Agencia de Viagem

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1. INTRODUÇÃO

O presente relatório tem como finalidade discorrer sobre a vivência do estágio curricular supervisionado, realizado no Albergue da Costa Hostel Natal, no qual foram cumpridas as 150 horas propostas pela grade curricular universitária.

Objetiva-se, com as explanações que se seguem no transcurso deste trabalho, estabelecer a ponte que une teoria e prática, de forma clara, abrangente e pessoal, utilizando referenciais teóricos que darão suporte às abordagens feitas segundo a prática vivenciada.

Pretende-se com este relatório, mais do que uma simples explanação e descrição das atividades desenvolvidas no período proposto para o estágio. O foco é perceber a importância de se aplicar os conhecimentos teóricos de forma a contribuir para o desenvolvimento organizacional da empresa que abriu as portas para receber novos integrantes do mercado, desbravadores de novos caminhos.

2. O SURGIMENTO DA ATIVIDADE TURÍSTICA

A palavra Turismo provém do termo Tour, que significa dar uma volta. Sendo assim, o turismo consiste basicamente no deslocamento de pessoas por um período de tempo determinado. Inúmeras são as definições para essa atividade. A mais aceita, adotada pela OMT, considera que o Turismo envolve deslocamento de pessoas por um período superior a 24 horas e inferior a 3 meses, com a utilização de infra-estrutura turística, não havendo, por parte do turista, nenhum envolvimento com atividades lucrativas e remuneradas.

As viagens turísticas tiveram início da Grécia Antiga com os jogos olímpicos. As pessoas se deslocavam para assistir aos jogos, como uma alternativa à diversão e ao lazer. Para Barretto (p. 44) existem duas vertentes para o início das viagens: a primeira acima mencionada, e a segunda de que foram os fenícios os primeiros viajantes, já que foram eles os inventores da moeda e do comércio. A motivação para os grupos de viajantes caracteriza hoje o que se conhece por turismo de lazer.

No século XVI as viagens particulares, também conhecidas como não-oficiais foram incrementadas. Pode-se dizer que a motivação nesse caso era o desejo de comunicação e conhecimento do mundo. Nessa época ainda não existiam meios de comunicação eficientes, então, a melhor maneira de se conhecer novo ambiente e nova cultura era através de viagens. Esses deslocamentos ainda não caracterizavam o turismo; eram apenas tours, viagens breves de ida e volta realizadas por uma minoria privilegiada.

Já no final do século XVIII, as viagens ganham uma nova motivação: a busca do descanso e da contemplação da natureza, hoje, vistos como a fuga da realidade dos grandes centros urbanos. Somente no século XIX, após a Revolução Industrial, foi que o turismo passou a ser visto como atividade socioeconômica. Começaram então as primeiras viagens organizadas por intermédio de agentes. Thomas Cook foi o primeiro agente de viagens. Foi ele quem elaborou os primeiros pacotes turísticos. Esse é o começo do Turismo Moderno.

No Brasil, o turismo enquanto fenômeno social começou somente na década de 1920 e com a motivação de lazer. Segundo Barretto (p. 56). Grandes contingentes passaram a viajar a partir de 1950, embora seu número não tenha atingido a totalidade da população – apenas cerca de 30%. Seguindo ainda a linha de pensamento proposta pela autora, “As classes altas consomem turismo partículas e as classes médias, turismo de massas” (idem, p. 56).

Avançando no tempo, a análise econômica do turismo em 2007, dados do Banco Central divulgados pelo Ministério do Turismo demonstram que os turistas estrangeiros que visitaram o Brasil no primeiro trimestre deixaram US$ 1,332 bilhão, o que corresponde a um incremento de 9,66 quando comparado ao ano de 2006. Isso mostra o constante crescimento da atividade turística no país, e já dá indícios de que nos próximos anos o crescimento será ainda maior.

3. EVOLUÇÃO HISTÓRICA DA HOTELARIA

O ser humano sempre teve a necessidade de se deslocar de um local para o outro. As primeiras viagens surgiram desde os tempos mais remotos e, conseqüentemente, surgiu também a necessidade de abrigo para os viajantes, daí o aparecimento das estalagens.

O primeiro hotel que se tem notícia no mundo foi uma hospedaria na Grécia Antiga, que sediava os jogos olímpicos. Já as terras romanas eram mais voltadas para o lazer e não para hospedagem. Mas isso não impedia que ela dispusesse de aposentos para abrigar os visitantes. Esses aposentos podiam ser luxuosos ou simples, dependendo do status do cliente. Com a construção das estradas, no Império Romano, novo impulso foi dado à expansão das viagens: os locais ficaram mais acessíveis. Isso levou à necessidade de novas hospedarias, uma vez que, além de ter aumentado o fluxo de viajantes, os meios de transporte eram lentos, o que dava às viagens o caráter duradouro.

A Grã-Bretanha incorporou à sua cultura a hospitalidade, o que representou um novo estímulo à construção de pousadas à beira das estradas.

Com a queda do Império Romano (476 d.C.), a falta de segurança ocasionou o declínio do número de hóspedes. Como conseqüência, as pousadas ficaram prejudicadas. Assim, a hospedagem passou a ser oferecida por monastérios, por serem mais seguros; os monges se dedicavam ao atendimento aos viajantes, no entanto, cabia a cada hóspede a responsabilidade sobre o seu próprio bem-estar (roupas, alimentação etc.).

No século, as viagens se tornaram mais seguras e as hospedarias de beira de estrada voltaram a atuar. No século XVI, a profissionalização atingiu Londres: os hoteleiros foram legalmente reconhecidos, passando de hostelers (hoteleiros) para innholders (hospitaleiros).

A expansão das diligências na Europa também foi de grande influência na hotelaria. O surgimento das ferrovias, em 1840, representou um duro golpe para os hoteleiros, pois, como o transporte era mais rápido, as viagens passaram a ter menor duração. Percebeu-se a necessidade de adaptação dos hotéis; enquanto alguns se adaptavam, outros fechavam suas portas.

No final do século XIX começaram a surgir os primeiros hotéis de luxo.

No Brasil, o desenvolvimento da hotelaria se deu com a chegada da Família Real ao Brasil, em 1808. O marco da hotelaria foi a inauguração do Copacabana Palace, no Rio de Janeiro. A partir daí, novos hotéis foram surgindo. Na década de 40 houve grande desenvolvimento da hotelaria devido aos incentivos do governo. Na década de 70 registrou-se grande crescimento do setor hoteleiro. Essa fase de expansão coincidiu com os incentivos fiscais para a construção de novos hotéis. Com isso, cadeias internacionais se instalaram no Brasil, dentre eles o Hilton, em São Paulo, e o Sheraton, no Rio de Janeiro. Na década de 90, o governo ofereceu, através do BDNES, linha de crédito para a construção de novos hotéis.

Outro ponto de destaque no desenvolvimento da hotelaria brasileira é a forte demanda de turistas. São eles que determinam o mercado e a consolidação de novos hotéis. O crescimento das diversas formas de turismo, como o turismo de eventos e o turismo de negócios, demanda grande quantidade de pessoas, e isso determina o crescimento da rede hoteleira para satisfazer as necessidades do turista.

4. HISTÓRIA DOS ALBERGUES

O movimento alberguista possui quase 100 anos de história e foi fundado pelo professor alemão Richard Schirman, que tinha a visão de desenvolver viagens de forma descontraída e econômica. Através dele, foi criada a rede Hostelling Internacional, marca mundial da rede alberguista. O primeiro albergue surgiu na Alemanha, em 1909. A partir da década de 20, o alberguismo foi se difundindo e ganhando grandes dimensões mundiais.

Os albergues chegaram ao Brasil em 1961, através do casal Joaquim e Ione Trottas que, inspirados nos albergues que visitaram da França, trouxeram a idéia para implementação no Brasil. Esse casal carioca instalou o primeiro albergue brasileiro no Rio de Janeiro, sob o nome de “Residência Ramos”, que funcionou no período de 1965 a 1973. Nessa mesma época, havia em São Paulo dois novos Hostels, que foram fechados durante o governo militar, sob alegação de que reuniam jovens universitários, indo contra as ações governamentais.

Em 1971, foi fundada a Federação Brasileira de Albergues da Juventude (FBAJ), com sede no Rio de Janeiro. Hoje, existem mais de 60 albergues a ela credenciados. Em Natal, apenas dois albergues são credenciados: o Albergue da Costa e o Náutilus Apart Hotel.

5. ALBERGUE DA COSTA: um estilo alternativo de ser

O Albergue da Costa teve suas atividades iniciadas no dia 14 de abril de 2003. Surgiu da idéia dos dois sócios – Henrique e George da Costa – de oferecer mais uma opção de hospedagem no Bairro de Ponta Negra. Naquele momento já havia dois albergues em Natal – o Albergue Lua Cheia e o Verdes Mares – e uma demanda crescente que não estava sendo atendida.

A empresa foi estabelecida na Avenida Praia de Ponta Negra, 8932, com o objetivo principal de oferecer aos turistas hospedagem a um baixo custo com qualidade e divertimento, visando a limpeza, serviços de turismo – passeios tradicionais e alternativos – e um STAFF capacitado em línguas e informações sobre a Cidade do Natal e seu entorno.

O público-alvo alcançado é majoritariamente estrangeiro de 18 a 35 anos, com formação, homens e mulheres que viajam sozinhos ou em grupos. Ultimamente, vem-se observando um aumento no número de brasileiros, principalmente do eixo Rio – São Paulo e dos Estados do Sul do Brasil. Esse público, que anteriormente vinha apenas para congressos realizados na cidade já começa a realizar viagens de lazer, hospedando-se em albergues.

O Albergue da Costa não é credenciado a Rede Hostelling Internacional porque, segundo informação fornecida pelo sócio Henrique da Costa “a mesma alegou em duas oportunidades não haver demanda para outro Hostel em Natal”. Por não se credenciado, os proprietários encontraram, então, outras formas de divulgar o local entre o público-alvo como, por exemplo, o site Hostelworld, através do qual o cliente pode reservar on-line uma cama ou quarto no estabelecimento. Após alguns anos de trabalho, o Albergue também se encontra no Guia Lonely Planet, o mais importante meio gráfico do mundo para Albergues, sem custo nenhum, já que a inclusão neste guia ocorre por indicação de hóspedes que já desfrutaram o local e também por meio de visitas surpresas e sem identificação dos responsáveis pelo mesmo.

É importante citar aqui a formação acadêmica dos sócios da empresa. Ambos são graduados em Administração em Hotelaria e Gastronomia, o que se torna um diferencial perante os mais variados hotéis, pousadas e albergues existentes em Natal, visto que muitos desses estabelecimentos apresentam um número mínimo ou até mesmo inexistentes de profissionais graduados na área de hotelaria e turismo. Porém, mais do que essa formação, um outro diferencial em todo o processo de implantação do negócio foi as experiência vividas por ambos em outros albergues ao redor do mundo.

6. CONSIDERAÇÕES SOBRE O ESTÁGIO

O estágio no Albergue da Costa compreendeu o período de 28 de maio a 28 de junho de 2007, com carga horária total de 150h, sendo 35h semanais. O termo de compromisso foi devidamente preenchido para exercer atividades relacionadas ao setor de recepção e reservas que, em pequenos meios de hospedagem, como visto em atividades teóricas, se tornam um só setor. Por ser um estabelecimento pequeno, no decorrer do estágio foi possível operacionalizar todas as áreas da empresa.

No primeiro dia do estágio, a primeira atitude tomada foi conhecer todos os cômodos, a apresentação e a disposição dos quartos, bem como algumas regras da casa. Foi possível perceber que uma preocupação do Albergue da Costa é com a manutenção na qualidade no atendimento ao hóspede. Mais do que um atendimento profissional, a casa trabalha com o atendimento personalizado, rompendo as barreiras formais de interação com o hóspede. A receptividade já pode começar no aeroporto, com o serviço de transfer oferecido pelo albergue 24 horas. Para tanto, se faz necessária apenas a confirmação da hora de chegada, informando o número do vôo e a companhia aérea à recepção, para que a equipe possa estar no horário previsto para realizar o traslado. Dentro desse contexto, o estágio possibilitou o agendamento de alguns transfers, principalmente para o horário da madrugada.

Outra forma de satisfação e encantamento do cliente é o acesso livre à internet, pouco comum nos meios de hospedagem. Como abordado no módulo Atendimento ao Cliente do programa Competitividade dos Pequenos Meios de Hospedagem, parceria da ABIH com o SEBRAE, mais do que atender, é preciso satisfazer e encantar o cliente, o que pode favorecer a fidelização do hóspede e a promoção e marketing do estabelecimento. Não basta apenas atender às expectativas, é preciso surpreender o cliente para que o seu “momento da verdade”

É o momento em que o hóspede recolhe uma impressão e cria uma imagem da empresa (ABIH – SEBRAE. Mod. 3) seja exultante. Percebeu-se essa “cortesia” como um dos fatores de atratividade para o local. No momento em que as pessoas entravam em contato com o setor de recepção e reservas em busca de informações, foi perceptível a satisfação de muitos clientes potenciais quando era informado o acesso livre à internet.

Ao setor de recepção cabem as atividades de check-in/check-out, reservas, cofre, atendimento às solicitações dos clientes, comunicação com outros segmentos do turismo e afins, no sentido de tornar possível o desejo do hóspede de comprar passagem, realizar um city tour, passeio de buggy etc.

No Albergue da Costa é dada a preferência aos hóspedes que já possuam reservas realizadas pela internet ou telefone. Em caso de chek-in sem reserva, a casa costuma atender primeiramente aos estrangeiros, já que este é o seu público-alvo, ou então turistas brasileiros que já tenham precedência na localidade. Essa “exigência” interna tornou-se necessária para evitar problemas que aconteceram anteriormente, principalmente no que diz respeito à segurança dos hóspedes. Para evitar que incidentes voltem a ocorrer, a política da casa é evitar ao máximo check-in de pessoas em atitudes que possam ser consideradas suspeitas. No período de realização do estágio, alguns casos de pessoas suspeitas foram registrados, não tendo sido feito o devido registro, ou seja, não consolidando o check-in. Esses “candidatos a hóspedes” costumavam chegar sempre à noite e sem bagagens.

A empresa não trabalha com a Ficha Nacional de Registro de Hóspedes. No momento do check in os hóspedes preenchem uma ficha simples, sem grandes detalhes, apenas para efetivação do cadastro. Essas fichas ficam arquivadas, à disposição dos órgãos competentes de turismo, sempre que se julgar necessário o recolhimento dessas informações.

As reservas podem ser realizadas por telefone, através de solicitação no site (www.alberguedacosta.com.br), e-mail ou através da rede Hostelworld. No Albergue da Costa várias reservas foram efetuadas através dessa rede, comumente usada por estrangeiros. As reservas de brasileiros foram mais freqüentes via e-mail ou telefone.

Para facilitar o procedimento de reserva, o Albergue implementou um sistema informatizado, o Backpack Online, ainda em fase de implantação. O Backpack Online é um software de reserva internacional. Através dele, as reservas efetuadas são lançadas diretamente no sistema, o que facilita o trabalho da recepção e ajuda a minimizar a margem de overbooking.

Por estar ainda em fase de implantação no período em que o estágio foi realizado, muitas dúvidas surgiram, inclusive por parte dos gerentes na operacionalização do software. Desse modo, as reservas continuaram sendo feitas também pelo sistema tradicional já existente, uma planilha simples de Excel, apenas com as datas e a nomenclatura dos quartos. As reservas e pré-reservas eram diretamente lançadas nessa planilha, podendo sofrer alguma variação de quarto em caso de algum imprevisto.

O sistema on-line facilita o processo de reserva, porém, por alguns dias, esse processo ficou comprometido em virtude de problemas de conexão com a internet. Sendo assim, por um curto período, as reservas caíram bruscamente, já que a maior parte delas era feita via internet. Em alguns momentos, a casa apresentou-se com taxa de ocupação 0%; em outros, essa taxa mostrou-se elevada, atingindo 62,5%, como apresentado graficamente no apêndice deste relatório

Diariamente, ao dar entrada na recepção, era verificado o LPS (Livro de Passagem de Serviço), comumente chamado de Logbook, livro este no qual são registradas as informações relevantes do turno de serviço para que o funcionário do turno seguinte tenha conhecimento dos fatos que ocorreram e de algumas providências que necessitam ser tomadas.

O estágio foi finalizado no dia 28 de junho de 2007, com grande aproveitamento de todas as atividades as quais foram designadas para o setor de recepção. Restou grande experiência e aprendizado contínuo para os novos desafios do mercado.

7. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A vivência proporcionada pelo estágio curricular supervisionado possibilitou maior integração entre a teoria adquirida em conhecimentos técnicos em sala de aula e referência bibliográficas e a prática, tão importante para o crescimento profissional do estagiário, uma vez que abre as portas para o mercado de trabalho.

Foi possível perceber qual é de fato a essência do turismo, quais as motivações dos turistas e quais suas perspectivas quando chegam ao destino e, principalmente, o que eles esperam do meio de hospedagem ao qual escolhem. Diante das aspirações do turismo e do turista, fica claro que turismo vai muito além do que o simples deslocamento de pessoas. No tocante aos departamentos de recepção e reservas, pode-se perceber a discrepância existente entre a teoria aplicada aos setores e a prática à qual se submetem. Verificou-se que muitas das atribuições teoricamente cabíveis ao pessoal de recepção e reservas não é desenvolvida, assim como muitos aspectos vividos são de ramos diferentes.

Por ser um pequeno meio de hospedagem, e com estilo alternativo, percebeu-se que o Albergue da Costa tem seu diferencial na receptividade e na qualidade dos serviços prestados, além de romper as barreiras de formalidade comuns na área hoteleira e trabalhar com o estilo personalizado, no qual o cliente é sempre o centro.

O estágio supervisionado possibilitou o crescimento profissional. Apesar de já atuar no mercado de trabalho, embora em segmento diferente do turismo, a vivência serviu como amadurecimento enquanto profissional e como a porta de entrada para o mercado de turismo.

Cabe agora agradecer ao Albergue da Costa pela oportunidade concedida, pelo apoio e pela atenção dedicada tanto no período de realização do estágio como nos meses subseqüentes. Foi uma grande e válida experiência, que ficará guardada como o marco inicial do ingresso prático no setor de turismo e hotelaria.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ABIH – SEBRAE. Atendimento ao cliente – para pequenos meios de hospedagem. Mod.3. Sebrae: 2004. (Programa Competitividade dos Pequenos Meios de Hospedagem).
BARRETTO, Margarita. Manual de iniciação ao estudo do turismo.12.ed.Campinas, SP: papirus, 2002. (Coleção Turismo).
CASTELLI, Geraldo. Administração hoteleira
CÂNDIDO, Índio; VIERA, Elenara Viera de. Gestão de hotéis: técnicas, operações e serviços. Caxias do Sul: Educs, 2003. (Coleção Hotelaria).
MINISTÉRIO DO TURISMO. Dados e fatos – Estudos e Pesquisas – Boletim de desempenho econômico do turismo. Disponível em: http://200.189.169.141/site/arquivos/dados_fatos/Boletimdedesempenho/bdet14_v4.pdf Acesso em: 16 de setembro de 2007.

O Papel da Ergonimia no Design de Interiores

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No universo dos projetos para espaços de funções diversificadas existem três profissionais responsáveis por coordenar os projetos para a qualidade do ambiente construído: o arquiteto, o designer de interiores e o ergonomista. Definir o papel e o momento deles atuarem no projeto é uma questão que deve é estudada com cautela.

O ergonomista atua provocando a demanda e definindo cada vez mais seus serviços junto a outros profissionais, de maneira a garantir sua participação desde o início do projeto de novas situações de trabalho.

Infelizmente no Brasil, a ergonomia não aparece como ferramenta importante na concepção dos projetos, mas como recurso posterior, e mesmo assim, é muito pouco aplicada junto aos profissionais de design de interiores.

A ergonomia vem aos poucos ganhando importância como ferramenta fundamental para o design de interiores, que pode e deve trabalhar desde a formalização das idéias preliminares até o produto final, ou seja, na negociação do escopo do contrato, estudo preliminar, detalhamento do projeto, tomadas de orçamentos, acompanhamento da execução do projeto e na avaliação pós-ocupação.

O design de interiores está presente numa ampla tipologia de ambientes: de um evento cultural até hospitais e aeroportos e seu objetivo principal está na busca do conforto e do fácil deslocamento dos espaços.

Os designers necessitam de um profundo conhecimento, permitindo assim que façam projetos para indivíduos com diversos níveis de habilidades. Por essa necessidade é que surgem os métodos e processos ergonômicos, permitindo soluções para um grande número de pessoas, garantindo o conforto e o bem estar dos usuários.

Esse trabalho busca definir as principais atribuições desses profissionais e como essa interseção de funções funciona durante a concepção de um projeto.

TEMÁTICA CENTRAL

Estou sentado em uma poltrona giratória velha que range, como as que acostumavam ser vistas nas salas dos editores de jornais, ela tem uma almofada de espuma surrada. Quando uso o telefone, eu me reclino e me sinto Pat O’Brien em A primeira página.

Como a cadeira tem rodinhas, posso me locomover e alcançar os livros, revistas, lápis e grampos que estão à minha volta. Tudo que é necessário está à mão, como em qualquer local de trabalho bem organizado, seja ele uma sala de um escritor ou a cabine de um jumbo.

É claro que o tipo de organização necessária para se escrever um livro não é o mesmo que se precisa para pilotar um avião. Apesar de alguns escritores sentirem conforto com uma escrivaninha bem-arrumada, a minha está coberta por três camadas de livros semi-abertos, enciclopédias, dicionários, revistas, folhas de papel e recortes de jornal. (RYBCZYNSKI, 2002)

Esta epígrafe mostra claramente o papel da ergonomia para o design de interiores e sua abrangência em vários tipos de ambientes.

A ergonomia é um campo de atuação em amplo crescimento e engloba diversos ramos de atividades, com objetivo comum que é o conforto de usuários. Segundo GRANDJEAN (1998) trata-se de uma ciência interdisciplinar. Compreende a fisiologia e a psicologia do trabalho, bem como a antropometria é a sociedade no trabalho.

Seu objetivo prático é a adaptação do posto de trabalho, dos instrumentos, das máquinas, dos horários, do meio ambiente às exigências do homem. A realização de tais objetivos, a nível industrial, propicia uma facilidade do trabalho e um rendimento do esforço humano.

Pode ser classificada em três categorias distintas: ergonomia cognitiva, organizacional e física. A ergonomia cognitiva atua na percepção, memória e resposta motora do ser humano. Isto inclui o estudo da carga mental de trabalho, desempenho especializado, interação homem-computador, stress e treinamento relacionado a projetos envolvendo seres humanos e sistemas.

A ergonomia organizacional refere-se principalmente a otimização dos sistemas sócio-técnicos, incluindo suas estruturas organizacionais e políticas. Os tópicos relevantes incluem comunicações, projeto e organização temporal do trabalho, projeto participativo, novos paradigmas do trabalho, cultura organizacional, organizações em rede, tele-trabalho e gestão da qualidade.

Finalmente, a ergonomia física está relacionada com as características da anatomia humana, antropometria, fisiologia e biomecânica em sua relação à atividade física. Seus tópicos incluem o estudo da postura no trabalho, manuseio de materiais, movimentos repetitivos (LER), distúrbios músculo-esqueletais relacionados ao trabalho, segurança e saúde.

A ergonomia se propõe a desenvolver novos métodos, adquirir competência em negociação e desenvolver uma rede de interação com setores de empresas e seus fornecedores. Tudo isto em prol de sua participação na evolução do trabalho. Atualmente, esta ciência vem sendo considerada uma poderosa ferramenta diferencial tanto na concepção dos produtos, como na otimização dos ambientes como um todo.

O ergonomista atua provocando a demanda e definindo cada vez mais seus serviços junto a outros profissionais, de maneira a garantir sua participação desde o início do projeto de novas situações de trabalho. A entrada da ergonomia após a formalização do projeto é restrita e sem grandes resultados, uma vez que sua atuação se resume a uma consultoria ou fornecimento de dados sobre a atividade no trabalho.

Infelizmente no Brasil, a ergonomia não aparece como ferramenta importante na concepção dos projetos, mas como recurso posterior, e mesmo assim, é muito pouco aplicada em áreas como o design de interiores.

Segundo FILHO (2004), o uso dos conhecimentos da ergonomia encontra-se hoje no Brasil mais difundido e com numerosos exemplos nos setores industriais. Sua aplicação propicia facilidade do trabalho e rendimento do esforço humano.

Está ligada à organização do trabalho, destacando-se em diversos setores dos sistemas de produção, como por exemplo, nos objetivos de racionalização do trabalho para aumento de produtividade; na segurança, visando à prevenção de acidentes de trabalho; na organização de linhas de produção, ambientes e postos de trabalho, correção de equipamentos de uso individual e geral, entre outros.

O design de interiores é um campo de atuação bastante visado atualmente, e engloba conhecimentos muito específicos a tudo que se refere ao espaço interno de uma edificação. Alguns cursos ainda oferecem a disciplina paisagismo em sua grade curricular1, dando oportunidade do aluno intervir também em ambientes externos de pequena escala.

Assim como o paisagismo, a ergonomia também é uma das disciplinas oferecidas nos cursos de design de interiores. Desta forma, são apresentados os principais conhecimentos das técnicas ergonômicas na concepção de um projeto conforme as necessidades de seus usuários.

Durante a formulação de um layout de um ambiente, por exemplo, a ergonomia garante excelentes resultados no que diz respeito a luminotécnica, cor, design de móveis, conforto térmico, ou seja, todos os fatores a serem considerados num projeto de interiores.

A funcionalidade do layout está ligada à organização dos componentes no interior do espaço, de forma a gerar uma melhor praticidade funcional. Isto se dá basicamente através da mais lógica organização do espaço. Um espaço mal projetado pode prejudicar o cotidiano dos usuários na medida em que dificulta passagens, atrasa tarefas, ocupa mais espaço ou faz com que o espaço pareça menor.

O conforto ambiental considera as condições naturais e/ou artificiais que concorrem para a segurança, comodidade, bem estar e a própria saúde dos usuários. É proporcionado por meios artificiais (exaustão, ar-condicionado) e considera condições ergonomicamente adequadas de climatização. Tudo isso envolve sistemas de iluminação, ventilação natural, exaustão, refrigeração, calefação, sistemas de proteção acústica e térmica, sempre de acordo com as funções de cada espaço.

A iluminação é um fator relevante. Ambientes mal iluminados muitas vezes parecem menores, prejudicam a visão e criam áreas de sombra desconfortáveis. Já ambientes exageradamente iluminados, também causam desconforto em função da reflexão excessiva. O grande desafio é chegar a um projeto de iluminação equilibrado.

A acústica (níveis sonoros, fontes de ruídos e conversas indesejadas) também é um ponto relevante. A taxa de reverberação sendo elevada acarreta com o tempo, problemas como stress e perda auditiva. A garantia de um bom projeto de acústica é que a comunicação entre os usuários seja feita de forma clara e segura.

A seguir, será apresentada de que forma a ergonomia pode ser inserida num sistema de produção de um projeto, neste caso em design de interiores.

A OCASIÃO DA CONTRIBUIÇÃO ERGONÔMICA

Segundo WISNER (1997), a contribuição ergonômica pode ser classificada em: ergonomia de concepção, correção e de conscientização.

A primeira ocorre durante a fase inicial do ambiente. Requer um conhecimento profundo do programa visto que todas as decisões são tomadas em função de situações hipotéticas. Para um melhor conhecimento da situação inicial podem ser utilizadas metodologias sistêmicas de avaliação como a avaliação pós-ocupação (APO).2

Já a ergonomia de correção é aplicada em situações previamente existentes. Muitas vezes deixa de ser feita em sua totalidade, gerando resultados insatisfatórios em função dos custos elevados para sua aplicação.

A terceira, ergonomia de conscientização, ocorre em função das alterações sofridas pelo ambiente através de reformas, manutenção, etc. Sua importância é essencial para o correto funcionamento das fases anteriores.

Considerando a ergonomia de concepção a mais importante dentre as demais, serão apresentados dois estudos de caso onde esta foi aplicada com sucesso.

Objetivando a concepção de projetos são estudadas à partir da metodologia ergonômica (estudo da situação existente), as atividades do trabalho a ser projetado. É detalhado todo o processo de tratamento das informações, assim como avaliadas as interações entre os vários profissionais, e o nível de cooperação necessário dentro do processo de trabalho. Estes dados são o ponto central do estudo ergonômico e servem de base para o desenvolvimento de todos os projetos que se seguiram à este. Os usuários participam ativamente da concepção do projeto, à partir de críticas e sugestões dos anteprojetos e maquetes.

O design de interiores com a sua metodologia realiza o levantamento de dados (normas, levantamento físico, estudo de funções e áreas necessárias) para o desenvolvimento do projeto simultaneamente ao estudo de ergonomia.

PROJETO DA REDAÇÃO DE UM JORNAL DIÁRIO NO RIO DE JANEIRO

O projeto da redação foi desenvolvido através do trabalho conjunto de ergonomistas, arquitetos e outros profissionais, utilizando uma metodologia de projeto, que contempla a consideração do trabalho humano na concepção de ambientes de trabalho. O projeto ergonômico foi incorporado no processo projetual e teve por finalidade definir conceitualmente o trabalho, estabelecendo referências para sua evolução, gerando subsídios para o projeto do ambiente físico, softwares, planejamento da organização do trabalho.

Durante a fase de concepção do projeto, as funções do ergonomista e do designer de interiores foram divididas por etapas.

Numa primeira fase, a equipe de ergonomia foi responsável pelas especificações dos parâmetros a serem desenvolvidos, ou seja, um estudo relativo a organização do trabalho de uma redação de jornal.

Concomitantemente, os designers de interiores ficaram responsáveis por toda a parte de especificações de materiais de acabamento e pelo processo de criação e layout do espaço em questão.

Concluídas essas etapas, as equipes se uniram na gestão, conceituação e idealização do projeto, desenhos e maquete.

A seguir, houve uma nova separação das equipes. Os ergonomistas ficaram responsáveis pelo estudo do mobiliário, adaptações ao trabalho e interação humana, enquanto que os designers de interiores pelo enfoque do todo, espaço e a coordenação dos projetos de instalações.

O sucesso deste projeto se deve a introdução de conceitos ergonômicos na adequação dos ambientes às atividades de trabalho. É através do projeto e concepção do trabalho humano que se define o ambiente. O projeto teve como base à cooperação humana que é fundamental em uma redação para um trabalho de qualidade.

Este projeto recebeu a menção honrosa na premiação anual do IAB (Instituto dos Arquitetos do Brasil) em 2000. A parceria ergonomista-designer de interiores foi considerada positiva, principalmente em função da satisfação dos clientes observada no interesse de apresentar o resultado em diversos eventos internacionais.

PROJETO DE UMA SALA DE CONTROLE DE UMA INDÚSTRIA DE CELULOSE EM VITÓRIA – ES.

Neste caso, houve um posicionamento diferenciado de funções, o designer de interiores ficou subordinado ao ergonomista, visto que este último detinha o conhecimento de todas as especificidades do ambiente a ser projetado.

O projeto de uma sala de controle configura-se como um grande salão, o qual abriga postos de trabalho com inúmeros monitores para o controle e visores, onde o processo industrial pode ser controlado. Próximo a esse salão estão os ambientes de apoio, como o de lazer e serviços dos controladores.

Para este caso especifico, o designer de interiores ficou responsável pela parte estética do ambiente, especificando os materiais de acabamento e as cores a serem utilizadas, já que o ergonomista era responsável por toda parte funcional e técnica do projeto.

O resultado foi um espaço funcional e esteticamente agradável, garantindo satisfação dos usuários e aumento da produtividade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

A ergonomia vem aos poucos ganhando importância como ferramenta fundamental para o design de interiores e pode trabalhar desde a formalização das idéias preliminares até o produto final, ou seja, na negociação do escopo do contrato, estudo preliminar, detalhamento do projeto, tomadas de orçamentos, acompanhamento da execução do projeto, avaliação pós-ocupação.

Nesses estudos de casos acima apresentados, a parceria ergonomia-designer de interiores colaborou para a conceituação do trabalho futuro no processo de automação, para o conforto ambiental, funcionalidade do layout, criação de novas áreas, estética dos ambientes e concepção do mobiliário. Os ergonomistas também atuaram na especificação dos materiais, nos ajustes dos desenhos de execução, na redução dos custos e na negociação com as outras equipes de projeto.

Para a garantia de resultados eficazes, é importante ressaltar o papel da ergonomia desde a concepção preliminar de um projeto. O Ergonomista pode e deve participar do anteprojeto junto com o Design de Interiores, de maneira a garantir boas condições para o trabalho humano.

Neste trabalho, alguns fatores foram determinantes do sucesso, que devem aqui ser mencionados: a abrangência do contrato (que contemplava do projeto a sua implantação); a afinidade entre as pessoas da própria equipe de projeto e o bom relacionamento de todas as equipes.

REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA

CUIABANO, Ana Maria, SADIBA, Anis F., SANTOS, Venétia. Análise ergonômica do trabalho. Rio de Janeiro: Itsemap do Brasil, 1994

DAVIS, Gary. About: Ergonomics. The Design Council Disponível em: http://www.designcouncil.org.uk. Acesso em: abril de 2005

DEZIGNARÉ. Ergonomics, Barrier-Free Design, Universal Design,

Assistive Technology and Their Benefits Dezignaré Interior Design

Collective Disponível em:

http://www.dezignare.com/newsletter/ergonomics.html Acesso em: maio de 20

DUL, J. et WEERDMEESTER B. Ergonomia prática. São Paulo: Edgar Blucher, 1995.

FILHO, João Gomes. ergonomia do objeto: sistema técnico de leitura ergonômica. São Paulo: Escrituras editora, 2003.

___________________. Gestalt do objeto: sistema de leitura visual da forma. 2a edição. Reimpressão. São Paulo: escrituras, 2000.

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1 O curso de Design de interiores da Escola de Design da Universidade Veiga de Almeida possui em sua grade curricular as disciplinas paisagismo I e II.

2 “A APO é uma das metodologias correntes de avaliação de desempenho de ambientes construídos. Difere de outras metodologias… pois mesmo resgatando como subsídios de análises a memória da produção do edifício, prioriza aspectos de uso, operação e manutenção, considerando essencial o ponto de vista dos usuários, in loco.” (ORNSTEIN, 1992 p.12)

Aplicada em Edificações Históricas

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O artigo apresenta os resultados da APO aplicada no edifício da Faculdade de Direito da UFRJ, monumento histórico localizado na Praça da República, centro do Rio de Janeiro. Para isto, foram utilizados instrumentos da APO (questionários, entrevistas e Walk-through), abrangendo as vertentes técnica, funcional e comportamental. Através da Walk-through, foi possível identificar as deficiências da edificação e conhecê-la como um todo, abordando principalmente seus fatores técnicos e funcionais.

Os questionários e entrevistas focalizaram os fatores comportamentais do edifício e o grau de satisfação dos usuários. Além de identificar os problemas da edificação, a pesquisa permitiu avaliar as limitações e possibilidades de utilização da metodologia da APO na avaliação de edificações de valor histórico, considerando as restrições estabelecidas pelos processos de tombamento, que por sua vez acabam interferindo nas recomendações concluídas pela APO.

INTRODUÇÃO

Este artigo, fruto de uma pesquisa para dissertação de mestrado na área de História e Preservação do Patrimônio Histórico do PROARQ (FAU-UFRJ) (CHIMENTI 2000), trata do estudo de caso do edifício da Faculdade de Direito da UFRJ, conhecida até hoje pela sigla FND (Faculdade Nacional de Direito), onde a Avaliação Pós-Ocupação (APO) foi utilizada como metodologia de suporte para identificar alternativas possíveis para a preservação de edificações históricas.

O processo de reabilitação compreende o conjunto de ações empregadas para o beneficiamento e recuperação de um edifício, de modo a resolver os problemas funcionais e as anomalias construtivas, ambientais e funcionais, acumuladas ao longo dos anos, tornando-o apto ao tipo de uso atual e/ou previsto.

Por ser mais flexível que o processo de restauração, o processo de reabilitação pode ser aplicado a diversas edificações históricas que, embora sem condições de serem mantidas integralmente em seu estado original, necessitam ser preservadas, quer em função do estado de conservação do edifício, quer pelas necessidades decorrentes de seu uso.

A reabilitação deve se basear na modernização e na regeneração geral do imóvel, atualizando seus equipamentos, organizando os espaços existentes e melhorando seu desempenho funcional, tornando o edifício apto para sua completa e atualizada reutilização (PRUDÊNCIO, 1998). A reabilitação inclui também a restauração dos ambientes que conservem a identidade/integridade do edifício como monumento histórico.

No caso do nosso objeto de estudo, o edifício da FND – especialmente a partir de 1950, quando foram acrescidos dois pavimentos ao prédio – tem sido objeto de inúmeras intervenções pontuais, descaracterizando seu ambiente interno. Seria então, aconselhável que fossem realizadas as intervenções determinadas através de um processo de reabilitação que levasse em conta seu desempenho funcional, e não apenas as alterações pontuais. Mesmo depois de seu tombamento, realizado pela instância estadual em 1983, o edifício vem sofrendo reformas que não levam em conta os critérios de preservação.

Como em um processo de reabilitação é recomendável identificar as deficiências do edifício e estabelecer os critérios necessários para a intervenção, foi utilizada a metodologia da Avaliação Pós-Ocupação (APO), por seu caráter interdisciplinar, por considerar o desempenho dos edifícios nos seus aspectos técnico, funcional e comportamental dos edifícios e, principalmente, por fundamentar sua análise na opinião dos usuários do edifício ou ambiente analisado.

O HISTÓRICO DA EDIFICAÇÃO

O edifício da Faculdade de Direito da UFRJ, está situado à Rua Moncorvo Filho nº02 a 08, no lado oeste da Praça da República, no centro da cidade do Rio de Janeiro. É um monumento de valor histórico, visto que desde o século XIX, tem sido palco de diversos acontecimentos políticos da cidade e já sediou repartições públicas da história do Brasil. Construído no início do século XIX, foi a residência do 8 – Conde dos Arcos, último Vice-Rei do Brasil, D. Marcos de Noronha e Brito. Após a Independência do Brasil em 1822, o Solar foi comprado pelo Governo e adaptado para sediar o Senado Imperial.

Em 1889, por ocasião da Proclamação da República, o edifício tornou-se sede do Senado Republicano, permanecendo até 1925. De 1926 a 1937, foi ocupado por diversas repartições federais, inclusive o Departamento Nacional de Educação do Ministério da Educação e Saúde. A partir de 1938, passou a abrigar a antiga Faculdade Nacional de Direito da Universidade do Brasil (FND), atual faculdade de Direito da UFRJ .

Em 1983, a edificação adquire oficialmente a categoria de monumento histórico através do tombamento estadual (processo nº E – 03/31267/83) pelo INEPAC (Instituto Estadual do Patrimônio Artístico e Cultural).

DESCRIÇÃO DO OBJETO DE ESTUDO

O edifício da FND, alinhado à rua e livre de construções vizinhas, apresenta quatro pavimentos com fachada principal em ângulo aberto, formando o chamado Largo do CACO.

Sua fachada possui uma superposição das ordens clássicas e um coroamento em platibanda característicos de uma postura clássica. O volume quadrangular tem sua massa compacta de alvenaria na cor cinza (originalmente rosa, conforme relata o processo de tombamento do INEPAC).

Atualmente a fachada não possui características remanescentes de sua feição original. Em 1950, durante uma das reformas do edifício, foram acrescentados mais dois pavimentos e removidos os ornamentos da época do Senado Republicano, o que contribuiu para a grande descaracterização arquitetônica do prédio.

O pavimento térreo abriga três lojas (livraria, papelaria e cópia), o restaurante, o Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (CACO) e o Centro de Extensão Comunitária, que inclui o Juizado de Pequenas Causas, a Defensoria Pública e o Escritório Modelo. No segundo pavimento estão instaladas a biblioteca , as salas do acervo bibliográfico, o arquivo, o Salão Rui Barbosa e o Salão Nobre.

No terceiro pavimento estão localizados a diretoria, a Sala da Congregação, a sala dos professores, as secretarias de graduação e pós-graduação, os laboratórios de informática, o auditório e a sala de seminários. O último pavimento é destinado a dez salas de aula da faculdade. Este andar foi totalmente reformado em 1997, tendo suas salas de aula reformuladas e pintadas. Possui intenso movimento durante os períodos da manha e da noite.

Atualmente a FND abriga cerca de 1500 alunos, 30 professores, 11 funcionários de manutenção e 30 funcionários administrativos, e funciona diariamente nos períodos da manhã, tarde e noite.

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

O edifício, enquanto monumento histórico, é um bem que deve ser conservado como testemunho de uma determinada época. A preservação dos monumentos históricos possui um papel fundamental, já que resgatam importantes valores para a cidade além de conservarem a memória da nação.

No entanto, como é praticamente impossível manter os usos originais dos monumentos históricos, a grande maioria, antes de receber proteção dos órgãos preservadores, já que se encontra descaracterizada e muitas vezes irrecuperáveis no aspecto original. Tal descaracterização quase sempre é proveniente das adaptações para as novas funções.

Para edificações históricas, que abrigam funções diferentes das originais, a reabilitação torna-se uma importante alternativa para a preservação do edifício. Este processo inclui a revisão e atualização dos equipamentos do edifício e a organização dos espaços existentes, melhorando seu desempenho funcional e proporcionando sua reutilização, dentro dos moldes atuais de utilização e melhor aproveitamento (GREER 1998).

Para isso, é fundamental que seja adotada uma metodologia de trabalho para identificar as deficiências da edificação. Com este propósito, o estudo procura identificar e hierarquizar as deficiências e potencialidades do edifício através de uma abordagem sistêmica.

QUADRO METODOLÓGICO

Em nosso estudo de caso, a metodologia da APO foi aplicada com o propósito de identificar as principais falhas e pontos positivos do edifício da FND.

“A estratégia metodológica tem-se mostrado fundamental no sucesso de avaliações pós-ocupação. Contudo, somente se houver clareza de que o objetivo da definição dos métodos, critérios de qualidade ou técnicas de pesquisa devem ser utilizados com seletividade, isto é, moldadas de acordo com cada situação específica, é que estes tornar-se-ão ferramentas úteis para qualquer tipo de investigação” (REIS et al, 1994 :33).

Além de enfatizar a importância da adoção de uma metodologia para a pesquisa de APO, REIS et al (1994) afirmam que a aplicação de vários métodos para a coleta de diferentes tipos de dados sobre um mesmo fenômeno permite contrabalançar os desvios existentes em um método com os desvios dos outros métodos utilizados.

A estruturação da metodologia de análise baseou-se em PREISER et al (1988), SANOFF (1990), ORSTEIN (1992), BAIRD et al (1995), RHEINGANTZ (1995), COSENZA et al (1996), DEL RIO et al (1999), entre outros.

A partir das metodologias examinadas, foram adotados alguns instrumentos da APO indicativa desenvolvidos por PREISER et al (1988) – avaliações documentais, dados de desempenho, aplicação de entrevista, questionários e análise Walk-through – que foram adaptados aos objetivos da nossa pesquisa.

A pesquisa obedeceu aos passos:

  • Levantamento de dados documentais sobre a Faculdade e sua história. Análise de documentos do período da construção, fotos, o projeto original e plantas das sucessivas alterações ocorridas no edifício. Através dessas informações, foi possível traçar um panorama geral do ambiente construído, considerando sua evolução e seus aspectos históricos.

  • Levantamentos em campo por pavimento e por ambiente, com base em roteiro e checklists. Através desses levantamentos, foi possível identificar as principais alterações feitas nos últimos anos, e ter uma visão global do edifício como um todo.

  • Registros fotográficos, observações e vistorias nos ambientes do edifício. Realizados a partir de fichas técnicas previamente elaboradas.

  • Dados de conversas informais com usuários, sobre os aspectos arquitetônicos da edificação, conforto, manutenção e limpeza. A partir dessas informações, foram identificados novos aspectos a serem abordados nos questionários.

  • Aplicação de questionários a alunos, professores e funcionários. Assim foi possível identificar os níveis de satisfação relacionados ao edifício como um todo e aos ambientes específicos.

  • Entrevista com um grupo de alunos. Auxiliou na formulação de um panorama geral sobre as condições e deficiências do edifício.

Análise Walk-through

A análise Walk-through teve como objetivos: (a) gerar informações sobre as atividades realizadas no edifício, e (b) identificar não só suas principais falhas funcionais, mas também as regularidades de comportamento por parte dos usuários. Esta técnica incluiu conversas informais com os usuários da FND, buscando informações mais esclarecedoras a respeito do edifício.

Em função das dimensões do edifício, o planejamento da análise Walk-through considerou três diferentes etapas de execução:

  • Reconhecimento do local, identificando os principais problemas do edifício, através de um rápido percurso por todos os seus ambientes, utilizando como instrumentos de coleta de dados a fotografia, anotações e observações;

  • Aprofundamento da visão geral das condições físicas do edifício, a partir das informações coletadas na primeira etapa. Foi elaborada uma ficha de levantamento, por pavimento, com base na utilizada por RHEINGANTZ (1995), que apontou aspectos a serem analisados relacionando-os aos diversos ambientes.

  • Escolha, através da análise das fichas elaboradas na etapa anterior dos ambientes do edifício, tomando como base o seu estado de conservação (tanto por seus aspectos positivos quanto negativos). Nesses ambientes, foram realizadas novas visitas a fim de possibilitar uma análise mais detalhada da área, seguindo o modelo de ficha por ambiente adotado por DEL RIO et al (1999).

Através das fichas – contendo planta-baixa com a localização do ambiente, fotografias e observações complementares – foi possível avaliar mais detalhadamente esses ambientes e descobrir outros dados ainda não observados durante as etapas anteriores, como por exemplo, o estado de conservação do mobiliário desses ambientes.

Todos os dados coletados durante as etapas da walk-through foram compilados e divididos segundo as vertentes técnica, funcional e comportamental. Juntamente com os dados obtidos através das conversas informais, dos registros fotográficos e das anotações, cada item avaliado nas fichas da walk-through foi analisado e comentado, por pavimento. A partir destes dados, foi possível construir uma imagem do estado de conservação dos pavimentos, segundo cada item analisado.

Questionários

O questionário foi elaborado como base nos modelos desenvolvidos por PREISER (1988), RHEINGANTZ (1995), COSENZA et al (1996), e DEL RIO et al (1999). O formato final do formulário foi acrescido de um campo para informações complementares referentes às qualidades e deficiências do edifício.

O questionário foi elaborado de modo a atingir uma população amostral de cerca de 170 pessoas, ou seja, cerca de 7% da população total do edifício. O percentual foi estimado em função do grande número de usuários da Faculdade e procurou estabelecer uma quantidade razoável e viável para a sua distribuição.

Para a distribuição dos questionários, os usuários foram divididos em quatro grupos: setor administrativo, alunos, professores e setor de manutenção.

O questionário foi estruturado em três módulos distintos:

1. identificação do respondente e dados gerais;
2. atributos fisico-espaciais do edifício;
3. problemas e qualidade do edifício.

Entrevista

A aplicação das entrevistas foi prejudicada em função de proibição imposta – por parte do diretor da FND – para sua realização, justificando que essas poderiam servir de instrumento para manifestações sobre a política administrativa da faculdade, o que evidentemente não era nosso objetivo Apesar dessas limitações, foi realizada uma entrevista aberta com um grupo de alunos, embora no planejamento de nossa pesquisa, pretendêssemos abordar todas as categorias de usuários.

Essas limitações vieram a prejudicar a realização das entrevistas, já que possibilitariam confrontar os dados obtidos através dos questionários. Mesmo assim, essa única entrevista teve um papel importante em nossa pesquisa, possibilitando o surgimento de dados importantes, além daqueles evidenciados na Walk-through e nos questionários.

A entrevista foi realizada em forma de debate com um grupo de cerca de 10 alunos, que se encontravam reunidos numa das salas de aulas da faculdade. Após autorização para que seus depoimentos fossem gravados, relataram basicamente as principais impressões que tinham do edifício e as principais deficiências existentes. Os resultados obtidos foram utilizados para complementar e ajudar na compressão das informações coletadas pelos questionários e pela análise Walk-through.

DIAGNÓSTICO DAS CONDIÇÕES DO EDIFÍCIO

Avaliação Técnica – Walk-through

Para levantamento de dados, sua organização e interpretação, no Walk-through, foi utilizado o modelo adotado por DEL RIO et al (1999).

Visando uma compreensão geral do edifício, o Walk-through considerou três categorias básicas de fatores: técnicos, funcionais e comportamentais.

A análise dos fatores técnicos procurou enfatizar os aspectos construtivos, sistemas prediais, acústica, conforto térmico, acabamentos, iluminação, etc. A análise dos fatores funcionais tratou dos fatores humanos que influenciam no dimensionamento e composição dos ambientes, comunicação e facilidade de circulação, flexibilidade e exigências do tipo de uso da edificação. A análise dos fatores comportamentais focalizou aspectos como localização, aparência e tamanho dos ambientes relacionados ao bem estar humano.

Nível de Satisfação dos Usuários – Questionários

Foram distribuídos 170 questionários, dos quais 59% retornaram respondidos e devolvidos, ou seja, 101 questionários.

A maioria dos respondentes foram homens (51,49%) enquanto as mulheres representaram 48,51%. As idades variaram de 59% para menos de 25 anos, 26% para 25 a 40 anos, 8% para 41 a 55 anos e 7% para mais de 55 anos. A maioria dos professores e funcionários da Faculdade possui tempo de serviço entre 1 a 5 anos (41%), 17% menos de 1 ano, 13% de 6 a 10 anos, 25% possui mais de 10 anos e, no entanto, 4% não responderam.

RECOMENDAÇÕES PARA REABILITAÇÃO DO EDIFÍCIO

Para a reabilitação dessa edificação, a partir dos resultados obtidos pela APO, foram sugeridas algumas modificações, tais como:

  • Realização de pesquisas sobre as atuais condições físicas do prédio, com o objetivo de analisar as condições e equilíbrio e segurança estrutural, identificando e estabelecendo, através dos sintomas, o grau de profundidade que os ensaios e pesquisas devem ser desenvolvidos;

  • Avaliar a influência dos esforços dinâmicos, principalmente oriundos de tráfico periférico e as suas ações sobre as fundações, os grandes responsáveis pelas fissuras e deslocamentos das alvenarias na maior parte dos casos de monumentos históricos.

  • Restauração das fachadas

A aparência externa do edifício foi um dos principais problemas identificados, uma vez que praticamente todos os usuários consultados comentaram sobre o aspecto de “abandono” que transmite. A aparência externa do edifício contribui negativamente para sua percepção ambiental. O edifício torna-se praticamente “despercebido” em relação ao seu entorno. A fiação exposta ao longo da fachada é outro fator que contribui negativamente para a imagem do edifício, além de aumentar o risco de incêndio.

Para a recuperação da imagem e ambiência do edifício da FND, é recomendável a elaboração de projeto de restauração de suas fachadas, cuja restauração deverá tomar como orientação a configuração da reforma de 1950, uma vez que o acréscimo de mais dois pavimentos ao edifício e a retirada de grande parte dos ornamentos existentes – platibanda, brasão da República, frisos, cornijas, vãos superiores das janelas do segundo pavimento, pequenos frontões das janelas do corpo principal do prédio, etc. –, praticamente inviabilizam a recuperação da feição primitiva do Senado Republicano. Por outro lado, constatamos que, desde 1950, a fachada não sofreu alterações

A partir da imagem do edifício de 1950 e seguindo os critérios de restauração estabelecidos por BRANDI (1989) e pela CARTA de VENEZA (1964), é possível recuperar a memória e a imagem da antiga FND, sem cometer uma falsificação histórica.

A restauração das fachadas do edifício deve considerar as lesões detectadas na sua alvenaria – eflorescências, vesículas, umidade, argamassa pulverulenta e descolamento em placas da alvenaria – decorrentes do desgaste provocado pelo tempo e pela ação das intempéries.

O processo de restauração das fachadas deve considerar quatro etapas (PRUDÊNCIO & RIBEIRO 1998):

1. Prospecção – através dessa pesquisa, serão confirmados os elementos existentes por ocasião da reforma de 1950, sua simbologia, tecnologia construtiva, detecção das camadas de acabamento utilizadas nas fachadas e a cor proveniente dessa época, através de estatigrafias.

2. Cadastramento – forma, dimensões, estado de conservação, documentações com plantas cotadas da sua fase “original” e em detalhes os elementos da fachada a serem recuperados. Cabe salientar que, para cada elemento, deverá ser feito um diagnóstico do seu estado, para que sejam estudadas alternativas utilizando material personalizado para impedir a sua deterioração.

3. Representação gráfica, descrição e patologia – essa etapa está diretamente relacionada as representações gráficas, fotográficas e cromáticas, juntamente com registro da composição dos materiais e do sistema construtivo das fachadas.

4. Restauração das fachadas – realizada com base nas informações coletadas nas etapas anteriores.

  • Instalações elétricas, hidráulicas e de prevenção de incêndio

Outro problema detectado durante a pesquisa de APO, foi o reconhecimento da precariedade em que se encontram as instalações elétricas e hidráulicas do edifício, assim como a falta de equipamentos adequados para prevenção de incêndio. É indispensáveis a avaliação criteriosa dos sistemas de abastecimento de água, de coleta de esgoto (cloacal e pluvial), e de prevenção de incêndio, especialmente com vistas a adequar seu desempenho em função das condições de vazão e os riscos de infiltrações.

Nas alvenarias e fundações, as infiltrações ascendentes oriundas do solo são responsáveis, em sua grande maioria, pelo ataque aos revestimentos, gerando ambientes com umidade, o que ocorre nos ambientes do pavimento térreo do edifício.

Em função da precariedade das condições atuais da rede elétrica, é indispensável sua completa substituição, com base em novo projeto que considere a demanda dos equipamentos eletro-eletrônicos existentes, de modo a reduzir e/ou eliminar o risco de incêndio. Em complemento, é recomendável a elaboração de manuais de uso e de prevenção e combate a incêndio, contendo instruções específicas quanto aos limites de segurança no uso das instalações elétricas.

  • Acústica ambiente

Foram identificados sérios problemas de acústica no edifício, especialmente nas salas de aula. Recomenda-se a contratação de projeto específico de acústica ambiental, com o objetivo de adequar os diversos ambientes internos aos diversos usos atuais e/ou previstos.

Deve ser considerada a possibilidade de instalação de sistema central de ar-condicionado, especialmente no quarto pavimento, uma vez que os aparelhos de janela na fachada descaracterizam a fachada e a aparência externa do edifício. Outros aspecto a serem considerados no projeto acústico, são: (a) colocação de esquadrias com vidro duplo, e (b) instalação de forro acústico.

  • Construção de novos sanitários

O número e a capacidade dos sanitários deverão ser ampliados, de modo a atender às necessidades legais e de uso, especialmente sua adaptação para atender às recomendações e normas relativas à garantir a acessibilidade universal.

Vale lembrar que os atuais sanitários do segundo, terceiro e quarto pavimento, embora bem dimensionados, são prejudicados em função do atual layout. A construção dos novos sanitários deverá manter a mesma localização atual, considerada adequada por grande parte dos respondentes. O estudo poderá aproveitar os espaços subtilizados existentes próximos aos sanitários em determinados pavimentos.

  • Restauração dos ambientes

Os resultados da análise walk-through possibilitaram identificar a precariedade do estado de conservação que se encontram diversos ambientes que possuem elementos característicos do antigo prédio do Senado e que portanto, trazem consigo a identidade e memória dessa época, torna-se fundamental a sua restauração: (a) o hall de acesso, com sua escadaria de mármore e cantaria; (b) a Biblioteca Carvalho de Mendonça; (c) a Sala Rui Barbosa; e (d) o Salão Nobre. Sendo esses, dos poucos ambientes com características remanescentes da época do Senado Imperial e Republicano.

A execução desse processo deverá respeitar as mesmas etapas descritas para a restauração das fachadas do edifício. No entanto, em função das características de épocas distintas destes ambientes, não deve ser adotado um referencial único para todos. Cada ambiente deverá ser analisado de modo a identificar a época e as características a serem adotadas e sua restauração. No estudo de cores de cada ambiente deverão ser realizadas estratigrafias.

CONCLUSÕES

Não podemos ignorar os avanços tecnológicos de nosso tempo, bem como a necessidade de adaptar a novos usos as edificações históricas. Caso não fossem estudadas propostas para a readaptação desses edifícios, acabaríamos por destruir nosso patrimônio histórico, bem como todo o testemunho de nossa memória.

É recomendável que os arquitetos se utilizem das metodologias consagradas de avaliação de edifícios que permitam estabelecer condições ambientais propícias para que os usuários tenham o melhor desempenho possível nas atividades que exercem nesses edifícios. Neste sentido, este trabalho possibilitou evidenciar a aplicabilidade dos instrumentos da APO para avaliações de edificações históricas, abrangendo as vertentes técnica, funcional e comportamental.

Através da aplicação dos instrumentos da APO no edifício da FND, foi possível comprovar a utilidade desta metodologia de avaliação como base para formulação de diretrizes para a reabilitação de edifícios de valor histórico. Os resultados obtidos e sintetizados em forma de recomendações, demonstraram sua grande utilidade para a elaboração de uma imagem bastante rica do estado de conservação e da percepção atual do edifício.

No caso da FND, observamos que, a análise Walk-through e as entrevistas produziram resultados mais ricos e representativos da opinião dos usuários do que os questionários. Estes últimos serviram para confirmar e complementar os resultados obtidos através da Walk-through.

A entrevista possibilitou identificar vários pontos relevantes do edifício, especialmente no esclarecimento de diversos problemas identificados na Walk-through e nos questionários. Grande parte das informações novas coletadas a respeito do edifício foram através da entrevista e das conversas informais realizadas durante a pesquisa.

Com base nos resultados obtidos neste trabalho, é possível afirmar que em APOs aplicadas em edificações históricas, as entrevistas – recuperação e compreensão da memória e das particularidades do edifício – e a Walk-through – aspectos técnicos e funcionais – são indispensáveis para a confiabilidade dos resultados obtidos na pesquisa. Por seu torno, os fatores comportamentais demonstraram sua importância para garantir a identidade do edifício.

Além de seu valor arquitetônico, o edifício da FND tem características histórico-culturais de identidade e de memória que, através da vertente comportamental, puderam ser adequadamente analisadas. Além do apego afetivo pelo prédio, usuários evidenciaram certa nostalgia em relação ao passado – desde os tempos de glória do edifício, quando este abrigava o Senado Imperial, o Republicano e, até mesmo, a antiga FND.

A essa nostalgia soma-se o orgulho de estarem localizados no edifício. O orgulho de ser membro da FND está presente em cada usuário. Esta realidade rica em significado dificilmente seria detectada e compreendida em um processo de avaliação restrito aos aspectos técnicos e funcionais.

A abordagem dos fatores técnicos e funcionais – realizada através da análise Walk-through –, fundamentou-se em critérios tradicionais da APO. Como o objetivo do trabalho foi o de examinar as condições físicas do edifício, não só para descobrir seu grau de adaptabilidade ao uso atual, como também para conhecer o estado em que o prédio se encontrava, esta avaliação, o fato de o edifício ser um monumento histórico foi considerado irrelevante.

No entanto, em diversas ocasiões, o olhar “técnico” e “funcional” não foi suficiente para entender o funcionamento dos ambientes, sobretudo em função das inúmeras e consecutivas reformas pontuais e não documentadas. A plena interpretação dos ambientes só foi possível com as informações que nos eram dadas pelos usuários, a partir de perguntas baseadas no levantamento arquitetônico inicial que havíamos realizado.

O fato de ter sido necessária a utilização da vertente comportamental, quando estávamos empregando um instrumento basicamente técnico e funcional, nos faz refletir sobre a eficácia de uma arquitetura que não considere, na elaboração de projetos, o ponto de vista de seus futuros usuários.

Acreditamos que os resultados obtidos com este trabalho tenham sido suficientes para conhecer o edifício como um todo, entender os principais anseios de seus usuários e descobrir o verdadeiro grau de adaptabilidade do edifício às suas condições atuais de uso. Esses resultados podem servir de base tanto para avaliações mais aprofundadas a respeito do edifício da FND, como também para pesquisas que visem a estabelecer diretrizes para a formulação de uma metodologia de avaliação de edifícios de valor histórico.

A APO não é apenas uma metodologia de avaliação de edifícios, que visa melhorar as condições de desempenho. Ela também pode ser utilizada para a reabilitação de monumentos históricos. Para edifícios caracterizados como monumentos históricos que necessitem de adaptações de uso, o processo da reabilitação – utilizando como base os instrumentos da APO – é a alternativa de preservação mais adequada.

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Contribuindo para Melhoria da Qualidade da Vida

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As férias normalmente servem para descansarmos, colocarmos tudo em dia: os papéis, a casa enfim, nos prepararmos para enfrentar o ano que se inicia. Mesmo tirando férias e descansando – o que é vital para que consigamos nos armazenar com energias para gastar durante o próximo período – é bastante saudável arrumar tanto seus pertences de trabalho quanto sua própria casa para que na próxima jornada estejamos mais organizados. Assim, evitamos o início das atividades com toda aquela bagunça do ano anterior!

Todos os anos, procurava arrumar minhas coisas, mas nunca conseguia realizar a tarefa por completo. Sempre faltava alguma coisa que eu deixava para depois e ia se acumulando pelo ano todo…

Numa dessas férias, estudando na internet sobre assuntos holísticos do tipo como melhorar sua vida, itens de organização do trabalho, descobri a teoria dos “5 s”.

Achei tão interessante que resolvi estudar profundamente sobre o assunto e depois testar na minha vida. O resultado foi surpreendente!

A teoria dos “5 s” nada mais é do que regrinhas básicas para você arrumar sua casa e/ou seu trabalho de forma a garantir e manter a melhor organização possível.

Originária do Japão, esta expressão advém de cinco palavras – Seiri, Seiton, Seisou, Seiketsu e Shitsuke – que devem ser seguidas como fundamentos práticos para harmonizar as interfaces entre os sistemas produtivo-pessoal-comportamental na rotina diária.

As regrinhas são as seguintes:

Seiri – senso de utilidade – significa descartar o que não tem utilidade, como por exemplo, aquela roupa que você sempre pensa que um dia poderá precisar! Arrume seu armário, seus documentos, seu escritório, jogando fora ou doando seus pertences para orfanatos, creches e asilos.

Um espaço amontoado de coisas dificulta na hora de procurar um objeto perdido. Às vezes, um documento importante ou qualquer coisa que você precise com urgência. Já vi pessoas que passam pela situação ridícula de comprarem novamente alguma coisa na certeza que perderam e depois acabam encontrando-os quando menos esperam perdidos dentro de sua própria casa. Isto é perda de tempo e dinheiro!

Deixe espaço para a energia fluir em sua casa. Procure se desfazer de objetos quebrados, lascados, desapegue-se das coisas.

Seiton – senso de arrumação – realizada a triagem do que vai e do que fica, organize tudo de maneira racional e prática; o que você usa mais na frente, o restante em prateleiras mais altas. Etiquete tudo por assunto. Lembre-se: os movimentos deverão ser reduzidos tanto no uso bem como no esforço.

Seiso – senso de limpeza – significa manter seu espaço limpo e arrumado. Desta forma, fica mais fácil na hora de guardar seus pertences. Antes, durante ou depois de um dia de trabalho, a limpeza e a ordem não ser podem ser deixadas de lado para garantirmos a qualidade de vida no trabalho.

Seiketsu – senso de higiene – significa basicamente preocupar-se com o asseio e higiene pessoal, como cuidar da aparência e saúde tanto física quanto mental. Manter-se limpo e bem cuidado também é uma prova de amor a você! Um banho de auto-estima!

Shitsuke – disciplina, consciente, autodisciplina – esta seria a ação mais importante para quem pretende adotar a prática dos “5 s”. Diz respeito à disciplina, de adquirir novos hábitos e mantê-los de forma consciente na busca da melhoria da qualidade de vida, do autoconhecimento e aperfeiçoamento para uma vida saudável.

A partir do momento em que apliquei esta simples técnica, minha vida tornou-se mais leve, organizada e próspera! Sim é verdade!

Não há como a prosperidade entrar na sua vida se você não tiver espaço para abrigá-la! Retire o que há de desnecessário e novas oportunidades aparecerão na sua vida!

Assim você preenche menos sua mente com preocupações do cotidiano e isto irá refletir diretamente na sua produtividade! Experimente. Não custa nada tentar! Você verá os resultados!

O Jardim Sensorial e suas Principais Características

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O jardim, desde a antiguidade, sempre foi um espaço de lazer e prazer para todos os usuários mesclando um paradigma de sonho e realidade. Através deste espaço, era possível viajar no tempo, experimentar sensações diferentes, promover encontros e entrar em contato com a natureza em sua mais exuberante expressão.

Segundo Michael Corajaud, o jardim é como fragmento de um sonho é deve ser compartilhado por todo e qualquer usuário, incluindo os portadores de deficiência em geral – ou seja, deficientes visuais, auditivos, físicos – e também os idosos.

Mas infelizmente, grande parte dos jardins brasileiros, tanto residenciais quanto públicos, não abrigam esta parcela da sociedade por conta da inadaptabilidade de seus espaços. Em sua maioria, os jardins não são adaptados aos portadores de deficiência e/ou idosos incluindo em seus espaços espécies inadequadas, detalhes construtivos como rebaixos e desníveis que dificultam a circulação dos deficientes em geral.

A idéia de criar um jardim sensorial residencial, com condições bastante peculiares, surgiu exatamente para amenizar toda essa dificuldade além de proporcionar para esta pequena parcela da sociedade o contato com a natureza em suas próprias residências. O projeto do jardim pode ser adaptado para varandas e até mesmo para o interior das casas.

Este jardim deverá ser suspenso a uma altura pré-determinada, considerando passagem tanto para cadeirantes quanto deficientes visuais e idosos. Este recurso garante o livre acesso a todos que queiram tocar ou cuidar das espécies com facilidade.

O jardim sensorial possui grande influência oriental, ou seja, é por meio dos quatro sentidos do corpo humano que este se manifesta. O tato através das texturas das plantas, a audição com os repuxos d’água, a visão observada através das cores exuberantes e, finalmente o olfato com os aromas das espécies.

As espécies possuem diferentes texturas e através delas é possível garantir um resultado satisfatório, através do tato. Um bom exemplo disso é o caso das suculentas. Um pequeno jardim de cactos pode apresentar infinitas texturas e um resultado excelente principalmente considerando os deficientes visuais.

As pequenas fontes e repuxos d’ água também são responsáveis por agradáveis sensações e podem ser inseridas em qualquer jardim através de um simples sistema de bombeamento de água semelhante ao utilizado em aquários. O som emitido pela água é calmante e terapêutico segundo especialistas holísticos.

As cores exuberantes das flores e folhagens também garantem excelentes resultados no que se refere ao aspecto visual do jardim. Suas combinações podem considerar as mais infinitas gamas de cores. Petúnias, rabos de gato, violetas, lírios da paz, gerânios, ixoras e plumbagos estão entre as mais cotadas para pequenos vasos e jardineiras. O resultado policromático também pode variar conforme as estações do ano.

E finalmente, os jardins sensoriais olfativos – comumente conhecidos como jardins aromáticos ou de ervas, de influência medieval – também podem ser utilizados. Nestes jardins é possível sentir o agradável aroma das ervas e temperos caseiros, além de servirem no preparo de receitas culinárias e temperos em geral. As espécies mais utilizadas são o alecrim, hortelã, manjericão, salsinha, cebolinha, gengibre, coentro, além de ervas que servem para ungüentos e chás, como camomila, erva doce, erva-cidreira, dentre outras.

Segundo especialistas, as ervas aromáticas possuem efeitos terapêuticos, entram através das células sensíveis que cobrem as passagens nasais, chegando direto para o cérebro.

Desta forma tais ervas afetam as emoções, atuando no sistema límbico que também controla as principais funções do corpo.

Abaixo estão listadas algumas das mais importantes e conhecidas ervas terapêuticas e suas principais características:

ALECRIM (Rosmarinus officinalis): Origem lingüista árabe “al ikilil”, da região mediterrânea foi muito apreciada por suas virtudes aromáticas e medicinais. Conta à lenda, que a rainha da Hungria, Elizabeth, que viveu no século XIII, curou seu reumatismo e gota com água preparada por alecrim.

HORTELà(Mentha avensis): Existem muitas variedades de hortelã, cada uma delas com suas características próprias. Diziam os antigos que conhecer todas era tão difícil quanto contar pode ser comprado em farmácias. Sua essência aromática tem efeito terapêutico digestivo e descongestionante.

MANJERICÃO (Ocimun minimum): Herbácea natural da Ásia tropical, da África e de algumas ilhas do Pacífico. Repele insetos em hortas e jardins. Muito utilizado na Medicina caseira em forma de chá por relaxar e aliviar dores de cabeça de origem nervosa. Também utilizado pelos terapeutas holístico (aromaterapia) para tratar vários outros sintomas.

SALSA (Petroselinum sativum): É a erva mais utilizada na cozinha, pois guarnece saladas, peixes, legumes e etc.Todas as partes são aproveitadas e tem o mesmo aroma. Conta a mitologia que Hércules, o vencedor do leão da Numídia foi coroado com folhas de salsa. Um ornamento modesto para tão grande herói, quando outros eram coroados com folhas de louro. A salsa tem poder aromático terapêutico para “cistite”, e é encontrada nos supermercados em buquês, normalmente junto com a cebolinha.

E importante ressaltar que todas as espécies acima citadas são perfeitamente adaptáveis ao plantio em jardineiras, pequenos canteiros ou vasos. E fundamental que na escolha de espécies para jardins sensoriais, sejam evitadas aquelas que possuem espinhos como roseiras, algumas bromélias e suculentas, e também algumas munidas de substâncias tóxicas como espinho de cristo, comigo ninguém pode, dentre outras.

Referências:

www.designergonomia.com.br

A Ergonomia Consciente Aplicada em sua Vida

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Os recursos aplicados através da ergonomia possibilitam melhorar a qualidade de vida no trabalho, permitindo um aumento no grau de satisfação dos funcionários e conseqüentemente o aumento da produtividade.

No entanto, a ergonomia ainda é uma prática muito pouco aplicada entre a população. Muitas às vezes, conversando com amigos ou até mesmo com clientes, comento sobre os benefícios da ergonomia e percebo o quanto este recurso é desconhecido.

Muitas pessoas têm a preocupação em buscar equipamentos ergonômicos para seu ambiente de trabalho ou para a casa, mas grande parte delas não sabe como manipular os equipamentos, ou ainda desconhecem a regulagem ideal para seu corpo. Aí não adianta nada!

As cadeiras ergonômicas são o grande exemplo desta situação constrangedora, pois apesar de todas as regulagens, a grande maioria não sabe quais as regrinhas básicas que permitem utilizar os recursos deste equipamento e acabam regulando adequadamente. Mas por que isto acontece?

Apesar de a ergonomia ser um recurso altamente utilizado em empresas, também é utilizada em projetos de produtos, mas ainda muito pouco empregada no cotidiano das pessoas.

Os motivos são os mais diversos possíveis. Muitos não utilizam seus recursos pela total falta de conhecimento a respeito; outros por considerarem um luxo ou supérfluo; existem ainda os que procuram produtos ergonômicos e desconhecem a sua utilização.

Ergonomia não representa apenas uma cadeira e uma mesa de trabalho com regulagens, um mouse pad com gel ou um teclado com proteção para punhos. É muito mais isto e pode estar presente na sua vida, no cotidiano da sua vida, dentro da sua casa, no seu trabalho, proporcionando um grau de satisfação pessoal e garantindo a melhoria da sua qualidade de vida.

Antes de gastar rios de dinheiro em projetos mirabolantes de interiores (muitas vezes completamente sem sentido!) e obras desnecessárias, procure saber se todo este investimento pode se reverter em conforto para você. Conforto aqui não é apenas um sofá com espumas firmes que você possa se esticar, mas outros recursos que farão muita diferença na sua casa, escritório ou empresa.

Existem soluções práticas e extremamente simples que podem ser aplicadas em qualquer ambiente e que garantem resultados eficazes e imediatos. Faça uma pequena avaliação da sua casa. Verifique o que realmente lhe incomoda. Pratique a ergonomia consciente ou procure um profissional especializado.

Laranja Mecânica (Filme)

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Num futuro não distante quatro jovens delinqüentes, liderados por Alex, inteligente e amante de música clássica, reúnem-se para praticar a ultra violência.

Atacam a socos e pontapés um mendigo bêbado e agridem e causam tumultos em bares da noite, um deles o favorito “Leite Bar Korova”, que servia um “milk com alguma coisa” que os deixava acesos para um “horrorshow”.

Num desses episódios, entram em confronto com uma gangue rival em que vários são feridos por facas, correntes, socos ingleses, etc. até que a sirene da polícia os dispersou.

Alex, o intelectual e Dim, o mais violento e obtuso, se desentendem com freqüência e isso traz desarmonia à quadrilha, colocando também em xeque a liderança, o que trará sérias conseqüências ao líder.

Numa noite, após os distúrbios habituais, dirigem-se à periferia da cidade e encontram uma casa isolada. Alex consegue um meio de burlar os moradores e entram.

Imediatamente passam a agredir os moradores com extrema violência, estuprando a esposa e ferindo gravemente o marido, um escritor reacionário, deixando-o paraplégico.

Essa e as demais agressões ficaram impunes por falta de provas ou flagrante, até que um dia a quadrilha invadiu a casa de uma funcionária pública que reagiu e Alex, por ela ferido, acabou matando-a. Ao fugirem, já sob a sirene policial, Dim agride Alex com uma garrafa e ele cai com a cabeça sangrando. Num ato de vingança, seus comparsas deixam-no e ele é preso em flagrante.

Julgado e condenado, cumpre a pena em presídio de férrea disciplina e aproxima-se do capelão, ajudando-o nas missas e lendo a bíblia, não por nobreza, mas para auferir benefícios.

Na prisão houve falar e se interessa por um método novo de recuperação de uníssonos, o Método Ludovico em fase experimental e busca a opinião do padre, que o desestimula.

Eis que, numa visita ao presídio, o Ministro da Justiça, interessa-se por aquele jovem delinqüente, um perfeito exemplar para ser submetido ao método, em que acreditava. Achava ele que além de re-inserir os criminosos na sociedade, o método esvaziaria as penitenciárias, economizando dinheiro público.

O Método Ludovico, assim designado, em homenagem ao seu idealizador, um psiquiatra, consistia em manter o paciente imobilizado e exibir filmes de extrema violência, com agressões, assassinatos, estupros, campos de batalha, etc. e, ao mesmo tempo, uma trilha sonora com a nova sinfonia de Beethoven, paixão irresistível de Alex.

Após várias sessões o personagem passou a reagir mal, com náuseas, vômitos, cefaléia e pavor e seu subconsciente passou a associar a violência ao mal-estar. Nisso se fundamentava o método.

Num encontro solene, com a presença do ministro, Alex foi testado e tido por curado. Submetido a várias agressões, o simples esboço de reação lhe causava enorme mal-estar.

Regenerado e apto a se re-inserir no meio social, tem sua pena extinta e deixa o presídio. Procura, naturalmente, a casa de seus pais, mas é rejeitado. Vaga pelas ruas e é agredido passivamente por vítimas do passado. Reencontra por acaso dois ex-colegas de quadrilha, dentre eles, Dim, agora policiais, que o agrediram seriamente.

Acabou sendo coincidentemente socorrido pelo escritor, agora paraplégico e viúvo, pois sua esposa morrera algum tempo após. Não tendo sido de imediato reconhecido, recebeu todo apoio e assistência. Mas, depois, já descoberto, descreveu os motivos de estar naquela situação e o tratamento de regeneração que lhe fora aplicado.

Conhecedor do método, o escritor se vingou utilizando-o e induziu Alex a atentar contra a própria vida, pulando de certa altura. Muito ferido, é hospitalizado e tratado com toda pompa, à custa do governo, a essa altura, preocupado com o uso político do episodio, pois o escritor era adversário e culpava o Ministro da Justiça pelo desfecho do caso. Além disso, era ano de eleições.

O filme se encerra com Alex engessado, no leito do hospital, abraçado e sorridente, junto ao Ministro, sob a luz dos holofotes da imprensa.

Este livro, também um belo filme, ocupa de imediato nossa mente, quando vemos jovens da classe média alta queimarem um índio em praça pública, ou agredir uma operária a caminho de casa, após um dia estafante.

No primeiro caso, argumentaram que o índio parecia um mendigo e, no segundo, uma prostituta, como se isso justificasse.

A obra também nos mostra que não há mágica para diminuir ou prevenir a violência, pois não se torna bom ou ruim da noite para o dia. Principalmente, na delinqüência juvenil, a base da violência está no cerne da sociedade.

A família tem que dar o exemplo, transmitir valores, dar uma educação sólida, não só de banco escolar, reprimir e estabelecer limites, incutir nas crianças e jovens o respeito e amor à vida, bem maior de todos.

Valorizar o SER e não o TER.

Planejamento e Desenvolvimento de Carreira

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Este artigo trata da importância de se planejar a carreira. Em um mundo globalizado em que as velocidades de mudanças são cada vez maiores o planejamento e desenvolvimento da carreira é importante para melhorar as competências, habilidades as atitudes e aumentar a empregabilidade por mais tempo.

Atualmente não basta somente o conhecimento adquirido no curso de formação técnica ou universitária para garantir a colocação de um profissional em determinada empresa e muito menos, sua permanência durante alguns anos. A atualização do conhecimento vem sendo praticada sistematicamente, uma vez que a evolução da tecnologia se dá de maneira muito rápida e, em conseqüência disso, os processos produtivos tem que se adaptarem as mudanças.

Todo o esforço despendido para a obtenção de novos conhecimentos somente terá validade quando estes puderem efetivamente ser utilizados nas atividades âncoras desenvolvidos pelo indivíduo. Sendo assim, o planejamento e a gestão de carreira torna-se um fator preponderante na condução da trajetória profissional.

1- Graduado em Engenharia de Mecânica pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. Acadêmico do 7º Período de Administração da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte – UERN.

O indivíduo deve fazer uma análise de suas competências e principalmente a entender a si própria, tornando mais fácil a condução de seus ideais, facilitando o encontro do trabalho certo, e conseqüentemente aumentando seu nível de satisfação.

Intuitivamente, pensamos em carreiras em termos biológicos. O formando inicia um período exploratório de transição da escola para a organização. Continua em uma fase de consolidação, período de conquista do primeiro emprego. Em seguida entra na fase de meio de carreira, período caracterizado pelo elevado desempenho e inicio do declínio.

Depois entra na fase de fim de carreira, período de maturidade profissional, para em seguida entrar em fim de carreira preparando-se para a aposentadoria. Permanece nesta fase até se tornar estável em uma organização. Uma visão mais moderna mostra que esse ciclo pode ser prolongado ou repetindo varias vezes. O individuo pode ao longo de sua carreira passar por transições estabelecendo um aumento do se CHA

O objetivo principal desse artigo é enfatizar a importância da administração de carreira no sentido de aumentar as competências, habilidades e atitudes (CHA) dos formandos de administração.

Ate 1980s o desenvolvimento de carreiras era realizado pelas empresas. Todos os funcionários ficavam sujeitos as medidas necessárias para seu desenvolvimento que resultaria em uma ascensão hierárquica no organograma da empresa.

A partir de 1990 essa política mudou com as alterações radicais e profundas do cenário mundial. Os postos de trabalho, no mercado, começaram a reduzir e a competitividade aumentando, ano a ano. O que era uma “obrigação das empresas passou a ser da responsabilidade do individuo. Para acompanhar o desenvolvimento do mercado e não correr o risco de fazer parte dos “socialmente excluídos” os profissionais buscam o seu próprio desenvolvimento em detrimento da iniciativa das empresas.

A metodologia utilizada neste artigo é a bibliográfica e exploratória.

Segundo Milkovich (2000), o planejamento de carreira é o processo pelo qual o indivíduo identifica e implementa os passos necessários para atingir as metas da carreira.

Marras (2000) complementa essa definição, demonstrando a importância da continuidade desse processo ao longo do tempo. Para isso seria necessário o indivíduo seguir algumas premissas básicas como – coletar informações sobre si mesmo e sobre o mundo do trabalho; traçar um perfil detalhado de suas características de personalidade, interesses e aptidões, bem como das possibilidades de atuação no mercado de trabalho e ocupações alternativas; estabelecer metas realistas, baseadas nessas informações; e implementar uma estratégia para o alcance das metas.

Milcovich (2000) o planejamento e gestão de carreira podem ser trabalhados a partir da necessidade do desenvolvimento de competências, habilidades e atitudes apropriadas, levando o indivíduo a atender as necessidades impostas pelo mercado de trabalho.

Milkovich (2000) âncora de carreira é um autoconceito baseado em diferentes motivações e habilidades ocupacionais. Esse autoconceito orienta, estabiliza e integra as experiências profissionais de uma pessoa.

O planejamento de carreira deve ser elaborado ainda na fase da graduação, onde o aluno poderá através de seus sonhos, da teoria aprendida planejar as suas competências, melhorarem as suas habilidades e atitudes. Deve participar de estágios, fazer cursos extracurriculares que possibilitem uma preparação adequada para o ambiente de trabalho almejado. Quanto mais ações o aluno realizar, no sentido de agregar ao CHA maior será a sua empregabilidade.

É vital o planejamento de carreira na vida profissional do indivíduo, mas como salienta Dutra (1996), há por parte das pessoas, uma natural resistência ao planejamento de suas vidas profissionais, tanto pelo fato de encararem a trilha profissional como algo dado, quanto pelo fato de não terem tido qualquer estímulo ao longo de suas vidas.

Conclui-se então que os alunos aproveitam a oportunidade para participar de um evento que promove seu autoconhecimento e desenvolvimento para a partir daí, poder encontrar subsídios para o estabelecimento de objetivos e metas pertinentes à sua carreira profissional, oferecendo assim a busca por oportunidades que sejam condizentes com suas aspirações profissionais.

Como recomendação propõe-se que as Universidades responsáveis pela educação formal no País despertem para a importância do planejamento de carreira que ofereça a todos os estudantes de nível superior, a orientação de carreira e encaminhamento para o desenvolvimento profissional.

Desta forma, as IES estariam desenvolvendo um papel muito além do que o ensino unicamente disponibilizado na grade curricular de cada curso de graduação. Estaria auxiliando nos desenvolvimento de seu papel social, no sentido de promover ao graduando um direcionamento de carreira, dando oportunidade para que este pudesse descobrir seu perfil e ir à busca de melhorias contínuas de suas competências, desenvolvendo assim sua empregabilidade.

REFERÊNCIAS

1. MARRAS, JEAN PIERRE. Administração de Recursos Humanos:do operacional ao estratégico. 3º edição. São Paulo: Futura, 2000.

2. MILKOVICH,GEORGE T. Administração dos Recursos Humanos. São Paulo: Atlas, 2000

3. DUTRA, Joel Souza. Administração de Carreira: uma proposta para repensar a gestão de pessoas. São Paulo: Atlas, 1996.

4. MARTINS, H. T. Gestão de Carreiras na era do conhecimento: abordagem conceitual & resultados de pesquisa. Rio de Janeiro: Qualitymark Ed., 2001.

Situação Fática Mista

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Serve para diferenciar da situação 100% naturais

1) Qualquer um dos Estados envolvidos é competente para julgar a ação

Exceção – imóvel. Alemão se mudou para o Brasil e tem patrimônio – nesse caso a ação deve ser ajuizada no local em que está situado o bem.

Homologação da sentença estrangeira – serve para que as sentenças brasileiras produzem efeitos no estrangeiro.

2) Depende do local onde o casal morava – é um critério brasileiro

Critérios Utilizados para Detectar os Elementos de Conexão:

1 – Juízo competente – qualquer um dos países envolvidos.

2 – Qualificar – detectar o sub-ramo (direito de família, sucessórios etc.).

3 – Elemento de Conexão – é preciso primeiro qualificar para saber qual o elemento de conexão será usado (LICC) – indicar qual direito será utilizado.

Direito competente – direito material a ser aplicado

Objeto do estudo do direito internacional privado:

  • Objeto – situação fática mista por excelência, apareceram duas perguntas:

Onde ingressar com a ação?

Qualquer um dos estados envolvidos é competente para se manifestar sobre a ação, exceto questões relacionadas a imóveis, pois deverá ser ajuizada no estado em que o imóvel se localiza – chamada de competência jurisdicional exclusiva – art. 89 CPC – apenas o juiz local é competente para decidir sobre o imóvel em questão.

Pluralidade de juízos sucessórios – quando o de cujos possuí bens imóveis em mais de um país.

Qual é o direito aplicável?

Vai depender da qualificação, da detectação do sub-ramo do direito que trata da questão.

A finalidade do direito internacional privado é apontar o direito competente, ou seja, indicar o direito que será aplicado na situação fática mista. (Para responder a 2° questão). O direito internacional privado, cumpre a sua função por meio do seu instrumento que é o elemento de conexão, vai indicar qual direito será aplicado, é um critério que serve para ligar a situação fática mista ao ordenamento que mais tem a ver com o caso, cada estado tem sua regra.

Ex: um brasileiro cometeu um crime nos EUA, mas fugiu para o Brasil. O juízo competente é o Brasil, pois este não extradita brasileiro, a qualificação é o direito penal – direito penal tem conexão universal, as regras serão a do lugar do delito (Bartolus Bártolo de Sassoferrato), ou seja, a dos EUA, mas lá é a pena de morte e choca com a nossa ordem pública, pois não é adotado pelo Brasil, nesse caso a direito dos EUA é afastado e aplicado o direito brasileiro, conforme art. 9° LICC.

Elementos de conexão brasileiro:

  • Tudo que diz respeito à pessoa o elemento de conexão indicado é o domicílio – dos europeus é a nacionalidade
  • Para direito penal é o do local do crime – indicação universal
  • Obrigações – local da constituição da obrigação. Se for por telefone ou internet, o local será onde morar o proponente (tomar cuidado com contra proposta).
  • Bem – local da situação dos bens
  • Sucessões – local em que o defunto morava
  • Pessoa jurídica – local da constituição da pessoa jurídica

Ônus da prova art. 13 LICC

Escola francesa – diz que os objetos do direito internacional privado são: nacionalidade, condição jurídica do estrangeiro (deportação, extradição etc) e conflito de jurisdição (onde ingressar com a ação?).

Escola anglo saxônia – Inglaterra, EUA tem por objeto do direito internacional privado: conflito de leis, conflito de jurisdição, reconhecimento das sentenças estrangeiras = homologação da sentença.

Escola alemã – conflito de leis (situação fática mista).

Escola brasileira – para Amílcar de Castro – situação fática mista que é o conflito de leis.

Tem autores que incluem a nacionalidade e a situação jurídica do estrangeiro.

Elemento de conexão: são regras cogentes, as partes não conseguem alterar (não confundir com ius cogens – que vincula a todos)

Escolas Estatutárias:

Italiana – XIV – Bártolo
Francesa – XVI
Holandesa – XVII
Alemã – XVIII

Século XIX – doutrinadores modernos, já tem código civil (1804 CC Francês). Cada região tinha suas regras costumeiras próprias. Antes de existir estados, as regiões eram denominadas de províncias.

A situação fática mista surge pela primeira vez nas feiras medievais, pois as pessoas de diversos lugares iam a essas feiras. A primeira situação fática mista surgiu decorrente de relações comerciais.

Glosadores – Antes das Escolas Estatutárias

Accursius – 1228 – se um bolanhes for acionado em Modena não deve ser julgado segundo os estatutos de Modena, aos quais não está submetido. Se houver de diversas províncias, de costumes diversos, litigam perante o mesmo juiz, o juiz deverá julgar de acordo com o costume que lhe trouxer mais preferível, mais útil e melhor, ou seja, ele decide como quiser.

Corpus iuris civilis:

Codex – constituição imperial de outros impérios.

Novelae – institutas de Justiniano.

Institutas de Justiniano – manual de ensino prático.

Digesto – compilação dos principais pareceres dos jurisconsultos clássicos.

Ius gentius – direito romano para os estrangeiros que viviam em Roma.

Na sociedade romana não havia situação fática mista, pois o mundo era o império romano e o império romano era o mundo.

A evolução histórica do direito internacional começa com a escola estatutária italiana.

Bártolo

Viveu entre 1314 a 1357 = 43 anos. Era professor de direito (Bolonha. Pisa, Perugia). Escola dos comentadores (depois dos glosadores).

Bártolo aproveitou os estudos dos glosadores. Ex: ações reais e ações pessoais, direitos reais, sucessões etc. O Bártolo foi encontrando um elemento de conexão para cada ramo:

  • Direito penal – lex loci delicti – a lei do lugar do delito – é universal
  • Outro elemento de conexão universal é sobre imóveis – o imóvel vai ser julgado de acordo com as leis do local em que está situado – lex rei retal – lei do lugar em que o imóvel está.

Regras processuais – o juiz sempre aplica as regras processuais do foro – locus regit actum – o lugar rege a forma do ato. Para questões de forma é aplicado o direito local. A forma do ato é sempre regido pelo direito do local em que o ato está sendo praticado. (aplicado para forma do processo – rito, formas de citação etc), não o conteúdo.

Como são elementos universais será o mesmo, independente do pais.

Vale também para as formas de casamento, testamento, contrato etc.

Forma é diferente de conteúdo (matéria)

Lei do foro é diferente de lei da causa.
Lei do foro e a lei nacional do juiz que está julgando
Lei da causa é o direito que o juiz vai utilizar para a julgar – é verificado pelos elementos de conexão.
A lei do foro pode coincidir com a lei da causa.

Direito do Mar

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Território – é dividido em solo, subsolo, espaço aéreo, mar territorial, plataforma continental e embarcações.
O mar territorial foi limitado pelo tratado de Montego Bay (Jamaica) em 1982.

Jurisdição Universal – significa que qualquer Estado pode julgar um criminoso que comete crimes contra humanidade, essa jurisdição é muito importante porque evita impunidade.

Direito de passagem inocente – é uma norma costumeira, consiste em passar e seguir seu curso no mar territorial alheio, se precisar parar deve obrigatoriamente pedir autorização, tal direito só é destinada às embarcações.
Historicamente ocorreram diversas concepções para aferição do mar territorial, vejamos algumas:

  • alcance da visão;
  • dois dias de viajem;
  • alcance do tiro de canhão;
  • três milhas náuticas.

O Brasil já adotou o das três milhas náuticas, porém o decreto lei 53/69 estabeleceu um novo limite de 12 milhas, que posteriormente foi alterado pelo episódio das lagostas, onde ficou estabelecido o limite em 200 milhas, pelo decreto lei 1098/70, porém em 04/01/93 a lei 8971 restabeleceu o limite de 12 milhas sendo adotado até hoje.

Convenções – no ano de 1948 os Estados se reuniram em Genebra com o objetivo de codificar as normas marítimas sobre mar territorial e zona contígua, alto mar, pesca, conservação dos recursos vivos no alto mar e plataforma continental, depois de muitos anos na Jamaica na convenção de Montego Bay estabeleceram os limites que ficaram da seguinte forma:

12 milhas – mar territorial;
188 milhas – zona econômica exclusiva;
200 milhas alto mar;
plataforma continental.

Vamos analisar cada uma agora:

Direito dos Navios estrangeiros em território alheio:

  • Direito de passagem – não tem que se identificar, mas o navio deve ter alguma bandeira, se tiver que atracar pede autorização.
  • Direitos do Estado Costeiro – o Estado só pode cobrar pelos serviços que ele preste, quando for solicitado.
  • Tem o direito de interceptar (abordar), é o seu poder de polícia, vistoriar etc.
  • Direitos dos Estados estrangeiros na zona econômica exclusiva – gozam de livre navegação, mas não podem explorar de nenhuma forma, salvo com expressa autorização do presidente da república.

Tem o direito de perfuração da zona econômica exclusiva para colocação de cabos e dutos marinhos.

  • Plataforma Continental – não tem conceito jurídico, mas sim geográfico e depende de Estado para Estado, mas em linhas gerais considera-se como tal toda inclinação, mas para fins jurídicos desconsideram-se as superiores a 350 milhas, após esse limite é patrimônio comum da humanidade, que deve ser usado de forma pacífica.

Rios Internacionais – quando seu curso passa pelo território de mais de um Estado.

Na América do Sul temos por exemplo o rio Amazonas.

Navegabilidade- não existe direito de passagem inocente em rio, só em mar, para navegar será necessário à criação de um tratado que deve tratar sobre o tema, no Brasil temos o tratado Decreto Imperial de 1856, abrindo as águas do rio Amazonas para os navios mercantes de qualquer bandeira.

Responsabilidade Internacional do Estado – é a clássica, ação ou omissão e nexo de causalidade, sendo subjetiva por culpa.

  • Responsabilidade objetiva – só quando prevista em tratado.

Gerações de Direitos Humanos:

1) Direitos Fundamentais básicos – exemplo: direito a vida, a liberdade, é um direito contra o Estado.

2) Direitos Políticos – exemplo: direito ao voto, a se candidatar.

3) Direitos econômicos e sociais – direito à educação, saúde, lazer, cultura – o Estado que deve garanti-los.

4) Direitos difusos e coletivos – direito a um ar respirável, água potável, são direitos que transcendem a figura do Estado, caindo na esfera internacional.