Marketing

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Relatório sobre Vídeo da Coca – Cola

A Coca-Cola foi criada por Pemberton na tentativa de encontrar uma solução para suprir o vício que possuía por morfina. Inicialmente este xarope era utilizado com fins medicinais para o tratamento de alguns males, entre eles dor de cabeça e ressaca, além de possuir fins energéticos. Seu primeiro ponto de comercialização foi uma farmácia na cidade de Atlanta, onde logo após foi criado o logotipo do produto que já possuía na época a caligrafia elegante e que em pouco tempo se espalhou pelos próximos pontos de vendas, muros, revistas e cartazes. Possuir o logotipo era sinônimo de aumento de vendas para o estabelecimento.

Em 1891, Pemterton vendeu a marca para Candler, onde explodiu a evolução da mesma. As pessoas não queriam precisar ficar doentes para consumir o produto e a partir disto surge o refresco produzido em escala ampliada. Então, a Coca-Cola passa a ser conhecida como uma bebida moderna, consumida pelo publico jovem, sendo requisitada em bares e festas.

Durante as primeiras décadas o visual publicitário da Coca – Cola evoluiu e houve uma tendência em mostrar pessoas jovens, saudáveis e felizes, houve porém, restrição em mostrar crianças menores de 12 anos nos anúncios devido a formula possuir Cocaína e Cafeína.

Outro ponto considerável da jogada de Marketing adotado pela Coca – Cola foi quanto ao surgimento da concorrência (Pepsi), sendo criado um diferencial na embalagem do produto (em formato das saias das moças da época), afim de que em ocasiões como as de festas com ambientes escuros, o consumidor pudesse identificar pelo tato o produto que estava sendo consumido.

Nesta fase Coca-Cola competia com a Pepsi, porém a comparação podia ser feita como se fossem duas portas: Coca – Cola a porta de entrada e a Pepsi a porta de saída. Outro fator importante e muito interessante impulsionado pela Coca-Cola foi à de desmistificação do então verdadeiro “Papai Noel” que em sua real imagem era magro, alto e com cara de severo, sendo recriado pela empresa como um velhinho bondoso, gordo e bonito. Esta imagem reescreveu a história do Natal e é utilizada até os dias atuais pela Coca e pelo mundo.

Hoje a Coca-Cola pode ser considerada um mito, uma religião.

Tese Globalização

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A Nova Hierarquia dos Espaços

O conceito de espaço no nosso desenvolvimento está sem dúvida gerando interesse crescente, mas também crescente confusão. Afinal, para onde vão as macrotendências: globalização, blocos, poder local? Entre o “Small is Beautiful” e a “aldeia global”, há razões de sobra para se discutir de forma mais aprofundada, ou em todo caso mais organizada, o conceito de espaço, e a importância que assume no nosso cotidiano.

Referimo-nos aqui aos espaços da reprodução social. Na realidade, a simples reprodução do capital, ou reprodução econômica, já não é suficientemente abrangente para refletir os problemas que vivemos, inclusive para entender a própria reprodução do capital. Na linha imprimida pelos sucessivos relatórios sobre Desenvolvimento Humano das Nações Unidas, o objetivo central do desenvolvimento é o homem, a economia é apenas um meio. Ninguém mais se impressiona com o simples crescimento do PIB, e tornou-se cada vez mais difícil identificar bem estar humano com o bem estar das empresas.

Por outro lado, trabalharemos com o conceito de reordenamento dos espaços, na medida em que conceitos como “globalização” trazem uma visão simplificada de abertura e unificação dos espaços da reprodução social. O que está ocorrendo, é uma nova hierarquização dos espaços, segundo as diferentes atividades, envolvendo tanto globalização como formação de blocos, fragilização do Estado-nação, surgimento de espaços sub-nacionais fracionados de diversas formas, transformação do papel das metrópoles, reforço do papel das cidades, e uma gradual reconstituição dos espaços comunitários desarticulados por um século e meio de capitalismo. E estes diversos espaços em plena transformação e rearticulação abrem novas dimensões para a inserção do indivíduo no processo de reprodução social, permitindo talvez a reconstituição de um ser humano completo a partir dos segmentos de homo oeconomicus, de homo ludens, de homo culturalis hoje fragmentados, numa economia que se unificou na mesma medida em que desarticulou a sociedade.

O Espaço Global

A globalização constitui ao mesmo tempo uma tendência dominante neste fim de século, e uma dinâmica diferenciada. Um excelente exemplo nos é dado pela dimensão da especulação financeira. A circulação financeira internacional ultrapassa, em 1995, o trilhão de dólares por dia, para uma base de trocas efetivas de bens e serviços da ordem de 20 a 25 bilhões, o que significa trocas 40 vezes maiores do que as que seriam necessárias para cobrir atividades econômicas reais. Esta ampliação dramática da especulação financeira é literalmente carregada pelas novas tecnologias: a integração dos espaços mundiais de comunicação, via satélites e fibras óticas, e a capacidade de tratamento instantâneo de informação em gigantescas quantidades com a informática, levou a uma grande dianteira, na globalização, de um setor cuja matéria prima — a informação — é particularmente fluida, e que dispõe de amplos recursos para financiar os equipamentos mais modernos.

As avaliações da crise de 1987 permitem hoje entender melhor o ponto crítico deste processo: na era do dinheiro volátil, os fluxos se tornaram mundiais, enquanto os instrumentos de regulação continuam no âmbito do Estado nacional. É curioso ver o banco central norte-americano, o Federal Reserve, confessar a sua incompetência jurídica, na medida em que o seu campo de atuação é essencialmente nacional, e a sua impotência técnica, na medida em que não dispõe de computadores sequer para seguir o que está acontecendo.

Por traz desta desarticulação está o descompasso entre a rapidez da evolução das técnicas, e a relativa lentidão das transformações institucionais, gerando um amplo espaço econômico mundial sem nenhum controle ou regulação, e uma perda global de governabilidade no planeta. O dramático aumento de vendas de armas para a África, para compensar a perda de mercados com o fim da guerra fria, a mundialização e expansão do tráfico de drogas, ou a prática generalizada de sobre-pesca em águas internacionais, destruindo a capacidade básica de reprodução da biomassa marítima, são algumas conseqüências deste novo faroeste mundial.

Na ausência de governo mundial, há segmentos bem mais globais do que os outros: trata-se de uma globalização hierarquizada. Navegam com confiança neste espaço as cerca de 500 a 600 grandes empresas transnacionais que comandam 25% das atividades econômicas mundiais, e controlam cerca de 80 a 90% das inovações tecnológicas. Estas empresas pertencem aos Estados Unidos, Japão, Alemanha, Grã-Bretanha e poucos mais, e constituem um poderoso instrumento de elitização da economia mundial. No dizer franco de um economista, neste sistema, “quem não faz parte do rolo compressor, faz parte da estrada”. A verdade é que ampla maioria das populações do mundo hoje faz parte “da estrada”.

Mas sobretudo, a globalização não é geral. Se olharmos o nosso cotidiano, desde a casa onde moramos, a escola dos nossos filhos, o médico para a família, o local de trabalho, até os horti-fruti-granjeiros da nossa alimentação cotidiana, trata-se de atividades de espaço local, e não global. É preciso, neste sentido, distinguir entre os produtos globais que indiscutivelmente hoje existem, como o automóvel, o computador e vários outros, e os outros níveis de atividade econômica e social. Isto nos evitará batalhas inúteis — não há nenhuma razão para que um país tenha de se dotar de uma indústria automobilística para ser moderno — ao mesmo tempo que nos permitirá enfrentar melhor as batalhas possíveis.Daí a necessidade de substituirmos a visão de que “tudo se globalizou”, por uma melhor compreensão de como os diversos espaços do nosso desenvolvimento se articulam, cada nível apresentando os seus problemas e as suas oportunidades, e a totalidade representando um sistema mais complexo.

A formação dos blocos

A formação de blocos, vista como tendência geral, ou simples transição para o global, constitui outra visão simplificadora.

A Comunidade Européia surge nos anos 1950 numa situação histórica precisa, de um conjunto de países pequenos e médios prensados entre dois mega-poderes, da União Soviética de um lado, e dos Estados Unidos do outro, e buscando recuperar um mínimo de peso específico para não se verem engolidos no processo. Surge também do choque de civilização que foi para a Europa ocidental constatar a que nível de barbárie os nacionalismos estreitos podiam levar. Hoje, a União Européia atrai novos países pela simples força de arrasto de uma economia de 6 trilhões de dólares, com o seu núcleo dominante constituído pela Alemanha, com 1,8 trilhões de dólares de PIB, a França com 1,3, a Itália com 1,2 e o Reino Unido com 0,9. Estes quatro países somam um PIB de 5,2 trilhões.

A Associação Norte Americana de Livre Comércio (NAFTA) é mais claramente a associação do que já estava associado. É bom lembrar que os Estados Unidos têm um PIB da ordem de 5,9 trilhões de dólares, e 255 milhões de habitantes: em termos econômicos, não é a associação com o Canadá com os seus 490 bilhões de dólares de PIB que iria modificar radicalmente a situação, e muito menos com o México e os seus 330 bilhões. O que há de real é aqui também um poder de arrasto de uma mega-economia, cuja osmose econômica com os dois países vizinhos, que já era realidade há tempos, veio apenas ganhar forma organizada.

A formação da “Zona de Co-prosperidade Asiática” é igualmente tributária do poder de um gigante econômico de 3,7 trilhões de dólares, o Japão: é bastante óbvio o poder de atração exercido sobre satélites do porte da República da Coréia, com um PIB de 296 bilhões de dólares, de Cingapura, com 42 bilhões (1,1% do produto japonês!) ou de Hong Kong com 77 bilhões.

Ainda não se sabe como se configurará a geo-política das novas repúblicas do leste europeu relativamente à Rússia. No entanto, de forma geral é claro que os blocos realmente existentes constituem essencialmente uma aproximação de satélites em torno de três gigantes econômicos, que controlam quase três quartos da produção mundial. Transformar este poder de atração das três grandes potências em tendência geral para formação blocos, constitui uma transposição de situações sem muito sentido.

Assim, os entusiasmos passageiros com a ALALC, o Grupo Andino e tantos outros que já surgiram têm de ser moderados, e no caso do Mercosul, temos de trabalhar com boa dose de realismo. O Uruguai tem 3,1 milhões de habitantes, o Paraguai tem 4,5, e os dois países somam um PIB de 15 milhões de dólares, cerca do dobro do produto da Baixada Santista. O Brasil tem um PIB da ordem de 400 bilhões de dólares. A Argentina, com 33 milhões de habitantes, e um PIB da ordem de 200 bilhões de dólares, constitui sem dúvida um aporte significativo, mas no conjunto o nosso “bloquinho” ficaria mais ou menos na dimensão da economia espanhola, ela mesma um sócio menor da União Européia. Este raciocínio não significa que a aproximação não seja sumamente válida, mas nos traz uma visão mais realista do que representamos e nos orienta melhor para as estratégias a adotar, evitando simplificações abusivas.

No conjunto, a formação de blocos não representa para os países do Terceiro Mundo a mesma dinâmica que a que foi originada com as mega-potências econômicas, e a aproximação entres as economias pobres deverá passar bastante mais pela definição de políticas comuns frente aos países dominantes, buscando uma inserção mais vantajosa na economia internacional, ao mesmo tempo que se deverá trabalhar uma integração efetiva do tecido econômico e institucional através de formas descentralizadas de cooperação.

A erosão do Estado-nação

O dilema ao nível da nação fica bastante claro ao examinarmos as tentativas de se implantar no Brasil uma política de juros capaz de conter o consumo e a inflação: a elevação da taxa de juros, normalmente uma iniciativa soberana tomada pelo Banco Central, levou em 1995 a um afluxo gigantesco de capitais internacionais à procura de altas remunerações. Tratando-se de capital especulativo extremamente volátil, não reforça a capacidade de investimentos no país, e leva pelo contrário a uma drenagem impressionante de recursos nacionais pela alta remuneração conseguida, tornando a posição insustentável. Temos aqui claramente os limites de políticas institucionais que continuam sendo de âmbito nacional quando as dinâmicas financeiras já são mundiais.

Há aqui indiscutivelmente um processo de erosão de soberania. Indo-se um pouco mais além, constatamos que esta erosão transforma também a nossa cidadania. O dito popular “quero votar para Presidente dos Estados Unidos” assume aqui todo o seu sentido: somos excluídos das decisões que ultrapassam o nível nacional. Alain Bihr se refere corretamente à necessidade, neste sentido, de se “dissociar o exercício da cidadania do quadro estreito da nacionalidade no qual este tem sido mantido”.

Por outro lado, o Governo central vê o seu papel profundamente alterado pela própria aceleração das transformações econômicas e sociais. Frente a mudanças tecnológicas e de relações sociais de produção extremamente rápidas, o Estado tradicional faz figura de dinossauro, amplamente ultrapassado por uma dinâmica que exige respostas rápidas e flexíveis a situações diversificadas e complexas. Isto pode ser visto simplesmente como um problema “estreito”, de eficiência administrativa. Na realidade, quando as decisões são formalmente colocadas em níveis institucionais onde o cidadão não pode influir sobre o seu curso de maneira significativa, é a própria racionalide política que se vê deformada.

Foi-se o tempo das sociedades relativamente homogêneas, com proletariado, campesinato e burguesia, e uma visão de luta de classes relativamente clara. A sociedade moderna é constituída por um tecido complexo e extremamente diferenciado de atores sociais. Assim, políticas globais tornam-se desajustadas, reduzindo-se a competência das decisões centralizadas. Como a intensidade das mudanças exige também ajustes freqüentes das políticas, é o próprio conceito da grande estrutura central de poder que se vê posto em cheque. Situações complexas e diferenciadas, e que se modificam rapidamente, exigem muito mais participação dos atores sociais afetados pelas políticas. Exigem, na realidade, sistemas muito mais democráticos.

A implicação prática deste raciocínio, é que mais importante do que o dilema privatização/estatização, é a hierarquização adequada dos diversos espaços institucionais. Neste sentido, a longo prazo, o nível central de decisão do pais tem de se preocupar com a coerência das grandes infraestruturas econômicas, com os equilíbrios macroeconômicos, com as desigualdades regionais, com a inserção do país na economia mundial, com os eixos tecnológicos de longo prazo. Problemas mais específicos terão de ser transferidos para espaços de decisão mais próximos do cidadão.

Finalmente, conforme veremos em detalhe mais adiante, constituímos hoje dominantemente sociedades urbanizadas. Com isto constituiu-se um tecido social organizado, a cidade, freqüentemente maior inclusive do que muitos dos Estados-nação herdados do passado. Foi-se o tempo em que tudo tinha de ser feito na “capital”, porque aí estavam localizados o governo, os técnicos, os bancos, enquanto o “resto” era população rural dispersa. E a tendência natural é para as cidades assumirem gradualmente boa parte dos encargos antigamente de competência dos governos centrais, completando assim a transformação do papel do Estado-nação na hierarquia dos espaços sociais.

Uma frase de recente relatório das Nações Unidas resume bem o problema: “o Estado-nação tornou-se pequeno demais para as grandes coisas, e grande demais para as pequenas.”

Os regionalismos

Uma sociedade mais global pode ser muito menos “pasteurizadora” das culturas nacionais do que as tradicionais nações. Nos tempos da Espanha fechada, aparecia como uma ameaça à “integridade nacional” uma região ter as suas particularidades, uma escola valorizar línguas locais. Numa Espanha integrada ao espaço europeu, já não há apenas um problema de bascos na Espanha, mas também o dos bretões na França, dos flamengos e walons na Bélgica, de lombardos na Itália e assim por diante. No espaço europeu, a pluralidade cultural, a revalorização de tradições e costumes locais ou regionais, não ameaça nacionalidade de ninguém, e não é surpreendente a Espanha inserida na União Européia adotar o regime de autonomias regionais.

Neste sentido, e na linha das análises de John Naisbitt, a multiplicação de “nações”, de regiões com os seus particularismos, pode ser perfeitamente coerente com a própria globalização e com as novas funções mais atenuadas do Estado-nacional.

É bastante natural, neste contexto de profundo e rápido reordenamento da expressão espacial da reprodução social, que se gere forte confusão. Numa Iugoslávia criada artificialmente por acordos e interesses internacionais, não há nenhuma razão para que não voltem a existir pequenos países que têm tradição milenar, como a Bósnia ou a Servia, de toda forma integrados num espaço econômico mais amplo. O absurdo, é a transformação de uma válida revalorização de culturas e tradições, numa volta tardia aos nacionalismos fascistas característicos das décadas de 1920 e 1930, para os quais já não há sequer espaço econômico.

É o próprio conceito de nação que tem de ser revisto. A expressão e vivência do sentimento de identidade é absolutamente vital para o ser humano, e esta identidade é com um grupo, com tradições, com valores, com uma língua ou um dialeto, com roupas, com cultura no sentido amplo: não se materializa necessariamente na existência de um exército, de uma polícia política e de guardas nas fronteiras. E não se vê necessariamente afetada pelo tipo de aparelho de música ou pela marca do carro utilizado.

O papel das metrópoles

É necessário insistir, antes de tudo, no fato das metrópoles constituírem um fenômeno recente. Somos a primeira geração a conhecer cidades de 15 ou 20 milhões de habitantes, megalópoles com um conjunto de novos problemas e novas determinações.

Os grandes espaços metropolitanos constituiram-se em geral na continuidade do processo de urbanização que resultou da industrialização e das transformações do espaço rural. Hoje, no entanto, a indústria entrou no mesmo ciclo de redução de volume de emprego pelo qual passaram as agriculturas, e problemas tanto sociais como ambientais empurram as empresas para centros menores.

O Rio de Janeiro é característico de uma cidade que não teve a visão da sua transição. Foi capital, e com a criação de Brasília perdeu boa parte das suas atividades econômicas ligadas à função administrativa. Foi um grande centro industrial, mas naturalmente a indústria foi migrando para o vale do Paraíba e outras regiões, pois grandes cidades já não constituem uma base adequada para as atividades industriais. Com a perda do papel da capital e a redução da base industrial, o porto também perdeu parte de sua importância. Assim, o “tripé” econômico que sustentava o Rio de Janeiro murchou, deixando suspenso um cogumelo demográfico de mais de 8 milhões de pessoas.

As metrópoles surgiram com funções centralizadoras relativamente aos espaços nacionais que as geraram. Hoje, este papel de “núcleo” de amplas bacias econômicas tende a ser substituído pelo papel de elo numa rede internacional de “cidades mundiais”, na expressão de John Friedmann.

A cidade de Shanghai, por exemplo, organizou em 1993 uma importante reunião internacional sobre o seu próprio futuro, optando claramente pela importância do seu papel de “âncora” de atividades econômicas internacionais, e definindo eixos prioritários de ação nas áreas de criação de um polo tecnológico internacional, de infraestruturas portuárias ultra-modernas, e de uma base sofisticada de telecomunicações. O departamento de relações internacionais da cidade de Shanghai já operava na época com140 técnicos e funcionários. Assim Shanghai prepara a sua transição de centro industrial que drena o interior da província, para o de ponte entre o tecido econômico nacional e a economia global.

O Rio de Janeiro, num modelo menos preocupado em atrair fábricas de automóveis e mais preocupado em articular os espaços do seu desenvolvimento, teria claramente um imenso papel a jogar como centro turístico internacional, em particular de turismo de convenções e turismo de negócios em geral, combinando o turismo cultural com os serviços comerciais internacionais hoje em franca explosão. Trinta anos de atraso nas opções levam hoje a uma situação de difícil reversão, pela própria deterioração gerada. São Paulo é a primeira cidade brasileira a ter incluído na sua Lei Orgânica o papel das relações internacionais, mas a compreensão desta sua dimensão ainda se resume em buscar “recursos externos”.

O fato importante é que a economia global não existe no ar, enraiza-se em “pólos” concretos. Por outro lado, muda a composição técnica da produção, com maior peso para serviços. Outro fator importante, reforça-se o tecido de cidades médias ou grandes, que assumem boa parte do papel de centro de bacia econômica, mudando o contexto nacional de reprodução econômica das metrópoles. Assim as metrópoles passam a desempenhar um novo papel, devendo redefinir os seus espaços.

A cidade como base da organização social e política

A realidade brasileira nos oferece excelente base para analisarmos a evolução do papel do espaço urbano. Em 1950, o país era esmagadoramente rural. Em pouco mais de uma geração, de forma intensa e caótica, tornamo-nos um país de quase 80% de população urbana. Provocada mais pela expulsão do campo do que pela atração das cidades, este êxodo urbano obedeceu à tripla dinâmica da tecnificação, da expansão da monocultura e do uso da terra como reserva de valor. Nunca é demais lembrar que temos 371 milhões de hectares classificados pelo IBGE como terra ótima, boa e regular, enquanto utilizamos cerca de 60 milhões de hectares na lavoura, pouco mais de 15%. Este dramático desperdício do solo agrícola, quando temos dezenas de milhões de esfomeados, tem nome e endereço. Os 61 mega-estabelecimentos agrícolas, de mais de 100.000 hectares, cultivam 0,14% da área disponível, enquanto as pequenas propriedades cultivam 65%. Os grandes estabelecimentos estabelecimentos espalham cabeças de gado nestas áreas, no que tem sido pudicamente chamado de pecuária extensiva, e explicam que não se trata de terra improdutiva, mas de pasto. Imagine-se o que seria da Europa com este tipo de intensidade de uso do solo.

Com o uso generalizado da terra como reserva de valor, a população expulsa pelo processo de modernização da grande propriedade, não teve como se fixar na terra. Foi uma grande oportunidade perdida, de se constituir uma forte base de agricultores pequenos e médios, e dinamizar a produção alimentar. Num processo intenso de urbanização tardia, o Brasil vê explodir as suas cidades, com imensas periferias caóticas e miseráveis, necessitando de tudo. É útil lembrar que uma cidade moderna como São Paulo tem 4 milhões de pessoas que vivem em condições sub-humanas, entre rua, favelas e cortiços.

O caráter explosivo desta situação manifesta-se com mais ou menos intensidade em todo o país, e não é particularmente um fenômeno do Rio de Janeiro como tem sido apresentado. A pequena capacidade de absorção do setor formal, que na realidade hoje está desempregando em conseqüência da revolução informática, levou à constituição inicialmente de um amplo setor informal da economia, e crescentemente de um setor criminal, que vai minando a sociedade por baixo.

Alguns dados muito aproximados sobre este último setor, que chamamos aqui de setor criminal na falta de outro nome, dão uma primeira visão da sua importância. São roubados diariamente cerca de 420 carros por dia só na cidade de São Paulo, o que representa um valor da ordem de 700 milhões de dólares por ano. Se somarmos a prostituição, particularmente à grande indústria da prostituição infantil, o tráfico de drogas e os jogos ilegais como o vídeo-poquer e outros, estamos nos referindo a um setor econômico da ordem de 3 bilhões de dólares por ano, valor equivalente ao orçamento da cidade. Nenhum sistema de atividades deste porte subsiste sem um conjunto de conivências, de certa forma à margem do sistema.

O mesmo processo que gera esta situação explosiva abre oportunidades. A população urbanizada é organizável, e os espaços locais podem abrir uma grande oportunidade para a sociedade retomar as rédeas do seu próprio desenvolvimento. O mundo urbano moderno está literalmente fervilhando com as novas iniciativas de organização social e com as novas tecnologias urbanas. Desde as iniciativas pioneiras de Lajes, passando a experiências consolidadas como as formas descentralizadas de gestão de saúde, a elaboração participativa dos orçamentos municipais, particularmente amadurecidas em Porto Alegre, os terminais de Londrina que permitem a qualquer cidadão controlar as despesas da cidade, a recuperação do centro de Recife em parceria com os diversos atores sociais da cidade, as experiências de educação na cidade de são Paulo, o sistema de garantia de renda mínima em Campinas, os sistemas descentralizados de gestão em Santos, assistimos a um processo onde as cidades aboliram a visão de administrações limitadas à cosmética urbana, e buscam parcerias e novas reengenharias sociais para recuperar o seu espaço econômico, a cidadania local.

Não que as iniciativas locais sejam suficientes. No entanto, sem sólidas estruturas locais participativas e democratizadas, não há financiamentos externos ou de instituições centrais que produzam resultados. De certa forma, a cidade está recuperando gradualmente um espaço de decisão direta sobre a “polis”, recuperando a dimensão mais expressiva da política e da democracia. É significativo neste sentido que tenhamos pela primeira vez uma Cúpula das Cidades, conferência mundial de Istambul destinada a avaliar as novas dimensões das políticas urbanas.

As cidades, por sua vez, têm de ser recolocadas no espaço rural a que pertencem. Desta maneira, seria mais correto falar em espaço local do que espaço urbano. Empolgado com a sua recente urbanização, o ser humano esquece a que ponto está vinculado ao campo que cerca as cidades, e um elemento essencial do desenvolvimento urbano será a reconstrução da relação cidade campo, já não a partir do campo, na visão clássica da reforma agrária, mas a partir da própria cidade.

A tendência para um reforço generalizado da gestão política nas próprias cidades representa uma importante evolução da democracia representativa, onde se é cidadão uma vez a cada quatro anos, para uma democracia participativa, onde grande parte das opções concretas relacionadas com as condições de vida e a organização do nosso cotidiano passam a ser geridas pelos próprios cidadãos.

Numa série de países com formas mais avançadas de organização política, como os países escandinavos, dois terços ou mais dos recursos públicos são geridos pela própria sociedade, de forma participativa, ao nível dos municípios. Isto implica, uma vaz mais, mudanças institucionais: além do prefeito e de uma câmara de vereadores, as cidades passam a se dotar de formas diretas de articulação dos atores sociais do município, com a criação de um fórum de desenvolvimento, participação de empresários, de sindicatos, de colégios ou universidades e assim por diante.

Ultrapassando a tradicional dicotomia entre o Estado e a empresa, o público e o privado, surge assim com força o espaço público comunitário, e as nossas opções se enriquecem. Na excelente formulação do relatório das Nações Unidas, “Na prática, tanto o Estado como o mercado são freqüentemente dominados pelas mesmas estruturas de poder. Isso sugere uma terceira opção mais pragmática: que o povo deveria controlar tanto o Estado como o mercado, que precisam trabalhar articulados, com as populações recuperando suficiente poder para exercer uma influência mais efetiva sobre ambos.”

Em outros termos, a cidade aparece hoje como foco de uma profunda reformulação política no sentido mais amplo. Não que o nível local de organização política substitua transformações nas formas de gestão política que têm de ser levadas a efeito nos níveis do Estado-nação e mundial: mas comunidades fortemente estruturadas podem constituir um lastro de sociedade organizada capaz de viabilizar as transformações necessárias nos níveis mais amplos. Não há democracia que funcione com a sociedade atomizada.

A recuperação da dimensão comunitária

Com o breve e recente intervalo gerado pelas transformações capitalistas, em que se gerou a sociedade desarticulada ou atomizada, o ser humano sempre viveu em comunidades. Como bem levanta Renato Ortiz, acostumamo-nos a considerar como positivo tudo o que vai do pequeno para o grande: o clã, a tribo, a aldeia são coisas do passado, a modernidade trouxe a nação, o futuro aponta para o espaço global, a sociedade anônima de bilhões de habitantes da espaço-nave terra.

É melhor ser cidadão local ou cidadão do mundo? A pergunta não tem sentido na medida em que a cidadania tem hoje de se exercer em diversos níveis de espaços articulados. Transferir a cidadania para níveis cada vez mais amplos, e cada vez mais distantes do cidadão, é transferir o poder significativo para mega-estruturas multinacionais, enquanto se dilui a cidadania no anonimato.

Na excelente formulação de Milton Santos, “o que globaliza separa; é o local que permite a união”. Uma dimensão extremamente prática deste processo nos é dada pelo exemplo cotidiano do dilema da solidariedade. Encontrar um amigo, um velho conhecido, mendigando na rua, nos transtorna. E no entanto, nos acostumamos a ver crianças pequenas saltitando entre carros numa avenida movimentada, ou uma pessoa deitada na calçada, e seguimos adiante. Vemos uma desgraça acontecer a alguém e tocamos para a vida, pois o tempo urge, e além de tudo são tantas desgraças.

Não é que o ser humano agora seja menos solidário: ninguém se solidariza com o anonimato. Generais programam tranquilamente bombardeios que possam coincidir com os horários da mídia, e o mundo assiste impassível à destruição ao vivo de seres humanos, mascando chiclete ou comendo pipoca. A humanização do desenvolvimento, ou a sua re-humanização, passa pela reconstituição dos espaços comunitários.

A própria recuperação dos valores e a reconstituição da dimensão ética do desenvolvimento exige que para o ser humano o outro volte a ser um ser humano, um indivíduo, uma pessoa com os seus sorrisos e suas lágrimas. Este processo de reconhecimento do outro, não se dá no anonimato. E o anonimato se ultrapassa no circuito de conhecidos, na comunidade.

Em termos econômicos, o grande argumento é que o espaço pequeno não é “viável”. Na realidade, a mesma dinâmica que nos levou aos espaços globais nos fornece as tecnologias para a reconstituição de uma humanidade organizada em torno a comunidades que se reconhecem internamente, mas também interagem, comunicam com o resto do mundo, participam de forma organizada de espaços mais amplos.

A busca da reconstuição do tecido social é sentida nas mais variadas áreas. É curioso este novo espaço de nome monstruoso, as “ONG’s”, que se definem absurdamente como organizações não-governamentais, como se isto definisse algo. Na realidade, trata-se de um setor não governamental e não empresarial, formas diretas de organização das comunidades em torno dos interesses difusos e transindividuais.

Não há dúvida que par muitos o tema da comunidade “cheira” a passado, a bom selvagem de Rousseau. Na realidade, basta atentar para o fato da pessoa hoje, para ser cidadão, precisar pertencer a uma instituição, ter um emprego, para sentir a dimensão da perda de cidadania ao se desarticular o espaço comunitário. Na linha dos aportes de John Friedmann, o “empowerment”, ou recuperação de cidadania, através do espaço local, do espaço de vida do cidadão, é essencial. Caminhamos para a reconstituição das comunidades, em outro nível, incorporando e capitalizando as próprias tecnologias hoje desagregadoras.

Conclusão: os espaços articulados

O indivíduo econtra-se, neste processo de reordenamento dos espaços, desorientado. Na linha dos estudos do Pierre Lévy, ou até na visão generalizadora do Powershift de Alvin Toffler, as novas tecnologias e a conectividade eletrônica abrem novos canais de articulação social em torno aos espaços do conhecimento compartilhado. Outros têm mais presente à dramática marginalização de dois terços da humanidade, neste processo de modernização desigual.

Mas de toda forma, os rumos que apontamos prendem-se mais à necessidade de manter esperanças do que a certezas científicas. Perdemos as referências sociais, os “espelhos” da formação da nossa identidade, enquanto somos invadidos por um mar de quinquilharias tecnológicas de utilidade cada vez mais duvidosa, que apenas contribuem para a nossa desorientação.

Citando ainda Milton Santos, a base da ação reativa é o espaço compartilhado no cotidiano. Este espaço tem de ser reconstituído, não numa visão poética de um small is beautiful generalizado, e sim através da rearticulação dos espaços locais com os diversos espaços que hoje compõem a nossa sociedade complexa.

Esta rearticulação passa por uma redefinição da cidadania, e em particular por uma redefinição das instituições para que os espaços participativos coincidam com as instâncias de decisões significativas. As hierarquizações tradicionais dos espaços já são insuficientes, ou inadequadas, precisamos de muito mais democracia, de uma visão mais horizontal e inter-conectada da estrutura social.

Publicado em junho de 1995 por Ladislau Dowbor

Bibliografia

• Bihr, Alain – Les nouvelles frontières de la souveraineté – Le Monde Diplomatique, Avril 1995
• Comparato, Fábio Konder – A nova Cidadania – Lua Nova, Revista de Cultura e Política, CEDEC, 1993, n. 28/29
• Dowbor, Ladislau – Governabilidade e Descentralização – ENAP, jan/jul 1994
• Dowbor, Ladislau – O que é Poder Local – Brasiliense, São Paulo 1994
• Freire, Paulo – À Sombra desta Mangueira – São Paulo, 1995 (no prelo)
• Goudzwaard, Bob, and Harry de Lange – Beyond Poverty and Affluence – WCC Publications, Geneva 1995; Foreword by Maurice Strong
• Ianni, Otávio – A Idéia do Brasil Moderno – Editora Brasiliense, São Paulo 1992
• Ianni, Otávio – Teorias da Globalização – Civilização Brasileira, Rio de Janeiro 1995
• Lévy, Pierre – L’intelligence collective – Editions La Découverte, Paris 1994
• Ortiz, Renato – Mundialização e Cultura, Brasiliense, São Paulo 1994
• Santos, Milton – Técnica, Espaço, Tempo: Globalização e meio Técnico-científico informacional – Editora Hucitec, São Paulo 1994
• UNDP – Human Development Reports 1992, 1993, 1994 – New York
• Magnoli, Demetrio. Globalização. : estado nacional e espaço mundial. São Paulo: Moderna, 1997. 95p. ISBN: 8516016684.

Resenha Crítica da Obra “O Que é Ambiguidade”

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1-INTRODUÇÃO

CARVALHO, Nelly de. O que é Ambigüidade nos convida a desmistificar o recurso lingüístico da ambigüidade, explorando com diversas ópticas seu emprego, suas decorrências e conseqüências diante do processo de comunicação.

A autora inicia o breve texto de 3 (três) paginas, expondo ao leitor exemplos cotidianos clássicos onde há ocorrência do famoso vício de linguagem da ambigüidade, exemplos estes presentes nas manchetes de jornais, anúncios publicitários, nos diálogos corriqueiros.

Nelly defende a idéia de que a dualidade deste recurso lingüístico pode ser útil para a produção e compreensão textual, e da mesma forma inútil, dificultando-a. E amplia o raciocínio, afirmando que a dubiedade do recurso conhecido como falha lingüística, na maioria dos casos pode dar leveza e graça à frase, tornando-a maliciosa ou poética. Para ela, ambigüidade é uma qualidade que possuem as línguas de permitir duas interpretações de uma mesma mensagem.

No desenrolar da obra, a autora evidencia situações em que a ambigüidade torna-se um recurso com efeitos diversos, defendendo a idéia de que o sentido múltiplo proporciona humor, malicia e até poesia, ampliando assim o alcance da frase ou expressão. Para exemplificar tal alcance, Nelly utiliza-se de um anúncio publicitário utilizado por um posto de gasolina no Dia dos Pais, com a seguinte frase: “Pai não enche nunca, completa sempre”. Este é um exemplo claro de que a dubiedade deste recurso estilístico acrescenta à expressão efeitos poéticos e humorísticos, instigando o leitor a desvendar o que há nas entrelinhas.

Um ponto que desperta a atenção do leitor no texto é a inserção da gramática normativa, sem que para isso, o texto se torne uma leitura especifica ou monótona. A autora ensina a seus receptores a variedade de ambigüidades existentes, e como estas são compostas. Esclarecendo as diferenças entre a ambigüidade causada pela polissemia (múltiplo sentido da palavra), homonímia (escrita igual, sentidos diferentes) e até mesmo pela homofonia (mesmo som).

Por fim, a autora recomenda ao leitor que ao escrever, faça um planejamento textual, planejando assim o emprego de expressões ou palavras ambíguas. Segundo a própria autora, se estas não foram planejadas e empregadas intencionalmente, comprometem a leitura e tornam-se um obstáculo comunicativo.

2- OPINIÃO CRÍTICA

Dotado de objetividade, riqueza de conteúdo e estilo, o texto aqui resenhado, amplia o conhecimento do leitor, de tal forma que a absorção de conteúdo passa desapercebida. A linguagem empregada e a interlocução atraem o receptor do conteúdo e torna a obra acessível e agradável. A autora invoca o leitor a descobrir o quão é útil o uso deste recurso e as diversas faces do seu emprego, desmistificando a então idéia pré-concebida de que este recurso seria um vício de linguagem, um defeito textual. Nelly nos prova que em construções textuais antecedidas de planejamento, o recurso da ambigüidade é empregado com estilo e ousadia, tornando assim a leitura rica.

A obra, em poucas páginas, reúne um vasto conhecimento normativo, conteúdo acessível, clareza de expressão, poder de sedução e enorme interlocução tornando o texto uma leitura agradável e recomendável para todos aqueles que exaustos da inacessibilidade da gramática normativa, almejam desmistificar os recursos lingüísticos da Língua Portuguesa.

Análise da Revista Caras a Partir de Lazarsfeld

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Tomando como ferramenta de análise a Teoria Funcionalista de Lazarsfeld e Lasswell e tendo como objeto analisado a revista quinzenal ‘Caras’, decompomos minunciosamente ao longo deste trabalho cada aspecto relevante da teoria. No que se refere a analise, identificamos as seguintes funções e disfunções:

Função de Alerta

Faz parte das funções sociais dos M.C.M , pois é usado como forma de chamar a atenção com notícias alarmantes como catástrofes que possam vir a ocorrer, previsões que são apresentadas como forma de aviso, ou seja, alerta de uma forma geral ao publico acerca de eventualidades relevantes à vida, sublinhando assim a enorme potencialidade da função social dos meios de comunicação.

Apesar do objeto de analise não ter como principal função a de alerta, é interessante observar que mesmo em uma futilidade aparente, podemos identificar alguns pontos de relevância social, que muito se aproximam da idéia de alerta, como por exemplo, a parte destinada à cultura e saúde, que são de caráter humano-social.

Na revista de número 47 da edição 681 no dia 24/11/2006 foi veiculada uma matéria sobre anorexia, uma doença que engana. Deixando desta forma evidente a presença da função, embora não sendo este o foco da revista.

Atribuição de Prestigio

“Esta função, que consiste em conferir um status, entra na atividade social organizada, legitimando certas pessoas, grupos e tendências selecionados, que recebem o apoio dos meios de comunicação de massa” (Lazarsfeld- Merton, 1948, p.82)

Outra função atribuída à revista ‘Caras’ durante a análise, é a atribuição de status e prestígio às pessoas transformadas em objeto de atenção por parte da mídia.

O prestigio social é reforçado pelos M.C.M. a partir do reconhecimento da imagem, do renome, do comportamento e das opiniões de um seleto grupo social. O mesmo inclui regras e padrões a serem seguidos, o que constitui a essência da característica do prestigio. O objeto analisado demonstra atribuição de prestigio ao reverenciar determinados seguimentos e comportamentos, colocando em evidencia os ícones, as personalidades em destaque na mídia, destacando seus nomes e sobrenomes, profissão, empresas, enfim, reforçando uma tradição elitista. Quando a revista expõe uma imagem favorável da elite mundial apresentando status, boa família, educação tradicional e renome, está reforçando a atribuição.

Como no exemplo da revista de número 46, edição 680 em 17/11/2006 apresenta uma matéria sobre uma apresentadora de televisão: “Luciana Gimenez ganha festa vip de aniversário: em almoço chique apenas para mulheres, a apresentadora da REDE TV! Festeja 36 anos no auge da beleza”.

Disfunção Narcotizante

A revista ‘Caras’ aplica-se à disfunção narcotizante, no momento em que o leitor, sem se dar conta, vicia-se ao estilo de informação transmitida, e se priva da procura por outras formas de conhecimento. O leitor sente-se satisfeito em saber das atualidades da vida dos ícones da sociedade e se privam de obter conhecimento de outra vertente, como a própria vida (ciência). Um exemplo claro disto, é quando ao ler uma matéria a respeito da viagem de determinado artista para a Europa, o leitor muitas vezes não desperta o interesse em obter conhecimento a respeito das outras faces européias, como cultura, idioma etc. Restringindo seu conhecimento ao conteúdo exposto.

A disfunção narcotizante é apropriada para os efeitos deste tipo de intencionalidade comunicacional, alienação em prol de sucesso de vendas.

Disfunção Conformismo

“Visto que são sustentados pelas grandes empresas inseridas no atual sistema social e econômico, os M.C.M. contribuem para manter esse sistema. O impulso que leva ao conformismo e é exercitado pelos meios de comunicação de massa, deriva não apenas do que é dito, mas sobretudo do que é dublado. De fato, esses meios não apenas continuam a afirmar o status quo, mas na mesma medida, deixam de levantar problemas essenciais acerca da estrutura social. Os meios de comunicação comercializados ignoram os objetivos sociais quando estes se chocam com as vantagens econômicas etc. Ao ignorar sistematicamente os aspectos controversos da sociedade, a pressão econômica impulsiona em direção ao conformismo”
(Lazarsfeld Merton, 1948, p.86)

Os grandes meios de comunicação dependem do “patrocínio” dos grandes interesses econômicos, que não somente dão o “patrocínio”, mas também comandam como as informações ou propagandas são veiculadas. Recusando-se a mostrar o lado crítico em que a sociedade vive. Quando apresentados, é de forma notória que não coloquem em risco o lucro econômico ali investido. A população inconscientemente fica sujeita a essa estrutura de omissão das questões públicas.

Nota-se no produto comunicacional analisado, que há uma ausência de foco para o social, grande parte do conteúdo apresentado na revista caras faz alusão a um padrão de vida, a hábitos dos famosos ícones da sociedade. Em face disto, o consumidor de caras, tende a maravilhar-se com o universo exposto nas paginas da revista, ‘digerindo’ tal realidade sem ‘mastigá-la’. Ou seja, sem maiores resistências, aceitando o padrão imposto nas entrelinhas e rumando ao conformismo, sem tentativa de desenvolver seu lado crítico ou qualquer atitude que reverta à realidade. Um exemplo disto é o fato de que geralmente o leitor desta revista, não tem o hábito de consumir outras revistas que abordem assuntos como ciência, literatura, política, economia etc. Dificilmente acharemos consumidores que façam interseção de consumo entre a Revista ‘Caras’ e ‘Carta Capital’.

Bibliografia

WOLF, Mauro. Teorias das Comunicações de Massa. Martins Fontes- São Paulo- 2005.

Impactos Ambientais Positivos Causados pelo Turismo

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INTRODUÇÃO

Impacto Ambiental é qualquer alteração das propriedades físicas, químicas e/ou biológicas do meio ambiente, provocada direta ou indiretamente por atividades humanas podendo afetar a saúde, a segurança e/ou a qualidade dos recursos naturais.

O impacto se diz positivo quando ele produz um resultado benéfico para um fator ambiental. Para que se tenha impactos positivos precisa-se de um planejamento de turismo sustentável. O turismo sustentável estimula a compreensão dos impactos do turismo sobre os ambientes naturais. Demonstra a importância dos recursos naturais e culturais para o bem estar econômico e social das comunidades e pode ajudar a preservá-los.

A questão ambiental vem sendo considerada cada vez mais urgente e importante para a sociedade. Pois o futuro da humanidade depende da relação estabelecida entre a natureza e o uso do homem dos recursos naturais disponíveis.

O turismo tem o poder para aprimorar o meio ambiente, promover fundos para conservação, preservar a cultura e história, estabelecer limites sustentáveis de utilização e proteger atrações naturais.

O turismo é uma das atividades econômicas mais importantes do país e uma das que mais cresce, devido à prática do ecoturismo, “um segmento que utiliza de forma sustentável o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do ambiente, promovendo o bem estar das populações envolvidas” (NEIMAN; RABINOVICI 2002, p. 154). Mas é preciso que este segmento deixe de preparar os locais visitados e passe a preparar as pessoas para conhecerem os locais, já que estas não possuem uma formação adequada, portanto não saberão respeitar a natureza.

Já se está reconhecendo que o turismo deve preservar e proteger o ambiente e as atrações naturais, de forma que as pessoas continuem a viajar, além de estabelecer limites para que os locais sejam realmente sustentáveis.

O turismo é parte integrante das sociedades modernas, à medida que o turismo cresce as preocupações ambientais tornam-se mais difusas, a consciência global sobre os danos ambientais esta se desenvolvendo rapidamente, portanto os recursos do maior setor do mundo podem e devem ser canalizados para atingir objetivos ambientais. O setor do turismo tem potencial para influenciar bilhões de clientes por ano e utilizar sua alavancagem para obter efeitos ambientais benéficos.

O turismo sustentável apresenta vários benefícios para o ambiente natural. Para Swarbrooke (2000, p.14), ele estimula uma compreensão dos impactos do turismo nos ambientes natural, cultural e humano; incorpora planejamento e zoneamento assegurando o desenvolvimento do turismo adequado à capacidade de carga do ecossistema; demonstra a importância dos recursos naturais e culturais e pode ajudar a preservá-los. O turismo sustentável deve garantir a proteção dos recursos naturais das áreas e também gerar renda para as mesmas, a fim de tornar esta preservação possível.

A atividade turística nestas áreas gera tanto impactos ambientais positivos quanto negativos. Os primeiros podem ser elencados como: sustentação econômica da área, aumento da oferta de atividades de lazer e recreação e aumento da fiscalização. E os segundos como pisoteamento excessivo, depredação da flora e da infra-estrutura, desaparecimento da fauna em razão do barulho e aumento do lixo.

Assim, o turismo deve ser capaz de minimizar os impactos negativos a fim de proteger e conservar os recursos naturais protegidos através de um planejamento consciente e ordenado que busque benefícios para a área.

O Turismo sustentável deve ser uma ferramenta que, além de conservar as áreas naturais possa auxiliar economicamente nas melhorias das áreas e também ajudar a conscientizar as pessoas da importância do planejamento ordenado da prática turística na área para evitar danos ambientais.

Muitas polêmicas envolvem o turismo em áreas naturais, um dos diversos segmentos em crescente exploração e expansão não só no Brasil como em todo o mundo, que bem exploradas podem gerar bônus para a economia trazendo lucratividade para quem investe nisso. Os impactos positivos não se resumem ao aspecto econômico, mas também a questão de preservação que tem fundamental importância para a sociedade.

Sem dúvida os turistas de hoje tem ampla consciência crítica, e alguns já começam a fazer suas escolhas nas posturas sociais e ambientais adotadas pelas empresas. No que tange ao turismo, certamente ele não deixará de ser impactado pelas novas tendências.

Dentre de diversos temas abordados pelos especialistas e estudiosos das áreas relacionadas ao meio ambiente natural, fala-se, freqüentemente, sobre preservação, aliada a um planejamento minucioso e a sustentabilidade. Amenização dos impactos, envolvimento da comunidade local, conscientização ambiental e turística e conhecimento da legislação são alguns dos assuntos constantemente discutidos. Entretanto, o Brasil ainda está muito atrás de países que também trabalham com este segmento. O que poderia estar errado?

A começar pelo conceito de preservação, é possível afirmar que muitos destinos têm assimilado-o erroneamente. O novo dicionário Aurélio define preservar como: “Livrar de algum mal, manter livre de corrupção, perigo ou dano; conservar. Livrar, defender, resguardar”. À moda brasileira, entretanto, aparentemente significa “manter intacto”, “deixar como está”.

Deixar como está, na maioria das vezes, não é a melhor maneira de preservar. A natureza nos abençoou com suas paisagens, mas cabe ao homem a tarefa de prover a infra-estrutura e estudar a maneira ideal de admirá-las sem destruí-las, ajudando inclusive a preservá-las. Até o ponto em que chegamos, nem sempre a natureza será capaz de cuidar disto sozinha.

PROPOSTA PARA SOLUCIONAR O PROBLEMA

Um ponto positivo se dá quando é feito um planejamento, um projeto e um gerenciamento de alta qualidade, e quando educa-se os turistas para que eles apreciem o ambiente. A extensão e a natureza dos danos ambientais e ecológicos causados pelos turistas dependem da magnitude do empreendimento e do volume de visitantes, da concentração do uso de termos tanto espaciais quanto temporais, da natureza do ambiente em questão e da natureza dos métodos de planejamento do gerenciamento adotados antes e depois de o turismo se desenvolver.

CONCLUSÃO

O ambiente é à base dos recursos naturais e culturais para atrair turistas. Por este motivo, a proteção do ambiente é essencial para o sucesso do turismo a longo prazo. A capacidade de absorção é um conceito chave do planejamento do turismo sustentável. Refere-se à quantidade máxima de recursos que se podem utilizar numa localidade sem causar impactos negativos, diminuindo o nível de satisfação dos turistas ou causando problemas sócio-econômicos à comunidade local.

Através da cooperação e interação produtiva entre a indústria turística, os defensores do ambiente e a comunidade, todos podem obter benefícios e alcançar uma melhor qualidade de vida.

BIBLIOGRAFIA

Ética e qualidade no turismo do Brasil/ Cíntia Möller Araujo/ Editota Atlas- SP, 2003

Organização e gestão de eventos/ Johnny Allen-RJ, Campus,2003.

Desenvolvimento de turismo sustentável: manual para organizadores locais-2ª Edição/ 2001/ OMT

Turismo: princípios, práticas e filosofias/ Charles R. Goeldner, J.R. Brent Ritchie e Robert W. McIntosh/ trad. Roberto Cataldo Costa-8 ed.- Porto Alegre: Book-man, 2002.

Turismo na Economia

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Transformações Históricas do Turismo na Economia

A evolução histórica do turismo acompanha a humanidade desde os primórdios. As viagens sempre foram um componente obrigatório na vida econômica e social dos homens em todas as épocas, distintas para cada civilização.

Os deslocamentos temporários de alguns indivíduos do lugar de moradia para outras localidades, devido aos mais diversos motivos.

O tempo se arrastou, as condições tecnológicas modificaram-se, a revolução industrial do final do século XVIII acelerou mudanças marcantes na história da economia e do turismo. As descobertas dos anos seguintes foram decisivas, e as que originaram os meios de transporte foram vitais.

As distâncias diminuíram na proporção inversa em que o número de pessoas cresceu dando a impressão de um mundo menor, permitindo mais viagens com conforto, segurança e rapidez.

Ao final do século XIX, as mídias impressas começam a divulgar cidades de destaque, anúncios de hotéis, informes de atrativos naturais, viagens em grandes transatlânticos, tantas outras matérias do interesse humano.

Na década de 120 nasce a instituição que deu origem a Organização Mundial do Turismo (OMT) e somente setenta anos depois o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC). Ambos organismos dedicam-se à divulgação e conscientização de dados e estudos sobre o turismo no mundo, sendo o primeiro de caráter público e o segundo composto por empresários de entidades privadas que integram o setor turístico. Com ampla divulgação e conscientização, os, os países passam a compreender o turismo como forma de captação de divisas.

No Brasil, a partir de 1920, surgem os primeiros hotéis no Rio de Janeiro e, posteriormente, com o desenvolvimento do turismo, expandem-se para as capitais mais importantes.

Nos dias de hoje a massificação do turismo pode ser explicada por muitos fatores econômicos e sociais que contribuíram para o seu desenvolvimento, dentre os quais destacamos:

A) A paz, a prosperidade;
B) O aumento da população;
C) A urbanização;
D) A industrialização;
E) A expansão de negócios;
F) Maior disponibilidade de renda;
G) Amplificação do tempo livre;
H) Os avanços tecnológicos.

O computador, em particular, diminuiu ainda mais as distâncias facilitaram a criação de novas máquinas e ativou recente meio de transmissões no mundo, estimulando mais viagens.

No passado e no presente, as viagens turísticas participam com destaques nas relações econômicas, sociais e políticas das diferentes sociedades. O turismo é mais do que nunca um tipo de serviço à disposição dos homens da sociedade industrial moderna tornando-se imprescindível para as atividades econômicas. Sempre até mesmo intuitivamente, seus agentes atuam direta indiretamente na economia, a qual permeia tudo o que nos cerca.

Eis que o turismo e a economia estiveram sempre relacionados porque são atividades ligadas ao ser humano, ao que o homem deseja e faz. Dentro dessa visão, a história demonstra o quão inseparável são e serão.

1. Fundamentos Básicos de Economia e de Turismo

Economia e Turismo Moderno

Se os indivíduos pudessem ter tudo o que desejassem, não existiria a economia. O problema econômico tem sua origem em duas situações imutáveis: nas necessidades ilimitadas do ser humano e nas limitações dos recursos existentes, o que é conhecido como lei da escassez.

De maneira global economia é:

O estudo de como o homem e as sociedades decidem empregar recursos produtivos escassos que poderiam ter aplicações alternativas para produzir várias mercadorias, ou seja, bens e serviços, e distribuí-las para o consumo de maneira sustentável para todos.

Em termos globais, panorama dessa indústria e da economia de viagens e turismo pode ser distinto sob dois enfoques perfeitamente integrados a saber:

1) Um mais visível, que destaca a chamada indústria de viagens e turismo, composta por serviços diretos que envolvem hospitalidade, recuperação, catering, diversão e transportes, entre tantos outros.
2) Outro não aparente, o lado escondido, denominado economia de viagens e turismo, em que tantas outras atividades, negócios e serviços indiretos estão envolvidos. Dentre alguns, destacamos: serviços de gráfica e publicidade; serviços financeiros e de administração; indústria de computadores e de informática; serviços de segurança; fornecimento de alimentos e de bebidas; indústria de metálicos; químicos e têxteis; mineração; fornecimento de madeira; ferro e aço; construção civil e naval; fabricação de aeronaves; fornecimento de energia elétrica e combustível; indústria de plásticos; serviços de saneamento; fornecimento de flores e plantas; serviços de decoração; serviços de arquitetura, etc. A lista é enorme, representando uma relação extensa da economia com o turismo.

No momento em que os homens produzem e consomem diversos tipos de viagens em distintos pacotes turísticos, há a formação de uma cadeia gigante de variáveis associadas a um sistema global que de um lado maximiza os objetivos empresariais, e de outro, atende às satisfações humanas. Esse volume de interesses heterogêneos é chamado de economia do turismo, ramificada em micro e macroeconomia, que fazem parte do estudo da ciência econômica.

Antigamente para ser considerada turista a pessoa tinha de viajar para regiões distantes em mais de 80,5 quilômetros de suas residência, ou ter de permanecer mais de 24 horas nos locais visitados. E ainda, sob o aspecto econômico, segundo a própria OMT, a indústria que viajasse como turista não poderia exercer uma ocupação remunerada.

Essas idéias vem sendo reformuladas e turismo, nos dias de hoje é encarado como:

Um movimento temporário de pessoas para locais de distintos externos aos seus lugares de trabalho e moradia e que incorpora lugares de trabalho e moradia e todas as atividades exercidas durante a permanência desses viajantes nos locais de destino.

Riqueza do Turismo

O turismo está vinculado à economia. É absolutamente natural, saudável, fortifica o bem estar das populações e gera muita riqueza para o país ou para a região que explora devidamente seus recursos de forma sustentável.

No entanto, pela existência das muitas necessidades dos turistas, nem sempre a natureza no seu estado puro tem condições de atendê-los. Ou seja, o indivíduo é obrigado a se dedicar a uma obra de transformação da natureza, isto é ele deve ser capaz de criar riquezas.

Há, é claro, a necessidade de acrescentar alguns elementos à natureza da localidade para torná-la um atrativo e criar riquezas. Assim, quando uma operadora turística cria um novo produto para um novo destino, ela está gerando uma riqueza. Quando um novo hotel surge, seus investidores e construtores agregam mais riqueza. Se uma empresa aérea começa a operar é mais riqueza para a economia e, indiscutivelmente, quando gerida, amplia o setor turístico.

Riqueza é, portanto, o conjunto de coisas materiais e imateriais que são escassas, que têm utilidade para os industriais que são escassos. Isso não significa serem poucos, mas que acabam com o decorrer do tempo, o que lhes confere a denominação de bens econômicos.

Se todos os bens fossem abundantes não haveria necessidade da economia. Tudo o que é raro e existente em menor quantidade do que as necessidades da população humanas são um bem econômico, como o turismo.

A carência dos bens e econômicos exige a produção de muitos bens e serviços, cuja transformação considerada como atos de produção pode ocorrer com atividades em três setores da economia a, saber:

1) Primário: quando em contato direto com a natureza
2) Secundário: quando abrangem as indústrias
3) Terciário: quando envolvem os serviços

O turismo tem envolvimento de atividades nos três setores, concentrando-se em particular no setor terciário.

Os bens de serviços produzidos em todos os setores constituem a riqueza de um país fazem parte do seu produto interno bruto (PIB). Sabemos que a participação do turismo no PIB brasileiro vem crescendo e corresponde a 8% de toda a riqueza gerada em solo brasileiro.

Na atualidade, em termos domésticos, a atividade turística global do turismo brasileiro representa uma riqueza de quase 60 bilhões de dólares segundo WTTC (2002), com reflexo em todos os setores econômicos.

Necessidades Humanas Primárias e Secundárias

Dividas em primários e secundários, o homem tem inúmeras necessidades.

1ª) Necessidades primárias são as que fazem parte da existência humana.
2ª) Necessidades secundárias são aqueles que passamos a ter depois de termos conseguido satisfazer as primárias. São muitas vezes superfulas.

Essas necessidades são as mais diversas e diferem de pessoas para pessoa, caracterizando-se por uma quantidade ilimitada.

Esse fato tornou-se mais evidente no turismo moderno pelas infinitas opções de escolha viajar não se restringe mais a um número limitado de cidades.

A atração pelo novo, diferente e bom está diretamente associada ao desejo e a curiosidade insaciável ao ser humano, e faz parte da economia.

Utilidade e Fatores de Produção

Nem todos os bens e serviços oferecidos trazem a mesma satisfação para todos os indivíduos. Pode-se definir utilidade como sendo a qualidade que possuem bens e serviços econômicos de satisfazer as necessidades humanas.

Uma viagem de uma criança par a Disney. Pode trazer grau de utilidade maior ou de satisfação diferenciado do que o de uma pessoa idosa.

Eis que produzir, no sentido econômico, significa criar ou aumentar a utilidade dos bens econômicos.

A capacidade intelectual é considerada como capital, um investimento humano, portanto, incorporada como fator de produção.

Diante da lei da escassez, o consumidor é obrigado a escolher. Se desejar uma quantidade maior de um determinado bem ou serviço, é obrigado a aceitar uma quantidade menor de outros.

O consumidor estabelece uma escala de preferências entre bens e os serviços que deseja adquirir, isto é faz uma espécie de ranking mental de tudo o que irá comprar tão logo tenha os recursos econômicos necessários.

Mesmo podendo consumir com maior exuberância um produto turístico, observa-se que, num período de tempo determinado, a utilidade ou a satisfação de consumo por um bem ou serviço passa a decrescer à medida que o indivíduo adquire mais e mais unidades equivalentes do mesmo.

Utilidade marginal é definida como sendo a quantidade extra de utilidade devidamente como sendo a quantidade extra de utilidade derivada do consumo de mais de uma unidade do produto turístico. Quando a satisfação deixa de existir há uma saturação de consumo e o viajante passa a ter uma utilidade marginal decrescente por aquele produto turístico.

Problemas Econômicos e Opções de Escolha

Tanto individualmente, como em sociedade, é preciso decidir como fazer para resolver os principais problemas econômicos, que são:

1) O que será produzido? Quais r quantos bens e serviços?
2) Como serão produzidos os bens de serviço? Por que tecnologia?
3) Para quem serão produzidos os bens e serviços? Quais os segmentos almejados?

Não existe certo ou errado. Para cada sociedade, a cada momento, torna-se uma decisão que observe o contexto envolvido e traga um retorno positivo, um benefício não só econômico, mas também social.

Em uma economia capitalista, as decisões para esses problemas serão respondidas por um sistema de preços que definirá, inclusive a produção, a distribuição e o consumo dos bens e serviços.

O preço é uma palavra mágica na economia e, em qualquer circunstância, todo turismo só é produzido e consumido mediante um valor econômico sujeito à restrição orçamentária.

O segredo da economia está em descobrir quanto a isso representa de forma que as empresas sejam devidamente remuneradas e as pessoas possam ser atendidas.

Agentes Econômicos no Turismo

Os principais agentes econômicos são os consumidores e produtores. Os indivíduos são responsáveis pelo consumo, objetivando a maximização de suas satisfações. As empresas são responsáveis pela produção dos diversos bens e serviços existentes na economia, procurando a maximização de seus lucros.

Nesse vasto mundo de opções do turismo, envolvendo negócios e também lazer é preciso destacar os principais grupos de agentes econômicos que atuam e afetam a produção e /ou consumo em qualquer localidade a incorporação de suas perspectivas, objetivos e esforços conjugados é de vital importância para o desenvolvimento do turismo.

1) Turistas: os que buscam tipos distintos de experiências e satisfações psíquicas e físicas, tentando maximizar a utilidade de suas viagens.
2) Empresas turísticas: as que objetivam a maximização de seus lucros ao produzir vários tipos de bens e serviços para os turistas.
3) Governo: aquele que promove o desenvolvimento local por meio de incremento de receita, da geração de emprego, da ampliação de divisas do turismo internacional e do aumento da arrecadação devido à cobrança de impostos dos gastos turísticos.
4) Comunidade ou População local: aquelas que tem como propósito principal obter uma renda, um emprego e promover a cultura.

Produtos Turísticos Complementares e Substitutos

Podemos definis produto turístico como conjunto de bens e serviços relacionados a toda e qualquer atividade de turismo. Como qualquer outro bem e serviço, encontra-se à disposição na natureza de forma limitada, necessita ser produzido e pode ser considerado uma riqueza.

Para um melhor entendimento, o produto turístico deve ser analisado também em termos de suas atrações, suas facilidades e suas acessibilidades.

a) As atrações podem ser definidas como elementos do produto turístico que determinam a escolha da visita de um turista a um local específico, priorizando em lugar de outro.
b) As facilidades são os elementos do produto turístico que não geram normalmente os fluxos do turismo, mas a sua ausência pode impedir os turistas de procurarem as atrações.
c) A acessibilidade, que inclui as estradas, os transportes e as vias de comunicação.

Complementando, os produtos turísticos caracterizam-se em complementares ou substitutos.

Os bens e serviços complementares são aqueles consumidos em conjunto com outros.

Os bens e serviços substitutos são os que passam a ser consumidos em troca de outros.

O produto do turismo é um composto de elementos fundamentais como o transporte, a alimentação, a acomodação e o entretenimento. Cada um deles pode ser considerado como bem ou serviço complementar do outro.

Dentro de cada elemento, no entanto, existirão inúmeros componentes que, por sua vez, serão bens ou serviços substitutos para cada um dos demais.

Normas de Apresentação Tabular e Gráfica

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1) Identificador

É o elemento usado para identificar a tabela. O identificador é composto do termo “tabela”, seguido de um número de ordem (indicativo) em algarismos arábicos.

As tabelas devem ser numeradas de 1 a “n” “n”, obedecendo a uma seqüência para cada capitulo ou uma única seqüência para todo o volume (quando se tratar de tabela única, é facultativa a numeração).

Se a numeração for feita por capitulo, o número de ordem deve ser precedido do numero do capitulo, separado deste por um ponto.

A palavra tabela deve ser preferencialmente escrita com letras maiúsculas.

O numero deve preceder o titulo, na mesma linha deste, separado por um hífen colocado entre espaços correspondentes a uma letra.



2) Título

Conjunto de termos que indica o conteúdo da tabela. Aparece sempre na parte superior da tabela devendo sempre ser o mais claro e completo possível. Indica a designação do fato observado, o local de ocorrência e o período de abrangência dos dados.

Deve preferencialmente ser escrita com letras maiúsculas ou seguindo o mesmo padrão definido na escrita do numero.

3) Cabeçalho

Indica a natureza do conteúdo de cada coluna.

4) Coluna Indicadora

É a divisão em sentido vertical, onde aparece a designação da natureza do conteúdo da linha.

5) Linha de Fechamento

É a linha horizontal que encerra a tabela.

6) Célula

São as divisões que aparecem no corpo da tabela, ou seja, a parte da tabela formada pelo cruzamento de uma linha com uma coluna.

7) Fonte

É a indicação da entidade responsável pelo levantamento dos dados. Deve ser colocada no rodapé, no final da tabela.

Esse procedimento garante a honestidade cientifica e serve como indicativo para posteriores consultas.

8) Sinais Convencionais

As tabelas estatísticas não podem deixar casas em branco sendo utilizado os seguintes sinais, que devem ser explicados em notas:

Traço (-) Quando o dado não existe.

Três Pontos (…) Quando a informação existe mas não está disponível.

Zero ( 0 ) Quando o valor numérico for menor que a metade da medida adotada para expressar os dados.

Letra X ( x ) Quando o dado for omitido a fim de evitar a individualização das informações, nos casos onde existe apenas um ou dois informantes.

Dois Pontos Horizontais ( .. ) Indica que não se aplica dado numérico.

Interrogação ( ? ) Quando há dúvida sobre a exatidão do valor.

Parágrafo ( # ) Quando o dado retifica a informação anteriormente publicada.

9) Chamadas ou notas esclarecedoras

Ambas são esclarecimento contidos na tabela.

As chamadas tem caráter particular, referindo-se a um item específico da tabela. São enumeradas em algarismos arábicos, entre parêntese.

Já as notas tem caráter geral, refere-se à totalidade da tabela. Devem ser enumeradas em algarismos romanos.

10) Continuação de tabelas

As tabelas que ocupam mais de uma página obedecem à seguinte norma:

– Não deve ser delimitada na sua parte inferior, a não ser na ultima página.
– O título e o cabeçalho devem ser repetidos em todas as paginas e devem ser identificados com a palavra continuação.
– As palavras continuação e conclusão devem ser escritas com caracteres minúsculos, acima do cabeçalho, alinhadas no canto direito deste.

A Importância da Estatística nas Organizações

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O foco da qualidade está em constante evolução. Passamos pelas eras do produto, dos processos, dos clientes e hoje caminhamos para o foco no conhecimento, através de uma abordagem mais abrangente. A necessidade hoje é totalmente voltada às competências: de conhecimentos e saberes, de habilidades, de valores e capacidades, que provêem da formação geral, profissional, experiência profissional e social. Para melhor se utilizar destas informações, se torna cada vez mais presente o uso da estatística, vista como um meio para obter conhecimento e aumentar a chance de tomar decisões corretas, auxiliando na obtenção de conhecimento sobre os processos, permitindo ver os mesmos sem preconceitos, opiniões ou pré-julgamentos.

1 INTRODUÇÃO

Na era do conhecimento, os métodos estatísticos têm um papel crucial, além de uma poderosa ferramenta, passam a ser vistos como um poderoso método de gestão. Por isso a necessidade de avaliar e reconhecer se uma evidência estatística apóia, realmente, uma conclusão apresentada.

Com este trabalho, pretende-se mostrar que cada vez mais as organizações exigem de seus administradores amplos conhecimentos nas mais diversos setores. O uso da estatística incentiva a reagir de modo inteligente às informações que lê ou escuta, passando a refletir, analisar e questionar as informações encontradas, facilitando, assim, o trabalho dos administradores de organizar, dirigir e controlar as organizações.



2 CONCEITO

Segundo Crespo (2000), “Estatística é a parte da matemática aplicada que fornece métodos para a coleta, organização, análise e interpretação dos dados e para a utilização dos mesmos nas tomadas de decisões.”

Uma média rigorosamente calculada é considerada muito mais confiável do que um censo completo, com contagens exaustivas e sem controle nos levantamentos.

A estatística é uma ciência que ajuda a tomar melhores decisões com base em fatos e dados, e não simplesmente em opiniões. É de grande ajuda para o dirigente, já que transforma dados em informação e, portanto, permite que o caos gerado pela imensa montanha de números em uma empresa passe a fazer sentido e auxilie na tomada de decisões.

3 A ORGANIZAÇÃO E O USO DA ESTATÍSTICA

O uso de estatísticas é necessário à obtenção dos resultados visados pelas organizações, e não somente para medir os avanços rumo a esses resultados. Os dados estatísticos são importantes para o início, o desenvolvimento e manutenção das organizações, pois não somente monitoram o progresso como também contribuem para a obtenção dos resultados medidos pelas estatísticas.

Todavia, reconhecer a importância da estatística é uma coisa; tomar providências e decisões nesse sentido é outra. Ainda resta muito a fazer para garantir o melhor uso das estatísticas, a fim de criar um ambiente propício ao desenvolvimento, adaptando-se a nova realidade internacional dos mercados de produtos e serviços globalizados. A evolução vertiginosa de novas tecnologias e o acesso às informações caracteriza um novo cenário de crescentes complexidades e incertezas, onde a questão da competitividade torna-se imperativa, exigindo que as organizações qualifiquem seus processos produtivos, tendo em vista um novo paradigma do consumidor: qualidade e custo.

Sempre visando melhorar a qualidade para propiciar maior competitividade em busca de ampliar o mercado consumidor, as organizações estão sempre pesquisando fatores como:

Redução drástica de custo;
Redução drástica da variação e dos defeitos;
Maior conhecimento das expectativas e necessidades dos clientes;
Maior conhecimento dos processos;
Melhor tomada de decisão gerencial;
Rápida introdução de produtos e serviços, em resposta aos clientes.

A estatística auxilia na programação da venda do produto, na forma de desenvolver um layout, na produção, na comercialização, na divulgação, nas cobranças, no processo pós venda, enfim, é imprescindível em todo o processo organizacional.

A percepção humana agregada ao conhecimento específico e a forma de utilização das estatísticas é o que fará a diferença no resultado do trabalho e conseqüentemente, nos resultados financeiros obtidos pelas organizações.

4 CONCLUSÃO

Podemos concluir com este trabalho que somente através do conhecimento o homem evolui, e baseado em fatos e dados, obtidos com o uso da estatística proporciona instrumentalizar dirigentes e gerentes nas decisões táticas e estratégicas da organização.

Considerando que uma média rigorosamente calculada é muito mais confiável que um censo completo, a estatística tem o objetivo de fazer com que dados, quando isolados aparentemente nada significam, quando agrupados sejam corretamente interpretados e, portanto, melhores decisões sejam obtidas e tomadas, verificamos assim sua importância para auxiliar o processo administrativo.



5 REFERÊNCIAS

CRESPO, Antônio Arnot. Estatística Fácil. 15 ed. São Paulo: Saraiva, 1997.

Ciencias da Natureza

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O presente trabalho tratou sobre a reciclagem e porque devemos reciclar, e o quanto se deve preservar as riquezas naturais, mostrando vários conceitos que nós faz refletir sobre o vasto patrimônio natural que possuímos. De como conscientizar o uso adequado desses recursos naturais, a humanidade precisa adquirir conhecimentos como utilizá-los sem prejudicá-los, mais para isso, devemos desenvolver uma educação ambiental, pois somente assim, teremos consciência que devemos respeitar e preservar para evitar a extinção.

Os estudos que realizamos demonstraram a importância de trabalhar com o tema Meio Ambiente, como a contribuição para a formação de cidadãos conscientes. Demonstramos também que é muito importante tanto para o aluno, quanto para o professor, buscar juntos informações e conceitos, e que a escola se proponha a trabalhar com atitudes, com formação de valores, com o ensino e a aprendizagem de habilidades e procedimentos.

SUMÁRIO

Introdução

CAPÍTULO I – Reciclagem o que é?
1.1 Tentando Soluções
1.2 O que pode ser reciclado
1.3 O que não pode ser reciclado
1.4 A conscientização
CAPÍTULO II – Educação ambiental e cidadania
2.1 Meio ambiente e seus elementos
2.2 Sustentabilidade
2.3 Diversidade
CAPÍTULO III – Proposta metodológica para a educação ambiental
3.1 O tema meio ambiente no projeto educativo
Conclusão
Bibliografia

INTRODUÇÃO

Não existe forma mágica para transformar sonhos em realidade. A receita histórica é simples: inspiração e transpiração, ou seja, um bom projeto e muito trabalho.

Meio ambiente pode indicar qualquer espaço em que um ser vive e se desenvolve. No caso do ser humano, alem do espaço físico e biológico existe também o espaço sociocultural. Desse modo, pode-se considerar o local onde se mora, onde se trabalha e onde se estuda como parte do meio ambiente.

O homem tem sido responsável por grandes e rápidas transformações, ela se transformou mais intensa quando a população rural deixou o campo para tentar a vida na cidade e exigiu um aumento no abastecimento de alimentos e bens de consumo.

Devido aos avanços tecnológicos permitiram a produção de bens de consumo em enorme quantidade e a fabricação de embalagens cada vez melhores que garantiram os transportes seguro e durabilidade desses bens.

O maior problema da atualidade e o lixo, ele deve ser considerado como uma questão de toda a sociedade e não um problema individual.

O grande desafio da atualidade é promover os desenvolvimentos sustentáveis, capazes de satisfazer as necessidades presentes, mas sem comprometer as necessidades das gerações futuras.

Sensibilizar quanto à importância da diminuição e reciclagem do lixo para um meio ambiente mais saudável. E como promover nas escolas para modificar atitudes e praticas pessoal frente ao trato do lixo. Melhorar a qualidade de vida humana e incentivar a coleta do lixo como uma das soluções para a problemática do lixo.

E como isso pode se transformar num tema transversal nas escolas, assim ajudando a contribuir a formar cidadão de uma geração mais consciente que busque a real qualidade de vida.

CAPÍTULO I – RECICLAGEM O QUE É?

A reciclagem é uma das alternativas para o tratamento do lixo urbano e contribui diretamente para a conservação do meio ambiente. Ela trata o lixo como matéria-prima que é reaproveitada para fazer novos produtos e traz benefícios para todas, como à diminuição da quantidade de lixo enviada para aterros sanitários, a diminuição da extração de recursos naturais, a melhoria da limpeza da cidade e o aumento da conscientização dos cidadãos e respeito do destino do lixo.

Reciclar significa reaproveitar o que achamos ou chamamos de lixo. Isso pode ser feito reutilizando-se, totalmente ou parcialmente, o que chamamos de lixo, para ser usado na fabricação de novos produtos. Hoje em dia vem crescendo muito rapidamente o número de produtos que acabam virando lixo. Jogar fora pura ou simplesmente às coisas que não usamos mais não só polui o meio ambiente como desperdiça as preciosas matérias-primas da Terra. A reciclagem está sendo vista como uma importante solução para o problema da poluição.

Reciclar e nada mais que reaproveitar as coisas que compramos, utilizamos e depois jogamos fora. Reciclando ajudamos a poupar os recursos naturais que a terra nos fornece. Muitos desses recursos naturais e usado na fabricação das coisas que consumimos, como o petróleo que usado na fabricação de plásticos e metais para a fabricação de carros, e esse tipo de recurso não e renováveis.

Isso significa que nossas reservas terrestres são limitadas e, além disso, parte desses recursos não renováveis é usada para fornecer a energia consumida em bens e serviços.

Na natureza o lixo natural é reciclado, os cadáveres e dejetos de animais são decompostos por pequenas criaturas que vivem no solo, como as minhocas, que servem de alimento a outros seres vivos. O gás carbônico que as pessoas e os animais aspiram é absorvido pelas plantas e usado para produzir as substâncias de que precisam para crescer. As plantas liberam o oxigênio que as pessoas e os animais respiram.

Se tudo sempre funcionasse assim seria maravilhoso e não teríamos problemas com o lixo que produzimos. O lixo é composto de vários tipos de materiais e seus resíduos são produzidos conforme a localidade e hábito e atividade da região da população. Como por exemplo, a região do litoral que há grande consumo de côco verde, a maioria do lixo a beira das praias são cascas de frutos.

Nas grandes capitais ou centros urbanos podemos encontrar muito papel e materiais sintéticos como: plásticos, isopor, borrachas, etc ou muitas embalagens que foram usadas para transportar produtos químicos, tóxicos e venenosos.

Os hospitais geram um tipo de lixo que ameaça a ter um maior risco de contaminação, pois são jogadas diariamente agulhas, frascos de medicamento, organismos patogênicos e muitas outras coisas.

Segundo Cavinatto (1992), os arqueólogos e cientistas dão um enorme valor ao lixo encontrado nas escavações de ruínas das antigas cidades e povoados. Porque através dos instrumentos e utensílios ficam registrados e como era sua vida e os costumes de um povo que ali habitou por vários e milhares de anos.

Em decorrência da própria natureza o lixo sofre decomposição principalmente o lixo das casas que é formado por maior parte por material orgânico. A decomposição nada mais é do que uma fermentação que é realizada por micróbios, e essa decomposição resultam em outros compostos como o liquido e gasoso e sempre vem acompanhado por mau cheiro.

Segundo Cavinatto (1992), nós produzimos aproximadamente meio quilo de lixo por dia. Se por algum eventual motivo os coletores deixam de recolher os lixos da cidade em questão de dia acumularemos montanhas de sacos, provocando mau cheiro e criando um ambiente favorável para se prolífera moscas, baratas, roedores e outras tipos de animais.

Na maioria das cidades principalmente nos centros urbanos é realizada a coleta através de caminhões que possui carrocerias adaptadas para a coleta de lixo que é prensado durante as viagens. Nas áreas urbanas, por causa da quantidade de veículos que transita pelas ruas o lixo é recolhido durante o período noturno. A o término de cada coleta, o lixo geralmente e descarregado em lixões que ficam afastados das zonas urbanas.

No Brasil o lixo é jogado no solo, sem nenhuma proteção a ar aberto. Claro que essa não é a maneira correta porque ele gera muitos problemas para o meio ambiente e a saúde do ser humano. Os lixões causam proliferação de micróbios transmissores de doenças graves, deteoriza os recursos naturais, prejudicando indiretamente o homem, causando a decomposição de detritos que servem de alimento a uma porção de microorganismo. Da digestão desse material resulta um liquido chamado chorume.

O chorume é o liquido que é acumulado dos resíduos, este líquido é produzido do desprendimento da umidade contida nos resíduos orgânicos. Através da água da chuva que se infiltra nos aterro sanitário, acontece uma reação química. Junto com a ação bacteriana da decomposição dos resíduos. Nele corre o risco de conter substâncias tóxicas e patogênicas que foi lançado no lixo e sempre quando chove essas substancias e arrastada a lagos e rios que nos serve para nos abastecer. Por essas e outras razoes que o lixo tem que ser depositado corretamente.

Segundo Cavinatto (1992), os aterros sanitários depois de determinado tempo e transformado em parques, campos de futebol e jardins de inúmeras capitais. Graças a esse método utilizado para enterrar os resíduos, os caminhões descarregam sua carga próxima de barrancos e em seguida um trator empurra e passa diversas vezes sobre o material, formando um monte bem compactado, que no final do dia é coberto com terra. Constituindo uma certa quantidade de lixo no seu interior formando uma célula de lixo.

1.1 TENTANDO SOLUÇÕES

Devolver a indústria embalagens que vem da indústria essa premissa justifica a importância do trabalho de coletar. A coleta seletiva é uma alternativa ecologicamente correta que desvia os materiais do destino, em aterros sanitários ou lixões, devolvendo-os as suas origens de fabricação para reciclagem.

Essa atividade é preciso destacar a figura dos inúmeros catadores, organizadores em cooperativas, que associam entre si formando importante e conveniente categoria profissional. Segundo Póleta Gonçalves e Roberto Ibarguem do site (www.lixo.com.br) os objetivos mais importantes com a reciclagem são:

“Vida útil dos aterros sanitários são prolongados e conseqüentemente o meio ambiente é menos contaminado, o emprego de matéria prima reciclável economiza recursos da natureza”.

Especialistas desse assunto defendem a idéia da redução do volume de lixo. Isso exigiria uma grande mudança nos padrões de criação de embalagens promovidas pelo marketing, consumo e hábitos arraigados de descartar a implantação de programas de coleta seletiva do lixo. Nesse caso, é indispensável à colaboração da comunidade no descarte separado dos diversos materiais recicláveis antes da coleta. Uma comunicação de marketing mais ativa orientando consumidores a maneira correta e mais adequada para o descarte das embalagens seria necessário.

Mas um dos problemas mais atuais e a separação dos materiais como papel, vidro e metais, do restante do lixo. Existem usinas de reciclagem onde o lixo misturado pode ser separado. Mas seria mais fácil e pratico se o lixo fosse separado nas casas. Em alguns lugares, os materiais diferentes são coletados separadamente.

Aqui no Brasil, segundo Tony Hare (1993), a cidade de Curitiba, no estado do Paraná, foi a primeira a implantar a coleta seletiva do lixo, visando à reciclagem dos materiais. Algumas outras cidades brasileiras já começaram a implantar esse tipo de projeto nas suas localidades.

A coleta seletiva é representada por quatro cores que fazem com que fique mais fácil a identificação dos tambores para que seja recolhido de maneira correta. A cor amarela representa o metal, que é extraído da natureza a partir de rochas que contém minérios que são derretidos para separar o metal das impurezas que é moldado em forma de placas ou barras que são transformados em embalagens e outros produtos.

A cor verde representa a reciclagem de vidro. A fabricação do vidro é feita a partir da areia que contém sílica, a vidraria funde outros elementos com a areia, o vidro se transforma em vários formatos e o produto final chega ao consumidor assumindo várias utilidades.

A cor vermelha representa a reciclagem do plástico a sua fabricação e a partir do petróleo a indústrias de refino extraem do petróleo a matéria prima para a fabricação do plástico, a resina plástica é moldada e originam-se nos produtos plástico, da coleta seletiva são derretidos nas fabricas de reciclagem para dar origem a novos produtos.

O azul representa a reciclagem de embalagens ou folhas de papel. O papel é feito a partir da celulose retirada das arvores, a pasta de celulose é prensada e seca nas maquinas formando grandes folhas que são empilhadas e cortadas que serve para ser impressa para diversas finalidades. Voltando para coleta seletiva ela permite reaproveitar o papel usado que segue para as fabricas de reciclagem em forma de fardos, onde estes são misturados com água, resultando na pasta de celulose novamente.

1.2 O QUE PODE SER RECICLADO?

Vidros como: garrafas, frascos de molho e condimentos, potes de produtos alimentícios, frasco de remédios, perfumes e produtos de limpeza, cacos de qualquer umas das embalagens anteriores.
Plásticos como: potes (de todos os tipos), embalagens (detergente, shampoo, água sanitária, etc), tampas (de todos os tipos), sacos (leite, arroz, etc).
Metal: Latas, tampas (refrigerante, cerveja, conservas, etc), arames, grampos, fios, pregos, marmitex, alumínio cobre e outros.
Papel: revistas, jornais, papel, caixas de papelão (de todos os tipos)

1.3 O QUE NÃO PODE SER RECICLADO?

Vidros: espelhos, vidros de janelas e Box, vidros de automóveis, cristal, lâmpadas, formas e travessas de vidro temperado, ampolas de remédios.
Plásticos: celofane, espumas, embalagens a vácuo e fraudas descartável.
Metal: pilhas normais e alcalinas, filtro de ar de carros, latas enferrujadas.
Papel: papel higiênico, guardanapos com comida, copos siliconizados, papel laminados, papel plastificado (embrulho de bolachas), papel carbono.

1.4 A CONSCIENTIZAÇÃO

A coleta seletiva para reciclagem é uma ação importante para se preservar, mas para que dê resultados é preciso que toda a sociedade colabore e participe da construção de uma mudança de mentalidade e conseqüentemente de hábitos em relação à problemática do lixo. Tal conscientização não se Dara de um dia para o outro, mas através de um trabalho constante de educação ambiental, que garanta o envolvimento e a participação de todos: a escola, a família, a comunidade e o Estado.

A educação ambiental esta garantida pela Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988. O artigo 225 diz que cabe ao poder publico:

“Promover a educação ambiental em todos os níveis de ensino e a conscientização publica para a preservação do meio ambiente”.

A educação ambiental sozinha não é suficiente para resolver dois problemas ambientais, mas é condição indispensável para tantos. A grande importância da educação ambiental é contribuir para a formação de cidadãos conscientes do seu papel na preservação do meio ambiente, e aptos para tomar desenvolvimento de uma sociedade sustentável. O papel do poder público é fundamental para que tais demandas se concretizem. No caso do tratamento do lixo, ás leis regulamenta e procedimentos são definidos pela União, Estados e municípios.

O Município é responsável pela coleta, transporte, tratamento e disposição do lixo, enquanto ao Estado cabe a fiscalização ambiental e à União a definição de normas gerais.

Um instrumento de cidadania e a educação que é a mais poderosa ferramenta transformadora da sociedade. Em todo o país há bons exemplos de ações que tem resultados em melhoria da qualidade de vida e no resgate da cidadania, principalmente nos centros urbanos.

Através de pesquisas percebemos que a reciclagem vem gerando uma fonte de renda muito importante a várias famílias. Muitas fazem sua coleta individualmente passando de portão a portão recolhendo o que for viável para a reciclagem, levam esses materiais para depósitos que compram para repassar para usinas de grande porte de reciclagem. E muitas vezes esses coletores criam laços de amizade entre os moradores, que acaba fazendo a retirada do material semanalmente nas residências que se vinculou.

Também observamos que hoje existem varias cooperativas que recolhe o lixo em locais específicos e geram muitas fontes de emprego. Para as usinas são encaminhados os resíduos e levado ao local de triagem, os funcionários contratados por essas cooperativas fazem a separação dos tipos de materiais que são separadamente encaminhados para locais apropriados e estocados ate serem comercializados.

Nós descobrimos um exemplo muito bom de uma usina que alem de reciclar ela recicla também conceitos. Ela está localizada na cidade de Santos em São Paulo, mas especificamente no bairro da Alemoa, a usina de separação de lixo tem uma característica muito exemplar. Ela contrata pessoas que tem algum tipo de doença mental comprovada e integram no seu quadro de funcionários, promovendo a reintegração dessas pessoas ao mercado de trabalho.

Atualmente, 60 dos 82 funcionários da usina são designados pela Secretaria Municipal de Saúde, com acompanhamento dos psicólogos da seção de reabilitação psicosocial. Os outros são excatadores contratados da própria comunidade local. Todos recebem salário, vale transporte, cesta básica, alem de café da manha, almoço e lanches durante o expediente.Esse trabalho e uma parceria da secretaria do meio ambiente de Santos com a secretaria de ação comunitária e de saúde.

Assim promovem a alta estima dessas pessoas e recupera novos cidadãos para sociedade, com consciência da importância da reciclagem e trazendo o mais importante a dignidade dessas pessoas que até então são vistas como loucos perante a sociedade.

CAPÍTULO II – EDUCAÇÃO AMBIENTAL E CIDADANIA

A principal função de trabalhar com o tema meio ambiente e contribuir para a formação de cidadãos conscientes, capazes de decidirem e atuarem na realidade sócio-ambiental de modo que seja comprometido com a vida, com o bem estar de cada pessoa e da sociedade em geral.

E para que isso aconteça, é preciso mais do que informações e conceitos, a escola se comprometa a trabalhar com atitudes, com formação de valores, com o ensino e aprendizagem de habilidades e procedimentos. E tudo isso será um grande desafio para a educação. Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais do Meio Ambiente, comportamentos “ambientalmente corretos” serão aprendidos na prática do dia-a-dia na escola. Que são os gestos de solidariedade, hábito de higiene pessoal e dos diversos ambientes.

Existem também outro componentes que podem se juntar à escola nessa tarefa, que é a sociedade sendo responsável em todo o processo como um todo, os padrões de comportamento da família e as informações veiculadas pela mídia exercem especiais influencia sobre as crianças.

O rádio, a tv e a imprensa, por outro lado, estabelecem a grande fonte de informações que a maioria das crianças e das famílias contem sobre o meio ambiente. Embora aborde assunto de forma leviana, a mídia e os meios de comunicação vem tratando de questões relacionadas ao meio ambiente, têm sido cada vez mais freqüentes, no qual existem falatórios veiculados pelos meios de comunicação propondo idéias de desenvolvimento que raramente conflita com idéia de respeito ao meio ambiente. Que são propostos e estimulados valores insustentáveis de consumismo, desperdício, violência, egoísmo, desrespeito, preconceito, irresponsabilidade e entre outros.

É muito importante que o professor trabalhe como objetivo de desenvolver, nos alunos, uma atitude crítica perante a realidade de informações e valores veiculados pela mídia e aqueles trazidos de casa. Por isso, o professor precisa junto com os alunos mais informações em publicações ou com especialistas. Por tanto é preciso que se trabalhe com temas da atualidade, em continuo desenvolvimento, que requerem uma permanente atualização, e junto com os alunos vão desenvolver procedimentos elementares de pesquisa e sistematização da informação, medidas, considerações quantitativas, apresentação e discussão de resultados, etc.

A idéia relacionada ao meio ambiente e ao movimento ambiental é bastante recente, ainda esta em plena construção. De fato não há consentimento sobre esses termos nem mesmo na comunidade cientifica, com mais razão, pode-se supor que o mesmo ocorra fora dela.

Por tanto, existem elementos que formam as bases gerais, podemos chamar de pensamento ecológico.Por estar em processo de construção, a definição de muitos desses elementos está em discussão. Sendo como uma referencia, considerou-se importante à apresentação de três idéias centrais: a de meio ambiente, a de sustentabilidade e a de diversidade.

2.1 MEIO AMBIENTE E SEUS ELEMENTOS

Como já foi dito, o conceito de meio ambiente ainda esta sendo construído. No momento, ele é definido de modo diferente por especialistas de diferentes de ciências.

E muitos estudiosos da área ambiental consideram a idéia, no qual o nome de meio ambiente não configura um conceito que possa ser estabelecido de um jeito rígido e definitivo. É mais fácil defini-lo como uma “representação social”, sendo uma visão que evolui no tempo e depende do grupo social em que é aproveitada. Essas representações, como suas modificações ao longo do tempo são de grande importância buscá-las para se intervir quando se trabalha com o tema meio ambiente.

Quando se trata em relação à qualidade de vida das pessoas, é preciso trabalhar a partir do ponto de vista que cada grupo social tem a respeito do tema “meio ambiente”, e como cada um desses grupos percebe o seu ambiente e os ambiente mais abrangente em que está incluído. São importantes, para a formação de opiniões, atitudes individuais, e as representações coletivas desses grupos sociais que os indivíduos pertencem. Podendo então distinguir qual representação social cada parcela da sociedade tem no meio ambiente, para se trabalhar tanto com os alunos como nas relações escola – comunidade.

Segundo o PCNs (2001):

“O termo (meio ambiente) tem sido utilizado para indicar um “espaço” (com seus componentes bióticos e abióticos e suas interações) em que um ser vive e se desenvolve, trocando energia e interagindo com ele, sendo transformado e transformando-o.”

A humanidade provoca tipos de modificações que se transformam com o passar do tempo. E com essa transformação, o homem também muda sua visão a respeito da natureza e do meio em que vive.

Para melhor se estudar o meio ambiente é preciso se identificar os elementos que constituem seus subsistemas ou partes deles. Que se distinguem como, elementos naturais e construídos, urbanos e rurais ou físicos e sociais do meio ambiente. No entanto, o professor deve ter em mente que a abordagem ambiental implica ver que não existem categorias como realidades estanques, mas que há gradações.

Distinguem-se também aqueles elementos que são como a natureza os fez, sem a intervenção direta do homem: cada recurso natural existente num conjunto de plantas e animais nativos, silvestres, paisagens mantidas sem qualquer intervenção humana, rios e lagos não atingidos pela ação humana, etc. são esses elementos que prevalecem nas matas, nas praias mais distantes, e nas cavernas não descaracterizada. Por outro lado, a maior parte dos elementos considerados naturais ou produto de uma influencia direta da cultura humana ou que vêm de ambientes que a ação do homem não parece muito clara, pois foi conservativa e não destrutiva, que consistem em sistemas que já houve uma reorganização, depois de um tempo suficiente.

Também existem os elementos que são transformados pela atuação humana, que é chamado de elementos construídos do meio ambiente, que são as matérias-primas processadas, como objetos de uso, construções ou cultivos. Então é preciso discutir a necessidade de preservar e cuidar do patrimônio natural, para que possa garantir a sobrevivência das espécies, a biodiversidade, e conservar os recursos naturais como a água, o ar e o solo, e também preservar e cuidar do patrimônio cultural, construído pelas sociedades em diferentes lugares e épocas. Enfim tudo isso é fundamental para garantir a qualidade de vida da população.

2.2 SUSTENTABILIDADE

Nota-se que se a sociedade não impôs regras diante da exploração e a distribuição dos recursos, as condições de vida do nosso planeta não ira melhorar. Para que possamos melhorar as condições do nosso planeta devemos:

• Conservar a vitalidade e a diversidade do planeta Terra;
• Minimizar o esgotamento de recursos não – renováveis;
• Permanecer nos limites de capacidade de suporte do planeta Terra;
• Modificar atitudes e práticas pessoais;
• Permitir que as comunidades cuidassem de seu próprio ambiente;
• Gerar uma estrutura nacional para a integração de desenvolvimento e conservação;
• Construir uma aliança global;

2.3 DIVERSIDADE

O principal aspecto para a sustentabilidade da vida na Terra é a conservação da diversidade biológica.

De acordo com o PCNs, nota-se que os seres vivos evoluíram por milhões de anos, chegando o mundo à forma como está hoje e com a biodiversidade, irão surgir novas variedades e novas espécies. As diversidades biológicas ou biodiversidade consiste num conjunto total de disponibilidade genética de diferentes espécies e variedades, e por diferentes ecossistemas.

Por tanto, a diversidade biológica deve ser conservada não só por sua importância conhecida, mas por uma questão de princípios, que todas as espécies merecem respeito, pois pertencemos todos à mesma e única trama da vida neste planeta. Com isso sabemos que em nossa sociedade existem variações de vida e de cultura que a humanidade chegou a desenvolver. Tanto os povos indígenas quanto as culturas regionais e todos os grupo de diferentes comportamentos, enriquecem a formação étnica e cultural, devem ter seu espaço garantido e sua honestidade e seu amor próprio resgatados quando em situação de desapreço ou discriminação.

CAPÍTULO III – PROPOSTA METODOLOGICA PARA A EDUCAÇÃO AMBIENTAL

Para começar um trabalho com o tema meio ambiente a opção deve partir da escola, para que possa desenvolver um trabalho adequado junto com os alunos. O professor não é “obrigado” a saber, de tudo, mas sim trabalhar e pesquisar juntamente com os alunos.

O trabalho que o professor terá com os alunos sobre o meio ambiente, será a fim de ajudar os alunos a construírem uma consciência global das questões relativas ao meio para que possam assumir posições afinadas com os valores referentes à sua proteção e melhoria. E esse significado será resultado da ligação que o aluno estabelece entre o que aprende e a sua realidade cotidiana.

O trabalho com a realidade local faz parte dos assuntos mais significativos para os alunos, pois estão circunscritos na realidade mais próxima, ou seja, sua comunidade, sua região e isso fazem com que a educação ambiental seja muito importante. Portanto, para que os alunos possam compreender e ampliar as questões ambientais é fundamental oferecer-lhes uma visão abrangente que englobe diversidade de realidades e, ao mesmo tempo, uma visão contextualizada da realidade ambiental, que inclui, alem do ambiente físico, as suas condições sociais e culturais.

De acordo com o Parâmetro Curricular Nacional – Meio Ambiente, as áreas de ciências naturais, historia e geografia serão os principais parceiros para o desenvolvimento dos conteúdos relacionados, pela própria natureza dos seus objetos de estudo. Também as áreas de língua portuguesa, matemática, educação física e arte ganham importância fundamental por constituírem instrumentos básicos para que o aluno possa conduzir o seu processo de construção do conhecimento sobre o meio ambiente.

Além de tudo que já vimos, o professor tem o direito de procurar ajuda na comunidade com a direção da escola, nos livros, com colegas, etc. E questionar com os alunos as informações alcançadas mostrando que o processo do conhecimento é constante, que uma das qualidades mais importantes da espécie humana é a imensa curiosidade e a eterna condição de aprendiz.

O trabalho com o tema meio ambiente deverá proporcionar para os alunos grandes experiências, ampliando assim a consciência sobre as questões relativas ao meio ambiente.

Podemos considerar o meio ambiente em sua totalidade e em seus aspectos natural e construído tanto, tecnológicos quanto sociais. Também construir um processo permanente, desde inicio da educação infantil e continua durante todas as fases do ensino formal, sendo assim, promover a participação dos alunos na organização de suas experiências de aprendizagem, oferecendo-lhes a oportunidade de tomar decisões e assumir suas conseqüências.

Por fim o professor deverá estabelecer para os alunos de todas as idades, uma relação entre a sensibilização ao meio ambiente, a aquisição de conhecimentos, a atitude para resolver os problemas e a clarificação de valores, procurando, principalmente sensibilizar os mais jovens para os problemas ambientais viventes na sua própria comunidade.

3.1 O TEMA MEIO AMBIENTE NO PROJETO EDUCATIVO

Temos que pensar hoje nos inúmeros problemas que o mundo atual enfrenta com relação à questão ambiental, como: o lixo, poluição, desmatamento, espécies em extinção, dentre outros.

Portanto para que possamos compreender a gravidade desses problemas é necessário que saibamos quais as qualidades desse ambiente. Para que as crianças e os adultos possam respeitar e conservar o meio ambiente, eles deverão conhecer e perceber o quanto ele é interessante. O professor devera levar em conta os contextos sociais, econômicos, culturais e ambientais, pois a realidade de uma escola em região metropolitana, por exemplo, implica exigências diferentes daquelas de uma escola da zona rural.

Porém para que o trabalho com o tema meio ambiente seja concluído e atingido os objetivos, toda comunidade devera participar. A construção do cidadão é a partir da participação dos alunos nas atividades da comunidade, e grande parte dessa tarefa deverá partir da escola, proporcionando assim, um ambiente escolar saudável e coerente, por outro lado, cabe à escola garantir meios para que os alunos possam pôr em prática suas capacidades de contribuição. A escola também deverá possibilitar a saída de seus alunos para passeios e visitas a locais de interesse dos trabalhos em educação ambiental.

CONCLUSÃO

Com este trabalho concluímos que é importante reservamos a natureza utilizando os recursos naturais sem desperdícios, pois as necessidades são ilimitadas e os recursos escassos, ou seja, se não preservarmos agora não teremos no futuro. Pensando nisso vimos que precisamos reduzir, reutilizar e reciclar. E a importância de se trabalhar o meio ambiente é fundamental para os alunos para a formação de cidadãos conscientes. É preciso cada vez mais incentivar os alunos a se empenhar, para que possam conscientizar para cuidar e preservar o nosso meio ambiente.

Trabalhar com os alunos hoje, nesse sentido é trabalhar na construção dessa sociedade com vistas ao desenvolvimento social e ecologicamente sustentável. É fundamental que a escola esteja engajada neste trabalho, para que os alunos e professores possam desenvolver esta proposta com mais determinação e interesse.

BIBLIOGRAFIA

Bioma Educação e Assessória Ambiental e Comercio de materiais didáticos Ltda. Reciclagem, Brahma, apaixone-se por essa idéia.

Bonar, Veronica. Reciclar / Verônica Bonar ; tradução José Carlos Lopes Sariego. – São Paulo : Scipione, 1996. – (coleção reciclar)

Cavinatto, Vilma Maria. Saneamento Básico: fonte de saúde e bem estar / Vilma Mria Cavinatto: Ilustração de Osni de Oliveira.- São Paulo: Moderna, 1992. (coleção desafios)

CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA DE 1998.

Escola viva: programa de pesquisa e apoio escolar: o tesouro do estudante. – 1. Ed. – São Paulo: Meca, 1998 (edição atual 2005)

http://www.lixo.com.br

Neimar, Zysmar. O ambiente construído: livro 3/ Zysmar Neimar, Cristiane Pires da Motta. – São Paulo: Atual, 1991. – (Educação Ambiental).

Parâmetros Curriculares Nacionais: Meio Ambiente: saúde/ Ministério da Educação Fundamental. – 3. ed. – Brasília: a Secretaria, 2001.

Recreio Pesquisa Escolar – Datas especial, ética e cidadania, meio ambiente. – São Paulo: Agosto, 2006.

Tetra park Ltda. Projeto cultural ambiente nas escolas: meio ambiente cidadania e educação. – 3º edição revisada, 2003.

Responsabilidade Social

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INTRODUÇÃO

Responsabilidade social – o novo negócio dos negócios se apresenta como um tema cada vez mais importante no comportamento das organizações, exercendo impactos nos objetivos, estratégias e no próprio significado de empresa.

É um assunto que nos leva a refletir e crer na importância que temos um para com o outro indivíduo, independente de sua religião, origem, cultura e classe social. Também se torna um assunto importante devido sua contribuição para a imagem das empresas, que passam a adotar posturas mais éticas e compromissos sociais com a comunidade em geral, podendo ser um diferencial competitivo, e um indicador de rentabilidade e sustentabilidade a longo prazo.

Com isso, a idéia central é que; os consumidores passem a valorizar organizações com comportamentos nesse sentido, e comecem a preferir produtos de empresas identificadas como éticas ou solidárias ou sejam empresas que atuem com responsabilidade social.

Com este trabalho nosso grupo obteve um melhor entendimento dos conceitos de responsabilidade social e nos possíveis nos ganhos empresariais a partir da responsabilidade social, a real importância desta estratégia e de seus benefícios, incluindo os ganhos financeiros, por apresentar nos dias de hoje uma grande vantagem competitiva no mercado, tanto no Brasil como no exterior.

Fizemos alguns breves estudos de casos de empresas como; Natura que através de seus produtos extraídos diretamente da natureza a faz ter uma grande responsabilidade com o meio-ambiente e com a comunidade que a cerca dando emprego e gerando sustentabilidade, verificamos também o McDonald’s, que através de seu grande sucesso promove uma grande campanha todos os anos, que é o McDia Feliz que consiste em repassar parte das vendas do seu mais famoso lanche para instituições que combatem o câncer infanto-juvenil, a Petrobrás com mais de 300 projetos sociais já desenvolvidos e em especial a inclusão de pessoas especiais no mercado de trabalho, também a empresa de telecomunicações Brasil Telecom que passou a oferecer os serviços da Central de Atendimento ao Surdo, também pesquisamos o Banco Real, Banco Itaú entre muitos outros exemplos de organizações atuantes e engajadas na sustentabilidade e na responsabilidade social.

Nosso grupo acredita estar auxiliando na divulgação e promoção de alguns conceitos importantes, mesmo sendo este trabalho apresentado para poucos universitários, nossos colegas de sala, mas temos certeza que juntos poderemos contribuir muito para promover em nosso país o Brasil, uma sociedade empresarial melhor e mais solidária, não apenas pelos ganhos financeiros, mas principalmente pelo bem do próximo.

A metodologia empregada para a realização deste trabalho teórico consiste em pesquisa bibliográfica, sendo a coleta de informações realizada, principalmente, através de: livros, teses, revistas, jornais, pesquisas de instituições e sites na internet.

1. CONCEITOS DE RESPONSABILIDADE SOCIAL E SEUS DIFERENCIAIS

1.1. Responsabilidade social

Ao resgatar a trajetória na história, que possivelmente, influenciaram o surgimento da responsabilidade social nas empresas, podemos destacar, por exemplo, os movimentos em torno dos direitos civis ocorridos na Europa e na França na década de 60; as manifestações contra os efeitos das armas químicas na guerra do Vietnã, que culminaram com o fortalecimento da organização da sociedade civil (igreja, fundações); os efeitos de armamentos, que afetaram o meio ambiente e a população, colocando em risco a sobrevivência da natureza e dos seres humanos. Todos esses fatores provocaram um repensar na postura ética das empresas frente à sociedade.

As empresas nos EUA foram pioneiras em prestar conta ao público de suas ações sociais, advindo, daí, a idéia de balanço social. Entretanto, foi à França, a primeira nação a tornar obrigatória a prestação de contas dos investimentos sociais das empresas, com número de funcionários acima de 300 funcionários. Dessa forma, estava definida a entrada das empresas no universo da responsabilidade social.

No Brasil a própria sociedade passou a cobrar uma nova postura ética das empresas, as quais passaram a prestar contas de suas ações justificando seu objetivo social, procurando resgatar sua imagem junto aos consumidores e acionistas.

Assim, a sociedade começou a se organizar em Associações, Sindicatos, Clube de Investidores e, conseqüentemente, as empresas responderam publicando relatórios com informações de caráter social (o que seria hoje o Balanço Social).

Contudo, a discussão do papel social das organizações no Brasil somente ganhou destaque na mídia e visibilidade nacional quando o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, lançou em 1997 a campanha de divulgação do Balanço Social. A campanha ganhou força e adesão com o apoio de lideranças empresariais.

Na atual conjuntura mundial observamos que as empresas, cada vez mais, estão voltando-se para o desenvolvimento de algumas atividades de cunho social, demonstrando-se preocupadas com os problemas sociais, a comunidade e o seu público interno. Neste novo momento do mercado, as pessoas se questionam, por que de repente as empresas ficaram tão cheias de boas intenções, já que é sabido que o objetivo é, e sempre será, gerar lucros.

O interesse das empresas pelas causas sociais tornou-se um diferencial aos olhos do consumidor, bem como as empresas estão se conscientizando que sua participação na comunidade será um fator para o sucesso.

Apesar de parecer um assunto novo no cenário empresarial, a responsabilidade social vem sendo praticada há vários anos nos países mais desenvolvidos como os Estados Unidos da América e países europeus e está ganhando a adesão de muitos empresários no Brasil.

Uma empresa socialmente responsável é aquela que além de ser ética nos seus negócios, preocupa-se com: a não utilização de mão-de-obra infantil, saúde de seus funcionários, não utilização de trabalhos forçados, segurança no trabalho, liberdade na associação a sindicatos, negociação coletiva, não discrimina seus funcionários, nem a sociedade em geral, respeita o horário de trabalho, preocupa-se com questões ambientais e possuem um sistema de gestão coerente.

As empresas buscam vincular sua imagem à noção de responsabilidade social porque esse elemento será um fator determinante de sucesso mercadológico.

Na visão de José Tolovi Jr., consultor da Great Place to Work Institute no Brasil:

“Responsabilidade social é uma preocupação crescente nas empresas. Cada vez mais, elas se mobilizam para cumprir sua missão junto à sociedade. É uma questão estratégica que não se resume apenas a dar dinheiro a quem precisa. Responsabilidade social é a soma das ações internas e externas de uma companhia, o produto daquilo que se faz dentro e fora de seus portões”. (Exame, Melhores Empresas para você trabalhar, Edição 695, 1999, p.38)

A propósito das empresas socialmente responsáveis, Tolovi afirma: “São empresas que têm fortes valores éticos… Essas empresas fazem bem aos funcionários e à sociedade em geral…” (Exame, Melhores Empresas para você trabalhar, Edição 695, 1999, p.38)

Para Oded Grajew, Presidente do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social:

“Responsabilidade social é uma forma de gestão empresarial que envolve a ética em todas as atitudes. Significa fazer todas as atividades da empresa e promover todas as relações – com seus funcionários, fornecedores, clientes, com o mercado, o governo, com o meio ambiente, e com a comunidade – de uma forma socialmente responsável. Ética não é discurso, é o que se traduz em ação concreta. Na hora de escolher um produto, um processo de fabricação, uma política de RH, o que fazer com o lucro da empresa, qualquer decisão deve ser pautada por esses valores. (Você S.A. – Ano 2 – nº 15 – setembro/1999). Oded Grajew confirma a ética como sinônimo da responsabilidade social.

1.1.1. O Retorno sobre investimento dos projetos sociais

Existem naturalmente nos meios empresariais perguntas como: Qual o retorno que uma empresa pode ter ao investir em projetos sociais? Como seriam feitas as medições dos projetos de responsabilidade social? Na verdade, isto parece ser uma resposta difícil de se obter e existe um consenso de que fica muito difícil medir o retorno financeiro que uma empresa irá ter quando resolve investir no social, o quanto isto refletirá em aumento no volume de vendas, no valor de suas ações na bolsa ou aumento possível em seus preços.

Diversas empresas têm se beneficiado de uma gama de resultados financeiros, incluindo acesso a capital.

Um ponto pacífico com relação às empresas que têm um papel de responsabilidade social tem a ver com sua reputação e o valor da sua imagem. O mercado sempre procura estar ao lado de empresas que têm um compromisso com a sociedade.

Uma empresa considerada socialmente responsável pode se beneficiar tanto de sua boa reputação junto ao público consumidor quanto junto à comunidade financeira e de negócios, aumentando sua capacidade de atrair investimentos e parceiros.

Um outro ponto destacado por vários estudos sugere que existe um mercado crescente para as empresas que produzem serviços e produtos e são percebidas como engajadas com a responsabilidade social. Não só os critérios de preço, qualidade, aparência, gosto, disponibilidade, segurança e conveniência são atraentes, mas também, existe um desejo crescente de obter-se produtos que atendam a critérios de produção de forma socialmente responsável, tendo como conseqüência às vendas e a lealdade do consumidor. Da mesma forma, empresas percebidas como compromissadas com o social geralmente têm facilidade para recrutar empregados. Os índices de retenção também são altos, impactuando positivamente os custos de recursos humanos.

1.1.2. Responsabilidade social e lucratividade

Algumas autoridades argumentam que as empresas devem desempenhar atividades ligadas à responsabilidade social porque lucratividade e crescimento decorrem do tratamento responsável de grupos como empregados clientes e a comunidade. Em resumo, esse argumento significa que ser responsável é um meio de conseguir maior credibilidade organizacional e (talvez) lucro.

A relação entre responsabilidade social e lucratividade não é fácil de estabelecer por que: é difícil definir os atos de responsabilidade social e é praticamente impossível medir o resultado da resposta à responsabilidade social. Por exemplo, a administração estará sendo socialmente responsável ao trocar uma máquina perigosa por outra mais nova e segura, ou esse ato também vai aumentar a produtividade e lucros e reduzir as taxas? A economia por menos acidentes (custo de tratamentos e tempo perdido por empregados horistas) pode justificar o maior custo da máquina, tornando fácil à escolha da “responsabilidade social”.

Embora não se possa ter uma resposta definida quanto à influência da responsabilidade social sobre a lucratividade, pode-se dizer que para uma empresa sobreviver, ela tem que agir de forma a ajudar a sociedade, mas sem reduzir seu valor econômico e sua integridade financeira.

1.2. Ética junto á responsabilidade social

Sempre que falamos de Responsabilidade Social, nos deparamos com a palavra ética, não iremos nos aprofundar na ética.

Partindo deste ponto de que a ética se ocupa do pensamento, de fatos ou atos humanos, que sugere liberdade de escolher entre fazer o bem e o mal, remete-nos a seguir normas e ter responsabilidades, podemos dizer que as empresas que praticam responsabilidade social assumem uma postura ética na medida em que fazem uma escolha consciente de colaborar para o desenvolvimento da comunidade e solução dos problemas sociais.

Podemos afirmar que responsabilidade social e ética empresarial andam juntas. Podemos definir que a empresa que pratica responsabilidade social é aquela que responde à situação social na qual está inserida, consciente que está no seu papel de agente da sociedade.

A base da responsabilidade social é a ética, pois é através dela que se expressa o princípio e valor adotado pela organização. Não há Responsabilidade Social sem ética nos negócios. Não adianta uma empresa, por um lado pagar mal seus funcionários, corromper a área de compras de seus clientes, pagar propinas a fiscais do governo e, por outro, desenvolver programas junto a entidades sociais da comunidade. Essa postura não condiz com uma empresa que quer trilhar um caminho de Responsabilidade Social. É importante seguir uma linha de coerência entre ação e discurso.

Entende-se que se uma empresa for ética, seus funcionários ficarão contentes em dar mais resultado em termos de trabalho e companheirismo por ela, os fornecedores se transformarão em parceiros estratégicos, os consumidores darão preferência a seus produtos e serviços e a comunidade que abriga será mais compreensiva diante de eventuais deslizes.

Tendo um compromisso ético deduz-se que os resultados financeiros serão positivos, esse compromisso ético está vinculado a ações sociais que beneficiem os vários públicos afetados pela empresa.

Ao percorrer por melhorias contínuas utilizando-se de condutas éticas, a empresa coloca-se em posição de exigir o mesmo de seus empregados e administradores. Desse modo, podem cobrar-lhes maior lealdade e dedicação. O ato de emprestar o seu trabalho a uma organização que age com ética e compromisso com a comunidade constitui-se para o empregado em uma compensação abstrata e de valor incalculável.

2. TERCEIRO SETOR

2.1. Conceito

Chamamos de primeiro setor: o setor estatal; de segundo setor: o setor privado. O terceiro setor é composto pelas organizações privadas que são públicas por suas finalidades e que não se encaixam nas definições do setor estatal e setor privado.

São organizações não-governamentais: institutos, fundações, entidades de classe, associações profissionais, movimentos sociais, atuando nas mais diversas áreas sociais.

Todas as organizações do Terceiro Setor, também conhecidas como ONGs (Organizações Não-Governamentais) têm como objetivo o desenvolvimento político, econômico, social e cultural no meio em que atuam.

O crescimento das organizações sem fins lucrativos, tanto em tamanho quanto em número, gera a possibilidade de emprego e oportunidade de carreira para diversas categorias profissionais. Um exemplo é o CIEE.

Um dos obstáculos que se apresenta para a expansão do Terceiro Setor é a falta de experiência das organizações em lidar com gestão.

A consolidação das organizações sem fins lucrativos no Brasil exige novas especializações e a tendência é de se trocar o trabalho voluntário por profissional, requisitando-se administradores e captadores de recursos.

Com o desenvolvimento das ONGs, surge a necessidade de contratar um profissional que se encarregue da gestão de recursos financeiros, materiais e humanos, além da organização de atividades, para que seja executado o maior número de projetos possíveis. Esse profissional tem que ter o perfil de administrador, que saiba trabalhar em equipe e, principalmente, se preocupe não somente com o retorno financeiro, mas também em ajudar o próximo.

O trabalho nas ONGs proporciona um aumento na qualidade de vida das pessoas, haja visto que o sentimento de poder ajudar o outro é muito confortante, bem como o desenvolvimento de atividades interessantes como arte, cultura, história, educação, serviço social, direito e política.

A participação dos funcionários em atividades sociais como voluntários está sendo vista positivamente pelas empresas. As corporações estão descobrindo que o trabalho voluntário e o engajamento em questões sociais motivam os funcionários e produz realizações das necessidades afetivas, o que não se consegue apenas com os conhecidos bônus ou participação nos lucros.

As empresas reconhecem que os programas de voluntariado resultam em funcionários mais comprometidos, altamente produtivos, desenvolvem as habilidades como a do trabalho em equipe, exercita a liderança e a responsabilidade.

Algumas empresas distribuem prêmios entre os funcionários envolvidos, tais como a DPaschoal, que concede bolsas de estudo aos funcionários que trabalharem em prol da comunidade.

3. PARTES INTERESSADAS NA RESPONSABILIDADE SOCIAL (STAKEHOLDERS)

As partes interessadas (ou stakeholders) são qualquer grupo dentro ou fora da organização que tem interesse no desempenho da organização. Cada parte interessada tem um critério diferente de reação porque tem um interesse diferente na organização.

As relações construídas com o público interno (empregados e dependentes) e externo (fornecedores, clientes, opinião pública, governo, sociedade, etc), de forma a satisfazer as suas necessidades e interesses, gerando valor para todos, asseguraram a sustentabilidade em longo prazo dos negócios, por estarem sincronizadas com as novas dinâmicas que afetam a sociedade e o mundo empresarial. Este envolvimento da organização na prática da responsabilidade social gera sinergias, precisamente com os públicos dos quais a empresa depende, fortalecendo o seu desempenho global. Para Melo Neto e Fróes (citados em Guedes, 2000, p.43), uma empresa adquire o status de empresa-cidadã, quando atua em ambas as dimensões (responsabilidade empresarial interna e externa). Esta relação vai depender muito das políticas, valores, cultura e sobre tudo da visão estratégica que prevalecem na organização e no atendimento a essas expectativas.

Percebemos que as empresas precisam levar com seriedade e honestidade as suas relações com todos os stakeholders, pois essas relações tornaram-se uma questão de estratégia financeira e de sobrevivência empresarial, devido ao lado ético e humano trazido pela responsabilidade social.

Abaixo descrevemos as partes interessadas (stakeholders).

• Acionistas
• Empregados
• Fornecedores
• Clientes
• Comunidade
• Governo e Sociedade
• Concorrentes

4. GANHOS EMPRESARIAIS A PARTIR DA RESPONSABILIDADE SOCIAL

4.1. Ganhos empresariais a partir da responsabilidade social

Cada vez mais, valoriza-se a consciência de que uma gestão socialmente responsável pode trazer inúmeros benefícios às empresas. Em muitos depoimentos e pesquisas, a responsabilidade social aparece como responsável pelo apoio da sociedade e dos consumidores, pela preferência de investidores internacionais, por um espaço crescente aberto pela mídia, por um bom clima organizacional, pelo recrutamento e retenção de pessoas talentosas.

De acordo com Melo Neto e Fróes (citados em Guedes, 2000, p.56), esses ganhos com a responsabilidade social resultariam no chamado retorno social institucional:

“O retorno social institucional ocorre quando a maioria dos consumidores privilegia a atitude da empresa de investir em ações sociais, e o desempenho da empresa obtém o reconhecimento público. Como conseqüência, a empresa vira notícia, potencializa sua marca, reforça sua imagem, assegura à lealdade de seus empregados, fideliza clientes, reforça laços com parceiros, conquista novos clientes, aumenta sua participação no mercado, conquista novos mercados e incrementa suas vendas.” (MELO NETO e FRÓES citados em GUEDES, 2000, p. 56).

Com base no que foi dito acima, Guedes (2000, p. 56) afirma que se pode considerar que o retorno social institucional empresarial se concretiza através dos seguintes ganhos:

• em imagem e em vendas, pelo fortalecimento e fidelidade à marca e ao produto;
• aos acionistas e investidores, pela valorização da empresa na sociedade e no mercado;
• em retorno publicitário, advindo da geração de mídia espontânea;
• em tributação, com as possibilidades de isenções fiscais em âmbitos municipal, estadual e federal para empresas patrocinadoras ou diretamente para os projetos;
• em produtividade e pessoas, pelo maior empenho e motivação dos funcionários
• os ganhos sociais, pelas mudanças comportamentais da sociedade.

4.1.1. Imagens e vendas

Atualmente, reforço de imagem e marca tem sido cada vez mais valorizado pelas empresas devido à concorrência acirrada.

As empresas expostas em mídia em função de comportamentos socialmente responsáveis ou por patrocinarem eventos sociais, educacionais, culturais, ressaltam atributos positivos de suas marcas ao associar o valor da ação ou evento patrocinado à marca, podendo gerar lealdade de diversos públicos relevantes, que é uma das garantias de perenidade, lucratividade e competitividade atuais (Guedes, 2000, p.58).

Pesquisas demonstram que os consumidores atualmente estão mais propensos a consumir de empresas socialmente responsáveis.

Isto comprova que o consumidor brasileiro está começando a valorizar a empresa pelos seus investimentos sociais e em cima deste fato, está passando a privilegiar nas suas compras as empresas que tenham uma postura de responsabilidade social e volumes de investimentos sociais significativos, gerando mais vendas e lucros para essas empresas.

Portanto, uma empresa com boa imagem perante a sociedade e com marca reforçada torna-se mais conhecida e ao tornar-se mais conhecida, pode vender mais, ao vender mais aumenta seu valor patrimonial e sua competitividade no mercado.

4.1.2. Acionistas e Investidores

Reconhecendo que uma empresa com imagem e marca reforçada, através de atuação socialmente responsável, aproxima-se positivamente da comunidade, tornando-se mais conhecida, a empresa venderá mais, e ao vender mais conseqüentemente suas ações, no caso de companhias de capital aberto, serão mais valorizadas em bolsa.

Esta tendência também está acontecendo no Brasil. Boas “ações” começam a dar lucro no Brasil e a valorizar os papéis de companhias que incluem entre suas atividades preocupações com o meio ambiente, governança corporativa e atividades sociais, a exemplo de mercados mais desenvolvidos.

O investidor estrangeiro já reconhece que empresas socialmente responsáveis têm sucesso e até preferem investir nestas empresas.

4.1.3. Retorno Publicitário em Mídia Espontânea

O retorno publicitário tem sido medido pelas assessorias de imprensa das empresas, através da exposição da empresa na mídia de forma espontânea, isto é, gratuita, não paga nos meios de comunicação.

A empresa exposta em mídia em função de ter comportamento socialmente responsável, e com coerência ética em suas ações e relações com seus diversos públicos, podem destacar-se positivamente de seus concorrentes e, conseqüentemente, conquistar a simpatia do consumidor, reforçando também as suas marcas e imagem e ampliando suas participações no mercado.

Empresas que promovem ações socialmente responsáveis recebem atenção da mídia e viram notícia. Isto ocorre porque se direcionam para atender problemas que são de interesse de toda a sociedade.

Os investimentos sociais expostos na mídia espontânea acabam funcionando como propaganda para as próprias empresas, e estas passam a se destacar ainda mais para os consumidores.

4.1.4. Tributação

A legislação brasileira incentiva o desenvolvimento através dos benefícios fiscais concedidos às organizações e empresas que promovem através de patrocínios ou doações ações socialmente responsáveis.

De acordo com a Legislação específica as pessoas físicas e jurídicas que contribuem para algum tipo de projeto, seja ele cultural, artístico, esportivo e entre outros gozam de tais incentivos mediante a dedução do imposto de renda administrado pela Receita Federal, ISS e IPTU impostos administrados pelas prefeituras municipais, IPI e ICMS impostos administrados pelo governo do Estado.

O empreendedor que realizar o projeto divulgará o nome de sua empresa em todo o material promocional referente ao trabalho.

Nestas deduções são estabelecidos limites e alíquotas para o gozo desses incentivos, ou seja, uma parte dos impostos é transferida para os projetos que são apoiados.

A Lei de Incentivo Fiscal foi criada para quem tem um projeto cultural de qualidade e precisa de recursos financeiros para realizá-lo. Por meio dela se tem à possibilidade de executar trabalhos nas áreas de arquitetura, artes plásticas, dança, música, teatro, fotografia, cinema e vídeo, literatura, folclores, meio ambiente, patrimônio histórico, arquivo, museus.

O empreendedor pode ser tanto uma pessoa física ou jurídica, onde ele autoriza a transferir parte de seus impostos municipais (ISSQN-Imposto de Serviço de Qualquer Natureza e IPTU-Imposto Predial e Territorial Urbanos) para o projeto aprovado.

Os recursos para incentivo à cultura são limitados. A Lei determina que no máximo 1% da previsão de arrecadação pode ser destinado ao incentivo.

Para que se participe deste incentivo é preciso fazer um contrato com uma fundação cultural do município, onde será divulgados os projetos aprovados e seus respectivos incentivadores.

4.1.5. Produtividade e Pessoas

Os benefícios de imagem, vendas, mídia e fiscais, não são os únicos ganhos para as empresas que atuam em ações socialmente responsáveis.

A empresa socialmente responsável fortalece também o trabalho do endomarketing por ganhar a admiração de seu público interno – funcionários e colaboradores.

Em resumo, o voluntariado empresarial, como instrumento de responsabilidade social, apresenta fortes benefícios tanto para a empresa como para o desempenho profissional e motivação dos funcionários.

4.1.6. Retorno Social

Por fim, destaca-se o retorno social, que corresponde ao lucro social ou aos ganhos sociais gerados pela ação empresarial socialmente responsável para a sociedade.

Os ganhos sociais podem ser identificados de diversas formas, como por exemplo:

Pelas novas frentes de oportunidades abertas às empresas para assumirem seu papel de intervenção social em conjunto com os demais setores da economia. Nesse sentido é importante que a sociedade perceba que o governo não vai resolver sozinho os problemas do país;

Pela mudança de atitude da comunidade frente aos problemas do país evitando-se a divisão entre público e privado;

E finalmente, temos o retorno social mais importante, que corresponde à melhoria das condições de vida da comunidade. Em muitos casos, este ganho social é obtido pela adoção de uma política de voluntariado, gerado por ações sociais empresariais e que visa solucionar os problemas sociais existentes na comunidade.

Vimos que as empresas que adotam a responsabilidade social podem conseguir muitas vantagens nos mais variados sentidos, desde a influência positiva na imagem da empresa perante o mercado até a criação de uma sociedade mais justa que, em última instância, será imprescindível para a continuidade da empresa.

5. A RESPONSABILIDADE SOCIAL E A IMPORTÂNCIA DO BALANÇO SOCIAL

Para que se prove que uma empresa hoje é uma empresa cidadã e socialmente responsável, precisa-se de uma forma onde se possa destacar os múltiplos e complexos fatores que contribuíram para o amadurecimento desta idéia.

Quanto à mensuração da satisfação, uma empresa com seus funcionários satisfeitos tem uma melhor produtividade, pois são empresas que se preocupam com melhores condições de moradia, higiene, segurança no trabalho, proteção ambiental, melhores salários, ajuda ao próximo e etc.

Para que se possa mensurar a responsabilidade social, ou seja, medir e julgar fatos sociais vinculados à empresa internamente (empresa x funcionários) e externamente (empresa x comunidade) foi criado um instrumento de gestão empresarial chamado balanço social.

5.1. Conceito de balanço social

O balanço social é um demonstrativo publicado anualmente espelhando a situação social da empresa. Este instrumento traz um diferencial para a imagem da empresa que vem sendo valorizado por investidores e consumidores no Brasil e no mundo globalizado, pois demonstram o que a empresa faz por seus profissionais, dependentes, colaboradores e comunidade, dando transparência de forma ética ás atividades que buscam melhorar a qualidade de vida para todos, ou seja, através da mensuração da responsabilidade social construindo maiores vínculos entre a empresa, a sociedade e o meio ambiente.

5.2 Para que serve o balanço social

Este instrumento de avaliação possibilita os analistas de mercado, investidores e órgãos de financiamento, como o BNDES, BID e IFC, incluir o balanço social na lista dos documentos necessários para se conhecer e avaliar os riscos e as projeções de uma empresa.

5.3 O objetivo do balanço social

O balanço social tem por objetivo ser eqüitativo e comunicar informação que satisfaça a necessidade de seus usuários, que entre eles destaca-se: os trabalhadores, os clientes, os acionistas, o sindicato dos trabalhadores, instituições financeiras, fornecedores, credores, autoridades fiscais, monetárias e trabalhistas, o Estado, a comunidade local, enfim pesquisadores, professores e todos os formadores de opinião.

A divulgação do balanço social pelas empresas privadas é um meio de divulgar as atividades beneficentes que realizam e também de demonstrar às organizações do Segundo Setor essa nova mentalidade de responsabilidade social.

Não podemos deixar de mencionar no sociólogo Herbert de Souza, conhecido como Betinho, e o Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), em meados de 1997 os quais relataram a importância e a necessidade de realização do balanço social das empresas em um modelo único e simples.

No documento do Balanço Social deve ser explicito os impactos da atividade da empresa na sociedade, demonstrar sua abertura para dialogar com os diferentes públicos com os quais a empresa se relaciona.

6. ESTUDOS DE CASOS

6.1. Caso Natura

A Natura, uma empresa brasileira de cosméticos, desde o ano de 1999, estudou um jeito diferente de fazer negócios através da responsabilidade social se utilizando a biodiversidade, onde se faz produtos ecologicamente corretos respeitando o meio ambiente e oferecendo alternativas de atividade econômica aos trabalhadores da região de onde são extraídas as matarias primas de seus produtos.

Uma de suas missões é peregrinar pelo país em busca de comunidades que possam oferecer à empresa ativa como a castanha-do-pará e a copaíba colhida pelos extrativistas de Iratupuru, uma reversa localizada na floresta amazônica, na margem direita de rio Jarí, com mais de 800.000 hectares. Esta reserva composta por 152 moradores, sendo boa parte crianças vivendo ilhados, cercados pelo maior reversa de biodiversidade do mundo.

Outra missão é garantir que essas matérias primas sejam conseguidas de maneira sustentável tanto ambiental quanto socialmente e que a presença da Natura não devaste essas comunidades com a cultura e o modo de vida das chamadas populações tradicionais, mas as ajude a ganhar algum tipo de competitividade.

A Natura vem cada vez mais ampliando seus negócios através da responsabilidade social, onde preserva o meio ambiente, ajuda às comunidades carentes destas reservas, mostrando formas de negociação, crescimento e de como ampliar seus clientes, além da utilização de embalagens recicláveis.

Através da biodiversidade a Natura pretende usar como apoio à linha Ekos para entrar no mercado norte-americano, pois hoje a biodiversidade do Brasil é mais valorizada nos Estados Unidos e na Europa devido a sua riqueza em florestas.

6.2. Caso Mcdia Feliz

O McDia Feliz, coordenado nacionalmente pelo Instituto Ronald McDonald é a principal fonte de arrecadação de recursos em prol do combate ao câncer infanto-juvenil no Brasil.

Este evento é realizado desde 1988, onde um dia por ano todo o dinheiro arrecadado com a venda do lanche Big Mac, excluindo impostos, é revertido ao Instituto Ronald McDonald e a outras instituições que também lutam contra a doença. Em média, o número de Big Macs vendidos é cinco vezes maior que num dia normal.

Neste dia, os fornecedores são convidados a visitar os restaurantes ajudando a montar os sanduíches, registrar pedidos, montar bandejas. Outros fornecedores vão além disto, como é o caso da empresa de embalagens Brasilgráfica, fabricante da caixa do McLanche Feliz e das bandejas da rede, onde a empresa não cobra a mão de obra das embalagens do lanche cuja renda é revertida para as obras assistidas pelo McDia Feliz. De acordo com a empresa em 2002, trabalhando em conjunto com seus fornecedores de papel e papelão, ela conseguiu reduzir em até 70% o preço da embalagem.

De acordo com o presidente do McDonald´s Brasil o índice brasileiro de cura do câncer infanto-juvenil após o diagnóstico da doença evoluiu de 35% para 70% nos últimos 15 anos. Este sucesso é fruto de ações conjuntas do Instituto Ronald McDonald com funcionários, franqueados, parceiros, voluntários e fornecedores.

Outra empresa parceira do McDonald´s é a empresa Braslo, fornecedora de carne de boi e de frango, que conseguiu reduzir o custo de seus produtos em cerca de 40% como forma de aumentar a margem de contribuição na arrecadação final da campanha.

Neste dia o Big Mac terá um recheio especialíssimo, além dos ingredientes consagrados como dois hamburgers, alface, queijo, molho especial, cebola e picles em um pão com gergelim, o sanduíche mais famoso do mundo virá repleto de solidariedade, amor, carinho, esperança e cidadania.

6.3.Caso Petrobrás

A Responsabilidade Social e o Desenvolvimento Sustentável sempre fizeram parte da história da Petrobrás. A companhia é uma das pioneiras em investimentos a projetos sociais e ambientais no país.

Reconhecida pela sua marca de excelência na produção de petróleo a empresa estende a área sócio-ambiental o compromisso com a qualidade nos resultados de suas ações em benefício das comunidades. São mais de 300 projetos implantados, com iniciativas inovadoras e de impacto social.

Faz parte da visão de negócios da Petrobrás uma atuação responsável com o objetivo de cumprir sua função social e econômica. Para a Petrobrás, a melhoria de qualidade de vida da população depende da mobilização da sociedade, inclusive das empresas e instituições governamentais, que devem atuar junto às comunidades e em defesa da preservação do meio-ambiente.

Como já mencionamos anteriormente são mais de 300 projetos, mencionaremos a seguir somente alguns:

• Luta contra a exclusão social, a companhia reafirma seu forte compromisso com o desenvolvimento do país ao investir em projetos que contribuam para a redução das desigualdades sociais e em favor da cidadania. O Programa Petrobrás Social, lançado em 2001, é a nova estratégia de ação da empresa junto ao Terceiro Setor.
• A Petrobrás estende aos setores: social, cultural e ambiental a marca de excelência que imprime em suas atividades de petróleo, gás e energia. A Companhia está consciente de sua responsabilidade social e cumpre sua missão de empresa cidadã, atuando como agente de desenvolvimento humano sustentável.
• A função de uma empresa não se resume mais a dar lucro e emprego, pagar impostos e respeitar a lei. A Petrobrás entende que ao produzir interage com o meio ambiente e consome recursos naturais, patrimônio de todos. Por isso, considera que é seu dever prestar contas à sociedade quanto ao impacto de suas atividades sobre a biosfera.
• Também deve ser lembrada a contribuição da Petrobrás em inúmeros projetos realizados por Organizações Governamentais e Organizações Não-Governamentais, como o Projeto TAMAR, o Projeto Peixe-Boi, o Instituto Baleia-Jubarte e, ainda, com a Fundação Margaret Mee, que desenvolve ações relacionadas à diversidade da floresta atlântica em Unidades de Conservação do Estado do Rio de Janeiro, instituto de Pesquisas Jardim Botânico tem como objetivo a execução de um programa de estudo, conhecimento e restauração da Mata Atlântica. Iniciado em 1989, os programas Remanescentes de Floresta Atlântica no Rio de Janeiro já inventariou matas de encosta e sopé nas serras do Mar e da Mantiqueira, Projeto Manguezarte, Projeto Pomar,e etc

Dessa forma, a companhia reforça seu comprometimento com o desenvolvimento científico e sua preocupação com as questões ambientais.

E por fim destacamos o projeto PATE – Programa Avançado de Assistência e Tratamento a Pessoas Especiais concretiza o compromisso da Petrobrás com a construção de uma sociedade inclusiva. Com ele, a Companhia busca contribuir para que as pessoas com necessidades especiais possam exercer seus direitos fundamentais. O fundamento ético do Programa é a inclusão dessas pessoas em suas comunidades e na sociedade brasileira, seja na escola, no trabalho, nas atividades de lazer, turismo e esportes; nas artes, cultura e outras áreas. Com esse fim, o Programa inclui ações que visam contribuir para que a sociedade se adapte para atender às necessidades específicas dessas pessoas.

6.4. Brasil Telecom

Brasil Telecom cria central telefônica para pessoas com deficiência auditiva

O bate-papo entre Hiram Alcântara Moura, 26 anos, professor de informática e portador de deficiência auditiva, com seus amigos e familiares ficou mais fácil. Desde 2000, a partir de um regulamento da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), a empresa de telecomunicações Brasil Telecom passou a oferecer os serviços da Central de Atendimento ao Surdo. O atendimento é feito pelo número 142, e os usuários têm a sua disposição serviços de informações, consultas, ligações e intermediações de ligações. Para ter acesso a esse atendimento, a pessoa com deficiência auditiva precisa adquirir um aparelho especial que possibilita a comunicação entre surdos. A pessoa digita a mensagem num teclado, a atendente faz a ligação e transmite a conversa.

Hiram conta que, agora, não precisa mais da ajuda de intérpretes para falar ao telefone e assim ganhou autonomia e privacidade durante as conversas. “Ficou muito mais fácil a comunicação. Muitos deficientes auditivos usam também, assim como as mensagens pelos celulares”, comenta o professor, que utiliza o equipamento na Associação dos Surdos de Goiânia, pois ainda não tem em casa devido ao preço. Os equipamentos nacionais custam, em média, R$ 800 e os importados R$ 1.700. Os usuários que adquirem os aparelhos fazem um cadastro prévio na empresa para ter acesso ao número 142. Todas as ligações são gratuitas, até mesmo para outros Estados, mas, devido à intermediação, o processo pode ser mais lento do que uma ligação normal. As organizações sociais que atendem pessoas portadoras de deficiência auditiva facilitam a aquisição dos equipamentos e, em diversos casos, oferecem esse aparelho no próprio local. A Brasil Telecom faz a instalação e libera o serviço gratuitamente sempre que as entidades fazem uma solicitação.

A Associação dos Surdos de Goiânia, atuante há mais de 29 anos, atende mais de mil pessoas portadoras de deficiência auditiva do município e de cidades vizinhas. Conta com o aparelho e serviços da Brasil Telecom desde o início da operação da Central. Na opinião de Eliana Maria Cardoso, diretora da escola da Associação, o serviço veio retirar o deficiente auditivo do isolamento, permitindo uma maior integração entre eles. “Antigamente, toda essa comunicação era feita somente por fax. Muitas pessoas não tinham condições de comprar o aparelho. Aqui, eles podem usar o telefone quando quiserem. Isso é muito bom”.

A Brasil Telecom oferece ainda 115 telefones públicos equipados com o aparelho para atendimento a pessoas com deficiência auditiva. Localizados em diversos estados. Hiram ressalta a importância de aumentar o número de locais com os aparelhos. A proposta, segundo Zalther Povoas, gerente de Relacionamento com o Cliente, é atender a essa demanda e oferecer novas tecnologias. “Acredito que o serviço vai evoluir com a banda larga, já que os aparelhos poderão ser ligados ao computador e não será necessária mais a intermediação da atendente”, comenta. Segundo o gerente, o resultado do projeto tem sido positivo e reconhecido pelas entidades.

CONCLUSÃO

Neste trabalho, procuramos discutir o que é a Responsabilidade Social e quais as medidas que inúmeras empresas vem utilizando como estratégia de diferenciação. Para isso, assumimos que o conceito, tal como proposto inicialmente sofreu uma evolução histórica e hoje pode ser visto como uma filosofia empresarial que orienta as atividades de negócios rumo a um comportamento ético, de forma a responder às tensões geradas a partir da relação de reciprocidade existente entre a empresa e a sociedade.

A responsabilidade social está se transformando em uma das estratégias mais importantes para as empresas brasileiras. Além do preço e da qualidade esperada, participar efetivamente para o desenvolvimento de seus públicos, faz as empresas perceberem que isso também satisfaz seus clientes, ou melhor, conquista-os. Se antigamente a empresa era alienada de seu ambiente, hoje deverá atuar na comunidade para que possa garantir sua sobrevivência.

As empresas que investem socialmente estão modificando seu próprio conceito, pois melhoram a qualidade de vida de seus funcionários, apresentam maior produtividade, melhor acesso ao capital com o crescente apoio de investidores, preocupam-se com o meio ambiente e com o desenvolvimento da comunidade.

As empresas devem melhorar a estruturação de suas ações sociais, visando à utilização de mecanismos que proporcionam uma maior visibilidade dessas práticas, sendo o balanço social um desses possíveis mecanismos, em cumprimento à nova proposta de garantia da propriedade imposta pela Constituição Federal e pelo mercado.

A responsabilidade social resgata a função social da empresa, tendo por objetivo maior a promoção da qualidade nas relações dos públicos da empresa com práticas que respeitem as pessoas, a comunidade e o meio ambiente, para a construção de uma sociedade mais justa e qualitativamente melhor para o viver humano, com atividade mais condizente com os ditames sociais e legais hoje estabelecidos em nossa comunidade.

Quando uma empresa se propõe a fazer responsabilidade social pode até pensar no crescimento de seus lucros, mas só quando estão realizando, percebem o gasto com o grande investimento a que ela se propõe e percebe que não é tão simples, mas precisam de cooperativismo e otimismo junto aos funcionários, fornecedores, consumidores, comunidade e governo para que ambas as partes possam ter o tão chamado lucro, seja ele quantitativo como qualitativo, tornando-se assim o negócio dos negócios.

Desenvolvendo este trabalho nosso grupo pode perceber o quanto é gratificante para o ser humano realizar uma ação social seja cultural, ambiental, na área de saúde, enfim, desenvolver algo que possa trazer benefícios sociais e morais ao nosso país.

Para nossa reflexão deixamos a seguinte frase do saudoso Betinho :

“O mundo está dividido entre os que aceitam a pobreza e a miséria, criando o apartheid social e sendo omissos, e os que não aceitam essa realidade”.
(Herbert de Sousa)

BIBLIOGRAFIA

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