Discriminação Racial

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SUMÁRIO
INTRODUÇÃO
ORIGEM DO PROBLEMA 
DEFINIÇÃO DO PROBLEMA 
CAPÍTULO I 
1.1 Histórico das desigualdades raciais no sistema brasileiro de Educação Básica 
1.2 Os dados do SAEB – Sistema de Avaliação da Educação Básica 
1.3 Modelos de análises 
1.4 O Racismo no Brasil e a Classe Docente 
1.5 POR QUE A LEI? 
1.5.1 As Leis n°s 10.639/03 e 11.645/08 e a Educação 
1.6 Lei fica no papel e escola pública não ensina História da África 
1.7 Séculos de dívida 
1.8 Eixos Conceituais 
1.9 Termos e Conceitos 
1.9.1 Afro-Brasileiro e Afro-Descendente 
1.9.2 Discriminação
1.9.3 Estereótipo 
1.9.4 Estigma 
1.9.5 Marginalização 
1.9.7 Preconceito 
1.9.8 Preto 
1.9.9 Racismo 
CAPÍTULO II 
2.1 Literatura 
2.1.1 Do Silêncio do Lar ao Silêncio Escolar 
2.2 Socialização, Família, Escola e Sociedade 
2.2.1 Os caminhos da socialização 
2.3 A Família 
2.4 A Escola 
2.5 A Sociedade 
2.6 Discriminação Racial e Dificuldades de Aprendizagem 
CAPÍTULO III 
3.1 Metodologia 
3.1.1 Dificuldades de Aprendizagem / Observações de Estágios 
3.2 Crianças Negras e Brancas Interagindo e Reagindo 
3.3 Contribuições Psicopedagógicas 
3.4 A ação psicopedagógica na transformação da realidade escolar 
3.5 DISCRIMINAÇÃO
4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
5 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
6 ANEXOS 
7 REVISÃO DOCUMENTAL
7.1 Constituição Federal 
7.2 Parâmetros Curriculares Nacionais 
7.3 Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional 
7.4 Estatuto da Criança e do Adolescente 
7.5 Lei nº 10.639 
7.6 Resolução nº 1 
7.7 Lei nº 11.645 
8 BIOGRAFIA 
8.1 Dagoberto José Fonseca 
8.2 Oswaldo Faustino

Esta Monografia tem como objetivo apresentar e analisar a criança negra com dificuldade de aprendizagem e de como o psicopedagogo através de intervenção específica e junto com a escola, família, pode intervir para o seu pleno desenvolvimento educacional.

Sabe-se que a discussão sobre as questões raciais vem se destacando devido à implantação de Leis 10.639/03 Implantação da História da África e Cultura Afro-Brasileira e 11.645/08 que acrescentou a História Indígena, no desenvolvimento social e cultural de uma sociedade, tentando-se amenizar a questão da discriminação racial no país, e o alto índice de defasagem, dificuldades de aprendizagem, exclusão da criança negra no ensino fundamental I. Para fundamentar nossa reflexão temos as LDB (Lei de Diretrizes e Bases /96 Art. 26-A e 79 B), os PCN que dedicam e inclui em sua estrutura documental uma análise que tem como objetivo fundamentar teoricamente a Pluralidade Cultural e conseqüentemente visa à prática de toda essa teoria apresentada, tendo em vista o melhor desenvolvimento do processo educacional.

O silêncio que atravessa os conflitos étnicos na sociedade é o mesmo que sustenta o preconceito e a discriminação no interior da escola. De modo silencioso ocorrem situações, no espaço escolar, que podem influenciar o ensino e aprendizagem dos alunos, mostrando-lhes diferentes lugares para pessoas brancas e negras.

Contudo é necessário mais do que Leis para promover esta conscientização. É preciso implantar ações, na prática, de tudo que se diz e se analisa como correto, relativo à questão das dificuldades de aprendizagem da criança negra para sua atuação futura na sociedade.

Entendemos que as intervenção do Psicopedagogo junto com o , família e outros profissionais podem contribuir para a melhoria do ensino em nosso País.

O psicopedagogo vê a criança como um ser biopsicossocial que é, ou seja, olhando suas dimensões biológica, psicológica e social. O objetivo do tratamento psicopedagógico é trabalhado dentro dessa visão holística da criança, fazendo-a entender e aprender a lidar com seu próprio modelo de aprendizagem e retirar os obstáculos que estão dificultando seu aprender.

INTRODUÇÃO

Esta monografia aborda questões relacionadas à situação da criança negra na Educação Básica, focado nos anos iniciais do Ensino Fundamental I, suas dificuldades de aprendizagem e desafios. Como o psicopedagogo pode fazer intervenções em conjunto com o professor em sala de aula? Conscientização! Esta é a mola primordial na formação dos docentes, para poder combater o racismo, o preconceito e a discriminação que não produzem nada de benéfico para a escola ou a sociedade. Percebemos que estamos lutando contra algo que, na maior parte das vezes, e As situações que deram origem aos complexos podem perfeitamente ser evitadas e tratadas a partir de um trabalho preventivo baseado nos conhecimentos da Psicopedagogia, e os sujeitos já afetados podem também ser reeducados de modo que venham a adquirir uma auto-estima positiva a partir do conhecimento real de si, através de sua história étnica e sócio-cultural: a história de nossos antepassados na história do nosso país.

As formas etnocêntricas de ensino que privilegiam a cultura européia em detrimento da cultura afro-brasileira surgirão, senão como a única, pelo menos como determinantes, numa anamnese escolar, do fracasso escolar dos afro-brasileiros. É de suma importância que a contribuição psicopedagógica na prevenção do fracasso étnico escolar possibilite aos profissionais da área de educação à percepção da necessidade de mudanças, usando argumentos bem fundamentados que possa convencer a comunidade escolar a colaborar ativamente na reestruturação do ensino e erradicação do modelo racista excludente que tem caracterizado a nossa escola até então.

As relações que se desenvolvem no ambiente escolar poderão ser de tolerância, de respeito às diferenças étnicas e culturais se, nas trocas e nas mediações que ocorrem nas situações de ensino-aprendizagem estes valores forem democraticamente elaborados com o conjunto dos atores envolvidos no processo de construção do conhecimento. Existe a real possibilidade de avanços neste sentido que podem se concretizar através de um trabalho sistemático, desenvolvido por profissionais capacitados para tanto, juntamente com os sujeitos envolvidos na área de educação escolar.

É importante ressaltar o papel do lúdico na intervenção psicopedagógica como elemento facilitador da aprendizagem de crianças, sendo elas negras ou brancas com dificuldades de aprendizagem. O jogo promove a construção do conhecimento e do saber; o uso de jogos ajuda a criar uma atmosfera de motivação que permite ao aluno participar ativamente do processo ensino e aprendizagem natural do ser humano. Ao brincar e jogar, o aluno fica tão envolvido com o que está fazendo que coloque na ação seu sentimento e emoção. O jogo, assim como a atividade artística, é um elo integrador dos aspectos motores, cognitivos, afetivos e sociais. É brincando e jogando que a criança ordena o mundo à sua volta, assimilando experiências e informações e, sobretudo, incorporando atitudes e valores. É por intermédio do jogo e do brinquedo que ela reproduz e recria o meio circulante.

É competência de o psicopedagogo trabalhar as duas variantes aprendentes: de forma preventiva para que sejam detectadas as dificuldades de aprendizagem antes que os processos se instalem como também na elaboração do diagnóstico e interação com família e escola, frente às inter-corrências advindas das dificuldades no processo do aprender. Em conjunto com o professor, o psicopedagogo sente-se desafiado a repensar a prática pedagógica, inscrevendo a possibilidade de novos encaminhamentos e procedimentos.

Esse processo de parceria possibilita uma aprendizagem muito importante e enriquecedora. Esse estudo psicopedagógico atinge plenamente seus objetivos quando, amplia a compreensão sobre as características e dificuldades de aprendizagem do aluno abrem espaço para que a escola viabilize recursos para a essa nova demanda de ensino e aprendizagem.

ORIGEM DO PROBLEMA

Em nossa vivência escolar através das observações em nossos estágios, percebemos o quanto a discriminação racial implica nas dificuldades de aprendizagem da criança afro-brasileira, entre outros; presente em nossa sociedade.

Pouco se conhece e se valoriza da história africana e da cultura afro-brasileira na instituição educacional.

Percebemos através de nossas observações nossos estágios pela postura da linguagem não-verbal dos educadores, onde parece haver uma ausência de contato físico afetivo dos educadores para com as crianças negras, demonstrando a rejeição do seu grupo social e causando-lhes sofrimento. A sua dor não é reconhecida, havendo uma aparente falta de acolhimento por parte das pessoas “autorizadas” (educadores), que silenciam ou se omitem em face de uma situação de discriminação. Cita-nos Goffman, 1975: “Tal postura denuncia a banalização do preconceito e a conivência dos profissionais com ele.

Percebemos pela s falas de alguns educadores e de outras ações inter-relacionadas. “O negro não aprende porque é negro, o pobre não aprende porque é pobre”, que os verdadeiros culpados são os próprios discriminados (crianças negras e pobres). No nosso ponto de vista as crianças negras e pobres que “não aprendem” são aquelas que já estão afetados em sua parte afetiva, já que esta é uma das conseqüências da discriminação. Isto é: o preconceito atinge internamente a criança discriminada que introjeta como maus os objetos maus a elas relacionados (cabelo ruim, cor feia, religião do diabo…). O cognitivo e o afetivo são partes inseparáveis, pois se inter-relacionam o tempo todo daí podemos concluir que: a discriminação afeta a cognição, que uma cognição afetada influi no afeto e que ambos tornam os discentes incapazes para a aprendizagem e satisfatório convívio social.

Segundo Eliane Cavalleiro pedagoga que realizou pesquisa de mestrado sobre racismo e fracasso escolar numa escola pública de São Paulo chegou a interessantes conclusões: Que crianças brancas são mais acariciadas e beijadas do que as crianças negras.

E diante deste dado, concordamos com a autora, uma vez que nas nossas observações entre crianças brancas com dificuldades de aprendizagem tanto quanto as crianças negras, percebemos que os educadores tinham práticas em sala de aula bem diferente, dando um novo direcionamento no ensino e aprendizagem das crianças brancas, levando-as a seu desenvolvimento e aprendizagem, sem que o mesmo não ocorria com as crianças negras, que muitas das vezes eram deixadas de lado, sendo chamadas preguiçosas, sem capacidade de aprender, pondo a culpa nas maiorias das vezes na família, na condição social e econômica.

Existe ainda uma ausência de conteúdos que problematizem a questão do negro nos currículos escolares, privando as crianças negras de conhecerem a sua história, que vai além da escravidão. Pode ser ainda possível observar a demonstração de preconceito proveniente de colegas e professores, que violentam por meio de insultos a identidade negra. O cotidiano escolar vai dando indícios do lugar do negro nesse espaço. Muitas crianças acabam resignando-se a esse não-reconhecimento, a ponto de se avaliarem de maneira distorcida, considerando-se incapazes, inferiores e, ao menor sinal de dificuldade, abandona o processo escolar. A dificuldade de auto-aceitação pode ser decorrente de um possível comprometimento de sua identidade devido a atribuições negativas provenientes do seu grupo social.

Segundo Oliveira (2002), essa internalização do discurso alheio ocorre porque a avaliação, antes de ser pessoal, é social. Nossa identidade é resultado de um processo dialético entre o que é de caráter individual e cultural, uma produção sócio-histórica, um processo criado e recriado continuamente. É pelo olhar do outro que me constituo como sujeito. É a qualidade desse olhar que contribui para o grau de auto-estima da criança. Para Vigotsky (1989), o psiquismo humano existe por uma apropriação dos modos e códigos sociais. Com a internalização, a criança vai tornando sua o que é compartilhado pela cultura; o discurso social passa a ter um sentido individual. Mas os referenciais externos dos negros são dilacerantes.

A mensagem transmitida é que, para o negro existir, ele tem de ser branco, ou seja, para se afirmar como pessoa precisa negar o seu corpo e sua cultura, enfim, sua etnicidade. O resultado dessa penalização é o desvirtuamento da identidade individual e coletiva, havendo um silenciamento do preconceito por parte da criança e do cidadão ao longo da vida. Nesse sentido, a escola poderá “silenciar” as crianças negras, intensificando o sentimento de coisificação ou invisibilidade, que pode gerar uma angústia paralisante, de modo que seus talentos e habilidades se tornem comprometidos por não acreditarem nas suas potencialidades, ambicionando pouco nas suas atividades ocupacionais futuras.

DEFINIÇÃO DO PROBLEMA

Justificamos nosso tema após analisarmos a criança negra com dificuldade de aprendizagem e de como o professor sozinho já não dá conta sem ajuda do psicopedagogo e outros profissionais, de ajudar este aluno para seu pleno desenvolvimento humano, pois somente os afro-brasileiros poderão se auto-afirmar etnicamente e construir sua identidade, elevando sua auto-estima. Nosso objetivo específico é analisar a situação do aluno negro na escola de Ensino Fundamental I (do 1º ao 4º ano).

Diz-nos Petronilha B. G. e Silva; – Que o racismo expulsa a criança negra da escola:

(…) “A questão racial não é exclusiva dos negros. Ela é da população brasileira. Não adianta apoiar e fortalecer a identidade das crianças negras se a branca não repensar suas posições. Ninguém diz para o filho que ele deve discriminar o negro, mas a forma como se trata o empregado, as piadas, os ditados e outros gestos influem na educação”.

Concordamos com a educadora, e, acreditamos que só assim teremos uma sociedade mais justa e igualitária a todos. E somente através de uma educação de boa que formaremos cidadãos mais solidários, críticos, autônomos, onde cada um dentro da sua especificidade transformarão o mundo a sua volta.

CAPÍTULO I

Histórico das desigualdades raciais no sistema brasileiro de Educação Básica

Mesmo antes de a Constituição brasileira de 1988 consagrar o princípio de que o acesso ao ensino básico é direito público subjetivo, tanto o governo federal como os estaduais e municipais vinham priorizando programas de construção de escolas e contratação de professores para atendimento de crianças de 6 a 14 anos. Com isso criou-se no Brasil um grande sistema de ensino fundamental, que atende hoje a quase totalidade das crianças de 6 a 14 anos. O ensino médio também caminha na direção da universalização com cobertura atual de 85% dos jovens de 15 a 17 anos. No entanto, a escola continua sendo um produto social desigualmente distribuído.

A noção de qualidade no ensino traduz uma idéia complexa, esses objetivos têm sido agregados em quatro grandes domínios:

1 O cognitivo, abrangendo a aquisição de competências intelectuais e domínio de diferentes áreas do conhecimento; 
2 O vocacional, que inclui a aquisição das informações e habilidades necessárias à inserção no mundo do trabalho produtivo;
3 O social, relacionado com o preparo para a participação ética em uma sociedade plural e complexa; 
4 O pessoal, enfatizando o desenvolvimento de talentos pessoais, por exemplo, artísticos ou desportivos.

No Brasil, a própria Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) reconhece que, além da formação acadêmica, a escola deve contemplar a questão da cidadania, a formação ética e social do aluno, o desenvolvimento de sua autonomia pessoal e de um pensamento crítico.

No entanto na educação básica, principalmente no ensino fundamental, é crucial o desenvolvimento das competências de leitura e o domínio de habilidades básicas em matemática, dando andamento a idéia consagrada na Constituição brasileira que estabelece no seu artigo 210 que “serão fixados conteúdos mínimos para o ensino fundamental, de maneira a assegurar formação básica comum e respeito aos valores culturais e artísticos nacionais e regionais”. Não se trata de optar por apenas um dos quatro grandes objetivos, desprezando-se os outros, mas sim de reconhecer a importância das competências cognitivas para se atingir os outros objetivos. Difícil imaginar ser possível formar um cidadão crítico que não saiba ler. Além das competências cognitivas viabilizarem a aquisição de outras competências, elas são também mais dependentes da estrutura escolar.

As diferentes dimensões da freqüência à escola (o acesso, a permanência, a promoção e a conclusão) têm sido medidas em vários levantamentos oficiais realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatístico (IBGE), por meio do Censo Populacional e da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), e pelo Ministério da Educação (MEC), por meio do Censo Escolar.

É preciso entender o fenômeno da qualidade da educação e da desigualdade educacional com dados de desempenho acadêmico. Isso é hoje possível usando os dados obtidos com o (Sistema de Avaliação da Educação Básica) SAEB, organizado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP) do MEC. Com o objetivo, utilizando os dados do SAEB – 2001, analisar várias questões associadas à cor ou raça dos alunos. Pretende-se caracterizar o desempenho escolar dos alunos, segundo os grupos de etnia, e as estruturas escolares que favorecem um melhor desempenho de uma forma geral e que também diminuem as desigualdades.

Os dados do SAEB – Sistema de Avaliação da Educação Básica

O SAEB tem como objetivo gerar informações sobre a qualidade, a eqüidade e a eficiência da educação básica nacional. O SAEB teve início em 1990, e vem sendo realizado a cada dois anos, desde 1993. O sistema avalia alunos ao final de cada ciclo, no ensino fundamental (4ª e 8ª séries / 4° e 9° ano) e no ensino médio (3ª série). Em todos os ciclos os alunos são testados em Língua Portuguesa e Matemática.

Segundo o relatório final do SAEB 2001:

(…) os testes utilizados são elaborados a partir das Matrizes de Referência construídas para a avaliação do SAEB, tendo como base as Diretrizes Curriculares Nacionais, a Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional e as propostas curriculares de todos os estados da Federação. (SAEB, 2002, p.22).

Além dos testes, são aplicados questionários contextuais aos alunos, diretores e professores para coletar informações sobre as características demográficas e socioeconômicas dos entrevistados, contendo itens sobre o percurso escolar e hábitos de estudo dos alunos, questões relacionadas à gestão, administração e infra-estrutura da escola, à prática docente, à formação, experiência e condições de trabalho de diretores e professores. Todas as informações coletadas são confidenciais; os resultados divulgados são agregados para o país, as regiões ou as unidades da Federação. Não há referência aos indivíduos participantes do levantamento.

O questionário do SAEB é auto-aplicado. Freqüentemente, isso resulta em problemas nos dados obtidos, principalmente aqueles relativos aos alunos do primeiro ciclo avaliado (4ª série / 4° ano), que muitas vezes não conhecem detalhes da vida familiar, acarretando uma grande incidência de dados ausentes. Assim, o controle dos dados vem se dando pela análise das séries históricas dos ciclos do SAEB. Trabalhamos sobre etnia mediante as observações dos questionários do SAEB, a pergunta sobre a raça ou cor do aluno aparece da seguinte forma:

Como você se considera?

1. Branco (a); 
2. Pardo (a) / Mulato (a); 
3. Negro (a); 
4. Amarelo (a); 
5. Indígena.

Com essa formulação não há uma clara distinção entre “cor”, “raça” ou “origem étnica” no sentido discutido por Guimarães (1995) e Schwartzman (1999). Outro aspecto a ser observado é que a forma dessa pergunta se difere da utilizada nos levantamentos do IBGE, que classifica a cor ou raça dos entrevistados segundo as categorias: branca, preta, amarela, parda ou indígena. Comparações nas questões relacionadas à raça obtidas nas duas fontes de dados devem ser feitas com cautela.

Modelos de análises

Para investigar a associação entre fatores escolares e o desempenho escolar dos alunos e também a relação entre esses fatores e a diferença de desempenho entre os alunos discriminados por raça utilizamos, como ferramenta básica de análise, os modelos lineares hierárquicos de regressão múltipla. Ajustando-se o modelo básico, verificamos primeiramente o que já foi amplamente reportado em outros estudos brasileiros e em centenas de estudos internacionais: tanto a posição social do aluno como a de sua escola estão fortemente associadas ao seu nível sócio-econômico.

A influência da posição social individual é reconhecida pelo menos desde a publicação do relatório Coleman, nos anos 1960 (Coleman et al., 1966). O nível sócio-econômico do aluno é, sabidamente, o fator com maior impacto nos resultados escolares de alunos. Esse é um constrangimento real, extra-escolar, que pode ajudar ou dificultar o aprendizado do aluno e que afeta diretamente o funcionamento e a organização das escolas e das salas de aula. Diminuir as diferenças entre a condição socioeconômica e cultural dos alunos de um sistema de ensino por meio de políticas sociais terá impacto nos resultados cognitivos dos alunos.

Não concordamos com a fala do autor, pois acreditamos que a discriminação racial é de maior fator para a exclusão dos alunos do ambiente escolar.

No entanto, o tamanho da influência da média do nível sócio-econômico no Brasil deve ser destacado. O país possui hoje um sistema de educação básica muito segmentado. Entretanto para nós interessa verificar a diferença de desempenho entre alunos segundo a sua raça. A diferença entre alunos brancos e pardos é de 17,4 pontos e de quase 28 pontos entre os brancos e negros. A estimativa que obtemos do modelo básico, no qual retiramos o efeito do nível socioeconômico e atraso escolar tanto dos alunos como das escolas, é de 3 e 10 respectivamente. Ou seja, há uma redução da diferença entre os grupos, mas o efeito líquido da raça ainda persiste. O ajuste do modelo básico também indica que a diferença de desempenho entre um aluno branco, negro ou pardo não é independente da escola que ele freqüenta.

Isso significa que a diferença observada entre esses estratos poderá ser acentuada ou reduzida, dependendo do ambiente escolar em que os alunos estão inseridos, legitimando a busca dos fatores escolares que explicam essas diferenças. 

O Racismo no Brasil e a Classe Docente

Afinal, de onde vem tanto barulho sobre a questão de cotas, racismo, desigualdade racial na atual conjuntura política brasileira?

Seguramente, o evento que tornou visível a discriminação racial no Brasil, nos anos recentes, foi a Conferência Internacional de Durban (África do Sul) contra a discriminação racial, patrocinada pela ONU em 2001. Não que o assunto fosse novo: desde 1931, com a Frente Negra Brasileira, a discriminação racial contra o negro é denunciada de forma organizada. Os movimentos negros tiveram novo alento a partir do fim da ditadura militar (final da década de 70), a mesma ditadura que retirou o quesito cor-raça do Censo, para esconder a super exploração a que o negro é submetido em nosso País. No entanto, foi na Conferência de Durban em que a delegação brasileira levou a proposta de cotas para negros nos processos de seleção ao Ensino Superior. Uma aliança entre ONGs, Movimentos Negros e segmentos no interior do governo do então Presidente Fernando Henrique Cardoso, particularmente no Ministério da Justiça, permitiu que esse tipo de proposta fosse majoritário na delegação brasileira.

Curiosamente, encontram-se posições ardentemente favoráveis e contrárias a esta linha de ação reparatória aos negros brasileiros tanto na direita quanto na esquerda. No entanto, nos movimentos negros ela é maioria. O que causa espanto é como surge uma oposição emocionalmente viva e pouco fundamentada sobre este tipo de proposta de inclusão social do negro. Tem gente que não leu sobre o assunto, não tem conhecimento e não se informou sobre o assunto, mas é radicalmente contra!

Nesta parte do trabalho pretendemos apresentar nossa contribuição à discussão sobre as formas de reparação e compensação dos danos que a discriminação racial fizeram e continuam a fazer aos negros brasileiros, quase metade da nação brasileira (45%, sendo 5% de pretos e 40% de pardos, segundo o Censo IBGE 2000). Uma vez que, a discriminação racial torna-se tema nacional.

Então, mesmo que não seja aprovada em todo país, pelo menos a proposta de cotas para o Ensino Superior já está cumprindo o papel de problematizar a situação degradante a que está exposto o povo negro brasileiro.

Havemos que reconhecer que a ANDES-SN (Associação Nacional de Entidades Sindicais / Sindicato Nacional), tem uma dívida histórica com relação à questão racial. A ANDES-SN somente começou a colocar em sua agenda de discussões a questão racial em 2001, ano de Durban. Sendo assim este resumo histórico só vem nos mostrar como a discussão organizada e o interesse objetivo sobre o assunto é irrisório na classe docente.

A entrada dos afro-brasileiros no Ensino Superior já está se dando através de cotas; exemplo, na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Vemos então numa das manchetes da Folha de São Paulo de 09/02/2003: “Cotas em Universidades podem ser desastrosas, diz UERJ”. Este jornal, em campanha sistemática contra cotas, atribui às cotas um desastre. Qual é esse desastre? A reprovação em massa do povo pobre e negro que adentrou a Universidade Pública de boa qualidade. No entanto, não é exatamente isso que diz a Comissão nomeada pela Reitoria para se pronunciar sobre o assunto. A Comissão alerta que haverá conseqüências desastrosas da lei de cotas ”se não houver uma política de permanência para os alunos que ingressarão na Universidade em 2003 (Machado, 2002). Ora, a população mais pobre e, em particular, os afro-brasileiros e pobres, vão precisar de assistência financeira para se manter, comprar o material didático e eventualmente de apoio didático-pedagógico.

A cota escancarou a questão racial; a inclusão entrou na ordem do dia também para o não negro, ou seja, o branco pobre. A análise da proposta de cotas raciais no Brasil torna-se mais completa se for comparativa com as realidades dos Estados Unidos e de Cuba. Estes três países vêm apresentando tratamentos diferenciados para negros e brancos, com diferentes regimes sócio-econômicos e históricos de discriminação racial. Em todos eles houve escravidão, mas as composições raciais atuais são diferentes.

Segundo o Livro de Fatos da CIA – CIA Fact Book, as estatísticas oficiais são: Nos EUA, 12% das pessoas são negras (define-se como negra uma pessoa com pelo menos um bisavô ou bisavó negro). Em Cuba, há aproximadamente 1/3 de negros, 1/3 de mulatos e 1/3 de brancos, já no Brasil, os negros são 45%.

Talvez seja mais visível para um estrangeiro, já que muitos de nós já se “acostumaram”, a diferença brutal de tratamento de negros e brancos no Brasil, configurando uma verdadeira dívida histórica do Brasil com relação a esta raça. Como a Biologia Molecular (através do Projeto Genoma Humano) soterrou o conceito biológico de raça, a sua utilização só se justifica devido ao seu conteúdo social. As raças são conceitos socialmente construídos e se reproduzem no cotidiano da vida brasileira (e na cubana e estadunidense).

No recente encontro de acontecimentos no Brasil, particularmente na campanha eleitoral para Presidente da República e após a eleição do Presidente Lula, abriram-se novas perspectivas para o combate à discriminação racial. Na campanha do segundo turno, tanto Lula quanto José Serra se posicionaram a favor de cotas nas universidades para negros. Isso coloca as ações afirmativas não só na cena política, mas também enquanto proposta de governo. Abriu-se com o novo governo um período de muita esperança, seja quanto à possibilidade de criação de empregos e riqueza, quanto no sentido de melhor distribuir esta riqueza e as oportunidades, particularmente para negros e índios.

No entanto, a herança a ser enfrentada é pesada:

350 anos de escravismo;

Enorme preconceito contra negros;

Não reconhecimento deste preconceito (a ideologia dominante, inclusive entre nossos colegas universitários, é a que não existe racismo no Brasil, que há democracia racial – distribuição de renda e oportunidades iguais entre negros e brancos, ideologia do branqueamento do Brasil via mestiçagem de brancos e negros em convivência harmoniosa);

Invisibilidade dos negros: os veículos de comunicação não veiculam a imagem dos negros e quando o fazem é muitas vezes no sentido pejorativo; no Sul do Brasil, que possui porcentagem de população negra parecida com a dos EUA teima-se em negar a presença negra (Leite, 1996).

Do ponto de vista teórico, é possível entender que o sistema capitalista tende a gerar desigualdade, ao transferir riquezas de uma classe explorada a uma classe exploradora, em termos gerais. Neste sentido, é necessário haver uma pressão política organizada de toda a classe explorada seja para reformar o ensino, saúde, habitação, como parece a atual etapa brasileira (para que haja expansão e melhoria do ensino público e gratuito, uma política habitacional distributiva, a universalização e gratuidade da saúde e uma política de emprego inclusiva e igualitária, entre outras medidas). 

No entanto acreditamos que a questão racial deve ter um tratamento diferenciado. Por quê? A discriminação racial gera desigualdade na distribuição de renda e oportunidades sociais! Portanto, estamos diante de duas fontes de desigualdades: a exploração capitalista e a discriminação racial. No entanto, as desigualdades raciais a que nos referimos, tem relativa autonomia em relação à exploração de classe. Elas se iniciaram antes do capitalismo industrial e se estruturaram através de relações escravistas em que os senhores de escravos e capatazes (brancos) se apropriavam da riqueza e os escravos (negros) eram brutalmente espoliados. O curioso é que o advento do capitalismo industrial, essa relação assimétrica, que envolvia riqueza, cor e raça, se espalhou para todas as classes sociais. Em outras palavras, não é somente o negro pobre quem sofre perseguição policial, maus-tratos em lojas, discriminação no trabalho e na escola e xingamentos gratuitos.

Hélio Santos em seu recente livro, enumera vários casos em que negros em melhor situação social são submetidos a tratamento humilhante (Santos, 2001:139-148). Portanto, o racismo começou contra os negros pobres e, com o tempo, se espalhou para negros em todas as classes sociais. Desde a humilhação impingida pela polícia, que fez o ex-presidente do Suriname ter que se deitar no solo para ser revistado até o estranhamento que professores universitários negros, colegas nossos, experimentam com seus alunos, todos sentem o efeito da discriminação.

Como o racismo é uma ideologia insidiosa, ele perpassa todas as instituições da sociedade e impregna todas as pessoas. A tarefa do combate a ele deve, portanto, envolver a todos. Não se deve esperar, como no caso do machismo em relação às mulheres (que também gera desigualdades sexuais), que o mero advento de uma sociedade sem classes, num passe de mágica elimine essa ideologia que funciona como agente gerador de desigualdades.

Uma hipótese interessante sugerida pela leitura do livro de Hélio Santos, onde a frase lapidar “a pobreza tem cor” resume muito da relação entre discriminação racial e exploração capitalista, vem da combinação perversa entre racismo e capitalismo em nosso amado Brasil.

Com as análises das pesquisas podemos afirmar que há desigualdades raciais no Brasil, onde o pobre negro tem menor salário, que o branco pobre, que sua escolaridade média é menor, que suas condições de habitação e seu atendimento hospitalar são os piores, etc.

Até a década de 1950, era muito difundida a idéia que o Brasil apresentava uma convivência harmônica de raças, que a miscigenação não era vista de forma negativa. Foi até enviada uma missão da ONU ao Brasil para conhecer a experiência brasileira de mistura de raças (cadinho de mistura), já que os EUA, a África do Sul e outros países tinham experiências de intolerância e segregacionismo. Qual não foi a surpresa dos enviados da ONU ao perceber uma forma particular de racismo, caracterizada pelo racismo cordial (Turra e Venturi, 1998). Estudos de Roger Bastide (1959), Florestan Fernandes (1959), Thales de Azevedo (1951), entre outros, contribuíram decisivamente para desmascarar o mito da democracia racial.

Além disso, mais recentemente, tem-se analisado estatisticamente a distribuição de riqueza, habitação, escolaridade, trabalho infantil do ponto de vista racial. O estudo do IPEA “Desigualdades Raciais no Brasil”, de autoria de Ricardo Henriques (disponível na página http://www.ipea.gov.br/, 2002), e o boletim do DIEESE “Desigualdade Racial no mercado de trabalho” (nov. / 2002) mostram que:

Negros têm consistentemente 4,2 anos a menos de escolaridade média do que os brancos, desde 1929;

O analfabetismo é maior entre negros que brancos, quadro que se mantém, apesar da diminuição do analfabetismo em ambos os grupos; Cita (Queiroz, 2002): Em uma pesquisa recente, que nas universidades federais da Bahia, Brasília, Paraná e Maranhão, os negros consistentemente têm bem menos assentos universitários que a proporção da população que representam.

No entanto, não devemos cair na armadilha de tentar opor negro a branco. Acreditamos que, embora organismos internacionais como, por exemplo, a Fundação Ford, contribuam para a visibilidade da situação do negro no Brasil, muitas vezes pode ser passada a mensagem de que os negros melhorarão se lutarem contra os brancos e não em conjunto com eles, por uma ordem social mais justa.

Daí a necessidade de uma transformação radical das prioridades sociais e não somente da construção de ações de discriminação positiva em relação aos negros. Outra estratégia a ser evitada é baixar por decreto, leis (executivo ou legislativo), sem uma discussão, medidas de ações afirmativas. Numa sociedade racista como a brasileira, isso certamente será interpretado como “racismo às avessas”, embora seja somente reparação.

Classe, etnia e gênero parecem ser determinantes relativamente independentes de desigualdades, e devem ser combatidos em paralelo. Políticas afirmativas são complementares as políticas universalistas de melhoria de saúde, educação, habitação.

No Brasil, o governo com maior tonalidade neoliberal, o de FHC, promoveu ações afirmativas em alguns ministérios através de cotas em serviços terceirizados e chamou a atenção para a questão racial. Mas, cabe perguntar, de onde veio esta preocupação étnica do Presidente Fernando Henrique, que chegou a indicar uma negra para fazer parte do Conselho Nacional de Educação?

Em nossas pesquisas descobrimos que em 20 de novembro de 1995, dia de Zumbi, houve uma marcha de 40 mil pessoas em Brasília, convocada pelos movimentos negros. Foi entregue um documento contendo as reivindicações destes movimentos. Uma pequena parte delas foi adotada pelo governo. Portanto, longe de se tratar de uma dádiva dos governos do Presidente Fernando Henrique à questão do racismo e das desigualdades raciais no Brasil, trata-se de conquistas dos Movimentos Negros.

No novo governo Lula, o Sindicato Nacional (SN) apontou políticas sociais (educação, saúde, emprego, moradia) voltadas à melhoria real da situação do povo em paralelo com ações afirmativas com vistas à igualdade entre negros e brancos em todas as regiões do país, na medida em que, ao invés de contraditórias, são medidas complementares rumo a uma verdadeira democracia em nossa terra.

Medidas como cotas para negro (tanto para alunos como para professores) no Ensino Superior Público e Privado, embora ainda careçam de debate maior, apontam para um contraponto com o racismo cordial.

Esse tipo de política afirmativa não deve ser entendido como uma medida contra brancos, mas como medida transitória e paliativa, enquanto durar o racismo brasileiro, que gera conseqüências econômicas e sociais. Cabe um processo de esclarecimento dos brancos sobre a desigualdade racial reinante no Brasil e a partir daí construir uma Universidade mais igualitária racialmente.

Por outro lado, a mera adoção de ações afirmativas, sem investimento com forte prioridade social, tende a aumentar a classe média negra, nada contra, mas continuará marginalizando a maioria da população negra. Além disso, acreditamos que do ponto de vista da imagem, é fundamental o aumento da presença negra na propaganda e na televisão, com conotação positiva. O negro vem sendo historicamente desvalorizado nos meios de comunicação e isso contribui para sua baixa auto-estima e estreitamento de seu mercado de trabalho. Num país de quase metade de negros, pedir que 25% dos personagens das novelas e 40% daqueles das propagandas sejam negros parece mais do que justo (segundo proposta do agora Senador Paulo Paim).

A implantação de ações afirmativas aparece como imperiosa. No entanto, nos parece que abrange novas questões:

 São necessárias cotas para negros e índios nas Universidades (alunos e professores)? 
 Como fica a questão do mérito na admissão universitária num sistema de cotas para negros e índios na Universidade (tanto para alunos como para professores)?
 Como distinguir um negro dum não-negro (em qualquer tipo de ação afirmativa)?
 A ação afirmativa é inconstitucional?
 Por que demorou tanto tempo no Brasil para entrar em discussão ações afirmativo?

Inicialmente, notamos que até bem pouco tempo não existia um sistema de aquisição de dados sobre a etnicidade do povo brasileiro além do Censo (mesmo assim, o Censo de 1970 não teve o item cor). No SUS ele começou a ser implementado recentemente, algumas Universidades começaram a fazer seu levantamento e recentemente foi realizado um censo étnico na administração publica federal.

O desinteresse social e político sobre a questão étnica e a invisibilidade do negro são históricos no Brasil. Em várias capitais se escuta dizer que não há negros. Curiosamente, os EUA, que têm 12% de sua população formada de negros tratam com mais respeito à presença negra que o nosso país. A ANDES-SN tem que envidar esforços no sentido de tornar visível o que nosso país tem tentado invisibilizar há tanto tempo: a presença do negro.

Para nós o país deve propor realizar sistematicamente um levantamento étnico dos candidatos à Universidade, alunos de graduação e pós-graduação. O primeiro passo é mudar o critério do IBGE (branco, preto, pardo, indígena e amarelo; por branco, negro, indígena e amarelo); pois da maneira que é feita, estudos mostram que ela não informa totalmente sobre a etnicidade do pesquisado (“A cor denominada”, José Petrucelli, 1998) e caberia um diálogo maior entre o IBGE, os estudiosos da questão étnica e os movimentos negros para a definição de uma forma de classificação mais democrática e útil e menos impositiva.

A questão é muito complexa, mas alguns argumentos podem ser levantados. Primeiro, o mérito de um nadador frente a uma pessoa equipada com um barco a motor, não pode ser corretamente aferido numa travessia de um rio. O negro enfrenta muito mais barreiras em média que um branco. Somente 3% da população negra chegam ao fim do Ensino Médio enquanto que no caso do branco são 13%.

Talvez um dos itens mais controversos seja separar negros de não-negros para efeitos de ações afirmativas, discriminadoras positivamente. Este questionamento mostra bem a hipocrisia da nossa sociedade. Para discriminar negativamente a sociedade brasileira parece bastante eficiente. No entanto, na hora de repara a comunidade negra, discriminando-a positivamente, a coisa fica difícil. Muitas pessoas ironizam dizendo que a polícia sabe muito bem distinguir negros de não-negros. No entanto, é preciso trazer para um patamar mais objetivo a questão. A nossa Constituição (1988), em seu artigo 37, inciso VIII, estabelece reserva de mercado de trabalho para deficientes físicos. E nunca se viu ninguém reclamando contra essa reserva de vagas, mas é só falar em reserva de vagas para negros que aparece o maior berreiro. Por que será? Os idosos também têm sua ação afirmativa: o passe do ônibus, ninguém contra; e os programas de primeiro emprego para os jovens?

Iniciativa louvável; lembram da cota para mulheres em partidos políticos? Todos a favor. Já cotas para negros? Hum! Curioso… nem pensar!

Uma povo sem passado, sem memória,
Sem história, sem identidade,
Não sente vontade de ser e de existir,
Inclusive enquanto povo,
Posto que não é.
Dagoberto José Fonseca – 2007

Talvez uma das razões dessa reação seja que a Universidade é o local de formação dos quadros do poder. Como deixar os negros adentrarem a ela? Afinal, saber é poder, dizia um falecido sociólogo. E negros com o poder parece uma situação pouco interessante. E por que os brancos podem tê-la? De novo, não se trata de opor brancos a negros, mas sim de justiça, de repartir irmãmente o poder já que metade da população é negra e metade é branca. Além disso, há que se considerarem os amarelos e indígenas.

É urgente uma atitude positiva quanto à discriminação racial no nosso país, apoiando ações afirmativas, e se dê a ampliação e melhoria do Ensino Superior, Médio e Fundamental, sem prejuízo de outras políticas sociais. Uma série de medidas de valorização da cultura negra, revisão curricular e formação anti-racista dos professores nas Universidades.

São imensos o desconhecimento e o silêncio sobre o passado dos diversos países africanos nos cursos superiores das diferentes áreas do saber. Esse desconhecimento e esse silêncio têm sido opções arbitrárias e políticas dos nossos educadores, docentes e lideranças culturais, políticas e econômicas. A África mantém-se como um continente desconhecido para a maioria da população brasileira, incluindo os docentes. Em nossas escolas, não se aborda o passado nem o presente africano, muito embora esse passado esteja tão presente no cotidiano nacional, por meio das palavras faladas, da cultura, das religiões, das instituições, da economia, etc.

POR QUE A LEI?

As Leis n°s 10.639/03 e 11.645/08 e a Educação 

A Lei 10.639/03, que estabelece a obrigatoriedade do ensino de história e cultura afro-brasileiras e africanas nos currículos escolares em toda a rede de ensino pública ou privada. Seu conteúdo altera o Art. 26 – A da Lei 9.394/96 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional; e a Lei 11.645, de 10 de março 2008, que altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

Basicamente, as Leis n°s 10.639/03 e 11.645/08 sintetizam uma discussão de âmbito nacional e direciona as unidades educacionais para a proposição de atividades relevantes em relação aos conhecimentos das diversas populações africanas e indígenas, suas origens e contribuições para o nosso cotidiano e história, num movimento de construção e redimensionamento curricular e ação educativa, salientando a importância do contexto e sua diversidade cultural.

A aprovação dessas leis decorre de uma série de demandas do Movimento Social Negro Brasileiro e aponta para um novo momento das relações do Estado com os movimentos sociais organizados e a Educação. Essas leis têm se constituído em uma das principais iniciativas das ações afirmativas adotadas no Brasil e que tem contribuído para a disseminação do estudo da história da África, dos africanos e dos indígenas, das lutas das pessoas negras e indígenas no Brasil e da suas presença na formação da nação brasileira.

As leis 10.639/03 e 11.645/08 sinalizam para um modelo educacional que prioriza a diversidade cultural presente na sociedade brasileira e, portanto, na sala de aula, de modo que as idéias sobre reconhecimento, respeito à pluralidade cultural, democracia e cidadania prevaleçam em todas as relações que envolvem a Educação e a comunidade escolar, desde o processo de formulação de políticas educacionais, de elaboração de currículos escolares e de formação de docentes até as atividades pedagógicas, metodológicas e de acolhimento de educandos.

Nesse desafio, espera-se dos educadores o respeito às identidades culturais e religiosas transmitidas aos educandos pelas famílias e pelos meios sociais em que vivem. A Lei reforça o respeito à diversidade, sendo esse um exercício democrático e de cidadania em que a escola, enquanto espaço de socialização de conhecimentos. Inaugura um novo caminho. Já que a educação plural implica o repensar o ensino e aprendizagem.

A Educação deve contribuir na produção de conhecimentos, de forma que os educandos, das mais variadas etnias, tenham orgulho de seu pertencimento étnico-racial e, com isso, o “outro” passe a ser o diferente e não o inferior. Os educandos negros não podem mais ser ridicularizados pela cor de sua pele, pelo tipo de cabelo ou por seus traços físicos, distintos de outros grupos étnicos, como os europeus, os asiáticos e os indígenas.

Apoiado na Lei n° 10.639/03, em 2004, o Conselho Nacional de Educação, em parecer, aponta para:

[…] A necessidade de diretrizes que orientem a formulação de projetos empenhados na valorização da história e cultura dos afro-brasileiros e dos africanos, assim como comprometidos com a educação de relações étnico-raciais positivas a que tais conteúdos devem conduzir (Parecer CNE n° 003/2004, p. 1-2).

Tais diretrizes enfatizam que há um movimento social e político que deve permear os fundamentos educacionais que levam à compreensão da História do Brasil e de sua constituição, considerando a ação das pessoas negras e seus descendentes como protagonistas desse processo. Aliás, as diretrizes propostas pelo Parecer n° 003/2004 visam mais às atribuições das escolas, determinando a estas incluir entre os estudos e atividades diárias: […] as contribuições histórico-culturais dos povos indígenas e dos descendentes asiáticos, além das de raiz africana e européia (Parecer CNE n° 003/2004, p. 8).

A proposta é que os conceitos sejam trabalhados de forma abrangente, não perdendo a dimensão da perspectiva histórica e da contribuição desses vários povos para o que somos hoje como nação e cidadãos brasileiros, justificando nossas condutas, econômica e social a que estamos sujeitos.

o Parecer do MEC considera que o reconhecimento da diversidade requer a adoção de políticas educacionais e de estratégias pedagógicas de valorização da mesma, de formas a superar as desigualdades raciais presentes na educação escolar brasileira, nos diferentes níveis do ensino formal. A Lei 10.639/03 inaugura a possibilidade de desconstrução de um modelo educacional baseado em práticas eurocêntricas, excludentes e violentas, que têm demonstrado sinais de falência por meio dos altos índices de reprovação, de evasão escolar e em casos explícitos de agressões físicas e até assassinatos de estudantes e docentes no espaço escolar.

Tratar de identidade racial implica o respeito à diversidade cultural presente na sala de aula e no cotidiano das crianças em geral, e particularmente das crianças negras, seja essa diversidade transmitida no meio familiar ou em comunidades religiosas de matrizes africanas. Os conteúdos escolares devem contemplar essa pluralidade, de forma a interferir positivamente na auto-estima de todos os grupos étnicos.

Esse movimento de argumentação e diálogo (dialético e dialógico) de desconstruir e reconstruir só serão possíveis após um processo de reaprendizagem dos educadores sobre os valores culturais típicos da cultura negra, como modo de conhecer o mundo, estéticos, entre outros.

Lei fica no papel e escola pública não ensina História da África

A sanção da lei 10.639 – que inclui a temática História e Cultura Afro-brasileira e Africana no currículo escolar – foi uma das primeiras medidas do governo Lula, em janeiro de 2003. Quase quatro anos depois, no entanto, organizações envolvidas com educação e igualdade racial avaliam que, apesar dos avanços, ainda é necessário mais empenho para superar as barreiras de “500 anos de história equivocada”.

Embora altere a Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), a Lei 10.639/03 ainda não é conhecida por muitas escolas, fato admitido pelo próprio diretor de ações afirmativas da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) do governo federal, Jorge Carneiro. “O governo assumiu essa agenda, da promoção social. É uma agenda histórica, que enfrenta dificuldades. São 500 anos de dívida cultural”, justifica. Segundo ele, estão atualmente em discussão maneiras de levar a Lei para todos os municípios do Brasil, através de avanços na sua divulgação e implementação.

Em fase de finalização, uma consulta realizada pela ONG Ação Educativa nas séries de Educação Infantil e Fundamental II de 15 escolas públicas revela que, apesar de já haver material sobre o tema e de ele ser conhecido por professores e funcionários – como bibliotecários, por exemplo -, ainda não há impacto sobre os alunos.

“A formação do educador não pode contemplar só a questão dos conteúdos, mas discutir como o racismo se manifesta na escola, os conceitos de discriminação e racismo, além de procurar abordar valores”, propõe Camilla Croso, Coordenadora pela Ação Educativa da consulta. Só assim, ela defende, será possível preparar devidamente os professores para abordar o tema em sala de aula.

A pesquisa foi aplicada em Salvador (BA), Belo Horizonte (BH) e São Paulo (SP) em parceria com Centro de Estudos Afro-Orientais da Universidade Federal da Bahia (Ceafro-UFBA), Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades (Ceert) e Movimento Inter-foruns de Educação Infantil do Brasil (Mieib).

Maria Luiza Passos, educadora do Ceafro que acompanhou a consulta em Salvador, ressalta que a maioria dos professores não teve acesso a um conteúdo aprofundado sobre a África nas escolas e faculdades, fato que dificulta a aplicação do tema:

“Até há pouco tempo, nós estudávamos Egito como se fosse fora da África”, lembra. “Queremos uma formação de qualidade em todos os níveis, que traga a percepção de África enquanto berço civilizatório da humanidade. Não é só para falar do continente pela musicalidade e culinária, porque no Brasil isso vem sendo feito há quase 500 anos…”

A equipe que está analisando os resultados da consulta – que envolveu professores, funcionários, estudantes e pais – também percebeu um grande potencial de aplicação do assunto na sala de aula. Em relação à pergunta do questionário “o que você gostaria de saber sobre história e cultura africana?”, as crianças deram respostas variadas, demonstrando curiosidade por rituais, pela arte, pela maneira como as crianças brincam na África, como lidam com a morte etc. “Isso é incrível, revela que elas estão abertas para saber mais sobre o tema e que existem diferentes maneiras de abordá-lo”, analisa Camilla Croso.

Um terceiro dado da consulta já identificado é a grande distância dos pais em relação à escola, algo que dificulta a implementação de políticas educacionais. Os questionários aplicados incluíam uma pergunta sobre a vivência de situações de preconceito ou de conflito racial na escola. Cerca de dois terços dos professores e a mesma parcela dos alunos disseram que sim, que já haviam vivenciado situações desse tipo. Já os pais, por sua vez, responderam não ter conhecimento de situações do gênero no ambiente escolar. Para Croso, isso mostra uma lacuna na comunicação entre pais, filhos e escola. “É importante que o debate das diretrizes e das problemáticas dessas questões também envolva os pais.”

A pesquisa foi finalizada e seu lançamento aconteceu em meados do mês de março de 2007. Foram abordados pontos como a diferença entre as três capitais no tratamento da questão racial e uma análise mais profunda sobre as possibilidades e os limites para a implementação da lei 10.639.

Séculos de dívida

Para Maria Luiza Passos, houve investimento governamental para viabilizar a implementação da Lei, mas é preciso mais. “Ela entrou em vigor em 2003 e observamos que alguns livros didáticos ainda tratam a História de forma equivocada, a partir do ponto de vista do colonizador”, analisa. Ela cita como exemplo a abordagem da Abolição da Escravatura e do aniversário da morte de Zumbi dos Palmares, transformado em Dia da Consciência Negra. Por outro lado, a educadora pondera que “coisas bacanas aconteceram, como a publicação de livros e da Diretriz Nacional da Lei, que está sendo distribuída gratuitamente”.

“O absurdo do Brasil é isso: tivemos que criar uma lei para que as crianças pudessem ter acesso à sua história”, expõe Jorge Carneiro, do SEPPIR. Já para Passos afirma que os estereótipos sobre a África só vão sumir quando houver conhecimento sobre o continente e suas influências. “O conhecimento faz com que educadores, jovens e crianças possam perceber que sua identidade existe para além do processo de escravidão”, no que ela completa dizendo. “Isso pode gerar uma mudança de auto-estima importante. Esses outros olhares sobre a cultura africana precisam ser despertados.”

Acreditamo-nos que só haverá uma mudança de fato, na sociedade quando nós educadores aprendermos a respeitar cada um com sua própria especificidade e termos comprometimento das gerações futuras e que cidadãos iremos formar, seguindo o ensinamentos do grande mestre da educação Paulo Freire.

A História da África, marcada pelos processos sistemáticos de escravidão racial e de tráfico humano, ao ser narrada do ponto de vista de seus conquistadores, ainda é construída por uma imagem negativa, onde o negro é visto como passivo resignado e impotente diante do sofrimento. É preciso desconstruir esse enfoque a partir de uma abordagem transversal e transdisciplinar, capaz de fazer com que crianças e pessoas adultas não só entendam as evoluções internas dos povos africanos, mas também interferiram nas relações para além do continente africano.

As Leis n°s 10.639/03 e 11.645/08 não propõem a substituição do foco eurocêntrico pelo aerocêntrico ou índigenocêntrico, mas a diversidade dos currículos escolares e, a partir da escola, em todos os campos das relações humanas. Assim, a escola deve, também, contemplar a história e a culturas de todos os povos, de todos os continentes que compõem a população brasileira.

Eixos Conceituais

Com a aplicação das Leis requereu-se uma reflexão sobre alguns conceitos, com: racismo, raça, auto-estima, cidadania, ações afirmativas, religiosidade, identidade étnico-racial, ancestralidade, oralidade étnico-racial, resistência, gênero e sexualidade, entre outros; para dar sustentação às novas intervenções na área educacional.

De acordo com as Orientações Curriculares: expectativas de Aprendizagem para a Educação Étnico-Racial (2008, p. 21) especificam qual a verdadeira função da Lei e da escola, com o qual concordamos com os conteúdos expostos:

A escola, a partir da Lei, tornou-se uma aliada no enfrentamento do racismo para além do território escolar, pois está formando pessoas cidadãs que exercerão diversos papéis na sociedade. Mas, o que é racismo e como se manifesta nas relações escolares? Entendermos o racismo como um tipo de ideologia que tem servido para a manutenção do status quo, baseado na exclusão e na supremacia de determinados grupos e na subalternização de outros. O racismo estruturou-se, ao longo da história, com base na idéia de superior e inferior, determinante para se legitimar a hierarquização da humanidade.

Dando continuidade ao conteúdo sentimos–nos satisfeitas com as explicações sobre raça:

Nesse cenário, falar em “raça” não tem nenhuma associação com a biologia ou os conceitos que buscaram reforço na seleção natural das espécies. O conceito de “raça” está relacionado com as exclusões existentes na sociedade, tendo-se em vista características fenotípicas e pigmentocráticas. Falar em “raça” pode revelar uma das características do racismo: a capacidade de negar o direito essencial da pessoa, a de ser humana. Por isso, o racismo é um dos mais graves crimes contra a humanidade e os direitos humanos.

Para os educadores da elaboração das Orientações Curriculares a escola como instituição deve promover o conhecimento científico, é o que verificamos na exposição da (p. 21):

É exatamente a escola – entendida como espaço institucional que retrata os interesses de grupo dominantes em relação aos valores e conhecimentos que devem ser transmitidos – um dos locais onde o racismo manifesta-se de várias maneiras. Essas manifestações dão-se quando, por exemplo, o livro didático retrata uma pessoa negra de forma estereotipada, desprovida de “humanidade” ou quando a referência aos descendentes de africanos limita-se a relatos depreciativos do processo brasileiro de escravização.

Segundo as Orientações Curriculares para o combate do racismo os Projetos Político Pedagógicos devem ser os mais democráticos possíveis, o que para eles isto não acontece na maioria deles, havendo muito resistência, no que concordamos com as orientações, pois acreditamos que o racismo manifesta-se quando comunidade, educadores e ater mesmo o currículo demonstram preconceito ou desconhecimento de questões de ordem racial ou ridicularizam identidades e estéticas diferentes das que foram estabelecidas como ideais. A ausência nos currículos escolares da história e da cultura afro-brasileiras e africanas reforça o racismo, incuti a percepção discriminatória nas crianças brancas em relação às crianças negras, inibi a auto-estima das crianças negras, estimula a evasão e a repetência escolares.

Nesse sentido nos, professores, psicopedagogos em interação com os outros profissionais (neuro, psicólogos, pediatras, etc.), visando uma educação democrática e igualitária, pois a comunidade escolar precisa pensar em como desconstruir estereótipos, em como identificar e superar a influência da escola na baixa auto-estima das crianças e adolescentes negros. Essa intervenção deve basear-se no entendimento de que a escola pode e deve combater o racismo institucional, entendido como o fracasso coletivo de uma organização em oferecer um serviço apropriado e profissional às pessoas devido a sua cor, cultura ou origem étnica.

É importante que a Lei 10.639/03 seja entendida como uma política de ações afirmativas definida com um conjunto de políticas implementadas pelo Estado e dirigidas para o enfrentamento do racismo e das exclusões, como um mecanismo que busca a equidade de oportunidades, principalmente no acesso a bens fundamentais, como a educação e o acesso ao mercado de trabalho, e na busca pela realização da cidadania.

Segundo Dalmo Dallari:

[…] a cidadania expressa um conjunto de direitos que dá à pessoa a possibilidade de participar ativamente da vida e do governo de seu povo. Quem não tem cidadania está marginalizado ou excluído da vida social e da tomada de decisões, ficando numa posição de inferioridade dentro do grupo social.

Em síntese, a implementação das Leis nºs 10.639/03 e 11.645/08 é um processo complexo e se entrelaça com um conjunto de temas que requerem a formatação de um novo modelo educacional, alicerçado em princípios democráticos e inclusivos de respeito e tolerância à diversidade.

Por tudo exposto neste capítulo, concluímos que a escola não pode eximir-se deste processo de constituição da cidadania, da democracia, sem deixar de ver na diversidade um potencial de diálogo, discurso e prática que promova a igualdade na educação, fortalecendo a auto-estima positiva de todos, a dignidade e a justiça social. 

Termos e Conceitos

Afro-Brasileiro e Afro-Descendente: Ambos os conceitos estão presentes de um modo ou de outro desde meados do século XX, mas de maneira difusa, tendo o mesmo significado político. No entanto, a difusão e a popularidade dão-se posteriormente com a retomada no cenário nacional do Movimento Negro no final da década de 1970, propiciando um diferente sinal cultural, simbólico e político para esses termos. Desse modo, o conceito de afro-brasileiro foi popularizado na década de 70 e difundido nos anos 80 pelos estudiosos das questões étnico-raciais em função da revisão feita ao conceito de raça na Conferência da UNESCO em 1950. o afro-brasileiro está vinculado à origem e a cultura africana e ao território de nascimento do indivíduo, marcando, portanto, uma situação sócio-cultural e com viés identitário.

O conceito de afro-brasileiro desta maneira faz uma revisão ao conceito de negro, na medida em que elabora e reivindica uma nação, uma pátria, um estado, um continente, uma identidade nacional, étnica, territorial, além de uma identidade racial, marcada pela cor. O afro-brasileiro é alguém caracterizado não somente pelo fenótipo, mas também pela cultura. Cultura esta originada na África ou por seus descendentes na diáspora imposta pela escravidão.

O conceito de afro-descendentes torna-se popular no bojo de debates dos conceitos de negro e de afro-brasileiro no final do século XX, no entendimento de que este novo conceito pudesse abarcar os dois outros, marcando uma nacionalidade, um território comum de todos aqueles que se vinculam ao continente africano pela descendência na diáspora. O conceito de afro-descendente é filho do contexto da globalização e também de articulações e negociações entre os descendentes serviu, nessas condições, aos interesses mais diversos da população da diáspora africana, inclusive na conferencia mundial contra o racismo, a xenofobia e outras formas correlatas que ocorreu em Durban (África do Sul) no ano de 2001.

Discriminação: O conceito de discriminação está vinculado aos processos de distinções existentes entre os indivíduos, isto é, entre um ser e outro. A discriminação se estabelece pela diferença, seja esta de ordem social, étnico-racial, religiosa, cultural, econômica, política, lingüística ou fenotípica. É com base nessa diferença que um sujeito discrimina o outro, na medida em que este outro não participa do seu grupo próximo ou, não tem qualquer vínculo identitário. Desse modo, todos discriminam todos, posto que a nossa existência é marcada pela distinção, pela diferenciação entre os seres vivos (Fauna e Flora).

Ora, aquilo que é um fator humano e, socialmente construído pela natureza, ao longo do tempo tornou-se um processo de distinção, estabelecendo um prejuízo e um favorecimento entre um e o outro. Discriminar é fator que estabelece uma lógica de exclusão e de inserção na participação da vida em sociedade.

Estereótipo: O conceito de estereótipo tem como base as mesmas premissas socioculturais do conceito de estigma, sendo uma noção de como indivíduos e grupos sociais difundem seus clichês, suas crenças ofensivas e pejorativas sobre os outros, estabelecendo de modo franco e nítido uma competição na vida em sociedade.

Estigma: O conceito de estigma está associado ao fato de que, nas relações entre seres humanos, indivíduos e grupos sociais, calca-se, aprofunda-se e difunde-se um preconceito que tem entre o um e o outro, de modo que se consolida uma crença, um valor sociocultural sobre um indivíduo que se relaciona a todo o grupo o de pertencimento social, cultural e étnico-racial com o qual aparentemente este indivíduo constitua um vínculo. Os sujeitos estigmatizados carregam consigo uma marca social e culturalmente construída.

Marginalização: O conceito de marginalização está vinculado aos processos de exclusão do outro promovido por um indivíduo ou grupo social. Marginalizar é colocar à margem da vida social, dos centros decisórios, na periferia do sistema e das relações cotidianas existentes na sociedade. Nesse sentido, esse conceito também estabelece uma relação com a lógica espacial, estruturada pela geografia, definindo quem fica fora e distante e quem fica dentro e próximo do círculo do poder econômico, social, político e cultural.

Negro: O termo negro é uma construção sociocultural presente nos países da diáspora africana. É importante ressaltar que o termo negro não é conhecido ou usual ao sul do Saara, ou seja, na África Subsaariana, na medida em que a maioria é negra. O negro, portanto, nasce fora da África, na relação direta com o europeu, com o asiático, com o ameríndio. Sendo assim, o termo negro está situado fundamentalmente na relação com o outro não–africano, no contexto da escravidão e do tráfico escravista. Mais importante: o termo negro foi empregado para demarcar as conquistas; Frente Negra, Dia da Consciência Negra, etc.

Em diversos momentos da história das populações africanas, o termo negro apareceu enquanto perspectiva diferenciadora de um indivíduo para outro. No Brasil, os integrantes dessas populações eram chamados de pretos, de negros e também de cidadãos de cor, todas estas nomenclaturas em função da cor da pele mais escura do que outras populações e grupos asiáticos, europeus, etc. nos Estados Unidos, os negros são denominados de negros (blacks) ou afro-americanos (African-Americans); ambos os termos são vistos como politicamente corretos e definem a identidade positiva desta população. em 1929, ativistas como José Correia Leite lutaram para dar positividade ao termo negro, trabalhando com a conotação de que preto era o bonzinho e o dócil, segundo o olhar do escravista.

O negro tinha consciência, além da cor da pele; sabia quem era e por que lutava e acima de tudo contra quem lutava, e resistia.

Preconceito: O termo está muito próximo ao de discriminação, pois ambos estão associados ao contato entre seres humanos. Se, no caso da discriminação, todos distinguem uns em relação aos outros como um dado da natureza, no caso do preconceito esta distinção vem marcada com o sinal do desequilíbrio social, no jogo da balança, um sobe e o outro desce já com um conceito prévio, predeterminado, que marca fundamentalmente o pré-juizo de um em relação ao outro. O preconceito surge como uma relação de contato sociocultural, entre um sujeito e outro; no entanto, um detém um conceito prévio sobre o outro, determinado por valores sociais, em função de informações falsas, de crenças infundadas.

Preto: O termo preto está vinculado ao contexto da escravidão, quando se faz menção ao descendente do africano escravizado nascido no Brasil e que se comporta como alguém que não estabelece uma relação direta, imediata e aberta de resistência contra o sistema escravista, sendo considerado em ampla literatura de estudiosos como o “negro bom”, o “negro de alma branca”, o preto que não oferece resistência, que aceita sua condição sócio-racial. Nesse sentido, o preto foi visto como aquele que tem a cor, mas não conhece a sua história, está alienado. Esta confecção foi adotada, também, pelos lideres da imprensa negra no início do século XX, e, também pelo movimento negro contemporâneo. Já o movimento hip hop, adota o termo preto, dando-lhe nova concepção.

A consciência étnico-racial vem atrelada à cor da pele, aos traços africanos. É a cor que impõe uma atitude diferente de ser no mundo.

Racismo: O conceito de racismo está vinculado ao conjunto de perspectivas, noções mencionadas anteriormente; aprofunda-se na relação entre “raças”, entendidas com base nas características fenotípicas dos indivíduos e, nas marcas que carregamos no conjunto cor-corpo.

O racismo tem uma conformação mais ampla e mais plástica, desenvolvendo-se diferentemente em cada contexto social, em cada tempo e espaço das relações de contato entre os seres humanos, o racismo manifesta-se de maneira distinta na sociedade brasileira e nos Estados Unidos, na África do Sul, na França e em outras sociedades do universo cultural europeu-ocidental. No Brasil, temos um racismo que se origina na marca, como constatou Oracy Nogueira. O racismo fundado na marca no Brasil, em função da miscigenação e da mestiçagem, recaiu e continua a recair sobre aqueles que mantêm as suas marcas fenotípicas e culturais próximas dos valores, crenças e traços oriundos dos africanos escravizados no Brasil: quanto mais claros, menos eles serão objeto do racismo cotidiano e institucional presente no País. Em 1959 e em 1988, duas Leis produziram conceitos referentes ao racismo, uma estabelecendo-o com contravenção penal e a outra, como crime.

No Brasil, o grande esforço das entidades do movimento negro e dos direitos humanos denuncia que a prática do racismo institucional é o maior desafio da sociedade brasileira. O racismo produzido, difundido e promovido pelas instâncias governamentais em diferentes setores da vida social brasileira.

As reflexões contidas neste texto visam explicitar as Diretrizes Curriculares Nacionais e os pareceres que embasam a obrigatoriedade da introdução do tema história e cultura africanas e afro-brasileiras nos Ensinos Fundamental, Médio, sem negligenciar a responsabilidade dos Ensinos Infantil e Superior. Neste processo alicerçado e alimentado pelas Leis nº 10.639/03 e 11.645/08. A escola e seus profissionais são convidados a conhecê-las e trabalhá-las, a fim de que o africano, a África e seus descendentes, neste País, sejam conhecidos por meio de propostas pedagógicas e curriculares interdisciplinares.com isso esperamos que africanos e afro-brasileiros possam ser tratados com a mesma dignidade conferida àqueles estrangeiros e brasileiros que construíram o País desde as primeiras décadas do século XVI até o momento atual.

É imprescindível trabalharmos criticamente para reformular os conteúdos didáticos, assim como as práticas pedagógicas, de modo a eliminarmos o véu do preconceito, da discriminação, da marginalização e da criminalização imposta ao africano e ao afro-brasileiro. A proposta teórica-metodológica aqui desenvolvida está embasada nas idéias de diversos cientistas sociais e pedagogos como exemplos: Paulo Freire, Amadou Hampate Bâ, Joseph Ki-Zerbo, etc., juntamente com as práticas educativas de diversas entidades negras. Essa proposta teórica-pedagógica pauta-se pela experiência, pela memória, pela história silenciada de homens e mulheres e por documentos que embasam o nosso conhecimento e nos fazem cientes e conscientes da vida em sociedade.

CAPÍTULO II

Do Silêncio do Lar ao Silêncio Escolar

Eliane Cavalleiro faz uma comparação com o Mestre Paulo Freire logo na abertura de sua Introdução, para a autora deste livro fino, mas substancioso, aqui nos interpela sobre fatos verossímeis que atingem uma parcela importantíssima da população, que às vezes imaginamos imunes às manifestações de racismo: as crianças. Queremos dizer a criança em sua sedenta absorção do experimento e do saber.

No nosso ponto de vista acreditamos que a pesquisadora foi muitíssimo feliz pela sua originalidade, como também pela instrumentação e logística utilizadas com destreza no seu campo de pesquisa. Outro fato a ser comentado, é a facilidade de comunicação proporcionada por sua escrita densa (mas leve), fluida, sem ser escorregadia, e também muito cristalina, logo, bem objetiva.

Eliane Cavalleiro defende sua tese com muitos números e fatos. Como a questão ainda melindra qualquer tipo de discussão. E mais, o quanto está coberta pela nuvem dos estereótipos.

Ela nos mostra como foi sua atuação no campo da observação, de onde tira um conjunto de idéias que, coletiva ou individualmente, demonstram com clareza que “Existe, Sim, Racismo já nas primeiras manifestações sociais da Criança”. Para exemplificar, um grupo de meninas que têm várias bonecas brancas e só uma preta. Instigadas a dizer qual a boneca mais feia, nenhuma delas hesita em apontar a “boneca preta”. Outro exemplo, agora dentro da observação do grupo docente da escola pesquisada: as professoras beijam e elogiam muito mais os alunos brancos que os alunos negros, mesmo em igualdade de condições.

São muitas outras observações anotadas pela pesquisadora. Tem, inclusive, notas crônicas sobre a menina negra que se dizia branca. E a professora que esconde temas espinhosos sobre racismo em sala de aula, “para que as reuniões pedagógicas não fiquem muito longas”, portanto cansativas.

Nesse sentido encontramos na leitura do seu livro muitas das respostas em questões vividas por crianças negras em sala de aula e, mesmo nos psicopedagogas em nossos estágios, tomamos ciência das grandes dúvidas que alguns educadores, e profissionais na instituição escolar têm em como trabalhar temas tão inquietantes. E são tão problemáticos entre os estudiosos o que dizer das crianças negras dentro desse universo.

Socialização, Família, Escola e Sociedade

Os caminhos da socialização

No nosso ponto de vista não tem como falar de socialização do zero aos seis anos de idade, que é justamente uma etapa fundamental para o pleno desenvolvimento do ser humano, pois essa educação recebida pela criança e de um significado tal que esse conceito é compartilhado pro muitos autores e estudiosos preocupados em como o ser humano se desenvolve e aprende, citamos alguns: Erikson, Perrenold, Piaget, Freud, Paulo Freire, Freinet, Berger, Luckman, etc.

Nesta etapa da educação que também é conhecida por Socialização Primária, uma vez que é através desta fase que o ser humano interage de fato no mundo da cultura onde está inserido, ou seja: “a ampla e consistente introdução de um indivíduo no mundo objetivo de uma sociedade ou de um setor dela” (Berger & Luchman, 1976, p. 175). Numa relação dialética homem / sociedade, o novo membro da sociedade interioriza um mundo já posto, que lhe é apresentado com uma configuração à sua existência.

Concordamos com Berger e Luchman, Nicolas Caparrós, quando que para eles a família é a primeira formadora da socialização deste novo membro, pois “da família saíra o comunista, a mulher passiva, o dominador, e o dominado […] as relações, homem / mulher, tanto em autovalorização e valorização do outro, já estão ideologicamente plantadas em semelhança às dos adultos”, (Caparrós, 1981, p. 52).

Somente através desta socialização possibilitará à criança a compreensão do mundo por meio das experiências vividas, ocorrendo paulatinamente a necessária interiorização das regras afirmadas pela sociedade. Nesse início de vida a família e a escola serão os mediadores primordiais, apresentando / significando o mundo social.

Deste modo, acreditamos que as atitudes e os comportamentos sociais não serão obrigatoriamente cópias fiéis das atitudes e dos comportamentos de seus mediadores. Porém, dizer isto não significa diminuir o papel dos mediadores, nem desconsiderar o fato de as crianças se identificarem com os seus familiares: pais, irmãos e outros adultos. Elas podem, inconscientemente, copiar a conduta do adulto exatamente como elas vêem o adulto atuando à sua volta.

É de conhecimento comum que a socialização em sociedades complexas, como a brasileira, se da de forma espontânea e sistemática. A espontânea, como se sabe, apanha o indivíduo ao nascer e o envolve até a morte. As agências corriqueiramente citadas como responsáveis por esse processo socializador confundem-se com os chamados grupos primários em diferentes graus de institucionalização e, às vezes, com distintas metas sociais como nos cita Borges Pereira (“A criança negra: identidade étnica e socialização”, em Cadernos de Pesquisa, n° 63, São Paulo, 1987, p. 14):

[…] Nessa relação de grupos são costumeiramente incluídos, também, desde agências tradicionais formadoras de opinião, como, a igreja e a imprensa, até os mais persuasivos e modernos mecanismos de comunicação social, como o cinema, rádio e a TV, que influenciam e moldam pessoas e grupos sociais atuando tanto em ambientes fechados como em locais públicos. Para usar uma expressão ao mesmo tempo tipológica e simbólica, tais mecanismos estão presentes tanto na casa como na rua. 

Na sociedade brasileira, a Educação Infantil constitui um direito institucionalizado desde 1988 com a Constituição Brasileira em seu Artigo 208, § IV. A promulgação da Constituição reconheceu o direito à educação para crianças menores de sete (agora 6 anos). As instituições públicas de Educação Infantil CEIs e EMEIs (Centro de Educação Infantil e Escola Municipais de Educação Infantil) favorecem sobremaneira as famílias de baixa renda cujas mães trabalham fora e deixam seus filhos sob os cuidados destas.

O Estatuto da Criança e Adolescente (ECA, Lei 8069/91), vem defesa dos mesmos e lhes asseguram:

[…] O direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas Leis; […] Direito à educação, visando ao pleno desenvolvimento de sua pessoa, preparo para o exercício da cidadania e qualificação para o trabalho […]. Igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; direito de ser respeitado por seus educadores; e ter respeitados os valores culturais, artísticos e históricos próprios no contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura.

A experiência escolar amplia e intensifica a socialização da criança. O contato com outras crianças de mesma idade, com outros adultos não pertencentes ao seu grupo familiar, com outros objetos de conhecimento, além daqueles vividos pelo seu grupo familiar vai possibilitar outros modos de leitura do mundo.

Cavalleiro concorda com Gomes que diz, “unicidade e diversidade são faces diferentes do processo educativo que, de fato, é um só, embora se realize no decorrer da existência individual em instituições diversas, com propósitos bastante diversos” (1993, p. 8), nesse sentido nos também acreditamos que se a escola acreditar e respeitar e valorizar os conhecimentos prévios que as crianças trazem consigo as dificuldades de aprendizagens serão superadas com sucesso. Pois a escola deve ter conhecimento que problemas encontrados no grupo familiar também tendem a surgir no ambiente escolar; e, o que deve ocorrer é uma inter-relação, família / escola a qual possibilitará um novo processo de socialização que propiciará um desenvolvimento sadio, pois o que deve ser interiorizado pela criança, não é só seu lugar no mundo, mas principalmente, seu lugar nesse mundo, grupo social e sua própria existência.

Gomes afirma que:

Ao final do processo de socialização a criança não domina o mundo social circundante, como já incorporou os papéis sociais básicos – seus e de outros, presentes e futuros – mas, acima de tudo, já adquiriu as características fundamentais de sua personalidade e identidade (190, p. 60).

Neste sentido estamos de acordo com as autoras, quando expõem que deve haver uma relação entre escola e família para que a diversidade humana seja respeitada cada um em sua diferença. E reforçando nossa fala citamos Borges Pereira (1987, p. 41) com que ela complementa:

A Constituição da identidade do ser humano como expressão de grupos e categorias sociais está indissoluvelmente ligada ao processo de socialização tout-court. Daí pode-se afirmar que uma das funções da socialização é a da construção da pessoa humana dentro dos parâmetros de seu lócus espacial, temporal e sociocultural, ou numa linguagem mais filosófica, dentro de ideais ou modelo de pessoa definido pela sociedade.

Segundo a autora a identidade é um dos resultados mais importantes do processo de constituição social do sujeito. E, para Erikson (1976), “identidade refere-se a um contínuo sentimento de individualidade que se estabelece valendo-se de dados biológicos e sociais. O indivíduo se identifica reconhecendo seu próprio corpo, situado em um meio que reconhece como ser humano e social”. Assim, a identidade resulta da percepção que temos de nós mesmos, advinda da percepção que temos de como os outros nos vêem.

Sendo assim acreditamos que a identidade é concebida como um processo dinâmico que possibilita a construção gradativa da personalidade no decorrer da existência do indivíduo. Numa sociedade como a nossa, na qual predomina uma visão negativamente preconceituosa, a respeito do negro e, a identificação positiva do branco, a estrutura da identidade de socialização terá como base a precariedade de modelos satisfatórios e a abundância de estereótipos negativos sobre negros. Diante disso, cada indivíduo socializado em nossa cultura poderá internalizar representações preconceituosas a respeito desse grupo sem se dar conta disso, ou até mesmo se dando conta por acreditar ser o mais correto.

O que significa ser uma criança negra ou branca na relação social que se realiza na escola? E, nela, o que a criança pode aprender sobre si própria e sobre os outros a sua volta? Não seria demasiado supor que a ausência desse tema no planejamento escolar impede a promoção de boas relações étnicas. O silêncio que envolve essa temática nas diversas instituições sociais favorece que se entenda a diferença como desigualdade e os negros como sinônimos de desigual e inferior.

A despreocupação com a questão da convivência multuétnica, quer na família, quer na escola, pode colaborar para a formação de indivíduos preconceituosos e discriminadores. A educação é entendida como um processo social, em que os cidadãos têm acesso aos conhecimentos produzidos e dele se apropriam para o exercício de sua cidadania. E, se a educação é um processo social, qual seria a relação entre a aprendizagem de preconceitos, atitudes discriminatórias e a produção escolar de cidadãos? Qual tipo de cidadão está sendo formado nas escolas?

A tentativa de responder a estas questões deve, porém, ser precedida de revisão sucinta sobre o racismo, o preconceito e a discriminação.

A Família

O Modelo de aprendizagem é uma maneira pessoal com que nos aproximamos do conhecimento e conformamos nosso saber. Isto depende de fatores afetivos, cognitivos e sociais. Esse modelo vai se construindo desde que nascemos, ou até mesmo antes. Tem uma história que vai sendo montada a partir da criança e do grupo familiar de acordo com as experiências de aprendizagem e de como estas foram interpretadas. A família é quase sempre considerada a culpada por disseminar o preconceito

É interessante que para alguns educadores o preconceito é um problema que decorre apenas das experiências vividas na família. Sendo assim, não se reconhecem como parte do problema, mas, apenas, como parte da solução; desse modo, o preconceito é considerado um problema exclusivamente externo à escola.

Nas famílias, encontramos adultos preparando seus novos membros para a vida social desconsiderando o caráter multiétnico da população, o pertencimento a um grupo específico.

A Escola

Encontramos na escola, educadores que se dizem (e sentem) compromissadas com o seu fazer profissional, mas mostram-se cegas para as suas ações. De acordo com Cavalleiro “A escola oferece aos alunos, negros e brancos, oportunidades diferentes para se sentirem aceitos, respeitados e positivamente participantes da sociedade brasileira”.

No que concordamos com Cavalleiro, em nossos estágios nas nossas observações percebemos que muitos educadores estão tão inseridos neste mundo excludente que não se dão conta que com esta atitude seus alunos negros sentem-se cada vez mais longe do ambiente escolar. Na escola, o educador reproduz o padrão tradicional da sociedade.

No espaço escolar há toda uma linguagem não-verbal expressa por meio de comportamentos sociais e disposições; formas de tratamento, atitudes, gestos, tons de voz e outras; que transmite valores marcadamente preconceituosos e discriminatórios, comprometendo, assim, o conhecimento a respeito do grupo negro.

Ao se achar igualitária, livre do preconceito e da discriminação, a escola tem perpetuado desigualdades de tratamento e minado efetivas oportunidades igualitárias a todas as crianças.

Ao silenciar, a escola grita inferioridade, desrespeito e desprezo. “Neste espaço, a vergonha de hoje somada à de ontem e muito provavelmente, à de amanhã leva a criança negra a represar suas emoções, conter os seus gestos e falas para, quem sabe, passar despercebida num espaço que não é o seu”.

A Sociedade

Como ao negro na sociedade, estão reservados papel e lugar inferiores, pode-se afirmar que essa linguagem o condiciona ao fracasso, à submissão e ao medo, visto que parte das experiências vividas na escola é marcada por humilhações.

É difícil, senão impossível, ser feliz convivendo permanentemente com esse conflito. O resultado provável é que a criança negra sofra severamente com esse problema. Torna-se, portanto, improvável que ela consiga construir uma identidade positiva.

Sabemos não ser a transformação da sociedade tarefa apenas da educação. Não se pode deixar por conta de um silêncio criminoso crianças sofrendo diariamente situações que as empurram e as mantêm em permanente estado de exclusão da vida social.



CAPÍTULO III

Dificuldades de Aprendizagem

Observações de Estágios

Observadas como eram estabelecidas as relações entre crianças negras e brancas em uma sala de aula, com 42 alunos sendo três alunos negros, de uma escola municipal de ensino fundamental I, Foi observado que os dois grupos se relacionavam de modo tenso, segregando, excluindo. Os alunos negros mantinham-se em uma postura introvertida, recusando-se em muitos momentos a participar das atividades propostas, com medo de que os outros rissem deles, ou seja, para não serem rejeitados ou ridicularizados, eles preferiam calar sua voz e sua dor. Isso ilustra a quanto uma situação social pode silenciar as crianças negras, reduzindo-as a um estado quase de mutismo e invisibilidade em sala de aula.

A questão fica, desde o princípio, centrada em quem aprende, ou melhor, em quem não aprende. As dificuldades de aprendizagem são causadas por diversos fatores. Porém, algumas crianças poderiam seguir sem maiores conflitos, apesar de suas dificuldades em aprender, senão encontrassem pela frente a dificuldade de ensinar ou, até mesmo, o despreparo de alguns professores. Diferente de estar com dificuldade, o aluno que manifesta dificuldades revela uma situação mais ampla, em que também se inscreve a escola, parceira que é no processo da aprendizagem. Portanto, analisar a dificuldade de aprender inclui, necessariamente, o projeto pedagógico escolar, nas suas propostas de ensino, no que é valorizado como aprendizagem. A ampliação dessa leitura permite ao psicopedagogo abrir espaços para que se disponibilizem recursos que façam frente aos desafios, isto é, na direção da efetivação da aprendizagem.

Crianças Negras e Brancas Interagindo e Reagindo

Direcionamos nossa pesquisa de leitura, analisando as observações da autora Eliane Cavalleiro e seu livro “Do Silêncio do Lar ao Silêncio Escolar”, e Sonia Cristina Soares Miranda com seu Artigo “Racismo e Fracasso Escolar numa Perspectiva Psicopedagógica”, para a elaboração de nossa Monografia, pois percebemos que as inquietações de Cavalleiro e Sonia eram as mesmas que observamos em nossos estágios.

Elas nos expõem suas colocações quando da elaboração de sua pesquisa em unidades escolares: segundo Cavalleiro nas suas observações das crianças no parque lhe permitiu presenciar situações concretas de preconceito e discriminação entre elas. No parque, elas têm a liberdade de escolher seus parceiros e decidir quanto tempo permanecerão brincando com eles. Distantes da professora, elas podem dizer o que bem entendem. Nesse cenário, algumas falas explicitamente preconceituosas foram ouvidas nos momentos em que algo era disputado: poder, espaço ou companhia. O preconceito e a discriminação aparecem como uma poderosa arma nos momentos de disputas, capazes de paralisar sua vítima e como exemplo descreve-nos um fato por ela presenciado:

No parque, aproximo-me de um grupo que brinca. De repente, inicia-se um tumulto. Shirley (negra) chega perto de Fabio (branco), o xinga de “besta”, e ele revida. Letícia (branca) passa a participar da discussão, com vários xingamentos. Letícia e Catarina (negra), até então brincando juntas, principiam a se xingar também. Catarina diz a Letícia: “Fedorenta”, e esta responde: “Fedorenta” é você. Catarina, então, diz: “É você, tá! Letícia responde: “Eu não; eu sou branca, você é que é preta!”, Catarina fica paralisada e não diz mais nada. Até então virada de frente para Letícia, dá-lhe as costas e começa a xingar Fabio. Catarina segundos depois desfere-lhe um golpe na cabeça. O menino chora. A professora, percebendo a confusão, se aproxima do grupo e adverte a menina Catarina, que mais uma vez ouve calada.

Silêncio, seguido de reação violenta. O que se pode ver naquele parque é nada mais que uma pequena reprodução da própria história do negro em nosso país. Impotente diante da pressão racista, ele parte para a violência e, conseqüentemente, é penalizado, isso se transforma em estigma.

Segundo Cavalleiro:

As agressões verbais e até físicas contra os afro-brasileiros fazem mesmo parte do cotidiano escolar e têm sido tratados como atos de pouca importância pelos professores e professoras e administração escolar, conselhos escolares, associações de pais e mestres e órgãos da secretaria de educação. “Ocorre que uma parcela significativa da sociedade subestima a relevância social, moral e ética dos procedimentos anti-sociais, não raciocinando as conseqüências localizadas e amplas de tais fatos.” (CUNHA/ 2000/ texto sobre Etnia, Gênero e Educação).

Nesse sentido comparando as afirmações de Cavalleiro com as do professor Cunha, evidencia-se o fato da necessidade de reeducação para que a sociedade possa “raciocinar sobre as conseqüências localizadas das opressões racistas” “presentes em todos os segmentos da sociedade, mas que se sobressaem mais nas primeiras inter-relações sociais fora do grupo familiar, pelo fato de produzir desde cedo os chamados fracassados do sistema escolar ou simplesmente como a sociedade já se habituou a falar: “burros”.

Outro exemplo é o fato de duas meninas negras caminhando, quando um menino esbarra em uma delas e lhe diz em tom de deboche: “Desculpa, neguinha!” Depois parte gargalhando, junto com o amigo que também ri muito. A menina arregala os olhos, mas continua a sua caminhada, sem nada dizer. Continuando as exposições outro fato, a menina Silvia (negra) brinca com sua amiga Maiara (negra). A primeira tem uma boneca branca nas mãos. A segunda, uma boneca preta. Pergunto: “Essa boneca preta é sua?”. Ela, com muita ironia, responde: “Nem de nega eu gosto!”. A outra não diz nada.

No primeiro exemplo, vemos a fala da menina branca expressa de modo incisivo, o que faz com que a menina negra fique imobilizada pela lógica, ou pela “verdade” contida na expressão “o preto é fedorento”. No segundo, o menino pede desculpa para amenina negra em tom de deboche, ridicularizando-a diante da situação. E no terceiro, uma criança negra, diante da amiga também negra, expressa seu acentuado desprezo por pessoas de seu grupo.

Diante de situações como essas, a autora pode constatar a tranqüilidade com a qual as crianças brancas expressam comentários depreciativos a respeito das negras, que quase sempre permanecem absolutamente caladas, com olhar distante. Sobressaem em seus rostos expressões vazias. Após a ofensa dirigem-se a outro grupo, ou então principiam a brincar sozinhas, como se nada lhes tivesse acontecido.

Nos conflitos em que crianças xingam, referindo-se à cor da pele como uma característica negativa, podemos observá-las como grandes vencedoras da disputa. O fato de a criança ficar inata diante dos xingos revela um misto de medo, dor, impotência: a frente dessas emoções imobilizadoras não consegue ou não sabem como se defender. Ante o ambiente que lhes é hostil, isolam-se, retiram-se do palco da disputa. Tentam passar despercebidas, abandonando o conflito.

Já nas observações de Miranda, concordamos com o que nos cita: 

Há que se desintrojetar das mentes humanas a idéia de que os negros e pobres são incapazes de aprender e isto pode ser feito com uma ampla ação reeducadora-esclarecedora psicopedagógica, além de outras ações inter-relacionadas. “O negro não aprende porque é negro, o pobre não aprende porque é pobre”. Estas são frases irracionais que se ouve aqui há quase quinhentos anos e é preciso que se desenterrem as raízes do preconceito que deram origens a estas frases e que se ilumine a verdadeira face da nossa história impregnada de racismo, para que posamos agir no sentido da eliminação de tais irracionalismos.

Uma vez que o afetivo e o cognitivo são partes inseparáveis, pois se inter-relacionam o tempo todo. Daí podemos concluir que: a discriminação afeta a cognição, e que uma cognição afetada influi no afeto e que ambos tornam o aprendente incapazes para a aprendizagem e satisfatório convívio social, uma vez que sua auto-estima já esta afetada.

As instituições educacionais devem analisar os materiais didáticos utilizados em sala de aula para não valorizar estereótipos ou mentiras que repetidas tornam-se verdades, um exemplo deste material de uso contínuo é o próprio dicionário da língua portuguesa, que as crianças necessitam utilizar no seu dia-a-dia, onde a classificação de cor / raça, verificou que o branco, é Patrão, Senhor, o indígena, como sendo da terra, o amarelo, Ouro; são tudo de bom, já quando se verifica o negro ou preto é tudo de ruim, e ainda queremos que a criança negra se auto declare negra ou preta. Como se ter auto-estima, ter pertencimento, quando não se conhece a própria história e contribuições para a formação do povo brasileiro. Segue algumas das classificações:

Branco: adj (germ blank) Da cor do leite ou da neve; alvo, cândido, que é dessa raça, limpo, homem da raça caucásica. Patrão, senhor.

Negro: adj (lat nigru) Sombrio, denegrido, fúnebre, horrível, que pertence à raça ou ramo negro, ameaçador, medonho, condenado, maldito, que anuncia infortúnios; funesto, nefasto, horrendo, pavoroso, pervertido, inimigo, odioso, indivíduo da raça negra. Escravo. Homem que trabalha muito.

Preto: adj Pertencente à raça negra, diz-se dessa raça, escuro, sombrio, indivíduo da raça negro. Escravo preto.

Indígena: (lat indigena) Pessoa natural do país em que habita; aborígine, autóctone. adj Originário ou próprio de um país ou de uma localidade; aborígine, autóctone.

Amarelo: adj (lat hispânico amarellus, de amarus) 1 Da cor da luz do Sol, da cor da gema do ovo, da cor do ouro, dourado, fulvo, louro. Homem de raça amarela.

Contribuições Psicopedagógicas

Percebemos que apesar das Leis, muitos educadores ainda têm dúvidas de como lidar com os casos ocorridos em sala de aula, e dependerá da intervenção do educador saber trabalhar com os alunos, como por exemplo, num caso ocorrido:

Numa sala com quarenta alunos do terceiro ano fundamental, a professora explicava a origem racial e costumes. Percebeu que uma das crianças estava continuamente de cabeça abaixada, sempre foi uma criança tímida, mas naquele dia questionou sua atitude, uma vez que todos os alunos estavam participando ativamente da aula.

A profª parou a alua para conversar com ela, saber o porquê de sua apatia e tristeza.

De repente um dos colegas falou: _¬¬_ “Ela é feia e preta, tem cabelo de Bombril”.

A Profª entreviu de pronto e começou a falar sobre a história do Brasil e explicou como ocorreu a miscigenação entre portugueses, índios, africanos; e que todos nós fazemos parte deste grande mosaico brasileiro, mostrando a eles através deles próprios, verificando suas cores de pele, tipos de cabelos, cor dos olhos, etc., e que devemos respeitar as pessoas por aquilo que ela representa, indiferente de sua etnia, classe social, etc., e ou ouvir essas explicações aquela criança negra ergueu os olhos e sorriu para a profª e o colega que fez aquela infeliz colocação pediu desculpa. 

Neste sentido, com discussões e projetos bem elaborados, é possível combater o preconceito racial que existe, sim, na escola. Está nas mãos dos profissionais da educação, o sucesso dessas crianças, negras ou brancas, sendo respeitadas nas suas singularidades.

O grande desafio é o entendimento da formação identitária da criança negra. A criança negra precisa se ver como negra, reerguer sua auto-estima, respeitando a própria imagem encontrando modelos que confirmem essa expectativa.

O silêncio permanente das professoras a respeito das diferenças étnicas no espaço escolar, somado ao das crianças negras, parece conferir aos alunos brancos o direito de reproduzir seus comportamentos, sempre protegidos por não serem criticados ou denunciados.

Segue um poema de Rodrigo Fidélis dos Santos, (Revista Nova Escola,1999) após uma intervenção de sucesso numa instituição escolar, é para pensar como a educação como base formadora pode transformar a realidade de nossas crianças:



DISCRIMINAÇÃO

O negro tem a pele escura;
Por isso não tem vez
Mas, o que importa na sua vida
É o caráter que ele tem.

O branco tem a pele clara;
Por isso sempre tem vez
Por que não unir os dois 
Para acabar com o preconceito de vez?
Vamos ser humanos
Vamos ser irmãos
Para podermos viver
Em plena união.

Preconceito existe;
Não é apenas racial
Quem prática o preconceito
Pode se comparar ao animal irracional.

Considerações Finais

Ao analisarmos os dados recolhidos em nossas observações durante nossos estágios, para responder a nossa hipótese de até que ponto a discriminação racial influi nas dificuldades de aprendizagem da criança negra dentro de uma visão psicopedagógica, chegamos à conclusão que a criança negra comparada à criança branca com o mesmo grau de dificuldades, expostas a situação de exclusão pela cor de sua pele, situações vexatórias no ambiente escolar, com baixa auto-estima, tirando a exceção, de modo geral tendem a ter suas dificuldades de aprendizagem agravadas, chegando mesmo a danos irreversíveis.

Algumas educadoras acreditam a instituição escolar cumpra papel, e tenha influência decisiva na determinação do futuro das crianças negras, eliminando problemas escolares; disciplinares ou de aprendizagem e dificuldades na escola.

O educador em conjunto com o Psicopedagogo possam libertar-se de percepções estereotipadas, preconceituosa e etnocêntrica na sua prática docente.

Com a chegada desta nova especialização Psicopedagogia em interação com a família, escola, o sistema educacional espera alcançar um ensino e aprendizagem onde a preocupação será: que cidadãos estaremos formando para o futuro? Acreditamos que estas ações possam acontecer nas escolas, uma vez que as crianças negras ou brancas em período escolar, em formação da personalidade, valores e caráter. Para uma educação que respeite as diferenças, livre de preconceito e discriminação, é preciso que educadores estejam comprometidos com a necessidade do embasamento teórico sobre o desenvolvimento do ser humano em sua plenitude.

A Psicopedagogia é um campo de estudos que nasceu pela necessidade de resolver problemas de crianças que apresentam dificuldades na aprendizagem. Seus estudos ocupam-se dos processos da aprendizagem humana.

O Psicopedagogo Institucional atua com uma preocupação preventiva, em escolas e em empresas, nas áreas que lidam com a questão do aprender, para estudar as possibilidades de uma aprendizagem mais eficaz e eficiente.

A Psicopedagogia é uma área de saber que se ocupa em estudar as melhores estratégias que levarão os sujeitos a adquirirem / integrarem o conhecimento. Esta preocupada nos processos que subjacentes a percepção de aprendizagem, motivar, relacionar-se entre si e com o desenvolvimento global do sujeito (personalidade, meio em que se insere socialmente e culturalmente, situada no contexto histórico em que vive).

E com essa nova visão psicopedagógica, chegamos à cruel realidade que a discriminação racial ainda hoje leva os alunos a desenvolverem dificuldades de aprendizagem, pela diferenciação que professores utilizam na sua prática pedagógica em sala de aula, pois muitos acreditam que a apatia, violência, indisciplina, desinteresse em sala, das crianças negras sejam características da etnia e por esse motivo não aprendem, aumentando assim cada vez mais a exclusão do negro na sociedade.

Referências Bibliográficas

BRASIL, Ministério da Educação. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana. Brasília, DF, Outubro de 2004.

CARNEIRO, Maria Luiza Tucci. Racismo na História do Brasil – Mito e Realidade. São Paulo. Ed. Ática, 1994. Série História em Movimento.

CAVALLEIRO, E. Do Silêncio do Lar ao Silêncio Escolar. São Paulo. Contexto, 2003

COMBESQUE, M. A. O Silêncio e o Ódio. São Paulo. Scipione, 1994.

FONTE. Grandes números do ensino básico: 2001. Disponível em: <http://www.inep.gov.br>. Acesso em dez. 2008.

GUIMARÃES, A. S. A. ‘Raça’, Racismo e Grupos de Cor no Brasil. Estudos Afro-Asiáticos, Rio de Janeiro, n. 27, p. 45-63, 1995.

INSTITUTO NACIONAL DE ESTUDOS E PESQUISAS EDUCACIONAIS. SAEB: Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica. Relatório Nacional 2001. Brasília: INEP/MEC, 2002.

NOGUEIRA, M. A. A Escolha do Estabelecimento de Ensino pelas Famílias: A ação discreta da riqueza cultural. Revista Brasileira de Educação, n. 7, p. 42-56, jan./abr. 1998.

MENEZES, W. O Preconceito Racial e suas Repercussões na Instituição Escolar. Trabalhos para Discussão, nº147. Fundação Joaquim Nabuco, agosto de 2002.

Revista Nova Escola. Ele vai começar a Gritar!, março de 1999

Revista Proposta Pedagógica. A Criança Negra nos Currículos da Educação Básica. V.7, nº38, 2001.

Revisão Documental

Constituição Federal de 1988

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

I – homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações, nos termos desta Constituição;
V – é assegurado o direito de resposta, proporcional ao agravo, além da indenização por dano material, moral ou à imagem;
VI – é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;
VIII – ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;
XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais;
XLII – a prática do racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito à pena de reclusão, nos termos da lei; 
LVII – ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória;
LXIII – o preso será informado de seus direitos, entre os quais o de permanecer calado, sendo-lhe assegurada a assistência da família e de advogado;

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

Art. 206. O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios:

I – igualdade de condições para o acesso e permanência na escola;
II – liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber;
III – pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino;
IV – gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais;
VII – garantia de padrão de qualidade.

Art. 3º O ensino será ministrado com base nos seguintes princípios: 

II – Liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar a cultura, o pensamento, a arte e o saber;
III – Pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas;
IV – Respeito à liberdade e apreço à tolerância;

Art. 26 – A

Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira. (Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003), no seu parágrafo 4º, dispõe que o ensino de História do Brasil levará em conta as contribuições das diferentes culturas e etnias para a formação do povo brasileiro, especialmente das matrizes indígena, africana e européia.

O artigo 79 A

§ 1° O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e políticas pertinentes à História do Brasil. (Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003) 
§ 2° Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artística e de Literatura e Histórias Brasileiras. (Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003)
§ 3° (VETADO) (Incluído pela Lei nº 10.639, de 9.1.2003)

Estatuto da Criança e do Adolescente (2001)

O Estatuto da Criança e do Adolescente dispõe, no Artigo 5º, que nenhuma criança ou adolescente será objeto de qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão, punido na forma da Lei qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais.

O Artigo 15º

Determina que a criança e o adolescente têm direito à liberdade, ao respeito e à dignidade como pessoas humanas em processo de desenvolvimento e como sujeitos de direitos civis, humanos e sociais garantidos na Constituição e nas Leis.

O Artigo 58º

Diz respeito ao processo educacional, onde respeitar-se-ão os valores culturais, artísticos e históricos próprios do contexto social da criança e do adolescente, garantindo-se a estes a liberdade de criação e o acesso às fontes de cultura.

Segundo o Artigo 201º, compete ao Ministério Público:

VIII – Zelar pelo efetivo respeito aos direitos e garantias legais assegurados às crianças e adolescentes, promovendo as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis;

Artigo 232º

Submeter criança ou adolescente sob sua autoridade guarda ou vigilância a vexame ou a constrangimento:

Pena: Detenção de seis meses a dois anos.

Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais

Art. 1° A presente Resolução institui ais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, a serem observadas pelas Instituições de ensino, que atuam nos níveis e modalidades da Educação Brasileira e, em especial, por Instituições que desenvolvem programas de formação inicial e continuada de professores.

Art. 2° As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africanas constituem-se de orientações, princípios e fundamentos para o planejamento, execução e avaliação da Educação, e têm por meta, promover a educação de cidadãos atuantes e conscientes no seio da sociedade multicultural e pluriétnica do Brasil, buscando relações étnico-sociais positivas, rumo à construção de nação democrática.

Art. 3° A Educação das Relações Étnico-Raciais e o estudo de História e Cultura Afro-Brasileira, e História e Cultura Africana será desenvolvida por meio de conteúdos, competências, atitudes e valores, a serem estabelecidos pelas Instituições de ensino e seus professores, com o apoio e supervisão dos sistemas de ensino, entidades mantenedoras e coordenações pedagógicas, atendidas as indicações, recomendações e diretrizes explicitadas no Parecer CNE/CP 003/2004.

Art. 4° Os sistemas e os estabelecimentos de ensino poderão estabelecer canais de comunicação com grupos do Movimento Negro, grupos culturais negros, instituições formadoras de professores, núcleos de estudos e pesquisas, como os Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros, com a finalidade de buscar subsídios e trocar experiências para planos institucionais, planos pedagógicos e projetos de ensino.

Art. 5º Os sistemas de ensino tomarão providências no sentido de garantir o direito de alunos afro-descendentes de freqüentarem estabelecimentos de ensino de qualidade, que contenham instalações e equipamentos sólidos e atualizados, em cursos ministrados por professores competentes no domínio de conteúdos de ensino e comprometidos com a educação de negros e não negros, sendo capazes de corrigir posturas, atitudes, palavras que impliquem desrespeito e discriminação.

Art. 6° Os órgãos colegiados dos estabelecimentos de ensino, em suas finalidades, responsabilidades e tarefas, incluirão o previsto o exame e encaminhamento de solução para situações de discriminação, buscando-se criar situações educativas para o reconhecimento, valorização e respeito da diversidade.

§ Único: Os casos que caracterizem racismo serão tratados como crimes imprescritíveis e inafiançáveis, conforme prevê o Art. 5º, XLII da Constituição Federal de 1988.

Art. 7º Os sistemas de ensino orientarão e supervisionarão a elaboração e edição de livros e outros materiais didáticos, em atendimento ao disposto no Parecer CNE / CP 003/2004.

Art. 8º Os sistemas de ensino promoverão ampla divulgação do Parecer CNE / CP 003/2004 e dessa Resolução, em atividades periódicas, com a participação das redes das escolas públicas e privadas, de exposição, avaliação e divulgação dos êxitos e dificuldades do ensino e aprendizagens de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana e da Educação das Relações Étnico-Raciais.

Art. 9º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Roberto Cláudio Frota Bezerra

Presidente do Conselho Nacional de Educação.

Lei nº 11.645/2008

Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

Art. 26 A

Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.

Parâmetros Curriculares Nacionais

ANEXOS

Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos
LEI Nº 10.639, de 9 de janeiro de 2003.

Mensagem de veto

Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira”, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA

Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1º A Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar acrescida dos seguintes Arts. 26-A, 79-A e 79-B:

“Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e médio, oficiais e particulares, torna-se obrigatório o ensino sobre História e Cultura Afro-Brasileira”.

§ 1º O conteúdo programático a que se refere o caput deste artigo incluirá o estudo da História da África e dos Africanos, a luta dos negros no Brasil, a cultura negra brasileira e o negro na formação da sociedade nacional, resgatando a contribuição do povo negro nas áreas social, econômica e política pertinentes à História do Brasil.
§ 2º Os conteúdos referentes à História e Cultura Afro-Brasileira serão ministradas no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de Educação Artísticas e de Literatura e História Brasileiras.
§ 3º (VETADO)”

“Art. 79-A (VETADO)”

“Art. 79-B. O calendário escolar incluirá o dia 20 de novembro como ‘Dia Nacional da Consciência Negra’.”

Art. 2º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 9 de janeiro de 2003; 182º da Independência e 115º da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Cristovam Ricardo Cavalcanti Buarque

Resolução nº1, de 17 junho de 2004

CONSELHO NACIONAL DE EDUCAÇÃO/ CONSELHO PLENO/ DF

RESOLUÇÃO Nº 1, de 17 de junho de 2004

Institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana.

O Presidente do Conselho Nacional de Educação, tendo em vista o disposto no art.9º, § 2º, alínea “c”, da Lei 9.131, publicada em 25 de novembro de 1995, e com fundamentação no Parecer CNE/ CP 3/2004, de 10 de março de 2004, homologado pelo Ministro da Educação em 19 de maio de 2004, e que a este se integra, resolve:

Art. 1º A presente Resolução institui Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana, a serem observadas pelas Instituições de ensino, que atuam nos níveis e modalidades da Educação Brasileira e, em especial, por Instituições que desenvolvem programas de formação inicial e continuada de professores.

§ 1º As Instituições de Ensino Superior incluirão nos conteúdos de disciplinas e atividades curriculares dos cursos que ministram a Educação das Relações Étnico-Raciais, bem como o tratamento de questões e temáticas que dizem respeito aos afro-descendentes, nos termos explicitados no Parecer CNE/ CP 3/2004.

§ 2º O cumprimento das referidas Diretrizes Curriculares, por parte das instituições de ensino, será considerado na avaliação das condições de funcionamento do estabelecimento.

Art. 2º As Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação das Relações Étnico-Raciais e para o Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africanas constituem-se de orientações, princípios e fundamentos para o planejamento, execução e avaliação da Educação, e têm por meta, promover a educação de cidadãos atuantes e conscientes no seio da sociedade multicultural e pluriétnica do Brasil, buscando relações étnico-sociais positivas, rumo à construção de nação democrática.

§ 1º A Educação das Relações Étnico-Raciais tem por objetivo a divulgação e produção de conhecimentos, bem como de atitudes, posturas e valores que eduquem cidadãos quanto à pluralidade étnico-racial, tornando-os capazes de interagir e de negociar objetivos comuns que garantam, a todos, respeito aos direitos legais e valorização de identidade, na busca da consolidação da democracia brasileira.

§ 2º O Ensino de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana tem por objetivo o reconhecimento e valorização da identidade, história e cultura dos afro-brasileiros, bem como a garantia de reconhecimento e igualdade de valorização das raízes africanas da nação brasileira, ao lado das indígenas, européias, asiáticas.

§ 3º Caberá aos Conselhos de Educação dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios desenvolver as Diretrizes Curriculares e Nacionais instituídas por esta Resolução, dentro do regime de colaboração e de autonomia de entes federativos e seus respectivos sistemas.

Art. 3º A Educação das Relações Étnico-Raciais e o estudo de História e Cultura Afro-Brasileira, e História e Cultura Africana serão desenvolvidos por meio de conteúdos, competências, atitudes e valores, a serem estabelecidos pelas instituições de ensino e seus professores, com o apoio e supervisão dos sistemas de ensino, entidades mantenedoras e coordenações pedagógicas, atendidas as indicações, recomendações e diretrizes explicitadas no Parecer CNE/ CP 003/2004.

§ 1º Os sistemas de ensino e as entidades mantenedoras incentivarão e criarão condições materiais e financeiras, assim como proverão as escolas, professores e alunos de material bibliográfico e de outros materiais didáticos necessários para a educação tratada no “caput” deste artigo.

§ 2º As coordenações pedagógicas promoverão o aprofundamento de estudos, para que os professores concebam e desenvolvam unidades de estudos, projetos e programas, abrangendo os diferentes componentes curriculares.

§ 3º O ensino sistemático de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana na Educação Básica, nos termos da Lei 10639/2003, refere-se, em especial, aos componentes curriculares de Educação Artística, Literatura e História do Brasil.

§ 4º Os sistemas de ensino incentivarão pesquisas sobre processos educativos orientados por valores, visões de mundo, conhecimentos afro-brasileiros, ao lado de pesquisas de mesma natureza junto aos povos indígenas, com o objetivo de ampliação e fortalecimento de bases teóricas para a educação brasileira.

Art. 4º Os sistemas e os estabelecimentos de ensino poderão estabelecer canais de comunicação com grupos do Movimento Negro, grupos culturais negros, instituições formadoras de professores, núcleos de estudos e pesquisas, como os Núcleos de Estudos Afro-Brasileiros, com a finalidade de buscar e trocar experiências para planos institucionais, planos pedagógicos e projetos de ensino.

Art. 5º Os sistemas de ensino tomarão providências no sentido de garantir o direito de alunos afro descendentes de freqüentarem estabelecimentos de ensino de qualidade, que contenham instalações e equipamentos sólidos e atualizados, em cursos ministrados por professores competentes no domínio de conteúdos de ensino e comprometidos com a educação de negros e não negros, sendo capazes de corrigir posturas, atitudes, palavras que impliquem desrespeito e discriminação.

Art. 6º Os órgãos colegiados dos estabelecimentos de ensino, em suas finalidades, responsabilidades e tarefas, incluirão o previsto, o exame e encaminhamento de solução para situações de discriminação, buscando-se criar situações educativas para o reconhecimento, valorização e respeito da diversidade.

§ Único: Os casos que caracterizem racismo serão tratados como crimes imprescritíveis e inafiançáveis, conforme prevê o Art. 5º, XLII da Constituição Federal de 1988.

Art. 7º Os sistemas de ensino orientarão e supervisionarão a elaboração e edição de livros e outros materiais didáticos, em atendimento ao disposto no Parecer CNE/CP 003/2004.

Art. 8º Os sistemas de ensino promoverão ampla divulgação do Parecer CNE/ CP 003/ 2004 e desta Resolução, em atividades periódicas, com a participação das redes das escolas públicas e privadas, da exposição, avaliação e divulgação dos êxitos e dificuldades do ensino e aprendizagem de História e Cultura Afro-Brasileira e Africana da Educação das Relações Étnico-Raciais.

§ 1º Os resultados obtidos com as atividades mencionadas no caput deste artigo serão comunicados de forma detalhada ao Ministro da Educação, à Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, ao Conselho Nacional de Educação e aos respectivos Conselhos Estaduais e Municipais de Educação, para que encaminhem providências, que forem requeridas.

Art. 9º Esta resolução entra em vigor na data de sua publicação, revogadas as disposições em contrário.

Roberto Cláudio Frota Bezerra

Presidente do Conselho Nacional de Educação

Lei 11645 de 2008
Presidência da República
Casa Civil
Subchefia para Assuntos Jurídicos

LEI Nº 11.645, DE 10 MARÇO DE 2008.

Altera a Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, modificada pela Lei no 10.639, de 9 de janeiro de 2003, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da rede de ensino a obrigatoriedade da temática “História e Cultura Afro-Brasileira e Indígena”.

O PRESIDENTEDAREPÚBLICA Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:

Art. 1o O art. 26-A da Lei no 9.394, de 20 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação:

“Art. 26-A. Nos estabelecimentos de ensino fundamental e de ensino médio, públicos e privados, torna-se obrigatório o estudo da história e cultura afro-brasileira e indígena.

§ 1o O conteúdo programático a que se refere este artigo incluirá diversos aspectos da história e da cultura que caracterizam a formação da população brasileira, a partir desses dois grupos étnicos, tais como o estudo da história da África e dos africanos, a luta dos negros e dos povos indígenas no Brasil, a cultura negra e indígena brasileira e o negro e o índio na formação da sociedade nacional, resgatando as suas contribuições nas áreas social, econômica e política, pertinentes à história do Brasil.

§ 2o Os conteúdos referentes à história e cultura afro-brasileira e dos povos indígenas brasileiros serão ministrados no âmbito de todo o currículo escolar, em especial nas áreas de educação artística e de literatura e história brasileiras.” (NR)

Art. 2o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.

Brasília, 10 de março de 2008; 187o da Independência e 120o da República.

LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA

Fernando Haddad

Análise da Responsabilidade

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO
Objetivo Geral
Objetivos Específicos
CAPÍTULO 1.
O OBJETO DE ESTUDO
CAPÍTULO 2.
REFERENCIAL TEÓRICO
2.1
Patrimônio Público
2.1.1
Classificação dos Bens Públicos
2.1.1.1
Relato Histórico do Tratamento dos Bens na Contabilidade Pública
2.1.2
As Formas de Recebimento do Ativo imobilizado Patrimonial
2.1.2.1
Compra
2.1.2.2
Doações, Transferências, Cessão, Produção, Comodato
2.1.2.3
Do Tombamento
2.1.2.4
Termos de Responsabilidade
2.1.2.5
Da Responsabilidade e Indenização
2.1.2.6
Da Conservação e Recuperação
2.1.2.7
Das Transferências
2.1.2.8
Das Baixas, Desfazimentos do Ativo Imobilizado Patrimonial 
2.1.2.8.1
Das Vendas
2.1.2.8.2
Doação, Obsoletismo, Recuperação Antieconômica e Destruição
2.1.2.8.3
Furtos e Roubos
2.2
Dos Inventários
2.2.1
A Atuação dos Órgãos de Controle Interno CGU e Externos TCU na Gestão Pública Federal
CAPÍTULO 3.
METODOLOGIA
3.1
A Universidade Federal de Pelotas e a Constituição do Ativo Imobilizado ..
3.2
Sistemas de Controle da Universidade.

A presente monografia tem por finalidade identificar o tratamento dado ao ativo imobilizado patrimonial da Universidade Federal de Pelotas, em obediência à legislação vigente sobre o assunto, através de rotinas administrativas, implantadas pela instituição ao longo do tempo. Foi utilizada a metodologia de pesquisa quali-quantitativa através de um questionário respondido pelos gestores das unidades administrativas e acadêmicas da instituição, onde estes se manifestaram de acordo com as realidades lá existentes, totalizando no caso 66 unidades pesquisadas. O resultado da pesquisa evidenciou que existe controle, porem com algumas fragilidades a serem ajustadas, como exemplo podemos citar a importância inadequada dada aos termos de responsabilidade dos bens que estão sob sua guarda e uso, como também ao recebimento das notas fiscais do ativo permanente imobilizado em nome da Universidade nos processos de aquisição por compra. Embora os dados referenciados nos gráficos tenham mostrado um nível satisfatório comparado ao todo considerado como ideal, se faz necessário o aumento desses níveis dado a importância do correto recebimento e controle dos bens. Quanto à movimentação, conservação utilização e guarda desses ativos permanentes e manutenção dos mesmos, observou-se nestas unidades carência de sistemas que proporcionem uma correta utilização. Considerando-se a existência parcial da utilização adequada do patrimônio imobilizado da Universidade Federal de Pelotas, através de rotinas administrativas, este dado tem impacto nas legislações que em dado momento não estão sendo atendidas. Ao fim deste estudo, serão sugeridas medidas para minimizar as fragilidades otimizando a utilização correta do ativo patrimonial imobilizado por parte dos gestores e demais servidores.

INTRODUÇÃO

O presente estudo tem por finalidade verificar se existe o trato e a utilização adequada do ativo imobilizado patrimonial da Universidade Federal de Pelotas, através de rotinas administrativas pertinentes.
Portanto foi realizada uma pesquisa quali-quantitativa entre os gestores das Unidades, Departamentos e Pró-Reitorias através de um questionário com o objetivo de identificar, verificar e avaliar o trato, utilização, importância e conservação dos bens do ativo permanente imobilizado. 
O desenvolvimento da pesquisa e os resultados dela obtidos vão ao encontro da atual situação de mudança vivida pela administração pública federal, pela quebra do paradigma de ser uma gestão publica simplesmente orçamentária e financeira, e tornar-se patrimonialista, dando vazão a controles de bens, suas atualizações e depreciações. 
As constantes legislações levam os gestores, a implantarem sistemas de controle interno, adaptados à realidade dos sistemas oficiais no caso SIAFI (Sistema Integrado de Administração Financeira), Sap (Sistema Administrativo Patrimonial), controles estes que devem ser adaptados à realidade particular de cada instituição, apoiado e valorizado por todos tanto da Administração central como todos os envolvidos no processo.
Os órgãos de controle interno CGU (Controladoria Geral da União) e Externo TCU (Tribunal de contas da União) apontam constantemente em suas vistorias, a fragilidade do controle não só no âmbito da Instituição pesquisa mas também, em nível nacional.
Com a abertura do país a partir da década de 80, através da criação da STN (Secretaria do Tesouro Nacional), órgão que centralizou as finanças, contabilidade e todos os tipos de controles patrimoniais, houve por parte da imprensa e da população uma abertura maior para se verificar, denunciar e corrigir possíveis desperdícios dos patrimônios públicos, como obras inacabadas e bens em desuso, mal empregados e ociosos. 
A partir da década de 90, com a estabilização econômica, com o mercado competitivo, e com as cargas tributarias sendo sempre importantes componentes nos custos dos produtos, o mercado passou também a pressionar os governantes à prática dos controles mais rígidos sobre seus ativos permanentes, pois as empresas não suportariam encerrar suas atividades com cargas tributarias excessivas por conta de o governo recolher seus recursos e aplicar em bens super faturados ou em obras inacabadas. 
Este fato contribui positivamente, juntamente com a imprensa e a comunidade para que se inicie uma nova era em termos de visão e valorização dos ativos públicos, bem como, o apoio à tomadas de decisões e a prestação de contas de maneira correta.
Sendo assim o presente trabalho tem por finalidade desvendar o seguinte problema de pesquisa:
Existe o trato e a utilização adequada do ativo imobilizado patrimonial da Universidade Federal de Pelotas, através de rotinas e legislações administrativas?

OBJETIVO GERAL

Analisar os critérios utilizados pelos diretores de Unidades, Departamentos e Pró-Reitores em relação ao trato com o Patrimônio imobilizado da Instituição.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Avaliar nas unidades, os tratamentos que são dados aos bens imobilizados, que são transitados ou alocados nesta, sejam eles ociosos, transferidos ou bens novos;
Identificar, se existe nas unidades acadêmicas da Universidade Federal de Pelotas por parte de sua direção, conhecimento da importância dos termos de responsabilidades a eles atribuídos na forma da lei;
Verificar junto as Direções das Unidades, se existe controle e ou incentivo para que os demais servidores zelem pelos bens.

CAPITULO 1

Objeto do Estudo

O presente trabalho refere-se ao trato e a utilização adequada do ativo imobilizado patrimonial da Universidade Federal de Pelotas, e a analise de suas rotinas no cumprimento das legislações sobre o assunto.
A pesquisa teve como principal objetivo, a identificação da qualidade do encaminhamento dado pelos diretores de Unidades, Departamentos e Pró-Reitores em relação o Patrimônio imobilizado da Instituição, bem como, os tratamentos dados aos bens imobilizados, que são transitados ou alocados nesta, sejam eles ociosos, transferidos ou bens novos e se existe nas unidades acadêmicas da Universidade Federal de Pelotas por parte de sua direção, preocupação com os termos de responsabilidades a eles atribuídos na forma da lei.
O assunto estudado tem sua relevância baseada nas mudanças ocorridas na administração pública federal desde a década de 80 até os tempos atuais, onde houve a quebra de paradigmas antes utilizados. Atualmente, junto aos registros e controles contábeis, está também inserida a importância pela conservação, trato e valorização do Ativo Patrimonial Imobilizado Federal, saindo então daquele modelo em que eram apenas voltadas as questões orçamentárias e financeiras.
Tais mudanças são fundamentadas pela NBC T 16 Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicada ao Setor Público, criação da Secretaria do tesouro Nacional, e os órgãos de controle internos e externos, Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral da União respectivos.

CAPITULO 2

Referencial Teórico

2.1 Patrimônio Público

O patrimônio público compreende todos os bens e direitos tangíveis e intangíveis adquiridos por compra, doação ou comodato monetariamente mensurável.
O patrimônio público consiste no conjunto de bens e direitos tangíveis ou não, por aquisição, doação ou comodato, considerado ativos que possam ser mensurados monetariamente. Haja vista que o patrimônio público são bens e direitos de uso especial, cabe a cada servidor o zelo e guarda pelos mesmos, caso contrário implicará na apuração destas responsabilidades (MOTA 2009, p. 271).
Os registros analíticos de todos os bens de caráter permanente, no setor público indicam os elementos necessários para a perfeita caracterização de cada um destes e dos agentes responsáveis pela sua guarda e administração. Desta forma se caracterizam no ativo patrimonial imobilizado a facilidade de identificação. (Brasil. Lei nº 4320/64).
As unidades do ativo imobilizado deverão ser numeradas quando instaladas, a fim de facilitar a sua identificação. Se porventura isso não tiver sido feito desde o início das operações, poderá ser feito à medida que os inventários físicos forem sendo programados. (FRANCISCHINI e GURGEL, 2002, p.11).
Portanto as execuções dos inventários anuais além do objetivo da conferência dos saldos anteriores com os atuais possibilitam a correção das eventuais irregularidades ocasionadas pelas aquisições por doação e comodato não informadas ao Setor Patrimonial ou responsável competente por esse controle e posteriormente informada a Contabilidade para os equivalentes registros nessa. 
Na Contabilidade Patrimonial, o levantamento geral dos bens móveis terá por base o inventário analítico de cada unidade administrativa e os elementos da escrituração sintética na contabilidade (Brasil, Lei nº 4320/64).
O levantamento patrimonial das instituições é realizado através da formação de Comissão Especial composto por três membros, onde estes ficam responsáveis pela contagem física, apuração e a emissão dos relatórios pertinentes à prestação de contas junto ao Tribunal de Contas da União.
Ê recomendável que a Comissão, confeccione, também, relações especiais, a serem firmadas pelos seus membros, pelo Coordenador e responsáveis patrimoniais, para servirem de documentos comprobatórios de carga patrimonial. Essas relações serão remetidas ao Tribunal de Contas da União. (NASCIMENTO, 2002, p 50). 
De acordo com a NBC T 16.2, Normas Brasileiras de Contabilidade Aplicadas ao Setor Público, o sistema contábil representa a estrutura de informações sobre identificação, mensuração, avaliação, registro, controle e evidenciação dos atos e dos fatos da gestão do patrimônio público, com o objetivo de orientar e suprir o processo de decisão, a prestação de contas e a instrumentalização do controle social.
O patrimônio público é estruturado em três grupos, o ativo, passivo e patrimônio líquido, descrito abaixo:
Ativo compreende os direitos e os bens, tangíveis ou intangíveis adquiridos, formados, produzidos, recebidos, mantidos ou utilizados pelo setor público, que represente um fluxo de benefícios, presente ou futuro.
Passivo compreende as obrigações assumidas pelas entidades do setor público ou mantidas na condição de fiel depositário, bem como as contingências e as provisões. 
Patrimônio Líquido representa a diferença entre o Ativo e o Passivo. 
A contabilidade pública diante de suas funções tem seus reflexos de forma sistemática voltados à geração de informações publicas que possibilitem as tomadas de decisões e a prestações de contas aos cidadãos. (NBC T 16.2,2009)

2.1.1Classificação dos Bens Públicos

Os bens públicos classificam-se em três categorias, bens de uso comum, bens de uso especial e bens de uso dominiais. 
Os bens de uso comum referem-se aos mares, rios, estradas ruas, praças e não podem ser alienados, inventariados ou registrados, os bens de uso especial são os bens patrimoniais do ativo imobilizado, e por fim os bens de uso dominiais são os que compõem o patrimônio disponível do estado. 
Os bens de uso especial, objeto de estudo, referem-se aos bens móveis e podem ser alienados mediante autorização legislativa. (LICHTNOW, 2002)

2.1.1.1 Relato Histórico do Tratamento dos Bens na Contabilidade Pública

Em se tratando dos bens de uso especial cabe dizer que na contabilidade pública assim como na iniciativa privada ocorrem alterações durante o exercício, tendo origem em fatos previstos ou imprevistos, estas alterações podem ser de duas espécies, qualitativas e quantitativas. 
Nas alterações qualitativas não ocorre mudança na quantidade da riqueza líquida, haja vista, as mesmas terem como características a permuta entre os itens que compõem o patrimônio, a exemplo são as aquisições de bens á vista.
Por outro lado às alterações quantitativas modificam a riqueza do patrimônio liquido, ou seja, referem-se às alterações dos itens do ativo ou do passivo. É o caso das incorporações de bens por doação, conhecidas também como as variações patrimoniais aumentativas, ocorrida em conta de mutação ativa bem como o registro das despesas orçamentárias, em virtude da ocorrência da execução do orçamento de despesa. Todas as aquisições da área pública dependem de autorização legislativa. (MOTA, 2009)
As demonstrações das variações patrimoniais, através do Balancete Patrimonial, evidenciam as alterações verificadas no patrimônio, resultantes ou independentes da execução orçamentária, e indicará o resultado patrimonial do exercício. (ANGÉLICO, 1991)

2.1.2 As formas de Recebimento do Ativo Imobilizado Patrimonial

De acordo com Brasil, Instrução Normativa 205/88, nos itens a seguir, existem várias formas de recebimento, dos bens:

3. Recebimento é o ato pelo qual o material encomendado é entregue ao órgão público no local previamente designado, não implicando em aceitação. Transfere apenas a responsabilidade pela guarda e conservação do material, do fornecedor ao órgão recebedor. Ocorrerá nos almoxarifados, salvo quando o mesmo não possa ou não deva ali ser estocado ou recebido, caso em que a entrega se fará nos locais designados. Qualquer que seja o local de recebimento, o registro de entrada do material será sempre no Almoxarifado.

3.1 O recebimento, rotineiramente, nos órgãos sistêmicos, decorrerá de:

a) compra;
b) cessão
c) doação
d) permuta
e) transferência ou
f) produção interna 
Portanto, no ato do recebimento é efetuada a conferência dos bens com a documentação correspondente para a aceitação. Caso exista alguma inconsistência na verificação, será apenas dado o aceite provisório dos materiais, cabendo ao Almoxarifado as providências para a regularização dessas e por fim aceitá-los definitivamente.

2.1.2.1 Compra

Em relação às aquisições orçamentárias do ativo patrimonial imobilizado, cabe dizer que são aquelas adquiridas através do Setor de Compras do Departamento de Material e Patrimônio ou Departamento Responsável diante da emissão de uma nota de empenho. Estas notas são emitidas no exercício do recebimento/aceite dos bens, da natureza de despesa 449052, ou seja, os bens de natureza permanente, refletindo no relatório das entradas orçamentárias dos bens móveis e registradas em conta do ativo imobilizado. (MOTA, 2009)

2.1.2.2 Doações, Transferências, Cessão, Produção, Comodato

Em se tratando das entradas de bens do ativo patrimonial imobilizado extra-orçamentária, como o nome já indica independe de execução orçamentária e refere-se às doações, transferências, cessão, produção, reposição, comodato. (MOTA, 2009).

2.1.2.3 Do Tombamento

Os bens do ativo patrimonial imobilizado são tombados, isto é, recebem números seqüenciais de registro patrimonial para controle individualizado e fins de inventário. (BRASIL, IN 205/88).
Os bens permanentes são estocados em almoxarifado próprio até sua distribuição para uso, quando deve ser lavrado o termo de responsabilidade, que será assinado pelo responsável pela guarda e conservação destes. (MOTA, 2009).

2.1.2.4 Termos de Responsabilidade

Brasil, IN 205/88, em seu item 7.11 nos apresenta que:
Nenhum equipamento ou material permanente poderá ser distribuído à unidade requisitante sem a respectiva carga, que se efetiva com o competente Termo de responsabilidade, assinado pelo consignatário.
O gestor de cada Unidade assina um Termo de Responsabilidade referente aos pelos bens do ativo patrimonial imobilizado sob sua guarda, ficando ciente de suas responsabilidades e procedimentos com a movimentação, conservação, zelo e demais fatores que os resguarde de quaisquer avaria. (BRASIL, IN/205, 1988).

2.1.2.5 Da Responsabilidade e Indenização

Todos os servidores poderão ser chamados à responsabilidade pelo desaparecimento dos bens do ativo patrimonial que lhe for confiado, para guarda ou uso, bem como pelo dano que, dolosa ou culposamente, causar a qualquer bem, esteja ou não sob sua guarda. Desta forma é dever do servidor comunicar, imediatamente, a quem de direito, qualquer irregularidade ocorrida com o material entregue aos seus cuidados. (BRASIL, IN/205, 1988)
O item 10.2 da Brasil, IN 205 de 08/04/1988 relata que:
O documento básico para ensejar exame do material e/ou averiguação de causas da irregularidade havida com o mesmo será a comunicação do responsável pelo bem, de maneira circunstanciada, por escrito, sem prejuízo de participações verbais, que, informalmente, antecipam a ciência, pelo administrador, dos fatos ocorridos.
A mesma normativa em seu item 10.2.1 menciona que:
Recebida a comunicação, o dirigente do Departamento de Administração ou da unidade equivalente, após a avaliação da ocorrência poderá:
a) Concluir que a perda das características ou avaria do material decorreu do uso normal ou de outros fatores que independem da ação do consignatário ou usuário;
b) Identificar, desde logo, o (s) responsável (s) pelo dano causado ao material,
c) Designar comissão especial para apuração da irregularidade, cujo relatório deverá abordar os seguintes tópicos, orientando, assim, o julgamento quanto à responsabilidade do (s) envolvido (s) no evento;
– a ocorrência e suas circunstâncias;
– estado em que se encontra o material;
– valor do material, de aquisição, arbitrado e valor de avaliação;
– possibilidade de recuperação do material e, em caso negativo, se há
matéria-prima a aproveitar;
– sugestão sobre o destino a ser dado ao material, e
– grau de responsabilidade da (s) pessoa (s) envolvida (s).
Em face o exposto acima, os bens do ativo patrimonial imobilizado em uso ficarão sob a responsabilidade dos chefes de serviço, procedendo-se periodicamente as verificações pelos órgãos de controle. Que caracterizada a existência de responsável pela avaria ou desaparecimento do bem, ficará esse responsável sujeito, conforme o caso e além de outras penas que forem julgadas cabíveis a:
a) arcar com as despesas de recuperação do material ( ativo patrimonial imobilizado) ou
b) substituir o material por outro com as mesmas características; ou
c) indenizar, em dinheiro, esse material, a preço de mercado, valor que deverá ser apurado em processo regular através de comissão especial designada pelo dirigente do departamento de Administração ou da unidade equivalente. (BRASIL, IN/205, 1988)
Portanto, os gestores e demais servidores devem responsabilizar-se pela conservação, recuperação bem como indenização pela avaria ou desaparecimento dos bens do ativo patrimonial imobilizado.

2.1.2.6 Da Conservação e Recuperação

A conservação e recuperação tornam-se obrigação de todos a quem tenha sido confiado material para guarda ou uso, zelar pela sua boa conservação e diligenciar no sentido da recuperação daquele que se avariar. 
De acordo com (BRASIL, IN 205, 1988)
a) Com o objetivo de minimizar os custos com a reposição de bens móveis do acervo, compete ao Departamento de Administração ou unidade equivalente organizar, planejar, e operacionar um plano integrado de manutenção e recuperação para todos os equipamentos e materiais permanentes em uso no órgão ou entidade, objetivando o melhor desempenho possível e uma melhor longevidade desses.
b) A manutenção periódica deve obedecer às exigências dos manuais técnicos de cada equipamento ou material permanente, de forma mais racional e econômica possível para o órgão ou entidade.
c) A recuperação somente será considerada viável se a despesa envolvida com o bem orçar no máximo 50% ( cinqüenta por cento) do seu valor estimado no mercado; se considerando antieconômico ou irrecuperável, o material será alienado, de conformidade com o disposto na legislação vigente.
Dada a relevância com a conservação, zelo e demais cuidados com os bens do ativo patrimonial imobilizado, tanto os gestores como os demais servidores devem estar atentos e em constante contato com o Departamento. A este departamento compete comunicar e ou solicitar apoio e informações dos procedimentos legais em relação aos fatos ocorridos em decorrência de suas responsabilidades com a preservação e cuidados com os mesmos.

2.1.2.7 Das Transferências

Para Nascimento (2002) a transferência de bens entre as unidades administrativas acarreta na desatualização do cadastro junto ao sistema, haja vista, ser comum a passagem de bens de uma unidade para outra sem a prévia comunicação do Setor competente com o objetivo de emitir o documento cujo constará as assinaturas necessárias das novas responsabilidades por estes.

2.1.2.8 Das Baixas, Desfazimentos do Ativo Imobilizado Patrimonial

Segundo Nascimento (2002, p. 53):
A baixa constitui aspecto importantíssimo do controle patrimonial, razão por
que merecerá atenção muito especial.
Ela poderá resultar de vários fatores:
a) venda;
b) doação;
c) obsoletismo
d) recuperação impraticável ou antieconômica;
e) destruição;
f) furto ou roubo.
O pedido de baixa de bens deve ser feito através de documento próprio contendo as características do bem, a localização, nome do responsável, o valor do bem e o motivo da baixa.
Cabe assim ao Setor encarregado pelo controle patrimonial, analisar o documento e opinar sobre a procedência e a justeza do pedido, a fim de que seja autorizada pelo órgão superior a mesma. (NASCIMENTO, 2002).

2.1.2.8.1 Das Vendas

Na Administração Pública as vendas dos bens do ativo patrimonial imobilizado ocorrem através da modalidade de leilão.
Leilão é a modalidade de licitação entre quaisquer interessados para a venda de bens móveis inservíveis para a Administração ou de produtos legalmente apreendidos ou penhorados, a quem oferecer o maior lance igual ou superior o valor da avaliação. (Brasil, Lei nº 8.666/93 art. 5).
A realização do leilão é de competência do Setor de Licitações e da Coordenadoria de Patrimônio, mediante formação de Comissão especial para a avaliação dos bens, emissão e publicação do Edital

2.1.2.8.2 Doação, Obsoletismo, Recuperação Antieconômica e Destruição

As doações dos bens do ativo patrimonial imobilizado poderão ser efetuadas por vários motivos, conforme o Decreto 99.658 alterado pelo Decreto 6.087 de 20 de abril de 2007- DOU de 23 de abril de 2007.
a) Art. 15. A doação, presente razões de interesse social, poderá ser efetuada pelos órgãos integrantes da Administração Pública Federal direta, pelas autarquias e fundações, após a avaliação de sua oportunidade e conveniência, relativamente à escolha de outra forma de alienação, podendo ocorrer, em favor dos órgãos e entidades a seguir indicados, quando se tratar de material:
I – ocioso ou recuperável para outro órgão ou entidade da Adminsitração Pública Federal direta, autarquia ou fundacional ou para outro órgão integrante de qualquer dos demais Poderes da União;
II antieconômico, para Estados e Municípios mais carentes, Distrito Federal , empresas públicas, sociedade de economia mista, instituições filantrópicas, reconhecidas de utilidade pública pelo Governo Federal, e Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público;
III irrecuperável, para instituições filantrópicas, reconhecidas de utilidade pública pelo Governo Federal, e as Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público; (Brasil, Decreto Lei 6087/2007, art. 15)
E em relação aos equipamentos de processamento de dados temos a seguir:
Art. 5o Os órgãos e entidades da Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional informarão, mediante ofício ou meio eletrônico desde que certificado digitalmente por autoridade certificadora, credenciada no âmbito da Infra-Estrutura de Chaves Públicas Brasileira ICP – BRASIL, à Secretaria de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão a existência de microcomputadores de mesa, monitores de vídeo, impressoras e demais equipamentos de informática, respectivo mobiliário, peças-parte ou componentes, classificados como ocioso, recuperável, antieconômico ou irrecuperável, disponíveis para reaproveitamento.(Brasil. Decreto Lei 6087/2007, art. 5º).)
O órgão referido na citação acima autoriza em um prazo de até trinta (30) dias a doação desses bens, caso o mesmo não o faça automaticamente ficam autorizadas às doações.

2.1.2.8.2 Furtos e Roubos

Quando ocorre avaria, desvio ou desaparecimento dos bens do ativo imobilizado patrimonial, ocorre o valor do débito imputado ao responsável à respectiva indenização como já mencionado no item 2.1.2.5 deste estudo. Sendo assim, apurado em forma de processo regular, designado pela autoridade competente e acrescido de atualização monetária e os juros de mora, contados a partir da data de apuração do preço de mercado até a data do respectivo recolhimento. (BRASIL, IN/205, 1988)

2.2 Dos Inventários

O inventário, de acordo com a Lei nº 4320/64 art. 96, consiste no levantamento geral dos bens móveis e tem por base o inventário analítico de cada unidade administrativa, bem como os elementos da escrituração sintética da contabilidade.
Segundo BRASIL, IN 205/88 da Secretaria de Administração Pública da Presidência da República SEDAP/PR o inventário anual é realizado ao final de cada exercício financeiro, que coincide com o dia 31 de dezembro. Esse deve ser levantado periodicamente pelo órgão responsável e faz parte da Tomada de Contas Anuais a serem enviadas aos Tribunais de Contas. 
O inventário a partir dos saldos anteriores das existências físicas deve ser estruturado, sendo alterado de acordo com as movimentações de entrada e saída de itens patrimoniais, com a finalidade de se determinar o saldo atual. O levantamento desta forma de inventário implica em contagens físicas e conferências de valores que são confirmados junto ao sistema de controle de bens e posterior conciliação com os saldos dos registros contábeis. 
Após a execução e conclusão do referido inventário, as eventuais diferenças ocorridas são objetos de ajustes, haja vista, em razão das tomadas de contas a qualquer tempo, conforme art. 78 da lei 4320/64.

2.2.1 A Atuação dos Orgãos de Controle Internos (CGU) e Externos (TCU), na Gestão Pública Federal

Após o término do exercício financeiro anual, considerado este como o ano civil, é feito a montagem do processo de prestação de contas, no qual é peça, o inventário dos bens. As Instituições Federais de Ensino Superior que executam orçamento público são encaminhadas pelos órgãos de controles, sejam eles externos ou internos. 
A CGU (Controladoria Geral da União), órgão do Poder Executivo Federal, entre outras funções, é responsável pelas auditorias e fiscalizações para verificar como o dinheiro público está sendo aplicado, bem como execução das ações de controle pertinentes. A controladoria através da sua Secretaria Federal de Controle Interno tem também como função, providenciar o devido andamento às representações ou denúncias fundamentadas que receber, referentes a lesão ou ameaça de lesão ao patrimônio público.(CGU, 2009).
Já O TCU (Tribunal de Contas da União) julga as contas de administradores públicos, e demais responsáveis por dinheiros, bens e valores públicos federais, e através das auditorias verificam in loco a legalidade e a legitimidade dos atos de gestão, quanto aos aspectos contábeis, financeiro, orçamentário e patrimonial. (TCU, 2009).

CAPÍTULO 3.

METODOLOGIA

Com o propósito de atingir os objetivos traçados para este estudo e buscar conhecimentos significativos que possibilitem conhecer todos os aspectos relacionados ao tema, foi realizada uma pesquisa descritiva e uma pesquisa quali – quantitativa através de um questionário aplicado na segunda quinzena do mês de outubro, entre os responsáveis pelas unidades, departamentos e Pró-Reitores da instituição, abrangendo um universo de 66 entrevistados e posterior análise dos dados levantados.
A pesquisa qualitativa e quantitativa tem como característica principal compreender as relações de consumo em profundidade. Sendo-lhe atribuída a análise qualitativa e quantitativa das informações obtidas, esse estudo procura identificar as motivações de consumo em um aspecto realista em relação a determinados produtos e serviços. (SAMARA e BARROS, 2006, pg. 31).
Na pesquisa bibliográfica foram utilizados livros e artigos científicos relacionados aos conceitos e demais aspectos envolvidos pelo tema; bem como, informações disponíveis on-line.

3.1A Universidade Federal de Pelotas e a Constituição do Ativo Imobilizado

A Universidade Federal de Pelotas foi criada pelo decreto-lei número 750, de 8 de agosto de 1969. Resultou da transformação da Universidade Federal Rural do Rio Grande do Sul (UFRRS), da anexação de áreas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em Pelotas e da agregação de unidades particulares de ensino superior, também já existentes na cidade. Desta forma, embora tenha sido criada em 1969, a instituição tem suas origens em anos mais remotos. O núcleo formador da instituição é integrado pela centenária Faculdade de Agronomia Eliseu Maciel, fundada em dezembro de 1883, e pelas faculdades de Direito e Odontologia, que iniciaram suas atividades nas primeiras décadas do século passado.
Também contribuíram para o surgimento da Universidade, o Instituto de Sociologia e Política e instituições particulares como a Faculdade de Medicina, a Escola de Belas Artes Carmen Trápaga Simões e o Conservatório de Música de Pelotas.
Após a criação da UFPel, iniciou-se o período de estruturação da Universidade, com a implantação dos seus órgãos administrativos, a reformulação e adequação das antigas unidades e a criação dos institutos básicos necessários ao seu funcionamento.
A instituição teve como primeiro reitor o professor Delfim Mendes Silveira, diretor da Faculdade de Direito, o qual administrou a Universidade até 1977. Em sua gestão, a UFPel expandiu-se, tanto em número de cursos quanto de alunos, estruturando-se como universidade e construindo o seu campus nas instalações da antiga UFRRS, junto à Faculdade de Agronomia. (UFPEL, 2009)

3.2 Sistemas de Controle da Universidade

A Coordenadoria de Patrimônio, setor responsável pelos registros e controles do ativo imobilizado patrimonial, através das entradas das notas fiscais ou documento referente às doações, transferências e comodatos, processa os registros, identifica e emite os Termos de Responsabilidade, e relatórios de controle para o encerramento dos exercícios mensais e anuais. 
O tombamento (registro) consiste na numeração sequencial dos bens, devidamente identificados com etiquetas com códigos de barra ou plaquetas em alumínio afixadas nos mesmos, em local de fácil acesso, para o momento da execução do inventário através dos levantamentos patrimoniais.
Estes números são apropriados em um Sistema Interno de Controle para a posterior emissão dos relatórios e prestações de contas junto aos órgãos externos e internos, Tribunal de Contas da União e Controladoria Geral da União, respectivamente.
As transferências ocorrem no momento da necessidade de realocação destes bens entre as unidades, essas deverão informar à Coordenadoria de Patrimônio, através de memorando, tais movimentações, para que a mesma proceda a transferência do bem e da responsabilidade em relação a esse entre as unidades, emitindo o respectivo Termo de Transferência.
Atualmente, a Universidade Federal de Pelotas através da Coordenadoria de Patrimônio, mantém o controle dos bens do ativo patrimonial imobilizado por meio da divulgação das normas e legislações bem como das práticas a serem adotadas pelos gestores no trato e utilização dos mesmos.
Porém, surgiu a necessidade da verificação, identificação e análise da existência ou não desse trato e da utilização adequada por parte desses gestores e demais servidores.

Análise Físico-Química do Leite

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SUMÁRIO

RESUMO 
1 – INTRODUÇÃO 
1.1 – Objetivo geral 
1.1.1 – Objetivos específicos 
2 – A EMPRESA 
3 – DESCRIÇÃO GERAL DAS ATIVIDADES 
4 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 
4.1 – O Leite 
4.2 – Segurança Alimentar 
4.2.1 – Higiene Pessoal 
4.2.2 – Ordenha, Conservação e Armazenamento 
5 – MATERIAL E MÉTODOS 
5.1 – Matéria-Prima 
5.2 – Processamento da matéria-prima 
5.3 – Análise Físico-Química do Leite 
5.3.1 – Acidez 
5.3.2 – Densidade 
5.4 – Derivados do Leite 
5.4.1 – Queijo de Coalho 
5.4.1.1 – Descrição das Etapas de Fabricação 
5.4.2 – Doce de Leite 
5.4.2.1 – Descrição das Etapas de Fabricação 
5.4.3 – Iogurte 
5.4.3.1 – Descrição das Etapas de Fabricação 
6 – RESULTADOS E DISCUSSÃO 
7 – CONCLUSÃO 
8 – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

O trabalho foi realizado com o objetivo de relatar as atividades do estágio supervisionado curricular, no qual foram aplicadas normas de Boas Práticas de Fabricação do leite e de seus derivados e realizados os processamentos de Doce de Leite, Iogurte e Queijo de Coalho para produção interna da Escola para o SAN (Setor de Alimentação e Nutrição). Antes de qualquer processamento foram realizadas análises de acidez e densidade para verificar a qualidade da matéria-prima. Tanto o processamento como as análises foram feitas na Escola Agrotécnica Federal de Belo Jardim no Setor de Laticínio sob orientação da Professora Maria Verônica e da Técnica em Agroindústria Maria do Socorro.

1. INTRODUÇÃO

O leite é um alimento muito completo e apresenta várias qualidades, é um alimento muito especial. Na sua composição fazem parte água (88%), hidratos de carbono (4,5%), proteínas de alto valor biológico (3,3%), sendo a principal a caseína, e ainda gorduras saturadas (3%).

1.1 Objetivo Geral

Aperfeiçoar os conhecimentos adquiridos no curso técnico de Agroindústria.

1.1.1 Objetivos Específico

Conhecer mais profundamente a produção industrial dos derivados de leite;

Saber como se obter um leite de boa qualidade, Analisar se ele atende ao padrões exigido pelos órgãos competentes como Vigilância Sanitária, etc. E estudar novos métodos para fabricação do Leite.

2. APRESENTAÇÃO DA EMPRESA

O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Pernambuco – Campus Belo Jardim, situada na Avenida Sebastião Rodrigues da Costa, S/N, Bairro São Pedro, neste, com uma área de 124 hectares, a 3 km do centro da cidade. O Instituto Federal conta atualmente com 619 alunos matriculados nos cursos de Agropecuária, Ensino Médio Concomitante, Informática, Agroindústria e Enfermagem e PROEJA, o vínculo de matrícula do aluno com estes cursos ocorre em regime de internato, externato e semi-internato.

A estrutura curricular destes cursos está em consonância com os novos rumos da educação profissional e embasada nas orientações decorrentes da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e suas regulamentações posteriores. O Instituto Federal conta com instalações diversas, tais como sala ambiente nos setores de agricultura, zootecnia, agroindústria, mecanização agrícola, laboratórios de informática, laboratório de enfermagem, química, biologia, topografia, biblioteca, auditório, refeitório e quadra poliesportiva. Alguns desses setores estão em processo de reforma ou ampliação, visando à otimização da área física da escola face ao constante crescimento nas ofertas de novos cursos e implementação dos já existentes, objetivando um maior atendimento à comunidade local e cidades circunvizinhas.

O Instituto Federal de Educação, Ciências e Tecnologia do Pernambuco – Campus Belo Jardim ainda conta com uma Fazenda Escola, situada as margens da BR 232 km, com uma área de ha, onde desenvolve as atividades de forragicultura e zootecnia, com criação de animais de grande porte (bovinos de leite e corte), capineiras, instalações para confinamento, casas de moradores, abatedouro bovino, sala de ordenha mecânica, bezerreiro, escritório, UEP de bovinocultura, instalações para inseminação artificial, além de amplo estacionamento, com excelente acesso.

3 – DESCRIÇÃO GERAL DAS ATIVIDADES

As atividades atribuídas ao estagiário do setor de Laticínios da presente Instituição de Ensino são basicamente a pasteurização do leite, a produção de seus derivados como: Doce de leite, iogurte e queijo de coalho. Estes são produzidos para abastecer ao SAN – Setor de Alimentação e Nutrição da Escola, que oferece as três refeições diárias aos alunos internos, semi-interno e eventualmente externo, de acordo com o sistema e calendário escolar.

Ainda são atividades do estagiário, manter o setor de acordo com normas de higiênicas exigidas e as Boas Práticas de Fabricação, limpo e organizados e também realizar as análises físico-químicas básicas da matéria-prima antes da produção de seus derivados, como: acidez e densidade.

4 – REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

4.1 – O Leite

O leite pode ser definido como, é produto líquido, branco, com viscosidade maior que da água, integral de ordenha total e ininterrupta de uma fêmea leiteira sadia, bem nutrida e não fatigada. Deve ser produzida de forma adequada, isento de substâncias estranhas e conter colostro (VALSECHI, 2001).

A composição do leite varia com sua espécie, raça, individualidade, alimentação, tempo de gestação entre outros fatores. Maior parte de sua composição é água como por exemplo: em 100 Kg de leite, nós temos 87 litros de água e 13 Kg de substâncias sólidas.

Sua composição, em média, pode ser representada abaixo:

Água ………………………………………………………… 87%
Estrato Seco Total:
Gordura ……………………………………………………… 4,0%

Extrato Seco Desengordurado:

Lactose ………………………………………………………. 4,8%
Proteínas …………………………………………………….. 3,5%
Sais Minerais …………………………………………………. 0,7%

4.3 – Segurança Alimentar

A indústria de alimentos é uma das indústrias que mais cresce nos dias atuais, mas os consumidores estão mais exigentes quanto a segurança do alimento que chega a casa dos consumidores. Por isso, dar-se-á a importância e exigência

Excelente reputação pessoal e profissional;
Aumento de vendas, produzindo maiores lucros;
Moral elevada dos empregados;
Respeito à lei, satisfazendo as exigências da fiscalização sanitária;
Satisfação pessoal e profissional.

4.3.1 – Higiene Pessoal

É indispensável para segurança do produto final a higiene pessoal dos manipuladores envolvidos no processamento da matéria-prima. São seis fatores que podem trazer para o alimento problemas, como uma contaminação microbiológica ou alterações nas suas características organolépticas ou ainda algum fator que venha prejudicar o produto final como desejado pelo fabricante, são eles:

1. Mãos: Devem ser lavadas com sabão bactericida (líquido), antes do início do trabalho e depois de cada ausência ao mesmo. As unhas devem ser mantidas sempre curtas, e sem esmalte; não colocar os dedos nas orelhas, nariz e boca, enquanto se manipular os alimentos.

2. Corpo: É indispensável o banho diário (água, sabão e esponja); o ideal é tomar banho ao entrar no serviço, antes de ser colocado o uniforme.

3. Dentes: Escovar os dentes todos os dias, após cada refeição, para evitar cáries, mau hálito.

4. Cabelo, barba, bigode: Lavar o cabelo regularmente (04 a 05 vezes por semana); manter o cabelo protegido (toucas, rede ou similar); evitar barba e bigode; caso use, manter aparados.

5. Nariz: Cuidar da higiene e assuar regularmente o nariz; antes de tossir ou espirrar, afasta-se do produto que esteja manipulando, cobrir a boca com lenço de papel e depois lavar as mãos para prevenir a contaminação.

6. Vestuários: Deve ser usado uniforme completo e ser trocado sempre que necessário; roupas e pertences pessoais não devem ser guardados em lugares onde alimentos ou ingredientes estejam expostos, nem em áreas usadas para limpeza de equipamentos e utensílios, ou mesmo sobre equipamentos utilizados no processo; não é permitido carregar no uniforme qualquer tipo de objeto, como caneta, lápis, espelhinhos, presilhas, etc.

5 – MATERIAL E MÉTODOS

O Relatório que descreve o processamento de Leite e seus derivados, conte informações como higiene pessoal, higiene dos equipamentos, processamento de Leite e Análises Físico-Químicas.

5 – Queijo de Coalho

É um queijo de massa crua, bem parecido com o queijo minas padrão, fabricado na região nordeste do país por pequenos produtores. Antigamente, era fabricado apenas de forma artesanal, não se efetuando um controle de qualidade e padronização do produto ou da matéria-prima. O queijo geralmente era feito sem pasteurização e enfornado em formas de madeira.

Atualmente, algumas fábricas de laticínios desenvolveram técnicas de fabricação dentro das normas de higiene e qualidade, utilizando, além disso, fermentos específicos para este produto.

5.1-Fluxograma do Queijo de Coalho

5.1.1-Tecnologia de Fabricação

Usar leite de boa qualidade, acidez máxima de 19º D e temperatura de coagulação de 32ºC. O leite padronizado (3,2% gordura) deve ser pasteurizado à temperatura de 62ºC a 65°C, durante 30 minutos. Mexer continuamente até se alcançar a temperatura de 32ºC.

Adicionar o cloreto de cálcio e o fermento ao leite, mantendo a agitação à temperatura de 32º C; depois, acrescentar o coalho previamente dissolvido em água, agitando por 2 a 3 minutos (para homogeneizar a mistura).

Fermento lático: usar uma quantidade equivalente a 1 a 1,5% do volume total do leite; a temperatura para se adicionar o fermento deve ser entre 32 e 35°C.

Cloreto de cálcio: logo após a adição do fermento, adicionar cloreto de cálcio ao leite; utilizar 50 ml de uma solução a 50% (utilizando água filtrada e de boa qualidade) para cada 100 litros de leite.

Coalho: utilizar a quantidade recomendada pelo fabricante, que deve ser suficiente para coagular o leite em cerca de 40 minutos; o coalho não deve ser muito antigo, pois perde sua força com o tempo, e deve ser guardado de acordo com as recomendações do rótulo. Deixar a mistura em completo repouso para que a coagulação se processe em 40 minutos, obtendo-se assim uma coalhada um pouco mais ácida.

Corte – Queijo de Coalho

Introduzir as liras na seqüência correta, fracionando a coalhada em grãos de 1 cm3. Deixar os grãos em repouso por 5 minutos, a fim de adquirirem firmeza.

Efetuar a mexedura, que deve ser feita em baixa velocidade, com intervalos alternados de 5 minutos de mexedura e 3 minutos de descanso, durante 50 minutos. Após a mexedura, observar o ponto em que os grãos se apresentam consistentes, individualizados, com brilho e que, por serem mais densos, submergem; nesse momento, cessar a mexedura, pois a massa atingiu “o ponto” adequado; esperar que a mesma vá ao fundo do tanque, empurrando-a para a parte anterior do mesmo, fazendo a Dessoragem completa.

Com a massa na parte anterior do tanque, fazer a pré-prensagem com peso equivalente ao dobro do peso da massa, por 15 minutos; em seguida, cortar a massa em blocos de 1 Kg para a enformagem (um bloco por fôrma). Aparam-se as bordas dos blocos de massa enformada e viram-se os mesmos, levando-os, então, para as fôrmas onde são prensados por 12 horas.

A salga é feita em salmoura a 18-20ºBé, à temperatura de 12º C e pH de 5,2, durante 24 horas. Retirar os queijos da salmoura, deixando-os secar por 12 horas. Embalar os queijos em sacos plásticos e consumi-los no prazo de 3 semanas; após esse período, o produto vai ficando mais duro e perdendo a característica de queijo coalho; os queijos devem ser embalados quando estiverem bem dessorados, com cuidado para não formarem casca de cura, pois isso diminui seu valor comercial.

A embalagem deve conter data de fabricação, validade e indicação no rótulo dos ingredientes que foram usados no produto.

6 – Doce de Leite

É o produto resultante da concentração ao ambiente (sem vácuo) de uma mistura constituída de açúcar de cana ou beterraba (sacarose). O doce de leite poderá ser adicionado de glicose (açúcar de milho), aromatizante (baunilha), frutas (coco, ameixa, cacau, amendoim) e bicarbonato de sódio, para redução da acidez.

6.2. Matéria Prima

O leite destinado à fabricação do doce tem que ser de ótima qualidade, com acidez máxima de 19ºD a serem reduzidos para 13ºD no momento da fabricação e tendo sua gordura padronizada para 1,5%. Os açúcares (sacarose e glicose) e frutas têm que ser também de ótima qualidade, limpos e sem apresentarem o menor sinal de fermentação.

6.3. Composição

A legislação específica prevê atualmente a seguinte composição para o doce de leite:

6.4 Fluxograma do Doce de Leite

6.4.1-Tecnologia de Fabricação

Matéria-Prima

Inicialmente, faz-se a seleção e a análise do leite. Este, por sua vez, deve apresentar acidez inferior a 18°D; do contrário, procede-se a dessacidificação em etapa posterior.

Padronização da Gordura

O leite utilizado para a produção de doce de leite normalmente é padronizado com um teor mínimo de 1,5 % de gordura, para obtenção de um doce com 2% de gordura.

Desacidificação

A Desacidificação do leite de acidez excessiva evita a desnaturação protéica e o escurecimento do produto. Pode ser realizada com bicarbonato de sódio, em uma dosagem próxima de 30g de Na2CO3 para cada 100 litros de leite, já no tacho, sob leve agitação.

Concentração

Essa etapa é realizada em tachos de dupla camisa, até 1/3 da altura do tanque. Aquece-se o produto a 95°C por 2 a 2,5 horas, de acordo com a consistência desejada. Durante todo o processo, um agitador mecânico mantém a homogeneidade do produto e evita o sobreaquecimento. Dessa maneira, concentra-se o produto até 32% de umidade aproximadamente. Inicialmente, trabalha-se com 10 lb/pol2 de vapor em dupla camisa, com o leite sob agitação; deve-se adicionar açúcar assim que o leite começar a espumar (70°C – 75°C). Pode-se utilizar 18-20% de sacarose e glicose para o doce de leite de consistência pastosa e em torno de 30 % para o mais duro (para formar barras). Gradativamente, aumenta-se a pressão até 20 lb/pol2, até o ponto do doce. A adição de aditivos como citrato de sódio (estabilizante), amido ou outros se faz 30 minutos antes do ponto; já a adição de conservantes como sorbato de potássio faz-se alguns minutos antes do ponto.

Resfriamento

O produto é resfriado parcialmente até uma temperatura de 65°C – 70°C, a fim de permitir o envase. O processo de resfriamento pode ser realizado por passagem de água fria pela dupla camisa do tacho.

Envase

De acordo com o que foi anteriormente mencionado, o leite deve ser envasado a temperatura de 65°C – 70°C, em equipamento específico.

Obs.: O rendimento é em torno de 40 % em peso, ou seja, para cada 100 quilos de leite processados obtém-se 40 quilos de doce de leite. A validade do produto é em torno de 90 dias.

7 – Iogurte

O iogurte é um alimento vivo, pois os lactobacilos responsáveis pela fermentação revitalizam o leite. As pesquisas demonstram um grande aumento da capacidade imunológica dos consumidores de iogurte. Algumas apresentam o iogurte como excelente reconstrutor da flora intestinal, após tratamentos com antibióticos. Aquele que consome duas xícaras diárias de iogurte chega a desenvolver cinco vezes mais imunidade. Os lactobacilos são bactérias ferozes contra fungos e outras bactérias patogênicas.

O iogurte é considerado excelente alimento por suas propriedades nutritivas e digestivas. No iogurte a caseína sofre modificação e se torna mais facilmente digerível. Por isso, ele é considerado um alimento pré-digerido. Contém proteínas, gorduras e carboidratos e conserva as mesmas vitaminas e sais minerais do leite, mas é ainda mais digestivo do que este. Além disso, o iogurte possui propriedades anti-sépticas e antibióticas (250 g de iogurte equivalem).

7.1-Fluxograma do Iogurte

7.1.1-Tecnologia de Fabricação do Iogurte

Após a seleção do leite e ajuste do teor de gordura, destiná-lo para iogurteira. Adicionar o estabilizante e acionar o agitador mecânico.

Iniciar o processo de pasteurização que consiste no aquecimento do leite até atingir a temperatura de 85ºC. Ao atingir a temperatura, desligar a fonte de calor (vapor ou gás), manter o agitador acionado marcando o tempo de 15 minutos.

Decorrido o tempo, iniciar o processo de resfriamento do leite até a temperatura de 40 a 42ºC. Adicionar o fermento na dosagem indicada. Envasar os potes, lacrando-os com selo de alumínio.

Incubar em estufa regulada para temperatura de 40ºC. O tempo de fermentação ocorre por um período de 5 a 6 horas findo o qual se verifica a formação de um gel (coalhada), lisa, brilhante e sem desprendimento de soro ou gases.

Retiram-se os potes da estufa e levar-os imediatamente para câmara fria ou freezer refrigerador regulados para se trabalhar com temperatura máxima de 5ºC. Armazenamento em temperatura máxima de 5ºC e validade de até 40 dias.

8 – ANÁLISE DE ACIDEZ DO LEITE

Esta prática tem por objetivo a determinação da qualidade do leite de acordo com a acidez utilizando como unidade de medida graus Dornic.

8.1.1- MATERIAIS E REAGENTES

• 1 pipeta volumétrica de 10 mL 
• 1 erlenmeyer de 50 mL 
• 1 bureta de 10 mL 
• Solução de NaOH 1/9 mol/L (0,111 mol/L), chamada de soda Dornic 
• Amostras de leite de origens ou marcas diferentes 
• Solução alcoólica de fenolftaleína a 2%

8.1.2-CUIDADOS

Evite o contato do NaOH e de sua solução com a sua pele. Caso isto ocorra, lave a região afetada com bastante água.

8.2 – PROCEDIMENTO

Coloque, com o auxílio da pipeta volumétrica, 10,0 mL de leite no erlenmeyer e, após adicione cerca de 20 mL de água e algumas gotas da solução alcoólica de fenolftaleína.

Encha a bureta com a solução de soda Dornic e proceda a titulação do leite até que ele adquira uma coloração rósea persistente por cerca de 1 minuto.

Anote o volume de soda Dornic gasto. Repita este procedimento para as outras amostras de leite.

Sabendo que cada 0,1 mL de soda Dornic gasta, corresponde a uma acidez de um grau Dornic (1°D), calcule a acidez das amostras de leite em graus Dornic e conclua se as amostras são próprias para consumo (acidez entre 16°D e 20°D).

8.2.1-DISCUSSÃO

O leite de vaca é um alimento de alto valor nutritivo, cuja composição aproximada é mostrada abaixo. O leite fresco apresenta acidez devido à presença de caseína, fosfatos, albumina, dióxido de carbono e citratos. Esta acidez natural varia entre 0,13% e 0,17%, expressa como massa de ácido lático (13°D a 17°D). A acidez do leite pode aumentar através da hidrólise da lactose por enzimas microbianas (fermentação), que leva à formação de ácido lático. Se esta acidez desenvolvida for muita elevada, o leite é impróprio para consumo, pois ela indica alta atividade microbiana. Neste experimento, o que se determina é a acidez total do leite.

Nos laticínios, a acidez do leite é expressa em graus Dornic, fazendo a aproximação de que toda ela se deve a ácido lático (CH3CHOHCOOH, M = 90 g/mol). Para 10,0 mL de leite, utiliza-se uma solução de hidróxido de sódio de concentração 1/9 mo/L (0,111 mol/L), tal que cada 0,1 mL desta solução neutraliza o equivalente a 0,0010 g (1,0 mg) de ácido lático. Neste caso, 0,1 mL de soda Dornic gasto na titulação corresponde ao que se denomina de um grau Dornic (1°D); assim, a acidez do leite, em graus Dornic gasto, pode ser calculada através de:

0,1 mL de soda Dornic à1°D

x ml de soda Dornic gasta à y°D

Obs: A acidez do leite decorre da presença de ácidos orgânicos fracos. Portanto, a simples medida do seu pH não permite o cálculo da quantidade de ácido presente.

8.3- PROVÁVEL RESPOSTA À QUESTÃO PRÉVIA

Uso de indicadores ácido-base ou de um medidor de pH: isto só daria uma idéia do pH do leite, sem permitir que se determine a quantidade de ácido presente.

9- CONCLUSÃO

Com este Estágio consegui aprimorar os meus conhecimentos na área de laboratório, coloquei em prática algumas análises como: Análise de Acidez do Leite, Teste de Alizarol e Teste de Umidade. Além de adquirir uma significativa experiência na área de processamento de derivados de Leite.

10- REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Apostila: Processamento de Leite e derivados Técnico João Ferreira Neto

Sites:

http://www.cdcc.sc.usp.br/quimica/experimentos/leite.html

http://www.cpatu.embrapa.br/http://www.ufrgs.br/alimentus/laticinios/doceleitehttp://sentirbem.uol.com.br/index.php?modulo=nutricao_dentro&id=24

Histórias para Desenvolvimento de Roteiros

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Você consegue sentir o calor do sol na sua pele, aquele toque gentil que só o sol das 7 horas da manhã possui o mesmo que ao invés de te maltratar com o seu poder onipresente, parece que lhe acalenta levando calor ao seu corpo… Você pode sentir o cheiro do mar? Aquele barulhinho irresistível que te faz refletir sobre a vida. Então você está preparado para ver a menininha das conchinhas.

Jana havia levantado realmente cedo naquela manhã de quarta feira de cinzas. Algo a deixava inquieta, já fazia meses que essa sensação de tormenta tomava conta de seu ser. Algo na casa estava lhe deixando claustrofóbica então se levantou do colchão onde dormia a pouco, com uma incrível vontade de tomar ar, olhou para o lado na esperança de que alguém na casa já estivesse acordado, mas o que viu e ouviu e viu foi somente o ressonar de todos.

-Era de suspeitar que eles estivessem dormindo ainda, ficaram até tarde ontem na praia aproveitando o ultimo dia de carnaval. -Jana murmura para si mesma. -Afinal que horas são?

Ao falar isso ela olha em direção ao relógio que estava na cozinha e marcava pontualmente 6h45 da manhã.

-Está cedo ainda, o pessoal vai demorar a acordar ainda, acho que uma caminhada na praia me fará bem. – Ao dizer isso Jana sai da sala quase atropelando as pessoas que estavam dormindo em colchões pela casa.

Ao sair da casa ela pode sentir o frescor da manhã e se sentiu renovada com o doce toque que o sol fazia sob sua pele. A caminhada até a praia era curta, mas grande o suficiente para ela poder ver as casas ao longo da rua, e todas davam sinais claros de que moradores ainda dormiam dentro de seus lares. Era estranho, mas ver todos dormindo lhe passava uma incrível sensação de segurança. Coisa que ela estava esquecendo o que era ter.

A praia estava deserta a não ser por uma pequena figura peculiar que vinha andando ao longo da praia, horas pulando algumas ondas, horas parecia pegar algo no chão. E até rodopiava na areia quando o que pegava no chão parecia lhe agradar.

Jana sentou-se na areia da praia e ficou observando a curiosa criatura que se aproximava, e conforme a aproximação mais encantada Jana ficava e o que antes era um ser indefinível pela distancia, revelou-se uma pequena menininha…

-Ora essa o que essa pequena está fazendo aqui ah uma hora dessas? Está muito cedo e sozinha! Francamente…

Inconformada com a situação Jana vai até a pequena, a menina vê a sua aproximação e não liga continua com o seu ritual de brincar com as ondas e pegar umas conchinhas no chão. Conforme Jana se aproximava uma incrível sensação de paz passava pelo seu corpo, e seu coração se enchia de ternura pela pequena menina. Quando ficaram de frente uma para a outra que Jana pode ver claramente.

A menina possuía uma fisionomia de tranqüilidade e esboçava um sorriso tranqüilo no rosto. Parecia que ela não era desse mundo.

-Oi. Quem é você, o que faz sozinha na praia há essas horas cadê seus pais? –Jana pergunta intrigada.

-Eu moro logo ali naquela casa verde, vim aqui colher umas conchinhas para a minha vó, ela está de cama doente… E todos os anos desde que eu nasci a gente vem na manhã depois do carnaval bem cedinho, que é quando o mar está acordando e ele dá para a gente as conchinhas mais bonitas! Acho que ele está triste hoje, não achei conchinhas tão bonitas, e eu queria ver a minha vó feliz, faz tempo que ela não sorri, assim como você parece que não sorri, tem os olhos tristes!

Aquilo a desconcertou, Jana sentiu um nó formar em sua garganta, realmente fazia tempo que não sorria, e não sabia o que era ter paz dentro de si, como que uma pequena podia saber tanto de si só com um olhar?

-Bem já que você não está conseguindo achar as conchinhas, eu te ajudo! –Era estranho se sentir assim disposta para fazer algo, mas parecia que ela tinha uma responsabilidade sobre aquela menininha. E que não poderia deixá-la sozinha.

– Você me ajuda? De verdade!

O rosto da menininha se encheu de alegria, o que contagiou ainda mais Jana.

-Claro, afinal quando estamos procurando algo é sempre bom ter uma ajuda!

E passaram boa parte da manhã juntas, caçando conchinhas. Jana perdeu a noção do tempo perto da pequena, que ria e brincava com a água, e vibrava de felicidade com cada conchinha achada.

Até que ambas decidiram parar um pouco para descansar, Jana deitou na areia e a pequena deitou-se do lado dela. Jana estava tão cansada e se sentindo tão plena e feliz que acabou cochilando da areia, quando acordou a menininha não estava mais lá. Só havia as conchinhas que ambas cataram juntas, do lado dela.

-Meu Deus o que será que aconteceu? Será que a mãe dela veio buscá-la? E ela até esqueceu-se das conchinhas. Bem de qualquer forma vou lá levar para ela. Já que as conchinhas eram tão preciosas.

Chegando à casa verde indicada mais cedo pela menina, o portão estava meio aberto, Mas Jana respeitosamente chamou do lado de fora. E uma mulher aparentando meia idade veio recebê-la.

-Eh, com licença, Por acaso tem uma menininha que mora aqui? Ela estava colhendo umas conchinhas mais cedo e eu acabei cochilando na praia ela havia esquecido as conchinhas do meu lado, e vim trazer para ela, afinal parecia ser muito importante.

Um brilho de lagrima passou pelo rosto da mulher que simplesmente lhe sorriu e pediu para entrar.

-Mas o que houve? Por que você está chorando? – Jana não entendia.

– Tenho algo para te mostrar. – Disse à mulher que agora havia parado de chorar e lhe indicava um caminho pela casa.

-Tudo bem.

-É aqui, venha- A mulher indicou um quarto.

Entrando no quarto ela viu uma senhora com uma idade já avançada e aparentava estar muito doente. Jana ainda segurava as conchinhas em mãos como se a paz que ela havia conseguido naquela manhã dependesse delas.

-Vovó, tem uma pessoa que veio aqui te ver – Disse a mulher.

A velhinha abre os olhos que antes estava fixado na janela e volta para Jana. E percebe as conchinhas na mão da mesma, quando seus olhos pousam sobre as conchinhas um sorriso singelo brota-lhe pelos lábios.

-Vem aqui minha filha, você com certeza não está entendendo nada, mas saiba que você hoje me fez muito feliz. E me trouxe a paz novamente. Tenho uma história para te contar.

Jana foi até a mulher, e da mesma forma que seu coração havia enchido de ternura quando olhou a menininha, ele se encheu novamente quando se sentou na beirada da cama da velha senhora.

– Acho que isso pertence à senhora. – Jana falou meia sem jeito e entregou lhe as conchinhas.

Ao sentar a velha senhora lhe contou a história, de que há não muito tempo ela tinha uma netinha, e ela sempre ia com ela nas quarta feiras de cinzas para pegarem conchinhas no mar, para enfeitar o tumulo dos pais da menina e do avô. A menina era a alegria da casa e da vida da velha senhora, já que ambas haviam sido privadas de parte da companhia da família. Mas á pouco tempo a menina havia também morrido por conta de uma saúde frágil. Isso já ia completar 2 anos. E ela continuou colhendo as conchinhas, mas esse ano ela não pode ir devido a doença, o que a fez sofrer. Mas e pelo visto a netinha dela não se esqueceu.

-Nos-s-as. –Jana estava com a voz embargada. A única coisa que ela conseguiu fazer foi dar uma braço apertado na senhora.

-Muito obrigada por ter me dado essa paz, menina!

-A senhora não sabe como isso, é assustador, e como isso me deu nova disposição para viver novamente… Quem tem o que agradecer sou eu, sua neta me fez voltar a ver a simplicidade nas coisas e me sentir completa sem precisar de muito…

Depois disso Jana fez companhia o resto do dia para a senhora, e o por mais estranho que possa parecer, toda a angustia que antes Jana guardava no peito foi-se embora com um passe de mágica… E durante um bom tempo todas as férias que Jana ia para a Praia ela passava para visitar a senhorinha da casa verde. E todas as quarta feiras de cinzas, Jana passou a fazer o papel da neta da senhora, e ir acompanhá-la a catar as conchinhas.

Quando nosso coração abre espaço para as mudanças, elas irão acontecer, nem que para isso seja preciso que a menina das conchinhas apareça para pular umas ondas do nosso coração e achar a mais bela preciosidade do fundo do mar.

Trustes e Cartéis

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Cartel

As empresas nem sempre apreciam o jogo da livre concorrência. Elas preferem, às vezes, cooperar entre si, combinando preços, restringindo a variedade de produtos e dividindo os mercados para manter suas receitas sempre estáveis.

Quando isso ocorre, está formado um cartel. Muito comum no Brasil entre postos de gasolina.

Cartel é uma forma de oligopólio em que empresas legalmente independentes, atuantes do mesmo setor, promovem acordos entre si para promover o domínio de determinada oferta de bens ou serviços. A forma mais conhecida de cartel é a fixação de preços iguais ou muito semelhantes entre as empresas envolvidas, minimizando as chances da concorrência leal. Por conflito de interesses e por regulação governamental, os cartéis são, geralmente, pouco duradouros. O consumidor é prejudicado com os cartéis, pois seu direito de escolha é restringido.

O setor onde esse tipo de prática é mais visto é o de combustíveis líquidos e obras públicas. O preço do combustível é aumentado em todos os postos com diferenças mínimas de preço e assim o consumidor não tem chances de ir em um posto com preço mais baixo.

Esse tipo de pratica é ilegal e é prevista multa para os praticantes.

Os cartéis se formam através de associações de empresas independentes, que por meio de acordos estabelecem o controle administrativo do mercado, determinando preços e definindo áreas de ação.

Associação entre empresas do mesmo ramo de produção com objetivo de dominar o mercado e disciplinar a concorrência. As partes entram em acordo sobre o preço, que é uniformizado geralmente em nível alto, e quotas de produção são fixadas para as empresas membro. No seu sentido pleno, os cartéis começaram na Alemanha no século XIX e tiveram seu apogeu no período entre as guerras mundiais. Os cartéis prejudicam a economia por impedir o acesso do consumidor à livre-concorrência e beneficiar empresas não-rentáveis. Tendem a durar pouco devido ao conflito de interesses.

Os cartéis distorcem as forças do mercado, conseguem mudar preços. alteram o equilíbrio dos mercados.

Um cartel consiste numa organização de empresas independentes entre si, que produzem o mesmo tipo de bens e que se associam para elevar os preços de venda e limitar a produção. Devido às limitações que provocam na concorrência e conseqüente ineficiências de mercado, este tipo de conluios são proibidos na maioria dos países em que vigora a economia de mercado.

Truste

Esse tipo de ação se configura com a imposição de certas posturas das grandes empresas sobre as concorrentes de menor expressão. As primeiras obrigam as segundas a adotarem políticas de preços semelhantes, caso contrário, podem baixar os preços além dos custos, por exemplo, e forçar uma quebra dos concorrentes. No Brasil, o controle antitruste é feito pela Lei nº 8.884/94.

No Brasil tivemos casos, mas não tão explícitos. Na alimentação por exemplo, a Danone é dona da Paulista, da Poços de Caldas. Já a Unilever é dona das marcas Cica, Arisco e agora temos a Nestlé querendo comprar a Garoto.

Truste é uma forma de oligopólio na qual as empresas envolvidas abrem mão de sua independência legal para constituir uma única organização, com o intuito de dominar determinada oferta de produtos e/ou serviços. Pode-se definir truste também como uma organização empresarial de grande poder de pressão no mercado.

Truste é a expressão utilizada para designar as empresas ou grupos que, sob uma mesma orientação, mas sem perder a autonomia, se reúnem com o objetivo de dominar o mercado e suprimir a livre concorrência.

A expressão é adaptação da expressão em inglês trust, que significa “confiança”.

Os trustes se formam quando grandes empresas incorporam seus concorrentes menores, assumindo o monopólio de determinado ramo de produção.

Reunião de empresas que perdem seu poder individual e o submetem ao controle de um conselho de trustes. Surge uma nova empresa com poder maior de influência sobre o mercado. Geralmente tais organizações formam monopólios.

Os trustes surgiram em 1882 nos EUA, e o temor de que adquirissem poder muito grande e impusessem monopólios muito extensos fez com que logo fossem adotadas leis antitrustes, como a Lei Sherman, aprovada pelos norte-americanos em 1890.

Os trustes, pela união de suas empresas, manipulam o mercado,como bem interessa às empresas que fazem parte.

Truste é definido como sendo um tipo de estrutura de mercado em que várias empresas, já detendo a maior parte de um mercado, combinam-se ou fundem-se para assegurar esse controle estabelecendo preços elevados que lhes garantam altas margens de lucro. Os trustes são proibidos por lei em muitos países.

Bibliografia

www.wikipedia.org.br

www.google.com.br

www.br.aswers.yahoo.com

www.desempregozero.org.br

www.traca.com.br

www.frigoletto.com.br

www.nogueirajr.blogspot.com

Transporte Hidroviário

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Desde os primórdios a utilização do transporte hidroviário é utilizada em todo território nacional. Este meio de transporte tem um custo operacional bem mais baixo que os outros veículos de transporte, todavia mesmo com toda extensão fluvial, esse veículo de transporte é mal utilizado em toda bacia hidrográfica. Em sua forma majoritária o transporte hidroviário é utilizado para a locomoção de cargas volumosas, produtos de baixo valor em relação ao peso. Tratando-se do Brasil temos uma faixa costeira de 8.698 km de extensão, 50.000 Km de rios navegáveis e cerca de 98% do comércio exterior brasileiro circula por meio de nossos portos, movimentando recursos de aproximadamente U$ 100 bilhões por ano, deixando claro, a significativa importância da atividade para a economia brasileira. (CNT,2009)
A crise financeira mundial abarcou as principais economias mundiais em 2008, com retração dos mercados, reduziu os fluxos de comércio entre as nações, repercutindo nas operações portuárias. Este impacto teve seu efeito notório nos últimos meses do ano, quando os volumes de exportação e de importação apresentaram decréscimo em relação à expansão verificada até o mês de outubro. Esta crise gerou redução dos preços internacionais de commodities agrícolas e minerais, da demanda por bens e serviços e a diminuição dos fluxos de carga.
A Agência Nacional de Transporte Aquaviários em pesquisa relatou que os portos brasileiros sofreram um reflexo direto desse comportamento financeiro e econômico mundial, a movimentação de cargas vinha apresentando um crescimento forte até agosto, quando então, em função dos acontecimentos. Essa movimentação foi decrescendo significativamente, o suficiente para anular o bom desempenho obtido inicialmente. Como mais de 95% de todo comércio exterior passa pelos portos, com a retração econômica que se observou no último trimestre de 2008 em todo mundo, era previsível que houvesse reflexos no desempenho portuário brasileiro. (ANTAQ, 2009)
No conjunto destas instalações portuárias, em 2007 foram movimentadas 768 milhões de toneladas de carga, o equivalente a 95% dos fluxos de comércio exterior do Brasil com os mercados internacionais. Por esta razão os portos e terminais são considerados estratégicos para o país, porque sustentam as interconexões modais do sistema viário nacional, exercem papel de indutores do desenvolvimento e permitem as ligações com outros portos nacionais, marítimos e interiores.
Os dados e informações divulgadas neste Anuário Estatístico PortuárioAEP reúnem o resultado das operações de carregamento e descarga dos navios e embarcações, com os quantitativos demonstrando os reflexos desta crise financeira mundial na corrente de comércio do Brasil com o mundo exterior. Considerando a dinâmica do processo de coleta das informações e dados estatísticos da movimentação portuária, registra-se o acréscimo de mais quinze novos terminais privativos, que iniciaram suas operações ou começaram o envio regular de suas estatísticas em 2008 para a base de dados da ANTAQ. O volume de carga destes terminais alcançou 16,5 milhões de toneladas neste ano, o que equivale a 2,1% em relação ao total movimentado nos portos e terminais. Portanto, os impactos deste acréscimo nas análises sobre o comportamento da movimentação verificada no conjunto das instalações portuárias são de pequena monta, não comprometendo as conclusões inferidas.
Levando-se em conta apenas os portos e terminais constantes no Anuário Estatístico Portuário – AEP de 2007, houve uma redução de 0,4% na movimentação total de cargas no país, resultado este justificado, em grande parte, pela crise ocorrida no último trimestre de 2008. Todavia, os resultados apurados no AEP de 2008 mostram um acréscimo em relação a 2007 da ordem de 1,8%. Esse aumento deve-se à inclusão dos novos terminais nas estatísticas de 2008, bem como, a crescimentos isolados verificados em alguns portos.
Segundo Ministério dos transportes, neste ano verificou-se que na composição estrutural, a maior parcela desta movimentação de carga foi do granel sólido, com 60%, seguida do granel líquido, com 25%, e o restante foi movimentado como carga geral, com 15%. Do volume de carga geral, 62% foi acondicionado em contêineres. Em relação à distribuição espacial2 desta movimentação de carga, observa-se que em relação ao granel sólido, houve concentração desta movimentação nos portos de Itaqui e Tubarão que juntos representam 43% do total. Nestas instalações é movimentado minério de ferro.
No granel líquido, a maior concentração deu-se nos portos de São Sebastião, Aratu e Angra dos Reis, que conjuntamente respondem por cerca de 54% do total movimentado, notadamente em função das cargas de combustíveis, óleos minerais, e de produtos químicos orgânicos. Já a carga geral teve sua concentração no porto de Santos, que isoladamente concentrou 29% da carga movimentada, sendo 29 milhões de toneladas movimentadas em contêineres.
Quanto à dinâmica do movimento de embarcações, do total de 43.846 atracações realizadas em 2008, 46,5% operou no longo curso, 29% na cabotagem, e, 24,5% em outras navegações, incluída a navegação interior. Destaca-se o número de atracações ocorrido no porto de Santos nas operações de longo curso, 29%, enquanto que na cabotagem, também o porto santista juntamente com o porto de Vitória (ES), concentraram cerca de 41% das atracações desta modalidade.
Considerando a evolução da movimentação portuária entre 2007 e 2008, dos Portos Organizados e dos Terminais de Uso Privativos – TUP, os portos organizados tiveram, em números gerais, um decréscimo em seu volume de movimentação na ordem de 1,8%. Já os TUP apresentaram crescimento da ordem de 3,8%, salientando, porém, que este crescimento recebeu reflexos decorrentes do acréscimo dos terminais que foram inclusos nas estatísticas deste ano.
Quanto à evolução anual em relação à natureza da carga, o maior destaque do ano foi a movimentação de carga geral, que teve um incremento superior a 12%, superando a marca de 115 milhões de toneladas. Já com relação aos granéis, estes praticamente mantiveram sua movimentação próxima às quantidades de 2007, comportamento que pode ser atribuído, em parte, à retração do mercado internacional do minério de ferro, decorrente dos reflexos da crise financeira mundial.
Em relação às modalidade de transporte das cargas, foi mantida a predominância da navegação de longo curso, que com 568 milhões de toneladas representou 74% do total movimentado, enquanto que na navegação de cabotagem a porcentagem foi de 22%. A movimentação de contêineres nos portos e terminais, apesar da crise, cresceu sob a ótica anual. Em 2008 foram movimentados 7 milhões de TEU, aproximadamente, 6,7% a mais do que em 2007. Deste total, o porto de Santos concentrou 38,2%, seguido dos portos de Rio Grande (8,6%) e Paranaguá (8,5%). O Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes constatou aumento de 2,5% na quantidade movimentada deste tipo de acondicionamento de carga, na navegação de longo curso, a partir dos portos organizados. Por outro lado, para os mesmos portos, observou aumento da ordem de 28% no fluxo deste tipo de carga na navegação de cabotagem. (DNIT,2009) .
Em 2008 a movimentação das principais mercadorias nos portos organizados e terminais privativos teve no minério de ferro a sua maior concentração, respondendo por 36,5% dos 767 milhões de toneladas. Na sequencia surgem os combustíveis, óleos minerais (petróleo e seus derivados) e outros produtos com 19,1%. A soja em grãos e o farelo de soja, juntos, movimentaram o equivalente a 42 milhões de toneladas, correspondendo a 5,5% do total. (DNIT,2009) .
Em termos de toneladas movimentadas, a corrente de comércio brasileiro que se utilizou dos portos e terminais em 2008, na importação e exportação de mercadorias, alcançou o volume de 568 milhões. Entre 2008 e 2007 este crescimento foi da ordem de 1,6%.No balanço, verifica-se que os fluxos de exportação atingiram 454 milhões, apresentando superávit da ordem de 339 milhões de toneladas. As importações apresentaram crescimento de 3% em relação a 2007, superior ao índice registrado nas exportações de 1,3% neste mesmo período.
Entre 2004 e 2008, constata-se que o crescimento médio anual dos fluxos de comércio exterior situou-se em 7,2 a.a., com as exportações evoluindo à ordem de 7,6% a.a., e as importações apresentando variações anuais em torno de 5,5%. Registra-se que houve maior incremento nas quantidades entre 2006 e 2007, quando se obteve acréscimo de 10%, impulsionado pelas importações, que situaram em 19%. Entretanto, considerando a variação entre 2007 e 2008, embora o crescimento médio anual desde 2003 tenha situado em torno de 7%, a tonelagem do comércio exterior brasileiro registrada na movimentação portuária reduziu para menos de 2%. Pode-se atribuir este fato aos reflexos da crise financeira internacional, acentuados no 2º semestre de 2008.
Para tal, faz-se necessário uma construção de uma infra-estrutura de vulto que envolve a abertura de canais para ligação das vias fluviais naturais, a adaptação dos leitos dos rios para a profundidade necessária ao calado das embarcações, a correção do curso fluvial. Por meio de conexão com outras redes, como a ferroviária ou rodoviária, e um complexo sistema de conservação de todo o conjunto. Os custos dos investimentos e manutenção da infra-estrutura, no entanto, são rapidamente recuperados pela ampla rentabilidade desse modo de transporte, existente em todos os países de economia avançada.
Depois das grandes descobertas marítimas houve uma evolução que seguiu os progressos tecnológicos e científicos, ocorreram mudanças sociais e nas demandas dos mercados. Mas no século XX este mercado começou a perder terreno para o transporte aéreo, mas teve sua perda compensada pelo avanço do transporte marítimo de carga. As vias marítimas são favoráveis ao transporte de cargas de grande tonelagem a grandes distâncias. Em geral, seus custos são de cinco a dez vezes menores do que os dos transportes interiores. O transporte marítimo é o principal meio de deslocamento de carga pesada a longas distâncias.
Alguns fatores destacam-se na repercussão do transporte marítimo:
Substituição do carvão pelo petróleo (como combustível);
Adaptação dos navios aos diferentes tipos de cargas (gases, petróleo, químicos corrosivos, veículos, etc.);
Tonelagem dos navios (12.000t dos primitivos petroleiros às 500.000t dos superpetroleiros);
Criação da turbina
Containeres
Integração entre o transporte marítimo com o rodoviário

2. Instituto de Pesquisas Hidroviárias – INPH

O Instituto de Pesquisas Hidroviárias-INPH Iniciou sua atividades em setembro de 1959 com a denominação de Laboratório de Hidráulica Experimental, na época do Departamento Nacional de Portos, Rios e Canais – DNPRC, com assistência técnica francesa do Sogreah/Neyrpic. Transformou-se em Instituto de Pesquisas a partir de 1963, vinculado ao Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis- DNPVN. Entre 1976 a 1990 integrou a estrutura da Empresa de Portos do Brasil- Portrobrás. Desde 1990 integra a estrutura da Companhia Docas do Rio de Janeiro- CDRJ, onde mantém as responsabilidades de desenvolver, em âmbito nacional, a pesquisa hidroviária. Único em seu gênero no Brasil, face à abrangência de suas atribuições, atividades e área de atuação. 
O Instituto desenvolve em âmbito nacional as atividades de pesquisas hidráulicas, serviços técnicos e consultoria em engenharia portuária, costeira, fluvial ,ambiental e serviços de dragagens de modo a promover o desenvolvimento e a modernização do país.

O Instituto mantém vínculos, através de projetos de Cooperação e Intercâmbio Técnico, com entidades federais, estaduais, municipais e com empresas privadas nacionais e internacionais, no âmbito de suas atividades, nas diversas áreas de atuação.
É de competência do INPH o desenvolvimento das atividades de estudos, levantamento de dados na natureza, projetos, pesquisas nas áreas: fluvial, marítima, estudos costeiros, ambientais, portuários. O INPH presta serviços técnicos a terceiros e estimula as atividades de pesquisa nas áreas da sua competência. 
O INPH realiza e acompanha trabalhos nas seguintes áreas de atuação: 
Hidráulica Marítima: Refração e difração de ondas monocromáticas, movimentação de material sólido, incluindo análise dos sedimentos, análise espectral, séries históricas da agitação marítima, determinação da onda de projeto, determinação da cunha salina e circulação d’água em estuários, estudo de baías e lagoas costeiras e clima de ondas do litoral. 
Hidráulica Fluvial & Lacustre: Estabilidade de barragens, canais, vertedores e tomadas d’água, transporte de sedimentos em rios e canais, incluindo aná­lise de sedimentos, fixação e manutenção de rios e canais, sedimentação em hidrovias e canais, circulação d’água em rios e canais, 
Obras Portuárias: Implantação de terminais offshore, agitação em portos, movimentação de navios e esforços em amarras e defensas, otimização de layout em portos marítimos e fluviais, pressão. esforços e momento hidráulico em estruturas portuárias, transporte de sedimentos em áreas portuárias, sedimentação em bacias portuárias e canais de navegação com análise dos sedimentos. 
Estudos Costeiros e Offshore: Proteção e recuperação de praias, erosão costeira. estabilidade de estruturas marítimas (quebra­mares, molhes, espigões e plataformas), fixação e manutenção de barras e canais de acesso, implantação de marinas, proteção de tubulações com zonas de arrebentação e processos estuarinos.
Estudos Portuários: As principais atividades dentro da área de estudos portuários estão sintetizados nos serviços realizados nos locais abaixo:

3. Estrutura da Navegação Marítima e suas Competências

Superintendência de Navegação Marítima e de Apoio (SNM)
Competência:

I – supervisionar, orientar e coordenar as ações das gerências que lhe forem subordinadas;
II – acompanhar os resultados das políticas de marinha mercante e a qualidade da prestação dos serviços de navegação e do transporte aquaviário, no âmbito da navegação marítima e de apoio;
III – promover a integração com outros órgãos e autoridades relacionadas com a atividade de marinha mercante, no âmbito da navegação marítima e de apoio, e com a defesa da ordem econômica;
IV – elaborar proposta para o plano geral de outorgas para prestação de serviços de transporte aquaviário de carga na navegação marítima e de apoio;
V – supervisionar a atuação das empresas de navegação marítima e de apoio;
VI – autorizar a liberação de afretamento de embarcações estrangeiras e de cargas prescritas à bandeira brasileira, no âmbito da navegação marítima e de apoio;
VII – homologar acordos operacionais, no âmbito da navegação marítima e de apoio;
VIII – atuar na defesa dos direitos dos usuários dos serviços de transporte aquaviário na navegação marítima e de apoio;
IX – propor a aplicação de penalidades e aplicar penalidades no âmbito de suas competências e bem assim julgar os recursos impetrados contra decisões das instâncias inferiores que aplicarem penalidades no âmbito de suas competências;
X – estabelecer relação permanente com o sistema de arrecadação do Adicional ao Frete para a Renovação da Marinha Mercante-AFRMM, para a transferência das informações sobre as empresas de navegação, afretamentos, inclusão de embarcação estrangeira, inclusão de portos, NVOCC e acordos operacionais, necessários à operação daquele sistema;
XI – estabelecer as diretrizes para a execução da fiscalização pelas Unidades Administrativas Regionais, no âmbito da navegação marítima e de apoio;
XII – consolidar o Plano Anual de Fiscalização, elaborado pelas Unidades Administrativas Regionais, no âmbito da Navegação Marítima e de Apoio;
XIII – supervisionar e acompanhar as ações de fiscalização das Unidades Administrativas Regionais, no âmbito da Navegação Marítima e de Apoio;
XIV – informar ao tribunal marítimo o cumprimento da legislação sobre afretamento a casco nu de embarcação com suspensão de bandeira no Registro Especial Brasileira- REB.

Gerência de Outorga da Navegação Marítima e de Apoio (GOM)
Competência:

I – analisar as solicitações de autorização e de extinção de autorização para a prestação de serviços de transporte aquaviário na navegação marítima e de apoio;
II – manter cadastro sobre as outorgas de autorização emitidas às empresas de navegação marítima e de apoio;
III – analisar o cumprimento das condições exigidas em legislação própria para o deferimento e bem assim para a fruição das outorgas de autorização para navegação marítima e de apoio.

Gerência de Afretamento da Navegação Marítima e de Apoio (GAM)
Competência:

I – analisar e processar, no âmbito da navegação marítima e de apoio, os pedidos de autorização e registro de afretamento de embarcações e o acompanhamento destas no tráfego;
II – analisar e processar, no âmbito da navegação marítima e de apoio, os pedidos de liberação de cargas prescritas à bandeira brasileira;
III – analisar, registrar e promover a inclusão de embarcações nos acordos operacionais;
IV – analisar, processar e preparar informação ao Tribunal Marítimo do cumprimento da legislação sobre afretamento a casco nu de embarcação com suspensão de bandeira no Registro Especial Brasileiro-REB;
V – propor a aplicação de penalidades e aplicar penalidades no âmbito de suas competências;
VI – acompanhar, no âmbito da navegação marítima e de apoio, o cumprimento das condições exigidas para as autorizações de afretamento e liberações de cargas prescritas à bandeira brasileira;
VII – analisar e processar os pedidos de homologação dos acordos operacionais, no âmbito da navegação marítima e de apoio, acompanhando a operação das empresas participantes;
VIII – Atualizar as informações no Sistema de Arrecadação do Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante-AFRMM sobre as empresas de navegação, afretamento, acordos operacionais, acordos internacionais, embarcações estrangeiras, portos e NVOCC;
IX – analisar e subsidiar respostas sobre a legislação pertinente à sua esfera de atuação;

Gerência de Desenvolvimento e Regulação da Navegação Marítima e de Apoio (GDM)
Competência:

I – analisar o desempenho das empresas brasileiras de navegação marítima e de apoio;
II – acompanhar, no âmbito da navegação marítima e de apoio, a utilização e o desempenho da frota brasileira nos diferentes tráfegos;
III – acompanhar, no âmbito da navegação marítima e de apoio, os fretes praticados nos mercados nacional e internacional e as transferências financeiras resultantes dos afretamentos de embarcações estrangeiras;
IV – analisar o cumprimento das regras e padrões de competição entre as empresas de navegação marítima e de apoio;
V – elaborar estudos referentes à participação da frota brasileira e à prática de afretamentos de embarcações, para subsidiar a política de apoio à indústria de construção naval e de afretamento de embarcações estrangeiras, no âmbito da navegação marítima e de apoio;
VI – elaborar estudos relativos ao transporte aquaviário na navegação marítima e de apoio e relacionados à política de marinha mercante;
VII – elaborar e propor normas e padrões técnicos relativos aos serviços e ao transporte aquaviário na navegação marítima e de apoio;
VIII – acompanhar e analisar atos e legislação referentes ao transporte aquaviário marítimo e ao comércio exterior, e acompanhar a legislação internacional pertinente;
IX – credenciar e descredenciar as empresas brasileiras de navegação marítima e de apoio em área de tráfego de acordo bilateral de divisão de cargas, emitindo comunicado aos setores envolvidos e às autoridades marítimas dos acordos;
X – acompanhar as prerrogativas específicas do Comando da Marinha relativas à marinha mercante, no âmbito da navegação marítima e de apoio;
XI – manter atualizadas as informações sobre medidas de apoio praticadas pelos países a suas respectivas bandeiras;
XII – analisar, manter registro e acompanhar os acordos internacionais.

Gerência de Fiscalização da Navegação Marítima e de Apoio (GFM)
Competência:

I – fiscalizar no âmbito da navegação marítima e de apoio, o cumprimento das condições exigidas para as autorizações de afretamento e liberações de cargas prescritas à bandeira brasileira;
II – fiscalizar a prestação dos serviços de transporte aquaviário na navegação marítima e de apoio;
III – fiscalizar a operação de empresas estrangeiras que atuam na navegação marítima no país, em função da legislação, convenções, tratados, acordos e outros instrumentos internacionais dos quais o Brasil seja signatário;
IV – analisar a proposta do Plano Anual de Fiscalização, elaborado pelas Unidades Administrativas Regionais, no âmbito de suas competências;
V – propor a aplicação de penalidades e aplicar penalidades no âmbito de suas competências;
VI – acompanhar a execução do Plano Anual de Fiscalização, pelas Unidades Administrativas Regionais, no âmbito de suas competências;
VII – acompanhar e apoiar as ações de Fiscalização das Unidades Administrativas Regionais, no âmbito de suas competências;
VIII – estabelecer os procedimentos de fiscalização;
IX – instaurar processo de procedimento de fiscalização;
X – propor a instauração de processo administrativo contencioso;
XI – acompanhar os procedimentos de fiscalização e processos administrativos contenciosos instaurados;
XII – manter cadastro da frota de embarcação de registro nacional, das navegações marítima e de apoio;
XIII – propor as diretrizes para a execução da fiscalização pelas Unidades Administrativas Regionais, no âmbito de suas competências.

4. Portos do Rio de Janeiro

Origem

O aumento das exportações de café do Vale do Paraíba, então realizadas no local com o
auxílio de chatas como transporte intermediário até os navios, a partir de 1923, tornou necessária
a construção de instalações para embarques em Angra dos Reis. O governo do estado do Rio de
Janeiro obteve a concessão para exploração do porto através do Decreto nº 16.961, de 24 de
junho de 1925, começando a sua implantação durante o ano de 1927.
Com apenas parte das obras concluídas, as operações foram iniciadas em 14 de maio de
1932, com os objetivos modificados. Assim, na ocasião, as movimentações principais consistiam
em importações de carvão e madeira. Desde 1970 o porto passou a ser prioritariamente
exportador de produtos da Companhia Siderúrgica Nacional e importador de trigo. O Decreto nº
77.534, de 30 de abril de 1976, extinguiu a concessão outorgada ao governo estadual, passando
a administração à Companhia Docas do Rio de Janeiro. Em 5/11/98, o porto foi totalmente
arrendado, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, para o consórcio Angraporto, constituído pelos
seus principais usuários, sob a Autoridade Portuária – Companhia Docas do Rio de Janeiro
(CDRJ), por 25 anos.

Administração e Localização

O porto é administrado pelo consórcio Angraporto e está localizado no município de Angra
dos Reis, na Baía da Ilha Grande, no litoral sul do Estado do Rio de Janeiro.
Área do Porto Organizado
Conforme a Portaria-MT nº 1.037, de 20/12/93 (D.O.U. de 22/12/93), a área do porto
organizado de Angra dos Reis, no estado do Rio de Janeiro, é constituída:
a) pelas instalações portuárias terrestres existentes na cidade de Angra dos Reis, na Baía
da Ilha Grande, localizadas entre a extremidade norte da enseada de São Bento e a extremidade
sul da enseada de Santa Luzia, abrangendo todos os cais, docas, pontes e píeres de atracação e
de acostagem, armazéns, edificações em geral e vias internas de circulação rodoviária e
ferroviária e ainda os terrenos ao longo dessas áreas e em suas adjacências pertencentes à
União, incorporados ou não ao patrimônio do porto de Angra dos Reis ou sob sua guarda e
responsabilidade;
b) pela infra-estrutura de proteção e acessos aquaviários, compreendendo as áreas de
fundeio, bacias de evolução, canal de acesso e áreas adjacentes a esse até as margens das
instalações terrestres do porto organizado, conforme definido no item “a” acima, existentes ou que
venham a ser construídas e mantidas pela Administração do Porto ou por outro órgão do poder
público.

Instalações

São constituídas por um cais acostável em forma de pier, com 400m de comprimento e uma bacia
de evolução com 320m de largura, dispondo de dois berços de atracação com profundidade de
10m e capacidade para receber navios de até 29.000 TPB. O Porto de Angra dos Reis dispõe,
também, de três armazéns para carga geral com 5.475m², uma área de 150.000m² de pátio a céu
aberto, para depósito de carga geral e produtos siderúrgicos, e um silo vertical, para trigo, com
11.000t de capacidade estática.

Origem

O início da sua implantação data de 1924. O Decreto nº 16.861, de 26 de novembro de
1924, autorizou ao empresário Miguel Couto Filho a construção e exploração do porto e
de uma linha férrea ligando-o às Salinas Perynas e à malha ferroviária do estado. Pelo
Decreto nº 18.943, de 11 de outubro de 1929, a concessão das instalações portuárias foi
assumida pela Companhia Melhoramentos de Cabo Frio, sendo posteriormente rescindida
pelo Decreto nº 2.607, de 30 de abril de 1938. Pelo Decreto nº 2.917, de 1º de agosto de
1938, a Companhia Nacional de Álcalis foi autorizada a operar o porto.
A inauguração do porto organizado ocorreu somente em 24 de agosto de 1972, com a
conclusão do molhe de abrigo e da pavimentação do pátio de estocagem, passando a ser
operado pelo Departamento Nacional de Portos e Vias Navegáveis, do Ministério dos
Transportes. Posteriormente o porto foi integrado ao complexo portuário da Companhia
Docas do Rio de Janeiro (CDRJ).
Por meio do Convênio 001/99/MT, entre o Ministério dos Transportes e a prefeitura do
município de Arraial do Cabo, a partir de 1/1/99, o porto passou a ser administrado pela
Companhia Municipal de Administração Portuária (Comap), criada pelo município
especialmente com essa finalidade.

Administração e Localização

O porto é administrado pela Companhia Municipal de Administração Portuária (Comap) do
município de Arraial do Cabo.
Localiza-se na extremidade norte da Praia dos Anjos, junto ao Morro da Fortaleza, no
município de Arraial do Cabo, na parte sudeste, no litoral do estado do Rio de Janeiro.

Área do Porto Organizado

Conforme a Portaria-MT nº 1.035, de 20/12/93 (D.O.U. de 22/12/93), a área do porto
organizado de Forno, no estado do Rio de Janeiro, é constituída:
a) pelas instalações portuárias terrestres existentes na cidade de Arraial do Cabo,
compreendidas entre o alinhamento do último prédio da rua Santa Cruz até o
enraizamento do quebra-mar de abrigo do porto, abrangendo todos os cais, docas,
pontes e píeres de atracação e de acostagem, armazéns, edificações em geral e vias
internas de circulação rodoviária e ferroviária e ainda os terrenos ao longo dessas
áreas e em suas adjacências pertencentes à União, incorporados ou não ao patrimônio
do porto de Forno ou sob sua guarda e responsabilidade;
b) pela infra-estrutura de proteção e acessos aquaviários, compreendendo as áreas de
fundeio, bacias de evolução, canal de acesso e áreas adjacentes a esse até as
margens das instalações terrestres do porto organizado, conforme definido no item “a”
acima, existentes ou que venham a ser construídas e mantidas pela Administração do
Porto ou por outro órgão do poder público.
Instalações
Compreendem um cais comercial com 200 m de comprimento e um cais de 100 m, sobre
3 dolfins, para atracação de petroleiros, ambos com profundidade de 11 m. Dispõem de
dois pátios de estocagem descobertos, com área total de 18.200 m2, destinados a granéis
sólidos.

Origem

Em 1973, o governo do então estado da Guanabara promoveu estudos para a implantação do
porto de Sepetiba, destinado a atender, principalmente, ao complexo industrial de Santa
Cruz (RJ). Com a fusão dos estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, em 15 de março de 1975,
a implantação do porto ficou a cargo da Companhia Docas do Rio de Janeiro. As obras de
construção do píer foram iniciadas em 1976, seguidas em 1977 pela dragagem, enrocamento e
aterro hidráulico. O porto foi inaugurado em 7 de maio de 1982.
A partir de 24 de novembro de 2005, de acordo com a Lei nº 11.200 (D.O.U. 25/11/2005), o Porto
de Sepetiba passou a ser chamado de Porto de Itaguaí.

Administração e Localização

O porto é administrado pela Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ).
Está localizado na costa norte da baía de Sepetiba, no município de Itaguaí, Estado do Rio de
Janeiro, ao sul e a leste da Ilha da Madeira.

Área do Porto Organizado

Conforme a Portaria-MT nº 603, de 3/11/94 (D.O.U. de 4/11/94), a área do porto organizado de
Itaguaí, no estado do Rio de Janeiro, é constituída:
a) pelas instalações portuárias terrestres existentes na baía de Sepetiba, delimitadas
pela poligonal definida pelos vértices de coordenadas geográficas a seguir indicados: Ponto A:
latitude 22º52’00″S, longitude 43º52’00″W; Ponto B: latitude 22º52’00″S, longitude
43º48’00″W; Ponto C: latitude 22º57’00″S, longitude 43º48’00″W; e Ponto D: latitude
22º57’00″S e longitude 43º52’00″W; abrangendo todos os cais, docas, pontes e píeres de
atracação e de acostagem, armazéns, edificações em geral e vias internas de circulação
rodoviária e ferroviária e ainda os terrenos ao longo dessas áreas e em suas adjacências
pertencentes à União, incorporados ou não ao patrimônio do porto de Sepetiba ou sob sua
guarda e responsabilidade;
b) pela infra-estrutura de proteção e acessos aquaviários, compreendendo as áreas de fundeio,
bacias de evolução, canal de acesso e áreas adjacentes a esse até as margens das
instalações terrestres do porto organizado, conforme definido no item “a” acima, existentes ou
que venham a ser construídas e mantidas pela Administração do Porto ou por outro órgão do
poder público.

Instalações

O cais de uso público está dividido em trechos arrendados:
Cais de Multiuso: Com 810m de comprimento, faixa de 32m de largura, retroárea de 200.000m²
e dotado de três berços de atracação, sendo um deles descontínuo, em dolfins, todos com
270m de comprimento e 14,5m de profundidade.
Pier de Carvão: Com 540m de comprimento, 39,25m de largura, dotado de dois berços de
atracação em cada face e profundidade de 15m, no lado sul, e 12m, na face norte. Dispõe de
condições para receber, simultaneamente, dois navios de 90.000 TPB e dois navios de 45.000
TPB.
Pier de Minérios: Dotado de berço de atracação descontínuo, em dolfins, medindo 320m de
comprimento, para atracação de navios com capacidade de até 280.000 TPB.
Terminal de Alumina: Compreende dois silos verticais, para alumina, com um total de 3.508m²,
correspondendo a uma capacidade estática total de 30.630t.
Pátios de Carvão: Consistem de cinco pátios descobertos, utilizados para estocagem de carvão
metalúrgico e coque, somando 177.000m² de área e capacidade estática de 750.000t.
Pátios de Minério: Consistem de quatro pátios de estocagem, com capacidade total de
1.500.000t.
Pátio de Uso Múltiplo: Área pavimentada com 200.000m² e armazéns cobertos para
consolidação de carga e produtos siderúrgicos.
Terminais arrendados ao longo do cais público:
Terminal de Carvão TCV, da Companhia Siderúrgica Nacional S/A.; Terminal de Contêineres
TCS, da Sepetiba Tecon S/A.; Terminal de Minério da CPBS Companhia Portuária Baía de
Sepetiba S/A. – CVRD; Terminal de Alumina TAL, da Valesul Alumínio S/A.
Terminal de uso privativo.
Terminal da Ilha Guaíba, C.A. nº 006/93
Empresa: Minerações Brasileiras Reunidas S/A. – MBR (Mangaratiba-RJ) da CVRD.

Origem

O governo federal, pelo Decreto nº 16.962, de 24 de junho de 1925, concedeu ao Estado
do Rio de Janeiro autorização para construir e explorar comercialmente o porto de Niterói.
O desenvolvimento das primeiras instalações compreendeu um trecho de 100 m de cais e
um armazém para carga geral. Administrado a partir de 1960 pelo Departamento de
Portos e Navegação do governo estadual, teve a concessão extinta pelo Decreto nº
77.534, de 30 de abril de 1976, ficando sob a gestão da Empresa de Portos do Brasil S.A.
(Portobrás), extinta em 1990. Atualmente o porto está integrado ao complexo portuário da
Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ).
Administração e Localização
O porto é administrado pela Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ), e localiza-se
na costa leste da baía de Guanabara, na cidade de Niterói, no Estado do Rio de Janeiro.

Área do Porto Organizado

Conforme a Portaria-MT nº 1.036, de 20/12/93 (D.O.U. de 22/12/93), a área do porto
organizado de Niterói, no estado do Rio de Janeiro, é constituída:
a) pelas instalações portuárias terrestres existentes no município de Niterói, na costa leste
da baía de Guanabara, desde a extremidade sul da enseada de São Lourenço até
junto ao primeiro acesso da ponte Costa e Silva que se liga ao centro da cidade de
Niterói, abrangendo todos os cais, docas, pontes e píeres de atracação e de
acostagem, armazéns, edificações em geral e vias internas de circulação rodoviária e
ferroviária e ainda os terrenos ao longo dessas áreas e em suas adjacências
pertencentes à União, incorporados ou não ao patrimônio do porto de Niterói ou sob
sua guarda e responsabilidade;
b) pela infra-estrutura de proteção e acessos aquaviários, compreendendo as áreas de
fundeio, bacias de evolução, canal de acesso e áreas adjacentes a esse até as
margens das instalações terrestres do porto organizado, conforme definido no item “a”
acima, existentes ou que venham a ser construídas e mantidas pela Administração do
Porto ou por outro órgão do poder público.

Instalações

O cais comercial com 431m de extensão dispõem de três berços de atracação com
profundidades variando entre 3 m e 6 m. Possui dois armazéns, cuja área total é de 3.300
m², com capacidade de 12.000 t e conta, ainda, com dois pátios descobertos totalizando
3.584 m².

Origem

Na década de 1870, com a construção da doca da Alfândega, surgiram os primeiros
projetos para o desenvolvimento do porto do Rio de Janeiro, que então funcionava por
meio de instalações dispersas, compreendendo os trapiches da Estrada de Ferro Central
do Brasil, da Ilha dos Ferreiros, da enseada de São Cristóvão, da praça Mauá e os cais
Dom Pedro II, da Saúde, do Moinho Inglês e da Gamboa.
Os decretos nº 849, de 11 de outubro de 1890, e nº 3.295, de 23 de maio de 1890,
autorizaram, respectivamente, à Empresa Industrial de Melhoramentos do Brasil e a The
Rio de Janeiro Harbour and Docks, a construção de um conjunto de cais acostáveis,
armazéns e alpendres. No primeiro caso, entre a Ilha das Cobras e o Arsenal de Marinha
e, no segundo, desde o Arsenal de Marinha até a Ponta do Caju. Em seqüência, o
governo federal contratou obras de melhoramentos com a firma C.H. Walker & Co. Ltd.,
em 24 de setembro de 1903, que consistiam na construção, principalmente, de 3.500m de
cais. Posteriormente, foram implantados o Cais da Gamboa e sete armazéns.
A inauguração oficial do porto ocorreu em 20 de julho de 1910, passando a ser
administrado por Demart & Cia. (1910), Compagnie du Port de Rio de Janeiro (1911 a 1922) e
Companhia Brasileira de Exploração de Portos (1923 a 1933). Pela Lei nº 190, de 16 de
janeiro de 1936, foi constituído o órgão federal autônomo denominado Administração do
Porto do Rio de Janeiro, que recebeu as instalações em transferência ficando
subordinado ao Departamento Nacional de Portos e Navegação, do Ministério da Viação e
Obras Públicas.
Mais tarde, o Decreto nº 72.439, de 9 de julho de 1973, aprovou a criação da Companhia
Docas da Guanabara, atualmente Companhia Docas do Rio de Janeiro.

Administração e Localização

O porto é administrado pela Companhia Docas do Rio de Janeiro (CDRJ).
Localiza-se na costa oeste da Baía de Guanabara, na cidade do Rio de Janeiro (RJ).
Área do Porto Organizado
O Decreto Nº 4.554, de 27 de dezembro de 2002, publicado no D.O.U. de 30 de
dezembro de 2002, estabeleceu a nova, área do porto organizado, do porto do Rio de
Janeiro RJ.

Instalações

Existem 6.740m de cais contínuo e um cais de 883 m, compondo os seguintes trechos:
Pier Mauá: consiste no cais, acostável nos dois lados, contendo 5 berços, com
profundidades de 7 m a 10 m. Sua superfície total é de 38.512 m².
Cais da Gamboa: principia junto ao cais Mauá e se prolonga até o Canal do Mangue,
numa extensão de 3.150 m, compreendendo 20 berços, com profundidades que variam
de 7 m a 10 m. É atendido por 18 armazéns, sendo um frigorífico para 15.200 t,
totalizando 60.000 m2. Uma área de 16.000 m2 de pátios serve para armazenagem a
céu aberto.
Cais de São Cristóvão: com 6 berços distribuídos em 1.525 m, com profundidades
variando de 6 m a 8,5 m. Possui dois armazéns perfazendo 12.100 m2 e uma área de
pátios descobertos com 23.000 m2.
Cais do Caju/Terminal Roll-on-Roll-off: possui 1.001 m de cais e 5 berços com
profundidades entre 6 m e 12 m, estando apenas um em condições de operar. As
instalações de armazenagem são constituídas de 2 armazéns, com área total de
21.000 m, e de 69.200 m2 de pátios descobertos.
Terminais de contêineres: 2 terminais de contêineres arrendados o LIBRA-T1 e o
MULTI-T2 compreendem um cais de 784 m, com 4 berços (2 de cada terminal) e
profundidades entre 11,5 m e 12 m, e retroária total de 324.000 m².
O porto conta, também, com 10 armazéns externos, no total de 65.367 m2, e com 8 pátios
cobertos, somando 11.027 m2, com capacidade de 13.100 t.

No Cais:

Terminais arrendados instalados ao longo do cais público:
Terminal de Contêineres 1 T1, da Libra Terminal Rio S/A.; Terminal de Contêineres 2
T2, da Multi-Rio Operações Portuárias S/A.; Terminal Roll-on-roll-off TRR, da Multi-Car
Rio Terminal de Veículos S/A.; Terminal de Produtos Siderúrgicos de São Cristóvão
TSC, da Triunfo Operadora Portuária Ltda.; Terminal de Trigo São Cristóvão TTC, da
Moinhos Cruzeiro do Sul Ltda.; Terminal Papeleiro TPA, da Multiterminais Alfandegados
do Brasil Ltda.; Terminal de Açúcar TAC, da Servport Serviços Portuários e Marítimos
Ltda.; Terminal de Produtos Siderúrgicos da Gamboa TSG, da Triunfo Operadora
Portuária Ltda.; Terminal de Passageiros / Projeto Pier Mauá PPM, da Pier Mauá S/A.;
Terminal de Granéis Líquidos, da União Terminais Armazéns Gerais Ltda.

Fora do cais
Terminais de uso privativo:

Torguá (combustíveis), da Petrobras S.A., nas ilhas D’Água (Autorização 026/02),
Transpetro; ilha Redonda (Autorização 028/02), Esso (produtos químicos), da Esso
Brasileiro de Petróleo C.A. 052/97 na Ilha do Governador; Shell (combustíveis), da Shell
do Brasil S.A., na Ilha do Governador; Manguinhos (combustíveis), da Refinaria de
Manguinhos, na baía de Guanabara e Terminal Marítimo Imbetiba (combustíveis), da
Petrobras S.A., C.A. nº 055/97 em Macaé (RJ).

Referencia bibliográfica

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A Meta

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Eliyahu Moshe Goldratt (1948) é um físico israelense que se tornou consultor de administração e um dos proponentes da Teoria das restrições. Ele afirma usar o método científico para resolver os problemas das organizações. A Meta trata-se da historia de um gerente de fabrica, Alex e sua equipe estão passando por momentos de muitas dificuldades em administrar a fabrica de maneira eficaz, sendo que esta frustração trazia problemas familiares também para o gerente Alex. Cada vez mais a situação se complicava, pois os todos os pedidos estavam atrasados e a cobrança aumentava cada dia mais até o que Alex recebeu a visita Bill Peasse vice-presidente da divisão ele veio conversar com Alex, pois havia recebido reclamações sobre a expedição dos pedidos e veio até a fábrica verificar o que estava acontecendo e causou vários transtornos e deixou bem claro para Alex que ele teria três meses para levantar fabrica caso contrario a solução seria fechar a fabrica.

Os problemas só aumentavam para Alex, pois em casa também tinha cobrança de sua esposa e filhos que estavam sendo esquecido devido seu empenho ao trabalho. Tudo que estava acontecendo fez Alex refletir ele sabia que era capaz de levantar a fábrica, tinha tecnologia as melhores maquinas de CN, tinha robôs e um bom pessoal, mas mesmo assim não encontrava a solução. Alex e os demais gerentes foram convocados a uma reunião com Bill Peach que queria informar o péssimo desempenho da divisão no primeiro trimestre. Alex buscava ânimos para ter atenção ao que Bill falava, mas sua mente se desligava e não conseguia se concentrar logo encontrou um charuto em seu bolso e ficou pensando de onde tinha surgido.

Foi onde lembrou que tinha ganhado de Jonah quando os dois se encontraram no aeroporto, e tiveram uma boa conversa referente à fábrica que Alex estava administrando então ele lembrou de toda conversa que teve com Jonah e quando Peach fez um intervalo Alex pensou e se perguntou o que ele estava fazendo ali parado enquanto podia estar na fabrica colocando as coisas em ordens. Ele saiu da reunião e voltou para sua cidade pegou um lanche e foi no alto de uma pequena colina de onde observava a fábrica e continuava pensando sobre o que Jonah tinha falado pra ele.

O livro “A Meta” esta organizado em quarenta capítulos, 385 páginas onde foram resenhados apenas os cinco primeiros capítulos. O conteúdo e de fácil interpretação mostra o cotidiano de um gerente de fábrica que esta com problemas com a produção mostrando como é possível analisar e gerenciar os problemas encontrados através de colaboração de toda a equipe. O livro é indicado a todos os estudantes e empresários que procuram uma verdadeira historia de superação que luta por suas metas.

Alterações Clínicas e Nutricionais

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A alimentação saudável, completa, variada e agradável ao paladar é de extrema importância. Indivíduos com transtornos alimentares apresentam inadequações no consumo, padrão e comportamento alimentar. Os transtornos alimentares são definidos como desvios do comportamento alimentar que podem levar ao emagrecimento extremo ou à obesidade acompanhados de várias complicações clínicas relacionadas ao comprometimento do estado nutricional. Os principais tipos de transtornos alimentares são a anorexia e a bulimia nervosas e o transtorno de compulsão alimentar periódico. A anorexia nervosa é um transtorno emocional que consiste numa perda de peso devido a um intenso temor da obesidade. A bulimia nervosa é um transtorno mental que se caracteriza por episódios repetidos de ingestão excessiva de alimentos, seguido por práticas compensatórias inadequadas para o controle do peso corporal.

No transtorno de compulsão alimentar periódico há episódios de ingestão excessiva de alimentos, mas sem se utilizarem de métodos purgativos. Independente do tipo de transtorno apresentado, o tratamento multidisciplinar que inclua abordagem nutricional, farmacológica e familiar é necessário para reverter as alterações clínicas e no estado nutricional.

INTRODUÇÃO

O comportamento alimentar não é apenas a prática empírica de se alimentar, mas também os aspectos subjetivos que envolvem a alimentação sejam eles socioculturais ou psicológicos (GARCIA, 2007).

Uma alimentação saudável, completa, variada e agradável ao paladar é de extrema importância para a promoção da saúde, para a prevenção e controle de doenças crônicas não transmissíveis. Assim, a educação nutricional assume papel importante na promoção de hábitos alimentares saudáveis (BOOG, 1999).

Os transtornos alimentares são síndromes comportamentais, descritas como transtornos e não como doenças por ainda não se conhecer bem sua etiologia. Geralmente apresentam as suas primeiras manifestações na infância e na adolescência (CLAUDINO & BORGES, 2002). São acompanhados de várias complicações clínicas relacionadas ao comprometimento do estado nutricional e às práticas compensatórias inadequadas para o controle do peso (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

Resultam da interação de fatores pessoais, familiares e socioculturais, caracterizados pela preocupação intensa com alimento, peso e corpo (SOUTO & FERRO-BUCHER, 2006). Muitas complicações surgem em decorrência do atraso do diagnóstico e do início do tratamento (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

Apresentam prognóstico reservado e, caracteristicamente, envolvem a família. O tratamento padrão deve ser multidisciplinar, evitando as formas crônicas e imutáveis das doenças alimentares (PIZON et al, 2004).

Indivíduos com transtornos alimentares possuem inadequações no consumo, padrão e comportamento alimentar, além de diversas crenças equivocadas sobre alimentação, acarretando piora do estado nutricional. Os principais tipos de transtornos alimentares são: anorexia nervosa (AN), bulimia nervosa (BN) e o transtorno de compulsão alimentar periódico (TCAP) (LATERZZA et al, 2004).

O tratamento nutricional é necessário para reverter as alterações clínicas e no estado nutricional, que necessita de cuidados dietéticos específicos, como reabilitação nutricional e orientação sobre dieta adequada (ALVARENGA & LARINO, 2002).

No presente artigo pretende-se discutir a respeito dos transtornos alimentares e suas possíveis conseqüências clínicas e nutricionais.

METODOLOGIA

Para a realização desta revisão de literatura foram utilizados artigos científicos retirados de base de dados como Scielo, Revista Brasileira de Nutrição Clínica, livros e busca em periódicos. Foi realizada a busca por referências atuais, publicadas a partir do ano de 1999. Os termos de busca utilizados foram: transtornos alimentares, anorexia nervosa, bulimia nervosa, compulsão alimentar, nutrição, saúde, inanição, caquexia, desnutrição, obesidade.

REVISÃO DA LITERATURA

Principais transtornos alimentares

Os transtornos alimentares são quadros psiquiátricos que afetam principalmente adolescentes e adultos jovens do sexo feminino, levando a grandes prejuízos biopsicossociais com elevada morbidade e mortalidade. Entre os principais transtornos alimentares estão anorexia e bulimia nervosas, e o transtorno de compulsão alimentar periódico (DOYLE & BRYANT-WAUGH, 2000).

A anorexia nervosa é caracterizada por perda de peso intensa devido a dietas rígidas em busca desenfreada pela magreza, ocasionando distorção da imagem corporal e amenorréia (ABREU & CORDÁS, 2004).

A bulimia nervosa caracteriza-se por uma grande ingestão de alimentos com consequente perda de controle, os chamados episódios bulímicos. Estes episódios são acompanhados de métodos compensatórios inadequados para o controle de peso, como vômitos auto-induzidos, uso de medicamentos, dietas e exercícios físicos rigorosos (FILHO & ABREU, 2004).

Indivíduos com o transtorno de compulsão alimentar periódico apresentam os episódios de compulsão alimentar com perda de controle, mas não utilizam métodos compensatórios para evitar o ganho de peso, sendo em sua maioria obesos (APPOLINÁRIO & CLAUDINO, 2000).

Etiologia dos transtornos alimentares

Fatores psicossociais desempenham um importante papel na etiologia dos transtornos alimentares. A influência da mídia e a busca por um corpo perfeito estão associadas com o seu desencadeamento. O modelo multifatorial que se baseia na hipótese de que fatores biológicos, psicológicos e sociais estejam envolvidos, explica a gênese e a manutenção destes transtornos (APPOLINÁRIO & CLAUDINO, 2000).

Na bulimia nervosa, todo tipo de situação que gera sentimentos negativos como frustração, tristeza, ansiedade, tédio e solidão resulta no ciclo compulsão alimentar-purgação (APPOLINÁRIO & CLAUDINO, 2000).

O medo de engordar é uma característica essencial, que diferencia os transtornos alimentares de outros tipos de doenças clínicas ou psiquiátricas. Os pacientes passam a viver exclusivamente em função da dieta, da comida, do peso e da forma corporal, restringindo seu campo de interesses e levando ao gradativo isolamento social (APPOLINÁRIO & CLAUDINO, 2000).

Imagem corporal

A imagem corporal é o conceito que cada um tem do seu corpo. O individuo portador de transtornos alimentares, pensa em extremos com relação a sua aparência ou é muito crítico com a mesma (SAIKALI et al, 2004).

A imagem corporal envolve três componentes: o perceptivo, que se relaciona com a precisão da percepção da própria aparência física envolvendo uma estimativa do tamanho corporal e do peso; o subjetivo, que envolve aspectos como satisfação com a aparência, o nível de preocupação e a ansiedade a ela associada; e o comportamental, que focaliza as situações evitadas pelo indivíduo por experimentar desconforto associado à aparência corporal (SAIKALI et al, 2004).

Diagnósticos

A anorexia e a bulimia nervosas e o transtorno de compulsão alimentar periódico, sendo transtornos de origem multifatorial, necessitam de avaliações que contemplem os vários aspectos envolvidos na sua gênese e manutenção. Para isso foram criados instrumentos de avaliação como: questionários auto-aplicáveis, entrevistas clínicas e automonitoração (GORENSTEIN et al, 2002).

Os questionários auto-aplicáveis são de fácil administração, eficientes e econômicos na avaliação de grande número de indivíduos. A entrevista clínica fornece avaliações descritivas da gravidade da psicopatologia específica dos transtornos alimentares e gera diagnósticos de acordo com os critérios do Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais (DSM-IV). Porém sua aplicação é demorada e requer entrevistadores treinados. O automonitoramento consiste em diários alimentares nos quais os pacientes anotam a ingestão alimentar durante uma semana. As dificuldades com o diário incluem a falta de adesão dos pacientes e a incerteza quanto à fidelidade das anotações (FREITAS et al, 2002).

No caso da anorexia e da bulimia nervosas os critérios de diagnóstico são referidos no DSM-IV e na Classificação Internacional de Doenças CID-10 (APA, 2000; OMS, 1993 & CLAUDINO & BORGES, 2002).

O diagnóstico dos transtornos alimentares deve abranger não apenas os aspectos psicopatológicos específicos, mas também os sintomas psicopatológicos gerais e distúrbios da imagem corporal que contribuem para a manutenção do transtorno e dificultam seu tratamento (APPOLINÁRIO et al, 2002).

Complicações clínicas

Os transtornos alimentares são acompanhados de várias complicações clínicas relacionadas ao comprometimento do estado nutricional e às práticas compensatórias inadequadas para o controle do peso (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

Alterações metabólicas e hidroeletrolíticas

A hipercolesterolemia e a hipoglicemia são as principais alterações metabólicas ocorridas nos transtornos alimentares. A hipercolesterolemia decorre da redução dos níveis do hormônio tireoidiano T3 e da globulina carreadora de colesterol e/ou da diminuição da excreção fecal de ácidos biliares e colesterol. A hipoglicemia pode ocorrer após jejuns prolongados, ou em resposta a episódios de compulsão alimentar seguidos de vômitos (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

Entre as alterações hidroeletrolíticas estão a hipocalemia que é causada pelo vômito, desnutrição e abuso de medicamentos depletores de potássio como diuréticos e laxantes; a hiponatremia conseqüente de uma grande ingestão de água ou às flutuações do hormônio anti-diurético (ADH); a hiperfosfatemia que pode ser conseqüência da desnutrição ou se desencadear após a realimentação. Quando há uso de laxativos ou de diuréticos e na prática de vômitos auto-induzidos, podem ocorrer distúrbios do equilíbrio ácido-básico como a acidose metabólica e a alcalose metabólica hipocalêmica (JORGE & VITALLE, 2008).

Alterações oftalmológicas

Catarata, atrofia do nervo óptico e degeneração da retina podem também acompanhar a inanição (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

A catarata é indicada pela presença de uma ou várias áreas opacas no cristalino do olho, onde as proteínas em algumas fibras do cristalino se desnaturam. A atrofia do nervo óptico pode causar cegueira e a degeneração da retina pode causar a retinite pigmentosa, que leva primeiramente à cegueira no campo periférico da visão e depois gradualmente invade as áreas centrais (GUYTON & HALL, 2006).

Alterações endócrinas

Entre as alterações endócrinas, a amenorréia vem a constituir um dos critérios diagnósticos para anorexia nervosa, mas pode ocorrer também nos pacientes de peso normal que apresentem bulimia nervosa. Ela pode preceder ou ser concomitante à perda de peso, podendo persistir até a recuperação de um peso mínimo saudável. A amenorréia pode ser acompanhada de várias anormalidades como: regressão dos ovários para estágios pré-puberais com múltiplos pequenos folículos, regressão do tamanho mamário e perda parcial dos pêlos pubianos. O útero pode se encontrar diminuído e observam-se mudanças atróficas na parede vaginal levando a um transtorno sexual caracterizado pela sensação de dor genital durante o ato sexual conhecido como dispaurenia e diminuição da libido (GUSMÃO, 2002).

Os níveis de leptina são reduzidos na anorexia nervosa. A leptina é um hormônio peptídico liberado pelos adipócitos. Quando a quantidade de tecido adiposo aumenta, os adipócitos produzem quantidades aumentadas de leptina (GUYTON & HALL, 2006). Este hormônio controla a ingestão alimentar por ação hipotalâmica. Quando os transtornos alimentares ocorrem no sexo masculino, há diminuição dos níveis de testosterona, FSH e LH, associados a uma redução do volume testicular (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

Na anorexia nervosa, a vasopressina (AVP) é liberada mais lentamente ou de forma errática em resposta às alterações osmóticas, podendo causar diabetes insípido parcial, responsivo à administração de AVP. O nível basal de hormônio do crescimento está aumentado na anorexia nervosa e na bulimia nervosa. Hipercortisolemia, elevação do cortisol livre urinário e alteração do ritmo circadiano do cortisol podem estar presentes (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

No eixo tireotrófico há redução dos níveis de triiodotironina (T3) e tiroxina (T4), elevação dos níveis de T3 reverso e níveis normais ou pouco diminuídos do hormônio tireoestimulante. A redução dos níveis de T3, provavelmente ocorre por uma redução na conversão periférica de T3 à T4 como mecanismo adaptativo à desnutrição (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002). Os hormônios tireoidianos T3 e T4 são essenciais para a manutenção das taxas metabólicas normais em todas as células corporais (GUYTON & HALL, 2006).

Alterações gastrintestinais

A constipação intestinal está entre as manifestações mais freqüentes nos transtornos alimentares e decorre do uso de laxantes que podem levar à danos irreversíveis ao cólon intestinal. Eritema do palato, faringe e gengiva e erosão do esmalte dentário, podem ser observados nos pacientes com transtornos (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

Há um aumento das glândulas parótidas na bulimia nervosa. A regurgitação contendo acido gástrico, a alcalose metabólica, e a desnutrição aumentam a liberação de enzimas proteolíticas pancreáticas contribuindo também para a parotidite (GUSMÃO, 2002).

A hiperamilasemia acompanha a hipertrofia glandular salivar. A dilatação gástrica pode ocorrer como complicação na fase de realimentação abrupta ou nos casos de ingestão de grandes quantidades de alimentos. Os vômitos freqüentes podem levar à esofagite e ao sangramento da mucosa intestinal. A pancreatite aguda pode ser secundária aos episódios de compulsão alimentar ou ao uso abusivo de diuréticos (GUSMÃO, 2002).

Alterações renais

A concentração urinária pode estar diminuída devido a níveis flutuantes de ADH, grande ingestão de líquidos de baixa caloria, redução da osmolaridade da medula renal, inanição e diminuição da uréia. A hipocalemia pode resultar em nefropatia hipocalêmica devido às práticas compensatórias. A desidratação crônica e os níveis elevados de oxalato de cálcio favorecem o desenvolvimento de cálculos renais. A hematúria está relacionada ao excesso de atividade física, podendo se normalizar após a realimentação e hidratação (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

Alterações pulmonares

Dentre as alterações pulmonares observa-se mais raramente o pneumomediastino, secundário à broncoaspiração em decorrência dos vômitos excessivos. A taquipnéia pode decorrer da acidose metabólica. A bradipnéia ocorre em resposta à alcalose metabólica decorrente da prática de vômitos (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

Alterações ósseas e do crescimento

A má nutrição reduz a formação nova de osso, ou “turnover”, que associada à puberdade atrasada, ao hipercortisolismo, à diminuição da ingestão de cálcio, proteínas e vitamina D, favorecem a queda da densidade mineral óssea, levando a uma diminuição ou suspensão do crescimento ósseo linear (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

Quando a anorexia nervosa ocorre na fase precoce da puberdade, pode ocorrer osteopenia ou até mesmo osteoporose irreversível, favorecendo a ocorrência de fraturas patológicas. A osteopenia também pode ocorrer no sexo masculino, em decorrência da diminuição da testosterona (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

Alterações hematológicas

A anemia e a leucopenia são as principais alterações hematológicas nos transtornos alimentares (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002). A anemia é a deficiência de hemoglobina no sangue que pode ser causada pela redução do teor celular de hemácias ou pela redução do teor de hemoglobina nas hemáceas. A leucopenia ocorre quando a medula óssea produz poucos leucócitos deixando o corpo desprotegido contra bactérias e agentes invasores (GUYTON & HALL, 2006).

Pode-se encontrar anemia em 30% dos pacientes com transtornos, sendo do tipo normocítica e normocrômica. Pode também ocorrer anemia do tipo ferropriva, em decorrência da deficiência de ingestão de ferro ou de sangramento retal por uso excessivo de laxativos e a anemia macrocítica por déficit de vitamina B12 ou folato, leucopenia com linfocitose relativa e trombocitopenia (ASSUMPÇÃO & CABRAL, 2002).

Alterações cardiovasculares

A hipotensão arterial resulta do estado de depleção crônica de volume circulante. A bradicardia decorre da redução do metabolismo em adaptação à inanição, por alterações na conversão do T4 em T3 ou por hiperatividade vagal. Em resposta à desidratação podem ocorrer taquicardia e alterações eletrocardiográficas, onde ocorre a síndrome de realimentação caracterizada por um colapso cardiovascular após a introdução da alimentação em um paciente desnutrido, devido à sobrecarga de ingestão calórica e pouca capacidade do sistema cardiovascular (JORGE & VITALLE, 2002).

Alterações nutricionais

A alimentação e a dieta têm um importante papel no desenvolvimento e manutenção dos transtornos alimentares. Indivíduos com transtornos alimentares apresentam importantes restrições dietéticas, padrões alimentares inadequados e uma sensação de incompetência para lidar com o alimento. Tais alterações podem levar a mudanças em seu estado nutricional, que necessita de cuidados dietéticos específicos, como reabilitação nutricional e orientação sobre dieta adequada (ALVARENGA & LARINO, 2002).

Desnutrição

A desnutrição é definida como uma condição clínica decorrente da deficiência de um ou mais nutrientes essenciais para o funcionamento do organismo. Pode ser causada por fatores socioeconômicos, culturais, disponibilidade de alimentos e fatores psicológicos, sendo o último a principal causa da desnutrição nos transtornos alimentares. A desnutrição acarreta alterações na composição corporal e no funcionamento normal do organismo (RECINE & RADAELLI, 2000).

Os sinais clínicos da desnutrição em pacientes com transtornos alimentares são lanugo, hiperbetacarotenemia e bradicardia. Indivíduos com anorexia nervosa na maioria das vezes apresentam-se desnutridos (SICCHIERI et al, 2006).

Inanição e caquexia

A inanição é caracterizada por uma extrema perda de peso. Pode ser provocada por uma inadequada disponibilidade de comida ou por condições fisiopatológicas que reduzem o desejo pela alimentação, incluindo distúrbios psicogênicos, anormalidades hipotalâmicas e fatores liberados pelos tecidos periféricos. O efeito principal da inanição é uma progressiva depleção de proteínas e das gorduras teciduais. Além disso, ocorre deficiência de vitaminas hidrossolúveis (GUYTON & HALL, 2006).

A caquexia é um distúrbio metabólico que aumenta o gasto energético acarretando uma perda ponderal maior do que a provocada pela redução da ingestão alimentar. A anorexia nervosa está relacionada com a inanição e a caquexia (GUYTON & HALL, 2006).

Obesidade

A obesidade é definida como um excesso de gordura corporal. É resultante de uma ingestão calórica superior ao gasto energético. Fatores ambientais, sociais e psicológicos contribuem para a ingestão excessiva de alimentos (GUYTON & HALL, 2006).

A leptina é um hormônio que regula o apetite e o peso corporal, sinalizando ao cérebro quando o organismo está satisfeito, iniciando a termogênese induzida pela dieta. No individuo obeso, os níveis de leptina estão diminuídos, não ocorrendo essa sinalização. No transtorno de compulsão alimentar é muito comum encontrar indivíduos obesos. (RECINE & RADAELLI, 2000).

Tratamento

O tratamento apresenta melhores resultados em casos de intervenção precoce durante a adolescência, evitando as formas crônicas e imutáveis das doenças alimentares. O tratamento-padrão deve ser multidisciplinar, contando com uma equipe formada por psiquiatras, nutricionistas, psicólogos, psicopedagogos e endocrinologistas, além da abordagem familiar (PIZON et al, 2004).

A principal meta do tratamento da anorexia nervosa é o ganho de peso até o índice de massa corporal acima de 19. No tratamento da bulimia nervosa a meta é a regularização do padrão alimentar com suspensão de práticas purgativas e restritivas. Os objetivos do tratamento do transtorno de compulsão alimentar periódico devem incluir a redução dos episódios bulímicos, diminuição do peso corporal para pacientes obesos e melhora da psicopatologia associada (SALZANO e CORDÁS, 2004).

Tratamento farmacológico

A farmacoterapia é um componente de abordagens psicológicas e nutricionais no tratamento dos transtornos alimentares. Os medicamentos psicotrópicos são os mais indicados para tratar as co-morbidades e também os sintomas chamados de nucleares (APPOLINÁRIO & BACALCHUK, 2002).

A anorexia nervosa ainda não possui um tratamento farmacológico considerado eficaz para melhora da psicopatologia do transtorno. O uso de antidepressivos tricíclicos e ISRS mostra-se parcialmente eficaz na bulimia nervosa e no transtorno de compulsão alimentar periódico (SALZANO & CORDÁS, 2004).

Tratamento nutricional

O tratamento nutricional visa reverter às alterações decorrentes dos transtornos alimentares, promover hábitos alimentares saudáveis e melhorar a relação com o alimento. O nutricionista é o profissional capacitado para propor essas modificações do consumo, padrão e comportamento alimentares (LATERZZA et al, 2004).

O tratamento nutricional se dá em duas fases: a fase educacional que objetiva a coleta e transmissão de informações como: história alimentar do paciente, a definição de conceitos relevantes sobre alimentos, a apresentação de exemplos de padrões de fome e de consumo alimentar e a orientação básica para a família; a fase experimental inclui separar comportamentos relacionados a alimento e peso de sentimentos e questões psicológicas, incentivar as mudanças de comportamento alimentar e orientar a manutenção de um peso adequado (ALVARENGA & LARINO, 2002).

O tratamento nutricional da anorexia nervosa envolve o restabelecimento do peso, normalização do padrão alimentar, da percepção de fome e saciedade e correção de seqüelas biológicas e psicológicas da desnutrição. Já na bulimia nervosa e no transtorno de compulsão alimentar periódico, os objetivos são diminuir as compulsões, minimizar as restrições alimentares, estabelecer um padrão regular de refeições, aumentar a variedade de alimentos consumidos, corrigir deficiências nutricionais e estabelecer práticas de alimentação saudável. (ALVARENGA & LARINO, 2002).

A primeira escolha para a recuperação do peso é a realimentação, com uma dieta balanceada e suficiente para atender as necessidades e recuperar o estado nutricional. No início é importante fornecer calorias necessárias para o metabolismo basal. A ingestão de 200 a 500 calorias adicionais, por semana, promove o ganho de peso gradual (JORGE & VITALLE,2002).

A terapia nutricional deve ser feita com cautela evitando a síndrome de realimentação, onde pode ocorrer hipofosfatemia grave e súbita, queda de potássio e magnésio, intolerância a glicose, hipocalemia, disfunção gastrintestinal e arritmias cardíacas (JORGE & VITALLE, 2002).

O diário alimentar é um dos instrumentos mais utilizados e com melhores resultados no tratamento nutricional. Nele, os pacientes registram o horário, o local das refeições, a qualidade e a quantidade dos alimentos ingeridos, além da ocorrência de episódios de compulsão alimentar e compensações. É uma técnica comportamental de automonitoração, na qual os sentimentos associados àquele momento são também registrados (ALVARENGA & LARINO, 2002).

O tratamento nutricional deve visar à promoção de hábitos alimentares saudáveis, a cessação de comportamentos inadequados e a melhora na relação do paciente para com o alimento e o corpo (LATERZZA et al, 2004).

Abordagem familiar

A família é parte integrante e significativa no tratamento multidisciplinar dos transtornos alimentares. Unir família e paciente é uma forma de encontrar maneiras e alternativas para reconstruir e dar um significado a suas vivências e assim libertar-se de padrões de comportamentos diferenciais e inadequados (COBELO et al, 2004).

O trabalho conjunto entre terapeuta e família, é necessário para desconstruir as histórias limitantes que o transtorno alimentar impõe e desenvolver o sentido de confiança para que possam compartilhar as possíveis crises que irão surgir ao longo do tratamento (SAIKALI et al, 2004).

Abordagem psicológica

O atendimento psicológico tem a finalidade de conhecer a dinâmica do paciente, o histórico do transtorno e seu significado pessoal, como ele se organiza em relação à alimentação, de que maneira seu cotidiano é afetado, ajudando-o a promover relações mais saudáveis com o alimento (FERNANDES & LIMA, 2009).

CONCLUSÃO

Por ser uma patologia multifatorial, os transtornos alimentares necessitam de uma abordagem multidisciplinar para um manuseio mais adequado e satisfatório dessas condições clínicas. O diagnóstico precoce e uma abordagem terapêutica adequada dos transtornos alimentares são fundamentais para o manejo clínico e o prognóstico destas condições. O tratamento visa reverter as alterações clínicas e nutricionais que ocorrem com o indivíduo com transtorno alimentar, através de terapias nutricional, farmacológica, abordagem familiar e psicológica.

Uma vez que essas doenças estão relacionadas diretamente à alimentação e alteram fortemente o padrão e comportamento alimentares, o nutricionista é o único profissional qualificado para realizar a terapia nutricional, porém esta só será efetiva se este profissional estiver em constante interação com os demais membros da equipe pluridisciplinar.

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Liberação da Multa do FGTS

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INDICE

1- Introdução 
2- Conceito de FGTS 
2.1- Histórico do FGTS
2.2- FGTS na constituição de 1988
2.3- A nova Legislação do FGTS e seus agentes 
2.4- O FGTS por tempo de serviço e C.E.F. 
2.5- A Natureza jurídica do FGTS 
2.6- Características do sistema do FGTS 
2.7- Recolhimento do FGTS das filantropias 
3- Fundo de Garantia do empregado domestico 
3.1- Principais problemas jurídicos do FGTS 
3.2- Prescrição do FGTS 
4- Parcelas que integram a remuneração do FGTS 
4.1- Parcelas que não integram a remuneração do FGTS
5- Depósitos do FGTS e suas normas 
5.1- Diretores-membros do conselho de administração 
5.2- Mandato sindical – depósito FGTS 
5.3- Transferência para o exterior – FGTS 
5.4- Férias – depósitos FGTS 
5.5 Centralização dos depósitos do FGTS 
5.6- Depósito judicial 
5.7- Depósito fora do prazo 
6- Utilizando os recursos do FGTS
6.1- FGTS por procuração
6.2- FGTS na compra da casa própria
6.3- Na construção 
7- Divida de expurgos do FGTS 
8- Relação de documentos necessários saque do FGTS 
9- Criação de novos códigos de saque do FGTS 
10- Proposta do saque do FGTS em caso de acordo trabalhista
10.1- Origem da proposta da liberação da multa do FGTS
FONTES BIBLIOGRÁFICA

1. INTRODUÇÃO

Considerando o atual momento político do país, onde a assunção da chefia do Poder Executivo por parte de um dos líderes do que talvez seja o maior partido político representante da classe trabalhista em todo o continente americano, fez reacender a discussão iniciada por ocasião da promulgação da Constituição da República Federativa do Brasil, no capítulo que trata dos Direitos Sociais dos Trabalhadores, quanto à necessidade de se oxigenar as normas de regência dos direitos e deveres dos trabalhadores brasileiros, há muito carentes de uma maior adequação aos sistemas que amalgamam os elementos e meios que hodiernamente configuram os fatores de produção da economia nacional, entendemos ser apropriado o desenvolvimento do tema em apresentação neste projeto de pesquisa, cujo escopo visa ajustar a legislação em vigor, em vias de alteração no Congresso Nacional, ao modus operandi que se tem observado na praxe administrativa definidora dos acordos e rescisões contratuais entre empregado e o empregador.

Destarte, sob a ótica de observação da relação contratual trabalhista enquanto espécie do gênero direito social de proteção ao trabalhador comum, com sede e amparo Constitucional, analisará alguns dos pressupostos históricos que culminaram com a criação do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, e a partir do seu objetivo finalístico, demonstraremos diversos casos reais ocorrentes nos mais variados exemplos de rescisões contratuais trabalhistas pesquisados, onde, via de regra, o próprio empregado, objeto da proteção da legislação de regência da matéria em epígrafe, vê-se compelido a “abrir-mão” de parcela de seu direito, qual seja, o ingresso de parte da verba destinada à consolidação do patrimônio do trabalhador, o FGTS, advinda das multas por rescisões contratuais realizadas nos casos em que a lei assim estabelece, a fim de permitir o seu acesso à direito social, quando não patrimonial, ainda mais amplo e de maior urgência ou interesse particular, seja nos casos de aquisição da casa própria, ou para realização de uma cirurgia em estabelecimento hospitalar não amparado pelo Sistema Único de Saúde, ou para condução de empreendimento empresarial próprio, etc; com o fito de, ao final, apresentarmos uma proposta, no sentido de que, para materialização de tal sonho ou necessidade, não seja necessário deixar à descoberto, ao arrepio da lei, o empregador que busca contribuir para o seu favorecimento.

Assim, acreditamos que a lacuna existente em nossa legislação em vigor, que não enquadra ou prevê permissivos legais para rescisão contratual trabalhista, com acesso à liberação do montante recolhido ao FGTS na conta do trabalhador em relevo, quando da realização de acordo entre empregador e empregado, possa ser suprido, sem ofensa ao Direito Social do trabalhador latu sensu ou enfraquecimento do liame que une as partes em contrato, a partir da inserção de norma trabalhista de caráter excepcional no seio da Consolidação das Leis do Trabalho neste país, onde, em numerus clausus, seriam discriminadas as situações em que, por força do acordo trabalhista realizado entre as partes, sob a égide das Delegacias Regionais do Trabalho e aval dos Sindicatos e Associações afins, seria permitida a rescisão contratual, com direito do trabalhador ao saque do montante depositado em sua conta no FGTS, sem que fossem aplicadas multas aos empregadores em questão.

Ao final, sem ter a pretensão de ver esgotado assunto de natureza tão complexa, é nossa intenção concluir o trabalho em relevo com a apresentação de uma minuta de proposta de projeto de lei, de iniciativa do Poder Executivo, para ser encaminhado para aprovação no Congresso Nacional, a partir da Câmara dos Deputados.

Embora alguns passos tenham sido dados nesse sentido, inclusive com o encaminhamento de proposta ao Congresso Nacional para revisão e atualização de nossa legislação trabalhista, através de diversos projetos de lei dos partidos mais operantes, decerto, um dos maiores óbices para cumprimento da meta anunciada, de tamanha envergadura, e a solução para questão de tal relevância, necessariamente passam pelos canais legais e infralegais que demandem a redução da carga tributária e os encargos vinculados à geração, manutenção e extinção de empregos por parte do contribuinte-empregador.

Destarte, com o fito de contribuir para o vislumbre de uma das vias de acesso que nos poderão conduzir a tais objetivos, haveremos por demonstrar ao longo do desenvolvimento e conclusão desta Monografia a viabilidade de se incrementar a oferta de empregos no seio do setor secundário e terciário deste país, através da legalização da LIBERAÇÃO DA MULTA DO FGTS EM DECORRÊNCIA DE ACORDO RESCISÓRIO TRABALHISTA, proposta que intitula, num primeiro momento, o trabalho em relevo.

2. CONCEITO DO FUNDO DE GARANTIA

Considerando a vastidão do tema sob comento, balizaremos os nossos referenciais limítrofes a partir dos conceitos finalísticos e parâmetros estabelecidos nos artigos 6º e 7º da CF/88 e dispositivos normativos ínsitos na lei 8036/90, que trata especificamente dos aspectos funcionais, controles operacionais, gestões administrativas, correção de valores, aplicação de multas e cobrança administrativa e judicial do FGTS.

Assim, a fim de nos permitir o acesso à conclusão a que se pretende alcançar no presente estudo, e ainda, considerando as formas em que são processados os acordos trabalhistas entre as partes, e a coordenação harmônica existente entre as Instituições que operacionalizam as ações envolvendo a gestão do FGTS, muito embora sejam estas vinculadas a ramos opostos do Direito pátrio, a saber: a Caixa Econômica Federal, empresa pública regida pelo regime de Direito privado, e a Procuradoria da Fazenda Nacional, órgão da administração pública direta; nos apropriaremos de uma concepção temática que conceba a idéia do acordo trabalhista enquanto instrumento de conciliação de interesses entre os contratantes; o conceito de multa, na forma de sanção administrativa por descumprimento do previsto na legislação em vigor; e trataremos o FGTS na condição de elemento integrante do patrimônio do trabalhador, destarte, por este disponível, afastando, num primeiro momento, todas as concepções do FGTS que lhe destinem tratamento de natureza tributária, espécie de contribuição social.

2.1 HISTÓRICO DO FUNDO DE GARANTIA

Pretendemos com a presente pesquisa, levantar dados históricos, de como funcionava o FGTS em tempos remotos e parametrizar às últimas notícias e propostas de melhorias.

Com este intuito procuramos inicialmente abordar a visão geral das normas e procedimentos bem como informações básicas que deve ser de interesse comum, tanto de empregados e empregadores, visando os direitos e deveres de ambos.

Procuramos esclarecer as dúvidas mais freqüentes e as situações mais presentes em nosso cotidiano.

Ainda que o estudo tenha como abordagem maior os princípios do FGTS, prendemo-nos especialmente em buscar as origens do sistema, principais mudanças, e as características fundamentais para o desenvolvimento do mesmo, visando assim esclarecer os principais pontos sobre o tema.

Apesar das pretensões modestas deste trabalho procuramos tanto quanto possível, o maior número de informações relativas as novas propostas e discussões pré estabelecidas ao tema, baseando nossa pesquisa em fontes atuais, como jornais, revistas e as atualidades da internet.

Em tese, esta visa ao esclarecimento dos motivos de se ter hoje um sistema que sirva de benefício tanto para o empregado como para o empregador, que é o FGTS, nada mais, que um sistema que causa um incentivo ao trabalhador, e ao passo que também auxilia o governo em determinadas áreas. Estudamos também a situação atual do FGTS, as dívidas adquiridas pelo governo, e os golpes que sofreram os trabalhadores nesta fase, as principais mudanças devido aos planos Collor e verão, e as devidas providências a serem tomadas.

Vale ressaltar, que esta foi de grande proveito para nossa experiência acadêmica, valendo de grande fonte de estímulo para esclarecimento de dúvidas, antes nunca esclarecidas.

Fundo de Garantia do Tempo de Serviço é uma conta bancária que o trabalhador pode utilizar nas ocasiões prevista em lei, formada por depósito efetuado pelo empregador. Foi instituído, como alternativa para o direito de indenização e de estabilidade para o empregado e como poupança compulsória a ser formada pelo trabalhador da qual pode valer-se nos casos previstos. O empregador tem por obrigação efetuar o depósito na conta vinculada do trabalhador a importância correspondente a 8% (oito por cento) da remuneração paga devido ao mês anterior a cada trabalhador. Os depósitos devem ser realizados até o dia 7 do mês seguinte aquele em que se tornou devida a remuneração do trabalhador. Caso não haja expediente bancário no dia 7, os depósitos devem ser antecipados para o dia útil imediatamente anterior. Os depósitos correspondentes a 13º salário devem ser efetuados no adiantamento e na complementação (1º ou 2º parcela).

O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, FGTS, foi criado pela Lei n. 5.107, de 13 de setembro de 1996; anteriormente no Brasil vigorava o regime CLT que englobava o sistema indenizatório e sistema de estabilidade.

O sistema indenizatório é aquele que prever, na rescisão do contrato de trabalho por prazo indeterminado, indenização de um mês de remuneração por cada ano de serviço ou por cada período superior à seis meses.

O sistema de estabilidade, prever que quando o empregado alcançasse dez anos de trabalho na mesma instituição, ele adquiria a estabilidade, sendo assim não poderia ser dispensado a menos que fosse por motivo de falta grave ou força maior, ainda assim a dispensa só seria efetivada após uma série de investigações jurídicas para apurar o real motivo da falta grave do art. 494. Por volta de 1964, começou a surgir a idéia de moldar com um pouco mais de flexibilização o direito do trabalho, onde perceberam que o sistema de estabilidade no Brasil, dificultava o crescimento econômico do país, e limitava o poder de dispensa do empregador, ao ponto que também causava acomodação de funcionários que já possuam a estabilidade; a partir daí surgiu o regime do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, o qual tinha como objetivo, acabar com dificuldades que as empresas tinham no desenvolvimento de suas atividades e negócios, e também com o intuito de gerar recursos sociais.

Na realidade o FGTS dava ao empregado a chance de contar com um fundo financeiro, que lhe seria dado o acesso quando fosse demitido sem justa causa, auxiliando-o no caso de haver dificuldades no encontro de outro emprego. Sendo assim o FGTS não garantia que o empregado tivesse estabilidade no serviço, e sim era uma espécie de poupança, onde permitia que ele obtivesse lucro sobre seu trabalho, o qual o auxiliaria na possível extinção do contrato; representando uma arma para o empregador bem como um incentivo.

Quando ocorria uma dispensa o empregador era obrigado a pagar de uma só vez todos os encargos devidos aos funcionários, daí o real motivo pelo qual preferiam manter a estabilidade dos empregados, com o novo sitiam o empregador, deveria pagar mensalmente ao funcionário os ônus devidos, excluindo o regime anterior indenizatório da CLT.

Nesta fase o funcionário poderia optar por ambos os sistemas ele poderia optar pelo FGTS ou automaticamente seria inserido no sistema CLT. A diferença entre ambos os sistemas era na garantia da estabilidade e vantagens financeiras.

Quem optasse pelo FGTS não obteria a estabilidade regulada nos arts.482, sendo que aquele que desejasse continuar seu contrato de trabalho com base na Consolidação poderia chegar a obter garantia. Porém como o passar do tempo o FGTS passou a ter maior predominância, mais tarde com a Constituição de 88, o regime CLT foi totalmente extinto vigorando apenas para os trabalhadores que foram admitidos antes da promulgação, passando então o FGTS a ser um direito do trabalhador brasileiro.

O opinante, em qualquer caso, sempre ficaria de posse dos depósitos feitos em suas conta vinculada, enquanto o não opinante só seria favorecido pela reparação financeira na hipótese da dissolução injusta do seu contrato de trabalho.

Quando surgiu o FGTS, falava-se em algo parecido no Chile surgido em época anterior. Em datas mais recentes, o Estatuto dos Trabalhadores da Espanha, de 14 de março de 1980, no art.33, instituiu o Fundo de Garantia Salarial para assegurar o salário dos empregados durante 4 meses em caso de insolvência ou litígio judicial, também para lhes assegurar a indenização em situações especiais. O fundo é alimentado por contribuições do patronato. São claras as diferenças entre o Fundo brasileiro e o espanhol.
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Por muito tempo, condenaram o FGTS por haver provocado, o desaparecimento do instituto da estabilidade, e também porque incrementava a rotatividade da mão de obra. Estas condenações não têm fundamento, pois a estabilidade já tinha desaparecido da realidade das empresas, já que os empregados dificilmente eram dispensados depois que completavam o 7º ou 8º ano de casa.

Quanto à mão de obra, seu ritmo reduziu, pois o empresário não esperava a mudança de comportamento do empregado com o passar dos anos. Existem alguns fatores que licitam a favor das mudanças, mas a estabilidade deixou de ser um deles. Atualmente no Congresso Nacional foram efetuadas diversas tentativas de restabelecer a estabilidade, mas em todo caso, ficou claro que isto só seria possível mediante uma reforma constitucional.

2.2 O FUNDO DE GARANTIA NA CONSTITUIÇÃO DE 1988.

O Sistema de FGTS é um instrumento de garantia do tempo de serviço do trabalhador, foi aprovado em todas as fases de elaboração da constituição. A diferença, em cada uma dessas fases, esclarece que ora o FGTS relacionava com o regime de estabilidade, ora com principio da proteção a despedida arbitrária, que os empregados possuam. Com a visão de regime não alternativo, contrariamente ao que era antes, levou a inclusão do FGTS na constituição. A opção tornou-se desnecessário, mesmo mantendo o direito as situações especiais. Então ele se tornou um regime único onde a estabilidade já não era necessária, mantinha informações apenas para os funcionários que possuíam por direito adquirido.

Surgiu também com o FGTS uma ampliação do sistema onde inclui, o trabalhador rural.

Esta obrigação foi muito discutida, onde mesmo assim muitos não concordaram com a obrigatoriedade em favor do trabalhador rural.

Com a Constituição de 1988, o trabalhador rural basicamente se igualando ao trabalhador urbano. Assim, a partir de 05.08.88, todos os procedimentos previstos na legislação do FGTS incluíam tanto o trabalhador rural, quanto o urbano, já que não pode haver diferenciação no sistema.

2.3 A NOVA LEGISLAÇÃO DO FUNDO DE GARANTIA E SEUS AGENTES.

Com a criação das novas leis do FGTS surgiu logicamente a necessidade de rever os pontos falhos do sistema que os anos revelaram, tornou-se indispensável a criação de uma norma atualizada para o FGTS. Esta oportunidade surgiu quando o Presidente criou a Medida Provisória. Foram aceitas as sugestões contidas em mais de 150 projetos que circularam pelo Congresso e vários relatórios produzidos por um Grupo de trabalho Intermediário que trabalharia na reorganização do FGTS. Depois de muitas negociações, o projeto foi aprovado por acordo envolvendo os lideres de todas as bancadas no Congresso. Esta lei revogou todas as normas vigentes a respeito da matéria, a começar pela própria Lei 5.107/66, e integralmente sobre o FGTS. Atualmente o direito do trabalhador ao FGTS é regido pelo art. 7° parágrafo III.

Os recursos do FGTS são aplicados na habitação popular, saneamento básico e infra-estrutura urbana, é o Conselho Curador, que decide sobre as aplicações e alocações dos recursos. O Conselho Curador é formado por representantes dos trabalhadores, empregadores, da CEF, Banco Central do Brasil e alguns Ministério. Cabe ao Ministério do Trabalho, a fiscalização e a CEF a responsabilidade e controle, conforme nós discriminamos a baixo.

O complexo de normas jurídicas que regulam o sistema do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço pode ser assim resumido:

a- Constituição Federal de 1988 (art. 7º.), que assegura o direito ao Fundo de Garantia. A constituição de 1967 criou um sistema alternativo entre o Fundo de Garantia e a estabilidade, desaparecido com a supressão desta pela nova Carta Magna.
b- Lei n.8.036, de 1990, que é a lei ordinária e o respectivo regulamento de 1990.
c- Portarias e instruções da Caixa Econômica Federal, que é a entidade gestora do Fundo de Garantia e expede normas sobre o funcionamento do sistema.

Não só empregador, mas também o fornecedor ou tomador de mão de obra, independente da responsabilidade solidária ou subsidiária que possa ter, está obrigado a efetuar os depósitos (Lei n.8.0336, de 1990).

2.4 O FUNDO DE GARANTIA DO TEMPO DE SERVIÇO & CAIXA ECONÔMICA FEDERAL

A Caixa Econômica Federal que substituiu o Banco Nacional da Habitação desde sua extinção pelo decreto-lei é o autêntico órgão executivo do sistema embora denominado agente operador. A aplicação de recursos em projetos encaminhados pelo órgão Gestor, além de proceder de uma série de análise econômico-financeira e jurídica dos mesmos, estabelecer os procedimentos necessários a por em execução, observando os critérios estabelecidos pelo Conselho Curador e as diretrizes de aplicação do Gestor; a CEF está incumbida de elaborar, organizar, e cuidar das contas do FGTS encaminhando-as ao Gestor. A aplicação do FGTS, será efetuada pelo ministério da Ação Social, cabendo a Caixa Econômica Federal – CEF o papel de agente operador (CLT art. 4º), conforme já mencionamos.

A Lei confia a gestão do FGTS ao Ministério da Ação Social e a Caixa Econômica Federal, como os agentes operadores, ambos desempenharão suas funções em harmonia com as diretrizes traçadas pelo Conselho Curador cuja constituição será a seguinte: Três representantes dos trabalhadores e outros tantos dos empregadores e um representante de cada uma das seguintes entidades:

– Ministério da economia, Fazenda e Planejamento; 
– Ministério do Trabalho e Previdência Social; 
– Ministério da Ação Social; 
– Caixa Econômica Federal; 
– Banco do Brasil.

Cabe ao Ministério do Trabalho exercer a presidência do órgão.

Existem alguns parâmetros que a CEF, como agente operador deve observar, e algumas obrigatoriedades a serem cumpridas. Consideramos conta vinculada aquela que permanece sem movimentação de depósitos pelo período de três anos e o titular fica também por três anos, a contar de 1° de junho de 1990, fora do regime de FGTS. Enquanto a CEF não assume o controle das contas vinculadas, estas eram abertas em banco de escolha do empregador. Quando ocorria mudança de emprego, novamente o empregado, transferia seus recursos de FGTS para uma nova conta escolhida pelo empregador. Posteriormente, o artigo 5º, concretiza a centralização das contas circuladas na CEF, o depósito mensal feito pela empresa passa a integrar o saldo da conta do trabalhador a partir do dia 10 do mês de sua ocorrência. Como vemos o trabalhador é favorecido no que tange aos depósitos em sua conta vinculada. Anteriormente, perdia o rendimento do deposito relativo há 60 dias mais ou menos.

Hoje, o prazo está reduzido a 30 dias e em fins de 1990 a 13 dias. É a CEF, que tem hoje como total obrigação o controle das contas vinculadas, e emitir extratos continuamente aos trabalhadores, para que os mesmo estejam cientes da situação de depósitos do FGTS, e possam reivindicar seus direitos se fizer necessário. As aplicações com recursos do FGTS poderão ser realizadas diretamente pela Caixa Econômica Federal, no caso dos programas de habitação popular, a CEF tem total autonomia para fazer as analises jurídicas econômico-financeiro. Cabe a CEF, emitir o certificado de regularidade do FGTS, e responsabilizar-se por quaisquer informações sobre o mesmo.

2.5 A NATUREZA JURÍDICA DO FGTS.

São várias as naturezas jurídicas adotadas para o sistema de FGTS, podemos destacar dentre elas a contribuição social, indenização, salário diferido, direito trabalhista, e por que não de certa forma a própria estabilidade. A natureza de contribuição, baseia-se no fato de estar prevista em lei, ou seja mesmo que o depósito d FGTS seja feito em nome do empregado, os recursos estão em poder do agente gestor (CEF), sendo destinado as atividades do Estado, somando estas atividades (habitacional, infra-estrutura, etc), podemos dizer que o FGTS apresenta características de contribuição social, porém quando o empregado é desligado da empresa, o FGTS tem característica indenizatória, pois o mesmo irá receber o acúmulo de depósito efetuados desde o início das atividades na instituição, sendo assim podemos afirmar que o FGTS também pode assumir uma natureza salarial, partindo do princípio de que o trabalhador pode usar os recursos para subsídios já que seu contrato foi encerrado.

Considerando que o trabalhador somente terá acesso ao “benefício” destinado a conta mês a mês, no fim do seu contrato de trabalho, torna o FGTS uma verba diferente. Com a nova Constituição o FGTS foi de reconhecido como direito de todos os empregados, sendo assim assume uma natureza trabalhista. Marcos Abílio Domingues ensina que, ” com a devida venência é descabido indentificar o FGTS como instituto jurídico de natureza mista, que contempla elementos de contribuição social, indenização, salário diferido e direito trabalhista”. Sendo assim torna-se de certa forma polêmica estabelecer uma única natureza jurídica ao FGTS pois de igual maneira não temos como negar os expostos, diante disso há de se afirmar que na íntegra podemos atribuir a natureza mista ao FGTS.

2.6 CARACTERÍSTICAS DO SISTEMA DO FGTS.

Para cada funcionário contratado é aberta uma conta individual, em nome do empregado, para uso exclusivo dos depósitos de FGTS. O FGTS desempenha realmente notável papel social, tanto pelo ângulo individual quanto pelo prisma coletivo.

Individualmente, o FGTS é um crédito trabalhista, resultante de poupança forçada do trabalhador concebida para socorrê-lo em situações excepcionais durante a vigência do vínculo de emprego ou na cessação deste, de forma instantânea ou futura, conforme a causa determinante da cessação contratual.

Coletivamente, a aplicação dos recursos do FGTS para financiar a construção de habitações populares, assim como o saneamento e a infra-estrutura, constituem a realização de importante função social com esses fundos privados, ao mesmo tempo em que atua na alavancagem do nível de emprego, na medida em que tais atividades de construção civil absorvem, intensamente mão de obra não qualificada, exatamente a que necessita de maiores atenções. Por isso, o descumprimento da obrigação de recolher os depósitos para o FGTS não pode ser encarado apenas como uma transgressão a direito individual do trabalhador.

Não é por outro motivo que este descumprimento, além de revelar incapacidade de gerenciar de custos, causa condenação criminal dos administradores da empresa com pena de detenção variando de um mês a um ano. Além desta implicação criminal, o empregador não poderá, por qualquer forma, remunerar seus administradores nem se valer de benefício de natureza fiscal, tributária ou financeira, concedido por qualquer dos três níveis de Governo.

2.7 RECOLHIMENTO DO FGTS DAS FILANTROPIAS

As entidades de fins filantrópicos que eram dispensadas de efetuarem os depósitos em conta vinculada, somente fazendo de uma só vez por ocasião da rescisão do contrato de trabalho, ficaram obrigados à efetuarem os depósitos mensais a partir da competência outubro/89 permanecendo a dispensa em relação ao período anterior.

Os depósitos que se referem ao período de dispensa janeiro/67 a setembro/89 devem ser realizados da seguinte forma: até o primeiro dia útil seguinte ao crédito de Juros e Atualização Monetária – JAM, devido à conta vinculada imediatamente após a rescisão do contrato de trabalho por iniciativa do empregado, sem justa causa ou do empregador com justa causa; no recebimento de comunicação de Agente do Sistema Financeiro de habitação – SFH, nas hipóteses de utilização do saldo da conta vinculada para pagamento de poupança, amortização ou liquidação de saldo devedor e pagamento de prestações de financiamento contraído junto a agente do Sistema Financeiro de Habitação. O saldo da conta do trabalhador deve estar sempre atualizado com o último depósito de JAM. A efetivação de recolhimento em atraso implica no pagamento das multas legais.

3. O FUNDO DE GARANTIA DO EMPREGADO DOMÉSTICO

O Governo Federal editou a Medida Provisória 1.986/99, regulamentada pelo Decreto 3.361/200, que possibilita ao empregador doméstico recolher o FGTS para seu empregado. A CEF publicou no Diário Oficial da União em 28/03/00, uma circular estabelecendo os procedimentos necessários à realização dos depósitos do FGTS, inclusive para o empregado doméstico. Caso o empregador ainda não possua a inscrição no CEI, deverá em primeiro lugar se dirigir a um Posto do INSS e solicitar o seu cadastramento.

O empregado doméstico será identificado no sistema do FGTS pelo número de inscrição no PIS ou pelo número de inscrição de Contribuinte Individual. Caso o empregado doméstico não possua nenhuma das inscrições acima, o empregador deverá preencher o formulário Documento de Cadastramento do Trabalhador – DCT adquirível em papelarias, se dirigir a agência da CEF munido do comprovante de inscrição no CEI e da Carteira de Trabalho e solicitar o seu cadastramento no PIS. A inscrição como contribuinte individual na previdência social poderá ser solicitada pelo próprio empregado doméstico em qualquer posto do INSS, mediante apresentação da carteira de trabalho e de identidade.

O depósito do FGTS para o empregado doméstico poderá ser realizado a partir do mês de abril de 2000, sobre o salário pago ou devido no mês de março de 2000. O vencimento sempre será até o dia 7 do mês seguinte ao mês de referencia do salário sobre o qual está sendo realizado o depósito. Se no dia 7 não houver expediente bancário o vencimento será o dia útil anterior. O valor do depósito deverá corresponder a 8% sobre o salário pago ou devido ao empregado doméstico. O empregador deverá adquirir no comércio, preencher e assinar o formulário GFIP. A GFIP poderá ser apresentada em qualquer agencia da CEF ou da rede bancária conveniada. Segundo as legislações vigentes a conta do empregado doméstico poderá ser movimentada nas seguintes situações:

– Demissão sem justa causa; 
– Término de contrato por experiência; 
– Aposentadoria; 
– Falecimento do empregado; 
– Quando o empregado for portador do HIV; 
– Quando o empregado ou seu dependente for acometido de Neoplasia; 
– Permanência do empregado por 3 anos ininterruptos fora do regime FGTS;
– Rescisão do contrato por culpa recíproca ou força maior;
– Rescisão do contrato por falecimento do empregador;
– Utilização na compra da casa própria.

No caso de demissão sem justa causa, rescisão do contrato por culpa recíproca, força maior, ou término de contrato por experiência, para recolhimento dos depósitos o empregador deverá preencher a guia GRFP (ver anexo).

3.1 PRINCIPAIS PROBLEMAS JURÍDICOS DO FGTS.

“O Fundo de Garantia do Tempo de Serviço é uma instituição de valor econômico na medida em que funciona como captação de recursos destinados a desenvolver o processo econômico. Dentre os problemas jurídicos que trouxe, o maior é o incentivo a dispensa do empregado, uma vez que substituiu a estabilidade decenal e a indenização de dispensa sem justa causa. Enquanto os sistemas jurídicos modernos caminham para o maior controle da dispensa emotivada, permite a sua ampliação e a rotatividade da mão de obra. De melhor critério seria a compatibilização entre o FGTS e a estabilidade no emprego. O FGTS, com a constituição de 1988 e a Lei n.8.036, de 1990, deixou de ser um regime optativo para se tornar um sistema independente de opções. Desse modo, desapareceu a opção por ele. Todo empregado é admitido no regime do FGTS independentemente de qualquer manifestação”.

“Verificando-se mudança de emprego, a conta do empregado deve ser transferida para o estabelecimento bancário de escolha do novo. Empregador. Nem sempre essas transferências foram efetuadas. Em conseqüência, muitas contas permanecem inativas, sem depósitos novos, e foram encerrados, os transtornos de localização para os seus titulares”.

A centralização das contas previstas na Lei n.8.036 de 1990 art.12, é a forma pela qual se pretende corrigir essa irregularidade. A capitalização dos juros, que era trimestral, acarretava perdas aos trabalhadores diante da inflação.

O empregador é obrigado a comunicar mensalmente aos empregados os valores recolhidos ao FGTS e repassar-lhes todas as informações sobre suas contas. O empregador impontual no depósito responde pela atualização monetária da importância correspondente, juros de 1% ao mês e multa de 20%.

A constituição de 1988 equiparou os trabalhadores rurais aos urbanos (art.7º), com o que consolidou a aplicação do Fundo de Garantia aos trabalhadores rurais. Essa extensão já era prevista pela Lei do Trabalhador Rural, mas não chegou a ser efetivada. Porém, como agora há um mandamento constitucional, a extensão foi feita.“.

(Amauri Mascaro – “Iniciação ao D. Trabalho”).



3.2 PRESCRIÇÃO DO FGTS.

Da mesma forma que consideramos um mistério estabelecer a natureza jurídica do FGTS, sendo assim a discussão da prescrição está coligada à natureza jurídica, determinada ao mesmo.

Quando analisamos a natureza da contribuição social, o prazo de prescrição é de cinco anos, de acordo com o art. 174 (Cód. Tributário Nacional), pra as demais naturezas que mencionamos, permanece a prescrição geral, que é de dois anos para reclamações de violação de direito das relações de emprego. “Tal orientação foi fixada em função de que se estendia a natureza jurídica do FGTS era de contribuição previdenciária, com base no art. 20 da Lei n. 5.107/66 e nos prazos de prescrição de 30 anos previstos na Lei n.3.807 (LOPS).”

Em via de regra o prazo prescricional da vigência do contrato de trabalho, é de no mínimo dois anos a trinta anos, sendo assim todo trabalhador tem um prazo de prescrição para reclamar em juízo a contribuição do FGTS. Sendo assim podemos afirmar que a natureza jurídica realmente assume a essência mista, ou seja, um pouco de cada um, formando uma espécie peculiar.

O sujeito ativo da apuração do débito é os órgãos competentes da respectiva fiscalização. Assim como o direito do empregado, entendemos que o FGTS como direito trabalhista pode ser reclamado por cinco anos na vigência do contrato e até dois anos após a extinção, sendo o empregado o sujeito da reclamação dos depósitos.

4. PARCELAS QUE INTEGRAM A REMUNERAÇÃO DO FUNDO DE GARANTIA

Remuneração para efeito de incidência do FGTS é o salário base do empregado, inclusive às parcelas In natura, acrescido de todos os adicionais de caráter remuneratório, sendo eles:

a – hora extra;
b- adicionais de insalubridade, periculosidade e do trabalho noturno;
c- adicional de transferência de local de trabalho;
d- salário família no que exceder do valor legal obrigatório;
e- adicional por tempo de serviço;
f- gratificação de férias de qualquer valor até 30 de abril de 1977;
g- abono ou gratificação de férias, no valor que exceder a 20 dias do salário, concedido em virtude de cláusula contratual, regulamento da empresa, convenção ou acordo coletivo;
h- valor do terço constitucional das férias;
i- quaisquer comissões;
j- gorjetas (dados espontaneamente);
k- gratificação de natal/13º salário;
l- licença prêmio, inclusive quando convertida em pecúnia;
m- repouso semanal (DSR) e feriados civis e religiosos;
n- aviso prévio trabalhado e indenizado;
o- gratificações ajustadas expressas, como produtividade de balanço de função, auditorias ou cargos de confiança;
p- retiradas de diretores não empregados quando haja deliberação da empresa garantindo-lhes os direitos decorrentes do Contrato de trabalho.

Os depósitos de FGTS também são obrigatórios em todos os casos em que o trabalhador, por força da lei ou acordo entre as partes, se afaste do serviço, mas continue recebendo a remuneração ou contando o tempo de afastamento como de serviço efetivos. Alguns exemplos que encontramos são:

a- serviço militar;
b- quinze primeiros dias de licença para tratamento de saúde;
c- licença por acidente de trabalho;
d- licença maternidade e licença paternidade (antiga);
d- gozo de férias;
e- exercício pelo empregado de cargo de confiança imediata do empregador;
g- demais casos de ausências remuneradas.
Os depósitos, nestes casos serão calculados sobre o valor contratual mensal do pagamento, inclusive sobre a parte que é variável.

A remuneração deverá ser atualizada sempre que ocorrer aumento geral na empresa para a categoria a que pertencer o trabalhador.

4.1 PARCELAS QUE NÃO INTEGRAM A REMUNERAÇÃO DO FGTS.

Não integram remuneração para efeito de incidência do FGTS;

a – Participação dos empregados nos lucros da empresa (CF.ART. 7º, XI); 
b – Abonos, quando expressamente desvinculados do salário; 
c- Abono pecuniário de férias correspondentes a conversão de um terço de férias em pecúnia (art. 143 da CLT);
d- Abono ou gratificação de férias concedidos em virtude de contrato de trabalho, regulamento a empresa, conversão ou acordo coletivo de valor não excedente a vinte dias de salário (art.144 da CLT);
e- Auxílio-doença complementar ao da Previdência Social pago pela empresa por liberdade, regulamento da empresa, conversão ou acordo coletivo;
f- Ajuda de custo para viagem;
g- Diárias de viagem que não excederem a 50% (cinqüenta por cento) do salário do empregado;
h- Gratificação ou prêmio pago diretamente ao trabalhador, espontaneamente, quando da rescisão contratual como incentivo a aposentadoria;
i- Quebra de caixa, exceto para bancário (enunciado TST n.º 247);
j- Valor da bolsa de (Aprendizagem) Lei nº8069/90;
k- Salário família, nos termos e limites legais;
l- Valor de alimentação, quando paga pela empresa, em decorrência de credenciamento no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT (Lei 63217/76)
m- Valor do vale transporte (lei 7418/85 e Lei 7619/87);
n- Férias indenizadas, indenização por tempo de serviço e indenização adicional a que se refere o art.9º da lei 7238/84;
o- Valor da multa prevista no parágrafo 8º do art. 477 da CLT, ou seja, indenização equivalente a um salário do empregado em razão de atraso no pagamento das verbas rescisórias;
p- Valor correspondente a dobra da remuneração de férias (art. 137, Caput da CLT).

5. DEPÓSITOS DO FGTS E SUAS FORMAS.

Todo empregador é obrigado a efetuar mensalmente depósito no valor de 8% dos salários que paga aos empregados. Em relação a empregados admitidos na condição especial da lei n.9601/98 – contrato a prazo de excedentes, o recolhimento para o FGTS será de 2%, além desse percentual, a empresa recolherá, em conta bancária direta do empregado, o previsto no acordo ou convenção coletiva e que poderão ser sacados pelo trabalhador na forma estabelecida pelos referidos instrumentos normativos.

A incidência se faz em todos os pagamentos de natureza salarial, e abrange não apenas o salário bruto, mas, também adicionais, abonos, comissões, gratificações, décimo terceiro, gorjetas, prêmios e salário em utilidades. Continuam os recolhimentos durante interrupções do contrato de trabalho que são os afastamentos do empregado com remuneração, a licença para prestar serviço militar e em decorrência de acidente de trabalho. Facultativamente, as empresas podem também estender o sistema aos diretores não empregados.

5.1 DIRETORES – MEMBROS DO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO.

As empresas sujeitas ao regime da legislação trabalhista poderão equipar seus diretores não empregados aos demais trabalhadores sujeitos ao regime do FGTS.

É considerado o diretor aquele que exerce cargo de administração previsto em lei, estatuto ou contrato social, independentemente da denominação do cargo.

Os diretores não empregados de empresas públicas e sociedades controladas diretamente pela União fazem jus ao FGTS (Lei 6919/81).

Os depósitos embora facultativos, devem Ter prazo para sua vigência, pois se não estipulado, cabe ao empregador o direto de não mais depositar quando desejar.

5.2 MANDATO SINDICAL – DEPÓSITO FGTS.

O empregado licenciado sem remuneração para desempenhar mandato sindical, terá seu depósito do FGTS feito pela entidade sindical. O percentual do FGTS incidirá sobre a remuneração que o empregado estará percebendo na empresa caso não estivesse em licença para exercer seu mandato sindical.

A empresa deve , portanto informar a entidade sindical as variações salariais ocorridas no curso da licença do empregado, inclusive as concedidas espontaneamente pelo empregador.

5.3 TRANSFERÊNCIAS PARA O EXTERIOR – DEPÓSITO FGTS

O empregado contratado no Brasil e transferido para prestar serviços no exterior, terá o FGTS incidente sobre os valores do salário base contratado, acrescido do adicional de transferência (Lei 7064/82).

Na hipótese da empresa empregadora prestadora de serviço ser obrigada a liquidar os direitos do empregado pela lei local de prestação de serviço no exterior, poderá deduzir o valor pago dos depósitos FGTS em nome do empregado, existentes na conta vinculada. O levantamento pela empresa empregadora, será efetuado à vista do alvará expedido em decorrência da homologação judicial.

A homologação dos valores a serem deduzidas se dará mediante apresentação pela empresa empregadora de cópia autenticada da documentação comprovatória da liquidação de direitos do empregado no exterior, traduzida oficialmente.

5.4 FÉRIAS – DEPÓSITO FGTS

O recolhimento do FGTS sobre as férias será relativo a competência, ou seja, o mês de gozo e não sobre o pagamento das férias.

Para efeito dos recolhimentos do FGTS considera-se os dias de gozo do mês sem levar em conta o adiantamento das férias.

Ex. o empregado no mês de agosto tira 30 dias de férias sendo que 10 dias são gozadas no mês e 20 restantes se projetam para o mês seguinte.

5.5 CENTRALIZAÇÃO DOS DEPÓSITOS DO FUNDO DE GARANTIA.

A empresa com mais de um estabelecimento poderá sem necessidade de autorização da CEF, definir pela centralização parcial ou total dos depósitos do FGTS, desde que mantenha o controle de pessoal e os registros contábeis também centralizados.

a- o meio de apresentação da GUIA DE RECOLHIMENTO, necessariamente deverá ser magnético – fita ou disquete;
b- Utilização da GFIP, gerada pelo sistema computacional da CEF obrigando os depósitos dos estabelecimentos centralizados;
c- Arquivo magnético – fita ou disquete deverá conter a “Relação de Estabelecimento Centralizado -REC”;
d- Os trabalhadores, além dos dados cadastrais normais, deverão ser identificados no arquivo magnético com a unidade de trabalho (15 posições alfanuméricas);
e- Sendo parcial, todos os estabelecimentos circunscritos a uma mesma superintendência regionais da CEF deverão ser centralizados.

A empresa, no caso de centralização de dependências localizadas em distintas superintendências regionais da CEF, deverá informar a área regional do FGTS, mediante o nome, CGC/MF e endereço da unidade centralizadora e das centralizadas.No preenchimento do “Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho” a empresa deverá anotar logo abaixo do título do documento uma observação sobre a centralização do depósito.

5.6 DEPÓSITO JUDICIAL

Os artigos 899 da CLT, que retratam os depósitos judiciais, os quais devem ser realizados em conta vinculada do FGTS, mediante guia de recolhimento do FGTS – SFIP. No caso da autoridade judiciária, determinar que o depósito seja feito mediante Guia de Depósito Judicial, deve ser exposto na parte superior desse documento a expressão: “FGTS – Depósito para fins de recurso – art. 899 CLT”.

5.7 DEPÓSITO FORA DO PRAZO

O depósito do FGTS feito fora do prazo, está sujeito as combinações gerais.

O empregador que não realiza os depósitos do FGTS no prazo responde pela atualização monetária diária da importância correspondente, além dos juros de mora e multa.

Mensalmente, a CEF publica Edital contendo os coeficientes e instruções necessárias a apuração dos valores relativos a juros e atualização monetária e correção monetária. Os juros de mora serão calculados a taxa de 1% por mês de atraso ou fração e incidem sobre o valor atualizado do depósito. O valor da multa corresponde a 20% (vinte por cento) do valor do depósito atualizado, sendo reduzido a 10% (dez por cento) caso seja realizado no mesmo mês em que se tornou devido.

6. UTILIZANDO OS RECURSOS DO FUNDO DE GARANTIA

Além dos saques na rescisão do contrato de trabalho, a legislação descreve a utilização dos valores da conta vinculada do FGTS em outras hipóteses conforme discriminamos abaixo:

a- Demissão sem justa causa;
b- Término do contrato por prazo determinado;
c- Aposentadoria;
d- Suspensão do Trabalho Avulso;
e- Falecimento do trabalhador;
f- Quando o trabalhador for portador do vírus HIV,
g- Quando o trabalhador ou seu dependente for acometido de neoplasia maligna (câncer);
h- Permanência da conta sem depósito por três anos ininterruptos, para os contratos rescindidos até 13/07/90, e para os demais, a permanência do trabalhador por igual período fora do regime dos FGTS;
i- Rescisão do contrato por culpa recíproca ou força maior;
j- Rescisão do contrato por extinção total ou parcial da empresa.

6.1 FGTS POR PROCURAÇÃO

Não é permitida a representação por procuração, pública ou particular, no pagamento, do saldo da conta vinculada do FGTS para as modalidades previstas nos incisos I, II, III, VIII, IX e X do artigo 20 da Lei 8.036/1990. Com exceção, para esses códigos de saque, consideramos a representação com instrumento de procuração público, desde que contenha poderes específicos para este fim, nos casos de grave moléstia, comprovada por perícia médica relatada em laudo, onde conste a incapacidade de locomoção do titular da conta vinculada do FGTS. Para os demais códigos de saque, é admissível a representação mediante instrumento de procuração, público ou particular, no pagamento do saldo da conta vinculada do FGTS, independente do tipo da conta vinculada, desde que contenha poderes específicos para este fim. Para que o instrumento de procuração particular seja válido, a assinatura do outorgante deve ser reconhecida em cartório.

6.2 FGTS NA COMPRA DA CASA PRÓPRIA

O saque poderá ser efetuado para uso no Sistema Financeiro de Habitação, desde que tenha no mínimo três anos que o empregado participe do regime de FGTS, e que os recursos sejam atualizados para abatimento de apenas 80% das prestações do total da dívida. O proprietário que fizer uso do FGTS no SFH não pode ter nenhum imóvel em seu nome no município e não pode ser titular de financiamento pelo SFH; este poderá utilizar os valores existentes em todas as contas do FGTS, inclusive as que são relativas a empregos anteriores. O proprietário que possuir fração de imóvel residencial quitado ou financiado, concluído ou em construção, pode utilizar o FGTDS para adquirir outro imóvel, desde que detenha fração igual ou inferior a 40%.

O cônjuge separado, proprietário de imóvel residencial, concluído ou em construção, utiliza o FGTS na compra de outro imóvel, desde que tenha perdido o direito de nele residir e atenda as demais condições necessárias para utilização do FGTS na compra do novo imóvel. A perda de residir no imóvel deve estar consignada no formal de partilha.

O proprietário de lotes ou terrenos pode utilizar o FGTS na compra de imóvel residencial, desde que comprovada a inexistência de edificação, através da apresentação do carnê do imposto predial territorial urbano -IPTU e matrícula atualizada do imóvel.

O detentor de imóvel recebido por doação ou herança utiliza o FGTS na compra de outro imóvel, desde que o imóvel recebido por doação ou herança esteja gravado com cláusula de usufruto vitalício em favor de terceiros. Para comprar um imóvel com recursos do FGTS, o adquirente deverá comprovar o tempo mínimo de três anos de trabalho sob o regime do FGTS, a comprovação será através dos dados constantes no extrato da conta vinculada, quando este for suficiente, ou na carteira de trabalho. Para computar este tempo, é considerada a soma de todos os períodos, consecutivos ou não trabalhados sob o regime do FGTS, em uma ou mais empresas. Tratando-se de trabalhador avulso, a efetiva prestação de serviços é considerada de acordo com declaração fornecida pelo sindicato da respectiva categoria profissional. O FGTS pode ser utilizado para pagamento total do preço de aquisição de imóvel residencial concluído nas seguintes maneiras:

Na aquisição de imóvel residencial concluído, à vista, havendo ou não complementação com recursos próprios;

Para complementar o valor do imóvel que esteja sendo adquirido através de carta de crédito concedida por administradora de consórcio de imóveis, credenciada pelo Banco Central do Brasil cuja dívida deve estar quitada junto ao consórcio, inexistindo outro financiamento complementar;

Aquisição de fração ideal remanescente por proponentes participantes na mesma escritura aquisitiva.

O imóvel deve estar localizado:

No município onde os adquirentes exerçam a sua ocupação principal;

No município em que os adquirentes comprovem que já residem há pelo menos um ano, cuja comprovação é feita mediante a apresentação de no mínimo dois documentos simultâneos tais como contrato de aluguel, contas de água, luz, telefone, gás recibos de condomínio, declaração de empregador ou instituição bancária.

O atendimento dos requisitos é exigido, também em relação ao coadquirente exceto ao cônjuge. Tratando-se de concubinas, a comprovação de um deles pode ser substituída pela declaração de ambos de que a identidade de endereço decorre de união não conjugal de natureza familiar estável e duradoura, de conhecimento público.

6.3 NA CONSTRUÇÃO

O FGTS poderá ser utilizado na construção desde que a construção seja feita em regime de cooperativa ou consórcios de imóveis, ou que haja um financiamento com um Agente Financeiro, ou com um construtor. O construtor deverá apresentar cronograma de obra. No caso de imóvel misto, ou seja aquele destinado a residência e instalação de comércio, é permitido a utilização do FGTS somente para a fração correspondente a unidade residencial. Existem algumas modalidades de utilização do FGTS na construção do imóvel residencial que são:

a- Construção de imóvel financiado no SFH;
b- Construção de imóvel residencial, financiado fora do SFH;
c- Aquisição parcelada de imóvel residencial em construção fora do SFG;
d- Construção de imóvel residencial, através de financiamento de um construtor (pessoa física ou jurídica) ou autofinanciamento (cooperativas ou consórcios habitacionais).E também temos os limites de utilização do FGTS nas modalidades de construção de imóvel residencial, onde o valor do FGTS somado ao valor do financiamento quando houver, não pode exceder ao menor dos valores: 
e – Limite máximo de valor do imóvel estabelecido para as operações no SFH; 
f – Custo total da obra, em caso de construção em terreno próprio; 
g – Custo total da obra, acrescido do valor do terreno, no caso de aquisição de terreno associada à construção; 
h – Valor da avaliação efetuada pela CEF; 
i – Valor de compra e venda.

7. DÍVIDA DE EXPURGOS DO FGTS.

A dívida do FGTS referente aos planos Collor I e Verão poderia ser absorvida pelo consumidor brasileiro, se fosse feita a vontade do governo, acompanhamos as diversas reuniões elaboradas para a discussão sobre quem iria quitar esta dívida com a população, em uma das propostas levantada em uma das reuniões entre os sindicalistas e governo, preocupou, pois o pagamento do débito aumentaria o custo das empresas, o que poderia gerar um repasse.

A proposta mantida pelos sindicalistas e pelo governo dava uma solução simples como forma de abater a dívida do FGTS, que seria o aumento de 40% para 50% na multa para demissão sem justa causa, e o acréscimo da contribuição da empresa de 8% para 9% sobre a folha de pagamento, mesmo assim, segundo eles esta mudança poderia gerar o aumento da sonegação e da informalidade. Enquanto os sindicatos alegavam ser esta a melhor maneira de resolver a questão, os empresários, buscavam uma solução onde houvesse a divisão de responsabilidade sobre a dívida e onde a mesma não recaísse totalmente sobre o empresariado. Também foi apresentada a Câmara de deputados uma proposta de capitalização do FGTS, que hoje teria rendimento muito baixo. Os empresários querem que o governo capitalize o fundo com ações de empresas estatais, e os outros 20% do patrimônio do FGTS seriam aplicados em títulos públicos.

Além disso, eles querem o aumento para 6% ao ano dos juros nos financiamentos que são feitos com recursos do FGTS. Esses recursos se destinam a financiar a casa própria para famílias de baixa renda e projetos de saneamento básico e tem juros médios de 3,5%.

Entre idas e vindas no dia 19/04 saiu a primeira posição sobre o acordo, onde para pagar a dívida o governo terá que desembolsar R$ 6 bilhões. No entanto os trabalhadores e empresários também vão ter que rachar a conta. O governo vai aumentar de 8% para 8,5% a contribuição sobre a folha salarial das médias e grandes empresas. Os patrões passarão a pagar 50% da multa em caso de demissão sem justa causa, sendo hoje o percentual de 40%, a diferença (10%) será destinada ao pagamento das perdas do FGTS. Além dos portadores de HIV e câncer, os desempregados podem ser os primeiros a receber a reposição das perdas do FGTS com os planos econômicos.

Em suma o projeto estabelece o pagamento parcelado da correção expurgada de planos econômicos. Os titulares e seus dependentes portadores de câncer ou HIV serão pagos, em uma única parcela, até junho de 2002, como prevê o projeto de Antônio Medeiros, o mesmo acontecerá para os aposentados por invalidez e para aqueles que tenham mais de 65 anos que tenham até 2 mil a receber. Para pagar a dívida o governo terá que desembolsar R$ 6 bilhões. No entanto os trabalhadores e empresários vão rachar a conta. Toda vez que entra em discussão devoluções pecuniárias injustas praticadas cria-se uma polêmica demagógica de quem deve receber primeiro e em quanto tempo. Necessariamente a discussão singular deveria ser a seguinte: O governo deveria pagar suas contas em dia para dar o exemplo aos empregadores, e posteriormente fiscalizar as empresas e fazer um cadastro oferecendo prêmios e gratificações para aquelas que cumprem com suas obrigações fazendo seus pagamentos em dia!

8. RELAÇÃO DE DOCUMENTOS NECESSÁRIOS SAQUE DO FGTS

1. Para o trabalhador demitido sem justa causa:

a – Documento de identidade; 
b – Carteira de trabalho, 
c – Comprovante de Inscrição no PIS/PASEP
d – Termo de rescisão do contrato de trabalho; 
e – Comprovante de recolhimento da multa rescisória.

2. Para o trabalhador que tiver rescisão antecipada de contrato a termo, sem justa causa:

a – Documento de identidade; 
b – Comprovante de inscrição no PIS/PASEP; 
c – Termo de rescisão do Contrato de Trabalho.
d – Carteira de trabalho, na qual conte anotação do contrato por prazo determinado ou carteira de trabalho e cópia do contrato de trabalho por prazo determinado, 
e – Comprovante de recolhimento da multa rescisória.

3. Para o trabalhador com término de contrato a termo:

a – Documento de identidade; 
b – Comprovante de Inscrição no PIS/PASEP; 
c – Termo de rescisão do Contrato de Trabalho e cópia do contrato; 
d – Carteira de trabalho onde conte anotação do contrato a termo e cópia do contrato.

4. Para diretor não empregado exonerado sem justa causa:

a – Documento de identidade; 
b – Comprovante de Inscrição no PIS/PASEP; 
c – Cópia da Alta da Assembléia que deliberou o afastamento ou ato próprio da autoridade competente.

5. Para o diretor não empregado com término de mandato:

a – Documento de identificação; 
b – Comprovante de Inscrição no PIS/PASEP; 
c – Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho; 
d – Cópia da ata de assembléia que comprova o término do mandato ou ato próprio da autoridade competente.

6. Para aposentados:

a – Carteira de trabalho; 
b – Documento de identificação; 
c – Comprovante de Inscrição no PIS/PASEP; 
d – Certidão de Aposentadoria fornecida pelo INSS ou por Instituto oficial da Previdência estadual ou municipal, ou cópia autenticada da página do Diário Oficial onde conte a publicação do ato que aposenta o servidor público; 
e – Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, com ou sem justa causa ou a pedido, para saque dos depósitos de competências posteriores a concessão da aposentadoria.

7. Para trabalhadores avulsos:

a – Documento de identidade; 
b – Comprovante de Inscrição no PIS/PASEP; 
c – Declaração de suspensão total do Trabalho Avulso, preenchido pelo sindicato, em modelo padrão da CEF.

8. Para dependentes de trabalhador falecido:

a – Comprovante de Inscrição no PIS/PASEP do falecido; 
b – Carteira de trabalho do falecido; 
c – Certidão de dependentes emitidas pelo INSS ou documento fornecido por órgão de previdência municipal ou estadual, contendo data de nascimento e parentesco dos dependentes;
d – Certidão de nascimento dos dependentes menores, para cobertura de caderneta de poupança.

9. Portadores de HIV:

a – Documento de identificação; 
b – Comprovante de Inscrição no PIS/PASEP; 
c – Carteira de trabalho; 
d – Cópia do atestado médico fornecido por instituto oficial de Previdência Social ou agente de saúde pública, de âmbito federal, estadual ou municipal, que contenha:

– Classificação internacional de doença – CID
– CRM e assinatura do médico,
– Laudo laboratorial de diagnóstico sorológico da infecção pelo HIV.

10. Portadores de neoplasia maligna (câncer):

a – Documento de identidade; 
b – Carteira de trabalho; 
c – Comprovante de Inscrição no PIS/PASEP, 
d – Original e cópia do Laudo Histopatológico conforme o caso:

– Diagnóstico expresso da doença, 
– CID; 
– Estágio clínico atual da doença e do paciente; 
– CRM e assinatura do médico; 
– e – Comprovante de dependência quando for necessário.

11. Conta inativa:

a – Documento de identidade; 
b – Carteira de trabalho; 
c – Comprovante de Inscrição no PIS; 
d – Solicitação de saque do FGTS (formulário).

12 Culpa recíproca ou força maior:

a- Documento de identidade;
b- Carteira de trabalho;
c- Comprovante de Inscrição no PIS;
d- Termo de rescisão de contrato de Trabalho,
e- Sentença irrecorrível da Justiça do Trabalho, que reconheça a existência de Culpa Recíproca ou Força maior;
f- Comprovante de recolhimento de multa rescisória.

IMPORTANTE: No caso de culpa recíproca ou força maior, o empregador deverá recolher na conta vinculada do trabalhador uma indenização de 20% sobre o total dos depósitos realizados na conta do FGTS durante o contrato de trabalhos, devidamente corrigidos, inclusive sobre os saques ocorridos na vigência do contrato.

13 Extinção total ou parcial da empresa:

a – Documento de identidade; 
b – Carteira de trabalho; 
c – Comprovante de Inscrição no PIS/PASEP; 
d – Termo de rescisão do Contrato de Trabalho;

Declaração escrita da empresa informando a sua extinção ou cópia de Sentença que decretou a falência da empresa e nomeou o síndico da massa falida ou Certidão de óbito do empregador individual.

9. CRIAÇAO DE NOVOS CÓDIGOS DE SAQUES DO FGTS.

Outras Doenças:

Foi sugerida a possibilidade de saque para outras doenças graves, como Doença de Chagas e Cardiomiopatia, utilizando-se dos mesmos critérios dos casos já previstos (AIDS e Câncer), pois em muitos casos, o trabalhador não pode arcar com o alto custo de seu tratamento.

Abertura de Empresa:

Se o trabalhador constituir uma empresa, após um ano de existência, o mesmo poderia efetuar o saque das contas inativas para cobrir as despesas com investimentos e pagamentos de empregados, se comprovado que a empresa tem no mínimo três empregados registrados, e está em dia com as obrigações trabalhistas. Com isso, o Governo estará estimulando empresas produtivas e gerando novos empregos.Destinar parte dos investimentos do FGTS, para financiamento de projetos de micros e pequenas empresas, visando a geração de empregos. Tendo as mesmas taxas usadas hoje no financiamento de habitação e saneamento básico e obras de infra-estrutura.

Financiamento de Estudos;

Possibilidade de saque das contas ativas e inativas para pagamento do primeiro curso universitário do titular da conta ou dependente, seguindo a mesma regra do sistema financeiro de habitação, como forma de incentivo ao aprimoramento profissional.

Fundo Mútuo de Privatização do FGTS:

Que nas próximas privatizações sejam criados novos Fundos Mútuos de Privatização, como o criado em julho/200 para a venda das ações da Petrobrás. O FMP mostrou ser um bom negócio para quem investiu, e poderia Ter sido um sucesso maior, se houvesse maior divulgação e esclarecimento do mesmo. Conforme dados da pesquisa, 53% dos entrevistados usariam dinheiro do FGTS, caso haja nova oportunidade. A pesquisa mostra através das respostas dadas quais foram os motivos que levaram os trabalhadores a COMPRAR ou NÃO COMPRAR as ações.

Existem uma credibilidade na bolsa de valores, e na idéia de que as empresas privatizadas darão rendimento melhor do que o hoje pago pelo FGTS.

1.5 Saque como continuação do Seguro Desemprego para trabalhadores com mais de 40 anos de idade. Normalmente, pessoas a partir desta idade são discriminadas pelo mercado de trabalho. Neste caso, a cada seis meses, o trabalhador que comprovar que continua desempregado, sacaria 20% do seu saldo até zerar o FGTS.

Casa própria:

Criar melhores condições para o trabalhador que tem um terreno e quer construir sua casa. Exemplo:

Ter uma planta padrão aprovada pela prefeitura, eliminando alguns impostos e custos com engenheiros; Ter uma relação do material básico necessário para essa construção. Fazer a cobrança da taxa operacional para aquisição da casa própria de até R$500.00 direto na conta do FGTS, sem que o trabalhador precise desembolsar este dinheiro, que em muitos casos não possui. O trabalhador poder usar o FGTS para quitação ou amortização das prestações em financiamentos fora do SFH

Saque de 50% do FGTS após dez anos na mesma empresa:

Ao completar dez anos na mesma empresa, o trabalhador poderia sacar até 50% do saldo desta conta ativa para qualquer fim, o que estria estimulando a estabilidade no emprego.

Trabalhador demitido por justa causa:

Se comprovado que ap41ós decorrido um ano o trabalhador continua desempregado, ele poderia sacar 30% do saldo do FGTS, o mesmo no segundo ano, e no terceiro ano, teria a possibilidade de saque dos 40% restantes. Esta proposta é em função da realidade do mercado, que discrimina os trabalhadores nesta situação, tendo dificuldades na recolocação.

Permitir a aplicação de juros progressivos (3% a 6%) para os trabalhadores avulsos portuários.

Aqueles que optaram até o dia 22/09/71, e que apesar de terem fontes de rendas diversas, permanecem mais de dez anos recebendo seus depósitos através do mesmo sindicato.

10. PROPOSTA DO SAQUE DO FGTS EM CASO DE ACORDO TRABALHISTA.

Respeitando os embargos das opiniões em contrário, acreditamos que o simples fato de se propor a normalização e adequação das situações reais correntes no seio das administrações privadas ao arrepio da lei, sem amparo às partes contratantes, no que se refere à reiterada prática de acordos de rescisão trabalhista, via de regra, a pedido do empregado, para liberação do montante depositado em sua conta vinculada ao FGTS, a fim de atender necessidade que lhe seja premente, por si só justifica a valoração do presente estudo.

De outro giro, o atual momento político-social brasileiro, onde se busca implementar uma reforma e codificação de toda legislação trabalhista, quer consolidada ou dispersa, impõe, em função do efetivo estabelecimento e consolidação do Estado Democrático e de Direito, que sejam colacionadas sob a égide do Estado brasileiro todas as situações correntes, cuja prática reiterada vem demonstrando a necessidade de sua normalização, a fim de se evitar o estabelecimento de espécies de situações de natureza supra-legal, tais como as ocorrências a que se propõe legalizar o trabalho em relevo, sem que se depreenda um descontrole dos atos negociais e contratos de natureza cível e trabalhista realizados no seio da sociedade brasileira, e se transforme o sistema econômico e social nacional num arremedo de Estado neo-liberal regido unicamente pelos interesses privados, sem espaço para qualquer tipo de proteção aos interesses públicos envolvidos, ou a salvaguarda dos bens e direitos do cidadão Hipo-suficiente.

10.1 ORIGEM DA PROPOSTA.

O tema desta monografia teve origem a partir de nossa prática funcional ao longo dos anos em que se trabalha na condição de Gerente do Departamento Pessoal e Recursos Humanos de empresas privadas.

Por diversas vezes e diferentes oportunidades pudemos constatar a carência dos dispositivos normativos que consolidam a legislação do trabalho neste país, principalmente quanto à proteção dos interesses do empregado, via de regra, hipossuficiente em relação empregador.

Na história recente do desempenho dos meios de produção da economia brasileira, têm-se observado que nem sempre o aumento do saldo do balanço comercial, dos índices e volume de exportação ou consumo do mercado interno, corresponde, de forma direta, ao aumento da renda ou poder de compra do trabalhador brasileiro, ou tampouco a uma maior segurança e estabilidade no emprego, o que, via de regra, impõe a este a realização de manobras e malabarismos cada vez mais mirabolantes para condução regular de sua vida numa sociedade capitalista e de consumo insaciável.

Destarte, não é incomum se observar apelos dos trabalhadores pátrios diante de seus empregadores quanto à possível manipulação do saldo existente na conta vinculada no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), sem ameaça de seu vínculo empregatício, a fim de se permitir o atendimento de necessidades pessoais, sendo estas defesas por lei, decretos e portarias que regulamentam a aplicação do referido Fundo.

As argumentações dos trabalhadores variam desde da urgência em se realizar socorro médico a um de seus dependentes, não suportáveis pelo Plano de Saúde da Empresa, quando existente, ou atendidos pela Rede de Saúde integrante do Sistema Único de Saúde (SUS); a materialização de sonhos específicos referentes à aquisição de bens materiais; reforma de imóveis; quitação de aluguéis atrasados; viagem para assistência a familiar distante, etc, para citar somente estes; fato este que torna cada vez mais delicada a situação do empregador diante do conflito em se buscar uma medida para atendimento do pleiteado por seu empregado, principalmente quando representa figura de destaque na Empresa, e o cumprimento da legislação trabalhista em vigor, que não ampara a necessidade do interessado em epígrafe.

Por tais razões, tem sido prática comum no seio das Empresas privadas nacionais a condução de acordos tácitos, “in off” ou “fraudulentos”, entre empregadores e empregados, no sentido de se simular a demissão do trabalhador, para possibilitar a este o resgate do saldo em sua conta vinculada ao FGTS, voltando a contrata-lo, na mesma função ou diversa, em momento posterior, quando não se é possível transferi-lo para outra empresa do ramo.

A situação suso indicada começa a perpetuar uma situação cada vez mais delgada e prejudicial à constituição do FGTS em si, na medida em que, embora atenda a interesse das partes envolvidas, produz prejuízo ao Fundo como um todo, que representa o interesse de toda a classe de trabalhadores brasileiros e se constitui em conquista do empregado nacional com sede constitucional, e, por conseqüência, de toda sociedade nacional, na medida em que, tanto a redução dos valores que devam ingressar no Fundo a título de multa quanto à sua devolução, a descontar do montante a ser recebido pelo trabalhador demitido, de todas as formas representa uma direta diminuição do patrimônio do trabalhador brasileiro e da sociedade como um todo, uma vez que se sabe ser o FGTS um dos fomentadores da política de geração de empregos do Governo Federal, quer pelo incremento da construção civil, outros setores menores da economia, etc.

Em princípio, os recursos metodológicos a serem utilizados para desenvolvimento do presente trabalho estarão fulcrados por sobre os procedimentos adotados por ocasião da realização dos contratos de trabalhos à espécie, sua rescisão na forma da lei e os permissivos legais em que se discriminam os casos para celebração de acordos de trabalho.

De outro giro, serão realizadas pesquisas de campo, com entrevistas junto aos empregados e empregadores que já efetivaram o tipo de acordo que se propala ao longo deste tema, para se elucidar os “casos-tipo” em que a necessidade diante da realização do acordo de rescisão trabalhista se dá por conta do empregado, para atendimento de interesses pessoais, com a aquiescência do empregador, ambos atuantes ao arrepio da lei.

Após o elenco das situações tiradas na pesquisa de campo sugerida acima, seriam realizadas entrevistas com os magistrados de primeira e segunda instância da Justiça do Trabalho e representantes das classes dos trabalhadores, a fim de se aparar as arestas de dúbia interpretação normativa e as armadilhas infralegais que poderiam ser criadas a partir do texto normativo a ser proposto, quanto à regulamentação da liberação da multa do FGTS em casos de acordo trabalhista.

À luz de tais considerandos, acreditamos que somente a regulamentação de tal prática, trazendo os seus meandros e alicerces sob a égide do Estado, poderá amenizar os malefícios sociais por ela produzidos, apesar de se reconhecer que esta, num primeiro momento, pareça atender a necessidade do trabalhador em questão, pois não se conhece na história da humanidade a subsistência de qualquer sociedade que tenha sobrevivido quando o interesse do particular houvera tido supremacia sobre o social ou público.

Estes são os elementos motivadores que nos conduziram à elaboração da presente proposta em liberar o saque do FGTS em caso de acordo rescisório.

Considerando o conflito doutrinário e jurisprudencial existente sobre a natureza jurídica que define o FGTS, discriminação “sine qua non” para o desenvolvimento do tema proposto, a despeito da norma aplicada à espécie, lei 8036/90 e legislações posteriores, darem tratamento de exação tributária, espécie de contribuição social ao FGTS, o que, em tese, tornaria ilegal e inconstitucional qualquer forma de discussão sobre a disponibilidade do patrimônio em que se constitui o FGTS, partiremos, para consubstanciação do tema em epígrafe, do pressuposto fundamental definido no seio da Suprema Corte Brasileira, que, por maioria de seu colegiado, definiu o FGTS como instrumento de aplicação do Direito Social em proteção ao trabalhador brasileiro previsto na Constituição pátria, sendo, à espécie, patrimônio do trabalhador nacional, portanto, elemento integrante, por cota de participação e depósitos vinculados, do patrimônio financeiro de cada trabalhador brasileiro, cujo valor deverá ser analisado em cada caso específico.

FONTES E BIBLIOGRAFIA

– Jurisprudência e julgados das Juntas de Conciliação e Julgamento e dos Tribunais Regionais do Trabalho do Estado do Rio de Janeiro e Distrito Federal.
– Constituição da República Federativa do Brasil, 1988, EC 42.
– Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990 – Dispõe sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, e dá outras providências.
– ALVIM, José Eduardo Carreira. Elementos de Teoria geral do Processo. 7ª Ed. Rio de Janeiro.
– PINTO, José Augusto Rodrigues. Recursos nos Dissídios do Trabalho: teoria e prática. 3ª Ed. Rio de Janeiro. 1993.
– CHAVES, Pires. Ações das Leis do FGTS. São Paulo: LTr, 1969.
– SAAD, Eduardo Gabriel. Comentários a lei do FGTS. São Paulo, 1991.
– NASCIMENTO, Amauri Mascaro. Comentários as leis trabalhistas. São Paulo. 1991.
– SILVA, Flavio Rodrigues. Fundo de Garantia. Rio de Janeiro: Fundação Getúlio Vargas. 1999.
– DOMINGOS, Marcos Abílio – Introdução ao Direito Individual do Trabalho – Ed. LTr/SP.
– NASTOR, Amauri Mascaro – Iniciação ao Direito do Trabalho – Ed. LTr 25º edição.

A Identidade do Garimpeiro na Obra Cascalho de Herberto Sales

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O presente artigo pretende fazer uma análise do livro Cascalho de Herberto Sales e chamar a atenção para alguns aspectos da obra voltados à questão da identidade do homem do garimpo das Lavras Diamantinas de Andaraí. A partir de fragmentos da obra será feita uma discussão em torno da condição social e principalmente da condição de servidão imposta a esses indivíduos. Ademais, pretende-se ainda fazer um panorama geral da obra destacando aspectos relevantes a essa condição como a prática do coronelismo, a condição de garimpeiro, a subalternização das autoridades a essa figura do coronel e por último o circulo vicioso vivido pelo homem do garimpo frente à força da ambição representada pelo desejo do dinheiro e a força da natureza representada pelo Rio Paraguaçu, único a não se curvar a autoridade ou desejo de alguém.

INTRODUÇÃO:

Analisar e fazer uma leitura cabal de Cascalho, obra escrita magnificamente pelo autor baiano Herberto de Azevedo Sales, torna possível conhecer um pouco mais da vida das pessoas que viveram aquele momento e um pouco da identidade dos indivíduos que habitavam as Lavras da Chapada Diamantina na década de 30. O autor nasceu na cidade de Andaraí, Bahia, na qual se passa o romance, no dia 21 de Setembro de 1917. Estudou em Salvador e depois retornou a sua cidade natal onde trabalhou como ajudante numa farmácia e exerceu efêmeras atividades comerciais. Aos vinte e dois anos já era titular do cartório de registro de imóveis e publicou alguns trabalhos avulsos na imprensa do Rio.

Estreou na literatura brasileira em 1944 com o romance Cascalho, inaugurando o ciclo temático cotidiano, relações de poder e da exploração do homem do garimpo frente ao coronelismo, capagagem, mulheres-damas e o Rio Paraguaçu, bem como, aspectos gerais que ajudam o leitor a ter uma visão do ambiente e do tempo no qual ocorreram os fatos narrados. Em especifico, a obra Cascalho ajuda o leitor a perceber a identidade do homem do garimpo, a sede de riqueza que habitava nos homens e a relação de dependência e extorsão num ciclo vicioso vivido por vários sujeitos em várias gerações.

Quando o autor se deu conta do êxito alcançado mediante a critica resolveu lagar o cartório e mudar-se para o Rio de Janeiro onde se dedicou ao jornalismo e à literatura. Em 1945 o autor resolveu fazer outra experiência romanesca com “Além dos Marimbus” também ambientado em Andaraí, mas que focalizava as atividades madeireiras de beira-rio. Porém, só publica o romance em 1961. Acabou por produzir uma extensa bibliografia que também é extremamente memorialista, na qual, contém literatura infanto-juvenil e a presença de contos além de romances.

Em sua prosa singela de uma realidade rude e marcada pela crueldade, Herberto Sales não tem um espírito demagogo, paternalista ou mesmo um discurso político em sua obra, mas, descreve uma realidade dura com inteligência e sensibilidade na forma de um realismo pungente destacando a natureza lutadora desse homem sofrido.

Segundo José Lins do Rego, o autor “procurou dar corpo as suas recordações de Andaraí”, e para tanto Cascalho é muito mais que uma romance regionalista ou realista, é principalmente um romance composto pelo viés ficcional da memória. (REGO in OLIVEIRA, 2006)

Por isso, ficou consagrado e desde 1971 tornou-se membro da Academia Brasileira de Letras e em 1975 assumiu a direção do Instituto Nacional do Livro. Faleceu em 13 de Agosto de 1999 em decorrência de um câncer de próstata e deixou uma obra riquíssima se destacando juntamente a outros escritores de renome da literatura brasileira.

Conhecer a obra Cascalho e compreender alguns aspectos relevantes desse importante romance histórico é o propósito desse artigo que visa aprofundar na questão da identidade do homem das lavras no que se refere a sua relação sociocultural e política. Inicialmente será feito um resumo da obra em estudo.

CASCALHO: UMA HISTÓRIA DE LUTA PELA SOBREVIVÊNCIA

O romance já se inicia com uma cena comum naquela região. Um homem morto é trazido pelos companheiros depois de mais um dia de trabalho pesado nas lavras. Choveu muito e nas cabeceiras do Rio Paraguaçu tudo se inundou, aconteceu tão rápido a tromba d’água que os homens foram pegos de surpresa e o infeliz que estava sendo carregado não conseguiu salvar-se. Na frente, vem o velho Justino que dá a noticia ao Coronel Germano de que mais um foi morto arrastado pelas águas. É importante fazer referência ao fato de que o morto “Raimundo, aquele frente” (Cascalho, p.9, 1989) não era conhecido nem mesmo pelo sobrenome, mais apenas o primeiro nome e pelo trabalho exercido, sendo retirado dele a condição de existência enquanto cidadão.

Ao Coronel, tudo lhe pertencia e para ele tudo isso era consequência do trabalho para o qual eram pagos. As lavras em sua totalidade era território dele e como tal, todos lhe respondiam e lhe tratavam com deferência. Um fato marcante na primeira parte do romance, dividido em quatro partes, é quando Zé de Peixoto, negro que se dizia afilhado do Coronel ficou bêbado e desafiou abertamente o coronel, daí por diante, o destino do negro é selado. E sendo este um homem muito temido por sua maldade, as pessoas prenunciam sua morte após esse ato heroico de desafio. Os homens demonstravam seu poder com armas ou atos de valentia, no caso de Zé de Peixoto, apesar de ter arma na mão simplesmente permitiu que o coronel lhe tirasse a arma e pisasse em seu peito. Mostrando quanto o poder de um pode subalternizar o outro a ponto do enfrentamento deixar de existir e como mais tarde o negro afirma: “estava bêbado”.

Outros personagens se destacam na narrativa, como Filó Finança cujo sonho é bamburrar e ficar rico, mas que até então continua levando a vida difícil de garimpeiro e, infelizmente, morreu sem realizar seu sonho. Silvério, um homem sertanejo que foi a lavras com o intuito de conseguir dinheiro para comprar um pedaço de terra e sofreu grandes humilhações em busca de seu sonho. Entre outros que possuem o mesmo sonho está: Agenor Cabeça-Seca, Joaquim Boca-de-Virgem, Benedito Lasqueado, Armando Bodeiro, Tindô, Juvenal Bosta-Voa, Peba e outros mais conhecidos pelos apelidos que pelos nomes, estando em diversas posições como campagueiros, garimpeiros, donos de venda e que direta ou indiretamente viviam do mesmo sonho: enriquecer.

Todos, de certa forma têm sua dignidade roubada ou são despojados dela no processo difícil de sobrevivência das Lavras Diamantinas, pois até mesmo os nomes (apelidos) recebidos são estereótipos que indicam uma condição de subalternidade. Esse fato fica claro também no apelido dado ao irmão do coronel. Este por sua condição de autoridade é conhecido pelo nome e pela patente militar, seu irmão por outro lado, é apenas Quelezinho, indicando que é inferior diante da posição exercida social e politicamente pelo irmão.

Na elite de Andaraí, ainda aparece como figura de decisão, um amigo pessoal do Coronel Germano e de seu irmão Quelezinho, Doutor Marcolino, que ninguém sabia de onde tinha vindo, mas que já estava ali a muito tempo. Além do coronel que comprava toda a produção de ouro na região, ainda havia seu Teotônio Teixeira, antigo garimpeiro que enriqueceu e agora fazia negócios na cidade; sua vitória dava esperanças a outros que tinham o mesmo sonho de fazer dinheiro fácil. O delegado Esquivel, o juiz Canuto Rufino e o promotor Oscar do Soure são outras figuras importantes na obra. Esses últimos, apesar dos títulos recebidos devem sua autoridade e poder diretamente ao coronel. O promotor por ser novo nas lavras, ainda se indigna com os desmandos da elite, porém, descobriu rápido que nada podia fazer.

Com a coragem desmedida de Zé de Peixoto de desafiar o coronel, este decidiu mandar matá-lo. Dr. Marcolino convoca para a incumbência o delegado Esquivel. O negro que morava com prostituta Joana Magra, é assassinado em uma emboscada no beco próximo de sua residência, crime esperado por todos e que não é investigado pela Lei. Num processo de conivência tanto o juiz Canuto como o delegado dão o caso por encerrado.

O Dr. Oscar de Soure, promotor de Andaraí não se conformou com a situação e resolveu denunciar as autoridades na capital os desmandos na região e o não cumprimento da lei. Esse fato resultou na expulsão do promotor que no processo tem sua imagem e sua moral denegrida pelos mandatários da cidade por meio de uma conhecida marchinha chamada Mineiro-pau, cuja finalidade era achincalhar, sujar a moral do promotor que é obrigado a fugir. Mais uma vez, a sobrevivência que busca o homem das lavras diamantíferas é também a de sua identidade enquanto homem, pois a desmoralização pública requereria também o enfrentamento ao coronel, algo que é preferível não se fazer, e nesse caso, fugir é a opção mais viável mesmo a custa de parecer covarde.

Nesse momento, também está ocorrendo uma baixa no mercado diamantífero que deixa a elite preocupada. O coronel é obrigado a comprar e guardar os diamantes até um momento oportuno. Por conta de uma fraude que aconteceu, as pedras ficaram desvalorizadas e os gringos (como os estrangeiros eram conhecidos) não quiseram comprar por um tempo até estabilizar o mercado. O sírio Mansur, autor da fraude é o único personagem na obra que enganou a autoridade do coronel e saiu da cidade com o dinheiro e sem possibilidade de sofrer uma represália.

No entanto, para Filó Finança é um momento singular. Ele, Silvério e Boca de Virgem conseguem bamburrar e gastam o dinheiro todo com mulheres-damas e pagamentos de bebidas aos companheiros de profissão, pois o principio é permanecer no garimpo e conseguir ganhar mais. Nesse momento do romance, Silvério abandona o povoado da Passagem com o dinheiro que conseguiu e provavelmente volta para casa. Como o circulo é vicioso, na manhã seguinte ao bamburro, Filó e seus companheiros voltam as grunas onde este encontra a morte. Uma cabeça d’água atinge o Paraguaçu e como havia pressa para o termino do trabalho, ele e seus companheiros passam a noite embaixo da terra recolhendo o cascalho para a cata do diamante. Em pouco tempo as águas alagam tudo e mais uma vez a noticia se repete: apenas um homem morreu. É como se tudo estivesse pronto para começar outra vez.

As mulheres pouco aparecem na obra Cascalho e quando aparecem estão sempre em condição de servidão, seja diante do marido ou do amante, como acontecia com dona Santa e Nenzinha, respectivamente esposa e amante do Coronel Germano. Ou ainda são mulheres-damas que se deitavam com os garimpeiros por uns trocados ou se amasiavam a algum como foi o caso de Joana Magra com Zé de Peixoto. Como acontece com os homens, as alcunhas também são parte do nome das mulheres, conhecidas por alguma característica física como a negra Vitalina, Joana Magra, Sinhá do Ouro e outros nomes que destacam suas condições naquela sociedade de esposas, amantes, filhas, mulheres-damas, rezadeiras… Evidentemente, também são despojadas de suas identidades e permanecem na condição servil, nem que sejam subalternas a um homem. Na luta pela sobrevivência, as mulheres mostravam sua resistência diante de uma sociedade machista.

Todas as personagens no livro inclusive o coronel tinham plena consciência de que a única força nas lavras que poderia derrotá-los era o Rio Paraguaçu, tão rico e tão traiçoeiro. Detentor de toda a riqueza cobiçada pelos homens e também detentor de suas vidas. Pois a sobrevivência era a regra diária e ganhar o sustento a necessidade de todos, não importando de que forma isso aconteceria.

RELAÇÕES DE PODER E IDENTIDADE EM CASCALHO

Quando falamos em relações de poder é impossível não lembrar no processo de mais-valia pregado por Marx no século XIX, principalmente porque esse processo ocorre diariamente no capitalismo atual, no qual vendemos a nossa força de trabalho irrisoriamente para o enriquecimento de alguns numa sociedade extremamente desigual. Segundo Aníbal Ponce, desde que a ‘Educação enquanto saber torna os homens superiores uns aos outros, e esse saber é usado para manipular e dominar os indivíduos que não detém tal conhecimento, a Educação passa a ser mantenedora dos privilégios e confere poder a quem domina seus processos’.

Portanto, um olhar mais arguto na obra em estudo nos revela a verdade dessas declarações, uma vez que, nas lavras o trabalho duro era feito por muitos e os lucros ficavam nas mãos de poucos. O trabalhador braçal vendia sua força de trabalho e era mal pago por isso e o comprador no intuito de proteger seus lucros se aproveitava da ignorância de seus trabalhadores para manipulá-los e enganá-los.

A identidade do garimpeiro passa a ser a de alguém que trabalha muito tem grandes esperanças, mas não tem competência para atingir seus sonhos, pois abandonam suas famílias, terras, tudo que tem na busca de ficar rico.

“… a identidade do garimpeiro, praticamente é a mesma, são pessoas que abandonam famílias e se deslocam para onde foi descoberto um novo garimpo. Lá trabalham, se ganharem dinheiro, logo buscam a família. Caso não encontrem o bamburro esperado, saem à procura de um novo garimpo.” (SILVA, p.29, 2006)

Nessa fala fica claro, que conseguir bamburrar é um sonho possível mais nem sempre aproveitado, pois o garimpo é como uma febre de jogo fazendo o garimpeiro pensar sempre em trabalhar mais e ganhar mais, estando sempre explorado e na miséria absoluta. Tendo poucas oportunidades de estudar e exaustos pelo trabalho braçal, o garimpeiro não tinha oportunidade de aprender a ler e escrever, o que resultava numa ignorância não só das letras, mas também dos números. Dessa forma ele também é espoliado da sua condição de cidadão não tendo os mínimos direitos respeitados por aqueles a quem prestam serviços, pois se não for para esse patrão será a mesma condição com outro.

Daí, o diferencial do personagem Filó Finança, que recebeu esse apelido justamente por deter certo conhecimento das letras e se destacar na narrativa por não ser enganado nas contas todo o tempo, como seus companheiros, não só pelos compradores de pedras preciosas mais também pelos donos das vendas e por seus patrões. Por exemplo, a cena em que Filó Finança consegue bamburrar é de grande interesse aqui, pois, ao ir falar com o patrão e negociar o carbonato que havia encontrado, ele e seus companheiros não tem ideia do valor real da pedra que levam. O patrão, seu Teotônio, aproveita-se disso e quando Neco diz que está pouco o dinheiro oferecido e que a pedra valia mais, diz que ele os companheiros poderiam ver se alguém dava mais dinheiro, a reação de seu Teotônio é de auto-afirmação de sua autoridade.

“_ Correr a praça? Você se esquece de que trabalha em minha serra? _ Ao proferir as últimas palavras, sentiu a necessidade imperiosa de repeti-las; elas tornavam mais convictas seu tom desabrido. _ Em minha serra? _ continuou. _ Então você acha que eu vou consentir que diamante ou carbonato saído em minha serra vá parar nas mãos de outro comprador?

Filó interferiu: não compreendia como Neco podia ter feito uma pergunta tão estúpida.

_ Veja se o senhor pode dar mais alguma coisa _ disse.

Mas o capangueiro prosseguiu:

_ É por estas e outras que eu estou suspendendo muitos garimpeiros que trabalham em minha serra. Nem todos sabem cumprir com sua obrigação.” (SALES, p.221,1989)

Assim, a reação de seu Teotônio nada mais é que uma auto-afirmação de seu direito de mandar e desmandar sem dar aos trabalhadores as condições de exercer o direito de venda de forma democrática, uma vez que as terras e tudo o que está nela pertence ao dono. Portanto, Filó e seus companheiros acostumados a não ir de encontro aos patrões aceitam de forma paternalista o dinheiro ganho e não reclamam mesmo estando certos.

Mais uma vez, a condição de inferioridade e de subalternidade demonstrada pelas personagens denuncia a condição dos garimpos, onde esses homens aceitavam o que lhes era oferecido sem reclamar. E quando aflora em algum momento um pensamento ou um reflexo de rebeldia, rapidamente é extirpado pela ameaça latente de perder a única fonte de renda e sobrevivência: o garimpo. Percebe-se que esses sujeitos são proibidos de pensar por si mesmos e dessa forma tudo que pode fazer é se curvar aos mais fortes.

Fica claro que a condição vivida ali, faz parte do imaginário psicossocial a tal ponto que aceita-se essa condição como um fato, não passível de mudança. O fato de viver nas serras e nunca entrar em contato com outras realidades além de sua, faz com que esses indivíduos fiquem alheios ao descompasso social no qual vivem sendo enganados no sonho de enriquecer e principalmente aceitando essa condição e atribuindo-a ao divino.

_ Nós é que não passamos disto: vivemos sempre com uma mão atrás e outra adiante. Nunca temos nada…

_ O bocado não é pra quem faz – disse um dos garimpeiros que tinham chegado por último.

E acrescentou:

_ Pobre na festa, pau na testa.

_ Deus já fez o mundo assim – opinou Joaquim Boca-de-Virgem. –

Ninguém pode consertar o que Deus fez. Cada qual já nasce com o seu destino traçado.

_ E se chorar é pior – observou outro garimpeiro.

_ E se torcer – ajuntou outro – o buraco é maior. Desde o começo do mundo que existem ricos e pobres. É da vida. Em todo lugar é assim.

(…) E Boca-de-Virgem completou:

_ Se não fossem os pobres, os ricos não existiam. Mas também, se os ricos não existissem, de que é que os pobres iam viver? ( SALES, p.203, 1989)

No fragmento acima, fica claro o quanto o autor se utiliza do conhecimento do homem em si que vivia aquela condição, interagindo com sua sensibilidade e até com seu desespero diante da condição absurda em que vive. Mesmo tendo até mesmo sua identidade sendo trocada pelos apelidos recebidos, em conseqüência de características físicas e/ou mesmo alterado no processo de integração com a natureza (serras) e com a grosseria do ambiente diamantino, ainda assim ele permanece esperançoso de mudar sua condição. Os apelidos recebidos (Bosta-Voa, Peba, Boca de Virgem, Tindô, etc.) são marcas de sua integração com a condição de objeto, a qual é submetido, pois, mesmos se as alcunhas incomodassem o melhor seria não se “aporrinhar” porque nem mesmo dos apelidos são capazes de livrar-se, uma vez que representam também os preconceitos e a condição histórica de inferioridade na qual estão inseridos.

Essa condição, porém, apesar de ser social ela é também psicológica, pois a pesar dos jogos de poder, a condição do personagem Quelezinho é a de alguém que apesar de estar numa condição socialmente privilegiada, também é servil a figura de seu irmão e sujeito a seus desmandos. Ele, porém, aceita tal condição como justa mesmo sendo desrespeitado.

CONCLUSÃO

Desta forma, observamos o quanto da prática do regionalismo literário está presente na obra de Sales quando fazemos uma retrospectiva de outras obras que tem um cunho semelhante, porém, são totalmente diferentes de Cascalho. Uma vez que, essa questão do homem sertanejo, desrespeitado e alquebrado pelo trabalho sendo explorado pelos detentores do poder, aparece com freqüência em obras de outros autores como Raquel de Queiroz em “O quinze”, José Lins do Rego em “Fogo morto” e principalmente em Graciliano Ramos em “Vidas Secas” e não se pode deixar de citar as várias obras de Jorge Amado que seguem essa linha; a obra de Sales é principalmente rica porque ela fala da condição do homem na vivência da sua bruta realidade sem em momento algum tentar imitar a linguagem do grupo forçando um reconhecimento pelo leitor, mas, faz com que este reconheça a condição dos personagens e se identifique com ela pensando que uma mudança de sua condição é necessária.

A figura do garimpeiro entra numa condição de igualdade no que se refere a região, a exploração e o desrespeito, mas se distância no que se refere a não imitar a forma de falar do garimpo, mais ao mesmo utilizar sua linguagem cotidiana.

As condições apresentadas no romance é também uma denúncia social como eram os outros da mesma época do Modernismo de 1945, no entanto, a análise é feita a partir da condição de conhecedor dos fatos narrados e por isso livre de um discurso demagógico, paternalista ou político. Não tenta construir um discurso identitário para o garimpeiro, pois sua identidade já é óbvia desde o momento em que se inicia a narrativa. Porém, apesar de sua condição de servidão nas lavras, o garimpeiro é antes de tudo um forte, pois mesmo preso em circulo vicioso tem esperanças de vencer a situação no qual está inserido socialmente.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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OLIVEIRA, Ângela Vilma dos Santos. A poética da memória: O romance de Herberto Sales. Tese apresentada à Coordenação de Pós-Graduação em Letras da UFPE para obtenção do Grau de Doutor em Teoria da Literatura. Recife, 2006. Acesso em 26/09/2009 no www.ufpe.br/pgletras/2006/teses/tes-angela-vilma-oliveira.pdf

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