregos,tanta fome,tanta necessidade.Isso com o passar do tempo com o continuo crescimento populacional, industrial além de outros elementos mais,esta cidade com o decorrer do tempo vai chegar a um certo ponto de não mais poder comportar tudo isso,tantas pessoas,tantas construções,tantos movimentos econômicos que acontecerá uma certa “explosão” urbana,é o caso de cidades já citadas no inicio da pesquisa como São Paulo,Rio de Janeiro ,além de muitas outras,que estão prestes a “explodir” devido ao grande crescimento acelerado e descontrolado de pessoas,indústrias e tudo mais, que crescem mais e mais a cada dia.

E quando isso acontecer, como ficarão as pessoas,a economia,a própria cidade,será que tudo voltará a ser como no inicio?Voltaremos a viver em aldeias?São perguntas a serem feitas, e respostas a serem esperadas.

OBJETIVOS

Mostrar a cidade não apenas como um espaço de moradia,onde todos os habitantes vivem em seus lares,mas mostrar que o conceito de Cidade é muito mais complexo.
Enfatizar a importância da religião dentro deste espaço,assim como seus governantes e o que fazem dentro deste mesmo.
Comparar a Cidade do passado com a cidade de hoje,suas mudanças,transformações,modificações,a forma de evolução do ontem para o hoje.
Expor ao leitor as possíveis conseqüências do mau uso deste espaço,assim como os possíveis acontecimentos decorrentes deste uso indevido
Levar o leitor a refletir sobre a importância de se preservar este tão importante local de cultura,fé,habitação.

REVISÃO BIBLIOGRAFICA

Para que entender as causas de uma guerra,se sempre existiram e vão existir?Para que entender as origens,se o motivo que levam as guerras são sempre insignificantes.Seja na religião,na política,na cultura,ou até mesmo na vida pessoal,há uma luta incessante por poder,liderança,o querer estar acima de tudo e de todos sempre,quem estar com o poder domina tudo.

Os tempos mudaram,e junto com ele também as cidades,as pessoas evoluíram e as dificuldades continuam persistindo nas Cidades.Por que é tão difícil evoluir,mas levar junto com essa evolução os mesmos erros que foram cometidos um dia?Ou será que não acontece uma evolução no pensamento,na mentalidade das pessoas?Para evoluir parece ser preciso entrar em conflito com outra cidade,com a religião,com a sociedade como um todo,por que é o resultado desse conflito que eleva uma pessoa,pais,cidade,estado a dar um passo a frente,não havendo guerra,não há poder,não há fé e não se pode acreditar em mudança,isso segundo estes que lutam para alcançar seus objetivos e para isso acham ser necessário usar a força da guerra,das armas,do poder,era o que acontecia no passado quando se atacava uma cidade com propósito de se apossar do território inimigo,nada mudou daqueles tempos pra hoje,apenas evoluiu,as armas,os ataques etc.

Mas em meio a tudo isso ainda há aqueles que pensam diferente,que discordam no uso da guerra,da violência,mas é minoria.Segundo o texto de mumford,quando o rei passou a assumir seu posto dentro da cidade,ele passou a governar não só mais os animais selvagens,mas tudo,inclusive o homem,e passou a montar para si exércitos que o protegeriam,juntamente com a cidade,e eram estas massas de homens que lutariam em busca de mais espaços para o rei,na conquista de novos territórios,novas cidades,e para isso passariam a utilizar a força das armas,dos ataques,das guerras,a cidade com o decorrer do tempo cresceu com tudo isso acontecendo dentro de seus muros e aos arredores destes mesmos,até os dias atuais,todos eram engajados nesta luta,pois estavam lutando pelo seu rei,pela sua cidade,este era o pensamento que eram colocados em suas mentes e assim faziam.

Com a luta pelo poder,pelo desenvolvimento,com a ganância de ganhar,conquistar estes territórios e assim formar seus próprios espaços,as cidades sob o comando do rei vão crescendo pouco a pouco,e a medida quer se passa o tempo ela vai se fortalecendo a cada dia,ganhando mais e mais força a cada nova conquista,e assim aumentando o seu desejo por mais,mais força,mais poder,mais territórios,mais guerreiros.É a estratégia do chefe-caçador,perspicaz,inteligente,estrategista,não é a toa que assim eram escolhidos os lideres nas aldeias,e esse líder passou a agora a não liderar somente uma aldeia,mas uma cidade,e com o seu poder e todas essas qualidades ,fará de tudo para conquistar novos territórios e assim expandir seu reino,sua cidade,seu povo,é ocaso de cidades como a grande civilização da mesopotâmia, com seus vastos impérios e territórios,são exemplos de cidades que mostram a ação de seus lideres em busca de conquistas,expansões,poder.

No meio de tudo isso as cidades foram se formando,as pessoas pouco a pouco iam saindo dos interiores e entrando para dentro das cidades,afinal,dentro da cidade estariam mais seguras contra possíveis ataques de inimigos,pois tinham um chefe,o rei,que os protegeriam,tinham um exercito que lutariam em defesa do rei,da cidade e de todos que ali residissem e tinham como maior proteção as grandes muralhas,que marcaram essas grandes cidades do passado,então estava tudo bem,a cidade se evoluía perfeitamente,claro que a medida que iam crescendo,também começavam a surgir os problemas de crescimento populacional,moradia,empregos,etc,só que em menor escala,diferente da realidade de hoje,mas tudo o que hoje acontece é resultado deste crescimento brusco e acelerado que veio ocorrendo com o passar dos tempos,dos anos e chegou até nossos dias.

O conceito que dariam os povos de antigamente ao espaço cidade seria totalmente diferentes dos conceitos dados atualmente,hoje cidade não somente mais um simples espaço onde se viviam inúmeras pessoas em busca da proteção,que tinham suas lavouras etc,hoje é diferente,cidade hoje é mais do que isso,cidade hoje é individualismo,é desunião,é medo,preocupação,luta é tudo isso,tem seus pontos positivos,mais tem também seus pontos negativos,e creio que existam mais negativos do que positivos,pois é o que se mostra atualmente,então percebemos nesse sentido uma mudança muito grande nesse conceito.

Nesse projeto de pesquisa no decorrer de todo o trabalho,tentamos sempre fazer uma comparação do passado com o presente,o que era acidade no passado e o que é a cidade no presente,trazendo elementos importantes do passado para a realidade do hoje,claro que tudo baseado no texto de Lewis Mumford,que nos serviu de grande suporte e ajuda para a elaboração deste trabalho,aqui tentamos resumidamente em poucas linhas expor o pensamento do autor ao escrever esta obra,mas especificamente este capitulo,juntamente com o nosso entendimento em decorrência da leitura deste capitulo.

REFERENCIAL TEÓRICO

CHARDIN, Teilhard de
ELIADE, Mircea
FRANKFORT, Henri 
FRAZER,James
GEDDES, Patrick
OSTWALD, Wilhelm
MORGAN, Lloyd
MORTO, William Wheeler
PIRENNE, Henri
SORRE, Max

REFERENCIAL BIBLIOGRÁFICO

ROCHA, Ruth; SILVA PIRES, Hindenburg da .Minidicionário Enciclopédico Escolar.10ª edição(5ª impressão).São Paulo:Scipione,1996.

MUNFORD, Lewis. A cristalização da Cidade. In: A Cidade na História: suas origens, transformações e perspectivas. Trad: Neil R. da Silva.São Paulo: Martins Fonte, 2008, pp.33-64.

(1) ROCHA,Ruth;SILVA PIRES,Hindenburg da.Minidicionário Enciclopédico Escolar.10ª edição(5ª impressão).São Paulo:Scipione,1996.
(2) ROCHA,Ruth;SILVA PIRES,Hindenburg da.Minidicionário Enciclopédico Escolar.10ª edição(5ª impressão).São Paulo:Scipione,1996. 
(3) MUNFORD,Lewis et al CHILDE.A cristalização da Cidade.In:A Cidade na História: suas origens,transformações e perspectivas.Trad:Neil R. dz Silva.São Paulo:Martins Fonte,2008,p.43
(4) MUNFORD,Lewis et al CHILDE.A cristalização da Cidade.In:A Cidade na História: suas origens,transformações e perspectivas.Trad:Neil R. dz Silva.São Paulo:Martins Fonte,2008,p.43
(5) MUNFORD,Lewis et al CHILDE.A cristalização da Cidade.In:A Cidade na História: suas origens,transformações e perspectivas.Trad:Neil R. dz Silva.São Paulo:Martins Fonte,2008,p.44
(6) MUNFORD,Lewis et al CHILDE.A cristalização da Cidade.In:A Cidade na História: suas origens,transformações e perspectivas.Trad:Neil R. dz Silva.São Paulo:Martins Fonte,2008,p.44
(7) MUNFORD,Lewis et al CHILDE.A cristalização da Cidade.In:A Cidade na História: suas origens,transformações e perspectivas.Trad:Neil R. dz Silva.São Paulo:Martins Fonte,2008,p.44

Administração de Materiais

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Este trabalho destina-se a aplicação das teorias lecionadas no curso de administração de empresas, tendo como objetivo principal destacar a importância e preocupação que uma empresa deve ter em sua área administrativa com foco maior na gestão de materiais.

Considera-se de suma importância a boa aplicabilidade da administração de materiais, com o intuito de manter o controle da gestão de materiais em sintonia com os objetivos e metas traçadas pela organização.

Sabendo-se que os custos pertinentes a esta área são normalmente os de maior expressão dentro da empresa, considera-se que os custos representados na compra, armazenamento e movimentação de produtos em estoque mostram o quanto é necessário ter o comprometimento da alta direção, gerando objetivos claros para os gestores de áreas, evitando assim gastos com desperdícios.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
1 OBJETIVOS 
1.1 GERAL 
1.2 ESPECÍFICOS 
1.3 PROBLEMA 
1.4 HIPÓTESES 
1.5 APRESENTAÇÃO DA EMPRESA 
1.5.1 História 
2 METODOLOGIA 
2.1 TIPOS DE PESQUISA 
2.1.1 Pesquisa Bibliográfica 
2.1.2 Pesquisa Documental 
2.1.3 Pesquisa Experimental 
2.1.4 Pesquisa Ex-Post Facto 
2.1.5 Levantamento de Dados 
2.1.6 Estudo de Caso 
2.1.7 Pesquisa-Ação 
2.2 ENCAMINHAMENTO METODOLÓGICO DA PESQUISA 
2.2.1 Case 
3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 
3.1 COMPRAS 
3.2 LOGISTICA 
3.2.1 Logística e Operações 
3.3 ESTOQUE 
3.4 POR QUE EXISTE ESTOQUE? 
3.5 TIPOS DE ESTOCAGEM 
3.6 RESSUPRIMENTO 
3.7 ESTOQUE MÁXIMO 
3.8 ESTOQUE DE SEGURANÇA 
3.9 SISTEMA ABC 
3.10 LOGÍSTICA NA ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS 
3.11 JUST-IN-TIME 
3.12 KAMBAN 
3.13 INVENTÁRIO 
3.13.1 As Operações do Inventario 
3.13.2 As Finalidades do Levantamento do Inventário 
4 ANÁLISE DA EMPRESA 
4.1 DADOS GERAIS DA EMPRESA 
4.1.1 Mercado-Alvo 
4.2 ESTRUTURA DA EMPRESA
4.3 VISÃO 
4.4 MISSÃO 
4.5 PRINCÍPIOS – VALORES 
4.6 CONCORRENTES ATUAIS 
4.7 GESTÃO DE MATERIAIS 
4.7.1 Pneus 
4.7.1.1 Breve Històrico 
4.7.1.2 Questão do Acre 
4.7.1.3 Engenharia de Pneus 
4.7.1.4 Elementos que Compõe o Pneu Radial 
4.7.1.5 Projeto do Pneu 
4.7.1.6 Divisão parte de um Pneu 
4.7.1.7 Carcaça 
4.7.1.8 Talão 
4.7.1.9 Franco/costado 
4.7.1.10 Banda de Rodagem 
4.7.1.11 Estocagem de Pneus 
4.7.2 Oleo Diesel 
4.7.2.1 Produção 
4.7.2.2 Armazenagem 
4.7.2.3 Solubilizada no próprio diesel 
4.7.2.4 Junto com o ar (umidade) 
4.7.2.5 Acidentalmente 
4.7.2.6 Não estoque diesel por muito tempo 
4.7.2.7 Limpeza dos tanques de diesel periodicamente 
4.7.2.8 Efeitos sobre o meio ambiente: medidas de proteção. 
4.7.2.9 Cuidados no manuseio 
4.7.2.10 Efeitos tóxicos 
CONCLUSÃO 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

INTRODUÇÃO

Administrar materiais é uma atividade que vem sendo realizado nas empresas desde os primórdios da Administração.

O objetivo fundamental da administração de materiais é determinar quando e quanto, devemos adquirir, para repor o estoque, o que é possível comprar, estocar, racionalmente, sempre contando com o lado prático e econômico da organização.

Atingir o equilíbrio ideal entre o estoque e consumo é a meta principal dentro do gerenciamento, para tanto, a gestão se inter-relaciona com as outras atividades afins, no intuito de os profissionais envolvidos estarem comprometidos com as técnicas e rotinas, fazendo com que o processo seja considerado como a atividade integrante do sistema de abastecimento.

Administrar matérias, é um tema complexo considerando quase um ‘tabu’ nos currículos das Escolas de Administração, nas Faculdades de Ciências Econômicas e Escolas Técnicas etc…, porém é necessário e importante.

O presente Trabalho de Conclusão do Curso é constituído de uma introdução, metodologias, revisão bibliográfica seguindo da analise do ‘case” e conclusão, abordando os aspectos de gestão de materiais, que representam uma grande parte dos Ativos da empresa ao mesmo tempo em que significam uma excelente oportunidade profissional, principalmente aos Bacharéis em Administração de Empresas.

1 OBJETIVOS

1.1 GERAL

Administração de materiais, referente a compra adequada, armazenagem e controle do consumo de pneus e combustíveis.

1.2 ESPECÍFICOS

• Descrever conceitos, práticas e desafios atuais para a administração de materiais;
• Identificar na administração de materiais indicadores que facilita uma boa administração;
• Analisar modelos de ações, programas e ferramentas utilizadas nas empresas para melhoria na administração de materiais:

1.3 PROBLEMA

As empresas com uma boa Administração de Materiais, aumentaram sua produtividade com menos custos?

1.4 HIPÓTESES

Boa demonstração de um tema aumenta a produtividade com menos custos.

Uma má administração de materiais reduz a produtividade e aumenta o custo.

1.5 APRESENTAÇÃO DA EMPRESA

Ramo de atividade transporte de passageiro , responsável por uma fatia de mercado no estado do Rio Grande do Sul e Mato Grosso, contendo mais de 80 linhas regulares.

1.5.1 História

A empresa foi fundada pelo Sr. Willy Eugênio Fleck em 1º de Setembro de 1939, a sede foi construída na cidade de Crissiúmal no Estado do Rio Grande do Sul, era e ainda é uma cidade pequena mas, na época atendia uma necessidade de uma quantidade de pessoas que tinham que viajar, neste período a partir de 1940 ocorre muita dificuldade em todos os setores em função da própria 2º Guerra Mundial, as estradas eram péssimas os caminhões transportava além da carga pedras para poder tampar os buracos existente nas estradas.

A empresa adotou o gasogênio em função da falta de gasolina, foi desbravadora neste seguimento de mercado tornou-se uma revenda da Ford do Brasil, teve garra na busca de novos negócio. A empresa hoje desfruta de uma excelente posição no mercado, possui 165 veículo (ônibus) atende grande parte do Estado do Rio Grande do Sul e Regiões como Paraná , Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, contamos com parceria com outras Empresas, Planalto, São Pedro, Viação Santa Cruz, a matriz está estabelecida em Porto Alegre, contamos com colaboradores em filiais como , Livramento, Taquara, e Santa Rosa.

2 METODOLOGIA

2.1 TIPOS DE PESQUISA

Os especialistas usam diferentes nomes para as metodologia empregadas na realização dos projetos de pesquisa, porém não existem tanta diferença no conteúdo , entretanto, se diferem de acordo com as fontes bibliográfica utilizadas, os objetivos e o tipo de analise o qual pretende ser feito, seja, quantitativa ou qualitativa, de acordo com os controles das variáveis em estudo (MARCONI, 1990).

2.1.1 Pesquisa Bibliográfica

A pesquisa bibliográfica é desenvolvida com base em material já existente com assuntos retirados principalmente de livros e artigos científicos. Tendo em vista que, em quase todos os estudos seja exigido algum tipo de trabalho desta natureza, há pesquisas desenvolvidas exclusivamente a partir de fontes bibliográficas. Boa parte dos estudos exploratória, é definida como pesquisa bibliográfica. As pesquisas sobre ideologias, bem como aquelas que se propõem à análise das diversas posições acerca de um problema, também costumam ser desenvolvidas quase exclusivamente mediante fontes bibliográficas (GIL, 2002).

2.1.2 Pesquisa Documental

Este tipo de pesquisa é muito parecido com as pesquisa bibliográfica. A diferença essencial entre ambas está na natureza das fontes. Enquanto a pesquisa bibliográfica é utilizado pelos os conhecimentos de diversos autores sobre determinado assunto, a pesquisa documental vale-se de materiais que se recebem ainda em um tratamento analítico, ou que ainda, podem ser reescritos de acordo com os objetivos da pesquisa.

2.1.3 Pesquisa Experimental

O experimento representa o melhor exemplo de pesquisa científica. Essencialmente, a pesquisa experimental, é o que consiste em determinar um objetivo de estudo, classificar ou relacionar as variáveis que seriam capazes de influenciá-lo, verificar as formas de controle e de observação dos efeitos que a variável produz no objeto (GIL, 2002).

2.1.4 Pesquisa Ex-Post Facto

Nesta pesquisa tem-se um experimento que se realiza depois dos fatos. Não se trata rigorosamente de um experimento, posto que o pesquisador não tem controle sobre as variáveis. Todavia, os procedimentos lógicos de delineamento ex-post facto são semelhantes aos dos experimentos propriamente ditos (GIL, 2002).

2.1.5 Levantamento de Dados

As pesquisas deste tipo caracterizam-se pela interrogação direta das pessoas cujo comportamento se deseja conhecer. Basicamente é criado um dicionário com um conjunto de informações a um grupo significativo de pessoas acerca do problema estudado, para em seguida, mediante análise quantitativa, obterem-se as conclusões correspondentes aos dados coletados (GIL, 2002).

Na maioria dos levantamentos não são pesquisados todos os integrantes da população estudada. Antes seleciona-se, mediante procedimentos estatísticos, uma amostra significativa de todo o universo, que é tomado como objeto de investigação. As conclusões obtidas a partir desta amostra são projetadas para a totalidade do universo, levando em consideração a margem de erro, que é obtida mediante cálculos estatísticos (GIL, 2002).

2.1.6 Estudo de Caso

Consiste no estudo profundo e exaustivo de um ou poucos objetos, de maneira que permita seu amplo e detalhado conhecimento, tarefa praticamente impossível mediante outros delineamentos considerados (GIL, 2002).

A maior utilidade do estudo de caso é verificada nas pesquisas exploratórias. Por sua flexibilidade, é recomendável nas fases iniciais de uma investigação sobre temas complexos, para a construção de hipóteses ou reformulação do problema. Também se aplica com pertinência nas situações em que o objeto de estudo já é suficientemente conhecido a ponto de ser enquadrado em determinado tipo ideal (GIL, 2002).

2.1.7 Pesquisa-Ação

A pesquisa-ação tem sido objeto de bastante controvérsia. Em virtude de exigir o envolvimento ativo do pesquisador e a ação por parte das pessoas ou grupos envolvidos no problema, a pesquisa ação tende a ser vista em certos meios como desprovida da objetividade que deve caracterizar os procedimentos científicos (GIL, 2002). A despeito, porém, dessas críticas, vem sendo reconhecida como muito útil, sobretudo por pesquisadores identificados por ideologias reformistas e participativas (GIL, 2002).

2.2 ENCAMINHAMENTO METODOLÓGICO DA PESQUISA

Para realização do presente Trabalho de Conclusão do Curso, foi utilizado a pesquisa bibliográfica, com desenvolvimento de estudo de caso, esta é desenvolvida a partir de consulta em livros, revistas, jornais e internet, utilizando-se conceitos já descritos com embasamento teórico com desenvolvimento de um estudo de caso que justifica-se a escolha deste método de pesquisa por assim entende que, o mesmo permitirá o que Gil (2002) define como “o profundo e exaustivo estudo do problema permitindo um amplo e detalhado conhecimento do mesmo”. Através da metodologia adequada à problemática intitulada: O processo de Melhoria Contínua na organização reduz reclamações de clientes e melhora a qualidade do produto?

2.2.1 Case

A Viação Ouro e Prata S.A vem apresentando bons resultados desde o início de sua fundação devido à sua preocupação em atender da melhor forma possível os seus clientes. Porém, a empresa está se encaminhando para uma situação crucial, onde se torna cada vez mais importante conhecer as necessidades, as exigências e o grau de satisfação de seus clientes. Só assim, a empresa conseguirá continuar crescendo num mercado cada vez mais competitivo.

Com a exigência cada vez maior dos clientes a empresa não tem um programa de avaliação da satisfação dos seus clientes em níveis atuais, e com isso apresenta dificuldades em identificar o nível de satisfação dos clientes externos em relação ao seu serviço de transporte, por exemplo.

Outro fator que preocupa a diretoria é o desconhecimento das percepções dos clientes quanto à qualidade do atendimento dado pelas empresas transportadoras de passageiro, e até que ponto eles consideram importante à eficiência deste serviço.

Uma viagem mal feita pode prejudicar todo o esforço feito pelo pessoal da empresa para atender o cliente da melhor forma possível, e acabar causando irritação ou, quem sabe, até a perda do mesmo.

Percebe-se também na empresa a falta de informações concretas quanto ao grau de satisfação dos clientes em relação ao suporte técnico. É preciso saber realmente se é dada toda assistência técnica que requer o cliente e se está de acordo com suas necessidades. O suporte técnico precisa ser avaliado para que se perceba sua eficiência na solução de problemas.

Então, o trabalho se propõe a responder a seguinte questão:

Como mensurar o nível de satisfação dos clientes em relação à qualidade dos produtos e serviços da empresa para que se tenha conhecimento das necessidades e expectativas dos mesmos?

A pesquisa de satisfação do cliente é, sem dúvida, um assunto de relevante importância no mundo administrativo. A empresa promove estas pesquisas visando resolver a redução de um indicador que existe, o qual é pane na estrada e através das pesquisas identificamos o grande numero de reclamações, desta forma, convidamos periodicamente estes cliente uma visita na matriz mostrando-os nosso sistema de manutenção, preventiva e corretiva, e mostramos o nível de qualidade de material utilizado.

3 REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

Uma boa parte do capital de uma empresa, segundo os mestres está comprometido e representado por aquisições de matérias-primas, equipamentos,máquinas, ferramentas, acessórios, matérias de conservação de manutenção, peças, veículos, material de escritórios, etc..

Hoje nenhum mentor ignora a importância desta administração de materiais dentro de uma organização.

Boas instalações , mão–de-obra altamente qualificada, maquinas de grande capacidade de produção , são meios importantes para alcançar-se uma alta produtividade, porém sem a matéria prima especifica ou seja, a fonte alimentadora para a linha de produção o pessoal altamente especializado e as maquinas de tecnologia de ponta ,cessarão e a organização vai parar acumulando grandes prejuízos, portanto, sem a substãncia básica que dará origem as movimentações de boa parte dos setores da organização será a matéria prima a disposição nas linhas de produção. Desta forma , podemos verificar o quanto é importante, hoje em dia, a administração de materiais, principalmente nas empresas industriais.

Nenhuma empresa vingará, ou poderá melhorar o nível de sua produtividade, se não tiver perfeitamente organizada a sua Administração de Materiais.

Henri Fayol, o mestre sempre citado, em sua magnífica obra ‘ Ciência da Administração” afirma : Prever é perscrutar o futuro, estudá-lo, ver tanto as possibilidades como as inconveniências, para traçar o programa de ação, fazer o plano de trabalho”.

Todo e qualquer movimento interno dentro da empresa seja, pela diretoria ou pela própria gerencia estaremos sempre envolvido com o consumo ou compra de material , é natural e normal que na mesa redonda, onde são debatidos os planos estratégicos estará sendo debatido também a administração de materiais pois significa sempre no planejamento orçamentário um assunto relevante dentro da área financeira de qualquer organização, a importância é tão relevante que na industria principalmente todos os setores da empresa, marketing, vendas, financeira, qualidade, engenharia e produção falarão dentro dos princípios da administração o mesmo assunto materiais, seja, a matéria prima ou semi-acabada.

Atualmente dentro das características econômicas das empresas, as aquisições de materiais, de matérias-primas, etc…, não podem ser feitas de forma impensadas e arbitrária: é perfeitamente lógico que se vamos consumir, para executar determinado plano de produção devemos ter dados estatístico de consumo confiável e um controle de estoque com demandas bem definidas, já que não devemos esquecer que materiais estocado e não utilizados são onerosos, implica em empate de capital, com a conseqüente perda de juros, etc.

Administrar materiais, por certo , não é um trabalho tão simples, onde, o técnico deve simplesmente exercer suas atribuições permanecendo entre as quatro paredes de uma sala sendo orientado por informações de relatórios pelo seus auxiliares; muito pelo contrário um bom administrador de materiais deve estar sempre atento com os setores, verificando, coordenando, comprovando, examinando, conferindo, enfim, pondo-se a par de tudo e todo os tipos de matérias existente na organização respeitando a necessidade e o custo de cada produto e suas variáveis existentes.

O objetivo fundamental na Administração de Materiais é determinar quando e quanto adquirir, para repor o estoque a estratégia do abastecimento sempre é acionada pelo administrador a medida que o material está sendo consumido este processo requer sistema confiável e responsabilidade de cada usuário, no entanto, como a formação de estoque é ponto crucial, induz imediatamente á indagação “por que sempre há falta de material” queixa que geram frustrações, dilema , o consumo sempre ocorre ao mesmo tempo, manter o nível operacional da empresa, suprir os consumidores por meio de adequando atendimento e manter os investimentos em estoques em níveis ideais nem sempre é possível.

Atingir o equilíbrio ideal entre estoque e consumo é a meta primordial e para tanto, uma gestão bem elaborada onde tenha uma relação entre uma atividade e outra afins, com serias intenções, comprometimento profissional entre os setores envolvidos com técnicas e rotinas bem estabelecida, fazendo com que o gerenciamento de materiais, incluindo compras e armazenamento seja considerado atividade integrante do Sistema de Abastecimento. O funcionamento harmônico, depende fundamentalmente das atividades a seguir relacionados:

– Adastramento, compreendido na classificação, codificação e critérios.
– Gerenciamento do estoque, que compreende as atividades de formação do estoque;
– Obtenção do material, que compreende o setor de compras;
– Guarda do material, que compreende, recebimento, armazenagem, conservação e distribuição.

Um fator importante, a que devemos considerar básico, para que tenhamos completo êxito na administração de materiais, é ter-se sempre presente que: “Quanto maior for o prazo para as substituições de produtos ou materiais de consumo no limite mínimo de estoque melhor serão os lucros de capital investido em suas aquisições”.

3.1 COMPRAS

O assunto departamento de compra entendemos ser algo fácil em relação sua importância fácil porque quando falamos a respeito de compras, estamos dizendo do sucesso ou insucesso da operação de uma empresa e principalmente. Da sua rentabilidade.

Quando um comprador sai da sua casa para o trabalho, deve estar sempre consciente de que suas funções são extremamente importantes para os resultados da empresa que representa, como sabemos, até mesmo guerras foram vencidas ou perdida devido á melhor ou á pior atuação de suprimentos nos momentos decisivos, desta forma podemos afirmar, com tranqüilidade, que é essencial para um bom funcionamento de qualquer empresa, obter de forma profissional um departamento de compra competente, muito embora essa afirmativa nem sempre seja compartilhada pelas altas administrações de inúmeras organizações, quando da destinação de maiores recursos para a área e assim normalmente outros setores tem sido bem mais beneficiados.

O dinheiro recebido pelas empresas, decorrente da venda dos seus produtos, é classificado como “receita de vendas” porém toda esta receita estudos demonstram que quase 50% é destinado a fornecedor, conforme demonstra no livro de Material Management, de autoria de Dean S. Ammer como a General Motors(USA) gasta sua receita de vendas, exatamente 50 %. A receita de vendas de uma empresa é tão importante assim, ora então logicamente este percentual significa muito e deve ser trabalhado de uma maneira toda especial, com muito cuidado e técnica.

O volume de dinheiro gasto com fornecedor é variável de uma empresa para outra, depende muito principalmente do ramo de atividade e a natureza da compra o porque afirmamos que um departamento de compras é muito importante para qualquer empresa.

A identificação dos objetivos de um departamento de compras dependerá do nível de abrangência deste perante a própria empresa, ou seja, das atribuições que lhe são confiadas dentro da organização á qual pertence, em principio, um departamento de compras é inerte como atividade de linha, está sempre aguardando o momento de ser acionada por algum departamento dentro da organização.

O departamento de compra tem responsabilidade de trabalhar como um órgão prestador de serviços a todos os departamentos da empresa, com o objetivo adquirir bens /serviços, na qualidade desejada, no momento preciso, pelo menor custo possível e na quantidade pedida. É normal inúmeros departamento de compras terem, a função de aquisição de bens e serviços, quantos aos bens, a compra é dirigida ao departamento de produção e operação da empresa, em relação aos serviço nem sempre a contratação e feito direto pelo departamento de compra mas depende muito do tipo de serviço contratado e a política de cada organização.

As condições de compras e marca, qualidade de cada produto vem exclusivamente pela área solicitante, neste caso, o departamento de compra se responsabiliza procurar o menor preço através da cotação de mercado verificando inclusive os prazo para melhor avaliar a compra. Todos os pedido feito pelos departamentos da empresa se não forem colocados à disposição dos usuários nas datas por eles estabelecidas, pode até não ser mais necessário e o prejuízo poderá ser incalculável, o departamento de compra deve estar sempre afinado com as linhas de produção ou operação da empresa de maneira a atendê-los conforme programação. Qualquer problema que acontecer em relação a entrega de algum produto deve-se imediatamente informar ao solicitante para um reposicionamento a respeito.

O departamento de compra deve respeitar a qualidade de cada item e principalmente buscar o menor custo visando satisfazer o usuário e a empresa, contudo é bastante complexo a execução do compras para algumas empresas o objetivo nem sempre consegue obter o sucesso necessário pois existem a demora do fornecedor para entregar e os pedidos fora da programação, tendo o departamento de compra sem muitas alternativas se não a de comprar de outro fornecedor por um preço bem maior. Outro problema que ocorre no departamento de compras, o material que deve ser adquirido não é definido pelo solicitante e gera duvidas tanto por parte do comprador. Como do vendedor, referencias duvidosas tendem a provocar um atraso na conclusa da compra. Conforme os autores descrevem Costa e Dias (1990, p. 14):

Da mesma forma que as compras em emergência, termos que atuar exaustivamente sobre os focos requisitantes de materiais com especificações erradas, de maneira a reduzir a sua incidência. A médio prazo obteremos sucesso e passaremos a trabalhar com mais facilidade.

3.2 LOGISTICA

Na sua origem, o conceito de Logística estava essencialmente ligado às operações militares. Promovido pelo o avanço das tropas seguindo uma determinada estratégia militar, desta forma os generais tinham sob suas ordens o deslocamento de suas equipes, na hora certa, de munição, equipamentos e socorro médico para o campo de batalha, Porém , não era valorizado e nem tinha prestigio quando as batalhas eram ganhas, eram tratado somente como uma equipe de apoio.

Foi também desta forma vista no inicio, pelas as medias e grandes empresas, uma industria precisa transportar seus produtos da fabrica para o deposito ou para os seus clientes, necessita também armazenar sua matéria prima em quantidade suficiente para garantir os níveis de fabricação desejadas, mas também deve estar preparado para manter produtos em estoque, como exemplo acima com os soldados esta operação era considerado apenas como apoio, a empresa entendia que não havia necessidade de valorizar o setor.

A maioria das industria nasceu no chão de fabrica e só se pensava o nível de produção, tanto que, a maioria destas fabricas contavam com um engenheiro de produção, que por sua vez em nenhum momento agregava valor ao processo logístico apenas aos produtos. Um elemento básico no processo produtivo é o distanciamento espacial entre a industria e os mercados consumidores, e a distancia da fabrica, e os pontos de origem da matérias-primas e outros componentes. Todos os produtos quando saem da fabrica já vem com valor intrínseco a ele agregado, mas este valor ainda está incompleto para o consumidor final, pois ainda temos que colocar este produto em algum lugar desejado. Por exemplo, a geladeira comprada por uma dona-de-casa só gera seu valor intrínseco quando for instalada e passar a refrigerar seus alimentos, o sistema logístico, mesmo o mais primitivo, agrega então um valor de lugar ao produto.

O valor do lugar depende, obviamente , do transporte do produto, da fabrica ao deposito, desta loja, e desta ao consumidor final. Por essa razão, as atividades logísticas na empresas foram por muito tempo confundidas com transporte e armazenagem. No entanto, o conceito do transporte basicamente é deslocar matérias-primas ou produtos acabados entre um ponto e outro geograficamente. Com a evolução do sistema produtivo e do comercio, esse elemento, embora importante, passou a não satisfazer isoladamente as necessidades das empresas e dos consumidores. A partir dos anos de 1960 a logística apareceu em função de fatores pertinente ao produto até então desconhecido pelos executivos das grandes empresas, fatores estes, valor de tempo agregado ao produto, valor da qualidade do produto e o valor da informação, tudo está relacionado na cadeia logística eu ainda arriscaria dizer mais a própria distancia e meio a seguir.

Assim podemos conceituar logística adotando a definição do Council of Logistics Monagement norte-americano. Segundo Novaes (2001. p.34).

Logística é o processo de planejar, implementar e controlar de maneira eficiente o fluxo e a armazenagem de produtos, bem como os serviços e informações associados, cobrindo desde o ponto de origem até o ponto de consumo, com o objetivo de atender aos requisitos do consumidor.

3.2.1 Logística e Operações

Existem cinco principais estágios envolvidos na preparação de um efetivo sistema de gestão do fluxo.

Estagio 1: considerações logísticas no projeto do produto.

As empresas devem considerar fatores logísticos no seu projeto de produtos, este estagia requer um estudo aperfeiçoado do produto(características de entrega) e os meios de produção e de entrega ao cliente. A análise contribui para a movimentação eficiente dos produtos por todo o canal de fluxo mantendo todas as características necessária para o processo. Devem-se considerar ainda as necessidades de suporte pós-venda.as características físicas e o projeto do produto afetarão o tipo e a dimensão do fluxo das peças de reposição, assim como dos componentes de reparo ou renovação. O projeto do fluxo e do produto e da logística deve constar e considerar de forma será efetuado as condições dos clientes e como usará o produto, esta analise também determina uma estratégia em projetar as necessidades reais dos reparos e reposição e identifica quem realizará os reparos e onde.

A segunda parte da fase de projeto logístico envolve a simulação do fluxo real gerado após o projeto do produto. Com o auxilio de informações consolidadas , originadas dos departamentos de pesquisa, compras e produção da empresa e do canal de distribuição, a empresa pode promover u ma simulação dos principais fluxos, desde o transferência, estocagem e embalagens.o projeto logístico do produto utiliza um relacionamento entre diferentes funções – ou seja, entre o departamento de logística e pesquisa e desenvolvimento, e entre marketing e pós-vendas. Da colaboração, métodos e ferramentas gerenciais apropriados devem ser aplicados para refletir uma visão inter-funcional.

Estagio 2: Definição de objetivos

O estágio 2 envolve a definição dos objetivos para gestão do fluxo. Esse objetivos diferem bastante, dependendo do mercado ou produto. Para produtos de consumo, alguns dos objetivos incluem:

• Prazos curtos de entrega(do momento em que é realizado o pedido até o recebimento do produto);
• Tempos de entrega confiáveis;
• Inexistência de falta de produtos em estoque;
• Informações logísticas suficientes associadas à distribuição do produto;
• Capacidade de consolidação de um pedido;
• Qualidade de transporte.

Essa fase essencialmente engloba um estudo de mercado e, conseqüentemente entra no escopo do marketing. Seu objetivo é determinar as expectativas de nível do serviço logístico. Ela assume que existe forte relacionamento entre os gerentes de produto e de vendas.

Os objetivos da gestão do fluxo também podem ser separados de acordo com as categorias de logística- ou seja, por agrupamentos com produtos por necessidades similares de nível de serviço ou manuseio.

Estágio 3: projeto dos sistemas de informação.

Este tem importância especial em relação á gestão do fluxo. A informação na gestão do fluxo vem do fato de que os fluxos físicos são cada vez mais complexos, as operações cada vez mais abrangem maiores áreas e há uma demanda crescente por reações rápidas e tempos de entrega curtos. Tradicionalmente, informações relacionadas ao fluxo eram estáticas por natureza, com grandes bancos de dados em um local. Hoje, a concepção de um sistema de informações requer que os seguintes tópicos sejam considerados:

• Todas as informações geradas e coletadas são transmitidas em tempo real. Mesmo que seja uma instalação, um armazém , em meio de transporte ou container a situação do fluxo deve estar disponível;
• As empresas coletam varias informações sobre o produto, portanto, essas informações devem ser compartilhada entre os participantes da cadeia, tanto interno, quanto externos através do intercambio eletrônico de dados ou electronic data interchange (EDI) e outra formas de comunicação eletrônica ,facilitando a ultima informação de status do produto;
• Por último, o sistema de informações deve ser flexível. Soluções logísticas mudam constantemente.os sistemas de informações deve acompanhar essas mudanças instantaneamente.

Estagio 4: Projeto de um sistema físico

O sistema físico envolve a real organização da rede de entidades que carregam os produtos. Cada participante executa e determina cada papel, conhecido como consolidador, um grande centro de distribuição, um sistema portuário, mas é muito importante se destacar alguns pontos que devem ser considerados:

• A arquitetura global, seguindo de quantidade , localidade de produção e distribuição;
• O local dos centros logísticos e suas funções das necessidade dos clientes;
• Boa política de estoque, em cada local;
• A escolha do transporte, tipo e tamanho apropriado.

Estagio 5: projeto do sistema de gestão.

A gestão de fluxo requer uma definição do planejamento e gestão, deve verificar e controlar se os objetivos são alcançados. É um sistema de regras e procedimentos que promove a execução dos passos necessários. O objetivo maior é a preocupação em fazer com que o planejamento e a gestão do fluxo certifica-se da capacidade de estocagem, e a comunicação das informações possa servir de tomada de decisão em tempo real identificando se o fluxo está respondendo apropriadamente aos fatores externos.

O sistema gerencial deve manter duas características, auxiliar na tomada de decisão, indicando a real situação de fluxo permitindo que gerentes realizem o diagnostico da situação, dos problemas. Em segundo lugar deve ter interface entre os objetivos e as realidades dos fluxos físicos de informação, uma vez projetado, o sistema logístico deve ser operado e gerenciado. A forma deve ser organizada ao longo de três eixos.

• Gestão das atividades físicas;
• Gestão da informação – entrada de dados e processamento;
• Planejamento e gestão das operações.

3.3 ESTOQUE

Estoque conforme Nigel Slack, Roberto Johnston define é a acumulação armazenagem de recursos de materiais em um sistema de transformação. Algumas vezes, estoque também é usado para descrever qualquer recurso armazenado. Assim, um banco teria uma “estoque” de caixa eletrônicos, todavia, apesar de esses recursos de transformação serem tecnicamente considerados “estoque” , porque não são obtidos sempre que um consumidor faz uma solicitação ao banco, eles não são o que normalmente se quer dizer com o tempo estoque. Normalmente , usamos o termo para produto de entrada transformados. Assim uma empresa de manufatura manterá estoque de materiais, um escritório de assessoria tributária manterá estoques de informações e um parque temático manterá estoque de consumidores(quando são consumidores que estão sendo processados, referimo-nos a “estoques” deles como “filas”- a idéia é a mesma , mas “filas” é considerado somente um termo mais delicado). Todas as operações mantêm estoques.

Ao se percorrer qualquer operação produtiva, vê-se diversos tipos de materiais armazenados, em uma empresa de televisores por exemplo, os materiais de limpeza são muito menos importantes do que os estoques de aço, plástico e componentes que também são mantidos. O valor agregado dos materiais de limpeza mantido pela fabrica será consideravelmente menor do que o valor agregado do aço, dos plásticos e componentes. O mais importante a considerar é que a fabrica de televisores não pararia se ficasse sem materiais de limpeza, enquanto que , se ficasse sem peças e componentes, suas atividades seriam muito perturbadas. Contudo materiais de limpeza também deve e pode ser considerado itens de estoque.

Existe também uma diferença na freqüência com que as operações estocam itens. Alguns exemplos de estoque são itens armazenados apenas uma vez na operação. Em um hotel os alimentos entregues são estocados, armazenados porem usados normalmente logo em seguida pelo seus hospedes. De maneira semelhante, nas lojas de varejo, itens são entregues na loja, mantidos, até que sejam pedidos pelo consumidor, e então levados. Em algumas operações , itens são armazenados diversas vezes. Por exemplo, na fábrica de televisores, uma simples peça provavelmente passará por diferentes estágios. Entre os estágios, ela provavelmente terá sido armazenada como estoque.

O conceito de estoques e a sua importância para o aumento da competitividade e eficiência operacional nas empresas. Nos mostra algumas técnicas destinadas a projetar as demandas futuras dos materiais com primordial objetivo de melhorar a performance dos estoques e seus custos, ocasião que gera conflitos muitas vezes entre custos de ter estoque e o custo de renovação de estoque (custo de reposição) é minimizada pela busca da quantidade ideal de compra, refletida pelo cálculo do lote econômico de compra e pelo lote econômico de fabricação.

Algumas técnicas destinadas a dimensionar um estoque adicional para suprir os eventuais problemas de falta de material, originários de atrasos nas entregas programadas por parte dos órgãos supridores(fornecedores) e resultante de oscilações da demanda, em patamares bem superiores àqueles esperados, quer tenham sido motivadas por projeções inadequadas das demandas, ou relacionadas a acelerações de consumo não esperadas, analisando os processos existente podemos resumi-los nos processos de definição das previsões para determinar as necessidades futuras dos diversos materiais, na apropriação adequada dos custos refletidos pelos estoques e cálculos de lotes econômicos e no cálculo de um estoque adicional, conhecido como estoque de segurança destinado a manter um adequado atendimento, mesmo em situações em que ocorram atrasos nas entregas ou acelerações de consumos superiores aos valores médios esperados.

Com todo esse ferramental disponível, resta-nos examinar os procedimentos destinados ao funcionamento operacional dos estoques e seu controle, assim como os critérios que podem ser utilizados na renovação desses estoques. As análises destinadas a avaliar a operação de um sistema de controle de estoques levam à procura de respostas para duas questões básicas que envolvem a administração de materiais:

a) Quando repor?
b) Quanto repor?

A primeira pergunta reflete a necessidade de sabermos o momento exato para renovarmos os estoques de cada item em particular, com a finalidade de manter, de forma adequada e otimizada, a compra destes materiais, visando as necessidades operacionais da empresa. Isso resulta na determinação de certos parâmetros que, devidamente mensurados, nos permitiram responder adequadamente a essa questão.

A segunda pergunta remete-nos à necessidade de definir a quantidade que deverá ser resposta sempre que for detectada uma exigência de renovação do estoque de cada item em particular. Em uma primeira análise, poderemos buscar resposta usando fórmula do lote econômico de compra, resultante da minimização dos custos de posse e custo de reposição do estoques.

Diante destas duas questões, dois sistemas se apresentam como respostas básicas para operacionalizar o controle dos estoques: um sistema que se baseia na determinação do momento ideal para a renovação do estoque, definido pelo instante em que o estoque de um material atinge um certo nível que sinalizará a necessidade de uma reposição; e um segundo sistema, no qual é definida periodicidade em que os estoques serão revistos e, com base nos níveis de estoques existentes nas datas de revisão, são determinadas as quantidades necessárias para a reposição do estoque.

O funcionamento de uma sistema de controle de estoque para melhor compreender dentro do processo baseado em reposição contínuas ou sistema “Q” vamos exemplificar, considerando a demanda de um determinado produto de estoque seja 120 unidades por dia. Levando em contas as flutuações da demanda e do tempo de reposição(TR) desse item de estoques, foi dimensionado um estoque de segurança de 600 unidades.

De acordo com fornecedor e o processo interno destinado à aquisição desse item, são gastos, em média, 10 dias para que o item considerado esteja disponível para consumo. Esse tempo, denominado de tempo de reposição, é contado desde a data em que foi detectado a necessidade de reposição de seu estoque. Com esses dados poderemos desenvolver os conceitos principais de funcionamento do sistema de revisões continuas ou sistema “Q” o determinado ponto de encomenda é representado, em unidade de tempo (dias, semanas, meses), como o tempo necessário para que o item seja reposto e conseguintemente se encontre disponível para o consumo. Levando em conta a taxa de demanda média do item, podemos afirmar que durante o tempo de reposição, serão consumidos em média:

Demanda média ( D ) = 120 por dia
Tempo de reposição (TR) = 10 dias
Consumo durante o tempo de reposição = D x TR
Consumo durante o tempo de reposição = 120 x 10
Consumo durante o tempo de reposição = 1.200 unidades

Determinando estes parâmetro, o sistema de reposição contínuo está perfeitamente definido e pode ser operado sem maiores dificuldades. Esse sistema de suprimentos, considerado como um conjunto de decisões destinadas a determinar os estoques, a quantidade de reposição e o nível de serviço, é conhecido também como um sistema de reposição continua visto que os estoques são continuamente acompanhados, e um pedido do tamanho do lote econômico é efetuado toda vez que o estoque atinge esse nível que é o ponto de encomenda.

Verificando de modo claro para melhor elucidar o principio do funcionamento do sistema de reposição contínuo: um produto de estoque que tem uma demanda semanal de 2.500 unidades com um desvio padrão de 500 unidades por semana, cuja demanda é normalmente distribuída e a de uma semana não afeta a da semana subseqüente. O tempo de ressuprimento desse item, de acordo com informações de seu fornecedor habitual, é o de duas semanas. Com base nos custos de estoques, o gestor planeja e mantêm o lote econômico desse item em 10.000 unidades e pretende manter um nível de serviço de 95% para esse produto (GONÇALVES, 2004 p. 118).

3.4 POR QUE EXISTE ESTOQUE?

Não importa o que está sendo armazenado como estoque , ou onde ele está posicionado na operação; ele vai existir em função de diferença de ritmo (ou de taxa) entre fornecimento e demanda. Se o fornecimento de qualquer item ocorresse exatamente quando fosse demandado, o item nunca necessitaria ser estocado. Quando a taxa de fornecimento excede a taxa de demanda, o estoque aumenta ; quando a taxa de demanda excede a taxa de fornecimento, o estoque diminui. O ponto óbvio a ressaltar é que, se uma operação pode fazer esforços para casar as taxas de fornecimento e de demanda, acontecerá uma redução em seus níveis de estoque. Esse ponto importante é a base da abordagem just in time para estoque.

3.5 TIPOS DE ESTOCAGEM

Estocagem permanente: materiais que foram aprovado pela empresa que devem manter um nível de estoque com parâmetros de ressuprimento estabelecidos para renovação automática do estoque, é necessário sempre existir saldo no almoxarifado.

Estocagem temporário: materiais que não fazem parte do estoque , mas é importante manter no almoxarifado durante um determinado tempo até sua utilização.

3.6 RESSUPRIMENTO

As estimativas exageradas por excesso implicam a imobilização desnecessária de recurso financeiros, alem do congestionamento de areas de armazenagem e da sobrecarga de trabalho de manuseio de materiais e realização de inventários. As reposições em menos quantidades acarretam compras repetidas e urgentes, em condições geralmente desfavoráveis. Estas circunstancias, atendendo ás condições peculiares da empresa, são analisadas os fatores quantidades a serem ressuprida, a fim de evitar os prejuízos decorrentes dos exageros nas estimativas, por excesso ou por falta, e para a fixação, com propriedade, das épocas em que deva ser diligenciado o ressuprimento. Para contornar tais problema, otimiza-se o estoque através de parâmetros bem definidos com os colaboradores envolvido direto no processo, com a finalidade do ressuprimento manter os níveis ajustados em função da lei de consumo, do prazo de reposição, da importância operacional e do valor de cada material.

3.7 ESTOQUE MÁXIMO

Quantidade máxima de estoque permitida para a o material, o nível máximo pode ser atingido pelo estoque virtual, quando da emissão de um pedido de Compra. Assim, a finalidade principal do estoque máximo é indicar a quantidade de ressuprimento, por meio da análise do estoque virtual. Neste cálculo considera-se também além da quantidade o intervalo de cobertura.

3.8 ESTOQUE DE SEGURANÇA

Também denominado estoque mínimo. Quantidade mínima possível capaz de suportar um tempo de ressuprimento superior ao programado ou um consumo desproporcional. Ao ser identificado em um estoque em declínio, indica a condição crítica do material, desencadeando rápida providência, como, por exemplo, a ativação das encomendas em andamento, objetivando evitar a ruptura do estoque, sua quantidade é calculada em função no nível de atendimento/ saída , fixado pela empresa, assim como, também em função da importância operacional e do valor do material, além dos desvios entre os consumo estimados e os realizados e o prazo médio de reposição. A diversificação dos matérias, agravada por fatos, entre os quais merecem destaque crises periódicas de fornecimento e consumo imprevisto, sugere a adoção de fator de segurança para corrigir essas distorções, o qual é estabelecido em função do nível de serviço desejado, de acordo com o consumo normal. o fator de segurança é função da importância operacional e do valor de consumo.

3.9 SISTEMA ABC

A utilização do sistema ABC dentro da área de materiais, ou como muitos autores denominam, classificação ABC foi fundamentada com base em uma estudo realizados por um Economista italiano formado também em Sociólogia e Engenharia chamado Vilfredo Pareto (1848 – 1923), estudou a distribuição de renda entre as populações. Ele verificou que existia uma geral de “má distribuição de renda” uma pequena parcela da população absorvia uma grande percentagem de renda, restando uma maior quantidade da população com um índice pequeno de percentual de renda.

No início da década de 1950, os engenheiros da General Eletric, nos Estados Unidos, sob a orientação de H. Ford Dickei, começaram a estudar esse “efeito de distribuição da renda” buscando o mesmo critério para a administração de materiais na organização pela existência de milhares de item, o estudo teve um excelente resultado pois conseguia diagnosticar os itens de maior representatividade de valor e quantidade consumida no período, conseqüentemente deveria ser objeto de maior atenção na gestão de seus estoques. Este estudo ficou sendo chamado análise ABC e o principal objetivo da análise é identificar os itens de maior valor de demanda e sobre eles exercer uma gestão bem mais refinada, especialmente porque representam altos valores de investimentos e seu controle mais apurado vai permitir grandes reduções nos custos dos estoques.

A elaboração de gráficos com a curva ABC é simples desde que tenha disponíveis os consumos dos itens de estoque e seus preços de aquisição ou ainda seus preços médios devidamente corrigidos para uma mesma data, a correção pode ser utilizada conforme alguns índices econômicos(IGPM, variação do dólar ou outro índice mais adequado). O importante é não permitir que, na elaboração da curva, sejam utilizados preços muito defasados, o que vai provocar uma distorção nos resultados finais. Esta pratica da curva ABC também é normalmente conhecida como lei dos 20/80. isso porque cerca de 20% dos itens representam em torno de 80% do valor de consumo. Também é evidente que este numero pode sofrer algumas variações de acordo com o numero de itens e de cada perfil de empresa.

A elaboração de curva ABC segue alguns passos simples que qualquer planilha eletrônica facilita esta gestão, hoje na administração de materiais já existem programas específicos que elaboram uma boa curva ABC permitindo a gerencia de materiais uma administração confiável.

3.10 LOGÍSTICA NA ADMINISTRAÇÃO DE MATERIAIS

Logística é uma operação integrada para cuidar de suprimentos e distribuição de produtos de forma racionalizada, que significa planejar, coordenar e executar todo o processo, sempre visando o menor custo e ao aumento da produtividade da empresa.

Merece destaque a afirmação de Ronald H. Ballou, em logística empresarial (1995, p.24).

A logística empresarial trata de todas atividades de movimentação e armazenagem, que facilitam o fluxo de produtos desde o ponto de aquisição da matéria-prima até o ponto de consumo final, assim como dos fluxos de informação que colocam os produtos em movimento, com o propósito de providenciar níveis de serviço adequados aos clientes a um custo razoável.

Em conseqüência, deve ser estimulado não só o conhecimento pleno desse processo, como também o desenvolvimento de novos modelos, naturalmente com base em um ponto de vista logístico, para uma moderna e boa administração, certificando um estudo do impacto de tais mudanças. Assim, podemos apresentar uma sistema que possa facilitar uma relação de cliente / fornecedor, contribuindo, dessa forma, na divulgação da logística, assim sendo, facilitando desta forma a eficaz do gerenciamento de estoques. Em face do quadro econômico , a logística surge como ferramenta fundamental para ser utilizada de forma que seja produzido vantagens competitivas. Tradicionalmente, as atividades logísticas tem se concentrado em dois setores diferenciados, suprimentos e distribuição física.

3.11 JUST-IN-TIME

Como o próprio nome informa, a metodologia do just-in-time busca, como objetivo primordial, a produção de bens e serviços eliminar desperdício e quando evoluído passou a ser uma filosofia gerencial mantendo um ciclonismo, no exato momento em que são necessários, minimizando custos, retrabalho e otimizando processos. Esta metodologia que cria mudanças radicais foi introduzida no Japão, na década de 1970, nas linhas de produção da Toyota, por Taichi Ohno, nas instalações da Toyota Motor Company. A filosofia just-in-time, sistema JIT, é simples e poderosa, visto que procura eliminar perda diminuindo o estoque desnecessário, enquanto procura eliminar algumas tarefas que não agrega valor, tendo como meta final melhorar todas as operações que produz os bens e serviços buscando vantagens nas tarefas que agregam valor mantendo somente quantidades necessárias eliminando conseqüentimente disperdícios.

O processo é reduz tamanhos de lotes de matérias que propicia uma significativa redução de custos, pois o estoque médio, por conseqüência, também fica reduzido. Como o custo do estoque é baseado no estoque médio, existe uma relação direta entre este e aquele. Reduzindo os estoques, resultam em menor custo de armazenagem dos produtos. Por sua vez pequenos lotes de entrega implicam abastecimentos mais freqüentes, com redução do tempo de reposição e, conseqüentemente, redução do estoque de segurança. Uma variável importante na determinação dos estoques de segurança é o tempo de reposição. Quanto maior o tempo de reposição, maior será o estoque de segurança e maior também será o seu custo. O foco principal do sistema just-in-time está voltado para a manufatura e, mais especificamente, para suas linhas de produção.

Requer produtos de alta qualidade, normalmente controlado na fonte pelo os próprios colaboradores, este processo exige um treinamento e uma capacidade adequados para que os colaboradores possam atuar de forma segura e eficiente (GONÇALVES, 2004, p. 177).

Situação na abordagem tradicional:

• foco da utilização da capacidade;
• mais produção a Cada estágio;
• produção forma estoques devido às paradas nos diversos estágios;
• altos estoques escondem problemas nas linhas de produção e na qualidade dos materiais; 
• mais paradas devido aos problemas.

Situação na abordagem JIT:

• foco na produção quando necessária;
• produção enxuta, sem estoques;
• menor utilização das capacidades;
• baixos estoques expõem problemas;
• menos paradas na produção.

Abordagem conforme Gonçalves (2004, p. 178)

Embora o sistema JIT seja extremamente simples, sua utilização prática requer um sistema de produção enxuta, com baixa instabilidade de demanda. Como os níveis de estoques que transitam ao longo da linha de produção são reduzidos, o risco de paralisação do processo de produção é bem maior visto que a produção sendo sincronizada em pequenos lotes, há poucos estoques intermediários entre os postos de trabalho e qualquer evento que cause interrupção no fluxo paralisa integralmente toda linha de produção.

Just-in-time horário – É uma prática que vem sendo testada no Brasil no setor de automobilístico. Esse processo de fornecimento de peças e componentes automotivos fabricados pela manufatura de autopeças é muito apoiado nos modernos conceitos da tecnologia da informação. O fornecedor de peça tem sempre em sua fabrica um terminal, onde acompanha o momento exato de quando uma determinada linha de produção está necessitando a peça este mesmo fornecedor encaminha um lote deste produto, é evidente que esse processo requer uma grande parceria entre o fornecedor e montadora, assim como o perfeito sincronismo nas respectivas produções e um alto nível de qualidade dos produtos fornecidos. O sistema JIT busca a eliminação dos desperdícios e do retrabalho por ter como meta a qualidade total; procurando eliminar todos os estoques desnecessários, otimiza o processo de produção reduzindo os lotes de fabricação; envolve os empregados e os fornecedores neste processo.

São sete os tipos de desperdícios listado no sistema JIT: desperdício de superprodução, desperdício de tempo de espera, desperdício de tempo de transporte, de tempo de processamento, de movimentação interna, de produção sem qualidade e de excesso de estoques.

Embora o sistema JIT necessite de um programa mestre de produção estabilizado com base nas projeções diárias da demanda, podendo utilizar um sistema visual de controle sem necessidade de sofisticados sistemas computacionais, é perfeitamente possível integrar sistemas JIT com MRP mantendo uma produção e movimentação transparente e confiável em toda linha da fabrica.

3.12 KAMBAN

Técnica japonesa na gestão de materiais e de linha de produção em tempo real (exato) no processo produtivo, por controle visual ou auditivo. Trata-se de um modelo de sistema conhecido de ‘puxar’ em japonês significa marcador, onde no centros de trabalho é sinalizado por um cartão, por exemplo, é necessário retirar peças das operações de alimentação entre o inicio da primeira atividade até a conclusão da ultima , em uma serie de atividade.

Diz Gonçalves (2004, p. 181):

O grande objetivo da utilização do kamban é o controle da tranferência de material de um estágio para outro da produção. Por ser um sistema simples e visual, são utilizados normalmente quadros de aviso ou cartões que permitem avisar ao estágio antecendente de que o próximo estágio necessita ser abastecido.

3.13 INVENTÁRIO

O inventário fez parte da história com a linguagem “vulgar” , e com aquele que absorvemos do latim, “inventarium” , assim ocorreu como refere o jurisconsulto Juliano (p.117 – 169) depois de cristo, ao escrever: “tutor qui repertorium non fecit, quodvulgo inventerium appelatur…..”.

No dizer de Juliano, a expressão Clássica era repertório, mas, dita pelo vulgo: inventário. No século seguinte, já se lê, em Ulpiano, a expressão “inventerium”, sem referencia de que fora absorvida da linguagem cotidiana, ou usual, estando, assim, o termo, consagrado para significar “o que se encontra”.

Em vez de “frepertus”, como “ação de encontrar” ( como a emprega Apuleio), o vulgo passou a preferir “inventarium”, e esta foi a palavra a consolidar-se , embora a utilização do termo já existisse, nesse sentido, ao que parece, ao tempo de Caio Julio César.

O primeiro livro que contém matéria contábil sobre as partidas dobradas, ou seja, o de Fra Luca Paciolo, em 1494, já no capítulo segundo do “tractatus” apresenta: Da primeira parte principal deste tratado, dita inventário, que processo é o iventário e como entre comerciantes deve ser feito. Paciolo fornece a “norma” e os “conceitos”

Que sempre se escreve em uma folha ou em um livro à parte aquilo que se encontra ou se tem de móveis e de imóveis, começando sempre pelas coisas de maior valor e mais fáceis de serem perdidas, como são os dinheiros, pratas, etc….., para o frei franciscano, que espelhava, em seu trabalho, as práticas contábeis que se haviam estratificado entre 1250 e 1280 , segundo os historiadores da Contabilidade mais notórios (Federigo Melis, Storia della Ragioneria, Zuffi, Bolonha), o inventário estava conceituado como “relação sobre o que se tem ou se encontra”. No capítulo terceiro, volta o emérito autor a tratar da “forma exemplar com toda a solenidade no inventário requerida”. Segundo pode observar-se, a formalidade do inventário, naquele fim do século XV (o exemplo que Paciolo dá tem a data de 8 de novembro de 1493) era de uma “solene descrição”dos haveres, encontrados a expressão é “in prima mi trovo de contanti….”). trata-se de uma relação, com uma redação pormenorizada abrangendo bens do ativo e do passivo.

A forma do inventário é de mera “relação de coisas encontradas, possuídas ou devidas. O conceito jurídico era, à época predominante sobre qualquer outro, em várias peças e atos contábeis.

As expressões “inventario” e “balanço”, na obra de Paciolo, não se confundem o termo balanço do livro é usado pelo frei no sentido de equilíbrio de contas que se saldam.

A definição clara que dá de inventário é a seguinte, lista de bens que o homem encontra. Em sua origens, desde as remotas até as do amadurecimento das partidas dobradas, ou seja, até o século XIX, não há, na essência, discrepância sobre o conceito de inventário, como uma relação de elementos encontrados, por verificação, abrangendo todo o patrimônio , exceção feito ao patrimônio liquido, ou capital próprio. Genericamente, o inventário é a descrição de um conjunto de coisas, para a contabilidade, inventariar é proceder a um levantamento global, metódico, dos bens patrimoniais existentes em uma empresa, relacionando-os por seus valores, quantidades e classificação. Podemos dizer, que o inventário, tem por finalidade apresentar uma relação de todas as existências, objetivando atingir uma necessidade de apuração ou verificação de um estado do patrimônio.

Alguns entendem que o inventário seja somente relativo aos bens de venda, como: mercadorias, materiais, etc…, tendo validade, apenas, para apurar o resultado; outros afirmam que não só o inventário é amplo e atinge a todos os elementos do patrimônio, como também tal levantamento é imprescindível para se ter uma fidelidade nos balanços, visto que estes demonstram valores sintéticos e o inventário, vai demonstrar analiticamente a composição destes valores.

O inventário, não pode restringir-se a apuração de resultados, que o seu conceito, há de ser amplo e que os levantamentos devem ser realizados para constatar a existência dos elementos que compõem todo o patrimônio. Em resumo, podemos ter como conceito de inventario, a relação parcial ou total dos elementos que constituem o patrimônio de uma entidade, em determinado momento.

3.13.1 As Operações do Inventario

O inventário, como levantamento dos elementos de um patrimônio ou de parte sua; requer em serie de operações necessárias a sua formação, que compreende:

– o reconhecimento exato de todos os elementos que irão compor o levantamento;
– a classificação dos elementos levantados em grupos ou sub-grupos homogêneos, atentando-se para a natureza, a destinação, a origem, ou outros critérios, variando conforme o fim para o qual os inventários se destinam;
– a enumeração ou medição da quantidade em determinadas medidas métricas, ou não, ou dos números dos elementos de um patrimônio ou das proporções deste, ou ainda de bens de terceiros, necessários a individualização dos elementos identificados; 
– a avaliação dos elementos patrimoniais, que em alguns inventários poderá ser omitida;

A descrição dos vários componentes do patrimônio mais ou menos ampla e minuciosa, de acordo com a finalidade do inventário. Em todas as atividades da vida, em tudo aquilo que se pretenda fazer, é necessário escolher uma certa maneira de executar determinado trabalho, para que este seja reaqlizado da maneira mais justa possível. O inventário também não escapa a esta regra. o levantamento inventarial deve ser planejado e preparado.

O levantamento do inventario é uma noção coletiva, e compreende todos os trabalhos de preparação, de elaboração e de controle. Assim , o trabalho divide-se em três partes principais ou fases.

Pré – inventarial , esta fase, começa de 6 a 10 semanas antes do dia do levantamento efetivo. Esta antecedência é necessária para organizar todos os serviços que devem ser executados e para tomar as providencias para a boa execução das tarefas estipuladas, a data do encerramento do ano, já deve ser conhecida pelos levantamentos anteriores, ou, para as entidades novas, tem de ser escolhida.

Temos que determinar os dias que iremos necessitar para os trabalhos de levantamento, ou seja, os dias em que encerramos as portas para o expediente externo. Devemos providenciar o pessoal necessários, convenientemente preparado. Providenciar espaço suficiente que possibilite a ordenação do material a ser levantado, o que ajuda a assegura uma contagem mais rápida e mais segura. Estabelecemos todos os lugares onde deve ser feito o levantamento, como: loja, depósito, almoxarifado, escritório, etc, para evitar omissões.

A administração providencia informações sobre os elementos pertencentes para a devida separação dos bens próprios da empresa. Compreende este grupo: mercadorias em conserto dos clientes, mercadorias vendidas e faturadas porém não fornecidas, mercadorias recebidas dos terceiros em consignação e outras. É necessário determinar uma “limpeza geral” dos estoques, com essa finalidade verificamos as mercadorias quebradas, inutilizadas, obsoletas, sem valor comercial,, e elimina-las do estoque. O relatório sobre os elementos eliminados é entregue a contadoria para tomar as providências cabíveis. A eliminação das mercadorias sem valor, é uma necessidade econômica sob os mais diversos pontos de vista:

a) ocupam lugar, sobre o qual podemos estar pagando aluguel.
b) O aspecto do estoque torna-se obsoleto.
c) Ocupa espaço onde poderia estar mercadorias facilmente vendáveis.
d) O capital investido em estoques inúteis não pode ser aproveitado na compra de estoque úteis.

Algumas das providencias acima citado, refere-se também identificar neste momento do inventario, mercadorias que chegam ou as que são entregues no dia do inventario, não convém incluir no levantamento, porém deve-se colocar nos documentos (notas fiscais) um carimbo : ‘recebido depois do inventário’ ou ‘entregue depois do inventário’ devemos preparar e organizar o serviço do modo que melhor preencha as finalidades de um levantamento. No dia e na hora

Previamente determinada, os levantadores, iniciam a contagem, cada um no seu local antecipadamente designado. Todos conhecem as instruções já antes recebidas referentes as operações a cumprir no levantamento do inventário.

3.13.2 As Finalidades do Levantamento do Inventário

Na definição de inventário, dissemos que são diversas finalidades deste e, na verdade, são tantas quantos forem os sistemas nos quais se pode considerar o patrimônio aziendal, ou seja, uma estação por assim dizer, que não é necessariamente uma estação de chegada, mas que pode ser e é mais, uma estação de partida.

Vive ele do presente, ignora o passado e não olha para o futuro, e assim, especialmente, está a sua função permanente de espelhar o estado atual do patrimônio ou uma parte dele.

O patrimônio de uma sociedade pode ser examinado, como sabemos, em diversos sistemas ou fases e, por outro lado, distintamente, em relação ás empresas e as entidades. Portanto, nas empresas o inventário poderá ser elaborado, nas fases de constituição, funcionamento ou gestão, liquidação. Cisão, transformação ou fusão.

Assim, nas entidades poderá haver inventários nas fases de formação, liquidação, transformação e fusão, bem como na fase de constituição ou fundação. Entretanto, é antitécnica a elaboração de um inventário sem que não seja clara e definida a finalidade para a qual é feito, em relação não somente a avaliação, mas também as outras operações que são requeridas uma vez que tudo é realizado para aquela finalidade: o reconhecimento, a classificação, a enumeração e medição e, especialmente, a descrição dos elementos do Ativo e Passivo.

4 ANÁLISE DA EMPRESA

Em 1º de Setembro de 1939, no mesmo dia em que estourou a 2º Guerra Mundial, na praça de Crissiumal, Willy Eugenio Fleck, Raimundo Fleck e Willibaldo Horst fundaram a empresa Crissiumal. Havia um caminhão de passageiros misto, ano 1939, e dois caminhões de carga, ano 1937, todos da marca Ford.

Já em 1940, a empresa adquiriu o primeiro ônibus fechado, pioneiro absoluto da Região. Existiam, nesse momento, um ônibus e três caminhões de carga para transporte de fumo e mercadorias.

Aparecem, porém, dificuldades em todos os setores. As chuvas transformavam as estradas em atoladores intermináveis. Pedras eram carregadas nos próprios caminhões a fim de tapar os buracos das estradas que presentavam-se intransitáveis. As estradas eram de difícil trânsito, por isso um caminhão puxava o outro através dos atoladores. A 2º Guerra Mundial caracterizou o período por uma grande crise: a completa falta de gasolina. Foi necessário, então, que a firma adotasse o gasogênio para solucionar o problema do transporte, sendo este adaptado a um caminhão Ford, ano 1942.

Com um ônibus e três caminhões de carga, todos a gasogênio, a empresa prosseguiu, enfrentando os mais variados obstáculos e dificuldades em busca da terra brasileira, também envolvida no conflito mundial.

Em 28 de dezembro de 1944, com o constante crescimento do Município de Três Passos, a empresa decide abrir uma oficina nesta localidade. Como Três Passos é uma cidade ligada comercialmente a Ijuí, a empresa começa a atender as comunidades destes municípios.

Instalados em Três Passos com uma modesta seção de peças, oficina de venda de gasolina, óleos e pneus, a empresa Willy E. Fleck & Cia. Ltda. decidiu alterar a designação de “Empresa Crissiumal” para “Pioneira”.

Mas não era somente no transporte de passageiros e cargas que a empresa destacava-se nesta Região, pois foi com pioneirismo e garra que sempre buscou novos e variados setores. Foi então que a partir de 1956 a Fleck S.A. Indústria, Comércio e Importação tornou-se um Revendedor Autorizado da Ford do Brasil S.A., sendo a primeira da Região a lançar no mercado veículos unidos diretamente na fábrica. Neste segmento, destacou-se já nos primeiros anos entre os dez maiores revendedores de unidades Ford do Rio Grande do Sul.

Trabalhando com linhas de ônibus que conectavam quase todas as cidades do Alto Uruguai com Ijuí, Santo Ângelo e Santa Rosa, a Fleck S.A. comprou, em 1959, duas quotas da empresa Ouro e Prata de Transporte Ltda. Durante os anos que seguiram a esta compra, a empresa Ouro e Prata de Transporte Ltda. procurou alargar os horizontes de seu campo de ação, iniciando em primeiro lugar a ligação Santa Rosa/Porto Alegre, Carazinho/Porto Alegre e mais tarde Porto Alegre/Santo Ângelo. Posteriormente, a empresa passou a atender as linhas Bagé, Livramento e Dom Pedrito, todas ligando a Região da Fronteira à Metrópole Gaúcha.

Sendo a Fleck S.A., Indústria, Comércio e Importação acionista da Fleck Motoviaturas S.A., firma localizada na Rua Ramiro Barcelos, 430, em Porto Alegre, decidiu-se transferir a sede da empresa Ouro e Prata de Transporte Ltda. de Ijuí para Porto Alegre. Isso fez com que o Diretor Presidente da empresa, Sr. Willy E. Fleck decidisse fixar residência na capital gaúcha. Neste momento, a sede da Ouro e Prata passa a ser na Rua Edu Chaves, 101, em Porto Alegre, com espaço para aproximadamente 30 ônibus, o que era suficiente por algum tempo.

Com o crescimento da empresa e a falta de espaço para estacionar todos os ônibus da frota, a empresa mudou-se para Frederico Mentz, 1419, onde se encontra instalada até hoje. Esta é a história da Viação Ouro e Prata, uma empresa que desde o princípio buscou ser pioneira no segmento de transportes, trabalhando sempre com qualidade, segurança e conforto. Por toda sua história e comprometimento com o futuro, segue servindo a você, sua família e a comunidade.

4.1 DADOS GERAIS DA EMPRESA

4.1.1 Mercado-Alvo

O mercado-alvo da Viação Ouro e Prata são as pessoas com necessidade de deslocamento entre as localidades atendidas pela empresa. De acordo com a Pesquisa de Satisfação de Clientes os motivos mais freqüentes pelos quais os clientes utilizam a Viação Ouro e Prata nos serviços Intermunicipais.

4.2 ESTRUTURA DA EMPRESA

4.3 VISÃO

Ser uma empresa padrão em qualidade, referencial no segmento de transportes de passageiros, produtiva e comprometida com a excelência dos serviços prestados.

4.4 MISSÃO

Facilitar o deslocamento das pessoas, buscando a satisfação dos clientes, colaboradores, acionistas, governo e fornecedores, com seriedade, eficiência e qualidade.

4.5 PRINCÍPIOS – VALORES

• Segurança;
• Atualização técnica;
• Eficiência;
• Aprimoramento;
• Cortesia no tratamento ao cliente, às comunidades, aos colaboradores, aos poder concedente, aos fornecedores, prestadores de serviços e acionistas;
• Respeitar a comunidade e o meio ambiente.

4.6 CONCORRENTES ATUAIS

Os concorrentes atuais da Viação Ouro e Prata no segmento intermunicipal são o transporte clandestino e o transporte particular. Em alguns trechos, a empresa Unesul é concorrente, pois faz os mesmos trajetos através da modalidade interestadual, a qual possui o valor da passagem bastante inferior. Nesse caso, os clientes que valorizam o preço baixo acabam por optar pela Unesul. No segmento interestadual os principais concorrentes identificados são: a empresa de transporte aéreo Gol e Rio Sul e as empresas rodoviárias Penha, Satélite e União Cascavel.

a) Clientes Atuais

A Viação Ouro e Prata destina seus produtos e serviços para as pessoas com necessidade de deslocamento situadas nas cidades atendidas pela empresa.

b) Fornecedores

A Viação Ouro e Prata possui uma relação de parceria com seus fornecedores, os principais são: fornecedores de ônibus (carroceria e chassi), fornecedores de combustível e lubrificantes, fornecedores de pneus e de autopeças.

c) Venda

A venda das passagens intermunicipais e interestaduais ocorre da seguinte maneira:

– Guichês da Rodoviária: a venda das passagens intermunicipais é feita tão somente nas rodoviárias das cidades atendidas pela empresa;
– Ponto de Venda da Empresa Dentro das Rodoviárias: vende exclusivamente passagens interestaduais da Viação Ouro e Prata;
– Agentes Comissionados: a venda de passagens interestaduais, também ocorre através de agentes comissionados;
– Internet: o site da rodoviária de Porto Alegre efetua a venda de passagens da Viação Ouro e Prata, disponibilizando o serviço de tele-entrega.

d) Pós-Venda

Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC): disponibiliza uma linha 0800 para informações, reclamações e sugestões. O cliente ao entrar em contato com o SAC é cadastrado em um banco de dados, para contatos futuros. O tempo de resposta deste serviço é de dois dias úteis.

4.7 GESTÃO DE MATERIAIS

Durante os anos 60, 70 e 80 já existia na empresa uma administração manual bem definida em materiais, porém, tanto os documentos de entrada como os de saída eram feito de modo simples, o controle de estoque feito através das fichas de kardex, os produtos adquiridos tinham uma rotina estabelecida onde todas as notas fiscais quando recebida passava pelo o almoxarifado que por sua vez tínhamos uma pessoa que definia o documento de entrada e planejava junto com o financeiro a espera da duplicata, esta vinha com a relação de todas as notas referente as compras feito do período, após este processo tinha ainda o confronto da fatura anexada as notas fiscais com a duplicata a qual estava sendo cobrado, assim sendo, era enviado para a contabilidade onde eram feito todos os registros necessários.

Os tempos foram muito difíceis pois a era da informática estava nascendo os computadores eram muito caro o custo do investimento sempre e muitas vezes questionado pela alta direção os funcionário envolvido não tinham conhecimento e nem uma boa cultura educacional já que para muitos que estudavam neste período o ensino fundamental já era suficiente para aquisição de uma vaga na maioria da medias e grandes empresas, não existia uma cultura de critérios com relação ao ensino e escolaridade de algum e outro pretendente para o emprego.

Neste período também tudo era com fartura as compras de materiais tanto para o estoque e consumo sofria poucas cotações os poucos fornecedores de certos produtos trabalhavam com bastantes prazos para pagamento, enfim embora as dificuldades os controles de estoque eram eficiente mas muito difíceis conseguir a eficaz, já que, controlar mais de 3.000 (três mil) itens manualmente com direito a revisão periódica da existência e correção de estoque provia de muita habilidade e conhecimento.

A partir dos anos 80 para 90 adquirimos já um sistema de controle de materiais informatizado, tendo muita dificuldade na implantação até pelo fato de ter recebido junto um controle de frota para a manutenção preventiva, corretiva, controle de pneus e outros componentes para os veículos, foi um verdadeiro avanço em termo de tecnologia, porém, junto com a tecnologia vem a mão-de-obra despreparada e deficiente, mas tendo em vista que, os colaboradores não tinham conhecimento e pouca escolaridade ficou cada vez mais difícil conseguir montar um plano de implantação a curto prazo.

A empresa começou uma estratégia de treinamento e conscientização para todos os colaboradores envolvido na implantação e operação do novo sistema e foi muito interessante o envolvimento de todos, e o melhor de tudo é que houve mudança comportamental do grupo e todos se sentiram valorizados este processo além do fato de ter melhorado o controle de materiais promovendo uma gestão confiável a empresa ficou organizada, limpa e com todas as informações integrada, ou seja, cada documento de entrada gerado em uma compra pelo o Departamento de Compra, a nota fiscal é lançada pelo o setor de Estoque (ANEXO 01), este atualiza o estoque alimenta o Contas à Pagar, o Departamento Financeiro e a Contabilidade gerando assim todos os relatório necessários para uma eficiência gestão.

Todas as compras são centralizado na matriz e quando necessário a matriz compra alimenta o estoque e efetua uma transferência para uma filial, facilitando a operação e gerando um melhor gerenciamento, todo e qualquer movimentação de peças e serviços ocorrido nas filiais é vista de forma fácil pela matriz.

Aproveitando o novo sistema o qual contemplava uma melhor gestão no Departamento de Compras foi implantado o sistema de barra em todos os materiais do almoxarifado, vejo hoje com grande satisfação como facilitou o processo (ANEXO 02). Toda compra é sistematizada de acordo com a demanda diária com parâmetros flexíveis onde temos como parâmetrizar de acordo com a curva ABC, baseado no ultimo consumo media anual.

A sugestão de compra é emitida automático pelo sistema, facilitando desta forma uma avaliação pelo comitê existente de compra o qual fazem parte deste comitê a Diretoria Administrativa, Diretoria Financeira, Gerencia de Manutenção, Gerencia de Compras, Encarregados de Áreas e os Membros do Departamento de Compras, ocorre uma compra por semana e o comitê se reúne, juntos fazem uma avaliação em termo de quantidade e necessidade de cada item, por área de atuação, respeitando sempre a demanda de consumo, esta é definido pela gestão. Toda a reunião de compras ocorre uma vez por semana podendo desta forma criar um planejamento financeiro junto com o contas à pagar determinando o valor a o período o qual deve ser pago cada fatura inclusivo as datas dos vencimentos, este processo além da programação facilitou muito os níveis de estoque , ou seja, não temos mais necessidade de alguns item manterem grande quantidade em estoque.

Pneus e combustíveis nos tratamos um pouco diferentes os estoque são bem mais reduzido até por que o movimento diário é bem expressivo a nível financeiro, desta forma, julgamos necessário uma gestão localizada, ou seja, temos grandes parceiros responsável pelo o fornecimento destes produtos em relação a Diesel, trabalhamos com o máster aditivado, metropolitano, e com contrato estabelecido com a Cia Distribuidora onde o preço e as quantidades já estão acordado, mantendo desta forma somente o estoque necessário, os pneus mantemos um estoque razoável em função dos preços que sofrem uma variação muito grande,assim como também ,muitas marcas e tipos nos fornecedores não tendo preocupação em falta destes produtos.

4.7.1 Pneus

Durante 1ª década do seculo XX, os pneus não resistiam mais do que 3 mil km. Os fabricantes trabalhavam no aperfeiçoamento do novo produto, e entre 1897 á 1903 algumas destas industria pneumática patenteavam os primeiros pneus sem camaras. E criavam, também , uma máquina para fabricação de pneus em série. As mudanças qualitativas nos pneus e na sua fabricação, e a abertura de novos campos de atuação, aconteciam rapidamente nas cia de pneus.

4.7.1.1 Breve Històrico

Hevea brasiliensis, nome popular, siringueira, seringa-verdadeira, cau-chu, árvore-da-borracha, seringueira-preta, seringueira-branca.

Caracteristicas morfológicas, planta lactescente mde 20-30m de altura, co tronco de 30-60cm de diâmetro. Folhas compostas trifolioladas, com foliolos membranáceos de glabros.

Ocorrências, região amazônica, na margem de rios e lugares inundáveis da mata de terra firme. Existe na floresta amazônia mais 11 espécies de seringueira, toda do gênero havea e muito perecidos com essa espécie.

Seringueira é uma arvore da família das hevea de folhas compostas, flores pequeninas e reunidas em amplas panículas, com fruto em um agrande cápsula com sementes ricas em óleo, cuja madeira é branca e leve, e cujo létex se fabrica a borracha natural. A seringueira é originária da bacia hidrográfica do Rio Amazonas, onde existia em abundância e com exclusividade, caracteristicas que geraram o extrativismo e o ciclo da borracha, periodo da história brasileira de muita riqueza e pujança para a região amazônica no ano de 1830.

A borracha natural é uma materia prima estratégica, formando com o aço e o petróleo um dos alicerces industriais da humanidade. Cerca de 80% da produção mundial é proveniente de pequenas propriedades rurais do sudeste asiático(Tailândia, Indonésia e Malásia), e aproximadamente 70% da produção total vai a indústria de pneumáticos. O Brasil de primeiro e único exportador de borracha natural no inicio de século XX, hoje importa 63% do seu consumo interno, produzindo 1% do total mundial.

O desenvolvimento tecnológico e a revolução indústrial, na Europa, foram o estopim que fizeram da borracha natural, até então em 1832 um produto exclusivo da Amazona, um produto de muita procura, valorizado e de preço elevado, gerando lucros e dividendos a quem quer que se aventurasse neste comércio. Desde o inicio da segunda metade do século XX, a borracha passou a exercer forte atração sobre empreendedores visionários. A atividade extrativista do látex na Amazônia revelou-se de imediato muito lucrativa. A borracha natural logo conquistou um lugar de destaque nas indústrias da Europa e da América do Norte, alcançando elevado preço. Isto fez com que diversas pessoas viessem ao Brasil na intenção de conhecer a seringueira e os métodos e processo de extração, a fim de tentar lucrar de alguma forma com esta riqueza. Através da extração da borracha, surgiram as cidades de Manaus, Belém e outros povoados, depois também transformados cidades.

A primeira fábrica de produtos de borracha (ligas elásticas e suspensórios)surgiu na França, em Paris, no ano de 1803. contudo, o material ainda apresentava algumas desvantagens: à temperatura ambiente, a goma mostrava-se pegajosa. Com o aumento da temperatura, a goma ficava ainda mais mole e pegajosa, ao passo que a diminuição da temperatura era acompanhada do endurecimento e rigidez da borracha. Foram os índios centro-americanos os primeiros a descobrir e fazer uso das propriedades singulares da borracha natural. Entretanto, foi na floresta amazônica que de fato de desenvolveu a atividade da extração da borracha, a partir da Seringa ou Seringueira como árvore da fortuna.

Com a extração da borracha em alta e distribuída ao mundo inteiro, tivemos dentro da história os Coronéis de Barranco ou Empresários Seringalistas, com o início da demanda os empresários “Seringalistas” estabeleceram na Amazônia um sistema de semi-escravidão capitalista. Eles obrigaram grande parte da população indígena de forma violenta a trabalhar para eles, transformando-os em “caboclos seringueiros” Os trabalhadores nordestinos, que vieram na Amazônia em busca de emprego, caíram logo na dependência econômica dos Seringalistas e se tornaram os “seringueiros nordestinos”.

A idéia de construir uma ferrovia nas margens dos rios Madeira e Mamoré surgiu na Bolívia, em 1846. como o pais não tinha como escoar a produção de borracha por seu território, era necessário criar alguma alternativa que possibilitasse exportar a borracha através do Oceano Atlântico. Esta idéia inicial optava pela via da navegação fluvial, subindo o rio Mamoré em território boliviano e depois pelo rio Madeira, no Brasil. Mas percurso fluvial tinha grandes obstáculos: vinte cachoeiras impediam a navegação. E foi aí que cogitou-se a construção de uma estrada de ferro que cobrisse por terra o trecho problemático.

Em 1867, no Brasil , também visando encontrar algum meio que favorecesse o transporte da borracha, os Engenheiros José e Francisco Keller organizaram uma grande expedição , explorando a região das cachoeiras do Rio Madeira para delimitar o melhor traçado, visando também a instalação de uma ferrovia, embora a ideía da navegação fluvial fosse complicada, em 1869, o engenheiro Norte- Americano George Earl Church obteve do governo da Bolívia a concessão para criar e explorar uma empresa de navegação que ligasse os rios Mamoré e Madeira. Mas, não muito tempo depois, vendo as dificuldades reais desta empreitada, os planos foram definitivamente mudados para a construção de uma ferrovia. As negociações avançam e, ainda em 1870, mesmo George recebe do governo brasileiro a permissão para construir então uma ferrovia ao longo das cachoeiras do Rio Madeira.

4.7.1.2 Questão do Acre

Mas o exagero do extrativismo descontrolado da borracha estava em vias de provocar um conflito internacional. Os trabalhadores brasileiros cada vez mais adentravam nas florestas do território da Bolivia em busca de novas seringueiras para extrair o precioso látex, gerando conflitos e lutas por questões fronteiriças no final do século XIX, que exigiram inclusive a presença do exercito, liderado pelo militar Plácido de Castro. A república, recém proclamada, tirava o máximo proveito das riquezas obtidas com venda da borracha, mas a questão do Acre(como estava sendo conhecidos os conflitos fronteiriços por conta do extrativismo da borracha) preocupava. Foi então a providencial e inteligente intervenção do diplomata Barra do Rio Branco e do embaixador Assis Brasil, em parte financiados pelos barões da borracha, que culminou na assinatura do tratado de Petrópolis, assinado em 17 de novembro de 1903 no governo do presidente Rodrigues Alves.

Este tratado pôs fim à contenda com a Bolívia, garantindo o efetivo controle e posse das terras e florestas do Acre por parte do Brasil. O Brasil recebeu a posse definitiva da região em troca de terras de Mato Grosso, do pagamento de 2 milhões de libras esterlinas e do compromisso de construir uma ferrovia que superasse o trecho encachoeirado do rio Madeira e que possibilitasse o acesso das mercadorias bolivianas(sendo a borracha o principal), aos portos brasileiros do Atlântico (inicialmente Belém do Pará, na foz do rio Amazonas). Devido a este episódio historico, resolvido pacificamente, a capital do Acre recebeu o nome de Rio Branco e dois municipios deste Estado receberam nomes de outras duas importantes personagens: Assis Brasil e Plácido de Castro. Todo o processo de desenvolvimento teria sido satisfatório até os anos atuas para o Brasil, mas em 1876 os ingleses logo descobriram o potencial econômico da borracha, eo Inglês chamado Henry Wickham levou sementes de seringa da Amazônia para Inglaterra.

Foram formados os seringais de cultivo na Malásia ,China, Indonésia etc… e a produção estrangeira superou logo a produção Brasileira.

No Brasil ocorreu dois grande ciclo da borracha, o primeiro marcou 33 anos de existência iniciou em 1879 até 1912. o segundo ciclo foi em 1943 a 1945 criado pelo o presidente Getulio Vargas.

4.7.1.3 Engenharia de Pneus

Os pneus são um componente essencial em quase todos os veículos. Eles sustentam o peso, e amortecem os choques através da sua capacidade de flexão, transmitindo a força propulsora do motor para o deslocamento do veículo, e transformando a força de frenagem das rodas em verdadeira retenção o movimento. Os pneus produzem forças laterais de estabilidade para controle o veículo. E capacidade de aderência para mantê-lo onde o motorista quer, independente das imperfeições da estrada. Os pneus também precisam ser duráveis, ter um mínimo de resistência ao rolamento, e produzir o mínimo de ruídos e vibração. Todas essas características dos pneus são chamadas de “parâmetros de desempenho”. Cada tipo de pneu é projetado para atender parâmetros específicos de desempenho, dentro de uma determinada variedade de cargas, velocidades, superfícies de rodagem, temperaturas e tempo de uso.

Existe um departamento de projetos, dentro dos centros técnicos das companhia de pneus, onde centenas de engenheiros trabalham em novos pneus que satisfaçam aos mais novos padrões de desempenho. Para cada novo projeto de pneu, os projetistas trabalham dentro de um conjunto de requisitos, que são estabelecido pelo departamento de vendas e Marketing.

Os requisitos vão especificar em que tipo de veículo o pneu será usado. Por exemplo: um utilitário, com tração nas 4 rodas e capacidade de carga de 4 toneladas. Eles também especificam a amplitude dos ambientes de rodagem onde os pneus serão usados. Neste caso, estrada e fora de estrada, e temperaturas que variam de 30º a –30º célsios. A lista também determina parâmetro especiais de desempenho. Para carros de passeio, por exemplo, isso incluiria considerações, como conforto, aderência, resistência ao rolamento, dirigibilidade, quilometragem e aquaplanagem.

Existem mais de cem parâmetros de desempenho, que são definidos na parte inicial do projeto do pneu. A partir daí, os projetistas começam a fornecer uma solução de engenharia, que satisfaça a esses parâmetros. Combinar a borracha, um material macio e elástico, com materiais rígidos e reforço como metais e fibras têxteis é uma coisa bastante incomum na ciência de engenharia, transformando um projeto de um pneu em um extraordinário desafio. É também uma tarefa de alta tecnologia e complexidade. Por isso, antes de explicarmos o que um projetista faz, vejamos um pouco da tecnologia básica do pneu.

4.7.1.4 Elementos que Compõe o Pneu Radial

De forma esquemática, veremos os elementos básicos que formam um pneu radial:

Primeiro temos os talões: são duas armações de arames de aço inextensíveis, revestidos de borracha, que prendem o pneu no aro da roda. A forma do talão se adapta à “flange “ da roda para evitar que o pneu oscile ou deslize no aro. Depois, vem as lonas: são fios têxteis flexíveis ou reforçados com metal, geralmente feitos de nylon, poliéster ou outra fibra sintética, revestidos de borracha. Uma ou mais camadas de lonas formam a carcaça do pneu e são seus elemento s de reforço. Como as ligas de aço que reforçam o concreto, as lonas determinam a resistência do pneu, contornando os talões, para prendê-los e fixá-los na armação. Dentro do pneu, tem uma fina camada de borracha chamada” liner “, que retém o ar comprimido. O anti-fricção são tiras estreitas de fibras têxteis, colocadas na parte externa do talão, para proteger as lonas contra desgaste e cortes. Na parte lateral da carcaça, o costado é coberto com uma borracha especial para proteger contra atrito com o meio-fio.

Portanto, a borracha do costado precisa ser altamente flexível, com grande resistência às intempéries. Os ombros” são a parte superior do costado, na extremidade da banda de rodagem. O desenho do ombro afeta o aquecimento do pneu e suas características de dobramento durante uma curva. As “cintas” são cordonéis de aço, revestido de borracha, que formam uma armação sob a banda de rodagem, mantendo o pneu estável. E são extremamente rígidas no comprimento e na largura. Sua função é resistir à deformação na área de contato do pneu com o solo, ou seja, a pegado do pneu.

A banda de rodagem é a parte do pneu que entra em contato com o solo. Ela precisa ser projetada para resistir ao desgaste, à alta tração em várias condições de rodagem, ter um deslocamento suave e baixa propagação de calor. Ela é exclusivamente feita de compostos de borracha. A composição da borracha, a forma do corte transversal da banda de rodagem, o número de entalhes, sulcos e desenhos que eles formam, são importantes para determinar o desempenho de um pneus. Para a maioria dos motoristas, todas essas partes parecem iguais no pneu pronto. Mas, na verdade, cada parte é feita de um material diferente e usa diferentes compostos de borracha. Criar a estrutura completa do pneu e especificar os diferentes elementos, e como eles serão testado, é uma tarefa importante no trabalho do projetista.

Para cada um dos elementos citados anteriormente, existe uma grande variedade de tipos de materiais para o projetista escolher; cada um com propriedades diferentes, por exemplo; existem diferentes tipos de fibras feitas de materiais básicos como o nylon, rayon, poliéster ou outras fibras sintéticas. Existem tamanhos diferentes de cordonéis têxtil e de metal, cada um com peso e resistência diferentes. O projetista pode combinar o número de cordonéis de lona, e o número e a configuração das cintas, com as condições de uso. O ângulos dos cordonéis pode ser mudado em cada camada; esse tipo de mudança afeta tremendamente o comportamento da lona e das cintas. E , portanto, o desempenho do pneu. Também existe uma variedade de compostos de borracha, todos com propriedades diferentes. Cada parte do pneu tende a usar um tipo diferente de composto. Esses elementos e a colocação dos cordonéis , são os fatores fundamentais com os quais os projetistas de pneus precisam trabalhar.

Quase todo o trabalho do projeto do pneu se concentra no que acontece na área de contato com o solo, ou próximo a ela. Essa área, onde o pneu está em contato com o solo, é muito pequena para o pneu de um carro. Fazendo uma comparação, é mais ou menos como o pé de uma pessoa. E, mesmo assim, ela controla um veículo com 2500 quilos, a altas velocidades. O processo é dinâmico. Quando o veículo está em movimento, uma nova parte do pneu esta entrando constantemente na área de contato, e sendo submetido a deformação e a tensão, à medida em que várias forças atuam sobre ele: a força vertical do peso do veículo, comprimindo o material do pneu; a força periférica; e força lateral, em que a parte do pneu é achatada e os componentes são forçados para os lados, para trás e para frente.

Na parte traseira da pegada, essas forças de deformação e tensão são amenizadas. Isso acontece um milhão de vezes na vida útil de um pneu. Portanto, a capacidade do projetista está em criar uma estrutura que resista a esse ciclo constante de tensão e deformação, e que ao mesmo tempo satisfaça a todos os parâmetros de desempenho.

4.7.1.5 Projeto do Pneu

Logo no início, a equipe de Projetos recebe o conjunto de parâmetros de desempenho, junto com o tamanho determinado do aro e a série do pneu. Eles começam projetando a forma ideal para o cordonel da lona, na àrea do costado, e que no pneu inflado se destina a minimizar as forças de tensão no cordonel da lona radial. Depois, são projetados o talão, o ombro e o desenho da banda de rodagem, adequados á forma do costado. Neste estágio, os projetistas fazem uma escolha inicial dos vários compostos de borracha, fibras têxteis e metais para as lonas. Para isso, eles consultam o banco de dados do computador para cada material. Analisam as informações sobre resultados de testes de laboratório, avaliando propriedades como rigidez, peso, resistência ao desgaste e comportamento no ciclo de tensão e deformação. Assim. O projetista obtém do banco de dados a combinação inicial dos elementos que tendem a satisfazer melhor aos parâmetros de desempenho do pneu desejado. E isto dá ao projetista um ponto de partida.

A partir daí o projeto é um longo processo de avaliação e ajuste da estrutura.

Hoje, um engenheiro de pneus tem muito mais liberdade para exercitar suas idéias e imaginação em termos de novos projetos. Eis um exemplo simplificado de como este teste de modelagem computadorizado funciona: o projetista especifica centenas de pontos em um corte transversal de seu pneu experimental, sobre o qual ele quer obter informações. Quando a estrutura é testada, o computador simula o comportamento dos elementos em cada ponto especifico pelo projetista. Neste exemplo esquemático de um projeto experimental, o teste de simulação mostra que, com o aumento da velocidade do veículo, o calor se propaga notadamente em duas áreas: o que diminuiria a durabilidade. Então. O projetista modifica os elementos e a configuração para eliminar o problema, e testa novamente a estrutura. Mesmo com as novas técnicas e ferramentas de pesquisa, o aperfeiçoamento da estrutura é um processo longo e complexo. Isto porque cada pequena mudança feita, tende a afetar o comportamento geral.

Por exemplo, o teste de simulação pode mostrar que a configuração que parece promissora em todos os aspectos apresenta pouca durabilidade na terminação das cintas. Sendo assim, o projetista substitui a cinta, por outra um pouco mais estreita. Esta nova estrutura é testada. O resultado mostra que a nova cinta aumentou a durabilidade, mas que levará a um desgaste de rodagem mais rápido. Então o projetista muda o desenho do ombro, para compensar. Mas isso pode levar a mudanças em outros aspectos do desenho do pneu, exigindo outros ajuste e assim por diante.

4.7.1.6 Divisão parte de um Pneu

O pneu é dividido em 04 partes, onde cada uma delas são criteriosamente estudada afim de manter uma boa durabilidade assim como também manter no aspecto segurança uma confiabilidade do usuário.

4.7.1.7 Carcaça

Suportar a carga e a velocidade, com ajuda da pressão do ar, participar da estabilidade, conforto e rendimento.

4.7.1.8 Talão

Fixar o pneu na roda, evitar o vazamento principalmente no pneu sem camara, impedir o aumento de diâmetro do pneu, participar ativamente na segurança.

4.7.1.9 Franco/costado

Suportar a carga e as constantes flexões mecânicas, resistência as agressões externas e climáticas, participar na estabilidade, conforto e transmitir à banda de rodagem o movimento da roda.

4.7.1.10 Banda de Rodagem

Aderência em solo seco e molhado, rendimento quilométrico, baixa resistencia ao rolamento participa na dirigibilidade, conforto e estética e define de acordo com o desenho o tipo de solo que deve ser usado.

4.7.1.11 Estocagem de Pneus

É recomendado a estocagem na posição vertical, evitando assim o deslocamento de talão e melhor facilidade na movimentação do produto, o uso em estante (ANEXO 03) ou pallets. Em caso da necessidade de ser armazenado na horizontal o limite máximo da pilha é 6 pneus. Local deve ser fresco e seco com temperaturas de 10 a 40 graus celsios, proíbido presença de derivado de petróleo, graxas, óleos, tintas etc.. a iluminação deve ser a mínima possível pintando no depósito os vidros de cor escura, cinza ou laranja.

4.7.2 Oleo Diesel

Combustível derivado do petróleo, constituído basicamente por hidrocarbonetos, átomos de carbono, hidrogênio e em baixa concentrações por enxofre, nitrogênio e oxigênio selecionados de acordo com as características de ignição e de escoamento adequadas ao funcionamento dos motores diesel. É um produto inflável, medianamente tóxico volátil e límpido .O óleo diesel é utilizado em motores de combustão interna e ignição por compressão, empregado nas mais diversas aplicações , o motor a diesel já existe desde 1895 conforme o Dr. Rudolfo Diesel em Paris mostrou em 1900 a idéia da utilização do bio-diesel já a partir de 1911 produto este feito com o amendoim, o óleo diesel hoje é utilizado em automóvel, furgões, ônibus, caminhão, pequenas embarcações marítimas, máquinas de grande porte, locomotivas, navios e aplicações estacionárias(geradores elétricos, por exemplo). Em função dos tipos de aplicações, o óleo diesel apresenta características e cuidados diferenciados.

4.7.2.1 Produção

A partir do refino do petróleo obtém-se, pelo processo inicial de destilação atmosférica, entre outras, as frações denominadas de óleo diesel leve e pesado, básicas para a produção de óleo diesel. A elas podem ser agregadas outras funções como a nafta, o querosene e o gasóleo leve de vácuo resultando no produto conhecido como óleo diesel. A incorporação destas frações e de outras obtidas por outros processos de refinação, dependerá da demanda global de derivados de petróleo pelo mercado consumidor. O atual modelo energético brasileiro é apoiado entre outros pontos, no transporte de cargas em motores diesel, por via rodoviária, em detrimento do transporte ferroviário, fluvial ou cabotagem. Isso faz com que o óleo diesel seja o derivado propulsor do refino em nosso país, correspondendo a 34% volume do barril de petróleo.

Na maioria dos outros países do mundo esta demanda situa-se entre 15 e 25% volume do barril de petróleo, sendo a gasolina o produto que comanda o refino, situação mais fácil de atender em função das características dos petróleos e dos esquemas de refino disponíveis mundialmente.

A primeira Companhia a produzir o óleo diesel historicamente falando foi a Shell , empresa esta que nasceu em 1833 pelo Sr. Marcus Samuel Sênior, trabalhava com produtos exóticos em Londres como belas conchas orientais este negócio foi tão lucrativo que logo transformou em uma empresa de importação e exportação, porém com o seu falecimento em 1870, seus filhos Samuel e Marcus dividiram o negócio e o Marcus ficou em Londres e o Samuel foi para o Japão onde ampliou seu negócio para a importação e exportação de querosene para o oriente médio e através do canal do Suez na Rússia, negociou aquisição de oito petroleiro, para garantir sua mercadoria, Marcus assinou contrato com um grupo russo de produtores e refinadores e assim o produto como óleo de baleia das velha luminárias e candeeiros começava a ser substituído rapidamente pelo modernismo querosene, barato e mais fácil manejo.

4.7.2.2 Armazenagem

É importante sempre haver certos cuidados , para reduzir custos desnecessário tenha sempre em mente 3 cuidados fundamentais no armazenamento.

1 – Evite a presença de água nos tanques, deve ser drenado a água dos tanques de diesel diariamente, pela manhã. Em caso de tanques a céu aberto, utilize a válvula apropriada conforme indicado pela companhia, se o tanque for enterrado, retire a água utilizando bomba de sucção. A água presente no tanque provoca uma série de transtornos, como o crescimento de microorganismos que se alimentam do diesel. Este microorganismos(fungos e bactérias) só são visíveis ao microscópio e se desenvolvem entre a água e o diesel. A medida que se multiplicam, começa a surgir uma massa marrom ou preta, conhecida como “borra” localizada na divisa entre o diesel e a água, ou depositada no fundo do tanque, a borra causa problemas de entupimento de telas, filtros e corrosão. Pelo rápido desgaste que provoca nos componentes da bomba injetora, é comum a borra levar ao travamento e quebra das peças.

Além disso, os microorganismos se alimentam de substancias químicas, transformando-as, o que torna a água com odor desagradável e alto teor de acidez, acelerando o processo de corrosão do tanque. Os microorganismos produzem substancia químicas chamadas “tensoativas”, que retêm a água no diesel, sob forma de gotas muito pequenas, difíceis de serem separadas. Os microrganismos estão presentes em toda parte: no ar, na água e no solo, e se multiplicam onde há condições para crescer. Eliminar a água corresponde a impedir o desenvolvimento de microorganismos. Os tanques enterrados merecem especial atenção. Por exemplo, a acomodação do terreno pode mudar a inclinação do tanque, de modo que é possível que a água fique acumulada no lado oposto ao dreno, sendo difícil verificar sua presença. Neste caso, como a retirada da água é fundamental, deve-se corrigir a inclinação do tanque. Se isto não for feito, o tanque acabará furando, o que acarretará um trabalho maior, e logicamente maiores custos.

4.7.2.3 Solubilizada no próprio diesel

O diesel pode conter uma certa quantidade de água que nele fica dissolvida. Assim, quando o diesel resfria, em função de uma queda da temperatura ambiente, uma pequena parte desta água deixa de ficar dissolvida e aparece sob a forma de gotículas. Se o diesel resfriar rapidamente, as gotículas serão pequenas. Se o resfriamento for lento, as gotículas serão maiores. Quanto maior for o tamanho das gotículas, mais rapidamente elas irão para o fundo do tanque.

4.7.2.4 Junto com o ar (umidade)

À medida que o diesel de um tanque vai sendo consumido, entra ar úmido. Com o resfriamento, a umidade do ar condensa nas paredes do tanque e na superfície do diesel, atingindo até o fundo do tanque. Este fato torna-se crítico em regiões com alta umidade relativa do ar.

4.7.2.5 Acidentalmente

A água pode entrar no tanque durante uma chuva forte, se as bocas não estiverem bem vedadas, ou através de furos em tanques enterrados.

4.7.2.6 Não estoque diesel por muito tempo

A estocagem longa favorece o envelhecimento do diesel. A oxidação natural do produto pode propiciar o aparecimento de sedimentos de origem química que contribuem para sujar os filtros. Estes sedimentos são o resultado de reações químicas complexas que ocorrem entre constituintes do óleo diesel. O contato do diesel com o cobre acelera a formação destes sedimentos. Deve-se, portanto, evitar o uso de válvulas, filtros, telas e outras peças quando feitas em bronze ou outras ligas metálicas que contenham cobre.

É importante quando a empresa utiliza uma quantidade muito grande deste produto, é necessário ter em estoque, é recomendado ter tanques aéreos, (ANEXO 04) facilitando desta forma o controle de estoque e do meio ambiente.

4.7.2.7 Limpeza dos tanques de diesel periodicamente

Mantenha limpos os tanques de armazenamento de diesel. O período máximo entre uma limpeza e outra é de dois anos. Em tanques de veículos o intervalo entre as limpezas deve ser menor porque durante o funcionamento do motor o óleo diesel é submetido temperaturas mais altas que a ambiente. Neste caso, o diesel que retorna da bomba injetora ao tanque do veículo “envelhece” mas rapidamente do que o diesel armazenado á temperatura ambiente, gerando mais sedimentos.

4.7.2.8 Efeitos sobre o meio ambiente: medidas de proteção.

Todo mundo sabe que o uso indevido do diesel deve ser evitado. Por ser um produto moderadamente volátil e tóxico, pode poluir o ar, a vida aquática, o solo e degradar a água do lençol freático. Proteja a si mesmo e aos outros, tomando algumas precauções. Evite jogar diesel para quaisquer sistemas de drenagem públicos e também a contaminação de cursos d’água e mananciais. Em casos de grandes derramamentos ou vazamentos, preste atenção para que não ocorram fagulhas ou chamas, e principalmente não fume na área. Os pequenos derramamentos devem ser absorvidos com terra ou puro material absorvente não-combustível. Confine o produto derramado e entre em contato com o órgão ambiental local.

4.7.2.9 Cuidados no manuseio

Atenção que devemos ter, o diesel só deve ser manipulado em local aberto e bem ventilado. Se há coisa que o diesel não tolera é fogo, faísca, chama, centelha. Por isso, não se deve de maneira alguma fumar próximo a um abastecimento. Se o manuseio tiver de ser prolongado, se no local houver muita concentração de vapor ou névoa do produto, não hesite, use equipamento de proteção individual( mascará com filtro para vapores orgânicos, óculos e luvas).

4.7.2.10 Efeitos tóxicos

Resumidamente apresento efeitos intoxicantes do óleo diesel, no caso de :

• Ingestão – irritação na mucosa digestiva;
• Aspiração até os pulmões – pneumonia química;
• Inalação prolongada – dor de cabeça, náuseas e tonteiras;
• Contato com os olhos – irritação e congestão da conjuntiva;
• Contato repetido e prolongado com a pele – irritação e ressecamento.

O óleo diesel e pneus são produtos na empresa, que representa dentro da curva ABC os valores mais altos e o custo mais elevado dentro da gestão de materiais, e por se tratar de um produto A, nossa preocupação tem sido cada vez mais no que diz respeito a estoque e compra, tanto que, já temos tido condições de atualmente manter um estoque mínimo, procurando junto aos parceiros fornecedores uma adequada programação de atendimento, evitando desta forma grande capital financeiro parado em estoque, os valores totais obtido em nossos relatório mensais tem mostrado que existe uma tendência de cada vez mais criar uma classificação dentro da área de peças, montarmos uma melhor avaliação em alguns produtos, pelo menos aquele de maior representatividade de valor em estoque desta forma vamos ter menos preocupação com o material empregado.

– Óleo diesel consumo, mensal R$: 1.405.000,00 reais.
– Pneus consumo, mensal R$: 110.000,00 reais.
– Peças motor consumo, mensal R$: 87.616,00 reais.
– Peças carroceria consumo, mensal R$: 76.515,00 reais.
– Peças elétrica consumo, mensal R$: 62.003,00 reais.
– Peças freio consumo, mensal R$: 58.998,00 reais.
– Peças outros setores, mensal R$: 79.886,00. reais.
– Peças em Serviços Terceiros R$: 49.513,00 reais.

Muitas melhorias ocorreram nos últimos anos estas melhoria foram os esforços que nossa equipe buscou nos treinamentos internos e externo financiado pela empresa, considerando também a busca do conhecimento de toda a equipe nas teoria executando na prática melhoramos por exemplo no pneu, onde utilizávamos pneus convencionais conhecido como pneu comum, além da quantidade que tínhamos que manter em estoque era imprescindível ter uma equipe maior no setor de borracharia pois o serviço era mais freqüente, a quantidade de pneus estourado permanecia cada vez maior a sucata de pneus ocupava uma área física muito grande, também, o próprio estoque havia necessidade de permanência no interior onde temos filiais e assim o custo do produto embora na aquisição era menor mas porem, no consumo este custo acabava sendo bem maior se perdia muito na qualidade, na segurança e no custo final quilometro rodado.

Neste momento através de algumas visitas de Benchmarking vimos que muitas empresas já haviam adotado a utilização do pneu radial e conforme fontes recebidas o pneu radial contribuía até na economia de combustível além do fato que foi comprovado o próprio consumo diminuiu e muito, trazendo vários benefícios primeiro a economia apontada no custo do quilometro rodado, mais segurança do veiculo nas estradas diminuiu bastante o armazenamento, qualificou mais nossos borracheiros.

Os fabricantes investiram em treinamento dentro da empresa, aumentou o índices de reformas ocasionando uma baixo significativa do sucateamento de pneus reduzindo a preocupação do destino deste produto já que a empresa tem uma preocupação muito grande com o meio ambiente, a compra de pneus ficou menor em menor periodicidade e assim contamos com vários benefícios a radialização dos pneus na ouro e prata foi um sucesso; implementamos um controle confiável o qual era antes manual através de fichinhas, conseguimos informatizar este processo mantendo uma empresa com mais tecnologia tendo mais segurança do controle de estoque evitando desvio e duplicidade na informação.

No óleo diesel, podemos dizer que se melhorou muito mais que o pneu, considerando que este produto é muito mais caro em função do consumo, o óleo diesel que a empresa durante muito tempo usou, ou seja, desde o inicio de sua atividade era o diesel comum assim denominado, mas como estamos sempre buscando uma melhoria constante através de muitas reuniões com a equipe técnica e operacional, a empresa adotou uma política de mudança na premiação dos motorista, visando uma economia no consumo litros por quilometro rodado.

Neste instante buscamos informações técnicas junto as companhia de combustíveis e chegamos a conclusão que existia no mercado um produto com um valor um pouca mais elevado porém, era um óleo diesel aditivado conhecido no mercado como óleo máster e que evidentemente proporcionava uma economia bastante elevada e o custo beneficio agradava nossa diretoria, assim sendo, adotamos o novo produto e para evitar o desperdício com futuros vazamentos e mais uma vez preocupado com o meio ambiente, alteramos a estocagem montando tanques aéreos, também fizemos grande investimento no controle de estoque onde compramos um equipamento eletrônico com sensores nos terminais dos tanque no qual identifica o consumo por carro no momento do abastecimento e identifica muito claro a existência em estoque tanto no consumo.

Como também no reabastecimento deste produto que vem de caminhão das companhia distribuidora, deixando a equipe mais tranqüila em relação ao que você compra é exatamente o que eles estão lhe entregando, desta forma o valor pago o que não é pouco justifica o consumo baseado na quilometragem rodado dos veículos.

Com este trabalho buscamos depois uma centralização no abastecimento evitando ao máximo o abastecimento fora de nossas bases, pois o custo unitário nos posto de terceiros alguma ultrapassa 18 por cento, sem considerar a facilidade de haver desvio provocado pelo o frentista junto com a colaboração do motorista ou alguém responsável pelo o abastecimento no local, este normalmente feito no interior do Rio Grande do Sul, além do mais o diesel hoje utilizado na empresa por se tratar de capital este produto é diferenciado dos demais utilizado fora, ou seja, diesel máster metropolitanos, significa que a qualidade do diesel é melhor e agride bem menos o meio ambiente.

CONCLUSÃO

Acredito ter conseguido esclarecer, com todos os detalhes, necessário e elementos essenciais em que se baseia o intrincado labirinto da ciência da administração de empresa, no ângulo de administração de matérias.

Este foi o objetivo deste trabalho, identificar demonstrar a importância da administração de materiais principalmente, pneus, como também do óleo diesel no processo de compra e armazenagem assim como engenharia e fabricação, processo estes bastante complexos que requisitam profissionais bastante qualificados, com mentes e idéias voltados para o futuro.

Na busca de um processo na administração eficaz, tendo visto, a prioridade em matérias, foi notório a grande importância do estoque, da compra dos procedimentos e rotinas ,que envolve para um gestor nesta área tão abrangente, e o quanto deve ser importante uma analise criteriosa no custo e a proteção ao colaborador e ao meio ambiente, evitando assim problemas.

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Resíduo de Madeira

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Em muitos países a madeira constitui um dos maiores fluxos de materiais apresentando a segunda maior geração de resíduos em atividades de construção e demolição. Porém grande parte deste resíduo é proveniente de madeira tratada com preservativos como o CCA que são tóxicos à saúde humana e ao meio ambiente, o que torna necessário um bom gerenciamento deste resíduo. Apesar dos esforços para desenvolver novas alternativas de disposição final do resíduo de madeira, é importante destacar que ainda não se sabe ao certo os problemas que podem ocorrer no futuro com a reutilização, reciclagem e combustão destes materiais. Além disso, muitos destes métodos são extremamente caros inviabilizando-os.

1. INTRODUÇÃO

A construção civil é certamente a maior geradora de resíduos de toda a sociedade, cujo impacto ambiental do setor é proporcional à sua importância econômica e social. O entulho de construção, demolição e reformas é certamente o impacto ambiental mais visível, por seu volume gerado e sua disposição final, já que uma grande parte dos resíduos ainda é depositada em aterros clandestinos, em terrenos baldios ou bairros afastados (Joanello Junior, 2009).

No caso da madeira, não é diferente, pois apesar de ser uma fonte renovável de matéria-prima, quando usada em larga escala produz um grande volume de resíduo que, dependendo do processo utilizado na produção pode conter diferentes tipos de contaminantes, principalmente produtos químicos utilizados para o tratamento contra insetos e fungos, podendo ser nocivo ao meio ambiente como qualquer outro material. Portanto, a disposição correta dos resíduos de madeira tem grande importância para proporcionar redução dos resíduos em aterros disponibilizando espaço para os que não podem ser reciclado, reduzindo o custo de projetos para áreas de disposição dos resíduos e redução do impacto sobre o meio ambiente utilizando métodos e tecnologias adequadas para eliminação de seus contaminantes.

Dessa forma, este trabalho tem como objetivo analisar o quadro atual da disposição dos resíduos de madeira, sua composição e riscos que podem apresentar para o ser humano e para o meio ambiente, e analisar as soluções alternativas de destino final para esse resíduo.

2. RESÍDUO DE MADEIRA

Nos países industrializados, principalmente da América do Norte e da Europa o uso da madeira como elemento construtivo é elevado constituindo um dos maiores fluxos de materiais, principalmente em atividades de construção e demolição cujo resíduo apresenta 13% de madeira, sendo inferior apenas ao concreto, 56%. Isso faz com que nesses países os programas de destinação de resíduos de construção e demolição se preocupem com o destino dos resíduos de madeira (Krook et al., 2007).

Apesar de ser um material proveniente de fonte renovável, a madeira é também um tipo de resíduo prejudicial à saúde humana e ao meio ambiente, pois além do material biodegradável, os resíduos de madeira também podem ser painéis de fibras de média densidade (MDF), aglomerados e madeira tratada, que contém preservativos químicos como os fungicidas, pesticidas e inseticidas. Estes preservativos são aplicados à madeira para aumentar sua durabilidade, sendo os mais utilizados o creosoto, que aumenta a vida útil da madeira em 30 anos ou mais, e o arseniato de cobre cromado (CCA) que aumenta em média de 20 a 40 anos (McMahon et al., 2009).

Na maioria dos países, o resíduo de madeira quando descartado é triturado e utilizado como fonte de energia, matéria prima para confecção de painéis e principalmente despejados em aterros sanitários. No entanto, é necessário ter muito cuidado com a poluição ambiental, na reutilização e tratamento de resíduos de madeira, pelas substâncias químicas que o resíduo contém; e também com a contaminação dos solos e das águas subterrâneas, devido à infiltração dos materiais perigosos presentes no resíduo, pois a maioria dos aterros sanitários não apresenta forros de fundo. Dessa forma, os reguladores e a indústria de resíduos sólidos continuam pesquisando as melhores práticas de gestão para os resíduos de madeira (Townsend et al., 2003).

2.1 Resíduo de madeira no Brasil

No Brasil, ainda não há uma grande preocupação com o destino dos resíduos de madeira, pois a madeira ainda apresenta uma pequena participação na construção civil comparado a outros materiais como tijolo e concreto. Porém, ainda que o volume de edificações construídas em madeira seja pequeno, o volume de madeira utilizado em fôrmas para construção de estruturas de concreto armado é significante, tornando necessários programas de destinação desse resíduo (Santos, 2009).

As poucas publicações sobre gerenciamento de resíduos de construção e demolição que apresentam dados sobre os resíduos de madeira são provenientes dos sindicatos das indústrias da construção civil. O SINDUSCON-SP, Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo indica como possíveis soluções de utilização dos resíduos de madeira da construção civil, a destinação para atividades econômicas que possibilitem a reciclagem desses resíduos, a reutilização de peças ou o uso como material combustível em fornos e caldeiras (Pinto, 2005). O SINDUSCON-MG (2006) indica como destinação do resíduo de madeira, além da destinação para queima, reutilizar o resíduo como fôrmas e fazer o tratamento físico, químico e térmico para disposição final em aterro específico.

Porém, segundo Santos (2009) no Brasil não são feitas muitas atividades de reciclagem, pois o resíduo de madeira é em grande parte, constituído por materiais que sofreram algum tipo de interferência durante o uso da madeira, como adições de concreto, tinta e vernizes, pregos, laminados sintéticos para acabamento, adesivos e produtos químicos para tratamentos diversos, e por isso são utilizados apenas como combustível em fornos ou destinado ao aterro sanitário.

Porém, como observado, os países industrializados estão reciclando até mesmo os resíduos de madeira contaminados por diferentes materiais, como os preservativos, o que mostra ao Brasil que novas soluções são possíveis e por isso é necessário começar a pesquisar novas alternativas de disposição de seus resíduos de madeira.

3. COMPOSIÇÃO E RISCOS DO RESÍDUO DE MADEIRA

Os preservativos mais utilizados para tratar a madeira são o creosoto e pentaclorofenol que são usados para aplicações industriais, como postes e dormentes; e o arseniato de cobre cromado (CCA) e preservativos baseados em cobre, que são utilizados para tratar produtos industriais e produtos utilizados em residências tais como madeiras e compensados. Sendo que destes, o mais utilizado é o CCA, pois é aplicado em cerca de 66% (em volume) das madeiras tratadas em todo o mundo (Jacobi et al., 2007; Janin, et al. 2009).

A madeira tratada com CCA é comumente eliminada em aterros sanitários juntamente com os resíduos sólidos urbanos, porém apresenta componentes tóxicos sendo prejudicial para o meio ambiente no final da sua vida útil devido a sua composição: 19% de óxido de cobre II (CuO2), 50% de óxido de cromo III (CrO3) e 31% de óxido de arsênio V (As2O5). O arsênico e cromo são considerados cancerígenos, e o cobre representa um risco de toxicidade crônica (McMahon et al., 2009).

Grandes quantidades desses materiais são reduzidas durante o tempo de vida útil da madeira por deterioração biológica ou por lixiviação. As taxas de redução por deterioração biológica variam de uma média de 25% perdidos após 20 a 43 anos de exposição no clima temperado da Suécia e 22% após 44 meses em regiões tropicais como o Havaí. Já pela lixiviação, foi de cerca de 5% de arsênico em 1 ano, na Austrália e na Flórida (Shibata et al., 2007).

A principal forma de contaminação do ser humano durante a vida útil da madeira tratada é pelo contato direto com a mesma, como por exemplo, a pessoa toca na madeira e depois leva a mão à boca ou a inalação de partículas da madeira durante a construção e atividades de manutenção. Porém, com o passar dos anos, os níveis de arsênico desalojáveis diminuem, e assim, a principal via de exposição pode passar de contato direto com a madeira para contato indireto através do solo e da água (Shibata et al., 2007). Pois, mesmo com altas taxas de redução dos materiais contaminantes da madeira tratada durante sua vida útil, quando descartada esta ainda contém elevadas concentrações de metais, estando suscetível à lixiviação de substâncias químicas, o que pode provocar a deterioração da qualidade do solo devido à presença do arsênio e das águas subterrâneas ou de superfície devido à presença do cobre (Janin, et al. 2009; McMahon et al., 2009).

Dessa forma, esse resíduo apresenta características de um resíduo perigoso, no entanto, as leis da maioria dos países ainda não os consideram e por isso são regularmente despejados em aterros, misturando-se e contaminando o fluxo de resíduos sólidos urbanos (Jambeck et al., 2007).

Com isso, é necessário pesquisar produtos alternativos para a proteção da madeira, para que a mesma não necessite continuar a utilizar materiais perigosos e, alternativas para a disposição final das que ainda serão descartadas.

4. ALTERNATIVAS PARA REDUZIR O IMPACTO AMBIENTAL DO RESÍDUO DE MADEIRA

Dados os potenciais contaminantes e dificuldades na triagem de resíduos de madeira tratada, muitos pesquisadores estão tentando desenvolver estratégias para a gestão do fluxo destes resíduos, para impedir a dispersão de substâncias perigosas para o ambiente. As tecnologias utilizadas na eliminação de resíduos de madeira tratada com CCA incluem reciclagem, utilizada como fonte energética e extração dos metais pesados.

Para serem reciclados, os resíduos de madeira são quebrados em pequenos pedaços para facilitar o processamento e são utilizados na fabricação de painéis, na matriz de cimento e no solo-cimento. Na fabricação de painéis são utilizados como parte de sua constituição, como por exemplo, da madeira laminada colada (MLC) e de painéis de partículas orientadas (OSB). A constituição do MLC é baseada na união de várias peças pequenas, pedaços de madeira que normalmente seriam resíduos, que passam a ser utilizados como material de alto desempenho, consumindo assim, 50% menos madeira que uma peça sólida de madeira, e suportam o mesmo carregamento. O OSB é composto por camadas de partículas ou feixes de fibras com resina fenólica, dispostas em uma mesma direção e prensadas para sua consolidação. Na matriz de cimento, é utilizada para formar painéis de cimento-madeira.

Sua aplicação é destacada para paredes de casas pré-fabricadas, pisos, revestimento de túneis, paredes divisórias, paredes isolante térmico e acústico, portas corta fogo, forros de casas, etc. E no solo-cimento pode ser aplicada com teor de até 3%, apresentando maior resistência à compressão simples do que o solo-cimento sem o resíduo, podendo ser utilizado na confecção de tijolo maciço sem função estrutural (Santos, 2009). Porém, o limite regulamentar europeu para o arsênico em tais produtos é de 25 mg/kg de arsênico, 25 mg/kg de cromo, e 40 mg/kg de cobre, ou seja, menos de 0,05% de CCA (Jacobi et al., 2007).

Na incineração a massa de cinza eliminada é inferior à massa de madeira dispostas nos aterros, assim, a disposição final da incineração lança arsênico a um ritmo mais lento em uma base anual. No entanto, podem ocorrer emissões de metais perigosos durante a incineração, e as cinzas ficam concentradas de arsênico, cobre e cromo, que muitas vezes oxida para formar o Cr (VI), tornando-o mais tóxico e móvel. Dessa forma, as cinzas resultantes da incineração devem apresentar menos de 5% de CCA para serem dispostos em aterros. Por outro lado a incineração fornece energia benéfica e reduz e libera emissões de carbono (Jambeck et al., 2007). Na Suécia, cerca de 70% do resíduo é queimado para a geração de energia, o que constitui cerca de 5% do uso de aquecimento urbano (Krook; MArtensson; Eklund, 2007).

A extração dos metais pesados da madeira tratada utiliza o ácido oxálico sozinho e em combinação com produtos químicos adicionais e processos biológicos. Por exemplo, quando o ácido oxálico está combinado com o ácido sulfúrico, ácido fosfórico ou oxalato de sódio é possível atingir de 98 a 100% de remoção de arsênico e de 88 a 100% de remoção de cobre e cromo da madeira tratada. Utiliza-se também agente oxidante, por exemplo, o peróxido de hidrogênio, pois consegue extrair até 98, 95 e 94% de arsênico, cromo e cobre, respectivamente e permite a reutilização dos mesmos na indústria de tratamento de madeira (Janin, et al. 2009). Além disso, pode-se fazer uma combinação de produtos químicos e microbianos, por exemplo, extração com oxálico seguida por fermentação bacteriana atingindo 90% de remoção do cobre, 80% do cromo e 100% do arsênico da madeira tratada (McMahon et al., 2009).

Porém, a maioria destes métodos ainda está em fase de teste, pois apesar de já terem apresentado bons resultados, ainda não se sabe ao certo os problemas que podem ocorrer no futuro e, além disto, são extremamente caros, como por exemplo, a incineração que é o dobro do custo da disposição em aterros e a extração de metais pesados onde os reagentes utilizados são muito caros.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Dado o nível de toxidade das madeiras tratadas com CCA, a gestão de resíduos deste material é de grande importância para evitar a eliminação de forma incorreta e perigosa. Dessa forma conclui-se que:

• Os países industrializados estão reciclando até mesmo os resíduos de madeira contaminados por diferentes materiais, como os preservativos, o que mostra ao Brasil que novas soluções são possíveis e por isso é necessário começar a pesquisar novas alternativas de disposição de seus resíduos de madeira.
• É necessário pesquisar produtos alternativos para a proteção da madeira, para que a mesma não necessite continuar a utilizar materiais perigosos e, alternativas para a disposição final das que ainda serão descartadas.
• Apesar dos esforços para desenvolver novas alternativas de disposição final do resíduo de madeira tratada com CCA, a maioria destes métodos ainda está em fase de teste, pois apesar de já terem apresentado bons resultados, ainda não se sabe ao certo os problemas que podem ocorrer no futuro com a reutilização, reciclagem e combustão destes materiais, o que mostra que são necessárias ainda muitas pesquisas para avaliar a dimensão exata destes problemas. 
• Além disto, muitos destes métodos são extremamente caros inviabilizando-os, como por exemplo, a incineração que é o dobro do custo da disposição em aterros e a extração de metais pesados onde os reagentes utilizados são muito caros.

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Ameaça do Estrangeirismo na Língua Portuguesa

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OBJETIVO GERAL

Manifestar uma visão integral sobre a ameaça do estrangeirismo na língua portuguesa, em todo o Brasil.

OBJETIVO ESPECÍFICO

– Analisar o uso dos estrangeirismos e suas consequências na língua, sociedade e cultura;
– Identificar relações que permitem considerar a identidade cultural, considerando-se que essa relação se apresenta como representação da própria relação social.



INTRODUÇÃO

A maioria das palavras da língua portuguesa tem origem latina, grega, árabe, espanhola, italiana, francesa ou inglesa. Essas palavras são introduzidas em nossa língua por diversos motivos sejam eles fatores históricos, socioculturais e políticos, modismos ou avanços tecnológicos. As palavras estrangeiras geralmente passam por um processo de aportuguesamento fonológico e gráfico.

USO DO ESTRANGEIRISMO

Para Cereja e Magalhães, a língua:

“Pertence a todos os membros de uma comunidade. Como ela é um código aceito Convencionalmente, um único indivíduo não é capaz de criá-la ou modificá-la. […] A língua evolui, transformando-se historicamente. Por exemplo, algumas palavras perdem ou ganham fonemas, outras deixam de ser utilizadas; novas palavras surgem, de acordo com as necessidades, sem contar os “empréstimos” de outras línguas com as quais a comunidade mantém contato.”

Toda palavra que entra na língua portuguesa passa por um processo de aportuguesamento e a Academia Brasileira de Letras, órgão responsável pelo Vocabulário Ortográfico de Língua Portuguesa, tem função importante no aportuguesamento dessas palavras.

As pessoas, em geral, estão tão acostumadas com a presença dos estrangeirismos na língua que, muitas vezes, desconhecem que uma série de palavras tem sua origem em outros idiomas. Exemplos bem conhecidos são: “abajur” que vem do francês, “mouse” e “clube” que vêem do inglês. 

Embora o uso de empréstimos lingüísticos não seja uma prática nova, é preciso salientar que, com as mudanças ocasionadas recentemente, houve uma modificação considerável no uso do estrangeirismo, pois, enquanto ferramenta, os aparatos tecnológicos de comunicação tornaram a troca de informações dinâmica em todo o mundo, mesmo entre as mais distantes nações. O processo de globalização uniu os “mundos”, trazendo cada vez mais, outras palavras para dentro da nossa língua. 

Uma vez que o mercado tenha se tornado globalizado os produtos e os processos tecnológicos, uniformizados, exigem a utilização de termos e de vocábulos de compreensão global. Porém não se trata apenas de uma necessidade de trabalho: as comunidades globais também interagem por meio de uma linguagem universal, sendo por telefone ou internet.

A LÍNGUA NO CONTEXTO SÓCIO-CULTURAL

Sociedade existe através da linguagem e é representada pela junção de língua e cultura.

A relação entre a cultura e a linguagem, tão ampla quanto complexa, abrange desde a consideração de que as estruturas lingüísticas possam se edificar a partir de uma situação cultural até a afirmação, em sentido contrário, de que os costumes lingüísticos de determinados grupos tenham moldado fundamentalmente a cultura desses povos. Ou seja, a linguagem modifica a cultura e esta modifica aquela. 

Algumas expressões já possuem equivalentes em português, outras foram incorporadas com formas aportuguesadas.

O estrangeirismo está, sim invadindo o nosso português, mas até que ponto isso é ruim ou bom? 

Uma vez que, devemos valorizar a nossa língua, mas sem evitarmos por completo o contato entre culturas, mesmo porque não tem como. Afinal, o inglês, por exemplo, já virou língua nacional. Dizemos que a língua inglesa perdeu sua nacionalidade à medida que é falada mais por não-nativos do que por nativos. 

Agora, o que não podemos deixar de analisar é o porquê de usarmos determinada palavra se ela já existe na língua portuguesa? Como por exemplo:

“vamos dar um start na reunião” ao chamarmos nossos companheiros para um encontro de trabalho, ou então “precisamos dar um up nas vendas”, para dizer que a empresa precisa vender mais. O melhor, nesses casos, é optar pelo bom-senso e não tentar “falar bonito”, como forma de exibicionismo. Até por que, muitas vezes, podemos acabar cometendo uma grande gafe. 

Afinal, podemos estudar e adquirir uma segunda ou terceira língua, mas nós já temos uma língua cheia de vocábulos e possibilidades de novos: o português!

JUSTIFICATIVA

Após efetuarmos esta análise, podemos concluir que a globalização une os mundos, e os idiomas estão e estarão cada vez mais “misturados”, até para que haja uma maior facilidade na comunicação entre esses “mundos”.

E como foi citado anteriormente, porque usarmos uma palavra se ela já existe em nossa língua? Isso realmente não é necessário e muitas vezes usando dessa forma fica mais “feio” do que se fosse usado da forma comum.

REFERÊNCIA

http://www.filologia.org.br/xiicnlf/textos_completos/A%20influ%C3%AAncia%20dos%20estrangeirismos

http://www.soportugues.com.br/secoes/estrangeirismos/

http://www.filologia.org.br/revista/artigo/11(31)06.htm

http://www.mundoeducacao.com.br/educacao/o-estrangeirismo-invadiu-lingua-portuguesa.htm

http://amauryonline.blogspot.com/2009/05/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html

Comunicação Interna na empresa Rede Gerais

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
1 COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL INTERNA
1.1 Comunicação Interna 
2 A EMPRSA
2.1 Rede Gerais de Comunicação Ltda.
2.1.1 Produtos e Serviços
2.1.2 O Mercado
2.1.3 Equipe Gerais FM
3 A PESQUISA
3.1 Resultado da Pesquisa
3.2 Apresentação e Discussão dos Resultados
3.2.1 Diagnóstico
3.2.2 Sugestões de Melhoria no Processo de Comunicação Interna.
4 ENDOMARKETING
4.1 Conceito
4.1.1 Ferramenta Eficaz para Gestão
4.1.2 Sua Importância
4.2 As Leis do Endomarketing
4.3 Estabelecendo o Endomarketing
4.4 Código de Ética
4.4.1 Princípios Gerais
4.4.2 Missão
4.4.3 Visão
4.4.4 Valores
Conclusão
Referência Bibliográfica

RESUMO

O trabalho tem por foco apresentar possíveis deficiências na comunicação interna da Empresa Rede Gerais de Comunicação Ltda. O mundo evoluiu, mas a comunicação interna continua sendo fator de ascensão ou risco de uma empresa. O objetivo deste trabalho é apontar os erros e sugerir soluções práticas para saná-los. Em primeiro plano, há a criação de um código de ética bem estruturado, missão, visão e política empresarial concisas. Para alcançar tal patamar, foi feita uma pesquisa com os colaboradores a qual constituiu a base para o Endomarketing. Este trabalho vem de encontro a excelência já adquirida pela empresa, como suporte para uma convivência harmoniosa, a fim de minimizar erros e aumentar sua qualidade de produção.

INTRODUÇÃO

Em tempos de globalização, a humanidade vive uma era onde o conhecimento torna-se a chave para o desenvolvimento. Conforme site www.ckiner.com/dowload/capitulos/livros_pre_simp-2004#page=12, a partir de 1980, com a implantação da realidade virtual, barreiras foram rompidas e as pessoas passaram por uma mudança na percepção sobre o conhecimento. Infinitas possibilidades de conexões e um grande fluxo de informações fizeram com que tornassem uma questão de subsistência no desenvolvimento de uma nova organização sócio-econômica. Voltando tal informação para uma realidade geral, os profissionais passaram a buscar a excelência ampliando e administrando o conhecimento, daí, a força do seu poder na sociedade passa a ser diretamente proporcional ao seu capital intelectual bem administrado, e, diante desta realidade, vê-se a ascensão da ERA DO CONHECIMENTO.

Com este novo quadro, o mundo empresarial descobre a importância do gerenciamento eficaz do conhecimento, que nada mais é que o compartilhamento de todo o ativo de informações possuído por uma empresa. Por sua vez, o conhecimento de uma organização está contido no seu capital humano, ou seja, as pessoas que trabalham nela; portanto, a empresa tem em mãos a possibilidade de renovar os indivíduos e, em contrapartida, forma-se uma equipe bem estruturada, comprometida com a política da empresa, produtiva e capaz de absorver os conhecimentos necessários para a participação ativa no processo produtivo.

Ao observar tal fato, as organizações passaram a entender que a transmissão de conhecimentos dá-se pela comunicação eficaz, funcionando como uma ponte de compreensão entre os indivíduos, de tal forma que passam a compartilhar aquilo que sentem e fazem. E é com essa ponte que se atinge idéias, fatos, pensamentos, sentimentos e valores, fazem-se assim ocorrências de interações, processos de trocas e relacionamentos dentro da empresa. A esse processo dá-se o nome Endocomunicação ou simplesmente Comunicação Interna. A Comunicação Interna é responsável por fazer circular as informações e os conhecimentos de forma vertical, ou seja, na direção dos níveis subordinados; e horizontalmente entre os empregados de mesmo nível de subordinação.

Segundo a Doutora de Ciências da Comunicação, Marlene Marchiori, que também é membro do corpo de palestrantes da ABERJE – Associação Brasileira de Comunicação Empresarial, “a busca da valorização da comunicação Interna deve ser entendida como estratégia básica dos empresários que desejam a efetividade de sua organização. Chega a ser irônico pensar que nesse novo mundo, altamente tecnológico, com tantas transformações, o sucesso de um empreendimento continua a estar centrado nas pessoas. É por meio da comunicação que uma organização recebe, oferece, canaliza informação e constrói conhecimento, tomando decisões mais acertadas”. A Comunicação Interna, nos termos citados faz-se como o Nirvana ou Calcanhar de Aquiles de uma Organização.

1 – A COMUNICAÇÃO ORGANIZACIONAL INTERNA

1.1 Comunicação Interna

A dimensão da comunicação organizacional, aqui apresentada, é aquela desenvolvida no ambiente de trabalho, delimitando-se aos processos de comunicação organizacional interna, os quais englobam todas aquelas mensagens que são enviadas ou recebidas dentro dos limites da organização. Seu processo pode desenvolver-se de diversas formas. São consideradas reuniões, conferências, diálogos informais, e outros que são realizados através dos mais diversos instrumentos: intranet, murais, circulares, reuniões, informativos internos, comunicados oficiais e outros. Para tanto, torna-se importante conceitualizá-la.

A comunicação organizacional interna, porém, apresenta uma diversidade de conceitos. Kreeps (1990) a entende como um “processo através do qual os membros da organização obtêm informações pertinentes sobre ela e suas mudanças”. O autor enfatiza que a comunicação organizacional desempenha uma função de fonte de informação aos membros da organização, na qual a informação se constitui na variável intermediária que une a comunicação à organização.

A definição de Goldhaber (1993 apud ANDREWS, HERSHEL, 1996) engloba também o contexto no qual “a comunicação organizacional pode atuar como o processo de criação e troca de mensagens dentro de uma rede de trabalho de relações interdependentes para competir com as incertezas do ambiente”. Andrews e Hershel (1996) completam afirmando que “a comunicação envolve a interpretação e negociação de mensagens, enquanto esforça-se para articular e trazer a compreensão mútua das visões, propósitos e metas da empresa entre os funcionários”. Esta segunda definição, por sua vez, torna-se mais congruente à proposta apresentada neste estudo e é adotada pelo mesmo.

Torquato (1986) também descreve a comunicação como “processo que intermedia o discurso organizacional, ajusta interesses, controla os participantes internos e promove maior credibilidade empresarial”. Ele a considera poder expressivo que contribui para a maior produtividade e alavancagem da economia organizacional.

A comunicação efetiva é considerada, portanto, uma prioridade para as organizações. Nesta mesma direção, Calabrese (1997) defende a comunicação e a cooperação como ferramentas indispensáveis para responder imediatamente às constantes mudanças que acontecem no ambiente em que estão inseridas as organizações. “Além de expressar a mudança, a comunicação é um elemento constitutivo da mudança”

Compreendendo-se a organização como um sistema, pode-se afirmar que a comunicação torna-se uma engrenagem imprescindível para que o mesmo funcione. Salerno (1999) aponta que “num sistema de produção do qual, diferentes pessoas, de diferentes classes hierárquicas e sociais, diferentes histórias, conhecimento e competências fazem parte, um acerto mínimo se faz necessário”. Tomando por base Habermas (1987), que descreve comunicação como a “intercompreensão mútua de mensagens entre sujeitos”, ele a considera essencial para que haja uma atuação adequada em termos de estratégias e objetivos da produção.

As diferentes dimensões citadas por Salerno (1999) quanto à comunicação são: “a dimensão cognitiva, dimensão normativa e dimensão expressiva”. A primeira diz respeito ao conhecimento e validação mútuos das competências necessárias para o tratamento de uma determinada situação produtiva, particularmente eventos. A dimensão normativa refere-se à validação social das normas. Já a última dimensão citada, a expressiva, envolve a mobilização individual frente ao cognitivo/normativo, tendo alta relação com a gestão democrática, onde são negociados, além dos deveres, também os direitos, obrigações e recompensas.

Em relação às funções básicas da comunicação na organização ou em um grupo, Robbins (2002) aponta quatro funções. A primeira é o controle: “a comunicação atua no controle do comportamento das pessoas de diversas maneiras, a começar, pela hierarquia que as organizações possuem fazendo com que o funcionário saiba a quem comunicar primeiro uma informação ou acontecimento”. A segunda é a motivação: “a comunicação facilita a motivação na medida em que esclarece aos funcionários o que deve ser feito, avalia a qualidade do seu desempenho e orienta sobre como melhorá-lo”. A terceira função é apresentada pela expressão emocional: “é através da comunicação que os funcionários expressam seus sentimentos de satisfação ou frustrações”. E, por fim, a última função, a informação: “a comunicação facilita a tomada de decisões, pois proporciona à pessoa ou grupo as informações que eles necessitam”.

Ao considerar que a comunicação organizacional é um fluxo de mensagens dentro de uma rede de relações interdependentes, Goldhaber (1991) acredita que “a comunicação organizacional inclui quatro importantes conceitos: mensagens, redes, interdependência e relações”. Passa, assim, ser tarefa da mesma o estudo dos fluxos de mensagens na empresa. Percebe-se, portanto, uma ligação entre as funções da comunicação apresentadas por Robins (2002), Goldhaber (1991), Torquato (1986) e Salerno (1999). Ambos relacionam a ela funções normativas, transmissão de informações e manifestações individuais e expressivas.

2 – A EMPRESA

2.1 – Rede Gerais de Comunicação Ltda.

Gerais FM 97,9.

É bom ouvir.

A empresa foi fundada em 12 de outubro de 1994, sendo os sócios proprietários: Álvaro Pereira Rodrigues e esposa Arilda Pereira e Doutor Marcelo Machado e esposa Maria Efigênia Pereira Rodrigues Machado.

Suas instalações iniciais eram simples com equipamentos antiquados e com ondas sonoras de curto alcance, situado à Rua Doutor Rubens de Castro, nº 93, sendo o mesmo alugado. Hoje possui sede própria, departamentalizada, com equipamentos modernos e com maior abrangência. Com a implantação da informatização hoje se pode ouvir a programação sem qualquer lugar do mundo através de sua home page.

A empresa conta com uma equipe qualificada atuante em cada departamento. Segue o quadro de colaboradores:

O Departamento Comercial é gerenciado pela GEMA Publicidades e Promoções

Diretor: Geraldo Eustáquio Magela (endereço idem)

e-mail: [email protected]

Colaboradores Diretos (Vendedores): Reinildes Ramos Bethânia

Tendo representante na Cidade de Monte Carmelo representada por: Elba

Obs.: Os serviços de manutenção são terceirizados por Gilberto Vasconcelos.

2.1.1 Produtos e Serviços

È uma empresa prestadora de serviços de radiodifusão comercial. Sessenta por cento (60%) de toda programação diária é voltada à divulgação de propagandas comerciais, individuais, além de informações e utilidades públicas.

Todos os comerciais são produzidos pela própria empresa que conta com recursos tecnológicos avançados e equipe qualificada. Há um grande investimento em transmissão de alcance, tecnologia, programas, equipamentos, etc.

2.1.2 O Mercado

• O Cliente:

A empresa é voltada para o publico em geral com canal aberto e uma programação dinâmica e popular, dando ênfase e muita credibilidade para toda a população de Coromandel. A empresa é a número um em promoções, sempre atenta às necessidades dos ouvintes.

• Concorrentes:

Não há concorrentes diretos, uma vez que a mesma é uma FM Comunitária.

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2.1.3 Equipe Gerais FM

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3 – A PESQUISA

Neste estudo, buscou-se observar o ambiente da empresa REDE GERAIS DE COMUNICAÇÃO LTDA (objeto de estudo). Foram utilizados dois instrumentos de pesquisa: a entrevista e o questionário.

A entrevista foi realizada com 15 (quinze) colaboradores e 1 (um) Diretor (Gerente) por participarem diretamente do processo de comunicação interna. As entrevistas foram realizadas através de conversas informais, onde foram coletadas informações sobre a história da empresa, política organizacional, o programa de qualidade adotado, bem como a verificação do processo e ações na área de comunicação que a empresa realiza com seus funcionários.

O quadro administrativo conta com 12 (doze) funcionários diretos e 4 indiretos. A amostra utilizada é composta por 16 entrevistados, ou seja, 100% dos funcionários. Foram utilizados questionários envolvendo respostas fechadas, como instrumento de pesquisa de campo junto aos funcionários de diversos setores da empresa.

A aplicação destes questionários na empresa, conforme orientações do Profª. Luciana S. O. Elias ocorreu da seguinte forma: individualmente na própria empresa, foi explicado o objetivo da pesquisa sem dar detalhes para não influenciar os funcionários, foi frisado que os mesmos não estavam sendo avaliados, bem como solicitado que respondessem na ordem em que apareciam as questões e que não deixassem respostas em branco. Os questionários foram preenchidos e devolvidos de imediato, e o tempo médio de aplicação foi de dez minutos.

Foram aplicados, como mencionados anteriormente, questionários, resultando, assim, numa amostra considerável, ou seja, a margem de erro é quase nula, o que possibilitou uma visão satisfatória dos aspectos focalizados. Todos os questionários foram utilizados no levantamento de dados e estudados a partir de uma análise qualitativa.

3.1 – Resultado da Pesquisa

O objetivo geral da aplicação dos questionários foi de verificar a existência dos problemas na comunicação interna da organização que dificultam uma comunicação eficaz. Todas as questões foram analisadas e os problemas foram sendo listados à medida que surgiam.

Serão apresentados a seguir os resultados da pesquisa realizada com os funcionários da empresa REDE GERAIS DE COMUNICAÇÃO.

Conhecimento do regulamento interno da empresa

Gráfico 01

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Fonte: Pesquisa realizada em fevereiro/09

A pesquisa revela que um percentual alto dos pesquisados desconhecem o Regulamento Interno da empresa, representando 56,25%; 31,25% têm conhecimento parcial e apenas 12,50% tem conhecimento total do regulamento interno da empresa.

Veículos de comunicação utilizados pela empresa para a divulgação de informações interna

Gráfico 02

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Fonte: Pesquisa realizada em fevereiro/09

Os veículos de divulgação de informações mais utilizados pela direção da empresa, na visão dos clientes internos, são as reuniões representando 87,50%; 12,50% não tem acesso/desconhecem; murais com 37,25%; e-mails e intranet, circulares, informativos internos com 0%.

O processo de comunicação interna na empresa

Gráfico 03

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Fonte: Pesquisa realizada em fevereiro/09

De acordo com o gráfico verifica-se que o processo de comunicação interna da empresa está em situação desfavorável, na qual 43,75% dos entrevistados a classificam como péssima; 37,50% consideram regular; 18,75% consideram boa e 0% dos pesquisados consideram ótima.

A importância de investimentos na comunicação interna

Gráfico 04

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Fonte: Pesquisa realizada em fevereiro/09

A Pesquisa revela que 93,75% dos funcionários consideram necessária a empresa investir em comunicação; 6,25% consideram relevante o investimento, posicionam-se como indiferentes / não há necessidade de investimento 0%.

Veículos que funcionam de forma eficiente para a eficácia da comunicação interna

Gráfico 05

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Fonte: Pesquisa realizada em fevereiro/09

De acordo com o gráfico 6, verifica-se que a eficácia no processo de comunicação interna está na divulgação das informações através de reuniões com 81,25%; seguido de circulares com 56,25%; murais e informativos internos com 50%; e-mails e intranet com 12,50%; 0% não tem acesso ou desconhecem os veículos.

O sistema de atendimento às críticas e sugestões

Gráfico 06

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Fonte: Pesquisa realizada em fevereiro/09

De acordo com o gráfico 8, verifica-se que o atendimento as sugestões e críticas dos colaboradores encontra-se péssima com 50%, 31,25% considera o quesito regular, o sistema está boa para 18,75% dos entrevistados. O que se pode analisar que os colaboradores estão insatisfeitos com o sistema de atendimento.

As informações sobre problemas de trabalho

Gráfico 07

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Fonte: Pesquisa realizada em fevereiro/09

A pesquisa revela que as informações sobre os problemas fluem para outros setores através de boatos e conversas paralelas representando 43,75%; 37,50% de maneira formal e grupal, 12,50% de forma informal, grupal/individualmente, 6,25% através de veículos de comunicação e 6,25% de maneira formal e individual.

A “força” dos boatos dentro da empresa

Observa-se pelos dados obtidos na pesquisa que 75% dos entrevistados consideram a força dos boatos intensa; 18,75% moderada; 6,25% isolada e 0% diz não existir.

A contribuição dentro do processo de comunicação interna

Podemos observar que de acordo com os resultados da pesquisa, 43,75% participam do processo quando necessário; 25% não participa e 31,25% sempre participa. Este resultado mostra que a maioria dos colaboradores só participa quando requisitado, e os que não participam justificam que não são levadas em conta as opiniões dos funcionários.

A criação de um Departamento exclusivo de RH

A Pesquisa revela que 75% dos entrevistados consideram importante a implantação e disponibilidade de informações sobre os direitos e deveres de cada colaborador através de um departamento exclusivo de RH; enquanto 25% acham desnecessário a criação, e 0% são indiferentes.

3.2 – APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

3.2.1 – Diagnóstico

A comunicação interna é uma ferramenta na informação, satisfação e motivação do cliente interno. E isso contribui e influencia imensamente na conquista do consumidor. A opinião do público interno tem grande influência nas opiniões do público externo.

Observou-se no decorrer das pesquisas e análises sobre o assunto Comunicação Interna, que a empresa estudada executa suas atividades ao longo dos anos de forma aplicada, porém ao considerarmos a prática de transmissão de informações e conhecimento, percebeu-se que esta não é uma de suas atribuições.

Ainda observou-se que, as informações que tramitam na empresa não possuem uma gestão eficiente, tendo em vista que devido a vários fatores, nem todos os colaboradores conseguem ter acesso à informação, ou caso possuam, esta informação é tratada de forma ineficiente.

Foi verificada uma divergência em questão à missão, visão e valores organizacionais, afirmou-se que a empresa possui esses dados definidos. Esses dados não foram localizados.

Quanto ao sistema de comunicação existente na empresa, é predominantemente descendente, pois apesar da abertura para uma comunicação ascendente, os funcionários não expõem suas sugestões e opiniões para a diretoria, predominando uma comunicação unilateral.

Os canais utilizados pela diretoria para a comunicação organizacional interna são: telefone, quadro de avisos e reuniões. A empresa também utiliza murais, porém esse meio não é utilizado de uma maneira constante, o que caracteriza a falta de um programa de comunicação interna.

Foi constatado que a empresa não possui um departamento de comunicação, portanto não há definições de filosofias, objetivos, missão e valores de comunicação. Também não há uma avaliação da comunicação organizacional e a empresa não possui um planejamento de comunicação.

Quanto à apresentação dos resultados da pesquisa sobre a comunicação interna na empresa em estudo, leva as seguintes conclusões.

A pesquisa revelou um número significativo de evidências e problemas relacionados à comunicação interna existente na empresa, e foi possível verificar também a existência de problemas de relacionamentos interpessoais.

Com essa pesquisa foi constatado que a grande maioria dos funcionários não conhecem as normas, diretrizes e regulamentos da empresa, pois a mesma não possui um veículo adequado para a divulgação destas informações. Os mesmos também consideram importante a disponibilização de informações sobre os direitos e deveres de cada um pela administração.

Quase a totalidade dos funcionários considera importante o investimento na comunicação interna, sugerindo como veículos mais adequados para a divulgação de informações reuniões e circulares.

Outro problema detectado foi referente ao sistema de atendimento às críticas e sugestões dos colaboradores, que consideram seu funcionamento como péssimo. Foi possível constatar, através de observação, que não existe divulgação entre os funcionários da existência deste sistema.

Segundo a pesquisa, os boatos dentro da empresa ocorrem de forma intensa, inclusive as informações sobre problemas de trabalho de um setor para outro fluem através de boatos e conversas paralelas, detectando a forte presença da chamada ‘rádio peão’. Esta forma de comunicação informal possui como forte e peculiar característica a deturpação das informações, prejudicando não apenas o conhecimento dos fatos de forma real como também, pode acarretar em prejuízos irremediáveis para o bom desenvolvimento das ações administrativas.

Também foi possível constatar, que a maioria dos funcionários só participam do processo de comunicação quando necessário, ou seja, quando envolve seu setor ou são requisitados pela diretoria. O que mostra a insatisfação dos mesmos com relação ao processo de comunicação interna e a maneira como fluem as informações.

3.2.2 – Sugestões de Melhoria no Processo de Comunicação Interna

Observou-se que existe uma necessidade de investimentos em comunicação, na empresa, com o intuito de melhorar a eficiência e eficácia nas atividades desenvolvidas na organização.

Com base nas observações feitas através da análise da pesquisa, algumas ferramentas de comunicação interna serão reformuladas e outras serão propostas para a otimização da comunicação interna.

A empresa deve adotar o Manual do Funcionário para divulgar e esclarecer todos os funcionários sobre a missão e objetivos da empresa, bem como, as normas, diretrizes e regulamentos, os direitos e deveres dos funcionários, a política de qualidade, descrição dos setores, seus ramais e encarregados dos setores.

Para que o funcionário realize o trabalho de forma adequada é preciso dar a eles feedback contínuo sobre o que estão fazendo, de forma correta e indicando onde podem melhorar. O segredo do feedback é fazer com que ele seja aceito, e utilizado construtivamente pelo seu receptor, esteja onde estiver, chefe ou subordinado.

Para que as informações fluam de forma adequada, a empresa deve adotar formas mais claras e objetivas de divulgação de fatos que envolvam o dia-a-dia corporativo, bem como informações diversificadas e de interesse geral dos funcionários como saúde, promoção de eventos de caráter profissional e até mesmo de lazer. Para isso, deve-se adotar periodicamente um Jornal Inter-Info. A sugestão é inserir uma seção no jornal que aborde assuntos relacionados somente aos funcionários. Seria o “Você em Foco”, onde assuntos como novos colaboradores, transferências e mudanças de cargo seriam informados.

Diante das respostas dos colaboradores quanto ao interesse em sugerir melhorias para o seu setor e até de outros setores, propõe-se que sejam implantadas Caixas de Sugestões para que eles possam reclamar ou propor algo novo para a empresa.

Após avaliar as respostas dos pesquisados referentes aos Murais, percebeu-se que, apesar de aceitarem bem o mural, este necessita de atualização constante. Desta forma, deverá ser intensificado o cuidado em atualizar e chamar a atenção das informações ali contidas, criando-se um layout padronizado para todos os murais, que devem ser distribuídos em locais estratégicos, onde o fluxo de pessoas for considerado significativo.

Para estimular o desenvolvimento dos funcionários, os mesmos devem ser sensibilizados a fazerem reciclagens através da participação em Seminários que abordem temas ligados à área de prestação de serviços e ao funcionamento da própria empresa.

Outra sugestão seria a criação de Cartazes para serem fixados nos murais que contenham frases elaboradas pela Assessoria de Comunicação e pela Gerência de Recursos Humanos chamando a atenção dos funcionários para a atual filosofia da empresa e sugerindo o seu comprometimento.

Os problemas no processo de comunicação podem ser solucionados através Reuniões quinzenais, pois estas exercem importantes funções na integração humana dos grupos. Por ser um instrumento de comunicação direta, possibilitará motivar as equipes, levando-as a buscar atingir um determinado objetivo ou meta.

O mais importante de tudo é ter em mente que todos os problemas relacionados à comunicação interna podem ser solucionados, seja através de estratégias a serem adotadas ou de treinamentos a serem aplicados aos funcionários. A discussão das soluções é inerentemente positiva, enaltecedora e tende a liberar a criatividade. Fazer com que todos pensem e falem em termos de soluções, poderá ser compensador devido à qualidade e quantidade de idéias que possivelmente emergirão possibilitando assim atingir a eficácia na comunicação interna organizacional.

4 – ENDOMARKETING

4.1 – CONCEITO

De acordo com o site http://www.administradores.com.br/artigos/_endomarketing_como_ferramenta_eficaz_para_gestao/13768/ ““ Endo” vem do grego e quer dizer “ação interior ou movimento para dentro”, sendo assim o Endomarketing quer dizer “marketing para dentro”. É toda e qualquer ação de marketing voltada para a satisfação e aliança do público interno com o intuito de melhor atender aos clientes externos.” Já para Kotler (1998), o Marketing interno é como uma “tarefa bem sucedida de contratar, treinar e motivar funcionários hábeis que desejam atender bem aos consumidores”, e ainda ressalta a associação estabelecida entre o Marketing interno, o treinamento e a motivação dos colaboradores para o atendimento adequado aos consumidores.

Podemos definir também, como sendo o conjunto de ações focadas no público interno e tem como objetivo maior conscientizar funcionários e chefias para a importância do atendimento de excelência ao cliente, ou seja, é toda e qualquer ação de marketing voltada para a satisfação e aliança do público interno com o intuito de melhor atender aos clientes externos. O estudo sobre Endomarketing assume uma conotação de “utilização de estratégias de mercado externos adaptados ao ambiente interno das organizações com o objetivo de proporcionar ganhos e motivações tanto para a empresa como para o cliente interno”.

4.1.1 – FERRAMENTA EFICAZ PARA GESTÃO

A complexidade no atual mundo competitivo das organizações e sua interação com os ambientes têm forçado cada vez mais empresas a buscarem e aplicarem de forma mais ou menos estruturada programas internos de qualificação dos colaboradores e ferramentas de integração entre setores para ganhos qualitativos no clima organizacional no sentido de fomentar melhoria nos relacionamentos com o cliente externo. Um conjunto cada vez mais consistente de instrumentos e ferramentas de Endomarketing tem sido utilizado por organizações de portes variados, a adoção e combinação de ferramentas têm-se mostrado presente principalmente em setores de maior competição e disputa por participação de mercado. Desta forma se faz necessários alguns questionamentos: Mas o que significa Endomarketing? As aplicações de endomarketing possibilitam resultados diferenciados em termos que qualitativos e quantitativos no relacionamento com os clientes externos? Qual a reação dos clientes internos frente a tais programas?

4.1.2 – SUA IMPORTÂNCIA

Endomarketing ou Marketing Interno tem se tornado uma ferramenta de extrema importância para as organizações. A razão de tal importância é porque se constituiu em um processo cujo foco é sintonizar e sincronizar todas as pessoas que trabalham na empresa na implementação e operacionalização de ações mercadológicas. O principal benefício que se busca é o fortalecimento e construção de relacionamentos, compartilhando os objetivos da empresa e fortalecendo estas relações, inserindo a noção de que todos são clientes de todos também dentro da empresas.

Antes de vender o produto para seus clientes, as empresas precisam convencer seus funcionários a comprá-lo. O Endomarketing surge como elemento de ligação entre o cliente, o produto/serviço e o colaborador. Isto significa tornar o colaborador um aliado, fomentando a idéia de que seu sucesso está ligado ao sucesso da empresa. O Endomarketing deve ser trabalhado como uma ferramenta de comunicação e integração para que todos possam cumprir suas tarefas com eficiência.

É importante que todos saibam a respeito dos objetivos, estratégias, metas e formas de atuação só assim é possível começar a entender os clientes externos de forma mais coerente e eficaz, diminuindo custos, tempo e possibilitando o surgimento de um clima interno mais harmonioso no qual todos compartilhem do mesmo senso de direção e de prioridade. Quando o marketing interno é bem feito, o marketing externo será muito mais abrangente.

Basta perceber o que os empregados dizem nas empresas classificadas pela revista Exame como melhores empresas no Brasil para se trabalhar. Se cada empregado for multiplicador da boa imagem da empresa, seus produtos serão bem aceitos pelos seus clientes. O Endomarketing possui uma importância estratégica e, neste sentido, não pode ser separado do marketing. Do ponto de vista estratégico, o Endomarketing é um processo para adequar a empresa a um mercado orientado para o cliente. Deste modo, a relação da empresa com o mercado, passa a ser um serviço feito pelos clientes internos para os clientes externos. As empresas desejam crescer, conquistar mercados, manter os índices que já possuem ou, simplesmente, garantir seu lugar, sua sobrevivência para os próximos anos.

O Endomarketing é, portanto, um processo que visa adequar a empresa ao atendimento do mercando, tornando-se competitiva a partir do envolvimento de seus clientes internos à estrutura organizacional. Assim o objetivo de estabelecer um clima permanente de motivação do colaborador, dando-lhe dignidade, responsabilidade e livre iniciativa é de sua importância. O autor Bekin (2004) estabelece alguns processos de motivação: – Chamamento a parcerias, à cooperação e lealdade – Valorização do indivíduo dentro do seu grupo – Reforço contínuo de uma atitude baseada em valores compartilhados – Recompensas e prêmios dirigidos ao grupo para que todos se beneficiem dos resultados positivos – Criação de um ambiente de interação dentro da empresa – Envolvimento dos funcionários no planejamento e na tomada de decisões – Estímulo à iniciativa e a atitude criativa – Delegação de poderes de acordo com a natureza da função exercida – Remuneração adequada – Integração baseada nos valores e objetivos da empresa Podemos dizer que exi
ste um espaço bem menor entre os interesses dos empresários e dos empregados.

Até algum tempo atrás, o empregado e o empregador não se encontravam e quando havia a necessidade de conversar era por meio de encarregados, ou seja, o empregador nunca ouvia a necessidade de seu empregado e dependendo do tamanho da empresa dificilmente o empregador sabia quem eram seus empregados. Embora a cultura entre o empregado e o empregador possa ser diferente, hoje, os empresários prometem tratar seus funcionários como capital humano, oferecendo-lhes motivação no trabalho, benefícios mais atraentes, valorização em seu desempenho, ambiente saudável, horários flexíveis, estímulos no aumento de sua produtividade, etc. A opinião do público interno tem grande influência nas opiniões e perspectivas do público externo, do consumidor em geral.

Partindo desse princípio, as empresas cada vez mais têm investido no Endomarketing como uma estratégia de Recursos Humanos. O Endomarketing existe para atrair e reter seu primeiro cliente: os clientes internos, obtendo significativos resultados para as empresas e, também, atraindo e retendo clientes externos. Essa atitude estratégica visa dar aos funcionários uma noção da importância de um serviço orientado para atender aos clientes, fazendo-os ter a capacidade de responder qualquer dúvida que surja dentro da companhia, e isso inclui envolvimento, comprometimento, valorização e, principalmente, qualificação do funcionário, visando assumir responsabilidades e iniciativas, conhecendo todas as rotinas de serviço da empresa onde atuam. Afinal, uma informação errada dada ao cliente externo ou uma imagem negativa pode comprometer todo o desenvolvimento de um projeto.

4.2 – AS LEIS DO ENDOMARKETING

O Endomarketing, assim como outras áreas de gestão, possui “leis” que o fundamentam, sendo a base objectiva das principais características do seu processo de gestão. De acordo com Vinicius Carvalho de Carvalho, na forma de um artigo na Revista Exame, publicada em 2008, retirado do site “http://pt.wikipedia.org/wiki/Endomarketing”, as Leis do Endomarketing são:

1. Lei do Diferencial Humano: As pessoas são a base de tudo. Não importa qual o valor que pretende agregar ao seu negócio, sempre serão as pessoas que o farão tornar-se realidade perante o seu cliente, quer seja de forma direta ou indireta.

2. Lei da Tomada de Decisão: As pessoas são contratadas para tomarem decisões em seu cotidiano de trabalho, que influenciam no negócio como um todo, da mais simples função operacional até o mais alto executivo.

3. Lei do Sentido: As pessoas precisam compreender o sentido daquilo que estão envolvidas para poderem dar mais de si. Sem perceberem a razão (o lado pragmático) e a emoção (o lado subjetivo) do que estão fazendo, jamais poderão dar tudo de si.

4. Lei do Reflexo: Simples assim: a qualidade da relação da empresa com o seu mercado é um reflexo directo do relacionamento que ela tem com os seus colaboradores.

5. Lei do Desempenho Esperado: Quanto menos a empresa oferece em troca do trabalho, maior será a diferença entre o desempenho que ela espera e o desempenho que efetivamente recebe do colaborador, pois a percepção deste quanto àquilo que provém da empresa tende, na média (colectiva) e no longo prazo, a se configurar em injustiça quanto a sua recompensa.

6. Lei da Motivação: A motivação não pode ser espontaneamente gerada ou atribuída somente à realização no trabalho. Ela é um bem exclusivo do indivíduo e que não está de maneira alguma sob o controle da empresa, podendo apenas ser estimulada por uma série de factores que irão aumentar a percepção do colaborador acerca do que o motiva no trabalho.

7. Lei do Composto de Endomarketing: Endomarketing não é o mesmo que Comunicação Interna. É um processo gerencial, cíclico e continuado, formado por um composto de 4 variáveis: a Empresa (o que entregamos aos colaboradores), o Ambiente (tangível e intangível), o Trabalho (a moeda de troca do colaborador), e por fim a Comunicação.

8. Lei da Escada Limpa: Em uma organização o Endomarketing sempre deve começar de cima para baixo: se o corpo directivo não comprar a idéia, nada irá mudar. Tente limpar uma escada começando pelo degrau mais abaixo e perceberá que nunca sairá do mesmo lugar.

9. Lei do Fluxo de Benefícios: A percepção da empresa ante o seu colaborador é o fruto do conjunto dos factores entregues em troca de seu trabalho, e que é dado por um fluxo de benefícios específico, que resultará num valor percebido da organização.

10. Lei do Ambiente: Todas as trocas entre colaborador e empresa ocorrem dentro de um ambiente, formado por uma parte tangível (o físico da empresa) e outra intangível (cultura e clima organizacional).

11. Lei do Trabalho: Quanto maior for o valor percebido pelo colaborador em relação ao Fluxo de Benefícios da empresa, maior será o seu desempenho em troca. O trabalho é o valor “pago” pelo indivíduo por aquilo que recebe da empresa, e cabe a esta saber claramente o que espera das pessoas a partir daquilo que oferece.

12. Lei da Constante da Comunicação: Mesmo que a empresa não possua formalmente um processo de comunicação interna, ela sempre irá existir e ser praticada pelos seus colaboradores por meio de canais informais.

13. Lei da Gestão do Endomarketing: O endomarketing é um processo gerencial, cíclico, contínuo, e baseado em ferramentas multidisciplinares de activação, com o objectivo de promover a motivação das pessoas com o seu trabalho e garantir o seu compromisso com os objectivos estratégicos, contribuindo assim à obtenção de melhores resultados a partir de desempenhos superiores.

14. Lei do Discurso Contraditório: A variação de desempenho de um colaborador é o resultado directo da diferença entre o volume de comunicação que orienta a sua tomada de decisão, normalmente gerada pela empresa, e o volume de comunicação contraditória, que na maioria das vezes é gerada pela sua chefia directa.

15. Lei dos Pontos de Pressão: Numa organização sempre existem duas concentrações de público interno que funcionam como grandes pontos de pressão positiva e negativa, diametralmente opostos, e que agem sobre a massa de pessoas em geral.

16. Lei dos Cenários de Representação: As pessoas tendem a resumir a empresa e o seu universo de existência e relações aos cenários onde atuam, ao seu cotidiano nela.

17. Lei das Fases de Implantação: Todo processo de endomarketing deve respeitar 4 fases distintas de implantação: a assimilação dos conceitos (Despertar), a saída das zonas de conforto (Envolver), a partida para a ação (Construir),e a busca de metas elevadas (Superar).

18. Lei do Discurso Único: Toda empresa deve ter apenas um discurso a ser comunicado aos seus colaboradores, forte o bastante para se manter vivo ao longo do tempo, e com volume de conteúdo capaz de permitir desdobramentos e co-relaçõe.

19. Lei da Capacidade dos Canais Internos: O número de canais existentes e de diferentes formatos em uma empresa não está directamente relacionado à qualidade da comunicação interna da organização.

20. Lei dos Tipos de Conteúdos Editoriais: o conteúdo presente em um canal interno de comunicação sempre deverá possuir pelo menos um dos 4 tipos de linha editorial interna (Estratégica, Informativa, de Serviço, Humana), ou ainda a combinação entre elas de forma a complementarem-se.

21. Lei da Estética e do Discurso: A estética e o discurso devem estar alinhados para o público interno ao qual se destinam, e não para a instituição e a forma como esta e seus produtos se reportam externamente. A excepção a esta Lei está nas áreas comerciais que tendem a reproduzir os padrões e estilos dos clientes com os quais relacionam-se.

22. Lei do Referencial Externo: As pessoas trazem de fora da empresa os seus referenciais de boa comunicação, e baseiam-se em suas experiências com as mídias externas para relacionarem-se com os canais internos da organização.

23. Lei da Segmentação Interna: Uma única estratégia de endomarketing e comunicação interna não é capaz de atingir plenamente a todas as pessoas de uma organização. Cada empresa possui um número próprio de segmentos de público que devem receber a mensagem através de estratégias específicas de activação, quer na sua forma, estética ou discurso.

24. Lei do Retorno: O aumento do desejo dos colaboradores em possuir meios de dar retorno à empresa é directamente proporcional ao volume de comunicação interna praticada pela organização.

25. Lei da Oralidade: As pessoas preferem a comunicação oral e esperam isso de seus lideres directos. A evolução eficiente de um programa de endomarketing está na diminuição gradual de material impresso ou que utilize de outros meios de comunicação que não sejam a oralidade.

Tais leis não possuem embasamento científico ou comprovação por meio de pesquisa. O endomarketing segue a lógica do marketing e isso é o bastante apontar suas características de meios de adaptação ao meio interno das organizações.

4.3 – ESTABELECENDO O ENDOMARKETING

Podemos classificar vários instrumentos que podem ser utilizados para a prática e implantação do Endomarketing. Para Requena (2003) as ferramentas do Endomarketing constituem como o treinamento e o desenvolvimento, a comunicação interna e externa plena, a liderança visionária, o fluxo de informações técnicas, entre outras. E ainda afirma que “estes e outros componentes administrativos devem ser abordados e enriquecidos quanto aos conteúdos”. Brum (1998) classifica os instrumentos operacionais que podemos utilizar: – Vídeos: institucionais ou de apresentação dos produtos (têm como objetivo colocar os clientes internos com a realidade em que seu produto é utilizado) – Manuais técnicos e educativos (seu objetivo é a apresentação de produtos, serviços, lançamentos, tendências em relação à tecnologia e a moda) – Revistas com histórias em quadrinhos – Jornal interno com a utilização de vários encartes, como, por exemplo, área de recursos humanos, projetos, produção e associação de funcionários.

Pode ser utilizada, também, a versão do jornal de parede – Cartazes motivacionais, informativos e de forma de quebra-cabeça, sempre com o objetivo de passar novas informações para a equipe interna – Canais diretos: reuniões com o diretor, presidência ou ouvidor interno – Palestras internas, programas para apresentar as novidades da empresa, as tendências e a evolução que a mesma teve – Grife interna: registro em roupas (uniformes), bonés e acessórios – Memória, ou seja, o resgate da história da empresa, com o objetivo de passar da mesma, às pessoas que a desconhecem – Rádio interna – Vídeo jornal para a divulgação de lançamentos, pronunciamentos de diretores e gerentes – Intranet – Convenções internas: uso da equipe interna para divulgação de atividades. Conforme classificado, são vários os instrumentos que podem ser utilizados.

E por serem vários, eles apresentam uma variação em relação ao custo (implantação e manutenção), do nível de envolvimento da coordenação (tempo dedicado para o desenvolvimento e manutenção do instrumento), da abrangência (número de funcionários envolvidos) e durabilidade (necessidade de utilização). Desta forma, uma empresa que possui pouca disponibilidade de tempo para a coordenação e implantação deste processo de Marketing interno precisa evitar a escolha de instrumentos que exijam alto grau de envolvimento da coordenação. Caso contrário, corre o risco de ter problemas no desenvolvimento do seu plano.

Por fim, podemos concluir o grande avanço das empresas que ampliaram sua visão, na busca da aplicação do Endomarketing como sendo uma ferramenta de sucesso em sua gestão, pois, conforme estudo o Endomarketing é uma das soluções para os problemas de comprometimento de funcionários com a organização. Então, é necessário que a empresa priorize o plano e que haja envolvimento de sua alta administração, para que os resultados sejam alcançados, buscando a melhoria e satisfação de todos. Contudo, colaboradores insatisfeitos com as condições de trabalho e com os próprios produtos lançados, farão uma contrapropaganda cada vez que multiplicam fora da empresa a sensação de descontentamento que os dominam. Entretanto, caso estejam satisfeitos com a empresa, poderão “vendê-la” para o cliente externo.

4.4 – CÓDIGO DE ÉTICA

O Código de Ética é um documento dinâmico, sendo revisto e atualizado constantemente. Os comentários e as sugestões dos colaboradores serão sempre bem-vindos.

A meta é o enraizamento deste Código em todas as atividades da REDE GERAIS DE COMUNICAÇÃO. De maneira a garantir a preservação de sua imagem.

Nesse sentido, o Código de Ética fornece rumos e qualifica as práticas desejadas. Não se trata de um retrato exaustivo do que fazem, mas sim, um conjunto de diretrizes que apontam um horizonte para o qual querem caminhar. À medida que determinados passos são dados, outros precisam ser projetados; à medida que a sociedade desenvolve novas expectativas, cabe-lhes inovar.

Isso significa ter sensibilidade para atualizar continuamente práticas e, naturalmente o próprio conteúdo do Código. Seus termos indicam os padrões esperados no exercício profissional, ao mesmo tempo em que definem o posicionamento estratégico da empresa. Por isso é que se aplicam a todos os colaboradores, sem distinção de nível hierárquico.

Reconhece-se a importância da adoção de rigorosos princípios éticos, na condução dos negócios nos diversos mercados. Para tanto, divulga-se o Código de Ética a todos os colaboradores, com o objetivo de orientar essa ação e demarcar o padrão ético a ser seguido.

As Diretrizes de Conduta Ética detalhadas neste trabalho estão sedimentadas em valores e princípios (credibilidade, integridade, confiança, profissionalismo, transparência, legalidade e lealdade), sendo aplicável a toda a comunidade da REDE GERAIS DE COMUNIÇÃO, bem como suas empresas controladas e coligadas.

No desenvolver de suas atividades, respeitar as diversidades culturais dos indivíduos e a igualdade de oportunidades de trabalho, repudiando qualquer forma de discriminação, seja por condição social, crença religiosa, cor, raça, sexo, idade ou deficiência física.

Entender que é de fundamental importância, o comprometimento de todos os colaboradores na disseminação e cumprimento das diretrizes de conduta ética, como forma de valorizar e reforçar a imagem de solidez e probidade da empresa junto aos seus clientes, concorrentes, fornecedores, reguladores e sociedade em geral.

Apresenta-se abaixo a sugestão de Código de Ética, citando o Código de Ética da Radiodifusão Brasileira e embasada no Estatuto da Radiodifusão para ser implantado na Empresa Rede Gerais com o objetivo de nortear ações e decisões.

REDE GERAIS DE COMUNICAÇÃO LTDA 97,9 “É bom ouvir”

CÓDIGO DE ÉTICA

CÓDIGO DE ÉTICA DA RADIODIFUSÃO BRASILEIRA

BRASÍLIA/DF – 1993

Os empresários da Radiodifusão Brasileira, considerando suas responsabilidades perante o público e o Governo, declaram que tudo farão na execução dos serviços de que são concessionários ou permissionários, para transmitir apenas o entretenimento sadio e as informações corretas espelhando os valores espirituais e artísticos que contribuem para a formação da vida e do caráter do povo brasileiro, propondo-se sempre a trazer ao conhecimento do público os elementos positivos que possam contribuir para a melhoria das condições sociais. Por outro lado, na execução da tarefa que lhes foi atribuída, exigirão total respeito ao princípio da liberdade de informação, independente de cesura, juntamente com a imprensa, não aceitando quaisquer outras restrições que não sejam as determinadas pelas leis em vigor e as estabelecidas pelo presente Código, neste ato aprovado pela unanimidade dos associados.

4.4.1 – PRINCÍPIOS GERAIS

1. Destina-se a radiodifusão, o entretenimento e a informação do público em geral, assim como a prestação de serviços culturais e educacionais.
2. A radiodifusão defenderá a forma democrática de governo e, especialmente, a liberdade de imprensa e de expressão do pensamento. Defenderá, igualmente, a unidade política do Brasil, a aproximação e convivência pacífica com a comunidade internacional e os princípios da boa educação moral e cívica.

DA PROGRAMAÇÃO

1. A emissora transmitirá entretenimento do melhor nível artístico e moral, seja de sua produção, seja adquirido de terceiros, considerando que a radiodifusão é um meio popular e acessível à quase totalidade dos lares.
2. Os programas transmitidos não advogarão discriminação de raças, credos e religiões, assim como o de qualquer grupo humano sobre o outro.

DA PUBLICIDADE

1. Reconhecendo a publicidade como condição básica para a existência de uma Radiodifusão livre e independente, as emissoras diligenciarão no sentido de que os comerciais sejam colocados no ar em sua integridade e nos horários constantes das autorizações.
2. Ainda que a responsabilidade primária caiba aos anunciantes, produtores e agências de publicidade, as emissoras não serão obrigadas a divulgar os comerciais em desacordo com o Código de Auto-Regulamentação Publicitária, submetendo ao CONAR qualquer peça que lhes pareça imprópria, respeitando-lhe as decisões.

DAS NOTÍCIAS

1. Os programas jornalísticos, gravados ou diretos estão livres de qualquer restrição, ficando a critério da emissora a exibição, ou não, de sons que possam ferir a sensibilidade do público. Os programas ao vivo serão de responsabilidade dos seus diretores ou apresentadores que observarão as leis e regulamentos vigentes assim como o espírito deste Código.
2. As emissoras só transmitirão notícias provenientes de fontes fidedignas, não sendo, entretanto, por elas responsáveis.

DA IMPRENSA, DA MICROEMPRESA, DA PUBLICIDADE E DOS COLABORADORES

• É livre a manifestação do pensamento e a procura, o recebimento e a difusão de informações ou idéias, por qualquer meio, e sem dependência de censura, respondendo cada um, nos termos da Lei, pelos abusos que cometer. Não serão toleradas a propaganda de guerra, de processos de subversão da ordem política e social ou de procedimentos de raça ou classe.
• Á empresa é assegurado tratamento diferenciado, simplificado e favorecido, nos campos administrativo, tributário, previdenciário, trabalhista, creditício e de desenvolvimento empresarial, de acordo com o disposto na Lei.

Parágrafo Único: O tratamento estabelecido na Lei não exclui outros benefícios que tenham sido ou vierem a ser comprometidos na empresa.

• Todo anúncio deve ser respeitador e conformar-se às Leis do país; deve, ainda, ser honesto e verdadeiro. Todo anúncio deve ser preparado com o devido senso de responsabilidade social, evitando acentuar, de forma depreciativa, diferenciações sociais decorrentes do maior ou menor poder aquisitivo dos grupos a que se destina ou que possa eventualmente atingi-lo. 
• Todo colaborador deve zelar pelo desenvolvimento da empresa assim como também ser cordial, respeitador, solidário e humano uns para com os outros.
• Fica a cargo de a empresa garantir condições para os colaboradores quanto:

1. Ao uniforme;*
2. Á flexibilidade de horários;**
3. Aos lanches matutino, vespertino e noturno***;
4. Às condições humanas de convivência;
5. Ao aperfeiçoamento e desenvolvimento das técnicas as quais cada colaborador é responsável;
6. Investir em métodos de motivação;

* Quanto ao uniforme, o uso deve ser contínuo de segunda-feira à sexta-feira; salvo imprevistos.
** Quanto á flexibilidade de horários, os colaboradores devem estar atentos para que não haja diminuição na produção, tão menos, interferir no fluxo de desenvolvimento. Fica a cargo de o colaborador apresentar-se à Gerência Geral para comunicação e apresentação de uma medida reparadora. 
*** Quanto aos lanches, fica a cargo da empresa garanti-lo ao locutor que estiver presidindo a programação do horário de almoço.

• Fica a cargo dos colaboradores garantir condições para a empresa quanto:

1. À Fidelidade;
2. Ao sigilo de informações e discussões internas;
3. Á manutenção e preservação constante do ambiente de trabalho;
4. Á ajuda mútua;
5. Sugerir, Criticar, Elogiar e outros, sobre o fluxo de trabalho;
6. Manter o Departamento de RH sempre informado sobre as reais situações de convivência, abusos e outros, que advenham a prejudicar a integridade e o desenvolvimento da produção.

4.4.2 – MISSÃO

Ser a empresa de referência, no âmbito dos serviços que prestamos, nos setores de transmissão, programação, comercialização, atendimento, parceria e respeito em todos os relacionamentos.

4.4.3 – VISÃO

A REDE GERAIS DE COMUNICAÇÃO LTDA procura ter um papel dinamizador e de referência nos setores de transmissão, programação, comercialização e atendimento, baseando a sua atuação em relações de parceria, proximidade e confiança com os seus clientes. Estas relações assentam sempre numa defesa sistemática e absoluta dos valores que norteiam todos os serviços que prestamos: Inovação, Credibilidade e Rigor.

4.4.4 – VALORES

Ética, Transparência, Profissionalismo, Qualidade, Inovação, Parceria e Respeito em todos os relacionamentos

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Marketing de Relacionamento

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Este estudo tem por objetivo principal identificar por meio de pesquisa descritiva de caráter quantitativo com clientes ativos e inativos da empresa Comércio e Indústria Breithaupt S/A da cidade de Joinville, o grau de fidelidade dos mesmos. Os resultados obtidos indicaram um alto grau de insatisfação dos clientes nos quesitos entrega e atendimento. Quanto à entrega, serão apresentadas nesse estudo as medidas tomadas pela empresa na implantação do novo centro de distribuição, situado em Jaraguá do Sul, medida essa que ira em poucos meses melhorar o índice de satisfação dos clientes referentes a esse aspecto. Relativos ao atendimento foram identificados duas ferramentas a fim de aperfeiçoar o atendimento aos clientes, elevando assim o grau de satisfação e aumentando o índice de fidelidade da loja. As ferramentas apresentadas foram respectivamente, Pós-Marketing e CRM – Customer Relationship Management.

1. INTRODUÇÃO

Hoje o mercado encontra-se num patamar de grande competitividade e concorrência e devido a isso as empresas estão buscando novas ações mercadológicas.

Os benefícios e diferenciais de atendimento são aspectos fundamentais para o cliente de hoje, no entanto estratégias de relacionamento são de grande valor para as empresas atuantes há algum tempo no mercado. Para os clientes é papel do fornecedor oferecer flexibilidade, disponibilidade, criatividade e preços vantajosos. Para que isso seja alcançado são necessárias novas técnicas, para que as empresas possam ter êxito frente aos clientes (SWIFT, 2001).

O mercado varejista sofreu mudanças drásticas nos últimos anos devido à globalização e as inúmeras técnicas e ferramentas criadas para aperfeiçoar os processos de relacionamento entre cliente e empresa, e levando em consideração as condições em que se apresentava o setor varejista, onde o despreparo relacionado às praticas modernas de gestão, fez com que o desenvolvimento do varejo fosse atrasado por suas características naturais (FELISONI e GIANGRANDE, 1999).

A elevação do grau de exigência dos clientes vem gerando grande empenho das empresas pela melhoria e diferenciação no quesito atendimento. Atendimento não é somente sinônimo de cortesia, sendo que numa avaliação sobre qualidade de atendimento, essa tem peso muito pequeno, se não vier seguida de eficácia, rapidez e atenção (FELISONI e GIANGRANDE, 1999).

Segundo Claus Moller, em pesquisa realizada na revista US News World Re-ports, 68% dos entrevistados apontaram a má qualidade do serviço como uma das causas referentes ao afastamento dos clientes das empresas de varejo (FELISONI e GIANGRANDE, 1999). Essa má qualidade do serviço resume-se segundo Felisoni e Giangrande (1999, p.16) “a deficiência em itens como layout, espaço livre dos corredores, disposição dos produtos, informação clara quanto ao preço dos produtos e meios de pagamento, identificação das ofertas, bem como de promoções em curso”.

Kotler (1998) descreve que no passado as empresas achavam que seus clientes estavam garantidos, pois não existiam muitos concorrentes, o mau atendimento era uma prática igualmente exercida pelos varejistas e as empresas não se preocupavam em satisfazer seus consumidores devido ao crescimento rápido do mercado, porém hoje essa situação mudou. A carteira de clientes é o bem mais precioso que uma empresa pode ter, portanto, sua preservação é de fundamental importância para sua sobrevivência. Bogmann (2002, p.47), afirma que “nesses mercados poderia custar até cinco vezes mais atrair um novo cliente do que custa manter um cliente atual satisfeito”, e Gronroos (1995 apud Felisoni e Giangrande, 1999, p.16) acrescenta: “cliente que gera resultado é aquele que volta, tornando-se cativo”.

Cliente cativo significa cliente fiel, portanto este artigo tem por finalidade i-dentificar o grau de fidelidade da empresa Comércio e Indústria Breithaupt SA, fundada em 1926 na cidade de Jaraguá do Sul, onde até hoje é localizada sua matriz. Tem como especialidade o ramo de material de construção, supermercados, ferramentas, centro automotivo e Shopping Center, contando com 17 lojas espalhadas por 9 cidades do planalto norte e litoral catarinense.

O presente trabalho foi elaborado visando solucionar problemas relativos à loja da cidade de Joinville, portanto buscando resolver o problema relatado anteriormente, procurou demonstrar como objetivo geral o grau de fidelidade dos clientes da empresa Comércio e Indústria Breithaupt SA na filial de Joinville. Apresentou ainda como objetivos específicos apontar os motivos de insatisfação dos clientes da empresa e identificar as ferramentas necessárias para otimização e melhorias com relação ao índice de fidelidade dos clientes.

O Marketing de Relacionamento tem importância fundamental na obtenção e manutenção dos quesitos satisfação e fidelidade. Para isso, uma breve revisão da literatura abrangendo esses três tópicos descritos foi realizada. Logo depois é transmitido a metodologia de pesquisa, a analise dos dados e as conclusões do artigo.

2. MARKETING DE RELACIONAMENTO

O Marketing de Relacionamento passou a existir no inicio dos anos 80, porem sofreu um novo impulso a partir dos anos 90. Essa época marcou, segundo Felisoni e Gian-grande (1999), o inicio da globalização, e para o mercado brasileiro o começo da grande concorrência proveniente do mercado internacional. Devido ao ingresso a um mercado globalizado, o país se viu em apuros, pois o despreparo dos varejistas brasileiros, diante de um patamar competitivo inédito, caracterizado por uma abundancia na oferta de bens e serviços, produzidos de forma cada vez mais eficiente, fez com que o mercado introduzisse novas técnicas de gestão.

A solução apresentada e aplicada foi o aprimoramento do atendimento, transformando essa característica em uma qualidade competitiva-chave. Segundo Felisoni e Giangrande (1999), esse diferencial de atendimento acresce valor aos olhos do cliente, proporcionando assim um vinculo de fidelidade. Bogmann (2002), ainda afirma que um bom relacionamento é a única forma de manter a fidelidade do cliente cada vez mais em evidencia.

Esse novo modelo de gestão nada mais é que Marketing de Relacionamento, definido por Kotler e Armstrong (1997) como o processo de criar e sustentar relacio-namentos consistentes com os clientes, visando como meta a sustentação de oferta de valor a longo prazo, objetivando a satisfação do mesmo a longo prazo.

Devido às inúmeras opções proporcionadas pelo mercado nos dias de hoje e a vasta gama de concorrentes, as empresas se deparam com o fim da fidelidade de seus clientes, então, a solução não é apenas marketing, e sim, o melhor marketing. Essa nova forma de gestão implica as empresas a criarem formas de integrar os clientes a elas, proporcionando assim um excelente nível de relacionamento (FELISONI e GIANGRANDE, 1999).

Para Gordon (1998) o Marketing de Relacionamento possui algumas características particulares que o diferem consideravelmente do Marketing tradicional. Segundo o autor essas peculiaridades são: informações compartilhadas, conhecimento distribuído, valorização do trabalho em equipe, melhor comunicação e interação, criação de valor para com os clientes e desenvolvimento de sistemas de informações sobre os clientes.

O objetivo do Marketing de Relacionamento é a obtenção do maior numero de clientes leais ou fiéis. Kotler (1998) define vários tipos de consumidores, e descreve o processo de atração e manutenção dos mesmos. É necessário detectar os consumidores prováveis, e dentre esses avaliar quais os possíveis consumidores potenciais. A empresa tem por função transformá-los em novos consumidores e posteriormente em consumidores leais. Esses denominados leais, ainda podem comprar do concorrente, então surge um novo desafio, convertê-los em clientes. Os clientes apenas compram produtos triviais, porem esse ainda não é o foco. Com um esforço continuo em fidelização, o papel da empresa é transformá-los em advogados, pessoas que defendem e indicam a empresa para outros consumidores. Por fim, o desafio é transformar esses advogados em parceiros, situação em que eles e a empresa trabalham em sintonia.

Portanto, “(…) os clientes precisam ser atendidos como indivíduos” (GORDON, 1998, p. 33) e o Marketing de Relacionamento deve unir gradativamente o cliente a empresa ou vise e versa (GORDON, 1998).

2.1. A Importância do Cliente Interno

Para Bogmann (2002) é fundamental que as empresas descubram quem são seus clientes. Engana-se quem interpreta a palavra cliente como a pessoa que adquire produtos para consumo próprio ou distribuição. Para que uma gestão de Marketing de Relacionamento seja bem implantada, e seu mantimento seja eficaz, a empresa deve preocupar-se principalmente com seu cliente interno. Segundo Felisoni e Giangrande (1999, p.28) “a qualidade do atendimento que os empregados prestam aos clientes reflete, basicamente, a forma como eles se sentem tratado pela empresa.”.

Quem é o cliente interno? Segundo Bogmann (2002, p.39) “(…) é a peça principal na qualidade total em serviços”. São eles que trabalham, trocam informações, ajudam e cooperam. Sempre que alguém necessitar de ajuda, é o cliente interno que ira se prontificar. Portanto, é primordial nas organizações que visam qualidade no atendimento, um ótimo índice de satisfação de seus funcionários.

A motivação do quadro de funcionários é de grande valor, e a valorização estimulando a criatividade e o talento, progressivamente ira aflorar melhor qualidade do grupo. Isso leva os funcionários sentirem-se melhores com relação a si e ao seu trabalho, despertando sensação de posse, ou seja, maior orgulho pelo trabalho (BOGMANN, 2002).

O atendimento de uma empresa esta diretamente ligada à satisfação dos colaboradores. Para Gordon (1998) o ato de reclamação por parte de um cliente externo, refere-se a alguma avaria em algum ponto no processo de venda. Isso pode estar relacionado com a forma de atendimento prestada por qualquer colaborador da empresa.

3. FIDELIDADE

Num contexto geral, as empresas têm uma preocupação comum, que é a de conquistar novos clientes, e despreocupam-se na de preservar os clientes já existentes. Mas a sobrevivência no competitivo mercado de hoje, depende principalmente da construção de novos relacionamentos, e a função do Marketing nos dias de hoje é de manter fortes relacionamentos com os clientes, e para Felisoni e Giangrande (1999, p. 110) “a empresa vencedora da guerra competitiva consegue mais facilmente a supremacia de vendas por meio de estratégias de fidelização (…).”.

De acordo com Bogmann (2002, p.21), “cliente fiel é aquele que está envolvido, presente; aquele que não muda de fornecedor, e mantém consumo freqüente, optando por uma organização em particular (…)”.

A criação de valores aos clientes é fundamental importância quando se tem por intenção a fidelidade do mesmo. Esses valores podem ser descritos por: benefícios, custos de obtenção e custos de utilização do produto ou serviços prestados pela empresa. Um cliente satisfeito com os valores obtidos em uma transação, certamente retornará a fazer negócios e com o passar do tempo será um cliente fiel.

Com tantas opções existentes no mercado de hoje, ou seja, concorrentes, Mc-kenna (1992) relata que os clientes não são mais facilmente influenciados por marcas ou produtos, sendo assim, eles estão mais propícios a experimentar coisas novas. As opções são varias, no entanto os consumidores têm mais escolhas. Mckenna (1992, p. 25) faz a seguinte pergunta: “Como, então, criar, e manter, a fidelidade do cliente? Como criar uma posição para você e seus produtos que gere a fidelidade do cliente?”. Como resposta, Mckenna (1992) nos mostra a necessidade de mudança do padrão de conceito promocional, mudança essa visando o favorecimento a uma abordagem fundamentada nas relações com o cliente.

Para Bogmann (2002) essas relações com os clientes são fundamentais para se ter a hegemonia do mercado, à rápida aceitação de novos produtos e a obtenção da fidelidade do consumidor. Isso nada mais é que Marketing de Relacionamento, descrita por Gordon (1998, p.31) como “(…) o processo contínuo de identificação e criação de novos valores com clientes individuais e o compartilhamento de seus benefícios durante uma vida toda de parceria.”. A criação de novos valores concebe fidelidade e essa, por sua vez, concebe crescimento, lucros e mais valor.

Essa relação duradoura propicia a plena satisfação do cliente, proporcionando assim meios da obtenção da fidelidade do mesmo. Gordon (1998) afirma que essa fidelidade é essencial para a estruturação de valores estratégicos para a empresa, valores estes que trarão benefícios para ambos.

Concluindo, o mantimento de um cliente é favorável às organizações, pois gera maior lucratividade, maior gerenciamento dos clientes e uma estrutura financeira mais duradoura.

4. SATISFAÇÃO E FIDELIDADE

Conforme Kotler (1998, p.53) satisfação “é o sentimento de prazer ou de desapontamento resultante da comparação do desempenho esperado pelo produto (ou resultado) em relação às expectativas da pessoa”.

Segundo Tupiniquim (1999), satisfação é igual à percepção sobre expectativa, onde a satisfação do cliente é uma relação entre o que ele passa a pensar do produto (percepção) e o que ele pretende ver consumindo o produto (expectativa).

De acordo com Tupiniquim (1999, p.100-101), “Quando a expectativa for maior do que a percepção, teremos como resultado a insatisfação (…). Entretanto, quando a percepção for maior ou igual do que a expectativa, teremos aí um consumidor satisfeito.”, “e se excedê-las estará altamente satisfeito ou encantado.” (KOTLER, 1998, p.53).

Geralmente a satisfação esta diretamente relacionada com a fidelidade, e Tu-piniquim (1999) ressalta que quando o consumidor compra em determinada empresa pela primeira vez, ele é apenas um novo comprador. No entanto, se ficar satisfeito e voltar a comprar, então passará a ser um cliente fidelizado.

Porém, não basta o cliente ficar apenas satisfeito, pois pesquisas apontam que o grau de fidelidade desses é semelhante ao dos clientes pouco satisfeitos. Para se atingir um nível de excelência é preciso que os clientes atinjam um patamar de total satisfação (FELISONI e GIANGRANDE, 1999).

Para Brown (2001), fidelidade é uma espécie de comprometimento exercido pelo consumidor no ato de recomprar um serviço ou produto de forma duradoura. O autor ainda ressalta que a fidelidade se constitui quando o consumidor torna-se um defensor da organização sem que este venha a ter qualquer tipo de estimulo. Na verdade, a fidelidade existirá quando ambas as partes perceberem os benefícios dessa parceria. “A fidelidade mútua e a confiança devem ser conquistadas gradual e seletivamente”. (BROWN, 2001, p.54)

Para Kotler (1998), muitas empresas estão implantando programas de satisfação total dos consumidores, descobrindo que a total satisfação leva a um alto patamar de fidelidade. “A alta satisfação ou encanto cria afinidade emocional com a marca, não apenas preferência racional. O resultado é a alta lealdade do consumidor.” (KOTLER, 1998, p. 53)

5. PÓS-MARKETING

O pós-marketing está se tornando uma grande ferramenta nas diferentes estratégias de marketing, relacionadas com clientes atuais.

Segundo Vavra (1993 p. 35) “pós-marketing é uma estratégia a longo prazo; seu objetivo imediato não é simplesmente disparar uma nova compra, mas, em vez disso, assegurar-se que o cliente adquiriu o produto correto.”

Na realidade com a intenção do pós-marketing é reter o cliente o tornando cada vez mais fiel, obtendo assim um relacionamento mais significativo, como conse-qüência ocorre à satisfação do mesmo.

De acordo com Bogmann (2000, p. 32), “na decisão de compra vai pesar sua fidelidade à empresa que não só atendeu, mas ultrapassou suas necessidades.”

Desta maneira o cliente se torna mais ativo e tem a certeza de que suas necessidades de compra estão sendo atendidas.

Toda empresa precisa traçar metas necessárias para manter um cliente ativo, dessa forma o marketing focado no cliente pode ser dividido em três objetivos principais, onde o primeiro visa alcançar um valor pleno de duração de cada cliente. Já o segundo objetivo tem por interesse aumentar o valor de duração de cada cliente e, contudo, conservar essa duração crescente ano após ano. O terceiro objetivo é utilizar os lucros em excesso do bom resultado nos dois primeiros objetivos para custear a um baixo custo à aquisição de novos clientes. Portanto a meta a longo prazo é a sobrevivência e o progresso rentável (VAVRA, 1993).

Analisando isso, a empresa com o maior número de clientes, também vai lu-crar mais sempre, concluindo esses objetivos se tem uma sustentabilidade financeira mais positiva, o que se sobre sai na guerra da concorrência, tendo destaque no mercado.

Quando se utiliza de um processo como o pós-marketing, se cria a satisfação contínua de indivíduos, que são os clientes, construindo relacionamentos duradouros e maximizando sua satisfação, o pós-marketing fortalece a lealdade dos clientes ao encontrar suas expectativas que estão relacionadas à qualidade de um produto ou serviço adquirido e ao grau de serviço recebido.

5.1. Uma importante ferramenta de vendas

A interação continuada pós-venda é uma parte muito importante do pós-marketing e é tão necessária quanto à venda, para contar com oportunidades de negócios com o mesmo cliente no futuro.

Vavra (1993, p. 32), diz que “Marketing deve mudar a mentalidade de completar uma venda para a de iniciar um relacionamento; de fechar um negócio para construir lealdade”.

Satisfazer os clientes e mantê-los para aumentar sua fidelidade é o caminho para a rentabilidade para qualquer organização.

O pós-marketing ou atendimento pós-venda tem por objetivo a fidelização, dessa forma sujeitando as empresas a conhecer melhor o cliente (BOGMANN, 2000).

Assim, as empresas adeptas dessas ferramentas e estratégias fortificam o relacionamento com os clientes, interagem com os mesmos. Portanto pós-venda é muito mais que tabular um questionário, é a oportunidade de aprender com o cliente.

E para que isso aconteça é preciso conversar, fornecer um feedback, abrir-se para um certo diálogo e aprofundar-se nas questões positivas e negativas. É preciso saber o porquê desses pontos favoráveis ou não, quando se sabe o motivo, pode haver possibilidades de reparação, de ajustes e melhorias (VAVRA, 1993).

Saber determinar os desejos e os sentimentos dos clientes frente às organiza-ções, para assim transformar essas informações em ações administrativas, é um processo bastante complexo. Só com profissionais especializados, para cuidar de um pós-vendas e receber as opiniões dos clientes, para transformar todos esses dados em benefícios para a organização (VAVRA, 1993).

Por isso é preciso treinamento e interação em toda organização, é claro que uma estrutura de pós-venda vai ser analisada por alguns profissionais mais especiali-zados neste foco, mas os outros funcionários também são considerados como um canal de informação com o cliente, pois tem contato com os mesmos, recebendo e passando informações ou duvidas, e são esses mesmos funcionários que vão encaminhar esses pontos relatados pelos clientes.

Kotler (1998) cita dois tipos de profissionais que estão envolvidos e preocupados com pós-vendas, descritos como responsáveis e proativos. Os responsáveis são aqueles que telefonam ao cliente logo depois de efetuada a venda no intuito de obter informações referentes à satisfação quanto ao produto e sugestões de melhoria. Já os proativos, alem de desenvolver o mesmo trabalho descrito anteriormente, ligam continuamente aos clientes na intenção de mantê-los informados sobre promoções e novidades, procurando serem lembrados e assim construir relações leais com os consumidores.

Um programa de pós-vendas existe para receber as opiniões dos clientes, en-trar em contato com eles, ouvir, responder, explicar e agradecer. Buscando soluções para os problemas levantados e fazendo circular as opiniões dos clientes dentro da empresa, para mobilizar e manter atentos os profissionais que mantém o contato direto com os clientes.

6. IMPORTÂNCIA DE UM BANCO DE DADOS NO PROCESSO DE FIDELIZAÇÃO

Uma ferramenta de importância no Marketing de Relacionamento é o banco de dados, pelo contrário do que muita gente pensa, não é um simples programa que contem os dados dos clientes e que obtendo informações como endereços e telefones que estarão devidamente cadastrados e fidelizados.

O avanço tecnológico contribuiu para atualmente os profissionais terem ins-trumentos para melhor conhecer seus consumidores. Neste segmento surgem as preocupações em ter um relacionamento intimo como os clientes aonde irá surgir o conceito de CRM – Costumer Relationship Management. Que segundo Swift (2001, p.13) “(…) é um processo interativo que transforma informações sobre os clientes em relacionamentos positivos com os mesmos”.

Essa ferramenta envolve capturar dados do cliente em toda empresa, consolidá-los interna e externamente em um banco de dados e analisar e distribuir os resultados em todos os pontos de contato com o cliente e usá-los para interagir com os consumidores.

Com relação a isso, Oliveira (2000 p. 11) afirma que “CRM é o mais recente conceito na evolução de ferramentas capazes de fazer diferença na disputa implacável entre as empresas por mais competitividade nos negócios e em seu relacionamento com os clientes”.

Tudo isso para mostrar que é preciso ser relevante para incentivar a participação dos consumidores e estar atento a concorrência e tendências do mercado para diferenciar seu programa. Conhecendo o perfil do consumidor, o que e quando ele compra determinados produtos é possível alinhar ações e planejamento estratégico mais efetivamente.

A perfeita aplicação dessa ferramenta permite conhecer, classificar, selecionar da melhor forma possível o cliente e orientar assim o Marketing de Relacionamento.

7. IMPLANTAÇÃO DO CRM – CUSTOMER RELATIONSHIP MANAGEMENTE

Segundo OLIVEIRA (2000 p. 12), implementar CRM significa redesenhar a organiza-ção, mudando seu foco do produto para o cliente. Significa na prática transformar pessoas, processos, organização e tecnologia.

O CRM transforma pessoas, no sentido de suas capacitações, ou seja, melhora sua capacidade de conhecimento envolvendo setores das empresas como os de Marketing, os processos de trabalho, mudando a visão da organização.

O objetivo dos sistemas de CRM é identificar, diferenciar, manter e desenvolver seus melhores clientes e a tecnologia é o meio de programar estratégias para atingir esses objetivos. Porem a tecnologia não constrói as relações com os clientes, mas sim a empresa, através de seus funcionários que o faz.

De acordo com SWIFT (2001, p. 39): inicia-se CRM construindo-se conheci-mento sobre o cliente o que resulta em interações de alto impacto com ele. Isto permite a empresa estabelecer relacionamentos lucrativos e de longo prazo com o cliente e que gerenciem os recursos.

Planejar o treinamento adequado de toda a empresa é fundamental para o sucesso de implantação do CRM, é importante envolver toda a administração da empresa, a área de informática, o marketing e todas as pessoas que tem contato com o cliente.

Pois o cliente mesmo vai sentir o reflexo desse planejamento, criando por conseqüên-cia, clientes satisfeitos, fiéis e lucrativos.

8. METODOLOGIA

A correta execução de uma pesquisa de satisfação proporciona as organizações eficácia com relação ao alcance das projeções e, principalmente, faz com que a mesma se mantenha competitiva no mercado (FELISONI e GIANGRANDE, 1999).

Segundo Sâmara (2007) tal pesquisa consiste na obtenção de dados objetivos para solução de problemas ou identificação de oportunidades.

Uma pesquisa bem elaborada e executada tem por objetivo identificar os problemas no inicio. As informações transmitidas pelos clientes geram ações voltadas para esses problemas, fazendo com que a partir daí as empresas atuem de forma mais eficiente (FELISONI e GIANGRANDE, 1999).

No intuito de identificar os objetivos propostos nesse trabalho, foi realizada uma pesquisa descritiva de natureza quantitativa, a fim de demonstrar o grau de fidelidade dos clientes da empresa em questão.

De acordo com Sâmara (2007), pesquisa descritiva resume-se em um levantamento de dados primários obtidos por meio de entrevistas, cujos objetivos são identificar os tipos de consumidores, suas opiniões referentes aos produtos, qualidade no atendimento e preferências, freqüência de consumo e os motivos pelo qual procura a organização. De acordo com Mattar (2005, p.90), pesquisas descritivas “(…) são caracterizadas por possuírem objetivos bem definidos, procedimentos formais, serem bem estruturadas e dirigidas para a solução do problema (…)”.

A pesquisa foi realizada por meio de correio eletrônico e entrevistas que foram constituídas de oito questões fechadas e uma questão aberta na qual o cliente descreve sua opinião referente à loja. Assim, tendo por objetivo a obtenção de dados quantitativos, a escolha desta natureza de pesquisa de sucedeu pela necessidade de detectar a quantidade dos dados positivos ou negativos referentes às questões levantadas sobre satisfação (SAMARA, 2007).

A empresa Comércio e Indústria Breithaupt SA possui uma carteira de 2893 clientes, sendo que destes 1995 constituem-se de clientes de pessoas física e 898 de jurídica. Devido ao grande número de clientes e as dificuldades de obtenção do e-mail dos mesmos com a loja, foi coletado um total de 343 e-mails com vendedores e consultores técnicos. Desse total apenas 79 clientes retornaram a pesquisa, efetuada no período de 28/11/2009 a 03/12/2009. Devido ao baixo número de respostas optou-se por também fazer entrevistas pessoais. Tais entrevistas foram realizadas pelos vendedores no período de 03/12/2009 a 04/12/2009 resultando em um número de 39 entrevistados, totalizando então 118 clientes entrevistados até o fechamento da pesquisa.

9. ANÁLISE DOS DADOS

Para conhecer do grau de fidelidade e os motivos que provocam insatisfação dos clientes da empresa Comércio e Indústria Breithaupt S/A, os resultados obtidos na pesquisa, claramente apontaram as deficiências da empresa. Quesitos importantes como atendimento e entrega, são aspectos que necessitam de total atenção por parte da empresa, reformulando aspectos comportamentais dos colaboradores, onde o compromisso com os clientes visando à fidelização dos mesmos fosse encarado como a solução dos problemas identificados na pesquisa. Os resultados, que podem ser observados na tabela abaixo, avaliam a satisfação e indicam a fidelidade dos clientes da empresa em questão.

Com relação ao ambiente (higiene e limpeza) da empresa (57%) dos entrevistados considerou esse quesito ótimo, e (31%) considerou bom. Essa grande aceitação deve-se provavelmente pelo fato da loja ter sido reinaugurada á 5 anos, portanto apresenta um aspecto novo e agradável. Apenas (12%) considerou em termos de ambiente a loja regular e nenhum entrevistado considerou-a ruim.

Um dos pontos críticos da pesquisa foi o item atendimento, onde (49%) considerou regular e (29%) ruim. Dos entrevistados (15%) achou bom e apenas (7%) considerou ótimo o atendimento da empresa. Visando a melhoria do atendimento e conseqüentemente a fidelização dos clientes, foram apresentadas nesse artigo as ferramentas pós-marketing e CRM – Customer Relationship Management como solução para esse grave problema.

O item que obteve maior satisfação dos clientes foi à variedade de produtos, onde (63%) considerou ótimo e (28%) bom. Isso devido à diversidade de itens comercializados, cuja gama de produtos vai de material de construção, ferramentas, acabamentos, eletrodomésticos, bazar e pneus. A variedade de produtos é um excelente diferencial, devido a isso apenas (9%) considerou esse aspecto regular e nenhum entrevistado citou como ruim.

Por trabalhar com marcas conhecidas e conceituadas, a pesquisa apresentou que a grande maioria dos entrevistados considera que a empresa se preocupa em dis-ponibilizar produtos de qualidade. Esse tópico mostrou que (41%) considera bom e (34%) ótimo. Ainda foi escolhido esse tópico como regular por (22%) e ruim por (3%).

Dentre todos os itens da pesquisa, destaca-se o quesito preço dos produtos como o que obteve maior distribuição nas opiniões dos entrevistados. Optaram por bom (39%), ótimo (28%), regular (20%) e ruim (13%). Observou-se que a maioria dos clientes que optou pelo conceito ótimo e bom, são clientes jurídicos, conclui-se que essa escolha é motivada pela diferenciação de preço aplicado nas empresas, onde geralmente disponibilizam de melhores valores de produtos com relação aos clientes pessoa física.

Alem do atendimento, outro fator crítico identificado nessa pesquisa é a en-trega, onde (36%) considerou regular, (33%) identificou como ruim e apenas (20%) bom e (11%) ótimo. Optou-se por não apresentar ferramentas referentes a esse item, pelo fato da empresa ter recém inaugurado seu novo centro de distribuição. Nele estão centralizados todas as entregas da rede Breithaupt, agilizando os processos que antes dependiam de transferências de outras filiais espalhadas pelo norte do estado. Por ainda estar em processo de transição, os resultados gradativamente serão percebidos.

Referente ao suporte técnico da empresa, os números apresentados demons-traram um grau de insatisfação considerável. Dos entrevistados (51%) definiu como regular, (21%) como bom, (18%) como ruim e somente (10%) identificou como ótimo. Isso ocorre por se tratar de um setor que atende principalmente clientes cujo produto adquirido na loja apresentou algum defeito. Muitas vezes a solução dada pela empresa não corresponde com a esperada pelo cliente. Geralmente os consumidores exigem a troca da mercadoria e em alguns casos isso é possível, porem nem sempre essa troca pode ser efetuada, então gera insatisfação por parte dos clientes.

Em um contexto geral, procurou-se identificar a satisfação dos consumidores da loja. Metade dos entrevistados (51%) definiu como regular, (21%) como bom, (18%) como ruim e somente (11%) opinou como sendo ótima sua satisfação com relação à empresa.

10. CONSIDERAÇÕES FINAIS

De acordo com os resultados levantados na pesquisa elaborada com os clientes da empresa Comércio e Indústria Breithaupt S/A na filial de Joinville, foi identificado como causa da insatisfação dos mesmos os conceitos de atendimento e entrega. Em um contexto geral de satisfação, verificou-se a deficiência da empresa nesse quesito e como foi demonstrado nesse artigo, a satisfação antecede a fidelidade, portanto se há inexistência de satisfação por parte dos clientes, conseqüentemente o grau de fidelidade dos mesmo é baixo.

De maneira a sanar essa deficiência da empresa, a aplicação do Marketing de Relacionamento é de fundamental importância no intuito de reverter esse quadro. A boa aplicação dessa ramificação do marketing proporcionará maior proximidade entre cliente e instituição. Verificou-se na etapa da pesquisa a inexistência de um banco de dados, inclusive detectou-se a desatualização dos cadastros dos clientes, dificultando assim a obtenção dos emails junto à empresa.

Como já foi dito, o intuito do Marketing de Relacionamento é aproximar o cliente à empresa, dessa forma as ferramentas apresentadas no presente trabalho possibilitariam a instituição o alcance dos objetivos desejados.

Devido à inexistência de um banco de dados na empresa, a implantação do CRM – Customer Relationship Management supriria essa necessidade, alem de proporcionar um gerenciamento das relações com os clientes.

Outra ferramenta proposta é o Pós-Marketing, que tem por finalidade garantir que a relação entre cliente e empresa tenha ocorrido de forma certa, de acordo com o feedback transmitido pelo cliente. Nem todas as transações comerciais ocorrem como cliente deseja, e muitas vezes essa insatisfação relativa ao serviço prestado passa despercebida pela instituição. Tal ferramenta apontaria de forma antecipada os motivos de insatisfação detectados nesse artigo, proporcionando a empresa condições de sanar tais problemas, alem de demonstrar seu interesse com relação aos clientes.

O presente artigo demonstra a necessidade da empresa em solucionar pro-blemas relativos à satisfação de seus clientes, de modo a proporcionar as condições i-deais para que exista a fidelização dos mesmos.

10.1. Sugestão para Pesquisas Futuras

Segundo Bogmann (2002) a satisfação do cliente interno esta diretamente ligada à satisfação do cliente externo. Vavra (1993, p.255) afirma que “Marketing de Relacionamento começa na empresa”, dessa forma o autor comenta a importância do cliente interno no processo de fidelização do cliente externo.

Devido ao alto índice de insatisfação apresentado nesse artigo, referente ao atendimento da loja e ao fato dos colaboradores terem influencia direta no atendimento dos clientes, seria de fundamental importância detectar o nível de satisfação dos colaboradores com relação à empresa em questão e analisar se esse aspecto influencia no mau atendimento prestado pela empresa.

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Assimilação da Educação no Pré Natal

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Objetivo: Verificar a efetividade das intervenções educativas recebidas durante a consulta pré-natal, no perspectivo da puérpera. Métodos: Pesquisa quantitativa, descritiva, com delineamento transversal, com a finalidade de verificar a assimilação da puérpera sobre os temas educativos abordados no pré-natal. O estudo foi realizado em um hospital e maternidade de médio porte, na clínica obstétrica, localizado na zona Oeste de São Paulo, após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa e Autorização da Diretoria do campo de pesquisa. A população foi constituída por 30 puérperas internadas na instituição na ocasião da coleta, garantindo aos sujeitos da pesquisa, todas as informações sobre os objetivos e estratégias de acordo com o termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Como instrumento de coleta de dados, utilizamos um questionário estruturado com questões de múltipla escolha, onde os dados coletados foram analisados através de método estatístico simples, apresentados em tabelas e gráfico.

Por ser uma amostragem de probabilidade, envolve seleção aleatória onde cada elemento tem uma chance igual independente de ser ou não selecionada. Resultados: Durante a coleta de dados foi observado que as puérperas demonstram vontade em aprender, onde podemos constatar que os assuntos abordados em teoria quando interagidos com a prática facilitam o aprendizado. No que se refere ao relato ou mesmo à observação das intervenções educativas notou-se desajuste, ora a mãe não sabia o que fazer, ora fazia errado. Em relação aos temas educativos sobre a gestação, 22 puérperas (73,3%) relataram sobre a importância do pré-natal, 53,3% sobre os cuidados de higiene, 46,6% sobre a realização de atividades físicas, 76,6% sobre nutrição, 70% sobre o desenvolvimento da gestação, 53,3% sobre atividade sexual, 53,3% sobre prevenção de DST/AIDS e 73,3% receberam aconselhamento para o teste anti-HIV.

No que se refere à amamentação, houve uma analogia: 56,6% das puérperas haviam preparado os seios para amamentar, 56,6% sabiam da importância da amamentação e 40% receberam informação sobre o leito materno. A loquição constituiu o menor índice de tema abordado, com 16,6%. A alimentação recebeu 50%, a abordagem do planejamento familiar com 50%, 56,6% o retorno e a importância da consulta puerperal e 40% das puérperas falaram sobre os problemas que podem ocorrer durante a amamentação. Conclusões: Este presente estudo nos fez refletir muito em relação a dois paradigmas: a educação e a assimilação. Poderíamos dizer que ambas deveriam estar juntas, porém, nem sempre se faz possível, mas, em que ponto se dissocia? Acreditamos que a realização de um pré-natal deva incluir as ações preventivas, curativas, paliativas, mas acima de tudo, educativa, abordando temas imprescindíveis à mulher, não apenas os assuntos relacionados à gestação.

INTRODUÇÃO

A gestação é um período de intensas mudanças na vida de uma mulher, compreendendo fatores orgânicos, emocionais, sociais e espirituais. O pré-natal enfoca o preparo fisiológico da mulher durante a gestação, com caráter preventivo, identificando, tratando e controlando patologias. A atenção à mulher na gravidez e no pós-parto deve incluir ações de prevenção e promoção da saúde, além de diagnóstico e tratamento adequado dos problemas que podem ocorrer nesse período. O principal objetivo da atenção pré-natal e puerperal é acolher a mulher desde o início da gravidez, assegurando, ao fim da gestação, o nascimento de uma criança saudável e a garantia do bem-estar materno e neonatal1. O período pré-natal é uma época de preparação física e psicológica para o parto e para a maternidade, como tal, é um momento de intenso aprendizado e uma oportunidade para os profissionais da equipe de saúde desenvolver a educação como dimensão do processo de cuidar2.

A assistência pré-natal não visa apenas identificar, tratar e controlar as doenças da gestação, do parto e do puerpério, mas engloba ainda todas as ações de saúde que preparam a mulher para o exercício pleno da maternidade, onde o preparo para o aleitamento natural é de fundamental importância3. Tendo em vista que a educação em saúde constitui um importante instrumento de trabalho na vida profissional do enfermeiro e entendendo a necessidade de orientação das gestantes, resolvemos verificar a efetividade do aprendizado dessas mulheres, avaliando desta forma, as intervenções educativas prestadas durante o pré-natal.

OBJETIVO

Verificar a efetividade das intervenções educativas recebidas durante a consulta pré-natal, no perspectivo da puérpera.

METODOLOGIA

Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva, sintetizando os dados, descrevendo parâmetros de dados numéricos destinados a observar, descrever e documentar os principais assuntos educativos. Foi escolhido delineamento transversal, onde os fenômenos sob estudo são obtidos durante o período de coleta de dados4, com a finalidade de verificar a assimilação da puérpera sobre os temas educativos abordados no pré-natal. O estudo foi realizado em um hospital e maternidade de médio porte, na clínica obstétrica, localizado na zona Oeste de São Paulo, cujo atendimento contempla várias áreas da medicina. O estudo foi realizado após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa e Autorização da Diretoria do campo de pesquisa.

A população foi constituída por 30 puérperas internadas na instituição na ocasião da coleta, garantindo aos sujeitos da pesquisa, todas as informações sobre os objetivos e estratégias de acordo com o termo de Consentimento Livre e Esclarecido, garantindo seu anonimato e sigilo das informações obtidas. Como instrumento de coleta de dados, utilizamos um questionário estruturado com questões fechadas de múltipla escolha, onde os dados coletados foram analisados através de método estatístico simples, sendo apresentados em tabelas e gráficos, condensando as informações pertinentes ao objeto de estudo. O questionário foi embasado sobre os temas educativos sugeridos pelo Manual Técnico do pré-natal e Puerpério elaborado pelo Ministério da Saúde5. Por ser uma amostragem de probabilidade, envolve seleção aleatória onde cada elemento tem uma chance igual independente de ser ou não selecionada.

Seu delineamento é o mais básico, amostragem aleatória simples, onde os procedimentos são descritos brevemente, para que se possa apreciar o assunto4.

RESULTADOS

Foram entrevistadas 30 puérperas no pós-parto, todas na presença de seus filhos, durante uma semana, as quais obedeceram aos critérios de inclusão e exclusão previamente estabelecidos.

Em relação as variável sócio demográficas, a prevalência das idades ficou entre 16 a 18 anos (36,6%) e >25 anos (36,6%) e menor incidência entre 18 a 25 anos (26,6%).

Quanto à escolaridade 13,3% concluíram o ensino fundamental I; 40% concluíram o ensino fundamental II e 50% terminaram o ensino médio.

As puérperas amigadas representam 33,3% da população investigada, contrapondo-se 30% de solteiras; 23,3% de casadas e 16,6% separadas ou divorciadas.

Houve predomínio da não participação da renda (66,6%), seguido de 20% na co-participação da renda e 16,6% da participação da renda.

Observou-se certa homogeneidade na quantidade de consultas realizadas no pré-natal. A maioria das puérperas (90%) realizou mais de seis consultas e apenas 10% realizou cinco consultas.

As consultas com médicos (93,3%) exerceram domínio sobre as consultas de enfermagem (56,6%). Apenas 30% das entrevistadas receberam a visita de um agente de saúde.

Quanto os temas educativos sobre a gestação, 22 puérperas (73,3%) relataram sobre a importância do pré-natal, 53,3% sobre os cuidados de higiene, 46,6% sobre a realização de atividades físicas, 76,6% sobre nutrição, 70% sobre o desenvolvimento da gestação, 53,3% sobre atividade sexual, 53,3% sobre prevenção de DST/AIDS e 73,3% receberam aconselhamento para o teste anti-HIV.

Embora a gravidez seja um processo fisiológico, as várias alterações que ocorrem no corpo da mulher resultam em menor distância entre a saúde e doença. A prevenção ou pelo menos o diagnóstico precoce (dos sinais anormais, seguidos de tratamento imediato) evitará complicações associadas à parturição, durante o trabalho de parto, o nascimento e puerpério, portanto a assistência ao pré-natal é essencialmente preventiva para mãe e o bebê6.

A gravidez é uma ocasião na qual ocorrem alterações físicas rápidas e surpreendentes, a função excretora da pele está aumentada, aumentando a perspiração, tornando a pele e o cabelo mais oleosos, aumentando o número de banhos e lavagem da cabeça. O alimento e seus nutrientes são necessários para a vida e o crescimento, uma dieta que contenha equilíbrio de todos os grupos alimentares, vitaminas e minerais, ajudando a manter a própria saúde física, bem-estar proporcionando um elemento indispensável para o ambiente intra-uterino. A mulher faz ajuste constante em sua auto-imagem.

O exercício é benéfico à saúde na medida em que melhora a circulação e a digestão, aumenta o apetite, incrementa a função intestinal, promove um sono e melhora a atenção das responsabilidades rotineiras. O caminhar é particularmente recomendado.

O desejo de expressão sexual durante a gestação pode variar de uma mulher para outra ou de uma ocasião para outra. De maneira geral, ocorre uma discreta diminuição da atividade sexual do primeiro trimestre, devido à fadiga e talvez náusea; durante o segundo trimestre o aumento da congestão pélvica tende a intensificar o desejo sexual; durante o terceiro trimestre diminui o desejo sexual pelo crescimento do feto e exige mais energia da mulher.

Verificou-se, através do conhecimento das puérperas em relação à gestação, a maioria tem consciência da real importância em realizar consultas do pré-natal em relação a freqüência às consultas, asseio, dietas,relação sexual,higiene e prevenção à DSTs. Em contra partida, essa mesma maioria não tem a menor consciência de como lidar com qualquer tipo de intercorrência que possa ocorrer na gestação, um sangramento vaginal, cefaléias, transtornos visuais, febres, dores abdominais, dificuldades respiratórias ou perdas vaginais.

Verificou-se a que a maior parte das puérpera não saberia lidar com qualquer tipo de intercorrência na gestação: 53,3% procurariam atendimento médico em caso de sangramento vaginal, 43,3% em uma dor de cabeça, 10% em transtornos visuais, 40% na dor abdominal, 30% na febre, 26,6% se ocorressem perdas vaginais e 26,6% na dificuldade respiratória e cansaço

A morte materna e neonatal continua sendo problemas sociais relevantes no país: em 2003 a Razão de Morte Materna (RMM) foi de 51,74 óbitos por 100.000 nascidos vivos, sabendo-se que 92% dos casos associadas ao ciclo gravídico-puerperal e ao aborto são evitáveis.

O conhecimento das adaptações do organismo materno frente às modificações gravídicas é fundamental para a interpretação das manifestações experimentadas por muitas mulheres grávidas nos diferentes períodos de suas gestações. Diante de tais conhecimentos, podemos tranqüilizá-las ou alertá-las a procurarem a equipe de saúde frente a sinais ou sintomas que mereçam investigação ou intervenção adequada.

Em relação aos direitos legais, 33,3% sabiam que o pai ou acompanhante poderia estar presente durante o pré-parto, parto e pós-parto, embora o Hospital não disponha de ambiente adequado para acolhê-lo. 50% relataram saber sobre a licença maternidade e apenas 40% sabiam que continuariam amamentando seus filhos em horário de trabalho sem receber descontos por isso. A mulher moderna desempenha, além das funções do lar, importante papel no mercado de trabalho, contribuindo com o marido para o sustento da família. Muitas vezes, por invalidez, desemprego, abandono do lar pelo marido, ou viuvez, a gestante representa a única fonte de renda da família.

O salário-maternidade é o salário pago à mulher nos 120 dias de licença a que ela te direito após dar à luz. A Constituição Federal de 1988 também concedeu a garantia de emprego desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto, ficando proibida neste período, a dispensa arbitrária ou sem justa causa. O artigo 396 da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) institui: “Para amamentar o próprio filho, até que este complete seis meses de idade, a mulher terá direito durante a jornada de trabalho, a dois descansos especiais, de meia hora cada um. Quando exigir a saúde do filho, o período de seis meses poderá ser dilatado, a critério da autoridade competente”.

Um número muito pequeno tem plena consciência que uma parturiente tem todo o direito da presença de um acompanhante em sala de parto, seja ele quem for para lhe trazer segurança nessa hora tão importante para a mulher. Como podemos observar, as puérperas tem conhecimento muito vago em relação aos aspectos éticos e legais. Acreditam veemente que tem direito à licença maternidade porque é lei e o patrão tem que dar, pois acreditam que vão ficar em casa “ganhando sem precisar trabalhar”, não tendo a consciência que lhe é atribuído essa licença, esse direito, para que a mãe tenha um resguardo adequado com todo cuidado que deva ser tomado, para não terem complicações no puerpério, que é um período de extrema importância com um alto grau de complexidade; para que possa amamentar o filho até seis meses de idade, com períodos alternados de descanso.

É importante acolher o (a) acompanhante de escolha da mulher, não oferecendo obstáculos à sua participação no pré-natal, no trabalho de parto, parto e pós-parto. O benéfico da presença do (a) acompanhante já foi comprovado. Vários estudos científicos nacionais e internacionais evidenciaram que as gestantes que tiveram a presença de acompanhante se sentiram mais seguras e confiantes durante o parto. Foi reduzido o uso de medicações para o alívio da dor, a duração do trabalho de parto e o número de cesáreas. Além disso, alguns estudos sugerem a possibilidade de outros efeitos, como a redução dos casos de depressão pós-parto5.

No que se refere à amamentação, houve uma analogia: 56,6% das puérperas haviam preparado os seios para amamentar, 56,6% sabiam da importância da amamentação e 40% receberam informação sobre o leito materno. Observou-se que mesmo as puérperas que receberam informações apresentavam dúvidas e insegurança. Teve a presença de algumas mães que não haviam preparado os seios e conseqüentemente apresentaram muitas dificuldades em amamentar.

Amamentar é o ato de a criança obter o leite materno sugando as mamas, ou a oferta, pela mãe à criança, da mama e seu leite. À luz dos referenciais teóricos da fisiologia da lactação, praticamente, todas as mulheres têm possibilidades fisiológicas de amamentar, porém, esse potencial, inato não assegura a ocorrência da amamentação.

Pesquisas mostram que, embora a maioria dos pré-natalistas aconselhe o aleitamento materno às mães que ainda não se decidiram, poucos falam sobre o assunto no primeiro trimestre e muitos recomendam a complementação com fórmulas lácteas. Mais importante que o início precoce e a freqüência às consultas são as atitudes dos profissionais, considerados como indicadores indiretos da qualidade da assistência prestada.

Desde o início do pré-natal, se não antes, o obstetra o enfermeiro devem abordar os aspectos anatômicos e as modificações funcionais que as mamas sofrerão ao longo da gestação e do puerpério, examinar detalhadamente as glândulas, além de orientar como se prepara, se corrige ou se diminui possíveis alterações anatômicas que porventura existam. Além disso, é de suma importância lembrar os benefícios maternos e infantis do aleitamento natural em toda a consulta pré-natal, esclarecer tabus e mitos e cativar o pai para a participação no processo.

Quanto às informações referentes ao parto, 50% nos relatou sobre a indicação para o parto normal, 40% para o parto cesárea, uma minoria, 16,6% explicou sobre as vantagens do parto normal e somente 36,6% descreveram os sinais e sintomas do parto.

A cesárea é um ato cirúrgico originalmente desenvolvido para salvar a vida da mãe e/ou da criança, quando ocorrem complicações durante a gravidez ou no parto. É, portanto, um recurso utilizado quando surge algum tipo de risco para a mãe, o bebê, ou ambos, durante a evolução da gravidez e/ou do parto. Como todo procedimento cirúrgico, a cesárea não é isenta de riscos, estando associada, no Brasil e em outros países, a maior morbimortalidade materna e infantil quando comparada ao parto vaginal.

Sobre o puerpério, pouco foi falado. A loquiação constituiu o menor índice de tema abordado, com 16,6%. A alimentação recebeu 50%, a abordagem do planejamento familiar com 50%, 56,6% o retorno e a importância da consulta puerperal e 40% das puérperas falaram sobre os problemas que podem ocorrer durante a amamentação.

O puerpério é considerado, segundo o MS, como um estado de alteração emocional essencial, provisório, em que exige maios vulnerabilidade psíquica, tal como no bebê, e que, por certo grau de identificação, permite às mães ligarem-se intensivamente ao recém-nascido, adaptando-se o contato com ele e atendendo às suas necessidades básicas5.

Muitas mulheres confundem a loquiação com menstruação, fato esse evidenciado pelo relato das puérperas entrevistadas. A informação coerente se faz necessária à medida que esse fato pode contribuir para uma nova gestação em virtude de elas acreditarem que a fertilização está diminuída nesse período e não exista probabilidade de engravidarem.

A mulher que amamenta necessita de 500 a 1.000 Kcal dia mais que aquela que não-lactante. O aleitamento pode aumentar o risco materno de deficiência de magnésio, vitamina B6, folatos, cálcio e zinco. Assim, a alimentação durante o aleitamento deve ser planejada visando cobrir as necessidades nutricionais maternas e o valor calórico e nutritivo do leite secretado.

Durante a consulta puerperal, o planejamento familiar deverá ser abordado. De acordo com o MS a abordagem deve incluir os seguintes tópicos:

– informação geral sobre os métodos que podem ser usados no pós-parto;
– explicação de como funciona o método da amenorréia da lactação (LAM);
– se a mulher não deseja, ou não pode usar a LAM, ajudar na escolha de outro método;
– disponibilização do método escolhido pela mulher com instruções para o uso, o que deve ser feito se esse apresentar efeitos adversos, e instruções para o seguimento.

O retorno da mulher e do recém-nascido ao serviço de saúde, de 7 a 10 dias após o parto, deve ser incentivado desde o pré-natal, na maternidade e pelos agentes comunitários da saúde na visita domiciliar.

O assunto recém-nascido evidenciou insegurança por parte das puérperas. As informações recebidas durante pré-natal e mesmo a vivência de uma maternidade anterior não foram suficientes para que elas pudessem mostrar perfeita assimilação. Todavia, o constituinte emocional, como um sentimento novo frente ao desconhecido, sugere participação nessa insegurança. 50% das puérperas demonstraram os cuidados com a higiene do recém-nascido, 33,3% sabiam das vestimentas adequadas, 26,6% receberam informações sobre medicamentos, 53,3% sobre a vacinação, 30% informaram sobre a caderneta da criança, 20% relataram os principais problemas que o recém-nascido pode ter e 53,3% receberam informações sobre a triagem neonatal.

DISCUSSÃO

Durante a coleta de dados foi observado que as puérperas demonstram vontade em aprender e ficou evidenciado que os assuntos abordados em teoria juntamente com a vivência assistida por profissional capacitado favorecem a assimilação.

Aparentemente, está havendo uma falha nas ações educativas durante o pré-natal, pois parece paradoxal que a mulher, ao passar por uma gestação sem complicação e freqüentando o pré-natal, chegue ao ultimo mês demonstrando falta de conhecimento sobre alterações advindas da gravidez e despreparo para vivenciar o parto.

Essa afirmação fica evidenciada por este presente estudo em virtude das comparações dos resultados. Observou-se que a maioria das puérperas recebeu algum tipo de informação, todavia, mostravam-se inseguras e preocupadas principalmente com a amamentação e cuidados com o recém-nascido.

A consulta médica apareceu em maior escala, mas pelo relato das puérperas, pouca ou nenhuma informação foi dada por esses profissionais. As consultas baseavam-se em aferição de pressão, solicitação de exames, prescrição de medicamentos, controle do peso, verificação dos batimentos cardiofetal, entre outros.

A labilidade emocional, o cansaço, o medo do desconhecido – fatores esses normais atribuídos às puérperas no pós-parto – foram levados em consideração e excluídos de uma possível interpretação errônea dos resultados, contudo, notamos que havia uma falta de conscientização sobre fatores importantes como amamentação, alimentação, cuidados com o recém-nascido.

Um estudo realizado em Caxias do Sul mostra que 57% das puérpera entrevistadas negaram ter recebido informações de caráter educativo durante a gravidez, 43% participaram de curso para gestantes e 86,1% receberam informações sobre o trabalho de parto12. Nesse estudo havia falta de profissionais e longas distâncias entre as unidades de atendimento e as moradias das gestantes.

Há necessidade de rever o modelo de atendimento às gestantes durante o pré-natal, ampliando a assistência pautada na promoção e prevenção à saúde por meio das atividades de comunicação e informação.

Sugere-se ainda, a implantação de práticas educativas durante o pré-natal e no puerpério, com a necessária verificação da efetividade do aprendizado, onde podemos evidenciar cursos para gestantes são idéias que são fidedignas e ajudam a gestante ter contato com as informações, podendo interagir com o grupo, dessa forma enfatizando seu aprendizado.

CONCLUSÃO

O presente estudo traz a reflexão sobre dois paradigmas: a educação e a assimilação. Toda gestante tem um misto de anseio, de incertezas, mesmo não sendo a primeira gestação. A visão assistencialista, mecanicista do corpo deve ser rompida e a abordagem humanística deve prevalecer. Existe a necessidade de ensinar, orientar, educar as puérperas, sobre todos os cuidados que ela deve dispor ao recém-nascido, a ela e à sua família, onde devemos trabalhar sobre a realidade, num esforço mútuo para a realização de mudanças. Reforça-se a necessidade da capacitação dos profissionais envolvidos com intuito de humanizar a mulher, de fornecer a elas mais do que o essencial, o necessário: uma visão holística acerca de tudo que possa ser passado à gestante, uma consulta acolhedora, que a faça sentir importante e valorizada, que traga reflexões sobre a maternidade, que lhe deixe à vontade para perguntar, questionar e aprender.

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