A HISTÓRIA DO LADRÃO DE CORPOS

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A HISTÓRIA DO LADRÃO DE CORPOS

Quarto volume da série Crônicas Vampirescas escrito por Anne Rice e tendo novamente como protagonista o vampiro Lestat de Lioncourt.
Desta vez vamos encontrar o vampiro Lestat após um longo período de amargas reflexões a respeito de si mesmo e sua vida (ou morte), envolto em seu próprio inferno pessoal.

Perseguido por alguém que consegue encontrá-lo em qualquer lugar e que parece interagir de formas estranhas com ele em busca de contato, Lestat procura o amigo David (Rice neste livro aprofunda a relação de Lestat com David Talbot, um personagem doce e intrigante)

Após um amargo encontro com a luz do sol o vampiro acaba descobrindo o que esse estranho quer e o que ele é. Assim somos apresentados a Raglan James, o Ladrão de Corpos, cujo desejo é efetuar uma troca de corpos com Lestat.

Apesar de todos os apelos de Louis e David, que são absolutamente contra o procedimento, Lestat acaba trocando de corpo com ele. Após a troca tudo começa a dar errado. Ser um humano não é tão bom quanto havia sido um dia e Lestat passa a sentir isso na própria pele. Já o ladrão, satisfeito com a troca, não tem a mínima intenção de devolver o corpo que lhe satisfaz totalmente.

Louis não vai ajudar, e os outros vampiros estão furiosos com a ingenuidade burra de Lestat, que só tem uma pessoa a quem recorrer: o amigo mortal David Talbot. Na demorada luta para chegar até o amigo, o vampiro, agora mortal, passa maus bocados e quase morre antes de ser salvo por Gretchen, uma humana de alma boa e caridosa.

David Talbot, enfim encontrado, concorda em ajudá-lo e sai em uma jornada com Lestat para recuperar o corpo roubado. James e David acabam trocando de corpo após Lestat recuperar o dele. Lestat então transforma David Talbot em vampiro dentro do corpo jovem de James.

QUANDO NIETZSCHE CHOROU

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QUANDO NIETZSCHE CHOROU

Primeiro romance do psicoterapeuta e professor Irvin D. Yalom que, sem medo, mescla elementos reais com a ficção. Uma obra que traça paralelo entre ficção e realidade e apresenta personagens históricos como Josef Breuer, um dos pais da psicanálise, o jovem Sigmund Freud e o filósofo Friedrich Nietzsche.
O livro trata de um possível começo da psicanálise de forma séria e profunda e há nele uma clarificação da personalidade de um dos mais cativantes e solitários filósofos do fim do século XIX. E o que dizer de um possível embate psicológico entre o Dr. Breuer (verdadeiramente um dos pais da psicanálise) e o poderoso e reservado Friedrich Nietzsche?
Sem criar estruturas narrativas complexas e diferentes, o autor mostra o básico com incrível capacidade. Magistralmente escrito, ele possui todas as formas variadas, e até hábeis, de manter o leitor concentrado na trama, deixando momentos de tensão, angústia e relaxamento bem distribuídos ao longo dos capítulos, que chamam uns aos outros em seqüência, obrigando o leitor a não parar de ler até que vire as ultimas páginas.

É com total cuidado que ele propõe possíveis diálogos entre os protagonistas que, existindo na vida real, nunca se encontraram de fato. Refletem o peso de uma pesquisa cuidadosa de como eram, se comportavam e provavelmente agiam os personagens. Aplicando enxertos de cartas que realmente foram trocadas entre algumas pessoas, como o compositor Wagner e a poderosa Lou Salomé, ele dá mais densidade aos fatos reais e fictícios, os quais só vamos conseguir separar ao ler os seus comentários no fim do livro.

Os cenários criados e suas interpretações, assim como possíveis origens do estudo dos significados dos sonhos, é algo que soa totalmente verossímil ajudando o leitor a adentrar a historia e praticamente a vive-la conjuntamente.

Cancioneiro – Fernando Pessoa

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Cancioneiro – Fernando Pessoa

O Cancioneiro é composto por poemas líricos, rimados e metrificados, de forte influência simbolista. É do Cancioneiro um dos poemas mais célebres de Pessoa, Autopsicografia, em que reflete sobre o fazer poético: “O poeta é um fingidor. Finge tão completamente Que chega a fingir que é dor A dor que deveras sente. E os que lêem o que escreve, Na dor lida sentem bem, Não as duas que ele teve, Mas só a que eles não têm.” O leitor atento há de perceber que o poeta parte de uma dor sua, real, integral. Só quem sente uma dor pode fingir outra que não sente. Só quem tem personalidade pode ser ator. Como Fernando Pessoa. Já os leitores, lêem no poema a dor ou o sentimento que lhes falta e que gostariam de ter. Sentem-na ao atribuí-la a poeta.

Capitães de Areia – Jorge Amado

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Capitães de Areia – Jorge Amado

Os Capitães da Areia é um grupo de meninos de rua. O livro é dividido em três partes. Antes delas, no entanto, via uma seqüência de pseudo- reportagens, explica-se que os Capitães da Areia é um grupo de menores abandonados e marginalizados, que aterrorizam Salvador. Os únicos que se relacionam com eles são Padre José Pedro e uma mãe-de-santo. O Reformatório é um antro de crueldades, e a polícia os caçam como os adultos antes do tempo que são. A primeira parte em si, “Sob a lua, num velho trapiche abandonado” conta algumas histórias quase independentes sobre alguns dos principais Capitães da Areia (o grupo chegava a quase cem, morando num trapiche abandonado, mas tinha líderes). Pedro Bala, o líder, de longos cabelos loiros e uma cicatriz no rosto, uma espécie de pai para os garotos, mesmo sendo tão jovem quanto os outros, e depois descobre ser filho de um líder sindical morto durante uma greve; Volta Seca, afilhado de Lampião, que tem ódio das autoridades e o desejo de se tornar cangaceiro; Professor, que lê e desenha vorazmente, sendo muito talentoso; Gato, que com seu jeito malandro acaba conquistando uma prostituta, Dalva; Sem- Pernas, o garoto coxo que serve de espião se fingindo de órfão desamparado (e numa das casas que vai é bem acolhido, mas trai a família ainda assim, mesmo sem querer fazê-lo de verdade); João Grande, o “negro bom” como diz Pedro Bala, segundo em comando; Querido- de- Deus, um capoeirista que é só amigo do grupo; e Pirulito, que em grande fervor religioso. O ápice da primeira parte vem em duas partes: quando os meninos se envolvem com um carrossel mambembe que chegou na cidade, e exercem sua meninez; e quando a varíola ataca a cidade e acaba matando um deles, mesmo com Padre José Pedro tentando ajudá-los e se encrencando por isso. A segunda parte, “Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos”, surge uma história de amor quando a menina Dora torna-se a primeira “Capitã da Areia”, e mesmo que inicialmente os garotos tentem tomá-la a força, ela se torna como mãe e irmã para todos. (O homossexualismo é comum no grupo, mesmo que em dado momento Pedro Bala tente impedi-lo de continuar, e todos eles costumam “derrubar negrinhas” na orla.) Mas Professor e Pedro bala se apaixonam por ela, e Dora se apaixona por Pedro Bala. Quando Pedro e ela são capturados (ela em pouco tempo passa a roubar como um dos meninos), eles são muito castigados, respectivamente no Reformatório e no Orfanato. Quando escapam, muito enfraquecidos, se amam pela primeira vez na praia e ela morre, marcando o começo do fim para os principais membros do grupo. “Canção da Bahia, Canção da Liberdade”, a terceira parte, vai nos mostrando a desintegração dos líderes. Sem-Pernas se mata antes de ser capturado pela polícia que odeia; Professor parte para o RJ para se tornar um pintor de sucesso, entristecido coma morte de Dora; Gato se torna uma malandro de verdade, abandonando eventualmente sua amante Dalva, e passando por ilhéus; Pirulito se torna frade; Padre José Pedro finalmente consegue uma paróquia no interior, e vai para lá ajudar os desgarrados do rebanho do Sertão; Volta Seca se torna um cangaceiro do grupo de Lampião e mata mais de 60 soldados antes de ser capturado e condenado; João Grande torna-se marinheiro; Querido-de-Deus continua sua vida de capoeirista e malandro; Pedro Bala, cada vez mais fascinado com as histórias de seu pai sindicalista, vai se envolvendo com os doqueiros e finalmente os Capitães da Areia ajudam numa greve. Pedro Bala abandona a liderança do grupo, mas antes os transforma numa espécie de grupo de choque. Assim Pedro Bala deixa de ser o líder dos Capitães da Areia e se torna um líder revolucionário comunista. Este livro foi escrito na primeira fase da carreira de Jorge Amado, e nota-se grandes preocupações sociais. As autoridades e o clero são sempre retratados como opressores (Padre José Pedro é uma exceção mas nem tanto; antes de ser um bom padre foi um operário), cruéis e responsáveis pelos males. Os Capitães de Areia são heróicos, “Robin Hood”‘s que tiram dos ricos e guardam para si (os pobres). O Comunismo é mostrado como algo bom, e o Padre José Pedro tem dúvidas quanto a posição da Igreja quanto ao assunto. No geral, as preocupações sociais dominam, mas os problemas existenciais dos garotos os transforma em personagens únicos e corajosos, corajosos Capitães da Areia de Salvador.

Caramuru – Santa Rita Durão

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Caramuru – Santa Rita Durão

Poema Épico do Descobrimento da Bahia é composto de dez cantos e, de acordo com o gênero, divide-se em cinco partes: proposição, invocação, dedicação, narração e epílogo.

Canto I
Na primeira estrofe, o poeta introduz a terra a ser cantada e o herói – Filho do Trovão -, propondo narrar seus feitos (proposição). Na estrofe seguinte, pede a Deus que o auxilie na realização do intento (invocação), e da terceira à oitava estrofes, dedica o poema a D. José I, pedindo atenção para o Brasil, principalmente a seus habitantes primitivos, dignos e capazes de serem integrados à civilização cristã. Se isso for feito, prevê Portugal renascendo no Brasil. Da nona estrofe em diante, tem-se a narração. A caminho do Brasil, o navio de Diogo Álvares Correia naufraga. Ele e mais sete companheiros conseguem se salvar. Na praia, são acolhidos pelos nativos que ficam temerosos e desconfiados. Os náufragos, por sua vez, também temem aquelas criaturas antropófagas, vermelhas que, sem pudor, andam nuas. Assim que um dos marinheiros morre, retalham-no e comem-lhe, cruas mesmo, todas as partes. Sem saber o futuro, os sete são presos em uma gruta, perto do mar, e, para que engordem, são bem alimentados. Notando que os índios nada sabem de armas, Diogo, durante os passeios na praia, retira, do barco destroçado, toda pólvora e munições, guardando-as na gruta. Desde então, como vagaroso enfermo, passa a se utilizar de uma espingarda como cajado. Para entreter os amigos, Fernando, um dos náufragos, ao som da cítara, canta a lenda de uma estátua profética que, no ponto mais alto da ilha açoriana, aponta para o Brasil, indicando a futuros missionários o caminho a seguir.Um dia, excetuando-se Diogo, que ainda estava enfermo e fraco, os outros seis são encaminhados para os fossos em brasa. Todavia, quando iam matar os náufragos, a tribo do Tupinambá Gupeva é ferozmente atacada por Sergipe. Após sangrenta luta, muitos morrem ou fogem; outros se rendem ao vencedor que liberta os pobres homens que desaparecem, no meio da mata, sem deixar rastro.

Canto II
Enquanto a luta se desenvolve, Diogo, magro e enfermo para a gula dos canibais, veste a armadura e, munido de fuzil e pólvora, sai para ajudar os seis companheiros que serão comidos. Na fuga, muitos índios buscam esconderijo na gruta, inclusive Gupeva que, ao se deparar com o lusitano, saindo daquele jeito, cai prostrado, tremendo; os que o seguiam fazem o mesmo; todos acham que o demônio habita o fantasma-armadura. Álvares Correia, que já conhecia um pouco a língua dos índios, espera amansá-los com horror e arte. Levantando a viseira, convida Gupeva a tocar a armadura e o capacete. Observa, amigavelmente, que tudo aquilo o protege, afastando o inimigo, desde que não se coma carne humana. Ainda aterrorizado, o chefe indígena segue-o para dentro da gruta, onde Diogo acende a candeia, levando-o a crer que o náufrago tem poder nas mãos. Sob a luz, vê, sem interesse, tudo que o branco retirara da nau. Aqui, o poeta, louva a ausência de cobiça dessa gente. Entre os objetos guardados pelos náufragos, Gupeva encanta-se com a beleza da virgem em uma gravura.Tão bela assim não seria a esposa de Tupã? Ou a mãe de Tupã? Nesse momento, encantado pela intuição do bárbaro, Diogo o catequiza, ganhando-lhe, assim a dedicação. Saindo da gruta, o índio, agora manso e diferente, fala a seu povo Tupinambá, ao redor da gruta. Conta-lhes sobre o feito do emboaba, Diogo, e que Tupã o mandara para protegê-los. Para banquetear o amigo, saem para caçar. Durante o trajeto, Álvares Correia usa a espingarda, aterrorizando a todos que exclamam e gritam: Tupã Caramuru! Desde esse dia, o herói passa a ser o respeitado Caramuru – Filho do Trovão. Querendo terror e não culto, Diogo afirma-lhes que, como eles, é filho de Tupã e a este, também, se humilha. Mas que como filho do trovão, (dispara outro tiro) queimará aquele que negar obediência ao grande Gupeva.Nas estrofes seguintes, o poeta descreve os costumes da selva. Caramuru instala-se na aldeia, onde imensas cabanas abrigam muitas famílias, que vivem em harmonia. Muitos índios querem vê-lo, tocá-lo. Outros, em sinal de hospitalidade, despem-no e colocam-no sobre a rede, deixando-o tranqüilo. Paraguaçu é uma índia, de pele branca e traços finos e suaves. Apesar de não amar Gupeva, está na tribo por ter-lhe sido prometida. Como sabe a língua portuguesa, Diogo quer vê-la. Após o encontro os dois estão apaixonados.

Canto III
À noite, Gupeva e Diogo conversam sob a tradução feita por Paraguaçu. O lusitano fica pasmo ao saber que, para o chefe da tribo, existe um princípio eterno; há alguém, Tupã, ser possante que rege o mundo; aquele que vence o nada, criando o universo. O espírito de Deus, de alguma maneira, comunica-se com essa gente. Gupeva eloqüente fala acerca da concepção dos selvagens sobre o tempo, o Céu, o Inferno. Abordam a lenda da pregação de S. Tomé em terras americanas. Concluindo a conversa, o cacique diz que estão para ser atacados pelos inimigos; Caramuru aconselha-o a ter calma. De repente, chegam os ferozes índios Caetés que, ao primeiro estrondo do mosquete, batem em retirada, correndo, caindo; achando, enfim, que o céu todo lhes cai em cima.

Canto IV
O temido invasor noturno é o Caeté, Jararaca, que ama Paraguaçu perdidamente. Ao saber que ela esta destinada a Gupeva, declara guerra. Após o ataque estrondoso do Filho do Trovão, Jararaca convoca outras nações indígenas com as quais tinha aliança: Ovecates, Petiguares, Carijós, Agirapirangas, Itatis. Conta-lhes que Gupeva prostrou-se aos pés de um emboaba pelo pouco fogo que acendera, oferecendo-lhe até a própria noiva. O cacique alerta-os que se todos agirem assim, correm o risco de serem desterrados e escravizados em sua própria terra, enchendo de emboabas a Bahia. Apela para a coragem dos nativos, dizendo que apesar do raio do Caramuru ser verdadeiro, ele nada teme, porque não vem de Deus. Não há forças fabricadas que a eles destruam. A guerra tem início e Paraguaçu também luta heroicamente e, num momento de perigo, é salva pelo amado lusitano.

Canto V
Depois da batalha, os amantes discorrem sobre o mal que habita o ser humano e qual a razão de Deus para permiti-lo. Em seguida, em Itaparica, o herói faz com que todos os índios se submetam a ele, destruindo as canoas com as quais Jararaca pretendia liquidá-lo.

Canto VI
As filhas dos chefes indígenas são oferecidas ao destemido Diogo, para que este os honre com o seu parentesco. Como ama Paraguaçu, aceita o parentesco, mas declina as filhas. Na mata, o herói encontra uma gruta com tamanho e forma de igreja e percebe ali a possibilidade dos nativos aceitarem a Fé Cristã, e se dispõe a doutriná-los. Mais tarde, salva a tripulação de um navio espanhol naufragado e, saudoso da Europa, parte com Paraguaçu em um barco francês. Quando a nau ganha o mar, várias índias, interessadas em Álvares Correia, lançam-se nas águas para acompanhá-lo. Moema, a mais bela de todas, consegue chegar perto do navio Agarrada ao leme, brada todo seu amor não correspondido ao esquivo e cruel Caramuru. Implora para que ele dispare sobre ela seu raio. Ao dizer isso, desmaia e é sorvida pela água. As outras, que a acompanhavam, retornam tristes à praia. Nas demais estrofes do canto, a história do descobrimento do Brasil é contada ao comandante do barco francês.

Canto VII
Na França, o casal é recebido na corte e Paraguaçu é batizada com o nome da rainha Catarina de Médicis, mulher de Henrique II, que lhe serve de madrinha. Diogo lhes descreve tudo o que sabe a respeito da flora e fauna brasileira.

Canto VIII
Henrique II se predispõe a ajudar Diogo Álvares na tarefa de doutrinamento e assimilação dos índios, oferecendo-lhe tropa e recompensa. Fiel à monarquia portuguesa, o valente lusitano recusa tal proposta. Na viagem de volta ao Brasil, Catarina-Paraguaçu profetiza, prospectivamente, o futuro da nação. Descreve as terras da Bahia, suas povoações, igrejas, engenhos, fortalezas. Fala sobre seus governadores, a luta contra os franceses de Villegagnon, aliados aos Tamoios. Discorre sobre o ataque de Mem de Sá aos franceses no forte da enseada de Niterói e sobre a vitória de Estácio de Sá contra as mesmas forças.

Canto XIX
Prosseguindo em seu vaticínio, Catarina-Paraguaçu descreve a luta contra os holandeses que termina com a restauração de Pernambuco.

Canto X
A visão profética de Catarina-Paraguaçu acaba se transformando na da Virgem sobre a criação do universo. Ao chegar, o casal é recebido pela caravela de Carlos V que agradece a Diogo o socorro aos náufragos espanhóis. A história de Pereira Coutinho é narrada, enfatizando-se o apoio dos Tupinambás na dominação dos campos da Bahia e no povoamento do Recôncavo baiano. Na cerimônia realizada na Casa da Torre, o casal revestido na realeza da nação espanhola, transfere-a para D. João III, representado na pessoa do primeiro Governador Geral, Tomé de Souza. A penúltima estrofe canta a preservação da liberdade do índio e a responsabilidade do reino para com a divulgação da religião cristã entre eles. Na última (epílogo), Diogo e Catarina, por decreto real, recebem as honras da colônia lusitana.

COMPLEXO MATERNO – CASO FERNANDO

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Complexo Materno – Caso Fernando

“Há também um pensamento nas imagens primordiais, nos símbolos, que são mais antigos do que o homem histórico e nascidos com ele desde os tempos mais antigos e, eternamente vivos, sobrevivem a todas as gerações e constituem os fundamentos da nossa alma”. C. J. Jung.

Fernando é um homem que não saiu da adolescência, mostra-se dependente de uma mãe absolutamente boa, um homem que não escolhe, é antes escolhido, possui auto-estima baixa e não encontra satisfação no que faz, com um dilema (traição), que poderá desencadear uma crise e consequentemente seu crescimento, um homem com complexo materno originalmente positivo.

Fernando engenheiro civil, construtor de estradas, 31 anos, casado há 13 anos, pai de dois filhos, um de 13 anos e um de 10 anos. Solicitou atendimento com a queixa de que “precisa dar um rumo a sua vida”, pois a esposa o traiu com um namorado da adolescência. Kast (1997, p. 53), nos fala que “uma coisa típica do complexo materno originalmente positivo de um homem é a expectativa de que a vida e o mundo existam como uma mãe doadora de tudo, que nutre, admira, sabe o que é bom”. A mesma autora (p. 53), diz que “a problemática consiste no fato de estarem estas pessoas à procura de um parceiro ou parceira que satisfaça todos os seus desejos”. Este homem casou-se um menino, aos 18 anos, porque a namorada estava grávida, e foram morar com os pais dela. Após cinco anos de casado pensou em separar-se, mas ficou com ‘pena dos filhos’. Foi pego de surpresa com a traição da esposa, mas a mulher diz não querer separar-se, que foi uma fraqueza e está arrependida. Fernando, por sua vez, comenta que não sabe se quer se separar, e fica enumerando incessantemente os prós e contras de cada decisão. Para Kast (1999, p. 53), “uma das razões para o homem com complexo materno originalmente positivo terem grande dificuldades em se separar, é o fato de que separações destroem o sentimento vital do pertencer um ao outro e a exigência da pessoa voltar a se organizar sobre o si-mesmo próprio”. Ele soube da traição pelos recados vistos no celular da esposa, agora acha que todos na cidade sabem da história e se sente envergonhado em ser visto como ‘corno manso’. Fernando acredita amar a esposa, diz que sexualmente não tinham problemas mas que ela não costumava ‘procurá-lo’ para sexo com freqüência. Durante todo este relato, Fernando chorou inúmeras vezes. Com certeza a sensação dele é de abandono, solidão e de que terá de fazer algo à respeito. O autor de Síndrome de Peter Pan, Kiley, (1987, p. 27 e 28), diz que “o homem sente-se provocado frente às atitudes de afirmação ou de autonomia da mulher; Na realidade, ele sente-se impotente para lidar com uma mulher de personalidade marcante, que o trata de igual para igual, e por isso ele a inferioriza”. Segundo o mesmo autor (1987, p. 43) “A fim de merecerem ‘fazer parte’ e ser aceitos pelo grupo, os meninos devem apegar-se ao papel de machos”. Observa-se aqui um homem inseguro, imaturo, desorientado, preocupado com sua imagem de homem perante a sociedade, precisa continuar sendo ‘macho’, e não ‘corno manso’. É evidente que sua esposa o provocou, pois o traiu, e demonstrou não precisar dele, pois o substituiu por outro(ex-namorado). É claro que Fernando sente-se impotente para lidar com esta mulher, com esta situação. Então surgem perguntas e hipotéticas respostas em minha mente: Por que esta mulher o traiu? Estaria farta da imaturidade do marido? Cansada de só ‘serví-lo’ (de não ser conquistada, de não sentir-se atraente) sexualmente? Como seria o ex-namorado? Um conquistador sensível? Agradável, seguro, maduro, centrado? Fazia com que ela se sentisse atraente? Com certeza a conquistou!

Aos 18 anos, Fernando foi trabalhar na imobiliária com o pai ‘já que não tinha noção do que queria ser na vida’. Após cinco anos, resolve que tinha que dar outro rumo profissional a sua vida porém fica um ano inteiro pensando em que carreira poderia seguir. Por convite de um amigo, já foi vendedor de jóias, trabalhou numa multinacional a partir da indicação de seu cunhado. “Resolveu” fazer Engenharia Civil por sugestão de seu pai. Diz que não é a melhor coisa do mundo, mas paga as contas do fim de mês. Corneau (1999, p. 167), elabora algumas questões neste sentido, “por que motivo, então, os meninos bonzinhos continuam a ser bons ao mesmo tempo que constatam que o preço que pagam por suas dificuldades de afirmação trazem tormentos interiores? O que é que os leva a dizer ‘sim’ no momento em que gostariam de dizer ‘não’? O que é que os impede de afirmar o que pensam, mesmo correndo o risco de desagradar as pessoas a sua volta? Por que motivo julgam preferível trair suas convicções íntimas? Existe só uma resposta possível. O menino bonzinho possui dentro de si um monstro devorador que o lança em um inferno de remorsos, dúvidas e sentimentos de culpa, não tem a ousadia de dizer o que pensa e de agir segundo seus sentimentos”. A falta de escolhas de Fernando é visível, nada é resolvido por ele, por este motivo é levado a fazer escolhas que nem sabe se são dele, sente que precisa resolver, fazer acontecer, mas não consegue. É tão clara esta dificuldade, que pergunta à terapeuta diversas vezes: “O que eu faço? O que você faria se estivesse no meu lugar”? E para demonstrar ainda mais um pouco sua insegurança em estar só, pede o nº de telefone da terapeuta para caso ele ‘precise de uma palavra amiga’. Se Fernando não se decide, quem decide é o destino (incosciente).

Fernando fala pouco de seus pais, da mãe comenta que sempre foi muito boa e que não gosta da nora, ‘ela judia de você, Dinho; é como minha mãe me chama até hoje’; e do pai relata que sempre foi mulherengo, e que acha que fez a mãe sofrer muito durante todos os anos de casamento, o pai é falecida há um ano. Puer Aeternus, segundo Franz (1992, p. 9), “significa ‘juventude eterna’, mas também o usamos para indicar certo tipo de jovem que tem um complexo materno fora do comum e que portanto comporta-se de certas maneiras típicas: permanece durante muito tempo como adolescente, com aquelas características que são normais em jovens de 17 ou 18 anos continuam que na vida adulta, juntamente com uma grande dependência da mãe”. O pai nos parece ausente, e neste caso a mãe ocupa todos os espaços possíveis, até substituindo o pai impedindo a identificação de Fernando com o mesmo (logos). Fernando se encontra estagnado, não é um homem adulto, não construiu sua individuação, não se diferenciou, não tem seus limites demarcados, o que é da mãe e o que é seu, pois foi roubado deste ímpeto realizador, a mãe super-protetora alimentou sua passividade e sua emotividade fornecendo assim uma dose excessiva de suplemento energético. A grande mãe exige fidelidade e dependência, e Fernando não tem consciência de quem ele é e o quê ele quer. A mãe não respeitou sua individualidade, impediu seu crescimento por seu filho possuir um ego fragilizado ou simplesmente por ele se acomodar, pois o reino da mãe gera a necessidade da mesma. É um mundo mágico onde tudo é suprido. Segundo Corneau (1999, p. 169), “a anima masculina está fortemente marcada pela personalidade materna; assim, enquanto não tiver conseguido separar-se da mãe, essa anima não terá possibilidades de evoluir”. O mesmo autor (p. 173), diz que “não poderá resolver o conflito interior que o neutraliza a não ser escolhendo entre dois fogos (o do dragão materno ou o do inferno), o do inferno, será caos, raiva, medo e sentimentos de culpa e são efeitos inevitáveis, mas passageiros, de tal escolha”. No caso de Fernando, há uma luta para ficar preso ao abraço da mãe, enquanto o desenvolvimento normal seria o de lutar para sair deste abraço, desta mãe que o infantiliza, que o chama de ‘Dinho’. Ele se encontra em um momento de crise que o fará gerar a consciência necessária para perceber-se como indivíduo e consequentemente uma retomada ao ponto onde parou seu desenvolvimento, possibilitando assim, mudança, crescimento e autonomia. Fernando gosta muito dos filhos, faz tudo para eles e acha que por isso ele abusam de sua benevolência, demonstrando ser um pai permissivo que não impõe limites, pois não os aprendeu.

Segundo Jung (1991, p. 342), “Alguma coisa dentro de nós quer permanecer como criança, quer permanecer inconsciente, ou, quando muito, consciente apenas do seu ego; quer rejeitar tudo o que lhe é estranho, ou então, sujeita-lo à sua própria vontade; não quer fazer nada, ou no máximo satisfazer sua ânsia de prazer e de domínio”. Fernando diz que na adolescência, foi usuário de drogas, uma forma de fuga para permanecer no prazer mais imediato e no domínio, que gostava de não fazer nada e de surfar, fazer só o que gostava, perdeu contato com seus amigos e mais uma vez chorou ao relatar que teve que crescer à força e teve que ser pai e marido da noite para o dia. É difícil aceitar responsabilidades diferentes e estranhas de uma hora para outra sem tempo para adaptar-se.

Fernando conta que tem um pensamento freqüente: se ele se separar o filho morre.

A terapeuta pergunta: Que filho é este?

Fernando: Não sei…um dos meus talvez..

A terapeuta: Separar….filho….morre.

Fernando: Quando se separa um filho morre.

Aqui Fernando faz uma projeção, este filho não é o filho dele, é ele o filho que precisa morrer. Separar significa diferenciar, não pertencer a outro, ser individual, existir sozinho. Para Franz (1992 p. 470), “esse é o dilema da criança divina, que fica dividida entre a sua personalidade adulta e a infantil. Teoricamente, a solução é clara: deve-se ultrapassar a imaturidade, substituindo-a pela maturidade. Deve-se buscar este objetivo, e se a análise for bem feita ele será alcançado”. Segundo Wenth (2005), “O grande objetivo analítico é conduzir o paciente à sua individuação, a ser aquilo que se é – através da relação que se estabelece entre analista e paciente, entre paciente e sua psique. Ambos a serviço do trabalho com a psique e suas imagens. O que buscaríamos promover seria movimentação psíquica”. Fernando tem a necessidade de decidir se quer ultrapassar os obstáculos, se quer continuar dividido e nesta busca da ajuda profissional deve ser definido o que realmente Fernando quer, se quer liberdade ou se quer substituir sua perda pela terapeuta.

Para Wenth (2005), “A análise pressupõe transformação, mas há que se ter cuidado e perspicácia. Não é tudo que pode ou deve ser modificado, não podemos correr o risco de “ao trocar a água do banho, jogar o bebê junto”. Inclusive, sempre digo que, muitos de nossos defeitos são nossas virtudes exageradas. Precisamos saber separar o joio do trigo. Precisamos saber distinguir aquilo que pode e deve ser mudado, daquilo que não pode e deve ser “lapi-dado” ou , no máximo, aceito”. Na terapia com Fernando é necessário que se faça a desconstrução de sua persona e que se trabalhe no sentido de trazer à consciência conteúdos inconscientes de sua sombra, isto pode ser realizado por meio de interpretação de sonhos, trabalhar com caixa de areia e imaginação ativa entre outras técnicas, o terapêuta deve explicar as projeções de Fernando auxiliando-o na construção de sua consciência, de sua individuação.

Fernando com a ameaça eminente de separação fica deprimido, auto-estima baixa, pensa em morrer, morte simbólica do menino, a separação real de seu complexo materno e de sua esposa certamente faz isso doer e também provoca uma crise que pode provocar uma mudança. Como Jung disse (1991, p. 344), “É uma luta travada dentro e fora de si próprio, é comparada à luta da criança pela existência do eu. Essa luta se processa na obscuridade; quando vemos a obstinação com que certos indivíduos se mantém apegados a ilusões e pressupostos infantis e a hábitos egoístas, podemos ter uma idéia da energia que foi necessária, outrora, para produzi-los”. Morre um filho, nasce um homem, nascer também dói, é uma batalha e imaginamos também quanta energia será necessária para isso, este homem poderá exercer seus papéis de pai, de filho, de marido, de profissional, de amigo, etc.

REFERÊNCIAS

CORNEAU, Guy. Será que existe amor feliz? Rio de Janeiro: Campus, 1999.

FRANZ, Marie-Louise von. Puer Aeternus: a luta do adulto contra o paraíso da infância. São Paulo: Paulinas, 1992.

JUNG, C. G. A dinâmica do inconsciente. 2 ed. Petrópolis: Vozes, 1991.

KAST, Verena. Pais e filhas, mães e filhos: caminhos para a auto-identidade a partir dos complexos materno e paterno. São Paulo: Loyola 1997.

KILEY, Dan. Síndrome de Peter Pan. 20. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1987.

WENTH, Renata Cunha. A Prática da Psicoterapia. Disponível em : Acesso Outubro/2005.

MOVIMENTOS DO POLEGAR

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Movimentos do Polegar

Nem tudo se aprende na escola . . .
Ao longo de nossa vida profissional, aprendemos diversas técnicas de tratamento e manobras semiológicas, sendo que muitas delas não são descritas em livros e nem em artigos científicos. Porém não se tratam de conhecimentos ocultos ou apócrifos, mas sim de alguns macetes nascidos da experiência prática de colegas e professores, e que podem ser bastante úteis em nosso dia a dia. Hoje vou compartilhar um destes macetes que aprendi na época em que fui estagiário de um grande Hospital Universitário do Rio de Janeiro.

. . . Certo dia ao acompanhar a visita dos médicos residentes a enfermaria de ortopedia, tive a oportunidade de ver a avaliação de um paciente internado devido a um acidente com vidro estilhaçado. Se não me falha a memória, parece que o sujeito, por alguma razão, decidiu desferir um soco contra uma janela de vidro, o que lhe causou lesões de vasos e nervos. O mais bizarro disso tudo é que este tipo de “acidente” é mais comum do que eu costumava imaginar na época. Já tive a chance de atender outros dois “acidentes” bem parecidos, o paciente estava internado recuperando-se da microcirurgia de reparação e estava com o braço completamente engessado, sendo que a imobilização se estendia da axila até a mão. A única parte do braço livre do gesso era o polegar, mais ou menos como a figura abaixo.

O ortopedista que liderava a visita (que era um professor velhinho de cabelos brancos) se deteve por alguns momentos à beira do leito, e aproveitou aquele caso para ensinar um macete semiológico para avaliar, baseado apenas nos movimentos do polegar, a integridade dos 3 principais nervos do plexo braquial. Este macete já me foi útil algumas vezes, porém nunca o encontrei descrito em nenhum livro ou artigo científico. Decidi então fazer uma pesquisa mais minuciosa e compartilhar este conhecimento neste trabalho

MOVIMENTOS DO POLEGAR
Parte importante do sucesso evolutivo do ser humano deve-se ao fato do nosso polegar ser capaz de realizar oposição aos demais dedos da mão. Graças a esta característica, somos capazes de manusear objetos e criar ferramentas. Sendo assim, vamos aproveitar o tema e relembrar um pouco dos movimentos do polegar. Segundo o livro Provas de Função Muscular (Daniels & Worthingham), os movimentos do polegar são os ilustrados abaixo:

Porém, vamos nos concentrar apenas em três movimentos bem específicos:

[1] Abdução no plano da mão,
[2] Abdução de 90 graus em relação ao plano da mão, e
[3] Oposição.
Lesões nos 3 principais nervos do membro superior (Ulnar, Mediano e Radial) podem vir a causar a perda de movimentos específicos do polegar. E a avaliação destes movimentos pode dar pista deste comprometimento em um paciente onde não seja possível avaliar a sensibilidade nem a motricidade da mão e antebraço como no caso do sujeito que está todo engessado.

Lesão do Nervo Ulnar
O nervo ulnar inerva o músculo adutor do polegar. Um teste rápido utilizando apenas o movimento do polegar para avaliar um possível comprometimento do nervo ulnar seria pedir ao paciente para deixar o polegar alinhado aos outros dedos, como na figura abaixo

Neste caso, vale também observar se o paciente não faz o sinal ou teste de Froment (mais um daqueles testes ortopédicos obscuros que ninguém conhece). Neste teste, o paciente é solicitado a segurar uma folha de papel utilizando somente o movimento da articulação metacarpofalangena do polegar (exatamente como na figura acima), se para compensar a falta de força, o paciente dobrar a ponta do polegar (utilizando a articulação interfalangeana), caracteriza a fraqueza do adutor do polegar , o que pode ser indício de lesão do nervo ulnar.

[flash=320,200:1x3kcoqq]http://www.trabalhosescolares.net/img/movimento_polegar.swf[/flash:1x3kcoqq]

Lesão do Nervo Mediano
Pode causar paralisia do músculo oponente do polegar, o qual vai obviamente influenciar o movimento de oponência. Para a testagem clássica, solicita-se ao paciente que mantenha a mão sobre a mesa, com a palma da mão para cima e pede-se que o polegar aponte em direção ao teto, e testa-se a força muscular como na figura abaixo

Porém no caso de um paciente engessado, pede-se apenas que ele faça a oponência, tanto quanto possível. Lesão do Nervo Radial
O Nervo radial inerva os músculos extensor curto e longo do polegar (os mesmos da tendinite de de Quervain) e pode ser testado pedindo ao paciente fazer abdução no plano dos dedos, ou simplesmente fazendo “joinha” com o polegar.

Estes testes não são 100% exatos. Mas podem ser utilizados para o acompanhamento da recuperação do paciente. Obviamente estes testes só devem ser utilizados em pacientes onde só seja possível avaliar os movimentos do polegar, pois a avaliação completa da sensibilidade e da motricidade é muito mais confiável do que estes testes.

SIMULADO ENFERMAGEM

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01. A vigilância epidemiológica tem como principal finalidade:
A. Tratar os casos de doenças que acometem os trabalhadores locais
B. Promover reciclagem dos profissionais que atuam na imunização
C. Promover medidas que incentivem a boa cobertura vacinal
D. Fazer distribuição dos medicamentos dos programas de tuberculose e hanseníase
E. Desenvolver ações para evitar o surgimento e a disseminação de doenças infectoparasitárias

02. A vacina contra o sarampo deve ser administrada a partir dos:
A. 3 meses
B. 5 meses
C. 6 meses
D. 9 meses
E. 12 meses

03. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), define-se saúde como:
A. Completo estado de saúde mental
B. Estado de completo bem-estar físico, mental e social
C. Ausência de doenças ou enfermidades
D. Prestação global de assistência ao doente acamado
E. Direito de todas as raças, independente de sexo, religião ou cor

04. Com a simples medida de introdução de água de rede de abastecimento, ocorre a imediata melhora do seguinte indicador de saúde:
A. Mortalidade materna
B. Morbidade por sarampo
C. Mortalidade infantil
D. Letalidade por hanseníase
E. Morbidade por difteria

05. Tendo em vista a interrupção da história natural de um agravo à saúde, a vacinação da população infantil é a atividade denominada:
A. Proteção específica
B. Promoção da saúde
C. Assistência secundária
D. Controle epidemiológico
E. Prevenção terciária

06. Os soros podem ser usados com finalidade profilática e devem ser administrados o mais precocemente possível, após a exposição de pessoas suscetíveis a determinados agentes infecciosos. A administração dos soros caracteriza imunização:
A. Artificial
B. Passiva
C. Ativa
D. Total
E. Natural

07. A cólera é uma doença bacteriana, cujo período de incubação é de 1 a 5 dias e seu reservatório comum é o homem. Sua transmissão se dá pela:
A. Água, urina de rato e alimentos contaminados
B. Água, alimentos contaminados e fezes dos portadores da doença
C. Urina de rato, água e fezes dos portadores da doença
D. Urina de rato, fezes dos portadores da doença e alimentos contaminados
E. Picada de insetos do gênero Anopheles

08. As medicações orais do esquema de quimioterapia antituberculose devem ser administradas em uma só ingestão, de acordo com o seguinte esquema:
A. Diariamente e, de preferência, em jejum
B. Em dias alternados e, de preferência, à noite
C. Diariamente e, de preferência, à noite
D. Em dias alternados e, de preferência, em jejum
E. Uma vez por semana

09. A vacinação contra a febre amarela é indicada para:
A. Tabagistas, etilistas sociais e pessoas sedentárias
B. Viajantes para áreas endêmicas
C. Crianças menores de 3 meses
D. Todos os maiores de 60 anos
E. Toda pessoa que apresenta icterícia

10. Qual o principal transmissor da febre amarela urbana?
A. Barbeiro
B. Pernilongo vulgaris
C. Toxoplasma gondii
D. Aedes aegypti
E. Pernilongo tropical/silvestre

11. No controle da dengue é indispensável à atuação no nível:
A. Dos roedores
B. De meio ambiente
C. Individual
D. De vertebrados
E. Coletivos

12. A associação de desnutrição com a ocorrência de doenças infecto-contagiosas na infância aumenta a sua gravidade. Uma doença que confirma tal caso é:

A. Pitiríase versicolor
B. Exantema súbito
C. Pediculose
D. Escabiose
E. Sarampo

13. A saúde como “direito de todos e dever do estado” tem sua base legal sustentada pelos seguintes atos:
A. Parecer 163/82 e Resolução 04/72
B. Lei 2.604/55 e Decreto-lei 50.387/61
C. Lei 7.498/86 e Decreto-lei 94.406/87
D. Constituição Federal /88 e Lei 8.080/90
E. Parecer 271/62 e portaria ministerial de 04/ 12

14. Das doenças a seguir relacionadas, aquela que se inclui entre as doenças profissionais é:
A. Nefrite
B. Hepatite
C. Poliomielite
D. Tenossinovite
E. Encefalite

15. A percepção da saúde como direito de cidadania é um dado novo na história da política social brasileira. Nesse contexto, a noção de saúde tende a ser percebida como:
A. Conjunto de condições coletivas de existência com qualidade de vida
B. Expressão de decisão e gestão exclusiva do Estado
C. Visão medicalizada da saúde de forma globalizada
D. Compreensão da saúde como um estado biológico
E. Estado de ausência de enfermidade

16. As complicações mais comuns do sarampo estão representadas por:

A. Manchas de Koplik e tosse
B. Febre e erupção papular
C. Diarréia e coriza
D. Conjuntivite e diarréia
E. Pneumonia e otite média

17. O agente etiológico da doença de Chagas é:
A. Echinococcus granulosus
B. Plasmodium vivax
C. Schistosoma mansoni
D. Treponema pallidum
E. Trypanosoma cruzi

18. No contexto do sistema de vigilância, a investigação epidemiológica tem por finalidade:
A. Detectar fontes de infecção
B. Avaliar comportamento endêmico de doenças na população
C. Fazer um estudo de amostras destinado a consolidar dados
D. Apoiar os meios de comunicação
E. Inferenciar características dos casos

19. De acordo com as propostas da 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS), o sistema público de prestação de serviços de saúde deverá dar atendimento:
A. A nível primário a toda população carente
B. A nível secundário a toda população, independente da classe econômica
C. Em todos os níveis (primário, secundário, terciário) a toda população
D. Dar atendimento em nível terciário a 2% da população
E. Apenas no nível terciário

20. Nos caminhos do direito à saúde, o movimento que assegurou a universalização do acesso aos serviços de saúde, a integração das ações e a unificação dos serviços concretizaram-se através:

A. Sistema Único de Saúde – SUS
B. Ações Integradas de Saúde – AIS
C. Sistema Único Descentralizado da Saúde – SUDS
D. Programa Nacional de Serviços Básicos da Saúde – PREV-Saúde
E. Conselho Nacional de Administração da Saúde Previdenciária – CONASP

21. Fazem parte da doutrina do Sistema Único de Saúde (SUS), exceto:
A. Centralização
B. Universalidade
C. Eqüidade
D. Integralidade
E. Todas as alternativas anteriores

22. Ano em que foi criado pelo Ministério da Saúde o programa nacional de imunizações (PNI), que teve como prioridade o controle da poliomielite, sarampo, difteria, tétano, coqueluche e, subsidiariamente, tuberculose:
A. 1972
B. 1973
C. 1975
D. 1978
E. 1980

23. Os preceitos do SUS de universalização, integralidade e hierarquização visam à reestruturação do sistema de saúde. Em relação aos cidadãos, estes preceitos implicam a:
A. Satisfação das necessidades assistenciais no nível primário de atenção à saúde
B. Comprovação do local de moradia para ter acesso à assistência médica
C. Contribuição à previdência social para ter acesso à assistência médica
D. Utilização de diferentes níveis hierarquizados de atenção à saúde
E. Suplementação dos custos dos serviços prestados

24. A eqüidade, um dos princípios do SUS, ainda é uma meta distante no nosso sistema de saúde devido à (ao):
A. Dificuldade de acesso da maioria da população aos serviços de saúde
B. Difícil acesso de cidadãos de raça negra à atenção à saúde
C. Oferta generalizada de serviços de atenção primário
D. Acesso desigual a medicamentos para tratamento
E. Acesso amplo a práticas preventivas de saúde

25. A ocorrência epidêmica restrita a um espaço extremamente delimitado, como um colégio ou um quartel, é considerada:
A. Surto endêmico
B. Surto epidêmico
C. Epidemia regional
D. Surto regional
E. Surto sazonal

26. Os principais sintomas da malária são:
A. Febre, dores pelo corpo, diarréia, falta de apetite e tonteira
B. Falta de apetite, sensação de cansaço, rigidez de nuca e tremores
C. Dor abdominal, diarréia, petéquias, tremores e sensação de cansaço
D. Dor de cabeça, convulsões, sialorréia e petéquias
E. Tremores, falta de apetite, sensação de cansaço e petéquias

27. A malária é uma doença grave provocada por protozoários do gênero Plasmodium que penetram no homem pela picada de mosquitos infectados do gênero Anopheles, sendo sua forma mais grave provocada pelo gênero:

A. P. falciparum
B. P. vivax
C. P. malariae
D. P. ovale
E. P. hominins

28. Em vacinação de rotina na Unidade Sanitária, as situações que contra-indicam temporariamente a aplicação de vacina em criança é a utilização de corticosteróides ou:
A. Interrupção do esquema de vacinação
B. Temperatura acima de 38°C
C. Ocorrência anterior da doença
D. Reação intensa à vacinação prévia
E. Apresentação de estado gripal

29. De acordo com o calendário de imunizações, a partir de que idade uma criança deve ser vacinada contra o sarampo e qual a via de administração?
A. Ao nascer, via IM
B. Aos 4 anos, via subcutânea
C. Aos 4 meses, via IM
D. Aos 12 meses, via subcutânea
E. Aos 9 meses, via IM

30. O controle de diurese é um dos cuidados de enfermagem indicados nos casos de cliente com:
A. Leishmaniose
B. Leptospirose
C. Salmonelose
D. Mononucleose
E. Paracoccidioidomicose

31. Uma das complicações graves da febre tifóide é a:
A. Hemoptise persistente
B. Colecistite aguda
C. Pielonefrite crônica
D. Perfuração intestinal
E. Miocardite bacteriana

32. A epidemiologia pode ser definida como:
A. Ciência que estuda a relação saúde-doença em uma comunidade, analisando a distribuição e os fatores determinantes dos agravos à saúde
B. Ciência que estuda a mortalidade e sua relação com as zoonoses
C. Serviço ambulatorial que fiscaliza e determina as vacinas que devem ser aplicadas no esquema básico
D. Estudo das morbidades e mortalidades evidenciadas no momento de uma comunidade
E. Prática de saúde pública em que os profissionais fiscalizam as condições sociais e ambientais da população

33. Em uma localidade afastada do centro da cidade, não se faz a coleta do lixo. Visitando a comunidade, um agente de saúde pública explicou a melhor maneira de eliminar o problema, para não haver propagação de doenças, nem poluição do ambiente. Tal agente sugeriu que essa comunidade procedesse, com o lixo, da seguinte maneira:
A. Queimando-o na rua
B. Despejando-o no rio
C. Embrulhando-o em jornal
D. Enterrando-o no quintal
E. Espalhando-o em um valão

34. O Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem foi aprovado pela Resolução:
A. COFEN 51, de 24/03/71
B. COFEN 159, de 19/04/93
C. COFEN 160, de 12/05/93
D. COFEN 173, de 21/06/94
E. COFEN 189, de 25/03/96

35. Nas viroses eruptivas, aquela que se caracteriza pelas manchas de Koplik é:
A. Meningite
B. Hepatite
C. Rubéola
D. Sarampo
E. Parvovirose

36. A tuberculose é considerada um problema de saúde pública, pois:
A. Ainda é muito freqüente no Brasil e é uma doença contagiosa
B. Apresenta distribuição uniforme pelo Brasil
C. Tem alta incidência nas camadas mais abastadas
D. É tratada somente pela rede pública de saúde
E. Não possui tratamento medicamentoso

37. O HIV, agente etiológico da AIDS, é usualmente transmitido por quaisquer meios que incluam contato com esperma e sangue. Outro mecanismo de transmissão da referida doença é:
A. Através de artrópodes
B. Pela ingestão de água contaminada
C. Através da convivência habitacional
D. Da mãe para o filho durante a gravidez
E. Pela ingestão de alimentos contaminados

38. Uma das doenças cuja vacinação no primeiro ano de vida está indicada pelo
Programa Nacional de Imunização (PNI):
A. Tifo
B. Tétano
C. Malária
D. Meningite
E. HIV

39. As vacinas contra o sarampo, antes de serem despejadas na rede de esgoto, deverão sofrer o seguinte processo de inativação:
A. Exposição à luz solar por 2 horas
B. Autoclavação a 125°C
C. Congelamento a -1°C
D. Ebulição por 10 minutos
E. Não é necessária inativação

40. O trabalho de um enfermeiro na prevenção da infecção hospitalar pós-operatória deve basear-se na classificação das cirurgias pelo potencial de contaminação. De acordo com esta classificação, são consideradas operações contaminadas:
A. Cirurgias de reto e ânus com pus
B. Feridas traumáticas limpas
C. Histerectomias abdominais
D. Cirurgia de catarata
E. Neurocirurgia

Gabarito:

01. E – 02. E – 03. B – 04. C – 05. A – 06. B – 07. B – 08. A – 09. B – 10. D – 11. B – 12. E – 13. D – 14. D – 15. A – 16. E – 17. E – 18. Resposta A – 19. C – 20. A – 21. A – 22. B – 23. D – 24. A – 25. B – 26. A – 27. A – 28. B – 29. D – 30. B – 31. D – 32. A – 33. D – 34. C – 35. D – 36. A – 37. D – 38. B – 39. B – 40. A

ESCALA DE MADDOX

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Escala de Maddox

O monitoramento da terapia intravenosa a pacientes internados é importantíssimo para a garantia de uma assistência de enfermagem adequada e eficaz. Esse monitoramento viabiliza toda a administração de medicação, hemocomponentes, ou outros fluidos, tais como dietas parenterais ou soroterapia.

A terapia intravenosa tem as seguintes finalidades: retirada de amostras de sangue, introdução de medicamentos, monitorização da PVC, transfusão de sangue e derivados, hidratação e correção de distúrbios eletrolíticos, introdução de nutrientes, introdução de contraste e drenagem de líquidos.

Para esse monitoramento, utilizamos a escala de Maddox para todas as punções venosas periféricas realizadas até a sua retirada.

O acompanhamento do acesso venoso periférico permite prevenirmos flebite e, na ocorrência da mesma, avaliar suas causas.

Abaixo segue a escala de Maddox e a avaliação dos graus de flebite para acompanhamento diário.

Intensidade: 0
Sinais e Sintomas:
– Sem queixas de desconforto
– Sem hiperemia
– Ausência de dor ao toque ou infusão.

Intensidade: 1+
Sinais e Sintomas:
– Dor no local, eritema ou edema
– Sem endurecimento
– Cordão fibroso NÃO palpável

Intensidade: 2+
Sinais e Sintomas:
– Dor no local, eritema ou edema
– Formação de endurecimento
– Cordão fibroso não palpável no trajeto da veia

Intensidade: 3+
Sinais e Sintomas:
– Dor no local, eritema ou edema
– Formação de endurecimento
– Cordão fibroso palpável no trajeto da veia

TRATAMENTO DA SINDROME DE CROUZON

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TRATAMENTO DA SINDROME DE CROUZON

A síndrome de Crouzon faz parte das chamadas craniossinostoses sindrômicas, que constituem-se de um conjunto de malformações de origem genética que apresentam como característica comum a fusão (ou sinostose) precoce de uma ou, geralmente, múltiplas suturas cranianas, inibição do crescimento das sincondroses da base do crânio e sinostose das suturas dos ossos cranianos e faciais, particularmente entre a maxila e o esfenóide (Aduss 1981). Tal situação provoca um desbalanço entre o crescimento ósseo (craniano) e de partes moles (encefálico), levando por vezes ao surgimento de hipertensão intracraniana (HIC) pela restrição do crescimento cerebral, que pode acarretar em prejuízo no desenvolvimento cognitivo destes pacientes (Gabarra 2000).

De transmissão autossômica dominante, é conseqüência de uma mutação no gene responsável pela codificação dos receptores do fator de crescimento fibroblástico tipo 2 (FGFR2), localizado no braço longo do cromossomo 10 (10q26) (Kan et al 2002 e Chang et al 2006). Sua incidência varia entre 15,5 e 16,5 por milhão de nascimentos (Cohen Junior 1992).

Foi descrita originalmente por Octave Crouzon em 1912, que descreveu a tríade clássica de alterações cranianas (notadamente a braquicefalia), exorbitismo e hipoplasia da face média (Crouzon 1912). Além dessas características, os pacientes podem também apresentar hipertelorismo, estrabismo, alterações nasais, diminuição do espaço nasofaríngeo, diminuição do comprimento da fossa craniana anterior com elevação das asas menores do esfenóide, lâmina cribiforme deprimida, aumento no tamanho dos seios etmoidais, palato em ogiva e dentes aglomerados (Aduss 1981).

Diversos fatores são capazes de influenciar o desenvolvimento cognitivo de pacientes com craniossinostoses sindrômicas. Renier et al (1996) mostraram que, em pacientes com de síndrome de Apert, também foram importantes alterações morfológicas encefálicas (anomalias do septo pelúcido) e a qualidade do ambiente familiar (39,3% dos pacientes com estrutura familiar normal alcançaram um QI normal, enquanto somente 12,5% dos pacientes institucionalizados alcançaram este limite). Ainda tratando-se da síndrome de Apert, Yacubian-Fernandes et al (2005) encontraram um índice de deficiência cognitiva de 28,5% (4 pacientes de uma amostra de 18), sendo que a condição sócio-econômica das famílias e o nível de instrução dos pais também foram citados como sendo fatores relevantes no desenvolvimento cognitivo destes pacientes. Estudos detectaram alterações encefálicas em 56% desta população com síndrome de Apert (Yacubian-Fernandes et al 2004).

Entretanto, apesar de haver diversos estudos tentando correlacionar fatores que possam interferir no desenvolvimento neuropsicológico na síndrome de Apert, existem poucos trabalhos na literatura específicos para a síndrome de Crouzon, possivelmente porque o índice de retardo mental neste grupo é muito menor quando comparado ao Apert (David et al 1982), e com uma prevalência de alterações estruturais cerebrais também menor. Aguado-Balsas et al (1999) realizaram uma revisão da literatura e concluíram que a deficiência cognitiva nesta síndrome é leve e irregular, apresentando comprometimento de certas faculdades mentais de forma variada. Noetzel et al (1985) citaram que a incidência de deficiência cognitiva na síndrome de Crouzon pode chegar a 20%, enquanto que em craniossinostoses monossuturais varia de 6,9% a 9,5%.
Postularam ainda que, entre as causas de retardo mental nas craniossinostoses sindrômicas, as principais seriam: A) hidrocefalia com aumento da PIC e destruição progressiva dos neurônios; B) causas não relacionadas diretamente à craniossinostose, como prematuridade, infecções ou trauma; e C) anormalidades embriogênicas afetando o encéfalo, confirmadas pela presença de ventriculomegalias não progressivas em muitos pacientes deste grupo.
A aquisição e o desenvolvimento da linguagem também dependem de vários fatores: condições neurológicas ideais (integridade anatômica e funcional do sistema nervoso central e periférico), aparelho fonatório adequado, condições sociais, afetivas (qualidade do estímulo) e cognitivas. Alterações da linguagem são problemas freqüentes do desenvolvimento na infância, atingindo de 3 a 15% das crianças (Meirelles et al 2006).

As craniossinostoses podem ser prejudiciais considerando o processo de aquisição e desenvolvimento de linguagem, pois atingem estruturas orofaciais, comprometem o sistema auditivo, interferem no desenvolvimento neuropsicológico e também dificultam a adaptação social da criança (Meirelles et al 2006).

Contudo, também são escassos os estudos avaliando o desenvolvimento da linguagem nos pacientes com síndrome de Crouzon. Durante muito tempo, existiram somente descrições empíricas e pontuais a respeito das habilidades de linguagem em pacientes portadores de craniossinostoses sindrômicas, devido principalmente a dois fatores: a baixa incidência de tais patologias, que proporciona casuísticas pequenas, e a gravidade das malformações, freqüentemente tão importante a ponto de se relegar os aspectos relacionados à avaliação de linguagem e comunicação a segundo plano (Peterson 1973). Este autor relatou sua experiência pessoal com 5 casos de síndrome de Crouzon, descrevendo desde linguagem normal até alterações leves. Em uma revisão mais abrangente, chama a atenção para a estreita relação entre os aspectos psicológicos e as habilidades de comunicação.

Tratamento

O tratamento desta patologia é bastante complexo, envolvendo diversas opções terapêuticas em diferentes fases de evolução dos pacientes, e consiste sempre na participação de uma equipe multidisciplinar (Turvey et al 1979), com a integração de pediatras, cirurgiões plásticos, neurocirurgiões, enfermeiros, fonoaudiólogos, assistentes sociais, psicólogos, dentistas e cirurgiões buco-maxilo-faciais, entre outros.

Do ponto de vista do tratamento cirúrgico, divide-se em duas fases: uma primeira fase precoce, a ser realizada idealmente no primeiro ano de vida, no intuito de promover uma expansão craniana e evitar as conseqüências deletérias da HIC, além de garantir uma melhor proteção ocular diminuindo a exposição dos globos oculares e melhorando o aspecto do exorbitismo. A segunda fase ocorre idealmente após a erupção da dentição definitiva, com o objetivo de realizar o avanço da face média, seja cirurgicamente (através de fratura tipo Le Fort III), seja através de tração esquelética por distratores (Aduss 1981).

Frente a todas as intercorrências e patologias associadas que os pacientes com síndrome de Crouzon podem apresentar, bem como às diferentes necessidades terapêuticas em diferentes estágios do desenvolvimento, o tratamento multidisciplinar impõe-se como o ideal (Turvey et al 1979).

No intuito de evitar os efeitos deletérios da HIC no desenvolvimento cerebral, preconiza-se a cirurgia precoce de remodelação craniana para as cranioestenoses sindrômicas como Crouzon e Apert.

Inicialmente as técnicas neurocirúrgicas desenvolvidas no início do século 20 consistiam em craniectomias em faixa (ou suturectomias) sobre as suturas fechadas, esperando que o crânio, uma vez descomprimido, se remodelasse e continuasse a crescer de forma mais simétrica (Posnick e Ruiz 2000). Entretanto, tal técnica mostrou-se insuficiente para corrigir tais problemas.

Os grandes avanços nesse campo foram feitos por Paul Tessier na década de 70, quando demonstrou ser possível realizar o avanço frontal, orbitário e da face média num único procedimento, e também agregar a correção do hipertelorismo quando necessária (Aduss 1981). Desde então, o avanço fronto-orbitário tem se tornado o procedimento padrão para correção de tais malformações craniofaciais.

Alguns autores preconizam o momento entre 4 e 12 meses (Renier et al 1996) e outros consideram tempo ideal até 36 meses (Gabarra 2000). Vale a pena lembrar que o cérebro aumenta em peso cerca de 85% nos primeiros 6 meses de vida, chegando a 135% de aumento no final do primeiro ano. Apesar do crescimento tornar-se mais lento a partir desse momento, ele não cessará completamente até aproximadamente os 8 anos de idade (Aduss 1981). Posnick e Ruiz (2000) julgam que o tempo ideal para tais correções seja entre 9 e 11 meses, pois neste período o crânio e o rebordo orbitário mantêm-se melhor na posição corrigida.

Marchac e Renier (1996) dividiram o tratamento cirúrgico dos pacientes portadores de craniossinostoses sindrômicas em duas fases distintas: uma precoce (crânio) e outra tardia (face).

A primeira fase, precoce, a ser realizada idealmente no primeiro ano de vida, envolvendo a remodelação craniana, utilizando a técnica do avanço fronto-orbitário, com o objetivo de ganhar 2 centímetros anteriormente através do avanço do osso frontal e do rebordo orbitário, no intuito de conseguir uma boa proteção ocular e alívio efetivo da HIC (Marchac e Renier 1996). Recentemente, alguns autores têm preferido uma supercorreção, sobretudo quando a cirurgia é realizada muito precocemente (Posnick e Ruiz 2000).


A segunda fase para correção das alterações faciais ocorre por volta dos 12 anos de idade (realizada através de fratura Le Fort III e avanço da face média), aguardando a erupção completa dos dentes definitivos. Dependendo das necessidades psicológicas da criança ou do grau de dificuldade respiratória, antecipa-se esta segunda fase (Mitsukawa et al 2004).
Postula-se que os pacientes com deformidades craniofaciais tratadas precocemente sofreriam menor trauma psicológico com relação à família e a sociedade em geral (McCarty et al 1984), devido a uma melhor remodelação craniana.