O Turismo em Porto Seguro

0

SUMARIO

Introdução 
1. Objetivos 
1.1 Objetivo Geral 
1.2 Objetivos 
Específicos 
2. Hipótese 
3. Fundamentação Teórica 
4. Metodologia 
5. Áreas da pesquisa 
5.1 Históricos das áreas
Referências

INTRODUÇAO

Considerando que é muito comum observar o turismo da cidade de porto seguro por ser muito procurada para passeios de férias e excursões. O povo de um modo geral valoriza as cidades litorâneas do Brasil por serem considerados paraísos naturais, ricos em beleza e natureza farta de belas praias como porto seguro.

Porto Seguro é uma terra tradicional e muito procurada por seu eterno carnaval de povo hospedeiro e terra rica em história. Ritmo alegre onde ninguém podia imaginar, que depois de 500 anos, a marca zero do descobrimento do Brasil, se transformaria em um dos mais importantes pontos turísticos do país, sua casa histórica, bem preservada na Cidade Alta, revela como foi este lugar na época do primeiro porto do Brasil colonial Com aproximadamente uns 80 quilômetros de praias com águas transparentes, areia branca e fina, protegidos por recifes de corais; além disso, tem enseadas, rios, riachos, áreas de coqueiros, uma exuberante mata atlântica. A cidade hoje e considerada um dos pontos turísticos mais importantes do Brasil, recebendo turistas procedentes do centro sul do país e de outros paises do mundo.

1- OBJETIVOS

1.1 Objetivo Geral

Evidenciar a beleza de Porto Seguro e sua concepção de um povo e de um país rico em belezas naturais e historia preservada ao longo dos anos do descobrimento.

1.2 Objetivos Específicos

Como objetivos específicos, destacam-se os seguintes:

• Apresentar dados bibliográficos que evidenciam a procura do turista pela cidade e suas belíssimas praias.
• Avaliar a prática do turismo local e como os turistas vêem a cidade.
• Analisar o desempenho da preservação histórica da cidade turística.

2. HIPÓTESE

O incentivo a pesquisa em relação ao turismo eleva nosso país e valoriza o que o Brasil tem para mostrar de beleza e historia.

3. FUNDAMENTAÇAO TEÓRICA

Conforme Ruschmann (1997), o produto turístico é formado por “um conjunto de bens e serviços unidos por relações de interação e interdependência que o tornam extremamente complexo em suas singularidades e o distinguem dos bens industrializados e do comercio, como também dos demais tipos de serviços”. Porém compreende-se serviço como “um ato ou desempenho oferecido por uma parte à outra. Embora o processo possa estar ligado a um produto físico, o desempenho é essencialmente intangível e normalmente não resulta em propriedade de nenhum dos fatores de produção” (Lovelock e Wright, 2002, p.5) De acordo com as afirmações acima, a atividade turística apesar de ser considerada um serviço, se distingue dos demais tipos de serviço. Mas necessariamente o que a torna diferente e singular?

Inicialmente, pode-se dizer que embora os serviços turísticos incluam elementos tangíveis, como sentar nas cadeiras de piscina de um hotel, nadar numa praia, comer comidas típicas do local visitado, a realidade do serviço turístico é bastante intangível, ou seja, os benefícios estão relacionados com a natureza da realização. Outra característica do turismo é que, em grande parte, tem-se um envolvimento direto com o turista. O contato entre o contratante com o pessoal de serviços, tal como, guia turístico, recepcionista do hotel, etc. É necessário para se oferecer um serviço de qualidade no setor, que os funcionários envolvidos na área sejam capacitados, pois, os mesmos fazem parte do produto turístico, compondo e interferindo na qualidade os serviços oferecidos. Também se torna singular o serviço turístico porque é consumido no momento em que é produzido.

Os consumos em tempo real fazem com que os serviços variem de cliente para cliente, dia para dia, essa característica de atividade turística foi observada por um profissional de Marketing de bens manufaturados que passou a atuar na atividade hoteleira – Holiday inn – e declarou que: Não podemos controlar a qualidade de nosso produto tão bem como um engenheiro de controle da Procter & Gamble em uma linha de produção… Quando se compra uma caixa de sabão Ariel, pode-se ter uma razoável certeza de 99,44% de que o produto funcionará na limpeza de roupas. Quando se aluga um quarto de hotel no Holiday Inn, tem-se um percentual menor de certeza de que ele funcionará para propiciar uma boa noite de sono sem qualquer perturbação, ou sem pessoas batendo nas paredes e todas as coisas desagradáveis que podem acontecer em um hotel. (Lovelock & Wright, 2002, p.19).

Embora se perceba as singularidades dos serviços turísticos, para que esse conjunto de bens e serviços seja considerado produto turístico deve existir atrativos para motivar o deslocamento dos turistas, infra-estrutura urbana e turística; preço e formas de comercialização. Quanto melhor estruturado for o produto turístico, maiores serão os benefícios gerados por ele.

BREVE ANÁLISE DOS RESULTADOS ECONÔMICOS DO TURISMO

No Brasil, o turismo vem se destacando como atividade econômica em ascensão. Segundo Brasil (2001), os investimentos diretos das empresas estrangeiras no setor de turismo passaram de um patamar equivalente a US$ 2 bilhões na década de 80 para US$ 7 bilhões após a implantação do Plano Real, representando um crescimento de 3,45 vezes o valor inicial. Enquanto isso, nesse mesmo período o sistema de incentivos fiscais e o fundo geral do turismo – Coordenado pela EMBRATUR – liberaram recursos de investimentos de US$ 229,3 milhões (a preços de dezembro de 1999). A adoção do turismo como fator de desenvolvimento econômico justifica-se por apresentar baixo custo e excelente retorno em curto período de tempo (EMBRATUR, 1992).

Segundo dados de pesquisa da FIPE em 1998 a Bahia recebia 6,9% total de turistas domésticos, ocupando 5° lugar no ranking entre os demais estados brasileiros, em números monetários era uma receita de R$ 817.284.000,00 e a cidade de Porto Seguro tinha 1,4% do total brasileiro, recebendo neste mesmo ano 573.120 turistas, ocupando, deste modo, o 6° lugar em destinos preferidos pelos turistas.

PORTO SEGURO, UM PRODUTO TURÍSTICO?

Porto Seguro, cidade histórica Baiana, localizada no extremo sul da Bahia, na costa do descobrimento, apresentando um poder cultural com forte poder atrativo, motivando desta forma o deslocamento de turistas. Essa motivação, por sua vez tem entre seus fatores diversos sua natureza exuberante que guardam ainda muitos dos traços descritos na histórica carta de Pero Vaz de Caminha. Desde 1973, todo o município é tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional e no ano 2000 foi elevado à condição de Patrimônio Natural Mundial, pela UNESCO.

A Cidade Histórica é o primeiro núcleo habitacional do Brasil e onde está concentrada a maior parte dos bens tombados do município, a mesma ostenta um conjunto arquitetônico de insuperável beleza, dentre eles O Marco de Posse do Descobrimento (1503-1526); Matriz de Nossa Sra. da Pena (1535) com imagens sacras do século XVI e XVII; Igreja de Nossa Sra. da Misericórdia (construída em 1526 e reconstruída em 1535) com imagem do Nosso Sr. dos Passos; Igreja de São Benedito (1549-1551) construída pelos Jesuítas; Capela do Colégio de Salvador; O Farol e Casa de Câmara e Cadeia (1756), onde funciona o Museu de Porto Seguro. Porto Seguro é um verdadeiro museu a céu aberto. A Passarela do Álcool – Um dos principais cartões postais da cidade com vista do cais, separando de um lado o encontro do Rio Buranhém com o Mar e do outro o casario colonial do século XVII.

Além da força histórica, seus monumentos, casario e praças, Porto Seguro possui uma infinidade de praias, da Ponta Grande a Caraíva, passando por Arraial d’Ajuda e Trancoso, das mais tranquilas às mais badaladas, todas limpas e despoluídas. São 90 quilômetros de um mar calmo, com águas azul-esverdeadas, rios, mangues, coqueirais, restingas, Mata Atlântica, arrecifes e formações de corais. Além de um povo simpático e festeiro. Tudo isso faz com que hoje Porto Seguro seja ainda um dos mais procurados destinos turísticos no Brasil. Os recursos histórico-culturais e naturais de Porto Seguro são utilizados para comercialização turística. Atualmente o turismo é visto, pelos moradores como a principal atividade econômica da cidade, uma importante fonte de renda local.

O patrimônio de Porto Seguro se mostra também com exuberância arquitetônica, festas religiosas e profanas e belezas naturais, o patrimônio passa a ser reconhecido como um produto que pode ser escolhido, adquirido e pago como bem de consumo, e com grande valor comercial. O aquecimento da economia de Porto Seguro com advento do turismo vem marcar uma nova fase na história da cidade que já é marcada por períodos de glória e riqueza, com a descoberta do Brasil pelos portugueses.

4. METODOLOGIA

• Levantamento bibliográfico
• Levantamento de dados informativos sobre a área da pesquisa
• Revisão das literaturas e embasamento teórico.
• Produção textual do projeto
• Correção ortográfica do texto
• Formatação e digitação do trabalho

5. ÁREA DA PESQUISA

Essa pesquisa foi desenvolvida na cidade de Formosa – município situado a 75 quilômetros de Brasília apresenta uma área correspondente a 5.806,891 km² cuja população tem aproximadamente 92.280 mil habitantes, uma densidade demográfica de 15,9 hab/km², altitude de 916 m, com clima tropical semi-árido fuso horário UCT3, condenadas geográficas a 15º 32’ 13” S 47º 20’ 02” O15º 32’ 13” S 47º 20’ 02” O, faz limite com os municípios de Água Fria de Goiás, Planaltina de Goiás, Cabeceiras, São João d’ Aliança, Flores de Goiás, Vila Boa, Distrito Federal, Cabeceira Grande. Especificamente no Colégio Estadual Hugo Lobo, localizado na avenida Valeriano de Castro nº 704, Centro.

A mesma ainda abrange sua pesquisa uma visitação a cidade de Porto Seguro município situado no extremo sul da Bahia, localizado no Nordeste brasileiro as coordenadas geográficas de 16º 27’ 00” S e 39º 03’ 54” O. Seus municípios limítrofes são Santa Cruz Cabrália, Eunápolis, Itabela, Itamaraju e Prado. Seu clima é tropical, foi fundado em 1534, possui cerca de 114.459 habitantes, apresentando uma densidade demográfica de 58,2 hab./km² quase sua totalidade esta tombada pelo patrimônio histórico não sendo permitido a construção de prédios altos (com mais de dois andares). Foi fundada em 30de Julho de 1891.

5.1 HISTÓRICO DAS ÁREAS DA PESQUISA

A primeira área de pesquisa fala sobre a Cidade de Formosa Goiás local o qual será desenvolvido o projeto.

“Formosa surgiu em meados do século XVIII. A cidade foi formada por antigos moradores do Arraial de Santo Antônio, no vale do Paranã, que fugiram de seu povoado depois que uma forte epidemia de malária assolou a região. Com medo da doença, tropeiros e comerciantes que vinham da Bahia e Minas Gerais acampavam na região onde hoje está localizada Formosa.

O povoado foi batizado de Arraial dos Couros em homenagem aos viajantes que acampavam no local em barracas de couro que eles traziam para comercializar. A criação do município de Formosa deu-se em 1 de agosto de 1843.”

Na proposta de Pesquisa de campo o texto abaixo relata algumas características norteadoras do local da pesquisa de campo – Porto Seguro na Bahia.

“Visitar o sítio histórico da cidade Alta e quase uma obrigação para os milhares de turistas que chegam a Porto Seguro, além de ostentar o marco do Descobrimento, desempenhou papel importante nos primeiros anos da colonização. São desta época prédios históricos que podem ser visitados durante o dia ou apreciados à noite, quando sob efeito de iluminação especial.

O passeio histórico pode começar pelo marco do Descobrimento. O marco veio de Portugal entre 1503 e 1526, e simboliza o poder da coroa portuguesa, utilizado para demarcar suas terras.

Na mesma área está a Igreja de Nossa Senhora da Pena, nela estão guardadas imagens sacras dos século XVI e XVII, entre elas a de São Francisco de Assis – primeira imagem trazida para o Brasil – e a de Nossa Senhora da Pena, padroeira da cidade, festejada a 8 de setembro, lá poderá ler alguns trechos das cartas escritas por Manuel da Nóbrega ou por José de Anchieta, padres da Companhia de Jesus sobre a região.”

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABNT, Associação Brasileira de Normas e Técnicas: NBR 10520 e 14724. RJ, AGO.2002

BRASIL, H.S. Análise Econômica do turismo no Brasil: Prof. Conferencista ECA-USP 2001. Disponível em www.embratur.org.br Acesso em 28/Fev.

IPHAN – Porto Seguro, Secretaria de Turismo de Porto Seguro, 2009.

LOVELOCK, Christopher; WRIGHT, Lauren. Serviços: marketing e gestão. São Paulo; Saraiva, 2002.

RUSCHMANN, D. Turismo e Planejamento Sustentável. São Paulo: Papirus, 1997.

Wikepedia.org/wiki/formosa(Goiás). Formosa, Goiás. Acessado em Março de 2010.

Wikepedia.org/Wiki/Porto_Seguro, Porto Seguro, Bahia. Acessado em Março de 2010.

wikipedia.org/wiki/Formosa_(Goi%C3%A1s)

www.hjobrasil.com/ordem.asp?secao=1&categoria=117&subcategoria=522&id=3386, Acessado em Março de 2010.

Redes de Computador com Ênfase em Cabeamento Estruturado

0

Hoje muitos computadores estão conectados pelas redes locais, estas redes são utilizadas para trocas de informações, armazenarem informações, entre outros serviços.

Este segmento do mercado é um dos mais promissores, pois é uma tecnologia que a cada dia existem inovações como produtos com maior poder de processamento e maior número de conexões alem de que uma das coisas mais importantes em um rede é a segurança dos dados o que vem sendo implementado em muitos hardwares já de fabrica assim garantindo que a rede tenha o mínimo de segurança que pode ainda aumentar com uso de softwares adequados para o porte da rede.

Enganam-se quem pensa que apenas o investimento em equipamentos para a rede vai resolver todos os problemas de processamento, é preciso que também o cabeamento estruturado seja de qualidade, pois não adianta ter equipamentos de ponta e cabos de 3º linha e alem destes algo tão importante quanto são os softwares que serão utilizados para gerenciar toda a rede e manter a segurança em dia para que nenhum dado seja perdido ou interceptado.

Sumário.

INTRODUÇÃO
1. REDES DE COMPUTADORES
1.1. OBJETIVO DAS REDES 
1.2. APLICAÇÕES DE REDES 
2. TOPOLOGIA 
2.1. ESTRELA 
2.2. ANEL 
2.3. TOPOLOGIA EM BARRAMENTO
2.4 MISTAS
2.5. LINHAS DE COMUNICAÇÃO 
2.6. RELAÇÃO ENTRE TOPOLOGIA E MEIO DE TRASMISSÃO 
2.7. REDES GEOGRAFICAMENTE DISTRIBUÍDAS 
2.8. ENLACE PONTO A PONTO E MULTIPONTO
3. CLASSIFICAÇÃO DAS REDES 
3.1 REDES PESSOAIS-PAN
3.2. REDES LOCAIS-LAN
3.3. REDES REGIONAIS E REMOTAS-MAN 
3.4. REDES INTERNACIONAIS-WAN 
3.5 VARIAÇÕES
4. TECNOLOGIAS UTILIZADAS NAS REDES 
4.1. ETHERNET 
4.2. ARCNET 
4.3. FDDI 
4.4. TOKEN RING 
4.5. TCP/IP 
5. SEGURANÇA EM REDES 
5.1. QUAIS OS RISCOS 
5.2. POLÍTICA DE SEGURANÇA 
5.3 CRIPTOGRAFIA
5.4 INTEGRIDADES DE DADOS
5.5. CONTROLE DE ACESSO
5.6. CONTROLE DE ROTEAMENTO
CONCLUSÃO 
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LISTA DE FIGURAS.

Fig01. Rede Física 
Fig02. Topologia Estrela
Fig03. Topologia Anel
Fig04. Topologia Barramento
Fig05. Pontos positivos e negativos
Fig06. Tipos de Topologias
Fig07. Cabo Par Trançado
Fig08. Cabo Coaxial
Fig09. Fibra Òptica
Fig10. Antena Microondas
Fig11. Satélite
Fig12. Enlace ponto-a-ponto
Fig13. Enlace Multiponto
Fig14. Rede PAN
Fig15. Rede LAN
Fig16. Rede MAN
Fig17. Rede WAN
Fig18. Rede SAN

Lista de Tabelas

Tabela 1. 
Tabela 2.

INTRODUÇÃO.

A maior necessidade humana desde o seu primórdio é a comunicação.

De acordo com que as civilizações foram se espalhando pelo mundo afora, a comunicação se tornou cada vez mais necessária e desafiante.

Várias formas para se comunicar foram utilizadas como, por exemplo, os sinais de fumaça, pombos correios, mensageiros e etc.

Devido à grande dificuldade de comunicação, invenções como o telégrafo revolucionou as comunicações. Nos primeiros telégrafos utilizados no século XIX, mensagens eram codificadas em cadeias de símbolos binários e então transmitidas manualmente por um operador através de um dispositivo gerador de pulsos elétricos. Desde então, a comunicação através de sinais elétricos atravessou uma grande evolução, dando origem à maior parte dos sinais de comunicação que temos hoje em dia, como o telefone, o rádio e a televisão.

A evolução na era da comunicação foi crescendo em várias ramificações como, por exemplo, na área de equipamentos para processamento e armazenamento de informações, assim surgiu um dos equipamentos eletrônico mais importante chamado de computador considerado o maior avanço tecnológico no século neste sentido.

Com sua evolução tecnológica e diminuição de seu preço o computador ficou acessível para a população, deixando de ter aquele aspecto de máquina de cientistas, com isso surgiu a necessidade de compartilhamento de recursos de hardware e software e a troca de informações entre seus usuários criando o ambiente propício para o desenvolvimento das redes de computadores.

No princípio, as redes foram implementadas de forma empírica, contudo, nas décadas de 70 e 80 um conjunto de conhecimentos foi adquirido, tornando possível o seu projeto sistemático.

A evolução contínua da microeletrônica e da tecnologia de comunicação vem abrindo novas fronteiras criando cada vez mais máquinas com poder de processamento maior. A evolução de sistemas de comunicação com capacidades de transportarem dados a altas velocidades e a grandes distâncias permitiu a introdução do conceito de rede única, capaz de transportar de forma a integrar as diferentes mídias de vídeo, áudio, imagens masterizadas, imagens gráficas vetoriais e textos.

A união destas duas tecnologias, comunicação o e processamento de informações, revolucionou o mundo em que vivemos, quebrando as fronteiras e criando novas formas de comunicação, e permitindo uma maior eficácia dos sistemas computacionais. Redes de computadores é hoje uma realidade neste contexto.

1. REDES DE COMPUTADORES

Redes de Computadores são classificadas em dois tipos de acordo com sua estrutura sendo estas: física (equipamentos) e lógica (programas, protocolos) e estes permite que dois ou mais computadores possam trocar informações das mais variadas entre si.

Podemos imaginar um computador sozinho sem conectividade com nenhum outro computador, esta maquina não terá acesso a informações diferentes (que venham de outros comutadores) a menos que estas venham por mídias removíveis como CDs e Disquetes.

Quando conectamos este computador a uma rede ele pode ter acessa as informações presente no disco rígido de outro computador presente nesta rede assim permitindo um numero maior de informações possíveis para acesso através daquele computador.

Em resumo, rede de computadores nada mais é do que dois ou mais computadores interligados para permitir uma troca de informações entre si.

1.1 OBJETIVOS DAS REDES

O principal objetivo das redes de computadores é a troca de informações entre si. O meio mais simples consiste em dois ou mais computadores conectados por um meio físico, tal como um par metálico ou um cabo coaxial

1.2 APLICAÇÕES DE REDES

As redes de computadores possuem várias aplicações podendo ser, mas estas não escapam de uma principal, que é a troca de informações das mais diversas e variadas possíveis como, por exemplo, uma escola que usa a rede de computadores para ensinar matemática (ou outras matérias) aos seus alunos, ou então uma pessoa que usa a rede de computador para aprender sobre a cultura da china.

2. TOPOLOGIAS

Podemos definir as redes de acordo com sua topologia a topologia refere-se ao “layout físico” e ao meio de conexão dos dispositivos na rede, ou seja, como estes estão conectados.

Várias são as estratégias de topologia, embora as variações sempre derivem de três topologias básicas que são as mais freqüentemente empregadas:

2.1 ESTRELA

Na topologia estrela todos partem de um ponto central (concentrador) sendo este um hub ou switch ou roteador.

Este tipo de arranjo é a melhor escolha se o padrão de comunicação da rede for de um conjunto de estações secundárias que se comunicam com o nodo central isto ocorre nas situações onde aquelas em que o nodo central está restrito às funções de gerente das comunicações e a operações de diagnósticos.

O nodo central pode realizar outras funções como, por exemplo, pode compatibilizar a velocidade de comunicação entre o transmissor e o receptor, se o protocolo dos dispositivos que estão tentando se comunicar for diferente este nodo central pode fazer a conversão permitindo que redes de fabricantes diferentes possam se comunicar (como uma rede Novell e uma ethernet).

Outra vantagem é em questão de que se um destes nós parem de funcionar não afetaria toda a rede, no entanto, se uma falha acontecer no central, toda a rede para.

O tamanho desta rede é limitado ao tanto que o nodo central suporta e sua velocidade depende também da quantidade de computadores nesta rede, pois, com mais computadores o nodo central terá que processar mais informações assim diminuindo a velocidade total da rede.

2.2 ANEL

A rede em anel consiste de várias estações interligadas por u m caminho fechado. Nesta configuração, muitas das estações não se comunicam diretamente com o computador central, estas redes são capazes de transmitir e receber em qualquer direção, mas as configurações mais usadas são unidirecionais, tornando menos sofisticado os protocolas de comunicação que asseguram a entrega da mensagem corretamente.

Quando um computador pretende transmitir o a mensagem entra no anel e circula até ser retirada pelo computador destino, ou então volta ao computador finte,dependendo do protocolo empregado, uma vantagem é que permite a determinadas estações receberem pacotes enviados por qualquer outra estação da rede, independentemente do destinatário.

Os maiores problemas neste tipo de rede é a baixa tolerância a falhas, erros de transmissão podem fazer com que a mensagem circule eternamente pelo anel, e neste caso podemos utilizar uma estação monitora que terá a função de monitorar a rede e não apenas de monitoração, mas também de iniciar o anel, enviar pacotes de teste e diagnostico e outras tarefas de manutenção.

Como desvantagem desta rede pode-se citar que se um destes computadores pararem de funcionar toda a rede para.

2.3 Barramento

Nesta configuração todos os nodos se ligam ao mesmo meio de transmissão (podendo ser coaxial ou cabo metálico). A topologia barramento é geralmente compartilhada em tempo e freqüência, assim permitindo a transmissão de informação.

Nas redes que utilizam a topologia de barramento, cada nó conectado pode “ouvir” todas as informações transmitidas. Esta característica nos ajuda a transmitir mensagem do tipo difusão (para múltiplas estações também conhecidas como multicast e broadcast).

Existem variados mecanismos para o controle de acesso ao barramento podendo ser centralizados e descentralizados. A técnica adotada para o acesso à rede é a multiplexação no tempo. Em controle centralizado, o direito de acesso é determinado por uma estação especial da rede, já no descentralizado a responsabilidade de acesso é distribuída em todos os nodos da rede.

Nesta topologia as falhas não causam a parada total da rede, o desempenho depende do meio de transmissão, numero de nodos conectados, controle de acesso, tipo de tráfego entre outros fatores, já o tempo de resposta pode ser altamente dependente do protocolo de acesso utilizado.

2.4 MISTA

Existem topologias mistas onde são usadas as três principais para fazerem redes mais complexas e com melhor aproveitamento de recursos

2.5 LINHAS DE COMUNICAÇÃO PAR TRANÇADO.

Par de fios ou par trançado consiste de dois fios encapsulados em um padrão regular em forma de espiral, sendo assim constituído para permitir redução na indução de ruídos e manter as propriedades elétricas constantes, podendo ser usado na transmissão analógica e digital.

A vantagem principal dos sistemas de transmissão que empregam o par trançado é o baixo custo, pois utiliza materiais mais barato como suporte e apresentam menos dificuldades de conexão que outros meios.

Uma desvantagem deste tipo de conexão reside no fato de sua susceptibilidade à interferência e ruído, incluindo crosstalk de fiação adjacente.

Também podemos dizer que ela é classificada em 8 categorias, levando em conta o nível de segurança e a bitola do fio, onde os números maiores indicam fios com diâmetros menores, veja abaixo um resumo dos cabos UTP:

Categoria do cabo 1 (CAT1): Consiste em um cabo blindado com dois pares trançados compostos por fios 26 AWG. São utilizados por equipamentos de telecomunicação e rádio. Foi usado nas primeiras redes Token-ring, mas não é aconselhável para uma rede par trançado.

• (CAT1 não é mais recomendado pela TIA/EIA).
• Categoria do cabo 2 (CAT2): É formado por pares de fios blindados (para voz) e pares de fios não blindados (para dados). Também foi projetado para antigas redes token ring E ARCnet chegando a velocidade de 4 Mbps.
• (CAT2 não é mais recomendado pela TIA/EIA).
• Categoria do cabo 3 (CAT3): É um cabo não blindado (UTP) usado para dados de até 10Mbits com a capacidade de banda de até 16 MHz. Foi muito usada nas redes Ethernet criada nos anos noventa (10BASET). Ele ainda pode ser usado para VOIP, rede de telefonia e redes de comunicação 10BASET e 100BASET4.
• (CAT3 é recomendado pela norma EIA/TIA-568-B).
• Categoria do cabo 4 (CAT4): É um cabo par trançado não blindado (UTP) que pode ser utilizado para transmitir dados a uma frequência de até 20 MHz e dados a 20 Mbps. Foi usado em redes que podem atuar com taxa de transmissão de até 20Mbps como token ring, 10BASET e 100BASET4. Não é mais utilizado pois foi substituido pelos cabos CAT5 e CAT5e.
• (CAT4 não é mais recomendado pela TIA/EIA).
• Categoria do cabo 5 (CAT5): usado em redes fast ethernet em frequências de até 100 MHz com uma taxa de 100 Mbps.
• (CAT5 não é mais recomendado pela TIA/EIA).
• Categoria do cabo 5e (CAT5e): é uma melhoria da categoria 5. Pode ser usada para freqüências até 125 MHz em redes 1000BASE-T gigabit ethernet. Ela foi criada com a nova revisão da norma EIA/TIA-568-B.
• (CAT5e é recomendado pela norma EIA/TIA-568-B).
• Categoria do cabo 6 (CAT6): definido pela norma ANSI EIA/TIA-568-B-2.1 possui bitola 24 AWG e banda passante de até 250 MHz e pode ser usado em redes gigabit ethernet a velocidade de 1.000 Mbps.
• (CAT6 é recomendado pela norma EIA/TIA-568-B).
• Categoria 7 (CAT7): foi criado para permitir a criação de rede 10 gigabit Ethernet de 100m usando fio de cobre (apesar de atualmente esse tipo de rede esteja sendo usado pela rede CAT6).

CABO COAXIAL.

É um meio de transmissão bem mais eficiente que o par trançado, embora seja mais caro porque a sua constituição incorpora meios de protegê-lo de interferências externas, independente do sistema em que está sendo usado. Um cabo coaxial consiste de dois condutores, um interno envolto por outro externo de forma cilíndrica, separados por um material não condutor. São geralmente empregados em sistemas de transmissão de dados normalmente entre estações com limites geográficos próximos uma da outra, algumas centenas de metros, transmissão de voz e imagem.

FIBRA ÓPTICA.

Os sistemas de transmissão óptica são aqueles nos quais a informação é carregada por um feixe de luz. As fibras ópticas transmitem sinais de luz codificados dentro do espectro de freqüências do infravermelho, 1012Hz a 1014Hz, através de um cabo óptico, que consiste em um filamento de sílica ou plástico, revestido por um material de baixo índice de refração, por onde é feita a transmissão da luz. Ao redor do filamento existem outras substâncias de menor índice de refração, que fazem com que os raios sejam refletidos internamente, minimizando assim as perdas de transmissão. Existem três tipos de fibras ópticas; as multímodo degrau, as multímodo com índice gradual e as monomodo.

Compõem o sistema de fibras ópticas, além do cabo, um conversor de sinais elétricos para sinais ópticos, um transmissor, fonte emissora de luz, e um receptor, fotodetector, dos sinais ópticos e, um conversor de sinais ópticos para sinais elétricos.

É possível citar como vantagens da fibra ótica a grande capacidade de transporte de informação, a imunidade ao ruído eletromagnético e ao alcance de longas distâncias. Como desvantagens aparece seu alto custo de implantação e difícil manutenção.

MICROONDAS.

Na região de microondas, 900 MHz a 30 GHz, as ondas de rádio se comportam praticamente como ondas de luz e se propagam em linha reta. A antena se comporta como a lâmpada de uma lanterna e o refletor focaliza as ondas de rádio para a sua frente.

As torres são normalmente colocadas em ponto elevados e estão distanciadas de 50 km a 60 km ao longo da rota de transmissão, a fim de regenerar o sinal de rádio-freqüência enfraquecido devido as perdas na propagação. O sistema de rádio microondas é de alta qualidade e confiabilidade.

SATÉLITE.

O sistema de radio enlace com satélite utiliza como repetidora um satélite artificial em órbita geostacionária, permanecendo estacionário a 36.000 km de altura. Nestes satélites são instalados pequenos receptores e transmissores que recebem, ampliam e reenviam os sinais para a terra, cobrindo praticamente um hemisfério, fornecendo serviços de comunicação com elevado grau de confiabilidade e disponibilidade.

Um aspecto importante no sistema de transmissão via satélite é o uso de antenas, cujas estações terrenas podem ser instaladas pelos próprios usuários.

2.6 RELAÇÃO ENTRE TOPOLOGIA E MEIO DE TRASMISSÃO

Certas topologias estão ligadas à unidirecionalidade (ou bidirecionalidade) do meio de transmissão. Fora esse fator, teoricamente, qualquer meio de transmissão pode ser usado em qualquer topologia. Mas o estágio atual do desenvolvimento tecnológico só permite que algumas combinações sejam usadas nas redes locais comercializadas hoje, pois o custo de outras combinações é proibitivo para o estado atual da arte.

A topologia em barra pode empregar como meio de transmissão o par trançado e os cabos coaxiais de 50 ou 75Ohms. Ainda não é economicamente vantajoso usar um par de fibra ótica em ligações multiponto, se bem que, como já foi ressaltado, a pesquisa nessa área seja intensa.

A topologia em árvore exige unidirecionalmente, o que nos leva a pensar em cabos de 75ohms ou fibras óticas, mas essa última fica descartada pela necessidade de ligações multiponto.

A topologia em anel pode ser construída com par trançado, cabos de 50ohms ou fibra ótica. O uso do cabo de 75ohms exigiria um número elevado de repetidores para múltiplos canais, o que o tornaria economicamente inviável.

A topologia em estrela, hoje, só é viável economicamente para taxas de transmissão baixas, o que nos leva a escolher o par trançado como o meio de transmissão adequado.

2.8 ENLACE

O meio físico que conecta dois computadores ou mais é comumente chamado de enlace de comunicação e os computadores chamados de nós.

Um enlace entre dois nós é chamado de enlace ponto-a-ponto, já um enlace envolvendo mais de dois computadores é chamado de enlace multiponto.

3. CLASSIFICAÇÃO DAS REDES

É usual dividir-se as redes de computadores em três categorias, relativamente à sua área de cobertura: redes de área local (LAN – Local Area Network), redes de área metropolitana (MAN – Metropolitan Area Network) e redes de área alargada (WAN – Wide Area Network). Iremos falar sobre estas três e a quarta criada recentemente conhecida como Rede de área pessoal (PAN – Personal Area Network).

3.1 PAN

É uma tecnologia de rede formada por nós (dispositivos conectados à rede) muito próximos uns dos outros (geralmente não mais de uma dezena de metros). Por exemplo, um computador portátil conectando-se a outro e este a uma impressora.

Como exemplos de PAN, podemos citar as redes do tipo Bluetooth e UWB.

3.2 LAN

Em computação, LANs são redes utilizadas na inter conexão de equipamentos processadores com a finalidade de troca de dados. Um conceito mais definido seria: é um conjunto de hardware e software que permite a computadores individuais estabelecerem comunicação entre si, trocando e compartilhando informações e recursos. Tais redes são denominadas locais por cobrirem apenas uma área limitada (10 km no máximo, quando passam a ser denominadas MANs ), visto que, fisicamente, quanto maior a distância de um nó da rede ao outro, maior a taxa de erros que ocorrerão devido à degradação do sinal.

As LANs são utilizadas para conectar estações, servidores, periféricos e outros dispositivos que possuam capacidade de processamento em uma casa, escritório, escola e edifícios próximos.

3.3 MAN

É o nome dado às redes que ocupam o perímetro de uma cidade. São mais rápidas e permitem que empresas com filiais em bairro diferentes se conectem entre si.

A partir do momento que a Internet atraiu uma audiência de massa, as operadoras de redes de TV a cabo, começaram a perceber que, com algumas mudanças no sistema, elas poderiam oferecer serviços da Internet de mão dupla em partes não utilizadas do espectro. A televisão a cabo não é a única MAN. Os desenvolvimentos mais recentes para acesso à Internet de alta velocidade sem fio resultaram em outra MAN, que foi padronizada como IEEE 802.16.

3.4 WAN

A Wide Area Network (WAN), Rede de área alargada ou Rede de longa distância, também conhecida como Rede geograficamente distribuída, é uma rede de computadores que abrange uma grande área geográfica, com frequência um país ou continente. Difere, assim, das PAN, das LAN e das MAN.

Em geral, as redes geograficamente distribuídas contém conjuntos de servidores, que formam sub-redes. Essas sub-redes têm a função de transportar os dados entre os computadores ou dispositivos de rede.

As WAN tornaram-se necessárias devido ao crescimento das empresas, onde as LAN não eram mais suficientes para atender a demanda de informações, pois era necessária uma forma de passar informação de uma empresa para outra de forma rápida e eficiente. Surgiram as WAN que conectam redes dentro de uma vasta área geográfica, permitindo comunicação de longa distância.

3.5 VARIAÇÕES

Como variação pode-se citar as redes wi-fii onde é adicionado um “w” como, por exemplo, WLAN, WMAN e outra que é a rede área de armazenamento em rede (SAN – Storage Area Network) é uma rede projetada para agrupar dispositivos de armazenamento de computador. Os SANs são mais comuns nos armazenamentos de grande porte.

4 TECNOLOGIAS UTILIZADAS NAS REDES

No começo das redes as tecnologias de troca de informações como estavam ainda no começo, eram ainda inseguras e com certa facilidade era possível um hacker quebrar alguns protocolos e conseguir interceptar conteúdos importantes, hoje com o crescente gasto e investimento feito em novas tecnologias esta visão de segurança foi mudada

4.1 ETHERNET

A Ethernet é a tecnologia mais utilizada nas redes locais, tendo sido especificada pela norma IEEE 802.3, foi inicialmente desenvolvido pela Xerox vindo posteriormente a ser desenvolvido pela Xerox, DEC e Intel. Uma rede Ethernet utiliza normalmente cabo coaxial ou par entrançado, permitindo várias velocidades. Os diversos dispositivos que estão ligados à rede competem pelo acesso à rede através do protocolo CSMA/CD (“Carrier Sense Multiple Access with Collision Detection”). Os dispositivos Ethernet possuem um endereço de 6 bytes (48 bits) que é atribuído por uma entidade central por forma a não haver endereços repetidos.

A primeira é a Gigabit Ethernet (também conhecida como 1000BASE-T ou 802.3z), já com uma grande utilização com velocidades de transmissão de 1000 Mbps. Foi desenvolvida para funcionar com os mesmos cabos que a 100BASE-T de forma a que qualquer upgrade será barato e fácil de realizar. Até ao momento a rede de 1000 Mbps é utilizada como backbone das redes de 100 Mbps, mas à medida que a tecnologia evolui as redes de 1000 Mbps tornar-se-ão mais comuns.

Está também a ser desenvolvida outra norma conhecida como 10 Gigabit Ethernet, que será baseada nas normas Ethernet precedente, serão necessários cabos de maior capacidade (fibra óptica e cabos coaxiais de elevada capacidade), o que irá permitir velocidades de 10000 Mbps.

4.2 ARCNET

A ARCNET é uma tecnologia para LAN desenvolvida pela Datapoint Corporation. A ARCNET utiliza o protocolo token-bus para gerir o acesso à rede dos diversos dispositivos ligados. Neste tipo de rede circulam constantemente pacotes vazios ( frames) no barramento, cada pacote chega a todos os dispositivos da rede mas cada dispositivo só lê o pacote que contém o seu endereço. Quando qualquer dispositivo pretende enviar uma mensagem insere um “token” num pacote vazio onde também insere a mensagem (o token pode ser simplesmente um bit que é posto a 1). Assim que o dispositivo a quem se destina a mensagem a lê faz reset ao token (põe-no a 0) para que o pacote possa ser utilizado por outro dispositivo. Este processo é bastante eficaz com um grande volume de tráfego uma vez que todos os dispositivos têm a mesma oportunidade de usar a rede.

A ARCNET pode usar cabo coaxial ou fibra óptica, podendo o comprimento de cada segmento de cabo ir até cerca de 600 metros, e o comprimento total da rede pode ir até cerca de 6km sem perda de Largura de Banda que é de 2,5 Mbps.

4.3 FDDI

A FDDI (Fiber-Distributed Data Interface) destina-se à transmissão de dados por fibra óptica para redes locais (LAN). As redes desta tecnologia podem ter uma extensão máxima de 200 km e podem suportar milhares de utilizadores. Com velocidades de transmissão de 100Mbps, costumam ser utilizadas na ligação de 2 ou mais LANs.

As redes FDDI têm uma topologia dupla em anel, que consiste em dois anéis fechados e onde os pacotes viajam em direcções opostas nos anéis. Ambos os anéis podem transportar dados ao mesmo tempo, mas o anel primário é utilizado no transporte de dados enquanto o secundário funciona como backup. Caso se utilize os dois anéis para transporte de dados, a capacidade da rede para passa para 200 Mbps, e a distância máxima diminui para 100 km.

O FDDI é um produto do American Nacional Standards Committee, e foi desenvolvido de acordo com o modelo OSI (Open Systems InterConnect) de camadas funcionais. As redes FDDI também são conhecidas como ANSI X3T9. 5

O FDDI tem 4 tipos de nós distintos, o DAS ( Dual-Attached Stations ), o SAS ( Single-Attached Stations ), o SAC ( Single-Attached Concentrator s ), e o DAC ( Dual-Attached Concentrators ). Os nós DAS e DAC ligam-se em ambos os anéis, enquanto os nós SAS e SAC ligam-se somente ao anel primário. Caso um cabo seja danificado ou uma ligação falhe, o nó DAS ou DAC nos extremos da quebra/falha fará o roteamento dos dados por forma a passarem pelo anel secundário no local da falha, mantendo assim a rede a funcionar. O principal problema da FDDI é o preço, uma vez que os adaptadores e cabos são relativamente caros quando comparados com tecnologias com a mesma velocidade.

O FDDI-II é outra versão de FDDI, mas com a capacidade acrescida de um serviço de comutação de circuitos de forma a permitir a transmissão de sinais de voz pela rede. Entretanto estão a ser conduzidos esforços para a interconexão de redes FDDI às redes SONET ( Syncronous Optical Network ) ainda em desenvolvimento.

4.4 TOKEN RING

Uma rede token ring é uma LAN na qual todos os computadores estão ligadas em anel ou em estrela. Nesta rede é usado um bit (ou token) por forma a evitar colisões de dados entre computadores que pretendem enviar mensagens ao mesmo tempo. O protocolo token ring é o segundo mais utilizado em LANs depois do protocol Ethernet. O protocolo token ring da IBM deu origem a uma versão normalizada, vindo a ser especificada como IEEE 802.5. O protocolo IEEE 802.5 permite a transmissão de dados a velocidades de 4 ou 16 Mbps.

Neste tipo de redes existem pacotes vazios que circulam permanentemente na rede. Assim que um computador pretende enviar uma mensagem insere um token num pacote vazio, o que pode consistir somente na mudança de um 0 (zero) para 1 (um) de um bit algures no pacote, a seguir é inserida a mensagem nesse pacote e o destinatário. O pacote é examinado por cada computador, até que chega a vez do destinatário da mensagem que copia então a mensagem do pacote e muda o token para 0 (zero). Quando o pacote chega de novo ao emissor este ao ver que o token está a 0 (zero) sabe que a mensagem foi recebida e copiada, removendo então a mensagem do pacote. O pacote continua a circular vazio pronto para ser agarrado por um computador que necessite de enviar uma mensagem.

4.5 TCP/IP

O desenvolvimento das diferentes arquiteturas de redes começou bem antes do que se imagina e, como a maioria das grandes invenções, o propósito inicial era o uso militar, ainda na época da Guerra Fria. Uma das principais prioridades dentro de uma força militar é a comunicação, certo? No final da década de 60, esta era uma grande preocupação do DOD, Departamento de Defesa do Exército Americano: como interligar computadores de arquiteturas completamente diferentes, e que ainda por cima estavam muito distantes um do outro, ou mesmo em alto-mar, dentro de uma porta aviões ou submarino?

Após alguns anos de pesquisa, surgiu o TCP/IP, abreviação de “Transmission Control Protocol/Internet Protocol”, ou protocolo de controle de transmissão/protocolo internet. O TPC/IP permitiu que as várias pequenas redes de computadores do exército Americano fossem interligadas, formando uma grande rede, embrião do que hoje conhecemos como Internet. O TCP/IP é composto de dois protocolos, o IP cuida do endereçamento, enquanto o TCP cuida da transmissão dos dados e correção de erros. O segredo do TCP/IP é dividir a grande rede em pequenas redes independentes, interligadas por roteadores. Como (apesar de interligadas) cada rede é independente da outra, caso uma das redes pare, apenas aquele segmento fica fora do ar, sem afetar a rede como um todo.

Apesar de inicialmente o uso do TPC/IP ter sido restrito a aplicações militares, com o passar do tempo o protocolo acabou tornando-se de domínio público, o que permitiu aos fabricantes de software adicionar suporte ao TCP/IP aos seus sistemas operacionais de rede. Atualmente, o TPC/IP é suportado por todos os principais sistemas operacionais, não apenas os destinados a PCs, mas a praticamente todas as arquiteturas, incluindo até mesmo celulares e handhelds. Qualquer sistema com um mínimo de poder de processamento pode conectar-se à Internet, desde que alguém desenvolva uma implementação do TCP/IP para ele, juntamente com alguns aplicativos. Até mesmo o MSX já ganhou um sistema operacional com suporte a TCP/IP e navegador que, embora de forma bastante limitada, permite que um jurássico MSX com 128k de memória (ligado na TV e equipado com um modem serial) acesse a web.

5. SEGURANÇA EM REDES

Com o crescimento rápido das redes surgiu um problema, a segurança das informações que tramitavam na rede, com isso. necessidade de proteção contra acessos não autorizados, manipulação dos dados armazenados na rede, assim como a sua integridade, e utilização não autorizada de computadores ou de seus respectivos dispositivos periféricos cresceu, nesta parte do trabalho iremos falar um pouco sobre segurança em redes.

Com isso surgiu alguns conceitos em segurança que serão apresentados a seguir.

5.1 QUAIS OS RISCOS

Os principais riscos são as perdas de informações que uma rede pode sofrer como, por exemplo, uma empresa que guarda em sua rede informações sobre pagamento de clientes, contas de clientes e variadas informações que um cracker pode tentar modificar ou usar para si próprio ou até mesmo por pura maldade apagar várias informações, o meio mais comum de propagação de vírus é a internet, pois a partir de vírus ou portas abertas um cracker consegue invadir um computador e sua rede e danificar todo o sistema.

5.2. POLÍTICAS DE SEGURANÇA

Uma política de segurança é definida como sendo um conjunto de leis, regras e práticas que definem como uma empresa ou instituição gerencia e protege seus recursos e transmite os seus dados. Um sistema de comunicação de dados pode ser considerado seguro quando garante o cumprimento dessa política, que deve incluir regras detalhadas definindo como as informações e recursos oferecidos pela rede devem ser manipulados.

Uma política de segurança é implementada baseando-se na aplicação de regras que controlem o acesso aos dados e recursos que são trafegados através da rede; isto é, define-se o que é e o que não é permitido em termos de segurança, durante a operação de um dado aplicativo ou recurso da rede, através da definição do nível de acesso autorizado para os usuários que utilizam-se do sistema de comunicação de dados. Com base na natureza da autorização que é dada ao usuário, pode-se dividir em dois os tipos de política de segurança existentes: uma baseada em regras, onde os dados e recursos da rede são marcados com rótulos de segurança apropriados que definem o nível de autorização do usuário que os está controlando; e uma outra baseada em identidade.

Nesse último tipo, temos que o administrador da rede pode especificar explicitamente os tipos de acesso que os usuários da rede podem ter às informações e recursos que estão sob seu controle.

Mecanismos de Segurança

Uma política de segurança pode ser implementada com a utilização de vários mecanismos. Abaixo, temos alguns dos mais importantes mecanismos de segurança utilizados em redes de computadores.

5.3 Criptografia

Em meios de comunicação onde não é possível impedir que o fluxo de pacote de dados seja interceptado, podendo as informações a serem lidas ou até modificadas, é necessária a criptografia.

Nesse mecanismo, utiliza-se um método que modifique o texto original da mensagem transmitida, gerando um texto criptografado na origem, através de um processo de codificação definido por um método de criptografia. O pacote é então transmitido e, ao chegar no destino, ocorre o processo inverso; isto é, o método de criptografia é aplicado agora para decodificar a mensagem, transformando-a na mensagem original.

Contudo, toda a vez que o método utilizado é descoberto, quebrando-se o código de criptografia, é necessário substituí-lo por um outro diferente, o que acarreta no desenvolvimento de novos procedimentos para a implementação desse novo método, treinamento do pessoal envolvido, etc. Com o intuito de evitar tal problema, criou-se um novo mecanismo de criptografia, representado na figura 9 mostrada abaixo. Nesse novo modelo, um texto criptografado gerado a partir do texto normal varia de acordo com uma chave de codificação utilizada para o mesmo método de criptografia. Isto é, para uma mesma mensagem original e um mesmo método de criptografia, chaves diferentes produzem textos criptografados diferentes. Dessa forma, não adianta conhecer o método de criptografia para recuperar a mensagem original, porque, para recuperá-la corretamente, é necessário tanto o texto criptografado quanto a chave de decodificação utilizada.

5.4 Integridades de Dados

Os mecanismos de controle de integridade de dados atuam em dois níveis: controle da integridade de pacotes isolados e controle da integridade de uma conexão, isto é, dos pacotes e da seqüência de transmissão.

Em relação ao primeiro nível, tem-se que técnicas de detecção de modificações, que são normalmente associadas com a detecção de erros em bits, pacotes ou erros de seqüência introduzidos por enlaces e redes de comunicação, são usadas para garantir a integridade dos dados trafegados em uma rede. Contudo, se os cabeçalhos dos pacotes de dados não forem devidamente protegidos contra possíveis modificações, pode-se contornar a verificação, desde que sejam conhecidas essas técnicas. Portanto, para garantir a integridade é necessário manter confidenciais e íntegras as informações de controle que são usadas na detecção de modificações.

Já para controlar modificações na seqüência de pacotes transmitidos em uma conexão, são necessárias técnicas que garantam a integridade desses pacotes, de forma a garantir que as informações de controle não sejam corrompidas, em conjunto com informações de controle de seqüência. Esses cuidados, apesar de não evitarem a modificação da cadeia de pacotes, garantem a detecção e notificação dos ataques.

5.5. Controle de Acesso

Esse mecanismo de segurança é utilizado para garantir que o acesso a um recurso de rede qualquer seja limitado a usuários devidamente autorizados pelo administrador do sistema.

Como técnicas utilizadas têm-se a utilização de listas ou matrizes de controles de acesso, que associam recursos a usuários autorizados; ou senhas e tokens associadas aos recursos, cuja posse determina os direitos de acesso do usuário que as possui.

Como exemplo da utilização de tokens para controlar o acesso aos recursos de uma rede considere o método de controle de congestionamento de tráfego conhecido como controle isorrítmico. Nesse método, existem permissões, que são os tokens, que circulam pela rede.

Sempre que um host deseja transmitir um novo pacote pela rede, ele primeiramente deve capturar uma dessas permissões e destruí-la, sendo que essa permissão destruída é regenerada pelo host que recebe o pacote no destino. Contudo, esse método apresenta um problema: a distribuição das permissões depende das aplicações na rede e o próprio tráfego aleatório desses tokens causa um tráfego extra na rede, diminuindo assim a seu desempenho. Ainda, tem-se que a perda de uma permissão devido a uma falha qualquer na rede deve ser recuperada, de forma a evitar que a sua capacidade de transporte seja reduzida.

5.6. Controle de roteamento

Esse mecanismo garante a transmissão de informação através de rotas fisicamente seguras, cujos canais de comunicação forneçam os níveis apropriados de proteção. Essa garantia se deve ao controle do roteamento de pacotes de dados. Através desse controle, rotas preferenciais (ou obrigatórias) para a transferência de dados são especificadas pelo administrador do sistema.

CONCLUSÃO

Com este estudo fica claro que a evolução das redes de computadores foi algo inevitável e de grande importância na sociedade, com isto uma grande parte das informações pôde ser guardadas de forma correta e alem disso podem ser trocadas entre vários computadores tanto em uma LAN ou em uma WAN.

Um fator importante para o sucesso de uma rede é a sua infra-estrutura, pois se corretamente implantada a rede tem grandes chances de dar certo e não sofrer com um mau planejamento no caso de alguns pontos serem adicionados na rede e conseqüentemente causando um delay na rede pelo fato de que uma rede que não foi projetada para ser expansível não aceitará corretamente a sua expansão se caso for feita.

Outro fator importante é conhecer as redes de acordo com a sua distribuição geográfica, pois assim uma rede pode ser facilmente catalogada para eventual estudo ou até mesmo para uma configuração

Ainda, também podemos observar como é importante a implementação de uma política de segurança adequada que garanta a integridade das informações armazenadas na rede e dos dispositivos que a compõem, protegendo assim esses dados e máquinas de possíveis ataques externos, que poderiam causar sérios danos a estrutura administrativa e técnica de uma empresa ou organização.

BIBLIOGRAFIA

[ALVE] Alves, Luiz, Comunicação de Dados, 2ª Ed., São Paulo, Makron Books, 1994.

[FERR] Ferrari, Antonio Martins, Telecomunicações: Evolução e Revolução, 2ª Ed., São Paulo, Makron Books, 2000.

[FILH] Filho, Milton Mira Assunção, Telecomunicações, 2ª Ed. São Paulo. Makron Books, 2000.

[TANE] Tanenbaum, Andrew S., Rede de Computadores, 3ª Ed., São Paulo, Campus, 1997.

[TARO] Tarouco, Liane M. R, Rede de Computadores Locais e de Longa Distancia, McGraw-Hill, 1986.

[SCHA] Schatt, Stan, Redes Locais, Editora Makron.

[FILI] Filipelli, Marco Aurélio, CCNA 4.1 GUIA DE ESTUDO COMPLETO,Visual books, 2008.

[SOAR] Soares, Luis Fernando Gomes; Lemos, Guido; Colcher, Sérgio, Redes de Computadores- das LANs, MANs e WANs às Redes ATM, Editora Campos, Rio de Janeiro, 1995.

[KURO] Kurose, J.F e Ross, K. W., Redes de Computadores e a Internet: Uma nova abordagem, Addison Wesley São Paulo, 2003

Síntese sobre Intra-Empreendedor e do Endomarketing

0

INTRODUÇÃO

Venho apresentar uma síntese do texto oferecido, mostrando os principais pontos vistos, ou seja, mostrar de uma forma clara e objetiva quais as reais situações de um intra-empreendedor e do endomarketing.

DESENVOLVIMENTO

O momento que as grandes empresas estão vivendo não é fácil, há uma necessidade crescente de promover uma cultura interna de inovação como fonte de competitividade, evidenciando que as cabeças pensantes dos departamentos de Pesquisa e desenvolvimento (P&D) não estão dando conta da demanda por novidades e melhorias nos produtos e serviços oferecidos ao mercado.

Por ser um conceito muito recente, a uma vasta proliferação de alguns casos, fazendo com que o termo seja vulgarizado, ou seja, algumas empresas se dizem empreendedoras simplesmente disponibilizando aos colaboradores uma famosa caixa de sugestões, porem podemos ver que o intra-empreendedorismo é muito mais do que isto. Para que um intra-empreendedor possa se manifestar é necessário algumas mudanças como na parte cultural interna que permite o surgimento de novos modelos de negocio e agilidade para a implantação dos projetos. Para alguns pensadores todas essas novas linhas de negócios podem surgir dentro ou fora da empresa, podendo assim ser junto ou separado dos negócios principais. Mais para que tudo isso ocorra à empresa tem que esta estruturada de melhores equipamentos, fazendo com que os colaboradores se sintam motivados e desempenhar um trabalho eficiente e eficaz.

A empresa deve passar por rotinas de investigação, para que possa averiguar o perfil dos colaboradores e verificar os empreendedores que há dentre de sua empresa, fazendo com que a empresas possa vir a tornar-se mais produtiva. Pois um bom empreendedor deve conhecer todas as funções organizacionais da empresa (MARKETING, FINANÇAS, RH, ETC), deve ainda ser o elo entre os colaboradores, os processos internos e os clientes, deve também unir o ambiente interno com o externo e conhecer muito bem as pessoas da empresa.

Com a busca pela inovação, vem crescendo o numero de intra-empreendedores, ou seja, pessoas que buscam conhecimento alem do que sua empresa oferece estão causando no mercado empresarial, com surgimento de novas tecnologias e conceitos, ou seja, para ser um bom intra-empreendedor e necessário que o cidadão tenha uma ação empreendedora dentre de uma organização já existente e que através da inovação e criatividade de seus colaboradores façam com que surjam novos processos de melhorias, mais para que isso ocorra o ele deve ser antenado, ter vontade de algo mais, ser criativo e inovador, racional, adorar correr riscos, ser líder, dinâmico e comprometido com o sucesso, prestar contas e ser parceiro na equipe.

Para que a empresa possa passar por todo esse processo inovador, não é necessária uma nova empresa, ou seja, basta que o produto a ser oferecido seja inovador ou ocorram melhorias dentro do processo já existente. Pois basta que p processo esteja ligado à pessoa com qualidades intra-empreendedoras que saiba inovar e que acredite que a inovação é possível, desejável, e haja em prol da inovação.

Sendo assim os aspectos motivacionais da empresas passam a ser atingidos e atingindo também as metas, fazendo com que os colaboradores fiquem desafiadores de seus próprios conhecimentos e aumentado sua sede de organização em seus processos, ocorrendo assim recompensas não só para os com maiores estratégias mais também para os colaboradores de tal acontecimento, podemos afirmar que tudo isso é possível devida ao grande conhecimento das vastas áreas da empresa, ou seja, possibilitando a colaboração entre times e permitindo que os problemas de identificação de oportunidades e do desenvolvimento da inovação possam ser revolvidos com máxima eficiência e eficácia.

Nos dias atuais vemos que o empreendedor corporativo possui algumas importâncias a de maior evidência (Comprometimento, Busca de informações, Relacionamento, Qualidade, Iniciativa e Autoconfiança) e de menor evidência (Estabelecimento de metas, Riscos e Independências).

Podemos dizer que o endomarketing não é um fator motivacional, para Cláudio Tomanini, professor da FGV, a empresa pode – e deve – estimular os funcionários e aqueles que acreditam no programa estarão realmente motivados. Mais não é o bastante. O planejamento, portanto, é um dos princípios do Endomarketing, porem não basta desenvolver um planejamento de ações para remediar um problema interno ou para aumentar as vendas temporariamente, e só perca de tempo, o correto é identificar os pontos fortes e fracos dos colaboradores é um começo para as empresas que buscam implantar este sistema, para que possamos conseguir tais resoluções, basta aplicar ferramentas especifica que apontem o problema através de metas e resultados. Um dos fatores que tem proporcionado grandes avanços na aplicação do Endomarketing é a tecnologia, mesmo o tradicional mural informativo ainda ser válido.

Adepto a analogias, Tomanini compara um projeto de Endomarketing com filhos. Segundo ele, ser totalmente flexível transmite uma falsa liberdade que pode ser perigosa. É preciso impor regras e atribuir valores para os filhos assim como para os colaboradores da organização. “Tirar dez na escola é obrigação, pó isso não se pode presentear. A mesma coisa vale também para os colaboradores”, completa.

Com o foco alinhado, sintetizado e sincronizado a implementação e operacionalização a estrutura organizacional do marketing da empresa que visa a depende da ação para o mercado e a sociedade, estarão prontos para a adequação dos novos processos a serem analisados e estudados pela organização. Pois a empresa deve apresentar um ambiente próprio para que o empreendedor possa fazer com que surjam idéias de melhorias, ou seja, a empresa deve fazer parte de uma cultura organizacional.

CONCLUSÃO

Podemos dizer então que não basta ser um bom empresário, temos que estar atualizados com os novos processos da globalização e sempre esta buscando inovações para que possamos renovar e reciclar nossos colaboradores e clientes para que surjam empreendedores e intra-empreendedores em nossas organizações, acarretando o crescimento constante da empresa, mais com satisfação e qualidade em nossos produtos oferecidos.

BIBLIOGRAFIA

CRUZ, OTHENY. Síntese do texto oferecido (O Intrapreendedorismo e sua relação com a inovação em empresas consolidadas). Intrapreneuringand its relation with innovation in consolidadet entreprises. De Silvio Aparecido dos Santos/ Fernando César Lenzi e Fábio Zaffalon Rodrigues.

TOMANINI, CLÁUDIO. Prof° da FGV – Palestrante da área de negócios e vendas.

Atuação do Enfermeiro na Assistência de Criança Portadora de Diabetes

0

1- INTRODUÇÃO

O Diabete Mellitus (DM) Tipo 1 é o distúrbio metabólico mais comum da infância e da adolescência, com importantes conseqüências para o desenvolvimento físico e emocional. O paciente com Diabete Mellitus Tipo 1 defronta-se com importantes alterações no estilo de vida, que incluem a exigência absoluta e diária de insulina exógena, a necessidade de monitorar sua própria glicemia e a necessidade de prestar atenção a sua ingestão alimentar.

A doença não é comum em crianças nas idades de 1 a 4 anos, sendo diagnosticada entre as idades de 5 a 15 anos. O Diabete Mellitus Tipo 1 incide em homens e mulheres em números iguais, o diagnóstico e/ou tratamento é verificado através das manifestações clínicas citadas pelo cliente no histórico familiar e apresenta como fatores de risco, o sedentarismo, obesidade, etc.

Após confirmado o diagnóstico de Diabete Mellitus Tipo 1 a assistência de enfermagem é desenvolvida através da realização do processo de enfermagem, iniciando pelo histórico do paciente no qual se levanta os problemas e diagnósticos de enfermagem, afim de buscar elementos que possam subsidiar à assistência de enfermagem que se define como um ato ou efeito de assistir, presença constante, proteção, amparo, auxílio e ajuda. Preconiza-se que qualificar a assistência ao cliente diabético principalmente à criança, faz-se necessário buscar estratégias efetivas, mediante uma abordagem integral, envolvendo os elementos fisiopatológicos, psicossociais, educacionais e de reorganização da atenção a saúde.

Este estudo justifica-se pela nossa observação em campos de estágio de um crescente número de crianças portadoras de diabetes, sem orientação de como lidar com a doença e suas vertentes, sendo então a motivação para a escolha dessa temática a importância que se deva ter em especial com esta clientela.

A referida pesquisa tem como objeto de estudo às ações de enfermagem a criança portadora de Diabetes Melittus, tendo como objetivo descrever a atuação da enfermagem à criança portadora de Diabetes Mellitus tipo 1, problematizando de que forma a enfermagem atua e orienta na educação à saúde, a criança portadora de Diabetes Melittus.

Diante do exposto, a relevância do estudo se traduz em demonstrar que uma boa assistência de enfermagem a uma criança portadora de Diabete Mellitus vai muito além de ações que permeiam a doença, pois colabora com um estilo de vida melhor de cada paciente e de seus familiares.

Este estudo pretende contribuir para conscientização dos profissionais e acadêmicos de enfermagem sobre a importância da educação/orientação, como norteadores das ações de enfermagem a criança portadora de Diabetes Mellitus, estimulando também a busca de uma especialização do profissional enfermeiro nesta área, como também contribuir para futuras pesquisas relacionadas ao tema.

2 – METODOLOGIA

Trata-se de um estudo bibliográfico, exploratório, descritiva de abordagem qualitativa, pois esta visa buscar a realidade que não pode ser quantificada (crenças, valores, atitudes etc.). Esta abordagem não trabalha com dados numéricos, preocupa-se com significados, com freqüência, embora, não podendo ser traduzidos em números e indicadores.

A pesquisa teve como cenário, artigos científicos encontrados na Biblioteca Virtual de Saúde (BVS), Scientific Electronic Library Online (SciELO), BDENF, livros e revistas, onde buscou-se identificar na literatura científica a atuação do enfermeiro na assistência à criança portadora de Diabete Mellitus Tipo 1. Para seleção das obras, foram utilizados os descritores: cuidados de enfermagem, criança e diabete. Selecionamos os que mais correspondem a nossa temática de pesquisa.

Analisamos os artigos e escolhemos os que tiveram mais afinidade com o objetivo proposto neste estudo. Realizado como primeiro passo uma leitura pré-seletiva, o qual permite eliminar o dispensável, para fixar-se no que é de real interesse, além da coleta de dados com informações sobre intervenções de enfermagem, e suas avaliações concomitantes. Foram encontrados 1.400 artigos. 

O próximo passo foi realizar um refinamento dos artigos encontrados, devido o excessivo número de estudos encontrados sendo escolhidos os que tiveram mais afinidade com o objetivo proposto no estudo, utilizando descritores em duplas. Encontrados 34 artigos que corresponderam às indagações da pesquisa.

Por fim utilizou-se uma leitura critica, interpretativa do material encontrado visando subsidiar a pesquisa, realizando a categorização dos dados, de forma a responder o problema do estudo. Desta forma chegamos a 08 artigos que constituiu a bibliografia potencial. De posse deste material realizamos uma leitura analítica que será discutida a seguir.

3 – RESULTADOS E DISCUSSÃO

Baseado no resultado da pesquisa encontramos 3 categorias, que serão abordadas a seguir.

3.1 CONTEXTUALIZANDO A DIABETES MELLITUS INFANTIL.

O Diabete Mellitus (DM) é uma doença do metabolismo, caracterizada por deficiência total ou parcial do hormônio insulina, que por sua vez causa hiperglicemia. É resultado da adaptação metabólica ou alteração fisiológica em quase todas as áreas do organismo. Trata-se do distúrbio mais freqüente da infância, verificando-se uma incidência máxima no início da adolescência.

As formas principais do Diabetes Mellitus são divididas nas que são causadas por deficiência de secreção de insulina devido a uma destruição das células β pancreáticas e as que são conseqüência de uma resistência à insulina ao nível dos músculos esqueléticos, fígado e tecido adiposo com vários graus de distúrbios das células β.1

Sendo assim, podemos classificar o Diabetes em três tipos: Diabetes tipo 1, Diabetes tipo 2, Diabetes gestacional. No Diabetes tipo 1, também chamado de Diabetes juvenil ou Diabetes insulinodependente, ocorre uma destruição parcial ou total das células produtoras de insulina do pâncreas, fazendo com que a criança necessite de insulina exógena para sua sobrevivência. Aproximadamente 5 a 10% das pessoas que têm diabetes, é do tipo 1. O tipo mais comum do diabetes é o tipo 2 no qual o pâncreas produz insulina, mas as células do corpo não respondem a ela. O tipo 3 é chamado de Diabete gestacional, pois aparece durante a gestação, causado por resistência à insulina provocada pela secreção de hormônios pela placenta e pelo aumento dos níveis de estrogênio, progesterona e cortisol.

O Diabete Mellitus (DM) afeta populações de vários países, em todos os estágios de desenvolvimento. Mesmo com os atuais avanços tecnológicos e científicos, esta doença ainda promove profundas alterações orgânicas, emocionais e sociais, que suscitam necessidades constantes de cuidado, principalmente o tipo 1, onde falaremos com mais detalhes daqui para frente.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, o Diabete Mellitus tipo 1 é uma das mais importantes doenças crônicas na infância em esfera mundial. Nos Estados Unidos da América dos 651.000 casos novos são diagnosticados a cada ano, 11.000 são em crianças e adolescentes, constituindo-se assim na segunda mais importante doença crônica, nestas faixas etárias, neste país No Brasil, estima-se que haja mais de 8 milhões de pacientes diabéticos sendo 10% desses casos o Diabete Mellitus tipo 1.

O Diabete Mellitus tipo 1, outrora designado Diabete Mellitus insulinodependente, ou, ainda, Diabete juvenil, é caracterizado por níveis baixos ou ausentes de insulina endógena e dependência de insulina exógena para evitar o desenvolvimento de cetoacidose, uma complicação aguda do DM tipo 1. O início ocorre predominantemente na infância com a média da idade entre 5 e 15 anos, mas pode apresentar em qualquer idade. O DM tipo 1 é caracterizado por distribuição auto-imune das células β das ilhotas pancreáticas.1

Os pacientes com DM tipo 1 defrontam-se com importantes alterações do estilo de vida, que incluem a exigência absoluta e diária de insulina exógena, a necessidade de prestar atenção à sua ingesta alimentar. A morbidade e a mortalidade derivam de desequilíbrios metabólicos agudos e das complicações em longo prazo (geralmente na idade adulta) que afetam os pequenos e os grandes vasos resultando em retinopatia, nefropatia, neuropatia, doença cardíaca isquêmica e obstrução arterial com gangrena das extremidades. As manifestações clínicas agudas são devidas à cetoacidose, que acompanha a hiperglicemia e a hipoinsulinemia. A etiopatogemia do DM tipo1 é relacionada com fatores auto-imunes; as complicações em longo prazo são relacionadas com distúrbios metabólicos (hiperglicemia).

Os sintomas normalmente aparecem de repente e com toda força e incluem polidipsia, polifagia, cansaço, boca seca, perda de peso sem perda do apetite, poliúria e nictúria.

Também pode manifestar “cetoacidose diabética”, onde aos sintomas acima se associa a desidratação intensa, náuseas, vômitos e dor na barriga, podendo evoluir rapidamente para um quadro de coma na falta de atendimento rápido. O Diabetes tipo 1 instala-se geralmente de forma aguda, em dias a semanas.

O diagnóstico é feito através de coleta do sangue para dosagem dos níveis da glicemia. Essa dosagem deve ser feita em jejum e, se a glicemia for maior ou igual a 126mg/dl, deverá ser repetido para confirmação. O Diabetes é confirmado quando o valor da glicemia, mesmo em jejum, persiste em ficar igual ou acima de 126mg/dl somados aos sintomas ditos acima.

O tratamento consiste no controle da glicemia e é obtido com dieta sem alimentos que contenham açúcar, exercícios físicos regulares e aplicações diárias de injeções de insulina. A auto-monitorização, através de testes feitos em casa, e exames laboratoriais de rotina são indispensáveis para o sucesso do tratamento, bem como para evitar crises de hipoglicemia.O objetivo do tratamento é conseguir que a glicemia de jejum permaneça entre 80 – 120 mg/dl e as demais glicemias do dia, inferiores a 140mg/dl, mas estes objetivos podem variar de acordo com circunstâncias individuais.

O tratamento do DM interfere no estilo de vida, é complicado, doloroso, depende de autodisciplina e é essencial à sobrevida. A abordagem terapêutica envolve vários níveis de atuação, a aquisição de conhecimento sobre a doença, a habilidade de auto-aplicação da insulina e o autocontrole da glicemia, a manutenção da atividade física regular e o apoio psicossocial.

Reconhecendo a gravidade da situação e relação existente entre o grau de controle glicêmico e o aparecimento de complicações e seqüelas, esforços têm sido empreendidos na tentativa de elucidar os mecanismos etiológicos da doença, e os avanços no tratamento, objetivando buscar soluções de impacto sobre a doença e melhoria da qualidade de vida das pessoas acometidas.

Segundo PUPO et al para se conseguir um bom controle do Diabete é extremamente importante à educação do paciente e da família, deixando explícito que esta deva ser introduzida no início do tratamento, tão logo tenha passado o primeiro impacto do diagnóstico.

3.2 A FAMÍLIA JUNTO À CRIANÇA NO ENFRENTAMENTO A DIABETES MELLITUS TIPO 1.

As doenças crônicas são caracterizadas pela longa duração de seu tratamento, além de imporem limitações e mudanças no estilo de vida, envolvendo, não somente o portador, mas também o núcleo familiar; esta participação da família poderá interferir positivamente nos comportamentos de adesão a regimes terapêuticos.

Ainda segundo Brito no tocante à criança, o esperado é que ela viva situações de saúde, para crescer e desenvolver-se dentro dos limites da normalidade. No entanto, quando esta se encontra na condição de doente, seu comportamento necessita ser modificado, devido a alteração que ocorre no seu cotidiano, com limitações físicas provenientes da doença, podendo ser freqüentemente submetido a hospitalizações, que podem ocasionar alterações no seu complexo biopsicossocial.

A doença crônica não age só na criança, afetando também os demais membros da família, mesmo indiretamente e em graus variados, fazendo com que as organizações habituais e funcionais familiares sejam modificadas. Nesse contexto observamos que se faz necessário que a enfermagem tenha além do conhecimento científico, uma sensibilização que proporcione um ambiente de equilíbrio entre as modificações necessárias ao controle da doença e a estabilidade e conforto do paciente.

Portanto corroboramos com o Guedes quando diz ser o resultado positivo da cooperação dos membros familiares com o portador de doença crônica em que perpassa pelo entendimento da doença em si, do tratamento, dos cuidados específicos, de sensibilização e sentimentos positivos como amor, carinho, responsabilidade, afetividade, dentre outros e assim a enfermagem estará possibilitando o despertar do familiar, para participar no cuidado, de forma consciente e reflexiva, sem um cunho totalmente paternalista assistencialista.

3.3 A ATUAÇÃO DO ENFERMEIRO À CRIANÇA PORTADORA DE DIABETES MELLITUS TIPO 1.

O processo pelo qual a enfermagem poderá chegar a desenvolver uma ação competente, se faz por meio da ótica do cuidar de forma integral, visualizando o ser em seu contexto biopisicossocioespiritual. Considerando o cuidado, não apenas como uma atividade ou tarefa executada no sentido de tratar uma lesão, aliviar um desconforto e auxiliar na cura de uma doença. A atividade de cuidar procura ir além, tentando captar o sentido mais amplo: o cuidado como forma de expressão, de relacionamento com o outro ser e com o mundo, enfim, como forma de viver plenamente.

Quanto às intervenções de enfermagem que envolve a criança no aprendizado sobre sua doença, entendemos no decorrer do curso de graduação assim como a literatura revela, que à medida que a criança adquire um maior conhecimento sobre os conceitos relacionados às doenças e as habilidades cognitivas, tornam-se mais capazes de relatar sintomas da doença com precisão, concordar com regimes de tratamento prescrito, adaptar-se as doenças e tomar decisões esclarecidas sobre medidas de saúde preventiva, o qual encontramos também enfatizado pelo estudo do Guedes.

Em relação à baixa auto-estima situacional, os cuidados de enfermagem estão voltados para facilitar a exteriorização dos sentimentos de tristeza e ansiedade, para isso, podemos utilizar recursos lúdicos, como desenhos, pinturas e uso de fantoches, estas atividades proporcionam momentos de descontração e alegria para a criança e seus familiares.

A equipe de enfermagem deve estar atenta ao rodízio na aplicação da insulina para evitar complicações, tais como fibroses, tumorações, hipertrofias, nódulos e placas. Os locais preferenciais para aplicação de insulina em pediatria são: parte externa e superior dos braços, partes laterais e frontais das coxas e abdome. Geralmente a injeção de insulina é subcutânea, mas em certas eventualidades, como no coma, a insulina pode ser feita diretamente na veia.

A prática de enfermagem implica em cuidar do outro. Já que a palavra cuidar hoje em dia é tão mencionada, deve ser também compreendida para que possamos entender o próximo, construir laços e para que haja eficácia quando nos referimos ao cuidado. O grande desafio do ser humano é combinar trabalho com cuidado. Eles não se opõem, mas se compõem juntos constituem a integralidade da experiência humana. Logo, na assistência à criança com Diabete Mellitus não se pode perder essa dimensão do cuidar, pois a essência do ser humano é o cuidar na sua integridade.

O enfermeiro deve desenvolver atividades educativas junto aos clientes e as famílias, principalmente em relação as suas dúvidas sobre a doença e a forma de aplicação de insulina, focando os horários das aplicações de insulina, explicando detalhadamente a técnica asséptica, administração correta, locais e ângulo de aplicação, dosagens, formas de acondicionamento e rodízio dos locais de aplicação.

De acordo com Silva, a assistência de Enfermagem junto ao cliente portador de Diabetes Mellitus consiste de um conjunto de orientações para a saúde visando à conscientização e mudança de comportamento frente a sua problemática, com o propósito de levá-lo a atuar preventivamente, diminuindo os danos decorrentes da evolução natural da doença, investindo no desenvolvimento da capacidade e das habilidades do indivíduo para o auto cuidado. O Enfermeiro pode contribuir ativamente para que ele possa levar uma vida mais independente.

Ainda na abordagem a pesquisa de Silva et al, corroboramos com o mesmo que só se pode esperar o cumprimento das orientações dadas ao cliente/família à medida que lhes é dado oportunidade real para conhecer os problemas e aprender a lidar com eles. A Consulta de Enfermagem é um momento através do qual, pode-se ajudar na conscientização dos clientes diabéticos a respeito da doença e seu controle tornando-os mais ativos no próprio tratamento.10

Atualmente os clientes de diversas patologias estão mais exigentes e pouco a pouco mais participativos no seu próprio tratamento. Em relação aos portadores de diabetes isto é fundamental, visto que envolve, entre outros aspectos, a mudança de comportamento e o desenvolvimento de ações de auto cuidado. O Enfermeiro como membro da equipe de saúde é um elemento multiplicador de conhecimentos através da promoção de educação em saúde aos clientes diabéticos que então proporcionará o desenvolvimento de hábitos sadios de vida que possibilitem maior segurança e melhor aceitação da doença.

É de fundamental importância que o Enfermeiro desperte no cliente a motivação para o exercício de ações de auto cuidado, buscando mudança de idéias, concepções, comportamentos e atitudes a fim de conquistar a auto – estima, vontade de aprender, controlar e conviver com o diabetes. Segundo o Ministério da Saúde, a educação é a chave para a melhoria da qualidade de vida dos clientes diabéticos e o objetivo mais importante da educação em diabetes seria fazer o cliente mudar de atitude internamente, tomando – o mais consciente e ativo no controle da doença. Logicamente através do engajamento em ações de auto cuidado, eles podem aprender a satisfazer suas necessidades individuais.

Conforme Silva et al, o papel da Enfermagem em educar, controlar e prevenir as complicações do Diabetes Mellitus nos clientes, objetiva a melhoria do seu estilo de vida e dos seus familiares. Em decorrência da falta de orientações, as grandes maiorias dos clientes confundem as complicações do diabetes com os sinais e sintomas que apresentam no seu dia-a-dia, demonstrando não ter consciência dos riscos que a patologia poderá acarretar.

O prognóstico desses pacientes depende fundamentalmente do controle da glicemia, do tempo de doença e da presença de complicações. Ainda não é possível evitar o aparecimento do Diabete Mellitus tipo 1, entretanto suas complicações podem ser prevenidas através do empenho do paciente, na realização da dieta, nas aplicações diárias de insulina conforme recomendação médica, na auto monitorização da glicemia e na prática regular de exercícios físicos.

4 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Diabetes Mellitus é um grupo de doenças metabólicas caracterizadas por alterar a homeostase da glicose provocando aumento da glicose sangüínea, sendo esta secundária a distúrbios na secreção e/ou ação da insulina no organismo. Por ser uma doença crônica, a eficácia de sua terapêutica depende da adesão do paciente e da participação dos profissionais de saúde no processo de controle do DM, através da implementação de atividades voltadas para educação e orientação ao auto-cuidado do diabético.

De acordo com a visão da assistência à saúde na contemporaneidade, empenhada na promoção à saúde e prevenção de doenças através da educação continuada, o Ministério da Saúde afirma que a educação é a parte essencial do tratamento e constitui um direito e dever do paciente sendo por isso um dever dos profissionais de saúde oferecer-lhe informações necessárias para “formar” atitudes positivas de saúde ou “modificar” comportamentos negativos em saúde. Neste contexto, destaca-se o profissional de Enfermagem como o principal ator social no Programa de controle da DM, cujo papel de elaborar e implementar estratégias para promoção do auto-cuidado nesses pacientes é permanente.

A análise dos estudos evidenciou também, que a enfermagem tem papel fundamental na equipe multidisciplinar, que atende o paciente diabético, que suas atividades visam a promoção da saúde, através de orientações quanto a prevenção das complicações da doença. Através da consulta de enfermagem, o enfermeiro consegue êxito na adesão do paciente diabético ao esquema terapêutico, representado pela redução da pressão arterial, controle da glicemia e início de prática de exercícios, além de conseguir rastrear casos de dislipidemia e distúrbios oftalmológicos. Mediante aos resultados encontrados, concluímos que a educação na assistência à saúde do paciente portador de DM tipo 1 é um processo necessário e comprovadamente responsável por grandes mudanças no processo saúde-doença, diminuindo os números de internações desnecessárias pela doença e suas complicações.

Pela literatura pesquisada, verificou-se que portadores de Diabetes Mellitus ressentem da falta de orientações quanto à doença e tratamento. Contudo, mesmo entre aqueles que se consideram informados, existe a falta de conscientização quanto à necessidade de alterações pessoais no estilo de vida. Entretanto, conseguir a adesão do cliente a tratamentos que exigem mudanças de comportamento nem sempre é uma tarefa fácil para os profissionais da área de saúde.

O Enfermeiro é um profissional apto a realizar consulta de enfermagem, diagnosticando e orientando, sobretudo adaptando o tratamento ao que o cliente necessita, também é capacitado no sentido de esclarecer a importância na mudança de estilo de vida, implementando, modificando e melhorando esta qualidade aos clientes em geral e em especial como visto neste estudo, a criança portadora de Diabetes Mellitus tipo 1, assim cabe a enfermagem baseado numa visão holística, um desenvolvimento de uma reflexão critica, para que possa ser atuante e transformadora de comportamentos, promovendo o auto-cuidado, através do processo educativo em relação ao conhecimento da doença e o entendimento das dificuldades encontradas.

REFERÊNCIAS:

1- Behrman, Kliegman, Jenson. Tratado de Pediatria. Tradução da 17ª Ed. Vol. 2 Elsevier.

2- Brito Daniele, Guedes Tatiane, Victor Janaína, Medeiros Adriana. O Cuidado de Enfermagem em uma Criança com Diabetes Mellitus Tipo 1. [on line] [Acesso em 2009 Mai 11] Disponível em: <http://www.portalbvsenf.eerp.usp.br/scielo>. Revista de Rede de Enfermagem do Nordeste.

3- Góes Anna, Vieira Maria, Júnior Raphael. Diabete Mellitus tipo 1 no Contexto Familiar e Social.[On line] [Acesso em 2009 Mai 25]. Disponível em:<http://www.medicinacursos.com.br>.

4- Leite Mário. Diabetes Juvenil – Diabetes Tipo 1. [on line] [Acesso em 2009 Jun 02]. Disponível em: <http://www.policlin.com.br/drpoli/049>.

5- Antonia Cristina, Zanetti Maria. Auto Aplicação de Insulina em Crianças Portadoras de Diabetes Mellitus tipo1. [on line] [Acesso em 2009 Jun 05]. Disponível em: <http://www.portalfarmacia.com.br>.

6- Rocha Luciano. Crescimento e Composição Corporal de Crianças com Diabetes Mellitus tipo1. [on line] [Acesso em 2009 Mai 11]. Disponível em: <http://pt.shvoong.com/medicine-and-health>.

7- Edilza Maria Schmitz. A Enfermagem em Pediatria e Puericultura. System ad North American Nursing Diagnostic Association (NANDA). Ed. Atheneu.

8- Faeda Alessandra, Martins Cassandra, Leon Ponce. Assistência de Enfermagem a um Paciente Portador de Diabetes Mellitus. Revista Brasileira de Enfermagem. Nov- dez 2006.

9- SILVA, H. M. Programa de Assistência Ambulatorial de Enfermagem para Pacientes Diabéticos. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, 2005, pág. 289-299.

10- SILVA, M. O. et al. Participação do Enfermeiro na Equipe Multiprofissional do Plano de Educação, Controle e Prevenção do Diabetes Mellitus no HUCFF-RJ.Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília, 2005, pág. 133-144.

11- O Enfermeiro na Orientação ao Cliente Portador de Diabetes Mellitus DM-1 Tipo 1. [on line] [Acesso em 2009 Jun 15]. Disponível em: <www.uniandrande.edu.br >.

12- BRASIL, Ministério da Saúde. Manual de diabetes – O Atendimento do Diabético na Rede Básica de Saúde. pág. 86-89. 2000.

13- Guimarães Valéria, Castro Cláudio, Sampaio Mariângela, Borges João. Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia. [on line] [Acesso em 2009 Jun 15]. Disponível em: <http://www.sempr.org.br/saibamais>.

Direito dos Animais

0

O crescimento científico no séc.XX e XXI, permite ao homem reintegrar-se ao meio ambiente e compreender sua relação com os seres vivos, incluindo nesse meio os animais. A relação homem-animal vêm desde a antiguidade perdurando até os dias atuais, essa relação é de amor e violência, isso porque existe uma interação ao mesmo tempo de companheirismo e também de sobrevivência.
Os animais eram equiparados ao homem na antiguidade até a Idade Média, pois caso cometessem atos penalmente repreensíveis, eram levados aos tribunais.1 
Na metade do século XVIII, lançaram os primeiros esboços dos direitos dos animais, mas somente no século XX que apareceram as primeiras obras doutrinárias sobre o assunto como a de Henri Salt, em 1914, interrogando e respondendo no 1º artigo: os animais têm direitos? Sem dúvida, sim pois, os homens os têm..2
Em 15 de outubro de 1978 surge a Declaração Universal dos direitos dos animais 3.
Vários escritores e filósofos defendem o princípio da igual consideração de interesses, como por exemplo, Jeremy Bentham, que assinala a capacidade de sofrimento como sendo característica vital que confere a um ser o direito a igual consideração. Dentro da própria racionalidade humana somos obrigados a reconhecer o princípio segundo o qual infligir sofrimento é imoral e desumano.
A Vivissecção é uma das formas de sofrimento feito aos animais, tem como técnica o uso de seres vivos, principalmente animais, para o estudo dos processos de doenças e da vida. A lei de crimes ambientais 9.605/98, em seu art 32, § 1º, tipifica como crime a experiência dolorosa em animal vivo, ainda que para fins didáticos ou científicos, quando existirem recursos alternativos 4.
Esses recursos que substituem a vivissecção, recorrem a várias disciplinas como a biogenética, matemática, virologia, bioquímica, radiologia, microbiologia e cromatografia de gás e espectrometria de massa. Dentre esses recursos desenvolvidos podemos ressaltar cultura tissular, utilização de microorganismo invertebrados inferiores, elaboração de modelos matemáticos, enquetes junto ao público, estudos epidemiológicos. Engenharia genética, ovos de galinha, modelos de computador, placenta humana, modelos matemáticos e mecânicos, e áudio visuais são métodos alternativos à disposição da ciência.
Este trabalho tem como objetivo demonstrar o sofrimento dos animais em várias formas de tortura como a rinha, animais em circo, rodeios, farra do boi e muitos outros, abrangendo mais a vivissecção. 
Diante da pequena exposição desse trabalho, sobre as causas de sofrimento feito aos animais é preciso nos conscientizar se realmente há de se falar em direitos dos animais. 
Para tanto o marco teórico adotado foi o fundamento do sofrimento causado nos animais em pesquisas de laboratório, concentrar-me-ei no ponto central do livro Vida Ética, do filósofo Peter Singer, no capítulo todos os animais são iguais. 
Assim sendo, o alvo desta pesquisa é discutir o sofrimento dos animais nas pesquisas científicas, resultando do comportamento ético dos cientistas e dos pesquisadores para se posicionarem contra a exploração dos animais não humanos, diante de vários massacres contra animais no transcorrer da evolução histórica. 
A pesquisa demonstrou pensamentos de alguns filósofos como Kant, Jeremy Bentham, Agnes Heller, Peter Singer e outros, abordando princípios como justiça, e valores como ética e moral dentro da obrigação do homem como ser racional de cuidar e preservar os animais e o meio ambiente. Abordou-se também a questão sobre Apontamentos para uma Teoria dos Entes Despersonalizados, do professor Cláudio Henrique Ribeiro da Silva, ou seja, uma reflexão sobre os entes despersonalizados, mostrando a possibilidade desses entes serem sujeitos de direito, ainda que possam ser objeto de direito de propriedade alheio (como os animais). Pois para os ativistas dos animais o importante é que o tratamento dado a eles seja ético, e que os esses direitos sejam respeitados na prática e não só na legislação teórica.
Como resultado da pesquisa podemos afirmar que: tornou-se imperiosa a substituição de normas jurídicas ineficazes, defasadas e contraditórias por uma legislação que seja mais coerente com a verdadeira realidade, não ficando só na teoria, mas exigindo do estado uma atuação mais rigorosa na prática sobre a proteção dos animais. A proteção aos animais constitui uma relevante questão jurídica, valorizando também o meio ambiente como todo. Esse alcance começa dentro das casas e escolas, ensinando a devida educação e princípios como solidariedade, cooperação, respeito, pois buscando a educação e a consciência de que o planeta Terra precisa da nossa ajuda e das futuras gerações, surgirá assim com mais força a concretização de uma cidadania mais efetiva.

INTRODUÇÃO TEÓRICO-METODOLÓGICA
VER CRITÉRIO NORMATIVOS (ITEM 3) DO MATERIAL DIDÁTICO

1.1 Há de se falar em direitos dos animais?

Eu sou a favor dos direitos dos animais tal como dos direitos humanos. Esse é o
caminho de um se humano completo – Abraham Lincoln1
Muito antes da existência dos seres humanos o planeta Terra já era habitado pelos animais, fazendo parte do meio ambiente. A importância desses seres vivos em nossa vida merece especial atenção para dar ênfase também na preservação e conservação do meio ambiente, pois o homem, a natureza e os animais são formados por um todo e não apenas por elementos vistos de forma separada.
A humanidade exterminou milhares de espécies no decorrer dos séculos e as conseqüências dessas exterminações vêm sendo maior, a natureza nos alerta dos perigos que vem sofrendo com o desequilíbrio ambiental causado pelo homem, tornando inviável em um futuro bem próximo a existência dos seres vivos como também da própria vida humana.
Assim, abordar-se-á os direitos dos animais enfatizando o sofrimento dos animais usados em pesquisas científicas.
O objetivo desta pesquisa é discutir o sofrimento dos animais nas pesquisas científicas, resultando a exigência de comportamento ético dos cientistas e dos pesquisadores para se posicionarem contra a exploração dos animais não humanos, diante de vários massacres contra animais no transcorrer da evolução histórica, tornou necessário a substituição, de forma progressiva, de uma legislação insuficiente e contraditória por uma outra legislação mais adequada e compatível com a realidade atual em que os animais não humanos são vistos e protegidos.
Sendo, assim, optou-se pela utilização da metodologia jurídico- teórica, que …acentua os aspectos conceituais, ideológicos e doutrinários de determinado campo que se deseja investigar… 2
Utilizou-se a investigação jurídico- propositivo que, …..destina-se ao questionamento de uma norma, de um conceito ou de instituição jurídica com o objetivo de propor mudanças ou reformas legislativas concretas… 3
Utilizou-se, também, a técnica de análise de conteúdo quando foram realizadas pesquisas bibliográficas, análises de livros, revistas especializadas, legislações e jurisprudências acerca do conteúdo.
Quanto ao setor de conhecimento no qual insere o objeto desta monografia, temos que o mesmo é transdisciplinar, já que abrangerá as áreas da Filosofia do Direito, e vários ramos do Direito partindo do Direito Constitucional, Direito Ambiental, Biodireito, Direito Penal, Civil e a Administrativo.
Encontra-se nesta monografia um estudo dividido em quatro capítulos, sendo que o primeiro aponta a introdução teórico metodológica, o marco teórico do estudo, a problematização da questão e o desenvolvimento do trabalho, quais os métodos utilizados nas pesquisas feitas com os animais e os métodos alternativos, o que é a Lei nº6.638 de 08/05/79 e quais seus artigos. No capítulo dois, abordar-se-á
a parte mais filosófica da monografia, ou seja o animal como sujeito de direito como são vistos os animais não humanos por alguns pensadores que passaram por nossa história e por alguns pensadores da atualidade.
Em seguida, serão mostradas principais legislações brasileiras referentes aos animais e ao meio ambiente, junto com o surgimento da Declaração dos direitos dos animais e o que é a filosofia dos direitos dos animais.
Finalmente, serão apresentadas a visão constitucional dos direitos dos animais, visão do STF sobre o movimento em Santa Catarina da Farra do Boi, a crítica à visão hermenêutica constitucional e a apresentação de um novo paradigma.

1.2 Marco teórico do estudo

O marco teórico adotado foi o fundamento do sofrimento causado nos animais em pesquisas de laboratório. Concentrar-me-ei no ponto central do livro Vida Ética, do filósofo Peter Singer, no capítulo todos os animais são iguais. É essencial analisarmos o sentimento dor antes de tudo. 
Os seres humanos têm a experiência direta da dor, quando alguém, encosta um cigarro aceso no dorso de sua mão, não podemos saber qual a dimensão da dor de uma pessoa para outra, uns são mais sensíveis a elas outras não, não podemos experimentar a dor do outro, seja este outro uma pessoa próxima ou um animal como um cachorro, por exemplo. A dor é um estado de consciência, é algo que sentimos, portanto quase todos os sinais externos que nos levam a inferir a ocorrência da dor em outras espécies, principalmente a espécie de mamíferos e das aves, por ter o sistema nervoso muito semelhante aos nossos.4
A afirmação do autor convida-se a refletir sobre o sofrimento que essas pesquisas científicas causam aos animais e os preconceitos que os seres humanos tem com outras espécies, atacando o que se chama de especismo- a concepção pelo próprio homem, de que os seres humanos são sagrados e superiores às outras espécies dando-se assim o direito de fazer com os animais não humanos o que bem entenderem.
A discussão é que diante de tantas atrocidades feita contra animais, e tendo uma legislação protetiva relacionada a eles, continuam ocorrendo crimes não só aos animais, como também à flora ambiental.
Em virtude da demonstração de que os animais sofrem, sentem dor, somente por isso, que já é uma grande questão é que dedico essa monografia a eles, pois os animais não pensam como nós seres humanos, mas sentem como nós. 
Segundo Peter Singer no livro Vida Ética, grande números de animais, como cachorros, gatos, coelhos e vários outros tipos, são usados com a finalidade de experimentação em universidades, laboratórios de psicologia, de cosméticos e etc. Isso só acontece, por causa do preconceito que o ser humano tem em relação com outras espécies, que não seja a sua própria espécie. Das experiências realizadas, é possível que só algumas possam contribuir para importantes pesquisas médicas.5

1.3 A problematização da questão e desenvolvimento do trabalho

O crescimento científico no Séc. XX, permite ao homem reintegrar-se ao meio ambiente e compreender sua relação com os seres vivos, incluindo neste meio os animais.
Primeiramente analisaremos a relação homem-animal, desde a antigüidade, até nos momentos atuais, a relação homem-animal é uma relação algumas vezes de amor e outras de violência, a primeira, porque existe uma interação do homem com as espécies animais composta de sentimentos de companheirismo e também sobrevivência, a segunda, das tradições filosóficas, convicções de vida e dos próprios comportamentos da espécie humana. Desde a Antigüidade quanto na Idade Média, os animais eram tratados como homem: se cometessem atos penalmente repreensíveis eram levados aos tribunais, numa prática que perdurou, em alguns países, até pouco tempo atrás.6
Na antigüidade grega, havia movimentos que consideravam os animais, evitando-se submetê-los a tratamentos injustos, alguns filósofos gregos como Pitágoras ( 580-497 a.C. ) eram vegetariano e viam os animais e o homem como um universo único e harmonioso e a presença do divino em tudo, e não apenas no ser humano, Platão perguntava: haverá maior insensatez do homem em querer julgar os animais? 7
Na tradição judaíco-cristã, há algumas passagens referentes aos animais como no livro de Eclesiastes, cap.3 vs.19.30.21
Porque o que sucede aos filhos dos homens sucede aos animais; o mesmo lhes sucede: como morre um, assim morre o outro, todos têm o mesmo fôlego de vida, e nenhuma vantagem tem o homem sobre os animais; porque tudo é vaidade. Todos vão para o mesmo lugar; todos procedem do pó e ao pó tornarão. Quem sabe se o fôlego de vida dos filhos dos homens se dirige para cima e o dos animais para baixo?…8
Já na metade do século XVIII, lançaram os primeiros esboços dos direitos dos animais, somente no século XX que aparece as primeiras obras doutrinárias sobre o assunto, como em 1914, Henri Salt publica interrogando e respondendo no 1º artigo os animais tem direitos? Sem dúvida, sim pois os homens os têm9.
Em, 1924, André Géraud formula uma declaração dizendo: os homens nascem livres e iguais em direitos, utilizando os dizeres iguais na alegria, no sofrimento, todas as criaturas nascem livres e iguais em direitos10. A UNESCO, proclamou em 15 de outubro de 1978 a Declaração Universal dos direitos dos animais, baseada nas idéias de Géraud.11
Diante deste pequeno apanhado histórico, podemos observar que os animais já fazem parte do meio natural, muito antes da existência humana. Tanto que a UNESCO, reconheceu direitos a eles.
Ocorre que mesmo com a evolução histórica e o reconhecimento dos direitos dos animais pela UNESCO, e até mesmo uma legislação mais especificada a eles, continuam ocorrendo crimes diversos aos animais. A introdução no universo jurídico com a finalidade de proteger os animais fica clara diante de vários ângulos éticos, filosóficos, que estão muito aquém da verdadeira realidade que vemos atualmente. Ainda nos deparamos com tráfico de animais, rodeios, animais em circo, caça, vivissecção, e muitos outros tipos de mau-tratos aos animais. Fica imprescindível fazer a seguinte pergunta Há de se falar em direitos dos animais?

1.4 Crueldade contra animais nas pesquisas científicas

1.4.1 O que significa vivissecção

Vivissecção significa a realização dolorosa em animal vivo, consiste no uso desses seres, principalmente animais, para o estudo dos processos da vida e de doenças, e todo o tipo de manipulação sofrida pelos seres vivos em diverso tipos de testes e experimentos.12
Algumas desses tipos de práticas são:
Draize Eye Irritancy Test _ Coelhos albinos são cobaias para testes em shampoos, pesticidas, herbicidas, produtos de limpeza e da indústria química são testados nos olhos desses coelhos, não recebem sedativos para aliviar a dor, sendo que o teste dura vários dias, durante os quais, a córnea e a íris são examinadas para se verificar ulceração, hemorragia, irritação, inchação e cegueira. Esse teste é condenado cientificamente, pois os olhos dos coelhos são estruturalmente diferentes dos olhos humanos.13
LD50. Dose letal em 50% _ Em 1927, foi introduzido esse teste, que consiste em administrar aos animais, uma dose de certos produtos tais como pesticidas, cosméticos, drogas, produtos de limpeza, para verificar a toxidade. Ocorrendo a morte em 50% das aplicações é a ingestão forçada por via bucal, usando-se um tubo, que vai até o intestino. Outras formas incluem inalações forçadas de vapores, e injeções aplicadas de substâncias na pele. Os sinais de envenenamento incluem lágrimas, diarréias, sangramento dos olhos e de boca, convulsões.14
Testes de toxidade alcoólica e tabaco _ mesmo já conhecendo os efeitos nocivos do álcool e do tabaco no organismo, vários animais em experiência são forçados a inalar e se embriagar para, depois serem dissecados.15
Experimentos na área da psicologia _ Muitos dos mais cruéis experimentos são nessa área, para estudo comportamental. A descrição das experiências a seguir foram tiradas do livro Vida Ética de Peter Singer.
pesquisadores da Universidade de Harvard, colocaram quarenta cachorros num dispositivo chamado caixa de vaivém, que consiste de uma caixa dividida em dois compartimentos, separados por uma barreira. No começo, a barreira colocada tinha a mesma altura das costas de um cachorro. Centenas de intensos choques elétricos eram aplicados aos pés dos cachorros, através de um piso gradeado. Inicialmente os cachorros poderiam escapar dos choques, se aprendessem a pular, por cima da barreira, para outro compartimento. Numa tentativa de desencorajar um dos cães a saltar, os pesquisadores forçaram-no a saltar cem vezes sobre um piso de grades que foi colocado no outro compartimento e que também aplicava choques às patas do animal. Eles disseram que o cão, enquanto estava saltando, dava um ganido antecipatório, que se transformava num uivo no momento em que ele aterrissava na grade eletrificada. Os pesquisadores bloquearam então a passagem entre os compartimentos com uma lâmina de vidro plano e novamente testaram o cachorro. O animal deu um salto pra a frente e colidiu de cabeça contra o vidro. Os cães começaram a apresentar sintomas como defecar, urinar, soltar ganidos e uivos, tremer, atacar o dispositivos etc., mas, depois de dez ou doze dias de testes, os animais, que à força de choques foram impedidos de escapar, pararam de esboçar resistência. O Estudo mostrou que, por meio da administração repetida de choques intensos e inescapáveis, era possível induzir um estado de desesperança e desânimo. 16
Essas e muitas outras experiências infligiram milhares de animais um intenso e prolongado sofrimento: no início para provar uma teoria, depois para refutá-la, no fim, para modificar versões da teoria inicial. Um dos cientistas responsáveis por esse modelo animal de depressão, chegou a conclusão que mais de 30 anos de experimentação com animais foram uma perda de tempo e de substanciosas quantias provenientes dos impostos pagos pelos contribuintes, porque o que realmente concluíram é que a desesperança aprendida não constitui um modelo de depressão e sim de administração de estresse.17
Experimentos armamentistas _ Os animais são submetidos a radiações de armas químicas e biológicas. Os animais são expostos a gases e são baleados na cabeça, para se estudar a potência da velocidade dos mísseis. É absurdo infligir dor aos animais com o propósito de destruir os seres humanos em uma guerra.18
Pesquisas dentárias ­_ são forçados a uma dieta nociva com açucares, e hábitos alimentares errados, com o fim de adquirir cáries e problemas na gengiva.19
Teste de colisão _ animais são lançados contra parede de concretos, são arrebentados e mortos nesta prática.20
Dissecação _ animais são dissecados vivos nas universidades.21
Práticas médico-cirúrgicas _ milhões de animais são submetidos a cirurgias nas faculdades de medicina, são usados pelos alunos no treinamento cirúrgico de cisões, suturas, e ressecção de órgãos. Muitos morrem durante a cirurgia.22

1.5 Métodos alternativos de experiências científicas

A vivissecção será considerada crime, de acordo com a Lei 9.605/98, quando existirem métodos alternativos. Tais métodos evitam o uso de animais vivos nas pesquisas científicas, evitando assim, o sofrimento desses seres sem necessidade. Esses métodos também substituem a vivissecção, recorrem a várias disciplinas como a biogenética, matemática, virologia, bioquímica, radiologia, microbiologia e cromatografia de gás e espectrometria de massa. Dentre esses
métodos desenvolvidos podemos ressaltar cultura tissular, utilização de microorganismo invertebrados inferiores, elaboração de modelos matemáticos, enquetes junto ao público, estudos epidemiológicos. Engenharia genética, ovos de galinha, modelos de computador, placenta humana, modelos matemáticos e mecânicos, e audio visuais são métodos alternativos à disposição da ciência.23
Utilização combinadas de testes _ A cultura orgânica é uma opção que implica a cultura de tecidos vivos, exige a conservação de um órgão ou parte dele em um vidro, para salvaguardar sua estrutura fundamental e seus caracteres bioquímicos. As bactérias e os organismos unicelulares são sempre utilizados como instrumentos de experiência. Tal utilização combinada com outros testes, reduzirá o número de animais empregados em escolas, pesquisas, laboratórios industriais e universidades, nos centros de pesquisas.24
Cultura celular _ Principalmente em vacinas esse tipo de método é cada vez mais utilizado, essa técnica consiste em cultivar células isoladas fora de seu meio normal Essas células são provenientes de fontes humanas, animais e vegetais. Os tecidos humanos podem ser obtidos através de cirurgias, biópsias, autópsias, ou retiradas de fetos ou placentas. Esse método é menos oneroso, e pode produzir resultados científicos mais confiável. Os tecidos animais podem ser buscados nos matadouros ou em animais de laboratório abatidos humanamente.25
Pesquisa epidemiológica _ A principal alternativa é o estudo das doenças humanas em indivíduos infectados ou em populações específicas. Usa-se voluntários e estudo clínico de casos, permite observar fatores ambientais relacionados à doença.26
Técnicas de imagens não invasivas _ CAT, MRI, PET e SPECT, são técnicas que têm revolucionado a pesquisa. São equipamentos que permitem a avaliação de doenças humanas nos pacientes. Estes equipamentos escaneadores têm servido para diagnosticar doenças como Alzhheimer, doença de Huntingtos, tumores muscoesqueletais, mal-de-Parkinson e doenças cerebrovasculares.27
Testes AMES _ Este teste checa substâncias cancerígenas usando bactérias como a salmonella.28
Placenta _ A placenta humana, que geralmente é descartada após o nascimento de uma criança, pode ser utilizada na prática de cirurgia microvasculares em testes de toxidade de químicas e drogas.29
Farmacologia quanta _ Técnica computadorizada usada na química teorética do estudo da estrutura molecular de drogas e seus receptores no organismo. 30
Eyetex _ Substitui o Draize, prevê o uso de uma proteína líquida que imita a reação do olho humano.31 
Cromotografia e espectroscopia _ Usada para separar drogas no nível molecular para identificar suas propriedades, podendo detectar a trajetória das drogas e seus danos aos humanos.32
Corrositex _ Essa técnica possibilita testar uma substancia química ou várias (drogas) em uma barreira de pele artificial feita de colágeno, a corrosividade química possibilita pelo tempo que leva para penetrar na pele artificial e provocar a mudança de coloração.33 
Edna Cardozo Dias em seu livro A tutela jurídica dos animais nos mostra essas variadas técnicas alternativas e segundo Rosely Acosta Bastos, presidente da Frente Brasileira da Abolição da Vivissecção, existem mais de 500 técnicas alternativas.
Os maus-tratos causados aos animais por meio desses experimentos poderão ser comprovados por meio de prova pericial, a ser efetuada por veterinários, fotos e filmes comprovando o estado em que esses animais ficam após testes.34 
A prática da vivissecção no Brasil é regulamentada pela Lei Federal n.º 6.638, de 08 de maio de 1979, que estabelece normas para a prática didática-científica da vivissecção de animais e determina outras providências.35 
Em resumo essa lei reza que a vivissecção não será permitida sem o uso de anestesia, sendo proibida em centros de pesquisas e estudos não registrados no órgão competente; não poderão ser realizadas, genericamente: a) sem a supervisão de técnico especializado; b) com animais que não tenham permanecido mais de quinze dias em biotérios legalmente autorizados; c) em estabelecimentos de ensino de primeiros e segundo graus e em quaisquer locais freqüentados por menores de idade.36
Durante ou após as experiências científicas, de acordo com a Lei, os animais deverão receber cuidados especiais, e quando houver indicação, o animal poderá ser sacrificado sob a estrita obediência às prescrições científicas. Apesar dessas exigências expostas na Lei 6.638 de 08/05/79, a prática vivisseccionista vem ocorrendo de forma descontrolada e irresponsável, trazendo maus tratos aos animais, pois muitas vezes animais sadios são usados vivos nas experiências e práticas e depois são simplesmente mortos.

2 O ANIMAL COMO SUJEITO DE DIREITO

2.1 Jeremy Bentham e o princípio da igual consideração

Muitos escritores como vários filósofos sugeriram como um princípio moral básico, o princípio da igual consideração de interesses, porém nem todos eles colocaram a espécie dos animais não humanos entre este princípio. Um dos poucos a notá-lo foi Jeremy Benttham, como iremos observar no trecho escrito por ele numa época em que os escravos negros haviam sido libertados pelos franceses, porém eram ainda tratados pelos domínios britânicos, como atualmente tratamos os animais, ele dizia: 
“(…) Pode vir o dia em que o resto da criação animal adquira aqueles direitos que nunca lhe deviam ter sido tirados, se não fosse por tirania. Os franceses já descobriram que a cor preta da pele não constitui motivo algum pelo qual o ser humano possa ser entregue, sem recuperação, ao capricho do verdugo. Pode chegar o dia em que se reconhecerá que o número de pernas, a pele peluda, ou a extremidade de os sacrum constituem razões igualmente insuficientes para abandonar um ser sensível à mesma sorte. Que outro fator poderia demarcar a linha divisória que distingue os homens de outros animais? Seria a faculdade de raciocinar, ou talvez a de falar? Todavia, um cavalo ou um cão adulto é incomparavelmente mais racional e mais social e educado que um bebê de um dia, ou de uma semana, ou mesmo de um mês. Entretanto, suponhamos que o caso fosse outro: mesmo nessa hipótese, que se demonstraria com isso? O problema não consiste em saber se os animais podem raciocinar; tampouco interessa se falam ou não; o verdadeiro problema é este: podem eles sofrer?
Como vemos Bentham assinala a capacidade de sofrimento como sendo a característica essencial que confere a um ser o direito a um tratamento igualitário, embora Bentham sustentasse a idéia de racionalidade para o cão e o cavalo, conforme se observa no trecho acima, a sua principal abordagem é deslocar a razão para questão do sofrimento. O utilitarismo terá o sofrimento um papel relevante, pois a ação deve propiciar o máximo de felicidade para o maior número de seres. Tornando-se, assim, relevante para a consideração moral a capacidade de sentir dor e prazer, essa visão desafiou o antropocentrismo da época e permitiu que seus argumentos fossem retomados. Essa visão utilitarista abre o campo para mostrar que os animais tem sim direitos. A argumentação moral não descansa na afirmativa da existência de direitos, sendo assim, a justificação é com base no sofrimento e felicidade.
A discussão sobre se devemos reconhecer o direito dos animais a um tratamento digno não deve passar por uma tentativa inútil e impossível de equiparar o animal à pessoa humana, mas a de considerar que a própria racionalidade humana nos obriga a reconhecer o princípio segundo o qual infligir sofrimento é imoral.38 
È uma atitude que deve ser julgada, no dizer de Agnes Heller, no seu livro Além da Justiça.

2.2 O conceito formal de justiça de Agnes Heller

No livro Além da Justiça, Agnes Heller apresenta vários conceitos de justiça tentando confrontar as várias tradições formadas no mundo ocidental, entre elas, a que desenvolve um conceito formal de justiça e a que desenvolve um conceito ético- político. Após explicar a gênesis desses conceitos, ela se posiciona, dizendo que o conceito formal de justiça é interpretado dentro da estrutura do conceito ético-político de justiça. Tirando esse argumento do livro de Agnes Heller, a certeza vai além da justiça, porque implica em bondade, benevolência, generosidade e a justiça é exata, estrita, é lei. Justiça e benevolência não são virtudes separadas, mas uma virtude, e pela simples razão de que aquela parcialidade para com os que sofrem é abrangida como certeza, a justiça morre quando desumanizada. A lógica de justiça pode parecer impessoal por isso, a preocupação para justiça é um ato de amor.

2.3 Kant e a consideração moral indireta dos animais

Carmen Velayos Castelo autora do livro La dimension moral del ambiente natural: Necesitamos de uma nueva ética? no capítulo 1 Los horiozontes e la consideracíon moral, nos mostra o nome do filósofo Kant em uma constante referência sobre ética dos animais. Kant dá uma limitada atenção aos animais não como pessoalidade, mas defende simples deveres indiretos para com eles.
… Cuando un perro há servido durante mucho tiempo fielmente a su amo, he de considerar esos servicios prestados como análogos a los humanso, por lo que debo retribuírselos y procurarle un sustento hasta el final de sus días cuando ya no pueda servíme más, en tanto que com este comportamiento secundo mis deberes hacia la humanidad tal y como estoy obligado a hacer. 39
Alguns estudiosos têm chegado inclusive a criticar a justiça das palavras Kantianas, pois servem de inspirações em justificar um tratamento adequado para com a natureza animal. Uma das respostas para afrontar a crítica da teória deontológica de Kant do ponto de vista de uma ética estendida aos animais não humanos, está na argumentação sobre a aplicabilidade dos princípios morais, tomada desde o ponto do paciente e do agente moral. Seria importante primeiramente distinguir paciente e agente moral. O agente moral seria o indivíduo capaz de avaliação e decisão moral e o paciente seria aquele beneficiário da conduta moral ou seja objeto da consideração moral.40
Com isso, por exemplo, um cachorro esta condicionado a se beneficiar de nossa conduta como agente moral, pois como conseqüência os animais não passam de paciente dos nosso hábitos de cuidados e de descuidados, como Kant coloca são obrigações meramente indiretos para com os animais, sendo direcionadas à humanidade. 
De acordo com a visão Kantiana, o maltrato aos animais nos levaria a maltratar seres humanos, pois os exemplos começariam com a conduta em relação aos animais. Assim, sendo, somente os agentes racionais podem estabelecer regras em caráter universal, e respeitá-los. As criaturas irracionais não compreendem e nem seguem essas regras, portanto elas estão fora da esfera moral.
Não deixa de ser coerente o pensamento Kantiano, embora tenha um argumento antropocêntrico, no qual o estímulo à benevolência é mais uma autodefesa da espécie humana que o próprio reconhecimento de valores e direitos dos animais.

2.4 O modelo Contratualista

Os princípios morais emanados pelo contratualismo são aqueles acertados e negociados livremente pelos participantes em uma determinada situação contratual. É de um certo modo feito dessa maneira. 
As teorias contratualistas se baseiam na noção da racionalidade, segundo a qual cada indivíduo tenderá a maximizar sua própria utilidade. Em um esforço para ampliar as teorias contratualistas até abranger uma verdadeira responsabilidade frente aos animais não humanos, se menciona a possibilidade de uma representação, diferenciando claramente entre a capacidade de haver acordos de que beneficiassem a esses seres. 
Carmen Velayos Castelo autora do livro La dimension moral del ambiente natural: Necesitamos de uma nueva ética? Cita a versão bastante favorecedora com base em si mesma de T. M.Scanlon.
… Según ésta, un acto es incorreto si su realización, dadas unas determinadas circustâncias, no estaria permitida por un sistema de reglas o principios que nadia pudiera rechazar razonablemete trad un acordo informado y libre. Este criterio se distingue de uno positivo que rezara que un acto es correcto si todo el mundo lo pudierra aceptar razonablemente. En todo caso, lo importante es la existencia de una acuerdo razonable, no la conscución de una ventaja mutua. 41
As teorias contratuatualistas têm muitas dificuldades para tematizar a responsabilidade moral frente aos animais, inclusive às vezes frente aos seres humanos marginais. 
Tais teorias são insuficientes para determinar direitos, pois somente os agentes morais participam dos contratos, e portanto, somente entre eles ocorrem chamadas obrigações diretas.

2.5 A teoria do egoísmo racional

O animal não humano não é um egoísta racional, pois não tem racionalidade, segundo a posição de Jan Narveson não pode negociar acordos com os egoístas humanos para garantir realização de seus possíveis interesses e utilidades. A visão do ser humano proporcionada por essa teoria é de que um indivíduo se rege por ter unicamente interesse particular. Como egoísta, aspira que todos seus interesses e desejos sejam cumpridos. Como racional, estima a conveniência do pacto e constata que não se vive só, precisa de um grupo de humanos que também são egoístas, se importando em maximizar somente suas utilidades. Não há razões altruístas. Em todo caso, as razões expostas por Narverson a favor do respeito pelos seres não racionais seriam indiretas, por não poderem ser reivindicados pelo próprio sujeito e sim pelo pacto social, no que se baseia em interesses de proteção por acordo, o destino das partes ativas dos mesmos, afetados de uma maneira ou de outra, por consequências de trato favorável ou não favorável dos animais não humanos.42 
E para completar essa reflexão, Naverson coloca a capacidade dos seres humanos de ter empatia, na qual se estenderia a todos os seres sensíveis, porque nós somos capazes de nos colocar no lugar dos outros. 
Contudo, Naverson despreza essa possibilidade direta de consideração jurídica moral, porque em sua opinião não há interesse moral algum que se apoia à essa possibilidade direta moral aos animais.
Essa teoria também é insuficiente para o reconhecimento dos direitos dos animas, mais uma visão antropocêntrica.

2.6 A teoria de justiça de John Rawls

A teoria contratualista ao todo resolve do mesmo modo o assunto da possível relevância moral dos animais, ou seja o trato que devemos dispensar a eles. 
A versão de John Rawls, aponta para algo mais além de meras preferências individuais, com base na justificação de princípios de justiça. Na busca de uma necessária imparcialidade, Rawls recorre a uma situação imaginária conhecida como posição original em que os contratantes desconhecem qual será seu futuro na sociedade, sua posição, sua classe social, seu sexo, sua raça, etc, ou seja as partes do pacto estão situadas em um véu de ignorância que garante a imparcialidade e a universalidade dos acordos.
Carmem Velayos cita :
En la sección 77 de su Teoria de la Justicia, Rawls reconece las limitaciones de la misma. Muchosaspectos de la moralid están ausentes y no se tiene en cuenta el tratamiento del comportamiento correcto com los animales y com el resto de la natureza…43
Segundo a Teoria de justiça de Rawls, somos seres com sentido de justiça, e somos merecedores de obrigações de justiça. A capacidade para direcionar entre o justo e o injusto está na posição original, que é reivindicada por sua vez como condição necessária e suficiente para o merecimento de um tratamento conforme a justiça. 
Como temos a capacidade para ser objeto de deveres de justiça, nos exige que prestemos estrita justiça às criaturas que não podem se defender como no caso dos animais não humanos.

2.7 Habermas e o paradigma ético comunicativo

Na opinião de Habermas, a pretensão de abrirmos um acesso moral a natureza leva a sérias dificuldades, toda vez que entra nos elementos naturais e no sujeito humano racional não pode dar-se uma relação de reciprocidade igualitária e livre. 
Pois, a fundamentação de uma ética que abrange a natureza nos acercaria perigosamente a uma razão de imaginações religiosas e metafísicas do mundo. 
Instaurado em tradição Kantiana em sentido amplo, Habermas considera problemas morais aqueles que se estabelecem em círculos de sujeitos capazes de linguagem e ações. 
Porém esta restrição de apoio, conforme verifica, leva a sérias dificuldades na hora de afrontar a pergunta acerca das responsabilidades dos seres humanos diante da capacidade de falar e manter uma comunicação simétrica com outros seres de sua espécie. 
Bem, segundo Habermas a violação de um animal afeta a uma determinada integridade psíquico-corporal, pois não existe uma identidade de personalidade própria de indivíduos socializados comunicativamente. A linguagem cumpre três funções diferentes: a expressiva, a apelativa e a representativa, a função representativa seria a única determinante para a razão. Nossas interações com o mundo animal exige que alguém os represente de algum modo as suas necessidades. Habermas, assim, inclui em sua teoria ética da responsabilidade frente aos animais não humanos a representação de seus interesses.44
Essa ética discursiva habermasiana não está por completo afastada da preocupação ética pelos animais e pela natureza em geral. Há um projeto valorativo com a ética ambiental, seria no entanto, traduzida como princípios de consideração.
Embora, concordemos com o Habermas de que o ser humano tem que se reconhecer como um ser ético, o raciocínio dele não é suficiente para que os animais sejam sujeitos de direitos.

2.8 Apontamentos para uma teoria dos entes despersonalizados

Cláudio Henrique Ribeiro da Silva em seu artigo Apontamentos para uma Teoria dos Entes Despersonalizados indica a falta de uma maior preocupação no desenvolvimento da teoria dos entes despersonalizados (que também são sujeitos de direito ), a doutrina não se preocupa em criar uma teoria, pois por ser restrita a apenas duas espécies de sujeitos de direito, as pessoas naturais e as pessoas jurídicas.
Vários autores informam que pessoa é aquele capaz , suscetível de direitos e obrigações, ou seja ter o atributo necessário para ser sujeito de direito.
A noção de comparação dos conceitos de pessoa e sujeito de direitos tem criado algumas controvérsias na doutrina. Um exemplo destas controvérsias são certas discussões da personalidade do nascituro, da legitimidade processual de alguns entes despersonalizados ou mesmo o debate sobre os direitos dos animais.
Não há em todo ordenamento, ensinamento mais transparente na direção de estender a qualidade de sujeito de direitos a um ente despersonalizado.
As teoria se dividem em natalista, personalidade condicional e concepcionista. A mais perto do nosso entendimento é a teoria natalista, que consiste que os direitos do nascituro devem ser reconhecidos, sem que precise da sua personalização. Os adeptos da teoria da condicional, aceitam a personalidade desde a concepção, desde que nasça com vida, e a teoria concepcionista, o nascituro é dotado de personalidade.
Há portanto uma divisão na doutrina frente à essas teorias, ainda que consideradas contrárias, todas partiram de uma mesma e equivocada conclusão fundamental: a equiparação. Tudo isto segundo o professor Cláudio Henrique,
… em função da falta de uma teoria dos entes despersonalizados que assentasse o princípio de que sujeito é gênero, cujas espécies são a pessoa e o ente despersonalizado.45
Concluindo a reflexão do prof. Cláudio Henrique,
nascituro, portanto, tem direitos não condicionais? Tem. E é, por acaso, dotado de personalidade? Não, e nem é como se fosse, ainda que, como ser humano, seja tratado de acordo com tal especificidade.46
No caso dos animais não humanos a equiparação também, oferece problemas, como veremos mais adiante no próximo capítulo as várias legislações referentes à proteção aos animais e ao meio ambiente, partindo-se inclusive do surgimento da Declaração Universal dos Direitos dos Animais . Chegando a nossa própria Constituição Federal de 1988, como veremos em um capítulo à parte.
Pode-se, então observar que a maioria das regras referentes à conduta a respeito dos animais tem como fundamento o direito difuso ao meio ambiente.
E para Caio Mário e outros doutrinadores mesmo tendo essas regras que determinam certas condutas aos animais não constituem direitos destes. Porém, como mesmo afirma brilhantemente o prof. Cláudio Henrique,
a atribuição de direitos dos animais não pode se dar em uma doutrina que vê a pessoa onde a lei apresenta apenas o sujeito de direitos. Outras questões, como a legitimação extraordinária para agir em benefício dos animais e a extensão de seus direitos, são facilmente resolvíveis com o instrumental de que dispomos em nosso direito positivo. O nó lógico da equiparação.47
Para os protetores dos animais, não importa falar sobre a existência ou não de direitos no sentido técnico, como mesmo argumenta o prof. Cláudio Henrique, o que conta é que o tratamento dado a eles seja ético, que esses direitos sejam respeitados e condizente com sua natureza, não adianta ter uma legislação teórica que defende esses seres contra a crueldade, sendo que na prática esses direitos se é que realmente eles os têm não são verdadeiramente respeitados.
Concluindo esse grande artigo sobre Apontamentos para uma Teoria dos Entes Despersonalizados, do prof. Cláudio Henrique Ribeiro da Silva, chega-se a tentar pelo menos uma possibilidade de reflexão sobre os entes despersonalizados, mesmo os que discordam, mas há sim a possibilidade desses entes serem sujeitos de direito quanto ao gênero próximo, ainda que possam ser objeto de direito de propriedade alheio ( como os animais ). 
E a diferença específica, ensinando em que os entes despersonalizados, ainda que sujeitos de direitos, diverge da outra espécie de sujeitos de direitos ( a das pessoas). Essa diferença está na aptidão genérica que as pessoas possuem para direitos, deveres e obrigações, e os entes despersonalizados possuem a limitação de tais aptidões, dependendo da sua natureza, e da sua legislação.
Ente personalizado, portanto, é o sujeito de direitos dotado de aptidão para contrais direitos, deveres e obrigações, limitada pela legislação e por sua própria natureza.
Por outro lado, pessoa é o sujeito de direitos com aptidão genérica para contrair direitos e deveres e obrigações. Em ambos os casos, a aptidão é abstrata, mas, desde que haja o centro de imputação jurídica ( e isto não pressupõe a imputação concreta ), como efetivamente há em relação aos entes despersonalizados, estará presente o sujeito de direitos.48

2.9 Animais: objetos ou sujeitos de direitos?

Os homens, gozam de uma série de direitos. A legítima defesa encontra socorro na razão, contudo, o sofrimento alheio por puro sadismo é injustificável e irracional. Será então que a não-violência contra os animais estão no rol dos direitos dos homens, ou os animais são titulares de alguma espécie de direito? 
Os animais são titulares de certos direitos sim. Porém, com que fundamento se lhes outorgam direitos? Justamente pela condição de seres vivos, dotados de sistema nervoso central, colocados neste planeta não pela mão do homem, mas por um Ser superior. São seres sencientes, dotados de sentimentos. Por isso, os animais não-humanos, nos aspectos sensoriais, encontram-se em igualdade com os humanos. E não é através também dessa igualdade, que se se reconhece aos homens direitos fundamentais? Pois, são decorrentes de sua própria natureza.
Detalhando esse raciocínio, dir-se-ia que é atribuído as baleias, por sua própria natureza, o direito de nadar livremente pelos mares. Tal direito decorre da própria natureza da baleia, que tem a anatomia adequada para nadar grandes distâncias.
Bom, a base jus filosófica encontrada nesta monografia no capítulo dois não é suficiente para provar que os animais sejam sujeitos de direitos, separando o utilitarismo de Bentham, todos os outros tem uma visão voltada mais para o antropocentrismo. 
O filósofo Peter Singer se filia a corrente utilitarista. Sendo assim, Singer mostra que a autoconsciência tem um papel importante na discussão do direito à vida que um animal pode ter e argumenta que algumas formas de vida conscientes não podem ser consideradas autoconscientes. Contudo, um ser consciente é um ser sensível (possui um sistema nervoso central) e, por isso, tem preferências. 
A idéia da dor é o que confere relevância ao ser senciente dentro de uma abordagem ética. Se aceitarmos a senciência rejeitamos a visão antropocêntrica de que ser membro da nossa espécie é o único critério correto para entrar na esfera moral.
A teoria na qual se reconhece animais como sujeitos de direitos é a utilitarista, no qual Peter Singer se filia, embora para Singer o critério relevante é a capacidade de interesses a fim de que possa aplicar um princípio da igual consideração de interesses.
Segundo Peter Singer ….ou por que razão o princípio ético em que a igualdade humana se fundamenta exige que se estenda também aos animais igual consideração.49
O que faz os animais iguais aos homens é o sofrimento, como podemos ver nos dizeres de Singer. Todos os argumentos para provar a superioridade do homem não conseguem destruir este rude facto: no sofrimento, os animais são iguais a nós.50
A base do sofrimento como igualdade pode ser positivada, como vai ser positivada? Através da teoria natalista dos entes despersonalizados, pois os animais estão encaixados aqui. Tal teoria consiste que os direitos do nascituro devem ser reconhecidos, sem que precise da sua personalização, logo os direitos dos animais também serão reconhecidos, como diz o prof. Cláudio Henrique citado no capítulo dois desta monografia., o instrumento que dispomos em nosso direito positivo é o nó lógico da equiparação.
Outra sustentação de que os animais podem ser sim sujeitos de direitos está na nossa Constituição em seu art. 225 § 1º, na esfera civil também, porque temos formas filosóficas e elementos no ordenamento positivo brasileiro para reconhecer sim os animais como sujeitos de direitos.
Mas de todos esses elementos colocados o que mais realmente faz um animal sujeito de direitos é a sensibilidade de sentir dor e prazer. 
A racionalidade, a linguagem, mantém-se ainda como a diferença específica do ser humano, impedindo a ultrapassagem da última barreira ética, ou seja, o preconceito especista. O critério para diferenciar o homem do resto das espécies é a capacidade de raciocinar. Porém, os deficientes mentais, os recém-nascidos o deixa de ser humano por não apresentar a razão para escolher o que é certo ou errado? È repugnante tal discriminação como imoral, da mesma forma que nos repugna, todas as formas de racismo, sexismo e outras? Ora, é justamente a este tipo de exclusão que estão sujeitos milhões de seres cujo único crime é não pertencer e não apresentar um QI semelhante à espécie Homo Sapiens. 
Portanto, uma vez desmontando o preconceito especista responsável por todas as éticas antropocêntricas. A escolha de dois critérios capaz de dar a resposta a todos os casos desenvolvidos nesta monografia que são eticamente complementares: a senciência e integridade/dignidade, como foi demonstrado no caminhar desta pesquisa utilizando a predominância da corrente do marco teórico no qual foi feito este trabalho.
Quando Singer defende, numa linha utilitarista, que o limite da senciência […] é a única fronteira defensável para a preocupação pelos interesses dos outros51, está dizendo que a capacidade de sentir prazer e dor constitui um requisito essencial para a própria posse de interesses cuja satisfação cabe à ética garantir; ou seja, ser sujeito de consideração ética implica ter interesses e ter interesses implica ser capaz de sentir, o que, por sua vez, não significa apenas viver, mas lutar para preservar a vida.
Não há um juízo condicional, mas categórico, ao tratar bem os animais , estou, não só a respeitá-los na sua integridade, como, por conseguinte, a enriquecer a minha experiência pessoal e a alargar a minha consciência moral, o que me obriga a ter, para com os animais não humanos, deveres diretos, sendo assim, neste contexto os animais são sim sujeitos de direitos.

3 A LEGISLAÇAO PROTETIVA DOS DIREITOS DOS ANIMAIS

3.1 Declaração Universal dos direitos dos animais

PREÂMBULO
Considerando que todo o animal possui direitos;
Considerando que o desconhecimento e o desprezo desses direitos têm levado e continuam a levar o homem a cometer crimes contra os animais e contra a natureza;
Considerando que o reconhecimento pela espécie humana do direito à existência das outras espécies animais constitui o fundamento da coexistência das outras espécies no mundo;
Considerando que os genocídios são perpetrados pelo homem e há o perigo de continuar a perpetrar outros;
Considerando que o respeito dos homens pelos animais está ligado ao respeito dos homens pelo seu semelhante;
Considerando que a educação deve ensinar desde a infância a observar, a compreender, a respeitar e a amar os animais.
PROCLAMA-SE O SEGUINTE:
Art. 1º- Todos os animais nascem iguais perante a vida e têm os mesmos direitos à 
existência.
Art. 2º- 1. Todo o animal tem o direito a ser respeitado;
2. O homem, como espécie animal, não pode exterminar os outros animais ou explorá-los violando esse direito; tem o dever de pôr os seus conhecimentos ao
serviço dos animais ;
3. Todo o animal tem o direito à atenção, aos cuidados e à proteção do homem.
Art. 3º- 1. Nenhum animal será submetido nem a maus tratos nem a atos cruéis;
2. Se for necessário matar um animal, ele deve de ser morto instantaneamente, sem dor e de modo a não provocar-lhe angústia.
Art. 4º- 1. Todo o animal pertencente a uma espécie selvagem tem o direito de viver livre no seu próprio ambiente natural, terrestre, aéreo ou aquático e tem o direito de se reproduzir;
2. Toda a privação de liberdade, mesmo que tenha fins educativos, é contrária a este direito.
Art. 5º- 1. Todo o animal pertencente a uma espécie que viva tradicionalmente no meio ambiente do homem tem o direito de viver e de crescer ao ritmo e nas condições de vida e de liberdade que são próprias da sua espécie;
2. Toda a modificação deste ritmo ou destas condições que forem impostas pelo homem com fins mercantis é contrária a este direito.
Art. 6º- 1. Todo o animal que o homem escolheu para seu companheiro tem direito a uma duração de vida conforme a sua longevidade natural;
2.O abandono de um animal é um ato cruel e degradante.
Art. 7º- Todo o animal de trabalho tem direito a uma limitação razoável de duração e de intensidade de trabalho, a uma alimentação reparadora e ao repouso.
Art. 8º- 1. A experimentação animal que implique sofrimento físico ou psicológico é incompatível com os direitos do animal, quer se trate de uma experiência médica, científica, comercial ou qualquer que seja a forma de experimentação;
2. As técnicas de substituição devem de ser utilizadas e desenvolvidas.
Art. 9º- Quando o animal é criado para alimentação, ele deve de ser alimentado, alojado, transportado e morto sem que disso resulte para ele nem ansiedade nem dor.
Art. 10- 1. Nenhum animal deve de ser explorado para divertimento do homem;
2. As exibições de animais e os espetáculos que utilizem animais são incompatíveis com a dignidade do animal.
Art. 11- Todo o ato que implique a morte de um animal sem necessidade é um biocídio, isto é um crime contra a vida.
Art. 12- 1. Todo o ato que implique a morte de grande um número de animais selvagens é um genocídio, isto é, um crime contra a espécie;
2. A poluição e a destruição do ambiente natural conduzem ao genocídio.
Art. 13- 1. O animal morto deve de ser tratado com respeito;
2. As cenas de violência de que os animais são vítimas devem de ser interditas no cinema e na televisão, salvo se elas tiverem por fim demonstrar um atentado aos direitos do animal.
Art. 14- 1. Os organismos de proteção e de salvaguarda dos animais devem estar representados a nível governamental;
2. Os direitos do animal devem ser defendidos pela lei como os direitos do homem.52

3.2 A legislação protetiva no Brasil

A nossa Constituição Federal, em 1988, em seu título VIII da ordem social, no capítulo VI, art.225 e parágrafos, enfatiza normas direcionais da problemática ambiental, direcionando sobre a preservação e proteção dos recursos naturais incluindo nelas a fauna e a flora.53
No Rio de Janeiro em 1992, realizou-se a conferência da ONU, sobre o meio ambiente e desenvolvimento (ECO 92), mostrou em termos mundiais, a necessidade, a preocupação e a importância com o meio ambiente, elaborando a Agenda 21, instrumento que direciona o desenvolvimento sustentável.54
A Lei dos Crimes Ambientais (Lei 9.605/98), foi promulgada tratando de forma mais severa crimes que antes era considerados apenas como contravenções penais, pelo Decreto-Lei n° 03, de 03 de outubro de 1941 Lei de Contravenções Penais.55
A fauna também recebeu proteção Legislativa com a progressão da Legislação Ambiental. A vida é o principal direito de todos os direitos inerentes aos animais, essa vida inclui necessidades biológicas, individuais, e sociais. O abuso dessas necessidades ou sua frustração é uma fonte de sofrimento, como por exemplo, a utilização dos animais em pesquisas científicas. Isto causa sofrimento, porque como diz Dr. Tom Regan são seres que tem um bem-estar psicológico deles próprios 56, principalmente os mamíferos que tem um sistema nervoso parecido com o dos humanos.
No artigo 1° da Declaração Universal dos Direitos dos Animais é proclamado todos os animais nascem livres iguais perante a vida e têm iguais direitos à existência57
A legislação protetiva brasileira destaca também a proteção à vida dos animais, código de caça (Lei n° 5.197/97), a Lei n° 7.643, que proíbe a pesca de baleias e a Constituição Federal no artigo 225, § 1° a vedação de práticas que provoquem a extinção das espécies ou submetam os animais à crueldade, etc.
Outros direitos como direito ao respeito; direito à integridade física e moral; direito à liberdade; direito ao habitat; direito à longevidade, direito à espécie, todos esses direitos estão proclamados pela Declaração Universal dos Direitos dos Animais, bem como pela legislação protetiva brasileira. 
A Tutela jurídica dos animais abrange a tutela processual e administrativa, tutela processual civil, tutela processual penal, tutela administrativa.
Como objeto de direito, tutelados pelo Estado, os animais poderão ter o exercício de ação, que será exercido por quem tiver a legitimidade para tal exercício, ou seja, o próprio dono do animal, Ministério Público, ou a Organização não governamental de defesa animal, sempre que houver conflito das partes em relação à resistência a qualquer pretensão tutelar dos direitos dos animais.58

3.3 Tutela processual civil

Ressaltaremos algumas ações específicas no âmbito civil para a tutela dos direitos dos animais, como as ações coletivas, que se dividem em ação civil pública, ação popular e mandado de segurança coletivo na qual tutela uma pluralidade de interesses.

3.4 A ação civil pública

Que tem por objeto condenação à reparação do dano ou à cominação de obrigação de fazer ou não fazer, visando à repreensão ao meio ambiente, dentre outros. A ação civil pública tem sido utilizada para a tutela dos animais, pleiteando-se a proibição de rodeios. A condenação será caracterizada em uma obrigação de fazer, o provimento judicial ordenará a prestação da atividade devida ou a cessação da que for considerada nociva.
Se isso não ocorrer, deverá ser promovida execuções específicas do julgado, podendo o juiz aplicar multa diária ao requerido, até que se cumpra o que foi proferido pela sentença, sendo os valores da multa no caso de pagamento de indenização serão revertidos à recuperação dos bens lesados.59

3.5 A ação popular

É um instrumento processual na qual o cidadão poderá pleitear a anulação ou declaração de nulidade de ato lesivo ao patrimônio público ou de entidade que o Estado participe, como à moralidade pública, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural.

3.6 O mandado de segurança coletivo

Protege o direito líquido e certo, quando a responsabilidade pelo abuso ou ilegalidade for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica, e caso esse direito não seja amparado pelo habeas corpus ou pelo hábeas data. As associações protetoras dos animais terão a legitimidade para impetrar o mandado de segurança, podemos citar como exemplo do uso do mandado de segurança coletivo é a correção de atos lesivos aos direitos dos animais na captura dos animais, por ordem de autoridade, para servirem de cobaias em vivissecção, sem a obediência das normas de biossegurança que regem esse tipo de atividade, ou ainda animais que estejam indevidamente mantidos em cativeiro municipal por ato da Prefeitura.

3.7 A tutela processual penal

As provas na apuração dos ilícitos previstos na legislação ambiental, em geral, obedecem às regras do Código de Processo Penal ( artigos 155 a 250 ), Qualquer cidadão que tome conhecimento de um crime contra animais poderá comunicá-lo à autoridade policial.

3.8 A tutela administrativa

O IBAMA ( Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis ) é um órgão autárquico específico para administração ambiental e vinculada ao Ministério do Meio Ambiente, Secretarias do Meio Ambiente e outros serviços descentralizados como a polícia florestal etc. O Sistema Nacional do Meio Ambiente (Sisnama) ou os agentes da Capitanias dos Portos do Ministério da Marinha são competentes para lavrar auto de infração administrativa e instaurar o respectivo processo administrativo.60

3.9 A filosofia dos direitos dos animais

Segundo o Dr. Tom Regan, em seu artigo A filosofia dos direitos dos animais os animais não humanos que os seres humanos comem, usam na ciência, caçam exploram etc.., tem uma vida própria que é importante para eles. 
Segundo o autor os animais não estão apenas no mundo, eles têm consciência disso. Isso inclui necessidades biológicas, individuais e sociais. 
A satisfação destas necessidades é uma fonte de sentimentos variados, como prazer, sofrimento, frustração, como por exemplo os animais usados em experiência científica.
A filosofia dos direitos dos animais exige apenas que a lógica seja respeitada. Pois qualquer argumento que explique de forma plausível o valor independente dos seres humanos, implica que os outros animais têm este mesmo valor, e têm-no de forma igual. E qualquer argumento que explique de força plausível o direito dos humanos a serem tratados com respeito, também implica que estes outros animais têm este mesmo direito, têm-no de forma igual , também…61
A filosofia dos direitos dos animais é racional, porque visa a não discriminação de forma arbitrária, e discriminar contra seres humanos mais fracos, ou seres incapazes de se defenderem não pode ser correto a olhos de nenhum ser humano que tenha um senso de empatia, e consideração. Pensar de outro modo é irracional. A filosofia dos direitos dos animais é justa, justiça é o mais elevado princípio da ética.

4 VISÃO CONSTITUCIONAL DOS DIREITOS DOS ANIMAIS

A Constituição Federal no art. 225, §1 : Incube ao Poder Público:
VII- proteger a fauna e a flora, vedadas, na forma da lei, as práticas que coloquem em risco sua função ecológica, provoquem a extinção de espécies ou submetem os animais à crueldade.62
Não resta dúvida, que a nossa Carta Magna, preocupou-se em proteger o meio ambiente, instituiu uma série de incumbências para o Poder Público, determinadas nos incisos I/VII do art 225. Mesmo já constando uma legislação vigente insuficiente sobre a proteção dos animais, a Constituição Federal garante uma força maior nessa proteção, pois todos os casos jurídicos devem obedecer os princípios constitucionais.

4.1 Visão do STF- Farra do Boi 

A Farra do Boi foi um dos eventos tristes e vergonhosos que tivemos de infração ambiental que ocorria no sul do Brasil, o Supremo Tribunal Federal se opôs contra esse movimento cruel, proibindo essas manifestações de costumes sulinos. De acordo com o Senhor Ministro Francisco Rezek ( Relator )- resistiu a duas tentações, a primeira a consideração metajurídica das prioridades: 
por quê, num país de dramas sociais tão pungentes, há pessoas preocupando-se com a integridade física ou com a sensibilidade dos animais? Esse argumento é de uma inconsistência que rivaliza com sua impertinência. A ninguém é dado o direito de statuir para outrem qual será a sua linha de ação, qual será, dentro da Constituição da República, o dispositivo que, parecendo-lhe ultrajado, deva merecer seu interesse e sua busca de justiça. De resto, com a negligência no que se refere à sensibilidade de animais anda-se meio caminho até a indiferença a quanto se faça a seres humanos. Essas duas formas desídia são irmãs e quase sempre se reúnem, escalonadamente. Não nos é dado o direito de ridicularizar o pedido, de amesquinha-lo com esse gênero de argumento, sobretudo porque os sofrimentos que ainda hoje, para nosso pesar, em nossa sociedade se infringem a seres humanos, não são assumidos como institucionais: constituem algo de que todos se envergonham e que em muitos casos a lei qualifica como crime. Aqui estamos falando de outra coisa, de algo que é assumido e até chamado de manifestação cultural. Por isso a aspectos cruéis ou reprováveis. 63
Brilhantemente, o Sr. Ministro argumentou que não é nos dado o direito de ridicularizar o pedido, com esse tipo de argumento, pois os sofrimentos sociais que pesam em nossa sociedade não são institucionais e sim em muitos casos a lei qualifica como crime. No Caso exposto é algo chamado manifestação cultural. A respectiva ação se dirige ao Poder Público, no intuito de fazê-lo honrar a Constituição. A Segunda tentação metajurídica, segundo o Sr. Ministro, as entidades autoras são geograficamente situadas no Estado do Rio de Janeiro e a prática alvejada ocorre no Estado de Santa Catarina, onde desníveis sociais são menos intensos do que no resto do país.64
A racionalidade e a coerência do argumento exposto pelo Sr. Ministro Francisco Rezek não deixa de abrir as portas para um confronto de princípios da nossa Carta Magna. Pois o julgamento proferido pelo tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina indaga:
«seria possível coibir o folclore regional denominado Farra do Boi, com fundamento no preceito constitucional supramencionado, quando a Constituição federal em seu artigo. 215§1º, assegura que o Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais e protegerá as manifestações da culturas populares, indígenas e afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional ? É possível coibir a prática da Farra do Boi, quando a Carta federal, em seu art. 216, pontífica que constituem patrimônio cultural brasileiro os bens da natureza material e imaterial, tomandos individualmente ou em conjunto portadores de referência à identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade brasileira ? Penso que não.» 65
Alega-se o referido acórdão que a uma contradição na Constituição Federal, pois se por um lado proíbe a conduta que provoque a extinção de espécies ou submetem animais à crueldade, por outro lado ela garante e protege as manifestações populares, que constituem patrimônio imaterial do povo brasileiro. Não há conflitos de princípios, pois a manifestação cultural do jeito que se coloca é irregular, ou seja, há abuso de direitos. O conflito é aparente o que está em jogo é a defesa do meio ambiente sadio.
O Sr. Ministro Marco Aurélio concluí inteligentemente: 
uma coisa é o aspecto formal; outra, é o costume transportado dos Açores para o Brasil. Confesso a V. Exa. Que não tenho meios de examinar se esse costume – discrepante, ou não, da razoabilidade é algo diverso da realidade brasileira, é o que presenciamos em Santa Catarina. Se, de um lado, como ressaltou o eminente Ministro Maurício Corrêa, A Constituição Federal revela competir ao Estado garantir a todos o pleno exercício de direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, apoiando, incentivando a valorização e a difusão das manifestações culturais e a Constituição Federal é um grande todo -, de outro lado, no Capítulo VI, sob o título Do meio ambiente, inciso VII do art. 225, temos a proibição, um dever atribuído ao Estado……66
Por fim, a exatidão das palavras do Sr. Ministro Marco Aurélio, juntamente com do Sr. Ministro Franciso Rezek, abriu dentro do direito civil que os animais não são meros objetos, pedaços de panos ou madeiras e sim seres com sensibilidade, dando, assim, uma compreensão a todos os cidadãos brasileiros que lesar o meio ambiente prejudica a todos englobando os seres humanos, natureza etc…e de acordo com o art 225 e parágrafos que protege a fauna e a flora, vedando e sancionado a prática que submetem animais à crueldade. Isso será dever do Estado coibir.
Como podemos ressaltar e verificar o ser humano e seres vivos precisam do meio ambiente saudável para viver, procriar e isso a Constituição Federal assegura no art. 225. Portanto, os princípios e valores da Constituição em vigor, que informam que essas normas maiores, que proíbem a danificação do meio ambiente, a exterminação das espécies animais, a submissão de animais à crueldade é um preceito constitucional e também direitos difusos. 
Entende-se por direitos difusos,aqueles transindividuais, de natureza indivisível, de que sejam titulares pessoas indeterminadas e ligadas por circunstâncias de fato. Desse modo, percebemos que as características marcantes desses interesses são a indeterminação do sujeito e a indivisibilidade do objeto. A primeira característica diz respeito ao fato de seus titulares constituírem um número tão significativo que não podem ser determinados. E a indivisibilidade do objeto refere-se ao bem jurídico tutelado, na medida em que não é possível proteger um indivíduo sem que essa tutela não atinja automaticamente os demais membros da comunidade que se encontram na mesma situação; ou atinge todos ou não atinge ninguém. O direito a um meio ambiente sadio é exemplo de interesses difusos tuteláveis através da ação civil pública.67
O Supremo Tribunal Federal decide:
Concluído o julgamento do recurso extraordinário interposto contra acórdão do Tribunal de Justiça de Santa Catarina que julgou improcedente ação civil pública ajuizada por entidades de proteção aos animais contra omissão do Estado em reprimir a “Farra do Boi”. A Turma, por maioria, entendeu que a referida manifestação popular, ao “submeter os animais a crueldade”, ofende o inciso VII do § 1º do art. 225 da CF. 
Vencido o Min. Maurício Corrêa que entendia, de um lado, que o Estado deve garantir a todos o pleno exercício dos direitos culturais, bem como proteger as manifestações das culturas populares tal como dispõe o art. 215 caput e respectivo § 1º da CF, coibindo eventuais excessos; e de outro, que se tratava de questão de fato e não de direito, o que é incompatível com o extraordinário. RE 153.531-SC, Relator Min. Francisco Rezek, rel. p/ o acórdão Min. Marco Aurélio (art. 38, IV, b do RISTF) 10.6.97. 68

4.2 Crítica à visão hermenêutica da CF/88 e apresentação de uma visão constitucionalmente adequada.

O texto constitucional tem elementos para considerar os animais como sujeitos de direitos, porém a hermenêutica tem que ser mais aberta, trazendo uma força maior aos direitos dos animais, juntamente com essa força é preciso que haja modificações, inserindo normas mais rigorosas aos mal tratos desses seres indefesos, pois continua ocorrendo rodeios, tráfico, rinhas, vivissecção e outros tipos de crueldades aos animais. Infelizmente, a falta de investimento, corrupção no poder administrativo, a atuação de uma lei mais rigorosa é necessária, juntamente com a efetividade de por em prática essa lei, não ficando só na teoria, buscando com isso um novo paradigma.
Começando assim pela educação que damos aos nossos filhos, noções de cidadania, solidariedade com os mais necessitados e indefesos, ou seja mudar a consciência e a concepção narcisista do ser humano de que tudo gira em seu redor. A desigualdade social traz violência contra nós mesmos e acoplada a essa violência vem a destruição do meio ambiente incluindo a violência contra os animais não humanos. 
Se conscientizarmos como cidadãos que os animais sofrem aos serem maltratados, e que não temos esses direitos sobre eles com certeza haverá menos injustiça no mundo, pois quem gosta de animais, não maltratará uma criança ou até mesmo o seu próximo. Esse novo paradigma se chama educação, empatia, caridade, solidariedade, justiça e principalmente amor.
O Brasil veio de uma colonização cruel, desumana e corrupta, as injustiças sociais que ai estão são de mais de quinhentos anos de uma história que parece que não haverá fim, pois a herança dessa colonização esta a olhos vistos no pouco caso dos governantes. 
Por isso que como cidadãos responsáveis para usufruirmos de um mundo melhor é preciso que trabalhemos para a construção desse mundo. Incluindo o meio ambiente sadio, e a proteção aos animais, protestando e agindo contra os mal tratos feito a eles. Exigindo maior atuação dos poderes governamentais e contribuindo para educar a população de que os animais não humanos tem o direito também a viver nesse planeta. A vivissecção que foi um tipo dos mal tratos mais abordado, ainda é muito usada em universidades de medicina, psicologia, enfermagem ….e também pelos cientistas. Como podemos averiguar não há essa necessidade, pois como foi demonstrado nesta monografia a vários formas de alternativas para evitar esse sofrimento. 
Concluindo esse tema em questão Há de se falar em direitos dos animais? A resposta é sim, pois os direitos dos animais estão em crise é preciso substituí-los por normas mais progressiva e rigorosa, observando e avaliando que os sentimentos de amor, afeição, lealdade, prazer, amizade não são próprios de nossa raça, os animais também os têm. E como podemos averiguar há elementos constitucionais que afirmam que os animais têm direitos, e que podem ser trazidos tranqüilamente para o direito civil, pois temos formas filosóficas e ordenamento positivo para afirmar os direitos dos animais.

5 CONCLUSÃO

A discussão sobre se devemos reconhecer o direitos dos animais a um tratamento digno não deve passar por uma tentativa inútil de equiparar o animal à pessoa humana, mas pela consideração de que a própria racionalidade humana nos obriga a reconhecer o princípio segundo o qual infligir sofrimento é imoral e desumano.
Não deixa de ser preocupante e vergonhoso a enorme desigualdade social existente no Brasil, onde a miséria da população está a olhos vistos, todos nós cidadãos precisamos praticar nossa cidadania para melhorar essa situação, ou seja na escolha dos nossos representantes, na solidariedade com os mais necessitados e também educando nossos filhos para uma consciência justa englobando o meio ambiente saudável, respeitando inclusive os seres indefesos como os animais, não é ilógico pensar também nos animais em um mundo tão desigual como o nosso.
O reconhecimento dos direitos dos animais, exige um repensar de toda uma sociedade para que haja mudança na concepção e valores. 
Não resta dúvida que já houve um caminhar no reconhecimento dos direitos, porém é preciso que esse reconhecimento tenha mais clareza, eficácia e prática.
As penas precisam ser mais rigorosas, é preciso que haja uma reavaliação da legislação dos animais, impedindo e sancionando mais severamente atos de crueldade contra eles.
Como é importante ressaltar o problema da educação, cobrando dos nossos governantes, como também de dentro da nossa própria casa. Veja no Anexo C uma denúncia tirada do site www.protetoresvoluntários.com.br. Como poderemos observar é imprescindível que haja uma orientação educacional ambiental nas escolas, comunidades afim de invocar princípios como solidariedade e empatia para com outras espécies que não seja a própria raça humana. E para finalizar as fotos do Anexo A são fotos tiradas de animais em experiências científicas observem a brutal crueldade a que eles são submetidos. As fotos do Anexo B mostra a crueldade que é feita a Farra do Boi, fotos conseguidas pelo site Projeto Esperança Animal.

REFERÊNCIAS

BETHAN, J. introdução aos princípios da moral e da legislação. São Paulo:Abril Cultural,1984.Cap.XII,p.63.
BERTI,S.M. Considerações sobre proteção legal dos animais. O sino de Samuel:Jornal da faculdade de Direito da UFMG.Belo Horizonte: janeiro e fevereiro de 2003.
BRASIL, Constituição da República Federativa do Brasil. 10ª. Rio de Janeiro,2002.
BÍBLIA, de estudo Almeida. Barueri/São Paulo 2000.
CASTELO,C.V. La dimension Moral Del ambiente Natural: Necessitamos Uma Nueva Ética? Granada:editorial Comares. 1996.
DIAS, E.C. A tutela Jurídica dos Animais.Belo Horizonte: Mandamentos,2000.
GUSTIN, M.B de S.; DIAS, Maria Tereza F. Curso de iniciação à pesquisa jurídica e á elaboração de projetos. Belo Horizonte: Revista atualizada e aumentada, 2001.
HELLER,A Além da Justiça. Rio de Janeiro: civilização brasileira, 1998.
SINGER,P. Vida Ética. Rio de janeiro: ediouro, 2002.
SILVA, C.H.R. Apontamentos para uma teoria dos entes despersonalizados. Revista jurídica do Unicentro Izabela hendrix. Belo Horioznte.
REGAN,T. A filosofia dos Animais. Artigo eletrônico de direitos dos animais. [on 
line]. Disponível em: <http//:www.pelosanimais.com/artigos/filosofia-dos-direitos-dos-
animais.php> Acesso em: 17/08/04.
MARTINS, R de F. Direitos dos animais. Monografia eletrônica de 
direitos dos animais. [ on line ]. Disponível em : < http:/www.direitosdosanimais.hpg> 
Acesso em 11/08/04.
BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Farra do Boi. Recurso extraordinário nº 
153.531-8 Santa Catarina. [on line]. Disponível em: <http//: www.stf.gov.br > Acesso 
em 17/04/05.
DENÚNCIA. Responsável Amaury de Almeida. Associação Protetora dos Animais e 
do Meio ambiente de Ouro Fino, 2005. 
Disponível:<http/www.protetoresvoluntários.com.br> Acesso em :16 agos.2005.
BRASIL.. Procuradoria da República no Distrito Federal. Disponível em: 
www.prd.mpf.gov.br Acesso em:03.09.05.
FOTOS. Disponível:<http/www.pea.org.br> Acesso em :16 agos.2005.

Transporte da Cana de Açucar

0

sumário
1 INTRODUÇÃO
2 TEMA
3 OBJETIVOS
3.1 OBJETIVO GERAL
3.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS
4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
4.1 CAMPOS DE ESTUDO
4.2 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
5 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DA REALIDADE OBSERVADA
6 PROPOSTA DE SOLUÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA
6.1 Proposta de melhoria para a realidade estudada
6.2 Resultados esperados
6.3 Viabilidade da proposta
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
REFERÊNCIAS

introdução

No decorrer da historia econômica brasileira foi possível observar que sua formação se deu a partir da produção de cana-de-açúcar em meados do século XVI. A proximidade do mar e dos rios foi fator determinante para a construção das usinas de engenhos, estabelecendo a indústria canavieira nas regiões nordeste e costa leste do pais, difundindo cada vez mais o cultivo deste produto. O Brasil com o passar do tempo acabou por se destacar mundialmente pela produção de açúcar e etanol advindo da cana-de-açúcar.
Todo este avanço fez com que o negocio deste setor alcance grande repercussão no atual cenário em virtude da perspectiva do aumento da produção de etanol como fonte de riqueza e geração de empregos, visto que os novos investimentos atuam desde a indústria produtora de maquinas e equipamentos para o setor até a comercialização dos produtos finais.
O setor sucroalcooleiro teve a necessidade de mudar a forma de gestão da cadeia produtiva desde a sua organização até as estratégias competitivas, originando ai a terceirização de serviços, tais como o transporte, já que abrange um sistema logístico complexo e precisa de mais atenção no planejamento de suas atividades, tornando-se uma importante fonte de diferenciação. Contudo, o nordeste não acompanhou as mudanças em virtude das condições menos favoráveis de topografia e clima da região, elevando seus custos, perdendo espaço na oferta diante do mercado.
Abarca (2003), Silva (2006) e Mundim (2009) analisaram que o transporte da cana-de-açúcar no estado de Pernambuco é falho e necessita de estratégias em busca do efetivo atendimento das necessidades do mercado, de modo a derrubar as barreiras climáticas e topografias, assim, o estudo deste tema contribuiu desafiar às intempéries e proporcionar o melhor planejamento pelo setor de logística, sendo de fundamental importância à adequação de medidas a fim de proporcionar as melhores do setor sucroalcooleiro. Quais são os desafios encontrados pela indústria sucroalcooleira com o transporte da cana-de-açúcar das plantações ate as usinas? Apresenta-se, neste estudo, que as empresas sucroalcooleiras enfrentam as questões climáticas e topográficas com influenciadores do planejamento logístico da cana-de-açúcar, bem como a distancia a ser percorrida até as usinas.

TEMA

O tema a ser analisado é o TRANSPORTE DA CANA-DE-AÇUCAR. Tal questão, segundo Alves, Borges e Marques (2006) é de suma importância, visto que ela alimenta o processo produtivo para a fabricação de açúcar e álcool e para que isto ocorra os meios de transporte são necessários em virtude do deslocamento desde o local da colheita e o local onde se encontra a usina, coordenando os esforços logísticos a fim evitar a falta de matéria-prima na produção de seus derivados.
É através desde estudo que será demonstrada a situação encontrada nas usinas da região nordeste do pais, buscando o que de fato acontece, contribuindo para que as empresas possam diminuir os custos e aumentar a sua lucratividade, diante dos desafios encontrados e contribuindo com o conhecimento. Com o aumento da competitividade ficou evidente a importância da criação de novas estratégias, criando condições adequadas no setor logístico onde surge como uma forma de melhoria, necessitando avaliar as vantagens e as suas necessidades.
O Transporte da cana-de-açúcar no estado de Pernambuco será enfatizado a necessidade de utiliza-se de uma logística de qualidade em busca de uma produção mais eficaz no setor sucroalcooleiro, mediante a identificação e a classificação das principais dificuldades encontradas. 
Justificativa. Para realização desde trabalho e cumpri o objetivo desta pesquisa, foi realizado um estudo baseados em fatos reais vivenciados em três usinas do estado de Pernambuco. Destacando-se sobre tudo a falta de infra-estrutura no setor logístico ocasionando pera de competitividade no mercado mundial. 
Logística: é o processo de planejar, executar e controlar o fluxo e armazenagem, de forma eficaz e eficiente em termos de tempo, qualidade e custo, de matérias-primas, materiais em elaboração, produtos acabados e serviços, corindo desde o ponto de origem ate o ponto de consumo, com objetivo de atender aos requisitos do consumidor.. (Amarildo, 2009)

OBJETIVOS

OBJETIVO GERAL

Este trabalho tem como objetivo geral identificar falhas no sistema de transporte da cana-de-açúcar utilizado pelo setor sucroalcooleiro no estado de Pernambuco. Apresentando suas dificuldades desde o carregamento ate o destino final. .

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Identificar o trabalho realizado no transporte de cana-de-açúcar;
Classificar os problemas desde o ponto de origem até o destino;
Propor melhorias na logística de transporte.

PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

CAMPO DE ESTUDO

O Brasil com o passar do tempo acabou por se destacar mundialmente pela produção de açúcar e etanol advindos da cana-de-açúcar (Alexandre Strapasson 2009), fazendo com que o negocio deste setor alcance grande repercussão no atual cenário mundial, em virtude da perspectiva do aumento da produção de etanol como fonte de riqueza e gerando empregos, novas destilarias e usinas foram instaladas, com novos investimentos desde a indústria produtora de maquinas e equipamentos para o setor ate a comercialização dos produtos finais.
Este trabalho tem como objetivo identificar o sistema de transporte da cana-de-açúcar utilizado pelo setor sucroalcooleiro no estado de Pernambuco. Para a realização deste estudo será utilizada a metodologia descritiva e exploratória, sendo desenvolvida a partir da coleta de dados bibliográficos, através da leitura e analise de texto, tais como: livro, resumos, dissertações e demais matérias, bem como a utilização da coleta de dados secundários perante as empresas do setor canavieiro, tais como entrevista e observações, de modo a colher informações precisas das empresas pesquisadas. 
INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS
Os instrumentos utilizados, ou melhor, a metodologia descritiva descrever a característica determinante do local estudado, estabelecendo as relações entre as variáveis, possibilitando uma profunda, descrição acerca da situação pesquisada.
A pesquisa bibliográfica tem sua importância voltada para a união de conhecimentos teóricos e práticos, a fim de solidificar os argumentos e passando a credibilidade necessária aos resultados obtidos.

APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DA REALIDADE OBSERVADA

A produção da cana-de-açúcar no Brasil se iniciou desde a época da Colônia, onde os portugueses trouxeram este tipo de muda para ocupar as terras do imenso pais recém descoberto. A parti de então o pais passou a ser um exímio produtor desta matéria-prima para o açúcar e para o álcool. As regiões Nordeste e Sudeste ganharam destaques pelo fato de terem uma localização estratégica, entretanto apenas a região Sudeste vem se adequando aos processos de modernização da colheita, ganhando mais destaque entre as cidades produtoras.
Seu desempenho envolver diversas etapas, desde o plantio, colheita, transporte da plantação até a usina e a moagem propriamente dita na usina. Durante muitos anos o estados de Pernambuco foi o maior produtor de cana-de-açúcar do pais, contudo seu mercado acabou perdendo espaço para o estado de São Paulo, como consequência de grande investimentos realizados, tornando-o o segundo maior produtor de cana-de-açúcar do Brasil. A safra no Sudoeste vai do mês de maio até o mês de novembro.
A Usina A processa anualmente aproximadamente 1 milhão de toneladas de cana, plantadas em cerca de 15.000 há, sua principal finalidade é para a fabricação de álcool, mas também produz açúcar. O transporte é feito através de 19 caminhões, dentre os quais 10 são de propriedade da empresa e 9 são terceirizados, com custo bem elevados devido à falta controle.
A Usina B processa anualmente 1,5 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, tendo como fornecedor uma plantação de aproximadamente 10.000 há, sua principal finalidade é a fabricação de álcool, inicialmente era produtor de açúcar, mas sua atividade foi modificada com a criação do PROÁLCOOL. O transporte é realizado através de 15 caminhões, todos de propriedade da empresa, utilizando-se deste sistema desde a sua fundação.
A Usina C processa anualmente 2 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, utilizando-se de plantações próprias e fornecedores pequenos, sua atividade envolve tanto a produção de açúcar quanto a produção de álcool. Nesta empresa o transporte e feito através de 25 caminhões, todos terceirizados, em busca da maior redução de custos.
Podemos encontrar dois tipos de plantio na região Nordeste: o plantio de inverno e o plantio de verão. Durante o período de inverno a localização das plantações é nas encostas com acesso dificultoso e transporte idem, este processo ocorre devido as constantes chuvas durante o período, que acabam por inundar as partes baixas. Assim, duas das empresas possuem 30% das plantações nas partes baixas e 70% nas encostas. A outra empresa analisada utiliza-se do processo inverso, 45% nas encostas e 65% nas partes baixas.
De acordo com lima e Nascimento (2009, p.3) o Brasil na safra de 2006/2007 processou aproximadamente 469,8 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, sendo que 45% Foram utilizadas na produção de açúcar e 55% na produção de etanol. Com a queda da produção indiana o Brasil teve de arcar com as consequências, visto que fio necessário aumentar a produção em aproximadamente 65% para atender aos países europeus, crescendo com dinamismo o processo produtivo e industrial da atividade.
Para tanto se faz necessário adequar às inovações tecnológicas com o processo que vem sendo utilizado nos dias atuais, no Brasil a produção de cana-de-açúcar esta ligado intimamente desde o seu processo agrícola até o processo industrial, pois ocorre que a usina sempre utiliza matéria-prima própria. O processo de colheita pode ser efetuado de várias Formas.
Manual neste tipo de colheita o trabalhador, munido de um facão ou foice efetua o corte rente ao solo, procurando evitar que aja uma má brotação e o estabelecimento de pragas. Neste caso a produção em aproximadamente 10h de trabalho possui um rendimento médio que vai de 5 a 12 toneladas, dependendo do esforço do trabalhador.
Mecanização neste tipo são utilizadas máquinas especializadas no corte da cana-de-açúcar. Este tipo ainda enfrenta certa resistência por parte dos operários. Neste caso, a máquina corta e a deixa em montes sobre o terreno para que se possa ser recolhida.
Desta forma pode se identificar que nas empresas pesquisadas o sistema de corte, carregamento e transporte (CCT) o corre de maneira ainda rudimentar, destacando-se a utilização de mão de obra em serviços que há muito são usadas máquinas, durante a colheita os chamados boias-frias efetuam toda a parte de corte e acabam por também efetuar a parte de carregamento do caminhão em que será realizado o transporte.
Maria e Oliveira (1999, p.471) a firma que para o caso da cana-de-açúcar, no estado de Pernambuco as tecnologias são diferenciadas para cada tipo de topografia: mecanização total, semi-mecanização e totalmente manual. Cada topografia permite o uso de uma tecnologia diferenciada, influenciando ainda nos seus custos.
Devido á grande extensão do pais o transporte da cana-de-açúcar ocorre através da utilização do modal rodoviário, visto que, no geral as plantações localizam-se em certa proximidade com a usina, usando as pequenas estradas de chão batido para transporte desta matéria-prima. Talvez pelo fato de que o transporte ocupe cerca de dois terços do processo, tornando-se um fator determinante para o sucesso das organizações, já que ele é ligação entre o produtor e a indústria.
No caso das organizações observadas ocorre de forma rodoviária, forma esta escolhida por ter baixo custo e maior abrangência, atendendo ao período de colheita e moagem. Na Usina A e B, pelo fato de a plantação ser na sua maior parte em encosta, o carregamento ocorre de forma manual em virtude do acesso as encosta pela maquinas ser difícil. Na Usina C existe uma mistura entre as formas de carregamento, pois a plantação é feita em menor escala nas encostas. 
Nas Usinas A e B é grande a dificuldade apresentada com relação ao carregamento e transporte, visto que é perdida grande soma de tempo neste processo, devido a utilização de mão de obra manual e pela topografia acidentada da plantação. Na Usina C foi encontrada grande eficiência neste procedimento em virtude da combinação de colheita e carregamento, nas partes baixas da região.
Entretanto, não somente do planejamento e controle do CCT é que vivem as usinas, pois o trabalho agrícola depende ainda do fator climático para a sua melhor sobrevivência. Em virtude deste fato as Usinas A e B efetuam a sua plantação, colheita, carregamento e transporte no período do inverno. Em busca de aproveitar todo o terreno disponível produzindo em todos os meses. A Usina C busca moer a cana-de-açúcar durante o maior tempo possível de seca, aproveitando as boas condições de estradas e terrenos na busca pelo aumento de produtividade.
Existem três tipos de colheita para as plantações em terrenos íngremes, são chamadas de logística intermediaria:
Bel: que é uma máquina com capacidade de inclinação de até 35°, que após a arrumação em modo de esteira empurra a cana-de-açúcar até o ponto do carregamento.
Cana de cassete: este é um processo manual, onde o trabalhador com a ajuda de um pau empurra a cana-de-açúcar até o ponto do carregamento.
Cana de cambito: neste processo a inclinação é muito extensa e os processos acima citados é ineficiente, neste caso a cana-de-açúcar é amarrada com sua própria palha e puxada por animais até o local de carregamento.
A Usina A utiliza o processo de cana de cambito durante o período do inverno, pelo fato de utilizar-se de muitas áreas íngremes, de acesso difícil, aonde não chega maquinas. A Usina B utiliza tanto de processos com as máquinas Bell quanto o processo da cana de cassete. A Usina C utiliza a maquina Bell e o processo de Cana de cassete, visto que as áreas plantadas são pouco íngremes.
Após o carregamento vem á fase do transporte que é efetuado através do uso de caminhões tradicionais com capacidade de 8 a 17 toneladas de cana-de-açúcar por viagem, sua carroceria é dotada de fueiros de aço para aprisionar a carga, evitando perder matéria-prima. Existem caminhões com maior potencia e capacidade, mas este tipo vem apresentando um desempenho satisfatório no processo e é utilizado por todas as usinas analisadas.
Com o trabalho conjunto entre o setor agrícola e o setor de transporte todas as usinas realizam um mapeamento de qual será a melhor área em ponto de corte, com antecedência de 24h buscando controlar o fluxo de caminhões e maquinário, garantindo e não interrupção do processo na usina por falta de matéria-prima.
Um diferencial que está sendo utilizado pela Usina C é a simulação que apresentam através de um sistema de computador o comportamento de todo o processo diante da produção real, projetando as melhores condições diante das informações obtidas após a fase de plantio, calculando distancia a serem percorridas, o combustível a ser gasto, e o tempo até a chegada à usina, fazendo um comparativo com orçamento apresentado pelas empresas terceirizadas, reduzindo, assim os seus custo e analisando os seus impactos.
Cada usina possui características diversas, e procuram trabalhar da maneira que já estão acostumadas atendendo às suas particularidades no sistema logístico, muitas vezes requerendo modelo próprio no estudo e analise dos processos envolvidos.
Dentre as três empresas analisadas pode se comentar que o principal problema a ser enfrentado é a localização das plantações, que ocorrem em sua grande maioria em terrenos de topografia acentuada, o que dificulta o acesso durante o período de colheita e as altas Chuvas no maior período da safra.

PROPOSTA DE SOLUÇÃO DA SITUAÇÃO PROBLEMA

Segundo os dados coletados e a análise da situação é possível afirmar que os sistemas logísticos das empresas em questão possuem grandes deficiências, contudo seus gestores estão satisfeitos com os resultados obtidos diante da pesquisa, tornando-se de fundamental importância à utilização de processos intermediários de logística.
Proposta de melhoria para a realidade estudada
Aperfeiçoar as operações e evitar desperdícios é tudo o que uma grande produtora de álcool e açúcar necessita, portanto cabe às usinas:
Para a Usina A necessita rever a sua área de plantação, procurando escolher encostas menos íngremes, onde o acesso por parte das máquinas seja mais fácil, intermediando a colheita, o carregamento de um sistema de controle.
Para a Usina B recomenda-se a troca dos serviços de transporte pela terceirização da frota, efetuar o sistema de plantio em terrenos mais planos, utilizar matéria-prima terceirizada.
Para a Usina C é necessário que os custos sejam reduzidos através de mais terceirização dos fornecedores de matéria-prima. Como seu volume de produção e processamento é maior a frota de caminhões deverá ser revista, de modo a aumentar a capacidade dos transportes.
Cabe a todas elaborar um quadro de custos por etapa de produção de modo a identificar todo o processo, buscando ver qual é o melhor fator que pode ser considerado de baixo risco diante de mudanças.
Resultados esperados
Devido as características apresentadas e a utilização de processo logístico intermediário esperasse que as empresas possam elaborar um bom planejamento, controlar para que este planejamento ocorre do modo necessário, contribuindo para a redução dos custos de colheita, carregamento e transporte.
Para a Usina A esperasse que esta pudesse escolher melhor o local onde será produzida a cana-de-açúcar, apresentando mesmo assim matéria-prima de qualidade, porem com maior rapidez através da mecanização e com um sistema informatizado de controle.
Na Usina B a troca por frota terceirização minimiza as perdas com depreciações, a frota existente poderá ser vendida e, com o dinheiro arrecadado poderá ser feito o investimento em terrenos mais planos, buscando a melhoria do processo de colheita.
Para a Usina C cabe apenas valorizar o processo de terceirização já existente, diminuindo o número de área a ser plantada e reduzindo os gasto com a plantação, transformando-se apenas em uma empresa responsável pelo processo de moagem, tornando-se, assim, em uma empresa especializada.
Viabilidade da proposta
Para a utilização de um sistema de controle e simulação para a colheita, carregamento e transporte da cana-de-açúcar basta querer, claro que necessita-se de um investimento, mas a relação custo beneficio compensa e poderá proporcionar aos seus gestores identificar todos os erros e atrasos que estão sendo cometidos. Em termos de valores depende da marca, da empresa escolhida e da necessidade apresentada. Entretanto, pode variar desde R$ 2.000,00 até 50.000,00.
Quando á utilização de novos terrenos cabe aos gestores saber se a venda ou o arredamento de terras é mais viável, conforme a vontade de se desfazer de terras já bastante utilizadas. Este tipo de cultivo permite a utilização de pacotes tecnológicos diversos em cada caso, mas de acordo com Maia e Oliveira (1999, p.475) observa-se que nas áreas mecanizadas os custos menores que nas áreas de cultivo manual. Cabe então ao gestor decidir sua real viabilidade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

O trabalho realizado nesta pesquisa apresentou o sistema de transporte utilizado por três empresas sucroalcooleiras, localizadas no estado de Pernambuco, cada uma dela ocupando diferentes regiões, pode nos proporcionar a identificação do sistema de transporte utilizado por cada uma delas, nas quais podemos citar que:
A Usina A faz uma mistura de seus sistemas de colheita, carregamento e transporte de maneira a tentar aproveitar toda a cana-de-açúcar produzida. Sua principal desvantagem é utilizar-se da plantação em encostas muito íngremes, com difícil acesso e em terrenos planos com alto teor pluviométrico. A Usina B, por sua vez, além de utilizar-se de terrenos íngremes também possui toda a frota de caminhões responsáveis pelo transporte, o que ocasiona em perdas significativas de depreciação.
A Usina C é responsável por grande parte do sucesso da produção de cana-de-açúcar em Pernambuco, contudo necessita de algumas adaptações, para que possa melhorar, ainda mais o seu processo produtivo. Entretanto esta usina saiu na frente ao fazer uso de sistema de simulação para sua produção estimando o tempo gasto com a parte de transporte.
Portanto pode se concluir que o principal desafio encontrado pelo setor em Pernambuco deve-se ao fato de os trechos viários não terem as melhores condições e que, pelo fato de utilizar-se de logística intermediaria o processo acaba por ter perdas significativas de tempo, visto que a máquina é muito mais rápida que o homem. 
As empresas devem estar em constante avaliação diante do processo logístico, buscando sempre controlar os seus custos sem influenciar na produção, avaliando o tempo gasto com a colheita, o carregamento e o transporte, é possível sim investir mais e alcançar melhores resultados, cabendo ao gestor se adequar e se tornar o melhor.
Assim, diante de todas as adversidades encontradas estas empresas já são as melhores em termos de produção e se forem realizadas as adequações sugeridas somente o melhor será evidenciado, enfrentado o clima e a topografia do lugar, diminuindo a complexidade do processo produtivo em busca pela maximização do lucro.

REFERÊNCIAS

ARNOLD, J. R. Tony. Administração de materiais: uma introdução. São Paulo: Atlas, 199.
ASSUMPÇÃO ALVES, Maria Rita Pontes. Logística Agroindustrial. IN: BATALHA, Mario Otavio (org). Gestão agroindústria. Grupo de Estudo e Pesquisas Agroindustriais. (GEPAI) 2° Ed. São Paulo: Atlas, 2001ª.
CHING, Hong Yuh. Gestão de estoques na cadeia de logística integrada supply chain. São Atlas, 1999.
DIAS, Marco Aurélio P. Administração de matérias: uma abordagem logística, 4° ed. São Paulo: Atlas, 1993.
FLEURY, Paulo Fernando, Conceito de logística integrada e supply chain management. IN: FLEURY, Paulo Fernando: WANKE, Peter; FIGUEREDO, Kleber Fossati (Orgs.). Logística empresarial: a perspectiva brasileira: CEL. Centro de Estrados em Logística. São Paulo: Atlas, 2000.
NAZARIO, Paulo. Papel do transporte na estratégia logística. IN: FLEURY, Paulo Fernando; WANKE, Peter; FIGUEREDO, Kleber Fossati (Orgs.). Logística empresarial: a perspectiva brasileira: CEL. Centro de Estudo em Logística. São Paulo: Atlas, 2000.
A LOGISTICA do agro-negócio. Desenvolvimento pela loctrac Consultores Associados. Disponível em: http://www.logtrac.com.br/index.php?page=ferramental. Acesso em 08/03/2010.
CARLIN JUNIOR, Reginaldo José, ef AL. Movimentação de cana-de-açúcar numa agroindústria canavieira em condições adversas de operação. Recife UFRPE, 2008.
LIMA. Edvaldo Carlos, NASCIMENTO, Rebeca Maria Aguiar do À problemática do desenvolvimento sustentável e o agro-negócio canavieiro em Pernambuco. São Paulo. ENGA, 2009.

Assistência de Enfermagem a pacientes portadores de Hanseníase

0

INTRODUÇÃO:
A hanseníase é uma doença infecciosa de evolução prolongada causada pelo bacilo denominado Mycobacterium leprae ou bacilo de Hansen, descoberto em 1873 pelo cientista norueguês Gerhard Armauer Hansesn, morfologicamente muito semelhante ao bacilo causador da tuberculose¹. Uma outra definição também aceita no meio científico revela que a hanseníase é um tipo de patologia em que a imunidade é nula e o bacilo (Micobacterium leprae) se multiplica muito, levando a um quadro grave, com anestesia dos pés e mãos que favorecem os traumatismos e feridas que podem causar deformidades, atrofia muscular, edema de membros inferiores e surgimento de nódulos, os órgãos internos também são acometidos pela doença (OMS, 2000).²

Como não se transmite com facilidade, não são registradas grandes epidemias. A hanseníase chegou ao Brasil na época do descobrimento, espalhou-se e permanece até hoje, sendo considerada um dos mais sérios problemas da saúde pública no país. Ocupamos o 1º lugar da América Latina, com um número estimado de doentes entre 250 e 500 mil casos, que nos coloca também em 4º lugar do mundo em número de doentes.³ Há no mundo todo mais de dez milhões de pessoas com hanseníase. Relativamente pouco contagiante, a forma de contágio mais comum é a direta (pessoa a pessoa), entre outras vias, por descargas nasais infectadas. Existe maior predisposição na infância, em condições sanitárias deficientes e de subnutrição.4

No Brasil a hanseníase atinge um número superior a quinhentas mil pessoas, grande parte em idade produtiva, influenciando negativamente o seu trabalho, a formação da sua família e sua integração social. 5

Para Moreira (2002) 6 o Brasil é o segundo país do mundo em número absoluto de casos, perdendo apenas para a Índia. Nas Américas o país lidera a primeira posição em termos de prevalência e detecção de casos novos. Até o final do ano 2000 o registro de casos no Brasil era de 77.676 casos com um coeficiente de prevalência de 4,68/10.000 habitantes, considerado nível médio de endemicidade de acordo com os critérios da Organização Mundial de Saúde. A maior taxa de prevalência ocorreu no estado de Mato Grosso (27,70/10.000 habitantes) enquanto que a menor coeficiente foi no Rio Grande do Sul (0,41/10.000 habitantes). O coeficiente de detecção de casos novos no ano de análise foi de 2,41/10.000 habitantes, com uma taxa variando de 14,75/10.000 habitantes no Mato Grosso e de 0,19/10.000 habitantes no Rio Grande do Sul. Em todo país foram detectados 41.082 casos novos (MS, 2001). 6

Essa pesquisa foi desenvolvida a fim de transmitir à equipe de saúde conceitos científicos que possibilitem que os mesmos consigam convencer os pacientes a adesão ao tratamento e execução do autocuidado de forma eficaz. Disponibilizando um material capaz de auxiliar na identificação dos principais sintomas da hanseníase e mostrar a importância do Enfermeiro na equipe multidisciplinar para complementação da assistência.

O objetivo deste trabalho é orientar a equipe de enfermagem quanto aos cuidados com o portador de Hanseníase e desenvolver neste a capacidade de manter o autocuidado mesmo quando o paciente apresenta comprometimento motor. Para atingir tal objetivo foram avaliadas publicações que envolvem o tema proposto, do ano 2000 em diante caracterizando a pesquisa como revisão bibliográfica de artigos científicos, indexados, bases de dados da Sielo, Birene, Lilacs e Medline.

MATERIAL E MÉTODOS:

Tendo em vista os objetivos inicialmente propostos neste estudo, optou-se pela conjugação das abordagens revisional, julgando-se que seria bastante adequada uma vez que este estudo será feito por meio de revisão de literatura. Dessa forma a pesquisa realizada aqui possui caráter teórico bibliográfico uma vez que se apóia em artigos e textos distribuídos e recomendados no decorrer do curso pelos diversos professores e que estão mencionados na referência bibliográfica. Assim os artigos e livros citados correspondem de 2000 em diante.

DESCRIÇÃO DA PATOLOGIA:
A hanseníase é uma doença infecto contagiosa, de evolução lenta, que atinge ambos os sexos e se manifesta principalmente através de sinais e sintomas dermatoneurológicos: lesões na pele e nos nervos periféricos, principalmente nos olhos, mãos e pés. O comprometimento dos nervos periféricos é a característica principal da doença, dando-lhe um grande potencial para provocar incapacidades físicas que podem inclusive evoluir para deformidades. 7

Nota-se por pesquisa e consenso entre autores que as vias de eliminação são as vias áreas superiores, pelo grande número de lesões existentes na mucosa nasal, na boca e na laringe, assim como as lesões cutâneas ulceradas que podem constituir grande fonte de eliminação.7,8

O período de incubação é de três a cinco anos. A classificação das formas clínicas da hanseníase divide-se basicamente em quatro: indeterminada, tuberculóide, dimorfa e virchowiana. Os dois tipos mais importantes são a tuberculóide e a virchowiana ou lepromatosa. A formatuberculóide é carcterizada por nódulos sob a pele e regiões de anestesia circunscrita, pelas lesões dos nervos periféricos. A forma mais grave é a vichowiana ou lepromatosa que causa ulcerações e deformidades, com mutilações de mãos, nariz e orelha. 9,20

Entre as pessoas que adoecem, algumas apresentam resistência ao bacilo, constituindo os casos Paucibacilares abrigam um pequeno número de bacilos no organismo, insuficiente para infectar sendo capazes de em alguns casos se curara espontaneamente) e os casos multibacilares (pessoas que não apresentam resistência ao bacilo e são capazes de eliminá-lo para o meio exterior, podendo infectar outras pessoas). 3

A principal forma de contagio é a inter-humana e o maior risco está relacionado com a convivência domiciliar com doentes bacilífero sem tratamento. O mesmo afirma que devido permanecer viável fora do organismo humano por até 90 dias, o bacilo pode ser transmitido através de picadas de artrópodes, por meio de fômites ou por transfusão sangüínea, mas não existem evidencias substanciais para isso ocorrer. 10,11

Os aspectos clínicos observados são: manchas pigmentares ou discrômicas (resultante da ausência, diminuição ou aumento de melanina ou depósitos de outros pigmentos ou substancia na pele), placa (lesão que se estende em superfície por vários centímetros), infiltração (aumento da espessura e consistência da pele) tubérculo (pápula ou nódulo que evolui deixando cicatriz) e nódulo (lesão sólida, circunscrita, elevada ou não, de um a três centímetros) .6,7,19

Nesta mesma linha de raciocínio podem também ser descrito que além das lesões na pele há também lesões no sistema nervoso, as quais são decorrentes de processos inflamatórios dos nervos periféricos (nefrites) e podem ser causadas tanto pela ação do bacilo nos nervos, como pela reação do organismo ao bacilo ou por ambas. Dentre as principais manifestações apontadas estão: a dor e espessamento dos nervos periféricos, perda de sensibilidade e da força nos músculos inervados por esses nervos. 11,12
A Polioquimioterapia tem contribuído muito na melhora da organização dos programas de controle de Hanseníase. Houve simplificação dos critérios diagnósticos e de classificação, e assim ela pôde ser implementada mesmo em unidades básicas de saúde com recursos limitados. Além de ser muito mais eficaz que a monoterapia sulfônica, reduz o período de tratamento, previne desenvolvimento de resistência medicamentosa, reduz o risco de recidiva, previne o aparecimento de deformidades, aumenta a aderência do doente ao tratamento e melhora a atitude da comunidade para com os pacientes e a doença.12

EPIDEMIOLOGIA:
Embora a Organização Mundial da Saúde (OMS)² esteja anunciando a eliminação da Hanseníase como problema de saúde pública, isto é, chegar a uma prevalência de menos de um paciente para cada 10.000 habitantes, no início do terceiro milênio, a doença continua sendo um sério problema no mundo.

Com a introdução da poliquimioterapia (PQT), a partir de 1981, a prevalência da Hanseníase reduziu drasticamente. A prevalência global foi reduzida em mais de 80%nos últimos 10 anos Em 1997 a estimativa no mundo era de 1,15 milhões de casos em contraste com os 10 a 12 milhões de casos estimados na década de 70. Cerca de 0,89 milhão dos casos estavam em tratamento, no início de 1997, contra 5,4 milhões de casos em 1985. Contudo cerca de 560.000 casos novos ainda são detectados a cada ano no mundo, cerca de 2 bilhões de pessoas vivem em países onde a prevalência é maior do que um doente para cada 10.000 habitantes e, aproximadamente , 2 milhões de doentes têm incapacidades físicas devido a Hanseníase.13

Atualmente, a maior prevalência da Hanseníase se encontra no Sudeste Asiático, seguido de regiões da África e das Américas. O Brasil é o segundo país com o maior número de casos registrados, estando atrás apenas da Índia. No Brasil após a assinatura do compromisso para a eliminação da Hanseníase, em 1991, houve uma redução da prevalência de 60% , em decorrência das altas por cura, no entanto, houve um aumento na detecção de casos novos em mais de 100%.12
No Brasil, a partir de 1998 o Sistema Único de Saúde (SUS) introduziu o método de descentralização da questão da assistência à saúde da população. O Ministério da Saúde (MS) ampliou a atenção básica por intermédio do Programa de Saúde da Família (PSF) atualmente chamado de Estratégia de Saúde da Família (ESF), cujas propostas estão fundamentadas no trabalho em equipe e na abordagem integral dos problemas de saúde14. Segundo informações do Ministério da Saúde em 1994, quando o PSF foi implantado, os primeiros 55 municípios colocaram em ação 328 Equipes de Saúde da Família, já em 2001 existiam mais de 12 mil atuando em mais de 4.500 municípios, correspondendo ao alcance de 38 milhões de pessoas (cobertura de 23% da população Brasileira). 15,16

ASPECTOS CLÍNICOS:
A hanseníase manifesta-se através de sinais e sintomas dermatológicos e neurológicos que podem levar à suspeição diagnóstica da doença. As alterações neurológicaspodem causar incapacidades físicas que podem evoluir para deformidades. 15,17

Assim são encontradas alterações que se manifestam através de lesões de pele que se apresentam com diminuição ou ausência de sensibilidade: lesões dormentes, sendo as mais comuns: manchas esbranquiçadas ou avermelhadas – alterações na cor da pele; placas – alterações na espessura da pele, de forma localizada, com bordas elevadas; infiltrações – alterações na espessura da pele, de forma difusa, sem bordas; tubérculos – caroços externos; e nódulos – caroços subcutâneos. 15

Estas lesões podem estar localizadas em qualquer região do corpo e podem, também, acometer a mucosa nasal e a cavidade oral. Ocorrem, porém, com maior freqüência, na face, orelhas, nádegas, braços, pernas e costas. 15,18 Nessa patologia as lesões de pele sempre apresentam alteração de sensibilidade. Esta é uma característica que as diferencia das lesões de pele provocadas por outras doenças dermatológicas. 17

A sensibilidade nas lesões pode estar diminuída (hipoestesia), ou ausente (anestesia). Na fase inicial da lesão, porém, pode haver um aumento da sensibilidade (hiperestesia).
A hanseníase manifesta-se, não apenas através de lesões de pele, mas, também, através de lesões nos nervos periféricos. Essas lesões são decorrentes de processos inflamatórios dos nervos periféricos (neurites) que podem ser causadas tanto pela ação do bacilo nos nervos como pela reação do organismo ao bacilo. Podem provocar incapacidades e deformidades pela alteração de sensibilidade nas áreas inervadas pelos nervos comprometidos. Elas manifestam-se através de: dor e espessamento dos nervos periféricos; perda de sensibilidade nas áreas inervadas por esses nervos, principalmente nos olhos, mãos e pés; perda de força nos músculos inervados por esses nervos principalmente nas pálpebras e nos membros superiores e inferiores. 15,18

A neurite, geralmente, manifesta-se através de um processo agudo, acompanhado de dor intensa e edema. No início, não há evidência de comprometimento funcional do nervo, mas, freqüentemente, a neurite torna-se crônica e passa a evidenciar esse comprometimento através da perda da capacidade de suar, causando ressecamento na pele. Há perda de sensibilidade, causando dormência e perda da força muscular, causando paralisia nas áreas inervadas pelos nervos comprometidos. Alguns casos, porém, apresentam alterações de sensibilidade e alterações motoras (perda de força muscular) sem sintomas agudos de neurite: neurite silenciosa. As lesões neurais aparecem nas diversas formas da doença, sendo freqüentes nos Estados Reacionais. 15,19

DIAGNÓSTICO:
O diagnóstico da hanseníase pode ser clínico, laboratorial e/ou diferencial. Sendo que o diagnóstico clínico realiza-se uma anamnese completa obtendo-se informação individual, sobre a historia pregressa da doença e familiar, em busca de casos confirmados ou suspeitos de hanseníase4. Sobre este aspecto após este procedimento também pode feito exame físico detalhado onde será englobando: avaliação dermatológica, neurológica e do estado reacional³. Juntamente com a classificação da incapacidade física do indivíduo.4

Ao longo da identificação também deve ser feito o diagnóstico diferencial em relação a outras doenças dermatológicas e neurológicas. 6

Nota-se que as de controle da hanseníase vêm passando por várias reformulações de estratégias nos últimos quarenta anos, e após o advento da poliquimioterapia na década de 80 ampliou-se a possibilidade de sua eliminação.3

Assim pela primeira vez, as atividades de diagnóstico e tratamento da hanseníase estão integradas no conjunto das ações da atenção básica. A grande receptividade desse novo modelo pela sociedade e pelos gestores do SUS indica que se trata de um processo irreversível. Nessa perspectiva, com o intuito de se alcançar a fase de eliminação da hanseníase, recomenda-se a descentralização das atividades e a delegação das responsabilidades pela eliminação da hanseníase em nível municipal. 17,20

TRATAMENTO:
Figueiredo, Neto e Andrade (2005)7 o tratamento da hanseníase é feito a nível ambulatorial nos serviços de saúde, com uma associação de medicamentos de eficácia comprovada, a poliquimioterapia.

Duração do tratamento com poliquimioterapia deve obedecer aos prazos estabelecidos: de seis doses mensais supervisionadas de rifampicina tomadas em até nove meses para os casos paucibacilares e de 12 doses mensais supervisionadas de rifampicina tomadas em até 18 meses para os casos multibacilares. Se por algum motivo, houver a interrupção da medicação ela poderá ser retomada em até três meses, com vistas a completar o tratamento.4

Ainda hoje em nossa sociedade nota-se que os preconceitos e problemas psicossociais relacionados à doença decorrem principalmente, da associação da doença com o termo “lepra”, o qual se associa a imagem de deformidade e reforçado por conceitos culturais e religiosos de impureza e castigo divino que a doença assumiu principalmente, na época de Cristo.12

Um estudo desenvolvido no Centro Municipal de Especialidades da cidade de São Carlos – SP, no período de setembro a dezembro de 2004, com oito dos 43 pacientes inscritos no programa de combate a hanseníase. Os oitos pacientes ainda estavam em tratamento medicamentoso ou já tinham obtido alta medicamentosa, mas ainda faziam controle de incapacidades físicas. Pode ser verificado que todos os pacientes tinham pouco ou nenhum conhecimento sobre a doença e uma clara concentração das camadas menos privilegiadas da sociedade. 13

Esta idéia é complementada por conteúdos que são acessíveis através da análise do seu discurso sobre este objeto, especialmente do discurso emitido sobre as ações concretas relativas a ele. 14

O acompanhamento em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do Município, situada num bairro de periferia e um ambulatório de dermatologia de um hospital universitário (HU), situado numa região central da cidade de São Paulo. Os pacientes foram selecionados por conveniência, conforme sua ação diante da doença: “aderentes” e “não-aderentes” ao tratamento. Oito dentre os 12 pacientes “aderentes” descreveram sua experiência com o tratamento como uma luta travada contra a enfermidade. Suas armas eram: o remédio, o conhecimento sobre a doença, o tratamento, o autocuidado, a busca por um diagnóstico correto, a obediência à orientação médica, as perguntas feitas aos médicos e o tratamento correto. Tais instrumentos de enfrentamento da doença coincidem com as orientações gerais sobre o tratamento fornecidas pelos profissionais de saúde da área, porém, no discurso dos pacientes, estas medidas surgem com um tom emocional de medo e ansiedade.¹

O Enfermeiro também deve orientar o paciente quanto ao aparecimento de reações adversas as quais podem abranger períodos em que apareçam caroços dolorosos no corpo ou dores nos nervos (neurites), febre, dor nas juntas, inchaços nas mãos e pés, às vezes até com indicação de internação. São as reações que devem ser reconhecidas e tratadas precocemente para prevenir as incapacidades. Essas reações são uma resposta do sistema de defesa do organismo reagindo contra os restos dos bacilos mortos. Quando a pessoa apresenta outras infecções (urina, dentes, ginecológica), as reações podem piorar. Por isso que nesses casos a pessoa deve procurar a equipe de Saúde. Ela pode ajudá-lo com medicamentos adequados.20

CONTRIBUIÇÃO DO ENFERMEIRO PARA TRATAMENTO DA HANSENÍASE:
Na concepção do Ministério da Saúde (2002) 6 podem ser tomadas ações simples de prevenção e de tratamento de incapacidades físicas por técnicas simples executadas na própria unidade de saúde.

Assim o Enfermeiro deve orientar o paciente com relação ao autocuidado com o nariz (umidificá-lo com solução própria), olhos (lubrificar com colírio prescrito, higienização e uso de óculos), mãos (hidratação, lubrificação, exercícios passivos e ativos), adaptação dos instrumentos de trabalho (uso de luvas, adaptar cabos maiores nos utensílios domésticos) e com os pés (hidratação e uso de sapatos especiais) . 6, 18

A prevenção da hanseníase é uma tarefa fundamental e tem como objetivo a promoção da saúde e prevenção da doença, a da participação social, que inclui dentre outras, a capacitação do pessoal de enfermagem e a conscientização da população como o meio mais adequado para o desenvolvimento da auto-responsabilidade e autocuidado do paciente e família.10,11

Para os docentes, as ações assistenciais aparecem em primeiro lugar com 48,78% das respostas e os enfermeiros apontam-na em 33,60% das mesmas, entretanto os respondentes são concordantes em priorizar as ações de prevenção de incapacidade. A educação em saúde foi referida por 39,02% dos docentes e por 42,46% dos enfermeiros, sendo que estes últimos ressaltaram a importância das ações envolvendo a socialização do paciente que nesta patologia geralmente é muito comprometida. 10,19

Figueiredo, Neto e Andrade (2005)7 fazem referencia a NOAS/SUS 01/2001 afirmando durante a atenção ao cliente com hanseníase deve-se incluir o planejamento e programação do cuidado, a execução do cuidado incluindo a promoção da saúde, a prevenção de enfermidades, a recuperação e a reabilitação em saúde aplicando intervenções conforme as normas, realizando visitas, identificando incapacidades físicas, aplicar técnicas simples de prevenção e tratamento, fazer controle de doentes, fazer avaliação dermatoneurológica, identificando casos novos e gerenciando as atividades burocráticas.

Outro ponto também abordado diz respeito à assistência de Enfermagem reduzir os danos que concerne à discriminação e prestar uma atenção de qualidade e personalizada através da metodologia assistencial. 4

Na discussão entre autores fica claro que não é apenas uma prática técnico-científica que vai produzindo ao longo do tempo um conhecimento sobre o cuidar, ou seja, de como fazê-lo sempre cada vez melhor e de como organizá-lo e administrá-lo mais lógica e racionalmente, isto porque se entende a prática de enfermagem como prática social e, portanto historicamente estruturada e socialmente articulada. 11

A enfermagem faz parte de um processo coletivo de trabalho composto de áreas técnicas específicas e, particularmente, dentro do Programa de Controle da Hanseníase, este deve contar com o trabalho de uma equipe multiprofissional, onde devem ser compartilhadas parcelas das diferentes atuações visando compor um conjunto complementar e interdependente como forma de contribuir para a integralidade da assistência a saúde.9

Outra idéia, diz respeito a introdução do novo esquema terapêutico, ou seja, a poliquimioterapia objetiva-se reduzir as fontes de infecção e conseqüentemente, prevenir a hanseníase e, portanto abre-se um espaço de trabalho muito amplo para diferentes profissionais que através do desenvolvimento dessa nova tecnologia vem apresentar uma maior perspectiva na organização e administração dos serviços de saúde. 10

A ênfase dada na participação dos diferentes profissionais, em particular do enfermeiro, nas várias etapas do processo de trabalho, sugere a necessidade de revisão das práticas desenvolvidas, de modo a adequar as ações realizadas dentro do novo modelo tecnológico às necessidades de saúde da clientela atendida junto ao Programa de Controle da Hanseníase, cabendo, portanto, aos órgãos coordenadores do referido Programa e às instituições formadoras de profissionais da área da saúde, revisar e atualizar os conhecimentos produzidos acerca da hanseníase junto aos serviços de atendimento à clientela que apresenta esse problema de saúde. 14

CONCLUSÃO:
Ao final desta pesquisa conclui-se que o Enfermeiro pode atuar tanto orientado e estabelecendo cuidados ao paciente portador de hanseníase, de modo que se previnam complicações e leve o indivíduo a apresentar uma vida normal mesmo quando o mesmo já tenha adquiro algumas incapacidades físicas. Nesse processo de aprendizagem a atividade de aquisição do conhecimento não se dá de forma passiva, com o sujeito acumulando as informações apresentadas. Este é uma atividade em que o sujeito constrói a realidade no sentido que privilegia tanto a relação dialética entre a esfera individual e a social, quanto à relação dialética entre o pensamento e a atividade. Normalmente, o diagnóstico de hanseníase choca o paciente que, mesmo sabendo que se trata de uma doença curável e não transmissível, internaliza a necessidade de camuflar a verdade para os outros e passa a sentir o peso do estigma. A aliança com a família é indispensável. É importante lembrar que o Enfermeiro deve observar o nível de conhecimento que o paciente apresenta para assim estar traçando novas estratégias de ensino e aprendizagem, uma vez que o conhecimento que o paciente apresenta é fundamental para o sucesso do tratamento, seja esse realizado a nível ambulatorial e em domicilio. O profissional da Enfermagem tem o papel de captar precocemente os pacientes hansenianos e estabelecer um plano de cuidado de qualidade e efetivo, para que assim se posa quebrar a cadeia de transmissão e reduzir os indicadores de morbidade e o seqüelamento dos portadores de hanseníase, além de estigma, que traduz em discriminações, uma vez que a assistência de Enfermagem sistematizada, englobando o cliente de forma holística, atuando no tratamento medicamentoso e não medicamentoso conforme normas estabelecidas. A prevenção da hanseníase uma das tarefas fundamentais objetivando a promoção da saúde e prevenção da doença é a da participação social, que inclui dentre outras, a capacitação do pessoal de enfermagem e a conscientização da população como o meio mais adequado para o desenvolvimento da auto-responsabilidade e autocuidado do paciente e família. Outro ponto também muito importante é o acompanhamento dos casos no período de pós-alta, consiste no atendimento as possíveis intercorrências que possam vir a correr com aqueles pacientes que já tenham concluído o tratamento e que por ventura venha a desenvolver novos sinais e sintomas da doença, o que ocorre em casos de tratamento inadequado ou incorreto.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1.MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia para o controle da hanseníase. Caderno de atenção básica nº 10, série A. Normas e Manuais Técnicos, nº 111. Brasília, DF, 2002.
2.ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE. Guia para eliminação da Hanseníase como problema de saúde pública. 1ª ed. 2000.
3.CUNHA, M.D; CAVALIERE, F.A.M; HÉRCULES, F.M; DURAES, S.M.B; OLIVEIRA, M.L.W; MATOS, H.J. Os indicadores da hanseníase e as estratégias de eliminação da doença, em município endêmico do Estado do Rio de Janeiro, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 23(5): 1187-1197, mai, 2007
4.MOREIRA, T.M.A. Avaliação da descentralização das ações programáticas de hanseníase: um estudo de caso. Ministério da Saúde Fundação Oswaldo Cruz Escola Nacional de Saúde Pública. Rio de Janeiro, Junho/2002.
5.MONTEIRO, C.A. Velhos e novos males da saúde no Brasil: a evolução do país e de suas doenças. 2.ed. São Paulo: Hucitec, Nupens / USP; 2000.
6.MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia de Controle da hanseníase na atenção básica: guia prático para profissionais da equipe de Saúde da Família, nº 110. Brasília, DF, 2001.
7.FIGUEIRÊDO, M.A.C; NETO, F.R.G.X; ANDRADE, L.O.M. Assistência à clientela portadora de hanseníase na atenção primária em saúde: uma investigação das ações realizadas por enfermeiros. Enfermagem atual – p.19 – 23, Set./Out. 2005
8.SIMÕES, M.J.S; DELELLO, D. Estudo do comportamento social dos pacientes de hanseníase do município de são carlos – SP. Revista Espaço para a Saúde, Londrina, 07 (01):10-15, 2005. 
9.SAMPAIO, E.R. Dermatologia. 2ª ed. São Paulo: Arte Médica, 2001.
10.SETUBAL, V.L.S. Manual de procedimentos para diagnostico e tratamento da hanseníase. Ministério da Saúde, 03(04) 15-32, 1998.
11.PEDRAZZANI, E.S. Levantamento sobre as ações de enfermagem no programa de controle da hanseníase no estado de São Paulo. Rev. Latino-Americana de Enfermagem vol.3 nº.1  Ribeirão Preto Janeiro, 1995.
12.SPINK, M. J. P; GIMENES, M. G. G. Práticas discursivas e produção de sentido: apontamentos metodológicos para a análise de discursos sobre a saúde e a doença. Ed. Saúde e Sociedade, 3(01):149-171. 1994.
13.BAKIRTZIEF, Z. Identificando barreiras para aderência ao tratamento de hanseníase. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 12(4): 497-505, 2006. 
14.CUNHA, A.Z.S. Hanseníase: aspectos da evolução do diagnóstico, tratamento e controle. Ciência & Saúde Coletiva, 7(2): 235-242, 2002.
15.BRASIL, Controle da Hanseníase na Atenção Básica – guia prático para profissionais da equipe de saúde da família; Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas da Saúde Departamento de Atenção Básica. Série A(111):05-84,2001.
16.OLIVEIRA, M.L.W, Hanseníase – cuidados para evitar complicações.Universidade Federal do Rio de Janeiro, Núcleo de Tecnoliga Educacional para a Saúde – NUTES-UFRJ. 3(01)1-32, 1998.
17.BRASIL, Hanseníase e Direitos Humanos Direitos e Deveres dos Usuários do SUS. Série F. Comunicação e Educação em Saúde, Ministério da Saúde. Série 7(01): 5-72, 2008.
18.ANDRADE,V.A.. A descentralização das atividades e a delegação das responsabilidades pela eliminação da hanseníase ao nível municipal. Boletim Pneum. San. 1(08)47-51, 2000. 
19.GALLO,M.EN; JÚNIOR,L.A.N.R; ALBUQUERQUE,E.C.A; NERY,J.A.C; SALES,A.M. Alocação do paciente hanseniano na poloquimioterapia: correlação da classificação baseada no número de lesões cutâneas com os exames baciloscópicos. Anais Brasileiros de Dermatologia. 78(4):415-424, 2003.
20.BRASIL, Controle da Hanseníase na Atenção Básica – guia prático para profissionais da equipe de saúde da família; Ministério da Saúde, Secretaria de Políticas da Saúde Departamento de Atenção Básica. Série A(235):15-17, 2003.

O período de adaptação de crianças de 0 a 3 anos em Florianópolis

0

SUMÁRIO

• Introdução

•Capítulo 1: Adaptação, porque este período é tão difícil? 
Subtítulo 1.1: Importância da pesquisa

• Capitulo 2: Adaptação: Um processo a ser vivenciado 
Subtítulo 2.1: Conhecendo a comunidade 
Subtítulo 2.2: Aplicando o questionário 
Subtítulo 2.3: Mães no mercado de trabalho e a cheche como alternativa de cuidado 
Subtítulo 2.4: Adaptação: através dos dados empíricos
Subtítulo 2.5: Adaptar, Inserir ou Acolher? 
• Conclusão

• Bibliografia citada
• Anexos 

INTRODUÇÂO

O presente trabalho pretendeu abordar sobre o período de adaptação de crianças na creche e analisar alguns fatores que interferem neste processo de forma positiva ou negativa, e o método usado para chegar a determinadas conclusões foi por meio de enquete. 
Fazendo algumas leituras sobre o tema: O período de adaptação de crianças em instituições de ensino, observei certa preocupação por parte de teóricos em tentar esclarecer e amenizar alguns desconfortos sentidos pela instituição, famílias e principalmente pela criança. Com isto, primeiramente levantei algumas hipóteses:
• As crianças e famílias sofrem com este início, de uma vida nova e social;
• Algumas famílias e crianças sentem esta inserção como se fosse uma separação, com isso o choro é uma grande manifestação deste sentimento;
• Muitas famílias têm o sentimento de culpa, ao deixarem seus filhos nas mãos de “desconhecidos”;
• As instituições devem estar preparadas para criarem um trabalho de parceria com as famílias, pra assim facilitar o processo de adaptação.
Depois de levantá-las, cheguei à seguinte pergunta:
Porque o período de adaptação é muito difícil pra a criança, família e educador? Será que a Instituição está preparada pra lidar com todos os conflitos vividos neste período?
Através de minha pesquisa, em minha conclusão, tentarei responder a estas perguntas e esclarecer um pouco mais sobre este processo tão importante na vida da criança.
Sabemos que enfrentar o novo não é fácil e muitas vezes nem prazeroso. No entanto, a superação do desprazer e das dificuldades iniciais pode ser uma experiência gratificante que nos encoraja a enfrentar novos desafios e com graus de complexidade cada vez maiores. Posso dizer que isto define em poucas palavras o assunto de meu trabalho, mas explica um pouco do que foi o período em que trabalhei na construção deste pesquisa.

Capitulo 1: Adaptação, porque este período é tão difícil?

Em meu trabalho de campo pesquisei sobre o período de adaptação de crianças de 0 à 3 anos em um NEI em Florianópolis na Barra da Lagoa, este período pode ser considerado um processo de mudança e renovação na vida crianças, dos familiares e educadores da instituição, 
Frente ao tema que escolhi, foi necessário fazer uma síntese com base em alguns artigos acadêmicos e textos de autores lidos, que serviram de suporte teórico para minha pesquisa. 
A adaptação é marcada por encontros e desencontros é o momento em que a criança e seus pais passam a criar novas relações afetivas com um novo grupo, essas relações fazem com que a criança construa um mundo social mais amplo. Os momentos iniciais na instituição exigem sempre um esforço de adaptação da criança, que habitualmente convive com poucas pessoas em casa com quem já estabeleceu um forte vínculo afetivo, e daqueles que assumem seus cuidados.
Segundo o Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil – RCNEI (1998, v1, p. 78-80):

O ingresso das crianças nas instituições pode criar ansiedade tanto para elas e para seus pais como para os professores […] A maneira como a família vê a entrada da criança na instituição de educação infantil tem uma influência marcante nas reações e emoções da criança durante o processo inicial. Acolher os pais com suas dúvidas, angústias e ansiedades, oferecendo apoio e tranqüilidade, contribui para que a criança também se sinta menos insegura nos primeiros dias na instituição. [….] antes de tudo, é preciso estabelecer uma relação de confiança com as famílias, deixando claro que o objetivo é a parceria de cuidados e educação visando o bem estar da criança.

Neste sentido, o autor quis ressaltar que o ingresso na instituição é um momento novo, que é preciso planejamento e organização do ambiente escolar, para promover confiança e conhecimentos mútuos, favorecendo o estabelecimento de vínculos afetivos entre as crianças, as famílias e os educadores.
A preparação dos profissionais que irão lidar com estas criança, tudo isto é de extrema importância para que a efetivação da adaptação à vida escolar seja um momento positivo.
É necessário criar uma relação de confiança entre família e instituição para o desenvolvimento positivo da criança durante o processo de adaptação. Quando a família participa de forma estruturada deste processo, vendo no educador a pessoa que vai cuidar e educar seu filho no espaço escolar, isto contribui muito para o fortalecimento do vinculo de confiança que começa a se estabelecer entre eles. Quando a família enxerga a creche como uma alternativa plenamente viável para partilhar a educação que seu filho recebe em casa, a relação entre as duas partes, é muito mais fácil. 
A adaptação é um processo continuo de mudança, crescimento, desenvolvimento e amadurecimento, BORGES (2003, p. 27), fala sobre a importância deste período na vida da criança:

Sair-se bem neste processo, para a criança, é sinônimo de ficar mais forte, mais madura e confiante. È poder ser marcada por um regime bom, que a leve a ter uma maior disponibilidade para entrar em contato com um mundo, vendo-o como um lugar onde vale a pena estar e experimentar, onde se expor para novo não é doloroso, nem comprometedor. É poder envolver-se com o novo (educador / colegas) experimentando novas formas de ver e sentir, sem para que isso, o já conhecido (pais / familiares) perca o espaço em seus afetos. É poder expandir, mas com acolhimento e confiança sempre presentes, para que haja estabilidade e integração.

Contudo o período de adaptação é inevitável, é necessário enfrentar o choro por parte das crianças, a expectativa e a insegurança dos pais, tudo isto faz parte do contexto escolar. Porém, não podemos entender adaptação como um período de tempo e espaço determinado pela própria escola que tem como objetivo fazer as crianças pararem de chorar. Adaptação é muito mais que isto, até porque existem crianças que não expressam seus sentimentos através do choro, algumas simplesmente se isolam.
É importante ressaltar que este processo não deve considerar apenas a diminuição da ansiedade da separação, mas deve estimular na criança o desenvolvimento da independência e autonomia. Esta transição do ambiente familiar para a instituição infantil deve ocorrer de forma tranqüila, pois:

A entrada na escola coloca a criança ante novas experiências que terão grande repercussão no seu desenvolvimento afetivo, cognitivo e social. Uma dessas novas experiências é o afastamento do ambiente familiar durante várias horas diárias. Esse afastamento provoca ansiedade pelo significado que tem para ela. Por um lado significa a separação dos adultos que representam prazer, segurança e a satisfação de suas necessidades básicas (alimentação, aconchego, higiene, etc.)
Por outro lado, indica a entrada num ambiente completamente novo e o convívio com crianças e adultos que não lhe são familiar, sendo que esses adultos passarão a cumprir funções que eram exclusivas da família ou de um adulto de confiança. (BARRIOS, 2002, p.27)

Tudo isto provoca na criança ansiedade, pois para ela significa a separação dos adultos que lhe dão prazer e o principal, segurança. No entanto a separação é uma experiência que ocorre em varias fases da vida, portanto, o processo de separação deve ser construído baseado na verdade. A mentira interfere na construção dos vínculos de confiança, essencial para o desenvolvimento da criança. É importante lembrar que a separação é um processo que gera sentimentos, precisando ser entendidos, discutidos e superados gradativamente. A entrada da criança na vida escolar se não feita de forma tranqüila e verdadeira, pode afetar toda sua vida escolar e até mesmo pessoal.
Sem dúvida, a convivência familiar é insubstituível, mas é na escola que a criança tem a possibilidades de ampliar suas vivências e isso determina a construção de seus conhecimentos, pois é na interação com o outro que esses conhecimentos se firmam e se constroem. A criança passa a conviver com um grande número de adultos e crianças, em um ambiente novo, que geralmente lhe é estranho. Tudo é novo. Mudam as pessoas, o espaço, os objetos, a rotina. Portanto a importância de um ambiente preparado.
O educador e a família devem estar conscientes que cada criança têm um tempo específico para se adaptar a escola como um todo. Isso pode duras dias ou meses, depende da criança, da família e dos educadores. Existem aquelas crianças que ficam bem rapidamente, enquanto outros necessitam de mais tempo a presença pos pais. Este processo requer a compreensão e paciência de todos envolvidos.
Para tanto, faz-se necessário compreender dentro do contexto da temática adaptação outros conceitos teóricos como: Infância, Creche e Família. Estes auxiliaram na compreensão de quem são os sujeitos envolvidos neste processo, isto é, criança, instituição e família.
A criança é elemento fundamental para que ocorra o processo de adaptação nas creches, por este motivo é preciso defini-la, falando um pouco sobre o que é a infância.
Infância é uma etapa da vida humana anterior as outras, deve ser compreendida como uma etapa de construção social, inserida num processo histórico, considerando a condição social da criança, que varia de acordo com os contextos sociais vividos .
Porém, a criança se define além da faixa etária, sua definição está na capacidade de interação que ela tem a ponto de conseguir realizar uma cultura própria, uma cultura da infância a qual se contrapõe a cultura adulta. A criança não deve ser compreendida como um produto das ações do adulto sobre elas, mas sim, ações sobre elas mesmas. SARMENTO (1997, p.20) confirma quando diz:

A consideração das crianças como actores sociais de pleno direito, não como menores ou como componentes acessórios ou meios da sociedade dos adultos. Implica o reconhecimento da capacidade de produção simbólica por parte das crianças e a constituição de suas representações e crenças em sistemas organizados. Isto é, em culturas.

O mundo adulto não deve negar a cultura infantil com o desejo de liderar, e com suas ações acaba frustrando a criança, pois a infância não se restringe a um momento da vida, mais perpassa a vida, pois ela não acaba, mas sim continua, o que a criança vivencia na infância é carregado pelo resta da vida, e conforme o caso irá refletir de alguma forma no modo de pensar e agir da mesma. O que acontece na infância reflete tanto no presente quanto no futuro. Por este motivo:

Cada idade não está em função de outra idade. Cada idade tem em si mesma a identidade própria que exige uma educação própria, uma realização própria em quanto idade e não enquanto preparo para outra idade.
( ARROYO, 1994, p.90).

Portanto, não existe a criança, e sim, as crianças, que são seres múltiplos, diversos com características próprias que têm direitos que devem ser conhecidos e respeitados. Sabemos que grande parte das experiências vivenciadas por elas e na instituição, ou seja, na creche, com isso, é preciso definir o que é a creche e como ela funciona.
A creche e uma instituição de Educação Infantil que constitui-se em um espaço coletivo de profissionais, crianças e famílias, cuja especificidade deve atender as necessidades e aos direitos de todos os seus integrantes. Segundo ROCHA (1999,p.610) o conceito de instituição de Educação Infantil difere-se do conceito de escola:

enquanto a escola se coloca como espaço privilegiado para o domínio dos conhecimentos básicos, as instituições de Educação Infantil se põem sobretudo com fins de complementaridade à educação da família. Portanto, enquanto a escola tem como sujeito o aluno e como objeto fundamental o ensino nas diferentes áreas, através da aula, a creche e a pré-escola tem como objeto as relações educativas travadas num espaço de convívio coletivo que tem como sujeito a criança de zero a seis anos de idade (ou até o momento em que entra na escola).

A creche é entendida como uma instituição educativo-profissional, onde a criança vivencia situações de interação social, é nela onde a criança passa grande parte do seu tempo com pessoas sem nenhum grau de parentesco. Vale salientar que, para a instituição possa concretizar suas decisões é preciso de um trabalho pedagógico consciente, com a participação ativa dos pais das crianças. Desse modo, é preciso compreender o que é família e qual seu papel.
O conceito de família não deve ser visto como um conceito pronto e acabado, não é algo natural, sim, construído socialmente. O modelo de família composto por pai, mãe e filho, idealizado pela maioria da sociedade, tem sofrido mudanças. Existem modelos diferentes de famílias, e não podem ser consideradas incompletas ou irregulares, e sim famílias vividas, organizadas de acordo com as necessidades e os desafios que a vida proporciona. Segundo BRUSCHINI (1997, p. 48), citada por Maistro famílias são:

[…] espaços de convívio, de troca de informações entre membros em que possivelmente decisões são tomadas coletivamente. São vínculos nas quais os sujeitos se racionalizam, revendo seus valores e posturas na dinâmica do cotidiano e em função das necessidades do grupo, que se modificam a cada etapa da vida familiar.

Desta forma, o trabalho dos profissionais da creche deve valorizar e respeitar os aspectos da vida humana, em que o homem é uno e diverso ao mesmo tempo, possibilitando assim um diálogo entre instituição e família em busca do bem estar da criança.

1.1 A importância da pesquisa

Contudo, concebendo que a pesquisa é uma atividade intencional. Como tal; é uma prática escrita na elaboração de planos capazes de produzir conhecimento. MEKSENAS (2002, p. 31), é importante pontuar algumas concepções do processo de elaboração do conhecimento para alguns autores: Platão, Locke, Kant e Marx. Com Base no Texto Pesquisar é produzir conhecimento.
Platão definiu o conhecimento como algo superior ao ser humano e que faz parte de seu espírito, sendo que ele não pode ser algo elaborado, porque os indivíduos nascem com o conhecimento em sua alma. Acredita que é conhecimento tem caráter inato. Entretanto nem todos os indivíduos aspiram ao conhecimento e o atingem, pois, para tanto é necessário desligar-se do mundo material e voltar-se para contemplação do mundo espiritual. Para este autor o que se transforma ou modifica não pode ser considerado conhecimento e ciência, será sim, experiência e senso comum, e se nunca questionado nunca virará conhecimento.
Este denomina o mundo sensível, como aquele que conhecemos olhando, tocando etc. Que é mutável e não pode ser considerado perfeito. Já o mundo das idéias para ele é considerado perfeito, pois não se transforma é terno
O autor não se referiu à palavra pesquisa, porém, se adotarmos sua definição de conhecimento, a prática valorizaria o mundo das idéias distante do mundo sensível.
Em contraposição Locke diz que o conhecimento não é algo imutável. Todo ser sabe que tem a capacidade de pensar. Mas no meio da razão e do conhecimento existe as sensações, que nos permitem chegar às idéias. Existem dois tipos de idéias sensoriais, a primeira é a idéia sensorial simples, que é quando o ser humano entra em contato com o mundo sensível, estas fixam-se no cérebro permitindo o surgimento da memória, que por sua vez irá formar, uma segunda idéia, chamada idéia sensorial complexa, que o permite desligar-se do mundo sensível e o aproximando do mundo das idéias.
Nasce então uma pesquisa que se limita basear-se na quantidade, na produtividade e na funcionalidade, um conhecimento questionável.
Mas, Kant os rebateu dizendo que todo conhecimento se inicia com a experiência, o conhecimento não é uma adequação da mente ao objeto, existe sim um conhecimento prévio denominado a priori que distingue-se do empírico,cuja sua origem é posteriori, ou seja, na experiência. 
Neste sentido autor acredita, que o conhecimento não é inato nem decorre da experiência. A realidade empírica que fornece conteúdos ao conhecimento, objetos, fatos e fenômenos (matéria), estes conteúdos fixam-se na razão, e são definidos como posteriori. Para Kant a matéria do conhecimento era conteúdos posteriores e a forma do conhecimento era a priori.
Neste contexto Kant acredita que a Razão é dividida em categorias, que não estão relacionadas à experiência, e sim determinam como pensa-la. A ciência seria possível, na capacidade de organizar e refletir sobre a experiência. 
Então, vem Marx e revoluciona dizendo não é a consciência que determina a vida, mas sim a vida que determina a consciência, portanto não é possível compreender o ser humano desvinculado da história, as relações sociais são relações de trabalho que deram origem as primeiras instituições, a família por exemplo.
Os outros filósofos discutiram a razão em si ou a experiência em si, não se preocuparam em analisar que as duas possuem uma história. Já Marx viu que o ser humano transforma a natureza e a torna social, deixando sal marca pessoal nos objetos que produz, dessa forma se aperfeiçoando como ser humano.
A partir de Marx (1818-1883) foi possível: 1) compreender que o conhecimento inato de Platão implicou, na verdade, desqualificar o trabalho manual na sociedade que se mantinha pela escravidão; 2) demonstrar que o empírico e experimental (defendido por Locke) relacionou-se a necessidade da industria capitalista de deter um conhecimento propício ao aumento dos lucros e à produção de quantidades cada vez maiores de bens, com menor custo possível; 3)defender que o conhecimento cognitivo e empírico (proposto por Kant) não transforma o mundo porque não questiona a historicidade do conhecimento. MEKESENAS (2002, p.40)
Marx disse que “Os filósofos tem se limitado a interpretar o mundo de diferentes maneiras; trata-se, entretanto de transformá-lo” 1973. Neste sentido a pesquisa e o conhecimento não são neutros, e nem sempre estão a favor da humanidade e seus resultados podem favorecer mais uma classe que outra.
Com isso, fica claro que não há uma única forma de produzir conhecimento. Minha pesquisa optei por um método principal denominado enquete, método qualitativo em pesquisa empírica que lida com um determinado de informantes, com objetivos definidos a respeito da informação/ opinião que se quer obter dos sujeitos entrevistados, com questionários estruturados, dirigidos ou padronizados, antes do contato com o sujeito a ser entrevistado, o pesquisador elabora um conjunto de perguntas, cuja respostas é quantificada.
Todo questionário é organizado em partes, indo de perguntas mais gerais as mais específicas. Existe a enquete estatística e a exploratória.
Estatística ? Esta preocupada com o rigor de sua organização porque se propõe a mensurar, medir e quantificar opiniões e contextos de vida.
Exploratória ? Não pretende ser rigorosa, tem por objetivo explorar contextos de vidas ou opiniões que servirão para organização de futuras pesquisas qualitativas.
O pesquisador elabora hipóteses do tema que pretende desenvolver, aplica um questionário padronizado a um grande número de pessoas que permite uma visão geral do tema no primeiro momento, em um segundo, o tratamento do tema será aprofundado com seleção de um pequeno grupo de informantes destacados do universo de pessoas que responderam a enquete, com esse pequeno grupo o pesquisador utilizará um método qualitativo. A enquete busca saber o qual é a opinião pública das pessoas, ou seja, a opinião da maioria. 
Desta forma, a pesquisa foi aplicada em um Núcleo de Educação Infantil da Rede Municipal de Ensino, localizado na Barra da Lagoa, como instrumento de pesquisa utilizei a enquete exploratória com questionários estruturados e dirigidos à famílias e profissionais. Com o intuito de responder ao problema levantado pelo projeto e assim fazer algumas reflexões em torno da temática abordada.
Por fim, minha pesquisa procurou saber como a instituição pesquisada se prepara para encarar este período, compreender como se dá a relação família-instituição no processo de adaptação, buscando entender como isto influencia de forma positiva ou negativa na criança, é esta a razão deste trabalho.

2. Adaptação: um processo a ser vivenciado

2.1 • Conhecendo a comunidade

Indo a campo, no NEI colônia Z11, localizada na Barra da Lagoa, esta comunidade se caracterizou por alguns anos, pela ocupação de um núcleo de pescadores, que se concentrou ao longo do canal de comunicação da Lagoa com o oceano. Liga-se à Lagoa por via rodoviária desde 1847, data da primeira ponte sobre o canal. Essa ocupação foi um prolongamento da ocupação da Lagoa da Conceição por imigrantes açorianos há duzentos e cinqüenta anos atrás. 
Considerada ainda a maior comunidade pesqueira da Ilha de Santa Catarina, a Barra da Lagoa ainda conta com mais ou menos setenta e oito embarcações que, utilizam-se das mesmas pra fazer diversos tipos de pesca. No outono, partem em busca da tainha, que a pesca mais tradicional da comunidade. Mas hoje, a comunidade vive uma transição sócio-econômica, que desvia a população tradicional das atividades histórico-culturais para o turismo e prestação de serviços. Embora persista, a pesca é articulada à oferta de serviços com pouca qualificação e baixa remuneração.
Apesar das mudanças sociais e econômicas, a Barra da Lagoa ainda preserva algumas festas populares ligadas à cultura religiosa, como a festa São Pedro e a festa do Divino Espírito Santo. 
É um bairro de classe média onde ainda existe um grande número de pessoas nativas, porém, sendo um pólo turístico, recebe muitos turistas que vem em busca de melhores condições de vida ou a trabalho.Muitas pessoas de fora vêm morar na Barra da Lagoa, pois sendo um bairro de classe média conseguem alugar casas mais baratas, e os nativos tem como renda alem da pesca, os aluguéis anuais ou mensais.

2.2 Aplicando o questionário

Apliquei a enquete em três turmas GI matutino, GII vespertino e GIII matutino de 0 a 3 anos, dirigidos a 51 pais ou responsáveis, com 22 perguntas de múltipla escolha. E um questionário, contendo 6 perguntas, dirigido as três professoras responsáveis pelas turmas. Tendo como objetivo saber a opinião dos pais e professores a cerca da adaptação.
Tive a impressão ao aplicar o questionário, que a grande maioria dos pais teve receio ao responder, mesmo explicando a eles que não tinha nenhum vínculo com a escola, e que de forma alguma seu nome seria divulgado.Mês mo assim, eles respondiam com cautela, pensavam bem antes de responder, logo percebi que algumas de suas respostas mascaravam a realidade, e isso se confirmou quanto fiz o levantamento, comparando as enquetes dirigidas aos pais e as professoras. Ao longo deste capitulo mostrarei algumas destas contradições.
O questionário foi aplicado na hora da entrada e saída, percebi que a maioria das crianças eram levadas e buscadas pelas mães, sendo assim o questionário foi respondido na grande maioria por mulheres.

Sexo das pessoas que responderam ao questionário:

Levando a perceber que ainda hoje a preocupação da educação e do cuidado dos filhos, é responsabilidade da figura feminina, e a falta de participação dos pais (homem) o que pode ser considerado de extrema importância para a criança no período de adaptação. Frente a esta problemática levantam-se o seguinte assuntos: Mães no Mercado de trabalho e a creche como alternativa de cuidado, que acredito ser um dos fatores que interferem no processo de adaptação.

2.3 • Mães no mercado de trabalho e a cheche como alternativa de cuidado

No contexto social das últimas décadas, as mulheres estão entrando cada vez mais no mercado de trabalho. E um dos fatores que mais interferem no trabalho feminino é a maternidade principalmente quando os filhos são pequenos.
Entretanto, a mulher tem ocupado o seu espaço em nossa sociedade, temos tido grandes mudanças nas funções e relações dentro da família, fazendo com que a mulher ingresse no mercado de trabalho, tendo assim, que compartilhar a educação dos filhos.
Deste modo, exigindo novas opções para o cuidado alternativo de bebês e crianças pequenas. Embora isto varie entre as culturas, uma das principais opções adotadas no ocidente como cuidado alternativo é a creche.
Nesta pesquisa, como já vimos 92,1% é mulher, sendo que 39 pessoas estão atuando no mercado de trabalho.

Pessoas que responderam o questionário e trabalham:

Ou seja, grande maioria das mulheres trabalham. E um dos fatores que mais interferem no trabalho feminino é filhos pequenos. As mulheres que trabalham hoje em dia e tem filhos, são obrigadas a retornar ao trabalho poucos meses após nascimento do filho.
Tendo então , que colocar seus filhos cada vez mais cedo na creche. Contudo, a mãe terá um sentimento de perda. Na maioria das vezes é a primeira separação do filho e essas novas mudanças causam um certo desconforto. E a escola deve estar aberta para mediar estes setimentos e angútias.

Essa é geralmente a primeira grande separação. Na maioria das vezes é a mãe que tem a incumbência de levar o filho pela primeira vez à escola maternal (…) Isso faz a mãe reviver separações pelas quais passou, e mesmo que estas tenham sido resolvidas com êxito, não há como fugir ao fato de que estamos lidando com uma experiência emocional (…) O fluxo de emoções sentido pela maioria das mães não reflete apenas sentimentos relacionado à criança, mas também suas próprias lembranças de separação. (REID, 1999. 99 -100).

Muitas vezes as mães não estão seguras quanto a decisão, de colocar seus filhos na creche, e acabam passando esta insegurança para as crianças. Tudo é novo para criança, e se o adulto não passar esta segurança para criança, ela ficara muito insegura. Essa novidades podem ser atraentes para a criança, quando enfrentadas em copanhia de um familiar , mas quando separadas deles, ela pode se sentir sozinha, e as novidades lhe causam medo, por isto a importancia de neste período de adaptação a figura familiar que ela seja fortemente apegada, (mãe, pai ou quem cuidou dela) para que a criança aceite com a alegria e curiosidade o novo ambiente e esteja disponível a estabelecer novos relacionamentos. 
Compartilhar os cuidados de uma criança pequena é difícil. As mães quando deixam seus filhos na creche ficam com medo de perde seu papel de mãe, o que acaba gerando uma concorência entre mães e professoras, o que não é positivo para o desenvolvimento da criança.

Este estado de incerteza e de tensão vivido pelos pais é transmitido à criança através de sinais ambivalente: “vá e divirta-se, “va e seja autônomo”e, ao mesmo tempo, “não fique muito longe de mim”, “demonstre-me que sou importante”. A criança é convidada a ficar coma educadora, mas ao mesmo tempo percebe tensão na mãe, desconfiança, ciúmes em relação a ela: sentimentos não experssos ou expressos de maneira mascarada e por isso, e por isso mais ameçadores.” (Mantovani e Terzi, p. 179)

Contudo é importante que o educador passa confiança não so para criança mas para a mãe também, para que ela fique segura quanto a sua decisão de escolher a escola como uma alternativa de cuidado e socialização, que ajudará no desenvolvimento de seu filho. Neste sentido, a educadora não é subtituto materno, mas um pólo externo à familia, aliado e não rival dos pais. (Mantovani e Terzi, p. 180)

2.4 • Analisando a adaptação através dos dados empíricos

No primeiro capitulo foi comentado a importância das famílias dentro da sala de aula neste período, e a necessidade de um interação entre escola e família para o auxilio no desenvolvimento da criança. Contudo, uma das perguntas do questionário dirigido as professoras foi:

3- O que você acha da presença da família neste período na sala de aula? Como você se sente?
(resposta- prof° B) Ao realizarmos os estudos sobre este período, percebemos a importância da participação das famílias neste processo, na sala, com seu filho(a). Participação através de conversas, reuniões, compreendendo melhor o cotidiano da instituição. Fortalecendo assim a relação (criança-escola-familia). E os encaminhamentos foram que ao familiares ficassem o maior tempo possível com as crianças e no NEI para observar o contato, o vínculo, o relacionamento. . . .
Me sinto um pouco vigiada, porém, como pedagoga compreendo a importância para o processo de desenvolvimento da criança.

Analisando a resposta da professora, relaciona-se com a seguinte fala que reafirma a insegurança por parte das educadoras, tirada da pesquisa Concepções de educadoras sobre a adaptação de bebês a creche:

Embora a entrada do familiar junto com o bebê tranqüilize o adulto que provavelmente quer ver como o bebê vai ser tratado e como ele está reagindo ao novo ambiente e permita que o bebê se sinta mais seguro, muitas vezes as educadoras sentem-se vigiadas e receosas das críticas que estes podem fazer ao seu trabalho.
Andréa Rapoport e César A. Piccinini (2001, p 71)

Considera-se que o processo de adaptação é um período que envolve mudanças tanto para a família quanto para a criança, portanto, é desejável que um adulto, no qual a criança tenha mais afeto, fique junto a ela para auxiliá-la na exploração deste ambiente estranho, até que a criança estabeleça um relacionamento com as professoras e as outras crianças. 
Pois, criança ira se sentir insegura, e os adultos devem estar ali firmes para passar a segurança que a criança necessita. Todos envolvidos nesse processo apresentam sentimentos. Os pais e as crianças sentimentos de tristeza, separação, sensação de estranheza ou desconforto. Isto se confirma quando foi perguntado aos pais qual o sentimento inicial dos pais ao deixar seus filhos na instituição.


Verifica-se que 62,7% se sentem preocupados, mas reconhecem a importância da entrada dos filhos na creche para o desenvolvimento da sua autonomia. E com a entrada da criança na creche a criança começa a perceber-se independente de sua mãe. Por outro lado, a mãe terá um sentimento de perda, dando a impressão de estar antecipando a sua “independência”. E essa insegurança acaba sendo passada para a criança, que absorve a emoção da mãe com facilidade, simplesmente através de um olhar e os próprios pais reconhecem isto.

Opinião dos pais sobre: acreditar ou não que sua expressão influencia no comportamento de seus filhos no período de adaptação.

Comportamento das crianças na primeira semana segundo os pais:

Somando os que ficaram com a professora e os que ficaram com os pais 63,6% mais da metade choraram, e por coincidência 62,7% dos pais deixam os filhos na escola preocupados e inseguros, confirmando desta forma que o comportamento dos pais certamente influenciará na adaptação da criança.
Em contra partida, foi perguntado as professoras qual era a reação das famílias e das crianças nesse período e uma das professoras responde:

4- Qual a reação da família e das crianças neste período?
(resposta- prof° C) A reação das crianças é sempre acompanhada com muito choro, das famílias insegurança. 
Este ano, ao estarmos pensando melhor estes momentos. Fizemos uma reunião prévia com as famílias, para que este período fosse menos traumático e estressante tanto para as crianças, como para as famílias. Conversamos como seria este período. Percebi que a insegurança, o medo o choro foi menor e menos doloroso.

E confirmado pela professora que o choro existe sim, porém, existem outros problemas que contribuem para este sentimento. As crianças manifestam diferentes reações neste período, e estas muitas vezes são utilizadas parar dizer se a mesma está bem ou mal adaptada;

O choro é comum entre crianças entre a as crianças nesse período, tanto na chagada quando a criança é deixada na creche pelos pais, como na saída, quando os pais retornam para buscá-la. Mas, o choro não é a única reação de perturbação possível por parte da criança. Existem várias outras manifestações como, por exemplo, gritos, mau humor, bater, deitar no chão, passividade, apatia, resistência à alimentação ao sono, ou até mesmo ocorrência de doenças.( Rapoport e Piccinini 2001, pág 69)

Neste caso é preciso que o ambiente e a instituição estejam preparados para este momento. E evidente que:

A separação afeta as crianças os pais. Faz brotar sentimentos nos professores. O inicio da vida escolar pode ser uma ocasião excitante ou também uma ocasião agradável. Junto com aqueles que realmente estão encantados por estarem iniciando sua vida escolar, existem freqüentemente outras crianças chorando ou pais tensos e nervosos. (BALABAN, 1988, p.24)

Ou seja, os sentimentos e o tempo de adaptação neste período são diversos, porém, se a escola estiver aberta a família, se a escola der importância a troca de experiências e valorizar este período este processo será muito significativo. Pois a “separação” da criança do ambiente familiar é o inicio de uma vida social, pois como afirma BALADAN (1988 p. 25) “a separação é uma experiência que ocorre em todas as fases da vida humana”.
De acordo com uma das professoras entrevistadas “Todo profissional neste precisa ter um olhar diferenciado neste período. Nossa instituição tem procurado através de encontros, planejamentos prévios, preparar estes momentos, organizando um espaço acolhedor e estimulante, onde as crianças sintam-se envolvidas. Pois, a forma como pensamos este período, este espaço, contribui para o tédio, choro prolongado ou não das crianças” ( prof° A)
E preciso ainda, além da instituição estar preparada e aberta à família, o interesse por parte da mesma, nesta pesquisa percebo a falta de interesse por parte dos pais.

Conhecimento do espaço da instituição antes da matrícula, por parte dos pais:

Maior parte dos pais procurou conhecer a instituição antes de matricular seus filhos, porém, concebendo a importância dos pais estarem por dentro da proposta da escola, para saber como as atividades serão encaminhadas, 35,2% é um número bastante significativo de pais que não se interessaram. E isto se reafirma quando pergunto sobre a participação dos pais em reuniões realizadas pela instituição.

Participação dos pais nas reuniões que a instituição realiza


Ou seja, levando em consideração estas afirmativas percebe-se que 50,9% dos pais sempre participam das reuniões, porém, se juntarmos os que responderam: às vezes , quando posso, e o horário não é acessível, não participa das reuniões. Percebo que existe uma falta de comunicação entre pais e instituição, o que acaba prejudicando e relação entre escola e família, que seria de extrema importância para auxiliar no período de adaptação.

Portanto é preciso preparar um espaço onde a criança se sinta acolhida e segura. Um ambiente que estimule a criança, fazendo com que ela sinta vontade de estar ali, para voltar. É preciso um preparo da equipe de prossionais direcionado a este momento, planejando atividades, estando aberto as angústias da família. O professor como profissinal está ali, e deve ser um mediador, deve passar confiança a familia, para que ela possa acreditar no seu trabalho, e em parceira com a escola possam ajudar a criança neste momento, que ela não tem condições de tomar suas próprias decisões.
Se a escola tem um plano para a separação, está reconhecendo a importância de ligação entre pais e filhos (BALABAN, 1998, 103) e mostrando que reconhece e da importancia, a familia passa a acreditar no potencial da escola.
Contudo, a instituição pesquisada, NEI colônia Z11 vem se preocupando muito com este período, e através de grupos de estudos compostos por professores da unidade, construiu um pequeno texto coletivo (anexo), bem informal, que reflete sobre o que a palavra adaptação sugere, qual seu sentido. Propondo uma mudança, dando outro sentido a este processo. A questão ainda está em estudo pela unidade. mas o texto deu base para instituição repensar suas práticas e montar uma proposta de acolhimento para 2009 (anexo) , que falarei um pouco sobre neste proximo subtítulo.

2.5 • Adaptar, Inserir ou Acolher?

A maioria das creches usa o termo adaptação para caracterizar este período, porém, se formos ao diciónário o terrmo “adaptação” quer dizer ajustamento, acomodação, o que é diferente das mudanças e das propostas que vemos acontecer na creche. Quem se ajusta e se acomoda é aquele que se submete a uma situação, seja ela boa ou ruim. E a submissão é tudo o que as pessoas que trabalham com educação querem evitar. 
O termo “adaptação” pode dar uma idéia, pricipalmente para as famílias, de conformismo, de submissão, de resignação. Por isto muita gente não gosta deste termo, no entanto, ainda é muito usado na grande mairia das instituições, o Nei colônia ZII, vem levantando esta discussão, através de grupos de estudos entre professores da unidade, elaborando novas alternativas para este périodo e levantando outros nomes para caracterizar e da um outro sentido a este processo, para talvez trazer mais segurança e confiança na creche.
E o nome que sugiu, primeiramente foi “inserimento” , e isto foi sendo discutido, e aprofundado teoricamente. No dicinário escolar enserir significa “Introduzir, Implementar, intercalar” SILVEIRA (p. 606), e estudando este termo perceberam que não estava de acordo com a proposta do grupo e foi pensado no termo “acolhimento”.
A unidade, acredita que o termo acolhimento da sentido a um processo que nunca acaba e sim está sempre em crecimento, transformação e mútuo conhecimento. Indo ao dicionário verificamos que acolher significa “Receber, dar acolhida, escutar, atender a, ter em considerção” SILVEiRA (p. 42) e o termo foi mais de encontro com a proposta do grupo, este termo foi trago por uma professora que estava em estudo na Itália, ainda está em processo de construção, mas a unidade se identificou e resolveram mudar, fazendo uma proposta de acolhimento para 2009 e não uma proposta de daptação, contudo, o termo está sendo estudado, pois ainda sente-se a necessidade de aprofundar.
E na proposta para 2009 pensou-se em as familias estarem o maior tempo possível dentro da escola, para observar e criar vínculos, mais reuniões, enfatizar a importância de relizar intrevistas com os familiares, mais palestra, organizar atividades para criança desenvolver com a familia neste período, proporcinar um ambiente inclusivo onde todos se sintam parte do processo, uma atenção pedagógica especial para quem cuida ou acompanha a criança. Fazendo com que este momento seja mais agradavel, estabelecendo confiança e construindo relações. 
Tudo para facilitar a entrada da criança na creche, a fim de promover uma qualidade no atendimentoe não causar tanto estresse para os envolvidos no processo, o que pode deixar marcas a curto e longo prazo e interfirir na aprendizagem e desenvolvimento da criança. E mais importante que isto é fazer com que este perído seja significativo para criança, portanto deve ser bem planejado, a organização do ambiente, a preparação dos profissionais que iram lidar com estas crianças e os familiares é de fundamental importância, para que este momento seja positivos nos aspectos enfocados pela unidade.

CONCLUSÃO

Frente a esta pesquisa, pude perceber que o período é um período muito díficil para todos que estão envolvidos neste processo: Família, Escola e Criança.
E este processo precisa ser levadoa sério, pois se mal feito poderá dificultar o processo de socialização da criança por toda sua vida, gerando traumas, 
No entanto, existem teóricos que dão a este período o nome adaptação, porém, a instituição pesquisada, como vimos anteriormente, vem levantando uma discussão sobre está temática, buscando melhorar o entendimento deste processo, tanto por parte dos pais quanto dos profissinais da intitução, para dar mais segurança aos pais, auxiliando no desenvolvimento da criança . Pois, vimos que o choro, que levantei como hipótese é uma das reações, mas, mesmo assim é o menos doloroso, o medo a insegurança podem ser demonstrado de diversas maneiras.
Verifica-se que nesta instituição , existe uma preocupação e um olhar diferenciado neste período. Através de encontros, palanejamentos prévios, os profissionais estão buscando contruir um espaço mais acolhedor e estimulante, onde as crianças sintam-se envolvidas.
O NEI, percebe a importância da família neste momento, acredita que a familia precisa conhecer o cotidiano da escola, para colaborar com este processo.
Vimos que não só a criança sofre, mas também a familia. As mudanças não ocorrem só na rotina da familia , muda também a forma de encara a esducação o o cuidado dos filhos, por isto, os pais e crianças sofrem está nova vida social. Contudo, cabe ao professor o papel de mostrar as famílias que a entrada da criança na creche é de extrema importância para o inicio de uma nova vida social, que se eles dominarem os sentimentos de separação, mostraram a criança que estão firmes nesta decisão e por consequência a própria criança dominará os próprios sentimentos dando um grande passo para seu amadurecimento, que ao invés de incarar como um problema, vera como uma opotunidade de crescimento.
E para facilitar a integração da criança na creche nos primeiros dias é fundamental a presença dos pais ou familires, que transmite a criança segurança e lhe da apoio para explorar e conhecer o novo ambiente.
Para que este perído seja significativo, é necessário que a instituição escolar fundamente-se teoricamente acerca do assunto e organize-se para receber os novos alunos, sabendo que junto a eles receberá também as famílias. E o professor neste processo deve aparecer como mediador principal atendo as expectativas dos pais, ganhando confiança das crianças e de seus familiares, conduzindo este processo, além de trabalhar seus próprios sentimentos, que estão sendo postos à prova a todo tempo, por isto a importância do professor estar sempre ampliando e capacitando os seus conhecimentos, ou seja, é preciso que a instituição esteja preparada pra vivenciar os conflitos vividos neste período, que como vimos, são muitos.
E ao iniciar meu estudo uma das perguntas que levantei e me propus a responder foi, “porque o período de adaptação é tão dfícil para criança, familia e educador? ”
E para responder esta pergunta, foi preciso entender o que essa fase representa para creche e o que ela disperta nas pessoas envolvidas.
Vimos, que o periodo de “adaptação” e ou “acolhimento”, segundo a creche pesquisada, provoca uma série de mudanças e mobilizações na creche, seja no espaço fisico, na rotina e nas relações entre pessoas.
Para os pais em geral, a decisão de deixar seu filho na creche é dificultada por uma série de conflitos. Por um lado a necessidade de trabalhar, como vimos no subtítulo 2.3. Por outro lado, a crença de que, para se desenvolver de forma saudável, a criança pequena deve ser cuidada pela mãe. Por isso, apararecem na família a insegurança, a desconfiança ou até o medo de perder o amor do filho, por deixá-lo na creche. Esses sentimentos entram em conflito com a legria de conseguir uma vaga, já que esta libera os pais para trabalhar ou para outras ocupações importantes.
A boa relação afetiva entre crianças e educadores deve ser interpretada pelos pais como um indicativo de um bom trabalho. Para isso, é importante que os pais conheçam bem qual é o papel do educador e como é seu trabalho. Isso lhes permite viver esta fase com maior traquilidade, transmitindo segurança para seu filho e facilitando, assim, sua adaptação.
Um período bem conduzido possibilita que pais e educadores através de sua convivência, estabeleçam uma relação produtiva, de confiança e respeito mútuo. Sempre pensando no bem estar da criança. Pois, a escola deve ser um espaço de parcerias entre pais e professores.

BIBLIOGRAFIA

• BALABAN, Nancy. O inicio da vida escolar: da separação à independênci. Porto Alegre: Artes médicas, 1988
• BARRIOS, Alía. Da casa para escola: Uma transição importante para a criança e sua família. Revista Criança do Professor de Educação Infantil. 2002
• BONDIOLI, Anna e Susanna Mantovani. Manual de Educação Infantil de 0 a 3 anos.1998
• BORGES, Maria Fernanda Silveira Tognozzi. Adaptação Escolar- O olhar do psicológico sobre adaptação: quando crianças de 0 a 6 anos ingressam em instituições infantis. 2003.
• BRASIL, Referencial Curricular Nacional para Educação Infantil, Brasília, MEC/SEF, 1998.
• MEKSENAS, Paulo, Pesquisar é produzir conhecimento. In: Pesquisa social e ação pedagógica, São Paulo, editora Loyola, 2002.
• MAISTRO, M. A. As relações creches-famílias: um estudo de caso. Dissertação de Mestrado em Educação pela UFSC. Florianópolis, SC, 1997.
• MANTOVANI, Susanna e Nice Terzi, Manual de Educação Infantil: A Inserção cap. 10 p173
• RAPOPORT, Andrea e Cesar Piccinini, Concepções de educadores Sobre a Adaptação de Bebês à creche, Psicologia: Teoria e pesquisa. Jan- Abr 2001
• REID, Susan. Compreendendo seu filho de dois anos. Trad Cláudia Gerpe Duarte. Rio de Janeiro: Imago, 1992
• ROCHA, Eloísa A. Candal, A Pesquisa em Educação Infantil no Brasil: Trajetória recente e perspectiva de consolidação de uma Pedagogia da Educação Infantil. Ed. NUP/UFSC, Florianopolis, SC.1999
• SARMENTO, M.J.; PINTO, M. As crianças e a Infância: definindo conceitos, delimitando o campo. As crianças: contextos e identidades. Portugal, 1997.
• SILVEIRA, francisco Bueno, Dicionário Escolar da Língua Portuguesa 11° edição
ANEXOS
Texto dos profissionais:

Adaptar, inserir ou acolher???
Como o Núcleo de Educação Infantil Colônia Z-11 vê, como pensa, como encaminha, como planeja, como sistematiza a chegada dos novos neste espaço?
Que termo expressa melhor a ação pedagógica do Núcleo? Seria adaptar? Inserir? Acolher? Qual destes termos define melhor a proposta, o planejamento deste período?
Estas questões instigaram e nos instigam a pensar sobre este tempo, este momento na vida de crianças, famílias e professores.Por conta disto o grupo iniciou o estudo tentando entender melhor a definição de cada expressão.
O grupo pesquisou os termos adaptar e inserir.

De acordo com o dicionário Michaelis:
inserir
in.se.rir
(lat inserere) vtd 1 Cravar, fazer entrar, introduzir: Inseri um enxerto na planta. vtd 2 Intercalar, introduzir: Inserir termos explicativos na oração. vtd 3 Publicar: Vamos inserir um anúncio no jornal. vtd 4 Consignar, registrar: “Jerônimo Cardoso, Bento Pereira, Bluteau… não inserem este verbo” (Assis Cintra) vpr. 5 Entranhar-se, fixar-se, implantar-se: Costumes que não se inseriram neste país. Conjuga-se como aderir.

adaptar
a.dap.tar
(lat adaptare) vtd 1 Pôr em harmonia: Adaptar uma peça teatral. Adaptar o estilo ao assunto. vtd 2 Fazer acomodar a visão: Adaptar os óculos. Adaptar o binóculo ao exame de uma paisagem. vtd e vti 3 Tornar apto: Adaptara o aprendiz ao ofício. vtd 4 Combinar, encaixar, justapor: Adaptar um verso a outro. vtd e vpr 5 Ajustar (uma coisa a outra): Adaptar o sapato aos pés. Adapta-se o corpo ao leito. vpr 6 Aclimar-se: Adaptar-se ao meio. vpr 7 Acomodar(-se), pôr(-se) em harmonia: Esta lição adapta-se a todas as mentalidades. Antôn: desadaptar, desacomodar, desajuntar, desajustar, desconjuntar, deslocar

O termo acolhimento chegou depois. Kátia nos trouxe a expressão dos textos italianos. 
“O grupo que discute inserimento tomou conhecimento de uma nova terminologia que vem sendo utilizada na Itália – accoglienza e se desafiou a pensar e estudar sobre o conceito, aqui farei o esforço de tradução das discussões que estão sendo realizadas:
Acolher significa escutar, observar, haver cuidado, valorizar. 
Acolher criança e família no serviço quer dizer estar atento a exigência de todos.p.3
No debate do texto que temos( tem uma cópia na Z11) é utilizada a terminologia ambientamento

O conceito de criança competente, desenvolvido no debate teórico e na experiência cotidiana do serviço a primeira infância, conduziu a uma evolução terminológica que substitui inserimento por ambientamento.
inserimento requer, de fato, a idéia de incluir um elemento novo junto a algo completo, ao interno de uma organização que tem, prevalentemente, o papel do professor como o de favorecer a entrada da criança a creche/pré-escola.
ambientamento, ao invés, introduz o conceito de acolhimento e dá conta da complexidade, na qual todos os atores entram em relação, ajustando-se vicendevolmente (???), em um tempo e espaço de construir suas diferentes necessidades.p.4” (Kátia Agostinho).

Buscamos referência em um texto da revista Pátio (nº 13), intitulado Os desafios da Adaptação, texto este de Paulo M. Perissé e seguimos o estudo com o texto: Inserimento: uma estratégia para delicadamente iniciar relacionamentos e comunicações de….(?)
A leitura dos textos, nossas discussões e as trocas que houve entre todos do grupo fomentaram alguns encaminhamentos em relação ao momento de chegada dos novos que devem ser levados em conta ao planejar.

( Produção de alguns professores do NEI Colônia z11 em grupo de estudos)

Proposta da unidade:

PROPOSTA DE ACOLHIMENTO PARA 2009

“O Acolhimento (a inserção) é um processo nunca cabado de crescimento, transformação e mútuo conhecimento”

Precisamos definir coletivamente que termo usaremos para definir este processo: Acolhimento ou inserção? Necessidade de aprofundar teoricamente a questão…

ORIENTAÇÂO PARA AS FAMÍLIAS

Reunião com as famílias dia 10/02/09 às 19h

Momento coletivo para apresentar o quadro de funcionários (20 minutos)
Momento individual, por grupos para apresentar a Proposta, o palanejamento com as famílias, cronograma de atendimento em relação ao tempo (horário). Pensou-se: Tempo diferenciado dos encontros por grupo: GIV, V, VI – das 8h as 10h/ das 13h as 14h
GI, II, III – divididos em dois grupos – um das 8h as 9h / 13h as 14h. Outro das 9h as 10h / 14h as 15h
Aumentando o tempo gradativamente, o tempo em 1hora e organizando a cada dia o encontro de meia e após 1 hora dos grupos, para posteriormente iniciarem e terminarem juntos.
Enfatizar a importância de realizar a intrevista com as famílias (necessidade dos educadores reverem as perguntas e reformular as que necessitam)

No dia 16/12/08 que será a confirmação da vaga cada família receberá:

Documento com as regras de Organização do núcleo
Texto: Considerações sobre período de acolhimento (inserção)
Convite para visitar o espaço da Unidade na 2° quinzena de janeiro das 13h as 17h

Durante o processo…

Familiares o maior tempo possível com as crianças e no espaço do NEI para observar o contato, o vículo, o relacionamento…

Palestras, encontros com as famílias com temas relacionados aos Projetos da Unidade, para posteriormente obter participações nas Comissões de Organização. Há necessidade de relacionar outros temas, também necessários para o trabalho educativo/ pedagógico.
Alguns temas relacionado:
Educação Ambiental- possíveis palestrantes: Sayonara (floram), Nei (Comcap)
Boi de mamão – possíveis palestrantes: Ronaldo e Ronei
Alimentação saudável- possível palestrantes: Calorina (nutricinista da Coan)
Saúde Bucal- possível palestrante: Dentista do posto de saúde.
Doenças enfectocontagiosas/ Higiene e saúde – possíveis palestrantes: Enfermeira ou médico do posto de saúde.

ORIENTAÇÃO PARA OS EDUCADORES

Ambiente palnejado cuidadosamente, com propostas para as crianças e seus acompanhantes desenvolverem.
Ambiente inclusivo para que a criança e o adulto expressem inúmeros sentimentos e emoções.
Atenção pedagógica também ao adulto que cuida ou acompanha a criança.
Valorização do prazer de estar se conhecendo mutuamente.
Olhar focado para examinar as práticas culturais, o contato, o vínculo, o relacionamento, em todos os momentos das atividades, das trocas, da chagada, da despedida.
Importância de estar junto, criando vínculos, estabelecanedo confiança e construindo relações.

ORIENTAÇÕES PARA ORGANIZAÇÃO DO ESPAÇO

Exposição de fotos do período de inserção do ano anterior (2008)
Após os 3 primeiros dias, colocar novas fotos dos momentos vividos em 2009.

Histórico sobre a identidade das Células

0

Introdução

Do final do século XIX até a primeira metade do século XX acreditava-se que o cérebro de mamíferos adultos permanecia constante estruturalmente (Gross CG 2000). A descoberta de que existem células com capacidade de auto-renovação e geração de tipos celulares maduros no sistema nervoso central de mamíferos adultos veio não só a derrubar este dogma, mas também contribuiu para que tais células se tornassem o tema de muitas discussões. Embora diversos estudos tenham se dedicado a desvendar a identidade das células tronco neurais, muitas perguntas ainda precisam ser respondidas.
A parede do sistema ventricular e o giro dentado do hipocampo são regiões reconhecidas como neurogênicas no SNC de mamíferos adultos. Na parede dos ventrículos laterais (VLs) reside uma população de células em divisão, a zona subventricular (SVZ). Uma camada de células epiteliais, ou camada ependimária, separa a SVZ dos VLs. Neste trabalho discutiremos dois pontos de vista sobre os tipos celulares candidatos ao termo “célula tronco” nestas regiões, sobretudo na SVZ que tem sido foco de muitos pesquisadores. O primeiro deles, apoiado pelo grupo do pesquisador Jonas Frisén, é que as células ependimárias são os progenitores neurais primários (Johansson et Al., 1999); o segundo, representado por Arturo Alvarez-Buylla, defende que tais células são astrócitos residentes na zona subventricular (Doetsch et Al., 1999).

Células ependimárias como CTs

A suspeita de que as células ependimárias são capazes de gerar novos neurônios em mamíferos adultos é antiga (Altman J., 1962 apud Laywell E.D. 2000). Esta possibilidade se baseia em parte pela observação de que tais células expressam de altos níveis de nestina, uma proteína característica de células tronco e progenitores neurais. Em 1999, pela utilização de técnicas em que apenas as células ependimárias são marcadas (injeção intraventricular de DiI ou adenovírus expressando lacZ), foi observada a formação de neurosferas capazes de gerar neurônios, astrócitos e oligodendrócitos. Sugeriu-se então que muitas ou todas as células ependimárias são CTs que alternam períodos de atividade e quiescência dando origem a populações de células progenitoras na SVZ (Johansson et Al., 1999). O grupo propõe um modelo em que células ependimárias sofrem divisão assimétrica, isto é, uma das células-filhas permanece na zona ventricular enquanto a outra migra para a SVZ proliferando rapidamente e gerando um grande número de progenitores destinados ao bulbo olfatório. No trabalho mencionado o hipocampo não foi investigado, mas os autores lembram que neste local também existem células ependimárias.

Astrócitos como CTs

Cinco meses após a publicação de Frisén, Buylla afirmou serem astrócitos (e não células ependimárias) as células tronco neurais. O grupo mostrou que estas células são capazes formar neurosferas e dar origem a neuroblastos capazes de migrar para o bulbo olfatório, onde se diferenciam em células granulares e periglomerulares (Doetsch et Al., 1999). A credibilidade dos resultados apresentados por este grupo se deve em grande parte à diversidade de recursos. Eles utilizam desde a injeção de retrovírus até a construção de camundongos transgênicos, além da microscopia eletrônica que permite a análise detalhada da estrutura celular. 
A possibilidade de que as células ependimárias sejam células tronco é descartada pelo grupo do Buylla, já que as mesmas não geram neurosferas quando se utilizam marcadores diferentes de DiI e, além disso, nenhuma delas incorpora marcadores mitóticos em seus experimentos. O modelo proposto defende que os astrócitos dão origem aos neuroblastos através de um tipo celular intermediário que se divide rapidamente (Doetsch et Al., 1999). Em trabalhos posteriores, Buylla demonstrou ainda que também os astrócitos na camada subgranular (SGL) são precursores primários dos novos neurônios granulares no do giro dentado adulto (Seri B., 2001 e Buylla, 2002). Em 2004, ao investigar a SVZ humana, o grupo defendeu a mesma visão. Embora a neurogênese humana tenha demonstrado peculiaridades, como a ausência de cadeias de neuroblastos migrando em direção ao OB, também os astrócitos humanos são capazes de gerar neurosferas multipotentes in vitro (Sanai, 2004). No mesmo ano, eles publicaram um artigo sobre a origem dos astrócitos da SVZ que manteriam a neurogênese no cérebro de mamíferos adultos: a glia radial neonatal (Merkle, 2004).

Discussão

A hipótese de que as células ependimárias se comportariam como células tronco, condizendo com o padrão celular de expressão de Notch 1 observado (aumentada na parte voltada para o lumen) e a tendência de clivagem em plano paralelo ao lúmen é muito bem estruturada. De fato, se pensarmos que durante a embriogênese as CTs neurais na zona ventricular delimitam o tubo neural, correspondendo à localização das células ependimárias no animal adulto, é razoável admitir que este padrão se mantenha ao longo da vida. Além disso, como os próprios autores argumentam, é possível isolar CTs de todas as regiões do SNC contendo extensões do sistema ventricular, incluindo a medula espinal, que não contém SVZ (Johansson et Al., 1999). Apesar disso, muitos dos trabalhos publicados por outros grupos concordam que células da SVZ sejam as células primordiais da neurogênese no cérebro de mamíferos adultos, o que dá maior consistência a tal hipótese, como pode ser observado abaixo:
• Chiasson, B.J. et Al., 1999) contesta a metodologia utilizada por Frisén e afirma que, diferente do observado na SVZ, as células ependimárias não possuem capacidade de auto-renovação (pois não são capazes de formar neurosferas secundárias) nem formam neurônios. 
• Laywell, E.D. (2000), mostra que os astrócitos de diversas regiões do cérebro formam neurosferas multipotentes e que no adulto, esta capacidade é retida apenas por astrócitos da SVZ. Segundo o pesquisador, as células ependimárias são capazes de gerar somente glia. 
• Imura, T. (2003) apóia a hipótese de Buylla ao afirmar que a população de células tronco na SVZ expressa GFAP. Ele sugere, com base em seus dados, que as células adquirem a expressão de GFAP gradualmente durante o desenvolvimento.
• Garcia, A.D.R. (2004) mostra que a ablação de astrócitos na SVZ e na SGL de camundongos transgênicos adultos impede a formação de neuroblastos no OB e no giro dentado. 
Finalmente, os mesmos autores que defendem que as células ependimárias sejam “tronco” deixam aberta a possibilidade de que existam outras populações independentes de CTs além da células ependimárias no SNC adulto: “(…) não podemos excluir a possibilidade de existirem populações independentes de CTs na SVZ. De fato, nem todas as células formadas em cultura eram marcadas com DiI” (Johansson et Al., 1999). 
Com base em alguns aspectos da neurogênese na SVZ, poderíamos fazer algumas especulações. Sabe-se que os neuroblastos recém formados na SVZ migram em cadeias, envolvidos por uma espécie de “tubo glial” formado por astrócitos. (Lois C,1996, Peretto P, 1997). Segundo Buylla (1997), os astrócitos poderiam fornecer fatores importantes para a proliferação, migração e sobrevivência das células em migração. Alternativamente, eles funcionariam como uma barreira, prevenindo a migração fora da RMS e/ou isolando células em migração de substâncias no parênquima ao redor. Um fato interessante é que os precursores neuronais continuam se dividindo durante a migração na RMS (Luskin, 1994 e Buylla, 1995) e este processo ocorre justamente nos neuroblastos situados na periferia.. Seria interessante verificar função dos astrócitos envolvendo as cadeias de neuroblastos na RMS de camundongos adultos. 
É bastante inovadora a idéia de que as células gliais tenham outra função, além da tradicional visão de que estas células dão suporte aos neurônios. É também curioso pensar que os astrócitos, células diferenciadas, sejam o tipo celular primordial. Entretanto, a comparação da morfologia dos astrócitos de outras regiões cerebrais, como o córtex, e astrócitos que se comportam como CTs na SVZ indica que estes últimos possuem menor quantidade de ramificações (Laywell E.D. 2000). Muitas outras questões levantadas sobre a identidade das CTs neurais não serão mencionadas neste trabalho. É provável que os esforços no sentido de descobrir o “verdadeiro nome” das células tronco neurais venham a elucidar muitas destas questões favorecendo todos aqueles que, por algum motivo, torcem pelo futuro das terapias celulares.

Referências Bibliográficas

1. Gross CG, (2000) Neurogenesis in the Adult Brain: Death of a Dogma. Nature, Vol. 1, 67-73.
2. Johansson CB, Momma S, Clarke DL, Risling M, Lendahl U, Frisén J (1999) Identification of a Neural Stem Cell in the Adult Mammalian Central Nervous System. Cell, Vol. 96, 25–34.
3. Doetsch F, Caillé, Lim DA, García-Verdugo JM, Alvarez-Buylla A (1999) Subventricular Zone Astrocytes Are Neural Stem Cells in the Adult Mammalian Brain. Cell, Vol. 97, 703–716.
4. Laywell ED, Rakic P, Kukekov VG, Holland EC, Steindler DA (2000) Identification of a multipotent astrocytic stem cell in the immature and adult mouse brain. PNAS 97 (25).
5. Seri B,1 García-Verdugo JM, McEwen BS, Alvarez-Buylla A (2001) Astrocytes Give Rise to New Neurons in the Adult Mammalian Hippocampus J. Neurosci. 21(18):7153–7160.
6. Alvarez-Buylla A, Seri B, Doetsch F, (2002) Identification of neural stem cells in the adult vertebrate brain. Brain Research Bulletin Vol. 57, No. 6, pp. 751–758. 
7. Sanai N, Tramontin AD, Quin˜ ones-Hinojosa1 A, Barbaro NM, Gupta N, Kunwar S, Lawton1 MT, McDermott1 MW, Parsa1 AT, García-Verdugo JM, Berger MS, Alvarez-Buylla A (2004) Unique astrocyte ribbon in adult human brain contains neural stem cells but lacks chain migration. Nature 427 (19).
8. Merkle FT, Tramontin AD, García-Verdugo JM, Alvarez-Buylla A (2004) Radial glia give rise to adult neural stem cells in the subventricular zone. PNAS 101 (50).
9. Chiasson JB, Tropepe V, Morshead CM, Kooy D (1999) Adult Mammalian Forebrain Ependymal and Subependymal Cells Demonstrate Proliferative Potential, but only Subependymal Cells Have Neural Stem Cell Characteristics. J. Neurosci. 19(11):4462–4471.
10. Imura T, Harley I, Sofroniew MV (2003) The Predominant Neural Stem Cell Isolated from Postnatal and Adult Forebrain But Not Early Embryonic Forebrain Expresses GFAP. J. Neurosci.23 (7):2824 –2832.
11. Garcia ADR, Doan NB, Imura T, Bush TG, Sofroniew MV (2004) GFAP-expressing progenitors are the principal source of constitutive neurogenesis in adult mouse forebrain. NatureNeuroscience 7, 1233-1241. 
12. Lois C, Garcia-Verdugo J-M & Alvarez- Buylla A (1996). Chain migration of neuronal precursors. Science, 271: 978-981.
13. Wichterle H, Garcia-Verdugo JM & Alvarez-Buylla A (1997). Direct evidence for homotypic, glia-independent neuronal migration. Neuron, 18: 779-791.
14. Luskin MB, Boone MS (1994) Rate and pattern of migration of lineally-related olfactory bulb interneurons generated postnatally in the subventricular zone of the rat. Chem Senses 19:695-714

Qualidade de vida no Trabalho

0

1 INTRODUÇÃO

Atualmente há uma forte tendência em todos os setores em resgatar o lado humano, já que para crescer profissionalmente são necessárias qualidade e excelência no que se faz e isto só é possível quando se leva em conta o principal capital de uma empresa, ou seja, seus recursos humanos. Muitos autores debatem e estabelecem critérios e de forma abrangente reconhecem que além do conhecimento técnico, o grande diferencial é a motivação e o comprometimento com o trabalho e que ambos possuem necessariamente uma relação direta com a satisfação.
A Qualidade de Vida do Trabalhador – QVT é de fundamental importância para as organizações, além de ferramenta para atingirem maiores níveis de produtividade, com motivação e satisfação do indivíduo.
Muitos empresários estão percebendo que melhorar a qualidade de vida de seus trabalhadores e de suas famílias torna a empresa mais produtiva e competitiva e o fenômeno da motivação, na situação do trabalho, é um grande aliado para alcançar este objetivo.
O que precisa o homem para se sentir motivado, para trabalhar com satisfação, para alcançar a produtividade desejada pela empresa sem estresse, com saúde e harmonia? O que motiva um trabalhador tem o mesmo grau de importância para o outro? Qual o aspecto de maior relevância para atingir as metas da QVT? A personalidade de cada indivíduo influencia em sua motivação? Estas são questões que se pretende analisar neste trabalho.

2 SER HUMANO – IDENTIDADE

O que é identidade? A resposta não é fácil, pois embora a aparência seja de ser ou o que o indivíduo é, sua personalidade nata, na verdade ela é metamorfose, ou seja, pode ser construída, transformada.
O termo identidade sempre desperta interesse, tanto das pessoas comuns, representantes do universo consensual, quanto de cientistas sociais.
Inúmeras questões estão associadas à identidade. Historicamente, o termo empregado para significar o que hoje se entende por identidade foi personalidade, privilegiando não só a perspectiva individualista, mas também uma visão em que os princípios da ciência médica sustentavam toda proposta de compreensão. Nesse contexto, os debates versavam sobre o normal e o patológico, o natural e o inerente. Para Maria das Graças Corrêa Jacques (UFRGS-RS):
O vocábulo identidade (do latim idem, o mesmo, a mesma) propõe uma noção de estabilidade que se contrapõe à processualidade e ao caráter de construção permanente que lhe são próprios. Sugere ao mesmo tempo, o igual e o diferente, o permanente e o mutante, o individual e o coletivo. (1996, p.21)
Nesta perspectiva, diferença e igualdade, surgem como base deste conceito, dependendo dos diversos grupos que ao longo da vida, o indivíduo se relaciona. No convívio com os outros, a consciência individualizada vai sendo construída e ao mesmo tempo vai se tornando diferente.
A utilização do conceito de identidade nos permite descobrir os indivíduos, encontrá-los no tempo e espaço e mesmo em metamorfose, reconhecê-los. Identidade tem a ver com consistência e com a relação com outros seres humanos (Eugène Henríquez).

3 O TRABALHO E O HOMEM

Para Valéria Abritta Drummond (Centro Universitário Newton Paiva):

É indubitável que o trabalho ocupa um lugar central na vida de quem o realiza. Seja pelo fato de ser um meio de sobrevivência, seja pelo tempo da vida a ele dedicado (várias horas por dia, vários dias por semana, várias semanas por mês, vários meses por ano, etc), seja pelo fato de ser um meio de realização profissional, mas também pessoal, o trabalho é um dos principais instrumentos através do qual o homem dialoga com seu meio social e com seu tempo.
(2002, p.1)
Ao longo da história, a concepção de trabalho sofreu várias modificações.
Nas sociedades tribais, por exemplo, não se pode partir do mesmo ponto de vista que se adota para analisar o trabalho nas sociedades modernas. Isso porque as atividades vinculadas à produção eram associadas aos ritos e mitos, ao sistema de parentesco, às festas, às artes, enfim a toda vida social, econômica, política e religiosa. Já para os romanos, a palavra trabalho significava dor, sofrimento. Para os gregos, o trabalho não era valorizado e era associado à satisfação somente das necessidades básicas do homem, como vestir-se, alimentar-se, produzir, comerciar e por esse motivo era relegado aos escravos.
Na Idade Média, o trabalho continuou sendo considerado uma atividade pouco nobre, uma vez que os nobres não deviam trabalhar.
A mudança significativa na concepção do trabalho, veio em XVIII, quando Eugène Enriquez apreendeu magistralmente seu sentido afirmando que:
Neste momento […] justamente porque a indústria se desenvolve, começou-se a perceber que os homens não somente sofrem sua história, mas também podem produzir sua história. E para produzi-la, é preciso também produzir economia. O trabalho, que não era tido em alta consideração […] de repente passou a ser valorizado, porque se transformou num símbolo de liberdade do homem, para transformar a natureza, transformar as coisas e a sociedade (1999. p.70).
Karl Marx afirmou também que o trabalho cria o homem e, por força da dialética, que o homem cria a si mesmo pelo trabalho, conferindo-lhe nova dignidade. (LAFER, p.13).
Já Engels, na mesma linha de pensamento, afirma que o trabalho é mais do que o ato de transformar a matéria-prima em riqueza, é o fundamento da vida humana. Afirma, ainda que sob determinado aspecto, o trabalho criou o próprio homem. (1984, p.9)
O homem precisa trabalhar para manter sua vida e essa é a principal idéia de trabalho que foi sendo aperfeiçoada através do tempo e assim chegou ao capitalismo e na modernidade, sendo considerado, então, referência para todas as atividades da vida.

4 O TRABALHO E A MOTIVAÇÃO

Muitos cientistas e especialistas no comportamento humano pesquisaram sobre a motivação. Um desses estudiosos é conhecido por ter desenvolvido a teoria que diz ser a motivação um estado de ânimo que tem como objetivo a satisfação das necessidades humanas. Em 1943, Abraham H. Maslow, professor de Psicologia do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, classificou essas necessidades em fisiológicas, de segurança, sociais, de auto-estima e de auto realização. 
Segundo Maslow, o ser humano persegue a satisfação dos seus desejos e motiva-se para atendê-los. Quando suas necessidades não são satisfeitas, geram tensão. 
Na tentativa de diminuir essa tensão o indivíduo ganha força motivadora para buscar a realização de suas necessidades. Outros pesquisadores estudaram o assunto e alguns discordaram de Maslow, como Frederick Herzberg, professor da Universidade de Chicago, que dizia, em 1969, que a motivação é influenciada por fatores que levam à satisfação e fatores que levam à insatisfação. Segundo Herzberg, a motivação depende do atendimento de ambos.
Como é possível perceber, faz tempo que a motivação do ser humano é tema de estudos e pesquisas. Muitos outros cientistas procuraram e ainda procuram, entender o mecanismo desse sentimento tão importante para o desenvolvimento, na tentativa de promover o equilíbrio e o bem-estar das pessoas.
Então, como motivar o trabalhador e conseguir a produtividade eficaz nas organizações? Há várias respostas para esta pergunta, porém nenhuma é totalmente correta ou esgota o assunto. 
A vida do ser humano e sua identidade está fundamentada em pilastras de sustentação, como na construção de um prédio, por exemplo. Nesta pilastra vem a família (hereditariedade, vínculos emocionais), as crenças e valores, aspectos econômicos, o trabalho. Quando uma dessas pilastras não vai bem, as outras ficam sobrecarregadas, enfraquecidas, desmotivadas. 
Se desejamos saber como as pessoas sentem qual sua experiência interior, o que lembram, como são suas emoções e seus motivos, quais as razões para agir como o fazem por que não perguntar a elas? (G. W. ALLPORT). (DESCHAMPS, Marcelo 2007)
É preciso conhecer o outro para descobrir os fatores que provocam uma resposta positiva que não deve ser interpretada apenas como aumento da produção, mas também como melhoria da qualidade do clima da organização, assiduidade e comprometimento. 
Segundo Cecília W. Bergamini, autora do livro Avaliação de Desempenho Humano na empresa, Editora Atlas, embora as pessoas façam coisas idênticas, as razões de agir são particularmente diferentes (1998).
Cada indivíduo na sociedade é único e tem sua visão própria da vida. Cada um tem seus interesses pessoais.
Descobrir o que cada um persegue pode ajudar no despertar da motivação do trabalhador, pois cada pessoa tem sua identidade e junto com ela seus desejos, valores sociais e culturais, dons, necessidades.
O mais importante para um profissional pode ser gostar do que faz, já outro um ambiente competitivo lhe dá prazer.
As necessidades dos seres humanos são muitas e se manifestam de forma alternada ou simultaneamente, de forma que algumas vezes está satisfeito em algumas delas e frustrados em outras. 
As pessoas dizem freqüentemente que a motivação não dura. Bem, nem o banho e é por isso que ele é diariamente recomendado. (Zig Zglar), mencionado por Prof. Massaru Ogata, em palestras sobre motivação nas empresas. (2010).

5 CONCLUSÃO

Constata-se que, na prática, motivação do trabalhador é assunto complexo e que abrange muitos conhecimentos. Qualquer comentário conclusivo é simples demais, tendo em vista as generalidades que envolvem o quesito motivação seja, no trabalho ou mesmo na vida das pessoas. Mas é bastante evidente que um indivíduo desmotivado não corresponde plenamente aos objetivos de uma organização, porém também é certo que as pessoas não ficam motivadas sempre. Outra constatação possível de se fazer é que a motivação surge a partir das necessidades particulares de cada pessoa e o que pode ser fator motivador para alguns indivíduos, pode não ser para outros, mesmo em situações iguais. Constantemente, as organizações devem estar atentas, pois a motivação é peça chave para alcance dos objetivos de toda empresa e as pessoas, geralmente, não ficam motivadas por muito tempo e precisam de novo foco de interesse. Cada trabalhador deve ser visto, individualmente, tendo em vista que diferem um dos outros através de suas crenças, percepções, vivências de mundo, traços de personalidade, entre outros fatores influenciadores do comportamento de cada indivíduo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BERGAMINI, Cecília Whitakers. Avaliação de desempenho humano na empresa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007. 
BRANDÃO, N. L. S. Ninguém motiva ninguém. Disponível em: http://www.ahmg.com.br/index.asp?Metodo=ExibirDet&Chave=1544. Acesso dia 01/04/2010, 20:51 h.
MURREL, Hywel. Motivação no Trabalho. Vol. E5. Rio de Janeiro, 1977.
RODRIGUES, Marcus Vinícius Carvalho. Qualidade de vida no trabalho. 5. ed. Petrópolis: Ed. Vozes, 1998.
PÉREZ-RAMOS, J. Motivação no Trabalho: abordagens teóricas. Psicologia-USP, São Paulo, 1 (2): 127 140, 1990.
JACQUES, Maria da Graça Correa. Identidade e Trabalho: Uma Articulação Indispensável. (UFRGS – RS).
OGATA ML CONSULTORES. Motivação nas Empresas. Disponível em: //www.palestrademotivacao.com.br/palestra_de_motivacao_com_massaru_ogata.asp consulta realizada em 01.04.2010.
LAFER, Celso, no prefácio à edição brasileira da obra ARENDT, Hannah. Entre o passado e o futuro, p.13.
ENGEL, Friedrich. O papel do trabalho na transformação do macaco em homem. 2 ed. SP: Global Editora, 1984, p.9.