Aprendendo sobre a Natureza

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1. Problematização:

É na Educação Infantil que a criança constrói os primeiros conhecimentos, baseados na realidade que a cerca.

A estimulação de atividades espontâneas proporciona um grande desenvolvimento do conhecimento lógico-matemático e, capacidade para agir às diferentes situações que enfrenta.

Nesse ambiente, a criança observa como os seres e objetos reagem às suas ações e, sobretudo, desenvolvem vários tipos de percepção.

Assim sendo, nesta fase de descobertas propomos então, a seguinte questão: Por que proteger a natureza?

2. Justificativa:

Vemos através dos noticiários, que o meio ambiente pede socorro.

O crescimento desordenado das cidades, o lixo espalhado poluindo o ar, água, solo; a extinção de animais e plantas são alguns impactos ambientais que preocupam não só as autoridades governamentais, mas, todos os cidadãos.

Precisamos orientar as crianças a conhecer, respeitar e preservar a natureza, utilizando-a de maneira racional, sem destruí-la.

3. Objetivos:

Geral:

  • Sensibilizar as crianças sobre a beleza da natureza e, o que a tem destruído.

Específicos:

  • Abranger um enfoque interdisciplinar no “maternal”, em relação às áreas de português (linguagem oral e escrita, matemática, ciências, estudos sociais e artes;
  • Desenvolver o processo da linguagem oral;
  • Identificar e trabalhar conceitos matemáticos tais como: diferenças e semelhanças; quantidades (mais, menos, iguais);
  • Observar experimentos simples, como a germinação (plantar feijão no algodão);
  • Conhecer a questão da poluição do ar, da água, da conservação da natureza (ecologia);
  • Descrever o ambiente em que vive, gosta mais da cidade ou do campo;
  • Desenvolver a criatividade, trabalhar artes a partir da reciclagem.

4. Metodologia:

  • Trabalhar texto informativo sobre poluição, conhecendo alguns conceitos de lixo, como a coleta seletiva que ajuda na preservação da natureza;
  • As atividades de rodinha, em conversa informal, com as crianças organizando perguntas e estimulando respostas com lógica e clareza ou vice-versa;
  • Discutir na rodinha: Há animais: grandes e pequenos, com pêlos, com penas, com escamas. Onde vivem os animais? No alto das árvores? Embaixo da terra? Sobre a terra? No ar? No mar?
  • Contar a estória: “João e o Pé de Feijão”, estimulando atenção e a socialização em ouvir e reproduzir estórias;
  • Explicar a importância das plantas, associando com a atividade da germinação do grão de feijão;
  • Decorar a sala de aula, com pinturas, colagens e recortes diversos, trabalhados tanto de forma coletiva, quanto individual;
  • Produzir mural coletivo, desenvolvendo o respeito ecológico, mostrando que o sol, a água, a terra, os animais e as plantas fazem parte da natureza;
  • Resgatar o gosto por cantigas (õ xalalá lá ô, o sapo, a cobra não tem, caranguejo não é peixe…);
  • No desenrolar do tema proposto, sugerir um passeio na praça (piquenique), reconhecendo insetos, flores, vegetação rasteira e árvores;
  • Valorizar o passeio com brincadeiras populares como: Amarelinha/caracol/vamos passear na floresta, enquanto o seu lobo não vem…macaco disse: abaixar a cabeça, levantar um braço, inclinar-se para frente, levantar os ombros, balançar uma perna, arrastar os pés, imitar as flores ao vento, imitar as ondas do mar…;

-Enfim, conscientizar e perceber a importância de cada ser vivo e se valorizar a preservação do meio ambiente como fonte de vida saudável.

5. Culminância:

Teatro: A borboleta e seus inimigos

6. Avaliação:

Ocorrerá nas observações das atividades desenvolvidas: envolvimento, participação, compreensão. A avaliação contará com um processo cumulativo/qualitativo, no que diz respeito à organização de conhecimentos necessários e mudanças de atitudes para atingir a meta de conscientização ambiental.

Todavia as atividades serão dosadas, ao nível de cada criança; não devendo ser exploradas de uma só vez.

7. Relatório:

A aplicação do projeto “Aprendendo Sobre o Meio Ambiente”, foi realizada com enriquecimento significativo: (re)elaboração de idéias, avanços, conscientização acerca do impacto ambiental.

A proposta pedagógica desse projeto acendeu nas crianças assistidas, os pontos fundamentais para o convívio social, pela compreensão do meio ambiente e pela sua inserção na sociedade como um pequeno cidadão responsável pelo exercício de sua cidadania frente ao ambiente em que vive.

Na interação coletiva das crianças, as experiências fizeram surgir novas perguntas algumas em sua simplicidade coerentes, outras um tanto abstratas, que no contexto pedagógico são eixos básicos para um processo avaliativo flexibilizador, que torna possível a redimensão de um proposta multidicultural para a formação de cada criança.

As ações pontuadas ao longo da aplicação do projeto trouxeram à tona concepções metanarrativas, transformando o estudo produzido em mecanismo de uma nova vivência. Isso explicou-nos, pela constatação de que as crianças, em sua essência, (re)visionaram o ambiente em que vivem, tanto do “Cemei”, quanto de sua casa, sintetizando-o, abrangendo-o e adaptando-o a uma (re)encarnação interna de um verdadeiro diálogo com sua bagagem de conhecimento e de (re)conhecimento para aplicá-lo num comprometimento de preservação da natureza.

Com o nosso engajamento, junto a essas pequenas crianças (3 anos), vimos o quanto é importante desde a mais tenra idade introduzir estudos do meio ambiente para que elas possam apresentar a necessidade de exercer, ajudar e preservar a natureza.

Podemos concluir que o cunho desse projeto “Aprendendo sobre a natureza”, não foi apenas um simples relatório, mas o despertar de um compromisso de gestos concretos com a formação de cidadania daquelas crianças que lá estão.

Por fim, podemos dizer que, o nosso trabalho interdisciplinar de preservação, oportunizou as crianças, novas experiências, visto que levamos em consideração que a arte de educar não está assentada numa função radical, mas sim, num elo de conhecimento dos valores humanos, num abrir de novos horizontes, fazendo com que a palavra da criança aconteça e, nessa interação de essências suaves, notas de ritmo, beleza e disposição do professor nasçam a leitura de si, do outro e do mundo em que vivemos.

História de quem Gosta de Brincar

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Este trabalho é um estudo bibliográfico, que busca refletir sobre os brinquedos e sua relação com a infância através da brincadeira, do jogo, do lúdico, do faz-de-conta, das brincadeiras de infância relatadas nas histórias de vida de nossos avós e o brincando na história.

Com este fim, inferimos-nos sobre a importância do ato de brincar, no processo da educação infantil, discorrendo sobre as visões de alguns autores, e ressaltando alguns fragmentos da entrevista sobre a infância de nossos avós, reportando-nos a uma viagem através da imaginação.

No contexto de todo material analisado, buscamos avaliar sistematicamente os tópicos mais peculiares que abordam o presente tema. Sabendo ainda, que desde a mais tenra idade a criança manifesta a sua forma de brincar, priorizamos então, um entrelaçamento com o brinquedo e a infância, numa visão critíco-pedagógica através do perfil do profissional que atua na Educação Infantil e como este profissional tem se preparado para transformar o espaço sala de aula em um espaço de sonhos realizáveis e concretos que ultrapassam as paredes das salas-de-aula e até da própria escola.

Diante destes pressupostos, enfatizamos os benefícios e as contribuições deste trabalho, com histórias de quem gosta de brincar como meta prioritária para o desenvolvimento de habilidades da criança. O trabalho foi baseado em pesquisa de campo envolvendo entrevistas com pessoas idosas, sobre as brincadeiras de sua infância e, pesquisa bibliográfica de vários autores que trazem reflexões sobre o tema proposto.

Dentre eles citamos os que mais referenciamos neste projeto: DORNELLES (2000) FARIA (1994), KISHIMOTO (1998), PEREIRA (2002), PERPÉTUO (2001), SCOTTON (2004), dentre outros. Concluímos que o nosso fazer pedagógico, seja pontuado pelo respeito aos direitos da criança, e prioritariamente, que os profissionais da Educação Infantil passem a acreditar e abrir espaço para que os “pincéis”: polegar, indicador e médio, pintem nas linhas de uma folha o ser criança em toda sua plenitude.

Problematização:

Este projeto nasceu da conscientização de resgatar valores históricos advindos de entrevistas realizadas com pessoas idosas sobre a lembrança de sua infância.

É notório que desde o nascimento, as crianças são mergulhadas num contexto social. Os adultos que convivem com elas quando se transformam em parceiros de seus jogos e brincadeiras, muitas vezes não se dão conta da importância de cada gesto, de cada palavra, de cada movimento.

Alguns adultos cantam, transmitem conhecimentos e ensinam brincadeiras. Entretanto, outros não compreendem que o ato de brincar é essencial na vida da criança, eles acreditam que o necessário seja alimentação adequada, cuidados higiênicos e estarem estudando.

Esta visão deturpada da realidade infantil, não deixa que estas pessoas reflitam que a brincadeira é uma forma privilegiada de aprendizagem. Segundo MARIS, 2001: “Valorizar a brincadeira não é apenas permiti-la, é suscitá-la”.

Diante dos pressupostos acima descritos emergiram as seguintes questões:

a) O Brincar é importante para o desenvolvimento infantil?

b) Qual a real importância da interação e/ou equilíbrio entre o professor e a criança no processo educativo do brincar?

c) Quais as diferentes concepções do ato de brincar presentes nos diversos segmentos históricos da sociedade?

Justificativa:

Para respondermos estas questões voltamos este trabalho para um estudo analítico sobre a Educação Infantil, o brinquedo, o resgate histórico da infância de nossos idosos, dentre outros.

Visto que, estamos diante de uma sociedade cada vez mais exigente, onde as crianças começam a freqüentar as instituições educacionais, como as creches e as escolas de Educação Infantil ainda bebês. Nesses espaços, o brincar perde espaço para outras atividades, ditas mais produtivas. A brincadeira, então, acaba ocupando o tempo de espera, o intervalo.

Ao observamos com atenção o modo como às crianças brincam, é possível perceber que os usos que fazem dos brinquedos e a forma de organizá-los estão relacionados com seu modelo de vida e com as expressões da organização de sua família.

No entanto, para compreendermos o modo de brincar da criança, há a necessidade de conhecer o material que instiga tal ato, o ambiente, os momentos a ele destinados e as pessoas que dele participam.

Quanto mais as crianças experimentarem o ato de brincar, mais realizada será sua atividade de imaginação. A escola pode e deve reunir todos esses fatores e o papel do educador nesse sentido e de suma importância.

Objetivos:

Este projeto objetivou discutir a importância do brincar para o desenvolvimento humano, norteados pelas questões:

  • O jogo simbólico permite que a criança resolva suas emoções e sentimentos, através do faz-de-conta;
  • Através da imaginação, estimula-se a criatividade e a solução de problemas;
  • O brincar permite a construção da autonomia;
  • O brincar permite a interação e a socialização;
  • Contribuir para que as brincadeiras de nossos antepassados sejam resgatadas;
  • Socializar a importância do brincar como um dos fundamentos para uma aprendizagem significativa;
  • Congregar a toso educadores, em especial da Educação Infantil para uma (re)avaliação do seu (eu)pedagógico;
  • Dar continuidade ao projeto, enriquecendo-o com novas sugestões.

Fundamentação Teórica:

O desenvolvimento deste projeto traz referências de vários autores que trazem reflexões sobre o tema proposto. Dentre eles citamos os que mais referenciamos neste projeto:

1 – DORNELLES (2000). Na escola infantil todo mundo brinca se você brinca.

Esta obra demonstra que, as crianças suavizam a nossa vida, enquanto educadores, com a candura de seus olhares e o carinho de seus sorrisos, tornando-nos confiante na grandeza de seu futuro.

2- FARIA. O Pensamento e a linguagem da criança segundo Piaget.

A autora tem por finalidade nesta obra discutir a teoria piagetiana do desenvolvimento infantil, a relação do jogo simbólico e o fascínio que a linguagem exerce sobre a criança.

3- KISHIMOTO. Jogos Infantis: o jogo, a criança e a educação.

Nesta obra a autora apresenta a importância do jogo para a criança. Ela enfatiza que o jogo ajuda a criança a descobrir as habilidades e, os seus interesses.

O jogo ainda propicia o desenvolvimento do sentimento da solidariedade que ajuda a criança a tornar uma pessoa melhor, paciente e também, mais pensante.

4- PEREIRA. Brinquedos e Infância (2002).

O autor elaborou a presente obra, com o intuito de discutir a função dos brinquedos na escola e, o seu auxílio para a organização do planejamento pedagógico do educador.

5- SCOTTON. Brincadeiras da infância nas histórias de vidas de professoras.

Nesta obra, a autora afirma que nós professores somos encantadores de pássaros. Ao reportamos à nossa infância somos crianças abençoadas das mil e uma noites que brincam, criam, recriam, abrindo caminhos para o desenvolvimento das crianças para que possam com os “pincéis”: polegar, indicador e médio, pintar nas linhas de uma folha o ser criança em toda sua plenitude.

Metodologia:

A metodologia utilizada neste trabalho teve por objetivo dar a sustentação teórica necessária em todas as etapas deste projeto o qual foi constituído de: pesquisa histórica baseada no uso da história oral como técnica, ou seja, a história temática e uma pesquisa exploratória de caráter bibliográfico.

Estrutura do Projeto:

Este trabalho foi descrito em cinco partes: a primeira parte fala da infância do processo educativo e formação global da criança; na segunda parte abordamos os paradoxos da infância; a terceira parte enfoca um olhar sobre a infância de nossos avós: um resgate de valor para uma proposta pedagógica; na quarta parte apresentamos nossas conclusões.

I parte – A infância, o processo educativo e a formação global da criança.

A história da infância no Brasil tem contornos próprios pela maneira como se deu sua construção. São as formas de organização da sociedade e as condições de existência e de inserção de infância e as diferentes formas de ser criança.

O brincar proporciona a aquisição de novos conhecimentos, a noção de regras, a socialização, desenvolve habilidades e capacidades de forma natural e agradável indispensáveis para sua atuação profissional, tais como atenção, concentração e outras habilidades psicomotoras. Ele é uma das necessidades básicas da criança, é essencial para um bom desenvolvimento motor, social, emocional e cognitivo.

A criança privada dessa atividade poderá ficar com traumas profundos dessa falta de vivência. Quando a criança brinca, ela está vivenciando momentos alegres, prazerosos, além de estar desenvolvendo habilidades.

Portanto, todo o aprendizado que o brincar permite é fundamental para a formação da criança, em todas as etapas de sua vida.

Neste sentido, a brincadeira é um processo de relações entre a criança e o brinquedo e das crianças entre si e com os adultos. O ato de brincar é muito importante para o desenvolvimento integral da criança. As crianças se relacionam de várias formas com significados e valores inscritos nos brinquedos.

Existem várias possibilidades de brincar: solitariamente, em grupo, entre crianças de diferentes idades, entre adultos e crianças, de adultos entre si. Existem diferenças também entre: brincadeiras organizadas pelas próprias crianças, brincadeiras tradicionais, jogos, atividades lúdicas propostas pelo adulto, com conteúdos específicos a serem atingidos.

A grande maioria dos jogos tradicionais já era muito antiga no século XVI. Alguns deles, como a amarelinha, por exemplo, continuam capazes de despertar a curiosidade e o prazer das crianças nos dias de hoje. Se os jogos conseguem atravessar o tempo e o espaço, por que tão poucos não conseguem ser anexados no contexto escolar?

São várias as condições necessárias para o desenrolar de jogos e brincadeiras, garantindo certa liberdade de escolha da criança. O papel do adulto e fundamental nesse processo, pois o ambiente que a cerca influencia suas experiências lúdicas.

Em outras palavras, brincar é uma experiência fundamental para qualquer idade, especialmente entre 3 e 6 anos, que brincam para viver: interagem com o real, descobrem o mundo que as rodeia, estimula o processo de organização, viabilizam a sua socialização,

Desta observação, compreendemos que o brincar e o brinquedo já não são mais, na escola, aquelas atividades utilizadas pelo professor para recrear as crianças, como uma atividade em si mesma.

Quanto mais rica for a experiência pela criança, maior será o material disponível e acessível a sua imaginação, daí a necessidade do professor de ampliar, cada vez mais, as evidências da criança com o ambiente físico, com brinquedos e com outras crianças.

O lúdico deve permear o espaço escolar a fim de transformá-lo, num espaço de descobertas, de imaginação, de criatividade, enfim, num lugar onde as crianças sintam prazer pelo ato de conhecer.

Para tanto, a formação do professor deve ser permanente e favorecer sua prática. O espaço da educação é um ampliador de experiências e de práticas sócio-culturais, para todos os sujeitos nele envolvidos. Esta formação deve propiciar aos adultos a experiência, a descoberta, o conhecimento das possibilidades que os jogos, brinquedos e brincadeiras proporcionam. Essas experiências transformam a construção pré-construída do lúdico e intervém para melhor aplicabilidade junto às crianças, independentemente de sua idade.

II Parte – Os paradoxos da infância

Fazendo uma breve descrição sobre alguns discursos elaborados sobre a criança, que de alguma forma foram apropriados pelos educadores e pela sociedade, chegamos a seguinte reflexão: vêem a criança como um ser diferente do adulto, pela sua menoridade, tamanho e força.

No entanto, cabe ressaltarmos que diferentes enfoques coexistem de foram contraditória, não só no senso comum, como também nos estudos sobre a infância, ao mesmo tempo em que a produção cultural para a infância cada vez mais se especializa, segredando as diferentes faixas etárias, e que a escola elege conteúdos e informações que considera próprios para cada idade ou série, as crianças têm acesso irrestrito, pela mídia.

Um bom exemplo é a TV que distorce as informações por ela veiculadas, não fazendo distinção entre o telespectador adulto e criança, este procedimento faz com que desapareçam quatro fatores referentes à infância: a alfabetização, a brincadeira sadia, a educação e a vergonha.

As condições impostas às crianças, em diferentes lugares, classes sociais e momentos históricos, revelam que não e possível viver uma infância idealizada, pretendida e legitimada; vive-se a infância possível, pois a criança está imersa na cultura e participa ativamente dela. Mas as desigualdades sociais, permeadas pela inconsistência da política brasileira para a infância têm omitido uma infância de qualidade.

Visto que esses direitos promulgados pelo Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, em 1990, podem ser resumidos em três eixos: proteção, provisão e participação. Todo conhecimento hoje permite entender a importância da brincadeira como um elo de cada um destes três eixos. Para se desenvolver plenamente e participar ativamente do mundo em que vive a criança precisa brincar.

Portanto, a infância necessária para todos e aquela que tenha, além de casa, alimentação, carinho, higiene, saúde e educação, um tempo e um espaço para brincar garantido. E cabe a cada um de nós, especialmente quando lidamos diariamente com crianças, tentar romper com alguns paradoxos da infância, permitindo e favorecendo o ato de brincar.

III Parte – Um olhar sobre a infância de nossos avós: Resgatando valores para uma proposta pedagógica construtivista

Através da história oral, obtida por meio de entrevista com pessoas acima de 65 anos de idade, partimos o assunto brincadeiras infantis, fator fundamental ao desenvolvimento das aptidões físicas e mentais da criança, sendo um agente facilitador para que esta estabeleça vínculos sociais com os seus semelhantes, descubra sua personalidade, aprenda a viver em sociedade e preparar-se para as funções que assumirá na idade adulta.

O ato de brincar é extremamente importante para o desenvolvimento da criança, pois quando brincam exercitam as suas potencialidades, provocando o funcionamento do pensamento, o desenvolvimento da solidariedade, cultivam a sensibilidade, crescem-se intelectualmente, socialmente emocionalmente.

Brincar traz imaginação, libertação e transforma os objetos em brinquedos. Estes possuem um diálogo simbólico e uma íntima relação com o povo, com a cultura. É nas brincadeiras que os hábitos são internalizados, uma vez que a criança adora repetir, possui fascínio em querer sempre saborear de novo a vitória de um saber fazer. O legal do brincar é não fazer como se fosse e sim o fato de fazer novamente, passar da experiência para o hábito.

Mas o que caracteriza mesmo a brincadeira é que ela pode fabricar seus objetos, desviando do uso normal que cerca a criança. A brincadeira é livre e não delimitada e é desencadeada pelo brinquedo. Este possui funções sociais, podendo ser suporte de relações afetivas, de brincadeiras e de aprendizagem. O brinquedo é uma fonte de apropriação de imagens e de representação.

Piaget (1976) diz que a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades intelectuais da criança. Estas não são apenas umas formas de desafogo ou entretenimento para gastar energia das crianças, mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento intelectual. Ele afirma:

O jogo é, portanto, sob as suas duas formas essenciais de exercício sensório-motor e de simbolismo, uma assimilação da real à atividade própria, fornecendo a esta seu alimento necessário e transformando o real em função das necessidades múltiplas do eu. Por isso, os métodos ativos de educação das crianças exigem todos que se forneça às crianças um material conveniente, a fim de que, jogando, elas cheguem a assimilar as realidades intelectuais que, sem isso, permanecem exteriores à inteligência infantil. ( Piaget. 1976, p. 160).

Ao inserir a brincadeira dentro do conteúdo da inteligência e não na estrutura cognitiva, Piaget distingue a construção de estruturas mentais da aquisição dos conhecimentos. Nesse sentido, a brincadeira, enquanto processo assimilativo participa do conteúdo da inteligência, igual à aprendizagem e também é compreendida como conduta livre, espontânea, que a criança expressa por sua vontade e pelo prazer que lhe dá. Portanto, ao manifestar a conduta lúdica, a criança demonstra o nível de seus estágios cognitivos e constrói conhecimentos de acordo com seu nível de desenvolvimento.

Levando em consideração os trabalhos de estudiosos da antropologia, sobre o tema, confirma a sua relação com a cultura destacando a importância do jogo no contexto cultural. O jogo é encontrado em todas as atividades humanas e pode ser analisado numa perspectiva cultural, estando inserido nos costumes dos diferentes povos do planeta. Conforme as diferentes manifestações culturais, os jogos apresentam expressões e características próprias.

Acreditamos que é no jogo e pelo jogo que a civilização surge e se desenvolve. O jogo é anterior à própria cultura, fenômeno cultural, toda e qualquer atividade humana compreendida numa perspectiva histórica. A formação cultural tem um caráter lúdico e o conceito de jogo deve estar integrado ao conceito de cultura.

Podemos constatar isso, através do relato de O.L.O., que ao contar como havia sido sua infância com momentos bons e outros extremamente difíceis. O que fica claro para quem o ouve, é a dificuldade financeira, ou seja, a necessidade de trabalhar para ajudar no sustento da família:

Eu brinquei só até oito anos, “dipois” era só trabalhar o dia inteiro, quando começa a escurecer e que nos juntava cons meus amigos, mais quando dava umas sete horas, ou quando já tava de noite minha mãe punha “noís” pra dentro, porque no outro dia, eu tinha que vender sabão e meus irmãos mais velhos trabalhava no açougue, na mercearia e como ajudante de carpinteiro.

Mediante a isso, podemos entender que foram queimadas etapas da infância, obrigando–o a amadurecer muito rápido, tornando-se um adulto muito cedo. A brincadeira foi relegada para o segundo plano, pois só brincava quando o serviço terminava:

Na cidade eu e meus oito irmãos junto cons “cumpaheiro” da rua que “noís” morava, fazia nosso carrinho de rolimã, “noís” ia na serraria do seu Chico e pedia ele uma tábua que num servia pra “mode” ele faze móveis, aí depois, cada um juntava dinheiro e comprava os rolimã na oficina do seu Tatão. “Noís” só pudia construir nosso carrinho depois que já tivesse trabalhado.”

Apesar de ter tido uma infância sofrida, O.L.O. aproveitou tudo o que pôde, o seu desenvolvimento cognitivo aconteceu de uma forma brusca e prematura, no entanto, dentro dos padrões da época quando a noção de infância era outra, o que torna tudo muito natural. Ainda considerando as questões sociais, suas dificuldades para sobreviver e toda a história de vida do senhor O.L. O, podemos dizer que a sua existência não foi em vão e que apesar de sua infância difícil, se tornou um homem de coragem.

IV Parte – Conclusões

Após o término deste trabalho podemos extrair algumas conclusões importantes e a principal delas é que esta pesquisa é só o começo de uma longa caminhada. Também é importante ressaltar que os objetivos foram alcançados, tanto o objetivo geral quanto os específicos.

Os anos se passaram, nossos avós que foram crianças do ontem, hoje são nossos desvelos históricos, viajando no túnel de sua infância, enriqueceram-nos com sua cordialidade, com sua maneira de se expressar, conduzindo-nos a sua infância pela viagem fantástica do pensamento.

Portanto deste trabalho pudemos extrair um aprendizado de inestimável valor, gerando frutos vindouros que tematizaram ao longo de cada página um significado real, simples e fácil de ser interpretado e colocado em ação.

Este aprendizado pode ser observado quando ouvimos as crianças, quando abrimos espaço para que possam construir-se como sujeitos históricos, pois a criança vê o universo de uma forma própria. Ela apresenta verdadeiramente suas hipóteses, necessidades e interesses.

Finalmente podemos dizer que a afetividade é o aspecto integrador na Educação Infantil, através dos sentimentos, dos vínculos de apego que ocorrem desde o nascimento, percorrendo todas as áreas do desenvolvimento. Por isso concluímos que e tão importante o papel de quem convive com a criança, pois é, sobretudo, através da confiança que ela deposita no adulto, que ela dá asas a sua imaginação, ao seu desenvolvimento e aprende brincando.

Finalmente, deixamos para reflexão dos educadores, acadêmicos e leitores a beleza do bem servir nas palavras de (FERREIRA, Luzilá G., 2001, p.57): “Se o amor é uma busca, se o estudo é uma busca, a arte uma busca, a vida inteira também é uma busca. E o amor e a paixão são a mola dessa busca. É preciso buscar com amor”.

Referências

MALUF, Ângela Cristina M. Brincar: Prazer e Aprendizado. Petrópolis, RJ: Vozes, 2003.

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogos Infantis: o jogo, a criança e a educação. Petrópolis, RJ: Vozes, 1993.

FARIA, Anália Rodrigues de. O Pensamento e a linguagem da criança segundo Piaget. SP: Ática, 1994.

FERREIRA, Luzilá G. O sentido da práxis educativa. Porto Alegre: Artes Medicas, 200.1

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. (organizadora). O Brincar e suas teorias. São Paulo: Pioneira, 1998.

SCOTTON, Maria Teresa. Brincadeiras da infância nas histórias devidas de professoras. In: Presença Pedagógica. p, 42-53 – v.10 n. 56 – mar/abr. 2004.

PEREIRA, Eugênio Tadeu. Brinquedos e Infância. In: Presença Pedagógica. p, 56-59 – v.8 n. 44 – mar/abr. 2002.

PEREIRA, Eugênio Tadeu. Brincar, brinquedo, brincadeira, jogo, lúdico. In: Presença Pedagógica. p, 87-92 – v.7 n. 38 – mar/abr. 2001.

PERPÉTUO, Irineu Franco. Faz–de-conta levando a sério. In: Educação março 2001. p. 51-54.

DORNELLES, Leni Vieira. Na escola infantil todo mundo brinca se você brinca. São Paulo: Moderna, 2000.

http://www.psicopedagogia.com.br

http://www.profa.com.br

Os Cegos são os Únicos Capazes de Tocar as Palavras

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Epígrafe:

As mãos para mim são tudo
Com elas construo o mundo
Viajo todas as coisas
Atinjo recantos profundos
Vou a lugares distantes
Em difícil acesso não creio
E com meia dúzia de pontos
Tudo que se escreve, leio
Têm o dom de tocar instrumentos
Também sabem acariciar
Com elas crio o meu tempo
E tudo que se imaginar
São à base de minha vida
Descobrem coisas sem parar
Os dedos são meus olhos
Me ensinaram a viver e a sonhar
Agradeço a Deus por me dar
Tão precioso presente
Com elas vou construir
Um mundo mais confidente
(SILVA, Carla Luiza)

Dedicatória:

Agradecimentos:

RESUMO

OLIVEIRA, Magda Luiza de. Os cegos são os únicos capazes de tocar as palavras: Dificuldade do professor ao lidar com o deficiente visual. 2007. 61 p. (Pós-Graduação em Educação Especial). UNIARAXÁ – Centro Universitário do planalto de Araxá.

O presente estudo realizado através de pesquisa bibliográfica, tem por objetivo destacar as dificuldades dos professores ao lidarem com um deficiente visual. Analisa-se também as perspectivas históricas com relação à Educação Especial, além de destacar a inclusão social.

Constata-se que o preparo do educador é de fundamental importância para um desempenho pedagógico qualificado que encontre instrumentos adequados às necessidades dos alunos portadores de deficiência visual e mecanismos para sua intervenção pedagógica.

Palavras-chave: deficiência visual, inclusão, estratégia pedagógica, acuidade.

ABSTRACT

OLIVEIRA, Magda Luiza of. The blind people are only the capable ones to touch the words: Difficulty of the professor when dealing with the deficient appearance. 2007. 61 p. (Pós-Graduação in Special Education). UNIARAXÁ – University center of plateaus of Araxá.

The present study carried through through bibliographical research, it has for objective to detach the difficulties of the professors to deal it with a deficient appearance. One also analyzes the historical perspectives with relation to the Special Education, besides detaching the social inclusion. One evidences that the preparation of the educator is of basic importance for a qualified pedagogical performance that finds adequate instruments to the necessities of the carrying pupils of visual deficiency and mechanisms for its pedagogical intervention.

Word-key: visual deficiency, inclusion, pedagogical strategy, acuidade.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO

1. EDUCAÇÃO ESPECIAL: História e políticas públicas

1.1 Na Idade Primitiva e Média
1.2 Período Escravista e Feudal
1.3 Período Capitalista/ Período de 1854 a 1956 – Iniciativas oficiais e particulares isoladas
1.4 Período de 1957 a 1993 – Iniciativas oficiais de ambiente nacional

2. INCLUSÃO ESCOLAR: Porque?

2.1 Os desafios da escola inclusiva
2.2 Ensinar a todos sem exceções e exclusão
2.3 Atuação do professor na educação inclusiva
2.4 Onde começa a inclusão

3. DEFICIÊNCIA VISUAL: Conceitos
3.1 Causas dos defeitos da visão
3.2 Importância da visão e o seu desenvolvimento
3.3 Na infância, adolescência e fase adulta

4. DIFICULDADE DO PROFESSOR AO LIDAR COM UM DEFICIENTE VISUAL

4.1 Educação do deficiente visual e aspectos psicológicos
4.2 Caracterização dos deficientes visuais: Orientação e locomoção
4.3 Coordenação motora, inteligência e percepção sensorial
4.4 Linguagem, comunicação e expressão facial
4.5 Personalidade, ajustamento, desenvolvimento de aptidões e aproveitamento escolar

5. SUGESTÕES PEDAGÓGICAS PARA O TRABALHO COM ALUNOS PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS

5.1 Estratégias para trabalhar com crianças portadoras de deficiência visual
5.2 O Braille, atividades físicas, tecnologia e sistema de leitura
5.3 Materiais concretos, auxílio da tecnologia e o papel do professor ao lidar com um deficiente visual em sala de aula
5.4 Detectando na classe outros alunos com problemas visuais

CONSIDERAÇÕES FINAIS

REFERÊNCIAS

INTRODUÇÃO

Toda criança tem o direito à escola e a desenvolver suas potencialidades. No entanto, surgem questionamentos que bailam à nossa frente tais como: Como são vistas as crianças que possuem baixa visão? Elas têm os mesmos direitos? Sim. Existe uma chance de fazer com que, no futuro possam se sentir satisfeitas, com o sucesso alcançado, além, de estarem contribuindo para o engrandecimento da nação. Porque não fornecer subsídios para que essa condição se torne realidade?

É necessário, portanto, haver a inclusão de crianças portadoras de necessidades visuais em classes comuns!

O professor é uma peça fundamental para que a criança possa florescer. O professor poderá, por meio de sua formação pedagógica e humanista, despertar nessa criança qualidades e capacidades, colaborando com a sua socialização, tão importante para a vida em comum.

Mas o professor não poderá estar sozinho nessa mudança de pensamentos, atos e ações da população brasileira.

Neste sentido, voltamos este estudo para a Educação Especial, analisando as dificuldades do educador, dando sugestões para um trabalho pedagógico qualificado e que respeite a individualidade de cada um.

A metodologia adotada neste trabalho foi a pesquisa bibliográfica, que forneceu-nos uma análise clara e objetiva de todos os itens trabalhados, os quais para o seu melhor entendimento foram divididos em cinco capítulos que asseguram aos deficientes o pleno exercício de sua cidadania.

O primeiro capítulo trabalha com a história da Educação Especial, refere-se sobre as mudanças institucionais ocorridas para um melhor desempenho pedagógico.

O segundo capítulo analisa os desafios da escola inclusiva, a necessidade de adequar a escola para atender a diversidade humana sem excluir. Trata também, da atuação do professor na educação inclusiva assim como onde começa a inclusão social.

O terceiro capítulo conceitua e caracteriza a deficiência visual e a subvisão (baixa visão). Analisa as possíveis causas do problema de visão, a prevenção e o desenvolvimento da visão nas seguintes fases da vida: infância, adolescência e fase adulta.

O quarto capítulo trata as dificuldades do educador perante o educando com necessidades visuais, abordando os aspectos psicológicos dos mesmos, analisando suas características com relação à orientação, locomoção, coordenação motora, inteligência, percepção sensorial, linguagem e comunicação, expressão facial, personalidade e ajustamento, desenvolvimento de aptidões e aproveitamento escolar.

O quinto capítulo apresenta algumas sugestões para um trabalho pedagógico qualificado, para um melhor desenvolvimento de suas atividades. Trabalha com a leitura no Sistema Braille, analisando os instrumentos e a utilização de tecnologia no atendimento as crianças que apresentam necessidades visuais, além, de refletir como o educador pode perceber outros alunos com deficiência visual na sala de aula.

Acreditamos que, as atitudes do professor somente podem ser mudadas com a experiência, ou seja, quando o professor começar a compreender a educação de uma forma mais diferenciada e adaptada à seus alunos, como também, encontrar apoio, meios e instrumentos de formação para uma prática profissional satisfatória.

1. EDUCAÇÃO ESPECIAL: História e políticas públicas

Foi principalmente na Europa que os primeiros movimentos pelo atendimento ao deficiente, refletindo mudanças na atitude dos grupos sociais se concretizaram em medidas educacionais. Tais medidas educacionais foram se expandindo, tendo sido primeiramente elevadas para os Estados Unidos e Canadá e, posteriormente, para outros países, inclusive o Brasil.

No atendimento aos deficientes da visão deve ser destacado o papel de Valentin Hauy, que fundou em Paris o Institute Nationel de Jeunes Aveugles (Instituto Nacional dos Jovens Cegos), no ano de 1784. Naquela época Hauy já utilizava letras em relevo para o ensino de cegos, tendo merecido a aprovação da Academia de Ciências de Paris, por não caracterizar simplesmente com asilo, mas, incluindo a preocupação com o ensino dos cegos (principalmente a leitura). O Instituto despertou reação bastante positivas e marcou seu inicio com grande sucesso.

Com o passar dos anos, o seu sucesso foi tão grande que, Hauy acabou sendo convidado a comparecer na corte de Luiz XVI para fazer uma detalhada exposição, quando ao empreendimento, um pouco antes da eclosão da Revolução Francesa que, desacelerou ou eliminou muito do que fizera antes na França com o apoio da nobreza.

Mas, logo após a regularização da vida do país, novas escolas para cegos foram abertas. E isso aconteceu também em diversos outros países da Europa, quase todas elas seguindo o novo modelo apregoado de Hauy. Os exemplos mais positivos dessas escolas foram em Liverpool (1791), de Londres (1799) e já no século XIX de Viena (1805) e de Berlim em (1806).

Em 1819, esteve no Instituto Nacional do Meninos Cegos, em Paris o oficial do exército francês Charles Barbier com uma sugestão que julgava ser bastante útil aos professores e alunos. Tratava-se de um processo e escrita por ele idealizado, próprio para a transmissão de mensagens no campo de batalha à noite, sem utilização de luz para atrair a atenção dos inimigos. Tal processo de escrita, codificada e expressa por pontos salientes representava ser os 36 sons básicos da língua francesa. A idéia de Barbier despertou os interesses de alguns professores e logo começou a ser utilizada pelos alunos internados no instituo.

Em 1829, um jovem cego francês Louis Braille (1809-1852), estudante daquele instituo, fez uma adaptação do código militar de comunicação noturno, criado por Barbier para as necessidades dos cegos. De inicio, tal adaptação do código foi denominada sonografia e mais tarde de Braille. Até hoje, não foi encontrado outro meio de leitura e escrita, mais eficiente e útil para o uso de pessoas cegas. Baseado em seis pontos salientes nas células Braille, este código possibilita sessenta combinações.

Cada célula Braille precisa de um quarto de polegada, pouco mais de 6 mm de espaço de linha. Muita economia de espaço tem sido feita pela adição de novos aspectos ao código de origem, sob forma de sinais, abreviações e contrações.

Sistemas especiais de notação para a apresentação da matemática em Braille tornaram possível à criança cega aprender aritmética pela escrita Braille. Sistemas de notação para símbolos científicos têm sido também desenvolvidos. A notação musical em Braille torna possível fornecer padrões musicais para qualquer instrumento musical ou par a voz. De fato, há provas de que a intenção de Louis Braille era fornecer um meio tátil de notação musical. Uma forma mais abreviada ou contraída de Braille é útil como taquigrafia para o estenógrafo cego ou para os apontamentos dos estudantes.

Cinqüenta anos depois de fundada a primeira escola para crianças cegas, em 1784, na França por Valentin Hauy, foram instalados os primeiros internatos para cegos nos Estados Unidos. Em 1829, em Massachusetts foi instalado o New England Asylum for the Blind, que começou a funcionar com seis alunos em 1832. Neste mesmo ano em Nova York foi fundada uma escola para cegos, o New York Institute for the Education of the Blind.

A primeira escola para cegos, internamente subsidiada pelo Estado foi o Ohio School for the Blind, fundada em 1837. Este fato foi bastante importante, pois despertou a sociedade para a obrigação do Estado para com a educação dos portadores de deficiência.

Em 1900, em Chicago, criou-se a primeira classe para cegos e a primeira classe da escola pública para crianças aleijadas. Em dez anos Newark New York, Cincinnati Cleveland, Milwauke e Racine abriram classes para meninos cegos. Em 1913 começou a funcionar em Boston, a primeira classe de amblíopes. Inspirada em experiências concretizadas na Europa e Estados Unidos do Norte, alguns brasileiros iniciaram já no século XIX, a organização de serviços para atendimento aos cegos, surdos, deficientes mentais e físicos.

1.1 Na Idade Primitiva e Média

Uma das características básicas desse povo era o nomadismo, sendo que o atendimento as suas necessidades estava totalmente na dependência do que a natureza lhe proporciona, como por exemplo: a caça e a pesca no tocante à alimentação e as cavernas para se abrigar. Podemos afirmar que na sociedade primitiva quem não tinha competência não se estabelecia. Isto é, não há teorização, uma busca de causas, lia simplesmente uma espécie de seleção natural: os mais fortes sobrevivem.

Naqueles tempos, pensamos ser muito provável que aqueles seres dotados de uma necessidade especial sejam elas, mentais, auditivas ou visuais, acabavam tornando um empecilho, um peso morto. Fato que o leva a ser relegado, abandonado, sem que isso cause o sentimento de culpa, característicos de nossa fase histórica.

Partindo para a Idade Média, a literatura expressa que neste período as necessidades especiais eram identificadas, porém não podiam ser tratadas por razões físicas e sobrenaturais. Por influência da igreja essas pessoas eram consideradas produtos do pecado do demônio. Os mais gravemente afetados eram recolhidos em instituições como mosteiros, hospitais, centro de beneficência, cárceres e edifícios que perdem sua função original, visando atender a critérios assistenciais sem a preocupação com a melhoria das condições de vida desses indivíduos.

1.2 Período Escravista e Feudal

Os escravos eram quem garantiam a infra-estrutura necessária para os homens livres. Os gregos nesta época se dedicavam predominantemente à guerra, a valorização da ginástica, da dança, da estética, da perfeição do corpo. A beleza e a força acabaram por ser transformar em um grande objetivo. Por cultuar tanto esses valores, se a criança apresentasse qualquer manifestação seja ela física, mental, auditiva, visual, que pudesse atender contra o ideal estabelecido, era eliminado.

Por outro lado, no Período Feudal, a dicotomia deixa de ser o corpo/mente e passa a ser corpo alma. O indivíduo que não se enquadra no padrão considerado “normal”, ganha o direito à vida, porém passa a ser estigmatizado, pois para o moralismo cristão/católico, a diferença passa a ser considerado um sinônimo de pecado.

Esta era uma outra forma menos enfática de a igreja católica ver e explicar a existência de cegos, mudos, paralíticos, loucos e leprosos era de eles eram instrumentos de Deus para alertar os homens e as mulheres sobre o comportamento adequado ou para lhe proporcionar a oportunidade de fazer caridade.

1.3 Período Capitalista/Período de 1854 a 1956 – Iniciativas oficiais e particulares isoladas

Neste período, o que se caracteriza são as classes dominantes em busca de cada vez mais aumentar a produção para obter o lucro.

Esta visão vai emergir um resultado desastroso para a questão da diferença: se o corpo é uma máquina, a excepcional idade ou qualquer diferença, nada mais é do que a disfunção de alguma peça dessa máquina, ou seja, se na Idade Média a diferença estava associada a pecado, agora passa a ser relacionada à disfuncional idade.

Adentrando no Período de 1854 a 1956, o atendimento educacional aos excepcionais no Brasil ocorreu na década de cinqüenta no século XIX, precisamente em 12 de setembro de 1854 que a primeira providencia neste sentido, foi concretizada por Dom Pedro II. Naquela data, através do Decreto Imperial nº 1428, Dom Pedro II fundou na cidade do Rio de Janeiro, o Imperial Instituto dos Meninos Cegos.

A fundação do Imperial Instituto dos Meninos Cegos deve-se, em grande parte a um cego brasileiro, José Álvares de Azevedo, que estudara no Instituto dos Meninos Cegos de Paris. Poe ter obtido muito sucesso na educação de Adélia Sigaud filha do Dr. José Xavier Sigaud, médico da família imperial, José Álvares de Azevedo despertou a atenção e o interesse do Ministro do Império Conselheiro Couto Ferraz. Sobre a influencia de Couto, Dom Pedro II criou tal instituto, o qual foi inaugurado em 17 de setembro de 1854. Para dirigi-lo foi nomeado o Dr. Xavier Sigaud, cujo busto em mármore se encontra no salão nobre daquela casa de ensino.

Em 17 de maio de 1890, portanto, já no governo republicano, o chefe do governo provisório, Marechal Deodoro da Fonseca e o Ministro da Instituição Pública Correios e Telégrafos, Benjamim Constant Botelho de Magalhães, assinaram o decreto nº 408, mudando o nome do instituto para Instituto Nacional dos Cegos e aprovando o seu regulamento. Mais tarde, em 24 de janeiro de 1891, pelo decreto nº 1320, a escola passou a denominar-se Instituto Benjamim Constant (IBC), em homenagem a seu ilustre e atuante ex-professor de Matemática e ex—diretor, Benjamim Constant Botelho de Magalhães.

1.4 Período de 1957 a 1993 – Iniciativas oficiais de ambiente nacional

O atendimento educacional aos excepcionais foi explicitamente assumido, ao nível nacional, pelo governo federal, com a criação de campanhas especificamente voltada para este fim.

Em 1958 por inspiração e idéias de José Espínola Veiga pelo decreto nº 44236 de 1º de agosto, foi criada a Campanha Nacional de Educação e Reabilitação de Deficiente da Visão Vinculada à direção do I.B.C no Rio de Janeiro. Sua organização e execução foram regulamentadas pela Portaria nº 447 de 17 de setembro de 1958.

No dia 29 de novembro daquele mesmo ano, pela Portaria nº 566, uma comissão diretora foi constituída sob presidência do Ministro da Educação e Cultura, Clóvis Salgado. Os demais integrantes da comissão eram: Wilton Ferreira, José Espínola Veiga e Joaguim Bittencourt Fernandes de Sá, representante do Conselho Regional para o bem estar dos cegos e Dorina de Gouvêa Nowill da Fundação para o livro dos cegos no Brasil.

Depois de ano e meio de sua criação a referida campanha sofreu algumas mudanças estruturais pelo decreto nº 48.252 de 31 de maio de 1960, deixou de ser vinculada ao Instituto Benjamim Constant e com a denominação de Campanha Nacional de Educação de Cegos (CNEC) passou a subordinar-se diretamente ao Gabinete do Ministro da Educação e Cultura. Em 1962, assumiu o cargo de diretora executiva da CNEC, a professora Dorina de Gouvêa.

2. INCLUSÃO ESCOLAR: Por quê?

A escola brasileira é marcada pelo fracasso e pela evasão de uma parte significativa dos seus alunos, que são marginalizados pelo insucesso, por privatizações constantes e pela baixa auto-estima, resultante da exclusão social, alunos que são vítimas de seus pais, de seus professores e, sobretudo, das condições de pobreza em que vivem, em todos os seus sentidos. Esses alunos são sobejamente conhecidos das escolas, pois repetem as suas séries várias vezes, são expulsos, evadem e ainda são rotuladas, com mal nascidos e com hábitos que fogem do protótipo da educação formal.

A inclusão total é irrestrita é uma oportunidade que temos para reverter à situação da maioria das nossas escolas, as quais atribuem aos alunos com deficiências que são do próprio ensino ministrado por elas, sempre se avalia o que o aluno aprendeu, o que ele não sabe, mais raramente, analisa o que e como a escola ensina, de modo que os alunos não sejam penalizados pela repetência, evasão, discriminação, exclusão.

Estou convicta de que todos nós professores, sabemos que é preciso expulsar a exclusão de nossa escola e mesmo fora delas e que os desafios são necessários, afim de que possamos avançar, progredir, evoluir em nossos empreendimentos. É fácil perceber os alunos o que os alunos aprendem na escola, e é mais fácil ainda encaminhar para as classes escolas especiais, os que não têm dificuldade de aprendizagem, sendo ou não deficientes, para programas de reforço e aceleração.

Por meio dessas válvulas de escape, continuamos a discriminar os alunos que não damos conta de ensinar, estamos habituados a repassar nossos problemas para outros colegas, os especialistas e, assim, não recair sobre os nossos ombros o peso de nossas limitações profissionais. (MANTOAN, 2004, p. 28).

2.1 Os desafios da escola inclusiva

Segundo Pinto (2000, p. 231), “os professores da escola de ensino regular, em sua grande maioria, consideram-se despreparados para trabalhar com pessoas com necessidades especiais”.

Vemos também que, outros não estão abertos a esta preparação, justificando sua opção por este trabalho, que no seu ponto de vista deve ser exclusivo de professores especializados em educação especial.

O primeiro passo para quebrar esta dicotomia entre a formação de professores da educação comum, está em reconstruir a formação específica para professores específicos e procurar construir a inclusão do “específico” em todos os momentos de formação contínua de todos os professores. (PINTO, 2000, p. 234).

Os temas referentes à educação dos alunos que apresentam as necessidades especiais devem fazer parte de todos os cursos de formação de professores em todos os níveis e modalidade de ensino. A formação de professores deve favorecer em todos os alunos. Nos cursos específicos para especialização, qualificação e atualização para atuar com educação especial, faz-se necessário incluir temas indispensáveis à educação comum.

Assim também, o professor da educação especial poderá conhecer o reducionismo de sua formação especializada em educação especial, que por este motivo não favorecem este professor do domínio dos processos essenciais da educação comum, conforme afirma Pinto (ibid):

Conhecendo os fundamentos e as bases da educação especial, os professores de educação comum e da educação especial assumem a desconstrução do discurso “especializado”, centrado na deficiência do processo de aprendizagem. (PINTO, ibid, p. 235).

A forma como tem sido discutida a escola inclusiva, desvinculada das lutas sociais, centrada na polarização entre a escola comum e a escola especial, transforma o conceito de inclusão a uma mera questão de espaço de atendimento ou simples garantia da matrícula na escola comum. Esse fato gera polêmicas improdutivas no meio social.

Inclusão é um processo inerente a todas as políticas sociais básicas (educação, saúde, habitação, trabalho, lazer, esporte, assistência social, transporte). Exige uma nova arquitetura para os processos, uma nova arquitetura para as relações entre as pessoas. (PINTO, ibid, p. 237).

A inclusão não prevê a utilização de práticas de ensino específicas para está ou aquela deficiência e/ou dificuldade de aprender. Os alunos aprendem nos seus limites e se o ensino for de fato de boa qualidade, o professor levará em contas esses limites e explorará convenientemente as possibilidades de cada um. Não se trata de uma aceitação passiva do desempenho escolar, e sim, de agirmos com realismo e coerência e admitirmos que as escolas existem para formar gerações, e não apenas alguns de seus membros, os mais capacitados e privilegiados.

2.2 Ensinar a todos sem exceções e exclusão

Para Mantoan (2004, p. 70), “ensinar a turma toda, parte-se do fato de que os alunos sempre sabem alguma coisa, de que todo educando pode aprender, mas no tempo e no jeito que lhe é próprio”.

Percebe-se nas palavras de Mantoan que, é de fundamental importância que o professor nutra uma elevada expectativa em relação à capacidade de progredir dos alunos e que não desista nunca de buscar meios para ajudá-los a vencer os obstáculos.

O sucesso da aprendizagem está em explorar talentos, atualizar possibilidades, desenvolver predisposições naturais de cada aluno. As dificuldades e limitações são reconhecidas, mas não conduzem nem restringem o processo de ensino, como comoventes se deixam que aconteça. Segundo Mantoan (ibid):

Ensinar atendendo as diferenças dos alunos, mas sem diferenciar o ensino para cada um, depende, entre outras condições, de se abandonar um meio transmitissivo e de se adotar uma pedagogia ativa, interativa, integradora, que se contrapõe a todas e qualquer visão unidirecional, de transferência unitária, individualizada e hierárquica do saber. (MANTOAN, ibid, 71).

Mantoan (ibid) entende que a proposta de se ensinar a todos, caracteriza um ensino não disciplinar com:

  • O rompimento das fronteiras entre as disciplinas;
  • A formação de redes de conhecimentos e significações, em contraposição a currículos conteúdistas, a verdade prontas e acabadas, listadas em programas escolares seriados;
  • A integração dos saberes, decorrentes da transversalidade curricular e que se contrapõe ao consumo passivo de informações de conhecimentos sem sentido;
  • Policompreensão da realidade;
  • A descoberta, a inventividade e a autonomia do sujeito, na conquista do conhecimento;
  • Ambientes polissêmicos, favorecidos por temas de estudo que partem da realidade, da identidade sociocultural dos alunos, contra a ênfase no primado do enunciado desencarnado e no conhecimento pelo conhecimento.

O ponto de partida para se ensinar à turma toda, sem diferenciar o ensino para cada aluno ou grupo de alunos, é entender que a diferenciação é feita pelo próprio aluno, ao aprender, e não pelo professor ao ensinar. Essa inversão é fundamental para que se possa ensinar a turma toda, naturalmente, sem sobrecarga inutilmente o professor (para produzir atividades e acompanhar grupos diferentes de alunos) e alguns alunos (para que consigam se “igualar” aos colegas de turma).

Mantoan reconhece que para ensinar a turma toda é preciso utilizar atividades abertas, diversificadas, que possam ser abordadas por diferentes níveis de compreensão e de desempenho dos alunos.

Debates, pesquisas, registros escritos, falados, observações, vivencia são processos pedagógicos indicados para realizar essas atividades, além, evidentemente, dos conteúdos das disciplinas que vão sendo chamadas espontaneamente a esclarecer os assuntos em estudos. (MANTOAN, ibid, 74).

2.3 Atuação do professor na educação inclusiva

Para Mantoan (ibid, p. 76), “a maioria dos professores tem uma visão funcional do ensino e tudo o que ameaça romper o esquema de trabalho prático que aprenderam a aplicar em sua sala de aula é inicialmente rejeitado”. Mantoan remete a reconhecermos, também que inovações educacionais como a inclusão abala a identidade profissional e o lugar conquistado pelos professores em uma dada estrutura ou sistema de ensino, atentando contra a experiência, os conhecimentos e o esforço que fizeram para adquiri-los.

O professor que enreda e participa da caminhada do saber com seus alunos consegue entender melhor as dificuldades e as possibilidades de cada um e provoca a construção do conhecimento com maior adequação.

Ensinar a turma toda reafirma a necessidade de se promover situações de aprendizagem que formem uns tecidos coloridos de conhecimento, cujos fios expressam diferentes possibilidades de interpretação e de entendimento de um grupo de pessoas que atua cooperativamente em sala de aula.

O professor, da mesma forma, não procurará eliminar as diferenças em favor de uma suposta igualdade do alunado, que é tão almejada pelos que apregoam a falsa homogeneidade das salas de aula. Antes, estará atento à singularidade das vozes que compõem a turma, promovendo o diálogo entre elas, contrapondo-as, complementando-as, como destaca Mantoan (ibid):

Os diferentes significados que os alunos atribuem a um dado objeto de estudo e as suas representações vão se expandindo e se relacionando e revelam, pouco a pouco, uma construção original de idéias, que integra contribuições de cada um. (MANTOAN, ibid, 78).

2.4 Onde começa a inclusão

A inclusão social de portadores de dificuldades física ou mental tem sido bastante discutidas nos últimos tempos, a idéia é muito defendida e vem causando polemica, como enfatiza Pelegrinelli (2001, p. 432), “defendendo a concepção de que inclusão é uma questão de princípios”.

Observa-se, com freqüência que, as pessoas se conformam e contentam com pouco, sem permitir que os que estão em sua volta, que apresentam alguma dificuldade, possam melhorar.

Em toda estrutura familiar cada um cumpre um papel: temos um filho estudioso, a filha mais calma, o que pé mais agitado, a que é mais tímida… E também temos que ocupar o lugar do problema do que não sabe, do que raciocina pouco e do que é mais esperto. Segundo Pelegrinelli (ibid, p. 434), “a pessoa com qualquer dificuldade na maioria das vezes, fica nesse lugar imposto a ela, o lugar do problema, então, tem que enfrentar mais essa”.

Não dá com jeitinho incluir mais ou menos. O exercício de inclusão é extremamente rico, é uma chave fantástica de crescimento, descobre-se à riqueza do ser humano quando antes da síndrome que há em uma pessoa, há na humanidade.

Na medida, que aceitamos no nosso cotidiano nossas limitações, é que aprendemos a chorar com doçura, ou seja, temos compaixão pela nossa condição humana, a gente recebe o outro, deixa que ele faça parte, que seja compreendido.

Permitir o direito de inclusão a todas as pessoas, não apenas uma questão de reconhecer esse direito, é aceitação, convivência e acima de tudo reconhecimento de que as diferenças fazem parte das pessoas.

3. DEFICIÊNCIA VISUAL: Conceitos

Os seres humanos não são fisicamente iguais, cada um tem sua altura, cor de pele, peso, enfim, cada um tem suas características próprias que o diferem dos demais. Já as pessoas deficientes talvez sejam um pouco mais diferentes, por possuírem sinais ou até mesmo seqüelas mais notáveis. Segundo Ribas (2003):

O termo pessoas deficientes refere-se a qualquer pessoa incapaz de assegurar por si mesma total ou parcialmente as necessidades de uma vida individual ou social normal em decorrência de uma deficiência congênita ou não em suas capacidades físicas e mentais. (RIBAS, 2003, p. 55).

Por outro lado, a Organização Mundial da Saúde (OMS) publicou em 1980 uma classificação que se daria por impedimento, deficiência e incapacidade. O impedimento diz respeito a uma alteração (dano ou lesão) psicológica, fisiológica ou anatômica em um órgão ou estrutura do corpo humano.

A deficiência está ligada a possíveis seqüelas que restringiram a execução de uma atividade. A incapacidade diz respeito aos obstáculos encontrados pelos deficientes em sua interação com a sociedade levando-se em conta a idade, sexo, fatores sociais e culturais.

A visão é o canal mais importante de relacionamento do individuo com o mundo exterior. A expressão “deficiência visual” se refere ao aspecto que vai da cegueira até a visão subnormal.

Costuma-se definir tecnicamente a cegueira a partir de dois parâmetros. O oftalmologista Rubens Gurfki explica que um deles é as acuidades visuais, que diz respeito à distancia através da qual um objeto pode ser visto: na escala de Snellen, a fração 60/60 corresponde à visão normal propriamente dita. O outro parâmetro é os campos visuais, relacionados coma amplitude angular em que os objetos são enquadrados que possam ser vistos.

As possibilidades são quatro: 60 graus para a visão superior; 76 graus para a visão inferior; 100 graus para a horizontal na altura das têmporas; 60 graus na região do nariz. Sendo essas condições preliminares, a cegueira define-se como a deficiência visual máximo: é o estado de amaurose, em que a visão absolutamente não ocorre, ou então, acha-se reduzido a um patamar igual ou inferior a 60/60 na escala Snellen; em situação de cegueira, o campo visual não excede a 20 graus, sempre tomando como parâmetro o menor olho, tendo sido realizada correção ótica. (SALABERRY, 2002, p. 98)

O termo cegueira não é absoluto, reúne indivíduos com vários graus de visão residual. Não significa, portanto, total incapacidade do ser, mas sim, prejuízo dessa aptidão. A baixa de acuidade visual pode ser classificada em cegueira total ou parcial e ainda amblíopia.

A visão subnormal (baixa visão), como preferem alguns especialistas à alteração da capacidade funcional decorrentes de fatores, como rebaixamento significativo de acuidade visual e da sensibilidade aos constastes e limitações de outras capacidades. Uma definição simples da visão subnormal é a incapacidade de enxergar com clareza suficiente para contar com os dedos da mão a uma distancia de três metros, em outras palavras, trata-se de uma pessoa que conserva resíduos de visão. Rocha & Gonçalves (2005) descreve que:

Cegueira parcial refere-se a indivíduos cuja acuidade visual é corrigida nos dois olhos (com óculos ou lentes de contato), é igual ou inferior a 0.1, bem como os portadores de campo visual tubular restrito a 20º g. mais ou menos. São indivíduos capazes de contar dedos à curta distancia e os que só percebem vultos. A cegueira total ou simplesmente amaurose, presupõe completa perda da visão. A visão é nula, isto é, nem a percepção luminosa está presente. (ROCHA & GONÇALVES, 2005, p. 50).

A amblíopia é um caso particular de cegueira, definida como baixa visão em olho organicamente perfeito, em que o exame oftalmológico nada revela que o justifique. Está pode ser classificada em funcional ou orgânica.

A amblíopia funcional é baixa de visão com os olhos aparentemente normais. Ajusta-se em três modalidades: estrabísmica, anisometrópica e refracional. A amblíopia orgânica pode ser inaparente ou aparente.

Na amblíopia estrabísmica mesmo quando o olho tem visão originalmente normal, as impressões recebidas pelo olho desviado são supridas, afim de diplopia (visão dupla) seja evitada. O estrabismo para vencer a diplopia, leva à amblíopia pela supressão, pela correspondência anômala ou pela fixação excêntrica.

A amblíopia anisometrópica, pode ser explicada, segundo Rocha & Gonçalves (ibid, p. 52), “por que o córtex visual só funde as imagens provenientes dos dois olhos, se a diferença de tamanho entre ambas não for além de 7º”.

Em contrapartida, quando esse percentual é maior, por diferença de refração acima de 3 ou 4 diotropia (é convergência de um sistema óptico cuja distância focal é de 1 m), a fusão não se faz os pacientes desenvolvem visão alternadamente ou suprimem a imagem menos nítida ( a do olho com refração mais alta) cujo olho tende a amblíopia.

A amblíopia refracional ocorre quando a criança necessita de óculos, mas só os casos graves são muito desiguais, há grande risco de desenvolver a amblíopia.

Rocha & Gonçalves levam-nos mais além, mostrando que a amblíopia orgânica inaparente pode ocorrer de duas formas: primária e secundária. Chama-se orgânica inaparenete primária quando as baixa de visão originadas de alterações citológicas, conseqüentes à hemorragia retiniana dos recém-nascidos, neurites, retrabulbares ou cegueira corticais. Será orgânica inaparente secundária quando a amblíopia é de início funcional e ao longo dos anos leva à distúrbios celulares.

A amblíopia orgânica aparente são casos, por exemplo, de cata rata congênita ou ptose acentuada, em que a retina embora valida, não pode ser solicitada.

Entre outros casos da capacidade visual estão as patologias como: miopia, estrabismo, astigmatismo, amblíopia, hipermetropia, que na infância devem ser diagnosticada e tratadas para não prejudicar o desenvolvimento da criança. Gil (2000) explica que:

Há bem pouco tempo as pessoas com resíduos de visão eram tratadas como se fossem cegas. No mundo de hoje, os profissionais que trabalham com essas crianças aproveitam ao máximo o potencial visual que elas possuem, a fim de melhorar a sua qualidade de vida, sem eliminar sua deficiência. (GIL, 2000, p. 106).

3.1 Causas dos defeitos da visão

A cegueira, ou perda total da visão pode ser adquirida ou congênita (desde o nascimento). O individuo que nasce com a capacidade visual, perdendo-a mais tarde, guarda memórias visuais, consegue se lembrar de imagens de luzes e as cores que conhecem, sendo útil para a sua adaptação. Quem nasce com sem capacidade, jamais pode forma uma memória visual.

As causas mais freqüentes de cegueira ou visão subnormal segundo Salles (2004, pp. 81-82) são:

  • Retinopatia da prematuridade (Fibrosplasia Retrolental) – Causada pela imaturidade da retina, ocorre nos bebês prematuros expostos à aplicação de oxigênio. Surge uma massa fibrosa na região da retina que produz o seu descolamento e a baixa visão. Aos que conservam uma visão útil, lentes de aumento e telescópicas ajudarão a eficiência visual para perto e para longe.

  • Retinose pigmentar – Doença hereditária que se modifica na criança. É uma degeneração da retina que começa na periferia e lentamente compromete também a visão central. Não há cura e pode levar a cegueira na quinta ou sexta década de vida.

  • Glaucoma congênito – Pode e ser hereditário ou causado por infecções. Ocorre um aumento da pressão interna do olho causada por uma anomalia na eliminação do humor aquoso (líquido transparente que ocupa o espaço entre a córnea e o cristalino). A criança apresenta aumento do globo ocular, muita sensibilidade à luz, lacrimejando e coceira. A cirurgia deve ser indicada o mais rápido possível, pois a perda visual por hipertensão arterial desenvolve rápido na criança. A manutenção da visão residual dependerá de completo controle da pressão intra-ocular. Em casos mais avançados (quando o olho fica muito grande), existe perigo de perfuração, se houver traumatismo.

  • Toxoplasmose – A mãe infectada durante a gravidez pode passar ao feto. A acuidade visual estará comprometida quando a lesão for na mácula (área no centro da retina).

  • Catarata Congênita – Em conseqüência da rubéola ou de outras infecções na gestação. O cristalino presente ou desenvolvido após o nascimento fica opaco. A catarata impede a passagem da luz para a retina. Essa catarata tem diferentes intensidades e a cirurgia deve ser indicada quando a visão for prejudicada.

  • Neurite óptica – Ocorre uma inflamação do nervo óptico do recém-nascido, associada geralmente em razão de uma mãe com anemia, subnutrição, diabetes ou em uso de drogas.
    • Conjuntivite gonocócica – Ocorre quando a mãe contrai gonorréia (doença venérea) e a transmite ao filho durante o parto normal. Se o recém-nascido não for tratado logo ao nascer, pode ocorrer úlcera de córnea ou mesmo perfuração ocular, que provoca baixa visão ou cegueira.

  • Doenças hereditárias – Como albismo, anomalias na retina, córnea, íris, mácula, nervo óptico e altas miopias. O impacto da deficiência visual sobre o individuo varia muito entre os sujeitos. Depende da idade em que ocorre, do grau de deficiência, da família, das intervenções que forem tentadas, da personalidade da pessoa e muitos outros fatores.

3.2 Importância da visão e o seu desenvolvimento

A visão é o meio mais importante de integração entre o indivíduo e o meio ambiente, já que os conhecimentos em sua grande parte são adquiridos por seu intermédio. Ela capta registros próximos ou distantes e permitem organizar, a nível celebral as informações captadas pelos outros órgãos dos sentidos. Gil (2000) destaca que:

Enxergar não é uma habilidade inata, ou seja, ao nascer ainda não sabemos enxergar, é preciso aprender a ver. Esse não é um processo consciente. Embora, nem pensamos nisso, estamos ensinando um bebê a enxergar ao carregá-lo no colo e ir mostrando: Olha o gatinho! Onde está seu irmão? (GIL, 2000, p. 108).

O desenvolvimento da visão ocorre nos prementes anos de vida. Os indivíduos possuem sistemas-guias (formas de uso pessoais) que utilizam para orientar-se, sem tomar consciência disso.

A visão constitui um desses sistemas guia, possivelmente o mais poderoso de todos. Já os cegos precisam recorrer a outros tipos de sistema-guia, como mostra Gil (ibid):

Alguns, por exemplo, usam como referência o tipo de calçamento das ruas (asfalto, paralepípedos, etc.), ou as curvas e esquinas das ruas de seu trajeto. Outros recorrem a pistas olfativas (uma fábrica de bolachas, por exemplo)(, ou auditivas (ruído de uma praça movimentada)). (GIL, ibid, p. 109).

O desenvolvimento das habilidades de orientação e mobilidade, parte essencial do processo educacional de qualquer criança deficiente visual, precisa começar desde cedo, em casa com apoio dos pais. Depois, o treinamento continuará na escola, com o professor especializado.

A família, base do desenvolvimento do ser humano, cega a tarefa de oferecer ao portador de deficiência visual condições para o seu crescimento como individuo, tornando-o capaz de ser feliz e produtivo, dentro de sua realidade, de suas potencialidades e de seus limites.

Por outro lado, para haver o desenvolvimento normal da visão é preciso que a imagem do objeto focado chegue nítida a retina, o nervo óptico não pode estar atrofiado, nem lesado na via óptica que leva a imagem até o celebro, o celebro não pode estar com alterações anatômicas ou funcionais.

Segundo Oliveira et al (2000), o recém-nascido só percebe a luz. A mácula ainda não está totalmente desenvolvida e o celebro não sabe interpretar os estímulos visuais. Aos três meses, a criança já consegue fixar e a área macular já está estruturada. A criança consegue seguir um objeto com o olhar. Aos nove meses inicia-se a visão de relevo, tem noção de distancia e formas. Com um ano as crianças já reconhecem bem os objetos e parentes próximos a ela. Aos quatro anos, a visão está quase completa. Aos cinco anos, a visão já é quase igual a do adulto, mas podendo melhorar até os sete anos.

3.3 Desenvolvimento na infância, adolescência e fase adulta

Especialistas afirmam que é importante que o bebê deficiente visual aprenda a usar seus outros sentidos o mais possível, para se localizar e reconhecer seu espaço, evitando atrasos em atividades como engatinhar e andar. Trata-se de uma questão de aprendizado, pois ele possui o mesmo potencial dos bebês dotados de visão.

Desde o nascimento, é preciso despertar na criança cega o desejo de conhecer e aprender. Os pais devem conversar mais com o recém-nascido portador de deficiência visual do que faz geralmente com os não deficientes. Oliveira et al (2000) enfatiza que:

Para o recém-nascido, a primeira percepção do mundo é tátil. O deficiente visual vivencia o mundo por meio d tato. Essa percepção permite a criança compreender que existe algo fora de si mesma, um mundo exterior povoado de objetos e pessoas, cada um com seu nome, forma e sua função própria. (OLIVEIRA et al, 2000, p. 83).

Pelo que foi exposto por Oliveira, compreende-se que a tarefa de explorar e conhecer um objeto requer grande esforço da criança portadora de deficiência visual. Por isso, ela precisa contar com situações adequadas de aprendizagem sem precipitação nem impaciência.

Adentrando na fase da adolescência, como lembra Salles (2004), é que surge a raiva da própria deficiência.

A ausência da visão cria barreiras, pois interfere em seu senso de integridade física e em sua imagem corporal de pessoa sexualmente aceitável, bem como em sua capacidade de escolha do parceiro.

A adolescência, uma fase plena de descoberta e transformações, pode ser vivida com intensidade pelo portador de deficiência visual, do ponto de vista afetivo e sexual. E a sexualidade, como parte da natureza humana, contribui para inseri-lo no mundo.

O portador de deficiência visual é um ser humano igual aos demais, com impulsos sexuais e potencial para viver a sexualidade.

Passando para a fase adulta, percebemos que as restrições pela deficiência visual dependem do modo como está se manifesta. Em geral, as impressões visuais registram-se na memória apenas a partir dos seis anos de idade, aproximadamente: se uma pessoa torna-se cega antes dessa faixa etária, na prática, é como se tivesse nascido sem ver.

O grande problema dos deficientes visuais é como ele é visto, ou são coitadinhos ou são gênios, a super proteção limita mais que a própria deficiência.

Cabe ao cego adaptar-se à sociedade, buscando a melhor forma possível de suprir a falta de visão, através do máximo possível de recursos que a natureza humana, a ciência e a tecnologia são capazes de fornecer. Mais isso não basta. É preciso também, que a sociedade se adapte ao cego, respeitando-o como ser humano e ao mesmo tempo reconhecendo suas limitações decorrentes da cegueira. Em outras palavras, nem preconceitos, nem mitos. (SALABERRY, 2002, 107).

Para o advogado de 24 anos, Moisés Bauer Luiz, a cegueira não interferiu em seu desenvolvimento escolar. O advogado cursou o Ensino Médio em Canoas/RS e, antes mesmo de terminar o colégio passou no vestibular no meio do ano. Ao término prestou novamente o concurso para Direito em três Universidades e Letras na Federal, passando em todas.

Moisés tem uma vida normal. Está trabalhando atualmente no Ministério Público, passou em um concurso público para assessor. Ele não pensa em para por aqui. Está estudando para se tornar promotor.

A determinação de Moisés está muito bem postulada nas palavras de Rocha & Gonçalves (2005, p. 65), “o portador de deficiência visual é uma pessoa como os demais, com preferências, habilidades, aptidões, dificuldades, interesses e capacidades produtiva. Necessita apenas de oportunidade para desenvolver suas potencialidades”.

Outra pessoa que merece destaque pelo seu determinismo é José Maurício Rosa da Silva, advogado de 22 anos, quando fala deixa nítido que a cegueira nunca foi obstáculo para ele: “quando fiquei cego me deparei com uma nova situação, procurei meios para lidar com ela. Sempre fiz as coisas com muita gana”.

Esta gana de aprender e manter-se ocupado, foi a forma que levou o jovem a tornar-se monitor do Centro Louis Braille, onde freqüentava os cursos. “Ajudava os colegas que estavam aprendendo o Braille, descobri neste período que gostava muito de ensinar”.

Segundo o psicólogo Renato Santana, não é possível definir o que é beleza para uma pessoa que nasceu cega. “Nós não temos signos comuns para poder explicar o que é beleza, nós que não enxergamos temos uma noção do que é beleza, mas totalmente diferente da que um vidente possa conceituar”.

A sociedade, muitas vezes não enxerga. Ela carrega estigmas, crenças e preconceito que obstrui os seus olhos. As pessoas cegas quando são determinadas, são capazes de transpor barreiras da imagem e serem profissionais bem sucedidos, demonstrando que não ver, é apenas um detalhe.

4. DIFICULDADE DO PROFESSOR AO LIDAR COM UM DEFICIENTE VISUAL

A literatura existente demonstra que entre os sete anos e os onze anos, a atividade principal da criança é estudar. A escola constitui o foco de seu mundo. Local de aprendizagem e socialização, determinante de toda rotina e do ritmo de sua vida.

A criança aprende a ler e escrever e para ela abrem-se novos horizontes. Essas são habilidades indispensáveis a qualquer criança, mesmo para quem não enxerga, ou enxerga muito pouco. Para estes existem técnicos diferentes, como o Braille ou instrumentos que auxiliam a visão, como a lupa, etc.

As crianças que enxergam, mesmo antes de aprender a ler e escrever de forma sistematizada incorporam muitas noções a esse respeito: observam embalagens, cartazes, anúncios na televisão, folheiam livros, revistas, jornais, vêem as pessoas lendo e escrevendo. Assim, elas vão incorporando hábitos de leitura e escrita. Esse contato constante com a palavra escrita cria motivações para alfabetização. Lembra Gil (2000) que:

Quando a criança chega à escola, ela deve ser avaliada cuidadosamente em seu desenvolvimento psicomotor e cognitivo, em suas habilidades sensoriais (táteis, auditivas, e visuais), pois tudo isso é importante para o processo de alfabetização. A aprendizagem da leitura e da escrita depende do desenvolvimento simbólico e conceitual, da maturidade mental, psicomotora e emocional do aluno. (GIL, 2000. p. 44).

O processo citado por Gil, resulta da orientação e do estímulo oferecido pelo professor. De início, o aluno com deficiência visual apresenta uma desvantagem com relação aos outros, pois apresenta características distintas em seu desenvolvimento, tais como:

Ele precisa de mais tempo para assimilar determinados conceitos, especialmente os mais abstratos, requer estimulação contínua, mostra dificuldade de integração, apreensão, exploração e domínio do meio físico, desenvolve mais lentamente a consciência corporal. (GIL, ibid, p. 46).

Compreendemos então, que tanto a experiência como o aprendizado das crianças portadoras de deficiência visual dependem muito de seus outros órgãos dos sentidos, já que não contam (total ou parcialmente) com a visão. A não estimulação e a falta de experiência que mobilizam os sentidos disponíveis pode prejudicar a compreensão das relações espaciais e temporais e prejudicar na aquisição de conceitos necessários ao processo de alfabetização.

O professor deve procurar entender o seu aluno, por que cada criança tem uma história de vida e desenvolve habilidades e características muito pessoais.

4.1 Educação do deficiente visual e aspectos psicológicos

Tendo em vista, a exigüidade de tempo e a limitação de recursos bibliográficos disponíveis no momento, poucas são as conclusões sobre bases psicológicas para elaboração de uma proposta curricular para o deficiente visual, mesmo sem caráter experimental.

De caracterização do deficiente visual, resumida de uma ligeira recensão bibliográfica, pode-se referir que, executando a percepção visual e seus correlatos, as diferenças entre os deficientes visuais e os dotados de visão não possuem maior significado, ou ainda, deveriam ser reavaliadas e discutidas, especialmente em nosso meio, pobre em pesquisas nessa área. Aponta-se, entretanto, como de importante na criança deficiente de visão, a partir da literatura utilizada e das investigações nela contidas:

  • Um desenvolvimento motor como defasado, em relação ao normal dotado de visão, destacando-se maior dificuldade no estabelecimento da lateralidade e decorrentes problemas de orientação espacial esquerda/direita, apresenta um desempenho geral aproximado do normal, dotado de visão;

  • Há idêntico resultado, no que diz respeito ao rendimento intelectual, em raciocínio verbal e abstrato e deficientes nos fatores que envolvem a utilização dos canais visuais;

  • Nas habilidades de leitura e de uso da linguagem, os déficits seriam mais acentuados nas crianças com perda severa de visão, quando os desempenhos decorressem do uso do canal vusual-motor. Quando ao uso do canal auditivo-vocal, as habilidades psicolingüísticas de todos os tipos de deficiência visuais seriam normais. Decresceriam, entretanto, quanto à aquisição de habilidades que dependessem da recepção visual, expressão motora, memória visual e seqüência e associação visual;

  • No que se refere à aprendizagem de leitura, o nível de aproveitamento seria, em geral, idêntico ao do normal com visão, não se identificando erros específicos de leitura entre os deficientes de visão, exceto os erros de inversão, que apareceriam entre estes com maior freqüência;

  • Quanto ao ensino de Braille, o reconhecimento de seus caracteres seria importante, não só para a velocidade da leitura, como para a redução de erros em tais reconhecimentos. E, embora as pesquisas tivessem concluído que o ensino de Braille devesse ser efetuado pela integração de caracteres, uma grande porcentagem dos professores desta técnica enfatizou a leitura de palavras inteiras;

  • O desenvolvimento da fala, ao que parece, poderia no deficiente de visão apresentar problemas de menor variedade vocal, falta de modulação, com tendência a falar mais alto, e mais lentamente. Apareceria, ainda, o uso mais acentuado de gestos, de movimentos dos lábios, da gesticulação e da expressão corporal;

  • Na área de personalidade e de problemas de ajustamento, as dificuldades do deficiente decorreriam freqüentemente da área pessoal-social. No ambiente familiar, a atitude dos pais foi vista como variável. Há pais que aceitam genuinamente a cegueira de um filho, como há os que o rejeitam, disfarçada ou abertamente. Quanto ao entrosamento como os grupos, geralmente de companheiros, aparecem também os problemas de aceitação ou não de deficientes visuais, especialmente quando associado à deficiência mental. Também as expectativas de outras crianças com visão apresentaram-se como variáveis passíveis de influir no desempenho do deficiente visual, reforçando-os e facilitando-os, quando favorável. Daí admitir-se que muitas das dificuldades emocionais do deficiente visual possam recair em abandono, dependência e isolamento. (Fonte: www.institutobenjaminconstant.com.br)

Do que foi exposto, pode-se concluir que, de modo geral, os problemas de aprendizagem do cego são passiveis de solução, através dos recursos de uma tecnologia que atenda ao deficiente visual como “inadaptado” e não como “desadaptado”.

Metodologia e recursos didáticos adequados aos fins a que se propõe a educação atual, e possíveis de solucionar os problemas de aprendizagem do deficiente visual, seriam instrumentais de um educador especializado, formando para tal fim.

Quanto aos problemas de personalidade do deficiente visual, embora comuns também ao vidente, exigiram atuação de trabalhos de equipe, pois extrapolariam as responsabilidades do professor, no momento em que recaíssem no contexto familiar e, com acentuada especificidade nas figuras parentais e no próprio contexto escolar, onde o professor, como figura mais significativa deveria ser trabalhado e assessorado psicologicamente.

Entretanto, personalidade e aprendizagem vistam distintamente, para facilitar a analise da situação, são construídos inseparáveis e interdependentes no processo educacional, os grandes responsáveis pelo aparecimento de variáveis intervenientes. E, quando caracterizam interferência sob a forma de isolamento ou dependência, jamais devem ser reforçados ou facilitados.

Todos os esforços devem ser empreendidos nesse sentido, pois, ao que se parece, representam o núcleo dos problemas emocionais do deficiente visual, vistos generalizadamente, e que merecem ser tratados por equipe interprofissional. Daí a importância das crianças de centros de apoio à educação do deficiente de visão, que estendem sua ação à atividade de prevenção junto à família e a sociedade.

Para uma proposição curricular no ensino regular que possa atender ao deficiente da visão, respeitando sua organização pessoal, uma conceituação teórica, psicologicamente, deve embasar tal proposição englobando a situação educacional como um todo, no contexto mais amplo de uma instituição escolar. Recursos pedagógicos e sugestão de uma estratégia de ação devem complementar essa função teórica, impedindo que a mesma se perca em especulações racionais.

No Brasil, a educação do cego, como fato social, prende-se historicamente a uma política paternalista em relação aos grupos monetários de deficientes protegidos em grandes escolas especializadas, mas isoladas do ambiente educacional dos denominados “normais”.

Entretanto, sob o ponto de vista pedagógico, o pioneirismo dessas instituições, ressaltando entre elas o Instituto Benjamin Constant, que na América Latina constitui-se o primeiro gênero, muito tem contribuído para o aperfeiçoamento e difusão de recursos e programas de educação e reabilitação do deficiente de visão, bem como para a criação e outros estabelecimentos congêneres e reformulação de uma filosofia de educação nessa área.

Enfim, tais escolas representam os grandes laboratórios, pontos de referência, subsídios para a mudança de materiais dos meios e fim na educação do deficiente visual, e ainda da maior importância para o conhecimento deste como educando e como pessoa.

Do mundo dos que vêem, dificilmente pode-se sair do plano filosófico e político da educação do cego, e tratá-lo como pessoa, particularmente, sem transformá-la em abstração.

Procurando fugir a tal trisco, pretende-se fazer uma descrição dos deficientes de visão educável, a partir de estudos e autores nacionais e estrangeiros, alguns até a base espetaculativa, mas que tiraram suas inferências do contato com os cegos, ou mesmo de suas experiências pessoais como total.

Embora pese a falta de pesquisa sobre o cego na realidade brasileira, de modo geral, estudos mais controlados, sobre sua conduta em contexto escolar, espera-se então, dar a tal descrição caráter objetivo e de proposição ao cumprimento de metas de ensino integrado do ensino regular.

4.2 Caracterização dos deficientes visuais: Orientação e locomoção

Uma caracterização do deficiente visual, por breve que seja, somente poderá ser elaborada após uma revisão bibliográfica e através de pesquisas que propiciem no mínimo, uma descrição de sua conduta. E não permitindo a exigüidade de tempo e realização de pesquisas, cabe tentar recursos bibliográficos que, embora limitados poderão contribuir para o conhecimento do deficiente visual.

Tais estudos serão apresentados pelas ares de concentração, ou seja, estudos sobre orientação e locomoção, coordenação motora, inteligência, percepção sensorial, linguagem e comunicação, expressão facial, personalidade e ajustamento, desenvolvimento de aptidões, aproveitamento escolar.

Bertold Lowenfeld (2005) descreveu no livro Proposta Curricular para Deficientes Visuais que, a criança cega apresenta alguns resultados de investigação que, apesar de poucos recentes, valem ser consideradas.

Introduzindo tais estudos, o autor assinala a importância dos dois componentes da mobilidade: orientação e locomoção física. Orientação mental definida como habilidade do indivíduo para reconhecer seu próprio meio ambiente e suas próprias relações temporais e espaciais. Locomoção física como o movimento do organismo para ganhar o espaço por meio do seu mecanismo orgânico. De natureza diferente, ambas as funções são necessárias para a mobilidade.

O cego, em seu esforço de orientação, precisa ter na sua mente um mapa mental e tê-lo como referência global em sua movimentação dirigida intencionalmente. Através da experiência, ele vai apoiando em indicadores do próprio ambiente, como o ar vindo de uma porta aberta, o sinal sonoro do tráfego, etc. Também, poderá fazer uso de sua memória muscular, como ainda também empregara seu sentido de tempo no traçado de sua posição do mapa mental.

Para fugir dos obstáculos e ter segurança em seus movimentos, o cego faz uso de todos os seus sentidos. Ouve todas as espécies de sons, incluindo ecos, interpreta odores e suas origens, sente mudanças de temperatura, correntes de ar e o que eles indicam. Entretanto, para ampliar seu mundo, o cego sempre depende da assistência humana, embora o uso de bengalas e cães-guias possam auxiliá-lo em sua orientação.

O treinamento da mobilidade para o cego, sob todas as condições até no uso da bengala, constitui área de interesse dos educadores e técnicos em reabilitação, sendo parte essencial do ajustamento individual nesta deficiência.

Lowenfeld em sua obra citada acima, investigou mais profundamente, a orientação e percepção espacial no cego e concluiu que o desempenho dos videntes nos testes superiores é bem mais alto ao dos cegos acidentais ou dos cegos congênitos. O vidente usa a imagem visual na determinação da direção, o que evidencia a importância da imagem visual para a orientação e confirma que, além dos canais auditivos, o tempo auxilia o cego na orientação da distância.

Os estudos de Lowenfeld sobre a orientação geográfica dos cegos, mostraram que o desempenho do congenitamente cego é tão bom como o cego acidental. Também o grau de cegueira, a etiologia, a idade da cegueira, a inteligência e o sexo não constituíram fator significativo na orientação geográfica. Logo, a imagem visual não parece necessária para a orientação geográfica.

Os experimentos de orientação e organização espacial de cegos congênitos encontram efeitos positivos do treinamento desta habilidade, embora o treino nos cegos de desempenho pobre não alcançasse o grau dos cegos de desempenho bons, não treinados.

4.3 Coordenação motora, inteligência e percepção sensorial

No que se refere à coordenação motora, Samuel Kirk (2001) apresenta resultados de algumas pesquisas de interesse para a educação do deficiente de visão.

Ao observar uma criança cega, Kirk identificou um retardo no seu desenvolvimento geral, porém mais pronunciado na área motora. Ele evidenciou claramente o desenvolvimento motor dos cegos, a inferioridade deste relacionamento ao dotado de visão parcial, e de ambos em relação ao normal.

Kirk acompanhou o desenvolvimento de outra criança cega até os 4 anos de idade. Encontrou uma seqüência de desenvolvimento normalmente progressiva em postura, manipulação, locomoção, conduta exploratória, linguagem e comportamento social.

Seus estudos visualizaram também, uma acentuada afinidade entre condições para a aprendizagem em crianças cegas em sua mobilidade. Questionando tal resultado, ele levantou a possibilidade de tais crianças terem experiências anteriores, como pré-escolar em outros estabelecimentos. Estudou aspectos de respostas motoras em crianças cegas, observando que:

  • A lateralidade não é bem estabelecida na criança cega acidental, por que a primeira se evidencia em relação Pa última na discriminação esquerda/direita;

  • A criança cega desvia-se com uma inclinação esquerda/direita ao andar, na ausência de orientação auditiva. Tal “vai e vem”, o pesquisador atribui a distorções perceptuais, admitindo, entretanto, ser o treinador efetivo para superar tal dependência.

Ainda há muita dificuldade na avaliação da inteligência do deficiente visual, dados os recursos instrumentais. A maioria dos testes padronizados inclui itens, fazendo-se necessário o uso de testes verbais ou performance tátil ou sinestésica.

Ao investigar a inteligência de crianças com defeito de visão, ele utilizou dois recursos de avaliação: um através da própria criança e outro no julgamento do professor. Os escolares ditos normais ficam na média ou acima já os testes de criança com deficiência visual ficam na media ou abaixo dela.

Numa revisão dos estudos de testes de inteligência de crianças com visão parcial e crianças videntes, encontrou resultados contraditórios. Concluiu sobre a pobreza de conhecimentos sobre o assunto e criticou o fato dos mesmos testes construídos para crianças com visão normal serem utilizados para crianças com visão parcial, o que a seu ver prejudicaria seu resultado.

O déficit do deficiente de visão em relação ao vidente apresenta visualmente, o que já não acontece com o desempenho em raciocínio, desenvolvimento da linguagem e generalização abstrata, idênticos ao dos videntes.

Kirk (ibid, p. 96) promoveu que a cegueira limita a percepção e cognição em três campos: “Na extensão e variedades de experiências; na habilidade para usá-la; no controle do ambiente e do “self” em relação ao ambiente”.

Essas restrições poderiam ser espectadas e afetar o desenvolvimento intelectual do cego.

Uma reavaliação do nível intelectual da criança cega está muito atrasada, tendo em vista as mudanças que afetaram as condições de vidas dessas crianças atualmente resultantes do movimento acelerado em prol da criança cega em classes regulares; da nova ênfase dada ao desenvolvimento da visão residual e da mudança de atitude dos pais.

Em geral, e a despeito da limitação de experiências da criança deficiente ou não, a criança com deficiência visual, mostra, aproximadamente, a mesma distribuição de escores nos testes de inteligência do que as crianças videntes, desde que sejam utilizados testes com os mesmos canais de comunicação auditiva/vocal e de resposta motora.

Referindo-se à acuidade visual dos cegos, Lowenfeld cita que teria revisto com detalhes vários estudos que testaram habilidades comparadas de cegos e videntes para distinguir a direção do som, determinar a distancia do som e discriminar a intensidade dos sons.

Ele estudou a acuidade de olfato, tato e gosto, discriminação de pesos levantados, pressão passiva e ativa, área de tato, sensibilidade, mudanças de temperatura e acuidade de sensação vibratória, particularmente dos cegos e surdos. Todos esses estudos iniciaram que o cego não possui superioridade sobre o vidente em acuidade sensorial, alguns ainda, indicaram que eles são um pouco inferior aos videntes.

Fundamentando-se na descoberta da possibilidade de desenvolvimento da visão residual do cego através de treinamento, efetuou um treinamento experimental com 10 pares de crianças cegas com visão remanescente equivalente, treinando um de cada par e usando o outro com controle.

Partindo do princípio que o desenvolvimento do processo visual seque um modelo seqüencial, e que o treinamento é importante para o desenvolver o máximo de eficiência. Foi trabalhado com 44 lições seqüenciais no grupo experimental, com duas crianças por hora, durante 30 dias.

Finalmente testaram ambos os grupos, experimental e de controle, com um teste confiável de discriminação visual, observando escores significativamente mais altos no grupo experimental, quanto à acuidade medida, não aumentou em qualquer grupo.

4.4 Linguagem, comunicação e expressão facial

A imitação tem um importante papel na aprendizagem da fala das crianças videntes, o que já não pode acontecer com as crianças congênitas e totalmente cegas. Elas somente podem aprender a fala através daquilo que ouvem ou da observação ocasional daquilo que tocam. Daí o desenvolvimento da linguagem efetuar-se mais lentamente na criança cega do que na criança vidente, o que também acontece com relação ao mundo dos conceitos.

Kirk (2001, p. 113) reuniu as seguintes observações encontradas comumente na literatura sobre a fala do cego:

  • O cego mostra menos variedade vocal;
  • O cego fala mais lentamente;
  • O cego tende a falar mais alto que o vidente;
  • A falta de modulação é mais crítica entre os cegos;
  • É típico o cego efetuar menos gesticulações e ação com o corpo;
  • O cego usa menos a movimentação dos lábios na articulação dos sons.

A carência crucial do cego, por não poder imitar a articulação do som através de canais visuais, pode ser amplamente compensada pelo maior papel da comunicação oral e auditiva na sua vida.

Referindo-se à aquisição da linguagem na criança cega, admite-se que seja incalculavelmente importante para o desenvolvimento, por que envolve relações pessoais e fornece um meio real de controle sobre os objetos. Entretanto, a partir desse alcance mais amplo do que para os videntes as palavras tornam-se fonte de auto-estímulo, levando-a quase que exclusivamente, como acontece com suas experiências táteis, a constituir seu próprio meio ambiente.

É o começo da “irrealidade verbal”. A aquisição da fala serve, portanto para objetivar e socializar a vida da criança cega, ao mesmo tempo, para isolá-la ainda do que os vêem.

Partindo para a expressão facial do cego, percebe-se que a mesma encerra interesses, tanto prático, como teórico, pois levanta questões sobre a determinação cultural da expressão mímica e de ordem inata. Também os educadores procuram conhecer o significado social da expressão facial normal do cego. Uma análise das expressões feita por Kirk (ibid, p. 115) revelou que:

  • O cego mostra menor atividade facial que o vidente ao expressar emoções;
  • A quantidade relativa de atividade facial na expressão de emoção é quase a mesma para cegos e videntes;
  • A atividade facial aumenta com a idade no vidente e decresce mais no cego;
  • O cego mostra em pensamentos idênticos, ligeiras diferenças de movimento facial expressando emoções diferentes;
  • As expressões dos videntes são mais adequadas que as dos cegos.

Observou ainda, Kirk ser a visão um meio importante de adquirir habilidades para formar expressões faciais apropriadas, havendo também outros meios além da imitação visual.

4.5 Personalidade, ajustamento, desenvolvimento de aptidões e aproveitamento escolar

Das muitas pesquisas sobre a personalidade, ajustamento social e atitude para com os outros, com crianças cegas, tem-se identificado como de importante nessas áreas a super- proteção dos pais e as dificuldades de relacionamento com companheiros cegos e videntes. Daí suspeitar que as crianças com deficiência visual apresentem problemas de ajustamento pessoal, abandono e de dependência.

Através de um questionário distribuído a 72 mães, Kirk (ibid, p. 117), pôde resumir as reações dos pais em cinco categorias:

  • Aceitação genuína;
  • Negação simulada de qualquer dos pais ou da criança;
  • Super-proteção e excesso de piedade;
  • Rejeição disfarçada;
  • Rejeição aberta;
  • Os problemas emocionais da criança cega são induzidos pela atitude dos videntes;
  • Causas sociais dentro do lar e dentro da própria criança fazem, inevitavelmente, que ela se centralize e, assim, agindo, limite seu discernimento para relações sociais mais amplas, deixando-as socialmente imatura e desvirtuada.

Evidencia-se então, a importância da responsabilidade dos pais e dos sentimentos de segurança da criança. No caso de criança deficiente, os estudos de Kirk enfatizaram que as dificuldades emocionais procedem mais de um relacionamento preso às primeiras experiências do lar e ao seu “background” geral do que sua deficiência visual. Também a possibilidade de conflito emocional pode ser canalizada através de conversão ao aparato visual, causando seqüelas no grau de distúrbio visual, do piscar os olhos até a cegueira completa.

Recorrendo novamente aos estudos de Lowenfeld (2005, p. 92), há três princípios sobre o ajustamento da criança cega:

  • O desajustamento social e emocional não são conseqüências da deficiência de visão;
  • Quando o desajustamento ocorre, o comportamento não é necessariamente relacionado à limitação visual;
  • Atitudes negativas em relação ao deficiente visual e sua própria auto-estima negativa podem produzir mais problemas de personalidade que são encontrados também entre os videntes, normalmente.

Adentrando no problema de desenvolvimento de aptidões das crianças cegas, especialistas focalizam o atraso no desenvolvimento que muitas delas apresentam, especialmente nos anos que antecedem a escola, quando vítimas no contexto familiar, de excesso de proteção, subestimulação e excesso de expectativa.

Freqüentemente são lentas, têm dificuldades nas habilidades de execução pessoal, como vestir-se, alimentar-se, limpar-se. Observa-se, também, com constância, a falta de linguagem para fins de comunicação, bem como na mobilidade geral, movimentos de braços e pernas aparentemente sem objetivos, o que não a impede, entretanto, de alcançar destreza motora.

Para Kirk (2001, p. 120), três problemas ressaltam como de importância, para o profissional, nesta deficiência, quais sejam:

  • Da avaliação adequada das potencialidades dessas crianças;
  • Da determinação e controle dos fatores que interferem no seu retardo;
  • Dos recursos institucionais, educacionais, assistenciais e psicológicos que poderiam promover o seu desenvolvimento, atualizando potencialidades.

Por outro lado Lowenfeld (2005, p. 97), “acredita que a cegueira, embora defeito de um só sentido, afete o indivíduo de várias maneiras”. Pela literatura analisada, percebemos que as implicações psicológicas desta deficiência têm sido estudadas, porem esporadicamente, ou através de descrições, de natureza elementar ou com suporte estatístico fraco, motivo pelo qual devem ser aceitas com cautela. Também refletimos que não tem se dado a devida atenção à distinção entre aqueles que são parcialmente videntes, o que seria a causa da ambigüidade de muitos desses estudos.

Ainda Lowenfeld (ibid, p. 99) refere-se que “estudos sobre a criança parcialmente vidente, chama atenção para a ignorância existente no conhecimento desta área”. Pelo seu ponto de vista, deduzimos que a educação especial da criança parcialmente vidente é tão recente que praticamente todo esforço e interesse nesse trabalho têm sido concentrado na organização, administração e equipamento dessas classes.

Sabemos que o cego vai apresentar deficiências mais acentuadas, especificamente nas áreas onde canais de comunicação visual deveriam participar ativamente do seu processo de adaptação ou de equilibração.

Assim sendo, identificamos como variáveis para o desempenho: a locomoção, a orientação, a coordenação motora, a linguagem em seus conteúdos semânticos, a percepção sensorial, os problemas de personalidade e ajustamento, já que estes, dado os fracassos já experimentados em função de uma deficiência tão limitadora de problemas de dependência e isolamento, possam talvez caracterizar uma área de conduta deasaptadora.

5. SUGESTÕES PEDAGÓGICAS PARA O TRABALHO COM ALUNOS PORTADORES DE NECESSIDADES ESPECIAIS

Quando a criança chega à escola, ela deve ser avaliada cuidadosamente em seu desenvolvimento psicomotor e cognitvo, em suas habilidades sensoriais, pois tudo isso é importante para o processo de alfabetização.

Esse processo resulta da orientação e do estímulo oferecido pelo professor. De inicio, podemos observar que o aluno com deficiência visual apresenta uma desvantagem com relação aos outros alunos, para contornarmos essa situação é preciso que criemos estratégia para trabalhar com estas crianças, como descreveremos a seguir.

5.1 Estratégias para trabalhar com crianças portadoras de deficiência visual

Para trabalhar com crianças portadoras de deficiência visual, os professores devem preparar a classe para receber a criança com baixa visão e, posteriormente, ajuda-la a familiarizar com o meio físico e os colegas. É preciso também, propiciar meios para a utilização da visão residual da criança. Isso pode ser feito com auxilio de meios ópticos e não ópticos, abaixo descritos:

  • Recursos ópticos (lentes que possibilitam o aumento das imagens). Deve-se optar pela correção apenas do melhor olho, devido à dificuldade de se obter visão simultânea em ambos os olhos. Recomenda-se o uso de lupas manuais com aumento variáveis que propiciem maior conforto e eficiência na leitura. Para longe utilizam-se sistemas telescópicos (telelupas) que podem ser monoculares (sem um olho) ou binoculares (nos dois olhos). As lentes filtrantes diminuem os reflexos de luz e possibilitam maior contraste.

  • Recursos não ópticos. Devem ser disponibilizados na sala de aula, tais como: Iluminação adequada; apoio adequado para a leitura e escrita; cadernos com pautas ampliadas; lápis 6B ou 3B; Canetas hidrográficas que permitem maior contraste; livros didáticos com tipo ampliados.

5.2 O Braille, atividades físicas, tecnologia e sistema de leitura

O aprendizado da leitura e da escrita em Braille requer um elevado desenvolvimento das habilidades motoras finas, além da flexibilidade dos punhos e agilidade dos dedos. A escola deverá oferecer treinamento para desenvolver tais habilidades em situações concretas. Segundo Gil (2000, p. 111), o professor do deficiente visual deverá:

  • Falar em voz alta o que está escrito no quadro;
  • Sempre que possível, passar para esse aluno à mesma lição dada aos outros, em classe ou em casa;
  • Buscar apoio com pessoas especializadas (sala de recurso, apoio pedagógico ou ensino itinerante) que ensinará a criança o sistema Braille e acompanhará o processo de aprendizagem e de desenvolvimento do raciocínio;
  • A partir do momento em que a criança estiver alfabetizada, orientá-la para que anote todas as tarefas.

A velocidade de leitura do deficiente visual não é suficiente para que ele leia de forma eficiente e prazerosa. Essa velocidade na leitura do Braille, depende da idade que a pessoa começou a ler e também do grau de desenvolvimento do tato. Quanto maiores forem as oportunidades para explorar o ambiente e quanto antes se iniciar o processo de alfabetização, melhor será a qualidade da leitura. Para Gil (ibid, p. 112), algumas medidas podem ser tomadas para facilitar a leitura em Braille, como, por exemplo: “Distribuir o texto de forma lógica no papel; colocar um resumo antes do texto completo”.

Seguindo estas estratégias, ao final do processo de alfabetização, a criança deverá ter desenvolvido habilidades para expressar seus pensamentos por escrito com clareza, ler com fluidez, entonação e ritmo, compreender, interpretar e escrever pequenos textos.

5.3 Materiais concretos, auxílio da tecnologia e o papel do professor ao lidar com um deficiente visual em sala de aula

O aluno com deficiência visual tem as mesmas condições que qualquer criança para aprender qualquer conteúdo. O que é necessário são adaptações freqüente de materiais concretos.

No caso da matemática, o sorobã ou o ábaco é fundamental para o ensino, seu manuseio é fácil de aprender e é útil para o professor de classe comum. Outra técnica é o cálculo mental que precisa ser estimulado desde o início.

Atualmente podemos o avanço da informática tem nos proporcionado recursos valiosos para a aprendizagem do deficiente visual. Há softwares com sintetizador de voz, equipamentos para imprimir textos em Braille, regletes de mesa, terminal Braille (display e balado).

Adentrando sobre o papel do professor, pontuamos ser ele, de fundamental importância para o desempenho da criança portadora de baixa visão. O professor deverá deixar a criança perto do quadro negro, se for necessário, ajudar no auxilio não óptico, orientar a classe para receber essa criança e seu auxilio óptico, preparar material didático, quando necessário. Para que a criança seja responsável pela sua próprias ações Gil (ibid, pp. 116/117) assim sugere:

  • Converse com a classe sobre a presença da criança com baixa visão. Leve temas sobre o desenvolvimento visual dos seres humanos e dos animais para serem debatidos na classe;
  • Apresente a criança ao grupo e encoraje-a a responder as perguntas que porventura surgirem;
  • Inclua a criança com baixa visão em todas as atividades (arte, ginástica, músicas, etc.). Se houver necessidade de equipamentos especiais, devem ser adaptados a cada tarefa;
  • Todas as normas de disciplina aplicadas as outras crianças devem ser aplicadas às crianças com baixa visão;
  • Encoraje a criança com baixa visão a se locomover pela classe, na escola e no pátio, para que essa exploração forneça a ela informações preciosas sobre a escola;
  • Explique-lhe a rotina da classe;
  • Algumas tarefas que exigem percepção visual a longa distância devem ser verbalizadas para a criança. Ex: feições, placas, etc.
  • Respeite o limite da criança se ela não pedir auxilio, não o dê. Porém, se perceber que essa criança está deixando de fazer a tarefa por constrangimento, medo ou insegurança em pedir ajuda, converse com ela em particular e esclareça o papel do professor na classe;
  • Afirme para a criança que ela poderá pedir ajuda quando necessitar;
  • Providencie um canto no armário para acomodar o material que será necessário (cadernos com linhas mais grossas, foco de luz, livros com letras ampliadas);
  • Intercale as atividades de leitura e escrita com atividades orais;
  • Caso haja debates na sala de aula, mencione o nome de quem está falando. Às vezes devido a distancia, ela não consegue saber quem está falando;
  • Algumas crianças com visão baixa apresenta tiques, esse tipo de comportamento deve ser desencorajado;
  • Dependendo da doença a criança pode preferir menos luz para executar suas tarefas;
  • Caso haja necessidade faça prova oral em vez de prova escrita;
  • Encoraje sempre o uso da visão residual;
  • Caso a criança não consiga copiar o que está no quadro negro, deixe que ela chegue perto da lousa, reforce o auxilio do recurso óptico, entregue cópia do que está colocado na lousa, permita que a criança grave a aula, dite vagarosamente as palavras que serão colocadas no quadro, no computador, deixe a criança ampliar o corpo das letras, se necessário permita que ela copie no caderno as anotações;
  • Auxílios não ópticos também são letras ampliadas, figuras e provas ampliadas;
  • Deixe que a criança que necessite de mais luz sente-se próximo a janela da sala de aula;
  • Se necessário marque reforço extra classe para que a criança possa tirar suas dúvidas fora do horário escolar.

5.4 Detectando na classe outros alunos com problemas visuais

Para detectar outro outros alunos com problemas visuais o professor deve ficar atento as seguintes manifestações:

  • Modificações físicas nas áreas dos olhos (pupilas brancas, vesquice, etc.);
  • Observar se a criança apresenta dor de cabeça, lacrimejamento ou desinteresse pelo que ocorre a uma certa distância;
  • Dificuldade de se locomover, tombos freqüentes, tropeções, esbarros nos batentes das portas;
  • Observar se a criança tem aversão à luz ou necessidade de muita luz para sua tarefa;
  • Se a criança aproxima objetos e livros dos olhos com freguesia;
  • Comportamento diferente do anterior: mais tímida, com medo de se expor, principalmente em brincadeiras ao ar livre, fica irritadiça;

Se o professor diagnosticar alguns desses itens, deve comunicar imediatamente à direção da escola, aos pais, para que a criança passe por exame oftalmológico.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo possibilitou uma aprendizagem significativa sobre a postura do professor com relação aos alunos com deficiência visual, pois, é a partir desse aprendizado que abriremos as portas de nossas escolas para a integração dos alunos, a fim de ensinar a todos sem exceções.

Acreditamos que, a postura do professor somente pode ser mudada com a experiência, quando ele começa a compreender a educação de uma forma mais diferenciada e adaptada a seus alunos, como também, quando ele encontra apoio, meios e instrumentos para uma prática profissional satisfatória.

Ao fecharmos nossas considerações, temos a certeza que os objetivos que buscamos através desse estudo, levou-nos a conhecer com mais ênfase, a educação especial nos seus diversos fundamentos; refletirmos sobre as dificuldades dos professores para trabalhar com deficientes visuais; das estratégias para um melhor desempenho das funções pedagógicas e da responsabilidade de construirmos cidadãos bem capacitados e autônomos, conscientes de seus deveres e direitos.

Espera-se que este estudo seja uma contribuição para acadêmicos e profissionais refletirem sobre o seu fazer pedagógico, levantando a bandeira da equidade e respeito às diferenças existentes entre os seres humanos.

REFERÊNCIAS

GIL, Marta. Cadernos da TV Escola: Deficiência visual. Brasília: Mec, 2000.

KIRK, Geraldo Besottto. Estratégias pedagógicas para alunos com deficiência visual. Campinas: Papirus, 2001.

LOWENFELD, Viktor. Desenvolvimento da capacidade do deficiente visual. 6. ed. Trad. Richard Martins. Porto Alegre: Artmed, 2005.

MANTOAN, maria Tereza Egler. Inclusão Escolar: O que é? Por quê? Como fazer? 1. ed. São Paulo: Moderna, 2004.

MARCONI. Marina de Andrade. LAKATOS, Eva Maria. Metodologia do trabalho científico: procedimentos básicos, pesquisa bibliográfica, projeto e relatório, publicações e trabalhos científicos. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2007.

OLIVEIRA, Regina Carvalho de Salles. Et al. Entendendo a baixa visão: Orientando os professores. Brasília: Mec, 2000.

PELEGRINELLI, Maria Helena. Educação especial no Brasil: História e políticas públicas. 2. ed. São Paulo: Córtex, 2001.

PINTO, Paulo Ferreira. A influência da percepção plantar no descolamento do cego congênito. Disponível em: www.edeports.com/efd33a/cego1.html

RIBAS, João B. Cintra. O que são pessoas deficientes. 3. ed. São Paulo: Brasiliense, 2003.

ROCHA, Ivete A. Silva; GONÇALVES, Paula Melo. Profissionais e pais companheiros no processo de reabilitação de crianças deficientes visuais: uma experiência bem sucedida. Disponível em: www.estimulacaoprecoce.com.br

SALLES, Rosângela Scraviero. Uma visão holística sobre a diferença: Reflexões sobre o desenvolvimento das crianças com deficiência visual. 3. ed. Porto Alegre: Artmed, 2004.

SALABERY, Daniele. Ninguém pensa com os olhos. Disponível em: www.planetaterra.com.br/arte/359/48.

www.institutobenjaminconstant.com.br

O Empresário Individual

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Introdução

Este trabalho de pesquisa foi elaborado com o intuito de se ter uma visão da figura do empresário dentro da sociedade. Todavia, entendia-se que empresário fosse todo aquele cidadão proprietário de empresa privada. No entanto, existem alguns questionamentos sobre a definição do empresário.

Outrossim, este trabalho baseou-se em esclarecer, juridicamente, a definição correta do empresário segundo o Código Civil vigente em nosso país.

1.0 Definição

Podemos então conceituar o empresário individual como sendo a pessoa física capaz, que atua em nome individual, abreviado ou completo, e que explora profissionalmente, uma atividade empresarial. Não podendo coexistir, na mesma unidade federativa (estado-membro), dois nomes empresariais idênticos.

Se a firma individual que se pretende adotar for idêntica ou semelhante à outra já registrada, deverá ser modificada e aditada de designação distintiva (Art. 1.163 e § único do C.C.). Ex.: Augusto Montenegro; Augusto Montenegro Neto; Augusto Montenegro Neto Jurídico.

O empresário individual é a própria pessoa física, ou seja, é aquele que emprega o seu próprio nome no exercício empresarial, como enumera o art. 1.156 do Cód. Civil: “O empresário opera sob firma constituí com o seu nome completo ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade”.

O empresário individual só está autorizado a adotar firma, baseado, naturalmente, em seu nome civil. Poderá ou não abreviá-lo na composição do nome empresarial e poderá, se desejar, agregar o ramo do comércio a que se dedique.

Para o nosso melhor entendimento, não poderíamos deixar de esclarecer que Firma é o nome que o empresário adota para ser conhecido na sua atividade mercantil. A firma individual, usada pela pessoa física em seu comércio não pode ser diferente do seu nome civil. Além de identidade do comerciante, a firma é também sua assinatura.

2.0 Registro da Empresa Individual

O novo Código Civil determina a obrigatoriedade da inscrição da firma do empresário individual no Registro Público de Empresa Mercantil.

A inscrição do empresário far-se-á mediante requerimento que contenha:

  • o seu nome, nacionalidade, domicílio, estado civil e, se casado, o regime de bens;
  • a firma, com a respectiva assinatura;
  • o capital;
  • o objeto e a sede da empresa.

3.0 Capacidade para a Atividade do Empresário:

O art. 972 do Código Civil dispõe: “Podem exercer a atividade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade civil e não forem legalmente impedidos”. Portanto, toda pessoa maior de 18 anos, seja homem ou mulher, nacional ou estrangeiro, desde que possua discernimento necessário à realização de todos os negócios jurídicos, poderá comerciar.

Capacidade Civil:

Absolutamente incapaz: a incapacidade absoluta se traduz na impossibilidade do exercício pessoal dos atos da vida civil.

“São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida civil:

  • os menores de dezesseis anos;
  • os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário discernimento para a prática destes atos;
  • os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.” (art. 3º do C.C.).

Relativamente incapaz:

“São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de exercê-los:

  • os maiores de dezesseis anos e menores de dezoito anos;
  • os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental, tenham o discernimento reduzido;
  • os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;
  • os pródigos. “(art. 4º do C.C.)

O interdito ou incapaz não pode iniciar a exploração da atividade empresarial. Mas poderá continuar a exercer o comércio, ou continuar a explorar a atividade comercial deixada pelos seus pais ou pelo autor da herança, desde que devidamente representado ou assistido por seu representante legal, conforme art. 974 do C.C.

“Cessará para os menores, a incapacidade”:

  • pela concessão dos pais, ou de um deles na falta do outro, mediante instrumento público, independentemente de homologação judicial, ou por sentença do juiz, ouvido o tutor, se o menor tiver dezesseis anos completos;
  • pelo casamento;
  • pelo exercício de emprego público efetivo;
  • pela colação de grau em curso de ensino superior;
  • pelo estabelecimento civil ou comercial, ou pela existência de relação de emprego, desde que, em função deles, o menor com dezesseis anos completos tenha economia própria”. (art. 5º do C.C.).

4.0 Responsabilidade do Empresário Individual:

Em empresas individuais, a responsabilidade por obrigações contraídas recai sobre os patrimônios individuais dos respectivos titulares. Ou seja, não há distinção entre a firma individual e a pessoa física do comerciante. O patrimônio deste responde por todas as obrigações assumidas, pouco importando se a divida é civil ou comercial.

Desta forma, a firma individual, quando em regime de concordata ou falência, sujeita todo o patrimônio da pessoa natural de seu titular. Pelas obrigações assumidas pelo empresário individual responderá o seu patrimônio, que é único.

Perda da qualidade de empresário individual:

  • pela morte;
  • pela desistência voluntária ou abandono da profissão;
  • pela interdição;
  • pela falência.

Conclusão

Não obstante de tudo aqui citado, entende-se que empresário individual é toda pessoa física, capaz e não impedida, que pode exercer em nome próprio e profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços (art. 966 do CC). Sendo obrigatório a sua inscrição (declaração de firma individual) de empresário individual na Junta Comercial antes do início de sua atividade (art. 967 do CC), sob pena de ser sancionado pelo Direito como empresário irregular.

É sempre bom lembrar que empresário individual não é apenas aquele que explora a indústria e o comércio, mas também o que explora, profissionalmente, atividades prestadoras de serviço (exceto as atividades científicas, literárias ou artísticas as quais não constituem elemento de empresa).

Referências Bibliográficas

  • Código Civil Brasileiro de 2002

Violência Doméstica

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Introdução

Neste trabalho de pesquisa, trataremos de um tema muito delicado e que, ultimamente vem ampliando o quadro de vítimas, dentro do próprio seio familiar. Trata-se da Violência Doméstica, que muito tem contribuído para triste escalada da violência no convívio social.

Algumas pessoas acham até que este seja um assunto de difícil compreensão, outros se limitam a comentar sobre o assunto sem ter uma postura definida, mas a grande maioria debate o tema tentando entender sua prováveis razões e se inclinam a achar, definitivamente, alguma solução para esse problema.

O ser humano perdeu o respeito e o amor pelo próximo, e esse fato traz graves conseqüências para a vida em sociedade, uma dela é a violência dentro da família. A violência domestica não escolhe classe social, raça, religião ou lugar para acontecer, ela simplesmente acontece, suas causas são muitas, como o alcoolismo, desemprego, drogas, stress, pobreza, entre outras. Esses mesmo motivos que acabamos de citar servem de justificativas muitas vezes para os agressores, como se algo pudesse justificar tais atitudes.

A violência doméstica se divide em quatro tipos que são: violência física, violência psicológica, violência sexual, violência verbal. Falaremos um pouco de cada uma, suas possíveis causas, conseqüências na vida de uma pessoa.

Diante do exposto, também abordaremos sobre o que pode ser feito a esse respeito, se há alguma solução, o que poderíamos fazer para amenizar essa situação, como lidar diante de um quadro de violência, que atitude tomar, tentar esclarecer as dúvidas, e abordaremos um pouco sobre tudo que envolve o tema Violência Doméstica.

Por fim, trataremos do assunto segundo entendimento acadêmico, porém como uma visão sociológica a respeito do tema dentro dos ensinamentos adquiridos até então, a fim de tentar sensibilizar aquelas pessoas que terão acesso a esse trabalho e, quem sabe, restaurar um pouco da dignidade humana, para assim conseguirmos amenizar nosso convívio dentro da sociedade.

1.0 O que é a violência doméstica?

A violência doméstica é um problema que atinge milhares de crianças, adolescentes, mulheres e até idosos. A violência doméstica é um problema universal que atinge milhares de pessoas, em grande número de vezes de forma silenciosa e dissimuladamente.

Sua importância é relevante sob dois aspectos; primeiro, devido ao sofrimento indescritível que imputa às suas vítimas, muitas vezes silenciosas e, em segundo, porque, comprovadamente, a violência doméstica, incluindo aí a Negligência Precoce e o Abuso Sexual, podem impedir um bom desenvolvimento físico e mental da vítima.

Segundo o Ministério da Saúde, as agressões constituem a principal causa de morte de mulheres . Parte dessas agressões provém do ambiente doméstico. A Unicef estima que, diariamente, 18 mil crianças e adolescentes sejam espancados no Brasil. Os acidentes e as violências domésticas provocam 64,4% das mortes de crianças e adolescentes no País, segundo dados de 1997.

Violência Doméstica, segundo alguns autores, é o resultado de agressão física ao companheiro ou companheira. Para outros o envolvimento de crianças também caracterizaria a Violência Doméstica.

A vítima de Violência Doméstica, geralmente, tem pouca auto-estima e se encontra atada na relação com quem agride, seja por dependência emocional ou material. O agressor geralmente acusa a vítima de ser responsável pela agressão, a qual acaba sofrendo uma grande culpa e vergonha. A vítima também se sente violada e traída, já que o agressor promete, depois do ato agressor, que nunca mais vai repetir este tipo de comportamento, para depois repeti-lo.

Em algumas situações, felizmente não a maioria, de franca violência doméstica persistem cronicamente porque um dos cônjuges apresenta uma atitude de aceitação e incapacidade de se desligar daquele ambiente, sejam por razões materiais, sejam emocionais.

Para entender esse tipo de personalidade persistentemente ligada ao ambiente de violência doméstica poderíamos compará-la com a atitude descrita como co-dependência, encontrada nos lares de alcoolistas e dependentes químicos.

2.0 Tipos de Violência

2.1 Violência Física

Violência física é o uso da força com o objetivo de ferir, deixando ou não marcas evidentes. São comuns murros e tapas, agressões com diversos objetos e queimaduras por objetos ou líquidos quentes. Quando a vítima é criança, além da agressão ativa e física, também é considerado violência os atos de omissão praticados pelos pais ou responsáveis.

Quando as vítimas são homens, normalmente a violência física não é praticada diretamente. Tendo em vista a habitual maior força física dos homens, havendo intenções agressivas, esses atos podem ser cometidos por terceiros, como por exemplo, parentes da mulher ou profissionais contratados para isso (AZEVEDO, 1985).

Outra modalidade são as agressões que tomam o homem de surpresa, como por exemplo, durante o sono. Não são incomuns, atualmente, a violência física doméstica contra homens, praticados por namorados (as) ou companheiros (as) dos filhos (as) contra o pai.

Apesar de nossa sociedade parecer obcecada e entorpecida pelos cuidados com as crianças e adolescentes, é bom ressaltar que um bom número de agressões domésticas são cometidos contra os pais por adolescentes, assim como contra avós pelos netos ou filhos. Dificilmente encontramos trabalhos nessa área.

Não havendo uma situação de co-dependência do(a) parceiro(a) à situação conflitante do lar, a violência física pode perpetuar-se mediante ameaças de “ser pior” se a vítima reclamar à autoridades ou parentes. Essa questão existe na medida em que as autoridades se omitem ou tornam complicadas as intervenções corretivas.

O abuso do álcool é um forte agravante da violência doméstica física. A Embriagues Patológica é um estado onde a pessoa que bebe torna-se extremamente agressiva, às vezes nem lembrando com detalhes o que tenha feito durante essas crises de furor e ira. Nesse caso, além das dificuldades práticas de coibir a violência, geralmente por omissão das autoridades, ou porque o agressor quando não bebe “é excelente pessoa”, segundo as próprias esposas, ou porque é o esteio da família e se for detido todos passarão necessidade, a situação vai persistindo.

Mesmo reconhecendo as terríveis dificuldades práticas de algumas situações, as mulheres vítimas de violência física podem ter alguma parcela de culpa quando o fato se repete pela 3a vez. Na primeira ela não sabia que ele era agressivo. A segunda aconteceu porque ela deu uma chance ao companheiro de corrigir-se, mas, na terceira, é indesculpável.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), foram agredidas fisicamente por seus parceiros entre 10% a 34% das mulheres do mundo.

2.2 A Violência Psicológica

A Violência Psicológica ou Agressão Emocional, às vezes tão ou mais prejudicial que a física, é caracterizada por rejeição, depreciação, discriminação, humilhação, desrespeito e punições exageradas. Trata-se de uma agressão que não deixa marcas corporais visíveis, mas emocionalmente causa cicatrizes indeléveis para toda a vida.

Um tipo comum de Agressão Emocional é a que se dá sob a autoria dos comportamentos histéricos, cujo objetivo é mobilizar emocionalmente o outro para satisfazer a necessidade de atenção, carinho e de importância. A intenção do(a) agressor(a) histérico(a) é mobilizar outros membros da família, tendo como chamariz alguma doença, alguma dor, algum problema de saúde, enfim, algum estado que exija atenção, cuidado, compreensão e tolerância (CAMARGO, 1991).

É muito importante considerar a violência emocional produzida pelas pessoas de personalidade histérica, pelo fato dela ser predominantemente encontrada em mulheres, já que, a quase totalidade dos artigos sobre Violência Doméstica dizem respeito aos homens agredindo mulheres e crianças. Esse é um lado da violência onde o homem sofre mais.

Outra forma de Violência Emocional é fazer o outro se sentir inferior, dependente, culpado ou omisso é um dos tipos de agressão emocional dissimulada mais terríveis. A mais virulenta atitude com esse objetivo é quando o agressor faz tudo corretamente, impecavelmente certinho, não com o propósito de ensinar, mas para mostrar ao outro o tamanho de sua incompetência. O agressor com esse perfil tem prazer quando o outro se sente inferiorizado, diminuído e incompetente.

Normalmente é o tipo de agressão dissimulada pelo pai em relação aos filhos, quando esses não estão saindo exatamente do jeito idealizado ou do marido em relação às esposas.

O comportamento de oposição e aversão é mais um tipo de Agressão Emocional. As pessoas que pretendem agredir se comportam contrariamente àquilo que se espera delas. Demoram no banheiro, quando percebem alguém esperando que saiam logo, deixam as coisas fora do lugar quando isso é reprovado, etc.

Até as pequenas coisinhas do dia-a-dia podem servir aos propósitos agressivos, como deixar uma torneira pingando, apertar o creme dental no meio do tubo e coisas assim. Mas isso não serviria de agressão se não fossem atitudes reprováveis por alguém da casa, se não fossem intencionais.

Essa atitude de oposição e aversão costuma ser encontrada em maridos que depreciam a comida da esposa e, por parte da esposa, que, normalmente se aborrecendo com algum sucesso ou admiração ao marido, ridiculariza e coloca qualquer defeito em tudo que ele faça.

Esses agressores estão sempre a justificar as atitudes de oposição como se fossem totalmente irrelevantes, como se estivessem corretas, fossem inevitáveis ou não fossem intencionais. “Mas, de fato a comida estava sem sal… Mas, realmente, fazendo assim fica melhor…” e coisas do gênero (CAMARGO, 1991). Entretanto, sabendo que são perfeitamente conhecidos as preferências e estilos de vida dos demais, atitudes irrelevantes e aparentemente inofensivas podem estar sendo propositadamente agressivas.

As ameaças de agressão física (ou de morte), bem como as crises de quebra de utensílios, mobílias e documentos pessoais também são consideradas violência emocional, pois não houve agressão física direta. Quando o (a) cônjuge é impedida (a) de sair de casa, ficando trancado (a) em casa também se constitui em violência psicológica, assim como os casos de controle excessivo (e ilógico) dos gastos da casa impedindo atitudes corriqueiras, como por exemplo, o uso do telefone.

2.3 Violência Sexual

A violência sexual acontece quando a coação se exerce tendo em vista obter a participação em práticas eróticas. O abuso sexual é todo ato ou jogo sexual entre a criança/adolescente e um familiar seja ele seu responsável legal ou não podendo também ocorrer entre o homem e mulher ou marido e a esposa. É considerado abuso sexual a apresentação de material pornográfico, uso de linguagem erotizada, carícias nos genitais e relações orais, anais e vaginais.

É muito maior do que se pode imaginar, o número de crianças e adolescentes que sofre abuso sexual dentro de suas casas. Pesquisas apontam que em 70% dos casos registrados, o agressor é o pai ou padrasto da vítima. Os estudos mostram também que a violência sexual ocorre como decorrência de um conjunto de circunstâncias que uma vez configuradas, determinam à situação de abuso.

Quando o abuso sexual acontece e é descoberto pela família, em razão do desconforto social que este fato pode acarretar, por desfazer o mito do lar seguro, a fim de manter o segredo, as crianças/adolescentes são privados dos contatos sociais e a família tende cada vez mais, a se fechar. A única saída das vítimas é o “olhar atento” dos educadores e pessoas que de algum modo, fazem parte de sua vida fora de casa.

Crianças e adolescentes costumam pedir socorro assim que estabelecem um vínculo de confiança com outro adulto. Crianças mais velhas e adolescentes tendem a fazer revelações intencionais. Já as mais novas, são incapazes de verbalizar e relatam o abuso, através de sinais.

Na violência sexual doméstica, as agressões ocorrem no território físico e simbólico da estrutura familiar onde o homem praticamente possui o domínio total. Ela é definida por Deslandes (p. 13), como:

“Todo ato ou jogo sexual, relação heterossexual ou homossexual cujo agressor esteja em estágio de desenvolvimento psicossexual mais adiantado que a criança ou o adolescente com o intuito de estimulá-las sexualmente ou utilizá-las para obter satisfação sexual”.

No espaço doméstico, por um processo de domínio e poder estabelecido pelas regras sociais, agressores com laços consangüíneos ou de parentescos perpetram o tipo de violência sexual chamada de intrafamiliar.

Na violência sexual intrafamiliar, a criança ou adolescente do sexo feminino se mostra como vítima preferencial dos agressores sexuais, encontrando-se inserida numa estrutura na qual sofre relações de poder expressas por um lado pela capacidade física, mental e social do agressor, e por outro, pela sua imaturidade, submissão à autoridade paterna e dos mais velhos, e à desigualdade de gênero.

Mesmo que nas agressões exista o exercício de poder e domínio, as situações de violência sexual intrafamiliar originam-se da utilização irresponsável de condições como as diferenças físicas e de idade, do grau de maturidade psicológica, da capacidade social e das razões que motivam a agressão em termos interpessoais. Por essas características, a violência sexual abrange o campo da moral e da proteção aos direitos humanos e sexuais, já que ela compromete o crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes, produzindo seqüelas e uma matriz reprodutora que insere futuros agressores no círculo da violência.

2.3.1 Tipos De Violência Sexual

A violência sexual pode ser evidenciada sob varias formas e apresenta e apresenta maneiras diferenciadas de expressão, tais como: estupro, incesto, atentado violento ao pudor, abuso sexual e exploração sexual comercial (prostituição).

2.3.2 O Abuso Sexual

Abusar é precisamente ultrapassar limites, podendo ainda ter o abuso de poder ou de astúcia, abusar na confiança, da lealdade, o que significa que houve uma intenção e que as premeditações estão presentes.

O abuso sexual é o caso de um individuo ser submetido por outro individuo para obter gratificação sexual. Envolve o emprego, uso, persuasão, indução, coerção ou qualquer experiência sexual que interfira na saúde do individuo incluindo componentes físicos, verbais e emocionais.

A OMS considera o abuso sexual como um fenômeno de maus-tratos na infância e na adolescência, definindo essa violência da seguinte maneira:

“A exploração sexual de uma criança implica que esta vitima de uma pessoa sensivelmente mais idosa do que ela com a finalidade de satisfação sexual desta”. O crime pode assumir diversas formas: ligações telefônicas ou obscenas, ofensa ao pudor e voyeurismo, imagens pornográficas, relações ou tentativas de relações sexuais, incesto ou prostituição de menores. ’

Na realidade, devemos sempre considerar que se trata de atividades sexuais inadequadas para a idade e o desenvolvimento da criança ou do adolescente, sendo sempre impostas por coerção, violência ou sedução, ou que transgridem os tabus sociais.

2.4 Violência Verbal

A violência verbal existe até na ausência da palavra, ou seja, até em pessoas que permanecem em silêncio. O agressor verbal, vendo que um comentário ou argumento é esperado para o momento, se cala, emudece e, evidentemente, esse silêncio machuca mais do que se tivesse falado alguma coisa.

Nesses casos a arte do agressor está, exatamente, em demonstrar que tem algo a dizer e não diz. Aparenta estar doente, mas não se queixa, mostra estar contrariado, “fica bicudo”, mas não fala, e assim por diante (CAMARGO, 1991). Ainda agrava a agressão quando atribui a si a qualidade de “estar quietinho em seu canto”, de não se queixar de nada, causando maior sentimento de culpa nos demais.

A violência verbal normalmente se dá concomitante à violência psicológica. Alguns agressores verbais dirigem sua artilharia contra outros membros da família, incluindo momentos quando estes estão na presença de outras pessoas estranhas ao lar. Em decorrência de sua menor força física e da expectativa da sociedade em relação à violência masculina, a mulher tende a se especializar na violência verbal mas, de fato, esse tipo de violência não é monopólio das mulheres.

Por razões psicológicas íntimas, normalmente decorrentes de complexos e conflitos, algumas pessoas se utilizam da violência verbal infernizando a vida de outras, querendo ouvir, obsessivamente, confissões de coisas que não fizeram. Atravessam noites nessa tortura verbal sem fim. “Você tem outra (o) … você olhou para fulana (o) … confesse, você queria ter ficado com ela (e)” e todo tido de questionamento, normalmente argumentados sob o rótulo de um relacionamento que deveria se basear na verdade, ou coisa assim.

Ainda dentro desse tipo de violência estão os casos de depreciação da família e do trabalho do outro. Um outro tipo de violência verbal e psicológica diz respeito às ofensas morais. Maridos e esposas costumam ferir moralmente quando insinuam que o outro tem amantes. Muitas vezes a intenção dessas acusações é mobilizar emocionalmente o (a) outro(a), fazê-lo (a) sentir diminuído (a). O mesmo peso de agressividade pode ser dado aos comentários depreciativos sobre o corpo do (a) cônjuge.

3.0 A violência doméstica como uma das causas da violência na sociedade

Ao afirmar que a violência na família é o berço da violência na sociedade, pretendemos enfatizar o quanto uma estrutura familiar emocionalmente equilibrada é importante para a formação de adultos responsáveis e conscientes do seu papel de cidadãos. Não se pode, contudo, deixar de identificar outras matrizes geradoras da violência no bojo da própria sociedade.

A questão da violência doméstica só pode ser entendida dentro do contexto social mais amplo, pois a estrutura familiar não está isolada da estrutura da sociedade. Uma está contida na outra, influenciando as relações entre as pessoas.

A exclusão social, o autoritarismo, o abuso de poder, as imensas desigualdades entre os povos, raças, classes e gêneros, são elementos que desencadeiam estresse, competitividade, sentimento de humilhação e de revolta, falta de diálogo e de respeito ao outro.

Esses elementos da estrutura social se inserem na estrutura familiar sem que seus membros se dêem conta, desencadeando relações carregadas de intolerância e violência, atingindo principalmente a criança e as mulheres, por se encontrarem em condições de maior vulnerabilidade.

Enquanto a violência das ruas e o crime organizado vêm sendo temas de muitas discussões, mobilizando cada vez mais pessoas no mundo inteiro, a violência dentro da estrutura familiar é ainda intocável, protegida sob o manto do silêncio, pelo mito de que toda família é amorosa e protetora, não sendo capaz de maltratar seus próprios membros. No entanto, não se pode pensar em um mundo mais pacífico enquanto não se conseguir garantir a todos uma infância de respeito e uma vida digna junto a sua família.

O ambiente de paz em casa contribui efetivamente para que a criança, ao tornar-se adulta, estabeleça relações emocionalmente mais equilibradas com as outras pessoas. A paz em casa, portanto, é um grande começo para a paz no convívio social.

4.0 O que é violência contra a mulher?

Na definição da Convenção de Belém do Pará (Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência Contra a Mulher, adotada pela OEA em 1994), a violência contra a mulher é “qualquer ato ou conduta baseada no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera pública como na esfera privada”.

“A violência contra as mulheres é uma manifestação de relações de poder historicamente desiguais entre homens e mulheres que conduziram à dominação e à discriminação contra as mulheres pelos homens e impedem o pleno avanço das mulheres…”

Declaração sobre a Eliminação da Violência contra as Mulheres, Resolução da Assembléia Geral das Nações Unidas, dezembro de 1993.

A Conferência das Nações Unidas sobre Direitos Humanos (Viena, 1993) reconheceu formalmente a violência contra as mulheres como uma violação aos direitos humanos. Desde então, os governos dos países-membros da ONU e as organizações da sociedade civil têm trabalhado para a eliminação desse tipo de violência, que já é reconhecido também como um grave problema de saúde pública.

Segundo a OMS, “as conseqüências do abuso são profundas, indo além da saúde e da felicidade individual e afetando o bem-estar de comunidades inteiras.”

4.1 De onde vem a violência contra a mulher?

Ela acontece porque em nossa sociedade muita gente ainda acha que o melhor jeito de resolver um conflito é a violência e que os homens são mais fortes e superiores às mulheres. É assim que, muitas vezes, os maridos, namorados, pais, irmãos, chefes e outros homens acham que têm o direito de impor suas vontades às mulheres.

Embora muitas vezes o álcool, drogas ilegais e ciúmes sejam apontados como fatores que desencadeiam a violência contra a mulher, na raiz de tudo está a maneira como a sociedade dá mais valor ao papel masculino, o que por sua vez se reflete na forma de educar os meninos e as meninas.

Enquanto os meninos são incentivados a valorizar a agressividade, a força física, a ação, a dominação e a satisfazer seus desejos, inclusive os sexuais, as meninas são valorizadas pela beleza, delicadeza, sedução, submissão, dependência, sentimentalismo, passividade e o cuidado com os outros.

4.2 Por que muitas mulheres sofrem caladas?

Estima-se que mais da metade das mulheres agredidas sofram caladas e não peçam ajuda. Para elas é difícil dar um basta naquela situação. Muitas sentem vergonha ou dependem emocionalmente ou financeiramente do agressor; outras acham que “foi só daquela vez” ou que, no fundo, são elas as culpadas pela violência; outras não falam nada por causa dos filhos, porque têm medo de apanhar ainda mais ou porque não querem prejudicar o agressor, que pode ser preso ou condenado socialmente. E ainda tem também aquela idéia do “ruim com ele, pior sem ele”.

Muitas se sentem sozinhas, com medo e vergonha. Quando pedem ajuda, em geral, é para outra mulher da família, como a mãe ou irmã, ou então alguma amiga próxima, vizinha ou colega de trabalho. Já o número de mulheres que recorrem à polícia é ainda menor. Isso acontece principalmente no caso de ameaça com arma de fogo, depois de espancamentos com fraturas ou cortes e ameaças aos filhos.

4.3 O que pode ser feito?

As mulheres que sofrem violência podem procurar qualquer delegacia, mas é preferível que elas vão às Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAM), também chamadas de Delegacias da Mulher (DDM). Há também os serviços que funcionam em hospitais e universidades e que oferecem atendimento médico, assistência psicossocial e orientação jurídica.

A mulher que sofreu violência pode ainda procurar ajuda nas Defensorias Públicas e Juizados Especiais, nos Conselhos Estaduais dos Direitos das Mulheres e em organizações de mulheres.

4.4 Como funciona a denúncia

Se for registrar a ocorrência na delegacia, é importante contar tudo em detalhes e levar testemunhas, se houver, ou indicar o nome e endereço delas. Se a mulher achar que a sua vida ou a de seus familiares (filhos, pais etc.) está em risco, ela pode também procurar ajuda em serviços que mantêm casas-abrigo, que são moradias em local secreto onde a mulher e os filhos podem ficar afastados do agressor.

Dependendo do tipo de crime, a mulher pode precisar ou não de um advogado para entrar com uma ação na Justiça. Se ela não tiver dinheiro, o Estado pode nomear um advogado ou advogada para defendê-la.

Muitas vezes a mulher se arrepende e desiste de levar a ação adiante.

Em alguns casos, a mulher pode ainda pedir indenização pelos prejuízos sofridos. Para isso, ela deve procurar a Promotoria de Direitos Constitucionais e Reparação de Danos.

4.5 Violência contra idosos, crianças e mulheres negras

Além das Delegacias da Mulher, a Delegacia de Proteção ao Idoso e o GRADI (Grupo de Repressão e Análise dos Delitos de Intolerância) também podem atender as mulheres que sofreram violência, sejam elas idosas ou não-brancas, homossexuais ou de qualquer outro grupo que é considerado uma “minoria”. No caso da violência contra meninas, pode-se recorrer também às Delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente.

5.0 Fases da violência doméstica

As fases da situação de violência doméstica compõem um ciclo que pode se tornar vicioso, repetindo-se ao longo de meses ou anos.

Primeiro, vem a fase da tensão, que vai se acumulando e se manifestando por meio de atritos, cheios de insultos e ameaças, muitas vezes recíprocos. Em seguida, vem a fase da agressão, com a descarga descontrolada de toda aquela tensão acumulada.

O agressor atinge a vítima com empurrões, socos e pontapés, ou às vezes usa objetos, como garrafa, pau, ferro e outros. Depois, é a vez da fase da reconciliação, em que o agressor pede perdão e promete mudar de comportamento, ou finge que não houve nada, mas fica mais carinhoso, bonzinho, traz presentes, fazendo a mulher acreditar que aquilo não vai mais voltar a acontecer.

É muito comum que esse ciclo se repita, com cada vez maior violência e intervalo menor entre as fases. A experiência mostra que, ou esse ciclo se repete indefinidamente, ou, pior, muitas vezes termina em tragédia, com uma lesão grave ou até o assassinato da mulher.

6.0 O custo econômico da violência doméstica

Segundo dados do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento:

Um em cada 5 dias de falta ao trabalho no mundo é causado pela violência sofrida pelas mulheres dentro de suas casas.

A cada 5 anos, a mulher perde 1 ano de vida saudável se ela sofre violência doméstica.

O estupro e a violência doméstica são causas importantes de incapacidade e morte de mulheres em idade produtiva.

Na América Latina e Caribe, a violência doméstica atinge entre 25% a 50% das mulheres.

Uma mulher que sofre violência doméstica geralmente ganha menos do que aquela que não vive em situação de violência.

No Canadá, um estudo estimou que os custos da violência contra as mulheres superam 1 bilhão de dólares canadenses por ano em serviços, incluindo polícia, sistema de justiça criminal, aconselhamento e capacitação.

Nos Estados Unidos, um levantamento estimou o custo com a violência contra as mulheres entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões ao ano.

Segundo o Banco Mundial, nos países em desenvolvimento, estima-se que entre 5% a 16% de anos de vida saudável são perdidos pelas mulheres em idade reprodutiva como resultado da violência doméstica.

Um estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento estimou que o custo total da violência doméstica oscile entre 1,6% e 2% do PIB de um país.

7.0 Lei Maria da Penha, histórico :

A lei de violência doméstica e familiar contra a Mulher, foi sancionada pelo presidente Lula, dia 07 de agosto de 2006, e recebera o nome de Lei Maria da Penha.

Entretanto antes de falarmos na norma positivada, devemos saber quem foi essa grande Mulher.

Maria da Penha Maia é uma biofarmacêutica, que lutou durante 20 anos para ver seu agressor condenado. O delinqüente, denominado Marco Antônio Herredia, que era professor universitário. Ele tentou mata-la duas vezes, a primeira atirando-a, deixando paraplégica e na segunda a afogou e a eletrocutou. Nesta ocasião em 1983, essa Mulher de 38 anos, era mãe de três filhas, entre 6 e 2 anos.

Apesar de ser condenado em 1991, a 8 anos de prisão, consegui sair utilizando recursos jurídicos para prolatar o cumprimento da pena, pelo fato da não existência de um ordenamento jurídico “convincente”.

O caso chegou a Comissão Interamericana dos Direitos Humanos da organização dos Estados Americanos ( OEA ), que pela primeira vez na história, acatou a denúncia de crime de violência doméstica. O delinqüente, foi preso em 28 de outubro de 2002 e cumpriu dois anos de prisão.

Após, as tentativas de homicídio, a grande Maria da Penha Maia começou a atuar em movimentos sociais contra a violência e impunidade e hoje é coordenadora de Estudos, Pesquisas e Publicações da Associação de Parentes e Amigos de Vítimas de Violência (APAVV), no seu Estado, Ceará.

O presidente Lula afirmou:

“Essa mulher renasceu das cinzas para se transformar em um símbolo da luta contra a violência doméstica no nosso país”,

Nilcéa Freire, ministra da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, acredita que o número de denúncias possa aumentar, ratifica :

“Certamente , quando oferece a sociedade uma estrutura de serviços onde as mulheres se sintam encorajadas a denunciar porque tem uma rede de proteção para atendê-las, você aumenta a possibilidade de número de denúncias”.

Para isso, a Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres colocou a disposição o número 180 para denunciar a violência doméstica e orientá-las. Sendo que este número, recebe cerca de 3.000 ligações por dia.

Uma pesquisa realizada em 2001 pela Fundação Perseu Abramo estima a ocorrência de mais de dois milhões de casos de violência doméstica e familiar por ano. E ainda, que cerca de uma em cada cinco brasileiras declara espontaneamente ter sofrido algum tipo de violência.

Cerca de 20% das mulheres sofrem agressão física mais branda, sob a forma de tapas e empurrões; a violência psíquica, de xingamentos, com ofensa à conduta moral da mulher, vivia por 18% e 15% eram ameaçadas através de coisas quebradas, roupas rasgadas, objetos atirados e outras formas indiretas de violência.

7.1 As alterações promovidas pela Lei Maria da Penha:

A lei Maria da Penha estipula a criação, pelos tribunais de Justiça dos Estados e do Distrito Federal, de um juizado especial de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher para dar mais agilidade aos processos. Além disso, as investigações serão mais detalhadas, com depoimentos também de testemunhas.

Com a promulgação da lei Maria da Penha, O Brasil triplicou a pena para as agressões domésticas contra as mulheres e aumentou os mecanismos de proteção das vítimas.

Esta lei, altera o Código Penal e permite que agressores sejam presos em flagrante ou tenham a prisão preventiva decretada. Também acaba com as penas pecuniárias, altera ainda a lei de Execuções Penais para permitir que o juiz determine o comparecimento obrigatório do agressor a programas de recuperação e reeducação.

A lei traz uma série de medidas para proteger a Mulher agredida, que está em situação de agressão, ou cuja vida corre risco, dentre elas estão :

  • a saída do agressor de casa;
  • a proteção dos filhos e o direito de a mulher reaver seus bens e cancelar procurações feitas em nome do agressor;
  • a violência psicológica passa a ser caracterizada também como violência doméstica;
  • mulher poderá também ficar seis meses afastada do trabalho sem perder o emprego se for constatada a necessidade de manutenção de sua integridade física ou psicológica;

Portanto, a sanção presidencial , a recém-batizada lei Maria da Penha selou o destino de milhões de mulheres vítimas de violência doméstica e familiar no Brasil. A partir da tragédia pessoal de uma cidadã brasileira, vítima de agressões que deixaram marcas permanentes na alma e no corpo, o País enfim vê nascer no ordenamento jurídico nacional a sua mais importante resposta, a sociedade internacional sobre os compromissos firmados por tratados e convenções há mais de dez anos para o combate a violência doméstica contra a mulher.

Trata-se de um verdadeiro estatuto no combate á violência doméstica e familiar.

8.0 Delegacia da Mulher em Manaus registra 3 mil casos

18 de abril de 2007.

MANAUS – A Delegacia Especializada em Crimes contra Mulher (DECCM), registrou, de janeiro a março deste ano, 3.125 registros de crimes contra mulheres. No ano passado, a delegada da DECCM, Catarina Torres, informou que foram 10.873 denúncias, somente na delegacia especializada, na rua Recife, bairro Parque Dez, zona Centro-Sul.

Catarina Torres informou ainda que dez homens foram presos em flagrante, desde a criação da Lei 11.340, de 7 de agosto de 2006, a ‘Lei Maria da Penha’, que cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Por ser um crime afiançável, muitos pagaram fiança e foram liberados, de acordo com ela. É a autoridade policial que determina o valor da fiança, que pode variar de dois a cinco salários mínimos. (R$ 700 a R$ 1.500).

Para a delegada, o baixo número de prisões, em relação às ocorrências registradas, foi devido à ‘relação de afeto entre o agressor e a vítima’. Em muitos casos, a delegada disse que a mulher tenta retirar a queixa, o que pela ‘Lei Maria da Penha’, só pode ocorrer na presença de um juiz. No último caso de prisão, explicou a delegada, um marido foi preso em flagrante na DECCM porque afirmou, na presença da delegada, que iria assassinar a mulher dele.

A principal vantagem da criação da ‘Lei Maria da Penha’, de acordo com Catarina Torres, é a agilidade nos processos.

A juíza titular da Vara da Violência Doméstica e Familiar Contra a Mulher, Carla Maria Santos dos Reis, criada no dia 8 de Fevereiro, informou que há seis ações judiciais de medidas de proteção tramitando na Vara. Ela afirmou que não considera o número pequeno em razão de a Vara ter sido criada há pouco mais de um mês.

Conclusão

Chegamos a conclusão que a violência domestica é um problema social muito grave e com extensões que afetam vários blocos da sociedade, ela não escolha classe social, religião, lugar ou raça para acontecer, ela acontece e as conseqüências são inúmeras para a vida da pessoa violentada. Há vários tipos violência domestica, elas podem deixar marcas físicas ou emocionais na vitima, mas qualquer uma delas é ato desumano humilhante, com conseqüência irreversível para a criança, adolescente e para a família.

Entendemos que para a construção de uma sociedade menos violenta e mais democrática implica a participação de todos os seus setores e segmentos, uma maior consciência dos seus membros sociais e ações solidárias, tanto no nível individual quanto institucional.

Ficou claro aqui que a violência contra a mulher parece, muitas vezes, um assunto invisível e silencioso, do qual não se fala e que se finge não existir. Isto vale tanto para as políticas públicas de contenção do problema quanto para o investimento em pesquisas, dados e informações que permitiriam mensurar a escala real do problema. No Brasil, as poucas tentativas de mapear a grandeza deste fenômeno esbarraram na pouca confiança sobre os dados obtidos.

Portanto, violência doméstica é qualquer ação ou conduta cometida por familiares ou pessoas que vivem na mesma casa, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher. É uma das formas mais comuns de manifestação da violência e, no entanto, uma das mais invisíveis, sendo uma das violações dos direitos humanos mais praticadas e menos reconhecidas do mundo. Trata-se de um fenômeno mundial que não respeita fronteiras de classe social, raça ou etnia, religião, idade e grau de escolaridade.

A OMS reconhece a violência doméstica como um problema de saúde pública, pois afeta a integridade física e a saúde mental. Os efeitos da violência doméstica, sexual e racial contra a mulher sobre a saúde física e mental são evidentes para quem trabalha na área. Mulheres em situação de violência freqüentam com assiduidade os serviços de saúde e em geral com “queixas vagas”.

De um modo geral, são pesquisas que usam os Boletins de Ocorrência das delegacias, sobretudo delegacias de mulheres, como fonte primária de informação. Sabemos, contudo, que muitos casos de violência contra a mulher não são denunciados, e muitos têm a queixa retirada pelas próprias vítimas. Desta forma, não foi possível levantar dados seguros e amplos sobre a dimensão deste problema na sociedade brasileira.

Com isso, finalizamos com a certeza de que é preciso tratar a violência, não apenas como uma questão de justiça, mas também como uma questão de saúde pública, com serviço qualificado e especifico, documentando em fichas médicas, a história de violências atual e passadas na vida da mulher agredida, só assim se terá condições de prevenir futuras agressões e de se obter dados mais precisos para que se possa tomar medidas para prevenção coletiva, esclarecendo e dando apoio.

Referências:

AZEVEDO, M.A. Mulheres espancadas: a violência denunciada. São Paulo: Cortez, 1985.

BRINO, R.F. Concepções da violência doméstica e suas implicações para a discussão e denúncia. Projeto de dissertação de mestrado. Universidade Federal de São Carlos. São Carlos, SP: 2000.

BALLONE G.J.; ORTOLANI I.V. Violência Doméstica, in. PsiqWeb, Internet, disponível em: <http://www.psiqweb.med.br/infantil/violdome.html> revisto em 2003.

BANDEIRA, L. O que faz da vítima, vítima? Em D.D. Oliveira, E.C. Geraldes, e R.B.Lima, R.B. (Orgs). Primavera já partiu: Retrato dos homicídios femininos no Brasil. Petrópolis: Vozes, 1998.

CADERNOS DE SAÚDE PÚBLICA. Gênero Sexualidade e saúde reprodutiva: a constituição de um novo campo na saúde coletiva. Vol. 19, suplemento2. 2003

CAMARGO, BV.; Dagostin, C.G. & Coutinho, M. . Violência denunciada contra a mulher: a visibilidade via Delegacia da Mulher em Florianópolis. Cadernos de Pesquisa, 1991, 78, 51-5

CONSELHO NACIONAL DOS DIREITOS DA MULHER. Relatório geral sobre a mulher brasileira na sociedade gestão 95/99 – Memória.

FOLHA de São Paulo (de 01/06/2000). “Sexo Frágil”. Violência e preconceito cultural causam morte de mulheres, segundo estudo encomendado pela ONU.

Relatório 2000 – Organização das Nações Unidas – 20/09/2000 – GMT

SOARES, Bárbara Masumeci. Guia Prático Para um Programa de Segurança da Mulher (versão preliminar). Rio de Janeiro: CESeC, UCAM.

SOARES, Bárbara Masumeci. Mulheres Invisíveis – violência conjugal e novas políticas de segurança. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1999.

MACHADO , L.Z.. Matar e morrer no feminino. In D.D. Oliveira, E.C. Petrópolis: Vozes: 1998.

WILLIAMS, L.C.A., Gallo, A. E., Basso, A.F.T., Maldonado, D.A. e Brino, A.F.T. (no prelo). Oficina para policiais da delegacia da mulher: Um relato de experiência. Psicologia: Teoria e Prática, 2, (2).

SITES

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geocities.yahoo.com.br/uma_menina_qualquer/domestica.htm acessado em 08/03/2004

www.midiaindependente.org/en/red/2002/11/42451.shtml acessado em 08/03/2004

www.abusosexual.com.br – acessado em 16/10/2007

REFERÊNCIAS

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QUEIROZ, Kátia. Abuso Sexual. Disponível em: www.abusosexual.com.br. Acesso em 10 de Agosto 2006.

Poluição por Substâncias não Biodegradáveis

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As indústrias e usinas vêem lançando, nas baías e nos rios, um grande número de produtos tóxicos, como metais pesados, pesticidas (usados na agricultura), detergentes, petróleo etc. Estes produtos não biodegradáveis, isto é, não podem ser decompostos pelos organismos, ou então são lentamente decompostos. Por isso acumula-se nos corpos dos seres vivos, causando doenças aos organismos, que vivem na água, destruindo as formas de vida aquática e passando, através da cadeia alimentar, para o próprio homem.

Os detergentes não biodegradáveis, por exemplo, diminuem a capacidade de oxigenação da água e envenenam várias formas de vida aquática. Além disso, podem infiltrar-se no solo e contaminar as águas subterrâneas que o homem utiliza para beber, para preparar alimentos etc.

Neste caso, os detergentes acabam por atingir diretamente o homem, destruindo sua flora intestinal e causando outros problemas ao seu organismo. Este foi o motivo pelo qual a fabricação de detergentes não biodegradáveis foi proibida no Brasil e em outras partes do mundo.

Convém lembrar, que um excesso de detergentes biodegradável também causa problemas; além da eutrofização, eles são tóxicos para os peixes, podendo destruir também bactérias responsáveis pela decomposição de material orgânico.

Metais pesados como o chumbo, mercúrio, etc, também são muito perigosos. Um trágico episódio ocorreu no Japão em 1953, quando uma indústria lançou na baía de Minamata resíduos de mercúrio, usados com catalizador. Os peixes e moluscos foram contaminados e o mercúrio passou para a população que se alimentava desses animais, depositando-se principalmente no sistema nervoso das pessoas. Cerca de 120 indivíduos foram acometidos de paralisias, distúrbios visuais e lesões cerebrais e quatro, vieram a falecer.

Também na zona rural pode ocorrer contaminação de rios, quando são lançados dejetos animais, como estrume e esterco, que produzem GÁS SULFÍDRICO (H2S) e AMÔNIA (NH3) muito tóxica para a vida aquática.

Finalmente, calcula-se que cerca de 4 milhões de toneladas de petróleo sejam lançados anualmente nos oceanos, devido principalmente a acidentes com petroleiros e oleodutos, bem como as lavagens de seus tanques e a exploração de poços marítimos de combustível. O petróleo forma uma fina camada na superfície da água, impedindo a troca de gases necessários à fotossíntese e à respiração dos seres vivos.

Globalização

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Índice:

  • O que é Globalização
  • Globalização e conjuntura internacional
  • Principais tendências da Globalização
  • A crescente hegemonia do capital financeiro
  • Novo Papel das Empresas Transnacionais
  • Os Impactos da Globalização para a América Latina
  • Impactos da globalização no mercado de trabalho e os sindicatos
  • Globalização e Meio Ambiente
  • Globalização – A História interativa

O que é Globalização?

“A notícia do assassinato do presidente norte-americano Abraham Lincoln, em 1865, levou 13 dias para cruzar o Atlântico e chegar a Europa. A queda da Bolsa de Valores de Hong Kong (outibro-novembro/97), levou 13 segundos para cair como um raio sobre São Paulo e Tóquio, Nova York e Tel Aviv, Buenos Aires e Frankfurt. Eis ao vivo e em cores, a globalização”

(Clóvis Rossi – do Concelho Editorial – Folha de São Paulo)

“O furacão financeiro que veio da Ásia, passou pela Europa, Estados Unidos e chegou ao Brasil, teve pelo menos uma vantagem didática. Ninguém pode mais alegar que nunca ouviu falar da globalização financeira. Até poucos meses, é provável que poucos soubessem onde ficava a Tailândia ou Hong Kong. Hoje muita gente sabe que um resfriado nesses lugares pode virar uma gripe aqui. Especialmente se fizer uma escala em Nova York.”

(Celso Pinto – do Conselho Editorial – Folha de São Paulo)

Mas, o que é essa globalização e como é que ela se manifesta ?

Não há uma definição que seja aceita por todos. Ela está definitivamente na moda e designa muitas coisas ao mesmo tempo. Há a interligação acelerada dos mercados nacionais, há a possibilidade de movimentar bilhões de dólares por computador em alguns segundos, como ocorreu nas Bolsas de todo o mundo, há a chamada “terceira revolução tecnológica”( processamento, difusão e transmissão de informações). Os mais entusiastas acham que a globalização define uma nova era da história humana.

Qual a diferença entre Globalização, Mundialização e Internacionalização?

Globalização e Mundialização são quase sinônimos. Os americanos falam em globalização. Os franceses preferem mundialização. Internacionalização pode designar qualquer coisa que escape ao âmbito do Estado Nacional.

Quando o mundo começou a ficar globalizado?

Novamente, não há uma única resposta. Fala-se em início dos anos 80, quando a tecnologia de informática se associou à de telecomunicações. Outros acreditam que a globalização começou mais tarde com a queda das barreiras comerciais.

Globalização é poder comprar o mesmo produto em qualquer parte do mundo?

Não se pode confundir globalização com a presença de um mesmo produto em qualquer lugar do mundo. A globalização pressupõe a padronização dos produtos (um tênis Nike, um Big Mac) e uma estratégia mundialmente unificada de marketing, destinada a uniformizar sua imagem junto aos consumidores.

Se as empresas globalizadas não tem país-sede, o que ocorre quando querem fazer um lobby?

A rigor, as empresas globalizadas preocupam-se muito mais com marketing, o grosso de seus investimentos. Se em determinado país as condições de seu fornecedor se tornaram desfavoráveis – os juros aumentaram, o que implica no aumento dos produtos -, a empresa globalizada procura outro fornecedor em outro país. Ela não perderá tempo em fazer lobby sobre determinado governo para que o crédito volte a ser competitivo.

Por que dizem que a globalização gera desemprego?

A globalização não beneficia a todos de maneira uniforme. Uns ganham muito, outros ganham menos, outros perdem. Na prática exigem menores custos de produção e maior tecnologia. A mão-de-obra menos qualificada é descartada. O problema não é só individual. É um drama nacional dos países mais pobres, que perdem com a desvalorização das matérias-primas que exportam e o atraso tecnológico.

A globalização vai deixar os ricos mais ricos e os pobres mais pobres?

Em seu relatório deste ano sobre o desenvolvimento humano, a ONU comprova que a globalização está concentrando renda: os países ricos ficam mais ricos, e os pobres, mais pobres. Há muitos motivos para isso. Alguns deles: a redução das tarifas de importação beneficiou muito mais os produtos exportados pelos mais ricos. Os países mais ricos continuam a subsidiar seus produtos agrícolas, inviabilizando as exportações dos mais pobres.

Conjuntura Internacional

A conjuntura internacional se desenvolve no contexto de declínio do sistema capitalista. É a antítese da era de prosperidade vivida nas primeiras décadas do pós-guerra e a expressão do esgotamento do padrão de acumulação de capital proveniente deste período. Configura-se uma situação crítica caracterizada por taxas de crescimento econômico declinantes e elevados níveis de desemprego em quase todos os países onde predomina a economia de mercado.

A crise econômica, que não deve ser confundida com as perturbações cíclicas do sistema provocadas pela superprodução, vem acelerando o processo de centralização e globalização do capital, traduzidos principalmente pela onda de aquisições, incorporações e megafusões de empresas. Como resultado, seus efeitos têm maior repercussão mundial, assim como as políticas propostas ou impostas como “solução” pelas classes que encarnam os interesses do capital.

O cenário atual está caracterizado pelo avanço da globalização econômica, financeira e comercial defendida pelos organismos internacionais (FMI, Banco Mundial e Organização Mundial do Comércio) com base na ideologia neoliberal. Trata-se de um processo em curso, comandado pelas grandes corporações transnacionais que procuram abrir novos mercados para sua produção e, ao mesmo tempo, recuperar as taxas de lucro, reduzindo seus custos pelo aumento da exploração dos trabalhadores, via redução de salários, aumento das jornadas de trabalho e eliminação dos direitos dos trabalhadores, atacando as conquistas sindicais e trabalhistas obtidas na era de ouro do sistema e desmantelando o chamado Estado de Bem-Estar Social. A globalização tem representado o aumento do desemprego, a precarização dos contratos de trabalho, a informalidade e crescentes ataques aos direitos de organização sindical.

O neoliberalismo surge neste quadro e vem sendo aplicado desde os anos 80 como uma resposta da burguesia ao panorama crítico. Tendo adquirido ares de verdade absoluta após a derrocada do “socialismo real”, seu objetivo é, basicamente, elevar as taxas de lucros das empresas multinacionais (revertendo a queda observada nas últimas décadas). Em tese, o aumento dos lucros resultaria na recomposição dos níveis de investimentos e viabilizaria a inauguração de um novo padrão de acumulação e uma fase de crescimento econômico capitalista, o que na prática não vem ocorrendo.

O ritmo e a natureza da inserção das economias nacionais à globalização são diferenciados e depende em grande medida de opções políticas e da correlação de forças entre os setores populares e os defensores do neoliberalismo. Ainda não está concluída a forma de inserção das economias nacionais no mercado global.

Os sindicatos, em nível nacional e mundial, podem influir em seu curso. Greves e mobilizações recentes na Europa, Ásia e América Latina revelam que os sindicatos reagem e buscam alternativas para a maneira excludente como a globalização vem se processando. Essas lutas ainda ressentem-se da ausência de um projeto alternativo capaz de se contrapor ao neoliberalismo.

Grandes mobilizações, como a greve na Coréia do Sul, a mobilização dos mineiros alemães e dos trabalhadores franceses e belgas da Renault revelam que os trabalhadores não estão dispostos a arcar com os custos da globalização, e que é possível impor derrotas ao neoliberalismo.

As estratégias e os atuais modelos de organização sindical, criados num período de fronteiras nacionais parcialmente protegidas, têm sido incapazes de enfrentar as transformações econômicas em curso.

Principais tendências da globalização

A crescente hegemonia do capital financeiro

O crescimento do sistema financeiro internacional constitui uma das principais características da globalização. Um volume crescente de capital acumulado é destinado à especulação propiciada pela desregulamentação dos mercados financeiros. Nos últimos quinze anos o crescimento da esfera financeira foi superior aos índices de crescimento dos investimentos, do PIB e do comércio exterior dos países desenvolvidos. Isto significa que, num contexto de desemprego crescente, miséria e exclusão social, um volume cada vez maior do capital produtivo é destinado à especulação.

O setor financeiro passou a gozar de grande autonomia em relação aos bancos centrais e instituições oficiais, ampliando o seu controle sobre o setor produtivo. Fundos de pensão e de seguros passaram a operar nesses mercados sem a intermediação das instituições financeiras oficiais. O avanço das telecomunicações e da informática aumentou a capacidade dos investidores realizarem transações em nível global. Cerca de 1,5 trilhão de dólares percorre as principais praças financeiras do planeta nas 24 horas do dia. Isso corresponde ao volume do comércio internacional em um ano.

Da noite para o dia esses capitais voláteis podem fugir de um país para outro, produzindo imensos desequilíbrios financeiros e instabilidade política. A crise mexicana de 94/95 revelou as conseqüências da desregulamentação financeira para os chamados mercados emergentes. Foram necessários empréstimos da ordem de 38 bilhões de dólares para que os EUA e o FMI evitassem a falência do Estado mexicano e o início de uma crise em cadeia do sistema financeiro internacional.

Ao sair em socorro dos especuladores, o governo dos Estados Unidos demonstrou quem são os seus verdadeiros parceiros no Nafta. Sob a forma da recessão, do desemprego e do arrocho dos salários, os trabalhadores mexicanos prosseguem pagando a conta dessa aventura. Nos períodos “normais” a transferência de riquezas para o setor financeiro se dá por meio do serviço da dívida pública, através da qual uma parte substancial dos orçamentos públicos são destinados para o pagamento das dívidas contraídas junto aos especuladores. O governo FHC destinou para o pagamento de juros da dívida pública um pouco mais de 20 bilhões de dólares em 96.

Novo Papel das Empresas Transnacionais

As empresas transnacionais constituem o carro chefe da globalização. Essa empresas possuem atualmente um grau de liberdade inédito, que se manifesta na mobilidade do capital industrial, nos deslocamentos, na terceirização e nas operações de aquisições e fusões. A globalização remove as barreiras à livre circulação do capital, que hoje se encontra em condições de definir estratégias globais para a sua acumulação.

Essas estratégias são na verdade cada vez mais excludentes. O raio de ação das transnacionais se concentra na órbita dos países desenvolvidos e alguns poucos países periféricos que alcançaram certo estágio de desenvolvimento. No entanto, o caráter setorial e diferenciado dessa inserção tem implicado, por um lado, na constituição de ilhas de excelência conectadas às empresas transnacionais e, por outro lado, na desindustrialização e o sucateamento de grande parte do parque industrial constituído no período anterior por meio da substituição de importações.

As estratégias globais das transnacionais estão sustentadas no aumento de produtividade possibilitado pelas novas tecnologias e métodos de gestão da produção. Tais estratégias envolvem igualmente investimentos externos diretos realizados pelas transnacionais e pelos governos dos seus países de origem. A partir de 1985 esses investimentos praticamente triplicaram e vêm crescendo em ritmos mais acelerados do que o comércio e a economia mundial.

Por meio desses investimentos as transnacionais operam processos de aquisição, fusão e terceirização segundo suas estratégias de controle do mercado e da produção. A maior parte desses fluxos de investimentos permanece concentrada nos países avançados, embora venha crescendo a participação dos países em desenvolvimento nos últimos cinco anos. A China e outros países asiáticos, são os principais receptores dos investimentos direitos. O Brasil ocupa o segundo lugar dessa lista, onde destacam-se os investimentos para aquisição de empresas privadas brasileiras (COFAP, Metal Leve etc.) e nos programas de privatização, em particular nos setores de infra-estrutura.

Liberalização e Regionalização do Comércio

O perfil altamente concentrado do comércio internacional também é indicativo do caráter excludente da globalização econômica. Cerca de 1/3 do comércio mundial é realizado entre as matrizes e filiais das empresas transnacionais e 1/3 entre as próprias transnacionais. Os acordos concluídos na Rodada Uruguai do GATT e a criação da OMC mostraram que a liberação do comércio não resultou no seu equilíbrio, estando cada vez mais concentrado entre os países desenvolvidos.

A dinâmica do comércio no Mercosul traduz essa tendência. Na realidade a integração do comércio nessa região, a exemplo do que ocorre com o Nafta e do que se planeja para a Alca em escala continental, tem favorecido sobretudo a atuação das empresas transnacionais, que constituem o carro chefe da regionalização.

O aumento do comércio entre os países do Mercosul nos últimos cinco anos foi da ordem de mais de 10 bilhões de dólares. Isto se deve em grande parte às facilidades que os produtos e as empresas transnacionais passaram a gozar com a eliminação das barreiras tarifárias no regime de união aduaneira incompleta que caracteriza o atual estágio do Mercosul.

No mesmo período, o Mercosul acumulou um déficit de mais de 5 bilhões de dólares no seu comércio exterior. Este resultado reflete as conseqüências negativas das políticas nacionais de estabilização monetária ancoradas na valorização do câmbio e na abertura indiscriminada do comércio externo praticadas pelos governos FHC e Menem.

O empenho das centrais sindicais para garantir os direitos sociais no interior desses mercados tem encontrado enormes resistências. As propostas do sindicalismo de adoção de uma Carta Social do Mercosul, de democratização dos fóruns de decisão, de fundos de reconversão produtiva e de qualificação profissional têm sido rechaçadas pelos governos e empresas transnacionais.

A liberalização do comércio e a abertura dos mercados nacionais têm produzido o acirramento da concorrência. A super exploração do trabalho é cada vez mais um instrumento dessa disputa. O trabalho infantil e o trabalho escravo são utilizados como vantagens comparativas na guerra comercial. Essa prática, conhecida como dumping (rebaixamento) social, consiste precisamente na violação de direitos fundamentais, utilizando a superexploração dos trabalhadores como vantagem comparativa na luta pela conquista de melhores posições no mercado mundial. Nesse contexto, as conquistas sindicais são apresentadas pelas empresas como um custo adicional que precisa ser eliminado (“custo Brasil”, “custo Alemanha” etc.).

Os Impactos da Globalização para a América Latina

São distintos os impactos da globalização para os países da periferia do sistema capitalista. O grau de inserção desses países depende, em grande parte, do estágio de desenvolvimento industrial alcançado até os anos oitenta, das perspectivas de crescimento do mercado interno e de condições políticas que vão se constituindo internamente. Isto vale para os países da América Latina, cujos governos se orientam pelas formas subordinadas de inserção preconizadas pelo chamado Consenso de Washington.

A partir dos anos cinqüenta, num contexto de políticas desenvolvimentistas e populistas, consolida-se a divisão internacional do trabalho com a presença de empresas multinacionais operando em setores chaves da estrutura produtiva de países como Brasil, México e Argentina. Desde então, as elites políticas e econômicas desses países aceitaram a condição de sócias minoritárias na condução do capitalismo associado e dependente da região.

Por meio dessa associação com o capital estrangeiro a burguesia industrial abdicou de qualquer pretensão à hegemonia na condução do desenvolvimento nacional, aceitando um papel subalterno na dinâmica do capitalismo dependente. O desenvolvimento industrial alcançado pela associação com o capital externo foi acompanhado de um padrão de financiamento que aprofundou a dependência desses países. Os empréstimos externos dos anos setenta resultaram no pesadelo da crise da dívida externa dos anos 80, provocada pelo aumento das taxas de juros internacionais impostos pelos EUA.

Os planos de estabilização monetária e a reforma do Estado são as condições impostas pelas organizações financeiras internacionais para que esses países venham se inserir, num futuro remoto, à nova realidade econômica mundial. A baixa taxa de crescimento dos países latino-americanos é uma das faces desse modelo de estabilização

1). Mas as conseqüências perversas são imediatas, e se expressam na desindustrialização, no desemprego, no aumento da miséria, na privatização das empresas e dos serviços públicos, com corte nos gastos sociais em educação, saúde, moradia, previdência etc.

O desemprego na Argentina, da ordem de 20% da força de trabalho, a informalidade do mercado de trabalho no Brasil, de cerca de 50% da PEA (população economicamente ativa), e o brutal arrocho dos salários que se seguiu à crise mexicana ilustram dramaticamente o preço que os trabalhadores latino-americanos estão pagando em nome da pretensa modernização econômica da região.

Quadro1 Taxas de crescimento países latino-americanos selecionados (*)

Países 81-90(*) 90 91 92 93 94 95 96 Brasil 1,6 -4,4 0,2 -0,8 4,2 5,7 4,2 3,1 Argentina -0,9 0,1 8,9 8,7 6,0 7,4 -3,5 Chile 3,0 3,0 7,3 11,0 6,3 4,2 8,5 México 1,7 4,4 3,6 2,8 0,6 3,5 -6,9 (*)média % – Fonte: Relatório da OEA (diversos) IPEA

Impactos da globalização no mercado de trabalho e os sindicatos

A eliminação dos postos de trabalho representa o lado mais perverso da globalização. Duas conferências de cúpula do G-7 já trataram do problema mundial do desemprego e a posição dos chefes de Estado dos países mais ricos foi a mesma: nada a fazer, senão prosseguir os programas de ajuste com base no rigor fiscal e no equilíbrio monetário. Mesmo que isto implique a continuidade das medíocres taxas de crescimento da economia mundial dos últimos vinte anos( vide quadro das taxas de crescimento dos países do G-7).

Quadro 2 Taxas de crescimento países G-7

G-7 81-90(*) 1991 1992 1993 1994 1995 1996 EUA 2,6 -0,6 2,7 2,2 3,5 2,0 2,1 Alemanha 2,2 4,5 1,8 -1,2 3,0 2,1 0,9 Japão 4,1 4,3 1,0 0,1 0,5 0,7 2,6 Itália 2,2 1,2 0,7 -1,2 2,2 3,0 2,4 França 2,4 0,8 1,3 -1,5 2,9 2,4 1,4 Inglaterra 2,7 -2,0 -0,5 2,3 3,8 2,4 2,2 Canadá 2,9 -1,8 0,8 2,2 4,6 2,2 1,8 (*) média % – Fonte: Relatório da OEA (diversos) IPEA

O resultado mais dramático da crise da economia capitalista é o crescimento extraordinário do desemprego, fenômeno motivado por duas causas básicas: o progressivo declínio das taxas de crescimento econômico aliado ao desenvolvimento tecnológico com aplicação condicionada pelas relações de produção características de tal sistema. O problema não é só social, mas sobretudo econômico. Revela a crescente ineficiência capitalista na utilização dos recursos colocados à disposição da humanidade pelo progresso das forças produtivas. Neste contexto, cresce a importância da luta em defesa do emprego e pela redução da jornada de trabalho. O proletariado europeu vem organizando e realizando grandes e poderosos movimentos neste sentido, num exemplo que merece ser seguido pelos trabalhadores do chamado Terceiro Mundo.

Os governos neoliberais dizem que o custo do trabalho e as conquistas históricas dos trabalhadores são as causas do desemprego. Buscam eliminar essas conquistas por meio da flexibilização da legislação trabalhista. O argumento é completamente mentiroso: a Espanha e a Argentina foram os países que mais avançaram na flexibilização e as taxas de desemprego, ao invés de cair, estão por volta de 20% da população ativa.

As transformações no mundo do trabalho indicam claramente as grandes dificuldades colocadas para um sindicalismo baseado exclusivamente nos setores tradicionais. A organização dos desempregados, dos trabalhadores informais, das mulheres, que ingressam no mercado de trabalho em condições ainda mais precárias do que os homens, e de contingentes cada vez mais amplos de excluídos, representa um desafio crucial para o futuro do sindicalismo.

A precarização dos contratos de trabalho (tempo parcial, tempo determinado), o aumento das jornadas, a rotatividade, a informalidade, a redução dos salários e a deterioração das condições de trabalho são outras tantas formas de ataque aos trabalhadores. Em razão destes ataques, o perfil do mercado de trabalho nos países desenvolvidos e em desenvolvimento começa apresentar semelhanças (o crescimento do desemprego nos países do G-7 é um fenômeno quase generalizado, como podemos comprovar na tabela abaixo).

Taxas de desemprego países desenvolvidos (definição OCDE)

81-90 (*) 1991 1992 1993 1994 1995 1996 EUA 7,1 6,7 7,5 6,9 6,1 5,6 5,8 Alemanha 7,1 5,5 7,8 8,9 9,5 9,4 11,1 Japão 2,5 2,1 2,2 2,5 2,9 3,2 3,4 Itália 8,0 8,1 9,7 10,3 9,3 8,2 11,8 França 9,3 9,4 10,3 11,7 12,3 11,6 12,1 Inglaterra 9,1 8,1 9,7 10,3 9,3 8,2 7,9 Canadá 9,4 10,3 11,3 11,2 10,4 9,5 9,6 (*)média % – Fonte: Relatório da OEA (diversos) IPEA

O novo padrão de acumulação pressupõe a destruição das conquistas trabalhistas obtidas no período anterior. Os ataques à organização sindical, ao contrato de trabalho e às negociações coletivas vêm se tornando cada vez mais intensos, ampliando a violência dos confrontos sociais e resultando em grandes mobilizações sindicais, como demonstram as greves gerais da França, Brasil e Coréia do Sul.

Estruturados numa fase de economias nacionais reguladas, mercados parcialmente protegidos e padrões de organização tradicionais, os sindicatos têm encontrado enormes dificuldades para combater os efeitos da globalização.

Apesar da crise, as perspectivas são muito maiores para uma ação internacional da classe trabalhadora, com vistas a realização de ações articuladas em torno de objetivos comuns. A uniformização das estratégias empresarias e os ataques aos trabalhadores produz reações nacionais que devem ser canalizadas pelo movimento sindical internacional para a promoção de campanhas mundiais.

O declínio relativo da liderança econômica dos EUA no mundo

Combinada à crise econômica, verificam-se os desdobramentos do declínio relativo da liderança econômica norte-americana no mundo capitalista, fenômeno decorrente do desenvolvimento desigual, que solapa as bases da ordem internacional formalizada nos acordos de Bretton Woods e acirra os conflitos entre as grandes potências. A decadência dos EUA tem sido acompanhada de uma ofensiva mais feroz por parte do Estado norte-americano.

Sinais disto são as leis Helms-Burtons e Amato, de alcance extraterritoriais, contra multinacionais instaladas em Cuba, Irã e Líbia ou comércio com estes países – que geraram uma oposição enérgica de outras potências, principalmente na Europa; crescentes retaliações comerciais contra concorrentes; divergências em torno da constituição da Alca e ainda o processo de descertificação de países latino-americanos sob o pretexto de que não aplicam corretamente a hipócrita política anti-droga americana.

São iniciativas que só se explicam pela pretensão dos EUA se transformarem no árbitro e polícia do planeta, fazendo da sua própria vontade e interesses os critérios de julgamento político e moral do universo, num movimento que contraria sua decadência econômica relativamente às outras potências capitalistas e vai criando novas contradições geopolíticas. As declarações do presidente francês, Jacques Chirac, durante sua visita ao Brasil e AL, são sintomáticas das contradições que emergem com o declínio relativo dos EUA e de redefinições de alianças que estão em curso. A CUT tem o dever de denunciar a crescente arrogância e agressividade do imperialismo norte-americano.

Os desequilíbrios da economia norte-americana – que no ano de glória e prosperidade de 1996 registrou o maior déficit no comércio de bens mercadorias com o exterior, superior a 180 bilhões de dólares, ao lado de um rombo nas contas correntes em torno de US$ 170 bilhões – têm grande repercussão econômica em todo o globo, uma vez que a necessidade de financiamento externo dos débitos influencia poderosamente o fluxo internacional de capitais.

É bom lembrar que durante o ano de 1994, cujo final foi agitado pela crise cambial mexicana (num dezembro de pânico), ocorreram sete elevações das taxas de juros dos EUA. Novas altas dos juros norte-americanos influenciam imediatamente a capacidade de atração de capitais pelos países periféricos, assim como o custo dos empréstimos contraídos no exterior e a política de juros no interior desses países (a decisão do Banco Central de manter para maio a mesma Taxa Básica do BC – TBC -, interrompendo a política de redução gradual dos juros que vinha implementando desde setembro de 1996, foi motivada pela expectativa de elevação das taxas norte-americanas.

A repercussão de tal decisão sobre a dívida interna será bem negativa). Também é importante observar, pois é mais um significativo sinal da crise do imperialismo, o avanço da extrema-direita – é um fenômeno que se observa em vários países, sobretudo na Europa e com mais ênfase na França (medidas e leis de intolerância contra imigrantes, por iniciativa do governo e das forças conservadoras; avanço eleitoral da Frente Nacional de Le Pen ), mostrando que uma das alternativas com que as classes dominantes vêm acenando é este, o do obscurantismo, do neofascismo (ou algo parecido). Os trabalhadores e as personalidades democráticas da sociedade não podem observar com passividade este fenômeno, como se expressasse acontecimentos sem maior importância. Vai ficando claro que neoliberalismo não combina com democracia.

GLOBALIZAÇÃO E MEIO AMBIENTE

José de Sena Pereira Jr.

Abertura de mercados ao comércio internacional, migração de capitais, uniformização e expansão tecnológica, tudo isso, capitaneado por uma frenética expansão dos meios de comunicação, parecem ser forças incontroláveis a mudar hábitos e conceitos, procedimentos e instituições. Nosso mundo aparenta estar cada vez menor, mais restrito, com todos os seus cantos explorados e expostos à curiosidade e à ação humana. É a globalização em seu sentido mais amplo, cujos reflexos se fazem sentir nos aspectos mais diversos de nossa vida.

As circunstâncias atuais parecem indicar que a globalização da economia, com todas as suas conseqüências sociais e culturais, é um fenômeno que, no mínimo, irá durar. O fim da bipolaridade ideológica no cenário internacional, a saturação dos mercados dos países mais ricos e a ação dos meios de comunicação, aliados a um crescente fortalecimento do poder das corporações e inversa redução do poder estatal (pelo menos nos países que não constituem potências de primeira ordem) são apenas alguns dos fatores que permitem esse prognóstico. O meio ambiente, em todos os seus componentes, tem sido e continuará cada vez mais sendo afetado pelo processo de globalização da economia.

Os impactos da globalização da economia sobre o meio ambiente decorrem principalmente de seus efeitos sobre os sistemas produtivos e sobre os hábitos de consumo das populações. Alguns desses efeitos têm sido negativos e outros, positivos.

Está havendo claramente uma redistribuição das funções econômicas no mundo. Um mesmo produto final é feito com materiais, peças e componentes produzidos em várias partes do planeta. Produzem-se os componentes onde os custos são mais adequados. E os fatores que implicam os custos de produção incluem as exigências ambientais do país em que está instalada a fábrica. Este fato tem provocado em muitos casos um processo de “migração” industrial. Indústrias são rapidamente montadas em locais onde fatores como disponibilidade de mão-de-obra, salários, impostos, facilidades de transporte e exigências ambientais, entre outros, permitem a otimização de custos. Como a produção de componentes é feita em escala global, alimentando indústrias de montagem em várias partes do mundo, pequenas variações de custos produzem, no final, notáveis resultados financeiros.

O processo de migração industrial, envolvendo fábricas de componentes e materiais básicos, pode ser notado facilmente nos países do Sudeste Asiático e, mais recentemente, na América Latina. São conhecidas as preocupações dos sindicatos norte-americanos com a mudança de plantas industriais – notadamente da indústria química – para a margem sul do Rio Grande. O fortalecimento da siderurgia brasileira, além, é claro, de favoráveis condições de disponibilidade de matéria-prima, pode ser, em parte, creditado a esse fenômeno.

Há uma clara tendência, na economia mundial, de concentrar-se nos países mais desenvolvidos atividades mais ligadas ao desenvolvimento de tecnologias, à engenharia de produtos e à comercialização. Por outro lado, a atividade de produção, mesmo com níveis altos de automação, tenderá a concentrar-se nos países menos desenvolvidos, onde são mais baratos a mão-de-obra e o solo e são contornadas, com menores custos, as exigências de proteção ao meio ambiente.

Essa tendência poderá mascarar o cumprimento de metas de redução da produção de gases decorrentes da queima de combustíveis fósseis, agravadores do “efeito estufa”, pois a diminuição das emissões nos países mais ricos poderá ser anulada com o seu crescimento nos países em processo de industrialização.

Outro fator que tem exercido pressão negativa sobre o meio ambiente e que tem crescido com a globalização da economia é o comércio internacional de produtos naturais, como madeiras nobres e derivados de animais. Este comércio tem provocado sérios danos ao meio ambiente e colocado em risco a preservação de ecossistemas inteiros.

A existência de um mercado de dimensões globais, com poder aquisitivo elevado e gostos sofisticados, é responsável por boa parte do avanço da devastação das florestas tropicais e equatoriais na Malásia, Indonésia, África e, mais recentemente, na América do Sul. A tradicional medicina chinesa, em cuja clientela se incluem ricos de todo o mundo, estimula a caça de exemplares remanescentes de tigres, rinocerontes e outros animais em vias de extinção. Mercados globalizados facilitam o trânsito dessas mercadorias, cujos altos preços estimulam populações tradicionais a cometerem, inocentemente, crimes contra a natureza.

Na agricultura e na pecuária, a facilidade de importação e exportação pode levar ao uso, em países com legislação ambiental pouco restritiva ou fiscalização deficiente, de produtos químicos e técnicas lesivas ao meio ambiente, mas que proporcionam elevada produtividade a custos baixos. É o caso, por exemplo, de determinados agrotóxicos que, mesmo retirados de uso em países mais desenvolvidos, continuam a ser utilizados em países onde não existem sistemas eficientes de registro e controle. Os produtos agrícolas e pecuários fabricados graças a esses insumos irão concorrer deslealmente com a produção de outros países.

A medida mais eficaz para evitar ou minimizar os efeitos deletérios dessas e de outras conseqüências da globalização sobre o meio ambiente seria a adoção, por todos os países, de legislações ambientais com níveis equivalentes de exigências. O fortalecimento das instituições de meio ambiente, principalmente dos órgãos encarregados de implementar e manter o cumprimento das leis, é igualmente fundamental. Para isto, seriam necessárias, além de ações dos governos dos países em desenvolvimento, assistência econômica e técnica das nações mais ricas.

Estas são preocupações expressas em vários documentos, como a Agenda 21, resultante da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento, realizada no Rio de Janeiro em 1992. No entanto, interesses econômicos imediatos, aliados ao grave problema do desemprego, que hoje assola boa parte do mundo, têm dificultado o avanço de acordos e ações efetivas nesse sentido.

A globalização da economia, pelo menos na fase de transição que impõe a todos os países, cria um contingente de mão-de-obra desativada, via eliminação de empregos em setores nos quais o país não consegue competir. O estímulo à mecanização da agricultura, dispensando mão-de-obra, por outro lado, acelera o êxodo rural. Essa massa de excluídos do processo de integração da economia acaba por provocar grave degradação ambiental, principalmente no ambiente urbano, criando invasões de áreas não urbanizadas e favelas. A degradação do ambiente urbano – destruição de atributos naturais, poluição da água, perturbações da segurança e da saúde pública, prejuízos na estética urbana, etc.- resulta na perda da qualidade de vida, tanto dos novos como dos antigos moradores urbanos. O ressurgimento de epidemias e endemias supostas extintas é um dos ângulos mais visíveis desta questão.

Para uma transição menos traumática para uma economia globalizada, a sociedade deveria estar disposta e preparada para prover condições mínimas de subsistência aos que, provisória ou definitivamente, não se adaptassem às novas condições de acesso ao mercado de trabalho globalizado. Seria o preço a pagar pela tranqüilidade pública, por usufruir os benefícios materiais que a nova ordem econômica pode trazer àqueles mais aptos a obter os bens de consumo, o luxo, a comodidade e o conforto material que o sistema capitalista pode prover. Sem essa disposição da sociedade em dividir resultados, o meio ambiente como um todo sofrerá graves conseqüências, afetando profundamente nossas vidas e comprometendo o nosso futuro.

Mas a globalização da economia oferece também perspectivas positivas para o meio ambiente. Até pouco tempo era comum a manutenção, até por empresas multinacionais, de tecnologias ultrapassadas em países mais pobres e com consumidores menos exigentes. A escala global de produção tem tornado desinteressante, sob o ponto de vista econômico, esta prática. É o caso, por exemplo, dos automóveis brasileiros. Enquanto a injeção eletrônica era equipamento comum na maior parte do mundo, por aqui fabricavam-se motores carburados, de baixa eficiência e com elevados índices de emissão de poluentes.

Com a abertura do mercado brasileiro aos automóveis importados, ocorrida no início desta década, a indústria automobilística aqui instalada teve que se mover. Rapidamente, passou-se a utilizar os mesmos motores e os mesmos modelos de carrocerias usadas nos países de origem das montadoras. É claro que isto causou impacto sobre a indústria nacional de autopeças, pois uma grande quantidade de componentes, principalmente os mais li
gados à eletrônica, passaram a ser importados, o que antes não era possível, dado o caráter fechado que até então dominava o nosso mercado interno.

Os efeitos sobre a emissão de poluentes dos veículos foi notável. Dados da CETESB e da ANFAVEA mostram que os automóveis fabricados em 1996 emitem cerca de um décimo da quantidade de poluentes que emitiam os modelos fabricados em meados da década de 80. Os efeitos não são ainda notados na qualidade do ar das grandes cidades, porque a maior parte da frota de veículos em circulação é antiga, com sistemas precários de regulagem de motores.

O mesmo efeito sentido na indústria automobilística estende-se a uma gama de outros produtos, como os eletrodomésticos. A globalização da produção industrial está levando à rápida substituição do CFC, em refrigeradores e aparelhos de ar condicionado, por gases que não afetam a camada de ozônio. Isto está ocorrendo em todos os países, pois não é interessante, economicamente, a manutenção de linhas de produção de artigos diferenciados de acordo com os países que os vão receber.

Outro efeito positivo da globalização da economia sobre o meio ambiente é a criação de uma indústria e de um mercado ligados à proteção e recuperação ambiental. Nesta lista incluem-se equipamentos de controle da poluição, sistemas de coleta, tratamento e reciclagem de resíduos sólidos e líquidos, inclusive lixo e esgoto urbanos, e novas técnicas de produção. São setores que movimentam fortes interesses econômicos, os quais acabam por influenciar os poderes públicos para que as leis ambientais sejam mais exigentes e haja instituições mais eficientes para torná-las efetivas.

GLOBALIZAÇÃO – A HISTÓRIA INTERATIVA

Luiz Roberto Lopez

Globalização implica uniformização de padrões econômicos e culturais em Âmbito mundial. Historicamente, ela tem sido indissociável de conceitos como hegemonia e dominação, da qual foi, sempre, a inevitável e previsível conseqüência. O termo globalização e os que o antecederam, no correr dos tempos, definem-se a partir de uma verdade mais profunda, isto é, a apropriação de riquezas do mundo com a decorrente implantação de sistemas de poder.

A tendência histórica à globalização – fiquemos com o termo atual – é um fenômeno que, no Ocidente moderno, tem suas raízes na era do Renascimento e das Grandes Navegações, quando a Europa emergiu de seus casulos feudais. Paralelamente no início da globalização, traduzida na europeização da América, tivemos a criação da imprensa (1455). À tecnologia que permitiu ao europeu expandir a sua civilização, correspondeu a tecnologia que lhe possibilitou expandir a informação. Até a Revolução Industrial, no entanto, o processo de globalização foi acanhado – pouco afetou Ásia e África.

Resultava mecanismos predatórios e ainda incipientes da apropriação. Com a Revolução Industrial e a liberação do Capitalismo para suas plenas possibilidades de expansão, a globalização deu um salto qualitativo e significativo. Para entender este salto, é preciso ter presente que ;é intrínseco ao Capitalismo a apropriação e, por suposto, a expansão. A ampliação dos espaços de lucro conduziu à globalização.

O mundo passou a ser visto como uma referência para obtenção de mercados, locais de investimento e fontes de matérias-primas. Num primeiro momento, a globalização foi também o espaço para o exercício de rivalidades inter-capitalistas e daí resultaram duas guerras mundiais. Simultaneamente à globalização da apropriação e da opressão, tentou-se a globalização dos oprimidos, o que levou ao surgimento das Internacionais de trabalhadores. Imaturos para se unirem e cooptados pelas rivalidades dos opressores, os oprimidos não conseguiram criar uniões duradouras e estáveis.

Ao longo do século XX, a globalização do capital foi conduzindo à globalização da informação e dos padrões culturais e de consumo. Isso deveu-se não apenas ao progresso tecnológico, intrínseco à Revolução Industrial, mas – e sobretudo – ao imperativo dos negócios. A tremenda crise de 1929 teve tamanha amplitude justamente por ser resultado de um mundo globalizado, ou seja, ocidentalizado, face à expansão do Capitalismo. E o papel da informação mun
dializada foi decisivo na mundialização do pânico. Ao entrarmos nos anos 80/90, o Capitalismo, definitivamente hegemônico com a ruína do chamado Socialismo Real, ingressou na etapa de sua total euforia triunfalista, sob o rótulo de Neo-Liberalismo.

Tais são os nossos tempos de palavras perfumadas: reengenharia, privatização, economia de mercado, modernidade e – metáfora do imperialismo – globalização. A classe trabalhadora, debilitada por causa do desemprego, resultante do maciço investimento tecnológico, ou está jogada no desamparo , ou foi absorvida pelo setor de serviços, uma economia fluida e que não permite a formação de uma consciência de classe.

O desemprego e o sucateamento das conquistas sociais de outros tempos, duramente obtidas, geram a insegurança coletiva com todas as suas mazelas, em particular, o sentimento de impotência, a violência, a tribalização e as alienações de fundo místico ou similares. No momento presente, inexistem abordagens racionais e projetos alternativos para as misérias sociais, o que alimenta irracionalismos à solta. A informação mundializada de nossos dias não é exatamente troca: é a sutil imposição da hegemonia ideológica das elites. Cria a aparência de semelhança num mundo heterogêneo – em qualquer lugar, vemos o mesmo McDonald`s, o mesmo Ford Motors, a mesma Mitsubishi, a mesma Shell, a mesma Siemens. A mesma informação para fabricar os mesmos informados.

Massificação da informação na era do consumo seletivo. Via informação, as elites (por que não dizer: classes dominantes?) controlam os negócios, fixam regras civilizadas para suas competições e concorrências e vendem a imagem de um mundo antisséptico, eficiente e envernizado. A alta tecnologia, que deveria servir à felicidade coletiva, está servindo a exclusão da maioria. Assim, não adianta muito exaltar as conquistas tecnológicas crescentes – importa questionar a que – e a quem – elas servem. A informação global é a manipulação da informação para servir aos que controlam a economia global.

E controle é dominação. Paralelamente à exclusão social, temos o individualismo narcisístico, a ideologia da humanidade descartável, o que favorece a cultura do efêmero, do transitório – da moda. De resto, se o trabalho foi tornado desimportante no imaginário social, ofuscado pelo brilho da tecnologia e das propagandas que escondem o trabalho social detrás de um produto lustroso, pronto para ser consumido, nada mais lógico que desvalorizar o trabalhador – e, por extensão, a própria condição humana. Ou será possível desligar trabalho e humanidade? É a serviço do interesse de minorias que está a globalização da informação.

Ela difunde modas e beneficia o consumo rápido do descartável – e o modismo frenético e desenfreado é imperativo às grandes empresas, nesta época pós- keynesiana, em que, ao consumo de massas, sucedeu a ênfase no consumo seletivo de bens descartáveis. Cumpre à informação globalizada vender a legitimidade de tudo isso, impondo padrões uniformes de cultura, valores e comportamentos – até no ser “diferente” (diferente na aparência para continuar igual no fundo). Por suposto, os padrões de consumo e alienação, devidamente estandartizados, servem ao tédio do urbanóide pós-moderno.

Nunca fomos tão informados. Mas nunca a informação foi tão direcionada e controlada. A multiplicidade estonteante de informações oculta a realidade de sua monotonia essencial – a democratização da informação é aparente, tal como a variedade. No fundo, tudo igual. Estamos – e tal é a pergunta principal – melhor informados? Controlada pelas elites que conhecemos, a informação globalizada é instrumento de domesticação social.

A Competência Interdisciplinar do Superior frente a uma Proposta Renovada

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Este estudo é de natureza bibliográfica, para ampliar nossos conhecimentos enquanto profissionais comprometidos com uma educação renovadora.

O foco desta reflexão é o papel do Supervisor através da Ação Interdisciplinar. Promovendo uma nova postura diante do conhecimento, uma mudança de atitude em busca da unidade do pensamento.

O ponto de partida e de chegada de uma prática interdisciplinar está na ação. Desta forma através do diálogo que se estabelece entre as disciplinas e entre os sujeitos das ações, a interdisciplinaridade “devolve a identidade às disciplinas, fortalecendo-as” e evidenciando uma mudança de postura na prática pedagógica. Tal atitude embasa-se no reconhecimento da provisão do conhecimento, no questionamento constante das próprias posições assumidas e dos procedimentos adotados, no respeito à individualidade e na abertura à investigação em busca da totalidade do conhecimento.

Não se trata de propor a eliminação de disciplinas, mas sim da criação de movimentos que propiciem o estabelecimento de relações entre as mesmas, tendo como ponto de convergência a própria ação. Se engajar num processo de investigação, re-descoberta e construção coletiva de conhecimento, que ignora a divisão do conhecimento em disciplinas.

Ao compartilhar idéias, ações e reflexões, teremos mudanças positivas no processo pedagógico da escola, buscando uma unidade de trabalho.

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO…………………………………………………………………………………………………………….

CAPÍTULO I
INTERDISCIPLINARIDADE ………………………………………………………………………………………..
1.1UMA POSTURA INTERDISCIPLINAR…………………………………………………………………….
1.2A INTERDISCIPLINARIDADE AO ALCANCE DA ESCOLA……………………………………

CAPÍTULO II
A AÇÃO DO SUPERVISOR NA FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NO SÉCULO XXI…..
2.1 SABERES NECESSÁRIOS À PRÁTICA EDUCATIVA………………………………………………
2.2 A COMPETÊNCIA PARA ENSINAR: PROFESSOR NO SECÚLO XXI………………………

CAPÍTULO III
A EDUCAÇÃO EM TEMPOS MODERNOS……………………………………………………………………
3.1 A ESCOLA E A CRISE DOS IDEAIS DA MODERNIDADE……………………………………….
3.2 O SUPERVISOR ESCOLAR COMO ARTICULADOR………………………………………………..

CAPÍTULO IV
SUPERVISOR FRENTE ÀS NOVAS TECNOLOGIAS……………………………………………………..
4.1 O NOVO PERFIL DO SUPERVISOR ESCOLAR………………………………………………………..
4.2 A AÇÃO DO SUPERVISOR NA PRESENÇA CONSTANTE DOS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO……………………………………………………………………………………………………………

CONSIDERAÇÕES FINAIS………………………………………………………………………………………….

BIBLIOGRAFIA…………………………………………………………………………………………………………..

INTRODUÇÃO

Este estudo visa atender a exigência do curso de Pós-Graduação em Supervisão Escolar das Faculdades Integradas Jacarepaguá. Bem como ampliar nossos conhecimentos, enquanto profissionais comprometidos com uma educação renovadora. Que vise buscar novos conhecimentos para formação de indivíduos letrados, promovendo uma ponte de libertação e autonomia de ser pensante e atuante na sociedade.

A essa busca, temos o desafio de assegurar a abordagem global da realidade, para um campo aberto de uma prática interdisciplinar. Permitindo o desenvolvimento do sujeito como um todo, de acordo com suas condições, possibilidades e entendimento.

É nessa perspectiva que a ação pedagógica de efetivação da interdisciplinaridade se dá pelo desenvolvimento da sensibilidade de uma formação adequada e necessária na arte de entender e esperar. Uma postura única, engajada e comprometida frente aos fatos da realidade educacional e pedagógica.

Inicialmente será apresentada no primeiro capítulo, uma síntese do que se entende por interdisciplinaridade. Nessa síntese, destaca-se como se dá nossa relação com o mundo social, natural e cultural, como se dá o conhecimento e como se realiza um fazer docente pautado no conceito de interdisciplinaridade.

Analisa-se também a postura interdisciplinar diante do conhecimento, uma mudança de atitude em busca da unidade do pensamento. Apresenta-se também a interdisciplinaridade ao alcance da escola, capaz de formar novos educadores a uma nova pedagogia.

Dessa forma, no segundo capítulo, abordará a ação do Supervisor na formação dos professores no séc.XXI. Uma ação que deve estar pautada nos quatro pilares da educação. O profissional da área da educação deve ter o espírito crítico e sempre em busca de novos conhecimentos.

Ressaltam-se características relevantes que os educadores devem possuir para que eles consigam uma prática inovadora, diante de uma postura interdisciplinar.

Apresenta-se, no terceiro capítulo, a educação em tempos modernos, o despertar de um novo formato para a escola. Um trabalho de criatividade e responsabilidade, pois a escola incorpora elementos significativos do projeto da modernidade.

Analisa-se o Supervisor Escolar como articulador, desenvolvendo um trabalho participativo, comprometido com os demais profissionais da educação.

Outras questões no quarto capítulo fizeram parte deste estudo, como: o novo perfil do Supervisor Escolar, a competência do Supervisor frente às novas tecnologias e a ação do Supervisor Escolar na presença constante dos quatro pilares da educação. Enfatizando que a sua ação e contribuição no objetivo de ajudar os professores a uma prática renovadora em suas atividades interdisciplinar, a fim de nortear seu trabalho em sala de aula.

Sem dúvida diante desse estudo o ponto importante será a competência interdisciplinar do Supervisor Escolar em sua ação pedagógica, tornando-se uma ferramenta indispensável para os educadores.

CAPÍTULO I

INTERDISCIPLINARIDADE

Que se entende por interdisciplinaridade? Como se dá nossa relação com o mundo social, natural e cultural? Como se dá o conhecimento? E como se realiza um fazer docente pautado no conceito de interdisciplinaridade?

Entre os princípios pedagógicos que estruturam as áreas de conhecimento destaca-se como eixo articulador, a interdisciplinaridade. Para observância da interdisciplinaridade é preciso entender que as disciplinas escolares resultam de recortes e seleções arbitrários, historicamente constituídos, expressões de interesses e relações de poder que ressaltam, ocultam ou negam saber.

Alguns campos de saber são privilegiados em sua representação como disciplinas escolares e outros não. Historicamente são valorizados determinados campos do conhecimento escolar, sob o argumento de que se mostram úteis para resolver problemas do dia a dia. A forma de inserção e abordagem das disciplinas num currículo escolar é em si mesma indicadora de uma opção pedagógica de e propiciar ao aluno a construção de um conhecimento fragmentário ou orgânico e significativo, quanto à compreensão dos fenômenos naturais, sociais e culturais.

O desenvolvimento das ciências e os avanços da tecnologia, no século XX constataram que o sujeito pesquisador interfere no objetivo pesquisado, que não há neutralidade no conhecimento, que a consciência da realidade se constrói num processo de interpenetração dos diferentes campos do saber.

É necessário um planejamento conjunto que possibilite a eleição de um eixo integrador, que pode ser um objeto de conhecimento, um projeto de intervenção e, principalmente, o desenvolvimento de uma compreensão da realidade sob a ótica da globalidade e da complexidade, uma perspectiva centrada na realidade.

1.1. UMA POSTURA INTERDISCIPLINAR

Interdisciplinaridade é um termo que não tem significado único, possuindo diferentes interpretações, mas em todas elas está implícita uma nova postura diante do conhecimento, uma mudança de atitude em busca da unidade do pensamento.

Nesse sentido, não estou me referindo à interdisciplinaridade como uma teoria geral e absurda do conhecimento, nem a compreendo como uma ciência aplicada, mas sim como o estudo do desenvolvimento de um processo dinâmico, integrador e, sobretudo, diálogo.

O ponto de partida e de chegada de uma prática interdisciplinar está na ação. Dessa forma, através do diálogo que se estabelece entre as disciplinas e entre os sujeitos das ações, a interdisciplinaridade “devolve a identidade as disciplinas, fortalecendo-as” e evidentemente uma mudança de postura na prática pedagógica. Tal atitude embasa-se no reconhecimento da provisão do conhecimento, no questionamento constante das próprias posições assumidas e dos procedimentos adotados, no respeito à individualidade e na abertura à investigação em busca da totalidade do conhecimento.

Não se trata de propor a eliminação de disciplinas, mas sim da criação de movimentos que propiciem o estabelecimento de relação entre as mesmas, tendo como ponto de convergência a ação que se desenvolve num trabalho cooperativo e reflexão.

A partir de todos esses referenciais, é importante que os conteúdos das disciplinas sejam vistas como instrumentos culturais, necessários para que os alunos avancem na formação global e não como fim de si mesmos.

  • Expressar-se através de múltiplas linguagens e novas tecnologias;
  • Posicionar-se diante da informação;
  • Interagir, de forma crítica e ativa, com o meio físico e social;

A interdisciplinaridade, atualmente, está sendo tratado com a solução para o restabelecimento de uma nova ordem na educação ensino, no país.

O terno interdisciplinaridade significa uma relação de reciprocidade, de mutualidade, que pressupõe uma atitude diferente a ser assumida rente ao problema do conhecimento, ou seja, é a substituição de uma concepção fragmentária para uma concepção unitária de ser humano.

A Interdisciplinaridade pressupõe:

  • Uma atitude de abertura, não preconceituosa, onde todo o conhecimento é igualdade importante, onde o conhecimento individual anula-se frente ao saber universal.
  • Uma atitude coerente, sendo que é na opinião crítica do outro que se fundamenta a opinião particular, supondo uma postura única, engajada e comprometida frente aos fatos da realidade educacional e pedagógica.

A ação pedagógica de efetivação da interdisciplinaridade se dá pelo desenvolvimento da sensibilidade, de uma formação adequada e necessária na arte de ensinar e esperar, em desenvolvimento da criação e imaginação.

1.2. A INTERDISCIPLINARIDADE AO ALCANCE DA ESCOLA

Em nosso atual sistema educacional, devido a diversos fatores, praticamente é inexistente o trabalho interdisciplinar. Ainda não conseguimos superar o positivismo presente tanto no ensino quanto na pesquisa. O máximo que têm conseguido realizar são encontros disciplinares, fruto da imaginação criadora, da curiosidade, do espírito mais aberto e (porque não dizer?) da coragem de alguns docentes que ousam desafiar o autoritarismo.

A interdisciplinaridade constitui um motor de transformação, capaz de formar novos educadores a uma nova pedagogia.

Embora ensinar a ler e escrever seja tarefa da escola, que prioriza a modalidade culta da língua, não basta ao professor de português conhecer gramática tradicional. O conhecimento de outras disciplinas que convergem para o estudo da língua também é necessário.

A fragmentação do saber através da especialização está a exigir uma nova interação das disciplinas.

É importante deixar claro que a prática docente, ao adotar a interdisciplinaridade como metodologia no desenvolvimento do currículo escolar, não significa o abandono das disciplinas, nem supõe para o professor uma “pluri-especialização”.

Temos então a interdisciplinaridade como um campo aberto para que de uma prática fragmentada por especialistas possamos estabelecer novas competências e habilidades através de uma postura pautada em uma visão do conhecimento e a capacidade de auto-aprendizagem.

Conclui-se que a Interdisciplinaridade pode ser vista como uma nova concepção do saber e do processo de ensinar, ou seja, um novo princípio norteador da reorganização dos diversos objetos de estudo e de reformulação das estruturas pedagógicas. Na prática, para superar a fragmentação do saber decorrente de especialização, a interdisciplinaridade representa uma possibilidade de diálogo e de interação entre as disciplinas.

CAPÍTULO II

A AÇÃO DO SUPERVISOR NA FORMAÇÃO DOS PROFESSORES NO SEC.XXI

Ao longo de toda a história da educação, observa-se que muito tem sido feito no intuito de melhorar os padrões educacionais brasileiros. Entretanto nota-se, nos dias atuais, que esse padrão está longe de ser alcançado.

O século XXI está apenas começando e ainda tem a mesma marca do século anterior. Posto que durante muito tempo concebeu-se a docência como uma prática imediata de metodologia já formulada, sendo a sala de aula um campo de ação onde o agir descobre o pensar.

As reflexões feitas frente às inúmeras questões que perpassam o processo educativo proporcionam aos professores e pedagogos, uma mudança em sua prática, resultando na busca de alternativas para a concretização e o aprimoramento de sua formação permanente, com a prática pedagógica exercida pelos professores, possibilita que estes questionem reelaborem suas práticas docentes. Na formação de educadores faz-se necessário que este busque participar de forma crítica e compromissada com a educação. A ação do Supervisor Escolar deve estar pautada nos quatro pilares da educação.

As práticas da formação de professores também devem considerar estes quatros pilares. Uma cultura científica crítica como suportes teóricos ao trabalho docente, conteúdos instrumentais que assegurem o saber-fazer, uma estrutura de organização e gestão das escolas que propiciem espaço de aprendizagem e de desenvolvimento profissional.

Essa formação há que considerar a importância da formação teórica, de uma cultura crítica. A escola é um dos lugares específicos do desenvolvimento de capacidades e competências, implicando sempre a reflexividade. Tanto em relação ao professor crítico reflexivo, quanto ao prático reflexivo ou intelectual crítico, não atingiremos o objetivo sem o desenvolvimento de capacidades e competências do pensar-raciocínio, análise e julgamento que propicia a autonomia, autodeterminação, condição de luta pela emancipação intelectual.

O educador é o dirigente da ação pedagógica, e é na prática da educação que o educador se educa. Mesmo freqüentando uma escola de Educação não está garantido o êxito do professor. A função do educar é peculiarmente relevante e exige de nós um esforço incessante de atenção e renovação de si mesmo. Ele não se educa antes, para exercer, depois a prática da educação.

Diante dessa realidade questiona-se: A atividade docente é uma prática para a qual se pode preparar em poucas centenas de horas ou ao contrário. Naturalmente, é preciso definir aqui o que se entende como sendo a atividade do professor: um sujeito que está inserido no processo de humanização, que faz a educação por meio do ensino, que está implicando na tarefa propiciar a apropriação crítica, criativa, como mediação para a construção da consciência, do caráter e da cidadania plena para todos, então, certamente, o encaminhamento será outro.

2.1 SABERES NECESSÁRIOS Á PRATICA EDUCATIVA

“Paulo Freire” no livro: Pedagogia da Autonomia: Saberes Necessários à prática Educativa: nos mostra que formar alunos é muito mais que depositar conhecimentos é o aproveitamento do que o aluno trás de seu cotidiano em sua comunidade, para o convívio escolar.

Onde o profissional da área da educação deve ter o espírito crítico, ético, coerente que deve estar presente na prática educativa. Devendo ser sem interesse lucrativo, ou seja, o professor deve lecionar por amor e por querer ser uma pessoa mais atuante numa sociedade, pois assim ele irá estar influenciado em vidas e podendo ser a sua influência construtiva ou destrutiva, dependendo do modo que agir.

Para que isso ocorra o educador deve ir à busca de novos conhecimentos, ter vontade de aprender, mais para se aprimorar, deve demonstrar interesse em sempre estar se atualizando e assim contribuirá cada vez mais no seu trabalho de formação de indivíduos, pois, para “Paulo Freire” o homem e a mulher são capazes de aprender demonstrando alegria e esperança se esses formem estimulados, na convicção de que a mudança é possível.

Aprender é uma descoberta criadora, com abertura ao risco e a aventura do ser, pois ensinando se aprende e aprendendo se ensina.

O ensino é muito mais que uma profissão, ele exige variados saberes no seu processo dinâmico de promoção da autonomia de todos os educadores, ou seja, o educador deve estar preparado para que em qualquer momento o aluno possa perguntar ou demonstrar interesse na atividade que estiver sendo proposta para ser trabalhada, sem deixar o aluno constrangido frente de seus condiscípulos, dando espaço para que o mesmo possa perguntar ou expor sua idéia em determinado assunto.

O professor promove a inclusão de todos os alunos numa sociedade letrada, ou seja, ele promove uma ponte de libertação e autonomia de ser pensante e influente no seu próprio desenvolvimento. Com isso o individuo passa a poder ter um papel mais atuante em sua sociedade, podendo assim ter o direito de escolher com maior lucidez, pois o individuo que depende de outras pessoas para que leiam para eles em seu cotidiano, não consegui assim expor sua necessidade e seu pensamento com maior facilidade.

Segundo Freire, a sociedade é composta por homens e mulheres, estão na sociedade os seres atuantes são homens e mulheres, profissionais como, por exemplo, os professores e as professoras, a educação não depende somente do professor (homem), mais de todo os indivíduos que fazem parte de uma sociedade, a mulher também tem um amplo papel na sociedade, pois nessa profissão existem muitas mulheres que se tornam bastante influente na área da educação. Então devemos tratar todas as pessoas com igualdade, todos têm seu papel na sociedade em que vivem e assim são seres insubstituíveis, todos são necessários no processo de formação de indivíduos.

2.2. A COMPETÊNCIA PARA ENSINAR: PROFESSOR NO SÉCULO XXI

O início deste milênio aponta um panorama educacional que apresenta pequenas mudanças, o panorama na educação no Brasil demanda a necessidade de se estabelecer uma prática mais reflexiva.

A noção de competência, do Latim, refere-se à capacidade de compreender uma determinada situação e reagir adequadamente frente a ele, ou seja, estabelecer uma avaliação dessa situação de forma proporcionalmente justa para com a necessidade que ela sugerir a fim de atuar da melhor maneira possível.

A competência relaciona-se ao “saber fazer algo” que por sua vez envolve uma série de habilidades, a competência manifesta-se num conjunto, por meio da articulação de diversas habilidades.

Uma competência sempre está associada a uma mobilização de saberes, não é um conhecimento “acumulado”, mas a virtualidade de uma ação a capacidade de recorrer do que se saber para realizar o que se deseja.

As competências constituem, portanto padrões de articulação do conhecimento a serviço da inteligência. A relação entre conhecimento focal que se pode explícita, e o conhecimento subsidiário, não é a mesma que existe o que se pode conhecer constantemente e o que se tem registrado de alguma forma do consciente.

Propor ao professor uma prática inovadora é uma tarefa desafiadora para o Supervisor. Acompanhar esse trabalho possibilita desencadear um processo de reflexão na ação, durante o qual o professor vivência um novo jeito de ensinar e aprender e mediante essa nova experiência, revê sua maneira de ser e fazer.

A formação do professor é também resultado de uma atividade interdisciplinar, à medida que exige dele o domínio de conhecimentos que extrapolam a sua mera especialização disciplinar. No ensino de Língua Portuguesa, o professor deve conhecer, por exemplo, Psicologia, para nortear seu trabalho em sala de aula, pois a metodologia a ser empregada dependerá de sua visão sobre aquisição da linguagem. Pode-se dizer que somente assim terá condições de estabelecer um trabalho coerente entre teoria e prática.

Assim, a formação do professor de língua deve ocorrer nessa perspectiva interdisciplinar. A fragmentação do saber através da especialização está a exigir uma nova interação das disciplinas. Nessa ação a relevância metodológica é indiscutível, “porém” é necessário não fazer-se dela um fim, pois interdisciplinaridade não se ensina nem se aprende, apenas vive-se, exerce-se e por isso exige uma nova Pedagogia.

“Interdisciplinaridade” não são ciência, nem ciência das ciências, mas é o ponto de encontro entre o movimento de renovação de atitude frente aos problemas de ensino.

Também não é uma maneira que garantirá um ensino adequado, ou um saber unificado, mas um ponto de vista que permite uma reflexão aprofundada, crítica e salutar sobre funcionamento do mesmo.

CAPÍTULO III

A EDUCAÇÃO EM TEMPOS MODERNOS

A educação é uma exigência da vida em sociedade. O homem tem consciência dos seus instintos, porque esta não repete uma programação hereditária, ele tem que inventar uma forma de viver. Se a educação não existisse, seriamos como animais. A nossa cultura precisa ser transmitida, e isto é feito através da educação. A falta da educação é um desrespeito as normas de boas convivências. Na escola, chamamos a falta de educação de atitudes indisciplinadas. Se na escola há falhas na informação e formação, é por causa da falta de educação ou indisciplina por partes dos educados.

Quem é responsável pela educação das crianças é a família. Depois a escola. Um problema na família repercute na escola. Em nossos dias a família está projetando suas responsabilidades sobre a escola, temos percebido que a escola não tem tido tanto êxito na formação coletiva. Os pais simplesmente encaminham seus filhos à escola no intuito que esta os programe. Percebemos que a família projeta esta responsabilidade na escola, porque não tem conseguido conciliar a busca de sustento com sua formação.

Nas leis brasileiras surge a tendência ao aumento do tempo e das responsabilidades da escola. Em meio às dificuldades os professores se dão conta de suas responsabilidades como educadores, percebem-se despreparados e coagidos a mostrarem resultados positivos para sociedade, bem como as escolas, para cumprirem as novas tarefas. Manifesta-se ai a expectativa de que, além dos papeis convencionais, aspectos ligados a comportamento sexual, afetividade, padrões de convivência social e cidadania, familiarização com novas tecnologias e outros mais sejam também sistematicamente tratados pela escola.

Pensar um novo formato de escola é sempre um trabalho de imaginação pedagógica e sociológica. Mesmo que inspiradas em experiências concretas, tal reflexão é um exercício de criatividade e extrapolação.

3.1. A ESCOLA E A CRISE DOS IDEAIS DA MODERNIDADE

A generalização da escolarização no mundo ocidental liga-se aos pressupostos básicos do
esclarecimento, liberdade, autonomia, maioridade, humanidade, progresso, emancipação, direitos humanos, razão social e outros.

Emerge desses pressupostos a concepção de que este mundo será aquilo o que dele decidiremos fazer. Não há como negar ter sido até aqui a escola, simbolicamente, a depositária privilegiada desta visão que tem na ciência e no trabalho, ou seja, na dominação humana sobre a natureza, o referencial, por excelência da própria humanidade.

A educação escolar incorpora os elementos mais significativos do projeto da modernidade, tanto aqueles aparentemente cumpridos, como o conhecimento a serviço do bem estar humano. Por isso outro lado, a educação escolar oferece imensas possibilidades de uma atuação liberada, pois é em si mesmo, um exemplo de planejamento e racionalização de ações. Está ao nosso entorno e em nosso coração um dos maiores fracassos da modernidade, a igualdade de oportunidades.

Alem do mais, tem encarado o desvinculamento entre o saber e o uso que dele se pode fazer, ou seja, entre conhecimento e vista. Uma escola com função ampliada não deixa de carregar os elementos contraditórios. Constitutivos dessa tradução. Mas a nosso ver, pode ainda conter algo mais: esclarecidos os nossos objetivos, e as formas que assumirão suas práticas, também pode conter elementos críticos a essa mesma tradição.

Ou seja, também pode vir a compor um conjunto de ações sociais que levam à superação dos aspectos da experiência da modernidade hoje vulneráveis a uma teoria crítica radical. Essa formação, entretanto, só se torna possível na medida em que compartilhamos um tipo de crítica à tradição da modernidade que, mesmo quando reconhece rupturas, rejeita a negação radical dessa tradução.

Entretanto, muitos autores desenvolvem argumentação críticas à modernidade e suas categorias, que caminham em direções mais complexas e menos céticas. Essas, ao invés de reduzirem, ampliam a possibilidade de se pensar uma educação escolar que contenha elementos críticos.

A partir dessa visão, a escola precisa reformular-se em profundidade, mas estaria mantendo a possibilidade de permanecer cumprindo o papel central de formação das novas gerações.

Essa reformulação implicaria mudanças, criando caminhos rápidos e desimpedidos entre ela e a vida que corre fora dela, em sua maneira de lidar com o conhecimento, rejeitando uma abordagem unidimensional do saber. E em sua maneira de receber reformulação estaria juntamente uma nova compreensão daquele que é o pressupor fundamental de todos os valores da modernidade: a razão universal.

3.2. O SUPERVISOR ESCOLAR COMO ARTICULADOR

O trabalho do Supervisor Escolar diz respeito ao Cotidiano escolar que, por sua vez, deve estar relacionado com o movimento da sociedade local e mundial. O Supervisor possui um comprometimento com a formação da cidadania dos alunos. Ele precisa estar atento ao trabalho coletivo da escola atuando harmoniosamente com os demais profissionais da educação, realizando um trabalho interdisciplinar.

Precisa desenvolver através de um trabalho participativo e conjunto, onde todos estão comprometidos com o processo e os resultados. Essa função deve ser exercida por um pedagogo devidamente habilitado em Supervisão Escolar, com profundo conhecimento de suas atribuições na rotina diária de uma escola, procurar cumprir dentro das normas legais, as determinações do Núcleo Gestor.

Esse profissional além da formação em pedagogia deve possuir uma vivencia com a comunidade, pois as suas ações vão influir na formação moral e profissional de cada escola, seu papel é de suma importância para a escola e para o processo educativo.

A educação socializa e permite a humanização do homem. O objetivo primário da Socialização dos alunos na escola é a preparação para a sua incorporação no mundo de trabalho. Esta é a função primordial imposta pela sociedade. Essa preparação exige não só o desenvolvimento de idéias e capacidades, mas também a formação de atitudes e comportamentos.

A função secundária da socialização na escola é a formação do cidadão. Preparar o aluno para a vida.

O papel da escola vai além da reprodução de idéias convencionais e deve sim amenizar as desigualdades sociais, capacitar todos os indivíduos de conhecimento e senso crítico para que possam inserir-se na Sociedade em igualdade com os demais.

A escola introduz idéias e conhecimentos que a sociedade adulta requer. Os alunos assimilam os conteúdos dos currículos escolares e das comunicações que se dão na sala de aula.

A função educativa deverá ir mais além do processo de reprodução conservador imposto pela cultura dominante.

A função educativa da escola deve centrar-se em dois pontos descritos por Sacristán e Gómez (2000). Organizar o desenvolvimento radical da função compensatória das desigualdades de origem mediante a atenção e o respeito pela diversidade. Provocar e facilitar a reconstrução dos conhecimentos, das disposições e das pautas de condutas que a criança assimila em sua vida paralela e anterior à escola.

A escola não pode anular discriminações, mas pode amenizar os seus efeitos e acabar com a idéia de que as desigualdades sociais fazem parte do cenário e de que nada se pode fazer.

A sua contribuição é adotar um modelo flexível e plural que atenda as diferenças, ou seja, adotar um currículo escolar com igualdade de oportunidades, onde a organização da aula, escola e do profissional docente garantam o tratamento das diferenças com cada aluno e sua responsabilidade, e não no nível homogêneo. Outro objetivo da escola é a participação na formação do individuo, suas atitudes e formas de conduta.

A escola deve proporcionar a comparação aberta de idéias para estimular o pensamento critico e a ação dos alunos, e cobrar a participação de todos de forma efetivas diferentes tarefas que se desenvolve na escola e que constitui o modo de viver em comunidade. Para tanto se exigir uma transformação das praticas pedagógicas e sociais, assim como das diferenças e atribuições dos educadores.

A vida escolar ganha sua alma e atratividade pela ação acolhedora, conciliadora e estimulante do Supervisor Escolar.

Cabe ao Supervisor Escolar, juntamente com professores e demais membros do Núcleo Gestor, as atividades e o ensino consolidados sobre o conceito de formação do comportamento, que tem por objeto a preparação do aluno para seu autoconhecimento e autocompreensão, e o desenvolvimento de sua capacidade para o relacionamento interpessoal

CAPÍTULO IV

SUPERVISOR FRENTE ÀS NOVAS TECNOLOGIAS

O mundo vive uma mutua mudança de paradigma, desconforto de todos em busca de respostas diante de tantas mudanças, que se deve em grande parte ao avanço da tecnologia.

O que o professor ou o Supervisor Escolar tem a ver com isso? Muita coisa. Por quê? Pelo simples fato de que as pessoas com as quais eles lidam direta ou indiretamente, estão vivendo essa mudança e precisam do auxilio do professor e do supervisor para saber como aproveitar essa mudança. Os alunos, crianças e adolescentes, estão dentro desse mundo repleto de informações, novidades tecnológicas convivendo diariamente com isso, e os professores supervisores não podem excluir-se, mostrar-se descrentes ou amedrontados diante de tudo isso.

A busca de novas técnicas ou métodos que auxilia o aprendizado do aluno é algo constante na ação do supervisor, dessa forma o uso da tecnologia é algo que vem auxiliar essa ação. Professor e Supervisor devem caminhar juntos procurando conhecer todas as possibilidades oferecidas pela tecnologia que os auxiliem a desenvolver o ensino e uma aprendizagem em que a criatividade e a interação sejam as principais características.

O Supervisor Escolar na questão do uso adequado da tecnologia deve ser parceiro do professor no sentido de conhecer todos os recursos disponíveis, buscando a sua melhor utilização. Nada adianta fazer uso dessa tecnologia se isso não é feito da melhor maneira possível. As crianças, os adolescentes até podem apresentar, muitas vezes, um conhecimento bem adiantado de todas as ferramentas tecnológicas hoje existentes, mas o conhecimento não será útil se ele não for utilizado de maneira criativa pelo supervisor e professor que deve caminhar junto, procurando desenvolver todos os trabalhos envolvendo a tecnologia, a competência critica dos alunos.

O uso adequado da tecnologia no ambiente escolar requer cuidado e atenção por parte do professor para avaliar o que vai ser usado e reconhecido que pode ou não ser útil para facilitar a aprendizagem dos seus alunos tornando-os críticos, cooperativos, criativos. Alem disso, requer do Supervisor Escolar uma disposição para aceitar o novo, conhecê-lo se não profundamente, por parte, para ser capaz de julgá-los e procurar encaixá-lo sua pratica e na vida do professor da sua escola.

De essa forma concluir-se que o uso das novas tecnologias na educação, no ambiente escolar é algo que existe e deve ocorrer. No entanto, é algo que deve ser feito com cuidado para que a tecnologia (computador, internet, programas, CD-ROM, televisão, vídeo ou DVD) não se torne para o professor apenas mais uma maneira de “enfeitar” as suas aulas, mais sim uma maneira de desenvolver habilidades e competências que serão úteis para os alunos em qualquer situação de suas vidas. Os usos das tecnologias devem proporcionar dentro do ambiente escolar uma mudança de paradigmas, uma mudança que vise à aprendizagem e não o acumulo de informações.

4.1 O NOVO PERFIL DO SUPERVISOR ESCOLAR

O novo perfil do supervisor deve ser baseado em princípios, que representam um paradigma, e uma supervisão de personalidade, que é muito diferente do tradicional.

A atuação do supervisor dos tempos atuais deve ter na ação diária a presença constante dos quatros pilares da educação: aprender a conhecer aprender a fazer, aprender a viver e aprender a ser.

Uma supervisão capaz de criar diretrizes, que sejam facilitadoras do processo ensino aprendizagem bem como a busca de uma educação aberta ao novo, com os olhos voltados para o futuro, uma educação de qualidade, que se tornam necessárias devido a essas transformações. O ser humano deve ser educado não somente visando sua capacidade intelectual, mas o conjunto que forma e faz de cada individuo um ser complexo e maravilhoso.

O supervisor deve estar atento as relações pessoais e adotar uma postura de problematiza-dor docente assumindo com o grupo atitude de indagar, comparar, responder, opinar, duvidar, questionar, apreciar e desnudar situações de ensino.

Através da “Ação Interdisciplinar”, as atitudes surgem de forma a promover o diálogo, a reflexão e a comunicação entre o grupo, bem como o respeito pelos conhecimentos advindos do nosso senso comum de diferentes áreas, possibilitando a obtenção de novos saberes, assim como a reelaborarão e compreensão de conhecimentos anteriores, ou seja, assumir novos paradigmas necessários.

O Supervisor Escolar como mediador alem de desempenhar um papel teórico importante no projeto político pedagógico deve programar novos processos de aprendizado.

Existem muitas maneiras e oportunidades de contribuir para que as pessoas se desenvolvam em suas atividades escolares.

O Supervisor mediador deve buscar e ter a seguinte visão:

  • Acompanhar o professor no planejamento de atividades diárias, tomada de decisões, resoluções de problemas e revisão de conteúdos de forma interdisciplinar.
  • Instrumentalizar o professor na ação docente, avaliando os acertos e desacertos na pratica tendo como base referencial teórico, visando o replanejamento.
  • Realizar o levantamento de dificuldades encontrado no desenvolvimento da proposta metodológica da escola, refletindo e buscando alternativa para a superação das mesmas com o grupo.
  • Registrar sistematicamente a sua praxe na Supervisão Escolar, bem como o trabalho pedagógico desenvolvido, incentivando os diferentes registros como instrumento de reflexão, analise e construção do fazer pedagógico.
  • Incentivar o grupo de professores a buscar novas informações, atividades diversificadas e atualização na disciplina de atuação, aplicando os novos conhecimento e técnicas, visando um ensino contextualizando.

Esse novo estilo da Supervisão Escolar, comprometido com a construção do projeto político pedagógico, tem a marca da participação. Sendo mediador encaminha contribuindo com o grupo para atingir objetivos e resultados.

A figura do Supervisor Escolar que, apenas da às ordens e exige obediência esta ultrapassada. O moderno conceito Supervisão esta associado, ao Supervisor Escolar como gestor de qualidade, a capacidade de fazer acontecer, mobilizar, motivar, debater, transmitir informações, buscar o consenso e orientar funcionários.

Em suma, o Supervisor Escolar tem a sua disposição um amplo repertorio comportamental capaz de lhe oferecer flexibilidade e adaptabilidade e mudança. Mais do que isso: algumas ferramentas essências para uma Supervisão participativa.

4.2 A AÇÃO DO SUPERVISOR ESCOLAR NA PRESENÇA CONSTANTE NOS QUATRO PILARES DA EDUCAÇÃO

A educação ao longo de toda vida basea-se nos quatro pilares. O Supervisor Escolar,
portanto deve ter sua ação diária pautada nesses pilares. Aprender a conhecer aprender a fazer, aprender a ser e aprender a viver.

APRENDER A CONHECER

Aprender a conhecer, esse tipo de aprendizagem que visa não tanto à aquisição de um repertório de saberes codificados, mas antes os domínios dos próprios instrumentos podem ser considerados, simultaneamente, como um meio e uma finalidade da vida humana. Meio, porque se pretende que cada um aprenda a compreender o mundo que o rodeia, pelo menos na medida em que isso lhe é necessário para viver dignamente, para resolver as suas capacidades profissionais, para comunicar. Finalidade, porque seu fundamento é o prazer de compreender, de conhecer, de descobrir.

O aumento dos saberes, que permite compreender melhor o ambiente sobre os seus diversos aspectos, favorecem o despertar da curiosidade intelectual, estimula o sentido critico e permite compreender o real, mediante aquisição de autonomia na capacidade de discernir.

Aprender para conhecer supõe, antes de tudo, aprender a aprender, exercitando a atenção, a memória e o pensamento. Desde a infância, sobre tudo na sociedade dominada pela imagem televisiva, o jovem deve aprender a aprender prestar atenção as coisas e as pessoas.

O processo de aprendizagem do conhecimento nunca esta acabada e pode enriquecer-se com qualquer experiência. Nesse sentido, liga-se cada vez mais a experiência do trabalho à medida que esse se torna menos rotineiro. A educação primaria pode ser considerada bem sucedida, se conseguir as pessoas o impulso e as bases que façam com que continuem aprender ao longo de toda vida, no trabalho, mas também fora dele.

APRENDER A FAZER

Aprender a conhecer e aprender a fazer é, em larga medida, indissociáveis. Mas a segunda aprendizagem esta mais estreitamente ligada à questão da formação profissional: como ensinar o aluno a por os seus conhecimentos e, também, como adaptar a educação, ao trabalho futuro quando não se pode prever qual será sua evolução?

Exprime aquisição não somente de uma qualificação profissional, mas de competência que torne a pessoa apta a enfrentar variadas situações e trabalhar em equipe. Aprender a fazer envolve assim o âmbito das diferenças sociais e de trabalho.

Aprender a fazer não pode, pois, continuar a ter um significado simples de preparar alguém para uma tarefa material bem determinada, parta fazê-lo participar no fabrico de alguma coisa. Como conseqüência as aprendizagens devem evoluir e não podem mais ser consideradas como simples transmissão de pratica mais ou menos rotineira, embora essas continuem a ter um valor formativo que não é de desprezar.

APRENDER A SER

A educação deve contribuir para o desenvolvimento total da pessoa, espírito e corpo, inteligência, sensibilidade, sentido estético, responsabilidade pessoal, espiritualidade. Todo ser humano deve ser preparado, especialmente graças à educação que recebe na juventude, para elaborar pensamentos autônomos e críticos e para formular os seus próprios juízos de valor, de modo a poder decidir, por si mesmo, como agir nas diferentes circunstâncias da vida.

Mas do que preparar as crianças para uma dada sociedade, o problema será então fornecer-lhe constantemente forças e referencias intelectuais que lhes permitam compreender o mundo em que as rodeia, e comportarem-se nele como autores responsáveis e justos. Mas do que nunca a educação parece ter um papel essencial, conferir a todos os seres humanos a liberdade de pensamento, discernimento, sentimentos e imaginações que necessitam, para desenvolverem seus talentos e permanecerem, tanto quanto possível dono do seu próprio destino.

APRENDER A CONVIVER

Sem duvida, esta aprendizagem representa, hoje em dia, um dos maiores desafios da vida. O mundo atual é, muitas vezes, um mundo de violências que se opõem as esperanças postas por alguns no progresso da humanidade. A História humana sempre foi conflituosa, mas há elementos novos que se acentuem o perigo, especialmente, o potencial de autodestruição criado pela humanidade criada no século XX.

A idéia de não ensinar a não violência na escola, continua valendo, mesmo que apenas constitua um instrumento, entre outros, para lutar contra os preconceitos geradores de conflito.

A tarefa é árdua porque, muito naturalmente, os seres humanos têm tendências a supervalorizar as suas qualidades e as do grupo a que pertencem e alimentar preconceitos desfavoráveis aos outros.

A educação, portanto deve utilizar duas vias complementares. Num primeiro nível, a descoberta progressiva do outro. Num segundo nível, ao longo de toda vida, a participação em projetos comuns.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Conforme se procurou demonstrar neste estudo, a interdisciplinaridade pode ser vista como uma nova concepção do saber e do progresso de ensinar, ou seja, um novo princípio norteador da reorganização dos diversos objetos de estudo.

A interdisciplinaridade representa uma possibilidade de diálogo e interação entre as disciplinas. Uma atitude de abertura, onde todo o conhecimento é igualmente importante.

Conclui-se, portanto a interdisciplinaridade esta ao alcance da escola e constitui um motor de transformação, capaz de formar novos educadores a uma nova pedagogia.

Diante dessa inovação a educação, as reflexões feitas frente a estas questões que perpassam o processo educativo proporcionam aos professores e pedagogos, uma mudança em sua pratica, resultando na busca de alternativas para a concretização e o aprimoramento de sua formação.

Articular os conhecimentos teóricos, obtidos através da formação permanentes, com a prática pedagógica exercida pelos professores, possibilita que estes questionem e reelaborem suas praticas docentes. E na formação de educadores faz-se necessário que este busque participar de forma critica e compromissada com a educação.

Desta forma o novo perfil do Supervisor Escolar, teve ter ação diária dos quatro pilares. Nesse sentido, a educação é antes de tudo uma viagem interior, cujas etapas correspondem à maturação continua da personalidade.

Os tempos e as áreas da educação devem ser repensados, completar-se e interpenetrar-se de maneira a que cada pessoa, ao longo de toda a sua vida possa tirar o melhor partido de um ambiente educativo em constante ampliação.

Essa perspectiva deve, no futuro, bem próximo, inspirar e orientar as reformas educativas, a uma nova proposta pedagógica.

Reestruturar e atualizar os métodos educacionais empregados nas escolas brasileiras é um desafio para os profissionais envolvidos com a educação.

BIBLIOGRAFIA

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LÜCK, Heloisa. Pedagogia Interdisciplinar: Fundamentos Teóricos – Metodológicos. 4ª Ed. Petrópolis: Vozes, 1998.

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Os Quatro Pilares da Educação. Disponível em: <http:// educalara.vilabol.wol.com.br/pilares.

Perspectiva de Revistas do Centro de Ciências da Educação

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O artigo do professor de Mestrado em Ciências da Linguagem da universidade do Sul de Santa Catarina UNISUL, Adair Bonini, aborda as metodologias do ensino de produção textual numa perspectiva da enunciação e versa também a respeito do papel da Psicolingüística.

Na introdução, o autor diz que os estudos teóricos sobre o ensino de produção textual apesar de bastante demarcados vêm desencadeando discussões bem diversas e complexas. Isso se deve às mudanças históricas na prática educacional e também aos avanços da discussão acadêmica.

Para o ensino de produção textual há, atualmente, duas consolidadas vertentes: a interacionista e a enunciativista. A primeira versa que a produção textual como uma reprodução de um corpo de tradições de uma comunidade. A segunda já a entende como trabalho e exercício de subjetividade na linguagem. Esta, no entanto, é a que tem tido maior aceitação entre os professores e como diretriz de documentos oficiais, como os PCN (Parâmetros Curriculares Nacionais).

Na primeira parte do artigo o autor procura delinear resumidamente o quadro atual do ensino de produção textual nas escolas. No primeiro quadro aponta 13 problemas de redação levantados por Pécora (1981) e exemplos de Faraco e Tezza (1992).

Conclui-se, assim, que esses problemas não são decorrentes de uma impotência didática para cada aluno, mas da falta de uma concepção de linguagem que dê a eles consciência da importância da escrita e significado a ela. Não faz para o aluno sentido algum escrever sem saber para quem ou para o quê ele está escrevendo, ou seja, não consegue visualizar o interlocutor.

Uma nova perspectiva surge- a Pragmática- no ensino de língua materna. Ela consiste em entender a linguagem como um meio em que o homem existe e age e em considerar o texto (enunciado) como unidade básica do ensino (deslocando a frase, e sua gramática, para segundo plano).

Porém, essa mudança não aconteceu de fato e ainda demorará muito a acontecer, porque geralmente os alunos chegam ao Vestibular com os mesmos problemas de redação. O ensino, por sua vez, continua o mesmo: prescritivista e centrado em regras e em explicações de senso comum.

Dois fatores são primordiais para a permanência desses problemas: a má formação dos professores e a adoção do livro didático, como guia de conduta.

É importante salientar também que tudo isso advém muitas vezes do medo que alguns professores têm da mudança brusca, que pode “chocar” tanto os dirigentes da escola quanto os alunos e os pais. Os métodos são conhecidos por muitos, mas, no entanto, adotados por muito poucos.

Desde os anos 60, os estudos lingüísticos vêm se tornando altamente complexos e três concepções são centrais – a normativista, a texto-instrumental e a interacional. Elas estão sendo utilizadas no ensino atual. Na década de 60, a teoria tradicional, baseada na gramática em si, era a usual. Dela partiu o método retórico-lógico.

Já na de 70, iniciou-se uma tentativa de firmar o estruturalismo, mais especificamente a teoria da comunicação, enfatizando os exercícios estruturais e a noção de criatividade. Novos mecanismos de estruturação de textos, como a coesão e a coerência, são veiculados. E duas linhas metodológicas são instituídas: a textual-comunicativa e a textual-psicolingüística.

No final dos anos 80, no entanto, a metodologia interacionista inicia sua sedimentação. As duas correntes que convergem para um método interacionista são: a sócio-retórica e a enunciativista. As duas finalizam o trabalho com o texto e com a variedade dos gêneros textuais discursivos, embora se distingam quanto à concepção que têm sobre a linguagem.

A partir dessas menções dos nomes das novas metodologias que foram surgindo nessas últimas 4 décadas, o autor passa, então, a fazer um exame mais detalhado delas tendo como respaldo para isso manuais de redação e textos acadêmicos publicados durante essa época.

O primeiro a ser abordado é o método retórico-lógico, no qual suas bases filosóficas estão plantadas na gramática tradicional e entende a produção textual como um substrato direto do raciocínio. Através do quadro explicativo com objetivo central, etapas e técnicas acessórias, percebe-se que a produção de texto se torna somente um treino de estruturas formais e não com um propósito comunicativo. Ainda é muito utilizada na prática docente atual, só enleada a outras teorias.

O método textual-comunicativo é o segundo a ser elucidado e também apresenta quadro demonstrativo com os mesmos itens. Os fundamentos didáticos são similares ao primeiro, só mudando a filosofia. O produtor de textos não é visualizado como assimilador de regras, mas como alguém que precisa desenvolver uma capacidade textual. O dom não é mais elemento central, embora o texto literário ainda seja o modelo ideal. Surge, no entanto, uma abertura para outros gêneros literários, além dos três básicos e um querer despertar no aluno a consciência de seu papel comunicador.

O método textual-psicolingüístico caracteriza-se por apresentar a escritura em relação à leitura, já que são vistos como processos psicolingüísticos complementares. O objetivo central dele é desenvolver capacidades relativas à escritura, mediante o modelo que apresenta uma amostragem passo a passo do processo. Um caráter muito positivo desse método é o avaliativo processual, no qual a avaliação passa a ser gradativa e não mais com base em julgamento de certo ou errado.

Há, pois, uma diferenciação entre o ensino baseado no produto e o ensino baseado no processo. O primeiro é prescritivo, já o segundo é textual-psicolingüístico.

Alguns lingüistas e estudiosos crêem que a Psicolingüística é a base das outras teorias. No entanto, esta não é a visão adotada nos PCN, que acreditam serem todos os processos complementares.

A grande questão é responder qual o papel da Psicolingüística no ensino. Ela não tem por finalidade ensinar a ler e a escrever, mas sim desvendar o processo de interação e recepção.

O método interacionista está centrado na interação do aluno com um ambiente instaurado para que a produção de texto se constitua como uma verdadeira produção de sentido, mediante a execução da linguagem.

No quadro cinco, têm-se os componentes deste método. As etapas centrais são os estabelecimentos de uma situação autêntica de interação e, por parte do aluno, a execução da ação de linguagem e a avaliação dos feedbacks do interlocutor direto do texto e do professor, que assume uma posição de auxiliador. O trabalho de avaliação pelo professor faz-se mediante observação dos avanços demonstrados na produção do aluno.

Sem destorcer a perspectiva enunciativista, o professor pode entender certos aspectos do ensino de produção textual como uma espécie de terapia de linguagem, onde sua intervenção proporcionará ao aluno momentos de reflexão, de revisão de suas formas de interação, de recomposição e de desenvolvimento de suas condutas. E o aluno deve ser entendido como construtor de linguagem que passa a olhar para seu papel na interação.

Nos trabalhos sobre ensino de produção textual, pode-se detectar, entre os estudiosos, três posições específicas quanto a técnicas de ensino: a) aprendizado como exercício de descoberta conduzida pela própria prática; b) aprendizado mediante o desenvolvimento de processos e aprendizado mediante o desenvolvimento de exercícios de fixação.

A tentativa, por parte do professor, de construir a virada pragmática no seu ensino de produção textual e de u modo geral no ensino do português, contudo, embora bastante praticável, constitui-se um exercício complexo que exige uma postura de pesquisador.

Muitas dificuldades são postas ao professor: insuficiência nas descrições dos gêneros, as exigências da cultura escolar (o aluno cobra muito do professor de forma prescritivista), a artificialidade do ambiente de ensino, os problemas estruturais da escola (alta carga horária, poucos recursos financeiros de alunos e mestres, deficiência na infra-estrutura da escola, etc.) E não só esses problemas, mas outros de caráter mais pessoal, em que o professor terá de utilizar bom senso para resolver as questões práticas de metodologia do seu ensino.

Leitura como Processo Cognitivo Complexo

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A autora do artigo, Nize Maria Campos Pellanda, inicia-o com uma epígrafe: trecho de Ítalo Calvino. Depois, segue-se a nota introdutória na qual afirma ter sido aquela leitura de Calvino a causadora daquele artigo. A epígrafe explana sobre o caráter multifacetado e pluralístico da literatura. Diferentemente dos outros campos da atividade humana que podem ser reprovados se apresentar uma excessiva ambição de propósitos.

Assim, os modelos que ela retirou do texto serviram como conjeturas para a construção do seu artigo. Um desses pressupostos é o da realidade vista como um sistema dinâmico e complexo; a ciência deixa, pausadamente, de ser generalizada e vai primando pela atenção à particularidade e subsidia a construção inventiva da realidade e do conhecimento.

O primeiro pressuposto que aborda e que considera o principal é de que não há limites epistêmicos e ontológicos para o ser humano. Ou seja, por excelência o ser humano é um ser construtor e que apresenta um auto-diferencial.

Essas idéias, por sua vez, são contrárias às de Kant, que declarava haver limites ao processo cognitivo, e ao inatismo platônico. Alguns pressupostos colocam em dúvida a existência de um mundo acabado e prático a ser representados dentro de nós.

Na verdade, o ser humano vai desenvolvendo a sua cognição à medida que vai atuando/ interagindo com o meio. A partir daí que suas potencialidades começam a emergir e a crescer. Diante dessas relações emaranhadas e energias vemos, claramente, que a realidade e o conhecimento não são processos fragmentados e simplificados, mas sim que estão ligados ao paradigma (modelo) da complexidade.

Há uma desconfiança com relação à existência de uma ciência universal sem vislumbrar as questões complexas da interação, que inclui as subjetividades individuais. A evolução deixa de ser vista, segundo Maturana e Varela, como um processo conduzido pelo princípio da sobrevivência do mais competente, hábil; para ser um processo determinado pela produção de diferença, por uma “evolução criadora”.

A intenção do texto, então, é pensar a cognição numa perspectiva da complexidade, disjunta da lógica formal e governada por processos de autonomia e interação. A leitura, nada mais é que um dispositivo de cognição, mobilizador da capacidade inventiva e autônoma do ser. Sendo, logo, um dispositivo perturbador.

O tema obedece a uma perspectiva autopoiética, na qual não existe realidade externa objetiva, independente do sujeito cognitivo, pensante. A vida e, analogamente, o conhecimento é um processo cognitivo. Os seres vivos se constituem como sistemas fechados, isto é, autônomos e auto-referentes. Por isso, Humberto Maturana e Francisco Varela (biólogos chilenos que desenvolveram a Biologia da Cognição) inventaram o termo autopoesis (do grego, auto= por si mesmo; poesis=produção).

É, portanto, um sistema fechado no qual os seres estão em ininterrupta produção de si mesmos. Depende das interações com o meio, mas este não a determina. No entanto, desencadeia mudanças interiores. Estas, por sua vez, ocasionam atividades cognitivas criadoras das configurações do viver. É, pois, uma teoria biológica e da cognição de forma intrínseca.

Há também a conceituação de “acoplamento estrutural”, que seria uma amarração, conexão dos seres vivos com o meio. E é por meio dessa vinculação que se originam as configurações dinâmicas do sujeito e do meio. Um exemplo de acoplamento é a linguagem. Ela é um modo de acoplamento social humano à medida que modifica as condutas do ser, possibilitando uma conscientização, uma reflexão, uma análise, como a que estou fazendo agora sobre o texto em questão, por exemplo. Eu o li, o interpretei, o estou fazendo um resumo dele a partir dos subsídios que ele me deu e dos conhecimentos que eu já possuía ou vim a possuir com a leitura.

Por isso, a leitura entendida numa perspectiva autopoiética é baseada numa relação leitor-texto. O texto não é algo objetivo, ele se compõe em cada leitor durante a leitura. Ou seja, cada um o interpreta a sua maneira. No entanto, é um instrumento que aumenta em todas as pessoas as sinapses cerebrais, transforma o ser e aperfeiçoa suas capacidades e visões/ relações do mundo.

A Teoria da Biologia da Cognição não surgiu aleatoriamente. Ela é um desdobramento da cibernética (ciência dos anos 40 e 50 do século passado). Foi nessa época que um grupo de cientistas se reuniu em Nova Iorque em dez sessões (Macy Conferences) para discutirem as novas teorias científicas no que concernia ao princípio da auto-organização. Uma dessas foi a da Biocibernética de Heinz Von Foester. Este cientista da cibernética foi quem possibilitou os estudos dos biólogos chilenos e que fez com que eles compreendessem os seres humanos como sistemas auto-organizados.

A grande contribuição da cibernética não foi à invenção do computador, mas sim a nova conceituação e visão de realidade e conhecimento. Já que sujeito e objeto passam a fazer parte da mesma realidade, ou seja, coexistem. E não só os seres, mas também a natureza e as coisas. Tudo num mesmo plano.

Assim, não é possível conceber leitura e cognição como algo que não esteja ligado a esses elementos externos. No entanto, esses elementos aparentemente “externos” estão dentro de nós, assim como toda e qualquer informação. Na Biologia do Conhecer a cognição está vinculada à vivência, à ação e à corporificação. Conhecer é, pois, sempre uma experiência vivida, encarnada, corporificada e ressignificada nos termos subjetivos de cada um em seu processo de viver.

Deleuze diz, ao lembrar Foucault, que a linguagem “é um sistema longe do equilíbrio”. Isso é evidenciado quando concebemos a leitura como mecanismo cognitivo e virtual; sujeito a diferentes interpretações e perturbações, instrumento instável, inacabado e subjetivo. Se não fosse assim não poderia ser um instrumento formador de opinião e subjetivação nos seres.

Ilya Prigogine utilizou a declaração “sistema longe do equilíbrio” na sua Teoria da Estruturas Dissipativas, que se fundamenta na contraposição dos sistemas vivos com os sistemas em equilíbrio.

É o que acontece quando lemos um texto, pois estabelecemos com ele um acoplamento estrutural, já que ele é um instrumento complexo de adaptação à realidade. Esse ato de acoplamento estrutural desestabiliza o sistema, originando novas reconfigurações do texto e do leitor a partir da leitura.

Isso remete ao que elucidamos anteriormente com o conceito de virtualização oferecido pela cibernética. Não há elementos pré-dados, mas sim um devir permanente dos seres humanos. Logo, são idéias de virtualidades que se atualizam com o ato humano. É por isso que todo conhecimento é um autoconhecimento.

A autora, Nize Maria, elucida ainda alguns mecanismos cognitivos para a temática da leitura como cognição:

a) movimento de apropriação (mecanismo que faz o leitor dividir as palavras ou frases dos enunciados para deles extrair sentenças e apropriar-se dos significados);

b) movimento de interação (a partir do momento que eu leio um texto eu ressignifico o meu viver, pois ocorre uma interação entre mim, o texto e o autor);

c) movimento de experimentação (conhecer é experimentar, e é isso que devemos fazer com um texto; nunca devemos tentar interpretá-lo simplesmente, pois a relação com o texto se dá pelo nosso próprio devir);

d) movimento de virtualização/ atualização (a leitura dispara em mim o que antes era virtual configurando uma atualização de mim mesmo, vislumbrado pela característica circulatória entre virtualização e atualização”;

e) movimento das emoções (um texto pode ter a função de provocar emoções que disparam as disposições cognitivas);

f) movimento de invenção (nunca representamos o texto escrito por outrem dentro de nós, nós o reinventamos com nossos próprios termos);

g) movimento da produção de diferença (conhecer é produzir diferença, o texto possibilita tornamo-lo outro) e

h) movimento da imaginação (a imaginação é instrumento cognitivo fundamental, sendo hoje redenominada “simulação”).

Por fim, a autora reitera em “O fim é ali de onde partimos” (T. S. Eliot) os conceitos de virtualidade, de cognição, de acoplamento estrutural, de conhecimento, de autopoesis citando Flores e Winograd, Calvino, Maturana e Nietzsche. A partir dessas repetições, ela correlaciona essas reflexões para a Educação quando fala que a cultura escolar faz o ato da leitura não ter articulação profunda com a vida. E nos deixa uma pergunta no ar ao indagar de que maneira podemos articular as novas descobertas científicas no nosso dia-a-dia. Só que no parágrafo seguinte ela própria responde a sua indagação com citações de Maturana e Rosenblatt.

Maturana ao dizer que educar é “criar espaços de convivência”. A partir desses espaços, o ser humano interage com os outros e mobiliza-se devido às perturbações causadas por estas interações. Um espaço para diferença de o ser humano tornar-se si “mesmo”. Já Rosenblatt versa sobre uma pedagogia nova, que chama transacional. Um ambiente propício à estimulação de insights relativos a transações com textos.

Numa circularidade, finaliza o artigo colocando a questão do infinito e citando Lévy ao concordar com este de que a leitura é uma tecnologia intelectual. Já que ela pode atualizar/ virtualizar um texto e concomitantemente a isso também podemos fazer o mesmo com nossas vidas numa espiral infinita.