Indicadores Modais ou Indicadores de Modalidade

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gico, Jaako Hintikka (1976:14), em relação às nossas posições:

Não parece que muito do trabalho que foi feito ou que se está fazendo sobre a lógica modal forneça novas intuições sobre importantes problemas teóricos de lógica ou de estudos de fundamentos. Não obstante, a lógica modal promete muito como classificação de uma grande quantidade de conceitos e problemas filosóficos mais centrais, embora ao que parece menos como iluminação dos conceitos de possibilidade e necessidade lógica do que como, por exemplo, iluminação da natureza das diferentes atitudes proposicionais (itálico nosso).

Para Hintikka, as atitudes proposicionais são consideradas modalidades pessoais (aquelas que servem para expressar o estado ou a atitude de um indivíduo). Como exemplos, podem servir o conhecimento, a crença, a esperança, a dúvida, a expectativa, a intenção etc.

Normalmente, esse tipo de modalidade expressa-se em orações (que Frege chamava indiretas ou oblíquas) nas quais aparecem verbos como “crer”, “desejar”, “duvidar” etc.

Desse modo, por meio das modalidades poderemos definir — a proposta já está presente em Aristóteles — o estatuto da oração: interrogação, afirmação, ordem etc.

Nesse sentido, convém ressaltar a velha oposição entre dictum e modus: enquanto o primeiro é o conteúdo representado (proposição primitiva expressa pela relação sujeito-predicado), o segundo é uma operação que tem por objeto o dictum. Em outras palavras, o modus, por assim dizer, “comenta” o dictum, ou mera descrição.

LOZANO, J, PEÑA-MARÍN, C. & ABRIL, G. Análise do discurso: por uma semiótica da interação textual. São Paulo: Littera Mundi, 2002, p. 56—59.

INDICADORES MODAIS ou ÍNDICES DE MODALIDADE

Os indicadores modais, também chamados modalizadores em sentido estrito, são igualmente importantes na construção do sentido do discurso e na sinalização do modo como aquilo que se diz é dito. O estudo das modalidades vem desde a lógica clássica e permeia toda a semântica moderna.

Não pretendo aprofundar-me aqui nos aspectos lógicos da questão, mas tão-somente apontar os meios linguísticos por intermédio dos quais as modalidades se apresentam (“lexicalizam”) no discurso. Os principais tipos de modalidade apontados pela lógica são:

necessário/possível

certo/incerto, duvidoso

obrigatório/facultativo

Um mesmo conteúdo preposicional (cf. cap. “Linguagem e Ação”) pode ser veiculado sob modalidades diferentes. Por exemplo:

28. É necessário que a guerra termine.

É possível que a guerra termine.

É certo que a guerra vai terminar.

É provável que a guerra termine.

29.Ê obrigatório o uso de crachás.

É facultativo o uso de crachás.

Nesses exemplos, as modalidades estão lexicalizadas sob forma de expressões cristalizadas do tipo “é + adjetivo”. Existem, no entanto, diversas outras formas de expressão da modalidade: certos advérbios ou locuções adverbiais (talvez, provavelmente, certamente, possivelmente, etc.); verbos auxiliares modais (poder, dever, etc.); construções de auxiliar + infinitivo [ter de + infinitivo, precisar (necessitar) + infinitivo; dever + infinitivo, etc.]; “orações modalizadoras” (tenho a certeza de que…, não há dúvida de que…, há possibilidade de…, todos sabem que…, etc.). Vejam-se os exemplos abaixo:

30.Quem vai ao centro necessariamente passará pelo novo elevado.

Quem vai ao centro deverá passar pelo novo elevado.

Quem vai ao centro tem de passar pelo novo elevado.

31.Possivelmente, viajarei no domingo.

Talvez eu viaje no domingo.

Pode ser que eu viaje no domingo.

34. Os candidatos deverão apresentar documento de identidade.

Exige-se que os candidatos apresentem documento de identidade.

Os candidatos terão de apresentar documento de identidade.

Há obrigatoriedade de apresentação do documento de identidade pêlos candidatos.

Em todos esses exemplos, verifica-se que, ao conteúdo proposicional, foi acrescentada a indicação da modalidade sob a qual ele deve ser interpretado. É fácil perceber, também, que:

a. uma mesma modalidade pode ser expressa através de recursos linguísticos (= lexicalizações) de diferentes tipos;

b. um mesmo indicador modal pode exprimir modalidades diferentes, como é o caso dos verbos dever e poder nos seguintes exemplos.

35. a. Todos os candidatos devem comparecer em traje social (é obrigatório).

b. O tempo deve melhorar amanhã (= é possível),

c. Vamos, a reunião deve estar começando (= é provável).

36. a. Os candidatos podem apresentar-se em traje esportivo (= é facultativo),

b. Os preços podem cair nos próximos meses (= é possível).

INDICADORES ATITUDINAIS, ÍNDICES DE AVALIAÇÃO E DE DOMÍNIO

Além dos indicadores de modalidade, existem também os indicadores de atitude ou estado psicológico com que o locutor se representa diante dos enunciados que produz. São exemplos:

37. Infelizmente, não poderei ir à sua festa.

38. Felizmente, ninguém se machucou na queda.

39. É com prazer (satisfação, alegria) que o convido a fazer parte de nossa equipe.

40. Anunciamos, pesarosamente, o falecimento de nosso diretor.

41. Francamente, não gosto de pessoas exageradas.

A atitude subjetiva do locutor em face de seu enunciado pode traduzir-se também numa avaliação ou valoração dos fatos, estados ou qualidades atribuídas a um referente. São, em geral, expressões adjetivas e formas intensificadoras, como:

42. O engenheiro realizou um excelente trabalho.

43. O orador foi extremamente feliz em sua exposição.

Há, ainda, operadores que delimitam o domínio dentro do qual o enunciado deve ser entendido (exs. 44 e 45) ou o modo como ele é formulado pelo locutor (exs. 46 e 47):

44. Politicamente, ele está desmoralizado.

45. Geograficamente, o Brasil é um dos maiores países do mundo.

46. Resumidamente, pode-se dizer que a desavença se deu da seguinte maneira: …

47. Vou abordar concisamente esse aspecto da questão.

KOCH, I.G.V. A inter-ação pela linguagem. 8. ed. São Paulo: Contexto, 2003, p. 50 — 53.

Coesão Textual

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Conexão

Outro tipo de sinais de articulação são os conectores inter-frásticos, responsáveis pelo tipo de encadeamento a que se tem denominado conexão ou junção (cf. a conjunção de Halliday & Hasan). Trata-se de conjunções, advérbios sentenciais (também chamados advérbios de texto) e outras palavras (expressões) de ligação que estabelecem, entre orações, enunciados ou partes do texto, diversos tipos de relações semânticas e/ou pragmáticas.

Relações Lógico-Semânticas

As relações lógico-semânticas entre orações que compõem um enunciado são estabelecidas por meio de conectores ou juniores de tipo lógico. A expressão conectores de tipo lógico deve-se ao fato de tais conectores apresentarem semelhanças com os operadores lógicos propriamente ditos, não se confundindo, porém, com estes, já que a “lógica” das línguas naturais difere, em muitos aspectos, da lógica formal. São relações desse tipo:

– relação de condicionalidade (se p então q) – expressa-se pela conexão de duas orações, uma introduzida pelo conector se ou similar (oração antecedente) e outra por então, que geralmente vem implícita (oração consequente). O que se afirma nesse tipo de relação é que, sendo o antecedente verdadeiro, o ôonseqüente também o será. Vejam-se os exemplos:

19. Se aquecermos o ferro, (então) ele se derreterá.

20. Caso faça sol, (então) iremos à praia.

– relação de causalidade (p porque q) – expressa-se pela conexão de duas orações, uma das quais encerra a causa que acarreta a consequência contida na outra. Tal relação pode ser veiculada sob diversas formas estruturais, como:

– relação de mediação – que se exprime por intermédio de duas orações, numa das quais se explicitam o(s) meio(s) para atingir um fim expresso na outra:

25. O jovem envidou todos os esforços para conquistar

meio

“o amor da garota dos seus sonhos.”

fim

Embora, do ponto de vista lógico, a relação de condicionalidade (implicação) englobe as de causalidade e de mediação, apresento-as separadamente por razões didáticas.

– relação de disjunção – tal relação pode ser tanto de tipo lógico, quanto de tipo discursivo (que será apresentada mais adiante) e se expressa através do conectivo ou. Esse conector, porém, é ambíguo em língua natural, correspondendo ora à forma latina aut, com valor exclusivo (isto é, um ou outro, mas não ambos), ora à forma -vel com valor inclusivo (ou seja, um ou outro, possivelmente ambos).

26. Você vai passar o fim de semana em São Paulo ou vai descer para o litoral? (exclusivo)

27. Todos os congressistas deveriam usar crachás ou trajar camisas vermelhas, (inclusivo: e/ou)

– relação de temporalidade – por meio da qual, através da conexão de duas orações, localizam-se no tempo, relacionando-os uns aos outros, ações, eventos, estados de coisas do “mundo real” ou a ordem em que se teve percepção ou conhecimento deles. O relacionamento temporal pode ser de vários tipos:

a. tempo simultâneo (exato, pontual):

b. tempo anterior/tempo posterior:

29. Antes que o inimigo conseguisse puxar a arma, o soldado desferiu-lhe uma saraivada de tiros.

30. Depois que Maria enviuvou, ele preferiu viver na fazenda de seus pais.

c. tempo contínuo ou progressivo:

31. Enquanto os alunos faziam os exercícios, o professor corrigia as provas da outra turma.

32. À medida que os recursos iam minguando, aumentava o desespero da população do vilarejo isolado pelas inundações.

– relação de conformidade – expressa-se pela conexão de duas orações em que se mostra a conformidade do conteúdo de uma com algo asseverado na outra:

33. O réu agiu conforme o advogado lhe havia determinado.

– relação de modo – por meio da qual se expressa, numa das orações, o modo como se realizou a ação ou evento contido na outra. Exemplo:

34. Sem levantar a cabeça, a criança ouvia as reprimendas da mãe.

35. Como se fosse um raio, o cavaleiro disparou pela campina afora.

Relações discursivas ou argumentativas

Os encadeadores de tipo discursivo são responsáveis pela estruturação de enunciados em textos, por meio de encadeamentos sucessivos, sendo cada enunciado resultante de um ato de fala distinto. Neste caso, o que se assevera não é, como nas relações de tipo lógico, uma relação entre o conteúdo de duas orações, mas pro-duzem-se dois (ou mais) enunciados distintos, encadeando-se o segundo sobre o primeiro, que é tomado como tema.

Prova de que se trata de enunciados diferentes, resultantes cada um de um ato de fala particular, é que eles poderiam ser apresentados sob forma de dois períodos ou até proferidos por locutores diferentes. Assim, tais encadeamentos podem ocorrer entre orações de um mesmo período, entre dois ou mais períodos e, também, entre parágrafos de um texto: daí a denominação dada aos conectores por eles responsáveis de operadores ou encadeadores de discurso.

Ademais, esses conectores, ao introduzirem um enunciado, determinam-lhe a orientação argumentativa. Por esta razão, são também chamados operadores argumentativos e as relações que estabelecem, relações pragmáticas, retóricas ou argumentativas. Entre as principais destas relações podem citar-se:

– conjunção – efetuada por meio de operadores como é, também, não só … mas também, tanto … como, além de, além disso, ainda, nem (= e não), quando ligam enunciados que constituem argumentos para uma mesma conclusão. Exemplo:

36. João é, sem ddvida, o melhor candidato. Tem boa formação e apresenta um consistente programa administrativo. Além disso, revela pleno conhecimento dos problemas da população. Ressalte-se, ainda, que não faz promessas demagógicas.

37. A reunião foi um fracasso. Não se chegou a nenhuma conclusão importante, nem (= e não) se discutiu o problema central.

– disjunção argumentativa – trata-se aqui da disjunção de enunciados que possuem orientações discursivas diferentes e resultam de dois atos de fala distintos, em que o segundo procura provocar o leitor/ouvinte para levá-lo a modificar sua opinião ou, simplesmente, aceitar a opinião expressa no primeiro:

38. Todo voto é útil. Ou não foi dtil o voto dado ao rinoceronte “Cacareco” nas eleições municipais, há alguns anos atrás?

– contrajunção – através da qual se contrapõem enunciados de orientações argumentativas diferentes, devendo prevalecer a do enunciado introduzido pelo operador mas (porém, contudo, todavia etc.).

39. Tinha todos os requisitos para ser um homem feliz. Mas vivia só e deprimido.

Quando se utiliza o operador embora (ainda que, apesar de (que) etc.), prevalece a orientação argumentativa do enunciado não introduzido pelo operador:

40. Embora desconfiasse do amigo, nada deixava transparecer.

41. O calor continua insuportável, apesar da chuva que caiu o dia todo.

Segundo Ducrot (1980), o operador MAS pode exprimir um movimento psicológico entre crenças, opiniões, emoções, desejos, ainda que implícitos, quando orientados em sentidos contrários, como em:

42. Jeanne, tendo acabado de arrumar as malas, aproximou-se da janela, mas a chuva continuava. (Maupassant, Une Vié).

– explicação ou justificativa – quando se encadeia, sobre um primeiro ato de fala, outro ato que justifica ou explica o anterior:

43. Não vá ainda, que tenho uma coisa importante para lhe dizer. (Justificativa)

44. Deve ter faltado energia por muito tempo, pois a geladeira está totalmente descongelada. (Explicação)

– comprovação – em que, através de um novo ato de fala, acrescenta-se uma possível comprovação da asserção apresentada no primeiro:

45. Encontrei seu namorado na festa, tanto que ele estava de ténis Adidas.

– conclusão – em que, por meio de operadores como portanto, logo, por conseguinte, pois etc., introduz-se um enunciado de valor conclusivo em relação a dois (ou mais) atos de fala anteriores que contêm as premissas, uma das quais, geralmente, permanece implícita, por tratar-se de algo que é voz geral, de consenso em dada cultura, ou, então, verdade universalmente aceita. Exemplo:

47. João é um indivíduo perigoso. Portanto, fique longe dele.

– comparação – expressa-se por meio dos operadores (tanto, tal) … como (quanto), mais… (do) que, menos… (ao) que, estabelecendo entre um termo comparante e um termo comparado, uma relação de inferioridade, superioridade ou igualdade. A relação comparativa, como demonstra Vogt (1977, 1980), possui caráter eminentemente argumentativo: a comparação se faz tendo em vista dada conclusão a favor ou contra a qual se pretende argumentar. Assim, se a uma pergunta como: “Devemos chamar Pedro para tirar a mala de cima do armário?”, se obtivesse como resposta:

48. “João é tão alto quanto Pedro.”

a argumentação seria desfavorável a Pedro (embora não negando a sua altura) e favorável a João. Se, por outro lado, a resposta fosse:

49. “Pedro é tão alto como João.”

haveria inversão da orientação argumentativa, agora favorável a Pedro.

Pelos exemplos acima, verifica-se: a) que, do ponto de vista argumentativo, não há “igualdade” entre Pedro e João; b) que, embora tema e rema sejam perfeitamente permutáveis do ponto de vista sintático, não o são do ponto de vista argumentativo.

– generalização/extensão – em que o segundo enunciado exprime uma generalização do fato contido no primeiro (ex. 50 e 52), ou uma amplificação da ideia nele expressa (ex. 51):

– especificação/exemplificação – em que o segundo enunciado particulariza e/ou exemplifica uma declaração de ordem mais geral apresentada no primeiro:

53. Muitos de nossos colegas estão no exterior. Pierre, por exemplo, está na França.

54. Nos países do Terceiro Mundo, como a Bolívia e o Brasil, falta saneamento básico em muitas regiões.

– contraste – na qual o segundo enunciado apresenta uma declaração que contrasta com a do primeiro, produzindo um efeito retórico:

55. Gosto muito de esporte. Mas luta-livre, faça-me o favor!

56. Os ricos ficam cada vez mais ricos, ao passo que os pobres tornam-se cada vez mais pobres.

– correção/redefinição – quando, através de um segundo enunciado, se corrige, suspende ou redefine o conteúdo do primeiro, se atenua ou reforça o comprometimento com a verdade do que nele foi veiculado ou, ainda, se questiona a própria legitimidade de sua enunciação:

57. Irei à sua festa. Isto é, se você me convidar.

58. Eu não agiria deste modo. Se você quer saber a minha opinião.

59. Meus parabéns! Ou não devo cumprimentá-lo por isso?

60. Pedro chega hoje. Ou melhor, acredito que chegue, não tenho certeza.

Outros tipos de relações poderiam ser ainda apresentadas, por exemplo, as que se estabelecem entre turnos, no diálogo. Não tive a intenção de ser exaustiva e, sim, de apresentar ao leitor uma visão geral do assunto.

Charolles (1986) ressalta que o uso dos mecanismos coesivos tem por função facilitar a interpretação do texto e a construção da coerência pêlos usuários. No entanto, seu uso inadequado pode dificultar a compreensão do texto: visto possuírem, por convenção, funções bem específicas, eles não podem ser usados sem respeito a tais convenções. Se isto acontecer, isto é, se seu emprego estiver em desacordo com sua função, o texto parecerá destituído de se-qüencialidade, o que dificultará a sua compreensão e, portanto, a construção da coerência pelo leitor/ouvinte.

É preciso deixar claro, ainda, que a coesão referencial e a coesão sequencial não devem ser vistas como procedimentos total mente estanques. Há, na língua, formas que apenas efetuam encadeamentos (os conectores propriamente ditos) e outras que operam, ao mesmo tempo, remissão (ou referência) e encadeamento.

Vejam-se, como exemplo destas últimas, as formas examinadas no item Justaposição (pág. 60) (meta-nível), algumas das quais, inclusive, apresentam semelhanças com as dos exemplos (63) e (64) do capítulo anterior. O próprio uso de formas remissivas, retomando referentes do texto para se tornarem suportes de novas predicações, não deixa de contribuir para a progressão do texto, aproximando-se, pois, dos mecanismos de seqüenciação parafrástica.

Como se pode verificar de tudo o que foi dito neste capítulo, também a questão da coesão sequencial é bastante complexa. Esta obra terá atingido seu objetivo se conseguir motivar o leitor a novas leituras sobre o tema coesão textual.

Referências:

KOCH, I.G.V. A coesão textual. 8ª ed. São Paulo: Contexto, 1996,p.62-70.

Aspectos Cognitivos do Processamento Textual

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1. Introdução

A preocupação central das pesquisas na área de Cognição tem sido a de propor teorias empiricamente comprováveis, capazes de explicar os aspectos estruturais e processuais da cognição humana, a partir de três questionamentos básicos (Schwarz, 1992):

1. De que conhecimento o ser humano precisa dispor para poder realizar tarefas tão complexas como pensar, falar e agir socialmente?

2. Como este conhecimento está organizado e representado na memória?

3. Como este conhecimento é utilizado e que processos e estratégias cognitivas são postas em ação por ocasião do uso?

Meu objetivo é o de apresentar algumas respostas a tais questões, lembrando, porém, que existem hipóteses alternativas, dentro de quadros teóricos distintos daquele que foi aqui adotado.

Um princípio básico da Ciência cognitiva é que o homem representa mentalmente o mundo que o cerca de uma maneira específica e que, nessas estruturas da mente, se desenrolam determinados processos de tratamento, que possibilitam atividades cognitivas bastante complexas. Isto porque o conhecimento não consiste apenas em uma coleção estática de conteúdos de experiência, mas também habilidades para operar sobre tais conteúdos e utilizá-los na interação social.

Em outras palavras, o “cognitivo” apresenta-se sob a forma de representações (conhecimentos estabilizados na memória, acompanhadas das interpretações que lhes são associadas) e tratamentos ou formas de processamento da informação (processos voltados para a compreensão e a ação, como é o caso, por exemplo, dos processos inferenciais).

Pode-se, assim, dizer que a memória opera em três momentos ou fases:

1. “estocagem” – em que as informações perceptivas são transformadas em representações mentais, associadas a outras;

2. retenção – em que se dá o armazenamento das representações;

3. reativação – em que se opera, entre outras coisas, o reconhecimento, a reprodução, o processamento textual.

2. Estrutura da memória

Uma antiga preocupação dos estudiosos da cognição é distinguir o que é provisório e o que é permanente no funcionamento da memória. Tem-se postulado, portanto, a existência de uma “memória de curtíssimo – termo” ou memória de percepção, onde os estímulos visuais, auditivos e outros são retidos por cerca de 250 milésimos de segundos; de uma memória de curto – termo (MCT), de capacidade limitada, onde as informações são mantidas durante um curto lapso de tempo; e de uma memória de longo – termo (MLT), onde os conhecimentos são representados de forma permanente.

Desta forma, as informações seriam estocadas, em um primeiro momento, sem passarem por qualquer análise, no registro sensorial; a seguir, parte delas seria codificada na MCT para, depois de submetidas a um tratamento, serem transmitidas à MLT, enquanto um registro permanente, semelhante a uma ” base de dados”.

Verifica-se, pois, que a concepção tradicional de MCT como um lugar passivo de estocagem de informações vem sendo modernamente posta em causa: sugere-se que é possível manter um certo número de unidades de informação na MCT, enquanto se realizam, ao mesmo tempo, operações complexas de aprendizagem, compreensão ou raciocínio. Isto se deve à possibilidade de ativação e transferência de unidades armazenadas na MLT para a MCT, de modo a permitir o tratamento da informação nela presente para sua posterior transferência à MLT.

É também devido à necessidade de tratamento da informação que chega (“incoming”) que se tem postulado a existência de uma espécie de memória intermediária – a memória operacional ou memória de trabalho (“working memory”) que faria a mediação entre a MCT e a MLT, operando de forma paralela aos processos conscientes, porém limitados em termos de capacidade, da MCT. A memória de trabalho seria constituída de dois subsistemas, um destinado ao tratamento verbal, outro, ao tratamento viso-espacial, complementados por uma espécie de executivo central.

De toda forma, hoje em dia, a maior parte dos autores considera a MCT como uma espécie de recorte da MLT, que, em momento determinado, entra em estado de ativação.

Por ocasião do processamento, uma série de processos tem lugar, a saber:

1. seleção dos canais de informação da MCT;

2. seleção, pela MCT, das informações recentes;

3. manutenção ativa de informações na MCT;

4. busca na MLT para levar a uma estocagem mais elaborada do que aquela fornecida pela MCT;

5. atividades de raciocínio ou de solução de problemas que implicam busca na MLT para posterior re-combinação com elementos da MCT e assim por diante.

A eficiência de nosso pensamento, linguagem e ação repousam sobre a atuação conjunta dos componentes da memória. Assim sendo, o processamento textual envolve tanto a ativação de conhecimentos da MLT, como o conjunto de processos cognitivos realizados por todos os componentes da memória. Isto é, paralelamente ao sistema da memória de curto termo, que tem por função armazenar informações facilmente evocáveis em tempo determinado e na maioria das vezes, limitados, opera a MLT, que seria como “o sistema de gestão” dessa memória, com objetivo de organizar as informações para tratamento posterior.

3. Natureza das representações

Como vimos, a MLT é um espaço no qual estão classificadas as representações mnésicas. Elas incorporam dois sistemas de conhecimento funcionalmente distintos, de modo que se costuma falar em dois tipos de memória:

1. memória semântica – que abrange o conhecimento geral (categorial) sobre o mundo e as proposições acerca deste. Seria uma espécie de “thesaurus” mental, no qual se inclui o léxico da língua. Seriam conhecimentos deste tipo: •

– A fórmula da água é H2O

– Samba é um ritmo afro – brasileiro.

2. memória episódica, que contém informações sobre vivências pessoais, por isso também chamada de memória autobiográfica. Armazena episódios, isto é, eventos espacio-temporalmente situados, portanto sensíveis às variações contextuais.

No entanto, os dois tipos de conhecimento interagem continuamente: utilizamos o conhecimento geral para desenvolver o conhecimento particular; este, por sua vez, pode levar a modificação e ampliação do conhecimento geral. Além disso, representações episódicas de conhecimento podem, com o tempo, adquirir caráter categorial, à medida que se vão fazendo abstrações das circunstâncias espácio-temporais e particulares (cf. modelos generalizados, Van Dijk, 1989). Poder-se-ia dizer que conhecimento semântico e episódico se situam nos pontos extremos de um continuum de representações de conhecimento.

Tanto as representações episódicas quanto as semânticas são verbalizáveis (ainda que se trate de episódios íntimos ou de imagens mentais – Vignaux, 1991: 205). Elas apresentam, além disso, um caráter estático, na medida em que descrevem “estados de coisas” ou do sujeito. Por isso, constituem conhecimentos declarativos, em oposição aos conhecimentos procedurais, que são mais dinâmicos, envolvendo capacidades perceptivo-cognitivas e cognitivo-motrizes.

Assim, enquanto na manipulação do conhecimento declarativo intervêm, necessariamente, o controle intencional e a aprendizagem, pode-se dizer que os conhecimentos procedurais são, em grande parte, automatizados. A competência cognitiva humana engloba tanto o conhecimento declarativo (estrutural), como o procedural, que consiste de programas que constituem pressupostos para os mecanismos de atuação (processamento).

Verifica-se, assim, que a memória deixa de ser vista como um auxiliar do conhecimento, passando a ser considerada parte integrante dele, ou mesmo como a forma de todo o conhecimento: o conhecimento nada mais é que estruturas estabilizadas na memória de longo prazo, que são utilizadas para o reconhecimento, a compreensão de situações – e de textos – e a ação e interação social. Tais conhecimentos (ou “saberes”) são formados a partir de estados provisórios de conhecimento elaborados pela memória operacional e são resultado das nossas atividades de construção de sentido e interpretação de situações e eventos. Nestes termos é que se pode falar de aquisição ou construção de conhecimentos.

3. Unidades cognitivas e estruturas na MLT

Unidades elementares: conceitos

Conceitos são unidades organizacionais que têm por função armazenar conhecimento sobre o mundo. Trata-se de “tijolos” do sistema cognitivo (Schwarz, 1992: 84) que permitem a estocagem econômica e o tratamento de unidades subjetivas de experiência, por meio da divisão da informação em classes, com base em determinadas características (categorização da experiência).

O homem tem necessidade de ordenar o mundo a sua volta, de organizar a variedade difusa de estímulos em objetos particulares invariantes, que, por sua vez, serão distribuídos em classes de membros equivalentes. Assim, identidade e equivalência constituem princípios básicos de categorização do mundo e do saber sobre o mundo. É o princípio da identidade que nos permite reconhecer um objeto, em diferentes momentos e situações, como uma só e a mesma entidade. O princípio da equivalência, por sua vez, possibilita reconhecer dois objetos, com base em suas propriedades comuns, como dois exemplares ou instâncias de uma mesma classe.

O reconhecimento de objetos idênticos e equivalentes é possibilitado pelos conceitos armazenados na MLT. Os conceitos que encerram informações sobre classes de objetos estabelecem categorias ou “conceitos – tipo”, ao passo que aqueles que representam objetos individuais são “conceitos – token” ou “conceitos individuais”.

Os conceitos derivam de operações mentais que realizam abstrações a partir dos exemplares individuais e deles extraem as características comuns.

Modernamente, os conceitos deixaram de ser vistos como unidades bem definidas e claramente distintas umas das outras, para serem consideradas como unidades de representação flexíveis, estudadas nas teorias de protótipos e estereótipos. São, portanto, fundamentais para explicar os processos de aprendizagem e compreensão humanos. Com o passar do tempo passaram a ser vistos como altamente flexíveis e dinâmicos, constantemente atualizáveis, isto é, passíveis de complementação e/ou reformulação.

A caracterização por protótipo se realiza (Taylor, 1989: 41) por comparação com um modelo optimal, que representa o exemplar prototípico, cujos atributos são considerados como propriedades acessíveis a partir de um conhecimento de mundo. O protótipo contém detalhes culturais, provindo o efeito de prototipicidade do grau de correspondência entre o modelo e as situações reais (Kleiber, 1990: 173). Sendo, pois, o grau de correspondência variável, o grau de pertencimento a uma categoria é determinado pela situação, de modo que os limites da categoria são fluidos (Taylor, 1989: 51).

Os estereótipos, por sua vez, constituem representações sociais. Todo o conhecimento representado sob forma de modelos cognitivos generalizados (frames, scripts, etc, como será visto a seguir ) é um conhecimento estereotípico.

Unidades organizacionais complexas: os “modelos”

Os conceitos não são armazenados na memória de forma estanque, mas sim acoplados a outros através de diversos tipos de relações, formando, destante, blocos (“clusters”) agrupados como unidades na memória e recuperáveis como tal.

Trata-se, pois, de objetos complexos, que reagrupam objetos elementares (conceitos, relações, modos de ação etc) e que têm recebido denominações diversas, com ou sem diferenças de ordem conceitual, entre as quais: esquemas (Bartlett, 1932; Rumelhart, 1980); frames (Minsky, 1977); cenários (Sanford & Garrod, 1980); scripts (Schank & Abelson, 1977), M. O. P.s (Schank, 1985); modelos mentais (Johnson-Laird, 1983); modelos episódicos ou de situação (Van Dijk, 1989).

Os modelos são, pois, estruturas complexas de conhecimentos, que representam as experiências que vivenciamos em sociedade e que servem de base aos processos conceituais. São freqüentemente representados em forma de redes, nas quais as unidades conceituais são concebidas como variáveis ou “slots”, que denotam características estereotípicas (“defaults”) e que, durante os processos de compreensão, são preenchidas com valores concretos (“fillers”).

Assim, por ocasião do processamento da informação, selecionam-se os esquemas com a ajuda dos quais o atual estado de coisas pode ser interpretado. As unidades não explícitas no texto são inferidas do respectivo modelo. Na falta de informação explícita em contrário, utiliza-se como “filler” a informação ” default”, ou seja, a informação “standard” , estereotípica.

A concepção de modelo cognitivo sofreu também alterações com o passar do tempo. Devido ao grande incremento que teve no interior da I.A . , o modelo foi visto a princípio como algo fixo, estático, rígido, pouco adequado, portanto, para explicar os processos de aprendizagem e compreensão humanos. Com o passar do tempo, passaram a ser considerados como altamente flexíveis e dinâmicos, constantemente atualizáveis, isto é, passíveis de complementação e/ou reformulação.

Os modelos constituem, pois, conjuntos de conhecimentos socioculturalmente determinados e vivencialmente adquiridos, que contêm tanto conhecimentos declarativos sobre cenas, situações e eventos, como conhecimentos procedurais sobre como agir em situações particulares e realizar atividades específicas. Inicialmente particulares (já que resultam das experiências do dia-a-dia), determinados espácio-temporalmente, e por isso estocados na memória episódica.

Após uma série de experiências do mesmo tipo, tais modelos vão-se tornando generalizados, com abstração das circunstâncias particulares específicas (Van Dijk, 1989) e, quando similares aos dos demais membros de um grupo, passam a fazer parte da memória semântica.

4. Processamento textual

Pode-se dizer que são três os principais sistemas de conhecimentos acessados por ocasião do processamento textual (que, evidentemente, se encontram intimamente imbricados): o lingüístico, o enciclopédico (declarativo e episódico) e o sócio-interacional, aos quais correspondem três tipos de estratégias: as cognitivas, as sócio-interacionais e as textualizadoras (ou textuais).

O uso de tais estratégias (cf. Koch,1995, 1996 e 1997, no prelo) é monitorado por um tipo particular de modelo que, em cada situação de interação verbal atua como uma espécie de “sistema de controle” dos demais sistemas, descrito por VAN DIJK (1995) como modelo cognitivo de contexto.

Trata-se, segundo ele, de uma representação do próprio evento comunicativo como um todo, englobando: papéis, posições sociais e relações sociais dos participantes; seus objetivos, propósitos, interesses, expectativas; grupos sociais e outros grupos a que pertencem (idade, raça, gênero, profissão, classe social, etc.); representações sociais compartilhadas ( atitudes, ideologia); condicionamentos institucionais e sociais da interação; gêneros textuais e variedade de língua apropriados ao evento; preferências culturalmente determinadas com relação à situação; circunstâncias de tempo, lugar, objetos, tipos de participação etc.

A função de tais modelos é, pois, a de monitorar a própria organização do texto com vistas à produção do sentido em cada situação de interação verbal: ordem ou proeminência dos enunciados ou segmentos textuais; necessidade, interesse ou inconveniência de explicitação de informações ou de recursos responsáveis pela coerência local; introdução de conteúdos pressupostos ou conveniência de sua explicitação, em função do gênero, de necessidades pedagógicas, de relações sociais ou de interesses grupais; recurso ou não a pormenorização, apagamentos, parafraseamentos, correções, inserções; uso de fórmulas de polidez e marcadores de atenuação, etc., etc.

Assim, os modelos de contexto controlam o como, isto é, a maneira como os interlocutores formulam seu texto, em função do contexto em que a interação se realiza, sendo, pois, os responsáveis não só pelo fluxo das informações entre os outros tipos de modelos e o texto, com também pela monitoração da interação como um todo, em função de suas características específicas – e, em particular, pela forma como o texto será apresentado e/ou compreendido.

Referências Bibliográficas

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Boletim da ABRALIN (edição 21 – Junho/1997)

ATAS DO I CONGRESSO NACIONAL DA ABRALIN

Análise do Poema “Ser” de Carlos Drummond de Andrade

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O filho que ele não teve. O autor questiona durante todo o poema lugares e coisas que poderia ter realizado, se assim tivesse tido um filho.

Um poema de linguagem simples e clara, sem muitos rebusca mentos da língua, é direto em suas idéias.

Começa o poema dizendo que se tivesse um filho, pelos anos passado e ele já seria um homem, Imagina-o apenas dentro de si por isso alega “ele corre na brisa, sem carne, sem nome” Na 2°estrofe ele continua nesse pensamento, como se ele acreditasse “as vezes o encontro/ num encontro de nuvem”. Mas logo depois seu sonho é quebrado, por não ter o filho “Apóia em meu ombro/seu ombro nenhum”.

Mostra o desejo do eu-lírico com a paternidade, mas ao mesmo tempo uma tristeza, por não ter conseguido tal feito.

Na 3ª estrofe, há um questionamento do eu-lírico, da localidade de seu filho “em que gruta ou concha quedas abstrato?”, traz um sentimento mais forte, de acordo com o dicionário Sacconi,- quedar 4. diminuição, perda, abstrato – que não tem existência material.

Portanto em que gruta, poderá encontrar seu filho na sua existência, não sendo apenas mais, algo sem existência no material.

Na 4ª estrofe, o eu-lírico começa com uma lembrança, da qual diz, que onde ele se deitavam questionava sobre seu filho. E pergunta para ele “não me percebeste/contudo chamava-te/como ainda te champ/(além do amor)/onde nada, tudo/ aspira a criar-se.”

É o ultimo verso dessa estrofe “aspira a criar-se” que confirma a não existência do filho que é apenas um desejo do seu coração.

Termina dizendo: “o filho que não fiz/ faz-se por si mesmo”. O filho que ele não teve, em seu pensamento, ele cria, ele faz por si mesmo, ele o imagina, como seria bom ter um filho, dependente dele, do qual ele pudesse estender a mão quando houvesse necessidade.

Comércio Eletrônico

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O comércio eletrônico é relativamente algo recente. Ele se difundiu apartir da década de 80 com a popularização da internet. As primeitas transações de dados pela internet é dadata da década de 70, nos Estados Unidos, com a criação dos fundos esletônicos de trasnferência (EFT).

A montadora de carros Renault faz uso da sua página na internet para divulgar os seus produtos. Recentemente ela criou o serviço de vendas e compra de produtos da marca através do site da empresa. Esse serviço ficou ativo por três anos. As empresas têm se esforçado para criar sites de venda prático, de fácil navegação e até com preços mais baixos. Mesmo com tantos atrativos, os clientes ainda preferem adquirir seus produtos da forma tradicional.

SUMÁRIO

1.2. CONSIDERAÇÕES GERAIS
1.3. OBJETIVOS
1.3. 1OBJETIVO GERAL
1.4. JUSTIFICATIVA
2. GLOBALIZAÇÃO
3. COMÉRCIO ELETRÔNICO
3.1. NEGÓCIOS NA ERA DIGITAL
3.4. VANTAGENS E DESVANTAGENS DO COMÉRCIO ELETRÔNICO
3.4.1. VANTAGENS DO COMÉRCIO ELETRÔNICO
3.4.2. DESCAVANTAGENS DO COMÉRCIO ELETRÔNICO
4. VANTAGENS DO COMÉRCIO ELETRÔNICO
5. O BRASIL E O COMÉRIO ELETRÔNICO
6. O CRESCIMENTO DO COMÉRCIO ELETRÔNICO NO BRASIL
6.1. E-COMMERCE
6.2.1 VANTAGENS DO E-COMMERCE
6.3 FATURAMENTO DO COMÉRCIO ELETRÔNICO NO BRASIL
7. DIREITO DO CONSUMIDOR NA VENDAS PELA INTERNET
8. CONCLUSÃO
9. REFERÊNCIAS

INTRODUÇÃO

O presente trabalho pretende analisar, de maneira geral, o serviço de vendas on-line da empresa Renault. Sendo o ramo de atuação da mesma a venda de veiculos, o foco desta análise se dará na satisfação do cliente com relação a compra de carros pela internet. Sabemos que desde a década de 70 estávamos dando início à era do comércio eletrônico. Segundo RIBEIRO (1998), o comércio eletrônico é o ato de comprar e vender via internet, e por isso, acaba se tornando uma ferramenta para as empresas, consumidores e dirigentes, que vêem nesse segmento de mercado uma forma de cortar custos.

É nesse contexto que pretendemos analisar o serviço prestado pelo site da montadora Renault, onde ela disponibiliza em sua página na internet o serviço de vendas on-line. Em qualquer segmento de mercado, o que mais importa para uma empresa, é a satisfação do cliente, pois isso, aumenta a possibilidade dele efetivar uma segunda compra.

1.2. CONSIDERAÇÕES GERAIS

A Renault tem investido no comércio eletrônico, recentemente a empresa colocou a venda sua página na internet o modelo Clio Autentique. O carro está disponível em várias cores e opcionais, como ar-condicionado, air-bag e pintura metálica. O preço sugerido pela empresa é de R$ 25.490,00. O internauta pode pagar o veículo à vista ou financiá-lo em até 36 meses, com juros que variam de 0,99 % a 1,89% ao mês.

O frete do veículo está incluso no preço final ao consumidor. O internauta também pode fazer o seguro no momento da compra, tudo feito pela internet. A entrega do produto é realizada na concessionária que o internauta escolher, na data combinada e após o pagamento do sinal de R$ 990,00. O valor pedido como garantia da compra pode ser pago através de boleto bancário, cartão de crédito ou debito em conta corrente. Mas será que todos os clientes se satisfazem com os serviços que o site disponibiliza?

1.3. OBJETIVOS

1.3.1. OBJETIVO GERAL

Analisar os serviços on-line de venda da Renault, e verificar se ela supre as necessidades dos consumidores.

1.3.2. OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Conceituar o que é o comércio eletrônico e apresentar os serviços oferecidos pelo site da Renault. Analisar as ferramentas e serviços que auxiliam o cliente na compra pela internet disponíveis no site da Renault, e mostrar o índice de satisfação dos clientes com relação a esses serviços.

1.4. JUSTIFICATIVA

É fato que o comércio eletrônico tem ampliado as formas de se vender um produto. As empresas brasileiras têm seguido o exemplo das americanas quando o assunto é venda pela internet. Surgiram empresas especializadas na criação de serviços e ferramentas para os sites que disponibilizam a opção de compra on-line. O objetivo principal desses sites é proporcionar ao internauta uma rapidez em atender um grande número de clientes e fornecedores, de forma rápida, prática e segura.

A informação e o conhecimento são os dois fatores mais importantes no desempenho de qualquer função, sendo ela em vários âmbitos: profissional, educacional e pessoal. Segundo AMARAL E NIQUE (2000), este novo canal possui características diferentes dos canais tradicionais. O comércio eletrônico possibilita uma maior interação do produto/consumidor/empresa. Mas será que tanta tecnologia supre as necessidades dos consumidores?

2. GLOBALIZAÇÃO

Segundo CARVALHO (1987):

“A globalização pode ser caracterizada pelas mudanças ou conjunto de transformações que são resultantes do passar dos anos. O ponto principal dessa cadeia de mudanças é a centralização dos mercados em um grupo que acabam sendo analisados e comercializados pelas corporações internacionais”. (P. 23)

A globalização é marcada pela expansão mundial de grandes corporações, com isso, é feita uma ruptura das barreias existentes entre diferentes países. Para ALBERTIN (1999) isso se demonstra nitidamente na internet, “com o desenvolvimento do comércio eletrônico, a globalização se expandiu de forma democrática, onde todos poderiam romper com as barreias impostas pela localização geográfica”.

O setor automobilístico esta no topo da lista das empresas que mais faturam graças à globalização. Segundo uma pesquisa do Núcleo de Estudos Estratégicos da Universidade de São Paulo, em 2001, uma das maiores empresas do mundo, a Mitsubishi faturou em 2000 mais de US$ 2 trilhões de dólares com a globalização, lembrando que existem concessionárias da montadora japonesa em todo o mundo. A pesquisa ainda mostrou que o faturamento da empresa supera o PIB (Produto Interno Bruto) de países subdesenvolvidos, como o Brasil.

A evolução das tecnologias tem favorecido a fortalecimento do comércio e transações financeiras entre os países. Segundo SHAPIRO (1999),

“Em 1960, um cabo de telefone intercontinental conseguia transmitir 138 conversas ao mesmo tempo, atualmente, com o surgimento dos cabos de fibra óptica, esse número sobre para 1.2 milhão. Uma ligação telefônica internacional de 3 minutos, que custava cerca de 200 em 1930, hoje em dia é feira por US$ 2 dólares. O número de usuários da Internet, rede mundial de computadores, é de cerca de 50 milhões e tende a duplicar a cada ano, o que faz dela o meio de comunicação que mais cresce no mundo. E o maior uso dos satélites de comunicação permite que alguns canais de televisão – como as redes de notícias CNN, BBC e MTV – sejam transmitidas instantaneamente para diversos países. Tudo isso permite uma integração mundial sem precedentes”. (P. 65)

3. COMÉRCIO ELETRÔNICO

3.1. NEGÓCIOS NA ERA DIGITAL

O novo ambiente empresarial tem como base o ambiente digital. Ambos tem na essencia de suas atividades a internet. Isso se faz por causa de sua infra-estrutura de comunicação pública e de acesso fácil, livre e de baixo custo.

A internet e seus serviços básicos tem propiciado um novo espaço para a realização de negócios. Esse novo embiente tem fornecido para os agentes econômicos, sendo eles empresas ou indivíduos, canais alternativos para troca de informações, comunicar-se, tranferir diferentes tipos de produitos e serviços, e até incialização de transações comerciais.

3.2. O SURGIMENTO DO COMÉRCIO ELETRÔNICO

O comércio eletrônico tem seu surgimento dadato após o surgimento da internet na década de 60. Mas somente apartir de 1980 que as práticas do comércio eletrônico começaram a surgir através da troca eletrônica de dados e o correrio eletrônico.

Segundo LUCIANO (2002) em meados da década de 80, a internet começou a se difundir. Apartir daí, a internet muda a forma de realizar negócios e as principais atividades dentro das empresas, assim cria-se uma nova vertente de negócio.

O comércio eletrônico surgiu efetivamente na década de 70, nos Estados Unidos, com o desenvolvimento dos fundos eletrônicos de tranferência (EFT). Mas naquela época, esses serviços era restritos para empresas de grande porte e instituições financeiras. Soente na década de 80, com o surgimento do intercâmbio de docuentos (EDI), que as empresas de porte médio começaram a utilizar o comércio eletrônico.

Somente apartir da década de 90, com o surgimento dos primeiros software e a popularização da internet, que começou a se criar o âmbito de comércio eletrônico que conhecemos hoje.Segundo ALBERTIN (1999) desde o seu surgimento até os dias atuais, o comércio eletrônico tem auxiliado as corporações em vários âmbitos, tanto no que diz respeito a transação de informações, quanto a negociação e relação com o consumidor.

3.3. DEFINIÇÃO DE COMÉRCIO ELETRÔNICO

Para ALBERTIN (2000) o comercio eletrônico é a realização de toda a cadeia de valores dos processos de negócio em um ambiente eletrônico, por meio da aplicação intensa das tecnologias de comunicação e de informação, atendendo os objetivos do negócio. Os processos podem ser realizados de forma completa ou parcial, incluindo as transações negócio-a-negócio, negócio-a-consumidor e intra-organizacional, em uma infra-estrutura de informação e comunicação predominantemente pública, de acesso fácil, livre e de baixo custo.

Para GARCIA JÚNIOR (2001), o comércio eletrônico pode ser definido como o ator de comercializar produtos pela internet, ou seja, comprar ou vender produtos, e pela sua facilidade e praticidade com relação aos serviços do comércio tradicional, ele se tornou um ferramenta últil dentro das empresas.

O comércio eletrônico, para CARVALHO (1987) é a difusão de produtos e dados que pode ser acessado em uma velocidade incompreendida.Segundo o autor,não existem limites para o comércio eletrônico, pois ele pode transceder todos os limites propostos pelo homem, para que haja conectividade nesse segmento de comércio, basta que haja uma rede de computadores, sendo que as mais notórias são as redes globais.

Segundo RAYPORT E SVIOKLA (1995),

“Todos os negócios hoje em dia competem em dois mundos: um mundo físico de recursos e erentes que podemos ver e tocar, e um mundo virtual feito de informação. Este segundo tem possibilitado o crescimento do comercio eletrônico, ao quais estes autores se referem como marketspace, para distingui-lo do mundo físico que é denominado marketplace. Desse modo, quaisquer fornecedores podem atuar em escala global, e com isso, o consumidor também sai lucrando, pois terá a opção de escolher vários fornecedores diferentes.” (P. 186)

3.4. VANTAGENS E DESVANTAGENS DO COMÉRCIO ELETRÔNICO

3.4.1. VANTAGENS DO COMÉRCIO ELETRÔNICO

RIBEIRO (1998) apresentou algumas vantagens para as empresas que utilizam o comércio eletrônico e a internet como ferramenta em seus negócios:

– As empresas oferecem seus produtos 24 horas por dia, todos os dias da semana para seus clientes;

– Facilidade na comunicação com o público, onde se pode fazer uso das facilidades do comércio eletrônico, como a praticidade, versatilidade, rapidez e baixo custo operacional;

– Utilizar o e-mail como ferramenta de divulgação e contato com clientes e fornecedores;

– Auxilia os clientes nas etapas de venda e pós-venda;

– Melhora a imagem institucional da empresa;

– Utilização do site como material públicitário, já que na internet, o espaço para divulgação é ilimitado e o custo é baixo para a inclusão de novas informações;

– Distribuição de informações para os públicos especificos;

– Possibilita o marketing personalizado.

ANDRADE (2004),acreditam que as empresas conseguem uma melhora de seus resultados após o uso do comércio eletrônico e o uso da internet. Pois essa é uma forma de ligar o sistema de negócios diretamente com seus consumidores, empregados, parceiros e fornecedores. Através dessas ferramentas eles conseguem tornar-se mais eficientes, reduzindo bruscamente os custos e aumentando os lucros, assim como a participação no mercado e a interação com clientes, forncedores e empregados.

SHAPIRO E VARIAN (1999) apontam a influência do comércio eletrônico e apresentam algumas vantagens em se utilizar esse segmento de comércio:

– Em primeiro lugar, o aumento da competividade e qualidade de serviço, já que é agravavel do comércio eletrônico, e com isso os fornecedores podem aumentar a competitividade, ficando mais próximos dos seus clientes.

– Em segundo lugar, está a customização em massa de produtos e serviços personalizados, já que a interação eletrônica nas empresas estão em obter as informações necessárias de cada consumidor;

– Em terceiro lugar, a economia substâncial de custos e redução de preços. Ou seja, qualquer negociação envolvendo interações rotineiras entre pessoas oferece a oportunidade de redução nos custos, a qual pode ser repassado para os clientes..

– Em quarto lugar, o comércio eletrônico também oferece a oportunidade para pordutos e serviços inteiramente novos.

3.4.2. DESCAVANTAGENS DO COMÉRCIO ELETRÔNICO

Shapiro e Varian (1999) apresentam 7 problemas que ainda devem ser resolvidos sobre o comércio eletrônico, ressaltando o seu rápido crescimento:

– O primeiro trata sobre a globalização. Segundo os autores, as empresas podem negociar com clientes de todo o mundo com uma facilidade enorme. Porém a falta de informação pode dificultar a transação desse setor, já que esse não é um canal adequado onde se especialize na divulgação de empresas e produtos, onde se disponibiliza as informações de modo fácil, rápido e prático para o usuário.

– O segundo trata as questões tributárias. Considerando que o comércio eletrônico pode ser um sistema gerador de novos negócios, ele ainda não possui uma legislação adequada, onde é determinado uma tributação de impostos justa.

– O terceiro trata da prioridade para os bens que podem ser distribuidos eletrônicamente, onde se pode ser rapidamente copiados.

– O quarto problema trata sobre a privacidade e segurança. Segundo os autores, o comércio eletrônico pode estar presente em redes abertas, onde o sistema não apresenta caracteristicas e condições confiáveis para se manter a segurança e a privacidade.

Um dos meiores problemas que existe, com relação a privacidade é a segurnça nas transações. Segundo VASSOS (1998), as principais preocupações dos clientes em realizar uma transações on-line é: a fraude no cartão de crédito; pagar por informações antes gratuitas; falta de privacidade; e intangilidade e visibilidade das empresas vendedoras. O autor acredita que para se evitar a insegurança na realização de compras on-line, as empresas poderiam diversificar as formas de pagamento, como a utilização de pedidos via correio eletrônico, fax ou cheques pelo correio.

– O quinto problema trata a unificação dos provedores de acesso, já que para se alcançar o potêncial máximo do comércio eletrônico, todos os usuários devem ter o acesso universal a todos os produtos e empresas que disponibilizam algum tipo de serviço através da internet.

– O sexto probela trata a falta de habilidade no uso do comério eletrônico, sendo um domínio do sistema, e um fator essencial para o seu crescimento.

– O sétimo e último da lista, a logistica. Segundo o autor, cabe a logistica observar as dificuldades nas operações.

4. VANTAGENS DO COMÉRCIO ELETRÔNICO

Para NOVAES (2001), o comércio eletrônico é um elemento de competitividades mercadológica, acreditando nas vantagens existentes no comparativo dos dois setores: a forma digital da tradicional:

– Inserção instantânea no mercado: os produtos ou serviços ficam imediatamente expostos para o mundo todo.

– Relações mais ágeis: o comércio eletrônico dá a possibilidade a agilização das relações entre consumidores e vendedores.

– Redução da assimetria informacional: A Web permie a análise rápida e mais abrangente de ofertas, sem grande esforço. Mas somente os consumidores que têm acesso a internet podem conferir essas promoções.

– Redução da burocracia: o uso e a guarda de papéis são reduzidos, ganha-se tempo, os erros diminuem e muitos custos operacionais e administrativos são cortados.

– Análise mercadológica facilitada: o registro de informações dos clientes e transações por via eletrônica, onde se permite o uso posterior e o desenvolvimento de produtos e serviços.

Nesse sentido, pode-se observar de que maneira os recursos da Internet podem aumentar a competitividade mercadológica das empresas. Por exemplo, ao criar uma rede que permite aos clientes a realização de seus pedidos via internet, sem necessitar a presença do vendedor, a empresa acaba criando uma vantagem competitiva em comparação a concorrência, propiciando deste modo um atendimento mais ágil a seus clientes.

5. O BRASIL E O COMÉRIO ELETRÔNICO

Segundo ALBERTIN (2000), o comércio eletrônico encontra-se em um momento de consolidação. Após o início do simples fornecimento de informação, o mercado buscou, primeiro a realização da transação, para depois apoiar a distribuição e em seguida a interação com a comunicação.

Segundo dados divulgados pela Fundação Getúlio Vargas, sobre uma pesquisa realizada entre julho de 1999 e março de 2000, com aproximadamente 150 empresas de vários setores de serviço, indústria e comércio. As empresas que participaram dessa pesquisa participam de um ambiente tradicional e atuam no comércio eletrônico.Segundo os resultados apresentados, as empresas conseguem ótimos resultados em vários segmentos diferentes, como no atendimeto ao cliente e serviços prestados.

Para SILVA JUNIOR (2001), existem várias ferramentas que auxilia na interação e comunicação entre a empresa e o consumidor. A web marketing é utilizada como uma ferramenta de comunicação e distribuição muito popular, por causa da sua funcionalidade, ela propicia uma maior interatividade com os consumidores.

Segundo SHAPIRO (1999),

“uma empresa que vende os seus produtos/serviços pela internet tem a chance de obter uma margem lucrativa superior a concorrência que não possui o serviço de comércio eletrônico, já que a internet oferece ferramentas atrativas para o cliente”.(P. 18)

De acordo com VILCHES (2003), os consumidores estão se tornado mais sofisticados e sensíveis a preços, optando assim, para o comércio eletrônico. O autor acredita que os consumidores apresentam altas expectativas quanto aos serviços de atendimento, sendo menos fiéis a fornecedores e marcas. Essa atitude por parte dos consumidores, faz com que as empresas invistam em promoção de vendas.

Segundo O’ BRIEN (2001), existem vários fatores que consolidam e ampliam o comércio eletrônico. O autor diz que cada empresa deve procurar formas e métodos de atrair os seus clientes de modo on-line. Para eles, existem algumas que são chaves, como o desempenho e a eficiência no atendimento, a personalização e a socialização. O autor ainda diz que para que tenha sucessos, esses sites devem apresentar alguns diferenciais, como:

– Qualidade e rapidez nos serviços oferecidos;

– Passar aos clientes a importância de ter ele como cliente;

– Os sites devem ser atrativos e funcional;

– Os sites devem apresentar promoções, descontos ou cupons, que acabam atraindo os clientes a comprarem pela internet;

– Transmitir segurança e confiabilidade para o cliente, para que ele possa efetivar uma compra atraves da internet, em primeiro momento, ele deve se sentir seguro.

Para O’BRIEN (2001),

“os sistemas de comércio eletrônico se valem de recusrsos da Internet, intranets, extranets e outras redes de computadores para apoiar cada etapa desse processo. O comércio eletrônico pode incluir, por exemplo, processos de marketing interativo, pedidos de pagamentos na Rede Mundial de Computadores, acesso por extranet a bancos de dados de estoque pelos clientes e forncedores, acesso por intranet a cadastros de clientes por representantes de vendas e atendimento ao consumidor e no desenvolvimento de produtos via grupos de notícias da internet e trocas de e-mail” (P. 89)

6. O CRESCIMENTO DO COMÉRCIO ELETRÔNICO NO BRASIL

6.1. E-COMMERCE

O Brasil ocupa a lideração do mercado de Comércio Eletrônico da América Latinha, tendo efeitvado cerca de 88% a mais do que as transações feitas pelos países latino-americanos no ano de 2002 .

Para obter uma atual posição sobre o fato apresentado anteriormente, foi realizada a “Pesquisa sobre o comércio eletrônico no mercado brasileiro”,pela FGV -EAESP (2005).. A pesquisa mostrou que somente entre outubro de 2004 e fevereiro de 2005, o faturamento do comércio eletrônico dobrou no Brasil atingindo 2,3 bilhões de dólares em 2005, contra 1,75 bilhões em 2004. Foram 442 empresas nacionais e multi-nacionais analisadas, onde se mostrou que as aplicações mais utilizadas para o comércio eletrônico atualmente são home-pages, e-mails e trocas eletrônicas de dados.Segundo o FGV-EAESP (2005) o investimento em e-commerce dessas empressas foi de 0,99% da receita líquida, já no setor de indústrias foi de 0,28%, e no comércio foi de 0,876%.

6.2.1. VANTAGENS DO E-COMMERCE

De acordo com FGV-EAESP (2005), foram apontadas algumas vantagens em se utilizar o comércio eletrônico:

– Melhor relacionamento com o cliente;

– Estratégia competitiva;

– Novas oportunidades de negócios;

– Novos canais de vendas e distribuição;

– Inovação de produtos e serviços;

– Relacionamento com fornecedores.

A pesquisa ainda mostrou que a forma de pagamento mais utilizada pelos consumidores on-line é o carão de crédito, com 33% da preferência dos entrevistados.Seguindo a listagem aparece o Smart Card e o e-Check.

6.3. FATURAMENTO DO COMÉRCIO ELETRÔNICO NO BRASIL

Segundo a FGV – EAESPO (2005), em 2004, o montante faturado com o comércio eletrônico no Brasil, foi de R$ 1,71 bilhão, um aumento de 47% em relação ao faturamento do ano anterior. Neste total estão consideradas as vendas de automóveis, leilões e passagens aéreas. Trata-se apenas de milhares de lojas virtuais vendendo roupas, bebidas, remédios, livros, cds, eletrodomésticos, entre outros. É um excelente faturamento, tendo em vista o pouco tempo de existência do comércio eletrônico.

7. DIREITO DO CONSUMIDOR NA VENDAS PELA INTERNET

Uma dos problemas que se difundiram junto com o surgimento do comércio eletrônico, foi à legislação existente. Não havia normas ou leis que legalizasse e apresentasse garantias, tanto para o consumidor, quando para a empresa. Em 1990, foi incluso no Código de Defesa do Consumidor artigos que tratam sobre o comércio on-line.

Segundo a Lei nº. 8.078/90, do Código de defesa do Consumidor dá respaldo para os consumidores e fornecedores que realizarem qualquer tipo de transação ou compra pela internet.

Os artigos 18, 19 e 20 dão à garantia dos direitos do consumidor quando adquirem algum produto, e o mesmo apresente qualquer tipo de problema, sendo diferenciado daquele indicado pelo site na hora da compra:

Art. 18. Os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com as indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas.

§ 1° Não sendo o vício sanado no prazo máximo de trinta dias, pode o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:

I – a substituição do produto por outro da mesma espécie, em perfeitas condições de uso;

II – a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;

III – o abatimento proporcional do preço.

§ 2° Poderão as partes convencionar a redução ou ampliação do prazo previsto no parágrafo anterior, não podendo ser inferior a sete nem superior a cento e oitenta dias. Nos contratos de adesão, a cláusula de prazo deverá ser convencionada em separado, por meio de manifestação expressa do consumidor.

§ 3° O consumidor poderá fazer uso imediato das alternativas do § 1° deste artigo sempre que, em razão da extensão do vício, a substituição das partes viciadas puder comprometer a qualidade ou características do produto, diminuir-lhe o valor ou se tratar de produto essencial.

§ 4° Tendo o consumidor optado pela alternativa do inciso I do § 1° deste artigo, e não sendo possível a substituição do bem, poderá haver substituição por outro de espécie, marca ou modelo diversos, mediante complementação ou restituição de eventual diferença de preço, sem prejuízo do disposto nos incisos II e III do § 1° deste artigo.

§ 5° No caso de fornecimento de produtos in natura, será responsável perante o consumidor o fornecedor mediato, exceto quando identificado claramente seu produtor.

§ 6° São impróprios ao uso e consumo:

I – os produtos cujos prazos de validade estejam vencidos;

II – os produtos deteriorados, alterados, adulterados, avariados, falsificados, corrompidos, fraudados, nocivos à vida ou à saúde, perigosos ou, ainda, aqueles em desacordo com as normas regulamentares de fabricação, distribuição ou apresentação;

III – os produtos que, por qualquer motivo, se revelem inadequados ao fim a que se destinam.

Art. 19. Os fornecedores respondem solidariamente pelos vícios de quantidade do produto sempre que, respeitadas as variações decorrentes de sua natureza, seu conteúdo líquido for inferior às indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou de mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:

I – o abatimento proporcional do preço;

II – complementação do peso ou medida;

III – a substituição do produto por outro da mesma espécie, marca ou modelo, sem os aludidos vícios;

IV – a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos.

§ 1° Aplica-se a este artigo o disposto no § 4° do artigo anterior.

§ 2° O fornecedor imediato será responsável quando fizer a pesagem ou a medição e o instrumento utilizado não estiver aferido segundo os padrões oficiais.

Art. 20. O fornecedor de serviços responde pelos vícios de qualidade que os tornem impróprios ao consumo ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade com as indicações constantes da oferta ou mensagem publicitária, podendo o consumidor exigir, alternativamente e à sua escolha:

I – a execução dos serviços, sem custo adicional e quando cabível;

II – a restituição imediata da quantia paga, monetariamente atualizada, sem prejuízo de eventuais perdas e danos;

III – o abatimento proporcional do preço.

§ 1° A reexecução dos serviços poderá ser confiada a terceiros devidamente capacitados, por conta e risco do fornecedor.

§ 2° São impróprios os serviços que se mostrem inadequados para os fins que razoavelmente deles se esperam, bem como aqueles que não atendam as normas regulamentares de prestabilidade.

8. CONCLUSÃO

Podemos ver então qual a necessidade das organizações darem especial atenção ao consumidor e a satisfação que eles sentem com os serviços prestados. Ainda mais quando se faz uso do comércio eletrônico.

As empresas brasileiras têm utilizado amplamente as tecnologias em suas organizações, mas são poucas as que se preocupam com o resultado desses investimentos, ou pior, calculam esse investimento em capital, e esquecem da importância do consumidor nesse ciclo. Se o comércio eletrônico trás beneficios, ela também pode trazer prejuisos para as empresas, com isso, elas devem tomar cuidado com a imagem institucional e os serviços prestados através da sua página na internet sempre.

O comércio eletrônico é uma realidade e diversos setores da economia, estando em um estágio de transação. O cenário atual permite a análise da evolução e com isso identificar as suas tendências.

De fato, mesmo com o uso de tanta tecnologia e informação, o objeto mais importante dentro de qualquer empresa é o cliente. E tanto no comércio tradicioal ou no digital, sempre deve ser valorizado a satisfação do cliente. Afinal todos somos clientes, qualquer que seja nossa denominação religiosa ou classe social. Independente de nossas aspirações ou convicções todos somos consumidores de algum tipo de serviço ou determinado produto, portanto podemos fazer a diferença nas relações comerciais que realizamos e desejamos que sejam feitas.

9. REFERÊNCIAS

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Análise Crítica do Planejamento Turístico de Pernambuco

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INTRODUÇÃO

O crescimento turístico intensificou-se nas últimas décadas, tornando-se foco do estudo de especialistas das áreas econômicas, sociais, culturais, políticas e educacionais. O turismo não pode organizar-se e desenvolver-se sem que haja planejamento e definição de objetos a serem alcançados. Este trabalho, em reconhecimento à importância de um planejamento, fornece uma visão geral e concisa do desenvolvimento teórico para o setor turístico de Pernambuco.

DESENVOLVIMENTO

De acordo com a agenda de gestão 2007, o planejamento e organização turística do estado de Pernambuco, está dividido em duas vertentes: eixos de gestão e ações priorizadas.

Se o planejamento supracitado for realmente alcançado, trará ao turismo pernambucano uma importante sustentabilidade e desenvolvimento econômico e social. Em relação ao planejamento e articulação foram estabelecidas algumas propostas, dentre elas, ações preventivas para a segurança do turista. Ao meu ver, é uma das mais importantes, já que o nosso estado, principalmente Recife, é uma das capitais mais violentas do Brasil.

O eixo estruturação turística tem segmentos que fortalecem a infra-estrutura, seja de modo subjetivo, capacitando profissionais para o Posto de Informações Turísticas; seja de modo objetivo, inaugurando o Posto de Informações turísticas em Boa Viagem e instalando Fóruns Regionais de Turismo.

O eixo promocional dá ênfase a interligação direta e constante de Pernambuco tanto entre estados, quanto internacionalmente. Por exemplo, o que acontece no espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém, pois pessoas de todo o Brasil e de parte do mundo vem até o interior de Pernambuco contemplar o espetáculo e, conseqüentemente, impulsionar o turismo religioso.

O eixo infra-estrutura tem um único foco, qual seja, a cidade de Tamandaré no litoral sul de Pernambuco, mais precisamente em relação às obras de saneamento básico. Esta problemática existe há bastante tempo, pois é corriqueiro ver a falta d’água, o esgoto despejado diretamente no mar e a sujeira a céu aberto. É realmente uma boa ação para esta praia, visto que facilitará a vida da população autoctona e dos turistas que a freqüenta.

O eixo captação de investimento, como o próprio nome sugere, tenta apreender o máximo de investimentos, como: negociação para a construção de Resorts no litoral pernambucano, vinda de portugueses com o intuito de investir no turismo local e participação em feiras imobiliárias. Assim, gerando divisas com empresas internacionais e correlacionando-se com o que há de mais moderno na rede hoteleira.

O Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (PRODETUR/NE) é um programa de crédito para o setor público (Estados e Municípios) que foi concebido tanto para criar condições favoráveis à expansão e melhoria da qualidade da atividade turística na Região Nordeste, quanto para melhorar a qualidade de vida das populações residentes nas áreas beneficiadas. Sua atuação ocorre por meio do financiamento de obras de infra-estrutura (saneamento, transportes, urbanização e outros), projetos de proteção ambiental e do patrimônio histórico e cultural, projetos de capacitação profissional e fortalecimento institucional das administrações de estados e municípios.

CONCLUSÃO

Podemos concluir que o turismo é uma atividade socioeconômica bastante complexa e que, se planejada por profissionais competentes, pode ser responsável pelo crescimento e desenvolvimento de qualquer possível centro receptor, além de diversos outros benefícios.

No decorrer deste trabalho, foi mostrado de uma forma rápida, a importância que tem o planejamento antes da ação e seus procedimentos. Também é importante lembrar que, ver o turismo por apenas um aspecto, é uma atitude errada e sem nexo. O turismo depende de várias ciências que o formam e o auxiliam, sem um estudo interdisciplinar da atividade, sem a integração e o apoio de órgãos competentes, fica difícil despertar futuros interesses.

O Brasil por ser um país subdesenvolvido, enfrenta algumas dificuldades para crescimento e desenvolvimento da atividade turística em seu território. Não somente o Brasil, mas qualquer país que sua população não possua um mínimo de condições básicas de vida não conseguirá se firmar entre os países principais de entrada de turistas, mesmo possuindo vários atrativos naturais (nos países subdesenvolvidos há uma exploração basicamente dos atrativos naturais devido às condições de vida de suas populações, já que os demais atrativos não são explorados por falta de consciência e qualificação profissional).

Se um país não oferece à sua própria população condições básicas de segurança, saúde, educação, lazer, entre outras, como ele pode vender sua imagem e seus produtos aos turistas que precisam dessas condições básicas para que suas viagens sejam agradáveis e que suas expectativas sobre o local sejam realizadas?

Esta resposta fica a critério dos que governam o país, já que são eles quem pode mudar esta triste realidade existente aqui no Brasil, deixando de lado seus interesses próprios e trabalhando com ética e honestidade para que o turismo aqui – que tem tudo para ser um dos mais competitivos do mundo, mas está nas últimas colocações – se desenvolva e possa ser bom para todos.

Os 5S

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SUMÁRIO:

INTRODUÇÃO

1. O QUE SÃO OS “5S”?

1.1. SEIRI
1.2. SEITON
1.3. SEISOU
1.4. SEIKETSU
1.5. SHITSUKE

2. OS OBJETIVOS DOS “5S”

CONCLUSÃO

REFERÊNCIAS

INTRODUÇÃO:

Este trabalho abrange os objetivos da disciplina de Psicologia, tem como objetivo relatar o que são os 5 “S”.

1. O QUE SÃO OS 5S?

O 5S ou Programa 5S como também é conhecido, é um conjunto de cinco conceitos simples que, ao serem praticados, são capazes de modificar o seu humor, o seu ambiente de trabalho, a maneira de conduzir suas atividades rotineiras e as suas atitudes.

O termo 5S é derivado de cinco palavras japonesas, todas iniciadas com a letra S. Na interpretação dos ideogramas que representam essas palavras, do japonês para o inglês, conseguiu-se encontrar palavras que iniciavam com a letra S e que tinham um significado aproximado do original em japonês.

Porém, o mesmo não ocorreu com a tradução para o português. A melhor forma encontrada para expressar a abrangência e profundidade do significado desses ideogramas foi acrescentar o termo “Senso de” antes de cada palavra em português que mais se aproximava do significado original.

Assim, o termo original 5S ficou mantido, mesmo na língua portuguesa. O termo “Senso de’ significa “exercitar a capacidade de apreciar, julgar e entender”.

Seiri: Senso de Utilização/Arrumação

Seiton: Senso de Ordenação

Seisou: Senso de Limpeza

Seiketsu: Senso de Asseio

Shitsuke: Senso de Auto-disciplina

1.1 SEIRI – SENSO DE UTILIZAÇÃO:

Significa identificar os itens necessários e desnecessários existentes no local de trabalho, ou seja, somente os itens necessários deverão estar nos locais de trabalho.

-Analisar tudo o que esta no local de trabalho;

-Separar o necessário do que é desnecessário;

-Verificar a utilidade de cada item;

-Manter estritamente o necessário;

-Resultado: Sem bagunça, a produção melhora.

1.2 SEITON – SENSO DE ORDENAÇÃO:

Significa determinar o local adequado para cada documento, material ou equipamento necessário, para achar facilmente, quando precisar utilizar.

“Um lugar para cada coisa, cada coisa em seu lugar.”

-O primeiro passo e definir um lugar para cada coisa;

-O segundo passo e como guardar as coisas;

-O terceiro passo e obedecer as regras.

1.3 SEISOU – SENSO DE LIMPEZA:

Significa deixar tudo limpo, com o cuidado de não estar limpando só por limpar. Abrange também a limpeza interior da pessoa e seu relacionamento. A sujeira força os equipamento, ocupa espaço, causa acidentes, aumenta trabalho, aumenta despesas.

“A gente faz o ambiente. O ambiente faz a gente.”

-Educar para não sujar;

-Limpar os instrumentos de trabalho, após o uso;

-Conservar limpas as mesas, gavetas,equipamentos e móveis em geral;

-Inspecionar enquanto executa a limpeza;

-Descobrir e eliminar as fontes de sujeira;

-Resultado: o ambiente de trabalho saudável e agradável.

1.4 SEIKETSU – SENSO DE ASSEIO:

Significa manter as condições de trabalho favoráveis (físicas e mentais) para a saúde. É a verificação do resultado de implementação dos 5S em toda empresa. A higiene é a manutenção da limpeza, da ordem e do bom estado de conservação. Higiene mental é contribuir para um bom ambiente de trabalho, pensando e agindo positivamente com os colegas.

-Pensar e agir positivamente;

-Manter bons hábitos e higiene pessoal;

-Manter limpos e higienizados ambientes de uso comum;

-Conservar o ambiente de trabalho com aspecto agradável;

-Evitar qualquer tipo de poluição;

-Melhorar as condições de trabalho;

-Resultado: cuidar da saúde.

1.5 SHITSUKE – SENSO DE AUTO-DISCIPLINA:

Significa habituar-se a cumprir os procedimentos de ética e padrões da empresa, aperfeiçoando-os continuamente. Ordem mantida é o cumprimento de acordos estabelecidos nas fases anteriores. É a disciplina necessária para dar continuidade e melhorar ainda mais as fases anteriores. É também padronizar os procedimentos para serem executados sempre da mesma maneira.

-Executamos a limpeza diária nos 3 minutos;

-Fazemos a medição periódica;

-Quando não sujamos mais e quando sujamos limpamos imediatamente;

-Quando devolvemos ao seu local o instrumento que utilizamos, quando repintamos os letreiros que estão apagados e corrigimos a pintura do piso se aparecem falhas;

2. OS OBJETIVOS DO PROGRAMA 5S SÃO:

-melhoria da qualidade de produtos/serviços;

-prevenção de acidentes;

-melhor aproveitamento dos espaços físicos da empresa;

-melhoria da produtividade.

-redução de custos;

-menor desperdício de materiais, energia, mão-de-obra;

-espírito de equipe e elevação da moral dos empregados;

-incentivo à criatividade.

CONCLUSÃO:

Em virtude dos fatos mencionados podemos observar que os “5S” é para todos. O 5S mostra a eficiência na condução do tempo, transformando a área física de trabalho e o comportamento de todos os níveis hierárquicos da empresa. Realmente nada disto parece novidade ou tão complicado, no entanto, serão encontradas dificuldades e principalmente relutância em mudar. Neste caso, chame a resistência para participar e opinar. Depois do sucesso, nunca deixe de manter o processo vivo.

REFERÊNCIAS:

Santis, Carlos E. A. de

Assistente administrativo / Carlos E. A. de Santis.

Santa Cruz do Rio Pardo, SP: Editora Viena, 2006.

A Realidade do Sistema Prisional no Brasil

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Sabemos que o sistema carcerário no Brasil está falido. Seja por descaso do governo, pelo descaso da sociedade que muitas vezes se sente aprisionada pelo medo e insegurança, seja pela corrupção dentro dos presídios.Cerca de 10% a 20 % dos presos estão contaminados. 48% dos seqüestradores presos se encontravam no Rio de Janeiro. Tratava-se bem de uma revolta, ao nível dos corpos, contra o próprio corpo da prisão.

Muitos dos presos estão submetidos a péssimas condições de higiene. As instalações são próprias das empresas, sendo fora dos estabelecimentos penitenciário. Apenas poucos detentos em cada carceragem trabalham nesse serviço, geralmente de dois a seis detentos, dependendo do tamanho da delegacia. Deve-se ressaltar que o reduzido número de detentos empregados é resultado da escassez de oportunidades de trabalho, e não de falta de interesse da parte dos detentos. Hoje, o povo tem clara consciência da aplicação discriminatória da lei, ate pelas tradições do direito.

INTRODUÇÃO

Busco mostrar a realidade vivida hoje, no sistema prisional, onde quase diariamente a mídia publica matéria sobre rebeliões em presídios. Sentenciados que são mortos por seus próprios companheiros, funcionários e familiares de detentos transformados em reféns, resgates e fugas audaciosas e espetaculares praticadas por criminosos. A transformação de policiais que deveriam está investigando crimes e elucidando casos em carcereiros. Com o propósito de mobilizar a população a reivindicar (cobrar) dos nossos governantes, ações verdadeiramente efetivas e eficientes.

As regras nem sempre são cumpridas e a aplicação penal nem sempre é imposta de maneira adequada, pois hoje em dia o preso é esquecido, a corrupção dentro das cadeias e penitenciarias cresce de maneira assustadora e ainda para piorar a situação, as facções se estendem dentro e fora dos presídios. Infelizmente estamos nos habituando num processo de caos, onde o que ocorre é a falência e desestruturação do sistema carcerário.

O descaso dos governantes, a falta de estrutura, a superlotação, a inexistência de um trabalho para a recuperação do detento. Assim é nosso sistema, promessas e nada de recompensas. Mas também não devemos nos esquecer que o Congresso Nacional infelizmente tem aprovado, atendendo à pressão da área de direitos humanos do Governo Federal e das notórias organizações não-governamentais que atuam no País, leis que cada vez mais afrouxam o Código Penal, mas principalmente a Lei de Execuções Penais.

Com isso, cada vez mais os privilégios foram pouco a pouco incorporados ao rol de direitos mínimos que todo recluso tem de ter, a ponto de banir do sistema penitenciário todo resquício de exercício da autoridade pública, seguida também pelo alto grau de corrupção existente no sistema. O excesso de direitos como o de ócio, o das visitas íntimas, o de receber alimentos para estocagem nas celas, o de não usar o indispensável uniforme distintivo dos reclusos, entre outros eliminou a disciplina presidiária. O sentido punitivo da pena foi completamente abolido, por considerar-se “contrário aos direitos humanos dos internos” e à evolução histórica do Direito Penal.

FALÊNCIA DO SISTEMA PRISIONAL

Sabemos que o sistema carcerário no Brasil está falido. A precariedade e as condições subumanas que os detentos vivem hoje é de muita violência. Os presídios se tornaram depósitos humanos, onde a superlotação acarreta violência sexual entre presos, faz com que doenças graves se proliferem, as drogas cada vez mais são apreendidas dentro dos presídios, e o mais forte, subordina o mais fraco.

O artigo 5º, XLIX , da Constituição Federal, prevê que “é assegurado aos presos o respeito à integridade física e moral”, mas o Estado não garante a execução da lei. Seja por descaso do governo, pelo descaso da sociedade que muitas vezes se sente aprisionada pelo medo e insegurança, seja pela corrupção dentro dos presídios.

Mudanças radicais neste sistema se fazem urgentes, pois as penitenciárias se transformaram em verdadeiras “usinas de revolta humana”, uma bomba-relógio que o judiciário brasileiro criou no passado a partir de uma legislação que hoje não pode mais ser vista como modelo primordial para a carceragem no país. O uso indiscriminado de celular dentro dos presídios, também é outro aspecto que relata a falência.

Por meio do aparelho os presidiários mantêm contato com o mundo externo e continuam a comandar o crime. Ocorre a necessidade urgente de modernização da arquitetura penitenciária, a sua descentralização com a construção de novas cadeias pelos municípios, ampla assistência jurídica, melhoria de assistência médica, psicológica e social, ampliação dos projetos visando o trabalho do preso e a ocupação, separação entre presos primários e reincidentes, acompanhamento na sua reintegração à vida social, bem como oferecimento de garantias de seu retorno ao mercado de trabalho entre outras medidas.

Segundo (Mario Ottoboni , 2001, p14) o delinqüente é condenado e preso por imposição da sociedade, ao passo que recuperá-lo é um imperativo de ordem moral, do qual ninguém deve se escusar. A sociedade somente se sentirá protegida quando o preso for recuperado. A prisão existe por castigo e não para castigar, jamais devemos nos esquecer disso. O Estado não se julga responsável pela obrigação no que diz respeito ao condenado. A superlotação é inevitável, pois além da falta de novos estabelecimentos, muitos ali se encontram já com penas cumpridas e são esquecidos.

A falta de capacitação dos agentes, a corrupção, a falta de higiene e assistência ao condenado também são fatores que contribuem para a falência. O Estado tenta realizar, na prisão, durante o cumprimento da pena, tudo quanto deveria ter proporcionado ao cidadão, em época oportuna e, criminosamente deixou de fazê-lo. Mas este mesmo Estado continua a praticar o crime, fazendo com que as prisões fabriquem delinqüentes mais perigosos, e de dentro das cadeias os presos continuam praticando crimes e comandando quadrilhas.

A POPULAÇÃO CARCERÁRIA

A população carcerária no Brasil, hoje é de 361.402 segundo informação do Depen. As vagas no sistema penitenciário é de 206.347, sendo que 64.483 encontram-se cumprindo penas na Secretaria Segurança Publica. Entre 1995 a 2005, a população cresceu 94% de modo que a cadeia acaba sendo um espaço de punição, exclusão e materialização da criminalização da pobreza. ( Departamento Penitenciário Nacional, 2005).

Como no resto do mundo é formada por jovens, pobres, homens com baixo nível de escolaridade. Pesquisas feitas sobre o sistema prisional indicam que mais da metade dos presos tem menos de trinta anos, 95% são pobres, 95% são do sexo masculino e 2/3 não completaram o primeiro grau, sendo 10,4% analfabetos. Devido à pobreza, esta população possui pouca influência política, o que faz com que as chances de obter apoio para colocar fim aos abusos se torne muito pequenas. (Departamento Penitenciário Nacional, 2005).

O ultimo censo publicado em 23 de outubro de 1996, feito pelo Ministério da Justiça, sob responsabilidade de Paulo Tonet Camargo publicado pela revista Veja, procurou esclarecer os problemas enfrentados pela atual realidade do sistema carcerário brasileiro. Embora estes números tenham aumento no momento e destacado logo no início, é necessário mostrar como a exatamente 10 anos se encontrava o sistema, o que nos faz crer que hoje a realidade é ainda mais horrorizante.

Naquele ano o país possuía 150.000 presos, 15% a mais que em 1994. A massa carcerária cresce ao ritmo de um preso a cada 30 minutos; a AIDS prolifera entre detentos com rapidez de uma peste. Cerca de 10% a 20 % dos presos estão contaminados. 48% dos seqüestradores presos se encontravam no Rio de Janeiro.

Os homens já representavam 95,5% da população carcerária, e a maioria cumpre pena por assalto, furto ou trafico de drogas. 50.000 homens e mulheres já se encontravam confinados irregularmente em celas de delegacias e cadeias publicas. O outro tipo de prisão irregular constatado naquele momento, mas não divulgado o numero era o de pessoas que já haviam cumprido pena e não haviam sido libertadas ainda, o que no momento ainda ocorre no país inteiro.

(RODRIGUES , Alan. 2006) Uma pesquisa feita em 1964 demonstra que 90% dos ex-detentos pesquisados procuram emprego nos dois primeiros meses, depois de libertado. Depois de encontrarem fechadas as portas, voltaram a praticar o crime. Estudos mostram que 70% daqueles que saem da cadeia, reincidem no crime. Mais uma vez é necessário lembrar, que embora este numero tenha sido apresentado em 1964, a realidade hoje ainda continua sendo esta, pois a sociedade teme em ocupar dos serviços de uma pessoa que possui passagem pela policia, tendo cumprido pena.

SUPERLOTAÇÃO GERA REBELIÃO

Segundo (Herkenhoff , 1997) A superlotação devido ao numero elevado de presos, é talvez o mais grave problema envolvendo o sistema penal hoje. As prisões encontram-se abarrotadas, não fornecendo ao preso um mínimo de dignidade. Todos os esforços feito para a diminuição do problema, não chegaram a nenhum resultado positivo, pois a disparidade entre a capacidade instalada e o número atual de presos tem apenas piorado. Devido à superlotação muitos dormem no chão de suas celas, às vezes no banheiro, próximo a buraco de esgoto. Nos estabelecimentos mais lotados, onde não existe nem lugar no chão, presos dormem amarrados às grades das celas ou pendurados em rede.

Os estabelecimentos penitenciário brasileiro variam quanto ao tamanho, forma e desenho. O problema é que assim como nos estabelecimento penais ou em celas de cadeias o numero de detentos que ocupam seus lugares chega a ser de cinco vezes mais a capacidade. Uma pesquisa feita no antigo complexo penitenciário do Carandiru mostrava que a Casa de Detenção mantinha 6.508 detentos em sete pavilhões diferentes, sendo que a capacidade era de 500 detentos.

Tamanha irresponsabilidade por parte dos governantes foi que em 1992, explodiu uma grande rebelião, que terminou na morte de 111 detentos, e muitos feridos. As prisões paulistas ainda continuam a demonstrar, que as condições continuam as mesmas ou até piores. Nos últimos meses, varias rebeliões estouraram no estado.

Segundo o jornal O Globo Online, a revolta dos detentos continua a ser devido à superlotação.

“No Centro Provisório de Campinas-Hortolândia a lotação máxima é de 768 presos, mas o lugar abriga no momento mais de 1.419. Na Penitenciaria de São Vicente a capacidade é de 750, e abriga 1.097. Na cadeia publica de São Sebastião estão presos 240 homens, e sua capacidade é de 60”. (Revista ISTO É edição 1909, p12).

Todos os lugares mencionados foram alvo de rebeliões. Conforme mencionado no titulo a realidade do sistema, que hoje se encontra falido, as rebeliões são formadas para buscar no Estado a dignidade humana de que o preso tem direito. Com a lotação do sistema prisional, não existem mais estabelecimentos prisionais destinados, exclusivamente, aos presos que aguardam julgamento.

Cadeias públicas, delegacias, presídios, penitenciárias, todos foram transformados em depósito de pessoas, que não são tratados como tais. As rebeliões que tem acontecido em todos os países, com tamanha freqüência, já fazem parte do dia a dia e é o resultado da caótica realidade do sistema penitenciário. A reivindicação mais comum é a de melhores condições nos estabelecimentos prisionais.

(FOLCAULT, 2004 ), nos mostra que as causas das rebeliões, não diferem das nossas atuais:

Nos últimos anos, houve revoltas em prisões em muitos lugares do mundo. Os objetivos que tinham, suas palavras de ordem, seu desenrolar tinham certamente qualquer coisa paradoxal. Eram revoltas contra toda miséria física que dura há mais de um século: contra o frio, contra a sufocação e o excesso de população, contra as paredes velhas, contra a fome, contra os golpes. Mas também revoltas contra as prisões-modelos, contra os tranqüilizantes, contra o isolamento, contra o serviço médico ou educativo. Revoltas cujos objetivos eram só materiais?

Revoltas contraditórias contra a decadência, e ao mesmo tempo contra o conforto; contra os guardas, e ao mesmo tempo contra os psiquiatras? De fato, tratava-se realmente de corpos e de coisas materiais em todos esses movimentos: como se trata disso nos inúmeros discursos que a prisão tem produzido desde o começo do século XIX. O que provocou esses discursos e essas revoltas, essas lembranças e invectivas foram realmente essas pequenas, essas ínfimas coisas materiais.

O autor ainda afirma que as rebeliões, ou revoltas, apresentavam reivindicações dos presos não atendidas, principalmente com relação ao tratamento dispensado pelos funcionários do sistema penitenciário, como se vê a seguir: Quem quiser tem toda a liberdade de ver nisso apenas reivindicações cegas ou suspeitar que haja aí estratégias estranhas. Tratava-se bem de uma revolta, ao nível dos corpos, contra o próprio corpo da prisão.

O que estava em jogo não era o quadro rude demais ou ascético demais, rudimentar demais ou aperfeiçoado demais da prisão, era sua materialidade medida em que ele é instrumento de vetor de poder; era toda essa tecnologia do poder sobre o corpo, que a tecnologia da “alma” – a dos educadores, dos psicólogos e dos psiquiatras – não consegue mascarar nem compensar, pela boa razão de que não passa de um de seus instrumentos. É desta prisão, com todos os investimentos políticos do corpo que ela reúne em sua arquitetura fechada que eu gostaria de fazer a história.

Por puro anacronismo? Não, se entendemos com isso fazer a história do passado nos termos do presente. Sim, se entendermos com isso fazer a história do presente. As alternativas para solucionar o problema que se agrava, seria a construção de novos presídios, o livramento condicional de presos ou a privatização do sistema prisional que continua em excesso.

ASSISTÊNCIA MÉDICA E HIGIENE

Segundo a Lei de Execução Penal em seus artigos 12 e 14 o preso ou internado, terá assistência material, em se tratando de higiene, a instalações higiênicas e acesso a atendimento medico, farmacêutico e odontológico.

Mas a realidade hoje não é bem assim. Muitos dos presos estão submetidos a péssimas condições de higiene. As condições higiênicas em muitos estabelecimentos são precárias e deficientes, alem do que o acompanhamento médico inexiste em algumas delas. Quem mais sofre pela carência de assistência médica são as detentas, que necessitam de assistência ginecológica. Além disso, muitas penitenciárias não possuem sequer meios de transporte para levar as internas para uma visita ao médico ou a algum hospital.

Os serviços penitenciários são geralmente pensados em relação aos homens, não havendo assistência específica para as mulheres grávidas, por exemplo. Sanitários coletivos e precários são comuns, piorando as questões de higiene. A promiscuidade e a desinformação dos presos, sem acompanhamento psicosocial, levam à transmissão de AIDS entre os presos, muitos deles sem ao menos terem conhecimento de que estão contaminados.

Muitos chegam ao estado terminal sem qualquer assistência por parte da direção das penitenciárias. Mas não somente a AIDS é negligenciada. Segundo um relatório da Comissão Interamericana dos Direitos Humanos sobre a situação dos direitos humanos no Brasil, muitos presos se queixam de doenças gástricas, urológicas, dermatites, pneumonias e ulcerações, mas não são atendidos adequadamente, afirmando que muitas vezes nem sequer havia remédios básicos para tratar delas. O mesmo relatório constata que muitos presos não recebem qualquer assistência visando prover suas necessidades básicas como vestuário.tação e vestuário.

Muitos sofrem com o frio, outros acabam se molhando em dias de chuva e permanecem com a roupa molhada no corpo, causando doenças como gripes fortes e pneumonias. Para diminuir esta escassez, muito guardas são “subornados” por parentes dos detentos que lhes providencia roupas em troca de dinheiro.A possibilidade fática de um acompanhamento médico adequado evitaria que certas situações de maus tratos, espancamentos e outras violências contra os encarcerados ficassem sem a devida apuração e socorro. (OTTOBONI, 2001 ).

ALIMENTAÇÃO

Constitui também direito do preso à alimentação, que apesar de muitas vezes não faltar, chega a ser desigual. No mesmo relatório apresentado pela Comissão de Diretos Humanos, muitos presos denunciavam policiais corruptos, pois quem possuía mais recurso recebia mais comida. O desvio de comida é muito grande, sendo feita até mesmo pelos guardas ou pessoas subornadas a eles. No estado de Minas Gerais, à parte a que toca em alimentação é feita através de processo licitatório, onde empresas concorrem para a prestação do serviço de alimentação aos detentos.

A alimentação é fornecida pelas empresas não provendo contato dos presos no processo de preparo. As instalações são próprias das empresas, sendo fora dos estabelecimentos penitenciário. Nos presídios onde a cozinha ainda está em atividade, estas se apresentam, como as demais partes dos estabelecimentos, velhas e sem manutenção, sem as mínimas condições de higiene, onde até as áreas destinadas ao estoque de mantimentos são geralmente sujas, servindo como lugar de moradia de ratos e insetos.

TRABALHO

De acordo com a LEP , todos os presos condenados devem trabalhar. É preciso notar, porém, que as obrigações legais com relação ao trabalho prisional são recíprocas: os detentos têm o direito de trabalhar e as autoridades carcerárias devem, portanto, fornecer aos detentos oportunidades de trabalho. Apesar das determinações legais, entretanto, os estabelecimentos penais do país não oferecem oportunidades de trabalho suficientes para todos os presos.

Art.28. O trabalho do condenado , como dever social e condição de dignidade humana, terá finalidade educativa e produtiva.

Art. 126. O condenado que cumpre a pena em regime fechado ou semi-aberto poderá remir, pelo trabalho, parte do tempo de execução da pena.

Art. 128. O tempo remido será computado para a concessão de livramento condicional e induto. (Lei de Execução Penal)

Laborterapia trata-se de ocupar o tempo fazendo uma atividade profissional. Poderão os detentos desenvolver atividades que varia da manutenção do presídio, panificação, cozinha e faxina, até atividades como a confecção de bolas, caixões e outras tantas atividades mais que possam ser desenvolvidas dentro dos presídios. As prisões deves ser reformuladas com a criação de oficinas de trabalho, para que a laborterapia possa ser aplicada de fato, dando oportunidade para que o condenado possa efetivamente ser recuperado para a vida em sociedade.

No relatório feito também pela Comissão de Direitos Humanos, pode comprovar que nem todos os estabelecimentos penais oferecem trabalho aos detentos, violando assim seus direitos e deveres. Embora a proporção de detentos que se dedicam a alguma forma de trabalho produtivo varie significativamente de prisão para prisão, apenas em algumas prisões femininas foram encontradas de fato oportunidades de trabalho abundantes.

A situação é pior ainda nas delegacias policiais. A única oportunidade de trabalho que elas oferecem é serviço de faxina. Apenas poucos detentos em cada carceragem trabalham nesse serviço, geralmente de dois a seis detentos, dependendo do tamanho da delegacia. Todos os outros detentos, condenados ou não, ficam ociosos. Deve-se ressaltar que o reduzido número de detentos empregados é resultado da escassez de oportunidades de trabalho, e não de falta de interesse da parte dos detentos.

Para começar, de acordo com a LEP o trabalho deveria ser obrigatório, e não opcional. Mas ainda mais convincente, na prática, é o incentivo criado pela própria lei para a redução de sentenças. De acordo com esse dispositivo legal, para cada três dias de trabalho, um dia deve ser debitado da sentença do detento. Ansiosos para sair da prisão o mais rápido possível, quase todos os detentos estão dispostos a trabalhar, mesmo sem receber.

Na verdade, os detentos reclamaram muitas vezes da falta de oportunidades de trabalho. A escassez de trabalho nas carceragens das delegacias é uma das muitas razões pelas quais os detentos se revoltam para serem transferidos para as prisões. Os que possuem trabalho, estes variam da manutenção, limpeza e reparos, oferecidos nas prisões, que são contratos por empresas particulares.

Algumas prisões têm oficinas controladas pela Fundação Nacional Penitenciaria (FUNAP), órgão encarregado de gerir o trabalho profissional. Nessas oficinas os presos trabalham em serviços de costura e carpintaria. O salário varia de prisão para prisão, e conforme a LEP, é determinado que os detentos recebam três quartos do salário mínimo por mês, sendo que muitas prisões não pagam nada aos detentos, violando assim a lei.

ASSISTÊNCIA JURÍDICA E SOCIAL

Hoje, o povo tem clara consciência da aplicação discriminatória da lei, ate pelas tradições do direito. O artigo 5º da Constituição Federal em seu inciso LVII se lê “ninguém será considerado culpado ate o transito em julgado da sentença penal condenatória”. Mas, o que ocorre é que inocentes se encontram juntos a criminosos. Além do mais, isso é considerado uma ofensa ao direito à vida e à honra das pessoas, a questão do duplo grau de culpa ou dolo nas condutas ilícitas. Nesse duplo grau, encontra-se a figura do advogado.

Quem tem bom advogado tende a receber punição mais branda em relação a quem não dispõe de meios econômicos para sua defesa. O processo criminal do réu pobre corre mais rápido que o do delinqüente ou inocente com poder econômico. A assistência jurídica é de direito de todos os presos, mas parte destes são de classe baixa, tendo que esperar o serviço de assistência gratuita, que possui um numero muito baixo de defensores públicos, o que não resta a estes esperar por uma oportunidade.

No sentido da assistência social, o preso deve receber amparo para ser preparado para sua liberdade. O assistente social deverá realizar trabalhos, para instruí-lo como na conquista de um emprego, na regularização de documentos e na sua socialização. Atualmente, o numero de assistentes também é muito baixo, sendo que os serviços muitas vezes são prestados por voluntários como jovens, religiosos e alguns outros que sente compaixão pelo detento.

CONCLUSÃO

Feito este estudo, através de pesquisas e assim podendo criar meu trabalho acadêmico, pude concluir que nosso país possui um sistema prisional falido e longe de poder adequar, de poder proporcionar segurança a nossa sociedade, ou seja, uma ampla revisão no modelo penitenciário adotado no Brasil se faz necessária para que o Estado evidentemente cumpra com suas obrigações junto á sociedade no sentido de oferecer um sistema de ressocialização do apenado livre de qualquer violação dos direitos humanos e baseados na observância dos princípios da dignidade da pessoa humana. Em especial a situação da superpopulação carcerária, cada vez mais agravada em face da ausência de investimentos compatíveis com a necessidade do setor.

Pois as prisões que teriam por objetivo corrigir, tornam cada vez mais uma fabrica de delinqüentes, e também colabora para a corrupção de nossos servidores. Pude notar sim, que muitas mudanças ocorreram da antiguidade para o presente. Mas mudanças não muito benéficas, a não ser o fato de não existir mais pena de morte, o que violaria nossa Constituição. Mas o que de proveito ocorreu? Os poderosos continuam a mandar, continuam a impor regras sobre os mais fracos, e o Estado somente dita regras, e não fiscaliza o poder por ele demandado.

Os presos cada vez mais comandam os presídios, e requerem direitos e regalias, com o famoso Direito de Proteção Humana, sentindo-se que tudo podem. É uma vergonha, e se medidas não forem tomadas urgente, com certeza no futuro muito próximo, estaremos vivendo uma possível guerra civil.

A sociedade não acredita mais que está segura, pois de dentro das maiores penitenciarias, consideradas de segurança máxima, assassinos e criminosos comandam o crime lá de dentro. Este é o retrato do Brasil para mim. Um país sem dono, como um filho sem pai para educá-lo e corrigi-lo.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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HERKENHOFF, João Baptista. Direitos Humanos: a construção universal de uma utopia. Aparecida: Santuário, 1997.

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RODRIGUES, Alan. Sob o domínio do crime. Revista ISTO É, São Paulo, nº 1909 24 de junho de 2006.

A Ciência

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Todo se humano, de uma forma ou de oura, acumula conhecimentos, ou, em outras palavras, todos têm memória, todos guardam lembranças.Qualquer pessoa, mesmo sem nenhuma bagagem científica.Esse conhecimento usual que o homem tem de si mesmo e do mundo é chamado conhecimento vulgar, isto é, é um conhecimento não científico. O conhecimento científico é uma espécie de otimização desse conhecimento vulgar.

O cientista é um ser preocupado com a veracidade e a comprovação de seu conhecimento. Alias diga-se de passagem desde já que a verdade ou falsidade é algo ligado ás preposições apresentadas.

O conhecimento cientifico tenta ser coerente, coeso, organizado, sistemático, ordenado e orientado a partir de fontes específicas muitas vezes pré-constituídas.

O conhecimento científico também implica constatações e delas parte; porém pretende exercer sobre elas certo domínio para conseguir explicar o que existiu, o que existe e, também o que existira.

É por isso que ciência é teoria, ainda que suas hipóteses e suas leis, bem como o aprendizado, as comprovações e as constatações, tenham caráter prático, verificadas e vivenciadas que são na realidade social e real. Apesar disso, continua sendo teoria.

Mas, naturalmente, quando se fala em ciência, objeto e método tem-se de falar também no cientista, que é o sujeito da investigação.

Quanto classificação das ciências, existem vários tipos de propostos pela doutrina. Encontramos classificações conhecidas e famosas, como as de Aristóteles ou a de Augusto Comte.

O direito esta classificado entre as ciências humanas . É também colocado como pertencente ás chamadas ciências sociais aplicadas (é assim que ele aparece classificado nos órgãos governamentais brasileiros, na CAPES/MEC, por exemplo). Pra nossa análise, tratemo-lo como parte das ciências humanas.

Nas ciências naturais é constituído com o objetivo de explicar os fatos e tentar descobrir as ligações entre eles, organizando um mundo próprio de constatações descritas e explicadas.

Nas ciências humanas busca-se igualmente explicação para os fatos e suas ligações. Contudo, nelas aparece o ser humano com suas ações como objeto de investigação.

É necessário, nas ciências humanas, captar o sentido dos fenômenos humanos; é preciso compreendê-lo, portanto, numa acepção valorativa.

A introdução do valor na ciência causa, sem duvida, um transtorno enorme ao cientista. Acrescenta-se a tudo isso o questionamento que se faz da relação do cientista com o objeto a ser investigado.

Há os que dizem que sim, apostado na capacidade do cientista de observar fatos sem se envolver e a partir deles elaborar seu trabalho cientifico, sem interferência pessoal.

Há os que afirmam ser impossível ao cientista investigar os fatos sem uma tomada de posição pessoal, uma vez que a própria escolha do objeto é, por si só, realizada com base em informações preconcebidas no interior da ciência e do próprio cientista.

Nas ciências humanas, então, não há possibilidade de neutralidade, visto que o cientista é ao mesmo tempo pesquisador e pesquisado.

As ciências refletem, assim, condutas engajadas dos cientistas no momento histórico das sociedades em que vivem e pesquisam.

AS ESCOLAS CIENTÍFICAS

São varias as alternativas de estudo aqui, pois são inúmeras as escolas que aparecem métodos e crenças para obtenção do conhecimento.

O estudante de direito deve, portanto, tentar ler o que se diz das ciências e o que elas dizem, no seu conteúdo não declarado, oculto, tentando desvendar suas crenças, para não se tornar mero reprodutor das fórmulas secularizadas. Para em vez de tornar-se instrumento, surgir como sujeito da investigação.

O estudo do Direito contemporâneo impõe ao investigador uma nova forma de abordagem, uma vez que os paradigmas utilizados pelas ciências tradicionais estão esgotados como modelos capazes de permitir a proteção do conhecimento jurídico.

O Direito é o fenômeno e o sistema jurídico é a maneira de torná-lo inteligível, por intermédio da identificação do seu repertório e da sua estrutura.

Não se trata, porém, de captar o Direito por meio de um sistema retificado. A formulação do sistema jurídico não pode torná-lo um “objeto”, externo e diferenciado do contexto de vida do sujeito cognoscente.

Com efeito, a pessoa humana, parte da natureza, da sociedade e, pois, do Direito, é um ente nuclear do sistema jurídico, determina a intersubjetividade cogente da essência do Direito e consagra a valoração do justo no seu ser.

Este é pautado pela a atribuição intrínseca ao primado do respeito á dignidade da pessoa humana.

O sistema jurídico é complexo, exposto, adaptativo, uma representação do vasto universo do Direito.

É complexo por que há multiplicidade do seu repertório, marcado pela qualidade, o qual congrega o fato, o valor, a norma, o poder; a consciência individual e coletiva, com as angústias e privações, com o desejo de ação libertária e do ato justo, de amor ao semelhante, na senda da consciência intersubjetiva e transubjetiva, imbuída do valor maior da justiça.

É exposto porque, sendo algo que pulsa, está em contato e sujeito á expansão do repertório dos demais subsistemas sociais.

É adaptativo porque, embora complexo e exposto, diante dos conflitos sociais que partilha com os demais sistemas, possui a capacidade de restabelecer o seu equilíbrio por conta de seus princípios nucleares.

Reage ao ataque do flagelo humano, mas não se dissolve ou se asfixia pela multiplicidade do seu repertório. Ao contrario, mantém a sua consistência de retorno ao ponto central onde se situa a pessoa humana.

Diz o Professor Marcelo Aguiar que “o sistema jurídico na apenas ‘sobrevive’. Ele interage com os outros sistemas, donde emergem as recorrências hiperarticuladas do seu repertório, tendo por nota característica a complexidade do ser humano.

A complexidade do sistema jurídico não é, portanto, uma opção metodológica. É um imperativo da realidade imanente ás relações interpessoais, ao mesmo tempo em que uma imposição do sentido da Humanidade. A Humanidade, como principio, não é o resultado da somatória das individualidades, mas representa a totalidade de sentido da existência do ser humano sobre a terra.

“No Direito”, diz ele, “o paradigma da complexidade representa uma superação tanto do paradigma da modernidade quanto do paradigma da pós-modernidade, uma vez que resgata e rearticula o valor da pessoa humana em conjugação ao espírito revolucionário e emancipatório da condição humana na sociedade de massas.

Em suam, o sistema jurídico é assas complexo por que abriga o interior e o exterior do homem no concerto, no acerto e no desacerto, da sua existência social e natural, e consagra a dignidade da pessoa humana, não se revela e não se desnuda o conhecimento da essência do Direito como justiça.

Ora, como explicar para o jovem estudante, que convivem, simultaneamente, no sistema jurídico brasileiro, normas jurídicas constitucionais e inconstitucionais, todas eficazes?

Como justificar a ele, estudante, que se estacionar seu automóvel em local proibido será multado, mas se quebras as molas do carro num buraco na rua não terá a quem realmente recorrer?

Como demonstrar o divórcio entre cidadania e Estado? As dificuldades impostas ao cidadão para exercer seus direitos?

Esse problema não tem passado despercebido pelo moderno pensamento jurídico.

Dito isso, examinemos, na seqüência, uma escola contemporânea, a fenomenologia. Ela não só influenciou largas correntes do pensamento mais recente como também filósofos de porte, tais como Startre, Heidegger e Jaspers, sobretudo porque a postulação de seu método é importante para ciência com as características da Ciência do Direito.

A escola fenomenológica foi fundada por Edmund Husserl, com pretensão de encontrar para a filosofia um método e um ponto de partida tão indiscutíveis quanto os da matemática.

No método husserlino constata-se uma relação essencial e lógica entre sujeito e objeto, numa tensão dialética que os une.

Husserl recusa-se a tomar partido em relação ao idealismo ou empirismo, optando pela “neutralidade”.

Husserl, primeiramente matemático, interessou-se, posteriormente, pela psicologia. Ambas as esferas de conhecimento em Husserl encontraram no terreno fértil preparado por Descartes as sementes que fariam brotar o método fenomenológico.

Pra Descartes, tanto o corpo como a alma (ou mente) são substâncias completas , auto suficientes e sem relações imediatas recíprocas.

E a mente, essencialmente distinta do corpo e dele independente, é mais fácil de conhecer que a matéria, porque aquela é conhecida diretamente, ao passo que esta não o é, senão por intermediário das sensações.

Voltemos a questão: se a alma é distinta do corpo e seus órgãos, e são esses que entram em contato com o mundo exterior, como ter certeza da existência do próprio mundo exterior?

Não resta duvida que temos representações muito nítidas desse mundo, ricas, coerentes e que se complementam.

Husserl é bem especifico quanto a todos esses aspectos: “O caminho que aqui se abre para o pensamento é o seguinte: por mais que eu estenda a duvida da critica do conhecimento, não posso duvidar de que eu sou e duvido, de que eu represento, julgo, sinto, ou, seja como for que possam ainda ser chamadas as aspirações internamente percebidas, delas não posso duvidar durante a vivência mesma em que as tenho; uma dúvida nesses casos seria evidentemente um contra-senso.

Portanto, temos ‘evidencia’ da existência dos objetos da percepção interna, temos o mais cloro dos conhecimentos, aquela certeza inabalável que distingue o saber, no sentido mais estrito.

Ao invés de eternizar-se nessa busca, a fenomenologia escolheu dedicar-se ao estudo dos dados do conhecimento.

As coisas são um absoluto, enquanto o fenômeno é um relativo ao aparecer para o sujeito. Daí é que se firmou a tendência no espírito de considerar real apenas “a coisa em si” ou o “numero”, cuja essência todavia é impenetrável. Pra o sujeito só há fenômeno.

A consciência é a base essencial de todas as representações quer sejam cientificas, quer vulgares, da realidade conhecida como objetiva.

A consciência é a condição necessária para afirmação das coisas que são estranhas á consciência.

Para a fenomenologia existe uma confusão, trazida pelo naturalismo, entre o físico e o psíquico

O psíquico não é fenômeno , não coisa.

A isso a fenomenologia acrescenta uma particularidade essencial de todos os fenômenos psíquicos: a “intencionalidade”.

A noção de “intencionalidade” realmente vem dos escolásticos, no conceito de intenção, aplicado ao conhecimento.

A palavra “intenção” indica uma direção ou uma tensão de espírito para o objeto; e, por analogia, chama-se também intentio o conteúdo de pensamento em que fixa o espírito.

Todo fenômeno psíquico contém em si algo a titulo de objeto, mas cada um contem a sua maneira. Na representação, é alguma coisa que é representada; no juízo que é admitida ou rejeitada; no amos, que é amada; no ódio, que é odiada; no desejo, que é desejada; e assim por diante.

Para a fenomenologia husserlina, os fenômenos não aparecem ao sujeito, são por eles vividos.

Assim se especificam progressivamente as estruturas da consciência as essências dos objetos, que devem seu ser á consciência que deles adquirimos.

A CIÊNCIA DO DIREITO

É preciso ressaltar que existem até duvidas sobre o caráter de cientificidade do Direito, diante de uma série de pressupostos de difícil avaliação.

A nós importa o fato de que existe uma Ciência do Direito, mesmo que com forma de pesquisas diversas. Como ramo de ciência humana, a Ciência do Direito tem como substrato de pesquisa o homem, em todos os aspectos valorativos de sua personalidade.

A Ciência do Direito em sua acepção mais ampla é uma ciência ética por excelência.

O OBJETO DA CIÊNCIA DO DIREITO. QUE É O DIREITO?

A palavra “direito” é, assim, tida por uns como análoga, ou seja seus sentidos guardam certa relação entre si; mas é apontada por outros como vaga e ambígua, visto que suas significações não são sempre claras, ou geram duvida legitima e insolúvel ou, até mesmo, apresenta-se de forma paradoxal e contraditória.

A CIÊNCIA DOGMÁTICA DO DIREITO

Resta agora tratar o método ou métodos no Direito.

Ciência do Direito somente passou a ser utilizado a partir do século XIX, por invenção da Escola Histórica alemã. Claro que antes o Direito já era investigado e estudado, mas não havia uma preocupação exclusiva com o fato de estar fazendo ou não ciência.

A escola racionalista. O jusnaturalismo.

Primeiramente, uma escola racionalista: o jusmaturalismo, que tem longa tradição, vindo desde os filósofos gregos, passando pelos escolásticos, Na Idade Média, pelos racionalistas dos séculos XVII e XVIII, indo até as concepções modernas de Stammler e Del Vecchio (começo do século XX).

O empirismo jurídico

Coloquemos que, para os empiristas, o conhecimento é resultante do exame do objeto ao contrario do racionalismo que pressupõe no sujeito cognoscente.

Assim, acredita que o conhecimento nasce do objeto, que pode ser norma jurídica ou fato social, ou fenômeno jurídico produzido no meio social etc.

A Escola da Exegese

Essa escola firmou conceitos e métodos de investigação que se tornaram perenes e, ainda que camuflados ou ligeiramente alterados, vivem fortemente na Ciência Dogmática do Direito contemporâneo.

A Escola da Histórica

Foram os alemães Gustavo Hugo, Pchta e, especialmente, Savigny, este como seu grande promotor, que no inicio do século XIX desenvolveram a Escola Histórica.

O enfoque dogmático

Nossa intenção é demonstrar o que é chamada Ciência do Direito hoje, especialmente quanto ao conjunto de técnicas e métodos de apreensão e transmissão do conhecimento jurídico, centrada nossa investigação na escola de Direito em geral, escola essa que é intitulada de cientifica, uma vez que produz a ciência jurídica.

A instrumentalização

A linguagem do enfoque dogmático é caracterizada pelo uso prescritivo, já sua função é diretiva, orientando a ação: ela diz que “deve ser” algo.

Dogmática e tecnologia

Na ciência dogmática do Direito vigia a idéia, desde o século XIX, de que seu “direito-objeto” era um fenômeno de disciplina social sob a forma repressiva, punitiva, sendo o Estado garantidor da ordem pública e do direito por ele estabelecido um elenco de normas, proibições, obrigações e instituições a serem sistematizadas e interpretadas pelo jurista.

Solução e decisão

Pode-se dizer que um dos trabalhos efetivos do cientista consiste em submeter problemas surgidos ou criados a hipóteses, para soluciona-los. Feita a investigação, se solução do problema foi encontrada, a hipótese transforma-se em lei.

Eficiência e consciência

Não há duvida de que, ainda se possam perceber as diferenças existentes entre as ciências que buscam elaborar-se em proposições, cujos enunciados são aceitos como verdadeiros, e a Ciência Dogmática do Direito, pelo menos uma característica existem outras que não nos interessa aqui tratar elas tem em comum: a eficiência.

A Incompatibilidade Sanguínea de fator Rh

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O presente artigo visa abordar o sistema Rh no grupo sangüíneo. Bem como, a incompatibilidade de Rh materno-fetal, podendo causar a icterício e a Eritroblastose fetal ou, doença hemolítica do recém-nascido.Ambas têm conseqüências graves, porém são tratáveis. A medicina já possui, de mesma forma, uma maneira de proteção e prevenção a partir de uma injeção de anticorpos anti-Rh em mães Rh-, a fim de evitar que o organismo materno os produza ficando a mulher livre para uma próxima gestação.

O presente trabalho tem por objetivo estudar o sistema Rh no grupo sangüíneo. Bem como, a incompatibilidade de Rh materno-fetal, e sua conseqüência mais grave – a Eritroblastose fetal – ou, doença hemolítica do recém-nascido. Esta doença pode causar anemia, que varia de suave a muito grave, algumas vezes fatal.

O fator Rh (Rhesus) foi descoberto em 1940 por Landsteiner e Winer quando trabalhavam com o sangue de um macaco Rhesus. Atualmente sabe-se que não consiste num único fator, mas um grupo de fatores, motivo porque se fala em sistema Rh. As pesquisas mostravam que nem todas as pessoas possuem a ocorrência desta substância em suas hemácias, ou glóbulos vermelhos.

Conclui-se que apenas 85% da população possuem o antígeno chamado Rh. Estas, “Cujo sangue era aglutinado foram chamadas Rh positivos (Rh+); as que não tinham reação foram chamadas de Rh negativas (Rh -)” , ou seja, cerca de 15% da população.

No sistema Rh, não existe um anticorpo preparado no plasma. A produção só ocorrerá a partir do instante que uma pessoa Rh – entrar em contato com o sangue de outra Rh+. É a presença do fator Rh nas hemácias no sangue que estimula a produção de anticorpos anti-Rh.

Isto pode ocorrer em transfusões, na gravidez ou no parto. Assim sendo, a incompatibilidade de Rh pode causar um grande problema em mulheres de Rh negativo com filhos Rh +, uma vez que, dar-se-á início a produção de anticorpos que agirão contra o sangue do bebê, destruindo-lhe as hemácias. Como esta produção ocorre lenta e gradualmente temos que:

Na primeira gestação de um filho Rh+ da mulher em questão, ocorre uma produção pequena de anticorpo e geralmente não há problemas. Entretanto, se na segunda gestação o filho for novamente Rh+, poderá ocorrer a destruição das hemácias da criança, pois a mãe já estará sensibilizada e sua produção de anticorpos será maior. Essa destruição das hemácias do feto é chamada eritroblastose fetal e pode ocasionar a morte do feto ou da criança recém-nascida.

Quando as Hemácias Rh+ do feto passam a circular no organismo materno (alguns dias antes do parto e principalmente durante o parto) este produz anticorpos que ao penetrarem na circulação do feto, destroem suas hemácias (hemólise). Podendo, neste caso, a criança apresentar anemia e icterícia.

A ocorrência desta dá-se porque a hemoglobina da hemácia destruída e transformada em bilirrubina- um pigmento amarelo- que mistura-se aos tecidos e impõe um tom amarelado na pele. Podendo, além disso, alojar-se no cérebro da criança, o que provocará surdez e deficiência mental. O tratamento utilizado contra icterícia é por exposição a luz, que acelera a destruição da bilirrubina.

No caso da eritroblastose fetal, assim chamada, porque a destruição das hemácias do feto ou recém nascido induz seus órgãos produtores de sangue a lançar em circulação – os eritroblastos – ou seja, hemácias ainda jovens ; o procedimento será a troca gradativa do sangue Rh+ por sangue Rh-. É após algum tempo, quando elas forem naturalmente substituídas por hemácias Rh+, os anticorpos anti-Rh da mãe já terão sido eliminados.

Cabe notar, que uma forma de proteção contra a eritroblastose fetal é a aplicação de anticorpos anti-Rh em mães Rh-, prescrita pelo medico na 28ª semana de gestação. Esse procedimento ira destruir as hemácias positivas que tenham entrado em sua corrente evitando a produção de anticorpos maternos. E até 72h após o parto, uma nova dose será administrada.

Os anticorpos aplicados são eliminados com o passar do tempo e, “como o organismo da mulher não aprendeu a fabricá-lo, não os substitui. Desse modo, a mulher fica livre para uma nova gravidez.” . Se por ventura a criança for novamente Rh+, será como se fora o primeiro filho, não havendo problemas.

Todavia, como prevenção o tratamento tem que ser repetido para evitar acidentes em uma gravidez futura. Há, de todo modo, uma proteção natural contra a eritroblastose fetal devida a incompatibilidade paralela no sistema ABO; razão pela qual, a ocorrência desta doença é inferior ao que se devia esperar. A explicação é a seguinte:

Se uma criança do grupo A estiver sendo gerada por uma mãe do grupo O, quaisquer hemácias do embrião que entrarem na circulação materna serão imediatamente destruídas pelo anticorpo anti-A do soro materno. Essa rápida destruição impediria que a mãe ficasse em contato por muito tempo com essas hemácias, e ela não fabricaria o anticorpo anti-Rh.

Dessa maneira, a incompatibilidade do sistema ABO preveniria naturalmente a eritroblastose fetal. E, de fato, esta hipótese parece se confirmar posto que a freqüência da doença é menor do que se devia esperar nos casos em que se apresenta a incompatibilidade do sistema ABO.

Do contrário a freqüência é maior. Analisando-se os termos anteriormente expostos, podemos inferir que a prevenção do desenvolvimento de anticorpos anti-Rh durante os cuidados pré-natais é a melhor maneira de proteção para o feto ou, o recém-nascido- deixando claro, que não existe risco nenhum para a mãe e o bebê nesse procedimento. A prevenção é sempre a atitude mais sensata que podemos tomar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

LINHARES, Sérgio Gewandsznajder. Biologia Hoje. Vol. 3. ed. Ática, 1998 – 8º edição.

LOPES, Sônia. Bio. Vol único, completo e atualizado. ed. Saraiva, 1996.

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