DISTONIA

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A Distonia é uma modificação do tono muscular que determina assimetrias de posição do corpo consecutiva a lesões de natureza variada (inflamatórias, tumoriais, degenerativas, etc…) em regiões do sistema nervoso central que comandam a regulação harmoniosa desse mesmo tono muscular nas várias regiões corporais.

As causa mais frequentes de distonia são o parkinsonismo pós-encefalítico e a doença de Wilson (determinada pela degenerescência do núcleo lenticular e do tálamo) que se repercute progressivamente em todas as regiões musculares do corpo (de cima para baixo).

Por outro lado, com o termo de distonia neurovegetativa indica-se um quadro sintomatológico variado, eventualmente complexo ou até mesmo dramático, que tem por causa o mau e desarmonioso funcionamento de uma parte do nosso sistema nervoso: o sistema neurovegetativo.

São três os sectores mais atingidos pela distonia: o aparelho cardiovascular, o digestivo e o genital-urinário – são, por isso, chamados de órgãos-alvo. São também os mais directamente atingidos, no seu funcionamento automático, pelo sistema neurovegetativo.

Os sintomas mais vulgares de uma distopia neurovegetativa são sensações de palpitações, dores pré-cordiais leves ou mesmo intensas surgindo muitas vezes depois de emoções, rubor fácil ou, pelo contrário, palidez do rosto, sudação (em particular das palmas das mãos), desequilíbrios da pressão arterial (com consequentes vertigens), zumbidos auriculares, distúrbios visuais, sensação de falta de ar e de constrição torácica, dores abdominais difusas, por vezes com crises diarreicas, outras vezes com obstipação, falta de apetite, vómito matinal fácil, etc…

A terapêutica faz-se com sedativos, fármacos que reequilibram o sistema neurovegetativo como a ergotamina e os preparados vagolíticos de acção atropínica, reconstituintes gerais e do sistema nervoso.

Mais importante é o tratamento das causas, na maiorias das ocasiões psíquicas. Pode, para tal efeito, ser útil a psicoterapia nos casos rebeldes. É, todavia, suficiente, na maior parte dos casos, uma mudança de hábitos, um maior repouso físico e intelectual, devendo evitar-se situações de vida psicologicamente mal suportadas.

DISPEPSIA

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A Dispepsia é uma perturbação funcional do aparelho digestivo (não ligada a alterações anatómicas) capaz de provocar uma sintomatologia subjectiva, muitas vezes dolorosa, em relação com as refeições.

Fundamentalmente, podem distinguir-se três formas de dispepsia:

Dispepsia do lactente, que se instaura em relação com uma introdução de quantidade excessiva de leite (absoluta ou relativa, consoante as condições do latente) ou de leite com associação excessiva de hidratos de carbono
Dispepsia gástrica do adulto, muitas vezes em relação com um temperamento neurótico
Dispepsias intestinais, quer do adulto, quer do latente (neste último representam habitualmente o resultado de uma forma aguda acompanhada por vómito, diarreia, febre, etc), que podem ser fundamentalmente de dois tipos, consoante prevaleçam os fenómenos fermentativos dos carbo-hidratos (dispepsia fermentativa) ou os fenómenos putrefactivos das proteínas (dispepsia putrefactiva).

DIARRÉIA

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A diarreia corresponde a um aumento da frequência das dejecções com eliminação de fezes líquidas ou pastosas em quantidade superior ao normal.

Para a provocar, concorrem fundamentalmente três factores que são responsáveis, ora um, ora outro, outra vezes em conjunto, pelo aumento das dejecções:

    • hipermotilidade intestinal, em particular do cólon;
    • aumento da secreção dos sucos intestinais;
    diminuição da absorção dos alimentos pela mucosa do intestino.

As diarreias podem distinguir-se em funcionais e sintomáticas: as primeiras são devidas a um peristaltismo intestinal alterado, as segundas são causadas por alterações da parede intestinal propriamente dita.

As formas funcionais podem derivar de desiquilíbrios neurovegetativos ou de estimulações reflexas por afecções extra-intestinais. São muitas as doenças entéricas que se apresentam como sintoma de diarreia – colites, cólera, disenterias bacterianas, por exemplo.

É também importante fazer uma distinção entre as formas agudas e as formas crónicas, que necessitam ambas, nos casos graves, de uma terapêutica reidratante para suprir as vultosas perdas de sais minerais.

Quando se suspeitar de qualquer doença de uma doença certa importância, o exame das fezes pode ser de valioso auxílio para determinar a proveniência (com sede intestinal) da lesão e a sua natureza.

DESIDRATAÇÃO

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A desidratação é um grave estado patológico, caracterizado pelo empobrecimento do património hídrico do organismo.

A desidratação pode ser provocada pela diminuição da entrada de água no organismo (sede), ou por excessivas perdas hídricas, não substituídas a tempo (diarreias profusas, como na cólera, vómitos incoercíveis, sudurese abundante, etc…).

Podem-se observar, conforme a maneira como surgiram e as causas, numerosos tipos de desidratação (ver abaixo). A sintomatologia consiste em alterações metabólicas graves de todos os órgãos que têm pouca água e especialmente no sistema nervoso, muito sensível à desidratação (estado confusional, delírio, carências motoras e sensitivas, insuficiência bulbar). O tratamento consiste em substituir, por via endovenosa, as perdas de água e sais carentes.

Tipos de Desidratação:

    • Desidratação Isotónica
    • Desidratação Hipotónica
    Desidratação Hipertónica

Desidratação Isotónica
Tipo mais comum de desidratação, tem como sintomatologia a diarreia e os vómitos. É caracterizada por perdas proporcionais de água e electrólitos.
Desidratação Hipotónica
É a forma mais grave de desidratação. Caracteriza-se por uma perda de electrólitos superior à de água. Tem como principais causas, por exemplo, a diarreia e os vómitos de crianças com subnutrição grave.
Desidratação Hipertónica
Outro tipo de desidratação grave, dá-se quando a perda de água é maior que a de electrólitos.

DENGUE

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A dengue é uma doença tropical, epidémica, transmitida por algumas espécies de mosquitos e devida a um vírus filtrável.

Manifesta-se repentinamente com febre elevada, cefaleia frontal e orbital, congestão do rosto, náusea, vómito, prostração.

As fortes dores nos membros inferiores e no dorso fazem com que o doente assuma uma posição rígida. A febre diminui após 3 a 4 dias, mas depois recomeça, passadas 12 a 24 horas, acompanhada de erupção cutânea difusa semelhante à do sarampo e de dores musculares e articulares intensas.

O prognóstico é habitualmente bom. A terapêutica é sintomática e vale-se dos anti-reumáticos comuns. A profilaxia faz-se pela protecção das picadas dos mosquitos, por meio de mosquiteiros e recorrendo a vários insecticidas.

DOENÇA DE CUSHING

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A Doença de Cushing é um síndroma clinico provocado por uma hiperfunção primitiva ou secundária do cortex supra-renal, com maior frequência nas mulheres jovens.

A doença é provocada por um aumento da produção de hormonas esteróides pelo cortex supra-renal. Pode ser primitiva, ou seja, devida a doenças que atingem exclusivamente a própria glândula supra-renal (tumor ou huperplasia difusa), ou secundária, e, neste caso, consequente a uma hiperfunção de hipófise (por tumor ou hiperplasia), que actua através do estímulo da produção de hormonas esteróides pelo córtex supra-renal.

A sintomatologia da doença de cushing, ligada à perturbação hormonal, é característica e bem evidente, a ponto de fazer suspeitar imediatamente do diagnóstico exacto, que será depois confirmado pelas análises de laboratório.

Um dos primeiros sinais é uma obesidade particular, com distribuição do tecido adiposo especialmente no rosto (face em lua-cheia), no tronco e no abdómen, enquanto permanecem normais os membros que, por contraste, parecem até mais magros do que o normal.

Aparecem estrias cutâneas de cor vermelho-azulada, localizadas sobretudo nos flancos, no abdómen e nas coxas. É frequente o hirsutismo, muitas vezes acompanhado por impotência no homem e amenorreia na mulher.

É constante a osteoporose, mais acentuada nos ossos do crânio e da coluna vertebral e um aumento permanente da pressão arterial resistente aos tratamentos habituais, com retenção de sódio e água no organismo, pelo que surgem edemas, ou seja, maior acumulação de água nos tecidos. Os exames de laboratório mostram, além disso, numerosas modificações do sangue e da urina.

A terapêutica desta doença grave é essencialmente cirúrgica: consiste na extirpação da supra-renal atingida por tumor ou por hiperplasia.

CONJUNTIVITE

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Uma Conjuntivite é um processo inflamatório da conjuntiva que pode ter origem traumática (presença den corpo estranho no olho, golpe de vento) ou infecciosa, por acção local de bactérias. Consoante a sintomatologia e as características objectivas que apresenta, distinguem-se vários tipos:

– conjuntivite catarral aguda – variedade mais frequente. Pode ser provocada por causas físicas e infecciosas. Em regra é bilateral. As conjuntivas aparecem avermelhadas e cobertas de secreções mucosas e mucopurulentas, as pálpebras estão inchadas e o paciente queixa-se de fotofobia.

A terapêutica desta forma de conjuntivite consiste na aplicação local de pomadas antibióticas e colírios, acompanhada de lavagens frequentes com soluções de ácido bórico.

Se a conjuntivite catarral aguda não for bem tratada pode facilmente reincidir ou passar à forma crónica, que se manifesta por rubor da conjuntiva e ardor constante.

– conjuntivite das piscinas – atinge os frequentadores de piscinas públicas. Cura-se sem complicações.

– conjuntivite purulenta – em geral de origem blenorrágica, é caracterizada peça presença de um exsudado francamente purulento.

Existem outras variedades de conjuntivite, que tomam o nome do agente etiológico que as causa ou do aspecto que a lesão apresenta: diftérica, tracomatosa, sifilítica, folicular, etc. Nestas situações, a terapêutica consiste essencialmente em tratar a causa que as provocou.

Formas sistemáticas de conjuntivite são as que habitualmente se associam a todas as doenças exantemáticas (sarampo, escarlatina, varicela, rubéola, etc…).

COLITE

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A Colite é um processo inflamatório agudo ou crónico da mucosa do cólon.

As formas agudas e quase todas as crónicas raramente se limitam a este segmento do intestino, associando-se habitualmente a um processo inflamatório análogo do intestino delgado.

As colites podem dividir-se em dois tipos:

específicas – de etiologia bacteriana, parasitária, tóxica exógena ou endógena, tuberculosa, sifilítica ou sintomática;
inespecíficas – de causa mal definida (erros dietéticos, insuficiências digestivas, carências vitamínicas, uso de fármacos irritantes para a mucosa intestinal, etc…).

Certas colites crónicas constituem, por si próprias, entidades anátomo-clínicas com etiologia múltipla e complexa: classificam-se em primitivas, quando surgem primariamente sem uma causa geral determinante, e secundárias, sequelas de determinadas infecções.

Os sintomas são, essencialmente, a dor e as alterações do trânsito intestinal, acompanhados de sintomas gerais como febrícula, insónia ou depressão, cefaleia ou falta de apetite.

A dor assume ora o carácter de cãibra, ora o de tensão dolorosa abdominal difusa, e por vezes o de cólica com emissão de fezes semilíquidas ou líquidas.

Como já se referiu, são constantes as alterações do trânsito intestinal: períodos de diarreia, alterados com períodos de obstipação rebelde: as fezes raramente são sólidas.

CÓLERA

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A Cólera é uma doença infecciosa exótica caracterizada no Homem por uma gastrenterite aguda que atinge particularmente o intestino delgado. Predomina endemicamente nos países do Médio e Extremo Oriente. A doença é provocada pelo vibrião colérico, um bacilo que, pela sua capacidade antigénica, pode ser dividido em três tipos (Inaba, Ogawa, Hikojma).

A miséria, os aglomerados populacionais, a promiscuidade , o baixo nível de higiene sanitária, as guerras, as carestias, as calamidades, são todos factores predisponentes para o aparecimento da cólera.

A doença propaga-se por contágio. A transmissão pode ser feita através das fezes, ou pela introdução de dedos infectados na boca, ou ingerindo alimentos e bebidas contaminados, ou ainda por intermédio de moscas, que podem ser vectores que transportam o vibrião de fezes contaminadas para os alimentos ou para a boca.

As primeiras manifestações da cólera começam poucas horas depois da infecção (12 a 48 horas), com diarreia súbita, aquosa, sem dor, que nos dias seguintes pode atingir os 6 a 7 litros por dia. Nas fezes aparecem numerosos flocos brancos mucosos que têm o aspecto de grãos de arroz compostos por proteínas que testemunham o comprometimento epitelial.

A doença completa o seu curso em 2 a 7 dias, consoante a gravidade, condicionada pelo choque hipovolémico, acidose descompensada e anemia; a morte do doente acontece com frequência se não se intervém adequadamente com uma terapêutica correcta e meticulosa.

O diagnóstico é bastante fácil nas zonas epidémicas, enquanto nos casos isolados tem de ser valorizado pela cultura das fezes. A terapêutica adequada visa restabelecer as perdas intestinais por via endovenosa, re-hidratando inicialmente e mantendo a hidratação com soluções salinas e lactato de sódio. Além disso, é necessário o uso de antibióticos.

CELULITE

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Celulite é o termo com o qual se denominam diversas afecções, todas, porém, localizadas no tecido conjuntivo célulo-adiposo, abundante no tecido celular subcutâneo.

Uma variante é do âmbito da medicina e da cirurgia, enquanto a outra diz respeito à estética e à cosmetologia. A celulite médico-cirúrgica é um processo inflamatório do tecido conjuntivo célulo-adiposo, provocado por germes provenientes de focos purulentos contíguos (abcesso dentário, celulite da bochecha, abcessos intra-abdominais, celulite da parede abdominal, etc…). A sintomatologia consiste em edema, dor e rubor da zona atingida. O tratamento baseia-se na ministração de antibióticos e sulfamidas, que actuam sobre os focos de infecção.

A outra variedade com o mesmo nome mas com características diferentes diz respeito a uma alteração estético-funcional de regiões com grandes depósitos adiposos. Existem infiltrações de gordura sob a pele (que provocam obstáculo à circulação linfática), conferindo-lhe um aspecto característico.

Esta alteração aparece em muitas mulheres depois dos 18-20 anos. A região mais atingida é a posterior da coxa que, nos primeiros estádios, se apresenta com sulcos e depressões transversais proporcionalmente à adiposidade e à idade do indivíduo.

Massagens enérgicas repetidas, racionais, e intensa ginástica dos membros inferiores (por exemplo, numa bicicleta fixa), feitos com regularidade, podem eliminar a celulite ou impedir o seu agravamento. Nos casos mais graves, pode ser necessário recorrer a intervenções de cirurgia plástica.