Delimitações Conceituais e Realidades Históricas

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Autor: Tássia Medeiros

O Fenômeno Urbano: Delimitações Conceituais e Realidades Históricas

Recife 2002

Mais uma vez o texto fala sobre o termo urbanização, e podemos distingue-lo de duas formas diferentes: primeiro como uma de concentração populacional delimitada por dimensão e densidade, e depois como uma diferenciação do sistema de valores, atitudes e comportamentos da sociedade, a “cultura urbana”.

É lembrada novamente a equivalência da urbanização e da industrialização, que além crescer em conjunto, criou as novas dicotomias discutíveis: rural/urbano e emprego agrícola/emprego industrial. O autor recusa-se a utilizar o termo “cidade” ao falar de formas de povoamento, mostrando assim seu ponto de vista sobre a problemática “urbana” e a organização social. Ligar forma espacial e conteúdo cultural não é a forma mais precisa para definir urbanização, pois este processo vai muito, além disso.

Na teoria a forma de definir urbano não passa de uma relação entre aglomerado e sua densidade, mas na pratica as coisas não são tão simples, pois não dá para determinar uma resposta X para essa relação, sem lembrar os níveis de desigualdade social. Muitas outras formas para definir o espaço urbano são existentes, mas apenas as mais maleáveis, entre elas a que consiste em classificar as unidades espaciais dos paises tomando por base a dimensão, a densidade e sua hierarquia funcional. Desse ponto de vista a dicotomia rural/urbano perde seu significado.

Os primeiros aglomerados urbanos mostram que cada cidade é um lugar geográfico com uma determinada estrutura político-administrativa desenvolvida para aquele local, e para o nível de desenvolvimento daquele povo. Onde cada cidade tem seu comercio, seu governo, seus habitantes e está completamente desligada das outras cidades vizinhas. Mostrando que o urbano está sempre articulado à sociedade. Mais tarde a idéia de cidade muda, e mesmo tendo características das antigas civilizações sua ligação está maior, seu território é maior e existe apenas um governo mandando em todas cidades conquistadas por ele, são os chamados Impérios.

Na Idade Média as cidades crescem com ajuda dos laços estabelecidos entre a burguesia e a nobreza, estando estas no comando. Onde as classses conseguiam dialogar, as terras em volta dos feudos cresceram de forma complementar, mas onde esse dialogo não existia o espaço urbano ficava isolado dos feudos. Ainda pode-se questionar as relações entre burguesia-nobreza-realeza.

Nem mesmo o crescimento industrial dos paises chegou a influenciar o crescimento das cidades, na realidade este crescimento até mesmo atrapalhou e quase causou o desaparecimento desta enquanto forma institucional e social autônoma.A ligação existente entre urbanização e Primeira Guerra Mundial está apenas no se relaciona também com o tipo de produção capitalista, que acabou com a sociedade agrária e forçou a emigração para os centros urbanos já existentes.

A relação entre industria e cidade, está cada dia mais igualitária, onde os dois dependem igualmente de seus frutos, a cidade necessita das ofertas de emprego, e a industria da matéria-prima e dos meios de transporte.

Atualmente o problema que gira em torno da urbanização está ligado a certos dados:

Os níveis de aceleração do ritmo do crescimento da urbanização;
A localização inapropriada de níveis altos de concentração nas regiões subdesenvolvidas;
As novas formas urbanas;
A relação entre o fenômeno urbano e os modos de produção.
Teoricamente estes problemas podem sem descritos com base em estudos históricos, essa é uma questão extremamente delicada que o autor tentou postular da seguinte forma:

Urbanização pode designar a concentração das atividades das populações num espaço restrito, ou a difusão de um sistema cultural especifico.
O urbano pertence a dicotomia ideológica sociedade tradicional/ sociedade moderna, e refere-se a diferença social e funcional da sociedade moderna.
A partir deste momento o autor passa a não falar mais em urbanização, trocando o termo por produção social das formais espaciais.
Ao analisar a urbanização não se pode esquecer do desenvolvimento, que tem como função ideológica apresentar as transformações estruturais, seus recursos técnicos e materiais da sociedade.
Relação investimento/ consumo, ligada a noção de desenvolvimento.
Conceito de dependência: relações assimétricas onde as formações sociais só possuem lógica dentro de um sistema geral.

A formação das regiões metropolitanas nas sociedades industriais capitalistas

Não há como descordar da importância do progresso tecnológico para a formação da metrópole, mas não se pode também anular o papel da comunicação e dos meios de transporte. Pois juntamente com a força de trabalho e a propriedade do capital, a tecnologia cria a chamada relação das forças produtivas.

Para tentar controlar os problemas existentes no conjunto social, o poder político, que utilizando uma espécie de “planificação urbana” cresce, divide em unidades especiais significativas, estando elas interligadas e sendo paralelamente interdependentes dentro do sistema produtivo. A questão da hierarquização das classes, que acaba definindo novas formas de “status” e diferenciando no nível de conhecimento da população.

A América do Norte uniu desde o começo o processo de industrialização e urbanização. O crescimento de pequenas aglomerações eleatórias aconteceu devido a procura por novas atividades e acarretou um crescimento populacional rápido e disperso. Esse tipo de crescimento normalmente tem um ritmo acelerado e acaba formando as chamadas regiões metropolitanas.

A característica maior da metrópole está na influencia que exerce sobre o funcionamento, a economia e a sociedade de um dado território. No interior das metrópoles encontramos:

Concentração maior do setor informal e terciário nos centros de negócios;
Dispersão da classe media em direção aos subúrbios, e a ocupação desta por imigrantes;
Crescimento industrial cada vez mais independente da cidade;
falta de correspondência entre a administração e as unidades de vida e trabalho.
A interdependência econômica e funcional das grandes cidades centrais e seus territórios circunvizinhos pode ser mostrada a partir dos dados obtidos num estudo clássico de Donald J. Bogue, onde:

1. À medida que a distância entre a metrópole e um determinado aglomerado aumenta a densidade da população diminui;

2. Os melhores centros de comércio e varejo se encontram nas cidades, e não nas periferias;

3. O preço cobrado por serviços nas cidades é mais alto.

4. A industria tenta concentrar-se entre a cidade central e um limite de 25 milhas.

5. Extensão de seu domínio econômico até outras metrópoles.

Existem três níveis de influência que as metrópoles devem atingir, o primeiro, os denominados contatos diretos, a relação de compra e venda; o segundo, os chamados contatos indiretos, jornais, chamadas telefônicas; e o terceiro deve se estender por zonas descontinuas.

Na região parisiense a forma de crescimento urbano está fundamentalmente ligada ao processo de industrialização e a dois períodos históricos: a arrancada econômica e a prosperidade que seguiu a Segunda Guerra mundial.

Em Paris a industrialização cresceu sozinha, criando novas oportunidades de emprego. O aparecimento das metrópoles aconteceu a partir de uma já existente estrutura francesa, que utilizava o critério da hierarquização e da capacitação do setor terciário, a partir da experiência já adquirida.

A unidade espacial parisiense é uma espécie de conjunto econômico e funcional, constituído por formas de relações cotidianas como:

Um centro do aglomerado;
Uma coroa suburbana;
Uma zona de atração.
Além de complexos residenciais, Paris, tem uma espécie de zona urbana-rural, onde há focos de industrialização, mas ligados à agricultura. Onde a industria alimentícia é a atividade econômica.

Desde seu inicio a industrialização segue três linhas distintas:

Grandes unidades produtivas;
Pequenas empresas subqualificadas;
A tentativa de reconstituir ambientes industriais modernos em espaços socialmente valorizados.

Monge e o Executivo

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Autor: Flavio Furlan Viebig

Parte A – Obra

Resenhista: VIEBIG, Flavio Furlan.

Autoria: HUNTER, James C.

Título em inglês: The Servant

Título em português: O Monge e o Executivo

Uma História sobre a essência da Liderança

Tradução: Maria da Conceição Fornos de Magalhães.

País e ano da publicação original: Estados Unidos, 1998.

Exemplar lido: Editora Sextante, ano 2004 18ª edição.

Número de páginas: 144 páginas.

Formato: 21 cm x 14 cm.

Preço atual: R$ 15,60 (quinze reais e sessenta centavos).

Credenciais da autoria

“James C. Hunter é hoje consultor chefe de uma das grandes empresas americanas que dão consultoria e treinamento de relações de trabalho. Fundada em 1985, portanto com mais de vinte anos de experiência no ramo. Hunter é muito solicitado por empresas que pretendem melhorar as relações funcionais, principalmente nas áreas de liderança e organização de grupos comunitários, além de ser um ótimo escritor. Mora atualmente em Michigan com sua família”.

Conclusões da autoria

Liderança tem como base, autoridade e não poder; autoridade esta, que é conquistada através de amor, dedicação, sacrifício, e ainda respeito, responsabilidade e cuidado com as pessoas. Hunter explica que com essas virtudes, que são indispensáveis a um grande líder, torna-se mais fácil liderar grupos, pois através delas, o líder consegue sempre servir a seus liderados e suprir todas as suas necessidades. Tratando ainda de forma mais abrangente, apresenta conceitos fundamentais para melhorar tanto a capacidade de liderança quanto o convívio entre as pessoas que se relacionam; seja no ambiente profissional, familiar ou simplesmente entre amigos.

O livro o Monge e o Executivo, conta como foi a experiência vivida por John Daily, um executivo de alto escalão de uma empresa produtora de vidro plano. Tinha se tornado o mais jovem gerente-geral da história da empresa em que trabalhava. Ele era casado com uma psicóloga chamada Rachel, e lutaram muito tempo até conseguirem ter um filho, pois Rachel tinha alguma forma de infertilidade. Tanto lutaram que depois de tantas tentativas acabaram adotando um bebê, pois ela não conseguia engravidar de forma alguma. Depois disso, quando dois anos tinham passado, Rachel acabou conseguindo engravidar e deu a luz a uma menina.

A vida de John parecia perfeita, pois tinha um bom emprego, uma bela família e até financeiramente era bem estruturado. Possuía casas e dinheiro nos bancos; enfim tinha uma vida confortável e cheia de satisfações.

De repente quando acreditava ter tudo que tinha pedido, uma forte crise envolvendo os funcionários da empresa que gerenciava ocorreu. Seu chefe disse que ele era o responsável pelos problemas que a empresa estava passando com o sindicato, e que era resultado de um problema de gerenciamento. Seu chefe não foi o único a dizer isso; a gerente do RH já havia comentado de forma elegante, sobre sua forma de liderança e que acreditava que John devia rever alguns de seus conceitos. Lógico que ele discordou das opiniões, pois estava convencido que o problema não partia da forma que ele gerenciava a fábrica.

Em casa as coisas também não estavam cem por cento, pois ele tinha sérios conflitos com seu filho mais velho John Jr., por ele estar muito agressivo; com sua filha Sara então, quase já não se falavam mais e ainda Rachel que sempre o apoiara, também dava sinais de infelicidade no casamento.

Por pura insistência de Rachel, ele foi procurar o pastor da igreja que ela costumava freqüentar, pois ele não queria de forma alguma que a igreja interferisse em sua vida. Acabou indo.

O pastor sugeriu que ele se afastasse por alguns dias para que pudesse pensar e refletir sobre as coisas que estavam acontecendo em sua vida, e sobre o que ele poderia fazer sobre elas. Recomendou que participasse de um retiro em um pequeno mosteiro cristão chamado João da Cruz. John não estava convencido a ir até que, já indo embora ouviu o pastor dizer que um dos frades era Leonard Hoffman, um ícone executivo americano; ficou no mínimo inquieto, mas só foi convencido a ir após várias tentativas de convencimento por parte de Rachel.

Quando chegou ao mosteiro, ficou encantado com a beleza do local, e foi recepcionado por Peter que foi explicando como a semana ia se desenrolar. Foi em seguida para o quarto que havia lhe sido destinado e como estava muito cansado acabou adormecendo.

Pensou que não conseguiria cumprir com o rígido horário, mas acabou acordando a tempo de participar da cerimônia das cinco e meia.

Ele não conseguia parar de pensar em como ele ia fazer para agüentar cinco cerimônias diárias por uma semana inteira já que sequer participava de duas por mês e olhe lá. Ficava se questionando qual deles era Len Hoffman.

Intrigado, foi até a biblioteca pesquisar sobre Len; o que o fez ficar cada vez mais maravilhado sobre o que descobria sobre ele. Ficou ainda mais impressionado quando entrou em seu quarto e viu um senhor consertando o encanamento de seu banheiro. O senhor logo se apresentou com sendo Simeão e John ficou pasmo, pois Simeão como era lá conhecido, era Len Hoffman e estavam frente e frente pela primeira vez. Foi logo falando a Simeão que precisava de alguns conselhos, pois sua vida que parecia tão tranqüila, passava por momentos difíceis e que ele não sabia como resolvê-los. Deparou-se pela primeira vez, com um de seus dilemas; como ele que sabia tudo, estava pedindo ajuda a alguém? Ficou surpreso com sua atitude.

Simeão concordou em ajudá-lo, e propôs que se encontrassem todos os dias na capela antes da primeira cerimônia do dia, mas que o ajudaria mais ainda em suas aulas sobre liderança.

John estava sentado esperando sua primeira aula e ela começou exatamente no horário estipulado. Simeão iniciou a aula se apresentando e depois pediu para que cada um falasse um pouco de si.

Disse que teria o privilégio de compartilhar com os seis alunos alguns conceitos de liderança que haviam mudado a vida dele. John logo pensou; como Len poderia aprender algo sobre liderança com ele?

Quando chegou a vez de John, Simeão pediu para que ele resumisse o que tinha feito Kim juntar-se a eles no retiro; Constrangido ele foi honesto em dizer que não tinha prestado atenção no que a moça tinha dito e pediu desculpas. Simeão então aplicou seu primeiro conceito à turma. Ele disse que ouvir é uma das habilidades mais importantes de um bom líder e que se não a tiver, o líder deve se esforçar para desenvolvê-la. John prometeu melhorar.

Simeão comentou que todos ali tinham de alguma forma cargos de liderança e que eles deveriam saber que ninguém os tinha forçado a desempenhar tal função; mas que essa função era extremamente exigente. Disse que a verdadeira liderança, pode ser exercida sempre que houver duas ou mais pessoas fazendo qualquer atividade. Definiu então depois de vários minutos de discussão, o conceito de liderança.

LIDERANÇA: É a habilidade de influenciar pessoas para trabalharem entusiasticamente visando atingir aos objetivos identificados como sendo para o bem comum.

Frisou com ênfase a palavra habilidade, influência como palavras chave do conceito. Disse ainda sobre a diferença entre poder e autoridade e explicou-as dizendo que para liderar é preciso ter autoridade e não poder. E que apesar de se conseguir as coisas através do poder não significa ter autoridade e ascendência sobre o liderado.

PODER: É a faculdade de forçar ou coagir alguém a fazer sua vontade, por causa de sua posição ou força, mesmo que a pessoa preferisse não o fazer.

AUTORIDADE: A habilidade de levar as pessoas a fazerem de boa vontade o que você quer por causa de sua influência pessoal.

John começou a fazer um paralelo com sua vida e percebeu que muito do que estava acontecendo era por que estava usando do poder e não da autoridade; ainda mais quando Simeão falou sobre como isso engloba nossa vida, também, fora do ambiente empresarial.

Disse que tudo gira em torno de relacionamentos e que para ser bem sucedido era preciso muita confiança porque ela é a base fundamental para qualquer relacionamento. Disse ainda que confiança é a cola que gruda os relacionamentos.

No dia seguinte, eles encontraram-se cedo e Simeão falou novamente sobre como John deveria exercitar sua forma de ouvir as pessoas, depois de ouvir tudo que John tinha a falar. John questionou que todos almejam o que ele já tinha conseguido e que mesmo tendo de tudo, ainda assim era ou estava infeliz. Simeão tentou explicar a ele que não são as coisas materiais que nos dão alegria na vida e que os nossos maiores prazeres nos são dados de graça como, por exemplo, o amor, a família, os amigos, as flores, etc. John ficou mal e sentiu como estava longe e quão longo seria o caminho a percorrer para se enquadrar a essa nova realidade que lhe era apresentada naquele momento.

Simeão deu início aos trabalhos brincando sobre como seus alunos tinham passado a noite lutando com alguns paradigmas pessoais e explicou que as vezes os paradigmas podem ser perigosos se forem tidos como verdades absolutas, pois caos isso aconteça essa pessoa acaba ficando estacionado sem evoluir ou progredir. Um outro conceito importante inserido nessa aula foi o de ser um líder servidor, explicando que um bom líder identifica e satisfaz as necessidades dos seus liderados e frisou as diferenças entre ter suas vontades e necessidades satisfeitas.

Na aula do dia seguinte, Simeão começou discutindo sobre alguns dos maiores líderes que existiram ao longo da história. Simeão disse ser Jesus Cristo o maior líder de todos os tempos e foi intimado a dizer porque achava isso. Ele disse entre outras coisas, que Jesus foi o mais influente de todos, que seu estilo de liderança baseava-se em confiança e autoridade o que acontece até hoje. Jesus disse que para liderar é preciso servir as pessoas; nunca usou do poder nem forçou ou coagiu ninguém a segui-lo. Mudou tudo somente pela influência. John entendeu que liderar é igual é como plantar; colhe-se o que se planta.

Na quarta feira, Simeão iniciou dizendo que o tema da aula seria amor não no sentido que estamos acostumados e sim no sentido de fazermos aos outro o que queremos que façam para nós. Definiu o amor como sendo uma palavra que une diversas outras; dentre elas, a paciência, bondade, humildade, respeito, generosidade, perdão e honestidade. Simeão disse que o amor é o que o amor faz; ou seja, não se consegue controlar o que se sente por outra pessoa, mas se pode controlar o comportamento em relação a ela. Deu ainda um exemplo que ficou claro a todos; disse que nós somos como bancos e que temos contas correntes que sofrem créditos e débitos a todo o momento; e de acordo com o que fazemos com as pessoas ganhamos créditos ou débitos.

Liderar é uma tarefa muito difícil e requer muito esforço além de outras muitas qualidades que já foram passadas nas outras aulas. Somente quando as ações dos líderes estiverem de acordo com as nossas intenções é que nós teremos pessoas harmoniosas e líderes coerentes. John acabou definindo liderança em uma frase; identificar e satisfazer as verdadeiras necessidades de seus liderados.

Na manhã de sexta feira, Simeão começou a aula dizendo que gostaria de tratar de mais um assunto muito importante para melhorar os relacionamentos e assim a liderança. Disse que conheceu muita gente que não tinha realmente assumido as responsabilidades de liderar. Rapidamente disse que gostaria de tratar de dois assuntos; responsabilidade e escolha. Disse que acredita que a liderança começa a partir de uma escolha, mas que essa escolha acarreta na responsabilidade de assumir e alinhar nossas ações. Simeão acredita que hoje muitas de nossas responsabilidades são deixadas de lado por conta do determinismo criado por Freud, onde ele explica que se soubesse a causa, poderia prever o efeito. Disse que Freud aplicou isso às vontades humanas e que isso acarretou em um conflito com o livre arbítrio até. Simeão percebeu que seus alunos estavam confusos e incomodados; explicou então, que o determinismo, vai até onde começa nossa responsabilidade pessoal, e que mesmo com tendências genéticas, podemos sim escolher o caminho a seguir.

No período da tarde, o professor enfatizou a importância dos assuntos discutidos na parte da manhã, e resumiu tudo dizendo que na vida, faremos escolhas e morreremos; são as duas coisas que não nos dão escapatória. Os alunos ficaram sm saber o porque de estarem falando enfaticamente sobre esse assunto e então Simeão explicou dizendo que nós somos obrigados a aceitar as responsabilidades de nossas escolhas, e elas são na realidade nossas vontades e que a liderança parte da vontade.

Simeão mudou um pouco o foco e continuou a aula falando sobre disciplina. Falou que o Homem é uma criatura de hábitos, e que passamos por um processo que acaba criando esses nossos hábitos.

São eles:

Estágio um: Inconsciente e sem habilidade onde ignoramos o comportamento e o hábito.

Estágio dois: Consciente e sem habilidade onde conhecemos o comportamento, mas não temos ainda o hábito para aplicá-lo.

Estágio três: Consciente e habilidoso onde nos sentimos mais confortáveis pela prática que vamos adquirindo com o tempo.

Estágio quatro: Inconsciente e habilidoso onde o hábito se torna uma coisa natural.

Simeão fez uma analogia interessante dizendo que se um líder estiver nesse quarto estágio, não precisa tentar ser um bom líder; ele já é. Portanto juntos chegaram a conclusão de que liderança é essência, ou seja caráter e isso tudo está seriamente vinculado ao amor.

Um dos alunos fez uma citação importante que vale a pena ser ressaltada.

Pensamentos tornam-se ações, ações tornam-se hábitos, hábitos tornam-se caráter e caráter, torna-se nosso destino.

No último dia de retiro, ainda antes de a primeira aula começar, John ouviu Simeão perguntar a ele qual fora o conceito mais importante aprendido por ele naquela semana; ele pensou e respondeu que era algo em relação ao amor e Simeão o elogiou dizendo que havia aprendido bem e que amando estaria no caminho certo. John respondeu dizendo que estava surpreso, pois não tinha sido doutrinado por Simeão e que somente o exemplo de vida que recebera dele já servia como modelo. Simeão então reforçou o conceito de percepção seletiva e disse novamente que encontramos as coisas que procuramos.

Quando a aula começou, Simeão começou perguntando se eles tinham dúvidas sobre o que haviam aprendido naquela semana e os alunos começaram a falar coisas que tinham mais marcado para cada um.

Simeão agradeceu as colocações dadas de presente a ele e continuou dizendo que todo trabalho dado para liderar de forma eficaz, da sentido à vida do líder; o faz acordar toda manhã, somente para servir e cumprir sua missão diária.

Por fim, nos últimos momentos juntos, Simeão mencionou algo muito importante; a diferença entre alegria e felicidade.

A felicidade depende dos momentos, e do que está acontecendo; já a alegria não; a alegria é um sentimento mais profundo e baseia-se na satisfação de estar em sintonia com os princípios permanentes da vida. Portanto comentou sobre o crescimento e como ele influencia na maneira de ser; disse que quando crescemos deixamos cada vez mais de ser egoístas e autocentrados; caso contrário, nos tornamos infelizes e solitários. Disse que crescemos espiritualmente quando deixamos de ser egoístas e de julgar os outros ao invés de nos doarmos.

Simeão então agradeceu a todos por terem compartilhado conhecimento e experiências com ele, dizendo que esperava que todos tivessem avançado alguns passos na jornada da vida, e que isso os levasse cada vez a melhores lugares.

Despediu-se desejando que Deus os acompanhasse e abençoasse seus caminhos.

John entendeu que precisaria desenvolver hábitos como, paciência, humildade, respeito, honestidade, generosidade, bondade e compromisso se quisesse redirecionar as coisas que estavam dando errado em sua vida. Foi procurar Simeão para despedir-se e depois de muito custo, o encontrou. Ficou feliz por achá-lo, uma vez que não tinha conseguido na primeira tentativa. Disse a Simeão, com lágrimas nos olhos, que não sabia como agradecê-lo por mostrar-lhe coisas tão simples e ao mesmo tempo valiosas, e que esperava conseguir aplicá-las na volta ao cotidiano. Simeão então como um excepcional líder disse com convicção, que ele havia aprendido bem e que com certeza o faria também; bastava que começasse com uma escolha.

John decidiu em pensamento que ia dar o primeiro passo e que ele seria o início de uma nova jornada.

A escolha já havia sido feita. Ao encontrar sua esposa já percebeu como era rico e a alegria assim voltaria a fluir em sua vida.

Quadro de referências da autoria

O autor refere-se a diversos líderes, escritores, filósofos, pensadores, psiquiatras, jornalistas, entre outros , que fazem parte da história, ou que conseguiram mudá-la pelo menos nas coisas que consideravam estar erradas de forma influente; sem uso de violência, força ou poder. Embasa-se em teorias como as de Freud, Carl Marx, Max Weber, Margaret Thatcher, Bum Philips, Karl Menninger, Huston Smith, Buda Jesus Cristo, Gandhi, Jim Rohn, Martin Luther King, M. Cott Peck, Stephen Covey, Dalwe Carnegie, Vince Lombardi, entre outros que fazem com que fique provado que é possível utilizar-se dos conceitos apresentados no livro, no intuito de melhorar os relacionamentos inter-pessoais de forma eficaz, sempre em busca da melhoria constante.

Quadro de referências do resenhista

Flavio Furlan Viebig, 29 anos, formado pela Universidade de Mogi das Cruzes Arquiteto e Urbanista. Trabalho atualmente em minha própria empresa, e dedico-me a função de supervisor de projetos e produção, na área de comunicação visual e sinalização ambiental. Escolhi esse livro principalmente pela função que exerço, e por ter diversos liderados. Por ser ainda muito jovem, percebia de alguma forma que minha liderança era as vezes imposta de forma errada; depois de ler vários prefácios, acreditei que este livro poderia acrescentar conhecimento e ainda me ajudar a exercer liderança de uma forma diferente; o que para mim é muito importante pois lidero pessoas que são bem mais velhas e por conseqüência mais experientes também.

Análise crítica

Gostei muito da minha escolha. O livro me prendeu e não me deixou dormir enquanto não terminasse de ler aproxima página. Foi assim que consegui ler um livro que comprei para fazer um trabalho acadêmico. Percebi ainda mais que somos cheios de preconceitos e medos bobos que nos fazem temer mudanças ou coisas novas.Nossa vida está cheia de novidades e entroncamentos, onde precisamos tomar decisões que nos trarão mais ou menos harmonia de acordo com o caminho escolhido. Acredito que as respostas que encontrei nele, servirão no mínimo para que eu pare e pense antes de agir de qualquer jeito; sem me preocupar com os sentimentos dos outros ou em como vão receber minha críticas e ou elogios. O livro foi bem escrito, conta de forma simples com podemos fazer para trazer as pessoas para nosso lado de forma elegante e eficaz. Explica as coisas de forma fácil de ser assimilada e cita ainda exemplos, o que faz com que você faça paralelos enquanto o lê.

Conta uma história aparentemente simples, mas com um conteúdo profundo sobre um tema que está em constante mutação. Como o personagem principal do livro, terminei minha leitura, convicto de que tenho que rever alguns conceitos, quebrar alguns paradigmas para que possa crescer como pessoa e conseguir aprender e ensinar todos os dias o que é ter alegria simplesmente por ser e estar vivo.

Análise crítica das idéias do autor

O autor utiliza-se uma linguagem simples, e que é facilmente assimilada por não usar um vocabulário rebuscado. A seqüência empregada à história é muito dinâmica e faz com que seja difícil interromper a leitura a qualquer momento. O texto conta com poucos termos técnicos o que faz com que qualquer um consiga lê-lo sem maiores dificuldades de entendimento. Em uma leitura clara e agradável, o autor ensina os princípios básicos e fundamentais, necessários, para exercer liderança.

Análise crítica da apresentação formal do livro

Particularmente, o título em Português não agradou muito, pois apesar de ter a ver com o conteúdo, acredito que não era exatamente o que o autor quis dizer com THE SERVANT. Quanto a apresentação, capa, páginas, tipologia, margens e tamanho da fonte, tudo muito bem elaborado pela editora. Quanto a tradução, não sei muito bem porque não tive a oportunidade de ler o texto original; portanto não sei se é muito ou pouco fiel. Quanto ao tamanho do livro, considero que qualquer livro ou revista que tenha o mesmo tamanho ou que seja menor do que A4 (29,7 x 21,0 cm), é bom pela facilidade de leitura, transporte e guarda. O livro conta com desenhos ilustrativos interessantes, bem feitos e bem inseridos nas páginas; com bastante margem entre eles e o texto, fica fácil de interpretá-los. Quanto ao preço pago pelo livro,tenho dois pensamentos diferentes; um deles diz que cultura não tem preço; e o outro diz que no país em que vivemos, os livros deveriam ser subsidiados para que as pessoas não tivessem que comprá-los, uma vez que, muitas vezes, o dinheiro que deveria ser gasto com cultura, seja com livros, teatro, e outros, acaba ficando em segundo plano e normalmente é utilizado de outra forma ou para outros fins.

Indicações do resenhista

Ao ler o livro, pude conhecer um pouco da vida de uma pessoa bem sucedida, teoricamente resolvida, mas que está passando por sérios problemas pessoais e profissionais ao mesmo tempo. Não sabe porque, mas não consegue achar as respostas para identificar as suas origens. Sem saber por que está passando por esse momento tão turbulento, é convencido a passar por uma experiência que iria transformá-lo como profissional, pai, marido e também como homem. O interessante é que essa mudança ocorre de dentro para fora nesse livro; as coisas acontecem naturalmente como se tivessem mesmo que ir acontecendo em uma seqüência; ou como se a seqüência adotada pelo “professor” tivesse sido realmente estudada. O autor se utiliza uma história simples, com poucos personagens e consegue contar coisas, que nas quais, realmente nos identificamos, e na mesma hora, concordamos que podemos mudar. Nossa vida está cheia de obstáculos que, quando são ultrapassados, nos fazem crescer. O livro ensina que essas mudanças, ou as respostas que procuramos, estão na realidade dentro de cada um, em nossos corações, e que devemos fazer silêncio as vezes para que possamos ouvi-lo. Então, indico essa leitura, que é estimulante e envolvente, a todos. Todos que de alguma forma precisam melhorar ou aprimorar seus relacionamentos; tanto profissional quanto pessoal.

Lesão dos Ligamentos Cruzados

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Autor: Carla Teves Honório

Devido à participação cada vez maior nos exercícios e nos desportos nos anos mais recentes pressagiou uma maior incidência de lesões dos cruzados. A lesão do LCA é muito mais comum do que a lesão do LCP. A lesão do LCA ocorre mais freqüentemente em resposta a uma carga em valgo em combinação com rotação tibial externa ou à hiperextensão com rotação tibial interna.O primeiro mecanismo ocorre tipicamente nas tentativas de manobras com cortes rápidos com o pé em contato com o solo e o joelho em flexão. A situação é exacerbada se, enquanto o pé está em contato com o solo, é aplicada uma força ao joelho. Isso é comum nos desportos em contato como o futebol americano e rúgbi quando outro jogador golpeia a parte lateral do joelho, acentuando a carga em valgo e a rotação. O valgo do joelho, combinado com a rotação tibial externa, cria um estresse significativo para o LCA.

O segundo mecanismo envolve a hiperextensão do joelho com rotação tibial interna. Apesar de ser um mecanismo menos comum, a hiperextensão pode ser o mecanismo predominante em certas populações, como os jogadores de basquete ou os ginastas, cujas lesões ocorrem freqüentemente quando descem após um salto.

Mecanismo de lesão do LCA. Hiperextensão da articulação do joelho direito ao aterrar após uma manobra de ginástica.

Números estudos observaram um aumento alarmante de lesões do LCA em mulheres atletas. Existe uma desproporção entre estas lesões e aquelas observadas em homens. As mulheres jogadoras de futebol intercolegial, por exemplo, têm uma probabilidade 2,6 vezes maior de sofrer lesões do LCA que seus congêneres do sexo masculino do mesmo desporto. No basquete este número aumenta para 5,75 vezes. As razões para estas diferenças nas taxas de lesões do LCA são obscuras. Entre os fatores predisponentes sugeridos estão uma pelve mais larga nas mulheres, maior flexibilidade, musculatura menos desenvolvida, músculo vasto medial oblíquo hipoplástico, chanfradura femoral estreita, joelho valgo (genu valgum) e torção tibial externa. Também devem ser levados em conta os seguintes

fatores: o movimento corporal no desporto, a força e a coordenação muscular, as características da superfície do calçado, o nível de condicionamento, a frouxidão articular, o alinhamento dos membros e o tamanho do ligamento.

A lesão do LCP é mais rara do que do LCA. As causas de lesão do LCP variam, porém cerca de metade dos casos é devida a um traumatismo que resulta de acidentes automobilísticos. A maioria dos demais casos é resultado de atividades desportivas. Existem muitos mecanismos de falha do LCP. Mais comumente, a lesão do LCP ocorre em batidas de automóveis quando um passageiro sem contenção é arremessado na direção do painel. Com o joelho flexionado em 90º, o LCP fica esticado e a cápsula posterior fica relaxada. A força de impacto projeta a tíbia posteriormente e acarreta a ruptura do LCP.

Em uma queda com o joelho flexionado com o pé em flexão plantar, o impacto o corre sobre a tuberosidade tibial. O fêmur proximal é de novo projetado posteriormente.

A flexão forçada do joelho com o pé em flexão plantar ou dorsiflexão pode resultar em lesão do LCP.

A hiperextensão súbita e violenta do joelho pode causar ruptura do LCP e, com certa freqüência, este mecanismo produz um dano concomitante do LCA.

O desvio rápido da sustentação do peso de um pé para o outro, rodando o corpo rapidamente sobre um joelho com flexão mínima, acarreta rotação interna e translação anterior do fêmur e resulta em dano do LCP (Andrews, Edwards e Satterwhite, 1994).

A lesão de qualquer um dos ligamentos cruzados pode ser uma lesão isolada ou pode ocorrer em combinação com o dano de outras estruturas. Um exemplo de lesão combinada é aquele conhecido variegadamente como tríade (ou triângulo) de O’Donoghue, ou a tríade “infeliz” na qual o LCA, o ligamento colateral medial (LCM) e o menisco medial são lesionados. Essa lesão envolve tipicamente o mecanismo de valgo-rotação externa já descrito.

Reconstrução Intra-artucular do Ligamento Cruzado Anterior (LCA)

1 – Indicações para cirurgia

Ruptura aguda grave ou insuficiência crônica do LCA levando a translação anterior anormal da tíbia sobre o fêmur e instabilidade ou arqueamento do joelho. O teste de mudança de pivô é também anormal. Um déficit do LCA está geralmente associado com lesões de outras estruturas do joelho, como o ligamento colateral medial, resultando em instabilidade rotatória da articulação.
Rupturas parciais que resultem em limitação de atividades funcionais em indivíduos ativos.
Manejo conservador (não operatório) falho de uma laceração do LCA.
2 – Manejo pós-operatório

Imobilização

1 – Posição da imobilização

Após uma reconstrução intra-articular do LCA coloca-se no joelho um aparelho controlador de movimento que fica travado em extensão ou leve flexão. Embora as maiores sobrecargas sobre o enxerto ocorram entre 20º de flexão e extensão completa de joelho, a colocação isométrica do enxerto permite que o paciente estenda o joelho com segurança sem prejudicar o enxerto.

Se um procedimento intra-articular de LCA é combinado com um procedimento extra-articular, uma reconstrução do ligamento colateral ou um reparo no menisco medial, o joelho precisa ser imobilizado em aproximadamente 20 a 30º de flexão de joelho.

2 – Duração da imobilização

a. A imobilização completa em uma órtese articulada porém travada não é geralmente necessária após reconstrução com um enxerto patelar autógeno. A mobilização passiva contínua (MPC) é geralmente iniciada dentro da ADM segura imediatamente após a cirurgia.

b. O joelho é mantido imobilizado quando o paciente está andando ou dormindo. O imobilizador é removido ou destravado para o uso de MPC ou exercícios supervisionados. Isso pode ser necessário por 4 ou 6 semanas após a cirurgia.

c. Após uma reconstrução extra-articular de LCA ou reparo do ligamento colateral medial a MPC leva várias semanas para ser iniciada.

Exercícios

1 – Fase de proteção máxima (0 a 6 semanas)

Para controlar a dor e edema pós-operatório, use gelo, compressão e massagem.

Para prevenir atrofia muscular, inicie estimulação elétrica, exercícios isométricos intermitentes de quadríceps e isquiotibiais, e elevações da perna entendida em decúbito dorsal, ventral e lateral, com o aparelho travado em extensão completa de joelho. Ocorre pouca ou nenhuma translação anterior da tíbia sobre o fêmur com a contração muscular do quadríceps quando o joelho está completamente estendido, pois esta é a posição tensionada do joelho.

Para prevenir contraturas e manter ADM use: MPC ou ADM passiva assistida pelo terapeuta indo de extensão completa de joelho até 90º de flexão na 1ª ou 2ª semana após cirurgia. Tem-se mostrado também que a MPC diminui a dor após reconstrução do LCA. Para prevenir translação anterior da tíbia e sobrecarga excessiva sobre o local de enxerto durante o uso da MPC, tem sido sugerido que a unidade deva ser usada sem a faixa para a panturrilha. Deslizamentos na parede em decúbito dorsal assistidos pela gravidade para aumentar flexão do joelho. A parte inferior da perna precisa ser estendida passivamente até a posição inicial pelo terapeuta ou pela perna não envolvida. Deslizamentos patelares para prevenir contraturas do mecanismo extensor. A extensão passiva completa de joelho pode não ser conseguida por uma ou duas semanas até que o edema dos tecidos diminua.

Deslizamento na parede assistido pela gravidade. O paciente flete o joelho até o limite de sua amplitude e mantém a posição para um alongamento mantido no músculo quadríceps femoral.

A deambulação com muletas com o apoio de peso tolerado é iniciada no dia seguinte à cirurgia com o aparelho controlador de movimento travado em extensão. Pode ser conseguido apoio de peso completo no imobilizador de joelho, e o uso de muletas descontinuado já com 2 ou 3 semanas após a cirurgia, se o paciente tiver alcançado extensão de joelho ativa completa. Em um programa de reabilitação mais conservador o paciente pode precisar protelar qualquer sustentação de peso sobre o membro operado por uma semana pós-operatoriamente. Então o apoio de peso é gradualmente progredido nas 6 semanas seguintes.

Para melhorar o controle neuromuscular sobre o membro inferior operado na porção tardia da fase de proteção máxima, podem ser acrescentados e progredidos exercícios bilaterais em cadeia fechada tais como levantar os artelhos estando o aparelho para joelho travado em extensão, exercícios em cadeia aberta e fechada realizados na piscina, extensão de joelho em cadeia aberta assistida, exercícios isométricos de quadríceps e isquiotibiais em múltiplos ângulos, e, mais tarde, bicicleta estacionária.

Precaução:Apesar do fato de pedaços ósseos de um enxerto de tendão patelar estarem bem consolidados dentro dos furos após quatro semanas, e a vascularização dos enxertos estar começando, o enxerto em si está enfraquecido e levemente necrótico com 4 a 6 semanas pós-operatoriamente. Assim, para proteger o enxerto que está cicatrizando, evite atividades do tipo extensão de joelho terminal em cadeia aberta sem assistência que podem causar forças de atrito e translação tibial anterior forçada.

2 – Fase de proteção moderada (6 a 12 semanas)

No início desta fase, se a extensão completa de joelho é possível, estabelece-se o apoio total de peso e as muletas podem ser descontinuadas, mas o paciente precisa continuar a usar a órtese de joelho e na maioria dos casos precisa mantê-la travada quando anda ou realiza atividades de apoio de peso. NOTA: em pacientes cuidadosamente selecionados a órtese de joelho é destravada com 6 semanas pós-operatoriamente.

Antes de passar para exercícios mais vigorosos e exigentes, a integridade do enxerto do LCA, que se reflete pela estabilidade da articulação do joelho, deve ser medida com um artrômetro.

A fase de proteção moderada é caracterizada por exercícios elaborados para aumentar a força do membro inferior e re-estabelecer ADM completa do joelho. Com cerca de 9 semanas, a revascularização do enxerto está se tornando bem estabelecida e, desse modo, os exercícios podem ser mais vigorosos.

Alongamento progressivo para aumentar a ADM e exercícios resistido excêntricos e concêntricos em cadeia aberta e fechada para aumentar a força, estabilidade e resistência à fadiga do quadríceps, isquiotibiais e musculatura do quadril são enfatizados nesta fase da reabilitação.

O paciente deve adquirir 120 graus de flexão de joelho e extensão completa durante esta fase.

A ênfase é colocada no fortalecimento dos extensores e flexores do joelho. O quadríceps deteriora-se rapidamente no período pós-operatório inicial quando a efusão articular persiste apesar da reeducação muscular precoce. O fortalecimento de isquiotibiais é também enfatizado para maximizar a estabilidade dinâmica da face posterior do joelho. O treino resistido é realizado em posições funcionais de apoio de peso sempre que possível. Precaução: evite exercícios de agachamento em cadeia fechada entre 60 e 90 graus e de flexão e extensão terminal de joelho em cadeia aberta com resistência colocada na tíbia distal. Ambos causam translação tibial anterior e podem comprometer o enxerto.

O aparelho articulado é removido várias vezes por dia para deambulação graduada em linha reta.

3 – Fase de proteção mínima e retorno às atividades

Com 12 a 20 semanas pós-operatoriamente, caso o paciente tenha recuperado aproximadamente 75 a 80% da força muscular no joelho, a ênfase é colocada em incorporar ao programa de reabilitação atividades funcionais leves tais como caminhar, correr e exercícios de agilidade. O aparelho de joelho destravado é utilizado durante a maioria das atividades funcionais, particularmente as mais vigorosas que envolvem movimentos de torção, giro ou saltos leves.

Exercícios pliométricos e reabilitação isocinética no espectro de velocidade podem também ser acrescentados ao programa de reabilitação.

Com 20 a 24 semanas a maioria dos indivíduos retorna ao nível de atividade anterior à lesão. O uso funcional do aparelho pode ainda ser necessário durante atividades recreativas de alta intensidade.

Reconstrução Intra-artucular do Ligamento Cruzado Posterior (LCP)

1 – Indicações para cirurgia

Ruptura completa ou avulsão do LCP com instabilidade póstero-lateral e rotatória do joelho.

Insuficiência crônica do LCP associada com instabilidade póstero-lateral, limitações em atividades funcionais e deterioração das superfícies articulares do joelho.

2 – Manejo pós-operatório

Imobilização

O joelho é geralmente imobilizado em extensão completa com um aparelho com trava ou aparelho gessado. Em alguns casos o joelho pode ser imobilizado em 15º de flexão. O imobilizador é usado todo o tempo exceto para MPC ou exercícios supervisionados e domiciliares.

Exercício

NOTA: muitos dos exercícios pós-operatórios nas fases de proteção máxima, moderada e mínima após a reconstrução de LCP são similares aos usados num programa pós-operatório de reabilitação do LCA. Abordaremos a seguir apenas as diferenças, não as semelhanças.

1 – Fase de proteção máxima (0 a 6 semanas)

Após uma cirurgia de reconstrução intra-articular, a MPC é iniciada imediatamente, mas somente dentro de uma amplitude protegida, indo de extensão completa de joelho ou leve flexão até o máximo de 60º de flexão. A flexão de joelho além dos 60º coloca sobrecarga excessiva sobre o enxerto e pode contribuir para falha da reconstrução.

O apoio de peso fica mais restrito após uma cirurgia de LCP que na reconstrução do LCA. O apoio de peso parcial e a deambulação com muletas são necessários por pelo menos 4 a 6 semanas ou mais após uma cirurgia de LCP.

Para aumentar o controle neuromuscular do joelho, comece com exercícios isométricos intermitentes de quadríceps em extensão completa e isométricos em múltiplos ângulos para o quadríceps entre a extensão completa e 60º de flexão de joelho. Acrescente extensão ativa de joelho de 60º de flexão até extensão completa. Precaução: evite contrações musculares fortes dos isquiotibiais, pois provocam translação posterior da tíbia sobre o fêmur e podem comprometer o enxerto que está cicatrizando.

2 – Fases de proteção moderada e mínima

Os exercícios e as atividades de treinamento funcional são progredidos mais lentamente após uma cirurgia de LCP que na reabilitação pós-operatória do LCA.

A ênfase continua sendo no fortalecimento do quadríceps em posições funcionais.

Flexão de joelho resistida em cadeia aberta causa translação posterior da tíbia sobre o fêmur e, desse modo, é protelada por 6 a 12 semanas pós-operatoriamente para proteger o enxerto ou as estruturas que foram transpostas. O controle de isquiotibiais e seu fortalecimento é conseguido com exercícios em cadeia fechada e extensão resistida de quadril em vez de usar flexão resistida de joelho.

Atividades funcionais em cadeia fechada são acrescentadas ao programa mais tarde após uma reconstrução de LCP que após uma cirurgia de LCA., pois o apoio de peso é impedido ou restringido por mais tempo após um procedimento de LCP.

No geral leva aproximadamente 3 meses a mais para retornar às atividades ocupacionais ou recreativas completas após uma cirurgia de LCP que após uma cirurgia de LCA.

Bibliografia

Biomecânica da Lesão Musculoesquelética – William C. Whiting, Ronald F. Zernicke – Editora Guanabara Koogan, 2001.

Exercícios Terapêuticos Fundamentos e Técnicas – Carolyn Kisner, Lynn Allen Colby – Editora Manole, 3ª edição.

INSUFICIÊNCIA CARDÍACA

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Autor: Sérgio de Carvalho

Insuficiência Cardíaca

Introdução

Insuficiência cardíaca esquerda aguda leva a aumento na água extravascular pulmonar, redução do volume e da complacência pulmonar, e aumento da resistência pulmonar, resultando em aumento do trabalho respiratório e aumento do consumo de oxigênio por volume ventilado (custo de oxigênio da ventilação). Em muitos casos, a combinação entre insuficiência cardíaca esquerda e insuficiência respiratória gera um ciclo vicioso que culmina no edema agudo dos pulmões, situação clínica na qual o risco de vida é iminente, a menos que medidas apropriadas e imediatas sejam adotadas.

No edema pulmonar cardiogênico, apesar da suplementação de oxigênio e da administração de drogas que têm como finalidade reduzir a quantidade de água extravascular e melhorar o dsempenho miocárdico, muitos pacientes caminham para insuficiência respiratória aguda. A utilização de ventilação mecânica invasiva restabelece a oxigenação, alivia o trabalho respiratório e diminui a sensação de dispnéia, porém essa modalidade ventilatória pode acarretar complicações hemodinâmicas e respiratórias. Porém, hoje sabemos que os mesmos objetivos também podem ser alcançados, em pacientes selecionados, com o uso da ventilação não-invasiva com pressão positiva, sem os riscos inerentes ao uso do tubo traqueal, e com a facilidade de descontinuação da ventilação não-invasiva sempre que necessário.

A fisioterapia através de suas condutas representa papel importante em qualquer cirurgia que explore tanto o tórax como o andar superior do abdome. As alterações mecânicas que os processos cirúrgicos causam podem ser fatores complicantes na recuperação e isto é, particularmente, valorizado na cirurgia cardíaca . A cirurgia pode ter sido um sucesso, contudo, o paciente no pós-operatório pode apresentar insuficiência respiratória devido ao padrão ventilatório restritivo que se instala devido à manipulação do tórax, incisão cirúrgica e presença dos drenos pleurais. Os volumes e capacidades pulmonares bem como a força diafragmática sofrem alterações após a cirurgia e pode permanecer até 14 dias por isso que as atelectasias com conseqüentes hipoxemias são freqüentes. Isto tudo ainda pode fica mais complicado se o paciente apresentar comorbidades, assim como ser portador de alguma doença broncoobstrutiva, ser idoso ou obeso.

Ventilação mecânica não-invasiva

A ventilação não-invasiva é definida como uma técnica de ventilação mecânica onde não é empregado qualquer tipo de prótese traqueal (tubo orotraqueal, nasotraqueal, ou cânula de traqueostomia), sendo a conexão entre o ventilador e o paciente feita através do uso de uma máscara. Dessa forma, diversas modalidades ventilatórias podem ser aplicadas utilizando-se essa técnica. Segundo Chatburn e Branson, quando a ventilação é iniciada e/ou finalizada exclusivamente pelo ventilador, sem qualquer interferência do paciente, é chamada de mandatória. A ventilação mandatória pode ser assistida (disparo por pressão ou fluxo), controlada (disparo por tempo), ou assistida/controlada (o ciclo é deflagrado de forma mista, predominando o primeiro sinal que surgir). Ventilação espontânea é aquela em que o paciente de alguma maneira determina o início e o final da ventilação. A ventilação espontânea pode ter um suporte pressórico a cada inspiração (por exemplo, modo pressão de suporte) ou não (por exemplo, pressão positiva contínua nas vias aéreas). A forma mais estudada de ventilação mecânica não-invasiva no cardiopata é a pressão positiva contínua. Essa razão deve-se principalmente à facilidade de instalação do mesmo, bem como à simplicidade de utilização dos equipamentos que fornecem pressão positiva contínua.

Histórico

A partir da década de 1930, surgiram trabalhos pioneiros, publicados por Motley e colaboradores e Barach e colaboradores, que descreveram a técnica e os benefícios do uso da ventilação com pressão positiva, oferecida através de uma máscara, para pacientes com insuficiência respiratória de variadas etiologias. O uso de pressão positiva contínua fornecida através de máscara facial, em pacientes com edema pulmonar, foi primeiramente descrito por Poulton, há mais de 60 anos. Muitas dessas observações e recomendações referentes ao uso da ventilação não-invasiva permanecem absolutamente atuais, apesar de passado mais de meio século.

A década de 1960 trouxe novos horizontes para a ventilação mecânica com pressão positiva. A utilização dos conhecimentos de mecânica desenvolvidos durante a Segunda Guerra Mundial, os avanços tecnológicos, principalmente da eletrônica, provenientes da corrida espacial, e a incorporação de microprocessadores tornaram os ventiladores artificiais mais sofisticados, confiáveis e acessíveis. A crescente experiência com o uso das cânulas de traqueostomia e dos tubos orotraqueais tornou a utilização dessas próteses o procedimento padrão para a ventilação mecânica em Unidades de Terapia Intensiva.

Os tubos traqueais, com os respectivos balonetes para oclusão da traquéia, mostraram-se de grande utilidade para a manutenção da permeabilidade da via aérea superior e para a garantia do volume corrente ofertado durante o suporte ventilatório no atendimento de pacientes graves. Por outro lado, não tardaram a surgir as descrições de complicações diretamente relacionadas ao uso dessas próteses artificiais. Hoje sabemos que, além da lesão local, secundária à isquemia da mucosa da via aérea superior, a agressão aos mecanismos de defesa pulmonar facilita a ocorrência de pneumonia nosocomial, sendo esta, atualmente, a mais temida complicação relacionada à intubação traqueal.

O sucesso obtido por Sullivan e colaboradores com o uso da pressão positiva contínua para o tratamento da apnéia obstrutiva do sono foi um passo importante para o retorno da ventilação não-invasiva ao ambiente hospitalar. Esse fato levou ao aperfeiçoamento das máscaras, tornando-as cada vez mais confortáveis, assim como dos ventiladores, que passaram a ser desenhados especialmente para a ventilação não-invasiva.

Diversos relatos de sucesso no emprego da ventilação não-invasiva, principalmente com o uso da pressão positiva contínua, para o tratamento da insuficiência respiratória tornaram-se freqüentes. Bersten e colaboradores atenderam 39 pacientes consecutivos com insuficiência respiratória por edema pulmonar cardiogênico que foram, após randomização, tratados segundo a rotina clínica (20 casos), ou esta associada ao uso da pressão positiva contínua não-invasiva (19 casos). Dos sete pacientes que necessitaram de intubação traqueal, todos pertenciam ao grupo submetido exclusivamente ao tratamento clínico, e nenhum dos pacientes do grupo tratado com pressão positiva contínua necessitou de ventilação mecânica invasiva. Neste trabalho, não houve diferença na mortalidade entre os grupos.

Um número crescente de trabalhos, criando casuística consistente, foi sucessivamente publicado, enaltecendo o poder de a ventilação não-invasiva evitar a intubação, e diminuir a freqüência de complicações relacionadas à ventilação mecânica e o tempo de permanência nas unidades de cuidados intensivos para os pacientes com insuficiência respiratória. Recentemente, um estudo multicêntrico europeu, no qual 43 pacientes com doença pulmonar obstrutiva crônica agudizada foram randomizados para o tratamento clínico “convencional” comparado com este associado à ventilação não-invasiva (pressão de suporte através de máscara facial), demonstrou redução da mortalidade hospitalar no grupo tratado com ventilação não-invasiva, consolidando essa forma de suporte ventilatório na descompensação aguda da doença pulmonar obstrutiva crônica. Com relação à insuficiência respiratória aguda, de origem cardiogênica, ainda não há evidência de redução da mortalidade nesses pacientes, porém vários trabalhos demonstram inequivocamente os benefícios agudos do uso de pressão positiva contínua na insuficiência cardíaca congestiva.

Efeitos fisiológicos do uso da pressão positiva contínua

Efeitos hemodinâmicos

Sabe-se que a pressão intratorácica é capaz de interferir no desempenho cardíaco. Para a melhor compreensão dos efeitos fisiológicos da pressão positiva contínua, iniciaremos esta exposição pelos efeitos fisiológicos da pressão negativa intratorácica. Durante a realização voluntária de pressão negativa intratorácica, o aumento da capacitância venosa pulmonar diminui o enchimento do ventrículo esquerdo e concomitantemente aumenta também o volume sistólico final do ventrículo esquerdo, refletindo em redução do desempenho cardíaco. Essa explicação encontra-se na sugestão de que a pós-carga do ventrículo esquerdo relaciona-se mais fielmente à pressão transmural do ventrículo esquerdo do que à pressão na raiz da aorta. Durante esforço inspiratório intenso e prolongado, criam-se pressões negativas intratorácicas de grande magnitude, que modificam o volume sistólico final do ventrículo esquerdo, correlacionado diretamente à magnitude de pressão transmural do ventrículo esquerdo. De fato, a pressão transmural do ventrículo esquerdo pode ser traduzida na fórmula pressão transmural (PTM) = pressão do ventrículo esquerdo (PVE) – pressão pleural (PPL). Por meio dessa fórmula podemos perceber que a pós-carga do ventrículo esquerdo depende não apenas da pressão da raiz da aorta, como também das variações da pressão pleural.

Em contrapartida, a manobra de Valsalva, que é oposta à manobra de Müller, provoca diminuição do gradiente de pressão transmural do ventrículo esquerdo, tendo efeito de redução da pós-carga desse ventrículo. Na verdade, esses efeitos da pressão intratorácica sobre a função cardíaca são mais acentuados no paciente com insuficiência cardíaca congestiva.

A aplicação de pressão positiva contínua, através de máscara facial ou nasal, em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva descompensada pode provocar aumento agudo no débito cardíaco ou aumento do desempenho do ventrículo esquerdo. Os efeitos positivos da pressão positiva contínua sobre o desempenho cardíaco podem ser traduzidos como redução da pré-carga, por meio da redução do retorno venoso, e de redução da pós-carga, por meio de redução da pressão transmural do ventrículo esquerdo. Efeitos crônicos sobre a melhora da fração de ejeção do ventrículo esquerdo também foram relatados após a aplicação noturna diária de pressão positiva contínua em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva e, concomitantemente, apnéia obstrutiva do sono.

Os efeitos hemodinâmicos agudos da pressão positiva contínua no cardiopata estável são controversos, principalmente o efeito sobre o débito cardíaco, que pode aumentar, diminuir, ou ficar inalterado. Essas diferenças refletem as variadas populações de cardiopatas estudadas. Pacientes que respondem à pressão positiva contínua com aumento de débito cardíaco apresentam, como efeito predominante da pressão positiva contínua, a redução da pós-carga, ao passo que nos que não respondem o efeito principal da pressão positiva contínua concentra-se na redução do retorno venoso. Admite-se que, na insuficiência cardíaca congestiva, o débito cardíaco seja mais sensível às modificações da pós-carga do que da pré-carga. Apesar dessas controvérsias sobre a modificação do débito cardíaco induzidas pelo pressão positiva contínua, há unanimidade sobre os efeitos benéficos da pressão positiva contínua quando aplicada no paciente com edema agudo dos pulmões de origem cardiogênica, especulando-se, ainda, a colaboração de mecanismos reflexos para a melhora do desempenho cardíaco.

Efeitos respiratórios

O edema pulmorar cardiogênico causa deterioração da mecânica respiratória, ocorrendo aumento da resistência de vias aéreas e diminuição da complacência pulmonar. Esses efeitos somados aumentam o trabalho respiratório e o gasto de oxigênio pela ventilação e provocam uma necessidade de geração de pressões intratorácicas mais negativas para a manutenção da ventilação. Esse aumento de trabalho respiratório e redução da pressão pleural submete o paciente a aumento da pós e da pré-carga, bem como a aumento do consumo de oxigênio, submetendo o paciente cardiopata a sobrerga adicional a seu sistema circulatório. Já está bem documentado que a aplicação de pressão positiva contínua nesses pacientes reduz a freqüência respiratória, a PaCO2, a pressão transpulmonar e o trabalho respiratório. Quando o trabalho respiratório foi mensurado utilizando-se medidas da pressão esofágica, pôde-se observar redução nos componentes resistivos e elásticos do sistema respiratório. No edema pulmonar cardiogênico, a oxigenação encontra-se afetada pelo aumento de “shunt” pulmonar. A utilização de pressão positiva contínua melhora a oxigenação desses pacientes reduzindo o “shunt”. Esse efeito é explicado pela capacidade da pressão positiva contínua de recrutar unidades alveolares colapsadas.

A combinação dos efeitos sobre a mecânica respiratória, a oxigenação e o sistema circulatório resulta em melhora no balanço entre a oferta e o consumo de oxigênio nos pacientes com insuficiência cardíaca congestiva. A soma desses efeitos pode ser demonstrada na redução da necessidade de ventilação mecânica nos pacientes que se submeteram ao tratamento com pressão positiva contínua. Teoricamente, o uso de outras modalidades de ventilação não-invasiva, que utilizem ventilação assistida (como, por exemplo, pressão de suporte associada a pressão positiva contínua), no cardiopata agudo traria redução ainda maior do trabalho respiratório, podendo ter efeitos adicionais no tratamento da insuficiência respiratória aguda de origem cardiogênica. O único trabalho que explora o suporte ventilatório não-invasivo através de ventilação em dois níveis de pressão (BIPAP) em pacientes com edema agudo dos pulmões demonstra melhora mais rápida dos parâmetros ventilatórios na população que utilizou BIPAP, quando comparada a outra população que utilizou a pressão positiva contínua. O tempo de permanência hospitalar, a mortalidade e a necessidade de ventilação mecânica não foram diferentes entre esses dois grupos, porém a incidência de infarto agudo do miocárdio na população que utilizou BIPAP foi de 71%, contra 31% do grupo que utilizou pressão positiva contínua. Essa incidência elevada de infarto agudo do miocárdio (mais elevada inclusive que o controle histórico) ressalta a necessidade de novos estudos para a elucidação da influência de outros modos de ventilação assistida sobre a hemodinâmica e sobre as taxas de infarto.

Efeitos crônicos da pressão positiva contínua em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva

O uso crônico noturno de pressão positiva contínua tem papel importante em pacientes com concomitância de insuficiência cardíaca congestiva e distúrbios respiratórios do sono, os quais incluem apnéia obstrutiva do sono e respiração de Cheyne-Stokes com apnéias centrais. A apnéia obstrutiva do sono é caracterizada por perda do tono da musculatura inspiratória das vias aéreas superiores durante o sono, que é superimposta a uma faringe estreita e altamente complacente. Como resultado, a faringe colaba durante o sono, levando a apnéias obstrutivas. A respiração de Cheyne-Stokes é uma forma de respiração periódica, caracterizada por apnéias centrais, que se alternam com períodos regulares de ventilação, ocorrendo de forma crescente-decrescente. Portanto, a maior diferença entre apnéia obstrutiva do sono e respiração de Cheyne-Stokes é a caracterização da natureza das apnéias. Enquanto durante a apnéia obstrutiva do sono o paciente, na tentativa de respirar contra uma via aérea superior fechada, gera pressão negativa intratorácica, durante a respiração de Cheyne-Stokes não existe geração de esforço respiratório, o que permite classificar as apnéias como centrais.

A prevalência de apnéia obstrutiva do sono em populações de indivíduos normais, entre os 30 e os 60 anos de idade, é relativamente alta (aproximadamente 9% em homens e 4% em mulheres). Em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, além de alta incidência de apnéia obstrutiva do sono, grande número apresenta respiração de Cheyne-Stokes (em torno de 30% de pacientes com insuficiência cardíaca congestiva grave). Quando somados, os distúrbios respiratórios do sono em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva são extremamente comuns, chegando a 45%. Apesar desses números extremamente altos, o diagnóstico de distúrbios respiratórios do sono em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva é baixo. O principal fator está provavelmente relacionado ao pequeno reconhecimento da importância dos distúrbios respiratórios do sono pela comunidade médica. Adicionalmente, em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, sintomas como dificuldades para manter o sono, dispnéia noturna, sonolência e fadiga diurna superpõem-se aos sintomas relacionados à insuficiência cardíaca, tornando o diagnóstico desses distúrbios ainda mais difícil.

Durante o sono, em condições normais, existe redução do metabolismo basal, da atividade nervosa simpática, da freqüência cardíaca, do débito cardíaco e da pressão arterial sistêmica. A resultante de todas essas alterações fisiológicas é uma redução do trabalho imposto ao miocárdio. Em contraste, nos pacientes com apnéia obstrutiva do sono, os múltiplos episódios de apnéias obstrutivas desencadeiam uma complexa cadeia de eventos fisiopatológicos que incluem geração de pressão intratorácica negativa com aumento da pós-carga imposta ao ventrículo esquerdo, hipoxia, retenção de CO2, freqüentes despertares, ativação do sistema nervoso simpático (desencadeada por todos os mecanismos citados) e aumento cíclico da pressão arterial sistêmica. Todos os elementos descritos são potencialmente deletérios para o sistema cardiovascular, em especial nos pacientes que já apresentam disfunção cardíaca. O tratamento da apnéia obstrutiva do sono em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva é similar ao tratamento quando na ausência de insuficiência cardíaca congestiva. O objetivo principal é a manutenção da patência das vias aéreas superiores e a prevenção da apnéia e suas conseqüências. Algumas medidas gerais, como perder peso e evitar o uso de álcool e de medicamentos sedativos, podem ajudar a evitar o fechamento das vias aéreas durante a noite. O tratamento específico de eleição na maioria dos casos de apnéia obstrutiva do sono é o uso de pressão positiva contínua. A pressão positiva contínua elimina as apnéias obstrutivas ao atuar como uma “tala pneumática” que previne o colapso das vias aéreas superiores. Malone e colaboradores demonstraram melhora significativa da fração de ejeção durante o dia em associação com melhora da classe funcional após o tratamento por um mês em pacientes com cardiomiopatia dilatada e apnéia obstrutiva do sono concomitante. Adicionalmente, a retirada por apenas uma semana da pressão positiva contínua foi suficiente para determinar o retorno da fração de ejeção para valores pré-tratamento.

A respiração de Cheyne Stokes pode existir como conseqüência de disfunção cardíaca grave ou de doenças neurológicas. O elemento fisiopatológico principal envolvido na gênese da respiração de Cheyne-Stokes em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva é a congestão pulmonar, que, por meio da estimulação vagal, determina hiperventilação e hipocapnia, que, por sua vez, desencadeia apnéias centrais. A respiração de Cheyne-Stokes não é somente um marcador de mau prognóstico em pacientes com insuficiência cardíaca congestiva, como também existem evidências de que uma vez estabelecida a respiração de Cheyne Stokes, esta participa de um ciclo vicioso que contribui para rápida deterioração cardiovascular. Os elementos fisiopatológicos que podem estar envolvidos na deterioração cardíaca em pacientes com respiração de Cheyne-Stokes incluem despertares freqüentes, hipoxia recorrente, oscilações da pressão arterial, e freqüência cardíaca e ativação do sistema nervoso simpático. Ao contrário da apnéia obstrutiva do sono, onde o tratamento com pressão positiva contínua elimina as apnéias quase que imediatamente, o tratamento de respiração de Cheyne-Stokes com pressão positiva contínua é mais lento e envolve mecanismos que não são completamente conhecidos. Entre eles incluem-se diminuição da pré e da pós-carga do ventrículo esquerdo, diminuição do trabalho respiratório e melhora da função cardíaca com diminuição da congestão pulmonar e sua conseqüente hiperventilação. A pressão positiva contínua também funciona como uma resistência expiratória que pode elevar o CO2 e estabilizar o sistema respiratório. Vários trabalhos demonstraram que a aplicação de pressão positiva contínua noturna em pacientes clinicamente estáveis sob terapia máxima para a insuficiência cardíaca congestiva, por períodos de um a três meses, levou à melhora de grande número de parâmetros. Entre eles incluem-se: melhora da força da musculatura respiratória, redução da atividade nervosa simpática, redução de regurgitação mitral com concomitante redução dos níveis de fator natriurético atrial e aumento da fração de ejeção.

Portanto, o reconhecimento e o tratamento adequado de distúrbios respiratórios do sono associados a insuficiência cardíaca congestiva por meio de pressão positiva contínua envolvem não só a melhora da qualidade do sono e sintomas de sonolência diurna, mas principalmente deve ser entendido como um tratamento não-farmacológico, que tem o potencial de melhorar a função cardíaca nos pacientes clinicamente estáveis, porém com insuficiência cardíaca grave.

Pré-operatório Fisioterápico na Cirurgia Cardíaca

O papel do fisioterapeuta nestas cirurgias começa, precocimente, no pré-operatório. Este período representa toda uma fase de avaliação e orientações. O paciente tem uma historia clínica colhida além de ser avaliado quanto aos aspectos ventilatórios, laboratoriais e de imagem. Estes dados avaliativos em conjunto com a história do paciente permitem qualificar os riscos de complicações, sendo que isto será importante para que o fisioterapeuta já esteja preparado quanto a sua conduta no pós-operatório. A avaliação muscular global também é feita para constatar se o paciente não possui nenhuma alteração motora como déficit de força.

Embora, se pense que o período pré-operatório corresponda apenas a coleta de dados para obtenção de parâmetros, é neste período que o paciente é orientado sobre a cirurgia propriamente dita e como deve proceder após a cirurgia diante do uso do tubo orotraqueal, dos drenos torácicos, da presença da dor e quanto a sua própria recuperação. Hall et al., em 1996 evidenciaram a importância da fisioterapia no pré- operatório. Um grupo controle, que não realizou fisioterapia nem no pré e no pós-operatório, apresentou 47% de complicações respiratórias. O grupo que fez fisioterapia pré- operatória teve 27%, enquanto que o grupo que fez fisioterapia pré e pós-operatória teve apenas 12 % de complicações. Um pré-operatório bem feito reflete resultados finais positivos na cirurgia cardíaca, pois além de nortear o fisioterapeuta também promove autoconfiança do paciente.

Pós- operatório Cirurgia Cardíaca

O pós – operatório é o momento de grande importância pois este que começou ainda no centro cirúrgico representa as repercussões da cirurgia cardíaca sobre a fisiologia dos subsistemas devem ser entendidas como variações previstas de suas funções, caso permaneçam dentro dos limites preestabelecidos. O papel do fisioterapeuta neste momento é avaliar o paciente fisicamente, adaptá-lo corretamente a ventilação mecânica e conforme a estabilidade clínica e hemodinâmica do paciente, evoluir o seu desmame.

Contudo, para que isto ocorra todo um entendimento fisiológico da convalescência do paciente no pós- operatório imediato cardíaco vai conduzir ao correto manuseio das condutas fisioterápicas no desmame e após este, onde técnicas específicas como ventilação não invasiva são realizadas. Qualquer conduta proposta tem como objetivo manter ou devolver condições fisiológicos e para tanto, é fundamental saber o que é fisiológico.

Pós- operatório Imediato de Cirurgia Cardíaca

Quando o paciente chega ao CTI em ventilação mecânica, ainda em coma anestésico e por vezes hipotérmico, deve ser recepcionada por uma equipe multiprofissional, com funções bem definidas e atuação integrada.

Os dados do paciente são passados pelo anestesista e cirurgiões para equipe, os quais incluem as intercorrências do ato cirúrgico, quais condutas foram iniciadas, o tipo de intervenção, se houve ou não transfusões sangüíneas, se há infusão de drogas e em que quantidade, bem como o balanço hídrico do paciente.

A análise clínica com exame físico minucioso da área explorada pela cirurgia ( toracotomia, drenos torácicos) em conjunto com as extremidades e seus pulsos, bem como adaptação do paciente ao respirador e obtenção dados indiretos de avaliação do débito cardíaco são medidas iniciais (o cateter de Swan-Ganz só é utilizado em casos selecionados).

Bioquímica, radiografia de tórax e eletrocardiograma são realizados e ,se necessário, são repetidos com intervalos progressivos. A pressão arterial média invasiva é utilizada apenas nas primeiras horas e modificada para mensuração não-invasiva quando a estabilidade hemodinâmica do paciente é alcançada.

Outro aspecto importante é a extubação no pós-operatório de cirurgia cardíaca. Existe atualmente uma tendência de retirada precoce do tubo orotraqueal, sobretudo nos casos mais simples. Contudo, isto obedece alguns critérios, como o retorno nível de consciência, PaO2 > 80 mmHg com FIO2 < 0,4 em modo ventilatório espontâneo com pressão de suporte menor que 12cm/H2O e Volume minuto menor que 15l/min. O pH sangüíneo deve estar em taxas normais no momento da extubação o que denotará redistribuição vascular e ausência de trabalho respiratório. O paciente deve ainda estar sem sangramento excessivo, hemodinamicamente estável (ainda que hipovolêmico e com drogas vasoativas) e com retorno de sua temperatura corporal à normalidade. A sonda nasogástrica é retirada em conjunto com a extubação do paciente, se houver retorno da peristalse. A realimentação, ainda que com dieta líquida, só se faz em torno de 8 a 10 horas após a extubação, uma vez que o fechamento da glote poderá ser anormal nesse período, com possibilidade de aspiração brônquica. A hidratação após a cirurgia cardíaca visa à reposição do volume intravascular, que está sempre em déficit. Isso ocorre por vários fatores, mas sobretudo pela importante perda líquida insensível, devido à toracotomia prolongada, estimada entre 6 ml/kg/h e 8 ml/kg/h. A circulação extracorpórea induz a extravasamento capilar difuso pela ativação das cininas e dos sistemas de complemento, resultando em edema intersticial importante, volume intravascular diminuído e volume corporal aumentado. Deve ser considerada também a perda sanguínea no ato cirúrgico e no pós-operatório para o cálculo da reidratação. Esse déficit volêmico é, por vezes, difícil de ser reposto ou corrigido no centro cirúrgico, devido ao aumento da resistência vascular periférica induzido, muitas vezes, pela hipotermia. Essa reposição deve também levar em conta as situações mórbidas presentes no pré-operatório, como insuficiência cardíaca e/ou renal. Considera-se, ainda, que há diminuição da complacência ventricular esquerda, pelo edema miocárdico, resultante do trauma cardíaco ou da inadequada proteção miocárdica à isquemia. Essa hidratação, parcialmente iniciada no centro cirúrgico, é continuada na terapia intensiva, preferencialmente com cristalóides isotônicos, como Ringer simples ou lactato. O uso de sangue e/ou de seus derivados deve obedecer indicações específicas e não devem ser utilizados como expansores volumétricos. Para o cálculo do volume a ser administrado, são muito úteis as determinações da pressão de oclusão da artéria pulmonar, da pressão venosa central, da medida do débito cardíaco, da diurese e da pressão arterial média. É importante lembrar, no entanto, que a pré-carga excessiva pode ser deletéria por aumentar a pressão de enchimento ventricular esquerda como diminuição da complacência pulmonar, aumentando o trabalho respiratório e gerando hipoxemia. Além dos pulmões, essa sobrecarga hídrica pode produzir edema intersticial no cérebro, no fígado e nos rins. Essa fase de reposição de volume se completa, em média, entre 12 e 20 horas após a cirurgia, quando o volume intravascular está completo e o extravasamento capilar já não ocorre. Esse momento pode ser facilmente percebido quando qualquer administração de volume extra produz aumento imediato e exagerado da pressão venosa central e da pressão de oclusão da artéria pulmonar. Embora o volume intravascular seja normal, a água corporal total está aumentada. Nessa fase, mesmo com evidente balanço hídrico positivo, poderá advir oligúria, ainda que em presença de débito cardíaco adequado, que possivelmente se deve à secreção inapropriada do hormônio antidiurético. O uso de diuréticos nesse período é avaliado com critério. A circulação extracorpórea, além da retenção de sódio e água, poderá causar diminuição da quantidade total de potássio corporal. Outra provável causa para o déficit de potássio encontrado nessa fase, apesar da acidose que pode estar presente nas primeiras horas pós-circulação extracorpórea (acidose de “washout”), é a elevação do hormônio antidiurético e da aldosterona nesse período. A hiponatremia, nessa fase, apesar da retenção de sódio, é provavelmente dilucional e não se recomenda sua reposição além da que é normalmente feita quando se utilizam soluções de cristalóides, salvo se houver manifestações clínicas decorrentes dessa situação, ou na necessidade de reposição rápida do intravascular por hipotensão arterial, ou, ainda, em situações especiais, como na cetoacidose diabética. Outro aspecto que merece destaque no pós-operatório de cirurgia cardíaca é a analgesia, de fundamental importância para o conforto do paciente e para a obtenção de sua colaboração no pós-operatório.A dor no pós-operatório é prejudicial à convalescença normal por causar vasoconstrição, hipertonia muscular, taquicardia e taquipnéia por estímulo bulbar, podendo gerar graves arritmias, atelectasias e retenção de secreções na árvore brônquica. A analgesia controlada pelo paciente com infusões programadas para doses fixas, com intervalos mínimos, embora pouco utilizada ainda na maioria das terapias intensivas, tem-se mostrado bastante efetiva no combate da dor com pouca quantidade de analgésicos.
Conclusão

A utilização da pressão positiva contínua em cardiopatas já faz parte do arsenal terapêutico não-farmacológico. O benefício da pressão positiva contínua no edema agudo dos pulmões sobre as condições respiratórias e hemodinâmicas é indiscutível. Está definido que a pressão positiva contínua melhora a oxigenação e diminui o trabalho respiratório e o esforço ventilatório, reduzindo a necessidade de intubação e de ventilação mecânica. A pressão positiva contínua reduz a pressão transmural do ventrículo esquerdo, sugerindo melhora do desempenho cardíaco. Os efeitos da utilização da pressão positiva contínua noturna em cardiopatas crônicos parecem promissores no tratamento do cardiopata estável, principalmente se este apresentar distúrbio do sono concomitante.

Ainda faltam estudos que correlacionem esses efeitos benéficos (agudos e crônicos) com a influência sobre a mortalidade dos pacientes com insuficiência cardíaca grave.

O que é Ronco?

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Autor: Fábio Pagliotto da Conceição

O Ronco é causado pelo relaxamento excessivo dos músculos da garganta durante o sono de modo que o fluxo de ar se torna parcialmente bloqueado. A vibração de estruturas da garganta (palato mole) na passagem estreitada resulta em ronco sonoro.

Causas:

As pessoas são mais propensas a roncar quando dormem de costas e respiram pela boca. Pessoas obesas são mais propensas ao ronco porque elas tem mais tecido adiposo no pescoço. Perda de tônus muscular também pode contribuir para o transtorno. O tônus muscular diminui com doenças, uso de álcool ou outras drogas (tais como tranquilizantes e anti-histamínicos), ou simplesmente com a idade. Uma pessoa com um nariz obstruido ou congestionado precisa fazer mais esforço para inalar o que cria uma maior pressão para empurrar os músculos da garganta e os fazem vibrar mais. É por isto que muitas pessoas roncam quando tem um resfriado ou alergia nasal, mas não em outras situações.

Quando o ronco se torna um problema?

Cerca de 10 a 30% dos adultos roncam, e na maior parte dos casos, roncar não tem consequências médicas sérias. No entanto, o ronco pode ser perturbador para os outros e prejudiacar a qualidade do sono. O Ronco pode piorar a medida que o ar passa mais bloqueado. Ronco extremamente alto e habitual pode ser indicativo de apnéia de sono, uma condição na qual a respiração é prejudicada ou totalmente interrompida durante o sono.

Fatores de risco para o ronco habitual:

Sexo masculino.
Obesidade.
Uso de bebidas alcoólicas.
Uso de medicamentos para dormir ou relaxantes musculares.
Tabagismo.
Dicas para reduzir o ronco:

Durma de lado ao invés do decúbito dorsal.
Faça exercícios diariamente para desenvolver um bom tônus muscular.
Perca peso.
Evite álcool, fumo e medicamentos relaxantes musculares durante o sono.

Fonte: National Heart, Lung and Blood Institute.

UM OUTRO OLHAR SOBRE O FILME "PATCH ADAMS"

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Autor: Bruno Vath

1) IDÉIA DO TRABALHO

Numa Sexta-feira à noite, depois de uma longa semana de aulas, resolvemos ir ao cinema.

Estávamos a decidir qual o filme que íamos ver, até que um de nós se lembrou do filme “Patch Adams”. Embora não soubéssemos qual o tema do filme, este tinha-nos sido muito recomendado.

No final do filme, todos nós estávamos de acordo que este tinha sido uma óptima escolha e estávamos bastante entusiasmados com o seu tema.

“Patch Adams” era um aluno muito especial, que não se conformava com as regras impostas pela Universidade, lutando contra elas e acabando por sair vencedor…

Esta ideia suscitou-nos um enorme interesse, uma vez que somos estudantes universitários e como tal, estamos também sujeitos a determinadas regras com as quais muitas vezes não concordamos e não nos identificamos, mas acabamos na maioria das vezes por nos conformarmos. Este interesse lançou-nos um desafio:

Partir deste filme, isto é, algo que faz parte do senso comum, e através de uma análise mais científica, tirar algumas conclusões.

A personagem do filme, estudante universitário de medicina entra constantemente em conflito com os directores da universidade, dado valorizar muito mais o lado prático d o curso.

Esta forma de como o actor perspectiva o estudo da medicina, é muito semelhante à de “Randall Collins”, pois este defendia que a formação dos indivíduos não deverá ser através de licenciaturas, mas sim através do contacto directo com a prática profissional (Randall Collins, 1979, The Credential Society, New York:Academic Press, pp.191-204). A ideia defendida por Randall Collins poderia ser um ponto de partida para a interpretação do filme “Patch Adams”, mas temos consciência de que seria um objectivo demasiado ambicioso no âmbito da disciplina de Comportamento Organizacional.

Devido ao enorme conflito existente entre o estudante e a Universidade de Medicina, pensamos ser possível uma relação entre a tese da incongruência de Chris Argyris e o filme em questão.

Deste modo, achamos ser bastante interessante interpretar até que ponto o guião do filme incorporou ou não as ideias de Argyris na realização do mesmo.

2) ABORDAGEM TEÓRICA

Para atingir o nosso objectivo optamos pelo modelo teórico de Argyris, nomeadamente a tese da incongruência. A partir deste modelo é possível perceber os factores que determinam a extensão da incongruência.

Características distintivas do modelo

Tendo como base um dilema “indivíduo–organização”, Argyris identifica na sua tese os vários níveis da incongruência, os respectivos reflexos nas acções , comportamentos do indivíduo dentro da organização e as consequências no seu desempenho, consistindo em três partes:

o que é que os indivíduos querem da organização
o que é que as organizações pretendem dos indivíduos
como é que os desejos de ambos são compatíveis
De acordo com o presente na revista ” Argyris, Chris (1973).Personality and Organization Theory Revisted. Administrative Science Quarterly 18 (2), pp.141-167 ” o autor sugere ainda que à medida que as pessoas vão crescendo e se tornam mais maduras sofrem determinadas mudanças básicas ao nível dos interesses e necessidades, como sejam:

i. Passagem de um estado de passividade para um estado de actividade;

ii. Desenvolvimento de autonomia e independência face aos outros;

iii. Desenvolvimento de diversos modos de actuação em detrimento de um único modo de actuação;

iv. Desenvolvimento de interesses mais profundos e em menor quantidade, em vez de muitos e mais casuais e superficiais;

v. Desenvolvimento de uma perspectiva de longo prazo (o comportamento é determinado não só por acontecimentos presentes, mas também pelos passados e futuros);

vi. Passagem de uma posição de subordinado para uma de subordinante

vii. Desenvolvimento de um maior auto-controlo, de uma maior compreensão e de uma maior auto-consciência

O que o modelo pretende mostrar

O modelo defende que a organização, tendo por base a eficiência e eficácia na execução dos seus objectivos, se preocupa mais com a execução destes do que com a satisfação dos interesses pessoais dos indivíduos que a compõem. A existência de regras definidas e de uma unidade de comando impede os indivíduos de desenvolverem e porem em prática as suas próprias capacidades, tornando-os estandardizados; surgem assim diferenças entre os objectivos e necessidades individuais e o próprio clima da organização.

Qualquer organização cresce porque os objectivos que procura atingir são demasiado complexos para um só indivíduo os atingir. Assim, as acções necessárias para a consecução dos objectivos são divididos pelos indivíduos que constituem a organização. Como é óbvio, cada indivíduo tem os seus desejos, necessidades e objectivos próprios e só contribui construtivamente para o desenvolvimento da organização, se esta satisfizer de uma forma justa e positiva essas necessidades e expectativas. Portanto, é de realçar a importância de conseguir harmonizar os objectivos da organização com as necessidades daqueles que a constituem. As organizações têm uma vida própria, pois têm objectivos que, infelizmente, podem ser independentes ou antagónicos das necessidades dos indivíduos. Neste sentido, as possibilidades de interacção são inevitáveis e variam consoante as personalidades de cada um. Assim, é provável o conflito entre as necessidades individuais e a configuração estrutural e formal da organização. De acordo com o especificado no modelo, quanto mais formal for a organização, mais o comportamento do indivíduo tenderá a ser conflituoso e por sua vez a organização tenderá a fazer uma avaliação do seu desempenho ( recorrendo por

vezes à punição). Existem vários factores que determinam a extensão da incongruência, tais como, o indivíduo ocupar uma baixa posição hierárquica, ter controlo reduzido nas suas condições de trabalho e ser impossibilitado de se empenhar ao máximo segundo as suas aptidões e competências. Além disso, quanto mais directa a liderança e quanto mais unilateral o controlo de gestão, mais dependente o indivíduo se sentirá. O indivíduo tentará ignorar ou superar este

género de dificuldades e o resultado será o fracasso psicológico, a frustração e o conflito. Este tipo de sentimentos pode levar a reacções distintas por parte dos subordinados de acordo com a sua personalidade, e será tanto maior, quanto mais maduros estes forem e quanto mais regras e procedimentos existirem na organização.

Os subordinados poderão tomar a decisão de abandonar temporariamente ou definitivamente a organização ou poderão optar por se manter na organização, trabalhando arduamente de maneira a alcançar níveis superiores e lutando contra a organização com o objectivo de ganhar maior controlo sobre esta. Perante este tipo de decisão, o indivíduo tende a adoptar mecanismos de defesa, na tentativa de introduzir os seus ideais e conceitos próprios na organização. Têm ainda a opção de ficar na organização, distanciando-se psicologicamente e tornando-se indiferentes, apáticos e descomprometidos com esta. Nesta situação não há união, nem turnover nem mesmo absentismo. Por outro lado, pode ficar na organização não pela importância intrínseca do seu trabalho, mas sim pela remuneração.

3) METODOLOGIA

A abordagem metodológica escolhida foi a análise do filme “Patch Adams”. Este filme foi a fonte de informação utilizada, como forma de operacionalizar o nosso objectivo.

Este tipo de abordagem designa-se por método qualitativo, o qual é utilizado para estudar comportamentos e processos, quando estes não podem ser quantificáveis. Este método envolve uma interpretação aproximada da realidade, feita com base em material empírico como sejam experiências pessoais e histórias verídicas.

O facto de o investigador recorrer às suas próprias experiências e conhecimentos introduz alguma subjectividade nos resultados na medida em que ele próprio

observa o objectivo através de uma perspectiva própria. O investigador faz por assim dizer uma “filtragem” daquilo que observa assimilando apenas aquilo que considera relevante para o seu trabalho.

Desta forma, não existe qualquer tipo de envolvimento com o sujeito em estudo (personagem do filme), pois limitamo-nos a observar o seu comportamento e atitudes relativamente a determinadas situações.

Descrição do filme

O filme relata uma história verídica, que tem como base a história de um estudante universitário de medicina, Patch Adams, que não se conforma com determinadas regras da universidade.

Durante todo o filme, o estudante infringe as regras da universidade na tentativa de impôr os seus ideais relativamente ao curso de medicina, os quais se centram no contacto directo e frequente com os doentes, e não no estudo teórico.

Para este estudante, o humor é o melhor remédio e está disposto a levar alegria aos seus pacientes das formas mais extravagantes, mesmo que isso signifique colocar a sua carreira em risco.

Toda esta situação baseada em peripécias verídicas de um médico que desafiou as convenções da sua profissão e que criou uma perspectiva totalmente diferente da medicina e do seu estudo, vai gerar enormes conflitos com os directores da universidade e do hospital. Estes conflitos levaram a que a universidade avisasse várias vezes o aluno quanto ao seu comportamento e tivesse por mais do que uma vez perto de o expulsar. Não tendo o aluno levado estes avisos em consideração, manteve os seus comportamentos. Em consequência foi expulso definitivamente, mas não concordando com os factos que a faculdade apontava como justificação da expulsão, pediu recurso, levando o caso ao tribunal da ordem dos médicos.

Após a apresentação das argumentações de cada uma das partes, isto é, do aluno e dos directores da universidade, o painel de júris chegou à conclusão de que, o comportamento e os métodos utilizados pelo aluno eram invulgares e, em grande parte, iam contra os princípios básicos daquela honrosa e já muito antiga profissão. Porém, o aluno tinha dentro de si uma chama que revelava a sua especial vocação e o enorme interesse e desejo por ajudar o próximo. Os júris,

inclusivé, esperavam que essa chama se alastrasse por toda a classe médica, do mesmo modo que as labaredas do fogo devastam uma floresta.

Desta forma, o painel de júris acaba por se pôr do lado do aluno, dando-lhe assim a oportunidade de acabar o seu curso e exercer medicina. Estes mesmos júris chamaram a atenção dos directores da universidade devido ao seu excessivo rigor e à falta de sensibilidade pela posição dos alunos. Toda esta situação foi de tal forma emocionante e sensibilizadora para a classe médica em geral que acabou

por dar a conhecer a todos a causa pela qual o aluno lutava e, por juntar muitos médicos à sua defesa.

Como resultado de toda a sua actuação e para além de ter saído vencedor deste desafio, Patch Adams acabou por abrir uma clínica privada em Virginia onde tratou mais de 15000 pessoas gratuitamente e sem qualquer seguro. Mais de 1000 médicos ofereceram-se para deixar as suas clínicas e aderir à causa de Patch, alterando a forma como encaravam a sua profissão, assim como muitas universidades reformularam o seu método de ensino.

4) INTERPRETAÇÃO DO FILME À LUZ DA TEORIA DA INCONGRUÊNCIA DE CHRIS ARGYRIS

O modelo articula-se com o nosso objectivo, na medida em que a partir do mesmo podemos perceber os factores que determinam a extensão da incongruência. Neste sentido, podemos aplicá-lo ao actor em estudo, uma vez que o filme constata um dilema “indivíduo-organização”, relação essa que é a base da tese da incongruência.

Adaptando ao nosso caso, vamos numa primeira fase identificar o que o actor ( “Patch Adams” ) quer da universidade. O estudante pretende auferir um ensino mais pragmático, isto é, que não se limite apenas ao estudo intensivo da teoria que se encontra nos manuais.

Contrariamente a universidade dá mais ênfase a um estudo teórico valorizando os alunos que se dedicam mais ao estudo dos livros. Através do filme, verifica-se que estes desejos contraditórios de ambas as partes são completamente incompatíveis pois, assiste-se a um infringir constante das regras por parte do estudante e a uma punição, também constante, por parte dos directores da universidade.

Quando surgem níveis tão elevados de incongruência, os indivíduos podem ter segundo Argyris reacções distintas.

Entre todas estas reacções (já apresentadas no ponto 2) apenas uma se aplica ao actor em estudo. ” Patch Adams” optou por se manter na universidade, trabalhando intensamente e lutando contra as regras da universidade, com o objectivo de introduzir nesta os seus ideais e conceitos próprios, isto é, adoptando mecanismos de defesa. Esta situação vem mostrar que um conflito entre a

organização e o indivíduo, nem sempre leva a níveis de desempenho negativos por parte dos indivíduos, pois, “Patch Adams” foi bastante persistente na concretização dos seus objectivos e ideais, empenhando-se sempre o mais possível.

De acordo com a tese de Argyris verificamos que na parte inicial do filme o actor vive numa situação de passividade e dependência, sem objectivos de vida. Posteriormente frequentou uma clínica de recuperação psicológica na qual se apercebeu que conseguia ajudar as pessoas que o rodeavam. Foi aí que descobriu a sua vocação, decidindo licenciar-se em medicina. Esta decisão fez com que o actor sofresse inúmeras mudanças no seu comportamento. Desenvolveu maior autonomia e independência, assim como maior auto-controlo, auto-consciência e compreensão. Como exemplo disso, temos o facto de ter sido ele próprio a decidir abandonar a clínica, contrariando a vontade dos médicos assim como também foi ele próprio que decidiu inscrever-se na faculdade de medicina com uma idade invulgar para um estudante universitário (com mais ou menos 40 anos). Além disso, o seu comportamento passou a ser determinado não pelos acontecimentos presentes, mas sim por uma combinação destes com os passados e os futuros, isto é, desenvolveu uma perspectiva de longo prazo. Este facto é visível no filme, já que a partir do momento em que ele entrou na faculdade passou a ter uma prospecção futura em termos profissionais, nomeadamente exercer medicina. Tudo isto está de acordo com o modelo teórico de Chris Argyris, pois este sugere que à medida que as pessoas vão crescendo e se tornam mais maduras, sofrem determinadas mudanças básicas ao nível dos interesses e necessidades, o que realmente se verificou com a personagem em questão.

Neste sentido, segundo Argyris, podemos enumerar algumas razões para a existência de um nível tão elevado de incongruência. Uma das razões é o facto de o autor ser maduro, muito independente e ter uma elevada autoconsciência em relação aos ideais que defende. Outra razão, também presente no modelo de Argyris, relaciona-se com o facto de a universidade ser muito estruturada e formalizada, isto é, com várias regras e procedimentos bastante rígidos.

5) NOTA FINAL

Até aqui ficamos com a ideia de que o guião do filme incorpora a tese de Argyris. Mas, por outro lado, temos consciência de que essa incorporação não é perfeita, pois concluímos que alguns pontos do modelo considerados como inequívocas consequências do conflito indivíduo-organização não se enquadram na situação evidenciada pelo filme. Isto porque o modelo centra-se mais num estudo das organizações que têm como base a utilização de tecnologias para a produção em massa. Contrariamente, o nosso caso centra-se no estudo de uma organização que recorre à utilização de recursos humanos, e não tecnologias, para formar e desenvolver indivíduos na área da medicina.

Visto que o trabalho se enquadra no âmbito do comportamento organizacional, podemos através dele reforçar a ideia de que a generalização é uma meta difícil de atingir. Isto é, os modelos teóricos em comportamento organizacional não se aplicam a todo e qualquer comportamento dos indivíduos da organização.

Desta forma, concluímos que não existe uma adaptação total e perfeita entre a tese da incongruência e o filme “Patch Adams”, porque qualquer teoria é construída para uma aplicação generalizada e, como tal, não se adequa integralmente a nenhuma realidade muito específica.

6) IDEIA FINAL

Ao longo deste trabalho, todas as nossas atenções foram despertadas para o facto de na generalidade das universidades a teoria ser mais valorizada do que a prática. Como tal, gostaríamos de fazer um estudo mais aprofundado nesta matéria, no entanto sabemos que só será possível tendo mais informação sobre as várias metodologias de ensino e com base em outras teorias mais adequadas, o que deixamos para uma investigação futura.

Bibliografia

Argyris, Chris (1973). Personality and Organization Theory Revisted. Administrative Science Quarterly 18 (2), pp .141-167
Randall, Collins, 1979, The Credential Society, New York:Academic Press,pp.191-204 : www.runet.edu/%7Elridener/courses/Collinr2.HTML (visto em 20 de Dez de 1999)

Mecanismo Caudador da LER/DORT

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Autor: Elan Wagner Santos Chaves

INTRODUÇÃO

Hans Selye, na prefácio de seu livro ” The Stress of Life” – 1978, resumiu admiravelmente bem os mecanismos pelos quais tantas pessoas podem adoecer – “a vida é principalmente, um processo de adaptação às circunstâncias em meio às quais nós todos existimos. O segredo da saúde e da felicidade está no sucesso com que nós conseguimos nos adaptar às infindáveis mudanças que ocorrem no nosso mundo. Quando não conseguimos nos adaptar, ficamos doentes e sofremos”.

O que os homens são em cada momento histórico, o que produzem, como vivem e como morrem, depende de como organizam suas atividades produtivas. Desde seus primórdios até os dias atuais a forma como o trabalho é realizado depende e determina o que o homem é. O homem e o trabalho constituem os dois termos de uma relação de determinação reflexiva, na qual um não existe sem o outro e na qual um se define pelo outro, em conseqüência, quando estamos tratando da organização do trabalho, o que está subjacente é a definição da vida de cada um de nós.

A relação homem-Trabalho tem se mostrado muito conflitante aos olhos da sociedade e do próprio trabalhador, que é o que mais sai perdendo nessa relação, necessitamos de uma organização e divisão de trabalho mais justa. Dr. Roberto Shinyashiki, em seu livro O sucesso é ser feliz descreve muito bem essa relação: – ” a luta pela sobrevivência está brutalizando o ser humano. As pessoas vivem extremamente pressionadas. A competição tem servido como justificativa para todos os tipo de absurdos. Milhões de anos depois dos homens das cavernas, a vida continua a ser um campo de batalha. As pessoas destroem a si mesma e às outras, para atingir suas metas. O preço de tudo isso tem sido alto. Há empresas cujos gerentes com mais de dez anos de casa, sofrem infarto. Em muitas delas, as pessoas são consumidas como laranjas: espreme-se o e joga-se o que sobrou, o bagaço. A sociedade se transformou em triturador de sonhos”. Portanto, não é apenas a mesa ou a cadeira de trabalho, fora dos padrões considerados adequados, que contribuem para o aparecimento de sintomas dolorosos nos digitadores e em profissionais de diversas áreas. A tensão, produzida pelo estabelecimento de prazos, muitas vezes irrealistas, quanto à possibilidade de finalização das tarefas, a presença de ambiente hostil e restritivo, no que diz respeito às possibilidades de crescimento individual e de satisfação de necessidades pessoais, o estresse resultante das mudanças econômicas profundas e ameaçadoras, que colocam em risco a segurança pessoal do trabalhador. Tudo isso exerce influência no aparecimento do sofrimento, tantas vezes percebido como DOR.

MECANISMO CAUSADOR DE LER/DORT – INTERPRETAÇÃO HERMENÊUTICA.

(ESCOLA FRANCESA DE ERGONOMIA)

1.0- DIVISÃO E ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

Em toda história da humanidade a divisão do trabalho se fez presente, e sempre foi uma atividade social realizada em conjunto, de forma cooperativa, compartilhada. Uma divisão do trabalho que implicava numa organização temporal das diversas atividades, envolvendo equipamentos, homens e materiais. Desde do início essa divisão diferenciava e subjugava umas classes às outras, hierarquizava funções.

A divisão e organização do trabalho sempre sofreu influência de faraós, imperadores, reis, filósofos, estudiosos, religiões, como a Igreja Católica, organizações militares e governantes. Através dos séculos cada um deles adicionaram idéias, princípios, estratégias e teorias, mas no século XVIII, com a invenção da máquina a vapor e a sua aplicação à produção, surgiu uma nova concepção de trabalho que modificou completamente a estrutura organizacional do trabalho provocando profundas e rápidas mudanças de ordem econômica, política e principalmente social que, em um lapso de um século, foram maiores do que as mudanças ocorridas em todo o milênio anterior. Todo esse processo foi chamada de Revolução Industrial, atingiu seu ímpeto a partir do século XIX, e como uma bola de neve em aceleração crescente não parou mais, mecanizando a agricultura, a industria, desenvolvendo o sistema fabril que acabou aniquilando o pequeno artesão e sua oficina patronal. Essa calma produção de artesanato, em que operários se conheciam e eram organizados em corporações de ofício regidas por estatutos, tudo isso substituído pelo regime de produção por meio de máquinas, dentro de grandes fábricas. A mecanização do trabalho levou à uma nova divisão do trabalho, ocorrendo uma simplificação das operações, substituindo os ofícios tradicionais por tarefas semi-automatizadas e repetitivas. Até o momento esse crescimento industrial era improvisado e baseado em empirismo. Sendo assim a Revolução Industrial, embora tenha provocado uma profunda mudança na estrutura empresarial e econômica da época, não chegou a influenciar diretamente os princípios organizacionais das empresas então utilizados, a preocupação dos empresários se fixava na melhoria dos aspectos mecânicos e tecnológicos da produção, com objetivo de produzir quantidades maiores de produtos melhores e de menor custo. A gestão do pessoal e a coordenação do esforço produtivo eram aspectos de pouca ou nenhuma importância.

Em 1912 um engenheiro americano chamado Frederick Winslow Taylor publicou uma obra denominada Princípios de Administração Científica, nela Taylor defendia que o trabalho deveria ser cientificamente observado de modo que, para cada tarefa, fosse estabelecido o método correto de executá-la, com um tempo determinado, usando as ferramentas corretas. Os trabalhadores deveriam ser controlados, medindo-se a produtividade de cada um e pagando- se incentivos àqueles mais produtivos. Essa nova divisão do trabalho seguia por dois sentidos. Um vertical que consistia em separar as atividades intelectuais do trabalho manual e essa norma caracterizava um dos pilares das idéias de Taylor, para ele o trabalhador seria incapaz de elaborar com uma compreensão “científica” suas tarefas, ficando estas atribuídas a um corpo de especialistas. O outro sentido era o horizontal, dividindo o ofício do artesão em múltiplas tarefas. No artesanato era preciso ser artesão para ensinar como se faz um trabalho, no taylorismo, basta ser um hábil manipulador do cronômetro. Quanto mais avançava essas duas divisões do trabalho menos conteúdo intelectual exigia a tarefa e mais se aprofundava a “distância’ entre o funcionário e o seu chefe. Com isso a qualificação exigida dos trabalhadores restando apenas o suficiente para se realizar tarefas simples.

Para Taylor, o operário não tinha capacidade, nem formação, nem meios para analisar cientificamente seu trabalho e estabelecer racionalmente o método ou processo mais eficiente. Por isso ele desenvolveu a Organização racional do trabalho (ORT), que buscava substituir métodos empíricos e rudimentares pelos métodos científicos. Geralmente, o supervisor deixava ao critério de cada operário a escolha do método de execução de seu trabalho isso levava tempo, o que Taylor fez foi buscas instrumentos, ferramentas mais adequada que possibilitassem uma maior rapidez nas tarefas isso foi feito através de uma acurada análise científica de tempos e movimentos. De um modo geral a ORT se fundamentava em: Análise do Trabalho e Estudo dos tempos e movimentos; Divisão do Trabalho e Especialização do Operário; Incentivos Salariais e Prêmios de Produção; Condições de Trabalho; Padronização; Supervisão Funcional.

Esse fundamentos foram adaptados por Henry Ford, que foi uns dos primeiros a seguir essa linha de pensamento de Taylor, uma das características do fodismo era uma estrutura ocupacional hierarquizada, rígida e a gerência autoritária e inflexível sobre a massa de trabalhadores. Tal modelo ainda é utilizado em larga escala, especialmente em países de capitalismo tardio e periférico como o brasil. Foi Ford que desenvolveu a linha de montagem visando a produção em grande escala, estandardizada, voltada para o consumo de massa.

A evolução da grande indústria capitalista ao longo deste século vem acompanhada de formas de controle e organização do processo de trabalho, que aprimoraram as técnicas de gestão sobre a força de trabalho. Os modelos taylorista e fordistas deram origem a sistemas organizacionais de produção e do trabalho extremamente autoritários, tornando praticamente impossível o desenvolvimento das potencialidades humanas individuais e subjetivas. Tal evolução trouxe repercussões abrangentes no mundo do trabalho e na sociedade e na sociedade como um todo.

A década de 80, na qual as LER/DORT se manifesta com maior intensidade presenciou, nos países de capitalismo avançado, profundas transformações decorrentes da crise mundial da maioria dos países capitalistas e socialistas. Em países capitalistas mais avançados, os padrões tayloristas-fordistas de organização do trabalho vêm sendo substituído por formas mais participativas, integradas, descentralizadas e flexíveis, baseadas na adoção dos Círculos de Controle de Qualidade (CCQs) e da experiência japonesa (toyotismo). O modelo Toyotista, é mais participativo, mais manipulatório, acarreta a intensificação da exploração do trabalho, na medida em que possibilita que um operário possa operar simultaneamente várias máquinas, intensificando o ritmo de trabalho e diminuindo a chamada “porosidade”, a produção segue o modelo just in time produzindo somente o necessário e no menor tempo possível.

Todos esse fundamentos e modelos trouxeram de certa forma alguma conseqüência ao trabalhador, as contradições e crises decorrentes de tais formas de organização do trabalho, bem como as próprias transformações tecnológicas e cientificas e a evolução dos sistemas de produção resultaram em transformações bastante profunda e abrangentes.

2.0 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO GERANDO LER/DORT.

Uma organização de trabalho conflitante potencializa efeitos patogênicos das más condições físicas, químicas, e biológicas, ou seja, é a causa de uma fragilização somática, que predispõe ao adoecimento de várias maneiras, mas existem vários distúrbios que sua gênese além de está associado a fatores organizacionais do trabalho, eles dependem da ação combinada de outros fatores, como fatores biomecânicos, fatores físicos pessoais, fatores físicos, ambientais e fatores psicológicos

Os fatores organizacionais são amplamente reconhecidos como importantes na explicação da gênese da LER/DORT, como exemplos temos: pouca autonomia do trabalhador no desenvolvimento das tarefas, ritmos acelerados de trabalho impostos pelas máquinas exigindo esforços exagerados, pressão para manter a produtividade, tensão entre as chefias e os subordinados, excesso de trabalho e horas extras, ambiente de trabalho inadequados (muito frio, pouca luz, pouco espaço, muito calor, ruídos excessivos), fragmentação do trabalho, monotonia, fadiga, relacionamento interpessoal, estresse e ausências de pausas em tarefas que exigem descansos.

Dos vários exemplos citados acima, a pressão exercida pelo hierarquia, está freqüentemente associada ao aumento de tensão e aumento do ritmo de trabalho. A sensação de estar sendo vigiado constantemente aparece com freqüência nos depoimento de funcionários, essa vigilância permanente vêm gerando o medo de perder o emprego, o medo de ser repreendido e humilhado diante do colegas, o medo de errar ou de não alcançar a produção exigida. Face a essa situação as primeiras reações são de tremor, nervosismo, ansiedade, estresse, fadiga, gerando sobrecargas físicas criando condições favoráveis ao surgimento das LER/DORT e o risco aumentado de acidente de trabalho.

3.0 ERGONOMIA E NOVA FORMAS DE ORGANIZAÇÃO DE TRABALHO NA PREVENÇÃO DAS LER/DORT.

A Escola francesa tem demonstrado em suas análises da organização de trabalho, os determinantes mediatos da situação de trabalho, apesar de imateriais, constituem os determinantes preponderantes sobre os “fatores” imediatos. Sendo assim enquanto as dimensões organizacionais, estruturas essenciais da situação de trabalho, forem consideradas apenas como mais um “fator” dentre outros, como acontece nas abordagens tradicionais, a LER/DORT permanecerá como um problema incompreensível e as tentativas de sua prevenção, inefetivas. Por isso a necessidade de humanizar o trabalho buscando novas formas de organização do trabalho, em que não seja necessário exercer controles rígidos sobre cada atividade, mas dê margem para que cada um possa exercitar suas habilidades com sentimento de auto-realização. As pessoas devem sentir-se respeitadas, sem discriminação, tendo um relacionamento amigável com seus colegas e superiores, na medida do possível a organização do trabalho deve ser feita com a participação dos próprios trabalhadores, que são os maiores interessados.

Condições de trabalho adequadas contribuem para a segurança e a saúde do trabalhador e também para melhorar o trabalho nas empresas. A Ergonomia age na organização do trabalho aumentando o grau de liberdade para a realização da tarefa, reduzindo a fragmentação e a repetição de movimentos, permitindo maior controle do trabalhador sobre seu trabalho, estabelecendo pausar, quando e onde são cabíveis durante a jornada de trabalho para relaxar, distensionar e permitir a livre movimentação sem o aumento do ritmo ou carga de trabalho ou da carga de trabalho, enriquecer o conteúdo do trabalho, nas tarefas e locais de trabalho, para que a criatividade e a realização profissional sejam objetivos comuns das empresas e dos trabalhadores, controle de horas-extras, adequação do número de pessoas por postos, evitar estruturação rígida do posto de trabalho. A variabilidade dos posto de trabalho tem sido uma medida recomendável à empresas, pois resgata o papel do homem como sujeito desse processo, buscando o equilíbrio entre suas capacidades e seus limites.

A redação Norma Regulamentadora 17 (NR-17) do Ministério do Trabalho no item 17.6.1- trata-se exclusivamente da organização do trabalho, ela estabelece que:

A organização do trabalho deve ser adequada as características psicio-fisiológicas dos trabalhadores e a natureza do trabalho a ser executado.

O processo de reconstrução produtiva que se dá de forma mais intensa a partir dos anos 90 no Brasil, tem ocasionado modificações significativas na estrutura do mercado de trabalho, sendo que uma das formas de redução dos custos e aumento da eficiência e produtividade é a “terceirização”, é uma tendência crescente, resultando na descentralização de inúmeras atividades empresariais ligadas à produção, além daquelas de despesas à segurança, saúde, limpeza e alimentação. Os grupos semi-autônomos (GSA) surgem como uma forma de flexibilizar e adequar a forma de organização do trabalho, os trabalhadores são organizados em grupos, aos quais se atribuem as responsabilidades pela divisão interna do trabalho. A empresa japonesa Toyota desenvolveu um sistema de rotação de trabalhadores, baseados na organização de pequenas unidades produtivas, chamadas células de produção. Esta se baseiam no princípio de que todos os trabalhadores de uma célula são capazes de operar as máquinas da mesma. A principal vantagem desse sistema é a redução da monotonia e combate à fadiga. Foi observado que estas novas formas de organização do trabalho, antes de constituem formas de superação da Organização Científica do Trabalho, são de fato, seus complementos ou arranjos no interior da mesma lógica, não rompendo com a divisão hierárquica do trabalho entre quem organiza e quem executa e não concedem, necessariamente, maior autonomia aos trabalhadores.

4.0 CONCLUSÃO

Hoje não há nenhum estudo sobre a LER/DORT que não pretenda incidir sobre os aspectos relacionados à organização do trabalho, os fatores organizacionais são amplamente reconhecidos como importantes na explicação da gênese da LER/DORT. Em a Organização do Futuro de Peter F. Drucke, ele se expressa muito bem, sobre o papel das organizações em relação às pessoas que nelas trabalham: ” A organização é mais do que uma máquina, como na estrutura de Taylor. Ela é mais do que econômica, definida pelos resultados alcançados no mercado. A organização é acima de tudo, social. São pessoas. Seu propósito deve ser o de tornar eficazes os pontos fortes das pessoas e irrelevantes os seus pontos fracos. Na verdade, essa é a única coisa que a organização pode fazer e a única razão pela qual existe e precisamos dela”. Precisamos aliar cada vez mais conhecimentos de saúde ocupacional com o desenvolvimento de processos administrativos e técnicas de produção que permitam implementar ações voltadas para a qualidade de vida do ser humano no trabalho, de maneira a permitir que o maior número possível de pessoas perceba o trabalhar como instrumento de realização pessoal.

5.0 BIBLIOGRAFIA

ARAÚJO, José Newton Garcia de. & Cols. L.E.R Dimensões ergonômicas e psicológicas. 2º edição. Livraria e Editora Saúde, 1998.

CHIAVENATO, Idalberto. Introdução à Teoria Geral da Administração. 6º edição. Rio de Janeiro: Editora Campus, 2000.

COUTO, Hudson de Araújo. Como gerenciar a questão das LER/DORT. 1º edição. Belo Horizonte: ed. Ergo, 1998.

IIDA, Itiro. Ergonomia – Projeto e Produção. São Paulo: Editora Edgar Blücher Ltda., 1990.

OLIVEIRA, Chrysóstomo Rocha de. & Cols. Manual Prático de LER. 2º edição. Belo Horizonte: Livraria e Editora Health, 1998.

MASSOTERAPIA

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1 – Introdução:

MASSOTERAPIA

Todos precisam relaxar para escapar do tempo. Ouvir música, apreciar o movimento das nuvens, catar pedras ou conchas na praia – esses são modos dos quais lançamos mão para acalmar a mente, readquirir um sentido de nossa própria integração na simplicidade do momento. Quando crianças, subimos em árvores e corremos de pés descalços. Estamos à vontade, entregues a nós mesmos, e em contato com nossa natureza básica. Mas ao crescer, gastamos cada vez mais tempo vivendo puramente em torno do nosso raciocínio. Agora é tempo de redirecionar o equilíbrio e nos voltarmos para nosso corpo, pela suave arte do toque e do contato. Essa é uma linguagem comum, que podemos usar para instilar melhora ou confiança, para aliviar a dor ou eliminar as tensões – mas, acima de tudo, para transmitir o fato de que nos preocupamos com as pessoas. Como uma clareira na floresta, a massagem nos dá um “espaço para respirar”, no qual podemos descansar e buscar um processo de reorientação. A massoterapia pode nos proporcionar um meio de contrabalançar as tensões do trabalho e as pressões domésticas. Para um grande número de pessoas, rigidez e dor são um modo de vida ao qual se habituaram, e com freqüência é depois que fazem ou recebem uma massagem que percebem o quanto de sua energia é consumida pela tensão. A massagem pode ser uma viagem de autodescoberta, revelando como é sentir-se mais relaxado e em harmonia, como é vivenciar o prazer de um corpo que pode respirar, prosseguir e movimentar-se livremente.

2. Definição:

Massoterapia, terapia corporal, ou também conhecida como massagem sueca, é a utilização de diversas técnicas de origem orientais e ocidentais, exercidas por meio de toques (massagens) proporcionando grandes virtudes terapêuticas, relaxantes, anti-estresses, estéticas, emocionais e desportivas. Possibilita maior contato com o próprio físico, valorizando a respiração e desenvolvendo uma melhor percepção corporal, aumentando a consciência e dando a devida importância ao equilíbrio na vida para o dia a dia.

Ela visa corrigir deficiências físicas como artroses e artrites, problemas estéticos como gordura localizada e celulite e problemas desportivos como fadiga muscular e traumatismos.

3. Massagem, passado e presente:

Durante milhares de anos, alguma forma de massagem, ou de superposição das mãos, tem sido utilizada com o objetivo de melhorar e aliviar os enfermos. Para os antigos médicos gregos e romanos, a massagem era um dos principais meios de aliviar a dor. No início do século V a.C., Hipócrates – o “pai da medicina” – escreveu: “O médico deve ter experiência em muitas coisas, mas certamente deve ter habilidade na fricção… Porque a fricção pode unir uma junta que está com demasiada folga e afrouxar uma junta que está demasiadamente rígida”. Plínio, o famoso naturalista romano, era regularmente submetido a fricções para aliviar sua asma; e Júlio César, que sofria de epilepsia, tinha seu corpo todo submetido a beliscões para aliviar sua neuralgia e suas dores de cabeça. Avicena, o filósofo e médico árabe que viveu no século XI, observou, em sua obra Cânone, que o objetivo da massagem era “a disposição das matérias estéreis ou esgotadas que se encontram nos músculos, e não são expelidas pelo exercício”. No século XVI, obteve-se a colaboração de Ambroise Paré, artrocirurgião da época, que foi considerado “o pai da massagem”. Depois, no início do século XIX, um sueco, de nome Peter Henrik Ling, desenvolveu o que atualmente é conhecido como massagem sueca, sintetizando seu sistema com base em seu conhecimento da ginástica e da fisiologia, e também das técnicas chinesa e egípcia, grega e romana. Em 1813 foi fundada em Estocolmo a primeira escola que oferecia massagem como parte do currículo, e desde então se alastraram por todo o continente europeu os institutos que incluíam a massagem em seus programas. Hoje, o valor terapêutico da massagem foi novamente reconhecido, e essa arte continua a florescer em todo o mundo ocidental, tanto entre praticantes leigos como entre profissionais. No Oriente, as técnicas de massagem sempre foram mais valorizadas do que no ocidente, e seu uso tem tido uma continuidade ininterrupta desde as eras mais remotas. Talvez a diferença que até muito recentemente existia entre as atitudes oriental e ocidental com relação à massagem tenha origem na revolução científica ocorrida no mundo ocidental há cerca de 250 anos. Em decorrência dessa nova ciência, conceitos mais antigos, que ligavam o corpo à mente e ao espírito, foram descartados como não-científicos e, com o passar do tempo, o corpo passou a ser considerado um tipo de máquina sofisticada, que podia ser consertada e mantida por pessoas altamente treinadas e especializadas – em outras palavras, os médicos. Mas no oriente essa atitude “científica” não se arraigou senão em tempos muito recentes, e as pessoas que moravam fora dos grandes centros continuaram a combinar o desejo instintivo de “esfregar para melhorar” com habilidades refinadas e elaboradas pela longa tradição transmitida pelos “médicos descalços”, detentores do conhecimento da teoria da medicina oriental e das técnicas de manipulação ou de conserto dos ossos, técnica conhecida como sei-tai.

MASSOTERAPIA

4. Tipos:

Como já dito antes, a Massoterapia engloba diversas técnicas holísticas de origem Ocidental e Oriental, e devido a isso são variados os tipos e técnicas de massagem, alguns listados abaixo:

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Reflexologia: Massagem nos pés que trabalha os pontos correspondentes a órgãos do corpo. Também se propõe a diagnosticar problemas em locais como o fígado ou estômago e, por meio da massagem, sanar o mal no ponto que corresponde ao órgão deficitário. É muito relaxante e boa para quem gosta que mexam em seus pés. A reflexologia também é boa para quem tem retenção de líquidos.

Sei-Tai: À base de torções é eficiente quando há deslocamento de vértebras ou dores nas articulações.

Do-In: Utiliza pontos específicos para aliviar sintomas causados por doenças agudas ou crônicas. Serve para a cefaleia, dor na nuca, insônia, desconforto causado por rinite ou sinusite.

Shiatsu: Proveniente do Japão, utiliza o amassamento, deslizamento, alongamento e pressão por meio dos dedos, palma da mão, com o objetivo de relaxar principalmente os músculos. O Shiatsu também pode ser usado como prevenção. Ele é indicado principalmente para dores de cabeça, insônia, dores cervicais, lombares e stress.

Shiatsu facial: Muito relaxante, melhora a fisionomia de cansaço ou tensão do rosto. Bom para disfarçar o nervosismo antes de uma festa ou reunião importante, pois melhora a aparência na hora.

Drenagem linfática: Facilita a eliminação das toxinas pelo organismo e é indicada para tratamentos estéticos, como o combate à celulite. Auxilia na redução da gordura localizada e é usada para melhorar o contorno das formas, e não para perder peso. Também é indicada para pessoas em pós-operatório e para sedentários, pois ativa a circulação.

Massagem redutora: É eficaz na eliminação de gorduras localizadas.

Massagem estética: O objetivo é diminuir barriga, tirar a celulite e gordura localizada por meio da redistribuição de gordura. É indicada para pessoas que querem apenas cuidar do contorno corporal, e não emagrecer. É uma massagem forte, mas exatamente por isso é eficiente e os resultados são visíveis. Claro que não é milagrosa. Se a pessoa quer emagrecer, precisa fazer regime e atividade física.

Massagem desportiva: É utilizada com a finalidade de condicionar a musculatura e as articulações, inclusive após a prática de esportes, visando um relaxamento.

Massagem relaxante: É utilizada no intuito de resgatar a sensação de bem-estar físico, mental e espiritual, através de um conjunto de manobras específicas realizadas no corpo que ajudam a restaurar o equilíbrio geral, amenizando os efeitos do stress, aliviando tensões, dores musculares e melhorando a postura e o tônus muscular.

Massagem Ayurvédica: Técnica curativa que desbloqueia a energia retida nos músculos e demais sistemas, permitindo assim um livre fluir da energia vital. Através de seus toques profundos e alongamentos em todo o corpo, essa massagem propicia um realinhamento postural natural e progressivo, despertando uma nova consciência corporal obtida com a realização das práticas.

5. Formas de aplicação:

São seis os tipos principais de manobras básicas dentro do Massoterapia. Dentre eles, citaremos o amassamento, deslizamento, fricção, percussão, pressão e vibração.

5.1 Amassamento:

Existem várias técnicas de amassamento como: compressão, reptante, rolamento e torção. Essa técnica permite que os músculos sejam trabalhados num nível profundo e mostra-se eficaz em particular quando realizada em áreas com bastante tecido muscular como panturrilha, quadril, coxa, ombro e as gorduras localizadas do abdômen, e as celulites do glúteo. O amassamento reptante visa dar maior nutrição às fibras musculares e proporciona maior cota de sangue arterial as mesmas, enquanto que o amassamento por compressão visa eliminar as toxinas, como o ácido lático.

5.2 Deslizamento:

Deslizamento superficial – é a técnica aplicada sempre no início e no final da massagem. Seus movimentos lentos e suaves, essenciais para que a pessoa se acostume com o contato de suas mãos, são utilizados para espalhar o óleo em todo o corpo. Além disso, permite que as mãos deslizem delicadamente ligando um movimento ao seguinte. O deslizamento superficial pode ser aplicado em qualquer parte do corpo e em geral não tem sentido obrigatório. A palma de uma, ou das duas mãos, desliza devagar pelo corpo, moldando-se a seus contornos. Para isso, elas precisam estar totalmente relaxadas. O ritmo também pode variar. Um ritmo lento acalma e relaxa, enquanto um ritmo rápido estimula determinada área. O deslizamento superficial é excelente para acalmar e eliminar a tensão e ansiedade. Além de aliviar o stress e acabar com as dores de cabeça e enxaquecas, ela melhora a pressão arterial e interrompe as noites mal dormidas.Aplicada depois de atividades esportivas, ajuda a eliminar os resíduos, como o ácido lático, que ficam depositados nos tecidos. O tempo de recuperação pode ser bem acelerado.

Deslizamento profundo – Visa a circulação de retorno (sanguínea e linfática).Tem sentido obrigatório. Deve ser feito no sentido da circulação venosa, sempre da periferia de um determinado segmento para o centro do corpo, ou seja, o coração (direção centrípeta). Seus movimentos são mais rápidos e profundos, essenciais para eliminação de toxinas dos tecidos mais profundos. O deslizamento profundo estimula o organismo. Ele melhora a circulação e ativa o fluxo da linfa para que resíduos sejam eliminados. A massagem vigorosa é eficaz em particular antes das práticas esportivas. Quando combinada com outras técnicas de massagem, pode melhorar o desempenho, aumentar a agilidade e evitar luxações.

5.3 Fricção:

Em geral, a fricção é feita com as polpas dos polegares. Entretanto, a ponta e o nó dos dedos também podem ser usados, bem como os cotovelos. Essa técnica constitui uma excelente forma de localizar e dissolver nós ou nódulos que podem desenvolver-se, sobretudo na região da escápula e dos músculos paravertebrais da coluna. O terapeuta, em geral, aprimora essa técnica nas costas. Quando aplicada no sentido celular subcutâneo, visa destruir coágulos, dissolver nós e nódulos, elimina resíduos, dissolve depósitos de gordura, suaviza velhas cicatrizes (aderências) e alivia a dor localizada. Quando aplicada em torno das articulações, visa ativar o líquido sinovial e reabsorver líquidos extravasados em conseqüência de um trauma. Quando aplicada no abdômen, visa ativar a circulação fecal.

5.4 Percussão:

A percussão consiste em uma variedade de movimentos nos quais os músculos são estimulados por várias partes das mãos, como os lados, as palmas ou até mesmo os punhos cerrados. Os movimentos de percussão são realizados apenas nas áreas mais carnudas, com mais tecido muscular – nunca nas áreas predominantemente ósseas. A manobra de percussão melhora a circulação, pois visa a contração das fibras musculares e o sangue é trazido para a superfície, induz o tônus muscular, reduz os depósitos de gordura, ajuda a soltar o muco dos pulmões. Os movimentos de percussão estimulam e são extremamente benéficos quando aplicados antes de atividades esportivas. Quando aplicada no abdômen, com as palmas das mãos em forma de concha, recebe o nome de tapotagem e visa ativar os movimentos peristálticos. É ótimo para quem sofre de prisão de ventre. Existem quatro tipos diferentes de percussão: cutiladas, palmadas, pancadas e socamentos.

5.4.1 Cutiladas – A cutilada é um movimento efetuado com uma ou duas mãos, em que as bordas laterais e as superfícies dorsais dos dedos golpeiam a superfície da pele em rápida sucessão, como objetivo de criar um efeito estimulante e vigoroso.

5.4.2 Palmadas – A palmada é um movimento com uma ou ambas as mãos, em que as mãos em forma de concha golpeiam rapidamente a superfície cutânea, comprimindo o ar e provocando uma onda de vibração que penetra nos tecidos.

5.4.3 Pancadas – A pancada é um movimento efetuado com uma ou duas mãos, em que o pulso frouxamente cerrado golpeia a parte do corpo, de modo que o aspecto dorsal das falanges médias e distais dos dedos e a parte carnuda da palma da mão entram em contanto com os tecidos.

5.4.4 Socamentos – O socamento é um movimento em que as bordas ulnares dos pulsos frouxamente cerrados golpeiam alternadamente e em rápida sucessão à parte sob tratamento.

5.5 Pressão:

A pressão consiste em comprimir a zona da massagem com toda a palma da mão, mas também apenas com o “calcanhar” da mão, com o polegar e também com a mão fechada. A pressão é seguida de movimentos rítmicos e repetitivos. Tanto o contato da mão com a pele , como sua retirada, devem operar-se lentamente, de modo que a pressão aumente e diminua gradualmente. No ponto mais alto, a pressão deve ser mantida constante, antes de começar o declínio regressivo.

5.6 Vibração:

É uma técnica praticada com uma ou duas mãos, em que um delicado movimento de agitação, ou tremor, é transmitido aos tecidos pela mão ou pelas pontas dos dedos. A vibração é um movimento que objetiva principalmente ajudar a soltar as secreções nos pulmões. A vibração também pode ser usada como técnica estimulante sobre o tecido muscular, visto que pode estimular o reflexo do estiramento. Quando a manobra é plena e suave, tem efeito calmante, analgésico e antiespasmódico. Quando a manobra é enérgica e profunda, tem efeito estimulante.

6. Indicações:

Todas as técnicas e métodos utilizados pela Massoterapia se destinam àqueles que necessitam do toque direto no corpo e/ ou da massagem, para manter o estado de equilíbrio.
O toque utilizado pela Massoterapia pode ser mais profundo ou mais sutil, de acordo com o objetivo da especialidade, tal como atuar na estrutura mecânica do corpo, estimular ou sedar algum estado energético e/ou fisiológico, conduzir a autoconsciência ou trabalhar campos energéticos.

Abaixo são citadas apenas as mais comuns, portanto, as mais importantes:

Prevenção de lesões;
Prevenção de deformidades;
Hematomas (superficiais ou profundos);
Cicatrizações;
Edemas crônicos;
Doenças neurológicas: paralisia facial, paresias, paraplegias, dores de cabeça, cefaléias, enxaquecas;
Problemas ósteo-articulares: artroses e artrites;
Alterações musculares: contraturas, tendinites, bursites, miosites, ombrites;
Eliminação de gorduras localizadas e estrias;
Disfunções orgânicas;
Estresse e ansiedade;
Relaxamento geral ou local da tensão muscular.

7. Contra-indicações:

São também muito numerosas, porém fáceis de serem identificadas: em princípio, não deve haver solução de continuidade da pele, nem qualquer processo inflamatório. As mais comuns e importantes são: Afecções tuberculosas dos ossos e articulações (tuberculose óssea, osteomielites, etc); Articulações inflamadas (com pus); Condições inflamatórias agudas (tuberculose, tifo, pneumonia, etc); Estado agudo da paralisia infantil (primeira fase); Estados febris; Feridas; Flebites e tromboflebites; Período menstrual; Periostite; Processos inflamatórios subcutâneos; Processos irritativos dos nervos periféricos (neuromas, neurites, neuralgias agudas,k etc); Tumores; Úlceras; Varizes.

Contra-indicações nas formas de aplicação da massoterapia:

7.1 Deslizamento – Esta técnica é contra indicada para regiões de áreas abertas como queimaduras e ferimentos, onde existam edemas muito externos. Também em áreas de hiperestesia, ou seja, lugares de muita sensibilidade ao contato e em áreas que sejam extremamente pilosas, em que o uso de deslizamento possa causar dor.

7.2 Fricção – É contra-indicado na presença de lacerações musculares agudas, sobretudo hematomas intramusculares; em articulações agudamente inflamadas; em doenças de pele, sobretudo dermatite aguda ou qualquer infecção cutânea comunicável. E em vasos sangüíneos lesionados ou enfermos, neoplasias e em áreas de infecções bacterianas, sobretudo infecções articulares.

7.3 Percussão – A utilização de palmadas pode causar lesões ao tecido pulmonar se aplicadas a fraturas graves de costelas. As palmadas no tórax em casos de embolia pulmonar aguda pode causar bloqueio dos vasos pulmonares, em pessoas que tenham hipertensão severa, a agitação e vibração podem aumentar a pressão sangüínea.

7.4 Pressão – É contra indicado em lacerações musculares agudas, em torno de articulações agudamente inflamadas, quando na presença de doenças cutâneas, de lesões ou doenças dos vasos sangüíneos e em áreas de infecções bacterianas.

7.5 Vibração – As vibrações podem causar lesões ao tecido pulmonar subjacente, caso estes movimentos sejam ministrados sobre fraturas graves das costelas; ao tórax nos casos de insuficiência cardíaca congestiva devido a possibilidade de embolia e a espasticidade que poderá aumentar se aplicado a um grupo muscular espástico.

8. Conclusão:

Um presente para o corpo, os efeitos benéficos para saúde estão cada vez mais reconhecidos. Nas sessões de massagem, o toque quase sempre é suave, o ambiente é calmo e a sensação final é de um delicioso sentimento de relaxamento e equilíbrio. A massagem, seja ela de que tipo for, é como um presente dado a si mesmo. E um presente tão valioso que arrebata quem usufrui seus poderes.

E a ênfase é a saúde e não a doença. Por isso nos beneficiamos com uma sessão de massoterapia mesmo não tendo nenhuma enfermidade. Saímos da sessão nos sentindo mais relaxados e harmônicos, com mais energia – enfim, com mais saúde.

9. Texto Complementar:

A Linguagem do Contato

Tocar significa contactar, ou seja, relacionar-se com aquilo que se situa fora de nossa própria periferia, o solo situado sob nossos pés. E para os seres humanos, como para os outros animais, o ato de tocar é de importância vital. O contato instila confiança, transmite calor, prazer, conforto e renovada vitalidade. O contato nos diz que não estamos sós. Dentre todos os sentidos, o tato é o primeiro a desenvolver-se. Como bebês, é principalmente pela nossa experiência tátil que exploramos e percebemos o mundo, e o contato amoroso de nossos pais é essencial para nosso crescimento. Desde que nossa necessidade de tocar e ser tocado é satisfeita, crescemos saudáveis; mas, quando ela é inibida,nosso desenvolvimento pode ficar comprometido. Porque as carícias, abraços e afagos que recebemos na infância nos ajudam a construir uma imagem saudável de nós mesmos e acalentar o sentimento de que, porque somos tocados, somos aceitos e amados.Há mais de vinte anos, o psicólogo americano S. M. Jourard demonstrou que nossa percepção do quanto somos tocados por outras pessoas parece estar nitidamente relacionado a nossa auto-estima e a quanto nós nos valorizamos. Experimentos com filhotes de primatas demonstraram como é essencial o contato físico com uma mãe “quentinha” e carinhosa e, por outro lado, o quanto pode ser física e emocionalmente bloqueadora a privação do contato, uma vez que todas as nossas sensações de realidade estão baseadas no sentido do tato. Em nossa sociedade, ser privado do contato com os outros seres humanos é uma punição – e a pior de todas as punições é o confinamento numa solitária. Ao sermos impedidos de tocar e ser tocados, sentimo-nos angustiosamente sozinhos e ansiosos. Num recente estudo clínico norte-americano, os clientes que tiveram negado o contato informaram ter-se sentido agudamente isolados e desligados do calor do contato humano. O tato é a linguagem que todos nós usamos instintivamente para revelar nossos sentimentos, para demonstrar às outras pessoas que são amadas, desejadas ou apreciadas. “Deixe-me massagear um pouco, que logo vai melhorar” é nossa resposta natural aos tombos e às contusões; as mãos se movimentam rapidamente, indo repousar em testas febris ou aliviar dores de barriga ou de cabeça. A dor emocional também evoca uma resposta imediata. Ao pegar no colo, confortar, acariciar, transmitimos simpatia, compreensão, incentivo. Sozinhos e sentindo dor, embalamo-nos e abraçamos com intensidade, repousamos a cabeça cansada nas mãos, massageando de forma inconsciente nossos membros doloridos. Mas, afora talvez o abraço de duas pessoas, gesto puramente de amizade, ou para transmitir nossa felicidade ou alegria, não nos teremos desviado demasiadamente de nossos instintos ao reservar a linguagem do tato exclusivamente para os gemidos de dor e tristeza, ou no momento do sexo – por ter medo do contato que signifique apenas afeição, ou um modo de relaxar?

10. Bibliografia:

http://www.massoterapiaecia.com.br/indic.htm
http://www.cecth.hpg.ig.com.br/ttmassoterapia.html
www.geocities.com/amtavaresj/massoterapia.htm
www.sensodeequilibrio.com.br/massoterapia.htm
http://www.medinsite.com.br/tds/mssterpi/mastrpia.htm
http://www.itcarome.hpg.ig.com.br/saude/12/index_int_6.html
http://geocities.yahoo.com.br/tadeunovaes/massoter.htm
http://geocities.yahoo.com.br/tadeunovaes/shiatsu.htm
http://www.uol.com.br/bemzen/ultnot/vidanatural/ult493u17.htm
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http://www.geocities.com/amtavaresj/Massoterapia.htm
http://www.ciadasaude.com.br/massotera.htm
http://www.institutomassoterapia.hpg.ig.com.br/carreira/39/index_int_3.html
Lederman, Eyal. Fundamentos da Terapia Manual. Editora Manole. 1ª edição – 2001
Edmond, Susan L. Manipulação e mobilização. Editora Manole. 1ª edição – 1999

IMC – Índice de Massa Corporal

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Autor: Andreza Cristina Ferreira

Introdução

Muitos problemas de saúde estão aparecendo em vários países do mundo e tornando-se tema de importantes estudos científicos. Entre eles, estão a obesidade e a hipertensão arterial. De acordo com a Organização Mundial da Saúde — OMS —, a obesidade é um problema de saúde pública. Para fazer o diagnóstico dessa doença, são usados vários instrumentos e analisados alguns dados, e um deles é o IMC (Indice de Massa Corporal), que é muito utilizado para determinar a faixa de peso considerada ideal para a altura e idade de uma pessoa e classificá-la como sendo de baixo peso, normal, com sobrepeso ou obesa. É um instrumento simples, rápido e de fácil compreensão. Ele se baseia na relação entre o peso e altura do indivíduo. É uma medida que leva em consideração o peso em excesso da pessoa e os riscos que esse sobrepeso pode trazer. Sua fórmula foi elaborada no final do século XIX pelo matemático belga Lambert Adolph Jacques Quetelet, que se baseou em dados estatísticos. E, desde a década de 1990, esse índice foi amplamente divulgado por causa de sua facilidade de manuseio e interpretação.

Como calcular o IMC?

Ele é demonstrado pela seguinte fórmula:

Dando um exemplo: uma pessoa de 20 anos que mede 1,70 m e pesa 61 kg tem um IMC de 21,10 kg/m². Veja como calcula – lo:

Exemplo de como calcular o Índice de Massa Corporal (IMC):

80kg / 1,80m x 1,80m = 24,69 (Normal)

IMC = Peso
(Altura X Altura)

Existem diferentes faixas de classificação: valores que vão de 18,5 a 25 são considerados normais, ou seja, os esperados para a altura; já os situados entre 25 e 30 são classificados como sobrepeso — o que já representa um risco de o indivíduo ter doenças degenerativas como hipertensão, altas taxas de colesterol, diabetes e a própria obesidade — e valores acima de 30 determinam obesidade.

Veja na tabela abaixo um resumo:

Apesar de esse índice ser muito interessante, ele também gera problemas, como o de se superestimar o resultado em alguns casos. Por exemplo: se um indivíduo tem 20 anos, como a pessoa do exemplo anterior, e mede 1,70 m, mas é um atleta e tem uma massa muscular mais desenvolvida, pesando em torno de 78 kg, terá um resultado de sobrepeso, o que não corresponde à realidade.

Então, é preciso ter bom senso na hora de usar esse instrumento para esse tipo de população (os chamados atletas de hipertrofia).

Devemos lembrar que esses valores de referência só são usados para pessoas maiores de 18 anos. Em crianças e adolescentes de 2 a 18 anos, as faixas consideradas normais são diferentes. Conforme a idade e o sexo da

criança/adolescente, os valores mudam.

Índices do IMC

IMC abaixo de 20:

Seu peso está abaixo da faixa considerada normal. É possível que seu biotipo seja do tipo longilíneo, e nesse caso seu percentual de gordura corporal pode estar normal. Em todo caso, procure um Nutricionista para uma orientação mais específica.

IMC entre 20 e 25:

Seu peso está dentro da faixa considerada normal. Normalmente isto corresponde às mais baixas taxas de mortalidade em relação ao peso. Se você não sofre de diabetes, hipertensão arterial ou excesso de colesterol e triglicerídeos e ainda assim deseja emagrecer, provavelmente o motivo é de ordem estética. Cuidado, portanto, para não submeter-se a riscos desnecessários.

IMC entre 25 e 30 com cintura até 89 cm:

Você está na faixa chamada de “excesso de peso”. Como sua medida de cintura está abaixo de 90 cm, você provavelmente não apresenta um excesso de tecido adiposo no interior do abdome. Este tecido adiposo, chamado de gordura visceral, é o que mais acarreta riscos para a saúde. Portanto você se situa em um grupo de menor probabilidade de complicações como diabetes, hipertensão arterial e hipercolesterolemia. Mesmo assim é aconselhável que procure seu Nutricionista.

IMC entre 25 e 30 com cintura igual ou maior que 90 cm:

Você está na faixa chamada de “excesso de peso”. Como sua medida de cintura está acima dos 90 centímetros, provavelmente você está acumulando um excesso de tecido adiposo no interior do abdome. Este tecido adiposo, chamado de gordura visceral, é o que mais acarreta riscos para a saúde. Portanto você se situa em um grupo de maior probabilidade de complicações como diabetes, hipertensão arterial e hipercolesterolemia.

IMC entre 30 e 35:

Você está na faixa chamada de obesidade leve. Você se situa, portanto, em um grupo de maior probabilidade de complicações como diabetes, hipertensão arterial e hipercolesterolemia. Procure seu Nutricionista para que ele o ajude a perder peso. Mesmo perdas moderadas, como 10% do seu peso atual, podem reduzir significativamente seu risco de complicações metabólicas.

IMC entre 35 e 40:

Você está na faixa chamada de obesidade moderada. Seu excesso de peso já pode estar provocando um risco muito elevado de complicações metabólicas, como diabetes, hipertensão arterial e hipercolesterolemia, além de predispor a doenças osteoarticulares diversas. Procure logo seu médico e inicie um tratamento sério para emagrecer. Mesmo perdas moderadas, como 10% do seu peso atual, podem reduzir significativamente seu risco de complicações metabólicas. Se você não conseguir emagrecer com uma orientação adequada sobre modificações dietéticas e prática de atividades físicas, justifica-se o uso de medicamentos, desde que devidamente supervisionado por um Nutricionista.

IMC maior que 40:

Você está na faixa chamada de obesidade mórbida. Ela corresponde a um risco muito aumentado de diversas doenças. Seu tratamento em geral é muito difícil, mas assim mesmo qualquer esforço é válido. Mesmo perdas moderadas, como 10% do seu peso atual, podem reduzir significativamente seu risco de complicações metabólicas. Se você não conseguir emagrecer com uma orientação adequada sobre modificações dietéticas e prática de atividades físicas, justifica-se o uso de medicamentos, desde que devidamente supervisionado por um médico. Procure urgentemente o seu Nutricionista ou seu médico.

Quais são os pontos fracos do I.M.C.?

Há alguns problemas em usar o I.M.C. para determinar se uma pessoa está acima do peso. Por exemplo, pessoas musculosas podem tem um Índice de Massa Corporal alto e não serem gordas. O I.M.C. também não é aplicável para crianças.

Outro problema é a impacto, ainda não suficientemente estudado, que as diferenças raciais e étnicas têm sobre o Índice de Massa Corporal. Por exemplo, um grupo de assessoramento à Organização Mundial de Saúde concluiu que pessoas de origem asiática poderiam ser consideradas acima do peso com um IMC de apenas 23.

Qual é o método mais preciso para definir se uma pessoa está gorda?

O Índice de Massa Corporal, apesar de conter alguns pontos fracos, é um método fácil no qual qualquer um pode obter uma indicação, com um bom grau de acuidade, se está abaixo do peso normal, acima do peso ideal, ou obeso. Porém, o método mais preciso para determinar se a pessoa está gorda é a medição do porcentual de gordura corporal. Tal medição deve ser feita por profissional qualificado utilizando um medidor de dobras cutâneas.

Relação Cintura Quadril

Quando a gordura corporal está depositada mais na região abdominal, há maior risco à saúde, em relação ao acúmulo em outra parte do corpo, como na região do quadril. Por exemplo, as pessoas com maior acúmulo de gordura em torno dos órgãos viscerais aumentam o risco de doenças cardíacas, devido às células de gorduras que dificultam o bom funcionamento dos órgãos.

A caminhada, por ser uma atividade aeróbica de fácil acesso, praticada pela maioria das pessoas, e quando realizada sob orientação, poderá proporcionar benefícios importantes para as diversas idades. Este trabalho visa, portanto, avaliar o perfil dos praticantes de caminhada, em relação ao índice de massa corporal (IMC) e à relação cintura/quadril (RCQ). Estudos têm demonstrado que a atividade física induz adaptações favoráveis no peso corporal, por intermédio das reduções da quantidade da gordura corporal, enquanto preserva a massa magra. A caminhada destaca – se por ser uma das atividades físicas mais comuns, utilizadas nos programas de exercícios físicos direcionados ao controle do peso corporal,bem como na manutenção da saúde.O consumo de energia durante a caminhada deverá ocorrer em razão da velocidade empregada, da distância percorrida e do peso corporal do indivíduo.

A caminhada é provavelmente o mais seguro e o mais fácil dos exercícios para indivíduos que apresentam sobrepeso.

A tabela abaixo mostra a relação cintura/quadril, que é um preditor para diagnosticar risco de doença coronariana.

Alguns autores sugerem que a medida da cintura seja considerada no nível do umbigo, enquanto outros mencionam que se considere como cintura a circunferência entre a última costela e a espinha ilíaca ântero superior, enquanto o quadril é a medida realizada na região de maior perímetro no nível da região glútea.

Como a medida RCQ revela a distribuição da gordura no indivíduo, é um fator importante para verificar onde há maior localização de gordura. Quanto maior a quantidade de gordura abdominal, maior a probabilidade de desordens metabólicas e elevado risco de doenças cardiovasculares.

Podemos dizer que as gorduras localizadas em torno dos órgãos viscerais não podem ser medidas com compasso de dobras cutâneas, pois, estas se localizam embaixo dos músculos abdominais,e, devido a isso, pesquisadores estão analisando o índice de circunferência cintura/quadril.

O IMC é muito utilizado na prática fazendo uma considerada correlação com o percentual de gordura corporal na população em geral, mas esta classificação não se aplica ao desporto, pois, os desportitas apresentam grandes massas musculares.

O IMC é um método antropométrico, facilmente calculado, de procedimento rápido, simples e de baixo custo que se correlaciona bem com a gordura corporal e algumas incidências de doenças.

O IMC na Fisioterapia

O Índice de massa corporal na Fisioterapia é importante, pois, podemos atuar nos diversos tipos de patologias

Úlceras de pressão
Imobilidade, dependência, limitações para as atividades diárias
Câncer e seus tratamentos
AIDS
Complicações gastrointestinais
Condições de catabolismo ou hipermetabolismo (trauma, cirurgia, infecção)
Doença renal, hepática ou cardíaca crônica
Doença pulmonar obstrutiva crônica

Veja também: ÍNDICE DE ADIPOSIDADE CORPORAL X ÍNDICE DE MASSA CORPORAL

PILATES

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Autor: Maria Carolina Rebouças Santos Fiuza

Um nome um pouco diferente está cada vez mais comum de ser ouvido nas academias de todo o Brasil. É o método de Pilates que surgiu em 1926 durante a guerra mundial e foi desenvolvido pelo ginasta Joseph Pilates que trabalhava como enfermeiro durante a guerra.

A idéia que se tem à primeira vista é de algo estranho com pessoas se contorcendo em aparelhos lembrando camas hospitalares e fisioterápicas. Este método foi desenvolvido pela necessidade de ajudar pacientes de guerra a recuperar a força e a resistência dos músculos através do conhecimento de anatomia e fisiologia.

Essa técnica ficou famosa após a guerra entre dançarinos e bailarinos e logo tomou dimensões entre os adeptos de fitness nos Estados Unidos e Europa, chegando ao Brasil há pouco tempo. O sucesso desta atividade deve-se aos resultados surpreendentes e rápidos no enrijecimento muscular no aumento de força e postura.

O método de Pilates traz inúmeras vantagens, principalmente para aquelas pessoas que estão cansadas das tradicionais ginásticas de academia. Os resultados de emagrecimento e queima calórica são expressivos, acompanhados do aumento de massa muscular, resistência cardiorespiratória, diminuição do estresse e da tensão, e aumento da flexibilidade.

Os exercícios realizados através do método de Pilates são diferenciados pelo fato de não usar pesos adicionais, sendo empregada somente a própria força e dando especial atenção para o trabalho de postura e de respiração para que seja realizado corretamente.

Os movimentos são, geralmente, realizados em séries de 10 repetições para cada seguimento muscular e estão divididos em exercícios realizados no chão – sobre um colchonete – para os iniciantes e, nos aparelhos específicos como cadilaac, reformer, pedipole e chair, voltados para os alunos mais avançados em sessões individuais.

Quem pode fazer esta aula?

Este método de condicionamento corporal promove harmonia e balanço muscular para todas as idades, condicionando e energizando seu corpo através dos exercícios.

Por ser uma atividade individual ou feita na companhia de pequenos grupos e ainda supervisionada por um professor, a aula pode ser direcionada para as necessidades individuais do aluno. Estes exercícios especiais podem ser feitos por qualquer indivíduo, desde o super treinado ao sedentário, do idoso ao adolescente e das grávidas aos pacientes em fase de reabilitação ou com desordens alimentares, ainda podendo ser recomendado como condicionamento e prevenção de lesões para todos os indivíduos.

Quem foi Joseph Pilates – O método Pilates.

Nasceu na alemanha em 1880 e morreu em 1967, tinha um eterno interesse pela atividade física. Sofrendo de asma e febre reumática quando era criança, buscou na atividade física uma solução para vencer seus problemas, estudou a yoga, zen budismo, regimes gregos e romanos. E aos 14 anos, contam seguidores do professor, estava em tão boa forma que podia posar para mapas de anatomia.

Durante a primeira guerra mundial foi mandado para a Inglaterra como enfermeiro. Neste período ficou inspirado a desenvolver o método para ajudar seus pacientes que tinham problemas físicos. Ele treinou outros estrangeiros utilizando exercícios de cultura física que ele mesmo desenvolvera. Seus exercícios começaram a ser reconhecidos como técnica quando nenhum dos internos daquele campo de treinamento sucumbiu a uma epidemia de gripe que matou milhares de pessoas em outros campos da Inglaterra, em 1918. Aperfeiçoou a prática após a guerra, dando treinamento à polícia de Hamburgo (Alemanha), e em 1920 já tinha um método estruturado, iniciou uma fundação voltada para este método e desenvolveu equipamentos específicos.

Em 1926, Pilates emigrou para os estados unidos, e foi na viagem de navio que conheceu clara, sua futura esposa. Juntos, trouxeram a idéia para New York city abrindo seu estúdio: Pilates Studio. Lá Pilates ensinou e formou instrutores no intitulado Método Pilates de Condicionamento Físico, também conhecido como Arte do Controle ou Contrologia. O estúdio funciona até hoje, e foi nele que Joseph e Clara supervisionaram seus clientes pessoalmente, até a década de 1960. Conquistou os primeiros seguidores famosos entre dançarinos como Martha Grahan e George Balanchine, que o recomendaram a seus próprios alunos como treinamento. Pilates morreu em 1967, aos 87 anos, em decorrência de um incêndio no estúdio.

Ultimamente o método é usado por todo o mundo por indivíduos de todos os níveis de condicionamento físico assim como por companhias de danças como as que apresentam em shows na broadway (citado como exemplo: Ruth St. Denis, Ted Shawn, Martha Graham, George Balanchine, Hanya Holm and Jerome Robbins), e personalidades como: Gregory Peck and Katharine Hepburn e atuais como Madonna, Jessica Lange, Michael Crawford, Joan Collins, Greta Scacchi, Sigourney Weaver, Britt Ekland, Pat Cash, Kristi Yamaguchi, Stefanie Powers, Wayne Sleep e Tracy, além de estudantes de universidades, times esportivos, spas, academias, clínicas e clubes.

Segundo artigo publicado pela revista E.F. Confef ano III nº 11 – março de 2004, em 1941, a Romana kryzanowska iniciou seus treinamentos sob a supervisão de Joseph e Clara Pilates. Após a morte de pilates, Romana, sua maior pupila, continuou a estudar e ensinar o método. Clara veio a nomear Kryzanowska como tutora do Método Pilates de Condicionamento Físico, pretendendo que nenhuma pessoa utilizasse o nome Pilates sem autorização. Em 1970, Clara Pilates transferiu todos os direitos pra a empresa de Romana, denominada 939 Studio Corp. que mais tarde trasferirira novamente esses direitos a Aris Isotoner Gloves, Inc. ficando Romana somente com a responsabilidade sobre as aulas e treinamento. O método também era ensinado por Sean Gallagher na filadélfia. Ambos se tornaram sócios e Sean adquiriu os direitos autorais sobre as marcas e sobre o método pilates no mundo inteiro. Constituindo a empresa Pilates, Inc., com sede em New York, que detém os direitos de uso das marcas Pilates e The Pilates Studio.

O que é diferente neste método?

Joseph H. Pilates elaborou mais de 500 exercícios utilizando 9 aparelhos para desenvolver… o corpo uniformemente.

E ao invés de se repetir muitas vezes cada exercício ele indica em seu método ser preferível exercitar-se com mais eficiência e com menos repetições, exigindo do praticante um controle adequado de seu corpo. Devido a necessidade de se concentrar utilizando sua mente ligada ao corpo durante as rotinas de exercícios é garantido ao praticante sentir-se mais consciente das funções musculares e ainda controlá-las mais adequadamente.

Benefícios

Estimula a circulação, melhora o condicionamento físico geral, a flexibilidade, a amplitude muscular e o alinhamento postural adequado. Além disso, promove melhoras nos níveis de consciência corporal e melhora a coordenação motora.

Todos esses benefícios citados ajudam a prevenir e reduzir riscos de uma futura lesão proporcionando inclusive alívio de dores crônicas, ou seja, o método pilates é particularmente utilizado para reabilitação de problemas na coluna. Ele fortalece, alonga, e equilibra toda a musculatura que envolve a coluna vertebral, alinhando e descomprimindo tensões na mesma. Ajudando a aliviar pinçamentos e compressões de discos. Esta descompressão facilita e estimula a circulação na região com problemas.

Este trabalho de estabilização da pelve e coluna, também , como acréscimo, ajuda a preparar a reabilitação de áreas com fraqueza muscular com maior eficiência. Este método tem sido utilizado com sucesso em reabilitação de complicações de joelhos, ombros, panturrilhas, em casos de acidentes automobilísticos, poliomelites, apoplexia,de pós-cirurgias, pré e pós-parto, dentre outros.

Segundo Joseph Pilates, após as 10 primeiras aulas, o praticante sente que o corpo mudou; após 20 aulas, que as mudanças são visíveis ; após 30, as demais pessoas começam a notar as mudanças.

A Aula

A aula é baseada em exercícios rítmicos de força e alongamentos e com bastante trabalhos concêntricos e excêntricos de abdômen e músculos lombares executados pelo praticante nunca passivamente. Você controla seus equipamentos executando os exercícios e assim fortalecendo e massageando seu corpo, evoluindo de acordo com sua capacidade individual. A maioria dos exercícios são feitos na horizontal nos aparelhos e no “the mat”. Muitos dos exercícios foram baseados nas técnicas do Hatha Yoga, exercícios gregos e romanos e a respiração profunda (meditação), elimina a tensão e aumenta a estamina . Os especialistas dizem ser a ginástica mais eficiente de todos os tempos. Existem, porém, alguns detalhes durante a execução da aula: numa aula de pilates, ninguém faz movimentos automáticos e repetitivos, pelo contrário, cada aluno adquire uma perfeita consciência de todos os músculos que está trabalhando. “O rigor técnico é o grande segredo” . Cada exercício deve ser feito num ângulo específico, por isto os resultados parecem ser tão mais rápidos.

Fazer uma aula sem a instrução de um professor credenciado, é perda de tempo. A garantia da eficiência do método está em exatamente na precisão dos movimentos e que só poderá conseguir com a ajuda dele. Por exemplo, numa aula os alunos costumam passar como que 30 min só nos exercícios de consciência corporal, só quando estão todos suando é que começa a ginástica propriamente dita. Não adianta ir direto aos exercícios os alunos não conseguem executá-los com eficiência sem o pré-aquecimento.

Quando se olha alguns exercícios tem-se a impressão que são simples alongamentos, nada muito puxado, talvez por não ser necessário fazer muitas repetições do mesmo exercício. Mas somente participando da aula é que teremos como avaliar e sentir os músculos exigidos principalmente do abdômen. Com todo este rigor técnico os resultados não demoram a aparecer e após em média 30 sessões, você consegue transformar seu corpo de maneira equilibrada definindo todos os músculos por igual. No brasil existem já muitos adeptos, uma delas é a atriz Sônea Braga que diz: “já fiz muita ginástica em minha vida, mas nenhuma mudou meu corpo tão profundamente e rapidamente “.

Além de aparelhos (parecem camas de madeira com molas e tiras de couro substituindo os pesos) as aulas de pilates podem ser feitas fora dele.

As aulas são quase sempre individuais e e custam no Brasil em torno de R$ 60,00 a R$ 80,00 por hora.

O Método no Brasil

Segundo artigo publicado pela revista E.F. Confef ano III nº 11 – março de 2004, o método pilates foi introduzido no Brasil pela profissional de Educação Física Inélia Garcia, quem se certificou nos Estados Unidos, com a Romana Kryzanowska, ex-aluna de Joseph Pilates. Mais tarde, Romana e sua filha Sari Mejías as “Masters Teachers” do Pilates, ministraram o primeiro curso de formação no Brasil.

Posteriormente, após treinamentos intensivo e entrevistas, a Profa. Romana, autorizou a profa. Inélia Garcia a abrir um centro de certificação que começou a atuar em 1999, realizando cursos que só eram possíveis nos Estados Unidos.

As aulas apresentam:

Exercícios suaves e eficazes;
Poucas repetições de cada movimento;
Grande repertório de exercícios;
Aulas únicas, evitando monotonia;
Uso de aparelhos e acessórios criados especialmente para os exercícios;
Resultados rápidos e duradouros;
Construção de uma postura correta e natural;
Não há desgaste físico.
OBS: Qualquer pessoa, entre 12 e 100 anos e em todos os níveis de condicionamento físico pode praticar o Pilates.

Bibliografia:

www.studiolotus.com/

www.pilatesalbuquerque.com/ pilates-newcomer.html

http://www1.uol.com.br/cyberdiet/colunas/020812_fit_x_pilates2.htm