Planejamento Turístico

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO
2 CONCEITO
3 A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO
4 PLANEJAMENTO TURÍSTICO
5 INVENTÁRIO
6 DIAGNÓSTICO
7 CONCLUSÃO
8 REFERÊNCIAS

1 – INTRODUÇÃO

O turismo é uma das indústrias mais importantes do mundo e possui um índice de crescimento muito rápido. Além disso, o turismo é uma fonte de empregabilidade e de receitas em constante progressão, tanto em países desenvolvidos como em países em vias de desenvolvimento.

Com o crescimento do fenômeno turístico, o nível dos impactos gerados por este tem aumentado. O Turismo quando realizado de forma não sustentável, agride o meio ambiente, afeta a cultura e a economia das populações receptoras.

Conseqüentemente se a atividade turística for bem planejada, o turismo não será considerado como um fim, mas antes como um instrumento para um incremento mais harmonioso das sociedades que compatibiliza o desenvolvimento do turismo com o respeito e a preservação dos recursos naturais, culturais e sociais e que favoreça a redução das tensões entre a indústria turística, os visitantes, as comunidades anfitriãs e o ambiente.

2 – CONCEITO

O planejamento é uma atividade que tem o intuito de estabelecer condições favoráveis para alcançar os objetivos propostos. Ele tem por objetivo de manter as facilidades e serviços para que uma comunidade atenda seus desejos e necessidades, ou, então, o desenvolvimento de estratégias que permitam a uma organização comercial de visualizar as oportunidades de lucros em determinados segmentos do mercado.

Entende-se o planejamento como um processo que consiste em determinar os objetivos de trabalho, ordenar os recursos materiais e humanos disponíveis, determinar os métodos e as técnicas aplicáveis, estabelecer as formas de organização e expor com precisão todas as particularizações necessárias para que a conduta das pessoas ou do grupo de pessoas que atuarão na execução dos trabalhos seja racionalmente direcionada para alcançar os resultados pretendidos. ,

3 – A IMPORTÂNCIA DO PLANEJAMENTO

O planejamento, a preparação, é absolutamente indispensável em qualquer atividade. Ele tem como principal objetivo antever situações e condições como essas, prevendo o máximo possível de possibilidades e desenvolver as ferramentas, métodos ou estratégicas para transpor e solucionar obstáculos.

A “matéria-prima” do planejamento é a informação. Quanto maior for o número de variáveis, mais completo é o cenário que se consegue desenhar, maior o número de situações pode-se analisar e conseqüentemente, a possibilidade de resultados negativos torna-se menor, aumentando as chances de sucesso da empresa.

O planejamento é ferramenta extremamente valiosa que nunca deve ser desprezada, obrigatória na vida dos administradores. O planejamento é o processo de decisão dos objetivos da empresa, das mudanças nesses objetivos, dos recursos utilizados para atingi-los e das políticas que deverão governar a aquisição, utilização e disposição desses recursos. É um processo contínuo de tomada de decisões estratégicas.

Não se preocupa em antecipar decisões a serem tomadas no futuro, mas sim de considerar as implicações futuras de decisões que devem ser tomadas no presente. Proprietários, gerentes, empregados, sociedade em geral, estão mais preocupados com que ela vai ser do que com o que ela já foi. Toda empresa precisa de um objetivo central que se expressa em termos dos serviços que prestará à sociedade: para tanto, ela precisa de um conceito básico de como irá criar estes serviços.

Como a empresa deverá concorrer com outras empresas do seu ambiente de tarefa pelos recursos de que irá necessitar, ela precisará se distinguir ou se destacar em seus serviços ou seus métodos de criá-los. E já que ela precisará cooperar com outras empresas do seu ambiente de tarefa, ela precisa ter os meios para manter e assegurar o seu domínio, todos estes elementos juntos constituem as forças que levam à mudança, ao crescimento e à adaptação.

Uma observação que merece destaque é que a utilização de um planejamento sem qualidade pode ser tão ruim, e até mesmo mais prejudicial do que não utilizá-lo. Assegurar a qualidade da informação é vital para a elaboração de um plano com qualidade.

4 – PLANEJAMENTO TURÍSTICO

O planejamento de turismo é um sistema inter-relacionado de fatores de oferta e demanda. Os fatores de demanda são os mercados de turismo internacional e domestico que utilizam atrativos, equipamentos e serviços turísticos. Os fatores da oferta compreendem atrativos e atividades turísticas, alojamentos e outros equipamentos e serviços. Os atrativos são os aspectos característicos do local e seus respectivos diferenciais turísticos e todas as atividades desenvolvidas em função deles. Os fatores da oferta turística em conjunto podem ser denominados produto turístico.

O processo de planejamento em turismo apresenta as seguintes etapas: determinação dos objetivos, inventário de todos os recursos turísticos, análise e síntese da situação encontrada, formulação da política e do plano de turismo e também de recomendações de viabilidade, implementação e controle da gestão do processo total. Exige planos de longo prazo e projetos estratégicos.

O planejamento deve ter por finalidade promover o turismo, deve maximizar os benefícios sócio-econômicos, minimizar os custos e os impactos negativos gerados pela atividade, visando o bem estar da comunidade receptora e a rentabilidade dos empreendimentos do setor. Deve, portanto, buscar a geração de renda e de empregos para a população local. Outra finalidade deve ser a preservação do patrimônio turístico a partir de um modelo de desenvolvimento sustentado.

É essencial que os residentes da comunidade estejam envolvidos nas tomadas de decisões e na gestão do turismo, em termos de planejamento e desenvolvimento. Deve-se levar em conta também determinados aspectos para elaborar um plano de desenvolvimento turístico, a saber:

– é preciso refletir sobre aquilo que pode chamar a atenção do turista sobre o local que quer ser promovido;

– deve, no mínimo, haver alguns aspectos do lugar a ser visitado que o diferenciem do que se encontra na vida cotidiana, isto é, o turista procura locais diferentes da cidade em que vive;

– cada cidade precisa, cada vez mais, aparecer como um lugar inovador, excitante, criativo e seguro onde o turismo possa viver divertir-se e consumir;

– o crescimento do turismo em países em desenvolvimento não decorre apenas de processos internos inerentes a essas sociedades. Esse desenvolvimento é resultado de várias condições externas como:

– mudanças tecnológicas que ocorrem no mundo;

– cadeias de hotéis que crescem em escala mundial;

– novas agências de viagens que surgem em escala mundial;

– esforço de difundir o turismo de massa;

– encantamento cada vez maior que ocorre no mundo desenvolvido com a cultura de sociedades menos desenvolvidas (lugares exóticos);

– turista é um colecionador de visitas a novos lugares;

– turista desperta sua atenção para aquilo que é extraordinário e digno de ser visto;

– os serviços fornecidos aos turistas devem possuir qualidades que correspondam a suas expectativas;

– os serviços turísticos devem atender aos interesses dos turistas;

– local de interesse turístico deve dispor, no mínimo, de uma indústria de hospitalidade (transporte, hospedagem,alimentação e diversão);

– a alta qualidade da mão-de-obra empregada no turismo é condição mínima para seu desenvolvimento.

5 – INVENTÁRIO

O inventário, De acordo com a EMBRATUR, é o levantamento do conjunto dos recursos turísticos de uma determinada região, visando à correta ordenação e exploração do território, de forma a otimizar a utilização de seus recursos naturais e da oferta turística em geral.

O Inventário Turístico tem como objetivo identificar os atrativos, serviços, equipamentos, infra-estrutura, meios de acesso, variáveis gerais – fornecedores, concorrentes, clientes, mão-de-obra, entidades de classe – e variáveis operacionais – características sócio-econômicas, tecnológicas, legais e políticas – de uma localidade. É o processo pelo qual se registra o conjunto dos atrativos turísticos, dos equipamentos e serviços turísticos de uma determinada região, visando á correta ordenação e exploração do território, de forma a otimizar a utilização de seus recursos naturais e culturais.

Este documento é utilizado não só pelo poder público a fim de obter subsídios para planejamento turístico sustentável, assim como turistas em busca de informações sobre a região, estudantes para realização de pesquisas e estudos, empreendedores com objetivo de ter maiores informações sobre o local que pretende abrir empreendimento turístico ou não, imprensa e outros interessados.

6 – DIAGNÓSTICO

O diagnóstico é a etapa do planejamento que descreve a situação atual do destino com base nos fatos, nas estatísticas e no seu histórico, obtidos pelo inventário. Ele depende da amplitude do estudo, do tipo do turismo e do local sobre o qual se realiza. O fator mais importante do diagnóstico é a apresentação de uma visão analítica do fenômeno turístico na localidade, das variedades que o determinam e das relações entre seus diversos componentes. O diagnóstico visa:

– Analisar os recursos ambientais naturais para a sustentabilidade do turismo;

– Analisar o patrimônio cultural na região e seu potencial de utilização na sustentabilidade do turismo;

– Caracterizar e analisar a estrutura social, classificando-a segundo o processo de ocupação territorial, e a medida da participação da comunidade na produção de bens e serviços e nas atividades turísticas;

– Dimensionar e analisar a estrutura econômica do setor: nível de emprego, volume de investimentos, rentabilidade e consumo;

– Caracterizar e analisar a estrutura político-institucional da região, nos setores público e privado;

– Dimensionar e analisar a infra-estrutura regional urbana e de acesso para o processo sustentável de ocupação turístico recreativa, tendo em vista a abrangência territorial da área de estudo;

– Utilizar indicadores estatísticos e teorimétricos para identificar a situação atual e projetar cenários futuros do mercado;

– Caracterizar e dimensionar a oferta regional existente ou projetada de alojamentos, transportes, equipamentos, instalações e serviços.

– Identificar e caracterizar o diferencial turístico da região para a estruturação das políticas de marketing e de fixação de segmentos do mercado de consumo;

– Caracterizar, classificar e quantificar a demanda atual e futura de bens e serviços turísticos.

– Identificar desequilíbrios entre oferta e demanda do turismo da região.

7 – CONCLUSÃO

O turismo no Brasil consolidou-se nesta década como setor importante na economia nacional e vem apresentando, até hoje, altas taxas de crescimento, e ao que tudo indica continuará em expansão.

Além dos crescentes benefícios econômicos, o turismo traz benefícios sociais, ampliando o mercado de trabalho e melhorando a infra-estrutura de lazer. Por este último, são beneficiadas crescentes faixas da sociedade brasileira que participam do turismo, como também os moradores das regiões turísticas.

O turismo compensa as dificuldades decorrentes de outros setores da atividade econômica e atua como instrumento de equilíbrio, pois promove e desenvolve a economia com aumento da oferta de empregos. No entanto, devemos também reconhecer e alertar para o fato de que a atividade turística é capaz de produzir efeitos negativos se não for bem planejada.

Por exemplo, pode promover um crescimento desordenado pelo excesso de oferta de acomodações, criar forte concentração demográfica, aumentar os preços dos produtos e dos serviços locais, destruir o patrimônio natural, criar altíssima temporada em contraste com a baixa temporada nos demais meses do ano; o turismo pode ainda criar uma reação negativa na população que vive dele (falta de cultura turística generalizada) e promover o abandono gradual de outras atividades econômicas se a organização do turismo local for pouco versátil.

Todos esses problemas poderão ser evitados se o turismo for planejado com seriedade, profissionalismo e adequado à localidade. Ao contrário da indústria, o produto turístico não vai ao consumidor mas o consumidor vai ao produto, e este consiste de um conjunto de serviços cuja qualidade é altamente dependente de fatores externos, como da qualidade de infra-estrutura urbana e do meio ambiente.

Esta característica do produto turístico torna, portanto, necessário o seu planejamento em nível de pólo turístico (Município ou Micro – região). Uma outra característica, que comprova ainda mais esta necessidade de se planejamento, é a de que o produto turístico é vendido normalmente por um número considerável de pequenos empreendimentos e um grande número de clientes.

A tarefa de planejamento só será eficiente, na medida em que integrar na sua implementação, a soma dos setores envolvidos no processo: Estado, Municípios e comunidade. Ao mesmo tempo, o planejamento turístico, deve formar parte da estratégia global de planejamento estadual, integrando-se com os outros setores que planejam o seu desenvolvimento sócio-econômico, desenvolvimento este que procura o aproveitamento racional do potencial natural e cultural do Estado, a preservação ambiental, com o objetivo de melhoria da qualidade de vida da população e uma distribuição mais equilibrada dos benefícios.

Entretanto, pode-se concluir que o turismo é uma atividade socioeconômica bastante complexa e que, se planejada por profissionais competentes, pode ser responsável pelo crescimento e desenvolvimento de qualquer possível centro receptor, além de diversos outros benefícios.

8 – REFERÊNCIAS

DIAS, Reinaldo. Planejamento do Turismo: política e desenvolvimento do turismo no Brasil. São Paulo: Atlas, 2003.

HALL, C. M. Planejamento Turístico: políticas, processos e relacionamentos. São Paulo: Contexto, 2001. 276p.

PETROCCHI, Mario. Turismo: Planejamento e gestão. São Paulo: Futura, 1998.381 p.

RUSCHUMANN, Doris Van de Meene. Turismo e planejamento sustentável: a proteção do meio ambiente. Campinas, São Paulo: Papirus, 1997.

SWARBROOKE, John. Turismo Sustentável: conceitos e impacto ambiental. Vol. 1. São Paulo: Aleph, 2000.

O Maior Vendedor do Mundo

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Pathos o maior vendedor do mundo trazia consigo um segredo de anos o qual só poderia revelar a quem tivesse certeza de que pudesse assim como ele guardar os segredos até encontrar um sucessor.

Todo o segredo para se tornar o maior vendedor do mundo se encontra em um baú, são 10 pergaminhos. Todos com exceção de um, contêm um princípio, uma lei, ou uma verdade fundamental, escritos num único estilo, para ajudar o leitor a entender seu significado. Pra se tornar um mestre na arte de vender, deve-se aprender e praticar o segredo de cada um dos pergaminhos. Quando se dominam estes princípios, tem-se o poder de acumular toda a riqueza que se deseja.

Hafid que cuida dos camelos de Pathos e é conhecido como seu filho adotivo, se oferece para ser o seu sucessor, pois tem um grande sonho de ser conhecido também como o maior vendedor do mundo.

Antes de lhe conceder tal sonho, Pathos lhe dá algumas orientações:

– Ademais, você está se aventurando na mais solitária profissão do mundo. Até os desprezados coletores de impostos regressam aos lares ao pôr-do-sol e as legiões de Roma têm um quartel a que denomina lar. Mas você testemunhará muitos pores-do-sol distantes dos amigos e dos entes queridos. Nada traz a dor da solidão a um homem tão rapidamente quanto passar por uma casa estranha e testemunhar, à luz do lampião, uma família partindo o pão ao anoitecer no aconchego do lar.

“Será nesses períodos de solidão que as tentações o afrontarão”. A maneira como você enfrentará essas tentações afetará grandemente sua carreira. Estar-se na estrada apenas com o animal é uma sensação estranha e freqüentemente assustadora. Muitas vezes esquecemos nossas perspectivas e nossos valores e nos sentimos como crianças,
ansiando por nossa própria segurança e amor. O que achamos como substituto já encerrou a carreira de muitos, inclusive milhares que eram considerados de grande potencial na arte de vender. Ademais, não haverá ninguém para distrai-lo ou consolá-lo quando não vender nenhuma mercadoria; ninguém, exceto aqueles que procuram separa-lo de sua algibeira.

– Eu serei cuidadoso e seguirei à risca o seu conselho, meu senhor.

– Então, vamos começar. Por enquanto você não receberá mais nenhum conselho. Coloque-se diante de mim como um figo verde.

Até que o figo amadureça não pode ser chamado de figo e até que você não se tenha exposto ao conhecimento e à experiência não pode ser chamado de vendedor.

Pegue a túnica e uma mula e parta ao amanhecer para Belém, nenhum de nossos vendedores jamais a visitou. Dizem que é uma perda de tempo, porque o povo é muito pobre, mas há muitos anos atrás vendi cem túnicas entre os pastores de lá. Permaneça em Belém até vender uma túnica.

– Filho, há um preceito que você deve guardar ao começar essa nova vida. Tenha-o sempre presente e vencerá obstáculos aparentemente impossíveis, que com certeza encontrará, como todos aqueles que têm ambição.

Hafid esperou.

– Sim, senhor?

– O fracasso jamais o surpreenderá se sua decisão de vencer for suficientemente forte.

A última noite de Hafid em Belém justifica o motivo pelo qual Pathos o escolhe como seu sucessor.

Quando Hafid se aproxima de uma gruta, percebe uma luz fraca vinda de seu interior. Resolve entrar para verificar e fica surpreso ao ver um casal e um recém-nascido. O casal estava encolhido e tremia de frio, pois tinha tirado cada um sua túnica para cobrir a criança.

Hafid foi até onde estava seu animal, pegou a túnica vermelha que deveria ter vendido e cobriu o recém-nascido com ela. Devolveu as túnicas do casal que permaneceu em silêncio, e saiu, para se encontrar com Pathos.

Ao chegar, muito desanimado ao acampamento, viu seu pai que olhou para ele assombrado, pois uma estrela emitindo uma luz que deixava a noite como o dia, parecia tê-lo seguido da gruta até ali.

Hafid, envergonhado, contou a seu pai o que acontecera, que havia falhado como vendedor, e pior, havia dado a túnica para um casal desconhecido cobrir uma criança recém-nascida.

Pathros emocionado, falou que Hafid não havia falhado e a partir daquela noite seria seu sucessor como O Maior Vendedor do Mundo.

Pathros em seu leito de morte, sentindo sua missão cumprida, passou para Hafid o baú contendo os dez pergaminhos de couro, onde estavam escritos os segredos para ele se transformar no Maior Vendedor do Mundo.

A primeira orientação era para que Hafid lesse cada pergaminho durante trinta dias seguidos, ao acordar, ao entardecer e antes de ir dormir.

Pergaminho Número Um

Hoje começo uma nova vida.

Pergaminho Número Dois

Saudarei este dia com amor no coração.

Pois este é o maior segredo do êxito em todas as aventuras. Os músculos podem partir um escudo e até destruir a vida, mas apenas os poderes invisíveis do amor podem abrir os corações dos homens, e até dominar esta arte não serei mais que um mascate na feira. Farei do amor minha maior arma e ninguém que a enfrente poderá defender-se de sua força.

Pergaminho Número Três

Persistirei até vencer.

No Oriente, os touros jovens são testados para o combate na arena de um modo apropriado. São levados um a um para a arena, e permite-se que ataquem o picador que os provoca com uma lança. A bravura de cada touro é então avaliada com cuidado segundo o número de vezes que demonstra persistência para investir apesar da ferroada da lâmina, de hoje em diante reconhecerei que cada dia sou testado pela vida do mesmo modo. Se persisto, se continuo a tentar, se continuo a investir, serei bem-sucedido.

Persistirei até vencer.

Pergaminho Número Quatro

Eu sou o maior milagre da natureza.

Desde o começo dos tempos jamais houve outro com minha mente, meu coração, meus olhos, meus ouvidos, minhas mãos, meu cabelo, minha boca. Ninguém que me antecedeu, ninguém que ainda vive, nem ninguém que virá pode andar e falar e pensar exatamente como eu. Todos os homens são meus irmãos, porém sou diferente deles
todos. Sou uma criatura única em todo o universo.

Eu sou o maior milagre da natureza.

Pergaminho Número Cinco

Viverei hoje como se fosse meu último dia.

E agora o que farei com este último e precioso dia que resta em meu poder? Primeiro, tamparei seu conteúdo de vida para que nenhuma gota se derrame na areia. Não desperdiçarei um momento sequer cultivando os infortúnios ou as derrotas do ontem, as dores de coração, pois por que deveria eu desperdiçar o bem lembrando-me do mal?

Poderá a areia escorrer do chão para a taça do tempo? Levantar-se-á o sol de onde se põe e se porá de onde se levanta? Posso reviver os erros do ontem e corrigi-los? Posso chamar de volta os ferimentos do ontem e curá-los? Posso tornar-me mais jovem do que era ontem? Posso retirar o mal que fiz, os socos que dei, a dor que causei? Não. O ontem está enterrado para sempre e nele não mais pensarei.

Viverei hoje como se fosse meu último dia.

Pergaminho Número Seis

Hoje serei dono de minhas emoções.

As marés avançam; as marés recuam. Vai o inverno, vem o verão.

Finda-se o calor, começa o frio. Levanta-se o Sol; põe-se o Sol. Clara é a Lua cheia, negra é a Lua nova. Chegam os pássaros; partem os pássaros. Florescem as flores, murcham as flores. Plantam-se as sementes, colhem-se as colheitas. Toda a natureza é um círculo de ânimos; eu sou uma parte da natureza e, assim como as marés, meus
ânimos se elevarão, meus ânimos cairão.

Hoje serei dono de minhas emoções.

Pergaminho Número Sete

Rirei do mundo.

Nenhuma criatura viva ri, à exceção do homem. As árvores podem sangrar quando feridas e os animais no campo gritarão de dor e fome, mas apenas eu tenho o dom de rir, e ele é meu, para usar quando o desejar. De hoje em diante, cultivarei o habito de rir.

Sorrirei e minha digestão será melhor; rirei baixinho e minhas obrigações serão aliviadas; rirei e minha vida se alongará, pois este é o segredo da vida longa, e agora é meu.

Rirei do mundo.

Pergaminho Número Oito

Hoje centuplicarei meu valor.

Uma folha de amoreira, tocada pelo gênio do homem, torna-se seda. Um campo de barro, tocado pelo gênio do homem, torna-se um castelo. Um cipreste, tocado pelo gênio do homem, torna-se um santuário. A lã tosquiada da ovelha, tocada pelo gênio do homem, torna-se vestuário para um rei. Se é possível às folhas, ao barro, à madeira e à lã terem seu valor centuplicado, sim, multiplicado pelo homem, não posso eu fazer o
mesmo com o barro que leva meu nome?

Hoje centuplicarei meu valor.

Pergaminho Número Nove

Meus sonhos são insignificantes, meus planos são poeira, meus objetivos são impossíveis.

Todos nada valem, a não ser seguidos por ação.

Agirei agora.

Jamais existiu mapa, por mais cuidadosamente executado em detalhe e escala, que elevasse seu possuidor um só centímetro do chão.

Jamais houve uma lei, conquanto honesta, que impedisse um crime.

Jamais houve um pergaminho, mesmo como este que agora tenho nas mãos, que ganhasse um tostão sequer ou produzisse uma única palavra de aclamação. Somente a ação transforma o mapa, o papel, este pergaminho, meus sonhos, meus planos, meus objetivos em força viva. A ação é o alimento e a bebida que nutrirá o meu êxito.

Agirei agora.

Pergaminho Número Dez

Suplicarei por orientação e suplicarei como um vendedor, desta maneira:

Ó criador de todas as coisas, ajudai-me. Pois hoje saio pelo mundo nu e só, e sem vossa mão para orientar desviar-me-ei do caminho que conduz ao êxito e à felicidade.

Não peço ouro ou roupa ou mesmo oportunidades segundo minha capacidade, mas orientação para que possa adquirir capacidade segundo minhas oportunidades.

Ao leão e à águia ensinastes a caçar e a prosperar com os dentes e as garras. Ensinai-me a caçar com palavras e a prosperar com amor para que eu possa ser um leão entre os homens e uma águia na feira.

Ajudai-me a permanecer humilde nos obstáculos e fracassos; mas não oculteis dos meus olhos o prêmio que virá com a vitória.

E assim sucedeu que Hafid esperou em seu solitário palácio por aquele que iria receber os pergaminhos. O ancião, tendo apenas o guarda-livros de confiança por companhia, contemplava as estações irem e virem, e com a chegada das enfermidades da velhice ficava, apenas, calmamente sentado no jardim coberto.

Ele esperou.

Quando pressentiu que o próximo escolhido estava para aparecer, doou toda sua riqueza para os pobres, ficando apenas com o suficiente para viver com conforto o tempo que lhe restava.

Um certo dia apareceu no portão do palácio de Hafid um homem maltrapilho, querendo falar-lhe com urgência.

Hafid ouviu toda sua história, pois esse homem dizia ter sido ali enviado por Jesus, o Messias. Trazia consigo uma túnica vermelha suja e manchada de sangue, com a estrela de Pathros bordada em seu tecido.

Hafid segurando a túnica emocionado, pediu que o homem lhe contasse tudo que sabia sobre a história de Jesus.

O homem contou que Jesus havia nascido numa gruta em Belém.

Hafid logo entendeu que estava diante de seu sucessor: O MAIOR VENDEDOR DO MUNDO.

A Dinâmica dos Grupos

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Com exceção daquelas poucas pessoas que são classificadas como eremitas, a maioria dos indivíduos interage com outras pessoas no seu dia-a-dia. O comportamento social de um individuo e os relacionamentos sociais freqüentemente são motivados pelas expectativas de satisfazer necessidades específicas.

O QUE É UM GRUPO

Um grupo pode ser definido como duas ou mais pessoas que interagem para atingir objetivos particulares ou comuns. Incluídos nessa definição estão também os relacionamentos sociais unilaterais, mais distantes, nos quais um consumidor individual procura outros para ajudá-lo a decidir quais produtos ou serviços obter e usar, mesmo que estas pessoas ao estejam propriamente conscientes de que estão representando o papel de modelos de consumo.

TIPOS DE GRUPOS

Existem muitos modos de se classificarem os grupos, como, por exemplo, pela regularidade dos encontros, pela estrutura e hierarquia, pelo quadro e até pelo tamanho.

Um grupo grande pode ser aquele no qual um associado só conhece pessoalmente poucos membros do grupo ou está ciente dos papéis específicos ou atividades específicas de apenas uns poucos membros. Em contrapartida, os membros de um grupo pequeno têm maior probabilidade de se conhecer pessoalmente e de estar cientes do papel especifico ou das atividades de cada membro do grupo.

No campo do comportamento do consumidor, preocupa-nos principalmente o grupo de estudos pequenos, porque tais grupos são mais propensos a influenciar o comportamento de consumo dos seus membros.

Grupo Primário X Grupo Secundário: Se uma pessoa interage regularmente com outros indivíduos, então esses indivíduos podem ser considerados um grupo primário para esta pessoa. Por outro lado, se uma pessoa interage apenas ocasionalmente com outras, ou não considera as opiniões delas particularmente importantes, então essas outras pessoas constituem um grupo secundário para essa pessoa. A distinção decisiva entre grupos primários e secundários, portanto, se faz pela importância percebida dos grupos pelo individuo e pela freqüência ou constância com que o individuo interage com os grupos.

Grupo Formal X Grupo Informal: Outra maneira útil de se classificar os grupos é pela formalidade, ou seja, a extensão pela qual a estrutura do grupo, os papéis dos membros e as propostas do grupo são claramente definidas. Se um grupo tem uma estrutura altamente definida e objetivos específicos, então ele pode ser classificado como um grupo formal. Por outro lado, se um grupo é mais imprecisamente definido, então ele é considerado um grupo informal.

Do ponto de vista do comportamento do consumidor, os grupos sociais informais ou os grupos de amizade são geralmente mais importantes para o profissional de marketing porque a sua estrutura menos claramente definida fornece um ambiente mais adequado para a troca de informações e de influência sobre assuntos relacionados ao consumo.

*Grupo de Associação X Grupo Simbólico: Algumas vezes os grupos são classificados pelo status dos seus membros. Um grupo ao qual uma pessoa tanto pode pertencer como se qualificar para associado é chamado grupo de associação.

Existem grupos nos quais os indivíduos tende a não ser aceito, apesar de agir como membro, adotando valores, atitudes, e o comportamento do grupo; é o caso de um grupo simbólico.

Em suma, pequenos grupos de membros primários e informais são os do maior interesse para os profissionais de marketing, pois exercem grande influência potencial nas decisões de consumo.

GRUPOS PERTINENTES AO CONSUMIDOR

Para melhor compreender melhor o tipo de impacto que os grupos específicos têm nos indivíduos, foram divididos em seis grupos pertinentes:

A família: Para um indivíduo, a família geralmente esta na melhor posição para influenciar suas decisões de consumo. A importância da família neste aspecto baseia-se na freqüência de contato que o indivíduo tem com outros membros de sua família e/ou extensão da influência que a família tem no estabelecimento de valores, atitudes e comportamentos em larga escala.

Grupo de amigos: Em geral, os grupos de amigos são classificados como grupos informais porque não possuem uma estrutura ou níveis específicos de autoridade. Em termos de influência relativa, os amigos provavelmente são, depois da família, os que mais influenciam as decisões de compra do individuo.

A opinião e as preferências dos amigos são uma influência importante na determinação dos produtos e marcas que o consumidor acaba por escolher.

Os consumidores tendem a buscar informação junto aos amigos que acreditam ter valores ou pontos de vista semelhantes aos seus. Quanto mais semelhanças percebem, mais eles se deixam influenciar pelas opiniões dos amigos para chegar a decisão de compra.

Grupo sociais formais: Em contraste com a relativa intimidade dos grupos de amigos, os grupos sociais formais são mais distantes e têm função distinta para o indivíduo. Uma vez que frequentemente consomem certos produtos juntos, os membros de um grupo social formal são de interesse dos profissionais de marketing.

Ser membro de um grupo social formal pode influenciar de vários modos o comportamento de um consumidor. Alguns membros podem reproduzir o comportamento de consumo de outros membros que eles admiram.

Grupo de Compras: Duas ou mais pessoas que saem juntas para comprar alimentos ou roupas, ou simplesmente para passar o tempo, podem ser chamadas de grupo de compras. Esses grupos costumam derivar da família ou de grupos de amigos e, portanto, funcionam como companheiros de compras. As motivações para se comprar junto com um companheiro de compras vão desde um motivo social primário até a ajuda para reduzir os riscos ao se tomar uma decisão importante.

Nas situações em que nenhum dos membros do grupo de compras sabe muito a respeito do produto em questão, um grupo de compras pode se formar por razões defensivas; os membros do grupo podem se sentir mais confiantes em tomar decisão coletiva.

Um tipo especial de grupo de compras são as festas para compras em casa, que geralmente consistem em um grupo que se reúne na casa de um amigo para participar de uma “festa” para demonstração e avaliação de uma linha específica de produtos.

Grupos de ação do consumidor: Surgiu em resposta ao movimento de conscientização e reivindicação do consumidor. Grupos de ação do consumidor podem ser divididos em duas amplas categorias: aqueles que se organizam para corrigir um abuso específico contra o consumidor e depois se dispersam e os que se organizam para se dirigirem a áreas mais amplas, de problemas mais profundos e agir de modo mais abrangente ou por um espaço mais indefinido.

O objetivo primordial de muitos grupos de ação do consumidor é pressionar certos membros da comunidade de negócios ao ponto de fazê-los corrigir abusos percebidos contra o consumidor.

Grupos de trabalho: Tanto o grupo de trabalho formal quanto o grupo de trabalho informal de amizade no trabalho podem influenciar no comportamento do consumidor. O grupo de trabalho formal consiste naqueles indivíduos que trabalham juntos em equipe. Grupos informais de amizade no trabalho consistem em pessoas que se tornaram amigas pelo fato de trabalharem na mesma empresa, mesmo que não trabalhem em equipe.

Reconhecendo que os grupos de trabalho influenciam a escolha das marcas dos consumidores, e que agora a maioria das mulheres trabalha fora de casa, empresas que no passado vendiam seus produtos exclusivamente por meio de telefonemas diretos para as mulheres em casa estão agora redirecionando seus esforços de vendas para os escritórios e planejam suas visitas para a hora do almoço.

GRUPOS DE REFERÊNCIA

Grupos de referência são grupos que servem como pontos de referência para os indivíduos nas suas compras ou decisões de compras. A utilidade desse conceito é realçada pelo fato que ele não impõe restrições ao tamanho do grupo ou associação nem exige que os consumidores se identifiquem com um grupo real.

Grupos de referência que influenciam valores ou comportamentos gerais ou de definições amplas são chamados grupos de referência normativa.

Grupos de referência que servem como marco para atitudes ou compromissos específicos ou estreitamente definidos são chamados grupos de referência comparativa.

Os grupos de referencia normativa influenciam o desenvolvimento de um código básico de comportamento; os grupos de referência comparativa influenciam a expressão de atitudes e comportamentos específicos do consumidor. É provável que as influências específicas dos grupos de referência comparativa dependam, em certa medida, dos valores básicos e de padrões de comportamento estabelecidos antigamente no desenvolvimento de uma pessoa por grupos de referência normativa.

Ampliando o conceito de grupos de referência: Assim como muitos outros conceitos tomados de empréstimo às ciências behavioristas, o significado de “grupos de referência” vem mudando ao longo dos anos. O conceito gradualmente se ampliou de modo a incluir influências diretas e indiretas de grupos ou indivíduos. Grupos de referência indireta consistem em indivíduos ou grupo com os quais uma pessoa não tem contato direto, como astros de cinema, ídolos do esporte, lideres políticos ou personalidades da televisão.

As referências de que uma pessoa pode se servir para avaliar suas atitudes gerais ou específicas e seu comportamento variam de um individuo, ou diversos membros da família ou aos parentescos mais amplos ou de uma associação voluntária a uma classe social, profissão, um grupo étnico, uma comunidade, uma faixa etária, ou mesmo uma nação ou cultura. Os principais agrupamentos sociais que influenciam o comportamento de consumo do indivíduo são, por ficas, a cultura pessoal do indivíduo e, mesmo, outras culturas.

Tipos de grupos referências: Os grupos de referência podem ser classificados em termos do tipo de associação ou do grau de envolvimento da pessoa com o grupo, bem como em termos das influências, positivas ou negativas, que eles exercem em seus valores, atitudes e comportamento.

Um grupo de contato é aquele ao qual a pessoa é associada ou tem contato direto habitual e cujos valores, atitudes e padrões ele aprova.

Um grupo de aspiração é aquele ao qual a pessoa não está associada nem tem contato direto, mas deseja faze-lo.

Um grupo de negação é aquele ao qual a pessoa está associada ou tem direito, mas desaprova os valores e seu comportamento. Logo, o indivíduo tende a adotar atitudes e comportamentos opostos às normas do grupo.

Um grupo de prevenção é aquele ao qual a pessoa não está associada nem tem contato direto e cujos valores, atitudes e comportamentos ela desaprova. Logo, o indivíduo tende a adotar atitudes e comportamentos opostos aos daquele grupo.

FATORES QUE AFETAM A INFLUÊNCIA DO GRUPO DE REFERÊNCIA:

O grau de influência que um grupo de referência exerce sobre o comportamento de um indivíduo geralmente depende da natureza do indivíduo e do produto e de fatores sociais específicos.

Informação e Experiência: um indivíduo que experimenta pela primeira vez um produto ou serviço, ou que consegue obter facilmente informação completa sobre ele, está menos propenso a ser influenciado pelo conselho ou pelo exemplo dos outros. Por outro lado, uma pessoa que tem pouca ou nenhuma experiência com um produto ou serviço não espera ter acesso a informação objetiva sobre ele. É mais propensa a seguir o conselho ou o exemplo dos outros.

Credibilidade, Atração e poder do grupo de referência: Um grupo de referência que é percebido como digno de crédito, atraente ou influente pode induzir á mudança de atitude ou de comportamento do consumidor.

Quando os consumidores estão preocupados principalmente com a aceitação ou aprovação de pessoas de quem eles gostam, com quem se identificam, ou que lhes oferecem status ou outros benefícios, eles tendem a adotar produtos ou marcas que elas usam ou outras características do seu comportamento. Quando estão preocupados principalmente com o poder que uma pessoa ou grupo possa exercer sobre eles, os consumidores podem escolher produtos ou serviços que estão de acordo com as normas daquela pessoa ou grupo, no sentido de evitar o ridículo ou a punição.

Entretanto, diferentemente de outros grupos de referência, os quais os consumidores seguem por causa da sua credibilidade ou pela sua atração, os grupos de poder não tendem a causar mudança de atitude. Os indivíduos podem agir conforme o comportamento de uma pessoa ou grupo influente, mas não tendem a experimentar mudanças em suas próprias atitudes.

Grupos de referência diversos podem influenciar as crenças, as atitudes e o comportamento de um indivíduo em épocas diferentes ou sob circunstâncias diferentes.

Notabilidade do produto: A influência potencial de um grupo de referência em uma decisão de compra varia de acordo com a medida que o produto é notado, visualmente ou verbalmente, pelos outros. Um produto visualmente notado é aquele que irá se destacar e ser percebido; um produto notado verbalmente pode ser altamente interessante, ou pode ser facilmente descrito para os outros.

Produtos que são especialmente notados e reveladores de um status são muito provavelmente comprados com um olho nas reações das pessoas pertinentes. Produtos de consumo privado, que são menos reparados tendem a ser menos comprados com um grupo de referência em mente.

Jornal Alternativo

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“O jornalismo moderno tem uma coisa a seu favor. Ao nos oferecer a opinião dos deseducados, ele mantém-nos em dia com a ignorância da comunidade.”

OSCAR WILDE

1. Introdução

A imprensa alternativa pode ser conceituada como um conjunto de jornais – geralmente em formato tablóide – e revistas que não se enquadram dentro dos esquemas econômicos e políticos da indústria cultural (ADORNO e HORKHEIMER, 2002, p. 69).

Segundo Kucinski (2003, p. 14-15), no Brasil, existiram basicamente duas modalidades de jornais alternativos: surgidos na década de 60, os de cunho político, com seus ideais nacionalistas e populares ou marxistas; e, a partir dos anos 70, também as publicações influenciadas pelos movimentos de contracultura norte-americanos.

De acordo com esse autor, que pesquisou a imprensa alternativa entre 1964 e 1980, circularam no país, nesse período, cerca de 150 periódicos de vários tipos que tinham, em comum, o embate político e editorial contra a ditadura militar.

Contrapor-se aos interesses dominantes e ao discurso oficial dos governos militares foi também outro eixo em comum da imprensa alternativa – batizada assim em 1975 pelo jornalista Alberto Dines e que já tinha sido chamada de imprensa underground e nanica.

Desse total, apenas 25 jornais ultrapassaram a marca de cinco anos de edição contínua; entretanto, o fechamento dos alternativos não se vincula apenas ao fim da ditadura. “Podemos entender o próprio surgimento da imprensa alternativa dos anos 70 como uma das últimas grandes manifestações da utopia no Brasil” (KUCINSKI, 2003, p. 27).

Um jornal de bairro ou alternativo quase sempre é visto com certo preconceito pelos próprios jornalistas, pelos anunciantes e, porque não dizer, até pelos leitores mais críticos. O pensamento comum entre esses três segmentos parecem ser um só: jornais destinados a comunidades específicas são projetos de pessoas espertas que querem ganhar dinheiro fácil.

Bastou encher as páginas de texto, fotografias, colocar um título ali, outro acolá, e, é claro, vender anúncios, que o jornal está pronto. É um “bico” de jornalista desempregado. Ou pode ser a vitrine de promoção de políticos e presidentes de associações comunitárias, que aproveitam épocas propícias para editar jornais em causa própria. Tem também os não-jornalistas, que se tornam “pequenos empresários da comunicação” utilizando essas publicações principalmente como caça-níqueis.

Duas características que contribuem para a existência dos jornais de bairro são: o desinteresse dos grandes jornais da capital pelos bairros e a regionalização das atitudes dos moradores que podem fazer quase tudo nos locais onde moram (LERER, 1992, p. 45).

Os jornais de bairro têm uma linha de conduta que é a de servir de veículo dos interesses da comunidade, ser o ponto de convergência das atividades dessa comunidade. A vida do jornal é a vida do bairro (LERER, 1992, p. 48).

Este estudo objetiva analisar um jornal alternativo, nesse caso um “jornal de bairro”, percebendo quais são seus principais objetivos e se tais metas são realmente atendidas.

O jornal em questão é o “Jornal Monteiro Lobato”, dirigido aos moradores do Conjunto Residencial Monteiro Lobato, da cidade de Ponta Grossa – PR. Este tablóide já está em seu 4o. ano de vinculação, é bimestral e a distribuição é gratuita.

Antes disso, para que se possa perceber se o Jornal Monteiro Lobato atinge os objetivos propostos e se enquadra na categoria dos “jornais alternativos”.

2. Referencial Teórico

2.1 O Jornal de ontem e de hoje

A imprensa brasileira, historicamente, é marcada por três fases (BAHIA, 1990): de 1808 a 1880, seria a primeira fase do jornalismo brasileiro, marcada pela atividade panfletária, “refletindo as ações políticas revolucionárias que viabilizam a Independência, pacificam o país e preparam a República”. Essa fase caracteriza a pequena imprensa, em que o peso dos jornais não é medido pelo seu tamanho, pela sua qualidade, pelo prestígio. O que prevalece é a idéia, o que está impresso.

A segunda fase do jornalismo se instalaria a partir de 1880, notadamente em fins do século XIX e começo do século XX, quando a imprensa começa a ser preparar para o estágio empresarial. São feitos mais investimentos na renovação do parque gráfico e aumenta o consumo do papel.

O advento da censura, com a formação do Estado Novo, marca a terceira fase da imprensa brasileira. Juarez Bahia a classifica como “um dos mais lamentáveis episódios da história do periodismo latino-americano” por implantar a censura ou “regime de rolha” com a criação do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP), em 1939.

2.2 Jornal alternativo

O termo “jornal alternativo” começou a ser utilizado para os informativos, em tamanho tablóide, que circularam no Brasil, a partir da década de 70, fazendo uma oposição intransigente ao regime militar (CHINEM, 1995). Tinham em comum a coragem de publicar notícias que contestavam as ações governamentais vigentes, que não podiam sair na grande imprensa, envolvida com a censura. Eram também conhecidos como imprensa nanica, de leitor, independente e “underground” .

Segundo o escritor e jornalista Rivaldo Chinem, surgiram e depois desapareceram no país cerca de 300 periódicos, entre 1964 e 1990. Esses jornais se opunham sistematicamente ao regime militar. Em suas páginas havia denúncias de violência dos direitos humanos e críticas ao modelo econômico. Alternativo é algo que não está ligado aos interesses ou tendências políticas dominantes.

Bahia (1990) reforça que a imprensa nanica representou contestação, insubmissão, marginalidade e independência, alimentando a resistência da sociedade à censura severa sobre a imprensa. As publicações eram editadas no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Piauí, Acre, Mato Grosso, Paraná, Bahia, Pernambuco, entre outros estados, cobrindo os 20 anos de ditadura militar no Brasil.

Os jornais que fazem a grande imprensa, e que se opõem aos alternativos, são aqueles ligados à classe econômica que os podem manter. Eles têm a função de servir como esclarecedores da sociedade, só que o fazem só até o limite do interesse dos seus proprietários. São vinculados à manutenção de um grupo econômico, político e institucional.

Algumas características da imprensa alternativa são a tiragem reduzida de cada impressão, repercussão reduzida, busca da análise, da denúncia e da crítica nas matérias e uso da linguagem coloquial, inclusive de gírias. Essas especificações não são preponderantes nos jornais da chamada grande imprensa.

Para o jornalista Clóvis Rossi (1987), os jornais alternativos são paliativos contra o reduzido conteúdo político-ideológico da imprensa brasileira. Ele ressalta ainda que “esses veículos são de conteúdo claramente ideológico, em sua esmagadora maioria, e refletem, no geral, posições de agrupações políticas que, pela ausência de um regime realmente democrático no país, não tiveram, até aqui, possibilidades de legalização”.

Rossi avalia que essas publicações têm severas restrições econômicas pela dificuldade de obter anúncios e ter circulação relativamente reduzida, além de sofrerem violência por parte dos setores antidemocráticos. Na sua opinião, acabam não cumprindo um dos papéis básicos reservados à imprensa, que é o de conscientizar a população para os problemas nacionais.

Comparando as conceituações acima apresentadas sobre o jornalismo alternativo, observa-se que têm em comum o fato de mencionarem o contexto político e econômico como preponderantes para justificar a existência desse tipo de jornal. Sob esse aspecto, o jornal tema desse estudo atende em parte à concepção dos referidos autores.

Nota-se que o Jornal do Monteiro Lobato não nasce com a pretensão de ser porta-voz de partidos políticos. Não é reacionário e nem atua na clandestinidade, combatendo o regime político e econômico instalado. Como veículo de comunicação dirigida a um determinado público (os moradores do Conjunto Residencial), sem ligação direta a grupos empresariais e políticos, tem seu caráter alternativo evidenciado por oferecer uma oportunidade de um determinado segmento – os moradores dos dois bairros.

São focalizados em suas páginas, temas que tocam a comunidade mas que não são de interesse do grande público, para serem noticiados pelos grandes jornais. É alternativo sob o ponto de vista de que tem mais liberdade para fazer críticas e denúncias contra pessoas e instituições; para ouvir fontes das mais diversas correntes ideológicas; para abordar temas censurados em jornais de maior circulação.

3. Jornal Monteiro Lobato

Inicialmente, vê-se que o Jornal Monteiro Lobato tem as características doravante citadas da imprensa alternativa:

– a tiragem reduzida de cada impressão: são 1.000 exemplares publicados, sendo que 768 delas são distribuídos nos apartamentos (um para cada apartamento) e os outros são entregues a anunciantes, e para os demais interessados da comunidade;

– repercussão reduzida: apenas aos moradores do Conjunto Residencial homônimo;

– uso da linguagem coloquial, inclusive de gírias.

Além disso, como Rossi bem avaliou, essa publicação tem severas restrições econômicas pela dificuldade de obter anúncios. São poucos anunciantes, como: Domínio Desinsetizadora; Pastelaria Princesa; Piú Pizza; Táxi Orlando (morador do Conjunto Residencial); S.O.S. Monteiro (o proprietário mora em um dos apartamentos; Portela Cabeleireiros (nos arredores do núcleo); Lojinha da Julia (dentro do conjunto) e vários classificados.

Nota-se que o jornal é uma fonte de divulgação dos acontecimentos do Conjunto Residencial, com a publicação de matérias, notas, entrevistas com personalidades do conjunto e pessoas de reconhecimento público que não moram ali, mas que contribuem com informações importantes para a vida dos seus moradores – no exemplar observado, tem uma crônica escrita pela escritora e poeta Luísa Cristina dos Santos Fontes. Cerca de 90% das matérias são voltadas para assuntos internos e os 10% restantes tratam de temas externos à área.

Concorda-se com Martins (1995) quando afirma que as informações de veículos de comunicação popular atendem normalmente a interesses de grupos específicos. No caso do jornal alternativo analisado, o alvo é a comunidade do Conjunto Residencial Monteiro Lobato.

Ao focalizar os temas de interesses local, o jornal se utiliza de um critério adotado pelo jornalismo de pequenos meios que é “manter a comunidade informada sobre fatos importantes para que seus membros possam agir sobre ela, uma vez que grande parte do universo destes grupos específicos não tem acesso à grande imprensa” (MARTINS, 1995, p. 21).

4. Considerações finais

O comunicólogo Marcos Palácios (1992, p. 2) refere-se aos bairros como enclaves comunitários, afirmando que “são valorizados como núcleos de resistência, com formas de sociabilidade a serem preservados, incentivando a multiplicação como antídoto à crescente massificação, despersonalização, desagregação e alienação que caracterizam a sociedade moderna”.

Considera-se o Conjunto Residencial Monteiro Lobato como exemplo de enclave comunitários. E o jornal Monteiro Lobato um veículo que tenta dar uma personalidade a essa comunidade específica dentro do que é o Bairro Jardim Carvalho, onde está inserida.

Entretanto, o jornal não cria uma personalidade para o bairro, uma vez que ele tem características próprias que o faz diferente de outros bairros da cidade de Ponta Grossa. Na verdade, percebe-se que a intenção é mostrar às pessoas que lá residem que formam um conjunto urbano e que, devido à dinâmica da sociedade moderna, muitos não se dão conta de que formam sequer uma comunidade.

Citando um termo utilizado por Palácios, nota-se que a publicação se propõe a ser um “antídoto” contra a massificação das informações veiculadas na grande mídia, que deixa uma fresta muito pequena para olhar para as reentrâncias da realidade dos bairros.

Conclui-se, então, que o Jornal Monteiro Lobato tem uma função produtiva, resultando num veículo de comunicação comunitária eficiente sob o aspecto de oferecer motivação para que ocorram mudanças nas relações sociais dos moradores dali. Ao defender os interesses comuns dos moradores, o jornal cria uma empatia entre eles, uma identificação capaz de minimizar as diferenças.

REFERÊNCIAS

BAHIA, Juarez. Jornal, história e técnica: História da Imprensa Brasileira. Editora Ática, 1990

CHINEM, Rivaldo. Imprensa Alternativa: Jornalismo de Oposição e Inovação. Ed. Ática, Série Princípios, 1995.

JORNAL MONTEIRO LOBATO. Conjunto Residencial Monteiro Lobato. Julho/Agosto de 2007 – Distribuição Gratuita.

KUCINSKI, Bernardo. Jornalistas e revolucionários: nos tempos da imprensa alternativa. São Paulo: Edusp, 2003.

LERER, Bernardo. Jornal de bairro ajuda a desenvolver a vida comunitária. Folheto editado pelo Jornal Estado de São Paulo, 1992, p. 45 a 48.

MARTINS, Vera. Comunicação Comunitária na Cidade de Salvador. UFBA (Facom): Salvador, 1995.

PALÁCIOS, Marcos. Comunidade e Comunicação Comunitária em Tempo de Pós-Modernidade. São Paulo: Ática, 1992.

ROSSI, Clóvis. O que é jornalismo. Ed. Brasiliense, Coleção Primeiros passos, 1981.

Princípio da Proporcionalidade

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Não há nada de novo sob o sol diz o sábio Salomão. Em matéria de direito o mesmo podemos dizer. As sociedades seguem e trazem consigo dia após dia, ano após ano, década após década, século após século seus avanços, às vezes, seus retrocessos. Não obstante a repetição, algo de novo se estabelece e se organiza.

O princípio da proporcionalidade é antiqüíssimo, mas, à medida que as sociedades avançam, recebe novas aplicações. Tanto assim, que inicialmente estava atrelado ao Direito Administrativo, porém cada dia mais se constrói com argamassa, por assim dizer, constitucional. Ao falarmos hoje, portanto, em proporcionalidade, falamos também em Direito Constitucional.

Ademais, quando falamos de um princípio da proporcionalidade constitucional devemos levar em conta uma série de fatores que contribuem para a eficácia de tal princípio.

Nessa ordem, a sociedade exercerá um importante papel à função do princípio da proporcionalidade constitucional, já que ela influenciará em algumas decisões, ou mesmo em muitas talvez, de modo que garanta melhor a aplicabilidade dos dispositivos de lei.

Mas o que é isso: o princípio de proporcionalidade?

É um princípio que se assegura num Estado de Direito, com o fito de preservar direitos fundamentais. Mas por outro lado, o que é um Estado de Direito? É a ordem jurídica de uma nação cujo objetivo é assegurar, dar garantia aos indivíduos. Com efeito, os países da Europa se organizaram, a fim de se estabelecerem como Estado de Direito. E quanto mais avançada é a sociedade, quer a civil, quer a sociedade política, mais se sedimentam os princípios essenciais de modo que seja possível a existência de um Estado juridicamente organizado.

Muitos foram os fatores que contribuíram para ascensão do princípio da proporcionalidade em matéria de Direito Constitucional; dentre eles, se encontra o apogeu do direito positivo; encontram-se, igualmente, os conflitos existentes na Europa, como por exemplo, as guerras do século XX; isso só para falar das duas Grandes Guerras. Sim, é a partir do conflito que se estabelece, muitas vezes, garantias que até então não se cogitavam. Aliás, um filósofo antigo dizia que a discórdia é a lei de todo devir. E um poeta contemporâneo que as antíteses se congraçam.

O texto fala de um segundo Estado de Direito; acredito, no entanto, que quando assim se refere queira tão somente facilitar a compreensão do importante papel que, a cada dia mais, o princípio da proporcionalidade constitucional vem exercer nas sociedades européias, sobretudo, na Alemanha e na Suíça. Bem, mas nas nações outras em que as bases se encontram sedimentadas, há um intenso respeito pelos direitos individuais e coletivos, e por isso vivificam seu corpo político, jurídico, social, econômico através do princípio da proporcionalidade.

Sendo assim, podemos falar da Holanda, podemos falar igualmente da Inglaterra, Itália, Espanha etc., uma vez que são países cuja marca é o próprio povo, um povo que foi cunhado em metal precioso. Ora, o que quer isso dizer? Que um Estado de Direito nada mais é que o reflexo de seus cidadãos, isto é, a sociedade que o compõe. Por isso, é mais fácil identificar em Estados dessa natureza, tal e qual fora a natureza da Polis, da Civita, do citizen, dos pueblos, enfim… “… so
mente cobra sentido e explicação, uma vez vinculada à liberdade, à contenção dos poderes do Estado e à guarda eficaz dos direitos fundamentais”.

O princípio da proporcionalidade supõe a existência, como vimos, de um Estado de Direito. Porém quando se fala deste Estado não se pensa – apenas – num conjunto de regras que se dispõem de forma harmônica, não. Pensa-se na realidade, leva-se em conta a objetividade dos seus cidadãos no âmbito da política, outrossim, no âmbito dos três poderes: Executivo, Legislativo e Judiciário.

Que, diga-se de passagem, foram atribuídos, em sua forma tripartida, a Montesquieu. Ledo engano àqueles que supõem que assim tenha acontecido. Porquanto fora Aristóteles que concebeu, antes mesmo de Montesquieu, a divisão dos três poderes. Nesse sentido, contrario o que diz o texto que ora resenho e comento, se posso dizer assim.

Sem dúvida, que esse princípio tem como objeto primeiro à liberdade, e para tanto deverá, à mesma proporção, garantir a ordem jurídica. Visto que só se é possível um Estado de Direito em que o poder é legítimo. Destarte, ainda, os governados possam confiar nos seus governantes. Toda regra legal pressupõe um equilíbrio, a aequitas, isto é, a equanimidade; não é à toa que a Justiça mantém seus olhos vendados. Além disso, é também a contemplação de direitos fundamentais. Isto é, razão bastante para existência do princípio da proporcionalidade.

A. Grisel “afirma que o princípio da proporcionalidade se acha subjacente aos direitos constitucionais”. Em seguida, em outro parágrafo, diz o autor: “Não varia dessa posição Pierre Muller ao asseverar que o princípio da proporcionalidade é da mesma natureza dos direitos fundamentais cujos limites são por ele determinados”.

Para nossa análise, nunca é demais insistir que a essência do princípio da proporcionalidade é o Estado de Direito. E vice-versa. Pois que sem este não há como conceber qualquer proporcionalidade. Demais, as sociedades estão em constante movimento, em perpétua transformação, ou seja, estão em deslocamentos semelhantes os mecanismos que corpo social elabora de tal modo se mantenha a ordem jurídica organizada para a sociedade, à nação. Neste caso, em específico, na figura do princípio da proporcionalidade.

Malgrado o avanço do princípio da proporcionalidade, ainda há muitas dificuldades terminológicas na doutrina, na jurisprudência; aliás, os alemães criticam a falta de unidade de sua Corte Constitucional, falta de unidade em relação a quê? A compreensão do termo? Pois cada um tinha a sua própria. Ou a falta de unidade no que diz respeito à aplicação do princípio. Ora, o autor diz que falta de unidade no exercício da Corte. Mas a falta de unidade, talvez, seja uma compreensão ainda não muita clara do princípio da proporcionalidade, daí sua má aplicação.

Quer a falta de unidade dizer que de alguma forma esse princípio já existia sob outras denominações. Em suma, talvez a falta de um estudo aprofundado acerca do princípio da proporcionalidade, acarretou em uma fraca compreensão do que representa o princípio em si. Sem falar que uma coisa é ser uno; outra, completamente diferente, é ser proporcional.

“Outros princípios convergentes, aparentados também com o da proporcionalidade, são o princípio da ‘concordância prática’, formulado e desenvolvido teoricamente por Konrad Hesse e o princípio da ‘boa-fé’; o primeiro, tanto quanto o da proporcionalidade, no qual, aliás, se acha de certo modo implícito, tem sido de valioso préstimo respeitante à interpretação dos direitos fundamentais”.

A citação acima mencionada e a que abaixo se segue mostram que o princípio da proporcionalidade ainda assumia muitas faces, qual Janus. “Até a aparição em 1955 da primeira obra clássica de sistematização do princípio da proporcionalidade, de autoria de Rupprecht von Krauss, este princípio era conhecido sob a denominação de preceito da necessidade, mas ao seu lado já tomava vulto o aspecto novo da proporcionalidade, percebido pelo mesmo Krauss que logo o distinguiu do princípio da necessidade, empregando-o pela primeira vez sob a designação nova de máxima da proporcionalidade em sentido estrito”.

Conquanto já tenhamos falado a respeito de alguns países, como por exemplo, a Alemanha, a França, a Suíça, no que diz respeito ao princípio da proporcionalidade; eles, sem dúvida, estão à frente, pois que garantem a todos a liberdade ainda que alguns poucos tenham que tê-la limitadamente em razão da vontade geral. Com efeito, diz o autor a respeito de Jellinek: “O Estado somente pode limitar com legitimidade a liberdade do indivíduo na medida em que isso for necessário à liberdade e à segurança de todos”.

Outros países, apesar de tudo, em razão de seu corpus social também se detiveram frente ao princípio da proporcionalidade, a fim de constituírem sociedades mais igualitárias. Com efeito, “durante uma jornada de debates e palestras da Conferência de Juristas Franco-Alemães, promovida em Estrasburgo, nos dias 26 e 27 de novembro de 1982, o constitucionalista austríaco Felix Emacora, relatando o tema denominado O Princípio da Proporcionalidade do Direito Austríaco e na Visão da Convenção Européia dos Direitos Humanos, declarou que na Áustria os direitos fundamentais se apóiam sobre dois pilares: a Lei Fundamental de 1867 e a referida Convenção, elevada ali ao grau de Direito Constitucional”.

Finalmente, o princípio da proporcionalidade estabelece novos parâmetros de elaborações legais, tanto, evidentemente, no que tange ao Legislativo, quanto à apreciação do Judiciário. Não que o Executivo seja sem importância, em absoluto, é de completa necessidade. Visto que para a boa funcionalidade do princípio da proporcionalidade a que se ter um Estado de Direito organizado, mas para que haja essa organização, faz-se mister a harmonia entre os três poderes; e, por conseqüência, satisfazer, à medida do possível a vontade geral.

Métodos Interpretativos

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Muitos são os métodos para o processo interpretativo, por isto os métodos variam de acordo com as teorias interpretativas. Por outro lado, os atos interpretativos não são apenas formas concretas de interpretação, muitas vezes as interpretações se dão em níveis subjetivos a fim de que se possa compreender melhor o objeto estudado, como por exemplo, o de natureza constitucional.

Ora, como estabelecer um método seguro quando as interpretações variam de acordo com as idiossincrasias de cada um. Por exemplo, o texto fala de uma falta de unidade, pelo menos na Alemanha, nas interpretações constitucionais. Com efeito, de outro modo não poderia ser, uma vez que os homens são os que as interpretam; logo quantos forem os homens, assim serão as formas interpretativas.

Não obstante, é na técnica de interpretação, também conhecida como hermenêutica, que poderemos chegar a um consenso em torno de nossas análises interpretativas; chegar ao consenso, no entanto, não quer dizer verdade sempre eterna, não. Quer dizer que através de um conjunto de análises poder-se-á chegar a um lugar que, pelo menos, a maioria anseie.

E, além disso, uma preferência pelo método de interpretação, ao menos como deve ser concebido, encontra apoio em alguns clássicos do pensamento jurídico. Dentre eles podemos citar: Windscheid e Regelsberger.

Ademais, quando há uma soltura, por assim dizer, dos modos de interpretação, como se tudo pudesse em qualquer campo, no caso em específico, no campo do direito se estabelecer, surge a religião como forma controladora desses impulsos sem regras que não estejam pautadas nos métodos consagrados de interpretação. Tanto assim, que adverte Karl Engisch, baseado em um aforismo romano que diz: “quando expira a razão da lei, expira a lei mesma”.

Em suma, visto que o direito é uma doutrina de difícil acesso, ter-se-á que estar preparado para toda ordem de interpretação de modo que se possa, assim, separar por um processo de hermenêutica as coisas que valem, pelo menos no campo do direito em específico, das coisas que não têm utilidade na boa aplicação aos métodos interpretativos.

Podemos citar ainda que os métodos interpretativos no que dizem respeito a Constituição estão, por conseguinte, intimamente ligados ao tipo de constituição, isto é, se rígida, se flexível, ou semi-rígida. Cada espécie de Constituição trará em si a possibilidade de aplicar os métodos de interpretação. Evidentemente que umas mais, outras menos. Como exemplo, quanto mais rígida for uma Constituição, mais difícil será a interpretação que a ela pode ser feita.

Finalmente, foi com o receio, talvez, de se mexer a todo o tempo na Constituição, que talvez os métodos de interpretação tenham sido mais rigorosos que em qualquer outra expressão de caráter normativo. Tanto é assim, que o texto diz: “… a hermenêutica constitucional tinha por regra uma posição eminentemente conservadora da ordem estabelecida e só por exceção desempenhava ativamente uma função transformadora”.

Liderança

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1. Introdução

Trabalhar com pessoas e com grupos é lidar diretamente com a resistência. Liderar é manejar com decisões que nem sempre agradam as pessoas, é administrar conflitos de interesses, é imprimir novas realidades, normas, procedimentos.

A liderança está relacionada com a tomada de decisões programadas e não programadas. As programadas partem de uma rotina e de um aprendizado. São decisões as quais o sujeito foi orientado a tomar e treinado para isto. As não-programadas estão inseridas num contexto novo, onde o sujeito que tomará a decisão se depara com uma situação a qual ela fará uso de um julgamento. Este julgamento depende de alguma maneira indefinida de experiência, percepção e intuição somadas a um espírito criador.

Ao liderar, você encontrará comportamentos de oposição, todo profissional que lida com pessoas e com grupos, deve compreender os fenômenos desse grupo para ter melhores condições de construir equipes e administrar os fenômenos relacionais.

2. Conceitos de liderança

“Liderança é a realização de uma meta por meio da direção de colaboradores humanos. O homem que comanda com sucesso seus colaboradores para alcançar finalidades específicas é um líder. Um grande líder é aquele que tem essa capacidade dia após dia, ano após ano, numa grande variedade de situações”.(Prentice, W.H.C.)

“Liderança é o processo de influenciar as atividades de um grupo organizado na direção da realização de um objetivo”. (Rouch & Behling)

“Liderança é a atividade de influenciar pessoas fazendo-as empenhar-se voluntariamente em objetivos de grupo”.(George R. Terry)

“Influência interpessoal exercida numa situação e dirigida, através do processo de comunicação, para a consecução de objetivos específicos”.(Robert Tannenbaum, Irving R. Wescgler e Fred Massarik)

“A liderança consiste em influenciar pessoas para a realização de um objetivo comum.”(Harold Koontz e Cyril O’Donnell)

O comportamento de liderança (que envolve funções como planejar, dar informações, avaliar, arbitrar, controlar, recompensar, estimular, punir, etc…) deve ajudar o grupo a atingir os seus objetivos, ou, em outras palavras, deve ser a ferramenta que ajuda/facilita ao grupo encontrar o “caminho das pedras” e satisfazer suas necessidades.

3. Teorias sobre liderança

As teorias sobre a liderança podem ser classificadas em três grandes grupos:

• Teorias de traços de personalidade.

• Teorias sobre estilos de liderança.

• Teorias situacionais de liderança.

– Teorias de Traços de Personalidades: São as teorias mais antigas a respeito de liderança. Um traço é uma qualidade ou característica da personalidade. Segundo essas teorias, o líder é aquele que possui alguns traços específicos de personalidade que o distinguem das demais pessoas.Assim, o líder apresenta características marcantes de personalidade pelas quais pode influenciar o comportamento das outras pessoas.

Essas teorias baseadas nos traços de personalidade do líder foram marcadamente influenciadas pela chamada teoria do “grande homem”, que foi defendida por Carlyle em 1910. As teorias dos traços partem do pressuposto de que certos indivíduos possuem uma combinação especial de traços de personalidade que podem ser definidos e utilizados para identificar futuros líderes potenciais, bem como para avaliar a eficácia da liderança. Todavia, cada autor especifica alguns traços característicos da liderança, o que tumultuou esta forma
de abordagem. Um minucioso levantamento sobre a extensa literatura a respeito dos traços de personalidade que definem o líder resume alguns dos principais traços enumerados pelos diversos autores:

• Traços físicos: energia, aparência, estatura e peso.

• Traços intelectuais: adaptabilidade, agressividade, entusiasmo e autoconfiança.

• Traços sociais: cooperação, habilidades interpessoais e habilidade administrativa.

• Traços relacionados com a tarefa: impulso de realização, persistência e iniciativa.

Em resumo, pelas teorias dos traços de personalidade, um líder deve inspirar confiança, ser inteligente, perceptivo e decisivo para ter melhores condições de liderar com sucesso.

– Teorias sobre Estilos de Liderança: São as teorias que estudam a liderança em termos de estilos de comportamento do líder em relação aos seus subordinados, isto é, maneiras pelas quais o líder orienta sua conduta. Enquanto a abordagem dos traços refere-se àquilo que o líder é, a abordagem dos estilos de liderança refere-se àquilo que o líder faz, ou seja, o seu estilo de comportamento para liderar.

A principal teoria que procura explicar a liderança por meio de estilos de comportamento, sem se preocupar com características de personalidade, é a que se refere a três estilos de liderança: autoritária, liberal e democrática.

Há três conclusões transpareceram dentre as demais:

• Sob certas circunstâncias, a liderança autocrática dá resultados e funciona quando falham os processos anárquicos e liderais.

• Sob certas circunstâncias, a liderança democrática dá resultados e funciona quando falham os processos autocráticos e liberais.

• Sob certas circunstâncias, a liderança liberal dá resultados e funciona quando falham os processos autocráticos e democráticos.

Na vida prática, o líder utiliza os três processos de liderança, de acordo com a situação, com as pessoas e com a tarefa a ser executada ou levada adiante. O líder tanto manda cumprir ordens quanto consulta os subordinados antes de tomar uma decisão, como também sugere a algum subordinado realizar determinadas tarefas: ele utiliza a liderança autocrática, a democrática e a liberal. A principal problemática da liderança é saber quando aplicar qual processo, com quem e dentro de que circunstância e atividades a serem desenvolvidas.

– Teorias Situacionais de Liderança: São as teorias que procuram explicar a liderança em contexto bem mais amplo do que as teorias anteriormente apresentadas. Enquanto as teorias de traços de personalidades são demasiado simplistas e limitadas, as teorias sobre estilo de liderança também deixam de considerar variáveis situacionais importantes e que não podem ser desprezadas. As teorias situacionais partem do princípio de que não existe um único estilo ou característica de liderança válida para toda e qualquer situação.

A recíproca é que é verdadeira: cada tipo de situação requer um tipo de liderança diferente para alcançar a eficácia dos subordinados. As teorias situacionais são mais atrativas ao gerente, uma vez que aumentam as suas opções e suas possibilidades de mudar a situação para adequá-la a um modelo de liderança ou então mudar o modelo de liderança para adequá-lo às situações. Na década passada, alguns autores formularam abordagem à liderança que enfatizam a capacidade do líder de se adaptar a contingências, incluindo fatores ambientais, sobre as quais possui pouco ou nenhum controle pessoal.

Assim, o verdadeiro líder é aquele que é capaz de se ajudar a um grupo particular de pessoas sob condições extremamente variadas. Sob esta prisma, os ingredientes fundamentais na teoria contingencial da liderança são três: o líder, o grupo e a situação. E a variável situação assume a mais importância na determinação de quem será o líder e o que ele deverá desempenhar.

4. Pontos fundamentais:

• Os líderes devem personificar as qualidades esperadas ou necessárias de suas equipes de trabalho

• O conhecimento –técnico e profissional- é importante mas não é tudo. A autoridade flui daquele que sabe.

• Há outra abordagem à liderança, baseada numa análise das necessidades apresentadas em grupos de trabalho. São: executar a tarefa, manter-se como uma equipe de trabalho, responder as necessidades individuais das pessoas.

5. O líder do futuro:

Para acompanhar a constante evolução precisa ter certas características, como as seguintes:

• Ter visão abrangente, observar problemas e interpretar o que está acontecendo;

• Ouvir o que as pessoas dizem e como dizem quando defendem uma idéia;

• Manter confidentes por perto;

• Defender boas idéias com entusiasmo e ter coragem de rejeitar as más, quando surgirem;

• Renovar-se espiritualmente, dê um tempo para você mesmo;

• Demonstrar empatias, respeitar as dificuldades dos subordinados em lidar com as mudanças.

6. Estilos de liderança:

Estilo de liderança é o padrão recorrente de comportamento exibido pelo líder.

Liderança autocrática, liberal e democrática.

– Liderança autocrática: Neste estilo de liderança há um ambiente de trabalho muito pesado, apresentando sinais de tensão, frustração e até agressividade entre subordinados e chefia. As tomadas de decisões apenas o líder define os caminhos que devem ser levados pelo grupo, sem pedir auxilio ou opinião. Com relação à programação dos trabalhos o líder determina as providências para a execução das tarefas, cada um por vez, à medida que se tornam necessárias e de maneira imprevisível para o grupo.

Na divisão de trabalho é o líder que determina qual a tarefa que cada um deverá executar e qual o seu companheiro de trabalho. Na liderança autocrática o líder é “pessoal” e dominador nos elogios e nas críticas ao trabalho de cada membro. A sua influência no grupo se dá através do poder de coação, onde ele utiliza a força/pressão para dominar os subordinados. Normalmente neste tipo de liderança o volume de trabalho produzido é maior que os outros estilos.

No líder autocrata, o complexo de comando costuma ligar-se ao complexo de inferioridade. Revela defeitos advindos da educação, irradia recalques e frustrações de todas as espécies, e sorri poucas vezes porque não se sente feliz.

– Liderança liberal: A total liberdade para as tomadas de decisões grupais ou individuais, com a participação mínima do líder. Na programação dos trabalhos a sua participação no debate é limitada, apresentando apenas alternativas variadas ao grupo, esclarecendo que poderia fornecer informações desde que as pedissem. Tanto na divisão das tarefas como a escolha dos colegas ficam totalmente por conta do grupo.

Absoluta falta de participação do líder. Sua participação é mínima, não faz nenhuma tentativa de avaliar ou regular o curso das coisas. Somente faz comentários irregulares sobre as atividades, quando perguntado. O líder não exerce nenhum tipo de influência sobre os subordinados. Normalmente neste estilo os resultados são desanimadores, com baixa qualidade e produtividade, sinais de individualidade, desagregação do grupo, insatisfação, agressividade e pouco respeito ao líder.

No fundo o líder “laissez-faire” revela timidez, insegurança e ausência de ideal ou objetivos concretos. Receia tomar iniciativas, pois não sabe se não está pisando em falso. Usa freqüentemente a demagogia para despistar o seu complexo de inferioridade e para não deixar aparecer a sua mediocridade.

– Liderança democrática: Na liderança democrática as diretrizes são debatidas e decididas pelo grupo que é estimulado e assistido pelo líder. O próprio grupo esboça as providências e técnicas para atingir o alvo, com aconselhamento técnico do líder, quando necessário. As tarefas ganham novas perspectivas com os debates. A divisão das tarefas fica a critério do próprio grupo e cada membro tem liberdade de escolher seus colegas de tarefa.

O líder procura ser um membro normal do grupo, em espírito, sem encarregar-se muito de tarefas. É objetivo e limita-se aos fatos em seus elogios e críticas. Os resultados neste estilo de liderança são normalmente melhores que nos outros estilos, tanto na qualidade do trabalho, como na produtividade. O clima de satisfação, de integração grupal, de responsabilidade e de comprometimento das pessoas é o melhor possível.

A influência do líder no grupo se dá através da persuasão (prevalece sobre uma pessoa, sem forçá-la, através de conselhos, argumentos ou induções para que faça alguma coisa), e da sugestão (Coloca ou apresenta um plano, idéia ou proposta a uma pessoa ou grupo, para que considere , pondere ou execute).

A liderança autocrática põe forte ênfase no líder, enquanto a liberal põe forte ênfase nos subordinados. A liderança democrática põe ênfase tanto no líder como nos subordinados.

Na prática, o líder utiliza os três estilos de acordo com a situação, com pessoas e com a tarefa a ser executada. O líder tanto manda cumprir ordens, como sugere aos subordinados a realização de certas tarefas, como ainda consulta os subordinados antes de tomar alguma decisão.

7. Funções de liderança:

• Definir objetivos – identificar o propósito, as intenções e objetivos de uma organização ou grupo

• Planejamento – certificar-se de que há um plano, de preferência aceito por todos, para atingir o objetivo

• Instruções – explicar claramente os objetivos e o plano

• Controlar – controlar, supervisionar e monitorar tudo o que se refere com o serviço em andamento

• Avaliar – se você não revisar ou avaliar o desempenho, não terá base para dar a u membro do grupo em feedback.

8. Escala contínua de comportamentos de liderança (proposta de Tannenbaun e Schmidt).

1 – O líder comunica sua decisão que é aceita sem contestação

2 – O líder “vende” sua decisão antes de obter aceitação.

3 – O líder testa sua decisão ouvindo opiniões dos membros do grupo

4 – O líder consulta os membros antes de tomar a decisão

5 – O líder consulta os membros sobre as alternativas de decisão

6 – O líder define limites dentro dos quais a decisão será tomada pelos membros

7 – Líder e membros tomam decisões em conjunto, dentro dos limites definidos pelos superiores.

Alguns autores que são mais ligados à área de administração. Elaboraram teorias de liderança, em que os estilos autocráticos e democráticos aparecem ligados a dimensões ou preocupações organizacionais como: pessoas (satisfação) e tarefa (produtividade), caracterizando estilos gerencial-administrativos em grupos organizacionais. Sugerem também que os estilos de liderança podem ser desenvolvidos e modificador através de treinamento, a partir da conscientização do estilo interpessoal de cada líder.

O principal autor das teorias situacionais de liderança é F. Fiedler (1967). Seu modelo de contingência aponta três variáveis básicas da situação:

• relações membro-líder, como são as relações interpessoais;

• estrutura da tarefa: grau de estrutura da tarefa a executar;

• poder de posição: poder e autoridade inerente à posição do líder

O conceito mais atualizado das teorias situacionais vem a ser a chamada teoria “trilha-meta de liderança”. Essa teoria procura explicar o impacto do comportamento do líder sobre a motivação, a satisfação e o desempenho dos membros do grupo. O comportamento do líder será aceitável para os liderados se for percebido com uma fonte de satisfação imediata ou instrumental à satisfação futura, de acordo com a teoria motivacional de expectativas.

No modelo “trilha-meta”, esforços do líder são no sentido de tornar o caminho para os objetivos o melhor possível para os liderados, e para isso é preciso usar o estilo contingencial mais apropriado às variáveis situacionais. Neste modelo são detectados quatro estilos principais de comportamento de liderança.

• liderança autoritária- em que os liderados recebem ordens minuciosas e sabem exatamente o que se espera que façam sem opinar

• liderança de apoio- o líder mostra interesse e amizade, preocupa-se verdadeiramente com os liderados e procura aproximar-se de todos

• liderança participativa- o líder conversa com os liderados, solicitando e usando suas sugestões, mas é ele quem toma as decisões finais

• liderança orientada para a realização- o líder estabelece objetivos desafiantes para os liderados e mostra confiança em suas capacidades para atingi-los com bom desempenho

• liderança situacional- destaca-se a importância da situação para determinar quando deve se tornar e continuar sendo líder de um grupo

O modelo sugere que vários estilos podem ser usados pelo mesmo líder em diferentes situações. A situação e o grupo influenciam o estilo de liderança XXX mais um estilo que outro. O líder precisa ter certa flexibilidade para usar estilos diferentes sem chegar a extremos de incongruência.

Uma teoria da abrangência da liderança tem que englobar, necessariamente, o líder, o grupo e a situação.

Mas parece pouco provável, portanto, que se consiga estabelecer um modelo ou padrão ideal de comportamento do líder.

9. Liderança e Poder

O conceito de liderança é um conceito de ralação interpessoal, a noção de poder esta implícita no processo de influência social que caracteriza essa relação.

O poder consiste na capacidade de uma pessoa conseguir que outra pessoa ou grupo aja de forma desejada pela primeira. A pessoa com poder modifica o comportamento dos outros, manipulando-os à sua vontade. O poder está relacionado ao processo de influência social, que é conferido pelas outras pessoas que a percebem como detentora de um atributo especial.

Seis bases principais do poder (segundo French e Roven-1959)

• Poder legítimo – também chamado de autoridade é atribuído pela organização formal

• Poder de coerção – consiste na capacidade de aplicar punições ou fazer ameaças de punição, freqüentemente associada ao poder legítimo

• Poder de recompensa – consiste na capacidade de atribuir recompensas ou acenar com elas, sob forma de promessas, também ligadas ao poder legítimo

• Poder de referência – de identificação ou carismática

• Poder de conhecimento

• Poder de informação

10. Nível Sócio-Emocional

Benne e Sheats (1961), destacam funções de manutenção do grupo que podem ser construtivas ou facilitadoras, como:

• Conciliador – busca um denominador comum, quando em conflito aceita rever sua posição

• Mediador – resolve as divergências entre outros membros

• Animador – demonstra afeto e solidariedade aos outros membros do grupo

• Ouvinte interessado – acompanha a atividade do grupo e aceita as idéias dos outros.

11. Papéis não-construtivos

São desempenhados por membros do grupo em funcionamento que correspondem a necessidades individualistas, motivações de cunho pessoal, ou a problemas de personalidade. São eles:

• O dominador

• O agressivo

• O dependente

• O vaidoso

• O criador de obstáculos

• O reivindicador

• O confessante

• O gozador

12. Liderança organizacional:

Cada vez mais as empresas, organizações, estão se voltando para um profissional mais amadurecido, com uma grande dose de imaginação e criatividade, deixando de lado aquele perfil de liderança autoritária, com visão estritamente voltada a produtividade, sem valorização do indivíduo.

O aprendizado constante também está presente, fortalecendo os tradicionais modelos e dando base para novas formas de liderança.

Segundo Schein, cada estágio que a organização se encontra, há a necessidade de um tipo de líder. Nos estágios iniciais, verifica-se a presença de um líder motivador. Em seguida vemos o processo de construção da cultura e o líder tem o papel de passar e incorporar à cultura da organização de sua personalidade.

Os líderes precisam ter uma percepção pessoal para crescer com a organização. Hoje em dia, com a globalização, a tecnologia, há uma necessidade, por parte dos líderes, de acompanhar as mudanças no mundo.

Saber lidar com a ansiedade e depressão dos funcionários e ao mesmo tempo motivá-los também é papel do líder. As organizações precisam sempre, estar em sintonia com a realidade que enfrentam, ter um compromisso com o aprendizado.

Em relação ao futuro, Schein afirma que um líder deverá ter uma visão do mundo e situação da organização muito clara. Deverá ser motivador, com certo equilíbrio emocional para gerenciar sua ansiedade e de seus subordinados. As futuras lideranças não serão necessariamente os dirigentes. O líder do futuro precisa ter um conjunto de características que possa torná-lo ao mesmo tempo aprendiz e agente de cultura na organização.

13. Diferença entre líder e chefe

Líder e chefe não se confundem, há uma grande distinção entre eles. O chefe influi nos atos das pessoas e por via deles, ás vezes influi também nas idéias. O líder influi nas idéias das pessoas e por via delas influi às vezes nos atos.

O chefe é sempre consciente de sua atitude; o líder pode não saber que está modificando personalidades. Nem todo chefe é líder e vice-versa. O chefe destina-se a administrar, comandar; o líder destina-se a catequizar, conquistar.

Admiração – o líder tem que possuir a admiração da massa sobre a qual vai agir; é daí que decorre sua autoridade sobre ela. A força de um líder reside unicamente no prestígio, no respeito que lhe tributam, nenhum líder pode impor; a XXX é instrumento de chefia, não de liderança, um líder persuade, sugere, insinua.

Aptidão – o líder como o chefe, precisa de atributos naturais, ninguém poderia chefiar nem liderar sem possuir um número indispensável de qualidades inatas.

Normas – quando o líder tem contato direto com a coletividade, torna-se necessário que ele seja um exemplo das idéias e teorias que defende. A autoridade do líder decorre da firmeza de suas convicções.

A força do líder está no talento, na coragem das atitudes, na simpatia irradiante, Ele tem de estar em relação com o grupo sobre o qual vai agir, todo líder deve conhecer experimentalmente a psicologia dos indivíduos de seu grupo.

Moral – A liderança como a chefia, nada tem a ver com a moral das atividades. Um grande líder, como um grande chefe, pode exercer atividades lícitas ou ilícitas, morais ou não. Influindo sobre os indivíduos o líder molda caracteres de forma que lhe é possível conduzir esses indivíduos para o objetivo que busca, seja qual for.

14. CONCLUSÃO

As organizações estão descobrindo o erro que é valorizar excessivamente o paternalismo nas relações do trabalho. A dependência para pensar e agir, por parte das pessoas, gerou empresas pouco ou nada criativas. Alguns dos resultados desse comportamento são a estagnação, o medo das mudanças, de correr riscos e até da aprendizagem.

Hoje em dia as pessoas estão buscando qualidade de vida pessoal e no trabalho, mas ainda não têm controle das ações que levam a esse fim.

Tempos diferentes exigem pessoas diferentes. Acima de tudo o Líder deve ser um ser humano que entende a empresa como a integração de seres humanos, os quais, com qualidades e defeitos inerentes à sua própria estrutura, se juntam para levar adiante um empreendimento que agregue valor à humanidade e ao universo.

Embora as pesquisas não tenham identificado todas as contingências em situações de liderança, é cada vez mais evidente que não há um estilo de liderança que seja mais eficaz em todas as situações.

15. REFERÊNCIAS

CHIAVENATO, Idalberto. Teoria Geral da Administração, São Paulo, Marron Bocks do Brasil, 1998

ADAIR, J. Liderança para o sucesso: deixe de ser chefe para se tornar líder. São Paulo, Nobel, 1992.

DRUCKER, P. O líder do futuro- visões, estratégias e práticas para uma nova era. Ed. Futura.

LANZARINI, E. Especialização em contabilidade, Universidade Federal do Paraná.- Setor de Ciências sociais aplicadas. – 2001.

MAGALHÃES, C. Técnica da chefia e do comando. 8ª ed. Ministério do Planejamento e Coordenação geral.

MOSCOVI, F. Desenvolvimento interpessoal. 3ª ed. Rio de Janeiro, S.A., 1985.

Administração da Qualidade

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Nos últimos anos, o conceito de qualidade ganhou grande destaque, movidos ao desejo que as empresas sempre têm que é a de fornecer produtos e serviços de boa qualidade para os seus clientes, tanto internos quanto externos, buscando, com isso, sempre maximizar os lucros. Tendo consciência da importância desse tema, não foi difícil escolhê-Io como assunto para o estudo que será apresentado a seguir.

A metodologia utilizada no estudo em questão é baseada em pesquisas bibliográficas e tem como objetivo principal a de fornecer um estudo sobre os fundamentos que sustentam o movimento da qualidade.

1. INTRODUÇÃO

O conceito de qualidade vem ganhando grande destaque nos últimos anos, principalmente a partir da década de 1980.

Em seu início, a qualidade servia como um diferencial competitivo, o garantia uma fatia do mercado para as empresas que a possuíam. Hoje, porém, ela deixou de ser um diferencial e passou a ser uma exigência de entrada e permanência no mercado.

A administração da qualidade não é um conceito novo, mas uma filosofia gerencial que influencia a maneira de conduzir negócios, na qual tornou-se o fundamento e a força propulsora em praticamente todos os setores de negócios em diversos países, assim como em muitos órgãos públicos.

Para alguns setores, como o mercado, mais especificamente os clientes, em sua maioria: externos, exige que esta Qualidade seja comprovada, através de certificação. Surgindo assim, as normas de certificação de qualidade, como uma “garantia” de que o produto e/ou serviço está em conformidade com as especificações exigidas.

2. O SURGIMENTO DO MOVIMENTO DA QUALIDADE

A preocupação com a qualidade na administração moderna nasceu para resolver o problema da uniformidade na produção em massa, que utilizava e produzia grandes quantidades de peças virtualmente idênticas.

A idéia era a de inspecionar a saída de um processo de produção dos demais.

Depois do surgimento desse conceito, inúmeras mudanças ocorreram. Grandes estudiosos e empresários trabalharam em cima do conceito citado acima e indicaram possibilidades de melhores alternativas para que isto fosse mudado. Talvez a simples separação dos produtos bons ou maus, não fosse o método mais adequado de garantir um produto de qualidade.

Segundo Juran (1997), o século XX, foi o século marcado pela produtividade, estando interligada com a qualidade. A produtividade recebeu impulso com o movimento da administração científica idealizado por Taylor, que mudou a maneira de produzir. Os estudos de Taylor eram baseados na: especialização do trabalhador; padronização do trabalho e ferramentas; divisão do trabalho, entre outros. A adoção destas técnicas permitiu um salto na produtividade das empresas.

Porém, o mesmo salto não foi acompanhado pela qualidade, que passou para um segundo plano.

A partir daí surgiram personagens importantes como Deming, Juran e Shewhart, entre outros, e a idéia da qualidade passou por estágios e chegou à administração da qualidade total.

2.1 CONCEITUANDO A QUALIDADE

Todas as pessoas em seu íntimo têm o seu próprio conceito sobre a qualidade uma vez que esta palavra qualidade faz parte do cotidiano de todos e desempenha importante papel em todos os tipos de organizações e em vários aspectos da vida das pessoas.

De acordo com o Dicionário Aurélio, qualidade significa “propriedade, atributo ou condição das coisas ou das pessoas capaz de distingui-Ias das outras e de Ihes determinar a natureza”.

O Conceito de controle de qualidade, como disciplina, teve origem nos Estados Unidos na década de 1920. Naquela época, destinava-se meramente a controlar ou limitar a produção de itens defeituosos nos processos industriais.

Engenheiros e industriais, do início do século XX, acreditavam que qualidade era sinônimo de uniformidade ou padronização. Para Maximiano (2002), a qualidade envolve alguns atributos, entre eles:

Excelência: significando o melhor que se pode fazer o padrão mais elevado de desempenho em qualquer campo de atuação;

Especificações: Qualidade planejada. Projeto do produto ou serviço. Definição de como o produto ou serviço deve ser.

Conformidade: Grau de identidade entre o produto ou serviço e suas especificações.

Regularidade: Uniformidade. Produtos ou serviços idênticos.

Adequação ao uso: Qualidade de projeto e ausência de deficiências.

Todos estes atributos fazem parte da Qualidade, mas todos são relativos, pois vão depender do cliente. Por exemplo, o que é adequado e o que é qualidade para determinado cliente, pode não ser para outro.

Apesar de que estes atributos fazem parte da qualidade, não podemos esquecer que todos se tornam relativos, por depender do cliente, se olhar-mos do princípio do que é adequado e o que é qualidade para determinado cliente, não pode ser para um outro cliente.

O enfoque moderno da qualidade: é aquela que é definida a partir das necessidades e do interesse do cliente. É a visão defendida e propagada por Deming. Neste caso, a questão da excelência, das especificações, conformidade, etc., todos continuam válidos, porém sob a perspectiva do cliente.

2.2 DA INSPEÇÃO Á ADMINISTRAÇÃO ESTRATÉGICA DA QUALIDADE

A qualidade passou por vários estágios ou etapas até chegar à qualidade como função sistêmica da empresa como um todo. No início, acreditava-se que a inspeção do produto final produzia qualidade. Na verdade, a inspeção produzia refugos e retrabalhos. Muitas vezes, a qualidade era garantida, pois os produtos com defeitos poderiam ser descartados internamente, não chegando ao conhecimento do cliente.

Porém, este procedimento não produzia qualidade. As várias etapas percorridas pelo Movimento da qualidade são: Inspeção, Controle Estatístico do Processo, Qualidade Total.

2.2.1 Inspeção

Esta é a primeira preocupação em relação à qualidade, que consistia em separar o produto bom do produto defeituoso através da observação direta. A finalidade desta prática é encontrar o produto, já pronto, que melhor atenda as necessidades e interesses do cliente.

Nas grandes empresas que surgiram no século XX, o supervisor de produção era substituído pelo inspetor da qualidade, que era desvinculado hierárquica e funcionalmente do supervisor, para ser assim independente no julgamento sobre a qualidade dos produtos. Mais tarde, foram criados os departamentos de controle da qualidade, desvinculados dos departamentos de produção, com o mesmo intuito.

2.2.2 Controle Estatístico do Processo

Com a produção em massa, tomou-se impossível para determinados tipos de produtos a inspeção “um a um”. Surgia, então, o Controle Estatístico; que cuja função básica é a de padronizar a produção de forma a se evitar a variabilidade. Variações estas que comprometiam o sistema de qualidade visto que alguns produtos deverão ser trabalhados ou simplesmente sucateados.

De acordo com Silva (2001), o controle do processo foi iniciado por Shewhart, o qual observou que era difícil fabricar duas peças precisamente iguais, devido a diversas variações, como: matérias-primas, habilidade dos operadores e maquinários.

Em 1924, Shewhart elaborou o primeiro rascunho do que viria a ser conhecido como carta de controle.

2.2.3 Qualidade Total

Nessa fase, os produtos e serviços passam a ser definidos com base nos interesses dos clientes. Além disso; a observação passa a ser realizada durante o processo produtivo, melhorando a qualidade final do produto ou serviço ofertado. Assim, a qualidade é garantida do fornecedor ao cliente.

A responsabilidade pela qualidade começa pela alta administração e mesmo que se tenha um departamento responsável, como proposto por Feigenbaum, ela é de responsabilidade de todos.

Uma das formas de gerenciamento da qualidade, proposta por Deming, é a corrente de clientes. Segundo o dicionário de Webster cliente é “aquele que compra um bem ou serviço”. Na corrente de clientes, todos dentro de um processo produtivo são ora fornecedores e ora clientes. O cliente exige a qualidade de seu fornecedor (no caso interno) e o fornecedor também faz papel de cliente ao receber o produto de seu fornecedor.

Desta forma, todos são responsáveis pela qualidade e os defeitos poderão ser observados em sua fase inicial.

A qualidade dos produtos, para Feigenbaum, citado por Maximiano (2002, p.188) envolve todo o ciclo industrial, que são:

Marketing: estuda o que o cliente quer e quanto irá pagar;

Engenharia: os procedimentos representam as vontades e desejos do cliente;

Suprimentos: atenção especial aos fornecedores de peças e materiais;

Engenharia de processo: escolha de todos os instrumentos necessários ao processo produtivo;

Produção: os envolvidos têm responsabilidades importantes pela qualidade durante a fabricação;

Inspeção e testes: verificam se o produto obedece às especificações;

Expedição: responsável pela embalagem e transporte;

Instalação e assistência técnica: se corretas, ajudam a garantir o bom funcionamento do produto.

encontra-se um resumo dos estágios da qualidade e suas principais características:

veremos visão ocidental e a visão japonesa na relação das percepções em relação da administração da qualidade.

Quadro 1: Estágios da Qualidade

Fonte: adaptado de Silva, 2001, p. 448.

Percebe-se que a fase exigida das organizações atuais é a da Administração Estratégica, pois parte das necessidades e expectativas do mercado consumidor envolvem todos na empresa, principalmente a alta administração.

Quadro 2: Percepções Ocidentais e Japonesas


2.3 MELHORIA CONTÍNUA

Basicamente a melhoria contínua consiste na implementação de políticas em busca da qualidade. Vários índices devem ser analisados para medir o item qualidade: produção de um processo de fabricação, satisfação do cliente, número de erros e falhas no produto final, percentual de devoluções durante o prazo de garantia ou inúmeros outros fatores.

A estratégia ou plano de melhoria contínua deve abranger todas as áreas envolvidas no processo, seja produção ou prestação de serviços.

O seu processo consiste em uma série de atividades realizadas por seres humanos ou por equipamentos com o objetivo de obter um produto (bem ou serviço). O objetivo da melhoria contínua é aperfeiçoar o processo de forma que a satisfação do cliente aumente a custos decrescentes.

2.4 CUSTOS ENVOLVIDOS NUM SISTEMA DE QUALIDADE

A manutenção de um sistema de qualidade envolve custos para a organização. Estes custos podem ser classificados em dois grupos: custos da qualidade e custos da não-qualidade.

2.4.1 Custos da Qualidade

São os custos necessários para manter funcionando o sistema de qualidade e evitar os custos da não-qualidade, fazendo com que a qualidade dos produtos e serviços seja alcançada e mantida. Sendo divididos em:

Custos de falha: é aquele gerado para correção de produtos ou serviços fora de especificação;

Custo de avaliação: relacionado com a inspeção no produto final para detectar presença de itens defeituosos;

Custo de prevenção: eminente das ações preventivas de defeitos. Para esta área deveria ser aplicada a maior parte dos recursos, mas na prática isto não ocorre. Prevenir defeitos em produtos ou serviços gera um custo excepcionalmente inferior às outras duas formas.

2.4.2 Custos da Não-Qualidade

São os custos gerados pela falha da empresa em cumprir especificações, acarretando prejuízos tanto ao cliente quanto á organização. Também se dividem em dois grupos: custos internos dos defeitos (custos dos defeitos identificados antes dos bens e serviços serem entregues) e custos externos dos defeitos (custos dos defeitos que ocorrem após a chegada do bem ou serviço ao cliente). A redução desses custos se faz com a adequação ao uso, implicando em maior eficiência dos recursos produtivos.

Silva (2001, p. 466) não faz uso da classificação em custos da qualidade e custos da não-qualidade. “Esses custos são classificados em quatro categorias: custos de avaliação, de prevenção, de falhas internas e de falhas externas” (SIL V A, 2001, p. 466). Os custos de avaliação e de prevenção referem-se aos custos da qualidade; já os custos de falhas internas e externas referem-se aos custos da não-qualidade.

2.5 IMPLEMENTANDO UM SISTEMA DE QUALIDADE

Para a adoção de um sistema de qualidade dentro de uma organização, é necessário o envolvimento da alta administração. De acordo com Scholtes (1998), a qualidade requer seis princípios básicos, a seguir:

Concentrar-se no cliente externo: entender as necessidades do cliente e procurar satisfazê-Ia oferecendo um bem ou serviço que o satisfaça;

Entender e administrar os sistemas: a empresa faz parte de um sistema, e entender esse sistema é uma das competências exigidas dos administradores;

Entender as pessoas: enxergar as pessoas com profundidade, não se limitando a uma visão superficial delas; é o que se espera do novo líder:

Entender e utilizar os dados: desenvolver o pensamento em termos estatísticos é uma das novas competências dos líderes;

Ter direção e foco: saber explorar as prioridades;

Saber melhorar: a melhoria é o impulso da qualidade e precisa ser melhor;

Sob este enfoque, a qualidade é abrangente e envolve não apenas a empresa internamente, mas, sobretudo, as necessidades do mercado que são expressas através das necessidades dos clientes.

2.5.1.SOLUÇÃO DE PROBLEMAS

Qualquer organização pode deparar-se com problemas inesperados que afetam seu produto ou serviço mesmo que nela existam programas de qualidade que visam sempre à perfeição.

Existem formas aparentemente óbvia ou banal, mas que são fundamentais para agir sobre tais situações inesperadas. É o processo de solução de problemas.

Este processo é composto de quatro fases seqüenciais:

Identificação do problema: aparentemente ação de simples execução, mas representa grande importância. Identificar um problema não é apenas informar que algo fugiu do controle ocasionando algum transtorno, mas compreende um estudo minucioso da situação emitindo o máximo de informações possíveis;

A causa do problema: nesta fase é detectada a origem que ocasionou o problema. Esse estudo facilita e agiliza ações corretivas, pois estas serão direcionadas às raízes do distúrbio. É comum a utilização de “brainstorming” (tempestade cerebral);

Definir as soluções potenciais: estudar as soluções apresentadas é a característica principal desta fase. Para um único problema existem várias soluções. São necessários estudos detalhados para apresentar os resultados que cada uma pode oferecer;

Definir a solução mais apropriada: a última etapa deste processo que consiste em adotar a melhor solução encontrada para sanar os problemas. Exige muita habilidade, pois qualquer precipitação poderá ocorrer na escolha de soluções deficientes que amenizarão os problemas no presente momento, mas poderão gerar efeitos colaterais no futuro.

2.5.2. Ciclo PDCA

Outra ferramenta utilizada para solução de problemas é o Ciclo PDCA que é composto de quatro estágios:

Planejar (P): Começa com um estudo da situação atual, na qual fatos são juntados a fim de serem utilizados para formular um plano para solução de problema;

Executa (E): Uma vez finalizado um plano, vem o trabalho da implementação;

Verificar (V): Verificar os resultados comparando com o plano. Implementando as conclusões e verificando se eles realmente resolveram o problema;

Agir (A): Se um resultado desvia-se da expectativa, descobrir e remover a causa.

O ciclo de solução de problema com base do PDCA funciona da seguinte maneira:

Quadro 3: Ciclo do PDCA

2.5.3. As Normas ISO

Muitos clientes, principalmente em mercados internacionais, passaram a exigir que seus fornecedores comprovassem a qualidade de seus produtos. No início, os grandes compradores enviavam seus “auditores” nas empresas para verificar a qualidade. Realizavam a inspeção na fábrica e somente compravam aquelas peças com qualidade comprovada e aceita por eles.

Cada comprador possui o seu manual com as exigências, especificações e pré¬-requisitos. Com o tempo, este sistema passou a ser inviável, principalmente pelas localizações físicas, muitas vezes distantes entre compradores e clientes.

Assim, surgiram as Normas de Certificação, que, em parte, realizam a função inicial dos primeiros auditores: garantem a qualidade exigida pelos clientes.

Desta forma, em 1947 foi criada a ISO (/nternational Organization for Standartization), uma organização internacional, privada e sem fins lucrativos, com sede em Genebra, na Suíça.

Em 1987, a ISO colocou em vigor seus propósitos manuais de avaliar o sistema de qualidade, denominados Normas ISO série 9000, um conjunto de normas nacionais já existentes e que regulamentavam relações entre fornecedores e compradores. Essas normas eram adotadas especialmente na Europa para credenciar fornecedores internacionais. Vários países começaram a adotar especificações de normas de qualificação de fornecedores de outros países, como forma de garantir a qualidade dos produtos importados.

A inspeção da adoção das Normas ISO é feita por empresas e escritórios internacionais de auditoria, que são contratadas e fornecem os certificados de conformidade. A ação destas empresas e escritórios é de natureza própria, pois a ISO não credencia terceiros para agir em seu nome.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A qualidade é considerada, no atual contexto, uma condição para que organizações possam estar inseridas no mercado. No início, ela era considerada um diferencial competitivo. Aos poucos, foi se tomando uma exigência e, hoje, uma condição.

A qualidade passou por várias fases: inspeção, controle estatístico e qualidade total. A inspeção não produz qualidade, ela descarta os produtos defeituosos. A qualidade total deve ser sistêmica e envolver todas as fases do processo produtivo. Desta forma, os defeitos podem ser corrigidos e se produz com qualidade.

Este trabalho procurou mostrar os principais elementos que envolvem um sistema de qualidade. Diante disso, destacam-se os seguintes pontos:

– Envolvimento da alta administração;

– A qualidade envolve custos e estes podem ser agrupados em: custos da qualidade e custos da não-qualidade;

– A qualidade quem define é o cliente;

– A qualidade parte das necessidades dos clientes, que são expressas através das especificações exigi das;

– Os fornecedores passam a ser parceiros e co-responsáveis pela qualidade.

– Uma empresa pode ter um sistema de qualidade, sem, no entanto, possuir certificação. A certificação é uma exigência cada vez mais comum, principalmente nas negociações no mercado internacional.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

JURAN, Joseph. Qualidade no Século XXI: prognósticos para o futuro da qualidade e uma análise de sua história no século XX, marcado pela busca da produtividade. Revista HSM, Jul./Ago. 1997.

MAXlM1NIANO, Antonio César Acaro. Teoria Geral da Administração. 3. ed., São Paulo: Atlas, 2002.

SCHOLTES, Peter R. O verdadeiro TQM. ln: O que será da qualidade? Revista HSM, Jan./Fev. 1998.

Berk, Joseph & Susan. Administração da Qualidade Total: O Aperfeiçoamento Contínuo: Teoria & Prática. Tradução de Cláudia Azevedo. Revisão Técnica de Antenor Braga Pereira. São Paulo: IBRASA – Instituição Brasileira de Difusão Cultural Ltda, 1997. 285 p.

CARAVANTES, Geraldo R.; CARAVANTES, Cláudia; BJUR, Wesley. Administração e Qualidade: A Superação dos Desafios. São Paulo: Makron Books do Brasil Editora Ltda, 1997. 207 p.

COSTA, Crespo Marques Rosane; PENA, Solange Mara do Nascimento; BOSCHI, Celisa Mirtes. Como praticar 5S na escola. Belo Horizonte: UFMG, Escola de Engenharia, Fundação Christiano Ottoni, 1996. 147 p.

HARRINGTON, James H. Gerenciamento Total da Melhoria Contínua. 2a Ed.São Paulo: MAKRON Books do Brasil Editora Ltda. 494 p.

Benchmarking

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O benchmarking sempre existiu, mas somente na década de 70 que ele começou a adquirir essa nomenclatura, desde o começo do comércio a pratica de copiar o que o concorrente faz de diferente e aprimorá-las sempre foi usada.

Ele é uma forma de administrar que pode melhorar os vínculos entre a organização e seu ambiente, pois uma administração eficaz requer uma sondagem ambiental em busca de novas oportunidades.

Essa sondagem ambiental e necessária para se descobrir tendências emergentes que podem ser benéficas para a empresa, através de coleta de informações básicas de seus concorrentes para saber como eles estão no mercado e descobrir seus pontos fortes e fracos para se desenvolver estratégias dentro da empresa.

Ao comparar produtos, serviços ou estratégias empresariais com os das empresas lideres no mercado podemos ter uma idéia do que está ocorrendo dentro de nossa empresa e se nossa política de funcionamento estiver muito diferente das utilizadas por elas de modo que ocorre perda de clientes, devemos nos moldar e seguir o exemplo das lideres para que a empresa não fique para trás.

O benchmarking precisa atender um conjunto definido de critérios como comparabilidade, objetividade, adaptabilidade e continuidade, depois de atendidos esses critérios deve-se comparar as semelhanças para que a analise possa ir em frente.

A meta do Benchmarking e a eliminação dos processos que estão prejudicando a empresa ou gastando recursos desnecessários e através da pratica de comparar através de algum parâmetro mensurável, o desempenho de uma operação fundamental da empresa com uma operação semelhante em empresas lideres.

GESTÃO DE CONHECIMENTO

Uma nova tendência mundial chegou à década de 90 e está até os dias atuais e pelo jeito vai se estender por muito tempo ainda, essa nova ordem e baseada no conhecimento e na inovação e isso será um fator estratégico para a sobrevivência e o crescimento das organizações.

Qualificar profissionais no trato da informação empresarial está sendo fundamental para o sucesso das empresas modernas e inovadoras, dessa forma elas conseguem ficar a frente de suas concorrentes, que no mundo globalizado mudam com muita freqüência.

Como o programa de gestão de conhecimento contempla o diagnósticos de processos contábeis, financeiros, produtivos e de logísticas entre outros, com isso e proposto a consolidação de novos modelos de negócios que com isso promovem a excelência do processo decisório.

O foco no conhecimento pode ser utilizado tanto por empresas de pequeno, médio ou grande porte com ou sem fins lucrativos, isso permite que todos os níveis da economia, desde o individuo até a sociedade compartilhem o mesmo objetivo.

A crescente internacionalização dos mercados e das economias tem produzido efeitos surpreendentes em muitos âmbitos, um dos quais o acirramento da concorrência e a necessidade de se perseguir vantagens competitivas sustentáveis. Daí a vantagem de as empresas que querem continuar fortes e competitivas no mercado aderir a essa nova era que é a gestão de conhecimento.

REENGENHARIA

A reengenharia é um método de gestão empresarial que pretende incorporar de forma consciente e intencional as vantagens trazidas pela tecnologia da informação. Pretende assim romper com que está estabelecido na administração do trabalho e que é fruto das experiências da revolução industrial.

Em suma, a empresa tem que se balizar pelas modificações do ambiente que provoca com sua atuação. O que interessa é o que a empresa produz fora dela. A sua eficácia está na transformação que provoca nos outros: ambiente, políticas, mercado, cliente, fornecedores, concorrentes etc.

O detalhamento dos processos seguirá sempre a mesma lógica: que atividades devem ser realizadas para se obter a consecução dos resultados externos, que conhecimentos devem estar presentes, que informações devem estar disponibilizadas, que tipos ou naturezas de equipes devem ser compostas para responder por cada uma das atividades, como elas se relacionam, partilham informação e decisão, até a escolha das pessoas para compor as equipes.

A idéia é a da responsabilidade por resultados completos, nenhuma equipe terá que cumprir tarefas, mas sim comprometer-se com a consecução de um dado resultado. É como numa corrida de revezamento, só se passa o bastão quando um resultado completo já foi obtido.

Os elementos para a formulação de políticas de conquista ou atendimento de segmentos de mercado devem estar visíveis ao final das etapas, as facilidades ou dificuldades em cada um dos segmentos, bem como aliados e concorrentes em cada um dos segmentos. Não há nunca uma única política quando se quer lidar com diversos segmentos de mercado.

Literatura – Pré Modernismo

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Pré-Modernismo (fim séc. XIX e início XX).

Esta época apresenta, na literatura, um entrecruzar de várias correntes estéticas. Por um lado, tem-se a queda da proposta realista-naturalista-parnasiana, e de outro uma afirmação da poesia simbolista. Na mesma época, então, vai surgir uma prosa de ficção que, ligada à tradição realista, vai revelar criticamente as tensões da sociedade brasileira. Não pode ser considerada uma escola literária, mas sim um período literário de transição para o Modernismo.

Referências históricas

– Bahia – Rev. de Canudos

– Nordeste – Ciclo do Cangaço

– Ceará – milagres de Padre Cícero gerando clima de histeria fanático-religiosa

– Amazônia – Ciclo da Borracha

– Rio de Janeiro – Revolta da Chibata (1910)

– revolta contra a vacina obrigatória (varíola) – Oswaldo Cruz

– república do café-com-leite (grandes proprietários rurais)

– imigrantes, notadamente os italianos

– surto de urbanização de SP – greves gerais de operários (1917)

– contrastes da realidade brasileira – Sudeste em prosperidade e Nordeste na miséria

– Europa prepara-se para a 1ª GM – tempo de incertezas

Características:

Na prosa, tem-se Euclides da Cunha, Graça Aranha, Lima Barreto e Monteiro Lobato que se posicionam diante dos problemas sociais e culturais, criticando o Brasil arcaico e negando o academicismo dominante. Na poesia, Augusto dos Anjos modifica o Simbolismo, injetando-lhe traços expressionistas e revelando uma visão escatológica (cenas de fim do mundo) da vida.Quanto às características, percebe-se um individualismo muito forte, ainda assim pode-se destacar alguns pontos de aproximação desses autores.

– ruptura com o passado, principalmente em Augusto dos Anjos que afronta a poesia parnasiana ainda em vigor

– denúncia da realidade brasileira, mostrando o Brasil não oficial do sertão, dos caboclos e dos subúrbios

– regionalismo N e NE com Euclides; Vale do Paraíba e interior paulista com Lobato; ES com Graça Aranha e subúrbio carioca com Lima Barreto

– tipos humanos marginalizados (sertanejo, nordestino, mulato, caipira, funcionário público)

– apresentação crítica do real na ficção

Autores:

Euclides da Cunha (1866/1909)

Exerceu a função de engenheiro civil no meio militar. Foi membro da ABL, do Instituto Histórico e catedrático em Lógica pelo Colégio Dom Pedro II. Viajou muito e escreveu Os Sertões pela experiência própria de ter testemunhado a Guerra de Canudos como correspondente jornalístico. Envolvido num grande escândalo familiar, foi assassinado em duelo pelo amante da esposa.Positivista, florianista e determinista, é seu estilo pessoal e inconformismo caracterizam-no como um pré-modernista. Foi o primeiro escritor brasileiro a diagnosticar o subdesenvolvimento do país, diagnosticando os 2 Brasis (litoral e sertão).

Obras principais:

– Os Sertões (1902)

– Contrastes e Confrontos (1906)

– Peru Versus Bolívia (1907)

– Castro Alves e seu Tempo (1908)

– À Margem da História (1909)

– Canudos: Diário de uma Expedição (1939)

Lima Barreto (1881/1922)

Nascido de pai português e mãe escrava, era mulato e pobre. Afilhado do Visconde do Ouro Preto, conseguiu estudar e ingressar aos 15 anos na Escola Politécnica. Lá sofreu toda sorte de humilhações e preconceitos e, quando estava no 3º ano, teve de trabalhar e sustentar a família, pois o pai enlouquecera.

Presta concurso para escriturário no Ministério da Guerra, permanecendo nessa modesta função até aposentar-se.Socialista influenciado por autores russos, Lima Barreto vive intensamente as contradições do início do século, torna-se alcoólatra e passa por profundas crises depressivas, sendo internado por duas vezes. Em todos os seus romances, percebe-se traço autobiográfico, principalmente através de personagens negros ou mestiços que sofrem preconceitos. Mostra um perfeito retrato do subúrbio carioca, criticando a miséria das favelas e dos cortiços.

Posiciona-se contra o nacionalismo ufanista, a educação recebida pelas mulheres, voltada para o casamento, e a República com seu exagerado militarismo. Utiliza-se da alta sociedade para desmascará-la, desmistificá-la em sua banalidade. Seus personagens são humildes funcionários públicos, alcoólatras e miseráveis.. Sua linguagem é jornalística e até panfletária.Triste Fim de Policarpo Quaresma é a obra que lhe garante notoriedade. Antes de falir, o editor Monteiro Lobato publica Vida e Morte de M. J. Gonzaga de Sá e, pela primeira vez, Barreto é bem pago por algum original.

Obras principais:

– Romance:

– Recordações do Escrivão Isaías Camnha (tematiza preconceito racial e crítica ao jornalismo carioca – 1909)

– Triste Fim de Policarpo Quaresma (inicialmente publicado em folhetins – 1915)

– Numa e Ninfa (1915)

– Vida e Morte de M. J. Gonzaga e Sá (1919)

– Clara dos Anjos (1948)

– Conto:

– História e Sonhos (1956)

– Sátira Política e Literária:

– Os Bruzundangas (1923)

– Coisas do Reino do Jambon (1956)

– Humorismo:

– Aventuras do Dr. Bogoloff (1912)

– Artigos e Crônicas:

– Feiras e Mafuás (1956)

– Bagatelas (1956)

– Crônicas sobre Folclore Urbano:

– Matginália (1956)

– Vida Urbana (1956)

– Memórias:

– Diário Íntimo (1956)

– Cemitério dos Vivos (1956)

Monteiro Lobato (1882/1948)

Homem de diversas atividades (escritor, editor, relojoeiro, fazendeiro, promotor, industrial, comerciante, professor, adido comercial etc.). Tem por formação Direito e participa de grupos e jornais literários, entre eles o Minarete.Torna-se editor com a instalação da Editora Monteiro Lobato, que traz grandes inovações para o mercado editorial brasileiro. Ainda assim, Lobato acaba falido. No ano de 1925, funda a Companhia Editora Nacional e começa a escrever sua vasta obra de literatura infantil. Isso se dá por decepção com o mundo adulto, por isso começa a investir no futuro do Brasil. Em 1917, publica, no jornal O Estado de São Paulo, o artigo contra a pintora Anita Malfatti (estopim do Modernismo).

A Propósito da Exposição Malfatti, expressa uma postura agressiva contra as novas tendências artísticas do século XX, que resultará no seu desligamento dos principais participantes da Semana de Arte Moderna de 1922. Sua crítica acalorada se dá porque ele não admitia a submissão da cultura brasileira às idéias européias, daí ser chamado de Policarpo Lobato.Faz campanhas nacionais favor da exploração das riquezas do subsolo: petróleo e minérios. Funda a Companhia de Petróleo do Brasil, acreditando no nosso desenvolvimento e denunciando o monopólio internacional. Aproxima-se das idéias do Partido Comunista Brasileiro.

Controvertido, ativo e participante, Lobato defende a modernização do Brasil nos moldes capitalistas. Faz uma crítica fecunda ao Brasil rural e pouco desenvolvido, como no Jeca Tatu (estereótipo do caboclo abandonado pelas autoridades governamentais) do livro Urupês. Curioso é que, na quarta edição de Urupês, o autor, no prefácio, pede desculpas ao homem do interior, enfatizando suas doenças e dificuldades.

Obras principais:

– Contos:

– Urupês (1919)

– Idéias de Jeca Tatu (1918)

– Cidades Mortas (1919)

– Negrinha (1920)

– Mundo da Lua (1923)

– O Macaco que se Fez Homem (1923)

– O Choque das Raças ou O Presidente Negro (1926)

– Jornalismo:

– A Onda Verde (1921)

– Problema Vital (1946)

– Epistolografia e crítica:

– Mr. Slang e o Brasil (1929)

– Ferro (1931)

– América (1932)

– Na Antevéspera (1932)

– O Escândalo do Petróleo (1936)

– A Barca de Gleyre (1944)

– Literatura Infantil:

– Reinações de Narizinho

– Viagem ao Céu

– O Saci

– Caçadas de Pedrinho

– Hans Staden

– Histórias do Mundo para Crianças

– Memórias de Emília

– Peter Pan

– Emília no País da Gramática

– Aritmética de Emília

– Geografia de Dona Benta

– Serões de Dona Benta

– História das Invenções

– D. Quixote para as Crianças

– O Poço do Visconde

– Histórias de Tia Nastácia

– O Pica-pau Amarelo

– A Reforma da Natureza

– O Minotauro

– Fábulas:

– Os Doze Trabalhos de Hércules

– O Marquês de Rabicó