ESTRATEGIA DE ESTOQUE

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Para a logística o comprometimento com determinado nível de estoque e a subseqüente expedição de produtos para mercados, em antecipação a vendas futuras, acarretam vários atividades logísticas. Sem estoque adequado, a atividade de marketing detecta perdas de vendas e declínio da satisfação dos clientes.

O planejamento de estoque tem papel crítico para a produção. Faltas de matéria prima podem parar linhas de produção o que causa aumento dos custos e a possibilidade de falta de produto acabado. Prejudicando tanto o planejamento de marketing quanto as operações de produção, o estoque excessivo também gera problemas: aumenta custos e reduz a lucratividade, em razão de armazenagem mais longa, imobilização de capital de giro para lote de compras.

Princípios e Funcionalidade

A formação de política de estoque requer o conhecimento do papel do estoque nas áreas de produção e marketing das empresas. É preciso ter visão da magnitude dos ativos nele investidos, numa empresa normal.

A redução em recursos comprometidos em estoque pode resultar em aumento substancial da lucratividade. Apesar do aumento e da ploriferação de produtos, os executivos de logísticas tem reduzido os níveis do estoque operacional. A melhoria é devida a ênfase gerencial baseada em prazos, por exemplo, o jit (just in time).

Características e Tipos de Estoque

A manutenção de estoque implica riscos de investimentos e de possibilidade de obsolescência. O investimento em estoque que não pode ser usado alternativamente para obter mercadorias ou outros ativos.

Os investimentos podem ser obtidos mediante empréstimos, opção que aumenta as despesas financeiras da empresa.

Outro aspecto de risco que envolve o estoque é a possibilidade de roubos e a obsolescência. Esses fatores e o valor do estoque determinam o nível de riscos a que a maioria das empresas está exposta.

Produção

Para o fabricante, risco relativo ao estoque tem dimensão em longo prazo. O investimento começa com matérias-primas e componente inclui estoques da produção em processo e termina em acabados.

Atacado

A exposição dos atacadistas ao risco é menor que a do fabricante, mas é mais profunda e maior duração do que a dos varejistas.

A justificativa econômica para a existência de atacadista é a capacidade de prover seus clientes varejistas com grande variedade de mercadorias de diferentes fabricantes, em pequenas quantidades. Quando os produtos são sazonais, os atacadistas são forçados a formar estoque com grande antecedência as vendas, aumentando o risco.

Uma das suas vantagens é a expansão das linhas de produto. A pressão decorrente da ploriferação das linhas de produtos, mais do que outro fator isolado, provocou declínio do numero de atacadista generalista, forçando-os a especialização.

Varejo

O gerenciamento de estoque é fundamental para os varejistas. Os riscos dos varejistas quanto ao estoques pode ser considerado amplo, mas não profundo devido os autos alugueis de imóveis, os varejistas dão ênfase especial a rotação ou giro do estoque é calculada como quoeficiente das vendas anuais sobre o estoque médio.

Os varejistas tentam reduzir o risco pressionando os fabricantes a assumir níveis de responsabilidade cada vez maiores pelo estoque.

Ao empurrar o estoque para trás, no canal de marketing, os varejistas aumentam suas exigências, com fabricantes e atacadistas, por entregas menores e mais freqüentes de cargas compostas de diversos produtos. Varejistas especializados, ao contrario dos generalistas, tem menores riscos com a composição de seu estoque porque comercializam linhas de produtos mais estreitas. Porém assumem mais riscos quanto a profundidade e duração do estoque.

Funções do Estoque

A política de estoques ideal seria decorrente da fabricação de produtos conforme especializações dos clientes, ou seja, produtos sob encomendas, e é característico de produto customizado. Esse sistema não exige a formação do estoque de materiais ou de produtos acabados em antecipação a vendas futuras.

Estoque consiste substancial investimento em ativos e, portanto, deve proporcionar pelo menos algum retorno de capital. A falta de metodologias sofisticadas para apuração dos custos de manter estoques médio que excede suas necessidades normais.

Especialização Geográfica

É permitir especialização geográfica considerando cada unidade operacional. Devido a demanda por fatores de produção, como energia, materiais, água, mão-de-obra a localização econômica está frequentemente longe dos principais mercados.

A tecnologia e o conhecimento especializado para produzir cada um dos componentes citados localizam se nas proximidades das fontes dos respectivos materiais, a fim de minimizar custos de transporte. Essa estratégia leva a decisão geográfica da produção para que cada componente de automóvel possa ser fabricado da maneira mais economia.

A dispersão geográfica exige estoques para possibilitar a entrega de sortimentos de produtos aos mercados. Produtos manufaturados em diversos locais são reunidos em um único deposito e, em seguida, combinados numa única carga composta de diversos produtos.

A dispersão geográfica permite especialização econômica de unidades de produção e distribuição das empresas. Quando adotada a especialização geográfica o estoque de materiais, os produtos semi-acabados passam a fazer parte do sistema logístico. Cada local requer um estoque básico. Além disso, o estoque em trânsito é necessário para ligar à produção a distribuição.

Estoques Intermediários

Função de estoque que possibilita máxima eficiência operacional em unidades de produção é a acumulação de estoque de produtos não acabados entre operações de produção. Este Permite que cada produto seja fabricado e distribuído em lotes econômicos maiores do que a demanda de mercado.

Na comercialização, permite que os produtos sejam paulatinamente fabricados e depois vendidos. Regulando o fluxo das operações, amenizando as incertezas, aumentando a eficiência operacional num local, enquanto a especialização geográfica considera múltiplos locais.

Equilíbrio entre Suprimento e demanda

Esta ligado entre produção e consumo. A função reguladora de estoque concilia os aspectos econômicos de produção com as variações do consumo. Conciliar gerencialmente os aspectos referentes ao tempo de produção e a demanda envolve difícil problema de planejamento.

Quando a demanda se concentra num curto período de tempo, fabricantes, varejistas, atacadistas são forçados a formar estoques muito antes do período critico de vendas.

Gerenciando Incertezas

O estoque de segurança ameniza variações e incertezas de curto prazo, tanto de demanda, quanto do ressuprimento. São dedicados esforços consideráveis ao planejamento e a determinação do estoque de segurança. A maioria dos excessos de estoque é resultante de mau planejamento.

A necessidade de estoque de segurança decorre de incertezas de vendas futuras e de prazos de ressuprimento. Quando existem incertezas, é necessário proteger os níveis de estoque correntes. O estoque de segurança protege a empresa contra as incertezas.

Definições de Termos Frequentemente Relacionados a Estoques

1 – Política de Estoque

Consiste em normas sobre o que comprar ou produzir, quando atirar e quais as quantidades. Inclui decisões de posicionamento e alocação de estoque em fabricas e centro de distribuições. Algumas empresas decidem, por exemplo, postergar a distribuição do estoque mantendo-o em instalações fabris.

A definição da política mais adequada é a questão mais difícil do gerenciamento de estoque. Outro componente é a estratégia de gerenciamento. O gerenciamento de estoque centralizado exige maior nível de coordenação e comunicação.

2 – Nível de Serviço ao Cliente

Seu objetivo é fixado pela alta administração. Comporta objetivos de desempenho que a função de estoque deve ser capaz de cumprir. O nível de serviço pode ser definido em termos de tempo de ciclo de pedido, e percentagem de quantidade atendida, ou de qualquer combinação desses objetivos.

A percentagem de pedidos atendida é a percentagem de pedidos de clientes que é inteiramente cumprida.

O gerenciamento de estoque é um fator importante que deve estar integrado ao processo logístico para que os objetivos de serviços sejam alcançados. O gerenciamento de estoque desempenha papel predominante no conjunto de esforços da operação logística, necessários para atingir os objetivos de serviços estabelecidos.

3 – Estoque Médio

Compreende a quantidade de materiais, componentes, estoque em processo e produtos acabados normalmente mantidos adequadamente. Devido a ser determinado para cada instalação física.

4 – Estoque Básico

É a porção do estoque médio que se recompõe pelo processo de ressuprimento. No inicio de um ciclo de atividades, este estoque esta em seu nível Máximo.

O atendimento diário dos clientes vai reduzindo estoque até que seu nível chega à zero. Antes disso, porem é emitido um pedido de ressuprimento, de forma que as mercadorias chegam antes de ocorrer à exaustão. O estoque médio existente, logo após o ressuprimento é chamado estoque básico.

5 – Estoque de Segurança

É usado somente no fim dos ciclos de ressuprimento, quando há demanda mais alta do que a esperada ou os períodos de ressuprimento são mais longos. O princípio básico é a queda uma parte do estoque médio deve ser destinada a cobrir variações de curto prazo de demanda e de tempo de ressuprimento.

6 – Estoque em trânsito

Representa o estoque em viagem ou aguardando transporte já sobre veículos. É condição necessária no processo de ressuprimento de estoque. Do ponto de vista logístico, o estoque introduz dois fatores de complexidade na cadeia de suprimento.

Sendo eles: o fato que muitas vezes deve ser pago sem que possa estar disponível e o fato de que o estoque em transito estar normalmente associado a alto grau de incerteza, porque muitas vezes os embarcadores não dispõem de informações sobre a localização de veículos e sobre data e hora de sua chegada.

Atualmente o estoque em transito tem reapresentado uma crescente proporção do estoque total, pela tendência de redução do tamanho e aumento dos pedidos e da adoção de estratégias baseadas no tempo.

7 – Custo de manutenção de estoque

É o custo para manter o estoque disponível, é um componente do custo das operações logísticas. Assim a relação entre estoque e ativos totais no caso de atacadistas, distribuidores e varejistas, em comparação com empresas industriais, o custo da manutenção de estoque em empresas comerciais também representa uma percentagem maior do custo logístico total.

Determinação da Percentagem de custo de Manutenção de Estoque

O custo de manutenção é uma despesa financeira que resulta da multiplicação de uma taxa de manutenção, pelo valor do estoque médio. O cálculo exige julgamento gerencial, estimativas de níveis de estoque médio, apropriação de custos de estoque, e até esforços de mensuração direta.

Os itens normalmente incluídos no custo de manutenção de estoque são capital, prêmios de seguro, obsolescência, armazenagem e impostos. O custo do capital investido no estoque médio pode ser facilmente calculado, mas os custos de seguro, obsolescência, armazenagem e impostos podem variar, dependendo da natureza de cada produto.

Custo de Capital

O aspecto mais controverso do custo de manutenção de estoque é a determinação da taxa de custo mais apropriada a ser aplicada ao capital investido.

O motivo para usar a taxa de juros básica, ou outra taxa praticada no mercado financeiro, é que ela seria uma taxa no mercado financeiro, é seria uma taxa de oportunidade com que o mercado estaria disposto a remunerar o capital se este não estivesse investido em estoque.

Recursos investidos em estoque perdem seu poder de gerar lucro, restringem a disponibilidade de capital e limitam outros investimentos.

Impostos

Normalmente os impostos são calculados sobre o volume de estoque em determinado dia do ano, ou sobe o estoque médio de determinado período. Algumas regiões tributam estoque.

Seguro

O custo do seguro é calculado com base em estimativas de risco, ou exposição a risco, em determinado período. Risco e exposição dependem da natureza dos produtos e das instalações de armazenagem. O custo do seguro também depende de características preventivas existentes nas instalações, como câmaras de segurança e sistemas automáticos de extinção de incêndios.

Obsolescência

É a perda de utilidade de um produto armazenado ou que se torna obsoleto que não está coberto por seguro. Os cálculos desse custo são baseados nas experiências passada relativamente à quantidade de produtos que devem ter seus preços rebaixados, e quantidades que devem ser descartadas.

Armazenagem

O custo é de permanência incorrido com as instalações sem considerar o custo de manuseio dos produtos.

Os custos devem ser atribuídos especificamente aos produtos, pois não tem relação direta como valor do estoque. O custo da ocupação anual para determinado produto pode ser apropriado multiplicando-se a quantidade de dias em que o espaço físico foi usado pela taxa-padrão diária vigente para o ano.

Impactos e demonstrativos de resultados

Ao contrário de outros componentes de custos logísticos, como transporte e armazenagem, que aos expostos nos demonstrativos de resultados das empresas, o custo de manutenção de estoque não é transparente.

Impactos em decisão e nas estratégias

Uma percentagem de manutenção de estoque relativamente baixa reduz a influência do estoque em decisões que afetam o custo total e torna o custo de transporte, relativamente mais importante. Como conseqüência, as decisões e as estratégias que afetam o custo logístico total tenderiam a minimizar as despesas de transporte com a adoção de mais centros de distribuição, os quais manteriam os produtos mais perto dos mercados.

Mais centros de distribuição acarretam em mais estoque, à medida que aumenta o número de instalações, o estoque de segurança total também aumenta.

Embora as empresas arbitrem a percentagem de custo de manutenção de estoque a ser adotado, o resultado deve refletir com precisão o componente custo de capital, pois a percentagem de custo de manutenção de estoque influência de maneira significativa o desempenho econômico da estratégia logística.

Determinação do ponto de Ressuprimento

A chegada do ressuprimeto acontece quando a última unidade de estoque for expedida a um cliente. Essa constitui a abordagem mais adequada a demanda como o período do ciclo de atividades são conhecidos. Quando há incertezas, quer quanto à demanda, quer quanto à duração do ciclo de atividades, faz se necessário a formação de estoque de segurança.

Determinação do lote de compra (quanto pedir?)

O princípio que rege a adoção de lotes de compra visa ao equilíbrio entre o custo de emissão e colocação de pedidos a fornecedores.

O pormenor mais importante é lembrar que o estoque médio e, consequentemente maior que o custo anual de manutenção do estoque. Todavia quanto maior for à quantidade de pedidos de compra, menos pedidos serão necessários no período planejado e, consequentemente menores serão os custos totais de emissão e colocação de pedidos.

Lote Econômico de Compra

É a quantidade do pedido de ressuprimento que minimiza a soma do custo de manutenção de estoques e de emissão e colocação de pedidos.

A apuração da quantidade do lote econômico de compra considera que a demanda e os custos são relativamente estáveis durante o ano inteiro.

A formula de lote econômico de compra apurar a quantidade ótima de ressuprimento.

Implicações do lote Econômico de Compra

Os problemas mais freqüentes são relativos aos ajustes necessários para tirar vantagem de situações especiais de compra e ajustes especiais de compra e de consolidação de cargas. Os ajustes mais comuns são de descontos de taxas de frete na compra e ajustes especiais.

Taxas de Fretes por Quantidades Transportadas

Quando os produtos são comprados para entrega no destino e o fornecedor assume o custo de transporte, a omissão dessa relação pode ser justificada. Nesse caso o fornecedor é responsável pela carga até sua chegada ao local designado pelo comprador.

Quando a propriedade da carga é transferida na origem da viagem, os impactos das taxas de frete devem der considerados na determinação das quantidades dos pedidos. Quanto maior é o peso da carga do pedido, menor é o custo de transporte por quilograma.

Descontos nas taxas de frete para cargas maiores são comuns tanto no transporte rodoviário como no ferroviário. É natural que as empresas desejem efetuar compras que minimizem o custo de transporte, se todos os outros fatores se mantiverem inalterados.

Descontos por quantidade na Compra

Representa uma implicação análoga á redução da taxa de frete em função do tamanho da carga.

Se o desconto é pertinente a uma quantidade é suficiente para compensar o custo adicional de manutenção de estoque, menos a redução nos custos de emissão e colocação de pedido, então o desconto oferece uma alternativa viável.

Determinação de Lote Discreto

Componentes que tem demanda dependentes exigem uma abordagem diferente para determinar quantidades de ressuprimento.

Tal abordagem tem o nome de cálculo de lote discreto. Significa que o objetivo da administração de suprimento é obter uma quantidade de componentes igual à necessidade liquida em determinado momento.

Determinação Lote por Lote

Na determinação de lote por lote não é levado em conta o custo de emissão e colocação de pedido. Esta técnica e exclusivamente aplicável a situações de demanda dependente, pois não são levadas em conta vantagens econômicas ligadas ao custo de emissão e colocação de pedidos.

É usada quando o item comprado é de baixo preço e a quantidade necessária é pequena e irregular. Usado por transmissão eletrônica de pedido e transporte especial, visando reduzir o tempo de processamento e de entrega.

Determinação de Quantidade de Pedidos Periódico.

Baseia-se na lógica do lote econômico de compra. A principal vantagem de utilizar quantidade de pedido periódico é que essa abordagem considera o custo de manutenção de estoque, levado a sua redução. Sua desvantagem é similarmente ao lote econômico de compra, a quantidade de pedido periódico exige demanda estável para se aplicável.

Determinação de lote por meio de Séries Temporal

Seu objetivo é combinar a necessidade de vários períodos para conseguir uma lógica de compras.

É uma abordagem dinâmica porque as quantidades dos pedidos são ajustadas para atender às estimativas das necessidades correntes. Em situações em que há variações substancias de consumo, as quantidades fixas por pedido são substituídos por um sistema de dimensionamento que apura o lote econômico de compra – padrão é que este permanece estático; uma vez computada a quantidade do pedido, ela permanece inalterada para todo o horizonte de planejamento da demanda.

Incertezas

8 – Incertezas de Demanda

Para evitar falta de estoque quando a demanda excede as previsões, é adicionado o estoque sob condições de incertezas da demanda, o estoque de segurança. Sob condições de incerteza da demanda o estoque médio é dimensionado como metade da quantidade do pedido mais o estoque de segurança.

Deve salientar o risco de falta de estoque motivado por variações de vendas. Em tal caso devem ser tomadas precauções para que não haja perda de vendas, evitando-se o risco de possível deterioração do relacionamento com clientes.

9 – Incertezas dos Ciclos de Atividades

As incertezas deste ciclo derivam do fato de que as políticas de estoque não podem pressupor uniformidade de entregas. Quando o impacto de incertezas do ciclo de atividades de estoque não é estatisticamente avaliado, a prática mais comum é a política de estoque de segurança seja baseada a partir da media de dias de ressuprimento.

Estimando Índice de Disponibilidade.

É medido pela magnitude da falta de estoque e não pela probabilidade de sua ocorrência. Esse índice corresponde ao objetivo desejado de serviço ao cliente.

Pedidos de Ressuprimento

A não manutenção de estoque de segurança, sob condições de demanda dependente, esta ligada a duas hipóteses: à de que as compras de ressuprimento são previsíveis e constantes e que os fornecedores mantêm estoques suficientes para satisfazer a 100% dos pedidos de compra; e a hipótese de que podem ser usados contratos de compra baseados em quantidades adequadas que geralmente asseguram compras eventuais de fornecedores.

TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE

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SUMÁRIO

A sexualidade

Respostas sexuais adaptadas e desadaptadas

Fases da conscientização sexual

Dissonância cognitiva

Ansiedade

Raiva

Ação

Comportamento

Ciclo de resposta sexual

Fatores predisponentes

Biológico

Psicanalítico

Comportamental

Estressores desencadeantes

Doença física e ferimentos

Doença psiquiátrica

Medicamentos

HIV/AIDS

Parafilia: definições

Parafilia no contexto familiar

Dimensões da violência familiar

Características das famílias violentas

Isolamento social

Uso e abuso de poder

Respostas físicas ao espancamento

Respostas comportamentais

Classificação de parafilias

Epidemiologia

Distúrbios da identidade de gênero

Heterossexualidade

Homossexualidade

Bissexualidade

Parafilias

Travestivismo

Transexualismo

Fetichismo

Pedofilia

Exibicionismo

Voyeurismo

Masoquismo e sadismo

Parafilias sem outra especificação: definições rápidas

Considerações finais

Referências bibliográficas
A SEXUALIDADE

A sexualidade está relacionada a uma dimensão da personalidade, manifestando-se na aparência, nas convicções, comportamento e relacionamentos interpessoais.

Segundo Laraia & Stuart (2001), existem quatro componentes da sexualidade, como, identidade genética (sexo cromossômico do indivíduo), identidade de gênero (forma como o indivíduo percebe sua própria masculinidade ou feminilidade), papel de gênero (atribuições dos papéis culturais do gênero), tais como expectativas que envolvem o comportamento, cognições, ocupações, valores e respostas emocionais, orientação sexual (sexo que atrais romanticamente uma pessoa).

Com freqüência, a Enfermagem é solicitada a intervir nas preocupações sexuais dos pacientes, devido seu entendimento holístico, isto quando os profissionais desta área desenvolvem habilidades e competências nas abordagens de questões sexuais de forma consciente através da educação dos princípios básicos da sexualidade.

Para se entender o se precisa saber sobre este tema, primeiro é necessário um autoconhecimento e conscientizarão dos próprios sentimentos e valores com relação ao sexo, além de respeitar o conhecimento, sentimentos e valores dos outros.

RESPOSTAS SEXUAIS ADAPTADAS E DESADAPTADAS

Para se conhecer e entender as alterações e distúrbios sexuais devemos em primeiro compreender a “normalidade” do assunto e do comportamento.

Não há um padrão consensual entre os especialistas sobre qual é o comportamento sexual normal. A sexualidade varia de um extremo adaptado até o extremo da desadaptação, onde no primeiro extremo estão os critérios e que entre dois indivíduos que se consentem o ato, que a satisfação seja mútua sem prejuízo psicológico ou físico para qualquer um dos parceiros, sem que haja violência e coerção, sendo realizada de forma privativa.

A sociedade freqüentemente considera comportamento sexual aceitável ou inaceitável, baseando-se no medo, no preconceito e na falta de informação, desconsiderando os fatos.

Já se relacionando s respostas sexuais desadaptadas, pode-se citar os comportamentos que não envolvem um ou mais dos critérios para as respostas adaptadas.

Fases da conscientização sexual:

Dissonância cognitiva

É a primeira fase no desenvolvimento da autoconscientização sexual decorrendo da coexistência de duas crenças opostas como, por exemplo, pensamentos antagônicos sobre o assunto sexo, que incluem o desconforto em se tratando deste e a importância e necessidade de se ter certa tranqüilidade em falar sobre esse tema.

Ansiedade

Um leve nível de ansiedade é importante para se promover uma consciência de “perigo”, energia extra ou estimular o crescimento pessoal, de forma a criar um desconforto suficiente para iniciar uma ação.

Nesta fase, as incertezas, a insegurança, as questões e os problemas envolvendo a sexualidade são normais. O aprendizado sobre esse assunto e enfrentamento dos valores conflitantes, leva o indivíduo à terceira fase do desenvolvimento da conscientização sexual.

Raiva

Esta surge após o delírio da ansiedade, do medo e do choque, sendo direcionada a si mesmo ou dirigida ao outro ou à sociedade. Através da raiva, palavras e ações podem ser tão críticas quanto às atitudes que se está combatendo.

Ação

É a etapa final, onde diversos comportamentos emergem daí; os valores evoluem e mudam à medida que o indivíduo muda, cresce e adquire novas experiências.

Comportamento

De acordo com Kinsey, apud Laraia & Stuart (2001), há uma escala de classificação mede sete pontos para examinar a preferência sexual, onde 0 representa comportamento exclusivamente heterossexual, 6 experiências exclusivamente homossexuais; 2 3, e 4 indicam uma orientação exclusivamente hetero/homossexual.

Ciclo de resposta sexual

Quando se fala em resposta sexual, deve-se considerar que além dos modos de expressão sexual ou orientação, existem as respostas fisiológicas e psicológicas à estimulação sexual.

O ciclo de resposta sexual ocorre m quatro fases de acordo com Máster & Johnson apud Laraia & Stuart (2001), que são excitação, platô, orgasmo e resolução; já para Kaplan, apenas existem o desejo, excitação e orgasmo.

Muitas disfunções sexuais são causadas por fatores psicológicos (conflitos infantis não resolvidos, até problemas adultos como ansiedade do desempenho, falta de conhecimento ou ausência de comunicação com o parceiro) ou por fatores fisiológicos como transtornos vasculares e endócrinos, além de efeitos colaterais de medicamentos, sendo freqüente quando é resultado da interação entre esses dois fatores.

Fatores predisponentes

Biológico

Esses fatores são responsáveis pelo desenvolvimento do gênero, onde o somatotipo inclui cromossomos, hormônios, genitais internos, externos e gônadas.

Psicanalítico

De acordo com Freud apud Laraia &Stuart (2001), a sexualidade seria estabelecida antes do início da puberdade. A opção da expressão sexual de um indivíduo depende de um misto de hereditariedade, biologia e fatores sociais.

Para Freud, a criança passa por estágios como o oral, que é o primeiro. Este ocorre do nascimento aos 12 ou 18 meses, onde a principal sensação de prazer do bebê, deriva da estimulação dos lábios e da boca pela sucção.

O segundo estágio é o anal (de 1 a 3 anos de idade) onde a atenção é direcionada as funções excretoras e de controle esfincteriano.

O próximo é o estágio fálico (dos 3 aos 5 anos de idade), onde o foco fica sobre os genitais, ocorrendo também o complexo de Édipo nos meninos e complexo de Electra nas meninas (a criança possui emoções sexuais pelo genitor do sexo oposto, ressentindo-se pelo genitor do mesmo sexo).

O estágio final é o de latência, que persiste até a adolescência. Neste, há o ingresso no estágio genital e reaparecimento dos anseios sexuais, ressurgimento dos complexos de Édipo e Electra, com necessidade autoafirmação.

Comportamental

Sob a perspectiva de comportamento, a forma mais fidedigna para a compreensão das reações sexuais é as respostas observáveis a estímulos manifestos e mensuráveis.

Os behavioristas acreditam que o comportamento sexual dos adultos que cuidam das crianças como um elemento importante do desenvolvimento sexual posterior das mesmas.

Estressores desencadeantes

Doença física e ferimentos

A doença física pode alterar a sexualidade, mudando as sensações e o comportamento sexual do indivíduo.

Doença psiquiátrica

Este tipo de doença pode afetar a sexualidade do indivíduo, seu comportamento e satisfação. A depressão pode ser tanto resultado quanto a causa da disfunção sexual, diminuindo o desejo e do prazer.

A hipersexualidade pode ser o primeiro sintoma de um episódio maníaco. As pessoas com transtorno bipolar têm diminuições das inibições sexuais, freqüentemente escolhem impulsivamente seus parceiros sexuais ou começam casos extraconjugais, exibem comportamento sexual impróprio ou agem de maneira sedutora.

Medicamentos

Determinados medicamentos podem contribuir com a disfunção sexual. O efeito colateral mais comum da droga é a diminuição da libido, ocorrendo praticamente com a mesma freqüência em ambos os sexos.

O problema sexual mais comum é as disfunções eréteis masculina, seguidas por dificuldades de orgasmo; já nas mulheres o problema comum é a demora do orgasmo.

HIV/AIDS

O medo de contrair uma doença sexualmente transmissível pode provocar alterações no comportamento sexual, sendo a AIDS a DST mais assustadora nos últimos tempos.

PARAFILIA: DEFINIÇÕES

A parafilia é uma alteração comportamental, caracterizada por excitação sexual em resposta a objetos ou situações que normalmente não são excitantes para as atividades sexuais afetivas com parceiros humanos e que causam sofrimento tanto para o praticante quanto para a vítima que sofre a ação.

A experiência da violência em geral é devastadora e freqüentemente, as vítimas sobreviventes de abuso e da violência possivelmente será vista no contexto psiquiátrico.

Apesar de vários tipos de violência, os mais freqüentes relatos são os praticados dentro do contexto familiar que incluem também o estupro e abuso sexual extrafamiliar.

Em geral é estabelecida no final da infância ou próximo da puberdade e quando isso ocorre, esses padrões parafílicos persistem por toda a vida (Manual Merck, acesso em 08/02/2007).

Os parceiros de parafílicos com freqüência sentem-se como objetos.

A atividade parafílica quase sempre assume a forma de travestivismo, pedofilia, exibicionismo, voyeurismo, masoquismo ou sadismo, ocorrendo na maioria dos casos em indivíduos do sexo masculino.

PARAFILIA NO CONTEXTO FAMILIAR

Dimensões da violência familiar

A violência dentro do contexto familiar inclui o abuso físico e emocional de crianças, negligência, espancamento da esposa, estupro pelo cônjuge e abuso do idoso, ato esse que podem ser um segredo intrafamiliar que se estende por várias gerações.

Em geral, a causa básica da violência é a necessidade de poder e controle por parte do agressor, que são causados por uma interação de fatores de personalidade, demográficos, situacionais e sociais como tempo de convivência, envolvimento emocional, privacidade e conhecimento profundo um do outro, que pode tanto facilitar a intimidade quanto a violência. Portanto, uma família pose ser carinhosa e acolhedora e ao mesmo tempo violenta.

Características das famílias violentas

Fatores como processo familiar de múltiplas gerações, isolamento social, uso e abuso de poder, efeito de álcool e outras drogas são comuns às famílias violentas.

A violência familiar é transmitida entre múltiplas gerações, sendo vista como um comportamento aprendido.

Isolamento social

Famílias violentas são socialmente isoladas, talvez por alguns tipos de violência forem considerados anormais ou ilícitos tornando isso um segredo de família.

Uso e abuso de poder

Em cão de abuso sexual de crianças, o abusador em geral é dos sexo masculino em posição de autoridade, vitimando o menor em posição subalterna.

No abuso contra a esposa, justificam a violência por motivos triviais relacionados à necessidade de total domínio sobre a cônjuge. Essa violência freqüentemente começa ou aumenta quando a mulher adquire comportamento independente, como trabalhar para fora, freqüentando escola ou universidade (Laraia & Stuart, 2001).

Respostas físicas ao espancamento

Há um padrão característico das lesões relativas ao espancamento, que em geral, ocorre na cabeça, pescoço, face, garganta, tronco e órgãos sexuais.

As vítimas de violência experimentam sintomas físicos não obviamente relacionados com suas lesões, como cefaléias, problemas menstruais, dor crônica, perturbações gastrintestinais e do sono.

Respostas comportamentais

Muitas mulheres de vítimas de violência por parte do seu cônjuge permanecem no relacionamento, porque quando está sai de casa, corre maior risco de ser vítima novamente do seu agressor e até assassinada pelo mesmo que está obcecado pelo poder e controle.

A preocupação com os filhos é um tema importante na decisão para sair de casa.

Essas mulheres abandonam o ambiente violento, com freqüente indas e vindas antes do rompimento final, isto é normal, pois esse comportamento é influenciado pela qualidade de apoio social e assistência para a mulher, do comportamento do agressor e determinar como as crianças reagirão sem o pai.

O abuso contra a esposa faz parte de um sistema de controle por opressão que pode incluir coerção financeira, ameaças contra os filhos e outros familiares, bem como destruição do patrimônio.

Uma mulher vítima de violência conjugal corre extremo risco de sofre homicídio quando deixa seu parceiro ou deixa claro a ele que está terminando o relacionamento.

Os maridos que praticam agressão sexual contra sua esposa (estupro), acreditam que é certo ter sexo sempre que desejarem e da forma que assim também o querem.

A parafilia nasce de uma experiência negativa que ocorreu na infância e na puberdade, sendo comumente ocorrida no contexto familiar e menos freqüente, no extrafamiliar. Não necessariamente a violência tem que ser de forma sexual, mas a violência verbal e física também são estímulos para que tanto uma criança quanto um adulto vítima desses tipos de agressão possam desenvolver comportamentos parafílicos.

Os sintomas parafílicos que se desenvolvem podem ser manifestados através de práticas como as já citadas, dependendo a natureza da experiência sofrida.

Classificação de parafilias

As principais categorias segundo o Manual Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM-IV, 4.a. ed.) são o exibicionismo, fetichismo, frotteurismo, pedofilia, masoquismo, sadismo, voyeurismo, fetichismo transvéstico e uma categoria separada paras as parafilias sem outra especificação (SOE), por exemplo, a zoofilia.

Uma pessoa pode ter vários transtornos parafílicos.

Epidemiologia

As parafilias são praticadas por uma pequena porcentagem da população. No entanto, a natureza insistente e repetitiva resulta na lata freqüência dos atos parafílicos. Sendo assim, uma parte da população tem sido vitima de pessoas com essa doença.

Entre os casos, a pedofilia é a mais comum. Os exibicionistas também preferem as crianças para exibirem seus órgãos sexuais.

Os voyeurs não causam tantos danos, pela característica desse comportamento.

O sadismo e o masoquismo sexual são sub representados em qualquer estimativa de prevalência. O sadismo só toma grande proporção, em caso de estupro e brutalidade seguido de conseqüência mais grave, sendo pouco denunciado por se tratar de atividade comumente realizada por prostitutas e seus clientes.

Mais de 50% das parafilias iniciam antes dos 18 anos de idade e geralmente tem de três a cinco distúrbios ao mesmo tempo ou em diferentes momentos de suas vidas, isso vale para os casos de exibicionismo, fetichismo, masoquismo, sadismo, sexual e zoofilia.

A ocorrência do comportamento parafílica atinge o seu pico entre os 15 e os 25 anos, desenvolvendo-se até por volta dos 50 anos. Por isso, é raro encontrar esse distúrbio entre as pessoas idosas a não ser em casos raros de forma isolada, ou com parceiros coperantes.

Distúrbios da identidade de gênero:

Heterossexualidade

Define-se como sendo a atração sexual por membros do sexo oposto, tendo sanções tanto legais quanto religiosas, influenciando a cultura, os valores e as normas cotidianas.

Homossexualidade

É a atração sexual por membros do mesmo sexo.

Os comportamentos sexuais envolvem escolha, enquanto a orientação sexual envolve emoções e atração erótica, podendo ambas ser geneticamente determinadas, em vez de ser simples questão de livre arbítrio.

Bissexualidade

É a resposta sexual a ambos os sexos. Alguns bissexuais relataram experiências de orgasmos mais intensos além de serem mais ousados sexualmente, descrevendo maiores níveis de erotismo, maior incidência e prazer com a masturbação.

PARAFILIAS

Travestivismo

É definido como àquele indivíduo que prefere o uso de roupas do sexo oposto. Os travestis em geral são do sexo masculino, casados, que relatam um comportamento heterossexual, não desejando uma mudança de sexo, hormonal ou cirúrgica. Estas pessoas em geral, tentam encontrar parceiros que os aceitem, além das suas atividades de travestivismo e que não impeçam relacionamentos sexuais com outras pessoas.

Transexualismo

É o indivíduo que anatomicamente é mulher ou homem, mas que expressa com forte convicção que tem a mente do sexo oposto, vive com um membro do sexo oposto em tempo parcial ou integral, tenta mudar de sexo legalmente por retribuição sexual, hormonal ou cirúrgica.

Muitos apresentam intenso sofrimento emocional pela discriminação da sociedade.

Fetichismo

Neste, a atividade sexual utiliza objetos físicos, às vezes a preferir contatos com seres humanos. Os fetichistas podem ser estimulados e satisfeitos pelo uso de roupas íntimas de uma outra pessoa, do uso de peças de borracha, segurando, friccionando ou cheirando esses objetos. Muitos dos indivíduos com esse distúrbio são incapazes de ter atividade sexual sem o uso de fetiches.

Pedofilia

É uma preferência pelo ato sexual com crianças em geral de 13 anos de idade para baixo.

O pedófilo pode se angustiar e preocupar-se com seu comportamento relacionado a fantasias sexuais com crianças, mesmo quando não as põe em prática.

A pedofilia pode manifestar-se de uma forma pura, quando a atração é apenas por crianças, ou mista, quando essa atração ocorre tanto com crianças quanto com adultos. A atenção pedófila pode ser por membros da família, mais conhecida como incesto, ou por indivíduos da comunidade circunvizinha.

Em geral, o agressor, através da coerção e ameaça impede a denúncia do ato, ficando a vítima submetida a novo ataque.

O tratamento pode ser com psicoterapia e medicamentos, mas em muitos casos, não há evolução satisfatória. O encarceramento ou aprisionamento por longos períodos pode aumentar as fantasias e os desejos do pedófilo.

Exibicionismo

Neste distúrbio, o sexo mais acometido como praticante é o masculino. Nele, o indivíduo expõe seus órgãos genitais e se excitam neste ato. A masturbação quase sempre está presente, sendo raros os casos de estupro por exibicionistas, haja vista que estes evitam o contato sexual com suas vítimas, que na maioria das vezes, nem sabem que o são.

Os indivíduos exibicionistas que são detidos possuem menos de quarenta anos de idade e nas mulheres é considerado um distúrbio psicossocial.

Voyeurismo

No voyeurismo, a excitação do indivíduo se dá pela observação de outras pessoas tirando a roupa ou praticando sexo, sendo o ato de observação o estímulo excitatório e não o que ele observa. Acomete mais o sexo masculino e em graus elevados, pode consumir horas de busca e observação, ficando o indivíduo “preso” ao seu distúrbio.

Atualmente existem uma incontável variedade de shows materiais de sexo explícito, porém esses não possuem o elemento principal de excitação para os voyeur que é a observação em segredo, sem deixar que o outro saiba que está sendo observado.

Masoquismo e sadismo

O masoquismo é a obtenção do prazer sexual através da autolesão e submissão a abusos. Já no sadismo, o prazer é conseguido causando sofrimento físico e psicológico no parceiro.

O sadomasoquismo em extremos, pode causar até a morte. O masoquista precisa do sádico, pois um gosta de sentir abusos e lesões para conseguir satisfação sexual, enquanto o outro a obtém praticando os abusos, lesões e agressões ao outro. A asfixiofilia, onde no momento do orgasmo, através da força do parceiro ou auto-aplicação de estrangulamento, o que de forma acidental pode levar a morte.

Os parceiros que não consentem com o comportamento do sádico, geralmente são aprisionados e sofrem abuso e violações. Comumente o sádico pode amarrar, amordaçar, torturar, ferir, apunhalar, aplicar choques elétricos ou até assassinar.

PARAFILIAS SEM OUTRA ESPECIFICAÇÃO: DEFINIÇÕES RÁPIDAS

• Necrofilia: é uma parafilia sem outra especificação, onde há o desejo e impulso e atração sexual por cadáveres.

• Escatologia telefônica: desejo, impulso e prazer sexual através de telefonemas obscenos.

• Parcialismo: prazer sexual obtido através da focalização de uma parte do corpo.

• Zoofilia: é o envolvimento sexual de seres humanos com animais. Há duas variedades: a zoofilia em si, que é o envolvimento levando em conta o prazer sexual também do animal, e a bestialidade, que é a satisfação sexual sem levar em conta o bem-estar do animal, muitas vezes levando-o a maltrato, ferimentos e até a morte. A bestialidade equivaleria ao estupro humano. A zoofilia geralmente é apenas um meio de obter prazer sexual, uma fantasia. Mas há quem adote como estilo de vida, podendo até casar com o animal. Lembrando que, tudo que deixa de ser apenas uma fantasia, e passa a tomar conta da vida da pessoa, é perversão.

• Coprofilia: consiste na excitação sexual relativa ao contacto com fezes do parceiro sexual. Abrange um largo espectro de práticas, que pode ir até à coprofagia (ingestão)..

• Urofilia: é a excitação associada ao ato de urinar ou receber o jato urinário do parceiro, chegando-se, em alguns casos, a beber a urina. A urina pode ser depositada no ânus ou vagina. É também designada como Ondinismo ou Urolagnia ou pelo termo popular “Chuva Dourada”.

• Cronofilia é um termo raramente usado para se referir a um grupo de parafilias do tipo em que a idade sexo-erótico da pessoa em causa é discordante da sua própria idade cronológica e concordante com a do parceiro.

• Teleiofilia: atração sexual de um menor por adultos.

• Apotemnofilia: é uma parafilia caracterizada pelo desejo de se ver amputado em uma ou mais partes do corpo.

• Gerontofilia: atração sexual de não-idosos por idosos, pode ocorrer em ambos os sexos e ter muito mais que o sexo como atrativo como interesse econômico, proteção social, carência afetiva.

• Podolatria: desejo e satisfação sexual obtido ao beijar, tocar, cheirar, lamber os pés do parceiro.

• Bondage: é um tipo específico de fetiche, geralmente relacionado com sadomasoquismo, onde a principal fonte de prazer consiste em amarrar e imobilizar seu parceiro ou pessoa envolvida.

• Pregnofilia ou Maieusofilia: uma parafilia que consiste em se ter desejo sexual por mulheres grávidas.

• Incesto: é a relação sexual ou marital entre parentes próximos ou alguma forma de restrição sexual dentro de determinada sociedade. São consideradas incestuosas, geralmente, as relações entre pais e filhos, entre irmãos ou meio-irmãos, ou entre tios e sobrinhos.

• Clismafilia: é a excitação sexual causada de preferência ou exclusivamente por clisters.

• BBW: são as iniciais de “Big Beautiful Woman”, ou seja, mulheres gordas e bonitas ou atraentes. Essas mulheres estão se tornando cada vez mais “objeto” de desejo de milhares de homens ao redor do mundo. Os admiradores de mulheres com esse tipo físico se chamam Fat Admirer ou simplesmente “FA”, ou seja, admiradores de gordas.

• Agorafilia: compreende-se o desejo doentio (impulso incontrolável) pela prática do coito em lugares abertos, ou ao ar livre.

• Anemofilia: no sentido botânico, é a polinização por ação portadora do vento. No sentido psiquiátrico, a anemófila é a excitação sexual com vento ou sopro (corrente de ar) nos genitais ou em outra zona exógena.

• Agrofilia: é a excitação em fazer sexo no campo (mato).

• Cinofilia: a amizade pelos cães; o gosto pelos cães.

• Coreofilia: Prazer sexual durante a dança.

• Corofilia: a inclinação de certas lésbicas maduras por mocinhas impúberes.

• Crinofilia: Excitação sexual provocada por secreções (saliva, suor, secreções vaginais, etc).

• Dendrofilia: excitação sexual com vegetais.

• Efebolia: também conhecida como hebefilia [do grego “ephebos” – pessoa jovem pós-pubescente, ou “hebe” – juventude, + “philia” ] é a condição de adultos que são dependentes da atração sexual por adolescentes pós-pubescentes, a fim de obter excitação sexual e facilitar ou conseguir o orgasmo.É uma parafilia distinta da nepiofilia e da pedofilia. O termo técnico para a condição parafílica recíproca na qual uma pessoa mais velha personifica um adolescente é o adolescentismo parafílico.

Um efebófilo pode ser de ambos os sexos, e se interessar por adolescentes do sexo masculino, feminino ou ambos. A pederastia se refere à atração direcionada a adolescentes masculinos. A atração por adolescentes femininas é algumas vezes chamada de Síndrome de Lolita. A atividade efebofílica pode ser fantasiada durante a masturbação ou cópula com parceiros adultos.

• Emetofilia: Excitação obtida com o ato de vomitar ou com o vomito de outro. Conhecido como “banho romano”.

• Estupro: Estupro é definido, na maior parte das jurisdições, como um ato ou uma penetração sexual sem consentimento válido por um dos partidos (tanto o homem quanto a mulher). prática não-consensual de sexo, imposta por meio de violência ou grave ameaça de qualquer natureza, ou ainda imposta contra pessoas incapazes de consentir com o sexo (como crianças).

• Hebefilia: resulta em desejo sexual por adolescentes púberes (com o corpo em transformação), entre nove e treze anos.

• Hipofilia: Sexo com cavalos.

• Menofilia: excitação sexual por mulheres menstruadas.

• Nanofilia: atração sexual por anões.

• Neosfilia: atração pela cópula em ilhas, geralmente deserta.

• Orquifilia: é o termo utilizado para descrever a excitação sexual por testículos.

• Paternofilia: Fixação sexual por virgens.

• Pigofilia: excitação sexual por nádegas.

• Pogonofilia: Excitação sexual por barbas.

• Trampling: é um fetiche que consiste no ato de um indivíduo ser pisado por uma ou mais pessoas, normalmente do sexo oposto, sendo mais comum uma mulher pisando num homem. O adepto desta parafilia sente-se excitado ao ser pisado por outra pessoa, descalça ou não, em várias partes do seu corpo, como peito, barriga e até mesmo cabeça e órgãos genitais. É muito comum o uso de salto-alto para a realização deste fetiche.

• Transfilia: O adepto desta parafilia sente-se excitado ao ser pisado por outra pessoa, descalça ou não, em várias partes do seu corpo, como peito, barriga e até mesmo cabeça e órgãos genitais. É muito comum o uso de salto-alto para a realização deste fetiche. Basicamente, manifesta-se como uma simpatia e uma vontade de adquirir amizade, relacionamento ou proximidade com pessoas trans. A transfilia se manifesta de muitas maneiras, independentemente da orientação sexual da pessoa (heterossexual, homossexual, bissexual etc.).

Uma parte dos transfílicos é formada por transexuais e transgêneros latente, que de algum modo tencionam pertencer ao grupo, usar os códigos, as maneiras e viver como, mas não tiveram oportunidade ou possibilidade, seja por fatores externos (pressões da família e da sociedade), ou internos (pressão fomentada dentro de si mesmo). Outra parte é formada por homens que preferem relacionar-se com transexuais ou transgêneros, mesmo sendo heterossexuais e agindo como tal dentro relacionamento.

Nesse caso, a transfilia está relacionada ao fetiche de se relacionar com uma figura feminina que possui um pênis (travestis), ou uma mulher que já foi homem anatomicamente (transexuais MtF operadas e hormonizadas), ou ainda – no caso das mulheres heterossexuais – relacionar-se com um homem que já foi anatomicamente uma mulher (transexuais FtM mastectomizados e homonizados).

• Tricofilia: conhecido o fetiche por cabelos e pêlos.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Infelizmente, na maioria das vezes, os crimes ou comportamentos parafílicos não são denunciados com freqüência, primeiro pelo fato constrangedor da vítima, depois pela impunidade que pode acontecer, pelas ameaças e coerções que podem ocorrer ou outras variadas causas.

A detecção dos transtornos da sexualidade em geral ocorre após o cometimento de um crime, ou quando o parafílico já está em grande sofrimento, gerando incapacidade de se socializar e relacionar com todos, ficando totalmente isolado.

Como pode-se verificar, o transtorno da sexualidade acontece como um comportamento aprendido na criança e no adulto se manifesta devido ao um trauma sofrido dessa natureza ou por má resolução da questão sexual do indivíduo.

O enfermeiro é muito importante para o estabelecimento de um vínculo interpessoal com o paciente vítima de parafilia ou com transtornos parafílicos, isto porque a enfermagem é a profissão que fica constantemente em contato com o cliente; portanto deve ser esclarecido com relação à sexualidade e observar continuamente o comportamento e atitudes do indivíduo, a fim de desenvolver um diagnóstico de enfermagem compatível para uma boa evolução do paciente.

A parafilia pode ser tratada de forma paliativa com medicações e terapias, mas infelizmente, alguns indivíduos com transtorno da sexualidade são detidos, sofrem agressão dentro da prisão e podem inclusive ser assassinados, dependendo do tipo de crime que cometeram, outros,por sua vez, voltam a cometer e reivindicar o seu delito e poucos respondem ao tratamento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

01.htttp://www.msd-brazil.com/msd43/m_manual/mm_sec7_87.htm. Acesso em 18/03/07.

02.LARAIA,M.T. & STUART,G.W. Enfermagem psiquiátrica:princípios e práticas. 6.ª ed. São Paulo, 2004.

03.htttp://gballone.sites.uol.com.br/sexo/crimesexo.html. Acesso em 20/03/07.

04.http:// www.psiqweb.med.br/dsm/sexual4.html. Acesso em 20/03/07.

05.http://www.psiqweb.med.br/forense/sexual6.html. Acesso em 20/03/07.

06.http://www1.uol.com.br/vyaestelar/peversao_parafilia.htm.

07.http://www.tarasnet.hpg.ig.com.br/tarasnetnosso%20parafilia. Acesso 21/03/07.

SISTEMA DE INFORMAÇÃO EM SAUDE

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A informação é algo dinâmico e imprescindível, necessário para que as pessoas nas empresem, organizações e instituições possam realizar administrar e avaliar melhor suas atividades. Sempre estamos buscando a informação, precisamos cada vez mais das informações para nos organizarmos, pessoalmente e socialmente, na busca de intervenções e manutenção do meio em que estamos inseridos. Enfim, somos provocados e provocamos a construção e disseminação da informação. Pinto (2000:5).

Observamos um avanço nos sistemas de informação quando relacionada com a informática, ainda que sua aplicação prática e sua generalização surgiram e se desenvolveram, essencialmente, após a Primeira Guerra Mundial. Carvalho (1998:5).

Desde a década de 60 aconteceu uma revolução considerável na área da informática em âmbito mundial, sendo observado mudanças no tamanho dos computadores se tornando cada vez menores, aos poucos os mini e microcomputadores foram ocupando as empresas e, posteriormente chegaram aos domicílios das pessoas, descentralizando suas ações de processamento dos dados e, oferecendo aos usuários a liberdade de processar informações na forma de planilhas, textos, gráficos, de forma simples e amigável. Carvalho (1998:57-8).

A demonstração mais clara da evolução da computação nos dias de hoje é a Internet, considerada a “rede das redes” por ter a capacidade de conectar computadores e pessoas de forma rápida, transmitindo mensagens, textos, imagens, filmes, sons, e outros arquivos via telefone, cabos, satélite, rádio, e outros meios de comunicação.

O crescimento das organizações modernas e a necessidade de seu controle; a evolução da indústria eletrônica que possibilitou o desenvolvimento de programas cada vez mais modernos, com a capacidade de processamento de dados cada vez mais rápidos e o pensamento científico e filosófico, buscando compreender os novos fenômenos e desafios da natureza e do mundo em transformação acelerada, são as três forças independentes responsáveis pelo surgimento dos sistemas de informação relacionados a computação. Pinto (2000:21).

Para Guimarães e Évora (2004:7) os sistemas de informação devem atender à demanda e antecipar as necessidades dos usuários, coletando, organizando, distribuindo e disponibilizando a informação a ser utilizada no processo de decisão.

Os serviços de saúde, assim como as outras áreas da sociedade: educação, administração, segurança, etc. necessitam da organização de suas informações para o melhor gerenciamento e a tomada das decisões, sejam estas informações organizadas de forma informatizada ou não. E no contexto deste trabalho que visa analisar a qualidade da informação.

O sistema de informação em saúde está inserido em um sistema maior e mais complexo: o Sistema Único de Saúde (SUS). Os sistemas se misturam à medida que seus componentes trazem uma visão em comum, ou seja, atingir a qualidade da assistência a saúde, através de atividades de promoção, prevenção e recuperação da saúde, (…) tem a ver com os vários outros sistemas: estatísticos, administrativos, educação, moradia, habitação, transporte e todos os outros relevantes a vida. Pinto (2000:26)

Quando se discute um SIS, se contextualiza algo muito mais amplo, mais abrangente, mais complexo, não só a informação, já que estão presentes vários dados dispostos de maneira a facilitar a compreensão e processamento para que sejam realizadas análises técnicas futuramente.

Conforme Carvalho e Eduardo (1998: 5):

Um sistema de informação pode ser definido como um conjunto de procedimentos organizados que, quando executados, provêem informação de suporte à organização. Um SI em geral processa dados, de maneira informatizada ou não, e os apresenta para os usuários, individuais ou grupos, que são os responsáveis pela sua interpretação. A forma como se processa essa interpretação, uma atividade inerentemente humana, é extremamente importante para a compreensão da reação da organização às saídas do sistema.

“Para que um Sistema de Informação em Saúde possa ser considerado eficiente, torna – se essencial conhecer a origem das informações, sua fidedignidade, sua relevância, os dados devem ser acessíveis ou recuperáveis, possibilitando uma resposta adequada”. Carvalho e Eduardo (1998:2).

A gestão dos sistemas locais de saúde precisa contar com bons sistemas de informação, ou seja, um sistema organizacional requer componentes inter-atuantes como: informação, decisão e ação. Para a tomada de decisão são necessários parâmetros e variáveis que façam parte do processo informativo. Pinto (2000:35)

Os primeiros SIS surgiram no Brasil após a década de 70 e, este movimento se consagrou na discussão da VIII Conferência Nacional de Saúde (1986), quando foi preconizado melhor qualidade e relacionamento entre as bases de dados.

A Constituição Federal de 1988 trouxe a discussão sobre a reorganização dos serviços de saúde e, como a informação em saúde é uma ferramenta de transformação foi proposto a implantação de SIS que estivessem de acordo com os princípios do SUS: regionalização, descentralização, universalização, hierarquização e equidade, facilitando a avaliação das ações em saúde.

Moraes (1994:158) discute que: “existe a necessidade de se discutir informações em saúde no Brasil, pois é um desafio interdisciplinar e não mais uma “nova” área do conhecimento (…), pois nenhuma disciplina por si só dá conta deste objeto”.

SISTEMAS DE INFORMAÇÃO EM SAÚDE NO BRASIL

No Brasil vários foram os SIS criados nos últimos anos, devido as discussões já citadas e pela necessidade de se melhorar a velocidade de processamento e disseminação através da retroalimentação.

O Ministério da Saúde gerencia os seguintes sistemas:

Sistema de Informação Sobre Mortalidade (SIM), Sistema de Informação Sobre Nascidos Vivos (SINASC), Sistema de Informação Sobre Agravos de Notificação Obrigatória (SINAN), Sistema de Informação sobre serviços e Atendimentos Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SIA), Sistema de Informação Sobre Internações Hospitalares (SIH).

Três dos sistemas específicos da área de saúde (SIM, SINASC e SINAN) são gerenciados em nível nacional pelo Centro Nacional de Epidemiologia (CENEPI) e, dois (SIA e SIH) pela Secretaria de Assistência à Saúde, ambos os órgãos do Ministério da Saúde. O desenvolvimento da tecnologia e suporte aos programas de computador são feitos pelo Departamento de Informática do SUS, mais conhecido como DATASUS (MOTA e CARVALHO, 1999).

Principais Sistemas de Informações. Outras informações sobre o SIS estão disponibilizadas no site: http://www.saude.gov.br

INTERNET

A Internet que é uma rede de computadores criada a partir da utilização de serviços de telecomunicações, tais como telefone, cabos, satélites e outros meios, conectando computadores e pessoas em escala global. Utiliza o protocolo Transmission Control Protocol/ Internet Protocol (TCP/IP) como padrão para comunicação.

No que diz respeito aos sistemas de informação, ela possibilita através de programas de busca, pesquisa sobre inúmeros artigos, textos e endereços eletrônicos de interesse na área da saúde. Carvalho e Eduardo (1998:97).

Existem outros SIS, criados pelos municípios e estados cada um com sua utilidade, sendo que não cabe aprofundarmos este assunto nesse momento.

O que é necessário discutir aqui em consonância com o tema proposto em capítulos anteriores, é que existem já há algum tempo fóruns acontecendo em nosso país que tratam da questão da implantação, manutenção, e ampliação dos SIS.

As conferências nacionais de saúde, bem como discussões em eventos voltadas a temática da informação em saúde organizadas por instituições de classe e de ensino, tem oportunizado debates que trazem propostas e estratégias para auxiliar na melhor utilização das informações disponíveis em várias bases de dados referentes à saúde.

Durante uma oficina de trabalho: Compatibilização de Bases de Dados Nacionais, organizada pelo Grupo Técnico de Informação em Saúde e População (GTISP) da Associação Brasileira de Pós Graduação em Saúde Coletiva (ABRASCO), que ocorreu nos dias em agosto de 1997, no âmbito do V Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva e V Congresso Paulista de Saúde Pública, em Águas de Lindóia/SP, foi discutido que “Os sistemas de informação produzem um grande volume de dados que, no entanto, são coletados, tratados e organizados sob diferentes lógicas, como resultado da atividade compartilhada das instituições que atuam no setor Saúde”. (ABRASCO, 1997:1).

Este evento trouxe propostas e recomendações de caráter geral:

Quanto a descentralização: Que os gestores das três esferas procurem garantir um processo de descentralização dos sistemas de informações para estados e municípios que: aconteça uma pactuação de uma base legal específica que promova e assegure a alimentação dos bancos de dados nacionais e a qualidade das informações prestadas. Que se mantenha a compatibilização entre os sistemas, estabelecendo ligações entre eles. (ABRASCO, 1997).

Quanto as variáveis: Ficou definido que é necessário definir variáveis essenciais a cada nível (municipal estadual e federal). Em relação às mudanças nas estruturas das informações: Como as informações em saúde são um bem público, é necessário que as alterações sejam anunciadas previamente, com datas de referenciais anuais para implantação, pela preservação de séries históricas, garantia de utilização e compatibilidade com os demais sistemas. (ABRASCO, 1997).

Quanto à critérios éticos. Ficou deliberado que é necessário definir de forma participativa e democrática critérios éticos que regulamentem o processo de coleta, tratamento, disseminação e uso da informação em saúde, com ênfase na garantia do respeito à privacidade dos indivíduos.

Quanto à comercialização das informações: Definiu – se que é necessário o estabelecimento de critérios de regulamentação para as iniciativas de comercialização das informações. (ABRASCO, 1997).

Quanto ao número único de identificação do indivíduo: recomendou-se que a questão fosse tratada com a relevância e prioridade que lhe é devida, buscando-se entendimentos com a comissão responsável pela regulamentação visando aprofundar as articulações e estudos sobre a pertinência de compatibilizar o Cartão Nacional de Saúde do SUS (CADSUS) com o número único, bem como da adoção de um número de referência como possibilidade de compatibilidade entre os SIS.

Com isso propor mecanismos de controle da sociedade sobre a gestão do Sistema Nacional de Registro de Identificação então criado, definindo preceitos éticos e princípios de controle social na ingerência dos aparelhos de estado sobre a esfera privada do cidadão. (ABRASCO, 1997).

Outra discussão foi quanto a proposta de um cadastro nacional de estabelecimentos de saúde. Pois devem ser aprofundados estudos que apontem para a adoção de um único número de identificação do estabelecimento de saúde, principalmente envolvendo as informações cadastrais de uso para o SIM, SINASC, SINAN, SIH/SUS e SAI/SUS.

Durante o congresso também foi discutido a compatibilização dos sistemas SIM e SINASC. Ao final do encontro foi solicitado que a ABRASCO se empenhe para viabilizar a constituição de uma comissão nacional de informações em saúde, no âmbito do Conselho Nacional de Saúde (CNS), proposta já apresentada no relatório da 10ª Conferência Nacional de Saúde (Brasília, 1996), sendo que o GTISP/ABRASCO desde 1993 vem ampliando as discussões em torno desta proposta.

Que a proposta de implantação de um número único de registro civil seja avaliada de uma forma mais profunda, que aconteça a criação de um comitê temático de compatibilização da Rede de Informação para a Saúde (RIPSA), que se estimule a capacitação em informação em saúde e que as discussões da oficina possam ter continuidade, principalmente quanto á compatibilização das bases de dados, contando sempre com representantes de todos os três níveis do governo, das sociedades científicas, pesquisadores e especialistas. (ABRASCO, 1997).

A 12ª Conferência Nacional de Saúde (12ª CNS) realizada em Brasília em 2003, teve no eixo temático X um espaço destinado à discussão da informação e informática em saúde e, entre as principais diretrizes estabelecidas podemos citar: Diretriz 21. “Implantar infra–estrutura de tecnologia da informação, com capacitação profissional e aporte de recursos financeiros, incluindo as UBSs e os demais níveis da rede de serviços”. BRASIL (2003).

Essa diretriz também discutiu:

A questão de que o governo federal deve destinar recursos do Fundo de Universalização das Telecomunicações (FUST) proporcionando uma interligação entre os serviços de saúde e, com isso integrar os sistemas de informação, simplificar os processos de marcação de consulta, os resultados de exames, a implantação do Cartão Nacional de Saúde, o prontuário digitalizado e o controle do estoque de medicamentos, insumos e almoxarifado, de forma a prestar um atendimento mais rápido e integral ao usuário. (BRASIL, 2003:167).

A diretriz 28, diz que: promover e estimular, com os gestores, o uso analítico das informações dos sistemas de informações do SUS, para o planejamento e a avaliação das ações de saúde, bem como das demais informações e indicadores de saúde produzidos nos serviços. (BRASIL, 2003).

A diretriz 30 preconiza que:

Produzir indicadores de saúde, inclusive sobre a qualidade do atendimento prestado, promovendo a sua ampla divulgação e facilitando o acesso aos sistemas de informação existentes, em linguagem clara e acessível a todos os níveis de conhecimento para facilitar a fiscalização e o controle por parte dos movimentos populares e sindicais em relação aos riscos sanitários e não apenas às demandas pela assistência. (BRASIL, 2003:169)

Todos esses debates mostram que existe um movimento que tenta acompanhar, estudar e contextualizar a implantação dos SIS no Brasil, buscando discutir sobre a compatibilização entre os mais variados SIS, integração entre os mesmos, preservação das informações através dos critérios éticos e garantia da privacidade, e, que todos possam contribuir para a produção de informações relacionadas aos indicadores de saúde e perfil epidemiológico da população, possibilitando aos gestores de todas as esferas de governo (municipal, estadual e federal), poder trabalhar com as informações para o gerenciamento das ações e a tomada de decisões, “pois a população não quer a informação substituindo as ações e os serviços de saúde”, (BRASIL, 2003:161). E nessa linha de pensamento é necessário esclarecer que:

É preciso superar a visão que reduz a comunicação às suas tecnologias. Comunicação envolve informação e discursos que concorrem para a construção e a transformação de sentidos sociais a partir do uso de meios e tecnologias: imprensa, rádio, televisão, internet, mas não se reduz a nenhum deles. (BRASIL, 2003:162)

LINGUAGEM E ESCOLA

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Em “Linguagem e escola – Uma perspectiva social”, Magda Soares deixa claro o objetivo do seu trabalho, que pretende analisar e criticar as relações entre linguagem e escola, tendo como principal foco de interesse a compreensão do problema do ensino da língua materna aos alunos pertencentes às camadas populares. O livro contém um vocabulário crítico e bibliografia comentada.

CAPÍTULO II:

Seguindo este objetivo, a autora apresenta três explicações para o fracasso escolar; a saber: a ideologia do dom, a ideologia da deficiência cultural e a ideologia das diferenças culturais, abordando o papel que a linguagem desempenha nessas explicações e nessas ideologias nos capítulos seguintes.

CAPÍTULO III:

Ela exemplifica e discute o conceito de “deficiência lingüística”; mostrando sua origem e seus efeitos sobre a educação e a escola, e a involuntária contribuição do sociólogo inglês, Basil Bernstein, nesta teoria. “Segundo a lógica da teoria da deficiência cultural, o déficit lingüístico é atribuído à pobreza do contexto lingüístico em que vive a criança, particularmente no ambiente familiar”. (p. 21) “Em síntese: para a teoria da carência cultural, crianças das camadas populares, ao contrário das classes favorecidas, apresentam um déficit lingüístico, resultado da privação lingüística de que são vítimas no contexto cultural que vivem (…)” (p. 21)

CAPÍTULO IV:

Há a contestação desse conceito, com base nos estudos e pesquisas de Sociolingüísticas, onde Labov teve uma contribuição decisiva na desmistificação dessa teoria, que comprovam a existência de variáveis lingüísticas, mas negam a deficiência ou inferioridade de uma variável em relação a outras.

CAPÍTULO V:

Os conceitos de “deficiência lingüística” e de “diferenças lingüísticas” são apresentados na perspectiva de uma Sociedade da Linguagem, que aponta a sociedade capitalista como responsável pela transformação de diferenças em deficiências, na escola, por razões político-ideólogicas. “Segundo Bourdieu e Passeron (…) a função da escola tem sido precisamente esta: manter e perpetuar a estrutura social, suas desigualdades e os privilégios que confere a uns em prejuízo de outros, e não, como se apregoa promover a igualdade social e a superação das discriminações e da marginalização.” (p. 54).

CAPÍTULO VI:

Finalizando, retoma e critica as funções que têm sido atribuídas à escola no quadro dos conceitos de “deficiência” e de “diferenças”, e procura apontar caminhos para que possam ser encontradas respostas às perguntas: Como podem ser trabalhadas as relações entre linguagem, educação e classe social, numa escola que pretenda estar realmente a serviço das camadas populares? Que papel têm essas relações na definição de metodologias adequadas ao ensino da língua materna?

COMENTÁRIO:

A leitura desse livro é fácil e fundamental para todos os estudantes e mesmo professores que trabalham com a língua materna. Ele desnuda a verdadeira função da escola como organismo de manutenção da hegemonia das classes dominantes e propõe uma práxis comprometida com a transformação social com vistas à sistematização da cultura das classes dominadas.

BIBLIOGRAFIA:

SOARES, Magda. Linguagem e escola – uma perspectiva social. 17ª edição.

CONCEITO DE MEMORIA

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Vani Moreira Kenski explica sobre o conceito e as vantagens da memória. Ela diz que um fato ou coisa acontecido anteriormente e que nos vem à lembrança caracteriza a memória. Essa virtude tem utilidades em tribunais, em propagação de costumes e valores culturais. O homem, para enaltecer heróis e políticos ou patrimônio, constroem memoriais, como bustos, monumentos, etc.

O estudo da memória remota a tempos remotos, (antiguidade grega).

Mesmo para fazer o artigo, a autora exemplifica seus atos, com manejos com a memória, fazendo interligações com vários outros escritores e outras leituras.

Mitológico:

Mnemosyne era a deusa da memória (Grécia antiga), mãe de Melete, Mneme e Aoidé (Exercício, Memória e Canto, respectivamente), daí, a necessidade dos poetas apelarem para a deusa e suas filhas, caso contrário a inspiração não viria. O poeta era, então, o intérprete dessas deusas. Com o exercício da memória, exigido pelo canto às deusas, o poeta transpunha para as páginas e eternizava a memória do povo. O poeta, em destaque a que ela se refere era chamado Borges.

Orgânico:

Borges se posiciona no sentido de que memória é a verdade. A autora questiona: Não poderia ser também, ficção? Diz ela que nossos estímulos nervosos conscientes ou não provêm da memória que adquirimos desde a formação do homem, além de fatos como: Postura, idioma, hábitos culturais, tanto individuais quanto em grupo.

Ao vivenciar uma experiência, nosso sistema cria um “caminho” para as informações fluírem. A perda desse caminho acarreta a perda da memória e consequentemente, leva até às lesões de movimentos, fala, etc.

Emocional:

A complexidade da memória é indecifrável pela ciência. A interpretação emocional de uma história (infantil ou não) varia em vários aspectos, de indivíduo para indivíduo. Porém, a entonação, os gestos e a capacidade de transmissão de emoções, por quem conta uma historia, podem nivelar a interpretação de quem as escuta…Principalmente pelas crianças.

Aquele “branco” que se dá em determinadas épocas de nossa vida, não é eliminado da memória. (Apenas “perdeu o caminho”), mas é lembrado através de sonhos, que geralmente são repetitivos, atos falhos. Geralmente são acontecimentos traumáticos que nosso “sistema de segurança” bloqueia evitando conseqüências piores ao não saber lidar com aquela lembrança.

Por outro lado, também “coisas boas” são bloqueadas pelo nosso sistema, senão, como conseguiríamos viver com tantas lembranças (de anos e anos atrás) no nosso cotidiano? Esse depósito da memória é o chamado inconsciente. Essas lembranças, oportunamente, dependendo das emoções, poderão vir à tona. Mas não por imposição da memória. Depende de um fator externo que faça a ligação com a lembrança.

Social:

Halbwachs afirma que o presente não é totalmente original, mas uma seqüência do passado, como uma corrente. O mesmo diz Bérgson. É um refazer e um repensar. Porem, para Halbwachs, a função “retentiva” da memória não é uma teoria compartilhada com Bérgson. Há a dependência do indivíduo com o grupo social em que vive. (Linguagem, costumes, religião)

Cultural:

Uma corrente teórica da escola de Frankfurt, que estabelece relações marxistas e freudianas (Psicanalítica). Dahmer ressalta os malefícios que, às vezes, a cultura traz ao indivíduo desde seu nascimento. O individuo tem que renunciar à sua individualidade e proceder conforme dita as regras de seu povo (Pecado, erro, indisciplina, tara, etc.). Essa “prisão” acarreta a violência, a droga, as manifestações através da arte ou do comportamento, o conflito das gerações.

Através das leis, das punições e do medo das conseqüências, o indivíduo, em geral, bloqueia o inconsciente repleto de memórias “proibidas”…Senão seria o caos na humanidade.

Ficcional:

Nem sempre a memória obedece cegamente aos costumes e aos meios do indivíduo. Às vezes, ele “conta” ou “inventa” uma história para fantasiar a memória. Dessas fantasias nasce a criatividade humana, senão hoje, tudo seria como há cem anos atrás. Esse procedimento tem seus limites, ou se tornaria uma neurose em que tudo é fantasia, perdendo o elo com a realidade.

Tecnológico:

A tecnologia é prejudicial para a memória. Prejudicial no sentido de exercício. Lembrança. A pressa de nossos dias nos impede o pleno raciocínio porque a máquina o faz por nós. Ao mesmo tempo, essa tecnologia, embora dispensando-nos do esforço de lembrar, através da imagem, dos pendrives, do computador, cinemas, etc., colocam tudo à nossa frente facilitando o acesso à memória.(Funcionando de fora pra dentro).

Virtual:

De um tempo para cá, o indivíduo que habitava a zona rural, pouco se dava conta do que era o mundo exterior, senão por conversas com amigos, rádios, etc. Hoje, ele conta com uma janela aberta para o mundo, e se inteira de tudo e de todos que acontecem “lá fora”.

Há também, como explicado anteriormente, a saraivada de fatos que faz afluir a memória, como: filmes, reportagens, revistas, novelas, documentários na TV,celulares,etc.

Com tudo isso, a memória continua como nos primeiros tempos. Inalterável, só que facilitamos sua movimentação. Podemos ainda criar, estudar, ensinar e darmos asas à imaginação e aproveitarmos essa virtude tão divina que temos.

EFEITOS FISIOLOGICOS DO TOCAR

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Efeitos fisiológicos do tocar
Depois de se estudar as pesquisas sobre as respostas humanas e animais ao tocar, fica-se impressionado pela freqüência das ostensivas vantagens em termos de saúde, estado de atenção e responsabilidade exibidas pelos filhotes que foram carregados no colo, em comparação com os que não foram, ou que apenas receberam um mínimo de atenção tátil.

A contundente evidencia que a pele tem a função imunológica vem sendo cada vez mais confirmada por numerosos pesquisadores independentes.

A estimulação tátil tem efeitos profundos sobre o organismo, tanto fisiológicos quanto comportamentais, e isto só se tornou conhecido recentemente.

Uma depressão semelhante na resposta dos linfócitos foi observada num par de macacos, que haviam sido criados juntos, quando, na décima – sétima semana foram separados durante onze dias e depois reunidos; nesse momento, sua resposta de linfócitos voltou ao normal.

Os investigadores concluíram que alguma sutil interação mãe filhote era o fator responsável pela inversão de efeitos negativos presentes em filhotes pré-desmamados, maternalmente privados; suas suspeitas eram que as experiências táteis poderiam ser fatores de primeira ordem nesses efeitos.

Os filhotes privados, experimentalmente não tratados de nenhuma dessas maneiras, foram mantidos num recipiente isolado da mesma incubadora, e não manipulados absolutamente, exceto no começo e no final dos experimentos.

No primeiro experimento, foram comparados os níveis de atividade cerebral, cardíaca e hepática da ODC, após cinco manipulações experimentais diferentes: os filhotes do grupo controle deixados com a mãe por duas horas; os filhotes maternalmente privados por duas horas; e os maternalmente privados eu receberam toques pesados, toques leves e beliscão no rabo.

A atividade hepática da ODC em filhotes tocados também foi significativamente elevada, acima da dos filhotes maternalmente privados e não estimulados, embora a atividade realmente não tivesse voltado ao nível dos filhotes controle da mesma ninhada.

Os dados desses e outros experimentos aportam as evidencias experimentais que já se suspeitava existirem a muito tempo, a saber, que existem diferenças bioquímica significativas entre os seres humanos que se beneficiaram de uma estimulação tátil adequada e os que não se beneficiaram; essa confirmação provavelmente mostrasse-a capaz de aplicação para qualquer período da vida.

Num outro caso típico, uma gêmea fraterna, que tinha severo retardo em seu crescimento desde o seu sétimo ano de vida, começou a se recuperar após entrar numa escola.

Seus rítmos de crescimento físico, psicológico e social foram invertidos a um ponto tal que, com treze anos, ela estava aproximadamente igual ao outro irmão gêmeo em todos os sentidos. É muito claro em cada uma dessas pesquisas que um componente principal da produção de todos esses efeitos negativos sobre a criança era a falta de contato com a mãe.

Pele e sexo

A verdadeira linguagem do sexo é fundamentalmente não verbal.

O ditado francês, segundo o qual a relação sexual é a harmonia de duas almas e o contato de duas epidermes, enfatiza com elegância uma verdade essencial: o maciço envolvimento da pele na reunião sexual.

Varias funções são atendidas por esses dispositivos anatômicos.

Os lábios e os genitais externos são especialmente bem-dotados de terminações nervosas sensoriais ramificadas côncavas e em forma de disco, que entram cada uma delas em contato com uma única célula epitelial aumentada.

Para ambos os sexos, os estímulos com maior poder de incitamento sexual imediato são de natureza tátil.

A estimulação recíproca das pontas dos dedos de duas pessoas sexualmente interessadas uma na outra pode ser instigante do ponto de vista sexual.

Da mesma forma como a pessoa aprende a identificar-se com seu papel sexual, ela também aprende ou não as respostas comportamentais que se apresentam em resultado do condicionamento que se iniciou originalmente através da pele.

O fato de a mãe segurar o filho no colo e aconchega-lo tem um papel muito eficiente e importante no subsequente desenvolvimento sexual da criança.

Contatou-se que, para a maior parte das mulheres, o contato corporal é agradável, mas não indispensável.

A necessidade de contato corporal, como as necessidades orais, pode tornar-se mais intensa durante períodos de estresse.

Conforme expressou uma dessas mulheres, ao descrever seu desejo de ser abraçada, é como uma espécie de dor.

A maioria dessas mulheres associava seu desejo de ter um a abraço à sexualidade adulta, a algo inequivocamente não tivesse a menor indicação de homossexualidade.

O que se observa no intenso anseio dessas mulheres por serem abraçadas e aconchegadas é uma resposta a uma necessidade que foi em grande extensão não resolvida durante os primeiros anos de vida.

Descobriu-se que um desejo forte de ser abraçada ou aconchegada correlacionava-se a uma propensão geral para abertura nas manifestações emocionais.

O desejo nesse casos pode ser então bloqueado ou mesmo negado antes que alcance a consciência.

Os autores concluíram que sua pesquisa demonstra que fatores culturais, bem como os de ordem psicológica, exercem uma influencia profunda sobre o desejo de serem abraçadas.

É significativo que praticamente exista a nível universal uma identificação entre tato e sexo.

Embora a necessidade de ser abraçado possa ser sentida como algo bastante distinto da relação sexual, não obstante é quase sempre um dos principais elementos da necessidade de sexo e, em muitos casos.

Ao ser delicadamente tocada, acariciada, carregada no colo, aconchegada, confortada, e ao receber as verbalizações carinhosas típicas para bebes, a criança aprende a tocar delicadamente, a acariciar, a aconchegar, a confortar e a emitir as mesmas verbalizações e amar os outros.

Seria tolo pretendermos possuir a esse respeito mais conhecimento do que os efetivamente dispomos, pois, embora milhares de monografias, livros e artigos tenham sido escrito a respeito de praticamente todos os aspectos do sexo, o papel das primeiras experiências cutâneas presentes na situação do atendimento prestado pela mãe tem sido amplamente negligenciado.

Diante da continuação do desenvolvimento, a necessidade do tato.

O fato dos machos terem genitais externos proeminentes, pênis escroto e gônadas, torna a manipulação do mesmo pela mãe, pelo próprio bebe, e pelos outros, muito mais convidativa e fácil do que ocorre com as fêmeas.

No mundo ocidental em particular, números incontáveis de pessoas foram criadas segundo a crença de que prazeres sensuais são errados.

No primeiros seis meses de vida, a criança esta aprendendo confiança e desconfiança; as mudanças na seqüência de carregar meninos e meninas no colo pode influir na aprendizagem da confiança desconfiança de um modo tal que interfira e modele os papeis sexuais.

A queixa tantas vezes repetida pelas mulheres sobre o desajeitamento, a rudeza e a incompetência dos homens em suas abordagens sexuais e na própria relação sexual, a respeito da falta de habilidade dos homens durante a fase preparatória e sua incapacidade para compreender o significado da mesma, quase que seguramente reflete de modo substancial a falta de experiências táteis que esses homens devem ter padecido durante a infância.

O paralelo entre as macacas adultas que não tinham tido mãe e os desastres sofridos pelos adultos que maltratam crianças quando eles mesmos passavam pela infância é uma coisa apavorante.

Bater em crianças, seja qual for a intenção, como forma de disciplina ou por outros motivos, torna a pele um órgão de dor ao invés do órgão do prazer.

Velhos sujos dando beliscões no traseiro de mulheres constitui um exemplo de perversão sexual que a sociedade claramente entendeu e considera não de todo destituído de graça.

Pode-se postular como praticamente certo que aconteceu no inicio da vida dessas pessoas uma falta de atendimento materno adequado e principalmente de uma adequada comunicação por meio da pele.

Esses fenômenos, no entanto, não são absolutamente nenhum sentido de evidencia patológicas de perturbações sexuais.

Este estado de alarme é compreensivo numa sociedade que tanto confundiu amor, sexo, afeto e toque.

As zonas eróticas, porém, devem ser evitadas; incluem lábios, mamilos, genitais externos e nádegas.

A estimulação tátil é muito mais significativa para as mulheres que para os homens.

O contato corporal para uma mulher é um ato de grande intimidade e uma concessão de longo alcance.

A carga dupla de criar gêmeos parece permitir menos tempo e energia disponíveis a cada criança em particular, do que resultam efeitos significativos sobre os gêmeos.

A “gemelaridade” afeta as duas crianças adversamente, pois não há nenhum espaçamento entre o nascimento dos filhos.

Bibliografia:

Livro: Tocar significado humano de pele
Autor: Ashey Montagu

HISTORIA DA EDUCAÇÃO

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Após a queda de Robespierre e a ditadura jacobina na França em 1794, foi formado o Diretório logo em seguida, 1795. O Diretório representava o poder executivo da grande burguesia conservadora. Foi contra esse Diretório, que surgiram os planos de uma conspiração.

A fim de derrubar o Diretório, extinguir a Constituição de 1795 e organizar a sociedade francesa nos moldes igualitários que nasceu a Conspiração dos Iguais. A Conspiração era inspirada por G. Babeuf e liderada por Felipe Buonarroti.

A chamada Conspiração dos Iguais é classificada como o primeiro movimento do Socialismo na história. Defendia no seu programa, entre outros objetivos, o direito de todos à educação. Mesmo não acontecendo necessariamente em um país socialista, temos as primeiras manifestações socialistas.

Consideremos que a formação do homem é conseqüência da educação. A teoria materialista diz que o homem modificado é aquele que é produto de circunstâncias diferentes e de uma educação modificada. Mas circunstâncias são modificadas justamente pelos homens e o próprio educador precisa ser educado. Tal teoria não pode esquecer isso. Consequentemente a isso, tem-se a divisão da sociedade em duas partes.

A relação entre modificação das circunstâncias e atividade humana deve ser encarada e racionalmente compreendida como prática transformadora. Assim argumenta Karl Marx em “Teses sobre L. Feuerbach”. Durante a revolução industrial via-se caos e confusão por todos os lados. Mas Robert Owen enxergou com outros olhos.

Acreditava que ali era o lugar apropriado para comprovar sua tese favorita, introduzindo ordem no caos. De 1800 a 1829 ele orientou, com liberdade e com um êxito que lhe valeu fama na Europa, a grande fábrica de fios de algodão na cidade de New Lanark, na Escócia, da qual era sócio e gerente.

Atingiu a marca de dois mil e quinhentos operários vindos dos elementos mais heterogêneos da sociedade. Grande parte formada por pessoas desmoralizadas, que se converteu em suas mãos numa colônia-modelo. Assim essas pessoas passaram a não ter mais contatos com o alcoolismo, brigas com a polícia, juizes de paz, processos, asilos para pobres e nem a beneficência pública.

Robert Owen conseguiu tal feito quando deu aos seus operários condições mais humanas de vida e acima de tudo consagrando um cuidado especial à educação da família e suas gerações posteriores. R. Owen criou os jardins de infância que funcionaram pela primeira vez na cidade escocesa. As crianças eram levadas para as escolas a partir dos dois anos. Eram levadas para casa somente em casos mais graves, pois ficavam muito bem nas escolas. Owen permitia em sua fábrica uma jornada de trabalho menor que a da concorrência.

Trabalhavam três ou quatro horas a menos. Isso lhes garantia uma condição mais humana de trabalho. Certa crise do algodão fez a fábrica fechar por quatro meses. Porém, mesmo sem trabalho, seus operários continuaram recebendo as suas diárias integrais.

É com atitudes como essas que percebemos como a dignidade humana vale mais. Foi recuperado essa dignidade e o valor do homem com essa prática que é educativa também. A revolução filosófica foi na Alemanha do século XIX o início de um desmoronamento político, assim como na França do século XVIII.

Mesmo cada uma com suas particularidades. Os franceses contra a Igreja, a ciência oficial, e até mesmo contra o Estado. Os alemães, contrariamente, eram professores.

O Estado colocava a educação como sua responsabilidade. Suas obras, livros de texto consagrados.

Como poderia a revolução esconder-se por trás desses professores, por trás de suas obscuras palavras e de suas frases chatas e longas? Pois não eram precisamente os liberais, considerados então os verdadeiros representantes da revolução, os inimigos mais encarniçados desta filosofia que trazia confusão às consciências?

Fidel Castro, em uma entrevista publicada no Granma Internacional Digital, em Havana, disse: “Embora não chegamos ainda aos níveis de produção e consumo que tínhamos quando se produziu o desastre socialista na Europa, nós fomos recuperando com passo firme e visível; os indicadores de educação, saúde, segurança social e outros muitos aspectos sociais que eram orgulho do país. Mantivemo-los e inclusive alguns foram ultrapassados.

Defendendo o movimento socialista podemos relatar a relação entre os socialistas e a Igreja. Vamos subentender que os social-democratas estão dispostos a acabar com exploração do povo pela classe dominante.

Até poderíamos pensar que o clero tivesse interesse para ser pioneiro na prática dessa ação igualitária, mais ainda que os social-democratas. Afinal, o clero segue a Cristo, que diz: “É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino dos Céus”. Os social-democratas tentam implantar nos países, regimes sociais baseados na igualdade, liberdade e fraternidade para todo o povo.

Partindo desse ponto, a Igreja deve acolher com entusiasmo a bandeira dos social-democratas, fazendo jus ao que ela prega. Os social-democratas tentam, através de um combate incansável e, sobretudo da educação para o povo, libertá-lo da opressão e oferecer um futuro digno para os seus filhos. Devemos concluir que essa relação com a Igreja é bastante complexa devido aos valores que estão inerentes nela.

É o interesse de cada uma das partes que entra em choque, mesmo com a aparência de serem concordantes e lutarem pelos mesmos objetivos. A Constituição de Cuba, país socialista, de 1976 traz alguns aspectos importantes sobre a educação para o seu povo.

Colocando a responsabilidade na mão do Estado, instiga-o a promover, incentivar e cuidar de suas manifestações. O próprio Estado que cuida de organizações sociais que visam a prática política e educacional.

Assim como fala no Artigo 39 da Constituição. Sua política educacional e cultural é embasada nos avanços científicos e tecnológicos. Traduzindo assim, um processo educacional mais dinâmico e condizente com a realidade atual.Também é função do Estado manter um sistema que irá facilitar o acesso aos estudos aos trabalhadores, para terem mais conhecimento e habilidades também.

Todo cidadão deve estudar e ter uma preparação básica. A Constituição cubana também assegura a formação comunista das gerações e prole para o convívio social. Integrar a educação geral e específica com o trabalho, assim como também práticas artísticas, técnicas, esportivas e até mesmo militares, é uma forma de realizar a formação também. Dá liberdade às manifestações artísticas desde que não sejam contra a Revolução.

O próprio Estado incentiva a profissão artística e sua aceitação pelo povo. Outro aspecto de importância que a Constituição traz é a defesa do patrimônio cultural. Assim como incentiva a cultura, também zela por ela protegendo monumentos, lugares de beleza natural e que tenham um reconhecimento histórico e cultural.

O Artigo 40 discorre também sobre os benefícios que os estudantes merecem. O Estado e a sociedade devem uma proteção particular à criança e ao jovem. A escola, família, órgãos estatais e organizacões sociais tem o dever de prestar especial atenção à formação integral dos estudantes.

Essa é uma maneira de acolher e zelar pelo bem estar da criança e do adolescente. Tudo isso a fim de criar uma estrutura benéfica para seu desenvolvimento educacional. Essa prática, quando bem aplicada, resultará em bons resultados.

Já na Rússia, que permitiu as mudanças sonhadas e pensadas pelos comunistas, incluindo grandes pedagogos, podemos destacar a Revolução Bolchevique. Por volta da segunda década do século XII, implantada nesse país, oficialmente, o governo comunista, seguindo a teoria marxista.

Com a formação da União Soviética, o objetivo do governo era restaurar a sociedade usando bases comunistas. Para que isso acontecesse era preciso redefinir conceito de educação em sua totalidade.

Makarenko foi o maior pedagogo que a Rússia já teve. Seu intuito era formar moralmente e desenvolver o comunismo nos homens. Nesse período após o início da Revolução Bolchevique o país estava marcado por um sentimento muito grande de renovação das instituições já existentes. Para formar o homem, o governo propôs a educação gratuita e obrigatória para qualquer nível de conhecimento.

Houve reformas administrativas como extinção de instituições educacionais que eram mantidas pela Igreja, e particulares também. Havia estudo para formação de professores tanto do ensino fundamental como do ensino superior.

Mergulhado em um clima tenso para a educação, a ação pedagógica de Makarenko está também num contexto cheio de boas esperanças de um país que vive um período pós-revolucionário. Paira um profundo desejo de transformação do homem.

É qualificado por um sentido contrário ao individualismo. Assim a ação do pedagogo deve ser sustentada. Busquemos ações menos individualistas que façam reaparecer o valor do ser humano.

– Bibliografia

– “Teses sobre L. Feuerbach”. Escrito por Karl Marx em 1845 e publicado por F. Engels como apêndice de sua obra “Ludwig Feuerbach e o Fim da Filosofia Clássica Alemã”.

– FRIEDRICH, Engels. Do socialismo utópico ao socialismo científico, 1877.

– LUXEMBURGO, Rosa. O Socialismo e as Igrejas: O comunismo dos primeiros cristãos, 1905, Polônia.

– Constituição de Cuba de 1976 (Capítulo V – Educação e Cultura).

– MAKARENKO, Anton. Poema Pedagógico. Lisboa. Livros Horizonte, 1980.

OS 7 PECADOS DO CAPITAL

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Explorar significa fazer uso de algo para um fim determinado, como quando se explora um recurso natural para benefício próprio. Por exemplo, quando se queima madeira para fazer fogo, se está explorando as florestas para cozinhar ou para se proteger do frio.

Valendo-nos da ação de outra pessoa para benefício próprio, estamos explorando essa pessoa. Ela sendo fraca e sem formas de resistência e de se submeter à nossa ação sobre ela, estamos fazendo algo moralmente condenável. Através da exploração, estamos oprimindo outro ser humano.
A exploração se deu em geral através da utilização do trabalho alheio para obtenção de benefícios e acumulação de riquezas.

– Exploração e trabalho humano

Os homens diferenciam-se dos outros animais pela sua capacidade de trabalho. São os únicos seres que produzem os seus meios de subsistência, transformando o meio em que vivem. Assim, cada geração encontra um mundo diferente – não necessariamente melhor, mas sempre diferente – do que o de seus pais. Diferente do mundo animal que praticamente nada muda, a não ser que tenha sido introduzido pelo homem.

Com a capacidade de mudar racionalmente o mundo que o cerca, o homem formula projetos, e os traduz em realidade concreta. O homem reflete sobre as condições que vai enfrentar, formula um projeto, materializa esse projeto numa realidade concreta mudando o meio em que vive.

Assim, é o único ser que tem história, sendo suas condições de existência transformadas por sua própria ação.
Para grande maioria da humanidade o trabalho tem sido um instrumento de luta pela sobrevivência, um meio e não um fim. Serve como forma de exploração de grande maioria da humanidade por aqueles que, ao possuírem capital, não necessitam trabalhar e podem viver do trabalho alheio.

Antes do capitalismo o trabalho já era fonte de exploração e de acumulação de uns à custa de outros. Dentro de famílias se estabeleciam diferenças de funções, em que o homem em geral se dedicava à busca de meios de sobrevivência, enquanto a mulher cuidava dos filhos, cozinha e o arranjo da habitação.

Quando o progresso material tornou possível que nem todos precisassem trabalhar, começaram a surgir algumas figuras novas na sociedade humana como técnicos, sacerdotes, guerreiros, governantes, artistas e outros.

Introduzia-se a divisão entre trabalho material e intelectual. Essa divisão social de trabalho foi consolidando-se cada vez mais. As riquezas sempre foram produzidas pelo trabalho humano, sendo apropriado pelas minorias privilegiadas. Assim, a história tem sido de exploração do trabalho da grande parte por uma minoria.

– Exploração e alienação

Alienação tem o sentido de entregar a outro o que é nosso. Sendo assim, aliena-se um bem quando se vende a outro que é nosso. No trabalho temos vários sentidos de alienação.

A alienação econômica está ligada diretamente à exploração do trabalho alheio, vinculada à transferência de riqueza daqueles que a criam para os que exploram esse trabalho.

Existe a “mais-valia” que Karl Marx explica sendo o valor a mais na acumulação de riqueza, que é gerado além do que se necessita para remunerar o trabalhador. O valor de mais-valia é a alavanca do processo de reprodução do capital. Permite que o funcionamento da economia redunde em concentração de riqueza no pólo capitalista e de pobreza no pólo do trabalhador, na acumulação de capital em detrimento do produtor direto das riquezas. Aí se encontra o trabalho alienado.

Antes do capitalismo, essa exploração era explícita. Escravos ou servos era considerados inferiores, e haviam nascido para cumprir tarefas materiais. No capitalismo, oficialmente, as pessoas são todas iguais perante a lei, sendo impossível formas abertas de escravidão ou de servidão. Infelizmente o salário esconde os mecanismos de exploração da força de trabalho. Um aumento de salário diminui as proporções de exploração, pois diminui a mais-valia. Ao aumentar os preços de mercadorias, os capitalistas recuperam tal valor.

Outro sentido para alienação no trabalho é quando o trabalhador não decide o que vai produzir, submetendo-se às decisões dos que compram sua capacidade de trabalho. Faz-se valer então as decisões do proprietário dos meios de produção. Os trabalhadores submetem-se a tal situação, pois precisam vender sua força de trabalho.

Aliena suas forças de trabalho por não possuir capital para produzir por conta própria. O trabalhador não tem consciência que produz as riquezas da sociedade capitalista, muitas vezes até sem saber o tipo de mercadoria que está produzindo. Assim, seu trabalho se torna alienado, desvinculado do que ele produz, como uma outra forma de alienação no trabalho.

– Exploração e capitalismo

Na forma de produção das mercadorias está contido o mecanismo de exploração. Toda mercadoria assume duas funções: uma de uso e outra de troca. Quando satisfaz alguma necessidade humana, seja material ou espiritual, é chamado de valor de uso e sempre existiu.

Diferente do valor de troca, que passou a ser usado a partir do momento em que existiu produção superior ao consumo. Assim, com os objetos de seu trabalho sendo produzidos para o consumo alheio, além da parte de suas necessidades próprias.

No capitalismo tudo passou a ser mercadoria. O valor de uso de uma mercadoria pe a utilidade que ela tem, e no valor de troca é dado pelas horas de trabalho necessárias para sua produção.

A utilidade de um objeto não é o que define seu valor. Se algum objeto tem valor alto, é devido ao seu custo de extração, tempo de trabalho necessário e sua produção. Duas mercadorias distintas podem ter um ponto em comum. É o fato de que foram produzidas pelo trabalho humano.

A força de trabalho também é uma mercadoria. Ela é a única mercadoria que produz mais valor. Além de conter seu próprio valor, gera um valor a mais. Assim, uma força de trabalho qualificada vale mais, pois requereu mais anos de estudo. Seu salário mais alto reflete o maior tempo necessário para a sua produção como força de trabalho especializada.

No caso do Brasil, existe o salário mínimo, q está abaixo do valor necessário para a sobrevivência do trabalhador. Além do valor da mais-valia, há outro valor, que o trabalhador é explorado, dando origem a uma super-exploração do trabalho.

– Conclusão

Por tudo que foi exposto, nos fica mais claro qual é o papel desempenhado e como funcionam as relações entre o trabalho e o homem. Através de vários exemplos, percebemos como há uma série de interesses por trás de todas as relações trabalhistas. Desde a origem e seu desenvolvimento, o trabalho tem feito parte da vida de praticamente todo ser humano. Por conseqüência dele conseguimos produzir o que é de nossa necessidade, além de poder produzir para os outros também.

Infelizmente, existe inúmera injustiça acontecendo, independente do setor trabalhista. São funcionários sendo explorados e muitos outros casos de falta de humanidade.

Com a alta taxa de desempregados, também cresce a desumanidade. Ou seja, sem uma renda razoável, não se vive dignamente. E mesmo assim, ainda quando trabalham, estão sujeitos a enfrentar situações complicadas, como a falta de moradia ou de alimentação necessária.

Concluindo, com a visão de Sader, percebemos quais rumos tomaram os homens, frente ao trabalho, e o que o trabalho tem como função e papel em suas vidas.

IMAGENS E LETRAS

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Através da Teoria de Desenvolvimento, podemos encontrar pontos concordantes nas abordagens de Ferreiro e Luria. As duas consideram que a escrita é um processo histórico. E esse processo já começa mesmo antes da criança entrar na escola. Assim, irão utilizar esse processo histórico para explicar e caracterizar esse desenvolvimento da escrita.

Para Emilia Ferreiro, esse processo é mensurado em quatro fases: pré-silábica, silábica, silábico-alfabética e alfabética. Assim predomina a relação entre a oralidade e a escrita. Opostamente, Luria acredita na continuidade, e que o processo está baseado na relação entre gestos, o visual, o brinquedo e a escrita.

Assim, a atividade simbólica é entendida como conseqüência da atividade mental, que se torna complexa gradativamente. Então, as duas abordagens apontam para o caráter simbólico do sistema.

Ferreiro e Luria também concordam que a escola apresenta, erroneamente, um caráter mecânico para as técnicas motoras relacionadas ao desenho de letras e associações de formas sonoras a formas gráficas e sua possível memorização.

Com relação ao percurso genético, ambas lançam mão do recurso auxiliar da história da constituição social da escrita como objeto cultural, mesmo recorrendo a diferentes fontes. Já os dados históricos são tomados como referência para supormos a respeito do processo psicológico que for mais difícil de captar.

As duas abordagens aconselham a necessidade de aprofundamento científico, iniciando uma nova significação para o tema da aprendizagem na escrita. O conhecimento apóia a reflexão sobre o ensino sistemático na escola e o anterior a ela, sua interação, além de considerar a natureza dos objetos de aprendizagem e às especificidades e complexidades inerentes ao seu processo de aquisição.

A seqüência genética de aquisição segundo Ferreiro e Teberosky:

Há a necessidade de explicar o processo que as crianças aprendem a ler e escrever.

Existe repetência e desistência principalmente nas séries iniciais da escolarização, e de escolas públicas. O método de ensino vem sendo apontado como principal sujeito. Com isso, temos uma crítica a respeito do melhor método de ensino da leitura e da escrita. Esse discurso não pode privilegiar algum tipo de habilidade perceptiva, e deixar de lado a competência lingüística das crianças e suas capacidades cognitivas.

As duas autoras acreditam que vale o postulado de que o conhecimento é muito mais contribuinte da direção e enquadramento dos objetos aos esquemas de ação do indivíduo.

A obrigatória acomodação dos esquemas de assimilação às particularidades dos objetos e, portanto, aos dados de experiência é sempre monitorada pelo próprio esquema de assimilação e não decorre, conseqüentemente, de eventos puramente perceptuais.

Em relação aos métodos sintético e fonético, as autoras explicitam que o iniciante deve associar fonemas da fala a sinais gráficos, residindo nessa correspondência adequada o ponto crucial da aprendizagem. Então, a discriminação auditiva é uma competência prévia à “boa aprendizagem” da escrita.

Agora, já em relação aos métodos analíticos, o reconhecimento global de palavras ou unidades maiores é o elemento fundamental e, logo, a capacidade de realizar discriminações predominantemente visuais torna-se pré-requisito principal a ser satisfeito como preparação para a escrita.

Ambos os grupos têm como ponto de partida a mesma concepção de quem está aprendendo, vinculada ao associacionismo como teoria de aprendizagem, com ênfase em discriminações perceptuais necessárias à aprendizagem da escrita, reduzindo-a a associação de respostas sonoras a estímulos gráficos.

Os objetos de conhecimento dependem da disponibilidade de instrumentos cognitivos decorrentes do próprio aparato cognitivo. O percurso desse aspecto e a própria constituição do sujeito de conhecimento, na teoria piagetiana, parecem imanentes à construção endógena, apenas marginalmente afetada pelas demandas do ambiente cultural. Há dificuldade de integração e localização do papel do ensino em relação ao desenvolvimento.

O ensino e as intervenções organizadas sobre o desenvolvimento são dificilmente articulados na compreensão da aprendizagem, que parece estar mais associada ao percurso natural do desenvolvimento.

Na linguagem escrita, os postulados da lingüística constituem a base para se argumentar pela falta de isomorfismo entre linguagem falada e escrita e utiliza-se como evidência o desconhecimento de qualquer escrita alfabética que tenha realizado com precisão a relação entre sonoridade e grafismo.

A escrita precisa ser compreendida como representação apenas quando a criança é estranha ao sistema. Depois, deve-se aprender a correspondência entre sons e grafias a fim de existir transcrições de um código a outro.

Notamos claramente em Vygotsky: a complexidade da escrita como signo de segunda ordem existe no período de iniciação do uso da escrita. Uma vez de posse do sistema, a escrita volta a ser signo de primeira ordem, e não mais intermediada pela fala.

Opostamente, em Emília Ferreiro, o sujeito trabalha com a assimilação que seu desenvolvimento cognitivo lhe provê deturpações do objeto, em razão do caráter de seus instrumentos cognitivos. Essas deformações explicitam a lógica desse processo de aquisição.

Em suas situações experimentais, com crianças pré-escolares ou iniciantes da aprendizagem da escrita, o objetivo era identificar critérios formais relativos às características que a escrita deva ter para ser reconhecida como tal.

Concluindo, Ferreiro indica que as crianças constroem “teorias” sobre a linguagem escrita, em níveis ou fases de aquisição. Nesse processo evolutivo, existe a possibilidade de seriarmos três períodos: distinção entre icônica e não-icônica; construção de diferenciações entre o que se escreve, com critérios quantitativos; incorporação de recursos de fonetização na escrita.

A seqüência genética de aquisição da escrita segundo A.R. Luria:

Claramente influenciada por Vygotsky, Luria resgata a forma de como a escola trabalha com o ensino da linguagem escrita, com pouca importância para a escrita no desenvolvimento cultural da criança. Para Vygotsky, a própria necessidade de uma sistematização no ensino cria situações artificiais em que a linguagem viva fica de lado, ao contrário do que ocorre com a fala.

Com o processo de desenvolvimento e surgimento de novas formas, percebem-se processos de redução, desaparecimento e desenvolvimento reverso de formas. Assim, para entendermos melhor, é preciso resgatar sua pré-história, a função simbólica que ele realiza em relação às entidades reais e o desenvolvimento que leva ao seu uso como signo. Isso é conseqüência de hipóteses teóricas relativas ao papel da linguagem em relação à constituição das competências tipicamente humanas.

Com a divisão de trabalho, há novas necessidades de comunicação, explicando aparecimento da linguagem. Ela ganha independência de situações práticas fazendo parte de um sistema de códigos que não depende mais do seu contexto prático. A formação da própria consciência categorial é parte da história da constituição da linguagem.

Assim, o papel de A. Luria foi recriar experimentalmente a gênese desse processo de simbolização realizado pela escrita, de modo a poder descrevê-lo sistematicamente.

A contribuição de Luria para a compreensão de como as crianças desenvolvem seu conhecimento da linguagem escrita:

Em situações experimentais, crianças pré-escolares, sem influência escolar foram submetidas a testes. Juntamente, havia uma criança já escolarizada e uma com deficiência cognitiva. Com isso observaram-se procedimentos entre esse grupo de crianças no uso do grafismo.

Eram dadas tarefas que usariam a escrita como instrumento para a memória. A criança que não sabia ler, iria ter que lembrar um conjunto de palavras e frases sem qualquer outro recurso além de sua capacidade de memorização.

Quando não conseguiam, eram encorajadas a usar então lápis e papel como ajuda, “escrevendo”. Caso a criança argumentasse que não sabia escrever, ela era incentivada a ao menos fazer algo, como os adultos fariam, apelando para a tendência de imitação.

Quem escrevia menos, imitava mais o colega mais próximo. Após isso, a criança era convidada a ler o que registrou. Isso também é um procedimento informador e mobilizador da diferenciação gráfica. A leitura imediata representa uma dificuldade, pois pode apenas expressar a intenção de escrita presente ainda no foco de atenção.

Esse tipo de acontecimento nos ajuda a captar melhor como funciona esse processo de desenvolvimento da escrita. Ela é colocada agora como recurso de ajuda para memorizar conteúdos, sendo instrumento de extensão da atividade mental.

Enquanto para E Ferreiro o ditado tinha a pertinência da palavra a um grupo semântico e a diferença da extensão lingüística dos estímulos, agora o conteúdo (significado) é o elemento central. Forma, cor dimensão, quantidade nas palavras constituiriam os fatores aos quais as crianças são particularmente sensíveis.

Há dois requisitos que são considerados condições prévias à aprendizagem da escrita: a capacidade da criança exibir sua relação com o mundo, e o controle do seu comportamento frente a esse aspecto.

Para Emília Ferreiro a diferença entre desenho e escrita está na natureza formal como sistema de signos convencionais para a criança.

Para Luria, muitas vezes há pequenas transformações psicológicas que não são facilmente notadas nos traços em si. Somados as outras manifestações é que poderiam ser adequadamente interpretados. O processo psicológico subjacente divide usos diferentes do mesmo recurso gráfico.

De um lado a representação figurativa em si, e de outro, o registro de conteúdos para além da representação pictórica, embora realizada através de recursos icônicos.

Algumas contraposições nas investigações abordadas:

É possível encontrar conceitos paralelos entre escrita imitativa (Luria) e unigráfica (Ferreiro). É uma semelhança fenotípica. No período de desenvolvimento da psicogênese temos algumas divergências.

Os estágios de aquisição são momentos mais avançados do desenvolvimento quando se comparam com vistos por Luria, argumenta Ferreiro. A concepção de linguagem escrita subjacente em cada abordagem e o papel da linguagem no processo cognitivo é outra contraposição entre os autores.

O que a interpretação focaliza é a gênese da escrita em seu sentido pleno, como signo simbólico específico do contexto lingüístico. Então descobre-se a importância do período pré-silábico onde começam a existir rudimentos de fonetização, próprios do signo lingüístico.

As relações escrita/leitura, escrito-oral são altamente complexas e a investigação que clareia esse ponto é de suma importância para o estudo teórico e a intervenção educacional.

Para Luria, a compreensão de como a criança opera através dos signos é a base de todo seu discurso. Na fala de Emília Ferreiro, teremos a descrição de como os sujeitos constroem a compreensão do funcionamento do sistema simbólico convencional que implica identificar as relações entre escrita e leitura.

A base estrutural de cada abordagem interpreta o sentido e os procedimentos da gênese da escrita de diferentes posições. Emília Ferreiro, influenciada por Piaget, prioriza construção de estruturas cognitivas endógenas mobilizadas por requisitos lógicos de compatibilidade e desenvolvimento segundo o modelo de equilíbrio, imanente do próprio organismo na relação com o meio.

Já para Luria, as funções mentais mais complexas são construídas nas condições sociais da vida humana historicamente situadas. A passagem do externo para o interno, psicológico, implica transformações das funções e dos sujeitos.

Sendo assim, conclui-se que o modelo piagetiano valoriza um sujeito epistemológico que adquire um objeto de conhecimento, enquanto na abordagem de Vygotsky, o sujeito opera com a cultura, constituindo-se em sujeito psicológico nessa interação.

A AULA COMO CONHECIMENTO

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Acredita-se que o professor constrói sua identidade profissional basicamente pela sua relação com o conhecimento. E é justamente a partir dessa relação que temos os diversos perfis profissionais existentes. Na sua formação, o professor adquire um conhecimento capaz de transformá-lo. Assim, durante esse processo histórico há um amadurecimento da sua identidade como profissional. A questão é se essa formação é capaz de tornar o ser realmente um professor.

O autor explicita três ângulos a serem observados dentro da escola. O aluno, o professor, e os conhecimentos. Indica-se a obra de Comênio, valorizada por suas metáforas que explicitam a identidade do professor iniciada no começo do século XVII e que vem se mantendo pelo nosso longo período histórico.

Podemos derivar características da identidade do professor de suas metáforas. Ser hábil para ensinar mesmo não sendo muito dotado; comunicar uma erudição já preparada, e não retirada da própria mente; como e o quê ensinar com o material que ele tiver. Essas são as características identidárias que devemos encontrar no professor, segundo Geraldi.

O professor é parte integrante da sociedade. É um ser social. Portanto, o professor é encarado como um sujeito social que tem um saber e por este saber merece respeito.

A escola e os professores podem organizar todo o conjunto de conhecimentos considerados essenciais para formarmos o sujeito social. Os conhecimentos ficam a espera de uma nova divisão de trabalho. O professor passa a ser a pessoa que usa de técnicas para ter o controle da sala de aula.

A ponte entre o aluno e o conhecimento já não é mais papel fundamental do professor, mas sim por um material didático. A ação do professor fica restrita ao controle do tempo em sala, à ordem pelos alunos e se houve uma possível “fixação”, que tem o risco de ser utópica. Claramente, temos uma nova identidade sendo criada.

Assim, não há mais a necessidade do professor adquirir conhecimento através da pesquisa. Como o material didático já vem pronto, quem deve ter esse saber construído pela pesquisa é o autor dos livros didáticos.
Infelizmente, uma conseqüência é a deturpação dos conhecimentos. O conhecimento científico dá lugar aos conteúdos de ensino, que são dados como verdades. O que a ciência construiu como hipótese, na escola vira verdade.

É interessante lembrar que precipitadamente o sucesso é dado àquele que consegue trabalhar com o material recebido. Caso não haja o sucesso, a culpa fica com o aluno. Considerando assim, um problema individual, uma incompetência para construir o seu próprio “cuidado de si”.

O modelo de professor citado anteriormente, entra numa crise no final do século XX. Um modelo que explicitamente é exclusivo, uma inversão de valores, até o modo de habitar o planeta, ou seja, tudo converge para uma crise. Seguem ainda discursos ideológicos para mascarar os problemas estruturais.

Reformas curriculares, cursos rápidos de treinamento profissional, são conseqüências de toda essa problemática. Hoje vemos pessoas de bons cargos também desempregados. O desemprego não é somente nos níveis mais baixos.

A escola tem sido culpada pelo seu não sucesso frente ao que o mercado de trabalho exige. Somente novas propostas de sistemas de avaliação que causam hierarquização das instituições de ensino não adiantam de nada.

Conclui-se que estamos numa encruzilhada no nosso modo de viver enxergar o mundo. Ainda percebe-se, felizmente a passagem do professor como controlador do processo de aprendizagem do aluno. Temos como um processo a formação de sua identidade.

A herança cultural deve ser entendida não apenas como um conjunto de disciplinas científicas, mas um conjunto de conhecimentos e saberes. Devemos ir em busca desses saberes se foram em algum momento perdidos.

Nessa transição toda, temos uma evolução notada quando se diz: o ensino tem dado respostas a alunos que não conhecem as perguntas, e temos aprendido respostas sem sabermos as perguntas que a elas conduziram.

Cabe ao professor instigar continuamente seus alunos a buscarem perguntas e respostas, seja em colegas, em profissionais, em fontes ou em sua herança cultural para o seu esclarecimento.

Professor e aluno devem refletir o seu vivido para relacioná-lo com o que já foi produzido. Deve-se construir no mínimo as perguntas, mesmo que as respostas custem gerações para serem encontradas.