Moda e Masculinidade

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SUMÁRIO

Introdução
Moda de Macho
Os Sambas e as Roupas
Anos 60-70: Contracultura e Androginia
Considerações Finais: Algo Mudou?
Referências Bibliográficas

INTRODUÇÃO

O texto, Onde você comprou essa roupa tem para homem?, de José Luiz Dutra, forneceu-me as informações iniciais para melhor compreender a relação entre a masculinidade e a moda. E para o desenvolvimento deste estudo, consultei autores clássicos como Gilberto Freyre, estudiosos do fenômeno da moda, como Anne Hollander e Alison Lurie e artigos extraídos da Internet. Além disso, foram escolhidos trechos de letras de músicas que marcaram época e que falam sobre o comportamento do homem e sobre sua roupa, tais letras estão acompanhadas de um sucinto comentário.

O trabalho foi dividido em quatro capítulos: Moda de Macho, cujas questões são: existe uma moda de macho e como seria; Os Sambas e as Roupas, uma breve análise de trechos de sambas antigos que falam sobre uma roupa masculina; Anos 60-70: contracultura e androginia; trata de algumas modificações nos padrões de comportamento e na moda masculina. Encerrando o artigo estão as Considerações Finais – Algo mudou?

MODA DE MACHO

Invenções ocorrem. Mas muito afetadas pelo que pode ser apresentado como condicionamentos, em conseqüência de modificações ou de modernizações gerais de ritmos de vida e de novas relações gerais entre seres humanos, conforme sexos, gerações, condições socioeconômicas. (…) exigindo vestidos, sapatos, penteados, adorno de mulher e de homem adaptados a essas novas condições gerais (FREYRE, 23: 1997).

O ritmo de vida é moderno: tecnologia, rapidez, diversidade, mas e as relações humanas… Vê-se aqui e ali, a emersão de novas atitudes e questionamentos sobre assuntos tabus: sexualidade, preconceitos, ecologia, trabalho escravo, cidadania…

Poderíamos afirmar que essas modificações fizeram surgir um novo homem ocidental ou novas tribos constituídas por alguns novos homens?

Parte-se do pressuposto que essa mudança poderia ser refletida nas roupas masculinas e na atitude do homem frente à moda, quer dizer, que a moda deixasse de ser uma coisa de mulher para tornar-se sistema de ambos os sexos.

Desde o nascimento, o bebê é apresentado à distinção de sexos segundo cores, brinquedos, formas e desenhos. Segundo Alison Lurie, o rosa, cor de menina, significa o sentimento, já a cor do menino, o azul, simboliza o serviço (227: 1997). Nota-se assim um controle das sensações e das emoções que a cada um dos sexos é permitido sentir. As modelagens das roupas dos bebês também diferem em relação ao sexo apesar da pouca diferença entre seus corpos: as roupas dos garotos são mais largas nos ombros e das meninas, nos quadris, antecipando seus corpos quando adultos (LURIE, 227: 1997).

Essas diferenciações acompanham-nos ao longo da vida: o vestuário masculino é mais sóbrio, feito com tecidos pesados, cortes retos, camisas e calças fecham à direita; ao passo que o feminino possui cores variadas, estampas e tecidos diversos, babados, laços, rendas e fecha à esquerda, só para citar algumas características.

Editam-se diversos guias de moda masculina. Revistas voltadas ao gênero ensinam o homem a se vestir, procurando facilitar as escolhas nesse assunto que lhe é pouco familiar:

Embora as mudanças de estilo no mundo da moda masculina não sejam tão dramáticas, nem tão freqüentes (…), a escolha da roupa adequada para o homem pode ser um assunto confuso. Se um homem preocupa-se com sua aparência, e deve ter tal preocupação, ele pode se ver pego por uma assustadora combinação de cores, padrões, estilos, designs, tecidos e cortes (PLAYBOY, n 2: 39. Apud: Conekin, 89: 2002).

Ao universo feminino ocidental estão associados a preocupação com cabelos, cremes e roupas, podendo até ser repreendida a mulher que não é interessada nesses aspectos, rotulada como desleixada ou esquisita. Já para o homem, gozar da sua condição de macho pode significar o desapego à moda, quando o faz deve se policiar. Assim ele deve tomar cuidado com cores, formas e estampas, seus acessórios são de homem – fortes, robustos, de aspectos pesados e, por vezes, fálicos – e os cremes, atualmente permitidos, são para homem, como ressalta Marko Monteiro ao estudar revistas masculinas: (…) o leitor da VIP pode e deve se preocupar com a aparência, mas (…) usar cremes “de macho” e perfumes “de macho”. Isso porque toda a preocupação, (…), é tornar o homem mais atraente para as mulheres (s.n., 05/09/2000).

Estar ciente dos valores e dos limites da moda é fundamental também para o homem, que não deverá procurar imitar a mulher na procura de frivolidades (…), mas que deverá procurar adaptar o seu vestuário àquilo que é o seu caráter, a sua condição social, a sua profissão (DORFLES, 28: 1984).

Qualquer descuido há possibilidade de resultar em perigo, um simples zíper mais delicado ou cor de rosa, ou mesmo um botão com estampa florida colocarão a sua masculinidade em dúvida (para a sociedade). Piadas não tardarão a surgir.

O tradicional uniforme de trabalho do homem é o terno, preferindo-se cores escuras e sóbrias como preto, cinza, marrom e marinho. Esse traje é símbolo de seriedade, confiança, masculinidade, diplomacia, compromisso, civilidade e autocontrole físico (…). Ele esconde a superfície do corpo de modo completo, e usualmente exibe seu conjunto de linhas, cores e formas com discrição (HOLLANDER, 145: 1996).

O universo masculino rejeita cores vibrantes, gestos afetados ou acessórios delicados, isto é, nada que enfraqueça a figura do homem. Esta visão estereotipada do homem é corroborada pelas mulheres. Há mulheres que fazem distinção em relação a barbas, camisetas e posição dos brincos: existem barbas de gays (?), camisas mais acinturadas e ajustadas também são roupas de bichinhas e o brinco de macho é usado em um dos lados (não sei ao certo essa lei do lado esquerdo ou direito). Errou o furo da orelha! Então é fruta!

Lembro-me nos anos 80, século XX, quando a regata masculina cavada foi lançada, alguns grupos masculinos rejeitaram-na, consideravam-na uma camiseta de viado. Tal fato ficou mais acentuado ao ser usada pelo Ney Matogrosso. Para os machistas não restavam dúvidas: roupa de gay. Porém, devido à praticidade e adequação ao clima, essa peça acabou sendo incorporada ao guarda-roupa do homem.

Uma observação comum presente em vários autores é que algumas modificações ocorridas no universo masculino foram conseqüências dos movimentos feministas e homossexuais iniciados nos anos 60. A sociedade e a educação patriarcais, a desigualdade entre os sexos eram postos em dúvida pelas feministas, enquanto o direito ao amor entre iguais, não como uma anomalia ou descaramento, fazia parte da bandeira homossexual. O homem, pressionado e questionado, passou por uma autoavaliação e, nesse momento, entrou em crise e vem tentando modificar-se e/ou encontrar-se nesse mundo de transformações, buscando uma reconciliação com seu lado sensível (CALDAS, 116: s.d) . A partir desses movimentos o modelo tradicional de homem, e seu estatuto universal e genérico, é cada vez mais questionado (SANT’ANNA, s.n.d).

OS SAMBAS E AS ROUPAS

Ao prestar atenção em antigos sambas que falam dos trajes é possível detectar a preocupação e a relação do homem com a roupa. Aliás, apesar do Carnaval ser uma festa que dá liberdade para macho brincar, fantasiar-se de mulher; as letras das músicas enfatizam sua masculinidade e/ou debocham do homem de fama duvidosa, como em Cabeleira do Zezé.

Em Camisa Amarela, de Ary Barroso, 1939, a mulher-narradora refere-se ao seu amor como pedaço (na gíria, homem bonito) de camisa amarela. Logo na primeira estrofe deixa clara a infidelidade do homem como um comportamento aceitável:

Encontrei o meu pedaço na avenida de camisa amarela
Cantando a Florisbela, oi, a Florisbela
Convidei-o a voltar pra casa em minha companhia
Exibiu-me um sorriso de ironia

Ao longo da música ela vai descrevendo as atitudes, pode-se dizer masculinas, para no final deixar clara a sua submissão:

O meu pedaço me domina
Me fascina, ele é o tal
Por isso não levo a mal
Gosto dele assim

A camisa vem associada ao comportamento machista, reforçando a idéia de uma camisa de homem e não qualquer camisa.

Ary Barroso e Kid Pepe, no samba, de 1935, intitulado Mulatinho Bamba, para valorizar a personagem opõem costumes sociais que caracterizam homens socialmente depreciados, coisas de malandro, bandido, à um gesticular fino e alinhado, ao comportamento que deve-se esperar de uma Excelência: firme, justo e másculo.

Não anda armado de navalha
Nem lenço no pescoço
Nem chapéu de palha
Mulato fino e alinhado
Tem atitudes e gestos
De um deputado.

Há ainda músicas que não deixam dúvidas quanto uma roupa exclusivamente masculina, de macho. No trecho a seguir, o narrador, o antigo amor da noiva, relata de maneira petulante e corajosa o medo do noivo em relação ao passado da futura esposa, da sua condição de traído. Na letra Eu Não Fui Convidado, Nei Lopes e Zé Luiz brincam com esse universo machista e popular.

Eu não sou culpado meu bem, que seu novo amor tem pavor do passado
Comprei camisa de seda, terno de linho importado
Dei molho no bom cabelo, fiz um pisante invocado
Mas você se casou e eu não fui convidado

Brilhantina no cabelo era voga entre os homens, o sapato (pisante, gíria usada pelos espertos) recebe o adjetivo invocado, sugerindo um sapato moderno, elegante e masculino.

Noel Rosa e Vadico, atentos às modas da época compuseram Tarzan, o filho do alfaiate, em 1936. Uma ironia ao famoso Francisco Alves, o Rei da Voz, que cantava de peito estufado e barriga encolhida para parecer forte e formoso, e à moda dos paletós com ombreiras, de corte acentuando peitos largos e acinturado.

Quem foi que disse que eu era forte?
Nunca pratiquei esporte, nem conheço futebol…
(…)
A minha força bruta reside
Em um clássico cabide já cansado de sofrer
Minha armadura é de casimira dura
Que me dá musculatura, mas me pesa e faz doer.

Esse capítulo terminará com a análise de uma das letras mais célebres de Assis Valente, Camisa Listrada, de 1937.

Vestiu uma camisa listrada e saiu por aí
Em vez de tomar chá com torrada ele bebeu parati
Levava um canivete no cinto e um pandeiro na mão
E sorria quando o povo dizia: sossega leão, sossega leão
Tirou o anel de doutor para não dar o que falar
E saiu dizendo eu quero mamar
(…)
Rompeu minha cortina de veludo para fazer uma saia
Abriu o guarda-roupa e arrancou minha combinação
E até do cabo de vassoura ele fez um estandarte
Para seu cordão
Agora a batucada já vai começando não deixo e não consinto
O meu querido debochar de mim
Porque ele pega as minhas coisas vai dar o que falar
Se fantasia de Antonieta e vai dançar no Bola Preta
Até o sol raiar.

A letra descreve um homem que vai brincar o Carnaval. Assim para não dar o que falar o homem fantasiado de Maria Antonieta veste uma armadura masculina composta pela parati matinal, o canivete e o pandeiro. Mas o leão, que despido dos pudores, assume um comportamento não usual ao seu status de doutor (Tirou o seu anel de doutor para não dar o que falar), encontra repreensões pelo caminho (sossega leão) e irrita a mulher (não deixo e não consinto / O meu querido debochar de mim). Assim ao homem e doutor são proibidas transgressões comportamentais.

ANOS 60-70: Contracultura e Androginia

Época de efervescência cultural e de rupturas, com movimentos encabeçados pelos jovens propondo refletir e colocar o status quo vigente em xeque. É justo nesse período que serão visíveis algumas transformações na moda e no comportamento.

A questão masculina passa a ser discutida. Os hippies trazem uma moda solta, leve e ambígua: homens com cabelos compridos, calçando sandálias, com calças bocas-de-sino e batas. Estampas psicodélicas, brincos e colares. É proibido proibir.

É o início de uma mudança, entenda-se que qualquer ruptura é morosa, podendo mesmo sofrer um golpe e, portanto, inverter seu curso. E mais, somente determinados setores da sociedade, sobretudo jovens, irão adotar as novidades.

O homem macho, de herança hegemônica, machista e falocrática, cercado num padrão vestimentário, se mostrará cada vez mais sem sentido (SALAMANOVICH, s.n.d.). Começa a surgir uma multiplicidade, masculino e feminino são (…) confirmados de maneira (…) mais plural, variada e livre, na escolha e manipulação das categorias de gênero (SANT’ANNA, s.n.d), há espaço para vários homens e masculinidades, o homem passa a reivindicar a demonstração de emoções como característica também masculina.

Nos grupos abertos às mudanças entra em voga um estilo andrógino, logo adotado pelos artistas de música como Mick Jagger, David Bowie e Caetano Veloso. Impacto maior causado, no Brasil, no início da década de 70, pelos Secos & Molhados: roupas, maquiagens e cores dúbias. A coreografia exótica e sensual de Ney Matogrosso era simplesmente desconcertante (MACIEL, s.n: 1999), com sua voz feminina e aguda acompanhada pela sonoridade inusitada: na musicalidade exuberante (…), nos arranjos modernos mas sutis (…) (Idem, 1999).

Em meio a essas mudanças masculinas Gilberto Gil compõe Cultura e Civilização (1971), um espelho dos anseios daquele momento. O autor critica a classificação hierárquica e mostra que cada homem é resultado da interação do saber erudito com o saber que é reflexo do seu cotidiano. Como ele apreende e usa essa união é que o individualiza. O homem deve buscar as idiossincrasias, como um ser capaz de tomar sua vida nas mãos e não se deixar levar por ondas de modismos (MARQUES, 15/08/1995).

A cultura e a civilização
elas que se danem,, ou não
(…)
Somente me interessam
contanto que deixem
meu cabelo belo
como a juba de um leão.

CONSIDERAÇÕES FINAIS: Algo Mudou?

Parece verdade que os homens ainda se policiam quanto a certos assuntos e, sobretudo, quanto à moda, fenômeno ligado à vaidade, um campo ainda um tanto proibido para a maioria. Curiosamente, ele não pode ser vaidoso, tal futilidade apenas é consentida povoar o universo feminino ou homossexual.

Também não devemos ser totalmente pessimistas, pois já é possível observar pequenas modificações, por exemplo, a inserção de cores femininas no vestuário, como tênis laranja ou camisas floridas. Isso ocorre, geralmente, em determinadas áreas, ou seja, homens ligados a algumas ciências humanas e artes (esta última um campo feminino, já que lida com emoções) são mais sensíveis às mudanças, enquanto os das ciências exatas ou de profissões tradicionais costumam ser mais conservadores.

Regulando, freiando as transformações sociais, fortalece-se o conservadorismo. Se há a AIDS, pratiquemos abstinência sexual. Sexo só no casamento, e de preferência para a procriação aconselham-nos religiões e alguns governantes, cresce o sentimento homofóbico (skinheads) e há rejeição política e social à união civil entre os gays que devem ser curados. A mais poderosa potência mundial, ferida de morte em seu coração econômico, para se proteger, contagia-se com um sentimento xenófobo – aliens go home! Nesse mesmo país esse movimento de retração convive com outro de impulso: gays ganharam direito ao casamento civil, no estado de Massachusetts.

No Brasil também ocorre esse pensamento antagônico: rompe-se os papéis sociais – homens do lar, mulheres trabalhadoras, a legalização do aborto com certas condicionantes, criminalização do assédio sexual e do preconceito, a questão homossexual é empacada por católicos e evangélicos, são avanços e recuos de uma sociedade moderna.

É necessário enfatizar que a adoção e/ou inovação de novo trajar deve vir vinculado a um novo padrão de comportamento, deve haver uma interação entre a nova moda e as questões sociais e as novas necessidades do homem. Caso contrário seu significado como elemento transgressor esvazia-se. Transforma-se em modismo, alienado e passageiro.

Não há como deter a evolução social, ainda que haja fases de lentidão, ela segue, e a moda que sofre e interage com novos costumes sociais, transformar-se, reinventa-se apesar das divisões fundamentais perdurarem, especialmente entre homem e mulher, entre homossexual e heterossexual (MONTEIRO, s.n: 05/09/2000).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BARROSO, Ary. Camisa amarela. Encontrado na Internet: <http://www2.uol.com.br/arybarroso> Acessado em: 06 mai. 2005.

________, & PEPE, Kid. Mulatinho bamba. Encontrado na Internet: <http://www2.uol.com.br/arybarroso> Acessado em: 06 mai. 2005.

CONEKIN, Becky. Colocando a Playboy na moda: mensagens de estilo e masculinidade nas páginas da revista Playboy, 1953-1963. In: Fashion theory: a revista da moda, corpo e cultura. vol 1, n. 4.Anhembi Morumbi. São Paulo, dez. 2002.

CALDAS, Dario. Universo da moda. s.n.d.

DORFLES, Gillo. A moda da moda. Martins Fontes. São Paulo, 1984.

DUTRA, José Luiz. “Onde você comprou essa roupa tem para homem?”: a construção de masculinidades nos mercados alternativos de moda. In: GOLDENBERG, Miriam. Nu & vestido. Record. Rio de Janeiro, 2002.

FREYRE, Gilberto. Modos de homem & modas de mulher. Record. Rio de Janeiro, 1997.

GIL, Gilberto. Cultura e civilização. In: Já & Gal. Tarso de Castro p. j> Lado 1, faixa 3. 1971.

HOLLANDER, Anne. O sexo e as roupas. A evolução do traje moderno. Rocco. Rio de Janeiro, 1996.

LOPES, Nei & LUIZ, Zé. Eu não fui convidado. In: MPB4. Sambas da minha terra. Som Livre. Lado 2, faixa 4. Rio de Janeiro, 1991.

LURIE, Alison. A linguagem das roupas. Rocco. Rio de Janeiro, 1997.

MACIEL, Luiz Carlos. Secos & molhados. In: Secos & molhados. Edição de aniversário: 25 anos. Série Dois Momentos. Continental. 1999.

MARQUES, Alessandra. Cultura e civilização: comentário. Trabalho de graduação da UNI-RIO, da disciplina Introdução à cultura brasileira. 15 ago. 1995.

MONTEIRO, Marko. Corpo, moda e masculinidade. mudanças na masculinidade a partir dos anos 60. ANPUH – Unip. São Paulo, 05/09/2000. Encontrado na Internet: <http://www.unip.br/serviços/aluno/suporte/nidem/artigos/> Acessado em: 10 mai. 2005.

ROSA, Noel & VADICO. Tarzan, o filho do alfaiate. In: Songbook – Noel. Lumiar. Faixa 2. Rio de Janeiro.

SALAMANOVICH, David-Elliot. Las distintas caras de Narciso. La representación de la masculinidad y sus estrategias vestimentarias. Instituto da Moda. São Paulo, s.n.d. Encontrado na Internet: <http://www.institutodamoda.com.br> Acessado em: 10 mai. 2005.

SANT’ANNA, Patrícia. Revistas de moda: masculinidade e ambigüidade nos anos 90. Universidade Paulista. São Paulo, s.n.d. Encontrado na Internet: <http://www.unip.br/serviços/aluno/suporte/nidem/artigos/> Acessado em: 10 mai. 2005.

VALENTE, Assis. Camisa listrada. Encontrado na Internet: <http://www.mpbnet.com.br/músicos/Assis.valente> Acessado em: 06 mai. 2005.

A Profissionalização do Universitário

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A preocupação com o aprendizado contribuindo metodicamente no ensino superior, faz com que a pressão sobre a formação do universitário fique a cada dia mais intensa. Com o advento da globalização, uma vez que o próprio mercado seleciona os bons profissionais, pode-se observar um forte crescimento da tecnologia, e com isto as empresas sentem a necessidade de inovar. Todo este contexto faz com que os universitários se sintam mais preocupados por desenvolver diferentes dinâmicas de gerenciamento de conhecimento e assim, estarem bem qualificados profissionalmente. Indaga-se em que medida uma universidade prepara um universitário para o mercado de trabalho e quais são as dificuldades que estes universitários enfrentam ao sair da universidade, como também o que fazer para profissionalizar o acadêmico ou o Desafio Sebrae contribui com essa profissionalização. Todos estes questionamentos fazem parte de nossa investigação.

São tratados considerando como objeto de estudo, os alunos do 7º e 8º períodos do curso de Administração da Faculdade Metropolitana de Maringá-UNIFAMMA.

SUMÁRIO

1- Introdução
2- Justificativa
3- Objetivos
4- Metodologia de Pesquisa
5- Referencial Teórico
5.1- O Papel do Administrador
5.2- Sociedade da Informação
5.3- Comportamento Organizacional
5.4- Inovação
5.5- Empreendedorismo
5.6- Clima e Cultura Organizacional
5.7- Capital Intelectual
5.8- Conhecimento Empresarial: principal fator do capital intelectual
5.9- Tomada de Decisões
5.10 – Padrão Desafio Sebrae
5.11 – Proposta do Curso de Administração oferecido pela faculdade metropolitana de Maringá – UNIFAMMA
5.11.1 – Regime de matrícula
5.11.2 – Carga horária total do curso
5.11.3 – Integralização da carga horária do curso
5.11.4 – Missão/Finalidade do Curso e/ou Linha de Formação
5.11.5 – Perfil de egresso pretendido pela Mantenedora com o Curso e/ou Linha de Formação
5.11.6 – Objetivos do Curso e/ou Linha de formação
5.11.7 – Objetivos específicos
6 – Coleta de Dados
7 – Propostas
8 – Considerações Finais
9- Referências Bibliográficas
10- Anexos

1- INTRODUÇÃO

Nos dias de hoje, 1 década do Século XXI, devido a forte competitividade no mundo dos negócios, os profissionais necessitam estar cada vez mais capacitados em suas respectivas áreas.

É incrível observar a quantidade de produtos tecnológicos que estão surgindo no dia a dia com cada vez mais qualidade e facilidades para o ser humano. Isto tudo mostra a situação real das empresas, uma vez que estas, sempre necessitam de um diferencial no mercado para poderem se destacar perante à concorrência.

E o principal fator que uma empresa necessita para se desenvolver perante as outras, é ter pessoas qualificadas para desempenhar as suas respectivas atividades.

Uma grande inovação propicia uma melhora significativa na vida de todos. Atende às grandes necessidades da sociedade. Abre novas oportunidades de mudanças positivas para o mundo ainda que mínimas. A solução elegante atende tão bem a uma necessidade que suscita um claro imediato. É a coisa certa, no momento certo, da maneira certa, para as pessoas certas. Encaixa perfeitamente, como se sempre tivesse existido. (MAY, 2007, p. 53).

A sociedade da informação vem se destacando como uma das principais forças da organização. O principal objetivo dela é fazer com que a informação fique em destaque. Em seguida, a partir do momento em que uma empresa possui as informações, estas necessitam serem filtradas, para consequentemente saber lançar um dado em seu tempo adequado e eliminar os erros. Os profissionais entram com o seu intelecto, transformando todas estas informações em conhecimento, ou seja, com o fato de a globalização e as tecnologias estarem cada vez mais se atualizando, surge a necessidade das empresas também seguirem o mesmo caminho. Uma instituição que não flui em conjunto com a tecnologia, é uma empresa que anda para traz, e corre grandes riscos de esquecimento.

Portanto, devido a este fato, o profissional necessita sempre estar se atualizando também, pois é através deste processo que ele poderá contribuir para que a empresa continue passando todas as barreiras e alcançando o sucesso.

Com certeza, o mero diploma, mesmo nas melhores universidades, não é mais suficiente. Habilidades tais como o domínio das línguas inglesa e espanhola e agilidade no uso de computadores, são requisitos mínimos para um emprego diferenciado. As funções e atividades bem remuneradas exigirão do profissional capacidade de adaptação a novos ambientes e novas situações, mobilidade entre países e culturas e, principalmente, disposição para o aprendizado contínuo. Exigirão também capacidade de comunicação oral e escrita, de preparar relatórios, de participação ativa e construtiva nas reuniões e de fazer apresentações e palestras. (OLIVEIRA 2002, p. 36)

A graduação sempre foi uma formação excelente para todos os jovens, e antigamente era um diferencial no mercado de trabalho. Os graduados alcançavam muitos cargos de confiança e se realizavam profissionalmente, devido ao baixo número de formandos que existiam. Mas então, com o passar do tempo, pode-se observar que atualmente, a graduação é essencial para qualquer formação acadêmica, porém, não é mais suficiente para se fazer um profissional completo. As atividades se tornaram muito mais complexas e a concorrência se tornou mais especializada, portanto para um profissional alcançar seu tão sonhado sucesso, este necessita sempre buscar atualizações constantes nas formações acadêmicas. As probabilidades futuras com relação a quais objetivos uma empresa procura em relação a um profissional, a cada dia mais tem uma perspectiva de forte aumento.

Pode-se observar uma grande mudança na filosofia de profissionais que uma empresa busca adquirir, pois antigamente eles eram escolhidos pela sua experiência profissional e nos dias de hoje pode-se dizer que este fator é muito importante, porém não é o único que faz o profissional ser contratado.

Este indivíduo para se destacar perante os concorrentes em busca de uma vaga de emprego necessita ter capital intelectual em primeiro lugar, pois pessoas com alto grau de conhecimento podem ser moldadas estrategicamente para se tornar um diferencial da empresa tendo conhecimento avançado, cultura da empresa, alem de conseguir se especializar rápido na função designada.

Segundo Mañas (2003, pág 19), as informações e o conhecimento é que possibilitam o sucesso, se bem utilizados como recursos estratégicos. O conhecimento é a obtenção de um grau de incerteza, assumidamente menor, se comparado a um concorrente que visa atingir os seus mesmos objetivos.

O Sebrae, pensando neste paradigma de que o profissional necessita conhecer todas as áreas e conseguir transformar informação em conhecimento, implantou um desafio que visa fornecer aos estudantes, experiências reais de situações organizacionais, ou seja, um jovem que participa deste programa, consegue verificar na prática todo um contexto organizacional, sendo um tomador de decisão e participando das mais difíceis eventualidades que possa ocorrer dentro da organização. O objetivo deste programa é maximizar o poder empreendedor dos jovens, independentemente da carreira que este, escolheu para seu futuro e fazer com que o estudante conclua o projeto, bem mais preparado para quaisquer desafios que a empresa possa enfrentar.

Neste desafio o universitário adquire habilidades para iniciar sua carreira profissional como planejamento, controle, estratégia, tomada de decisões, empreendedorismo, inovação, etc.

É um jogo excelente pois faz com que universitários que nunca haviam trabalhando antes adquira o embasamento prático a todas as teorias aprendidas na faculdade e conseqüentemente ganhe mais preparação na hora de conseguir o primeiro emprego, conseguindo assim passar pelas dificuldades com maiores facilidades.

Partindo desse ponto, o presente trabalho propõe analisar o tema: Profissionalizando um universitário. Um estudo de caso sobre a aplicação das teorias de administração no desafio sebrae.

Pergunta problema: Em que medida o programa Desafio Sebrae contribui com a formação profissional do universitário?

2 – JUSTIFICATIVA:

Justifica-se ao realizar este projeto a relevância do pensar que as organizações inseridas nesse ambiente competitivo, deverão se adequar ao mercado e uma ferramenta muito interessante que ela pode utilizar é a pesquisa e desenvolvimento, ou seja, fazer uma observação geral do mercado e verificar quais os produtos dela que estão em declínio e quais são sucessos. Os produtos em declínio, elas podem tirar do mercado a fim deste não alcançar o fracasso, e consequentemente não manchar a imagem da empresa. Também, surge como possibilidade a inclusão de novos lançamentos, derrubando assim, a concorrência em geral. A inovação é a principal força no mercado, nos dias de hoje, pois é através delas que as empresas se renovam e ganham maiores fatias no mercado. Uma empresa que pensa em ser um sucesso necessita fazer um planejamento a longo prazo para possuir uma grande fatia no mercado.

Para realizar estas atividades necessita utilizar o capital intelectual, ou seja, a empresa necessita possuir pessoas no seu time que tenham uma formação continuada e consigam transformar informações em conhecimento. Além disto esta pessoa necessita ter atributos administrativos, facilidade em trabalhar em equipe e ter como objetivo principal alcançar o sucesso. Porem para que este processo seja vinculado ao sucesso a empresa necessita obter uma química entre planejamento e controle, e se esta, implantar em seu controle pessoas que não tem o devido conhecimento que a atualidade necessita, infelizmente este processo em geral será um fracasso. É por este motivo que este assunto a ser tratado é de extrema importância, porque o objetivo geral da organização é alcançar bons lucros e sucesso, e só com empreendedores em seu comando que está terá condições para alcançá-los.

Para se destacar em uma organização, os profissionais necessitam possuir as seguintes características: Dupla visão: É preciso trazer resultados agora, mais sem comprometer os resultados no futuro. Não perca a estratégia de vista. Inovação: Muitas soluções boas estão ao alcance dos olhos. Fique atento aos detalhes. Pense como fazer mais rápido ou mais barato. Dedicação: Está na hora de entregar resultados para fazer seu trabalho aparecer. Isso exige uma dose extra de dedicação. Liderança sem chicote: Engajar pessoas e ajuda-las a gerenciar o estresse e a ansiedade. Quatro em cada dez executivos valorizam essa competência. Cabeça de consumidor: Estude e entenda o cliente. A melhor forma de fazer isso é por meio de parcerias. Capacidade de decisão: Tome a melhor decisão que puder no prazo de tempo que você tem. Um profissional que decide errado vale mais do que aquele que não decide. (BOTTONI 2009, P. 42)

A profissionalização do universitário, é extremamente importante, uma vez que as empresas já observaram estas necessidades e, devido a falta de experiência e a alta competitividade existente no mundo, este indivíduo deverá ter muitos atributos para conseguir vencer a concorrência de um profissional que já possui alguma experiência na hora de se candidatar a alguma vaga.

Um ponto a destacar também que a única maneira de uma pessoa sem experiência ganhar uma vaga de pessoas que possuem experiência profissional é através de suas freqüentes atualizações, ou seja, hoje em dia o numero de pessoas que fazem pós graduação está crescendo muito, portanto, uma pessoa que quer vencer, não pode pensar em parar de estudar nunca, ou seja, uma pessoa que tem graduação, necessita fazer uma pós graduação. Já uma pessoa que tenha a pós graduação, deve fazer um mestrado e assim por diante.

3 – OBJETIVOS:

3.1 Objetivo Geral:

Verificar até que ponto o Desafio Sebrae contribui com a formação universitária a medida que possibilita ao acadêmico vivenciar situações reais nas organizações.

3.2 Objetivos Específicos:

a) Identificar quais visões os estudantes vão adquirir ao participarem do desafio Sebrae;
b) Verificar se estes profissionais terão vantagens sobre os outros na hora de buscar o primeiro emprego;
c) Verificar qual é a dinâmica de ensino proposto pela faculdade metropolitana de Maringá – UNIFAMMA – do ponto de vista dos egressos entrevistados

4 – METODOLOGIA DE PESQUISA

Para Cruz e Ribeiro (2003, p. 11) pesquisa é o mesmo que busca ou procura. Portanto pesquisar é buscar compreender a forma como se processam os fenômenos observáveis, descrevendo sua estrutura e funcionamento. Assim sendo pesquisar não é apenas coletar os dados, mas também compreendê-los, através de uma formulação de análise correta.

Este trabalho fez uso da análise quantitativa. O método quantitativo emprega quantificação tanto nas modalidades de coletas de informações, como no uso delas por meio de técnicas estatísticas.

Segundo Fachin (2003, p. 79) a variável quantitativa é usada levando em conta a proporção numérica, no entanto não pode ser feita ao acaso, pois a diferença de uma propriedade não é quantificada cientificamente. Ainda de acordo com Fachin (2003, p. 79) a quantificação cientifica envolve um sistema lógico que sustenta a atribuição de números, cujos resultados sejam eficazes.

Os métodos mais utilizados para quantificar as variáveis são a contagem e a mensuração. A contagem é considerada o método mais simples, no entanto podem ocorrer dois erros, subestimação, que consiste em deixar de incluir um componente que deveria ser contado e superestimação, que consiste no fato de contar o mesmo elemento mais de uma vez. Para evitá-los deve-se utilizar um planejamento adequado.

A segunda variável é a mensuração, Fachin (2003, p. 80) indica mensuração como qualquer procedimento que nos leve a uma classificação por meio de objetos ou de relações. Assim sendo a mensuração também é vista como escalométrica e medição. A mensuração escalométrica faz uso de um padrão de medida, ou seja, se um dado for diferente do outro, deve haver um meio para padronizá-los.

A mensuração escalométrica é usada quando o estudioso se depara com uma coleção de unidades em que cada uma das partes dessa coleção pode sofrer variação pelas propriedades que apresenta, ou seja, trata-se de ordenar as propriedades de cada uma das unidades (FACHIN, 2003, p. 80).

Assim sendo, além de quantitativo este trabalho também é descritivo.

Estudos quantitativo-descritivos são investigações de pesquisa empírica que tem como principal finalidade o delineamento ou análise das características dos fenômenos, avaliação de programa, ou o isolamento de variáveis chaves. Esses estudos podem usar métodos formais como aproximações ao projeto experimental com características de precisão e controle estatístico a fim de fornecer dados para verificação de hipóteses (TRIPODI, 1981, p. 53).

De acordo com Gil (2002, p. 42) entre as pesquisas descritivas, salientam-se aquelas que têm por objetivo estudar as características de um grupo, bem como sua distribuição por idade, sexo, procedência, nível de escolaridade, estado de saúde física e mental, etc.

Assim sendo, para identificar a preparação dos universitários para o mercado profissional foi aplicado um questionário para universitários da faculdade metropolitana de Maringá – unifamma no quesito geral, independente do indivíduo ter participado ou não do Desafio Sebrae para então poder observar se existe uma preparação maior por parte desses universitários que vivenciam os problemas decorrentes em uma empresa em situações reais dos que apenas possuem embasamento teórico.

Conforme Cervo e Bervian (1983, p. 159) o questionário é a forma mais utilizada para coletar dados, pois possibilita medir com melhor exatidão o que se deseja. Ou seja, os dados são coletados e medidos com rigorosidade. Em conformidade com Marconi e Lakatos (1999, p. 43) argumentam que quando se deseja colher informações sobre um ou mais aspectos de um grupo numeroso, verifica-se muitas vezes, ser praticamente impossível fazer um levantamento do todo.

Esta pesquisa também fez uso da amostragem, ou seja, foi recolhida uma amostra da universidade, que deverá apresentar pelo menos uma característica em comum. A amostragem é uma unidade de análise que são selecionadas ao acaso, ou seja, todos os elementos têm a mesma chance de ser escolhido.

Este trabalho foi realizado a amostragem probabilística uma vez que se trata de dados estatísticos.

Richardson (1999, p. 161) ressalta que na amostra probabilística é necessário possuir uma lista completa dos elementos que formam parte da população de tal maneira que por meio de um método apropriado se possa solucionar ao acaso aqueles elementos que constituirão a amostra.

5 – REFERÊNCIAL TEÓRICO:

5.1– O papel do administrador:

O administrador é visto como a pessoa que toma decisões, planeja, controla uma empresa em geral. Ele além de agir como um observador, cria novas estratégias para agitar o mercado, controla operações em andamento, organiza a empresa em seu todo, participa de rotinas administrativas, entre outros.

Um administrador, para se ter sucesso, necessita ser um empreendedor dentro da organização pois um fator essencial para ser um administrador completo é saber inovar.

Desde Fayol, a Administração dos recursos das organizações vem sendo estudada. A teoria da Administração em suas vertentes estuda o Administrador como o elemento que ocupa uma função genérica. Uma função essencial para a condução das organizações, ou então, estuda o Administrador como ocupante de funções parceladas, sendo que é responsável pela ordenação, manutenção e direção de funções básicas existentes em cada uma das organizações.(MAÑAS 2003, p. 23).

A função administrar foi evoluindo com o passar do tempo. Pode-se observar as escolas de administração como a administração científica de Taylor, ou a administração clássica de Fayol, e vê-se que os objetivos destas maneiras de se administrar, atendiam funções específicas da organização, sem se preocupar com a instituição como um todo. Consequentemente, estas formas de administrar sofreram algumas conseqüências em decorrência de não pensarem em todos os aspectos que envolve administrar uma empresa.

Existem várias escolas de administração, porém cada uma com objetivos diferentes para se liderar. No caso da administração de Taylor o foco principal era dar ênfase nas tarefas, não se preocupando com o operário em geral. Ele criou o sistema ORT (organização racional do trabalho) e visava dar padrão ao trabalho a fim de evitar a perda de tempo e eliminar os erros. Dentro da ORT ele citava a respeito de analise do trabalho e estudo dos tempos e movimentos, estudo da fadiga humana, divisão do trabalho e especialização do operário, desenho de cargos e tarefas, incentivos salariais e prêmios de produção, conceito de homo econômicus, padronização, condições de trabalho e supervisão funcional.

Conforme Chiavenato (2000, p. 51), o nome administração científica é devido à tentativa de aplicação dos métodos da ciência aos problemas da administração, a fim de alcançar elevada eficiência industrial.

Este método de administração por mais que os operários tivessem uma boa remuneração, não lhes traziam motivação, e conseqüentemente com o passar do tempo começou a surgir várias revoluções industriais por parte dos mesmos a fim de reivindicar seus direitos.

Então surgiram várias outras escolas e uma delas é a escola das relações humanas que foi criada por Elton Mayo. Nesta escola ele buscava dar ênfase no funcionário em geral e foi estudado vários comportamentos dos mesmos a fim de observar como eles se sentiam e o que necessitavam para alcançar a motivação..

O estudo obteve quatro fases que são condição de trabalho, maneiras diferentes de se trabalhar observando os resultados de um grupo específico, programa de entrevistas e por ultimo um programa de entrevistas para este grupo específico.

Neste estudo foi observado que as pessoas possuem um fator psicológico, ou seja, elas são levadas pela motivação. Pessoas com mais motivação rendem mais e trabalham em prol da empresa.

Trata a organização como grupos de pessoas, enfatiza as pessoas, inspirada em sistemas de psicologia, delegação plena de autoridade, autonomia do empregado, confiança e abertura, ênfase nas relações humanas entre os empregados, confiança nas pessoas, dinâmica grupal e interpessoal. (CHIAVENATO, 1999. P. 231)

Conforme citado acima, pode-se observar todos os pontos que Elton Mayo procurou observar ao implantar esta teoria.

Nos dias de hoje, uma empresa não tem uma linha específica de como vai funcionar. Elas buscam utilizar o que teve de melhor em cada escola de administração na opinião dos organizadores, além de inovar em outros aspectos até porque houve um aumento muito forte da tecnologia e da concorrência, portanto elas necessitam de grandes inovações no perfil de administrar.

È incrível observar também como a globalização tem se destacado em todos os sentidos. Hoje em dia devido a cultura imposta pela sociedade, o mundo está cada vez mais voltado a tecnologia, ao capitalismo e todas as facilidades que estes atributos possa lhe oferecer.

Porém o aumento de tecnologia acaba gerando mais responsabilidades por parte dos administradores, pois, as pessoas ficam mais exigentes e a arte de inovar acaba se tornando uma freqüência.

Os administradores necessitam ter uma visão geral da empresa, cuidar de áreas como pesquisa e desenvolvimento, realizar planejamentos estratégicos para a organização.

Essa atividade gerencial, quando aplicada de forma organizada, dentro de certa metodologia, recebe a denominação técnica de planejamento estratégico, o que requer, além de planos mais detalhados para o período de curto prazo, um trabalho constante de reformulação e aperfeiçoamento das projeções de médio e, principalmente, do longo prazo, de forma a reconhecer e incorporar as alterações originalmente não previstas nos ambientes empresarial, econômico, financeiro, mercadológico, etc. Nos quais a empresa esta inserida. (OLIVEIRA 2002, p. 38).

O planejamento estratégico é importante pois faz com que as empresas estejam preparadas para o mercado competitivo e também trabalham para a redução de risco.

O risco é algo que sempre existe em uma empresa, desde uma tomada de decisão até uma inovação pode acontecer de ser um sucesso como pode ser um fracasso.

Anulá-lo completamente é impossível pois por mais que um administrador tenha uma grande noção do mercado onde está atuando imprevistos infelizmente pode acontecer a qualquer momento.

E como o risco é capaz de prejudicar muito a empresa onde ele afeta, estas empresas necessitam profissionais empreendedores com muita capacitação afim de fazer com que estes riscos sejam tratados quase como se fossem nulos.

Um profissional que apenas se utiliza dos meios da universidade para se candidatar a uma vaga e nunca obteve uma experiência na prática tem desvantagens quando se trata de uma concorrência na busca de uma vaga de emprego, pois ter embasamento teórico é extremamente importante mas ter experiência na prática, não totalmente mas ainda leva vantagens.

Mesmo assim, um profissional que apenas tem experiência profissional, necessita correr atrás porque com a quantidade de desempregados, as empresas estão filtrando cada vez mais os processos seletivos, e escolhendo profissionais que tenham experiência e estudo.

Conhecimento. É o saber. Constitui o resultado de aprender a aprender, aprender continuamente e o conhecimento é a moeda mais valiosa do século XXI; Habilidade. É o saber fazer. Significa utilizar e aplicar o conhecimento, seja para resolver problemas ou situações ou criar e inovar. Em outras palavras, habilidade é a transformação do conhecimento em resultado; Julgamento. É o saber analisar a situação e o contexto. Significa saber obter dados e informação, ter espírito crítico, julgar os fatos, ponderar com equilíbrio e definir prioridades; Atitude. É o saber fazer acontecer. A atitude empreendedora permite alcançar e superar metas, assumir riscos, agir como agente de mudança, agregar valor, obter excelência e focar resultados. É o que leva a pessoa a alcançar alto realização do seu potencial. (CHIAVENATO, 2008, p. 52)

E um dos principais pontos que as empresas destacam para adquirir um profissional especializado é o risco tratado anteriormente.

Um profissional que já conhece as rotinas de trabalho que irá exercer, faz com que a empresa caminhe com mais facilidades e com menos erros.

Um profissional para se dar bem em um contexto organizacional necessita possuir o máximo de atributos que ele tiver oportunidade. Sobre este ponto, o Desafio Sebrae age de maneira fantástica pois ele dá a um profissional que está começando a formar sua carreira uma grande visão do que é uma empresa na prática. Tomada de decisões, competitividade, trabalho em equipe, empreendedorismo, criatividade e inovação são funções que um administrador tem que realizar a todo o instante e ficar a par destas atividades o quanto antes faz com que um universitário saia com uma visão mais aberta de uma faculdade, pois conciliando teoria com prática faz uma pessoa se sentir mais preparada e confiante para o futuro.

5.2 Sociedade da Informação

Atualmente, pode-se observar um aumento muito forte da informação. São exemplos de informação: Assistir a televisão, falar ao telefone, movimentar a conta no terminal bancário e, pela internet, etc.

As empresas por sua vez, necessitam acompanhar este crescimento, uma vez que o aumento de informação a sociedade gera maiores exigências.

Com tanta informação em destaque, as empresas necessitam ter um profissional de qualidade, com capacidade de transformar estas informações em conhecimento, pois através deste processo o risco diminui e as empresas ficam mais preparadas para qualquer eventualidade.

Segundo May (2007, p. 9), Buscar a perfeição transforma o presente em futuro, por criar novos processos, novos produtos e novos serviços. A beleza do progresso organizado reside na capacidade sistemática de obter baixo custo, baixo risco e avanços de grande impacto.

Portanto, a empresa necessita profissionais pró ativos que vistam a camisa dela e que tenham uma formação continuada, pois como a tendência caminha para a evolução, estas informações serão necessárias serem transformadas em conhecimento, e conforme a evolução for ocorrendo, estas transformações necessitaram serem mais analisadas e precisam de muitos novos fatores para se transforma-la em conhecimento.

Nota-se um desenvolvimento muito acelerado por parte da sociedade, das inovações. Exemplificando, a TV demorou cerca de 20 anos para ser aceita por todos e alcançar um índice fantástico de consumidores, porém com esta informação em alta, a internet só precisou de 4 anos para conquistar o mesmo espaço. Hoje as pessoas não conseguem mais viver sem utilizar da internet, e ela já está chegando até mesmo para as pessoas mais pobres, o que antigamente parecia impossível.

Toda esta informação também traz vantagens para as pessoas pois estas ficam mais valorizada, ou seja, pode-se dizer que a informação é o bem mais precioso do século XXI.

Uma empresa que quer aumentar seu market share perante as concorrentes necessitam estar muito atentas as informações pois será através dela que estas se destacarão.

O homem se acostumou com a tecnologia a um ponto tão alto que é impossível ver o mundo hoje sem a presença dela. Ela é essencial, e através dela as pessoas adquirem muitas facilidades como por exemplo na internet: pode-se pagar uma conta do banco, comprar algo, ver um filme, etc.

5.3 Comportamento Organizacional

A organização é algo que necessita estar presente em qualquer atividade, cujo o objetivo geral é alcançar o sucesso. Dentro de uma empresa, a organização pode ser utilizada como uma estratégia, para se destacar das demais concorrentes, pois uma empresa que possue a organização em suas atividades consegue ver as oportunidades que podem aparecer primeiro que as demais.

Segundo Hampton (1990, p. 26), o termo organização refere-se ao ato de dividir toda uma organização, comumente chamadas de divisões ou departamentos, e em subunidades, comumente chamadas de seções, tendo responsabilidades específicas e uma hierarquia de relacionamentos: a estrutura organizacional. Ela também se refere a coordenação dessas unidades e subunidades interagindo para atingir todos os objetivos organizacionais.

Uma empresa que quer alcançar o sucesso necessita ter em seu comando pessoas organizadas. Necessita de um padrão de trabalho, uma rotina específica. Exemplificando, pode-se dar um exemplo de um estoque mal organizado. Supondo que uma empresa não tenha um estoque bem definido, onde tenha apenas uma plataforma para chegada e saída de material, os produtos fiquem todos espalhados pelo galpão, não tenha uma contagem de produtos existentes no estoque. Esta empresa pode ter diversos problemas como, erro na falta de verificação de validade de um determinado produto, falta de produtos decorrentes a não ter um contador, perca de tempo, perca de dinheiro, entregas erradas, referente a ter apenas uma plataforma de entrada e saída de produtos.

Como pode-se ver no exemplo anterior, uma empresa que não tem organizadores em seu comando por mais que tenha um produto espetacular, corre sérios riscos de ter conseqüências bem terríveis.

Conforme Oliveira (2009, p. 63), organização da empresa é a ordenação e o agrupamento de atividades e recursos, visando ao alcance dos objetivos e resultados estabelecidos.

Estrutura organizacional é o instrumento administrativo resultante da identificação, análise, ordenação e agrupamento das atividades e dos recursos das empresas, incluindo o estabelecimento dos níveis de alçada e dos processos decisórios, visando o alcance dos objetivos estabelecidos pelos planejamentos das empresas. (OLIVEIRA, 2009 P. 69)

A organização é essencial em todos os espaços da organização. A empresa pode até ser organizada mais se tiver um profissional sem este perfil, sua organização pode não ser suficiente e pode ocorrer diversos contratempos.

Existem vários pontos de destaque que uma empresa necessita obter para alcançar seu tão sonhado sucesso, e dentre eles está a organização.

Empresas que possuem este perfil, adquirem muitas vantagens, uma vez que podem agilizar processos, reduzir custos, serem vista perante a sociedade de uma forma melhor, o que a destaca sempre positivamente.

As quatro variáveis da organização são: Tamanho: pois as organizações são entidades em escala. Um grupo pode sentar-se em torno de uma mesa, uma organização não. Complexidade: tarefas bastante específicas, com dificuldades para suas realizações, tornando a organização altamente complexa. Consciente racionalidade: está implicitamente contida no estudo da organização, envolvendo a adaptação do comportamento individual aos objetivos organizacionais. Presença de objetivo: a significação da racionalidade sugere o objetivo, ou seja, a consecução de objetivos previamente estabelecidos e mutuamente aceitos. Embora a definição analisada nos pareça bastante adequada para os propósitos deste trabalho, é evidente que encontramos na teoria administrativa uma infinidade de outras abordagens e definições de organizações. (CURY, 2007, P. 116)

Uma empresa em seu ciclo de vida, passa por diversas dificuldades em todos os sentidos, portanto para economizarem tempo, dinheiro e trazer mais confiança aos consumidores estas necessitam prestar mais atenção a essas quatro variáveis da organização e tentar supri-la por completo.

Sabe-se que a organização não é o único ponto para uma empresa se ter sucesso total, e um outro destaque importante que a empresa necessita obter é um poder considerável de inovação. Empresas que tem uma química entre inovação e organização tem muita chance de ser um sucesso e se destacar perante a concorrência.

5.4 – Inovação

Existem dois tipos de inovações que são: radical e incremental. A inovação radical ocorre quando um indivíduo cria um produto que jamais foi visto no mercado anteriormente. É uma inovação de risco, que pode gerar resultados muito positivos.

Já a inovação incremental, é feita através de um produto já existente e que pode estar em declínio ou pode ser melhorado e gerar mais interesse por parte dos consumidores. Desta maneira é realizado um incremento neste produto analisando erros antigos e eliminando-os.

Uma empresa antes de fazer uma inovação, necessita verificar qual a sua situação de mercado atual e seus objetivos através deste projeto, ou seja, onde se quer chegar, quais resultados se pode alcançar.

A inovação é o instrumento específico dos empreendedores, o meio pelo qual eles exploram a mudança como uma oportunidade para um negócio diferente ou um serviço diferente. Ela pode bem ser apresentada como uma disciplina, ser aprendida e ser praticada.(DRUCKER, 1909, p. 25).

Por estar em um mercado extremamente competitivo, onde as informações vão aumentando a cada dia mais e mais, as empresas tem duas alternativas para prosseguir: ou inova ou evapora.

A necessidade de inovação está presente até nas microempresas e empresas de pequeno porte. Se estas empresas se esquecerem de inovar, estas ficaram estagnadas no mercado competitivo e sua falência será questão de tempo.

Na atualidade, pelas novas atualizações, o índice médio de empresas que acabam falindo alcançou o patamar de 80%, e as empresas que sobrevivem necessitam de atualizações constantemente para não fazerem parte deste índice.

Para realizar uma inovação o profissional necessita conhecer o perfil de seu consumidor, para reduzir os possíveis riscos que possa ocorrer durante o processo.

Uma das características mais importantes que um inovador necessita obter é a ética na hora de criar algo. Os principais princípios éticos são a moral, ambiental e social. A sociedade deve aceitar a inovação. Quando se faz uma inovação o empreendedor necessita verificar em que a inovação facilita para o consumidor, para a sociedade, para o meio ambiente, colaboradores e empresa.

Uma empresa ao pensar na arte de inovar, ao invés de pensar no que fazer para melhorar seu produto oferecido no mercado, esta, necessita pensar o que fazer para deixar o seu produto perfeito.

A inovação é o instrumento específico do espírito empreendedor. É o ato que contempla os recursos com a nova capacidade de criar riqueza. A inovação, de fato, cria um recurso. Não existe algo chamado de recurso até que o homem encontre um uso para alguma coisa na natureza e assim o dote de valor econômico. Até então, cada planta é uma erva qualquer e cada mineral apenas uma outra rocha. (DRUCKER 2003, p. 39).

Pode-se dizer que inovação e empreendedorismo são palavras similares uma vez que uma pessoa que inova em algo, automaticamente esta, está sendo empreendedora com pensamentos pró-ativos em uma organização.

As perspectivas para o futuro são de forte crescimento da informação, e consequentemente as atualizações vão ficar a cada vez em um processo mais rápido. Serão produtos inovadores surgindo, muitos outros entrando em declínio, ou seja, uma empresa que não tem inovadores em seu comando, não terão criatividade suficiente para concorrer com concorrentes que tem este perfil e cairão nas perspectivas do consumidor.

Os produtos em sua maioria, sempre tem um ciclo de vida, ou seja, a idéia surge de montar algo novo, este produto em seguida entra no mercado, pode ser muito destacado por ser algo novo, mas com o passar do tempo e com as grandes atualizações, este produto vai entrar em um declínio pois os consumidores vão ficar aguardando novas tecnologias. Exemplificando, pode-se observar o carro. Quando foi criado, foi algo maravilhoso, e por mais que fosse muito difícil de se adquirir todos queriam por ser algo extremamente inovador e de bom senso, trazia muitas facilidades aos usuários. Com o passar do tempo, o carro ainda é essencial, tanto que a maior parte da população adquire-o, porém, já não basta ter um carro, necessita ter um algo a mais, um conforto, uma tecnologia.

De acordo com Degen (1989, p. 21), o processo para inovar é: identificação de necessidades, observação de deficiências, observação de tendências, derivação da ocupação atual, lançamento de moda.

Criar produtos inovadores pode ser um diferencial competitivo. Muitas vezes quando não se vê mais saída nos resultados obtidos entre a empresa e o consumidor, a melhor forma de mexer no mercado para adquirir uma fatia maior é através da inovação.

Muitas vezes um ato simples e até mesmo obvio pode fazer com que empresas que estão entrando em um declínio que é visto como sem fim se erguerem novamente e conquistarem o mercado consumidor de uma maneira fantástica ao ponto de se transformarem em potenciais no mercado.

Não se pode ter medo de inovar, de errar. Muitas vezes, é através do erro que se encontra as principais oportunidades. O erro é um meio e não um fim. É uma conseqüência de quem busca o sucesso, mais geralmente, se uma pessoa traça um objetivo e luta até o fim, atropelando todos os obstáculos, a chance de se obter sucesso é muito grande.

Com relação à perfis profissionais, é muito melhor terem pessoas que erram tentando do que pessoas que não tentam para não errarem. Risco é algo que sempre vai existir, até mesmo se o produto é um sucesso, com o passar do tempo pode se tornar um produto antigo, portanto, para uma empresa que tem como objetivo alcançar um sucesso contínuo, deve contar com perfis inovadores trabalhando com uma visão de sempre estar inovando.

Administradores recém formados necessitam praticar este perfil, uma vez que as inovações estão surgindo de forma extremamente rápida e se o profissional não obtiver este ímpeto, infelizmente este, andará para traz no mundo dos negócios.

Um outro fator que um profissional necessita obter em parceria com a inovação é o empreendedorismo, pois o profissional necessita ser eficaz e eficiente, ou seja, ele tem que fazer as coisas certas no momento certo e com perfeição. Com o empreendedorismo ele vai saber qual é o momento necessário para inovar.



5.5 – Empreendedorismo

O empreendedorismo pode ser considerado uma arte, onde os que possuem esta habilidade tem grandes chances de se tornar um sucesso no mundo empresarial.

Dentro de uma organização, 60% dos trabalhadores são totalmente descartáveis pois realizam apenas a sua função de maneira simples e não demonstram interesse pela empresa. 20% dos funcionários são intitulados como profissionais padrão pois realizam bem as atividades que lhe são designadas, porém não fazem mais do que isso. 10% dos empregados são considerados funcionários bons pois fazem além do que é o considerado necessário, e os últimos 10% são considerados empregados empreendedores pois são indivíduos espetaculares, muito inteligentes, inovadores, trabalham em prol da empresa e sempre está disposto a fazer tudo o que está ao seu alcance. (JUSTUS, 2006, P. 62 e 63)

Uma empresa que quer ter sucesso necessita ter um controle dos funcionários fazendo com que eles se sintam motivados, uma vez que ela não pode se dar ao luxo de perder um funcionário empreendedor para uma concorrente, pois será muito difícil encontrar uma peça de reposição.

Segundo Chiavenato (2004, p. 3), Um empreendedor é a energia da economia, a alavanca de recursos, o impulso de talentos, a dinâmica de idéias. Mais ainda: ele é quem fareja as oportunidades e precisa ser muito rápido, aproveitando as oportunidades fortuitas, antes que outros aventureiros o façam.

Para ser um empreendedor, é necessário identificar uma oportunidade no mercado antes do concorrente e implanta-la no momento oportuno, além disso necessita saber olhar o mercado e conseguir saber como está as suas tendências, saber tirar um produto de venda antes que ele entre em declínio para não queimar a imagem da empresa, ter criatividade para conseguir mudar um problema, entre outras características inovadoras.

Chiavenato (2004, pág. 6 e 7) cita três características básicas que um empreendedor necessita ter. São elas: necessidade de realização, disposição para assumir riscos e autoconfiança.

Então, o empreendedor é aquele que detecta uma oportunidade e cria um negócio para capitalizar sobre ela, assumindo riscos calculados. Em qualquer definição de empreendedorismo o empreendedor tem iniciativa para criar um novo negócio e paixão pelo que faz, utiliza os recursos disponíveis de forma criativa, transformando o ambiente social e econômico onde vive, aceita assumir os riscos e a possibilidade de fracassar. (DORNELAS, 2001, P. 37E38).

Ele precisa ter muita força de vontade, saber utilizar a tendência do mercado ao seu favor, estar preparado para problemas que possam ocorrer no projeto e acima de tudo acreditar que o objetivo final será alcançado sem nenhuma chance de fracasso. O empreendedor precisa fazer as coisas acontecerem, ter faro de negócio, criatividade e facilidade em lidar com problemas. Além disso ele precisa ser oportunista para não perder uma oportunidade além de ser ético.

Os estudos em empreendedorismo no ensino superior parecem se justificar pela crescente necessidade de desenvolver potenciais empreendedores, em habilidades ou competências que possibilitem a sua inserção e desempenho em uma sociedade altamente competitiva. O tema tem merecido crescente preocupação das empresas, órgãos governamentais e, especialmente, as instituições de ensino superior, (PREVIDELLI, 2006 P. 12).

Vê-se que a importância do empreendedorismo é tão grande ao ponto das instituições de ensino terem implantado esta disciplina no conteúdo acadêmico.

O empreendedorismo é uma das principais características que um profissional pode possuir. Aqueles que demonstram essas qualidades, são vistos como rochas, pois tem a sensação de que são indestrutíveis, pois dificuldades, todas as empresas por maiores que sejam vão encontrar em seu caminho, porém se esta for guiada por empreendedores, então ela pode ficar tranquila pois ela pode até ter algumas dificuldades mais a probabilidade de ela sair fortalecida e de cabeça erguida é gigante.

Por este motivo, profissionais que saem para o mercado de trabalho com esta característica começa sua jornada profissional muito a frente dos outros e conseguem entrar em excelentes empresas e ter um futuro muito promissor. Portanto, atualmente as universidades estão incluindo em seus planos de ensino várias disciplinas com este perfil, pois sentem que com as atualizações que estão ocorrendo cada dia mais e mais, esta será uma das principais formas de alguém se sobressair.

5.6 Clima e Cultura Organizacional

A cultura existe em todos os lugares. Cada pessoa é diferente e portanto tem necessidades diferentes. Cada organização possue uma cultura diferente, e esta necessita ter uma boa filosofia para unir ao máximo todos os colaboradores, a fim de alcançar uma união entre ambos.

Segundo Fleury (1996, pág. 20), Cultura organizacional é o conjunto de pressupostos básicos que um grupo inventou, descobriu ou desenvolveu ao aprender como lidar com os problemas de adaptação externa e integração interna e que funcionaram bem o suficiente para serem considerados válidos e ensinados a novos membros como forma correta de perceber, pensar e sentir, em relação a estes problemas.

Toda organização é diferente pois existem culturas diferentes e situações diferentes. Cada líder possue uma filosofia de pensar diferente dos demais e a implanta na empresa. Algumas vezes acontece de esta maneira implantada pelo administrador não ser bem aceita por parte das pessoas que constituem a organização.

As pessoas por sua vez, não são acostumadas à mudanças uma vez que mudar algo dentro de uma empresa consequentemente pode gerar muita insegurança e muitas pessoas não conseguem trabalhar sob a ipótese de inseguranças. Estas inseguranças são refletidas muitas vezes pelo baixo rendimento dos funcionários como um todo.

Para uma organização ter sucesso, esta, necessita pessoas motivadas em seu comando e segundo a teoria dos dois fatores de Herzberg, dentro de uma organização existe os fatores higiênicos e os fatores motivacionais. Os fatores Higiênicos são considerados fatores insatisfacientes, ou seja, eles não trazem a motivação, eles apenas não trazem a insatisfação se forem alcançados seus objetivos. Eles são considerados o contexto da empresa e são decididos pela empresa. São eles: salário, cultura da empresa, etc. Já os fatores motivacionais não trazem insatisfação, mas se alcançados geram muita motivação para os funcionários. Eles são considerados o conteúdo do cargo e são decididos pelos funcionários. São eles carreira, etc.

A cultura da empresa, muitas vezes é algo que traz desmotivação para as pessoas que trabalham dentro de uma organização, pois ela não tem nenhuma autonomia sobre estas decisões.

Cabe ao administrador, Ter um perfil de muita liderança para conquistar as pessoas que aquela forma de trabalho é a melhor para o futuro da empresa e para elas mesmas.

Este processo não é tranquilo de se fazer, uma vez que em sua maioria, as empresas possuem grupos informais, ou seja, existem grupos de funcionários com uma opinião própria e formada com relação aos assuntos existentes dentro da organização.

Quando ocorre processos de mudança, esses grupos informais muitas vezes não aceitam estes procedimentos e dentre muitos problemas que podem acontecer, pode surgir até mesmo muitas reivindicações e greves.

Todos estes fatos que acontecem prejudicam a imagem, o planejamento da empresa e faz com que ela comece a andar para trás.

Um líder preparado age de maneira sábia, para trazer todos os pontos positivos que uma mudança dessa pode proporcionar para os funcionários da empresa, tem um bom poder de persuasão de forma a mudar a idéia das pessoas em prol da empresa.



5.7 Capital Intelectual

O maior bem que uma pessoa pode possuir em sua vida é o conhecimento, pois tudo pode-se perder um dia, ou seja, uma pessoa rica pode falir, um investimento pode haver perdas, uma oportunidade de trabalho pode ser desperdiçada, entre outras, mais o conhecimento nunca se perde e nunca é o bastante.

As perspectivas para o futuro são extravagantes para o crescimento, inovação, empreendedorismo, grande alta nas informações entre outras, e para as empresas obterem um processo igual de crescimento, necessitam ter como perfil pessoas que constituem a organização, aquelas que tem como principal objetivo ter uma formação continuada, ou seja, buscar sempre por atualizações em seus conhecimentos, uma vez que quando chega uma inovação por parte do mercado estes profissionais necessitam saber transformar tudo em conhecimento, e com bagagem curricular tudo acaba se facilitando para a empresa e para o profissional.

As empresas precisam de pessoas preparadas, pois no momento em que ocorrer uma crise, estas usaram de todo o seu conhecimento e transformaram a crise em resultados positivos.

Claudio Vilardo, gerente da kimberly há dez anos, percebeu que havia uma crise chegando e resolveu discutir com os clientes soluções exclusivas para cada um deles. Para uma das redes que buscava melhores preços para seus consumidores, sua equipe, criou pacotes de papel higiênicos de 24 rolos, maiores que os com 16 vendidos anteriormente. A decisão possibilitou um custo menor unitário e as vendas aumentaram. Para outro cliente, a decisão foi mudar a localização das fraldas geriátricas. Com a crise: queda nas vendas de 15%. Hoje, 33% aumento nas vendas. Graças a medidas como essas, Claudio conseguiu aumentar em 19% as vendas para os grandes varejistas. (BOTTONI 2009, p. 43 e 44).

Pode-se observar através desta experiência que o principal bem que uma empresa pode possuir são as pessoas que lhe compõem, e que através de pessoas bem preparadas, as situações que parecem ser impossíveis de se resolver são surpreendentemente resolvidas de forma a não só voltar ao padrão anterior como também a ter ganhos maiores de fatias do mercado.

Pessoas pró-ativas, com total conhecimento dentro das organizações são capazes de surpreender a tudo e a todos, e, quando se unem uma empresa com qualidades para o crescimento com profissionais com este perfil, estas são de fatos, empresas que estão construindo, e a longo prazo, será uma empresa que irá começar a colher os frutos de seu maravilhoso trabalho que foi realizado.



5.8 Conhecimento empresarial: principal fator do capital intelectual

Conhecimento é uma palavra que pode ter vários significados. Informação, conscientização, saber, cognição, competência, capacidade, sabedoria, entre outros. Mas, sua definição depende muito do contexto em que o termo é empregado.

Segundo Sveiby (1998, p. 21 e 22) o conhecimento é a capacidade de agir e ele tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores. Nas organizações, ele costuma estar embutido não só em documentos e repositórios, mas também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais.

Esta definição infere que o conhecimento é algo complexo, que deriva de experiências, informações e é produzido na mente das pessoas. Não se deve confundir conhecimento com a simples informação de dados. Esta afirmação esclarece que:

Por mais primário que possa soar, é importante frisar que dado, informação e conhecimento não são sinônimos. O sucesso ou fracasso organizacional muitas vezes pode depender de saber de qual deles precisamos, com qual deles contamos e o que podemos ou não fazer com cada um deles (DAVENPORT & PRUSAK, 1998, p. 1).

Portanto, faz-se necessário entender as correlações dos termos e a transformação de dado em informação e de informação em conhecimento.

Os dados são importantes para as organizações, porque são os itens essenciais para a criação da informação. Todas as organizações precisam de dados, sendo necessário sua gestão, registro, manutenção, sabendo o seu custo, se são precisos, o que se pode extrair deles, o número suficiente de dados necessários, já que em demasia podem dificultar a identificação e a significação do que realmente é necessário.

A informação pode ser adquirida através da linguagem, quando é utilizada para articular alguns dos conhecimentos tácitos, pela fala ou pela escrita, na tentativa de transmitir a outras pessoas. É a comunicação de informação.

Evidentemente, informação é diferente de dado, sendo mais relevante, fornecendo julgamento e interpretação, podendo dizer que são dados com significação.

Tentar disseminar conhecimento ao máximo através de orientação ou aprendizado para que os conhecimentos tácitos importantes não se concentrem numa única pessoa, é um recurso. Os recursos da multimídia e os de hipertexto das intranets criaram a possibilidade de capturar pelo menos uma fração significativa de conhecimento de um especialista e tornar explícito o conhecimento tácito (DAVENPORT, PRUSAK, 1998, p. 99).

A forma mais eficiente de transmitir e compartilhar esse conhecimento tácito é o contato direto com as pessoas que detêm tal conhecimento, fazendo interação. Como defende Davenport & Prusak (1998, p. 88), propiciar acesso a pessoas possuidoras do conhecimento tácito é uma medida mais eficiente do que tentar aprender e codificar aquele conhecimento por meio eletrônico ou impresso.

Para gerar e transmitir conhecimento, as organizações que se preocupam com o capital intelectual, devem se organizar e observar informações para saber transforma-las em conhecimento, correlacionar as experiências da organização e levar em conta o equilíbrio na cultura organizacional.

5.9 Tomada de decisões

O administrador é visto dentro de uma organização como um tomador de decisões pois em uma empresa sempre ocorre problemas em todos os setores possíveis e é função do administrador estar preparado para solucionar qualquer eventualidade que possa acontecer através de seu intelecto.

Para uma pessoa estar preparada para a tomada de decisões, esta, necessita conhecer a empresa como um todo e analisar todas as saídas possíveis para um problema específico

O administrador, ao tomar uma decisão necessita analisar principalmente qual o grau de risco e incerteza que esta decisão poderá causar a instituição no futuro. Grandes empresas acabam falindo por falta de profissionais com visão de futuro que conseqüentemente toma decisões erradas.

A tomada de decisões é um fator vital dentro de uma organização, uma vez que muitas vezes quando a empresa necessita utilizar este fator, esta, já está com problemas dentro de seu funcionamento e quando se toma uma decisão errada, principalmente nas pequenas empresas, a conseqüência pode ser fatal.

Um problema é considerado estruturado se sua definição e fases de operação para chegar aos resultados desejados estão bem claros e sua execução repetida é sempre possível. Os problemas semi-estruturados são problemas com operações bem conhecidas, mas que contêm algum fator ou critério variável que pode influir no resultado, Nos problemas não estruturados, tanto os cenários, como o critério de decisão, não estão fixados ou conhecidos a priori. (SHIMIZU, 2006, p. 31)

Segundo Shimizu (2006, p. 31), existem quatro tipos de níveis de decisões que são: estratégico (em geral, decisão para dois a cinco anos); tático (decisão para alguns meses a até dois anos); operacional (alguns dias ou alguns meses); e despacho ou liberação (decisão para algumas horas ou alguns dias).

Existem duas formas de se tomar uma decisão dentro de uma decisão dentro de uma empresa que são: a decisão por meio da centralização e a descentralização. Cada forma tem suas características e também suas vantagens e desvantagens.

Conforme Mintzberg (2003, p. 112), quando todo o poder para a tomada de decisão situa-se em um único ponto da organização – afinal, nas mãos de uma pessoa – sugerimos uma estrutura centralizada. Na extensão em que o poder está disperso entre muitas pessoas, sugerimos a estrutura descentralizada.

Geralmente a estrutura centralizada é utilizada mais freqüentemente em uma microempresa ou empresa de pequeno porte, pois ai geralmente o dono é o tomador de decisões. Por outro lado, quando se fala de grandes empresas, este processe geralmente é mais descentralizado, uma vez que há muitas decisões a serem tomadas com grande freqüência, ou seja, a empresa nomeia pessoas em quem confia para dar autonomia a estas a tomar as decisões que lhes acham conveniente no momento. Porém mesmo indicando algumas pessoas, as decisões descentralizadas geralmente são tomadas em grupo, ou seja, cada um fala a sua opinião e eles decidem pelo bom senso qual a melhor tomada de decisão para a empresa no momento.

A tomada de decisões é um fator essencial para administradores de sucesso, uma vez que dentro de uma organização, este fator é utilizado na maioria dos momentos, portanto um profissional que busca alcançar o topo da sua carreira profissional necessita ser pro-ativo, buscar sempre cada vez mais conhecimento, pois é através do conhecimento que este conseguirá tomar as melhores decisões possíveis para a organização e conseqüentemente crescer a sua imagem.

Portanto o Desafio Sebrae é ótimo, pois busca em todos os momentos do jogo fazer com que os universitários pratique o seu poder de tomar decisões. Mostra também na prática, quais problemas uma empresa pode enfrentar devido a uma decisão tomada equivocadamente e faz o universitário começar a praticar a idéia de traçar estratégias para fazer com que sua empresa lhe traga mais resultados positivos.

5.10 – Padrão Desafio Sebrae:

O desafio Sebrae é um jogo de empresas que foi feito para universitários terem experiência real de problemas freqüentes dentro de uma instituição sem ter tido nenhuma experiência de trabalho anterior.

O Desa?o Sebrae ou DS (para os íntimos) completa 10 edições. Nesses anos que se passaram, construímos uma comunidade de participantes no Brasil e em diversos países da América do Sul.

Comunidade que está ligada pelos laços desta competição que, em vez de criar concorrentes, irmana competidores. É dessa competição, que permite aprender que cooperação, amizade e aprendizado podem co-existir mesmo quando só um pode vencer, que vem nosso orgulho de ter contribuído com algo diferente e inovador para o país.

O Desa?o Sebrae nos ensinou isso. Quando nós o criamos, imaginávamos estar desenvolvendo um jogo de empresas um pouco diferente dos demais, voltado para despertar a chama empreendedora entre os jovens universitários do Brasil. Mas, o que seria fazer algo “um pouco” diferente”?

De início criamos uma competição onde os jogadores competem entre si e não com o computador. Há 10 anos atrás a maioria dos jogos de empresas de larga escala não permitiam esse tipo de competição. Depois criamos fases presenciais para trazer todos para uma grande confraternização/competição nacional. A semi? nal nacional é um raro encontro de todo o Brasil e uma experiência de vida, segundo os participantes (organizadores e jogadores) única, inesquecível e maravilhosa.

Fomos acrescentando aos poucos algumas inovações e sempre, muita paixão. Paixão pelo projeto que permite que, durante um período curto de tempo, milhares de estudantes conheçam e aprendam noções de empreendedorismo e gestão de forma vivencial. Entendendo e vivendo o aprendizado de uma forma que, ousamos dizer, só os métodos de ensino vivenciais permitem. (LEITE, p. 5)

O jogo busca preparar os universitários para lidar com qualquer problema que uma empresa possa desenvolver e conseqüentemente fazer com que este profissional fique preparado para o mercado profissional.

Neste desafio, o universitário começa a conhecer áreas como o departamento pessoal, a área de produção, marketing alem de termos como consultoria, market share, os 4 p’s, etc. O jogo busca sempre tentar complicar o máximo as rotinas de uma empresa para buscar fazer o profissional trabalhar com o seu intelecto de maneira inovadora e empreendedora.

Uma das principais atividades que o estudante pratica é a tomada de decisões, seja no tamanho da construção da fábrica, quantos insumos necessita comprar por trimestre, que funcionários seria melhor à empresa, quanto investir, calculo de preço, entre outros.

O jogo funciona em forma de competição entre equipes, onde cada atividade realizada, as equipes ganham uma nota específica da decisão. Cada fase é composta por várias etapas e somente as equipes que obtiverem as melhores decisões é que se qualificam para as etapas posteriores.

Isto faz com que os universitários se motivem ainda mais e tentem tomar todas as decisões com perfeição, para assim, a cada vez mais chegarem mais longe. Esta prática de tomar uma decisão atrás da outra vai aos poucos trazendo cada vez mais conhecimentos práticos de uma rotina das empresas à eles.
No jogo, aquela equipe que for mais longe e se sagrar campeã, além do reconhecimento, ganha premiações como notebooks para cada integrante do grupo e uma viagem para a Europa a fim de conhecer os centros empreendedores da região.

5.11 Proposta do Curso de Administração oferecido pela faculdade metropolitana de Maringá – UNIFAMMA

5.11.1 Regime de matrícula

Seriado Semestral.

5.11.2 Carga horária total do curso

3.300 horas

3.120 (tres mil cento e vinte horas/aula) incluíndo o Estágio Supervisionado

180 (cento e oitenta horas) para atividades complementares

5.11.3 Integralização da carga horária do curso

Mínimo de 8 e máximo de 12 semestres, para cada habilitação.

5.11.4 Missão/Finalidade do Curso e/ou Linha de Formação

Ser um centro de excelência no ensino das Ciências Gerenciais, contribuindo para o desenvolvimento da Administração e para o aprimoramento das organizações administrativas que trabalham com estas áreas, pela formação de gestores qualificados, em programas de graduação e pós-graduação.

5.11.5 Perfil de egresso pretendido pela Mantenedora com o Curso e/ou Linha de Formação

Pretende-se que o egresso das habilitações Administração Geral, Agronegócios, Comércio exterior, Finanças e Recursos Humanos tenha desenvolvido:

• elevado potencial de inserção no mercado de trabalho, ou seja, executivos preparados para um ajustamento contínuo às mudanças nas organizações na sociedade e no mercado de trabalho;
• motivação profissional;
• espírito empreendedor;
• espírito público: o cidadão e o profissional comprometidos com os problemas da comunidade;
• espírito crítico para analisar e interpretar as informações;
• domínio de habilidades instrumentais básicas.

Especificamente para o egresso das linhas de formação Administração Geral, Agronegócios, Comércio exterior, Finanças e Recursos Humanos, pretende-se que o mesmo esteja, ao graduar-se, em condições de entender e determinar as necessidades, demandas e desejos dos mercados-alvo e proporcionar as satisfações desejadas de maneira mais efetiva e eficiente do que seus concorrentes.

5.11.6 Objetivos do Curso e/ou Linha de formação

Formar o cidadão e o profissional das ciências gerenciais com:

• elevado potencial de inserção no mercado de trabalho, ou seja, executivos preparados para um ajustamento contínuo às mudanças nas organizações na sociedade e no mercado de trabalho;
• espírito empreendedor; espírito público: o cidadão e o profissional comprometidos com os problemas da comunidade;
• espírito crítico para analisar e interpretar as informações;
• domínio de habilidades instrumentais básicas.

5.11.7 Objetivos específicos

Form r o Administrador polivalente/generalista, especializado em Administração Geral, Agronegócios, Comércio exterior, Finanças e Recursos Humanos, capacitado para analisar, planejar, implementar e controlar programas destinados a criar, desenvolver e manter trocas com o mercado-alvo, com o propósito de atingir os objetivos da organização.

6 – COLETA DE DADOS:

Considerando as características inerentes ao projeto “ Desafio Sebrae” e considerando o grau de conhecimento necessário para que os acadêmicos tenham reais condições de sucesso nessa empreitada, optou-se por distribuir este questionário aos acadêmicos do 7º e 8º período, em sua totalidade do curso de administração de empresas, correspondendo a uma amostra do total de alunos da Unifamma de 3,8%.

Entende-se que esse critério, pode ser modificado mediante interesse dos pesquisadores, de tal forma que as turmas escolhidas tem o perfil adequado às expectativas pois:

• 70,18% dos entrevistados, estão empregados em prestadoras de serviços;
• 57,89%, têm aspirações de rápido crescimento nestas empresas;
• 94,74%, entendem ter a necessidade de estarem atualizados para desempenho de suas funções
• 94,74%, têm noção dos aspectos que distinguem um bom profissional (em suas respectivas instituições);
• 63,16%, concordam que o termo sorte e tem como significado o fato de estar preparado (candidato a uma vaga) e dispor de uma oportunidade de trabalho;

Qual a principal característica que uma empresa busca na hora de contratar um profissional?

A maior parte dos universitários, 26,32% pensam que a criatividade é a principal característica que uma empresa busca em um profissional para contratá-lo. 21,05% pensam que é imprescindível o profissional ter pulso para ter uma boa tomada de decisão. 19,30% acreditam que um profissional necessita ter como principal característica o empreendedorismo. 15,78% dos entrevistados pensam que existem outras características que são consideradas como principais, 10,53% pesam que uma pessoa que é organizada tem pontos em vantagens com relação a seus concorrentes e 7,02% acreditam que pessoas que planejam são as mais destacadas pelo contratando. Todas estas características citadas acima são extremamente importantes para uma pessoa entrar no mercado de trabalho e se desenvolver e alcançar altos lugares dentro de uma empresa. A criatividade é um fator excelente dentro das qualidades de um indivíduo e propicia outras características como a inovação.

Para uma pessoa inovar, esta necessita de cursos de atualização, participar de programas de educação continuada para acompanhar as evoluções sociais e, principalmente do mundo do trabalho. Mas para um profissional ter sucesso dentro de uma empresa, este necessita possuir várias características das citadas acima.

7 – PROPOSTAS

Propõe-se com a elaboração deste estudo a utilização das informações inseridas na pesquisa. Entendemos que as informações, principalmente os dados coletados, podem ser utilizados para uma reflexão e tomadas de decisão a fim de aperfeiçoar o processo, já em andamento, da profissionalização do universitário mediante participação no Desafio Sebrae. De posse de tais dados é possível perceber-se diversos cenários e situações que ocorrem no cotidiano da instituição e que, devido ao costume, a rotina e a ausência de um processo mais sistematizado pode passar despercebidamente.

Assim, um ponto de destaque é fazer com que a política da universidade fique totalmente clara para todos os universitários tentando suprir todas as suas necessidades. Agir desta maneira pode acarretar em melhorias de serviço oferecido.

Pode-se destacar também o pouco número de eventos que a universidade oferece aos alunos. Seria interessante um maior planejamento para revolucionar esta área trazendo mais palestras, programações diferentes das que já são oferecidas.

Poderia também procurar motivar mais os alunos a participarem dos eventos que a instituição oferece como grupo de estudos, ciclo acadêmico, entre outros.

Com relação ao Desafio Sebrae, um ponto observado na pesquisa é que algumas pessoas que já estão quase concluindo seus estudos ainda nem o conhecem, e outros o conhecem apenas de nome, porém não tem o conhecimento necessário do que participar deste Desafio pode proporcionar a carreira de um universitário. Portanto a universidade poderia incluir em sua grade uma palestra sobre o Desafio Sebrae, fazendo com que os alunos adquirissem maiores informações sobre do que se trata esta atividade, e quais seriam os benefícios que um participante poderia adquirir.

Além disto, outro ponto que merece destaque é o incentivo da escola na inserção do aluno no mercado de trabalho, pois como se pode observar, a grande maioria dos universitários sentem insegurança na hora de vivenciar na prática seus conhecimentos teóricos. Pode-se inserir palestras com este tema ao decorrer dos anos letivos.

O incentivo aos universitários à participarem de projetos da universidade também é um ponto que pode ser muito interessante na formação deles.

No caso do Desafio Sebrae, pode-se fazer um projeto para incentivar os alunos desta instituição a participar, como por exemplo, dar uma premiação para o melhor grupo da faculdade, fazendo assim uma competição interna em busca do conhecimento.

8 – CONSIDERAÇÕES FINAIS

Através deste projeto acadêmico pode-se observar o que as empresas estão buscando como futuros profissionais e como estes, estão saindo para o mercado de trabalho. Este trabalho esclarece todos os fatores que um profissional necessita correr atrás para se tornar uma pessoa de sucesso no mercado de trabalho.

Mostra também que uma empresa para se ter sucesso necessita de um espírito inovador onde sempre esteja disposta a inovar em todas as áreas de sua estrutura e profissionais pró-ativos que pensam como empreendedores e que não medem esforços para alcançar todo o sucesso que a empresa planeja.

A empresa ainda necessita ter um bom planejamento, ser organizada, ter em seu poder pessoas que saibam controlar todas as operações que forem necessárias.

Uma boa importância em pesquisa e desenvolvimento também é necessário para se destacar perante a concorrência. Hoje em dia com o mercado competitivo que vêm se apresentando, este ponto é essencial se uma empresa quer alcançar o sucesso. As empresas necessitam prestar atenção em produtos que estão em declínio e tirá-lo do mercado antes que os clientes percebam, pois se os clientes perceberem antes a empresa pode ficar mal vista.

Com a globalização em alta, e a sociedade da informação a cada dia mais surpreendendo, o profissional necessita sempre estar se atualizando para transformar informação em conhecimento.

Para uma empresa dar certo, esta necessita também ter uma boa cultura, uma vez que necessitam de funcionários motivados em seu comando e se estes, em sua maioria, não aceitam sua filosofia de trabalho, consequentemente, estes acabam não dando o melhor de si para a instituição.

Outro ponto que foi verificado neste trabalho é como os universitários observam o Desafio Sebrae, destacando quais qualidades um indivíduo que participa deste projeto adquire.

Também se vê como os universitários se sentem ao sair da universidade e ingressar na carreira profissional. Qual é seu nível de preparação.

Além disto, é observado o que as empresas estão buscando em futuros profissionais, além de verificar quais são as qualidades que se destacam na hora de buscar um emprego.

Neste contexto o presente trabalho apresenta sugestões que podem se tornar proposta de implementação como ferramenta no processo da profissionalização do universitário de forma que a empresa e o universitário alcancem seus objetivos.

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Novas Competências Profissionais para Ensinar

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INTRODUÇÃO

Segundo Philippe Perrenoud, o ofício de professor está se transformando: trabalho em equipe e por projetos, autonomia e responsabilidades crescentes, pedagogias diferenciadas, centralização sobre os dispositivos e as situações de aprendizagem. Este contexto privilegia as práticas inovadoras e, portanto, as competências emergentes, aquelas que deveriam orientar as formações iniciais e Contínuas, aquelas que contribuem para a luta contra o fracasso escolar e desenvolvem a cidadania, aquelas que recorrem à pesquisa e enfatizam a prática reflexiva. É preciso reconhecer que os professores não possuem apenas saberes, mas também competências profissionais de modo a não se reduzir ao domínio dos conteúdos a serem ensinados, e aceitar a idéia de a evolução exigir que todos os professores possuam competências antes reservadas aos inovadores ou àqueles que precisavam lidar com públicos difíceis.

DEZ NOVAS COMPETÊNCIAS PARA ENSINAR

Na teoria do autor Philippe Perrenoud, existe hoje um referencial que identifica cerca de 50 competências cruciais na profissão de educador. Algumas delas são novas ou adquiriram uma crescente importância nos dias de hoje em função das transformações dos sistemas educativos, bem como da profissão e das condições de trabalho dos professores.

Essas competências dividem-se em 10 grandes “famílias”:

1. Organizar e dirigir situações de aprendizagem

Conhecer, para determinada disciplina, os conteúdos a serem ensinados e sua tradução em objetivos de aprendizagem.

Trabalhar a partir das representações dos alunos.

Trabalhar a partir dos erros e dos obstáculos à aprendizagem.

Construir e planejar dispositivos e seqüências didáticas.

Envolver os alunos em atividades de pesquisa, em projetos de conhecimento.

2. Administrar a progressão das aprendizagens

Conceber e administrar situações-problema ajustadas ao nível e às possibilidades dos alunos.

Adquirir uma visão longitudinal dos objetivos do ensino.

Estabelecer laços com as teorias subjacentes às atividades de aprendizagem.

Observar e avaliar os alunos em situações de aprendizagem, de acordo com uma abordagem formativa.

Fazer balanços periódicos de competências e tomar decisões de progressão.

Rumo a ciclos de aprendizagem.

3. Conceber e fazer evoluir os dispositivos de diferenciação

Administrar a heterogeneidade no âmbito de uma turma.

Abrir, ampliar a gestão de classe para um espaço mais vasto.

Fornecer apoio integrado, trabalhar com alunos portadores de grandes dificuldades.

Desenvolver a cooperação entre os alunos e certas formas simples de ensino mútuo.

Uma dupla construção.

4. Envolver os alunos em suas aprendizagens e em seu trabalho

Suscitar o desejo de aprender, explicitar a relação com o saber, o sentido do trabalho escolar e desenvolver na criança a capacidade de auto-avaliação.

Instituir um conselho de alunos e negociar com eles diversos tipos de regras e de contratos.

Oferecer atividades opcionais de formação.

Favorecer a definição de um projeto pessoal do aluno.

5. Trabalhar em equipe

Elaborar um projeto em equipe, representações comuns.

Dirigir um grupo de trabalho, conduzir reuniões.

Formar e renovar uma equipe pedagógica.

Enfrentar e analisar em conjunto situações complexas, práticas e problemas profissionais.

Administrar crises ou conflitos interpessoais.

6. Participar da administração da escola

Elaborar, negociar um projeto da instituição.

Administrar os recursos da escola.

Coordenar, dirigir uma escola com todos os seus parceiros.

Organizar e fazer evoluir, no âmbito da escola, a participação dos alunos.

Competências para trabalhar em ciclos de aprendizagem

7. Informar e envolver os pais

Dirigir reuniões de informação e de debate.

Fazer entrevistas.

Envolver os pais na construção dos saberes.

8. Utilizar novas tecnologias

A informática na escola: uma disciplina como qualquer outra, um savoir-faire ou um simples meio de ensino?

Utilizar editores de texto

Explorar as potencialidades didáticas dos programas em relação aos objetivos do ensino.

Comunicar-se à distância por meio da telemática.

Utilizar as ferramentas multimídia no ensino.

Competências fundamentadas em uma cultura tecnológica.

9. Enfrentar os deveres e os dilemas éticos da profissão

Prevenir a violência na escola e fora dela.

Lutar contra os preconceitos e as discriminações sexuais, étnicas e sociais.

Participar da criação de regras de vida comum referentes à disciplina na escola, às sanções e à apreciação da conduta.

Analisar a relação pedagógica, a autoridade e a comunicação em aula.

Desenvolver o senso de responsabilidade, a solidariedade e o sentimento de justiça.

Dilemas e competências

10. Administrar sua própria formação continua

Saber explicitar as próprias práticas

Estabelecer seu próprio balanço de competências e seu programa pessoal de formação continua.

Negociar um projeto de formação comum com os colegas (equipe, escola, rede).

Envolver-se em tarefas em escala de uma ordem de ensino ou do sistema educativo.

Acolher a formação dos colegas e participar dela

Ser agente do sistema de formação continua.

Será que essas competências são realmente “novas”?

Em algumas profissões que dependem totalmente das tecnologias, a renovação das competências é evidente. No entanto, isto não acontece na educação escolar: nem o vídeo, nem o computador, nem a multimídia, até hoje, fizeram com que a profissão de professor mudasse. Desse ponto de vista, a aparente continuidade provoca a ruptura. Se surgissem novas competências, não seria para responder a novas possibilidades técnicas, mas devido à transformação da visão ou das condições de exercício da profissão.

As representações e as novas práticas pedagógicas desenvolvem-se de forma progressiva. Em primeiro lugar, são aplicadas em escolas e classes atípicas, muito antes de serem reconhecidas e adotadas pela instituição e pela profissão, ainda que, em cada momento da história de um sistema educativo, observe-se um amplo leque de práticas; e, portanto, de competências; que vão das mais tradicionais às mais inovadoras.

Desse modo, seria exagerado falar de novas competências se isto sugerisse uma “mutação”. Assistimos mais a uma progressiva recomposição do leque de competências de que os professores necessitam para exercer seu ofício de forma eficaz e eqüitativa. Algumas formas de “dar aula” desaparecem lentamente, enquanto outras assumem uma crescente importância. Algumas delas, que eram parte integrante da profissão, agora pertencem à tradição, ao passo que outras, reservadas aos militantes, integram-se pouco a pouco à identidade e aos recursos do professor da base.

É bastante difícil perceber a novidade, pois as palavras utilizadas para designar as grandes famílias de competências criam uma impressão de familiaridade e, por isso, diversos professores podem, com boa-fé, afirmar que essas competências não lhes são estranhas, que já as possuem, embora não as dominem e nem as apliquem diariamente. Por exemplo, que professor confessaria que não sabe organizar e estimular situações de aprendizagem?

Uma parte do sentimento de familiaridade nasce do fato de que essas questões estão presentes no discurso “moderno” que acompanha as reformas escolares ou que está enraizado nos movimentos pedagógicos e nas ciências da educação. Assim, essas idéias fazem parte da “paisagem pedagógica” e todos “vêem mais ou menos” o que é evocado quando se fala de avaliação formativa, de contrato didático, de pedagogia diferenciada.

Se levarmos a sério todas essas competências, poderemos medir melhor o desvio existente entre o fato de saber ministrar um curso frontal ou “lições” habilidade pedagógica muito comum, porém bastante pobre; e controlar uma ampla gama de situações e procedimentos de aprendizagem, levando em conta a diversidade dos aprendizes. Essas últimas práticas exigem competências muito mais apuradas, provenientes tanto da didática quanto da gestão de classe.

Diante de todas as listagens apresentadas como definitivas e fechadas, o movimento espontâneo de um leitor é a resistência, o questionamento da incrível pretensão do autor à exaustividade e ao ordenamento. No entanto, essa resistência, salutar, deixa de lado o mecanismo principal: pensar nas principais evoluções da profissão.

Para entrar na matéria, parece importante colocar e admitir duas considerações prévias, que serão examinadas a seguir. É importante:

1. reconhecer que os professores não possuem apenas saberes, mas também competências profissionais que não se reduzem ao domínio dos conteúdos a serem ensinados;
2. aceitar a idéia de que a profissão muda e sua evolução exige atualmente que todos os professores possuam novas competências, antes reservadas aos inovadores ou aos professores que precisavam lidar com os públicos mais difíceis.

1. Admitir que os professores tenham competências profissionais.

Ninguém duvida de que os professores têm saberes. Será que também têm competências? É claro que tudo depende da definição que damos a esse conceito. Se entendermos por competência a capacidade de agir de uma forma relativamente eficaz em uma família de situações, sem dúvida aceitaremos que os professores possuem competências, mas acrescentaríamos com um pouco de desdém: acalmar a classe, estabelecer certa ordem, corrigir provas, dar uma orientação, ajudar um aluno em dificuldade, fazer com que os alunos trabalhem em grupos, explicar de novo uma noção mal compreendida, planejar um curso, dialogar com os pais dos alunos, mobilizá-los em torno de um projeto ou de um enigma, sancionar na medida adequada, conservar o sangue frio…

Sem dúvida, essas diversas habilidades parecem necessárias, mas numerosos professores consideram-nas pouco “nobre” em função dos saberes disciplinar. Quanto mais avançamos no ensino médio e superior, mais o saber a ser ensinado passa a constituir o cerne da identidade do educador, mais os professores subestimam o saber para ensinar, reduzindo-o a uma mescla de bom senso, coerência, arte de se comunicar claramente. Por isso, as habilidades são mais reconhecidas se concebidas como a aplicação de saberes metodológicos, baseados nos saberes teóricos, como a didática das disciplinas ou a psicologia cognitiva. Esses saberes procedimentais não têm o prestígio das ciências ou da história, porém é saberes menos “vulgares” que as habilidades.

Se nos situarmos em outra perspectiva, o das habilidades sem nome nem bases teóricas bem identificadas, entra no domínio dos “ossos do ofício”. Ora, o que caracteriza a profissão de professor é que se fala muito pouco das maneiras de fazer, das habilidades construídas no decorrer da experiência; enquanto isso, em outras profissões, sua diversidade e pertinência provocam a admiração dos colegas. Poderíamos dizer, exagerando um pouco, que os professores têm vergonha das habilidades.

Poderíamos dar um status mais invejável a essas habilidades práticas se as tratássemos como “competências”? Para isso, o corpo docente deveria ter uma visão positiva da noção de “competência”. Isto não é evidente, já que no mundo escolar muitas vezes a idéia de competências é associada à tradição utilitarista (saber fazer seu imposto de renda, ler um manual ou trocar um pneu) ou à característica neoliberal do mundo do trabalho.

A emergência da noção de competência no mundo das empresas está ligada, em parte, ao movimento rumo à flexibilidade, à precariedade do trabalho e ao enfraquecimento das escalas de qualificação e, conseqüentemente, das solidariedades estatutárias. O mundo do ensino desconfia do “enfoque por competências”, suspeitando, assim, que a escola está a serviço da economia em detrimento da cultura.

Uma parte do corpo docente resiste de uma maneira ainda mais viva e negativa a esses enfoques, pois agora precisa lidar diretamente com eles. Com efeito, os sistemas educativos visam ao mesmo tempo:

• Explicitar e avaliar de forma mais precisa as competências propriamente profissionais dos professores (para além de sua cultura teórica);
• Reformular os programas escolares no sentido de referenciais de competências (Perrenoud, 1999c).

Assim, a denúncia da moda das competências parece uma luta simultânea contra a racionalização da profissão e a asfixia dos saberes e da cultura. Se a noção de competências parece-lhes empresarial, tecnocrática, utilitarista, se lhes parece contrária ao humanismo e ao conhecimento, como é que os professores poderiam reconhecer que exercem numerosas competências para realizar seu trabalho, para fazer aprender ou simplesmente permitir a coexistência e a cooperação em uma classe ou numa instituição?

Felizmente, quando os professores têm formação universitária, mesmo se ela for muito acadêmica, são capazes de aprender a partir da experiência, de refletir e de forjar na prática as competências sem as quais não poderiam sobreviver em uma sala de aula. Embora não garanta uma prática reflexiva, um elevado nível de formação predispõe a ela. O problema é que cada um aprende por si mesmo, sem imaginar que muitas vezes chega, por meio de caminhos incertos e difíceis, às aquisições das ciências sociais e humanas e às habilidades dos pedagogos.

Portanto, devemos enfrentar e analisar a realidade do trabalho educador proceder a uma transposição didática a partir das práticas reais, reequilibrar os programas de formação dos professores, articular, as competências identificadas com uma verdadeira cultura básica nas ciências da educação e desenvolvê-las em função de um procedimento clínico e reflexivo de formação em alternância.

Ao nos preocuparmos com as competências, estaremos, acima de tudo, lutando por uma formação profissional dos professores baseada na realidade das práticas. Contudo, isto também significa ter meios para fazer a profissão evoluir por meio do desenvolvimento de novas competências.

2. Novas competências: para que todos aprendam

Na análise dos motivos para lutar pela profissionalização da profissão de professor, deparamo-nos com dois tipos de fatores: por um lado, transformações das condições de exercício da profissão e, por outro, crescentes ambições dos sistemas educativos. O ensino nunca foi uma profissão tranqüila. Sempre teve de confrontar o outro, sua resistência, sua opacidade, suas ambivalências. Entretanto, devido às suas múltiplas transformações, parece cada vez mais difícil ensinar e, sobretudo, fazer aprender.

Ao mesmo tempo, o nível de conhecimento e de competência das novas gerações torna-se um mecanismo político e econômico da maior importância. Mecanismo econômico porque o “capital humano” continua sendo um trunfo decisivo para o desenvolvimento e a sobrevivência na concorrência internacional. E também um mecanismo político porque, embora sem garantir à generosidade, o altruísmo, a liberdade, a igualdade e a fraternidade, a instrução é uma condição necessária da democracia e da capacidade de construir uma ordem negociada, de não aumentar a violência ou o fanatismo quando a sociedade é rompida por crises.

Logo, espera-se uma maior eficácia dos sistemas educativos, ao mesmo tempo em que os orçamentos diminuem e as condições de trabalho e os públicos tornam-se mais difíceis. A escola não tem mais direito ao fracasso, não pode mais rejeitar os que “não querem trabalhar”. Não é mais suficiente fazer progredir os que trabalham e compreendem de forma espontânea o sentido desse investimento; é preciso aderir à causa da instrução dos alunos para os quais “a vida está em outro lugar”.

Por isso, as novas competências exigidas estão relacionadas tanto a didáticas pontuais, baseadas nas ciências cognitivas, quanto a enfoques transversais que aliam a psicanálise e a sociologia, que visam a criar ou a manter; e, portanto, a explicar e a compreender; o desejo de aprender, o sentido dos saberes, o envolvimento do sujeito na relação pedagógica e a construção de um projeto.

CONCLUSÃO

Conclui-se que, não podemos dissociar as competências da relação com a profissão. Para formar professores mais competente, aliando uma postura reflexiva e uma forte implicação crítica para o desenvolvimento da sociedade, é necessário desenvolver a profissionalização do professor.

A palavra está na moda, mas a idéia assusta. Provavelmente, todos desejariam beneficiar-se com o nível de especialização que é associado a uma profissão, ao prestígio, ao poder e a uma boa remuneração. No entanto, os atores hesitam em assumir a parcela de autonomia e responsabilidade que está ligada ao exercício de uma profissão. As autoridades querem conservar seu controle sobre os professores e os estabelecimentos. Por outro lado, estes últimos não desejam prestar contas.

Daí a importância, para gerar a transição, de uma décima primeira família de competências, da qual dependerão a outras. Essas competências não se relacionam ao trabalho com os alunos, mas à capacidade de os professores agirem como um ator coletivo no sistema e de direcionar o movimento rumo à profissionalização e à prática reflexiva, assim como para o domínio das inovações.

Isto está relacionado à evolução do sindicalismo, aos projetos de estabelecimento e à participação dos professores na elaboração das reformas escolares, desde que seja negociado. Significa que a profissionalização exige uma vontade comum dos professores, dos diretores e dos políticos.

BIBLIOGRAFIA

Apostila ( Novas Competências Profissionais para Ensinar)

http://www.unige.ch/fapse/SSE/groups/life

A Ciência

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INTRODUÇÃO

Segundo Michel Blay, a ciência é “o conhecimento claro e evidente de algo, fundado quer sobre princípios evidentes e demonstrações, quer sobre raciocínios experimentais, ou ainda sobre a análise das sociedades e dos fatos humanos.” Esta definição permite distinguir os três tipos de ciência: as ciências formais, compreendendo a Matemática e as ciências matemáticas como a física teórica; as ciências físico-químicas e experimentais (ciências da natureza e da matéria, biologia, medicina); as ciências sociais, que se referem ao homem, a sua história, o seu comportamento, a língua, o social, o psicológico, a política. No entanto, os seus limites são leves; em outras palavras, não existe categorização sistemática dos tipos de ciência, o que constitui além disso um questionamento epistemológico.

O presente trabalho analisa a importância do Ensino de Ciências nas Séries Iniciais do Ensino Fundamental.

É parte dessa dissertação, a análise dos significados da alfabetização científica e a elaboração de um conceito de alfabetização científica para as séries iniciais de escolaridade.

O ensino de Ciências com seus métodos, linguagem e conteúdos próprios, tem o objetivo de promover a formação integral do cidadão, como ser pensante e atuante, e como co-responsável pelos destinos da sociedade.

A criança, desde as Séries Iniciais de escolaridade, é cidadã que se constrói através de inúmeros atos interativos com os outros e com o meio em que vive.

Ela é sujeito de seus conhecimentos. “O propósito mais geral do ensino das Ciências deverá ser incentivar a emergência de uma cidadania esclarecida, capaz de usar os recursos intelectuais da Ciência para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento do Homem como ser humano”. (HURD apud CARMO, 1991, p. 146).

Portanto, esse trabalho irá nos mostrar a importância do ensino de ciências e sua contribuição para a sociedade.

AS RAZÕES PARA ENSINAR CIÊNCIAS

Muito se tem discutido e escrito sobre a importância do ensino de Ciências Naturais em todos os níveis de escolaridade.

A importância do ensino de Ciências é reconhecida por pesquisadores da área em todo o mundo, havendo uma concordância relativa à inclusão de temas relacionados à Ciência e à Tecnologia nas Séries Iniciais. Apesar da convergência de opiniões e de sua incorporação pelas propostas curriculares e planejamentos escolares, ainda hoje em dia a criança sai da escola com conhecimentos científicos insuficientes para compreender o mundo que a cerca.

Diante de tal fato, podem ser formuladas questões como: Qual é, afinal, a importância dos conhecimentos científicos para a vida dos educandos? Quais aspectos devem ser enfatizados ao se ensinar Ciências Naturais? Quais as demandas da sociedade em decorrência do desenvolvimento científico e tecnológico? Como as pessoas e as escolas deveriam agir perante o amplo desenvolvimento da ciência e da técnica?

Considerando que a Ciência e a Tecnologia desempenham um papel muito importante na escola elementar, em 1983, a UNESCO elencou algumas justificativas para a inclusão desses temas nos currículos escolares.

• As ciências podem ajudar as crianças a pensar de maneira lógica sobre os fatos cotidianos e a resolver problemas práticos simples.
• As ciências, e suas aplicações tecnológicas, podem ajudar a melhorar a qualidade de vida das pessoas. As ciências e a tecnologia são atividades socialmente úteis que esperamos sejam familiares às crianças.

Dado que o mundo tende a orientar-se cada vez mais num sentido científico e tecnológico, é importante que os futuros cidadãos se preparem para viver nele.

• As ciências podem promover o desenvolvimento intelectual das crianças.
• As ciências podem ajudar positivamente as crianças em outras áreas, especialmente em linguagem e matemática.
• Numerosas crianças de muitos países deixam de estudar ao acabar a escola primária, sendo esta a única oportunidade de que dispõem para explorar seu ambiente de um modo lógico e sistemático.
• As “ciências nas escolas primárias podem ser realmente divertidas”. (UNESCO apud HARLEN, 1994, p. 28-29, tradução minha, grifos meus). Segundo FRACALANZA; AMARAL & GOUVEIA (1986):

“… o ensino de ciências no primeiro grau, entre outros aspectos, deve contribuir para o domínio das técnicas de leitura e escrita; permitir o aprendizado dos conceitos básicos das ciências naturais e da aplicação dos princípios aprendidos a situações práticas; possibilitar a compreensão das relações entre a ciência e a sociedade e dos mecanismos de produção e apropriação dos conhecimentos científicos e tecnológicos; garantir a transmissão e a sistematização dos saberes e da cultura regional e local” (p. 26-27).

As razões apontadas acima se contrapõem ao ensino livresco, memorístico, acrítico e a – histórico ministrado na maioria das escolas. Para mudar esta realidade, torna-se necessário desenvolver um ensino de Ciências que tenha como foco, nas Séries Iniciais de escolaridade, “a ação da criança, a sua participação ativa durante o processo de aquisição do conhecimento, a partir de desafiadoras atividades de aprendizagem”. (FRIZZO & MARIN, 1989, p. 14).

FRACALANZA; AMARAL & GOUVEIA (1986) afirmam também que o ensino de Ciências, além dos conhecimentos, experiências e habilidades inerentes a esta matéria, deve desenvolver o pensamento lógico e a vivência de momentos de investigação, convergindo para o desenvolvimento das capacidades de observação, reflexão, criação, discriminação de valores, julgamento, comunicação, convívio, cooperação, decisão, ação, entendidos como sendo objetivos do processo educativo. Estas habilidades descritas são instrumentos de suma importância para a vida do educando, pois, em muitas situações de sua existência, estas habilidades estarão presentes e, é em nível elementar que estas habilidades podem ser iniciadas, permitindo ao aluno discutir e analisar o conhecimento que está sendo construído.

O ensino de Ciências nas Séries Iniciais deverá propiciar a todos os cidadãos os conhecimentos e oportunidades de desenvolvimento de capacidades necessárias para se orientarem nesta sociedade complexa, compreendendo o que se passa à sua volta, tomando posição e intervindo na sua realidade.

Desta maneira, estaremos possibilitando condições para que o educando exerça a sua cidadania. “Para o exercício pleno da cidadania, um mínimo de formação básica em ciências deve ser desenvolvido, de modo a fornecer instrumentos que possibilitem uma melhor compreensão da sociedade em que vivemos” (DELIZOICOV & ANGOTTI, 1990, p.56). Assim, todos os indivíduos devem receber uma formação mínima em ciências para a sua formação cultural, uma vez que o “corpus” do conhecimento científico das Ciências Naturais é parte constitutiva da cultura elaborada. Ademais, é no âmbito das Séries Iniciais que a criança constrói seus conceitos e apreende de modo mais significativo o ambiente que a rodeia, através da apropriação e compreensão dos significados apresentados mediante o ensino das Ciências Naturais.

Sabe-se que o acesso ao conhecimento científico se dá de diversas formas, e em diferentes ambientes, mas é na escola que a formação de conceitos científicos é introduzida explicitamente, oportunizando ao ser humano a compreensão da realidade e a superação de problemas que lhe são impostos diariamente. Assim, deve-se ter em conta que o ensino de Ciências, fundamentalmente, objetiva fazer com que o educando aprenda a viver na sociedade em que está inserido.

No que respeita ao exercício da cidadania, FUMAGALLI (1998) explicita que se deve perceber o aluno das Séries Iniciais também como sujeito social de sua própria história.

“Cada vez que escuto que as crianças pequenas não podem aprender ciências, entendo que essa afirmação comporta não somente a incompreensão das características psicológicas do pensamento infantil, mas também a desvalorização da criança como sujeito social. Nesse sentido, parece que é esquecido que as crianças não são somente ‘o futuro’ e sim que são ‘hoje’ sujeitos integrantes do corpo social e que, portanto, têm o mesmo direito que os adultos de apropriar-se da cultura elaborada pelo conjunto da sociedade para utilizá-la na explicação e na transformação do mundo que a cerca. E apropriar-se da cultura elaborada é apropriar-se também do conhecimento científico, já que este é uma parte constitutiva dessa cultura.” (p. 15).

Esta autora afirma ainda que não ensinar ciências nas Séries Iniciais, utilizando-se do argumento que as crianças não possuem capacidades intelectuais, é uma forma de discriminá-las como sujeitos sociais. Defende ainda que, embora no discurso pedagógico reconhece-se a importância social de abordar as ciências no nível básico de educação, na prática escolar o conhecimento científico e tecnológico parece estar ausente, tendo em vista a prioridade ao ensino das matérias chamadas instrumentais (Matemática e Linguagem). Desta forma, o ensino de Ciências, principalmente nas primeiras e segundas séries, ocupa um lugar residual, no qual chega a ser incidental.

FUMAGALLI (1998) afirma também que se deve valorizar a prática social presente nas crianças. Quando se ensina Ciências, nas Séries Iniciais, está-se formando o cidadão e não apenas futuros cidadãos. Argumenta que os alunos, “enquanto integrantes do corpo social atual, podem ser hoje também responsáveis pelo cuidado do meio ambiente, podem agir hoje de forma consciente e solidária em relação a temas vinculados ao bem-estar da sociedade da qual fazem parte” (p. 18). Valorizando a criança como sujeito social atual, estar-se-á contribuindo para a sua ação como adulto responsável e crítico na sociedade.

HARLEN (1989) apresenta três argumentos para a introdução de temas relativos às ciências na escolarização elementar:

a) As crianças constroem idéias sobre o mundo que as rodeia, independentemente de estarem estudando ou não ciências na escola. As idéias por elas desenvolvidas não apresentam um enfoque científico de exploração do mundo e, podem, inclusive, obstaculizar a aprendizagem em ciências nos graus subseqüentes de sua escolarização. Assim, se os assuntos de ciência não forem ensinados às crianças, a escola estará contribuindo para que elas fiquem apenas com seus próprios pensamentos sobre os mesmo, dificultando a troca de pontos de vista com outras pessoas.
b) A construção de conceitos e o desenvolvimento do conhecimento não são independentes do desenvolvimento de habilidades intelectuais. Portanto, é difícil ensinar um “enfoque científico”, se não são fornecidas às crianças melhores oportunidades para conseguir tratar (processar) as informações obtidas.
c) Se as crianças, na escola, não entrarem em contato com a experiência sistemática da atividade científica, irão desenvolver posturas ditadas por outras esferas sociais, que poderão repercutir por toda a sua vida..

PRETTO (1995), ao discutir o ensino de Ciências nos livros didáticos, apresenta quatro argumentos em sua defesa no Ensino Fundamental. “O conhecimento científico é uma maneira de se interpretar os fenômenos naturais; a ciência é parte integrante da cultura; a ciência faz parte da história das diferentes formas de organização da sociedade; e o desenvolvimento científico e tecnológico é cada vez mais acentuado.” (p. 19).

As crianças, desde cedo, precisam conhecer e interpretar os fenômenos naturais, situando-se no Universo em que estão inseridas e interpretando a Natureza.

A ciência precisa ser entendida como um elemento da Cultura, tendo em vista que os conhecimentos científicos e tecnológicos desenvolvem-se em grande escala na nossa sociedade, resultante do trabalho do homem, do seu esforço criador, e não de um momento mágico, no qual o homem cria, a partir do nada, teorias e leis.

Ao considerar ciência como um elemento do universo cultural, deve-se considerar que ela possui uma história. A produção do conhecimento científico está relacionada com os diversos momentos históricos do seu surgimento, recebendo influências das instâncias econômicas, sociais, políticas, religiosas, entre outras, e também sobre elas exercendo a sua influência. (PRETTO, 1995, p. 19-20).

O ensino de Ciências não pode ser desenvolvido como um elemento independente do todo social e, além disso, deve auxiliar o cidadão na compreensão das múltiplas questões com as quais lidamos no nosso cotidiano e que envolvem elementos da ciência e da técnica.

Pode-se pensar que o ensino de Ciências deva contribuir para o próprio crescimento da ciência, garantindo a formação inicial e o estímulo à posterior profissionalização dos cientistas e técnicos aptos a dar respostas às necessidades sociais (CARMO, 1991). Não obstante, sua principal função deverá ser a de proporcionar aos indivíduos uma melhor compreensão não só da ciência e de sua natureza, como também do papel da ciência na sociedade atual. Assim, o ensino de Ciências deverá possibilitar a todos os alunos uma formação científica básica, capacitando-os a compreender o funcionamento de seu mundo, ao mesmo tempo em que pode incentivá-los a prosseguir seus estudos nos campos da ciência e da técnica.

CONCLUSÃO

A disciplina de ciências nas séries iniciais pode ser muito mais explorada pelos professores. Percebemos que esse estudo, ainda é deixado de lado, dando prioridades às matérias mais básicas, e que, supostamente, os alunos irão necessitar ter mais conhecimento.

A matéria de ciências é muito intrigante, estimuladora, inovadora e atrativa aos olhos das crianças, pois qual criança não se interessa pela natureza, pelas novas descobertas, experimentos, enfim, o professor pode usar de muitos artifícios para conquistar seu aluno, podendo trabalhar ao mesmo tempo, várias outras disciplinas.

Analisando tudo isso, constata-se a existência de inúmeras críticas relacionadas, em especial, aos procedimentos de ensino empregados pelos professores, à formação inicial e continuada dos professores e à utilização do livro didático no magistério das Séries Iniciais do Ensino Fundamental.

De início, deve-se considerar que as crianças adoram aprender. Portanto, é vital que os professores levem em consideração que as crianças, mesmo antes de freqüentarem a escola, manifestam um interesse muito grande pelas coisas da natureza, apresentando curiosidades, demonstrando interesse para descobrir como as coisas funcionam e repetindo incansavelmente suas dúvidas e os porquês. A criança mostra curiosidade pelo ambiente em que vive. Assim, ao estudar o ambiente, ela estará se envolvendo em situações reais com as quais está familiarizada. Por outro lado, dependendo das suas vivências na escola, esta curiosidade da criança pode-se perder a medida que ela avança na escolaridade.

De fato, é notório o descompasso que existe entre o ensinado em sala de aula e a realidade dos alunos, o que torna as aulas de Ciências Naturais irrelevantes e sem significado, pois o que se veicula nas escolas quase nunca se relaciona com os conhecimentos anteriormente construídos pelos educandos.

Entretanto, a prática pedagógica deveria oportunizar, para além do exercício da verbalização de idéias, discutir as causas dos fenômenos, entender os mecanismos dos processos que estão estudando, analisar onde e como aquele conhecimento apresentado em sala de aula está presente em sua vida e, sempre que possível, relacionar as implicações destes conhecimentos na sociedade.



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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BODMER, W. The public understanding of Science. London, 1986.

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CANIATO, Rodolpho. Com ciência na educação: ideário e prática de uma alternativa brasileira para o ensino de ciências. 3ª reimpressão, Campinas, SP: Papirus, 1997.

CARMO, José Manuel do. As ciências no ciclo preparatório: formação de professores para um ensino integrador das perspectivas da ciência, do indivíduo e da sociedade. In: Ler Educação, nº 5, maio/ago. 1991.

DELIZOICOV Demétrio; ANGOTTI, José André Peres. Metodologia do Ensino de Ciência. São Paulo: Cortez, 1990

FRACALANZA, Hilário; AMARAL, Ivan A.; GOUVEIA, Mariley S. Flória. O ensino de ciências no primeiro grau. São Paulo: Atual, 1986.

FRIZZO Marisa N.; MARIN, Eulália B.. O ensino de ciências nas séries iniciais. 3ª ed. Ijuí: UNIJUÍ, 1989.

FUMAGALLI, Laura. O ensino de ciências naturais no nível fundamental de educação formal: argumentos a seu favor. In: WEISSMANN, Hilda (Org.). Didática das ciências naturais: contribuições e reflexões, Porto Alegre: ArtMed, 1998.

HARLEN, W. Enseñanza y aprendizaje de las ciencias. 2ª ed., Madrid: Morata, 1994.

KRASILCHIK, Myriam. O professor e o currículo das ciências. São Paulo: EPU: EDUSP, 1987.

LORENZETTI, Leonir. Alfabetização científica no contexto das séries iniciais. Florianópolis: Centro de Educação da UFSC, 2000. Dissertação de mestrado.

MILAGRE, Antônio Sérgio K. A dimensão histórica da prática científica como referência para o ensino de Ciências. In: Revista de Educação, AEC, Brasília, n. 72, 1989.

MOYSÉS, Lúcia Maria M.; AQUINO, Léa Maria G. T. de. As características do livro didático e os alunos. In: Cadernos CEDES: O cotidiano do livro didático, São Paulo: Cortez, n. 18, 1987.

PACHECO, Décio. Um problema no ensino de ciências: organização conceitual do conteúdo ou estudo dos fenômenos. In: Educação e Filosofia, Uberlândia, v. 10, n. 19, 1996.

PFUNDT, H.; DUIT, R. Bibliography students’ alternative frameworks and science education. Kiel, Institute for Science & Education, 1994.

PRETTO, Nelson de Luca. A ciência nos livros didáticos, 2ª ed. Campinas: Editora da Unicamp/ Salvador: Editora da UFBa, 1995.

Um Decálogo para Ensinar

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INTRODUÇÃO

Este trabalho tem por objetivo esclarecer e orientar, quanto aos problemas, dificuldades, equívocos e normas de se ensinar a escrever.

Atualmente, sob a justificativa de facilitar a aprendizagem da leitura e da escrita, são oferecidos aos alunos fragmentos de textos ou ainda textos criados para este único fim, o que acaba dificultando a aprendizagem, uma vez que desses “pseudotextos” é retirado tudo o que é considerado difícil para o entendimento do aluno, privando-o, assim, de toda a riqueza e diversidade próprias da língua.

Desta forma, baseado em estudos realizados pelos ilustríssimos escritores e pesquisadores Pasquier e Dolz, é que vamos nos aprofundar no assunto, para que possamos corrigir os erros e entender melhor a arte de ensinar a escrever.

APRENDENDO A ESCREVER NA ESCOLA

Aprender a escrever é um processo complexo que resulta de um intenso trabalho cognitivo e lingüístico. Além do que, como afirma Pasqueir e Dolz, não se trata de um objeto de aprendizagem único, mas de uma pluralidade de gêneros textuais com características lingüísticas distintas.

Devemos enfocar o ensino da produção de textos não como um procedimento único e global, válido para qualquer texto, mas como um conjunto de aprendizagens específicas de variados gêneros textuais. Dito de outro modo, não se aprende globalmente a escrever; aprende-se a narrar, a explicar, a expor, a argumentar, a descrever, a redigir atas, a escrever diversos tipos de cartas, etc. Cada texto apresenta problemas de escritura distintos que exigem a adoção de estratégias de ensino diferenciadas e adaptadas a eles.

Portanto, para que os alunos aprendam a produzir textos, além de viabilizar o acesso à diversidade textual, o professor precisa garantir que outras condições estejam asseguradas. Ele deve propor atividades que levem os alunos a refletir sobre a organização discursiva dos diferentes textos de modo a favorecer a explicitação do que já sabem, tornando objeto de reflexão sistemática, outros aspectos dessa estrutura ainda não observados.

Além disso, é imprescindível que haja um contexto favorável à reflexão coletiva sobre as observações e hipóteses levantadas pelas próprias crianças e sobre as indagações feitas pelo professor. Ou seja, o contexto da sala de aula deve ser propício ao intercâmbio de idéias, de informações e ao trabalho em parceria.

Nessa perspectiva, a produção de um texto pode tornar-se uma boa situação de aprendizagem quando, no decorrer da atividade, os alunos tenham que tomar decisões sobre o que vão escrever, tendo em vista o tipo de texto e o contexto comunicativo. Durante a escrita de um texto, é necessário que se reflita paralelamente sobre dois aspectos: o quê será dito o assunto que será tratado – e como será dito, ou seja, qual a forma discursiva mais adequada à situação e ao que se pretende comunicar.

Entretanto, sabemos que refletir sobre o que se produz e controlar a qualidade da produção são tarefas difíceis para quem está aprendendo a escrever. No entanto, é uma capacidade cujo desenvolvimento depende da possibilidade de realizar estas ações, o que pode se tornar mais fácil quando a produção é realizada coletivamente.

Assim, a escrita coletiva de um texto caracteriza-se como uma situação favorável à aprendizagem quando os alunos precisam refletir sobre o que e como vão escrever (neste caso, o como se refere à estrutura discursiva do texto que pretendem produzir), dar opiniões sobre caminhos possíveis e coordenar pontos de vista, tendo o professor como o parceiro mais experiente, cujo papel é o de tornar objeto de reflexão dos alunos aspectos para os quais não puderam atentar oferecer informações e coordenar a discussão, responsabilizando-se por configurar a atividade de produção textual num espaço de reflexão.

No entanto, é fundamental que as crianças também escrevam seus textos individualmente ou ainda em parceria com um outro colega, o que não significa a impossibilidade de se recorrer à ajuda do professor e de outros colegas, se necessário. Nesse caso, o momento da revisão do texto pode constituir-se num espaço favorável à reflexão sobre a língua escrita em seus vários aspectos, desde que seja entendida, porque vivida, como uma etapa importante e necessária da produção de um texto que será lido por outras pessoas.

Como afirmam Pasquier e Dolz, “a revisão é uma atividade que é parte integrante da escrita”. Durante a escrita da primeira versão de um texto, o autor relê constantemente o que escreve para continuar e, relendo, freqüentemente transforma seu projeto inicial. Acreditamos que as crianças precisem aprender os procedimentos envolvidos na revisão – uma tarefa nada fácil, sobretudo para os iniciantes, pois implica a capacidade de o autor se distanciar do texto que produziu, assumindo por ora o papel de leitor.

Para que a revisão de um texto se torne uma situação de aprendizagem, o professor precisa planejar suas etapas e avaliar qual aspecto do texto seria mais necessário, no momento, tornar objeto de reflexão dos alunos, pois não é produtivo que eles devam que se preocupar com tudo o que precisa ser revisados ao mesmo tempo. Se, num dado momento, o que está em jogo é a reflexão sobre a organização discursiva do texto, o professor pode ficar responsável pela revisão ortográfica, reservando aos alunos a possibilidade de focar sua atenção em um único aspecto. Outra possibilidade é de que a revisão seja realizada em várias etapas, tendo em cada uma delas questões diferentes para serem tratadas.

Citaremos dentre muitos, alguns pontos a serem trabalhados, que suponha ser de suma importância na aprendizagem da produção de um texto:

• Diversidade textual: conjunto de aprendizagens específicas de diversos gêneros textuais.
• Aprendizagem precoce: Iniciar a produção de textos desde a pré-escola.
• Aprendizagem em espiral: Ensino-aprendizagem em todos os níveis escolares da diversidade dircusiva, (narração, explicação, argumentação e diálogo).
• Começar com tarefas complexas: Princípio de aprendizagem aditiva: a criança começa aprendendo as letras do alfabeto; depois escreve palavras soltas; depois constrói frases que são cada vez mais complexas; e, finalmente, compõem textos.
• Ensino intensivo: Abordar uma dificuldade de aprendizagem de maneira segmentada e durante um período relativamente longo.
• Textos sociais: Propor a leitura de textos sociais em uso: textos explicativos publicados em enciclopédias ou livros para jovens; outras descrições de guias turísticos; livros de receitas culinárias, etc.
• A revisão como atividade de aprendizagem: Atividade de Revisão e Reescrita.
• Método Indutivo: Orientar o aluno para que descubram os novos saberes e se apropriem das habilidades indispensáveis para a realização de uma tarefa.
• Regulação externa e interna: Adoção por parte do aluno produtor de um texto, de um ponto de vista crítico, sobre sua própria atividade a fim de controlar o conjunto de problemas de escrita.
• Seqüência didática: Conjunto de oficinas destinadas a aprender a escrever um gênero textual que respondem a uma série de critérios.

Em resumo, a produção de um texto constitui uma boa situação de aprendizagem da língua escrita, quando os envolvidos na produção precisam refletir e tomar decisões sobre o quê vai dizer e como vão organizar textualmente o que pretendem dizer, o que implica a escolha de formas discursivas apropriadas. Neste contexto, o professor deve assumir seu papel de parceiro mais experiente, dando informações, quando necessário, e propondo questões desafiadoras, mas que estejam dentro das possibilidades dos alunos no momento.

CONCLUSÃO

Em todos os campos, culturais, documentais, informativos, políticos, didáticos, a escrita é o meio privilegiado do intercâmbio, da partilha, da reflexão, da disponibilidade, da rapidez, da faculdade de estudo e opção. Não existe um só campo em que a verdadeira prática da democracia não passe pelo acesso do maior número de pessoas à escrita. Não há partilha possível de poder sem a partilha do acesso á escrita.

Se a verdadeira prática democrática depende da possibilidade de que um maior número de pessoas tenha acesso à escrita, poderíamos, então, destacar a escola como um lugar privilegiado na conquista dessa prática, uma vez que a imensa maioria da população depende dela para ter acesso a esse objeto de conhecimento. Todavia, não basta que tal acesso se restrinja aos rudimentos da escrita, como tem acontecido ao longo dos anos, mas urge que abranja práticas sociais de leitura e escrita. Conhecer a natureza desse objeto de conhecimento – a língua escrita – é necessário para ter clareza sobre o que torna sua aprendizagem uma premência.

A compreensão da língua escrita como uma atividade verbal distinta que não se constitui como uma mera transcrição da língua oral nos permite concluir que sua aprendizagem vai para além do domínio de uma técnica, abrangendo, em primeiro plano, o domínio dos diferentes modos discursivos que resultam de seu uso em distintos contextos de comunicação, os quais permitem aos indivíduos o ingresso nos modos de funcionamento de uma cultura letrada.

Portanto, o texto, dotado de função social, precisa ser a unidade lingüística de trabalho com a língua escrita, de modo a centrar a ação pedagógica no uso da língua e a transformar a sala de aula em um lugar de prática de linguagem. Nesse contexto, o texto é tomado como objeto de estudo, favorecendo a reflexão sobe a língua escrita, e, por conseguinte, sua aprendizagem.

BIBLIOGRAFIA

DOLZ, Joaquim. PAQUIER, Auguste. Um Decálogo para Ensinar a Escrever.

www.google.com.br acessado em 21/04/2009 às 13h00minhs.

Relatório de Estágio de Orientação Profissional na Clínica de Psicologia

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1. INTRODUÇÃO

Historicamente, a orientação vocacional praticamente se iniciou e se desenvolveu como área autônoma em função dos trabalhos de orientação profissional realizados por Pearson a partir de 1909. A orientação profissional tem como objetivo especifico auxiliar o individuo no processo de escolha de modo que, este realize opções ocupacionais adequadas. (FERRETTI, 1988.)

Para Ferretti (1988) é importante enfatizar que os estímulos a orientação profissional esteja ligado a determinados interesses prevalecentes na moderna sociedade industriais, na medida em que a ação orientadora, se eficientemente desenvolvida, pode prestar grandes serviços a esses interesses.

O orientador vocacional tem a função de orientar as pessoas na elaboração de um projeto de vida, na aquisição da identidade na vida adulta, visto que o trabalho é parte integrante da sua vida e que define o seu futuro. O vínculo com a profissão futura é algo reparatório e a escolha profissional sofre influências psicossociais (BOHOSLAVSKY, 1971).

Uma das opções fundamental para a Orientação Vocacional/Profissional seria o adolescente a partir do ensino fundamental, ter acompanhamento psicológico para que dessa forma, ele fosse trabalhando suas questões mais íntimas e inconscientes. Esta seria uma maneira do adolescente tomar decisões mais acertadas, não só com relação à profissão, mas também em sua vida de relacionamento como um todo, pois é a partir dos questionamentos e dos erros que o jovem vai aprendendo (BOHOSLAVSKY, 1971).

Diversos autores já apontaram para certo número de tarefas das quais o indivíduo deve desincumbir-se durante um processo de Orientação Vocacional/Profissional. É o momento e a maneira como se faz que revele sua maturidade vocacional, e seu desenvolvimento da personalidade e integração (LIDZ, 1973).

A visão mais comum da orientação profissional no contexto brasileiro é o de ajuda na escolha de uma profissão ou carreira, com vistas à satisfação individual, procurando conciliar os desejos pessoais com a realidade do mundo do trabalho. O enfoque principal, portanto, é centrado no indivíduo que escolhe.

Na atualidade é relevante que o indivíduo esteja sempre em processo de aprendizagem, reciclando quer seja nos estudos, ou na vida profissional, principalmente no trabalho, pois as inovações são constantes. O orientador profissional deve deixar o orientando ciente dessas mudanças para que o mesmo não sinta que falhou em sua escolha. Sendo assim o psicólogo deve esclarecer situações, conscientizar e vincular a problemática do adolescente com o contexto histórico e situações locais onde esta escolha se dá (LEHMAN, 1988).

O ideal é que a escolha profissional fosse trabalhada desde cedo, para que o jovem não sofresse tanto psiquicamente e ficasse tão angustiado ao ser solicitado para fazer a escolha profissional. Todo momento de escolha é, em geral, um momento crítico, principalmente se a necessidade de se fazer uma opção é concomitante a esta já conturbada fase da adolescência. E é nesse período que é preciso escolher que profissão seguir, o que exerce implicações no futuro do jovem.

A família, contudo, é importante no processo de escolha dos filhos. E no desejo de que seus filhos sejam autônomos, criam expectativas e esperam que os jovens realizem aquilo que não lhes foi possível. Com base em Soares (2002) existe uma impregnação ideológica a partir da família e o jovem pode buscar realizar as expectativas da família, colocando à parte os seus interesses.

É importante que os pais continuem afirmando sua presença ativa como guia definitivo, pois sem isso o adolescente perde os valores sociais e adaptativos que os mesmos representam. A identidade profissional é um aspecto da identidade como um todo, e como tal é regido pelos mesmos processos.

A pretensão o Estágio Básico II é divulgar o Processo e Orientação Vocacional. Nesse contexto percebe-se que a Orientação Vocacional/Profissional não está voltada somente aos estudantes. O trabalho está na base de toda sociedade, estabelecendo as formas de relação entre os indivíduos, entre as classes sociais, criando relações de poder e propriedade, determinando o ritmo do ser humano. Diante da importância do trabalho para o ser humano percebem-se a necessidade de uma Orientação Profissional voltado também aos adultos às pessoas que estão desempregadas (SOARES, 2002).

O processo de Orientação Profissional/Vocacional deve objetivar não apenas a informações á respeito das carreiras profissionais, e sim, a trabalhar aspectos como o autoconhecimento e a questão da escolha em si, levando em consideração o mercado de trabalho.

Nota-se também no mercado de trabalho a presença de profissionais não qualificados, prestando, na maioria das vezes, serviços inadequados, chegando a resultados não válidos. Esse tipo de posicionamento, longe de ser o esperado, diz respeito à falta de uma ética profissional, muitas vezes renegada por profissionais que, em função de não preparação profissional, operacionalizam trabalhos sem competência para tal execução.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEORICA


2.1 Promoção de Saúde

O termo promoção de saúde ressurgiu, nas últimas décadas, em países industrializados como o Canadá. Houve a necessidade de resgatar o modelo médico social, onde passou a se enfatizar uma relação mais ampla entre saúde e aspectos sociais (CZERESNIA, 2003). Em termos gerais, a promoção da saúde se apresenta como um corpo de conhecimento propositivo orientado para a construção de ações inter e transdisciplinares, de forma a reconhecer e interferir na complexidade dos problemas da saúde e reconhecer o sujeito como ator dessas ações.

A saúde é considerada um aspecto fundamental para o desenvolvimento humano. A Organização Mundial de Saúde (OMS) de 1976, na publicação de seus documentos básicos, define saúde como um completo bem-estar físico, mental e social e não apenas ausência de distúrbios e doenças. Para Sigerist (1946, apud Czeeresnia, 2003), a saúde é promovida quando se proporciona boas condições de vida, trabalho, educação, cultura, lazer, etc.

Segundo Kerbauy (2002), a psicologia da saúde pode ser definida como um conjunto de contribuições educacionais cientificas e profissionais especificas da psicologia para a promoção de saúde, prevenção e tratamento das doenças, identificação da etiologia e diagnósticos relacionados à saúde, à doença e às disfunções, bem como para o aperfeiçoamento do sistema de políticas da saúde.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde (2003), o hospital é parte de um sistema coordenador de saúde, cuja função é dispensar à comunidade uma completa assistência à saúde preventiva e curativa, incluindo serviços extensivos à família em seu domicilio, e ainda è um centro de formação para os que trabalham no campo de saúde e para pesquisas biossociais, tendo como funções básicas: prevenir doenças, restaurar a saúde, realizando diagnostico, desempenhar funções educativas, colocando seus serviços à disposição da formação do pessoal médico, de enfermagem e de todas as categorias, promovendo pesquisas, testando e aplicando as técnicas.

A população começou a ter acesso aos direitos sociais a partir da constituição federal de 1988, sendo que a mesma trata a saúde como um direito social de modo que o estado tem que assegurá-la, sendo o acesso universal e igualitário. A saúde é direito de todos e dever do estado, garantindo mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doenças e de outros agravos para a sua promoção, proteção e recuperação (O M S, 2003).

A criação e implantação de sistema único de saúde (SUS) podem vir a ser considerada como uma das reformas sociais mais importantes realizadas pelo Brasil na última década do século XX, e nos primeiros anos do século atual. O SUS surgiu como forma de dar respostas à sociedade civil, que, em um dado momento, é obrigado a desenvolver determinadas ações, ainda que não satisfatória, para as classes populares (Op. Cit).

A saúde é mencionada como fator essencial para o desenvolvimento humano; um dos campos de ação proposto no contexto da promoção da saúde é a criação de ambientes favoráveis. O desenvolvimento sustentável coloca o ser humano como agente central do processo de defesa ao meio ambiente e tem, no aumento da expectativa de vida saudável e com qualidade, um de seus primeiros objetivos, implicando a ampla participação da comunidade na definição de questões culturais da vida coletiva. Em todos esses conceitos, preconiza-se a importância da “equidade”, seja na distribuição da renda, seja no acesso aos bens e serviços produzidos pela sociedade (SUNDSVALL, 1991).

2.2 Objetivos e a Prática da Saúde Coletiva

A prática da saúde coletiva, enquanto campo de saber e âmbito de práticas teve seu desenvolvimento histórico na America Latina durante as três ultimas décadas a partir da critica ao MMH, aos movimentos ideológicos referentes à Higiene, Medicina Preventiva, Medicina Comunitária, Medicina da Família, bem como em relação à saúde pública institucionalizada (DONNÂNGELO, 1993; PAIM & ALMEIDA FILHO, 2000).

É importante destacar que a saúde pública e coletiva não se restringe somente à especialidade médica (BELISÁRIO, 1995). As interseções da área de saúde são cada vez mais amplas e profundas com as ciências humanas, economia, administração, comunicação social e marketing, pedagogia direito, psicologia, ecologia etc. Diante disso, a I Conferencia Pan-Americana de Educação em Saúde Pública recomenda que as instituições formadoras desse pessoal de saúde passassem por um processo de “indepentização” das faculdades de medicina, estabelecendo redes com outras unidades acadêmicas que possibilitassem a interdisciplinaridade ou a transdisciplinaridade (ALAESP, 1994).

A promoção de saúde, primordialmente considerada um dos objetivos da saúde publica ou dos níveis de prevenção, adquiriu proeminência quando o Ministério da Saúde do Canadá apresentou o Relatório Lalonde em 1974, baseado na noção de “campo da saúde”, formada por quatro pólos; biologia humana, meio ambiente, sistema de saúde, estilo de vida.

Posteriormente, a divulgação da Carta de Ottawa (1986) estabeleceu um conceito amplo de saúde e seus determinantes, sistematizando preposições centradas na mudança do estilo de vida e na defesa de políticas publicas saudável. O conceito e a estratégias da Promoção da Saúde foram endossadas por organismos internacionais sendo lançado o Projeto Cidades Saudáveis em 1986 pela OMS (TEIXEIRA, 2002).

A carta de Ottawa apresenta como pré-requisito para saúde alguns fatores fundamentais:

• Paz;
• Abrigo;
• Educação;
• Alimentação;
• Recursos econômicos;
• Ecossistema Estável;
• Recursos Sustentáveis;
• Justiça Social e
• Equidade.

Baseado nesses pré-requisitos é que foi elaborado o conceito de saúde e também a constituição da Saúde no Brasil. Enfatizando que é dever dos representantes do povo brasileiro assegurar o exercício dos direitos sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem estar. Assegurar o desenvolvimento, a igualdade e a justiça como valores supremos de uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social e comprometida, na ordem interna e internacional (CARTA DE OTTAWA, 1986).

Enquanto nas regiões das Américas a OPS debatia a crise da saúde publica (PAHO, 1992), a OMS promoveu a discussão de propostas internacionais em torno da “Nova Saúde Pública” e das chamadas funções Essenciais de Saúde Publica (PAIM, 2001). Nesse contexto, a OPS organizou um grupo (FESP) de Trabalho sobre Reforma Setorial e Funções Essenciais de Saúde Pública: Implicações para a educação em saúde pública. Este grupo reuniu-se em Washington no período de 29 de junho a 1 de julho de 1998, com o objetivo de dar início à identificação das implicações para a educação, investigação e intervenção em saúde pública que se derivam dos processos de reforma do setor saúde e da definição das funções essenciais de saúde pública. Nessa oportunidade, foram identificadas as seguintes “práticas sociais” vinculadas as FESP:

• Construção de “entornos” saudáveis e melhoramento das condições de vida:
• Desenvolvimento e fortalecimento de uma cultura da vida e da saúde;
• Geração de int4eligencia em saúde;
• Atenção às necessidades e demanda em saúde;
• Garantia da segurança e qualidade de bens e serviços relacionados à saúde;
• Intervenção sobre riscos e danos coletivos à saúde (PAIM, 2001).

No Brasil vários especialistas foram convidados pelo Ministério da Saúde em 2002 para a mediação do desempenho da FESP, a partir da utilização de um guia elaborado pela OPS/OMS e o Center for Disease Control and Prevention (CDCV). Foram avaliados os seguintes pontos a respeito das FESP:

• Monitoramento, avaliação e análise da situação de saúde;
• Vigilância de saúde pública, investigação e controle de riscos e danos em saúde pública;
• Promoção da saúde;
• Participação dos cidadãos em saúde;
• Desenvolvimento de políticas e capacidade institucional de planificação e gestão em saúde pública;
• Avaliação e promoção do acesso equitativo aos serviços de saúde necessários;
• Desenvolvimentos de recursos humanos e capacitação em saúde pública;
• Garantia e melhoria da qualidade dos serviços de saúde individuais e coletivos;
• Pesquisa em saúde pública;
• Redução do impacto de emergência e desastres em saúde (OPS/OMS/CDC, s/d).

2.3 Atenção à saúde no Brasil

A atenção á saúde pode ser percebida basicamente perante dois enfoques: a) como resposta social aos problemas e necessidades de saúde; b) como um serviço compreendido no interior de processos de produção, distribuição e consumo. Como resposta social, insere-se no campo disciplinar da Política de Saúde, sobretudo quando são analisadas as ações e omissões do Estado no que tange a saúde dos indivíduos e da coletividade. Como um serviço, a atenção da saúde situa-se no setor terciário da economia e depende de processos que perpassam os espaços do Estado e do mercado.

Mas ao mesmo tempo em que um serviço, a atenção à saúde realiza mercadorias produzidas no setor industrial a exemplo de medicamentos, imunobiológicos, equipamentos, reagentes, descartáveis, alimentos dietéticos, produtos químicos de diversas ordens etc. Nesse caso, o sistema de serviços de saúde configura-se como lócus privilegiado de realização dessas mercadorias e, como tal, alvo de pressão para o consumo, independentemente da existência ou não de necessidades. No estudo desta dinâmica é imprescindível o recurso da Economia Política (AROUCA, 1975; BRAGA & GOES DE PAULA, 1978).

A atenção à saúde pode sofrer as influências do perfil epidemiológico da população, que depende, fundamentalmente, das condições e estilos de vida (modo de vida) e se expressa em necessidades como, por exemplo, sofrimento, doença, agravos, riscos e ideais de saúde e demandas por consultas, vacinas, informações, exames e hospitalizações. Ao mesmo tempo, que é um setor estratégico para os negócios das empresas produtoras de insumos, de empreiteiras das construções civil, de agências de publicidade, de serviços de consultorias e de treinamento de recursos humanos, empresas de seguros, bancos etc.

O cuidado à saúde, como um serviço, tem a particularidade de realizar o consumo no momento da produção, Istoé, não ocorre circulação como no caso de mercadorias ou bens (AROUCA, 1975). Os sistemas de serviços de saúde em diversos países apresentam um espectro de combinações com mais Estado ou mais mercado (SOUZA et al., 2000).

Mesmo nas situações especiais em que o Estado é simultaneamente financiador e prestador, interage ativamente com o mercado na aquisição de insumos essenciais para a atenção à saúde. A gestão da atenção à saúde reveste-se de grande complexidade, pois contempla desde a aquisição e suprimento de milhares de itens de produtos utilizados na prestação de serviços, passa pela adesão, compromisso, qualificação e dedicação ao cuidado dos agentes das práticas de saúde, até alcançar relações especiais com o mercado, os cidadãos, partidos, políticos e o Estado nas suas diferentes instancias governamentais, jurídicas e legislativas.

No caso brasileiro, trata-se de um sistema bastante complexo em que o Estado é financiador e prestador no âmbito municipal, estadual e federal; o comprador de serviços do setor privado contratado pelo SUS e de insumos no mercado; e o regulador da assistência médica suplementar e dos bens, serviços e ambientes que afetam a saúde (SOUZA et al., 2000).

2.4 A Orientação Profissional na Abordagem Sócio-Histórica

Segundo Boock, (2002) a visão sócio-histórica, nega-se à visão liberal e naturalizante do sujeito. Nela, busca-se o entendimento de que ele se constrói a partir do que vive, isto é, da internalização do vivido, resultando daí a dimensão histórica da construção de sua identidade. Quando uma pessoa pensa em seu futuro, ela nunca faz de forma de se envolver no mundo do trabalho bem como a atividade que vai desenvolver, a pessoa mobiliza imagens que adquiriu durante sua vida.

Dessa forma Boock, (2002) afirma que quando uma pessoa diz que pretende ser tal ou qual profissional, não está pensando em algo genérico e abstrato; existe um modelo que dá forma a esta pretensão. Esta imagem gera uma identificação ou um afastamento da profissão. Nos modelos tradicionais de orientação profissional, esta imagem construída é desconsiderada. Afirma-se que a imagem formada é distante da realidade, ilusória e não pode ser levada em conta para a escolha de uma profissão.

A imagem formada a respeito de tal profissional pelo testando geralmente corresponde às suas necessidades, anseios, valores e desejos e, por isso, este se identifica com esta imagem. Valores sociais também estão presentes nessa imagem – o sucesso, o glamour captado, via exposição aos meios de comunicação, etc. (BOCK, 2002).

As pessoas, ao pensar nas profissões, mobilizam imagens que foram construídas durante toda a sua vida. Para esta construção, contribui todo o seu processo de socialização, e não apenas um momento, um contato, uma história.

Um jovem constrói a cara de um profissional da informática, por exemplo, a partir de desenhos animados a que assistiu na infância, de filmes e livros de ficção científica, por meio da relação de seus pais e amigos com computador, de aulas na escola sobre a matéria ou mesmo de comentários de professores sobre o assunto, de jogos de videogames, de contato direto com a máquina, por meios de manuais e guias de profissões etc.

Esta cara não é verdadeira nem falsa, não é nem mais próxima nem mais distante da realidade, não é correta ou incorreta, é simplesmente uma cara que deve ser trabalhada. As pessoas se identificam ou não com essas caras. É interessante que essas caras são constituídas na interiorização e singularização do vivido, por isso são diferentes para cada pessoa (BOCK, 2002).

O fenômeno da escolha profissional, tanto na teoria quanto na prática é tema de várias ciências e que, para uma boa intervenção na área, é necessário contar com o aporte de todas. Outro princípio estruturante é desmistificado a idéia de que o orientador fará um diagnóstico e um prognóstico como fórmula de decisão. A estratégia é dar condições para que a própria pessoa faça a sua reflexão e possa decidir, entretanto de forma mais ampla possível às determinações de sua escolha.

O trabalho em grupo é privilegiado em relação ao atendimento individual, por se entender que a dinâmica estabelecida enriquece o processo, permitindo a observação das dificuldades, opiniões, valores, interesses e projeto de vida do outro. A diversidade e heterogeneidade são valorizadas. Cada indivíduo percebe a vida de maneira distinta e, num ambiente e sociedade democrática, todos podem aprender com todos; pode-se perceber que não existe uma única verdade e um único caminho a seguir, apesar de todos terem em comum a exposição constante à ideologia da classe dominante. (BOCK, 2002).

2.5 CONCEITO DE TRABALHO

O trabalho proposto tem como objetivo fazer uma orientação profissional na Clínica de Psicologia. O publico alvo são pessoas que necessitam de uma orientação profissional, uma ajuda para qual profissão deve seguir.

Historicamente os primeiros estudos sobre o sentido do trabalho são atribuídos a Hackman e Oldhan (1975), dois psicólogos que relacionaram a qualidade de vida no trabalho ao sentido do trabalho. França (2006) sugere que o ser humano tem respostas complexas, com potencialidades e reações biológicas, psicológicas e sociais que reagem simultaneamente as condições de vida. Tais reações podem ter, variadas combinações e intensidade, podem ser compreendidas em camadas biopsicossociais, e as manifestações na maioria das vezes são visíveis e especificas em outro aspecto, embora todos sejam interdependentes. A camada biológica- se refere às características físicas, herdadas pelo ser humano, ao nascer e durante toda a vida. Excluí metabolismo, resistência e vulnerabilidades dos órgãos ou sistema.

A camada psicológica: diz respeito aos processos afetivos, emocionais e de raciocínio, conscientes ou inconscientes, que forma a personalidade de cada indivíduo e o seu modo de perceber e se posicionar diante das pessoas e das circunstancias vivenciadas. A camada social: está relacionada aos valores, crenças papel na família, no trabalho e em todo o grupo e comunidade a que cada pessoa pertence e participa (FRANÇA, 2006) O ser humano é formado por todos esses aspectos, e em razão disso é o que faz tão complexo e o diferencia dos demais animais. Sendo assim Zanelli (2004) fala a respeito dessas diferenças complexidades do homem no trabalho e em sua vida como um todo.

A necessidade primaria fisiológica e de segurança englobam a necessidade de procriar, comer beber, ter abrigo, dormir, ter segurança física entre outros. O homem ou qualquer outro animal precisa de energia para sua sobrevivência mais básica, entretanto para um animal irracional este instinto se concretiza e tem um fim em si mesmo, até que sinta as mesmas necessidades (ZANELLI, 2004).

O homem como um ser complexo necessita mais do que um suprimento físico. Também é necessária a satisfação do ego, da auto-estima, de realização profissional, social e familiar etc (ZANELLI, 2004). È através do trabalho remunerado seja ele formal ou informal, que o sujeito consegue suprir suas necessidades.

Segundo Braverman (1987) o trabalho não é apoderar-se de matérias da natureza, tais como esta oferece, e sim transformar esse estado natural e melhorar sua utilidade. O que diferencia o homem do animal irracional, é que o homem pensa, idealiza e produz e o resultado provém da imaginação, o que não ocorre com outros animais. “o homem imprime o material o projeto que tinha conscientemente em mira’ (BRAVERMAM, 1987. p. 49). Isso quer dizer que o homem tem o propósito enquanto os outros animais agem por instinto. Nesse contexto o trabalho pode ser entendido como um dispêndio físico e mental pelo homem, físico pelos animais, ou mecânicos pelas máquinas. O trabalho é, portanto, a ação ou resultado de determinado esforço, realizado pelo homem.

E a ação da força de trabalho é vista como capacidade de trabalho, que na sociedade do capitalismo é percebida como mais uma mercadoria que é comprada e vendida, numa transação entre o trabalhador que é o possuidor de força de trabalho e o capitalista que é o detentor do capital.

Como foi apresentado o trabalho é, portanto essencial, para que o ser humano consiga concretizar seus sonhos e ideais, pois é através dele que se cria e constrói bens necessários a sua sobrevivência e também a de outras pessoas. Cada individuo exerce uma atividade diferenciada de outra, ou seja, um tipo de trabalho necessário não somente a construção de meios imprescindíveis á sobrevivência da sociedade, como também outros bens de valor e objeto de satisfação do ego de uma parte da sociedade, mas que não é necessária a sobrevivência da mesma. Portanto o trabalho está na base de toda sociedade, estabelecendo as formas de relação entre os indivíduos, entre as classes sociais, criando relações de poder e propriedade, determinando o ritmo do ser humano.

2.6 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL

Orientação Profissional é uma orientação realizada através de atividades e/ou testes com o objetivo de identificar aptidões, habilidades e vocações do indivíduo, orientando-o para uma vida produtiva no Mercado de Trabalho. Diante do número crescente de profissões de nível superior, que já ultrapassam 300 cursos, cada vez mais a orientação vocacional torna-se necessária para uma escolha consciente, pois a partir dela são sugeridas as áreas e profissões, que são mais adequadas de acordo com o perfil do indivíduo, potencializando assim, suas possibilidades de sucesso profissional. Pessoas que já estão no Mercado de trabalho, também podem ser orientadas quanto à vocação, através da Orientação Profissional que além do levantamento do perfil, procura desenvolver um plano de ação para o redirecionamento de carreira, da forma mais prática e eficiente possível.

2.6.1 ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL E O MERCADO DE TRABALHO

Atualmente percebe-se um grande avanço da esfera industrial e tecnológica, caracterizada por um ritmo acelerado de produção, no qual geram impactos que ultrapassam os limites dessa estrutura produtiva, trazendo relevantes repercussões em termos sociais e pessoais.

A universalização da comunicação, possibilitada pela internet, a aceleração da capacidade de processamento de informações, a potencialização da produção e automação tecnológica provoca mudanças no âmbito social, no qual essa nova realidade se insere. Os mercados de trabalho e de formação profissional são profundamente afetados pelas mudanças deflagradas.

As novas condições criadas pelo avanço tecnológico e produtivo trazem diversas alterações a esse mercado: tal como a redução dos postos de trabalho, a conseqüente ampliação do desemprego, a extinção de diversas funções, a criação de novos espaços ocupacionais, a modificação do escopo de profissões, alteração de atribuições e de responsabilidades, mudança de valor e prestígio conferidos às profissões, alteração do conceito de emprego e de carreira etc.. (MASSANO, 2003).

De acordo com Mansano (2003) a interface mercado/profissão/sujeito/orientação pode ser entendida como:

Uma demanda apresentada pelo mercado de trabalho, que muitas vezes assume contornos ameaçadores devido, entre outros fatores, ao alto índice de desemprego. Assim preocupar-se com a profissionalização e com a carreira a ser construído, contextualizar as preferências pessoais ao mercado de trabalho, investir em currículo e na aquisição de experiência profissional no decorrer da formação acadêmica, são exigências concretas aos quais nem todos os adolescentes e adultos estão envolvidos. Entretanto, uma vez expostos ao mercado de trabalho, adolescentes e adultos estão sujeitos a esses poderes, que vêm sendo utilizados de maneira incisiva e direta na atualidade. Diante dessa realidade, muitas vezes eles não sabem como agir.

Tais alterações no mercado de profissões vão exigir a atualização da prática de orientação vocacional que pretenda atuar como instrumento que busca favorecer a inserção responsável das pessoas no mundo do trabalho, sem violentar o movimento e o ritmo de experimentação dos processos de escolha dos jovens (MASSANO, 2003).

A prática tradicional de orientação profissional baseou-se por muito tempo no exaustivo levantamento de aptidões, características de personalidade, levantamento de potencial intelectual, levantamento de interesses, além de um espaço de orientação profissional. Todas essas etapas são permeadas por entrevistas dispostas ao longo do processo. Os conjuntos de informações levantadas acabam por nortear o jovem quanto à carreira que quer e pode seguir. Essa prática se fundamenta na ideologia do profissional eficaz, bem sucedido, que dispõe de uma ampla gama de oportunidades no mercado, e cujo sucesso profissional dependerá de saber lidar com as informações obtidas.

Com base nas afirmações de Massano (2003) dentro da realidade sócio-econômica atual, percebe-se uma transformação e reestruturação dos alicerces das profissões e de seus espaços ocupacionais. A realidade de mercado expande a gama de categorias profissionais, de modo que fica impossível trabalhar apenas com as categorias tradicionais de carreira, como por exemplo, a engenharia, administração, pedagogia, direito, medicina, etc. As atribuições exigidas pelo mercado não se encaixam diretamente no escopo das categorias profissionais que eram demandadas no passado. Surgem novas necessidades e exigências ocupacionais, novas especialidades são desenvolvidas, levando ao aparecimento de carreiras constituídas a partir de confluências ocupacionais, tal como engenheiro mecatrônico (espécie híbrida entre a engenharia elétrica e a mecânica), engenheiro de produção, engenheiro de segurança, gerente de relacionamento, administrador de contratos etc.

É preciso considerar ainda que a constituição da profissão deva ser encarada como um projeto em aberto permanentemente interferindo nas trajetórias de vida, não podendo ser desvinculada de forma alguma das múltiplas dimensões aí presentes (MASSANO, 2003).

Nesse novo contexto social, campos de saber tidos como distantes e incomuns têm, cada vez mais, terreno de atuação. É o caso de, por exemplo, engenharia genética, engenharia nuclear, técnico em fotônica, além de muitas outras profissões e atividades resultantes da evolução da informática.

O trabalho de orientação profissional tradicionalmente realizado enfatiza a compreensão de aspectos de natureza psicológica do sujeito, porém, a informação profissional também é contemplada nos processos de orientação. Segundo Bohoslawsky (1993), a informação profissional é uma condição fundamental para a escolha responsável. Essa etapa de informação centra-se, de fato, apenas na busca de informação sobre profissões específicas, tendo como parâmetro a roupagem tradicional das ocupações, sem contemplar questões mais amplas sobre as mudanças mercadológicas e o movimento de expansão das profissões que vêm ampliando ainda mais as possibilidades de escolha.

O processo de informação profissional precisa corresponder conhecer as possibilidades reais de inserção nesse mercado. Desse modo, o processo de Orientação Profissional deve contemplar em sua prática, aspectos sobre realidade do mercado atual, de modo a facilitar a inserção responsável do indivíduo nessa realidade específica à qual pretenda pertencer no futuro.

2.6.2 O PROCESSO DE ORIENTAÇÃO PROFISSIONAL

De acordo com Garbulho (2003) muitos autores abordam sobre Orientação Vocacional/Profissional, alguns não se utilizam do termo Vocacional e sim Profissional devido à associação que pode ser feita com o termo “vocação”, que poderia caracterizar a crença no “chamado”, no inato, determinado, algo já dado e que é preciso “descobrir”.

Dessa forma, Bohoslavsky apud Garbulho (2003) define a Orientação Profissional “como um dos campos de atividade dos cientistas sociais. Como tal, compreende uma série de dimensões ou ramos, que vão desde o aconselhamento na elaboração de planos de estudo até a seleção de bolsistas. Portanto, constitui uma ampla gama de tarefas, que inclui o pedagógico e o psicológico, em nível de diagnóstico, de investigação, de prevenção e a solução da problemática vocacional”.

Ainda de acordo com o mesmo autor os clientes em Orientação Profissional são pessoas que em determinado momento da vida, enfrentam a necessidade de tomar decisões e esses momentos podem ser críticos. Desse enfrentamento dependerá o desenvolvimento posterior.

O processo de Orientação Profissional ocorre principalmente na faixa etária dos 17 anos, quando o adolescente está cursando o 3º ano do Ensino Médio. Nesse período costuma-se pensar com mais responsabilidade sobre a escolha profissional.

A adolescência é a fase em que o indivíduo busca sua identidade, onde ele rompe com os modelos adultos significativos, os questionamentos surgem e ao mesmo tempo o adolescente repudia tudo que está relacionado com a infância, ele se torna antes de tudo um antiadulto desafiador.

Segundo Carvajal apud Lemos (2001) todo adolescente é um “parricida intrapsíquico”, ou seja, o adolescente tem uma necessidade de se diferenciar, romper a relação funcional pais-criança da infância, para poder conquistar sua independência psicológica real.

Na adolescência os conflitos são constantes, as transformações são significativas, o adolescente não entende o que acontece com seu corpo, ele torna-se monossilábico, ensimesmado e ocorre a eclosão da sexualidade. As brigas com os pais se tornam constantes, pois o adolescente vê os pais como imperfeitos e não mais perfeitos como ele imaginava quando criança.

Conforme Aberastury apud Lemos (2001) nesta fase o adolescente vivencia vários lutos como: o luto pelo corpo infantil, pelos pais da infância e pelo paraíso perdido da infância, com todas as fantasias onipotentes que nela existiam.

O adolescente dá muito valor ao seu grupo, deixando de lado os pais, ele faz tudo conforme o grupo, para que assim ele possa ser aceito e tornar-se parte integrante do mesmo. Mais tarde esse mesmo adolescente retoma o modelo adulto e se distancia do grupo que deixa de ser tão importante para ele. Agora esse adolescente começa a se tornar um adulto, seus relacionamentos afetivos como namoro tornam-se mais sérios, precisa se definir profissionalmente.

A escolha profissional na adolescência está submetida a diversos fatores, que implicam a individualidade do adolescente, o contexto sócio econômico e político em que está inserido e a família. Segundo BOCK (1995) a família é um dos principais fatores que têm influência sobre a decisão do jovem, ajudando ou dificultando o momento de escolha.

Num processo de Orientação Vocacional/Profissional, há muitas dúvidas e angustias, pois o jovem sempre quer acertar, mesmo porque, os familiares e amigos esperam isso dele, e ele por sua vez não tem muita certeza do que realmente quer, e acha-se incapaz de tomar tal decisão passando a projetar nos outros, principalmente pais e escola, a sua responsabilidade.

Assim, a Orientação Profissional é para que, o individuo possa fazer a escolha mais adequada com a sua personalidade, em meio a várias opções de profissão, portanto, a informação pertinente é considerada de fundamental importância para que, a escolha adquira tal característica.

Antigamente as escolhas de trabalho, eram determinadas pela sobrevivência do individuo. Aos homens cabiam a parte que empregava mais a força física, por eles serem considerados mais fortes e eram encarregados de proteger a família, ir à busca de alimentação, que era proveniente da caça, e lutar em guerras. À mulher era delegada, o cultivo da agricultura, os afazeres domésticos e cuidado dos filhos.

Os gregos cultivavam o ócio, onde os cidadãos livres viviam de contemplação, por isso havia tantos filósofos, pois viviam a estudar preparando-se assim intelectualmente, enquanto os homens não livres trabalhavam com a força física para prover os que viviam a estudar. O trabalho físico não era valorizado, só o intelectual.

Na Idade Média, o trabalho era relacionado à posição que o individuo ocupava na sociedade, assim era transmitido de pai para filho, e visava apenas o sustento das pessoas, e não ao mercado de trabalho e a expansão de riquezas. A igreja católica estava sempre presente na vida das pessoas, pregava como se tudo fosse pela vontade divina, não podendo ser questionada. O trabalho ainda é uma atividade para manutenção e sobrevivência da espécie.

A escolha profissional, atualmente, tende atender às exigências da sociedade. A demanda que é imposta e disseminada pela sociedade capitalista coloca em evidência mais o ter – por isso, muitas pessoas buscam e impõe a seus filhos, profissões que lhes dêem posição social ou retorno financeiro – em oposição ao ser, cujo foco principal tem relação com a realização pessoal, satisfação com o trabalho e o estar feliz com a atividade que desempenha.

O processo de escolha de uma profissão é baseado na realidade do adolescente, que vive em família e que convive socialmente; que constrói a sua história sofrendo influências de seus pais, pares, do meio; que tem que se decidir construir sua própria identidade e, ao mesmo tempo, tornar este, um momento de união familiar, buscando apoio dentro e fora do seu lar (SANTOS, 2005).

O projeto dos pais para com os filhos não se dá de maneira desprovida de conflitos. O desejo do filho de seguir uma determinada profissão e as expectativas dos pais para que ele escolha uma formação que lhes traga status coloca aquele que busca direcionar-se em relação ao futuro, submetido a uma profunda conturbação. Para Soares (2002) isso torna o processo de escolha profissional, com freqüência, carregado de ansiedade em virtude do conflito que a mesma provoca. A possibilidade de escolha tem relação com a resolução desse conflito. Portanto, a minimização da ansiedade “facilita” que se faça uma escolha mais livre.

A adolescência é criada historicamente pelo homem, enquanto representação, enquanto fato social e psicológico, como um período do desenvolvimento com determinadas características. É constituída como significado na cultura, na linguagem que permeia as relações sociais. Fatos sociais surgem nas relações e os homens atribuem significados a esses fatos: definem e criam conceitos que representam esses fatos, são marcas corporais, são necessidades que surgem, são novas formas de vida decorrentes de condições econômicas, são condições fisiológicas, são descobertas científicas, são instrumentos que trazem novas capacidades para o homem, etc. (MAIORINO e NEVES, 1997, p. 132).

A valorização da informação profissional no processo de Orientação Vocacional/Profissional deve-se, principalmente a valorização da dimensão psicológica do processo de decisão. Com efeito, nesse processo, aplicado à Orientação Profissional, a informação é considerada necessária para que o indivíduo, equilibrando os dados disponíveis, promova a compatibilização entre esses dados de modo a descortinar alternativas que lhe pareçam mais favoráveis tendo em vista seu objetivo: decidir-se por uma profissão que represente, enquanto atividade, a satisfação de uma ou mais necessidades pessoais (e, eventualmente, sociais). Tal valorização apóia-se, da mesma forma que o faz a orientação profissional, no pressuposto de que todos têm liberdade de decidir sobre seus caminhos profissionais. Admitindo-se para efeito de argumentação, que tal pressuposto seja verdadeiro, resta indagar se, de fato, a informação profissional, tal como é realizada, é efetivamente relevante no processo de escolha de uma profissão (FERRETI, 1988).

2.6.3 As Teorias em Orientação Profissional

A orientação profissional pode ser classificada em três blocos:

• Teorias não psicológicas
• Teorias psicológicas
• Teorias gerais

Nas teorias não psicológicas o indivíduo faz sua escolha profissional, baseada não em uma orientação, mas visando as expectativas trazidas durante toda a sua vida, como econômica, cultural, social e também baseada no mercado de trabalho (BOCK, 2002).

A teoria que tem maior repercussão no Brasil é a teoria psicológica. Esta teoria tende a analisar internamente o que leva o individuo a procurar ajuda de um profissional para garantir uma boa escolha e que esta seja a mais acertada. O orientador deverá fazer uma análise da personalidade do orientando para ver de fato, onde ele melhor se enquadraria qual a profissão que mais condiz com o seu jeito e sua personalidade, para ele possa exercê-la a contento Dentre as teorias psicológicas, há três vertentes denominadas de teoria do traço e fator, teorias psicodinâmica, teorias desenvolvimentistas e teorias de decisão. (BOCK, 2002).

Teoria de traços e fator é a que dá inicio à área de orientação profissional e como diz FERRETI (1988a), sugere um procedimento racional e objetivo para a escolha, pois pressupõe que:

• Os indivíduos diferenciam-se entre si, em termos de habilidades físicas, aptidões, interesses e características pessoais;
• b) as ocupações também se diferenciam entre si, cada uma exigindo, para um desempenho produtivo, que o profissional apresenta aptidões, interesses e características pessoais requeridas pela profissão;
• c) é possível conduzir a compatibilização ideal dessa dupla ordem de fatores através de um processo racional de escolha. (FERRETI, 1988).

Esta teoria fundamenta os testes vocacionais, que hoje é muito procurado por pessoas que chegam à época da escolha profissional e não se decidiram, também pelas pessoas que já tomaram uma decisão e querem somente afirmar as suas aptidões e os traços de personalidade. (BOCK, 2002).

Essa diz respeito ao momento em presente em que o indivíduo está vivendo, pois a maioria das pessoas que procuram uma OP acha que o profissional irá analisar suas habilidades e competências, pelos testes aplicados e fazer um prognóstico do que foi encontrado, cabendo ao profissional, orientar-lhe na carreira mais adequada com o seu perfil (BOCK, 2002).

Já de acordo com Osvaldo de B. Santos, um dos pioneiros da orientação profissional no Brasil, acredita que as aptidões definidas por ele como “habilidade natural” pode estar ocultas, e manifestar-se, dependendo de outros fatores que possam acontecer na vida do individuo. Para essa teoria os fatores são de ordem bio-psico-social e podem não favorecer o orientador na sua análise. Segundo esse mesmo autor, os interesses tendem a se estabilizar a partir do fim da adolescência e mantêm-se durante o período da “maturidade”. (BOCK, 2002).

O interesse profissional é definido pelos sentimentos expressado pelo orientando como ele sente-se atraído pela sua escolha, e, a satisfação, em que ele coloca esta escolha, para que isto ocorra o individuo tem que ter maturidade suficiente. É necessário o traço do orientando para que o orientador possa fazer uma análise dos dados coletados, dando um diagnóstico mais preciso. (BOCK, 2002).

As teorias psicodinâmicas são fundamentadas na psicanálise com o desenvolvimento afetivo sexual, e propõe que o individuo já desenvolva suas aptidões na infância, pois defende que é a partir da sua interação com o meio que o indivíduo constitui a sua personalidade e individualidade. No Brasil, esta teoria não alcança muita repercussão nas práticas de Orientação Profissional (BOCK,2002).

As teorias desenvolvimentistas são divididas em três estágios, “escolha fantasia” é quando a criança desde pequena faz uma idéia do que quer ser quando crescer, baseada no meio em que vive. “tentativas de escolha” a criança já forma alguns conceitos e se projeta em algumas pessoas conhecidas, porque acha bonito ou tem alguma atração. “realistas” é quando já chegou à hora dela decidir-se e preferencialmente, ela faça a escolha mais acertada (BOCK, 2002).

Já no que diz respeito às teorias decisionais, esta tem como objetivo auxiliar o orientando a fazer sua decisão tomando por base alguns critérios como:

• Analisar os dados capazes de constituírem bases adequadas para se estabelecer uma decisão;
• A coligir informações que possam sugerir novas alternativas;
• A determinar empiricamente a utilidade de cada decisão.

As teorias gerais fazem uma fusão tanto dos aspectos psicológicos, como os socioeconômicos e pregam que o individuo vai se constituindo na sua escolha profissional ao longo do tempo, e na interação com outras pessoas. Para os autores a estrutura social em que se desenvolve o indivíduo tem influência tanto na escolha da profissão como também na seleção profissional, mesmo ocorrendo em momentos distintos da vida, pois a escolha ocorre na infância e a seleção no tempo presente. (BOCK, 2002).

2.7 O Desenvolvimento da Identidade Profissional

Para BOHOSLAVSKY (1977 apud LEMOS, 2001), o processo de constituição da identidade profissional ocorre desde a infância, a partir das inúmeras identificações que o indivíduo irá realizando durante sua história de vida com adultos significativos que desempenham papéis profissionais.

Essas identificações têm um papel muito importante na vida do adolescente, pois a partir delas ele vai formando sua identidade profissional, mesmo que por algum motivo ele não a siga, terá pelo menos um caminho a trilhar. Com um objetivo. Como falamos de adolescentes é muito comum que escolhas sejam realizadas sem que aja comprometimento com alguma.

Caso seja feito um engajamento pelo adolescente por uma escolha é necessário que ele se comprometa, preservando-a e lutando por ela, pois se ele não passar por esse momento, o processo de aquisição de identidade ficará prejudicado.

Márcia apud Fiori (1982) estabelece quatro tipos de posicionamento diante da aquisição da identidade: o moratório, o aquisidor, o impedido e o difuso.

• Moratório: permanece num estado de questionamento contínuo diante de suas escolhas, sem realizar o engajamento com alguma delas. Isto é normal desde que não se prolongue, caso contrário o indivíduo tornar-se-á eterno primerio-anista de faculadade.
• Aquisidor: o processo de engajamento foi completado, a escolha foi definida.
• Impedido: o engajameto ocorre sem que o adolescente tenha antes passado pela etapa da crise. Os modelos sugeridos pela família são adotados sem qualquer questionamento.
• Difuso: o adolescente nem passou pela crise, não se engajou, não possui valores pessoais próprios. Não há preocupações com a continuidade ou mesmidade.

Os posicionamentos moratórios e aquisidor são os processos normais e esperados na adolescência, pois o indivíduo precisa vivenciar a crise, fazer questionamentos e rupturas com modelos vigentes.

3. Caracterização da Clínica de Psicologia

3.1 Quadro dos Funcionários

A clinica de psicologia da UNIT (Universidade Tiradentes) compõe de funcionários sendo:

1 Coordenadora da Clinica de Psicologia;
1 Assistente Social;
1 Auxiliar Administrativo I;
1 Estagiária da Recepção.

3.2 Estrutura Física da Instituição

A clinica de psicologia tem um total de oito salas de atendimentos distribuídas por quatro salas de espelhos, três de atendimento, uma sala de plantão psicológico. Em relação em outras salas da clinica ainda tem duas salas de supervisão, duas salas de miniauditorio, uma sala de estagiário, uma recepção, uma sala de arquivos, uma sala da coordenação da clinica e uma sala para assistente social, totalizando oito salas.

Na recepção da Clinica de Psicologia tem os seguintes móveis que são: Um birô de madeira e duas cadeiras acopladas de três lugares feitos de plástico idênticos de clinicas de modo geral. Nas salas de atendimentos e de espelhos tem mesas de plásticos com cadeiras com mesmo material e sofás com estofados com panos específicos, nas salas de supervisão e o miniauditorio tem cadeiras apropriadas para estudantes universitários e quatro birôs para os professores, ambos tem como material a madeira e ferro, na sala de arquivos três armários de ferro utilizados como deposito de arquivos da clinica e material para pacientes criança, na sala da coordenação tem um birô e cadeira idênticos a escritórios e também a sala para a assistente social que é composto dos mesmos móveis.

3.3 Histórico da Instituição

Fundado em 19 de junho de 2001 e estruturado para o curso de psicologia, oferece estagio aos alunos nas diversas áreas: Clinica escolar organizacional e comunitária. A prestação de serviços de psicologia clinica, serviço social e pedagogia a toda comunidade. O serviço é gratuito e prioriza a população desfavorecida socioeconômica e culturalmente.



3.4 Como a Instituição se Mantém?

A instituição pertence à UNIT – É uma instituição privada de ensino superior e vive dos recursos da Universidade, da receita do próprio curso de psicologia. Os tipos de convênios e parcerias são realizados através de trabalhos feitos pela Clinica de Psicologia que é vinculado com o curso de psicologia em interface com os cursos de serviço social e pedagogia.

3.5 Atividades desenvolvidas na Clinica de Psicologia

• Núcleo de serviço social.
• Núcleo de psicologia clinica, acompanhamento de pacientes individualmente ou em grupos de até dez pessoas.
• Núcleo de pedagogia através de oficinas pedagógicas.
• Núcleo de orientação vocacional/ profissional.

3.6 Roteiro de Inicio de Atendimento

• Recepção – Preenchimento de ficha de inscrição com uma Xerox de R.G, um comprovante de residência atual e comprovante de renda.
• Entrevista Social – Realizada pela assistente social da clinica Escola e estagiários do curso de serviço social.
• Triagem psicológica – Realizada com aluno estagiário dos 9º e 10º períodos do curso de psicologia.
• Atendimento – Sessões com aluno estagiário ou professor/ supervisor, geralmente semanas de oficinas pedagógicas.

3.7 Como é realizada a Seleção da Demanda?

• Continuidade dos atendimentos realizados pelos alunos de psicologia que concluíram o curso de psicologia.
• Lista de espera (Ordem de chegada).
• Casos arquivados que solicitam o retorno do atendimento psicológico.
• Encaminhamento de outras instituições.

4. DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES

O atendimento da Orientação Profissional foi realizado na Clinica de Psicologia na UNIT (UNIVERSIDADE TIRADENTES), com o total de 4 pacientes, sendo: A paciente nº de prontuário 2446, a paciente de nº de prontuário 2494, o paciente de nº de prontuário 2447 e a paciente de nº de prontuário 2493.

Dois pacientes desistiram de fazer a Orientação Profissional, que são a paciente de nº 2493 e o paciente nº 2447,mas ambos não foram realizados nenhuma sessão, ainda teve uma paciente nº2494 que foi realizado duas sessões e não continuou as sessões porque a paciente estava muito depressiva e foi encaminhada para psicoterapia e somente uma paciente continuou as sessões de Orientação Profissional até a sessão final, foi à paciente nº 2446.

A partir de uma atividade de extensão da UNIT (Universidade Tiradentes) foi realizado no dia de livre iniciativa a divulgação de Orientação Profissional nos mercados do centro da cidade de Aracaju, realizado no dia 26 de setembro de 2009, com isso, foram realizados plantões psicológicos referente à demanda deste referido evento.

18/09/09- RESUMO DE SESSÃO Nº 1
Paciente de nº de prontuário 2446

A paciente que foi atendida chegou atrasada 18 minutos em relação ao horário combinado de 10 horas. No primeiro contato com paciente foi harmônico, e os estagiários explicaram as atividades que serão realizadas a respeito da Orientação Profissional.

O primeiro contato com a paciente a que pode ser observado pelos estagiários de psicologia de uma espontaneidade de se expressar com clareza suas dificuldades. Aplicamos um questionário de Orientação Profissional com 43 perguntas abertas, complementadas com as perguntas anteriores de cada item.

Na questão das respostas da paciente caracterizou um estado de ansiedade na escolha e exercer nesta profissão escolhida, insegurança no processo de escolha da profissão. Ainda foi observado nas respostas de cada pergunta o gosto da paciente em falar muito sobre o tema perguntado, por isso em muitos momentos tive que cortá-la com intuito do tempo da sessão, mas as respostas dela são consistentes no que é investigado.

Por outro lado, a paciente teve interesse de saber como é a orientação profissional e a sua importância desse serviço para a população de maneira geral. A paciente considera-se ser uma boa aluna e gosta de estudar, mas também se organiza em relação ao tempo e ao dia, pois a mesma relatou que estuda 3 horas todos os dias, sem companhia de ninguém.

O método dela de estudo consiste em ler e reler sobre o assunto que está estudando, com isso a paciente faz um resumo e também perguntas sobre o resumo. No tempo de colégio no Ensino Fundamental e no Médio, as matérias que ela gostava era Português e Literatura, mais ainda de Português porque achava quem estudava português falava bonito, e no caso de literatura os poemas eram bonitos e fazia viajar. As matérias que ela não gostava eram referentes de raciocínio e formulas que eram matemática, química e física.

No caso da profissão ela entendia que servia para independência econômica, exercer uma carreira que possa se realizar. O que pesava para conseguir este sonho do emprego era a questão da idade, através da diferença de idade entre o homem e a mulher, e conhecia que isso dava para ter uma vida estruturada e condição econômica melhor.

A outra coisa dessas respostas relevantes foi a duvida extrema sobre as profissões que a paciente identificava, então, ela quer exercer: Informática; psicologia; engenharia; publicidade e assistente social.

Para cada profissão identificada dizia o conceito da função de cada uma, para psicologia a mesma achava que é interessante estudar o comportamento do ser humano, engenharia pelo gosto de desenhar qualquer coisa, assistente social no ato de gostar de ajudar as pessoas e já informática é uma profissão que dá dinheiro. A única profissão que ela não definiu foi à publicidade.

Por fim, foi uma questão, que é a ultima do questionário, pedia para descrever ela mesma como pessoa. A paciente se definiu como uma pessoa que busca sempre resposta o que quer dela. Dos outros também. Busca conhecimento e melhorar como ser humano e profissional. Auto-idealização. Ser um ser humano realizado.

Depois quando os estagiários de psicologia encerraram a sessão, a sala foi arrumada e saíram com a paciente até a recepção da clinica para remarcar para outro dia.

25/09/09 – RESUMO DE SESSÃO Nº 2

Neste dia a paciente não veio para Orientação Profissional. Portanto foi assinado no comparecimento do cliente como falta e foi feita uma requisição para outro dia e hora. Nesse dia a paciente chegou 11 horas e os estagiários já foram embora da Clinica de Psicologia.

02/10/09- RESUMO DE SESSÃO Nº 3

Durante a infância, a paciente nº 2446 não tinha uma auto- estima em relação aos seus estudos, mostrando-se consciente de que até hoje esta auto-estima ainda é muito baixa. Na infância, a paciente não teve bons resultados em relação aos seus estudos. Seu pai era alcoólico e sua mãe não teve tempo para estudar, e se dedicar totalmente aos estudos, sendo semi analfabeta, em virtude das varias bebedeiras que o pai tinha tudo era motivo para brigas entre ambos, deixando a paciente bastante chateada, por presenciar essas brigas.

A paciente, não teve muita sorte, em relação aos seus estudos, devido as suas condições financeiras, mas sempre quando chegava em casa, depois da escola, tinha o apoio incondicional da sua mãe, motivo sempre de orgulho pela paciente. A paciente foi uma criança normal que não teve muitas coisas, mas que se mostrava ser feliz, falando até, que foi uma pessoa criada para se casar, e fazer uma universidade, mas as adversidades que a vida lhe propôs,os fizeram com que ela não fizesse, mostrando bastante arrependida.

A paciente conforme a sua condição financeira optou por trabalhar na parte administrativa, devido ao mercado de trabalho, mas demonstrando não está muito satisfeita com aquilo que trabalhava relevando que só estava ali mesmo, por suas condições que não lhe permitia ter tudo o queria. Relatou que trabalhou em um banco, cuja função era enviar fax para uma empresa de segurança. Portanto, segundo relatou a paciente, ela não tinha mais animo para continuar naquele emprego, e em virtude disso pediu demissão

Este estagio no banco do Brasil foi efetuado somente 1 ano, e ela trabalhou em São Paulo durante 4 anos. Em Aracaju, acabou trabalhando no G. Barbosa e o tempo de serviço foi 6,5 anos, esse trabalho era no caixa como função de atendente.

09/10/09- RESUMO DE SESSÃO Nº 4

Nessa sessão foi aplicado um teste psicológico, que é Q.V.I. ( QUESTIONARIO VOCACIONAL DE INTERESSES). Este teste é aplicado em duas partes, sendo a primeira parte consiste na escolha das profissões que menos gosta e na segunda parte são atividades e diversões com os mesmos objetivos da primeira parte. Isso é respondido na folha de resposta dada para a paciente, composta de 18 pirâmides.

A primeira parte foi aplicada neste dia, que a paciente recebeu instruções dos estagiários de psicologia e também a disponibilidade de esclarecer as duvidas da paciente. Em relação ao tempo é livre, portanto a paciente pode responder o teste até o fim da sessão, que é de cinqüenta minutos.

Sentamos nas cadeiras de uma mesinha da sala de atendimento numero quatro e um dos estagiários deu o material do teste para a paciente responder, como sendo uma folha de resposta e um caderno contendo pirâmides de P1 até P8, com 15 siglas de áreas de interesses.

O teste foi respondido com lápis e na utilização da borracha no caso da paciente cometer algum erro na hora da realização do teste. A compreensão da paciente L sobre o teste aplicado foi ideal, para que tudo ocorresse bem. As respostas de cada pirâmide não foram demoradas, e o termino foi de dezenove minutos.

Nesta primeira aplicação do teste foi observado que a cliente utilizou a borracha em dois momentos durante a resolução do teste, e teve etapas neste tempo para racionar alguns segundos e depois lançou as siglas nas pirâmides. Por fim, os movimentos oculares rápidos dela observaram mais da primeira lista até na posição intermediaria, raramente as oito ultimas siglas da lista de cada pirâmide.

16/10/09- RESUMO DE SESSÃO Nº 5

Primeiramente, a paciente recebeu instruções como deve fazer esta segunda parte do teste Q.V.I. E tirar as respectivas duvida da paciente L. Então, ela começou a responder o teste às 10 horas e 11 minutos.

Neste dia a paciente estava meio dispersa ao fazer o teste e foi estabelecido o rapport novamente para ela. O ambiente de realização do teste foi apropriado para este fim, sendo um local arejado, uma iluminação boa e um móvel adequado.

A resolução do teste a paciente não foi rápida como foi na sexta passada, porém um pouco lenta no preenchimento das siglas das atividades nas pirâmides. O uso da borracha desta vez foi o dobro em relação à primeira parte do teste, errando quatro vezes na colocação das siglas nas pirâmides.

Ainda teve um momento que a cliente pulou a seqüência do lançamento das siglas e foi chamada atenção que não pode fazer isto. O termino do teste psicológico foi de 32 minutos. A partir daí, foi encerrada a sessão neste dia.

20/10/09 – RESUMO DE SESSÃO Nº 6

Na sessão de hoje foi feito a devolutiva do teste Q.V. I para a paciente, tendo como resultado deste teste que a área de interesse predominante foi à atividade social, que englobam profissões como: Sociologia, missionário, religioso e entre outras.

O estagiário de psicologia depois de ter acabado de falar o resultado, a paciente comentou sobre o resultado, pois ela se identifica com área social, porém segundo a paciente nº 2446 esta profissão não dá dinheiro e ela quer um emprego que supri a necessidade financeira dela.

Ainda a paciente abordando sobre profissões, exercer um emprego que o individuo goste é importante, mas às vezes isso não é possível, porque sente a necessidade de estabilidade financeira. Mas também, cada pessoa tem um dom para uma profissão, ela acredita nesta possibilidade.

A cliente falou para o estagiário que o dom dela é viver na natureza, um lugar silencioso. Para ela o emprego para ser exercido tem que ser assim, por estas características do ambiente de trabalho.

Então, a paciente voltou a falar sobre o teste aplicado pelo estagiário, comentando sobe o resultado que a mesma já sabia. O motivo de já saber do resultado provem de testes psicológicos feitos pela internet, por isso ela deduziu que seria mesmo resultado dos testes feitos pela internet.

Durante a entrevista inicial da Orientação Profissional a paciente deu exemplos das profissões que gostaria e exercer, uma delas foi assistente social, com isso a paciente foi sugestionada a relembrar dessa colocação dela nessa entrevista realizada na primeira sessão, portanto, a paciente disse para exercer uma carreira de assistente social tem que ter condição financeira e também foi questionada se ela queria ser socióloga, a cliente falou a mesma coisa.

A paciente abordou na questão da idade para entrar no mercado de trabalho na sessão, e no mercado de trabalho em São Paulo tem muita oportunidade para aquela pessoa que já tem experiência. A respeito dos jovens, a mesma disse em São Paulo as empresas de lá não estão contratando jovens, porque eles não acreditam neles, pelo motivo que os adolescentes só querem viver nas baladas e só pensam em namorar.

Já no estado de Sergipe, na cidade de Aracaju a situação é inversa, como declara a cliente. Aqui, as pessoas só vejam pela aparência, na questão da contratação para emprego. Segundo a paciente em Aracaju só tem politicagem e nepotismo e a dificuldade de se arranjar emprego está neste fato.

Saindo do contexto do trabalho, a paciente também relatou na sessão assuntos pessoais dela, como sendo, a vida na adolescência. Neste momento aconteceu um desabafo da paciente para o estagiário contando que uma colega chegou perto dela e disse para paciente que não era normal. Relembrando desta cena no passado, começou a se emocionar na sessão se sentindo diminuída como pessoa naquele momento e depois pediu desculpas… A partir daí a paciente relatou, que na escola vivia isolada, mas desejava fazer amizades verdadeiras e não fazer amizade com tudo mundo ou viver em grupo.

O estagiário olhando a hora no seu celular e vendo que a sessão estava para terminar, decidiu encerrar a sessão. Ambos se levantaram das cadeiras onde estavam, e o estagiário desligou o ar condicionado, logo em seguida desligou no interruptor a luz da sala e saindo e virando a placa amarela com o nome “em atendimento” para o lado vazio, de amarelo. Depois fechou a porta e seguiu com a paciente até a recepção para remarcar outra consulta para outro dia.

30/10/09 – RESUMO DE SESSÃO Nº 7

Os estagiários de psicologia levaram pastas de cursos profissionalizantes das instituições do SENAI, SENAC e SESC. Isto serviu de suporte para paciente como forma de capacitação da mesma para funções trabalhistas futuras.

Ela ficou observando as pastas recebidas e alegou que fez cursos nestas instituições. No ano passado, a paciente L fez um curso de oratória no SENAC e ainda pretende fazer um curso de pintura no SENAI. Quando a cliente esteve em São Paulo, tinha o interesse no curso de neurolinguistica, mas os preços da matriculas eram caros. Também em Aracaju, ela tinha este interesse, entretanto não encontrou nenhum curso de neurolinguistica.

A cliente foi questionada neste período da Orientação Profissional que ela está fazendo na Clinica de Psicologia se está indo atrás de um emprego. A resposta dela foi sim e está distribuindo currículos nos comércios menos em mercados, pois a mesma não deseja trabalhar nestas instituições. O motivo disso que a cliente perdeu o animo em trabalhar neste tipo de estabelecimento. Segundo a paciente L diz “será que vou passar o resto de vida trabalhando em mercados?” O interesse dela é crescer na vida profissional, por isso quer mudar de trabalho.

Também a cliente disse tem o interesse em trabalhar na administração dos recursos humanos em uma empresa. Até ela se inscreveu para o vestibular da UFS (UNIVERSIDADE FEDERAL DE SERGIPE) para administração como primeira opção e já para a segunda opção colocou assistente social. Inclusive a paciente está fazendo um preparatório para o vestibular no Pré – Sed. Outra questão levantada que a paciente já falou nas sessões anteriores foi em relação à organização nas atividades corriqueiras e profissionais.

06/11/09 – RESUMO DE SESSÃO Nº 8

O atendimento de hoje focou no currículo da paciente nº 2446. Então, o currículo dela estava na bolsa e logo seguida ela me mostrou. A partir daí, foi observado o currículo dela no aspecto de elaboração.

A elaboração do currículo da cliente estava com informações da experiência profissional e cursos profissionalizantes incompletos, e também da redação na questão da pontuação e termos inadequados que estavam no currículo.

Na experiência profissional faltava à localidade onde a paciente trabalhou e nos cursos profissionalizantes faltava a localidade e o nome da instituição onde estudou. Enquanto a redação está no emprego de termos inadequados, que não devem estar no currículo como: A palavra “etc” foi encontrada em duas ocasiões no próprio currículo; mais ainda o emprego incorreto da pontuação utilizando reticências, pois somente é empregado em situação de duvida da fala de quem elabora a frase. A conclusão disso foi exatamente de duvida da paciente nas áreas de atuação colocadas e com uso do “etc” generaliza todas as possibilidades de emprego, de acordo da experiência profissional dela.

A paciente foi sugerida que colocasse no currículo um resumo profissional, que consiste do perfil dela para o emprego que pretende adquirir e na possibilidade da empresa selecionadora de saber o que ela sabe fazer, isso significa as habilidades profissionais que ela possui.

Depois, a paciente ficou na duvida em relação à entrevista que normalmente as empresas realizam para selecionar os candidatos para um emprego. Ela foi orientada que tenha atenção às perguntas elaboradas pelo entrevistador e responda de uma maneira sincera e segura a todas as perguntas feitas pelo mesmo.

Ainda a paciente me disse que leu no Cinform um anuncio de emprego de “marketing” e foi chamada para um treinamento neste emprego no mesmo dia da sessão, mas ela tentou ligar para lá e não conseguiu ter contato. A empresa que irá oferecer o treinamento para paciente ligou, isso vai ser nesta segunda – feira.

Com esta possibilidade de ela ser contratada, pode prejudicar o andamento do atendimento da Orientação Profissional na clinica, pois faltam somente três sessões para terminar. Na próxima sessão a paciente foi pedida para trazer o currículo corrigido.

13/11/09 – RESUMO DE SESSÃO Nº 9

A sessão neste dia a paciente chegou pontualmente às 10 horas. Na sessão passada foi mandada que trouxesse o currículo corrigido, mas ela não o trouxe.

O estagiário fez intervenção perguntando como a paciente se apresenta diante de uma entrevista de emprego, com questionamento sobre o traje que ela utiliza durante a entrevista, e a mesma respondeu que vai de maneira adequada não abusando nestes trajes. O outro questionamento do estagiário foi sobre o manuseio do currículo para entrega na empresa que oferta vagas de um cargo que a paciente pretende ocupar.

O manuseio dela de levar o currículo até a empresa é uma maneira desconhecida pelo estagiário, segundo a paciente leva o currículo como fosse uma carta, tudo embrulhado, pois este método foi aprendido em São Paulo. O estagiário sugestionou que levasse o currículo num envelope ou numa pasta, para que não amassasse o currículo na hora da entrega na empresa.

Depois disso a paciente relatou a dificuldade de se arranjar emprego em Aracaju, pois a justificativa desta dificuldade está no coronelismo existente na região nordeste. Os empresários daqui tendem explorar os funcionários do que abrir vagas para contratação de novos empregados, mas na região sudeste os empresários tem uma mente mais aberta e tem mais oportunidade de emprego.

Por fim, a sessão foi encerrada e o mesmo ritual de sempre foi estabelecido, sendo o desligamento do ar condicionado, o desligamento do interruptor das luzes, a virada da placa amarela de “em atendimento” para o lado de cor amarela e saindo com a paciente até a recepção para remarcar para outro dia.

27/11/09 – RESUMO DE SESSÃO Nº 10

Na sessão a paciente trouxe o currículo corrigido e foram observados ainda alguns problemas na gramática, que é o uso da pontuação. A paciente sente muita dificuldade no emprego da pontuação e foi orientada a fazer um curso de redação.

Depois foi aplicado um teste de personalidade na paciente chamado teste H.T.P. que consiste no desenho da casa, da arvore e de uma pessoa e outra pessoa do sexo oposto.

A paciente foi instruída como deve responder o teste e os materiais utilizados foram três papeis ofícios do tipo A4, um lápis, uma borracha e uma caixa de lápis de cor. O primeiro desenho foi da casa, mas ela desenhou ainda mais uma arvore, girassóis e um sol. Durante o inquérito estabelecido pelo estagiário, a paciente relatou que desenhou uma casa num campo, e ela morava sozinha lá, e os girassóis e a arvore eram a vegetação desse campo, pois o sol representava para a paciente motivação e animo já a chuva trazia tristeza e desânimo para a paciente.

No desenho da arvore a paciente desenhou uma mangueira, sendo os frutos na maioria imaturos e somente dois frutos eram maduros, mais ainda, as folhas desenhadas na arvore representava, de acordo com a paciente, ramificações que sustentam os frutos. Isso relatado se partiu do inquérito feito pelo estagiário.

O ultimo desenho era relacionado a uma pessoa que a paciente conhece, podendo ser alguém da família ou amigos, ou ainda uma pessoa especial da vida dela. Durante o inquérito foi observado nos desenhos à separação das duas figuras humanas, pois representavam os pais da paciente e relatou que ambos viviam brigando, mas a paciente não gostava dessa situação e até hoje continua não gostando.

No relato dela no desenho da mãe foi percebido no rosto um sorriso desenhado da mãe, correspondendo à alegria que vivia a mãe dela no passado, porém no presente raramente vê a mãe sorrir.

A paciente relatou sobre o pai como uma figura problemática, pois causava sofrimento a toda família. Só vivia procurando intrigas com tudo mundo e isso entristecia a paciente. A conclusão desse terceiro desenho deduz que a paciente se preocupava muito com a sua mãe e a atitude agressiva do pai fazia a mãe dela ser infeliz.

04/12/09- RESUMO DE SESSÃO Nº 11

Na sessão do dia 04 de dezembro de 2009, o estagiário de psicologia fez a devolutiva do teste de H.T.P. que é um teste projetivo de personalidade, o mesmo dizendo que a paciente apresentava traços como sendo uma pessoa retraída, reservada, com sentimentos de rejeição social e sente inferior em relação às outras pessoas, mas também a paciente fantasia se casar e ter filhos, o nível intelectual dela tem capacidade de abstração e autocrítica em relação às atividades que executa no seu cotidiano e na vida profissional.

Ainda sobre o teste, a paciente prefere ficar em ambientes calmos a ambientes agitados. O estagiário fez uma devolutiva da queixa central da paciente nos resumos das sessões anteriores, dizendo para a paciente sobre as dificuldades na questão da organização das atividades que ela faz na sua vida e profissional, por isso ela sente uma angustia por não conseguir concretizar o que foi planejado, tendo um sentimento de incapacidade e também a dificuldade em cálculos matemáticos.

Neste dia foi encerrada a sessão de Orientação Profissional e a paciente foi encaminhada para o tratamento psicoterápico. Depois saímos da sala de atendimento e seguimos até a recepção para a despedida, entretanto voltei na sala de atendimento para preencher a folha de encerramento que tem dados pessoais da paciente, o numero de sessões feitas, o histórico da queixa, o histórico do atendimento e encaminhamento do estagiário para outro estagiário do nono e décimo períodos.

09/10/09 – PACIENTE DE Nº DE PRONTUARIO 2447

O paciente desistiu de fazer Orientação Profissional na Clinica de Psicologia. Pelo este motivo o prontuário dele foi arquivado.

29/10/09 – RESUMO DE SESSÃO Nº 1
A PACIENTE DE Nº DE PRONTUARIO 2494

A paciente chegou pontualmente às 11 horas, no primeiro momento a paciente ficou um pouco tensa, apreensiva. A paciente começou a relatar um pouco sua historia de vida, suas decepções, seu relacionamento com seus pais e coisas que aconteceram no seu dia a dia.

Relatou que trabalha com contabilidade, e possui uma pequena lojinha. E que tem algumas pessoas que a ajudam nessa loja, falando também que sua tia a ajuda com as coisas de contabilidade.

A paciente estava bastante fragilizada nesse dia, devido a um rompimento que ela sofrera com o marido, um relacionamento de nove anos que ela mantinha,chorando por diversas vezes na sessão, quando se perguntava o porquê dessa separação,ela relatou que o motivo era ciúme, e que a própria era muito ciumenta, em relação a seus ex-companheiros, e que já teve outros dois relacionamentos anteriores e que sempre acabavam pelo mesmo motivo, ou seja, o ciúme.

Segundo ela, em muitas vezes ela se sente só, infeliz e vê que a vida não é fácil, contou também que sua infância não foi fácil, que o relacionamento com os pais, não foi tão bom assim, coisa que ela queria repetir com suas filhas que possuía.

Por falar em suas filhas, a mesma falou que, um tem 10 anos, e outra 26, e que essa de 26 pouco tem contato devido a esta morar no Rio de Janeiro com o marido, que trabalha na aeronáutica. Demonstrou ser uma mãe totalmente dedicada com a sua filha de 10 anos, mas quando se perguntara dessa sua filha mais velha, um semblante de tristeza a assombrou, e a fez falar que na infância, dessa filha, não tinha quase nenhum contato afetivo com ela, a deixando muito triste, e que essa filha, não era tão receptiva com ela, como essa mais nova, ela iria dar carinho e esta por sua vez recusava.

05/11/09 – RESUMO DE SESSÃO Nº 2

A paciente chegou às 11 horas, na sessão a paciente demonstrava estar mais clama na sessão, e relatou que tinha conseguido absorver algumas coisas da sessão anterior, e que sabia que tinha a necessidade de ter uma ajuda profissional, relatando que sua mãe tinha depressão e que tomava remédios controlados, e a paciente ficou na duvida se essa depressão era genética, e que se ela poderia ter contraído a depressão, devido a sua mãe ter.

Relatou que acha que as pessoas têm inveja dela, por ela ser uma mulher independente ter uma personalidade forte e que sempre ajuda as pessoas, sendo esse seu mal, coisa que a prejudicas e muito, segundo a mesma porque ela ajudando as pessoas ela se esquece de se ajudar a si mesma.

Demonstrou-se um pouco madura, para tudo que está acontecendo na sua vida, e de que toda a pessoa tem problemas, e que ela mesma não poderá resolver todos os seus problemas, mas solucioná-los da melhor forma possível.

Relatou que se realmente precisar que tomar remédio, para alguma doença que ela tiver, ela tomara sem nenhuma preocupação, a aliviando ela aceitará normalmente isso, e que acha que deve mudar nela em muitas coisas, e que precisa mudar isso o quanto antes, segundo a mesma.

12/11/09- PACIENTE DE Nº 2494

A paciente neste dia faltou para a consulta de Orientação Profissional. Esperamos trinta minutos por ela, mas ela não chegou ao período de nossa espera e vamos embora, e um dos estagiários fez uma requisição para remarcar para outro dia.

19/11/09 – PACIENTE DE Nº 2494

Neste dia não foi possível atender a paciente, pelo motivo que a mesma já foi encaminhada para o tratamento psicoterápico.

19/11/09 – PACIENTE DE Nº 2493

A paciente não tem interesse de fazer Orientação Profissional na clinica, por isso o prontuário dela foi arquivado.

26/09/09 – EVENTO “O DIA DA LIVRE INICIATIVA”

Este evento proporcionou a divulgação dos serviços que clinica de psicologia oferece como: Terapia individual, psicodiagnostico, terapia grupal e de família e orientação profissional.

O evento iniciou das 8 horas às 12 horas, entre os mercados do centro da cidade de Aracaju. A divulgação consistiu na distribuição de panfletos e a assinatura da população que transitava no local do evento e as suas adjacências. O objetivo da lista era para saber quantas pessoas pegaram o panfleto, e a quantidade de pessoas cadastradas.

Então, na lista contem o nome da pessoa e o numero da R.G(CARTEIRA DE IDENTIDADE). Já em relação ao cadastro exige o nome do individuo, o endereço, o telefone de contato, quais serviços que a pessoa está interessada na clinica e a disponibilidade de horário e dia para serem atendidas na clinica de psicologia.

PLANTÕES PSICOLOGICOS – ORIENTAÇÃO VOCACIONAL

08/10/09 – Este plantão foi realizado na quinta-feira às 16 horas na clinica de psicologia, mas nenhum paciente compareceu para fazer Orientação Vocacional. A demanda destes pacientes é feita pelo cadastro realizado pela clinica, através do evento ocorrido nos mercados do centro da cidade.

29/10/09 – Não houve comparecimento de clientes para a Orientação Profissional, caso se houvesse seriam atendidos na sala de plantão da clinica.

03/11/09 – Neste dia o plantão começou a ser realizado também pela manhã porque tem pacientes que não possam ir à tarde, por isso foi colocado na terça-feira. Entretanto, também neste dia não compareceu nenhum cliente.

10/11/09 – O plantão foi realizado às 8 horas, com duração de duas horas, mas ninguém compareceu.

17/11/09 – Nenhum paciente veio para as triagens de Orientação Vocacional.

19/11/09- Foi a mesma coisa do dia anterior.

03/12/09- Também neste dia não teve ninguém para fazer as triagens de Orientação Vocacional.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

O processo de orientação profissional é uma ferramenta essencial para auxiliar o indivíduo a perceber suas aptidões e habilidades e, assim aperfeiçoá-las na escolha e na busca por uma vaga no mercado de trabalho.

A divulgação da clínica de psicologia da Universidade Tiradentes e dos trabalhos lá realizados, aliada a criação de pastas com informações sobre instituições que ministram cursos profissionalizantes, aumentariam a eficácia e o alcance desse processo na comunidade, tendo em vista que aumentariam o número de atendimentos feitos e facilitaria o acesso à informação necessária aos pacientes.

6. REFERENCIAS BIBLIOGRAFICAS

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TEIXEIRA, C. F. Epidemiologia e Planejamento em saúde: Tese de doutorado em saúde coletiva. Universidade Federal da Bahia, 2002.

Síndrome do Túnel do Carpo

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1 INTRODUÇÃO

Ocupando lugar de destaque nas estatísticas de doenças do trabalho registradas pela Previdência Social, por entidades de Saúde como Centros de Referências (Cerests), sindicatos e em pesquisas acadêmicas, as chamadas Lesões por Esforços Repetitivos/Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (LER/DORT) seguem deixando uma legião de incapacitados e um rastro de dúvidas que vai da própria denominação de metodologias de diagnóstico relativas ao nexo causal com os ambientes laborais.

Atualmente, grande parte das lesões no trabalho não são por esforço repetitivo; o termo LER/DORT é o mais adequado, pois inclui não somente as lesões causadas por movimentos repetitivos, mas outros tipos de problemas físicos gerados por movimentos críticos e rotacionais, por posturas inadequadas e excesso de esforço realizado em atividades profissionais as mais diversas (BARROS apud VIEGAS, 2006).

Hoje essas lesões podem ser chamadas de AMERT (Afecções Músculo-esqueléticas Relacionadas ao Trabalho) as quais juntamente com o termo LER/DORT são definidas como um conjunto de doenças do trabalho que acometem tendões, sinoviais, músculos, nervos, fáscias e ligamentos, de forma isolada ou associadamente, com ou sem degeneração de tecidos, atingindo não somente os membros superiores, mas principalmente a região escapular e o pescoço.

As síndromes nervosas periféricas podem ocorrer devido ao próprio processo inflamatório tendíneo que comprime, por exemplo, o nervo mediano no carpo (síndrome do túnel do carpo).

Embora a síndrome do túnel do carpo (STC) seja comum, conhecida há mais de 100 anos, geralmente tratada por cirurgia, constitui uma causa importante de incapacidade para o trabalho e motivo de regulações extensas e dispendiosas do ambiente de trabalho, ela é ainda cercada de controvérsias a respeito do seu diagnóstico e sua relação com o trabalho.

A escolha do tema deve-se às várias causas de aumento das estruturas que passam pelo Túnel do Carpo que podem desencadear a doença.

Torna-se importante a realização desse trabalho, porque ultimamente devido ao aumento de casos de LER/DORT que estão aparecendo, e também por serem doenças que envolvem certas profissões.

Quanto ao objetivo geral, como Perito Médico da Previdência Social, na agência de Passos/MG, freqüentemente realizamos perícias nos portadores de LER/DORT, principalmente os portadores de Síndrome do Túnel do Carpo, sendo uma doença geradora de incapacidade laboral temporária e em alguns casos de incapacidade laboral definitiva.

O Ministério da Previdência Social e o Ministério da Saúde, respectivamente, por meio do Decreto 3048/99, anexo III e da Portaria 1339/99 organizaram uma lista extensa de doenças do sistema osteomuscular e do tecido conjuntivo relacionados ao trabalho.

A Síndrome do Túnel do Carpo (STC) e a Síndrome do Túnel Radial (STR) têm sido abordadas pela literatura médica como uma neuropatia compressiva do nervo mediano no túnel do carpo. Esta patologia gerada, em muitos casos, pela política dos grandes grupos econômicos visando lucros, baixos custos e sua conseqüência danosa tem sido motivos de vários atos periciais, inclusive judiciais, ausência ao trabalho, transtornos psíquicos aos trabalhadores, grande custo social e econômico ao país. Cabendo aos médicos peritos do INSS a função de afastar ou não de suas atividades laborais os portadores desta doença.

Do perito espera-se que tenha sólido conhecimento técnico para concluir muitas vezes sem contar com a colaboração do examinado, firmeza, clareza e serenidade para não se deixar envolver por pressões ou fatores externos. Elaborando um laudo com idoneidade, honestidade, responsabilidade, discernimento, bom senso, objetivo e comprometimento com a verdade.

Do médico espera-se que tenha o dever de informação, atualização, vigilância e abstenção de abusos, podendo ser responsabilizado civilmente pelo código de ética médica e pelo código do processo civil.

Quanto à contribuição do mesmo a STC é uma doença e muitas vezes levam o paciente à perda de dias de serviço, bem como afetam o andamento das empresas. Por essa razão, as empresas estão cada vez mais se preocupando em orientar os funcionários, para que esses possam se prevenir das lesões.

2 REVISÃO DA LITERATURA

2.1 Síndrome do Túnel do Carpo

2.1.1 Breve evolução histórica

A síndrome do túnel do carpo (STC) foi descrita pela primeira vez por Sir James Paget, em 1854, como sendo uma neuropatia do nervo mediano detectada ao nível do túnel do carpo, causando sensações de queimação, dor, formigamento, agulhadas, hiperestesias, hipoestesias e em alguns casos até mesmo anestesia (SEVERO, 2001).

Mello (2001) cita que, em 1865, foi realizada a primeira descrição de uma compressão crônica do nervo mediano por Paget. Putnan foi o primeiro a descrever os clássicos sintomas clínicos de parestesias nas mãos, de caráter noturno e intermitente.

O tratamento cirúrgico foi realizado pela primeira vez em outubro de 1929 por James Learmonth, com a secção do ligamento transverso do carpo, técnica popularizada mais tardiamente (PEREIRA et al., 1993).

Entretanto, foi nas décadas de 40 e 50 que neurologistas e cirurgiões aumentaram seu interesse pela patologia. Em 1960, com o desenvolvimento dos testes eletrodiagnósticos, da eletromiografia e do estudo das conduções sensitivas e motoras, é que se pôde assim, aumentar o índice de diagnóstico de síndrome do túnel do carpo (PEREIRA et al, 1993).

Segundo Pereira et al. (1993), existem relatos sobre tratamento conservador da síndrome desde 1956, incluindo uso de injeção de esteróides, splint para punho, splint combinado com o uso de vitaminas e splint combinado com o uso de esteróides e de antiinflamatórios não-hormonais.

Segundo Maser et al., Maxey e Magnusson (2003) a síndrome do túnel do carpo (STC) é a neuropatia compressiva mais comum da extremidade superior. A mesma é resultado de uma compressão do nervo mediano ao cruzar o punho e seus sintomas variam de moderados e graves.

2.1.2 Fisiopatologia

Síndrome do túnel do carpo é produzida pela compressão do nervo mediano na sua passagem pelo punho (DAWSON, 1993).

Martyn e Hughes (1997 apud VERDUGO et al., 2002) relatam que é aceita como a síndrome de compressão nervosa mais comum.

Os sintomas mais comuns, de acordo com Verdugo et al. (2002), são hipoestesia, parestesia, fraqueza muscular e dor na região suprida pelo nervo mediano (particularmente os dedos polegar, indicador, médio e metade radial do dedo anular) piorando a noite ou aos esforços.

Dawson (1993) relata que a dor pode irradiar proximalmente ao antebraço e braço. Exames em fases precoces não revelam freqüentemente nenhuma anormalidade. Com a compressão nervosa mais severa o paciente terá perda sensorial em cima de alguns ou todos os dedos inervados pelo nervo mediano e fraqueza de abdução do dedo polegar.

Estes pacientes ainda poderão sofrer fraqueza ou atrofia tenar e diminuição da força de preensão (NADLER e NADLER, 2002).

Szabo e Chidgey (1989 apud Dawson, 1993) nos falam que, sob circunstâncias normais, a pressão tecidual estudada por uma técnica denominada pavio (wick technique) dentro de um compartimento de um membro é de 7 ou 8 mmHg. Em casos de síndrome do túnel do carpo, a pressão é freqüentemente 30 mmHg – perto do nível ao qual ocorre a deficiência orgânica do nervo. Com flexão ou extensão do punho ela pode chegar a até 90 mmHg.

Lundborg et al. (1982) mostram que em neuropatias agudas de compressão há um aumento súbito da pressão, o qual resulta em isquemia local, pois há colapso dos vasos capilares de vasa nervorum.

Então o nervo é privado de oxigenação e a sua resposta fisiológica é o bloqueio de condução. Isso é rapidamente reversível quando a pressão é diminuída.

A compressão externa pode ser aplicada de vários modos, incluindo: (a) uma baixa força, presente por longo período; (b) uma aplicação focal aguda de uma força externa grande ou (c) aplicação repetitiva sumária de grandes forças. Além disso, a compressão também pode estar associada ao alongamento. A resposta também será bloqueio ou redução na velocidade de condução (WERNER e ANDARY, 2002).

Contudo, Werner e Andary (2002) ainda dizem que a fisiopatologia de como a pressão no túnel carpal aumenta com o passar do tempo e com respeito à posição do punho estão obscuras. Podem ser mostrados dois tipos de pressão: pressão de fluido intersticial dentro do canal carpal e pressão de contato direto no nervo mediano de tecidos adjacentes.

O aumento da pressão fluida com o passar do tempo é pensado como sendo reflexo do espessamento sinovial em um espaço limitado. Há mudanças dramáticas de pressão fluida no túnel do carpo de acordo com a posição do punho, aumentando principalmente com a flexão ou extensão.

Com relação à pressão de contato direto, Kouyoumdjian (1999a) diz que anormalidades estruturais se desenvolvem lentamente nas fibras nervosas como resultado da pressão abaixo do retináculo flexor.

Werner e Andary (2002) relatam que a classificação típica de dano nervoso (neuropraxia, axoniotmese e neurotmese) é inadequada para descrever a maioria das mudanças fisiopatológicas vistas na STC.

Modelos crônicos são mais pertinentes a neuropatias de encarceramento, as quais freqüentemente tem um curso lento, insidioso. Porém, infelizmente o autor não cita exemplos para estes modelos crônicos. Para Braun et al. (1989), a STC não segue um curso previsível.

Alguns pacientes experimentam uma deterioração da função da mão, já outros descrevem períodos de silêncio e exacerbação intermitente de sintomas, enquanto ainda há os que revelaram melhoria espontânea de sintomas sem tratamento médico.

Meals (2000) fala que qualquer que seja a etiologia da isquemia nervosa no canal carpiano, faz-se necessária uma compressão apenas moderada para produzir os sintomas quando o nervo já se encontra enfermo por outra etiologia. Exemplificando, o paciente pode estar sofrendo compressão do nervo mediano mais proximalmente, na coluna cervical, no desfiladeiro torácico ou cotovelo. Nessas circunstâncias há necessidade de menor pressão ao nível do punho para que sejam produzidos os sintomas. Essa é chamada síndrome do duplo esmagamento, ou double crush.

2.1.3 Etiologia

Wadsworth (1993) aborda que qualquer condição patológica que diminua a área do túnel do carpo ou aumente o volume do seu conteúdo pode comprimir o nervo mediano, como por exemplo: hipertrofia sinovial, tenossinovites, calos de fraturas e tumores.

Kisner e Colby (1998) complementam dizendo que, além destes, ainda pode haver a compressão por tendinite dos flexores (por movimentos de punho repetitivos) e artrite.

Mattar Jr et al. (1996) citam a artrite reumatóide, hipotireoidismo e mulheres na gestação ou na menopausa (pela retenção hídrica e alteração hormonal, respectivamente).

Entretanto, Meals (2000) explica que, mesmo que tenham sido explorados os vários possíveis fatores etiológicos como citados acima, a causa da isquemia nervosa na maioria dos pacientes permanece inexplicada; estes são os pacientes que têm síndrome do túnel do carpo idiopática.

Segundo Severo (2001) em um estudo realizado no período de maio de 1995 a dezembro de 1999, com 105 pacientes, dentre as causas mais comuns de STC encontradas destacaram-se fratura-luxação, causas endocrinológica (diabetes, menopausa, gravidez), tumoral (cisto, schwannoma, etc), causas ocupacional (indústria, digitador, etc), causas sistêmica (artrite reumatóide, lúpus, eritematoso sistêmico, etc) e STC idiopática.

Segundo Tatagiba et al (2003) a STC pode ser desenvolvida por qualquer pessoa, sendo mais comum em: mulheres, trabalhadores industriais e indivíduos com trabalhos ou atividades de lazer que utilizam movimentos repetitivos da mão e do punho ou usam ferramentas de vibração. Embora estudos sistemáticos surgiram que a síndrome seja uma doença do trabalho, não se estabeleceu ainda uma relação direta entre a quantidade e/ou severidade da atividade e a incidência ou gravidade da síndrome. Estuda-se uma predisposição genética, sendo resultado de uma herança autossônica dominante.

Esses mesmos autores relatam que são múltiplas as causas da STC, pois qualquer massa no interior do túnel do carpo pode levar a compressão do nervo, embora muitos sintomas sejam idiopáticos e a proliferação sinovial inespecífica dentro do túnel do carpo seja considerada a causa mais comum.

As causas da STC também podem estar relacionadas com os seguintes fatores:

Anatomia: pode ocorrer a diminuição do tamanho do túnel do carpal (anormalidades dos ossos do carpo, hiopertrofia do ligamento transverso do carpo, acromegalia); aumento de volume no carpo (neuroma, linfoma, mieloma, hipertrofia do ventre muscular, artéria mediana persistente “trombosada ou acessível”, sinóvia hipertrófica, calo ósseo na região distal do rádio, osteófitos pós-traumaticos, hematoma “hemofilia, terapia de anticoagulação”, síndrome de Limburg).

Fisiologia: condições neuropáticas (diabetes, alcoolismo, lesão proximal do nervo mediano “síndrome de dupla compressão”amiloidose); condições inflamatórias (tenossinovites, artrite reumatóide, infecção, gota, dermatosinovite, polimialgia reumática, esclerodermia); alterações no equilíbrio hídrico (gravidez, contraceptivos orais, eclampsia, mixedema, hemodiálise por períodos prolongados, doença de Raynaud, obesidade, posição horizontal e relaxamento muscular “durante o sono”).

Posição do punho: flexão e extensão repetitivas (trabalho manual); preensão forçada repetitiva e liberação da ferramenta ou torção forçada da ferramenta de forma repetitiva; movimentos dos dedos repetitivos com o punho em, extensão (digitação, tocar instrumentos manuais); apoio da mãoa com punho estendido (paraplegia, andar longas distâncias de bicicletas); imobilização de punho fletido e desviado ulnarmente (gesso após fratura de Colles); posição inadequada durante o sono (KAROLCZARK, 2005).

2.1.4 Estágios da sintomatologia

Dawson et al. 1990 (apud KOUYOUMDJIAN, 1999a) classificam os pacientes com STC em três grandes grupos ou categorias:

1. Sintomatologia leve intermitente: Dor, dormência e formigamento na área de representação do nervo mediano, predominantemente noturno, acordando o paciente várias vezes; sintomas diurnos posicionais como dirigir autos, segurar objetos na mesma posição ou fazer trabalhos manuais. O retorno à normalidade é alcançado rapidamente por mudança de postura ou movimentação das mãos; o exame neurológico está normal e os testes de Tinel e Phalen podem estar positivos. O exame de condução nervosa pode estar normal (anormalidade isquêmica rapidamente reversível) ou revelar lentificação incipiente da condução do nervo mediano no carpo.
2. Sintomatologia persistente: Déficit sensitivo e perda da habilidade manual (déficit para pinçamento); dor tipo queimação, dormência mais acentuada, sensação de edema e congestão na mão. Melhora muito mais lenta mesmo com mudança de postura ou movimentação das mãos. O exame neurológico revela déficit sensitivo e motor, testes de Tinel e Phalen positivos e eventualmente atrofia tenar; os achados clínicos não dependem do tempo de compressão e sim do grau de lesão do nervo mediano. O exame de condução nervosa revela lentificação evidente do nervo mediano no carpo.
3. STC grave: Acentuada perda sensitiva, inclusive discriminação de dois pontos, com déficit funcional grave e acentuada atrofia tenar e de pele; prognóstico mais reservado mesmo após descompressão.

2.1.5 Diagnóstico

Segundo Lister, 2/3 dos pacientes com diagnósticos clínico de síndrome do túnel do carpo apresentam alterações no estudo da velocidade de condução motora e 85 a 90% apresentam alteração no estudo da velocidade sensitiva antidrômica (PARDINI, 1990).

Dawson (1993) prega que os testes eletrofisiológicos são importantes para o diagnóstico preciso da STC e deveriam ser levados em consideração na maioria dos casos.

Para Wiechers e Johnson (1994), a medida da amplitude do potencial não tem valor de localização, a menos que uma amplitude normal seja obtida com estímulos distais ao túnel do carpo.

Para Rempel et al. (1998), os sintomas exatos ou critérios para diagnosticar a STC permanecem pobremente definidos. Uma conferência foi organizada para fazer um consenso e identificar uma combinação de sintomas (parestesia, hipoestesia, queimação e dor em combinação com sintomas noturnos), mais função do nervo mediano anormal baseada em nerve conduction studies (NCS, ou seja, estudos de condução nervosa) como sendo o gold standard (padrão de ouro) para diagnóstico da STC. Porém, esta definição foi aceita apenas para estudos epidemiológicos, mas ainda há um pouco de confusão relativa à parte clínica.

Oliveira (2000) explica que o diagnóstico eletrofisiológico consiste na demonstração de bloqueio da condução no nervo mediano ao nível do punho através de estudos de condução nervosa. Os métodos para demonstração deste bloqueio são variados, sendo geralmente uma questão de preferência pessoal do eletromiografista. Os parâmetros utilizados na avaliação eletrofisiológica da STC são: a latência motora distal; a latência sensitiva distal (ortodrômica e antidrômica); a latência sensitiva da palma até o punho; estimulação seriada através do punho; comparação de latências sensitivas entre os nervos mediano e ulnar, mediano e radial; comparação das latências sensitivas entre mediano e ulnar no dedo anular e a eletromiografia.

Além disso, há dois testes clínicos que são considerados para o diagnóstico da STC, que são: o teste de Phalen, no qual o paciente deve fazer a flexão máxima do punho e manter esta posição por no mínimo um minuto, sendo considerado positivo quando os sintomas da síndrome são reproduzidos; e o sinal de Tinel, que consiste em uma leve percussão sobre o curso do nervo mediano através do canal carpiano, sendo considerado positivo quando a percussão reproduzir dor e parestesia (MEALS, 2000).

Özge et al. (2002) revelam que em casos mais severos, há redução significante da velocidade de latência distal pelo punho.

Mas para Nadler e Nadler (2002), estes testes de Phalen e Tinel têm especificidade de apenas 59 a 77%.

A eletromiografia de agulha é o melhor exame para confirmar o diagnóstico de síndrome do túnel do carpo e para o diagnóstico diferencial com outras patologias. Não é um exame ideal para controle pós-operatório, pois apesar das latências sensitivas e motoras obtenham melhora após a cirurgia, raramente voltam ao normal (TATAGIBA et al., 2003).

Para Tatagiba et al. (2003) as principais fibras envolvidas na STC são as fibras motoras e as grandes fibras sensitivas, raramente pode estar envolvida apenas um tipo de fibra. O estudo deve-se estender a outros nervos do membro superior, para afastar a possibilidade de polineuropatia periférica. Ambos os membros devem ser estudados, não só para comparação, mas pela alta incidência de bilateralidade. O resultado do eletrodiagnóstico nem sempre corresponde à severidade dos sintomas.

Esses mesmos autores ainda relatam que o estudo da condução nervosa acessa apenas fibras nervosas sensitivas e as grandes fibras motoras mielinizadas; portanto, se o desconforto deve-se à lesão das pequenas fibras mielinizadas ou fibras amielinizadas pode ocorrer um falso negativo.

2.1.6 Diagnóstico diferencial

É importante investigar a história clínica do paciente e realizar o exame físico. Ainda assim, devem ser excluídas outras patologias que possam confundir o diagnóstico, tais como radiculopatia cervical, neuropatia ulnar, síndrome do desfiladeiro torácico e síndromes de overuse (uso excessivo), que incluem: dor muscular, tendinite, fibrosite, epicondilite e condições psicológicas que possam contribuir à inaptidão (DAWSON, 1993).

Além destas, ainda devemos estar atentos, de acordo com Johnson et al. (2000), para: tenossinovite do flexor radial do carpo, doença de Kienböck, compressão do nervo mediano no cotovelo, artrite pisotriquetal e artrite triescafóide.

2.1.7 Incidência e prevalência

Há muita discordância sobre os números da síndrome do túnel carpal que atingem a população.

DeKrom et al. (1992) citam que a prevalência na população geral é de aproximadamente 5,8% no sexo feminino e 0,6% no sexo masculino.

Hamill e Knutzen (1999) falam que, depois das lesões lombares, a síndrome do túnel do carpo é uma das lesões ocupacionais mais freqüentes.

Para Kouyoumdjian (1999b), estes valores ficam entre 51 a 125 para cada grupo de 100.000 pessoas.

Já Newport (2000) sugere que a incidência está aumentando, e que com uma expectativa de idade de 70 anos, 3,5% dos indivíduos do sexo masculino e 11% dos indivíduos do sexo feminino serão afetados pela STC.

Porém, é preciso observar que estes dados variam muito se compararmos a população geral com um grupo de pessoas que desempenham serviços manuais, pois estas têm uma maior predisposição à síndrome do túnel do carpo em relação àquelas.

Segundo Griz et al (2003), a STC acomete mais as mulheres da quarta e sétima década.

Nos Estados Unidos uma pesquisa indicou predominância da STC, auto-relatada, em aproximadamente 1,6% da população adulta produtiva ou não, que afeta as pessoas em seus anos de maior produtividade, tendo pico nas idades de 35 e 44 anos em ambos os sexos, sendo o feminino mais afetado que o masculino (MAXEY; MAGNUSSON, 2003).

2.1.8 Quadro clínico

Segundo Na STC o comprometimento unilateral é mais freqüente, sendo a mão dominante a mais afetada, correspondendo a 51% dos casos. A mão não-dominante equivale a 15% e 15% afetam ambas as mãos. (PARDINI, 1990).

Segundo Severo et al. (2001) destacam-se dentre os sintomas, dor noturna (alívio obtido com massagens), dor contínua, formigamento, anestesia, sensação de dedos e articulações rígidos e engrossados, dor irradiada desde a mão até a região cervical, perda de força de preensão e atrofia ou hipotrofia da região tênar.

Severo et al. (2001) realizaram um estudo onde foram operados 105 pacientes totalizando 146 punhos, dos quais 41 eram bilaterais, 42 no membro direito e 22 no membro esquerdo, a faixa etária variou entre 20 e 78 anos, com média de 43 anos, o sexo dominante foi feminino 94 (89%).

Caracteriza-se pela queixa de dormência dolorosa noturna, em mais de 95% dos casos, chegando a despertar o paciente durante a madrugada (TATAGIBA et al., 2003).

Devido à variação existente de dores relatada em alguns estudos como o de Severo (2001), alguns autores classificam a STC em três grupos, de acordo com os sintomas:

a. Grupo I – pacientes que apresentam sintomas leves e intermitentes.
b. Grupo II, os pacientes possuem sintomas persistentes aliada perda de destreza e dificuldade em “pinça”; a dor é intensa em queimação, exacerbando-se à noite, ao realizar o exame observa-se atrofia tênar e déficit motor no polegar.
c. Grupo III, as queixas dos pacientes são muitos antigas e progressivas, com a presença de: acentuada atrofia da eminência tênar, perda da habilidade da mão, perda da discriminação de dois pontos e déficit motor acentuado no polegar, o prognóstico é pobre, mesmo com tratamento cirúrgico (TABAGIBA et al, 2003).

Para Freitas (2005) os sintomas mais freqüentes são dor referida na face palmar do punho e da mão, principalmente nos dedos médio e indicador, podendo a dor ser referida para a região superior do antebraço e/ou ombro. Parestesia, sensação anormal como formigamento ou queimação não causada por estímulos externos, hipoestesia e às vezes disestesias, perturbações na sensibilidade tátil, são geralmente referidas no dermatômo do nervo mediano. Os sintomas são de caráter tipicamente noturno e são aliviados ao balançar as mãos. Muitos pacientes referem sensação de mão “gorda”ou “inchada” associada à sensação de fraqueza, já que eles deixam os objetos cair com certa freqüência.

A distribuição da dor e da parestesia na STC, manifesta-se na região inervada pelo nervo mediano. Esta variável foi verificada através de um estudo feito com questionário, cujos resultados foram: 21% dos pacientes relataram dor e parestesia no antebraço; 13,8%, dor no cotovelo; 7,5% dor no braço; 6,3% dor no ombro e 0,6% dor na região cervical (KAROLCZARK, 2005).

2.1.9 Tratamento

Meals (2000) prega que o tratamento da síndrome do túnel do carpo se direciona para o alívio da pressão sobre o nervo mediano, e assim para a eliminação da isquemia e seus subseqüentes sintomas.

Tratamento conservador

Conforme Pardini (1990) o tratamento conservador preconizado é o repouso relativo das atividades; o uso da imobilização para punho, mantendo-o em posição neutra ou em ligeira extensão; e o uso de antiinflamatórios sistêmicos.

O uso da vitamina B6 é citado por Pereira et al. (1993), que falam que os resultados positivos obtidos com o tratamento pela vitamina podem variar entre 47 a 68% de remissão dos sintomas.

A ioga foi investigada como método de tratamento para STC por Garfinkel et al. (1998), que falam que o alongamento pode aliviar a compressão no túnel carpal, e demais posturas usadas na ioga podem diminuir a compressão nervosa, além de melhorar o fluxo sangüíneo ao nervo mediano. Pela mesma razão eles sugerem também mobilizar o nervo mediano dentro do canal carpal, se ele estiver aderente.

Para Johnson et al. (2000), a STC relacionada ao trabalho pode ser melhorada com modificações ergonômicas, como por exemplo, um apoio para o teclado ou antebraço e ajuste adequado da altura do teclado; por outro lado, deve-se evitar que o punho seja mantido em uma posição de flexão (como ocorre com dentistas), entre outras alterações.

O tratamento conservador geralmente é realizado, de acordo com O’Connor et al. (2002), quando os pacientes têm sintomas intermitentes ou moderados da síndrome, devendo ser iniciado quando estes começarem a incomodá-lo, ou quando os pacientes com indicação à cirurgia estiverem impossibilitados de realizá-la.

O’Connor et al. (2002) revelam que opções não-cirúrgicas para o tratamento da STC podem incluir intervenções múltiplas diferentes, como splinting, exercícios, ioga, ultra-som terapêutico, modificação de atividade, medicamento oral e vitaminas. A efetividade destas intervenções e o papel delas na administração da síndrome permanecem incertos.

O uso de splinting no punho afetado em uma posição neutra é recomendado para mantê-lo em uma posição que tenha a mais baixa pressão intra-canal e então uma menor pressão no nervo mediano (GERRITSEN et al., 2002).

Para Ebenbichler et al. (1998 apud ’Connor et al., 2002), o

uso de ultra-som terapêutico é indicado por ter um efeito antiinflamatório e foi aplicado com a possibilidade de curar o nervo mediano em casos de STC, porém sem resultados comprovados.

Já Katz e Simmons (2002) não recomendam o uso de vitamina B6, pois não há nenhuma evidência de eficácia clínica de acordo com seus estudos.

De acordo com Meals (2000), injeção de corticosteróide no canal do carpo pode ser medida curativa para os sintomas iniciais e leves. Essa medicação acelera a resolução de qualquer espessamento tenossinovial inflamatório, proporcionando alívio da compressão.

Katz e Simmons (2002) demonstram que a aplicação de corticosteróides pode melhorar os sintomas em 75% dos casos em relação ao placebo, porém muitos clínicos limitam o número de injeções no túnel carpal para aproximadamente três por ano para minimizar as complicações locais (como ruptura de tendões e irritação nervosa) e a possibilidade de efeitos tóxicos sistêmicos (como hiperglicemia ou hipertensão).

Para Katz e Simmons (2002), quando a síndrome do túnel carpal surgir por fatores associados, como artrites reumáticas ou outros tipos de artrites inflamatórias, o tratamento da condição subjacente geralmente alivia os sintomas. O tratamento de outras condições associadas (como hipotireoidismo ou diabetes mellitus) também é apropriado, embora faltem dados se tal tratamento alivia a síndrome de túnel carpal.

Os fatores que favorecem o tratamento incruento são: o surgimento dos sintomas em período inferior a um ano, ausência de fraqueza ou atrofia tenar, ausência de denervação no eletromiograma e prolongamento da latência evocada distal sensorial do nervo mediano inferior a 1 mseg com relação ao lado oposto. Já os que prevêem mau resultado são: manifestação dos sintomas há mais de um ano, entorpecimento constante nos dedos 1, 2 e 3, fraqueza e atrofia tenar, discriminação entre dois pontos maior que 6 mseg e evidência eletromiográfica de potenciais de fibrilação nos músculos tênares supridos pelo mediano (NADLER e NADLER, 2002).

No tratamento clínico em pacientes com sintomas leves, obtêm-se resultados favoráveis apenas com correção da postura das mãos. Sintomas noturnos melhoram com a imobilização do punho com tala palmar, em posição neutra ou suave extensão. Antiinflamatórios não hormonais podem trazer alívio temporário. Infiltração com corticóide no punho pode trazer alívio da dor em 60% a 70% dos casos, por semanas ou raramente anos. O procedimento consiste na injeção de anestésico local e corticóide abaixo do ligamento transverso, no lado ulnar do punho, cerca de 1 cm proximal à prega distal, medial ao tendão longo palmar, de 1 a 2 cm de profundidade. A infiltração deve ser feita apenas uma vez (FREITAS, 2005).

Segundo Freitas (2005) em algumas ocasiões, pode estar indicado o uso de uma órtese com bloqueio da flexão das articulações metacarpofalangeanas em aproximadamente 20 a 40º., cujo objetivo é obter alívio dos sintomas dolorosos decorrentes do aumento do conteúdo pela presença dos músculos lubricais no interior do túnel do carpo quando os dedos estão flexionados.

Freitas (2005) ainda relata que com a melhora da dor, após 4 a 6 semanas, o paciente é orientado a usar a órtese durante a realização das atividades que posicionam a mão inadequadamente e no período noturno.

Tratamento cirúrgico

O tratamento cirúrgico envolve basicamente técnicas para liberação do túnel do carpo, que podem ser abertas ou endoscópicas (SILVA et al., 1996).

Para Mattar Jr et al. (1996), ainda pode ocorrer aumento da sensibilidade na região da cicatriz, dor na borda ulnar do punho, paresia na pinça digital e retorno tardio às atividades de vida diária e ao trabalho.

Kouyoumdjian (1999a) fala que a cirurgia deve ser indicada após tratamento conservador ineficaz, pois apesar de representar um procedimento terapêutico indiscutível (podendo ter eficiência de até 92%), continua sendo tema controverso, pois seus efeitos adversos, apesar de pequenos, não devem ser menosprezados, e incluem descompressão inadequada, síndrome recorrente, lesão nervosa, distrofia simpático reflexa, cicatriz hipertrófica, disestesias e infecção.

De acordo com O’Connor et al. (2002) e Mattar Jr et al. (1996), o tratamento cirúrgico geralmente é realizado, quando os pacientes têm síndrome do túnel do carpo severa (ou avançada) com sintomas constantes de perturbações sensórias e motoras e/ou fraqueza e atrofia tenar.

Conforme Tatagiba et al. (2003) a opção pelo tratamento cirúrgico vem após a falha do tratamento conservador, atrofia e fraqueza muscular. O objetivo é a descompressão, utilizando-se principalmente secção completa do ligamento transverso do carpo. Quando a síndrome é bilateral deve-se evitar operar ambos os punhos em um único tempo cirúrgico, é preferível tratar o lado mais acometido, e após três meses o lado contra lateral. A anestesia consiste em bloqueio axilar, sedação leve e se necessário, complementar com anestésico local. Não é aconselhável garrotear o membro, uma vez que pode ocorrer isquemia um nervo já cronicamente isquemiado.

2.2 Perícia médica: conceito e caracterização

A perícia médica é atribuição privativa de médico, podendo ser exercida pelo civil ou militar, desde que investido em função que assegure a competência legal e administrativa do ato profissional.

Segundo Araújo (2008) o exame médico-pericial visa a definir o nexo de causalidade (causa e efeito) entre:

– doença ou lesão e a morte (definição da causa mortis);
– doença ou seqüela de acidente e a incapacidade ou invalidez física e/ou mental;
– o acidente e a lesão;
– doença ou acidente e o exercício da atividade laboral;
– doença ou acidente e seqüela temporária ou permanente;
– desempenho de atividade e riscos para si e para terceiros.

Por outro lado, o médico perito, através de competente inspeção médica, pode concluir se a pessoa portadora ou não de doença ou vítima de seqüela resultante de acidente reúne condições para exercer determinada atividade (ocupação); é o denominado exame de aptidão/inaptidão física e/ou mental (ARAÚJO, 2008).

Considera-se tarefa médico-pericial especializada a definição do grau de parentesco entre pessoas, diversos exames especiais para aproximar indivíduos, dos mais simples aos mais complexos, como, por exemplo, a assimilação através de polimorfismo genômico, cuja prática é esporádica ou excepcional.

A perícia médica há muito tempo, vem sendo utilizada para amparar as averiguações a cargo das polícias técnicas, sempre que do evento indagado resulte dano físico e/ou mental. É a base do trabalho desempenhado pelo médico perito junto às instituições de medicina legal, atreladas aos campos de polícia especializada, destacando-se a função dos IML’s.

O trabalho médico-pericial também tem sido requisitado pelos juízes, objetivando definir a existência, grau, natureza e causa de lesões físicas ou mentais sofridas por pessoas que recorrem ao Poder Judiciário, na expectativa da reparação de danos sofridos sob a responsabilidade direta ou indireta de terceiros (ARAÚJO, 2008).

Cabe destacar o papel da Previdência Social, que, desde a década de 30, vem condicionando a concessão ou manutenção de benefícios à ocorrência de incapacidade ou invalidez, comprovada por inspeção médico-pericial.

O Regime Trabalhista, ao adotar as táticas de amparo à saúde do trabalhador, institui mecanismos de monitoração dos indivíduos, apontando evitar ou identificar precocemente os agravos à sua saúde, quando produzidos ou desencadeados pelo exercício do trabalho.

Ao estabelecer a obrigatoriedade na realização dos exames pré-admissional, periódico e demissional do trabalhador, criou recursos médico-periciais voltados a identificar o nexo de causalidade entre os danos sofridos e a ocupação que desempenha.

Do mesmo modo, nos serviços prestados ao Estado, os servidores públicos civis e militares estão amparados por dispositivos dos Regimes Jurídicos a que estão filiados, sendo-lhes assegurada a proteção a saúde. Para tanto, as estratégias utilizadas no acompanhamento do funcionário público em nada devem diferir daquelas adotadas no Regime Trabalhista.

No Regime Trabalhista, como no Regime Jurídico do Servidor Público, a concessão ou manutenção de licenças remuneradas, em virtude de doença ou acidente que produz incapacidade ou invalidez, está condicionada à realização da inspeção médico-pericial.

Como se vê, a perícia médica é exercida, praticamente, em todas as áreas de atuação do médico. Muitas vezes, nós a praticamos em sua plenitude, sem que estejamos alertados para as graves responsabilidades assumidas. Um “simples” atestado de aptidão ou de incapacidade que emitimos deve proceder da competente avaliação médico-pericial, não somente para cumprir as exigências legais, como também em respeito ao indivíduo que se orientará por nossa recomendação. Por outro lado, teríamos cometido um delito ético, se atestássemos um ato que não tivéssemos praticado (ARAÚJO, 2008).

De acordo com Walsh (2004), os distúrbios osteomusculares relacionados ao trabalho (DORT) podem gerar graus diferentes de incapacidade laboral, sendo considerados um dos mais graves problemas no campo da saúde do trabalhador. A incidência é maior entre os trabalhadores jovens; as mulheres são as mais atingidas, prevalecendo a faixa etária de 20 a 39 anos.

Com a promulgação da Constituição Federal em outubro de 2008, as LER assim como as demais doenças profissionais deixam de ser uma responsabilidade única do Ministério do Trabalho e são assumidas também pelo Ministério da Saúde.

Na década de 80, casos de LER/DORT entre os digitadores, levou os sindicatos de trabalhadores a lutar pelo reconhecimento das lesões como doença profissional, sendo em 1987 reconhecida pelo Ministério da Previdência Social, através da Portaria 4.602 (VERTHEIN ; MINAYO-GOMEZ, 2000 ).

Em 21 de julho de 1992, a partir do Decreto 611, as LER/DORT entram para a lista de agentes patogênicos considerados causadores de doenças ocupacionais. Em março de 1993, a norma técnica elaborada sobre LER pelo Instituto Nacional de Seguridade Social – INSS, dispõe sobre procedimentos de avaliação de incapacidade de trabalhadores afastados do trabalho, para orientação aos médicos peritos (WALSH, et. al., 2004).

Posteriormente ocorreu uma revisão nesta Norma Técnica realizada pelo INSS, sendo publicada em 19/08/1998 no Diário Oficial da União a Nova Norma Técnica da avaliação de Incapacidade para fins de Benefícios Previdenciários, substituindo o termo LER pela denominação Distúrbios

Osteomusculares Relacionados ao Trabalho – DORT (MINISTERIAL BRASIL,2000).

A mudança de LER para DORT, proposta em 1997 pelo Instituto Nacional de Seguridade Social (INSS), na Norma Técnica da Avaliação para a Incapacidade de 1993, introduziu novos elementos na análise da perícia médica do INSS acerca do processo de adoecimento.

Os sintomas de dor, muitas vezes na avaliação pericial, é pouco significativo na influência da capacidade laboral do indivíduo. Mas o crescimento das LER/DORT tem obrigado quer pela freqüência com que tem sido diagnosticada, quer pela ausência de preconceitos em relação a categorias profissionais as quais atinge trabalhadores e empresários, órgãos governamentais das áreas da saúde, do trabalho e da previdência social, universidades, cada um a seu modo, a lidar com este problema (TAKAHASHI ; CANESQUI, 2003 ).

2.2.1 Nexo causal

A importância do reconhecimento do nexo causal reside no cumprimento do protocolo terapêutico que preconiza o afastamento da exposição, para que se evite o agravamento do quadro. O nexo entre o adoecimento e a situação de trabalho não é simples, uma vez que tal processo é específico para cada indivíduo, envolvendo sua história de vida e de trabalho. Na falta da relação entre nexo causal o agravo ao trabalho não é caracterizado. Para estabelecer o nexo, torna-se fundamental a descrição da situação de trabalho, quanto ao ambiente, a organização e a percepção da influência do trabalho no processo de adoecer ( BINDER ; CORDEIRO, 2003 ).

A Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT) deve ser emitida sempre que o diagnóstico evidencie o papel da situação de trabalho como desencadeante ou agravante do adoecimento, e mesmo diante da suspeita de tal nexo etiológico, conforme Resolução no 1.488/98 do Conselho Federal de Medicina (CFM, 1998 ).

O trabalho por si só não gera o acidente. É necessário que algo aconteça para a sua concretização. É o risco profissional. Quando se fala em risco tem-se a idéia de alguma coisa em potencial que influirá ou não para o aparecimento do acidente, do dano na pessoa do empregado, se nesse risco se verifiquem a presença de fatores capazes de produzirem aquele resultado, o acidente (GLINA et.al., 2001 ).

Considerando as dificuldades de estabelecer o nexo com o trabalho e o diagnóstico dos distúrbios gerais é fundamental que exista:

• Capacitação dos profissionais dos serviços de saúde para que considerem a importância da situação de trabalho como um dos determinantes no processo saúde/doença;
• Reestruturação dos sistemas de informação em saúde, com notificação dos casos suspeitos e da vigilância epidemiológica;
• Desenvolvimento de ações multidisciplinares e interinstitucionais em Saúde Mental e Trabalho.
• Conhecimento da realidade de condições de trabalho, com visitação técnica e acompanhamento da funcionalidade de execução da atividade laboral.

O Perito Médico do INSS, utilizando-se das Normas Técnicas de Avaliação da Incapacidade, decide sobre as requisições de nexo causal das LER/DORT com o trabalho, obedecendo a domínios de valor e utilidade para os fins pecuniários (GLINA et. al., 2001).

Os primeiros quinze dias de tratamento do acidente ou da doença profissional devem ser pagos integralmente pelo empregador; se o afastamento for superior a quinze dias, o segurado/trabalhador terá que se submeter à perícia médica de Acidente de Trabalho e comprovado o nexo causal, o mesmo terá acesso aos benefícios do Seguro Acidente do trabalho pelo INSS (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).

A caracterização do acidente de trabalho deve ser feita pelo INSS, podendo ser administrativamente através do setor de benefícios, ou tecnicamente, através da Perícia Médica, conforme estabelece o artigo 143 do Decreto 611/92 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2001).

2.2.2 Não caracterização do nexo causal

A culpa exclusiva do trabalhador, da vítima, à força maior e ao caso fortuito, pois elimina o nexo causal, em face do suposto agente, e tem sido reconhecido pela jurisprudência. Em regra, quando há concorrência de culpas do agente e da vítima, não há exoneração do dever de indenizar. Mitiga-se apenas a responsabilidade do agente, mediante uma repartição proporcional dos prejuízos (BLINDER ; CORDEIRO, 2003).

2.2.3 Ética médica e segredo na perícia

Ética médica é a disciplina que avalia os méritos, riscos e preocupações sociais das atividades no campo da Medicina, levando em consideração a moral vigente em determinado tempo e local. No Brasil, as normas que determinam a ética profissional estão no Código de Ética Médica determinado pelo Conselho Federal de Medicina (COUTINHO, 1994).

Para esse mesmo autor existem seis princípios que são geralmente considerados fundamentais na ética médica:

• Beneficência – o profissional deve agir no melhor interesse do paciente (Salus aegroti suprema lex.).
• Não-maleficência – “primeiro, não causar mal” (primum non nocere).
• Autonomia – o paciente tem o direito de recusar ou escolher seu tratamento (Voluntas aegroti suprema lex.).
• Justiça – em relação à distribuição de recursos escassos.
• Dignidade – o paciente (e o profissional que o trata) tem direito a dignidade.
• Veracidade e honestidade – não deve-se mentir ao paciente, que merece conhecer toda a verdade sobre sua doença e tratamento.

Estes princípios podem não dar respostas simples em situações específicas, mas servem para nortear os médicos em circunstâncias reais. Em algumas, podem ser antagônicos, levando a dilemas éticos como a eutanásia, o aborto, a negativa de receber tratamento em situações de emergência (como transfusão de sangue) e informar pacientes que não estão psicologicamente preparados para tais informações (como em doenças graves e o risco de efeito nocebo em hipocondríacos).

Conforme o Código de Ética Médica (1996) é vedado ao médico:

[ … ]

Art. 11. O médico deve manter sigilo quanto às informações confidenciais de que tiver conhecimento no desempenho de suas funções. O mesmo se aplica ao trabalho em empresas, exceto nos casos em que seu silêncio prejudique ou ponha em risco a saúde do trabalhador ou da comunidade.

[ …]

Art. 102. Revelar fato de que tenha conhecimento em virtude do exercício de sua profissão, salvo por justa causa, dever legal ou autorização expressa do paciente.

[…]

Art.118. Deixar de atuar com absoluta isenção quando designado para servir como perito ou auditor, assim como ultrapassar os limites das suas atribuições e competência.

Art.119. Assinar laudos periciais ou de verificação médico-legal, quando não o tenha realizado, ou participado pessoalmente do exame.

Art.120. Ser perito de paciente seu, de pessoa de sua família ou de qualquer pessoa com a qual tenha relações capazes de influir em seu trabalho.

Art.121. Intervir, quando em função de auditor ou perito, nos atos profissionais de outro médico, ou fazer qualquer apreciação em presença do examinado, reservando suas observações para o relatório.

“…Penetrando no interior das famílias,
Meus olhos serão cegos e minha
Língua calará os segredos que me
Forem confiados…”

Hipócrates, 460 a.C.

3 METODOLOGIA

Para alcançar o objetivo proposto este trabalho abordará a pesquisa bibliográfica, estudo observacional, através de livros, artigos científicos e internet, onde buscamos a investigação histórica, atuais métodos propedêuticos, tratamentos, nexo causal na Síndrome do Túnel do Carpo, juntamente com a interação médico pericial.

Foram realizadas buscas nas duas principais bases de dados em saúde, a MEDLINE, de abrangência mundial, desenvolvida pela National Library of Medicine (Washington, USA) e a LILACS – Literatura Latino-Americana e do Caribe em Ciências da Saúde, de responsabilidade da BIREME (São Paulo, BR), disponíveis na Biblioteca Virtual em Saúde (www.bvs.br ou www.bireme.br). Também foram realizados buscas no SCIELO (Scientific Electronic Library Online) biblioteca eletrônica que abrange uma coleção selecionada de periódicos científicos brasileiros, disponíveis em www.scielo.br.

A avaliação correta, através do conhecimento anatômico, da anamnese e do exame físico detalhado, é essencial ao diagnóstico, planejamento do tratamento e também na aplicação das leis previdenciária pelos médicos peritos do INSS.

CONCLUSÃO

Um dos principais problemas enfrentados por indivíduos acometidos por Síndrome do Túnel do Carpo é a perda de força muscular, conforme evidenciado mediante a revisão da literatura.

A perda de força muscular e a capacidade reduzida de ativação elétrica dos músculos afetados pela STC podem ser evidenciadas por algumas técnicas não-invasivas, como a mecanomiografia (MMG) e a eletromiografia (EMG).

A STC pode ser considerada, além de um problema de saúde, também um problema social, tendo em vista os transtornos físicos e psíquicos decorrentes dela.

Os sintomas e sinais musculoesqueléticos não são as únicas conseqüências dos desequilíbrios vivenciados pelos trabalhadores. Outros problemas de saúde estão associados a essa condição.

O trabalho repetitivo pode estar na origem de alguns transtornos psíquicos ou vice-versa, de forma que fatores biomecânicos e psicossociais interagem na formação e na evolução do fenômeno musculoesquelético.

A causa mais comum é a inflamação inespecífica dos tendões flexores dos dedos, que passam juntamente com o nervo na região do punho.

Deve o médico perito reavaliar periodicamente seus laudos, verificando se suas conclusões coincidem com a literatura médica atual, lembrando que o diagnóstico pericial da afecção STC não é dicotômico simples, positivo ou negativo, mas envolve gradações e evoluções.

Para o sucesso da colheita ética de informações através da história clínica e do exame físico, cremos que sejam necessários cuidados de postura, de hierarquia, de linguagem e uma boa dose de experiência pessoal do médico perito.

Esses cuidados de caráter propedêuticos deverão ser bem documentados e corroborados com exames complementares solicitados de forma objetiva, crítica e cientificamente avaliados, evitando-se transferir a responsabilidade diagnóstica para outrem que pouco se inteirou de todo o problema médico e que não está compromissado com a Justiça.

Embora haja vários estudos sobre STC, como foi descrito neste trabalho, ficou evidente que há necessidade de um maior número de investigações, inclusive utilizando novas técnicas de pesquisa e abordando a possibilidade de dupla compressão (coluna cervical e túnel do carpo), que possam esclarecer todos os mecanismos envolvidos nessa patologia.

Através de uma atuação profissional ética, científica, investigativa, auto-avaliadora, independente, imparcial, não assistencialista, sem preconceitos e respeitosa com as autoridades, adequadamente remunerada, poderá dar a tranqüilidade do dever cumprido e, dessa forma, auxiliar na melhora da qualidade de vida das pessoas acometidas.

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Reflexões para uma Formação Continuada

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INTRODUÇÃO

O tema desse trabalho é “Professor de matemática: reflexões para uma formação continuada”.

A importância do desenvolvimento desse tema deve-se à reflexão à problemática da formação do professor de matemática, indicando alguns pontos fundamentais para que o professor possa desenvolver uma prática educativa transformadora.

O motivo da escolha do tema em pauta deve-se à preocupação em buscar as possíveis contribuições de uma análise de educação continuada para a transformação das práticas pedagógicas dos professores de matemática e com o intuito de melhoria para o processo de ensino e de aprendizagem em matemática.

Assim, faz-se necessário investigar a relação existente entre a formação continuada do professor de matemática e a construção do ensino e de uma escola básica comprometida com a formação para cidadania.

Com relação às hipóteses levantadas; a experiência do professor, seu saber docente, contradiz a proposta de formação e a realidade vivida pelo professor; é imprescindível a atitude reflexiva do professor sobre sua própria atividade docente, de maneira que possa resolver os problemas cotidianos inerentes ao processo ensino-aprendizagem; existe uma perspectiva clássica cujo lócus é a própria universidade, criticada por ser considerada tradicional, fragmentária e desconectada da realidade do professor e a melhoria da qualidade de ensino passa, necessariamente pela construção de um processo democrático, pela reconsideração do papel docente enquanto mediador cultural e facilitador.

O objetivo geral é estimular o professor a perceber e superar a fragmentação do conhecimento matemático, refletindo sobre a importância desse conhecimento para a construção da cidadania dos alunos.

Os objetivos específicos são: relatar a importância da formação continuada, explicar como é a concepção de ensino e aprendizagem em matemática, citar quais as contribuições de propostas para a transformação da prática pedagógica e explicitar a relação do professor de matemática e alunos.

Quanto à metodologia, o trabalho foi realizado através de um levantamento bibliográfico sobre o assunto, onde foram abordadas as diferentes visões de cada autor.

Este trabalho está estruturado da seguinte forma:

No primeiro capítulo intitulado por “a formação do professor de matemática” aborda que o conhecimento matemático é trabalhado no processo de formação a partir da perspectiva da matemática acadêmica, ignorando-se, em conseqüência, importantes questões diretamente envolvidas na prática escolar. A principal implicação do estudo para o processo de formação de professores na licenciatura refere-se à necessidade de um redimensionamento da formação matemática de modo a equacionar adequadamente os papéis da matemática escolar e da matemática científica nesse processo.

No segundo capítulo denominado “relacionando o conhecimento à prática pedagógica”, pauta-se que as ações de formação docente em serviço devem se consolidar em termos de uma discussão dos princípios norteadores das reformas curriculares em vigor, situando-as no âmbito das recentes conquistas da pesquisas em Educação Matemática, de seleção e elaboração de materiais didáticos, no auxílio ao preparo das aulas, no seu acompanhamento e avaliação.

No terceiro e último capítulo por “professor de matemática: algumas reflexões”, alerta que pensar a Matemática na escola como um processo de formação de conceitos exige repensar o papel do professor, as condições de viabilização do trabalho pedagógico, a maneira de pensar, de sentir e de agir em Educação, o momento histórico e as características e o interesse da clientela. Trata-s de tarefa cujo movimento gira em torno do envolvimento de toda a comunidade escolar; particularmente, relaciona-se ao processo de conscientização do professor para a necessidade de uma nova postura diante do aluno.

Acredita-se que esse trabalho possa contribuir para o desenvolvimento profissional do professor de matemática, especialmente ao estimular uma reflexão sobre sua prática pedagógica.

1 A FORMAÇÃO DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA

1.1 CONTEXTO DE SUA FORMAÇÃO INICIAL

O magistério em todas as suas múltiplas ramificações, constitui-se numa profissão extremamente complexa, onde as interações humanas diversificadas possibilitam experiências únicas e inesperadas, devendo, portanto, haver uma preocupação por parte destes profissionais com sua formação humanística, além dos conhecimentos técnicos pertinentes a cada área de atuação.

De acordo com Smolka (2000), deve ser considerado o fato de que, durante sua formação, o professor recebe influências diversas, de pessoas e instituições, que também estão em constante processo de transformação particular e adequação às mudanças do mundo moderno. Ainda, segundo o mesmo, o processo de formação do professor envolve uma dimensão social e uma dimensão pessoal.

Uma ferramenta que pode auxiliar na divulgação dos trabalhos desenvolvidos nesta área consiste-se na escrita que, além de possibilitar uma experiência compartilhada entre os interessados, funciona como auto-formação pessoal.

A utilização da escrita discursiva e narrativa, pelos profissionais da educação sobre o seu próprio processo de formação constitui-se num objeto de reflexão pessoal sobre seu desenvolvimento, papel e atuação.

Tem-se notado, especificamente, nos cursos de graduação em Matemática, que pouco espaço tem havido para uma melhor exploração dos recursos da escrita compreensiva e reflexiva, devido ao fato desta disciplina estar subordinada a muitas fórmulas e técnicas consideradas auto-suficientes.

A escrita técnica e formal, em detrimento da escrita reflexiva e discursiva, inviabilizam uma narrativa adequada sobre aquilo que se aprende e que se ensina.

As competências exigidas na atualidade como, saber argumentar, dialogar e se comunicar, por via oral, escrita e videográfica, sua utilização racional, eficiente, convincente e articulada, adquire cada vez mais importância na formação de todos os profissionais, aí estando inclusos os futuros professores de Matemática.

Nos cursos de graduação em Matemática, porém, é observada a ênfase tradicional na oralidade como principal forma de comunicação. Este fato decorre da necessidade da utilização de uma escrita predominante técnica e formal, que privilegia a coerência lógico-matemática de sistematização em detrimento de uma problematização mais reflexiva e intuitiva.

Esta modalidade formal, porém, quando utilizada isoladamente, tem se mostrado, na maioria das vezes, ineficaz, visto o avultante contingente de egressos que, ao final de suas experiências escolares, conseguem interiorizar um mínimo de conceitos básicos utilizáveis na sua vida cotidiana.

Nos cursos de Licenciatura em Matemática, a tradição de pouca leitura e pouca escrita inibe a produção de textos analíticos, coesivos e coerentes, uma vez que a escrita técnica e formal não tem como preocupação primeira produzir sentidos, sendo geralmente sintética, reducionista e hermética.

A escrita neste caso é utilizada apenas para dar conta de justificar o procedimento utilizado não permitindo uma abertura de significação e interpretação das idéias.

Essa visão rígida e tradicional das formas de utilização da linguagem escrita entre os profissionais do ensino de Matemática, acaba por tolher-lhes a capacidade de reflexão e aperfeiçoamento intelectual.

A palavra letramento, de acordo com Soares (1998), surge da palavra inglesa literacy que significa não apenas saber ler e escrever, mas utilizar-se de forma eficiente dessas ferramentas.

Kramer (2001) salienta que a definição correta relativa à letramento, exige reflexão e discussão crítica, além da proposição de políticas e de práticas quanto à mesma.

Carrasco (2001) discorre sobre este problema, na medida em que relata a dificuldade muito freqüente, de leitura e interpretação da linguagem matemática notificada por símbolos, por parte de pessoas não habituadas aos mesmos. Este fato ocasiona um distanciamento cada vez maior entre as pessoas e esta ciência tão essencial às realizações humanas. Muitos, ainda julgam ser esta a única forma convincente de expressar e demonstrar os conteúdos matemáticos.

Atualmente, busca-se uma sensibilização quanto à utilização da leitura e da escrita no processo de ensinar e aprender matemática na Licenciatura, como forma de ampliar o poder de compreensão e de reflexão dos futuros professores sobre seu próprio processo de aprendizagem, visando instrumentá-los ao entendimento de como o mesmo ocorre com seus alunos.

Outro aspecto importante a ser trabalhado, juntamente com o exercício permanente de leitura e escrita interpretativa e reflexiva, consiste na utilização de metodologias que permitam a utilização de experiências concretas, vinculadas à realidade prática e social do educando para melhor assimilação das aprendizagens.

O professor deve ter em mente que educa para a vida, ou seja, dela devem ser retirados os elementos contextualizadores para seu trabalho cotidiano e para ela devem ser direcionadas as competências desenvolvidas apropriadas.

Powell (2001) e Kramer (2000) associam experiência com aprendizagem.

Para que a aprendizagem realmente se concretize, há a necessidade da reflexão do homem sobre a experiência para que ela assuma um caráter não passageiro e se internalize.

Essas experiências podem influenciar significativamente a cognição, uma vez que, segundo Kramer (2000), há dois modos de senti-las: a vivência (a ação se esgota no momento de sua realização) e a experiência propriamente dita (ação ocorrida que é pensada, narrada e compartilhada com mais pessoas). A primeira é considerada pelo mesmo como finita e a segunda, como infinita, uma vez que transcende no tempo e é compartilhada, se tornando coletiva.

De acordo com Powell (2001), a reflexão crítica e atenta sobre as experiências matemáticas realizadas pelos alunos, desencadeadas por um ambiente de aprendizagem significativo contribui para que esses mesmos alunos possam desenvolver seu processo metacognitivo.

De acordo com Oliveira (1995), os procedimentos metacognitivos, são operações deliberadas do sujeito sobre suas próprias ações intelectuais. Eles indicam a consciência do sujeito a respeito de seus processos de pensamento, permitindo-lhes descrever e explicar esses processos; há conjuntamente, uma busca de estratégias diversificadas à resolução de cada tarefa específica, a partir da consciência de que há inúmeras regras e princípios possíveis de serem utilizados na solução dessas mesmas tarefas.

Para Powell (2001), a escrita é uma ferramenta significativa nesse processo de reflexão sobre a experiência, possibilitando influenciar significativamente a cognição e a metacognição do sujeito que aprende.

Para Oliveira (1995), através da escrita, o sujeito pode refletir e construir conhecimento explícito e desenvolver a consciência metacognitiva, através da verificação do discurso escrito enquanto produto de pensamento.

Larrosa (2001) esclarece a questão na medida em que demonstra que as palavras determinam o pensamento, uma vez que o homem utiliza-se das mesmas para pensar.

Conseqüentemente, para uma boa articulação das idéias, são necessárias capacidades argumentativas bem fundamentadas e convincentes, que só se conseguem com um constante treino lingüístico, sustentado por uma escrita equivalente.

Segundo o mesmo, a experiência, ou seja, a possibilidade de que algo nos aconteça ou nos toque, requer, parar para pensar, parar para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, e escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes, suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar aos outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço.

Para Larrosa (2001), a experiência só é válida se trouxer embutida uma potencialidade formativa, ou seja, se ao acontecer, nos trouxer alguma transformação.

Para o aproveitamento dessas concepções no ensino da Matemática, deverá haver uma reformulação e acréscimo, às leituras técnicas e formais tradicionais, de uma outra linguagem e uma outra prática, que seja exploratória, comunicativa e intersubjetiva, privilegiando a produção de sentidos sobre o que se ensina e aprende.

Jobim e Souza (1997) nos relatam que a experiência cotidiana mais importante é a experiência que se vive com a linguagem.

Kramer (2000) salienta que a escrita não deveria ter o papel de adaptar o futuro profissional aos modelos já pré-estabelecidos de ensino e aprendizagem, mas antes, incentivar o novo, a criação e a abertura de múltiplas visões e diálogos que visem adaptar a atuação do profissional a um mundo cada vez mais dinâmico.

Para adaptar os cursos de Licenciatura em Matemática às novas concepções dele esperadas, há que se repensar a concepção de Educação Matemática por parte de seus planejadores e executores e também a concepção de Educação.

A Educação Matemática pode ser uma ciência feita de abstrações (conceito que ainda perdura em muitos lugares) ou uma ciência integrada às atividades humanas, que leve seu usuário à utilização eficiente de seus instrumentos, porém de forma reflexiva e investigadora.

Os requisitos desejáveis na formação do futuro professor de matemática, que possibilitará o desenvolvimento desse raciocínio próprio, capacitando o reconhecimento das relações entre matemática e situações da realidade são: o conhecimento em conteúdos específicos, o conhecimento em Educação Matemática e o conhecimento em áreas como psicologia, pedagogia, história, filosofia e até de linguagem.

De acordo com Freitas e Fiorentini (2004) existem cinco tendências sucessivas e até cumulativas que estão presentes em cursos de licenciatura:

• conhecimento adequado de metodologias de ensino;
• exercício da prática escolar;
• conhecimento da teoria em Educação Matemática;
• capacitação como professor pesquisador (emergente);
• experiência em matemática do professor (emergente).

A inevitável adequação à dinâmica moderna, tem acrescido às licenciaturas em Educação Matemática na atualidade, temas como Etnomatemática, Modelagem Matemática, Resolução de Problemas, Informática no Ensino e outros.

A tendência emergente quanto à formação do professor pesquisador, visa capacitar o licenciando a agir e experimentar os desafios reais, e a partir dessa experiência buscar soluções; a quinta tendência enfatiza a experiência/representação como um fator importante na formação professor.

Freitas e Fiorentini (2006) descrevem a seguinte divisão nos cursos atuais de licenciatura em matemática: Departamento de Matemática (conteúdos específicos) e a Faculdade de Educação (formação pedagógica).

A diferença entre os dois consiste na formação de matemáticos, que ministrarão aulas no primeiro caso e do educador que as ministrará no segundo.

As concepções de ensino e de ensino de matemática nesses cursos são distintas, deixando a desejar quanto à integração das unidades envolvidas e a articulação no conteúdo específico e pedagógico.

É verídica a ocorrência do decréscimo do número de formandos nas Licenciaturas em Matemática, em atuação no ensino da mesma nos últimos anos, sendo importante questionar onde estes profissionais estão trabalhando. Em muitos casos, estão sendo absorvidos pelas empresas, em diversas atuações, ao invés de ministrarem aulas em escolas primárias e secundárias.

Em ambos os casos, os educadores matemáticos organizam atividades de ensino com o objetivo de possibilitar aos outros o acesso a conhecimentos matemáticos.

O campo tradicional do educador matemático centraliza-se na escola e especificamente na sala de aula, que é célula de formação do sujeito na educação formal onde se observa o sujeito em seu processo de aquisição de conhecimentos. Na escola, ocorre o projeto educativo mais amplo, é onde um grupo de sujeitos com suas diversidades são orientados a interagirem de forma condizente com a formação almejada.

Em se tratando da atuação do educador matemático numa empresa, Freitas e Fiorentini (2006) a consideram como legítima, pois nela ocorre constante produção de problemas que vem a ser solucionados com ferramentas matemáticas.

Esta atuação específica, realizada fora do ambiente escolar, promove uma aprendizagem prática, que permite uma visão da matemática como cultura e como instrumento útil na resolução de problemas, fazendo com que profissionais que não tiveram acesso formal aos conhecimentos matemáticos, possam adquiri-los e usufruí-los, mesmo de maneira informal, contribuindo para diminuir a imagem negativa que muitos têm inerente a ela.

O ensino e aprendizagem da matemática não se limitam obviamente a esses espaços, também se realizam involuntariamente em diversas situações e com a utilização de diferentes métodos e materiais. Como exemplo, podemos citar o uso de jogos, da calculadora, dos microcomputadores, etc.

Atualmente, em vista da multiplicidade de opções de inserção do profissional de educação matemática, há a preocupação crescente de estudar e descobrir os processos através do qual se realiza a assimilação do conhecimento, em detrimento do conceito tradicional de como se ensina.

Visto deste prisma, o educador passa a assumir o papel de contínuo aprendiz. Este profissional, por estar também aprendendo, pode ser suscetível a erros, devendo na sua trajetória em busca do saber, utilizar-se de constantes pesquisas, podendo reinventar e até recriar.

Essa formação, sem dúvida, trata-se de um fenômeno complexo e o desencadeador do processo de formação é a mudança do paradigma sobre o que é este profissional e sobre os processos de aquisição de conhecimento humano.

O avanço da ciência e o progresso tecnológico fizeram emergir questão polêmicas sobre os novos rumos quantos aos perfis desejáveis para os profissionais do futuro e o professor de matemática não se excetua.

O ponto de partida para desencadear ações educativas que promovam uma formação continuada do professor é a consideração dele como sujeito e profissional.

O desafio é adequar o ensino da matemática as novas exigências e mudanças em relação à formação do professor licenciado em matemática e, principalmente, definir e justificar o papel do mesmo frente às necessidades da sociedade moderna.

Logicamente, o professor licenciado em matemática é o profissional habilitado a ministrar os conteúdos que possibilitam a aprendizagem dos conhecimentos matemáticos necessários à formação do homem, para que este tenha condições de acompanhar as crescentes mudanças nos meios de produção.

A nova visão, agora integral, do professor de Educação Matemática, permitiu concebê-lo como pessoa, como professor total numa escola, considerando a prática letiva e suas restantes atividades profissionais dentro e fora da escola, ou seja, este profissional passou a ser encarado como um educador que se utiliza da matemática como instrumento formador (FREITAS; FIORENTINI, 2006).

Educar em matemática então exige por parte dos profissionais da área, uma tomada de posições acerca dos objetivos sociais e a transformação destes objetivos em conteúdos escolares para serem ensinados segundo um determinado método.

Na definição dos conteúdos a serem ministrados pelo educador matemático, deverão ser levados em conta os conceitos necessários para a compreensão dos fenômenos físicos e sociais.

Alguns exemplos que podem ser citados como tentativas de modernizar o ensino e a aprendizagem da matemática, em consonância com as novas expectativas são:

• Pesquisas e experimentos para adaptar o ensino da matemática a estudantes de culturas diferentes (Etnomatemática);
• Adaptar o ensino às atividades quotidianas dos alunos;
• Investigar os fundamentos psicológicos do desenvolvimento cognitivo, como pré-condição para uma compreensão mais clara da aprendizagem;
• Compreender como a mente capta e resolve um problema matemático;
• Investigar novos currículos;
• Procurar formas de melhorar a formação dos professores de matemática;

A reformulação mais delicada, entretanto, consiste na sensibilização do profissional de educação matemática, para o real sentido da mudança que se está esperando, ou seja, é necessário um comprometimento incondicional na busca por revisões e atualizações constantes, que visem preencher as lacunas abertas pelas novas exigências sócio-econômicas na atualidade.

O profissional em educação matemática nunca deve se esquecer que está preparando cidadãos aptos a situar-se criticamente no mundo atual, com perspectiva de transformá-lo conforme as necessidades coletivas e depois particulares.

De uma maneira radical, esta mudança deve brotar do inconformismo com a situação atual do fracasso do Ensino, tornando-se, portanto num compromisso de ação e de transformação, portanto, político.

A competência do profissional em questão, não se mensura através dos conteúdos que programa e ministra, nem tampouco quanto ao cumprimento do currículo, nem ainda, por conseguir a atenção e submissão dos alunos, pois este professor, que geralmente induz o aluno a prestar atenção na aula, o faz exigindo uma atitude passiva, sem maiores envolvimentos por parte do aluno.

O novo modelo de competência esperado, abrange uma visão mais flexível das relações de ensino-aprendizagem, nas quais o aluno exercita sua independência, aprendendo a questionar, raciocinar e até duvidar do que já sabia.

Uma boa qualificação profissional, nos termos técnicos de conteúdos e métodos, também é imprescindível, devendo vincular-se à reflexão sobre a concepção da escola, como local que ajuda o aluno a desenvolver seu potencial, que o ensina a pensar, e que o ajuda a descobrir caminhos para transformar a sociedade em que vive.

O estudo da Etnomatemática vem ao encontro desta expectativa, uma vez que, busca uma reflexão sobre a escola e a comunidade na qual esta se insere, procurando adaptar o ensino-aprendizagem às camadas populares e conscientizá-las do seu papel na sociedade em que vivem.

De acordo com a Enciclopédia Wikipédia (2007):

A etnomatemática foi cunhada da junção dos termos techné, mátema e etno, surgiu na década de 70 com base em críticas sociais acerca do ensino tradicional da matemática; mais adiante, o conceito passou a designar as diferenças culturais nas diferentes formas de conhecimento. A etnomatemática pode ser entendida como um programa interdisciplinar que engloba as ciências da cognição, da epistemologia, da história, da sociologia e da difusão.

A utilização da etnomatemática possibilita adequar contornos e estratégias específicas, peculiares ao campo perceptual dos sujeitos aos quais se dirige. A matemática vivenciada pelos meninos em situação de rua, a matemática desenvolvida em classes do ensino supletivo, a geometria indígena, são completamente distintas entre si em função do contexto cultural e social na qual estão inseridas.

Um exemplo de trabalho que pode ser realizado consiste no método de Resolução de Problemas, que possibilita inter-relações entre os conteúdos ministrados e o dia-a-dia dos alunos. Esta modalidade cria um envolvimento real e reflexivo por parte dos alunos, com extrema colaboração na proposição de soluções aos mesmos.

Operando em consonância com a realidade circundante, o aluno se torna consciente e comprometido com a mudança dessa mesma realidade. O diálogo reflexivo, oral ou escrito, nesta concepção de aprendizagem é o instrumento mediador entre aluno e professor.

O respeito aos alunos, exercido pelo professor, dará vazão à livre expressão dos sentimentos e atitudes dos mesmos, devendo, sempre que possível haver o planejamento das atividades de ensino de forma conjunta.

Muitas dúvidas assaltam os professores na sua trajetória profissional frente a uma sala de aula e elas foram sintetizadas nas seguintes questões:

A quem ensinar?

A clientela a quem se destinam os ensinamentos deverá ser a norteadora dos avanços ou retrocessos nos conteúdos progressivos a serem ministrados. Todo o processo de ensino aprendizagem deve adequar-se a ela, respeitando os ritmos individuais dos processos de compreensão e assimilação.

Não adianta programar atividades sobre alunos idealizados, a meta é suscitar ao máximo as potencialidades inatas de cada um, buscando aperfeiçoá-las e superá-las, em observância aos seus interesses e reações.

O que ensinar?

Deve haver uma aproximação real entre o que se ensina e sua aplicação prática na vida diária, não se apegando à quantidade de conteúdos, mas sim, na perfeita assimilação dos fundamentos básicos almejados, com respectiva progressão em vista dos progressos alcançados. Os fatos e problemas puramente especulativos devem ser suprimidos para que haja uma integração entre o saber matemático escolar, o saber matemático aplicado e o saber matemático do cotidiano.

Como ensinar?

O profissional em educação matemática deve estar atento às inovações didáticas e metodológicas que possam surgir ou estar em experimentação, não no sentido de acompanhar modismos, mas, na verificação séria e reflexiva desses mecanismos como um meio mais eficaz ou não de conduzir a assimilação dos conteúdos programados. Alguns exemplos que podem ser citados são: o estudo dirigido, aulas teóricas, os métodos da redescoberta, fichas de trabalho, oficinas e laboratórios de matemática, etc., não perdendo de vista a importância de se abordarem diferentes representações de um mesmo conceito, levando o aluno a estabelecer conexões entre elas. O conhecimento técnico eficiente das metodologias específicas da área que se leciona, aliadas à adequação à realidade dos clientes potenciais, certamente permitirá que se flua de forma satisfatória todo o processo de ensino aprendizagem.

Para que ensinar?

Para determinar a utilidade de cada conhecimento específico que se deseja fazer assimilar em educação matemática, deve-se refletir sobre os valores dos mesmos em cada grau de ensino.

Freitas e Fiorentini (2004) sugerem as seguintes verificações:

• sua utilidade na vida quotidiana;
• sua utilidade em diferentes áreas do saber;
• sua utilidade no desenvolvimento mental.

Os objetivos do ensino de matemática devem ser formulados, buscando a assimilação progressiva dos conhecimentos básicos pertinentes à matéria e sua progressão gradativa, tendo como base o ritmo de desenvolvimento eficaz dos alunos quanto a esse conhecimento, à ação, ao pensamento, à expressão e ao sentimento, visando melhorias de formação e informação dos mesmos.

Freitas e Fiorentini (2004) consideram que o profissional em educação matemática passa por uma crise de valorização, em decorrência dos seguintes fatores:

• Desvalorização da profissão;
• Preenchimento de vagas no magistério por parte de qualquer profissional que tenha uma graduação universitária, mesmo não específica;
• Abandono e desinteresse dos estudantes pelo magistério como profissão;
• O magistério é procurado por pessoas que não encontram uma outra opção na escolha da profissão;
• O abandono da profissão por licenciados que se aposentam ou mudam de atividade;
• O desconhecimento por parte da maioria dos professores de matemática dos objetivos e finalidades do Ensino de Matemática;
• A visão limitada e consolidada, do princípio totalmente absurdo de que para ensinar matemática é bastante conhecer as proposições e as teorias que a estruturam;
• A inércia quanto à busca por inovações devido à necessidade de retornos aos estudos e pesquisa;
• A tendência da propagação das formas de ensino tradicionais, sem ênfase à reflexão;
• Ausência de uma boa formação, além do conteúdo específico que se vai ensinar;
• Falta de conhecimento e de visão crítica para adequar os conteúdos do curso à realidade dos estudantes;
• Falta de adequação das metodologias e das técnicas para atender ao compromisso sincero com a realidade sócio-cultural na qual se vai trabalhar;
• Ausência de preocupação em se atualizar e renovar, sem modismos, aprofundando seus conhecimentos;
• O professor não busca conhecer e amar a missão de educar;
• O profissional de educação matemática não é capaz de despertar nos estudantes o desejo de fazer e de estudar matemática;
• Há falta de conhecimento quanto ao desenvolvimento biológico e mental dos estudantes com quem vai trabalhar;
• Incapacidade de interpretação e análise dos erros dos estudantes para transformá-los em um novo caminho de compreensão e de aprendizagem;
• Limitação da proposição de alternativas que estimulem os estudantes a descobrirem diferentes caminhos para resolver problemas em matemática;
• Dificuldade em relacionar o ensino de matemática com a realidade da comunidade com que está trabalhando;
• Ser um consumidor para minimizar os obstáculos epistemológicos na construção do conhecimento pelos alunos.

1.2 CONCEPÇÕES DE PROFESSORES SOBRE O ENSINO DE MATEMÁTICA

O ensino da matemática, assim como nas demais matérias do núcleo básico de ensino, deve vir acrescido e interligado, na atualidade, com os temas transversais, propostos pelos PCNs (Parâmetros Curriculares Nacionais), como saúde, meio ambiente, pluralidade cultural, orientação sexual e ética.

O ensino matemático em si, já abre uma gama de interações possíveis com os temas propostos, sendo que, alguns educadores, na sua prática pedagógica diária, já se utilizam da interdisciplinaridade para melhor compreensão e eficácia do ensino. A exigência para os mesmos, não consiste de novidade tão complexa e inexeqüível.

O projeto pedagógico de cada escola deve ser realizado levando em consideração essa nova abordagem múltipla de ensino, adaptando os currículos aos temas transversais propostos, além da adequação à sua clientela específica.

Essa conexão entre a Matemática e os temas transversais, sugerida pelos PCNs, incita o professor à articulação de algumas das idéias fundamentais da Matemática aos desafios de uma prática pedagógica contextualizada.

Na prática, esta nova abordagem possibilita ao educando estabelecer relações entre a Matemática e os conflitos socioeconômicos dos quais é participante, no sentido de desenvolver-lhe uma visão crítica, do modo mais adequado de tomar decisões, de fazer análises e tratar adequadamente as informações.

Os temas, ética, consumo, cidadania fazem parte da concepção de uma Matemática voltada para o social.

Considerado agora como educador integral, o profissional do ensino de Matemática deve estar atento quanto á formação geral de seus alunos, assegurando-lhes um pleno desenvolvimento de atitudes e valores, visando adestrá-los á reflexão de como funcionam os sistemas político e econômico e as relações sociais de poder.

A Matemática, na perspectiva holística, ocupa-se da articulação de categorias, como beleza, harmonia, leveza e paz.

De acordo com a Enciclopédia Wikipédia (2007):

Holismo (grego holos, todo) é a idéia de que as propriedades de um sistema, quer se trate de seres humanos ou outros organismos, não põem ser explicadas apenas pela soma de suas componentes. O primeiro filósogo que o instituiu para a ciência foi o francês Augusto Comte (1798-1857), ao instituir a importância do espírito de conjunto (ou de síntese) sobre o espírito de detalhes (ou de análise) para uma compreensão adequada da ciência entre si e de seu valor para o conjunto da existência humana.

Os eixos temáticos da Matemática devem ser apresentados de modo a focalizar as informações como tema a ser valorizado e experimentado pelos alunos na sua vida prática.

Freitas e Fiorentini (2006) sugerem que os temas como, função, proporcionalidade, medidas, probabilidade e teorias de jogos sejam trabalhados envolvendo os seguintes problemas:

• Tomada de decisão no cotidiano;
• Desertificação e recursos hídricos;
• Camada de ozônio;
• Crescimento de populações;
• Produção artística e cultural;
• Corpo e qualidade de vida;
• Transportes;
• Meio ambiente;
• Produção e reservas de alimento;
• Consumo.

Estes exemplos demonstram a plena viabilidade da integração entre a Matemática e os temas transversais de modo a preparar futuros cidadãos conscientes e dispostos a enfrentar os desafios que estão por vir.

1.3 FORMAÇÃO CONTINUADA DE PROFESSORES DE MATEMÁTICA

As múltiplas incógnitas que o mundo atual nos apresenta como: que tipo de alunos devemos formar e quais as potencialidades e instrumentais técnicos, éticos e morais serão convenientes num futuro altamente evolutivo, competitivo e acelerado, ou ainda, se já não é chegada a hora de reconsiderar essa urgência, são considerações que têm permeado as discussões sobre como essas questões impactam a formação do educador do futuro.

Esta questão vem caracterizando, já há alguns anos, uma preocupação fundamental na comunidade educacional, como podemos observar nos inúmeros documentos e estudos citados por Ribeiro (1999) e publicados em âmbito mundial.

Conforme Saul (1996), o processo de formação dos educadores têm tido como alicerce a lógica da racionalidade técnica, através da qual os saberes científicos são ministrados através do rigor das regras inerentes a cada ramo de estudo, ocasionando um distanciamento entre a teoria e a prática.

Essa forma de atuação por parte do professor inibe a efetivação das aprendizagens, uma vez que cerceia qualquer forma de associação e aplicabilidade relativas aos conteúdos apresentados. Aqueles alunos que conseguem assimilar satisfatoriamente alguns conceitos básicos para a resolução dos problemas apresentados, limitam-se à repetição mecânica de fórmulas e conceitos pré-determinados.

Em se tratando da formação do professor nos cursos de Licenciatura em Matemática, de acordo com Ribeiro (1999), a parte prática é relegada ao final do curso por se presumir que nesse estágio o mesmo já tenha absorvido os conteúdos científicos que deverão ser repassados aos alunos.

Essa metodologia reduz a prática a um momento de aplicação de regras e técnicas desenvolvidas teoricamente.

Pérez Gómez (1995) salienta a necessidade de reformulação quanto à formação dos professores, priorizando-se a implantação de uma proposta de formação segundo um modelo reflexivo.

Esse modelo supõe uma formação centrada na prática, sendo esta entendida como um processo de investigação e articulação permanente na relação com a teoria e ocupando o eixo central do currículo dos cursos de formação de professores.

Perrenoud (1993) esclarece que o conhecimento teórico de maneira alguma será relegado a segundo plano, mas que, somente será validado quando se articular com a prática em situação, ou seja, a relação teoria-prática deve ser entendida numa relação dialética, que promova a ação-reflexão do professor e também numa relação dialética permanente, como um sistema em cadeia.

A nova função do professor, em oposição à mera transmissão de conhecimentos, será a de construir e reconstruir o mesmo, num processo investigativo.

De acordo com Ribeiro (1999), os conhecimentos matemáticos têm o valor que o profissional de educação matemática lhe atribui, em consonância com sua maneira de entendê-la, de como enxerga seu processo de assimilação e principalmente seus objetivos. Esses conceitos são formados na sua trajetória escolar e se não houver um suporte adequado no curso de licenciatura que freqüentou, com vistas à educação reflexiva, estes conceitos poderão perpetuar-se indefinidamente.

De acordo com Perrenoud (1993), é gritante o fato de que alguns educadores universitários perpetuem a formação de professores com base apenas em suas experiências passadas como alunos.

Kramer (2000) ressalta a importância de se definir o verdadeiro objetivo dos cursos de Licenciatura em Matemática, pois ao seu término, o professor recebe um diploma que lhe confere a habilitação de Licenciado em Matemática.

As habilidades e competências adquiridas nestes cursos, porém, não correspondem à formação esperada, tornando-se necessário uma reformulação dos objetivos dos cursos de licenciatura em matemática, entendendo-os como momento propício à construção e ao repensar das concepções desejáveis quanto à formação de futuros professores de modo que conduzam a uma aprendizagem matemática realmente significativa.

Esta Universidade deve ser entendida como um espaço de produção de saberes e de experiências significativas de aprendizagem, devendo primar pela formação do professor que vai atuar, especificamente, no ensino fundamental e médio. Muitas das instituições de ensino superior oferecem, paralelamente, a formação em Bacharelado e Licenciatura.

O Bacharelado seria um curso de “formação inicial”, complementado com a prática científica em Matemática em programas de pós-graduação,

A Licenciatura seria um curso de “formação terminal”, já que seus alunos, depois dos anos de graduação, devem estar “prontos” a dirigir classes.

Soares (1998) adverte que, nesses casos, a ênfase das disciplinas do núcleo comum do curso acaba sendo atribuída à formação do bacharel, sendo que a Licenciatura acaba sendo vista como uma ramificação do curso, quando na realidade deveria constituir-se no seu eixo central.

Este fato acarreta o inconveniente de quem nem todos os profissionais têm oportunidade de realizar o bacharelado, ou ainda, podem concluí-lo num momento muito distante de sua formação inicial.

De acordo com Oliveira (1995), o curso de licenciatura deveria contemplar os seguintes eixos: formação específica em conhecimentos de Matemática, formação pedagógica e formação em Educação Matemática, de forma interligada, sustentada e subsidiada, num movimento em que a teoria sirva de elemento orientador e impulsionador da prática e a prática como elemento de investigação da teoria.

Para a real efetivação das mudanças na formação do professor na Licenciatura em Matemática é preciso definir o papel da Prática de Ensino e de Estágio, devendo ocorrer a execução dessas práticas desde o início do curso, cumprindo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB no 9394/96).

De acordo Bertoni (1995); Wagner, Nasser; Tinoco (1997), algumas das disciplinas do curso de Licenciatura em Matemática, como, Conhecimentos em Conteúdos Específicos, Conhecimentos de Formação Pedagógica e Conhecimentos em Educação Matemática, devem ser articulados visando uma instrumentação que fomente a aplicação de atividades que realmente interligue teoria e prática.

Fainguelernt, Perez; Moura (1995) e Wagner, Nasser; Tinoco (1997) têm realizado propostas no sentido de incluir nos cursos de Licenciatura em Matemática, disciplinas de formação em Educação Matemática, até então relegada aos cursos de pós-graduação.

Fiorentini (1998) enfatiza que somente um trabalho investigativo-reflexivo do professor sobre o próprio trabalho será capaz de provocar mudanças substanciais na sua formação e desenvolvimento.

Há dúvidas quanto à correta assimilação pelos formandos nos cursos de Licenciatura em Matemática, dos conteúdos ministrados através de exposições e leituras, que são considerados por Bertoni (1995), como insuficientes para a promoção de mudanças significativas na sua futura prática pedagógica.

D’Ambrósio (1993) afirma que “futuros professores constroem seu conhecimento sobre o ensino da Matemática através de suas experiências com o ensino”.

Analisando estes fatos, conclui-se à veemente necessidade de envolver os licenciandos em atividades reflexivas sobre a própria ação docente desde o início da sua formação, o que não ocorre nos cursos de licenciatura, nos quais a formação para a docência é deixada para o final e a experiência docente é vivenciada apenas na fase terminal da graduação.

Teoria e prática, segundo D’Ambrósio (1996), devem coexistir em todo o processo de formação e desenvolvimento do educador matemático através da pesquisa cotidiana, buscando na prática o repensar da teoria e na teoria o repensar da prática.

Neste processo, a ênfase à prática deverá ser entendida como um processo de investigação e diálogo com a realidade através da reflexão contínua sobre a ação docente.

Schön (1995) sintetiza esse processo da seguinte maneira: “conhecimento na ação, reflexão na ação e reflexão sobre a ação e sobre a reflexão na ação” é sugerido por para a “formação de professores como profissionais reflexivos”.

De acordo com Demo (1998), os professores devem desenvolver a habilidade de saber aprender, aprender sempre e, sobretudo, aprender a maneira pela qual seus alunos aprendem, considerando a si próprio como aquele que sabe fazer o aluno aprender, ao invés de se intitular “ministrador da aula”.

É importante que após a conclusão da licenciatura e sua inserção no mercado de trabalho, com especificidade na docência, o profissional em educação matemática continue o processo de reflexão sobre sua prática, para não invalidar os esforços passados, acomodando-se à estagnação.

Os próprios estabelecimentos de ensino devem propiciar um ambiente de interação e discussão permanente, entre seus diversos profissionais, na troca de experiências, de saberes e resolução dos problemas emergentes.

Deve haver primordialmente uma auto-preocupação constante por parte de cada profissional da educação e um sentimento de responsabilidade pelo trabalho docente e coletivo, como componente de um grupo com objetivos educacionais comuns.

Segundo Pavão (1999), a idéia principal da formação continuada dos professores, consiste no aperfeiçoamento e na transformação constante dos mesmos, oriundos da reflexão crítica sobre a própria prática.

Esta formação, de maneira alguma, diz respeito à realização e participação docente em cursos esporádicos tradicionais, nos quais o professor limita-se ao papel de mero ouvinte, mas sim, em atividades de interação profissional para a troca de experiências, proposição de resolução de problemas, sugestões de inovação, etc.

D’Ambrosio (1996), sugere uma formação continuada permanente, na qual haja retornos periódicos dos educadores às universidades, durante toda a sua atuação profissional.

As universidades precisam assumir o compromisso da formação continuada dos professores, investindo no desenvolvimento profissional, num sentido pessoal e coletivo, de modo que desencadeie um processo reflexivo crítico permanente sobre a prática, na busca por sua melhoria qualitativa.

De acordo com Kramer (2000), esse compromisso deve ser estendido à formação continuada dos professores em serviço, não somente aos formandos, por meio do trabalho colaborativo e integrado da universidade com a comunidade em que está inserida e das próprias instituições de ensino nas quais os professores atuam.

1.4 DELINEAMENTO DO PROCESSO DE FORMAÇÃO CONTINUADA.

Uma formação adequada para os professores de Matemática, incluindo-se também o aperfeiçoamento dos professores em serviço, passa pela necessidade de uma reformulação geral da política educacional do país.

A formação de professores norteada pela excelência da qualidade do especialista, com utilização da educação como instrumento para produção de Matemática não produz o profissional em expectativa.

No modelo atual, a pesquisa institucional para a obtenção de títulos não faz avançar a área na qual a pesquisa é feita. É necessário incorporar a pesquisa nas licenciaturas, de modo continuado, pela importância da trajetória de construção ou apoio para a construção do novo.

O aluno deve ser instrumentado quanto aos modos de execução da pesquisa científica, pensar em como se constrói um resultado, em uma teoria, até que sejam obtidos resultados importantes de modo empolgante e prazeroso.

Em 1989 ocorreu o encontro paulista (I EPEM) para discussão da formação do professor de matemática concomitante as atribuições da universidade.

Nobre (1989) discutiu a questão da integração de conteúdos envolvendo os problemas sociais vinculados aos trabalhos matemáticos, adaptáveis aos diversos graus de ensino, visando um aproveitamento eficaz e realista das aplicações matemáticas por parte dos estudantes.

Foram apresentadas duas possibilidades de trabalho, sendo a primeira com a introdução, nos cursos de licenciatura, de “exemplos sociais”, e o segundo, iniciando com uma análise da situação social para depois desenvolver o conteúdo matemático concernente. Este último exemplo segundo o autor, é o mais apropriado para a eficácia da aprendizagem.

Nobre (1989) advertiu que ambos os modos enfrentam barreiras com relação à aceitação do professor, devido à formação conteudista do mesmo, em detrimento de uma conotação “social, política e cultural do conteúdo matemático”.

Araújo (1989), enfocou a necessidade de integração entre os níveis gerais, específicos e pedagógicos, sugerindo esquema semelhante aos Conselhos de Curso e propostas de interconexões: universidade/escola, universidade/sociedade, teoria/prática, prática pedagógico-prática social.

Embasado nos discursos anteriores, Patrocínio (Cf. EPEM, 1989) discutiu a operacionalização de alguns desses aspectos, apresentando a possibilidade da inclusão de disciplinas como “Resolução de Problemas I e II” (respectivamente no início e no final da graduação), “Matemática Discreta (ou finita)” e “História da Matemática”.

Balzan (1989) declarou ser a situação negativa atual do magistério como profissão o desencadeador de alguns dos problemas enfrentados pelos seus representantes, assim como discutiu sobre os resultados pífios dos concursos vestibulares no que se refere aos cursos de licenciatura.

Algumas das sugestões apresentadas referem-se à conveniente elaboração de projetos pedagógicos para os cursos de formação do professor que interliguem, conteúdo, cultura geral e habilidade de ensinar, na busca de adequação das disciplinas pedagógicas junto a classes reais de ensino público básico. Sugeriu-se também a introdução da disciplina Prática de Ensino, como núcleo permanente desse projeto em todas as suas etapas.

Em 1993 foi realizado o II EPEM, onde Druck (1993) salientou a importância de algumas habilidades que deveriam ser desenvolvidas nos formandos dos cursos de Licenciatura em Matemática, como: desenvolvimento da visão espacial, o trabalho com o raciocínio lógico-dedutivo e a habilidade para lidar com os bloqueios usualmente encontrados nos alunos em relação à Matemática.

Como forma de evitar desinteresse inicial por parte dos estudantes, foi sugerida a criação de uma resolução que incluísse desde o começo do curso, a introdução de disciplinas que tratariam de problemas de Matemática Elementar (aritmética, álgebra, trigonometria, geometria etc.), simultâneas às disciplinas próprias do início do terceiro grau, evitando que elas signifiquem um mero preenchimento linear de pré-requisitos. Uma questão fundamental frisada referiu-se à veemente necessidade da formação continuada por parte dos professores e da integração Universidade x Escola Básica.

A busca por metodologias alternativas de ensino e a iniciação científica dos professores em formação foram sugeridas como ferramentas suporte aos processos de reflexão sobre os problemas educacionais.

O III EPEM, baseado no texto de Moura (1993), da Revista de Educação Matemática da SBEM-SP, buscou levantar os aspectos que vêm caracterizando a formação de professores em diferentes épocas, reflexos de tendências teóricas ou das áreas de conhecimento.

De acordo com Moura (1993), a individualidade do professor de matemática, seus pensamentos, concepções e formação devem ser consideradas e trabalhadas durante seu processo de formação, aliadas a mister constante das pesquisas atualizadas.

O envolvimento do ensino da Matemática com a Psicologia preconiza que o professor tenha um projeto que se caracterize pela tomada de consciência de seus objetivos, do conjunto de instrumentos que possui, daqueles a serem construídos e a possibilidade de avaliar as ações empreendidas na execução desse projeto.

Os documentos reunidos por Araújo (1990), sobre os EPEMs nos fornecem uma nítida visão sobre a importância e contribuição dos trabalhos de reflexão sobre os assuntos debatidos sobre a Licenciatura e Licenciatura em Matemática, sendo que seus pontos mais importantes são:

(a) profissionalização da atividade docente e da do licenciando-estagiário;
(b) articulação entre escola e universidade;
(c) rompimento das dualidades específico/pedagógico que têm caracterizado os cursos de licenciatura;
(d) necessidade de Conselhos de Cursos (orientadores de) e Projetos Pedagógicos (norteadores da formação);
(e) fortalecimento das pesquisas em Educação e Educação Matemática;
(f) implementação de projetos de iniciação científica para licenciandos;
(g) repensar aspectos como evasão, retenção e expectativas;
(h) comprometimento das Instituições de Ensino Superior com relação ao ensino; e, finalmente,
(i) necessidade de que a fase de análise de propostas seja ultrapassada pela viabilização de ações.

As reflexões de Souza et al. (1993), que fazem parte do Projeto Pedagógico do curso de Licenciatura em Matemática da UNESP de Rio Claro, procuram definir o perfil ideal do professor de matemática (alicerçado sobre as bases técnicas já descritas anteriormente) que são a independência, a competência e o comprometimento.

A independência nesse caso caracteriza-se pela possibilidade de opção de temas e metodologias; a competência é tida como condição que lhe permite liberdade, uma vez que domine seguramente conteúdos e métodos e; o compromisso se refere ao esforço árduo na busca por alternativas que sejam eficazes e viabilizem o sucesso do processo de ensino aprendizagem.

2 RELACIONANDO CONHECIMENTO E PRÁTICA PEDAGÓGICA

2.1 TRANSFORMAÇÕES NO ENSINO DE MATEMÁTICA

A Educação Matemática reconhece no seu discurso pedagógico oficial (em consonância às idéias de Piaget), o aluno como centro do processo ensino aprendizagem e o concebe como objeto cognitivo que pensa e atua matematicamente, utilizando apenas a cognição para a assimilação da mesma. (VALERO, 2002).

Bernstein e Solomon (1999) esclarecem em seus estudos os mecanismos através dos quais a educação produz e reproduz a desigualdade social. Seus trabalhos permitem um estudo sistemático de dados educacionais, através de considerações teóricas que juntam análise macro-sociológica com a sua realização na sala de aula.

Suas argumentações estruturam-se no fato de que se usem certos conhecimentos específicos de uma determinada área de conhecimento objetivo e se transponha esses conhecimentos de forma parcial e reestruturada para o campo pedagógico (de um sítio original para um sítio pedagógico) o qual é denominado recontextualização, ou seja, adaptam-se e selecionam-se alguns pontos de uma determinada ciência para repassá-las aos alunos, servindo de breve introdução e esclarecimentos à área específica desejável, sem maiores envolvimentos com o exercício científico original.

Lerman (2000) considera a existência de três níveis de recontextualização na área de investigação em Educação Matemática, as quais são: Psicologia, Sociologia, Filosofia, Antropologia, Matemática e outras no primeiro nível; Educação Matemática e outras áreas de investigação educacional no segundo nível e as práticas curriculares e de sala de aula no terceiro nível.

Uma recontextualização também ocorre quando há um movimento de adaptação das idéias de um nível para outro.

Bernstein (1999) exemplifica uma recontextualização utilizando-se da prática escolar da carpintaria, sítio pedagógico que não reproduz as práticas que integram genuinamente as características da prática original que se propõe ensinar ou induzir, pois neste sítio, essa mesma prática se encontra inevitavelmente separada dos elementos sociais, necessidades, objetivos, etc., que fazem parte do trabalho de carpintaria e que não podem fazer parte da prática escolar de carpintaria.

Semelhantemente, as práticas escolares em Física não são práticas científicas de Física tal como os Físicos as desenvolvem.

A Matemática também não foge à regra e, segundo Bernstein (1996; 1999), o que se ensina na disciplina de Matemática na escola, é um discurso pedagógico sobre a Matemática.

O desafio é transformar os saberes matemáticos (dos matemáticos) em saberes matemáticos escolares de forma satisfatória.

De acordo com Bernstein (2000), existem três campos principais no plano pedagógico que são: a produção, a recontextualização e a reprodução.

A produção de um novo conhecimento se dá normalmente nas universidades ou em centros de investigação; a recontextualização acontece em Departamentos de Educação do Estado (Ministério da Educação), autoridades curriculares, jornais de educação e instituições de formação de professores e a reprodução ocorre nas escolas básicas, secundárias e nas de ensino superior.

Estes três campos possuem uma ligação hierárquica e uma interligação que resulta em tênue assemelhação entre os mesmos, sendo que sua contextualização final deriva das transformações ideológicas que sofrem, de acordo com interesses específicos de cada grupo que os determina (BERNSTEIN, 1996).

Os interesses que os norteiam, são geralmente de natureza política e econômica ou de natureza social, não sendo, porém, de fácil identificação por parte dos professores e alunos e menos ainda da sociedade em geral.

Bernstein (1999) denomina o campo de produção de conhecimento de contexto primário, onde são desenvolvidas, posicionadas, selecionadas, criadas e modificadas as idéias que serão sintetizadas nos textos finais que criam o “campo intelectual” do sistema educativo.

Em se tratando da Matemática, o contexto primário consiste na produção da Matemática propriamente dita, codificada em formas simbólicas complexas que necessitam ser decodificadas ou traduzidas, ficando inteligível àqueles que estão fora de seus domínios específicos.

A dificuldade dos especialistas consiste em converter esses novos saberes formais de modo a torná-los compreensíveis aos leigos. Nesta parte, as instâncias de recontextualização realizam o processo de transformação do conhecimento para a comunicação pedagógica.

Singh (2202) descreve esse processo em três dimensões:

a) “qual” o conhecimento converter para a comunicação pedagógica;
b) “quem” fará a recontextualização (divisão social de agentes e agências) e
c) “como” transformar esse conhecimento em formas pedagógicas.

Bernstein (1999/1990) esclarece que existem dois sub-campos no campo da recontextualização:

1- o campo oficial de recontextualização (COR), que diz respeito aos departamentos especializados e subagências do Estado e as autoridades locais, em conjunto com seus sistemas de inspeção e investigação e;
2- o campo pedagógico de recontextualização (CPR), composto pelos departamentos de educação das universidades e dos institutos politécnicos juntamente com a sua investigação e as fundações privadas; jornais especializados em educação, agências de publicação, os seus leitores e consultores, podendo também estender-se a campos não especializados no discurso e práticas educacionais, com suficiente peso para exercer influência tanto no nível do Estado como de agentes e práticas dentro da educação.

Morgan, Tsatsaroni e Lerman (2002), consideram difícil o processo de transição dos saberes dos matemáticos para a prática da Matemática escolar.

Bernstein (1996) separa o discurso da Matemática escolar em “discurso oficial” e em “discurso não oficial”, onde o discurso oficial é produzido por agentes recontextualizadores que operam no Campo Oficial de Recontextualização (COR).

Para sua realização, de acordo com Morgan, Tsatsaroni e Lerman (2202), os agentes oficiais guiam seus trabalhos pelas orientações gerais dos discursos e práticas contidos no sub-campo da recontextualização, e adequam-nos aos seus objetivos e propósitos.

Entram ainda na formulação destes, os discursos que são produzidos pelas atividades e práticas da comunidade de investigação em Educação Matemática e que circulam dentro do Campo Pedagógico de Recontextualização (CPR), tais como os cursos de formação de professores. Outros discursos como os da imprensa, os dos pais, os da gestão escolar, etc., influenciam o COR e tornam-se elementos desse discurso.

O objetivo do discurso produzido, segundo Bernstein (1996) é regular e delimitar a ação dos professores de Matemática quanto às práticas consideradas mais adequadas e ainda fornece-lhes subsídios teóricos que embasem essa prática visando uma coerência frente aos questionamentos por parte da sociedade e dos moderadores oficiais.

Durante o processo de transmissão dos discursos pedagógicos formulados no COR e no CPR ainda pode ocorrer outra recontextualização. O professor de Matemática, devido sua própria individualidade, pode estar mais próximo ou mais distante do discurso oficial, sendo que os textos pedagógicos criados no campo de recontextualização, tais como esquemas curriculares e livros de texto são transformados de acordo com a apropriação que o professor faz deles.

Este fato denota que o discurso reproduzido nas salas de aula é dinâmico e que sofre influências do contexto específico de cada localidade além das interferências oriundas das relações entre a Escola, a família e a comunidade.

Com a exposição desses processos, evidencia-se que o discurso da Matemática escolar não é o mesmo que o dos matemáticos, assim sendo, as práticas escolares em matemática não são práticas matemáticas.

Deste fato, derivam diferenças significativas entre as duas práticas, com especificidade quanto ao nível dos currículos, nos termos das finalidades do ensino da matemática, da natureza das atividades que são propostas aos alunos e da avaliação.

O alvo do ensino da matemática jamais poderá ser o mesmo que é almejado nas práticas profissionais em matemática, devendo antes, ser adaptado ao discurso da matemática escolar, com suas peculiaridades e interações convenientes ao contexto.

A introdução de propostas pedagógicas que incluam atividades de natureza investigativa (no seio da própria matemática ou em articulação com outras áreas científicas e com situações problemáticas da sociedade e do dia-a-dia) constitui um passo importante na tentativa de melhoria do processo de ensino-aprendizagem da matemática.

Alguns integrantes da comunidade dos matemáticos afirmam que a Matemática Escolar no ensino básico e secundário, não se trata de Matemática. Podemos entender essa atitude, uma vez que passemos a definir e diferenciar as características da Matemática escolar face aos seus objetivos. Esta diferenciação quanto à conceituação, exige novas posturas quanto às modalidades de avaliação das aprendizagens, onde deverão ser observados e analisados os saberes e as competências adquiridas pelos alunos, em consonância ao contexto escolar ao qual está inserido.

Bernstein critica as formas tradicionais da formação dos professores de matemática, que segundo o mesmo, parecem ser formuladas no vácuo, sem qualquer interação com a realidade dos problemas sociais enfrentados pelos alunos e pelos próprios professores na sua vida cotidiana, além de lhes exigirem um conhecimento matemático sério e sólido descontextualizado.

A utilidade da matemática quando questionada, não se relaciona às inquietações da população quanto às dimensões política, social, cultural e ética da matemática na sociedade. Não há qualquer resposta possível relativa à pergunta, em contextualização com estes temas, entre os estudantes e a sociedade em geral. Isto implica na urgente necessidade de integrar a matemática na vivência diária das pessoas de modo a descortinar suas múltiplas funcionalidades.

2.2 RECURSOS DIDÁTICOS EM MATEMÁTICA

Softwares geométricos

LOGO é uma palavra derivada do grego logos, que contém ao mesmo tempo a noção de logo-razão, logo-linguagem e logo-cálculo.

Esta palavra foi escolhida pela equipe de Seymour Papert e Marvin Minsky para nomear um projeto desenvolvido a partir de 1968, no Instituto de Tecnologia de Massachussets (MIT), sobre Inteligência Artificial, associado às Ciências da Educação (FIORENTINI; MIORIM, 2006).

Seus idealizadores o conceberam objetivando a demonstração dos processos mentais empregados por um indivíduo para resolver problemas, enquanto se utilizam do software que concentra simultaneamente uma teoria de aprendizagem, uma linguagem de comunicação e um conjunto de unidades materiais.

Logo é uma linguagem de programação pura e simples, uma linguagem interpretada, onde seus comandos escritos são lidos e executados produzindo algum efeito na tela, através de textos, ou desenhos traçados por uma tartaruga-gráfica.

Os efeitos mais comuns são os desenhos de linhas na tela. Uma diferença da tartaruga gráfica em relação às linguagens tradicionais é seu retorno imediato.

Através do Logo, é revelado, sem distinção de idade, os mistérios do que significa ‘programar’. (FIORENTINI; MIORIM, 2006).

Este é um atrativo para os iniciantes em programação, visto que a aprendizagem se dá durante a exploração do mesmo, sem os formalismos que envolvem esse tema tão atual, porém tão remoto entre as pessoas em geral.

A atividade inicia-se no momento que obtemos a habilidade de comando sobre a tartaruga gráfica. Através de sua utilização, podemos adentrar nos conhecimentos de Geometria. Os comandos para a construção de um quadrado são:

pf 100
gd 90
pf 100
gd 90
pf 100
gd 90
pf 100
gd 90

Esta é a forma mais simples, porém não a única, através da qual podemos obter o mesmo resultado: podemos utilizar o comando ‘repita’ (repita 4 [pf 100 gd 90] ).

Através desate comando, o mesmo quadrado pode ser feito de duas formas diferentes: no primeiro exemplo há redundância dos códigos; no segundo exemplo, o Logo foi programado para repetir a mesma seqüência 4 (quatro) vezes.

Os comandos também podem ser usados na forma abreviada. Quando um item é muito utilizado ele pode ser programado e simplesmente ser chamado quando necessário.

Freitas e Fiorentini (2006) citam algumas atividades utilizando o LOGO:

A construção de polígonos regulares

Esta é uma atividade importante tanto do ponto de vista conceitual, quanto interessante e desafiadora para os alunos.

Construir figuras usando Logo, possibilita a atenção para alguns aspectos conceituais importantes como, por exemplo, a noção de ângulo.

O conceito de ângulo externo

A definição formal de ângulo externo é carregada de controvérsias que colidem com as concepções espontâneas sugeridas pelos alunos.

Uma dessas definições reza que ângulo externo é aquele formado pelo prolongamento de um lado de um polígono com a semi-reta que é o outro lado consecutivo, e cujo vértice coincide com um vértice do polígono; já os alunos de países e culturas distintas, tendem a considerar o ângulo externo como o replemento do ângulo interno considerado, ou seja, a região côncava que falta para completar uma volta completa.

Qual dos comandos abaixo permite construir um pentágono regular?

a) repita 5 [pf 100 gd 72]
b) repita 5 [pf 100 gd 108]

CABRI Géometrè Géomètre (de CAhier BRouillon Interactif pour l`aprentissage de la géométrie) é um programa desenvolvido pela equipe do Laboratório de Estruturas Discretas e de Didática do Instituto de Informática e Matemática Aplicada de Grenoble, Universidade Joseph Fourier de Grenoble, França.

Este programa foi criado para o ensino-aprendizagem da Geometria. Seus comandos possibilitam a resolução de problemas de régua e compasso.

A primeira versão do Cabri limitava-se à resolução de problemas de Geometria Plana, porém nas versões mais atualizadas, o universo de problemas e construções extrapola o bidimensional. http://www.cabri.imag.fr

Construções no CABRI

CAhier BRouillon Interactif, significa caderno de rascunho interativo e o mesmo funciona como uma folha de caderno virtual para fazer construções geométricas, sendo essas construções dinâmicas, potencializando a investigação e a exploração.

Uma Geometria Dinâmica

O CABRI junto com outros softwares geométricos como o Geometer´s Sketchpad, Geometric Composer e o Geometricks, faz parte de uma família de programas de Geometria Dinâmica. Sua utilização permite a construção de figuras com posterior possibilidade de deformações, que resultarão na produção na tela de centenas de figuras.

O CABRI dispõe de um conjunto de comandos de CRIAÇÃO de objetos, de CONSTRUÇÃO e um menu ‘Diversos’ onde é possível marcar e medir ângulos, recuperar o histórico de uma construção, fazer macro-construções etc.

Muitos objetivos didáticos podem ser contemplados no CABRI, que contribuem para que os alunos desenvolvam seu pensamento geométrico, através de atividades que fomentam as ações de, planejar, explorar, modelar, conjecturar, definir, argumentar e demonstrar.

Um fator que diferencia o CABRI de outros softwares educativos é que o mesmo incita o aluno à necessidade de demonstração, além da possibilidade de ser aproveitado desde o Ensino Fundamental até a Universidade.

Os softwares Logo, Cabri e Geometricks, constituem ambientes distintos, cada qual com méritos e limitações que possibilitam um estudo dinâmico da Geometria na perspectiva construtivista, sendo que sua utilização por parte dos professores deve ser moderada evitando-se a supremacia das ferramentas informáticas no ensino.

O ideal é a sua utilização concomitante a outras ferramentas disponíveis, sugerindo-se a utilização do Logo desde as séries iniciais e do Cabri a partir da 7ª. Série.

Para o estudo da Geometria é interessante não descartar a realização de sua contextualização através do trabalho tradicional, com atividades como dobraduras, recortes, construções com sucata, geoplano, régua e compasso, esquadros e outros materiais didáticos.

O importante é buscar alternativas que visem ampliar o interesse e a compreensão por parte dos alunos, desta disciplina tão complexa e mal compreendida.

Poucos são os alunos que, ao serem aprovados, conseguem absorver satisfatoriamente os conteúdos ministrados e ainda, relaciona-los à sua vida cotidiana.

Ao se deparar com esse quadro de dificuldades e insatisfações, o professor geralmente direciona suas pesquisas na busca por novos elementos que possam incrementar sua prática pedagógica, uma vez que não consegue achar sozinho as soluções que procura. Algumas das opções comuns com as quais se depara, no entanto, não passam de simples receitas de como ensinar este ou aquele conteúdo.

É crescente a busca por parte dos professores de matemática por encontros, conferências e cursos, sendo que, o núcleo dos interesses geralmente gira em torno das novidades em materiais didáticos e dos jogos.

As expectativas geradas pelos materiais referem-se à sôfrega ilusão de haverem encontrado uma solução para os problemas que enfrentam no dia-a-dia da sala de aula.

O professor na maioria dos casos não possui instrumentação teórico-prática suficiente para definir com clareza as razões fundamentais pelas quais os materiais ou jogos são importantes para o ensino-aprendizagem da matemática ou ainda, determinar qual o momento exato de sua utilização apropriada.

É de praxe justificar a importância desses elementos apenas pelo caráter “motivador” ou pelo fato de se ter “ouvido falar” que o ensino da matemática tem de partir do concreto ou, ainda, porque através deles as aulas ficam mais alegres e os alunos passam a gostar da matemática.

Apesar de muitos pareceres favoráveis, existem controvérsias quanto a real necessidade da utilização desses materiais para o ensino aprendizagem da matemática.

Carraher & Schilemann (1988), através de suas pesquisas ostentam a afirmação de que “não precisamos de objetos na sala de aula, mas de objetivos, nas situações em que a resolução de um problema implique a utilização dos princípios lógico-matemáticos a serem ensinados”.

Declaram ainda que os objetos utilizados para contextualização não passam de objetos abstratos, uma vez que inexistem fora do ambiente escolar e não possuem vínculos com o mundo da criança.

O material concreto neste caso afasta-se dos objetos manipulativos, para transferir-se às situações que a criança tem que enfrentar socialmente.

Esta nova visão nos alerta para a necessidade da intensa reflexão sobre o assunto, uma vez que não existem proposições na esfera da educação que sejam politicamente neutras.

Cada metodologia carrega na sua operacionalização, uma visão de educação, de matemática, do homem e de mundo; ou seja, existe subjacente ao material, uma proposta pedagógica que o justifica.

As teorias pedagógicas que preconizam o uso de materiais concretos e jogos no ensino da matemática, embasaram-se nas discussões sobre o papel e a natureza da educação, em consonância ao desenvolvimento da psicologia, resultantes das transformações sociais e políticas ocorridas no mundo.

Até o séc. XVI, criança era considerada um adulto em miniatura, sendo sua capacidade de assimilação considerada apenas menos desenvolvida, o que resultou num modelo de educação onde se corrigia os defeitos através da transmissão do conhecimento.

O aluno era um sujeito passivo e sua aprendizagem consistia na memorização de regras, fórmulas, procedimentos ou verdades localmente organizadas.

O papel do professor nesta instância consistia somente na transmissão e exposição do conteúdo acabado, sem utilização de materiais ou objetos, que eram considerados apenas como perturbadores do silêncio e da disciplina da classe.

Quando algum professor aderia ao seu uso, limitava-se à sua utilização de maneira puramente demonstrativa, como auxiliar à exposição, à visualização e à memorização do aluno.

Como exemplo desses materiais podemos citar o flanelógrafo, as réplicas grandes em madeira de figuras geométricas, desenhos ou cartazes fixados nas paredes, etc., os quais constituem as bases do “Ensino Tradicional” e que sobrevive ainda hoje em muitas escolas.

No séc. XVII, passou-se a questionar este formato de educação; Comenius (1592-1671) considerado o pai da Didática, em sua obra “Didática Magna” (1657) pregava que “… ao invés de livros mortos, por que não podemos abrir o livro vivo da natureza? Devemos apresentar à juventude as próprias coisas, ao invés das suas sombras” (PONCE, 1985, p.127).

Rousseau (1727 – 1778), no século XVII, abriu caminho a uma nova concepção de escola, ao considerar a Educação como um processo natural no desenvolvimento da criança, dando ênfase ao jogo, ao trabalho manual e à experiência direta das coisas.

Sua proposta procura valorizar os aspectos biológicos e psicológicos do aluno em desenvolvimento, seus sentimentos, interesses, sua espontaneidade, criatividade e o processo de aprendizagem, mesmo quando a prioridade aos mesmos afetasse a aprendizagem dos conteúdos.

Na seqüência dessas transformações surgem as propostas de Pestalozzi (1746 – 1827) e de seu seguidor Froebel (1782 – 1852), pioneiros da “escola ativa”, com ênfase à formação dos jovens.

A demonstração prática de suas propostas operacionalizou-se através da criação de um internato, onde o currículo adotado dava ênfase às atividades dos alunos como canto, desenho, modelagem, jogos, excursões ao ar livre, manipulação de objetos onde as descrições deveriam preceder as definições; o conceito nascendo da experiência direta e das operações sobre as coisas.

Montessori (1870 – 1952) e Decroly (1871 – 1932) foram inspirados em Pestalozzi e cada um desenvolveu um trabalho específico na área da matemática.

Montessori, após experiências com crianças excepcionais, criou diversos materiais destinados à aprendizagem da matemática, os quais eram explorados através de uma manipulação ativa, com ênfase ao desenvolvimento da percepção visual e tátil, visando uma aprendizagem baseada em um material concreto, através do qual ela deveria agir, pensar, experimentar, descobrir e finalmente, proceder à abstração (Azevedo, 1979, p 26-27).

Com a repercussão dos resultados positivos do seu trabalho, os mesmos passaram a ser utilizados em classes normais. Alguns exemplos desses materiais são: “Material Dourado”, os “TriÂngulos Construtores” e os “cubos para composição e decomposição de binômios, trinômios”.

Decroly, por sua vez, sugere como ponto de partida para a introdução de uma nova aprendizagem, a observação dos fenômenos naturais (como o crescimento de uma planta ou a quantidade de chuva recolhida num determinado tempo) para, por exemplo, introduzir medições e contagem, partindo de uma observação global do fenômeno para posteriormente, por análise, decompô-lo.

Estes dois exemplos procuram operacionalizar a aprendizagem do concreto para o abstrato, ou ainda, da manipulação para a interiorização.

Genericamente, a matemática define-se como um conjunto de técnicas, regras, fórmulas e algoritmos necessários à compreensão e interação ao mundo complexo no qual vivemos.

Muitos são os métodos atuais de ensino utilizados para a operacionalização da aprendizagem matemática, assim como as técnicas, como, por exemplo, a instrução programada (estudo através de fichas ou módulos instrucionais), o emprego de tecnologias modernas audiovisuais (retroprojetor, filmes, slides…) ou mesmo computadores.

Um exemplo de como os jogos pedagógicos podem ser aproveitados é sua introdução no início de um novo conteúdo, com a finalidade de motivar a criança ou no final, servindo como elemento fixador e reforçador deste mesmo conteúdo, além do fomento quanto ao desenvolvimento de atitudes e habilidades.

A formação educativa contida nestas atitudes e habilidades pode envolver temas como: treino da honestidade, companheirismo, atitude de simpatia ao vencedor ou ao vencido, respeito às regras estabelecidas, disciplina consciente, acato às decisões do juiz…, etc.

Cabe ao professor uma análise reflexiva constante sobre todos os materiais, técnicas e metodologias que pretende utilizar, no sentido de desvendar a proposta político-pedagógica neles embutida, adequar seu discurso profissional à visão sobre o tipo de aluno que pretende formar e sobre qual matemática acredita ser importante para esse aluno, etc.

A opção quanto à utilização ou não de determinado material ou jogo, não deve atrelar-se ao simples fato do mesmo se mostrar atraente ou lúdico, pois o uso do mesmo por si só não garante a aprendizagem. O material mais adequado, nem sempre será o visualmente mais bonito e nem o já construído. Muitas vezes, a construção do material por parte do aluno possibilita a aprendizagem da matemática de forma mais efetiva.

Devem ser buscados mecanismos que garantam um aprender não mecânico e repetitivo e muito menos um aprender fragmentado, fundado em brincadeiras estanques.

Serão validadas somente as atividades que viabilizem uma aprendizagem fundamentada na participação do aluno, seja raciocinando, compreendendo e reelaborando o saber historicamente produzido, com vistas à superação de sua visão ingênua, fragmentada e parcial da realidade.

Uma atividade que também merece ser analisada refere-se aos Projetos. O projeto é uma atividade intencional, idealizada pelo professor, de preferência em consonância com os alunos, e que envolve diversas instâncias da comunidade escolar. O ponto principal do mesmo, consiste no total comprometimento por parte dos alunos na sua implementação e execução. Todo o projeto gira em torno de um objetivo que dá unidade e sentido às várias atividades, bem como um produto final que pode assumir formas muito variadas, mas que seja coerente ao objetivo inicial e que se reflita no trabalho realizado.

No projeto, os alunos trabalham em equipe e são co-responsáveis pelo trabalho e pelas escolhas ao longo das fases do projeto.

O objetivo proposto deve ser autêntico, genuíno e ter relevância para os alunos, sendo condenável e inválido se for constituído de mera reprodução de algo já feito por outros. Além disso, os resultados devem ser contextualizados e originais.

O objetivo central do projeto constitui um problema ou uma fonte geradora de problemas, senda esta uma atividade já relativamente elaborada e com algum grau de complexidade.

O projeto caracteriza-se pela sua extensão e faseamento, não podendo ser considerados como tal, as atividades que encerrem a possibilidade de resolução imediata ou num espaço de tempo muito curto.

As fases do projeto são: escolha do objetivo central e formulação de problemas, planejamento, execução, avaliação e apresentação dos resultados.

2.3 A REALIDADE DO PROFESSOR ATUANTE NO ENSINO DE MATEMÁTICA

A Matemática caracteriza-se por ser a disciplina mais complexa, temida ou mesmo odiada pelos estudantes. No entanto, pedagogos, psicólogos, matemáticos e professores em geral, têm investido grandes esforços em pesquisas, na busca sobre as causas deste dogma visando modifica-lo e tornando os saberes matemáticos mais acessíveis e coerentes com sua utilização na vida diária.

O movimento da Educação Matemática que ocorre no mundo inteiro, tem se consolidado como um campo de conhecimento, formando pesquisadores que representam um peso qualitativo considerável na comunidade científica (CARVALHO, 1994).

Os resultados já divulgados tornam a Educação Matemática indispensável na formulação de qualquer alteração que se pretenda fazer em currículos.

Seus esclarecimentos permitiram alterar a concepção do professor em relação à matéria, concernente à nova visão do aluno, anteriormente como sujeito passivo, que repassa o conhecimento pronto, acabado, via memorização de regras, fórmulas e processos, para a atual, que reza ser o mesmo um construtor de conhecimentos.

Quanto à formação do professor, a Educação Matemática preconiza que a competência docente envolva, além do conteúdo matemático específico, a incorporação das várias contribuições de outras ciências como, Psicologia, Antropologia, Pedagogia, Sociologia, dentre outras, visando promover situações significativas de aprendizagem.

Esta nova concepção de educação matemática procura orientar-se pela importância que a mesma ostenta na formação das pessoas, dentro e fora da escola, uma vez que, a ignorância de suas faculdades acarreta inconvenientes durante toda a vida social daqueles que não tiverem a oportunidade de uma aprendizagem satisfatória.

As conexões da Matemática com as outras áreas do conhecimento são também questões investigadas na Educação Matemática, tornando-se a mesma uma atividade interdisciplinar (CARVALHO, 1994).

A Educação Matemática tem avançado e contribuído em todas as áreas do conhecimento, uma vez que a nova visão por parte do professor sobre sua forma de atuação, fomenta discussões integradas com as diversas áreas do saber, na procura por transformação de comportamentos e atitudes dos alunos no processo de ensino-aprendizagem.

O Projeto Pró-Matemática (1993) sugere alguns aspectos significativos a serem desenvolvidos no ensino da matemática, sendo eles:

• Vinculação da Matemática às práticas sociais;
• Procedimentos do professor em sala de aula, visando uma prática social alterada qualitativamente pela ação pedagógica, mediante a apropriação pelos alunos de idéias/conteúdos matemáticos essenciais à sua interação com o mundo atual;
• Relacionamento entre elaboração histórica dos conceitos matemáticos e o seu processo de construção no âmbito da aprendizagem;
• Utilização adequada de novas terminologias, inclusive da Informática, na aprendizagem da Matemática;
• Avaliação contínua da compreensão e do desenvolvimento do aluno com a Matemática, em especial ao uso que faz das idéias e conceitos no enfrentamento de problemas.

O professor deve ter em mente que existem dois modos peculiares de ensinar Matemática na escola fundamental, o modo tradicional e o modo progressista.

O primeiro se desenrola com a apresentação da matemática como uma ciência pronta e isolada, com características próprias já definidas e estanques, sem qualquer vinculação aos determinantes sócio-econômicos e sem historicidade. Nesta concepção, o dever do aluno consiste em esforçar-se ao máximo para memorizar e reproduzir os ensinamentos administrados, de forma mecânica e sistemática, sendo a detenção do saber, trunfo do professor. Neste caso, os programas são rígidos e os conteúdos hierarquizados.

A visão progressista procura desenvolver um aluno crítico, participativo, com potencial transformador refinado, relativo às diversas questões que o circunda, sendo a preocupação maior da disciplina, tornar-se tanto atraente, prazerosa, lúdica e útil, quanto instrumento para a vida e para o trabalho.

De acordo com Carvalho (1994), o novo paradigma em relação ao ensino de Matemática é construtivista, interacionista, sócio-cultural, transcendente e emancipatório.

Construtivista, porque está em permanente construção; interacionista, porque não pode se processar de maneira isolada; sócio-cultural, porque todo ser é datado e situado, portanto, histórico; transcendente, porque todo ser tende a se superar, ir além de si mesmo, e a recriar o universo e emancipatório, porque sua aquisição instrumenta os alunos a repensarem e agirem, com liberdade e autonomia sobre os rumos que a sociedade deve direcionar-se.

2.4 A POSTURA DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA NO ENSINO FUNDAMENTAL

Os Parâmetros Curriculares Nacionais (1997) em Matemática apresentam as seguintes orientações:

• Eliminação do ensino mecânico da Matemática;
• Prioridade para a resolução de problemas;
• Conteúdo como meio para desenvolver idéias matemáticas fundamentais (proporcionalidade, equivalência, igualdade, inclusão, função, entre outras);
• Ênfase ao ensino da Geometria;
• Introdução de noções de Estatística e probabilidade e estimativa;
• Organização dos conteúdos em espiral e não em forma linear, desprivilegiando a idéia de pré-requisitos como condição única para a organização dos mesmos;
• Uso da história da Matemática como auxiliar na compreensão de conceitos matemáticos;
• Revigoramento do cálculo mental, em detrimento da Matemática do ”papel e lápis”;
• Uso de recursos didáticos (calculadoras, computadores, jogos) durante todo Ensino Fundamental;
• Ênfase ao trabalho em pequenos grupos em sala de aula;
• Atenção aos procedimentos e às atitudes a serem trabalhadas, além dos conteúdos propriamente ditos;
• Avaliação como processo contínuo no fazer pedagógico.

Essas idéias acima não são novas, elas acompanham as tendências da Educação Matemática no mundo, sendo que muitos países já passaram por essas reformulações, com maior ou menor grau de sucesso.

Para que essas considerações se tornem efetivas e eficazes, há que se entender e aplicar suas reais propostas e não interpretá-las apenas como uma lista de conteúdos.

O ponto primordial para qualquer nova alteração consiste na mudança de postura por parte do professor em sala de aula. O desafio mais complexo é descobrir como tornar possível essa mudança, visto que muitas concepções errôneas sobre a matemática estão fortemente arraigadas no componente emocional dos professores como pessoas, de acordo com suas próprias experiências, sucessos ou insucessos frente à mesma. Como mudar a relação de afeto, de ódio ou de medo do professor para com a Matemática? Como fazer com que o professor de Ensino Básico que, muitas vezes, escolheu essa profissão já como uma esquiva à Matemática, faça ”as pazes” com ela?

Todo professor deve ter a possibilidade de vivenciar situações positivas quanto ao ensino-aprendizagem da matemática como forma de aprendizagem pessoal, nas quais procure a consciência do seu pensar (metacognição) durante seu desenrolar, para que as mesmas possam se tornar prazerosas e servir de apoio às futuras aulas que vier a ministrar.

A Educação Continuada de Professores têm se mostrado uma solução viável nesse sentido, através de reuniões de estudo, jornadas, seminários, etc.

O trabalho dos educadores matemáticos envolvidos na preparação desses “cursos” deve ser minucioso e adequado às orientações contidas nos mesmos, evitando que uma proposta que traga inovações importantes não surta o efeito desejado devido a alguma má interpretação ou mau uso em sala de aula.

3 PROFESSOR DE MATEMÁTICA: algumas reflexões

3.1 FORMAÇÃO PERMANENTE DO PROFESSOR

Na sociedade atual, em que a mudança é a única característica permanente, fica no ar a expectativa do professor sobre quais os conhecimentos poderão ser úteis e modeladores no que diz respeito à formação integral de seus alunos ou ainda, como instrumentar-se para tal.

A produção desses conhecimentos deve priorizar a pesquisa como seu sinônimo, sendo condenável qualquer ilusão quanto à apropriação absoluta de qualquer tema. Estes dois pontos, o ensino e a pesquisa são os pontos fundamentais da educação escolar ou acadêmica.

Santos (2003) sugere no aspecto metodológico a formulação da argumentação em forma de teses e tece suas observações relativas a cada uma:

Primeira tese

O professor, enquanto alguém comprometido com a difusão do conhecimento, em todos os níveis do ensino, deve ser também um produtor do mesmo.

Observa-se em todos os níveis de ensino em geral, que as atividades de ensino-aprendizagem são formuladas no sentido de transmitir aos alunos conhecimentos já formulados, testados e comprovados, como se fossem verdades absolutas cujo dever do aluno consiste apenas em reproduzi-las ao pé da letra. Essa postura sequer prevê que se possa sugerir ou questionar tais “afirmações”, cerceando assim qualquer tentativa de produção de conhecimento.

Em se tratando da academia, especificamente, isso é vexatório, uma vez que para ela se voltam todas as expectativas de reforma. A academia não pode ficar somente à mercê de conhecimentos externos, oriundos de outra instância ou pela comunidade científica.

Isto não implica, porém, que somente a academia seja também uma produtora do saber, em detrimento do ensino fundamental e médio.

O ideal é que, todos que lidem com o conhecimento (fruto de pesquisas), nos diferentes níveis do ensino, sejam também pesquisadores.

O professor nesta perspectivas não é apenas um facilitador ou assistente; ele é o exemplo vivo do ideal de educador/educando que se mostra ao aluno. A qualidade do processo educativo depende de sua própria qualificação e competência profissional referente à sua área de atuação.

Sua forma de atuação deve ser extremamente responsável e instigadora das novas habilidades pretendidas.

Para que uma pesquisa na área da educação tenha relevância significativa, torna-se necessário a socialização de seus resultados, sendo condenável que ocorra na nossa realidade, alguns casos nos quais os cientistas coexistam no nosso meio de forma distanciada e isolada.

Este perfil, professor-pesquisador ou pesquisador-professor encerra as muitas expectativas que se espera do educador moderno, visto que, as constantes transformações do mundo moderno exigem que se façam constantes adaptações e redirecionamentos em todas as áreas da vida humana.

Segunda tese

O professor deve fazer da pesquisa um princípio educativo, aliando a este à criatividade e a criticidade, visando atingir no educando a autonomia intelectual.

O professor que se utiliza da pesquisa como instrumento cotidiano no seu trabalho, incute esse referencial de forma arraigada em seus alunos, pois os mesmos não se atêm somente às suas palavras, mas ao conjunto de suas posturas e atitudes frentes ao objeto de estudo. Este estilo quando permanente despertará no aluno a auto-reflexão quanto ao seu próprio potencial crítico, de forma consistente e científica, o que, resultará certamente em sua liberdade e autonomia.

Este constante exercício de procura e reflexão abre possibilidades significativas para a superação de práticas alienadas e alienantes como a pura cópia, a imitação cega e a submissão.

Uma das funções mais importantes do professor nesse caso é a de fomentar o questionamento, a dúvida e a incerteza de modo que as buscam sejam uma constante na rotina escolar.

Apesar de todo o conhecimento disponível na atualidade, maior ou igual é o contingente de falsas verdades, alienação, ingenuidade e apatia que nos circunda.

A utilização da pesquisa como princípio educativo ocasiona o desenvolvimento das habilidades de:

a) aguçar a capacidade de questionamento do aluno;
b) fazer com que o aluno saiba identificar as fontes de informação e conhecimento confiáveis que podem ser utilizadas para levar o processo de pesquisa a bom termo (bibliotecas, acervos culturais, museus, internet etc.);
c) estimular a capacidade de seleção e manuseio das informações coletadas;
d) incentivar o trabalho com o uso da tecnologia disponível e
e) possibilitar o estabelecimento de uma postura de trabalho (habitus) no tratamento metodológico das questões.

Algumas dessas habilidades podem ser encontradas de forma isolada em alguns trabalhos que já vem sendo desenvolvidos em nossas escolas, porém, para a eficácia dos mesmos quanto à proposta almejada, torna-se necessário que todas estejam interligadas e sejam utilizadas simultaneamente, de forma sistemática.

Terceira tese

O professor deve ter uma postura filosófico-hermenêutica diante do conhecimento, da cultura e da sociedade.

De acordo com a enciclopédia Wikipédia (2007), hermenêutica é um tramo da filosofia que se debate com a compreensão humana e a interpretação de textos escritos.

O termo “hermenêutica” provém do verbo grego “hermeneuein”e significa “declarar”, “anunciar”, “interpretar”, “esclarecer” e, por último, “traduzir”. Significa que alguma coisa é “tornada compreensível” ou “levada à compreensão”.

Esta postura advém de duas instâncias distintas: geralmente o amor à sabedoria deve estar implícito naquele que se pretende educador e a outra instância, a capacitação hermenêutica, depende de sua dedicação e aperfeiçoamento técnico para alcançá-la.

As duas, porém, se entranham e se complementam, devendo ser utilizadas visando à interpretação do conhecimento, tanto de sua área de formação, quanto no sentido amplo do conhecimento, além da capacidade de interpretação da cultura e da sociedade da época em que ele vive.

Essa busca incessante e rotineira, ao contrário de ser e estressante e enfadonha, deve ser prazerosa e agradável ao professor, para que o mesmo possa transmiti-la aos alunos de forma convincente e entusiástica. A legitimidade de seu discurso só terá crédito se for condizente à sua prática.

A prática do docente deve ser permeada pela humildade frente às lacunas e cegueiras do próprio conhecimento, de acordo com Edgar Morin (2004) evitando-se assim qualquer sentimento ou atitude de soberania ou extravagância.

Quarta tese

O conhecimento produzido e difundido pelo professor deve ter um compromisso com a melhoria da qualidade de vida da sociedade.

O professor precisa conscientizar-se de que sua postura diante dos alunos e da sociedade reflete sua visão política de atuação no mundo. De modo algum existe a hipótese de atuação neutra. Se algum professor não consegue captar os interesses subliminares embutidos em determinada metodologia ou conteúdo que ministra, deve ser orientado e instrumentado para tais investigações, de modo que sua atividade se torne responsável e consciente quanto a essas escolhas.

A escolha da postura que adotará, deve levar em conta que o objetivo maior de seu trabalho é formar cidadãos aptos a viver dignamente e criticamente na sociedade, transformando-a e adaptando-a segundo as necessidades coletivas.

Além do compromisso político adequado, o professor deve estar atento às questões éticas e até estéticas.

SANTOS (2004)), adverte que o professor deve ter em mente que, mesmo amando o conhecimento e estando já com certo nível de capacitação avançado, jamais deixará de ser um ser humano, com suas limitações e fragilidades. Esta reflexão constante evitará qualquer possível momento de euforia e exaltação.

A humildade também deve ser cultivada, para que suas relações com o mundo e seus semelhantes sejam permeadas pela paz e harmonia.

3.2 O COMPUTADOR NA FORMAÇÃO INICIAL DO PROFESSOR DE MATEMÁTICA

Outro ponto importante que também faz parte da educação continuada dos professores de matemática consiste na sua capacitação, adaptação e atualização quanto aos instrumentos tecnológicos que a cada dia surgem e se superam.

O computador em especial, tem ocupado lugar privilegiado nesse arsenal, tornando-se de utilização indispensável nas diversas áreas de atuação humana e, por conseguinte, também na escola. Muitos educadores matemáticos consideram que esses novos instrumentos propiciam mudanças significativas nos modelos de ensino e aprendizagem.

Fey (1991) salienta que o uso do computador proporciona uma nova relação professor-aluno, visto que as atividades se tornam mais auto-dirigidas.

O computador é introduzido no meio dessa relação tradicional, constituindo-se como fonte de informação e também como fonte de auto-ensino, sendo que, este auto-ensino não se centra só no aluno, mas abrange também o professor.

De acordo com Borba (1996), a visão tradicional da matemática sofre grandes transformações no ambiente informatizado, pois nele, ela é encontrada, conceituada e trabalhada. Esta nova visão está trazendo mudanças significativas para a disciplina, sobre o que é importante ensinar e aprender, além de afetarem profundamente a dinâmica da sala de aula.

Veloso (1991) declara que os novos objetivos e propostas desencadeadas pelo uso do computador nas escolas, só poderá ser alcançado na amplitude desejada se houver uma formação condigna do professor a esse respeito.

A preocupação com esta preparação prévia já data de algum tempo, por exemplo, em países como Estados Unidos, França e Inglaterra, a partir dos anos oitenta, houve uma grande introdução de computadores nas escolas de ensino fundamental e médio, em meio à acelerada produção de softwares educacionais.

Este fato gerou muitas polêmicas sobre a urgente necessidade de preparação dos profissionais da educação para garantir o sucesso do empreendimento.

No Brasil, a informática foi inserida na Educação a partir do interesse de educadores de algumas universidades, que promoveram experiências na década de setenta, motivados, principalmente, pelo que ocorria nos Estados Unidos e França.

Um projeto específico, porém, só foi implementado após a realização dos 1º e 2º Seminários Nacionais de Informática em Educação, que aconteceram na Universidade de Brasília, em 1981, e na Universidade Federal da Bahia, em 1982.

A principal proposta do Projeto EDUCOM, ligado ao MEC, era de que as políticas a serem implementadas deveriam ser fundamentadas em experiências concretas, desenvolvidas em escolas públicas e no ensino de segundo grau (VALENTE; ALMEIDA, 1997).

Estes projetos, porém, não tiveram o alcance almejado quanto às mudanças pedagógicas previstas e não alteraram o sistema educacional.

De acordo com Valente; Almeida; Penteado Silva (1997), os projetos especificados para a introdução da informática nas escolas, foram úteis no sentido de fomentar discussões acerca da necessidade da formação especial para o professor que iria atuar no seu ensino, além das discussões acerca de como preparar a escola para recepcioná-la.

O Projeto EDUCOM centrou seu trabalho na formação de professores para atuarem no ensino da informática no 1º e 2º graus através de cursos presenciais, visando principalmente, aqueles que nunca haviam tido um contato mais efetivo com a informática.

Para Valente; Almeida (1997), esses cursos não se adequavam à realidade da sala de aula do professor e, por se descontextualizarem, não contribuíam para a construção no local de trabalho do mesmo, de um ambiente favorável à implantação de mudanças educacionais.

A simples aquisição de conhecimentos técnicos e de metodologias para inserção de elementos da informática em sala de aula, não suprem as expectativas e nem preenchem as possibilidades de trabalho que o computador proporciona. São necessárias experiências que contextualizem o conhecimento que o professor constrói.

As inovações tecnológicas atuais, oferecidas pelos computadores, tais como multimídia, comunicação via rede e a gama de softwares disponíveis no mercado, exigem que esses cursos de formação sejam mais profundos, permitindo ao professor entender e discernir entre as inúmeras oportunidades de utilização que se apresentam.

Desde o início de sua formação, é altamente recomendável que o professor se familiarize à utilização do computador, visando seu auto-aperfeiçoamento e conseqüentemente, instrumentando-se à sua posterior missão de educar utilizando-se dessa ferramenta.

Uma formação insuficiente na área, certamente ocasionará inseguranças quanto sua utilização e ainda, poderá tornar infrutífera e malograda as tentativas de implementação de algum projeto neste sentido.

Segundo Silva (1999) a capacitação de professores para uma eficiente utilização da Informática sempre foi uma das metas dos projetos de informatização; importância especial, entretanto, deve ser dada aos professores de Matemática, devido à peculiaridade da mesma em relação às outras disciplinas.

Como essa ferramenta passa por constantes atualizações, é naturalmente necessário que os professores acompanhem tais modificações e incrementos através dos cursos de formação continuada, buscando acompanhar e disseminar esses progressos.

3.3 AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM DA PERSPECTIVA DO PROFESSOR

Como sabemos a educação não é estática e arrematada, ela evolui em consonância às transformações da sociedade, buscando atender às suas constantes inquietações. Nesta vertente, os objetivos são reformulados, as práticas de ensino adaptadas e as formas de garantir assimilação questionadas.

Com especificidade ao ensino da Matemática, muitas transformações estão ocorrendo em oposição à visão tradicional na qual o ensino baseava-se na aquisição de técnicas de cálculo e de saberes peculiares.

Este novo redirecionamento, de acordo com Abrantes (2001), procura estender a todos os alunos a capacidade de se tornarem matematicamente competentes e volta à atenção aos seguintes itens:

(a) à predisposição e aptidão para o aluno raciocinar matematicamente, nomeadamente para explorar situações problemáticas, procurar regularidades, fazer e testar conjecturas;
(b) ao gosto e confiança pessoal em desenvolver atividades intelectuais e
(c) à capacidade para discutir e comunicar descobertas e idéias matemáticas.

Entendemos, na atualidade, que a aprendizagem se efetiva através do estabelecimento de relações que sejam realmente para nós significativa entre aquilo que já sabemos e aquilo que nos inquieta, que pretendemos resolver, descobrir ou adaptar.

A mola propulsora da aprendizagem, desencadea-se a partir da relevância que o problema proposto tenha para cada um dos alunos.

Com referência ao ensino-aprendizagem da matemática, este processo segue uma lógica que não é necessariamente idêntica à comumente utilizada no ensino centrado nos conteúdos matemáticos.

O desafio do professor é criar contextos favoráveis ao envolvimento do aluno em atividades para si significativas.

Para desenvolver a competência matemática dos alunos, muitas das experiências matemáticas a serem trabalhadas, deverão ser situações problemáticas.

Esta perspectiva traz consigo a necessidade de reformulação dos mecanismos avaliativos; de uma avaliação certificativa, que busca verificar os conteúdos assimilados, para a dimensão reguladora, que busca contribuir para a aprendizagem (SANTOS, 2003).

De acordo com o NCTM (2000), “A avaliação não deve apenas ser feita sobre o aluno, mas também ser feita para o aluno, de forma a orientar e aumentar a sua aprendizagem”.

Esta avaliação reguladora permite que se façam os ajustes necessários nos mecanismos de ensino, com a finalidade de que a aprendizagem definitivamente se efetive. A avaliação é parte integrante do currículo e uma roteadora para aprendizagem. É necessário, entretanto, uma prática letiva que respeite a coerência interna curricular, isto é, a necessidade de compatibilizar os processos avaliativos com os objetivos, os conteúdos, e as abordagens metodológicas.

Abrantes (2002, p. 10), afirma haver a necessidade de utilização de uma variedade de modos e instrumentos de avaliação, adequados à diversidade e natureza das aprendizagens.

É desejável que o próprio aluno possa acompanhar e refletir criticamente sobre os seus progressos/retrocessos durante o processo de ensino-aprendizagem, para isso, torna-se necessário que os mecanismos avaliativos sejam acessíveis quanto ao seu nível de compreensão e também transparentes.

De acordo com Jorro (2000), o aluno precisa saber o que se espera dele, compreender quais os critérios de qualidade são esperados num determinado trabalho e ainda, aceitar o erro como um fenômeno natural a todo aquele que aprende.

Na visão tradicional da avaliação, cada aluno em cada momento é comparado com um coletivo.

Um ponto importante a ser considerado no que se refere à avaliação, consiste no fato de que todos os alunos são avaliados ao mesmo tempo e da mesma maneira, sem levar em conta as diferenças individuais e os estágios de desenvolvimento cognitivo de cada um.

Para atender às diversidades, torna-se necessário a diferenciação de procedimentos, de forma a garantir a igualdade de oportunidades. Esta prática implica, por parte do professor, a flexibilização e adaptação de estratégias levadas a cabo de forma fundamentada, feitas a partir do recolhimento de informações que lhe permita interpretar e compreender as situações de ensino e de aprendizagem concernente a cada aluno.

O percurso evolutivo de cada aluno é o componente essencial desse processo. É na comparação dele com ele próprio que é possível compreender seu percurso de aprendizagem.

Na atualidade, as palavras, regulação, auto-regulação, coerência, diversidade, transparência, intencionalidade e eqüidade traduzem enfoques curriculares quando se pensa na avaliação das aprendizagens em Matemática (SANTOS, 2003).

A maioria dos profissionais em exercício reconhece a importância de desenvolverem processos avaliativos que contribuam para a aprendizagem, porém, justificam sua não realização em virtude da diversidade e quantidade de alunos que compõem suas classes.

Essas afirmações deixam transparecer a idéia de que o desenvolvimento da avaliação formativa passa pela realização de instrumentos específicos ou por certo tipo de procedimentos que exigem aulas especialmente dedicadas a esse fim, e ainda, que a diferenciação não é possível de ser realizada, uma vez que, ensina-se a todos como se de um só se tratasse.

Em vista dessas resistências, devemos analisar se no dia-a-dia a implantação da avaliação formativa mostra-se grandemente diferenciada quantos aos modelos já estabelecidos extingüindo-se qualquer possibilidade de sua aplicação. É necessário refletir sobre o que a diferencia da avaliação tradicional

Por se tratar de uma avaliação a serviço da aprendizagem, a comunicação deve ser parte fundamental da mesma, pois sua utilização permite que o professor ajude o aluno a regular a sua própria aprendizagem enquanto desenvolve o seu trabalho na sala de aula.

O questionamento é certamente um processo poderoso para a interação professor-aluno e uma forma de levar à prática a avaliação formativa.

Stenmark (1989) declara que a formulação de questões pertinentes que despertem a reflexão crítica dos alunos, deve constituir-se numa preocupação constante por parte dos educadores.

A formulação das perguntas a serem realizadas pelo professor, em hipótese alguma pode ser aleatória e impulsiva, antes, devem passar por um rígido crivo. Em primeiro lugar, devem ser recolhidas informações que permitam ao professor avançar com uma explicação sobre a situação que no momento o aluno está a viver e que forneçam subsídios para uma progressão dos conteúdos a serem desenvolvidos.

Estas situações exigem uma desenvoltura estruturada de trabalho por parte do professor, visto que, mesmo que programadas, nunca ocorrerão de maneira idêntica à prevista, sendo necessárias constantes adequações ou mesmo alterações drásticas quanto aos rumos que se deve enveredar. Tudo isto terá de ser feito, sobre o momento, no desenvolvimento da ação.

O professor deve atentar para a armadilha da colocação de perguntas fechadas, que podem levar o aluno a desenvolver estratégias para descobrir as respostas sem com isso aumentar a sua compreensão.

O ideal seria a formulação de perguntas abertas, que não só pode evitar essa situação, como ainda poderão contribuir para uma compreensão mais profunda por parte do aluno do que está a fazer.

Alguns exemplos desses tipos de formulações seriam: “O que fizeste”; “Porque tomaste esta opção?”; “Porque pensaste assim?”; “De onde te surgiu esta idéia?”; “Se quisesses convencer alguém de que isto é verdade, o que dirias?”.

Essa forma de reflexão mais profunda, busca interiorizar no aluno a rotina do auto-questionamento, que contribuirá para um pleno desenvolvimento de sua capacidade inquiridora, argumentativa e reflexiva, que é o fim maior que se deseja alcançar.

Estas mudanças referentes aos questionamentos, devem trazer embutida a aceitação do “erro” como fator aceitável e até desejável no processo de construção do conhecimento, uma vez que a “testagem” das alternativas por parte do aluno, consiste num trabalho exploratório altamente significativo.

Estando seguro desta aceitação, o aluno passará a arriscar mais visto que não se sentirá envergonhado, humilhado ou desvalorizado diante de suas tentativas por vezes frustradas, mas antes, as conceberá como algo que é natural acontecer a todo aquele que percorre caminhos de aprendizagem.

Este novo reposicionamento do mesmo, o ajudará a expor-se, a partilhar dificuldades e, deste modo, proporcionar situações onde o professor ou os seus pares poderão intervir para uma regulação da aprendizagem para o sucesso.

Pinto (2003) afirma não haver necessidades de grandes alterações técnicas para a efetivação de uma avaliação a serviço da aprendizagem, sendo somente necessário pequenos ajustes, marcados pela intencionalidade de criar momentos significativos de aprendizagem onde o aluno possa desenvolver um raciocínio crítico daquilo que fez e porque o fez.

Uma aplicação deliberada e metódica da avaliação certificativa, certamente deve ser analisada quanto às suas limitações interpretativas, pois traduz um juízo de síntese sobre o trabalho desenvolvido num certo período de tempo, onde o professor procura determinar de forma precisa e rigorosa o nível de aprendizagem do aluno e o aluno procura valorizar tanto quanto possível aquilo que já é capaz de fazer.

Já na avaliação formativa, o foco principal é o de contribuir para melhorar, quer o ensino, quer a aprendizagem.

Nela, o trabalho do aluno é interpretado e apreciado, sendo o resultado dessa análise utilizada para melhorar as suas próprias competências (GIPPS, 1999).

Para Perrenoud (2001), trata-se duma relação de ajuda, num contrato de confiança, num trabalho cooperativo.

O mesmo autor questiona se há realmente a necessidade de uma divisão tão estanque entre as duas avaliações, na medida em que sugere um trabalho no qual professores e alunos façam uma atividade conjunta, com divisão das responsabilidades.

Temos como exemplo da união das duas avaliações o trabalho realizado pelo Projeto Hewet (DELANGE, 1987), experimentado pela primeira vez em Portugal pelo Projeto Mat789 (ABRANTES et al., 1997) que consiste num teste de duas fases.

Na primeira etapa, o teste é apresentado ao aluno na sala de aula e realizado em tempo limitado, onde o mesmo pode trabalhar as perguntas que entender, sendo, porém estimulado a exploração de todas elas.

Para sua realização, é permitida a consulta ao caderno diário, do manual escolar, ou de outro material que o aluno queira levar consigo. Após esta fase, o professor leva os testes para casa e registra os comentários pertinentes para si e para o aluno.

Os trabalhos são posteriormente devolvidos e então é marcada junto com os alunos a data da realização da segunda etapa, que consiste na reformulação por parte do aluno, das questões que o mesmo desejar trabalhar, visando seu aperfeiçoamento. Deve ser esclarecido ao aluno que a comparação da primeira com a segunda produção tem importância significativa para a avaliação.

Este procedimento implica naturalmente que nele sejam incluídas tarefas exploratórias e/ou de investigação, pois, permite que, qualquer que tenha sido o grau de desenvolvimento da resposta dada na primeira fase, o aluno tenha possibilidade de aprofundar e desenvolver na segunda etapa.

Podemos citar como exemplo: “Aprendeste já três métodos para determinar o máximo divisor comum (mdc) de dois números. Em anos anteriores, sabias calcular o mdc de dois números a partir dos respectivos conjuntos de divisores.

Aprendeste também a utilizar a decomposição em fatores primos dos números para o cálculo do seu mdc.

No texto de apoio sobre números naturais, está explicado um outro método, o algoritmo de Euclides. Procura agora responder à seguinte questão: em que casos te parece mais indicado usar um ou outro destes métodos?

Faz as experiências que te pareçam necessárias para formares uma opinião e apresenta-as conjuntamente com a tua resposta” (ABRANTES et al., 1997).

Para a eficácia do procedimento, é fator primordial a realização dos comentários do professor ao final da primeira etapa do teste, pois a mesma servirá de guia para o aluno na busca por elementos elucidadores da questão.

Esses comentários devem ser realizados de forma cuidadosa pelo professor e devem ser extremante auto-críticos sobre o seu dizer avaliativo, permitindo uma auto-avaliação por parte do aluno.

Comentário fechados, do tipo: “Estudaste pouco”; “Tomaste pouca atenção”; “A linguagem é confusa”; “O trabalho está demasiado longo” ou “Precisas de estudar mais”, não esclarecem para o aluno seus efetivos erros ou equívocos e nem ainda sinalizam um caminho a ser reiniciado na segunda fase.

Os dois primeiros exemplos apontam para inferências do professor, que na verdade, podem ser infundadas, além de levantar questões de ordem ética, pois, como saberá o professor que o aluno estudou pouco? Pode ser que o mesmo não saiba como realizar um estudo satisfatório, mesmo que depreenda tempo considerável na sua tentativa. O comentário “Tomaste pouca atenção”, pode ser altamente frustrante para um aluno que tenha investido todos os seus esforços na tentativa de resolução das questões; e, no exemplo quanto à linguagem ser confusa e o trabalho longo, devem ser dados aos alunos, elementos que permitam elucidar o que é essencial e o que é acessório, propiciando um trabalho menos extenso e mais direcionado.

É desejável que os comentários sejam realizados na forma de diálogo, que incentivem à reflexão, dêem pistas de como prosseguir, questionem e assinalem os pontos fortes do trabalho.

Temos como exemplos os seguintes comentários: “Experimenta para… O que podes concluir?”; “Vai ao teu livro na página… e confirma o que afirmas” ou “Para organizares as tuas experiências utilizaste uma tabela. É uma excelente estratégia para situações deste tipo”.

O exemplo abaixo procura demonstrar alguns comentários julgados pertinentes:

“Procura descobrir relações entre os números a seguir:
0 1 2 3
4 5 6 7
8 9 10 11
12 13 14 15
16 17 18 19

Registra as conclusões que fores chegando. (MATEMÁTICA para Todos, 1998). Os números que se encontram entre dois números primos gêmeos serão sempre múltiplos de 6? Como me poderás convencer disso? Procura encontrar as propriedades que verificam cada um destes conjuntos de 3 números inteiros consecutivos.”

Ao final das duas fases, deverá haver uma classificação (avaliação somativa), sendo necessário fazer alguma adaptação à escala que será utilizada para tal, concernente a este tipo de avaliação por fases, especificamente.

Uma escala de classificação analítica, que segue uma lógica de decomposição em partes da resolução, não parece ser a mais adequada devido ao caráter aberto das questões aplicadas, pois, as tarefas de exploração e de investigação podem ser direcionadas a vários sentidos, não se podendo, portanto, falar de resposta certa. Assim, uma classificação que olhe para a resolução do aluno numa perspectiva mais global parece ser mais ajustada.

Sugere-se uma possível escala de classificação:

Escala de classificação holística

0 – Não respondeu

1 – Tentou, mas a estratégia não é adequada;
2 – Começou por esboçar uma estratégia, mas não a desenvolveu;
3 – Estabeleceu uma estratégia adequada e desenvolveu-a satisfatoriamente;
4 – Estabeleceu uma estratégia adequada e apresentou um nível elevado de desenvolvimento (LEAL, 1992).

Questão colocada:

Dois números primos dizem-se “gêmeos” se são números ímpares consecutivos. Por exemplo, 5 e 7 são números primos gêmeos.

Que se poderá afirmar sobre o número que fica entre dois primos gêmeos maiores que 3? Faz as experiências que achares necessárias e explica a tua resposta.

Resposta dada por uma aluna de 12 anos na primeira fase:

Exemplos: 5 e 7, 11 e 13, 17 e 19. O número que fica entre eles é o 6, depois o 12, depois o 18. Estes números são múltiplos de 6 (PROJETO Mat789)

A classificação final do teste em duas fases deve ser o resultado da classificação obtida na primeira fase, da segunda fase e ainda da evolução apresentada entre uma e outra fase.

Esse esclarecimento deve ser dado ao aluno para que o mesmo esteja consciente de que, independentemente do nível de qualidade da primeira fase, ele terá de investir e continuar a trabalhar na segunda fase para que a sua evolução seja positiva.

Alguns alunos quando passam pela primeira vez por este tipo de avaliação, mostram alguma resistência, pois não apreciam a tarefa de mera correção dos testes e não conseguem enxergar que dessa correção possa advir algum benefício para si.

De acordo com Leal (1992), a compreensão dos benefícios reais poderá ocorrer após uma primeira experiência vivida pelos alunos.

Os testes em duas fases trazem diversas implicações para o professor: em primeiro lugar, exige uma prática letiva diária coerente, que habitue o aluno ao exercício de reflexão e experimentação, pois não faz qualquer sentido que as experiências de aprendizagem vividas pelo aluno na sala de aula sejam exercícios rotineiros, de repetição, consolidação de técnicas, e de aplicação direta de conhecimentos e apenas nestes momentos lhes sejam propostos outros tipos de experiências de aprendizagem.

Em segundo lugar, o professor deve ter em mente que para a realização deste tipo de avaliação, há a necessidade de consulta a outros materiais, além dos manuais escolares.

Um terceiro ponto consiste na adaptação do professor à aplicação de escalas de classificação como conceito de avaliação, que não é de praxe e com a qual está pouco habituado e ainda, o reconhecimento de que o tempo que ocupa na classificação das duas fases e nos comentários à primeira fase vai muito além do tempo disponibilizado em dois testes tradicionais.

Estas observações não devem ser encaradas como desanimadoras, mas antes, constituir-se de elemento desafiador para o professor nas muitas tentativas de busca de aperfeiçoamento do processo de ensino-aprendizagem da matemática.

Leal (1992, p. 256 – 258) relata a experiência positiva de uma professora que trabalhou durante dois anos consecutivos com este tipo de avaliação, onde a mesma declara que: “Avaliar e verificar como o aluno consegue dar um salto qualitativo da 1ª para a 2ª fase é o mais importante”; e ainda, a experiência de alunos que foram submetidos à técnica: “Fazer desta maneira os testes de Matemática é uma outra maneira de aprendermos”.

A fase mais importante da avaliação está centrada na segunda parte, onde os alunos têm a possibilidade de corrigir os erros efetuados na primeira. Ao realizar esta correção, as pessoas estão a aprender, estão a trabalhar para que no futuro esses erros não se repitam.

De acordo com Martins et al. (2003, p. 47) a segunda fase é importante porque nos permitem refletir sobre o que erramos ou não fizemos.

3.4 A RELAÇÃO PROFESSOR-ALUNO NO SÉCULO XXI

A relação professor-aluno no século XXI encontra-se bastante conturbada.

Antigamente, ser professor era sinônimo de sabedoria, respeito e autoridade.

Devido às transformações sociais já ocorridas e também em decorrência das atuais, onde a degeneração moral e ética tenta predominar, as relações humanas em geral estão perdendo seu caráter de fraternidade e solidariedade (salvo algumas exceções), abalando todas as instâncias da sociedade e também, sem dúvida, as relações de poder/autoridade dos profissionais da educação.

De acordo com Paulo Freire, as empresas estão se tornando cada vez mais escolas e as escolas, cada vez mais empresas.

Nos estabelecimentos particulares com especialidade, a visão mercantil de muitos alunos foca o professor como mais um de “seus funcionários”, o que os tornam seus legítimos “patrões”.

Diante desse quadro, o aluno é quem manda, que diz se gostou ou não de tal professor, intervindo como um diretor paralelo, ocorrendo casos até de eliminação de alguns professores da grade docente de determinadas escolas, sobretudo nas da rede particular de ensino.

É preciso haver uma nova reestruturação do magistério, com intenso movimento de valorização e conscientização social sobre o papel e a importância do professor na construção de uma nação soberana, justa e desenvolvida.

Sem dúvida, estabelecer um clima de liberdade, paz, harmonia, respeito, troca de experiências, que seja ao mesmo tempo produtivo em sala de aula, é uma tarefa difícil e dependendo da realidade, até utópica, em virtude dos inúmeros fatores da nossa realidade escolar e social que a impedem, como por exemplo, classes superlotadas, falta de materiais pedagógicos, stress dos alunos e do professor diante de seus problemas pessoais e muitos outros.

Nas relações humanas, professor-aluno, como nas demais relações humanas na sociedade, poucos professores se deixam envolver afetivamente com os alunos. Alguns, por medo, ignorância ou arrogância, não conseguem manter um bom relacionamento, colocando em prática somente a pedagogia tradicional na qual o aluno é visto como uma ‘tábula rasa’, onde devem ser depositados os conhecimentos ministrados pelo professor.

Nesse relacionamento unilateral, não há trocas, não há críticas, não há crescimento. Há somente platéia, ouvintes, fã-clube.

Obviamente o aluno crítico e reflexivo que pretendemos formar não pode advir de um modelo como este.

O professor, do século XXI, deve posicionar-se como um facilitador do processo de aprendizagem, sendo como um amigo que auxilia o sujeito a conhecer o mundo e seus problemas, seus fatos, suas injustiças e suas solidariedades, de forma que o aluno possa caminhar com liberdade de expressão e, conseqüentemente, de ação.

Devem ser incutidos nos alunos os preceitos básicos da boa educação como, o respeito aos mais velhos, a humildade, o zelo pelos patrimônios materiais comuns que compartilha na escola, a solidariedade, etc.

O professor atual é aquele que ensina o aluno a aprender e a ensinar a outrem o que aprendeu de forma não egoísta. O aluno deve ser instruído ativamente, onde o mesmo seja o sujeito da ação, e não sujeito–paciente.

Sintetizando, é desejável que o professor como formador, desenvolva em si as qualificações de ser: autodidata, integrador, comunicador, questionador, criativo, colaborador, eficiente, flexível, gerador de conhecimento, difusor de informação e comprometido com as constantes mudanças de nosso tempo, para que possa transmitir e desenvolver essas mesmas habilidades nos seus alunos.

De acordo com Rego (2001), os postulados de Vygotsky delineiam a premente necessidade de transformação da escola como há conhecemos. No novo modelo almejado, todos poderiam dialogar, duvidar, discutir, questionar e compartilhar os saberes, além de fomentar espaço para transformações, para as diferenças, para o erro, para as contradições, para a colaboração mútua e para a criatividade.

Neste modelo de escola, professores e alunos poderiam refletir sobre o seu próprio processo de construção de conhecimentos e ter acesso a novas informações. Nela, os conhecimentos sistematizados não seriam tratados de forma dogmática e esvaziados de significado.

Um dos grandes desafios dos professores da atualidade é a missão de ensinar a aprender sempre.

De acordo com Demo (1994), aprender a aprender é fundamental, pois seu oposto traduz-se na mera cópia ou imitação. Os saberes obtidos de forma mecânica dá origem apenas aos ‘treinados’, aqueles capazes de perfazerem a tarefa proposta como cópia perfeita da matriz original, seguindo o modelo do reflexo condicionado de Skinner.

De acordo com Depresbiteris (1999), aprender é modificar comportamentos.

Uma outra definição reza que aprender é resolver problemas, é apropriar-se de respostas. Para estes, a inteligência não é um dom nem um acúmulo de saberes; a mesma se constrói no decorrer de um longo processo.

A inteligência neste aspecto é o resultado de uma construção progressiva, mas não estritamente cumulativa e que pode ser desenvolvida desde que se utilizem ferramentas apropriadas para construí-la e solidificá-la.

A aprendizagem eficaz, sem dúvida se processa através do real envolvimento entre o sujeito e o problema conflitante que busca solucionar. Para que isso ocorra de forma satisfatória, o problema deve ser potencialmente estimulante, intrigante e desafiador para o aluno.

A descoberta obtida permite então uma solução original pela própria pessoa que aprende. Nesta perspectiva, aprender é agir na direção de construir respostas para problemas, suplantar os conflitos cognitivos em um ambiente estimulador, tendo direito ao erro, descobrir fatores invariáveis e variáveis e se apropriar de raciocínios.

O professor consciente, que busque promover aprendizagens significativas, deve ter bem esclarecido os conceitos sobre a diferença entre educação, ensino, instrução e treinamento.

O mundo globalizado atual acelerou o nível de competição entre todos, os avanços tecnológicos e das ciências são inegáveis e, mesmo que sejam várias as críticas e polêmicas relativas a esse respeito, a educação não pode fechar os olhos a tais avanços, antes deve aproveitar os benefícios que deles possam advir.

A educação não está confinada ao ambiente escolar, ela acontece nos mais diversos ambientes, em casa, na escola, na rua, na igreja, etc. Os meios então são infindáveis, devendo-se dar atenção especial aos atuais meios multimídia.

Dependendo do lugar e de como ocorre, ela pode ser formal ou informal. Formal quando acontece de forma sistematiza e num local pré-estabelecido para isso e informal, quando ocorre de forma espontânea e não sistematizada.

Ao falar que fulano não tem educação, porque entrou em sala de aula – após o início da mesma – sem pedir licença à professora, refere-se à educação dos pais, à educação informal.

Quando se procura um emprego, sem a devida habilitação necessária, diz-se que não tem a educação necessária, a educação formal.

Na visão de Durkhüeim (1972) a educação é uma ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações mais novas que ainda não se encontram preparadas para a vida social. O objetivo da mesma é instrumentá-las com certo número de estados físicos, intelectuais e morais, para que se ajustem à sociedade política, no seu conjunto, e ao meio especial ao qual se destina.

Essa definição é bastante estática e até opressiva, uma vez que não vislumbra e nem permite à criança em formação, qualquer expectativa quanto a qualquer possível mudança na estrutura política e social na qual se insere. Ao novo ser em formação cabe somente ser moldado para encaixar-se num local já pré-estabelecido.

Há diversos posicionamentos quanto o ideal de educação satisfatório, alguns teóricos defendem a idéia de que a educação deve ser individualizada, outros, defendem a tese da educação comunitária, uma vez que o destino do homem é viver em sociedade.

Uma outra linha de pensamento concebe que a educação seja socializante, onde o homem integra-se à comunidade de forma ativa e participativa, preservando assim tanto os seus interesses como os de sua comunidade. Essa concepção busca atender igualmente aos interesses do indivíduo e da comunidade.

Segundo Nérici (1993), a educação visa revelar e desenvolver as potencialidades do indivíduo, para que possa atuar de maneira consciente, eficiente e responsável no meio em que vive, a fim de serem atendidas as necessidades e aspirações da criatura humana, de natureza pessoal, social e transcendental.

Com referência à definição de ensino, para Nérici (1993), esse é entendido como conseqüência da educação, como processo que visa modificar o comportamento do indivíduo por intermédio da aprendizagem. Seu propósito consiste na efetivação das intenções ditadas no conceito de educação.

Quanto aos avanços tecnológicos e com especificidade ao computador, o papel do professor consiste principalmente em orientar o aluno quanto sua utilização racional e crítica, uma vez que nem tudo que existe na rede é de qualidade e nem tudo tem relevância educacional.

O número de informações que circula é exorbitante, porém, nem tudo o que se lê pode transformar-se em conhecimento, pois na rede também se pode treinar e ser treinado. Uma instrução só será efetiva se quem as manusear tiver arraigado os conceitos de crítica e autonomia, caso contrário haverá apenas um enorme número de informações desconexas que nada podem acrescentar ao repertório de quem as utiliza.

CONCLUSÃO

Para a formação adequada do professor de matemática que o mundo atual vem exigindo, além de conhecimentos específicos de matemática, o mesmo deve ser instrumentado com uma gama de conhecimentos adicionais que visem complementar sua formação como professor formador integral dos alunos que estão sob sua responsabilidade.

Além dos conhecimentos em Educação Matemática, o professor deve possuir noções de Pedagogia, Psicologia, Antropologia, Filosofia, Sociologia, Informática, História e até de Linguagem, entre outras.

Todo esse suporte visa possibilitar a prática de um processo de ensino-aprendizagem de matemática contextualizado, acessível ao nível do aluno com o qual se trabalha, de aplicação útil na sua vida prática, de construção conjunta aos seus semelhantes em oposição ao egoísmo e permeado pela reflexão crítica constante.

Desse modo, a educação matemática deve ter sempre uma função humanitária e progressista visando à construção de um cidadão crítico, autônomo e seguro de seu espaço nesta sociedade, apto a transformá-la, quando conveniente a todos, a fim de que possa reivindicar os seus direitos com a responsabilidade de seus deveres.

Todos esses ideais constituem os objetivos a serem alcançados pelo professor de matemática na trajetória de sua carreira profissional; por outro lado, sabemos que a realidade na qual estamos inseridos mostra-se muitas vezes distante desse modelo.

É grande o desafio na atualidade daqueles que almejam se tornar um educador, sobretudo os que se enveredam para o campo da matemática.

O ensino da Matemática nas escolas sempre foi considerado problemático, e às vezes até traumático para alguns alunos.

A maioria de seus conteúdos são ministrados de forma aleatória e mecânica, exigindo dos alunos apenas que decorem um sem número de regras, teorias e definições abstratas.

Os processos avaliativos, que deveriam constituir-se de elemento redirecionador para a efetivação da aprendizagem, limita-se à “certificação” dos conteúdos ‘assimilados’.

A própria formação do professor deixa muito a desejar quanto ao perfil de profissional que se almeja preparar. Geralmente, os conteúdos nos cursos de Licenciatura são ministrados na forma de exposição e leitura e as Práticas de Ensino e de Estágio, são realizadas somente na última etapa do mesmo.

Para que o professor compreenda os processos mentais que seus alunos utilizam para a elaboração do conhecimento, ele mesmo deveria passar por experiências semelhantes no decorrer de todo seu processo de formação, além de permear todo seu trabalho sob a pesquisa.

A carreira do magistério tem sofrido desvalorizações constantes por parte do poder público e da sociedade.

Do status que o professor possuía no passado, nada sobrou, e muitos que ainda estão em exercício, o fazem por falta de melhores oportunidades profissionais, sendo que, muitas empresas já estão absorvendo esse profissional no seu quadro de funcionários.

Quanto às relações humanas em sala de aula, toda essa desvalorização nela se reflete, uma vez que, poucos são os professores que conseguem estabelecer uma relação recíproca de afetividade com seus alunos. Muitas das vezes, o que notamos são relações onde predominam a indiferença ou a insolência.

Esse quadro triste não deve servir como desalento, antes, deve constituir-se de estímulo para aqueles que desejem arregaçar as mangas e lutar pelo compromisso de fazer do ensino da matemática uma ciência integrada às atividades humanas, de forma prazerosa, crítica, reflexiva e como instrumental privilegiado e potente para a compreensão e transformação do mundo no qual vivemos, em oposição à visão tradicional que encerra a matemática numa ciência feita de abstrações.

Este trabalho poderá ser um incentivo para todos os educadores que se utilizam da matemática para a formação integral do ser humano, no sentido de despertar-lhes quanto à necessidade constante de estarem se aperfeiçoando, seja através da Formação Continuada e/ou das demais oportunidades que forem surgindo no decorrer de sua vida profissional.

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Nutrição e Imagem Corporal do Adolescente

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1. INTRODUÇÃO

O tema do trabalho em pauta intitula-se por “Nutrição e imagem corporal do adolescente”.

Os motivos que justificam a elaboração desse trabalho são: chamar atenção aos profissionais envolvidos no processo nutricional do adolescente que percebam que essa atenção à nutrição é fundamental devido ao risco de maus hábitos e desenvolvimento de transtornos alimentares muitos comuns nessa fase.

O controle de peso pode ser necessário para se obter um parâmetro mais objetivo dos adolescentes com alterações no padrão alimentar, pois a adolescência constitui período onde a preocupação com a beleza e estética corporal são fatores importantes para sua auto-estima.

Um dos aspectos fundamentais do processo de alimentação é a nutrição, a qual envolve qualidade e quantidade de alimento. As habilidades cognitivas têm bastante influência sobre a nutrição, especialmente com o adolescente, onde as orientações relacionadas com a alimentação se não forem aceitas ou compreendidas, os adolescentes, principalmente os que têm algum tipo de distúrbio com origem emocional correm o risco de desnutrição e obesidade, decorrentes de transtornos alimentares, onde dependendo do estágio de tais patologias podem levar o indivíduo à morte.

Considerando-se o impacto do comportamento alimentar na saúde, verifica-se a necessidade do desenvolvimento de estratégias de intervenção nutricional de sucesso para a adoção de práticas alimentares saudáveis; por isso torna-se necessário a identificação dos diferentes estágios de mudança de comportamento alimentar do adolescente, para que possibilite a formulação e aplicação de programas de educação nutricional específicos, de modo a promover maior estímulo e motivação para a mudanças de práticas alimentares inadequadas e propiciar uma qualidade de vida adequada em longo prazo.

Finalmente, as contribuições para a compreensão, intervenção ou solução que o trabalho apresenta são: despertar aos profissionais da área de nutrição para a realização de uma pesquisa de campo, a qual depois de concluída poderá ter utilidades fundamentais para o curso, para a disciplina como também para o próprio aluno, referente à nutrição do adolescente relacionada à sua imagem corporal.

2. OBJETIVOS

2.1 Objetivo geral

Relacionar a imagem corporal com o comportamento alimentar na adolescência.

2.2 Objetivos específicos

– Caracterizar o período da adolescência.
– Relacionar o corpo físico e a imagem corporal do adolescente.
– Citar as práticas alimentares do adolescente.
– Explicar a representação corporal e o risco de transtornos alimentares.
– Relacionar o estado nutricional e a autopercepção de imagem corporal.
– Caracterizar a nutrição do adolescente na escola como atividade educativa.

3. METODOLOGIA

Na elaboração desse trabalho que abordou a relação da imagem corporal e nutrição em adolescentes, utilizou-se o método de procedimento monográfico, constitui-se de estudo sobre um tema específico ou particular de suficiente valor representativo e que obedece a rigorosa metodologia.

A técnica de pesquisa utilizada para a coleta de dados foi a leitura em livros, revistas e artigos em sites de caráter científico, cujo tipo de dados foi o secundário, onde a revisão literária já se encontra disponível, já foi objeto de estudo e análise.

4. REVISÃO DA LITERATURA

4.1 Caracterização do período da adolescência

A adolescência é um período de transição entre a infância e a vida adulta, que se caracteriza pelas intensas mudanças que são partes de um processo contínuo e dinâmico. (GODOY et al., 2006).

A adolescência corresponde a um estágio de vida no qual ocorrem complexas transformações somáticas, psicológicas e sociais no indivíduo. Crescer e se alimentar implicam no estabelecimento de relações, na realização de escolhas, na identificação com valores sociais e padrões estabelecidos, na adoção de diversos hábitos, horários e estilos de vida (ANJOS et al., 2003).

A maneira como se passa pela adolescência interfere significativamente na vida adulta, podendo, conforme o indivíduo, superar certas limitações, mas com bastante dificuldades. O período do adolescer é uma fase de descobertas e de início da aquisição da independência, sendo necessário o estabelecimento de limites, por parte dos pais, para que os mesmos aprendam o que é certo ou errado e formem uma personalidade saudável (MELO, 2006)

Gowers e Shore (2001) abordam que a adolescência é vista como o estágio de grande risco para o desenvolvimento dos transtornos alimentares devido à convergência de mudanças físicas e psicológicas que ocorrem neste período; estes transtornos estão aumentando entre as crianças em idade escolar, especialmente nas meninas, e tem se mostrado associado com baixa auto-estima corporal.

Portanto, a adolescência é definida através de diversos critérios além do cronológico, como mudanças nos aspectos sociais, mudanças psicológicas e combinação de outros critérios de personalidade. É um momento em que o indivíduo precisa aprender a ser independente dos pais ou outros adultos e estabelecer relações sociais mais maduras com os pares de ambos os sexos. (SCHOEN-FERREIRA, 2002).

O jovem busca formar a sua identidade, explorando os valores e as oportunidades de sua cultura. Na adolescência o indivíduo necessita de apoio solidário ao se defrontar com as situações ligadas ao seu crescimento e desenvolvimento (SILVA et al., 2004.).

A puberdade tem um aspecto biológico e universal, caracterizado pelas modificações visíveis, como por exemplo, o crescimento de pêlos pubianos, auxiliares ou torácicos, o aumento da massa corporal, desenvolvimento das mamas, evolução do pênis, menstruação, etc. Estas mudanças físicas costumam caracterizar a puberdade, que neste caso seria um ato biológico ou da natureza (BALLONE, 2003).

Ainda conforme Ballone (2003) a adolescência, por sua vez, é uma atitude cultural. A Adolescência é uma atitude ou postura do ser humano durante uma fase de seu desenvolvimento, que deve refletir as expectativas da sociedade sobre as características deste grupo. A adolescência, portanto, é um papel social. E esse papel social de adolescente, parece sempre ter sido simultâneo à puberdade.

Em suma, a adolescência pode ser definida como uma fase de transição entre a infância e a idade adulta, compreendendo a faixa cronológica entre 10 e 20 anos; sendo caracterizada por profundas transformações biológicas e psico-sociais que envolvem intenso crescimento e desenvolvimento.

4.2 O corpo e a imagem corporal do adolescente

O conhecimento do corpo resulta de um esforço contínuo. O desenvolvimento guia-se pela experiência, erro e acerto, esforço e tentativa. Só desta forma pode-se atingir o conhecimento organizado do corpo, sendo que o modelo postural do corpo está em perpétua autoconstrução e autodestruição interna. Vive em contínua diferenciação e integração.

Durante a adolescência, o indivíduo passa a ter dificuldade de entender e lidar com o seu novo universo físico e mental. À medida que o corpo adquire nova configuração, a imagem mental que o adolescente tem de si mesmo se modifica. Ele terá de readaptar sua imagem corporal, juntamente com sua imagem global e seu papel na sociedade (FLEITLICH, 1997).

Além de todos os conflitos naturais desta fase, há uma pressão cultural em direção à magreza, estigmatizando a obesidade, que predispõe o adolescente às atitudes alimentares anormais. Geralmente neste processo, meninos e meninas tornam-se excessivamente preocupados com o seu tamanho e aparência física (MALONEY,1998).

Em alguns casos, este processo pode se tornar patológico, manifestando-se sob a forma de transtornos psiquiátricos, como a anorexia nervosa e a bulimia nervosa. Estudos têm mostrado uma alta prevalência de insatisfação em relação ao peso e forma corporal (MIDDLEEMAN et al., 1998).

A imagem corporal pode ser entendida pela imagem do corpo formada na mente do indivíduo; ou seja, o modo como o corpo apresenta-se para o indivíduo, envolvido pelas sensações e experiências imediatas (SCHILDER, 1981).

Para se compreender a imagem corporal, deve-se abordar a questão psicológica central da relação entre as impressões dos sentidos, dos movimentos e da motilidade geral do indivíduo. Ao se perceber ou imaginar um objeto, ou quando se constrói a imagem de um objeto, o indivíduo não age meramente como um aparelho perceptivo, pois existe sempre uma personalidade que experimenta a percepção (SCHILDER, 1981).

Erthal (1991) define imagem corporal como um retrato do corpo formado na mente, sendo o esquema corporal expandido para além do próprio corpo, uma vez que as roupas, os objetos, vinculados ao corpo aquilo que se origina ou emana dele também passam a fazer parte dessa imagem criada.

Cash (1995) estudou a relação das críticas ocorridas na infância e adolescência sobre a imagem corporal em 11 adolescentes e jovens adultas entre 18 e 39 anos, sendo examinadas suas experiências pregressas, verificou-se que aquelas que informaram maior incidência de críticas e de experiências angustiantes, apresentaram maior insatisfação e distúrbios da imagem corporal. A influência negativa de maior ressonância relacionou-se à figura de amigos e membros familiares, especialmente irmãos.

Uma pesquisa desenvolvida por Richard et al. (1990) com 284 adolescentes de ambos os sexos, em duas comunidades de classe média e médio-alta nos Estados Unidos, por meio de entrevistas individuais com aplicação de escalas, mostrou maior satisfação dos meninos com o peso e imagem corporal positiva em relação ao grupo feminino. As meninas revelaram baixa satisfação corporal com o peso e pobre imagem corporal, percebendo-se maiores do que gostariam de ser.

Fowler (1989), estudando a relação da imagem e peso corporal de adolescentes norte-americanas, de 13 e 17 anos de idade, por meio de questionários e medidas de peso corporal, constatou que o peso corporal interfere na formação e distorção da imagem corporal. As adolescentes obesas mostraram-se mais conscientes de seu peso corporal, no entanto com baixa auto-estima e percepção distorcida de imagem corporal, sendo mais suscetíveis ao desenvolvimento de comportamento alimentar extravagante.

Numa pesquisa comparativa de imagem corporal entre adolescentes da Finlândia, Estados unidos e Alemanha, envolvendo 1186 jovens entre 12 e 19 anos, constatou-se que, independente do país, os adolescentes apresentavam atitudes semelhantes no controle de impulsos, imagem corporal, atitudes sexuais e relação familiar. Apesar das diferenças culturais e padrões de valores, observou-se semelhanças na conduta comportamental (ERKOLAHTI et al., 1992).

Cash e Henry (1995) em investigação nacional envolvendo 803 mulheres norte-americanas constataram insatisfação com o peso corporal em 46% delas, sendo 47% insatisfeitas com o tórax e 51% com o abdome.

Braggion et al. (2000) pesquisaram a percepção da aparência corporal de 28 adolescentes entre 14 e 17 anos de idade do sexo feminino, agrupadas de acordo com auto-avaliação da aparência corporal utilizando como critério: “gorda”, “peso normal” e “magra”. O grupo “gorda” apresentou valores maiores, porém significativamente diferente de peso, estatura, IMC e valores de adiposidade quando comparadas aos demais grupos. Concluíram que a percepção da aparência corporal pode influenciar o consumo alimentar e práticas de controle de peso corporal inadequadas, prejudicando a saúde das adolescentes.

Kilpatrick et al. (1999), em um estudo longitudinal com 6500 adolescentes norte-americanas, sendo 52,6% do sexo feminino e 47,4% do sexo masculino, sobre percepção e administração de peso corporal com aplicação de questionário, detectaram que os jovens esforçam-se para administração seu peso, no entanto com pouca consciência de seu peso real. Segundo os autores, apesar dos adolescentes demonstrarem preocupação e atenção com o peso corporal, apresentavam dificuldade em perceber seu peso corporal real, dado que, aproximadamente um terço desses adolescentes, mostraram-se incapazes de classificar-se apropriadamente como magro, normal ou obeso.

O estudo de Moraes (2001) com 316 adolescentes de classe média no município de São Paulo, concluiu que as meninas adolescentes são insatisfeitas com seu corpo, em proporção quase duas vezes maior quando comparado aos meninos, apresentam grande tendência a distorções da imagem corporal, superestimando a dimensão de seu corpo e realizam dietas restritivas independentemente da necessidade real.

A ocorrência dos distúrbios alimentares pode variar conforme as crenças culturais de cada população (SAMPEI et al., 2002).

A adolescência tem sido considerada como uma fase de risco para o desencadeamento de transtornos alimentares. Estudos têm confirmado que os problemas alimentares e a preocupação com imagem corporal emergem em respostas às mudanças que ocorrem na puberdade (FIELD et al., 1999).

4.3 Práticas alimentares do adolescente

Os hábitos alimentares exercem grande influência sobre o crescimento, desenvolvimento e saúde em geral dos indivíduos, principalmente na adolescência (NEUTZLING et al., 2007).

A mudança dos hábitos alimentares das pessoas, principalmente dos adolescentes brasileiros, é preocupante, por trazer conseqüências desagradáveis

(HANLEY et al., 2000).

Os adolescentes priorizam e tendem a viver o momento, não se preocupando com as conseqüências de seus hábitos alimentares em longo prazo (PRIORE; VIEIRA, 2001).

No Brasil, tem sido detectada a progressão da transição nutricional, caracterizada pela redução na prevalência dos déficits nutricionais e ocorrência mais expressiva de sobrepeso e obesidade não só na população adulta, mas também em crianças e adolescentes (ANDRADE; PEREIRA; SICHIERI, 2003).

A obesidade está sendo considerada uma doença crônica e epidêmica, pois vem apresentando um rápido aumento nas últimas décadas, além de estar relacionada com uma alta taxa de morbidade e mortalidade. Estudos realizados em algumas cidades brasileiras mostram que o sobrepeso e a obesidade já atingem mais de 20% dos adolescentes. (OLIVEIRA et al., 2004).

Segundo teorias ambientalistas, as causas estão fundamentalmente ligadas às mudanças no estilo de vida e aos hábitos alimentares. Confirmando essas teorias, verifica-se que a obesidade é mais freqüente em regiões mais desenvolvidas do País (Sul e Sudeste), pelas mudanças de hábitos associadas a esse processo (ESCRIVÃO; OLIVEIRA; TADDEI, 2000).

De acordo com Fisberg (2002), os adolescentes preferem não ter trabalho algum para se alimentarem, são normalmente “preguiçosos”, por isso procuram as comidas prontas, congeladas, salgadinhos e sanduíches que normalmente estão prontos para o consumo.

Na adolescência, os aspectos psicossociais não vão influenciar apenas os processos de nutrição, mas também a busca da personalidade, a aceitação do próprio corpo que está se transformando, a identificação com o grupo também o desenvolvimento do pensamento abstrato. Deve-se levar em consideração a independência crescente dos adolescentes, as tarefas diárias e a participação na vida social, que influenciam os hábitos alimentares, mesmo porque freqüentemente os adolescentes são alvos de propagandas, comem rápido e fora de casa, omitem refeições ou as substituem por lanches de composição inadequada, compram e preparam sua própria comida (WAITZBERG, 2000).

As mais recentes pesquisas sobre o consumo alimentar de adolescentes nos Estados Unidos e no Brasil mostram que esse grupo está consumindo dietas com alta quantidade de gordura, aumento na ingestão de cereais e diminuição do consumo de frutas e verduras (KASAPI et al., 2000).

O consumo alimentar tem sido relacionado à obesidade não somente quanto ao volume da ingestão alimentar, como também à composição e qualidade da dieta. Além disso, os padrões alimentares também mudaram, explicando em parte o contínuo aumento da adiposidade nas crianças, como o pouco consumo de frutas, hortaliças e leite, o aumento no consumo de guloseimas (bolachas recheadas, salgadinhos, doces) e refrigerantes, bem como a omissão do café da manhã (ANDRADE; PEREIRA; SICHIERI, 2003).

De acordo com Lemos e Dallacosta (2005) o hábito é a disposição duradoura adquirida pela repetição freqüente de um ano, uso ou costume. Portanto, ao relacionar-se com a alimentação, o hábito alimentar é o que as pessoas freqüentemente costumam comer. A mudança desses hábitos, principalmente dos adolescentes brasileiros é preocupante por trazer conseqüências desagradáveis como as doenças crônico-degenerativas. A adolescência não exerce influências nos processos de nutrição, esse período é manifestado pela quebra de padrões, com rejeição dos hábitos alimentares da família e a imitação dos hábitos do grupo pelo qual deseja ser aceito.

Para promover hábitos alimentares mais saudáveis, e, conseqüentemente, diminuir os índices de obesidade, acredita-se que seja importante que as pessoas tenham conhecimentos de alimentação e nutrição. Porém, estudos não encontraram diferenças significativas entre conhecimentos em nutrição de crianças e adolescentes obesos e eutróficos (LEMOS; DELLACOSTA, 2005).

Tirapegui (2002) aborda que pesquisas que utilizaram educação nutricional como uma das estratégias de intervenção, relataram melhora nos conhecimentos nutricionais, atitudes e comportamento alimentar, influenciando também nos hábitos alimentares da família. Entretanto, o conhecimento parece não ser suficiente para mudar a prática alimentar levando a modificações no IMC.

Os adolescentes também passam a desenvolver novos esquemas alimentares e a convivência com colegas, tende a influenciar no consumo alimentar adotado em casa. Nesse momento, os pais começam a enfrentar grandes obstáculos na educação alimentar de seus filhos. Não menos culpados em criar maus hábitos alimentares, as lanchonetes e cantinas escolares são responsáveis por oferecer em seus estabelecimentos alimentos estritamente calóricos, como salgadinhos, refrigerantes, doces e balas, alimentos ricos em gorduras saturadas, como as frituras e hambúrgueres, deixando de oferecer alimentos saudáveis, como os a base de queijos e saladas, frutas e leite, comprometendo assim, o aporte adequado de vitaminas e minerais (TIRAPEGUI, 2002).

Sabe-se que as práticas alimentares inadequadas são cada vez mais freqüentes nos adolescentes. Atualmente, o padrão alimentar característico do adolescente inclui o consumo excessivo de refrigerantes, açúcares e junk foods, a reduzida ingestão de frutas e hortaliças, a adoção de dietas monótonas ou modismos alimentares, bem como a não realização do café da manhã. Tais desequilíbrios alimentares favorecem a ocorrência de desvios nutricionais, além de uma ingestão insuficiente de micronutrientes (ESCRIVÃO; OLIVEIRA; TADDEI, 2000).

Caldeira (2000) expõe alguns fatores que influenciam a formação dos hábitos alimentares, que são os motivos sociais, os fatores geográficos, os modismos (TV, rádio, revistas, etc.) que vêm influenciando, e muito, o comportamento alimentar de adolescentes e também não se pode desconsiderar os fatores econômicos que fazem com que, em muitos casos, não se tenha opção, mas às vezes, a opção por determinado alimento é que está incorreta.

Muitos adolescentes, apesar de terem um bom conhecimento sobre os princípios de uma alimentação equilibrada, têm atitudes que não correspondem a esse conhecimento: uma grande parte consome regularmente salgadinhos e outros alimentos considerados Junk foods, em desacordo às recomendações nutricionais (FISBERG et al., 2002).

O problema é que apesar dos adolescentes saberem a importância saudável, eles não se preocupam com a prevenção da saúde relacionada com a alimentação, e isso se deve ao senso de invencibilidade e indestrutibilidade dos adolescentes (FISBERG et al., 2002).

4.4 Representação corporal e o comportamento da dieta

Para OPAS/OMS (2000) o perfil nutricional de adolescentes no Brasil e no mundo vem mudando nas últimas décadas, com uma redução na prevalência de desnutrição e elevação de obesidade.

Paralela e paradoxalmente a este quadro de deficiência nutricional existente no mundo e também na realidade brasileira, o excesso de peso vem aumentando, iniciando-se já na infância e adolescência. Essa realidade é bastante acentuada em países como os Estados Unidos, onde pesquisas registram índices de sobrepeso em 11% de meninos e meninas de 6 a 11 anos. As estatísticas norte-americanas são agravadas pela constatação de que a maioria dos adolescentes com sobrepeso no país torna-se obesa aos vinte e cinco anos de idade (CDC/NHS, 2000).

Sabry et al. (2007) comenta que dentre as causas associadas a esta situação, observa-se que enquanto parte significativa dos adolescentes não tem acesso a uma alimentação que garanta as condições mínimas para o crescimento saudável e normal, tantas outras começam a sofrer com doenças relacionadas ao consumo de alimentos industrializados hipercalóricos, contendo quantidades excessivas de gorduras, proteínas, açúcares, etc.

De acordo com Pereira (2002) e Campos; Leite e Almeida (2006) os hábitos alimentares adquiridos durante a infância e adolescência podem influenciar preferências e práticas na idade adulta e, conseqüentemente, também o estado nutricional. Dessa maneira, é importante que se conheça a situação ponderal da população, principalmente na infância e adolescência, pois é nesta fase de vida que as ações de intervenção podem ser efetivas, propiciando a aquisição de hábitos alimentares mais saudáveis e contribuindo para uma melhor qualidade de vida desde os primeiros anos.

Baseada na teoria dos autores Pereira (2002) e Campos; Leite e Almeida (2006), Sabry et al. (2007) e para que isso ocorra afirmam que é fundamental que se conheça exatamente a realidade dos grupos aos quais ações de intervenção serão dirigidas e não que se estime o que ocorre com eles a partir de dados mais globais. Periferias das grandes cidades, por exemplo, podem apresentar situações diferenciadas em relação às prevalências globais de baixo peso e excesso de peso dessas cidades.

O desenvolvimento da imagem corporal encontra paralelo no desenvolvimento da identidade do próprio corpo, tendo relações com os aspectos fisiológicos, afetivos e sociais. É um processo que ocorre durante toda a vida. A construção da identidade corporal é sempre um processo em construção. As primeiras experiências infantis são fundamentais no desenvolvimento da imagem corporal, mas as experiências e o explorar o corpo nunca param (TAVARES, 2003).

A criança, o adolescente ou o adulto que possui sentimento seguro em relação a si mesmo, com sólida auto-estima, não tem o seu valor físico atingido pelas imposições sociais de beleza. Em contrapartida, a imagem corporal pobre está ligada à baixa auto-estima, ou seja, ao sentimento de inadequação como pessoa e baixo valor. Uma forma de fortalecer a relação positiva com o próprio corpo é a prática regular de exercícios físicos, que alimenta as experiências de competência física e bem-estar, beneficiando a auto-imagem, bem como a saúde mental como um todo. Outra forma de melhorar a imagem corporal e prevenir os transtornos alimentares é mudar o ideal de beleza atual de extrema magreza, isto já é defendido pelos especialistas (STRIEGEL-MOORE, 2001).

Tiggemann e Lynch (2001) desenvolveram a chamada “teoria da auto-objetificação” para explicar os processos envolvidos nas respostas emocionais e comportamentais das mulheres na busca por atingir os ideais culturais de beleza. A teoria sustenta que, nas sociedades ocidentais, o corpo feminino é socialmente construído como um objeto a ser olhado e avaliado. Uma das conseqüências de ser mulher em uma cultura que objetifica eroticamente o corpo feminino é que as meninas, em sua socialização, gradualmente internalizam uma perspectiva de observadoras de seu físico e começam a tratar a si mesmas como objetos a serem vistos e avaliados, num processo definido como “auto-objetificação”. Esta seria uma forma de autoconsciência, caracterizada por uma habitual e constante monitorização do exterior do corpo, com conseqüências emocionais negativas. A internalização da perspectiva do observador parece levar a um aumento da vergonha e da ansiedade relativas à aparência física.

Os autores concluem que o acúmulo de experiências como essas contribuem para o surgimento de desordens psicológicas cuja prevalência é maior na população feminina, como os transtornos alimentares.

A insatisfação com o corpo tem sido freqüentemente associada à discrepância entre a percepção e o desejo relativo a um tamanho e a uma forma corporal Embora constitua objeto complexo para investigações, existem evidências de que a mídia tem influência sobre os distúrbios na esfera da alimentação e da imagem corporal, pois ao mesmo tempo em que exige corpos perfeitos, estimula práticas alimentares não-saudáveis (SAIKALI et al., 2004).

Para abordar os distúrbios alimentares é importante lembrar que a capacidade de abstração e o desenvolvimento crítico também se desenvolvem na adolescência, juntamente com um maior senso de independência emocional e autoconhecimento (BRASIL, 1999).

A autopercepção e a satisfação com a imagem corporal são fatores preponderantes na auto-aceitação do adolescente e podem gerar atitudes inadequadas que prejudicam seu crescimento e desenvolvimento (BRANCO, HILÁRIO; CINTRA, 2006).

As mudanças do corpo, da percepção de si mesmo e as regras sociais aprendidas quando criança torna difícil a adequação do adolescente a uma nova realidade. O adolescente sente necessidade de ensaiar, provar, intentar, duvidar e fantasiar, como uma forma de treinamento para enfrentar a nova situação, estabelecendo seus próprios limites. Assim, a adolescência é por vezes considerada como uma época de crise durante a qual os adolescentes se mostram instáveis, imprevisíveis, com tendência a uma baixa auto-estima, com espírito de contradição, especialmente em relação aos pais. No entanto, esta forma de conduta aparentemente anormal, tem lógica e coerência, sendo saudável para o bom desenvolvimento do adolescente, representando a necessidade de liberdade e autonomia, satisfação sexual e afetiva, de individualização e estabelecimento da identidade.

A conduta do adolescente não é uma manifestação contrária à autoridade, nem a degradação dos valores humanos, é apenas um ajuste a uma nova situação que os levará à maturidade (FONDO DE LAS NACIONES UNIDAS PARA LA INFANCIA – UNICEF, 1998).

De acordo com Branco, Hilário e Cintra (2006) nos últimos anos têm aumentado o consumo de produtos dietéticos e light pelos adolescentes, podendo estar associado a fatores como a preocupação com o corpo durante este estágio de vida e a grande disponibilidade destes produtos nos dias de hoje. No entanto, os produtos dietéticos e ligth podem estar relacionados à modificação do padrão alimentar. A preocupação com o corpo e a grande oferta no mercado de produtos dietéticos e light, que visam o consumo de nutrientes de reduzido valor calórico, têm aumentado nos últimos anos, predispondo o adolescente a modificar o seu padrão alimentar.

Os adolescentes, mesmo quando estão no peso adequado ou abaixo do peso ideal, costumam se sentir gordas ou desproporcionais, o que se denomina de distorção da imagem corporal (FLEITLICH et al., 2000).

No sexo feminino, com o aumento da idade, há a tendência em querer perder peso; inversamente, no sexo masculino, essa vontade diminui, prevalecendo o desejo de ganhar peso num porte atlético (VILELA et al., 2001).

A satisfação que o adolescente sente com o seu corpo e com as respectivas alterações é primordial para o seu sentimento de valorização pessoal e auto-estima. Os adolescentes têm habitualmente uma percepção correta do seu corpo, embora nalgumas situações essa aparência possa acarretar insatisfação e sofrimento. Esta população é particularmente sensível aos estereótipos, ideais e padrões de beleza e elegância vigentes na sociedade, sendo que o grau de proximidade/afastamento catalisa reações mais ou menos negativas. A preocupação com a aparência física e o peso é muito maior nas meninas que nos meninos, o que torna a vivência da adolescência especialmente difícil para elas. Nos rapazes, a atenção centra-se no desempenho físico e intelectual (SOARES, 2000).

A inadequação de dietas é mais comum entre adolescentes do que em qualquer outro segmento da população. A nutrição deficiente durante a adolescência pode ser causada por uma variabilidade de fatores, incluindo-se a instabilidade emocional, o desejo obsessivo de emagrecer e a instabilidade geral no estilo de vida e circunstâncias sociais (GUTHRIE et al., 1995).

A preocupação com a alimentação associada ao controle de peso não pode ser considerada sempre negativa. Segundo Nichter et al. (1995), a grande maioria dos estudos sobre comportamentos de perda de peso dos adolescentes, tem se focado mais sobre as atitudes e comportamentos negativos do que nos aspectos positivos. Seu estudo identificou dois comportamentos distintos: o comportamento de dieta e o comportamento de “watching” (observação), ou seja, comportamento em que o adolescente observa o que come. Estes adolescentes não fazem dieta propriamente dita, no entanto, evitam “junk foods” (alimentos de baixo valor nutricional) e aumentam o consumo de frutas e vegetais. Estes autores comentam que este comportamento alimentar em direção a uma atitude mais saudável é relacionado com uma alta auto-estima e baixos níveis de ansiedade.

As distorções alimentares, normalmente atribuídas aos adolescentes na literatura, não foram constatadas no estudo de Gama (1999), que investigou o hábito alimentar de adolescentes de bom nível sócio-econômico em São Paulo, verificando que a freqüência do consumo de “junk food” observada não caracterizou hábito prejudicial, já que houve consumo regular de alimentos básicos.

Priore (1998), estudando 320 adolescentes de 12 a 18 anos de escolas públicas de São Paulo, também verificou que os alimentos consumidos com maior freqüência pelos adolescentes não diferiram daqueles observados na população brasileira e nem se observou consumo excessivo de guloseimas, com exceção dos refrigerantes.

Apesar deste panorama positivo apresentado por essas duas autoras, pelo menos em termos das escolas de São Paulo, dados do NHANES III (Kant, 2000) mostram que na dieta americana, aproximadamente 27% do total energético diário são provenientes de alimentos com alto teor energético e pobre em nutrientes (“junk foods”). A despeito do aumento da consciência sobre a relação entre dieta e saúde, no ínterim desde NHANES II, os alimentos densamente energéticos e pobres em nutrientes continuam a desempenhar uma importante função na dieta dos americanos. Há 4 grandes implicações do alto consumo destes alimentos: 1 – risco aumentado de ingestão energética alta; 2 – ingestão marginal de nutrientes; 3 – pouca concordância com as recomendações dos guias dietéticos e 4 – concentrações séricas baixas de vitaminas e carotenóides.

É provável que o Brasil alcance os níveis de ingestão de alimentos densamente energéticos e pobres em nutrientes verificados no NHANES III uma vez que o país está rapidamente mudando de um problema de déficit dietético para um problema de excesso alimentar (MONTEIRO et al., 1995).

A mudança mais marcante está associada a um aumento na densidade energética das dietas, evidenciada pela comparação de duas pesquisas de consumo alimentar conduzidas no país em 1961-62 (Getúlio Vargas Fundation, 1970) e em 1987-88 (IBGE-Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1991).

Estratégias de educação alimentar então, são necessárias para que haja a difusão de informações que auxiliem, não só os adolescentes como a população em geral, a evitar um consumo excessivo de “junk foods” e, como conseqüência, diminuir os impactos negativos à saúde produzidos por estes alimentos.

Muitos adolescentes pulam refeições. As razões para estas omissões são várias, incluindo-se falta de tempo, falta de apetite e medo de engordar. Muitos estudos mostram que o desjejum é a refeição mais omitida (FONSECA et al., 1998).

Este fato é preocupante, pois alguns estudos já demonstraram que a omissão do desjejum está associada com a alteração da função cognitiva e comportamental dos estudantes em sala de aula (Court,1988).

No estudo de Priore (1998), com relação a realização das principais refeições, verificou-se que o jantar era a menos praticada.

Vários estudos mostram que comer entre as principais refeições é um hábito praticado por cerca de 75% dos adolescentes (Guthrie, 1995; Hurson e Corish, 1997). Segundo alguns autores os alimentos ingeridos entre as principais refeições contribuem significativamente para a ingestão energética total e diversidade dietética destes adolescentes.

No entanto, alguns estudos alertam para o fato de que a maioria dos “lanches” está associado a grandes quantidades de açúcar e gordura (HURSON ; CORISH, 1997).

É necessário desta maneira, esclarecer aos adolescentes que os lanches podem ser parte aceitável da dieta diária, desde que sejam contribuições para uma alimentação saudável.

Em relação ao consumo energético diário, Priore (1998) verificou que esteve sempre abaixo das recomendações, ao contrário das proteínas, cujo consumo permaneceu acima da respectiva recomendação para os dois sexos e em todas as faixas etárias. Para os micronutrientes, a adequação de consumo de ferro para o sexo feminino, em todas as faixas etárias, esteve sempre abaixo do recomendado e para cálcio, tal situação também foi encontrada para o sexo masculino. A autora conclui que estes déficits observados na ingestão energética de cálcio e ferro expõe os adolescentes a riscos nutricionais de diferentes magnitudes.

Também Gama (1999), estudando 724 adolescentes (316 de escola particular, 408 de escola estadual) de 10 a 19 anos no município de São Paulo, verificou que em relação a cálcio, 70 a 80% dos adolescentes do sexo feminino apresentaram consumo inadequado, sendo que entre as mais jovens o consumo foi pior. E a condição sócio-econômica afetou o consumo, já que este foi pior na escola estadual. Em relação ao ferro, 50% dos adolescentes apresentaram consumo inadequado, sem diferença em relação a condição sócio econômica. Para vitamina C, 1/3 dos adolescentes apresentou deficiência no consumo, que seria facilmente resolvido a partir da ingestão de 1 copo de suco ou 1 fruta cítrica.

Tais dados evidenciam novamente a importância da educação nutricional para este grupo. Field et al. (2001) afirmam que preocupações com peso, forma física e dietas são comuns entre pré-adolescentes e adolescentes de hoje. Os autores destacam que além da internalização do ideal de magreza, há pressões da família, da mídia e dos colegas para que as meninas sejam magras, o que aumenta ou mantém a insatisfação com o corpo relembrando constantemente as jovens do quanto estão distantes da forma e do peso ideais.

Como a dieta dos adolescentes caracteriza-se por consumo de produtos alimentícios com elevado teor de gordura saturada e colesterol, o consumo excessivo desses produtos pode provocar aumento da gordura corporal e em decorrência o sobrepeso e a obesidade (GARCIA; GAMBARDELLA e FRUTUOSO, 2003).

Dessa maneira destaca-se a relevância de sobrepeso e obesidade, principalmente entre adolescentes, e, ainda, a relação entre inadequação de dietas e risco para doenças crônicas e obesidade (GARCIA; GAMBARDELLA e FRUTUOSO, 2003).

Nos homens da puberdade para adolescência há influencia da testosterona. E após a puberdade com o treinamento de força pode ocorrer o aumento da massa muscular além do crescimento normal (WEINECK, 1999).

Segundo Fleck e Kraemer (2002), os adolescentes ao ficarem mais velhos e atravessarem a puberdade, poderão demonstrar o tamanho de seus músculos, o que pode então, tornar-se objetivo de treinamento.

Conforme Kraemer e Fleck (1993) o aumento da massa muscular pode ser uma preocupação especialmente para os meninos mais novos, que fisicamente ainda não podem desenvolver seus músculos além do crescimento normal, mas observam os meninos mais velhos (16 ou 17 anos) que têm músculos maiores e melhores definidos. Ainda segundo esses autores mesmo autor, é um erro que um menino pequeno acredite que, apenas por começar a levantar pesos, ele terá o físico e o tamanho de músculos que deseja em alguns meses. Conforme a criança cresce e passa para a puberdade, os aumentos musculares, especialmente nos homens, tornam-se biologicamente mais plausíveis. Somente depois que uma criança tenha entrado na adolescência, normalmente em torno dos 14 anos ou mais tarde, os ganhos em tamanho torna-se um objetivo possível e viável. Contudo, devido às diferenças típicas de amadurecimento entre as crianças, devem ser tomados cuidados para avaliar este objetivo individualmente.

4.5 A importância da escola e ambientes sociais como protetores e auxiliadores na prevenção de problemas alimentares do adolescente

Para Gomes (1994) uma característica importante em pacientes obesos é a depreciação da própria imagem física, sentindo-se inseguros em relação aos outros e imaginando que estes os vêem com hostilidade e desprezo.

Além disso, Allon (1979) cita que adolescentes com sobrepeso freqüentemente referem ao peso como um fator agravante na interação social, sofrendo discriminações que interferem em seus relacionamentos sociais e afetivos.

Gomes (1994) refere ainda que o adolescente apresenta constante preocupação com seu peso, visando um ideal de beleza imposto pelo corpo magro, e a não aceitação de seu corpo, o que o leva a sentir-se marginalizado na sociedade. Dessa maneira, adolescentes que se deparam com a obesidade têm muitos problemas em relação à aceitação de sua auto-imagem e à valorização de seu próprio corpo.

A adolescência é considerada uma fase de risco para o desenvolvimento de transtornos alimentares (SAMPEI et al.; 2002).

A ávida busca por esse paradigma de beleza feminina difundida e presente em nosso imaginário coletivo, é mais comum entre adolescentes, estando estes em busca de uma definição de sua identidade e tentando ajustar-se a vida social a fim de serem aceitos. Os adolescentes são vulneráveis e facilmente influenciados pela moda, demonstrando preocupação com sua aparência e cuidados com o corpo. No entanto, o adolescente tende a se comportar de forma negligente e inconseqüente, não medindo atitudes que possam prejudicar a saúde, desenvolvendo comportamentos abusivos relacionados à dieta (MANTOANELLI; BITTENCOUR e PEREIRA, et al., 1997).

O hábito de fazer dieta apresenta-se como um fator precipitante no desenvolvimento de transtornos alimentares. Segundo Silva (2005), estudos feitos em pacientes com TA provam que o comportamento freqüente de fazer dietas aumenta o risco de desenvolver algum tipo de transtorno alimentar, confirmando os dados deste estudo.

Carmo Filho (2002) acrescenta que os TA iniciam-se com dietas e exercícios físicos que são práticas consideradas aceitáveis em nossa sociedade. No entanto, esses comportamentos passam a ser cada vez mais freqüente e praticado escondido dos familiares e demorando em chamar a atenção da família.

Transtornos Alimentares (TA) são doenças com quadros psiquiátricos alterados, atingindo principalmente adolescentes do sexo feminino e mulheres jovens (SEABRA; ALMEIDA e FERREIRA et al., 2004).

A anorexia nervosa (NA) consiste em um distúrbio do comportamento alimentar onde predomina a restrição dietética auto-imposta, perfeccionismo, distorção da imagem corporal e um medo mórbido de engordar. Já a bulimia nervosa (BN) apresenta episódios de “comer-compulsivo”, também denominado de binge-eating (ou orgia alimentar), sentimento de culpa seguido por métodos de compensação inadequados, como vômitos provocados, uso de laxantes e diuréticos, exercícios extenuantes e jejuns prolongados (SILVA, 2005).

A preocupação com o peso é o principal sintoma dos TA. Estudos feitos nos Estados Unidos na década de 80 demonstraram ser a anorexia nervosa a terceira doença crônica que mais ocorre em adolescentes do sexo feminino, ficando para trás apenas para a asma e obesidade (FARIAS; ALVES e FARIAS et al., 1999).

Estima-se que a prevalência dos transtornos seja de 0,5 a 1% para a anorexia a 1 a 3% para a bulimia, ambos entre mulheres jovens e adolescentes (SEABRA; ALMEIDA e FERREIRA et al., 2004).

A adolescência, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) compreende a faixa etária que vai de 10 a 19 anos de idade (BRASIL, 2004).

As mudanças na fisiologia e bioquímica do corpo no período da adolescência levam, em condições normais, a um aumento pronunciado de gordura em meninas, chegando a um nível de 27% aos 16 anos de idades (DUNKER; PHILIPPI, 2003).

Sentimentos de insatisfação com o corpo e o desejo de perder peso são comuns nessa fase. O adolescente precisa reestruturar sua nova imagem corporal, e ao fazê-la podem ocorrer a preocupação excessiva com o peso, constituindo-se uma causa de TA.

Silva (2005), os TA apresentam etiologia multifatorial composta de predisposições socioculturais, genéticas, vulnerabilidades biológicas e psicológicas. Dentre os socioculturais destacam-se o padrão estético feminino adotado pela sociedade, no qual o magro é aquele visto como competente pessoa de sucesso e autocontrole e, sendo ainda atraente sexualmente.

Esse culto à magreza, a pressão da mídia e o imaginário coletivo têm levado, principalmente adolescentes do sexo feminino á sacrifícios comprometendo a saúde, á fim de serem aceitas e valorizadas pelo corpo magro (ROMARO; ITOZAKU, 2002), apegando-se em crenças inadequadas sobre a alimentação (LATTERZA; DUNKER e SCAGLIUSI et al., 2004)

A tendência à obesidade, mediado pela prática de fazer dietas de revistas e sem acompanhamento, comum nas sociedades ocidentais ou ocidentalizadas, foi identificada como gerador de um risco 18 vezes maior para desenvolvimento de TA (MORGAN; VECCHIATTI e NEGRÃO, 2002).

No quadro de anorexia isso leva a uma auto-imposição de restrição calórica severa, enquanto na BN as pacientes tentam fazer dieta que sucedem episódios compulsivos de ingestão de alimentos, levando às frustrações e métodos compensatórios (SILVA, 2005).

Os indivíduos que desenvolvem anorexia nervosa (AN) apresentam características comportamentais e temperamentais de baixa auto-estima, introspecção, desenvolvimento insatisfatório da identidade, busca pela aprovação externa, extrema sensibilidade a críticas, e perfeccionismo (SILVA, 2005).

Levando-se em consideração o termo “anorexia” que significa sem apetite, do ponto de vista psicopatológico ele está inadequado, pois não ocorre na verdade uma perda do apetite, e sim uma negação do apetite pelo indivíduo anoréxico que recusa a alimentação (CORDÁS, 2004).

A restrição alimentar na anorexia gera diversas conseqüências à saúde dos adolescentes. O corpo caquético leva à diminuição da massa cardíaca associada a diminuições da pressão arterial e freqüência cardíaca, ocasionando mortes por complicações cardiovasculares (MAHAN; ESCOTT-STUMP, 2004).

No trato gastrintestinal, ocorre diminuição de enzimas hepáticas retardando o esvaziamento gástrico, degeneração gordurosa do fígado e necrose hepática (FARIAS; ALVES e FARIAS et al., 1999).

Ocorrem outras complicações como cabelos quebradiços e sem brilho, pele seca ou amarela devido à hipercarotenia, osteopenia , interrupção da puberdade além de anormalidades estruturais no cérebro e amenorréia em mulheres, podendo comprometer a fertilidade (MAHAN; ESCOTT- STUMP, 2004).

Já indivíduos que apresentam BN diferem dos que apresentam comportamento anoréxico, pois geralmente são sociáveis, impulsivos, descontrolados, ansiosos e apresentam dependência alimentar (MORGAN; VECCHIATTI e NEGRÃO 2002).

Apresentam ainda auto-estima flutuante, e acreditam que, se tivessem uns corpos bem delineados alcançariam seus desejos, demonstrando insegurança. (ABREU; CANGELLI FILHO, 2004).

As principais conseqüências ocorrem pela maneira que o indivíduo compensa o ato do “comer-compulsivo”. O hábito de vomitar é comum neste transtorno, podendo causar desidratação, problemas dentários, hipocalemia, feridas na garganta e sinal de Russel (lesão no dorso da mão feita pelos dentes nos repetidos atos de vomitar). Ainda o uso constante de laxantes e diurético pode desenvolver desidratação, sangramento retal, cãibras abdominais e elevação da aldosterona sérica. Porém, o estado nutricional dificilmente é seriamente comprometido na BN (FARIAS; ALVES e FARIAS et al., 1999).

O Teste de Atitudes Alimentares (Eating Attitudes Test-EAT) é uma das ferramentas criadas para avaliar atitudes alimentares típicas de pacientes com anorexia, pois consegue fazer a diferenciação de pacientes anoréxicos dos controles e bulímicos dos controles. Essa escala permite ser usada como um alerta do excesso de preocupações próprias de pacientes com transtorno alimentar, como o medo de engordar e o desejo de perder peso (CORDÁS; NEVES, 2002).

O tratamento inclui uma equipe multidisciplinar constituída por médicos, psicólogos e nutricionistas. Segundo Mahan e Escott-Stump (2004), é fundamental o diagnóstico e a intervenção precoce, contribuindo para uma diminuição de em torno de 10 a 0,56% da mortalidade de AN e BN além de corrigir e prevenir possíveis conseqüências da doença.

A escola tem papel fundamental ao modelar as atitudes e comportamentos dos adolescentes sobre nutrição. Uma forma de realizar este trabalho é integrar a nutrição à sala de aula, incorporando conceitos de nutrição aos adolescentes (SCHARTZMAN ; TEIXEIRA, 2001).

As atividades escolares podem interferir nos hábitos alimentares devido a grande mudança na rotina, onde os adolescentes passam a levantar mais cedo e ter seus horários de refeições alterados, muitas vezes deixando de fazer as principais refeições, como o café da manhã, que deve ser composto de alimentos variados para suprir energia e nutrientes necessários para o início do dia (TIRAPEGUI, 2002).

A promoção de saúde no ambiente escolar vem sendo fortemente recomendada. Neste sentido, os trabalhos visam propor uma reflexão acerca da inserção da educação nutricional, em especial em escolas públicas onde se concentra maior parte da população (BIZZO ; LEDER, 2004).

A escola se apresenta como um espaço e tempo privilegiado para promover saúde, pois os adolescentes passam a maior parte de seu tempo na mesma. O ambiente escolar proporciona condições para desenvolver atividades que reforçam a capacidade da escola de se tornar favorável para promoção de hábitos alimentares saudáveis (COSTA et al., 2001).

Amodio (2002) em seu estudo afirmou que “a escola desempenha papel fundamental na formação dos hábitos de vida e da personalidade do adolescente, sendo que ocupa praticamente 1/3 da vida ativa do adolescente nos dias de semana, cerca de 200 dias ao ano”

Costa; Ribeiro e Ribeiro (2001) relataram que “o programa de alimentação escolar tem se resumido, muitas vezes, no fornecimento de lanches ou refeições no intervalo das atividades escolares; entretanto, existem possibilidades, que podem ser usadas pelo nutricionista responsável pelo programa, para desenvolver atividades educativas em nutrição, visando à promoção da saúde do adolescente”.

Amodio (2002) diz que “apesar da merenda ou o lanche escolar representar apenas 15% da ingestão diária, muitas controvérsias têm sido observadas em relação à sua composição, qualidade e quantidade, pois mais do que representar apenas um dos períodos para alimentação, a escola é responsável por uma parcela importante do conteúdo educativo global, inclusive do ponto de vista nutricional”.

Paula (2007) acompanhando o raciocínio de Amodio (2002) afirmou que “a importância nutricional da refeição escolar é inquestionável, devendo satisfazer as necessidades de energia e dos demais nutrientes fundamentais ao aprendizado e ao crescimento e desenvolvimento adequado do adolescente”.

Amodio (2002) ainda relata que “as escolas devem oferecer alimentação equilibrada e orientar seus alunos para a prática de bons hábitos de vida, pois o aluno bem alimentado apresenta mais aproveitamento escolar, tem o equilíbrio necessário para seu crescimento e desenvolvimento e mantém as defesas imunológicas adequadas”.

Sabe-se que hábitos alimentares inadequados podem constituir-se em fatores de risco para a presença de doenças crônicas, tanto na vida atual quanto futura (MENDES et al., 2001).

Essas mesmas autoras afirmam que a educação nutricional pode promover o desenvolvimento da capacidade de compreender práticas e comportamentos, e os conhecimentos ou as aptidões resultantes desse processo contribuem para a integração do adolescente com o meio social, proporcionando ao indivíduo condições para que possa tomar decisões para resolução de problemas mediante fatos percebidos.

Comportamento alimentar tem suas bases fixadas na infância, transmitidas pela família e sustentadas por tradições (DAVANÇO et al, 2004).

A dinâmica familiar assume papel considerável na mudança de práticas alimentares para controle ou tratamento da obesidade, porém, muitas vezes, a família atribui todo o dever de mudança de hábito alimentar aos filhos, negando assim sua parcela de responsabilidade (RODRIGUES; BOOG, 2006).

Deve-se levar em consideração o caráter simbólico do alimento, que se diferencia com a idade, situação social e outras variáveis. Em todas as faixas etárias, encontra-se uma alimentação entendida como apropriada, variando a adequação em relação ao sexo e papéis sociais (RAMALHO; SAUNDERS, 2000).

Segundo Rodrigues e Boog (2006) a educação nutricional pode promover o desenvolvimento da capacidade de compreender práticas e comportamentos, e os conhecimentos ou as aptidões resultantes desse processo contribuem para a integração da criança e do adolescente com o meio social.

De acordo com Davanço et al (2004), os hábitos alimentares da população escolar estão determinados por uma série de fatores históricos, sociais, religiosos, econômicos e geográficos.

Dessa forma, a escola é um ambiente propício para a aplicação de programas de educação em saúde, pois a mesma “está inserida em todas as dimensões do aprendizado: ensino, relações lar-escola-comunidade e ambiente físico e emocional” (OLIVEIRA ; THÉBAUD-MONY, 1997).

Portanto, intervenções nutricionais e programas eficazes de educação nutricional através da introdução de conhecimentos sobre alimentação saudável, diminuindo crenças alimentares e modificando os hábitos alimentares, são necessários para diminuir os problemas de saúde relacionados ao sobrepeso e a obesidade em escolares.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Pela análise da literatura apresentada, nota-se que é fundamental a avaliação e acompanhamento do estado nutricional de adolescentes, com a finalidade de diagnosticar distúrbios nutricionais e poder aplicar o tratamento adequado de maneira precoce e correta, possibilitando a reversão do quadro sem maiores danos do desenvolvimento do adolescente, mas também com a sua imagem corporal.

A avaliação da condição nutricional é um instrumento extremamente útil, particularmente em adolescentes, uma vez que, permite a identificação de distúrbios nutricionais e norteia a execução de intervenções capazes de reduzir a morbi-mortalidade na vida adulta.

Pode-se afirmar que os adolescentes são conscientes de como deve ser uma alimentação para prevenir doenças e melhorar a saúde, mas para que essa consciência torne uma prática diária em suas vidas e que aprendam a importância do consumo de uma alimentação balanceada e nutritiva, para no futuro, serem adultos saudáveis.

Qualquer profissional da área da saúde que realize atendimento aos adolescentes deve ter atenção especial aos seus sentimentos com relação ao seu corpo, orientando-o de forma adequada, observando seus hábitos alimentares e motivos pelos quais possa fazer uso de alimentos que não prejudicam o seu desenvolvimento no presente e também possam evitar males de doença no futuro, decorrentes de uma alimentação inadequada.

Finalizando, acredita-se que o envolvimento dos estudantes de pós-graduação em nutrição, nesse tipo de trabalho onde a medicina preventiva, traduzida pela detecção precoce, possa ganhar destaque e medidas de intervenção apropriadas para a adequação da condição nutricional e reduzir das co-morbidades associadas poderão ser implementadas no setor saúde e educação, permitindo o desenvolvimento de uma visão mais ampla e responsável dos futuros nutricionistas praticando, dessa forma, ações de cidadania.

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Musculação e Qualidade de Vida na Terceira Idade

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INTRODUÇÃO

O tema do presente trabalho é “Musculação e qualidade de vida na terceira idade” e tem objetivo de explicar como o uso da musculação pode interferir na qualidade de vida do idoso.

Kramel (2004) afirma que com os avanços da medicina, a expectativa de vida da população mundial vem aumentando a cada dia. Não basta conseguir viver mais; temos que melhorar a qualidade de vida dos idosos, não acrescentando somente anos de vida, mas sim, vida aos anos, proporcionando autonomia para as atividades da vida diária.

Ferrari (2004) relata que no Brasil, predomina a visão sobre o envelhecimento como um problema social pelo fato dos idosos, em alguns aspectos, sejam físicos ou sociais, serem considerados um grupo etário de alta fragilidade e, portanto, expostos às situações vulneráveis.

Para Campos (2004) o uso da musculação para os idosos é uma forma de diminuir os declínios de força e massa muscular relacionados com a idade, o que resulta em melhoria da qualidade de vida. Na aplicação da musculação para este tipo de população é necessário um profundo conhecimento das alterações fisiológicas associadas à idade e dos riscos deste tipo de atividade em faixas etárias mais avançadas.

Work (1991) afirma que a musculação faz com que o indivíduo tenha mais força, devido ao aumento da massa muscular evitando quedas que, acima de 65 anos, 40% dos indivíduos caem pelo menos uma vez por ano, podendo ocorrer lesões, principalmente, fraturas que reduzem a mobilidade articular. Em conseqüência, ocorre uma sucessão de fatos tais como medo de executar movimentos novamente, sedentarismo e doenças, acentuados pela má nutrição.

Conforme Pereira (2008) atualmente sabe-se que os exercícios com pesos não são apenas os mais eficientes para aumentar a massa muscular, massa óssea e força muscular. Eles melhoram também a coordenação diminuindo a incidência de quedas em pessoas idosas. Outro argumento importante, que justifica o uso de exercícios com pesos no treinamento com idosos é a sua segurança.

Para Bucheroni (2008) o trabalho de musculação pode evidenciar benefícios positivos na densidade óssea, fazendo com que o risco da Osteoporose se reduzam consideravelmente, e também benefícios no que diz respeito a melhoria ou eliminação de doenças cardiovasculares. A atividade física bem orientada aos idosos tem um destaque importantíssimo e especial à execução de tarefas básicas do cotidiano, porque faz com que ocorra um fortalecimento geral da musculatura, articulações e tendões, proporcionando assim um aumento dos níveis de disposição, diminuindo o risco de quedas durante uma simples caminhada e preservando no idoso uma vida mais independente e cheia de conquistas.

Conforme Souza (2005) a busca por melhores condições de vida é pautada na autonomia e na realização pessoal, e no caso dos idosos, a autonomia assume papel fundamental nas relações entre saúde e envelhecimento, mantendo sua integração na sociedade. Estar inserido, socialmente e manter o nível de atividade desejada depende, principalmente, de níveis mínimos de aptidão funcional, o que determina a importância da musculação na melhoria de qualidade de vida do idoso.

CAPÍTULO 1: ABORDAGEM SOBRE MUSCULAÇÃO

Os autores Powers e Howley (2005) afirmam que o músculo esquelético é composto por vários tipos de tecido. Entre eles, estão as células musculares, o tecido nervoso, o sangue e os vários tipos de tecido conjuntivo. Os músculos individuais são separados entre si e mantidos no lugar por um tecido conjuntivo denominado fáscia. Existem três camadas separadas de tecido conjuntivo nos músculos esquelético. A camada mais externa que envolve todo o músculo é denominada epimísio.

Para Weineck (2000) o fortalecimento é resultado de uma série de adaptações que ocorrem no sistema neuromuscular e energético da musculatura esquelética. Para que se tornem compreensíveis os efeitos específicos dos estímulos de treinamento de força sobre esses dois sistemas, devem ser descritos, os fundamentos anatomofisiológicos destes, apresentando as estruturas que compõem o músculo esquelético, assim como a função de cada uma delas, além de descrição da forma de funcionamento do conjunto neuromuscular e dos mecanismos de regulação dos comandos motores do movimento.

Para Powers e Howley (2003) o músculo esquelético é composto por vários tipos de tecidos. Entre eles se encontram, as fibras musculares, o tecido nervoso, o sangue e os vários tipos de tecido conjuntivo. Dentre os tecidos conjuntivos encontra-se a fáscia, que tem como função manter os músculos individuais no lugar e separados entre si. Além da fáscia, existem mais três camadas de tecido conjuntivo no músculo esquelético.

Para Fox e Mathews (1983) a camada mais externa de tecido conjuntivo, que envolve todo músculo e o mantém unido é denominada de epimísio. Ao seccionar o epimísio, observa-se outro tecido conjuntivo, denominado de perimísio, tecido este que envolve feixes individuais de fibras musculares, denominados de fascículos. Cada fibra muscular de um fascículo é revestida por um tecido conjuntivo denominado de endomísio.

Gardner (1995) afirma que a forma do músculo esquelético varia de acordo com sua função, e a força de contração que este apresenta dependerá da quantidade de fibras nele inserida. Os músculos com pequenas fibras não são capazes de gerar muita força, ao contrário dos músculos que possuem grande quantidade.

Guyton e Hall (2002) relatam que a fibra muscular é envolta por uma membrana celular verdadeira (membrana plasmática), denominada sarcolema, isto é, um revestimento externo, constituído por uma fina camada de material polissacarídeo, que contém inúmeras e finas fibrilas colágenas.

Wilmore e Costill (2001) afirmam que em cada extremidade da fibra muscular, essa camada superficial do sarcolema, se funde com uma fibra tendinosa e por sua vez as fibras tendinosas juntam-se em feixes para formar os tendões dos músculos, que a seguir se inserem nos ossos. Os tendões por sua vez, são constituídos por cordões fibrosos de tecido conjuntivo que transmitem a força gerada pelas fibras musculares aos ossos e conseqüentemente criam o movimento.

Tubino e Moreira (2003) relatam que os músculos dentro da fisiologia do esforço, são concebidos como máquinas que convertem energia química em trabalho mecânico, cujo resultado são ações sinérgicas contra uma carga ou resistência.

Para Wilmore e Costill (2001) no interior do sarcolema, verifica-se que uma fibra muscular contém subunidades cada vez menores. Dentre essas subunidades, as maiores são as miofibrilas, que são estruturas que possuem um aspecto de bastão e que percorrem a extensão das fibras musculares. Preenchendo os espaços existentes entre as miofibrilas, encontra-se uma substância gelatinosa, trata-se do sarcoplasma.

Kramel (2004) define o músculo esquelético ser formado por longas fibras musculares cilíndricas e representa, aproximadamente, 40% da massa corporal. É de fundamental importância na movimentação, manutenção da postura, respiração, deglutição, expressão facial e verbal, retorno venoso, fixação das vísceras e esfíncteres internos.

Na musculação, pode-se encontrar diversos tipos de meios de desenvolvimento da musculatura, os quais são identificados predominantemente pelas características das contrações musculares. Assim, encontram-se como meios de musculação, (o treinamento isotônico, o treinamento isométrico, o treinamento isocinético) o treinamento com a utilização de máquinas especiais e a utilização de formas especiais.

Fleck e Kraemer (1999) o termo isotônico refere-se a uma contração muscular onde a tensão permanece constante ao longo de todo o percurso do movimento. Normalmente os exercícios de levantamento de peso são considerados isotônicos, apesar de não serem de acordo com esta definição, pois a tensão exercida pelos músculos não é constante, variando em alguns pontos angulares de acordo com o comprimento do músculo em cada ponto. Assim, o termo que mais define este tipo de treinamento de força onde a carga não muda nas duas fases do movimento (concêntrica-excêntrica) é treinamento de força de resistência invariável, onde a resistência levantada é mantida constante.

Para Foss e Ketevian (2000) o treinamento isocinético constitui o tipo mais moderno de treinamento resistido. O termo isocinético refere-se à manutenção da velocidade angular do membro trabalhado, sendo que a velocidade determinada pelo equipamento não pode ser aumentada.

Para Mcardle, Katch e Katch (1998), a base fundamental para o treinamento isocinético atrair grande interesse é que os músculos podem ser sobrecarregados em toda amplitude de maneira constante, podendo variar a velocidade do movimento.

Fleck e Kraemer (1999) dizem que o treinamento isométrico refere-se a uma ação muscular durante a qual não ocorre mudança no comprimento do músculo. Aumentos em força devido ao treinamento isométrico estão relacionados ao número de ações musculares, à duração das ações musculares, ao fato de a ação muscular ser máxima ou submáxima e à freqüência do treinamento.

1.1 Conceito e Finalidade da Musculação

Para Uchida (2004) cada músculo colabora de alguma forma para o movimento, funcionando como estabilizador, como agonista ou sinergista. Para desenvolver um músculo ao máximo é necessário isolá-lo da ação destes músculos auxiliares. Isto se consegue por meio da mudança de posições anatômicas. O princípio da confusão muscular evita que o músculo se adapte a um determinado tipo de exercício ou a uma rotina específica de treinamento.

Rodrigues (1985) afirma que não são encontrados dados ou relatos exatos de quando o homem começou a utilizar o levantamento de peso como competição ou, simplesmente, como prática de exercício físico, porém, se sabe que a musculação é a mais antiga forma de treinamento utilizada pelo homem. A história moderna da musculação começa na década de 40 com estudos que relacionam a força muscular e as áreas transversais dos músculos.

Kramel (2004) relata que o conceito de musculação constitui-se os meios de preparação física utilizados para o desenvolvimento das qualidades físicas relacionadas com as estruturas musculares. Também é chamada de treinamento de força e objetiva principalmente os dois tipos de força, a potência muscular e a resistência muscular localizada (RML). O treinamento por fluxo propõe que para obter ótimo crescimento é necessário haver suficiente irrigação sangüínea permanente em um determinado músculo.

Campos (2004) afirma que os músculos nunca devem se acomodar, pois para crescer necessitam estar continuamente em stress. Para isto são variados constantemente os exercícios, séries, repetições, ângulos de pressão, de forma que não se dê oportunidade para que o músculo se acomode. A musculação hoje é o trabalho físico mais praticado nas academias, mas até chegar ao estágio atual, passou por um grande número de estudos e investigações importantes, os quais provocaram as pontuações científicas da época presente, muitas vezes apresentadas como “novidades” pelo “marketing” esportivo. Assim, para reconhecer os méritos dos pesquisadores pioneiros e uma visualização dos conceitos e dos aspectos evolutivos surgidos, apresenta-se uma sinopse com uma seqüência de fatos ocorridos, respeitando-se uma ordem cronológica.

Tesch (1994) a musculação é um exercício físico, com ou sem aparelho, cujo objetivo é o ganho de massa muscular. A musculação é uma atividade física desenvolvida através de exercícios destinados a partes específicas do corpo, utilizando resistências progressivas fornecidas por pesos livres ou aparelhos como halteres, barras, anilhas, aglomerados e extensores para trabalhar determinados grupamentos musculares com sobrecarga, sendo utilizada para condicionamento físico, aumento da capacidade contrátil do músculo e aumento do volume muscular.

Segundo Souza (2005), o treinamento de musculação é dividido em 4 características treináveis, são elas: força muscular, potência muscular, resistência muscular e hipertrofia muscular.

Tubino e Moreira (2003), afirmam que a força muscular é a capacidade de exercer a força máxima para um determinado movimento corporal. O aumento da força segue um curso temporal, a maior contribuição para este aumento é proveniente da adaptação neural, que implica em melhorar a coordenação e eficiência do exercício, porém com o passar do tempo, a contribuição do aumento de massa muscular se torna essencial para o aumento de força. O reinamento em pirâmide tem o objetivo de aquecer o músculo progressivamente antes de utilizar a carga máxima para um determinado exercício e assim evitar riscos de ruptura de tecido mole. Se começa com 15 repetições e 60% da carga máxima como aquecimento, depois deve-se acrescentar peso e realizar 10-12 repetições máximas (RM) e finalmente realizar 5-6 RM, o que corresponderá aproximadamente a 80% da carga máxima.

Segundo Guimarães Neto (2002), não se pode falar sobre os treinamentos de musculação e passar despercebido pelos princípios de Weider, que constituem os métodos mais utilizados pelos atletas profissionais da musculação. O treinamento progressivo é um princípio que se refere à adição de cargas progressivas, ou seja, para que o músculo se torne maior e mais forte é necessário adicionar mais carga periodicamente, bem como aumentar o número de séries e de sessões de treino e, ao mesmo tempo, diminuir o tempo de repouso entre as séries.

Uchida (2004) o treinamento de musculação deve ser progressivo para que produza aumentos contínuos e significativos de força e tamanho muscular. Em um treinamento a progressão estimula a contínua e variável evolução desejada para que o objetivo seja alcançado. É impossível que se continue uma progressão sob mesma proporção em um treinamento a longo prazo, pois a própria manipulação das variáveis do programa de treinamento como a escolha da resistência, seleção dos exercícios e ordem, número de séries e repetições, período de descanso, pode limitar os níveis naturais máximos de treinamento e dificultar o alcance de uma melhor performance.

Conforme Guimarães Neto (2002) o treinamento em série é o princípio que preconiza a realização de 3 ou 4 séries para cada exercício a fim de chegar à completa exaustão de cada grupo muscular e obter assim máxima hipertrofia. O treinamento isolado é quando um músculo pode trabalhar relativamente isolado ou auxiliado por outros músculos. Para conseguir isto, é necessário treinar 3 ou 4 exercícios para um mesmo músculo em seqüência, sem realizar nenhum outro exercício para outro grupo muscular entre estes exercícios específicos. Desta forma, todo o fluxo sanguíneo é direcionado para uma região específica. A super-série é um princípio bastante comentado que sugeri agrupar 2 exercícios para grupos musculares opostos e realizá-los alternadamente, como é o caso do bíceps e do tríceps. Realizando, por exemplo, uma rosca direta e em seguida um tríceps testa com pouco ou nenhum intervalo entre elas. O sistema super-série é comprovadamente eficiente do ponto de vista neurológico.

Testes comprovam que fazendo uma série para tríceps e outra para bíceps é possível melhorar o índice de recuperação do tríceps e vice-versa.

1.2 Benefícios do Trabalho com Musculação para a Saúde

Para Tubino e Moreira (2003) ao iniciarem a prática da musculação pela primeira vez, passaram por um período chamado “período de adaptação”, onde o organismo sofre modificações e adaptações quanto à força, coordenação do movimento, recrutamento de fibras musculares envolvidas na atividade, entre outras. Esse período, dentro de uma pratica regular, acontece nas duas primeiras semanas, onde é visível a melhora da performance do aluno na realização dos exercícios após este período.

Para Zmorzinski (2008), o treinamento de força se não é a melhor forma é uma das melhores quando o assunto é saúde e resultado para o indivíduo. Como resultados do treinamento de força pode-se observar:

• Melhora na velocidade de andar;
• Melhora no equilíbrio;
• Auxílio no controle da diabetes, artrite e doenças cardíacas;
• Melhora da ingestão alimentar;
• Diminuição da depressão;
• Melhora da auto-estima;
• Fortalecimento da musculatura;
• Melhora dos reflexos;
• Diminuição de problemas cardiovasculares;
• Manutenção da densidade óssea, prevenindo a tão temida osteoporose e suas conseqüências degenerativas.

Para Tubino e Moreira (2003) em relação ao período onde o praticante de musculação vai atingir os seus objetivos, deve ser levado em consideração os reais objetivos e as possibilidades dos mesmos serem atingidos, ou seja, só é possível atingir um resultado dentro das possibilidades das suas características morfológicas e genéticas (deve se levar em consideração à estrutura óssea morfológica e a distribuição dos tipos de fibras em cada indivíduo). Dentro do conteúdo possível de modificação do corpo do individuo, o resultado será sempre dependente do nível de seriedade em que o praticante irá treinar, sua freqüência de treino, sua responsabilidade com o treino e com a alimentação, e até a suplementação.

Para Zimorzinski (2008), é importante ressaltar que apesar de todos os benefícios que a musculação proporciona não só para o idoso quanto para o jovem, é de suma importância que exista prazer por parte do praticante ao se realizar qualquer atividade física. É imprescindível que corpo e mente esteja em equilíbrio.

Campos (2004) relata que nos dias atuais a musculação é utilizada por seus praticantes com objetivos distintos, como aumento de força e de massa muscular, diminuição do peso corporal, massa gorda e percentual de gordura, melhora do condicionamento físico geral, aumento da performance esportiva, da potência ou da resistência muscular.

Tubino e Moreira (2003) abordam que o treinamento na musculação deve ser acompanhado por um professor, formado em educação física, especialista na área de musculação, que irá planejar a rotina de treinamento do aluno e acompanhá-lo no dia-a-dia, dentro da academia. Este profissional é de fundamental importância no processo de evolução do praticante, pois ele tem uma maneira diferente, dos alunos, de ver esta atividade. O professor deve orientar o aluno quanto ao conteúdo do programa de treinamento, a forma correta de execução dos exercícios, o correto posicionamento nos aparelhos, deve dar orientação quanto às dúvidas dos alunos e ajudar os alunos, com menos experiência ou até os avançados, que utilizam o professor como uma ferramenta para uma correta execução dos exercícios e por motivo de segurança, e para uma melhor performance.

Um fato muito comum na terceira idade é as quedas, que por falta de uma musculatura preparada acabam causando fraturas, por isso a importância de um reforço muscular. O músculo deve estar forte para agüentar qualquer tipo de fratura e proteger nossa estrutura óssea (ZMORKINSKI, 2008)

Tubino e Moreira (2003) expõem alguns objetivos finais desenvolvidos com a prática da musculação:

– Hipertrofia muscular: é um aumento da secção transversa do músculo; isso significa um aumento no tamanho e número de filamentos de actina e miosina (proteínas), e adição de sarcômeros (constituintes da estrutura interna do músculo) dentro das fibras musculares já existentes.
– Força Pura: é a capacidade de exercer força máxima na musculatura para dado movimento corporal, contudo os músculos podem exercer força máxima nas seguintes formas: contrações isométricas (estáticas), concêntricas (fase positiva do movimento, onde se vence a resistência), e excêntricas (fase negativa do movimento, onde a resistência vence a sua força).
– Potência muscular: é a combinação entre a velocidade e a força; quanto maior a força ou a velocidade de execução, maior será a potência gerada.
– Resistência Muscular Localizada: caracterizada pelo tempo máximo em que um indivíduo é capaz de manter a força isométrica ou dinâmica em um determinado movimento ou exercício. A resistência muscular localizada pode também ser definida como a capacidade de manter a atividade contrátil do músculo até que o mesmo entre em fadiga.

Rodrigues (1985) na musculação existem dos tipos de séries na montagem de um programa de treinamento. Uma é a “Alternada por segmento”, onde o praticante realiza um exercício para o complexo muscular superior e outro exercício para os grupos musculares inferiores. O outro tipo de série é a “Localizada por articulação”, onde o indivíduo realiza diferentes exercícios, porém utilizando a mesma articulação, para então depois passar para outros grupos musculares. Este tipo de série pode ser subdividido em: Agonista e Antagonista, completa, pré-exautão, parcelada, prioritária, seletiva, mista, associada a articulação adjacente, e direcionada por grupo muscular.

Para Fleck e Kraemer (1997) o treinamento de força de baixa intensidade produz resultados limitados, o que nos leva a concluir que os idosos têm uma capacidade mais baixa para reagir aos estímulos que os mais jovens 1. Então isso nos leva a acreditar que o estímulo deve ser forte. Muitos estudos submetem idosos da casa dos 90 anos de idade a treinos intensos, que chegam a 90% de 1RM até a falha concêntrica.

Kraemer et al. (1999) afirmam que tanto o idoso como os profissionais chegam ao absurdo de não mudarem a carga (sabe aquele pesinho de 1 kg) durante um ano de treinamento. Os cientistas descobriram que o grau de adaptação do músculo esquelético se mantém ativo mesmo depois de 90 anos de idade.

Kraemer (1999) o interessante é que, além do aumento da massa muscular comprovada através de biópsia, a força chega a atingir valores 200% maiores no teste de 1RM em 12 semanas 8. Outro dado interessantes é que apesar das respostas hormonais serem muito menores, nos mais velhos, elas acontecem em treinos que utilizam intensidades elevadas.

Fiatarone et al. (1990) relataram que vários estudos, nos quais foram aplicadas metodologias com treinamento de força de alta intensidade, levaram à conclusão que a capacidade de aumentar força continua preservada mesmo com idade avançada. Outro benefício constatado é o aumento significativo de massa muscular, comprovado através de tomografia computadorizada.

1.3 Força, Massa Muscular e Saúde

Segundo Oliveira (2008) a redução da força ocorre de maneira diferente nos diversos grupamentos musculares, sendo de forma mais intensa nos músculos flexores do antebraço e músculos que mantém o corpo ereto. Outra curiosidade é que a redução da massa muscular é mais lenta que a perda de força, e tem uma estreita relação com a diminuição dos hormônios sexuais. A perda de massa óssea também é outro fator que pode ser considerado uma conseqüência da diminuição da massa muscular e força.

Para Evans (1993) a grande preocupação das autoridades, tanto científicas quanto governamentais, é garantir qualidade de vida ao idoso, na qual ele possa desenvolver com autonomia as atividades da vida diária. A qualidade de vida está diretamente ligada à perda de força (que pode chegar a 15% durante a sexta e sétima década de vida e depois disso a 30% e à redução da massa muscular associada com a idade, denominada sarcopenia.

Conforme Oliveira (2008) nesses casos a preocupação praticamente se limitaria a evitar manobra de valsava (é aquela realizada com respiração bloqueada, ou seja, o praticante, antes de iniciar a ação muscular, inspira, realiza os movimentos concêntrico e excêntrico, e só depois expira; percebe-se então que ele bloqueia a circulação do ar no organismo durante a realização completa de todo o movimento muscular e um cuidado especial com os indivíduos com riscos cardiovasculares, pois a freqüência cardíaca e pressão arterial, perto da falha concêntrica (quando a repetição concêntrica ocorre antes que alcance o nível mais baixo do intervalo de repetições, é porque o peso está muito pesado e deverá ser reduzido no próximo treino. Se ultrapassar a porção superior do intervalo de repetições antes de experimentar a exaustão muscular, é porque o peso está muito leve e deveria ser aumentado no seu próximo treino em 5% ou menos) se elevam consideravelmente.

Kaemer et. al (1999) diz que quanto ao idoso com artrite, artrose, tendinite, desvios posturais entre outras patologias do sistema locomotor, uma avaliação e um treinamento minucioso tornarão sempre possível utilizar, em algumas fases do planejamento, métodos intensos. Considerando intensidades relativamente menores, afirmam alguns estudiosos, que treinos com sobrecargas de 50 a 60% de 1RM podem ser tão eficientes ou melhores que os com intensidades maiores.

Para Oliveira (2008), a faixa dos 50 a 60% parece um treino leve, porém essas metodologias levam o indivíduo a fadiga e/ou falha concêntrica. Isso é distante do que vemos nas academias, onde o próprio idoso e os profissionais que prescrevem o treinamento, subestimando sua capacidade, e utilizam treinamentos com baixíssima intensidade.

CAPÍTULO 2: ENVELHECIMENTO E ATIVIDADE FÍSICA

2.1 Alterações Relacionadas ao Processo de Envelhecimento

Conforme Okuma (1998) de acordo com a Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (1999), o envelhecimento é um processo contínuo, durante o qual ocorrem declínios progressivos de todos os processos fisiológicos, sendo ocasionado tanto por fatores genéticos, como por fatores ambientais onde, pode-se citar nutrição, estilo de vida, álcool, fumo e a atividade física.

Para Campos (2004) a capacidade física e a performance esportiva decrescem durante o processo de envelhecimento. Geralmente, as alterações negativas relacionadas com a idade começam a aparecer a partir dos trinta anos de idade.

Nieman (1999) as mudanças na capacidade física influenciam, além da performance esportiva, a capacidade de realizar tarefas da visa diária como caminhar, subir escadas, carregar uma sacola de comprar, entre outras. Uma importante constatação de algumas pesquisas é que indivíduos idosos tendem a ser menos ativos tanto no lazer como no trabalho.

Para Campos (2004) a perda de força é de 15% por década entre os sessenta e setenta anos de 30% depois deste período, e parece ser maior nos membros inferiores que nos membros superiores. As quedas nos idosos são uma das causas mais comuns de lesões e suas complicações podem levar à morte do indivíduo. A potência muscular pode diminuir mais drasticamente do que a força em idades mais avançadas, o que debilita a execução de tarefas da vida diária. Uma pessoa com idade entre setenta e oitenta anos tem apenas 50% da potência anaeróbia de uma pessoa com vinte anos de idade.

Nieman (1999) sob condições normais, a produção de força apresenta seu pico entre vinte e trinta anos, diminui um pouco por mais ou menos vinte anos seguintes e tem uma diminuição mais dramática após os sessenta anos de idade.

Zmorzynski (2008) relata que os componentes elásticos contráteis dos músculos também podem ser afetados pela idade avançada e favorecem a diminuição da potência muscular. A capacidade aeróbia, medida em VO2max, começa a declinar depois dos trinta anos de idade. A taxa média deste declínio é de 0,5 ml/kg/min a cada ano. Desta maneira, dos trinta para os quarenta anos de idade uma pessoa sedentária diminuiria por volta de 10% ou 5ml/kg/min o seu VO2max. O declínio de VO2max durante o envelhecimento ocorre por vários fatores, incluindo a perda de massa muscular e o aumento da massa de gordura, a diminuição da freqüência cardíaca máxima e produção cardíaca e a diminuição da capacidade do músculo esquelético em extrair oxigênio durante o exercício. Nos indivíduos sedentários estas alterações de VO2max são geralmente relacionadas com as alterações na composição corporal.

A perda de massa muscular associada ao aumento da massa de gordura decrescem a quantidade de tecido muscular metabolicamente ativo, que consome oxigênio durante a produção de energia para o trabalho físico.

Para Géis (2003) a diminuição da freqüência cardíaca máxima, que colabora com cerca de 50% no decréscimo do VO2max, ocorre devido às mudanças na inervação cardíaca e não parece se alterar pelo treinamento em qualquer idade. A redução no número de capilares e a limitada capacidade de redirecionar o fluxo sangüíneo aos músculos esqueléticos durante o exercício reduzem a capacidade de extrair oxigênio pelos músculos esqueléticos.

Conforme Campos (2004) a capacidade anaeróbia diminui cerca de 6% por década e, outra vez, esta diminuição está diretamente relacionada com a perda de massa muscular; esta diminuição ocorre geralmente devido à atrofia seletiva das maiores e mais fortes fibras tipo II e possivelmente pela perda de unidades motoras do tipo II.

Para Márquez Filho (2003) a força tensional e elasticidade dos ossos decresce aproximadamente 2% a cada década a partir dos vinte anos até os noventa. Uma grande variedade de fatores contribui para a perda de força e potência muscular. O conhecimento de alguns deles pode ajudar na montagem de um programa de musculação mais eficiente e seguro.

De acordo com Fleck e Kraemer (1999) as alterações musculoesqueléticas têm uma íntima relação com a diminuição da massa muscular (sarcopenia) que acompanha o processo de envelhecimento. Esta sarcopenia independente da localização e da função do músculo e parece ser causada pela redução do tamanho das fibras musculares, pela perda de fibras musculares e pela perda da quantidade e qualidade de proteínas das unidades contráteis (actina e miosina). Além do decréscimo de massa muscular, há também um aumento da gordura intramuscular.

Para Mazzeo (1998) a perda de fibras musculares, que parece ser um resultado da morte das células do músculo ou de um processo degenerativo causado pela perda do contato entre a fibra e o nervo motor, compromete a habilidade funcional das unidades motoras em produzir força e afeta as funções metabólicas de todo o músculo. No lugar destas fibras aparecem a gordura ou o tecido conjuntivo fibroso.

Conforme Campos (2004) a diminuição das fibras musculares também resulta na redução do gasto calórico causado pela massa muscular reduzida. O sistema endócrino perde a habilidade em alterar as concentrações hormonais no exercício e, mesmo em repouso, há uma redução nas concentrações de hormônios anabólicos. Alguns hormônios parecem não responder ao treinamento de força, como é ocaso do hormônio de crescimento e da testosterona, reforçando a idéia de que há um comprometimento do sistema endócrino com a idade. Quando o indivíduo envelhece, e ocorre um excesso de ingestão calórica com consecutivo aumento nos depósitos de gordura corporal. O equilíbrio energético positivo e a falta de atividade física são os maiores contribuintes para o aumento da porcentagem de gordura armazenada e para a diminuição da massa corporal magra no envelhecimento.

Numa eficiente programação de exercícios resistidos para idosos é importante lembrar que há inúmeras doenças relacionadas ao envelhecimento e à falta de atividade que devem ser consideradas na elaboração do programa.

2.2 As Alterações Promovidas da Atividade Física Regular para a Saúde

Conforme Bazo (1990) o ser humano deve se preparar para a velhice, para que tenha uma boa vida social e afetiva e continue dando sua contribuição para a humanidade. O programa para atingir a felicidade é o sentimento de ser, de pertencer, de significar, de crescer e de se dar e saborear plenamente a essência da vida. A teoria da atividade parte do pressuposto de que só o indivíduo ativo pode se sentir feliz e satisfeito. A pessoa deve ser produtiva e útil no sentido material, dentro do contexto em que vive. Assim, na velhice o indivíduo deve continuar com suas atividades anteriores ou encontrar outras que as substituam, procurando dessa maneira superar as restrições apresentadas pelo contexto social. A idade não pode ser considerada como algo negativo, mas, ao contrário, deve ser focalizada como sinônimo de experiência, sabedoria acumulada ao longo dos anos que os idosos podem transmitir aos mais jovens.

As atividades exercidas pelo idoso permitem um reconhecimento social, o qual produz uma imagem positiva que, por sua vez, afeta o grau de satisfação do idoso com relação a vida.

Souza (2005) informou que ao propor um programa de atividade física para idosos, é importante considerar que o idoso pode adquirir novas experiências, resgatar gestos motores e vivenciar atividades físicas como forma de integração e aprendizagem de novos elementos culturais. A atividade física como forma de lazer fundamenta-se em valores como: inclusão social, desenvolvimento da cultura esportiva, alfabetização corporal, participação informal e criativa, entre outros, e se torna um instrumento eficaz para a melhoria da saúde, de inserção de valores educacionais, de cooperação e solidariedade entre pessoas e grupos de todas as idades. A busca por melhores condições de vida é pautada na autonomia e na realização pessoa, e no caso dos idosos, a autonomia assume papel fundamental nas relações entre saúde e envelhecimento, mantendo sua integração na sociedade.

Estar inserido socialmente e manter o nível de atividade desejada depende, principalmente, de níveis mínimos de aptidão funcional, o que determina a importância da atividade física na melhoria de qualidade de vida do idoso

Para Okuma (1998) o principal objetivo da participação do idoso nos programas de atividade física é a preservação e recuperação de uma ótima qualidade de vida. Embora seja difícil definí-la, é de concordância entre todos que a qualidade de vida depende da complexa interação entre diversos fatores que incluem saúde física, bem-estar emocional, satisfação social e, para alguns, bem-estar espiritual.

Para Nieman (1999), os maiores benefícios para a saúde ocorrem quando pessoas muito sedentárias iniciam e mantêm um programa regular de atividade física moderada.

Rosa, Geraldo e Ávila (2005) relatam que a qualidade de vida, atividade física e envelhecimento têm sido relacionados amplamente na literatura, sendo enfatizada a importância da atividade física em todas as etapas da vida, visando alcançar um envelhecimento bem sucedida.

Fleck et al (2007) relatam que a qualidade de vida foi definida pelo Grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial da Saúde como “a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.

De acordo com Bazo (2002), a teoria da atividade alicerça-se sobre três premissas básicas: a maioria das pessoas que envelhecem seguem mantendo níveis bastante constantes de atividade; a quantidade de ocupação está influenciada por anteriores estilos de vida e por fatores sócio-econômicos; para atingir um envelhecimento com êxito é necessário conservar determinados níveis de atividade nas distintas esferas: física, mental e social.

O termo atividade física, segundo Barbanti (2003) “[…] num sentido mais restrito é todo movimento corporal, produzido por músculos esqueléticos, que provoca um gasto de energia”.

Nieman (1999) relata que a atividade física pode ser eficiente na prevenção e no tratamento de uma ampla variedade de distúrbios que afetam homens e mulheres contemporâneos. Pelos registros históricos, filósofos, líderes mundiais e médicos exaltaram as virtudes do exercício regular.

Segundo Deps (1993), há evidências de que a atividade física tem implicações sobre a qualidade e a expectativa de vida. A autora destaca que a atividade contribui para a prevenção das doenças prolongando o tempo de vida e que repercute de maneira favorável no desenvolvimento, favorecendo a saúde física e mental.

Chaimowicz (2007) evidencia que a prática regular de atividade física, mesmo de iniciada após os 65 anos, contribui para uma maior longevidade, melhora da capacidade fisiológica, redução do número de medicamentos prescritos, benefícios psicológicos, como melhora da auto-estima.

Nieman (1999) expõe os benefícios da atividade física regular, a qual melhora a saúde das seguintes maneiras: reduz o risco de morte prematura; reduz o risco de morte por doenças cardíacas; reduz o risco de desenvolvimento do diabetes; Auxilia na prevenção e no tratamento da hipertensão; reduz o risco de desenvolvimento de câncer de colo; reduz os sentimentos de depressão e de ansiedade, enquanto melhora o humor e a auto-estima; auxilia no controle de peso; auxilia na construção e manutenção de ossos e músculos saudáveis e melhora a aptidão cardíaca e pulmonar; melhora a qualidade de vida dos adultos mais velhos, de pacientes doentes e de pessoas de todas as idades.

Ceolim (2000) afirma que a atividade física regular tem sido benéfica para a qualidade de vida, essa atividade deve ser adequada às condições de saúde do idoso, para haver reais benefícios. Os exercícios devem ser feitos com regularidades e critério, devendo ser moderados, pois não parece haver benefícios devidos à prática de exercícios intensos, especialmente em indivíduos não acostumados a eles. Para o idoso participar de alguma atividade física, precisa de motivação para ter um significado o seu comportamento. A motivação significa mover para a ação, o motivo é um fator interno, que dá início, dirige e integra o comportamento de uma pessoa.

De acordo com Nahas (2008), a diminuição da capacidade funcional e a conseqüente redução na qualidade de vida que acompanha o processo de envelhecimento podem ser atribuído ao envelhecimento natural, doenças e inatividade.

Para Ceolim (2008) através da prática da atividade física, muitos dos problemas dos idosos podem ser amenizados proporcionando a eles uma vida saudável e tranqüila, fazendo com que a pessoa se sinta-se estimulada em sua auto-estima que, nesta fase da vida, tende a declinar. Embora o período da manhã seja tradicionalmente recomendado, vários estudos sobre a ritmicidade da ocorrência de eventos cerebrais e cardíacos isquêmicos têm evidenciado que é nesse período que ocorrem os maiores valores da pressão arterial, da viscosidade sangüínea e da agregabilidade p laquetária, entre outros. Estes fatores, conjunto com o esforço dispendido no exercício e a perda de líquidos, tornam muito aumentado o risco de ocorrência de eventos como o acidente vascular cerebral e o infarto agudo do miocárdio, especialmente nas primeiras horas da manhã. Uma sugestão é os exercícios de leve ou moderada intensidade, executados ao final da manhã ou da tarde.

Complementando a idéia de Ceolim, Matsudo (2007) expõe que antes de prescrever um exercício para o idoso é importante saber das perdas em nível muscular. Como maior índice à fadiga muscular, diminuição na velocidade de condução e na capacidade de regeneração. Todas essas mudanças morfológicas e funcionais acontecem com o decorrer da idade e podem ser evidenciadas com a combinação de três fatores, fenômeno do envelhecimento, presença de doenças e o estilo de vida sedentário.

Nieman (1999) afirma que os ganhos de força podem variar dependendo do tempo do treinamento e de sua intensidade. O treinamento de força muscular de alta intensidade pode produzir um aumento significado de força muscular, bem como hipertrofia muscular. O exercício regular também pode diminuir a gordura corporal e aumentar a força muscular, assim como melhorar a aptidão aeróbica. As pessoas idosas treinadas fisicamente podem se cuidar mais adequadamente e se envolver nas atividades comuns da vida. As pessoas idosas que se exercitam regularmente relatam que dormem melhor, são menos vulneráveis doenças virais e possuem uma melhor qualidade de vida do que as sedentárias. A força muscular no idoso facilita ainda a manutenção dos níveis de proteínas corporais e a reconstrução em casos de atrofia por inatividade, com melhor conservação da massa e de todo a musculatura do corpo, aumentando também a resistência. Para buscar a musculação o idoso precisa de motivação para que assim tenha sentido a atividade física.

Para Néri (2000) existem várias questões ainda não resolvidas pela ciência em relação à explicação da própria velhice, o que potencializa as dificuldades de definir operacionalmente qualidade de vida na velhice, dificuldades essas que residem em primeiro lugar no fato da velhice como qualidade de vida ser um evento dependente do tempo. Este transcorre tanto para os indivíduos como para os grupos de idade, as gerações e as instituições sociais. Mais e mais as questões que dizem respeito ao bem-estar físico, psicológico e social dos idosos interessam aos planejadores de políticas de saúde, educação, trabalho e seguridade social de vários países.

2.3 A Atividade Física como Busca da Qualidade de Vida

O termo atividade física, segundo Barbanti (2003), “ […] num sentido mais restrito é todo movimento corporal, produzido por músculos esqueléticos, que provoca um gasto de energia.

Okuma e Ferraz (1999) afirma que “o principal objetivo da participação do idoso nos programas de atividade física é a preservação e recuperação de uma ótima qualidade de vida. Embora seja difícil definí-la, é de concordância entre todos que ela depende da complexa interação entre diversos fatores que incluem saúde física, bem-estar emocional, satisfação social e, para alguns, bem-estar espiritual”.

Para Geralda Rosa, Geraldo e Ávila (2005) quando se refere à qualidade de vida o termo subseqüente e imediato é no seu sentido mais amplo: físico, psíquico e social; contudo, para mantê-la ou adquirí-la, faz-se necessário cultivar e praticar hábitos saudáveis, dentre os quais inclui-se a atividade física.

Segundo Fleck et al, 2000) a qualidade de vida foi definida pelo grupo de Qualidade de Vida da Organização Mundial de Saúde como “a percepção do individuo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.

Para Geralda Rosa, Geraldo e Ávila (2005) neste caso, foram contempladas para o construto qualidade de vida três aspectos fundamentais: a subjetividades, a multidimensionalidade e a presença de dimensões positivas (como a mobilidade)e negativas (como a dor).

Segundo Segre e Ferraz (1997), “entende-se que a qualidade de vida seja algo intrínseco, só possível de ser avaliado pelo próprio sujeito”. Neste caso, priorizasse a subjetivo de cada indivíduo. Sob esta mesma ótica, Néri (2001) concorda que a qualidade de vida percebida é por definição um elemento subjetivo.

Para Néri (1993) existem outros termos equivalentes a qualidade de vida na velhice, tais como: bem-estar psicológico, bem-estar percebido, bem-estar subjetivo, envelhecimento satisfatório ou bem-sucedido.

Segundo Deps (1993), há evidências de que a atividade física tem implicações sobre a qualidade e a expectativa de vida. A autora destaca que a atividade contribui para a prevenção das doenças prolongamento o tempo de vida e que repercute de maneira favorável no desenvolvimento, favorecendo a saúde física e mental.

Chaimowicz (1997) evidencia que a prática regular de atividade física, mesmo se iniciada após 65 anos de idade, contribui para uma maior longevidade, melhora da capacidade fisiológica, redução do número de medicamentos prescritos, benefícios psicológicos, como melhora da auto-estima, entre outros.

Okuma e Ferraz (1999) relatam que as pessoas ainda têm uma certa resistência em praticar atividades físicas. Ainda não se sabe se existem fatores que levam as pessoas a realizar ou não atividades físicas. O conhecimento preciso desses fatores muito facilitaria o aumento de pessoas fisicamente ativas, contribuindo para a manutenção da saúde. Contudo, não se sabe se o desinteresse das pessoas em praticas atividades físicas é por falta de informação sobre os benefícios da mesma ou por falta de oportunidades para praticá-las. A atividade física parece contribuir para um melhor funcionamento do organismo das pessoas em geral e, neste sentido, é notório que ela pode interferir na maneira como se envelhece. Assim, estar junto a essa população para melhor entender seus anseios, seus valores e, sobretudo suas emoções, para orienta-los e mostrar-lhes que mesmo no envelhecimento é possível viver com qualidade de vida, pode representar um caminho para uma sociedade melhor.

Segundo Rauchbach (1990) aponta que os benefícios da prática de atividades físicas podem ser observadas em três aspectos importantes:

• De ordem social: diminuindo os preconceitos e complexos, despertando a alegria e a espontaneidade, promovendo a reintegração na sociedade, estimulando a desinibição, estabelecendo novas amizades.
• De ordem psicológica: promovendo a motivação, o ânimo, a autonomia, a autoconfiança, a auto-estima, a disposição, a satisfação, o bem-estar geral, auxiliando nos problemas de insônia, diminuindo asa tensões, ajudando nos problemas de depressão, combatendo a ansiedade, o estresse e a insegurança.
• De ordem física: auxiliando no aumento da força, da flexibilidade, da resistência, da coordenação, da postura e melhoria das atividades funcionais (sistemas cardiopulmonar e digestivo) e do aparelho locomotor.

Para Spirduso (1995) a qualidade de vida só tem valor quando é suportável e o objetivo de estender a vida só é viável se uma razoável qualidade de vida puder ser mantida através dos anos.

Bouchard et al. (1993) a avaliação da qualidade de vida tem valor comprovado no nível de saúde do idoso quanto ao seu enfraquecimento funcional, morbidade e incapacidade. Tal avaliação também pode ser utilizada para refletir o estado de saúde de grupos jovens, mesmo quando os estados de morbidade, incapacidade e enfraquecimento funcional são raros. Esta avaliação é feita baseada no nível de atividade física desempenhada pelo indivíduo, que está relacionada diretamente ao estado de saúde.

De acordo com Novaes (1997), é mister conceituar expectativa de vida associando-a ao conceito de expectativa de vida útil, ativa, produtiva, com bem-estar. O aumento da expectativa de vida deve associar-se ao conceito de qualidade de vida que, segundo a OMS (WHO, 1994) é a percepção do indivíduo de sua posição na vida, no contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive, e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações.

Segundo Nahas (2008), qualidade de vida é um conceito complexo, multideterminado e que deve ser interpretado num contínuo, não como uma dicotomia (ter ou não ter qualidade de vida). A qualidade de vida resultante da inter-relação de fatores que modelam e diferenciam o dia-dia dos indivíduos, sob os pontos das percepções, relacionamentos e pelas situações vivenciadas. Pode ser considerada como resultante de um conjunto de parâmetros individuais, sócio-culturais e ambientais que caracterizam as condições em que vive o ser humano, uma comunidade ou uma nação.

Para Nahas (2008) sob o ponto de vista holístico, ele considera qualidade de vida como sendo a condição humana resultante de um conjunto de parâmetros individuais e sócio-ambientais, modificáveis ou não, que caracterizam as condições em que vive o ser humano.

Para a Organização Mundial de Saúde (1998), a definição de qualidade de vida vinculada à saúde é considerada como a percepção do indivíduo sobre a sua posição na vida, inserido no contexto cultural e de valores, respeitando suas expectativas, padrões e preocupações.

Dantas (1997) conceitua qualidade vida como função das carências que a pessoa apresenta. Pode-se, portanto, definir o nível de qualidade de vida como o grai de atendimento das necessidades existentes. Assim, como ele próprio diz, “só se busca a satisfação de uma necessidade superior quando a anterior já tiver sido atendida”. Somente tendo garantidas as condições de subsistência e segurança, é que um indivíduo constituirá a atividade física como fator de melhoria de qualidade de vida, pois esta, pelo caráter motivacional, proporciona prazer. Assim, com poucas horas semanais de atividade física uma pessoa poderá ter seu otimismo potencializado e o seu nível de estresse diminuído, melhorando a qualidade de vida. Pode-se acrescentar que o uso e o desenvolvimento adequado das capacidades físicas, mentais e sociais poderão engrandecer as probabilidades de crescimento e segurança, influenciando decisivamente nos estágios de satisfação pessoal e nas relações intra e interpessoais.

A capacidade e a qualidade de lazer permitem manter um estreito paralelo entre as atividades sociais, comunitárias e cívicas, e estas, conseqüentemente, sofrerão influência e influenciarão, de maneira positiva ou negativa, as possibilidades de integração social mediante uma atividade física.

Para Gubiani (1997) pesquisadores estão cada vez mais convencidos de que esses fatores associados a uma dieta pobre em calorias e exercícios físicos moderados, proporcionam uma vida mais longa e saudável.

Novaes (1997) enumera outros indicativos de qualidade de vida, como a qualidade da habitação, a partir da estrutura de saneamento básico, do sistema de esgoto e de água potável. Ainda sob seu ponto de vista:

“No Brasil, a qualidade de vida do povo depende em primeiro lugar da Educação, pois ela ajuda a evitar as doenças. Em segundo lugar, da Educação, pois ela é determinante do estilo e dos hábitos de vida. E, em terceiro lugar, da Educação, pois ela representa o melhor caminho para a ascensão social de novas perspectivas e novas oportunidades”.

De acordo com Araújo e Araújo (2000), ao se relacionar atividade física e qualidade de vida, deve-se ter a consciência de que tal relação pode não ser somente positiva mas também negativa, pela ausência de resultados positivos à saúde, ou mesmo pela ausência de atividade física e pelos efeitos deletérios que a atividade física pode ocasionar à saúde trazendo conseqüentes prejuízos à qualidade de vida do indivíduo.

De acordo com Thomas (2001), o gasto energético total pode ser mais importante do que a duração e a intensidade do exercício, devendo o participante ser assistido na mudança de seu estilo de vida. Esta afirmação é fortalecida pela Canadian Society for exercise physiology, que estabelece que a atividade física não precisa ser muito vigorosa para melhorar a saúde, e que esta meta pode ser alcançada pela reformulação das atividades físicas da rotina diária, acrescentando-se períodos de 10 minutos de atividade extra, acumulando um total de 60 minutos diários.

Seguindo a linha de raciocínio, classificar qualidade de vida como boa ou ruim, relacionando-a diretamente ao entendimento do sentido de vida de um indivíduo, no instante em que se adota o efeito do exercício como fator indispensável para a melhoria da qualidade de vida, parte-se da premissa que um indivíduo inativo e sedentário não possui qualidade de vida, sem oferecer importância aos outros fatores, que proporcionam a qualidade de vida desejada, quer sejam sociais, culturais ou afetivos.

A par das evidências de que o homem contemporâneo utiliza-se cada vez menos de suas potencialidades corporais e de que o baixo nível de atividade física é fator decisivo no desenvolvimento de doenças degenerativas sustenta-se a hipótese da necessidade de se promoverem mudanças no seu estilo de vida, levando-o a incorporar a prática de atividades físicas ao seu cotidiano. Nessa perspectiva, o interesse em conceitos como “ATIVIDADE FÍSICA”, “ESTILO DE VIDA” e “QUALIDADE DE VIDA” vem adquirindo relevância, ensejando a produção de trabalhos científicos vários e constituindo um movimento no sentido de valorizar ações voltadas para a determinação e operacionalização de variáveis que possam contribuir para a melhoria do bem-estar do indivíduo por meio do incremento do nível de atividade física habitual da população.

Da análise às justificativas presentes nas propostas de implementação de programas de promoção da saúde e qualidade de vida por meio do incremento da atividade física, depreende-se que o principal argumento teórico utilizado está fundamentado no paradigma contemporâneo do estilo de Vida Ativa.

Tal estilo tem sido apontado, por vários setores da comunidade científica, como um dos fatores mais importantes na elaboração das propostas de promoção de saúde e da qualidade de vida da população. Este entendimento fundamenta-se em pressupostos elaborados dentro de um referencial teórico que associa o estilo de vida saudável ao hábito da prática de atividades físicas e, conseqüentemente, a melhores padrões de saúde e qualidade de vida. Este referencial toma a forma de um paradigma na medida em que constitui o modelo contemporâneo no qual se fundamentam a maioria dos estudos envolvendo a relação positiva entre atividade física, saúde, estilo de vida e qualidade de vida.

Identifica-se, neste paradigma, a interação das dimensões da promoção da saúde, da qualidade de vida e da atividade física dentro de um movimento denominado aqui de Movimento Vida Ativa, o qual vem sendo desencadeado no âmbito da Educação Física e Ciências do Esporte, cujo eixo epistemológico centra-se no incremento do nível de atividade física habitual da população em geral.

O pressuposto sustenta a necessidade de se proporcionar um maior conhecimento, por parte da população, sobre os benefícios da atividade física e de se aumentar o seu envolvimento com atividades que resultem em gasto energético acima do repouso, tornando os indivíduos mais ativos.

Neste cenário, entende-se que o incremento do nível de atividade física constitui um fator fundamental de melhoria da saúde pública. Uma tendência dominante no campo da Educação Física estabelece uma relação entre a prática da atividade física e a conduta saudável. A fisiologia do exercício nos mostra inúmeros estudos sustentando esta tese.

Nesta linha, Matsudo & Matsudo (2000) afirmam que os principais benefícios à saúde advindos da prática de atividade física referem-se aos aspectos antropométricos, neuromusculares, metabólicos e psicológicos. Os efeitos metabólicos apontados pelos autores são o aumento do volume sistólico; o aumento da potência aeróbica; o aumento da ventilação pulmonar; a melhora do perfil lipídico; a diminuição da pressão arterial; a melhora da sensibilidade à insulina e a diminuição da freqüência cardíaca em repouso e no trabalho submáximo. Com relação aos efeitos antropométricos e neuromusculares ocorre, segundo os autores, a diminuição da gordura corporal, o incremento da força e da massa muscular, da densidade óssea e da flexibilidade.

Segundo Guedes e Guedes (1995) na dimensão psicológica, afirmam que a atividade física atua na melhoria da auto-estima, do auto conceito, da imagem corporal, das funções cognitivas e de socialização, na diminuição do estresse e da ansiedade e na diminuição do consumo de medicamentos. A prática de exercícios físicos habituais, além de promover a saúde, influencia na reabilitação de determinadas patologias associadas ao aumento dos índices de morbidade e da mortalidade. Defendem a inter-relação entre a atividade física, aptidão física e saúde, as quais se influenciam reciprocamente. Segundo eles, a prática da atividade física influencia e é influenciada pelos índices de aptidão física, as quais determinam e são determinados pelo estado de saúde.

Segundo Caspersen (1985) atividade física é definida como qualquer movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos que resulta em gasto energético maior do que os níveis de repouso.

De acordo com Bouchard (1990), a saúde é definida como uma condição humana com dimensões física, social e psicológica, cada uma caracterizada por um continuum com pólos positivos e negativos. A saúde positiva estaria associada à capacidade de apreciar a vida e resistir aos desafios do cotidiano e a saúde negativa associaria-se à morbidade e, no extremo, à mortalidade.

Bouchard et al.(1990) definem aptidão física é um estado dinâmico de energia e vitalidade que permita a cada um, funcionando no pico de sua capacidade intelectual, realizar as tarefas do cotidiano, ocupar ativamente as horas de lazer, enfrentar emergências imprevistas sem fadiga excessiva, sentir uma alegria de viver e evitar o aparecimento das disfunções hipocinéticas.

Nesta definição distinguem a aptidão física relacionada à saúde da aptidão física relacionada à capacidade esportiva. A primeira reúne os aspectos bio-fisiológicos responsáveis pela promoção da saúde; a segunda refere-se aos aspectos promotores do rendimento esportivo.

Para Barbanti (1991) o modelo em questão vem orientando grande parte dos estudos cujo enfoque é a relação entre a atividade física e saúde na perspectiva da aptidão física e saúde.

Para Marques (1999) esta perspectiva contemporânea de relacionar aptidão física à saúde representa um estado multifacetado de bem-estar resultante da participação na atividade física. Supera a tradicional perspectiva do “fitness”, preconizada nos anos 70 e 80 – centrada no desenvolvimento da capacidade cardiorrespiratória – e procura inter-relacionar as variáveis associadas à promoção da saúde.

Segundo Magalhães Neto (1999) a um novo conceito de exercício saudável, no qual os benefícios ao organismo derivariam do aumento do metabolismo (da maior produção de energia diariamente) promovido pela prática de atividades moderadas e agradáveis.

Conforme Magalhães Neto (1999), o aumento em 15% da produção diária de calorias – cerca de 30 minutos de atividades físicas moderadas – pode fazer com que indivíduos sedentários passem a fazer parte do grupo de pessoas consideradas ativas, diminuindo, assim, suas chances de desenvolverem moléstias associadas à vida pouco ativa.

Para Matsudo (1999) as Entidades ligadas à Educação Física e às Ciências do Esporte como a Organização Mundial de Saúde (OMS), o Conselho Internacional de Ciências do Esporte e Educação Física (ICSSPE), o Centro de Controle e Prevenção de Doença – USA (CDC), o Colégio Americano de Medicina Esportiva (ACSM), a Federação Internacional de Medicina Esportiva (FIMS), a Associação Americana de Cardiologia e o Centro de Estudos do Laboratório de Aptidão Física de São Caetano do Sul (CELAFISCS) preconizam que sessões de trinta minutos de atividades físicas por dia, na maior parte dos dias da semana, desenvolvidas continuamente ou mesmo em períodos cumulativos de 10 a 15 minutos, em intensidade moderada, já são suficientes para a promoção da saúde.

Powell et al. (1985) nesta mesma direção, encontram-se numerosos trabalhos de abordagem epidemiológica assegurando que o baixo nível de atividade física intervém decisivamente nos processos de desenvolvimento de doenças degenerativas.

Dentre os estudos mais expressivos envolvendo esta linha de pesquisa, tem-se o estudo de Paffenbarger (1993). Analisando ex-alunos da Universidade de Harvard, o autor observou que a prática de atividade física está relacionada a menores índices de mortalidade. Comparando indivíduos ativos e moderadamente ativos com indivíduos menos ativos, verificou que a expectativa de vida é maior para aqueles cujo nível de atividade física é mais elevado. Com relação ao risco de morte por doenças cardiovasculares, respiratórias e por câncer, o estudo sugere uma relação inversa deste com o nível de atividade física .

Powell et al. (1985) estudos experimentais sugerem que a prática de atividades de intensidade moderada atua na redução de taxas de mortalidade e de risco de desenvolvimento de doenças degenerativas como as enfermidades cardiovasculares, hipertensão, osteoporose, diabetes, enfermidades respiratórias, dentre outras. São relatados, ainda, efeitos positivos da atividade física no processo de envelhecimento, no aumento da longevidade, no controle da obesidade e em alguns tipos de câncer.

Destas constatações infere-se que a realização sistemática de atividades corporais é fator determinante na promoção da saúde e da qualidade de vida.

A relação atividade física e saúde vêm sendo gradualmente substituídas pelo enfoque da qualidade de vida, o qual tem sido incorporado ao discurso da Educação Física e das Ciências do Esporte. Tem, na relação positiva estabelecida entre atividade física e melhores padrões de qualidade de vida, sua maior expressão.

Observam-se, nos eventos científicos, nacionais e internacionais, realizados nos últimos anos, a ênfase dada a esta relação. Muitas são as declarações documentadas neste sentido.

O Simpósio Internacional de Ciências do esporte realizado em São Paulo em outubro de 1998, promovido pelo CELAFISCS com o tema Atividade Física: passaporte para a saúde privilegiou em seu programa oficial a relação saúde/atividade física/qualidade de vida destacando os seus aspectos funcionais e anatomo-funcionais.

A relação entre atividade física e saúde envolve uma multiplicidade de questões. Resolvê-la exclusivamente pelo paradigma naturalista é desconhecer a complexidade do tema. O ser humano não pode ser reduzido à dimensão biológica pois é fruto de um processo e de relações sociais bem mais amplas e abrangentes.

CAPÍTULO 3: MUSCULAÇÃO X TERCEIRA IDADE

3.1 A Importância da Musculação para um Envelhecimento Saudável

Para Campos (2004) o uso da musculação para os idosos é uma forma de diminuir os declínios de força e massa muscular relacionados com a idade, o que resulta em melhoria da qualidade de vida. Há centenas de publicações de pesquisas sobre os benefícios do treinamento resistido para pessoas acima dos sessenta anos de idade, e vários destes estudos demonstraram que, inclusive pessoas acima de noventa anos, podem obter ganhos de força muscular com melhoria da saúde e da capacidade funcional, tornando-se mais entusiasmadas e independentes. Na aplicação da musculação para este tipo de população é necessário um profundo conhecimento das alterações fisiológicas associadas à idade e dos riscos deste tipo de atividade em faixas mais avançadas. Pesquisas têm mostrado que o treinamento de força de alta intensidade tem um profundo efeito sobre a independência funcional e a qualidade de vida de idosos com idades até acima de cem anos.

O fortalecimento muscular resulta em melhoria da força, resistência, densidade óssea, flexibilidade, agilidade e equilíbrio, embora o aumento da força muscular pareça ser o fator mais determinante na melhora da contínua independência.

Para Nieman (1999) uma investigação através de minuciosa anamnese e avaliação física, além de prévia aprovação médica são fundamentais para a maior segurança e certeza dos benefícios desta atividade. Uma das grandes tragédias de nossa sociedade é que estamos aumentando a longevidade do homem e da mulher sem ensina-los a reter a habilidade para operar independentemente. A média das pessoas para aproximadamente uma década com alguma forma de incapacidade antes de morrer e, para a maior parte, deteriorações da capacidade física podem ser prevenidas, ou ao menos minimizadas, com um programa regular de treinamento de força. O treinamento com pesos pode retardar ou amenizar a perda de força, da massa muscular, da flexibilidade e da densidade óssea relacionada à idade, possibilitando a manutenção da boa saúde, da capacidade funcional e, conseqüentemente uma vida mais independente. O ideal de atividade física para o idoso seria associar exercícios com pesos, os aeróbicos e os de flexibilidade.

Porém, na necessidade de definir prioridades, o Colégio Americano de Medicina do Esporte se posiciona considerando a musculação (exercícios de força) como sendo a mais importante. Uma avaliação média e física prévia associada a um programa de treinamento com pesos bem planejado, podem auxiliar significativamente homens e mulheres idosos na busca da melhor qualidade de vida.

Segundo Géis (2003) a fraqueza musculoesquelética tem sido uma das maiores causas e incapacidade nas populações, predispondo os idosos e quedas e limitando as atividades da vida diária. A falta de condicionamento, inatividade física ou doença crônica resultam numa diminuição da força, potência, resistência, flexibilidade e amplitude de movimento, promovendo um decréscimo do condicionamento funcional e da habilidade de executar as atividades da vida diária (GEIS, 2003).

Marquez Filho (2003) relata que o condicionamento funcional é o nível de condicionamento necessário para uma pessoa cuidar sozinha das necessidades domésticas, sociais e da vida diária, bem como manter-se independente em casa. A melhoria dos componentes do condicionamento funcional (força muscular, potência, resistência, flexibilidade e amplitude de movimento), separadamente ou em combinação, é de extrema importância para manter o desempenho de atividades como subir escadas ou levantar de uma cadeira. A força dos músculos extensores do quadril é necessária para o ato de levantar, partindo da posição sentada. Se estes músculos ficarem retesados e perderem sua elasticidade, o gesto de caminhar se tornará limitado, a postura ficará errada, qualquer atividade requererá maior gasto energético e a fadiga acontecerá prematuramente, havendo uma maior dificuldade em manter o equilíbrio.

3.2 Os Benefícios da Musculação para Idosos

De acordo com Campos (2004) um programa de musculação bem elaborado pode resultar em inúmeros benefícios para os idosos como aumentos na massa muscular, hipertrofia das fibras musculares, aumento da densidade óssea e melhoria da performance tanto nas atividades da vida diária quanto nas atividades que exijam força muscular. Parece não haver melhorias do sistema endócrino relacionadas ao treinamento de força entre os benefícios gerais estão:

• Aumento da força muscular;
• Pequeno aumento da potência muscular;
• Aumento das fibras musculares tanto do tipo I como do tipo II;
• Pequeno aumento da área de secção transversal;
• Diminuição dos níveis de dor;
• Diminuição de gordura intra-abdominal;
• Motilidade gastrointestinal;
• Melhoria dos fatores neurais;
• Aumento da densidade óssea;
• Diminuição da porcentagem de gordura;
• Diminuição dos riscos de doenças cardiovasculares;
• Diminuição dos riscos de desenvolvimento de diabetes;
• Diminuição de lesões causadas por quedas;
• Aumento da capacidade funcional;
• Melhoria da postura geral;
• Aumento da motivação e melhoria da auto-imagem;
• Aumento da agilidade;
• Aumento da flexibilidade;
• Aumento da resistência

Monteiro et al. (1999) afirmam que através do treinamento de força se pode aumentar a agilidade de pessoas idosas, ou seja, melhorar a capacidade destas pessoas em realizar deslocamentos alterando seu centro de gravidade, e a partir daí, incrementar seu equilíbrio, possibilitando a estes idosos realizarem com segurança os movimentos do cotidiano.

Para Barbosa et al. (2000) o tipo específico de exercício é que determinará as adaptações específicas dos mecanismos fisiológicos do indivíduo devido a adaptações favoráveis no próprio músculo e em sua organização neural.

Para Raso et al. (1997) os benefícios do treinamento de força para idosos vão além disto. A sobrecarga mecânica provocada pelo treinamento físico estimula o efeito pizoelétrico no osso que assim, gera maior atividade osteoblástica, aumentando a formação óssea pelo incremento na síntese de proteínas e de DNA, tornando-os menos suscetíveis às fraturas ósseas que geralmente acompanham pessoas idosas, principalmente as mulheres; Assim, o treinamento de força muscular mais que o treinamento aeróbio, estaria diminuindo os efeitos negativos do envelhecimento sobre as variáveis neuromusculares e proporcionando ao idoso, a possibilidade de ser funcionalmente independente além de reduzir a incidência de fraturas ósseas.

Conforme Matsudo et al. (2000) o treinamento de força para o idoso vem sendo muito estudado por muitas linhas de pesquisas, onde muitos autores, dentre eles, médicos, professores e fisioterapeutas apontam como indispensável para se adquiri uma boa qualidade de vida.

Segundo Fleck e Kramer (1999) as pessoas com o passar dos anos vão perdendo sua autonomia para caminhar, agachar, carregar objetos mais pesados, ou até no simples ato de se levantar, devido à perda de massa muscular (sarcopenia), aproximadamente 10% à 15% e óssea que é de aproximadamente 3% (homens) e 10% (mulheres), por década. Com isso, aumentam os números de quedas e conseqüentemente fraturas.

Para Raso et al. (2001) só para se ter uma pequena idéia do decréscimo da força muscular, uma pessoa idosa que venha a interromper seu programa de musculação perde aproximadamente 27,4% da força muscular de membros inferiores e 35,1% de membros superiores num período de 12 semanas de interrupção.

Para Fleck e Kramer (1999) o treinamento de força tem como benefícios diretos, a prevenção da osteoporose, doenças cardiovasculares, melhora na estética corporal, autonomia, força, potência e resistência muscular, diminuição na perda de massa muscular, enfim na auto-estima do idoso entre outros.

Segundo Monnerat (2002) um dos grandes benefícios da musculação perante as outras atividades é respeitar a individualidade biológica de cada, assim podem-se diminuir os riscos de lesão. Porém a musculação é uma atividade pouco motivante, cabendo ao professor o papel de principal incentivador.

Para Campos (2004) a relação tende a continuar conforme os estudos vão encontrando outros benefícios importantes para a melhoria da qualidade de vida do idoso. O treinamento de força se não é a melhor forma pe uma das melhores quando o assunto é saúde e resultado para o idoso. Cada vez mais evidências científicas vem apontando os ganhos de uma vida mais ativa com os benefícios da grande aliada musculação.

Como resultados de força pode-se observar:

• Melhora na velocidade de andar;
• Melhora no equilíbrio;
• Auxílio no controle da diabetes, artrite e doenças cardíacas;
• Melhora da ingestão alimentar;
• Diminuição da depressão;
• Melhora da auto-estima;
• Fortalecimento da musculatura;
• Melhora dos reflexos;
• Diminuição de problemas cardiovasculares;
• Manutenção da densidade óssea, prevenindo a tão temida osteoporose e suas conseqüências degenerativas.

De acordo com Meirelles (2000) um fato muito comum na terceira idade é as quedas, que por falta de uma musculatura preparada acabam causando fraturas, por isso a importância de um reforço muscular. O músculo deve estar forte para agüentar qualquer tipo de fratura e proteger nossa estrutura óssea. Mas é importante ressaltar que apesar de todos os benefícios que a musculação proporciona não só para o idoso quando para o jovem, é de suma importância que exista prazer por parte do praticante ao se realizar qualquer atividade física. É imprescindível que corpo e mente esteja em equilíbrio.

De acordo com Fleck e Kraemer (1999) os benefícios da prática de musculação para as várias faixas etárias, já são bastante conhecidos e comprovados. Porém, a contribuição desta modalidade para os idosos tem sido enfatizada com grande interesse pelos profissionais da área e pelos meios de comunicação.

3.3 A Programação Básica do Treinamento com Musculação

Para Matsudo et al (2001) com base nesta pequena revisão os idosos não devem se prender apenas ao treinamento aeróbio caminhadas, corridas, natação,…) como sendo a principal atividade, mais conciliar as duas formas de treinamento para atingir uma boa qualidade de vida .

Conforme Campos (2004) para a montagem de uma programação que realmente traga benefícios e seja segura e compatível com o idoso, os seguintes fatores devem ser lembrados:

• O programa deve ser individualizado. Sempre há inúmeras variáveis que devem ser consideradas na montagem do programa e cada uma delas varia entre os indivíduos.
• A progressão deve ser linear.
• A ação de radicais livres e o envelhecimento celular. A intensidade correta dos exercícios de musculação e alongamentos, bem como uma dieta que suplemente corretamente as principais vitaminas antioxidantes (vitaminas A, C e Beta Caroteno), ajudam a diminuir a ação dos radicais livres que afetam no envelhecimento celular e aumentam o risco de doenças.
• Identificar todos os fatores de risco. Os fatores de risco como obesidade, hipertensão, tabagismo, relação cintura-quadril etc, devem ser levados em consideração para a segurança do exercício.
• Requerer a liberação médica para este tipo de atividade. Somente o médico pode verificar se o idoso está apto ou não para se engajar num programa de musculação.
• Não utilizar a manobra de valsava ou respiração bloqueada. A expiração forçada contra a glote fechada, como na manobra de valsava, aumenta a pressão intratorácica e impede o retorno venoso ao coração. A respiração bloqueada durante o esforço aumenta a pressão arterial.
• Os exercícios escolhidos devem trabalhar os grandes grupos musculares com uma média de quatro a seis exercícios, mais três a cinco exercícios para grupos musculares menores e pelo menos um exercício para cada principal grupo muscular. Os exercícios podem ser feitos com pesos livres e/ou com aparelhos. Na fase de adaptação, os aparelhos e determinadas posições devem ser preferidos por diminuírem as exigência de estabilização e consciência postural. Na escolha dos exercícios é importante selecionar aqueles que têm menor risco de quedas com possíveis fraturas.
• A ordem dos exercícios deve seguir as seguintes fases:

a) O aquecimento – que pode durar de cinco a dez minutos (dependendo da temperatura ambiente), com a inclusão de alongamentos.
b) A sessão de musculação propriamente dita – com ênfase nos grandes grupos e depois nos pequenos grupos musculares.
c) A volta à calma – que pode ser feita com recuperação ativa e exercícios de alongamento. Uma música de relaxamento ajuda bastante neste período do treino.

• A sobrecarga utilizada. A sobrecarga utilizava varia com o estágio do treinamento e com o nível de condicionamento prévio, mas os valores devem ficar entre 50-80% de 1 RM (uma repetição máxima), sem esquecer o princípio de progressão.
• O número de séries. O número de séries depende de algumas variáveis mas, de maneira geral, são realizadas duras a três séries por exercício. Comece com uma série e avance para três, em concordância com o avanço das adaptações do idoso.
• O número de repetições. Deve variar entre seis e quinze de acordo com as variáveis. Não é indicada a realização da série até a falha concêntrica, pois isto aumenta a pressão sangüínea e a freqüência cardíaca, principalmente com cargas entre 50-90% de IRM.
• Descanso entre as séries e exercícios. O tempo de descanso tanto entre as séries quanto entre os exercícios depende de muitas variáveis como nível de condicionamento, estado nutricional, intensidade do exercício, entre outras. Em geral, quando a intensidade do exercício já estiver próxima de 80% de IRM, é recomendável num descanso de dois a três minutos.
• Freqüência dos treinos – deve variar de acordo com a intensidade do treinamento e com a forma do programa. Por exemplo: programas onde é utilizada uma separação dos grupos musculares trabalhados por dia podem ser feitos praticamente todos os dias com uma média de quatro a cinco vezes por semana. Já os programas que trabalham o corpo todo no mesmo dia devem ter um intervalo de pelo menos um dia entre as sessões. Quando maior a intensidade do treinamento maior deve ser o período de recuperação. Lembre-se de que a fase de anabolismo pós-exercício do idoso é mais lenta do que a de um jovem. Se apareceram os sintomas de overtraining, o período de recuperação pode estar curto demais.
• O princípio de reversibilidade. As adaptações do treinamento permanecem enquanto as demandas fisiológicas e metabólicas continuam. A reversão das adaptações começa dias após a interrupção do treinamento. Uma vez que um certo nível de condicionamento é atingido, uma mínima quantidade de exercícios regulares é necessária para manutenção das adaptações. Em geral, a manutenção das adaptações do treinamento requer menos exercício do que é necessário para induzir as alterações iniciais. Sendo assim, para o idoso a atividade física deve fazer parte dos afazeres da vida diária e deve perdurar enquanto for possível.
• O princípio da especificidade: a musculatura esquelética responde especificamente à demanda fisiológica e metabólica do exercício. Assim, o treino deve refletir as demandas energéticas e musculares específicas das atividades em que o idoso é mais deficiente.
• O princípio da sobrecarga: o corpo se adapta à demanda fisiológica e metabólica do exercício, com o tempo. As sobrecargas de treinamento devem progressivamente aumentar para induzirem a contínua melhora das adaptações. No idoso esta sobrecarga não deve ultrapassar 80-90% de IRM.
• Periodização: a periodização permite uma variação do treinamento, evita a desmotivação e ajuda a prevenir o overtraining. Além disso, a periodização permite um contínuo ajustamento do programa de treinamento em resposta ao progresso do idoso ou a outros fatores como lesões e doenças.

Segundo Fleck e Kraemer (1999) pelo menos um exercício para todos os principais grupos musculares deve ser incluído no programa e os exercícios que envolvam grandes grupos musculares devem ser normalmente colocados na frente dos demais. Deve-se evitar a manobra de valsalva, respeitar o intervalo entre as séries e o período de descanso para o músculo.

Para Campos (2004) a mudança nos costumes alimentares para uma dieta balanceada e de qualidade, a interrupção do hábito de fumar e/ou beber em excesso, bem como a importância que estas alterações trazem para a saúde, devem fazer parte das orientações do profissional ao idoso, no começo do programa de treinamento.

CONCLUSÃO

O envelhecimento fisiológico não acompanha necessariamente a idade cronológica, pois isto varia de pessoa para pessoa, levando em conta muitos fatores, mas principalmente o estilo de vida de cada um.

Diante desse envelhecimento, o exercício físico é, com certeza um grande aliado e pode prevenir e retardar este processo de envelhecimento. Assim, sendo, principalmente os idosos devem se manter ativos visando principalmente:

– Aumento da autonomia e sensação de bem-estar
– Aumento da força muscular
– Manutenção ou melhora da flexibilidade
– Maior coordenação motora e equilíbrio
– Maior sociabilidade
– Melhora do condicionamento cardio respiratório
– Controle do peso corporal
– Diminuição da ansiedade e depressão
– Maior independência pessoal
– Ajuda no tratamento e prevenção de doenças, entre outros.

Para alcançar tais objetivos, o idoso deve praticar alguma atividade física, a qual irá propiciar melhor qualidade de vida.

Uma das atividades físicas que pode interferir e retardar o processo do envelhecimento é a musculação, a qual foi criada como um meio de facilitar a vida das pessoas, fazendo com que atinjam seus objetivos em nível de estética e saúde de uma forma rápida e segura, ao mesmo tempo combatendo as doenças degenerativas que geralmente aparecem na terceira idade.

Atualmente a musculação é considerada a melhor atividade física para pessoas da terceira idade, devido ao trabalho individualizado, a fácil forma de controle de carga, e por não causar impacto sobre as articulações. E, ainda, o posicionamento da postura nos aparelhos é o mais confortável possível, evitando qualquer lesão sobre a coluna.

Mesmo o idoso sabendo que a musculação traz inúmeros benefícios para a o seu estado de vida em geral, a mesma deverá ser orientada por professores especializados da área de educação física, para que se torne uma atividade não só saudável como também segura, trazendo inúmeros benefícios ao praticante. Tais benefícios farão com as atividades cotidianas tornem-se mais eficientes, devolvendo ao idoso o bem estar físico e conseqüentemente a auto-estima e vontade de viver.

Concluindo, conforme verificado na revisão da literatura para a elaboração dessa monografia pode-se dizer que a musculação tem implicações sobre a qualidade e expectativa de vida, contribuindo para a prevenção das doenças prolongando o tempo de vida, repercutindo de maneira favorável no desenvolvimento, favorecendo a saúde física e mental do idoso.

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